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UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL ULBRA CARAZINHO COMUNIDADE EVANGÉLICA LUTERANA SÃO PAULO Reconhecida pela Portaria Ministerial nº 681, de 07/12/89 – DOU de 11/12/89 CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO ATIVIDADE SEMIPRESENCIAL Dimensionamento Acadêmico (a): Daiane Pauli Professor (a): Raquel Rhoden Bresolin Disciplina: Espaço e Composição Turma: 0115 – 3N CARAZINHO 2015/2 Jardim Edite / Programa de Necessidades Arquitetos: MMBB Arquitetos, H+F Arquitetos Localização: Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini - Itaim Bibi, São Paulo, Brasil Área: 25714.0 m2 Ano do projeto: 2010 Definido como um projeto de interesse social, o Jardim Edite, no Brooklin, em São Paulo, vai além da proposta de melhoria da condição de vida dos ex-moradores da favela que ocupava o local. Trata- se, também, de um projeto de integração social entre as habitações construídas e a rica vizinhança, o cruzamento das avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Jornalista Roberto Marinho, junto à ponte Estaiada. Além de cartão postal da cidade, a área faz parte do novo centro financeiro e de serviços da capital paulista. Para garantir essa integração, o projeto articulou a verticalização do programa de moradia a um embasamento constituído por três equipamentos públicos – Restaurante Escola, Unidade Básica de Saúde e Creche – orientados tanto para a comunidade moradora como para o público das grandes empresas próximas, inserindo o conjunto na economia e no cotidiano da região. O restaurante-escola é o principal exemplo da integração do conjunto habitacional com a sociedade. Abre-se tanto à comunidade do conjunto quanto a frequentadores das grandes empresas localizadas no entorno. O mesmo acontece com os estacionamentos. Públicos, à noite eles são utilizados preferencialmente pelos moradores, mas durante o dia os visitantes podem utilizá-los também. O pavimento de cobertura desses equipamentos, interliga todos os edifícios habitacionais em cada quadra, conferindo à convivência dos moradores. O projeto possui uma área total construída de 25.500 m², com 252 Unidades Habitacionais de 50 m². O Restaurante Escola tem 850 m², a Unidade Básica de Saúde, 1300 m², e a Creche, 1400 m². A concepção do Jardim Edite parte da necessidade de resolver um problema relacionado a uma questão de infraestrutura, mas na verdade o desejo dos arquitetos, desde o início, é de desenhar uma situação urbana de beleza e desfrute. Eles propuseram programas que evitassem futuramente a volta da favela ou mesmo a transformação do conjunto em uma área de habitação social que as pessoas evitam frequentar. A partir do desejo de tornar a arquitetura parte do panorama urbano, e não uma exceção, nasce o conjunto com uma morfologia e volumetria semelhantes aos prédios vizinhos. Para integrá-los, os arquitetos reproduziram de forma semelhante a textura/morfologia da cidade que está à sua volta. Fachadas aliam design e funcionalidade. Embora discreta, a arquitetura marca as fachadas ressaltando faixas e sombras. As fachadas oferecem uma solução genuína tanto para os edifícios baixos quanto para as torres. Trata-se de uma saliência de 50 centímetros que potencialmente transforma-se em um armário com profundidade em torno de 60 centímetros no interior da residência, ou seja: um espaço extra. A saliência também cria uma condição de proteção do caixilho contra a chuva, uma vez que não existe uma empena. Por uma questão de custo, as construções foram feitas com concreto moldado in bloco na estrutura e os fechamentos foram feitos alvenaria revestida. Unidades Habitacionais As habitações somam 252 unidades de 50 m², distribuídas em volumes verticais (torres de 17 pavimentos) e horizontais (duas lâminas com dois blocos de quatro andares, sendo o último dúplex) sem elevadores, porque oferecem condomínio mais baixo, que atendem às famílias com menor recurso. Cada apartamento é composto por dois dormitórios, sala, cozinha e área de serviço. Nas habitações há a vista privilegiada a partir das lâminas ou das torres, a ventilação cruzada – que deixa a casa muito mais saudável, luminosa e agradável – e uma bela orientação, sempre com uma face insolada. Áreas de uso comum, como as circulações, foram planejadas para serem também de convívio. Assim, o corredor das torres é quase um avarandado, com janelas abertas ao exterior, espaço suficiente para as pessoas cultivarem algumas plantas. Restaurante Escola / Unidade Básica de Saúde / Creche Com um programa compartimentado, o centro de saúde com diversos consultórios apresenta certo resguardo do ponto de vista visual. A necessidade de iluminar, ventilar e garantir a privacidade ao mesmo tempo levou os arquitetos a criarem um espaço central no qual ficam os diversos consultórios abertos ao exterior, porém, protegidos por uma parede de elementos vazados. No espaço central, a área de acolhimento/recepção possui claraboias que iluminam, ventilam naturalmente e servem à unidade básica de saúde e ao restaurante, onde existe um jardim também compartilhado entre os espaços. A creche – salas e berçários – desenvolve-se em torno de um pátio central protegido, um lugar onde as crianças brincam e tomam sol.