Você está na página 1de 33

1

UNIVERSIDADE CEUMA Pró-Reitoria de Graduação Coordenação do Curso de Serviço Social

ANA CLEA MENDONÇA MELO

CLEONICE OLIVEIRA REIS

EVANILDE FALCÃO DA SILVA

KELEM REGINA L. DA SILVA

MAGDA LUCIANA LIMA DE SOUSA

MARCIO JOSÉ SOUSA ARAÚJO

NADJA KATIUCE PINTO SILVA

SUZANA SANTOS ALVES

DIREITO, CIDADANIA E LEGISLAÇÃO SOCIAL.

São Luis

2012

2

Sumário

1. Seguridade Social

3

a. Conceito, finalidade e evolução

3

b. Seguridade social nas constituições

5

c. Nomenclatura da Seguridade Social, princípios e objetivos da Seguridade

Social

5

d. Estrutura administrativa (federal, estadual e municipal)

7

e. A Previdência

7

f. A assistência social na saúde e formas de custeio

8

2. Assistência Social

10

a. Conceito e características e princípios da Seguridade Social

10

b. Diretrizes, Objetivos, Requisitos e Benefícios da Assistência

12

c. Lei Orgânica da Assistência Social e Estrutura Administrativa (Federal,

Estadual e Municipal)

14

d. Entidades assistenciais, formas de

17

3. Criança e Adolescente

18

a. Doutrina da Proteção Integral

18

b. Dos direitos fundamentais

23

Direitos humanos e direitos da criança e do adolescente

23

Direitos à convivência familiar e

23

Definição constitucional e estatutária de família

24

Poder familiar

24

Colocação em Família Substituta: Guarda, Tutela e Adoção

24

c. Medidas de Proteção:

27

d. Medidas-sócio- educativas

28

Conceito e Aplicação

28

Processo de PSC Prestação de Serviço à Comunidade

29

Processo de L. A. Liberdade Assistida

30

A

semiliberdade

30

A internação

30

e. Do Conselho Tutelar

31

Atribuições e Competências

31

3

1. Seguridade Social

a. Conceito, finalidade e evolução histórica.

Conceito: É um conjunto de princípios, normas e instituições destinados

a estabelecer um sistema de proteção social aos indivíduos contra

contingências que os impeçam de prover suas necessidades pessoais

básicas e de suas famílias, integrado por iniciativa dos poderes públicos

e da sociedade, visando a assegurar os direitos relativos à saúde, à

previdência e à assistência social. A Seguridade Social está prevista no título VIII Da Ordem Social, Capítulo II, nos arts. 194 a 204 da Constituição Federal.

Finalidade: A Seguridade Social tem por finalidade a garantia de certos patamares mínimos de vida da população, em face de reduções provocadas por contingências sociais e econômicas.

Evolução Histórica e Legislativa Brasileira:

o

1923 - Marco inicial da Previdência Social no Brasil. O Decreto-lei Eloy Chaves cria a Caixa de Aposentadoria e Pensão para os ferroviários. O critério adotado era por empresa ferroviária.

o

1933 - Criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões- IAP’S. Critério adotado por categoria profissional.

o

1960 - Criação da Lei Orgânica da Previdência Social LOPS.

o

1966 – Fusão dos IAP’S.

o

1967 Implantação do INPS.

o

1977 Criação do SINPAS.

o

1991 Criação dos dois diplomas legais Leis n°s. 8212/91 e 8213/91 a primeira dispôs a respeito do plano de financiamento da Seguridade Social e a segunda do plano de benefícios.

o

1998 Emenda Constitucional n°. 20 foi promulgada a reforma previdenciária, em especial o RGPS.

4

o 1999 Este ano tivemos um decreto e uma lei muito importantes:

Decreto n°. 3048/99 Regulamenta as Leis n°s. 8212/91 e 8213/91 e hoje é o regulamento da Previdência Social. Em um único decreto temos assuntos pertinentes a custeio e benefícios.

Lei n°. 9876/99 Regulada pelo Decreto 3265 de 29/11/1999 Trouxe inovações como: Fator previdenciário, nova forma de apuração do salário-de- benefício, salário-maternidade para todas as seguradas contribuintes, criação da categoria contribuinte individual.

Lei n°. 9796/99 Versa a respeito da Compensação previdenciária.

2002 Lei n°. 10421 de 15/04/2002 Estendeu o salário-maternidade à mãe adotante.

2002 Medida Provisória n°. 83, convertida em Lei n°. 10666/2003, e regulada com o Decreto n°. 4729/2003 Trouxe alterações importantes na área de arrecadação com a criação de alíquotas novas para o financiamento das aposentadorias dos contribuintes individuais (cooperados).

2003 Lei n°. 10741/2003 dispôs sobre o Estatuto do Idoso reduzindo a idade para requerer o amparo assistencial para 65 anos.

EC 41/2003 31/12/2003 Previu mudanças na concessão de benefícios do servidor público.

EC 47/2005 Trouxe mudanças ao sistema de financiamento da previdência social bem como as características do RGPS.

5

b. Seguridade social nas constituições.

Os deveres do Estado sobre matéria securitária apareceram pela primeira vez, no quadro institucional brasileiro, de forma rudimentar, no inciso 31 do art. 179 da Constituição de 1824, que preconizava a constituição dos socorros públicos. Em 1891 tivemos nossa segunda Constituição e a primeira que dispôs sobre aposentadoria para o funcionário publico em caso de invalidez a serviço da nação. Este benefício era “dado”, pois não havia fonte de custeio (contribuição) para o financiamento do valor pago. Em nossa Constituição de 1934, é instituída a “Previdência”, mediante contribuição da União, do empregador e do empregado, a favor da velhice, da invalidez, da maternidade e nos casos de acidente de trabalho ou de morte. Fica estabelecido, a partir daí, o “tríplice custeio” (ente público, trabalhadores e empregadores, sendo obrigatória a contribuição). Em 1937, a Carta Magna em nada evoluiu quanto à matéria de previdenciária e, ao contrário, regrediu ao retornar à expressão “seguro social” em vez de “previdência”. Na Constituição de 1946 foi usada pela primeira vez a expressão “Previdência Social”, substituindo a expressão “seguro social”, usada anteriormente na constituição de 1937. Em nossa Carta Magna de 1988, a seguridade social ganha autonomia em relação ao Direito do Trabalho, sendo tratada no capítulo II, do Título VIII, “Da Ordem Social”, e como gênero, está prevista do art. 194 ao art. 204. A Seguridade Social é entendida como um conjunto integrado de ações nas áreas: Saúde, Previdência e Assistência Social.

c. Nomenclatura da Seguridade Social, princípios e objetivos da Seguridade Social.

O Direito Previdenciário, como ramo autônomo do Direito, possui princípios próprios. Alguns princípios são exclusivos da Seguridade Social, o que revela sua autonomia didática, enquanto outros são genéricos, aplicáveis a todos os ramos do Direito, inclusive o Securitário. Entre os princípios gerais, merecem destaque os da Igualdade, Legalidade e do Direito Adquirido.

6

A Constituição Federal em seu artigo 194, parágrafo único: Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a Seguridade Social com base nos objetivos:

Universalidade da cobertura e do atendimento. Este objetivo

estabelece que qualquer pessoa pode participar da proteção patrocinada pelo

Estado.

Uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às

populações urbanas e rurais. As prestações securitárias devem ser idênticas para trabalhadores rurais ou urbanos, não sendo lícita a criação de benefícios diferenciados.

Seletividade e Distributividade na prestação dos benefícios e

serviços. Algumas prestações serão extensíveis a uma parcela da população, como por exemplo, salário-família (seletividade) e os benefícios e serviços

devem buscar a otimização da distribuição de renda no país, favorecendo os beneficiários mais pobres (distributividade).

Irredutibilidade do valor dos benefícios. Diz respeito ao

reajuste do valor pago pelo benefício, o qual deve ter seu valor atualizado de

acordo coma variação do INPC. É a segurança jurídica dos beneficiários como forma de manter o poder aquisitivo.

Equidade na forma de participação no Custeio. Norma dirigida

ao legislador impõe que este crie a contribuição de acordo com a capacidade econômica de cada um dos contribuintes, empresa e trabalhador.

Diversidade da Base de Financiamento. A base de

financiamento da Seguridade Social deve ser a mais variada possível, de modo que oscilações setoriais não venham a comprometer a arrecadação de

contribuições. Quanto maior e diferenciada for a base de custeio, menor a probabilidade do aumento do déficit previdenciário.

Caráter democrático e descentralizado da Administração,

mediante gestão quadripartite com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do governo nos órgão colegiados. Visa a participação dos trabalhadores, empregadores, aposentados, pensionistas e do governo, nos órgãos colegiados que representam a Saúde, Previdência Social e Assistência Social.

7

d. Estrutura administrativa (federal, estadual e municipal).

Segundo o inciso VIII do art. 2º da LEI Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991 a Seguridade Social tem:

VIII - caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa, com a participação do governo e da comunidade, em especial de trabalhadores em atividade, empregadores e aposentados.

Parágrafo único. A participação referida no inciso VIII deste artigo será efetivada a nível federal, estadual e municipal.

Art. 3º Fica instituído o Conselho Nacional de Previdência

SocialCNPS,

órgão

superior

de

deliberação

colegiada,

que

terá

como

membros:

I - Seis representantes do Governo Federal;

II - Nove representantes da sociedade civil, sendo:

a)

Três representantes dos aposentados e pensionistas;

b)

Três representantes dos trabalhadores em atividade;

c)

Três representantes dos empregadores.

e. A Previdência Social.

A previdência social brasileira está organizada em dois regimes jurídicos, de natureza pública, previstos nos art. 201 e 40 da Constituição de

1988:

O Regime Geral da Previdência Social (RGPS) (INSS) (art. 201) para os trabalhadores do setor privado, sob regime das leis trabalhistas (CLT) e demais modalidades previstas na Lei n°. 8212/1991; O regime previdenciário dos servidores públicos (Plano de Seguridade Social do Servidor Público PSSS), titulares de cargos de natureza estatutária, administrado pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios (art. 40), de acordo com as respectivas leis e regulamentos (Regime

8

Próprio de Previdência Social-Orientação Normativa MPS/SPS n°. 02 de

31/03/2009).

Cada ente federativo pode instituir um regime previdenciário próprio de seus respectivos servidores, observadas as prescrições legais, notadamente a Lei n°. 9717/1998 (no nível federal, a lei 9783/199). Se esse ente não o instituir, os respectivos servidores vinculam-se ao RGPS (art. 13 da Lei n°. 8212/1991 e Instrução Normativa n°. 100/2003 do INSS).

Ambos são regimes de direito público e de filiação obrigatória. Além desses dois regimes, pode ser instituído um regime de previdência complementar, para suplementação dos respectivos benefícios (art. 202 da Constituição Federal), de filiação não obrigatória. Nesse regime, os trabalhadores do setor privado e servidores públicos podem contratar com fundos de pensão para, mediante contribuições mensais, ter direito de receber após certos períodos de carência, pagamentos complementares dos benefícios previdenciários.

A Constituição impõe a filiação dos trabalhadores do setor privado e dos servidores públicos aos referidos regimes previdenciários próprios. Têm natureza institucional, porque sua filiação é obrigatória. Manteve o vínculo entre o direito aos benefícios previdenciários e o trabalho remunerado, com a obrigação de contribuição tanto dos trabalhadores do setor privado como dos servidores públicos em geral.

f. A assistência social na saúde e formas de custeio

A Saúde, a partir de 1988, passou a ser um direito universal de todos e dever do Estado, com criação de um Sistema Único de Saúde, que surgiu para atender a todos, independentemente de contribuição. O Ministério da Saúde, em parceria com estados e Municípios, desenvolve ações de prevenção a doenças e oferece assistência ambulatorial e hospitalar com acesso a todos, gratuito e igualitário, conforme preceitua o art. 196 da CF.

9

“O SUS será financiado, nos termos do art. 195, com recursos do orçamento da seguridade social, da união dos estados do DF e dos municípios, além de outras fontes. OBS: Não guarda qualquer vínculo com o INSS.

A Assistência Social também não exige contribuição para receber os benefícios ou serviços assistenciais, mas será observada a real necessidade. Tem como objetivos:

A proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e

à velhice;

Amparo às crianças e adolescentes carentes; (quando deficientes terão direito a um salário mínimo, após exame médico pericial);

A promoção da integração ao mercado de trabalho:

A habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de

deficiência e a sua integração à vida comunitária;

Garantia de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa

portadora de deficiência e ao idoso que comprove não possuir meios de prover

a própria manutenção ou tê-la provida por sua família, conforme dispuser a Lei.

Tem como diretrizes:

Descentralização e participação da população.

Os benefícios da Assistência Social não são acumuláveis com os benefícios da Previdência Social. Deste modo, os idosos que recebem 1 (um) salário mínimo, a título de amparo assistencial (Lei Orgânica da Assistência Social- 8742/93), não podem ter outro tipo de benefício pago pela Previdência Social, como a aposentadoria.

10

2. Assistência Social

a. Conceito e características e princípios da Seguridade Social

Podemos afirmar que a Assistência Social, surge desde os primórdios. Quando os homens perceberam que não estavam sozinhos na sociedade e, buscam através da ajuda mútua um meio de compartilhar e auxiliar uns aos outros, principalmente, aqueles que eram desprovidos de possibilidades financeiras, saúde. Com o passar do tempo podemos ver visivelmente a igreja avocando para si essa prerrogativa para auxiliar pessoas através de práticas Assistencialistas. Dentre as instituições eclesiásticas podemos citar os Vicentinos e franciscanos que apregoavam a caridade e a assistencialismo aos necessitados.

No Brasil vemos além das igrejas algumas organizações não governamentais exercendo esse papel de assistencialismo. O papel desempenhado por essas organizações (igrejas e organizações não governamentais) são normalmente situadas no campo da filantrópica e era desempenhado por um dever moral. Já a Assistência Social como política social surge juntamente com outras políticas estatal estatuídas no corpo do texto constitucional.

Wladimir Novaes Martinez citando a definição de Antonio Ferreira Cesarino Júnior (“Direito Social”, p. 421) define que a Assistência Social como a parte do direito Social relativa à concessão aos hiposuficientes de meios de satisfação de suas necessidades vitais, sem contraprestação de sua parte

O reconhecimento legislativo da Assistência Social como política social pública surge com a Constituição Federal de 1988 e com aprovação da Lei 8.742-93 que dispõe sobre a organização da Assistência Social e traz no seu bojo o conceito legal. Segundo o artigo 1º. Da referida Lei a Assistência Social é um direito do cidadão e dever do Estado, e ressalta que é política de Seguridade Social e não contributiva, “pois não apresenta natureza de seguro social”. Essa idéia do legislador de criar uma Lei específica para regulamentar o assistencialismo no país tem sua base na constituição da República que afirma no seu art. 203 que: “a assistência social será prestada a quem necessitar,

11

independentemente da contribuição à seguridade social”. Como essa norma constitucional tem caráter programático, foi necessário que o legislador editasse uma Lei que definisse os critérios para a prestação àqueles que necessitassem da assistência estatal. Com base na norma superior, podemos afirmar que a Assistência Social é “uma política social (art. 4º. Lei 8.212-91)” que deverá ser mantida pelo Estado como forma de assegurar aos mais necessitados um mínimo básico para subsistência.

CONCEITO

Segundo Martinez, a Assistência Social é uma das maiores divisões do Direito Previdenciário e se classifica como técnica de proteção social. Técnica que será posta em prática com os recursos do orçamento da seguridade social (art. 195, CF-88).

CARACTERISTICAS E PRINCÍPIOS

Como visto a Assistência Social se realiza de forma integrada e tem os seus próprios preceitos fundamentais: esta característica é intrínseca aos institutos autônomos.

Os princípios que regem a Assistência Social no Brasil são:

Supremacia do atendimento às necessidades sociais sobre exigências de rentabilidade econômica;

Universalização dos direitos sociais, a fim de tornar destinário da ação assistencial alcançável pelas demais políticas públicas;

Respeito à dignidade do cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade, bem como a convivência familiar e comunitária, vedando-se qualquer comprovação vexatória da necessidade;

Igualdade de direito no acesso ao atendimento, sem discriminação de qualquer natureza, garantido-se equivalência ás populações urbanas e rurais;

12

Divulgação ampla dos benefícios, serviços, programas e projetos assistenciais, bem como dos recursos e oferecidos pelo Poder Público e dos critérios para a concessão.

b. Diretrizes, Objetivos, Requisitos e Benefícios da Assistência Social.

DIRETRIZES

A organização da Assistência Social tem as seguintes diretrizes,

baseadas na Constituição Federal de 1988 e na LOAS:

I - Descentralização político-administrativa, cabendo à coordenação e

as normas gerais à esfera federal e a coordenação e execução dos respectivos programas as esfera estadual e municipal, bem como a entidades beneficentes

e de assistência social, garantindo o comando único das ações em cada esfera

de governo, respeitando-se as diferenças e as características sócio territoriais locais;

II - Participação da população, por meio de organizações

representativas, na formulação das políticas e no controle das ações em todos

os níveis;

III - Primazia da responsabilidade do Estado na condução da política

de assistência social em cada esfera de governo;

IV - Centralidade na família para concepção e implementação dos

benefícios, serviços, programas e projetos.

OBJETIVOS

O objetivo principal da Assistência Social é o atendimento aos

necessitados. Para tanto, a organização da política social de assistência social,

é organizada de forma descentralizada no que tange ao político-administrativo.

Essa política se configura em ações integradas dos Estados, Municípios e União (cabendo a este a coordenação e as normas gerais na esfera federal). Além do atendimento aos necessitados como forma de

13

enfrentamento da pobreza, a Assistência Social, ainda, tem os seguintes objetivos:

Proteção á família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice;

O amparo às crianças e adolescentes carentes;

Habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiências e sua integração à comunidade;

Prover àqueles que não podem se sustentar, em especial, o idoso e o portador de deficiência, desde que comprovem não serem capazes de proverem suas necessidades ou de não terem ela feita pela família;

A promoção da integração ao mercado de trabalho.

REQUISITOS E BENEFÍCIOS DA ASSISTÊNCIA SOCIAL

Para que a pessoa possa usufruir do benefício da assistência elas devem preencher alguns requisitos objetivos. Desta feita, a pessoa portadora de deficiência ou idosa com 70 anos (art. 20 da Lei 8.742-93), que com o advento da Lei 10.741 de 1º. de outubro de 2003, o Estatuto do Idoso a idade fora reduzida para 65 anos (art. 34) ou mais na data na qual for requerido o benefício. As pessoas em que neles (requisitos) se enquadrar deverá encaminhar-se ao Posto do INSS, portando todos os documentos necessários e preencher o requerimento concernente ao benefício de amparo social ou de prestação continuada desde que não acumulado com outro qualquer no âmbito da seguridade social (art. 20, §4º. Lei 8742). O tutor pode requerer o benefício para a pessoa que ele representa, se este não o poder fazer por si só. A concessão do benefício, para os incapacitados (deficientes e familiares) de proverem a sua própria subsistência, ficará sujeita a aprovação pericial e laudo realizado pelo o serviço de perícia médica do Instituto Nacional do Seguro social - INSS. Os benefícios deverão ser concedidos em 45 dias após cumpridas as exigências descritas acima.

Além do benefício continuado ao idoso com 65 anos ou mais e às pessoas portadoras de deficiência. A assistência Social disponibiliza outro

14

benefício, no qual visa ao pagamento de auxílio natalidade ou morte, que a lei chama de benefícios eventuais e, geralmente, é destinado àqueles que tem renda mensal per capita inferior a ¼ (um quarto) do salário mínimo. Nos casos de benefícios eventuais a concessão, critérios, prazos e os valores serão regulamentados pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, no âmbito das respectivas competências dos entes federativos.

c. Lei Orgânica da Assistência Social e Estrutura Administrativa (Federal, Estadual e Municipal)

A construção do direito da Assistência Social é um marco na história do Brasil. Durante muitos anos a questão social esteve ausente das formulações de políticas no país. O grande marco é a constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã, que confere, pela primeira vez, a condição de política pública à assistência social, constituindo, no mesmo nível da saúde e previdência social. A partir da Constituição em 1993 temos a promulgação da Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), nº 8.742, que regulamenta esse aspecto da Constituição e estabelece normas e critérios para organização da assistência social, que é um direito, e este exige definição de leis, normas e critérios objetivos

Pressupõe os princípios de gestão compartilhada em seu planejamento e controle; co-financiamento das três esferas de governo; descentralização político-administrativa como forma de ampliação dos espaços democráticos e aproximação das particularidades e demandas regionais; primazia de responsabilidade estatal, o que vem corroborar o necessário rompimento com o assistencialismo e clientelismo que sempre permearam tal área, convertendo a assistência numa real defesa dos interesses e demandas das classes populares, articulada às demais políticas sociais. A Assistência Social, na condição de política social, orienta-se pelos direitos de cidadania e não pela noção de ajuda ou favor. Questiona o clientelismo e tutela presente nas práticas da assistência social por considerá-los um dos grandes desafios a

15

ser superado, uma vez que não favorecem o protagonismo e a emancipação dos cidadãos usuário, e, consequentemente, a afirmação da lógica dos direitos sócio-assistenciais.

Rumo a concretização dos pressupostos contidos na CF/88 e na LOAS, em 1997 foi aprovada a primeira Norma Operacional Básica que conceituou o sistema descentralizado e participativo da política de Assistência Social. Em dezembro de 1998, foi definido o primeiro texto da Política Nacional de Assistência Social. No mesmo ano, foi editada uma Norma Operacional Básica de conformidade com o disposto na Política Nacional de Assistência Social.

Esses instrumentos normativos estabelecem as condições de gestão, de financiamento, de controle social, de competências dos níveis de governo com a gestão da política, de comissões de pactuação e negociação e de avaliação. Criam, por exemplo, conselhos deliberativos e controladores da Política de Assistência Social, Fundos Especiais para alocação de recursos financeiros específicos da Assistência Social e órgãos gestores da Política de Assistência Social, em todos os níveis de governo, além de Comissões Intergestoras Bipartites e Tripartites.

A Lei nº 10.683, de 28 de maio de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.869, de 13 de maio de 2004, ao dispor a organização da Presidência da República e dos Ministérios, estabelece a política nacional de assistência social como um dos assuntos de competência do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome - MDS (art.27, II, ”c”);

O SUAS é um sistema público, não-contributivo, descentralizado e participativo, destinado à gestão da assistência social, através da integração das ações dos entes públicos (União, Estados, Municípios e o Distrito Federal) responsáveis pela política socioassistencial e das entidades privadas de assistência social.

Art. 13. Compete aos Estados:

16

I-destinar recursos financeiros aos municípios, a título de participação no custeio do pagamento dos auxílios natalidade e funeral, mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos Estaduais de Assistência Social;

II- apoiar técnica e financeiramente os serviços, os programas e os projetos de enfrentamento da pobreza em âmbito regional ou local;

III- atender, em conjunto com os municípios, as ações assistenciais de caráter de emergência;

IV- estimular e apoiar técnicas e financeiramente as associações e consórcios municipais na prestação de sérvios de assistência social;

V- prestar os serviços assistenciais custos ou ausência de demanda municipal justifiquem uma rede regional de serviços, desconcentrada, no âmbito do respectivo Estado.

Art. 14 Compete ao Distrito Federal:

I-destinar recursos financeiros para o custeio do pagamento dos auxílios natalidade e funeral, mediante critérios estabelecidos pelo conselho de Assistência Social do Distrito Federal:

II- efetuar o pagamento dos auxílios natalidade e funeral;

III- executar os projetos de enfrentamento da pobreza, incluindo a parceria com organizações da sociedade civil;

IV- atender às ações assistenciais de caráter de emergência;

V- prestar os serviços assistenciais de que trata o art. 23 desta lei.

Art. 15. Compete aos Municípios;

I-destinar recursos financeiros para o custeio do pagamento dos auxílios natalidade e funeral, mediante critérios estabelecidas pelos Conselhos Municipais de Assistência Social;

17

II- efetuar o pagamento dos auxílios natalidade e funeral;

III- executar os projetos de enfrentamento da pobreza, incluindo a parceria com organizações da sociedade civil;

IV- atender às ações assistenciais de caráter de emergência;

V- prestar os serviços de que trata o art. 23 desta lei.

d. Entidades assistenciais, formas de custeio.

Os programas compreendem ações integradas e complementares, tratadas no art. 24 da LOAS, com objetivos, tempo e área de abrangência, definidos para qualificar,incentivar, potencializar e melhorar os benefícios e os serviços assistenciais, não se caracterizando como ações continuadas.

A proteção Social Básica tem como objetivo prevenir situações de

risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições, e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. Destina-se à população que vive em situação de Vulnerabilidade Social decorrente de pobreza, privatização (ausência de renda, precário ou nulo acesso aos serviços públicos, dentre outros) e, ou, fragilização de vínculos afetivos - relacionais e de pertencimento social (discriminações etárias, étnicas, de gênero ou por deficiência, dentre outras.

São programas da proteção social básica o Programa de Atenção Integral às Famílias - PAIF, o Programa de Inclusão Produtiva, programas de incentivo ao protagonismo juvenil e de fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

Financiamento da Assistência Social

Os Estados, Municípios e o Distrito Federal poderão instituir fundos especiais em seus âmbitos, os quais deverão estar vinculados ao órgão responsável pela coordenação da política de assistência social nas respectivas esferas de governo, como unidades orçamentárias com alocação de recursos próprios para subsídios às ações programas co-financiamento da política.

18

3. Criança e Adolescente

a. Doutrina da Proteção Integral

A doutrina da proteção integral de crianças e adolescentes perpassa uma trajetória histórica, que se redimensiona a cada conquista e se revoluciona com a introdução do art. 227 e 228 da Constituição Federal de 1988 e a posterior elaboração do ECA como política pública de para garantir o direito infanto-juvenil, promulgada em 13 de julho de 1990, através da lei 8.069/90.

Antecedentes históricos

Os antecedentes históricos que perpassa a legislação do menor é uma questão que intercruza aspectos socioeconômico, políticos de cada época. Para apreendermos esse percurso histórico, devemos observar historicamente os avanços da Doutrina de Proteção Integral de Crianças e adolescentes.

As décadas de 70 e 80 presenciaram uma verdadeira erupção dos direitos da pessoa humana, em que a partir dai passa a se realizar várias conquistas através de convenções, assembleias, que se transformam em poderoso instrumento para modificar pensamentos e modos de agir da sociedade.

Em épocas remotas as crianças eram vistas como propriedade do chefe da familia, que este poderia decidir sobre a vida ou morte de seus filhos.

No Brasil foi publicado em 1927 o Código de Menores, sob o decreto n° 17.943-A que veio a ser a primeira legislação acerca de menores, elaborada pelo juiz Mello Matos.

Esse decreto traz inovações como a centralização de todas as decisões referentes ao destino de menores infratores, mas este código continuava suprimindo a figura da família como parte integrante e necessária do desenvolvimento do menor. Não havia uma política de proteção a todas as crianças, e sim uma enorme preocupação de proteger a sociedade, não havendo distinção entre abandonados e delinquentes.

19

Em 1942 é criado o Sistema de Assistência do Menor (SAM), órgão

ligado ao ministério da justiça, mas continua numa perspectiva de órgão

repressor.

Em 1948 há um grande avanço acerca dos direitos humanos, com a

publicação pela ONU de dois documentos de extrema relevância para

conquistas posteriores, como a Declaração Universal dos Direitos humanos,

em 1948, e a Declaração dos Direitos da Criança em 1959. Esses dois

documentos trouxeram um grande avanço, vindo a ser um ponto de partida

para a Doutrina de proteção Integral da criança e adolescente.

Definição de criança e adolescente

Em 1988 a constituição Federal de 1988 inaugura uma preocupação

com o direito juvenil nos art. 227 e 228

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além

de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,

§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde

da criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades

não governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes preceitos: (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de

I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde

na assistência materno-infantil;

- criação de programas de prevenção e atendimento especializado

para os portadores de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens

serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos.

e

II

II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado

para as pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência,

20

mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos arquitetônicos e de todas as formas de discriminação. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

§ 2º - A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e

dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência.

§ 3º - O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:

I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o disposto no art. 7º, XXXIII;

II

- garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;

III

 

- garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola;

III

- garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola;

IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato

infracional, igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional

habilitado, segundo dispuser a legislação tutelar específica;

V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e

respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da

aplicação de qualquer medida privativa da liberdade;

VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado;

VII

- programas de prevenção e atendimento especializado à criança

e ao adolescente dependente de entorpecentes e drogas afins.

VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins. (Redação dada Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

§ 4º - A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da criança e do adolescente.

§ 5º - A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei,

que estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de

estrangeiros.

§ 6º - Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por

adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.

21

§ 7º - No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar- se- á em consideração o disposto no art. 204.

§ 8º A lei estabelecerá: (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65,

I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens; (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à

articulação das várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas. (Incluído Pela Emenda Constitucional nº 65, de 2010)

Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.

Dois anos depois o direito infanto-juvenil é inovado e regulamentado,

através da lei 8.069/90 que revoluciona os direitos de crianças e adolescentes.

Assim então o Código de menores é revogado( lei 6.697/79). O Estatuto da

Criança e Adolescente promulgado em 1990, traz novos parâmetros para

garantia de direitos, com uma nova definição para criança e adolescentes, para

que estes sejam considerados sujeitos de direitos e pessoas em condição

peculiar de desenvolvimento. Neste código o legislador tem a preocupação de

utilizar expressões com “crianças “ e “adolescentes” e assim extinguir a

marginalização, o estigma, o trauma, de como a expressão “menor” os

rotulavam.

De acordo com o art. 2° do ECA, criança é:

Considera-se criança, para efeitos desta lei, a pessoa até doze anos

de idade incompletos e adolescentes aquele entre doze e dezoito anos de

idade.

Absoluta prioridade de criança e adolescente

Em 1950 o código de menores continua disciplinando o menor, mas

nesse mesmo momento. A partir daí busca- se garantir através do ECA a

absoluta prioridade da criança e do adolescente, onde sejam respeitados e

garantidos seus direitos fundamentais, como está expresso no art. 3° do ECA

22

O art. 4° do estatuto da criança e do adolescente transcreve o art.

227 da CF 88 no que diz:

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer

circunstâncias;

b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;

c) preferência na formulação e na execução das políticas

sociais públicas;

d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas

relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

Os direitos dessas crianças e adolescentes devem ser assegurados

em primeiro lugar pela família e depois pelo Estado e sociedade, por todos os

meios e de todas as formas e com absoluta prioridade, assim como todos os

direitos previstos na Constituição. Sendo prioridade absoluta na escala de

preocupação dos governantes. Além de descrever e enumerar os direitos das

crianças e adolescentes, ainda indica mecanismos de exigibilidade.

Em que o art. 5° do ECA regulamenta a ultima parte do art. 227 da

CF, em que a criança gozará de proteção da negligencia, discriminação,

exploração, violência, crueldade, opressão e todas os atentados aos seus

direitos.

Proteção

desenvolvimento de crianças e adolescentes.

integral,

cidadania

e

condição

peculiar

de

A garantia e a proteção dos direitos estabelecido no ECA as

crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, tem na sua interpretação a

consideração do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a

23

condição

desenvolvimento.

peculiar

da

criança

e

do

adolescente

como

pessoas

em

O que interessa na interpretação do texto legal é a proteção e garantia dos direitos da criança e adolescentes, que deve sobrepor qualquer outro bem ou interesse juridicamente tutelado. O que deve ser levado em consideração é a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.

b. Dos direitos fundamentais

Direitos humanos e direitos da criança e do adolescente.

Os direitos da Criança e do Adolescente são os mesmos direitos de qualquer pessoa humana, tais como o direito à vida e à saúde, à educação, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, à cultura, ao lazer e ao esporte, à profissionalização e à proteção no trabalho.

Esses direitos são garantidos na Constituição Federal (art 5º) e consignados no Estatuto.

Direitos à convivência familiar e comunitária.

Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.

A família é o primeiro agente socializador do ser humano. A falta de afeto e de amor da família gravará para sempre seu futuro. Os pais são os responsáveis pela formação e proteção dos filhos, não só pela detenção do poder familiar, mas pelo dever de garantir-lhes os direitos fundamentais assegurados pela Constituição, tais como a vida, a saúde, a alimentação e a educação (art 227)

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à

24

profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Definição constitucional e estatutária de família

A Constituição Brasileira de 1988 define, no Art. 226, parágrafo 4:

“entende-se como entidade familiar a comunidade formada por qualquer um dos pais e seus descendentes”. Também o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), em seu Art. 25, define como família natural “a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes”.

Poder familiar

Art. 21. O Pátrio Poder (poder familiar, de acordo com o novo CC lei 10.406/2002) será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência.

Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.

A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo

suficiente para a perda ou a suspensão do Pátrio Poder (suspensão ou extinção do poder familiar de acordo com o novo CC, lei 10.406/2002).

Colocação em Família Substituta: Guarda, Tutela e Adoção.

A família natural é a comunidade primeira da criança. Lá ela deve

ser mantida sempre que possível, mesmo apresentando carência financeira.Lá é o lugar onde devem ser cultivados e fortalecidos os sentimentos básicos de um crescimento sadio e harmonioso. Quando essa família, por algum motivo, desintegra-se, colocando em risco a situação de crianças e adolescentes, surge então, a família substituta, que supletivamente, tornará possível sua integração social, evitando a institucionalização. A colocação de criança ou

25

jovem em família substituta dar-se-á pela guarda pela tutela ou pela adoção, independentemente de sua situação jurídica.

Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou do adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não governamentais, sem autorização judicial.

Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção.

I. Da Guarda

Dentre as modalidades de colocação de criança e adolescente em família substituta está a guarda, que pode ser deferida também a alguma instituição, que poderá opor-se a terceiros, inclusive aos pais.

Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais.

A finalidade da guarda é sem duvida, regularizar a posse de fato da

criança ou adolescente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto nos de adoção por estrangeiros.

É preciso esclarecer que a guarda aqui tratada está elencada dentre

as medidas opcionais de colocação de criança ou adolescente em família substituta. Quando se trata de disputa de pais pela guarda de filho, torna-se evidente que não é caso de colocação de criança ou adolescente em família substituta, mas simples regulamentação da guarda na própria família do filho disputado em família substituta, mas simples regulamentação da guarda na própria família do filho disputado, na ocorrência de separação de seus pais.

A concessão de guarda, seja ela provisória ou de caráter definitivo,

não se faz coisa julgada, podendo ser modificada no interesse exclusivo do

26

menor desde que não tenham sido cumpridos as obrigações pelo seu guardião.

É verdade que a decisão poderá ser revista a qualquer tempo; no interesse da

criança ou do adolesceste.

II. Da Tutela

“A Tutela é o conjunto de poderes e encargos conferidos pela lei a um terceiro, para que zele pela pessoa de um menor que se encontra fora do pátrio poder, e lhe administre os bens”. (Rodrigues, 1982)

Com caráter nitidamente assistencial que visa substituir o pátrio poder, a tutela se reveste, principalmente, de um encargo, de um múnus imposto a alguém.

Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009)

A tutela foi regulamentada pelos artigos 1.728 e seguinte do novo

código civil, atualizando os dispositivos que privilegiavam os direitos dos homens em detrimento dos das mulheres, em consonância com o princípio da

isonomia, consagrada no §5º do art. 226 da CF.

III.

Da Adoção

“Adoção é o ato do adotante pelo qual trás ele, para sua família e na sua condição de filho, pessoa que lhe é estranha”. (Rodrigues. 1982).

Frente as mudanças trazidas pelo novo código civil, o instituto da adoção no ECA, então a norma estatutária disciplinou o instituto da adoção, outorgando-lhe a plenitude de seus efeitos.

O artigo 39 define a adoção de crianças (até 12 anos incompletos) e

de adolescentes (de 12 a 18 anos incompletos). A modificação trazida pelo art 1.618 do CC, que autoriza a adoção à pessoa maior de 18 anos, não colocou obstáculos à adoção de maiores de 18 e menores de 21, que já estivessem sob

a guarda ou tutela do adotante, como dispõem os artigos 2º e 4º do estatuto.

27

Hoje, todas as adoções revestem-se das seguintes características e

efeitos:

São judiciais;

Definidas por sentença constitutiva;

Assistida pelo poder público;

Protegidas pela irrevogabilidade do vínculo a partir da sentença

constitutiva;

Mantêm-se os vínculos de parentesco entre o adotado e todos,

como dever de alimento, direitos sucessórios, direito a visita etc.

Manutenção do vinculo consanguíneo do adotado com os pais e

parentes naturais (biológicos) em virtude dos impedimentos

matrimoniais;

A revogabilidade do consentimento dos pais biológicos ou

responsáveis até a publicação da sentença constitutiva de

adoção; que seja realizada no interesse da criança e do

adolescente.

c.

Medidas de Proteção:

Art. 98 - As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:

I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;

II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;

III - em razão de sua conduta.

CAPÍTULO II

DAS MEDIDAS ESPECÍFICAS DE PROTEÇÃO

Art. 99 - As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo.

Art. 100 - Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.

28

Art. 101 - Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98. a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:

I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;

II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;

III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de

ensino fundamental;

IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxilio à família,

à criança e ao adolescente;

V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em

regime hospitalar ou ambulatorial;

VI -

inclusão

em

programa

oficial

ou

comunitário

de

auxílio,

orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; VII - abrigo em entidade;

VIII - colocação em família substituta.

Parágrafo único - O abrigo é medida provisória e excepcional, utilizável como forma de transição para a colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.

Art. 102 - As medidas de proteção de que trata este Capítulo serão acompanhadas da regularização do registro civil.

§ 1º - Verificada a inexistência de registro anterior, o assento de

nascimento da criança ou adolescente será, feito à vista dos elementos

disponíveis, mediante requisição da autoridade judiciária.

§ 2º - Os registros e certidões necessárias à regularização de que trata este artigo são isentos de multas, custas e emolumentos, gozando de absoluta prioridade.

d. Medidas-sócio- educativas

Conceito e Aplicação

A Medida Sócio-Educativa é a manifestação do Estado em

resposta ao ato infracional praticados por adolescentes menores de 18 anos,

cuja aplicação objetiva inibir a reincidência, desenvolvida com a finalidade

pedagógico-educativa.

A Aplicação da Medida Sócia Educativa deve respeitar a

capacidade do adolescente em cumpri-las, as circunstâncias em que o ato

29

infracional foi praticado e a gravidade da infração, pois cada adolescente traz consigo sua história e trajetória.

As medidas empregadas pelas autoridades quando verificada a prática do ato infracional são descritas no ECA em seu art.112:

I Advertência;

II Obrigação de reparar o dano;

III Prestação de serviço à Comunidade;

IV Liberdade Assistida;

V Inserção em regime de semiliberdade;

VI Internação em estabelecimento educacional;

VII Qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.

Em face da doutrina da proteção integral, preconizada pelo Estatuto em seu art. 1º, temos que as medidas aplicáveis possuem como desiderato principal demonstrar o desvalor da conduta do adolescente e afasta-lo da sociedade num primeiro momento, como medida profilática e retributiva, possibilitando-lhe reavaliação da conduta e recuperação, preparando-lhe para

a vida livre, a fim de que num segundo momento, seja re-inserido na sociedade.

Não se trata de pena, embora presente o caráter retributivo, pois o objetivo e natureza da medida sócio educativa não é punir, mas primordialmente ressocializar.

Processo de PSC Prestação de Serviço à Comunidade

A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, com caráter educativo, por período não excedente a seis meses, junto às entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários

30

ou governamentais (Art. 117 - lei 8.069/90). Estas instituições devem proporcionar aos adolescentes atividades que auxiliem na formação da cidadania através de um trabalho sócio-educativo. Assim como nas medidas de Liberdade Assistida, as medidas de Prestação de Serviços à Comunidade possuem acompanhamento individual e em grupo, com o diferencial do adolescente estar inserido em uma instituição executando trabalhos sociais.

Processo de L. A. Liberdade Assistida

A liberdade assistida será adotada sempre que afigurar a medida adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente (Art. 118 Lei 8.069/90). É apropriada para os casos os quais uma medida mais branda não possa ser eficaz.

Trata-se de uma medida que pode ter excelentes resultados, pois o adolescente tem um acompanhamento sistemático. A liberdade assistida, como política de tolerância, insere-se em um processo normalizador de condutas que visa pacificar indisciplinas, conter rebeldias, adaptar e integrar o jovem.

A semiliberdade

Pode ser aplicada como regime de transição posteriormente a uma internação ou como medida autônoma. São obrigatórias a escolarização e profissionalização do infrator.

Na verdade, a aplicação desta medida é difícil. Não há locais adequados para sua execução que acaba sendo procedida em estabelecimentos destinados à internação. O reduzido número destes, de seu turno, torna prioritárias a execução das medidas de internação.

A internação

É uma medida cuja aplicação se orienta pela excepcionalidade e brevidade, conforme preconiza o artigo 227, inc. V, da CF/88, o que é repetido pelo artigo 121 do ECA. A medida de internação comporta hipóteses legais de aplicação, quais sejam as previstas no artigo 112:

Art. 122- A medida de internação só poderá ser aplicada quando:

31

I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência à pessoa;

II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;

III -

por

descumprimento

anteriormente imposta.

e. Do Conselho Tutelar

Atribuições e Competências

reiterado

e

injustificável

da

medida

Do Conselho Tutelar no Art.131 coloca que: O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei.

DAS ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO

I Atender as crianças e adolescentes, nas hipóteses previstas nos

arts. 98 e 105, aplicados às medidas previstas no art. 101, I a VII;

II- Atender e aconselhar os país ou responsável, aplicando as

medidas previstas no art. 129, I a VII;

III- Promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:

a- Requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; b- Representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. IV- Encaminhar ao Ministério Público à autoridade notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescentes; V- Encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; VI- Providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as prevista no art.101 de I a VI para o adolescente de autor de ato infracional;

32

VII- Expedir notificações; VIII- Requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança e adolescente, quando necessário; IX- Assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança

e adolescente; X- Representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos no art. 220,§3º, inciso II, da Constituição Federal; XI- Representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do pátrio do poder. Art.137. AS decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revista pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse.

DA COMPETÊNCIA

No art. 138. Aplica- se ao Conselho Tutelar a regra de Competência constante do art. 147. Art. A competência será determinada:

I- Pelo domicílio dos pais ou responsável;

II- Pelo lugar onde se encontre a criança ou adolescente, á falta dos pais ou responsável;

§ 1º. Nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do

lugar da ação ou omissão, observadas as regras de conexão, continência e

prevenção.

§ 2º A execução das medidas poderá ser delegada a autoridade

competente de residência dos pais ou responsável, ou do local onde sediar-se

a entidade que abrigar a criança ou adolescente.

§ 3º. Em caso de infração cometida através de transmissão simultânea de rádio ou televisão, que atinja mais de uma comarca, será competente, para aplicação da penalidade, a autoridade judiciária do local da sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença eficácia para todas as transmissoras ou do respectivo Estado.

33

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL. Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, 1990.

BRASIL, Presidência da República. Lei Orgânica da Assistência Social, n. 8.742, de 7 de dezembro de 1993, publicada no DOU de 8 de dezembro de

1993.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado; 1988.

Legislações: Constituição da República; Lei 8.742-93; Lei 10.741-03; Lei 8.212-

91

Martinez, Wladimir Novaes. Princípios de direito previdenciário / Wladimir Novaes Martinez. 4. ed. São Paulo: LTr, 2001.

Moraes, Alexandre. Direito Constitucional / Alexandre de Moraes. - 21. ed. - São Paulo: Atlas, 2007 .

Princípio de Direito Previdenciário, p. 206, 4ª. Edição.

Alexandre

de Moraes, direito constitucional, p. 785, 21ª. Edição.

Princípio

de Direito Previdenciário, p. 206, 4ª. edição.

Princípios

de Direito Previdenciário, p. 205, 4ª. Edição.