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CULTURA E ESPIRITISMO

CIÊNCIA E ESPIRITISMO (PARTE II)

João Fernandes da Silva Júnior

Como seres humanos nós nos encontramos integrados à realidade objetiva,


entretanto, quando à noite nos deitamos para dormir acontece um
desprendimento natural do espírito que se liberta temporariamente do
envoltório físico ao qual está ligado pelos laços da reencarnação. Nesse
estado de desdobramento podemos nos movimentar tanto no ambiente
físico terrestre quanto na dimensão espiritual. Então, durante essa
experiência nós temos meios para pesquisar In loco os fenômenoS que
acontecem no plano espiritual e para observar o modus vivendi dos
desencarnados. A Ciência denomina esse evento de experiência fora do
corpo. Nesse estado de emancipação temporária nós podemos visualizar
com maior ou menor grau de precisão o que acontece na Espiritualidade,
porque nesse caso não estaremos presos aos limites espaço-temporais.
Poderemos ir visitar um planeta situado em uma galáxia distante; observar
imagens do passado remoto; viajar pelo fundo dos oceanos; ir até o centro
da Terra, e muito mais...
Um outro evento possível de ser comprovado durante a experiência fora do
corpo é a reencarnação, porque muitas vezes podem acontecer recordações
abrangentes ou fragmentárias de outras existências físicas vividas por
aquele mesmo espírito.
Alguns dos termos utilizados para designar esse estado de emancipação da
alma, são: clarividência, dupla vista, segunda vista, visão extrassensorial,
visão a distância, visão astral, visão espiritual, visão remota, visão
metafísica, visão sem olhos, visão etérica, projeção astral, desdobramento e
experiência fora do corpo.
A experiência fora do corpo proporciona uma nova forma de abordagem na
questão do relacionamento dos homens com os espíritos, e assim a situação
agora se inverteu porque ao invés de aguardar que um desencarnado se
manifeste em um centro espírita para comunicar alguma coisa, é possível
que mediante a utilização das técnicas de relaxamento e de desdobramento
consciente qualquer pessoa com o devido preparo efetue visitas ao Plano
Espiritual, de maneira dinâmica e objetiva, isto é, nós assumimos o
comando das ações e ampliamos as nossas possibilidades no mecanismo de
interrelacionamento com os desencarnados.
O simples fato de estarmos tomando a iniciativa das ações implica
diretamente na possibilidade de irmos diretamente para o nosso foco de
atenção na realidade espiritual.
Em seu sentido geral, o Espiritismo está baseado na existência de um
agente extrafísico animando cada ser humano, e esse agente, chamado de
alma, sobrevive ao fenômeno designado "morte"; é a alma que origina a
vida orgânica quando se liga à matéria, embora a alma tenha uma
existência independente com relação ao envoltório físico ao qual está
ligada.
O espírito é o ser inteligente que sobrevive à destruição do corpo físico. Ele
preserva a sua individualidade, adquirindo constantemente novos
conhecimentos.
Observamos claramente que o mecanismo de evolução humana e espiritual
é algo que apresenta altíssimo grau de complexidade, já que toda a
amplitude de seu horizonte se encontra interligada ao próprio processo
dinâmico de desenvolvimento que foi previamente estabelecido pela
Espiritualidade Superior.
Sabemos que para conseguir se inserir na realidade objetiva a mente
humana instrumentaliza o cérebro físico, porque essa é uma operação
essencial para que o corpo biológico execute todas as tarefas que são
necessárias para a manutenção da vida orgânica, entretanto a atividade
cerebral é limitada aos objetivos materiais. O cérebro atua sempre ocupado
com a sobrevivência humana, estabelecendo prioridades em todos os
momentos da vida material.
Allan Kardec estabeleceu uma definição clássica reportando-se à
mediunidade, ele escreveu em "O Livro dos Médiuns" (Capítulo XIV, Item
159) que:

"Toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de


intensidade é médium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso
mesmo não constitui privilégio e são raras as pessoas que não a possuem
pelo menos em estado rudimentar. Pode-se dizer pois, que todos são mais
ou menos médiuns. Usualmente, porém, essa qualificação se aplica
somente aos que possuem uma faculdade mediúnica bem caracterizada,
que se traduz por efeitos patentes de certa intensidade, o que depende de
uma organização mais ou menos sensitiva.
"Deve-se notar ainda que essa faculdade não se revela em todos da mesma
maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão para esta ou aquela ordem
de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as
espécies de manifestações".

Analisando o texto de Kardec compreendemos que todos são médiuns,


porque seja um professor ministrando aulas, seja um médico salvando
vidas, seja um escritor, um compositor ou uma pessoa em qualquer outra
situação, todos nós trabalhamos sendo influenciados por espíritos, embora
existam aqueles indivíduos que não sabem disso ou até mesmo que não
acreditam na ação dos desencarnados sobre os seres humanos.