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O RECONHECIMENTO DA CULTURA NO BRASIL, DAS

POPULAÇÕES TRADICIONAIS E O PAPEL DAS
POLÍTICAS GOVERNAMENTAIS
Susi Karla Almeida Santos∗
Resumo
O presente trabalho pretende discutir como a cultura vem sendo reconhecida e legitimada no
Brasil. Discutiremos o papel do governo, mediante as novas exigências da população como
agentes de produção de riquezas, bem como o Estado tem se legitimado como democrático e
regulador das riquezas produzidas pelas populações tradicionais do país.
Palavras – chave: Cultura; Políticas Públicas; Governo.
Abstract
This paper will discuss how culture has been recognized and legitimized in Brazil. We discuss
the role of government by the new demands of the population as agents of wealth creation, as
well as the state has been legitimated as democratic and regulator of the wealth produced by
the traditional populations of the country.
Keywords: Culture; Public Policy; Government.

INTRODUÇÃO
Em larga medida, o termo cultura vem sendo utilizado e revisto nas mais diversas
áreas do conhecimento, e tem embasado diversos estudos acadêmicos que se propõem
entender seu uso na modernidade. Os trabalhos partem das mais diversas especialidades, entre
as áreas humanas e sociais, mas é no campo da política que a cultura tem encontrado maior
espaço, pelo seu caráter de produção de bens materiais e imateriais, portanto, pela produção
de riquezas. A abertura para a discussão está associada ao reconhecimento das populações
tradicionais que, somam um número significativo, bem como sua área de ocupação no
território nacional. Entre essa população a mais numerosa é identificada como remanescentes
de quilombolas e indígenas. Esse último não é recente no país, podemos identificá-los tanto
no período da colonização, quanto ao seu anterior, entretanto, seu reconhecimento na forma
da lei só se deu a partir da Constituição Federal de 1988.

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em História – PPGH da Universidade Estadual de Montes Claros –
UNIMONTES.

Para Bosi. de toda riqueza elaborada a partir de seus saberes sendo necessário para isso. em grego m. no chamado sistema verbal de presente. . o habitante de colônia. Está em Plauto e Catão. se aqui considerarmos a fundação da República a partir de 1889. são demógrafos. 1992: 11). faz-se necessário o mapeamento e classificação étnica do povo brasileiro. de um agente para um objeto. leis que assim as afiançassem. sob o signo da “valorização cultural”. “Colonus é aquele que cultiva uma propriedade rural em vez de seu dono. entre eles podemos destacar o conceito de cultura e a elaboração de políticas públicas que atendam a diversidade das culturas identificadas em nosso território. mesmo sendo essa de propriedade portuguesa. Por tudo isso. economistas. por extensão. Um grande problema enfrentado pelo governo e por todo aquele que deseja que sua seja cultura no mínimo respeitada. A ação expressa neste colo. denota sempre alguma coisa de incompleto e transitivo. eu moro. nosso problema se amplia mais ainda. eu trabalho. Se considerarmos as primeiras instruções de Bosi. cujo particípio passado é cultus e o particípio futuro é culturus. outro é inquilinus. Um herdeiro antigo de colo é íncola. é caracterizá-la. como forma de reconhecer e incluir diversas populações. ápoikos. Ora. e. As palavras cultura. As políticas públicas têm sido elaboradas.. pelo menos. historiadores. Colo é a matriz de colônia enquanto espaço que se está ocupando.]. uma série de profissionais está empenhada nessa tarefa. o seu feitor no sentido técnico e legal da palavra. além da posse de sua produção agrícola. de que o conceito de cultura está intimamente a vinculação à terra..2 O debate sobre o reconhecimento em nosso país enfrenta uma diversidade de problemas. Quanto à agrícola. Essa população teria direito ainda. culto e colonização derivam do mesmo verbo latino colo. Colo significou. isso a propósito da elaboração de políticas públicas que tentem contemplar. eu cultivo o campo. sociólogos. estatísticos. como colônia [. na língua de Roma. o habitante. aquele que reside em terra alheia. eu ocupo a terra. entre outros que desejam transformar o mote da cultura em carro chefe de sua produção acadêmica ou política. É preciso ressaltar que anterior ao reconhecimento cultural. terra ou povo que se pode trabalhar e sujeitar. É o movimento que passa. já pertence a um segundo plano semântico vinculado à idéia de trabalho. daqueles que cultivavam a terra. teríamos assim grande parte da população brasileira descendente de colonus. antropólogos. outrora marginalizadas pelo fato de sua “cultura” não ter sido considerada na construção da nação brasileira. Num país continental e tão diversificado fica cada dia mais complexa essa empreitada. juristas. ou passava. pelo menos do ponto de vista legal. cientistas políticos. uma parcela da sociedade brasileira. que vem estabelecer-se em lugar dos incolae” (BOSI.

A razão pela qual o empreendimento é imodesto ou. tudo parece um amontoado de esquemas e surpresas: de outro. Com essa reformulação das duas __ cultura e política __ passa a ser um empreendimento mais praticável determinar a conexão entre elas. O debate tende a se desenvolver em dois vieses. aqui. o que a tentativa de ligar a política à cultura precisa é de uma perspectiva menos ansiosa da primeira e uma menos estética da última (GEERTZ. embora a tarefa não seja modesta. CULTURA E POLÍTICAS . talvez não seja menor do que a demanda em definir os direitos culturais da população. Acima de tudo. particularmente temerário. não são cultos e costumes. não que as discussões sobre política e cultura sejam recentes. por parte do governo. uma vasta geometria de julgamentos estabelecidos. o que é extremamente valioso. È extremamente obscuro o que une esse caos de incidentes a esse cosmo de sentimentos. Para Geertz. o que não há é uma convergência entre os objetivos de suas temáticas. 1989: 135. mas uma das principais arenas na qual tais estruturas se desenrolam publicamente. Num dos níveis.. Por isso. Na corrente de acontecimentos que formam a vida política e a teia de crenças que a cultura abarca é difícil encontrar um meio. facilmente se torna hegemônico em se tratando do dever do Estado em garantir ao cidadão seus direitos quanto à sua criação e preservação cultural. a política e a cultura passaram a se confrontar enquanto debate.) A ansiedade em caracterizar as culturas brasileiras. 1989:136). senão na França? . tanto para atender as novas realidades culturais do país. esse debate pode causar desconfiança por falta de aparato teórico.. não sabe bem como demonstrar é que a política de um país reflete o modelo de sua cultura. e passam a regulá-los conseqüentemente. o debate está cada dia mais acirrado tanto na academia quanto nos meandros políticos. A cultura. é não existir praticamente qualquer aparato teórico para conduzi-lo: todo esse campo __ como o chamaremos? Análise temática? __está unido a uma ética de imprecisão (GEERTZ. proposição é indubitável __ onde mais poderia existir a cultura francesa. quanto para atender a dinâmica estatal que regula o contexto institucional das primeiras. e como reformulá-lo torna-se ainda mais obscuro.3 Uma das coisas que quase todo mundo conhece mas. De um lado. de qualquer modo. mas as estruturas de significado através das quais os homens dão forma à sua experiência. Esse debate que parece dicotômico. Porém.termo. Esses direitos são inegavelmente definidos pelas políticas governamentais que os estabelecem. e a política não são golpes e constituições.

atenção constitucional.5 milhões de pessoas e ocupam 25% do território nacional (REVISTA HISTÓRIA. como a proteção ambiental de várias regiões pobres. ciganos e pomeranos. 2007: 18). Em uma reunião em 2006. geraizeiros. 2009. a Comissão já representava 15 diferentes identidades. . a discussão sobre cultura ganhou força quando da Constituição de 1988. entre outros. a palavra foi-se infiltrando em todas as regiões a partir dos últimos anos da década de 80 (HERMET. pantaneiros. passaram a atuar no palco da legalidade a partir da distensão política – militar exigindo cada vez mais do governo. Grupos. Além de índios e afro-descendentes. faxinalenses. Suzana Hinteze. As características heterogêneas dessas populações foram captadas como riquezas locais. tem ribeirinhos. Não foram poucos os movimentos em que minorias protestaram em prol de sua visibilidade e de seus direitos civis e econômicos. caiçaras. Nesse interim o Estado Neoliberal apropriou-se do mote “Cultura”. Dois anos depois de criada. que outrora foram considerados subversivos ou marginais. a Comissão estimou que os “povos tradicionais” somam 4. as Comunidades Tradicionais são diversificadas e numericamente significativas. a motivadora do desenvolvimento.4 No Brasil. a cultura passou de empecilho. a partir de seu próprio capital social. Apesar disso. e passaram estimular tanto o turismo. em Dicionário da Outra Economia. a valorização cultural recebeu atenção em respostas aos movimentos sociais que se deflagraram durante e após a Ditadura Militar. Na carta. A idéia é implementar políticas específicas para os grupos não-urbanos com uma cultura própria. Para Guy Hermet. Segundo os dados da revista História. pois durante décadas havia sido considerada mais um fator capaz de paralisar a mudança do que como um possível ponto de apoio para o desenvolvimento. ao lado da de Desenvolvimento Social. principalmente nos países latino-americanos. a criação da Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos povos e Comunidades Tradicionais. seringueiros. fundos de pastos. quebradeiras de coco de babaçu. como por exemplo. em um sentido amplo às características da organização social que cooperação e a coordenação em prol do benefício mútuo. o quem deve nortear as políticas para grupos não urbanos. o compartimento de redes. 2002: 86). a confiança e as pautas de reciprocidade.1 A cultura saía do longo ostracismo. para basilar suas políticas em respostas tanto às manifestações internas quanto aos órgãos internacionais que forçavam o desenvolvimento das populações na linha de pobreza. Foi também a área ambiental do governo que articulou. 1 O capital social refere-se.

(FOUCAULT. grupos de trabalho. deslocando seu interesse econômico estatal para o privado. A constituição de um saber de governo é absolutamente indissociável da constituição de um saber sobre todos os processos referentes à população em sentido lato. e ao mesmo tempo um tipo de intervenção característico do governo: a intervenção no campo da economia e da população. organizada em Washington sob os auspícios do banco Mundial e da UNESCO. apareceu um novo objeto. Michel Foucault já analisava as formas de controle do governo sobre a população. Apreendendo a rede de relações contínuas e múltiplas entre a população. Estamos acostumados a enxergar o papel do Estado nas instituições política. As políticas neoliberais se estenderam ao espaço cultural. não . a organização Internacional do trabalho. Ora. Se entendermos. não teria sentido senão concatenado ao desenvolvimento econômico de cada região. econômica ou militar. Esse desenvolvimento. GOVERNO E POLÍTICAS Mesmo antes da implantação do Estado Neoliberal.. entre os diversos elementos da riqueza. a população. a riqueza. o território. juntamente como um dos objetivos dessa luta. 1979 :290). prodigalizaram simpósios.5 Na década de 1990. em particular. Se a cultura é heterogênea. A economia política pôde se constituir a partir do momento em que. o PNUD e a UNESCO. Em 1998. se podemos entender. desde 1995. o banco Interamericano de desenvolvimento. a conferência sobre “A Cultura no desenvolvimento sustentável” (Culture in sustainable developmente). que se chamará economia política. embora tardia (HERMET. se constituirá uma ciência. daquilo que chamamos precisamente de “economia”. Todavia. a política para organizá-la também deve ser assim. sempre representadas por suas burocracias. essas formas de controle passaram a ser mais eficazes e talvez menos visíveis. etc. como fomento para a intervenção governamental. não fez mais do que coroar essa evolução acelerada. Porquanto. Para Foucault. o território e a riqueza”. publicações e declarações oficiais sobre a importância capital do elemento cultural como recurso para a luta contra a miséria dos povos. o Brasil tanto sofria pressões internas. órgãos internacionais também se mobilizaram para incrementar o desenvolvimento cultural. 2002: 87). que no neoliberalismo as políticas públicas se distanciam da propriedade estatal ou a transforma. quanto externas. a CEPAL. a “rede de relações contínuas múltiplas entre a população. múltipla e fluida. O banco Mundial. o controle estatal aprece na constituição de saberes específicos de controle da economia diretamente ligado ao controle populacional. ela também regulamenta outras atividades da população em benefício de uma economia de Estado.

2. sejam táticas de governamentabilidade. cuja proposta final é legitimar um governo democrático a favor da diversidade cultural do país. o que não é ou não é estatal. Contamos com Michel Foucault para melhor compreendermos a ação do governo e sua versatibilidade. que tem por alvo a população. Essas táticas perpassam os interesses culturais quando alcançam o viés da política. durante muito tempo. que é um fenômeno particularmente astucioso.. 1979: 292). 3. que se tornou nos séculos XV e XVI Estado administrativo. O governo depende de uma série de estratégias e mecanismos. Talvez o reconhecimento das populações tradicionais e das políticas públicas que as legitimaram.6 podemos deixar de tomar a produção cultural enquanto riqueza e conservação da população que a produz. portanto o estado. portanto. (FOUCAULT. é graças a esta governamentalidade. contudo. a ação do governo agindo duplamente em campos que deixaram de ser distintos. em sua sobrevivência é em seus limites. sobre todos os outros – soberania. Para ele. 1O conjunto constituído pelas instituições.o resultado do processo através do qual o Estado de justiça da Idade Média. as técnicas de governo se tornaram a questão política fundamental do espaço real da luta política. Temos então. a estatização da sociedade tem menor importância do que o que ele chama de governamentalização do Estado. Se o estado é hoje o que é. por forma principal se saber a economia política e por instrumentos técnicos essenciais os dispositivos de segurança. a cultura e política. Foucault se dedicou notoriamente. o que é público ou privado. análises e reflexões. Os movimentos sociais emergentes a partir da década de 1980 não encontraram resistência ou repressão por parte de governo neoliberal. São as táticas de governo que permitem definir a cada instante o que deve ou não deve competir ao Estado. vivemos na era da governamentalidade. etc.a tendência que em todo o ocidente conduziu incessantemente. Desde o século XVIII. a governamentalização do Estado foi que permitiu o Estado sobreviver. ao mesmo tempo interior e exterior ao Estado. disciplina. passível ao controle do Estado. etc – e elevou ao desenvolvimento de uma série de aparelhos específicos de governo e de um conjunto de saberes. à preeminência deste tipo de poder. procedimentos. usa uma trama de tecnologias de poder que se articula de forma a se . deve ser compreendido a partir das táticas gerais da governamentabilidade (FOUCAULT. ao estudo da governamentabilidade desde o século XVIII. pois se efetivamente os problemas da governabilidade. cálculos e táticas que permitem exercer esta forma bastante específica e complexa de poder. 1979: 291-292). que se pode chamar de governo. Governamentalização do Estado. não deixou de refletir a extensão da governamentabilidade a contemporaneidade. foi pouco a pouco governamentalizado. e sim foram cooptados pelas políticas públicas que permitiram o controle das mesmas.

Art. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura (terra) nacional. § 3° A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura. 1988). Dessa forma. abre espaço para a união das mais diversas áreas do conhecimento. PPGH aula do dia 26-06-2011 . a própria Constituição Federal.215. de duração plurianual. A Constituição Federal delibera ao governo a competência de gerenciar o povo. Convêm apresentar alguns dispositivos da Seção II. II. (BRASIL.2 O campo de debates é longo e fluido por se tratar de objeto intersubjetivo que é a cultura. além de seus bens imateriais. abrangendo um amplo campo de possibilidades.. visando ao desenvolvimento cultural do país e à integração das ações do poder público que conduzem à: I. se apresenta predisposta para a movimentação da 2 Fala do professor Ildenilson Meireles Barbosa. Estabelece a regularidade do plano de desenvolvimento cultural. o Estado aparece como responsável e protetor das fontes de cultura pertencentes ao povo brasileiro. No artigo 215. as ações dos agentes públicos e a formação dos gestores para a valorização dos bens constituídos como culturais. a intersubjetividade do termo. e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.produção. ao mesmo tempo para manter o controle do território e de suas riquezas. o território.. os estudiosos continuam dispostos nesse labor. não precisam existir políticas rígidas para o norteamento das culturas. definir quais são as populações tradicionais do país. O governo usa da legalidade para reconhecer os direitos das populações e. Constituição. O governo tem caráter centralizador das ações relativas à cultura emanada da população.7 proteger e manter sua funcionalidade e ampliar seus domínios. desta maneira abarcará todas as emergências que vierem a existir. Mesmo porque.Da Cultura de nossa Constituição. promoção e difusão de bens culturais. III. § 1° O Estado protegerá as manifestações das culturas populares. e a definição do termo se torna mais flexível. e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional.defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro. indígenas e afro-brasileiras. Podemos entender que a definição final do termo não existe e não precisa existir. CONSIDERAÇÕES FINAIS Mediante as dificuldades em definir o termo cultura.formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas dimensões.

(orgs. Disponível em: www.org. 2008.8 cultura. Rio de Janeiro: Edição Graal. G. Cidadania no Brasil: um longo caminho. L. FOUCAULT. GEERTZ. http://www. nos espaços. M. A. C. DICIONÁRIO INTERNACIONAL DA OUTRA ECONOMIA.br/documento/artigo215. O governo mantém assegurado seu direito de legitimar as populações tradicionais. REVISTA DE HISTÓRIA. Petrópolis. 1946. bem como de regular a produção de suas riquezas. econômico e social. Organização e tradução de Roberto Machado. HESPANHA. _ (CES). REFERÊNCIAS BOSI. Dialética da Colonização. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. M. A interpretação das Culturas. político. CARVALHO. Rio de Janeiro: LTC. 2009. 1808-4001 . 1992. São Paulo: Companhia das Letras. RJ: Vozes. Dicionário Internacional da Outra Economia. Pedro.fbes. al]. I.br/ acesso em 26 de junho de 2011. 1979. ISSN. Tradução de Vera Lúcia Mello Joscelyne.). J. LAVILLE. P. Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 5 de outubro 1988. Microfísica do Poder. 2009. / Pedro Hespanha. Cultura e desenvolvimento. [et.ufsc. 10ª Ed. Da Biblioteca nacional. 1989. CATTANI. 2002.htm. Acesso em: 25/06/2011.nuer. HERMET. BRASIL. D. GAIGER. Coimbra: Almedina. 2007. representadas por suas culturas. A. HESPANHA. J. L.