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Revista Pesquisas Jurídicas

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ANÁLISE COMPARATIVA DO PROCEDIMENTO ORDINÁRIO DO ATUAL CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL COM O DO PROJETO DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL

RESUMO

Danielle Rosado Targino de Oliveira

Atualmente, a justiça vem recebendo muitas críticas ante a falta de celeridade processual, razão pela qual, surgiu a proposta do anteprojeto do Novo Código de Processo Civil, que, por ser mais conciso e menos burocrático, vem trazer mudanças importantes no Processo Civil Brasileiro, a fim de se atingir uma maior eficiência da prestação jurisdicional. Nesse sentido, o presente trabalho pretende realizar uma análise comparativa entre o atual Código de Processo Civil e o anteprojeto, com enfoque no procedimento ordinário, por ser o mais complexo e de maior duração, trazendo à tona as mudanças pretendidas nessa área de conhecimento.

Palavras-Chave: Celeridade Processual. Anteprojeto do Novo Código de Processo Civil. Procedimento Ordinário.

1

INTRODUÇÃO

O clamor da sociedade atual é pela celeridade da prestação judicial, em acordo com a

cláusula constitucional da duração razoável do processo. Exatamente por isso, o Senado

Federal, trabalhando com o Judiciário, elaborou o anteprojeto do novo Código de Processo

Civil, porque a parte não pode esperar décadas para que tenha seu litígio solucionado. Sob

esse enfoque, a comissão trabalhou, procurando verificar de que maneira poderia, através da

técnica, dar mais agilidade ao processo.

As reformas não só se voltaram para a celeridade, como também para a simplicidade,

de modo a facilitar o trabalho de todos os que de alguma maneira manejam os processos e dar

efetividade a institutos através da resolução de temas controversos ainda existentes no que diz

respeito ao sistema processualístico atual.

Graduanda em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). rosado@hotmail.com.

E-mail: danny-

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Assim, diversas soluções foram propostas, com grande destaque para as modificações sugeridas ao procedimento ordinário, já que constitui o mais complexo e de maior duração, o qual será o foco do presente trabalho. Nesse contexto, sob o enfoque dos princípios da celeridade processual, do acesso à justiça e da duração razoável do processo, serão apresentados, de maneira brevemente comparativa, certos institutos presentes no atual sistema processualístico ordinário, pautado no Código de Processo Civil de 1973, e como serão tratados no novo código, a partir da análise do Anteprojeto de Código de Processo Civil, ainda em trâmite no Congresso Nacional.

2 DA PROPOSTA DO ANTEPROJETO DO NOVO CPC

O anteprojeto de lei do novo Código de Processo Civil (CPC) possui 200 artigos a menos do que o código atual. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, presidente da comissão de juristas designada pelo Senado para formular o anteprojeto de lei do novo Código de Processo Civil (CPC), esclareceu que trará importantes alterações ao atual Código, em vigor no país desde 1973 1 . O anteprojeto altera o Código vigente, o que é percebido na extinção de recursos como os embargos infringentes e agravos (que podem ser utilizados ilimitadamente num processo). Destes ficará apenas o agravo de instrumento, que será válido apenas para as hipóteses de concessão ou não de tutela de urgência; para as interlocutórias de mérito, para as interlocutórias proferidas na execução e no cumprimento de sentença, e para os demais casos previstos na lei (art. 929 2 do anteprojeto do CPC).

1 BRASIL. Código de Processo Civil: anteprojeto/ Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em:

<http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf>. Acesso em: 1 dez 2011. 2 Art. 929. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias:

I que versarem sobre tutelas de urgência ou da evidência; II que versarem sobre o mérito da causa;

III proferidas na fase do cumprimento de sentença ou no processo de execução;

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A quantidade de recursos possíveis no processo brasileiro, que pode atingir o número de 40 numa única ação, já é alvo de críticas há um bom tempo, logo, era de se esperar uma redução neste número com a reforma do Código. A proposta cria instrumentos que contribuirão para reduzir o tempo do trâmite das ações na Justiça, e atende às queixas de empresários e advogados atinentes à penhora on-line de contas bancárias e o bloqueio de bens de sócios de empresas. O projeto contempla ainda a advocacia no que se refere ao pagamento dos honorários de sucumbência em relação à Fazenda Pública (art. 73, § 3º do anteprojeto do CPC) 3 , estabelecendo um percentual mínimo que não existe hoje e é fixado pelo juiz; e criando as “férias coletivas” para a categoria, no período de 20 de dezembro a 20 de janeiro, com a suspensão dos prazos. Entre as medidas, destacam-se os instrumentos processuais que levarão ao fortalecimento da jurisprudência dos tribunais superiores, bem como à unificação dos prazos recursais; a eliminação de alguns recursos e a criação do incidente de coletivização das ações de massa, para evitar que milhares de ações individuais idênticas cheguem ao Poder Judiciário. “O processo é um instrumento de realização de Justiça que precisa ser implementado dentro de um prazo razoável, embora atualmente os juízes tenham que travar, ao julgar, uma luta incansável contra o tempo 4 , afirma o ministro Luiz Fux. Com relação às modificações que estão sendo propostas no conhecimento (fase introdutória do processo), o anteprojeto recomenda a ampliação dos poderes dos magistrados e a extinção dos chamados incidentes processuais. Acrescenta o ministro Fux 5 :

Alguns direitos possuem vicissitudes que permitem aos juízes adaptar um procedimento ao caso concreto. Há casos em que basta o depoimento do autor e do réu para o juiz decidir. Por isso, estamos querendo fazer com que, em situações como essas, sejam afastadas as liturgias. Estamos imaginando uma forma de permitir ao juiz, à luz da jurisprudência dominante, buscar soluções que permitam o julgamento dos processos com maior celeridade.

3 Art. 73. § 3º. Nas causas em que for vencida a Fazenda Pública, os honorários serão fixados entre o mínimo de cinco por cento e o máximo de dez por cento sobre o valor da condenação, do proveito, do benefício ou da vantagem econômica obtidos, observados os parâmetros do § 2º.

4 Ministro Luiz Fux fala sobre anteprojeto do novo CPC na Câmara dos Deputados. Portal do STF, Brasília, 26

dez.

em:

<http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=96619> Acesso em: 29 de novembro de 2011.

5 Idem.

2011.

Disponível

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3 DO PROCEDIMENTO ORDINÁRIO

O procedimento comum ordinário é sem dúvida o mais complexo e de maior duração, admitindo-se a prática de infindáveis atos processuais. Exatamente por isso, possui longa duração se comparada à tramitação das ações que se desenvolvem pelos procedimentos sumário e sumaríssimo. Nesse aspecto, múltiplas alterações foram introduzidas no CPC, algumas se voltando à realidade específica do procedimento sumário. Poucas outras se dirigiram ao procedimento comum ordinário, como a determinação do aperfeiçoamento da citação pelos correios (art. 222), como regra. O procedimento comum ordinário é, assim, considerado o mais completo da Lei de Ritos, gerando frustrações à parte que intentava resolver o conflito de interesses em curto espaço de tempo. Apesar disso, anotamos que é aplicado de forma geral, sendo apenas afastada, quando for possível, a adoção do procedimento especial, do sumário ou do sumaríssimo, tratando os dois últimos de questões de menor complexidade jurídica, admitindo, por conseguinte, o desprezo de alguns atos e a concentração de outros, sobre eles incidindo princípios processuais específicos, que norteiam o seu desenvolvimento. Conforme preceitua Luiz Guilherme Marinoni e Sérgio Cruz Arenhart (2010, p. 69):

O processo de conhecimento se serve do procedimento comum e de procedimentos

especiais. O procedimento comum pode apresentar-se como procedimento ordinário

e,

em alguns casos, como procedimento sumário. Portanto, quando não está previsto

o

procedimento especial, e quando não é de observar-se o procedimento sumário,

aplica-se o procedimento ordinário, que em outras palavras é o procedimento padrão e básico para a tutela dos direitos.

4 DA ANÁLISE COMPARATIVA DO PROCEDIMENTO ORDINÁRIO ENTRE O CÓDIGO DE 1973 E O ANTEPROJETO DO NOVO CÓDIGO

Em contraposição a essa sucessão infindável de atos processuais e a consequente delonga do processo, o anteprojeto do CPC atenta para inúmeras e diversas modificações na

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matéria do procedimento ordinário, buscando evitar a supracitada frustração das partes em virtude da lentidão do trâmite processual e o acúmulo de processos nos tribunais. Sobre a matéria do procedimento ordinário, o Código de Processo Civil regula sua dinâmica a partir do art. 274, já o anteprojeto trata do assunto a partir do art. 302 6 . A diferença desde já reside no fato de que o novo código não nomeia o procedimento ordinário, denominando-o somente como procedimento comum, diferentemente do Código em vigor que aduz ser comum tanto o procedimento ordinário como o procedimento sumário.

4.1 Da petição inicial

De acordo com Humberto Theodoro Júnior (2011, p. 359), “o veículo de manifestação formal da demanda é a petição inicial, que revela ao juiz a lide e contém o pedido da providência jurisdicional, frente ao réu, que o autor julga necessário para compor o litígio.

Ademais, conforme preleciona Cândido Rangel Dinamarco (2009, p.365):

A petição inicial está sujeita a certos requisitos estruturais, que são aqueles postos pelos incisos do art. 282 do Código de Processo Civil, bem como aos requisitos puramente formais pertinentes aos atos processuais em geral. Há ainda os requisitos extrínsecos, que não se referem à petição inicial mesma, mas à propositura da demanda mediante ela; trata-se dos documentos que devem acompanhá-la (art. 283 etc.), da procuração ad judicia, do preparo inicial etc.

Sendo assim, quando o juiz verificar que a petição inicial não preenche os requisitos determinados pelo Código ou que apresenta defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, constata-se mudança no prazo para a sua emenda ou complementação; o art. 284 do CPC estipula um prazo de 10 (dez) dias, enquanto o art. 305 do anteprojeto 7 comina prazo de 15 (quinze) dias para o mesmo fim. Embora o CPC não estabeleça a obrigação de o magistrado indicar no despacho que determina a emenda da inicial o requisito

6 BRASIL. Código de Processo Civil: anteprojeto/ Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em:

<http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2011.

7 BRASIL. Código de Processo Civil: anteprojeto/ Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em:

<http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2011.

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que reclama retificação ou complementação, entende-se que essa especificação é sadia, devendo ser observada na prática forense, em atenção a critérios de razoabilidade, facilitando a prática do ato pelo ator, esse entendimento foi assimilado pelo anteprojeto, já que a parte final do seu art. 305 estabelece que o magistrado deve indicar com precisão o que deve ser corrigido. O autor deve fixar o foro competente e dentro dele o juízo. A equivocada indicação de autoridade competente, com a consequente distribuição da ação para juízo diverso do que recebeu delegação e constitucional para apreciá-la e julgá-la, pode configurar a incompetência absoluta, acarretando a necessidade de encaminhamento dos autos ao juízo competente, com a invalidação dos atos decisórios, incluindo sentença por ventura prolatada no processo (art. 113, parágrafo 2º, do CPC, correspondendo aos parágrafos 2º e 3º do anteprojeto 8 , com a ressalva de que o parágrafo 3º textualiza a regra de que salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos das decisões proferidas pelo juízo incompetente, até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente). O art. 49 do anteprojeto 9 do novo CPC estabelece que a incompetência relativa deve ser suscitada como preliminar da contestação (assim como a incompetência absoluta, não mais através de incidente processual). O valor da causa pode servir como base para a fixação de multa quando o magistrado considerar procrastinatório o recurso de embargos de declaração interposto pela parte (parágrafo único do art. 538, correspondendo ao parágrafo 1º do art. 941 10 do anteprojeto do novo CPC, com a mesma orientação legal, diferenciando-se no percentual da multa, que é elevada para até cinco por cento do valor da causa). Inovando no assunto, com a pretensão de que o processo tenha curso mais célere, o art. 256 do anteprojeto do novo CPC dispõe:

8 Idem.

9 Idem. 10 Art. 941. Os embargos de declaração não têm efeito suspensivo e, salvo quando intempestivos, interrompem o prazo para a interposição de outros recursos por qualquer das partes. §1º Quando manifestamente protelatórios os embargos, o juiz ou o tribunal condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a cinco por cento sobre o valor da causa. § 2º Não serão admitidos novos embargos declaratórios, se os anteriores houverem sido considerados protelatórios.

§ 3º A interposição de qualquer outro recurso fica condicionada ao depósito do valor de cada multa, ressalvados

a Fazenda Pública e os beneficiários da gratuidade de justiça.

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Art. 256. O réu poderá impugnar, em preliminar de contestação, o valor atribuído à causa pelo autor, sob pena de preclusão; o juiz decidirá a respeito na sentença, impondo, se for o caso, a complementação das custas.

Quando não há previsão na lei, o magistrado deve aguardar que o réu impugne o valor dado à causa através do incidente processual. O parágrafo único do art. 255 do anteprojeto 11 estabelece a seguinte regra:

O

juiz fixará, de ofício, por arbitramento, o valor da causa quando: I verificar que

o

valor atribuído não corresponde ao conteúdo patrimonial em discussão ou ao

proveito econômico perseguido pelo autor, caso em que se procederá ao recolhimento das custas correspondentes; II a causa não tenha conteúdo econômico imediato.

Em face do requerimento para a citação do réu, o art. 297 12 do anteprojeto inova na matéria em detrimento do art. 263, ao estabelecer que a ação é considerada proposta quando a petição inicial for protocolada. Interposta a apelação, assistimos a um fenômeno que quebra a sistemática processual, afastando a aplicação do art. 463 (correspondendo ao art. 476 13 do anteprojeto do novo CPC), peremptório em estabelecer que a prolação da sentença põe fim à atuação do magistrado no processo (na fase de conhecimento), apenas admitindo-se nova intervenção da sua parte para enfrentar o recurso de embargos de declaração ou para corrigir inexatidões materiais ou erros de cálculos, com a ressalva que o inciso II do art. 476 do anteprojeto estabelece a regra de que o magistrado também pode alterar a sentença para aplicar tese fixada em julgamento de casos repetitivos. Embora a lei processual não preveja a necessidade de o magistrado determinar o aperfeiçoamento da intimação do réu para que ofereça contrarrazões no prazo previsto em lei, antes de encaminhar os autos ao Tribunal, entende-se que, em respeito aos princípios do contraditório e da ampla defesa, deve ser oportunizada ao réu a possibilidade de apresentar a

11 Idem.

12 Art. 297. Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada. A propositura da ação, todavia, só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 197 depois que for validamente citado.

13 Art. 476. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:

I para corrigir nela, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou lhe retificar erros de cálculo; II para aplicar tese fixada em julgamento de casos repetitivos; III por meio de embargos de declaração.

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manifestação processual, em análise, limitando-se a defender as razões que conduziram o magistrado a peça inicial. Esse pensamento é compreendido pelo anteprojeto no seu art. 316, com a seguinte redação:

Art. 316. Indeferida a petição inicial, o autor poderá apelar, facultado ao juiz, no prazo de quarenta e oito horas, reformar sua decisão. Parágrafo único. Não sendo reformada a decisão, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso.

4.2 Da resposta do réu

Com as atenções voltadas para o anteprojeto do CPC, percebemos que a impugnação ao valor da causa e a alegação de incompetência relativa passam a ser preliminares da contestação (incisos II e III do art. 338 do anteprojeto), e que a reconvenção é definitivamente substituída pelo pedido contraposto (art. 337), que deve ser formulado na contestação, técnica que evita a proliferação de defesas, contribuindo para o encerramento do processo em espaço de tempo menor. O prazo para o oferecimento da resposta só começa a fluir da data da juntada aos autos do mandado devidamente cumprido ou do aviso de recebimento, quando a citação for aperfeiçoada pela via postal, como é a regra do art. 222, correspondendo ao art. 204 do anteprojeto. Com a ressalva de que o anteprojeto propõe a adoção de regra diferenciada, estabelecendo que a contestação deve ser apresentada no prazo de 15 (quinze) dias, contado da audiência de conciliação, ou a partir da juntada do mandado ou de outro instrumento de citação, quando a audiência não for designada por magistrado (art. 334 e 335) 14 . Na ação de procedimento ordinário, o prazo para a apresentação da defesa é de 15 (quinze) dias, exceto se o réu for beneficiado pela contagem de prazo ampliado nos casos da ação proposta contra a Fazenda Pública ou Ministério Público, ou quando a ação é proposta contra mais de um réu; nesses casos, o anteprojeto estabelece a regra de que o prazo é contado em dobro.

14 Art. 334. O réu poderá oferecer contestação em petição escrita, no prazo de quinze dias contados da audiência de conciliação. Art. 335. Não havendo audiência de conciliação, o prazo da contestação será computado a partir da juntada do mandado ou de outro instrumento de citação.

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4.3 Sobre o pedido

Quanto ao pedido, logo no primeiro artigo referente ao assunto, art. 286 e art. 307, do CPC e do Anteprojeto, respectivamente, nota-se mínima modificação no inciso II. No CPC, é

lícito formular pedido genérico “quando não for possível determinar, de modo definitivo, as consequências do ato ou do fato ilícito”, e no Anteprojeto é lícito formular pedido genérico “quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do fato ilícito” 15 .

E o inciso III do Anteprojeto acrescenta ser lícito formular pedido genérico não só “quando a

determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu”, mas também “quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu”; acrescentando ainda parágrafo único concernente à aplicação do disposto no artigo ao pedido contraposto.

O CPC estabelece em seu art. 290:

Art. 290. Quando a obrigação consistir em prestações periódicas, considerar-se-ão elas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor; se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las, a sentença as incluirá na condenação, enquanto durar a obrigação.

Tal artigo é alterado pelo art. 310 do anteprojeto 16 :

Art. 310. Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações sucessivas, estas serão consideradas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor; se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las, serão incluídas na condenação, enquanto durar a obrigação.

A mudança se dá na nomenclatura das obrigações periódicas (cujo significado remete

à reprodução com intervalos de tempos iguais), que passam a ser chamadas de sucessivas

(cujo significado remete à continuidade, ininterrupção).

15 BRASIL. Código de Processo Civil: anteprojeto/ Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em:

<http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2011. 16 Idem.

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Quanto à cumulação de pedidos contra o mesmo réu num único processo, dispõe o art. 292, parágrafo primeiro, do CPC: “Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento, admitir-se-á a cumulação, se o autor empregar o procedimento ordinário”. Mas no anteprojeto, isso ocorre “se o autor empregar o procedimento comum e for este adequado à pretensão” - art. 312 17 . Como já foi dito, o anteprojeto não distingue o procedimento comum em ordinário. O anteprojeto, no seu art. 313 18 adiciona ao art. 293 do CPC a correção monetária e as verbas de sucumbência aos juros legais referentes aos pedidos, que devem ser interpretados restritivamente. No que diz respeito ao art. 294 do CPC: “Antes da citação, o autor poderá aditar o pedido, correndo à sua conta as custas acrescidas em razão dessa iniciativa”; o anteprojeto o modifica bastante, estabelecendo, destarte, em seu art. 314:

Art. 314. O autor poderá, enquanto não proferida a sentença, aditar ou alterar o pedido e a causa de pedir, desde que o faça de boa-fé e que não importe em prejuízo ao réu, assegurado o contraditório mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de quinze dias, facultada a produção de prova suplementar. Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo ao pedido contraposto e à respectiva causa de pedir.

No Código de Processo Civil atual, percebemos que, para o aditamento do pedido, faz-se necessário o ônus do pagamento das custas processuais, bem como se restringe somente ao momento anterior à citação. É importante ressaltar que também não se admitem mudanças na causa de pedir. No anteprojeto do Novo CPC, por sua vez, o aditamento pode ser feito até o momento da sentença, desde que seja de boa-fé e respeitados os requisitos mínimos do contraditório, ou seja, resposta do réu com relação ao aditamento. Outra mudança significativa é a possibilidade de se aditar a causa de pedir e a faculdade de provas suplementares.

4.4 Indeferimento da petição inicial

17 Idem.

18 Art. 313. Os pedidos são interpretados restritivamente, compreendendo-se, entretanto, no principal, os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência.

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Consoante os ensinamentos de Cândido Rangel Dinamarco (2009, p. 400-401), “indeferir a petição inicial significa rejeitar o requerimento, que ela contém, de realizar o processo e conduzi-lo em direção ao julgamento da pretensão deduzida pelo demandante. No atual CPC, a petição é indeferida quando o juiz verificar, desde logo, a decadência ou a prescrição (art. 219, § 5 o ); quando o tipo de procedimento, escolhido pelo autor, não corresponder à natureza da causa, ou ao valor da ação; caso em que só não será indeferida se puder adaptar-se ao tipo de procedimento legal; quando não atendidas as prescrições do art. 39, parágrafo único, primeira parte, e art. 284. O anteprojeto simplifica e considera indeferida a petição quando não verificadas as situações de prescrição presentes nos arts. 89 e 305 19 . Além disso, o anteprojeto, diferentemente do CPC, não explicita sobre a inépcia da petição inicial quando o pedido for juridicamente impossível, talvez essa mudança tenha ocorrido para enxugar o Código, tornando-se dispensável explicitar tal hipótese por sua obviedade. Ainda sobre o indeferimento da petição inicial, não sendo reformada a decisão pelo juiz dentro das 48 (quarenta e oito) horas previstas por lei no caso de apelação do autor; no CPC, os autos serão imediatamente encaminhados ao tribunal competente, no entanto, no anteprojeto, o juiz mandará citar o réu para responder ao recurso.

4.5 Outras disposições

Quanto à dinâmica da propositura da ação e o despacho do magistrado ordenando a citação do réu, bem assevera Misael Montenegro Filho (2011, p. 171):

19 Art. 89. Incumbe ao advogado ou à parte, quando postular em causa própria:

I declarar na petição inicial ou na contestação, o endereço em que receberá intimação;

II comunicar ao juízo qualquer mudança de endereço.

§ 1º Se o advogado não cumprir o disposto no inciso I, o juiz, antes de determinar a citação do réu, mandará que

se supra a omissão no prazo de quarenta e oito horas, sob pena de indeferimento da petição.

§ 2º Se o advogado infringir o previsto no inciso II, serão consideradas válidas as intimações enviadas, em carta

registrada, para o endereço constante dos autos. Art. 305. Verificando o juiz que a petição inicial não preenche os requisitos dos arts. 303 e 304 ou que apresenta

defeitos e irregularidades capazes de dificultar o julgamento de mérito, determinará que o autor, no prazo de quinze dias, a emende ou a complete, indicando com precisão o que deve ser corrigido. Parágrafo único. Se o autor não cumprir a diligência, o juiz indeferirá a petição inicial.

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Com a propositura da ação e o despacho do magistrado ordenando a citação do réu (na hipótese de não ter ocorrido o indeferimento da inicial ou a determinação da sua emenda arts. 284 e 295), o promovido pode defender-se através da apresentação de ampla defesa, desdobrando-se em contestação; reconvenção; exceções de incompetência relativa, de impedimento e de suspeição e impugnação ao valor da causa, com as ressalvas de que o anteprojeto do novo CPC propõe a modificação dessa técnica, prevendo: I) que o recebimento da petição inicial é seguido da designação da audiência de tentativa de conciliação; II) que a defesa do réu deve ser apresentada de forma concentrada, sendo exclusivamente representada pela contestação, admitindo que a impugnação ao valor da causa, a arguição da incompetência relativa do juízo e o pedido contraposto sejam formulados como preliminar da contestação.

O inciso II do art. 338 do anteprojeto dispõe que a incompetência relativa deve ser suscitada como preliminar da contestação, não mais como exceção, e que o impedimento ou a suspeição do magistrado deve ser suscitado em petição específica dirigida ao juiz da causa. Quanto à ação de execução e ação declaratória de nulidade, adverte-se que o parágrafo único do art. 40 do anteprojeto estabelece a regra de que se aplica o disposto no caput à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativas ao mesmo débito. O anteprojeto inova na medida em que não faz mais referência à carência de ação, como preliminar da contestação, mas à ausência de legitimidade ou de interesse processual, tratando a eventual impossibilidade jurídica do pedido como matéria de mérito. Além disso, se o réu alegar na contestação ser parte ilegítima, o juiz facultará ao autor, em quinze dias, a emenda da inicial, para corrigir o vício (art. 339 20 do Novo CPC). Também contempla que o impedimento ocorre não apenas quando o cônjuge do magistrado participa do processo, como também a sua companheira (art. 114, inciso IV 21 do anteprojeto do CPC). Quanto ao réu revel, com relação às mudanças na inicial, dispõe o art. 321 do CPC: “Ainda que ocorra revelia, o autor não poderá alterar o pedido, ou a causa de pedir, nem demandar declaração incidente, salvo promovendo nova citação do réu, a quem será assegurado o direito de responder no prazo de 15 (quinze) dias”. Ao passo que o anteprojeto não estabelece nada disso. E somente no CPC, o decorrer dos prazos contra o revel que não tenha patrono nos autos independe de intimação. Para as alegações do réu, nos casos

20 Art. 339. Alegando o réu, na contestação, ser parte ilegítima, o juiz facultará ao autor, em quinze dias, a emenda da inicial, para corrigir o vício. Nesse caso, o autor reembolsará as despesas e pagará honorários ao procurador do réu excluído, moderadamente arbitrados pelo juiz.

21 Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções do processo:

IV quando ele próprio ou seu cônjuge, companheiro ou parente, consangüíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o segundo grau, inclusive, for parte no feito.

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previstos e explicitados no art. 327 do CPC e no art. 349 do anteprojeto, tem-se a mudança dos prazos, no CPC o prazo é de 10 (dez) dias, já no anteprojeto, o prazo é de 15 (quinze) dias.

No anteprojeto, percebe-se, em seu art. 333, que o legislador infraconstitucional propõe a adoção de um sistema diferenciado, marcado pela designação da audiência de tentativa de conciliação no início das ações de curso pelo rito comum ordinário (como atualmente ocorre em relação ao rito sumário). Percebemos também que o legislador infraconstitucional propõe no art. 354 a supressão da audiência preliminar, para estabelecer que o saneamento deve ser realizado pelo magistrado no seu gabinete de trabalho, independentemente da designação de audiência específica. Do julgamento conforme o estado do processo, na parte referente à extinção do processo, ocorrendo as hipóteses previstas no art. 329 do CPC, o juiz declarará extinto o processo; enquanto no anteprojeto, no caso das hipóteses previstas no art. 352 22 , o juiz proferirá sentença. Tal modificação traz uma evolução na expressão, pois o termo “proferir sentença” é mais bem colocado com relação ao cabimento de recurso, visto que a extinção do processo, mesmo sendo cabível recurso, muitas vezes, aduz a ideia de coisa julgada. Na parte do julgamento antecipado da lide, no caso do anteprojeto, o juiz proferirá sentença, necessariamente, com resolução de mérito. No âmbito da fase de instrução, explica Misael Montenegro Filho (2011, p.171):

Frustrada a tentativa de conciliação estimulada na abertura da audiência preliminar, havendo necessidade de produção de prova pericial e/ou oral, é designada audiência de instrução e julgamento, antecedida da intimação das partes e dos seus advogados, bem como da apresentação do rol das testemunhas no prazo fixado pelo magistrado ou, na ausência de fixação expressa, no mínimo dez dias antes da audiência de instrução, com a ressalva de que o anteprojeto do novo CPC propõe a modificação dessa técnica, prevendo que o rol de testemunhas deve acompanhar a petição inicial e a contestação.

Com as atenções voltadas para o art. 429 do anteprojeto do novo CPC 23 :

22 Art. 352. Ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 467 e 469, incisos II a V, o juiz proferirá sentença.

23 BRASIL. Código de Processo Civil: anteprojeto/ Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em:

<http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2011.

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Art. 429. Incumbe às partes, na petição inicial e na contestação, apresentar o rolo de testemunhas, precisando-lhes, se possível, o nome, a profissão, o estado civil, a idade, o número do cadastro de pessoa física e do registro de identidade e o endereço completo da residência e do local de trabalho.

Percebe-se, assim, que a obrigatoriedade da apresentação do rol de testemunhas em companhia da petição inicial (como também da contestação) foi estendida para o rito comum ordinário. Retomando para o anteprojeto, nota-se que os atos preparatórios da audiência de instrução e julgamento podem sofrer duas alterações, uma marcada pela exigência de que o autor e o réu devem apresentar o rol de testemunhas na petição inicial ou na contestação, e a outra marcada pela previsão de que cabe ao advogado informar a testemunha arrolada do local, do dia e do horário da audiência designada, dispensando-se a intimação do juiz.

4.6 Sobre as provas

Das provas: do depoimento pessoal, no que diz respeito aos fatos de que a parte não é obrigada a depor, o anteprojeto em acréscimo ao art. 347 do CPC, traz, em seu art. 367 24 , dois novos incisos referentes aos fatos a que a parte não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau sucessível; e aos fatos que a exponham ou as pessoas referidas anteriormente a perigo de vida ou a dano patrimonial imediato. Além disso, altera o parágrafo único do referido artigo do CPC, disposição que não se aplica às ações de filiação, de desquite e de anulação de casamento; ao passo que no anteprojeto a disposição não se aplica às ações de estado e de família. Ainda no tocante às provas, o anteprojeto adota a seguinte regra: “A inadmissibilidade das provas obtidas por meio ilícito será apreciada à luz da ponderação dos princípios e dos direitos fundamentais envolvidos(art. 257, parágrafo único do anteprojeto do CPC). E sobre a distribuição do ônus da prova, estabelece que considerando as

24 Art. 367. A parte não é obrigada a depor sofre fatos:

I criminosos ou torpes que lhe forem imputados; II a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo;

III a que não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge, de seu companheiro ou de parente em grau

sucessível;

IV que a exponham ou as pessoas referidas no inciso III a perigo de vida ou a dano patrimonial imediato.

Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e de família.

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circunstâncias da causa e as peculiaridades do fato a ser provado, o juiz poderá, em decisão fundamentada, observado o contraditório, distribuir de modo diverso o ônus da prova, impondo-o à parte que estiver em melhores condições de produzi-la. Ainda das provas, sobre a confissão, nas ações que versarem a respeito de bens imóveis ou direitos sobre imóveis alheios, a confissão de um cônjuge não valerá sem a do outro, no entanto, o anteprojeto apresenta exceção ausente no CPC: “salvo se o regime de casamento for de separação absoluta de bens” (art. 370, parágrafo único do anteprojeto). Art. 351 do CPC: “Não vale como confissão a admissão, em juízo, de fatos relativos a direitos indisponíveis”. Acrescenta o anteprojeto dois parágrafos ao referido artigo, em seu art. 371 25 :

§ 1º A confissão será ineficaz se feita por quem não for capaz de dispor do direito a que se referem os fatos confessados;

§ 2º Prestada a confissão por um representante, somente é eficaz nos limites em que

este pode vincular o representado. Mas, apenas no CPC, a confissão, quando emanar de erro, dolo ou coação pode ser revogada por ação rescisória.

Da exibição de documento ou coisa, o anteprojeto propõe parágrafo único no art. 379, inexistente no respectivo art. 359 do CPC: “Entendendo conveniente, pode o juiz adotar medidas coercitivas, inclusive de natureza pecuniária, para que o documento seja exibido”. Além disso, quando o documento ou a coisa estiver em poder de terceiro, o juiz mandará citá- lo para responder no prazo de 10 (dez) dias, de acordo com o CPC; mas o anteprojeto aumenta o prazo para 15 (quinze) dias. No que concerne ao art. 362 do CPC, o anteprojeto acrescenta, em seu art. 382, o pagamento de multa e outras medidas mandamentais, sub-rogatórias, indutivas e coercitivas; se o terceiro descumprir a referida ordem, trazendo também o parágrafo único: “Das decisões proferidas com fundamento no art. 381 e no caput deste artigo caberá agravo de instrumento”. Incumbe à parte contra quem foi produzido documento particular alegar, no anteprojeto, no prazo de 5 (cinco) dias, se admite ou não a autenticidade da assinatura e a

25 Brasil. Congresso Nacional. Senado Federal. Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil.Código de Processo Civil: anteprojeto / Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf> Acesso em 1 de dezembro de 2011.

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veracidade do contexto, presumindo-se, com o silêncio, que o tem por verdadeiro; enquanto no CPC o prazo é de 10 (dez) dias. Suprime-se no anteprojeto o parágrafo único do CPC:

“Cessa, todavia, a eficácia da admissão expressa ou tácita, se o documento houver sido obtido por erro, dolo ou coação”. No caso do art. 377 do CPC, o anteprojeto, no seu art. 397, adiciona no parágrafo único, além do preexistente documento que se achar em poder do devedor, aquele que se achar em poder de terceiro. Quanto ao mesmo valor probante da cópia de documento, o anteprojeto faz pequenas modificações nos parágrafos do CPC (art.385) e acrescenta mais dois no seu art. 405, ficando os quatro parágrafos assim formulados:

Art. 405. A cópia de documento particular tem o mesmo valor probante que o original, cabendo ao escrivão, intimadas as partes, proceder à conferência e certificar

a conformidade entre a cópia e o original.

§ 1º Quando se tratar de fotografia obtida por meio convencional, será acompanhada

do respectivo negativo, caso impugnada a veracidade pela outra parte.

§ 2º Se a prova for uma fotografia publicada em jornal ou revista, será exigido um

exemplar original do periódico.

§ 3º A fotografia digital e as extraídas da rede mundial de computadores, se

impugnada sua autenticidade, só terão força probatória quando apoiadas por prova

testemunhal ou pericial.

§ 4º Aplica-se o disposto no artigo e em seus parágrafos à forma impressa de mensagem eletrônica 26 .

A arguição de falsidade, no anteprojeto deve ser suscitada no prazo de 5 (cinco) dias contados a partir da intimação da juntada aos autos do documento; e no CPC o prazo é de 10 (dez) dias. O anteprojeto traz no capítulo das provas uma seção específica sobre os documentos eletrônicos, inexistente no CPC. Os códigos também se diferem no que diz respeito ao momento, que já foi falado, e às especificações para a apresentação do rol de testemunhas, art. 407 do CPC e art. 429 do anteprojeto. Parágrafo único do art. 433 do anteprojeto adiciona ao art. 411 do CPC a última parte, referente ao decurso de um mês sem manifestação da autoridade:

26 BRASIL. Código de Processo Civil: anteprojeto/ Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em:

<http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf>. Acesso em: 1 dez. 2011.

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Parágrafo único. O juiz solicitará à autoridade que designe dia, hora e local a fim de ser inquirida, remetendo-lhe cópia da petição inicial ou da defesa oferecida pela parte que a arrolou como testemunha; passado um mês sem manifestação da autoridade, o juiz designará dia, hora e local para o depoimento, preferencialmente na sede do juízo 27 .

O anteprojeto adiciona também, no âmbito da inquirição das testemunhas, a possibilidade da alteração da ordem (primeiro as testemunhas do autor e depois as do réu) em caso de consenso entre as partes. No campo da prova pericial, o anteprojeto no art. 446 acrescenta ao art. 422 do CPC parágrafo único: “O perito deve assegurar aos assistentes das partes o acesso e o acompanhamento das diligências e dos exames que realizar”. Ainda da prova pericial, o art. 457 do anteprojeto traz mais três parágrafos ao art. 434 do CPC, constituindo-se quatro no total:

Art. 457. Quando o exame tiver por objeto a autenticidade ou falsidade de documento ou for de natureza médico-legal, o perito será escolhido, de preferência, entre os técnicos dos estabelecimentos oficiais especializados. O juiz autorizará a remessa dos autos, bem como do material sujeito a exame ao diretor do estabelecimento. § 1º Nas hipóteses de gratuidade de justiça, os órgãos e as repartições oficiais deverão cumprir a determinação judicial com preferência, no prazo estabelecido.

§ 2º Descumpridos os prazos do § 1º, poderá o juiz infligir multa ao órgão e a seu

dirigente, por cujo pagamento ambos responderão solidariamente.

§ 3º A prorrogação desses prazos pode ser requerida motivadamente.

§ 4º Quando o exame tiver por objeto a autenticidade da letra e da firma, o perito

poderá requisitar, para efeito de comparação, documentos existentes em repartições públicas; na falta destes, poderá requerer ao juiz que a pessoa a quem se atribuir a

autoria do documento lance em folha de papel, por cópia ou sob ditado, dizeres diferentes, para fins de comparação 28 .

Enquanto no art. 434 do CPC o parágrafo é único:

27 Idem.

28 Brasil. Congresso Nacional. Senado Federal. Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil.Código de Processo Civil: anteprojeto / Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf> Acesso em 1 de dezembro de 2011.

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Art. 434. Parágrafo único. Quando o exame tiver por objeto a autenticidade da letra

e firma, o perito poderá requisitar, para efeito de comparação, documentos existentes em repartições públicas; na falta destes, poderá requerer ao juiz que a pessoa, a quem se atribuir a autoria do documento, lance em folha de papel, por cópia, ou sob ditado, dizeres diferentes, para fins de comparação.

4.7 Sentença e coisa julgada

Quanto à sentença e a coisa julgada, tem-se grandes modificações. Percebemos que o anteprojeto melhora o conceito de sentença ao prever que, ressalvadas as previsões expressas nos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 473 e 475, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como o que extingue a execução. Quanto ao anteprojeto, percebe-se que o parágrafo único do art. 469 textualiza a regra de que a prescrição e a decadência não serão decretadas sem que antes seja dada às partes oportunidade de se manifestar. Do arbitramento de multa diária nas obrigações de fazer ou de não fazer e na obrigação de dar, dispões os arts. 461, 461-A e o parágrafo 3º do CPC:

Art. 461. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não

fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou, se procedente o pedido, determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. Art. 461-A. Na ação que tenha por objeto a entrega de coisa, o juiz, ao conceder a tutela específica, fixará o prazo para o cumprimento da obrigação.

§

3 o Aplica-se à ação prevista neste artigo o disposto nos §§ 1 o a 6 o do art. 461.

No anteprojeto a matéria está inicialmente disciplinada no seu art. 502:

Art. 502. Para cumprimento da sentença que reconheça obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do resultado prático equivalente, determinar as medidas necessárias à satisfação do credor, podendo requisitar o auxílio de força policial, quando indispensável 29 .

29 Brasil. Congresso Nacional. Senado Federal. Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil.Código de Processo Civil: anteprojeto / Comissão de Juristas Responsável pela Elaboração de Anteprojeto de Código de Processo Civil. Brasília: Senado Federal, Presidência, 2010. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/senado/novocpc/pdf/Anteprojeto.pdf> Acesso em 1 de dezembro de 2011.

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Quanto à incompetência no anteprojeto, ela foi suprimida como fundamento para a propositura da ação rescisória, remanescendo o impedimento. A boa-fé processual, quando não observada, agindo uma das partes com deslealdade, dá ensejo à aplicação da pena de multa, correspondendo a um por cento do valor da causa (art. 18 do CPC), com a ressalva de que o anteprojeto estabelece a regra de que a multa é de dois por cento (art. 70). A hipótese de cabimento da ação rescisória é ligeiramente modificada pelo anteprojeto, já que prevê a possibilidade de ajuizamento da ação para o combate de sentença e de acórdão de mérito que violarem manifestamente a norma jurídica, incorporando as orientações da jurisprudência e as lições da doutrina. O anteprojeto estabelece que a propositura da ação não impede o cumprimento da sentença ou do acórdão rescindendo, ressalvada a concessão de tutelas de urgência ou da evidência (art. 887).

5 CONCLUSÃO

O anteprojeto do novo Código de Processo Civil, atendendo às necessidades sociais e às queixas da doutrina, apresenta todas essas inovações no procedimento ordinário (suprime, acrescenta, modifica e cria), com o intuito de promover a celeridade processual. Esperamos que, com a sua vigência, atinja os seus objetivos. E torne-se imprescindível para a efetividade da razoável duração do processo e o consequente impedimento do acúmulo de processos nos gabinetes jurídicos. Seria inevitável que houvesse mudança significativa da sistemática processualística ante a obsolescência de um sistema em virtude das naturais diferenças existentes com o passar do tempo entre as sociedades. Assim, um Código com mais de quarenta anos, como é o caso do atual Código de Processo Civil, naturalmente sofreria mudanças. Em primeiro momento, verificam-se avanços consideráveis na simplificação do processo e na observância de mudanças necessárias baseadas nas práticas corriqueiras dos tribunais brasileiros. Assim, exemplos como a supressão da reconvenção (utilizando-se, em substituição, o pedido contraposto), bem como a simplificação do rol de recursos presentes atualmente no Código de Processo Civil e a possibilidade do reconhecimento de ofício de

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atitudes protelatórias do réu poderão refletir positivamente na celeridade processual e

eficiência do judiciário.

Também se verifica uma maior proximidade da realidade do judiciário brasileiro com

as regras trazidas com o novo código. É cediço que o código vigente, ainda que com diversas

alterações ao longo do tempo, não poderia acompanhar de maneira satisfatória todos os

avanços legislativos e tecnológicos de uma sociedade, assim como soluções para a crescente

demanda do judiciário, totalmente diferente da época da sua criação.

Neste diapasão, a intenção do legislador foi oferecer um Processo Civil mais simples

e célere, com o intuito de atender aos diferentes anseios de uma sociedade que gerou novas

necessidades, principalmente a diminuição do tempo dos processos.

Portanto, o presente trabalho comparativo pôde dar uma ideia básica dos avanços que

a nova legislação pode trazer. Enfim, dadas as alterações feitas e explanadas ao longo deste

trabalho, temos uma noção primitiva do desenvolvimento do sistema judiciário brasileiro que

pode vir a ser acalentado em virtude do novo Código.

REFERÊNCIAS

DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de direito processual civil. v. 3. 6. ed. São Paulo: Malheiros, 2009.

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz. Curso de processo civil: processo de conhecimento. v. 2. 8. ed. São Paulo: Atual, 2010.

MONTENEGRO FILHO, Misael. Curso de direito processual civil: teoria geral do processo

e processo do conhecimento. v. 1. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2011.

THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil: teoria geral do direito processual civil e processo do conhecimento. v. 1. 52 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011.

novo horizonte. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 978, 6

em: <http://jus.com.br/artigos/8048>. Acesso em: 3 dez. 2011.

2006. Disponível

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COMPARATIVE ANALYSIS OF THE ORDINARY PROCCESS OF THE ACTUAL CIVIL PROCESS CODE WITH THE PROJECT OF THE NEW CIVIL PROCESS CODE

ABSTRACT

Nowadays, the justice keep receiving lots of critics based on the lack of agility with the processes, because of that, a proposal was born with the project of the New Civil Process Code, which, by being more concise and less bureaucratic, comes to bring important changes at the Brazilian Civil Process, in order to reach more efficiency of jurisdiction. This way, the work intends to realize a comparative analysis between the actual Civil Process Code and the project, focused on the ordinary process by being the most complex and the longest, bringing to the view the changes intended in this knowledge area.

Keywords: Process speediness. Project of the New Civil Process Code. Ordinary Process.