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Edição Nº 03 - Ano 2009 - R$ 5,00

• História da Legislação Ambiental Brasileira

• Política Nacional do Meio Ambiente

• Lei de Crimes Ambientais


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Expediente Editorial
A legislação ambiental brasileira divide-se em dois momentos bem distintos: antes e
depois de 1981. Até 1981 eram havidas como “poluição”, para todos os efeitos, as emissões
das indústrias que não estivessem de acordo com os padrões estabelecidos por leis e normas
técnicas. Nessa época, sob o pressuposto de que toda a atividade produtiva causa um certo
impacto ao meio ambiente, eram plenamente toleradas as emissões poluentes que atendessem
www.movimentoambiental.org a determinados parâmetros.
IPSO FACTO EDITORA LTDA. A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, conhecida como Política Nacional do Meio
CNPJ: 10.666.734/0001-68
Ambiente introduziu uma diferença conceitual que serviu como um divisor de águas. Não há
Administração mais dano ambiental a salvo da respectiva reparação; a rigor, não há mais emissão poluente
Travessa Campo Grande, 138
89202-202 - Bucarein tolerada. A nova legislação baseia-se na idéia de que mesmo o resíduo poluente, tolerado pelos
padrões estabelecidos, poderá causar um dano ambiental e, portanto, sujeitar o causador do
Comercial
Rua Abdon Batista, 298,
dano ao pagamento de indenização. É o conceito da responsabilidade objetiva, ou do risco da
Ed. Abdon Batista, Sl. 26 atividade, segundo o qual os danos não podem ser partilhados com a comunidade.
89.201-010 - Centro - Joinville - SC
Fones: (47) 3029-4104 / 3029-4105 Complementando essa nova idéia de tutela do meio ambiente, a mesma Lei nº 6.938/81
Diretor Executivo
conferiu ao Ministério Público (os Promotores) legitimidade para atuar em defesa do meio
Anderson Jean Duarte ambiente. Como o meio ambiente é algo que pertence a todos mas a ninguém individualmente,
anderson@movimentoambiental.org nada mais adequado do que atribuir a proteção desse interesse, que se tem como “difuso”, a
47 9975-0553
um órgão afeito à tutela dos interesses públicos. Com a Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985,
Diretor Financeiro estendeu-se essa legitimidade também às entidades ambientalistas (as “ONG”) e criou-se uma
Douglas Kalebe Oliveira da Silva ação própria para a defesa judicial do meio ambiente, a ação civil pública.
douglas@movimentoambiental.org
47 9608-5085 A Lei de Crimes Ambientais (Lei n° 9.605, de 12/02/1998) reordena a legislação
ambiental brasileira no que se refere às infrações e punições. A partir dela, a pessoa jurídica,
Editor Chefe
Marcos Dias de Oliveira
autora ou co-autora da infração ambiental, pode ser penalizada, chegando à liquidação da
marcosdiasdeoliveira@yahoo.com.br empresa, se ela tiver sido criada ou usada para facilitar ou ocultar um crime ambiental. Por
outro lado, a punição pode ser extinta quando se comprovar a recuperação do dano ambiental
Gerente Comercial e – no caso de penas de prisão de até 4 anos – é possível aplicar penas alternativas. A lei
Edberto Damas
edberto@movimentoambiental.org criminaliza os atos de pichar edificações urbanas, fabricar ou soltar balões, maltratar as
plantas de ornamentação (prisão de até um ano), dificultar o acesso às praias, ou realizar um
Departamento Comercial desmatamento sem autorização prévia. As multas variam de R$ 50 a R$ 50 milhões.
Ariovaldo Alves Ribeiro
Carlos Roberto da Silva
Mizael Fernandes

Projeto Gráfico e Diagramação


Índice
Fabio Junior Vaz
fabiojrvaz@hotmail.com
47 9921-7513
04 História da legislação ambiental brasileira
Departamento Jurídico 06 Política Nacional do Meio Ambiente
Juliano Azambuja
OAB/SC 24.847
47 9948-2545
08 Lei de Crimes Ambientais
Sandra Fischer
OAB/SC 931/2004
12 LEI Nº 6.905 - Cap. V - Dos Crimes contra o Meio Ambiente
47 9911-2006
16 Chefe da ONU alerta para futuro terrível sem acordo climático
Otávio Hoepfner
OAB/SC 22262
47 9911-1998
18 Legislação ambiental não incorpora descobertas científicas
Colaboradores 20 Temperatura da terra pode subir 4ºC em apenas 50 anos
Thiago Dias
Dr. Fabiano Santangelo
Antonio Inagê de Assis Oliveira
22 Seminário Estadual de Serviços Ambientais
Thiago Romero
Tibério Alloggio 23 1ª Seminário Municipal de Consciência Ambiental
Amália Safatle

OBS.: A Revista Movimento Ambiental é uma


24 Dia de quem?
publicação especial da IPSO FACTO Editora
destinada a promover a mobilização social 26 Desnecessidade de ADA para isenção de ITR
para a conscientização ambiental.
Colaboração na forma de artigos, denúncias 27 AMAE conquista reconhecimento técnico internacional
e sugestões, enviar para:
movimentoambiental@movimentoambiental.org 28 A força mundial do movimento ambientalista
Preservar é o futuro! 29 A nova face do movimento ambientalista
História da legislação
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Por Antônio Inagê

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esde os tempos coloniais, a legislação brasileira das Nações Unidas para o Meio Ambiente realizada
preocupava-se com a proteção da natureza, em Estocolmo em 1972. A participação brasileira
especialmente recursos naturais, florestais e nesta Conferência foi muito importante para os seus
pesqueiros. Contudo, era sempre uma preocupação rumos, influindo fortemente nas recomendações da
setorial voltada para os interesses econômicos imediatos. Declaração de Estocolmo sobre o Meio Ambiente, mas,
Basta lembrar que, nos primeiros tempos, a exploração no nível da mídia influindo na opinião pública, nacional e
da madeira e de seus subprodutos representavam a base internacional, foi bastante mal compreendida, gerando-
colonial e se constituíam em Monopólio da Coroa. se conceito distorcido de que o Brasil preconizava o
desenvolvimento econômico a qualquer custo, mesmo
Ainda depois da Independência, este espírito devendo pagar o preço da poluição em alto grau. Na
continuou presente, protegendo-se sempre setores do verdade, o que a posição oficial brasileira defendia era
meio ambiente tendo em vista prolongar sua exploração. que o principal sujeito da proteção ambiental deveria ser o
Mesmo já neste século, a partir da década de 30, quando Homem, sendo tão danosa para ele a chamada “poluição
o país sofreu profundas modificações políticas, o velho da pobreza” (falta de saneamento básico e de cuidados
Código Florestal, o Código de Águas (ambos de 1934), com a saúde pública - alimentação e higiene) como a
assim como o Código de Caça e o de Mineração, tinham “poluição da riqueza” (industrial). Esse mal entendido,
seu foco voltado para a proteção de determinados entretanto, acabou por ser benéfico. A necessidade de
recursos ambientais de importância econômica. O Código dar uma prova pública de que o Governo Brasileiro tinha
de Águas, por exemplo, muito mais que a proteção a também preocupações com a poluição e com o uso
este recurso natural, privilegiava, a sua exploração para racional dos recursos ambientais resultou na criação da
geração de energia elétrica. Secretaria Especial do Meio Ambiente. Foi ela criada
pelo Decreto nº 73.030, de 30 de outubro de 1973, como
Foi no ciclo de governos inaugurados pela auto “órgão autônomo da Administração Direta” no âmbito do
denominada Revolução de 1964, que apareceram as Ministério do Interior “orientada para a conservação do
primeiras preocupações referentes a utilização dos meio ambiente e uso racional dos recursos naturais”.
recursos naturais de forma racional, pela compreensão
que se atingiu de que tais recursos só se transformariam As competências outorgadas à SEMA lhe deram
em riquezas se explorados de forma racional e de que se condições de encarar o meio ambiente de uma forma
deveria dar múltiplos usos a esses recursos, de tal forma integrada, cuidando das transformações ambientais
que sua exploração para uma determinada finalidade, adversas por vários instrumentos, inclusive influindo
não impedisse sua exploração para outros fins, nem nas normas de financiamentos e na concessão de
viesse em detrimento da saúde da população e de sua incentivos fiscais. Essas competências representaram
qualidade de vida. Desse período datam, dentre outras, uma verdadeira guinada na forma que a União vinha
a Lei nº4.504, de 30.12.1964 (Estatuto da Terra), o novo encarando a utilização dos recursos naturais e o controle
Código Florestal (Lei nº 4.771, de 15.09.1965), a Lei de da poluição ambiental. A primeira delas já é emblemática
Proteção à Fauna (Lei nº 5.197, de 03.01.1967), Decreto- dessa nova visão: “acompanhar as transformações
lei nº 221 (Código de Pesca), Decreto-lei nº 227 (Código do ambiente através de técnicas de aferição direta e
de Mineração), Decreto-lei nº 289, (todos de 28.02.1967), sensoriamento remoto, identificando as ocorrências
que criam o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento adversas e atuando no sentido de sua correção”. As
Florestal, com incumbência expressa de”cumprir e fazer demais também representam notável progresso, basta
cumprir” tanto o Código Florestal, como a Lei de Proteção ver que entre suas competências estava a de “promover
à Fauna). Também foram instituídas reservas indígenas, a elaboração e o estabelecimento de normas e padrões
criados Parques Nacionais e Reservas Biológicas. relativos à preservação do meio ambiente, especialmente
dos recursos hídricos, que assegurem o bem-estar das
Marco decisivo e que repercutiu de forma notável populações e o seu desenvolvimento econômico”.
sobre a legislação ambiental brasileira foi a Conferência
ambiental brasileira
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Pela primeira vez é acentuada a íntima ligação demonstra séria preocupação ambientalista e, na prática,
existente entre a necessidade da conservação ambiental acolheu sob seu manto toda a moderna legislação
com o desenvolvimento econômico e o bem-estar das ambiental editada a partir de 1975, vigente quando de
populações e é outorgado a um órgão ambiental a missão sua promulgação.
de “atuar junto aos agentes financeiros para concessão
de financiamento a entidades públicas e privadas com Essa preocupação é muito bem sintetizada em
vistas a recuperação dos recursos naturais afetados por seu artigo 225: “Todos têm direito ao meio ambiente
processos predatórios ou poluidores” e de “assessorar ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do
órgãos e entidades incumbidas da conservação do meio povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se
ambiente, tendo em vista o uso racional dos recursos ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-
ambientais”. Também a necessidade de se promover a lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
educação ambiental em escala nacional assim como a Dessa forma, a Constituição recebeu e avaliou toda a
formação e o treinamento de técnicos e especialistas legislação ambiental no país, inclusive, e principalmente
em assuntos relativos a preservação ambiental não a necessidade da intervenção da coletividade, ou seja,
foram esquecidos. A escolha do Dr. PAULO NOGUEIRA participação da sociedade civil, nela compreendida o
NETO para implantar e dirigir o novo órgão também se empresariado na co-gestão da Política Nacional do Meio
revelou extraordinariamente acertada. Talvez mais até Ambiente. Foi acolhida praticamente toda a legislação
que os instrumentos legais que inspiraram e fizeram vigente, mesmo a de âmbito estadual, uma vez que,
implantar a ação pessoal deste bacharel em direito, com ainda seguindo o espírito da Lei de Política Nacional
pós-graduação em biologia, é que influiu decisivamente do Meio Ambiente, determinou que essa legislação
sobre a ação dos demais órgãos públicos, em nível passasse a ser concorrente com a federal (CF, art. 24,
federal, estadual e até municipal, permeando-os de uma VI). Os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente
nova maneira de abordar as questões referentes ao meio são bem mais ambiciosos que a simples proteção de
ambiente, que influi, até hoje, em toda a legislação. recursos naturais para fins econômicos imediatos, visam
a utilização racional do meio ambiente como um todo,
Oriunda de uma mensagem do Poder Executivo, consoante determina o artigo 2º da Lei:
elaborada pela SEMA e amplamente discutida no
Congresso Nacional, foi, em 31 de outubro de 1981, A legislação mais recente, como a Lei dos
sancionada a Lei nº 6.938, que estabeleceu a Política Recursos Hídricos, mostra que estes princípios vêm sendo
Nacional do Meio Ambiente, consolidando e ampliando bem assimilados, tendo como objetivo o desenvolvimento
as conquistas já obtidas em nível estadual e federal. A sustentável, para a consecução do qual é indispensável a
principal qualidade desta legislação foi o reconhecimento, consciência de ser imprescindível a parceria do Governo e
ditado pela experiência, de que a execução de uma dos usuários dos recursos ambientais para sua utilização
Política Nacional do Meio Ambiente, em um país com as racional e conservação.
dimensões geográficas do Brasil, não seria possível se não
houvesse uma descentralização de ações, acionando-se *Antonio Inagê de Assis Oliveira é membro do Instituto dos
os Estados e Municípios como executores de medidas e Advogados Brasileiros, ex-presidente da Seção Brasileira da
providências que devem estar solidamente embasadas no International Association for Impact Assessment - IAIA, atual
postulado que o meio ambiente representa “um patrimônio Presidente da Associação Brasileira dos Advogados Ambien-
a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo talistas - ABAA e consultor da Câmara Temática de Legislação
em vista o uso coletivo”. O advento da Lei da Política Ambiental do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desen-
Nacional do Meio Ambiente alterou completamente o volvimento Sustentável - CEBDS. Dentre vários trabalhos pub-
enfoque legal que, até então, contemplava a utilização licados destaca-se o livro O Licenciamento Ambiental e mais
dos recursos naturais. A Constituição promulgada em recentemente, “Introdução à legislação ambiental brasileira e
1988, ao contrário das anteriores, em todo o seu texto licenciamento ambiental”.
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Política Nacional
A lei 6.938, Política Nacional do Meio Ambiente,
E
m linhas gerais, a lei que estabelece a Política
Nacional do Meio Ambiente foi concebida em
1981 - Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 - e
se divide em 4 capítulos e 21 artigos, que são: assegurada, sete anos mais tarde, pela Constituição de
• Da Política Nacional do Meio Ambiente 1988 - Art. 225. Trata-se de uma legislação complexa
• Dos Objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente e sua aplicação depende de ajustes que garantam a
• Do Conselho Nacional do Meio Ambiente
• Dos Instrumentos da Política Nacional do Meio interpretação correta de seus instrumentos e a sua
Ambiente operacionalização eficiente e eficaz.
O artigo 2º identifica os objetivos gerais, A década de 1990 foi marcada pela renovação
são 10 incisos com a seguinte redação: dos instrumentos de intervenção sobre o meio
Artigo 2° - A Política Nacional do Meio Ambiente tem ambiente, sempre em processo de discussão, debate
por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da e participação dos diversos segmentos envolvidos.
qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar,
no País, condições ao desenvolvimento sócio-econômico, Foi assim com a formulação da Lei das Águas (lei
aos interesses da segurança nacional e à proteção 9.433, de 1997), que reestrutura a gestão dos recursos
da dignidade da vida humana, atendidos os seguintes hídricos no país, estabelecendo como fundamentos
princípios: o uso múltiplo das águas; o reconhecimento desse
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio recurso como bem finito e vulnerável, dotado de
ecológico, considerando o meio ambiente como um valor econômico; a bacia hidrográfica como unidade
patrimônio público a ser necessariamente assegurado e
protegido, tendo em vista o uso coletivo; de planejamento; e a gestão descentralizada e
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água participativa, com a instituição dos comitês de
e do ar; bacias. Com base nessa legislação, foi criada, em
III - planejamento e fiscalização do uso dos recursos 2000, a Agência Nacional de Águas, semelhante às
ambientais; existentes para o petróleo, a energia elétrica e as
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de telecomunicações.
áreas representativas;
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou Em 1997, o CONAMA também revisou os
efetivamente poluidoras; procedimentos e critérios utilizados no licenciamento
VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias ambiental através da Resolução 237, de forma a
orientadas para o uso nacional e
efetivar a utilização do sistema de licenciamento
a proteção dos recursos ambientais; como instrumento de gestão ambiental. Esta
VII - acompanhamento do estado da qualidade Resolução se teve a vantagem de incluir em seus
ambiental;
dispositivos algumas regras que necessariamente
VIII - recuperação de áreas degradadas;
devem constar de norma geral federal, como o prazo
IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação;
das licenças e para a análise dos requerimentos, por
X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, outro lado, reconhecidamente, tem enfrentado em
inclusive a educação da comunidade, objetivando
capacitá-la para participação ativa na defesa do meio sua implementação sérios questionamentos quanto à
ambiente. constitucionalidade de vários de seus dispositivos.
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do Meio Ambiente
Em 1998, a nova Lei de Crimes Ambientais
(lei 9.605) fez do Brasil um dos poucos países do A Constituição Federal
mundo a dar caráter criminal ao dano ambiental,
Estabelecidos os contornos do novo tratamento legal dado
estendendo as sanções penais às pessoas jurídicas.
ao meio ambiente, a Constituição Federal promulgada em
Contudo essa legislação vem, ao mesmo tempo,
outubro de 1988 dedicou um capítulo inteiro à proteção
sofrendo críticas quanto à sua efetiva aplicabilidade e ao meio ambiente (Capítulo VI - Do Meio Ambiente; Título
ao fato de misturar no mesmo diploma legal crimes e VIII - Da Ordem Social), e no seu todo possui 37 artigos
infrações administrativas. relacionados ao Direito Ambiental e outros cinco atinentes
ao Direito Urbanístico.
No campo dos resíduos industriais, vale
mencionar a regulamentação da lei 9.974, de 06 de O texto constitucional estabeleceu uma série de
junho de 2000, que trata da devolução, recolhimento obrigações às autoridades públicas, incluindo:
e destinação final de embalagens vazias e restos
1- a preservação e recuperação das espécies e dos
de produtos agrotóxicos. Merecem registro também
ecossistemas;
as duas resoluções do Conselho Nacional de Meio
Ambiente (Conama), ambas de 1999, que tratam do 2- a preservação da variedade e integridade do
recolhimento e destinação final de pilhas e baterias e patrimônio genético, e a supervisão das entidades
de pneus usados. Mas são medidas que ainda estão engajadas em pesquisa e manipulação genética;
em fase de implementação e encontram grandes
dificuldades práticas. 3- a educação ambiental em todos os níveis escolares e
a orientação pública quanto à necessidade de preservar o
Com o advento da Lei 9.985, de 18/07/2000, meio ambiente;
que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de
4- a definição das áreas territoriais a serem especialmente
Conservação da Natureza, a compensação ambiental
protegidas;
passou a ser obrigatória para empreendimentos
causadores de significativo impacto ambiental, 5- a exigência de estudos de impacto ambiental para
obrigando o empreendedor a apoiar a implantação e a instalação de qualquer atividade que possa causar
manutenção de unidade de conservação do Grupo de significativa degradação ao equilíbrio ecológico.
Proteção Integral (Art. 36).
Outro aspecto que mereceu especial atenção do texto
Recentemente, em 22 de agosto de 2002, o constitucional foi o da competência legislativa da União,
Decreto no 4.340 veio regulamentar vários artigos dos Estados e Municípios, quanto à matéria ambiental.
da Lei 9.985, entre eles o artigo específico sobre É concorrente a competência entre a União e os Estados
compensação ambiental. Este Decreto determina para legislar sobre a defesa do meio ambiente, cabendo
em seu Capítulo VIII os principais fundamentos da à União estabelecer normas gerais e aos Estados
compensação ambiental. suplementá-las.
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Lei de crimes ambientais


LEI Nº 9.605, DE 12 DE FEVEREIRO DE 1998 - Dispõe sobre as sanções
penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas
ao meio ambiente, e dá outras providências.
Sanções Criminais O objetivo da lei é a responsabilização criminal
do poluidor ou do degradador do meio ambiente, sem
A Lei nº 9.605, sancionada com alguns vetos pelo
qualquer pretensão de derrogar a Lei nº 6.938/81, que
Presidente da República em 12.2.1998, estabelece as
regula as reparações civis decorrentes de atos danosos
sanções criminais aplicáveis às atividades lesivas ao meio
ao meio ambiente.
ambiente. Com esse objetivo básico, a Lei nº 9.605/98
pretende substituir todas as sanções criminais dispostas O artigo 2º da lei deixa claro que a responsabilização
de forma esparsa em vários textos legais voltados à criminal se dará segundo o grau de culpa do agente,
proteção ambiental, tais como o Código Florestal, o descartada, portanto a idéia de responsabilidade objetiva
Código de Caça, o Código de Pesca, a Lei nº 6.938, de também para efeitos criminais. Esse mesmo artigo inclui
31 de agosto de 1981 (art.15) etc. entre os imputáveis criminalmente não só o responsável
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direto pelo dano, como também outros agentes que,
sabendo da conduta criminosa, se omitiram ao impedir
a sua prática mesmo estando ao seu alcance evitá-
la. Entre tais agentes co-responsabilizados pela lei se
incluem o diretor, o administrador, o membro de conselho
e de órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou
mandatário de pessoa jurídica. Nos termos literais desse
preceito, assessores técnicos, auditores e advogados de
empresas poderão vir a responder criminalmente pelos
danos ambientais produzidos com o seu conhecimento,
provado que poderiam de alguma forma evitá-los e não
o fizeram.
O artigo 3º consagra a responsabilização criminal
da pessoa jurídica, sem excluir a possível penalização artifícios visados pela lei. A lei comina às pessoas físicas
das pessoas físicas que possam ser havidas como penas privativas de liberdade – prisão ou reclusão –
autoras ou co-autoras do mesmo fato danoso ao meio bem como penas restritivas de direitos, permitindo
ambiente. expressamente que estas últimas substituam as primeiras
desde que atendidos os pressupostos estabelecidos pelo
O artigo 4º positiva outro conceito já cogitado em artigo 7º. O primeiro pressuposto é o de que se trate de
termos de responsabilidade civil por danos causados crime culposo ou cuja pena privativa de liberdade seja
ao meio ambiente, que é o da desconsideração da inferior a quatro anos. O segundo pressuposto, que ficará
personalidade jurídica. Esse princípio visa tornar sem a critério do Juiz, diz respeito a condições subjetivas do
efeito qualquer artifício societário que se idealize para agente e a características do ato danoso, que venham a
criar obstáculos formais ao pleno ressarcimento dos indicar que a substituição da pena privativa de liberdade
danos. A transferência de ativos a pessoa jurídica que pela restritiva de direitos será suficiente para servir de
sabidamente não possui condições de ressarcir os danos reprovação e de prevenção ao crime.
ambientais causados por esses ativos é um desses
As penas restritivas de direitos são a prestação de
serviços à comunidade; interdição temporária de direitos;
suspensão parcial ou total de atividades; prestação
pecuniária e recolhimento domiciliar.
As sanções aplicáveis especificamente às pessoas
jurídicas, segundo o artigo 21, são a multa; as restritivas
de direitos; e prestação de serviços à comunidade.
Para as pessoas jurídicas as penas restritivas de
direitos consistem em suspensão parcial ou total de
atividades; interdição temporária de estabelecimento,
obra ou atividade; e proibição de contratar com o Poder
Público, bem como dele obter subsídios, subvenções ou
doações. Está expressamente previsto, e isto será de
capital importância para a defesa das pessoas jurídicas,
que a suspensão de atividades será aplicada quando
não estiverem obedecendo às disposições legais ou
regulamentares relativas à proteção do meio ambiente,
ao passo que a pena de interdição será aplicada quando
o estabelecimento, obra ou atividade estiver funcionando
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que permite a transação penal desde que obedecidas
determinadas condições. Nos crimes havidos como
de menor potencial ofensivo processados pela Justiça
Estadual, cuja máxima pena privativa de liberdade
prevista seja de até um ano (artigo 61, da Lei nº 9.099/95),
e nos crimes que tramitam na Justiça Federal cuja pena
máxima seja de até dois anos (artigo 2º, parágrafo único
da Lei nº 10.259, de (12.7.2001), é possível celebrar uma
transação penal com o Ministério Público, mediante a
imediata aplicação de pena restritiva de direitos, desde
que haja prévia composição dos danos causados ao
meio ambiente (artigo 27 da Lei nº 9.605/98).
Nos crimes cuja pena mínima prevista seja igual ou
inferior a um ano, é possível a suspensão condicional do
processo criminal por dois a quatro anos e, caso nesse
período o dano seja reparado e o agente não venha a
cometer outras irregularidades, é extinta a punibilidade
pelo crime cometido (artigo 89, da Lei nº 9.099/95).
Ainda, a pena imposta ao infrator poderá ser suspensa
nos casos em que a pena privativa de liberdade não for
superior a três anos (artigo 16,da Lei nº 9.605/98).
A nova lei consolida as sanções criminais previstas
sem a devida autorização – leia-se sem as licenças no Código de Caça, no Código de Pesca e no Código
prévias, de instalação e de operação preconizadas pela Florestal (Seção I e Seção II). A seguir, o texto legal
legislação ambiental – ou em desacordo com as licenças abrange as várias formas de degradação ambiental
obtidas ou, ainda, em violação à disposição legal ou causadas por poluição, incluindo ainda os danos
regulamentar. causados pelas atividades mineradoras (Seção III). Não
escapam do alcance da lei irregularidades meramente
A ação penal, diz o artigo 26, é pública administrativas (ausência de licenciamento ambiental,
incondicionada, o que significa dizer que sua instauração por exemplo) e problemas crônicos concernentes à
independe da iniciativa do ofendido. A nova lei manteve, ocupação do solo urbano (áreas de mananciais). A lei
com algumas alterações, a sistemática prevista pela Lei também prevê a aplicação de multas, entre o mínimo de
dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099, de 26.9.1995), R$ 50,00 e máximo de R$ 50 milhões.
Sanções Administrativas
O Decreto nº 3.179 de 21.9.1999 regulamentou a
Lei nº 9.605 de 12.2.1998 e atualizou o rol de sanções
administrativas aplicável às condutas e atividades lesivas
ao meio ambiente. Nos termos do artigo 2º do Decreto,
as empresas infratoras podem ser punidas com as
penalidades de advertência; multa simples ou diária, que
podem variar entre R$ 50,00 e R$ 50milhões; apreensão,
destruição, inutilização ou suspensão da venda dos
produtos utilizados na infração; embargo, suspensão
ou demolição da obra ou atividade irregular; reparação
do dano e restritivas de direito. As penas restritivas de
direito previstas são a suspensão ou o cancelamento do
registro, licença, permissão ou autorização da empresa
irregular; perda, restrição ou suspensão de incentivos
e benefícios fiscais e de linhas de financiamento em
estabelecimentos oficiais de crédito; e proibição de
contratar com a Administração Pública pelo período de
até três anos.

Muito embora o Decreto inclua a reparação


aos danos causados como sanção administrativa, na
verdade esse item não possui o caráter de penalidade
administrativa a ser aplicada pelos órgãos de fiscalização
federal, estaduais ou municipais, tais como as demais
penalidades previstas no Decreto. A obrigação de reparar
constitui, em realidade, decorrência da responsabilização
civil prevista na Lei nº 6.938/81.

As sanções administrativas previstas no Decreto


nº 3.179/99, portanto, podem ser complementadas
pela ação do Ministério Público visando à reparação do
dano causado ao meio ambiente e à responsabilização
criminal do infrator, nos termos das Leis nºs 6.938/81
e 9.605/98. Com a peculiaridade de que as infrações
administrativas e a responsabilização criminal regem-
sepela responsabilidade subjetiva, que depende da
demonstração de culpa ou dolo por parte do infrator,
enquanto o dever de reparar dispensa a prova de culpa
e depende exclusivamente do estabelecimento de um
nexo causal entre a ação ou omissão do infrator e o dano
causado (strict liability).
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LEI Nº 9.605 - Capítulo V


DOS CRIMES CONTRA O MEIO AMBIENTE
Seção I
Dos Crimes contra a Fauna

Art. 29. Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar


espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migra-
tória, sem a devida permissão, licença ou autorização da
autoridade competente, ou em desacordo com a obtida:
Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa.
§ 1º Incorre nas mesmas penas:
I - quem impede a procriação da fauna, sem licença,
autorização ou em desacordo com a obtida; sem a devida permissão, licença ou autorização da auto-
II - quem modifica, danifica ou destrói ninho, abrigo ridade competente.
ou criadouro natural; Art. 30. Exportar para o exterior peles e couros de
III - quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, anfíbios e répteis em bruto, sem a autorização da autori-
guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transpor- dade ambiental competente:
ta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.
ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela Art. 31. Introduzir espécime animal no País, sem
oriundos, provenientes de criadouros não autorizados ou parecer técnico oficial favorável e licença expedida por
autoridade competente:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e mul-
ta.
Art. 32. Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou
mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados,
nativos ou exóticos:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e mul-
ta.
§ 1º Incorre nas mesmas penas quem realiza experiên-
cia dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para
fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos
alternativos.
§ 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço, se
ocorre morte do animal.
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Art. 33. Provocar, pela emissão de efluentes ou
carreamento de materiais, o perecimento de espécimes Seção II
da fauna aquática existentes em rios, lagos, açudes, la-
goas, baías ou águas jurisdicionais brasileiras: Dos Crimes contra a Flora
Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou
ambas cumulativamente. Art. 38. Destruir ou danificar floresta considerada de
Art. 34. Pescar em período no qual a pesca seja preservação permanente, mesmo que em formação, ou
proibida ou em lugares interditados por órgão competen- utilizá-la com infringência das normas de proteção:
te: Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou
Pena - detenção de um ano a três anos ou multa, ambas as penas cumulativamente.
ou ambas as penas cumulativamente. Art. 39. Cortar árvores em floresta considerada de
parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem: preservação permanente, sem permissão da autoridade
I - pesca espécies que devam ser preservadas ou es- competente:
pécimes com tamanhos inferiores aos permitidos; Pena - detenção, de um a três anos, ou multa, ou
II - pesca quantidades superiores as permitidas, ou me- ambas as penas cumulativamente.
diante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e Art. 40. Causar dano direto ou indireto às Unidades
métodos não permitidos; de Conservação e às áreas de que trata o art. 27 do De-
III - transporta, comercializa, beneficia ou industrializa creto nº 99.274, de 6 de junho de 1990, independente-
espécimes provenientes da coleta, apanha e pesca proi- mente de sua localização:
bidas. Pena - reclusão, de um a cinco ano
Art. 35. Pescar mediante a utilização de: § 1 . Entende-se por Unidades de conservação as Reser-
I - explosivos ou substancias que, em contato com a vas Biológicas, Reservas Ecológicas, estações ecológi-
água, produzam efeito semelhante; cas, Parques Nacionais, Estaduais e Municipais, Flores-
II - substancias tóxicas, ou outro meio proibido pela au- tas Nacionais, Estaduais e Municipais, áreas de proteção
toridade competente: Ambiental, áreas de Relevante Interesse Ecológico e Re-
Pena - reclusão de um ano a cinco anos. servas Extrativistas ou outras a serem criadas pelo Poder
Art. 36. Para os efeitos desta Lei, considera-se pes- Publico.
ca todo ato tendente a retirar, extrair, coletar, apanhar, § 2o A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas
apreender ou capturar espécimes dos grupos dos peixes,
crustáceos, moluscos e vegetais hidrobios, suscetíveis
ou não de aproveitamento econômico, ressalvadas as
espécies ameaçadas de extinção, constantes nas listas
oficiais da fauna e da flora.
Art. 37. não é crime o abate de animal, quando
realizado:
I - em estado de necessidade, para saciar a fome do
agente ou de sua família;
II - para proteger lavouras, pomares e rebanhos da ação
predatória ou destruidora de animais, desde que legal e
expressamente autorizado pela autoridade competente;
IV - por ser nocivo o animal, desde que assim caracte-
rizado pelo órgão competente.
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de extinção no interior das Unidades de Conservação de Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem
Proteção Integral será considerada circunstância agra- vende, expõe à venda, tem em depósito, transporta ou
vante para a fixação da pena. guarda madeira, lenha, carvão e outros produtos de ori-
Art. 41. Provocar incêndio em mata ou floresta: gem vegetal, sem licença válida para todo o tempo da
Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa. viagem ou do armazenamento, outorgada pela autorida-
Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões de competente.
que possam provocar incêndios nas florestas e demais Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural
formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de florestas e demais formas de vegetação:
de assentamento humano: Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou Art. 49. Destruir, danificar, lesar ou maltratar, por
ambas as penas cumulativamente. qualquer modo ou meio, plantas de ornamentação de lo-
Art. 44. Extrair de florestas de domínio público ou gradouros públicos ou em propriedade privada alheia:
consideradas de preservação permanente, sem prévia Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa,
autorização, pedra, areia, cal ou qualquer espécie de mi- ou ambas as penas cumulativamente.
nerais: Art. 50. Destruir ou danificar florestas nativas ou
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. plantadas ou vegetação fixadora de dunas, protetora de
Art. 45. Cortar ou transformar em carvão madeira de mangues, objeto de especial preservação:
lei, assim classificada por ato do Poder Público, para fins Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.
industriais, energéticos ou para qualquer outra explora- Art. 50-A. Desmatar, explorar economicamente ou
ção, econômica ou não, em desacordo com as determi- degradar floresta, plantada ou nativa, em terras de do-
nações legais: mínio público ou devolutas, sem autorização do órgão
Pena - reclusão, de um a dois anos, e multa. competente:
Art. 46. Receber ou adquirir, para fins comerciais Pena - reclusão de 2 (dois) a 4 (quatro) anos e
ou industriais, madeira, lenha, carvão e outros produtos multa.
de origem vegetal, sem exigir a exibição de licença do § 1o Não é crime a conduta praticada quando ne-
vendedor, outorgada pela autoridade competente, e sem cessária à subsistência imediata pessoal do agente ou
munir-se da via que deverá acompanhar o produto até de sua família.
final beneficiamento: § 2o Se a área explorada for superior a 1.000 ha
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. (mil hectares), a pena será aumentada de 1 (um) ano por
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milhar de hectare. rágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o
Art. 51. Comercializar motosserra ou utilizá-la em exigir a autoridade competente, medidas de precaução
florestas e nas demais formas de vegetação, sem licença em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversí-
ou registro da autoridade competente: vel.
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa. Art. 55. Executar pesquisa, lavra ou extração de
Art. 52. Penetrar em Unidades de Conservação con- recursos minerais sem a competente autorização, per-
duzindo substâncias ou instrumentos próprios para caça missão, concessão ou licença, ou em desacordo com a
obtida:
ou para exploração de produtos ou subprodutos flores-
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa.
tais, sem licença da autoridade competente: Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem
Pena - detenção, de seis meses a um ano, e multa. deixa de recuperar a área pesquisada ou explorada, nos
termos da autorização, permissão, licença, concessão ou
Seção III determinação do órgão competente.
Art. 56. Produzir, processar, embalar, importar, ex-
Da Poluição e outros Crimes Ambien- portar, comercializar, fornecer, transportar, armazenar,
guardar, ter em depósito ou usar produto ou substância
tais tóxica, perigosa ou nociva à saúde humana ou ao meio
ambiente, em desacordo com as exigências estabeleci-
Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em das em leis ou nos seus regulamentos:
níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
saúde humana, ou que provoquem § 1º Nas mesmas penas
a mortandade de animais ou a des- incorre quem abandona os pro-
truição significativa da flora: dutos ou substâncias referidos no
Pena - reclusão, de um a qua- caput, ou os utiliza em desacordo
tro anos, e multa. com as normas de segurança.
§ 2º Se o crime: § 2º Se o produto ou a subs-
I - tornar uma área, urbana tância for nuclear ou radioativa, a
ou rural, imprópria para a ocupação pena é aumentada de um sexto a
humana; um terço.
II - causar poluição atmosférica Art. 60. Construir, reformar,
que provoque a retirada, ainda que ampliar, instalar ou fazer funcio-
momentânea, dos habitantes das nar, em qualquer parte do terri-
áreas afetadas, ou que cause da- tório nacional, estabelecimentos,
nos diretos à saúde da população; obras ou serviços potencialmente
III - causar poluição hídrica poluidores, sem licença ou auto-
que torne necessária a interrupção rização dos órgãos ambientais
do abastecimento público de água competentes, ou contrariando as
de uma comunidade; normas legais e regulamentares
IV - dificultar ou impedir o uso público das praias; pertinentes:
V - ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa, ou
líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias ambas as penas cumulativamente.
oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies que
em leis ou regulamentos: possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à
Pena - reclusão, de um a cinco anos. flora ou aos ecossistemas:
§ 3º Incorre nas mesmas penas previstas no pa- Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

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Chefe da ONU
futuro terrível sem
S
EUL - O fracasso em agir rapi-
damente para combater as mu-
danças climáticas pode provocar
o aumento da violência e uma grande
instabilidade no mundo, uma vez que os
padrões climáticos globais mudam dras-
ticamente, disse o secretário-geral da
ONU, Ban Ki-moon.

“Se nós falharmos em agir, a


mudança climática vai intensificar as se-
cas, as enchentes e outros desastres na-
turais”, disse Ban em um fórum próximo
de Seul que aconteceu semanas antes
de uma conferência do próprio secretá-
rio-geral sobre as mudanças climáticas,
em setembro.

“A falta de água vai afetar cente-


nas de milhões de pessoas. A subnutri-
ção vai tragar grandes partes do mundo
em desenvolvimento.
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U alerta para
m acordo climático

As tensões vão piorar. A insta-


bilidade social -- incluindo a violência --
pode acontecer”, afirmou Ban no evento
em Incheon.

As emissões de gases causado-


res do efeito estufa são consideradas a
principal causa para o aquecimento glo-
bal. Os países vão se reunir em Cope-
nhague em dezembro para trabalhar em
um novo acordo climático global para re-
duzir as emissões que substituirá o Pro-
tocolo de Kyoto, que termina em 2012.

Ban, que considerou a mudança
climática um tema fundamental para a
humanidade, pediu que líderes mundiais
atuem rapidamente para que um acordo
possa ser alcançado em Copenhague.

Em agosto representantes de
180 países se reuniran em Bonn, Ale-
manha, para negociar sobre o clima,
em meio a alertas de que o tempo está
passando para que um acordo bastante
completo seja concretizado até o fim do
ano.
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Legislação ambiental não incorpora


A
legislação brasileira que
regulamenta os parâme-
tros de emissão de gases
poluidores na atmosfera foi criada
no início da década de 1990, mas
70% do conhecimento científico
em poluição e saúde no país foi
produzido após essa data.

A preocupante con-
tradição foi apontada por Paulo
Afonso de André, pesquisador do
Laboratório de Poluição Atmos-
férica Experimental da USP.

“Ao pesquisarmos em
publicações científicas, focando
no tema da poluição e saúde,
concluímos, pelo número de ar-
tigos encontrados, que a legisla-
ção ambiental atual, que precisa
de atualização, foi produzida com
o conhecimento gerado até o fim
da década de 1980, que repre-
senta menos de um terço do que
se sabe hoje sobre o assunto”, disse André à Agência A Organização Mundial da Saúde (OMS), por
FAPESP, logo após proferir a palestra “Meteorologia ur- outro lado, recomenda o monitoramento da qualidade do
ar nas grandes cidades por meio de partículas em con-
bana e saúde.”
centrações PM 2,5, entre outros parâmetros. “Esse valor
ainda não é considerado pela legislação brasileira, ape-
Partículas inaláveis sar de, para a comunidade científica, ser uma realidade
há mais de dez anos”, apontou.
A legislação ambiental em vigor no país, segun-
do ele, determina os parâmetros de qualidade do ar que
André explicou que a maioria dos estudos de
devem ser monitorados, entre os quais a exposição ao
monitoramento ambiental no país já segue a concentra-
material particulado (PM, na sigla em inglês), uma mis-
ção PM 2,5, pois se sabe que essa é a fração de polu-
tura de partículas líquidas e sólidas em suspensão no ar
ição do ar capaz de penetrar no aparelho respiratório,
classificadas de acordo com o seu diâmetro. A norma am-
podendo atingir os brônquios e os alvéolos pulmonares
biental determina como máxima a exposição a partículas
e causar doenças como asma, bronquite e enfisema pul-
inaláveis PM 10, que têm diâmetro inferior a 10 mícrons.
monar.
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descobertas científicas dos últimos 20 anos


“Por outro lado, sabemos que boa parte das Segundo André, calcula-se que o PM 2,5 repre-
partículas inaláveis de PM 10 é retida pelos sistemas de sente cerca de 50% das partículas inaláveis de PM 10.
defesa do organismo humano. Hoje, o PM 2,5 é man- “A legislação ambiental precisa ser atualizada para que
datório nas pesquisas em saúde e, dependendo da re- o monitoramento do ar seja realizado apenas com base
vista científica, não é nem permitida a publicação de re- nessa concentração prejudicial de interesse. Hoje, os
sultados de estudos com PM 10”, afirmou. resultados são mascarados em parte porque os órgãos
competentes devem medir o elefante inteiro, enquanto
Cálculos científicos dos riscos da apenas seu rabo causa o efeito prejudicial”, comparou.

poluição Monitoramento ambiental


O pesquisador lembrou que, enquanto os cálcu- Os pesquisadores da Faculdade de Medicina da
los científicos de risco da poluição do ar para a saúde hu- USP desenvolvem uma série de estudos sobre o assunto
mana são feitos com base em PM 2,5, a Companhia de a partir do monitoramento das principais regiões metro-
Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), ligada à politanas do país. “São áreas que, invariavelmente, têm
Secretaria do Meio Ambiente do governo de São Paulo, um perfil de poluição urbana devido à participação signifi-
tem como base os instrumentos legais e segue o PM 10 cativa da frota de veículos automotivos”, apontou.
como parâmetro de monitoramento da qualidade do ar
das cidades. Estima-se que a exposição à matéria particulada,
mesmo em níveis considerados seguros pela legislação
“A Cetesb tem feito monitoramentos exploratórios ambiental, esteja associada a aproximadamente 800 mil
em nível de aprendizado com base no PM 2,5, uma vez mortes anuais causadas por doenças cardiorrespiratórias
que todos sabem que aí mora um grave problema ambi- em todo o mundo, principalmente em crianças e idosos,
ental e que, esperamos em breve, a legislação brasileira das quais 35 mil ocorrem na América Latina.
deve mudar. Mas, por enquanto, a obrigação é monitorar
seguindo o padrão legal de PM 10”, disse. Thiago Romero
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Temperatura da TeRra
pode subir 4ºC
em apenas 50 anos

U
m relatório do principal centro de pesquisas temperatura do planeta pode subir entre 1,8ºC e 4ºC até
sobre mudanças climáticas da Grã-Bretanha o fim deste século.
alertou para um aumento de 4ºC na
temperatura do planeta em apenas 50 anos Utilizando novos dados a partir de análises sobre
caso as emissões de carbono não sejam o ciclo do carbono e de observações atualizadas de
reduzidas em breve. emissões de países emergentes, como China e Índia, as
conclusões não apenas reforçam a possibilidade do pior
O estudo do Centro Hadley, financiado pelo cenário do IPCC como reduzem pela metade o tempo
governo britânico, constitui o alerta mais grave já disponível para ação.
divulgado sobre o aquecimento global desde que o
Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática Segundo o Centro Hadley, em um cenário de altas
(IPCC), órgão científico da ONU, estimou em 2007 que a emissões, o derretimento de neve e gelo no Ártico poderia
elevar a absorção de raios solares e elevar a temperatura
ártica em até 15,2 ºC.
Secas atingiriam severamente o oeste e sul da
África, afetando a disponibilidade de água, segurança
alimentar e saúde da população.
O estudo diz que “todos os modelos” indicam
reduções na precipitação de chuvas também na América
Central, no Mediterrâneo e partes da costa australiana.
Em outras áreas, o aumento da temperatura em 50 anos
poderia ser de 7º C, disse o estudo.
Já o padrão das chuvas seria severamente afetado
na Índia - onde o nível de precipitações poderia aumentar
20% ou até mais, piorando o risco de enchentes.
Não bastasse o cenário consideravelmente pior do
que os cientistas pensavam, o estudo alerta ainda que,
em um cenário de emissões altas, a previsão de aumento
de 4º C pode ser “adiantada em 10 anos, ou até 20 anos
em casos extremos”.
Entretanto, concedem os cientistas, ainda há
tempo de evitar o pior cenário se as emissões de carbono
começarem a baixar de nível dentro da próxima década.

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AÇÃO
O estudo foi apresentado em uma conferência
sobre a mudança climática na cidade inglesa de Oxford,
e sai a público no mesmo dia (28 de setembro) em que
delegados de 190 países se reúnem em Bangcoc, na
Tailândia, para uma nova rodada de negociações antes
da reunião da ONU em Copenhague, na qual espera-se
um novo acordo de emissões de carbono em substituição
ao Protocolo de Kyoto, vigente até 2012.
Líderes mundiais têm reiterado a necessidade de per capita, tem encontrado dificuldades para aprovar
limitar a elevação da temperatura global nas próximas leis de controle de emissões no Congresso americano,
décadas em 2º C. Mas, como aponta o analista de ainda que reafirme a “determinação” do seu país para
ambiente da BBC Roger Harrabin, a questão tem agir e assumir suas “responsabilidades” em relação ao
esbarrado nos recursos que serão necessários para aquecimento global.
“limpar” a matriz energética global. A China anunciou que vai redobrar os investimentos
Um dos pontos fundamentais, diz o especialista, é em eficiência energética para reduzir as suas emissões
que países em desenvolvimento querem ajuda para arcar de CO2 em uma “margem notável” - porém ainda não
com os custos de tal empreitada. O premiê britânico, precisada - até 2020.
Gordon Brown, tem falado em uma cifra de US$ 100 Tanto a China como os EUA respondem por cerca
bilhões para conter o aquecimento global através do de 20% das emissões de dióxido de carbono provenientes
combate à pobreza. A União Européia tem concordado. da queima de carvão, gás natural e petróleo. A União
No entanto, o presidente americano, Barack Européia produz 14% do total, seguida por China e
Obama, que preside a nação que mais polui em termos Rússia, cada qual com 5%.

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Seminário Estadual de Serviços Ambientais


reuniu mais de 150 técnicos em Joinville revertidos economicamente em novas fontes de renda.
Durante o seminário foram apresentadas experi-
ências dos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, São
Paulo e Paraná em relação à regulação de gases (produ-
ção de oxigênio e sequestro de carbono), belezas cêni-
cas, conservação da biodiversidade, proteção de solos e
regulação das funções hídricas.
Segundo o coordenador Técnico do Seminário e
do Projeto PRAPEM/Microbacias 2, Valdemar Hercílio de
Freitas, o evento esclareceu e subsidiou a formulação de
uma política ambiental eficiente de preservação e con-
servação, incentivando diretamente a não degradação

A
conteceu em Joinville nos dias 18 e 19 de agosto, dos ecossistemas, através do pagamento destes servi-
o Seminário Estadual sobre Pagamentos de Servi- ços.
ços Ambientais, promovido pelo Projeto PRAPEM/
Microbacias 2, com apoio da Gerência Regional da Epagri
e da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional
(SDR) - Joinville . O evento foi realizado no Restaurante
Rudnick, no Distrito de Pirabeiraba, em Joinville.
Durante dois dias, mais de 150 técnicos da área
ambiental de todo o Estado estiveram reunidos para dis-
cutir e propor diretrizes, ações e programas que possam
balizar a nova visão de política pública ambiental catari-
nense. Os resultados obtidos neste encontro vão servir
de subsídio técnico para o Governo do Estado na propos-
ta de regulamentação do Artigo 288 do Código Ambiental
do Estado de Santa Catarina.
O objetivo do encontro foi conhecer, esclarecer e Thiago Dias
compreender tecnicamente o que é o Serviço Ambiental. Assessoria de Comunicação SDR-Joinville
(47) 3431-2825 / 2805 / 9992-9247
Neste evento, técnicos discutiram como estes serviços Acesse: www.sc.gov.br
úteis oferecidos pelos ecossistemas podem ser www.costadoencanto.sc.gov.br
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1º Seminário Municipal de Consciência Ambiental


Seminário aborda questão do tratamento de esgoto em Joinville
O objetivo principal do evento é ampliar a consciência da comunidade sobre a necessidade
urgente da ampliação da rede de captação e tratamento de esgoto sanitário

J
oinville - A criação, por iniciativa do vereador profes- no mundo por doenças relacionadas ao ambiente onde
sor Alodir Cristo, do 1º Seminário Municipal de Cons- vivem. No Brasil, 15 crianças morrem diariamente por do-
ciência Ambiental, que acontecerá nos dias 24,25 enças causadas pela falta de esgoto sanitário. Cerca de
e 26 de novembro próximo, tem como principal objetivo 87 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de esgo-
reunir formadores de opinião e educadores em torno da to. Essas pessoas normalmente estão na periferia das ci-
idéia da necessidade urgente da ampliação da rede mu- dades, onde a população jovem predomina. O resultado
nicipal de esgoto. O Seminário será, basicamente, edu- é o alto índice de internações devido às contaminações.
cacional, buscando a participação efetiva de professores A ONG Água e Cidade calcula que para cada R$ 1
das redes de ensino municipal, estadual e particular, em investido no setor de saneamento, economiza-se R$ 4
todos os segmentos educacionais, na área de medicina curativa.
do ensino fundamental ao superior.
Além disso, O Seminário irá envol- Joinville tem um dos piores índi-
ver técnicos das áreas de meio am- ces relativos ao saneamento bási-
biente e saúde, que também serão co. Na pesquisa do Instituto Trata
ótimos multiplicadores das mensa- Brasil, entre as 79 cidades pesqui-
gens apresentadas no evento. sadas ela aparece em 63º lugar (se
fosse verificado apenas a cobertura
Muitos imaginam que sa- da rede de esgoto, a cidade esta-
neamento tem pouco apelo para ria em último lugar). Nos próximos
os políticos porque é uma obra cinco anos a Companhia Águas de
que fica enterrada e ninguém vê. Joinville pretende ampliar a rede
Mas, surpreendentemente, pes- coletora de esgoto dos atuais 12%
quisas recentes mostram que este para 52% das moradias, o que de-
serviço está em primeiro lugar na verá ter um significativo reflexo na
prioridade de obras para os brasi- Rede de captação de esgoto sanitário, em Joinville, precisa de ampliação urgente área de saúde. Portanto, este se-
leiros. Segundo estudo realizado minário poderá contribuir para que
pelo Instituto Trata Brasil (organização que reúne gran- a população tenha uma maior consciência sobre a real
des empresas), em parceria com o Instituto Brasileiro importância deste serviço público na comunidade.
de Pesquisa e Opinião Pública e Estatística (Ibope), 54%
dos entrevistados consideraram o serviço esgoto como Ficha Técnica
obra prioritária em seu bairro. Foram ouvidas 1.008 pes- O que: 1º Seminário Municipal de Consciência Ambiental
soas de 79 cidades acima de 300 mil habitantes. As ou- Quando: 24, 25 e 26 de novembro de 2009
tras prioridades foram: serviços de água (28%, coleta de Onde: Plenário da Câmara de Vereadores de Joinville
lixo (15%), limpeza pública (14% e pavimentação (8%).
Horário: a partir das 19h30
Tal prioridade se dá porque a falta de esgoto afe- Público-Alvo: Formadores de opinião, educadores e
ta, principalmente, a saúde das pessoas. Anualmente, técnicos ligados a esfera ambiental
mais de 5 milhões de crianças entre 0 e 14 anos morrem
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DIA DE
O
último dia internacional do meio ambiente algumas ONGs. Dos conflitos entre ministérios. Enfim,
merece certa reflexão. Não só a que devemos de nosso papel e do papel da administração pública
nos preocupar, mas com o caminho que tudo como um todo.
esta tomando. Diga-se da legislação cada vez mais
restritiva. Das quedas de braço entre os ministérios, Homem como parte do meio ambiente, e sendo
envolvendo o meio ambiente. Das decisões judiciais o único que pensa no reino animal, é o que deve estar
que por vezes atinge um, em igual situação a muitos. mais empenhado. Comparemos a preocupação com
Do progresso muitas vezes obstaculizado pelos o meio ambiente, parecida com preocupação com o
interesses ambientais. Da atuação do ministério telhado de sua casa. Se não cuidar, o telhado cai. E
público, e do conflito de interesses entre o homem sem telhado, “a casa cai”.
e meio ambiente. Da posição muitas vezes xiita de
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Não se trata aqui de uma transferência de (e legislar) levando em conta o homem como parte do
responsabilidade (sendo esta uma tendência do meio ambiente.
ser humano), mas de uma distribuição correta de
responsabilidades e atribuições. Por exemplo: O Ao contrário do que declara o Ministro Minc,
cidadão que guarda seu óleo de cozinha e separa seu não importa “se a ONU elogia o Brasil e sua legislação
lixo doméstico reciclável enquanto a prefeitura de sua ambiental”, mas sim se o brasileiro consciente está
cidade não oferece sistema de tratamento de esgoto, satisfeito com o rumo que tudo está tomando.
ou adequado aterro industrial. E o mesmo cidadão
não pode tomar banho de mar. Enquanto o judiciário, guardador da democracia,
aplica a confusão legislativa atual, devemos saber o que
Essa mesma administração pública (aqui a Administração pública anda fazendo, na prática. Já é
incluindo o legislativo) que permite (através de leis hora de entender que aumentar penas de crimes sem
amplamente restritivas), que seja discutido situações efetiva fiscalização deixou de agradar ao Cidadão.
consolidadas a décadas, no benefício do meio
ambiente, e em detrimento da condição de vida. Mas onde isso tudo se inicia? No seu legislador,
aquele que com sua procuração (voto) está aprovando
Sim, o meio ambiente deve ser protegido ou não leis no Distrito Federal. E que por vezes se
por lei. Mas a atual confusão de competências e de submete aos interesses de ministérios. Falando em
normas de todo o tipo, tornam o direito ambiental um ministérios recentes quedas de braço entre os mesmos,
grande mistério para o operador do direito, que se só nos aproximam da insegurança jurídica.
utiliza do equilíbrio, contra os excessos interpretativos
da legislação. Preocupa-me que meus governantes (ilusão

QUEM?
Mas de quem é a responsabilidade? Da
Dr. Fabiano Santangelo

pensar que seja somente um), estejam satisfeito com a


opinião mundial, pois isso nos leva a preocupar-se com
administração pública em primeiríssimo lugar. números, e não com pessoas. Mas temos o salvador
judiciário, sem o qual, já estaríamos bem próximo de
Afinal esta representa o coletivo, e deve outro regime político.
oferecer o melhor exemplo. Não é mais tempo de
ações individualizadas, mas sim, coletivas. Este texto não visa esgotar o assunto e os
pontos de vista. Mas chama a atenção para a origem
Não é mais tempo de buscar a demolição de do problema, cujos sintomas nos leva a caminhos cada
uma casa ou outra, mas de obrigar os municípios a vez mais impositores, restritivos e confrontante com os
cumprirem em definitivo a lei. É tempo de interpretar direitos humanos e com a insegurança jurídica.
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DESNECESSIDADE DE ADA
PARA ISENÇÃO DE ITR Fabiano Santangelo
OAB/SC 15.388
fasantangelo@terra.com.br

E
m recente decisão do TRF 4ª Região o Des. Esse caminho legislativo é um típico conflito de
Federal Otávio Roberto Pamplona proferiu notável princípios e interesses.
decisão sobre a desnecessidade de ADA – Ato
declaratório Ambiental para fins de isenção de ITR em Apesar da previsão legal expressa (alíneas “b”
áreas declaradas de preservação (e interesse ecológico) e “c” do inciso II, art. 10 da Lei 9.393/96: declaradas de
pelo órgão ambiental estadual. interesse ecológico por “ato do órgão competente, federal
ou estadual”), o imposto é lançado como se somente o
O ponto controvertido era a isenção prevista no órgão federal (IBAMA) pudesse dispor sobre o assunto.
art. 10, II, alínea “b” e “c” da Lei 9.393/96, obtida através
da declaração do órgão estadual FATMA – Fundação O termo “competente” da lei refere-se ao
do Meio Ambiente (SC) de área rural como de interesse órgão inscrito no SISNAMA, e não à mesma esfera
ecológico. arrecadadora.

A decisão do TRF 4ª Região prestigia a situação Ademais a restrição não atinge somente áreas
real de improdutividade da área rural, quando esta cobertas de florestas, pois o art. 7ª do Decreto Federal
ocorre, sobre a formalidade da apresentação do ADA. É 750/93, por exemplo, (revogado pela Lei 6.660 de
bem vinda a postura que observa a realidade ao invés da 20/11/2008), impedia a exploração de áreas vegetadas ou
formalidade. Foi prestigiado o conteúdo em detrimento não, desde que tivessem “a função de proteger espécies
sobre a sua forma. da flora e fauna silvestre ameaçadas de extinção” e
outras situações.
Sabe-se que a Receita Federal está com olhos
voltados aos proprietários rurais, especialmente aqueles Ou seja, a isenção de ITR não está restrita à área
com áreas mais de 1,0 mil hectares, impugnando as de preservação permanente, ou á reserva legal prevista
declarações de ITR desde 2001 entendendo que seu no Código Florestal como se entendia antigamente.
conteúdo não estaria correspondendo com a verdadeira Basta que o impedimento de utilização do imóvel devido à
possibilidade de utilização da área do ponto de vista fauna, localização, tipo de solo ou a função da vegetação
ambiental. que o cobre, para que a não regular utilização do imóvel
o isente de ITR.
A legislação ambiental não está em sintonia com
a tributária, ou pelo menos, com o entendimento oferecido Mas a legislação tributária não possui a previsão
ao ITR. A restrição sobre a vegetação é ampliada e cada de isenção de ITR compatível com as novas restrições
vez mais restritiva, enquanto é igualmente tributável aos ambientais, enquanto que a legislação ambiental não
olhos do fisco. atende ao princípio da anterioridade.
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AMAE conquista reconhecimento


técnico internacional
melhorar a qualidade de vida no município”, afirmou o Gerente
Técnico da AMAE, Adriano Stimamiglio.
Marcele, que atua na Coordenadoria do Sistema
de Abastecimento de Água da AMAE, participou de um
processo seletivo para o curso à distância de “Gestão
Integrada em Saneamento – Cooperação Brasil-Itália, com
prática sobre a Gestão do Saneamento no Brasil”. O curso
de três meses foi oferecido pela Hydroaid, em parceria com a
Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental do Ministério
das Cidades do Brasil, e custeado pela Cooperação Brasil-
Itália em Saneamento. No final do curso, oito alunos foram
pré-selecionados para desenvolver trabalhos, que foram
avaliados pelos tutores e professores. Após a avaliação dos
trabalhos, Marcele foi selecionada para uma das três vagas
disponibilizadas para o estágio, que ocorreu em outubro de

A
2009.
engenheira Marcele Figueiredo Andrade de Luca,
Assim como o curso, todas as despesas para a
servidora efetiva da AMAE - Agência Municipal de
realização do estágio foram pagos pela Hydroaid, sem custos
Regulação dos Serviços de Água e Esgotos de
Joinville, foi escolhida – dentre técnicos de diferentes países para o município de Joinville. O enfoque dos trabalhos foi na
– para um estágio de uma semana na Itália, oferecido pela área de resíduos sólidos, água e esgotos. Para Stimamiglio,
Hydroaid - Water for Development Management Institute, a Agência ganha reconhecimento internacional. “Sabemos
sediada em Turim. “A servidora teve a oportunidade de trazer também que essa é uma conseqüência em razão de uma
experiências italianas em saneamento, para que Joinville política de investimento intelectual nos técnicos”, disse o
possa melhorar a sua atuação no setor, e consequentemente gerente.

Ouvidoria dos serviços de água e esgoto


A
Agência Municipal de Regulação deve apresentar o número do protocolo
dos Serviços de Água e Esgotos fornecido pela Companhia, referente ao
de Joinville - AMAE atende a registro da sua reclamação ou solicitação
população através da sua Ouvidoria, que de serviço, motivo da reclamação.
atua na mediação de conflitos entre os
usuários e o prestador dos serviços de A AMAE interage com as partes
água e esgoto – Companhia Águas de envolvidas, encaminhando a solução
Joinville. O objetivo da Ouvidoria é chegar dos problemas, valendo-se para isto da
a soluções satisfatórias para as demandas legislação e normas vigentes.
ou expectativa não atendida, buscando
Neste ano de 2009 a Ouvidoria da
sempre o aprimoramento da prestação
AMAE recebeu 261 reclamações contra os
do serviço público de abastecimento de
serviços de água e esgotos.
água e esgotamento sanitário.
A AMAE passa por um processo
Os usuários dos serviços de água
de aprimoramento contínuo, estando
e esgoto devem entrar em contato com
planejado a certificação da sua Ouvidora
a Ouvidoria da AMAE, somente depois
para o mês de novembro/2009 e
de esgotadas todas as possibilidades de atendimento e
participação em seminários de aperfeiçoamento.
solução das suas demandas pela Companhia Águas de
Joinville. Ao procurar a Ouvidoria da AMAE, o usuário Jeane Regina Silva
Ouvidoria • jeane@amae.sc.gov.br

A Ouvidoria da AMAE atende de segunda a sexta-feira das 8 às 14 horas, pelo número 47 3433-1158, ou
no endereço: Rua Paraná nº 420, bairro Anita Garibaldi, Joinville – SC. O encaminhamento das reclamações
pode também ser feito através do site www.amae.sc.gov.br, ou pelo e-mail ouvidoria@amae.sc.gov.br.
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A FORÇA MUNDIAL DO MOVIMENTO AMBIENTALISTA Tibério Alloggio - Sociólogo

F
oi na velha Europa, no início da década de 80, que do futuro do Planeta e da humanidade. Nesse cenário
o movimento ambientalista, até então restrito à o movimento ambientalista perdeu as características
imagem de protetor dos bichos e dos parques, ganhou nacionais e tornou-se um movimento mundial.
notoriedade e força política, irrompendo como protagonista Se perguntar hoje para um ativista do WWF
no cenário mundial. internacional, ou do Greenpeace, onde está sua matriz.
Os efeitos sócio-ambientais negativos, do processo Se estiver no Brasil responderá que é no Brasil, mas dado
de globalização, detonaram o surgimento de um movimento, que a Entidade tem presença em quase todos os países
que rapidamente ganhou as primeiras páginas dos jornais, do mundo, poderá dizer que sua organização tem sede
atravessando de forma horizontal o sistema político central naquela tal Cidade daquele tal País. Que congrega
tradicional, até então dividido pelas ideologias de Direita e tantos milhões de aderentes no mundo todo, que no Brasil
Esquerda. têm tantos adeptos e que seu movimento é mais forte na
Junto aos novos sujeitos sociais como: movimentos Europa e menos na Ásia, e lá vai.
dos consumidores, de gênero, das minorias étnicas, Assim sabemos que a Sede Central do WWF
religiosas e sociais, os ambientalistas incluíram a “natureza” Internacional está na Suíça, como sabemos que o
como sujeito fundamental com direito à cidadania. Greenpeace tem base central na Holanda, assim como os
As gritantes desigualdades entre O “Norte” e o “Sul” Amigos da Terra, mas todos eles agem no mundo todo, sem
do Planeta, pela primeira vez foram identificadas com a restrições nacionais, e quando se trata de agir em favor da
exploração predatória dos recursos naturais perpetradas causa ambiental, ninguém se faz problema de participar,
pelas nações ricas à custa dos países pobres. As crises seja aonde for, seja onde estiver.
mundiais, políticas, sociais, energéticas, e ambientais A Multinacional Cargill é propriedade de uma Família
começaram a ser lidas como uma conseqüência desse Americana, mas ela atua em grandes partes dos países do
modelo desigual, aonde os paises ricos podiam consumir Mundo afora criando problemas sociais e ambientais, e não
o 80% dos recursos naturais e os países pobres (a grande é de hoje que está sendo enfrentada pelos ambientalistas e
maioria), consumirem apenas o 20% desses recursos. movimentos sociais dos respectivos países. Na década de
O modelo de desenvolvimento global, seus 90, na Índia, a Cargill passou pelos mesmos problemas que
mecanismos perversos, os modelos de consumo, o está passando agora em Santarém. Naquele País, teve que
uso democrático e sustentável dos recursos naturais recuar ressarcindo financeiramente os prejuízos ambientais
começaram a ser discutidos numa ótica global, superando o e sociais que provocou.
“nacionalismo tradicional”, até porque a questão ambiental Entender o tabuleiro onde se joga a questão global
transcende os tradicionais limites territoriais das nações. O é fundamental, isso para não cair no “provincianismo” que
aquecimento global que afeta todo o planeta é provocado, grupos trogloditas locais tentam insuflar na cabeça das
principalmente, pela demasiada emissão de gases de uma pessoas, especialmente quando os interesses em jogo são
minoria de nações ricas. A destruição das florestas tropicais grandes, e envolvem conflitos que podem ter sim, o seu
tem efeitos deletérios para o clima de toda comunidade ponto agudo em Santarém, mas que na verdade se jogam
internacional, uma ação ambientalmente irresponsável de na mesa dos interesses globais.
um nosso vizinho terá um reflexo negativo direto na vida de A ação dos movimentos sociais e do Greenpeace
todos nós. contra a Cargill em Santarém, é apenas um dos lugares
Ao identificar as Nações Desenvolvidas como onde a Multinacional está sendo encurralada, e a pressão
principal imputado desse modelo perverso, os ambientalistas maior está sendo conduzida lá fora, com o mercado da soja
começaram a pressionar o Grupo das Nações mais Ricas e os seus clientes.
(G-7), que para garantir seu padrão de consumo e de Quando a Cargill perceber, como já está percebendo,
vida, usam o capital financeiro e a ação das empresas que com sua presença conflituosa em Santarém, perderá
multinacionais, para perpetuar a exploração econômica e mercado global, não pensará duas vezes em migrar em
ambiental dos países pobres, que possuem abundância de outras direções, abandonando o campo, e dando um chute
recursos naturais. Com tamanho desafio os ambientalistas na bunda dos seus esquentados aliados locais. Eticamente
reorganizaram suas ações, justamente na mesma escala isso é até discutível, mas todos sabem que no fundo, o
das multinacionais: a escala global, aonde se joga a partida mercado não tem alma.
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A NOVA FACE DO MOVIMENTO


AMBIENTALISTA Amália Safatle

S
e confirmado, trata-se de um tem sobre o meio ambiente.
fenônemo capaz de mudar Uma parte crescente dos
profundamente o alcance entrevistados deixou de acreditar
do movimento ambientalista no que esse é apenas um sinônimo
Brasil: uma pesquisa realizada de fauna e flora, e passou a
pelos ministérios da Educação e relacioná-lo a seu dia-a-dia, aos
do Meio Ambiente entre jovens problemas urbanos, do bairro e
integrantes do movimento da comunidade.
identificou que a maioria não
advém da classe média ou das Para explicar a adesão dos
elites, mas emerge das classes jovens de classes mais baixas
mais populares e com níveis de ao movimento ambientalista, os
escolaridade mais baixos. técnicos do MEC levantam a
hipótese de que essas pessoas
Segundo Fábio Delboni estão cada vez mais expostas
e Soraia Mello, técnicos a problemas como enchentes,
da Coordenação-Geral de desabamentos e falta de
Educação Ambiental do saneamento, e começam a
Ministério da Educação, esse entender essa realidade social à
fenômeno poderia contribuir luz da questão ambiental.
para a popularização da questão
ambiental no Brasil, necessária Os técnicos ponderam,
para que o movimento se entretanto, que essa é uma
fortaleça, integre as questões análise preliminar, e que seriam
ambientais à problemática social necessários novos estudos e um
e tenha maiores condições de tempo maior de acompanhamento
influenciar os rumos das políticas e análise para reforçar ou refutar
públicas. essas hipóteses.
Até então, a história do A pesquisa realizada pelos
movimento ambientalista no País ministérios coletou dados e
tinha sido caracterizada pela participação dominante das ouviu 241 jovens em todo o Brasil. Os resultados estão
classes da elite e com alta escolaridade, como mostra a detalhados no livro Juventude, Cidadania e Meio Ambiente
série histórica “O que o brasileiro pensa do meio ambiente - Subsídios para a elaboração de políticas públicas. Eis
e do consumo sustentável”, pesquisa coordenada pelo alguns deles:
Instituto de Estudos da Religião (Iser).
56% são mulheres
Os dados, portanto, representam uma novidade 55% se declaram pardos
e indicam que começa a haver uma renovação nos
quadros do movimento. 80% concluíram o ensino médio em escola pública
95% moram em áreas urbanas
Na última pesquisa do Iser, a coordenadora e 51% pertencem a famílias com renda
pesquisadora Samyra Crespo já havia identificado uma mensal de até 5 salários-mínimos
mudança na percepção do conceito que o brasileiro
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Um sonho que virou realidade, uma reali- Trabalhamos com as seguintes terapias:
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cura de muitas pessoas. Santuário de tera- • Sauna • Massoterapia
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tura de conforto para oferecer o máximo de • Psicoterapia • Exercício de inte-
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