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1.1.

Relação com outros ramos do Direito
O Direito Tributário é um direito público obrigacional, pois rege as obrigações
existentes entre os particulares e o Estado, quando este se reveste na condição de ente
tributante, com poder de império sobre aquele.
1.2. Conceito de Direito Tributário
“Ramo didaticamente autônomo do direito (1), integrado pelo conjunto das proposições
jurídico-normativas (2), que correspondam, direta ou indiretamente (3), à instituição,
arrecadação e fiscalização (4) de tributos (5)”. (Paulo de Barros Carvalho)
1. Didaticamente Autônomo
O Direito é uma ciência una e não comporta separações absolutas entre seus diversos
ramos.
Na interpretação das normas de Direito Tributário, deve-se observar todo o contexto
jurídico, sob pena de se produzir um entendimento que não coaduna com o sistema
jurídico (e não ordenamento).
2. Proposições jurídico-normativas
Jurídicas: faz referência à ordem jurídica em vigor (art.59 da Constituição Federal), ou
seja, normas emanadas de um processo legislativo;
Normativas: faz referência aos atos normativos de natureza infralegal, tais como
decretos regulamentares, instruções normativas, ordens de serviço, portarias etc.
3. Direta ou Indiretamente
As normas constantes das leis tributárias podem ter seu nascedouro no Direito
Tributário ou em outro qualquer, podendo ser de natureza civil, comercial,
constitucional etc.
Isso porque o Direito Tributário precisa buscar, em outros ramos do direito, institutos
para explicar o conteúdo da lei tributária e lhe dar forma.
4. Instituição, arrecadação e fiscalização
O termo instituição deve ser entendido como sinônimo de criação no Direito Tributário e
se refere ao nascimento da relação jurídico-tributária. Depois de seu nascimento,
entramos numa fase de direito do Estado em relação ao contribuinte, o qual leva este a
cumprir com sua obrigação de levar recursos aos cofres públicos. Para que essa
arrecadação ocorra, é necessária a edição de normas cujo objetivo é operacionalizar as
cobranças, sendo a fiscalização uma grande arma no combate aos inadimplentes. É
importante lembrar que ao Direito Tributário não interessa a destinação destes
recursos, sendo essa parte objeto de estudo do Direito Financeiro. Existe uma confusão
cultural nesse sentido e ela leva a crer que a fiscalização é responsável pela correta
aplicação dos recursos, o que não acontece. Lembramos que mesmo em momento
anterior a instituição de um tributo, é necessário que atentemos aos dizeres dos
princípios de direito tributário, pois alguns trazem regras a ser observadas antes
mesmo da publicação das leis instituidoras (anterioridade anual, anterioridade
nonagesimal etc.).
5. Tributos
Embora pareça ser um termo gramaticalmente fácil de ser entendido, tecnicamente
guarda enormes dificuldades de interpretação e solucioná-las é o que realmente
interessa ao Direito Tributário.
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1.3. Fontes do Direito Tributário
Em quase todas as doutrinas tributárias, os autores estudam as fontes do Direito
Tributário, as quais se dividem em formais e materiais.
a)Formais:
Primárias – estão elencadas no art. 59 da CF (normas jurídicas)
Secundárias – são as normas de natureza infralegal
b)Materiais: são todas as situações que produzem ou representam riquezas e podem
ser tributadas, tais como a renda, o patrimônio, transmissões diversas, propriedade etc.
Há autores (Ychihara) que entendem que o decreto regulamentar se encontra entre as
fontes formais primárias, devido à grande importância que os mesmos desfrutam nas
diversas legislações tributárias. Porém, a grande maioria dos doutrinadores afirma que
o decreto deve ser incluído entre as fontes formais secundárias, o que me parece ser o
entendimento mais correto.
1.4. Autonomia do Direito Tributário
O ramo do Direito Tributário tem princípios (anterioridade, irretroatividade tributária,
estrita legalidade tributária, não confisco etc.) e institutos (lançamento, fato gerador,
sujeito ativo etc.) próprios e isso o torna autônomo, sem, contudo, dar-lhe
independência total dos outros ramos do Direito, conforme se depreende do conceito
visto anteriormente. Embora seja um instituto de Direito Tributário, o lançamento (art.
142 do CTN) deve ser estudado e entendido por estudiosos de outros ramos de direito,
a exemplo dos processualistas que, para bem interpretar o § 2º do art. 1034 do Código
de Processo Civil, devem conhecê-lo em sua profundidade.
1.6. Conceito de Tributo e suas espécies
Obs.: leitura obrigatória do tópico n. 2 do Capítulo II do livro Direito
Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição).
O art. 3º do Código Tributário Nacional (CTN) pode ser dividido em 5 (cinco) partes
principais para melhor compreensão:
 Prestação pecuniária compulsória: no bojo dessa expressão, está inserida a
idéia de coercitividade (obrigatoriedade), não havendo acordo de vontades. A
prestação é fruto da vontade do Estado e o contribuinte tem por obrigação cumpri-la.
 Em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir: alguns autores afirmam que
há uma redundância nessa expressão, pois pecúnia é sinônimo de moeda.
“Valor nela se possa exprimir”: refere se a unidades fiscais, tais como UFM (Catalão),
UFIR etc. Exemplo: o ISSQN (imposto de competência dos municípios, conforme art.
156 da Constituição Federal) de vários municípios é cobrado em unidades fiscais,
independente da base de cálculo (existe flagrante inconstitucionalidade, pois está
sendo tributada a atividade, ou seja, o “ser profissional” e não a “prestação de
serviços” propriamente dita!). Na verdade, tal modalidade de cobrança é aceita como
uma presunção, porém deve, obrigatoriamente permitir prova em contrário, tendo em
vista os tribunais aceitarem presunções relativas, nunca absolutas. Exemplo:
suponhamos que um médico que recolhe o ISSQN fixo todo mês viaje durante todo o
mês de janeiro e não efetue nenhuma prestação de serviço. Nesse caso, deverá o
mesmo buscar comprovar o ocorrido junto aos órgãos municipais para se ver livre
dessa tributação. Deve, inclusive, haver na legislação um procedimento específico para
o caso, pois essa tributação se baseia numa presunção, a qual deve ser sempre
relativa.
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Essa expressão pode ser confundida com algumas prestações de serviço obrigatórias
tais como o serviço militar obrigatório, a prestação de serviço dos escrutinadores
selecionados para as mesas apuradoras de votos (embora atualmente seja ínfima essa
prestação de serviço), a prestação de serviço dos jurados, a prestação de serviço dos
componentes das mesas de votação etc. Com certeza, não foi essa a abrangência que
o legislador imaginou para a referida expressão.
Importante: Não se deve confundir essa expressão contida na definição do tributo com
as diversas formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), que pode se dar
por pagamento, compensação, dação em pagamento em bens imóveis, transação etc.
 Que não constitua sanção de ato ilícito: o tributo não tem caráter punitivo,
diferentemente das sanções, com as quais se pretende penalizar alguma atitude ou
ação ilícita. Exemplo: cobrança de ICMS (imposto) e multa quando constatado pela
fiscalização o trânsito de mercadorias sem documentação fiscal. Observar que o crédito
tributário, nesse caso, é formado por 02 (duas) partes, ou seja, o tributo e a multa,
partes essas com naturezas completamente diferentes. Um exemplo interessante
surgido em sala de aula diz respeito à taxa que se cobra pela utilização diária do pátio
da Polícia Militar nos casos de apreensão de veículos com irregularidades. Na verdade,
trata-se de uma taxa e a utilização não é um ato ilícito, embora se deu em virtude de
um ato ilícito. Outro exemplo diz respeito a renda obtida em razão de atividades ilícitas.
Uma coisa é a atividade ilícita em si, a qual deve ser penalizada administrativa, civil ou
criminalmente. Outro caso é o “fato gerador” que não pode ser um ato ilícito.
Em decisão interessante, o STF declarou inconstitucional alguns artigos de lei do
IPTU paulistano que previa um aumento de 100% do imposto sobre imóveis onde havia
construções irregulares, ou seja, o referido tribunal, em decisão unânime, considerou
que o tributo estava funcionando como uma sanção, o que não é permitido. O problema
foi resolvido com a adoção de uma multa de 100% do valor do tributo, em vez do
aumento do tributo (exemplo encontrado em Vittorio Cassone). Hugo de Brito Machado
nos traz uma situação que parece contrariar essa parte do dispositivo. Trata-se da
“norma que proíbe sejam as multas consideradas na apuração do lucro sujeito ao
Imposto de Renda”. Essa norma faz com que um ato ilícito, punido com multa, tenha o
efeito de elevar o valor a ser pago a título de Imposto de Renda. Poderíamos afirmar
que o Imposto de Renda foi elevado em virtude da ocorrência de um ato ilícito, porém,
por ter um “fato gerador complexivo”, realmente leva a essa confusão. Outro exemplo
interessante surgido em sala de aula se refere à obrigatoriedade de se recolher taxa ao
cofres públicos estaduais em razão da apreensão de veículos. Observe que a taxa não
tem relação com o ato ilícito praticado pelo condutor do veículo (trafegar em alta
velocidade, transitar sem a documentação necessária etc.). O recolhimento da taxa
será em virtude da prestação de serviço estadual “manter o veículo guardado”.
Outra questão interessante e que pode causar dúvidas é quanto à
progressividade de alguns tributos, como é o caso do IPTU e do IR. Observe que não há
nenhuma ocorrência ilícita para dar ensejo a uma progressão de alíquota, o que nos
mostra claramente que a progressividade não é uma sanção ou penalidade para um
ato ilícito, sendo apenas uma forma de se buscar maior justiça fiscal ou cumprimento
da função social de algumas propriedades. Essa é uma discussão bastante importante
quando do estudo do IPTU (art. 156, § 1º da CF) e do IPVA (art. 155, § 6º, II da CF).
 ART. 182 §4º.
 Instituída em lei: diz respeito ao Princípio da Legalidade, o qual exige que a
instituição do tributo se dê por lei, em regra geral, ordinária. Quando se trata da
instituição (ou criação) de tributos, utiliza-se a lei ordinária, a qual exige maioria
simples para sua aprovação.
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235 da Constituição Federal etc. para se identificar o tipo do tributo. isso vai ao encontro do conceito de tributo. por ser este irrelevante na determinação do mesmo. O inciso II do referido dispositivo refere-se à destinação legal do produto da arrecadação. por exemplo). é claro) deve ser obrigatória e vinculada (à lei). Espécies Tributárias 4 . ou seja. porém a base de cálculo é de suma importância nessa diferenciação. no qual. além de não levar ao pé da letra o nome do tributo. utilização de critérios subjetivos na solução de alguns problemas. embora encontremos a conjunção “ou”. seu nome (IHD ou ITCD. nas mesmas condições).).). Taxa de Melhoramentos dos Portos etc. Art. Poucas vezes o legislador foi tão sensato ao dizer “não levem nossas palavras ao pé da letra”. o que podemos confirmar pela leitura do § 2º do art. 37 da Constituição Federal evidencia também o princípio da impessoalidade. ITBI ou ITOBI etc. A União geralmente utiliza essa prática para instituir verdadeiros impostos sem a devida autorização constitucional. embora atualmente a Constituição Federal vincule algumas receitas (exemplificando. Há alguns tributos que. impossibilitando-o agir por vontade própria (penalizar determinado contribuinte e perdoar outro. como é o caso do IHD (ITCD goiano). 154. parte do Imposto Sobre Grandes Fortunas destinada ao Fundo de Combate à Pobreza. 4º do CTN: no caput deste artigo. Isso permite que o agente da fiscalização tome a decisão que achar mais conveniente! É importante salientar que são casos extraordinários e fogem a regra geral”. o agente fiscal é obrigado a lançar o crédito tributário. não nos interessa a denominação.). porém são instituídos como se fossem outras espécies tributárias (exemplos desse tipo de são o Salário-Educação. encontramos apenas o fato gerador como fator de diferenciação da natureza dos tributos entre si. 148 da Constituição Federal. também da Constituição Federal. . evitando assim decisões pessoais. Observe que erros nas terminologias utilizadas podem indicar tributações diferentes. nos termos do art. Na mesma linha de raciocínio.Não importa a destinação. Em regra. sob pena de responsabilidade funcional. O inciso I do referido artigo do CTN nos ensina que. que é objeto de estudo do Direito Financeiro. É o caso da existência de expressões como “pode determinada autoridade fazendária autorizar ou não alguma coisa (crédito de ICMS. 145 da Constituição Federal (mostra o que é importante na diferenciação entre imposto e taxa) e o inciso I do art. devemos levar em consideração o fato gerador e a base de cálculo na determinação do tipo de tributo. o art. alguns autores afirmam que o correto seria “e” e creditam o erro à imperfeição legislativa que freqüentemente ocorre. pela sua base de cálculo. Em resumo. que parecia excluir o legatário da obrigação de recolher o tributo. embora exista muita discussão! A Assembléia Nacional Constituinte de 1988 se mostrou muito preocupada com a questão das espécies tributárias e colocou a base de cálculo como elemento importante na determinação da natureza do tributo. nos termos do art. são verdadeiros impostos. 142 do CTN afirma que a atividade da autoridade administrativa (fazendária. porém há casos de discricionariedade na administração pública. ou seja. o qual deixa claro que não importa ao Direito Tributário a análise de momentos posteriores à extinção da relação jurídico-tributária. Em todo caso. Atividade administrativa plenamente vinculada: O Parágrafo Único do art. citamos o Empréstimo Compulsório vinculado à despesa.

155 CF (Estados) e Art. nem erradas. que se encontram discriminados na Constituição Federal. I da Constituição Federal 2. Quando se fala em tributo é obrigatória a prestação pecuniária. somente a União tem competência impositiva privativa. 145. 149-A CF/88. A rigor. Porém. Contribuições de Melhoria: art. Art. do IPTU (ser proprietário de bem imóvel na zona urbana do Município). Vinculados (a uma contraprestação estatal específica). (ao ver do professor é um tipo de contribuição parafiscal). numa análise mais atenta da Constituição Federal. 2. 148 da Constituição Federal 5. Como ensina o Prof. Seriam elas: 1. chegamos à conclusão de que as espécies tributárias podem chegar a 05 (cinco). CIDE. Privativos: são os impostos. já divididos por ente federado. 145. 5 . Classificação dos Tributos São várias as classificações adotadas pelos autores. Um exemplo desse mesmo professor. porém veremos apenas algumas. CIP). Impostos: art.. Roque Antonio Carrazza.145. Taxas: art. mas mais úteis ou menos úteis. Tal classificação não estaria errada. Quanto à competência impositiva. Empréstimos Compulsórios: art. II da CF (impostos ordinários) (possibilidade de um ICMS federal.153 CF (União). 16 do CTN e art. 1.Obs. 5º do CTN (1966): escrito sob a égide da Constituição Federal de 1946. Art.  Art. 156 CF (Municípios). conforme art.: leitura obrigatória do tópico n. 149 da Constituição Federal (Compete à União estabelecer as Contribuições Sociais (é apenas um tipo de contribuição parafiscal). mas seria de pouca utilidade para os estudiosos do Direito. porém não devemos nos ater apenas à análise deste artigo. isso nada altera sua vinculação. mas também parece um repeteco do art. pois o que deve ser analisado é o fato gerador. Observação: mesmo tendo sua receita destinada a determinado fim. do IR (auferir renda durante um certo período de tempo) etc. acresceu alguma coisa. III da Constituição Federal 4. 145 da Constituição Federal. É importante frisar que essa é uma das inúmeras conclusões a que se pode chegar. possibilidade de um IPTU federal etc. seria a classificação dos tributos em muito rendosos e poucos rendosos para a Fazenda Pública. Analisando também o art. 77 do CTN e art. II da Constituição Federal 3. 4 do Capítulo II da Primeira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo e Brito Machado (27ª edição). podem ser: 2. Não vinculados (a uma contraprestação estatal específica)  Tanto o vinculado quanto o não vinculado são obrigatórios. Quanto à Hipótese de Incidência (fato gerador ou situação fática). Contribuições Parafiscais: art. Mesmo que os recursos sejam destinados a uma área específica. 1. as classificações não são certas.1. Exemplo: fato gerador do IPVA (ser proprietário de veículo automotor). 154. este dispositivo enumera 03 (três) espécies tributárias (A CF trouxe o art. podem ser: 1.1.2. 145. o tributo não se transforma em vinculado. Art. 81 do CTN e art. somos levados a achar que as espécies tributárias realmente são em número de 03 (três).5º).

CRO etc. 16 do CTN. Fiscais: esses tributos têm como objetivo principal a captação de recursos (arrecadação) ou seja. sindicatos. É importante lembrar que essas alíquotas mudam constantemente.: leitura obrigatória do tópico n. CREA. conforme § 1º do art. embora tenham como efeito aumentar a arrecadação.). 147. como é o caso do IPI sobre refrigerantes. Observação: há casos em que o mesmo tributo tem diferentes fins. 25 da CF. cuja alíquota mostra com clareza. Residuais: são impostos que podem ser instituídos (a qualquer momento) pela União. enquanto cigarros podem ter alíquotas que ultrapassam os 300%. Para exemplificar.: leitura obrigatória do Capítulo II da Terceira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). desde que respeitados os termos do art.3. A finalidade é manter atividades paralelas à administração direta. mas o que deve ser fixada é a inteligência de cada alíquota e o objetivo principal daquela tributação.2. Com relação à taxas. geralmente.2.b Ex. vez que ela pode cobrar impostos de competência tanto do município e do estado. cujas alíquotas variam de acordo com o produto ou sua essencialidade (inciso I do parágrafo 3º do art. construção de estradas etc. nem para os ESTADOS. cuja alíquota gira em torno de 40% e o objetivo realmente é a arrecadação. Comuns: são as taxas e as contribuições de melhoria (são devidos ao ente federado que presta os serviços ou constrói a obra pública). como OAB. Os recursos não vão nem para a UNIÃO. cujo fato gerador não é vinculado a uma atividade contraprestacional do Estado. Parafiscais: esses tributos têm como principal objetivo sustentar atividades/entidades que não são próprias do Estado.). Outro imposto que pode ter essa finalidade é o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Após essas primeiras com siderações a respeito dos tributos. Classificação dos Impostos: 6 . 2. I (competência residual – são impostos que não existem) da Constituição Federal. assim como o Imposto sobre Exportação (IE) pode servir para evitar o desabastecimento do mercado interno. 153 da Constituição Federal). 154. Obs. competência cumulativa. São tributos que qualquer ente federado pode instituir. o que nos mostra claramente que o objetivo da tributação não é a arrecadação em si. mas este (e a coletividade em geral) tem interesse em que as mesmas existam e sejam mantidas (são exemplos de entidades mantidas com esses tributos o INSS.Só a União tem competência privativa. mas a diminuição no consumo do produto. 3. entidades corporativas.154 II CF. alíquota de 0%.1. 3. alimentos básicos têm. Quanto aos fins. 4 do Capítulo VIII do livro Curso de Direito Tributário de Paulo de Barros Carvalho (18ª edição).  O IPI pode tanto ser um imposto fiscal quanto um imposto extrafiscal.  Imposto: espécie tributária descrita no art. passemos agora ao estudo das espécies tributárias propriamente ditas. podem ser: Obs.: Imposto sobre Importação (II) quase sempre funciona para defender a indústria nacional e os empregos. nos casos do Art. 2. para saber em que espécie ele se enquadra é necessário saber a finalidade para que ele esteja sendo aplicado. 3. 3. Extrafiscais: esses tributos visam principalmente resultados não financeiros ou não fiscais e servem como instrumento de intervenção na economia.3. Art. a competência residual é dos estados. sendo que sua receita pode ser destinada às mais diversas despesas (pagamento de servidores. se prestam única e exclusivamente para arrecadar fundos para os cofres públicos.

Imposto sobre a Transmissão e a Circulação de Produtos/Mercadorias (Imposto sobre a Transmissão Causa Mortis e Doação. São exemplos desse tipo de impostos o IPTU. Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços etc. 2. 3) De acordo com a repercussão 3. pois pode definir quem é a pessoa competente para pedir a restituição de tributo pago indevidamente. sendo a última.). Federais: estão discriminados no art. cujo fato gerador é uma contraprestação direta e imediata. ISSQN etc. 3. II da Constituição Federal e no art. Impostos sobre o Patrimônio e a Renda (Imposto de Renda. Com relação ao fenômeno da repercussão.5. 145.2. 77 do CTN . não admitem a repercussão (não se consegue ver no primeiro momento o repasse) (fenômeno que permite que o contribuinte de direito repasse o ônus financeiro ao contribuinte de fato). em regra geral. II da Constituição Federal. sendo perfeitamente normal o repasse do ônus do imposto para a etapa seguinte. representada pelo consumidor final. 1. ou seja. nos termos do art. 154. fazendo com que contribuinte de fato e de direito se confundam na mesma pessoa. são tidos como impostos mais justos. 76 do CTN). Indiretos: são os impostos que admitem a repercussão. São impostos que tributam diretamente a capacidade econômica do contribuinte.1) De acordo com o ente tributário 1. 155 da Constituição Federal Municipais: estão discriminados no art.2. I da Constituição Federal). Esta discussão é muito importante. onde os contribuintes de fato e de direito são pessoas diferentes.1. A ministra do Superior Tribunal de Justiça Eliana Calmon faz uma análise deste assunto num artigo da Revista dos Tribunais. Impostos Extraordinários: são aqueles instituídos em situações especiais (art.2. IPI.).  Taxas: essa espécie tributária se encontra perfeitamente definida no art. Diretos: são os impostos que.: leitura obrigatória do Capítulo VII da Terceira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). Impostos sobre o Comércio Exterior (Imposto sobre a Importação e Imposto sobre a Exportação).4. podendo ser efetiva ou potencial. Impostos previamente indeterminados: são aqueles dentro da esfera da competência residual da União (art. Obs. bem como no art. 1. 166 do CTN. 2. São exemplos desse tipo de impostos o ICMS. Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores etc. os tribunais têm entendido que existe a possibilidade de ocorrência da mesma em todos os tipos de impostos. Geralmente esses impostos gravam eventos jurídicos ou materiais que ocorrem na economia e são tidos como mais injustos. 2.1. o IR etc.3. sempre é possível que o ônus tributário seja repassado para o elo seguinte da cadeia comercial. indo desembocar sempre no consumidor final. Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana. quase sempre.3. 156 da Constituição Federal 2) Em função do Conteúdo Material 2. 153 da Constituição Federal Estaduais: estão discriminados no art.1. Os serviços prestados ao contribuinte podem ser de 02 (dois) tipos: 7 .154. 2.

2. enquanto o preço público se encaixa como uma receita pública originária (tem sua origem na utilização do patrimônio da União. Do Estado ou do Municipio) (relação de igualdade para com o particular). Observação: para ser cobrada uma tarifa. a taxa é uma receita pública derivada (deriva do poder de império do Estado. é obrigatória (compulsória). sempre visando o interesse público. poder este de instituir impostos) . porém pode ser prestada (utilização efetiva) ou potencial (apenas colocada à disposição do contribuinte. embora seja tema de Direito Administrativo. O conceito de poder de polícia. 3. 2 (duas) características essenciais dos serviços para que seja possível a cobrança da taxa. Alguns autores afirmam que essas 2 (duas) figuras têm o mesmo significado prático. Diferença entre Taxas e Preços Públicos (Súmula 545 do STF) As diferenças principais entre taxas e preços públicos são:  Tarifa e preço público são sinônimos. o serviço deve ser efetivamente prestado (não há possibilidade de cobrança de tarifa por serviço prestado potencialmente). São elas: a especificidade (quando a prestação do serviço pode ser separada em unidades autônomas) e a divisibilidade (quando é possível a apuração da utilização do serviço por usuário). emanado dos poderes públicos municipais. 1. cuja função é evitar construções irregulares que possam prejudicar os confrontantes. porém é legal a cobrança da mesma apenas pelo fato de estar disponível. como tal. Obviamente. enquanto o preço público. A taxa de esgoto pode ou não ser utilizada pelo contribuinte. o Poder Legislativo pode transformar um preço público em taxa. para ser cobrado. a taxa deve ser precedida de lei. a taxa é uma espécie tributária e. Além do mais. havia lei para tanto e o prestador de serviço era obrigado ao recolhimento da referida taxa. desde que o serviço público prestado seja específico e divisível. A matéria tratava de uma taxa criada pelo Município de Goiânia sobre a prestação de serviço de remessa das parcelas mensais do ISSQN para o domicílio dos prestadores de serviço. bastando.  Tarifa é facultativa. É importante se lembrar que há. Exemplos de taxas: Taxa de Limpeza Urbana. não há essa necessidade. se encontra no art. Diferentemente do que ocorre com a tarifa de remessa do IPVA para o domicílio do proprietário do veículo automotor. como é o exemplo do Alvará de Licença para Construções. necessitando apenas de um contrato (na grande maioria dos casos. 78 do CTN e dá ao Estado o poder de restringir direitos. para isso que aprove uma lei. como ocorre quanto aos serviços de telefonia. exige-se uma manifestação de concordância por parte do usuário. 4. 8 .1) Exercício efetivo do poder de polícia: observe que nessa modalidade de prestação de serviços. uma manchete do jornal estampava os seguintes dizeres: “Imposto para pagar imposto”. Taxa de Esgoto etc. não importando se este irá utilizar ou não).  Taxa é obrigatória. Um certo dia. 2) Prestação de Serviços Públicos: refere-se a uma prestação de serviços públicos diversos. ainda. verbal). enquanto o preço público é facultativo. o serviço deve ser realmente prestado.

: leitura obrigatória do Capítulo VIII da Terceira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). Há decisão do STF que o qualifica como taxa. Características da espécie tributária taxa:  As taxas não podem ter a mesma base de calculo do imposto. a qual será emitida sem a citada tarifa. 145. Obs. ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público”. Existem várias taxas consideradas inconstitucionais pelos mais diferentes motivos: base de cálculo sem simetria lógica com o fato gerador (taxa de limpeza urbana). Ilmar Galvão. Discute-se ainda sobre o fato do pedágio ser ou não uma taxa. 1) Tributo vinculado (a uma contraprestação estatal específica). 4) A base de cálculo deve ter relação direta com o custo do serviço prestado (simetria lógica). como podemos exemplificar: a) Taxa de Lixo (dificuldade de quantificar o serviço prestado por contribuinte. por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais. ao fundamento de que sua base de cálculo – a área ocupada pelo estabelecimento fiscalizado – seria a mesma do IPTU (grifo nosso) .que pode optar.050-SP. que o pedágio é uma taxa. 9 . embora essa característica não seja pacífica entre os doutrinadores. afastando a pretendida incompatibilidade da norma municipal com o citado art. Ilmar Galvão.: o benefício que o artigo 81 do CTN se refere é o da valorização). Ainda sobre as taxas. encontramos em Elementos do Direito (Eduardo de Moraes Sabbag. Várias são as inconstitucionalidades das taxas. Rel Min. § 2º da Constituição Federal (“As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos”).06. § 2º. Octavio Gallotti (RE 185. caso queira. o que demonstra.96). (vinculado a uma contraprestação estatal) pois visa cobrir os custos de construção de uma obra pública. 25. 2. a qual venha a valorizar o imóvel do contribuinte (obs. por se dirigir ao DETRAN e solicitar a guia do IPVA.  Contribuição de Melhoria: esta espécie tributária tem seu fundamento no art. relator. V da Constituição Federal proíbe a “limitação ao tráfego de pessoas ou bens. temos dois exemplos interessantes ocorridos no Município de Catalão: 1) proprietário de uma casa situada abaixo da rede de esgoto pediu e conseguiu não recolher o tributo por ter conseguido provar que não era possível sua utilização e b) situação em que os próprios proprietários dos imóveis construíram a rede de esgoto não tendo que recolher a taxa. prestação de serviços públicos não considerados específicos e divisíveis (taxa de iluminação pública). conforme art. com uma certa clareza. serviços não prestados (taxa de esgoto em bairros sem essa benfeitoria) etc. fato gerador de impostos (Taxa Rodoviária Única). pediu vista o Min. pertence aos estados e ao DF. 145. Após o voto do Min. Normalmente é parcelado em parcelas fixas. Características principais das contribuições de melhoria: 1. 81 e 82 do CTN. 3) Não pode ter base de cálculo própria de impostos. o art. embora o Município de São Paulo tenha conseguido vencer este obstáculo de uma maneira juridicamente inteligente – base de cálculo e obrigatoriedade). no caso de taxas. 2) De competência comum (observação: a competência residual. 2005) o seguinte comentário: “Iniciado o julgamento de recurso extraordinário interposto contra acórdão que teve por ilegítimas as taxas de licença de localização e funcionamento e de prevenção de incêndio do município de Sorocaba-SP. Em relação à terceira característica. É um tributo vinculado. III da Constituição Federal e nos art. 04. coincidência vedada pelo art. Além do mais. 145. § 1º da Constituição Federal). Taxa de Iluminação Pública (serviço não é específico e divisível) etc. 150. Fica nítido o caráter opcional da tarifa.

TRAZER O DECRETO-LEI 195/67 PARA PROVA Art. pode abrir possibilidade para alguma ação de perdas e danos. Nesse caso. 10 . porém o CTN os estipula. trata da contribuição de melhoria e alguns dispositivos trazem informações importantes acerca desse tributo.. além da contribuição de melhoria. Ao comprar um imóvel.º Limite é o custo da obra. A Constituição Federal não se refere a eles. após a Segunda Guerra Mundial. 4.º Traz um rol de obras públicas que podem vir a ter contribuição de melhoria cobrada. Art. ainda. algumas dúvidas quanto a bitributação. Esse dispositivo guarda perfeita sintonia com o art. 8. não admitindo uma interpretação ampliativa.  É um tributo mais justo que o imposto. nesse tipo de tributo).º Traz novamente a idéia da impossibilidade de cobrança antes do início da obra. sendo. valor que só será levantado após a conclusão da mesma. como é o caso dos EUA. abrindo. o que parece impedir a cobrança antecipada. Caso o tributo tenha sido pago antes da construção da obra pública. (A CF não fala de limites da contribuição de melhoria. Art. não pode haver a cobrança. Ao adquirir um imóvel. Quando o imóvel se valoriza. Inglaterra e Alemanha (a qual se reergueu. eles ocorrem em momentos diferentes. o proprietário pode pedir a reavaliação de seus imóveis para fins de tributação do IPTU.º Trata sobre a nulidade de cláusula de transferência de encargo do locador (proprietário do imóvel) para o locatário. Parece ficar claro que a cobrança de maneira antecipada não se sustenta. o proprietário pode vir a ser tributado pelo Imposto de Renda quando da alienação. 2. porém o CTN complementando fala no art. com base. 12 . e o do IRRF é outro). a possibilidade da cobrança ser efetuada durante as obras. O art.3. O Decreto-lei n. pois. Além disso. Vários países utilizam esse tributo com maior intensidade. porém a responsabilidade se transmite aos adquirentes e sucessores. § 3. surgem. Em meu entender essa lista é taxativa. pode ser estadual ou municipal). pesquisa essa que geralmente não é feita quando da emissão da certidão negativa de débitos municipais. Art.. pois a tributação foi indevida. tendo em vista o fato de ter tido um ganho por ter vendido o imóvel por um valor maior que o preço de compra. (Não houve contribuição de melhoria). então. de 24/02/67. pela simples falta da base de cálculo.º Trata sobre o fato gerador da contribuição de melhoria (observar a expressão “o acréscimo no valor do imóvel”). em caso de desvalorização. Tributo essencialmente municipal (porém. Quando ocorrer a desvalorização dos imóveis próximos da obra pública. desde que a parte construída seja suficiente para beneficiar determinados imóveis. como é o caso do Minhocão em São Paulo e de penitenciárias. cabe restituição. é claro) e fator de absorção (a maior ou menor valorização depende da distância que o imóvel fica da obra pública). porque você paga e recebe em contrapartida a benfeitoria. 123 do CTN. Outra discussão acerca da contribuição de melhoria é quanto a seus limites. 9. ainda. principalmente. Art. pois não ocorre o fato gerador. aceitos pela maioria esmagadora dos tributaristas.º 195. ITR etc. 82 do CTN também faz referência à zona beneficiada (beneficio da valorização) (pela valorização. Com relação à contribuição de melhoria.81). além dos fatos geradores serem distintos. não há bitributação. 1. a contraprestação estatal. Art. observar se não há dívidas de contribuição de melhoria. Nesse caso. (O fato gerador da contribuição de melhoria é um. solicitar que seja feita uma pesquisa sobre a existência de dívidas relativas a contribuições de melhoria para não ser surpreendido por futura cobrança.º O contribuinte é o proprietário do imóvel.

Alguns autores não consideram o empréstimo compulsório como uma espécie tributária. Embora se trate de um grande conhecedor de Direito Tributário. pois. em princípio.2 do Capítulo II do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição). Principais características: Tributo restituível (tecnicamente é um ingresso. trata-se de dar ao município a capacidade tributária. Na realidade. em virtude de uma calamidade pública restrita a determinado município. guerra externa ou sua iminência (inciso I). 148 da Constituição Federal e que tem sua utilização restrita a duas situações em especial: 1. poderia o Brasil ser o país dos empréstimos compulsórios. Obs. num país carente como o nosso. Obs. devido ao fato de que não há a transferência de recursos do setor privado para o setor público. Investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional (inciso II). pois o art. e assim devemos tratá-lo como categoria distinta. outros. porém não se constitui em uma receita).: Observa-se que a União tem bastante cuidado quanto a essa competência tributária. 2) Tributo com características mais próximas da não vinculação (parece-me que. II da Constituição Federal admite uma interpretação bastante ampla do que seria um “investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional”. há contraprestação específica. não. 14 A conservação e manutenção das obras passam a constituir encargos do Município. Se não fosse esse cuidado do governo federal.º Convênio entre União. não aceitando outro meio.: leitura obrigatória do Capítulo VI da Terceira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). conforme entendimento mais acertado do art. Estados e Municípios para lançamento e arrecadação de contribuição de melhoria cobrada em virtude de obra pública federal (a administração pública municipal tem maior facilidade para identificar os imóveis valorizados.  Empréstimos Compulsórios: espécie tributária incluída pelo art. 4) A competência é única e exclusivamente da União. 1) Obs. não integrante do gênero tributo. transmitir etc. 148. 3º do Código Tributário Nacional. há infinitas obras e serviços urgentes e de interesse nacional. 2. A grande maioria dos autores prefere não fazer essa classificação. Calamidade pública. o que. pois a regra geral é a instituição de tributo por lei ordinária). 5 do Capítulo II do livro Curso de Direito Tributário de Paulo de Barros Carvalho (18ª edição) e tópico 3. o que poderia ensejar uma bitributação. de forma que este seja o sujeito ativo da relação tributária. o que leva Hugo de Brito Machado a afirmar que “a distinção entre o empréstimo compulsório e o tributo é essencial.  Único tributo que é obrigatoriamente deve ser instituído por lei complementar. 2º desta lei. além do que a manutenção e a conservação não se encontram no rol de obras públicas do art. Tomemos como exemplo um empréstimo compulsório de guerra: alguns enxergam uma contraprestação. Art. bem como se encontra mais próxima dos contribuintes). O dispositivo se refere à possibilidade da União “legar” ao município.”. acredito que a afirmação não encontra respaldo jurídico.5. 3) Instituído por lei complementar (é um caso especial. 11 .: leitura obrigatória do tópico n. seria conceder. em nenhum dos casos.§ 6. Observe que a simples manutenção não dá direito a nova cobrança de contribuição de melhoria. pois não encontramos tal exigência no conceito de tributo. porém isso depende muito de como o tributo será instituído. restaria definir se há ou não uma contraprestação).

336. 3) Via de regra. contribuição para o financiamento da Seguridade Social . o que depende da contribuição.COFINS. ou seja. sendo que a competência tributária é bem expressa. CREA. afirmar que. Na maioria dos casos..º 10. São exemplos dessas contribuições: contribuições para o Programa de Integração Social . Por sua vez.). 12 . 1º da Lei n. geralmente. 2) Contribuições Interventivas: (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico . quem institui é a União e quem arrecada e fiscaliza é a citada autarquia.CIDE) os recursos provenientes dessas contribuições servem para fornecer recursos às políticas de intervenção do Estado e fomentar algumas atividades. Ex. de 19 de dezembro de 2001. elas servem para fazer frente às despesas com a Seguridade Social (previdência e assistência). A exemplo dos empréstimos compulsórios. 4) Tributo de difícil classificação quanto à vinculação. II. de 19 de dezembro de 2003).  Principais características: 1) Geralmente ocorre a transferência da capacidade tributária ativa (art. 2) Pode-se. 7º do CTN). a grande maioria dos autores prefere não afirmar uma determinada classificação. contribuição social do salário-educação etc. como alguns direitos adicionais. na forma da lei orçamentária.AFRMM (recursos se destinam à implantação e manutenção de uma política de incentivos à indústria de reparação e construção navais). de gás natural e seus derivados e de derivados de petróleo. CRA. no caso das contribuições sociais. 149 CRFB/88 (contribuições previdenciárias). 195. Ex: Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante . manutenção da previdência social. intervenção em algumas atividades específicas no caso das contribuições de intervenção no domínio econômico etc. CRM etc. o ente tributante que institui (aquele que tem a competência tributária) não é aquele que arrecada e fiscaliza (aquele que tem a capacidade tributária ativa). §4º. abaixo transcrito: § 1o O produto da arrecadação da Cide será destinado. 212..pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool combustível. no caso das contribuições confederativas. cujos recursos têm uma destinação específica.Contribuições Parafiscais: os arts. quem institui é a União e quem arrecada e fiscaliza são as próprias entidades profissionais (OAB. os recursos tem um destino certo. um ente tributante institui e passa para outro as funções de arrecadar ou fiscalizar o tributo. serviços e defesa de interesses).: manutenção de entidades. pois ela depende de uma análise individual. ao: I .: no caso das contribuições sociais recolhidas ao INSS. conforme expresso no § 1º do art. § 1º do art. 149 e 149-A da Constituição Federal dispõem sobre esta espécie de tributo. 239. então. III e IV CRFB/88 (acrescentado pela Emenda Constitucional n. Ex. porém parece que ele seria mais bem classificado como um tributo não vinculado. I. §5º.PIS.º 42. Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE’s sobre os combustíveis de uma maneira geral. no caso das contribuições confederativas. as contribuições parafiscais se dividem em: 1) Contribuições Sociais: encontramos várias competências para a instituição dessas contribuições no texto constitucional e citamos os art. entre outros. pois parece não haver contraprestação estatal específica ao contribuinte (pode até haver uma contraprestação por parte da entidade profissional.

as contribuições parafiscais se enquadrariam como taxas e os empréstimos compulsórios se enquadrariam como um dos impostos federais.fixa. se destinam ao custeio do serviço de iluminação pública. 3) Contribuições Corporativas: (Contribuições Confederativas – Contribuições de Interesses das Categorias Profissionais) os recursos arrecadados por essas contribuições têm por objetivo o custeio de órgãos sindicais e profissionais (Contribuições para custeio do sistema confederativo da representação sindical – Art. da qual o que importa são as unidades – volume.II . Há. expressa claramente pelo § 2º do art. 149-A no texto constitucional.financiamento de projetos ambientais relacionados com a indústria do petróleo e do gás. de 19 de dezembro de 2002. Por seu turno. Defendem essa tese autores de quilate como Geraldo Ataliba. sendo do livre arbítrio do empregado à filiação).financiamento de programas de infra-estrutura de transportes. a qual incluiu o art. sendo a divisão bastante simplória em tributos vinculados e não-vinculados.pela base imponível. julgada inconstitucional pela Súmula 670 do STF.) 4) Contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública: contribuição introduzida em nosso sistema tributário pela Emenda Constitucional n. CRA. peso.). tamanho etc. Os recursos dessa contribuição. o que se é expresso em moeda é a base de cálculo e não a alíquota) ou específica (quando ocorre apenas a multiplicação da alíquota . o qual era mantido pela antiga Taxa de Iluminação Pública. ou seja. o que é expresso em moeda é a alíquota e não a base de cálculo. Inteligentemente.  A CIDE atualmente é cobrada por tarifa específica.: leitura obrigatória dos tópicos 4. Breves considerações sobre as possíveis classificações dos tributos Obs. 8º.7 e 4. anuidades de conselhos de categorias profissionais . O serviço de iluminação pública não pode ser remunerado mediante taxa. ou seja. 4. taxas e contribuições de melhoria. pois estas não são tributos. 39. Pontes de Miranda e outros. Segundo esses autores. entendo ser a mais correta. os incisos I e II excluíram de sua incidência receitas de exportação e incluíram as de importação de produtos estrangeiros ou serviços. Há doutrinadores que dividem os tributos em 3 (três) espécies tributárias. Ainda com relação às contribuições de intervenção no domínio econômico. 4. respectivamente.ou também chamadas de contribuições sindicais (não confundir com as mensalidades pagas para manutenção de seu sindicato. OAB etc. não podendo ser considerados espécies autônomas de tributos. é importante estudar sua conformação constitucional. quais sejam: impostos. outros (entre eles Fábio Fanucchi e Luciano Amaro) e que defendem a divisão em 4 (quatro) espécies tributárias e a divisão seria feita de seguinte maneira: 13 .8 do Capítulo II do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição) e Capítulo 10 do livro Classificação Constitucional de Tributos de Márcio Severo Marques (cópia na xerox). 149 da Constituição Federal.4. Alfredo Augusto Becker. do ponto de vista técnico. 4. Súmula 670.5. Há autores que defendem a divisão dos tributos em 2 (duas) espécies tributárias.CREA. o inciso III permite sua cobrança de duas maneiras: mediante instituição de alíquotas ad valorem (quando representa uma relação aritmética com a riqueza tributável. como o próprio nome indica. ainda. Paulo de Barros Carvalho defende essa linha com muita propriedade e.6 . IV da Constituição Federal . a meu ver. e III .

sendo a sexta espécie a contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. apresenta a seguinte tabela de classificação: Tributos Identificados 1º Critério: vinculaç ão (at. a partir da análise de três critérios. embora não me pareça ser a divisão mais aceitável do ponto de vista científico. por isso.impostos. incluída pela Emenda Constitucional n. entendo que devemos optar pela divisão qüinqüipartida. 39. Assim. de 19 de dezembro de 2002. a idéia era mesmo a divisão tripartida. os outros 2 (dois) tipos de tributos (empréstimos compulsórios e contribuições parafiscais) não poderiam figurar no mesmo dispositivo. alguns artigos publicados pela internet que defendem a divisão em 6 (seis) espécies tributárias. empregam também critérios financeiros refletidos no plano normativo. Celso Ribeiro Bastos. Os defensores dessa linha afirmam que o art. então. Há. estaria na técnica legislativa utilizada pelos constituintes de 1988. ou a afetação de certos tributos a uma atuação (do Estado ou de certas entidades) não imediatamente ou não diretamente referível ao contribuinte (contribuições ditas “especiais”). taxas. Alguns doutrinadores ainda especulam que. estatal) Vinculad o Não Sim Sim Não Impostos Taxas Cont. 75). ainda. 145 da Constituição Federal discrimina apenas os tributos que podem ser instituídos por todos os entes federados. 167 CF 3º Critério: restituiç ão (montan te) Não Sim Não Sim Não Não Não Não Sim Sim Comentários Apenas o empréstimo 14 . Além disso. pg. 149-A no texto constitucional Diante dessas possíveis divisões. Melhoria Cont. entre os quais se encontram os impostos. porém não é grande o número de defensores dessa divisão. 10ª edição. A razão. a qual incluiu o art. Hugo de Brito Machado e o Ministro Moreira Alves) defende a divisão dos tributos em 5 (cinco) espécies tributárias conforme descrito acima. “Quando os autores buscam especificar de modo mais analítico as figuras tributárias. porém foram criadas mais 2 (duas) espécies tributárias com os artigos 148 e 149 da Constituição Federal. Segundo Luciano Amaro (Direito Tributário Brasileiro. as taxas e as contribuições de melhoria.” Considerar ou não esses dados leva a ampliar ou não o número de espécies tributárias”. Ricardo Lobo Torres é um dos doutrinadores que defende essa divisão. a restituibilidade do empréstimo compulsório. empréstimos compulsórios e contribuições (parafiscais e de melhoria). pois só podiam ser instituídos pela União (isso mudou com as diversas emendas constitucionais). Parafiscais E. Compulsórios Não 2º Critério: destinação (receitas) Art. na verdade. a chance de acerto é maior quando for necessária a escolha para responder questões de concursos. pois é a defendida pela maioria dos doutrinadores e. por exemplo. temos em Márcio Severo Marques (Curso de Especialização em Direito Tributário – IBET) um porto seguro para defendermos a divisão em cinco tributos que. A grande maioria dos autores (entre eles Ives Gandra da Silva Martins. como.

º 18. com o advento da Emenda Constitucional n. entitulado “DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL”).  Os impostos não têm destinação. não se usa dele para a construção. pois estes são de competência privativa). 2. ela se encontra inserida no Capítulo I do Título VI da Constituição Federal. 5) Classificar os tributos (a classificação mais aceita pelos doutrinadores é a quinquipartida. 3) Definir as imunidades tributárias (alguns autores afirmam que a Lei Complementar n. Conceito: competência tributária nada mais é do que uma das parcelas entre as prerrogativas legiferantes de que são portadoras as pessoas políticas (União. o Sistema Constitucional Tributário estava restrito à legislação infraconstitucional. ao trazer alguns produtos para o campo da imunidade.Par. o dinheiro que o contribuinte paga não vai para a obra pública. tendo a Constituição Federal a função.Únic.  A contribuição de melhoria não possui destinação da receita. A Constituição Federal tem uma importância muito grande no que diz respeito a nosso sistema jurídico tributário e suas principais funções dentro deste contexto são: 1) Distribuir competências tributárias (observe que a Constituição Federal não cria tributos. ou seja. criou uma exceção à regra. 6º ao 8º do CTN) Obs.: leitura obrigatória do Capítulo III do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição). no caso dos impostos. Obs. que. porém. 4) Repartir receitas tributárias (embora esta repartição seja objeto de estudo do Direito Financeiro. aquela que apresenta cinco espécies tributárias). de. valorização do imóvel. Competência Tributária (art. além de distribuir as competências tributárias. porque a obra já está pronta. embora pareça ambígua. a Constituição Federal apenas reservou à lei complementar o papel de listar os produtos que estariam imunes). pois. o que me parece incorreto). porém a grande maioria dos doutrinadores ainda entende que todas as imunidades são previstas na Constituição. 148 compulsório possui a restituição do montante. Estados.1.: As imunidades e os princípios funcionam como verdadeiras limitações do poder de tributar. 15 . determinar certos limites dentro dos quais deve atuar o ente tributante. No caso citado. 2.º 87/96 mudou essa regra. são específicas. ela apenas traz as competências. de 1º de dezembro de 1965. 2) Listar os Princípios Jurídicos Tributários (alguns autores indicam a existência de alguns princípios fora da Constituição Federal.  O fato gerador da contribuição de melhoria é: a construção da obra pública. SISTEMA CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO Antes de 1965. este foi elevado ao nível constitucional (a exemplo da Alemanha).Art.

nos termos do § 3º do art.A atribuição pode ser revogada. Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços. a competência não deixa de pertencer a quem tenha sido atribuída. salvo atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos.”) parecem permitir tal afirmação. conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra. encontramos a figura da “capacidade tributária ativa – art. Esse dispositivo visa evitar discussões judiciais a respeito de mudanças na legislação tributária de alguns entes tributantes que possam ter efeitos negativos na parcela da receita distribuída. Artigo 6º . diferentemente da competência tributária. Parágrafo único . 6º e seguintes do CTN algumas disposições específicas sobre competência tributária. que. Alguns autores.A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena. ou seja. ao analisarem o citado dispositivo. mesmo que a receita de alguns tributos seja distribuída. Como o art. 18 da Constituição. serviços.A atribuição compreende as garantias e os privilégios processuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir. atos ou decisões administrativas em matéria tributária. § 1º . ressalvadas as limitações contidas na Constituição Federal. O parágrafo único do art. ou de executar leis. que consiste na atribuição das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos. Exemplos desses repasses são encontrados nos artigos 157 e 158 da Constituição Federal de 1988 (Imposto de Renda. como é caso do art. em última análise. a outras pessoas jurídicas de direito público pertencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atribuídos.Distrito Federal e Municípios). Observe que o dispositivo fala em “executar leis”. 6º do CTN nos traz outra regra muito importante quanto do estudo da competência tributária. Nota: O artigo referido é da Constituição de 1946. afirmam que somente a União detém a competência legislativa plena. 30. 24 (que trata da legislação concorrente). afeta diretamente o valor dos repasses a outras pessoas jurídicas de direito público interno. e observado o disposto nesta Lei. para atender a suas peculiaridades. é a competência para legislar sobre tributos ou instituí-los. a qualquer tempo. Em resumo. No art. pode ser delegada a outra pessoa jurídica de direito público. cujo parágrafo primeiro (“No âmbito da legislação concorrente.Os tributos cuja receita seja distribuída.). 16 . o que permite afirmar que a legislação tributária permanece sendo feita pelo ente que detém a competência tributária. parece-nos que os autores que defendem essa linha estão com a razão. nas Constituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios. 7º do CTN. Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. aquela que deixa claro que. 119 CTN (Sujeito Ativo)”. o que. pois alguns dispositivos constitucionais levam a essa interpretação. Imposto Territorial Rural etc. II da Constituição Federal reserva aos Municípios apenas “suplementar a legislação federal e a estadual no que couber”. Encontramos no art. a competência da União limitar-se-á a estabelecer normas gerais”) combinado com o terceiro (“Inexistindo lei federal sobre normas gerais. no todo ou em parte.A competência tributária é indelegável. Artigo 7º . o que nos permite fazer algumas considerações a respeito. por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha conferido. § 2º . os Estados exercerão a competência legislativa plena.

privatividade (se refere apenas a impostos e. embora pareça se referir à competência. presume-se que a tributação não é necessária naquele momento. se refere à “competência para exigir o seu cumprimento”. o ICMS é de instituição obrigatória pelos Estados/Distrito Federal). porém não são pacíficas entre os doutrinadores por comportarem algumas exceções: inalterabilidade (as competência tributarias estão ligadas às garantias individuais – ou seja. Observe. a União tem a competência. 2) Irrenunciabilidade: é ineficaz qualquer ato que vise à renúncia da competência tributária. 7º do CTN. de maneira expressa. a qual pode pertencer à pessoa jurídica competente ou não. Observamos. Características da Competência Tributária: 1) Indelegabilidade: encontramos essa característica expressa no art. em virtude de lei. Além do mais. que o simples encargo ou função de arrecadar tributos não representa capacidade tributária ativa. de 05 de maio de 2000). como é o caso de substituição tributária (ICMS. Há outras características da competência tributária. do encargo ou da função de arrecadar tributos. a capacidade tributária ativa. até o presente momento. 7º CTN. Se o ente tributante que tem a competência tributária não se movimentou no sentido de instituir o tributo. uma vez exercitada. através de emenda ou uma nova Constituição (a União. os de competência da União) e facultatividade (segundo Roque Carrazza. enquanto o INSS.  Art.º 101. 3) Incaducabilidade: não há que se falar em caducidade do direito de instituir o tributo. pois o citado dispositivo. uma matéria que não pode ser modificada por emenda. são responsáveis por tributos de terceiros. apenas por outra constituição federal) (pode haver alteração por emenda constitucional). onde a União tem a competência tributária. 17 . Artigo 8º O não-exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído. Podemos afirmar que a competência tributária. define quem terá a capacidade tributária ativa. que a capacidade tributária ativa passa a existir após o ato de publicação. podendo ter ou não a competência tributária. 119 c/c Art. 119 do CTN) é aquele que tem a capacidade tributária ativa. A competência somente pode ser subtraída com uma mudança no texto constitucional. não instituiu o Imposto sobre Grandes Fortunas – IGF e nem por isso perdeu o direito de instituí-lo). como é o caso de empresas concessionárias ou permissionárias de serviços públicos arrecadarem taxas (exemplo dos pedágios) ou empresas privadas que.Não constitui delegação de competência o cometimento. dirá quem é o sujeito ativo da relação tributária. situação que pode vir a ser proibida pela Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar n. ainda. a capacidade tributária ativa. ela continua pertencendo ao ente tributante que. a pessoas de direito privado.§ 3º . ainda. pois é a própria lei que.). IR etc. não existe renúncia tácita. É importante salientar que a competência tributária não se esgota com a publicação da lei. O sujeito ativo (art. entre estes. no caso das contribuições de interesse das categorias profissionais. tem poder para alterar a legislação tributária. Temos como exemplo o caso das contribuições sociais. enquanto as categorias. a qualquer momento.

as limitações ao poder de tributar se dividem em 2 (dois) tipos. Outros entendem que o art. encontramos esta competência expressa no art. Essas limitações funcionam como verdadeiras garantias do cidadão-contribuinte frente à pretensão estatal de cobrar tributos. que tem na Constituição todas suas diretrizes. desde que sejam respeitadas as regras do dispositivo. III.  Residual: com relação aos impostos. Como o art. Parece-me que os primeiros estão com a razão. os quais são discriminados previamente na Constituição Federal.2.: leitura adicional facultativa dos tópicos n. Obs. nas situações que estabelece. II do CTN)  Principio Estritamente do Direito Tributário Ao lermos o art. pertencente à União e ao Distrito Federal. tendo em vista 18 . I. “a” da Constituição Federal repassa à lei complementar a definição dos fatos geradores dos tributos. em seu art. o município. 147 da Constituição Federal.: leitura obrigatória do tópico n. 154. 32 do CTN contempla as figuras da posse e do domínio útil. 2. Com relação às taxas. 2. com certeza nos defrontaremos com algumas inconstitucionalidades. Ainda com relação à competência tributária. gostaríamos de trazer a seguinte questão: o município tem ou não competência para instituir IPTU sobre a posse ou sobre o domínio útil de bem imóvel? Essa questão é bastante debatida entre os estudiosos e há respostas nos dois sentidos.2. 25 da Constituição Federal repassa aos Estados a competência residual sobre as mesmas. I da Constituição Federal. I da CF e 97. alguns doutrinadores afirmam que o § 1º do art. Pensar de maneira diversa seria atentar contra a lógica do Sistema Tributário Nacional.  Comum: esse tipo ocorre no caso da instituição de taxas e contribuições de melhoria. que cuida dos impostos previamente inexistentes. 156. Princípio da estrita legalidade tributária (art. I da Constituição Federal. somos levados a perguntar se pode haver diminuição de tributo através de algum ato normativo infralegal. pois o constituinte. seria competente para tanto. ao definir as competências tributárias dos impostos. assim.  Cumulativa: encontramos essa competência estampada no art. 150. ter se referido especificamente à propriedade. 150. respectivamente. podendo ser instituídos pela União. 146.1. Segundo a maioria dos doutrinadores. pois estes tributos podem ser instituídos por quem presta os serviços ou constrói a obra pública. 1 a 12 do Capítulo IV do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição).Classificação da Competência Tributária  Privativa: esse tipo de competência é aquele que existe quanto à competência tributária para instituir os impostos. a saber: os princípios constitucionais tributários e as imunidades tributárias. Se os entes tributantes não respeitarem essas limitações. já delineou o campo de abrangência do tributo. Entendem alguns que a resposta é negativa tendo em vista o fato da Constituição Federal. 5 e 6 do Capítulo I da Primeira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). Princípios Constitucionais Tributários Obs.

estaria cometendo um ilícito administrativo e penal. Esse dispositivo guarda consonância com o art. só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. mas a esmagadora maioria entende que não. IPI e IOF pode ser dar por decreto. mas sim a definição do que vem a ser “grande fortuna”. 195. em última análise. a diminuição de tributo é matéria reservada à lei. § 1º. A Emenda Constitucional n. Art. caso um governante (ou subordinado) diminuísse tributo sem lei. Além do mais. não necessitando de lei para tanto. § 4º. Discussão interessante diz respeito à utilização das medidas provisórias em matéria tributária.I. § 4º da CF. II do CTN. 153. Há autores que afirmam essa possibilidade.E. que deve ser interpretado em conjunto com o citado dispositivo constitucional. Art. 2. conforme veremos ao estudarmos os princípios da anterioridade anual e anterioridade nonagesimal. pois estaria. Em relação ao Imposto sobre Grandes Fortunas. ainda. com exceção daqueles que exigem lei complementar. gerindo recursos do Estado como se fossem seus. 153. São eles: Imposto sobre Grandes Fortunas (art.o fato do referido dispositivo trazer os verbos “exigir ou aumentar”. 154. 97. pois. I da CF). II. 148 da CF) e Impostos Residuais da União (art. conforme o art. 155. *** Como toda regra tem exceções. § 1º da Constituição Federal: alterações (aumentos ou reduções) de alíquotas nos impostos I. Lembremos que relevância e urgência são traços característicos das medidas provisórias e a regra geral em direito tributário é que haja um espaço de tempo entre a instituição do tributo e sua efetiva cobrança. II. Com relação às leis delegadas. o art. I do CTN. III da Constituição Federal dispõe que. I.” Ainda a respeito do assunto. IV da Constituição Federal: definição de alíquotas do ICMS mediante deliberação dos Estados e Distrito Federal (convênios entre os Executivos Estaduais). e 154. VII da CF). tendo em vista o fato das mesmas terem força de lei sem serem leis (no sentido formal). exceto os previstos nos art. cuja matéria encontra-se disciplinada pelo § 2º da art. Mais uma vez temos presente o problema da linguagem. sobre matéria reservada a lei complementar. onde encontramos a expressão “instituída em lei” e também com o art. Lembramos. Observem que essa discussão tem grande importância quando da instituição do tributo. conforme art. Talvez isso interesse a alguns. 97. § 1º da Constituição Federal. conforme art.º 32/2001 provocou algumas alterações no princípio da legalidade. 19 . I. 62 da Constituição Federal. IV e V. porém há casos em que se exige lei complementar (maioria absoluta dos membros). 68. principalmente no que diz respeito à possibilidade de instituição de tributos por medida provisória. vamos a elas: 1. é vedada a edição de medidas provisórias. essas podem criar tributos. o qual afirma que “Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos. 62. A regra geral é que os tributos sejam instituídos por lei ordinária (maioria simples da casa legislativa). que as contribuições previdenciárias novas ou residuais deverão ser instituídas por lei complementar. vez que sua cobrança pode enfrentar intermináveis questões judiciais.153. 3º do CTN. Empréstimos Compulsórios (art. temos ainda uma consideração a fazer: alguns doutrinadores entendem que não é sua instituição que pede lei complementar.

não fazendo referência à diminuição. 177. “b” da CF). pois a mudança na legislação virá em benefício do contribuinte. conforme nova dicção do art. pois as leis que versam sobre aumentos de tributos. em regra.2. § 4º da CF).  Importante frisar que não existe mais o Princípio da Anualidade. Redução e restabelecimento da alíquota da CIDE sobre combustíveis (art. Não há que se falar mais nesse princípio. pegando todos de surpresa. Art.º 42/2003 era uma exceção doutrinária. I. § 6º da CF) e as contribuições sociais residuais (art.3. § 1º da CF. o qual não foi recepcionado pela Constituição Federal de 1969. Esse princípio previa que a cobrança do tributo só poderia ocorrer caso já houvesse previsão orçamentária contemplando o aumento da arrecadação. 150. são votadas nos últimos dias do ano. é uma exceção expressa. “b” da CF) Esse princípio existe em nosso ordenamento jurídico para que o cidadãocontribuinte não seja pego de surpresa (lembremos do sinônimo inopino. 2. independente da lei instituidora ser anterior ou posterior à lei orçamentária.  Empréstimo compulsório em caso de guerras e calamidades públicas (Art. conforme art. 148. não raro. IV. 150. 195. nunca funcionou na prática. Existem várias exceções a esse princípio. de modo que o mesmo tenha tempo para se preparar financeiramente para a tributação. A doutrina vem dando o nome de anterioridade nonagesimal. I. e não da votação. 155. nos dizeres do Professor Eduardo de Moraes Sabbag). 195.3. conforme acréscimo feito pela Emenda Constitucional n.  Impostos Federais (II. Infelizmente.2. Atualmente. 154. “c”. pois há a necessidade de se respeitar 90 (noventa) dias para se dar o início da cobrança do 20 . § 1º da CF. o que torna inócua a idéia do princípio.  Impostos Extraordinários de Guerra (art. “c” da CF) Esse princípio teve com objetivo fazer valer a idéia do princípio anterior. A lei entra vigor no primeiro dia útil do ano seguinte. Princípio da Anterioridade Nonagesimal (art. pois a cobrança de um novo tributo. de 11 de dezembro de 2001).  Contribuições sociais (art. conforme § 1º do art. II da CF). 150 da CF. IE. “b” da Constituição Federal: reduções e restabelecimentos de alíquotas da contribuição de intervenção no domínio econômico sobre combustíveis podem ser dar por ato do Poder Executivo (leia-se decreto). conforme veremos a seguir. 177. IPI e IOF). visando impedir que houvesse a instituição de tributo nos últimos dias do ano. 150. Princípio da Anterioridade Anual (art. pois não há nenhuma perda para o contribuinte quando este for informado de uma redução de tributos. III.  Um ano a partir da publicação da lei. Isso é bastante lógico. III. 150. Observe que o princípio se refere a “lei que os instituiu ou aumentou”. 2. Não há que se falar em surpresa nesse caso. I da CF) – antes da EC n. se dará no primeiro dia do exercício seguinte. § 4º.º 33. § 4º.2. § 4º.  Redução e restabelecimento de alíquotas do ICMS (art.

erra p. Com rt. 155. § 1º da CF. I da CF). As exceções ao princípio são as seguintes:  Empréstimo compulsório em caso de guerras e calamidades públicas (Art. “c” e art. ou seja. Exceções Emp.  Impostos Federais (II. Renda in. 148. II da CF). (153. Antes da Emenda Constitucional n. 150 da CF. IV. 150. II) A U Anteriorid Guer I) II) III) V) ade ra CUIDA Nonagesi (148 DO mal Art. todos da CF. I. IR e IOF). pois o art. st. ambos da CF. (153. (153. IR (exceção apenas ao princípio da anterioridade nonagesimal). tendo em vista o fato dos mesmos guardarem a idéia de “anterior previsão”. (153. § 4º. “b”.  Impostos Extraordinários de Guerra (art. erra IPV IPT da p. conforme art. 155. diferenciando-se quanto ao IPI (exceção apenas ao princípio da anterioridade anual). Cabe aqui salientar que o dispositivo ainda fez referência à alínea anterior. § 2º da CF faz referência a “produzir efeitos no exercício financeiro seguinte”. III (IPVA) e 156. ao princípio da anterioridade anual. § 1º da CF.º 42. (153. IE.F IextrGu Com rt. I) 150 §1º(segun da parte) Estes impostos têm sua validade a partir do primeiro dia do ano seguinte. rt. in. da Anteriorid ade Anual Art. §§ 4º e 6º. conforme § 1º do art.tributo. 150. de 19 de dezembro de 2003. (153. conforme art. tínhamos apenas um princípio da anterioridade. (153. (153. I (IPTU). IImpo Iexpo IPIndu Ioper. É importante lembrar que os tributos instituídos por medida provisória também deverão respeitar esse princípio. as situações que envolvem o IPVA e o IPTU e as exceções contidas no art. 21 . rt. o que não exclui a necessidade de aguardar os 90 (noventa) dias entre a efetiva lei e o início da cobrança do tributo. (154. (154. . II) Guer I) II) IV) V) ra CUIDA (148 DO . I) Estes impostos têm sua validade a partir de contados 90 dias. IImpo IExpo I IOper. pois são exceção ao principio da anterioridade nonagesimal. Exceções ao Princ. cujo termo foi aproveitado para nomear os dois. 154. pois são exceção ao principio da anterioridade anual. sob pena de flagrante inconstitucionalidade.  Fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts.F IExtrGu BC BC ao Princ. 62. § 4º. 195. art. 150 §1º(primei ra parte) Emp. Observação importante: As exceções aos princípios da anterioridade anual e anterioridade nonagesimal são bem parecidas. 177. que incluiu este princípio no texto constitucional.

Há diversas formas de dimensionamento da capacidade contributiva: patrimônio (renda guardada). 156. pois aquela está ligada a patrimônio e esta. 153. é recorrente nas legislações fiscais a progressividade de alíquotas. 2. trata-se de progressividade. Princípio da Isonomia Tributária ou Igualdade (art. por exemplo. § 4º. § 2º. a liquidez. os herdeiros tentam provar que não dispõem de capacidade econômica. ambos da CF) e no ITR (art.3º). e capacidade financeira é ter dinheiro. I da CF). pois essa progressividade vai de encontro aos objetivos desse princípio. §1º da CF)  Capacidade econômica é diferente de capacidade financeira. se ele possui bens. Não se pode dar o bem imóvel em quitação do tributo (art. II da CF permitiu a diferenciação de suas alíquotas conforme o tipo e a utilização do veículo automotor.2. 145. Não devemos confundir Capacidade Econômica com Capacidade Financeira. no IPTU (art. Isso pode resultar em situações em que um contribuinte com menos posses tenha de pagar mais do que outro mais rico. Quando falamos em igualdade em termos tributários. para o pagamento do tributo.5. A contribuição de melhoria. Esse mesmo dispositivo constitucional dá guarida à Lei Complementar n. § 6º. Além desse 3 (três) impostos. Essa confusão é bastante clara no dia-a-dia da arrecadação do ITCD (imposto estadual/distrital incidente sobre transmissões a título de morte e doações). pois é nítido o crescimento patrimonial quando do recebimento gratuito de bens objeto da tributação. Capacidade Econômica é ter patrimônio. § 1º. menos injusta será a tributação. pois o art. Antes da referida lei. vez que são exceções tanto ao principio da anterioridade anual como à anterioridade nonagesimal. na medida em que se desigualam”. Princípio da Capacidade Econômica ou Contributiva (art. têm sua validade desde JÁ. na prática. I da CF). 155. ou do bem. o que. nas quais ocorre uma exteriorização da capacidade contributiva ou econômica. O certo é que o estudo do Princípio da Proporcionalidade será muito importante nessa discussão. Esse princípio é intimamente ligado à espécie tributária imposto. não havendo variação conforme o contribuinte. Encontramos a progressividade no IR (art. se essa é lícita ou 22 . somente o Poder Judiciário detinha essa prerrogativa! Há discussões em torno do assunto e parece longe do fim. § 4º. pois geralmente elas têm um valor fixo. é cobrada em proporção ao imóvel valorizado.2. situações ou operações.4. Trata-se de alegações vazias de conteúdo. II da CF) Esse princípio visa “tratar desigualmente os desiguais.  O principio tem a finalidade de informar a capacidade do individuo. patrimônio (dimensionar a capacidade econômica (contributiva)). 153. 2.IMPORTANTE: os impostos que estão contidos em ambos os lados da tabela. conforme escreveu Aristóteles. porém é possível a alienação de parte do bem. Esse princípio guarda em si a idéia de justiça fiscal e quanto mais for observado. Alegando não haver transação financeira. II. consumo (renda consumida) e a renda efetiva (recebimentos em espécie). I e art. pois este incide sobre atividades. Observe que a taxa não leva em conta esta exteriorização. A expressão “sempre que possível” presente no dispositivo constitucional leva a interpretações diversas e deixa dúvidas quanto a sua força normativa. a qual prevê a quebra de sigilo bancário pelos agentes da fiscalização. o IPVA pode vir a ter essa característica.º 105/20001. não levamos em consideração a origem dos rendimentos. 150. 182. Com base no mesmo.

”. nada mais faz do que fazer uma afirmação impossível ou inútil. É claro. momento em que seria possível a constatação ou não da obtenção de renda). ela não poderá retroagir. O CTN. (Somente podem ser cobrados tributos a partir da vigência da nova lei). 106. o fato tributário rege-se pela lei que se encontra em vigor no momento de sua ocorrência. Caso num momento futuro seja aprovada lei que tipifique uma ocorrência como fato gerador de tributo. será inócua (ou inútil). Paulo de Barros Carvalho. que. ao aprovar leis tributárias. Os rendimentos auferidos por uma prostituta são os mesmos auferidos por qualquer prestador de serviço regularmente constituído. O STF adotou essa última teoria. Se assim não fosse.não. Esse entendimento coincide com os ensinamentos dos doutrinadores mais modernos. embora tente prever uma situação onde seria cabível a retroatividade.150. 5º. para o qual “Em suma. o que não me parece ser uma afirmação correta. podendo as mesmas ser aplicadas no início do exercício seguinte. 106 do CTN é uma verdadeira exceção ao princípio. se essa mesma lei não inovar. se ela seria no último instante do ano (último segundo do dia 31 de dezembro) ou se seria no primeiro instante do exercício seguinte (primeiro segundo do dia 01 de janeiro). 144 do CTN. 23 .2. enquanto outros entendem que a carga tributária total é que devia ser dividida eqüitativamente. não havendo desrespeito aos Princípios da Anterioridade Anual e da Irretroatividade. é natural que a mesma não possa ser aplicada a ocorrências anteriores. I do CTN seria letra morta. ou seja. Os elementos diferenciadores devem ser definidos pela lei tributária e passam obrigatoriamente pela análise da capacidade econômica. somente nos casos onde possa atuar lei retroativa é possível a atuação de lei interpretativa. conforme melhor entendimento extraído do art. Autores divergem quanto objeto do princípio. Com relação ao Imposto de Renda. há 02 (duas) teorias. o que evidencia a inutilidade desta. Se a lei “interpretativa” inovar. embora filosófico. Alguns autores afirmam que o art. Dessa forma.º 118/2005 adentrou nesse campo minado e as discussões sobre o tema parecem que resultarão na sua aplicação “para frente”. estaríamos diante de flagrante afronta ao art. não podemos falar em obrigação de recolher qualquer tributo. também carrega a idéia de justiça fiscal. Uma coisa é certa: o legislador. a saber:  Teoria da Fragmentação do fato gerador IR (ocorrência de vários fatos geradores no decorrer do exercício). Esse princípio tem o objetivo de nortear a tributação. Alguns afirmam que todos os tributos deviam ter essa característica. o art. XXXVI da CF. A Lei Complementar n. 2. como é o caso de Luciano Amaro. Para o Prof.6. então. deve sempre ter em mente esse princípio. que se não há lei que conceitue como fato gerador de tributo determinada ocorrência na vida econômica. segundo a qual permite-se que mudanças na tributação possam ocorrer até o último dia do exercício. Princípio da Irretroatividade da Lei Tributária (art. entendimento esse presente na Súmula 584. A divergência ainda existente é sobre o momento exato dessa ocorrência.  Teoria da Unicidade do fato gerador do IR (apenas uma ocorrência no final do ano. “a” da CF) Em regra. para os quais o “fato gerador” do Imposto de Renda ocorre em um único momento. Alguns autores são taxativos no sentido de defenderem a não existência de lei expressamente interpretativa. II. o momento a ser tomado como exato seria o último instante do exercício.

13 do Capítulo I da Terceira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). não podendo haver multas confiscatórias. 3. é difícil conceituar. é ainda corrente entre os doutrinadores a afirmação de que o princípio é direcionado ao tributo e não à soma total dos tributos.075-DF. sentido como penalidade. o STF tem entendido que o princípio aplica-se também a multas. 24 . Nenhum doutrinador conseguiu delimitar perfeitamente o território do confisco. Embora existam no STF decisões nas quais fica clara a idéia de se analisar a carga tributária como um todo ao aplicar o princípio (ADInMC 2. entre outros. assunto de extrema dificuldade que ainda necessita de aprofundamentos teóricos.2.8 a 3. 151. São eles: - Princípio da Tipologia Tributária: exata definição do fato gerador e da base de cálculo (art. então. Há. assinala exceções a esse princípio. A corroborar esse entendimento. como é o caso do IPI sobre cigarros. trazemos ainda o acórdão na ADI 551/RJ.: leitura obrigatória dos tópicos n.2002. - Princípio da Liberdade de Tráfego: visa assegurar o livre trânsito de pessoas ou bens pelo território nacional (art. Outros princípios Além desses princípios.3. apregoa o tratamento igualitário nas transações comerciais entre essas pessoas políticas de Direito Constitucional interno (art. O tributarista Sacha Calmon Navarro Coêlho (UFMG). Ilmar Galvão. 7º do CTN. maneira disposta na CF). cujo relator foi o Ministro Celso de Mello. 2. um tributo excessivamente oneroso. - Princípio da Indelegabilidade da Competência Tributária: esse princípio se encontra no art. Tributo com efeito confiscatório seria. Distrito Federal e Municípios.  Como não há limitadores nem critérios objetivos em nossa legislação que norteiem os operadores do Direito Tributário. 24. Observe que o citado dispositivo constitucional se refere a tributos e não a multas.8. com precisão. 154. multa de perdimento de bens. 2. na legislação tributária federal. visando impedir que haja tributações excessivas que venham a se tornar impeditivas das atividades comerciais. 150. Imunidades Tributárias Obs. 152 da CF). há outros nas diversas doutrinas existentes. Rel. Alguns autores afirmam que a carga tributária é confiscatória. o que vem a ser confisco. Porém.7. conforme ADInMC 1. (O professor adota a corrente que o princípio é direcionado ao tributo. - Princípio da Uniformidade Geográfica: proibição de favorecimentos imotivados (art. Min.2. Princípio da Vedação de Confisco ou da Não-confiscatoriedade (art. - Princípio da Não-discriminação Tributária: direcionado a Estados.2. Toda e qualquer tributação extrafiscal não estaria sujeita à restrição da não-confiscatoriedade. excessivo II sobre algumas mercadorias etc. porém são situações especiais.010-DF).10. V da CF). IV da CF) Este princípio visa garantir o direito de propriedade do contribuinte. I da CF). 150. I da CF).

VI da CF. protestante etc. Imunidade recíproca: art. 3. Importante ainda observar a Súmula 724 do STF. Observe que o dispositivo se refere a templos. O § 1º do art. instituições de educação e de assistência social sem fins lucrativos: art. VI. 150. não se encaixa nas exigências constitucionais para se beneficiar dessa imunidade. auxiliam no “desenho” do campo competencial). inc. Por isso a afirmativa de que a Súmula 724 do STF amplia as situações de imunidades para esse tipo de entidades. A ECT – Empresa de Correios e Telégrafos é uma empresa pública e. O primeiro grande grupo de imunidades encontra-se no art. A meu ver. VI. a qual assegura a imunidade do IPTU ao imóvel alugado pertencente a qualquer dessas entidades. católico. pois. as imunidades tributárias são.º 104/2001. Assim. trata-se de um conjunto de dispositivos constitucionais que. VI. para serem imunes. II da CF. Paulo de Barros Carvalho. podemos afirmar que se tratam de uma não-incidência qualificada pela sua previsão constitucional. na realidade. não fazendo distinção entre as religiões. podendo ser templo evangélico. um imóvel alugado não está diretamente ligado às finalidades essenciais dessas entidades. ao lado dos princípios constitucionais tributários. Observe que o dispositivo assegura a imunidade com uma condição: “atendidos os requisitos de lei”. Porém. Exemplo: cobrança de ISSQN de estacionamento de igrejas (é importante verificar se a prestação de serviços está ligada à atividade essencial do templo ou se há caráter comercial na prestação de serviços oferecida). precisam cumprir com algumas obrigações. mas os frutos desse imóvel em forma de receitas de aluguel. 146. ou seja. 150. 2. Acórdão publicado em 06/08/2004). 9º e do art. Isso significa que essas entidades. embora não sejam verdadeiras autarquias.Para a grande maioria dos doutrinadores. O que existe é uma ligação indireta.430/96 prevê a suspensão da imunidade de entidade beneficiária. importante salientar que existe precedente em sentido contrário (STF. desde que o valor do aluguel seja aplicado em suas atividades essenciais. combinado com o § 2º (vinculação da imunidade às finalidades essenciais das entidades citadas) e § 3º (exclusão de atividades econômicas com finalidade de lucro. Imunidade de partidos políticos. Exemplo: um município não pode cobrar IPTU de imóveis do Estado (cobrança indevida feita pelo imóvel da SEFAZ em Catalão). entidades sindicais dos trabalhadores. 32 da Lei n. a saber: 1.º 9. RE 407099/RS. Imunidade de templos: art. num primeiro momento. dispositivo esse recentemente alterado pela Lei Complementar n. 150. ao lado das competências. 21. pois. entre as quais as do § 1º do art. cujas alíneas trazem diferentes imunidades. não será o respectivo imóvel relacionado com as atividades essenciais das entidades. cuja regulamentação é feita por lei complementar conforme art. 14 do CTN. 25 . 150. combinado com o § 4º da CF (relação direta com as finalidades essenciais das entidades). seguindo a maioria dos autores e sabendo que todas as imunidades estão previstas na Constituição Federal. Esse entendimento admite a possibilidade de extensão dessa imunidade a empresas públicas que executam serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do Estado (art. Observação: Liminar recente em Santa Catarina a favor dos Correios conheceu pedido do interessado para não recolher IPVA de seus automóveis. se assemelham a elas. “a”. “b”. 2ª Turma. “c” combinado com o § 4º (relação direta com as finalidades essenciais das entidades). outro tipo de limitações ao poder de tributar (para o Prof. X da Constituição Federal). é um entendimento que amplia os dizeres dos citados dispositivos constitucionais. as quais são regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados) da CF.

cadernos etc. Na dúvida. Uma boa discussão é quanto às listas telefônicas. entendemos que o livro em CD não se encontra no campo da imunidade. II: ITR sobre pequenas glebas rurais. não se pode dizer que não se enquadram como periódicos. “a”: ICMS sobre a venda de mercadorias e serviços para o exterior.98). 155.  Art. há decisões que entendem pelo reconhecimento da imunidade de forma extensiva (ver Acórdão no Processo 0401090888 – SC – TRF4.  Art. X. São elas:  Art. X. “c”: Repete a imunidade sobre o ouro já citada (há uma verdadeira redundância). Outra análise interessante a ser feita é a aplicação da imunidade a revistas pornográficas e outras publicações do gênero. III: IPI sobre a venda de produtos industrializados para o exterior. 14 do CTN. Decisão em 03. cujo maior argumento é de que caso a atividade de editoração não fosse toda abarcada pela imunidade.  Art. cuja razão é diminuir os custos desses impressos educativos). pois são privilégios. Vários doutrinadores afirmam. havendo periodicidade na publicação. é tornar mais baratos os livros educativos. Min. § 2°. Embora o art. Encontramos no CTN. embora há autores que pensam de maneira diferente.183. Outro questionamento que se faz é quanto aos tributos que incidem sobre as gráficas (PIS. quando este é definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial. jornais. em última instância. ainda. 146.08. § 2°. 150. 155.4. “b”: ICMS sobre operações interestaduais de petróleo. 12.  Art. 153. Porém. pois a CF se refere apenas ao papel. § 2°. 155. devemos ficar com a redação da CF. porém devemos analisar com cuidado esses dispositivos devido ao fato de alguns terem sido recepcionados e outros não. 9º ao 15. Rel. Essa imunidade não se aplica a livros fiscais. VI. 153. várias imunidades espalhadas no texto constitucional que não podem ser esquecidas. quando o proprietário não possua outro imóvel. combustíveis líquidos e gasosos dele derivados e energia elétrica. o dispositivo constitucional não atingiria seu objetivo que. Decisões recentes trazem o entendimento de que essas publicações se enquadram como periódicos. para o STF. Com relação a livros em CD. X.2000). porém está-se caminhando para uma interpretação extensiva. as listas telefônicas são imunes. II da CF afirme que a lei complementar tem o papel de regular as limitações ao poder de tributar. 155. § 4°. em seus arts. Imunidade de livros. Um dispositivo a ser observado na íntegra é o art. § 2º. Há. Cofins etc. que toda e qualquer desoneração deve ser interpretada de maneira restritiva. em que pesem as mesmas veicularem anúncios e publicidade (RE 199. não são todos os dispositivos do CTN que são válidos. Partindo dessa afirmação.).06. lubrificantes.  Art. § 5°: incidência exclusiva do IOF sobre o ouro. X.  Art. “d”: ICMS sobre as prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita. pois não se pode negar que há periodicidade na publicação das mesmas. periódicos e o papel destinado a sua impressão: art. Os tribunais têm decisões nos dois sentidos. Marco Aurélio. as limitações da competência tributária. por definir os requisitos necessários para a fruição da imunidade. § 3º. pois. com muito acerto. 26 . “d” da CF (observe que há um aspecto finalístico nessa imunidade. Como informa Eduardo de Moraes Sabbag em Elementos de Direito (2005). a jurisprudência ainda é tímida em reconhecer a imunidade. 153.

Tratamos até aqui de imunidades relativas a impostos. § 2°.  Art. uma doação do bem? Assim analisado o negócio jurídico. 155. 155. Como o que se paga geralmente é tarifa. 5°. Exemplo: O ICMS incide sobre operações de comercialização de mercadorias. Ocorrendo a situação prevista. Há também imunidades relativas a taxas e contribuições. haverá imunidade. habeas corpus e habeas datas. 149. exceto advinda de impostos). §7°: entidades beneficentes de assistência social são imunes às contribuições pra a seguridade social. LXXVII.  Art. I: não incidirão contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico sobre receitas decorrentes de exportação. o que nos permitia afirmar que não havia possibilidade de instituir-se qualquer tributação adicional sobre essas operações.  Art. Art. o problema da linguagem. 40. não poderíamos dizer que o imposto incidente sobre o mesmo seria o ITCD e não o ITBI? Qual o preço mínimo a ser vendido um bem para que enseje uma compra e venda e não uma doação? Caso contrário.  Art. LXXIII: custas judiciais (que são taxas) nas ações populares. “a” e “b”: registro de nascimento e certidão de óbito (somente para os reconhecidamente pobres). 195. porém não será caso de imunidade. estaria no campo de incidência do ITBI? Tal negócio não seria. exceto ICMS.  Art. 156. XI: exclusão do IPI da base de cálculo do ICMS em operações nas quais incidem os dois impostos (pode também ser tida apenas como uma regra constitucional de tributação e não uma imunidade propriamente dita). combustíveis e minerais do País (Observação: antes da EC 33/2001. atualmente o dispositivo permite outra tributação. o dispositivo se referia a tributo e não imposto. §1°: por ser gratuita a celebração do casamento. § 2º. as quais passaremos a estudar:  Art.. dizemos que ela está sujeita à incidência do imposto. 5º.  Art. serviços de telecomunicações. obtenção de certidões etc. incidirá sobre operações relativas a energia elétrica.: leitura anterior do Capítulo XI do livro Curso de Direito Tributário de Ruy Barbosa Nogueira (11ª edição). 2.4. um contrato de compra e venda a um preço absurdo não poderia ser tido como uma doação de dinheiro do comprador para o vendedor? São problemas dessa 27 . Aqui se apresenta. derivados de petróleo. §2°: caso seja cobrada taxa pela prestação do serviço. § 2°. XXXIV. também estará assegurado o não pagamento. 226. I: ITBI sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital e outras situações semelhantes. mais uma vez. Qual a definição de mercadoria? E de comercialização? Não sendo eu comerciante. na verdade.  Art. II e IE. 184. LXXVI. § 3°: Nenhum outro imposto.  Art. a venda de meu automóvel configura uma situação dentro do campo de incidência do ICMS? E um contrato de compra e venda de um imóvel a preço vil. 5°. Incidência: podemos dizer que o tributo incide quando uma determinada situação está incluída no campo da incidência do tributo.  Art. 5°. não poderá ser cobrada qualquer taxa pela prestação do serviço. Categorias Especiais da Técnica de Tributação Obs. 230. “a” e “b”: direito de petição. ou seja.  Art. é quando a lei prevê a tipificação do fato gerador na ocorrência de determinada situação.  Art. §18. §5°: Imunidade de todos os impostos federais. estaduais e municipais nas operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária.

há a determinação de um campo no qual o ente tributante não pode adentrar. Embora ocorra o fato gerador tal como descrito na lei (art. enquanto. Aqui também se encontram presentes os mesmos problemas levaantados no ttópico anterior. exceção prevista no §1º do art. Importante observar que. a lei resolveu excluí-la do campo de incidência do ICMS). a lei dispensa o pagamento do mesmo. não temos uma instituição ou aumento de tributo. Isso facilita. Não-incidência: é o fato de determinada situação ficar fora do campo de incidência do tributo. II. necessita-se apenas de um ato do Poder Executivo (Art. M U  Doutrina Majoritária N I D A D E Incidência Não-incidência legal e lógica 28 . sujeito ativo. Alíquota/Base de Cálculo Zero: nessa categoria de tributação. 114 do CTN) e nasça a obrigação tributária. é uma não-incidência qualificada pela sua previsão constitucional. determinado produto estivesse isento. §1° da Constituição Federal). porém nesta ocorre a suspensão de todos os elementos essenciais do tributo. Exemplo: A alíquota-zero é muito utilizada na alteração de alíquotas do IPI. seja por vontade da própria Constituição (não-incidência lógica). IE e IOF. Sendo assim. a alteração de suas alíquotas. porém. por uma liberalidade do ente tributante. Exemplo: isenção de ICMS sobre venda de insumos agrícolas (objetiva diminuir os custos da atividade agropecuária). Isenção: é uma situação que se encontra no campo de incidência do tributo. a lei tributária traz a regra geral para depois excluir algumas situações sobre as quais não haverá a incidência do tributo. tendo em vista o fato das mesmas ser nulas. as isenções são previstas em convênios entre os Estados e o Distrito Federal. Ocorre a suspensão da eficácia da norma impositiva. embora tenha o efeito de aumentar o tributo a ser pago. uma forma de supressão da competência tributária prevista na Constituição Federal. respeitar os Princípios da Anterioridade Anual e Nonagesimal. porém esse tem sido o mais aceito pelos tribunais. porém encontra-se suspensa a alíquota ou base de cálculo. então. na verdade. encontramos válidos todos os elementos essenciais do tributo (fato gerador ou situação fática. o qual estudaremos mais adiante. Observação: se em vez de alíquota.zero.ordem que os juristas devem enfrentar. Imunidade: como já visto. conforme o gráfico a seguir. tecnicamente não está criando nada novo. sujeito passivo. não precisando. 116 do CTN. e Imuito. Geralmente. alíquota e base de cálculo). Há entendimentos diversos a respeito do assunto. A não-incidência verdadeira deve ser prevista na lei tributária. Um dos dispositivos que permitem a desconsideração desses atos jurídicos é o art. seria necessária uma lei para revogar a isenção (Art. não incide ICMS sobre operações de comodato (embora seja uma operação com mercadoria. seja por vontade da lei instituidora do mesmo (não-incidência verdadeira). 176 do CTN). o pagamento não ocorre. ou seja. dessa maneira. com ressalvas (Súmula 615 do STF). A isenção é um tipo de benefício fiscal e é utilizada como forma de fomentar alguma atividade mercantil ou produtiva. Exemplo: Na lei tributária do estado de Goiás. enquanto naquela apenas o elemento alíquota ou base de cálculo é nulo. uma lei que revogue uma isenção. Há uma grande semelhança entre essa categoria de tributação e a isenção. no caso do ICMS. 153 da Constituição Federal (casos em que a agilidade se faz imprescindível). É. 153. A isenção deve ser prevista em lei específica (art. IR sobre rendimentos abaixo de determinado valor (tem como objetivo uma maior justiça fiscal) etc. 178 do CTN). porém.

Esses doutrinadores entendem que tecnicamente isenção e não incidência são a mesma coisa. Não respeita o Princípio da Anterioridade Anual e Nonagesimal.  DOUTRINA MODERNA: isenção fora do campo de incidência.Isenção Alíquotazero  DOUTRINA TRADICIONAL (CLÁSSICA): isenção dentro do campo de incidência. Isenção / Alíquota Zero 29 . Conseqüentemente se aplica o Principio da Anterioridade Anual e Nonagesimal.

se existe ou não isenção ou mesmo imunidade. ou seja. Observemos que não basta o objeto (insumo) para caracterizar a isenção. 3 do Capítulo V do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição).0 Leitura/Análise resumida de todo o Capítulo I do Título VI da CF – DO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL (art. 2. a carga tributária não se altera conforme a base de cálculo. 156 e 182 da Constituição Federal). Há várias leis complementares dentro do Sistema Tributário Nacional. onerando-se de forma mais gravosa a riqueza conforme ela vai aumentando.: leitura obrigatória do tópico n.4 e 2. Exemplo: imunidade sobre o livro. As categorias especiais da técnica de tributação se classificam em 3 (três) tipos. que nada mais é do que uma mesma situação ser tributada por tributos diferentes. A alíquota é única qualquer que seja a base de cálculo. 2. jornais. periódicos etc. Progressividade e Proporcionalidade Obs. 87/96 (também chamada de Lei Kandir. estando a mesma simultaneamente no campo de incidência diferentes. ITR Progressivo etc. Subjetiva-objetiva: sua previsão se dá pelos dois aspectos. Certa vez. Chegou-se à conclusão de que o adjetivo “agrícola” presente na norma isentante levava a uma interpretação restritiva. Progressividade: é uma técnica de incidência pela qual tenta-se realizar o Princípio da Isonomia Tributária. 3. 15% e 27. pois grande parte das discussões tributárias gira em torno de sabermos.5. se dá sobre uma situação mais específica e bem expressa. TRABALHO: Entrega dia da Prova 04/06/09: Valor – 1. maior será a alíquota a ser aplicada. entidades sindicais de trabalhadores etc. tais como a Lei Complementar n.. 116/03 30 . Subjetiva: sua previsão se dá em razão da pessoa (ou sujeito passivo). a saber: 1.: leitura obrigatória dos tópicos n.. Exemplo: isenção de ICMS sobre operação interna de insumo agrícola.5 do Capítulo II da Terceira Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). IPTU Progressivo (art. é necessário que o mesmo seja utilizado na agricultura (agrícola). Proporcionalidade: é uma técnica de incidência pela qual se onera o contribuinte na mesma proporção. se determinada situação se encontra ou não no campo de incidência da tributação. com precisão. Quanto maior a riqueza tributável. Aqui podemos entender a figura da bitributação. discutiu-se se a isenção era extensiva ao adubo vendido em supermercados destinado a plantas domésticas. de forma a se atingir uma maior justiça fiscal. Exemplo: imunidade sobre templos. tem como papel principal o de harmonizar as legislações tributárias do ICMS). partidos políticos. 145 a 156) 3. Exemplo: provedores de acesso à internet (houve acaloradas discussões sobre seu exato posicionamento: se no campo de incidência do ICMS ou no do ISSQN).Muito importante o perfeito entendimento desse assunto.5%). Lei Complementar n. 2. Exemplos: Imposto de Renda (faixas de isenção. ou seja. O PAPEL DA LEI COMPLEMENTAR TRIBUTÁRIA Obs. Objetiva: sua previsão se dá em razão do objeto.

o artigo 97 do CTN não tolera analogia para definição do fato gerador. O dispositivo não contém expressamente as disposições constitucionais. dependendo do tributo a ser instituído. não podendo um determinado município tributar uma prestação de serviço que não esteja expressamente descrita na referida lista. ou seja. Essa conclusão vem da interpretação conjunta dos art. como uma reafirmação do Princípio da Legalidade Tributária.(veicula a lista de serviços para fins de tributação do ISSQN). Esse artigo não sofreu qualquer alteração. Inciso III: encontramos estampado neste inciso a necessidade de esclarecimento da situação fática (definição do fato gerador da obrigação tributária principal) e de qual pessoa irá compor o pólo passivo da relação tributária (sujeito passivo). §4°. combinado com o art. IV Constituição Federal). ou se encontra no campo de incidência do IPI/ICMS ou não é passível de tributação alguma.: leitura obrigatória do Capítulo I da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). Não se pode incluir na lista do ISS categoria que nela inexiste. não existindo tipificação exemplificativa (Exemplificando: a Lei Complementar n. 123/07 (lei geral das microempresas nacionais) etc. O termo legislação tributária abarca todas as fontes formais que. direta ou indiretamente. os quais fazem referência a dispositivos da Constituição Federal de 1946. porém é inegável a constatação de que as constituições (federal e estaduais) são parte integrante da legislação tributária. pois uma análise mais aprofundada da lista parece indicar que sobre essa prestação de serviços não há tributação do ISSQN. encontramos em Aliomar Baleeiro a seguinte afirmação: “De certo.º 116/2003 contém a Lista do ISSQN (taxativa). Art. em regra. §2° (que dá margem a vários direitos) e 150.” Inciso IV: a lei deverá também determinar os elementos quantificadores do tributo.1. Alguns autores afirmam que se trata de um direito subjetivo público e que seria uma cláusula pétrea (Art. sejam estas por ações ou omissões contrárias a seus 31 . O termo “lei” pode também se referir a leis delegadas ou complementares. porém não o é no sentido formal  Todas as leis que instituem tributos devem obedecer ao CTN. 96: observamos que esse dispositivo não elencou todas as fontes formais de DT. Lei Complementar n. só podendo ser alterado por outra Constituição. 97: quando encontramos nesse dispositivo a expressão “somente a lei”. Esse entendimento é ponto pacífico na doutrina e jurisprudência. pois determina que importantes alterações em determinado tributo precisam ser discutidas e aprovadas pelas respectivas casas legislativas. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA (Título I do Livro II do CTN) Obs. Inciso V: prevê claramente que a lei deve dispor sobre todas as penalidades (sanções diversas ou multas pecuniárias). para não dizer a mais importante. É um entendimento que merece ser estudado a fundo. funcionando. com exceção dos incisos II. Esse dispositivo dá ao possível contribuinte uma grande segurança. Cabe aqui salientar que toda tipificação tributária é taxativa. I (Princípio da Legalidade Tributária) da Constituição Federal. CTN: é uma lei complementar no sentido material. 5°. está a se referir à lei ordinária. III e IV. Inciso II: reafirmação do Princípio da legalidade Tributária. Ainda sobre esse assunto. o qual foi exemplificativo. Inciso I: reafirmação do Princípio da Legalidade Tributária. embora pareça ter sido essa a vontade do legislador. 4. os aspectos numéricos do mesmo (alíquota e base de cálculo).) Há dúvidas quanto às locadoras de fitas de vídeo e DVD’s. A prestação de serviço que não estiver ali. 97 do CTN. 60. então. dispõem sobre matéria tributária. 4. Conceito de Legislação Tributária Art.

Lembramos. Exemplo: legislação goiana do ICMS. ou seja. pois sua principal função. mas sim da publicação do decreto legislativo os ratificou. §2°: Traz uma exceção à regra geral ao afirmar que a atualização do valor monetário da base de cálculo não configura majoração do tributo (Exemplo: esse dispositivo permite. É importante frisar que os tratados e as convenções internacionais não passam a valer da data de sua assinatura. não têm idoneidade jurídica. As ficções e presunções em direito tributário tem sido objeto de estudo de vários doutrinadores. 150 da Constituição Federal que trata da substituição tributária. é imprescindível que utilizemos os 32 . suspensão e extinção de créditos tributários ou dispensa ou redução de penalidades são também matéria reservada à lei. com exceção dos produtos italianos. ao município. ou seja. a pauta de valores dos imóveis utilizada para a cobrança do IPTU). é regulamentar as disposições da lei que instituiu o tributo. Inciso VI: exclusão. Não devemos confundir ficção com presunção legal. Exemplo dessa situação é o § 7º do art. na verdade. por exemplo. pois é claro que a majoração da base de cálculo importa em majoração do tributo. Esse dispositivo consagra o Princípio da Especialidade. A cobrança continuará sendo feita. O que a ficção faz é contrariar a verdade de maneira legal. ainda. é um juízo de probabilidade. que. 99: Os decretos a que se refere este artigo são os atos do Chefe do Poder Executivo. como um decreto. atualizar o IPTU. em algumas legislações. 59. de competência do Congresso Nacional. entendo que ele também exige que as mesmas sejam bem definidas. no afã de facilitar a arrecadação e fiscalização dos diversos tributos. que este parágrafo cria uma ficção jurídica (juízo de evidente contrariedade ou uma mentira legal). em algumas legislações tributárias. sem necessidade de lei. eles. Em Direito Tributário. conforme visto anteriormente e valem em . o tratado valerá apenas para as importações feitas daquele país.todo o território nacional. em matéria tributária. Art. assim como em outros ramos do Direito. então.” Da leitura da súmula podemos concluir que a simples correção monetária dos valores pode se dar por um ato infralegal. não devendo existir nas legislações tributárias multas genéricas quando do descumprimento das obrigações tributárias. devendo ocorrer sua ratificação por decretos legislativos. VI da CF) é fonte primária de direito tributário. 98: Embora o dispositivo faça crer que os tratados e as convenções internacionais modificam a legislação tributária interna. que o município atualize. O decreto legislativo (art. sejam elas principais ou acessórias. em percentual superior ao índice oficial de correção monetária. as quais. pois encontramos.dispositivos. a previsão de multas genéricas. §1°: Esse parágrafo deixa claro que a majoração da base de cálculo importa em tornar mais oneroso o tributo. Art. o que não quer dizer que a legislação federal estará prejudicada. Esse dispositivo permite a cobrança de impostos e contribuições de maneira antecipada por ser quase certa (juízo de probabilidade) sua posterior ocorrência. mediante decreto. também chamados de regulamentos. Qualquer alteração nesse componente quantitativo deve ser prevista em lei. a regra presume a ocorrência de algum fato por ser quase certa sua ocorrência. a qual deixa claro que “É defeso. Há. O exemplo dado é corroborado pela Súmula 160 STJ. pois o ato internacional valerá devido ao fato de disciplinar casos específicos. porém de forma parcial. ou para outras infrações nela definidas. um certo exagero na utilização desses institutos pelos legisladores. por si só. não deviam ser aceitas. podendo os mesmos trazer disposição de efeito retroativo. Além do inciso V exigir que as penalidades sejam matéria de reserva legal. Exemplo: Se o Brasil assinar um tratado com a Itália para não cobrar IPI nas importações de produtos daquele país e a legislação prever a cobrança. em meu entender.

porém é necessário que as mesmas tenham eficácia normativa atribuída por lei. pareceres normativos. porém há casos práticos nos quais poder-se-ia utilizar esse dispositivo para buscar soluções. o que resulta em súmulas para pacificar alguns entendimentos a respeito da legislação. 100: Além de todos esses diplomas legais e normativos. É um entendimento não compartilhado pela maioria dos tributaristas por ser de difícil aplicação. relação nova. o que não é muito comum. por exemplo. pois ela tem o poder de criar algo novo. regularizar a situação dos produtos a partir do posto. porém o costume era sair da propriedade sem a mesma e. É um pouco restrita sua aplicação. As autoridades administrativas podem ser. temos o Ministro da Fazenda. detalhando ou criando procedimentos. atos normativos. São exemplos de atos normativos as portarias. Suponhamos que essa situação tenha persistido anos a fio e. Na Receita Federal. Alguns doutrinadores afirmam que essas normas são obrigatórias para as autoridades administrativas e não para os contribuintes. o agente está correto. detalhando o ‘modus faciendi’ (o modo de fazer) para a aplicação daquela. sob pena de invalidade. como é o caso de pareceres a consultas formuladas à entidade tributante. então. A verdadeira “regulamentação” sugere que uma explicitação da lei. para não dizer impossível. instruções normativas. As decisões a que se refere o dispositivo são as decisões dos julgadores na esfera administrativa (singulares e coletivas). utilizando-o ao dispor sobre decisões da esfera administrativa. resoluções etc. Inciso II: decisões de jurisdição administrativa: embora alguns doutrinadores entendam que o termo “jurisdição” só deveria ser usado na esfera do Poder Judiciário. porém repassa para o decreto a função de dizer como se dará o recolhimento. que sem o decreto a lei não tem aplicabilidade. Observe. pois os produtos estariam em situação fiscal irregular. sob pena de induzir o leitor a erros de interpretação. Imaginemos a existência de um posto fiscal próximo a várias propriedades rurais onde os produtores sempre tiraram seus documentos fiscais para poderem seguir viagem. num determinado dia. Exemplo: a lei que criou o ICMS goiano criou o tributo. é mais inteligente que essas mudanças não precisem passar pelo crivo do poder legislativo. Legalmente. cuja função é complementarem a lei ou o decreto. sem criar nada novo. o Superintendente da Receita Estadual. Observação importante: Yoshiaki Ychihara entende que o dispositivo permite a inclusão das decisões judiciais no rol das normas complementares. o Secretário da Fazenda. o Secretário da Receita Federal.” Art. o CTN dispõe de maneira contrária. Como o recolhimento é matéria do dia-adia e pode mudar haver constantes mudanças nos procedimentos administrativos. ainda temos as normas complementares como parte integrante da legislação tributária. os Delegados da Receita Federal etc. o Delegado Fiscal de determinada jurisdição fiscal (ao qual compete determinar algumas regras de aplicação no âmbito de sua delegacia). As normas são: Inciso I: atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas: são normas escritas pelas autoridades administrativas. sem jamais contrariá-la. A administração tributária teria de acompanhar o entendimento de todo o Poder Judiciário. Inciso III: práticas reiteradas: temos aí a possibilidade de aplicação do Direito Costumeiro ou Consuetudinário em Direito Tributário.vocábulos corretamente. na estrutura da SEFAZ/GO. 33 . Tentamos buscar um exemplo para ilustrar a dispositivo. “O decreto. embora essa afirmação merece um estudo mais profundo. o que tiraria a autonomia da Administração Tributária. um agente da fiscalização resolvesse multar os carregamentos que ali chegassem sem a documentação fiscal. porém o produtor poderia alegar que. apenas pretende torná-la aplicável. Podem servir para interpretar algum assunto. Sabe-se que as cargas já deveriam chegar no referido posto com a documentação exigida. No dizer de Valter Paldes Valério. Não devemos dizer. que a lei regulamenta a Constituição Federal. destina-se a completar as disposições da lei. As decisões reiteradas formam uma jurisprudência nos conselhos administrativos tributários. no geral.

Em matéria tributária. em situação inversa. aplicar-se-á a norma impositiva. Inciso IV: convênios: esses convênios vinculam as pessoas jurídicas de direito público interno participantes. vigência é igual à eficácia. Porém devemos lembrar que os referidos dispositivos constitucionais se referem à instituição ou aumento de tributos. entregará o parecer ao contribuinte. devemos sempre observar os Princípios da Anterioridade Anual e Nonagesimal. como é o caso de cobrar tributo em razão de um fato ocorrido no exterior quando o contribuinte reside no país ou. 102: trata da vigência da legislação tributária. São importantes instrumentos para a eficácia do trabalho das administrações tributárias e permitem a realização de diligências fora do território da entidade tributante. Exemplo: fiscalização de fronteira possibilitada por convênios entre estados limítrofes (GO/MG).: leitura obrigatória do Capítulo II da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). Se um contribuinte agir em conformidade com as normas regulamentares. inclusive) não precisam aguardar os prazos previstos pelos princípios para sua alteração. 4. a administração tributária. Todas as outras situações (diminuição. Exemplo: em caso de dúvida em relação a algum dispositivo da legislação tributária. surgem problemas de dupla tributação. tributar um contribuinte residente no exterior por um fato ocorrido no país. uma redução na pena. Art. Distrito Federal e União. 34 . para isso. Observe que a legislação tributária federal pode ser válida fora de seus limites territoriais. 199 do CTN). Suponhamos que o parecer exarado pela administração tributária responda que o contribuinte não está obrigado ao recolhimento do tributo nas situações analisadas. Parágrafo Único: prevê a exclusão de penalidades. Em razão disso.como era costume na região. após análise da questão. o que tem sido resolvido por tratados internacionais e por cláusulas legais de reciprocidade. Se esse contribuinte vier a ser cobrado posteriormente. a legislação tributária federal é válida em todo território nacional. o que ocorre quando a mesma necessita de regulamentação para poder ser aplicada. os procedimentos nunca foram esses. Art. Vigência da Legislação Tributária Obs. porém estará ao mesmo livre de penalidades por ter agido de conformidade com o parecer. Formulada a consulta. Observe que nem sempre o espaço territorial coincide com a região de validade da legislação tributária. independente de qualquer citação em lei. bastando. que é uma norma complementar da legislação tributária. talvez. 161. 101: em sentido amplo. em sentido mais específico.2. terá a segurança de não ser penalizado. troca de informações (art. conseguindo. juros de mora e atualização da base de cálculo do tributo. o contribuinte pode formular consulta por escrito (art. mesmo que tenha deixado de pagar algum tributo. podemos ter uma lei vigente sem eficácia. É uma situação que pode perfeitamente ocorrer e daria ensejo à aplicação do dispositivo em comento. que sejam respeitadas as regras previstas nesse capítulo e nas demais normas que regem a matéria. Estará sujeito apenas ao recolhimento do tributo. Vigência no espaço: em regra. Estados. Exceção: extraterritorialidade reconhecida por convênios ou em normas legais expedidas pela União. § 2º do CTN). enquanto as estaduais e municipais são válidas dentro de seus limites territoriais. Esses convênios dão suporte a fiscalizações praticadas pelos agentes e possibilitam a troca de informações entre Municípios.

“b” da Constituição Federal de 1988. 8º). É o que chamamos de vacatio legis (período de vacância da lei). que. guardadas as dificuldades em sua aplicação prática. conforme art. a lei deve ser publicada. presume-se que toda a sociedade tome conhecimento). vigente e eficaz (apta a produzir efeitos). Observar. Somos do entendimento de que esse dispositivo ficou prejudicado pela atual Constituição Federal. Caso contrário. 104 do CTN deveria ser ampliado para contemplar a nova redação constitucional. Nessa linha de raciocínio. a lei começa a vigorar em todo o país 45 dias de oficialmente publicada”. pois todos seus incisos. diferentemente de outras que se referem a impostos incidentes sobre a circulação. observado o disposto no inciso III do art. Nessa linha de raciocínio. entendeu o Supremo Tribunal Federal que o inciso III do art. ainda. 95/98 (principalmente seu art. Inciso III: convênios passam a valer da data neles prevista. 1° do Decreto-Lei n.Vigência no tempo: a lei adquire existência com a publicação (ato que torna pública a lei e.3. que se refere ao Princípio da Anterioridade Anual. 104. a Lei Complementar n. além de normas de elaboração de leis. Alguns doutrinadores afirmam que a melhor solução é entender que o caput do art. Esse entendimento parece explicar melhor o conteúdo do art. Na realidade. XXXVI da Constituição Federal traz a regra da irretroatividade. os incisos continuariam válidos para todo e qualquer tributo. 103: Importante a ressalva “salvo disposição em contrário”. a nosso ver. Nem sempre a vigência coincide com sua publicação: pode ser a partir da data da publicação. Inciso I: atos administrativos passam a valer da data de sua publicação. ou seja. porém devem ser respeitadas. dispõe sobre vigência das mesmas. 104 do CTN somente deve ser aplicado aos impostos incidentes sobre o patrimônio e a renda (ver Súmula 615). aplicando-se apenas aos impostos que gravam o patrimônio e a renda. de maneira ou de outra.657/42 (Lei de Introdução ao Código Civil). não há como dizer quando as mesmas entram em vigor. por exemplo. aplica-se a regra geral do art. 104: Esse dispositivo faz referência a impostos sobre o patrimônio e a renda. Art. 5°. cujo caput prevê: “Salvo disposição contrária. devendo esta ser encarada com cuidados especiais. as leis que revogam ou reduzem isenções de tais impostos somente entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte.º 4. 150. ou seja. a partir de um certo número de dias contados da publicação etc. 4. sendo a retroatividade uma exceção. o qual prevê que a isenção pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo. não existe mais essa restrição. a regra se aplica a todo e qualquer tributo. Art. III. valerá esta disposição. Porém. embora haja entendimentos dos mais diversos como veremos a seguir. 35 . pois indica que se a norma complementar trouxer a data a partir da qual entrará em vigor. descrevem situações de aumento do ônus tributário. Observação: como as práticas reiteradas são normas complementares que se formam com o passar do tempo. o dispositivo continuaria válido. Fora desses casos. Inciso II: decisões dos conselhos administrativos passam a valer 30 (trinta) dias após a data de sua publicação. a partir daí. O art. observando-se ainda os dispositivos constitucionais. Aplicação da Legislação Tributária Para poder ser aplicada. não se pode dizer que entram em vigor. porém . a partir de dia certo e pré-determinado. 178 do CTN. deve-se seguir a regra geral abaixo.

também a integração é uma construção nova. 2004: multa estipulada de 10% e 2005: multa estipulada de 15%. esse dispositivo parece trazer uma certa insegurança ao Princípio da Irretroatividade Tributária. entendemos que essa é a melhor interpretação. pode haver a necessidade de uma lei posterior vir a esclarecer os exatos limites do conceito “renda”. desde que não seja fraudulento e não tenha havido falta de pagamento de tributo. Nesse caso. Como o art. o que faz desse inciso letra morta no CTN. 2002. Exemplo: fatos geradores pendentes em virtude de condições suspensivas ou resolutórias. temos que interpretar é construir o sentido da norma jurídica. Pensava-se. porém. 106: Conforme já visto. Para que esse sentido exista. 2002: multa estipulada de 15%.: Alguns autores entendem que as situações da alínea “b” estão contempladas pela alínea “a” e. Inciso I: dispõe sobre a possibilidade de uma lei expressamente interpretativa retroagir. 2003: multa estipulada de 20%. partindo de pressuposto que a norma em si não contém um sentido preestabelecido. 112 do CTN traz para o direito tributário o princípio do in dubio pro reo.” Esse sempre foi o pensamento que dominou a maioria dos estudiosos do direito. abrindo a possibilidade da criação de novos fatos geradores. atualmente.: leitura obrigatória do Capítulo III da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). em 2005. o que exige um esforço do intérprete no sentido de buscar os traços ou 36 . não podendo ser confundido com uma exceção. Inciso II: quando se trata de ato não definitivamente julgado (retroatividade benigna): a. Assim. ainda que seria o resgate de um pensamento alheio ou a descoberta de uma significação já existente. Após os estudos de Ludwig Wittgenstein (principalmente o “segundo”). b. por seus valores. embora já afirmamos que tecnicamente não existe lei expressamente interpretativa. 2004 e 2005). Mesma hipótese da alínea “a”. para os quais a mesma apenas interpretaria dispositivos de lei anterior . o conceito “renda” da lei anterior pode ser restringido ou ampliado pela lei posterior. vendas irregulares em todos os exercícios (2001. 4. Suponhamos que essa multa deverá ser aplicada quando ficar provado que a empresa vendeu mercadorias sem documentação fiscal e que a fiscalização constatou. como essa não traz nenhuma ressalva quanto à fraude ou falta de pagamento. ou seja. Nesse exemplo. é necessário o trabalho intelectual do intérprete. c. porém isso é passado. constrói o sentido da norma orientando-se por sua cultura. como a lei não consegue prever todos os casos concretos e esgotá-los nas linhas da lei (isso se dá pelo fato da lei trabalhar com situações genéricas ou classes. o qual. 105: a legislação somente se aplica aos fatos geradores futuros (situações que ocorrem após o advento da legislação nova e. se enquadrarem na hipótese de incidência do tributo. Exemplo: lei do Imposto de Renda não deixa claro quais as situações que se enquadrariam no conceito de “auferir renda”. através de técnicas. Interpretação e Integração da Legislação Tributária Obs. “Interpretar é extrair o verdadeiro sentido da lei ou construído pela mesma. Obs. Quando deixar de ser infração (abolitio criminis). nascerá a obrigação de recolhê-lo) e também aos fatos geradores pendentes (situações que se iniciam na vigência de uma legislação e se completam na vigência de outra). Art.Art. por seu conhecimento das diversas expressões gramaticais presentes nas leis etc. 2003.4. afirmam que deve prevalecer a alínea “a”. aplicar-se-á o dispositivo para que o contribuinte seja beneficiado pela regra da retroatividade benigna da alínea “c”. Alguns autores admitem a existência de lei expressamente interpretativa. Penalidade menos severa (comparar a penalidade atual com as anteriores) Exemplo: 2001: multa estipulada de 25%.

características marcantes entre os fatos, o que o auxiliará em afirmar pela sua
subsunção ou não), é necessária a integração, através da qual se chega à solução de
vários problemas de hermenêutica. Em seu livro Curso de Direito Tributário, Paulo de
Barros Carvalho afirma que “Na análise literal prepondera a investigação sintática,
ficando impedido o intérprete de aprofundar-se nos planos semânticos e pragmáticos”.
Art. 107: Observe que o dispositivo se refere à interpretação da legislação tributária, o
que nos permite afirmar que os artigos seguintes (art. 108 a 112 do CTN) são de
utilização obrigatória para a análise não apenas da lei tributária, mas de todas as
normas tributárias infralegais (decretos, portarias, instruções normativas etc).
Art. 108: Observe que esse artigo se refere à integração da legislação tributária, pois
traz a expressão “na ausência de disposição expressa”. Essas ferramentas devem ser
utilizadas sucessivamente, na ordem indicada (entendemos existir aqui uma
redundância). Alguns autores afirmam ser essa relação exaustiva, enquanto outros
entendem que seu papel é apenas exemplificativo.
Inciso I: Analogia: é empregada quando a legislação não descreve claramente
determinado fato ou deixa dúvidas quanto ao alcance de determinada norma tributária.
É aplicada quando temos a ocorrência de situações não idênticas, mas análogas (várias
características comuns), parecidas ou equivalentes. Quando a legislação tributária
determina certo procedimento para algumas situações, podemos aplicar a norma por
analogia para determinar o mesmo procedimento em situações equivalentes.
Exemplo: a legislação goiana do ICMS exige que seja feita uma fiscalização na empresa
que promover alterações em seu quadro societário. Pergunta-se: será que é
necessária a fiscalização quando houver alteração da diretoria de uma cooperativa,
vez que essa não tem tecnicamente um quadro societário? A questão é bastante
interessante e para respondê-la devemos recorrer à analogia. Como a cooperativa é um
contribuinte como outro qualquer e a fiscalização tem como uma de suas finalidades
verificar em que condições fiscais a empresa se encontra, entendemos que o
procedimento deve ser o mesmo, ou seja, embora a legislação não tenha feito
expressamente referência a “diretoria”, a fiscalização deve ser feita como se fosse para
alterar o quadro societário de uma empresa qualquer.
Temos também casos em que a legislação tributária prevê a aplicação da analogia para
não repetir outras disposições de lei. Um exemplo disso são as leis que regulam os
processos administrativos tributários, nas quais encontramos referências à aplicação
por analogia do Código de Processo Civil (no caso das notificações).
§ 1° - A aplicação da analogia não poderá resultar em tributo não previsto em lei, o que
poderia configurar uma afronta ao Princípio da Estrita Legalidade Tributária. Não
podemos, aplicando a analogia, aumentar o campo de incidência de determinado
tributo, incluindo no mesmo situações parecidas. Observe que situações análogas não
são situações iguais. São situações que apresentam características comuns, mas nem
todas as características são as mesmas. Não ocorreria, nesse caso, a subsunção, ou
seja, a conformação do caso concreto á norma tributária.
Inciso II: Princípios Gerais de Direito Tributário: não sendo possível resolver o problema
aplicando-se a analogia, devemos procurar a solução com os princípios j´s estudados
(Estrita Legalidade Tributária, Anterioridade Anual, Anterioridade Nonagesimal,
Irretroatividade, Da Vedação ao Confisco etc). Em razão disso, é muito importante o
conhecimento aprofundado dos princípios, os quais poderão ser parte integrante em
uma integração, podendo servir para uma fundamentação.
Inciso III: Princípios Gerais de Direito Público: são princípios de maior amplitude,
estando mais ligados a outros ramos de direito público (Administrativo, Financeiro,
Constitucional etc.) São eles: Moralidade, Impessoalidade, Supremacia do Interesse
Público sobre o Privado, Da Federação, Da Segurança Jurídica, Da Indisponibilidade dos
Bens Públicos, Da Ampla Defesa, Do Processo Legal etc. Encontramos um exemplo de
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sua aplicação no livro Curso de Direito Tributário (de Paulo de Barros Carvalho), onde o
autor, na busca de solucionar o problema da restituição de tributos que importem no
repasse de seu ônus financeiro, entende que entre o locupletamento do particular
(contribuinte) e público, devemos ficar com o público, tendo em vista o Princípio da
Supremacia do Interesse Público sobre o Privado.
Inciso IV: Equidade: esgotadas as possibilidades anteriores, devemos partir para a
equidade, que nada mais é do que uma apreciação subjetiva com a base no senso de
justiça do responsável pela integração da norma tributária.
O art. 104 do CPC de 1939 regrava que “Quando autorizado a decidir por eqüidade, o
juiz aplicará a norma que estabeleceria se fosse legislador.” Atualmente, o art. 127 do
atual CPC informa que “O juiz só decidirá por eqüidade nos casos previstos em lei.”
Observe que a redação anterior continha o significado da equidade, qual seja, decidir
determinada situação como se fosse o legislador.
§ 2°: Em qualquer caso, a ninguém é dado o direito de dispensar um tributo devido. Em
contrapartida ao fato da analogia não poder resultar em tributo não previsto em lei, a
aplicação da equidade não poderá resultar na dispensa de tributo. Se determinada
ocorrência está dentro do campo de incidência de um tributo, não há que se falar em
dispensa do mesmo por equidade. O aplicador da lei tributária pode até entender que
um determinado tributo seja elevado, mas isso não o autoriza a dispensá-lo. Em alguns
casos, essa norma pode funcionar como um limitador ao senso de justiça do aplicador
da legislação tributária. O art. 172, IV do CTN prevê uma situação na qual a lei pode
autorizar remissão total ou parcial do crédito tributário atendendo a considerações de
equidade.
Art. 109: é um dispositivo que comprova o reconhecimento da autonomia do Direito
Tributário, pois ele se refere aos princípios gerais de direito privado não como
instrumentos de integração da legislação tributária (artigo anterior), mas como
instrumentos a ser utilizados para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de
seus institutos, conceitos e formas (de Direito Privado). Como as legislações tributárias
utilizam diversos institutos de direito privado (prestação de serviço, doação, locação,
sucessão causa mortis, posse, propriedade, fusão etc.), é natural também que
busquem nesse mesmo ramo de direito seus significados. Porém, em sua parte final, o
dispositivo é claro ao afirmar que, por exemplo, caso ocorra uma compra e venda
imobiliária, “os efeitos tributários desse negócio jurídico não deverão ser pesquisados
com o emprego de “princípios gerais de direito privado”” (Luciano Amaro). Há casos em
direito privado que suscitam a proteção de uma parte em detrimento da outra; há
outros em que a orientação é pela anulabilidade ou presunção de inocência. São esses
efeitos jurídicos “privados” que não se encaixam no Direito Tributário, que não se
submete aos princípios em questão. Podemos exemplificar com a impossibilidade do
empregado, hipossuficiente na relação trabalhista, invocar em seu favor essa condição
quando estiver ocupando o pólo passivo da relação tributária (excelente exemplo
trazido por Luciano Amaro).
Esse dispositivo deve ser sempre observado pelos aplicadores da legislação tributária
(advogados tributaristas, agentes fiscais, juízes, promotores etc.), que, muitas vezes,
confundem os institutos com seus efeitos e dão uma interpretação privatística a casos
que reclamam interpretações tributárias.
Dessa forma, podemos distinguir no dispositivo uma dupla finalidade:
1) afastar os princípios gerais de direito privado como meio de integração e
interpretação;
2) esclarecer a relação existente entre o Direito Tributário e o Direito Privado.
Exemplo: Se para a concretização de determinado contrato é necessária uma forma
prescrita em lei (por exemplo, assinatura de pelo menos 02 testemunhas) e sobre esse
contrato incide um tributo, a não observação da forma não impede que o tributo seja
cobrado.
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Abrimos aqui um parêntese para falar sobre o Princípio do “non olet”, um princípio que,
em resumo, assegura que ao Direito Tributário não se aplique as exigências contidas no
art. 104 do Código Civil.
Artigo 104- A validade do negócio jurídico requer:
I – agente capaz;
II – objeto lícito, possível, determinado ou determinável;
III – forma prescrita ou não defesa em lei.
Exemplo: caso uma criança de 10 (dez) anos seja colocada como vendedora de uma
empresa que comercialize mercadorias e venha a efetuar uma venda sem a emissão do
documento fiscal, o proprietário da empresa não poderá alegar que a venda é inválida
pelo fato da criança ser absolutamente incapaz (art. 3º, I do Código Civil).
Em recente pesquisa feita por alguns estudantes do décimo período do curso de
Direito, encontramos a seguinte história: “Conta a História que, na Roma Antiga, tendo
o Imperador Vespasiano instituído um tributo sobre os mictórios públicos (cloacas), logo
foi sugerida, por seu filho Tito, a extinção da nova exação, em decorrência de sua
origem espúria. Convicto, indagou Vespasiano, empunhando uma moeda: Olet? (Tem
cheiro?). Ao que respondeu o filho: Non olet! (Não tem cheiro!), ficando assim
demonstrado que a receita advinda da tributação não é acompanhada das
características do fato tributado.” Queremos com essa história mostrar que não
podemos confundir a concreção (ocorrência) da hipótese de incidência tributária com a
nulidade, anulabilidade, ilicitude, crime ou imoralidade que pode advir do surgimento
desse fato gerador tributário ou como quer Paulo de Barros Carvalho, fato jurídico
tributário. Esse princípio que vem da Roma Antiga continua válido e isso é confirmado
pelo art. 118 do CTN.
Art. 110: lei tributária não pode alterar definições do Direito Privado para definir ou
limitar competências tributárias. Exemplo: não pode a lei, a bel prazer do legislador
ordinário, estender um conceito de direito privado para afirmar, por exemplo, que
“entende-se por propriedade também a posse indireta de determinado bem”, para
como isso possibilitar aos Estados e Distrito Federal instituírem o IPVA sobre a posse
indireta de veículos automotores.
Porém, pode a lei mudar a definição de determinado instituto para outros fins, o que
ocorre com uma lei pertencente à legislação do ICMS goiano que define faturamento
(instituto de Direito Comercial) e receita bruta apenas para definir uma sistemática de
cálculo. Trata-se da lei que beneficia as microempresas goianas.
Art. 111: Esse dispositivo é bastante taxativo ao permitir apenas a interpretação
literal nas situações descritos em seus incisos. Embora seja um dispositivo bastante
discutível, é bem claro quanto a sua intenção: nessas situações não há que se falar em
outro tipo de interpretação.
A interpretação deve ser feita a favor da legislação tributária e não do Estado.
Exemplo: há casos de isenção condicionada e a condição deve estar presente sob pena
de ser descaracterizado o benefício. É o que ocorre quando encontramos isenções em
operação de remessa para industrialização, desde que ocorra o retorno em 180 dias.
Passado esse prazo sem que o retorno ocorra, a isenção deve ser desconsiderada!
Inciso I: suspensão ou exclusão do crédito tributário (arts. 151 e 175 do CTN);
Inciso II: outorga de isenção (arts. 176 a 179 do CTN);
Inciso III: cumprimento de obrigações tributárias acessórias.
Embora seja um dispositivo bastante estranho, deve ser observado quando da
interpretação. Exemplo: para que um contribuinte tenha direito a créditos de ICMS
sobre as compras de ativo imobilizado, é necessário que o mesmo faça a escrituração
de um livro fiscal de controle específico desse crédito, sendo este controle sua única
função. Suponhamos que seja aprovada uma lei que acabe com esse crédito.
Naturalmente esse livro ficaria sem função, pois não existiria crédito a ser controlado.
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por ser ele de muita utilidade.Caso a legislação expressamente disponha que sua escrituração é obrigatória. Exemplo: não parar no posto fiscal para se sujeitar à fiscalização. obras jurídicas. pois ainda a legislação estaria prevendo tal obrigação tributária acessória. formado pela jurisprudência produzida. deve-se escolher a melhor opção para o infrator. Em todos os outros casos. 106. Inciso III: autoria. casamento etc. 40 . Busca auxílio na dedução. alguns autores afirmam não existir lei expressamente interpretativa. Como dito anteriormente. pois leva em consideração os planos gramatical (sintático). essa situação poderia ser enquadrada em 02 tipos de infrações possíveis: embaraço à fiscalização ou não atendimento à ordem de parada. pode ou não o contribuinte parar de escriturá-lo? Pela leitura do artigo diríamos que não. Exemplo: adubo e matéria-prima para adubo. 8) Teleológica: os autores mais científicos afirmam que esse método é o mais perfeito.). devemos analisar a natureza ou extensão dos efeitos. 7) Lógica: essa técnica extrapola o sentido das palavras e considera fatores racionais e lógicos para a interpretação da lei. Também chamado de gramatical ou sintático. I do CTN). Ainda no inciso II. alíquota-zero etc. indução etc. Exemplo: situação de uma sonegação onde ficou claro que o funcionário da empresa agia em benefício próprio. Exemplo: mulher honesta. inclusive observando a pontuação. Técnicas de Interpretação 1) Literal: procura-se o sentido exato de cada vocábulo. 112: esse dispositivo somente se aplica em caso de ocorrência de infrações e penalidades. Os dispositivos são interpretados levando-se em consideração o momento em que foram produzidos e qual a abrangência a ser dada aos institutos quando da produção normativa. poderá o intérprete lançar mão de outras técnicas de interpretação disponíveis para solução de dúvidas em relação a imunidades. Paulo de Barros Carvalho em seu Curso). Exige por parte do intérprete uma interpretação mais favorável. Inciso I: capitulação legal do fato. quando houver dúvida. Caso a legislação tributária não tivesse uma multa específica. nãoincidências. Exemplo: deve-se analisar se houve a tentativa ou não de deixar de recolher o tributo. Exemplo: necessidade de definir quem é o infrator (proprietário ou funcionário). imputabilidade ou punibilidade. 5) Jurisprudencial: é o entendimento dos tribunais. Exemplo: comprovação do desconhecimento da existência do posto fiscal. 2) Sistemática: leva-se em consideração o sistema jurídico como um todo (harmonia). 3) Autêntica: interpretação feita por outra lei (art. embora não devemos esgotar nosso trabalho de exegese com apenas sua utilização. 6) Histórica: leva em consideração a evolução do direito no tempo. Nesse caso. artigos etc. 4) Doutrinária: interpretação feita pelos autores e estudiosos (livros. semântico e pragmático dos vocábulos (ver os ensinamentos do Prof. Inciso II: natureza ou circunstâncias materiais do fato. Art. Trata-se da aplicação do princípio do in dubio pro reo. Devemos sempre lançar mão desse método.

permitindo o controle das operações efetuadas pelos contribuintes. Obrigação Tributária Principal (tributo ou penalidade): crédito tributário. porém deve haver previsão legal. obrigação de entregar informações mensais na repartição fazendária etc. ou seja. 113.Inciso IV: natureza da penalidade ou sua graduação. Obrigação Tributária Principal: recolher tributo ou penalidade pecuniária (em caso de algum descumprimento punido com multa). A partir dessa premissa. no interesse da fiscalização e da arrecadação. Obrigação Tributária Acessória: prevista na “legislação tributária”. O professor paulista parte de uma outra premissa. qualquer instrumento normativo. mesmo que infralegal. para que ela tivesse o mesmo regime jurídico (jurisdição administrativa. 3 do Capítulo IV da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). inscrição em dívida ativa. obrigação de emitir notas fiscais. sendo esse parte integrante da mesma. execução fiscal etc. Exemplo:em algumas situações. Fato Gerador: essa expressão retrata 02 realidades: 41 . tentamos apresentar a linha de raciocínio do referido professor e como ela altera sobremaneira a forma com que encaramos o CTN.: leitura obrigatória do tópico n. a legislação tributária goiana permite que seja lavrado auto de infração por documento ou por bloco. lavra-se o auto de infração penalizando o quanto menos o contribuinte. Em toda obrigação tributária há um direito de crédito que pode ser uma ação ou omissão do sujeito passivo. A partir daí. Obs. Paulo de Barros Carvalho. Fato Gerador: o que vem descrito na lei não é o fato gerador (ou fato imponível).: leitura obrigatória do Capítulo VIII do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição). Há. não temos uma efetiva obrigação tributária acessória. Exemplo: “Ato do Secretário da Fazenda disporá sobre” ou “O chefe do Poder Executivo baixará as normas necessárias”. Art. ou seja. O legislador equiparou a multa ao tributo. sim. Dependendo da situação. um a um. o referido professor sugere o termo deveres instrumentais ou formais (ou atos). 4. sendo esta mais favorável ao contribuinte. então. vão sendo criticados dentro de uma postura analítico-jurídica. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA (Título II do Livro II do CTN) Obs. De maneira resumida e sem pretensões de esgotar o assunto. § 3°. mas. Vale lembrar que essa linha de raciocínio não é a mesma adotada pelo CTN. Obrigação Tributária Acessória: prestações positivas ou negativas. sujeição a uma multa pecuniária que será uma obrigação tributária principal (dever de levar dinheiro aos cofres públicos. Obrigação Tributária Acessória se converte em Obrigação Tributária Principal quando da inobservância daquela. Obrigação Tributária é um vínculo entre sujeito passivo e sujeito ativo. é toda e qualquer prestação que não for levar dinheiro aos cofres públicos. § 1°. Exemplo: ação (emitir documentos fiscais) e omissão (não transportar mercadoria sem documentação fiscal). a hipótese de incidência.). vários dispositivos do CTN são postos à prova e. a de que não há obrigação sem crédito (no sentido de pecúnia) correspondente. mesmo que oriundo de uma penalidade). Exemplo: obrigação de escriturar livros fiscais. pois que essas exigências da legislação tributária servem exatamente para instrumentalizar a fiscalização. pois que essa “obrigação” não tem um conteúdo de valor. é de suma importância incluirmos os ensinamentos do Prof. passamos a afirmar que. o qual nos mostra que não podemos falar em obrigação sem que essa se revista de um valor. previstas na legislação. ou seja. Em função disso. Nesse ponto da disciplina. tecnicamente. § 2°.

veículo automotor (para fins de inclusão ou não no campo de incidência do IPVA).00 (dois mil reais). Chamou-se assim esse estágio devido ao fato da linguagem utilizada no relato dessa ocorrência ser uma linguagem cotidiana (falada. tem nos mostrado a diferença existente entre evento.000. O mundo jurídico exige que essa situação seja relatada em uma linguagem formal e podemos dizer que sem ela. Observação: o fato imponível deve ocorrer da maneira exata (subsunção) como descreve a lei. não for emitido o recibo. 2. na prática. A partir desse momento. Fato Imponível: sinônimo de ocorrência na vida real. com isso. Paulo de Barros Carvalho. fato social e fato jurídico. utilizando a Teoria da Linguagem. Se no momento do pagamento. renda (para fins de inclusão ou não no campo de incidência do IR).). Em seus estudos analíticos. Anotei “tenta” porque. Art. Porém. poderá ser cobrada novamente sem nenhuma dificuldade. Exemplo: previsão legal de tributar o ato de comercializar mercadorias. Ele utiliza um exemplo muito interessante. porém. será tida como não ocorrida. para o mundo do direito. Tomemos como exemplo uma dívida de R$ 1. zona urbana (para fins de inclusão no campo do IPTU ou ITR) etc. Antes afirmava-se que. Com o direito tributário ocorre o mesmo. os pais contam para os vizinhos. O Prof. por mímica. Geraldo Ataliba denominou esse fato gerador de: 1. enquanto descrição do fato gerador na lei. o seguinte: ao nascer uma criança. ao descrever hipótese de incidência. Se um comerciante vende uma mercadoria e essa situação não vem a ser relatada em linguagem competente para o direito. parentes e amigos mais próximos e esse evento ganha uma nova forma. em última análise. passa a ter direitos e deveres. enquanto ocorrência concreta na vida real. Hipótese de incidência: previsão legal. A próxima etapa a ser cumprida pelos pais é o registro civil da criança e somente a partir desse momento é que essa ocorrência é tida como um fato jurídico. O Prof. Pelo artigo. Importante lembrar que a lei. terá o pagador direito a restituição de R$ 1. pelos precisos ensinamentos da Prof. Da mesma maneira. É a partir daí que a criança passa a existir para o mundo jurídico e. 2. trabalha com situações genéricas e daí a importância do intérprete em analisar corretamente os fatos ocorridos para decidir se ele contém as características inerentes às situações previstas na lei (hipoteticamente). ocorrido o fato gerador. ou seja. de forma bastante reduzida.000 (um mil reais).1. a forma de fato social. e-mail. 42 . temos um evento.000.000. uma ocorrência da vida real ainda desconhecida das outras pessoas. 114. Exemplo: venda efetiva de mercadorias. essa situação é tida como inexistente para o mundo do direito. carta etc. há uma confusão. circulação (para fins de inclusão ou não no campo de incidência do ICMS). O exemplo que o professor utiliza é. ou seja. O recibo é a prova que “tenta” comprovar o fato ocorrido. se a dívida foi paga corretamente e o recibo foi emitido no valor de R$ 2. Isso ocorre porque o recibo é exatamente o relato em linguagem competente sobre o qual nos referimos anteriormente. no qual consegue mostrar e comprovar a importância dessa análise mais científica. toda prova é indiciária. sob pena de ilegalidade na sua cobrança. Fabiana Del Padre Tomé. nascia automaticamente (ou infalivelmente. É o que em Direito Penal chamamos de tipificação. não basta essa linguagem.00 (um mil reais). Exemplo: mercadorias (para fins de inclusão ou não no campo de incidência do ICMS). o fato gerador é o descrito na lei. o professor paulista nos mostra que não ocorre bem assim no mundo jurídico. nos dizeres de Alfredo Augusto Becker) a obrigação tributária. prestação de serviço de comunicação (para fins de inclusão ou não no campo de incidência do ICMS).

Se uma pessoa (que não seja comerciante) vender um automóvel. mas. não há que se falar em irregularidade. Não basta ocorrer a situação. é necessário que esta se consuma. Exemplo: no caso do IPI (Imposto sobre Produto Industrializados). o fato gerador não se consuma no ato de industrializar e sim no ato da venda ou comercialização. Exemplo: fato gerador do ICMS na importação poderia se dar em vários momentos (fechamento do negócio. pois este normalmente é bem depois de ocorrido o fato gerador. multiplicada por uma alíquota. que o STJ tem considerado ilegal. Alíquota: é uma percentagem sobre a base de cálculo. Em geral. O fato gerador é imprescindível (serve de norte) para a definição da base de cálculo. pois faltou o elemento mercadoria. existe uma permissão para recolher o imposto na próxima cidade. 4 do Capítulo IV da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). pode se caracterizar um ilícito tributário. Observação: Nem sempre temos os 02 elementos.Quando a hipótese legal ocorre na vida real. qualquer produto com objetivo de comércio). O aspecto temporal não tem nada a ver com prazo de pagamento. não ocorrerá o fato gerador descrito na lei. IPVA: tem também uma pauta ou preço de mercado (Quatro Rodas de Dezembro). 2) Aspecto Espacial: é decorrente do princípio da territorialidade da lei tributária. momento da entrada no espaço aéreo brasileiro. o valor a ser recolhido é fruto da multiplicação de 02 elementos: Base de Cálculo: valoração da mercadoria. o Estado recorre a uma pauta.: leitura obrigatória do tópico n. O aspecto temporal leva em consideração o momento da saída do produto do estabelecimento. Exemplo: ICMS incide sobre operações com mercadorias (a própria lei define o que é mercadoria. renda etc). ISSQN no Município de Catalão (n° determinado de Unidades Municipais. Exemplo: um município não pode cobrar IPTU de um imóvel localizado fora de seus limites territoriais. Outro exemplo: ICMS na entrada do Estado quando não há posto de fiscalização na divisa. ou seja.). Há vários acórdãos nesse sentido. renda etc. Base de Cálculo: deve ter relação direta com o fato gerador (mercadoria. no momento da chegada no aeroporto. imóvel. pois não há objetivo de comércio e nem habitualidade. Carros do mesmo tipo e ano podem ter valores diferentes e a tributação será a mesma. Não importa também se a venda foi à vista ou a prazo. como também na análise da zona urbana do município (caso de distritos e bairros novos). porém não se leva em consideração a conservação. dependendo da atividade). Aspectos do Fato Gerador ou Fato Imponível (com base na teoria de Geraldo Ataliba) Obs. Em alguns casos. Se for feita uma abordagem antes da primeira cidade. dizemos que houve a subsunção (é quando o fato ocorrido conter todos os elementos descritos na lei). 1) Aspecto Temporal: é a descrição do momento em que se consuma o fato gerador. no momento da entrada da mercadoria no estabelecimento etc. chega-se ao valor a ser recolhido a título de tributo. para cobrança do ICMS. Análise deve ser bem feita que possa ser trabalhada uma impugnação ao auto de infração. no momento do desembaraço aduaneiro. imóvel. 3) Aspecto Valorativo ou Quantitativo: trata-se do valor a ser recolhido em função da ocorrência do fato gerador. Esse aspecto tem bastante relevância quando se trata de grandes metrópoles. se foi paga ou não etc. Embora seja um problema 43 . se a abordagem for feita após o município. Exemplo: Taxa de Abate no Município de Catalão (01Unidade Municipal). que.

3º. como alguns querem. embora pareça tarefa fácil. Ó imposto será calculado tomando como base o seu valor venal. 121. 2. expressão criada pelo Prof. O antecedente é composto pelos critérios material. enquanto o conseqüente. ainda nos falta elementos para enxergarmos sua importância dentro do estudo do direito. Trata-se da construção da regra-matriz de incidência tributária. Passamos agora a estudar o fato gerador sobre uma outra proposta de análise. Regra-matriz de Incidêencia Tributária Obs. Art. 4º. Quando estudamos em Introdução ao Estudo do Direito o “dever-ser”. o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana. 142 do CTN (que trata do lançamento) fala na identificação do sujeito passivo e. Essa sistemática de análise cabe também no estudo do Direito Penal e em vários outros ramos do direito. Esse aspecto é muito importante. ou. a partir desta data.2º. queremos deixar claro que há descompassos entre a base de cálculo e o fato gerador. que. 6º. constantemente ocorrem erros nessa identificação. a qual é composta por um antecedente e um conseqüente. Art. Partindo daquele velho jargão “dado o fato A. temos uma conseqüência jurídica. 5º. Fica instituido. Ou melhor: dado o fato jurídico tributário próprio da lei do ICMS (comercializar mercadorias). Art.343. 4) Aspecto Pessoal: sujeito passivo: pessoa ou grupo de pessoas escolhidas pelo legislador para ocupar o pólo passivo da obrigação tributária. O imposto de que trata esta lei tem como fato gerador a propriedade predial e territorial na zona urbana do município. espacial e temporal. A partir dos textos de lei. o professor paulista propôs a construção de uma norma jurídica que contenha o mínimo necessário de informações para se construir o arcabouço jurídico do tributo. no caso do direito tributário. O contribuinte do imposto será o proprietário do imóvel. A essa norma deu o nome de regra-matriz de incidência tributária (RMIT). O fato gerador considerar-se-á ocorrido no primeiro dia do ano civil. II do CTN).: leitura anterior do Capítulo XI do livro Curso de Direito Tributário de Paulo de Barros Carvalho (18ª edição). de 24 de novembro de 2008.aceitável. 121. por sua vez. Paulo de Barros Carvalho. O Art. deve ser B”. será uma conduta obrigatória “B”. Art. Art. I do CTN) ou responsável (art. seu arquétipo tributário. são compostos por vários critérios. a partir dela. Dada uma lei fictícia do IPTU. podemos. construir a RMIT (norma instituidora do tributo). a qual será composta pelos critérios imprescindíveis para sua análise e perfeito entendimento. que. Parágrafo Único. pelos critérios pessoal e quantitativo. 44 . A alíquota é de 1%. Exemplo: Suponhamos a seguinte fictícia do Município de Tremembé: Lei n. Parágrfo Único. cuja contribuição para o Direito Tributário pátrio tem merecido inúmeros elogios. O sujeito passivo pode se apresentar na forma de contribuinte (art. Parágrafo Único. pois pode configurar uma importante linha de defesa (vários autos de infração são considerados improcedentes por “erro na identificação do sujeito passivo”). Art. 1º. temos uma consequência para o sujeito que efetuou a operação de comercialização (conduta obrigatória de recolher o ICMS). podemos construir para o direito a seguinte afirmação: “dada a ocorrência do fato jurídico “A”. O proprietário deverá entregar uma declaração de melhorias ocorridas no imóvel durante o ano até o décimo dia do mês de janeiro do ano seguinte.

o resultado. Alíquota: 1% (um por cento) Temos. ITR (segundo o art. 2) Continuado: ocorrem periodicamente no momento determinado pela lei. sim. o importante para a caracterização do fato gerador é o primeiro dia do ano. que pode ser assim resumida: dado o fato de uma pessoa ser proprietária de um imóvel predial ou territorial situado na zona urbana do Município de Tremembé no primeiro dia do ano civil. mas. Critério Espacial: na zona urbana do Município de Tremembé. então. estará obrigada a recolher aos cofres públicos municipais o IPTU. porém. ou seja. não importando os outros dias. CONSEQUENTE: Critério Pessoal: Sujeito Ativo: Municipio de Tremembé. 1° da Lei n° 9. então. Critério Quantitativo: Base de Cálculo: valor venal do imóvel. A não entrega da declaração ou a entrega com atraso sujeitará o infrator a uma multa de R$ 100. IPVA. que será calculado à razão de um por cento (1%) sobre o valor do referido imóvel. o importante é o resultado no último dia do exercício. se o sujeito passivo auferiu ou não renda durante o ano. no caso do IR). embora utilizada por alguns doutrinadores. despropositada tal classificação. Embora no fato gerador “continuado” a situação prevista no mesmo perdure no tempo (o proprietário permanece nessa condição durante todo o ano). O mesmo acontece com o fato gerador “periódico”. entendida renda como um aumento patrimonial (resultado positivo no confronto entre despesas e receitas). Assim. Essa classificação sugere que o fato gerador seja composto por diversas situações (receitas e despesas. Revogam-se as disposições em contrário.: leitura obrigatória do tópico 4 do Capítulo IX do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição). Exemplo: IR periodicamente apurado. sujeito passivo é aquele que tem a propriedade do imóvel rural no primeiro dia do exercício) etc. Nesse dia é que se define a regra-matriz de incidência tributária desse tipo de tributo.Parágrafo Único.00. Obs. O fato gerador ocorre em um único instante. No momento do recebimento do salário de janeiro. etc. IRPF retido na fonte. Exemplo: IPTU. vemos que não importam as situações anteriores (receitas e despesas durante o decorrer do ano). 3) Periódico: geralmente a realização do fato gerador se põe ao longo de um espaço de tempo. 7º.393/96. Prefeito Municipal Secretário das Finanças Analisando os dispositivos dessa lei fictícia. Critério Temporal: no primeiro dia do ano civil. podemos fazer um recorte e separar as informações que nos interessam na montagem da regra-matriz de incidência tributária do IPTU do Município de Tremembé. para efeitos jurídicos. construida a norma jurídica instituidora do tributo. Observação: essa classificação. ou seja. Sujeito Passivo: proprietário do imóvel. não se sustenta quando se analisa o fato gerador numa perspectiva mais analítica e científica. Temos um momento no qual é possível dizermos se houve ou não renda. Quando analisada a regra-matriz do IR. Art. Exemplo: circulação de mercadorias (ICMS). teremos: ANTECEDENTE: Critério Material: ser proprietário de imóvel predial ou territorial. Classificação do Fato Gerador 1) Instantâneo: ocorrem instantaneamente. sendo. decorre de várias ocorrências ou situações. não podemos afirmar se o sujeito passivo terá 45 .

está a tratar do fato gerador da obrigação tributária principal. A obrigação acessória do Direito Tributário nada tem a ver com o Direito Civil (onde o acessório segue o principal). São instrumentais. declaração de todos os recebimentos e pagamentos efetuados (independente de serem restituíveis ou não) etc. o que torna pouco científica a classificação exposta. A finalidade é criar condições para que a fiscalização exerça seu papel institucional e possibilite controles. a mercadoria já é da outra empresa. se houve renda ou não. As obrigações tributárias acessórias tendem a aumentar. o ICMS. Há problemas quando ocorre o leasing com a compra obrigatória. trata-se de uma presunção legal). incidindo. Paulo de Barros Carvalho. não podia sair dinheiro do caixa sem ter entrado. O pagamento de uma multa por descumprimento de uma obrigação tributária acessória não desobriga o contribuinte de cumpri-la. Falar em fato gerador da obrigação tributária acessória é puro formalismo (adotado pelo CTN). Nos termos do art. saldo credor de caixa (negativo). Art. A obrigação acessória é um verdadeiro ato administrativo realizado pelo sujeito passivo. As obrigações acessórias no Direito Civil pressupõem a existência de uma obrigação principal. servindo para controle de estoque. 115. constatação da omissão de saídas. II: situação jurídica: venda para entrega futura – ocorre o faturamento da mercadoria. Isso é ignorado pelos autores e legisladores. A finalidade das obrigações tributárias acessórias não é o aumento da arrecadação (pelo menos diretamente). pois consiste em uma forma do contribuinte facilitar o trabalho da fiscalização. necessitando de menor número de servidores. Exemplo: declaração do Imposto de Renda de pessoa isenta. inexistência. Parágrafo Único: desconsideração de atos ou negócios jurídicos quando comprovada a ocorrência de dissimulação. 116. podendo configurar venda. para possibilitar cruzamentos entre as informações. com certeza. I: situação de fato. Exemplo: emissão de documento fiscal para todas as operações. Deixando de lado essa discussão. pois quando a lei fala em fato gerador. Devemos aguardar o último instante do exercício financeiro para podermos afirmar. emissão de documentos fiscais para operações isentas de ICMS etc. conforme ensinamentos do Prof. Exemplo: leasing e compra e venda (sobre a operação de leasing incide ISSQN. Quando a lei se referir a descumprimento de obrigação tributária acessória. temos uma infração tributária punida com penas pecuniárias que se tornarão obrigação principal. Fato gerador da obrigação acessória: puro formalismo. 116 do CTN. observar a ressalva de que “considera-se ocorrido o fato gerador” (na verdade. Alguns autores a chamam de “atos instrumentais” ou “deveres instrumentais”. 46 . No Direito Tributário é comum a existência de obrigação acessória sem que haja uma obrigação principal. Art.auferido renda no exercício financeiro ou não. enquanto sobre a compra e venda incide o ICMS). Autores discutem se esse momento seria o último instante de um exercício ou o primeiro instante do exercício seguinte. configurada omissão de saídas (mesmo detectada em momento posterior). levantamento específico de mercadorias. constatação de venda sem emissão de documento fiscal. podendo ainda ser acionado o Poder Judiciário apra buscas e apreensões. industrialização etc. O contribuinte será multado quantas vezes for necessário. Outro exemplo: conferência de numerário. Exemplo: contagem de mercadoria. fica claro que o fato gerador se consuma em um único instante. para permitir levantamentos para o cálculo do impacto nas receitas. escrituração de todos os documentos fiscais. a empresa que vendeu recebe o dinheiro. somente a entrega é que ocorrerá posteriormente – problema de depósito. então.

000. de modo a definir o exato momento do nascimento da obrigação tributária. Exemplo prático: Preço de equipamento industrial montado – R$ 200.000.000.7 do Capítulo IV da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). Art. A empresa que vende mercadorias (com cláusula CIF) para clientes situados no mesmo município deve recolher o ICMS sobre o preço total (mercadoria + frete). Comodato por tempo indeterminado com terceiro pode ser um contrato de compra e venda disfarçado para dissimular a ocorrência do ITBI.Comodato por tempo indeterminado de pai para o filho pode ser uma doação disfarçada para não recolher ITCD sobre a doação. Solução para a diminuição da carga tributária: Preço do equipamento . reduzir o montante ou retardar o pagamento do tributo por atos ou omissões lícitas do sujeito passivo anteriores à ocorrência do fato gerador.00 (incidência do ISSQN de 5%. À primeira vista.00).R$ 100.00 (incidência do IPI e ICMS. Importante a análise dos art.00).00). essa nova empresa seria apenas contribuinte de ISSQN. totalizando R$ 5. 114 e 119 do Código Civil. 118. 3. Presume-se ocorrido o fato gerador e a futura comprovação da exportação o “desfaz”. reduzindo-lhe o montante ou postergar o momento em que se torne exigível. totalizando R$ 74.: leitura obrigatória dos tópicos 3. Situação jurídica: a) condição suspensiva: situação que suspende a eficácia.282-DF e ler Vitorio Cassone o capítulo sobre “Planejamento Tributário”. totalizando um valor de R$ 37. 114.º 105/2001. cuja alíquota é bem menor que a do ICMS. pagará ISSQN sobre a prestação de serviços de transporte intramunicipal. atingir certa idade etc. e b) condição resolutória (resolutiva): situação que extingue a eficácia. que alguns chamam de “lei da quebra do sigilo bancário”. 117. são necessários que os procedimentos sejam descritos na legislação tributária. 3° do CTN. haveria uma afronta ao art.5. Se essa mesma empresa abrir uma filial apenas para entregar as mercadorias. temos a impressão de que o artigo permite uma tributação sobre atos ilícitos.). Deve-se buscar fazer um planejamento tributário para gerar economia em impostos e a solução seria a empresa fabricante do equipamento abrir uma empresa apenas para montagem do equipamento. Para que haja a desconsideração de atos ou negócios jurídicos. O dispositivo se 47 . Alteração que fez parte do pacote anti-elisivo do Governo Federal (a alteração se deu junto com a publicação da Lei Complementar n. O dispositivo visa determinar o instante exato em que ocorre o fato gerador. Art. por atos ou omissões ilícitos do sujeito passivo. embora alguns autores enxerguem diferenças entre essas duas figuras.000. mais especificamente em lei. Para Celso Ribeiro Bastos é uma reprodução sofisticada do art. Exemplo de condição suspensiva: doação condicional (passar no vestibular. posteriores a ocorrência do fato gerador. Elisão fiscal: elidir é evitar. Nesse caso. Sendo assim.000. que geralmente tem uma alíquota mais baixa. Evasão fiscal: evitar o pagamento do tributo devido. de 20% e 17%.6 e 3. Exemplo de condição resolutória: estorno de débitos na legislação do ICMS quando da exportação não comprovada (inicialmente no campo da imunidade). Preço da montagem feita por outra empresa: R$ 100.000. Obs. 103. Ver decisão da 1ª Turma do STJ – Resp. respectivamente. É sinônimo de sonegação fiscal.00 (incidência de IPI e ICMS.

6 do Capítulo IV da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). 25. 120. Será sujeito ativo aquele que for o titular para alcançar o patrimônio do contribuinte para a satisfação do crédito tributário. a competência passa a ser sua como se ele sucedesse a esse direito. Voltamos. II – Efeitos efetivamente ocorridos: venda de mercadorias não recebida não impede que o tributo seja cobrado (o fato gerador não leva em consideração outras ocorrências além da previsão legal. o qual preconiza a interpretação objetiva do fato gerador. Sobre este é que incidirá o tributo.refere à definição legal do fato gerador. O sujeito passivo ativo é aquele que detém as ferramentas para a cobrança e fiscalização do tributo. a cobrar o IPTU das residências de seu território. Devemos analisá-lo independente da validade jurídica de alguns atos praticados e de alguns efeitos que possam surgir.: leitura obrigatória do tópico n. Sepúlveda Pertence. Devemos. Exemplo: quando da emancipação de um município. Exemplo: fusão dos estados da Guanabara e Rio de Janeiro. nesse ponto. Lembramos que a doutrina utiliza o termo “competência” querendo se referir à aptidão para editar leis instituidoras de tributos e “capacidade” para designar a aptidão de ser sujeito ativo da obrigação tributária. Artigo que trata especificamente do sujeito ativo. ao Princípio do Non Olet (já visto anteriormente). nos termos do art.08. o novo município passa. 2) Fala em sub-rogação. Art.Validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelo contribuinte: uma venda efetuada por uma criança de 07 anos (absolutamente incapaz para fins civis) não impede que o Estado cobre o tributo sobre aquela ocorrência. Sujeito passivo é a pessoa física ou jurídica a quem a lei atribua a obrigação de recolher o tributo ou a multa. 5 do Capítulo IV da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). lembramos o acórdão abaixo: “É legítima a tributação de produtos financeiros resultantes de atividades criminosas. Observar atentamente o art. Art. Art.: leitura obrigatória do tópico n. I. Obs. que nada é do que capacidade tributária ativa. Embora o dispositivo não faça referência. Rel. sendo irrelevantes os atos anteriores que culminaram no fato jurídico tributário. I . CTN” (HC nº 77. A partir do desmembramento. 119. 3) Aplicação da legislação pronta (isso ocorreu desmembramento de Tocantins). porém ocorre uma verdadeira sucessão nos direitos da pessoa jurídica de direito público anterior. 118. Min.530-RS. ou seja. Pode ser: 1) contribuinte: relação pessoal e direta com o fato gerador (também chamado de sujeito passivo direto). Ainda nessa linha de raciocínio. cada ente federado faz suas alterações. automaticamente. Três observações importantes na leitura do dispositivo: 1) “Salvo disposição de lei em contrário”: permite que lei específica disponha de modo diferente. basta que o fato ocorra para que o tributo seja cobrado). ou seja. ler a expressão completa “competência para exigir o seu cumprimento”. 121. 6° do CTN: o correto seria a utilização do vocábulo “capacidade”. 2) responsável: disposição expressa de lei (também chamado de sujeito passivo indireto). Não interessa quem tem a competência para instituir o tributo. Observe também que o fato gerador nada tem a ver com o prazo de pagamento. se aplica também aos casos de fusão. 48 .98). então. Obs. pois competência leva a outro entendimento.

contribuinte do Imposto de Renda é o titular da disponibilidade econômica. Sujeito passivo da obrigação tributária acessória é o sujeito que deve cumprir a obrigação. 45 do CTN . automóveis. 1. 124. Exemplo: um motorista de caminhão que não pára no posto fiscal para sujeitar as mercadorias à fiscalização será o sujeito passivo em caso de descumprimento dessa obrigação. situação que ocorre no setor de pneumáticos. Parágrafo único: a lei pode atribuir a condição de responsável à fonte pagadora. lembrando que em direito tributário temos apenas a solidariedade passiva (vários devedores responsáveis pela mesma dívida tributária). Art. 150. Pode ser de 03 tipos: 1. devendo este ter alguma relação com o fato gerador (ver art. A lei dispõe expressamente que o estabelecimento industrial. 264 do Código Civil. passa a ser cobrado do contribuinte). Art. Observemos o art. Observe que o art. eram bastante aquecidas as discussões a respeito da substituição tributária. Exemplo: Art. cervejas etc. tendo perdido um pouco o fôlego após a Emenda Constitucional n. que dispõe: § 7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável (aqui). Nesse caso. É o que chamamos de fato gerador presumido. sendo ela obrigada ao recolhimento do tributo. Exemplo: um acordo entre comprador e vendedor com relação ao recolhimento do IPTU (proprietário passa a responsabilidade do pagamento ao locatário) na esfera civil. Esse dispositivo trata da solidariedade tributária. Exemplo: substituição tributária na legislação do ICMS (art. Convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública. 128 do CTN – “vinculada ao FG da respectiva obrigação”). Art.1) solidariedade. 2) Substituição tributária: o ônus financeiro continua sendo do contribuinte. Trata-se de uma sistemática de tributação muito interessante para os estados. 123. 1.2) sucessão. deve reter o ICMS que seria recolhido por este quando da venda ao consumidor final (o que deverá ocorrer algum tempo depois). principalmente quando o setor é composto por poucas indústrias e muitos pontos de venda no varejo. 150. o sujeito passivo da obrigação tributária principal é a fonte pagadora na qualidade de responsável. nada tendo a ver com o vendedor ou comprador da mercadoria. Até 1993. não se transfere para o responsável. 49 . não tendo nenhuma validade para fins tributários. caso este não recolher o tributo. Abrimos aqui um espaço pra tratarmos um pouco da substituição tributária na legislação do ICMS.3) por terceiros. quando da venda ao estabelecimento varejista.O legislador não pode extrapolar ao definir o responsável. § 7° da CF/88). 128 permite que a responsabilidade do contribuinte seja excluída ou que se aplique apenas supletivamente (cobra-se do responsável. 03/1993. que nem sempre coincide com o sujeito passivo da obrigação tributária principal. 122. que fez incluir o § 7° no art. O responsável (ou sujeito passivo indireto) pode existir sob 02 modalidades: 1) Transferência: o ônus financeiro é transferido para o responsável.

domicílios tributários diferentes. A capacidade tributária passiva independe: 1) da capacidade civil. 3) da constituição regular da empresa. Exemplo: matriz e filial são estabelecimentos diferentes. Domicílio tributário das pessoas naturais: residência habitual ou centro habitual da atividade. § 1º. Parágrafo único – benefício de ordem (é quando o fiador tem direito de exigir que os bens do devedor sejam primeiro excutidos). Art. Art. deve recolher ISSQN. Observação: Há algumas dúvidas a respeito de fazendas e se estas podem ser consideradas domicílio tributário do produtor rural. indistintamente. É uma disposição de caráter geral. Exemplo: menor que recebe herança deve recolher ITCD. não há necessidade de haver interesse comum. 2) isenção ou remissão de crédito para um particular. Pessoa jurídica de direito público: qualquer repartição dentro do território da entidade tributante. 126. 127. Capacidade Tributária (passiva): essa capacidade é bastante autônoma em relação à capacidade da esfera civil e tem algumas características próprias. IR etc. O domicílio da pessoa é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo. 70 do Código Civil. Exemplo: descarregamento de mercadoria sem nota fiscal (tanto remetente quanto destinatário tem interesse comum) e Imposto de Renda para marido e mulher casados em comunhão de bens (tributo de ser cobrado de qualquer um dos cônjuges). à dívida toda. para tanto. I. não havendo necessidade de previsão legal.Art. Art. ou obrigado. que a lei faça a previsão (são 02 situações distintas). § 2°. Exemplo: advogado sem registro na OAB. Isto é importante porque a 50 . 3) interrupção da prescrição aplica-se a todos. I – interesse comum (parte importante do dispositivo): ocorre quando há mais de um sujeito passivo na mesma relação tributária. Exemplo: Delegacia Fiscal do estado de Goiás em Uberlândia não pode ser considerado domicílio tributário do estado de Goiás. 70. sendo. 264. Instituto civil utilizado no Direito Tributário para atender aos interesses do Fisco. Pessoa jurídica de direito privado ou firmas individuais: sede ou estabelecimento (com relação aos atos que deram origem à obrigação). Efeitos da solidariedade para fins tributários: 1) pagamento aproveita a todos. o comerciante tem capacidade tributária. cada um com direito. 125. A recusa é ato discricionário da autoridade administrativa (nunca arbitrário). Há solidariedade. Nesse caso. bastando. então. II – designação legal: a lei deve especificar quais são os sujeitos passivos solidários. com o que se busca a garantia do cumprimento das obrigações tributárias. Art. quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. Trata do domicílio tributário das pessoas envolvidas na relação tributária – observar a expressão “na falta de eleição”. bastando. é o contribuinte ou responsável que elege seu domicílio tributário. sendo que a norma se aplica a todos os tributos. 2) da existência de alguma privação ou limitação profissional. que seja provado o interesse comum. Observemos o que dispõe o art. ou mais de um devedor. se receber honorários. III. Em matéria tributária não existe ordem preferencial. para tanto. Exemplo: mesmo não inscrito nos órgãos competentes. Em regra. II.

129. Exemplo: transcrição de bem imóvel sem constar. III. poderá ter sua legalidade questionada. A responsabilidade tributária é um mecanismo que possibilita a eficácia da política tributária. relativamente a fatos geradores já ocorridos. a prova da quitação de todos os tributos do art.3) responsabilidade. constituídos posteriormente. trazendo para o Direito Tributário pátrio a figura do fato gerador presumido. Embora constitucionalmente previsto. incluído no texto constitucional pela Emenda n. então. O comprador. 130. a aplicação destes dispositivos é automática em todas as legislações tributárias. Responsabilidade Tributária: Obs. O art. Art. A lei deve observar o capítulo todo para só então dispor sobre responsabilidade tributária. Isso porque o dispositivo se refere ao tributo. o que exigiria a expedição de uma mandado de busca e apreensão. em seu § 7º. no título. deve exigir a inclusão no título que todos os tributos estão recolhidos. 7 da Segunda Parte do Capítulo IV do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). II. Responsabilidade pessoal: porém a penalidade continua sendo aplicada à pessoa que sonegou. Não há limites para essa responsabilidade. pois prevê o cumprimento de uma obrigação antes que o fato gerador ocorra. podendo todo o quinhão responder pelas dívidas tributárias. Art. 131. 128. 1. I. créditos constituídos. Podemos também afirmar que se a lei não fizer nenhuma previsão a respeito de responsabilidade. 3. tendo em vista a intransferibilidade da pena. questionava-se sobre a constitucionalidade da substituição tributária.2) sucessão. Art. buscou a solução definitiva da questão. sucessores e cônjuge meeiro: (limitada a responsabilidade ao montante do quinhão). espólio: figuraria como responsável até a data da abertura da sucessão. Tipos de Responsabilidade: 1) Por Transferência: 1. Morte Sucessão Partilha 51 . Caso a lei disponha de maneira diversa. Sucessores respondem por: 1. em curso de constituição. 03/1993. Trata da responsabilidade por sucessão real.: leitura obrigatória do tópico n. adquirente (arrematante ou comprador) ou remitente (pessoa que recebe a liberação graciosa da dívida).1) solidariedade. Parágrafo único. 150 da Constituição Federal. 2. 130 (Impostos. 2) Por Substituição Antigamente. esse instituto não se molda na lógica do Direito Tributário. 1. Art. Taxas e Contribuições de Melhoria sobre o imóvel). É uma limitação.fiscalização deve ter acesso ao domicílio tributário do produtor rural e não à residência.

404/76 (Lei das Sociedades Anônimas) introduz a figura da cisão no direito sucessório e tanto a administração tributária quanto a jurisprudência deram à ela o mesmo tratamento dispensado à fusão. Parece-me que a melhor solução seria tratar os sucessores e o cônjuge meeiro como responsáveis pelos tributos desde a morte do de cujus. 03 tipos de estabelecimentos: comercial. meeiro Cada um é contribuinte Observação: A grande maioria dos civilistas afirma que a abertura da sucessão se dá com a morte e isso está. Pessoa natural (empresa em nome individual) ou pessoa jurídica de direito privado . II – subsidiariamente com o alienante (primeiro cobra-se do vendedor. funcionam como indústria. O legislador do CTN parece não ter observado essa circunstância. Parágrafo único – continuação por qualquer sócio remanescente na atividade. Há 02 linhas de raciocínio: 1) Sucessores de empresas agrícolas não assumem a responsabilidade tributária dos sucedidos. Fusão. Na legislação tributária goiana constam as quatro figuras. permanecendo a empresa que incorporou. tecnicamente. transformação ou incorporação (e também a cisão). A extinção que trata o assunto é de direito e não de fato. podendo se incluir qualquer tipo de alteração. devido ao fato de ter apresentado o espólio como responsável a partir da morte e os sucessores e o cônjuge meeiro a partir da abertura da sucessão. Art. industrial e profissional. Em última instância. Incorporação: A + B  A (incorporadora) . ela continua existindo para todos os fins de direito.uma empresa absorve a outra.aquisição de fundo de comércio com continuação de exploração: respondem pelos tributos até a data da compra (sem multas). O dispositivo não fez referência aos estabelecimentos agrícolas (produtores rurais e empresas agrícolas). 132. em processo de falência. Dispositivo de difícil aplicação. I – integralmente se o alienante cessar sua atividade. Caso o vendedor prossiga na exploração da atividade ou inicie outra. depois. inclusive de controle acionário.Espólio Sucessores e Conj. 52 .surge uma nova empresa e extinguem-se as duas empresas. do comprador). 133. responde pelos tributos nos 06 meses seguintes. correto. 2) Produtores rurais se encaixam em um dos 03 tipos de estabelecimento (salvo melhor juízo. parece ser a mais lógica). Art. podemos afirmar que.º 6. tendo em vista a diversidade de administrações tributárias (federal. como se fossem momentos distintos. Se a empresa encerrar suas atividades e não informar às repartições competentes. Cisão: C  A + B (cindidas) . Não se aplica em casos de alienação judicial: 1. estaduais e municipais).é o processo inverso da fusão. A Lei n. a meu ver. Fusão: A + B  C (fusão propriamente dita) . Transformação: termo bastante amplo. §1º.

3. dolo específico das pessoas referidas no art. dolo específico elementar. não a penal A responsabilidade penal é excluída pela legislação própria (Art. Não se aplica o disposto no parágrafo anterior se o adquirente for: 1. Art. Faz crer que as multas moratórias são verdadeiras penalidades. O responsável não pode alegar que não tinha intenção de lesar o Estado ou que seu ato não prejudicou os cofres públicos. Fica uma dúvida: essa responsabilidade exclui a responsabilidade da pessoa jurídica em caso de um gerente agir com excesso de poderes? Há divergências na doutrina. Alguns doutrinadores dizem que não é essa a natureza da multa moratória. filial de empresa em processo de recuperação judicial. caso ultrapasse os índices de correção monetária (Aliomar Baleeiro). 2. por entender que houve infração de lei por parte dos sócios. Essa é a linha de raciocínio defendida pelos procuradores de Fazenda. Art. O dispositivo se refere aos créditos. As pessoas físicas entram com mandado de segurança com a legação de que a pessoa jurídica tem existência distinta da pessoa física e normalmente conseguem a liminar. 135: Responsabilidade Pessoal: quando ficar configurado excesso de poderes ou infração de lei. o que equivale dizer tributos e penalidades. Exemplo: motorista que não respeita a ordem de parada no posto fiscal. agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão tributária. parente.2. Art. ainda. alegando não ter tido a intenção de lesar o Estado. 53 . sócio da sociedade adquirida. administradores ou gerentes. 136: a responsabilidade independe da intenção. Art. que trata da extinção da punibilidade. culpa pessoal). contrato social ou estatutos. consangüíneo ou afim da sociedade adquirida. no caso. Exemplo: no calçamento de notas fiscais. pode alegar o proprietário que não sabia da ação do funcionário. desde que o pagamento do tributo ocorra antes do recebimento da denúncia). 137: Responsabilidade Pessoal do Agente: 1.249/95. a multa moratória se presta apenas a corrigir os valores. 3. Responsabilidade de terceiros: essa situação se aplica quando houver impossibilidade de cobrar o tributo dos contribuintes. embora a presunção é de que o ato delituoso beneficie o proprietário. 34 da Lei nº 9. afirmam que poderá ter caráter punitivo. Respondem solidariamente nos atos em que intervirem ou omissões das quais forem responsáveis: Parágrafo único. Outros. 138: a responsabilidade de que trata o artigo é a tributária. embora me pareça que a tese vencedora será aquela que atende o anseio das pessoas jurídicas dos sócios. § 3º. É um caso de responsabilidade sobre penalidades (isso porque há. ou seja. § 2º. 2. natureza e extensão dos efeitos do ato praticado. O produto da alienação judicial permanecerá à disposição do juízo de falência pelo prazo de 01 (um) ano. crimes ou contravenções (mesmo que o delito seja culposo). porém majoritariamente entende-se que não! Diariamente nos deparamos com o seguinte problema: pessoa jurídica com débitos inscritos em dívida ativa impede o fornecimento de certidão negativa para a pessoa física dos sócios? A administração tributária não fornece a certidão negativa à pessoa física. efetividade. Importante informar que existem julgados nos dois sentidos. Art. O caminho para a administração tributária será pleitear a desconstituição da pessoa jurídica para poder buscar no patrimônio dos sócios a satisfação das dívidas tributárias da empresa. 134. 134.

Súmula 208 do TFR: "Simples confissão da dívida não é denúncia espontânea". que pode ser principal ou acessória).Denúncia Espontânea da infração: presume-se algum descumprimento de obrigação tributária acessória. O lançamento é 54 . não havendo possibilidade de questionamento. Não se considera espontânea se a denúncia for apresentada após o início de qualquer procedimento fiscal. A lei cria o tributo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO (Título III do Livro II do CTN) Obs. 139: o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza (o crédito tributário é a expressão monetária da obrigação tributária correspondente. §3º do CTN: obrigação principal e acessória (em caso de descumprimento). Não pode o Estado exigir o pagamento do tributo sem o lançamento. devendio ser acompanhada do pagamento do tributo. 113. Fato gerador: cria uma relação entre os sujeitos ativo e passivo. Isso é uma confissão da dívida. Art. Exemplo: na legislação do ICMS. Esse é o pensamento da maioria dos autores. é obrigatória a entrega de informações mensais sobre o valor do imposto a pagar. É diferente quando há o início da fiscalização em determinada empresa com o objetivo de se apurar eventual sonegação. Art.: leitura obrigatória dos tópicos n. com a ocorrência do fato gerador nasce a obrigação tributária principal e por meio do lançamento passa a existir o crédito tributário. 1 e 2 do Capítulo V da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). se for o caso. Essa é a regra geral. não mais cabe a denúncia espontânea. a obrigação tributária é o "vínculo jurídico por força do qual o particular sujeita-se a ter contra ele feito um lançamento tributário" (Hugo de Brito Machado). 5. A partir do momento em que a empresa é notificada a apresentar seus documentos fiscais. Então. Lançamento: faz nascer um vínculo patrimonial (crédito). por exemplo. uma notificação para entrega de documentos.

Procedimento (entende-se uma sequência de atos) tendente (com o objetivo) a verificar a ocorrência do fato gerador (alguns doutrinadores entendem que se trata de um ato).identificar o sujeito passivo (contribuinte ou responsável): causa de improcedência de muitos autos de infração no conselho julgador goiano. Decompondo o dispositivo. não foi assegurado o direito de defesa ao sujeito passivo. Art. Poderá ser feito novo lançamento (sugestão de reautuação dos órgãos julgadores). instituto próprio do direito tributário que visa tornar líquida uma obrigação tributária (ver art. Foi palco de infindáveis discussões até a solução final com a EC nº 3/93. Art. o mesmo fica na dependência de posterior lançamento da autoridade competente. 2. vez que antes do 55 . o que levará à anulação deste.único: atividade vinculada à lei (dentro da legalidade para evitar excesso de exação) e obrigatória (o agente do Fisco não pode deixar de lançar o crédito tributário. O crédito tributário formal pode ser afetado. Ainda que a autoridade apenas homologue o lançamento. Art. nesse caso. 141: fora os casos previstos no CTN.553 do Código Civil).uma providência obrigatória por parte da administração tributária tendente a comprovar a ocorrência do fato jurídico tributário. ou seja.se for o caso. Não há infração funcional. quando tem conhecimento). que entende que o lançamento não cria direito. 5 .). no procedimento administrativo tributário. Exceção: §7º do art. De fato. (Hugo de Brito Machado). 104/01. nunca é afetada. propor a penalidade cabível (definida em lei): o verbo a ser utilizado não seria propor.ou declarar . 6. 4 . pesagens etc. mas juridicamente. com competência para lançar o crédito tributário. mas não de direito. Exemplo: se o crédito tributário foi constituido e. temos: 1. o que foi resolvido pela Lei Complementar nº.calcular o tributo devido (base de cálculo x alíquota = valor em pecúnia). Art.determinar a matéria tributável (necessidade de levantamentos. O dispositivo visa assegurar o cumprimento da obrigação tributária principal. "O Estado tem o direito ao tributo. 140: a obrigação tributária (poder jurídico para constituir . quem opera o lançamento é o sujeito passivo. Pode ocorrer do agente do Fisco mais despreparado não encontrar uma sonegação. P. 150: lançamento por homologação: o lançamento ocorre no momento da homologação e não no momento do pagamento do tributo. não há penalidade. contagens. o lançamento será considerado nulo. mas sim “aplicar a penalidade cabível”. 3.o crédito tributário). Observação: O parcelamento era uma figura que existia de fato. não podem ser dispensadas a efetivação do crédito tributário e garantias. Atividade privativa da autoridade administrativa: agente do Fisco ou outra designação qualquer. só a autoridade administrativa pode efetuar o lançamento. mas não a sua substância. 150 da Constituição Federal: substituição tributária. Natureza Jurídica do Lançamento Grande divergência doutrinária: a maioria dos doutrinadores se filia à corrente declaratória. pagamento do tributo (ou contribuição) sem a ocorrência do fato gerador (que deverá ocorrer posteriormente). enquanto a autoridade tem o dever de lançá-lo". 1. 142: define o lançamento tributário.

3. desde que se prove o contrário. cabe restituição (art.165). Ex.Impugnação do sujeito passivo: defesa do contribuinte contra o lançamento.IPTU. ISSQN em alguns municípios.). O lançamento. Art.: II. considera-se correto. a fraude ou a simulação não são. 147): o sujeito passivo fornece os elementos e o sujeito ativo efetua o lançamento. 149: efetuado e revisto de ofício (art. Art. autos de infração etc. por ser expedido sem qualquer colaboração do sujeito passivo. I) e. IE.Recurso de Ofício: feito pelo corpo de representantes fazendários (ou outra designação que se dê). 144: no lançamento do tributo. Também chamado unilateral ou direto.Lançamento de Ofício (art.lançamento já existia uma obrigação tributária. passíveis de lançamento de ofício. 1.Iniciativa de ofício da autoridade administrativa: termo aditivo no corpo do lançamento. 146: confirma o princípio da imutabilidade do lançamento. O crédito tributário surgirá a partir do lançamento. depende do tipo de tributo.Lançamento por Declaração (Art. 145: a definitividade do lançamento é a regra geral do Direito Tributário. 106 CTN: em relação às penalidades. 143: moeda estrangeira: conversão feita ao câmbio do dia do fato gerador. somente se aplica a fatos geradores posteriores. 2. caso seja pago indevidamente. Inciso V: lançamento de ofício em substituição ao lançamento: ocorrendo omissão ou inexatidão no exercício da atividade do art. Art. a autoridade deve aplicar a lei (e não legislação) vigente à época da ocorrência do fato gerador.: Súmulas do STJ ou STF (Admistração Fazendária obedece. Art. por si só. MODALIDADES DE LANÇAMENTO 1.III): Inciso I: determinação da lei que cria o tributo: a escolha da lei não é aleatória.: propriedade registrada em cadastro . Inciso VI: lançamento para aplicações de penalidades. 56 .145. Hugo de Brito Machado entende que o lançamento é constitutivo do crédito tributário e apenas declaratório da obrigação tributária. aplica-se a retroatividade para beneficiar o sujeito passivo. Ex.149): ocorre por iniciativa do próprio Fisco. Art.145. Se houver modificação nos critérios jurídicos adotados pela Administração Fazendária. Ex. Ex. Obs. IPVA. Inciso II ao IV: descumprimento do dever de declarar. As modalidades de alteração são taxativas ( e não exemplificativas): o presente artigo trata apenas da esfera administrativa.: Art. (ex. mas não se alteram lançamentos relativos a fatos geradores anteriores). §1º: Após o lançamento cabe impugnação (art.: IPTU. Também chamado de lançamento misto. 2. Inciso VII: o dolo. declaração falsa ou deixar de atender pedido de esclarecimento. 150. §2º: refere-se a erros facilmente apuráveis pela autoridade administrativa (tanto a favor de um sujeito quanto do outro).: auto de infração. Essa modalidade de lançamento é própria dos tributos que têm como fato gerador uma situação permanente. IPVA etc.

Alguns autores dizem que o que deveria ser homologado é o pagamento. 150.Condição resolutória ou resolutiva: o CTN quis definir uma condição resolutiva. pois o lançamento deveria endossar ou confirmar o pagamento. §4º do art. há prévio lançamento. O §1º do art. É complexo o tratamento que o CTN dá à matéria. ou seja. A homologação nada mais é do que a concordância da autoridade. O sujeito passivo "opera" o lançamento (levanta a matéria tributária. 150: trata-se de modalidade especial de decadência. mas essa eficácia seria desfeita caso ocorresse uma negativa da homologação. IR (retido na fonte) etc. 3. demonstra que o crédito tributário nasce com o fato gerador e não com o lançamento (corrente declaratória). IPI. Parágrafo Único . 150: "expressamente a homologa" se refere à atividade do sujeito passivo. por sua natureza. ou seja. se ainda não houve o lançamento? Porém. sem que se torne exigível a obrigação tributária.Inciso VIII: trata-se de revisão ("lançamento anterior").Homologação do Lançamento: na verdade. 57 . Ccomo essa homologação é um ato positivo da autoridade administrativa. No final do art. mesmo tendo fato gerador. Ex.resguarda direito do sujeito passivo. e não raro. 2. ISSQN.: ICMS. Também chamado de autolançamento (não é muito utilizado pela maioria dos doutrinadores). foi necessária a criação dessa modalidade. caso em que o lançamento seria de ofício. O pagamento não é antecipado. Ocorre o pagamento sem que haja o lançamento. O dispositivo deveria dizer que "o pagamento se faz sem prévio lançamento". etc). nessa modalidade. débitos e créditos. se fazendo necessário apenas nas situações de omissão do sujeito passivo.150): diante das exigências do próprio CTN (lançamento sempre necessário e atitude privativa da autoridade administrativa).Lançamento por homologação (art. o pagamento extingue o crédito tributário. Nas outras modalidades de lançamento. Luciano Amaro afirma que mais fácil seria afirmar que. não. pois o sujeito passivo deve pagar o tributo na data estipulada pela lei.Extinção do Crédito: como falar em crédito tributário. porém só há que se falar em lançamento quando existe tributo a recolher. não surge a obrigação de recolher o tributo (Ex. calcula o montante e recolhe o tributo) e o sujeito ativo limita-se a homologá-lo. o lançamento estaria dispensado. devem ser recolhidos sem prévia manifestação do sujeito ativo (tributos indiretos e tributos sujeitos à retenção na fonte). Inciso IX: fraude ou falta funcional da autoridade ou omissão de ato ou formalidade essencial (ex. Art. ocorrem situações em que. como o lançamento ocorre no momento da homologação.: ICMS escrita fiscal. há que se falar em condição suspensiva. o que ocorre é a homologação do pagamento. nesses casos. expressa ou tacitamente. 3. 150 apresenta três grandes impropriedades: 1. Utilizado por tributos que. O dispositivo acertou em dizer "a atividade é que se homologa".: auto de infração sem a ordem de serviço expedida pela autoridade competente).

a autoridade administrativa apura que o sujeito passivo deveria pagar R$1. Importante salientar que. geralmente temporária.00.). 152.: Art. simulação: provado um dos vícios. I (reclamações e recursos). Inciso I . Inciso I: Moratória (art. Art.trata-se do modo de efetivação da medida (caráter individual): necessidade de despacho da autoridade administrativa. 97).00. A Fazenda Pública pode. Ex.151. haverá a recusa da homologação e.Causa não conflituosa .§2º do art.trata-se de competência para decretação (caráter geral). este tem efeitos como no caso da compensação. entre as causas de suspensão do crédito tributário. 58 . V) da diferença. formalizar o título executivo: Certidão de Inscrição em Dívida Ativa. nesse caso. 151.000. haverá o lançamento de ofício (art. 150: embora o caput fale em homologação expressa. 3 do Capítulo V da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). existem situações conflituosas e situações não conflituosas (não contenciosas). Sempre haverá necessidade de lei (art. R$200. “Homologado o lançamento": não há lançamento a ser homologado. Art. Ex. mas pagou apenas R$800. O crédito tributário é exigível. Dolo. por isso. ou seja. Lei em contrário: nos casos de lançamento por homologação Em caso de dolo. I) . exigível. enchentes etc. vencidos ou vincendos. o dispositivo quer referir-se à obrigação tributária. 151. 155: caso de anulação do ato de concessão. SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ou suspensão da exigibilidade do crédito tributário: o que suspende é o dever de cumprir a obrigação tributária) Obs.149. esse dispositivo é mais realista e contenta-se com a homologação tácita. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pode ser: Prévia: antes do surgimento da própria exigibilidade (mais apropriado seria impedimento).: leitura obrigatória do tópico n.geralmente origina-se na dificuldade de pagamento por parte do sujeito passivo (casos de calamidade pública. Luciano Amaro entende que a lei só poderá fixar prazo menor. 150. é como se não tivesse sido concedido o favor. 153: dispõe sobre prazo e condições (do sujeito passivo).00. unilateralmente. 154: na verdade. Posterior: depois da constituição do crédito tributário e. fraude. “Se a lei não fixar prazo": aparentemente.: Numa fiscalização. São elas: Art. O efeito é que o sujeito ativo fica impedido de exercitar atos de cobrança. Inciso II . pois caso a autoridade administrativa se recuse a homologar o pagamento. Pode ser também uma dilação do prazo para pagamento do tributo: aplica-se a tributos lançados ou não lançados. por força do §3º do art. fraude ou simulação: deve haver prova de tais condutas para cobrar o tributo devido além do prazo de 5 anos da ocorrência do fato gerador."a" e "b" . §4º do Art. 150: os atos do sujeito passivo influem sobre a obrigação tributária. sendo atributos do mesmo a certeza e a liquidez. Art. a lei que institui o tributo (cujo lançamento se dará por homologação) pode fixar prazo maior ou menor. Conceito: é uma prorrogação de prazo ou concessão de novo prazo (se já vencido o prazo original) para o cumprimento da obrigação tributária (Luciano Amaro). Art.

sujeito ativo levanta o depósito e extingue-se o crédito tributário (art. o sujeito passivo ingressar em Juízo no prazo de 30 dias para discutir a exigência. Nesta modalidade.5º. VIII do CTN). na intenção de impedir a constituição definitiva do crédito tributário. Não se sustenta tal posição. Já o depositante não quer pagar. pois já era exigível. o devedor quer pagar. VI do CTN).Apresentação de reclamações e Recursos Como isso se dá na esfera administrativa.156. aplica-se a analogia (art. Pode ser feito independentemente de autorização judicial. Lei nº 9. o sujeito passivo poderia deixar de pagar as últimas parcelas sem que o sujeito ativo pudesse fazer a cobrança. Pode ser feito na esfera administrativa ou judicial. a marcha do lançamento). Inciso II . pois a ele lhe pertence. ele pretende discutir o débito seu para com o sujeito ativo. Os depósitos serão feitos na Caixa Econômica Federal. porém sem sucesso. 156. O efeito principal para o sujeito passivo é não pagar a correção monetária.Depósito de seu montante integral: O depósito não funciona como um pagamento. Se o sujeito passivo procura a esfera judicial. Caso não haja a extinção do processo sem julgamento de mérito. LXIX e LXX (na forma coletiva). melhor seria dizer que essa modalidade impede a exigibilidade do mesmo. I. Pode ainda. Não havendo legislação específica nas órbitas estadual e municipal. 100 da CF. realmente suspende a exigibilidade. quando houver ameaça de lesão a direito.156. se posterior. Inciso III . Ex. 151.737/79). caso em que o depósito não será convertido em renda da entidade tributária. 1º. é uma garantia que se dá ao suposto credor (pois o crédito tributário será ainda analisado). depois de vencido. Há manifestações em contrário. Não há pagamento de juros (Decreto-Lei nº 1. na verdade ele impede a exigibilidade (não impedindo pois. I: devolução privilegiada (atenta contra o art. a Fazenda Pública será notificada e o depósito será convertido em renda (ou não) após a decisão do juiz. do CTN). III.145. nos termos do art. que trata da ordem cronológica de apresentação dos precatórios). A moratória suspende o curso da prescrição. Verdadeira expropriação atentando contra o direito de propriedade (art. Se o depositante (sujeito passivo) for sucumbente. O depósito pode ser prévio (anterior à constituição do crédito tributário) ou posterior (após a constituição definitiva do crédito tributário). Por isso é que o depósito é feito integralmente. fica igualmente suspensa a prescrição. fala em impugnação e o art.703/98: art. Não confundir depósito com consignação em pagamento (art. IX do CTN.Suspende a exigibilidade do crédito tributário (ou obrigação tributária. 59 . Se a decisão final na esfera administrativa for favorável ao sujeito passivo. como afirma Luciano Amaro). XXII da CF). 5º.108. I. Se prévio. Inciso IV: liminar em mandado de segurança: Mandado de Segurança: remédio constitucional previsto no art. o dinheiro deverá ser devolvido ao sujeito passivo. §3º. Com a suspensão da exigibilidade. Pode ser também preventivo. a legislação federal. dá-se a extinção do crédito tributário.: parcelamento feito em 8 anos se a prescrição não se suspendesse. O CTN não é uniforme quando se refere às terminologias (art. §2º: repasse dos depósitos da CEF para Tesouro Nacional. que paga a correção monetária em favor da parte vitoriosa. ou seja. fala em reclamações e recursos).

VI) . EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: Obs. não possa pagar à vista.incisos IX e X do art. Parágrafo Único: obrigação tributária acessória deve ser cumprida para possibilitar levantar o valor do tributo cuja exigibilidade está suspensa.O contribuinte tem o prazo de 120 dias. PAGAMENTO (mais importante delas) Pode se dar de forma espontânea ou por ação fiscal (autos de infração). Com relação ao mandado de segurança preventivo. tal mudança foi necessária e agora se completam as possibilidades de suspensão da exigibilidade do crédito tributário.LC nº 104/01 É um acordo feito entre sujeito ativo e sujeito passivo mediante o qual é assinado a este prazo para a satisfação da obrigação tributária (ou crédito tributário) que. ao parcelamento. se embasavam no art. no CTN. entendiam que o inciso IV do art. havia a discussão se só a liminar em mandado de segurança era causa de suspensão da exigibilidade do crédito tributário ou outras liminares também tinham o mesmo efeito.: decisão favorável ao contribuinte por cerceamento ao direito de defesa ou erro na identificação do sujeito passivo. Há situações em que não chega a existir a obrigação tributária (decisão judicial ou administrativa . Em alguns casos. §2º: aplicam-se. enquanto os outros. pode ser impetrado tão logo seja editada a lei que cria ou aumenta o tributo. de forma subsidiária.: leitura obrigatória do tópico n. entrega declaração de IR etc. Não existem. 4 do Capítulo V da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). É a forma mais simples e usual de extinção do crédito tributário. 156 do CTN. Importante lembrar que essas duas modalidades. são disciplinadas pelo CTN. a contar da ciência do ato de cobrança que considera indevido ou diante da ameaça ilegal ou inconstitucional. É o final da relação jurídico-tributária existente.) Ex. pois elas extinguem-se mediante a implementação das prestações positivas ou negativas que constituam o seu objeto. Ex. afastando preceitos de Direito Privado. pois a autoridade administrativa é obrigada a lançar o tributo nos termos do art. Inciso VI . Em meu entendimento. 142 do CTN. por alguma razão. atualmente afirmam que foi desnecessária a nova previsão. 151 deveria ser interpretado de maneira ampla (toda e qualquer ação). A LC 104/01 pôs fim às discussões e aqueles autores que davam uma interpretação ampla ao incido IV. As disposições dos art. por não terem caráter processual. se presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora ! Inciso V: Medida Liminar ou Tutela Antecipada em outras ações judiciais Antes do advento desse dispositivo. a extinção é da obrigação tributária e não do crédito tributário (como é o caso de decadência). Essas decisões não extinguem o direito material.155. Art.: escrituração de livros fiscais. causas de extinção das obrigações tributárias acessórias.A: para a concessão do parcelamento. A medida liminar é provisória: afasta o ato impugnado e mantêm a situação até final julgamento.151. exige-se lei específica.Parcelamento (art. 141 do CTN. Nada mais é do que um tipo de moratória. 157 a 163 servem para tirar dúvidas ou para introduzir disciplina específica. Os autores que afirmavam que só a liminar em mandado de segurança tinha esse efeito. trazido pela LC nº 104/01. 60 . as disposições do CTN relativas à moratória.

327 do Código Civil ( local de pagamento): "efetuar-se-á o pagamento no domicílio do devedor.ser eficaz (se a consulta foi feita de maneira diversa do que prevê a legislação. Embora o dispositivo traga o verbo "ilidir" (rebater. No Direito Civil. salvo se as partes convencionarem diversamente". O sujeito passivo deve providenciar o pagamento antes da cobrança. pois não há lançamento após a ocorrência do fato gerador. geralmente em bancos. algumas cláusulas penais substituem o valor da obrigação. em direito tributário não há essa hipótese. Regras específicas quanto à forma de pagamento. é indispensável que a legislação diga qual o prazo. 161. Art. 158. No caso de lançamento por homologação. 3. §2º: é o resgate do cheque é que extingue o crédito Importante esse dispositivo. 160. Ver art. 157. a exigência é imediata.pertinente ao crédito. Ex. 2. salvo alguns casos).único: exemplo típico de antecipação é o IPTU em Catalão: nesse caso a antecipação é em relação ao vencimento (ou até o vencimento). 159. que trata da presunção: presunção de estarem solvidas as parcelas anteriores. Art. Idiferente do Direito Civil (art. §1º: 1% é a regra geral. Pagamento é efetuado na repartição competente (diverso do Direito Civil). Características da consulta: 1. Art. 162. o correto é "elidir"(suprimir. 97 não o diga. §4º: perda da estampilha (não há direito à restituição. somente a lei pode instituir medidas de garantia do cr[edito tributário ("nesta lei ou em lei tributária").: mercadorias oferecidas em pagamento não são aceitas. tal qual determine a legislação. não será aceita). pois a certidão de dívida ativa é o título executivo da Fazenda Pública e não o cheque sem fundos. P. Luciano Amaro lembra que a prestação tributária deve ser levada (portable) e não buscada (querable). o sujeito passivo deve pagar até 30 dias após ter ciência do lançamento (em Direito Civil. pois este não tem as garantias e privilégios daquele. Discussão interessante seria saber em qual modalidade de extinção do crédito tributário se encaixa o desconto. IIcasos previstos em lei: estampilha. §2º: consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito faz dispensar a incidência dos juros de mora. 322 do Código Civil. Embora o art. Io tributo não pode ser pago em natureza ou em espécie. Art. até prova em contrário). eliminar). contestar). IIo pagamento de um tributo não é motivo para presumir o pagamento dos demais. A caracterização da mora é automática em DT. O dispositivo deveria referir-se a tributo e não a crédito tributário.Art. 61 .formulada dentro do prazo para pagamento do tributo. §1º: exigência de garantias para pagamento em cheque ou vale postal não pode ser excessiva. Se a legislação não dispuser a respeito. Art. §3º: inutilização da estampilha. a multa não substitui o tributo (soma-se a ele). conforme art. 331 e seguintes do Código Civil). papel selado ou processo mecânico.

as duas obrigações extinguem-se. 62 . Art. diferente de anistia! PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA  são causas extintivas de direitos (para lançamento e para cão de cobrança). 368 do Código Civil: "Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra.000. obrigatoriamente à compensação. Ex. combustíveis. Essa regra não tem muita aplicação prática (a identificação do que se paga é prévia. adquirir de novo.ver nota CTN! É necessária a previsão legal !  art. já consta no documento de arrecadação).  em DT a transação somente termina litígio. etc. um encontro de contas.Art. ICMS (lei prevê a compensação  art.74): adota procedimento para registrar a compensação. não há que se falar em prevenção do litígio como no Direito Civil ! Ex. na verdade. A existência de créditos de ambos os lados (sujeitos ativo e passivo) não leva. IV.. etc. Art. dispensa.: ICMS a maior sobre automóveis. I da CF.430/96 (art.: Secret. Ex. perdoar. (deve-se aguardar o trânsito em julgado).devia ser crescente ao invés de decrescente. Receita Federal tem feito a compensação entre CT oriundos de multa pela não entrega da declaração no prazo com IR e ser restituído. até onde se compensarem". COMPENSAÇÃO (Art.  embora o CTN não diga.00 ! A idéia é beneficiar 50.: Prefeitura de Catalão (café e IPTU).  é uma autorização que a lei dá à autoridade administrativa (Ex. 1025 do CC: "é lícito aos interessados prevenirem ou terminarem o litígio mediante concessões mútuas". 170-A do CTN) É. remição: ato de remir. P. 172 : deve atender uma das 5 situações do dispositivo. 163. 170-A. II e Art. 172: é sinônimo de perdão. tributo e penalidade.único: crédito vincendo deve ser antecipado da data do vencimento à data da compensação. 155.  Art. Se refere a créditos de qualquer natureza. Art. REMISSÃO: Art. Ex. §2º. Lei nº 9. resgatar. etc. etc. para extinguir o máximo de créditos tributários possíveis (numa visão processual. ou seja.170. É necessário que a lei permita a compensação. 156. eliminaria um maior número de processos. TRANSAÇÃO Art. pode a remissão ser concedida diretamente pela lei  remissão: ato de remitir. crédito objeto de contestação pela sujeito passivo. 171 : concessões mútuas  fim do litígio( terminação e não determinação) .084/02  remissão de todos os créditos tributários abaixo de R$2.: Estado de Goiás  lei nº 14. de transação: redução na multa quando do pagamento imediato.000 contribuintes devedores! Política ou necessidade? Tem-se argumentos nos dois sentidos: não deixa de ser um prêmio aos devedores! O dispositivo trata de CT. Fazenda).

 a certeza e a segurança do direito não podem conviver com a permanência de direitos eternos.O da decisão definitiva na esfera administrativa.Notificação feita depois de iniciado o prazo decadencial. temos 6 anos pela forma da contagem do prazo. DECADÊNCIA: Art. 142 do CTN.. sacrifica-se o direito prestigiando-se a certeza e a segurança. na emissão do documento de arrecadação do IPTU. b) havendo impugnação e decisão de 1ª instância favorável à Fazenda. é porque a decisão não é definitiva.Se antes de iniciar a contagem. Hugo de Brito Machado afirma ser esse o exato momento em que se considera exercido o direito de constituição do crédito tributário. Obs. V.primeiro dia do exercício seguinte: Ex. 63 . há um entendimento predominante de que : 1. podendo se desdobrar em duas fases  AI ( ou lançamento de ofício) e a fase litigiosa(impugnação.)  o momento parece ser posterior ao da lavratura do AI ou lançamento de ofício.: Essa decisão pode ser parcial ou totalmente procedente)! Se a Administração Fazendária admite ainda discutir o assunto em segunda instância. 173.O da decisão administrativa desfavorável ao contribuinte( ou pela procedência do lançamento ) em primeira instância(obs. 150. se o sujeito passivo não recorrer.  passados os prazos extintivos de direitos. o início é antecipado para a data da notificação. art. o sujeito passivo é notificado. 3. etc. Portanto. 156.: IPTU de 1990 pode ser lançado em 1990 início da contagem: 01/01/91  decadência ocorre em 01/01/96  pode ser lançado até 31/12/95 na verdade.O da determinação do montante a ser pago (ex. nem o suspende ! Há divergências entre os doutrinadores quanto ao momento em que se deve considerar exercido o direito de constituir o crédito tributário! Os momentos podem ser: 1.§4º e art. ambos do CTN  inúmeras controvérsias tem gerado o estudo da decadência no DT. 173. com o registro do A. etc). prazos dentro dos quais os direitos podem ser reclamados  dormiuntibus nom sucurit jus (o direito não socorre aos que dormem). recursos.  além do mais. 3. c) havendo recurso.  do art. podendo o lançamento ser revisto e alterado!  Parece que esta não é ainda a posição mais acertada.O momento da inscrição do Crédito Tributário em dívida ativa.: o lançamento nos temos do art.I. é um procedimento administrativo. consuma-se o lançamento: a) não havendo impugnação. co ma decisão definitiva (2ª instância) favorável à Fazenda.: na lavratura do A.  Exige-se. então. 4.I. Resumindo: o lançamento se consuma (e não se pode mais falar em decadência) quando a determinação do crédito tributário for feita de maneira definitiva na esfera administrativa. 2. o tempo apaga a memória dos fatos e elimina as testemunhas. 2. não o interrompe.

 STF: no momento da lavratura do AI se consuma o lançamento ! Importante!!!!  Indispensável a notificação do sujeito passivo. 585.  em princípio. 2.: FG de ICMS/90  AI(lançamento de ofício) em 94  Impugnação(suspensão do prazo decadencial)  decisão pela nulidade do AI  abre-se prazo de cinco anos novamente(art.T. o que causa polêmica.4º e sim a do art. não há possibilidade de lançamento por homologação. quando na verdade. o art. VI do CPC. I do CTN (que é a regra geral)  1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado!  pergunta-se se: qual é o exercício em que o lançamento poderá ter sido efetuado ? 1.I. 173. I do CTN.2006 ! EM CASO DE NÃO HAVER PAGAMENTO ? 64 .  a regra da decadência. é necessária a ciência do mesmo  ou no AI. V do CTN.  porém.II. o próprio tribunal obriga a Administração Tributária a assegurar o direito de defesa.II. deverá haver lançamento de ofício.05. seria considerado uma violência ao instituto da decadência.173. 173.01.95  homologação ocorreria em 01. II  POR VÍCIO FORMAL  se o lançamento foi anulado devido a vício substancial ou material( que diz respeito ao mérito)  não há interrupção da decadência ! PRAZO DECADENCIAL NO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO  quando não ocorre o pagamento antecipado. mas passíveis de ocorrer do D. é lançamento tributário e não início do procedimento administrativo. 173. ou por AR ou por edital ! A lei processual deve definir!  Muito importante no art. ou seja.05.01. tendo em vista não haver nada a homologar  a homologação é do pagamento e não do lançamento ( quem lança é a autoridade administrativa) !  não havendo lançamento por homologação. o FG tendo ocorrido em 01. o art. não é !  TRF: A.O exercício é 5 anos após a data em que deveria se dar a homologação: Ex. então.2000  exercício seguinte  2002  início da contagem: 01. II.: ICMS – FG em 01. ao trazer para o D. CTN)  interrupção do prazo decadencial  hipóteses inexistentes no D.1996  é a regra do art.Privado  nessa visão.05. não será a do art.ano seguinte do FG  nesse caso. o legislador trouxe também toda sua teoria do D. nos termos do art. Privado.173. que é posterior ao A.T.CTN) Ex. 150. A análise dos tributaristas deveria deixar de lado os conceitos de D. 173.  importante observar que. o instituto da decadência ( e também da prescrição).95  início da contagem: 01. 173.01. inciso II do CTN traz uma hipótese de suspensão e interrupção do prazo decadencial: Suspensão  porque o prazo não flui na pendência do processo em que se discute a nulidade. Interrupção  porque o prazo começa a correr do início e não do lançamento nulo (art.2001  decadência em 01.I. nos termos do art. 149. a inscrição não faz parte da constituição do Crédito Tributário: apenas serve para dar ao mesmo o requisito da exequibilidade. o prazo decadencial não se suspende nem se interrompe  Em DT.Privado.

marcando daí o início do prazo prescricional ! Afirma que o único caso de suspensão do prazo prescricional é o do art. OBS. 8º. o prazo é de 5 anos do FG. na pendência do PAT. 155.  em DT.: II e III  judicialmente ver art. (embargos de divergência no Resp. 173 do CTN. se não houver pagamento (sujeito ao lançamento por homologação).  a jurisprudência tem entendimento que. não tem início o prazo prescricional  lançamento não definitivo!  Aliomar Baleeiro afirma que o lançamento já traduz a definitiva constituição do CT. parágrafo único do CTN (dolo ou simulação para obtenção de moratória). Ver acórdão no RE 58. nos termos do art. contador do exercício seguinte àquele em que se extinguiu o direito potestativo de o Estado rever e homologar o lançamento”. mas o próprio CT. enquanto o lançamento pende de impugnação ou recurso administrativo. Se não fosse assim. 585. direito para propor execução!  5 anos para propor a execução do CT  certidão da dívida ativa  título executivo extrajudicial.06.407-SP(98. 172 do CC IVato inequívoco de reconhecimento  acordo de parcelamento  confissão de débito!  art.: desaparecimento do devedor). passa-se a cogitar de outro prazo  prescrição da ação para a cobrança do tributo lançado!  Art. § 2º da Lei 6. não ocorre o prazo prescricional. 150. enquanto. tendo ocorrido a prescrição. seria lícito o ato de recusa!  Parágrafo único – interrupção da prescrição: Idespacho do juiz (LC 118/05). por não haver ainda. VI do CPC.1995. a relação material tributária  a fazenda Pública não pode negar uma certidão negativa. ou seja. a prescrição não atinge apenas a ação para cobrança do CT. 8 de maio de 2000  parece ser o entendimento mais correto!! PRESCRIÇÃO  feito o lançamento. O próprio STJ parece ter revisto sua posição ao entender que. 4º . entre diversos na mesma linha.Antigo TFR – Súmula 219  soluciona a questão: STJ: “a decadência relativa ao direito de constituir CT somente ocorre depois de 5 anos.830/80  despacho do juiz interrompe a prescrição ! É uma segurança. pois a citação pessoal pode não ocorrer (ex. CAUSAS DE SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO  exigibilidade do CT definitivamente constituído ! todas aquelas que suspendem a  o prazo prescricional tem seu início do momento em que a Fazenda Pública tenha o direito à ação para fazer a respectiva cobrança  CDA ! 65 . IIIato judicial que constitui em mora o devedor.918-5/RJ. havendo pagamento. 174 do CTN  quando ocorre a constituição definitiva ?  a grande maioria dos tributaristas sustentam que. IIprotesto judicial: é um tipo de ação cautelar(é uma ação do devedor  presume-se ciência da dívida). DJU de 19.88733-4)) – DJU. é aplicável o prazo do art. nos termos do art. 101.

 A ação de consignação para CT está prevista em lei e é uma obrigação em dinheiro.  momento da extinção é o da homologação  é muito importante quando da restituição de tributo pago indevidamente  Art. Nos casos previstos em lei. ou seja. que. Valor consignado é convertido em renda. 151. poderá o devedor ou terceiro requerer. expressa ou tácita ! CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO  é uma ação que visa assegurar o direito do devedor em pagar sua dívida.PRESCRIÇÃO E LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO:  Assim como não há decadência no lançamento por homologação.consignação procedente .  Ação de Consignação em Pagamento  procedimento especial do CPC ( porém pode editada lei que determine de modo diverso). da IN GSF  procedimento próprio !  A conversão é feita somente depois do trânsito em julgado da decisão! PAGAMENTO ANTECIPADO E A HOMOLOGAÇÃO DO LANÇAMENTO  muito importante a conjunção “e” . 156 do CTN! 66 . “ definitivamente extinto o crédito”.: forma de pagamento não aceitação de cheque de SP não escrito em GO. III do CTN  depósito integral (e não parcial) ! Se o SP quiser depositar. a consignação da quantia ou da coisa devida. § 4º do CTN. 150. cientificando-se o credor por carta com aviso de recepção. 149. Obs. também não há prescrição  poderá ocorrer no lançamento de ofício. poderá o devedor ou terceiro optar pelo depósito da quantia devida. I do CTN se reporta à data da extinção do CT  data da homologação.  Na ação de consignação. II do CTN).: art. 164 do CTN: Irecusa de recebimento ou subordinação a tributo. o pagamento antecipado não basta  é necessária a posterior homologação do lançamento (ou pagamento)  Art. assinado o prazo de dez dias para a manifestação de recusa. 890.: devia ter o adjetivo “ procedente” no inciso VIII do art. com efeito de pagamento.consignação improcedente cobrança do CT + mora + penalidades (se for o caso).a ação só se presta a discutir o CT em questão. IIIexigência de tributo idêntico. deverá ser feito integralmente ! Ex. 168. enquanto outros afirmam que a subordinação é inaceitável. §1º. em estabelecimento bancário oficial. ou seja.  § 1º : tratando-se de obrigação em dinheiro. onde houver. nos termos do art. penalidade ou cumprimento de OTA. 151. serve para que o SP recolha seu tributo em caso de recusa do AS. o SP pretende extinguir a relação obrigacional tributária montante consignável é aquele que o SP se dispõe a pagar (diferentemente do depósito do art. em DT. não cabe a ação. §2º. em qualquer hipótese (ex. art. em conta com correção monetária. situado no lugar do pagamento. se encaixando perfeitamente no procedimento do CPC. IIsubordinação a cumprimento de exigência administrativa sem fundamento legal  alguns autores afirmam que se houver lei prevendo a subordinação.  Casos em que cabe a consignação judicial do CT  art. V do CTN ! Conversão do depósito em renda  conversão do depósito feito nos termos do art. é transferido para o AS  considera-se efetuado o pagamento! .

165 a 169) Obs. mas não é. o que implica dizer que a lista está em numerus apertus e não em numerus clausus. 175. que consiste na dispensa do tributo devido. enquanto a doutrina moderna confunde isenção 67 . o dever de pagar. ISENÇÃO: primeira modalidade de exclusão do CT. como parte e não como juiz.DECISÃO ADMINISTRATIVA IRREFORMÁVEL  favorável ao SP  isso mostra que a Fazenda Pública tem de aceitar a decisão administrativa. ela exclui o CT. Excluem o crédito tributário: Iisenção. antes de sofrer o impacto da regra de tributação. na verdade. IIanistia. a anulação de seus próprios atos ! Há autores que defendem esse direito para a Fazenda Pública! DECISÃO JUDICIAL PASSADA EM JULGADO:  assim como a decisão administrativa. a incidência da norma isentativa!  a polêmica é levantada no sentido de saber se é regra da incidência ou a regra da isenção que atinge primeiramente o fato!  como já dito anteriormente.  a decadência estaria melhor colocada no art. PAGAMENTO INDEVIDO (art. Por essa doutrina. ou seja. É a tese por nós defendida. . EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (excluir o CT significa evitar que ele se constitua) Obs. confusão. havendo outras formas de extinção do CT. tal fato receberia.  muito se tem debatido na doutrina no tocante à natureza da isenção !  há dois posicionamentos interessantes:  Doutrina Clássica: define a isenção como um favor fiscal.: leitura obrigatória do Capítulo XIV do livro Direito Tributário Brasileiro de Luciano Amaro (12ª edição). quando vimos as categorias de tributação!  Doutrina moderna: defende que a lei isentante tem por fim negar a existência da relação tributária. Ex. nasce a OTP e por força da lei isentante.: leitura obrigatória do tópico n. pois a Fazenda Pública age. Parágrafo único: não ocorre a dispensa do cumprimento das OTA. somos defensores da doutrina clássica. ou seja. 5 do Capítulo V da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). evitando-se que ele se constitua. pois. Seus julgadores devem se ater à legislação e agirem com imparcialidade ! No dizer de MBM: “ o lançamento tem efeito declarativo positivo. 175.: Novação. não podendo recorrer ao PJ  Parece obvio. etc. 156 não é taxativa. primeiramente. pois dá um sentido prático ao instituto da isenção. Art. a decisão judicial também extingue o CT! DAÇÃO EM PAGAMENTO EM BENS IMÓVEIS  condições estabelecidas em lei:  acrescentado pela LC nº 104/01  nada mais do que oferecer bens imóveis em troca de quitação do CT definitivamnete constituídos Obs. uma liberalidade do ente tributante. enquanto a decisão que o desfaz tem efeito declaratório negativo relativamente à obrigação tributária”.: vários autores afirmam que a enumeração do art. dação em pagamento em bens imóveis. na Justiça.  A referência à ação declaratória reflete o pensamento daqueles que entendem que a Fazenda Pública pode pleitear. ocorre a dispensa do CT. no PAT.

porém outros manifestam-se no sentido de admitir incentivos fiscais. nem integração! Art.  §1º . III da CF/88 (objetivos fundamentais da RF do Brasil). o STF já decidiu que “ a revogação da isenção tem eficácia imediata. quando se trata do princípio da anterioridade (art. VII do CTN delimita a área de reserva legal e nela está a isenção! Parágrafo único: isenção restrita a determinada região do território da entidade tributante. por contrariar a regra do Art. 97. 3º. 99. o que equivale dizer que sua cobrança pode se dar no curso do mesmo exercício. não se aplica a : Itaxas e contribuição de melhoria. (RE n.tributo lançado por período certo de tempo  renovação do despacho antes da expiração do período.432) Art. Poderia entrar com uma ação de perdas e danos pela inexecução do contrato! O art. os administrados pela antiga SUDENE ! Esse posicionamento encontra respaldo também no art. se obrigando a isentar tal feito. sem ofensa ao princípio”.150.: Se o Estado contrata com um constituinte.: observe a expressão: “ salvo disposição em contrário”a lei pode determinar de modo contrário!  regras de isenção devem ser interpretadas literalmente (art. 151.: isenção de IPTU para casas abaixo de 70m2 --.  alguns afirmam que essa regra não se aplica aos tributos federais. 155 do CTN ! CLASSIFICAÇÃO DAS ISENÇÕES: 68 . 176: ainda quando prevista em contrato sempre decorrente de lei. como por exemplo. não é veículo idôneo para norma exonerativa  o contr.908. o contrato. aplicando-se o art. IItributos instituídos posteriormente à sua concessão Obs. “b” . Art.e não incidência ( autores afirmam que com a isenção o que ocorre é uma redefinição do campo de incidência. da CF/88). 104. I da CF/88. Ex. III.despacho não gera direito adquirido  deve ser revogado “ de ofício” sempre que apurado alguma irregularidade. exigência de comprovação das condições!  §2º . 179 – isenção pode ser concedida em caráter geral ou específico !  caráter geral  decorre de lei apenas. 178 – Prazo certo e em função de determinadas condições: (anteriormente era “ou” ) a revogabilidade depende de dois requisitos:  alguns autores afirmam que existe um grande equívoco nesse dispositivo:  Não se pode falar em revogação da isenção!  se a isenção é em caráter geral  o que será revogada é a lei que dispõe sobre a isenção!  se a isenção é em caráter específico  o que haverá é a ampliação do ato administrativo de concessão!  embora alguns doutrinadores defendam a aplicação do inciso III do art. o que não deixa de ser não-incidência). Ex.  caráter específico  a isenção se efetiva mediante despacho da autoridade administrativa.RS. por si só. publicado na RTJ 107/403. 111 do CTN) Não comportam interpretações ampliativas.  Art. 177: em princípio.

fato. .04. desde que a contribuinte regularize sua situação até 30. 3. por lei. .determinada região. mas efetivadas mediante despacho da autoridade administrativa. IIinfrações resultantes de conluio  ANISTIA x REMISSÃO  anistia diz respeito apenas às penalidades. 4. . negócio. diretamente pela lei.por prazo indeterminado.Quanto à área: . vai havendo uma diminuição do desconto! 69 .Quanto à entidade isentante: . Na atual CF. a União está proibida de conceder isenções de impostos estaduais e municipais.gerais abrangem todos os tributos.1.02 ! a partir desta data.absolutas ou em caráter geral  conc. 181III- caráter geral (ou absoluto).sob cond. é um perdão das multas.subjetivos concedidas em função de condições pessoais do destinatário.: lei nº 14.  não se aplica em casos de : Icrimes ou contravenções.autônoma  concedida pela PJ titular da comp.ampla valem em todo o território do ente tributante. limitada: 1. Art.por prazo certo. 6. ou seja. 3.Quanto à forma de concessão: . porém há divergências entre os doutrinadores.especiais abrangem somente os tributos que especificam. ANISTIA  exclusão do CT relativo a penalidades pecuniárias. ato.084/02 --. .relativas ou em caráter específico  conc.Quanto ao elemento: . 2. enquanto remissão abrange todo o CT.objetiva-subjetiva mista ( conc. e capacidade trib.restritivas ou regionais  valem em apenas parte do território. Art. .: retorno de vasilhames em 180 dias. . Tratados internacionais de que a União faça parte. pose ser um exemplo de isenção heterônoma.heterônoma concedida por outra PJ  na CF anterior. .até determinado montante. 180 – infrações cometidas antes da vigência da lei.Quanto á natureza: . . Ex. de pagamento de tributo no prazo fixado. 4.incondicionadas ou simples  sem exigência de condições. .Quanto a abrangência dos tributos: .objetivas concedidas em função da mercadoria. 2. anistia de multas de ICMS até 98%.condicionadas  concedidas sob algumas condições. .determinado tributo.Quanto ao prazo: . em função do FG e de cond. havia previsão expressa de isenção heterônoma para a União. etc. 5. ex. pessoais) 7.

Distrito Federal.  É um tipo de presunção legal absoluta. enquanto o art. compreende-se no âmbito da reserva legal  art. Art. VI do CTN. ou seja. não admite prova em contrário!  D. 649 São absolutamente empenhoráveis: IOs bens inalienáveis e os declarados por ato voluntário não sujeitos à execução. anel municipal etc. 187: Ação de Execução Fiscal não é sujeita a concurso de credores ou habilitações! P.Estados. 184. uma forma de exclusão do CT. Parágrafo único: não gera direito adquirido. 182: – anistia geral  decorre diretamente da lei – anistia restrita  efetivada mediante despacho da autoridade administrativa. Art. também. 155 do CTN) GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Obs. Trata dos privilégios de CT  Irrelevante a data de constituição do ônus ou da cláusula  o bem onerado responderá pelo CT!  Impenhorabilidade: Se resultar de lei  o credor tributário deve respeitar Se resultar de vontade (cláusula de impenhorabilidade)  inoperante para o credor tributário  Ex: Numa doação. 70 . 97. nos moldes da moratória(art. Único: concurso de preferências entre as entidades tributantes: I.: leitura obrigatória do tópico n. 186: somente os créditos da legislação trabalhista prefere aos CT! Art. conjuntamente e pro rata (todos juntos mediante rateio) III. pode ocorrer que o doador determine que os bens objeto da doação não podem ser penhorados em ação de execução  não produz nenhum efeito para o Fisco! Pee valer apenas entre os particulares. Territórios. II.) CPC. devendo se aplicar esta! Art. sendo. independente da garantia (ex: hipoteca). 6 do Capítulo V da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição). os legisladores federal. 185: Alienação presumivelmente fraudulenta  quando haver CT inscrito em DA em fase de execução. em fase de execução não significa que é necessário que a ação de execução já tenha sido proposta  a fase de execução começa com a inscrição do CT em DA. estadual e municipal podem estipular outras! Parágrafo único: O crédito sempre terá natureza tributária. pois é uma regra geral. Art. 649 do CPC o que não pede ser penhorado (bens inalienáveis e declarados por ato voluntário. conjuntamente e pro rata (todos juntos mediante rateio). 184 do CTN traz uma regra específica. além das garantias do CTN.  Essa regra não tem validade contra o Fisco.A. 183.Municípios.União. Estando o CT inscrito. já ocorre a presunção de alienação fraudulenta! Art. alimento e combustível para um mês de manutenção). Art. para impedir que o donatário penhore o bem!  Ver art.

134. (conj.lugar – CT da União. é o prosseguimento dos negócios. preferindo mesmo aos créditos trabalhistas. § 1º . A massa falida pode desenvolver atividade lucrativa.lugar – CT das autarquias estaduais. (conj. são judicialmente extintas. nos termos do art. 2.da massa falida: FG ocorridos depois da decretação  art 188 do CTN  gozam de absoluta preferência. 188: Encargos da massa falida e do concordatário. impresas privadas (aplica-se os art. não sendo este um tributo relativo a sua atividade mercantil. Art. nos termos do § 1º do art. nesse caso. e pro rata) 4. com certeza.declaração da ext.  O invetariante é pessoalmente respons avel pelos tributos devidos pelo espólio (FG ocorridos depois da ____________ de sucessão). pois como o objetivo. nos termos do art.Aplica-se aos processos de concordata. além de trazer regra específica. 186. Como o artigo se cala quanto aos CT devidos às autarquias. IV do CTN. Obs: Se uma empresa deve CM.da empresa: FG ocorridos antes da decretação  Art.  O sindico é pessoalmente responsável.Nas liquidações (judiciais ou voluntárias).lugar – CT dos Estados Distrito Federal e Territórios. distritais e territoriais e assim por diante. resulta em dívidas tributárias! Depois da decretação da falência. à decretação da falência.  Esse dispositivo reafirma o disposto no art. 189. Muito importante esse dispositivo.Julgamento da partilha. 71 . para fins do dispositivo. 192. 2. Art. Exigência de quitações financeiras (judiciais). Obs: Algumas TJ não entram em falência.V do CTN.concessão de concordata. 190. Art. 191. anterior.Exigência da quitação de tributos para a: 1. Art. passam a existir dois tipos de dívidas tributárias: 1º. 186 do CTN 2º. tendo em vista o processo de falência ter suas peculiaridades.lugar – CT das autarquias federais. § 2º . ou a suas rendas para a: 1. EX: instituições. das obrigações do falido.  Inventariante é obrigado a declarar todas as dividas do de cujus e seu espólio.Inventario e Arrolamento:  Da mesma maneira do art. o Juiz oficia as repartições fiscais para assegurar sua preferência. e pro rata) 3.Em caso de impugnação do CT há uma regra específica  reserva bens. o CT goza de preferência absoluta. 188 do CTN. tem preferência geral e absoluta. o CT.Exigência de quitação de tributos relativos aos bens do espólio. nos processos de inventário e arrolamento. logo após a pessoa jurídica de Direito público a que pertencem! Esse entendimento faz com que os CT sejam assim pagos: 1. o que. Obs: Comissário: juigualmente é um credor que assume o controle. devendo sua contestação ser acompanhada de garantia de instância. o volume do CT sua bem mais alto  a concessão da concordata equivale. 134. o artigo TFRecursosSupria a lacuna decidindo que as autarquias se colocavam na escala de preferências. 134. se a massa falida não efetuar a garantia de outra maneira! Essa regra só vale para impugnações feitas pela massa falida. Com base nas informações. consequentemente. Art. pode a empresa argumentar que essa dívida não é motivo para o impedimento da concessão da concordata.VII e 135 do CTN).

A própria CF traz a expressão “salvo nos casos previstos em lei”.(art. sendo. da quitação de tributos que admite autorização de lei em contrário. Art. muitas das vezes. Lei nº. Art. não fala em profissionais. o tributo que a torne mais “viável”. por isso não afrontam a garantia do livre exercício de tais atividades.266/98. Administração Tributária (Título IV do Livro II do CTN) Obs. 194. 193. Ex: IPTU. 133 do CTN. 4. Empresas com dividas tributárias podem concorrer deslealmente.Competência e poderes das autoridades administrativas em matéria de fiscalização. é uma aberração.: leitura obrigatória do Capítulo VI da Segunda Parte do livro Curso de Direito Tributário de Hugo de Brito Machado (27ª edição).2. As regras limitativas prevalecem entre os particulares.235/72. Incompetência: ver CPC (legislação complementar para o Direito Processual Tributário). Capítulo I – Fiscalização (Art. contagem de mercadorias. que. Ex: notas brancas de controle (caixa dois). o que permite a exigência do art.Regula o PAT federal  art 59. Ún. As empresas ainda alegam que precisam contratar para poderem quitar seus débitos. A solução seria entender que a remuneração é exemplificativa nos 02 casos. 2.Aceitação de proposta em concorrência pública. IV e 29). 133 e 195 do CTN).  Tributos relativos à Fazenda Pública interessada e à atividade dentro do exercício. 27. 13. Ver Lei nº.Para os efeitos da legislação tributária. 195. São muitos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente. referência que não é feita pelo art. mas é apenas um argumento sem muita força jurídica. Exemplo: Lei nº. Somente tributos que onerem o patrimônio ou a renda podem ser impedimento nos casos expressos por esse dispositivo. asseguradas pelo art. 194 a 200 do CTN) Art.666/93 (art. 8. 70. da CF/88. não se aplica qualquer disposição legal que limite o direito de examinas mercadorias e documentos comerciais/fiscais. relativos à atividade em cujo exercício contrata ou concorre para a: 1.Exigência de quitação de tributos devidos à Fazenda Pública interessada. Em contra-partida.Regula o processo administrativo tributário  Art. Tais regras não se aplicam contra a Fazenda Pública. A prova de quitação e só com a entidade com que vai contratar ou participar de concorrência pública. Obs: O artigo fala em produtores. 170. 17. Decreto nº. ITBI. P. 193 do CTN. IR etc. 18 e 19 do CCB trazem algumas regras limitativas. Art. 13. Obs: É a única das hipóteses de exig. registros na contabilidade etc.  as duas primeiras exigências (art. 191 e 192 do CTN) dizem respeito ão exercício normal de atividades econômicas.882/01. mas é natural que o órgão público se recuse a contratar com empresas que lhe devem. Obs: Os tributos devem ter relação com os bens ou rendas do espólio. Alguns afirmam que a terceira exigência poderia ser de constitucionalidade duvidosa.Adjudicação. 16 – São muitos os atos praticados por autoridade incompetente.Lei do Fisco/GO  lista atribuições e competências. No meu intender. talvez.Celebração de contrato. 72 . dispõe apenas desses documentos para provar as ocorrências dos FG dos tributos.

Revelar alguém. não. ministério. Art. Em caso de descumprimento. e multa. em alguns casos. quando adicitado. Art. §6º da CF/88.)  Em caso da não observância do dispositivo. Art.  além do mais. de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos. 330 do CP. e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena – detenção. crédito etc. caso em que será entregue uma cópia à pessoa sujeita à fiscalização. 198. a violação de segredo profissional é crime (art.Solicitações de autoridade administrativas. tomam conhecimento de algunsdados que devem ser grardados em Sigilo.  O dever de exibir documentos por parte do SP é um exemplo de OTA. São obrigações diferentes. dá-se o nome de circularização) etc. não precisando ir ão Judiciário. 138. se o fato não constitui crime mais grave. Único.  em caso de violação. Exceção ão dever de sigilo funcional ou fiscal: (§1º) 1.Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que devapermanecer em segredo. o qual impõe limites ão dever de informar. é necessária uma intimação escrita. 154. podendo agir repressivamente contra o funcionário (servidor). Art. P.Único. Art. mas não precisam informar ão Fisco) etc. jornalistas (podem ter acesso a algumas informações sigilosas.Trata-se do “sigilo fiscal” ou “sigilo funcional”  O dispositivo tem como destinatários a Fazenda Pública e seus agentes. I. em virtude da função exercida. Distrito Federal e Municípios e permuta de informações com Estados estrangeiros). IPVA (Estados/DF) ou IPTU (Municípios) x IR (União) etc. 37.O início do procedimento deve ficar bem definido. Muito importante para marcar o prazo inicial da decadência.informações relativas a ITCD devem ser fornecidas à Fazenda Pública Estadual Ex: Contabilista da empresa. Pode ser feito em um dos livros fiscais exibidos ou em separado. P. mas não tem o dever de informar). segredo. conforme art. desde que exista processo administrativo tributário em andamento. ou multa. o contribuinte pode ser muito prejudicado (imagem. Caso contrário. 196. Pode. ou facilitar-lhe a revelação: Pena – detenção.  Inciso VII: somente com previsão de lei. 197. Ex: Advogados (para defender o SP. conforme art.Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena – detenção de 15 dias a seis meses. a Fazenda Pública responde pelos danos. 325. 199 do CTN (assistência mútua entre União. terceiros que disponham de informações devem informar o fisco. Importante para por fim ão instituto da espontaneidade. sem justa causa.além do sujeito ativo. que. Estados. empresas que tinham relação comercial com a empresa fiscalizada (em contabilidade. Único: trata-se do “sigilo profissional”. pode restar configurado o crime de violação de sigilo funcional (art. ou multa.A Fazenda Pública é quem disciplina o procedimento para exibição. ainda. A desobediência pode configurar o crime previsto no art. ofício ou profissão. pode impor multas (exibição é uma OTS). 325 do Código Penal). 3. Ex: Cruzamento de informações entre as Administrações Tributárias  IR (União) x ITBI (Município). 330. toma conhecimento de vários ilícitos. por prática de infração administrativa  investigação do SP. Art. porém o dever de dar informações de terceiros.Requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça. 73 . P. comforme art. 2. de 03 (três) meses a 1 (um) ano.casos previstos no art. 173. 154 do CP). fazer o lançamento do tributo por arbitramento. de quem tem ciência em razão de função.

Como dito anteriormente.Inscrições da dívida ativa: também são públicos (porém podem trazer prejuízo para o sujeito passivo) III . incluído no CTN pela LC n. por se tratar de dívidas da empresa.Representações fiscais para fins penais :remessa dos autos de infração à procuradoria para abertura dos inquéritos e posterior oferecimento de denúncia.Parcelamento ou moratória: podem trazer prejuízos ão SP. § 3º. não é vedada sua divulgação.Divulgação permitida das seguintes informações: I . DF e Municípios para instruir processo administrativo tributário. Embaraço: é qualquer forma de resistência à atividade fiscal! Exemplo: Esconder livros fiscais. Art 200 – A requisição é feita diretamente pela autoridade administrativa (competente). porém são irrelevantes para fins do disposto no Artigo 200 do CTM). Não há necessidade de intervenção judicial. fuga de blitz de administração tributária => a caracterização da infração depende da comprovação da materialidade da mercadoria. inclusive penalidades administrativas do policial que se recusar a auxiliar a autoridade administrativa fiscal! Excesso de Exação (Artigo 316 § 1º do CP) => “se o funcionário exige tributo ou contribuição social que sabe ou devia saber indevido. a fiscalização ou quando necessária a intervenção policial para dar efetividade a Legislação Tributária. emprega na cobrança meio vexatório ou gravoso. 331 do CP: A requisição de que trata o artigo tem o objetivo de utilização da força policial em situações que requerem urgência. a qual deve ser analisada! => A demora da força policial poderá prejudicar o trabalho da fiscalização! Tal medida deve ser usada com moderação! Pode haver. Desacato: Crime previsto no Artigo 331 do CP (a controvérsias a respeito da configuração desse delito. Por isso é que o próprio CTN já faz essa ressalva  embora possa prejudicar o contribuinte. Art 199. pode haver danos para o SP e este deve acionar civilmente a Fazenda Pública. que irá procurar o culpado pelo vazamento da informação. Pressupostos: Deve haver embaraço ou desacato no exercício de suas funções. Pressupostos: deve haver in Art. A RF pode solicitar informações dos Estados. Único. Se alguma etapa faltar. 200: A requisição é feita diretamente pela autoridade administrativa (competente)! Não há necessidade de intervenção judicial. Importante neste dispositivo é que há um mandamento e não uma opção  “prestarse-ão” e não “poderão prestar”. Art. etc. entrega pessoal ão solicitante e outras formalidades. quando devido. conforme ementa do STF publicada na RT 559/265. para assegurar a preservação do sigilo. que a Lei não autoriza” 74 . Observação: Poderão ser objeto de aquisição das CPI (Comissões Parlamentares de Inquérito).O intercâmbio de informação sigilosa tem procedimento próprio:processo regularmente instaurado (solicitação deve ser feita por pessoa competente). as quais tem poderes de investigação próprios das autoridades judiciais  art. II . trata-se da previsão da assistência mútua entre as diversas entidades tributantes inclusive estrangeiras (P. 58. Ex. podendo dificultar a obtenção de créditos bancários. ou. §3º da CF/88. oferecer resistência de qualquer natureza. 104/2001).

Parágrafo Único: Indicação do livro e folha de inscrição. Certidão Nula => processo de execução deverá ser extinto sem julgamento de mérito (art. ser intentada outra ação de cobrança. As dívidas ativas não tributárias. a CN é tirada pela Internet. artigo 585. DF ou Municípios).CPC. que deverá apresentar prova inequívoca para ilidir (questionar. 267. 5 – Número do processo administrativo (se houver). Importante: até o julgamento de 1ª instância. Atualmente. Certidões Negativas Art. pois há possibilidade do devedor alterar os dados de identificação. contestar) a dívida! Parágrafo Ùnico do Artigo 201: Ficaria melhor como parágrafo do Artigo 204 => a fluência dos juros de mora não retira a liquidez do CT. Presunção é relativa. Requerimento do Interessado: com base no parágrafo unido do artigo. HBM afirma que é possível corrigir os defeitos da decisão mesmo depois do julgamento de 1ª Instância. 2 – Valor do CT e forma de calcular juros de mora. autêntica no Cartório. Se há pendência. mas são deixadas de lado pelas vítimas. o interessado deve procurar a repartição fiscal! Portanto o requerimento pode ser por escrito. Não sendo possível fornecer uma certidão negativa. uma cópia. a melhor interpretação é de que deve ser apresentado por escrito. 75 . podendo ser questionada pelo devedor. Parágrafo Único: Mesmo depois de inscrito. Observe que o ônus em contrário passa a ser do devedor. Dívida Ativa (Título executivo extrajudicial . Estados. 4 – Data da inscrição. inciso VI). trocou os dados e fez nova cópia). Pela Internet só há o fornecimento de certidão negativa. Artigo 201: Trata-se da dívida ativa tributária. Artigo 203: Nulidade da inscrição => a nulidade não alcança o lançamento. IV do CPC). física ou jurídica. Ex: certidão negativa apresentada com fraudes no CPF (tirou uma certidão negativa. o CT continua a render juros de mora. verbal ou virtual. o que não lhe tira a liquidez! Do mesmo modo a CM! A multa aplicada por algum descumprimento de OTA faz parte do CP e não pode ser alterado seu valor! Nem multa moratória! Artigo 202: Indicações obrigatórias do termo de inscrição na dívida ativa: 1 – Nome do devedor (responsáveis e respectivos domicílios).Na prática. nesse caso. será fornecida uma certidão positiva (em casos de haver débitos). devendo. 3 – Origem e natureza do crédito (que pode ser tributário ou não) e disposições legais. Certidão Negativa deve ser apresentada sempre em original. nada deve aos cofres daquela entidade tributante (União. podem ocorrer essas situações. provenientes de multas administrativas como FEMAGO (Meio Ambiente). (não é prova inequívoca) e recolhimento com referência trocada (aceito como prova inequívoca). Agencia Rural etc. mesmo que lhe altere o valor nominal! Casos no STJ: Pedido de perícia técnico contábil. 205: Certidão Negativa: é a prova de que determinada pessoa. Artigo 204: Presunção de certeza e liquidez (certeza se refere a sua legalidade e liquidez se refere ao seu montante).

o coreto seria a citação da dívida e parcelamento! O CT não sai DA. ou adjudicação (artigo 192). até que a última parcela seja quitada! Pode ocorre ainda o depósito para garantia do juízo e em medida liminar. porém responsabiliza todos participantes no ato de dispensa! É uma modalidade de responsabilidade! Observação: “Independente de disposição legal permissiva” => expressa que dá segurança ao dispositivo! Exigência da quitação de tributos do CTN: Deferimento de concordata e ext. No meu modo de ver. Estado. VI do CTN – na prática não aparece o débito. O CTN foi sensível a essa situação. haverá de ser tida como Inconstitucional. acaso aparecesse. Artigo 301: O erro meramente culposo não suscita as responsabilidades do dispositivo (Ex: negligência) Disposições Finais e Transitórias Artigo 209: União. com base no Art. 301 do CP – Certidão ou Atestado falso). mas. Se qualquer exigência de quitação de tributos for feita com base em Lei Ordinária Federal. 2 – CT em faze de execução e efetiva a penhora. Estadual ou Municipal. HBM afirma que somente LC pode instituir outra hipóteses de exigência de quitação de tributos. Artigo 208: responsabilidade pessoal do funcionário que agir com dolo ou fraude => CT mais juros de mora acrescidos. 206: mesmos efeitos da certidão negativa: 1 – Certidão com débitos não vencidos (situação de difícil ocorrência) => não há inadimplência. de 15 de março de 1967.Art. não haveria problemas). Artigo 207: Dispensa quando da possibilidade de caducidade de direito. III. Cabe mandado de segurança contra exigência sem amparo legal. Único: responde ainda por falta funcional (Processo Administrativo Disciplinar) e criminalmente (Art. de objeto de obrigação do falido (Artigo 191). Artigo 210: Prazos do CTN e da Legislação Tributária são contínuos (exclui-se do dia do início e inclusive o do vencimento) => expediente normal da repartição! Artigo 218: CTN entrou em vigor em 1º de janeiro de 1967 e passou a ser chamado assim pelo Ato Constitucional n.º . 146. 3 – CT com exigibilidade suspensa (ocorre freqüentemente com CT parcelado. Como essas garantias (Capítulo VI do título III do CTN) se referem ao crédito tributário. Distrito Federal e Municípios (mais suas autarquias) => como nos caos do Parágrafo Único do CTN. “b” da CF. 76 . nos termos do Artigo 151. Condição para celebração de contrato e participação de licitação (Artigo 193). P. Condição da sentença de julgamento de part.