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CULTURA E ESPIRITISMO

UM OLHAR SOBRE O PASSADO

João Fernandes da Silva Júnior

A Doutrina Espírita apresenta inegavelmente um contexto de


universalidade, porque na verdade, ela agrupa o conhecimento exposto por
quase todas as religiões: ele possui um modo de apresentação didático,
desprovido de hermetismo.
Quase todos os informes que são apresentados em "O Livro dos Espíritos"
estão também dentro do contexto de outras religiões.
Sabemos que no passado aqueles iniciados nas verdades do espírito temiam
divulgar o conhecimento real que eles possuíam. O motivo de tal receio era
o seguinte: o uso equivocado de tais informações.
Temas como a mediunidade, a vida depois da morte, a unicidade de Deus,
as múltiplas dimensões de vida, e outros mais, eram já conhecidos pelos
povos da Babilônia, do Egito, da Pérsia, da Fenícia, etc.
Basta que observemos alguns sítios arqueológicos para que consigamos
compreender que os homens pré-históricos enterravam os seus mortos
realizando cerimônias fúnebres, porque as covas continham vasilhames
para água, alimentos diversos, armas de caça, etc. Havia um ritual funerário
específico baseado na crença de uma vida post-mortem.
Estamos falando de seres que viveram há milhões de anos.
Nos rituais de sepultamento de muitos povos antigos, havia a preocupação
de o morto ser enterrado com água, alimentos, armas, etc.
Vemos a reprodução dessa preocupação nos ritos fúnebres dos antigos
egípcios, dos etruscos, dos persas, dos fenícios, e de outros povos mais.
No antigo Egito os aspirantes à iniciação eram submetidos ao processo de
hipnose e desdobramento para que comprovassem por eles mesmos a
existência de algo além da matéria.
Apesar de toda a nossa evolução, ainda estamos distantes da tecnologia
utilizada pelas primeiras dinastias egípcias.
A moderna instrumentação cirúrgica utilizada nos mais avançados hospitais
do mundo, não passa de cópia de antigos instrumentos romanos que já eram
usados em época anterior à de Jesus.
Até hoje não se conhece com exatidão do que eram feitas as tintas usadas
nos monumentos egípcios.
Os antigos padres egípcios realizavam verdadeiros prodígios diante da
população embasbacada. Eles utilizavam substâncias piróforas – geradoras
de fogo – para acender tochas mergulhadas na água; eles cobriam seus
mantos com tinta fosforescente para andar a noite entre a multidão
assustada. Os padres usavam e abusavam de conhecimentos sobre
magnetismo, eletricidade e física em geral para produzir efeitos que a
população considerava como sendo sobrenaturais.
Vivemos em uma época na qual a tecnologia possui importante papel em
nosso dia-a-dia, mas, no passado remoto, a Ciência que chegou aqui na
Terra era tão ou mais avançada do que a de hoje, e aos poucos aquele
conhecimento científico foi sendo anexado, absorvido pelas religiões
antigas.
Os religiosos utilizaram-se da Ciência para incutir medo no povo e assim
dominá-lo. E um dos mais claros exemplos disso foi Heron de Alexandria
que inventou dezenas de máquinas para serem usadas nos templos e criar
assombro entre o povo inculto.
O templo que apresentasse o maior número de prodígios para os fiéis era o
que conseguia também a maior quantidade de donativos, e assim os
religiosos passaram a valorizar, em um primeiro momento, o uso da
Ciência nos templos, em razão de isso reverter em poder para eles.
Todavia, como as religiões já haviam se distanciado do propósito de
moralizar os seres humanos, e estavam preocupadas com valores de ordem
material, houve um retrocesso. A Ciência passou a ser considerada
perigosa, teve de ser banida porque poderia, a qualquer momento,
"desmascarar" os postulados religiosos, afinal de contas, de acordo com a
religião dominante, a Terra teria sido feita em 6 dias; Adão foi formado do
barro, mas estranhamente era retratado como tendo umbigo, o que
caracterizava que ele estivera ligado a um cordão umbilical com sua "mãe";
Eva teria nascido de uma costela torta, e por isso as mulheres não poderiam
ser corretas; o paraíso era uma região do Oriente Médio.