Universidade Federal de Juiz de Fora

Programa de Formação de Recursos

Faculdade de Engenharia

Humanos da Petrobras na área de

Curso de Engenharia Elétrica

Sistemas Elétricos Industriais

Kamila Costa Mancilha

APLICAÇÃO DE ENERGIA FOTOVOLTAICA PARA PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS
E ÁREAS INDUSTRIAIS

Juiz de Fora
2013
Kamila Costa Mancilha

2

AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente a Deus por me guiar nessa trajetória de vida, colocando
sempre pessoas importantes em meu caminho o que me ajuda a definir quem eu sou e
as direções corretas que devo tomar para conquistar cada vez mais sucesso em minha
vida profissional, como também, em minha vida pessoal.
Aos meus pais, Adilson e Luiza Helena, que em meio a dificuldades sempre me
apoiaram para que eu atingisse um objetivo maior na vida e me tornasse a pessoa que
sou hoje.
Aos amigos que sempre estiveram ao meu lado.
Aos mestres que souberam transmitir seus conhecimentos, em especial o
professor Abílio Variz, meu orientador, que soube me conduzir para a realização do
projeto de forma amiga e honrada.
Ao programa PRH-PB214 – Programa de Formação de Recursos Humanos da
Petrobras na área de Sistemas Elétricos Industriais – ao qual fui bolsista durante 18
meses, que contribuiu de forma significativa para minha formação, e ao coordenador e
professor Leandro Ramos de Araújo.

3

RESUMO

O presente trabalho tem por objetivo abordar os principais conceitos e avaliar a
viabilidade técnica e econômica para a aplicação de energia fotovoltaica em
edificações administrativas e comerciais, como em áreas industriais.
O sistema fotovoltaico apresenta diversas vantagens, sendo considerada uma
energia limpa. O maior empecilho para a sua utilização em larga escala ainda é o seu
custo de implantação, pela necessidade de uma tecnologia sofisticada. Entretanto,
pesquisas apontam que o custo desta geração vem caindo cerca de 5 a 7% a cada
ano.
Para o estudo de viabilidade técnica e econômica de diversos casos, foram
utilizadas ferramentas computacionais e metodologias para a obtenção de parâmetros
como a quantidade de energia fotovoltaica fornecida pela instalação, custos de
aquisição, evolução das tarifas de energia elétrica, entre outros. Dentre os casos
simulados destacam-se, o estudo de instalação de placas fotovoltaicas em prédios
comerciais e de indústria, utilizando-se de um sistema integrado à edificação e
interligado a rede elétrica de distribuição de energia.
A motivação para este trabalho é o fato da energia fotovoltaica estar ganhando
espaço, por se tratar de uma fonte renovável de energia, frente a esta visão de
desenvolvimento sustentável que nos cerca. O grande desafio encontra-se em tornar
esta tecnologia viável, uma vez que seu alto custo de implantação dificulta sua
utilização em larga escala.
O objetivo então é deixar claro, por meio das análises econômicas, como o
Brasil é carente em programas de incentivo que alavanque a utilização desta fonte de
energia e como é de fundamental importância que este panorama seja modificado, uma
vez que o país apresenta um potencial extremamente elevado.

Palavras-chave: Sistema fotovoltaico. Conexão à rede de distribuição elétrica. Análise
econômica. Relação custo-benefício.

4

LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1:

Evolução

da

produção

mundial

de

energia

elétrica

(EREC,2005)
Figura 1.2:

12

Passos para a evolução da energia fotovoltaica (ASSUNÇÃO,
2010)

14

Figura 2.1:

Sistema isolado (ABB, 2010)

17

Figura 2.2:

Sistema interligado à rede elétrica (ABB, 2010)

18

Figura 3.1:

Composição

de

um

sistema

fotovoltaico

(CENTRAIS

ELÉTRICAS)
Figura 3.2:

19

Corte transversal de uma célula fotovoltaica mostrando o
funcionamento

do

efeito

fotovoltaico

(BLUESOL

EDUCACIONAL, 2011)
Figura 3.3:

20

Efeito causado pela variação de intensidade luminosa da luz
na curva característica i x v para um módulo fotovoltaico
(CRESESB, 1999)

Figura 3.4:

21

(a) Conexão de células em paralelo (b) Conexão de células e
série (CRESESB, 1999)

22

Figura 3.5:

Seção transversal de um módulo (ABB, 2010)

23

Figura 3.6:

Processo de purificação do silício (ASSUNÇÃO, 2010)

25

Figura 3.7:

Cadeia produtiva da energia solar fotovoltaica (ASSUNÇÃO,
2010)

25

Figura 3.8:

Painel de células monocristalinas (ACRE, 2004)

26

Figura 3.9:

Painel de células policristalinas (ACRE, 2004)

26

Figura 3.10:

Painel de filmes fino (RÜTHER, 2004)

27

Figura 3.11:

Esquema de um inversor (ABB, 2010)

28

Figura 3.12:

Princípio da tecnologia PWM (ABB, 2010)

28

Figura 3.13:

Curva de eficiência de um inversor de 650W (RÜTHER, 2004)

29

Figura 4.1:

Circuito equivalente (ABB, 2010)

32

Figura 4.2:

Característica corrente x tensão (CRESESB, 1999)

32

Figura 4.3:

Curva característica potência x tensão (CRESESB, 1999)

33

Figura 4.4:

Parâmetros de máxima potência (CRESESB, 1999)

33

Figura 4.5:

Influência da temperatura na célula (SOLARTERRA, 2011)

34

12: 58 63 Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na fachada do edifício utilizando o inversor SMC 4600A – 11 Figura 7.1: Relação de custo de um watt fotovoltaico (EPIA.6: Curva de carga com os valores das demandas apontados em cada intervalo de hora 51 Figura 7.7: Energia consumida diariamente 52 Figura 7.5 Figura 4.6: (a) Gráfico para a obtenção do fator de espaçamento (b) Figura para o cálculo da distância (SOLARTERRA. 2010) 40 Figura 6.2: Planta baixa dos andares com os escritórios 47 Figura 7.14: 59 Instalação de painéis de filmes finos na fachada do edifício (BRIGHT SOLAR) Figura 7. 2011) Figura 5. 2008) 43 Figura 7.4: Curva de carga estipulada fora de escala 50 Figura 7. 2010) 40 Figura 5.2: 37 Diagrama de um sistema solar fotovoltaico interligado à rede de distribuição (RÜTHER.3: Planta baixa dos anfiteatros 47 Figura 7.4: Sistema sem o transformador (ABB.10: Simulação do caso com a instalação de painéis policristalinos no teto do edifício Figura 7.8: Incidência da radiação solar (ELETRONICA) 54 Figura 7.13: 58 Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo no teto do edifício Figura 7.9: Simulação do caso com a instalação de painéis monocristalinos no teto do edifício Figura 7.11: 61 Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na fachada do edifício utilizando o inversor SMC 5000A Figura 7. 2004) 38 Figura 5. 2010) Figura 5.15: 63 Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na fachada do edifício utilizando o inversor SB 2500 64 .3: (a) Sistema IT (b) Sistema TN (ABB.1: Planta baixa do térreo 46 Figura 7.1: (a) Um inversor por planta (b) Um inversor por fileira 35 (c) Vários inversores (ABB.5: Curva de carga em escala 51 Figura 7.

18: Simulação do caso com a instalação de painéis monocristalinos na área industrial Figura 7.16: Comparação entre o Investimento na Fotovoltaica e a Aplicação do dinheiro 66 Figura 7.6 Figura 7.19: Simulação do caso com a instalação de painéis policristalinos na área industrial Figura 7.17: Fotografia tirada na fábrica fora do horário de funcionamento 68 Figura 7.20: 72 73 Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na área industrial 73 .

7 LISTA DE TABELAS Tabela 4.3: Resultados da simulação para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos no teto do edifício Tabela 7.12: 65 Especificação das simulações realizadas com a instalação dos módulos fotovoltaicos na indústria Tabela 7.11: 65 71 Resultados das análises econômicas para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na indústria 71 .10: 70 Resultados da simulação para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na indústria Tabela 7.4: 62 Resultados das análises econômicas para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na fachada do edifício Tabela 7.1: Área dos módulos utilizados nas simulações 54 Tabela 7.7: 57 Especificação das simulações realizadas com a instalação dos módulos fotovoltaicos na fachada do edifício Tabela 7.9: Média anual de Radiação Solar para as cidades simuladas acima Tabela 7.2: Especificação das simulações realizadas com a instalação dos módulos fotovoltaicos no teto do edifício Tabela 7.1: Ângulos de inclinação segundo a latitude do local da instalação 35 Tabela 7.5: 55 62 Resultado das análises em diferentes cidades do Brasil utilizando o mesmo sistema do Caso 2 (painéis policristalinos no teto do edifício) Tabela 7.8: 61 Resultados da simulação para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na fachada do edifício Tabela 7.6: 56 Resultados das análises econômicas paras os casos com instalação de módulos fotovoltaicos no teto do edifício Tabela 7.

7.1 PRÉDIOS ADMINISTRATIVOS 45 7.1.3 CONTROLADORES (REGULADORES) DE CARGA 29 3.2 BATERIA NÍQUEL-CÁDMIO OU NÍQUEL METAL HIDRETO 30 3.1.1.3 SILÍCIO AMORFO 27 3.1.1 BRASIL E A FOTOVOLTAICA 13 2.1.5 OUTROS COMPONENTES 31 4.1 TIPOS DE BATERIAS 30 3.4.1.1. SISTEMA FOTOVOLTAICO 15 2.1.1.1 BATERIAS DE CHUMBO-ÁCIDO (BATERIAS ESTACIONÁRIAS) 30 3.1.4.2 INVERSOR 28 3.1.1 INSTALAÇÃO DE PAINÉIS FOTOVOLTAICOS NA FACHADA DO EDIFÍCIO 60 .1 SILÍCIO MONOCRISTALINO 25 3.1. INTRODUÇÃO 10 1.1 SISTEMAS ISOLADOS OU AUTÔNOMOS 16 2. ENERGIA PRODUZIDA 32 5. ANÁLISE ECONÔMICA DO INVESTIMENTO ESTUDOS REALIZADOS 42 45 7.3 SISTEMAS INTERLIGADOS À REDE 17 3.1.3 BATERIAS DE IÕES DE LÍTIO (LI-ION) 31 3.4. COMPONENTES DO SISTEMA FOTOVOLTAICO 19 3.1 ATERRAMENTO E PROTEÇÃO DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS 39 6.2 SILÍCIO POLICRISTALINO 26 3.8 SUMÁRIO 1.4.1.1.1 TIPOS DE PAINÉIS FOTOVOLTAICOS 24 3.1.1.1 SIMULAÇÕES E ANÁLISES ECONÔMICAS 53 7. INSTALAÇÃO DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS 36 5.2 SISTEMAS HÍBRIDOS 17 2.4 TELURETO DE CÁDMIO 27 3.4 BATERIAS (ACUMULADORES DE ENERGIA) 29 3.1.1 TIPOS DE SISTEMAS FOTOVOLTAICOS 16 2.1 GERADOR FOTOVOLTAICO 19 3.

1.2 INSTALAÇÃO DE PAINÉIS FOTOVOLTAICOS EM DIFERENTES REGIÕES 64 7.3 INSTALAÇÃO DO SISTEMA FOTOVOLTAICO X APLICAÇÃO 66 7. CONCLUSÃO 75 9.1 SIMULAÇÕES E ANÁLISES ECONÔMICAS 69 8.9 7.1. APÊNDICE B 81 11.2 ÁREA INDUSTRIAL 67 7.2. APÊNDICE A 78 10.1. BIBLIOGRAFIA 82 .1.

Seu princípio baseia-se no melhor condicionamento do padrão de serviços e qualidade de vida. tendem ao longo das próximas décadas a perderem espaço para as fontes renováveis de energia (SHAYANI. ou seja. onde as gerações centralizadas em grandes usinas se tornam mais atrativas economicamente do que os sistemas distribuídos. atender às necessidades do presente sem prejudicar as necessidades de um futuro. A energia solar fotovoltaica é uma das formas de geração de energia elétrica que está conquistando espaço no mercado mundial frente a esta nova visão. ações corretivas e introdução de novas tecnologias. O termo Desenvolvimento Sustentável. Nos últimos anos. INTRODUÇÃO Nos últimos anos. A partir do momento que a energia for obtida de forma . 2006). A implantação dessas fontes de forma distribuída apresenta inúmeras vantagens ao sistema (SHAYANI. uma vez que o Sol é a maior fonte de energia renovável existente. 2006). sem comprometer o conforto do consumidor. diminuindo assim a atual degradação ambiental. A mentalidade capitalista da sociedade se curva à maximização de seus lucros. mas poucas efetivadas de fato (SHAYANI. tem incentivado a utilização das fontes de energia renováveis. consideradas limpas por não interferirem de forma danosa ao meio ambiente. além da possibilidade de cogeração. as Smart Grid. reduzindo os custos com o consumo de energia. A geração distribuída ocorre próximo ao local de consumo de energia. A argumentação de que a configuração distribuída trará maiores benefícios sociais ainda é insuficiente para mudar a estrutura econômica do setor energético. pois emitem gases causadores do Efeito Estufa – aquecimento global – como o gás carbônico – e por serem provenientes de fontes de natureza finita. apresentando ganhos relativos à redução de perdas nas linhas de transmissão e distribuição. Tal mudança já encontra-se em andamento. de forma eficaz. 2006). o que é obtido através da redução dos desperdícios. porém esse panorama está evoluindo. têm-se grandes estudos sobre a distribuição da energia em forma de redes inteligentes. Outra questão alvo de debates é a Eficiência Energética. cujo foco é a utilização da energia de forma racional. devido ao acelerado crescimento populacional e consequente aumento do consumo de energia. Os combustíveis fósseis por serem poluentes.10 1. pela implantação de mudanças comportamentais (melhorias na educação). o atual modelo energético mundial vem sendo questionado.

fazendo desta uma das maiores geradoras de energia elétrica junto à hídrica. Além de o processo ser mais simples. aumentará a necessidade de mão de obra e elevará os níveis de educação e saúde nas áreas mais desprovidas. Observe que por esta previsão a partir de 2020 ocorre uma explosão da energia solar fotovoltaica.1 é apresentada a Evolução da produção mundial de energia elétrica (EREC. as renováveis apresentam um preço mais elevado que a convencional centralizada (usinas hidrelétricas. o que contribuirá para o desenvolvimento social das cidades. cerca de 30 anos. . O custo de implantação da geração solar fotovoltaica pode chegar a 50 vezes o custo de uma PCH (pequena central hidrelétrica). Realizando uma análise superficial entre o custo final da energia. térmicas) (SHAYANI. a eólica e a biomassa. o sistema solar tende a se tornar economicamente competitivo no mercado mundial de energia elétrica em um curto prazo. 2005). dessa forma áreas rurais se desenvolverão.11 descentralizada. devido às inovações nos painéis fotovoltaicos. Na Figura 1. a sua manutenção é mínima. refino e transporte. por outro lado. A simplicidade com que a energia fotovoltaica é gerada reduz os custos a serem contabilizados. pois não existe a necessidade de extração. todas as regiões passarão a ter igual acesso à eletricidade. Com a valorização dos custos ambientais e sociais da geração centralizada e a constante redução dos custos dos sistemas solares. considerando a energia gerada ao longo da vida útil do sistema solar. não emitir gases poluentes ao meio ambiente e nem ruídos. obtém-se o correspondente a 10 vezes o custo da energia entregue ao consumidor para sistemas isolados e essa relação cai para 3 vezes para a geração interligada à rede elétrica (SHAYANI. 2006). como ocorre com os combustíveis fósseis. 2006).

Evolução da produção mundial de energia elétrica (EREC. sua geração ser descontínua. o excedente é injetado na rede pública. . tornando o sistema fotovoltaico mais atraente. além da radiação solar ao longo do dia ser variável. 2006). A possibilidade de colocar os painéis nos telhados das construções não torna necessária a utilização de mais espaço físico. a geração solar for inferior à demanda. O que dificulta sua utilização ainda são os altos custos para a implementação deste sistema. Estes sistemas interligados à rede dispensam o uso de acumuladores de energia.1 . banco de baterias. O país apresenta uma política onde o consumidor pode vender o excedente de energia gerada às concessionárias.2005). o que alivia o sistema de distribuição da concessionária local. reduzindo o custo da instalação em cerca de 30%. Um dos países pioneiros na utilização da energia solar fotovoltaica distribuída é a Alemanha (SHAYANI. por meio de uma tarifa prêmio. pois apresenta interrupções durante os períodos noturnos ou sombreamentos. o sistema é suprido pela rede interligada. o que facilita sua implantação nos centros urbanos. caso ocorra o contrário.12 Figura 1. de forma que se a energia solar for superior ao consumo. Estes sistemas são interligados à rede elétrica convencional trabalhando em conjunto com esta.

sendo 25% dessa energia oriunda da solar fotovoltaica (ASSUNÇÃO. 2010). 2008).13 1. Para a evolução desta tecnologia no país são apresentadas quatro propostas pela CGEE – Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (ASSUNÇÃO.2: . uma vez que se trata de uma fonte intermitente. tendo como base. Entretanto. pesquisas apontam que para o ano de 2050. da energia eólica. Com isso. 2010).1 Brasil e a Fotovoltaica O Brasil é um país rico em recursos naturais e possui recursos humanos disponíveis para atuar na geração de energia solar fotovoltaica (ASSUNÇÃO. seguida também. As regiões que apresentaram o maior número de instalações deste programa foram as Regiões Norte e Nordeste. Ainda se encontram em definição as políticas públicas para o incentivo ou regulamentação que promovam a inserção dessa fonte de energia nas redes concessionárias. O maior obstáculo para a utilização desta energia em grande escala é o seu elevado custo atual. o Brasil tende a aumentar a participação da energia solar fotovoltaica em sua matriz energética nacional. 50% da geração de energia no mundo virão de fontes renováveis. programa que visou à eletrificação rural por meio de sistemas fotovoltaicos. que a conexão do sistema fotovoltaico à rede de distribuição é compreendida como uma fonte complementar de energia. 2010). 2002). sendo estabelecido em 1994 pelo governo brasileiro (VARELLA. A primeira iniciativa que incorporou o uso da energia solar fotovoltaica no Brasil foi o Programa de Desenvolvimento Energético de Estados e Municípios – PRODEEM (GALDINO & LIMA. conforme ilustrado na Figura 1.

assim como buscar melhorias na eficiência destes. estudar a matéria-prima. divulgar a energia solar para a sociedade. os demais equipamentos necessários para o sistema fotovoltaico. regulamentar a conexão de sistemas fotovoltaicos à rede elétrica. . estimular o estabelecimento de indústrias de células e módulos fotovoltaicos. 1) Incentivo a pesquisa e a inovação tecnológica: buscar a redução dos custos de produção das células e módulos fotovoltaicos através de uma cadeia produtiva. 3) Estabelecimento de indústrias de células solares e de módulos fotovoltaicos: recursos qualificados para produção destes estão sendo formados a partir das plantas piloto (exemplo na PUC-RS). para aumentar a competitividade em energia solar fotovoltaica. Modernizar laboratórios de pesquisa. 2010). operar e manter os sistemas fotovoltaicos. desenvolver recursos humanos para inovar e formar mão de obra de grau técnico. estimular a criação de empresas de serviços de instalação e manutenção. incentivar a geração distribuída conectada à rede elétrica (adotar a tarifa-prêmio). 4) Estabelecimento de indústrias de silício grau solar e grau eletrônico: o Brasil possui uma das maiores reservas de quartzo para produção de silício grau solar e grau eletrônico (aproximadamente 90% dos painéis fotovoltaicos produzidos utilizam silício). para instalar. 2) Criação de mercado consumidor: criação de empregos estimulando a economia local.2 – Passos para a evolução da energia fotovoltaica (ASSUNÇÃO. como também.14 Figura 1.

 Os módulos são resistentes a condições climáticas extremas como granizo.  Apresentam vida útil em torno de 25 anos. em cerca de 3 anos os painéis conseguem devolver essa energia.  Fácil portabilidade e adaptabilidade dos módulos.  É um sistema de fácil modulação (ABB. e em comparação a uma térmica convencional. reduzindo as perdas com transmissão e distribuição. permitindo montagens simples e adaptáveis a várias necessidades energéticas. 2010).  Os sistemas podem ser dimensionados para aplicações de alguns miliwatts ou de kiloWatts.  Não necessita de combustíveis fosseis. Em contra partida tem-se:  Custo inicial de investimento é elevado. não possui peças móveis (ASSUNÇÃO. temperatura e umidade. Entretanto.  Apresenta alta confiabilidade. 2009).15 2. vento. SISTEMA FOTOVOLTAICO A geração de energia em sistemas fotovoltaicos se dá pela transformação direta e instantânea de energia solar em energia elétrica sem a utilização de combustíveis.  O custo de operação é reduzido e a manutenção é quase inexistente. Apenas na construção de painéis que utilizam materiais perigosos que consomem grande quantidade de energia. por meio do Efeito Fotovoltaico. 2010). pois a fabricação dos módulos fotovoltaicos necessita de uma tecnologia muito sofisticada. . emitem cerca de 20% a menos de para produzir a mesma quantidade de energia (PORTAL ENERGIA.  É silenciosa e não perturba o ambiente. há a liberação de poluentes.  É considerada uma energia limpa. pois a potência instalada pode ser alterada pela incorporação de módulos adicionais. Apresenta várias vantagens que são citadas a seguir:  A geração é distribuída.

sinalização e outros. o Sol. como áreas rurais afastadas. O acúmulo destes pode vir a se tornar um sério problema ambiental.  O sistema fotovoltaico não substitui economicamente a energia convencional se esta estiver disponível a menos de aproximadamente 3 Km do local (ASSUNÇÃO. da presença ou não de sombreamento e de seus componentes. A preocupação encontra-se no descarte dos metais raros. é necessário um banco de baterias para o armazenamento de energia.1 Sistemas isolados ou autônomos São sistemas off grid.  Quando o sistema é isolado. São sistemas puramente fotovoltaicos que se tornam vantajosos.16  A geração de potência é irregular devido à variação da fonte de energia. 2008). o que eleva ainda mais o custo do sistema fotovoltaico. da inclinação e orientação dos painéis. como o cádmio. Além da eletrificação rural. ou seja. em pontos isolados do sistema elétrico tradicional. de forma técnica e financeira.  O rendimento real de conversão de um módulo é reduzido se comparado ao custo do investimento. mas sua maior aplicação no Brasil. Para a instalação de tal sistema é necessário que o local possua condições climáticas extremamente favoráveis. 2010). geralmente em regiões rurais (VARELLA. Os sistemas fotovoltaicos podem ser interligados à rede elétrica de baixa e média tensão. encontra-se nos sistemas com instalação isolados da rede de distribuição elétrica. A potência gerada depende da radiação solar incidente no local da instalação. que devem possuir um sistema de armazenamento de energia e caso haja a necessidade de corrente alternada deve-se fazer uso de um inversor. 2. Algumas empresas ligadas à energia solar possuem programas de reciclagem dos painéis. são muito utilizados para iluminação exterior.1.  O descarte dos painéis fotovoltaicos ainda apresenta algumas incertezas. poucas . radiação solar elevada. existente em muitos painéis. atualmente.1 Tipos de sistemas fotovoltaicos 2.

São utilizados em sistemas de médio a grande porte. caso contrário. portos e aeroportos.1 exemplifica um sistema isolado. a diesel e a gasolina. sistemas de luzes em estradas. O sistema fotovoltaico opera de forma conjunta com a rede. sendo que. os geradores eólicos. . Além disso. rádios de observação do tempo.2 Sistemas híbridos Os sistemas híbridos utilizam da combinação do sistema fotovoltaico com outras fontes de energia que atendem a carga na ausência da energia solar. a rede supre a carga. ou seja. anúncios.3 Sistemas interligados à rede Os sistemas on grid são ligados diretamente à rede elétrica de distribuição de energia. As aplicações mais comuns são: equipamentos de bombeamento de água.Sistema isolado (ABB.1 .17 nuvens para evitar sombreamentos entre outros. 2010).1. 2. quando o gerador fotovoltaico não consegue produzir a energia necessária. A grande vantagem é a geração ser distribuída. A Figura 2. o fato de dispensarem as baterias reduz seu custo de instalação em cerca de 30% (SOLARTERRA. como por exemplo. Figura 2. não necessitando de acumuladores. lugares de alta altitude. 2010). sua energia é produzida nas áreas de consumo não apresentando perdas com transmissão (ABB. 2011). abastecimento de campos.1. se o sistema fotovoltaico produzir energia excedente este é injetada na rede. 2.

2010). .Sistema interligado à rede elétrica (ABB. Figura 2. A Figura 2.2 . que depende da configuração da rede e do grau de conexão com esta.18 A rede elétrica de distribuição pública aceita certo limite de potência intermitente. para não causar problemas relacionados à estabilidade do sistema.2 apresenta o esquema de ligação simplificado de um sistema interligado à rede elétrica.

chaves. forma a camada P (excesso de cavidades) e dopado com átomos pentavalentes. um sistema de armazenamento de energia (baterias). 3. logo para que este possa ser utilizado deve-se adicionar porcentagens de outros elementos em sua composição. O silício é tetravalente.19 3. com uma espessura de 0.3 mm e uma área de 100 a 225 cm². Figura 3. como por .Composição de um sistema fotovoltaico (CENTRAIS ELÉTRICAS). cabos. o boro. equipamentos de proteção. onde de fato ocorre a conversão da radiação solar em corrente elétrica (ABB. A Figura 3.1 esquematiza um sistema fotovoltaico com seus componentes.1 . O silício puro não possui elétrons livres de forma que não é um bom condutor.1 Gerador fotovoltaico O gerador fotovoltaico é o componente elementar do sistema. geralmente de silício. como por exemplo. COMPONENTES DO SISTEMA FOTOVOLTAICO Uma planta fotovoltaica é constituída por um gerador. inversores de corrente com potência adequada e outros. dopado com átomos trivalentes. A célula é constituída por uma fina camada semicondutora (material com características intermediárias entre um condutor e um isolante). um sistema de controle de potência para evitar um sobrecarregamento do sistema. um suporte para os painéis. processo denominado de dopagem. 2010).

o fósforo. 2011). A célula exposta à luz faz com que a corrente flua da região N para a região P. Ao incidir luz solar na célula. os elétrons tendem a se mover da região rica em elétrons para a pobre (da camada N para a camada P). a célula fotovoltaica gera uma corrente de aproximadamente 3 A com uma tensão de 0.2 . Esta característica pode ser observada na Figura 3. 2010). acumulando cargas negativas na região P e cargas positivas na região N.5V e um pico de potência de 1. . forma a camada N (excesso de elétrons). A Figura 3.3. Figura 3.20 exemplo. Em condições normais de operação. Quanto maior a superfície maior é a geração da corrente. ou seja. atuando como um diodo funcional. Aplicando uma tensão entre as camadas permite-se que haja circulação de corrente em uma única direção. os fótons chocam-se com os elétrons dando-lhes energia e transformando-os em condutores. A área de contato entre as camadas forma a junção P-N.Corte transversal de uma célula fotovoltaica mostrando o funcionamento do efeito fotovoltaico (BLUESOL EDUCACIONAL.2 apresenta uma célula fotovoltaica e o funcionamento do efeito fotovoltaico em seu interior.5 a 1. pois a intensidade da corrente gerada variará proporcionalmente conforme a intensidade da luz incidente na placa.7Wp (ABB. 1 kW/m² de irradiância na temperatura de 25°C. Então ocorre a Criação de um campo elétrico que é oposto às cargas elétricas.

Para disponibilizar potências mais elevadas.21 Figura 3. produz apenas uma reduzida potência elétrica. Como dito anteriormente. com área variando de 0. maior será a potência e/ou a corrente disponível. 2010). as células são utilizadas de forma integrada. dispostas em 4 fileiras paralelas conectadas em série.4. e utilizadas para aplicações de 12 V. A maioria dos módulos comercializados atualmente (mais comum) é composta por 36 células de silício cristalino. com uma tensão menor que 1 Volt. uma célula fotovoltaica individual.3 .Efeito causado pela variação de intensidade luminosa da luz na curva característica i x v para um módulo fotovoltaico (CRESESB. formando um módulo ou painel.5 a 1 m². . Quanto maior for o módulo. As ligações em série de várias células aumentam a tensão terminal. Estas ligações podem ser observadas na Figura 3. 1999). enquanto que ligações em paralelo permitem aumentar a corrente elétrica circulante (ASSUNÇÃO. O número máximo de painéis que podem ser conectados em série depende da largura de operação do inversor e da disponibilidade de desconectar e proteger os dispositivos de forma satisfatória a alcançar a tensão desejada. o que tipicamente varia entre 1 e 3 W.

1999). pode reduzir o rendimento do sistema como um todo. um material para evitar o contato direto entre o vidro e a célula.(a) Conexão de células em paralelo. levando ao aquecimento do módulo podendo motivar à sua destruição. (CRESESB. geralmente de EVA. A maioria das células solares são conectadas em série. a potência gerada de todo o conjunto a ela conectado. pelos sombreamentos e por deterioramento dos módulos. As células não são exatamente iguais isso faz com que parte da potência gerada seja perdida dentro do próprio módulo. sendo o chamado Mismatch losses (RÜTHER. Essas desigualdades são determinadas pela diferença de irradiância solar. sendo resistentes aos raios ultravioletas e às mudanças inesperadas de temperatura.22 Figura 3. Uma célula quando sombreada pode vir até a atuar como uma carga. metal ou plástico e finalmente um molde de metal geralmente de alumínio. 2004). .4 . pois a célula sobre a qual incidir a menor quantidade de radiação é que irá determinar a corrente. Este encapsulamento é da seguinte forma. As células possuem um encapsulamento que as protege contra agentes atmosféricos e estresses mecânicos. um suporte geralmente de vidro.5: uma folha transparente protetora que fica exposta à luz geralmente de vidro. além de isolar eletricamente as células. e consequentemente. uma pequena sombra sobre uma destas células. como mostra a Figura 3. o que por outro lado leva a uma perda de rendimento. podendo também comprometer a relação custobenefício do empreendimento. (b) Conexão de células e série. Podem-se colocar diodos by-pass entre as fileiras dos módulos para evitar a circulação de corrente reversa no mesmo.

2011).  Laminação do módulo. seu isolamento elétrico.Seção transversal de um módulo (ABB.  Emolduração: as molduras de poliuretano são colocadas por meio de máquinas de injeção.  Curagem: o laminado processa-se num forno onde se completa a polimerização do plástico encapsulante e alcança-se a adesão perfeita dos diferentes componentes.5 . diodos e caixas de conexões.  Interconexão elétrica das células. O processo de fabricação dos módulos fotovoltaicos se dá através das seguintes etapas (SOLARTERRA. as resistência ao impacto e à tração das conexões. 2010). . comportamento em temperaturas elevadas e sua estabilidade às mudanças térmicas (SOLARTERRA. Durante os ensaios dos módulos são verificados suas características elétricas operacionais. bornes.23 Figura 3.  Ensaio final.  Montagem do conjunto. os defeitos de acabamento.  Colocação de terminais. 2011):  Ensaio elétrico e classificação das células.

1. obtendo silício de grau eletrônico.  Silício policristalino. uma vez que o Brasil já possui indústrias de silício grau metalúrgico.  Telureto de Cádmio (CdTe) .24 3. que produz silício grau solar com menor gasto de energia e menor impacto ambiental.6 apresenta o processo de purificação do silício. pode ser utilizado como matéria-prima para a indústria fotovoltaica e para a produção de semicondutores (chips de computadores). No Brasil existem pesquisas para se utilizar o processo denominado “rota metalúrgica”.1 Tipos de painéis fotovoltaicos Várias tecnologias são utilizadas para a fabricação dos módulos fotovoltaicos. além do conhecimento para extrair esse mineral e o transformar em silício grau metalúrgico. O processo de purificação de silício utilizado mundialmente é o conhecido por “rota química”. Índio e Gálio (CIGS). como:  Silício monocristalino. A Figura 3. podendo se tornar um dos líderes mundiais de produção de silício de grau solar. O silício grau solar. Os módulos mais utilizados atualmente são os de silício (ASSUNÇÃO. dependendo de seu grau de purificação. considerado matériaprima ainda bruta para a produção de painéis fotovoltaicos. O processo de purificação transforma-o tanto em silício grau solar quanto em silício grau eletrônico.  Silício amorfo. .  Disseleneto de Cobre. O Brasil possui grandes jazidas de quartzo de qualidade.  Semicondutores Orgânicos. 2010).

porém com técnicas complexas e caras para a sua produção.7. A produção nacional de módulos fotovoltaicos levará a uma redução de custo.1.8 exibe uma célula monocristalina. torna necessária uma grande quantidade de energia no seu processo de fabricação (RÜTHER. .25 Figura 3. A Figura 3.7 . 2010). cerca de 14 a 17%. Utiliza silício de alta pureza (Si = 99.Processo de purificação do silício (ASSUNÇÃO.1. como mostra a Figura 3.1 Silício monocristalino (m-Si) Representa a primeira geração de módulos fotovoltaicos.9999%) fundido para banhar o monocristal. 2004). como envolve elevadas temperaturas (1400°C). abrangendo sua utilização por todo o país. com um rendimento (eficiência) relativamente elevado.Cadeia produtiva da energia solar fotovoltaica (ASSUNÇÃO. Figura 3.99% a 99. 2010).6 . 3.

1. apresenta diferentes formas e direções na sua reflexão. sua eficiência é menor se comparada ao silício monocristalino. Figura 3. 3. onde se concentram os defeitos que tornam este material menos eficiente do que o m-Si.1.9 . A redução de rendimento se dá pela imperfeição do cristal.26 Figura 3.Painel de células policristalinas (ACRE. . Nos últimos anos este tipo de tecnologia vem ganhando espaço no mercado mundial. pois necessitam de menos energia no seu processo de fabricação. mas seu custo também é reduzido. cerca de 12 a 14%. 2004).Painel de células monocristalinas (ACRE. sendo mais utilizado hoje que o silício monocristalino (RÜTHER.8 . Durante o processo de fundição e solidificação aparecem blocos com grande quantidade de grãos ou cristais. exemplo Figura 3.2 Silício policristalino (p-Si) O silício policristalino.9. 2004). 2004).

alumínio. alguns também são raros (Te. .10 . polímeros.27 3. se comparado ao silício cristalino apresenta uma eficiência menor. sendo de ótima aplicação em países de climas quentes como o Brasil (RÜTHER. 3. Sua produção em larga escala envolve problemas ambientais por apresentar elementos altamente tóxicos em sua composição. aço. em torno de 10 a 11%. In.10) baseia-se na deposição de materiais semicondutores em suportes de vidro.1. 2004). Te). mas em contra partida sua eficiência também é reduzida. O silício amorfo apresenta um reduzido custo.1. Uma vantagem do painel de a-Si é que este não reduz sua potência gerada com o aumento da temperatura de operação.Painel de filmes fino (RÜTHER. Pode ser borrifado em camadas de plástico ou material flexível. economizando material e possibilitando flexibilidade á célula.1. Ga.1. O mesmo ocorre com o Disseleneto de Cobre. Se. muito baixa comparada as tecnologias apresentadas anteriormente. pois além de apresentar elementos tóxicos (Cd. Apresentam alto grau de desordem na estrutura dos átomos. ou seja. podendo adaptá-lo a superfícies curvas. 2004). Se. Figura 3. Índio e Gálio (CIGS).4 Telureto de Cádmio (CdTe) Seu mercado ainda é limitado. ficando em torno de 8 a 10%. Cd) o que torna um obstáculo à expansão dessa tecnologia.3 Silício amorfo (a-Si) A tecnologia de painéis de filmes finos (Figura 3.

28

3.2

Inversor

O inversor é o responsável pela conversão entre a corrente contínua e corrente
alternada, além de controlar a qualidade da potência de saída, possibilitando a conexão
do sistema com a rede elétrica pública. Possui um filtro formado por capacitores e
indutores e um transistor que controla a abertura e o fechamento de cada sinal,
“quebrando” a corrente contínua em pulsos, obtendo assim na saída, uma forma de
onda quadrada através da tecnologia PWM (modulação da largura de pulso) permitindo
a regulação da frequência e o valor rms da saída, como mostram as Figuras 3.11 e
3.12.

Figura 3.11 - Esquema de um inversor (ABB, 2010).

Figura 3.12 – Princípio da tecnologia PWM (ABB, 2010).

As deformações devido às comutações podem produzir perturbações nas
células, as distorções harmônicas. A potência entregue pelo gerador depende do ponto
de operação, por isso utiliza-se um MPPT (Maximum Power Point Tracker) que calcula
os pares de tensão corrente que produzem a máxima potência.
Um diferencial de 1% na eficiência do inversor pode resultar 10% a mais em
energia gerada ao longo de um ano (RÜTHER, 2004), como mostra a Figura 3.13
abaixo.

29

Figura 3.13 - Curva de eficiência de um inversor de 650W (RÜTHER, 2004).

3.3

Controladores (reguladores) de carga

O controlador monitora constantemente a tensão dos acumuladores. Se a
tensão alcança um valor para o qual se considera que a bateria esteja carregada, o
controlador interrompe o processo de carga, através da abertura do circuito entre os
módulos fotovoltaicos e a bateria (controlo tipo série) ou curto-circuitando a saída dos
módulos fotovoltaicos (controle tipo shunt – paralelo). Quando o consumo faz com que
a bateria comece a descarregar, diminuir sua tensão, o controlador reconecta o gerador
à bateria e recomeça o ciclo, evitando uma descarga profunda, o que aumenta a vida
útil da mesma.
Um controlador de carga deve possuir em média uma vida útil de 10 anos,
possuir chaveamento eletrônico, proteção contra inversão de polaridade e deve
compensar as variações de temperatura existentes (BRAGA, 2008).

3.4

Baterias (acumuladores de energia)

As baterias acumulam a energia que se produz durante as horas de
luminosidade para poder utilizar esta durante a noite ou períodos prolongados que
impedem a geração de energia. Estabiliza a corrente e a tensão na hora de alimentar

30

cargas elétricas, suprindo transitórios que possam ocorrer na geração. Também são
responsáveis por fornecer uma intensidade de corrente superior àquela que o
dispositivo fotovoltaico pode entregar em casos especiais, como por exemplo, no
arranque de um motor que exige cerca de 4 a 6 vezes sua corrente nominal.
As baterias para terem um bom desempenho nos sistemas fotovoltaicos devem
possuir elevada vida cíclica para descargas profundas, pouca manutenção, alta
eficiência de carregamento, boa confiabilidade e mínima mudança de desempenho
quando operar fora da faixa de temperatura recomendada.

3.4.1 Tipos de baterias

3.4.1.1 Baterias de chumbo-ácido (baterias estacionárias)

A matéria ativa dessas baterias é o chumbo e o eletrólito uma solução aquosa
de ácido sulfúrico, a unidade de construção básica é a célula de 2 Volts em média
(tensão nominal). Quando ligadas em paralelo devem possuir mesma tensão e
capacidade. São as mais utilizadas devido sua variedade de tamanhos, baixo custo e
grande disponibilidade no mercado (BRAGA, 2008). A capacidade de armazenamento
de uma bateria esta ligada a sua velocidade de descarga, sendo que quanto maior o
tempo de descarga maior será a quantidade de energia que a bateria fornece. Para as
baterias de chumbo-ácido o tempo de descarga típico é de 100 horas, por exemplo,
para as baterias DF1000 com esse tempo de descarga, a capacidade é de 70 Ah
(ampér-hora) (FREEDOM, 2008).

3.4.1.2 Bateria Níquel-Cádmio (NiCd) ou Níquel Metal Hidreto
(NiMH)
Essas baterias utilizam hidróxido de níquel para as placas positivas e óxido de
cádmio para as placas negativas, o eletrólito utilizado é alcalino (hidróxido de potássio).
Elas admitem descargas profundas (de até 90% da capacidade nominal), apresentam
baixo coeficiente de autodescarga, alto rendimento de absorção de carga (superior a

31

80%), custo elevado em comparação com as baterias ácidas longo tempo de vida e
pequena manutenção.

3.4.1.3 Baterias de iões de lítio (Li-ion)
Estas baterias são constituídas basicamente por um cátodo de lítio, um ânodo
de carbono poroso e um eletrólito composto por sais de lítio em um solvente orgânico.
São as que apresentam maior longevidade e resistência aos ciclos de carga e
descarga, sendo também as mais caras, devido à tecnologia e materiais utilizados.
Apresentam baixa eficiência, são leves e possuem uma vida útil elevada.

3.5

Outros componentes

Além dos componentes listados anteriormente, existem outros também
importantes para a operação de um sistema fotovoltaico, dos quais se destacam:

As chaves são utilizadas para romper o fluxo de corrente em casos de
emergência ou para se realizar uma manutenção.

Os fusíveis e os disjuntores protegem os equipamentos contra
sobrecorrentes provocadas por curtos circuitos.

Os cabos utilizados nestes sistemas são normalmente resistentes à
radiação ultravioleta e têm duplo isolamento, devendo suportar as
temperaturas elevadas que são atingidas assim como as condições
severas do meio ambiente, como precipitações atmosféricas. Em
condições de corrente contínua a planta não deve exceder 50% da tensão
dos cabos, e em corrente alternada a tensão na planta não deve exceder
a taxa de tensão dos cabos. Lembrando que em corrente contínua a
tensão é maior, logo a isolação deve ser reforçada em dobro para
minimizar os riscos provocados por faltas e curtos circuitos. A área da
seção transversal de um cabo é definida pela capacidade de carregar
corrente sendo que esta não deve ser menor que a corrente projetada.

Deve-se lembrar que esses dispositivos devem operar em corrente contínua.

32 4. . 2010).2 . com uma resistência interna (Rs) e uma condutância (Gi). por estar em paralelo. sendo que a parcela de corrente referente à condutância é desprezada para a realização dos cálculos (ABB. podendo ser representada pelo circuito equivalente apresentado na Figura 4. 1999). Figura 4.Característica corrente x tensão (CRESESB.2) comprova a consideração feita de que a célula apresenta o funcionamento de uma fonte de corrente constante. onde cai repentinamente próxima ao ponto de tensão de circuito aberto. ENERGIA PRODUZIDA A célula fotovoltaica pode ser vista como uma fonte de corrente. Pode-se observar que um acréscimo de tensão faz com que aumente a potência até esta atingir seu ponto máximo. Ao passo que é pouco afetada por uma variação de Gi. uma vez que esta encontra-se em série com a tensão a ser medida. 2010). A curva característica tensão x corrente mostrada abaixo (Figura 4. Figura 4. A eficiência da célula é afetada por uma pequena variação de Rs.1 .Circuito equivalente (ABB.1.

3 . Figura 4. permanecendo praticamente constante. Em locais com temperaturas ambientes muito elevadas é aconselhável utilizar módulos que possuam maior quantidade de células em série para que consigam atingir a tensão adequada de funcionamento (SOLARTERRA. .33 Figura 4. Isto acontece. ocorre um aumento da temperatura da célula.Parâmetros de máxima potência (CRESESB. Aumentando o nível de insolação no módulo fotovoltaico.4 . 1999). Os módulos de silício amorfo são menos influenciados que os demais tipos. 1999). pois o aumento da temperatura diminui significativamente a tensão.Curva característica potência x tensão (CRESESB. com isso ocorre a diminuição da potência gerada. ao passo que a corrente sofre uma elevação pequena. 2011). o que tende a reduzir a eficiência do mesmo.

Para calcular o ângulo que os painéis devem ser instalados. Outro fator importante que deve ser levado em consideração é a presença de objetos próximos aos módulos. que ocorre normalmente de 9 às 17 horas (SOLARTERRA. Conhecendo este fator é possível calcular a distância pela seguinte fórmula. 2011). . 2010). O fator de espaçamento deve ser obtido com base na latitude do local da instalação.34 Figura 4. A incidência da radiação solar varia com a latitude e com a declinação solar durante o ano. Valores positivos de ângulo indica que a orientação é para o oeste. devese considerar o caminho que o Sol faz através do céu durante diferentes períodos do ano. Os módulos devem estar suficientemente afastados de qualquer objeto que projete sombra sobre eles no período de melhor radiação solar. A fixação dos painéis deve ser orientada de forma que o painel pegue a melhor insolação ao meio dia no local da instalação. da orientação e inclinação dos módulos e da eficiência da instalação fotovoltaica. A máxima eficiência dos módulos se dá com o ângulo de incidência dos raios solares em 90°. enquanto os negativos indicam o leste (ABB. Como já foi dito anteriormente a produção de energia fotovoltaica depende da disponibilidade de radiação solar. As duas figuras a seguir ajudam no cálculo da distância mínima que o objeto deve estar dos módulos.Influência da temperatura na célula (SOLARTERRA.5 . 2011).

Tabela 4.1) Sendo o fator de espaçamento retirado do gráfico apresentado abaixo. Os módulos devem ser orientados para que a sua face frontal esteja na direção do Norte geográfico (ou Sul. A curva do fator de espaçamento é obtida em relação à latitude do local a realizar a instalação do sistema fotovoltaico. os módulos devem estar inclinados em relação ao plano horizontal sob um ângulo que varia conforme a latitude do local da instalação.1. Recomenda-se a adoção dos seguintes ângulos de inclinação. Latitude 0 a 4° Ângulo de inclinação 10° 5 a 20° Latitude + 5° 21 a 45° Latitude + 10° 46 a 65° Latitude + 15° 66 a 75° 80° . 2011). Figura 4.(a) Gráfico para a obtenção do fator de espaçamento (b) Figura para o cálculo da distância (SOLARTERRA.6 .35 (4. 2011).1. expostos na Tabela 4.Ângulos de inclinação segundo a latitude do local da instalação (SOLARTERRA. Para conseguir um melhor aproveitamento da radiação solar incidente. altura do objeto e a a altura em relação ao nível do solo em que se encontram instalados os módulos. quando no hemisfério Norte).

de modo que o sistema seja subdividido em vários grupos. para o sistema se tornar mais econômico. normalmente a certa distância do ponto de consumo. As plantas parcialmente integradas substituem parcialmente a construção. Em sistemas pequenos é comum o emprego de um único inversor. sendo que seus módulos são montados no chão. como uma usina geradora convencional. o que torna seu investimento mais atrativo. reduzindo as paradas de produção de energia devido às faltas. Enquanto as plantas integradas substituem todo o material. (ii) parcialmente integradas e (iii) não integradas. As plantas também são caracterizadas pela quantidade de inversores que estas utilizam em sua configuração. geralmente utiliza-se um inversor para cada fileira de módulos. Para as plantas de médio porte. o que facilita sua implantação em centros urbanos.36 5. Por outro lado. apresentando a vantagem de não necessitar de uma área extra. como por exemplo. uma falha no sistema ocasiona perda total da produção de energia do sistema fotovoltaico. todo o telhado é substituído por módulos fotovoltaicos. em sistemas de grande porte utilizam-se vários inversores. que proporcione à instalação uma estética inovadora e ecológica. A instalação em centros urbanos ocorre próximo aos pontos de consumo o que figura na eliminação de perdas com transmissão e distribuição de energia elétrica. Entretanto não utiliza um inversor para cada fileira de módulos. o que tem atraído grandes empresas para sua utilização já que o tema sustentabilidade encontra-se em foco. Finalmente. geralmente partes dos telhados. Os painéis também podem ser vistos como uma ferramenta arquitetônica. assim como sua manutenção. . INSTALAÇÃO DOS SISTEMAS FOTOVOLTAICOS As plantas fotovoltaicas podem ser instaladas de três formas diferentes: (i) integradas. As plantas não integradas são utilizadas de maneira centralizada.

(b) Um inversor por fileira. há a necessidade dos outros medidores.1 . o mais utilizado nos Estados Unidos. Se for empregado o sistema Net Metering. (c) Vários inversores. 2010). Por outro lado. adota-se um medidor bidirecional. tanto a absorvida da rede como também a injetada nesta (RÜTHER. o que torna necessário ser de mesmo valor as tarifas de energia. sendo que o medidor 1 (kWh 1) fará a medição da energia produzida pelo gerador solar fotovoltaico e o medidor 2 (kWh 2) fará a medição da energia injetada na rede. (ABB.37 Figura 5. Em sistemas Net Metering. Caso as tarifas sejam diferentes é necessário utilizar dois ou três medidores. somente o medidor 3 (kWh 3) é necessário. 2004). se este sistema não for adotado. . A figura a seguir representa esses medidores.(a) Um inversor por planta.

. Através destes medidores é possível detectar a energia elétrica que é consumida da rede elétrica.2 .38 Figura 5. sendo que o balanço de energia do sistema é obtido utilizando a seguinte fórmula: (5. 2004).1) Onde é a energia produzida pela planta fotovoltaica e entregue à rede elétrica. é a energia absorvida da rede elétrica. é a energia produzida pela planta fotovoltaica mantida pela tarifa de feedback ( retorno obtido com a geração de energia fotovoltaica) e é a energia consumida pelo usuário da planta. a entregue à rede elétrica e a produzida pelo sistema fotovoltaico.Diagrama de um sistema solar fotovoltaico interligado à rede de distribuição (RÜTHER.

toda a energia consumida é retirada da redede distribuição elétrica. As plantas possuem os seguintes tipos de sistema de proteção: IT. ou seja.2) Ou seja.1 Aterramento e Proteção de Sistemas Fotovoltaicos O sistema de aterramento envolve as partes condutoras expostas. O sistema de isolação é seguro para pessoas que tocam partes vivas de pequenas plantas. O sistema TN possui o neutro ligado à terra de serviço e suas massas ligadas diretamente ao neutro. Ou podem ser sistemas do tipo TN. sabe-se que: (5. as partes vivas do sistema (células). 5. Ao analisar o lado referente à alimentação do transformador. e o sistema de geração de potência. os sistemas podem ser IT. com o passar do tempo e com a umidade também (ABB. pois a resistência de isolação da terra para estas não é infinita e uma pessoa pode servir como uma resistência para a passagem de corrente até esta retornar a terra. Porém o mesmo não pode ser dito para plantas maiores. TN ou TT. Quando a planta gera energia são possíveis duas situações: : o balanço é positivo e a energia é entregue à rede elétrica e : o balanço é negativo e a energia é absorvida da rede elétrica. as armações de metal dos painéis. as plantas possuem suas partes vivas isoladas do terra por meio de uma resistência de aterramento. O sistema IT apresenta o neutro isolado da terra e suas massas ligadas diretamente à terra de proteção. onde as partes condutoras expostas pertencentes à planta do consumidor são protegidas por um circuito de quebra de corrente residual posicionado . 2010). Considerando o lado do transformador ligado à carga. ou seja. O aterramento é realizado de forma que evite que o sistema atinja tensões elevadas em caso de falhas. pois uma corrente pode causar a eletrocução de uma pessoa podendo leva-la à morte.39 Durante a noite e nos momentos em que a planta fotovoltaica não produz energia. com o tamanho do sistema. Já o sistema TT possui o neutro ligado à terra de serviço e suas massas ligadas diretamente à terra de proteção. A resistência de isolação diminui com o aumento da corrente. o sistema pode ser do tipo TT. onde os neutros também são aterrados.

Os cabos devem ser escolhidos corretamente de acordo com a capacidade de corrente máxima que pode afetá-los.(a) Sistema IT (b) Sistema TN ( ABB.4 .2010).Sistema sem o transformador (ABB. Deve-se realizar o estudo para que o sistema fique protegido contra sobrecorrentes e sobretensões.40 no começo da planta. 2010). Nas plantas que não existe o transformador. Figura 5. Como já foi dito. a instalação fotovoltaica deve ser isolada do terra e suas partes vivas devem se tornar uma extensão da rede por meio de um sistema TT ou TN. e isso não seria diferente para os sistemas fotovoltaicos. Figura 5.3 . Uma questão importante e crítica em todos os sistemas é a proteção. resultando na proteção da rede como do gerador fotovoltaico também. um módulo pode vir a funcionar .

. Os efeitos do curto circuito na rede e nos capacitores são de natureza transitória e normalmente tais efeitos não são dimensionados na proteção posicionados no lado DC.41 como uma carga. seja de forma direta (golpes de raios nas estruturas) ou indireta. sendo que este resiste a uma corrente reversa variando de 2. o lado da carga. os cabos devem ser dimensionados com uma capacidade de corrente maior que a máxima que o inversor pode entregar. é necessário analisar caso a caso com prudência. Entretanto. As instalações fotovoltaicas isoladas podem ser alvo de sobretensões de origem atmosférica. ou seja. sendo que estes devem ser posicionados no final do circuito a ser protegido. devido a sombreamentos ou faltas. Para a proteção do lado de corrente alternada. isso pode causar danos aos módulos.5 a 3 vezes a corrente de curto circuito (ABB. A capacidade de bloquear dos dispositivos não deve ser menor que a corrente de curto circuito de outras fileiras. É aconselhável a utilização de chaves interruptoras para facilitar a manutenção das fileiras sem retirar de serviço outras partes da planta. Os dispositivos devem satisfazer o uso de corrente contínua e ter uma taxa de tensão de serviço igual ou maior a tensão máxima do gerador fotovoltaico. Logo é importante verificar a possibilidade da instalação de um sistema de proteção contra as descargas atmosféricas – SPDA. 2010).

ANÁLISE ECONÔMICA DO INVESTIMENTO Desde 2007 entrou em vigor as tarifas de incentivo para a utilização dos sistemas fotovoltaicos em países como a Alemanha por exemplo. Do ponto de vista técnico. Quando o valor da energia entregue à rede exceder a absorvida. o que torna a instalação da planta vantajosa do ponto de vista financeiro. Essa tarifa consiste na remuneração da energia produzida pelo sistema fotovoltaico.2) Onde é o investimento inicial. Para a instalação de qualquer sistema duas análises de viabilidade devem ser realizadas. O cálculo desta tarifa considera a quantidade de energia elétrica trocada com a rede. Para as plantas fotovoltaicas participantes do Net Metering existe uma recompensa adicional pelo uso eficiente da energia nas construções. esta relação é válida para uma duração instantânea. uma técnica e uma econômica. Um sistema de venda de energia para a rede é estendido para todas as plantas de fontes renováveis que possuem uma média anual de potência menor que 200kW. O lucro (L) pode ser calculado pelo retorno do investimento (R) subtraindo os custos da instalação (C). (6.42 6. Caso seja utilizada para o próprio cosumo. mas se esta for utilizada para a venda. o produtor receberá uma diminuição na sua conta de energia. o valor da energia elétrica entregue à rede e o valor da taxa paga pela energia tirada da rede dividida pelo preço da energia e do serviço. deve-se garantir o tamanho ótimo da instalação. consistindo numa comparação entre o investimento inicial e o valor presente do investimento. o balanço representará um crédito. A taxa de retorno interno (IRR) também é utilizada como um indicador econômico. Para a realização da análise econômica deve-se considerar a relação custo-benefício do empreendimento. Este incentivo trás vantagens econômicas pela entrega de potência para a rede. em um período de 20 anos. (6. Se esta taxa exceder o custo capital . sendo que a energia produzida pode ser utilizada para o próprio consumo ou pode ser vendida para o mercado de energia. é o dinheiro que esta fluindo a cada ano e é o custo referente a juros e a inflação. o sistema se torna uma fonte explícita de renda.1) Se o valor presente (NPV) calculado for positivo significa que os descontos darão um grande retorno sendo maior que o custo inicial.

Entretanto. apresenta um payback em torno de 11 anos (ABB. Quando se trata de capacidade de geração de energia em um dia não se deve esquecer que um sistema convencional. se o IRR for menor que o retorno o investimento deve ser evitado. o que eleva seu custo de implantação. aumenta-se o custo do Wp (watt-pico) produzido. pode gerar energia durante 24 horas por dia.Relação de custo de um watt fotovoltaico (EPIA. Caso exista a possibilidade de duas alternativas com o mesmo risco de investimento. Na Itália.43 considera-se o investimento lucrativo. considerando n como o número de anos previsto para o investimento.1 através da curva vermelha. com o aumento da instalação. O mesmo não ocorre com os sistemas fotovoltaicos. 2008). como mostra a Figura 6. este se tornará oportuno se N > n. Entretanto.1 . O payback (N) é representado pelo número de anos depois que o NPV se torna nulo. para que o sistema fotovoltaico possa produzir a mesma quantidade de energia em um dia. O gráfico de barras representa a relação entre custo e tamanho da instalação fotovoltaica. 2005). como por exemplo. caso contrário o investimento deve ser evitado. Figura 6. uma central hidrelétrica. ele deve ter sua potência aumentada em 4 vezes. país que possui uma quantidade significativa de sistemas fotovoltaicos. 2006). o que em usinas térmicas representa um elevado . Estudos confirmam que os preços no que diz respeito à energia fotovoltaica vem sofrendo quedas ano após ano (VALLÊRA. Observe que. 2010). deve ser levado em consideração que os sistemas fotovoltaicos não apresentam gastos com combustível. que dependendo de sua localização geográfica podem gerar em média 6 horas por dia de energia (SHAYANI. deve-se escolher a que possui o maior IRR. Portanto.

Em caso de quebra de algum painel não é necessário mão de obra altamente qualificada para realizar a troca.44 custo. 2006). além dos gastos com operação e manutenção que na geração fotovoltaica chega a ser até 5 vezes mais barato (SHAYANI. A manutenção de um painel fotovoltaico deve garantir que estes permaneçam limpos. Essa limpeza a própria água da chuva realiza. . para que não ocorram sombreamentos que venham a reduzir a geração de energia. livres de poeiras e outros. motivo pelo qual o custo com manutenção é mínimo.

ou seja. e em proporções menores os demais equipamentos de escritório. em instalações comerciais. constar de grandes áreas de cobertura geralmente plana. Geralmente. sendo: .1 Prédios administrativos Inicialmente. o que facilita a instalações dos painéis. a utilização de painéis de forma integrada às edificações também se torna vantajosa por na maioria das vezes. para o estudo do consumo energético em um prédio administrativo. foi considerada uma edificação típica. pois a utilização dos aparelhos de ar condicionado coincide com o período de maior geração de energia. elevadores e bombas (SHAYANI. seguido de cerca de 25% para a iluminação. A seguir serão apresentadas todas as análises que realizei para a instalação do sistema fotovoltaico em prédios administrativos e em áreas industriais. 2006). Em instalações industriais. Além disso. que será utilizado posteriormente para as análises. durante o dia onde o calor é mais intenso assim como a radiação solar incidente nos módulos fotovoltaicos. aproximadamente 50% é destinado aos ar condicionados. O perfil de consumo energético de um prédio público é dividido da seguinte forma. encontra-se a seguir. ESTUDOS REALIZADOS Os sistemas solares fotovoltaicos utilizados em edificações de forma integrada e interligada à rede de distribuição pública de energia elétrica oferecem uma série de vantagens para o sistema elétrico. ressaltando a minimização das perdas com transmissão e distribuição de energia comparadas à transmissão e distribuição da energia elétrica convencional e a não necessidade de uma área física externa à edificação comparada. 7.45 7. sendo que todas as considerações foram tomadas com base no estudo apresentado até o capítulo anterior. 2004). Foi proposto um edifício composto por 10 andares. melhorando a qualidade de energia entregue ao consumidor (RÜTHER. aos sistemas de geração eólica. o sistema fotovoltaico pode oferecer suporte de reativo aos pontos críticos da rede. por exemplo. tomando como base parâmetros reais. O detalhamento de tal edificação. o perfil de consumo de energia da instalação se ajusta perfeitamente à geração fotovoltaica.

Figura 7. sala de espera. As dimensões técnicas para a edificação são: altura de 30m e área da secção de 300 m² (20 x 15 m²). 4º ao 9º andares: Escritórios com banheiros.46 1º andar: Recepção.1 . As figuras abaixo representam as plantas baixas para os diferentes andares. 10º andar: Anfiteatros e banheiros. cantina e banheiros. 2º e 3°andares: Garagem.Planta baixa do térreo .

Planta baixa dos andares com os escritórios Figura 7. .2 .47 Figura 7.Planta baixa dos anfiteatros OBS: As imagens estão na escala de 1:100.3 .

uma cantina e áreas de espera próxima à recepção com televisores. consta de 5 anfiteatros no último andar. A seguir são listados os equipamentos existentes no edifício com sua respectiva potência. o prédio consta de 12 escritórios por andar.  Escritório: 1 Computador com impressora 1 Ar-condicionado 8500Btu 1300W 1 Aquecedor de ambiente 1550W 1 Bebedouro 2 Lâmpadas fluorescentes (40W) 80W 1 Lâmpada fluorescente compacta (banheiro) 20W Total 250W 100W 3300W 12 escritórios x 6 andares x 3300W = 237.60kW  Cantina: 2 Freezer vertical – 280L (200W) 400W 1 Freezer horizontal – 330L (2 portas) 200W 1 Forno micro ondas 1 Cafeteira elétrica média 1 Estufa 1000W 1 Grill 1200W 1 Suggar 200W 1 Liquidificador 320W 1 Espremedor de laranjas 150W 1 Torradeira 800W 1 Forno elétrico 1150W 750W 2000W .48 Pelas imagens acima apresentadas pode-se observar que. cada um com seu respectivo banheiro. Além disso. totalizando 72 escritórios. 4 elevadores. dois andares utilizados para estacionamento dos carros dos funcionários. Estes dados permitem a determinação da carga instalada da edificação.

49 12 Lâmpadas fluorescentes (40W) Total  Recepção: 1 Máquina Xerox pequena 1 Scanner 1 Ar-condicionado 16000Btu 2 Computadores com impressora (250W) 500W 2 Televisores (200W) 400W 12 Lâmpadas fluorescentes (40W) Total   Lâmpadas fluorescentes (40W) 50W 1950W 480W 4880W 240W Anfiteatros: 5 Retroprojetores (210W) 1050W 5 Computadores (180W) 900W 5 Amplificadores de som (50W) 250W 42 Lâmpadas fluorescentes (40W) 1680W Total 3880W Garagem: 80 lâmpadas fluorescentes (40W)  1500W Banheiros (térreo): 6  480W 8650W Elevadores: 3200W .

Curva de carga estipulada fora de escala A Figura 7.74kW Portanto.50 Cada elevador possui capacidade para 8 pessoas Consumo médio por viagem 0. tem-se: Carga total instalada 275. estando as demandas dessas fora de escala. Figura 7.4 . Na Figura 7. A Figura 7. num total de 13 horas. .4 mostra como foi realizada a distribuição das cargas ao longo do dia.5 já apresenta a curva de carga considerando os consumos de cada equipamento.40kWh Estipulando o tempo de 3 mim para uma viagem e o elevador funcionando de 7:00 às 20:00. de forma que a figura mostra em escala a carga demandada ao longo do dia.6 o valor dessas demandas encontram-se explicitadas no gráfico. de posse da informação da utilização de cada um desses equipamentos ao longo do dia foram definidas as curvas de carga da edificação.

91 128.51 Curva de Carga .47 31.75 10.91 160 140 155.32 20 13. multiplicando a demanda pelo intervalo de tempo e depois somando as parcelas.95 10.Prédio Administrativo 180 160 Demanda (kW) 140 120 100 80 60 40 20 0 Horas do dia Figura 7.27 120 100 80 60 40 37. como mostra a seguir: .Curva de carga com os valores das demandas apontados em cada intervalo de hora Pela curva de carga calcula-se o consumo diário.6 .Curva de carga em escala 180 155.5 .75 0 0h-1h 8h-9h 1h-2h 9h-10h 2h-3h 10h-11h 3h-4h 11h-12h 4h-5h 12h-13h 5h-6h 13h-14h 6h-7h 14h-15h 7h-8h 15h-16h Figura 7.

aneel. 2013). para a classe de consumo comercial.gov.77 MWh Segundo a ANEEL (relatorios.52 Consumo diário 1759.17 kWh Figura 7.br.7 . serviços e outros.Energia consumida diariamente Considerando que um mês possui 30 dias tem-se: Consumo mensal 52. a tarifa cobrada referente à região Sudeste é de R$ .

A Tabela 7. 1 Software desenvolvido pela SMA Solar Technology. . Em relação às temperaturas foram adotados os valores utilizados para uma condição normal de operação.1. para que seja possível comparar e concluir qual configuração. é a mais vantajosa ou a que se encontra mais próximo disso. Portanto.53 295. no cenário atual. Para as simulações iniciais o local estipulado para a implementação do sistema fotovoltaico foi a cidade de Juiz de Fora. Dado em graus a partir do Norte e em direção os sentido horário. o edifício nestas condições apresenta os seguintes custos em relação à energia elétrica: Custo mensal: Custo anual: Esses valores serão utilizados para a realização de diversos ensaios com diferentes tipos de painéis fotovoltaicos e diferentes configurações de instalações. policristalino e filmes finos – silício amorfo). cada um utilizando um tipo de painel (monocristalino. A inclinação utilizada para os painéis foi de 23°.22 por MWh (em Abril de 2013). nível de consumo próprio e outros) foi utilizado o software SMA Sunny Design 2.211 que apresenta como resultado a geração anual de energia fotovoltaica que a instalação é capaz de fornecer. sendo o sistema trabalhando na temperatura de 25°C. em Minas Gerais. com uma temperatura mínima de 5°C e uma máxima de 40°C (valores estipulados pelo software). Na figura abaixo o ângulo de azimute é representado por . formado pela direção Sul-Norte com a projeção no plano horizontal da normal ao painel. assim como o seu azimute (ângulo entre a perpendicular ao plano de incidência e o plano de vibração de uma radiação eletromagnética planopolarizada).1 Simulações e análises econômicas Para a aquisição dos dados necessários às análises (rendimento fotovoltaico. sendo este o mais favorável para tal região. 7.1 apresenta três casos testes com a instalação de painéis no telhado do prédio (correspondente a uma área de 300 m²).

Tabela 7. para o cálculo dos custos de investimento foram adotadas as seguintes taxas de câmbio como sendo igual a R$2. Para a realização das simulações que serão apresentadas a seguir. Esta escolha foi realizada tendo como base os diversos modelos disponíveis pelo programa SMA Sunny Design 2.1 . Visto que grande parte dos equipamentos são importados e cotados em dólares americanos ou euros.8 – Incidência da radiação solar (ELETRONICA). e também o tipo de inversor em relação a modelo e fabricante.4217 Com a definição do tipo de painel a ser utilizado.6767 1. 2013) no dia 30 de Abril de 2013.6767 1.54 Figura 7.0. valores retirados de Valor Econômico (Banco Central do Brasil. de forma a conseguir um melhor aproveitamento na instalação destes.0020/US$1. o software sugere o número de inversores necessários que satisfaça a .00 e R$2.6352/EU$1. seu modelo e a sua quantidade. assim como seu fabricante.Área dos módulos utilizados nas simulações Módulo SolarWorld – SW 230 mono SolarWorld – SW 230 poly Sharp – NA-F121 (A5) Área (m²) 1. os painéis e inversores foram escolhidos de forma a obter o melhor rendimento para cada simulação.21. A quantidade de painéis a serem utilizados foi determinada pelo cálculo entre a área disponível no telhado do edifício e a área correspondente de cada painel.

Durante a simulação é considerado um Fator de Capacidade (relação entre o rendimento real e o nominal do sistema fotovoltaico em um mesmo intervalo de tempo) de acordo com a localização escolhida para a instalação dos painéis. Para realizar as simulações a edificação descrita anteriormente foi considerada um consumidor típico comercial. Tabela 7.26 51. policristalinos e de filmes finos. .76 Ao simular cada caso obtém-se o rendimento anual do sistema fotovoltaico assim como a porcentagem de energia utilizada para seu próprio consumo.031. Se a energia produzida for menor que o seu consumo anual.55 instalação em questão.26 207. Foram simulados três casos com diferentes tipos de painéis. toda a energia será utilizada para seu próprio consumo. períodos da noite entre outros.373. chuvas. Este fator leva em consideração o período em que o sistema não gera energia.2 – Especificação das simulações realizadas com a instalação dos módulos fotovoltaicos no teto do edifício Painel Especificação do painel Potência do painel Quantidade de painéis Custo com painéis (R$) Especificação do inversor Quantidade de inversores Custo com inversores (R$) Custo total de investimento (R$) CASO 1 Monocristalino CASO 2 Policristalino CASO 3 Silício amorfo SolarWorld – SW 230 mono SolarWorld – SW 230 poly Sharp – NA-F121 (A5) 230 W 230 W 121 W 154 154 192 Sunny mini central SMC 4600A Sunny mini central SMC 4600A Sunny mini central SMC 4600A 7 7 4 284. trabalhando em dias úteis de 8 às 18 horas. devido à presença de nuvens. não deixando excedente para a injeção de energia na rede. painéis monocristalinos.537.

52 MWh 25.7) (7.6) (7. Para os demais utilizou-se o mesmo raciocínio.56 Tabela 7. Abaixo encontra-se de forma detalhada o cálculo realizado para a obtenção da economia obtida com a instalação do sistema fotovoltaico para o Caso 1. Dessa forma foi possível calcular o payback previsto para cada caso teste.2) (7.13 MWh 100 % 100 % 100 % Para o estudo da viabilidade econômica. evolução das tarifas de energia. custos com energia elétrica convencional. foram considerados os custos de investimentos. A taxa de juros utilizada foi de 5% ao ano.3 – Resultados da simulação para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos no teto do edifício Rendimento anual fotovoltaico Porcentagem utilizada para o próprio consumo CASO 1 CASO 2 CASO 3 38.5) (7. e taxa de juros do mercado financeiro nacional. e para a evolução na tarifa de energia foi considerada um aumento de 2% a cada 2 anos.1) (7.8) .72 MWh 38.3) (7. (7.4) (7.

371. Já a curva verde apresenta o retorno proporcionado pelo sistema.Resultados das análises econômicas paras os casos com instalação de módulos fotovoltaicos no teto do edifício Economia de gastos com energia elétrica (R$) Payback previsto (anos) CASO 1 CASO 2 CASO 3 11. sendo que a cada ano este valor é implementado. passa a ser rentável ao investidor.92 11.88 > 25 > 25 > 25 A seguir encontram-se os gráficos referentes a cada caso simulado. ou seja. Esta curva inicia-se no valor gasto anualmente com a energia elétrica antes de realizar a instalação do sistema fotovoltaico. Se esta situação ocorrer antes do tempo de vida útil do sistema. e a cada dois anos. ela aumenta a uma taxa de juros de 2% ao ano. Seu primeiro valor indica o total de investimento necessário para realizar a instalação do sistema fotovoltaico. Nos demais anos o gasto com a energia elétrica continua sendo subtraído do lucro. ou seja. quando este passa a ser positivo significa que todos os custos com a instalação do sistema foram pagos e a partir deste momento o sistema fotovoltaico somente rende lucros para o investidor. Em cada gráfico é apresentado o lucro que a instalação do sistema fotovoltaico proporciona e o momento quando o sistema passa a ser vantajoso. considerando o aumento da tarifa de energia a cada dois anos. A curva vermelha apresenta o lucro que a instalação dos painéis proporciona com o passar dos anos. seu payback.430. . Seu lucro é dado pela economia que a instalação desse sistema proporciona no gasto com a energia elétrica. e foi considerado que este lucro está rendendo a uma taxa de juros de 5% ao ano. A curva se inicia no valor gasto no primeiro ano da instalação (total do investimento + custo anual com a energia oriunda da rede elétrica após a instalação).87 7. uma vez que a vida útil do sistema fotovoltaico gira em torno de 25 anos. a instalação é rentável. simulou-se 25 anos. significa que a partir deste momento o sistema apenas proporciona lucros.418.4. A curva em azul apresenta a evolução da tarifa de energia ao longo dos anos simulados. no segundo ano contabiliza-se apenas o custo anual com a rede elétrica após a instalação do sistema e a economia que este sistema proporciona.57 Tabela 7. Quando sua curva atingir um valor positivo.

00 -100.00 -300.00 Figura 7.00 Fluxo de Lucro com a Energia Fotovoltaica 100.00 -400.000.000.58 Caso 1 300.00 -500.00 Fluxo de Lucro com a Energia Fotovoltaica 100.10 .9 – Simulação do caso com a instalação de painéis monocristalinos no teto do edifício Caso 2 300.00 -500.00 Figura 7.000.000.000.000.00 200.00 -100.000.000.00 200.000.00 -200.00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Retorno da Instalação Tarifa de Energia -200.000.Simulação do caso com a instalação de painéis policristalinos no teto do edifício .00 -400.000.000.000.000.000.000.00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Retorno da Instalação Tarifa de Energia -300.

o que o torna mais vantajoso nas instalações por seu custo ser pouco mais reduzido. e em relação ao policristalino 4%. o rendimento do painel de silício amorfo reduz em relação ao painel monocristalino aproximadamente 8%.  A utilização dos painéis de filmes finos (Caso 3) apesar de possuir um custo extremamente reduzido comparado com os demais. porém seu custo se torna mais elevado.00 200.59 Caso 3 300.Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo no teto do edifício Comparando e analisando estes três casos é possível observar que:  O caso que utiliza o painel monocristalino (Caso 1) apresenta um rendimento superior aos demais.00 -300. pois tem-se praticamente o mesmo rendimento necessitando de um menor investimento.1.  O rendimento apresentado pelo painel policristalino (Caso 2) não cai de forma significativa se comparado com o monocristalino.000.000. Estudos e testes em laboratórios a cada ano que passa consegue melhorar a eficiência de tal painel.00 Retorno da Instalação 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 -100.000.000. razão pela qual domina as instalações atualmente.00 Tarifa de Energia -200. possui também uma perda de rendimento. o que desfavorece a sua implementação.00 Fluxo de Lucro com a Energia Fotovoltaica 100.00 Figura 7. devido ao fato do painel ser construído com um silício de melhor qualidade (maior pureza). o que fará alavancar a utilização da energia fotovoltaica em massa. Sua relação custo-benefício é mais atrativa.11 .000.000.1. Como já foi dito no item 3. pois o problema .

pelas razões descritas anteriormente. Ambos apresentaram um payback superior a 25 anos. o que aumenta o tempo necessário para que o sistema obtenha um retorno favorável ao investidor. por serem semitransparentes podem ser utilizados nas fachadas dos edifícios. torna-se mais claro identificar se a instalação é vantajosa ou não.1. policristalino e filmes finos – silício amorfo) são condizentes com o que era de se esperar.1 Instalação de painéis fotovoltaicos na fachada do edifício Neste subitem são apresentados três novos testes considerando a instalação dos painéis na fachada do prédio. pelo fato da melhor situação em relação a custo-benefício ser a instalação de painéis policristalinos.60 do rendimento será solucionado e junto a este estará associado seu baixo custo de aquisição. Esta situação mostra como é indispensável a introdução de meios que incentivem a utilização desta forma de geração de energia.  Observando agora as curvas em vermelho e em azul. Porém. a curva vermelha (lucro obtido com o sistema fotovoltaico) não ultrapassa a curva em azul (gastos considerando a evolução da tarifa de energia).1. desta forma o sistema não agrega lucro. Note que nos três casos. em nenhuma dessas situações a instalação fotovoltaica é viável. os painéis de silício amorfo estão sendo mais utilizados por uma questão estética. A Figura abaixo exemplifica a instalação de painéis de filmes finos na fachada de um edifício em Portugal. e conferem uma responsabilidade social para a construção. payback. a utilização da energia convencional se mostra mais vantajosa que a instalação do sistema fotovoltaico. devido ao seu elevado custo. em média 25 anos. Chega-se à conclusão que os resultados apresentados com os três tipos mais utilizados de painéis fotovoltaicos (monocristalino. 7. os três casos se mostram inviáveis comparados ao tempo de vida útil da instalação. ao mesmo tempo em que aproveitam a iluminação natural do dia produzem energia para a instalação. .  Em relação ao tempo necessário para obter retorno do investimento. Enquanto isso não ocorre.

para uma iluminação mais eficiente do ponto de vista energético.806. para o prédio ter o aproveitamento da luz do dia. Tabela 7. o que os demais painéis não permitiriam por serem painéis opacos. Os de maiores capacidades utilizam um menor número de inversores.40 Custo com painéis (R$) Especificação do inversor Quantidade de inversores Custo com inversores (R$) Custo total de investimento (R$) . Nos três casos apresentados a seguir foram utilizados 406 módulos da fabricante Sharp. A diferença entre os inversores encontra-se na sua capacidade.16 154. uma vez que são painéis semitransparentes.Especificação das simulações realizadas com a instalação dos módulos fotovoltaicos na fachada do edifício CASO 4 CASO 5 CASO 6 Sunny mini central SMC 5000A Sunny mini central SMC 4600A Sunny mini central .16 104.61 Figura 7.SMC 6000A 7 8 7 109. a diferenciação entre os casos encontra-se na escolha dos inversores.12 – Instalação de painéis de filmes finos na fachada do edifício (BRIGHT SOLAR) Foram utilizados apenas painéis de filmes finos (silício amorfo).346. modelo Sharp – NA – F121 (A5).5 .728.

7 – Resultados das análises econômicas para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na fachada do edifício Economia de gastos com energia elétrica (R$) Payback previsto (anos) CASO 4 CASO 5 CASO 6 15.37 21 21 23 Para as análises econômicas tornarem mais simples.664. do euro. encontram-se abaixo os gráficos referentes a cada simulação com a instalação de painéis de filmes finos na fachada do edifício. Tabela 7.62 Da mesma forma.6 .06 MWh 100 % 100 % 100 % Os resultados obtidos pela realização das análises econômicas encontram-se a seguir. Foram utilizadas as mesmas taxas de juros. trabalhando em dias úteis de 8 às 18 horas.08 MWh 52. o rendimento anual do sistema fotovoltaico é obtido pela simulação dos casos acima no programa SMA Sunny Design 2.77 15.Resultados da simulação para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na fachada do edifício Rendimento anual fotovoltaico Porcentagem utilizada para o próprio consumo CASO 4 CASO 5 CASO 6 53.454. Tabela 7.670.28 15. da tarifa de energia para poder comparar essas instalações. o mesmo valor do dólar. Para realizar a simulação também foi considerado um consumidor típico comercial. .35 MWh 53.21.

000.000.00 200.00 Fluxo de Lucro com a Energia Fotovoltaica 200.000.000.63 Caso 4 400.000.13 – Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na fachada do edifício utilizando o inversor SMC 5000A Caso 5 400.14 – Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na fachada do edifício utilizando o inversor SMC 4600A – 11 .00 -300.00 Figura 7.00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Tarifa de Energia -200.000.00 100.00 -400.000.00 Retorno da Instalação -100.00 Fluxo de Lucro com a Energia Fotovoltaica 100.00 Retorno da Instalação 1 -100.000.000.00 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Tarifa de Energia -200.00 -300.00 300.000.000.000.000.000.00 -400.00 Figura 7.00 300.000.000.

00 - Retorno da Instalação 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 -100.00 Fluxo de Lucro com a Energia Fotovoltaica 100.2 Instalação de painéis fotovoltaicos em diferentes regiões Agora será realizada uma análise na qual seja possível uma comparação da geração de energia fotovoltaica em diferentes regiões do Brasil. Outra observação consequente desta anterior é o fato da redução da capacidade de conversão tornar necessária a utilização de um maior número de inversores. mais caro este se torna.000.00 -300. a curva vermelha (lucro obtido com o sistema fotovoltaico) ultrapassa a curva em azul (gastos considerando a evolução da tarifa de energia) mostrando que a instalação do sistema fotovoltaico nestes casos é mais atrativa que a utilização da energia convencional.64 Caso 6 300. . Pela Tabela 7.15 – Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na fachada do edifício utilizando o inversor SB 2500 Note que como as simulações estão utilizando os mesmo módulos.00 -400. para analisar como a radiação solar influencia em tal fator.000. O Caso 4 mostra-se mais eficiente. 7. onde são usados painéis policristalinos no topo do edifício. apesar da necessidade de um investimento um pouco maior que o Caso 5.00 Figura 7.1.00 200. o Caso 6 faz uso do inversor mais caro entre os casos simulados.000.000.00 Tarifa de Energia -200. utilizaremos como base o Caso 2.5 é fácil perceber que à medida que aumenta a capacidade de conversão do inversor. Observe que nos Casos 4 e 5. apresenta o mesmo payback e um maior rendimento fotovoltaico.1.000. a diferença de custo de investimento está no tipo de inversor. Os azimutes e as inclinações escolhidas favorecem a maior geração de energia fotovoltaica. Para isso.000.000. sendo o caso que apresenta o maior payback. Logo.

65 Tabela 7.16 4. .dia. Estes valores se diferenciam de uma cidade para outra por apresentarem diferentes localizações em relação à Linha do Equador.88 46.8 .05 kWh/m². 5.25 38.56 4.81 47. aumenta-se a geração fotovoltaica.64 Observe que a geração de energia fotovoltaica é proporcional ao índice de radiação solar. A tabela abaixo mostra esses índices de radiação solar para as cidades simuladas acima. As duas cidades que apresentam maiores rendimentos fotovoltaicos são as cidades de Fortaleza (Nordeste) seguida de Belém (Norte).Resultado das análises em diferentes cidades do Brasil utilizando o mesmo sistema do Caso 2 (painéis policristalinos no teto do edifício) Cidades Belém Brasília Fortaleza Juiz de Fora Porto Alegre Rio de Janeiro Azimute -90° -90° -90° 23° 60° 60° Inclinação 20° 10° 20° 23° 20° 25° Rendimento anual fotovoltaico (MWh) 47. sendo que os valores foram retirados de Solar Energy (2013).71 52.60 O primeiro fato que merece importância são os valores de azimute e inclinação. ao passo que se aumenta a radiação solar da região a ser instalado o sistema fotovoltaico. justamente as cidades que apresentam maior taxa de radiação solar.05 4.dia) 5.45 4.56 e 5. ou seja. Esses dados são utilizados para proporcionar a cada caso.52 37.9 – Média anual de Radiação Solar para as cidades simuladas acima Cidades Belém Brasília Fortaleza Juiz de Fora Porto Alegre Rio de Janeiro Média Anual de Radiação Solar (kWh/m². a disposição que obtenha o melhor rendimento fotovoltaico possível. respectivamente. Tabela 7.93 5.

000.000. não são o suficiente para que este opte a investir na instalação de um sistema fotovoltaico. por exemplo.00 50. Pensando nisso. 200.00 Lucro com o investimento do dinheiro -150. porém ainda não ultrapassa. Neste Caso 4.00 Retorno da Instalação Fotovoltaica -50.000. instalação de painéis fotovoltaicos de silício amorfo na fachada de um edifício.3 Instalação do Sistema Fotovoltaico x Aplicação Para um investidor a questão ambiental e o investimento ser lucrativo após alguns anos. será analisado por este novo âmbito. O gráfico abaixo apresenta essa relação.00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 -100. aplicar o dinheiro no mercado financeiro é mais vantajoso.1. Considere agora que ao invés de investir este valor no sistema fotovoltaico.346. Por isso a necessidade de se criar tarifas de incentivo para a utilização da energia .16 – Comparação entre o Investimento na Fotovoltaica e a Aplicação do dinheiro Observe que o investimento na instalação do sistema fotovoltaico se aproxima do lucro obtido com a aplicação da mesma quantia. o Caso 4. rendendo juros a taxa de 5% ao ano.00 -350.00 -300.000.00 100.000.1. em uma poupança.000.00 -200.000.66 7.00 150. ele sempre analisa todas as possíveis possibilidades para apostar seu dinheiro.16 e o retorno esperado deste investimento foi de 21 anos. neste caso.000. este foi aplicado no mercado financeiro.00 Figura 7. Portanto. o investimento necessário para a instalação do sistema fotovoltaico foi de R$ 109.000.000.00 -250.000.

5 hp (Açoreal) 7829.25 W . como por exemplo.85 W 1 Balancim de ponte de aviamento 4.2 Área Industrial Para a realização do estudo de viabilidade técnica e econômica de uma instalação fotovoltaica em uma área industrial. foi utilizada como base uma empresa do ramo de calçados de segurança.67 fotovoltaica. o que já favorece a implementação do sistema fotovoltaico.5 cv (Master) 1100 W 400 W 2206.25 cv (Poppi) 3125. A área coberta pelo galpão da fábrica compreende 1800 m² (20m x 90m).25 W 1103. Com os incentivos a curva em azul irá subir e tornará a instalação do sistema fotovoltaico atrativa para os olhos dos grandes investidores. uma vez que o funcionamento da indústria se dá exatamente no período diurno. localizada na cidade de Itanhandu – MG.75 W 1103. A seguir encontra-se a lista de equipamentos utilizados na fabricação dos calçados de proteção individual. ventiladores e bebedouros. assim como os demais equipamentos que demandam energia. 7. onde se tem maior radiação solar.5 W 1 Forno (Master) 4000 W 1 Esteira 25m com 22 lâmpadas fluorescentes 2200 W 1 Aspirador de pó 1.5 W 12871.87 W 1 Máquina de aplicar couraça termoplástica (USM Brasil) 1 Máquina de carimbar (Erps) 500 W 1 Máquina de entretelar (Erps) 3500 W 2 Máquinas de cambrear (Morbach) 1 Máquina de prensar metatasso 3 cv (Becker) 35 Máquinas de costura ½ cv (Ivomaq) 1 Máquina de costura ½ cv (Juki Corporation) 3 Máquinas de conformar ½ cv (BM Fusionmaq) 3 Máquinas de estrubelar (Tecnomaq) 1104 W 1 Prensa pneumática (USM Brasil) 5500 W 1 Braqueadora 1 cv (Weq motores SA) 735. O horário de funcionamento da fábrica é de 7 às 12h e de 13 às 17h.25 W 367. 7 Balancins de corte hidráulico 1.

Fotografia tirada na fábrica fora do horário de funcionamento . o carga total instalada é de 89. Figura 7.7 W Logo.17 .75 W 2 Compressores 15 cv (Chaperine) 22065 W 2 Máquinas de ilhós (Kehl) 1 Máquina de chanfrar 2 cv (Cemec) 138 Lâmpadas fluorescentes 8 Ventiladores (Arge) 2 Bebedouros 720 W 1471 W 13800 W 1040 W 130 W 89740.74 kW.5 W 1 hp = 745.68 1 Lixadeira (Gilber) 1000 W 1 Montadora de bico pneumática (Internacional) 1500 W 1 Máquina sazi ½ cv 367.97 W Total OBS: 1 cv = 735.

Sua tensão de alimentação é de 13. e período seco (intervalo entre os meses de maio a novembro) e período úmido (intervalo entre os meses de dezembro a abril). . 7. sua tarifa é do tipo horo-sazonal verde.21. ela é realizada pela própria concessionária de energia (Cemig) através do pagamento de uma taxa extra. Por ser do tipo verde apresenta uma tarifa única para a demanda de potência e tarifas diferenciadas para o consumo de energia. cidade onde se encontra a indústria. Com isso. mais robustos e consequentemente mais caros. Por se tratar agora de uma indústria com nível de tensão superior aos prediais. ou seja. ambos medidos na cidade que se deseja inserir no software.69 Esta indústria é considerada um consumidor industrial do subgrupo A4. É possível inserir uma nova cidade. pois são necessários 8760 valores de temperatura (°C) e 8760 valores de radiação global horizontal (W/m²). que quando necessita de manutenção. 2 e 3. entre as cidades disponíveis foi escolhida Juiz de Fora por ser a que mais se aproxima de sua característica climática. Os tipos de painéis foram os mesmos utilizados nos casos 1. não está entre as cidades disponíveis no programa SMA Sunny Design 2. os inversores utilizados serão diferentes.770 kWh. mas para o projeto ficaria inviável. Através da sua conta de energia tem-se que o consumo anual de energia da instalação é de 121. A escolha da quantidade de painéis a serem utilizados se deu da mesma forma que a descrita para o caso de um edifício comercial.8 kV e a indústria possui um transformador particular. Sendo que considera-se o horário de ponta (3 horas consecutivas definidas pela concessionária) e o horário fora de ponta (demais horas do dia). A tarifa horo-sazonal possui preços diferenciados de acordo com as horas do dia e os períodos do ano.2.1 Simulações e análises econômicas Itanhandu – MG.

880.86 Note que para se obter o melhor aproveitamento possível da área pode-se utilizar um maior número de módulos.793.260. como por exemplo. isso encareceria o projeto e não o tornaria viável.007. foi utilizado menos módulos que a capacidade máxima suportada pela área do galpão para que assim obtivesse a melhor relação custo benefício para o projeto. principalmente no caso 3 (1260 módulos). . Para realizar a simulação foi considerado um consumidor industrial.064 1. tem-se o rendimento anual do sistema fotovoltaico.064 1.10 – Especificação das simulações realizadas com a instalação dos módulos fotovoltaicos na indústria Painel Especificação do painel Potência do painel Quantidade de painéis Custo com painéis (R$) Especificação do inversor Quantidade de inversores Custo com inversores (R$) Custo total de investimento (R$) CASO 1 Monocristalino SolarWorld – SW 230 mono 230 W CASO 2 Policristalino SolarWorld – SW 230 poly 230 W CASO 3 Silício amorfo Sharp – NA-F121 (A5) 121 W 1. O número de painéis utilizados foi determinado a partir de sugestões que o software apresenta.70 Tabela 7. porém não seria possível a instalação desse número de painéis e inversores devido a incompatibilidade para a instalação destes no sistema. seria necessário um número maior de inversores para ligar a apenas poucos módulos. Por isso.26 1.047 Sunny central – SC 250HE (EVR) Sunny central – SC 250HE (EVR) Sunny central – SC 100HE (EVR) 1 1 1 1. Simulando no programa SMA Sunny Design 2.21.26 221.944. trabalhando em dias úteis de 8 às 18 horas.

398. que foi aprovada em 17 de Abril de 2012. o consumidor também recebe descontos nas tarifas de uso do sistema de distribuição e de transmissão. a geração de energia fotovoltaica foi superior à necessária para atender todo o consumo industrial.71 Tabela 7. Caso a usina entre em operação até 31/12/2017.12 – Resultados das análises econômicas para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na indústria Economia de gastos com energia elétrica (R$) Payback previsto (anos) CASO 1 CASO 2 CASO 3 79.735.7 % 59.23 MWh 35.11 . em um prazo de 36 meses.97 79.263.6 % 35. a energia gerada que não for consumida é injetada no sistema da distribuidora e o consumidor recebe créditos equivalentes a esta que podem ser abatidos do seu consumo nos meses subsequentes. abrangendo a microgeração (até 100 kW) e a minigeração (de 100 kW a 1 MW). para a realização da análise econômica destes casos simulados para a indústria de calçados. Tabela 7. durante os primeiros dez anos esse desconto será de 80% e nos demais anos passará para 50%. a indústria estaria vendendo energia para a concessionária local. com o intuito de facilitar a geração de energia de forma distribuída para unidades de pequeno porte. TUSD e TUST respectivamente. Já as usinas que entrarem em operação depois de 31/12/2017 receberão apenas 50% de desconto nas tarifas citadas.Resultados da simulação para os casos com instalação de módulos fotovoltaicos na indústria Rendimento anual fotovoltaico Porcentagem utilizada para o próprio consumo CASO 1 CASO 2 CASO 3 270.49 MWh 140. Atualmente no Brasil existe uma resolução normativa nº 482 da ANEEL. o restante da energia seria jogado na rede de distribuição elétrica pública e a empresa receberia incentivos em troca. Logo. Para o caso de usinas maiores de até 30 MW. Nestes casos. obtendo os seguintes resultados.3 % Observe que em todos os casos simulados. ou seja. A norma utiliza o Sistema de Compensação de Energia. ou seja. foi levada em consideração a norma citada acima.09 MWh 268.62 41.70 8 7 3 .

000.000. a curva verde apresenta o retorno obtido com a instalação.72 Pelos gráficos apresentados a seguir fica claro como a análise nestes casos se diferencia das análises realizadas para o prédio administrativo. Após estes três anos a energia volta a ser paga. Durante os três primeiros anos foi considerado um gasto nulo. A curva em azul representa o gasto com a energia antes da instalação do sistema fotovoltaico. além de considerar que este dinheiro esta rendendo a uma taxa de juros de 5% ao ano.00 Figura 7.00 8. quando esta curva se torna positiva seu investimento passa a ser lucrativo.000.00 Retorno da instalação 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 -2. porém com os descontos nas tarifas de uso do sistema de distribuição e transmissão.00 -4. sendo dado pela diferença entre os dois gastos apresentados anteriormente.00 4.000. 12.00 Fluxo de lucro com a energia fotovoltaica 2. seu payback. uma vez que o sistema gera toda a energia necessária para seu consumo e ainda consegue recuperar os créditos equivalentes à energia excedente que é injetada na rede de distribuição. A curva em amarelo apresenta o gasto com a energia depois de realizada a instalação fotovoltaica.000. ou seja. esta foi calculada como anteriormente considerando o aumento da tarifa de energia de 2% a cada dois anos.000.00 Gasto com energia depois da instalação 6.000. Finalmente. A curva em vermelho representa o fluxo de lucro obtido com a instalação fotovoltaica.000.000.000.000.00 Gasto com energia antes da instalação 10.18 – Simulação do caso com a instalação de painéis monocristalinos na área industrial .000.000.000.000.000.

000.00 8.000.000. porém é a mais onerosa.000.000.000.000.000.19 – Simulação do caso com a instalação de painéis policristalinos na área industrial 8.000. Enquanto isso. A instalação que se utiliza de módulos monocristalinos é a mais eficiente por gerar uma maior energia.000. .000.00 Gasto com energia depois da instalação 2.00 Gasto com energia depois da instalação 6.73 12.000.000.00 2.00 6.000.000.00 Gasto com energia antes da instalação 10.000.00 Figura 7.000.00 Gasto com energia antes da instalação 4.000.20 – Simulação do caso com a instalação de painéis de silício amorfo na área industrial Analisando a questão técnica continuamos com a mesma questão apresentada em todos os casos anteriores.000.000.00 Fluxo de lucro com a energia fotovoltaica 4.00 Figura 7.000.000.000.00 Retorno da instalação 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 -2.000.00 Fluxo de lucro com a energia fotovoltaica Retorno da instalação - 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 -2.

. A utilização de painéis de silício amorfo.74 a instalação de painéis policristalinos gera praticamente a mesma quantidade de energia. uma vez que envolve muito dinheiro. Em grandes instalações qualquer redução de custo com equipamentos é de grande valia. neste caso de 3 anos. pelo fato de conseguir gerar energia acima do suficiente para seu consumo a um custo bem menor. o que lhe proporciona um payback mais satisfatório. menor rendimento fotovoltaico. mesmo sendo a configuração de menor eficiência e consequentemente. apresentou a melhor relação custo benefício. só reduz um pouco por ser um painel de menor pureza em silício. a um custo menor.

Através da análise dos casos simulados. Os módulos policristalinos tornam-se mais favoráveis que os comentados anteriormente. Esse tipo de módulo possui um custo extremamente reduzido comparado com os demais. motivo pelo qual é o sistema mais utilizado na área de geração fotovoltaica. pois apresentam menor custo para sua aquisição.21 para simular diversos casos apresentados ao longo deste. mas em contrapartida. eleva seu preço. por apresentar maior rendimento fotovoltaico. Além disso. utilizou-se o software SMA Sunny Design 2. sendo que o mais utilizado é o de silício amorfo. o que eleva seu rendimento. de forma que a energia fotovoltaica está substituindo os geradores a diesel em equipamentos de monitoramento de pequenas plataformas de petróleo. A tecnologia mais recente em energia fotovoltaica são os painéis de filmes finos. assim como uma análise de sua viabilidade econômica frente a sua aplicação em prédios administrativos e áreas industriais. como na área industrial. Em situações que a . 2006). As análises realizadas tanto no edifício comercial. mas o que o impede de ser competitivo com o painel policristalino é seu baixo rendimento. Desta forma. Para tal. como sua extensão e sua localização global. concluiu-se que o Brasil pode se tornar um grande gerador de energia fotovoltaica. este panorama se modifica. além de realizarem a proteção catódica para dutos enterrados. Ao analisar a visão econômica. mostraram que a utilização de painéis monocristalinos é a mais favorável considerando a visão técnica. a instalação com módulos policristalinos apresenta uma relação custo-benefício mais atrativa. devido às suas diversas condições favoráveis. diminuindo assim o valor a ser investido para implantar o sistema fotovoltaico. gerando assim maior volume de energia elétrica. A redução de seu rendimento em relação ao módulo monocristalino é de cerca de 3%. Os módulos monocristalinos são fabricados a partir de silício de alta pureza. seu rendimento não é comprometido de forma que afete o sistema. CONCLUSÃO Neste trabalho foi apresentada uma introdução ao sistema de energia fotovoltaica. Em Mossoró (RN) existe uma unidade piloto de bombeio de petróleo acionado por painéis fotovoltaicos (SAUER.75 8. Os investimentos para a utilização desse tipo de energia avançaram com a subida dos preços do petróleo.

em média de 25 anos. a utilização deste sistema ainda será economicamente inviável para ser conectado à rede elétrica se comparado à geração convencional. É importante ressaltar que os sistemas que utilizam a energia solar fotovoltaica no Brasil são autônomos. . a diferença entre o Brasil e este está na quantidade de anos em que estes créditos podem ser recuperados. apresentou-se como a configuração mais atrativa. Seu custo é reduzido. De forma resumida. geralmente para eletrificação rural ou bombeamento de água. Sua política permite que o consumidor recupere seus créditos de energia em um período de 20 anos. uma vez que conseguiu suprir todo seu consumo a um custo bem reduzido quando comparado às demais configurações. Os incentivos geralmente são de difícil acesso ou de pouca aplicabilidade. Sua eficiência com o passar dos anos tem melhorado gradativamente. também faz uso dos créditos de energia. pois demandam pouca energia e matérias primas na sua fabricação. nenhum caso simulado é vantajoso. enquanto no Brasil este período é de apenas 3 anos. Alguns casos simulados no edifício comercial mostraram que as instalações (principalmente os Casos 4 e 5) no Brasil são favoráveis. pois o problema do rendimento será solucionado e junto a este estará associado seu baixo custo de aquisição. enquanto o Brasil não incluir as tarifas e projetos de incentivos à energia fotovoltaica. a aplicação do dinheiro se sobressai. país que utiliza a energia fotovoltaica de forma consolidada. Os paybacks encontrados foram satisfatórios comparados com a vida útil do gerador fotovoltaico. Até o momento o preço de um sistema solar fotovoltaico não consegue competir com os valores cobrados pelas concessionárias. o que possibilitará no futuro a sua utilização em massa. No caso industrial. Em alguns países este problema é contornado com programas de incentivo para que o retorno financeiro seja possível e vantajosa. quando comparados ao potencial desta tecnologia. além de trazer grandes benefícios ao meio ambiente e à sociedade. Comparando com a aplicação no mercado financeiro da quantia necessária para o investimento do sistema fotovoltaico. o que evidencia a evolução que o país precisa ter em relação a esta tecnologia. este trabalho mostra como é necessária a inserção de um programa de incentivo ao uso da tecnologia solar fotovoltaica para aumentar a participação da energia solar na matriz energética e melhorar sua competitividade econômica frente às fontes convencionais de geração de energia.76 área utilizada para realizar a instalação não é um fator determinante este tipo de painel pode se tornar competitivo. Portanto. A Alemanha.

77 A seguir são listadas algumas propostas de trabalhos futuros: .Realizar o mesmo estudo em prédios administrativos de grande porte. .Avaliar o uso de baterias para suprir carga no horário de ponta.Realizar a análise econômica para casos onde é possível a venda de energia para a rede. . . .Incluir o custo das baterias na análise econômica para instalação de sistemas autônomos.Aprofundar o estudo entre a comparação de se aplicar o dinheiro ou investir em um sistema fotovoltaico. .

78 9. instalação de módulos monocristalinos no telhado do edifício. Este é o Caso 1 para prédios administrativos. APÊNDICE A Exemplo do documento gerado pelo software Sunny Design 2.21 após a simulação. ou seja. .

79 .

80 .

81 10. instalação de módulos monocristalinos no telhado do edifício. APÊNDICE B Exemplo da planilha fornecida para a análise econômica do projeto. . Este é o Caso 1.

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