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Agrupamento O Ensino da leitura: A decifração

de Escolas
de Abraveses
O que é a decifração?

A decifração traduz-se na identificação de palavras escritas, isto é, na conversão de padrões


visuais (letras ou conjunto de letras) em padrões fonológicos.
A decifração será então só um acto puramente mecânico, em que o aparelho fonador
transforma sinais gráficos em padrões fónicos? Não. A decifração vai muito para além disso.
Ela é, essencialmente, o reconhecimento automático, rápido e eficiente do significado das
palavras, isto é, implica compreensão.
Numa língua de escrita alfabética como é a nossa, o professor tem de passar pelo ensino
das letras. A criança precisa conhecer o código gráfico para ler. Sabemos que por trás da leitura
está sempre uma actividade linguística que não se traduz só pela simples correspondência som
– letra.
Como ensiná-la?
O que é necessário que a criança conheça antes de aprender formalmente a decifrar?
Sabemos bem que as crianças que adquirem mais competências de leitura e escrita são as
que têm um vocabulário mais rico, mais diversificado, logo as que reconhecem mais palavras.
São no fundo as que lêem mais pois que ensinar a ler é também ensinar às crianças mais
palavras, melhorar o seu léxico.
É igualmente importante o conhecimento prévio dos princípios gráficos que regulam a
linguagem escrita (a sua função, a sua organização, orientação…).
Quanto mais a criança souber sobre as características da escrita, melhor vai aprender a ler.
Consciência dos sons da língua (consciência fonológica) – descoberta do princípio alfabético.
Neste aspecto é de realçar a importância da frequência do jardim-de-infância pois os primeiros
níveis de consciência fonológica devem ser aqui bem tratados.
Vias de acesso no ensino da decifração.
“Como deciframos?”
A criança utiliza duas vias de acesso à decifração.
► Via lexical (global e rápida) Ex: palavra - médico
► Via sub-lexical (indirecta, perceptiva, ortográfica) Ex: pseudo-palavra - pseutrolinvic
No primeiro caso a criança decifra logo, faz de imediato a conversão do padrão visual médico
num padrão fónico, mas há muito mais que isso, a criança atribui automaticamente um
significado.

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No segundo caso usa a via indirecta, perceptiva, ortográfica. Ela não vai directamente à
palavra porque não lhe atribui significado. Usa a via perceptiva, lê de forma silábica para chegar
à palavra (neste caso uma pseudopalavra).
Primeiro o professor deve brincar com o som, levar a criança a conhecê-lo, a segmentar até
chegar ao fonema, a ter dele consciência e só depois introduz a letra, o grafema.

Sessão Tutorial: A Decifração - Descritor - Ler para aprender


Actividades e Estratégias da realização de uma tarefa com alunos do 1º ano.
- Apresentação de cartaz com imagens.
- Identificação das imagens através do som.
- Segmentação e reconstrução das palavras.
- Legendar cartaz.
- Localização das palavras através da sopa de letras.

A sessão teve início com a apresentação de um pião e um


baraço que os alunos puderam manusear.
De seguida, observaram um desenho que continha um
peão e um pião. Foi esclarecida a diferença com recurso à
leitura de um pequeno texto.
O pião rodopia com a nossa mão,
O peão anda pelo seu próprio pé.
Pião ou peão?
Não, confusão não é!
O primeiro precisa de corda para rodar.
O segundo de pés para andar.
O peão pode lançar o pião.
Percebido ou não?

Os alunos observaram um cartaz com várias imagens que


identificaram. Foi feita a segmentação e reconstrução oral dessas
palavras. Identificaram o número de sílabas que compunham
algumas palavras e noutras tentaram identificar os sons.

Depois, um de cada vez os alunos tiravam à sorte, de dentro de um saco, uma sílaba que
colavam no cartaz para que este ficasse legendado. É de referir que estas sílabas podiam ser
do princípio, meio ou fim da palavra. Fez-se a leitura das palavras, depois de completo o cartaz,
recorrendo sempre à via lexical.

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Sempre que necessário, os alunos recorriam ao cartaz
exposto onde estão representados os sons das
catorze vogais para mais facilmente fazerem a leitura.

No final, os alunos localizaram numa sopa de letras, as palavras do cartaz.

Por fim, realizaram uma ficha de auto-avaliação e reflectiram oralmente sobre a sessão.

A formanda: Adelaide Lopes

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