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Luz do Sol

(Sunlight)

Por Débora Souza


Ele é o raio de sol que guia e ilumina a minha vida;
eu sou a brisa noturna, quente e calma que purifica a alma dele.
Renesmee Carlie Cullen

Prefácio:

Sei que a vingança não é o melhor dos atos, mas não me


importo se morrer ao tentar matar aqueles vampiros,
talvez me sinta menos culpada... Estarei fazendo justiça.

(...)

Por um instante tive medo de sangrar, nunca havia visto meu sangue,
mas se ele aparecesse naquela hora, certamente seria meu fim.
Antes de fechar os olhos vi uma imensa criatura castanha avermelhada
no campo que rugiu ferozmente, um som que já tinha ouvido antes, tentei
abrir mais os olhos, mas não consegui e via tudo embasado, as criaturas se
atacaram, ouvi um grunhido vindo do animal que
me assustou e fechei os olhos.
1. LEMBRANÇAS
Já passa das duas da manhã, mas nada me interessa na TV. Isso me lembra
a noite anterior da primeira visita á minha avó Renée, foi frustrante para
minha mãe, ter que enfrentá-la como vampira, todos estavam com receio
dela descobrir assim que colocar os olhos em Bella, ver a grande mudança
que ocorreu fisicamente, não apenas em sua voz, como ela percebeu pelos
telefonemas.
Eu já havia falado com Renée pelo telefone, ela ficou completamente
animada para me conhecer, isso era mais uma duvida, o que ela acharia na
grande semelhança entre mim e meus pais, meu pai diz que Renée vê o
mundo de um modo diferente de muitos outros, isso com certeza levaria a
alguma conclusão sobre minha família.

“Os primeiros raios da luz do Sol já entravam pela janela, e meus pais
ainda estavam discutindo no quarto sobre ver a vovó.
Eu durmo, mas de vez em quando, posso ficar acordada tranquilamente por
uns quatro dias, depois disso começo a ficar cansada e nada que uma boa
noite de 14 horas dormindo, não ajude. Quando decido dormir sempre
durmo com Jacob, ele é tão quente quanto eu.
Já passava do 5º dia sem dormir e Jacob já estava ficando bravo, mas
provavelmente hoje eu iria dormir, assim o deixarei mais tranqüilo.
Ouvi a porta do quarto se abrir, minha mãe estava descendo as escadas,
logo atrás dela meu pai.
- Bom dia a vocês dois!! – eu abri um grande sorriso á eles.
Eles retribuíram meu sorriso com outro, Bella se aproximou de mim e me
deu um beijo na testa.
- Bom Dia, querida!
Edward fez o mesmo...
- Bom dia, Nessie... Você não dormir hoje? Não sinto cheiro do Jacob por
aqui, ele deve estar impaciente por você ainda não ter dormido. – ele me
censurou
-Não, mas hoje vou chamar ele, tenho que ser 100% quando formos ver a
vovó!
Eles me olharam surpresos, ninguém havia me dito sobre ver Renée, mas
claro que eu já tinha descoberto.
-Renesmee já não falei pra você não ficar ouvindo nossas conversas?! –
disse mamãe num tom levemente apreensivo.
-Sim e eu te obedeci, mas você não falo nada sobre saber as coisas pela
mente das pessoas – eu pisquei pra ela - Zafrina está me ensinando cada
vez mais.
Zafrina é uma vampira amazonense, minha amiga e professora, ela tem o
poder de criar ilusões ao redor das pessoas. Eu a conheci quando minha
família teve que reunir um monte de vampiros conhecidos para
testemunhar aos Volturi de que eu era meio-humana, pois Irina - irmã de
Kate e Tanya, vampiros quase como da família, o Clã Denali, me viu uma
vez e achou que eu era uma criança imortal, que são proibidas em nosso
mundo e avisou os Volturi, como se fossem a família real dos vampiros,
líderes de toda a sociedade “vampirescas”.
É uma familia muito antiga que conta com uma enorme e poderosa guarda
que habitam a cidade de Volterra, na Itália, os que decidem quem vive ou
quem morre e vieram aqui para “punir” eu e minha família. Foi quando
conheci muitos de meus amigos, Nahuel é um deles sendo meio-humano
meio vampiro como eu e também é amazonense como Zafrina e suas irmãs.
Kate e Tanya também são muito minhas amigas, elas são como duas tias
pra mim e mesmo não vendo muito Garret eu também o considero como
tio, pois ele é companheiro de Kate.
No final correu tudo bem, apenas Irina morreu, por ter dado falso
testemunho...
Minha família tentou simplificar tudo o que ocorreu desde meu pai e minha
mãe se conheceram... Sei sobre James, Victoria e Laurent, nômades que
criaram muita confusão para minha família, James tentou atacar a mamãe,
mas meu pai a salvou – claro – depois Victoria tentou se vingar da morte de
seu companheiro James e criou um monte de recém-nascidos para atacar
minha família, mas eles se juntaram com os lobos e venceram.
Ultimamente Zafrina está me ensinado a praticamente ler mentes,
literalmente entrar na mente delas, quando eu nasci podia projetar meus
pensamentos em outra mente quando eu os tocava com a palma das mãos e
conforme fui crescendo meus poderes também.
-E pelo jeito você aprende cada vez mais rápido. - disse Edward parecendo
me parabenizar.
Eu sorri á ele...
Estava ficando com fome.
-Vamos caçar antes?
-Antes de que? – perguntou mamãe
-De ver a vovó, nós vamos amanhã, não é? – perguntei com cara de dúvida
-Hã... sim. É só que não sei quando vou me acostumar com você sabendo
das coisas antes de alguém te contar. - ela riu.
- Tenho certeza que era o mesmo que acontecia quando descobriram que o
papai podia ler mentes. – eu olhei pra ele
- Acho que sim – ele disse meio desconcertado. - mas então vamos? - disse
a mamãe e á mim indo á porta.
Eu corri ao seu lado e peguei sua mão, mamãe pegou a outra.
Jacob sempre me esperava perto de casa, e lá estava ele, lindo como sempre
com seu grande sorriso branco pra mim.
Eu corri em sua direção, como fazia na maioria das manhãs... E pulei em
seu colo.
- Oi, Jake.
- Oi, Nessie. Como passou a noite? – ele perguntou com sua voz
confortante.
- Bem... E pensando em você claro.
- E eu em você... Já que você não está dormindo... – ele me olhou
censurando.
-Não se preocupe eu irei dormir hoje, amanhã vou ver a vovó! – eu abri um
sorriso totalmente animada.
Ele olhou para meus pais atrás de mim, esperando que algum dos dois
falasse.
- E ai, Bells? Verdade, amanhã vocês iram ver á Renée? - Eu fiz carranca
para Jacob. - Não que eu não acredite em você, Nessie. – ele revisou os
olhos.
- Sim, Jake, já está na hora de vê-la, antes de Nessie aparenta ter 18 anos...
– ela riu
- Eu só tenho quatro anos. – afirmei.
- Todos nós sabemos, meu bem, só que você já aparenta ter seis, não se
esqueça. – ela me respondeu.
-Claro... – minha voz era mais um sussurro
- Mas á vampirinha de quatro anos que aparenta ter seis, mas linda de todo
o mundo! – disse Jake, eu ri.
- E você é um lobo de 21 anos que aparenta ter 21, apesar de ter 17 anos
mais lindo do mundo... – eu disse, ele e meus pais riram.

Fomos para casa do meu avô Carlisle, é estranho chamá-lo de avô, pois ele
tem a aparência para ser meu pai, sendo Edward parecer meu irmão.
Carlisle é lindo, loiro, talvez o que tem a pele mais branca de todos nós, é
muito sábio e imune ao sangue humano, casado com minha avó Esme, ela é
a melhor avó do mundo, muito carinhosa e atenciosa e tem grandes cachos
cor chocolate.
Meus pais, tios e avôs paternos são vampiros, sou meio-vampira, pois eu
fui concebida quando minha mãe era humana, mas enquanto crescia em seu
ventre á matava lentamente e quando nasci, meu pai teve que transformá-la.
Eu entrei para chamar Emmett, ele é grande, o mais forte de todos nós, tem
curtos cabelos negros e pequenos olhos, eu o acho muito engraçado; é
casado com minha tia e madrinha Rosálie Hale, ela é extremamente linda
com seus longos cabelos loiros e seus olhos dourados; e Esme para caçar,
minha Tia Alice que é super delicada, pequenina com o nariz arrebitado e
os cabelos curtos negros apontando para todos os lados, casada com meu
Tio Jasper Hale que é alto, tem cabelo loiro e o mais velho entre meus tios
já havia ido na noite passada.
Eu não tenho nenhum parentesco sanguíneo com meus tios ou avós,
Carlisle os “adotou”, pois como ele é muito jovem seria complicado dizer
que meus tios eram seus filhos biológicos.

Eu venci o Jake mais uma vez na disputa, mas ele venceu de Rosálie que
ficou furiosa e o xingou pela milésima vez, de qualquer piadinha maldosa.
Eles não se davam muito bem, mas eu sei que no fundo eles se aturavam.
O dia passou rápido como todos os outros perto de Jake, fomos à casa do
vovô Charlie, minha mãe foi avisá-lo sobre a visita a Renée amanhã, eu
estava do lado de fora brincando com Jake, mas pude ouvir a respiração
desregular do vovô.
Depois fomos à cidade, comprar alguma coisinha a Renée, eu queria
comprar um colar com muitos brilhantes, mas mamãe e papai prefeririam
um CD da banda favorita dela e umas blusas, é difícil encontrar blusas de
manga curta, quando se mora no Norte do EUA.
Meus pais estavam em uma loja procurando o CD da vovó, eu e Jake
estávamos admirando a paisagem do porto, perto de uma ponte...
- O que você acha que a vovó vai achar de mim?
- Como todas as pessoas que te conheceram, vai adorar e te amar muito. –
ele respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
- Não, Jake, to falando no que será que ela vai acreditar se sou adotada ou o
que será que ela vai achar sobre a mamãe, ela conseguiu enganar o vovô,
mas o papai disse que Renée é diferente.
Ele olhou pra mim, confuso.
- Como assim “diferente”?
- Eu não tenho certeza, não consigo ver nada na mente do papai, ele não
conheceu Renée muito bem e com a mamãe, não consigo ver muita coisa,
com suas memórias humanas, e bem... com o vovô nem posso tentar. – eu
torci a boca, frustrada.
Jake fez uma careta...
- Não gosto quando você fica usando seus poderes...
- E porque isso é tão ruim? – eu falei brincando, mas logo vi que ele estava
serio e logo entendi. -... Não parece humano. – a responda foi um sussurro
Eu voltei a olhar para o mar, que estava mais calmo de que costume.
Jacob nunca gostava quando eu usava meus poderes nele, quando eu era
menor, ele não ligava, eu o- mostrava as imagens que queria que ele visse e
ele até gostava, me achava fantástica. Mas meus poderes começaram a
crescer e Zafrina está me ensinado a poder ver o que aconteceu com as
pessoas que toco ou ler sua mente, mas é muito difícil...
Jake não gosta de perder sua “privacidade”, como se ele precisasse
esconder algo de mim. Ou precisava? Eu sei sobre a paixonite dele e da
mamãe, mas... nada de devesse ficar em segredo ou há?
- Desculpe, Nessie – ele me abraçou – não quis te chatear, você me
conhece, apesar de conviver e fazer parte da sua família, coisas
vampirescas de mais, me repelem, é normal... Você sabe.
- Eu sei Jake, tudo bem... – mas ainda não quis olhar em seus olhos.
- Nessie?
- Ta bom... – eu olhei pra ele e o abracei.
- Acabamos. Vamos! – disse papai nos chamando da porta da loja de CDs.
A viagem de volta foi silenciosa, meus pensamentos ainda estavam na
repentina tristeza do Jake está noite, mas tenho mais com o que se
preocupar, amanhã verei pela primeira vez a vovó, meus probleminhas com
Jacob podem esperar.
Quando Jacob entrou em casa, lembrei que hoje ele iria dormir aqui.
Meus pais foram para a sala, mamãe pegou um livro e mostrou ao papai,
eles riram, devo ter perdido alguma piada...
O que havia de engraçado no livro “Morro dos Ventos Uivantes”?
Eu já tinha lido seis vezes, mas nada muito interessante. Enquanto eu
observada mamãe e papai que começaram a ler o livro juntos, não tinha
percebido o olhar concentrado de Jake em mim.
-Para com isso! – eu exclamei pra ele, não gostava quando ele fazia aquilo.
Eu e Jake nunca conversamos muito sobre sua tal “impressão” que ele tem
de mim, suas coisas de lobisomens- quero dizer- transmorfos.
Nos pensamos que apenas compartilhamos do mesmo... carinho, amor?
Não, não quero pensar nos problemas com Jake, se é que isso seja um
problema.
- Desculpe... Inevitável. – ele deu um sorriso envergonhado. - Mas e ai,
quando pretende dormir?
-Hã... Não sei. Quando você estiver com sono... – eu disse pensativa, ele
me censurou.
- Você quer dormir? Ou só vai dormir para me deixar tranqüilo, pelas suas
esquisitices?
-Aí Jake! De novo, não! Eu estou cansada... Você vai querer dormir
comigo ou não? – eu disse já irritada.
Mas ele fez a cara que eu odiava, pois me deixa toda derretida, como se
todos os pontos de seu rosto dissesse que me amava... Ele fitou meus olhos
e eu me aprofundei, esperando a resposta, que já sabia.
-Não seja boba, claro que sim. – disse ele meio chateado.
-Ah! Chega de papo, vamos dormir. - peguei sua mão, mas antes de subir
para o meu quarto, olhei mais uma vez para meus pais lendo o livro, agora
já no final, como se estivessem lembrando alguma coisa.
-Boa noite – eu falei á eles, eles me olharam.
-Durma bem, querida! – disse mamãe - Você também Jake! – ela sorriu
-Boa noite. - Jake respondeu
-Até de manhã. - disse papai fechando o livro e colocando na estante.
Eu fui para o meu quarto, Jake pulou na minha cama, três vezes maior que
meu tamanho, pois ele tinha que caber, sendo somente uma King e esse era
mais um dos motivos para ele dormir comigo, era muito solitário dormir
sozinha em uma cama enorme.
Eu fui para o banheiro colocar meu pijama, presente da Rose.
-Quantas horas vamos dormir? – Jake perguntou do quarto
Eu coloquei minha cabeça pra fora do banheiro, para ver se ele falava serio.
-Como é que eu vou saber? – eu fiz uma careta – Que pergunta mais... sem
noção, jake! – eu voltei para o banheiro
-Ah, é que eu pretendo voltar para casa, pegar uma coisa. Você podia ir
comigo antes de pegar o avião.
-Entendi... Ah, não sei, se eu acordar antes nós vamos, se não qualquer
coisa meus pais nos acordam, papai já deve estar sabendo, agora. – era
difícil ter segredos perto dele.
- Sim, claro...
- Mas, o que vamos fazer lá? – perguntei enquanto saia do banheiro.
-Surpresa! Um presente pra Renée e pra você, claro! – ele sorriu malicioso.
Jake me dava muitos presentes, nada muito luxuoso, mas todos delicados e
atenciosos, eu sempre falei que ele era a pessoa que mais me dava
presentes, pois seus abraços e beijos já eram muito.
Meu melhor, eterno amigo e confidente.
Eu me alinhei em seus braços na cama...
-Boa noite, Jake – eu disse enquanto fechava os olhos.
-Boa noite, Nessie – ele disse logo depois de um bocejo.
Quando ele fechava os olhos, em menos de 5 segundos ele já estava
dormindo profundamente.
Á ultima coisa que ouvi foi uma risada da mamãe na sala e mais nada.
2. LUA E SOL
Senti um calor no meu rosto, abri lentamente os olhos -já era dia- os raios
de sol entravam pela janela, iluminando eu e Jacob, ainda dormindo.
Olhei para o relógio na cabeceira, era quase meio-dia.
Iria pegar o avião as 3:00 hrs, se Jake queria pegar alguma coisa em La
Push, agora era a hora, eu me virei para ele e empurrei seu braço de cima
de mim e comecei a sacudi-lo.
-Jacob, Jacob...
- Só mais um pouquinho... – ele disse totalmente sonolento
- Se você quiser ir a La Push hoje é melhor acordar agora.
Ele franziu a testa e abriu os olhos, eu dei um enorme sorriso, ele sorriu...
Se espreguiçou e depois deu um longo bocejo.
-Bom dia... Que horas são? – ele olhou para a janela.
-Quase meio dia... – eu apontei para o relógio.
Ele ficou mais desperto.
-Vai se trocar... – ele ordenou
-Ok, já vou. – eu peguei a roupa que estava na cadeira já separada para o
dia de hoje e fui para o banheiro.
Tomei banho, escovei os dentes, penteei o cabelo, me troquei e sai... Esse
processo não durou mais de 5 min.
Jacob pegou minha mão e desceu correndo as escadas. Ele ia saindo pela
porta quando parei.
-Você não acha que vou sair sem falar com meus pais? – eu o encarei
- Seu pai já sabe o que vou te dar, é rápido, você já vai voltar. Vamos! Se
não vai se atrasar... – ele disse tentando me convencer.
- Ok... Bom Dia!! – eu gritei da porta para meus pais, acho que eles
estavam no quarto.
Jake se transformou em lobo e eu subi em suas costas como de costume.
Ele correu para La push, por meia – hora. A casa de Billy não havia
mudado nada em quatro anos.
Eu desci de suas costas e ele foi para trás de uma árvore, voltar ao normal e
colocar sua roupa.
Ele foi em direção a porta, eu fui atrás dele...
-Fique ai! Não precisa entrar. Eu já volto... – e ele fechou a porta quando
entrou.
Eu fiquei confusa, porque tanta presa?
Eu gostava de ver Billy, porque Jake me privaria disso?
Eu entrei mesmo assim... A casa parecia vazia, senti cheiro de muita poeira,
o de Jake, mas não de Billy ou de nenhum outro lobo.
Ele apareceu no pequeno corredor e me olhou surpreso.
- Porque você entrou?
- Achei que Billy estivesse em casa. - eu falei mordendo o lábio.
-Ele saiu com Charlie e Sue... – ele foi na direção da porta e me levou com
ele.
Ele estava com dois saquinhos de veludo azuis na mão.
Ele me levou para a floresta e continuamos andando esperando ate que ele
falasse.
- Não sei se você vai gostar... - ele disse envergonhado
-Ai, Jake para de besteira. – eu revirei os olhos – O que é?
Ele parou de andar e se virou a minha frente.
-Esse é para Renée! – ele me deu um dos saquinhos, eu abri a fitinha que o
amarava, era um delicado colar com vários pingentes ao seu redor, de
varias cores, delicado como todos seus presentes.
-E... Esse o seu. - ele me deu o outro saquinho, eu abri; era uma pulseira
sem pingente, apenas uma corrente de prata, mas senti que ainda tinha algo
dentro do saquinho, eu o virei na minha mão, era um pingente de Lua e Sol,
totalmente detalhado, a Lua prata e o Sol provavelmente bronze, eu virei
para ver de todos os ângulos e atrás estava gravado J & R .
Meus olhos começaram a arder, e assim, ficaram com água, uma rápida
lágrima correu pelo meu rosto.
-Lindo, Jake...
-Eu vi em uma loja e... – ele disse ainda parecendo envergonhado.
Eu o abracei o mais forte que pude.
-Obrigada... E quem é o Sol ou a Lua? – eu perguntei ainda admirando meu
presente
- Ah... Não sei, mas eu provavelmente seria a Lua, pois a Lua apenas brilha
por causa do Sol, não é?! – ele disse, enquanto juntava o pingente na
pulseira
- Eu sou o seu Sol? – eu olhava para aquele par de olhos tão escuros quanto
gentis.
-Sim.
-Hum... Mas falta uma coisa. – eu observava o R e J, atrás do pingente.
- O que? Tem alguma coisa errada? Você não gosto? – ele parecia
preocupado
-Não seu bobo, eu amei, apenas falto o “pra sempre”, mas isso agente já
sabe. - eu sorri para ele e pulei em seu colo para nossos rostos ficarem na
mesma altura e dei um beijo na sua bochecha.
-Agente sabe! - ele sussurrou no meu ouvido – Agora, acho melhor irmos
para sua casa, tenho certeza que todo mundo vai querer te desejar boa sorte.
-Ah, claro... O dia apenas começou. – eu desci de seu colo e pulei com
leveza no chão. – Vamos... agora quero apostar corrida!- eu o desafiei
animada.
- Nessie... Eu não quero te vencer mais uma vez... – ele disse caçoando
- Do que você está falando, você nunca vence! – e sai em disparada, assim
teria uma vantagem enquanto ele teria que tirar a roupa e se transformar...
-Assim não vale!! – ele gritou a atrás de mim
Eu cheguei na frente da casa de Carlisle e Jake estava a menos de 2
segundos atrás de mim. Ele colocou suas roupas e voltou.
-Você roubou... – ele semicerrou os olhos
Eu fiz cara de desentendida e dei um sorriso tímido a ele.
- Na próxima... –eu o interrompi
-Eu deixo você ganhar! –caçoei dele.
-Há!Há! Que vê? – ele me derrubou no chão e começou a me fazer
cócegas.
-Para! Para!! – pedi a ele entre as risadas
-Isso que dá você trapacear... – ele disse visivelmente feliz
Ele parou quando meus tios apareceram.
Eu abracei todos eles... Mas logo percebi que meus pais não estavam ali.
-Cadê a mamãe e o papai? – disse ainda procurando
-Eles já estão vindo, estão trazendo as malas... - respondeu vovó
-Ah... – eu olhei para Alice – Vai dar tudo certo?
-Sim, sim, Renée vai desconfiar... Claro! Mas não vai ligar, assim como
Charlie... – Alice falou totalmente confiante, pelo jeito sua visão era clara,
apesar de eu estar junto.
- Mas e eu? – perguntei, Alice sorriu e se aproximou de mim, e pegou
minhas mãos.
-Nada com o que se preocupar, Nessie, ela vai gostar de você mais do que
você espera...
Eu sorri para ela e depois olhei para Jake, que estava sorrindo também.
Pude ouvir os leves e rápidos passos de meus pais, que logo estavam à
vista. Mamãe trazia sua mala vermelha e preta em sua mão direita,
relativamente pequena para três dias e papai trazia a minha e a dele, a
minha era a maior bolsa, com a ajuda de Alice e da mamãe, colocamos
mais roupas que o necessário.
Alice olhou para a mala da mamãe e balançou a cabeça.
-Sua mãe nunca aprende. – ela cochichou no meu ouvido
Eu ri baixo e mamãe sorriu para nós duas.
-Que horas são? – eu perguntei, realmente sem noção de tempo
- Duas. – respondeu papai
-Hora de ir... – mamãe disse, parecia que um súbito calafrio passou por ela,
provavelmente receio. Ela olhou para Alice que assedio com a cabeça.
-Vou por ás malas no carro. - disse papai para mamãe e á deu um beijo.
Mamãe abraçou cada um de nossa família e todos desejaram sorte como
Jacob havia me falado, a cada dois “boa sorte” Alice repetia a si mesma e a
nós que tudo seria simples e correria bem.
Eu me despedi de todos, papai também. Antes de entrar no Volvo, olhei
para Jake e para minha nova pulseira.
- Para você sempre se lembrar de mim. - ele deu um sorriso tímido
-Eu não preciso disso para lembrar de você... – eu dei um sorriso torto a
ele.
-Então... Boa sorte. – ele riu.
Nos abraçamos como se fossemos ficar semanas longe um do outro,
sabíamos que ficaríamos apenas 3 dias, mas só nos separávamos quando
ele tinha alguma reunião do bando ou quando eu estava no Brasil, com
Zafrina.
Eu entrei no carro e olhei a casa do vovô ficar cada vez menor.
Mamãe ligou o som e estava tocando uma musica do papai, a música do
piano dele para mamãe... Eles riram.
-Viagem ao passado – ela disse á ele
Ele sempre tocava para ela, porque seria passado?
- É que eu fiz essa musica para sua mãe, há muito tempo atrás e ontem
vimos um livro que nos trouxe muitas lembranças. – papai respondeu a
pergunta de meu pensamento.
Mamãe olhou para ele por um segundo confusa.
Entendi. Lembranças...
3. RENÉE
A viagem foi tranqüila até o aeroporto. Estava ansiosa, seria minha
primeira viagem de avião.
- É muito divertido... e calmo . – disse papai enquanto embarcávamos.
Eu sorri para ele... Fomos de primeira classe, além de menos gente -menos
tentações – mamãe e papai não ligavam mais para o cheiro humano, mas
para mim ainda me afetava, mas nada que me fizesse perder o controle.
A aeromoça cheirava suavemente bem, a cada passada dela no corredor,
papai olhava pra mim preocupado e eu mostrava a língua pra ele ou
revirava os olhos, eu não estava nem um pouco com fome.
Mamãe estava ao meu lado e papai ao lado dela...
Ela acariciou minha mão e senti uma onda me cobrindo, eu não via mais
nada, eram flashes, imagens, olhei para baixo e vi longos cabelos
chocolate, não era eu. Eu olhei para meu lado e vi a tia Alice, pude ver
dentro de seus grandes olhos negros um reflexo, o da mamãe. As imagens
estavam embaçadas e às vezes nítidas, um sentimento de angustia e medo
passou pelo meu corpo, algo de terrível iria acontecer com alguém que a
mamãe amava, quem? De repente o ambiente mudou, tinha muita gente de
vermelho e preto, parecia uma festa ao ar livre, alguma comemoração, vi o
papai indo na direção do sol, ouvi um som abafado bem de longe, talvez
fosse um sino ou uma badalada de um grande relógio.
E estava novamente ao presente no avião com meus pais.
- Renesmee, o que foi, o que foi?? Você está bem? – ela mexia meu braço
e papai me olhava atordoado...
Eu pisquei duas vezes para ver se aquilo era real. Era.
- Eu... eu estou bem... – eu sacudi a cabeça, estava um pouco tonta.
- O que aconteceu, aparecia que você não estava mais aqui, na verdade,
parecia com a Alice tendo uma visão... – ela disse mais calma.
- Eu não sei... Eu comecei a ver flashes, estava em outro lugar! Eu vi você
mamãe! E... o papai também. – eu disse tentando acreditar.
Mamãe olhou de olhos arregalados para papai, ele respirou fundo.
-Não foi o futuro... – ele começou a falar como se fosse uma lastima – era o
passado. – ele olhou para a mamãe, seus olhos tristes. Eu me senti culpada.
Ele olhou para mim – Você viu quando sua mãe estava indo a Itália,
Volterra para... me salvar. – e ele voltou a olhar para mamãe.
Mamãe mordeu o lábio. Pelo jeito havia coisas que eu ainda não sabia
sobre o passado deles.
- Eu... – não tinha palavras ou por onde começar – Por que “salvar”?
- Sua tia viu sua mãe, se jogar de um penhasco – eu olhei para ela
incrédula, ela sorriu timidamente – e todos achamos que ela tinha morrido,
e bem... Como eu não existo sem ela – ele sorriu - eu fui até os Volturi, mas
sua tia foi ate Forks e... – eu o interrompi
-Como assim, você não estava em Forks, quero dizer, nossa família não
estava em Forks?
-Seu pai queria me proteger então se afastou de mim... – ela sorriu para ele.
Ele baixou os olhos por um instante e continuou...
- Como estava dizendo... Alice foi para Forks, ver realmente se Bella tinha
morrido, sua mãe contou a ela que era só uma brincadeira, de muito mau
gosto e elas foram para Itália, tentar me impedir, fim da historia.
-E tudo ficou bem no final. – mamãe deu um beijo no papai
Eu olhei assustada para os dois e até mesmo com raiva por não terem me
contado.
- Não fique brava, querida, apenas eram coisas que você não precisava
saber. - papai respondeu.
-Eu não deveria saber que você deixou a mamãe ou que tentou... não existir
mais? – eu fiquei frustrada
- Você não precisava saber de tudo, é passado, tudo está bem agora. -
mamãe me disse
- Se eu não tivesse visto... – eu gelei.
Como eu tinha visto? Porque eu tinha visto?
- Talvez... Seus poderes estejam crescendo. – papai disse cético.
Mamãe acariciou minha mão novamente...
-Você está cada vez mais poderosa, Nessie... - e ela me deu um beijo na
testa.
Papai olhava serio para o vazio, estava pensativo.
- Foi estranho, muito estranho... – eu disse a mamãe, ela sorriu
Depois desse estranho acontecimento, quando me dei conta já tínhamos
chego em Jacksonsville...
Estava nublado, tínhamos marcado a visita quando Alice disse que seria o
mais seguro, para proteger os dois, eu não tinha muito problema com o sol,
minha pele brilhava suavemente, nada muito estranho.
Ficamos em um hotel perto da casa de Renée. Provavelmente iríamos vê-la
hoje. Colocamos as malas nas camas e saímos, estava anoitecendo e fomos
ver o pôr-do-sol na praia.
-O crepúsculo está lindo... Mesmo estando nublado. – mamãe disse
Papai concordou com a cabeça... E de repente sorriu.
- Lembrei de uma coisa. – ele cochichou no ouvido dela
Antes que ela pudesse perguntar o que era, ele já tinha dado um beijo em
seu pescoço. Ela riu alto. Dessa lembrança eu sabia; mamãe pedia varias e
varias vezes ao papai pra transformá-la, mas ele nunca quis. E talvez o
crepúsculo de hoje tenha lembrado mais um dos pedidos inúteis dela.
- Exatamente. – papai disse em meu ouvido e me deu um beijo na
bochecha.
Estávamos de mãos dadas, mamãe, eu e papai, uma imagem que precisava
de uma foto. Então tive uma idéia.
- Vamos tirar uma foto! Eu trouxe a câmera... – eu a tirei do meu bolso e
mostrei a eles.
Eles se olharam e sorriram. Eu coloquei a câmera em cima de um
banquinho na direção da praia, para que o crepúsculo ficasse atrás de nós.
Dei o time e fui na direção deles, fiquei entre a mamãe e o papai. E o flash
disparou.
Continuamos andando por algumas horas. Conversamos sobre o que
deveria ser dito ou não, eu lembrava da primeira vez que vi o vovô, foi
quase tão difícil pra mim quanto para a mamãe, que era recém-nascida.
- Vou ligar pra ela. – mamãe pegou o celular e discou
Eu pude ouvir o que Renée falava para a mamãe pelo celular e papai
também.
– Ok, mãe já estávamos indo! – e ela desligou
Mamãe olhou para nós e fomos em direção da calçada.
Iríamos andando mesmo, era muito próximo a praia da casa da vovó.
A casa tinha uma linda varanda pintada de roxa, aparentemente graciosa.
Papai apertou um pouco a mão da mamãe e ela me pegou no colo, eu a
abracei e alinhei minha cabeça embaixo de seu pescoço.
Papai bateu na porta, logo em seguida Renée a - abriu e deu um imenso
sorriso para Bella, olhei para mamãe e seus olhos estavam vermelhos,
irritadiços, ela queria chorar.
- Mãe!! – minha mãe disse eufórica, eu fui para o colo do papai para ela
poder abraçar melhor a vovó.
Eu sorri com aquela linda cena maternal, papai também ficou
profundamente feliz. Mamãe olhou para nós...
-Deixe-me apresentar, Edward e... – antes que ela pudesse dizer meu nome
Renée disse.
-Renesmee. – ela olhou para mim com profunda ansiedade e euforia – Meu
Deus, como você é linda. Não me canso de agradecer por sua mãe ter
colocado seu nome, como a junção do meu e de Esme. – ela disse
fascinada.
Eu olhei para ela, que me pareceu um pouco assustada, com certeza pela
semelhança, exatamente como Charlie tinha feito há quatro anos.
Mamãe abriu os braços e eu fui para o colo dela. Eu olhei timidamente para
Renée.
- Não vai me dar um abraço? – ela perguntou carinhosamente
Eu olhei pra mamãe, pedindo permissão.
-Vai lá, querida. – e ela me pôs no chão.
Eu me aproximei e Renée ficou de joelhos e esticou os braços para mim...
Eu a abracei fortemente, seu cheiro era de uma fragrância leve e gostosa,
mas na medida certa para apenas querer apreciar, como um doce perfume.
Ela se afastou para me olhar melhor e passou as mãos em meus cabelos.
- Como você se parece com seu pai e perfeitamente os olhos de sua mãe. -
eu apenas sorri e ela olhou para eles.
Tenho cabelos bronze, igual aos do meu pai e olhos castanho chocolate, da
minha mãe antes de virar vampira, essa é a única diferença entre nós (eu e
minha família), meus olhos e... meu cheiro; tenho um jeito familiar com o
de humanos e meu coração ainda bate.
Mas tirando isso eu não sou muito diferente dos vampiros normais, tenho
todos os sentidos ampliados, visão, tato, olfato, força e velocidade sobre-
humanas, minha pele é pálida e bom... Eu não posso morrer.
Minha mãe estava de lente de contato, seus olhos não eram vermelhos, mas
mesmo assim, seria complicado ela explicar por que estaria usando lentes
de cor topázio.
-Vamos entrando... – vovó nos convidou e pegou minha mão
-Está com fome, querida? – ela me perguntou
-Não. – eu disse timidamente
- E você, Bella, quer algo, um café, bolinhos? Edward? – Renée ofereceu
-Não, obrigada. - ambos responderam
-Ok! Acho que é melhor mesmo, minhas habilidades na cozinha não
melhoraram nada. – ela riu de si mesma.
- Então como você alimenta Phill? Deixe-me ver... – mamãe e vovó foram
na direção da cozinha e eu e papai ficamos na sala
-Estive pensando... Não posso mostrar minha habilidade à vovó? – eu
perguntei ao papai
-Creio que não, querida. É provável que está seja a ultima vez que a
veremos. - ele respondeu
-O que? Eu mal a conheci e não vamos mais vê-la? – eu me assustei com a
possibilidade.
- Você provavelmente irá, está crescendo e daqui a alguns anos poderá
visitá-la novamente. - ele acariciou meu rosto
Mamãe e Renée estavam voltando, rindo...
- Phill está trabalhando, os negócios estão deslanchando depois do contrato
em Ohio... – vovó falava para mamãe
- Ah... Que bom...
-Eu não vou ver meu outro avô? – eu disse decepcionada
- Acho que não, querida, mas na próxima vez tenho certeza que você o
verá. – ela sorriu para mim
Nos olhamos, mamãe ficou subitamente triste, eu mordi o lábio e assenti
com a cabeça.
- Querida, porque não dorme aqui, tenho quartos de hospede, não precisa
pagar um hotel quando sua mãe mora bem ao lado. – estávamos todos no
sofá, muito fofo alaranjado com lindas e grandes flores vermelhas, as
paredes tinham um tom amarelado, energizante.
- Eu sei mãe, mas já está tudo pago, seria chato cancelar. – ela respondeu
- Que pena... - Renée disse
As conversas foram de como estava Charlie, os Cullen, a nossa casa, entre
outros, ate passar pela parte de como está Jacob, que eu lembrei que
deveria ligar.
-Mãe, posso ligar pro Jake? – eu disse com o celular do papai na mão.
-Claro, meu bem.
Eu me levantei e fui para o corredor.
- Aconteceu alguma coisa com ele? – disse vovó preocupada.
-Não, é que eles são muito próximos. – mamãe respondeu
-Quem diria... – pude ouvir um leve riso – devem ser como irmãos.
-Quase isso... – papai disse
Estava chamando, no 2º toque ele atendeu...
-Jake?
-Demoro pra liga, hein?
- Ai, me desculpe. Fomos à praia e não deu tempo...
-Claro. Mas e ai, ta tudo bem?
- Sim, estamos na casa da vovó, ela é fantástica...
Ele riu.
- Ela já fez alguma pergunta... Sobre as mudanças?
-Felizmente não... – eu olhei para a sala, eles continuavam conversando –
ela esta perguntando sobre a vida em Forks e esse tipo de coisa.
- Hã... Bem, que bom, então.
- Acho que sim... Queria que você estivesse aqui! É meio chato às vezes,
muita conversa de adulto. – nos rimos
- Você me considera uma criança?
- Eu não considero, você é! – nos rimos mais alto
- Espero que quando você for adulta não me veja mais como criança. – ele
disse brincando, mas eu fiquei seria, não gostava do assunto: “ Quando eu
crescer “ .
- Sempre verei você assim. – saiu mais como um sussurro.
- Eu to brincando, Nessie. E você acha que quando você estiver a menos de
um metro de mim te verei de outra forma? Você sempre será pequena, pra
mim, como uma criança!
- Há!Há! E você sempre o meu cão de guarda.
- Muito engraçado, pequena morceguinha...
- Ok, sem discussão pelo telefone, acho melhor eu ir... Amanhã te ligo.
- OK. – ele ficou quieto – Até!
-Tchau!
Eu desliguei.
Voltei para sala. Sentei no colo da mamãe e fingi estar cansada, pois depois
de uma viajem de avião, passar o dia na praia, é normal de uma criança
querer dormir. Alinhei-me ao colo dela e fechei os olhos e permaneci
imóvel por um tempo.
- Nossa, está tarde, vocês devem estar muito cansados e eu aqui cansando
vocês ainda mais. Vão, podem ir pro hotel descansar, mas amanhã vamos a
praia, Renesmee vai adorar conhecer os filhos do meu vizinho, eles tem a
mesma idade... Mas por falar em idade quantos anos ela está mesmo,
querida? – Renée falava enquanto levantava do sofá.
Mamãe se levantou...
- Hã... Cinco anos, ela parece mais velha...
- Ah... Claro.
Acho que já estávamos na porta, mamãe deu um beijo na vovó, depois
Renée me deu um beijo na testa e acho que meu pai e Renée se abraçaram.
- Até!! – ela disse enquanto estávamos andando.
4. DESPEDIDA
Eu abri os olhos. E olhei para eles, desci do colo da mamãe.
-Hoje, correu tudo bem, né! – perguntei a eles enquanto pegava suas mãos.
-Hoje, sim. – e ela sorriu
-Pai, não vai ligar pra Tia Alice? – o celular dele estava fazendo peso em
meu bolso.
-Não... Com as visões dela, acho que não há necessidade. - ele respondeu
-Acho que não...
E logo em seguida, senti o celular vibrar e no visor ALICE, eu ri.
-Acho que se você não liga, ela se encarrega disso. – e dei o celular á ele.
Ele revirou os olhos.
- Diga Alice. – ele disse presunçoso e depois de dois segundos – Ela
prefere falar com você, amor, ela diz que eu não vou dar detalhes! – e
passou o celular á mamãe, ela sorriu.
-O que quer saber, Alice? – mamãe estava realmente feliz.
A conversa continuou até chegarmos ao quarto do hotel.
A noite estava tranqüila, a brisa gelada entrava pela sacada onde estavam
meus pais, que conversavam sobre a ultima visita a vovó. E eu estava
deitava na cama, pensando sobre o assunto “quando eu crescer”, eu sabia
que o que Jake falou pelo telefone tinha um fundo de verdade , quando eu
crescer muita coisa não seria a mesma, sei que terei de ver o Jacob de outra
forma, não posso amá-lo pra sempre como meu irmão, quando eu crescer
terei que sentir uma coisa diferente, uma coisa que tenho medo de não
sentir. E também não poderei sempre chamar meus tios de tios, meus avós
de avós, nem ao menos meus pais, provavelmente Carlisle será meu pai e
Edward e Bella meus irmãos para os outros, claro que em casa será tudo
normal, mas será estranho chamá-lo de Edward ou Bella em vez de pai e
mãe.
Sem contar com meus poderes, depois do episodio no avião, não sei mais o
que esperar.
Parei de pensar no futuro e me concentrei no presente que tanto amo, e
estando tudo bem.
Liguei a TV, para tentar me distrair e felizmente consegui.

Era manhã e já estávamos prontos para ir a casa de Renée, ainda estava


nublado, um pouco mais chuvoso que ontem.
-Tudo bem, eu... Conhecer outras crianças? – eu perguntei enquanto
andávamos.
- Claro que não, você está preocupada com as crianças que sua avó vai
levar, hoje?- mamãe perguntou
-Um pouco. – eu assumi
-Apenas tenha cuidado em não brincar do mesmo jeito que você brinca
com o Jacob – papai falou, rindo internamente – apenas seja discreta, você
sabe.
Quando papai terminou de falar tínhamos chegado.
-Aí, estão vocês! –vovó já estava nos esperando... E deu um beijo em nós.
-Renesmee tenho amiguinhos para você... – ela pegou minha mão e me
levou para dentro da casa, meus pais de mãos dadas logo atrás. Mas pude
ouvir papai sussurrar á para mamãe: “Hoje você deverá dar respostas
cuidadosas.”
Eu entrei na sala e vi duas crianças, entre 5 e 7 anos, uma menina com a
pele levemente bronzeada de cabelos loiros na altura dos ombros que
destacavam seus olhos azuis-piscina e um menino com cabelos tom de
chocolate e lindos olhos azuis escuros. Ele sorriu para mim.
-Estes são os irmãos Sean e Caroline Thompson. Esta é Renesmee. – vovó
nos apresentou.
Uma brisa passou pela sala e o cheiro deles me invadiu, fazendo minha
garganta arder. Mesmo sendo uma criança, sentia uma atração muito maior
pelo sangue, o cheiro delas, parece mais doce, apetitoso, do que qualquer
outro, a batida de seus corações mais vivida, tudo mais convidativo, isso
me dava nojo de mim. Meu pai diz que somos o predador mais perigoso do
mundo, pois nossa presa são os humanos.
Papai pôs a mão em meu ombro e mamãe disse “tudo bem” em meu
ouvido.
Eu lentamente fui me sentar ao lado deles, parei de respirar por um tempo,
e inspirei devagar...
Vovó e meus pais foram para fora, eu fiquei a sós com aquelas crianças.
-Oi, Tudo bem? – disse Caroline
- Sim... – eu disse olhando para minhas mãos
-Vamos brincar la fora. – e ela pegou minha mão – Vamos Sean!!
Aos poucos eu fui me soltando. Eu nunca fui tímida, eu apenas estava me
precavendo.
Estávamos de baixo uma grande macieira e Sean ficava pulando tentando
pegar uma maça, pois Caroline teve a idéia de levá-las para sua mãe fazer
torta para nós. Eu não agüentava mais ver o Sean se matando pra tentar
alcançar aquela maça, então resolvi ajudar.
-Gente, olha! Aquilo é o um pé de morango?! – e eu apontei para um lugar
qualquer.
Quando ficaram de costas, dei um pequeno salto e peguei facilmente aquela
maça, apesar dela estar á mais que o dobro da minha altura.
-Não é não, aquilo é framboesa! – disse Sean, decepcionado
Eu não estava contente com apenas uma maça, queria ajudar em mais.
-Será? Acho melhor ir lá ver... - eu os induzi á se aproximar do pequeno pé
com frutas vermelhas.
Então eu bati na arvore, fazendo-a balançar e umas sete maças caíram,
consegui pegar seis antes de caírem no chão e ri...
Adorava usar minhas habilidades. Eles viraram e me olharam confusos.
- O-O que... aconteceu? – disse Caroline, olhando para as maças que
segurava.
Eu dei um sorriso torto.
-Sorte! – eu afirmei pra eles – Vocês não sentiram? Uma rajada de vento
muito forte passou aqui e felizmente conseguiu derrubar algumas maças... –
e eu sorri simpaticamente
-Eu, eu acho que foi isso mesmo, ta vindo uma tempestade... – e Sean
começou a se animar – foi sorte!
Caroline ainda tentava entender enquanto voltávamos para a casa da vovó,
não fazia muito tempo desde que tínhamos saído. Mamãe e papai estavam
no sofá com a vovó, junto com um casal, provavelmente eram os pais de
Sean.
Eu deixei meu cesto com todas as maças na mesinha e fui abraçar meus
pais. Mamãe me beijou na bochecha e papai também...
Sean e Carol ficaram ao lado de seus pais.
-Acho que já está na hora de ir! – disse o pai deles, se levantando
Foi um pouco estranho, pois tanto ele quanto a mãe deles olhavam para
mim e para meus pais com um pouco de fascínio. Provavelmente por
sermos uma família linda. Eu ri pelo pensamento.
-Claro... - disse Renée. E ela os conduzir a porta.
Eles acenaram para mim e para meus pais. Vovó voltou e se sentou no sofá
a nossa frente.
-Então... Renesmee, vocês se divertiram? Vi que colheram muitas maças. -
perguntou vovó
-Ah, sim eles são muito legais. Vovó pode me chamar de Nessie!
Mamãe revirou os olhos, ela ainda não superou a historia do “Monstro do
Lago Ness”. Eu não ligava, pois era um nome que ele tinha me dado.
- Ok! – vovó ficou um pouco confusa, mas não perguntou o porquê e olhou
para o relógio em seu pulso. -Bem, acho que ainda temos tempo, hoje
vocês vão jantar aqui!
-Bem, mãe, tudo bem! Renesmee tem que comer... - mamãe disse
gentilmente.
Eu estava em seu colo e olhei para o papai...

“Se eu comer, vocês também vão! Você sabe como eu não gosto da comida
humana...” E fiz bico...

-O que houve? – perguntou vovó, vendo minha cara chateada.


-Ah, nada não. Acho que ela não está com fome. - respondeu papai
simpaticamente. – mas ela vai comer mesmo assim.
Eu olhei para ele incrédula, ele também iria comer?
Fomos para a cozinha e vovó colocou no forno um grande frango que
minha mãe tinha ajudado a preparar.
-Querida, você ainda não experimentou varias comidas. Tenho certeza que
você ira adorar o frango! – mamãe disse baixinho pra mim
Eu fiquei um pouco chateada, mas quando começou assar, o cheiro inundou
a cozinha e comecei a mudar de idéia. Por minha surpresa comecei a
salivar.
E finalmente depois de mexer no computador, ligar rapidamente para matar
as saudades do Jake e conversar sobre amanhã, o frango ficou pronto.
-Acho que experimentar não fará mal a ninguém! - eu disse enquanto
pegava o prato que mamãe me oferecia.
Eu gostei, o frango não era nada comparado com o feijão, arroz, massa ou
brócolis que a mamãe empurrava pra mim. Não era tão ruim assim e eu
repeti.
-Ainda precisamos comer? – perguntou papai ironicamente
- Não, não. – eu fiquei constrangida por me precipitar, achando que todas
as comidas humanas eram ruins, acho que agora em diante sempre vou
provar antes de falar alguma coisa.
Acabei de jantar e fomos para sala, mamãe e papai deram a desculpa de que
não estavam com fome e comeriam no hotel, vimos TV e fomos para o
hotel...
Eu dormi, acho que quando como comida me dá sono.

Amanheceu... Acordei com papai e mamãe rindo.


Eles se beijaram delicadamente, esperei que terminassem, mas demoro... e
eu tive que fingir tossir. Eles pararam constrangidos.
-Oi, querida, - ela se sentou na minha cama.
-Bom dia, amor! – disse papai e deu um beijo na minha testa. Ele me
parecia muito contente.
- Ta feliz, papai! – eu disse
Ele deu seu sorriso torto.
-Sim, minha “não – vida” não podia ser mais perfeita! – e mamãe o abraçou
-Eu te amo. – ela disse em seu peito
-Eu também te amo. – ele disse solenemente
-E eu amo muito vocês! – eu fiquei em pé na cama, dei um pulo na direção
deles e mamãe me pegou no colo, nos abraçamos.

O dia passou rápido e a despedida foi triste. Se mamãe pudesse chorar, já


tinha enchido um rio.
Eu exagerei no abraço com a vovó, mas ela nem ligou.
-Espero te ver em breve, querida! – ela me disse enquanto tirava seus
braços ao seu redor
-Claro que vai, vovó. - eu disse entrando no carro
A viajem de volta foi legal, brincamos de mímica no avião e eu
experimentei algumas coisinhas que eles serviram, mas não gostei de muita
coisa, apenas de uma carne mal-passada.
Estava cada vez mais nervosa em rever minha amada família.
Eles estavam no aeroporto, corri em direção a todos e abracei primeiro a
Tia Rose, depois Esme, tia Alice e assim por diante.
E todos falaram de como eu tinha crescido, meus pais olharam confusos;
para eles eu estava do mesmo jeito.
Tia Alice brigou com papai por não ter retornado suas ligações e também
brigou com a mamãe por ter deixado o celular desligado. Mas ela estava
com saudades e abraçava antes de terminar a bronca.
E aos poucos meus pais contavam o que tinha acontecido na viagem à casa
de Renée.
Mas tinha alguém faltando, uma pessoa que eu estava morta de saudade.
-Cadê o Jacob? – perguntei a Tia Rose
-Hum... Eu não sei, acho que ele ficou em La Push, deve vir pra cá amanhã.
– ela disse feliz, pois adorava ficar longe dele.
-Ele está um pouco atrasado, mas com certeza estará te esperando em casa.
– disse Carlisle.
-Ok. – eu mordi o lábio, olhei para minha pulseira e sorri ao lembrar como
ele estava envergonhado em me dá-la.
Chegamos em casa rápido.
E lá estava ele, exatamente como eu o havia deixado.
Eu abri a porta do carro e corri sem ligar pra minha super–velocidade em
sua direção. Ele abriu os braços como sempre fazia e eu pulei em seu colo,
passei meus braços em seu pescoço, o abracei, eu provavelmente teria
sufocado um humano qualquer com a força que eu o abraçava.
-Hum... Que saudade! – ele disse enquanto nos abraçávamos
- Também senti... Mas acabo de matá-la. – eu fechei os olhos por um
segundo e me desprendi de seu abraço, continue me segurando a ele – com
minhas pernas se prendendo em sua cintura, ele me olhou e sorriu.
-Você cresceu de novo!
-É, né! Não paro de crescer... – eu debochei
-Logo, já ta adulta! – ele riu.
-É... – eu disse e deixei meus olhos se abaixarem um pouco, mordi o lábio.
-O que foi? Você não gosta quando eu falo disso, né! – ele disse afirmando
Eu apenas balancei a cabeça.
-Tudo bem, me desculpe. Agora vamos entrar, eu to morrendo de fome! –
ele disse mudando de assunto. Eu desci de seu colo.
-Sabe o que eu descobri? Acho que comida humana me dá sono. – eu ri –
Deve ser por isso que você dorme de mais... – eu deduzi.
- Pode ser. – ele estava tão feliz que nem quis discutir comigo.
Ele pegou minha mão e fomos para dentro de casa.
5. AGORA
Estou com 20 anos, mas aparentemente tenho 18, eternos 18, parei de
mudar a uns dez anos, quando meu corpo estava completo.
Meus pais e minhas tias têm a aparência da mesma idade entre 17 e 19,
meus tios são um pouco mais velhos de 18 a 22 anos e até mesmo já
estudamos na mesma escola.
Moro atualmente em Quilcene, mas nasci em Forks e meus amigos –
humanos e lobos – estão lá. Meu Jacob mora lá, pois tem que ficar com seu
bando, mesmo ele sempre vindo aqui em Quilcene, sinto muita saudade
dele.
Não podemos ficar em Forks, pois minha família não podia mais enganar
as pessoas em relação suas idades, elas começariam a desconfiar.
O pior foi deixar meu avô Charlie, eu sempre passava uns fins de semana
em sua casa, junto com o Jake e também ás vezes com a Sue, mãe da Leah
e do Seth, ambos lobos como Jacob.
Leah não gosta muito de mim, acha que coloco o Jacob em perigo, besteira,
mas depois que o Jake deu uma bronca nela, ela nunca mais me olhou
feio... E tem o Seth ele é o mais próximo além do Jake da família, ele e
meu pai ficaram muito amigos, depois da luta contra Victoria...
Sinto muita saudade de Forks, apesar do clima ser muito parecido com o
daqui, era muito bom morar tão próxima do Jacob e do vovô Charlie.
Nossas casas são bem parecidas com as que tínhamos lá. Apenas meu
quarto é bem maior que antes.
A vida aqui é bem tranqüila, apenas quando vamos caçar longe, é muito
divertido ou quando viajamos para o exterior.
Estamos pensando em ir para a Ilha Esme, passar um tempo lá. Eu gosto dá
idéia apenas, não gosto do Jake não poder ir.
Sam não é mais o líder Alfa ou Beta, ele deixou de ser transmorfo –
lobisomem - para ficar com Emily há uns 10 anos atrás, e Paul, Quil e Jared
não são mais lobos.
Eu e Jake temos uma relação muito boa, ainda me lembro de como tinha
medo de não amá-lo do jeito que ele me amava, mas até que foi muito
simples; exatamente quando eu fiz 12 anos, que demos o primeiro beijo, eu
já tinha a aparência de uma garota de 17 e a mentalidade de uma adulta.
Foi muito lindo e romântico, ele me levou para um lugar em que podíamos
ver perfeitamente o pôr-do-sol, enquanto o admirávamos eu disse “Isso
perfeito...” e ele se aproximou me fitando “Como você.” e lentamente se
aproximou mais e encostou meus lábios nos deles, na hora eu não sentia
mais nada, nem medo ou insegurança apenas os braços de Jake ao meu
redor, como se nada mais importasse, só ele, e assim tudo fez sentido.
Á partir de em diante, vivemos como um casal, mas não deixamos de
sermos os melhor amigos, discutimos e brincamos toda hora.
Na hora de dormir, ele continua dormindo comigo, meus pais não gostam
muito dessa historia - já que somos um casal - mas meu pai sempre está de
olho, então praticamente nem podemos “pensar” em fazer alguma coisa.
Às vezes quando a coisa esquenta, eu uso meu dom -mostro- ao Jake meu
pai invadindo o quarto e o colocando pra fora, ele sempre para na hora.
Era mais uma noite em que fiquei acordada, Jake não estava comigo, me
levantei, me alonguei e fui me arrumar. Desci para ver meus pais.
-Bom dia, querida! – disse mamãe e me deu um beijo na testa
-Bom dia... Mãe, nós vamos mesmo para a Ilha Esme? – eu perguntei,
sentando na cadeira da cozinha.
-Sim, vamos depois de amanha. – ela sorriu animada
-Ah! Cadê meu pai? – eu não sentia o cheiro dele pela casa
-Foi caça com seus tios.
-E você não foi. Por quê? – perguntei surpresa
-Alice! Queria que eu fosse com ela fazer comprar para a viagem. – ela
revirou os olhos. Certas coisas nunca mudam. Eu ri baixo - E você, vai?
-Acho que não, Jake e eu vamos passear de moto... – eu fiquei animada,
amava a minha moto roxo com preto, Jake me deu de presente de
aniversário.
-Ah, claro! – mamãe se lembrou da minha moto nova.
Senti o cheiro de Alice e não demorou muito para ela bater na porta, depois
de dois Toc-Toc ela não esperou e entrou.
-Oi, Nessie. – disse Alice animada como todos os dias. – Vamos, Bella!-
ela batia levemente o pé, como se estivesse com pressa.
-Fazer o que... – disse Bella, mas Alice já pegará seu braço e o puxará, ela
me deu um beijo rápido – Até mais, querida. – e Alice a levou.
-Você vai gostar Bella... Até Nessie! – e elas saíram pela porta.
-Até!- eu disse antes de sumirem de vista
Estava sozinha e a única pessoa que queria estar quando estava sozinha era
com ele. Não demoro muito para eu ouvir o ronco do motor de sua moto
preta, de sei lá quantos anos atrás, ele teve que mudá-la por causa do
desgaste do tempo. Eu corri pra porta.
Ele encostou a moto, veio em minha direção e logo seus lábios estavam nos
meus, nos beijamos por um tempo até eu sentir um vento frio em minhas
pernas, eu ainda estava de pijama. Não queria me desgrudar dele, seu corpo
quente lutava contra o vento frio que passava pelo meu corpo. Mas eu
consegui tirar minha boca da dele.
-Deixa eu me trocar e agente já vai!
-Ok! – mas antes de me soltar ele puxou para mais perto e me deu um
selinho.
Eu subi correndo e coloquei uma calça jeans, uma blusa branca e uma
jaqueta de couro bege. Desci e vi Jacob comendo umas panquecas que
estavam na mesa.
-Acho que isso não era pra você! – ele apontou para a metade dá panqueca.
-Com certeza não, minha mãe deve ter deixado pra você! – eu sorri, ela era
a melhor mãe do mundo. -Vamos! – ele engoliu o último pedaço e fomos
para a garagem.
Eu subi na minha moto (Honda CBR, fantástica, tão linda quanto rápida) e
a levei pra fora, ele subiu na dele e fomos para a cidade em Port Ludlow.
Fomos ao cinema, a lanchonete – eu apenas o vi comer – e andamos pelo
porto, só me dei conta da hora quando vi o sol se por.
Estamos sentados de frente ao mar, nossos pés tocavam a água - é
provável que ela estivesse congelando, mas como meu corpo se adapta a
temperatura, estava quentinha. Ele se deitou na ponte e colocou sua cabeça
em meu colo, acariciei seu cabelo e ele fechou os olhos.
-Sabe... Acho que minha vida não podia ser melhor... – ele abriu um sorriso
sereno ainda de olhos fechados.
Eu olhei para o mar, que refletia os últimos raios de sol.
E pensei... Será que minha vida poderia ficar melhor? Eu sou
completamente feliz? Eu tinha essas respostas? Mas fui interrompida...
-O que foi? – eu olhei para baixo, ele estava me encarando, tentando ler
minha expressão. Eu sorri envergonhada.
-Nada, só estava pensando... – ele semicerrou os olhos, mas logo os fechou.
-Jake, já que está na hora de irmos... - eu não queria estragar o momento de
plena paz dele, mas estava escuro. Não que estar de noite e longe de casa
me preocupasse, mas á meus pais sim.
-Ok... - ele levantou lentamente e me deu um beijo.
Enquanto voltávamos para casa, meu celular tocou, eu facilmente podia
estar no telefone e continuar dirigindo, mas os costumes humanos –
corretos – me fizeram parar a moto, Jake me esperou...
Olhei no visor, PAI.
-Oi...
-Onde você está? – a voz dele de preocupação.
-Já estou indo para casa, Jake está comigo... – eu pude ouvir um leve
sussurro pelo telefone “É esse o problema” de meu pai...
- Para com isso, pai! Estamos indo para casa. Tchau!- eu desliguei o
telefone indignada.
Edward e Jacob se conhecem a mais de 22 anos e mesmo assim não deixou
ou deixaram os costumes (vampiro X lobisomem) de lado...? Ridículo! Ou
talvez fosse apenas ciúmes de pai.
-Tudo bem? – perguntou Jake, vendo minha cara.
-To. Era meu pai, ele falou uma coisa que não gostei... – eu balancei a
cabeça tentando deixar pra lá.
Jacob fez um cara de reprovação e ligou a moto.
Voltamos com o mesmo entusiasmo de quando fomos. Apostamos corrida,
mas Jacob ganhou, sua moto era mais potente que a minha, meus pais não
queriam que eu tivesse uma com mais de 500cc.
Ter pais vampiros deve ser muito pior que ter pais humanos. Super-
proteção – O que pode ser mais forte do que meu próprio corpo? Talvez a
frenética batida do meu coração, os faça pensar que sou mais parecida com
os humanos do que realmente sou.
Chegamos em casa.
-Há!Há! Nessa modalidade eu ganhei!
Eu fiz cara de brava, eu não teria perdido se tivesse uma moto mais
potente... Ele parou de rir e se aproximou.
-Desculpa amor – ele passou seus braços ao meu redor – mas você sempre
ganha em... Tudo. – ele fez uma carinha de dó, tão linda que iria beijá-lo
até não poder mais.
Mas parei quando ouvi os passos de Bella e Edward vindo para fora.
- Oi, mãe e... pai. – eu disse com indiferença quando eles saíram.
-Oi Bells, Edward... – Jake ainda estava com os braços ao meu redor.
“Pai!! Não gostei nem um pouco do que você falou no telefone, então o
Jake vai dormi aqui hoje! “- eu falei em pensamento

Eu me foquei em Edward e pude ouvi-lo...


“Você sabe que eu não falei por mal, me irritar não vai adiantar em
nada!”- ele me censurou

-Jake, hoje você vai dormir aqui, Ok?! – ele me olhou confuso, já estava
planejado que ele dormiria em um hotel ou coisa parecida.
Ele olhou para Bella, que parecia tão confusa quanto ele e para Edward que
estava com um olhar de reprovação. Mas como Jacob adorava uma intriga
ou simplesmente desafiar Edward...
-Claro! – ele disse animado e me deu um selinho.
Eu e minha mãe fizemos o jantar - canelone – eu somente comi para
acompanhar Jake e deixar meus pais satisfeitos.
Jacob devorou a travessa inteira, como sempre.
Vimos um pouco de TV e para meu desgosto meu pai tocou em um assunto
que Jacob ainda não estava a par.
-Querida, é provável que vamos amanhã a noite para o Rio. - ele anunciou.
Jake se assustou ao meu lado; e ficou esperando minha resposta.
-Tudo bem. – foi o que consegui dizer, estava temendo a reação de Jacob,
não sabia se ele falaria para eu ir, para ficar, para decidir por mim mesma...
Esperei que ele falasse alguma coisa, mas nada, continuou olhando para
TV, como se meu pai não tivesse falado nada.
Meus pais foram para o quarto, eu e Jake também.
Sentei na cama e fiquei olhando para ele esperando que ele falasse.
-Já passamos por isso, não é a primeira, nem a ultima vez que ficaremos
longe, sei que podíamos ficar aproveitando, se não estivesse lá. Mas... – ele
parou, era a hora de saber o que ele queria que eu fizesse – Você deve
passar o tempo com a sua família, e ... – parou novamente – tentar ver
como é uma vida sem mim.
Eu me assustei e gelei, mas logo tive uma explosão de realidade.
-NOSSA JAKE, NÃO É PRA TANTO!! – eu elevei meu tom de voz,
assustada.
Ele riu.
-Desculpa, não foi isso que eu quis dizer. – ele segurou minhas mãos e
ficou olhando para elas – apenas, quando estiver na ilha Esme, pense se
você é realmente feliz, lembra da nossa conversa em Port Ludlow?
Ele olhou para mim e eu apenas acenei com a cabeça.
-Então, quero que você pense e reflita sobre o que realmente quer da sua
vida, quais as sua ambições e objetivos, se você realmente quer viver
sempre assim: me ver, casar comigo, ter filhos nem sei se você pode... - ele
balançou a cabeça – e viver ao lado de seus pais, talvez cursar uma
faculdade ou varias, até que eu morra, você sabe que eu não viverei para
sempre, talvez 500 anos ou mais... – ele olhou nos meus olhos com pura
inocência – Você está me entendendo?
Eu parei por uns instantes para tentar assimilar o que ele estava me
dizendo.
-Você quer que eu tenha aventuras, um destino emocionante e empolgante,
e... - eu dei um intervalo – Você acha que só terei isso longe de você? – eu
olhei para ele tentando acreditar que ele não queria dizer aquilo.
- Sim, não digo que sou a única coisa que a prende aqui, sua família é tão
importante quanto eu, mas sei que ela a apoiará em qualquer decisão que
você tomar e eu sou uma coisa á parte, que á prende na idéia de que seu
destino já está escrito, eu... - ele respirou fundo - eu apenas quero que você
descubra se realmente sou o seu destino.
Estava prestes a dar-lo um sermão, dizendo que ele era quem eu amava que
nunca o – deixaria, que ele não era uma coisa á parte e sim um quase todo.
Mas eu mesma tinha essa duvidas e talvez o que estive esperando era que
ele falasse, permitisse que eu tivesse minhas próprias aventuras, apenas eu;
sem minha família, sem... ele.
Talvez fosse isso o que tenho procurado, a resposta, do: se sou
completamente feliz.
O silêncio preencheu o quarto, apenas o meu coração e o dele batendo
desigual.
-Jake. – eu não olhava para ele.
-O que? – sua voz era suave e baixa.
-Você sabe que eu te amo, não sabe?
Ele se aproximou e sentou ao meu lado.
-Que tipo de amor você sente? – eu olhei para ele indignada, pela pergunta
sem sentido, ele deu um sorriso e continuou. – Eu errei com sua mãe, varias
e varias vezes, mas sei que é diferente com você. Eu tenho imprint por
você, mas o que você tem por mim? Você me ama exatamente da mesma
maneira que eu te amo? Você não é uma humana como a Emily ou a
Claire, você é meio-vampira, um vampiro. Sei que vou me arrepender de
dizer isso... – ele suspirou - eu quero que você prove de outros amores...
Você já amou outra pessoa além de mim? E não estou falando da sua
família...
Eu pensei, pensei, procurei por alguém nos meus 20 anos de vida, mas
nada, não tinha amado ninguém além dele, não por não ter achado, mas por
nunca querer ou ter procurado, talvez um rolo aqui ou lá quando estava na
escola e antes de aceitar que pertenço ao Jake, mas nada que eu possa
classificar como amor.
-Não... – eu sussurrei me rendendo.
-Então como você pode saber se é realmente amor, amor de alma gêmea,
amor como a de seus tios e de seus pais, como você pode saber se me ama
completamente, sinceramente se nunca provou de outro amor? Eu já
provei, amei com todas as minhas forças a sua mãe e você sabe disso, mas
quando vi você nunca senti nada igual, muito diferente do que sentia por
sua mãe, era um simples e puro amor, a razão da minha existência... – ele
me olhou novamente com aquele olhar de fascinou, mas eu continue a olhar
para seus olhos tentando compreender.
-Você realmente quer que eu tente amar outro, para poder saber se
realmente amo você?!- eu o encarei - Você é louco?! – eu fiz uma careta,
ele sorriu
-Posso realmente ser... Mas não pense dessa forma, pense que esta
vivendo a sua vida, a vida de aventura e sonhos que você quer seguir, eu te
amo tanto que quero se seja feliz...
Eu o interrompi...
- Mas não quero te deixar, é tão... Difícil.
-Talvez com o tempo fique até fácil... – sua voz quase como um sussurro
- Claro que não... – eu revirei os olhos
- Você diz isso agora, mas espero, tenho quase certeza que vai me
agradecer depois, eu te conheço melhor do que ninguém e sei que você é
tão independente e sonhadora quando qualquer humano ou vampiro! E
espero que no fim dessa jornada, você volte para mim...
Estamos deitados na minha cama, aninhamos. Minha cabeça em seu peito,
sentindo seu sangue e coração pulsarem lentamente.
-É claro que vou...
Ele não respondeu. O silêncio permaneceu por pouco tempo, nossos lábios
se uniram encerrando a conversa e logo ele estava dormindo.
Enquanto eu olhava para aquela face adormecida, admitia que ele estava
certo. Eu sou a garota mais sortuda do mundo, tenho o namorado perfeito, a
família perfeita e mais linda do mundo, os pais mais gatos do universo, sem
contar com minhas habilidades: naturais - imortalidade, super força,
velocidade... - e especiais - meus poderes psíquicos. Mas quero também ter
uma viva cheia de surpresas e emoções, quero saber como é morar sozinha,
ser independente.
Desci para a cozinha para pensar sem o cheiro dele e ter mais clareza do
que eu queria, e realmente ; ele muda o meu modo de pensar.
Minha mãe foi à cozinha.
-Vocês ouviram tudo, não é?! – eu perguntei a ela, Edward vinha logo
atrás.
- Sim, ouvimos. - ela admitiu
-E o que acham?
Meu pai respondeu:
-Acho que ele tem razão, todos nos já tivemos suas grandes aventuras,
principalmente sua mãe. – ela sorriu e ele beijou sua testa – talvez ainda
tenhamos outras, nossa “não – vida” pode ser surpreendente. Digo por
experiência própria, vivi 100 anos solitariamente, sem ter expectativa
nenhuma de ser tão feliz como sou agora, com minha própria família, é
preciso de um empurrãozinho, uma decisão para o destino nos dar
aventuras e destinos inimagináveis... Minha decisão foi me render ao amor
e não aos meus instintos. - disse meu pai abraçado a Bella.
-Viva sua vida, querida. – minha mãe disse.
Eu respirei profundamente antes de abraçar meus pais.
Subi ao quarto e olhei mais uma vez para Jake.
-Obrigada. – eu sussurrei antes de fechar meus olhos.
6. DECISÃO
Acordei cedo, Jacob ainda estava largado e roncando na minha cama, eu
abri as cortinas e o sol iluminou meu quarto, com o infinito de cores
iluminado Jacob. Ele se incomodou um pouco mais não acordou, eu ri.
Sentia-me renovada, mas não menos indecisa, sabia que agora, eu podia
contar com Jake para tudo e que ele realmente me amava, mas deixá-lo;
viver em outro lugar; ficar longe da minha família, mesmo que por pouco
tempo era uma decisão que talvez levasse um tempo para saber o que fazer,
mesmo que meu coração me dissesse que eu já estava pronta.
Desci para a sala, Jasper e Alice estavam com meus pais conversando sobre
algo realmente engraçado, raramente via Tio Jasper dar risada.
-Bom dia!! – eu os cumprimentei
Todos me cumprimentaram de volta... Eles me pareciam animados, foi
quando lembrei que á noite iríamos para a Ilha Esme e imediatamente meus
pensamentos foram para meu quarto, para Jacob.
Não sabia se me animava junto com eles ou ficava triste por deixar Jake,
não parava de pensar nas coisas que ele me disse na noite passada.
Voltei para ao meu quarto, ele ainda estava dormindo, então fui tomar
banho e me arrumar.
Quando voltei, ele já estava de pé, se espreguiçando, na verdade. Eu liguei
meu radio.
-Bom dia, dorminhoco! – eu o abracei por trás.
-Bom... – ele deu um grande bocejo – Dia... – e se virou para mim e me deu
um beijo.
-Ai, Jake vai escova os dentes... – eu fiz cara de nojo brincando, tampando
o nariz com as mãos. Ele me encarou, como se eu não tivesse a mínima
graça... - Mas nada se compara com esse seu cheiro... – eu debochei, estava
me referindo ao cheiro de lobo, eu realmente não ligada para o cheiro dele,
tanto quanto ele ligava para o meu meio-vampiro...
- Há! E você também nem adianta toma banho, que mesmo assim continua
cheirando mal... – ele me respondeu, eu fiz beicinho.
Mas logo ele abriu um imenso sorriso com aqueles perfeitos dentes brancos
e me beijo carinhosamente.
Eu o empurrei até a cama fazendo-o sentar, ainda nos beijando, eu apóie
meus joelhos na cama de frente para ele, praticamente sentada em seu
colo...
Foi quando eu notei na musica que estava tocando “Kelly Clarkson - My
Life Would Suck Without You” e ri...
-Minha Vida Seria Uma Droga Sem Você!! – eu cantei pra ele, quando
nossos lábios deram um tempo.
Nos rimos e voltamos a nos beijar.
Ele entrelaçou seus dedos em meus cabelos e acariciou minha nuca, não
havia nada mais gostoso de quanto ele fazia isso, eu coloquei minha mão
em seu pescoço...
Se o amor de Edward e Bella era puro romance, o nosso era pura paixão.
Eu parei quando ouvi passos indo na direção da porta, me levantei em um
segundo, Jake se assustou, mas logo a porta se abriu, era minha mãe...
-Querida. – ela parou um instante para olhar para Jacob. – Vamos para a
casa de seu avô, estamos esperando lá embaixo... Bom dia, Jake. – ela
sorriu carinhosamente para ele, a amizade deles ainda era a mesma.
-Hey, Bella... – ele acenou para ela
Bella fechou a porta e eu olhei para ele.
- Tenho que ir. Você vem?
-Hum... Vou sim, só que mais tarde. – ele se levantou para me dar um beijo
rápido – Tenho que tomar banho e comer primeiro...
-Comer primeiro, claro! – eu ri daquela criança grande.
Eu desci, meus pais e tios já estavam me esperando na porta.
-Onde está o Jacob? – perguntou meu pai.
-Ele vai depois! – eu respondi
-Ok... – respondeu Bella
A casa de Carlisle tinha a mesma distância de quando morávamos em
Forks, a decoração quase a mesma, mas com um piano á mais e uns lugares
decorados por mim, claro que com a supervisão da minha super tia Alice.
Estava ansiosa para vê-los fazia um tempo que não via a Tia Rose ou o meu
grande Tio Emmet, eles tinham ido viajar na sei-lá que centésima lua-de-
mel deles... Passaram quase um mês longe e voltaram ontem.
Quando chegamos, meus avós já estavam na porta, eu corri mais para
abraçá-los.
-Como vai, Nessie? – perguntou Carlisle carinhoso
-Bem. – fisicamente eu realmente estava, mentalmente já era outra historia.
- Oi, querida. – Esme me abraçou.
Nós entramos e Tio Emmet e Tia Rose estavam na sala.
-OI!! – eu gritei empolgada
Eles se levantaram...
-Oi, Nessie. - Tia Rose foi correndo na minha direção e me abraçou – Tudo
bem?
-Sim. – eu abri um grande sorriso
-E ai, garota. – me abraçou Tio Emmet logo depois, ele me chamava de
garota, antes ele me chamava de menininha, mas eu já estava grande de
mais para ele continuar me chamando assim. Era um apelido carinhoso.
-Oi, Tio...
O resto da família entrou e ficaram na sala conversando...
Eu subi com a Rose e Alice, para ver as novas roupas e acessórios que
Rosálie tinha comprado na viagem.
-Nossa, mas vocês mal chegaram e já vão viajar de novo? – eu perguntei a
ela abismada.
-Ah... Mal não vai fazer não é?! - Tia Rose estava mais feliz do que de
costume, parece que a ilha Esme, é o lugar favorito de todos passarem um
tempo com a família.
Depois de muitas roupas novas e também presentes que Rosálie tinha
trazido, fomos para a sala.
Depois de muita conversa e planos para a viajem, fui a sala de música para
praticar e tocar um pouco no meu piano de cauda, depois de algumas
melodias, liguei o rádio que começou a tocar uma musica lenta e suave –
provavelmente de alguma valsa - logo meus tios começaram á flutuar pelo
salão conforme a melodia.
Alice com Jasper, Bella com Edward, Esme com Carlisle e Rosálie com
Emmet, foi quando Jacob chegou e eu o puxei para dançar também...
Depois de uns pra lá e pra cá, nos beijamos ainda dançando e eu percebi
que não havia mais passos rodopiando a sala, eu parei de beijá-lo e virei o
rosto: todos estavam parados olhando para nós, uns com cara de nojo (Tio
Emmet, Tia Rose, Tio Jasper, Edward) outros com cara de indiferença
(Bella, Esme, Carlisle, Alice) mais olhando!
- Quem falou para parar? – eu perguntei a eles e voltei a beijar Jacob
despreocupada.
E pouco a pouco os passos começaram novamente a rodopiar a sala de
musica. Será que algum dia eles iriam se acostumar?

Ajudei Alice a arrumar sua mala -normalmente grande- fui para casa com
meus pais e Jacob para arrumar minhas coisas.
Jake estava me ajudando a arrumar minha mala e meus pais já estavam na
sala esperando.
- Jake, pega minha escova ali! – eu apontei para a penteadeira.
Ele foi pegá-la.
-Você vai pensar? – ele me perguntou perto da penteadeira
-Pensar em que? – eu estava completamente distraída
-Na noite passada. – eu me virei para ver o que ele estava fazendo:
encarando uma foto que estava na penteadeira com nós dois. Meu humor
instantaneamente desapareceu.
-Provavelmente... – eu disse baixinho.
Não agüentei e fui em sua direção para abraçá-lo.
Ficamos abraçados, sem pensar no tempo ou no que estaria por vir.
Duas pessoas que se amavam, mas que ainda faltava alguma coisa, que irei
descobrir. Minha única e mais dolorosa conseqüência era ficar longe das
pessoas que mais amo.
Jake desceu com minha mala, atrás de mim.
-Vamos? – perguntou meu pai
-Sim. – eu disse apreensiva
Eles foram para o carro. Eu fiquei na sala em pé, congelada. Jake foi
colocar minha mala no carro e voltou.
-Está na hora de nos despedir. – ele disse com um tom de humor,
provavelmente tentando esconder a dor.
Eu o abracei novamente.
-Não se preocupe tanto, eu vou para a Ilha Esme, mas já voltarei. É breve.
-Meu medo não é esse... – eu me aninhei ao seu corpo quente e
aconchegante. -É a decisão que você terá na volta...
Eu fiquei em silêncio, apenas ouvindo e sentindo seu coração bater
freneticamente por baixo da pele, ele estava nervoso.
Eu olhei para ele e peguei seu rosto com minhas mãos.
- A vida é cheia de surpresas, apenas vivendo podemos descobrir o que era
pra ser ou não. Então, meu amor, não tenha medo... Talvez o destino,
queria, possa até mesmo, nos pregar uma peça, mas tudo ficará bem, ela
não nos juntou para depois separar, não é?! – eu sorri para ele.
-É nisso que eu quero acreditar. – ele me beijou e me levou para o carro.
Antes de entrar, ele tocou na minha pulseira, a pulseira que ele me dera há
anos atrás, ainda intacta com o tempo.
-Lembre de mim. – ele sorriu
-Sempre... – eu sorri de volta e ele fechou a porta.

A viagem de carro foi rápida até o aeroporto, minha família já estava nos
esperando, eu abraçada a minha mãe fomos para o avião.
Fiquei imaginando o que alguém pensaria se soubesse que havia uma
família inteira de vampiros no avião, seria um banquete e tanto...
Eu ri, apesar do meu pensamento obscuro.
-Do que está rindo, Nessie? – perguntou Esme no conjunto de bancos ao
nosso lado.
-Pensamentos... – na hora eu olhei para meu pai ao meu lado. Mas ele
estava distraído demais beijando Bella.
Rosálie e Emmet estavam no banco da frente, Alice e Jasper estava atrás de
nós.
Quando lembrei de Alice, pensei que talvez ela pudesse ver o que eu
decidiria, assim faria meu stress e angustia terminarem mais rápido.
Eu me virei para o banco de trás, Alice estava com fone de ouvidos,
balançando a cabeça, curtindo a musica.
-Eu não posso ver... – ela logo me respondeu.
-Credo! Você e o meu pai são mais parecidos do que parece! – ela sorriu -
Mas por que você não pode ver, eu entendo que o Jacob você não
consegue, mas eu também? Mesmo depois de todos esses anos?
Ela torceu a boca.
- Hum... Mesmo depois de todos esses anos. – ela admitiu - Vocês ainda
estão ligados. Talvez... Se quando você estiver bem longe dele, na Ilha
Esme, por exemplo, eu possa ver alguma coisa. - ela disse pensativa
-Ok! – eu disse animada.
Nós ainda estávamos ligados, era o que ficou na minha cabeça a viajem
toda.
O piloto anunciou que havíamos chegado ao Rio de Janeiro.
Estava nublado, assim minha família poderiam andar nas ruas sem
problemas.
Tio Emmet levou as malas mais pesadas – a minha, de Rose e da Alice –
até o carro.
Alugamos dois carros, comigo foram a Tia Alice e o Tio Jazz.
Fomos até o caz e já estava a nossa espera dois barcos para nos levar a
ilha...
Não queria pensar muito em Jacob, apenas na linda paisagem e na água
transparente, com um tom de verde-água.
Tirei meus sapatos para sentir a areia branquinha da Ilha, todos fizeram o
mesmo, apenas Rosálie não tirou e fez Emmet carrega- lá. Nos rimos.
Na ilha tinha quatro casas, mas geralmente só usávamos uma ou duas...
Preferimos ficar todos na mesma casa -a maior- há de Carlisle.
Na frente da casa havia uma mulher bem vestida, provavelmente a
governanta, ela falava português, todos nós falávamos.
Eu sabia o básico, meu pai insistiu para que eu fizesse uma aula ou duas
para falar perfeitamente, mas é claro, que preferia passar meu tempo com
Jacob, do que fazendo aulas.
Uma vantagem no meu poder é que quando leio a mente das pessoas, eu
posso compreender melhor do que ninguém sua língua ou até mesmo sua
cultura. Mas nunca me dediquei exclusivamente ao português.
Ao italiano, francês, alemão e outras línguas eu sou fluente, até mesmo em
latim. Carlisle me ensinou, apesar de ser uma língua, na minha opinião
elegante... Em que ocasião eu poderia usá-lo?
Quando me dei conta estávamos na praia, aproveitando o pouco sol que
havia na ilha, Tia Alice disse que amanha o céu estaria aberto, eu até zoei
com ela dizendo que seria uma ótima garota do tempo; Tio Jasper não
gostou muito, mas foi porque ele pensou em aquelas mulheres de pouca
roupa que anunciavam o tempo, eu ri imediatamente aquele pensamento.
Meu pai fica orgulhoso quando pratico meu poder de também ler mentes,
mas o que mais gosto e prático é mostrar as coisas que quero, antigamente
era apenas o que eu já havia visto, mas agora posso mostrar o que também
apenas imagino.
Todos nós adoramos ser quem realmente somos, sem precisar nos
esconder. A Ilha Esme, era o lugar perfeito para isso.
Tio Emmet e Jasper estavam disputando queda-de-braço, Carlisle e Esme
estavam no mar, minha mãe e minha tias estavam conversando na areia -
apenas Rose com uma grande e fina toalha em baixo dela, meu pai assistiu
com empolgação a queda-de-braço dos irmãos, eu estou sentada olhando
pro mar e assistindo minha família se divertir.
Queria caçar... Meu pai leu meu pensamento e me apoiou.
Ele chamou todos para que fizéssemos uma aposta: quem caçasse o maior
animal ganhava o maior quarto. Todos participaram.
Tio Emmet já se dava por ganhador, mas meu pai apostava que não, Alice
ficou chateada, pois não era ela quem ia ganhar e ficou bem longe de mim
e do meu pai para nós não sabermos quem ganharia, mas ela participou
mesmo assim.
Nos corremos e nos separamos.
Coloquei minha mão na terra para tentar sentir algum animal, por um
tempo nada, mas depois comecei a sentir pequenas oscilações para o lado
oeste na ilha, eu corri antes que alguém sentisse também.
Era um cervo, não muito grande, mas não pensei duas vezes antes de
atacar, agarrei seu pescoço e o mordi, o sangue do animal escorria pela
minha boca, tomei cuidado para não sujar minha roupa, fiquei um tempo
ali, esperando o animal morrer. Seu líquido vital aquecia minha garganta,
me alimentando, como é gostoso quando ainda esté pulsando, quentinho...
fresco.
O levei para a praia, onde já estava Esme; com uma raposa, Alice; com um
gato-do-mato, Rosálie com um lobo, todas elogiaram minha caçada, disse á
elas que foi pura sorte.
Depois chegou meu pai, com um puma e atrás dele Emmet com um jaguar,
os dois ficaram brigando tentando decidir qual animal era maior, depois
chegou Carlisle com uma zebra, nós estranhamos, logo atrás Bella com um
cavalo e Jasper com um javali.
Era evidente que a vitória era de Bella, ela e Edward comemorarão.
Mas eu não agüentei de curiosidade.
-Carlisle. – eu o chamei
-Sim.
-Eu estava reparando, tem animais aqui que provavelmente não são da
fauna brasileira ou muito menos de uma ilha... - eu apontei para a zebra
Ele riu.
-Quando comprei essa ilha para sua avó, não iria deixá-la sem animais para
nós caçarmos, então também trouxe varias espécies diversas para cá. Ah! –
ele virou para Edward – Filho, aqui também tem leões!
Edward ficou surpreso, logo contente. Tio Emmet riu.
-Há!Há! Pelo menos agora, você não vai precisar assaltar o zoológico mais
próximo. – Emmet brincou com meu pai. Ele riu junto.
Depois dos comentários e zuações (Tio Emmet achou que Jasper iria pegar
uma galinha, foi muito divertido!), nos alimentamos.
A noite já estava caindo e as estrelas pouco a pouco apareciam no céu.
Estávamos todos na praia, os casais abraçados, se beijando ou conversando.
E eu apenas observando, não pude mais me conter e pensei nele.
Suas palavras dominaram minha mente:

“tentar ver como é uma vida sem mim.”

“quero que você pense e reflita sobre o que realmente quer da sua vida,
quais as suas ambições e objetivos, se você realmente quer viver sempre
assim...

“Você sabe que eu não viverei para sempre”

“eu apenas quero que você descubra se realmente sou o seu destino.”

“Que tipo de amor você sente?... Você já amou outra pessoa além de
mim?”

“Como você pode saber se é realmente amor, amor de alma gêmea”

“a vida de aventura e sonhos que você quer seguir, eu te amo tanto que
quero se seja feliz...”

Tomar uma decisão, mas qual? Viver longe da minha família?


Poderia começar a morar sozinha, já tenho 20 anos, sou muito
independente.
Talvez seja isso que esteja faltando: a minha história, a história de
aventuras e revira-voltas surpreendentes.
O destino não está escrito e apenas eu posso escrevê-lo.
Sou uma criatura da natureza, talvez não mágica, mas com certeza uma
criatura exótica, única, meio humano - meio vampiro.
Posso fazer da minha vida o que quiser, ter lembranças inesquecíveis,
viajar ao mundo, conhecer pessoas.
Uma vida comum? Não comum, mas livre.
Começando por... Onde vou morar?
Tem que ser em outro país, isso é certo. Mas em qual?
Itália? Muito perigoso. Reino Unido? Muito longe. México? Muito perto.
Rússia? Muito grande. Peru? Muito pequeno. Brasil? Brasil... É, pode ser,
nem muito grande, nem muito pequeno, não é perigoso, onde vive Zafrina e
suas irmãs, onde vive o Nahuel, não é tão longe, nem muito próximo.
É! Brasil é um ótimo lugar, mas aonde?
No Rio de Janeiro? Ver Copacabana, o Cristo Redentor, mas... não sei, eu
já fui varias vezes ao rio, geralmente fazendo compras com Alice.
Tem que ser um lugar que nunca tenha ido, com bastante movimento e...
E São Paulo? Hum... São Paulo é uma boa. A cidade que nunca para.
Há! Há! É, vai ser legal morar em São Paulo, a maior cidade do Brasil e o
clima é bom, às vezes frio, às vezes sol, não dá pra prever.
Agora. A segunda parte: contar a minha decisão.

“É preciso correr riscos, seguir certos caminhos e abandonar


outros. Nenhuma pessoa é capaz de escolher sem medo.”
7. SENSAÇÕES
Todos foram para os quartos, passei a noite na praia, Bella me chamou,
mas eu preferiria dar mais privacidade á eles.
Entrei na água, observei o amanhecer e fui tomar banho, eles ainda estavam
nos quartos, depois fui andar pela floresta, sentei e encostei-me a um troco
de árvore, fechei os olhos para aproveitar aquele ambiente mágico; sentir o
cheiro das flores, da terra, da água salgada, ouvir o som dos pássaros, dos
animais, de uma pequena queda d’água, de passos...
Eu abri os olhos, era Alice e Rosálie.
-Bom dia! – eu disse a elas
-Bom dia! – elas me cumprimentaram com ótimo humor
-A noite de vocês foi boa? – eu dei uma risadinha, elas sorriram
envergonhadas.
Meu humor diminuiu, Tia Rose se sentou – claro, que ela colocou um pano
ou toalha no chão antes - ao meu lado.
-Tudo bem, querida – ela acariciou meu braço
-Mais ou menos... Eu estava pensando... Querendo morar em São Paulo. -
eu olhei para ambas.
Elas fizeram cara de desentendida.
-Você quer que agente more em São Paulo? – perguntou Rosálie
-Não!- Eu sacudi a cabeça – Apenas eu.
Elas se assustaram um pouco.
-Bem, por mim tudo bem, você já é bem adulta. – ela passou a mão nos
meus cabelos.
-E você Alice? – eu olhei para ela em pé na minha frente.
-Hum... Você é mais madura que eu mesma, – ela revirou os olhos – mas
não sou o problema, você sabe quem! – respondeu Alice
-Meus pais. –admiti
Nos levantamos e fomos para casa, Emmet, Carlisle e Esme estavam na
sala de jantar ( que nunca usaram, na verdade já, mas apenas para mim.)
- Ótimo! Os mais importantes não estão aqui. – eu disse
-Assim, eu me ofendo – disse Carlisle
-Não foi isso que eu quis dizer... – fui a sua direção eu o abracei, ele riu.
-O que você quer? – perguntou Carlisle.
Eu olhei para Tia Alice e Tia Rosálie procurando ajuda, mas elas não
falaram nada.
-Eu... Eu quero morar em São Paulo. - eu disse apreensiva
-O que? – perguntou Carlisle, eu me afastei um pouco para ver a reação
deles.
-Ela quer morar sozinha. – respondeu Rosálie.
-O que vocês acham? – eu perguntei aos três.
-Mas... Talvez seja muito perigoso... – antes de ele terminar a frase eu
procurei alguma coisa pela sala, peguei a faca que estava na mesa e a torci
até que sua parte de metal ficasse mínima. Ele sorri – Ok. Mas você terá
que ligar sempre! – ele sorriu, seus olhos transportando ternura.
-Ah... Pode deixar! Renesmee não é como seu outro filho, que não sabe dar
informação pelo celular. – eu ri, pois ela falava do meu pai – Ela vai ligar
todos os dias e se não ligar, eu ligo e se eu “ver” que ela não vai atender a
minha ligação eu... – ela falava rapidamente ( como sempre )
- Tudo bem, Alice, já entendemos – eu a interrompi e a - dei um beijo na
bochecha. - E você vó, o que acha? – eu olhava para Esme ao lado de
Carlisle
- Vamos sentir muitas saudades... – ela ficou um pouco triste.
-Ai, não fala isso, pode ter certeza que eu vou sentir muito mais... – eu fiz
cara de triste e a abracei.
Mas ainda faltava Emmet.
-E você Tio? – eu olhei para ele, ainda abraçada a Esme.
-Vou sentir falta de brigar com você pelo controle da TV. – eu ri e também
o abracei.
-Agora faltam meus pais. – um calafrio passou pelo meu corpo – Ah!
Também o Tio Jasper, cadê ele? – eu procurei pela sala
- Ele deveria estar aqui. –Alice disse curiosa.
-Talvez ele esteja com Edward e Bella. – respondeu Esme
-É... – respondeu Alice duvidando
Procuramos pelos meus pais, Alice e Rosálie junto comigo. Estavam na
praia, Jasper também.
Eles pararam de conversar quando nos aproximamos.
-Olá. – eu disse
-Bom dia, amor. – disse Bella com um beijo.
Não queria intermediarias e fui logo ao assunto.
- Eu... – fiquei nervosa – Eu quero morar em São Paulo! –disse á eles
Eles me olharam surpresos, Jazz foi ficar com Alice.
“Você sabia disso?” – ele perguntou baixinho á ela.
Ela apenas sorriu e acenou a cabeça.
- E então? – eu esperei
- Morar... Sozinha? – perguntou Edward
-É, pai... Eu já sou adulta, você mesmo me disse para ter minhas próprias
aventuras, seguir meus sonhos... Não disse? – eu o lembrei
-Sim... Mas por que você não pode ter essas aventuras e sonhos perto da
gente? – ele não iria ceder
- Não dá... Eu quero morar sozinha e 1000Km é pouco para nossa família.-
eu respondi
-Não sei querida. É muito perigo. – ele disse
-Por que perigoso? Eu nunca corri perigo algum! Por que você sempre
esquece que eu sou tão indestrutível quanto você? – eu disse indignada.
-Você está engana ou já se esqueceu de quando os Volturi foram atrás de
você? – mamãe ficou triste, ela odiava aquele assunto.
Meu humor desapareceu, minha vontade de morar sozinha estava sumindo.
Foi quando Alice interrompeu:
-Eu vou com ela! – ela ofereceu
-O quê? – perguntou Edward
-É isso mesmo que você ouviu, eu vou junto com ela, já que segurança é o
problema, eu fico com ela e se algo a estiver ameaçando, nós voltamos
imediatamente para casa. – ela disse rápida e límpida
- Mas você não pode “ver” muito bem o futuro dela! – meu pai ainda não
queria ceder.
- Posso sim! Ela estará muito longe de Jacob e se algo a estiver ameaçando
também irá me afetar, assim minhas visões ficaram mais limpas. – pude
perceber que Jasper apertou um pouco seu braço ao redor dela.
- Tem certeza, Alice? Eu posso ir com ela. – disse Bella.
- Mas é claro que você não vai sozinha, se você for eu irei junto. – disse
Edward á Bella.
-Exatamente por isso! Vocês são os pais dela, não darão a liberdade que ela
quer! – ela disse a meus pais.
- Mas e você Alice, quero dizer, e o Jasper?- eu perguntei á ela
- Ele sabe que não será pra sempre, é por pouco tempo, ele vai se
acostumar. - ela se virou para ele e acariciou seu rosto. - Pense que é mais
uma viajem de compras! – os olhos de Alice estavam tristes
- Mas mesmo assim, não será menos doloroso. – Jasper respondeu.
-Alice... – eu não estava me sentindo bem, privando ela da minha família,
já bastasse eu mesma. – Eu não quero que você sofra comigo, que fique
longe também da nossa família... – estava quase implorando
-Mas se eu não for Nessie, seu pai não vai deixar você ir! – ela me
respondeu.
Eu fuzilei meu pai com os olhos.

“Viu o que você está fazendo?! Agora Alice vai ficar longe da nossa
família!” - eu pensei

“Então não vá! Eu não quero que você corra nenhum perigo, meu amor,
não a nada mais seguro do que ficar conosco.”- meu pai respondeu

“Mas como eu posso viver, sem correr risco? Pai, já esta na hora de tomar
meu próprio rumo, seguir a minha jornada. Não será pra sempre! Mas
apenas até eu cursar uma faculdade ou apenas estudar em uma escola,
ficar mais ou menos um ano...”

“Tudo bem, nada fará você mudar de idéia mesmo, ta ai, uma coisa que
você tem igualzinha a sua mãe”

Eu ri

“Então Alice não precisa ir?” – eu pensei animada

“Não, ela vai!” – ele ficou serio- “Eu deixo você ir, mas se eu não posso
estar com você, pelo menos um de seus tios esteja...”

Eu fiquei brava, mas fui abraçá-lo, ele apenas me amava muito e queria que
eu estivesse em segurança.
Alice e Jasper não se desgrudaram o dia todo, eu e minha mãe também,
ficamos conversando sobre todo o tipo de assunto; Rosálie e Emmet foram
nadar; Carlisle, Esme e Edward estavam dentro de casa falando sobre os
possíveis perigos em São Paulo, tentando lembrar se algum vampiro
morava lá.
Os quinze dias que se passaram na ilha foram um dos mais divertidos e
tranqüilos que já tive. Caçamos três vezes, meu pai só encontrou o leão na
última, sempre fazíamos aquela aposta - do maior animal- também
ganharam meu pai e Carlisle. Emmet disse que da próxima vez ele seria o
primeiro a ganhar e que pegaria o urso da ilha, Carlisle disse que também
tinha trazido, mas acho que ele estava brincando.
Ao voltar para casa eu ficava cada vez mais ansiosa para ver Jacob, estava
morrendo de saudades, não tinha ligado para ele nenhuma vez, ele achou
que seria melhor assim.
Ele tinha voltado para Forks enquanto estávamos fora, mas eu sabia, sentia
que ele estava me esperando em casa naquele momento.
Estávamos na porta da casa de Carlisle, meus tios descarregando as malas e
colocando para dentro. Alice se aproximou...
-Quando vamos? – com um tom de animação
-Eu não sei... Será em breve, mas preciso contar ao Jake... – eu disse
insegura.
-Claro. – Alice entrou em casa, suave como uma pluma.
Estava escuro em Quilcene talvez mais do que eu lembrava, as noites na
ilha eram claras.
O carro parou, estávamos em casa, meu pai ia abrir a garagem.
-Eu vou entrando... – e sai do carro.
Minha saudade não podia esperar nem ao menos o abrir automático da
garagem.
Corri para frente de casa, abri a porta, ele estava sentado no sofá vendo TV,
de costas para mim.
Eu me aproximei, nem lembrei de fechar a porta e o abracei por trás, ele me
puxou para o sofá e eu cai em seu colo. Nos beijamos com a mesma
intensidade que estava nossa saudade.
Senti a presença de meus pais, logo me afastei dele e sentei ao seu lado,
mas não largava sua mão.
- Oi, Jake! – Bella se aproximou e deu um beijo em seu rosto.
Meu pai apenas acenou.
-Oi, gente. – Jacob respondeu com educação
- Já vamos! – eu disse aos meus pais e puxava Jake para cima.
- Nem vai jantar? – perguntou minha mãe preocupa.
-Nossa, se eu comer mais engordo! – eu ri e levei Jake pra meu quarto.
Ele se sentou na minha cama, eu liguei o radio como costume e sentei ao
lado dele.
-Você está inquieta! – ele pegou minha mão.
-Eu... Eu já tomei minha decisão. - sua mão parou na minha, a outra mexia
no meu cabelo.
-E... – ele acariciou meu rosto.
- Vou morar em São Paulo. – eu disse trêmula.
Ele olhou nos meus olhos, surpreso.
-São Paulo? No... no Brasil?- ele não estava entendendo ou não queria
entender
-É. – eu concordei.
-Morar com quem? – ele me encarava
-Na verdade seria somente eu, porem, Alice vai ficar comigo, mas há farei
mudar de idéia! – eu disse confiante
-Por quanto tempo? – era mais um interrogatório
- Hum... Não sei exatamente, mas acho que um ano ou menos.
-Nossa! Um ano. – ele não acreditava, eu passei minha mão pelos seus
cabelos negros.
-Não se preocupe sempre que puder eu venho pra cá e não se esqueça que
temos a eternidade. – eu brinquei
-Hum... Talvez eu tenha uma meia-eternidade, mas... O que você vai fica
fazendo lá?– ele perguntou curioso
-Estudando, né! Seu bobo! – eu puxei um pouco seu cabelo
-Claro... – ele semicerrou os olhos
-Mas que tal deixar essa conversa de lado e aproveitar o tempo perdido? –
eu propus á ele, tentando seduzi-lo
- Pera... pera! Quando você vai?
- Amanhã! – eu disse sem pensar, não quero esperar muito, pois era
aprovável que mudasse de idéia.
-Amanhã?! – ele disse surpreso.
-É... Por isso quero aproveitar nosso tempo... – não esperei que ele desse
nem mais uma palavra e o beijei.
O empurrei para cama e ele deitou de costas, eu subi em cima dele para
ficar mais confortável. Nossos beijos ficavam cada vez mais calorosos,
nossas mãos subindo e descendo no corpo um do outro.
Ele tirou minha blusa, eu tirei a dele, rasguei na verdade. Passei minhas
mãos em seu abdômen esculpido, naquele corpo moreno e quente.
Ele entrelaçou a mão em meu cabelo, nós rolamos para o lado, ele
pressionando levemente seu corpo seminu contra o meu, ele afastou seu
rosto para me olhar.
-Eu te amo, sabia? – eu disse a ele
-Eu te amo... – ele disse com completa paixão – Tem certeza? – ele me
perguntou
-Sim. – eu disse consciente das minhas atitudes.
Eu e Jacob nos conhecemos desde sempre, passamos a namorar á oito anos,
nos amávamos.
Sempre chegávamos apenas às preliminares, mas naquele momento,
tudo era mágico, uma mistura de saudade, com certezas e paixão juntas.
Eu estava pronta, ele também, não havia mais ninguém no mundo em que
eu queria me entregar desse jeito a não ser á ele.
Minha mente e corpo estavam prontos para aquele momento, o momento
em que Jacob seria realmente e completamente meu.
Ele voltou a me beijar apaixonadamente. Mas parou.
-E seus pais? – ele perguntou ansioso.
-Eles saíram, não os ouço lá em baixo, acho que queriam dar privacidade
agente. – eu sorri, não podia ter mais sorte.
Ele passou a ponta de sua língua em meus lábios semi-abertos, desceu até
meu pescoço, depois subiu e beijou minha mandíbula, senti um arrepio.
Depois beijou meu ombro, minha barriga, voltou novamente a minha boca.
No momento decisivo, quando nossas roupas já haviam sido todas
rasgadas, senti um pouco de medo em machucá-lo, mas ele me fez sentir
tão segura e confiante em mim mesma, que meus medos sumiram de
imediato. Ficar nua na frente de Jacob, não foi tão difícil quanto eu
imaginava, na verdade, tudo me pareceu muito natural.
Jacob me pareceu tão experiente e confiante que duvidei se realmente seria
a sua primeira vez. Talvez pelas milhares de vezes que ele tenha imaginado
nós dois exatamente do jeito que estávamos, ele já esteja acostumado e
preparado.
Minha vida não se resumiu á esse momento, mas foi um dos melhores da
minha vida. Jake tão próximo de mim, quase como um só, nossos corpos na
mesma temperatura e intensidade. Não pensei no depois, na parte: saudade
daquilo que estávamos fazendo, algo recém descoberto, mas que ficarei
muito tempo sem ter novamente. Uma mistura de sensações...
Amor. Sedução. Paixão. Sensualidade. Tudo no mesmo ambiente.
Mágico. Prazeroso. Confortante.
Nossos corpos rolavam um por cima do outro por quase a noite toda.
Eu não pararia tão rápido, mas ele infelizmente tinha necessidades
humanas.
Eu estava alinhada a ele, minha cabeça em seu peito, ele dormindo
tranquilamente, satisfeito talvez cansado.
Minha janela estava aberta e os raios de sol, tocaram minha pele e a dele.
A diferença era grande, minha pele delicada e branquinha, quase
translúcida e a pele dele rude, morena. Nossas diferenças não eram apenas
visuais, além de nossos sangues serem incompatíveis, a raça transmorfo e
vampiro ainda existia dentro de nós.
Porém nada nos impediu de termos nosso momento de ontem.
Eu me levantei devagar, minha calça jeans e meu sutiã estavam rasgados,
me envergonhei pela nossa pressa.
Fui ao meu closet e peguei o primeiro vestido que vi (um verde-água), vesti
outras peças intimas e o coloquei. Olhei mais uma vez ao Jake, desmaiado
na minha cama e dei uma risada suave.
Passei de relance pelo meu grande espelho e vi um tufo em meus longos
cabelos.
-Droga! – eu reclamei
Procurei minha escova na mala e tentei desfazer os nós.
Fui para o andar de baixo, desci os degraus com tanta leveza e graça, que
estranhei. Olhei pra o espelho ao lado da escada. Meu rosto estava alegre,
um pouco rosado, meus olhos mais claros, um chocolate claro, minha pele
mais impecável que nunca. Eu estava feliz!
Ouvi passos na cozinha, eram meus pais. Eu me aproximei e sentei na
bancada. Os observando.
-Como foi sua noite? – minha mãe me perguntou com um tom de malicia.
-Não podia ser melhor! – eu afirmei
Ela riu, meu pai continuava serio.
-O que foi pai? Você não queria? – eu perguntei preocupada
-Querer, na verdade não. Não gosto de pensar na minha filha ficando com
aquele cachorro, mas... – ele suspirou – se é ele que você quer eu não posso
fazer nada! – ele admitiu
-Ah. Mas você sabia que... – eu excitei - você sabe o que. Você poderia ter
impedido. - eu disse a ele, descendo da bancada
- Sua mãe... – ele olhou para ela, ela deu os ombros – Ela disse que vocês
precisavam de um momento a sós. E que se eu realmente te amasse, te
deixaria com ele... Foi jogo sujo. – ele admitiu novamente, minha mãe
sorriu.
Bella se aproximou de mim e me abraçou.
-E sei que você vai sentir saudade, tanto quanto sentiremos sentir de você.
E acho que você adorou a noite passada... – ela piscou.
-Claro. -eu a abracei - Obrigada. – eu fui à direção do meu pai e nos
abraçamos.
Minha mãe se afastou.
-Ah! Sua tia Alice queria confirmar tudo com você.
-Confirmar, o que? – eu estava confusa
-Sobre a viagem de hoje! – eu senti um súbito calafrio passar pelo meu
corpo, eu tive que me apoiar na bancada. - Ela teve uma visão ontem à
noite! – minha mãe sorriu
-Se você não quiser, não vá! Ah tempo, Nessie. Não precisa ter pressa! –
meu pai me censurou.
-Eu tenho medo de desistir. – eu cruzei meus braços e encostei-me à
bancada
Eles não falaram mais nada.
O certo e errado querendo me tomar de novo, eu não podia deixar.
-Vamos ver Alice! – eu estava indo na direção da porta.
-Não será necessário, seus tios estão aqui, quero dizer, lá fora! – Bella me
avisou, eu sorri.
Meus quatro tios, lindos e indestrutíveis estavam lá, conversando
tranquilamente em pé na frente de casa.
-Oi, Nessie! – Alice veio em minha direção e lançou seus pequenos braços
ao meu redor e se afastou me parecendo envergonhada, eu não sabia o
motivo.
-Oi, Alice! – eu respondi
-Fiquei sabendo que entrou pro time, Nessie! – Emmet disse com pura
malicia e empolgação.
-Time? – eu me concentrei na mente de meu tio, mas antes que eu
conseguisse ouvir alguma coisa, Bella interrompeu.
-Ele está falando da noite passada! – minha mãe disse atrás de mim.
-Ah... – pude sentir o pouco de sangue subir para meu rosto, estava
provavelmente corada com meus tios sabendo da minha vida amorosa.
Rosálie esmurrou o braço de Emmet.
-Pare com isso! Vai deixar a menina envergonhada. – ela brigou com ele
-Não, tudo bem, Tia. Mas... Como vocês ficaram sabendo?
Tive medo da resposta, medo de que Alice tenha visto tudo... NÃO!
Ela não pode ver Jacob ou quem esteja ao seu lado, me aliviei, nunca gostei
tanto por ela não poder vê-lo.
-Seus pais! –exclamou Alice – Bella disse que você iria se despedir dele,
com uma grande... despedida!
Ufa! Eu respirei fundo. Aspirei o cheiro da terra, das petúnias e margaridas
perto da porta, do doce aroma de meus tios, cada um com um cheiro
próprio, mas todos com um toque adocicado. Me senti confortável.
- Mas acho que quem mais vai sofrer agora em diante vai ser seu pai! –
disse Jasper – Posso sentir que ele está um pouco frustrado. – ele riu, eu
olhei para meu pai.
Ele iria ver nos pensamentos de Jacob ou nos meus próprios as
pecaminosas imagens de ontem a noite?! Que vergonha...
-E também não tem como não se notar. – Emmet tampouco o nariz com as
mãos.
–Você está cheirando a cachorro de cima a baixo. -Rosálie fez cara de nojo.
Eu ri.
-OK! – eu precisava mudar de assunto – Alice, você queira falar comigo? –
eu me virei a ela.
- Sim, sim! – ela balançou a cabeça – Que horas vamos?
Senti uma coisa estranha na barriga, um friozinho.
-Eu não faço a mínima idéia. Provavelmente à noite! Pelo menos não
precisamos desfazer a mala. – eu sorri
-Na verdade, Alice fez mais uma. – Edward revirou os olhos. Alice
mostrou a língua pra ele.
-Claro! Não vou ficar duas semanas fora, vou ficar quase um ano, é muita
coisa! – ela esclareceu a meu pai.
Subitamente olhei pra Jasper, que não demonstrava nada pelo seu rosto,
mas não a seus pensamentos, me concentrei:

“Não posso nem imaginar ficar longe de Alice... Mas o tempo pass-” – ele
encontrou meu olhar. ”– Não se sinta culpada, Nessie, a culpa não é sua,
você não pediu para ela ir. Nós só queremos o melhor pra você!” – ele deu
um sorri singelo.

Eu acenei com a cabeça. Aquilo só me fez se sentir pior.


-Então à noite, agente se vê! – Alice pegou a minha mão
-Claro. – quando ela se virou não podia deixar de perguntar. - E você e
Jasper, já tiveram sua grande despedida? – eu perguntei com um leve tom
de malicia.
-Ah, daqui a pouco! – ela fechou os olhos e sorriu despreocupada.
-Ai! Muita informação! – eu balancei a cabeça, me arrependendo da
pergunta.
Emmet gargalhou, logo sumiram floresta adentro.
-Vocês também vão? – eu me virei para falar com meus pais.
Bella olhou para Edward.
- Sim. – minha mãe me deu um beijo na testa e correu para a floresta.
- Nos vemos lá. – meu pai me disse e logo desapareceu também.
Estava sozinha... Olhei para o segundo andar da casa e lembrei-me de Jake.
Não tão sozinha.
Estiquei meus braços e entrei.
Subi e peguei uma roupa – uma bata rosa mesclada com uma skini - fui
tomar banho. Sequei e penteei meu cabelo, no quarto. Depois subi na cama
devagar e fiquei olhando para ele.
O lençol apenas cobrindo seu quadril para baixo. Não resisti e beijei seu
rosto.
-Nessie... – ele sussurrou sorrindo, ainda de olhos fechados.
Eu sorri.
-Sim... –respondi.
Ele me agarrou e me beijou, teria levado um susto se não soubesse que ele
estava fingindo que dormia. Nós rimos. Eu bati nele de leve.
Ele deitou e cruzou os braços a cima da cabeça.
-Como foi sua noite? – eu perguntei, passando meus dedos pelo seu
abdômen.
- Você ainda pergunta? – ele se apoiou em um cotovelo.
-Claro! – eu pisquei pra ele.
-Hum... Não foi bom. –Eu me assustei, meus dedos pararam. – Por que foi
inacreditável, não podia estar mais feliz. – ele abriu seu enorme e perfeito
sorriso
Eu o beijei, nossos lábios se movendo apaixonadamente. Ele me puxou
para cima dele.
-Jake! – eu o censurei.
-O que? – ele perguntou cinicamente
Eu o censurei com os olhos. E fiquei de pé.
-Vá por uma roupa! – eu ordenei.
Ele sentou na cama, pegou seu short rasgado e mostrou pra mim.
-Vestir o que? – ele perguntou, fiquei envergonhada, com a minha súbita
violência com suas roupas.
Ele se levantou e foi até mim. Fiquei o máximo vermelha possível, sua
nudez me deixava encabulada. Mesmo já tendo visto cada centímetro de
seu corpo.
-O que foi, não gosta? – ele disse travesso.
-Você sabe que sim! – eu respondi – Mas... Aí, Jacob para com isso! Vai
pegar a roupa do meu pai ou alguma que você tiver aqui! – eu fiquei de
costas pra ele.
-Claro. – ele me abraçou e deu um beijo no meu rosto.
O ouvi saindo do quarto, aproveitei pra arrumar a cama e recolher as peças
de roupas do chão, coloquei as inteiras pra lavar e joguei os trapos fora.
Ele voltou com uma calça jeans e uma blusa xadrez azul do meu pai.
Ele me mostrou a camisa e torceu o nariz.
- Mas que saco, bem hoje que eu não trouxe nenhuma roupa comigo! – ele
reclamou, eu me aproximei
-Hum... Talvez eu possa melhorar. – eu o abracei me apertando contra a
camisa, tentando fazer meu cheiro ficar mais forte que o do meu pai.
Ele sorriu
- Um pouco melhor!
Eu o segurei pelo pescoço, minhas mãos em sua nuca. Ele me abraçou.
- Você realmente vai amanhã? – seu olhar completamente triste
-Por favor! – eu implorei – Não me faça mudar de idéia! – eu fechei os
olhos e me afundei em seu peito.
-Desculpe. – ele acariciou meus cabelos.
Eu queria tanto ir, eu quero tanto ir. Mas hoje, exatamente hoje, não faz
nem 10 horas que eu e Jacob evoluímos um passo tão grande de um
relacionamento.
Talvez amanhã? Por que não amanhã? Não preciso ter pressa.
Eu preciso pesquisar primeiro, saber onde vou estudar, onde vou morar.
Acho melhor amanhã. Dar um tempo para uma melhor despedida a Alice e
a mim mesma. Amanhã.
- Tudo bem... – eu sussurrei contra seu peito. – Eu irei amanhã! –levantei
minha cabeça pra ver sua expressão, feliz.
Esperei ele tomar banho e fomos para a casa de Carlisle.
8. QUANDO E ONDE?
Estávamos a uns 13 metros da casa de Carlisle, fomos andando mesmo.
Jake insistiu em se transformar, mas eu queria manter uma conversa, já que
ele detestava quando eu usava meu “poder Edward”, como ele dizia. Mas
sentia que era mais do que somente ler mentes, talvez na minha próxima
aula com Zafrina, eu descubra.
-Não se assuste com os comentários da minha família. Eles já sabem! – eu
revirei os olhos.
-Ok! – ele disse animado, como se pudesse se divertir com os comentários
do Tio Emmet.
Entramos de mãos dadas dentro da bela e iluminada casa de meus avós.
Minha família estava na sala; Alice no notebook com Jasper ao seu lado em
uma escrivaninha, Emmet passando os 30 canais de esporte e o resto
conversando no espaçoso sofá bege.
Todos nos olharam, fiquei nervosa e envergonhada com aqueles sete pares
de olhos dourados em minha direção e na de Jacob, mas logo todos
sorriram simpaticamente.
Alice não havia se mexido um centímetro, seus olhos e dedos ágeis no
computador.
-O que está fazendo? – perguntei curiosa, olhei para seu rosto, ela me
parecia seria, um pouco chateada. – Você está brava?
- Quando mais cedo formos mais cedo voltaremos! E estou procurando, o
que você quer!- ela me respondeu
-Você está chateada, né! Desculpe, é que eu... Preciso de mais informações,
de um tempinho. E tenho certeza que estou fazendo o tio Jazz se sentir um
pouco melhor! – eu olhei para ele ao lado dela em outra cadeira.
- Um pouco melhor! – ele concordou e eu a abracei.
“Já volto!” – Jake disse no meu ouvido, com um beijo no rosto logo em
seguida.
-Tudo bem! – ela se acalmou.
-Nossa! Você está conseguindo me “ver” muito bem e muitas vezes
também. – eu fiquei animada.
-Não. – ela disse como se fosse óbvio – Eu já te disse, coisas que me
afetam diretamente me ajudam a ver com mais clareza. E não se esqueça,
que todas às vezes que eu “vi”, você estava com o Jacob! – ela apontou
para meu doce lobo ao lado de Emmet no outro lado da sala, conversando
sobre um jogo de beisebol, provavelmente apostando.
-Entendi. Mas o que você está procurando exatamente? Não te disse nada,
nem falei com Jake sobre quais informações vou procurar. – eu perguntei
olhando para a tela de seu notebook, roxo brilhante.
-Eu apenas deduzi! Você gostaria de saber qual a melhor escola para se
estudar. – ela disse confiante.
-Sim... – eu dei um beijinho no rosto – Mas também onde vamos morar. –
eu á lembrei
-Hum... Eu estava pensando em Campinas. O que acha? – ele me mostrou
no mapa em seu computador.
Verde por perto, não era tão próximo a metrópole de São Paulo, mas nada
de alguns minutos de carro não bastasse.
-É um bom lugar. – eu sorri animada. – E a escola, já viu alguma?
-Claro. Gostei do Liceu Salesiano. Parece um campus e o preço é acessível.
Fico pensando se existe algum preço que não seja acessível a nós.
Alice mostrou no mapa a escola.
- Nossa, parece boa. Talvez você devesse mostrar á meus pais... – eu caçoei
- E o apartamento, já sabe qual? – eu puxei uma cadeira e me sentei ao seu
lado.
- Ainda não me decidi, queria sua opinião. Tem esse aqui! – ela me
mostrou um, em um site de imóveis do Brasil, tudo em português, eu podia
entendem algumas coisas, mas Alice me dava todas as informações. - E
esse! – ela mostrava outro.
Todos de três ou quatro suítes, sala de estar gigantesca...
-Nossa, Alice! Se você alugar um apartamento desses vou me sentir mais
sozinha ainda! – eu apontei.
- Alugar? Quem disse alugar? Eu iria comprar! – ela me encarou confusa.
-Comprar? Não precisa tanto, alugar já está ótimo. – eu sorri
-Hum... – ela fez uma careta. – Tudo bem... Mas também vamos ter que
morar em um apartamento de duas suítes? – ela ainda fazia careta
-Sim! É apenas nós duas, Tia, não se esqueça. – eu coloquei minha mão em
seu ombro.
-Ok! – ela fez bico.
Depois de muitos não, achamos o apartamento certo.
Um em Alphaville, com duas suítes, dois quartos, quatro banheiros, 165
m², muito bem decorado; um mistura de moderno e clássico.
Nós ficamos encantadas por ele e a parte quatro banheiros ajudou muito.
Ela mandou um e-mail para a compra. Mas logo depois ligou para lá.
E já o – alugou. Fiquei animada, estava ansiosa para pegar o avião e
embarcar em São Paulo, morar e ver a bela vista do nosso apartamento.
Alice desligou o notebook.
-Você torna tudo mais fácil. – eu a agradeci.
-É o meu trabalho. – ela brincou.
Fui na direção de Jacob...
-O que estão fazendo? – eu perguntei a ele e tio Emmet, que conversaram
um bom tempo.
-Ah, nada! Só falando besteira. – Jake me pareceu envergonhado.
Eu levantei uma sobrancelha.
-Eu realmente achei que você iria acabar com ele, Nessie! – tio Emmet riu
em alto e bom som, para que todos da sala olhassem para nós.
-Não acredito que estavam falando de... – eu bufei – Tudo bem. – eu me
afastei deles.
Eu me sentei frustrada no sofá, ao lado de Bella.
-Eu realmente não agüentava seu Tio quando eu e seu pai tivemos as nossas
primeiras noites. Até eu fazer uma aposta para ele nunca mais falar sobre o
assunto e vencer. - ela sorriu orgulhosa.
-Eu acho que me lembro... Tem alguma coisa a ver com queda-de-braço?
-Há!Há! É isso mesmo... Você era um bebê ainda, eu recém-nascida, mais
forte que qualquer um. – seu sorriso foi desaparecendo. Foquei-me nela.
“... os Volturis, há quanto tempo não dão noticias... Graças a Deus! Talvez
ela indo para outro lugar, outro país, a afaste ainda mais do perigo!”

-Eu ainda corro perigo? – eu perguntei surpresa.


Ela me olhou desnorteada. Nem percebi que era a primeira vez que tinha
lido a mente de Bella. Meus poderes eram imunes ao dela.
-Você... Você leu a minha mente? – ela gaguejou
Meu pai me olhava com pura curiosidade, assim como o resto da família,
menos Jacob, Emmet e Jasper que se divertiam falando mal de algum
jogador da TV.
-Eu acho que sim... – afirmei a ela.
-Por que você pode? – perguntou Edward curioso e confuso.
- As habilidades dela sempre foram imunes as defesas de Bella, Renesmee
sempre pode mostrar o que queria a ela. Não seria novidade se também
pudesse ler sua mente. - respondeu Carlisle
- Nossa... – ouvi Rosálie dizer atrás de Carlisle.
-Tenho inveja de você, minha filha! – disse meu pai sorrindo, contente.
O clima da sala foi lentamente mudando e Bella respondeu minha pergunta.
- Sempre... Eles deixaram você viver, mas eles sempre devem estar de olho.
– ela estava seria, preocupada.
-Tudo bem. – eu tentei mudar o clima pesado. – Já faz muito tempo, não se
preocupe tanto, mãe! – eu acaricie seu rosto. E mostrei o meu novo
apartamento.
-É lindo! – ela se animou - Vou querer conhecê-lo um dia!
-Claro. – eu afirmei
O tempo passa rápido na presença das pessoas que amamos e a noite já
tinha chegado. Ficamos um bom tempo na floresta.
Sentirei saudade de Quilcene.
-A que horas vamos? – perguntei a Alice.
Que ensinava minha mãe a subir nas árvores sem sujar seu vestido, Bella
não ligava para roupas, mas Alice fazia questão de ensinar.
-As 14:00 hrs, chegaremos mais ou menos as 16:00, ficaremos no hotel em
São Paulo e depois vamos pra o apartamento. – ela sorriu empolgada.
-Ok! – eu respondi ansiosa
-Você não vai passar seu tempo restante com Jasper? – perguntou Bella,
provavelmente tentando se livrar de Alice.
-Daqui a pouco! Nós já conversamos, ele é muito compreensivo, eu amo
isso nele! – ela respondeu apaixonada
Nossa conversa me fez pensar em Jacob, que estava a poucos metros de
mim, caçoando nas falhas tentativas de Bella.
-Jake! – eu corri e agarrei seu braço
-Oi, amor! – ele beijou o topo da minha cabeça.
-Eu ainda não te dei as ultimas informações! – toquei seu braço.
Meu poder de “mostrar” o que quero, estava evoluindo.
Não me limito á apenas tocar o rosto, agora qualquer parte do corpo em que
minhas mãos toquem, já basta.
Mostrei a ele, as fotos, as informações de Alice sobre o apartamento, á
localização, uma visualização 3D que tive pelo tour virtual do site, Tudo.
E depois quando Alice me disse o horário que iremos.
Eu tirei minha mão.
-É bem bonito – ele concordou.
Edward chamou Bella e Alice para dentro, acho que logo iríamos embora.
- Às duas da tarde, hein?! Ainda á tempo para aproveitarmos bastante. – ele
me puxou para mais perto, seu braço apertando minha cintura.
Eu fiquei na ponta dos pés, para alcançar seu rosto, rocei meus lábios nos
deles, em sua bochecha ate chegar a seu ouvido.
-Talvez... – eu sussurrei.
Ele sorri contente, como se eu tivesse falado que sim.
Talvez ele saiba como me convencer.
Não demorou muito para nossos lábios estarem colados e se movimentando
involuntariamente.
-Hora de ir! – meu pai nos chamou dentro da casa.
Eu me afastei dele com dificuldade, lutando contra a minha própria
vontade.
-Vamos. – eu o - dei um selinho e pequei sua mão.
Despedi da minha família. Esperávamos ansiosos para amanhã à tarde.
Em casa tudo foi tranqüilo, pequei minha mala, tirei as roupas usadas e
coloquei outras. Tive que trocar de mala, para uma maior.
Jacob estava no meu computador. Liguei meu radio e fui ver o que ele
estava fazendo.
-Você vai me trocar por um jogo? – eu fiz beicinho.
Ele se virou e imediatamente o - desligou, olhando para mim quase
hipnotizado, talvez pela minha camisola de seda vermelha, bem curta, com
alças finas.
Fiquei envergonhada com aquele olhar imprint de sempre, mas porém, eu
estivesse começando a gostar daquilo.
-Você está querendo me deixar louco, né! – ele disse travesso
Ele empurrou a cadeira e me beijou, seu braço ao meu redor.
Eu pulei em seu colo, minhas pernas ao redor de seu quadril.
-Fico imaginando a quantidade de caras que vão se apaixonar por você! –
ele me disse quando nossos lábios davam um tempo. – É tão fácil se
apaixonar por você!- ele diminuiu o espaço que restava de nossos corpos.
- Você acha? – eu perguntei.
-Tenho certeza! Você é linda, inteligente, indestrutível, engraçada, você é
perfeita, Nessie! – eu fiquei surpresa pela quantidade de elogios que ele me
disse.
- Isso é só a opinião de um cara apaixonado! – caçoei.
-Exatamente – ele afirmou – A opinião de um cara – ele encostou nossos
lábios – completamente apaixonado – novamente – pela garota mais
maravilhosa do mundo! – e novamente outro beijo.
-Seu bobo! – eu revirei os olhos. – E duvido que Leah Clearwater não vai
dar em cima de você! – eu levantei uma sobrancelha.
- Aff... Leah, é a Leah. Você á conhece! – ele balançou a cabeça.
-Exatamente por isso, bonita, forte, lobisomem como você e fica nua com
freqüência na sua frente... – eu ri.
-Mas nada se compara a você! – ele olhou para meu corpo.
-E nada a você! – eu admiti
Passei minhas mãos em suas costas nuas, depois contornei seus musculosos
braços e seu peitoral esculpido.
Ele me deitou na cama, minha camisola já estava a dois palmos da onde
deveria estar. Ele beijou minha mandíbula, minha clavícula, meu busto.
Minha respiração ficou um pouco desigual. Ele olhou pra mim travesso e
desceu para beijar minha perna de cima a baixo, depois voltou a me beijar
novamente. Suas mãos contornaram todo meu corpo e abaixou as finas
tirinhas do meu ombro.
Eu respirei fundo.
-Não, Jake. – eu ofegava – Meus pais estão lá em baixo.
-Não teremos a mesma sorte que ontem? – ele perguntou esperançoso
-Não. – eu respondi um pouco chateada. – Mas posso te fazer se sentir um
pouco melhor. – eu sorri maliciosa.
Coloquei minha duas mãos em seu rosto e o mostrei todos os detalhes da
nossa noite mágica de ontem. Quando acabei o beijei tão apaixonadamente,
o quanto pude, ele também.
Ele acariciava minhas costas enquanto eu mexia em seu cabelo.
A saudade viria e rápida.
Nessa noite não dormimos, apenas conversando e nos acariciando. Uma
coisa que Jacob era bom, era me deixar relaxada e confiante...
Para enfrentar o dia de amanha. Despedida.

“O desejo é uma força poderosa que pode ser usada


para fazer as coisas acontecerem.”
9. SÃO PAULO
O sol nasceu e se espalhou pelo meu quarto, junto com minha força, meu
animo, meu humor e ainda mais meu amor pelo carinha que estava ao meu
lado e pela minha estranha e incrível família.
-Está animada? – ele me perguntou sorrindo, mostrando seus perfeitos e
lindos dentes brancos.
-Uhum! – eu sorri de volta – Eu não sei o que aconteceu, mas agora não
estou com tanto medo da despedida, acho que essa minha “viagem” será
para melhor e quando voltar estarei muito mais próxima das pessoas que
amo. – eu o abracei.
-Como se fosse possível. – ele piscou para mim
-Tudo é possível! – eu argumentei.
O ambiente do quarto estava leve, puro.
Me arrumei, Jake também. Ele levou minhas malas e desceu, enquanto eu
observava meu quarto vazio: a grande janela, as cortinas roxas, as paredes
brancas, minha cama, meu closet, respirei fundo e sorri.
Desci as escadas devagar. Não tendo idéia se meu tempo no Brasil iria
passar rápido ou lento, mas iria vive-lo ao máximo, o melhor possível.
-Oi, amor! – minha mãe, veio na minha direção e me abraçou, tenho
certeza que se ela pudesse, estaria chorando.
-Bom dia, mãe! – eu fechei os olhos e me afundei em seus cabelos,
sentindo seu delicioso e reconfortante aroma.
Nos afastamos, depois foi meu pai que veio me abraçar.
-Se cuida, Nessie! Qualquer coisa você volta. – ele falava enquanto me
abraçava
-Claro! – eu concordei
Jacob estava na porta com minhas malas.
-Vamos para casa de seu avô. Eles estão esperando. – Bella pegou minha
mão e me levou para fora
Olhei para a delicada e alegre casa. A minha casa. Cheia de boas
lembranças. Isso me fez pensar em Forks, na nossa outra casa, onde eu
realmente tive frustrantes e inesquecíveis emoções. Ou na velha casa de
Carlisle, onde nasci. Cheia de momentos divertidos e decisivos.
Eu peguei uma mala, Jake ficou com a outra.
Fomos correndo, não havia necessidade de carros.
Minha família já estava do lado de fora. O porsche amarelo de Alice a
nossa espera, eu estranhei. Ela iria com seu carro velho?
Não menos valorizado, ela tinha um carinho especial por ele, talvez por
Edward ter dado a ela.
Seu atual carro também era um esporte, modelo atual.
-Você vai com o porsche? – eu passei a mão na frente do capo, com a
tintura amarela viva, recém-tingida.
-Sim! Queria dá uma voltinha com ele. – ela disse animada
-Já se despediu? – eu perguntei a ela ao lado da porta do motorista, Jasper
com o braço em sua cintura
- Claro!- ela afirmou com a cabeça.
Dei minha mala ao Jacob que colocou no carro e fui abraçá-los.
-Se cuida! – disse Rosálie.
-Sempre ligue! – lembrou Esme
-Boa sorte! – desejou Carlisle
-Até logo! – Emmet
Jasper foi me abraçar.
-Cuide da minha pequena, ok?! – ele disse solene.
-E eu cuido dela! – Alice respondeu.
-Claro, Tio! – eu afirmei.
Era a vez de Jake, que estava me olhando, com seus olhos carinhosos, seus
braços estendidos e seu sorriso grande e caloroso.
Eu corri e o abracei, me afundei em seu peito quente.
Ele acariciava meu cabelo.
-Até logo, Nessie... Eu te amo! – ele sussurrou em meu ouvido.
-Eu também! – e o beijei apaixonadamente, nada delicado ou cuidadoso,
apenas nossos sentimentos á flor da pele. - Até. – eu apertava seu braço.
Eu abracei meus pais novamente. Fui na direção do carro.
-Ei! Espere! – Jake foi até mim e me entregou uma blusa, sua blusa. -
Somente uma lembrança! – e depois tocou o pingente em meu punho.
-Obrigada! – nossos lábios se tocaram pela ultima vez
Eu entrei no carro, Alice beijou Jasper e entrou logo depois.
Baixei o vidro e fiquei acenando, minha família acenava de volta enquanto
nos distanciávamos rapidamente.
-Vamos rodar um pouco a cidade? -ela me perguntou- Faz tempo que não
pego o porsche. – ela passava a mão sentindo o coro e o estofado.
-Claro!- eu concordei.
Quanto mais tempo eu passar em Quilcene, melhor.
Alice passeou em Quilcene, em Port Ludlow, foi ao porto e depois fomos
ao aeroporto.
Alice parou o carro.
-O que vai fazer com ele? – eu me referi ao porshe.
-Depois eu ligo para que um de seus tios venha pega-lo. – ela piscou pra
mim.
-Claro...
Pegamos as malas e fomos ao embarque. Alice estava tão empolgada
quanto eu.
Depois de mais ou menos 4 horas de vôo. Aterrissamos em São Paulo.
Tempo: chuvoso, é claro. Apesar de ter sido meio antecipado, sempre
conferíamos na previsão do tempo ou na Alice mesmo, se estava propício
de ir.
Eu respirei aliviada. Finamente cheguei. Não acredito que cheguei.
Alice pegou minha mão e me dirigiu a um taxi.
Era muito diferente dos taxis que conhecia, era branco no modelo Picasso.
Entramos no carro. Acho que provavelmente Alice tenha visto qual era
bom, seguro e qual era encrenca.
-Pra onde? – o motorista perguntou
Tia Alice deu as instruções para o hotel que ficava na capital com seu
português fluente. Ele acionou o taxímetro.
-Você tem que aprimorar seu português! – ela insistiu.
-Sim. – eu concordei.
Na rua vi gente totalmente agasalhada, mas pra mim não sentia frio
nenhum. Vi casas muito grandes e bonitas, vários apartamentos e
condomínios.
-Chegamos! – avisou o taxista.
Ele nos ajudou com as malas, estávamos de frente de um belo e sofisticado
hotel.
-Obrigada. – eu falei ao motorista, mas não consegui tirar o sotaque.
Alice tinha feitos reservas para nós por três dias, logo iríamos para o nosso
apartamento.
Nosso quarto de hotel era grande: duas camas de casal, um banheiro de
mármore, uma TV de tela plana, a decoração em um tom bege e dourado,
tudo muito charmoso. Não iria reclamar se passasse um ano ali, mas era
muito longe do colégio que pretendo estudar.
Combinamos que entraria no último ano, aqui seria o 3º ano.
Estamos no final do mês de janeiro, sendo a época perfeita para começar,
pois o ano escolar inicia no começo do ano, diferente dos EUA, em que o
ano letivo começa depois das férias de verão, em agosto.
-Amanhã vamos ver se está tudo pronto no nosso ap.! – Alice me avisou.
-Ok! – eu disse empolgada.
Ela desceu para o SPA e eu fui dar umas voltas pelo hotel.
Estava de noite e as luzes internas da piscina davam um efeito lindo.
Era Lua Cheia, o céu completamente iluminado. Acho a lua tão linda, tão
mágica, tão romântica...
Mudei meus pensamentos para meus futuros colegas de escola.
Estou ansiosa para conhecer-los, espero que não sejam esnobes, já que a
escola é de classe alta ou que tenha muitas intrigas, odeio brigas.
Fui ao SPA ver como estava minha tia. Ela estava em um cômodo, todo
emadeirado, com muitas velas e luzes coloridas, ela estava no ofurô, com
uma toalha perdendo seus cabelos...
-Que gostoso... – eu comentei a ela.
-É relaxante! – ela abriu os olhos – Não é por que temos nossas “exceções”,
como não precisar respirar ou nossa pele ser tão resistente quanto mármore,
que um ambiente desses não é relaxante. – ela sorriu – Entra aqui! – ela me
chamou.
Eu coloquei um biquíni e entrei, o ofurô era bem grande, poderia caber
mais duas pessoas.
-Que quentinha... – eu comentei
-Ela está realmente morna! Dessa vez não esta quente pra você, porque a
água está gelada. – ela riu.
-Que bom! – eu respondi.
Havia uma música de fundo, era calma de piano, pensei por um segundo
em meu pai. Fechei os olhos, ouvindo a melodia, apenas tinha vontade de
sorrir e relaxar. Podia me imaginar tocando-a, era simples e bela.
A música tinha mudado e acordei de meu pequeno transe.
Eu fiquei olhando minha Tia, que estava de olhos fechados, qualquer um
poderia dizer que ela estava dormindo...
-Alice... – eu a chamei minha voz suave, baixa. – Como você soube que
Jasper era a pessoa certa pra você, a sua alma gêmea? – ela abrir os olhos e
se aproximou um pouco de mim
-Hum... Desde á primeira vez que o vi! Quando estávamos na floresta, sem
rumo, apenas andando, procurando um novo destino... Eu vi nele o que
faltava em mim. A parte de mim que nada preenchia... Claro! Que eu era
nova no nosso mundo, estava assustada e insegura, mas foi quando eu o vi
pela primeira vez, em minha visão, que me senti segura e... completa. – ela
sorriu pra mim – E fiquei esperando por ele, já sabendo que era ele quem
trazia minha felicidade. Logo depois encontrei a nossa família: Carlisle,
Esme, Rosálie, Emmet e seu pai. Jasper me completa e eu o completo.
Um sorriso sereno não queria sair do meu rosto, talvez fosse a musica que
tinha ouvido, o aroma das velas ou a parte em que Alice tinha falado que
um completava o outro.
Era assim comigo? Eu completo o Jake e ele me completa? Acho que sim...
Mas me sinto tão má, tendo Alice como babá, Jasper deve ficar tão perdido
sem ela, como eu estarei sem o Jacob. E infelizmente o sorriso em meu
rosto começou a desaparecer.
-Ele vai sentir muito sua falta. – eu disse á ela
Seu rosto, assim como o meu, não tinha mais um sorriso.
-Sim. - ela afirmou
Alice não queria disser o quanto era doloroso ficar longe dele, ela estava se
fazendo de forte. E eu odiava aquilo, me detestava.
-Ele deveria vir nos visitar! Não há problema nenhum. – eu a avisei
-Claro! – ela se animou – Ok. –se sacudiu um pouco – Chega de desanimo.
Vamos nos divertir, comprar muitas roupas e coisas...
Ela havia mudado de humor.
- Ótimo! – eu respondi
Nossos poucos dias na capital passaram voando, todas as tardes íamos para
shoppings ou lojas na rua.
Então o quarto dia em São Paulo amanheceu.
Nos estávamos pronta, dentro do carro que Alice tinha comprado, um civic
si, na cor vermelha, lindo.
Íamos para Campinas, onde ficava o nosso apartamento, são mais ou menos
40 minutos da capital ao apartamento, principalmente na velocidade em
que Alice dirigia.
10. O APARTAMENTO
Peguei meu celular para ligar para nossa família, eles deveriam estar um
pouco bravos, por três dias sem noticias... E a emoção de ouvir a voz rouca
de meu Jacob, enchia meu coração.
Mas primeiro liguei para o celular de meu pai.
-Nessie? - a voz de meu pai um pouco preocupada.
-Oi, pai! – eu disse animada
-Você e sua tia não ligaram quando chegaram! O que aconteceu? – um tom
de censura.
Pude ouvir minha mãe no fundo “Deixa eu falar com ela, deixa!” , ele
abafou o telefone “Só um minuto, amor, já passo.”
- Ah, nada. É que agente se divertiu muito esses dias e decidimos ligar
quando estivéssemos indo para o apartamento. – eu expliquei.
-Hum... Tudo bem com você, então? – ele se acalmou
-Estou super bem, aqui é muito legal e bonito, apesar do tempo não ter
ajudado muito. E sem contar com a saudade que aumenta de vocês. – Alice
tinha encostado o carro e pegado seu celular.
-Vai ligar pro Tio Jazz? – eu perguntei
-Sim! – ela respondeu contente.
Voltei minhas atenções para o celular.
-Ah! Estamos com saudades também. E o pior que é só o começo... Sua
mãe quer falar com você! Te amo, querida!
-Também te amo, pai.
O telefone não ficou mudo por meio segundo...
-Oi, querida! – minha mãe falava eufórica
-Oi, mãe, como estão às coisas?
-Tudo normal, como sempre... E seu tio Jasper mais sozinho que nunca,
mas sempre tentamos animar ele, com “Alice já vem” ou “Vai ser rápido!”
– ela deu um riso baixo, eu suspirei.
- Alice está falando com ele nesse momento. – eu olhei para Alice ao meu
lado “Está tudo ótimo, logo você tem que vir nos visitar, amor, vem logo!“
-Hum... E seu cachorrinho está mais manhoso que nunca.
-Jake está bem? – eu perguntei, estava louca pra ligar pra ele. – Onde ele
está?
- Está em La Push, Billy não anda muito bem e como você não está aqui,
ele prefere ficar por lá. – sua voz ficou um pouco rouca.
-Ah, Ok! Mãe, vou desligar, manda um beijão pra todo mundo ai!
-Pode deixar, se cuida! Nos te amamos...
-Também amo muito vocês, pode deixar que me cuido e cuido da tia Alice
também. – ouvi uma risada no fundo
E desliguei o telefone.
-Vamos. – Alice estava ligando o carro.
Eu acenei com a cabeça. Disquei os números que estavam travados na
minha memória, tanto quando meu nome.
-Jacob? – eu perguntei ao telefone mudo
-Nessie, é você? – sua voz me inundou, me aconchegando.
-Como é bom ouvir sua voz... – eu suspirei.
-A sua também, amor! Como você está? – ele estava andando
-Estou ótima, mas... Bella disse que Billy está mal. O que houve? – eu
fiquei preocupada, Billy era muito legal comigo, me tratava como filha.
- Ele está doente, seu coração está velho, né! – eu não gostei do tom de
sarcástico na voz de Jake.
-Não fale assim do seu pai, Jacob! – eu o censurei.
-Desculpe, mas eu tenho que me acostumar. Billy não vai estar aqui pra
sempre, mas eu estarei, tenho que me acostumar com as pessoas indo e eu...
ficando. – ele estava triste, sua voz falhando.
-Eu te causo dor... – sussurrei.
-Não! – ele aumentou o tom de voz. – Eu sempre estarei com você, não se
culpe por isso! É normal, é uma coisa humana, os pais morrerem antes dos
filhos. Pelo amor de Deus, Nessie! Não tem sentido você se culpar! –
parecia que ele estava brigando comigo. E estava.
-Credo, Jake, ninguém falou que seu pai ia morrer! – eu protestei
-Foi só modo de falar. – ele se desculpou
- Eu estou falando por você estar comigo, você não irá envelhecer. E... –
ele me interrompeu
-E mais nada, isso é assunto meu. A morte é algo que não me assusta mais.
O que me assusta é ficar longe de... você – ele se acalmou.
- Tudo bem... – dei um tempo – Nossos assuntos não são mais os de antes,
né?! Lembra quando agente brigava por qualquer coisa? – eu ri de leve
Ele deu uma gargalhada rápida, do jeito que eu gosto, sem preocupação.
-Lembra daquela vez que você me chamou de criança?
-Você ainda é uma criança... – eu caçoei.
- Sempre seremos... Sempre seremos os mesmos. – sua voz me parecia
calma.
-Seremos. – eu concordei.
Olhei para fora da janela e vi que estávamos perto, tinha muito verde ao
redor.
Campinas não foi escolhida apenas por ser perto da escola, mas também é
um lugar estratégico, pois próximo dali á uma densa floresta e varias
fazendas. Estava empolgava em caçar na fazenda, deve ser muito
divertido...
- Estamos chegando no apartamento... – eu informei á ele
- Que legal... – Jake disse animado.
“Quem é?” ouvi uma voz de mulher no fundo, Leah.
“Nessie” Jacob respondeu.
- Amor... Vou ter que desligar. Meu pai chegou do hospital, Carlisle fez
questão de atendê-lo.
- Imaginava, Carlisle é muito bondoso. E... Ok. Mande um beijo pro Seth,
pra Leah, - minha voz falhou no nome dela - pra Sue e pro vovô se
estiverem aí. Melhoras pro Billy.
- Claro... Até mais minha morceguinha! – ele disse brincalhão
-Ate mais meu cachorro! Te amo.
-Te amo... – ele sussurrou e desligou.
-O apartamento é logo, ali! – Alice apontou
Era um imenso prédio, com grandes janelas azuis e pretas.
Alice anunciou ao porteiro e entrou com o carro. A garagem era gigante,
vários carros de todos os modelos, mas uma coisa prevalecia: todos me
pareciam caros.
Logo o porteiro apareceu para nos ajudar com as malas e nos levar até o
apartamento. O interior do elevador era todo dourado e com uma musica
lenta de fundo. O nosso apartamento ficava no 5º andar.
O elevador se abriu e o porteiro deu a chave a Alice.
- Aproveite, é um belo apartamento. – ele nos cumprimentou
-Obrigada. – nós respondemos.
-Qualquer duvida estarei na recepção. Até. – ele se dirigiu ao elevador.
Alice abriu a porta. Apartamento A10. O interior exatamente do jeito que
tínhamos visto no site.
Me lembrava o hotel que estávamos, mais muito mais brilhante e
sofisticado, com balcões de vidro, 2 sofás, uma cadeira redonda forrada
por couro preto, um grande lustre com 6 camadas de bijus, uma mesa de
jantar de vidro, ao fundo uma grande cortina bege clara, fui até lá e as
afastei, abrindo a porta-janela que dava a varanda.
Uma vista linda, com muito verde, dava para ver as montanhas da floresta
próxima. Alice ao meu lado, tão feliz quanto eu.
- Queria que nossa família estivesse aqui pra ver! – ela disse
-Eles viram. – eu passei meu braço por sua fina cintura. – Vamos olhar o
closet! – eu disse animada, ela abriu um enorme sorriso.
Passamos por uma sala de TV; tinha um sofá preto com varias almofadas
de oncinhas de frente para uma grande TV.
Seguimos por um corredorzinho e entramos no primeiro quarto. As paredes
eram brancas e o teto bege, uma TV, uma escultura de metal fundido, a
porta do closet era uma porta-de-correr espelhada. O closet tinha uma
cortina branca no fundo, um pequeno armário no meio e um armário
embutido na parede, o chão tinha um carpete roxo escuro e uma porta que
dava para o banheiro que era de mármore, acima da pia tinha um enorme
espelho, o banheiro era todo dourado.
Alice me puxou para a cozinha, a decoração era preta, tinha uma TV na
parede, com uma mesinha de vidro e duas cadeiras altas forradas por um
tecido branco com estampas pretas. Muito bem iluminado e moderno.
Fomos ver o outro quarto que era bem parecido com o outro, mais o carpete
do closet era branco, Alice preferiu ficar com aquele e eu fiquei com o
primeiro.
Estávamos na varanda, sentadas na sacada, nossos pés balançando pelo
vento.
-Alice, quando o tio Jazz vir pra cá você não acha melhor... Voltar junto
com ele? – eu precisava convencer Alice á voltar.
Alice não me olhou, ficou cinco segundos olhando para o horizonte.
-Juro que vou pensar. – ela acariciou meu rosto – Se eu voltar agora, seu
pai vai ficar muito... preocupado. Mas se eu... – ela fechou os olhos por um
momento – for mais tarde, talvez depois da visita de Jasper, ele não ficará
tão tenso. – ao mesmo tempo em que ela falava com um tom de seriedade,
percebi que ela também achava a preocupação de meu pai... imprópria.
-Eu espero. – dei um sorriso torto.
11. MUDANÇA DE PLANOS
Já se passaram 10 dias desde que chegamos em São Paulo.
Fui ver á escola, tão legal quanto imaginava, eu e Alice compramos o
uniforme, era branco e azul (não gostei muito da cor, mas fiz o possível
para deixar personalizado).
Jasper está chegando, Alice está super ansiosa e inquieta - mais que o
normal. A visita de meu tio será muito boa, pois ele vai poder “fiscalizar”
as coisas aqui em São Paulo e contar á minha família, principalmente para
meu pai, como estamos.
Eu e Jacob nos falamos mais ou menos a cada três dias pelo telefone ou
pela internet. Billy está bem melhor, como diz Jacob: Charlie emprestou
Sue para cuidar dele, às vezes me pergunto se meu avô e Sue tem alguma
coisa...
Minhas aulas iram começar daqui á uma semana, estou muito ansiosa.
Pintei meu quarto de rosa e roxo escuro, Alice pintou o dela de laranja e
vermelho, achei muito engraçado.
Estou sozinha em casa, Alice está no aeroporto esperando seu amor.
Na TV nada me interessa, me sinto um pouco entediada, pelo menos
quando estava lá em Quilcene raramente ficava sem o que fazer, pois eu
sempre estava brincando com Tio Emmet, cantava com Rose, inventava
coisas na cozinha com minha avó Esme e minha mãe, estudava com
Carlisle, tocava com meu pai, amava... Jacob. Que saudade!
Ouvi passos do lado de fora do apartamento, era Alice e Jasper.
- Oi! – Alice me complementou radiante
Me levantei e abracei meu tio, seu cheiro me fez se sentir em casa, quase.
Olhei pra seu rosto, suas cicatrizes sempre muito evidentes, eu estou muito
acostumado á elas e sempre digo que dão um charme á ele.
Mas ninguém entende.
-Como está, Nessie? – Jasper perguntou educadamente, seu rosto em um
enorme sorriso. Alice era seu sol, sua alegria.
-Bem! – eu respondi empolgada.
-Vem! Vamos conhecer a casa! – Alice o puxava.
Ela o - levou para o interior do apartamento, mas logo voltou sozinha.
-Nessie, você poderia... – ela ficou em silêncio.
Eu olhei em seus grandes e graciosos olhos dourados.

“Eu e Jasper gostaríamos de ficar um tempo -” – ela interrompeu – “ Faz


tempo que... “ interrompeu de novo.
Eu ri.
- Claro... Vou dar uma volta. Ah! Não se esqueça de pensar sobre... aquele
assunto. – eu á lembrei
Ela ficou um tempo parada, seus olhos opacos e depois atravessou a sala
em meio segundo.
- Depois agente conversa! – ela piscou
Eu sorri, peguei meu mp3 em cima da mesa e sai.
Fiquei andando pela rua, estava anoitecendo e as luzes da rua começavam a
acender.
Parei para olhar um grupo de adolescentes saindo de um apartamento,
talvez eles morassem lá.
Me pareceu uma republica... Me aproximei de uma garota, de cabelos
castanhos, com vários cachos emoldurando seu rosto e destacando seus
grandes olhos castanhos, quase mel, sua pele era um pouco morena, uma
garota realmente bonita.
-Com licença, isto aqui – eu apontei para o prédio – é uma república?
-Sim. – ela me respondeu educadamente – Nós viemos de longe, a maioria
aqui – ela apontou para o grupo, que se afastava – é da capital.
-Nossa, que legal! E o que eu posso fazer pra morar junto? – ela me olhou
um pouco assustada.
- Bem... É só falar com a Marina, ela é a dona do apartamento. – ela me
pareceu simpática
- Hum... Como eu falo com ela? – eu estava curiosa
-Bem... Me fala um dia que agente marca, aí você vê como é o apartamento
e fala com ela. – ela me propôs.
-Não. Não... Eu estou apenas me informando. Muito obrigada! – eu acenei
-Te vejo por aí. – ela acenou e correu para o seu grupo de amigos.
Continuei andando... Se minha tia vai realmente embora, morar sozinha no
apartamento iria ser muito... solitário?
Certo que eu falei varias e varias vezes que iria morar sozinha, mas eu
sempre vivi, convivi com varias pessoas.
Minha família é grande, nunca – quase nunca – fiquei sozinha em casa.
Mas morar em uma republica pode ser muito perigoso, eu poderia perder o
controle e... Eu seria capaz de perder o controle? Eu nunca quis morder
ninguém inconseqüentemente, pelo menos nunca encontrei alguém que me
fizesse perder o controle.
Morar com vampiros é uma coisa, mas conviver com humanos, é muito
diferente.
Voltei pra o apartamento de manhã, torcendo para que meus tios já tenham
acabado sua “conversa”...
Entrei em casa e por minha surpresa eles estavam no sofá realmente
conversando e rindo.
-Bom dia! – eu me anunciei.
-Oi, Nessie! – Alice correu, quase flutuou para minha frente. – Me desculpe
por você ter passado a noite fora, é que... – eu a interrompi
-Ah. Foi nada! Eu gosto de fazer vocês felizes! – eu sorri
Ela me abraçou. Eu continuei...
-E por falar em felicidade... Qual foi a sua conclusão, Alice? Você vai
embora? – nós sentamos no sofá, Jasper voltou novamente com os braços
ao redor de sua amada.
-Bem... Eu conversei com o Jasper – ela olhou para ele – e achamos melhor
esperar começarem suas aulas. – ela me olhou esperando minha reação
-Elas começaram semana que vem, não é? – Jasper perguntou
-Sim. - eu confirmei
Mordi o lábio, um pouco em duvida, meio chateada.
Talvez essa semana me sirva para procurar outro lugar para morar, eu
realmente gosto, apesar do receio, em morar em uma republica, morar com
outras pessoas da minha idade, mas... se Alice souber, me pai saberá, não
que Alice conte para ele, mas á seus pensamentos é muito difícil esconder.
Talvez eu possa manter em segredo e quando Alice já estiver em Quilcene,
eu conto pra ela e pro resto dá família. Será que isso é errado?
Talvez eu possa arriscar e minha tia possa até me ajudar, mas será que ela
vai deixar, vai me apoiar? Não importa! Não posso esconder isso dela, nem
da minha família. Apenas vou esperar tio Jazz ir embora.
-Nessie? Nessie? – Alice me cutucava. - Acorda... – ela riu
-Hã? – eu estava aérea – Ah, desculpa, me perdi nos pensamentos... Mas
então, você prefere ir embora daqui á uma semana? Por mim tudo ótimo,
mas e meu pai?
Jasper me olhava firme, talvez estivesse sentindo meu nervosismo.
-Jasper não vai falar nada e vai tentar não pensar nisso perto de seu pai...
Pode ficar tranqüila, eu já vi que vai correr tudo bem! – ela me tranqüilizou
ou meu tio estava me acalmando.
- Ok... – eu sorri aliviada
Apesar das milhares de vezes que eu olhava para o casal (Alice e Jasper) e
pensava em como estava só, o dia foi tranqüilo.
Eu e Alice acompanhamos meu tio até o aeroporto, achei muito curta sua
estadia aqui conosco, mas não reclamei, pois estava ansiosa de mais para
conversar com Alice, em saber sua opinião.
Quando Jasper foi embora, passei a noite pensando nas varias maneiras de
falar com ela, talvez ela mesma já tenha visto que eu iria falar com ela...
Não! Não posso pensar assim.
Amanhã iremos caçar, isso me faz relaxar um pouco e eu posso aproveitar
para falar com ela no momento em que estamos mais à-vontade, porém é o
momento em que estamos mais atentas – com os instintos á flor da pele.
Quando abri lentamente meus olhos, incomodada pela luz do quarto,
percebi eu tinha dormido. Alice bateu na minha porta, mas antes que eu
pudesse falar alguma coisa, ela já tinha entrado.
- Pronta? – ela me perguntou mesmo vendo meu estado meramente
degradável
-Espera só eu perceber que estou acordada... – eu a informei ironicamente
-Vamos... Nessie, você estava tão animada quanto eu para caçar nas
fazendas!
- Mas não deveríamos caçar a noite? – eu á encarei confusa
-Há... Detalhes. - ela revirou os olhos - Caçar de manhã e a noite são quase
o mesmo... Mas pensei que você gostasse do perigo... – ela me testou –
Alguns humanos podem estar acordados, poucos, mais deve haver alguns e
desviar de seus olhares lerdos e fracos, seria interessante...
-Tudo bem, Alice. Só vou por outra roupa. – ela saiu do quarto dançando.
Dormir com o Jacob me deixa tão vitalizada, agora estou um pouco
desanimada. Ainda bem que tenho Alice para me animar, mas quando ela
for embora...
Jake queria isso! Ele me incentivou, não posso ficar deprimida. Eu balancei
a cabeça e me sacudi. Pronto.
Coloquei as minhas roupas mais relaxadas e sai com Alice, sem seu civic,
para uma fazenda.
Apesar de estarmos conversando pelo caminho, eu abri a boca poucas
vezes, porém Alice não parava de tagarelar.
Pulamos facilmente o cercado e corremos pela vasta pastagem... vi três
cavalos a 50 metros de nós. Pude sentir o cheiro do animal tão bem quanto
sentia o de um humano próximo, talvez á 40 metros. O cheiro do humano
era muito mais atraente do que do animal, aquilo queimava minha garganta,
minha boca estava formigando, senti uma coisa pesada no estomago, á
vontade de atacar qualquer coisa que estivesse na minha frente, aumentava.
Eu estava sem o Jacob para me acalmar, sem meus pais... Eu teria que me
acostumar e me concentrar no que é correto.
Ficamos atrás de uma casa feita de madeira, mal acabada.
-Eu pego o branco!– ela sussurrava longe de mim.
-Eu o marrom. – eu a informava.
Ela assentiu com a cabeça...
Aproveitei que o humano estava de costas para atravessar o campo, agarrei
o cavalo e o levei para longe dali, foi realmente engraçado enganar aquele
fazendeiro.
Fui o mais adentro da floresta possível, o animal relinchava embaixo de
meu braço, vire-me para ele e cravei meus dentes em seu dorso, fechei os
olhos pela nostalgia, aquele meu alimento preferido, que me tornava mais
viva – ou morta - descia pela minha garganta, me animando e me
aquecendo. Passei a mão pelo animal à beira da morte, sentindo seus
pequenos pelos pinicarem minha pele sensível. Cravei novamente meus
dentes dessa vez mais fundo, para finalmente o animal parar de sofrer e
para não ouvir mais seus grunhidos, fechei os olhos um pouco culpada,
esse sentimento de culpa, de vez em quando me vinha, pois eu estava
matando uma coisa... viva.
Existia uma diferença entre matar humanos e animais, mais não era tão
grande quanto minha família imagina.
Mas eu sou assim, faz parte de mim e não é tão diferente dos humanos que
matam o animal, para aproveitar sua carne...
Limpei minha boca com as costas das mãos e olhei para o animal sem vida
no chão com duas mordidas ao longo de seu corpo, não poderia deixar ele
ali, largado na floresta para alguém achar, teria que destrocá-lo.
Era particularmente nojento, mas suportável, depois enterrei para ninguém
achar os destroços. Nós sempre temos que ser muito cuidadosos.
Alice estava se aproximando de mim, provavelmente tinha feito o mesmo
processo para não deixar rastros de nossa caça.
Ela suspirou tranqüila ao meu lado, deu um salto e se sentou num galho de
árvore. Eu á segui e sentei ao seu lado. Era hora de conversar...
-Alice! – meu tom de voz estava um pouco alto – Preciso te contar uma
coisa.
- O quê? – ela me olhou curiosa, fiquei aliviada por ela não ter “visto” nada
- Quando você for embora, bem... eu vou me sentir muito sozinha no
apartamento... – eu respirei lentamente – e... estava pensando, se poderia
morar com outras pessoas? – eu não quis olhar para ela com medo de sua
expressão.
-Como assim?
-Queria morar em uma republica... O que você acha?
Ela piscou duas vezes e franziu o cenho pensando.
- Eu... Eu não sei... Acho que é muito perigoso. – me pareceu que ela
estava perguntando para mim.
- Ah. Pra mim não é nada perigoso... Se eu bater o carro, nada acontece. Se
eu pular de pára-quedas e o pára-quedas não abrir, nada acontece, se um
bando de caras me encurralarem num beco, bom... ai já acontece alguma
coisa, mas com eles. – não consegui seguram uma risadinha, em pensar
num bando de grandalhões, mancando machucados...
Alice revirou os olhos, pela minha ironia. Continuei...
-Mas realmente... – eu travei por um segundo – eu tenho medo de
machucar alguém, quero dizer, machucar um de meus colegas... Isso pode
acontecer?
- Não posso ver, não agora. Mas se você tem medo, não vá! – ela balançou
as mãos no ar
- Eu vim aqui para aproveitar e sentir coisas novas, eu... tenho que arriscar.
– Alice pegou minha mão.
-Eu confio em você. – ela sorriu
-Muito obrigada, tia. – eu a abracei.
-Mas... Aonde você pretende morar? – ela torceu a boca, tentando
imaginar.
-Eu acho que já sei onde... – aquele apartamento, com aquela simpática
garota me parecia propicio.
Alice deu os ombros.
- Estou pensando em comprar o apartamento... O que acha? – nos descemos
da árvore
- Acho bom... Assim sempre que quisermos podemos vir pra cá. – eu falei
animada. Ela acenou com a cabeça.
Como eu pude desconfiar da minha tia, ela sempre me apóia, ela me ama...

“Você ganha força, coragem e confiança através de cada


experiência em que você realmente para e encara o medo de
frente."
12. SOZINHA?
Alice quis deixar seu carro comigo, eu aceitei de bom grado, não sei como
ela conseguiu minha carteira de motorista, mas não fiz questão de
perguntar, ela também me deu um novo RG.
Essa semana estava tão ansiosa e empolgada que nem á vi passar, hoje é
sexta, amanhã Alice voltará para casa...
Minhas aulas começam segunda e amanhã logo depois que Alice for
embora irei visitar o novo lugar que iria morar.
Minha tia estava na recepção acertando as coisas para á compra do
apartamento, eu estava arrumando sua terceira mala...
Eu senti uma onda súbita de medo, que me deu calafrio...
Amanhã eu estarei sozinha, realmente sozinha...
Me sentei no chão apoiada na parede.
Sentia tanta falta de Jacob, seu corpo quente me protegendo, de meus pais,
minha família.
Tentei imaginar os braços fortes e aconchegantes de Jacob ao meu redor
mais não consegui, tentava sentir a presença de meus pais, mas nada.
Me encolhi, abraçada a minha pernas...
Eu nunca tinha pensando realmente no quanto eles me davam valor, eles
tinham uma confiança em mim que talvez eu mesma não tivesse, eles já se
sacrificaram tanto, isso me fez lembrar quando consegui ouvir meu pai pela
primeira vez e pude descobrir que estava machucando minha amada mãe,
aquele sentimento me deixou triste, mas então lembrei que mesmo naquelas
circunstâncias ela me amou e ficou feliz por tão pouco, eu pude sentir seu
amor e aquilo me trouxe a vida, literalmente. Quando percebi as lágrimas já
haviam chegado até a minha boca...
Jake sempre me amando, mesmo quando eu não retribuía da mesma
maneira, mesmo eu sentindo medo de seu amor, ele sempre esteve lá, me
apoiando, me querendo. Sem contar com minha família e amigos, que
morreriam por mim. Eu merecia tanto? Eu mereço tanto?
Por um instante essa minha “viagem” me parecia errada, sou tão sortuda,
por que eu quero mais?
Eu não sei o que eles vêem em mim para me amar tanto, mas sei que os
amo sem medidas... Morreria por todos eles.
Eles querem que eu siga essa viagem, eu quero seguir essa aventura e vou
mostrar ao Jake, que é ele quem eu quero, é a ele que pertenço.
Mais lagrimas rolavam pelo meu rosto.
Senti Alice se aproximar, mas não quis me mover. Ela me abraçou,
palavras não precisaram ser ditas naquele momento. Eu coloquei minha
cabeça em seu colo, ela afastava meu cabelo do rosto.

“Eu posso ficar.” – ela pensou

Parecia que meus lábios estavam selados, minha língua com preguiça de se
mover... Eu não disse nada, fechei os olhos tentando encontrar forças
dentro de mim.
“Você é mais forte do que imagina, acredite em você!” – Alice acariciava
meu braço.

“Obrigada.”- eu não sabia se tinha falado ou apenas pensado, mas não me


importei, comecei a perder a consciência...
Dormir era o jeito mais rápido de passar o tempo.

Eu abri os olhos e passei a mão no rosto, minhas lágrimas ainda não


haviam secado totalmente...
Percebi que estava em minha cama, Alice deveria ter me colocado.
Passei a mão pelo pescoço e senti a fina corrente, tirei o colar do pescoço e
peguei o medalhão redondo. Eu o abri e li lentamente á frase que estava
gravada de um lado “mais do que minha própria vida.” em francês,
olhei para a pequena foto do outro lado, que continha eu e meus pais, sorri
involuntariamente. Era o colar que minha mãe tinha me dado quando era
bebê, eu quase nunca o tirava do pescoço, era como se eu carregasse uma
parte deles comigo, eu beijei a foto carinhosamente. Quando coloquei o
colar de volta, minha pulseira balançou e eu fiquei observando o Sol e a
Lua rodar pendurado em meu punho, alternando meu campo de visão com
o R&J, apoiei meu braço na perna e peguei o pingente, passando o dedo
por seus minúsculos contornos.
Eu os carregava, eles sempre estão comigo, mesmo eu não os vendo ou
sentindo, eles nunca saíram do meu lado!
Abri um enorme sorriso e me levantei.
Tomei um banho, me arrumei e fui para sala onde já estavam às três malas
de Alice na porta, ela estava no quarto, sentei na cadeira alta da cozinha e a
esperei...
Ela vinha na minha direção com um pacote de presentes. Eu olhei
estranhando e me concentrei.

“Nem adianta ler minha mente, você só vai saber quando abrir!” – ela
pensou

Eu fiz careta...
-Você está melhor? – ela me perguntou preocupada.
-Sim... – eu a toquei e mostrei quando via meu colar e minha pulseira. –
Eles sempre estão comigo. – eu sorri contente.
-Claro! E isso é pra você! – ela me entregou o pacote.
Tirei o papel rosa brilhante e peguei uma mochila, era preta com rosa,
alguns detalhes roxos e com lindos contornos ao redor dela.
-É linda. – eu comentei.
- Você ainda não tinha mochila, então... Mas abra. – ela me induziu
Eu abri e peguei um fichário, era vermelho, com desenhos pretos o
contornando. Eu o - abri empolgada e na parte da dentro da capa estava
escrito no canto de baixo “Presente de sua Tia Alice”
-Obrigada! – eu a abracei
-Você merece, agora sempre vai poder lembrar-se de mim! – ela inclinou a
cabeça para o lado.
Eu toquei seu rosto e mostrei meus tios e meus avôs, eu também sempre me
lembrarei deles.
-Por falar neles! – ela tirou de uma divisória uma foto em que estávamos
todos, eu no colo de Jake, todos meus tios, meus avôs e meus pais. Era uma
foto que tínhamos tirados no meu aniversário, um ano depois que todo
aquele mal entendido tinha acontecido.
- Nossa... – eu sussurrei, nunca tinha visto aquela foto.
Passei a mão pela fotografia, contornado cada rosto que ali continha.
-Vou sentir sua falta... – eu falei enquanto passava a mão pelos curtos
cabelos negros de Alice.
-Eu também. – ela me abraçou. – Agora vamos... Ah! Você dirigi. – ela me
deu as chaves.
-Pode deixar! – eu sorri animada.

Deixar Alice era quase tão doloroso quanto a segurar aqui em São Paulo.
- Avise á todos que estarei bem... Peça desculpas ao meu pai, por deixá-lo
preocupado, fala pro Jasper cuidar bem das emoções dele... – eu sorri
envergonhada.
- Não sei preocupe, ele vai entender... - ela pegou minha mão – Qualquer
coisa me liga, não importa o quanto banal seja o motivo. Se eu “ver”
alguma coisa... Voltarei imediatamente. – ela me olhava seria
-Ok. – eu a abracei pela ultima vez – Estou morrendo de saudade de todos,
dê um beijo em cada um por mim, diga ao Jake que eu... - ela me
interrompeu
- Ele já sabe. – ela me deu um beijo no rosto, pegou sua mala de mão e foi
até o avião
Eu apertei meus olhos para não chorar, eles arderam e uma lágrima andou
pelo meu rosto, á enxuguei rapidamente, não era momento para tristeza e
sim para felicidade.
Enquanto o avião dela saia do chão eu acenava, não sabendo se ela estava
me vendo ou não.
Voltei para casa, respirei fundo e segui á pé até a republica.
Chamei o porteiro pelo interfone, ele me deixou subir, era no 3º andar,
apartamento 26.
Aquela garota que eu tinha encontrado estava na porta do apartamento,
muito simpática como sempre.
-Olá de novo. – ela me cumprimentou com um beijo no rosto. - Você deu
sorte, sabia?! Marina está aqui hoje, você pode ver a casa e falar com ela.
- Que ótimo.
Quando ela abriu a porta uma brisa nos atingiu, seu cheiro me era muito
familiar, me lembrava petúnias e margaridas, ele era atraente, mas como eu
estava satisfeita não senti vontade nenhuma de atacá-la. Quando passei pela
porta senti seu cheiro novamente e me lembrei que petúnias e margaridas
eram as flores que ficavam na frente de casa. Eu ri silenciosamente.
Observei o lugar, era simples, mas arrumadinho.
Tinha uma sala, uma cozinha, 3 quartos, 2 banheiros, uma varanda 2 vezes
menor que a do meu apartamento, há vista não era tão privilegiada quanto á
que eu conhecia, mas era boa.
-Oh, desculpe, nem disse meu nome! – ela colocou a mão em seu cabelo
cacheado. - Me chamo Bianca.
-Eu também me esqueci, me chamo Renesmee. – ela me olhou um pouco
surpresa
-Nome exótico... – ela deu um riso tímido – Você é americana? – meu
sotaque era um pouco evidente
-Sim. – eu afirmei – Vim pra cá faz uns meses – eu menti
- Nossa! Que legal, sempre quis conhecer os Estados Unidos. - ela sorriu
empolgada.
Ela pegou minha mão e me levou para um quarto.
-Esse é o meu quarto, se você morar conosco, vai ficar aqui também. – o
cheiro dela estava impregnado no quarto, aquilo não era ruim, era
reconfortante.
Depois ela me mostrou outro quarto...
-Esse é o quarto do Julio e do Bruno, eles não estão aqui. Foram andar de
skate, sei lá aonde. – ela revirou os olhos, desinteressada.
No quarto senti cheiro de muito pó, alguma comida podre, roupa suja,
fazendo com que o cheiro deles ficasse difícil de distinguir.
E ela me levou para mais um quarto...
-Esse é da Sophia e da Lucia! – ela entrou no quarto – Aqui são elas! - e me
mostrou uma foto, onde tinha uma garota negra, com um lindo vestido
verde e uma morena de olhos azuis, com um chamativo vestido preto.
O cheiro que estava naquele quarto era tão atraente quanto o de Bianca.
-Elas devem estar no shopping... - ela colocava o retrato no lugar- Vamos
ver a Marina. - e me levou para a cozinha.
Marina era uma mulher de mais ou menos 37 anos, loira com olhos
castanhos, seu cabelo ficava na altura dos ombros e usava uma roupa
casual, ela sorriu quando me viu.
-Olá. – ela me cumprimentou. – A Bia já te mostrou a casa?
-Já sim, é muito bonita. – eu comentei
-Pena que os outros não estejam aqui! – disse Bianca, sentada em uma
cadeira.
-É... Mas qual o seu nome mesmo? – perguntou Marina
-Renesmee... Renesmee Cullen. – eu á informei
-Ela é americana. – Bianca se intrometeu.
-Nossa, que interessante e porque você quer morar aqui, Renesmee? – era
normal ela me fazer perguntas, isso me deu mais confiança ainda, pois se
ela fazia o mesmo processo em todos os adolescentes que moravam ali, era
porque ela não queria nenhum delinqüente.
- Eu morava com minha tia, mas ela foi embora e eu não queria morar
sozinha. – eu falei tranquilamente
-Entendo e onde estão seus pais? – Marina continuou
- Estão nos EUA, vim aqui para... estudar. – era tecnicamente a verdade.
-Hum... Você fuma ou bebe?
-Não... – eu balancei a cabeça, se ela perguntasse se eu comia ou mordia
teria que pensar um pouco, mas também diria que não.
- Ótimo... Aqui nós dividimos tudo: a conta de luz, de água, os alimentos
são por minha conta, com o dinheiro mensal que eles me dão... Esse é o
preço. – ela me mostrou um papel, com o preço - Algum problema?
-Não. – eu sorri contente.
-E quantos anos você tem? – eu quase falei 20, mas não bateria com meu
RG.
-Dezoito. – eu falei confiante e mostrei meu RG.
-Outra coisa, seus pais mandam o dinheiro ou você se sustenta sozinha?
-Não, meus pais me deram uma quantia, mas se precisar de mais eles
mandam ser problemas. – ela hesitou por um momento, eu olhei em seus
olhos...

“Quanto será que eles dão pra ela? Mas se essa garota fosse rica, porque
moraria em uma republica tão simples? “- quase que abro a boca para
responder, mas me lembrei por pouco que deveria ser uma garota normal.

-Bem... Por mim está tudo bem... Quando você pretende vir para cá? –
Marina se levantada da cadeira, me acompanhando até a sala.
- Por mim não tem problema, qualquer hora eu posso vir para cá.
- Se você quiser pode vir cá, agora! – Bianca me chamava
Eu olhei para Marina, ela confirmou com a cabeça sorrindo.
-Nós já temos uma cama, é só pegar suas coisas... – Marina me informava
-Verdade?! – eu não acreditava.
-Sim. – Bianca afirmou, não sei por que ela estava tão feliz quanto eu.
Me concentrei nela...

“Que lega, nem acredito que finalmente terei minha colega. E ela deve ser
uma garota uma boa, sua aura é muito pura...” – ela pensou

Eu olhei pra ela desnorteada, o que ela quis dizer com aura? Aura pra mim
é tipo o nosso espírito... Que estranho.
-Ok... Vou para casa arrumar minhas coisas. – eu me dirigi à porta
Bianca e Marina me acompanharam até a rua.
-Até logo! – Bianca disse
Eu voltei para o apartamento e entrei, estava vazia, mas o cheiro de Alice
ainda estava por lá.
Fui até meu quarto e me joguei na cama, fiquei olhando por teto,
pensando...
Como será que vai ser morar com eles? Adorei a Bianca, era uma garota
muito legal e sem contar que seu cheiro que me faz lembrar de casa...
Eu peguei meu celular e vi que tinha uma mensagem da Alice:

Engoli seco, por um momento tinha me esqueci que teria de enfrentar meus
pais.
Disquei um pouco tremula os números do celular de Edward.
Tocou uma vez.
-Renesmee? – sua voz era preocupante
-Pai... Eu posso – ele me interrompeu
-Eu disse é que perigoso! Porque você fez Alice voltar?
- Eu dou conta sozinha. – a palavra sozinha, não era bem apropriada sendo
que estava preste a morar com vários humanos.
Ele bufou. Alice estava falando alguma coisa pra ele, mas não consegui
ouvir.
- Sua tia quer falar com você! – deu um intervalo
- Como estão às coisas já fez o que ia fazer? – Alice me perguntou em
código
-Já. Tia, você não sabe, hoje mesmo eu já vou pra lá.
“O QUE??” – Edward falou ao fundo.
Eu fechei os olhos e coloquei a mão na testa. E agora? Meu pai sabia...
- Você vai morar em uma republica? – ele tinha pego o celular da mão de
Alice.
- Tia, fala pro Jasper acalma meu pai! – eu falei, pois sabia que ela estaria
me ouvindo
- Eu estou calmo, apenas preocupado.
- Mas o tio Jasper não falou que estava tudo bem aqui?!
-Falou, mas... mas... – a voz de Edward falhava. Ele não tinha o que fazer.
- Pai... – eu sussurrei.
-Sim. – ele estava calmo.
-Apenas... Confie em mim.
-Eu confio, meu bem, só tenho medo que... algo aconteça e não estejamos
aí.
-Nada vai me acontecer, não se esqueça de sua irmã super poderosa, aí. –
eu ri
- Tudo bem... Foi uma coisa inconseqüente, mas... Tudo bem. – ele falava
com autoridade
- Obrigada.
- Vou passar para sua mãe. – Edward deu o celular para Bella
-Querida! Que loucura você fez, hein! Nos deu um susto quando Alice
voltou sozinha.- sua voz era como o badalar de sinos, perfeita.
- Desculpe... mas era o único jeito! – eu disse envergonhada.
-Eu entendo. – ela declarou
-Mãe, vou desligar. Te amo.
-Também te amo. Nós te amamos!
- Tchau.
Eu desliguei o telefone e por impulso disquei os números de Jake.
Suspirei e coloquei o telefone no ouvido.
- Nessie. – sua doce voz, chamando meu nome.
-Oi, Jake. – falar com ele só fazia minha saudade aumentar.
-Nossa, amor, que saudade! Quando você vem nos visitar?
- Ah, não sei provavelmente no meio do ano... – eu pensava
- Ai, vai demora! – ele disse decepcionado
-Mas... Te liguei para falar das novas. Eu vou morar em uma republica, não
é legal? – eu informava meu melhor amigo.
- Republica?? Uma casa com vários adolescentes... Que moram juntos?
-É, são três garotas e dois garotos... É muito bonitinha a casa. – eu estava
animada
Me levantei e comecei a arrumar minha mala pela terceira vez no mês...
- Como estão as coisas aí, em La Push?
- Na verdade estou em Quilcene, agora. – ele respondeu – Seu pai quase
teve um ataque quando Alice chegou e você não estava - ele riu - eu mesmo
fiquei morrendo de medo.
-Vocês são muito bobos. – eu conversava com ele enquanto colocava
minhas blusas na mala.
-Ah, é apenas preocupação, até Alice explicar tudo...
- Hum... Alice me ajudou muito aqui. – eu sorri
- Claro...
O telefone ficou mudo.
- Nessie, está legal aí? Por que aqui tá um saco sem você. – sua voz estava
meio presunçosa
-Não muito, por isso vou morar em uma republica, para ver se me
animo. Ah, as aulas começam depois de amanhã...
- Deve estar nervosa, né!
- Muito... Amor, vou ter que desligar! – minhas malas estavam arrumadas
eu estava na sala com tudo pronto.
-Tudo bem... Te amo! – ele disso por último
- Também! – e desliguei.
Peguei as malas e tranquei o apartamento.
Que seja a ultima vez que eu me mude!
Agora apenas quando eu voltar para casa...
13. BIANCA
Quando voltei para á republica, tinha mais gente, era Sophia e Lucia.
Bianca estava ao meu lado e nos apresentou...
Sophia sorriu simpaticamente e Lucia apenas deu um aceno ríspido.
- Bem, vou deixá-las. Semana que vem eu volto! – informava Marina á
porta. – Ah, Renesmee, qualquer problema é só ligar pro meu celular, a Bia
te passa. Tchau garotas... – quando ela ia fechar a porta, lembrou de algo –
Avisa os meninos que na próxima visita quero tudo arrumado. – e fechou a
porta.
- Vem... Eu ajudo com as malas. – Bianca pegou uma de minhas pesadas
malas e levou para seu quarto, nosso quarto.
Era espaçoso, tinha um computador, dois armários, duas camas e um
criado-mudo entre elas. As paredes eram rosa e tinha pequenos desenhos
místicos pintado. Percebi enquanto entrava mais para o centro do quarto,
que continha um cheiro forte de incenso.
O criado-mudo estava cheio de coisas exóticas, velas, pedras e livros.
Também na parede tinha um grande pentagrama, eu me assustei.
-Pra que isso? – eu apontei para o pentagrama prata.
-Proteção. – ela respondeu com se fosse obvio
-Proteção? Não tem alguma coisa há ver com o demônio? – eram essas as
historias que eu via na TV.
Mas por que eu estaria preocupada com isso?
Não existe coisa pior do que eu mesma...
Ela bufou.
-Tá... É normal, um monte de gente confunde... Não! Não tem nada á vê, se
você á virar de cabeça pra baixo, ela pode cultuar Lúcifer e eu prefiro dizer
Lúcifer á demônio, diabo, Satã e esses outros nomes... - ela passou a mão
na estrela entrelaçada. – Está vendo isso aqui? – ela passou os dedos em
cinco palavras escritas em cada ponta da estrela. – Ar, Terra, Fogo, Água
todos coordenados pelo Espírito... Para aqueles que acreditam te protege de
coisas ruins.
-Como você sabe de tanta coisa? – eu perguntei curiosa
Ela engoliu seco...
-Internet. – e sorriu – Hei... Mas quer que eu te ajude a desfazer as malas? –
ela mudou de assunto
-Claro. - certo que poderia arrumar sozinha em menos de 10 segundos, mas
uma companhia não me faria mal.
Bianca fazia eu me sentir bem, era gostoso ficar ao seu lado, ela passava
uma energia boa...
- Porque você veio pra cá? – eu perguntei
- Eu morava em São Paulo, mas queria fazer uma faculdade, Unicamp, que
fica aqui em Campinas. Meus pais me dão dinheiro todo mês para pagar a
escola e a Marina... - eu a interrompi
-Escola?
-Sim, eu vim pra cá ano passado, fui a segunda pessoa a morar aqui, a
Marina é amiga do meu pai e ele confia nela, então eu vim pra cá no 2º ano.
-Hum... Que escola você estuda? – quando eu acabei a frase, vi um
uniforme branco e azul em seu armário, que estava aberto.
-No Liceu Salesiano, por quê? – ela estava despreocupada
-No-no Liceu? – eu me aproximei para pegar o uniforme, era o mesmo
uniforme que o meu, ela estudava no Liceu, não acredito.
-O que? – ela se virou e me viu segurando seu uniforme. – É o meu
uniforme, o que foi?
-EU VOU ESTUDAR LÁ! – eu disse empolgada
Bianca arregalou os olhos, surpresa.
-Sério?
-É!!
-Nossa, que coincidência... Aí só podia ser coisa do destino, mesmo... – ela
falava pra si mesma – Eu estou no ultimo ano e você?
- Também... – nós sorrimos.
Ela me ajudou a arrumar minha cama e ficamos conversando a noite toda,
na hora do jantar Bruno e Julio tinham chegado, fui para a sala me
apresentar.
Bruno era alto, um pouco forte, loiro de olhos verdes, seu rosto era fino e
delicado. Julio era moreno, tinha o cabelo cacheado, olhos castanhos e era
magrelo, Bianca e ele poderiam ser irmãos...
-Olá. – eu acenei para eles
-O-oi. – gaguejou Bruno e Julio.
Porque eles estavam me olhando daquele jeito, como se...
Como se eu fosse comida.
-Você vai mesmo morar com agente? – dava quase pra ver os olhos de
Julio brilhar.
-Sim, algum problema? – eu perguntei
-Não... Claro que não. – respondeu Bruno.
Eles se olharam e deram um aperto de mão estranho entre eles.
Me sentei no sofá, mas me concentrei nos garotos que me olhavam pelas
costas...

“Cara... Não acredito, parece que essa garota, saiu de uma revista de tão
perfeita! Ela é muito gata, não acredito que vai morar aqui!“ – pensou
Bruno

“Eles vão morrer quando souberem que essa deusa mora comigo. Vão me
dar tudo pelo telefone dela...” – pensou Julio.

Eu ri mentalmente e lembrei de Jake falando que muitos garotos iriam se


apaixonar por mim.
Senti um cheiro de sangue de animal com água. Minhas pupilas dilataram e
eu fui até a cozinha. Lucia estava lá, com uma carne ensangüentada na pia.
Eu observei a carne e me aproximei.
Pude ver pela minha visão periférica que Lucia olhava pra mim.
-Tudo bem? – ela me perguntou
Eu me afastei da carne.
-Claro... Desculpe. É que eu passo mal quando vejo sangue...
-Por isso você enfiou a cara na carne! – ela falou sarcasticamente
Eu dei um sorriso amarelo e sai da cozinha...

“Além de bonita, é estranha. Claro! Mais uma loca que vô te que aturar!”
– Lucia pensou, passando as mãos em seus longos cabelos lisos.

Talvez a louca que ela tivesse falando era Bianca, mas acho muito difícil
alguém não gostar dela. Eu tirei fotos do apartamento e mandei por e-mail
pro Jake, que depois mostraria pra minha família.
Eu não jantei com eles, fiquei ouvindo musica na cama. Quando Bianca
entrou no quarto, bocejando, eu olhei para o relógio e já passava da meia-
noite.
-Você já está com sono? – eu perguntei enquanto brincava com o fio do
fone.
- Sim... e você?
-Claro... – eu menti.
-Boa Noite. -ela desligou a luz.
-Ah... Pode me chamar de Nessie. – eu não tinha certeza se ela já estava
dormindo quando falei.
Fechei os olhos, mas não consegui dormir, então fiquei na varanda
observando a vinha visão do luar, que verei muitas vezes... Em minha nova
casa. Morar com eles devia ser legal, Sophia era muito gentil, Lucia
raramente falava comigo, a Bia sempre conversando e brincando e os
garotos... bem ficavam no quarto ou jogando vídeo-game.
Eu e Bianca estávamos conversando no sofá e os garotos vendo um jogo.
É domingo e ninguém iria trabalhar.
Bianca me contou que Lucia era á mais velha, com 24 anos, ela trabalhava
de segunda á sexta em um shopping. Sophia tem 19, estuda de manhã e
trabalha na parte da tarde. Bruno tem 21, faz faculdade de manhã, Julio tem
20 e também está na faculdade e a Bia tem 17 e só estuda de manhã...
Estávamos arrumando a mochila para amanhã...
-Que lindo... – ela pegou meu fichário.
-Presente da minha tia! – eu informei e mostrei as letras dourada na parte
de baixo.
- Hum... Você nunca falou da sua família... – Bianca comentou
-Bem... É que...– eu não encontrava alguma desculpa.
-Tudo bem... Eu também nunca falei muito da minha. – ela sorri - Mas
você tem namorado? - ela mudou de assunto
-Na verdade... - eu e Jake estávamos namorando, era fato, mas ele meio que
me livrou de qualquer compromisso quando eu vim pra cá. - Que fique só
entre agente, mais tenho sim! – eu falei baixo.
Ela me olhou curiosa.
-Porque só entre agente?
- É que meio que ele me livrou de compromisso, quando vim pra cá. – eu
disse á verdade
-Ele terminou com você?! – ela se espantou
-Não! Bem... Não exatamente. – eu não tinha palavras pra explicar, apenas
que de Jacob era louco. – Mas e você, tem? – eu mudei a atenção pra ela
- Hum... Já tive dois, mais no momento estou solteira. – ela mordeu o lábio.
Eu sorri...
14. COLEGAS
Novamente eu não dormi, fui pra sala, pra varanda, mas estava inquieta e
fui andar pela rua, a noite estava fria e o vento cortante.
Quando vi os primeiros raios de sol, voltei correndo para casa, fui até a
parte de trás do prédio e saltei, pousei com leveza na varanda do 3º andar.
Ninguém estava acordado, respirei aliviada.
Voltei para meu quarto e Bianca estava se levantando, ela esfregou os
olhos...
-Já ta de pé? – ela perguntou sonolenta.
-Sim, não consegui dormir muito bem... Bom dia! – eu peguei meu
uniforme e fui tomar banho.
Quando voltei, Bianca já estava na porta com uma toalha no braço e o
uniforme no outro.
- Nossa! O uniforme fica muito melhor em você do que em mim. – ela me
analisava.
-Eu modifiquei algumas coisinhas... – eu sai da frente dela, para ela poder
tomar banho.
Eu apenas tinha apertado a blusa para ficar mais justa, cortado um pouco as
mangas e o short. Eu estava com uma calça bailarina azul e uma baby-look
ajustada.
Penteei meus cabelos fazendo meus cachos caírem suavemente pelos
ombros e busto, coloquei minha franja de lado, mudar um pouco faria bem.
Eu abri a janela deixando o sol iluminar mais o quarto. Me estiquei e
respirei o ar puro – quase - Bianca entrou no quarto com uma toalha na
cabeça e o uniforme escolar, ela abaixou a cabeça e esfregou a toalha no
cabelo, seu cabelo estava escuro quase preto, por estar molhado.
Ela colocou brincos redondos feitos de palha colorida e um colar.
- Eu adoro seus cachinhos. – e enrolei um cachinho dela com meu dedo
- Há! O seu que é lindo, parece até que você fez babyliss nas pontas... – ela
apontou para meus cachos – Tinha que ser americana. – ela falou para si
mesma rindo.
Eu a - olhei confusa e também ri, ela era engraçada, às vezes falava coisas
sem sentido.
-Vamos? – eu coloquei minha mochila nas costas.
-Você não vai toma café? – ela ia pra cozinha.
- Hã? Não... Mas eu te espero. – e me sentei no sofá.
Senti cheiro de cereais, leite, café, algumas frutas e o cheiro de vários
perfumes misturados no ar, quase não dava pra sentir o cheiro humano de
cada um. Depois de 10 minutos Bianca saiu da cozinha.
Nós fomos no meu carro, Bia ficou fascinada pelo carro de Alice.
Estacionei perto da escola.
Estávamos na frente do pátio... Procuramos nossos nomes na lista que
estava colada na parede. Eu me achei: estava no 3ºD, não via o nome de
Bianca na minha lista.
-Qual seu sobrenome? – eu perguntei para ela ao meu lado.
- Lima Cavalcanti. – ela acompanhava com o dedo os nomes da lista e fez
bico – Não estou na sua sala. – e ela começou a seguir com o dedo outra
lista – Aqui! – ela parou em seu nome. – 3º B. Que pena... Mas estou na
sala do Léo de novo. – ela sorriu
-Quem? – eu perguntei olhando para o nome que ela estava com o dedo e
falei enquanto lia - Leonardo Rodrigues Menezes...
- Sim, é meu amigo... Você não o conhece ainda. – ela olhava para o pátio
– Ele ainda não chego, atrasado como sempre. No intervalo eu te apresento.
- Ok... – acenei e fui para minha sala
Tinha varias placas pelo campus, onde ficava cada sala. E finalmente
encontrei á minha. Olhei para cima vendo “3ºD” na porta, respirei fundo e
a - abri.
Não tinha quase ninguém, apenas três pessoas: duas garotas e um garoto,
seus olhares surpresos e curiosos... Eu me sentei no fundo.
Estava silêncio, menos pra mim...

“Nossa! Garota nova... Que legal!” – a garota morena pensou

“Hum... essa aí já é do Caio, não do nem dois meses pra ele fica com ela!”
– a outra pensava.

“Putz, que gata... Eu tenho que me aproxima dela antes dos outros!” – o
garoto pensou

Finalmente parei de ouvir os pensamentos alheios e coloquei meus amados


fones.
Depois de um tempo, a sala ficou cheia e sempre os mesmos olhares para
mim. Quase todos se conheciam, apenas mais quatro pessoas novas.
O professor entrou na sala. Era calvo, um pouco grisalho, deveria ter uns
46 anos, era alto e magro, professor de Matemática.
-Bem vindos de volta, pessoal! – ele analisou a sala. – Estou vendo que tem
alunos novos aqui... – seus olhos pararam em mim. – Poderiam se
apresentar para a sala... Você senhorita, qual seu nome? – ele falava
comigo.
- Renesmee... – não só a cara do professor, mas de todos meus futuros
colegas ficaram surpresas.
- Você por acaso é estrangeira? – ele perguntou, meu sotaque era aparente?
- Sim. – eu falei com firmeza.
- Hum... Que diferente... Bem, o próximo, você. – ele apontou para uma
garota – Qual seu nome?
-Camila. – ela respondeu timidamente.
Aquele tratamento deveria ser proibido, aquilo pode constranger qualquer
um. Percebi que os olhares ainda estavam em mim, mas fingi não notar.
Talvez eu estivesse mais nervosa, se não fosse minha segunda vez no
colegial, eu já tinha estudado em Quilcene junto com meus pais e meus
tios.
Era engraçado ver as pessoas nos considerando irmãos. Eu estava na sala
com Alice e Bella. Era tão legal...
A saudade estava chegando junto com as lembranças, era como se uma
corrente de ar frio me rondasse.
Eu não prestei muito atenção no que o professor dizia, em nenhum dos que
se apresentarão. Queria que Bianca estivesse aqui, ela certamente estaria
me divertindo. É muito difícil e estranho me concentrar com 30 corações
batendo desregulares e o cheiro de todos como um só circulando a sala,
como uma nuvem carregando o desastre, me tentando á fazer coisas
repulsivas.
O sinal tocou... Era o intervalo.
Bianca veio correndo na minha direção segurando pela mão um garoto...
-Esse é o Léo. – ela apontava para ele, contente.
-Oi. – eu me apresentei
-Oi. – sua voz era forte, marcante mais também doce.
Eu me aproximei para cumprimentá-lo, ele estava um pouco receoso.
Quando nossas peles se tocaram, senti o cheiro de seu perfume, muito bom,
mas seria muito melhor se ele estivesse com seu próprio cheiro, era
tentador, mais gostoso de qualquer colega da republica ou de meus colegas
de classe. Eu me afastei lentamente, salivando.
Ele tem o cabelo bem curtinho, castanho claro, sua pele era um pouco
morena, destacando seu belo par de olhos verdes.
- Você é a nova colega de quarto da Bia? – ele usava um tom de
brincadeira. – Deve ser difícil aturar ela. – ele caçou.
Ela bateu na cabeça dele.
-Liga não... Ele é meio bobo, às vezes. - ela respondeu.
-Eu vou te que ir, os meninos estão me esperando. Até logo, Renesmee. – e
ele se distanciou.
Enquanto ele se distanciava em permanecia meus olhos nele, ele virou a
cabeça e encontrou meu olhar, eu fiquei envergonhada.

“Mais que garota bonita... Já fazia tempo que não via uma beleza tão
delicada.” – ele pensou.

- Eu não gosto de admitir mais ele é gato, né?! – ela esperava ansiosa pela
minha resposta.
- É... – eu sussurrei – Como ele sabe meu nome?
- Eu falei. - ela disse como se fosse óbvio - e era - eu estava distraída. -
Mas falando em nome... Eu não posso ficar te chamando sempre de
Renesmee... Você tem algum diminutivo, apelido?
- Nessie... – eu falei contente. – Eu te disse um dia, mas acho que você já
estava dormindo.
- Hum... – ela franziu o cenho e torceu a boca, pensativa – Ness... – ela
tentava falar. – Nessie?
-É. – eu afirmei
-É estranho... Porque Ness – Nessie?
- Um amigo me deu... É que... – eu não podia dizer que era por causa do
“Mostro do Lago Ness” – Longa história.
- Posso simplesmente te chamar de Reh? – ela perguntou animada.
-Reh? Por quê?
-Ah... Pensa. Eu me chamo Bianca, mas prefiro Bia, meu amigo chama
Leonardo, mas só o chamo de Léo, tem a Lucia, que agente chama de Luh,
é normal. Não sei como é lá nos EUA, mas aqui agente faz assim... – ela
respondeu
-Ah. Entendi. Reh... – eu ri mentalmente, Jacob não iria gostar quando
soubesse. - Claro, por que não.
Quando ela ia comemorar, o sinal tocou novamente. Bianca fez careta.
-Já vo. – ela acenou e correu para o prédio do lado oposto ao meu.
Eu voltei para minha sala...
Cinco pessoas se aproximaram de mim, três garotas e dois garotos.
Estavam me fazendo perguntas e tentando puxar conversa. Pude saber que
se chamavam Camila, Vanessa, Rodrigo, Caio e Julia.
Na conversa todos eram simpáticos, mas á seus pensamentos nem tanto...

“Mas que ótimo, pelo menos não vo passa vergonha sozinha, é só eu fica
amiga dela, que –” pensava Camila

“Ela vai cai direitinho... Tirei a sorte grande. Ela é muito gostosa, olha
isso –” pensou o Caio.

“Mas ela deve ser uma piriguete, esse jeito de santinha não me engana!” –
pensou Vanessa

“Mas eu queria cê o Caio, ela não é pro meu bico!” – pensou Rodrigo

“Será que ela é inteligente? Ou deve ser burra? Hum... não dá pra saber.
Mas ela com certeza vai se enturma pro lado do Caio e daquele metida da
Vanessa“- pensou Julia

Conforme a conversa foi indo e os pensamentos também...


Eu não gostei nem um pouco do Caio, ele era muito metido e se achava o
tal. E também a Vanessa, era muito parecida com o Caio, eles meio que
estavam namorando, mas era de longe um namoro fiel. A Camila e a Julia
querem mesmo é se aproveitar de mim e o Rodrigo até que era legal, mas
andava com o Caio e a Vanessa.
Quando bateu o sinal para irmos embora, não via a hora de falar com a Bia
e até mesmo com o Léo, eu me interessei muito por ele.
Ambos estavam me esperando na entrada da escola.
-Vamos passar primeiro na loja do pai do Léo e depois agente almoça. –
Bianca se agarrou em meu braço. Às vezes ela me lembrava Alice...
- Como foi seu primeiro dia? – perguntou Léo ao meu lado.
-Legal. – eu menti
-Pra mim foi um saco! – ele disse sinceramente
-Aí. Por quê? – contestou Bianca
- Nós vamos ficar com o professor mais chato de física! – ele reclamava
para Bianca
-Ah, eu gosto dele, ele é legal. Diferente da professora de Artes, a energia
dela me faz mal. – eu há encarei um pouco abismada, mas deixei passar.
O Léo é um bom garoto, mora com os pais no Jardim Moreira, próximo da
escola, tem mais duas irmã mais novas e trabalha de vez em quando com o
pai na loja.
Ele falou com o pai e fomos comer em um restaurante, Mc Donald, era
famoso mais eu nunca tive vontade de comer alguma coisa lá.
Eu provei do lanche da Bia, não era muito gostoso, mas comestível.
Nos despedimos do Léo e voltamos para casa...
Estávamos na varanda observando o sol se por.
- Espero que você e o Léo sejam amigos, ou... Até mais que isso. – ela me
empurrou de leve com o ombro.
- Não seja boba! Eu o achei bonito, não vou mentir, mas não quero namorar
ninguém. – ás palavras não quero parecia ter cortado minha língua, Jake
não gostaria disso. Gostaria?
-E por falar em namoro, você não tem nenhuma foto do seu – ela falou
baixinho – namorado?
- Hum... Tenho. - eu pensei em mostrar a foto que Alice tinha me dado de
toda nossa família, mas ela ia achá-lo muito velho, já que ele estava comigo
no colo. Então peguei meu celular. – Aqui! – e mostrei varias fotos dele
comigo atuais, abraçados, rindo, nos... beijando.
Há quanto tempo não sentia os lábios dele na minha pele, seu corpo quente
grudado no meu, sua voz roçando meu ouvido. Fechei os olhos lembrando
de nossos melhores momentos. E sorri.
- Você o ama? – Bianca perguntou olhando para minha cara
- Eu sei que sim... mas ele quer que eu descubra... – eu apoiei meu braço na
sacada com o rosto nas mãos.
Bianca não disse nada e ficou olhando para o horizonte. Não sei como,
nunca tinha me deparado com aquilo, mas ela estava pensava em nada.

“A melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas


amizades”
15. FANTASIA
As semanas passaram tranqüilas, eu ajudava no que podia nos afazeres da
republica, na escola Camila virou uma boa... colega.
A Bia e o Léo são meus melhores amigos, alegram meus dias; eu sempre
ligo pra minha família contando todas as novidades; Jake ficou com ciúmes
quando falei do Léo, mas não era tão grave; meu pai estava cada vez mais
se acostumando com a idéia de eu ficar em São Paulo...
Minha relação com o Léo era... um pouco estranha, de vez em quando
rolava um clima entre nós e eu sempre tinha que fazer alguma coisa pra
quebrá-lo. É realmente difícil não gostar desse garoto, ele era carinhoso,
engraçado, um pouco responsável, bonito...
Eu suspirei...
Estava no computador mandando e-mail e fotos a minha família, quando
Bianca entrou no quarto.
- Reh, você não sabe!! – ela estava empolgada
- Diga.
- Sábado a Michelle vai dá uma festa de aniversario, à fantasia!!!- ela quase
pulava de felicidade
- Que legal...
-Você vai de quê? Eu ainda tô em duvida entre cigana e espanhola...
- Não faço idéia, acho que vou ligar pra minha tia, ela é expert em roupa. -
eu peguei meu celular
Hoje é quinta então tinha mais ou menos dois dias para arrumar uma roupa.
Eu amo festas e seria a primeira que eu iria com a Bia e o Léo.
- Que ótimo, ela pode me dar uma dicas também.
- Vocês duas iriam se dar muito bem... Vocês meio que vivem em outro
mundo. – eu ri, ela me encarou.- Leve isso com um elogio.
-Amanhã eu vo em uma loja pra aluga a fantasia, você vai junto?
-Claro. – eu terminei de discar os números de Alice.
Bianca saiu do quarto e começou á conversar com a Sophia e o Léo que
estavam na sala, podia ouvi-los perfeitamente.
- Oi, Nessie! – Alice gritava ao telefone – Eu sabia que você ia ligar!
- Claro... Mas sabe o motivo? – eu a testei
-Não. Fala o que houve?
-Bem... Vai ter uma festa Sábado e será a fantasia, você poderia me ajudar?
-Nossa, que legal... – ela estava empolgada. – Há quanto tempo eu não vou
a um baile de máscaras. – ela suspirou
-Alice?
- Hã... Bem eu posso ir aí te ajudar?
-Vir pra cá? – ela estava querendo voltar pra São Paulo
- É... Só pra te arrumar, domingo eu venho embora! – eu não á via, mas
podia imaginá-la com aquele sorriso empolgante de sempre.
- Acho que não precisa... – mas ver Alice, abraçá-la, sentir seu cheiro. –
Mas se não tiver problema pra você. Ah, você vai adorar minha amiga.
-Aí. Que legal. Vou comprar a passagem agora mesmo, se tiver horário
hoje á noite estarei aí. Que emoção... – ela falava alto e rápido
- Tudo bem, Tia, te espero... Manda um beijo pra todo mundo.
-Claro... Até logo. - e ela desligou.
Eu ri, Alice nunca muda, qualquer assunto que tem haver com roupa ela
ficava excitada.
Fui pra sala, a Bia já tinha resolvido que iria de cigana, mas eu ainda não
sabia... Ela tentava me ajudar:
-Demônio?
-Não. – já bastasse eu mesma.
-Anjo Negro?
-Não.
-Princesa?
-Não.
-Policial?
-Não.
- Dançarina de Hula?
-Não!
-Anjo? – perguntou Léo.
-Nã- eu parei – Anjo?
-É. Boa idéia Léo... Você ia fica linda de anjinha... – apoiou Bianca
- É, eu acho uma boa idéia... – eu sorri para aquele garoto de olhos verdes.
Eu estou bem longe de ser um anjo, mas por uma noite poderia ser...

Mostrei uma foto de Alice do celular, todos a acharam perfeita – claro!


Fiquei imaginando se alguém também viria junto com ela, queria tanto ver
meus pais e se o Jacob estivesse vindo pra cá?
Meu coração quase saltou no peito, eu respirei lentamente para me acalmar,
ele não viria, não podia, ele quer me deixar... sozinha, pelo menos por mais
um tempo.
Alice tinha conseguido uma passagem e chegaria à noite.
Eu e a Bia vimos varias roupas de ciganas e de anjos no computador, mas
eu precisava da opinião de Alice.
Eu estava na varanda vendo anoitecer, quando senti aquele cheiro familiar
e adocicado atrás da porta. Eu corri, sem me importa com minha
velocidade.
-ALICE! – eu gritei ao abraçá-la
-Oi, Renesmee. – seus braços me apertando.
-Ai... Tia que - eu á apertei – saudade!
Ela se afastou e me deu um beijo carinhoso no rosto. Bianca vinha do
quarto...
-Bia, Bia essa é a minha tia Alice! – eu á apresentei eufórica.
Bianca deu um aceno tímido, Alice a cumprimentou com um beijo. Minha
Tia sempre foi assim, espontânea.
- Bem... E então quais são minhas obrigações aqui? Primeiro, qual sua
fantasia? – nos se sentamos no sofá.
- Anjo! – eu falei contente
-Nossa... Perfeito. Tenho até umas idéias já... – Alice pensava – Mas e você
Bianca?
-Cigana... – Bianca aos poucos estava se acostumando com a beleza
anormal de Alice.
- Que legal... Eu vou deixar-las como as rainhas do baile!- Alice falou
orgulhosa
-Tia, é só uma festa de aniversario. – eu a lembrei
- Tanto faz... Ah, eu vou ficar no nosso apartamento! – ela me informava.
-Que ótimo.
Eu dormi tranqüila abraçada à blusa que Jacob tinha me dado quando parti.
Mesmo já tendo se passado um mês deste que ele me dera, ainda tinha seu
delicioso e amadeirado cheiro.
Quando acordei, todos já estavam de pé... Já tinha se passado o almoço, Bia
estava me apresando para irmos logo à loja de fantasia, Alice estava na
republica também me esperando. Eu tomei um banho rápido e me troquei.
- Pronto! – eu as puxava para a porta.
- Ah, o Léo vai com a gente, algum problema? – perguntou Bianca no
elevador.
-Não... – eu respondi surpresa por ela achar que haveria algum problema.
-Quem é Léo? – perguntou Alice curiosa
- É um amigo nosso... Quero dizer, to tentando fazer ele se alguma coisa á
mais dessa aí. – ela apontou pra mim. – mas ela fica pensando no outro.
Alice me olhou maliciosa, eu não quis encontrar seu olhar e virei o rosto
constrangida.
Léo estava nos esperando na recepção, com uma blusa preta e calça jeans.
Alice olhou para ele e depois pra mim.

“Nossa, ele é bonito, Nessie. Bem melhor que o Jacob!” – ela queria me
irritar?
Eu a censurei com os olhos.
Cumprimentamos o Léo e apresentei minha tia.
Fomos andando para a loja de fantasia, era perto daqui. Quando chegamos
lá, Bianca e Alice não se desgrudavam, sempre comentando sobre as
fantasias, eu e o Léo, afastado delas.
-Você vai de que? – eu perguntei pra ele enquanto observava uma máscara
-Hum... – ele pegou uma máscara preta que cobria somente os olhos. –
Zorro? – seu tom brincalhão de sempre.
- É... Zorro ia ser legal. – eu apoiei
Seus olhos pararam em mim por um instante e seus pensamentos me
atingiram.

“Como eu queria que você me notasse, queria tanto ser mais que seu
amigo... -“ – eu não gostava de ler seu pensamento, me sentia uma intrusa.

- Eí, vocês dois, venham aqui! – chamou Alice.


Nos se aproximamos do balcão, no qual tinha uma asa de anjo feita de
penas artificiais, uma coroa fina de prata, um vestido vermelho e preto com
varias medalhinhas na borda da saia, era a fantasia de cigana e uma
bandana com medalhinhas nas pontas.
-Que lindo. – eu sentia a textura das penas. – Mas e a roupa? – eu não a -
via no balcão.
Alice tirou de trás dela um delicado vestido, com finas alças e longas
mangas de um tecido transparente branco.
- Não é lindo? – analisava Bianca
-É. – eu respondi o - pegando
-Vá experimentar! Vocês duas. – Alice nos empurrava para o trocador.
Eu coloquei aquele delicado vestido que parava um pouco acima do joelho,
as asas, a coroa prata contornando a parte de cima de minha cabeça como
uma coroa-de-louros. E sai.
Alice me analisou...
-Hum... Falta o sapato. – ela olhava para meus pés descalços.
Depois saiu Bianca, com a bandana vermelha, seu vestido que na parte do
busto era um tecido franzido branco. E varias pulseira douradas.
-Como estou? – ela virou em torno de si.
-Hum... Você também precisa de sapato. - Alice analisou
-Ah, não se preocupe Alice, eu tenho uma bota que vai combina
perfeitamente. – Bianca falou
-Eu tenho uma idéia. – Alice balançava o dedo – Eu já volto. – e ela saiu da
loja
- Onde ela foi? – perguntou Léo tão surpreso quanto nós.
Eu dei de ombros e voltei pra o trocador para tirar a fantasia.
Depois de meia hora, Alice voltou com uma caixa de sapatos.
-Aqui! – ela me entregou – Abra.
Eu abri e vi uma delicada sandália prata, com fitinhas que seriam estreladas
até perto do joelho.
-Experimente – ordenou Bianca
Eu me sentei em um baquinho e coloquei a sandália... Perfeita.
Alice sorri orgulhosa.
Compramos tudo, o Léo levou apenas uma capa preta, um chapéu e a
máscara do zorro, ele disse que tinha uma roupa toda preta em sua casa.
Nos ficamos passeando pela rua, Alice ficou até á noite em casa, mas
depois foi embora.
Eu estava lendo um livro da Bia (Cidades de Ossos) , quando ela pegou seu
violão, eu nunca tinha visto ela tocar, sempre vi o violão em baixo da cama,
mas nunca perguntei nada.
-Você sabe tocar? – ela me perguntou
- Eu tentei uma vez, mas era pequena...
Ela se levantou e me entregou o violão.
- Tente. – ela me observava
Eu passei os dedos pelo violão uma vez, testei algumas notas com a mão
esquerda, abafando algumas cordas, fui devagar, até pegar um ritmo rápido
e envolvente. Quando olhei pra Bia, ela esta espantada.
-Como fez isso?
-Eu apenas peguei o ritmo.
- Nossa... Você sabe alguma musica?
-Hum... Eu sempre canto uma com minha tia...
- Alice? – perguntou Bia
-Não, Rosálie. - eu falei sem problemas
-Quantos tios você tem?
-Quatro. – eu falei orgulhosa
-Nossa, nunca imaginei que você tivesse uma família grande.
- É, eu tenho... - suspirei
- Mas então como é a musica?
- Bem posso tentar no violão, eu sempre canto no piano, mas... – ela me
interrompeu
- Piano? Você tem um piano? – ela estava surpresa
- Tenho.
Eu passei os dedos novamente pelo violão, ouvindo cada timbre que emitia,
fechei os olhos apenas sendo seguida pelo som e comecei a cantar a musica
que eu conhecia desde pequena.
-Nossa... – falou Bia entre os dentes.
Eu abri os olhos.
- Sua vez! - e coloquei o violão em seu colo.
-Eu to até com vergonha, agora. Nada se compara com a sua voz... – ela se
afastada do violão, eu o mantive no lugar
-Não, por favor, quero ouvi-la cantar.
Ela respirou fundo, começou a tocar o violão agilmente e a cantar uma
musica, sua voz era doce e suave.
Eu bati palmas quando acabou.
- E você estava com vergonha. – eu brinquei
Ela me empurrou de leve...
Faz pouco tempo que eu a - conheço, mas alguma coisa nela era especial,
alguma coisa na simplicidade dela e no modo como ela via a vida que me
fez pensar em muitas coisas, me fez mais humana, ela com certeza faz
minha vida aqui em São Paulo o mais parecido de casa.
16. PERIGOSA
Quando amanheceu me senti um pouco estranha, com um peso no
estomago, talvez fosse alguma coisa que eu tenha comido...
Alice estava me esperando, hoje iríamos passar um tempo juntas e a noite
ela me arrumaria para a festa.
Eu fiz um rabo de cavalo, coloquei uma regata, um casaco, uma calça jeans
e desci.
-Bom dia! – Alice me cumprimentou
-Bom dia! – eu a cumprimentei com o mesmo entusiasmo.
Nos fomos ao apartamento, estava no mesmo jeitinho que eu tinha
deixado...
-E ai como estão às coisas lá? – eu perguntei para Alice, me sentando na
cadeira alta
- Estamos um pouco tristes sem você!
- Hum... Jake está bem? Ele diz que sim pelo telefone, mas você sabe como
ele é!
-Está... Bem, levando... Leah não sai do lado dele... mas não se preocupe
daqui a alguns meses vocês vão se ver. – franzi o cenho
- Quando eu for nas férias de verão? – eu não tinha certeza
-É. – ela me olhou como se fosse óbvio.
Ficamos conversando sobre tudo, ela me perguntou sobre como era cada
um de meus colegas de sala, da republica...
Quando me dei conta já estava escuro.
-Alice não vamos nos atrasar? – eu olhei pra o relógio falava 2 horas para á
festa.
-Hum... Não! Mas vamos voltar e começar o processo. – Alice me segurou
pela cintura, eu revirei os olhos e voltamos para “minha” casa.
Quando chegamos, Bianca já tinha tomado banho e estava se trocando, eu
me apressei e entre no banheiro. Alice me ajudou a por as asas, a coroa, as
sandálias.
-Agora sente. – ela me sentou na cama. – Vou te deixar um verdadeiro
anjo. – eu fechei os olhos
Senti as camadas de pó na minha pele, ela colou alguma coisa no lado de
meu rosto, depois de exatos 15 minutos. Ela me deu um espelho.
- Eu não fiz muita coisa, você tem uma pele perfeita. – ela falava mais pra
si mesma - Mas ta aí o resultado!
Eu me olhei no espelho, meus grandes olhos chocolates destacados pelas
camadas de sombra branca com prata, um batom prata, uma densa camada
de cílios, delineador prata, blush rosa e três pedrinhas brilhantes coladas
um pouco á baixo do olho direto.
-Então? – Alice ainda esperava minha resposta
-Obrigada. – eu a abracei.
Ela sorriu orgulhosa pela segunda vez.
-Agora você. – e ela sentou Bianca na cama.
Como Bianca estava de olhos fechados ela usava sua velocidade anormal,
para fazer um trabalho ainda mais impecável: sombra escura, vermelha e
dourada. A maquiagem da Bia estava perfeita também, feita por uma
profissional.
-Ai... – Alice suspirou. – Estão perfeitas. - ela nos analisava enquanto
pegávamos as bolsas.
- Você vai ficar aqui? – eu perguntei á ela.
-Vou ficar no apartamento, não se preocupe comigo, vá se divertir. – ela
piscou.
Alice pegou meu braço e fez uma careta.
-Você não acha melhor tirar isso? – ela se referia a minha pulseira trançada
que Jacob me deu em meu primeiro natal, o “anel” de compromisso
Quileute. Eu a censurei.
- Isso é tão importante quando minha pulseira e meu colar. Eu não vou tirá-
lo! – Alice deu de ombros.
- Só acho que não combina... Tudo bem – ela me deu um beijo na testa e
saiu.
Eu e a Bia fomos com meu carro – ou de Alice – para a festa.
Era um enorme salão, com varias luzes coloridas no chão. Bianca estava
com meu convite, ela os entregou ao segurança...
Estava tocando uma musica da Rihanna muito alta, o lugar estava escuro,
algumas luzes rodando, lasers verdes, era uma verdadeira balada.
Varias pessoas dançando, pude identificar alguns colegas da escola.
-Eu vo procurar o Léo! – Bianca gritou perto do meu ouvido, mal sabe ela
que eu posso ouvi-la perfeitamente de longe.
-Ok. – eu também gritei ao seu lado.
Eu andei pelas pessoas pedindo licença, a cada corpo que eu esbarrava seu
cheiro me possuía, eu estava certada por comida... Balancei á cabeça,
tentando afastar aquele pensamento idiota.
Fechei os olhos e mexendo o corpo, sentindo e acompanhando a musica.
Um garoto me agarrou por trás, eu o empurrei e me afastei, voltei a dançar
tranquilamente. Eu estava de olhos fechados, mas podia sentir os olhares
em mim – como sempre.

“Quem é ela?”

“Nossa! Olha como ela dança!”

“Eu queria ser ela!”

Eu tentei não prestar atenção nos pensamento, muito menos no sangue ou


nos corações pulsando ao meu redor. Eu franzi o cenho e abri os olhos.
Onde está a Bia? Eu tentei segui-la pelo cheiro, mas era muita gente junta e
aquilo estava me fazendo mal, quero dizer, iria fazer mal a alguém.
Eu definitivamente vou caçar amanhã...
Eu a - avistei com o Léo. E corri na direção dele, usei um pouco da
velocidade anormal, mas ninguém percebeu.
-Oi! – eu gritei ao lado do Léo.
-Oi! –e ele me deu um beijo no rosto. – Quanta gente, né!
-É...- Bianca pegou meu pulso chamando minha atenção.
- Reh, eu vo procurar refri. e falar com um amigo meu! – ela piscou.
Eu revirei os olhos, qualquer oportunidade ela nos deixava sozinhos.
Ele me puxou para o centro da pista, eu dancei com a mesma empolgação
de antes, mexia meu quadril, os braços todos coordenados á musica.
O Léo também dançava muito bem, nossos corpos estavam muito
próximos, mas do que eu queria, mas a música era envolvente e eu não
liguei.
Ele colocou um braço pela minha cintura e acompanhou seu quadril com o
meu... eu me incomodei mais deixei passar. Depois de um tempo, ele ficou
cansado, eu não estava nem um pouco, mais fingi estar.
-Sabe onde está a Bia? – eu perguntei á ele, meu rosto quase colado ao dele
-Não. – ele respondeu a mesma distância. – Vamos pra um lugar menos
barulhento. – ele pegou minha mão.
E fomos para outro ambiente, tinha um balcão, um sofá e o som era
tranqüilo, baixinho.
-Bem melhor! – ele falou.
-Será que a Bia vai nos achar aqui? – eu observava a decoração
-Não sei... Você quer que ela nos encontre? – eu não olhei para ele.
- Talvez... – eu sussurrei.
Já era meia-noite e continuava a mesma alegria e dançaria no salão.
Foi cantado o parabéns...
Eu fiquei com Léo, naquele mesmo ambiente calmo e nada da Bianca...
-Você quer dançar? – eu perguntei ouvindo uma musica latina sendo tocada
na pista.
-Antes... – ele pegou minha mão.
-O que?
- Renesmee, você... – ele balançou a cabeça. - esquece.

“Ela é muito pra mim...” – ele olhou em meus olhos, analisou meu rosto –
“Ta na cara que ela não ta afim. A única coisa que queria era senti sua
boca, meu rosto grudado no dela. Ela é tão... perfeita, gentil, carinhosa,
amiga... Eu não sou nada ao lado dela. –“

Por impulso, fiz meus lábios estarem nos dele, eu os movimentei


delicadamente e me afastei, Jake que me perdoasse mas eu não podia fazer
aquilo, além do mais eu estaria enganando o Léo. Mas como uma onda, seu
cheiro me consumiu...
Ele olhou rapidamente nos meus olhos e me puxou para mais perto, me
beijando, me fazendo sentir o gosto de sua boca, seus lábios se movendo
apresados nos meus, mas continuando carinhosos.
Minha mente começou a ficar nublada, me afastei, ele estava á centímetros
de mim, minha boca começou a salivar, minha garganta secou e ardeu, meu
estomago estava pesado, meus músculos ficaram rígidos, meus olhos não
queriam sair do pescoço dele vendo sua veia salvar, eu abri a boca sentindo
seu cheiro em minha língua e cada vez que eu inspirava, eu tinha mais
vontade de atacá-lo, sentir seu sangue aquecer minha boca.
Fechei minha mão em punhos e as apertei fazendo minhas unhas
perfurarem a pele. Eu olhei pra baixo e sai correndo.
-O que foi? –ele gritou a trás de mim.
Eu atravessei a pista, com o nariz tampado e entrei no banheiro, graças a
deus não tinha ninguém. Eu me apoiei na pia e me olhei no espelho.
Quem era ela?
Eu estava pálida, embaixo de meus olhos estava fraco, mas visível um
mancha arroxeada em baixo das pálpebras, de quem eram aqueles olhos?
Mais escuros que o normal, com sede de sangue...
Eu me sentei e bati minhas costas contra parede, quebrando minhas asas,
lagrimas escorriam pelo meu rosto, tirando e manchando toda a perfeita
maquiagem branca.
Eu passei a mão nos olhos e sujei de sangue meu rosto. Olhei para minhas
mãos perfuradas, fiquei olhando pra elas... Aquele sangue poderia ser do
meu amigo... Mais lagrimas passavam pelo meu rosto e molhavam minhas
mãos se misturando ao sangue.
Eu nunca deixei de ser, eu sempre fui perigosa...
Como fui idiota achando que minha parte humana seria maior e mais forte
que a vampira, nunca foi! A parte animal sempre esteve comigo, ela só
precisava de uma brecha, para me machucar, machucar alguém...
Não que eu não goste da minha parte vampira, mas às vezes eu a detestava,
me odiava.
E se eu tivesse, se eu tivesse o – matado... Eu fechei os olhos com raiva.
Eu preciso sair daqui, antes que alguém chegue.
Eu não posso mais ficar aqui... Eu tenho que ir embora.
Me levantei, lavei o rosto, respirei fundo e sai do banheiro, o mesmo
ambiente quente, úmido, escuro e cheio de tentações estava lá, eu parei de
respirar e corri.
A noite estava fresca, me acalmando. Olhei pra cima e vi aquela linda lua
cheia, lembrei de Jake, apertei os olhos para não chorar mais.
Corri com minha velocidade normal – de vampiro - para o apartamento de
Alice.
Eu abri a porta e corri para seus braços, ela acariciava meu cabelo.
- Porque você não me disse?! Porque você não me avisou? – eu gritava
- Eu sabia que você não faria nada, isso eu sabia... – Alice estava tão
preocupada quanto eu.
-Por isso você veio pra cá, não é?! Pra me impedir se eu fizesse alguma
besteira e... – eu não conseguia mais gritar com ela, ela não tinha culpa.
-Não... Eu realmente não sabia que poderia acontecer alguma coisa. - sua
voz suplicante.
Eu olhei pra ela.
-Vamos embora. Eu vou embora com você! – eu estava com medo,
desesperada.
Bianca entrou no apartamento... Seus olhos assustados, preocupado...
-O q- O que aconteceu? – ela perguntou se aproximando
-Não, fique longe, Bianca! Eu sou perigosa... Eu vou embora!
O que ela faz aqui? Apenas mais uma que eu posso machucar essa noite.
-Bianca agora não é uma boa hora... – a voz de Alice doce. – Amanhã ela
estará em casa.
Eu olhei para Alice, surpresa, eu acabei de dizer que iríamos embora.
Bianca olhou mais uma vez pra mim -com medo- preocupada e saiu.
Meu peito doía, eu estava sem fôlego, minha cabeça latejava...
-Há quanto tempo você não se alimenta? – Alice perguntou quando
estávamos sozinhas.
- Desde nossa ultima vez, na fazenda. Eu achei que poderia se manter um
tempo com comida humana... Eu achava que poderia ser mais humana. –
mas eu não era.
Alice me abraçou.
-Como você foi boba. – ela usava um tom de brincadeira, tentando
amenizar o clima. – Você não deve deixar de tomar sangue, você é tão
vampira quanto humana, é a perfeita combinação dos dois, deve se
alimentar de ambos igualmente.
Eu respirei fundo, inspirando o cheiro de minha tia, ficando mais centrada.
- Eu fui negligente... – sussurrei.
-Amanhã antes de o sol nascer, vamos caçar! - eu concordei com a cabeça.
Ainda me sinto culpada...
Não há nada pior do que não confiar em si mesmo.

“Assim que você confiar em si mesmo, você saberá como viver.


Estou esperando por isso...”
17. SEGREDOS
Como prometido, eu e Alice fomos caçar...
Eu tinha tomado um banho frio – se estivesse realmente frio – para me
acalmar. Não fomos à fazenda, Alice preferiu a floresta próxima.
Nós corremos e encontramos um cavalo sozinho. Eu o agarrei e mordi...
O sangue daquele animal me aqueceu tão rapidamente que quase fiquei
tonta, era a fome. Meu estomago aos pouco ficava mais leve e eu me sentia
melhor. Quando acabei, me espreguicei, estava ótima.
-Melhor? – Alice zombou
-Sim. – eu respirei fundo...
Aquele cheiro da terra, das plantas, das flores até mesmo do sangue em
meu rosto me fazia melhor. Alice me entregou um pano, eu limpei a boca.
- E agora? – eu perguntei para Alice – Como vou encarar a Bianca, muito
menos o Léo... – Alice acariciou minha mão
- Eles são seus amigos, não são?
-Sim.
- Então... Eles vão entender. Volte para casa e converse com a Bianca, ela
tem uma cabeça muito boa e não vai te cobrar nada. - Alice falava com
uma segurança que desconfiei. Ela já teria visto alguma coisa?
-Ok.
Nós voltamos para á republica, mas Alice não entrou.
Eu subi e abri a porta desejando que estivéssemos sozinhas. Pude ouvir um
coração batendo, aquele cheiro de margaridas e petúnias vindo do quarto,
só estava ela em casa.
Seu coração batia devagar, mais devagar e estava baixando o ritmo, o som
muito fraco... Eu corri para o quarto.
-BIANCA! – eu gritei assustada.
Ela estava em posição de lótus, no meio do quarto entre nossas camas, com
os olhos fechados e a coluna ereta. Estava meditando.
-Você voltou... – ela sussurrava calma, ainda de olhos fechados.
- Eu... Se estiver atrapalhando, depois eu volto. – e eu saia do quarto.
-Não... – ela se levantou – Vamos conversar.
Eu me sentei na cama receosa...
O que iria falar pra ela? Como vou explicar as coisas que eu disse ontem?
- O que aconteceu ontem? Você estava tão estranha. – ela estava de pé,
perto do computador de costas.
- Eu... – como eu queria dizer pra ela todos meus problemas, dizer que sou
meio-vampira, que tenho sede de sangue, que é melhor ela ficar longe de
mim. Ela me interrompeu...
-Você vai embora? – ela se virou
Eu engoli seco, eu não queria ir embora...
-Não. – eu sussurrei, sem certeza.
Bianca veio na minha direção e me abraçou. Eu passei meus braços em
volta dela.
- Eu achei que você... – ela hesitou – Eu queria te contar uma coisa. – ela
estava tão receosa quanto eu. – Você sabe como é guardar um segredo e
não poder contar pra ninguém com medo da reação delas?
-Sei exatamente do que você está falando, se eu contasse o meu... Além de
você ter medo de mim, eu estaria te colocando em perigo.
Ela pegou minha mão e apertou.
-Eu confio em você.
-E eu confio em você. – sussurrei.
Ambas com segredos, ambas querendo contá-los para a melhor amiga...
Mas eu deveria?
- Reh... – ela respirou fundo. – Eu sou uma... – hesitou – bruxa.
Eu a encarei incrédula.
-Uma... O que? Bia por favor! Sem gracinhas, achei que você estivesse
falando serio...
Eu não estava entendendo seu rosto estava sereno, ela não estava
brincando?
- Eu venho de uma família de tradições... Esse dom às vezes pula uma
geração como a minha. Minha avó também praticava magia, mas minha
mãe não ou também quando uma pessoa pratica e reencarna na mesma
família... – ela estava com as mãos juntas, no colo.
-Você está me dizendo que pratica bruxaria?
Impossível! Essas coisas realmente existem?
A Bianca sempre foi um pouco fora do comum, mas ser uma bruxa?!
Ela esconde algum caldeirão ou uma vassoura que voa por aí?
- Como na religião wicca, existe três classes: Iniciante, Bruxo e Sacerdote,
mas para os “verdadeiros bruxos” ou os de sangue, é diferença... Por
exemplo, se alguém faz um feitiço ou simpatia – ela falava seriamente, a
interrompi
-Você faz feitiços? – eu estava incrédula
Ela suspirou tristemente.
-Sim... Mas é muito perigoso. Como estava dizendo; se alguém fizer uma
simpatia ou feitiço demora entre uma semana ou mais de um mês. Mas para
nos “bruxos de sangue” ocorre entre dois dias á menos de uma semana...
Conheci apenas duas pessoas como eu, em que á família praticava magia,
chamada bruxaria hereditária.
Eu olhava para ela com a boca meio aberta, não acredito que existe outro
mundo, um mundo além dos lobos – transmorfos –, dos vampiros e dos
filhos da lua – verdadeiros lobisomens que se transformam na lua cheia.
-Você está me entendendo? – ela olhava pra mim serena
-Eu acho que sim... Mas você vive normalmente, não tem caldeirão,
vassoura que voa, nem – eu passei minha mão em seu nariz – uma verruga
no nariz? – ela riu
-Não... É uma coisa simples, eu apenas acredito nos cosmos, na magia da
natureza, na Deusa Mãe e no Deus Cornifero, em como a vida é linda,
perfeita. –ela falava admirada. – Tudo que sei, aprendi com minha vó, ela
me colocou em um culto, mas eu estava muito ocupada com a escola e
parei. – eu olhei pra ela assustada
-Culto?
- Não se assuste, não é nada obscuro... É um lugar onde wiccanos – pessoas
que cultuam a religião wicca – se reúnem, fazem preces, oram, entre outras
coisas. Nos cultivamos a paz e o bem... – ela sorriu
- Uau... – eu suspirei
Existe realmente outro mundo...
-Eu não sei direito o que dizer... Mas porque você tinha tanto medo de me
contar?
-Bem... Além de que ninguém iria acreditar, eu não posso contar pra
ninguém, apenas para pessoas próximas, de confiança. Tem uma coisa. –
ela passou a mão no busto. – que pertença a minha família, que passou de
geração em geração. – ela tirou de dentro da blusa um colar, parecendo
mais um amuleto, mais ou menos de cinco centímetros, oval, com uma
grande pedra verde, uma pequenina pedra preta – parecendo ônix - em cima
e uma branca – parecendo um brilhante - em baixo.
- O que é isso? – eu nunca tinha visto isso com ela antes.
- Chamasse Phylacterium ex Animus... Minha tataravó foi escolhida para
“protegê-lo”, que passou pra minha avó e para mim.
-Amuleto da Alma? – eu perguntei traduzindo o latim, ela se surpreendeu
-Você sabe latim?
-Meu avô me ensinou. Mas então, esse colar é precioso?
- Sim... Se cair nas mãos de pessoas ruins, com más intenções ele pode... –
ela parou e mudou o humor – Eu na verdade, não sei o que ele faz... – ela
riu – Mas minha vó disse pra tomar muito cuidado com ele.
-Hum... Que incrível. Mas porque eu nunca te vi com ele?
- É uma simpatia, apenas as pessoas que realmente o querem podem vê-lo,
é simples.
Eu passei a mão no colar, a pedra lisa, esculpida... e ele mudou de cor
diante dos meus olhos, para azul. Eu tirei a mão assustada.
- O que foi isso? – e voltou a ficar verde.
-Ele absorveu sua energia, á canalizou. – ela guardou o colar. – Não se
preocupe não te fez mal nenhum, apenas mostrou como está o seu humor
ou a sua energia no momento... – ela sorriu feliz e me abraçou – Eu sabia
que podia confiar com você!
Meu humor ficou um pouco negro, será que deveria contar a verdade a
ela... Mas se eu contar, não terá problemas... Pois ela também tem um
segredo, são como os Quileutes, ambos os vampiros quanto os lobisomens
guardam seus segredos, como um pacto.
-Bia... – eu falava baixo – Tenho que te contar uma coisa. – ela pegou
minha mão
-Você tem certeza? – ela não sabia o que era, mas me entendia.
-Tenho sim... Agora é a minha vez de contar meu segredo.
O silêncio passou rapidamente pelo quarto.
- Eu sou meio-humana, sou meio-vampira. – quando olhei em seus olhos
não vi medo, ela me olhava desconfiada.
- Reh, para com isso! Eu não estou brincando quando falei sobre mim e
minha família, é serio. Não precisa brincar comigo... – ela ria, eu continuei
seria
-Não é mentira. – eu peguei seu porta-incenso de ferro fundido. – Posso? –
ela concordou com a cabeça curiosa.
E eu o dobrei ate o mínimo possível.
-Tenho força sobre-humana. – e atravessei o quarto em meio segundo –
Velocidade sobre-humana. E... O pior... tenho sede de coisas humanas. –
ela se afastou um pouco
-Você está falando serio? Serio mesmo? – ela balançava a cabeça incrédula
Eu concordei.
-Você bebe sangue? – eu concordei com a cabeça novamente e me sentei
no pé da cama
- Você não chega perto da igreja, de crucifixo, alho e água benta?- eu ri.
- Não, nada disso me afeta, é tudo mito...
-E o sol, ele não te afeta, certo? Porque eu já te vi na luz.
-Não ele não faz nada comigo, mas com a minha família - ela me
interrompeu
-Su-Sua família?- ela gaguejou
- Sim... Eles são vampiros. – em um segundo peguei meu fichário, o abri e
mostrei a foto em que estavam todos. Seus olhos pararam em Jacob.
-Seu namorado, também é?
-Não, ele é um... – eu posso dizer a verdade, falar sobre os Quileutes? -
Bianca me prometa uma coisa. – ela olhou em meus olhos – Não conte para
ninguém... Eu sou uma idiota contando isso pra você, pois além de te
colocar em perigoso, posso colocar toda minha família também.
Ela sorriu.
- Você não conta o meu e eu não conto o seu. – ela piscou e a abracei. Ela
recuou. – Você não está com sede agora, está? – brincou
Eu a empurrei de leve, ela riu.
Seus olhos se abriram, ela deveria ter lembrado de ontem a noite.
-Por isso... Por isso, que você estava tão estranha ontem. Você estava com
sede, não é?
-Sim... Mas eu não mato humanos, apenas animais. – eu a informei
-Hum... Que bom! – ela sorriu. - Mas me conta, qual a história da sua
família, a sua história? – ela cruzou as pernas na cama e se apoiou na
parede.
-É um historia longa, mas não me canso de contar. Vou tentar simplificar:
Eu tenho quatro tios; Jasper, Rosálie, Alice, que você conhece – Bianca
arregalou os olhos e me interrompeu.
-A- Alice é uma vampira? – ela estava fascinada
-Sim. – eu falei orgulhosa. - Mas continuando... e meu tio Emmet, tenho
dois avós , Esme e Carlisle, meu pai Edward, minha mãe Isabella ou
Bella... Meu avô criou primeiro meu pai. – ela me interrompeu de novo.
-Como se cria um vampiro?
-Bem... É só morder e não matar o humano, claro!
-Então se você me morder... – dessa vez eu a interrompi.
-Não, eu não tenho veneno... Posso terminar? – eu ri, ela concordou com a
cabeça. – Depois Carlisle criou Esme, Rosálie e Emmet, minha tia Alice e
meu Tio Jasper, encontraram nossa família depois... Há 20 anos meu pai
encontrou minha mãe, ainda humana, eles se apaixonaram e depois de
muita confusão – eu ri - eles se casaram e eu fui... concebida – eu fiquei
envergonhada – Quando minha mãe ainda era humana, eu já tinha noção do
quanto á machucava, dentro dela. – Bianca estava de boca aberta, parecia
que estava vendo um filme fascinante – quando nasci, meu pai teve que
transformá-la em uma de nós... Bem... Como sou meio-vampira, eu posso
me alimentar de comida humana tanto quanto de sangue, eu não brilho no
sol. – ela ia falar alguma coisa, mas a impedi – Minha família brilha
como... Vários diamantes na pele, como um predador chamando a presa. -
Bianca fechou a boca. – Mas tenho a força e agilidade de qualquer vampiro
e também tenho habilidades incomuns.
-Mais habilidades?
-Sim, posso mostrar as pessoas o que vi ou o que quero ver. – eu a toquei e
mostrei a primeira vez que nos vimos antes mesmo de eu saber seu nome,
ela me olhou curiosa - também posso ler mentes, meu pai também pode... -
ela abriu a boca.
-Ta brincando? Além de ser super dotada, ainda têm poder de super heroi. –
eu ri com a comparação. – Acho que to sonhando, não pode ser verdade... -
ela colocou a mão na testa.
-Se você diz que morar com um vampiro seja sonho, não pesadelo, eu
agradeço...
- Mais alguém tem essas habilidades?
-Eu conheço alguns vampiros que também possuem das mais variadas
habilidades, mas... Alice pode prever o futuro, meu tio Jasper senti e pode
controlar as emoções das pessoas... Carlisle diz que quando nós se
transformamos, carregamos a nossa melhor habilidade quando humano e
ela é... aumentada. Rosálie tem uma beleza hipnotizadora, meu tio Emmet é
o mais forte de nós, minha mãe pode criar uma barreira com a mente em
que nenhum poder psíquico a atinge, minha avó ama qualquer pessoa
passionalmente, meu avô tem uma compaixão inigualável... – Bianca ainda
olhava para a foto
- E o seu namorado... Qual o nome dele mesmo?
-Jacob. - falar o nome dele me aquecia. - Ele é um transmorfo, pode se
transformar em um imenso e lindo lobo.
-Um lobo? – ela me olhou assustada pela primeira vez.
-Sim... Por isso ele está com a mesma aparência que tem aí na foto... Os
lobos estão aqui para proteger as pessoas dos vampiros e eles não...
envelhecem.- eu não tinha certeza se Jake nunca morreria.
-UAU... Você é a garota mais sortuda do mundo. – ela me olhava com
fascino. - Super poderosa, uma família linda imortal, um namorado
perfeito... – ela suspirou
-E não se esqueça de uma melhor amiga mágica...
-Claro... – ela revirou os olhos
-Mas e você tem alguma habilidade especial... Telecinese? – eu brinquei
-Hum... Se você considerar empatia e ver a aura dos outros uma
habilidade... – ela deu de ombros. – E além de coisas normais como sonhos
premonitivos e etc..
- O que é empatia? – eu não sabia exatamente
-É quando você sente as emoções das pessoas.
-Como meu tio Jasper. – eu falei animada
-Deve ser... - ela me entregou a foto.
Eu peguei a mão dela e ficamos nos olhando.
-Sem mais segredos...
Ela concordou com a cabeça e me abraçou.
Será que Alice ia ficar brava quando descobrisse ou minha família?
Aí...
18. VIAGEM...
Hoje é domingo e Alice iria embora... de novo. Eu e a Bia fomos para o
apartamento.
Alice estava colocando as malas na sala...
- Já sabe? – eu a testei
- Do que? – ela não sabia
- Eu... contei a verdade a Bia. – Alice me olha confusa
- Que verdade?
- De que somos... vampiros. – Alice arregalou os olhos e veio na minha
direção
-Você falou sobre nós... Por quê?

“Reh, ta me ouvindo?” – eu ri alto, era a primeira vez que Bianca tentava


falar comigo pelo pensamento “Eu vou contar pra Alice!”
Eu acenei com a cabeça.
-Agora me sinto obrigada a dizer sobre mim... – Bianca interrompeu
Os olhos de Alice ficaram opacos, ela olhava para o nada. Depois voltou.
Eu encostei na mão da Bianca, ela olhou pra mim, balancei a cabeça
negativamente.
- Não precisa, ela já sabe. – e eu olhei para Alice e a - toquei, mostrando a
minha conversa com Bianca. – Como os lobos, seria um pacto, não seria?
-Sim... – Alice estava seria – Vocês confiam muito uma na outra. - nós
concordamos... Alice nos abraçou. – Mas e seu pai, os outros?
- Eu queria falar com eles pessoalmente, daqui a alguns meses nas férias...
- Ok... Mas e se ele descobrir? – Alice me perguntou
- Apenas diga que quero explicar meus motivos pessoalmente. E se ele não
tiver paciência, tente lembrar-se de tudo o que eu te mostrei. - ela
concordou com a cabeça.

Alice foi embora, levando meu medo...

Eu e Bianca estávamos mais próximas que nunca, contando nossas


experiências e situações, contei a ela por que ela poderia correr tanto
perigo, falei sobre os Volturi... Ela entendeu minha preocupação.
-O que eu faço com o Léo? – nós estávamos no quarto na republica, ainda
não tinha ninguém.
-O que exatamente aconteceu ontem?
-Bem... Eu o beijei... – ela arregalou os olhos, porém não ficou feliz, o
quanto imaginei.
- Ai, você quis morde-lo... e... – eu ri, pelo jeito que ela falava como se
fosse à coisa mais normal do mundo.
- Sim... E sai correndo. – eu acrescentei.
-Ah, você fala que agiu por impulso e que ser só quer ser amiga dele...
Você quer, né?
-Sim. Apenas amigos. – eu sorri
-Então... Amanhã agente fala com ele. – ela pensou, alegre.
Eu concordei receosa... Ela se levantou e pegou um bolo de cartas.
-Posso fazer uma coisa?
-Pode... – eu não sabia o que ela faria, mas concordei.
Ela se sentou na minha frente, na cama.
-Isso são cartas de tarô. – ela as - embaralhou– Vou fazer um jogo de três,
passado, presente e futuro, tudo bem? – eu concordei, ela abriu-as em um
leque e me mandou tirar três cartas. – A sua esquerda é seu passado, aquilo
que você já sabe, que é verdadeiro. A segunda – ela tocou a carta a minha
frente - é o seu presente, que mostra as condições e circunstâncias atuais, e
a terceira á sua direita, mostrará o que poderá vir acontecer.
Ela virou à primeira.
- O Julgamento; é uma carta de decisão final, você decidiu sobre algo,
passou por momentos difíceis e grandes mudanças aconteceram depois de
sua decisão. – eu acenei com cabeça concordando, ela desvirou a segunda-
A Justiça: está carta te instrui para agir com honestidade e imparcialidade
em qualquer assunto, pode representar um novo relacionamento ou – ela ri
de leve – uma notável amizade... pode haver preocupações, mas serão
passageiras. – ela respirou fundo e desvirou a ultima. – A Torre: – ela
mordeu o lábio – acontecerá algo inesperado, essa carta representa
mudanças... surpreendentes e dramáticas, haverá revira-voltas em sua vida.
Haverá lições a serem aprendidas... – ela tirou os olhos da carta e olhou pra
mim.
- Que legal... E você já fez isso? – ela embaralhava as cartas novamente
-Não...
-Quero ver o que vai dá. – eu a entusiasmei.
-Tudo bem... - ela tirou três cartas e fez o mesmo processo. Desvirou a
primeira. – O Louco; um ciclo novo veio para minha vida, que eu devia
confiar em minha voz interior, houve desafios, decisões... – ela desvirou a
segunda - A Grande Sacerdotisa, eu preciso desenvolver e confiar em meus
poderes psíquicos, terei mais sonhos agora e eu devo levá-los á serio. -
dava pra ver que ela simplificada o significado da carta e desvirou a última.
– O Enforcado, – ela ficou pensativa, olhando para a carta, nem um pouco
bonita.
- O que é? – eu interrompi
- Diz que haverá um período de tristeza e sacrifício, algo... complicado
estará por vir...
Eu fiquei á observando, aquela carta não era uma coisa boa. Período de
tristeza e sacrifícios... O que será que quer dizer?
Eu não dormi essa noite, fiquei na varanda olhando para a lua cheia,
pensando no que as cartas de nossos futuros queriam dizer...

Nos se arrumamos para a escola, cumprimentei de relance o pessoal da


casa, Bia tomou café como sempre e fomos com o carro de Alice.
Eu estava nervosa por ter que falar com o Léo...
O professor passou algumas lições... Eu raramente uso minha habilidade
para saber as respostas, eu geralmente já ás sei.
Quando tocou o sinal, meu coração disparou...
Bianca me esperava na porta da sala e me pegou pelo braço... Quando
chegamos ao pátio, pude ver onde o Léo estava, encostado na parede.
Eu recuei.
-Uma outra hora? – eu perguntei para Bia
- Não. – ela me manteve no lugar. E me empurrou até o Léo.
Ele estava tão envergonhado quanto eu...
Quem dera se minha vergonha fosse apenas pelo fato de tê-lo beijado.
-Oi... – ele falou tímido.
-Oi, Léo... Eu queria explicar o que aconteceu na festa.

“Vá em frente, eu já volto!” Bianca pensou, ela aprendeu rápido como falar
comigo... Eu assenti com a cabeça.
-Bem... É que na festa eu estava... – eu não achava as palavras. – Eu cometi
um erro, você é um ótimo amigo e... não quero perder sua amizade. –
quando terminei de falar, me senti aliviada.
- Tudo bem. – ele olhou para mim. – Eu também não quero perder sua
amizade. – e me abraçou, eu fiquei surpresa.

“É uma pena ela não me querer, mas o que mais quero dela, agora, é que
ela goste de mim não importe de que jeito.” – eu o abracei mais forte.

Bianca se aproximou e abraçou nós dois...


Tudo voltou o normal -quase- estava melhor!
Quando o intervalo acabou, eu voltei feliz pra sala, conversei com a Camila
e fiquei mais próxima da Vivian, da Nicole e de um garoto, Lucas...
Na saída a Bia e o Léo, estavam me esperando, eu sorri e corri na direção
deles.
Enquanto conversávamos voltando pra casa, percebi que o Léo e a Bia
formavam um belo casal...
Quando o Léo foi embora e eu tive que me despedir com um beijo, não
senti aquele súbito medo que achei que teria, aquela sede incontrolável que
tinha sentido no Sábado e fiquei ainda mais feliz...
Quando eu a Bianca estávamos sozinhas, eu ficava olhando pra ela,
pensando nela e no Léo juntos. Até que ela parou e perguntou.
-Por que você está me olhando com essa cara de... maliciosa?
- Há... Eu só estava pensando... Você e o Léo formam um belo casal, sabia?
Ela me censurou com os olhos...
- Ainda bem que você só pensou!- nós rimos.
Quando chegamos em casa, meu celular tocou...
-Alô.
-Nessie... Você está bem? – era minha mãe
-To ótima. – Bianca foi pra cozinha, almoçar. Eu me sentei no sofá.
- Menina, você me deu um susto quando Alice contou o que aconteceu lá...
– Alice tinha contado pra minha mãe?
“Eu tento não guardar segredos da Bella, você sabe!” – Alice falava ao
fundo. Desde que ela fugiu para encontrar o Nahuel, as duas não tinham
mais segredos, além das festas de aniversário que minha mãe detestava.
- Mas está tudo bem agora... Eu fui negligente em não ter me alimentado
direito. - eu estava envergonhada.
-É... Sua tia contou...
-Alice falou de mais alguma coisa? – talvez ela tivesse falado da Bianca.
-Hum... Não, porque tem mais alguma coisa?
- Na-Não. – eu gaguejei
-Ok... Querida, era só isso mesmo. Nós vemos daqui a alguns meses...
-Sim. – eu pensei animada. – Até, Mãe.
-Te amo, filha.
“Tchau, Nessie!” – gritou Alice ao fundo. Eu ri.
-Tchau. – e desliguei.
Pelo menos ninguém sabia da Bia... Por enquanto.

Os dias, as semanas e os meses passaram...


Tento não pensar, mais a saudade é inevitável.
Tive muitos momentos inesquecíveis com a Bia, a Camila virou uma boa
amiga, também tem a Letícia que era amiga da Bia, mas que agora também
é muita minha amiga. O Lucas sempre esta comigo, com a Bia, o Léo, e os
outros...
Eu e Bia estamos fazendo uma musica, ela me ajudou a comprar um violão,
e sempre ficamos testando notas e ritmos, compondo letras.
O incidente da festa á fantasia, só aconteceu naquela vez... Eu me alimento
a cada 10 dias. É estranho caçar sozinha, mas já me acostumei. A Bia
sempre pede pra eu levar ela, mas eu á digo que é perigoso demais...
Toda semana eu ligo pra minha família, no momento Esme e Carlisle estão
viajando, mas iram voltar antes das minhas férias, que começará daqui a
três semanas...
Eu e Bia estamos no quarto tocando violão...
E eu estava curiosa pra saber, o porque que a Bia nunca contou sobre ela
para o Léo, já que eles se conhecem a mais tempo que ela me conhece.
-Bia...
-O que?
- Porque você nunca contou pro Léo sobre você? – ela olhava para o violão.
- Ah... É que ele é muito cético e não acreditaria, eu nunca senti uma
necessidade muito grande de contar á ele... – ela colocou o violão de lado.
- Mas você contou pra mim.
-É, mas eu sentia que podia contar com você, fazia pouco tempo que agente
se conhecia mais algo me dizia que só me faria bem te contar. – ela sorriu.
- Claro... – eu sussurrei.
- Eu queria ver a Alice de novo, quando ela volta? – ela pegou um livro, eu
ainda testava notas.
-Não sei... Talvez ela venha depois das férias, mas... você podia ir comigo
pra Quilcene, ia ser muito legal... – eu comecei a ficar empolgada.
Ela fez bico.
-Não vai dá, prometi aos meus pais que voltaria pra São Paulo durante as
férias.
- Hum... – como eu também tinha prometido que ficaria o mês em
Quilcene.
O telefone da sala tocou, pude ouvir que Lucia tinha atendido...
- Bia, pra você! – Lucia gritou da sala.
Bianca olhou pra mim e deu de ombros. Eu a acompanhei.
Ela pegou o telefone.
- Alô.
“Bia, já falaram pra onde vai se a viagem desse ano...” – era á voz da
Letícia.
- É. Pra onde? – perguntou Bia curiosa
“França!!” – Letícia gritou do outro lado da linha.
-França? Nossa, que legal... Quando? - Bianca olhou pra mim empolgada.
“Não sei, não falaram... mais amanhã deve ter um monte de anúncio no
colégio.”
- Ok... Então amanhã agente se fala...
-Tá, Tchau. – e Letícia desligou.
Bianca me olhava entusiasmada.
-Você ouviu o que ela falou? – Bianca levantou uma sobrancelha.
-Sim... – eu fiz bico, Bianca balançou a cabeça e sorri.
-Tudo bem... Mas França! Não é demais?! – ela estava empolgada.
-É... Mas o que é essa viajem exatamente? – eu não sabia.
-Todo ano, o 3º ano, viaja pra algum lugar no meio do ano pra outro país,
como vai ser esse ano ou pra algum lugar do Brasil mesmo... – ela sorria
-Nossa... Na escola de Quilcene não teve nada disso. – eu comentei.
Bianca revirou os olhos.
-Mas você sempre viajou com a sua família...
Eu dei de ombros.
- Então só esperar até amanhã, pra saber quando vai ser e o preço... –
Bianca estava ansiosa.
De manhã eu fiz o processo de ir para escola de sempre, Bianca também...
A Sophia e os garotos já estavam de férias da faculdade, então ficaram em
casa.
Quando chegamos na escola, como a Leh tinha dito, o colégio estava com
vários anúncios:

Viagem dos 3º Anos para a França


Do dia 11/07 ao 25/07
Falar com a secretaria ou com os professores

- No meio das férias? – eu pensei


- Hum... Será que é muito caro? Reh, você vai, né? – ela me cutucou
- Hã... Não sei, eu estava querendo ficar toda as minhas férias com minha
família... mas... – ela me interrompeu
- Ah, faz o seguinte: Quando as aulas acabarem você vai pra lá, ai depois
volta e vai pra França com a gente, depois volta pra Quilcene de novo,
certo?
-É uma boa idéia... – mas será que eles iam deixar?
-Oi, Léo. – ela o - chamou
- Oi, garotas. – ele nos cumprimentou e olhou para ao anúncio. - Vocês
vão?
-Eu não sei, depende do preço... - Bianca respondeu
- E você, Reh...
-Ah, eu tenho que pergunta pra minha família...
-Claro. – ele pensou - Bem... Eu não vou poder ir! – nós olhamos surpresa
pra ele.
- Por quê? – perguntamos juntas
- É que é muito caro... E meus pais já falaram que não vão pagar, porque eu
já pedi o meu carro. – ele torceu a boca em uma careta.
-E quanto é? – Bianca perguntou
Léo entregou um formulário que ele tinha pegado na secretaria...
- Nossa... Meus pais só poderiam pagar metade. – ela ficou triste. – Não vai
dá.
Eu fiquei quieta, pensativa...
O dia hoje na escola foi apenas do assunto da viajem, uns não querendo ir,
outros aceitando, a maioria não podia pagar, outros já tinha juntado o
dinheiro antes...
Eu tinha o dinheiro, mas o problema era saber se poderia ir.
Quando eu e a Bia chegamos em casa, eu perguntei.
-Bia, se eu for viajar você vem comigo? – era uma hipótese
- Bem... Eu não posso pagar, tenho só a metade do dinheiro...
-Então... Se eu for eu pago a parte que falta.
Ela me olhou desconfiada.
-Você pode pagar tudo isso e ainda pagar a minha metade?
Eu me aproximei dela e falei em seu ouvido.
-Minha família nunca teve muitas necessidades para usar todo o dinheiro
que acumulamos nesses anos... – eu sorri, ela arregalou os olhos
-Verdade... Então “se você for” você paga mesmo pra mim? – eu acenei
com a cabeça. Ela me abraçou. – Brigada, amiga!
- Mas eu não tenho certeza... – eu á lembrei.
- Claro, claro...

“Tudo que é bom, dura o tempo necessário


para ser inesquecível...”
19. UMA SEDE DIFERENTE
Eu já fui pra França uma vez quando tinha 13 anos, Jake também foi, pois
estávamos namorando e eu não queria me desgrudar dele... Talvez tenha
sido minha fase mais rebelde...
Falei com minha mãe e Alice sobre a viagem á França e ambas falaram que
quando eu estivesse lá, nós conversaríamos.
Imaginar aquelas densas floresta úmidas de Quilcene, aquele ambiente que
estava tão familiarizada, me enchia de saudade...
Essas três semanas foram de provas e testes, nada muito complicado, mas
era chato...
A idéia de ir pra França nunca saiu da minha cabeça e eu já tinha avisado a
Bia que quando soubesse se realmente iria eu ia mandar o dinheiro pra ela,
pra minha passagem e a metade do dela.
Eu me despedi do pessoal da escola, mas todos lá estavam com clima de
festa, não despedida. O meu abraço no Léo foi um pouco mais demorado...
Eu arrumei apenas uma mala pra ir pro Estados Unidos, mesmo que
temporariamente...
Eu peguei a blusa de Jacob e a encostei no rosto, não tinha mais seu cheiro
apenas o meu... Eu sorri tristemente, mas logo o - teria pessoalmente.
Quando acabei de arrumar à mala levei para sala.
Eu deixei uma mala na republica pra se quando eu voltasse, já estaria
pronta pra a ir á França.
Eu ainda tinha roupas em Quilcene, com certeza minhas tias e minha mãe
já teriam comprado mais, enquanto eu estava fora.
Que saudade da Rose, do Emmet, de meu pai... Eu suspirei esperançosa.
Logo, logo estarei com eles... Daqui a três horas.
- Agente se fala! – Bianca disse enquanto me abraçava.
-Claro, se cuida.
Eu acenei para o pessoal da republica e sai.
Era muito nostálgico voltar pra casa, eu olhava pra rua e ficava ansiosa
para substituir a paisagem de prédios e cinza por árvores e verde.
No avião meu coração estava pulsando descontrolado no peito...
Quando ele pousou eu queria voar em meus pés e chegar em Quilcene.
Eu poderia ter ligado pra alguém ter vindo me buscar, mas prefiro fazer
uma surpresa, bem... Nem tão surpresa já que era provável que Alice já me
veja chegar.
Eu peguei um taxi e ele me levou para Quilcene, eu desci do carro, uns 2
km da casa de meu avô. Enquanto eu andava pela estrada e entrava cada
vez mais na floresta, naquele lugar que conhecia tão bem, um caminho que
seria igual para qualquer humano.
Por um momento achei que estava sonhando, mas uma gota de chuva
molhou meu rosto e eu senti que realmente estava ali, em casa...
Avistei meu pai e minha mãe do lado de fora da casa de Carlisle, larguei
minha mala e corri na direção deles, para os braços daquelas esculturas
perfeitas e indestrutíveis...
Eles se viraram pra mim, eu abracei os dois ao mesmo tempo.
Depois envolvi minha mãe com os braços e a apertei, sabendo que ela não
sentiria muita coisa.
-Ai, querida. – ela suspirou.
- Mãe!! – eu apertei mais ainda
Me afastei e olhei pra meu pai, lagrimas já deslizavam pelo meu rosto. Ele
me abraçou me tirando do chão...
-Minha filha... Que bom que voltou. – ele falava em meu cabelo.
- Nem acredito que estou de novo com vocês... – eu não queria parar de
chorar.
Eu olhei para os dois novamente, os olhos de Bella irritados, super
vermelhos - ela estava chorando.
Eu me virei e vi Rosálie com Emmet, eu corri na direção de minha tia, ela
teve que dar uns passos para trás por causa do impacto de meu abraço.
-Oi, Nessie...
- Oi, tia.
Eu me virei e abracei meu tio, ele me deu seu imenso abraço de urso, quase
quebrando minhas costelas.
Na porta de casa, estava Alice e Jasper.
-ALICE! – eu gritei animada.
Ela abriu seu perfeito sorriso e correu na minha direção, nos abraçamos,
depois abracei Jasper...
Eu corri para dentro de casa, da onde vinha o cheiro de Carlisle e Esme,
eles estavam indo para fora. Olhei para Esme e parecia que seus olhos
brilharam, ela me abraçou carinhosamente e me deu um beijo no rosto,
olhei sobre seu ombro e vi Carlisle sorrindo, perfeito, como o irmão mais
novo de Zeus. E fui abraçá-lo.
-Bem vinda de volta... - ele disse
Eu peguei a mão dos dois e os levei pra fora, vi os rostos de cara de um de
minha família, todos felizes, sorrindo, amando.
Do jeito que os tinha deixado. Mas faltava uma pessoa, para minha volta
ser completa, uma pessoa que eu estava desesperada por seus beijos e
abraços. Quando eu ia perguntar, Alice me falou.
- Eu já o avisei que você virei, ele está vindo pra cá...
Eu concordei com a cabeça, empolgada.
Enquanto o esperava fiquei abraçada á minha mãe, meu pai, Rosálie...
Eles me contaram das novidades, de como foi às coisas, o susto quando
Alice voltou sozinha, eu fiquei envergonhada por deixá-los tão
preocupados... Então senti um cheiro amadeirado e forte aumentando, era
ele, ele estava próximo.
Eu corri para fora, ele saia de uma árvore, apenas com um short.
Ele encontrou meu olhar, eu corri em sua direção antes que ele pudesse dar
um passo eu já estava em seus braços, ele me ergueu e me rodou.
Depois me colocou de pé e me abraçou, eu o apertava tão forte, tentando
matar a saudade... Ele me beijou; eu o beijei tão descontroladamente
apaixonado, era á saudade.
Ele beijou meu rosto, meu pescoço, eu sentia sua respiração descontrolada
na minha pele... e me abraçou novamente.
-Oi, Nessie. – ele disse em meu ouvido.
-Oi, Jake. – eu ofegava
Eu pulei em seu colo e fiquei agarrava á ele, olhando para seu rosto, seus
pequenos olhos um pouco puxados, as maças do rosto altas, seu nariz um
pouco achatado, seus lábios cheios, sua pele morena, seus músculos, tudo o
deixando perfeito, lindo, meu...
Ele estava ansioso, excitado e pegou meu rosto com as mãos fazendo
nossos lábios estarem mais uma vez juntos.
Eu o aquecia, ele me aquecia... Juntos matando aos pouco a nossa saudade.
Depois de meia hora, entramos...
-Oi, pessoal. – Jake disse para minha família simpaticamente.
Todos sorriram felizes. Minha lagrimas finalmente cessaram.
Hoje eu não quero nem pensar em assuntos que tenham á ver com ir
embora, amanhã talvez...
Me lembrei da minha mala jogada na floresta e fui pega-la...
Eu e o Jake fomos para minha casa, para guardar minha mala.
Quando entrei em casa, me senti tão segura, aquecida, confortável.
Deixei a mala no hall e me joguei no sofá, fechei os olhos...
Como eu amava minha casa. Inspirei todos os cheiros que estavam ali, o de
Bella, de Edward, Alice, meus tios, de Jake...
Jacob se aproximou e deitou em cima de mim se segurando com os braços
ao lado da minha cabeça, tentando fazer com que eu não sentisse todo o seu
peso. Eu olhei pra ele travessa...
Eu beijei seu ombro, pescoço, mordi a ponta de uma orelha de leve, ele
gemeu...
-Te amo. – eu sussurrei em seu ouvido, mas nem tinha percebido que tinha
falado em português.
Ele me olhou confuso, eu ri suave.
- Eu te amo. – eu falei normalmente, ele sorriu.
-Eu te amo, Renesmee. – ele sussurrou no meu e começou a me beijar.
Ele se levantou e me pegou no colo, eu me agarrei ao seu pescoço, ele me
levou para o quarto...
Quando ele me colocou em pé, o empurrei até a cama, ele caiu de costas
apoiado nos cotovelos.
Eu me aproximei lentamente e tirei minha blusa, eu o beijava
delicadamente e me afastava de vez em quando, o tentando...
Até ele não agüentar mais e me agarrou, me jogando delicadamente na
cama e ficou em cima de mim, nossos rostos a centímetros, ele desceu e
tirou com agilidade meu jeans, com a perna eu tirei seu short rasgado, nos
rolávamos um pouco nosso corpos um por cima do outro, ele me
pressionando levemente, seu corpo me aquecia, por dentro e por fora,
percebi que Jake estava inquieto, ansioso.
Nunca achei que Jacob também teria uma sede, uma sede diferente, uma
sede de mim, tinha sede de me possuir, novamente...
Ele passava a mãos nas minhas costas nuas, eu pelos seus músculos
contornados. Ele pegou meu cabelo e virou meu pescoço para beijá-lo, eu
sentia seus lábios e sua língua me contornarem, minha mandíbula, meu
busto, minha barriga... Eu o puxei para cima e prendi minhas pernas em
seu quadril.
A segunda vez foi tão boa quando a primeira...
Nós já conhecíamos cada centímetro do corpo um do outro, já sabíamos o
que fazer, foi menos preocupante. E por um momento perdi a noção do
tempo e do espaço...
Eu estava com o homem que amava embaixo de mim, me amando, me
querendo, me sentindo, eu não tinha palavras pra descrever, apenas sentia e
amava...
Eu finalmente tinha matado a saudade.
O cheiro de Jacob estava impregnado em mim e o meu nele, não teria
maneira de me deixar mais confortável e feliz.
Nós estávamos alinhados na cama, ele com as mãos na nuca, eu deitada em
seu peito.
-Jake, acho melhor irmos. – já tinha anoitecido.
- Ah, não se preocupe. Sua família sabe o que estamos fazendo ou
fizemos... – ele me olhava malicioso.
Eu fiz uma careta, porque ele não se incomodava com a minha família
sabendo das nossas relações sexuais - pessoais?
Ele riu, me deu um beijo na testa e se levantou.
- Tudo bem, vamos para casa de Carlisle. – ele pegou seu short que dessa
vez não estava rasgado e se vestiu.
-Ok. – eu me levantei também e fui para o banheiro.
Tomei um banho rápido, com dó de tirar o cheiro dele de mim e me
arrumei, ele me esperava lá em baixo.
Eu peguei sua mão, tranquei a casa e voltamos para a casa de meus avôs.
Ele se transformou em lobo e eu subi em suas costas, nostalgia novamente,
era tão surreal, tão familiar. Eu passei a mão em seus pelos longos,
marrom-avermelhado.
Quando chegamos, eu desci e acariciei seu enorme focinho, ele me lambeu.
-Ai, Jake... – eu ri
“Foi um beijo...” – ele riu mentalmente, eu revirei os olhos e entreguei seu
short, ele pegou com a boca e foi voltar ao normal.
Depois entramos na casa, a sala estava vazia, eles estavam na sala de
musica. Meu pai tocava piano e minha mãe o acompanhava com sua voz...
Era uma linda melodia.
-Sua mãe canta bem... – elogiou Jacob
Eu fiquei perto da minha família, Jake atrás de mim, seus braços ao redor
da minha cintura.
Quando eles acabaram, nós batemos palmas, minha mãe ficou
envergonhada.
- Vocês comporão enquanto eu estava fora, né! – eu afirmei
-Sim. - respondeu Bella- Mas agora, você pode contar o que andou
aprontando no Brasil... - ela falava com indirefença.
-Hã...- todos olhavam pra mim ansiosos pela minha historia. – Posso deixar
pra amanhã, eu to um pouco cansada. – menti.
Jake semicerrou os olhos, como a maioria, mas aceitaram minha desculpa.
Eu estava feliz pelo meu pai não saber da Bianca, amanhã não só ele, mas
todos saberiam...
Jake dormiu agarrado a mim, eu sentia sua respiração no meu pescoço...
Aquilo me deixou tão calma, tranqüila, que eu dormi rápido, pela primeira
vez em muito tempo ao lado de Jake.
Quando acordei, sabia que seria um dia de conversa e novamente de
decisões... Jake acordou comigo.
-Bom dia, Nessie. – ele bocejou
- Bom dia. – eu esfreguei os olhos.
Nós se arrumamos, Jacob estava com roupas dele em casa...
Eu desci, Jake logo atrás de mim... Meus pais estavam na sala, nos
esperando. Eles nos cumprimentaram e fomos para a casa de Carlisle.
Depois de conversa pra lá e pra cá... O verdadeiro assunto chegou.
-Renesmee, agora nos conte... O que aconteceu em São Paulo? – perguntou
Rosálie
Estávamos todos na sala, era a hora...
-Bem, aconteceu muita coisa... – eu olhei para Alice, ela me incentivou
com um sorriso. – Mas... Eu fiz varias amigos e... tem uma amiga minha,
que eu... – eu estava enrolando.
-Tudo bem... - sussurrou Alice.
-Eu confio muito nela, e...
-Se não consegue falar nos mostre. – interrompeu Carlisle.
Eu respirei fundo e peguei a mão da minha mãe e a outra do meu pai,
mostrei toda a minha conversa com a Bia, sobre nossos segredos, medos...
Ele me olharam atordoados, eu me levantei do sofá e fui na direção de
Rosálie e Emmet em pé perto da janela, eu peguei a mão de Rose e de meu
tio, mostrei tudo novamente, fiz o mesmo processo com Carlisle, Esme,
Jasper e Jake que esperava impaciente.
Eu olhei para todos na sala, cada um com uma cara diferente, mas todos
preocupados.
-E então? – eu perguntei apreensiva
-Bem... – eu interrompi meu pai
-Como um pacto, não é? – eu o lembrei
-Eu creio que sim... – meu pai olhou para Jacob ao meu lado.
-Ela tem razão, ambas tem seus segredos, formando uma aliança. - Jake
respondeu
Ouvi a respiração deles ficarem lentas, eles estavam se acalmando.
- Mais alguma surpresa? –perguntou minha mãe.
-Hã... eu... uma vez fui negligente e quase.. – eu suspirei culpada. –
machuquei meu amigo. - Alice se pôs ao meu lado.
-Foi quando eu estava lá, na segunda vez, ela foi à festa e tava muito cheio
o lugar. Fazia tempo que ela não se alimentava e... a sede quase foi mais
forte. – Alice respondeu
Meu pai me olhou assustado, preocupado...
- Que perigo. – ele falou baixinho
- Mais alguma? – perguntou Jake
- Apenas mais uma... – eu mordi o lábio. – A escola vai fazer uma viagem
pra França semana que vem e volta uma semana antes das aulas
começarem... E... –
-Você quer ir. – Jake interrompeu.
-Sim... E quando eu chegar eu volto pra cá. - eu acrescentei
- Bem... – meu pai não sabia o que dizer, talvez ele tenha tido muita
surpresa junta.
- Eu não vejo problema. – Alice falou
-Também não. – acrescentou Rosálie - Além de ficar um tempo longe de
nós de novo... – eu fiquei ao lado de Rosálie a abracei.
- Criando asas, Nessie? – brincou Emmet.
Rosálie empurrou Emmet.
-Deixa ela voar.. – ela respondeu
Meu pai pensava, minha mãe pegou a mão dele.
-Tudo bem... – ela suspirou.
- Tudo bem. Querida, você realmente já sabe se cuidar... Mas tenha as
mesmas prevenções de sempre... – ele sorriu, eu concordei.
-E se alimente corretamente. – acrescentou minha mãe.
Eu abracei meu pai e minha mãe.
Percebi que Jake tinha saído, estava na parte de trás da casa. Eu o - segui.
- Jake? – eu perguntei atrás dele.
- Eu achei que teríamos o mês pra nós... – eu ouvia dor em sua voz.
Começou a chover, mas eu não me importei e continuei no lugar, me
molhando.
- É rápido... Eu... Eu... – eu não tinha desculpas, estava deixando ele de
novo.
Ele veio na minha direção e passou a mão no meu cabelo molhado,
colocando minha franja pra trás, afastando meu cabelo do rosto.
Eu olhei para ele, que estava sorrindo...
-O que foi?
-Eu não me importo, sei que teremos muito tempo pela frente, algumas
semanas, meses longe, só fará meu amor aumentar... Teremos a eternidade,
não temos? – eu balancei a cabeça concordando, mesmo não sabendo o que
aconteceria com ele.
Mesmo com o imprint, quando um lobisomem encontra algo equivalente à
sua alma gêmea, porém é um pouco mais forte e impossibilita que
fiquemos afastados, ele luta contra isso para eu ter mesmo que
temporariamente uma vida longe dele e a cada vez que me lembro disso
mais amo meu lobo.
Ele beijou meu rosto, eu o abracei, seu corpo super quente comparado a
chuva gelada que caia sobre nós.
- Te Amo. – eu falei novamente em português, dessa vez ele riu.
- Te Amo. - ele falou com dificuldade, mas falou em português.
Nós entramos molhados, na casa de meu avô.
-Desculpe. – eu falei a ele.
- Deixa de besteira... – Esme veio na minha direção. – Vem vamos pegar
uma toalha. Pra você também Jacob... – atenciosa como sempre.
Eu subi as escadas com ela e passei pelos quartos, ate o meu, eu tinha um
quarto na casa de meus avôs, de vez em quando eu ficava lá, meus pais
também tinham um. Ela pegou duas toalhas, deu uma pra mim e pro Jake.
Nos enxugamos o máximo possível, e descemos.

“Mesmo tendo a eternidade, vivo cada dia como se fosse o ultimo!”


20. CIDADE DA LUZ
Eu mandei o dinheiro pra Bia em São Paulo, ela ficou eufórica no telefone,
quando disse que iríamos pra França...
Essa semana aqui em Quilcene, com a minha família passou tão rápido que
quando me dei conta já era à hora de ir embora, pois amanhã eu teria que
voltar pra São Paulo a tempo de ir viajar - novamente.
Eu e Jacob aproveitamos como loucos essa semana, fomos para Forks, La
Push, eu vi o Billy, Charlie, Sue, a Leah, o Seth...
Nós nadamos no mar, comprei umas lembrançinhas pra Bia e pro Léo.
Eu irei levar de volta apenas uma bagagem de mão, já que minha mala pra
França já estava pronta.
Minha família me acompanhou até o aeroporto...
-Eu volto logo... – eu falei a todos
-Não se esqueça dos meus presentes... Mande um oi pra Bia. – me lembrou
Alice
-Claro. – eu me aproximei de Jacob.
Colei meus lábios nos dele de um jeito que estava difícil de querer tirar.
- Ate logo, Nessie... – ele estava com um sorriso no rosto, mas não estava
me convencendo.
-Até. – eu sussurrei.
Apesar de que a cada partida, a cada vez eu viajava para longe da minha
família era doloroso, eu estava feliz, pois ia com a Bianca á França, com a
escola...
Quando cheguei a republica, a Bia tava inquieta, empolgada.
Ela me abraçou, um sorriso brilhante não queria sair de seu rosto, do meu
também não.
Nós mal dormimos, ficamos conversando a noite toda, também mostrei a
ela tudo o que aconteceu em Quilcene...
De manhã deixei o presente do Léo com a Sophia e dei o da Bia, era um
colar, com pingente de estrela dourado, ela adorou.
Na escola tinha umas 60 pessoas que iriam viajar, tinha dois ônibus do lado
de fora que nos levariam para o aeroporto.
A Bia mostrou a autorização dos pais aos monitores, eu não precisei, pois
já sou maior de 18 anos.
Do ônibus até o aeroporto, do aeroporto até o avião tudo foi curtição, zuera
e bagunça, se não estivesse sentindo o cheiro de cada aluno, de cada colega
e ás vezes fazendo coçar minha garganta, eu me acharia completamente
humana...
Eu estava no assento do lado da Bia, estava olhando pra janela e ela estava
ouvindo musica...
-Já ouviu? – ela me perguntou e colocou um fone no meu ouvido.
Era uma musica em português... Nunca tinha ouvido.
-Não... Qual é?
-Ah, é linda, né... Acho que chama “Palpite”. – ela falou pensativa e deixou
um fone comigo.
Aquele musica me lembrou do Jake e às vezes soltava uma risada suave.
Nos tínhamos quatro monitores, que nos levaram para o hotel...
Era tudo tão lindo, arquitetônico, eu vi vários ônibus vermelhos de dois
andares, eu com certeza iria em um daqueles.
Já estava de noite, o hotel é perto do Arco do Triunfo que era no fim da rua,
no centro de Paris, na frente tinha um restaurante. Era um edifício
parisiense típico do século XIX, nós entramos e o monitor nos deu as
instruções; terá três pessoas em cada quarto, poderíamos escolher quem
seria nossos colegas e fico eu, a Bia e uma colega nossa Gabriela.
Ele nos deu a chave, que era um cartão pra cada uma...
Da recepção ao quarto era tudo bem iluminado, mas lembrando a
iluminação de velas e candelabros, uma combinando de tradição e luxo
moderno...
No quarto tinha três camas de solteiros, uma varanda, um banheiro, um
sofá, armários, tudo bem ajeitadinho, com uns tons de madeira, clássico.
Os olhos da Bia brilhavam, os da Gabi também...
Eu fui até a varanda, estávamos no sexto andar e tínhamos uma vista linda,
uma mistura de árvores e prédios.
As meninas ficaram do meu lado, admiradas com o que viam:
A Cidade da Luz, Paris.
Eu já tinha me alimentado em Quilcene, então espero não ter nenhum
problema.
Dormi tranqüila, com a brisa entrando pela varanda. Eu acordei antes das
meninas, me levantei, respirei fundo para enfrentar um dia de descobertas e
aprendizados, me arrumei... Quando acabei o banho, elas já estavam de pé.
-Bom dia. – eu disse animada
Elas estavam um pouco sonolentas, mas tentaram ficar animadas com o
meu entusiasmo.
Eu ás esperei para descermos e tomar café, uma infinidade de frutas, de
pães, sucos... Eu não resisti e comi um pão.
O pessoal da escola estava já todo reunido... Eu não parei de rir das piadas
do Murilo, um colega da sala da Gabi.
O monitor dividiu o pessoal da escola em quatro grupos, entramos em um
ônibus de turismo, o vermelho que tinha visto...
Primeiro paramos no Museu do Louvre; era gigante, com uma pirâmide de
vidro no centro. Ao entrar do chão ao teto era magnífico, dourado, a
monitora falou que representava o Deus do Sol da França...
- O Palácio do Louvre foi à sede do governo monárquico francês desde a
época dos capetos medievais até o reinado de Luís XIV... – a monitora nos
guiava.
A camêra de niguem ficava parava por mais de cinco segundos.
Nós vimos artes decorativas, antiguidades egipcias, gregas, muitas obras de
artes, como Monalisa, Pietá de Avignon, a Grande banhista e esculturas
lindas, sem contar com as joias da coroa, eu realmente fiquei fascinada.
Depois fomos ao centro George Pompilou, é o lugar onde abriga museos,
bibliotecas, teatros, entre outros, era enorme e do seu lado externo tinha
grandes tubulações e escadas rolantes.
Almoçamos em um restaurante proximo e voltamos para o hotel.
Agora nós poderiamso andar sozinhos e explorar por conta propria, mas
deveriamos voltar as 7 hrs.
Eu e a Bia andamos em um grupo de seis pessoas, eu peguei um guia e
exploramos cada ponto turistico, primeiro fomos ao Arco do Triunfo, no
final da rua. Napoleão tinha construido aquele monumento em
comemoração as vitorias militares. Tem 50 metros de altura e percebi que
tinhas varios nomes gravados no Arco, era de soldados...
Já era seis da tarde e teríamos tempo de ir para mais um lugar, pensamos
em ir para a Torre Eiffel, mas achamos melhor deixar para amanhã.
Então ficamos no Quai d' Orsay, que é o nome de uma das margens do Rio
Sena, estava ficando escuro e as luzes começaram a acender, da onde
estávamos víamos dava para ver a Torre Eiffel, fotos não faltaram naquele
momento.
Eu não jantei, mas o pessoal se divertiu com os nomes franceses das
comidas...
Liguei pra minha família, pro Jake, e a Bianca falou com o Léo.
Ainda bem que a Bia trouxe o violão, não deu tempo para eu pegar o meu,
ela ficou tocando e eu cantei...
Ficamos até tarde acordados, quero dizer, o pessoal ficou acordado ate
tarde, quando todos estavam dormindo eu sai pela varanda e fiquei andando
pela rua.
O ar tinha um aroma diferente dos que estou acostumada, Paris está
diferente desde a ultima vez que eu estive aqui...
Voltei antes de o sol nascer e fiquei na cama ouvindo musica.
Estava o mesmo clima de animação de ontem. A guia hoje iria nos levar a
Torre Eiffel, Saint-Chapelle e o Museo d’Orsay.
A torre Eiffel, como esperado era perfeita...
-Inaugurada em 31 de Março de 1889, a Torre Eiffel foi construída para
honrar o centenário da Revolução Francesa... Tem 320 metros de altura,
construida por Gustave Eiffel... – a guia falava enquanto subiamos.
Na primeira plataforma tinha um belo restaurante, um cineiffel e uma sala,
na segunda plataforma, tinha umas lojinhas e um chique restaurante...
Fomos para a ultima plataforma, a Bia fico com um pouco de medo na hora
que o elevador estava subindo, mas pra mim há vista estava ficando cada
vez mais linda...
A visão de lá de cima é incrivel, da pra ver quase tudo de Paris, com meus
olhos eu podia ver facilmente o nosso hotel.
-Quer? – a Gabi me ofereceu um binóculo
-Não obrigada... – eu podia ver tudo perfeitamente.
Uma vasta visão de campos, árvores , predios modernos e contempôraneos.
Podia ver o horizonte... Eu respirei fuindo, me sentindo livre.
-Olha como o Rio fica mais lindo daqui de cima... – falou Bia, um pouco
mais segura.
-É... – eu concordei.
Passamos a manhã toda na Torre, depois como ontem, almoçamos fora e
depois fomos ao Saint-Chapelle, uma antiga capela gotica do sec. XIII.
Ela era dividida em dois andares: capela alta destinada a receber as
relíquias e capela baixa, reservada para acolher as sepulturas.
As colunas eram muito esguias, todas elas abrem-se como se fossem
palmeiras cujas folhas se unem no teto. E se abrem de modo tão
harmonioso, tão gradual e perfeito que a pessoa tem uma certa impressão
de que estão muito próximas ao teto, no ponto onde se unem.
Têm belos vitrais nas gigantescas janelas, tudo ornamental como a maioria
dos monumentos clássicos da França.
Depois fomos ao Museu d’Orsay, próximo ao Rio Sena, era enorme e
arquitetônico. Havia muitas esculturas e quadros famosos. O edifico era
antigamente uma estação de trem e foi modificava para um museu.
A guia deixou quem quisesse no Pont-Neuf, para seguir sozinho, eu e o
pessoal que estava comigo ontem ficamos lá e mais outro grupo de colegas,
o resto voltou pro hotel.
A Pont-Neuf foi construída no sec.XVII, era grande e impressionante.
Resolvemos apenas ficar andando e tirando fotos, eles estavam cansados e
quando voltássemos pra o hotel iriam pra piscina.
A idéia me agradava, quase tanto quando observar Paris.
Depois de uns quarteirões, pegamos um ônibus e voltamos para casa,
naquela hora meu francês fluente ajudou muito.
Como planejado quando chegamos lá, o pessoal foi se trocar pra piscina.
Eu e a Bia subimos pro quarto... Ela se jogou na cama, me parecendo
exausta.
-Você não vai pra piscina? – eu perguntei
-Ah... Acho que não. Tô morta! Acho que vo toma uma ducha quente e
meditar... E você, vai?
-Sim... – eu sorri
-Você não se cansa? – ela me analisava
-Não.
-Nunca, nunquinha? – ela se sentou na cama.
-Bem, ás vezes é claro, mas não com tanta facilidade como vocês.
Ela fez bico... Eu ri.
Coloquei um biquíni e desci...
Eu nadei tranqüila, observando o céu estrelado, tentado não ligar para meus
colegas fazendo bagunça e jogando água, eu me concentrei no céu, na
minha respiração...
Acho que estou errando, estou chateando o Jake, ele me ama tanto e eu...
Parece que não estou dando o valor que ele merece.
Eu lembrei da vez que beijei o Léo e...
-Reh, vai fica? – perguntou uma colega, eles já estavam subindo.
-Sim... – eu sussurrei enquanto boiava na água.
Ouvi seus passos distanciando, eu continuei olhando fixamente pro céu.
Eu trai o Jake, não trai?
Eu fechei os olhos, tentando me esquecer daquele momento...
Mas eu queria viajar, quero estar aqui, não me arrependo de ter conhecido a
Bia, o Léo, o pessoal da republica e as outras pessoas maravilhosas que
conheci... Mas por outro lado, eu o deixei, junto às pessoas que me
protegem, me amam...
Eu suspirei, minhas lagrimas se misturavam a água da piscina...
É só mais um capitulo, é mais um capitulo da minha vida.
Logo estarei nos braços dele e nunca mais sairei de lá...
21. VAMPIRO MISTERIOSO
Bianca estava me sacudindo, eu estava meio desanimada...
-Vai, Reh, vai... – ela me empurrava – Animo!
Eu concordei com a cabeça e dei um sorriso forçado. Hoje iríamos a
Basilique du Sacré-Coeur e a catedral de Notre-Dame. Mais um dia de
turista, mas um dia aprendendo...
Resolvemos almoçar no hotel e jantar fora...
Depois do almoço, pegamos um trem e fomos ao Château de Versailles ou
Palacio de Versalhes, foi muito divertido, tiramos varias fotos...
Já era umas 7 da noite e a monitora tinha nos liberado para ficar ate mais
tarde.
Procuramos um restaurante e novamente meu francês ajudou, depois fomos
a uma casa noturna, estava um pouco escuro com luzes coloridas rodando,
não tinha muita gente, era mais parecido com um barzinho, nos se
sentamos em uma mesa e pedimos algo para beber.
Depois de um tempo conversando, as bebidas ainda não tinham chegado...
- Gente vou ver porque tá demorando. – eu me levantei e fui na direção do
bar.
Me sentei no banquinho e esperei...
Senti um cheiro tão familiar, mas tambem diferente que me fazia recuar, eu
inspirei mais uma vez, aquele cheiro fortemente adocicado que tanto
conhecia, era um vampiro.
Eu virei por instinto para o lado, ele tambem e encontrou meu olhar, era um
homem de mais ou menos 24 anos, cabelos negros ondulados levemente
para trás, um pouco acima dos ombros, seus olhos eram num tom vermelho
mas tambem ambar, seu rosto era angelical e misterioso.
Eu arregalei os olhos, pelo susto... Ficamos nos analisando.
Eu só ouvia sua respiração, seu coração não batia, ele era realmente um
vampiro. Fiquei imaginando quem falaria primeiro, quem tinha mais medo
naquela hora...
Ele se moveu, meu corpo enrigeceu, eu estava pronta para me defender ou
atacar, caso algo acontecesse.
-Bonne nuit... –*Boa Noite* e me estendeu a mão.
Eu fui devagar, mais apertei sua mão. Ele não faria nada em publico.

“Mas que coisa interessante... O que ela é? Seu coração bate como o bater
de asas de um beija-flor, seu sangue pulsa, mas seu cheiro é de imortal ou
humano... Quem é ela, o que é ela?” – ele se perguntava

- Prazer... Meu nome é Renesmee. Qual o seu? – eu não sabia o que estava
acontecendo minha maldita curiosidade sendo mais forte que o medo.
- Me chamo Michael, mas pode me chamar de Mike... – ele sorriu, era um
sorriso tão cativando e charmoso. Seu francês o deixava mais atraente. -
Você não é daqui, é?
-Não. Eu estou em uma excursão com a minha escola... - mesmo tentando
ter uma conversa, eu não tinha me movido um centímetro, meus músculos
ainda estavam rígidos.
Ele fez cara de espanto...
- Escola?
- Sim... Você é daqui?
- Sim. Você é da onde? – ele aos poucos se mantinha mais relaxado, eu
ainda não.
-Brasil... Quero dizer – eu balancei a cabeça - Estados Unidos...
Ele ficou surpreso.
-Então você é americana... – ele mudou completamente falando à língua
que mais usei na minha vida, inglês, mas ainda tinha sotaque francês.
-Sim, minha família mora lá. – eu falei normalmente
-Fa-Família... – ele gaguejou
Eu concordei com a cabeça, com medo de dar informações de mais.
- Hum... Me desculpa a sinceridade, mas você é tão diferente... – ele me
analisava – O que é você?
- Eu não acho muito correto, dizer aqui... – eu olhei ao nosso redor – Você
me diria o que é?
Ele concordou, me entendendo.
- Vamos para fora? – ele desceu do banco e me ofereceu a mão como um
cavaleiro.
Minha respiração estava entrecortada...
- Preciso só avisa meus colegas... – eu desci, sem pegar na sua mão e fui
falar com a Bianca.
Me aproximei do ouvido dela.
- Bia, eu já volto... – ela me olhou confusa, mas não disse nada e eu me
afastei.
Eu olhei pra ele e continuei andando para a saída, andei até o mais distante
da casa noturna e onde não tinha ninguém.
-Pronto. – eu disse á ele, passos atrás de mim.
Ele encostou-se na parede, com os braços cruzados no peito.
- O que você é? – sua voz estava me parecendo mais receosa que a minha
própria.
- Sou como você, mas também sou humana... – eu sussurrei
Ele me olhou desnorteado...
-O que?
- Minha mãe me teve quando era humana e meu pai é vampiro. Eu nasci
meio humana, meio vampira...
Será que estou dando informação de mais?
- Mas... Q-que estranho. Nunca vi nada assim em todos esses anos, já tinha
ouvido falar em possibilidades, mas... – ele me olhava fascinado. – Se não
estivesse aqui com você, eu não teria acreditado.
- Agora você... O que faz aqui, caçando? – eu usei um leve tom de repulsa
-Não... Eu moro aqui. E em relação à caça, eu não caço humanos, me
alimento com bolsa de sangue frescas na maior parte do tempo, me
alimentar de humanos é raro. - agora eu olhei para ele desnorteada, o que
ele estava dizendo? Que não matava humanos... – E você, caçando? Você
se alimenta como nós?
-Sim me alimento, mas não mato humanos, me alimento de animais.
-Animais? Nossa, diferente... Mas então você não deve viver na cidade.
-Não, moro próxima a uma densa floresta e onde não faz sol, bem eu não
tenho diferença no sol... Por falar nisso, como você pode viver aqui?
- Em dias de sol não saímos de casa, mas da pra levar uma vida normal, se
pode dizer normal. Podemos dizer que somos vampiros urbanos... – ele riu
de si mesmo.
- “Somos”? – eu observei o plural que ele usou
-Sim. Não sou o único vampiro da cidade. - ele deu uma pausa - Posso te
convidar para uma coisa? - ele desencostou da parede e deu dois passos na
minha direção.
-O que? - eu olhei desconfiada
-Você não acha melhor ir para minha casa, lá nós podemos se conhecer
melhor... – ele deu novamente aquele sorriso cativante
- Eu não sei... Até agora você não me parece confiável... Apesar de não
caçar humanos e eu saber que não está mentindo... – eu hesitei
-Você acha que eu estou seguro com você perto de mim? Uma coisa única,
diferente, imprevisível...
- Tudo bem... É longe? – eu o interrompi
-Não, é um apartamento na outra rua. – ele começou a andar.

“Mas o que estou fazendo? Eu não sei o que esperar dela, ela pode ser
perigosa, mais forte que eu... ou mais fraca? Mais rápida?...” – eu o
observava a minha frente.

O segui até um grande apartamento de janelas cinza, não falamos nada até
entrar no apartamento...
É muito grande e moderno, preto, branco e vermelho, muito bem decorado.
- Então... Onde estávamos? – ele se sentou no sofá.
- Quantos anos você tem? – eu me mantive em pé, encostada na parede
próxima á porta.
- 25? – ele levantou uma sobrancelha. Eu dei um sorriso torto... e esperei. –
Nasci em 1776, transformado em 1801... Sou idoso, já... – ele riu sem
graça. - E você, 15? – ele brincou
- 20... Realmente. –respondi – Mas não mudarei. – eu acrescentei
- Como assim?
-Eu parei de “crescer” com uns 10 anos, com 9 eu já tinha parecia de uma
pessoa de 18...
-Nossa... E como é a sua família?
Eu cortei minha respiração, eu não acho seguro falar sobre a minha família.
Falar de mim até que vai, mas dar informações deles...
-Talvez outra hora... – eu olhei no relógio, já passava da meia-noite - Por
falar em hora, tenho que ir... – eu me dirigi até a porta.
Ele se levantou e se aproximou...
- Quer que eu te acompanhe? – ele disse todo cavaleiro.
- Não, obrigada, eu me viro.
- Agente se vê... – ele sorriu.
Eu assenti com a cabeça e fechei a porta. O corredor estava vazio,
silencioso, a não ser pelo meu coração descontrolado.
Eu respirei lentamente tentando me acalmar...
Voltei pro hotel, à monitora me deu uma bronca mais eu estava meio aérea,
pensativa.
Subi para o quarto, a Bia estava acordada me esperando, a Gabi dormindo...
- Fala! Fala onde você tava? – ela perguntou ansiosa.
-Eu... Eu encontrei com um outro... – eu apontei pra Gabriela. – com um
você sabe o que.
-Nossa! E aí, como ele era? Feio, bonito, malvado, bonzinho? – ela me deu
uma enxurrada de perguntas
-Calma, Bia... Eu ainda não sei muito sobre ele... Ele falo que se alimenta...
– eu cochichei no ouvido dela. – de bolsas de sangue, não se alimenta de
humanos. – eu me afastei – Tem um apartamento lá, muito grande e
sofisticado. Hum... Posso dizer que ele é charmoso... – eu falei pensativa.
-Quando vai vê-lo de novo?
- Ah, não sei... – eu mordi o lábio.
- Que pena... Agora ta na mão do destino, ou – ela me olhou maliciosa -
você pode ir ao apartamento dele...
Eu franzi a testa...
-Claro que não... Hoje foi apenas um encontro, uma acaso, é bem possível
que nunca mais veja ele de novo. – eu tentava convencê-la e também a mim
mesma.
- Sei... – ela semicerrou os olhos, desconfiada e bocejou involuntariamente.
- Boa noite. – e foi se deitar.
-Boa noite. – eu respondi, enquanto trocava de roupa e fui pra cama.
Eu observei o céu, deitava – pois minha cama ficava próxima a varanda-
estava claro, umas nuvens ao redor da Lua minguante e várias estrelas
vermelhas e azuis, mas prevalecia as brancas...
Da onde veio aquele vampiro? Quem é esse tal de Mike? Será que posso
confiar nele... mas duvido muito que veja ele de novo, apesar da minha
curiosidade estar me matando.
Um vampiro que se alimenta de bolsas de sangue, é quase tão raro, quanto
um se alimentar “apenas” de animais...

Estava escuro, tudo negro. Eu passava as mãos a minha frente tentando


tocar em algo, nada, até que um tempo andando na escuridão, avistei uma
luz, um ponto de luz, não sei por que, mas eu tinha que ir ate lá, chegar
mais perto, ver melhor. Eu ia andando na direção da luz quando tudo ficou
branco, vi um homem de costas, alto, moreno, ele olhou pra mim, eu abri
um imenso sorriso e corri para abraçar Jacob, ele não se moveu era como se
estivesse congelado, apesar de que seu corpo estivesse quente e lentamente
ele passou seus braços pela minha cintura, eu agarrei em seu pescoço e
fiquei abraçada a ele, quando eu ia dizer seu nome, meus braços caíram,
não havia nada para apoiá-los, Jake tinha sumido.
Naquela hora eu já deveria ter notado que era um sonho, mas me veio um
sentimento de solidão, desespero que não pensei em mais nada e comecei a
chorar, pensando aonde tinha ido o Jacob, eu cai de joelhos com as mãos
no rosto.
Senti algo em meu ombro esquerdo, eu virei meu rosto, tinha uma mão
masculina, branca, rústica, morta ali. Eu me virei para ver quem era e...
-Acorda!! – a Bia gritou do meu lado.
Eu abri os olhos lentamente acostumando com a luz e os - esfreguei.
-Hã?
-O ônibus vai sai daqui a pouco! Pra um vampiro você dorme demais... –
ela disse pensativa.
Eu olhei assustada ao nosso redor, para ver se alguém tinha escutado, nós
estávamos sozinhas.
-Tá todo mundo lá embaixo. - ela me informou – Você vai com a gente?
-Hum... Acho que não, vou dar uma volta sozinha, depois encontro com
vocês aqui no hotel.
Ela me olhou espantada.
-O que? Você não vai?
-Não... Fala pra monitora que to passando mal, sei lá...
-Ta... – ela disse chateada.
-É só um dia. – eu peguei sua mão. Ela concordou com a cabeça e saiu.
Eu me troquei e desci para confirmar a história que a Bia tinha falado,
depois subi e tranquei a porta. Sai pela varanda...
Fiquei tirando fotos da rua, das pessoas, dos carros apesar do tempo não
estar muito bom as fotos ficaram lindas...
Era tão divertido andar sozinha quanto em grupo.
Fui ao Champs-Élysées, a Avenida mais famosa de Paris, depois peguei um
trem e fui para Versalhes. Não era algo planejado, mas eu sabia que estava
indo para Versalhes não somente para ver a paisagem, mas também por que
queria encontrar com aquele vampiro misterioso de novo.
Depois de um tempo, sentei em uma mesinha que estava na parte externa
de um restaurante e fiquei escrevendo cartões postais para o pessoal de
Quilcene.
- Dame, pour vous... – * para você* o garçom me entregou um bilhetinho e
apontou para um homem sentado a uns 6 metros de mim.

Vejo que nos encontramos de novo...


Gostaria de te conhecer melhor.
Vamos terminar a conversa de ontem?
Eu olhei pra ele, que estava sorrindo, ansioso... Eu sorri involuntariamente
e me levantei indo em sua direção, ele me ofereceu uma cadeira e a puxou
para me sentar, depois voltou ao seu lugar.
-Tudo bem? – ele me perguntou tranquilamente
-Sim...
-Vejo que o destino nos juntou de novo.. – ele disse brincando.
-Acho que não... Eu estava explorando a cidade e isso poderia ter uma
porcentagem grande de eu poder encontrar com você. – eu entrei na
brincadeira.
Ele me analisou... Eu olhei para o cardápio, envergonhada.
-Estava ansioso para te ver de novo. – ele quebrou o breve silêncio.
-Eu também estava curiosa. – admiti.
Ele deu um sorriso que me pareceu um pouco malicioso...
E o encarei, mas não deu tempo de ler seu pensamento.
- Vem comigo? – ele se levantou e me ofereceu a mão. Eu olhei
desconfiada, torci a boca em duvida, mas peguei na mão dele.
Nós andamos por um tempo e percebi que ele estava me levando ao Palácio
de Versalhes.
Quando entramos, ele cumprimentou os guardas e alguns monitores do
museu. Fomos ate á Galeria de Espelhos, uma sala iluminada por dezessete
janelas que têm a sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins. Era
mágico.
-Meu avó ajudou na expansão do Palácio... – ele falava sorrindo – Aqui era
o lugar preferido dele, do meu pai e o meu...
- É lindo... – eu comentei
- Quer conhecer o Palácio como ninguem? –ele me propos travesso
-Claro. – eu concordei
-Vem. – ele disparou por uma das portas, eu o segui.
Ele me mostrou varios outros lugares escondidos, uns até mesmo pareciam
passagens secretas, ele me contava as historias do lugar, das salas...

“A cura para o tédio é a curiosidade,


porém não existe cura para a curiosidade.”
22. TEM HÁ MIM!
Ficamos um bom tempo observando o jardim, perto de uma bela fonte.
- Você é diferente. – eu sussurei, mais para mim mesma. Ele me olhou e
levantou uma sombrancelha, eu ri. – Ah, não sei explicar... Quando eu era
pequena conheci muitos vampiros – bons e mals – mas você é tão...
- Urbano. – ele me interrompeu. – Talvez você nunca tenha conhecido um
vampiro da cidade, conheceu?
-Não exatamente, eu e a minha família sempre viajamos e tal... E pensando
por um lado, os Volturi são urbanos...
Ele mudou de humor, ficou serio. Eu o – observei.
- Se viver pelos bueiros de Volterra, seja urbano. Viver nas sombras, como
demônios... – ele falava pensativo. Eu fiquei em silêncio.- Você quer ir pra
minha casa? Lá agente pode falar mais á vontade. – ele me propôs, vendo
um grupo de turista se aproximar.
- Ok. – eu concordei
Era estranha essa confiança que eu tinha nele, uma confiança repentina e
que ele também teve de mim.
Ele me perguntou se eu estava com os meus colegas de novo, eu respondi
que não.
Ao chegar ao apartamento, eu estava muito mais à-vontade do que ontem,
me sentei no sofá e ele no outro.
-Posso te perguntar uma coisa? – ele me perguntou
-Sim.
-Você tem família não tem? Como é... Ter família? – ele me olhava
fascinado
- Bem... É maravilhoso.
-Como eles são?
-Hum... Tenho quatro tios, mãe, pai, avós, namorado... – pude perceber que
a respiração do Mike foi cortada quando falei namorado, mas fingi não
perceber.
-Uma família grande... Todos de sangue?
Eu olhei pra ele surpresa.
-De sangue, não. – achei que isso sempre fosse óbvio. – Meu avô Carlisle,
os – transformou, menos minha mãe que foi pelo meu pai...
-Carlisle... – ele sussurrou pensativo e mudou de assunto - E o seu
namorado? – a voz dele estava um pouco receosa
- Ele... ele... – soaria estranho se eu disse que meu namorado era o nosso
maior inimigo? – É um transmorfo. – a cara dele não tinha expressão, ele
não tinha acreditado.
-Um transmorfo? Homens que se transformam em animais...– ele
perguntou ainda não acreditando.
- É uma história grande e complicada... Se eu te mostrasse seria mais
simples... – eu falei.
-O que você disse?
Eu mordi o lábio.
-Eu tenho uma habilidade. Posso te tocar, quero te mostrar uma coisa? – ele
arregalou os olhos, eu me levantei e toquei sua mão, sem medo.
Mostrei a ele, o Jake, sua transformação, minha mãe, meu pai, meus tios...
e soltei. Fiquei esperado que falasse.
-Que... habilidade extraordinária. – ele respirou profundamente duas vezes
- Eu também tenho uma habilidade... – ele deu um sorriso
Eu semicerrei os olhos.
-Qual?
Ele se levantou, ficando a uns 4 metros de mim, me encarando e estralou os
dedos.
Eu ia perguntar o que ele tinha feito, mais minha voz não saiu, minha boca
não se movia, eu tentei andar- nada- minhas pernas não me obedeciam.
Eu estava paralisada.
Ele se aproximou, eu tentei ir pra trás ou falar alguma coisa.
Seu rosto estava a uns 15 centímetros do meu, ele meu um sorriso
malicioso, eu fechei os olhos, a única parte do meu corpo que podia mexer
e ele encostou seus lábios na ponta do meu nariz delicadamente, eu revirei
os olhos;
Ele se afastou um pouco e tocou meu ombro, minhas pernas balançaram, eu
quase cai, mas ele me ajudou a ficar em pé.
-Desculpe... – ele disse envergonhado.
-Tudo bem. – eu me firmei em pé. – Eu fiquei com medo por um momento,
mas... Eu sabia que não iria me machucar. – me gabei.
-Por quê?
-Eu posso ler mentes. – eu disse tranquilamente.
-Tá brincando?
-Não. Que ver... pensa em algo e eu te provo.
-Ok... - ele ficou em silêncio.

“Ha quanto tempo você descobriu essa outra habilidade?”

-Talvez sete anos ou mais, sempre aperfeiçoando, com a minha amiga,


professora Zafrina. - eu fiquei feliz, lembrando dela.
-Professora? Você não para de me surpreender... - ele balançou a cabeça,
sorrindo. Eu dei de ombros. – Agora vou ter que tomar cuidado com o que
penso... – ele riu
-Mas mudando de assunto, eu percebi que você falou de um modo tanto
pessoal, quanto eu falei nos Volturi... – eu me sentei ao lado dele.
Ele olhou para baixo, serio.
- Eu já fiz parte daquela “família”, acho mais correto dizer clã... Já faz um
tempo, talvez uns 30 anos. Foi uma época complicada, difícil.
-Você se alimentava como eles? – agora eu estava entendendo a frieza na
voz dele.
-Sim, não me orgulho disso, mas já matei muita gente... - ele olhou pra
mim, provavelmente esperando a minha reação.
- Então depois você veio pra cá, pra França? – tentei mudar um pouco o
rumo da conversa, aquilo o deixava triste.
- Não exatamente, eu já morava aqui quando fui transformado, depois me
mudei para a Itália e voltei para casa.
- Por falar nisso... Quem te transformou? – eu estava curiosa, ele nunca
tinha falado sobre seu criador. Ele suspirou.
-Meredith. – ele disse nome com pesar. – Ela me encontrou quando eu
tinha 25 anos, e... Nós namoramos... e ela me transformou.
-Hum... Namoraram. – eu disse maliciosa, tentando mudar o clima. – Onde
ela está agora? – eu olhei pelo apartamento.
- Volterra provavelmente, se não estiver á trabalho...
-Como assim? Não me diga que ela... – ele me interrompeu
- Ela trabalha pra eles. – ele encontrou meu olhar – Meredith já era um dos
Volturi quando me transformou. Ela veio pra França por um trabalho,
procurando um vampiro infrator com o Demetri e... Depois ela quis ficar
um tempo aqui, pois é onde ela é a sua irmã nasceram. E nos encontramos.
- Demetri? Trabalho? – eu estava um pouco confusa, ele riu suave.
- Meredith não gosta de ficar muito tempo em um lugar só. Então prefere
fazer o trabalho de campo... Na maior parte de se tempo ela fica aqui na
França com a sua irmã, às vezes ela vem me visitar e o Joseph.
- Perá! – eu o interrompi. – Quem é a irmã dela e esse tal de Joseph?
- Joseph, é um amigo meu de muito tempo... Sempre vem pra cá me fazer
companhia e a Anne é a irmã mais nova da Meredith, ela a transformou
depois de 4 anos que tinha virado vampira. Por serem muito próximas
Meredith não deixaria sua querida irmã morresse “um dia” e a transformou.
-Que horrível. – eu comentei, ele concordou
- É, ela sempre achou que ser vampiro era uma benção, não maldição... Ela
nunca hesitou em tirar a vida dos humanos...
- O quê? – O que mais eu poderia esperar de uma Volturi?
- Ela mata humanos, como todos os vampiros deveriam fazer. – ele deu de
ombros, nós éramos os esquisitos. Eu franzi a testa, nervosa.
-E a Anne, é uma dos Volturi também?
-Não... Bem às vezes ela vai lá, mas geralmente é por causa da Meredith.
-E ela mata humanos também?
-Às vezes... – eu fiz cara feia pra ele – Não leve a Anne por um lado ruim,
ela é muito boa...
-Se fosse boa não matava. – eu o- contrariei.
-Calma... Ela se alimenta de bolsas de sangue como eu, mas às vezes perde
o controle, mas só mata mendigos...
-E por que mendigos seriam menos “vivos” que uma pessoa normal? - eu o
censurei.
-Ah... Pense por um lado, Renesmee... - eu o interrompi
-Pode me chamar de Nessie... ou Reh.
-Oh, tudo bem... Mas prefiro Nessie... Por que esse nome?
- Vamos voltar pra nossa conversa. – eu mudei de assunto.
- Bem... Como eu estava dizendo, matar mendigos é meio que tirá-los das
ruas, acabar com o seu sofrimento. Estou fazendo o meu melhor para ver o
lado positivo. – ele admitiu. – E a Anne nunca escolheu ser uma vampira,
graças a sua maravilhosa irmã. – ele disse sarcasticamente.
- Ok... Eu posso considerar. Mas você também se alimenta de mendigos?
-Não... Bem, às vezes nas festas, eu posso ate aproveitar, mas...
-Festas? – eu arregalei os olhos.
- O Joseph ama festas e organiza com os vampiros da região.
- E o que vocês fazem nessas festas? – eu perguntei receosa.
- Ah... Conversamos, dançamos...
- Bebem... – eu acrescentei, ele riu.
-Eles trazem humanos para cá, a Anne às vezes cuida disso. E nós
aproveitamos... – ele disse envergonhado.
- Eu não to acreditando no que estou ouvindo... – eu disse surpresa. Ele deu
de ombros. - Mas como assim, a Anne cuida disso?
-Bem... Ela tem uma habilidade como nós... Ela pode convencer ou obrigar
humanos e vampiros a fazer o que pede quando fala. Assim ela faz a pessoa
não sentir dor ou á desmaiar. É simples...
Eu o – censurei com os olhos.
- A Meredith tem algo poder também? – eu não me surpreenderia com mais
nada
- Sim... infelizmente. Ela pode impedir que qualquer vampiro use suas
habilidades e pode dar a impressão que a pessoa ou vampiro estão
queimando... – ele suspirou.
-Como a Jane? – eu me lembrei vagamente, quando minha família me falou
dela.
- Mais ou menos... Jane pode criar qualquer tortura, já a Meredith é apenas
dor por fogo e pensando quem tem mais poder entre as duas... Seria a
Mery, pois ela neutralizaria os poderes da Jane.
-Hum... Por isso os Volturi á querem. – eu senti um calafrio, quando
lembrei do meu tenebroso encontro com eles.
-Sim.
-Mas como eles deixaram você ir embora?
- Foi difícil, mas Aro não teria coragem de me matar, pois na época... – ele
hesitou – a Meredith me protegeu, se eles me matassem ela não seria mais
do clã.
- Entendo. Vocês eram muito próximos. – eu comentei
-Sim. – ele suspirou
-Você sente falta dela? – eu notei que ele me olhava triste.
- Sim e não... Nós já fomos muito felizes juntos, mas eu comecei a ver a
vida de um modo diferente, eu queria me tornar mais humano e ela não
entendia, acha que humanos são fracos, inúteis, apenas alimento... E nos
separamos.
Eu fiquei em silêncio e peguei sua mão. Ele me observou.
- Que pena... – eu sussurrei. – Mas o que aconteceu com a sua família,
quando você foi transformado? – eu lembrei que ele nunca tinha falado da
família.
- Bem... Eu nasci aqui na França, morei aqui com meus pais, mas eles se
separam quando eu era pequeno e minha mãe voltou para os Estados
Unidos comigo. Ela morreu quando eu tinha 22 anos, eu não tinha mais
ninguém lá, minha mãe era filha única e meus avôs já tinham falecido,
então voltei para França á procura do meu pai, mas eu não o encontrei... –
ele apertou minha mão de leve.
Eu suspirei... Ele tinha uma história triste, solitária.
- Mas você tem amigos agora, não tem? – eu o lembrei
- Sim? – ele se perguntou. – Acho que o Joseph gosta mais dele do que de
mim, a Anne é amiga de todo mundo e a Meredith bem... amizade não é
algo que eu tenho muito dela. – ele riu sem graça.
- Tem há mim... Agora. – eu disse, ele encontrou meu olhar
-Tenho? - eu concordei com a cabeça, ele abriu um grande sorriso.
Ele não era o tipo de pessoa que alguém teria pena... Era bonito, rico,
galante, mas tem algo no modo como ele falava que me comove, me faz
querem ficar ao lado dele. O Mike é uma das poucas pessoas que são boas
de coração, sem contar com a minha família, claro, mas nunca achei que
encontraria outro vampiro tão gentil, novamente.
Seus olhos caíram um pouco, um pouco acima do meu busto. Ele ficou
analisando. Eu passei a mão pelo meu busto e peguei meu colar.
-O que foi?
- Acho que conheço isso... – ele se aproximou, percebi que ele parou de
respirar - Posso? – eu concordei e ele tirou meu colar, quando se afastou
voltou a respirar.
- Meu cheiro te atrapalha?
Ele riu envergonhado.
-Não... É um pouco difícil, mas eu acostumo... – ele abriu o colar. - Plus
que ma propre vie. – sussurrou.
-Minha mãe me deu esse colar em meu primeiro natal, algo errado?
-Não, é apenas... – seus olhos analisando o colar. – Ele me lembra muito
um colar que meu pai deu á minha mãe, quando era pequeno. – ele
balançou a cabeça. – Não é nada.
-Mas poderia ser... Minha mãe disse que é muito antigo e pelo jeito veio da
França, certo?
- Pode ser... Mas seria muita coincidência...
-O que ela fez com o colar que seu pai deu á ela? – ele colocou o colar de
volta no meu pescoço.
- Hum... Acho que devolveu pra ele quando se separaram. Faz séculos, não
lembro... – ele riu de si mesmo. Eu dei um sorriso torto.

“A melhor parte da vida de uma pessoa está em suas


amizades.”
23. APRESENTAÇÕES
Quando anoiteceu eu me lembrei da Bia, que iria me dar uma bronca, pois
eu tinha falado que iria encontrá-los na hora do almoço.
Não tinha idéia também se a monitora tinha descoberto se eu estava ou não
no quarto. Mike me acompanhou até Paris...
Estávamos na parte de trás do hotel, pois tinha que voltar pela varanda,
liguei pro celular da Bia, ela estava brava, mas me disse que eles não
estavam lá, eu poderia subir sem problemas.
- Nessas horas eu queria ter o poder da Anne, ela pode controlar as pessoas,
né? – eu perguntei a ele.
-É... – ele riu
- Se a monitora souber que eu não estava no quarto, eu á – faria esquecer...
Ele sorriu.
- Te vejo amanhã? – ele perguntou esperançoso.
- Provavelmente. – eu sorri animada. – Mas vai ter que ser à noite...
-Tudo bem. Quer que eu venha te pegar? Agente fica por aqui mesmo. - ele
me propôs.
- Ta, pode ser. Até. – eu acenei.
Peguei impulso e saltei para a varanda do 6º andar. O quarto estava vazio,
eu me virei e acenei pro Mike. Ele sorriu e foi embora.
Eu fechei a cortina e fui até a porta, ainda estava trancava. A monitora não
tinha entrado no meu quarto, espero...
Eu desci e fui à recepção, vi uns alunos conversando, mas ninguém que eu
conhecia muito bem.
A Bia logo estaria de volta, então eu voltei para o quarto e fiquei vendo
TV, como se ela pudesse me distrair.
Depois de mais ou menos uma hora, eu ouvi uma agitação no corredor, Bia
e a Gabi entraram rindo no quarto.
- Chegaram... – eu disse ansiosa
-Oi. – disse Gabriela
- Você não passo a tarde com a gente... – a Bia estava chateada. – Onde
você estava?
Eu olhei de relance pra Gabi e depois pra ela. Ela assentiu com a cabeça.
- Acho que to sobrando... – ela riu sem graça – Vo procurar a Marília... – e
ela saiu antes que uma de nós pudesse disser alguma coisa.
- Ta, agora começa. – ela pegou minha mão e me sentou na cama.
-E fui pra Versalhes, ver se encontrava com ele de novo...
-E... – ela esperou ansiosamente
- Eu encontrei. – eu estava animada
- Estava pensando, você não me falou o nome dele...
- É Michael, Mike...
-Hum... E depois?
- Ele me levou para o Palácio de Versalhes e me mostrou vários outros
lugares diferentes, o avô dele trabalhou lá. – os olhos dela pareciam brilhar
– Depois fomos pra casa dele, conversamos bastante. Existem mais três
vampiros, aqui; Meredith, ela caça humanos, Anne, irmã dela, se alimenta
como o Mike, mas às vezes ataca humanos, Joseph amigo dele que adora
dar festas... – eu balancei a cabeça nervosa.
-Festas? Nós vamos em alguma? – a Bia me perguntou animada, eu ri.
-Não. Não é seguro você ir, já pensou que é uma festa só de vampiros?
-Tendi... – ela mordeu o lábio, decepcionada. – Mas você viu algum deles?
-Não, o Mike só falou... – eu estava ansiosa em conhecê-los pessoalmente.
- Eu não vejo á hora de conhecê-lo... – ela ficou olhando pro quarto,
provavelmente imaginando.
- Não sei se seria uma boa idéia.
-Por quê? Ele é seu amigo e não caça humanos. – ela apontou para ela
mesma, eu sorri.
-Porque você falou estranho amigo... – eu semicerrei os olhos. Ela deu de
ombros. – E sim, é verdade, mas não sei, vamos esperar mais um pouco, tá?
-Tá. – ela fez bico
Eu a abracei.

Dormi tranqüila, sem sonhos ou pesadelos, talvez cores não me lembro


muito bem.
Acordei de ótimo humor, animada e ansiosa... Não sei o que o dia me
aguarda, mas seria muito mais empolgante á noite.
Fui à lugares novos, lindos e impressionantes.
Almoçamos no hotel e depois fomos pra piscina, brincamos muito: eu subi
em cima do Murilo e a Bia subiu em cima da Gabi e tentamos derrubar uma
a outra.
Conforme o dia ia passando eu ficava cada vez mais ansiosa, sabia que ele
viria me pegar, mas eu falei que horas?
Apenas disse que á noite, mas quando seria exatamente noite pra ele? Eu
deveria ter dito que iria pra casa dele...
Quando deram sete horas, tomei banho e me arrumei, coloquei um vestido
vinho com renda preta e uma sandália de tirinhas.
Penteei meu cabelo demoradamente e a Bia me emprestou um brinco em
forma de lua.
-Ótimo, está pronta pro seu encontro! – ela disse feliz.
-Que? – eu me assustei. – Encontro? Bia! Ele é meu amigo, eu tenho meu
Jake. – eu á lembrei abismada.
- Sei, sei... –e me deu minha bolsa.
Nós saímos em grupo, mas eu me afastei do pessoal quando viramos a
esquina. Aonde ele iria me encontrar?
Eu andei de volta para a parte de trás do hotel, talvez ele viesse me
procurar no quarto.
-Oi. – Mike estava ao meu lado, sorrindo. Com uma calça social preta e
uma camisa azul de gola alta.
-Você não tem medo que alguém te veja, não? – ele usava sua velocidade
anormal sem medo de alguém ver.
- Eles não me veriam. – ele me apontou o dedo, como se estivesse
mostrando algo.
Eu franzi o cenho por um momento, tentando entender, mas desisti.
-Aonde vamos?
- Hum... Não sei. Que tal a Torre Eiffel? Ou... o Quai d' Orsay?
- Tanto faz... Mas o Quai d' Orsay é caminho vamos dar uma passadinha lá,
depois vamos a Torre. – eu sorri com a idéia.
- Ok.
Era a primeira vez que eu saia com um garoto- mesmo sendo vampiro –
sem ser o Jake, apenas nós dois, era um pouco estranho, mas tentei não me
importar, pois é como se eu conhecesse o Mike á anos, apesar de só
conhecê-lo á dois dias.
Sentamos em um banquinho, vendo as luzes sendo refletidas no rio, o céu
parecia ter sido pintado à mão, com a lua iluminando as nuvens ao redor.
-Às vezes, essas imagens... Essas coisas me fazem sentir vivo. – ele
sussurrou, eu sorri.
Ele olhou pra mim e se levantou.
- Vamos. – ele me ofereceu sua mão, eu a peguei e continuamos andando.
A Torre Eiffel de noite era duas vezes mais linda que de dia, as luzes
iluminavam toda a estrutura, a deixando dourada.
Nós subimos e ficamos na ultima plataforma, eu suspirei feliz.
- Lindo, né? – eu olhei para ele, que pra minha surpresa estava tão
fascinado quanto eu.
-Sim... – eu sussurrei – Você vem muito pra cá?
-Não muito, apenas eu ocasiões especiais... – ele sorriu pra mim.
Eu voltei a olhar para a cidade, apesar do vento bagunçar meu cabelo, ele
me refrescava. Milhares de luzes acesas nas ruas, nos jardins, nos
monumentos, é algo indescritível.
Um som agudo e baixo atingiu meus ouvidos, o celular do Mike estava
tocando.
-Alô. – ele atendeu
“Onde você está? Eu estou aqui na sua casa!” – era uma voz masculina
- Eu estou com companhia no momento, Joseph! – ele olhou pra mim
constrangido.
“Hum... melhor ainda, trás ela pra cá. Alimento ou diversão... ou melhor, os
dois? Ta ficando saidinho...” - Joseph perguntou empolgado.
Eu levantei uma sobrancelha.
- Até. – Mike desligou sem demora. – Desculpa, ele é meio sem noção às
vezes.
-Não precisa desligar por minha causa, vamos até lá, estou curiosa pra
conhecer seu amigo. – eu segurei uma risada.
- Tem certeza? O Joseph apesar das roupas, do jeito de falar e da sua
aparência, ele é muito antigo e pode levar as coisas de um jeito diferente. –
ele tentava encontrar palavras.
- Como assim?
- Eu não se como ele vai te ver. - ele admitiu. – Ele acha até hoje meio
ridículo eu me alimentar de bolsas de sangues.
-Hum... Tudo bem. – eu não estava com medo.
Nós descemos e fomos a Versalhes...
Depois de uma hora e cinco ligações não atendidas chegamos ao
apartamento.
No corredor eu senti um cheiro forte de vampiro, ele ainda estava lá. Mike
olhou pra mim, eu acenei com a cabeça e ele abriu a porta.
Joseph estava sentando em uma poltrona, ele era forte, com aparência de
mais ou menos 28 anos, cabelos curtos em um loiro escuro, estava vestindo
uma calça social cinza escura e uma camisa vermelha de cetim.
Ele encontrou meu olhar, seus olhos vermelho sangue, me fizeram recuar.
Eu me aproximei lentamente.
- Esta é Renesmee... – ele me apresentou
Os olhos de Joseph me analisaram e instantaneamente ficaram surpresos,
ele deu um pulo pra trás flexionando as pernas se protegendo ou podendo
atacar. Mike se pôs na minha frente...
-Calma... Ela é especial, única. – ele estava com os braços esticados,
balançando as mãos, como se tentasse acalmar um animal.
-O que? O que ela é? – ele lentamente se levantou e se recompôs.
- Meio-vampira, meio humana. – ele falava tentando precaver a reação de
Joseph.
Ele me olhava com desconfiança, mas também curiosidade, se
aproximando, Mike não saiu da minha frente.
- Tudo bem. – eu toquei o braço dele, ele se afastou.
Joseph ficou andando ao redor de mim, me analisando de cima a baixo.
Me senti muito incomodada com aquilo, parecia que ele estava avaliando
um material, um produto.
- Acabou? – eu perguntei nervosa, na sua terceira volta.
Ele parou.
-Desculpe, curiosidade. E já que agora sei que você não morde. – ele sorriu
maliciosamente, pegou a minha mão, eu me segurei para não puxá-la de
volta. – Deixe-me apresentar corretamente. Meu nome é Joseph Vincent
Bonnet – ele a- beijou – Prazer.
- Prazer. - eu puxei minha mão delicadamente.
Seus olhos me fitavam curiosos e ansiosos, ele se virou para o Mike.
-Não sabia que você estava andando com uma das mais belas companhias...
Onde você encontrou essa iguaria? – eu não pude me conter.
-Desculpe a interrupção, mas eu não sou um pedaço de... Eu não um
produto, OK?!
Mike se pôs ao meu lado.
-Perdoe o Joseph, tente não ligar para esse jeito cínico que às vezes aparece
nele. – Mike me disse
-O que você esta dizendo, Henry? – Joseph perguntou ao Mike, com um
tom de repreensão.
-Henry? – eu olhei para ele confusa.
-Eu também não me apresentei corretamente, mesmo nos conhecendo á
dois dias. – ele mexeu no cabelo. – Meu nome é Michael Henry Helsing... –
ele pegou a minha mão e a beijou imitando o Joseph, brincando.
- Pierpont. – acrescentou Joseph, Mike revirou os olhos.
-Bem, assim eu também não me apresentei... Renesmee Carlie Cullen. – eu
cruzei as pernas e me abaixei rapidamente, como às mulheres faziam
antigamente e ri. Eles riram aos sussurros.
- Vejo que sua companheira tem senso de humor. – disse Joseph com sua
voz suave e sarcástica.
- E–Ela não é minha companheira... – Mike disse antes de mim.
-Hum... – primeiramente ele franzia testa em duvida depois deu um sorriso
suave. Eu não me contive.

“Já que ela não é do Henry, eu... Hum... mas ele já ta tanto tempo sem
alguém, talvez eu possa deixar essa passar. Mas ela é tão delicada,
deslumbrante, como posso resistir á essa doçura...” – ele pensou

Acho que o Mike percebeu que se o silêncio prevalecesse, eu estaria lendo


a mente de alguém e interrompeu.
- Então... O que faz aqui? – ele perguntou ao seu amigo centenário.
- Bem... Vim aqui te chamar para uma festa noturna, a Anne voltou de
viajem e vamos aproveitar. E – ele olhou pra mim. – você podia convidar a
sua nova amiga.
- Ah, obrigada mais não curto muito esse tipo de festa. – eu disse ríspida.
Ele semicerrou os olhos.
- Você é mais pra lá do que pra cá...
Eu o - encarei confusa.
-Ela não caça humanos, se alimenta de animais. – Mike o interrompeu
-Oh... Entendo. Eu já tinha ouvido falar sobre um grupo de vampiro que
vivem no Norte dos EUA, que se auto denominam vegetarianos...
-Somos nós. - eu o informei.
- Que... Interessante. Também sei que deram muita dor de cabeça aos
Volturi. – ele levantou um pouco a sobrancelha.
Eu mordi o lábio.
-Pelo jeito sim... – eu já estava prevendo que logo ele perguntaria o porquê,
se ele não soube o motivo.
- A Meredith virá? – Mike perguntou.
Joseph ficou surpreso pela pergunta repentina.
- Sim. Eu liguei pra ela e amanhã ela provavelmente estará aqui. - seus
olhos estavam curiosos no Mike
- Hum... – eu olhei pra ele ao meu lado, estava serio, preocupado talvez.
Eu olhei no relógio quadrado na parede, já era uma da manhã.
Eu arregalei os olhos.
- Tenho que ir! – eu falei apressada
-Por que já vai embora? Nem começamos a nos conhecer. – eu mal prestei
atenção no que o Joseph disse.
- Mike, eu to atrasada, tenho que voltar.
-Ok, quer que eu te leve? – ele me seguiu ate o corredor, seu amigo logo
atrás, curioso.
- Não, você tem companhia. – eu olhei pro Joseph. O Mike mexeu no
cabelo, um pouco nervoso.
-Tá... Até amanhã. - eu concordei com a cabeça.
E dei um beijo de despedida no rosto. Eu só percebi que tinha me
aproximado demais, quando ele parou de respirar bruscamente.
-Desculpe. – eu disse
Ele colocou sua mão em meu ombro e sorriu.
Eu analisei sua mão e me veio um flash do sonho. Seria a mão dele, que
estava no meu ombro? Seria ele a pessoa que substituiria o Jake?
Pelo menos foi o que eu consegui entender do sonho, o Jake some e ele
aparece...
Quando pensei no Jake senti uma pontada no coração, saudade.
-Tudo bem... Vai. – ele me disse.
Eu sai em disparada ao final do corredor e desci as escadas, pois seria mais
rápido que o elevador.
As ruas estavam um pouco remotas, eu voltei para Paris e corri de volta
para o hotel.
As garotas estavam dormindo, me troquei, passei uma água no rosto e me
deitei.
Fiquei virando de um lado pro outro da cama, pensando no Jake, no Mike...
e no maldito sonho que me deixava acordada.
Eu necessito ligar pro Jacob, ouvir sua voz, sua risada, eu suspirei...
E apenas lembrando de meu ultimo encontro com ele, cai no sono.

“Saudade tem algo haver com auto-acusação e


arrependimento."
24. PASSEIO
Hoje é Sábado e não teria passeio. Um dia livre, pra quem quisesse passar
o dia todo no hotel ou se divertindo na incansável Paris.
A Gabi tinha descido pra toma café e eu estava contando as novidades pra
Bia no quarto...
- Então você vai à festa? – ela me perguntou ansiosa
-Não sei, acho que não... E o Mike não me convido exatamente...
-Uhum... Eu queria ir em uma festa de vampiros, deve ser toda chique e
elegante. – ela viajava nos pensamentos, eu estralei os dedos chamando sua
atenção.
- Não se esqueça que eles vão se alimentar... De humanos, vivos.
-Eu sei, eu sei... Tava só imaginando. – ela argumentou.
-Mas... – eu torci a boca. – Se o Mike me convidasse acho que iria. Apesar
de desprezar por completo o que eles fazem, mas tenho curiosidade em
saber como vai ser.
- Posso te fazer uma pergunta? – ela me fitava
–Claro... – eu olhei pra ela confusa
-Você já experimentou sangue humano?
Eu suspirei.
-Sim. Quando eu era bebê, eles me alimentavam com sangue humano, de
bolsas de sangue, claro. – eu ri sem humor – mas depois de alguns meses,
eu comecei a caçar com a minha família, brincava muito com o Jake
também...
-Você lembra de tudo? – ela me olhou abismada
-Sim... É um pouco vago, mas tenho boas lembranças. – eu sorri
-E... – ela baixou a voz – Não sente falta...? – acho que ela estava com
vergonha de perguntar se eu não queria voltar a provar do sangue humano.
-Pra ser sincera, sim, mas já estou acostumada. Quem prova do sangue
humano nunca esquece...
Ela balançou a cabeça me compreendendo.
Depois de um tempo descemos e o pessoal já tinha revolvido que iriam
novamente a Torre Eiffel, eu fiquei meio chateada, pois já tinha ido na
noite anterior, mas eu aceitei ir almoçar lá com eles.
Depois do almoço ficamos passeando, conhecendo lugares novos, vendo
belíssimos jardins...
As luzes começaram a se acender, o céu estava em um tom rosado e o
horizonte alaranjado, quando vi – a quase- lua cheia lembrei que tinha que
ligar pro Jake.
Estávamos em uma feirinha, com varias quiosques. Peguei meu celular.
-Vem olha aquela ali! – a Gabi me puxou junto com a Bia, a Marília e a
Fernanda entraram atrás de nós. Os garotos continuaram andando.
-Olha isso! – a Bia disse deslumbrada por um par de brincos de estrelas
todo entrelaçado.
Eu me desconcentrei da minha obrigação de ligar pra ele e mandei uma
mensagem curta:
Já te ligo!
Nessie
Eu comecei a vasculhar a lojinha, procurando alguma coisa especial que eu
pudesse dar pra Alice, que tinha pedido.
Vi roupas, coisas pra cabelo, colares, pulseiras, talvez se eu desse um par
de sapatos... mas ela já tem infinitos pares.
Fui à seção de brincos, vi cada um mais lindo que o outro, uns mais
simples outros mais detalhados e caros, minha Alice gostaria de brincos?
Bem... Ela amaria qualquer coisa que eu desse pra ela daqui da França,
desde de que seja bonito, claro.
Bia notou minha frustração.
-Compra um perfume! Ela gosta, quero dizer, usa?
-Hã... Sim. Mas isso me deu uma idéia. – eu peguei um par de brincos
compridos prata, um perfume e uma bolsa.
Mas que sapatos e roupas, Alice amava bolsas.
Coloquei o perfume e o brinco dentro da bolsa e comprei. A vendedora
colocou em uma caixa e embrulhou com um papel prata com estrelas
azuis...
Talvez tenha sido cedo para comprar a lembrançinha que ela tinha pedido,
mas se eu visse outra coisa mais interessante, eu compraria e daria tudo
junto, ela amaria mais ainda.
Compre pra mim umas pulseiras e uma bolsa rosa com preta, uma bolsa
que era a cara da Rosálie, um colar pra Esme, umas blusas pra minha mãe e
um perfume que achei muito atraente pro Jacob, mesmo seu cheiro sendo o
mais delicioso que conheço.
A Bia comprou o brinco de estrelas e as garotas varias outras coisinhas.
Saímos da lojinha para procurar os meninos, eles estavam sentados em um
banco conversando com duas garotas francesas.
Nós fomos até eles, quando as garotas foram embora.
-O que estavam fazendo? – a Gabi perguntou rindo
- Procurando amizades. – Pedro respondeu
- Sei bem que tipo de amizade é essa... – ela revirou os olhos.
-Mas como vocês conseguiram falar com elas? – Marília perguntou.
-Com gestos, algumas palavras, eu não sou tão ruim na aula de Francês. –
respondeu Murilo
-Com certeza você ficava colando de alguém nas provas... – Gabi caçou.
-Conseguiram pelo menos o nome delas? – perguntou Bia.
-Mas que isso, os telefones! – Lucas disse orgulhoso e mostrou uma folha
de caderno dobrado ao meio.
Algumas riram, outras caçoaram e continuamos andando pela feirinha.
Já era umas seis e meia, eu tinha que voltar para o hotel encontrar o Mike...
Eu bati a mão na testa, tinha me esquecido de ligar pro Jake, mas daqui a
pouco eu ligo, agora tenho que voltar pro hotel.
- Gente, tenho que voltar! – eu avisei
-Mas já? Agora que íamos realmente curtir a noite! – disse Murilo,
mexendo o quadril, insinuando que iria dançar, eu ri.
-Desculpe, mas ta na hora. – eu acenei pra eles
- Deixa que eu fico com as suas coisas – a Bia pegou minhas compras, ela
sorriu e piscou.
-Não se preocupe eu deixo tudo no hotel...
-Não tudo bem, vai logo. – ela me apresava. Eu me afastei.
Quando estava voltando, no caminho senti um cheiro recentemente
familiar, o do Mike, ele deveria ter passado por ali ou estava por perto, eu
tentei segui-lo.
E senti uma rápida aproximação pelas minhas costas, me virei antes que
pudesse me tocar.
-Ah, queria te dar um susto. – ele fingiu estar decepcionado.
-Nossa! Dar um susto em um vampiro. – eu levantei uma sobrancelha –
Você vai ter muito trabalho pela frente. – eu brinquei.
-Mas então... Para onde irei levar minha turista predileta? – ele sorriu.
-Não faço idéia, à noite está tão gostosa, vamos andar por ai... Tem algum
parque perto daqui, meu guia particular? – eu ri.
- Você quer dizer parque de diversões ou é parque normal?
-Ah, eu estava falando de parque normal, mas ir á um parque de diversão ia
ser divertido! – eu disse empolgada.
-Ótimo, é perto daqui!
Ele pegou minha mão e me levou ao parque...
Tinha muitos sons diferentes juntos; de gente conversando, músicas, gritos
nos brinquedos, gargalhadas, o barulhos dos trilhos da montanha russa, que
era enorme talvez seu ponto mais alto tenha 15 metros, ela era maior
atração do parque e ficava no meio.
Tinha um palhaço na entrada oferecendo balões, eu passei reto, mas o Mike
parou e pegou um balão vermelho, deu uma gorjeta ao palhaço, agradeceu
e foi na minha direção.
-Aqui! – ele me ofereceu o balão carinhosamente. Eu fiquei olhando pra
ele, pra ver se ele realmente estava falando serio – Não quer?
-Claro, só não estava acreditando que você tava me dando um balão. – eu
ri, ele amarrou o cordão do balão em meu pulso. – A Montanha russa
primeiro?
-Pode ser.
E fomos para onde tinha mais gente, de onde vinha a maior parte dos
gritos.
Ele comprou os ingressos e ficamos na fila.
-Não acredito que vou a um brinquedo... – ele riu dele mesmo.
-Por quê? – eu tinha algumas hipóteses.
-Eu fui apenas uma vez em toda minha vida, em um parque em 1786... –
nós estávamos bem próximos e tinha muito barulho ao nosso redor,
ninguém estaria prestando atenção na nossa conversa. Apesar de vez ou
outra, algumas pessoas ficavam olhando para nós, mas provavelmente era
por causa da nossa aparência... incomum.
Eu já tinha ido quatro vezes á montanhas russas, mas é sempre bom sentir
um pouco de adrenalina no sangue, será que um vampiro senti a mesma
coisa que eu sinto? Aquele friozinho na barriga quando o carrinho
despenca... Acho que não.
Depois de dez minutos, era a nossa vez. Quando sentei – no primeiro vagão
– eu prendi o balão debaixo da minha perna para não escapar.
Senti algo vibrar no bolso da minha calça, era meu celular, mas não deu
para atender, quando fui pega-lo, as travas de segurança se posicionaram.
Depois de um leve tranco o carrinho começou a se mover e a subir os 15
metros que vinham pela frente.
Quando despencou senti aquele delicioso friozinho na barriga, levantei os
braços e sorri tranqüila, sentindo as rajadas de vento no rosto e ouvindo os
intermináveis berros das pessoas atrás de mim, eu olhei pro Mike ao meu
lado, ele ficou rindo as duas voltas inteiras, às vezes com os braços
levantados, às vezes na nuca, se exibindo.
Quando saímos da montanha, peguei meu celular para ver quem tinha me
ligado e havia mais duas ligações não atendidas do Jake.
-Quem era? – Mike perguntou
-Jacob. – eu disse meio preocupada.

“Contratempos são como facas, que nos servem ou nos cortam,


conforme as pegamos pelo cabo ou pela lâmina.”
25. LUA
Ele ficou quieto e continuamos andando. Paramos perto de uma
barraquinha de sorvete.
-Você quer? – ele me ofereceu.
-Hum... Não sei, eu experimentei uma vez, mas não me agradou muito. –
eu fiz uma careta.
-Experimente de novo. Tudo muda, sempre tem alguma coisa diferente. –
ele sorriu e foi comprar – Algum sabor em especial?
- Tanto faz. – eu dei de ombros e peguei meu celular.
Quando ia discar os números, Mike me entregou um sorvete de chocolate.
-Aposto que faz esse passeio com todas as outras... – eu brinquei.
-Claro. Mas geralmente elas gostam quando ofereço o sorvete. – nós rimos.
Eu levei a passinha de madeira lentamente á boca, senti minha língua ficar
gelada, refrescando minha boca, podia separar cada ingrediente adicionado
ao sorvete, juntando tudo, não era muito ruim.
-E aí? – ele analisava minha expressão.
-Ah, mais ou menos... – eu comi mais um pouco.
-Eu estava curioso... Será que poderia sentir o gosto do sorvete como você
sente, pela sua habilidade? Pois pra mim não tem gosto de nada.
-Não sei, será possível? Quer tentar... – eu ofereci minha mão, ele a tocou.
E mostrei tudo que havia sentido ao tomar o sorvete.
-E... – eu esperei
-Hum... Foi fraco mais senti um gosto doce e gelado, era como uma
lembrança, longínquo.
- É mais ou menos isso... Não sei explicar. Meu avô já me explicou varias
vezes... Você poderia conhecê-lo um dia. – eu pensei animada com a uma
possível aproximação do Mike á minha família.
-Eu adoraria...
Quando terminei de tomar o sorvete, meu telefone tocou e eu finalmente
consegui atender.
-Jake! – eu disse eufórica.
-Nessie o que aconteceu? Você falou que ia ligar e... – sua voz preocupada.
Olhei pro Mike, ele sorriu e se afastou... Eu andei até onde não tinha
ninguém, debaixo de uma grande árvore.
-É que hoje foi um dia cheio e não deu tempo... Desculpe. – eu expliquei,
tentando manter minha voz o mais normal possível.
-Ai amor, você me preocupou. Então está tudo bem? – podia ouvir sua
respiração voltar ao normal.
-Sim... Estou querendo falar com você desde ontem. Você está em La
Push? – queria dar um oi pra minha família.
-Não, estou perto de Quilcene, tem algo estranho acontecendo... – sua voz
um pouco rouca, seria.
-Como assim? – eu me assustei.
-Não sei explicar, não temos muitas informações, apenas sabemos que está
alguma coisa errada acontecendo pela Europa, alguma coisa envolvendo
uns vampiros, mas estamos preocupados e... Achamos melhor você voltar.
Meu coração deu um batimento em falso, fiquei sem ar por um instante...
-Eu não posso deixá-los agora. – eu disse em um tom elevado – A situação
está tão grave assim?
Ele respirou profundamente duas vezes.
-Ainda não, mas... Você não quer voltar? Aproveitar a oportunidade e... –
ele estava meio melancólico.
Eu suspirei, meus olhos começaram á arder, a vontade de atravessar o
oceano e abraçá-lo, de não deixá-lo nunca mais triste, chateado comigo
aumentando.
-Jake... - eu ofeguei – Eu te amo mais que tudo, mas não quero deixar nesse
momento Paris, a Bia, o M- eu parei, não poderia falar pra ele sobre o
Mike, pois se dissesse que estou andando com um vampiro, é bem provável
que ele viria pessoalmente me buscar pra voltar pra casa.
-O que você disse?
- Vamos ver com as coisas vão ficar, quando souberem o que realmente
está havendo e se devemos nos preocupar... Eu volto pra casa. – eu disse
decidida.
-Tudo bem... Está divertido aí em Paris? – ele tentava mostrar entusiasmo,
eu sorri olhando pro parque a minha frente.
-Sim, estou em um parque de diversões agora.
-Faz tempo que não vamos á um, não é?– ele ainda estava triste.
- É... – meu sorriso foi sumindo – Jake está tudo bem? Aconteceu alguma
coisa? – ele respirou fundo.
-Não se preocupe minha pequena Nessie, é apenas essa vontade
interminável de querer estar ao seu lado. – sua voz doce.
-Eu também, às vezes me sinto tão gelada, como se sem você eu não
conseguisse me aquecer...
- Não se esqueça que é o Sol que tem brilho, calor próprio. Na verdade é
sempre você quem me aquece, eu to quase tão gelado quando sua família. –
ele riu sem graça, eu sorri ouvindo seu riso, mesmo que forçado, e apertei
um pouco mais o celular contra a orelha.
-Mas sem a Lua as noites seriam pura escuridão, não teria brilho, vida...
Precisamos um do outro... – eu sussurrei.
-Eu preciso de você aqui. – ele falou baixinho
-Por favor, não me pesa para voltar, é muito difícil recusar alguma coisa
que você me pede. – eu supliquei
-Ah e você acha que é mais fácil pra mim? Só pelo fato de você estar
falando desse jeitinho triste, sofrendo, eu me sinto o pior namorado do
mundo. – eu achei que ele estive brincando, mas não estava.
-Desculpe...
-Não se desculpe, eu que deveria, sei que é difícil pra você ficar longe
daqui e eu só fazendo você se sentir pior... – ele falou nervoso.
- Para! Para de dizer que você me deixa triste, pois isso não é verdade. Essa
discussão irá durar até que eu volte, então vamos parar por aqui. – eu
realmente não queria ficar brava comigo, muito menos com ele.
-Ok. – ele suspirou
Eu olhei pro Mike, quando ele encontrou meu olhar, ele desviou
envergonhado.
-Jake, vou ter que desligar. – eu realmente não queria.
-Claro, Nessie. Quando tiver mais notícias te ligo!
-Ok... Te amo. – senti um peso no peito.
-Eu também...
Eu olhei para a tecla vermelha do celular e apertei, sofrendo mentalmente.
Mike se aproximou, eu guardei o celular.
-Você ouviu alguma coisa? – eu perguntei indiferente.
-Não. – ele estava um pouco preocupado. – Alguma coisa aconteceu?
-Não sei, Jacob disse que está havendo alguma coisa suspeita, talvez algum
vampiro infringindo alguma regra... – eu dei de ombros – Você está
sabendo de alguma coisa?
-Não. - ele franziu o cenho – Depois vou pergunta pro Joseph, talvez ele
saiba de alguma coisa.
-Ah, por falar nele, quando é a tal festa?
-Amanhã, por quê?- ele me olhou curioso. – Você quer ir?
-Hum... Eu estava curiosa para conhecer a Meredith, a Anne... - omiti
apenas a parte de conhecer a festa, ele ficou serio. – Algo errado?
- Pode não ser uma boa idéia você conhecer a Meredith.
-Por quê? Eu sei que ela é meio egocêntrica, tem hábitos alimentares ruins,
mas ela é pior que o Joseph?
-Além dê ter uma habilidade perigosa, ela possui uma língua afiada, um
humor ácido... Talvez você se ofenda com alguma coisa que ela diga.
- Não precisa se preocupar... Acho que posso suportá-la. – eu ri, mas ele
me olhou preocupado.

“- a Meredith seria muito capaz de atacá-la, mas eu não vou deixar que
encoste um dedo nela.” – ele pensou

-Porque ela me atacaria? – eu perguntei abismada


-Um hábito idiota dos Volturi, sabe? Atacar primeiro, perguntar depois...
Será que ela seria capaz de querer me matar?
Nós continuamos andando pelo parque... Ficamos lá ate os brinquedos
começarem á fechar.
Quando saímos, ele pegou meu pulso e com agilidade desamarrou o balão.
-Acho que isso já te incomodou bastante. – sua voz suave
-O que? Não. Eu quero ficar com ele! – eu peguei o cordão de volta, ele me
observou – Quero guardar de recordação, gostei muito de passar esse
tempo com você. – eu dei um sorriso torto
-Eu também. – ele retribuiu meu sorriso. – Vamos pra minha casa?
-Hum... – eu olhei no visor do meu celular, já era quase meia-noite. – Acho
melhor voltar.
-Ah, que pena. – ele deu um sorriso meio triste. – Mas... Então você vai
comigo amanhã na festa?
-Sim. – eu disse confiante – Onde vai ser?
-Na minha casa. – ele disse meio presunçoso.
-Verdade? Nossa, mas não é uma festa dada pelo Joseph?
-É. – ele franziu o cenho – Mas ele acha que o meu apartamento é mais
bem localizado, na verdade ele gosta mesmo é de fazer bagunça na casa
dos outros. – ele riu
- Entendi. – eu sorri, não era só impressão o Joseph era realmente folgado.
– Mas porque você é amigo dele? Ele é meio arrogante e têm outros
defeitinhos, você é tão diferente dele...
-Bem... Depois que a Meredith me transformou nos meus primeiros meses
de recém-nascido ela não pode ficar comigo e o Joseph é um velho amigo
dela, ele meio de cuidou de mim. – ele disse meio envergonhado. – Ele me
ensinou tudo nos meus primeiros dias, foi quem me orientou. Depois fui
pra Volterra com a Meredith, mas ele acabou virando um grande amigo,
quando você conhecê-lo melhor verá que ele não é tão ruim assim...
Espero. – ele riu.
-Entendi, é como se ele fosse seu mentor. – ele concordou – Quantos anos
ele tem? Você falou que era muito velho, mas...
-Hum... – ele pensou – Mais ou menos 350 anos, se não estou enganado ele
nasceu em 1655, não sei muito bem a história dele, ele nunca quis falar
muito sobre isso. – ele mexeu no cabelo, percebi que aquilo era uma mania,
eu ri discretamente.
-Ele tem quase a idade de meu avô Carlisle... Só alguns anos mais novo.
-Eu acho que me lembro dos Volturi falando algo sobre a família do
Carlisle, sua família. – ele franziu a testa, eu esperei curiosa. – Alguma
coisa sobre mais vampiros terem se juntado á eles, que estavam ficando
mais fortes...
-Acho que foi na época que minha tia Alice e Jasper se juntaram a família...
– era provável.
-Acho que sim, uma vampira vidente e o outro podia controlar as emoções
ou coisa assim. – ele acrescentou.
-Sim. – eu concordei.
-Sua família é bem dotada, hein?! – ele riu- Seus tios, você, não me diga
que seus pais também possuem habilidades? – eu ri.
-Sim, meu pai pode ler mentes como eu, mas sua habilidade é muito mais
forte que a minha e a minha mãe tem a capacidade de bloquear ataques
não-físicos como se fosse um escudo psíquico ao seu redor e também ao
redor das pessoas que quer proteger... – eu sorri, ele arregalou os olhos.
-Serio? Não é a toa que os Volturi tenham tanta inveja dos Cullen. – eu dei
de ombros.
Ele me contou como foram seus primeiros dias em Volterra e algumas das
atrocidades cometidas pelos Volturi enquanto voltávamos para o Hotel.
Ele parou na porta...
-Então ate amanhã á noite, eu venho te pegar ás nove, ok?
-Tá... E algum traje em especial?
-Ah, não se preocupe, qualquer vestido que você use ficará maravilhoso... –
ele deu seu sorriso perfeito.
Eu acenei quando ele foi embora. Entrei no hotel e fui para o quarto, às
garotas não tinham chegado... Eu fiquei no computador um tempo, depois
na TV e fiquei pensando o que vestiria para a festa, olhei em meu armário e
joguei uns vestidos na cama, os analisei, fiquei em duvida entre um
tomara-que-caia preto com uma faixa rosa na cintura e um outro roxo
escuro de gola alta...
Quando as meninas chegassem eu perguntaria pra elas qual era o melhor,
olhei o horário no despertador, já passava das duas da manhã, eu dei um
bocejo involuntário e deitei na cama.
Quando fechei os olhos, ouvi uma agitação no corredor, mas cai no sono
antes que elas entrassem no quarto.
26. DESLUMBRANTE
Eu acordei antes das meninas, olhei pra elas que estavam em sono
profundo; a Gabi ainda estava com toda a maquiagem e a Bia com seus
cachos todos desmanchados, a noite deveria ter sido boa.
Tomei banho e me arrumei, elas ainda estavam dormindo e não acordariam
tão cedo...
Eu desci e comi um pão, fiquei andando pelo hotel e colocando as idéias
em dia...
O que será que esta acontecendo pra minha família ficar preocupada,
espero que hoje o Mike saiba de alguma coisa pelo Joseph...
Também tenho que falar pra eles sobre o Mike, será que eles ficaram muito
preocupados? Acho melhor avisar primeiro a minha mãe e a Alice, pelo
menos.
Quando eu voltei pro quarto, as meninas estavam meio acordadas, com
muita cara de sono.
-Bom dia. – eu disse animada
Bianca esfregou os olhos, a Gabi bocejou demoradamente.
-Que horas são? – a Bia perguntou
-Onze.
-Ahh, ta cedo! – Gabi se jogou na cama e fechou os olhos, eu ri e a sacudi.
-Não tá não! Vai, vamos aproveitar nosso único domingo aqui!
A Bia se levantou, se alongou, me deu um beijo no rosto e foi tomar banho.
Eu continuei sacudindo a Gabi até ela finalmente resolver levantar, quando
ela entrou no banho, fui falar com a Bia.
-Eu vou à festa, hoje! – eu disse animada, enquanto ela enxugava o cabelo.
-Serio?! Ai, que legal... – ela me parecia tão animada quanto eu. – Já sabe
que vestido vai?
- Tava procurando uns ontem. – eu me levantei e peguei os dois vestidos
que tinha separado e os - coloquei na cama.
A Gabi saiu do banho.
-Você vai á uma festa? – ela analisou os vestidos na cama.
-Sim. Por quê?
-Hum... Seus vestidos são lindos, mas eu tenho um que ficaria perfeito em
você!- ela abriu seu armário e mexeu nas roupas. – Achei. – e colocou na
cama seu vestido, era azul marinho, em um tecido brilhante, de frente única
e era acima do joelho.
-Nossa... – a Bia passou a mão pelo vestido. – Você tem que ir com ele! –
ela falou pra mim
-É tafetá de seda, lindo, né?! – a Gabi pegou o vestido e me deu. –Fica um
pouco apertado em mim, então deve ficar perfeito em você. Experimenta.
– ela sorriu animada.
- Tá. - entrei no banheiro e vesti o vestido.
Sai e dei uma volta... Elas me olharam de uma maneira estranha, talvez
fascinadas.
-Perfeita... – Bia sussurrou.
O vestido destacava meu busto, da minha cintura pra baixo era leve e solto
tendo um caimento perfeito, tinha um grande corte em V nas costas, que
me fez sentir um pouco incomodada.
-Posso usar? – eu perguntei a Gabi
-Se eu dissesse que não, seria um crime. – ela riu. – Claro que sim. Mas se
você faz questão eu gostaria de usar uma vez aquela sua blusa maravilhosa
verde, sabe? – ela me perguntou, eu já sabia que blusa ela estava falando,
eu concordei com a cabeça e a abracei.
Tirei o vestido e vesti minhas roupas...
O - deixei na minha cama, com uma sandália preta de tiras com strass e
desci com as meninas para ver qual seria o roteiro de hoje...
O pessoal estava me parecendo mais cansado que o normal, talvez fosse
ressaca.
-Sua cara é a melhor daqui! – Marília me analisava, seus olhos semi-
abertos com grandes manchas roxas embaixo de seus olhos azuis, eu ri e
me sentei.
- Vocês se divertiram bastante ontem? – eu analisei cada rosto da mesa.
-Muito! – Gabi disse depois de um longo bocejo.
Depois que eles tomaram café, eu perguntei aonde iríamos, mas a maioria
estava cansado e quiseram ficar no hotel, apenas eu, a Bia, a Fernanda e o
Lucas saímos.
Eles queriam ir a uma cafeteria próxima muito famosa, tinha mais de 30
tipos de café e uns com lindos desenhos feitos com a espuma dos
cappuccinos, tirei umas fotos dos desenhos, do lugar que era muito grande
e moderno... Mas não quis tomar, detesto café.
No dia que eu experimentei na casa de meu avô Charlie, tinha cinco anos,
minha mãe disse que fiquei super ativa naquele dia, eu nem percebi.
Depois da cafeteria, fomos a uma grande praça e ficamos posando ao lado
de esculturas engraçadas, também vimos estatuas vivas e tentamos imitá-
las, apenas eu consegui ficar parada sem me mover um centímetro por 1
minuto, foi quando lembrei do Mike, da festa, eu me animei e torci para
que já fosse hora de voltar pro hotel.
-Que horas são? – eu perguntei ansiosa, não queria olhar no meu celular.
- Quase sete, por quê? – Lucas me respondeu.
-Vamos! Vamos voltar! – a Bia disse empolgada- Que horas ele vai vir?
-Ás nove. – eu dei um grande sorriso.
-Temos que voltar? – Fernanda perguntou desapontada.
- Não, se quiserem ficar, fiquem, só eu vou voltar...
A Bia pegou a minha mão.
-Não se esqueça de mim!
Eles concordaram e continuaram sem nós.
Quando cheguei ao quarto, o vestido e a sandália estavam exatamente onde
tinha deixado, a Bia já foi tirando o meu estojo de maquiagem e o dela das
bolsas e arrumando ordenadamente as coisas em cima da penteadeira,
depois me empurrou apressadamente ao banheiro e deu o vestido.
Quando sai, ela tinha desligado o celular.
-O que foi? – eu me sentei na cama e comecei a amarrar o sapato.
-Eu liguei pra Alice, precisava de umas instruções para te arrumar. Seria
muito melhor se ela estivesse aqui, mas... – ela deu um suspiro rápido –
Então pedi ajuda. – ela sorriu, eu fiquei pasma.
- O que você falou pra ela?
-Calma, não falei nada sobre ir a uma festa cheia de vampiros; - ela revirou
os olhos - Apenas que ia a uma festa... – ela deu de ombros e me entregou
um par de brincos de lua minguante prata.
-Ah, bom... – eu me acalmei.
-Alice pediu varias fotos de como você vai ficar. – ela colocou a minha
câmera no meu lado.
Ela prendeu meu cabelo pra trás para me maquiar, eu geralmente me
maquio, mas tenho certeza que as dicas da Alice á Bianca eram melhores
que as minhas idéias de uma sombra branca e um gloss.
-Acabei! – ela disse depois de dez minutos.
Eu me olhei no espelho, sombra preta, branca e azul em perfeita sintonia,
um blush leve, um gloss e um rimel destacando meus densos cílios, uma
perfeita maquiagem noturna.
-Muito obrigada, adorei. – eu agradeci.
-E o cabelo? – ela desprendeu minha franja.
-Ah, tava pensando em deixá-lo solto – eu passei os dedos no cabelo,
desfazendo alguns nós – Assim! – e mostrei o resultado, natural.
-Hum... pera. – ela mexeu nas suas coisas de cabelo. – Aqui! – e pegou
umas mechas da parte da frente do meu cabelo e prendeu com delicados
prendedores para trás. – Agora ta perfeita!- ela se afastou, para me olhar -
Mais perfeita... – acrescentou
Ela pegou minha câmera e tirou varias fotos.
– Alice vai amar! – Bia disse depois de mais ou menos 20 fotos
-Já acabou o book? – eu brinquei e olhei no relógio era 15 pras 9:00.
- Vai esperá-lo lá em baixo?
-Acho que sim... – eu peguei minha bolsa-carteira preta, presente de
Rosálie e desci para a recepção com a Bia, torcendo para que nenhum dos
monitores me visse saindo, felizmente nós conseguimos passar
despercebidas. E ficamos esperando na frente do hotel.
- Reh, não se preocupe, pode ficar lá até de manhã se quiser, não precisa
ser Cinderela essa noite. – ela riu
-Ok, mas por quê? – eu a encarei – Você não vai fazer alguma coisa, vai? –
ela me olhou travessa.
-Pode ser... Apenas não se preocupe com o horário, os monitores não vão
notar que você saiu, eu cuido disso! – ela piscou

“Uma magia é bom de vez em quando...” – pensou

Eu ri discretamente, foi quando um fusion preto parou a nossa frente, a Bia


arregalou os olhos fascinada, o vidro do motorista baixou e o Mike sorriu
brilhantemente pra mim.
-Vamos!– ele me chamou
-Não sei o que é mais lindo, o carro ou o dono dele... – a Bia cochichou pra
mim, ele ouviu e riu.
-Bia, até logo! – dei um beijo nela e entrei no carro.
-Me conta TUDO, depois! – ela acenou enquanto íamos embora.
O interior do caro era estofado e confortável, estava frio, mas logo a
temperatura foi ameninando – meu corpo se adaptando.
-Está muito frio? – ele me perguntou, indo desligar o ar.
-Não, está ótimo! – eu sorri e olhei pra ele, foi quando notei o que ele
vestia.
Um blazer preto, uma camisa social azul claro por baixo e uma calça jeans
escura, elegante e charmoso como sempre, ele olhou pra mim e parou por
um instante no vestido.
- Minha amiga que emprestou... Muito chamativo?
Ele engoliu seco.
-Não, é muito... Bonito. – ele voltou a olhar pra frente.

“Como é possível? Cada vez que á vejo está mais linda e perfeita!” – ele
pensou e me olhou rapidamente.

Eu fiquei olhando pra janela, mas pude perceber pela minha visão
periférica que ele me olhava pelo canto do olho, eu ri silenciosamente.
Depois de 20 minutos, chegamos ao apartamento, tinha quatro carros na
frente e provavelmente mais alguns na garagem.
Ele entrou, estacionou o carro, saiu e abriu a porta pra mim oferecendo sua
mão á mim.
Eu a peguei e sai do carro.
-Obrigada. – eu estava meio nervosa – Estou bem? – eu perguntei agora de
pé.
-Deslumbrante. – ele beijou delicadamente minha mão, eu sorri
constrangida.
Nós subimos até seu apartamento, eu ouvi uma musica meio pop vindo de
lá e muitas vozes.
Ele abriu a porta, eu entrei apreensiva.
Tinha uma bela decoração em vermelho e preto, achei um pouco sombria
mais já era de se esperar.
Analisei as pessoas, os vampiros na casa, mulheres lindíssimas e homens
bem elegantes, todos mais ou menos em uma idade jovem de 20 á 35 anos.
Quando ele fechou a porta atrás de mim uma brisa entrou no apartamento,
passando por mim, fazendo uns 20 pares de olhos vermelhos me fitaram,
uns se afastaram, outros se agacharam se defendendo, outros desconfiados.
Mike se pôs a minha frente, eu segurei seu braço para que ele não
avançasse em ninguém e em menos de um segundo Joseph apareceu e
sorriu fazendo sinal para que seus convidados se acalmassem.
Eu tentei não notar no cheiro dos vampiros e me concentrar no do Mike á
minha frente.
-Joseph... – Mike o - repreendeu entre os dentes.
Joseph continuou sorrindo e olhou para cada rosto pálido da sala.
- Ela é minha convidada e do Henry. Se comportem! Vocês não iram fazer
mau á ela e ela não nos fará mau, espero... – ele riu.
Eles continuaram a me encarar, Joseph e Mike deram mais uns olhares
repreensivos e o clima pouco a pouco voltava ao normal e os sussurros
voltaram ao ambiente.
-Se achar melhor eu ir embora, não tem problema. – eu falei ao Mike
-Não! Nada disso. Eles nem vão te notar aqui, a maioria é muito
egocêntrico!- “Apesar de você ser nem um pouco fácil se não se notar.”
- Eles já me notaram – eu argumentei
-Ah, não se preocupe... Vamos procurar a Anne, sinto o cheiro dela por
perto. – e pegou minha mão.
-Boa noite Renesmee. – Joseph se aproximou, Mike soltou minha mão
-Olá Joseph, á decoração está linda!- eu elogiei
-Ah, tudo obra da Anne, não faria nada sem aquela garota...
- Sabe onde ela está? – Mike pegou novamente minha mão.
-Hum... Talvez na sala de jantar preparando– ele parou e olhou pra mim
receoso. – Veja se ela esta lá, Henryzinho, vou cumprimentar uns amigos e
depois vou para lá. –ele sorriu e se afastou.
Ele me conduziu ate a sala de jantar, reparei que o meu vestido comparado
aos das vampiras daqui, era comportado, uma usava um vestido vermelho
com um decote em V que se seguia até o umbigo, outra usava um que
deixava suas pernas e barriga totalmente á mostra.
O Mike conforme íamos passando cumprimentava alguns convidados, a
maioria me olhava assustado, eu sorria simpaticamente apesar do receio,
vários cochichos e comentários a cada vampiro que passava, até finalmente
ele encontrar a Anne, que realmente estava na sala de jantar.
Ela sorriu quando viu o Mike e foi abraçá-lo, ela era um pouco mais alta
que eu, magra, seu cabelo era castanho claro e estava preso em um
sofisticado coque com umas mechas soltas emoldurando seu rosto delicado
e fino, tinha grandes e expressivos olhos vermelhos que destacavam seu
rosto pálido. Ela olhou para mim surpresa.
-Oh, nossa o Joseph falou que você era bonita, mas você é deslumbrante. –
eu sorri.
-Obrigada! – agradeci e percebi que ela usava um vestido cinza brilhante
estilo “sereia”, todo colado ao corpo, contornando suas perfeitas curvas e
do joelho para abaixo era volumoso.
-Você é muito linda, também! – eu a elogiei
Ela se aproximou e me deu dois beijos, um em cada lado do rosto,
percebi que mais um coração batia naquela sala, olhei atrás dela e vi o
corpo de um homem de mais ou menos 30 anos com roupas desgastadas,
em uma mesa de metal ou titânio, ele ainda estava respirando e seu coração
batia regularmente.
Eu me afastei dela e me aproximei do corpo.
-Ele está bem? – eu perguntei ao Mike, que se aproximou lentamente.
-Está. Ele esta inconsciente, na verdade. – ele olhou pra Anne.
-Eu sei que seu habito alimentar é diferente do nosso... Sinto você ver uma
cena dessas, mas é assim que nós somos. – ela parecia se desculpar.
-Tudo bem... – eu lamentei
-Mas eles não sentem nada, é indolor!- Joseph entrou na sala de jantar e se
colocou ao lado do corpo, que estaria condenado a morte.
Eu ia contestar, mas lembrei que seria em vão, olhei mais uma vez para a
bela mulher de rosto delicado e simpático que poderia ser perigosa e
mortal.
Começou a entrar mais vampiros no cômodo e o Mike me levou para fora,
mas antes que ele pudesse fechar a porta senti o forte cheiro de sangue
humano, ao mesmo tempo em que minha garganta ardeu, senti repulsa.
Não demorou muito para aquele coração parar de bater, agora era apenas o
meu...

“Algumas vezes o esperado simplesmente perde importância


comparado ao inesperado”
27. HISTORIA COMPLICADA
-Vem comigo... Quer saber como me alimento? – ele me olhou travesso, eu
concordei.
Ele me levou a cozinha, que era toda de metal e tinha uma bancada de um
material preto resistente, ele abriu um compartimento, parecendo uma
gaveta embutida á parede, que tinha cinco bolsas de sangue, de tipo A até
AB, ele pegou uma de tipo O negativo.
Eu sentei em uma cadeira e observei.
-Você já pensou em beber em copo? – eu brinquei, ele riu.
-Sinceramente, já, mas me senti um completo idiota! – eu ri, ele puxou o
lacre a vácuo, que fechava um tubinho da bolsa e bebeu naturalmente.
-Assim? Tão normal... – eu olhei surpresa – Você é realmente civilizado. –
eu ri abismada. Ele riu.
-Eu já me alimentei de animais... Mas não como você. – ele sorriu
-Como assim?
-Eu tenho contatos e eles me dão carne fresca de animais quando peço.
-Você não é tão diferente de mim, você deveria caçar uma vez comigo. Há
quanto tempo você não caça?
-Há uns seis meses, mas posso te dizer que não foi animais que caçei. – ele
ficou meio chateado – Por me alimentar assim, meus instintos ficam uma
hora muito... instáveis e acabo perdendo o controle. Não sou de ferro... Só
pareço. – ele brincou
-Hum... Posso imaginar. – não queria pergunta como aconteceu seu deslize,
mas tive curiosidade.
-Quer experimentar? – ele me ofereceu a bolsa na metade, eu fiz uma
careta, mas aceitei e chupei um pouco.
Tinha o mesmo gosto de sangue humano que lembrava, mas não estava
fresco. Era saciável, mas nada muito viciante, talvez seja pelo sangue
pulsando, quente no corpo da vítima que nos faz ter aquela vontade
incontrolável de querer mais.
Eu devolvi á ele.
-Nada comparado ao fresco, mas eu não fico com fome. – ele argumentou e
terminou de tomar. - Elas tem um prazo, sabia?
-Prazo? – eu olhei confusa
-Eu não armazeno na geladeira, apenas nesse compartimento que as
mantém em temperatura ambiente e não deixa coagula, então só podem
durar 24 horas, no máximo dois dias.
- Vem direto do doador?
-Sim, em menos de duas horas, ninguém fica sabendo, tenho amigos em
hospitais...
Depois de descrever o quanto era empolgante caçar, nós voltamos para
sala, foi quando notei que tinha frutas e garrafas de vinho na mesa de
centro.
-Pra que isso? –eu ri
-Decoração. – ele deu de ombros.
Ele parou para conversar com alguns vampiros, eu soube que a maioria que
estava ali era da França mesmo, tinha um amigo dele, Lorenzo, que era de
Portugal, Mina era da Áustria, uns da Espanha e da Itália.
Depois de mais ou menos 2 horas na festa, percebi que Meredith ainda não
tinha chegado...
-Onde está a Meredith? – eu perguntei ao Mike, ao meu lado.
-Hum... Não sei. – ele olhou para Joseph
-Ela disse que iria se atrasar, precisava ficar mais um tempo em Volterra...
– Joseph respondeu, Anne olhou preocupada para nós, a reação dela me
disse que não era uma coisa normal de se acontecer.
-Entendo... – eu mordi o lábio nervosa.
Será que teria alguma coisa haver com as coisas que estavam deixando
minha família preocupada. Queria estar ao lado deles agora, para protegê-
los e ate mesmo ter mais informações.
No decorrer da noite trouxeram mais dois corpos, quero dizer, mais dois
humanos, foi muito frustrante para mim ver, saber que aquelas pessoas iam
morrer e eu não pudesse fazer nada, o Mike se desculpou mais ou menos
umas 3 vezes a cada morte...
Eu, a Anne e o Mike estávamos na grande varanda do apartamento,
observando a Lua e a maravilhosa cidade de Versalhes.
- Já volto. – o Mike entrou apressado.
Depois de um tempo em silêncio, a Anne sorriu.
-Você gosta dele? – ela não olhou pra mim.
Eu de imediato ia falar que não, mas eu gostava dele - como amigo, claro.
-Sim. Ele é super gentil e educado...
-Estou perguntando se você quer ficar com ele, não como apenas amigos?
– ela se virou pra mim
-Eu tenho namorado, não posso! – contestei
-E... – ela me analisou e suspirou – Você ama o seu namorado, né! Mais e
se você não estivesse namorando, ficaria com ele? – eu estranhei aquele
grande interesse pelos meus relacionamentos, mas não falei nada.
Olhei pra sacada, pensando...
Se o Jake não estivesse na minha vida... Eu... Poderia me apaixonar pelo
Mike, sim.
Lembrei das duas vezes que ele se pôs na minha frente me defendendo; ele
me protegeria; hoje quando beijou delicadamente minha mão; ele me
amaria; quando me deu o balão e o sorvete no parque; ele seria carinhoso;
quando me fazia rir; ele me faria feliz...
Eu poderia me apaixonar por ele, mas...
Nada poderia substituir a Lua, ele poderia ser as estrelas ou uma das mais
incandescentes estrelas que iluminaria a noite, mas não tanto quando a
própria Lua.
-Sim... Mas é impossível, Jacob é parte de mim. – eu olhei pra ela
convincente, ela torceu a boca.
-Hum... É que vocês me aparecem tão próximos. Olha, qualquer um
acharia que vocês estão juntos, eu... só perguntei essas coisas, porque a
Meredith apesar de ter se separado dele, ainda o ama e quando ela te ver
pode achar que estão juntos e ser...
-Desagradável. – eu a interrompi. – O quanto eles foram próximos?
-Eles foram casados por mais de 100 anos... – eu arregalei os olhos.
-Tudo isso? Não acredito... Mas eles se separaram de repente? Ele me disse
que não concordava mais com o jeito dos Volturi e... – eu lembrei que ela
tinha o protegido quando ele poderia ser morto, ela morreria por ele, era
obvio que ainda o amava. Anne suspirou.
-Ele apesar de ser apaixonado por ela, nunca a perdoou pro tê-lo
transformado. - sua voz ficou baixa, quase como um sussurro. -E conforme
os anos foram passando, tudo foi se acumulando, até... – ela hesitou.
-Até o que?
-Ele saber que ela matou uma família inteira de humanos, os pais, avós e as
crianças. - sua voz apesar de doce parecia esconder um rancor muito
grande, sua respiração irregular.
-Mas... Como ela pode?! – eu não poderia acreditar em tal brutalidade.
-Não a culpe... – ela me pediu.
-COMO NÃO? – eu aumentei meu tom de voz, abismada.
-Se ela não fizesse isso, eles a matariam.
-Claro que não! – eu contestei sem absoluta certeza. – Ela é muito valiosa
pra eles.
-Foi como uma punição. Os membros dos Volturi, não podem criar
vampiros por conta própria sem avisá-los, quando ela me criou ainda não
era um deles, mas quando transformou o Mike, sim, e sem o consentimento
deles. – sua respiração voltava ao normal. - Pelo Michael ter uma
habilidade especial, sabe do que estou falando?
-Sim, ele me mostrou. - ela concordou e continuou
-Eles não deram uma punição mais severa, são muito rígidos em relação as
suas leis e regras. A punição dela era pôr a prova sua lealdade á eles, tendo
coragem e sangue frio para matar uma família, não poderia haver nenhum
sobrevivente... – seus olhos vermelhos pareciam tocar minha alma.
-E o Mike ficou sabendo disso depois de tanto tempo?
-Sim... Ele se culpou e colocou na cabeça. – ela balançou a cabeça nervosa.
– Que por ele viver, uma família foi sacrificada e nunca mais quis matar
humanos, essa foi à causa da separação deles.
Eu fiquei quieta, em silêncio, ouvindo os sussurros e passos de dentro do
apartamento.
Mas de qualquer jeito apesar dela ter sido obrigada a matar aquela família,
se quisesse realmente mudar teria ido embora com o Mike, eles não a
impediriam, eu sei, não mataram meu pai, nem Alice com a esperança de
um dia eles se tornassem membros do clã...
Isso não teve desculpa, talvez ela não tenha se arrependido pelo que fez, já
que como o Mike disse, ela acha que humanos são inferiores e nunca teve
receio de matá-los.
- Depois da separação ele ficou muito reservado, antes era tão alegre e
animado. – ela sorriu, se lembrando. - Eu e o Joseph sempre o chamamos
pra sair, mas ele sempre ficava aqui, raramente saia. Só o vi feliz assim,
apenas hoje. – ela olhou pra mim. - Você faz bem a ele.
Eu olhei pra ela surpresa, pela sua sinceridade.
-Ele deve sentir muito a falta dela...
-Imagine você amar uma pessoa e não poder ficar com ela porque é contra
seus princípios, sua natureza.
-Eu entendo perfeitamente.
Mas eu e o Jake superamos todas as nossas barreiras e vivemos
intensamente nosso amor, talvez o amor deles não seja tão verdadeiro.
Depois de cinco minutos, o Mike voltou.
-Desculpe, tinha que saber uma coisa com o Joseph, sobre o que
conversavam? – ele perguntou animado, era difícil imaginá-lo vazio e
triste, a Anne encontrou meu olhar.
-Sobre uma historia complicada... – ela respondeu, ele olhou pra mim
franzindo o cenho, mas não perguntou nada.

“A estrada para o verdadeiro amor sempre tem obstáculos e devemos


ultrapassá-los para tê-lo.”
28. IRREVERSÍVEL E INEVITÁVEL
Já era quase três da manhã e a festa estava na mesma animação, ficamos
dançando na maior do tempo, as garotas dançaram insinuantes, o Jake teria
gostado de me ver dançando daquele jeito...
Muitos vampiros ficaram juntos, como casais, eles se beijaram
calorosamente sem se importar com quem estivesse vendo ou não, vi o
Joseph com três vampiras diferentes; teve quase uma briga, mas ele e o
Mike interromperam e pediram para que eles fossem embora; conheci
pessoas muito interessantes e perigosas, dos 23 vampiros que estavam lá,
apenas um tinha habilidade especial, Thaly da Espanha, ela tem a
capacidade de controlar, gerar ou absorver a energia elétrica, muito legal as
coisas que ela fez com umas faiscas que fazia sair de suas mãos.
Achei meio estranho ninguem ter reclamado da barulho, mas era muito
provavel que alguem tenha pagado para não haver interrompições.
Eu já estava safisteita e até mesmo um pouco cansada.
-Mike acho que já está na hora de ir... – eu o puxei para perto da porta.
-Já? Nem amanhaceu ainda! – ele riu animado.
-Mas eu tenho que voltar antes que alguem acorde, você pode me levar de
volta?
-Claro!
-Vou só me despedir . – eu voltei para o centro do barulho e fui na direção
da Anne.
-Já vou indo! – eu dei um beijo no rosto dela naturalmente.
-Já? Bem, espero te ver logo. – ela sorriu
Eu me distancie e acenei para o Jospeh á uns três metros da Anne.
O Mike estava me esperando com sua grande porta de aluminio aberta... e
fomos embora.
No caminho ele me contou as histórias sobre alguns convidados que
estavam lá, chegamos em Paris em menos de 15 minutos.
Ele parou o carro na frente do hotel, eu sai e fui a janela do motorista.
-Não era bem uma festa, foi mais como uma reunião...
-Ah, foi otimo, me diverti bastante. Obrigada. – eu dei um sorriso torto.
-Eu que agradeço.- ele sorriu timidamente e me fitou olhando em meus
olhos. Eu desvie de seu olhar penetrante e me distanciei.
-Ate amanhã?
-Claro. – ele sorriu animado.
Eu acenei enquanto ele ia embora e entrei no hotel sem fazer barulho até o
quarto.
As garotas estavam dormindo tranquilamente, eu tirei os sapatos, o vestido,
arrumei meu cabelo, passei água no rosto e me deitei, fechei os olhos
olhando para a grande lua cheia e dormi.
Acordei incomodada com uma batida de coração acelerado, não era o meu,
me levantei e me aproximei da cama da Gabi ao lado da minha, seu
coração estava normal, então me aproximei da Bia e o som de seu coração
disparado aumentou, era o dela, sua respiração estava irregular e falhada,
eu me ajoelhei ao lado da cama e passei a mão em sua testa, ela estava
gelada e suando.... O que estava acontecendo?
Ela começou a gemer e a se contorcer como se sentisse muita dor, eu a
cachoalhei.
-Bianca, acorda! Acorda! – eu continuei.
Pouco a pouco ela foi parando e abriu lentamente os olhos, sua expressão
confusa.
-O que aconteceu? – sua voz fraca
-Você teve um pesadelo, seu coração estava muito acelerado, tão forte que
me acordou! – ela se apoiou no cotovelo para me ver melhor.
-Serio? Nossa, não me lembro de muita coisa... ai...- ela suspirou – Me
sinto exausta. – ela esfregou os olhos – Que horas são?
Nós olhamos para o relógio em cima da penteadeira á nossa frente, era
quase 5 da manhã.
-Vamos voltar a dormir... – ela bocejou – Obrigada. – dei um beijo na testa
dela e ela se deitou.
Eu levantei e olhei para minha cama, estava com um pouco de sono, mas
fui á varanda tomar um ar fesco primeiro e vi os primeiros raios de sol
nasceram no horizonte.

Quando acordei pela segunda vez, a Bia não estava no quarto, sua cama
estava arrumanada, a Gabi ainda estava dormindo.
Tomei banho e desci... Era umas sete e meia e já tinha muito movimento na
recepção e no restaurante do hotel, depois de comer uma fruta, fui procurar
a Bia.
Procurei na escadas, na piscina, no quarto, ate encontrá-la no pequeno
pomar na parte de trás do hotel, ela estava acariciando as plantas.
-Oi! – eu disse atrás dela.
-Oi. – sua voz estava fraca
Eu me aproximei e fiquei ao seu lado.
-Você se lembrou do sonho, quero dizer, do pesadelo?
-Sim, a maior parte dele... – sua expressão estava vazia, seria. – E... queria
te pedir uma coisa.
-O que? – eu perguntei surpresa, ela tirou seu amuleto e o-observou.
-Fiquei com ele. – ela me entregou e o segurou na minha mão.- Pelo menos
por um tempo. – seus olhos transbordavam preocupação.
-O que? Não, não posso, você me disse que ele é especial e... Você é a
protetora dele.
-Por favor! – ela suplicou e fechou minha mão com o colar. – Não conheço
lugar mais seguro do que se ele ficasse com você! – eu suspirei.
-Tem alguma coisa haver com seu sonho? – ela concordou
Eu o - coloquei, sua corente era maior que a do relicario, fazendo o
amuleto ficar uns 4 centimetros a baixo do pingente, exatamente em cima
do meu coração. Ela colocou a mão em cima do amuleto.
-Que a luz que me protege, a protega tambêm, trasmito o amuleto á ela,
para o bem. – ela disse quase inaldivel.
Quando ela tirou a mão, vimos que a pedra estava azul, ela sorriu.
-Você está de bom humor, como foi a festa? – nós se sentamos em umas
cadeiras que tinha perto do pomar.
-Foi muito divertido... e tambêm fiquei sabendo de coisas... – eu coloquei o
colar da Bia dentro da blusa.
-O quê? – aos poucos sua expresão vazia, ia voltando ao normal.
-O Mike foi casado por mais de 100 anos com a Meredith e se separaram
porque ela matou uma familia e ele se culpou... – ela arregalou os olhos.
-Hã? Por quê? – eu a toquei e mostrei toda minha conversa com a Anne. –
Nossa, que... injusto?
-Eu tambêm não sei se isso é perdoavel ou não. Estou curiosa para
conhecê-la... – eu fitei umas rosas do jardim, imaginando.
-Para tudo á perdão se a pessoa estiver realmente arrependida, mas na
justiça dos homens e da natureza nada volta atrás, o que foi feito não pode
ser refeito e essa é um dos piores crimes, os que levam a morte, algo
irreversível e inevitável. – ela olhou pra mim e riu de leve – Claro, que tem
exceções... – sua voz estava calma e serena, ela tinha voltado ao seu estava
de espirito normal.
-Bia, você quer conhecer o Mike? – eu queria mudar de assunto, a morte
não era um assunto muito agradavel, não há mim mas pela Bia.
-Sim, Sim. – ela sorriu empolgada.
-Ok! Quando eu for vê-lo ou ele vier me ver, não sei, você vem com
agente, acho que não terá probelama, mas... – talvez não seja uma boa
ideia, posso estar colocando ele em perigo caso os Volturi descubram sobre
ela e...
-Mas, o quê? – ela peguntou inquieta.
-Eu posso estar colocando ele em perigo... – ela me olhou confusa
-Não era eu que corria perigo? – eu ri
-Sim, é que por ele saber sobre você, você saber dele, ele meio que se torna
um cúmplice e todos somos culpados...
- Hum... Mas você sempre falou sobre o pacto e tal...
-Sim, vou perguntar pra ele o que ele acha.
-Você tem o celular dele?
-Não... – eu mordi o labio. – Mas o tempo hoje – eu olhei para o céu. – esta
nublado, sem sol, acho que posso vê-lo agora, vamos visitá-lo?
-Agora? Ah... - ela balançou a cabeça negativa – Agora não, olha o meu
estado. – ela franziu a testa e olhou para seu moletom cinza com rosa.
-Você esta perfeita. – eu a elogiei.
-Perfeita só se for como dona de casa! – nós rimos.
Ela levantou e me puxou para voltarmos ao quarto, demorou um pouco
mais de 1 horas para ficar pronta, a Gabi perguntou aonde iriamos e eu
disse que iamos ver novamente o palácio e os jardins de Versalhes, hoje
teria excursão mais era opcional, a Gabi foi junto com a maioria do pessoal
da escola.
Fomos de metrô e chegamos lá quase ás dez, queria ter ido de carro, de
preferência o meu, que saudade dele.
Já sabia exatamente o caminho até o apartamento dele, a Bia ficou na
recepção do prédio e eu subi para me certificar se o Mike estava com
alguma companhia. Era como se eu á estivesse levando para o território
inimigo, não que o Mike seja um inimigo, mas por ele ser um vampiro e ela
humana, é um risco de qualquer jeito...
Bati na porta e depois de quatro segundos o Mike abriu, primeiro me olhou
surpreso depois deu um grande sorriso.
-Que surpresa agradável! – ele abriu mais a porta, eu sorri e tentei ver atrás
dele se tinha alguém. – Procurando alguém? – ele disse rindo.
-Hum... você esta com visitas ou vai receber alguma? É que minha amiga
queria te conhecer, mas... – eu hesitei.
-Não, o Joseph e a Anne estão fora, não sei quando iram voltar mais é
provável que amanhã ou á noite. – ele me observou misterioso.
- Bem... é que minha amiga é... humana. – eu esperei a reação dele.
-Não estou surpreso, você é tão diferente que não me assusto com mais
nada, digo – ele sorriu – até agora...
-Se for encomodo, eu vou embora, não se preocupe, sei que é errado,
proibido e contra ás regras, posso te por em perigo. – as palavras saiam
rapidas, sem hesitar, pois ja estavam gravadas na minha memória – Mas ela
é especial, diferente...- ele pegou minha mão.
-Calma, não será problema nenhum, será um prazer saber a história dela e
nada me impediria te conversar com você. Onde ela está?
-Lá embaixo, posso chamá-la? – ele concordou e desci correndo as escadas.
Quando voltei, ele estava no mesmo lugar, praticamente do mesmo jeito
que o tinha deixado, a Bia olhava pra ele fascinada, abriu a boca, mas
fechou rapidamente e olhou pra mim.
“Ele é muito gato... e você passando as noites com ele.” – ela me olhou
maliciosa, eu ri.
Nós se aproximamos.
-Essa é Bianca. – eu á apresentei.
-Oi... – ela disse timida, era dificil vê-la envergonhada.
-Prazer em conhecê-la. – ele assentiu com a cabeça.
E nos convidou para entrar, o apartamento estava todo arrumado, sem a
decoração de ontem. Eu olhei pela sala procurando algum vestígio da festa,
mas não encontrei, a Bia olhava encantada para as coisas, nos sentamos no
sofá e ele no outro a nossa frente.

“Amigo é a pessoa que sabe tudo sobre você,


e ainda assim gosta de você.”
29. HABILIDADE
-Então qual a sua história, Bianca? – ele a fitou.
- Você quer que eu mostre á ele? – eu perguntei pra ela. – Acho mais fácil
e rápido. – eu sorri, ela me olhou confusa
- Hum... Você ta pensando em mostrar á ele daquela nossa conversa á uns...
seis meses atrás? – ela me olhava com descrença. – Você lembra de tudo?
Eu concordei, levantei e me sentei ao lado dele pegando sua mão, ele me
observou curioso...
Eu me lembrava de tudo naquele dia - quando falamos sobre nossos
segredos- foi um dia inesquecível tanto quanto a festa á fantasia, depois
que acabei de mostrar tudo, seu rosto se iluminou, animado.
-Serio? Você é realmente uma... Isso é verdade? – ele olhou para nós
-É sim, acho que deve ser tão diferente como conhecer um vampiro... – ela
franziu o cenho – Seria? Não, não mesmo... – e riu de leve.
-Certo! Novamente você me surpreendeu! – ele disse rindo á mim, eu
também ri e olhei pra Bia que parecia uma criança admirada pelo ambiente
e aposto que pelo Mike também.
-Queria saber se o Joseph e a Anne são tão perf- ela parou - tão lindos
quanto vocês. - eu sabia que ela iria dizer que o Mike era perfeito, eu ri
discretamente.
-Eu acho melhor você não conhecê-los, pois nem eu, nem o Mike nos
alimentamos de... Você sabe! – eu expliquei
-Ah, mesmo assim tenho muita curiosidade, eu vi pela sua mente a Anne,
mas e o Joseph, como ele é? – ela inclinou seu tronco pra frente, eu
também e peguei sua mão.
Mostrei a primeira vez que o - tinha visto, mas de repente no meio das
imagens tive um flash, de hoje de manhã, quando a Bia me deu seu
amuleto, mas... Eu me via, era como se estivesse em outro corpo, eu já tive
essa sensação antes...
-Tudo bem? – o Mike tocou meu braço e me vi na realidade, a Bia já tinha
se afastado e eu ainda estava com as mãos esticadas.
-Hã? – eu passei as mãos no rosto.
-Você me mostrou o Joseph e... sei lá, fico meio aérea, parecia não estar
mais aqui. – a Bia me analisava curiosa.
-Eu... vi, eu me vi hoje de manhã, quando agente estava junta. – eu tentava
compreender.
Eles me analisavam, eu estava começando a lembrar com mais clareza, era
a visão da Bia, como se eu visse pelos olhos dela.
-Isso já aconteceu. – minha voz era um sussurro, mas firme. - Eu era
pequena, na minha primeira visita a minha avó Renée, estava no avião com
meus pais, a minha mãe me tocou e eu vi... – hesitei e comecei a lembrar
do que tinha visto exatamente naquele dia – Quando ela viajou para Itália,
antes de mim... – eu olhei pra eles, a Bia curiosa e o Mike preocupado – vi
uma lembrança, uma memória dela. – Bianca se aproximou, se ajoelhando
a minha frente.
-Serio? Então... Foi como se você tivesse lido á minha memória? – ela
tentava arrumar as palavras certas.
-Ela viu uma memória sua. – Mike interrompeu intrigado, eu concordei.
-Então essa é outra habilidade que você tem? – ela perguntou empolgada.
-Eu não sei, é provável, mas isso acontece de repente, só aconteceu uma
vez, duas com agora. Nunca me esforcei exclusivamente á ela, apenas
quando estava uma vez coma Zafrina, mas... Eu sempre queria aprender
mais e mais em como ler mentes, eu achava, acho incrível essa habilidade,
além de muito útil.
-Ler mentes é a mesma habilidade que do seu pai, né? – a Bia perguntou se
sentando ao meu lado
-Sim, mas nem se compara com a dele. Ele pode ler a mente de mais de
uma pessoa ao mesmo tempo e muito mais longe do que eu consigo, sem
contar que ver as imagens exige de mim muito mais esforço e para meu pai
que é normal, natural... Para eu ler é mais forçado e difícil, nada
comparado quando mostro algo á alguém, é simples e fácil, sem esforço.
-Entendi e essa nova habilidade é mais complicada ainda? – ela perguntou.
-Sim, eu nunca tentei, mas...
-Você quer ver de novo, digo, tentar... – a Bia me olhava animada, eu
franzi o cenho, mas concordei. Ela me ofereceu a mão.
-Eu estava pensando... E se eu tentasse com o Mike? Ele é vampiro e talvez
seja mais fácil ou mais difícil. – eu olhei pra ela que ficou mais animada e
me virei pro Mike que me olhou surpreso.
-Você acha melhor? – eu concordei e a Bia se ajoelhou no chão ao nosso
lado ansiosa.
Ele me ofereceu suas mãos, eu balancei a cabeça negativamente me
aproximando e levei minhas mãos ao seu rosto. Ele abriu um pouco mais
os olhos talvez por estar muito próxima dele, vi pela minha visão periférica
que a Bia ria, eu fechei os olhos para me concentrar melhor e respirei
fundo... Comecei a ler a mente dele, depois ficou silêncio e a temperatura
dele que estava sentindo na palma das mãos foi se espalhando pelo meu
corpo, me senti gelada e como um estralo, não sentia mais nada, nem
minhas mãos no rosto dele, meu coração batendo ou se estava respirando,
mas não era incômodo, não teria como me incomodar e vieram as
imagens... Eram muitos flash ao mesmo tempo, depois foi ficando mais
lenta e pude ver melhor mesmo não estando muito nítidas, a minha visão
periférica estava meio sem cor e embasada; eu estava em uma guerra, havia
muito sangue nas ruas e corpos de pessoas mortas por toda parte, o som
estava muito embaralhado e longínquo, depois estava em uma sala toda
aconchegante meio escura, vi uma bela mulher de olhos vermelhos escuros
á minha frente, seu rosto provocante e sexy, ela me fitava, encarava o Mike
de um jeito estranho, como se fosse atacá-lo ou beijá-lo, a imagem mudou
e eu me vi, estava sorrindo, rindo quando estávamos no parque, ele me
falou alguma coisa, mas não consegui ouvir...
-Nessie? Renesmee? – o Mike me chamava, eu pisquei e sai do transe.
-Você viu alguma coisa? – a Bia estava meio preocupada.
-Sim, eu - olhei pro Mike – estava, você estava em uma batalha, depois eu
– fechei os olhos e comprimi a mão na face, esfregando a ponta dos dedos
na têmpora, estava sentindo uma forte pontada no lado direito da cabeça e
que estava aumentando – vi uma mulher, acho que era a Meredith – a
respiração do Mike se interrompeu – e depois quando estávamos no
parque... – eu abri os olhos.
-Uau... – Bia voltou a se sentar no sofá a nossa frente e esperou uma
resposta do Mike.
-Bem... Sobre a guerra – ele me fitou – foi quando eu era humano, não
gosto de lembrar, foi no período do terror, na revolução francesa, logo
quando eu cheguei aqui fui obrigado a me alistar, mas não fiquei muito
tempo, sofri uma fratura muito grave na perna e me mandaram de volta.
Talvez... – ele semicerrou os olhos, pensativo. - meu pai tenha ido para
guerra e por esse motivo não tenha o - encontrado.
-Você nunca pensou, nunca tinha pensado nessa possibilidade? – eu
perguntei intrigada, ele balançou a cabeça negativamente.
-Eu tento esquecer as coisas que vi – ele fechou os olhos nervoso – fiquei
apenas cinco meses, mas... foi tão horrível e perturbador que...- ele parou e
me parecia que não iria falar mais nada. “às vezes acho que minha vida se
resume a sofrimento.”
-Não, não pense assim. – eu o - interrompi, ele me olhou surpreso, mas
depois sorriu.
-Desculpe. – ele sussurrou.
-E sobre a mulher? – Bia perguntou
-É bem possível que tenha visto a Meredith, não sei quando ou como você
a viu, mas ela foi à única mulher da minha vida.
-Que fofo. – ela disse baixinho
-Mas tem alguma ligação com a revolução? – ele me encarou tentando
lembrar.
-Hum... Eu a conheci – ele olhou para varanda. - por acaso, estava saindo
de um bar de um velho amigo do meu pai, para perguntar sobre o paradeiro
dele e ela estava entrando, eu de imediato fiquei fascinado, deslumbrado
por ela, nem quis saber, porque ela usava lentes vermelhas. - ele riu sem
humor, Bianca o encarou confusa.
-Como assim? – ela perguntou
-Bem, você logo de cara não achara que uma pessoa que anda na rua com
os olhos vermelhos seria um vampiro ou que seus olhos fossem de verdade.
À noite tudo é possível aqui -ele sorriu- mas de dia, mesmo podendo nos
expor... Se eu fosse sair agora, por exemplo, teria que por lentes. – ela
arregalou os olhos...
Eu já sabia que a maioria dos vampiros que se expõem na luz do dia usa
lentes, minha mãe usou por muito tempo lentes chocolate por causa dos
meus avôs Charlie e Renée.
-Está me dizendo que vampiros usam lentes de contato... Para disfarça seus
olhos? – ele concordou- Mas e a sua família, Reh? – ela me observou
-Bem, eles possuem olhos dourados e não precisam usar lentes, muita gente
acha incomum, mas somos discretos e nunca chamados atenção, mesmo
que pareça inevitável. – eu ri de leve.
-Hum... – ela concordou
-Você não acharia estranho se me visse na rua, meus olhos, minha
aparência não te assusta? – ele fez cara de desconfiando.
-Ah, na verdade achei lindo... Estranhamente lindo. – ele olhou pra mim e
riu.
-Só podia ser sua amiga. – eu dei de ombros, a Bia mordeu a ponta da
língua no canto da boca, brincando.
Minha cabeça estava latejando um pouco, a pontada do lado direito estava
mais fraca, mas a dor estava espalhada por toda minha cabeça...
-Reh, você quer tentar comigo agora? – a Bia me perguntou, eu apoiei
minha cabeça nas mãos.
-Está tudo bem? – a Mike me perguntou
-Sim, tudo bem é só uma dor de cabeça... Desculpa Bia, mas talvez outra
hora. Deixa só essa dor passar... – eu sorri, ela torceu a boca desapontada e
se sentou ao meu lado passando seus braços ao meu redor.
-Você pode tomar remédios? – ela me perguntou, eu olhei pro Mike, ele me
pareceu um pouco assustado.
-Tudo bem, Mike? – eu perguntei rindo.
- Sim, é que é novo pra mim ver um vampiro com dor de cabeça. – ele riu.
-É. – deu uma pontada mais forte – Aí! – o Mike se aproximou de mim
rapidamente, eu assenti e respirei fundo - É novo pra mim também, eu não
me lembro de ter sentido algum tipo de dor desse jeito, eu já tive dores de
cabeça quando estava aprimorando e evoluindo em ler mentes mas... – a
dor estava ficando cada vez mais fraca.
-Foi por causa da habilidade, por você ter tentado, se esforçado, é melhor
você realmente deixar de lado... – eu fiquei surpresa, ele me lembrou o
Jake ou Edward falando - Pelo menos por um tempo.
Eu olhei pra Bia, ela deu de ombros.
- Por hoje! Tenho certeza que com á pratica vai ficar cada vez melhor e
sem problemas. – eu respirei aliviada, a dor tinha passado.
Ele respirou fundo... e se levantou.
-Vou pegar água pra você. – antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele já
tinha ido.
- Você acha que tem alguma coisa a ver com o colar? – eu perguntei a Bia -
Acho que não... – eu respondi minha própria pergunta balançando a cabeça.
- Na verdade não tenho certeza, coincidências são muitas raras, mas não
vejo como o colar possa ter te prejudicado. – ela franziu a testa.
-Nada te aconteceu quando sua avó o - deu?
-Não, ela me deu no meu aniversario de 13 anos... Eu já entendia muita
coisa sobre a magia e não me assustei nem nada, eu confio muito na minha
avó. Me lembro de ter tidos muito mais sonhos premonitivos depois que
ganhei o colar, mas... Acho que – ela hesitou – Não sei explicar, quando
chegarmos á São Paulo eu posso perguntar á ela.
-Por que não liga?
-Ah, eu prefiro perguntar pessoalmente...
O Mike voltou com um copo d’água e me entregou, eu virei o copo em
menos de três segundos, não tinha percebido que estava com tanta sede.
-Obrigada. - e coloquei o copo na mesinha de centro.
Eu quero explorar essa minha nova habilidade, quero evoluí-la e ver até
onde posso chegar mesmo que precise ter mais dores de cabeça.

“O importante não é vencer todos os dias, mas lutar sempre”


30. LIMITE DE VIDA
Me levantei, fui tomar um ar na varanda... e voltei.
-Então sobre o que estávamos falando? – Bia perguntou inocentemente.
-Me conte mais sobre a sua religião, você... Disse a Nessie que é empata,
certo? – o Mike perguntou, o clima estava voltando ao normal.
-Sim, mas não é grande coisa... Ah! – ela pulou do lugar, como se levasse
um susto– Você tem alguma habilidade, como a Nes- a Reh? Ela não me
contou nada – ela olhou pra mim censurando.
-Sim, posso paralisar qualquer ser vivo. – ele ergueu uma sobrancelha.
-Não use nela! – eu logo disse
-Ah. - ela fez bico.
-É muito... – eu mordi o lábio – estranho, mas não vai adianta eu te
explicar, você vai querer saber de qualquer jeito! - ela concordou.
-Vai ser rápido... – ele á fitou, se aproximando e tocou sua mão, ela ia abrir
a boca, mas parou, estava paralisada.
Seus olhos se moviam rápidos, mas não dava pra saber se estava feliz ou
assustada, seu coração e sua respiração estavam normais, mas nenhum
músculo se movia.
-Pare. – eu cochichei ao Mike, que conteve um sorriso e a tocou
novamente, eu franzi a testa intrigada. – Porque você á tocou? Quando
você me mostrou, você... estralou os dedos, não foi?
-Nossa... Que legal!! –a Bia disse empolgada, eu olhei pra ela rindo e
depois voltei ao Mike.
-Sim... É que ainda estava testando sem tocar a pessoa, eu já perguntei ao
Alec, a Jane, a Anne como posso fazer isso apenas com o olhar. Primeiro
estou tentando pelo som – eu olhei confusa – Como se o meu “poder” fosse
transmitido, guiado pelas ondas sonoras e funcionou quando tentei, mas...
Acho que nem disso preciso agora...
-Pode paralisar sem tocar? – a Bia entrou na conversa.
-Hum... Não sei, posso tentar? – ele perguntou á ela, eu virei seu braço,
fazendo-o olhar pra mim.
-Tente em mim. – eu não queria que a Bia passasse por aquilo de novo.
-Não. Você já se esforçou demais hoje...
-O que uma coisa tem haver com a outra?- eu o - olhei confusa
-Você me disse que ficou assustada, preocupada na primeira vez.
-É, mas eu não sabia o que você iria fazer –eu o repreendi – Você sabe que
confio em você. – seus olhos ficaram doces, mas depois rígidos.
-Já que você insiste, serei o mais breve possível. – ele se posicionou para
me olhar melhor e ficou me encarando, sua expressão seria, concentrada.
Eu ainda conseguia me mexer, mas aos poucos pareciam que meus ossos,
músculos estavam atrofiando e comecei a sentir aquela sensação de
incapacidade, eu estava paralisada. Ele sorriu e me tocou, eu pisquei duas
vezes e respirei devagar, mas não deixei parecer que estava aliviada.
-Você deveria ter tentando desfazer sem me tocar. – eu disse meio brava
-Não ia te deixar daquele jeito ate eu conseguir, não poderia saber quanto
tempo eu demoraria. – ele disse meio preocupado e acariciou minha mão,
eu segurei a mão dele.
-Pare de se preocupar comigo, estou bem. – logo depois que falei, vi um
flash, estava escuro e embaçado na minha visão periférica como sempre,
talvez tivesse visto dois pontos vermelhos na escuridão, mas foi muito
rápido.
-Ok... – ele disse, eu não deixei que eles percebessem que tinha visto algo.
-Então, né... Vocês não almoçam mais to começando a ficar com fome. –
ela fez uma careta e riu.
Eu olhei pro relógio da sala, eram mais de meio-dia.
-Nossa, nem vi o tempo passar. – disse
-Hum... Vou ver se tem alguma coisa comestível na cozinha. – Mike se
levantou.
-Eu vou com você, te ajudo. – me ofereci.
-Desse jeito, eu também vou. – Bia disse e pegou minha mão.
Nós fomos à cozinha e por sorte as frutas decorativas, porém comestíveis
estavam em cima do balcão.
Ela pegou uma maça, a – lavou, se sentou em um dos banquinhos do balcão
e a mordeu.
-Nada melhor que comida saudável. – ela disse antes de dar a segunda
mordida.
-É, mas você tem que comer algo mais... Isso não vai te alimentar por
muito tempo. – eu contornei a balcão e me aproximei dos armários. –
Posso? – eu perguntei ao Mike, ele concordou e eu abri.
Muitas estavam vazias, na geladeira tinha ovos, um leite vencido e metade
de uma peça de queijo, no freezer um pote de sorvete.
-Pra que isso? – eu perguntei, ele se aproximou.
-Sem ser o sorvete, a Anne ou o Joseph que trouxeram, eles ficam zuando
comigo. - ele disse rindo- brincando que quando eu tivesse visitas humanas
às alimentasse ou quando eu voltasse a ser humano, mas quase tudo
estragou. – ele pegou o leite e jogou na lixeira – E quem diria, eu realmente
tive uma visita humana – ele deu aquele sorriso.
-Mas e o sorvete? –a Bia perguntou jogando o miolo da maça fora.
- Era meu alimento preferido... e quando abro a geladeira e vejo alguma
comida, acho que me faz sentir melhor.- “Talvez mais humano” ele deu de
ombros.
-Você pode fazer uma omelete de queijo. – eu disse á ela. – Mesmo me
parecendo pouca coisa.
-É pode ser. – ela concordou
-Estou me sentindo culpado, vamos sair para vocês comerem ou vamos
comprar alguma coisa? – ele nos olhou, eu o ouvi disser vocês, mas não
quis contradizê-lo.
-Não se incomode, apesar... “Que eu adoraria deixá-los sozinhos...” – ela
deu um sorriso.
-Bia! – eu a censurei, ela riu – Você vai ficar com fome, nós vamos
comprar alguma coisa pra você, hum... Em uma padaria, talvez...
-Ah, ta ótimo, podem comprar pão, eu adoro pão com ovo. – ela disse bem
humorada.
-Ta. Tem alguma padaria por perto? – eu perguntei ao Mike.
-Sim, pode deixa que eu vou, vocês podem ficar aqui! – ele foi pra sala, nós
o seguimos.
-Tudo bem... – eu disse enquanto ele saia
Ficamos na sala, liguei a TV e estava passando um programa que a Bia
gostava, eu fiquei observando o amuleto dela, vendo todos os detalhes e
contornos...
-Você esta preocupada? – ela me perguntou com os olhos na TV.
-Um pouco... É algo novo, sei lá... Mas estava pensando nos problemas da
Europa, quero dizer, os problemas causados pelos vampiros que estão aqui
na Europa, mas não sei quais são esses problemas ou quem está os
causando. – eu guardei o colar.
-Do que está falando? – ela olhou pra mim duvidosa.
-Eu não te contei? Eu liguei pro Jake sábado e ele me disse que tinha algo
suspeito acontecendo, alguma encrenca causada por um vampiro. – ela
ficou pensativa.
-Vocês não sabem o que é?
-Não... - eu disse preocupada.
Em menos de dez minutos o Mike voltou com um saco de pão, sorrindo.
-Aqui está! – ele entregou a ela.
-Oba! Vamos pra cozinha... Nossa que engraçado você trouxe pão francês,
da... França. – ela começou a rir, eu e o Mike nos olhamos e rimos pelo
incomum humor dela.
Procurei descrente pelos armários alguma panela e por minha surpresa
achei uma frigideira.
-Por que você tem panelas? – a Bia perguntou enquanto cortava o queijo
em pedaços, ele mexeu no cabelo.
-Não tem terapia melhor que entortar, modelar o metal. – eu concordei
irônica
Enquanto a Bia fritava a omelete, que ela fez questão que eu batesse,
começou a rir.
- Que foi? – eu perguntei
-Ah, nada... Apenas não imaginaria em meus sonhos mais loucos, que na
minha vida iria cozinhar na casa de um vampiro, para que a geladeira de
um vampiro teria comida? Para ser sincera eu seria a comida de vocês... –
nós concordamos rindo de seu humor negro.
Ela terminou de fazer, colocou no pão e deu uma grande mordida... Olhou
pra gente e se virou para a bancada. O cheiro de comida me fez salivar.
-Desse jeito fico com vergonha, só eu comendo... Reh, você não vai comer?
– ela se virou pra gente
-Não estou com fome. – eu realmente não estou, apesar da minha boca estar
salivando... Isso é estranho. Ela revirou os olhos.
-Ah, é muito difícil imaginar que não se precisa comer, dormir... – ela deu
mais outra mordida, eu olhei pro Mike, ele estava franzido o cenho
observando a Bia.
-Posso te pergunta uma coisa? – ele perguntou á ela.
-Claro!
-Você se transformaria... Você seria uma vampira? –ela deu outra mordida
e mastigou demoradamente.
-Não. - ela disse firme. Eu fiquei quieta com medo do que ela diria á seguir
– Nada contra vocês, acho incrível ter super-velocidade, super-força,
habilidades especiais e tenho muita curiosidade pra saber qual seria a
minha ou se teria uma, mas... – ela engoliu em seco - Tem água?
Mike se levantou rapidamente, pegou um copo, um jarro com água e
entregou a Bia.
-Obrigada. – ela agradeceu
Tive a impressão que ele tinha usado sua velocidade sobre-humana talvez
para forçar a idéia dos benefícios de ser vampiro, ela deu dois goles e
continuou...
-Eu acredito em reencarnação, acredito muito no ciclo natural da vida e se
eu me tornasse, se fosse uma imortal é como se... eu sobrevivesse as custas
dos meus sucessores, meus filhos, netos... Suponho que vampiras não
possam ter filhos, certo? – ela olhou pra mim, eu não tive a mínima
vontade de abrir a boca e concordei com a cabeça. – Então, além disso, é
viver as custas da vida de outros – tanto eu quanto o Mike ficamos
pesarosos, triste e á observando – Desculpe... Reh eu te adoro muito, você
além de perfeita é uma ótima amiga, é gentil, companheira e você Mike –
ela sorriu – apesar de seu passado turbulento, quis mudar e mudou. É
apenas uma realidade, quero dizer, o meu modo de ver as coisas. – ela
deixou seu lanche de lado e foi na nossa direção atrás do balcão e passou os
braços por cima de nossos ombros e me deu um beijo no rosto, ela teria
dado um no Mike também, mas suponho que não quis testar o autocontrole
dele. – É triste, mas todos nós - humanos- temos seu limite de vida, uma
hora temos que partir. – ela sorriu apesar de estar falando que iria morrer.
Nós ficamos em silêncio, ela suspirou e voltou a pia para terminar de
comer, depois voltamos para sala.
-Hum... Posso ver o resto da casa? – ela perguntou ao Mike esperançosa.
-Claro. – ele disse sorriu.
Na parte direita da sala tinha um corredor, o primeiro quarto era enorme, na
parede tinha um papel de parede beje com vários contornos, a cama era
bem clássica com edredons de seda dourada e um candelabro no centro do
teto.
- Nossa de quem? – a Bia perguntou entrando no quarto.
-Da Anne? – eu perguntei, ele concordou.
-Aí... E eu espalhando meu cheiro pelo quarto dela. – ela disse saindo,
como se fosse uma coisa ruim.
-Você cheira muito bem... Não é Mike? – eu dei uma cotovelada nele de
leve.
-Sim, muito bom. – ele sorriu envergonhado, ela olhou pelo canto do olho
para nós.
Continuamos e entramos no próximo quarto, do outro lado do corredor, era
simples e aconchegante, uma cama de casal com cobertores negros,
computador, estante de livros, as paredes eram escuras num marrom e
verde musgo.
-De quem? – eu perguntei em duvida se seria do Mike ou do Joseph.
- Joseph. – ele respondeu.
Depois fomos a outro quarto que era espaçoso, tinha a maior janela e logo
abaixo dela estava uma cama de casal, as paredes eram azul escuro, com
verde perto do chão como se fossem plantas e pontos de luz no teto, eram
estrelas e uma grande lua cheia perfeitamente detalhada, um notebook na
cama, um sofazinho estofado junto a parede, uma estante com CDs e livros,
um rádio grande e moderno ao lado da cama.
-Que lindo! – eu fiquei observando aquele teto estrelado. - Quem fez?
-Eu... – ele respondeu - fico muito tempo sem ter o que fazer, então um dia
resolvi pintar o teto. – ele deu de ombros.
-Você já foi pintor? – a Bia perguntou – Posso? – ela perguntou se podia se
sentar na cama, ele assentiu.
-Eu já fiz alguns quadros, mas... - ele riu – é apenas um hobby.
Nós saímos do quarto e vimos mais dois banheiros e uma salinha com uma
cama no fim do corredor...
Voltamos para sala e fomos para a cozinha que já conhecíamos e a sala de
jantar que não me trouxe recordações agradáveis.
O Mike abriu a porta, a Bia olhou curiosa, tinha um cheiro forte de produto
de limpeza, senti uma coisa revirar meu estomago, quando pensei que o
Mike ou alguém teria limpado para retirar o sangue no local, ele fechou a
porta.
-E depois da sala de jantar, tem um jardim. – ele ia pra sala de estar.
-Ah, eu quero ver. Eu amo plantas, já deveria saber. – ela disse num tom de
brincadeira, ele olhou pra mim receoso, eu sorri concordando.
A sala de jantar tinha uma grande mesa de metal no centro, um belíssimo
candelabro bronze, armários e quadros. Ao passar por ela senti uma energia
pesada, negativa, apesar de ter nada de anormal lá, não naquele momento,
nem quis pensar na quantidade de pessoas que foram mortas ali, eu senti
um arrepio. Ele abriu a porta que dava para uma pequena varanda, era
branca e vagada com vidro. O jardim tinha rosas brancas, vermelhas,
amarelas e uma mistura de amarelo e rosa, eu me aproximei dela e a
cheirei, era muito familiar com á de outras rosas, mas me fez lembrar de
casa, de quando era pequena e corria pela floresta de Forks com o Jake, que
saudade dele... Eu fechei os olhos e inspirei mais uma vez. Tinha também
lírios, petúnias, tulipas e outras plantas, uma mesinha e três cadeiras.
A Bia correu para as plantas mais exóticas e as observou.
- Que lindas. – ela disse
- Cuidado com os espinhos, não queremos ver sangue aqui, hein? – eu
brinquei, ela mostrou a língua.
O Mike pegou uma rosa cor-de-rosa e me entregou sorrindo, eu a peguei...
Será que um dia ele pararia de ser tão gentil?
Me sentei na cadeira, ele também e a Bia se virou.
- Sabia que rosas cor-de-rosa indicam amizade, carinho, querer bem,
doçura e... charme. – ela disse olhando para minha rosa. – Minha rosa... –
ela procurou entre as que estavam a sua frente – Seria á amarela, elas
indicam... satisfação, alegria... hum... selam uma amizade e representam
felicidade. Faz tempo que não leio sobre isso... – ela sorriu, eu e o Mike
ficamos surpresos e curiosos sobre o que mais a Bianca poderia saber,
sobre coisas que não tínhamos idéia que poderia haver um significado.

“A única certeza que um ser - humano pode ter é que um dia irá
morrer.”
31. ENCIUMADA
O dia passou rápido, como sempre quando estou me divertindo, me
deixando distraída...
A Bia contou ao Mike como era “mágica a magia”, dei muita risada pela
redundância, eu falei sobre a festa de ontem e outras coisas...
Comecei a ficar preocupada com o horário, já estava anoitecendo e a Anne,
ou o Joseph poderiam chegar, queria que Alice estivesse aqui, por
prevenção. A Anne até que tudo bem, mas o Joseph eu já teria que me
preocupar mais.
-Bia, vamos? – eu perguntei á ela, enquanto contava uma animada história.
-Ah, já? Vamos passar a noite aqui? Vampiros não dormem...
-Tá, mais você dorme! – eu argumentei.
-Você esta preocupada que eles cheguem? Ou... Não quer mais a minha
companhia? – ele perguntou com seu sempre humor cômico, eu semicerrei
os olhos, ele riu – Ainda quero uma resposta, apesar de que não iria ligar se
você continuasse á me olhar assim... – ele deu um sorriso malicioso.
-Mike... Eu nunca vou me cansar da sua presença, espero. – disse rindo –
Mas é isso mesmo, tenho receio que eles possam chegar enquanto a Bia
estiver aqui. –eu terminei seria.
-Teria muito problema, eu conhecê-los? – a Bia disse chateada e
preocupada.
-Eu acho que sim... – olhei pro Mike, ele concordou.
-Então teremos que ir? Mesmo? – eu levantei uma sobrancelha como se
dissesse “Preciso mesmo responder”. – Ta. Então vamos. - ela se levantou.
O Mike me parecia chateado.
-Deixa que levo vocês, então. – ele ofereceu e pegou as chaves em cima da
estante.
-Se não for incomodo. Agradecemos. – eu não preciso saber os
pensamentos da Bia para saber que ela não trocaria o metrô pelo carro do
Mike. E nós saímos, eu fiquei ao lado do Mike e a Bia atrás, que ficou
super feliz e animada no carro, ele colocou um CD que tocou uma música
francesa, com uma batida forte e contagiante.
Quando chegamos, a Bia olhou decepcionada para o hotel.
-Não se preocupe, nos veremos outro dia. – Mike se virou para trás.
-Amanhã? – era possível ser seus olhos brilharem.
-Hã... Vamos ver. – eu interrompi, ela fez bico.
Nós saímos do carro e eu me abaixei para o lado do motorista falar com o
Mike.
-Ate amanhã? –perguntei.
-Como sempre... – ele sorriu, todo charmoso.
-Tchau! – e dei um beijo no rosto dele, me afastei e acenei junto com a Bia
enquanto ele ia embora.
-Será que eles tão aqui? – eu perguntei enquanto subimos para o quarto.
-Acho que sim...
Eu abri a porta e vimos a Gabi com um vestido curto preto brilhante, ela
estava colocando brincos de argola.
-Vai sai? – Bianca perguntou.
-O pessoal ta se arrumando para ir ao RedClub, uma balada interna á umas
quadro quadras daqui, vamos de taxi. Querem ir? – ela nos convidou, eu
olhei pra Bia, fazendo uma careta.
-Não sei... Vamos? – ela me perguntou.
-Eu estava pensando em mandar as ultimas fotos pra minha família, você
não falou para mandar as fotos de como estava ontem para Alice? Além do
mais, ontem eu já fui a uma festa, dessa vez eu passo...
-Ta. Mas acho que vou sim. Vai que encontro algum gatinho... Mesmo que
depois de hoje, de ver visto o Mike vai ser difícil encontrar alguém mais
bonito que ele, mas... Posso tentar. – ela abriu seu armário.
-Hein? Mike? Quem é? – a Gabi perguntou curiosa. – E... Bia vamos sair
daqui a uns 15 minutos, vai logo!
A Bia se apressou, colocou um vestido tomara-que-caia vermelho com
branco.
-É um amigo meu... – eu disse sem dar detalhes.
-Hum... Ele tem compromisso?
-Sim. – era melhor eu acabar com qualquer tentativa de aproximação.
Ele não tinha nenhum compromisso, não é? Nem comigo, nem com sua ex.
-Que saco... – ela torceu a boca, eu sorri.
A Bia colocou a primeira sandália que viu e passou uma sombra escura
destacando seus olhos quase mel. Elas estavam prontas.
-Boa festa! – eu desejei, enquanto ligava meu notebook.
-Tchau. – a Bia disse animada e fechou a porta.
Eu descarreguei as fotos da minha câmera, tinha fotos da Torre Eiffel á
noite, da cafeteria e muitas outras, mandei todas para o e-mail da Alice,
junto com uma mensagem:
Como sempre estou mostrando como tem sido minha rotina aqui, que está
sendo muito divertida. Cada dia uma nova surpresa...
Melhor que tudo isso, seria se vocês estivessem aqui
ou se eu estivesse em casa.
Falta só mais uma semana, falo pro Jake que estou chegando.
Um beijo pra minha mãe, pro meu pai, pra todo mundo.
Amo todos vocês. Saudade...
Renesmee Cullen
Depois fui pra cama, fiquei ouvindo musica e acabei caindo no sono...
No dia seguinte acordei incomoda com imagens que permaneciam na
minha cabeça, era algo que tinha sonhado, mas não conseguia lembrar de
tudo. Era rápido, mas também lento, algumas claras outras escuras, me
lembro de um par de olhos vermelhos que iam ficando negros, da Bia, do
Mike e mais...
-Bom dia. – a Bia disse á mim, enquanto arrumava a cama dela, a Gabi não
estava no quarto.
-Como foi a sua noite? – eu não estava acreditando que tinha dormindo tão
facilmente e a noite toda.
-Hum... Interessante. A Gabi beijou uns três garotos, eu... apenas um, mas
nem vai pra frente. – ela mordeu o lábio decepcionada. Eu ri de leve. - Mas
vamos ver o Mike, hoje?
-Não sei, vamos fazer assim: Eu vou vê-lo e se não tiver problema, eu te
ligo e você vai pra lá, lembra o caminho?
-Ah, não sei... Mas por que não posso ir com você, igual ontem?
-Foi sorte o Joseph e a Anne não estarem, mas hoje é muito provável que
sim e mesmo que você fique na recepção ou na rua, pode encontrar com
eles ou outro vampiro inquilino e também – eu olhei para o céu pela
varanda – está sol.
-Então... Melhor ainda, vamos agora, de dia! – ela me interrompeu.
- Se eles estiverem lá teriam que ficar no apartamento, terão dificuldade
para sair. – ela fez cara de desconfiada, mas concordou.
-Certo... Mas de dia ou a noite que você vai?
-Prefiro á noite... Assim podemos sair para um barzinho ou coisa do tipo.
-Hum... Ok! E... O que vamos fazer nesse tempo livre? Para a excursão? –
eu fiz uma careta.
-Não. Vamos passear por ai. – ela concordou.
Nós se trocamos e descemos, todo mundo ia sair com os guias, eu e a Bia
resolvemos que depois do almoço íamos passear de barco pelo Rio Sena.
Almoçamos no hotel, foi à primeira fez que comi com vontade e saímos,
fomos andando ate Quai d’Orsay e entramos no barco junto com mais
cinco pessoas, estava tudo muito tranqüilo, tocava uma musica que
lembrava jazz, era espaçoso, serviam petiscos e bebidas...
Eu queria e não queria tocar no assunto de ontem, sobre a idéia de que
algum dia teria que deixar minha amiga morrer, fazia meu coração ficar
apertado.
-Bia – eu sussurrei – Você realmente... não se transformaria? – nos
estávamos sentadas na parte da frente do barco, a pessoa mais próxima de
nós estava á uns 4 metros.
-Falei... mas não se preocupe, temos muitos e muitos anos juntas pela
frente. Agora, o pior vai ser envelhecer e te ver linda e jovem assim... – ela
riu, eu a abracei e fiquei um bom tempo assim.
Conversamos bastante... Ela me falou que tinha um meio-irmão por parte
de pai, dois tios e que sua avó cuidou dela por muito tempo...
Depois fomos a uma sorveteria e a uma loja de roupas, ate dar seis horas.
-Acho melhor já ir indo. – eu disse quando chegamos ao hotel.
-Tá! Aí depois você me liga. – ela disse enquanto entrava.
-Vai ser ate bom, por que se você quiser agente vem te buscar de carro. –
eu argumentei.
-Serio? Eu ia ama! – ela se empolgou, dei um beijo nela e sai.
Cheguei a Versalhes quase ás sete, o porteiro já me conhecia e me deixou
subir sem problemas.
No corredor do apartamento senti um cheiro diferente, eu franzi o cenho
tentando lembrar se era de alguém que já conhecia, mas não.
A porta estava um pouco aberta, eu estranhei, quando ia tocar a maçaneta,
o Mike apareceu e ao me ver arregalou os olhos surpreso e fechou a porta
para que eu pudesse ver apenas seu rosto.
-Não é uma boa hora, Nessie... – sua voz estava baixa e preocupada.
-Quem é? – uma voz feminina e delicada perguntou de dentro, ele olhou
para trás e voltou á mim.
-Acho melhor você voltar outra hora. – ele fechou os olhos irritado e abriu
– Desculpe, mas estou com companhia. – eu analisei seu rosto, ele estava
meio nervoso.
-É a Meredith? – comecei a ouvir leves passos pelo apartamento.
-Ela chegou faz pouco tempo. – sua voz era presunçosa, eu o fitei curiosa,
ele franziu a testa. - Você realmente está pensando em conhecê-la, não
está?
-Quero! – ele suspirou.
-Acho que não vai adiantar eu falar que não é uma boa idéia, vai? – eu
balancei a cabeça negativa.
Ele abriu a porta, eu entrei devagar, não tinha ninguém na sala, mas o
cheiro de vampiro desconhecido fazia meus músculos se contraírem.
Fiquei em pé perto do sofá, o Mike fechou a porta e ficou me olhando.
Logo sem seguida ela apareceu, tinha cabelos castanhos claros, quase loiros
que iam escurecendo nas pontas, era fino e com grandes ondas, seu rosto
era marcante e tão enigmático quanto o do Mike, ela poderia ser muito bem
a mocinha de uma historia como a pior das vilãs, seus olhos vermelho
sangue me analisaram surpresos, ela se aproximou do Mike lentamente, me
fitando como se fosse uma presa, seus movimentos me lembraram de uma
leoa ou uma ardilosa raposa.
-Quem é? – sua voz tão seria quanto sua expressão.
-Ela é Renesmee, uma hibrida. – não foi a primeira vez que tinha ouvido
alguém me chamar assim, mas nunca me incomodei, pois queria dizer que
eu tinha o melhor dos dois mundos, assim me explicou Carlisle.
Ela franziu o cenho, eu me perguntei se ela saberia que sou uma Cullen.
-Hibrida? – sua voz foi mudando de firme, para mesquinha. -Já conheci
vários mestiços – eu a encarei nervosa pelo modo como ela disse mestiço,
que não era a mesma coisa de hibrido. – E tenho que admitir que você é
mais bonitinha que as que conheci...
-“as”? – eu estranhei.
-Um vampiro estúpido estava “tentando” criar um exercito de mestiços, á
uns 20 anos atrás e nós tivemos que interferir. – sua voz era fria.
Presumi que o “nós” á que ela se referiu eram os Volturi e me lembrei do
pai do Nahuel.
-As irmãs de Nahuel. – eu sussurrei
-Então você as conheceu? Típico. É claro que você conheceria gente da sua
raça. – o desprezo na voz dela, me deixava cada vez mais irritada - Como
você á conheceu? – ela perguntou ao Mike.
-Por acaso. – ele sorriu pra mim, ela não gostou nem um pouco.
-Hum... Nômade da cidade? – ela parecia estar afirmando.
-Não! Sou uma Cullen. – eu sabia que aquele nome soaria como um balde
de água fria para ela, que arregalou os olhos, mas logo em seguida se
recompôs.
-Cullen? Você é a famosa filha de Edward... – a voz dela era curiosa.
-Sou filha de Edward e Bella. – eu disse orgulhosa.
-Então era você... O bebê que achamos que fosse imortal. – ela disse
pensativa e surpresa.
-Você estava lá?
-Não, estava á trabalho, não teria chegado á tempo, ajudei á recolher
testemunhas, mas não pude comparecer. Depois me mandaram procurar,
caçar o infrator que estava criando mestiços.
-E por falar em infrator, sabe alguma coisa sobre o que estava acontecendo
nos últimos dias? – o Mike interrompeu.
-Pouco, eles estão fugindo de nós. Eu estava seguindo seus rastros, por isso
não pude vir à festa, – ela disse decepcionada – mas pude voltar hoje, pois
eles não estão mais pela Europa, provavelmente na America. – eu
interrompi minha respiração, eles perceberam.
Estariam na America e era mais de um, era só nisso que pensava.
-Por que será que estão matando? Quantos já foram? – O Mike perguntou
- Dezoito humanos no total, variando entre Espanha, Itália, Portugal e
Egito, três vampiros da Itália e dois do Egito. Muito estranho... – ela
respondeu.
- Recém-nascidos? – Mike perguntou
-Hum... Muito improvável. Os poucos rastros que deixaram, além das
mortes, não são típicos de recém-nascidos. Talvez... – ela me encarou –
Não sabem onde é o seu lugar. – ela disse com desprezo e apoiou as mãos
no ombro esquerdo do Mike e ficou olhando pra ele de perfil. – Sei de
muitos mitos e historias sobre mestiços, mas gostaria de saber se são
verídicos... Não brilham no sol, se alimentam de comida humana, tem a
força, velocidade e sentidos sobre-humanos, o coração bate, como posso
perceber. Como deve ser não pertencer a nenhum dos dois mundos? – eu
não sabia se ela estava perguntando pra mim ou para o Mike, cinicamente.
Ele tirou as mãos dela de seu ombro delicadamente.
-Pelo contrário, ela está em ambos, possui o melhor dos dois. – ele sorriu
pra mim e deu um olhar sombrio para Meredith, ela me olhou com raiva e
intrigada como se quisesse saber por que eu seria tão especial.
- E o que a pérola dos Cullen faz tão longe de casa? – a minha impressão
era que ela realmente queria me irritar.
-Viagem escolar. – eu semicerrei os olhos, á observando.
-Escolar! – ela debochou, eu levantei uma sobrancelha – Já era de se
esperar...
-Por quê? – acho que o Mike percebeu a irritação na minha voz e se pôs ao
meu lado.
-Você ainda é um bebê! Talvez... – ela me fitou – 15 anos?
-Vinte – eu disse entre os dentes, ela manteve a mesma expressão
desinteressada, me querendo tirar do serio.
-É verdade, que... – ela me olhou desconfiada – você também possui uma
habilidade?
-Sim. – eu levantei levemente o queixo, ficamos em silêncio, esperando
que alguém falasse.
-Qual? – ela sussurrou.
-Posso penetrar na mente de qualquer um e mostrar o que quiser.
-Ah! Nem é tão útil assim... – ela debochou – Sabe qual o meu? – sua voz
desafiadora e orgulhosa.
-Sei... Neutraliza uma habilidade e dá a ilusão de dor por fogo. – ela me
olhou surpresa e irritada, pois perdera á chance de se exibir. – e... Tenho
mais uma habilidade, posso ler mentes. – ela arregalou os olhos, mas
depois voltou a me olhar desconfiada.
-O poder de Edward. Aro nem sabe disso... – ela disse entre os dentes
nervosa, eu concordei. - Quanto tempo pretende ficar por aqui? – era
possível ver o desprezo em sua fina voz.
- Quatro dias. – olhei pro Mike que estava pensativo e depois pra ela que
estava totalmente enciumada.
O que ela dizia eram coisas que me irritavam fácil, mas poderia me
controlar - com esforço.
Só não sei como alguém tão doce e gentil como o Mike pode ficar com ela
por mais de 100 anos... Ela teria que ter algum ponto positivo, além de sua
beleza. E se ela amasse tanto assim o Mike por que não desistiu dos Volturi
pra ficar com ele?
Eu não consigo entender, alem de presumir que ela não ama tanto ele
assim...

“Algumas pessoas demonstram tanto respeito por seus superiores


que não sobra nenhum para elas mesmas.”
32. PONTO DE VISTA
Ouvimos passos no corredor, eram duas pessoas, pelo cheiro conhecido e
adocicado eram a Anne e o Joseph, que estavam se aproximando rindo,
quando chegaram na porta pararam.
A porta se abriu bruscamente, a Anne olhou para Meredith seu rosto se
iluminou com um grande sorriso, ela correu para abraçá-la.
-Mery!! – ela disse feliz enquanto abraçava a irmã.
-Que saudade! – Meredith disse contra o cabelo da Anne.
Elas se afastaram, se olharam sorrindo e deram mais um abraço rápido. E a
Anne me viu pelo ombro da Meredith e sorriu.
-Tudo bem, Renesmee? – ela veio na minha direção e me deu um beijo no
rosto tocando minha mão, sua pele me pareceu mais fria que o normal, eu
fiquei gelada e estava em um belo campo com uma densa floresta á uns 40
metros á frente, o céu estava nublado e muitos aviões passavam, estava
com roupas antigas e de criança, vi uma garota mais velha que eu, que a
Anne, nós estávamos de mãos dadas e correndo na direção da floresta, ela
se virou, seu rosto me era familiar, tinha lindos olhos de gata verde-água e
uma expressão seria, era a Meredith, logo em seguida tropecei e cai de
joelhos...
Pisquei e vi a Anne ainda sorrindo esperando minha resposta, eu balancei a
cabeça suavemente.
-Sim... – eu respondi, a Meredith me olhava desconfiada.
-Vejo que conheceu minha irmã. – ela disse feliz, eu concordei com um
sorriso forçado – Espero que ela tenha te tratado bem. – ela riu - Não ligue
para a primeira impressão que ela causa, na maioria das vezes melhora. –
ela olhou pra irmã.
-Boa noite. – Joseph disse com sua voz cortês, fechando a porta atrás dele,
ele se aproximou da Meredith e deu um beijo em cada bochecha – Que
pena, que não pode vir á festa, foi ótima! – ela fez bico – Ah, mas daqui a
alguns meses terá outra, não se preocupe... – ele sorriu, me fazendo sentir
meio culpada e preocupada.
-Com certeza da próxima vez virei! – ela sorriu á ele.
Eu olhei pro relógio e me lembrei que fiquei de ligar pra Bia, hoje
realmente não era um bom dia, ainda bem que vim sozinha...
-Vou ligar pra Bia, se não tivesse ninguém aqui, ela viria pra cá. – eu
cochichei pro Mike, ele assentiu.
Peguei meu celular e me virei, não pude deixar de notar os olhares em
minhas costas enquanto ia pra varanda.
Disquei o número do celular dela, mas só chamou, tentei mais duas vezes e
desisti.
-Conseguiu? – o Mike perguntou se aproximando.
-Não... O mais estranho é que ela sabia que eu ia ligar. – eu guardei o
celular, ele olhou para seus amigos.
-Pelo jeito você já conheceu todo mundo que é importante pra mim...
Agora, só falta eu conhecer os seus. – ele disse meio envergonhado, eu abri
um grande sorriso.
-Serio? Você vai comigo pra Quilcene? – ele concordou
-Se você quiser... Não tenho como recusar. – eu bati de leve no braço dele.
-É claro que quero! – e o abracei, mas me afastei rapidamente,
preocupando com algum olhar que estivesse nos fuzilando, por sorte ela
não viu, apenas a Anne.
A Meredith se virou e encontrou meu olhar, eu desviei e olhei para bela
vista, me sentei na sacada sem me preocupar se alguém me empurrasse,
mas ela saberia que não me machucaria se eu caísse, mesmo que a distância
dos meus pés e do chão seja maior que a do meu apartamento e de Alice.
O Mike se sentou ao meu lado na sacada.
-Você acha melhor eu ir embora? –era provável que eles pudessem escutar,
então sussurrei.
-Eu não quero, mas se você não estiver se sentindo à-vontade... – ele me
analisou.
- Ah, não que seja muito desconfortável saber que alguém não gosta da
minha presença, mas – eu ri aos sussurros – eu tive uma visão e estava
curiosa.
-Visão? Você viu á lembrança de alguém?
-Sim, da Anne, você sabe a historia dela? Quero dizer delas?
-Não muito, sei que nasceram na França, Meredith já foi enfermeira, Anne
começou a cursar direito... Hum... Só isso. Depois da transformação,
queremos esquecer a maior parte de nossa vida para viver a nova, mesmo
que pareça impossível. Mas se você perguntar tenho certeza que vão te
dizer! – eu levantei as sobrancelhas, surpresa.
-Ah, claro, a Meredith gosta tanto de mim. – eu disse irônica, ele conteve
um riso.
-Mas a Anne sim... – ele argumentou, eu torci a boca duvidando.
-Tá, uma hora eu pergunto... – provavelmente uma hora que a Meredith não
estivesse presente.
-Vamos. – ele girou seu corpo e saltou sutilmente para dentro da varanda,
eu desci logo em seguida.
Quando entramos, eles ficaram em silêncio, como se estivessem falando de
mim, de nós.
-Bem... E o que pretendem fazer está noite? – o Mike perguntou e passou o
braço nos ombros do Joseph.
-Caçar. – a voz fria da Meredith, explicitamente á mim. – Já faz um tempo
que não me alimento... – Mike deu um olhar repreensivo á ela. – O que foi?
Você que perguntou. – ela disse tentando parecer inocente.
-Então vocês vão, eu e a Nessie vamos para outro lugar! – ele disse á ela.
-Eu vou junto! – a Anne se pôs ao meu lado, ouvi um grunhido baixo vindo
da garganta da Meredith.
-Bem, eu vou com a Mery... O dia que recusar caçar, não serei eu. – Joseph
riu.
-Ok, ate breve Renesmee. – sua voz era fria e decepcionante.
Joseph deu um sorriso gentil e saiu com ela.
-Para onde vamos? – a Anne perguntou curiosa.
O Mike me encarou. “É uma ótima oportunidade! Fala com ela agora.”
Eu mordi o lábio.
-Anne posso te perguntar uma coisa? – ela me olhou curiosa.
-Claro... – e se sentou no sofá, eu sentei ao lado dela.
- Hum... Eu queria saber mais sobre sua historia... – eu estava sem jeito.
-Bem, eu não penso nisso faz séculos, mas... Talvez não seja bom lembrar
do passado, mas talvez eu possa achar graça depois de tanto tempo. – ela
sorriu. –O que você quer saber exatamente? – o Mike se sentou a nossa
frente, esperando curioso.
- Hã... – não sabia se podia falar sobre a minha habilidade, que tinha visto
uma lembrança dela – Sei lá, você e a sua irmã moraram juntas? – não
sabia como chegar ao assunto do campo.
- Sim, era apenas eu, ela e nosso pai, minha mãe morreu de tuberculose,
quando nos éramos pequenas. – era estranho ver que ela não se comovia
com a morte da mãe. – E vivemos em uma grande e bela casa, meu pai
tinha uma boa posição social, tínhamos tudo que queríamos mesmo que
todo o poder e maior parte do dinheiro estavam concentrados na mão do rei
Luis XV – ela revirou rapidamente os olhos - Ficamos juntos ate eu fazer
10 anos... – ela hesitou, eu esperei.
- O que houve?- o Mike perguntou mais curioso que eu.
- Ele foi convocado para guerra, eu e a Meredith fomos morar com um
nosso tio, que ficou com o dinheiro que meu pai deixou, gastou tudo com
bebida e coisas fúteis, ele era meio... Muito idiota. A Meredith sofreu na
mão dele. – ela suspirou. - Ate fugirmos, eu tinha 12 anos, ela com
dezenove... Nós sobrevivíamos do pouco que ela ganhava, morávamos de
aluguel em um sobrado muito simples, nossa vida era humilde mais feliz,
para quem nasceu em berço de ouro a Mery conseguiu se virar muito bem...
Até eu ir para um orfanato. - ela pausou – Meu pai voltou da guerra e ficou
procurando por nós, ele me achou quando tinha 15 anos e voltamos a morar
na minha antiga casa, logo em seguida a Mery veio ao nosso encontro. Ela
cursou enfermagem, fora do país na Itália em... 1754, durante dois anos ela
mandava cartas, mas depois sumiu, não deu mais noticias, nosso pai ficou
muito doente e eu fui para Itália a procura dela. E ela me encontrou em
1760, a data da minha transformação. – ela sorriu
- Quantos anos você tem? – eu perguntei curiosa – E a Meredith?
-Hum... Eu nasci em 1736 então 24. – ela riu – e a Mery em 1729,
transformada em 1756, tem 27 anos...
-Quem á transformou? Alguns dos Volturi?– perguntei
-Não, ela falou pouco do Pierro, mas... Disse que ele era um nômade que
estava de passagem pela Itália, ele fingiu estar machucado e a seqüestrou,
nos primeiros anos, eles eram um casal. – ela olhou rapidamente ao Mike,
que estava sem expressões – mas ele á traiu ou coisa assim. – ela franziu o
cenho pensando. – Ela prometeu não se apaixonar por mais ninguém,
apenas aproveitar a vida que sempre quis, ate... – ela riu olhando para
Mike. – encontrar esse cara aí. – ela apontou com a cabeça pra ele.
-Entendi... Mas por que ela despreza tanto os humanos? Você é tão
diferente dela... – eu analisava aquele rosto de porcelana.
- Ela viu a maior parte da vida o pior lado do ser - humano e acha que ser
uma vampira é uma benção, sendo um ser superior, diferente dos
humanos... Ela ama não ser um ser - humano... Ama não ser ignorante,
fútil, falso, invejoso, orgulhoso. – eu levante uma sobrancelha.
-E... O que ela é? Posso estar exagerando, mas duas coisas que você disse
eu percebi nela hoje. – eu perguntei sarcástica, eles riram.
-Não é bem por esse lado... Ela já era assim antes de ser uma vampira, meio
orgulhosa, ríspida... mas é muito sincera, amiga. Mas deu pra entender
onde quis chegar? – eu ri.
-Deu... Ela sempre viu o ser humano como algo ruim. – ela concordou –
Uau, que historia...
-Eu não achei alguma graça no meu passado, mas... valeu a pena relembrá-
lo. E você disse que sou muito diferente dela, porque provavelmente eu não
tenham visto nem metade do que ela já viu. – ela ergueu os ombros.
Não sei bem se compreendi por que a Meredith era daquele jeito, eu sei que
existe muita gente má, que não deveria ser chamada de ser - humano, mas
há tantas boas e puras que não posso concordar com esse ponto de vista,
mas também a Anne disse que ela já tinha aquele jeito a única coisa que
mudou foi que seu desprezo pelos humanos aumentou.
Sei que a lembrança que tinha visto provavelmente era quando elas
estavam fugindo do tio delas...
Elas podem ter passado por tempos difíceis, mas tudo deve ter sido
compensado.

“Os fins não justificam os meios.”


33. LIGAÇÕES IMPORTANTES
Eles me contaram quando se conheceram; perguntei se ela e o Joseph
tinham algum relacionamento, ela diz que não, mas não me convenceu.
Eu tentei ligar pra Bia mais uma vez, mas novamente ninguém atendeu.
Já era uma dez e meia, comecei a me preocupar com a Bia, ela estava tão
animada pra ver o Mike novamente... Alguma coisa estava errada.
-Acho melhor voltar... – eu disse á eles.
-Já? – o Mike perguntou decepcionado
-Você irá embora daqui a três dias, fique mais um pouco. – a Anne tentou
me convencer, eu balancei a cabeça negativamente.
-Eu estou estranhando a Bia não ter dado noticias, quero saber o que
aconteceu. – eu disse chateada.
-Quem é Bia? – ela perguntou
-Minha amiga... – eu respondi me levantando, eles logo em seguida.
-Vamos! – o Mike disse enquanto ia á porta.
Apesar dele estar correndo, desejei que corresse muito mais, pode ser
apenas uma preocupação boba, mas prefiro me prevenir.
Quando chegamos, dei um beijo na Anne e no Mike, que me olhou triste e
preocupado.
Eu não subi correndo, estava controlando minha respiração e repetindo para
mim mesma que era bobagem eu estar preocupada, ela deveria estar
dormindo, por isso não atendeu as ligações... É foi isso.
Eu abri a porta do quarto, estava meio escuro sendo iluminado apenas pela
luz que vinha de fora, vi uma sombra, uma silhueta na varanda, era a Bia,
me aproximei, ela estava encolhida no chão, as costas na sacada, os braços
envolvendo as pernas, o celular dela estava na cama.
-O que foi? – eu perguntei e me sentei ao seu lado no chão.
-Recebi uma ligação... – sua voz firme
-Além das minhas! Fiquei muito preocupada. – eu tentei repreendê-la, mas
sua expressão vazia e seria não me deixou.
-Desculpe... – ela sussurrou
-Tudo bem, diga o que aconteceu, quem ligou?
-Meu pai. – ela parou – Ele disse que minha avó foi... está muito mal, não
sabem quando tempo ela pode agüentar. – ela afundou a cabeça nos
joelhos- Eu preciso vê-la. – ela sussurrou.
- Você quer voltar? – eu passei minha mão pela suas costas.
-Sim, mas não sei se é possível... Trocaria inúmeras viagens para ver minha
avó pela ultima vez, você me perdoa? – ela levantou o rosto, para me olhar.
-Claro. Família é primordial! Vamos falar com a monitora, ela vai te disser
o que fazer... Quer que eu volte com você?
-Não! De jeito nenhum, me deixe acabar com as minhas férias sozinha, se
divirta nesses três dias restantes. Além do mais o Mike não me perdoaria se
eu tirasse você dele agora. - ela riu aos sussurros.
-Por falar nele, ele vai voltar para Quilcene comigo – eu a informei.
-Serio? – ela me analisou surpresa – Não vejo a hora de conhecer o resto da
sua família, se forem tão legais quanto a Alice...
- Uma hora combinamos! – eu afirmei.
Levantei e ofereci minha mão á ela.
- Vamos? – ela concordou
Procuramos por um monitor no saguão, por sorte achamos a Larissa, uma
monitora da escola. Nós explicamos a situação calmamente a ela.
-Certo, é possível sim. Primeiro preciso que um dos seus responsáveis ligue
para mim confirmando a história e veremos o próximo vôo para São Paulo.
– ela concordou e já foi ligando para seu pai, ele atendeu e ela
apressadamente passou o celular à monitora, eles conversaram por um bom
tempo...
Um guia iria acompanhá-la até o aeroporto daqui e outro á estaria
esperando em Congonhas, um aeroporto de São Paulo. Ela procuraria o vôo
mais próximo e logo nos avisaria.
Voltamos para o quarto, fiquei contando sobre a Meredith e a historia dela.
-Nossa, ainda bem que não tinha ido, eu já não tinha muita vontade de
conhecê-la, agora, muito menos! – eu ri aliviada.
A Gabi chegou toda feliz...
-Onde estava, mocinha? – a Bia perguntou brincando, ela riu.
-Hum... Vamos dizer que um charmoso francês que tinha conhecido ontem
me chamou para sair. – ela sentou em sua cama.
-Você não tem medo de não entender o que ele esteja falando? Ou ele fala
português? – ela perguntou, a Gabi discordou.
-A língua do beijo é igual em qualquer língua! – nos rimos pelo duplo
sentido.
Eu estava sentindo meu estomago pesar, um vazio, era fome, mas não
estava acreditando, não fazia muito tempo desde a última vez.
Descemos para comer o que sobrou da mesa do jantar, já estavam tirando
as coisas do self-service. Eu comi macarrão com vontade e me surpreendi
por não ter deixado nada no prato, a Bia só ficou rindo.
Depois subimos e a Gabi ficou contando como tinha sido sua noite, logo
em seguida dormimos.

Acordei com a luz do sol esquentando meu rosto, foi bom, me fez lembrar
de meu quarto, do Jake... Ele era meu sol, apesar de sempre dizer que não.
Bianca estava no banheiro e a Gabi dormindo, o telefone do quarto tocou,
eu atendi, era a Larissa dizendo que o próximo vôo seria para ás 3 da tarde
e se teria algum problema, eu corri para o banheiro e perguntei á ela, que
disse que não havia, eu avisei a Larissa e a Bia saiu do banheiro.
-Três horas? – ela perguntou, eu desliguei o telefone e concordei. - Nossa,
não acredito que vou deixar Paris hoje! – ela suspirou, eu fiquei pensativa.
-Você quer seu colar de volta? Já que só vamos nos ver novamente sábado
ou domingo que vem...
-Não. – ela se aproximou – Eu sinto que ele ainda precisa de proteção.
-Você nunca me disse sobre o que foi seu sonho...
-Verdade, né! Bem... Foi estranho, muita coisa não me lembro com clareza
agora, mas... lembro de que estava com medo, que corríamos perigo e que
devia proteger o que me era mais precioso, o colar. – eu passei a mão nele
por cima da minha blusa, era estranho, eu raramente o sentia, apenas
quando o tocava, sentia mais o peso do relicário do que do amuleto.
– Fique com ele, nas voltas as aulas você me devolve. - ela sorriu. -E... Que
horas são? – ela perguntou e olhamos para o relógio na penteadeira, eram
10 horas – Ixi, tenho cinco horas para me arrumar e a minha mala – ela fez
uma careta – Você me ajuda?
-Claro! – ela pegou sua mala e colocou em cima da cama.
Como a Gabi estava dormindo usei minha velocidade sobre-humana, para
terminarmos mais rápido.
Quando a Gabi acordou tínhamos terminado, ela olhou assustada para a
mala.
- O que houve? – ela esfregou os olhos
-Eu vou embora. – a Bia disse contente, ela ficou desnorteada.
-Hã? Por quê?
-Eu preciso voltar, minha avó estava muito doente, não posso arriscar em
esperar.
-Ah, entendi, que pena... – ela disse chateada, eu fechei a mala e tirei da
cama.
-Será que já serviram o almoço?- a Bia perguntou
-Acho que não... – respondi, a Gabi olhou assustada para o relógio e correu
para o banho, quando ela saiu, eu entrei, depois descemos...
Encontramos com a Marília, a Fernanda, o Murilo, o Leo e ficamos
conversando.
Meu celular tocou, era o Mike...
-Oi... - eu disse solene
-E ai? Esta tudo bem com a Bia? – sua voz gentil.
-Sim, mas ela vai embora hoje á tarde. – olhei para ela
-Por quê?
-Emergência familiar.
-Ah, entendo e... Que horas você vai vir para cá? Ou prefere que eu vá ai?
-As meninas estão na sua casa?
-Agora sim, a Meredith e o Joseph chegaram de madrugada, à noite eles
vão sair.
-Hum... Então acho melhor ir à noite.
-O Joseph vai para Portugal falar com um amigo e as Sullivan vão rodar a
cidade para por – ele parou – o assunto mais em dia.
-Sullivan? – eu ri
-É o sobrenome delas Sullivan Belmont, muitos as chamam de irmãs
Sullivan, acho que são as únicas irmãs de sangue vampiras.
-Ah, entendi. – o almoço estava sendo servido – Então, até depois.
-Sim.
-Deixo eu fala com ele! – a Bia pediu
-Espera, a Bia quer falar com você. - eu passei o celular
-Oi! – ela disse animada.
“Você vai volta para o Brasil hoje?” – mesmo com muito barulho externo,
eu podia ouvir perfeitamente o Mike no telefone.
- Sim, que pena não podermos nos ver mais...
“É muita pena, mas que você tenha uma boa viagem de volta e resolva sua
emergência familiar!” – ele riu de leve
-Claro, obrigada.
“Espero te ver logo!” – ela se iluminou e passou o celular pra mim.
-Tchau. – eu disse
Nós almoçamos e ficamos na beira da piscina aproveitando as ultimas
horas da Bia, tiramos varias fotos juntas e uma eu particularmente adorei,
com certeza iria revelar.
Depois já era hora dela ir, eu a acompanhei até o aeroporto com a monitora,
ela estava pronta para embarcar, senti um aperto no peito, mesmo não
havendo motivo para aquilo, ficaríamos longe durante uma semana, como
no começo das férias, não para sempre.
Ela me abraçou forte e me olhou sorrindo.
-Cuidado! – ela me disse.
-Você também, melhoras para sua avó. Você sabe melhor que ninguém o
poder do pensamento positivo! – ela concordou e começou a andar ate o
embarque com sua grande mala cinza, ela parou na porta e se virou,
acenando.
-Ate logo, Nessie! – deu o passaporte e foi embora.
Não sei se ela percebeu que tinha me chamando de Nessie, mas não liguei,
na verdade adorei.
Voltei para o hotel me sentindo meio sozinha, fiquei conversando com o
pessoal mais não consegui prestar muita atenção nas conversas.
Então fui para o quarto ligar para minha família, fazia tempo que não
falava com eles, talvez isso pudesse me animar.
Disquei o numero de Edward, não deu dois toques ele atendeu.
-Nessie??
-Oi, pai! Quanto tempo. – a saudade queimando meu peito – Receberam as
fotos?
-Sim, você estava deslumbrante, achei aquele vestido meio... decotado de
mais, mas estava linda. – eu ri. -Você vira para cá em três dias, não é? – a
voz dele era tão familiar, sonora e aconchegante... Queria muito abraçá-lo.
-Sim, e... - eu tinha avisar sobre o Mike, se eu quisesse que ele voltasse
comigo – eu conheci um... vampiro, mas não se preocupe ele não caça
humanos. – logo disse, ele não disse nada e suspirou – Pai??
-Ele não caça humanos – ele disse desconfiado – se alimenta de animais?
-Não, de bolsas de sangue! Ele é muito legal e gostaria se não tivesse
problema, ele conhecer a família, o que acha? – eu perguntei receosa
-Bem, eu não o conheço, mas sei que você não seria amiga de qualquer um,
eu confio em você, filha. Traga-o para nós conhecê-lo, mas... Você está
com ele?
-Não! Não... Ele é um grande amigo. Nossa pai, muita coisa aconteceu
nesse tempo que estive aqui!
-Imagino e também presumo que queria falar com a sua mãe...
-Aham... – eu concordei animada, ele estava dando passos.
“Quem é?” – ouvi a doce voz da minha mãe.
“Renesmee” – ele respondeu.
-Querida? Nessie? – Bella me parecia preocupada.
-Oi, mãe! – eu disse meio eufórica.
-Ai, filha que saudade... Falta pouco tempo, mas to achando que quando
você voltar não vou deixar mais você sair perto de mim.
-Mas nós ficamos seis meses separadas...
-Sim, mas você ligava a cada três dias mais ou menos e agora está próxima
dos Volturi, tenho medo que você possa encontrar com algum deles. – eu
engoli seco.
-Não se preocupe, eu que estou preocupada com vocês, sobre os vampiros
infratores que foram para á America.
-Ficamos sabendo... mas não estão nos EUA, estão na America do Sul ou
Central, não ouve mortes estranhas por aqui nessas ultimas semanas.
-Fico feliz em saber disso, mas a Bianca esta indo pro Brasil agora, espero
que eles estejam bem longe dela. – eu desejei.
-Hum... – ouvi o barulho dos galhos das árvores batendo, dos pássaros e do
vento no celular, foi vitalizante ouvir os sons da natureza, da minha casa.
“Bella!! É a Nessie, não é?!” – ouvi alguém gritando ao longe e passos
apressados.
“Deixa eu falar com ela!” – ele estava próximo, uma voz rouca e forte.
-Oi, amor, como você está? – a voz de Jake fez meus olhos arderem
-Bem, Jake, não vejo à hora de estar ai na floresta com você... – eu tentei
deixar minha voz estável.
-Nessie, parece que tem um buraco no meu peito... – ele suspirou – Quando
você voltar não vou me desgrudar de você, até enjoar de mim. - ele riu.
-Nossa, isso eu quero ver! Você grudado em mim, o dia todo, que tortura. –
eu disse sarcástica.
Era provável que Edward não tinha falado do Mike ainda e eu não queria
saber a reação dele ao saber. Jacob não é muito ciumento, ele confia muito
do seu taco, mas as poucas vezes que ele ficou, nos chegamos a ter uma
pequena briga, mas ele viu que não havia motivo para duvidar do nosso
amor, acho que com o Mike vai juntar o ciúmes habitual com a
preocupação normal ou exagerada dele.
-Você viu as fotos que Alice pediu?
-Sim, queria muito ter ver pessoalmente com aquele vestido. – ele disse
travesso – Você não sabe a saudade que faz quando vai embora, ainda mais
agora que temos uma relação... completa.
-Jake! – eu o- censurei, com medo que minha mãe estivesse por perto.
-Ah, só acho que você não deve ter a mesma “saudade” que eu tenho...
-Claro que tenho, só não deixo tão visível quanto você! – eu ri
-Ta bom, então, vamos ter essa discussão pessoalmente, O que acha?
-Claro... Ate daqui a três dias, amor!
-Até, te amo Nessie.
“Eu também” – minha mãe disse ao fundo,
-Ok, eu amo todo mundo. – mandei um beijo e ele desligou o celular.
Três dias era o que restavam, não sei por que eu tenho a impressão que
quando voltar para casa, será muito mais difícil ir embora...
Hoje foi um dia e tanto, tantas ligações importantes, a Bia já foi embora;
meu pai sabe sobre o Mike; falei com minha mãe; com o Jake;
Sei que os vampiros não estão dos EUA, assim minha família estaria
segura, mas a Bia não, por que ela teve que ir para São Paulo justo agora?!
34. CASA
As horas passavam devagar, ate chegar á noite...
Não que eu esteja enjoada de Paris, mas a saudade é tão grande que não me
deixa pensar em outra coisa a não ser que esses próximos dias passem.
Eu coloquei uma calça jeans, uma regata e sai, peguei o metro e andei
presunçosamente.
Não estava depressiva, mas me sentia meio cansada, era estranho, poderia
jurar que me sentia mais humana.
Cheguei no apartamento dele, respirei fundo e quando ia bater, ele a –
abriu, sorrindo.
-Tudo bem? – ele perguntou, me analisando.
-Uhum... – eu concordei
Nós entramos, não tinha ninguém e fazia um tempo que haviam saído, me
sentei no sofá me aconchegando, calada e pensativa.
-Você esta realmente bem? – ele se sentou ao meu lado e pegou meu rosto
-Você me parece triste.
-Não sei o que é... Acho que foi a ida da Bianca. – eu mordi o lábio, ele
passou o braço pela minha cintura.
-Você tem muito amigos, nunca ficará só! – eu olhei para ele, seus olhos
estavam quase totalmente âmbar, me fazendo sentir em casa.
-Sim... – eu me ajeitei nos braços dele e encostei minha cabeça em seu
peito, tirei meus sapatos e coloquei minhas pernas no sofá, ele passou seus
braços ao meu redor, como se quisesse me aquecer mesmo ele sendo
gelado, não durou muito logo eu estava na mesma temperatura que ele...
Estamos confortáveis fiquei ali um tempo de olhos fechados tentando
reaver meu animo.
Quando abri meus olhos vi o relógio a minha frente era 23:10 eu me
levantei, foi quando percebi que tinha dormido... Ouvi um riso e me virei
para ele.
-Você cochilou.
-Ai, desculpa!
-Nada, eu adorei vê-la dormir.
-Certo, arruinei nossa noite! – eu me sentei arrumando meu cabelo.
-A noite ainda não acabou. Venha, vamos sair! – ele se levantou e me
puxou suavemente.
Eu não sabia para onde ele estaria me levando, mas não liguei, seria algum
lugar divertido...
Tinha uma grande placa luminosa escrita Le Red Light na frente, era o
lugar onde as meninas tinham ido.
-Eu nem vim com roupa certa. - eu argumentei quando paramos.
Ele saiu do carro, deu a volta e abriu a minha porta oferecendo á mão.
-Qualquer roupa que você estiver, estará perfeita. – eu ri constrangida.
Estava cheio de gente apesar de ser grande, estava tocando uma música
eletrônica, varias luzes rodando e lasers. Bartenders e dançarinas se
apresentavam em um pequeno palco do lado leste do salão.
- Você já veio aqui? – ele me perguntou, eu peguei sua mão enquanto
andávamos.
-Não, mas as meninas vieram aqui segunda... E você? – eu tentava não
esbarrar nas pessoas, mas era impossível, o cheiro de suor, perfumes,
bebidas e até mesmo de drogas me deixaram meio enjoada, sem contar com
o cheiro humano que me fazia salivar.
-Sim. Eu, a Anne e o Joseph, às vezes com a Mery ficamos aqui e o maior
clube de Paris.
-Vem para caçar? – eu parei de respirar pelo menos ate passarmos pela
multidão.
-Na maioria das vezes sim. – ele me levava para um ambiente que era mais
alto, como um segundo andar, com poucas pessoas e tinha grandes janelas
– Precisamos de ar fresco, não é? – nos paramos e sentamos em um sofá
estofado vermelho. – Você está bem? Me parece pálida...
-Sim, é que... – eu coloquei a mão da barriga – acho que preciso caçar.
-Tem um banquete e tanto aqui. – ele apontou para as pessoas, eu o
censurei, fazendo-o rir. – E pretende achar animais aonde?
-Eu não sei, não estava planejando isso, eu aguento sem problemas ficar
uma semana sem comer, duas com um pouco mais de esforço, mas ainda
nem deu duas semanas.
-Hum... Acho que foi uma péssima idéia ter te trazido para cá. Desculpe.
-Não tudo bem, é frescura minha... mas se não tiver problema eu preferia
me alimentar... Você poderia me dá uma bolsa? Eu posso ir a uma fazenda,
mas como explicar que um cavalo ou vaca sumiu, já que não é costume de
animas selvagem se alimentaram pela região. – ele concordou.
-Claro, que te dou. Quer voltar?
-Acabamos de chegar, vamos aproveitar. – eu tentei sorrir
-Ta, mas vamos procurar um lugar com menos gente.
Havia uma parte separada ao ar livre, a música era um pop rock, ficamos lá
ate á uma hora da manhã, depois voltamos para a casa dele.
Nem o Joseph ou as Sullivan tinham voltado.
Ele me deu uma bolsa de sangue e eu tomei com vontade apesar de não ter
a mesma satisfação do fresco, mas por enquanto bastaria.
Eu não me incomodei com o horário, apenas teria que voltar antes do sol
nascer... Até eles chegarem...
A Anne e o Joseph me cumprimentaram gentilmente, a Meredith ficou me
olhando feio.
-Bem, acho que o clima voltou a ficar negativo, vou indo. – eu disse ao
Mike rindo, ele olhou para Meredith, ela mudou sua feição ficando
indiferente e pacifica.
-Não, fique mais um pouco, ninguém quer que vá embora. – ele disse.

“Ah, eu quero! Não sei se está lendo minha mente, mas pare de tentar tirar
o Mike de mim, volte para o seu lugar, volte para os Cullen. Não se meta
em meus planos!“ – a voz mental dela era severa.

-Não se preocupe voltarei. – eu me aproximei dela, a encarando – E para


sua informação, não quero tirar o Mike de você, já tenho quem me ame e
nunca deixarei ele ir embora, se você realmente o amasse ainda o - teria. –
ela rosnou, eu continuei olhando para seus olhos sangue, Joseph se pôs ao
lado dela, o Mike do meu, a Anne só nos observando esperando a hora que
tivesse que interferir.
-Se você meter o nariz onde não é chamada pode se arrepender, não
seguirei as ordens de Aro, não ligarei se machucar a princesa dos Cullen ou
a esperada de Aro! – ela rosnou novamente se abaixando.
-Apenas tente, tente me atingir! – eu a provoquei, ela se agachou e
congelou.
-Pare com isso Meredith, não seja ridícula! – o Mike disse e a tocou, ela
olhou incrédula para ele.
-Como você...? Por que você está do lado dela, nós se conhecemos á tantos
anos e ela chega de repente como se pudesse faze o que quiser...
-Ela é uma ótima pessoa, você está agindo errado e sabe disso! Ela é
minha inquilina, minha amiga, eu gosto de você, mas não é por isso que
ficarei do seu lado. – ela suspirou, tentando se acalmar. – Não sei por que
você não gosta dela, ela não fez nada á você! – ela olhou pra mim.
-Certo, seria muita burrice eu me prejudicar por sua causa ou sujar minhas
mãos como seu sangue! – ela cuspia as palavras, um grunhido feroz saiu da
minha garganta sem eu perceber, suspirei e olhei para fora, eu não poderia
perder o controle.
-Certo, vou embora chega de discutir com pessoas que não devem entender.
-Já está tarde! – o Mike concordou.
-Desculpe minha irmã, Nessie – Anne passou o braço pela cintura de
Meredith – Eu vou conversar com ela. – ela sorriu envergonhada, eu
assenti.
Eu e o Mike fomos embora, cheguei em Paris quase as três horas, fomos
para a parte de traz do hotel .
-Desculpe... – ele sussurrou
-Ah, não foi nada, você sempre me avisou sobre ela. Ela está com ciúmes,
tem medo de te perder. – eu não esta acreditando que estava dizendo que
ela tinha motivo para aquilo.
-Certo, amanhã venho te pegar. – ele beijou minha mão.
Peguei impulso e pulei para a varanda do meu quarto, a janela estava
aberta, eu me troquei e fui para a cama.
Tudo tinha haver com paciência...
Paciência com a Meredith; na espera dos três dias que agora são dois; em
ter informações de onde estão os vampiros e força de vontade em agüentar
a saudade que queimava meu peito.

Quando parei de pensar no tempo, esses dois dias passaram animados e


rápidos.
Eu e o Mike fomos ao Palácio de Versalhes de novo, ele me mostrou sua
antiga casa, não vi mais a Meredith eles me disseram que ela estava
viajando, mas acho que apenas estava me evitando.
Hoje é sábado e vamos embora às cinco da tarde e já arrumei minha mala,
meu vôo será em escalas e eu descerei nos EUA, meus pais tiveram que
confirmar que eles moravam lá, mesmo tendo 18 anos, no RG.
O Mike vai pegar outro avião meio outra depois do meu, eu vou ficar
esperando no aeroporto.
Tudo correu bem, o pessoal na escola apesar da saudade de casa ficariam
sem hesitar muito mais tempo em Paris.
Ao desembarcar em Port Angeles, senti um frio na barriga como no
começo das férias. Esperei impacientemente o Mike, quando ele chegou
não perdi tempo, peguei a mão dele e fomos á um taxi, eu poderia ligar
para minha família, mas preferi não incomodar.
-Você esta ansiosa, hein? – o Mike disse no taxi
-Muito!
A viagem de taxi durou quase uma hora, eu deveria ter ido correndo teria
chegado mais rápido.
O taxi nos deixou a 10 metros de casa, tiramos as malas e continuamos, eu
estava com uma grande mala vermelha e o Mike uma pequena.
A primeira pessoa que vi foi Esme, que estava regando as plantas da frente
de sua casa.
-Esme! – eu gritei e deixei minha mala pra trás, ela se virou no exato
momento que a abracei, eu não estava acreditando que estava em casa,
comecei a chorar em pensar ver o resto da família. – Ah. – eu limpei meu
rosto – Este é Mike, um vampiro da França, ele tem uma história muito
interessante.
Ela não me olhou surpresa, Edward já deveria ter avisado.
-Qualquer amigo de minha neta, também é nosso convidado. – ela sorriu
amorosa como sempre.
-Prazer em conhecê-la. – ele disse e pegou minha mala.
Nós entramos... Meu coração não poderia bater mais rápido.
-Nessie!! – Alice desceu as escadas, saltando os últimos 10 degraus e pulou
em mim, minha lagrimas molharam sua delicada blusa rosa - bebê, eu olhei
para ela, seus grandes olhos dourados irritados.
-Vamos ver... – ela parou e olhou para o Mike – É ele? – ela me perguntou,
eu concordei
-Michael Henry... – ele se aproximou, pegou mão dela e a beijou. - Prazer.
– ele disse cortês.
Jasper, Emmet e Rosálie apareceram na sala, sorrindo, mais lagrimas
desceram pelo meu rosto.
-Oi, gente! – eu disse e a abracei fortemente cada um, logo depois eles
analisaram o Mike, ele assentiu.
-Bem, fiquem conversando que já volto, vou procurar meus pais! – eu sai
em disparada pela porta dos fundos.
Eu dançava entre as árvores, rodopiando, feliz por estar em casa ate sentir o
delicioso aroma de meus pais e fui em sua direção, eles arregalaram os
olhos e sorriram, eu corri chorando e abracei os dois.
-Me digam que não estou sonhando! – eu arfei
-Não, amor, não está! Se eu pudesse dormir, certamente acharia que isto é
um sonho. – minha mãe disse contra meu cabelo.
Meu pai inspirou profundamente...
-Bem vinda de volta, princesa. – eles se afastaram, aquelas faces perfeitas,
tão conhecidas, meus pais...
Minha mãe limpou minhas lagrimas.
-Jake vai achar que está machucada de tanto choro. – ela sorriu, eu ri com
mais lagrimas contornando meu rosto, respirei fundo, respirando minha
floresta e me acalmei.
-Onde ele esta?
-Em casa, estávamos indo para casa de seu avô para te esperar. – meu pai
respondeu.
-Certo, vou vê-lo. – e corri para minha casa.
A porta estava fechada, senti o cheiro das margarinas e petúnias, me
lembrando da Bia e o rastro de meus pais.
Entrei em casa, minha aconchegante casa, me aproximei da estante de
livros, peguei um aleatoriamente era O Segredo, abri e li um trecho:

“Basicamente, a lei da atração diz que semelhante atrai semelhante. Mas


falando a nível mental, nosso trabalho como humanos é nos agarrar naquilo
que realmente desejamos e ter isso bem claro em nossa mente. E a partir daí,
nós começamos a nos envolver com uma das leis mais poderosas do universo,
que é a tal da lei da atração.”

Guardei o livro, fechei os olhos e pensei no Jake. Logo senti aquele cheiro
forte, amadeirado o melhor perfume que existia.
-Nessie? – a voz dele chamou meu nome, eu ri e me virei.
Ele estava parado ao lado do sofá, surpreso. Eu corri e o agarrei, prendendo
minhas pernas ao redor dele, ele me abraçou e enfiou o rosto em meu
ombro.
Minhas lágrimas só tinham parado cinco minutos, estava novamente em
prantos.
Não falamos nada, apenas sentindo nossa temperatura, nosso cheiro, a
textura de nossas peles, eu suspirei e me afastei, peguei seu rosto em
minhas mãos.
-Finalmente cheguei... – eu sussurrei enquanto ele limpava meu rosto.
-Sim... – seus olhos penetravam minha alma, aqueles pequenos olhos
negros me analisavam como se fosse a primeira vez que tinha me visto.
Eu encostei meu nariz com o dele e fechei os olhos, sentindo sua respiração
quente em minha pele, abri lentamente a boca e beijei sua maça do rosto, o
canto da boca, sua boca.
O gosto, a intensidade, a temperatura eram a mesma, não havia lugar
melhor para se estar do que ali com ele, fazendo a coisa que mais amava, o
beijando.
Eu agarrei o cabelo dele, que estava mais comprido, ele pegou meu rosto e
comprimiu nossos corpos, ele andou e esbarrou no sofá, caímos em cima
dele. Eu desprendi minhas pernas de seu quadril e me encaixei em seu
corpo.
Ele me apertava delicadamente meu rosto, minha cintura, minha perna. Eu
senti um incômodo pelos meus colares e tirei meu relicário, pensei em tirar
o amuleto, mas não tive coragem então o passei para minhas costas.
Ele me apertou ainda mais, se eu não estivesse na mesma temperatura que
ele, estava mais quente.
Nós estávamos famintos de nossa sede particular, mas não sei se seria uma
boa idéia naquele momento, foi quando lembrei da minha família com o
Mike. E me desgrudei com dificuldade dele.
-Precisamos ir! – eu voltei á beijá-lo.
-Por quê? – ele disse meio sem fôlego.
-Você sabe sobre o Mike?- perguntei rápido, ele desacelerou.
-Quem? – ele finalmente parou e ficou me olhando nossos narizes se
tocavam.
- Meu pai não contou pra você, sobre ele?
-Hum... acho que... não. – ele sussurrou
-Ou deve ter falado e você não prestou atenção, né?! – eu brinquei – Ta, é
um vampiro que encontrei na França, ele é tipo vegetariano, ficamos muito
amigos...
-Serio? – ele arregalou os olhos, eu tentei me afastar, ele me puxou de
novo.
-Jake! – eu o censurei, ele riu e me deixou levantar. – Queria muito que
você o - conhecesse. – eu peguei sua mão. Ele acariciou meu rosto.
-Qualquer coisa que me pedir... Mesmo que seja para conhecer um
vampiro. - nós se levantamos - Mas vamos terminar o que começamos hoje
a noite... – eu concordei e saímos abraçados.

“A paciência é uma virtude rara nos humanos, mas para nós


imortais é do que mais precisamos.”
35. INSACIÁVEL
Ao sair de casa ele parou e me olhou.
-Vamos fazer como antigamente? – ele disse, dei uns passos largos de
costas á frente dele.
-Como assim? – eu perguntei inocentemente ganhando vantagem, mas ele
percebeu minha tática e tirou o short, vontade não me faltou para o - ver
tirar o resto, mas me virei e corri. Ouvi seus grunhidos logo atrás de mim.
Quando cheguei, ele me derrubou me lambendo, eu ri me protegendo, ate
ele ir atrás de uma árvore, colocar o short e saiu rindo.
Eu o abracei seminu, ele colocou a mão em minhas costas por debaixo da
blusa, senti um arrepio com sua mão pegando fogo, ele deslizou o dedo
indicador pelo meu nariz, me virei e entramos.
Eles estavam na sala conversando, olhei contente ao Mike pela pacifica
aproximação deles, que olhou intrigado para o Jake, franzindo o nariz.
-Ele é um lobo. – Edward logo disse.
Ele ficou congelado, surpreso pela presença de Jacob, olhei para ele ao meu
lado que analisava meticulosamente o Mike.
-Não imaginava que eles ainda existissem, não foram extintos? – o Mike
olhou curioso para meu pai.
-Ele não é o que parece, não é um filho da Lua, é um transmorfo que
assume a forma de lobo. – Edward respondeu, Mike ergueu uma
sobrancelha e conteve um riso.
-Ou cachorro, se preferir. - Tia Rose sussurrou, mas era audível á todos da
sala.
“Casal exótico” Mike pensou.
-Nem me diga. – meu pai riu, Jake franziu o cenho meio nervoso, ele sabia
que falavam dele.
-Amigo da família? – ele perguntou, minha mãe riu.
-Não exatamente, nós já nos conhecíamos, nossos pais são amigos. – ela
olhou para Jacob cheia de recordações, boas.
Mike olhou incrédulo para nós, meio confuso.
-Mas então... – ele hesitou, tinha muitas perguntas, das quais eu faria
questão de responder, mas a sós.
-Mike depois nós conversamos sobre isso. – eu sorri - E sobre o que vocês
estavam falando? – Jake sentou no ombro do sofá, eu me sentei em seu
colo.
-Sobre como nos conhecemos... – ele respondeu, fazendo Jake
semicerrando os olhos, o silêncio reinou por um tempo indeterminado, já
que ninguém fez questão de se mover, mas todos olhando para nos três.
-Bem... Já disse que estou fazendo uma musica com a Bia? – eu quebrei o
silêncio, mudando de assunto.
-Que ótimo, quando poderá nos mostrar? – Alice perguntou animada
-Ah, logo. Hum... Tia vem comigo na cozinha rapidinho, mãe se quiser... –
eu tirei as mãos do Jacob de meu colo e me levantei.
-Claro, já voltamos. – minha mãe disse, meu pai assentiu.
-Então quanto tempo você ficou com os Volturi? – meu avô perguntou
enquanto saiamos.
Da cozinha podíamos ouviu murmúrios, eu me apoiei na mesa.
-O clima ta tenso, hein? – Alice disse rindo
-É... – eu fiz uma careta de desgosto – Por quê?
-Ah, apenas que é quase possível quer as faíscas saindo do olhar penetrante
dos dois. – minha mãe respondeu. - Jacob sempre foi ciumento, nem me
lembre de quando vocês começaram a namorar... – ela quase falou quando
ele tinha ciúmes do meu pai, mas se conteve não achando apropriado e
balançou a cabeça.
-Não era para isso acontecer. – eu disse chateada – Acho melhor conversar
com o Jake. – enquanto voltávamos para a sala, ouvi alguém rangendo os
dentes era o Jacob olhando raivoso para o Mike, pronto para atacá-lo.
-Jacob! – eu o chamei, ele olhou pra mim.
Rosálie, meu pai e Emmet riram, meus avôs e Jasper olhavam meio sem
jeito pela cena do Jake.
-Michael estava nos mostrando sua incrível habilidade no Jacob e esse ai
fico nervosinho. – Rose respondeu e revisou os olhos.
- Ai, Jacob, para com isso!- eu resmunguei
-Nessie preciso falar com você. – Jake disse indo para a porta dos fundos,
eu o segui.
Do lado de fora estava fresco, a floresta estava escura á deixando ainda
mais fascinante, eu o- encarei.
-Para com isso! – eu murmurei crente que minha família pudesse ouvir.
-Eu sei, eu sei, é que você não vê a maneira como ele te olha, além do mais
ele é um vampiro! – ele disse como se fosse um absurdo, eu o encarei
nervosa.
-E o que isso tem de ruim? Eu sou, minha família é, a nossa família é!
-Desculpa... Só estou preocupado, você é tão delicada que tenho medo que
ele possa te machucar.
-Delicada?! Jacob você sabe como eu não gosto quando me subestimam. –
eu me sentei no chão, coloquei as mãos no rosto e respirei fundo para me
acalmar, a única coisa que não queria era brigar com ele.
Ele se aproximou e se ajoelhou á minha frente.
-Prometo que vou me controlar, sei que sou estúpido quando tenho ciúmes,
mas é que te amo tanto, que...
-Se controle. - eu sussurrei firme
-Pode deixar, irei agradar esse vampirinho até ele ir embora. – ele se pôs de
pé e me ofereceu á mão, eu fiquei olhando para ele, pra ver se ele falava
serio, seu rosto estava com um sorriso encantador - infantil - abaixou e me
puxou pela cintura com os braços ao meu redor, eu ri – Me perdoa? – ele
fez uma cara de cão sem dono que me derreteu.
-Sim. – e selei suas desculpas com meus lábios nos dele e entramos.
-Nossa, isso significa que é só um pouco mais novo que Carlisle, você é o
segundo mais velho daqui. – Alice disse curiosa
-Então é mais velho que Edward... – Jake afirmou pegando a conversa
-Quantos anos Edward? – Mike perguntou
-Uns 130... – ele respondeu
-É... Uns 100 anos á mais. – ele riu, minha conversa como Jacob havia
funcionado o clima estava normal, confortável.
-Alice você viu a Bia indo embora? – perguntei
-Sim, ela chegou bem em São Paulo. – ela concordou.
-Vocês já á conheceram? – Mike perguntou, eles negaram
-Somente a Alice. Eu mostrei á eles aquela conversa que tivemos sobre
nossas famílias. – respondi.
-Que pena, ela é encantadora. – ele disse, queria ver a cara da Bia se tivesse
ouvido aquilo.
-Trate de convidá-la para seu aniversario, querida? – Esme disse.
-Hum... Meu aniversario? Mas tem muito tempo ainda, pode deixar!
Ficamos ate tarde falando sobre os lindos lugares de Paris, as festas e á
festa na casa do Mike, em que Jacob quase quebrou nosso acordo de tratá-
lo bem, ele não gostou da idéia dele ter me visto com aquele vestido,
depois ficou me acariciando na frente da minha família, não tinha certeza
se aquilo era só saudade ou apenas para intrigar o Mike.
Até chegar a hora de voltar para minha casa.
-Então onde quer ficar, aqui ou em nossa casa? – minha mãe perguntou.
-Qualquer lugar estará ótimo. Obrigada. – ele disse gentil.
-Então fique aqui. – Jake disse ríspido e dei um beliscão nele, que passou o
braço pela minha cintura e me virou, virei à cabeça e disse desculpa ao
Mike, ele deu de ombros rindo.
Quando chegamos em casa, meus pais me deram boa noite e subiram
fazendo uma brisa gostosa passar por mim.
Eu peguei o livro que tinha visto mais cedo, Jake me abraçou e sussurrou
no meu ouvido...
-Eu esperei, desejei, sonhei todos os dias desde que você nasceu para estar
pronta para mim, para que você me quisesse. Morria de medo que você não
me amasse, meu mundo era só você, meu mundo gira ao seu redor, sempre.
A presença de seu amigo me fez lembrar dos Volturi e daquele maldito dia,
em que poderia te perder... – seu hálito quente fazia cócegas em minha
bochecha.
-Nós íamos fugir... – eu me virei para ele e joguei o livro no sofá.
Eu me lembrava perfeitamente daquele pesadelo real, quando eu e minha
mãe estávamos na cabana e eu via seu rosto cheio de medo, agonia, cortava
meu coração, só de pensar em deixá-los, eu senti meu peito pesado e
balancei a cabeça tentando esquecer – aquilo era passado, um bem dolorido
e angustiante, mais que já havia passado.
-Sim, mas de qualquer maneira eu poderia te perder. – seus olhos
começaram encher de água.
-O que foi? – eu acariciei seu rosto.
-Não sei... Amor? – ele sorriu e apertou os olhos, fazendo as possíveis
lagrimas não desceram e eu fiquei com vontade de chorar.
-Está aí uma das coisas que nem o Mike, nem ninguém poderiam fazer
além de você, na verdade duas... – ele esperou - Chorar e me aquecer do
jeito que você me aquece; do jeito que você me completa. – eu encostei
minha testa na dele - Me amar do jeito que você me ama.
- Talvez a emoção se torne tão intensa que transborda do corpo. Sua mente
e seus sentimentos tornam-se poderosos demais. E seu corpo chora... - eu
ri.
-Jacob Black poeta?- ele sorriu
-Não, apenas decorrei. Só você para me deixar romântico e... Quase chorar.
– ele riu.
-Hã? – eu pensei e lembrei que era uma frase do filme Cidades dos Anjos –
Safado! – e deu um tapa de leve em seu peito. Ele me virou e me jogou
para trás.
-Você já vai ver o que é safado! – ele disse travesso, eu fiz uma careta
desconfiada, ele me pegou no colo me levando até meu quarto e abriu a
porta, estava cheio de rosas vermelhas espalhadas pelo quarto e velas, até
mesmo um vinho ao lado da cama.
-Você... – eu entrei mais no quarto me aprofundando no cheiro das rosas,
tinha pétalas na cama, estava meio quente lá, a janela estava aberta, mas
mal entrava brisa, eu me virei para ele e pulei em seu colo. -Nunca
imaginei que meu Jake poderia ser romântico!
-Por você posso ser qualquer coisa. – e nos beijamos, ele andou até a cama,
nossos lábios pareciam tentar acabar com o calor, o fogo que ardia dentro
de nós, mas só aumentava cada vez mais...
Ele rasgou minha blusa, ele já estava seminu, era eu que estava cheia de
roupas, o - empurrei para o lado e tirei minha calça e sapatos.
Fomos para o meio da cama, as rosas gruparam em nossos corpos, era
engraçado e excitante.
O lençol de seda vermelha estava nos esquentando mais ainda, então ele se
levantou e o - tirou.
-Quer? –me ofereceu o vinho – Sei que você não é fã de bebida, mas
podemos tentar. – ele me oferecer uma taça.
-Quer me deixar bêbada? –brinquei – Um brinde? – e ergui a taça
-Há nosso amor... Insaciável! – nos brindamos e rimos.
Eu tomei aquele liquido avermelhado azedinho em um gole.
– Mais? – eu recusei, o gosto não me agradava, ele pegou a garrafa e
tomou.
Eu tirei meu relicário e coloquei ao lado do vinho que ele deixou na metade
e o puxei para a cama novamente, ele pressionou nossos corpos e prendi
minhas pernas em sua cintura.
Ele contornou meu corpo com as mãos, eu fechei os olhos aproveitando,
memorizando cada sensação e momento, mordi seu ombro de leve, fui
subindo no pescoço até a orelha onde passei a ponta da língua, o deixando
arrepiado, depois foi à vez dele, que assoprou meu pescoço refrescando
minha pele, foi descendo pelo meu busto, minha barriga e me arrepiei rindo
aos sussurros. Tirei o short dele, ele me puxou para o lado e desprendeu
meu sutiã, eu peguei alguma coisa para prender meu cabelo que estava
quase todo molhado de suor, mais dele do que meu e me abaixei para beijá-
lo.
A primeira e a segunda foram ótimas, perfeitas, mas a terceira foi...
insaciável, eu e o Jake parecíamos estar mais experientes e sabíamos o que
cada um mais gostava, o jeito, a intensidade, as caricias.
Minha temperatura tinha baixado depois de tudo, mas em nosso ponto alto
eu certamente estava mais quente que ele, era isso que importava, minha
saudade estava morta, pelo menos por enquanto.
Eu olhei para meu quarto bagunçado, nossa noite não pode ser contida
apenas na cama, que estava um pouco fora do lugar, exagerei um pouco em
apertar a cabeceira da cama, tenho que arrumar aquela marca de meus
dedos logo e não havia sobrado mais nada das velas.
Jacob estava apagado embaixo de mim, estava deitada em seu peito, sua
respiração lenta e tranqüila, encostei meus lábios em seu peito, ele se
mexeu e esfregou os olhos incomodado pela luz que vinha da janela, já era
de manhã, deu um bocejo e olhou para baixo, para mim.
-Bom dia! – ele disse e tirei meu braço debaixo do lençol, que tinha
colocado em nós quando ele dormiu e fiquei mexendo em seu cabelo.
-Bom dia. – eu respondi, ele ficou me olhando meio hipnotizado e passou
as pontas dos dedos pelas minhas costas subindo e descendo, fazendo
círculos e linhas sem nexo e fechou os olhos bocejando de novo.
-Desta vez você me canso. – ele admitiu, nós rimos.
-E você disse que eu tinha menos vontade que você.
-Verdade, então vamos disser que estamos empatados. – ele me beijou.
-Certo. - eu revirei os olhos

"Os amantes que recordam o passado, não podem fitar-se


sem rir ou sem chorar."
36. ANTIGA FLORESTA
Levantamos depois de meia hora, fui tomar banho, coloquei um vestido
branco como rosa e penteei o cabelo, depois o Jake entrou no banho me
convidando para entrar com ele, eu neguei com dificuldade.
Arrumei o quarto enquanto ele estava no banheiro; tirei as velas, o vinho e
os lençóis, desentortei a cabeceira da cama, pelo menos a única peça de
roupa que tive que jogar fora foi minha blusa, depois de tudo o quarto
parecia outro.
Ele saiu do banho com uma calça jeans escura, eu o dei uma camisa branca,
ele se virou e foi quando percebi que estava com uns arranhões nas costas.
-Opss... Acho que te machuquei. – e passei a mão pelas marcas
avermelhadas
-O que? – ele virou seu rosto tentando ver, mas não conseguiu, então
desistiu e colocou a camisa. – Eu nem percebi.
-Acho melhor ficar um bom tempo usando camisa. – eu argumentei, ele me
abraçou.
-Ou não... – ele disse travesso
-Qual á graça de ver os outros – Tio Emmet – falando das nossas...
relações? - eu o encarei, eu me lembrei do Mike ou li o pensamente dele –
Ah, não! Muito menos com o Mike aqui. – eu o –censurei, ele deu de
ombros – Lembre-se, a mesma conversa de ontem, seja amigável, meu
amigo seu amigo, como você é com a minha família, indiferente, apesar de
que demorou anos e ocasiões para você se acostumar com eles. – eu disse
pensativa á ultima frase.
-Certo, certo. – ele disse presunçoso – Vamos descer, to morrendo de fome.
– ele deu um beijo no rosto e descemos.
Quando chegamos à cozinha, interrompemos meus pais se beijando, minha
mãe se afastou, meu pai continuando agarrado á ela, rindo.
Nós rimos, eu olhei para o Jake me lembrando que ele era apaixonado pela
Bella, o analisei sorrindo pela felicidade de meus pais, talvez por ser tão
completa como á nossa, ele encontrou meu olhar e beijou a ponta do meu
nariz.
-Então, Bells, o que temos hoje?
Eu bati nele, ele ergueu as mãos se defendendo.
-Enquanto você estava fora, sua mãe cuidou de mim, me desculpe mais a
comida dela é quase tão boa quanto a sua. – ele riu, ela veio me abraçar.
-Querida você terá trabalho em alimentar-lo, um dia tive que fazer comida
umas cinco vezes. – ela riu, Jacob assentiu.
Foi estranho o modo como ela disse, como se ele fosse/iria ser meu marido.
Eu nunca pensei em me casar, era como se eu já fosse casada com ele, não
haveria necessidade para isso, havia?
Jake nunca pensou em casar, isso eu tenho certeza...
-Vamos para casa de meu avô, quero saber como o Mike está! – eu disse.
-E meu café? – Jacob perguntou como uma criança sem presente.
-Você toma lá, enquanto converso com ele. – eu disse e peguei sua mão,
mas antes fui abraçar e dar um beijo no meu pai, que nos observada
centrado.
O Mike estava tendo uma interessante conversa com Emmett e Jasper.
-Olá garotos. – eu disse, o Mike sorriu encantado e fui na direção dele, o
abracei e cumprimentei meus tios.
-Como passou a noite? – ele me perguntou, enquanto eu me sentava ao lado
dele, Jake se sentou em uma poltrona perto da TV.
“Espero que não tenha quebrado nenhuma casa ontem!” – tio Emmett
pensou e conteve um riso, eu o olhei incrédula.
-Que bom que não disse em voz alta, tio. – eles me olharam curiosos,
apenas Emmett que riu baixo e voltei ao Mike.- Bem e você?
-Seus tios me fizeram companhia à noite toda, disseram como é
interessante morar aqui, as caçadas e outras coisas. – todos subitamente
olharam para Jake, que franziu a testa.
Então apareceram minhas lindas tias, Rosálie com seus longos cabelos
dourados de lado usando um jeans preto com uma blusa sofisticada rosa e
Alice com seus cabelos negros com as pontas voltadas para dentro, usava
uma saia ate o joelho de veludo dourada e uma blusa cheia de detalhes
branca com renda transparente, combinado perfeitamente, qualquer um
acharia que elas iriam desfilar para alguma grife.
Elas se sentaram ao lado de seus parceiros.
-Bom dia, tias! – eu disse animada, Alice me abraçou e Rose deu um beijo
na minha bochecha.
Depois chegou meus avôs com meus pais rindo, queria estar á par do
assunto.
-Bem, para onde vamos? – eu perguntei
-Estávamos planejando caçar, já que faz tempo que você não se alimenta. –
meu pai respondeu, olhei para o Mike concordando.
-Veja se gosta! – eu disse á ele e peguei sua mão indo para fora, senti as
mãos quentes do Jake na minha barriga, ele me puxou para o lado e tive
que soltar a mão do Mike.
-Leste ou Norte? – Emmett perguntou.
-E meu café? – Jacob perguntou no meu ouvido.
-Os humanos estão em temporada de caça, vamos para Norte. – Jasper
respondeu.
-Hum... mas eu queria ver o vovô, faz tempo que não o vejo, a ida da Bia
para ver a avó, me fez pensar em Charlie. – minha mãe cortou a respiração.
-Tudo bem, mas vamos caçar ao Norte, depois vamos para Forks se desejar.
– meu pai respondeu passando o braço pela cintura da minha mãe e eles
correram, parecendo flutuar entre as árvores, em menos de 10 segundos já
estavam a 50 metros e eu os perdi de vista.
-Você pode comer na casa de Charlie... ou na sua? – eu perguntei ao Jake,
ele concordou um pouco chateado.
-Vamos Mike? – eu disse animada, ele assentiu.
Jake tirou a camisa, a calça e me entregou, se transformando...
Mike recuou olhando arrisco para o grande lobo ao meu lado, que riu
mentalmente, eu subi nas costas dele.
-Esta é a forma do meu cachorro. – eu disse humorada – Não se preocupe,
ele não morde! – Jake deu um rugido baixo, dei um tapa em sua orelha, ele
riu novamente, Mike tentou relaxar.
-Certo, uma hora terei de me acostumar. – Mike disse e fomos atrás dos
outros.
Eu me deitei de bruços em cima dele, era tão bom sentir seu pêlo macio
marrom-avermelhado, Mike nos acompanhava admirando a floresta.
Senti a presença de meu tio Jasper e Alice á 30 metros a oeste e meus pais á
25 ao norte, nós já estávamos em território de caça.
Eu desci do Jake, que foi se vestir.
-Bem, você quer tentar ou eu e o Jake caçamos e você só experimenta?
-Ah, não se incomode, eu me viro. Vocês sempre dizem que é divertido.
-Sim, é uma maneira de sermos nós mesmos, sem restrições ou disfarces. –
Jake voltou.
-E então?
-Ele vai caçar sozinho. –eu respondi - Ate logo, boa presa! – ele concordou
e disparou para o sul.
-Muita fome? – Jacob me perguntou.
-Mais ou menos, eu tomei uma... bolsa de sangue a alguns dias. – eu disse
apreensiva pela reação dele, ele me olhou confuso.
-Serio? Do Mike? – eu concordei – Gostou?
-Prefiro fresco. – eu torci a boca e me agachei no chão colocando a palma
das mãos na terra, senti passos muitos fracos, provavelmente de alguém da
família, de animais rasteiros e trotes de um animal de 55 quilos,
possivelmente era um cervo á uns 47 metros.
-Achei! – eu disse e corri na direção do animal.
Dei um pequeno salto e o agarrei, mordi seu pescoço com pressa, sedenta
por seu sangue, ele se debatia violentamente eu o segurei com os braços...
Senti que Jacob estava atrás de mim, encostado em uma árvore me
observando, eu limpei aquele liquido vital da minha boca e olhei pra ele,
me analisando pensativo.
-O que foi? – perguntei tentada a continuar me alimentando, ele balançou a
cabeça como se não fosse nada, então eu me virei e voltei a me deliciar.
Realmente não havia comparação entre o sangue “em plástico” e o fresco, o
“vivo” é muito melhor, apesar de que o sangue humano ser inigualável,
mais delicioso e tentador.
Quando me senti saciada, percebi que tinha secado o animal.
-Vamos ver como está seu amigo. – Jacob disse
-Droga! – eu reclamei olhando para meu vestido branco que estava sujo de
terra na barra e gotas de sangue na parte de cima, provavelmente quando o
animal começou a se debater. -Fui descuidada. – Jake balançou a cabeça
rindo e pegou minha mão, fomos atrás do Mike.
O cheiro dele era evidente, o achei sem problemas, ele estava limpando a
boca, tinha pego uma onça, muito difícil de ser encontrada, ainda mais por
estarmos no Norte, em 20 anos só experimente uma vez, mas deve ser
muito familiar com o do leão da montanha que meu pai me oferecia quando
era menor.
-E ai, o que achou? – eu disse me aproximando.
-Bem, eu realmente liberei meus reais instintos, isso é muito bom, sem
precisar matar humanos. – eu concordei contente, Jacob olhava indiferente
á ele, meio desconfiado.
-Então gostou? Vai ser vegetariano como nós? – eu perguntei animada,
com a idéia de converter um vampiro ao nosso modo de vida.
-É interessante e com certeza irei sempre que puder, mas estou tão
acostumado com meu estilo de vida, que irei me alimentar de animais
quando viajar.
-Ok! – eu fiquei feliz e o abracei, Jacob limpou secamente a garganta, nós
olhamos para ele e se afastamos segurando um riso. – Agora vou para
Forks, vem com a gente?
-Não sei, haveria algum problema? – ele perguntou mais diretamente ao
Jake, que olhou para mim.
-Acho que não... – eu pensei, ele assentiu
E fomos para Forks, para minha velha casa, minha antiga floresta cheia de
recordações... Chegamos em mais ou menos 20 minutos.
-Quantos anos você tem Jacob? – ele perguntou no caminho.
-Trinta e sete. – ele respondeu presunçoso.
-Hum... Então realmente transmorfos não envelhecem...
-Creio que não. – ele respondeu pensativo, ficamos calados, senti um peso
no peito na possível morte do Jake, já que não sabíamos se ele viveria para
sempre, eu apertei a mão dele.
Chegamos a casa de meu avô, a antiga casa da minha mãe, ela estava
reformada e meio diferente, eu e o Jake entramos, o Mike ficou lá fora.
Charlie sabia que Jacob era um lobo e que não envelhecia, então não tinha
problema ele sempre ir comigo visitá-lo.
O cheiro da casa era bom, de flores, couro e de meu avô.
-Vô? –perguntei, ele estava na sala vendo TV.
Ele me olhou assustado, sorriu se levantando e me abraçou, o bigode dele
fez cócegas no meu pescoço.
-Como você está linda, Renesmee, uma mulher feita. – ele disse meio sem
fôlego e olhou com ternura para Jake. – Faz tempo que não vem me visitar
Jake, seu pai sempre pergunta por você. – Jacob sorriu.
-Eu falei com ele semana passada... – ele resmungou, eu peguei a mão do
dele, Charlie olhou desconfiado.
-Estão namorando? – seu olhar incrédulo era engraçado a expressão dele,
nós concordamos. Ele balançou a cabeça. – A vida da voltas, um dia está
apaixonado pela minha filha, no outro pela minha neta! – ele riu de leve,
Jake ficou meio sem graça, eu não liguei, era verdade, mas o que importa é
o agora.
-Novidades? – perguntei, ele nos convidou para sentar.
-Bem, o Nick assumiu o cargo de xerife faz uns anos e Quil finalmente
pediu Claire em casamento...
-Ah, sim fiquei sabendo pelo Seth. – Jake disse, eu olhei surpresa aos dois
-Que incrível, tenho certeza que serão muitos felizes. – Quil também era
um lobisomem e teve “impressão” pela Claire, quando ela tinha dois anos,
pensei por um instante se minha historia também terminaria assim.
- E onde esta Sue? – Jake perguntou, meu avô me pareceu envergonhado.
-Na casa de Billy, logo ela estará aqui com ele. Seth e Leah também...
- Que ótimo estou louca para ver o Seth. Já faz o que? Quase dois anos...
– Leah está se dando muito bem como beta, quando estou fora. – Jake disse
- Que ótimo! Hã... Vó tenho um amigo lá fora, gostaria de apresentá-lo. –
me lembrei pro Mike.

“Você não acha que ele atacaria seu avô?” – Jake pensou, eu neguei.

-Oh, que ótimo, mande-o entrar! Teria arrumado a casa, se soubesse que
teria visitas. – ele tossiu, eu me aproximei dele colocando minha mão em
suas costas, sentindo sua respiração falha, seu coração cansado, Charlie
estava com 62 anos, mas apesar de sua única atividade era pescar e ficar
conversando com seus velhos amigos ele estava bem de saúde.
-Tudo bem? – eu perguntei preocupada, ele assentiu.
-Desculpe, ando meio resfriado.
-Vou chamá-lo. – me afastei e fui para fora.

“É preciso mergulhar em um mundo desconhecido, para


conhecer seu próprio mundo.”
37. PENSAMENTO POSITIVO
Mike estava analisando as flores ao lado de uma árvore.
-E ai? – ele me perguntou
-Tudo bem, ele mandou você entrar. – eu me aproximei.
-Hum... Se for incômodo eu volto, sei o caminho, sei que vocês vão
conversar sobre... – ele balançou a cabeça. – Está tudo bem, Nessie, eu vou
voltar, ai nós conversamos, queria saber... - o telefone dele tocou – Um
minuto. – e o atendeu.
-Joss? – o Joseph?
“Mike a Mery recebeu informações dos Volturi, já sabem onde eles estão!”
– eu fiquei atenta a conversa, curiosa e preocupada.
-Como? Aonde?
“Estão no Brasil, em São Paulo!” – eu coloquei a mão no peito, achando
que ele iria parar a qualquer instante - “A Meredith voltou á Itália para
fazer planos, achei que gostaria de saber!” Joseph disse
- Claro, muito obrigada amigo. Qualquer coisa me avise.
“Certo! Ate logo.” – e ele desligou
Eu olhei para o Mike assustada, ele me analisou pensativo.
-Bia... – eu disse tão baixo quanto minha respiração, logo peguei meu
celular e disquei o numero dela.
Chamava, chamava e nada. Tentei de novo, deu como desligado. Eu tentei
me acalmar, ela tinha mania de não atender... mas... apenas quando algo
acontecia. Aí, não estou me ajudando!
- Será que está tudo bem? – perguntei.
- Se acalme. Eles estão no mesmo Estado que ela, mas existe mais de três
milhões de pessoas em São Paulo seria muita coincidência eles a
encontrarem. – eu engoli em seco.
-Coincidência... Destino... tudo isso parece ser grudado em mim, como um
carma! – eu resmunguei e o abracei preocupada.
- Por que a demora? – Jacob apareceu na porta - O que foi? – ele disse
serio, eu me afastei.
- Sabemos o paradeiro dos infratores! – percebi que Charlie se aproximava
lentamente. - Vamos voltar, em casa conversamos.
-O que, voltar? Não, querida, porque a pressa? Acabaram de chegar. – meu
avô disse chateado.
Eu me aproximei dele e peguei suas mãos.
-Desculpa, é uma emergência familiar.
-Bella está bem? – ele arregalou os olhos.
-Sim, talvez uma amiga minha esteja com problemas. Prometo que voltarei
o mais breve. Mande um beijo para o Billy, a Sue, para Leah e Seth. – e o
abracei.
-Ok. – ele pegou meu rosto e beijou minha testa. – Cuide dela, Jacob! –
Jacob concordou serio, depois ele acenou para o Mike, que assentiu, e
fomos correndo floresta adentro.
-Onde estão? – Jacob perguntou
-São Paulo. – Mike respondeu, eu fitava as árvores que passavam,
pensativa e rezando para que nada de ruim acontecesse.
Mandei uma mensagem a Alice para voltarmos, não sabia se ela tinha visto
a ligação do Mike, mas não quis ariscar.
Quando chegamos, eles estavam na frente de casa, me olhando
preocupados.
- Eles estão em São Paulo. – eu disse meio sem fôlego. Como Alice, o resto
olhou surpreso. – A Bia está lá, eu... eu...
- Você já tentou ligar pra ela? – minha mãe perguntou e se pôs ao meu lado
me abraçando.
-Ela ligou mais estava desligado. – Mike respondeu.
- E você tem o da casa dela? – Carlisle perguntou, pensei rápido, eu tinha,
mas na minha agenda que estava na mala que havia deixado em São Paulo,
mas alguém do grupo da França o - teria.
-Pera, vou ligar para alguém que tenha! – e disquei o número da Gabi, que
por sorte tinha, eu não anotei, não haveria tempo, nem necessidade, eu já
tinha o - memorizado, desliguei e disquei.
Depois da quarta chamada, alguém atendeu.
-Alô? – uma voz feminina atendeu.
- Eu gostaria de falar com a Bianca...
- Ela não está. Quem gostaria?
-Renesmee... Ela está aonde?
- Na casa de uma amiga dela, hum... Na verdade ela já deveria ter voltado,
ela dormiu na casa dela sábado e voltaria hoje. Você tem o numero do
celular dela?
-Tenho, mas está desligado. – todos me analisavam apreensivos e prestando
atenção na conversa.
-Estranho... Vou ligar para a casa da amiga dela. Quer deixar recado?
-Ah... Não... Há senhora poderia me disser que amiga, talvez eu conheça.
-A Letícia, é amiga da escola, você também é?
-Sim, estudamos juntas e moramos também.
-Hum... Ela já falou de você, desculpe minha memória é fraca. – ela riu.
-Você é a mãe dela?
-Sim...
-Ah, ok... Eu tenho o telefone da Letícia, vou ligar para lá também.
Obrigada.
-Disponha. – e desliguei o celular, mais calma.
-Então ela está na casa de uma amiga... – Alice revisou, eu concordei.
-Vou ligar pra ela. – e procurei na agenda do celular, achei e liguei.
No primeiro toque alguém atendeu meio eufórico.
-Alô? – novamente uma voz feminina
-A Letícia está? – eu perguntei meio sem jeito, eu não falava muito com
ela.
-Quem é? – a voz se acalmou.
-Renesmee, uma amiga dela e da Bianca que dormiu aí... – a voz se calou,
apenas ouvi uns suspiros e sua respiração acelerada.
- Sim...
-Elas estão?
-Não, elas... Não sabemos onde estão. Saíram ontem á tarde e ainda não
voltaram para casa. Você sabe onde elas poderiam estar?
-O que? – eu gelei – Não. Não sei. - eu balancei a cabeça e olhei para
Alice, na esperança que ela pudesse ver alguma coisa, que franziu o cenho,
intrigada.
-Eu já liguei para á policia... Minha filha nunca sai sem dar noticias, eu já
ia ligar para mãe da Bianca, estamos todos preocupados ainda mais com
um assassino pelas redondezas. Eu... – a voz dela ficou trêmula.
-Assassino? – eu sussurrei.
-Sim... Já faz umas semanas, á policia está louca a procura dele.
-Certo. Obrigada. – e desliguei apresada. – Alice!
-Não posso ver, não sei por que eu estou á vendo com dificuldade...
-Ela não está... – minha voz falhou.
-Não! Ela não esta morta. – meu pai interrompeu – Alice só esta vendo
tudo turvo e bagunçado. Não se preocupe... Tanto.
Eu disquei o número da Bia mais uma vez inutilmente. Comecei a ficar
nervosa.
-Vamos entrar. – Carlisle nos chamou.
Alice ligou o computador para ver se achava alguma informação... Ela
vasculhou as páginas virtuais de jornais e revistas, achou uma reportagem e
leu...
- Grande e assustador animal ataca próximo de Guarulhos... matando três
pessoas. Não há testemunhas... Grandes patas e as pessoas foram mortas á
mordidas... - Alice disse.
- Não é um vampiro... – eu pensei.
-Não, está mais para um lobo. – Mike respondeu olhando para o Jake.
-Não atacamos humanos, apenas alguns vampiros. – ele disse.
- Agora estou confusa, alguma coisa tem haver com a outra? – eu esperei,
eles não souberam responder - Mais alguma coisa? – e voltei a olhar para o
computador.
-Sim... – Alice respondeu e eu li junto com ela – Na capital de São Paulo
foram achados dois corpos dilacerados em um matagal, não há suspeitos...
Ás vitimas eram – eu gelei – um casal.
-Dilacerados? – Bella repetiu.
-Pode ser eles... – Esme falou pela primeira vez.
-O que posso fazer? – eu olhei para Jake assustada.
-Você quer voltar... – ele murmurou.
-Não tenho escolha, preciso saber se ela está bem... E qualquer coisa eu
trago ela para cá. – eu me sentiria culpada se algo acontecesse á ela.
-Então vamos com você! – minha mãe disse.
-Não. – eu discordei. - Não há necessidade, eu só verei se ela está bem,
procurarei melhor que qualquer policial ou investigador, além do mais
vocês só poderiam sair á noite... Eu serei breve! – peguei a mão de meus
pais, todos concordaram.
-Eu irei com você! – Mike disse, eu imaginei que a companhia dele seria de
grande ajuda. – Eu não te contei, mais trabalhei como investigador com a
Meredith á procura dos vampiros, posso te ajudar.
-Então também irei. – Jacob disse indignado.
-Não precisa Jake, serei rápida.
-Eu também irei te ajudar! – ele insistiu, eu suspirei.
-Por favor, fique! – eu não poderia por ninguém em perigo, eu o olhei
preocupada, ele franziu o cenho e não respondeu, mas parecia ter
concordado. - Vou pegar minhas coisas.
-Ok, vou agendar um vôo. – Rosálie pegou o telefone.
Eu voltei para minha casa, com meus pais e o Jake, que ficou calado a
viagem toda.
Peguei uma bolsa pequena e coloquei o básico enquanto Jacob me
analisava sentado em minha cama batendo a perna inquieto.
Quando terminei me sentei ao lado dele, ele olhou para suas mãos.
-Querida, o vôo será daqui a 2 horas. – minha mãe disse do andar de baixo.
-Ok! – eu disse á ela. - Jake... – murmurei. - Você está bravo?
- Não.
-Então olhe pra mim. – ele franziu a testa, mas me olhou, eu toquei seu
rosto.
E mostrei quando falava que só ele fazia as coisas como eu gosto, que era o
único homem da minha vida. Eu sabia que a birra dele não era por eu estar
indo atrás da Bia, mas por ir sozinha com o Mike.
Ele relaxou e fez cara de dó.
-Quanto tempo?
- Ate eu achá-la...
-E se não achar? – eu o olhei surpresa, a única possibilidade que não queria
pensar, ele me jogou na cara. Ele percebeu minha expressão. –Desculpe...
Eu só... Você sabe... – e me abraçou colocando minha cabeça em seu peito-
Eu... – ele suspirou – é que quando você está longe a hora para, fico
pensando só no momento em que vou te ver e te ter novamente em meus
braços para poder te amar novamente com toda intensidade e te provar que
você é a única pessoa que importa pra mim... – eu podia entendê-lo, eu
também sentia aquilo, mas era sempre eu o problema, eu sempre o estava
deixando... Nós deitamos na cama.
-Será que nunca poderei descansar?
-Você não quis essa vida? Cheia de aventuras e reviravoltas
surpreendentes? – ele beijou o topo da minha cabeça, nós estávamos de
mãos dadas, ele acariciava meu cabelo.
- Sim e por muito tempo me diverti, mas é que... Ah. Só quero que nada
que estou pensando seja verdade... – antes que ele me perguntasse o que, eu
mostrei a Bia sem vida, tão pálida como minha família e tremi com o
pensamento, ele me abraçou mais forte.
-Pensamento positivo. – ele me disse e eu sorri lembrando da ultima vez
que falei isso pra ela.
Ficamos deitamos por uma hora, eu dei uma cochilada rápida, precisava
desestressar. E fomos para casa de Carlisle.
-Eu os levo! – meu pai disse e pegou seu carro.
Eu me despedi da minha família apreensiva, Jacob foi junto no carro, fui
abraçada com ele, o Mike na frente.
Ao chegar no aeroporto, senti um frio no estômago, eu não quero deixar
minha casa pela milésima vez...
Fechei os olhos culpada e enfiei o rosto no peito do Jake, arfando.
Olhei pra ele com meus olhos ardendo.
-Estraguei tudo de novo. – ri sem humor, ele colocou uma mão do meu
rosto.
- Ficaremos bem, vá atrás dela. Nem mesmo mil milhas poderá nos separar,
porque meu coração estará em qualquer lugar que você estiver... – ele
sorriu me encorajando - Seja você mesma, não se culpe por se preocupar
com os outros. – eu fechei os olhos descansando em sua mão, o abracei e
apertei meus lábios nos deles.
Me afastei e enxuguei a única lagrima que escapou. Corri para abraçar meu
pai, ele me apertou.
-Sempre ligue! – ele disse
-Uhum... – concordei.
Jake me deu a mala e segui com o Mike para o embarque. Ao entrar no
avião o Mike me abraçou e apoiei minha cabeça em seu ombro...
A viagem seria silenciosa se não fosse pela frenética e escandalosa batida
do meu coração.

“Difícil não é lutar por aquilo que se quer e sim desistir


daquilo que se mais ama.”
38. DESAPARECIDA
O céu estava nublado, Mike estava despreocupado, mesmo assim usava um
chapéu e um sobretudo, para qualquer raio de sol que aparecesse.
-Onde ficaremos? – ele perguntou.
- Eu vou á republica, mas você pode ficar no meu apartamento... Vamos
pra lá primeiro. – eu disse chamando um taxi, ele concordou.
Peguei as chaves do apartamento que estava com o porteiro e deixei minha
mala lá, ele se acomodou no sofá.
-Você quer que eu vá junto?
-Não, eu só vou ver se as meninas sabem de alguma coisa, é bem próximo
daqui... – e sai ansiosa.
No caminho enquanto escurecia, liguei mais uma vez inutilmente para o
celular da Bia. Ao chegar no apartamento a Sophia estava no telefone e a
Lucia ao seu lado, tentando ouvir quem estava na linha, elas me olharam
surpresas, desligaram o telefone e vieram na minha direção.
-Você chegou? – Sophia estava confusa, sem palavras.
-Você já soube? – Lucia perguntou, eu engoli seco.
-Sobre... – eu esperei que ela respondesse.
-Que a Bia desapareceu? – eu concordei pesarosa.
- É tão estranho... Falei com ela ontem, ela estava tão bem... Ansiosa para a
cirurgia da avó... – Sophia sentou no ombro do sofá.
- E o que aconteceu com a avó dela? – eu não sabia da historia toda.
- Ela me deu poucos detalhes, mas disse que ela sofreu um ataque, um
atentado... ou coisa assim...
-Assalto? – Lucia perguntou á amiga, que deu de ombros.
-Pode ser.
-Eu vou ao meu quarto, vim só ver como vocês estão... E os garotos? – eu
disse na frente do corredor.
- Muito preocupados com as meninas, mas bem... – Lucia respondeu, me
virei e fui pra o quarto.
O cheiro da Bia estava lá, empreguinado em sua cama e coisas, eu apertei
os olhos ansiosa, ela não pode se machucar, não podem estar machucadas,
que estejam apenas perdidas...
Eu desejava, enquanto pegada umas roupas e coisas pessoais, para ficar no
outro apartamento.
Me sentei na cama e olhei para uma foto nossa em um retrato na
escrivaninha, eu a peguei e analisei, sorrindo, o - guardei na bolsa.
E fui á sala.
-Eu vou ficar no apartamento da minha tia, qualquer coisa me avisem! –
elas concordaram confusas e eu saí.
Ao voltar andando, me lembrei do carro da Alice, do meu carro e voltei
para pega-lo.
Voltei de carro, foi tão bom dirigi-lo de novo, era um pequeno analgésico
para minha frustração ate chegar no apartamento.
O Mike estava no computador, procurando informações.
-Vamos, temos que procurá-la. - e eu já ia sair, ele pegou meu braço.
-Está tarde, vamos deixar para amanhã. – ele disse calmamente.
-Nã- eu ia retrucar, mas ele estava certo, eu precisava falar com a mãe dela,
voltar à capital, há essa hora não iria ajudar, eu fechei os olhos nervosa. -
Ok... Vou ver se tem alguma coisa na TV. – e me sentei no sofá,
vasculhando os canais de jornal. E uma reportagem me chamou a atenção.
-Possível urso, atacou mais uma pessoa na capital de São Paulo. O controle
de animais já está à procura dele, testemunhas o descreveram... – o
jornalista disse, o Mike apareceu ao meu lado em meios segundo. Uma
mulher de mais ou menos 30 anos, dava seu depoimento. – Era enorme,
estava muito escuro e ele estava no meio da mata, mas deu um rugido, um
uivo que me fez arrepiar toda- ela passou a mão pelo braço – Você
precisava ver... – ela disse assustada.
-Então a senhora acredita ser o que? – o repórter perguntou.
- Talvez... Um urso ou... cachorro. – ela balançou a cabeça. - Ele era peludo
e grande. – ela repetiu
-O que... Talvez um lobisomem? – o repórter caçou, a mulher riu e deu de
ombros.
-Foi o que vi!
Eu olhei intrigada pra o Mike.
-O que você acha? – perguntei.
-Acha mesmo que seja um... Lobo? – ele se sentou.
- Essa possibilidade não deve ser descartada, mas... Porque um lobo
atacaria um humano? Sei que Sam já atacou a Emily, mas foi à única e sem
querer, não me lembro de mais ninguém, eles existem para proteger os
humanos... Raiva?
-Talvez esteja procurando algo ou alguém... – ele argumentou, eu balancei
a cabeça descrente.
E voltei á me concentrar na TV, a reportagem mudou e eu troquei de canal.
Não achei mais nada, só falavam sobre política, jogos, assaltos, acidentes,
transito nada que me interessasse.
Eu estava entediada, o Mike continuava no computador, fui ver o que ele
fazia. Ele estava nos arquivos da policia, eu me assustei.
-Como você fez isso? Como você pode acessar isso?
-Tenho meus truques. – ele sorriu malicioso, eu ri.
-E achou alguma coisa?
-Não... – ele disse chateado.
Eu pensei no que eu poderia fazer nesse tempo, pensei em dormir, mas com
certeza não conseguiria, talvez sair para esfriar a cabeça e saber o que fazer
amanhã...
-Vamos sair?
-Hã? – ele olhou para o computador – Por mim tudo bem... - e se levantou.
Ficamos andando, revendo os planos...
-Então primeiro para a casa da Bia, depois para casa da Letícia, depois ver
aonde as informações nos leva. – eu disse, ele assentiu.
-Primeiro colhemos informações, depois vamos á procura delas. –
concordei.
Ficamos um bom tempo á toa na rua.
-Hã... Talvez não seja uma boa hora, mas... Eu queria te perguntar uma
coisa, se não for incomodo.
-Ah, eu me esqueci que você tinha perguntas, eu ia conversar com você,
mas as coisas aconteceram e nem deu tempo... Bem, me diga.
-Sua mãe me disse que ela e o Jacob já se conheciam. – eu concordei – E
você... Não acha estranho? – eu ri de leve.
- Eles eram mais que bons amigos, digo, o Jake queria ser mais que
amigo... – eu suspirei – Eu sei do básico, apenas pelo que me contaram e
alguns pensamentos, mas... De que ele era apaixonado por ela e disputou
seu amor com meu pai até seu ultimo suspiro como humana.
-Ate ela se transformar... – ouve uma pausa – ate você nascer...
- É, ele ao me ver teve uma coisa, uma atração muito intensa por mim
chamada de imprint .– ele me olhou confuso.
-O que? Ele se apaixonou por você quando de viu pela primeira vez...
Quando você nasceu?!
-É mais ou menos isso... Não seria bem se apaixonar é mais... hum...
Pertencer àquela pessoa, meio que feitos um para o outro. – nós voltávamos
para casa.
-Então você nem ao menos teve escolha? Como se fosse obrigada a amá-lo.
– eu neguei.
-Ele nunca me exigiu isso... Explicitamente. – eu ri sussurrando – Ele foi, é,
meu melhor amigo, foi como um irmão mais velho ate eu crescer e
começar á vê-lo como homem, amá-lo como mulher, foi involuntário.
Amor não é o queremos sentir, mas o que sentimos sem querer. - ele ficou
pensando enquanto entravamos.
-Acho que entendi... Ele teve imprint por você, mas antes chegou a disputar
o amor da sua mãe... – eu concordei – E... Você não liga, em saber que ele
já pode ter amada sua mãe tanto quanto te ama? – eu fui pra varanda, ele
me acompanhou...
Respirei calmamente pensando em sua pergunta, sentindo o mormaço da
noite.
-Se eu me importo, se me incomodo... Um pouco, foi estranho e meio
revoltante no começo, quando soube, mas Esme, Alice, principalmente
minha mãe, disse que tudo era passado e ele sempre me diz que eu sou o
presente... e futuro dele. - ele ficou em silêncio, quase achei que ele não
estava respirando de tão baixo, olhando para a cidade, já passava das duas
da manhã e eu bocejei.
-Você deve estar cansada, vá se deitar. – e colocou a mão no meu ombro.
-Não, estou bem... – e bocejei de novo, ele sorriu mostrando seus dentes e
deu para ver seus caninos salientes, ele olhou para mim e a luz da lua fez
seus olhos brilharem estranhamente, ele era lindo.
-Seu corpo diz outra coisa. – e me empurrou delicadamente para dentro -
Eu fico aqui na sala, pode ir. – eu não insisti e fui para o quarto.
Me deitei na cama e fiquei olhando para o teto, me virei umas três vezes
tentando achar a melhor posição, coloquei meus fones, mas nada de
dormir... Como poderia dormir? Como posso ficar tranqüila, sabendo que a
Bia está desaparecida... Me levantei frustrada e fui para sala.
-Posso ficar com você? – perguntei
-Claro. – me encostei nele e fechei os olhos, ele acariciava meu cabelo e
acabei dormindo.
Acordei incomoda com uma luz brilhante e olhei para baixo, era o braço do
Mike no sol.
-Desculpe! –ele se levantou e se afastou do raio de sol que estava no sofá.
-Não se incomode. Já dormi demais. – me espreguicei – Hoje á
encontraremos! – ele concordou animado.
Tomei banho e saímos.
-Você ainda não viu meu carro, né? – eu perguntei quando estávamos na
garagem. – É esse aqui!- e mostrei meu civic si vermelho sangue.
-Que lindo... Hum, vou sentir falta do meu carro. – ele fez uma careta. -
Acho que vou comprar um, para ficar aqui.
-Serio? Ah, acho que não terá necessidade, se o problema for dirigir, nós
revezamos, certo que ele é um pouco feminino, mas... – eu ri de leve.
- Ok... E... Você acha seguro eu sair? Está com poucas nuvens...
-Eu não sei, devemos arriscar, além do mais você está de sobretudo e
chapéu, você fica no carro ate entramos... Vai parecer um gótico ou louco
nesse calor com tanta roupa, – eu ri – mas melhor que nos expor. – ele
concordou rindo e colocou o chapéu, enquanto entravamos no carro.
-Você tem o endereço?
-Tenho, estava na minha agenda... É na capital.
Demoramos uns 30 minutos ate a casa dela, era grande e com um grande
portão branco, eu sai do carro e chamei pelo interfone.
-Oi, é a amiga da Bia, que ligou ontem... – eu a avisei
-Renesmi? – ela pronunciou meu nome errado
-Sim, eu queria ter mais informações.
-Oh, claro... – e ela abriu o portão, aproveitamos uma nuvem cobrindo o sol
para o Mike sair do carro.
Eu nem me incomodei com a questão do idioma, era bem provável que o
Mike falasse português.
Ela me esperava na porta, tinha cabelos negros lisos e olhos verdes,
continha muitos traços da Bia, ela me cumprimentou com um beijo.
-Prazer, meu nome é Mirian, vamos entrar. – e ela ia me conduzindo para
dentro.
-Errr... Esse é um amigo meu Michael Henry, é investigador. – ele assentiu,
ela olhou surpresa á ele, talvez pela palidez e o sobretudo negro.
A sala era linda, tinha grandes quadros antigos, um tapete que cobria quase
todo o chão, velas e candelabros decorando, um incenso aceso de jasmim e
um espelho logo acima da estante, numa mistura de marrom, bege e
vermelho, o lar de uma jovem bruxa. Nos sentamos...
-Então o que querem saber?
-Qual a ultima vez que a senhora falou com ela? – o Mike perguntou cheio
de postura profissional, com um português fluente.
-Á uma da tarde de sábado, ela ligou da casa da Letícia, dizendo que estava
tudo bem e voltaria ontem de manhã e qualquer coisa ligasse para ela. Ela
queria saber cada detalhe do estado de sua avó...
-Certo, a senhora tem o endereço? – eu perguntei.
-Sim. – ela se levantou e pegou uma agendinha na estante e nos passou. – É
uns 20 minutos daqui. – eu assenti. – Eles chamaram a policia, as buscas se
iniciaram ontem á tarde, nós vamos espalhar cartazes das garotas. – ela
tentava não aparentar, mas estava assustada, pelo batimento desregular de
seu coração, nervosa.
-Ok, eu vou para casa dela, agora. – nos levantamos.
-Se não for incômodo, avise a mãe dela, Glaucia que irei logo para lá, só
vou deixar o almoço para meu marido, ele chegara logo. Obrigada por tudo.
– ela nos acompanhou ate a porta.
-Eu que agradeço, nós vamos encontrá-la, não se preocupe. – eu disse
abraçada á ela e concordou com lagrimas nos olhos.
-Minha filha tem sorte em uma amiga como você.
- Eu que tenho sorte em tê-la conhecido. - e voltamos para o carro.
- Ela não sabe de nada... Espero que a mãe da Letícia tenha alguma
informação mais útil. – ele disse e eu segui o endereço rezando para que lá
encontraremos algo que nos leve as garotas.

“Tudo no fim dá certo; se não der certo,


é porque não chegou ao fim.”
39. PRIMEIRA PISTA
A casa tinha um portão simples de alumínio pintado de marrom, quando me
aproximei um cachorro saiu latindo nervoso, eu apertei a campainha e uma
mulher apareceu, era baixinha, rechonchuda com cabelos curtos castanhos,
e não era nem um pouco parecida com a Letícia, que era loira de olhos
azuis.
-Sim? – ela perguntou.
-Eu sou amiga das meninas. Renesmee, falei com a mãe da Leh ontem... –
eu avisei.
-Ah, sim... – ela se aproximou e abriu o portão. – Entre, você falou comigo,
sou a Glaucia. - eu assenti e chamei o Mike.
-Prazer, investigador Michael Pierpont – ele se apresentou.
- Este é um amigo meu, ele veio ajudar...
-Oh, ok! Toda ajuda é bem vinda! – e entramos.
Na sala tinha um homem de uns 40 anos, provavelmente o pai dela, pois
tinha o cabelo loiro escuro e olhos claros e lembrava a Leh, dois meninos
um de 11 com cabelos loiros cacheado e o outro de uns 14 com lindos
olhos azuis, meio loirinho, eles deveriam ser irmãos dela.
Eu me sentei no sofá, meio sem jeito, o cheiro dos garotos era tentador, não
fazia nem 30 horas que tinha me alimentado, mas o sangue de crianças era
o mais tentador, eu olhei para o Mike, ele me entendeu.
- Garotos subam, eu vou conversar com uma amiga da irmã de vocês! –
dona Glaucia disse e eles saíram da sala, eu relaxei um pouco.
-Então... – o pai dela perguntou.
-Gostaria de saber a ultima vez que a viram ou que falaram com ela - com
elas? – eu perguntei.
-Sábado á tarde, elas iam ao shopping e voltariam umas sete, eu tentei ligar
para o celular da Letícia, mas só chamava... – o marido passou o braço por
cima de seus ombros a - consolando.
-Shopping? Que shopping? – eu perguntei curiosa.
-É um daqui perto, eu disse que as levaria, mas ela insistiu em ir andando...
– ela balançou a cabeça - Iam passar na casa de um amigo depois ou coisa
parecida...
-Hum... Certo... E que amigo é esse? – o Mike perguntou.
-Acho que se chama Gustavo, é um amigo da Letícia do clube que
freqüenta... – ela respondeu.
-Sabe se elas chegaram a ir a casa dele? – Mike perguntou
-Não... Eu não tenho o telefone ou endereço dele... – ela começou a chorar.
– Eu sou uma péssima mãe, se tivesse prestado mais atenção, talvez... – ela
limpou o rosto. – Desculpe, é só que... Não consigo acreditar... - Eu olhei
tristemente á ela, sentindo sua dor.
-Nós vamos encontrá-la. – eu disse tentando me convencer, ela me analisou
tentando ver confiança em minhas palavras.
-Eu espero... – ela disse.
-Mais alguma coisa que queriam comentar? – o Mike perguntou aos dois,
eles se olharam, tentando lembrar.
- Não... – o pai dela respondeu, eu suspirei.
-Obrigada por tudo. – eu disse indo á porta.
-Já vão? Fiquem, não tem problema... – ela insistiu.
-Não obrigada, temos trabalho a fazer. – o Mike disse e se despediu do pai
dela e da mãe com um aperto de mãos. Glaucia veio me abraçar...
-Cuidado, Renesmee. - eu concordei.
-Ate logo. – eu disse e acenei para o pai dela.
Voltamos pro carro.
-E ai, o que acha? –perguntei.
- Acho provável que elas sumiram depois do shopping e você?
-Também... Vamos para lá, ver o caminho, tentar achar um rastro... – ele
concordou.
Tinha placas anunciando o caminho do shopping na rua, foi fácil achá-lo.
Era meio dia e o sol às vezes aparecia, teríamos problema com o Mike.
Esperamos uma meia hora no carro, ate uma gigantesca quantidade de
nuvens, tamparem o sol.
Seguimos um caminho, tentando sentir algum cheiro “familiar”, mas muita
gente haveria passado por lá, era impossível distinguir, apenas se fosse de
vampiro e esse não tinha por ali.
Continuamos procurando... Já estávamos umas duas horas na rua,
perguntamos em bares, lojas e ninguém havia visto elas...
Ate nos seguirmos um caminho meio escondido, muito próximo de matas
altas, na parte de trás do shopping, que tinha mais de cinco saídas, vimos
cada uma, faltava duas...
E eu senti um cheiro fraco, mas que fez meu nariz se incomodar, me
lembrou livro nunca usado ou velho de mais, de madeira molhada,
vagamente lembrei-me de Jake e chamei o Mike, para conferir.
-Nossa, o que é isso? – ele disse enrugando o nariz.
- O que você acha? Parece um pouco com o do Jacob, mas não é igual... –
eu pensava e me aproximei da grama de onde vinha o cheiro.
- Lobisomem... – ele sussurrou, eu olhei incrédula para ele.
-O QUE? Lobisomem? Um transmorfo?- ele balançou a cabeça.
-Esqueça é impossível... Você sente o cheiro de uma das meninas?
-Não, mas...
-Então vamos continuar... – e ele vasculhou o local próximo dali.
Nós vimos a outra saída, mas nenhum sinal de vampiros e voltamos para o
carro ansiosos.
-O que fazemos? – eu perguntei e coloquei a testa no volante.
-Temos que ver perto da casa desse Gustavo... Não tem como você
conseguir o endereço? – eu olhei surpresa para ele, talvez alguém tivesse,
peguei meu celular e disquei para umas amigas da Bia.
E de repente pensei no Léo... Será que ele estava sabendo que a Bia
desapareceu? E disquei o numero dele.
-Alô? – ele atendeu.
-Léo... Tudo bem?
-Reh? Não acredito!! Quanto tempo. – ele parecia emocionado.
-É né... mas tenho que te perguntar... Fico sabendo da Bia? – eu engoli em
seco.
-Sim... – ele murmúrio. – Espero que as encontrem logo... Se algo
acontecer á ela, eu... – ele hesitou
- Mas queria saber de uma coisa, você conhece o Gustavo? Um amigo da
Letícia, ela é da sua sala, não é?
-Sou... É o Gustavo Moreira?
-Não sei, só sei que é amigo dela de um clube que ela vai. – o Mike ouvia
atendo a conversa.
-Ah, é ele sim, eu só mó amigo dele, por quê?
-Serio? – finalmente estávamos tendo sorte – Você sabe onde ele mora ou o
telefone dele?
-Tenho... Por quê?
-É que as garotas antes de sumir, iam pra casa dele, me passa o endereço e
o celular dele. - ele me passou, eu anotei na mão. – Léo muito obrigado,
você me animou. – eu disse ansiosa.
- Por nada... Foi bom falar com você, espero que encontrem á Bia. - a voz
dele baixou.
-Nós vamos... – eu disse confiante.
-Ate. – e desligamos o telefone.
-É perto daqui? – ele me perguntou, olhando para o endereço na minha
mão.
-Não sei, acho que sim. – e peguei um livro-mapa no carro, vi como
poderia chegar até lá. – Vamos. – e segui o caminho do mapa.
O portão era prata com um belo jardim na frente, eu chamei pelo interfone.
- O Gustavo está?
-Não, ele saiu faz pouco tempo, quem é? – perguntou uma voz feminina
-Renesmee, sou amiga da Letícia e da Bianca.
-As garotas que desapareceram... O Gustavo foi para casa da mãe da
Letícia.
-Ah, entendo. Mas então as meninas não vieram para cá depois do
shopping, sábado?
-Não, vieram não. Você quer entrar, falar com os pais dele?- foi quando
percebi que ela deveria ser a empregada.
-Não obrigada. Depois eu falo com ele... Hã... Você sabe se ele falou com
alguma delas?
-Não sei...
-Hum... Tudo bem. Obrigada. – e voltei para o carro. – O que faremos? –
perguntei ao Mike.
-Ligue pra ele.
-Tá. – e eu disquei os números que estavam na minha mão.
-Alô? – ele atendeu – Quem é?
-Gustavo?
-Sim...
-Oi, eu sou uma amiga das meninas e queria saber se você falou com elas
no sábado... – eu fui direta.
-Falei sim, a Leh me disse que estava saindo do shopping, indo pra minha
casa...
-Ah, então ate a saída do shopping eles estavam bem.
-Uhum... – ele concordou.
-Mais alguma coisa? É que eu to aqui com um amigo investigador.
-Hum... Que me lembre não, eu falei com ela era umas cinco e meia e
depois ninguém mais teve noticias. – ele disse decepcionado.
-Ok, obrigada. – e desligamos – Estávamos certo, até elas irem embora
estavam bem.
-Vamos vasculhar as redondezas é provável que encontrarmos algo. – eu
concordei e saímos do carro, era quatro e meia e o céu começava a mudar.
Perguntamos nos bares, em uma escola, lanchonetes, mas novamente
ninguém sabia de nada.
-Vamos nos separar... Qualquer coisa me ligue! – e ele disparou na direção
oposta.
Eu procurei rastros nas ruas, jardins e em um parque, ouvi um grito, em
uma pequena rua sem saída, já estava escuro e havia pouca gente nas ruas,
eu corri para lá.
Tinha uma mulher sendo assaltada, o bandido tinha mais ou menos 35
anos, usava um gorro, barba mal feita e roupas desgastadas e apontava uma
arma para a cabeça dela, sua bolsa estava com ele.
-Pare! – eu berrei, ele se assustou e em um movimento passou seu braço
pelo pescoço dela, apontando a arma para sua cabeça, ele deveria ter
achado que eu fosse uma policial, mas depois deu um sorriso debochante.
-O que a princesinha vai fazer? Quer se juntar a festa... – sua voz era
irritante, eu podia sentir sua maldade, era estranho.
-Solte-a ou vai se arrepender. – eu disse calma, ele riu.
-Claro... Por acaso você é policial? – eu não respondi e dei um passo, ele se
irritou. – Me responda, se não meto bala em você! – ele gritou
- Vá embora! – eu disse firme e dei mais um passo, ele ficou nervoso e
disparou, as coisa acontecerem em segundos, eu vi a bala vindo e enquanto
saia de sua trajetória antes que me tingisse, um vulto apareceu na minha
frente e fez-se um estrondo, a bala tinha o atingido, como se o projétil
tivesse atingido uma porta de aço, eu corri para a direção do bandido e tirei
a arma da mão dele, entortando o cano. Ele me olhou apavorado, soltando a
mulher e a bolsa, ela correu chorando para parede e agarrou a bolsa na
frente do peito, ele não conseguia falar muito menos se mover, ele tremia,
eu olhei para trás e vi o Mike, vendo o furo da bala em sua camisa, me virei
e torci o braço dele para trás e o joguei contra o muro do final da rua, ele
bateu na grade e caiu no chão meio inconsciente. Fui ate o Mike.
- Eu gostava dessa camisa. – ele reclamou, ouvi o choramingo da mulher,
assustada e me aproximei.
-Vá embora... – eu disse persuasiva e sorri, ela assentiu e saiu correndo
olhando para trás. Ela não conseguiu ver muita coisa, para tomar alguma
decisão sobre o que tinha acontecido...
Eu voltei ao Mike e coloquei as mãos na cintura.
– Porque fez isso? – ele levantou uma sobrancelha.
-Para te proteger! – ele disse como se fosse óbvio.
-Tá isso eu entendi, mas eu não me machucaria se uma bala me atingisse,
eu posso me desviar dela, como fiz pouco antes de você ficar no caminho.
– o bandido estava muito longe para ouvir a nossa conversa.
-Como eu poderia saber? Você dorme! – eu semicerrei os olhos vendo se
ele falava serio, sua expressão brincalhona me dizia que sim.
-Certo... – eu revirei os olhos – Obrigada por se preocupar, mas... – eu fiz
um careta e coloquei o dedo no furo do sobretudo e da blusa. – Não precisa
tanto. – e ri de leve. – Achou alguma coisa? –me lembrei da nossa busca.
-Sim. Um rastro daqui a duas quadras, mas primeiro vamos cuidar daquele
ali! – ele fez um movimento com a cabeça para trás de mim. – Está afim de
um lanchinho? – ele sorriu mostrando seus dentes perfeitos, que brilharam
mesmo na fraca luz da rua.
-Não... – eu debochei – Acho que podemos deixá-lo em qualquer lugar, ele
terá uma grande dor de cabeça quando acordar vai achar que foi um sonho.
- Ou pesadelo... – ele murmurou entre risos – Apesar de que ninguém se
atreveria a chamar de pesadelo alguma coisa que envolva você. – ele disse
galante.
-Certo, Romeu... Me ajude. – e fui até o fim do beco, contendo um riso.
Mike o - colocou no ombro e o corpo dele bateu com violência em suas
costas o fazendo perder totalmente a consciência.
O deixamos no parque e o Mike me levou aonde sentiu os rastros, ao
chegar perto eu também senti cheiro de vampiro e era forte, recente, talvez
de meia ou uma hora atrás, fomos adiante e senti um cheiro pouco familiar,
era o da Letícia muito fraco, eu arregalei os olhos surpresa...
Nossa primeira pista nos levou a uma garagem abandonada, eu achei
suspeito para quem não deixava quase nenhum rastro, como disse a
Meredith, estar tão evidentes agora...
E entramos.

"Em caso de pânico interior, feche os olhos, respire fundo e


pense em alguma coisa bem diferente daquilo que está vivendo.
Pena que não consigo..."
40. VINGANÇA
Estava escuro, apenas sendo iluminado pela luz de fora e procurei o
interruptor, achei e se acenderam umas três luzes muito fraca e uma delas
falhava.
Senti um cheiro estranho misturado ao da Letícia, ela estava por perto seu
cheiro aumentava conforme o seguia, mas era estranho e assustador, pois
não havia ninguém respirando além de mim e do Mike, e apenas o meu
coração batia naquele lugar...
O cheiro do vampiro estava fraco, ele não estava por lá, não mais.
Vi uma mecha loira atrás de um carro abandonado e corri para ver se era
ela, o Mike me seguiu, ao vê-la fiquei paralisada, aturdida, ela não
respirava, seu coração não batia, ela estava sem vida... Morta.
O Mike me virou e me abraçou contra seu peito, mas nos seis segundos que
á observei, vi sua pele branca, acinzentada, seus lábios roxos e grandes
manchas roxas pelo seu corpo, uma mordida em seu pescoço e uma no
braço... Eu não conseguia entender, não queria acreditar... Ela morreu?
Não pode, não pode... Eu tinha a - achado, mas apenas seu corpo, sua
carcaça? Mas e a mãe dela, seus irmãos, seus amigos...
-Eles a mataram! – eu murmurei contra o peito dele, ele respirou duas
vezes.
-Mas isso significa que a Bia deve estar viva ainda, acabaram de se
alimentar, não á mataram tão cedo.
-Por quê? Porque elas, porque a seqüestraram? – o Mike tirou seus braços
ao meu redor e foi até o corpo, eu continue virada com a cabeça baixa,
tentando entender, fazer meu cérebro assimilar o que estava acontecendo,
ouvi um barulho de pano, ele devia tê-la coberto, eu me virei, ele estava
com ela nos braços.
-Vamos... Depois voltando e procuramos a Bia, não devem estar muito
longe. – e saímos da garagem, eu chamei a emergência e a policia, eles
chegaram em 20 minutos e explicamos o que aconteceu.
Fiquei abraçada ao Mike, molhando sua camisa de tanto chorar enquanto
eles levavam o corpo.
Respirei fundo e voltamos ao carro, sem me importar que o policial tivesse
me mandado ficar ali, eu não tinha tempo para lamentar, tinha que voltar e
seguir os rastros para salvar a Bia, ela era á prioridade agora.
O Mike foi dirigindo e deixou o carro próximo a garagem abandonada,
descemos e seguimos novamente aquele cheiro, conforme íamos seguindo
ia aumentando, tinha caminhos opostos e confusos, foi complicado e difícil,
mas o Mike já conhecia aqueles truques e tudo nos levou ate um pequeno
barracão, mais parecendo uma casa, a porta estava meio aberta e ouviu
murmúrios, eles saíram correndo quando eu o Mike entramos, só
conseguimos ver duas pessoas - vampiros- um homem e uma mulher
correrem para fora, pela porta dos fundos quando ia correr atrás deles, vi
pela minha visão periférica um corpo no chão, encostado á parede e o
cheiro de margarinas e petúnias, eu corri ate ela e cai de joelhos.
-Bianca. – eu arfei, ela quase não respirava, seu coração era quase
inaudível. – O que fizeram com você? – eu perguntei á mim mesma e
analisei seu corpo.
Ela tinha três dedos quebrados, o pé direito, pelo seu tórax deformado
algumas costelas quebradas, manchas e hematomas pelo corpo, seu pescoço
com marcas de mãos e pelo sangue que vinha da sua cabeça, uma lesão.
-Bia... – eu disse chorando, ela tentou se mover – Não! Mike! – eu o
chamei, ele entendeu logo que viu a cena e a tocou, paralisando, qualquer
movimento que ela pudesse fazer podia piorar seu estado. - Ela vai morrer,
a transforme! – eu gritei sem fôlego, ele ficou parado, sem expressão. –
Mike!
-Não posso... Ela não deseja isso. – ele disse baixo, ela fechou os olhos.
-E por isso vai deixá-la morrer? Ela não sabe... Ela tem que viver... Por
favor, Mike! Não há deixe morrer, ela não merece... É tudo minha culpa! –
eu chorei ainda mais e peguei na mão dela, gelada.
-Vamos chamar a ambulância, ela tem chance. –ele ligou para o hospital,
eu acariciei seu rosto e me concentrei usando minha habilidade.
Vi uma mulher alta de mais ou menos 23 anos, a pele meio morena,
cabelos negros no quadril, olhos meio puxados e vermelho vivo, usava um
delicado vestido preto e a analisava curiosa. “Ela não sabe de nada.” – ela
disse e senti uma dor aguda no meu dedo indicador, ele havia quebrado, ela
olhou para o lado e vi um vampiro, pálido com os mesmo olhos
demoníacos que a mulher, ele tinha curtos cabelos loiros e mais ou menos
28 anos. “Não é divertido, Lilian?“ - ele se divertia com o sofrimento da
Bia, a mulher continuou olhando curiosa para ela.
E me vi no presente, o Mike me analisava.
-Ela ficara bem, acredite! – ele me consolou, eu continuei acariciando o
rosto da minha melhor amiga, seu coração vacilou e eu me assustei, me
sentei no chão e comecei a chorar de raiva, eles iriam pagar por tudo que
fizeram á ela, á elas, eu os caçaria pelo mundo todo.
O Mike se levantou e vasculhou a sala.
-Nessie! – ele me chamou.
-O que? – eu não largaria a mão dela, ele veio ate mim
-Veja isso. – e me entregou um pedaço de papel.

Diga que o trabalho está feito


As regras sempre serão aplicadas
Não importa em quem ou aonde.

Não tinha assinatura e escrito em italiano, eu amassei o papel e sentia que


poderia queimá-lo com a raiva que me corroia, eu apertei os olhos e as
lagrimas queimavam meu rosto.
Volturi... sempre aptos á me proporcional dor, a mim e aqueles que amo,
este é o momento em que serei egoísta e tirarei satisfação, fugi por 20 anos,
hora de enfrentá-los, eles não tinham o direto de matá-la, ela não era uma
humana qualquer, se soubessem... Como souberam dela?
Por que não me puniram primeiro...?
E me lembrei das palavras da Meredith a esperada de Aro...
A ambulância chegou e o Mike a levou com sutileza a maca, eles
rapidamente a trataram com soro e máscara de oxigênio, eu dei todos os
dados que sabia sobre ela.
Eles seguiram para o hospital e eu o Mike voltamos para o carro, dei meu
celular á ele para ligar para família dela e ate mesmo para minha família, eu
não conseguiria falar com eles, ainda mais com o que estaria prestes a
fazer: Ir a Volterra.
Eu teria que procurar na mente do Mike o caminho, sabia que existia um
túnel subterrâneo que levava ao local onde eles ficavam, mas não faço idéia
de como chegar ate lá, peguei a mão dele e me concentrei, vi cenas dele no
apartamento, com a Meredith... Até ver a Jane -onde eu queria chegar- era
como se estivesse controlando um filme, indo para frente e para trás por
capitulo, achei os caminhos de um túnel, em um beco, tinha outras
entradas, uma delas era principal em uma mansão antiga...
E voltei à realidade.
Meu poder estava mais forte... Talvez como o amor, o ódio também seria
um aliado poderoso.
-Tudo bem? – ele perguntou quando o - soltei, eu concordei e ele ligou para
Mirian e depois para Edward.
“Ela está aí?”– meu pai perguntou, ele me olhou apreensivo e moveu os
lábios dizendo “Você quer falar com ele?” – eu pensei e peguei o celular.
-Oi. – eu sussurrei
-Como você está? – a preocupação evidente em sua voz, eu respirei duas
vezes pensando em meu estado.
-Só quero que ela fique bem... Se não... – eu trinquei os dentes.
-Por favor, querida, não vá atrás deles, deixe que os Volturi cuidem disso.
-O que? Eles já cuidaram, pai, eles que quiseram acabar com a vida dela.
Eles! Por... – eu comecei a soluçar – por eu ser amiga dela, por ela saber do
nosso segredo, eu... eu... – não consegui continuar – Se cuidem, eu amo
vocês! – e passei o celular ao Mike.
“Cuide dela!” - meu pai disse, eu coloquei os pés no banco e abracei
minhas pernas, colocando minha cabeça nos joelhos e fechei os olhos.
-Claro... – respondeu e desligou. – Vamos para o hospital?
-Sim. – murmurei e ele nos levou ate lá.
Sai do carro presunçosamente, ele passou o braço pela minha cintura como
se eu precisasse de apoio e entramos, a moça nos deu o número da ala dela,
mas ela estava em cirurgia, eu vi a mãe dela aos prantos no corredor, não
tive coragem de ir ate lá, coragem de olhar nos olhos dela sendo eu a
causadora de sua dor, da dor da Bia, fiquei com raiva de mim mesma, mais
ainda daqueles que a machucaram e iriam pagar por isso.
Ela sairia da cirurgia de madrugada e só poderia receber visitas depois das
3 da tarde, eu não teria utilidade lá e quis voltar para o apartamento.
Me sentia exausta, deprimida, vazia...
-Vou tomar um banho. – e fui para o banheiro.
Liguei o chuveiro e fechei porta, deixei à fumaça tomar todo o banheiro,
quando o espelho estava embaçado, tirei minha roupa e vi que o amuleto
estava vermelho, eu me assustei e o - coloquei na pia, ele ficou verde, tirei
meu relicário e o - abri, vendo a pequena foto, minha e de meus pais,
quando me sentia desolado e triste, longe daqueles que amo, eu gostava de
ficar admirando a foto.
Fui para o chuveiro e a água se misturou as minhas lágrimas, essa seria a
última vez que lamentaria, não até vingar a morte da Letícia e da Bia estar
à beira da morte. Para aqueles que não têm piedade não devemos ter
remorso ou ser piedoso, minha família poderia não me perdoar de eu ir ate
os Volturi, mas eu preciso ir, preciso tirar satisfação com aqueles que
acham que sabem de tudo...
Por que eles não vieram perguntar á mim?
Aposto que a próxima serei eu, ou... minha família. Não! Isso acaba agora.
Me encolhi no chão, deixando a água escorrer pelas minhas costas, eu
observava a água ir embora enquanto chorava, eu não poderia ser fraca, eu
não irei mais chorar, isso não adianta nada, eu serei forte, serei forte pela
Bia, por aqueles que amo, aqueles que me apóiam, que conheci...
Como queria a Bia aqui, como queria que nada tivesse acontecido...
Se eu não tivesse vindo para cá, ela estaria bem, ao lado de sua família, do
Léo, seguindo sua vida sem problemas, imaginei ela na mesa de cirurgia
naquele momento, inconsciente e sem dor, agora ela não estava sofrendo,
mas quando acordasse, eu não poderia olhar em seus olhos e ver seu rosto,
se ela não me perdoasse seria totalmente justo...
Eu me levantei e enxuguei minhas últimas lágrimas.
Eu vou vingá-la, vingar a Letícia... Sei que a vingança não é o melhor dos
atos, mas não me importo se morrer ao tentar matar aqueles vampiros,
talvez só assim me sinta menos culpada...
É como os Volturi, estarei fazendo justiça.

“Decisões apressadas, são aquelas que vêm fáceis, rápidas,


sem hesitações, mas que podem nos perseguir para sempre.”
41. GRANDE ERRO
Sai do banho e liguei para agendar um vôo, o próximo para a Itália seria às
7 da manhã, eu agendei.
Pelo cabelo molhado do Mike, ele também devia ter tomado banho, me
sentei no sofá e liguei a TV.
-Você vai voltar para casa? – ele me perguntou
-Não... - sussurrei – Não até ela estar bem.
Ele sentou-se ao meu lado, eu passei os canais da TV sem interesse e deixei
no jornal.
-As garotas foram encontradas depois de dois dias, Letícia Carvalho de 17
anos foi achada morta e Bianca Cavalcanti também de 17 está em estado
grave. Logo teremos mais notícias ao vivo do hospital sobre o estado da
garota. Não há suspeitos, os peritos já estão no local. Amanhã será o
enterro da garota- eu desliguei e me encolhi, abraçando minhas pernas,
parecia que estado oca, sentia um vazio estranho, virei o rosto para o lado
oposto do Mike.
-O que pretende fazer? – perguntou
-Esperar... Agora é só esperar. –agradeci por ele não ler mentes.
-Vai dormir?
-Eu queria mais acho que não conseguiria. – eu precisava estar 100% para a
viagem, eu não pretendo lutar, matar algum dos Volturi, sei que seria
suicídio, mas quero saber os motivos deles, tirar satisfação por uma ação
imprudente e estúpida que eles tiveram.
-Tente. – e ele me acomodou no sofá, fechei os olhos com dificuldade, mas
eu me sentia tão exausta sentimentalmente e espiritualmente que acabei
dormindo.
Quando acordei o Mike não estava na sala, me espreguicei e fui abrir as
cortinas da varanda, respirei fundo aspirando o ar puro de fora.
Foi quando me lembrei do vôo, olhei com medo para o relógio, eram seis
horas, eu tinha que ir, eu não sabia se pelo Mike não estar em casa era bom
ou ruim, mas deixei um recado.
Fui dar uma volta.
Até logo.
Peguei minha bolsa e sai correndo, entrei no carro, cheguei ao aeroporto
rápido. Já perdi a conta de quantas vezes eu entrei em um avião este ano.
A viagem demorou duas horas, mas me pareceu tempo demais, talvez pelo
fato de que eu só ficava pensando se eu realmente queria fazer aquilo, me
por em perigo desse jeito, pensei como o Jake ficaria se eu morresse, na
minha família... E por um momento quis desistir, mas pensei na Bia, na
Letícia, naqueles que sofreram sem motivo algum, apenas por serem
humanos e servirem de alimento para aqueles que o coração não bate,
minha raiva voltou a queimar meu peito...
Ao chegar lá, peguei um taxi para Volterra, observei os prédios passando,
uma mistura de parques e praças, subidas e descidas, eu não consegui
decorar o caminho estava meio aérea e nervosa...
Ao entrar na cidade senti um arrepio e a duvida ou ate mesmo certeza que
estava fazendo algo errado não deixavam minha cabeça.
-Aqui! – eu anunciei ao motorista, eu não sabia onde estava, mas sabia que
estava perto.
Ele parou e dei o dinheiro, desci do carro e corri para umas das vielas, era
impossível mesmo com a minha presa não notar na arquitetura e nas ruas
estreitas, desci e subi umas três vezes, quase tudo era feito de pedras algo
nada moderno, porém clássico, ainda bem que tinha pouco movimento nas
ruas, a maioria me olhava surpresa, se perguntando por que eu estaria
correndo. Encontrei facilmente a grande torre do relógio e sabia que a
entrada era por ali. Descrevi a entrada para algumas pessoas e elas me
indicaram a direção, era preciso apenas virar a rua, era a parte oposta da
praça principal. Entrei em um luxuoso saguão, passando por uma porta de
madeira escura, um casal saia enquanto eu entrava, imaginei o que mais
teria naquele prédio além de um monte de vampiros perigosos.
Eu segui correndo para o elevador, a tempo de pega-lo á minha espera
antes que uma moça perguntasse onde eu estava indo, á vi levantar do
balcão antes das portas se fecharem. Eu não sabia se batia o pé
inquietamente, mordia o lábio ou estralava os dedos, aquela musica calma
parecia querer me irritar e finalmente o elevador parou no segundo andar,
eu sai correndo e no meio da sala havia um balcão alto de mogno polido e
uma mulher atrás dele. Ela me observou surpresa, me aproximei
cautelosamente apesar de ser humana. Eu sabia da passagem secreta, vi
rapidamente na mente do Mike, mas conforme ia observando o lugar, tudo
ficava cada vez mais claro, era como se lembrasse melhor de algum sonho.
Passei pelo balcão parando na frente de uma porta.
- O que deseja? – ela perguntou educadamente, a mulher era morena, seu
cabelo era um pouco maior que da Alice e seus olhos negros destacavam
sua pele branca.
- Hã... Eu gostaria de... – e me concentrei
“Ela não... não tem como, será que ela esta usando lente? Mas... ela...
Ninguém me disse que teriam visitas...” – ela pensou e percebi que ela
sabia sobre nós.
-Eu vim ver os Volturi. – disse firme, mas baixo, ela arregalou os olhos e se
recompôs.
-Certo, e você é...
-Renesmee Cullen. – eu enfatizei meu sobrenome.
-Certo, Renesmee. Vou avisá-los da sua presença. – e ela se levantou
passando a minha frente abrindo a porta.
-Espere. Deixe que eu vou! – e eu atravessei as portas duplas de madeira,
que dava para um lindo corredor dourado, todo de ouro.
Do outro lado estavam de guarda dois vampiros, Dalila – que era o nome
da recepcionista - me olhou assustada depois para eles.
Eu os –reconheci; o menor era Alec e acho que o outro era Felix, pelo
tamanho grande e olhos frios.
-Desculpe, ela não esperou... Ela quer ver o mestre, seu nome é Renesmee.
– eu esperei ela me anunciar impacientemente, nem quis pensar no fato que
ela seria apenas mais uma que morreria por eles, ela queria ser um deles,
era possível ver em seus olhos o fascínio e adoração.
Eles se olharam e me analisaram meio perplexos.
-Cullen? – Alec sussurrou, Dalila assentiu.
Eles continuaram a me analisar.
-Então... – eu disse ansiosa. – Vamos? - Felix assentiu fazendo Dalila sair.
- O que deseja? – Alec perguntou
- Falar com Aro. – respondi firme
Eles me conduziram a passagem, entrei meio apreensiva, as paredes eram
rodeadas de pedras, estava frio e meio escuro, logo se abriu em uma grande
sala iluminada, cavernosa, perfeitamente redonda, nós estávamos na torre
do castelo, sendo iluminada pela fraca luz do sol que entrava por grandes
janelas alguns andares a cima, tinha três cadeiras enormes de madeira
polida e bordas de ouro, me lembrando de reis ou algo assim, nele estavam
Aro, Caius e Marcus...
Tentei manter minha expressão o mais seria possível. Ao meu lado vi
Demetri, o vampiro rastreador, ele levemente arregalou os olhos e deu um
sorriso simpático, eu me sentiria á vontade com ele, se não fossem por seus
olhos aterrorizantes.
Os três vampiros me conduziram ate o centro da sala, que tinha uma leve
depressão como um buraco, eu fiquei bem do meio dele, eles ficaram atrás
de mim, me senti completamente vigiada, tinha mais seis vampiros na sala,
conversando aos sussurros, concentrados em mim, a curiosidade e medo
nos olhos de todos. A minha frente observei as três cadeiras, nelas vi
Marcus e Caius sentados surpresos e curiosos e Aro agora de pé a alguns
metros de mim sorrindo alegremente. Jane estava no seu lado direito pronta
para me atacar, aos poucos fui identificando alguns vampiros pela minha
visão periférica, eu já havia os visto há 20 anos atrás, dei uns passos a
frente cautelosamente, atenta a qualquer movimento deles e eles nos meus.
Aro quebrou o silêncio.
- A única pessoa que conheço com esses requisitos e tão linda quanto seus
pais... Renesmee. – ele disse meu nome com doçura. - Sua família está
aqui? – eu balancei a cabeça, ele puxou o canto da boca decepcionado, sua
pele era tão pálida e fina, quase translúcida, eu me lembrava perfeitamente
quando o toquei e a senti. – Oh, mas diga querida Renesmee, qual a honra
da sua presença? – sua voz era aveludada e animada, eu gelei a ouvi-lo
daquele jeito, me lembrando novamente de nosso rápido, mas eterno
encontro.
- Eu... – mas fui interrompida, a porta de madeira se abriu atrás de mim
bruscamente, fazendo um estrondo. Me virei e vi o Mike assustado, que
correu na minha direção e colocou a mão em meu ombro.
-Não faça isso, está errada! Não é – eu o interrompi
-O que você esta dizendo? Foram eles, Mike, você viu o bilhete! – eu
elevei algumas oitavas minha voz, Demetri foi ate á porta e cochichou algo
para Dalila, que iria entrar minutos depois do Mike, fechando a porta.
-Ora, ora... Que dia. Michael Henry a que devo sua visita? E... Me parece
que conhece Renesmee.- Aro perguntou visivelmente curioso, olhei para os
rostos mortos na sala, Jane me analisava desconfiada, podia sentir sua
irritação.
-Olá Aro, desculpe entrar desse jeito, mas... Os vampiros nos enganaram,
Nessie iria cometer um erro terrível. Não vamos incomodar mais... – e ele
me virou para a porta, eu pisquei e Felix estava a nossa frente, ele era tão
grande quanto Emmet, talvez maior, mas nada haver com o rosto doce e
brincalhão de meu tio, Mike suspirou e nos virou.
-Apenas estou curioso, meu caro... Conte-nos o que aconteceu?
-Eles estão em São Paulo e... Deixaram um recado dizendo que vocês eram
os culpados de todos os crimes cometidos por lá, quando atacaram uma
amiga da Nessie, mas era apenas uma distração ou uma maneira pratica de
acabar conosco. – ele explicava mais para mim do que para Aro.
Caius se levantou.
-E o que ela iria fazer aqui? – sua voz era firme e medíocre.
- Vocês não podiam fazer aquilo, é errado, não... poderiam matá-la. – tentei
deixar minha voz o mais uniforme possível.
Eu falava enquanto tentada assimilar de que eles não eram os culpados,
pelo menos desta vez. O Mike não mentiria, não estava mentindo, tudo
fazia mais sentido agora, eu estava tão cega pela raiva que não vi o obvio.
- Você estava pensando em nos atacar, não estava? – ele se inclinou para
frente, Jane também, Aro colocou a mão na frente dele.
-Calma, irmão... Deixa-a falar.
-Eu não vim aqui para brigar, só queria uma explicação, não poderia deixar
por assim mesmo, não tinham esse direito!- Aro levantou as sobrancelhas
surpreso
-Você me lembra muito seu pai, essa audácia... – Aro disse e riu
suavemente. Caius deu um rosnado baixo.
-Há! Para a filha especial dos Cullen, acreditava que seria mais esperta, a
menos que... Tenha outro motivo. – Caius continuou, ele parecia querer
arrancar a verdade, ele não estava convencido.
Aro se aproximou e ofereceu sua mão á mim sorrindo, eu me aproximei,
Mike conteve um passo, mais eu concordei olhando para ele e toquei a mão
de Aro.
Eu vi o que ele via, minha vida passava diante de meus olhos, imaginei se
seria isso que aconteceria quando eu morresse... Minha infância, o Jake, a
ida para São Paulo, a ilha Esme, mas eu sentia que poderia controlar, então
pensei em algumas lembranças, a Bia inconsciente, a Letícia morta, o
bilhete, as pistas, o cheiro daquele animal, a Meredith, quando estava na
França...
De repente tudo mudou e eu estava vendo algo que nunca tinha visto antes,
estava em uma espécie de gruta de pedra, no subterrâneo, mas estava claro
por luzes de velas ou tochas, tinha uma linda mulher com cachos castanhos
chocolate ate o quadril, sua pele me lembrava de papiro de tão fina e
perfeita, algo nela me lembrava Aro, alguma semelhança familiar, ela
estava abraçada com Marcus, que estava tão diferente, iluminado, mais
cheio de vida... Eu estava vestindo uma roupa antiga, com muitos babados
e uma túnica, eles me olharam assustados e a mulher se aproximou, pisquei
e estava em outro lugar, àquela linda mulher estava morta no chão, o
pescoço quebrado, me aproximei e a carreguei no colo para algum lugar.
Me vi na realidade e olhei surpresa a Aro, que sorria alegremente, ele não
entendeu minha expressão, não viu o que eu tinha visto? Me recompus,
voltando a ficar seria.
- Entendo, foi uma grande perda... Você realmente gosta dela, mais é
típico, querida, se acostume, humanos são frágeis, instáveis e indefesos. –
ele suspirou – E como está sua família? Nunca mais tive noticia desde o...
mal entendido? – eu sutilmente me afastei.
-Estão bem... Obrigada. – eu disse no mesmo tom indiferente.
O silêncio durou poucos segundos, a batida do meu coração parecia ecoar
pela grande torre e eu finalmente senti que estava em perigo, que tinha
cometido um grande erro.
Aro sorriu e foi se sentar no meio dos irmãos na cadeira central.
-Mestre... – Jane chamou com sua voz fina e infantil. – Eu gostaria de
tentar. – ela pediu docemente, ele levantou as sobrancelhas visivelmente
interessado.
-Oh! – e assentiu – Seria realmente uma surpresa se ela tivesse as mesmas
habilidades da mãe.
Ela me fitou, seus olhos pareciam penetrar nos meus, Mike se pôs entre
mim e ela, mas era tarde, era como se mil agudas atravessassem meu corpo,
e iam se movendo, olhei para mim tentando encontrar essas agulhas, mas
não havia nada, a dor era aguda e forte, eu podia perfeitamente senti-las
penetrar meus órgãos, meus olhos, minhas costelas, era agonizante e
desejei morrer naquele instante, só queria parar de sofrer, ouvi uns risos
enquanto me encolhia no chão e arfava de dor...
Até que ela cessou, fiquei apoiava em minhas mãos e joelhos, olhei para
cima e vi meu pai, ao lado de minha mãe na minha frente, ela me ajudou a
se levantar, eu a abracei.
-Desculpa... – murmurei
- Não se preocupe, vamos embora. – e nos viramos para as cadeiras
centrais.
Meu pai olhou para o Mike e assentiu. Jane rosnou e Felix se pôs ao lado
dela, junto com Alec, Demetri e mais dois vampiros, se colocando entre
nós e seus mestres como uma linha de frente.
-Não viemos brigar! – Edward disse a Aro ignorando a pequena e poderosa
barreira entre eles – Viemos apenas buscar minha filha. – me recompus
Olhei para Jane, que sorriu maleficamente para mim, percebi que meus
músculos estavam rígidos e eu expus meus dentes a ela, era algo mais que
eu, era um instinto que vinha de dentro, algo novo, diferente quando caçava
na floresta, eu desejei fazê-la sofrer, morrer... E como um impulso foi como
se eu a alcançasse sem me mover e toquei com minha mente e a mostrei
sendo retalhada por mim e queimada por minha família, não sabia se ela
estava sentindo algo, mas certamente ela nunca se esqueceria daquela cena,
eu sorri ao ver seu olhar assustado e surpreso, ela tinha provado do próprio
veneno.

“Não importa o quanto você tente, não importa


se são boas suas intenções, você cometerá erros.
Você irá machucar pessoas e se machucar.”
42. A MELHOR DESCULPA
Olhei ao meu redor e vi Carlisle, Alice, Jasper, Mike, Bella e Edward...

“Em casa conversamos” – parecei que meu pai estava ou iria me dar uma
bronca.

Como eles ficaram sabendo? Será que Alice teve uma visão da minha
burrice ou o Mike os chamou?
-O que foi, pequena Jane? – Aro perguntou como um avô a neta, ela se
aproximou em meio segundo e o tocou.
Ele soltou um riso melódico, ela olhou furiosa á mim, como se seu olhar
pudesse me queimar e rosnou novamente para minha mãe que a olhava
seria.
- Que incrível! – ele bateu uma palma na outra – Suas habilidades
evoluíram. – eu assenti, pensei em dizer sobre minhas outras habilidades,
mas sua expressão de fascínio já era o bastante.
Meu pai rosnou baixinho.

“Até onde ela poderia chegar, se ela estiver ao meu lado, nada poderia nos
deter.” – eu estava na mente do meu pai e aquilo era como um eco, quem
falava era Aro.

Eu fechei as mãos em punhos, nervosa.


- E como estão os lobos, ainda existe aquela aliança? – Caius interrompeu
-Sim, muitos não são mais, mas outros ainda são nossos amigos. – e por um
segundo os olhos deles passaram por mim, Aro riu, meu pai assentiu.
-Quase tão surpreendente, quando la tua cantante! – e ele olhou para minha
mãe ao lado do meu pai, ele sorriu e apertou o braço em sua cintura, eu não
entendi o que diziam e olhei um pouco confusa para minha tia.

“Significa que sua mãe era a humana que tinha o sangue muito atrativo
para Edward, foi em um encontro muito antes de você nascer.” – ela me
respondeu e voltei a olhar para Aro atravessando a barreira a nossa frente.

Meus olhos caíram em Marcus, apoiado em sua mão totalmente


desinteressado para nós, de vez em quando movia seus olhos como se
estivesse confuso. Revi aquela imagem dele feliz, cheio de vida, era tão
diferente, eu nunca poderia imaginá-lo assim, ele encontrou meu olhar, seu
rosto era como uma máscara, congelado, depois voltou a olhar para meu
pai, que olhou para mim intrigado.
-Carlisle, querido amigo, há quanto tempo não te vejo. – Aro sorriu para
meu avô que sorriu com a mesma gratidão.
-Desculpe não tê-lo visitá-lo ou mandado noticias, mas as coisas andam
agitadas. – Aro riu aos sussurros e concordou.
-Sim, aqui também... Os transgressores estão dando um pouco de dor de
cabeça, são muito ágeis, certo Jane?
-Nós já estamos mandando a guarda investigar. – ela olhou para Mike ao
lado do meu pai – Você era muito bom, Michael, se você voltasse para
nós... Com certeza não teríamos preocupação. – me pareceu um pedido, era
estranho o modo como ela se dirigiu a ele, como se fossem ou tivessem
sido amigos, mas pensar na Jane como amiga de alguém, é impossível.
Ele á analisou serio.
- O quanto vocês sabem sobre eles? – Mike perguntou a barreira.
Demetri olhou para seu mestre.
-Não se preocupe, eles já estão tão comprometidos com eles quanto nós.
Toda ajuda é bem vinda. – e a barreira á frente foi sendo desfeita, se
posicionando ao nosso redor, apenas Demetri na nossa frente.
- Parece que estão à procura de um objeto... Um colar. Não fazemos idéia
do por que, foi o que Salhum, um vampiro do Egito, nos disse. – Demetri
respondeu.
Eu coloquei a mão do peito por impulso e senti o amuleto da Bia, será?
Não... Porque estariam atrás do amuleto dela? Não faz sentido...
Apesar de que ela não sabia o que ele fazia, alem de canalizar as energias.
Minha vó disse pra tomar muito cuidado com ele - me lembrei dela falando.
Meu pai me olhou confuso.

“O que esse amuleto faz?” – ele perguntou

“Eu não sei, ela não soube me disser!” – respondi

-Então vocês não sabem que objeto poderia ser? – meu pai perguntou ao
rastreador.
- Salhum disse que seja provável que seja um antigo amuleto. – ele disse
meio descrente, eu engoli em seco e fiquei sem ação, mexendo meus olhos
rapidamente, pensando.
-Ora, ora quantas surpresas e informações novas. – Aro respirou fundo
tristemente - Mas antes de irem, gostaria de parabenizá-la Renesmee, você
está lindíssima e poderosa. – eu sorri simpaticamente e agradeci, mais pelo
fato de podermos ir embora do que pelo elogio.
Caius tocou o irmão apressadamente e Aro deu uma risadinha, Edward
fechou a mão em punhos.
-Lembrem-se a oportunidade ainda está de pé, para todos vocês. – eu logo
entendi que ele estava se referindo a nos juntarmos a eles e percebi que
estávamos todos nós, todos com habilidades especiais e Carlisle o antigo
amigo deles, eu semicerrei os olhos e antes que pudesse disser algo, meu
pai interrompeu.
-Obrigada, mas novamente não. – Aro riu
-Certo, certo... Ainda acredito que um dia mudaram de idéia. – e seus olhos
passaram por cada um de nós – Algo mais que queriam dizer? – e olhou
para mim, seus olhos leitosos vermelho sangue pareciam me deixar sem
voz, então balancei a cabeça negando.
-Podemos ir? – perguntou Alice abraçada a Jasper e eu me tranqüilizei
ouvindo a voz de minha Tia, Aro assentiu.
-Demetri os acompanhará. Espero vê-los novamente. – e me fitou.
“Ter mais novidades” – sua voz mental me parecia mais fria.

Me virei olhando mais uma vez para aquele clã sombrio.


Fiquei abraçada a minha mãe, enquanto passávamos pela anti-câmara de
pedra e o corredor dourado.
Dalila nos esperava atrás do balcão.
-Podemos? – Bella perguntou á Demetri.
-Sim, vocês estão com sorte, está muito nublado e poucas pessoas na rua. –
ele sorriu aparentando estar contente por nós.
-Certo, obrigado. – Carlisle disse.
Nós deixamos o castelo, na frente tinha dois carros pretos, antes do Mike
entrar no carro com meu avô ele encontrou meu olhar, me parecendo
culpado e aquilo fez meu coração se apertar.
Entrei no carro, Tio Jasper foi dirigindo, ao seu lado Alice e atrás eu e
meus pais.
- E o Jake? – perguntei.
- Ele não poderia vir. – meu pai disse serio, ele estava bravo comigo? Já era
de se esperar.
Fiquei em silêncio, pensativa, seria muito perigoso se ele tivesse vindo...
-O que vocês acham sobre o tal colar? Estavam dizendo a verdade? – Alice
perguntou.
-Estavam. – Jasper respondeu e pegou a mão da amada.
-O que levaria um vampiro a se expor por um colar? – minha mãe
perguntou.
-Dois. – eu corrigi – Eram dois, um homem e uma mulher chamada Lilian.
– eu disse friamente.
- Como você sabe? – ela perguntou
-Vi pela Bia.
-Hã?? – eles não entenderam.
-Ela tem aprimorado sua habilidade de ver o passado – meu pai explicou.
-Nossa, que incrível, Nessie. – minha tia disse animada, dei um sorriso
forçado.
E me apoiei na minha mãe, que estava abraçada ao meu pai e fique olhando
para fora, me acomodando no carro, eu estava tão segura ao lado deles,
sentindo o cheiro e a presença da minha família... e fechei os olhos
memorando o momento.
Se fosse o amuleto, se realmente esse era o motivo das mortes, eu não
poderia levá-los para Quilcene, atraí-los para minha família, tenho que
voltar á São Paulo!
-O que? Não mesmo! Você vai voltar conosco, se você corre perigo
ficaremos juntos para te proteger. – meu pai me censurou, eu abri os olhos
-A Bia também, eu... Preciso ir. Por favor! – eu implorei quando chegamos
ao aeroporto, eu não olhava pra ele apenas para fora do carro, me cansei e o
fitei. - Deixe-me protegê-la, no mínimo me deixe ficar uma semana. – ele
fechou os olhos e colocou os dedos na têmpora, como se estivesse com dor
de cabeça - eu seria sua dor de cabeça.
-Mãe?? – eu olhei pra ela, ansiando sua resposta
-Filha, é perigoso de mais você querer ficar sozinha, correndo risco... – ela
respondeu
-Eu sei... Mas eles não devem estar mais em São Paulo. – eu insisti,
tentando achar as palavras certas para a melhor desculpa.
-Pois acho que estão! – meu pai disse, eu suspirei.
-Alice! – eu a chamei, ela me olhou manhosa e logo em seguida para meu
pai – Me deixem voltar. – eu sussurrei mudando para um tom exaustivo –
Eu preciso ficar um tempo com ela, esperar ela se estabilizar.
Nós já estávamos um bom tempo parado na frente do aeroporto, Carlisle e
Mike nos observava á distancia na frente do outro carro.
-Quer que eu fique com você? – Alice perguntou docemente á mim, Jasper
apertou a mão dela.
-Não! – respondi
-Então vamos todos nós! – parecia ser a palavra final de Edward, olhei
descrente para eles e sai do carro.
Mike conversava com meu avó, eu me aproximei deles.
-Mike vem cá! – e o puxei para uma distância que eles teriam que ouvir
com dificuldade.
-Eu preciso voltar para São Paulo, acabar de vez com tudo isso. Eles viram
atrás de mim, eu estou com o colar! – ele olhou para meu busto – E não
posso por ninguém em perigo. Por favor! – implorei – Me ajude a
convencê-los.
-Mas você não pode, se corre mesmo perigo... - ele segurou meus braços –
Temos que protegê-la, você não pode com eles sozinha, eu não vou deixar.
– olhei meio exausta para ele, seu olhar prendia o meu e nada que dissesse
o faria mudar de idéia.
-Então venha comigo. – murmurei – Sei que preciso de ajuda... – suspirei –
Juntos vamos derrotá-los. – meus olhos dançavam nos dele, aqueles quase
âmbar tão doces, gentis e preocupados de meu melhor amigo.
-Certo. – ele assentiu e voltamos para frente do aeroporto
Eles estavam conversando e pararam ansiosos quando chegamos.
-Eu volto com ela! – ele disse diretamente ao meu pai.
-Agradeço muito por tudo que fez por nós, Mike. – eu logo percebi que o
Mike tinha avisado meus pais sobre minha fuga – Mas se formos todos para
o Brasil será melhor, mais seguro, não concorda?
-Sim e... Não. Eu acho que não seja necessário, Nessie só vai esperar a
Bianca ficar bem e vamos embora. Eu cuidarei para ela não faça nada
impensável ou irresponsável. – aquilo me deixou culpada, por fazer o Mike
mentir.
-Da ultima vez, ela disse que ia achá-las e ir embora, veja o que aconteceu,
quero dizer, o que quase aconteceu. – meus olhos caíram ao chão
-Desculpe. –murmurei, envergonhada – Desculpe a todos vocês, eu estava
convencida que eles queriam matá-la, que estavam punindo a Bia por saber
do nosso segredo. – Alice e minha mãe vieram ao mesmo tempo me
abraçar.
-Está tudo bem, querida, nós entendemos. – minha mãe me consolou. – Eu
já fiz muita coisa sem pensar nessa vida, seu pai fala, mas também já fez,
talvez seja de família. – ela piscou
-Nessie... Eu, nós não estamos bravo com você, talvez um pouquinho,
apenas... Você sabe que te amamos e se algo acontecesse a você, era
provável que todos nos lutássemos contra os Volturi. – ele deu um sorriso
torto, eu mordi o lábio sorrindo.
-Certo...
-Mais uma coisa, você tocou o Aro e... ele não ficou sabendo da Bia? – o
Mike perguntou, todos olharam incrédulos
-Eu... – e fitei meu pai, o - mostrando o que tinha visto naquela hora – Vi as
memórias dele e consegui mostrar apenas o que queria que ele visse, pude
controlar. – eu quase ri ao ver aqueles lindos rostos intrigados e confusos.
E achei melhor tocá-los, mostrando o que tinha visto.
-Uau... – Alice murmurou – Você está, você é incrível, Nessie. – eu dei de
ombros. – Mas o que significa tudo isso?
-Eu não sei. – Jasper disse pensativo e todos subitamente estranhamos o
silêncio de Carlisle.
-Sabe de alguma coisa, pai? – Edward perguntou, ele franziu o cenho
-Foi exatamente isso que você viu? – eu concordei – Bem... Aquela mulher
era Didyme, já ouvi muitos boatos sobre ela, pena que não cheguei a
conhecê-la. Ela era a irmã biológica de Aro – eu arregalei os olhos –
Marcus e ela eram amantes e pretendiam seguir seu próprio caminho
juntos, mas algo os impediu, ela foi misteriosamente morta, um vampiro foi
acusado de sua morte, mas nada foi confirmado. Aro sentiu muito a perda
de sua irmã, mas principalmente Marcus por perder a sua amada e dizem
que ele nunca mais foi o mesmo. O que você viu me leva a conclusão,
que... – ele hesitou. “ele matou sua própria irmã”, eu olhei incrédula á ele,
que nos analisou.
-Você acredita mesmo nisso? – meu pai perguntou.
Não era preciso falar, todos já entenderam o que ele quis dizer, o que não
pode dizer.
-Prefiro não crer...
-Ele seria capaz? A própria irmã! – minha mãe perguntou indignada
-Sim. – Mike respondeu friamente
Um silêncio estranho passou por nós, nem mesmo o intenso fluxo de aviões
por cima de nós ou dos carros e pessoas embarcando e desembarcando
interferiu, tudo parecia quieto.
Imaginando ate onde a crueldade de Aro Volturi poderia chegar...
43. BEIJO
-Bem, o que resolvemos? – eu interrompi, não sei o que Lilian e o outro
vampiro estão planejando no momento, não posso perder tempo. –
Podemos voltar? – meu pai me parecia mais calmo, talvez Tio Jazz tenha
agido sobre nós.
-Você e o Mike podem voltar, mas prometa sempre dar noticias. Estamos te
esperando em casa. – ele me abraçou, um abraço de despedida. – Eu amo
você!
-Também te amo pai. – ele se afastou dando espaço para minha mãe me
abraçar, depois ele deu um beijo carinhoso na testa dela.
-Se cuida. – tia Alice disse ao nosso abraço. – Juízo! Acho que agora posso
dizer que tenho mais cabeça que você! – ela disse animada
-Não. – meu pai respondeu, ela revirou os olhos e todos rimos baixinho.
Como tinha saudades deles...
Abracei tio Jazz e meu avô, que ainda mantinha uma expressão meio vazia,
melancólica.
Ficamos duas horas no embarque esperando, falamos muito pouco um com
o outro, talvez não soubéssemos o que dizer.
-O que pretende fazer? – ele perguntou
-Quero saber como a Bia está e... – hesitei um pouco – Achá-los. –
novamente ficamos um bom tempo sem se falar.
O tempo passou sem eu perceber e agradeci por isso, já era uma 4 da tarde
quando chegamos em São Paulo e uma forte chuva devastada o lugar, Mike
tentou me proteger com seu casaco até o taxi, mais mesmo assim chegamos
no apartamento encharcados.
Nós fomos para um dos banheiros nos secar, torci meu cabelo dentro do
boxe e peguei uma toalha, o Mike se enxugava com outra, desisti e resolvi
tomar um banho, liguei o chuveiro e fui pegar minhas roupas e por minha
surpresa o Mike ainda estava lá. Eu ri.
-Bem... Vou tomar banho agora. – disse meio sem jeito, ele riu e eu fiquei
entre ele e a pia.
Ele colocou a toalha atrás de mim fazendo nossos corpos se encostarem, ele
se aproximou mais, me olhando de uma maneira diferente, me fazendo
sentir quente, um olhar que só via no Jake, em que era romântico,
conquistador...
Ele se afastou fechando a porta, fiquei meio sem reação e confusa.
Porque aquilo? Porque aquele clima estranho surgiu de repente?
E fui para o chuveiro esfriar a cabeça com água quente e aos poucos
pareceu funcionar. Me troquei e sai do banho estranhamente ansiosa para
ver o Mike.
Ele estava com outra roupa e completamente seco, observando o
crepúsculo sombrio e chuvoso da cidade pela varanda, mas mesmo assim
estava quente.
-Oi. – eu disse e fiquei ao seu lado.
-Oi. – ele sussurrou, tristemente.
-Você está bem? – perguntei e toquei seu rosto, me vi em uma lembrança
dele.
-Mais ou menos. - ele bufou – Esqueça, é problema meu. – e entrou, eu o
segui confusa. – Eu não posso... – ele resmungou pra si mesmo – mas... – e
se virou para mim – Está cada vez mais difícil. – e se aproximou
lentamente, eu esperei ele parar, ficando a dez centímetros de mim para
perguntar.
-O que está havendo? – ele analisava meu rosto e o - pegou em suas mãos
frias, mas aconchegantes graças ao calor.
-Eu não paro de pensar em você. Não paro de te querer... - ele olhou para
meus lábios e voltou meu rosto- A cada dia fica mais difícil, quando o
pensamento de te perder passou por mim, quando você foi a Volterra... Eu
entendi, percebi que... – ele hesitou, me olhando nos olhos – Estou te
amando... – eu engoli em seco - Prometi a mim mesmo não amar mais
ninguém, mas foi inevitável, involuntário... É diferente pelo o que senti
pela Mery, é mais quente – ele franziu o cenho e acariciou meu braço –
Mais calmo, natural, real, algo que enchi meu coração, minha alma, me
sinto mais forte ao seu lado – ele aproximou seu rosto do meu...
Eu sabia que nada mais seria dito, até nossos lábios se tocarem, era
engraçado sentir aquela sensação de sua pele fria em minha boca, eu estava
tão acostumada em sentir o fogo, o calor do Jake que não me incomodei ao
sentir o frio. Começou devagar e foi aumentando, nossos lábios se
movendo empolgados, meio impulsivos e calorosos, ele acariciava meu
rosto e eu estava com as mãos em seu braço e fui subindo ate seu pescoço...
Ele se afastou bruscamente, se virando de costas para mim.
-Me perdoe. Desculpe... Sei que não devo, isso não é certo, mas não foi por
querer, sei que você ama o Jacob, que ele foi feito para você e você para
ele. – ele suspirou culpado
-Mike... Não se desculpe, tudo bem. – eu o abracei por trás. – No coração
agente não manda, eu te entendo... Por favor, não se culpe. Eu gosto muito
de você, se não conhecesse o Jake eu realmente poderia corresponder ao
seu amor... Eu te amo, Mike, como meu amigo. Lamento. – e fechei os
olhos colocando a lateral do meu rosto em suas costas, ouvindo apenas sua
respiração. Ele se virou e me abraçou.
Tudo aconteceu tão rápido, saber que o Mike me amava mais que um
amigo era estranho e a lembrança de nosso beijo será eterna, talvez fosse o
primeiro e ultimo, mas que aconteceu.
Diferentemente do Léo, eu não me sentia culpada, estava com a
consciência livre de medos. Talvez mais pra frente, eu tenha que arrumar
alguém para ele, fazendo ele se apaixonar por outra, só assim ele não
sofreria e me esqueceria, pois certamente eu o faria sofrer, se já não
estivesse.
Acabei novamente dormindo no colo dele e acordei muito bem, revigorada,
me sentindo forte. Depois de me arrumar combinamos de ir para o hospital,
era como se a noite anterior fosse um sonho e duvidei se realmente não
tivesse sido.
A mãe da Bia estava no quarto segurando a mão da filha, senti meu corpo
estremecer ao vê-la intubada, com uma grande faixa envolvendo sua
cabeça, dois antibióticos contra dor ao lado da cama e soro sendo aplicado,
seu pé direito engessado e três dedos da mão, pelo volume debaixo do
lençol seu tórax estava imobilizado por uma espécie de placa.
Ela estava de olhos fechados...
-Oi. – eu me aproximei da mãe dela, ela me abraçou fortemente.
-Tentei te ligar varias vezes... Que bom que você está aqui. Muito obrigada,
a você e ao Michael! – ela olhou para o Mike atrás de mim e assenti.
-Com ela está? – e peguei a mão que não estava com gesso, torcendo para
não ter nenhuma visão.
-A cirurgia foi bem sucedida. Ela está descansando agora, de vez em
quando abre os olhos e parece tentar nos disser alguma coisa... – ela fez
uma cara de dúvida. – Mas Graças a Deus, ficará bem.
-Serio? – meus olhos arderam um pouco – Nenhuma seqüela? Ela terá alta?
-Sim, ela está em observação agora, mas eles não tiveram problemas nas
cirurgias, vai levar tempo ate ela ficar completamente curada, talvez daqui
a um mês ela volte para casa com algumas cicatrizes.
Peguei a mão do Mike ansiosa, feliz.
-Avise seus pais. – ele cochichou no meu ouvido, eu concordei.
-Mais tarde eu volto. – e dei um beijo delicadamente na testa da Bia,
Mirian assentiu.
Saímos do quarto e eu liguei para meu pai, que atendeu no primeiro toque.
-Pai?
-Oi, Nessie e então como ela está?
-Bem. – eu disse empolgada – Ela está em observação, mas estável.
-Que ótima noticia, então você já vai voltar?
-Ah... Acho que sim. – tentei parecer o mais em duvida possível, já que só
voltaria quando acabasse com os vampiros.
-Ok. Depois me ligue.
-Claro. Tchau. – e desliguei o telefone apresada.
-Para onde vamos agora? Talvez ainda aja algum rastro na casa
abandonada. – eu concordei e fomos para o lugar que me trazia péssimas
recordações.
O dia estava mais claro, mas cheio de nuvens, sem sol, quando o Mike
parou o carro, senti um calafrio.
Entramos na casa, estava tudo mudado e talvez mais de 30 pessoas tenha
passado por lá, ate o cheiro da Bia era imperceptível, misturado aos outros.
-Droga! – reclamei – Alguma coisa? – ele olhou rapidamente para o lugar e
negou.
Então fomos para a porta dos fundos onde eles tinham escapado, a porta
estava toda enferrujada e com vidros quebrados.
Dali em diante era um matagal e a grama chegava á minha cintura. Não foi
difícil andar por ali e ambos sentimos um cheiro familiar, mas não era dos
vampiros e nem de humanos, era do animal.
Apenas trocamos olhares e o seguimos, mais para frente sentimos o cheiro
dos vampiros que foi se misturando ao do animal, mas era como se ele
estivesse atrás deles. E o caminho se dividiu, um com o animal e o vampiro
e o outro com da vampira.
-Vamos nos separar! – eu disse indo atrás da fêmea, eu pisquei e ele estava
ao meu lado segurando meu braço.
-Eu não acho uma boa idéia, tem algo estranho nisso.
-Eu sei... Mas não podemos esperar. Eles nos acharam de qualquer jeito. –
e dei um sorriso tentando encorajá-lo, segui o rastro e o Mike disparou para
o lado oposto.
Passei por uma vasta floresta com um campo e acabei em uma rua deserta,
as nuvens carregadas cobriam o sol de um jeito que tudo parecia mais
escuro, como fim de tarde.
E vi um reflexo de uma mulher de vestido negro, Lilian, na vitrine de uma
loja abandonada, ela estava ali, me rondando...
Vi um vulto indo para o beco, uma mecha nítida de seu cabelo negro,
quando fui atrás dela, senti uma presença vindo em minha direção pelas
costas, mas era tarde, quando me virei só tive tempo de cruzar os braços na
frente do peito e fui lançada contra a vitrine, o vidro quebrou em cima de
mim.
Vi em um pedaço de vidro ao meu lado seu reflexo, ela estava sorrindo,
olhei para cima.
-Você... – disse entre dentes, ela continuo sorrindo despreocupada, como se
achasse graça em mim ou no que estava fazendo.
E em seu primeiro movimento, eu me levantei e mudamos de lado, vi as
coisas rodarem e coloquei a mão na cabeça, como se pudesse impedir a
forte dor aguda, tentei me concentrar nela, mas estava difícil, com um
movimento ela se aproximou e tentou me empurrar novamente, mas eu
consegui desviar, distanciando uns 10 metros dela - uma distância pequena-
mas a rua não era tão grande ou larga, eu poderia correr de volta para o
campo, mas não adiantaria muito.
Ela levantou a sobrancelha e correu na minha direção com elegância,
conseguindo me atingir com mais força, eu bati em um muro de concreto,
que ficou em pedaços, fiquei coberta de poeira e o cheiro do pó me
incomodou...
Por um instante tive medo de sangrar, nunca havia visto meu sangue, mas
se ele aparecesse naquela hora, certamente seria meu fim.
Tudo foi ficando negro, embaçado e não vi mais nada...

"Quanto maiores são as dificuldades a vencer,


maior será a satisfação depois."
44. PODER
Uma dor latejava no lado direito da minha cabeça, tentei mover minhas
mãos, mas estavam presas, comprimidas uma na outra atrás das costas,
meus pés também estavam imobilizados. Abri os olhos com um pouco de
dificuldade, o ambiente estava sendo iluminado apenas por luz de velas -
verde escuras, roxas e vermelhas, algumas tinham formas exóticas de lua,
estrelas e outras estavam em lindos candelabros.
Parecia um porão subterrâneo, pois estava escuro e a pouco estava de
manhã, não estava?
Ai! Minha cabeça doeu de novo e comecei a lembrar dos últimos
acontecimentos; Lilian poderia ter uma habilidade especial, me pareceu que
ela pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, não sei como, mas...
Eu a vi no beco e depois estava atrás de mim, não era uma velocidade mais
extraordinária que a dos vampiros, eu acompanhava seus passos sobre-
humanos, era outra coisa...
Voltei a analisar a sala, era grande e com alguns moveis, uma estante cheia
de potes, velas e incensos estranhos, senti um carpete peludo em baixo de
mim, havia vários espelhos, em que todos menos um eu podia me ver, no
total eram sete de tamanhos diferentes e formas; um altar no centro da sala
em que sua altura não passava do meu quadril, ele estava em cima de um
grande pentagrama desenhado com giz branco no chão de madeira, no altar
tinha um punhal, um cálice, uma vela verde escura, uma pedra que parecia
uma esmeralda, um pentagrama menor de ouro e outras coisas que não
sabia identificar exatamente.
Lilian apareceu com o mesmo sorriso de antes, um rosnado feroz saiu da
minha garganta e tentei quebrar as grossas correntes que me prendiam.
-Não adianta isso foi feito de um material especial, resistente ate mesmo
para vampiros. – sua voz era aveludada e sonora, até mesmo sedutora me
lembrando do jeito da Meredith.
Ela se aproximou, eu recuei o máximo possível me encostando em uma
estante, me sentia indefesa e aquilo me tirava do serio, se pudesse
desprender minhas mãos, á atacaria e mataria sem dó, agora que sei seu
segredo, ela não teria outra chance.
-Calma, querida, não vou te machucar... – ela riu – Por enquanto. – e
acariciou meu rosto, eu virei minha cabeça enojada.
-Por quê? Por que estava atrás das meninas? – eu gritei, sua expressão era a
mesma, seria, mas aquilo só aumentava minha raiva.
-Você sabe por que... – e seus olhos caíram para meu busto – Eu procuro
essa preciosa jóia á décadas, desde que me estabilizei como vampira. - e
finalmente ela mostrou um pouco de sangue nas veias, mostrando meio
irritadiça com alguma lembrança e ficou passando a mão na chama de uma
vela vermelha, pensando e sorriu – Que bom que meu bilhete não fez o
efeito desejado. – ela me olhou rapidamente – Se eu soubesse que você
estava com o colar não teria a - mandado aos Volturi. – e suspirou fazendo
uma pausa - Eu fazia parte de um culto, um coven como chamam agora,
junto com a tataravó de sua amiga. - novamente outra pausa - O amuleto
era para estar sobre minha proteção! – ela aumentou a voz em algumas
oitavas – Mas aquele velho – ela cuspia as palavras – o deu para Christina,
eu sabia que ela não seria capaz ou – ela apertou os olhos para chama – não
saberia usar corretamente seus poderes. – eu a observava enquanto tentava
quebrar as correntes, ela me fitou – Mas isso foi a mais de cem anos, eu
ainda morava na Espanha.... Logo depois sai do culto e viajei para o Egito á
procura das origens do amuleto, pois eu acreditava que sabendo mais sobre
ele o sacerdote mudaria de idéia e me entregaria. Foi quando conheci
Alexander, meu companheiro e criador, ele não sabia nada sobre o colar,
mas me ajudou a procurá-lo. Depois de 10 anos lá, encontrei um vampiro
chamado Salhum, que sabia da origem do colar, ele me disse – ela parou e
se aproximou – Já disse, desista, é inútil tentar quebrar as correntes! – eu
semicerrei os olhos, ela se virou de costas voltando à chama, eu imaginei
que ela não estava nem um pouco interessada em me contar toda sua
historia, aquilo era mais um desabafo ou estava revendo seus planos.
-Ele disse que a pedra deste colar foi usada e criada por um italiano, no
berço da bruxaria, sendo atuante em vários rituais de magia pura e satânicas
e acabou sendo um poderoso amuleto-talismã, pois ele concentrou e
armazenou todas as energias dos rituais... Depois de séculos, o amuleto foi
parar nas mãos de Aoshi, o sacerdote do meu culto, que fez dele um colar,
equilibrando seu poder com um diamante e um ônix. - ela disse presunçosa
ou decepcionada - Depois de vários rituais ele conseguiu conter a maior
parte das energias emanadas da pedra. – eu arregalei os olhos, eu
finalmente entendi que ela era uma bruxa.
-Mas o que o amuleto faz de tão especial? – perguntei curiosa, ela riu de
leve e se sentou em uma pequena mesa.
-Você realmente não sabe? Sua amiga não te contou ao te dar?
-Ela não sabia. – respondi sem expressões, ela levantou as sobrancelhas.

“Com medo de fazer suas descendentes mudarem de lado... Que vergonha


Christina.” – ela murmúrio para si mesma e sorriu mostrando seus afiados
caninos.

-Ele fortaleza a alma, intensifica qualquer habilidade que tiver, incluindo os


sentidos e habilidades especiais. – assimilei quando alguém se transforma
em vampiro, aumentando qualquer habilidade.
-Por isso que você o quer tanto... – eu franzi o cenho indignada, não que
houvesse um bom motivo para matar pessoas - Para ter mais poder? – ela
continuava sorrindo e me encarou.
-Sim, nem mesmo os Volturi poderiam me deter, poderei mostrar meu
poder ao mundo, aos humanos. Chega de me esconder, viver nas sombras,
caçando a noite como ratos! Com o amuleto eu terei o que quiser. Poder é
tudo que preciso! – ela disse ao se aproximar e ficar centímetros do meu
rosto, pude sentir sua respiração no meu pescoço, ela esperou minha reação
– Você não entende, não é? – e balançou a cabeça rapidamente - Eu vivo
para aumentar meu poder e quanto mais faço isso, mais poder eu desejo.
Talvez você não saiba, mas a Magia é um tipo de vício. – ela suspirou e
passou a ponta do nariz pela minha bochecha - Seu sangue... parece tão
delicioso, mas – e se afastou ficando em pé do outro lado da sala – ainda
não. – e esticou as palmas da mão para baixo ao lado do corpo, como se
fosse para ela se estabilizar – Eu não sou tão má assim. – ela disse em uma
voz doce.
-Para mim quem mata, não pode ser considerada uma pessoa boa. - disse
friamente apesar da raiva parecer queimar minha veias.
-Eu não tenho escolha, sou um vampiro o que quer que eu faça? Morra para
não matar humanos, os fétidos e desprezíveis humanos? – ela deu um
sorriso malicioso – Certo, não irei te convencer, isso não me convence á
séculos. – e deu uma pausa - Ninguém nunca me entendeu, nunca viram
meu potencial... Ao ter a dádiva de ser imortal, achei meu lugar. Eu só
quero mostrar quem eu me tornei, que sou grande, poderosa. – só faltou ela
disser assassina – que é o que ela realmente é.
Me lembrei da Meredith novamente, imaginando se algum dia ela seria
assim. E ela se virou para uma escada de pedra em espiral dentro de uma
minúscula anti-caverna no canto leste da sala.
-Logo teremos visitas, quase me esqueci de seu amigo. – ela sorriu
empolgada.
-Mike. – sussurrei para mim mesma, ela não perdeu isso.
-Hum... Mike, hein. Ele por acaso é seu namorado... – era repulsivo o modo
como ela falava comigo, com se fôssemos amigas
Eu não respondi, se não provavelmente a xingaria.
Alexander desceu em um segundo a escada em espiral, o mesmo da
memória da Bia, mais ou menos 28 anos e cabelos curtos loiros bem claros,
o rosto de um anjo, mas de olhos demoníacos, ele me parecia bravo,
irritado.
-Teremos problemas. – ele disse bufando, ela enrugou a testa.
-O que?
-O lobo. – meu coração parou, por um momento fiquei sem ar.
Jake? Por que ele estaria aqui? Ou será que é outro trasmorfo? Ou ele quis
dizer lobisomens? Ela trincou os dentes.
- Não agora, não tão perto! O maldito Kraven não vai pegá-lo. Terei que
começar. – e ela se ajoelhou diante do altar – E o vampiro, onde está? – ela
colocou uma túnica negra
-Quando fui atacá-lo, senti a presença dele e vim para cá. – ela assentiu.
O que estava acontecendo? O que causaria medo em dois vampiros?
-Devíamos ter acabado com ele quando tínhamos chance na Europa!
Malditos Volturi que não dão conta do recado. – ela rosnou colocando
umas essências e ervas em um pequeno caldeirão no centro do altar,
repetindo...

“Que o poder se liberte, quebrando maldiçoes e encantos, aqui o poder se


consagrará” – em latim rápido e baixo.

-O que vai fazer? Porque simplesmente não coloca o colar? – perguntei a


ela, mas ela pareceu não me ouvir.
-E correr o risco de alguém pegá-lo? Há! Não mesmo. Conseguimos esse
ritual na Itália com muito esforço, para uma transferência de poderes...
definitiva, liberando as energias da pedra. O poder está concentrado sendo
impedido de usar seu todo. – fiquei curiosa para saber em que parte eu
entraria, na parte em que eles iriam me matar...
Há pouco estava com os Volturi, no mundo dos piores vampiro que
conheço e agora estou em um mundo desconhecido e novo, alguma hora
isto iria parar?
Ela parou o ritual e acenou para o parceiro, ele se aproximou de mim e me
pegou pelo braço, me puxando para perto dela.
-Agora serei sacrificada? – perguntei sarcasticamente, ela riu.
-Não. – pegou o punhal e meu braço, o - puxando para ficar em cima de um
cálice dourado e virou minha palma para cima passando a faca pelo meu
punho, com dificuldade pelas correntes.
-Acho melhor tirar as correntes... – eu disse, ela me encarou, não adiantaria
e continuou a tentar rasgar minha pele.
Parecia que a faca estava cega, mas não era isso, minha pele que é muito
resistente.
-Certo, agora me diga! – ela me olhou curiosa, eu estava ajoelhava no piso
de madeira - Que diabos você é? – ela tentou novamente em vão, eu fiquei
calada, á testando.
-Me diga que espécie você é. – Alexandre exigiu uma resposta, fazendo
minha língua se enrolar e minha boca abrir.
-Sou meio humana, meio vampira. – eu não iria dizer nada, algo me forçou
a disser e a dizer a verdade.
Poderia ter sido uma habilidade do Alexander, ninguém poderia mentir á
ele. Os dois arregalaram os olhos assustados.
-Hum... Uma mestiça ou criatura perfeita. Capaz de viver no mundo dos
humanos e dos imortais. – ela disse. – Mas como nós temos fraquezas. – e
levou meu braço a sua boca, fazendo um corte de uns quatro centímetros na
vertical no meu punho com seus dentes e eu vi pela primeira vez meu
sangue.
Gotas apareceram e juntas formaram uma linha perfeita, uma linha
vermelha e viscosa. Ela virou meu braço para baixo apertando a ferida,
fazendo o sangue escorrer para o cálice, ardeu um pouco mais nada muito
incômodo.
Alexandre parecia inquieto, sua respiração desregulada, eu olhei para ele
atrás de mim, seus olhos negros e sedentos. Lilian o- olhou repreendendo,
fazendo se afastar, nervoso.
Quando o cálice ficou cheio, algo começou a formigar minha pele no corte,
ela arrancou meu colar e acariciou a pedra que ficou vermelha, um
vermelho vivo como rubi.
- Eu iria usar sangue humano comum, mas o seu será muito mais útil. – e
ela arrancou as pequenas pedras que tinha em cima e embaixo do amuleto,
o – mergulhando no cálice e fechou os olhos, com o cálice nas mãos.

“Ouça agora as minhas palavras, os segredos que nós escondemos na


noite, o mais velho dos deuses é aqui invocado, pela magia é procurado.
Nesta noite e nesta hora, eu convido o poder antigo, traga-nos a força, que
nós desejamos.” – deu uma pequena pausa – “Ouça agora as palavras das
bruxas, os segredos que nós escondemos, na noite o mais velho dos deuses
é invocado, aqui os trabalhos grandes da mágica, são procurados nesta
noite e nesta hora, eu convido o poder antigo e trago o poder que
queremos, o poder de nos damos poder.”
A formigação começou a aumentar se espalhando pelo meu braço, minha
visão às vezes queria ficar turva. Ela me olhou sorrindo maliciosamente.
-Queria saber o que o veneno faria com você, mas não terei tempo. – e fez
um sinal com a cabeça para o vampiro, ele ficou ao meu lado me levando
para longe do altar pelo braço. Enquanto ela repetia o encantamento e
passava os incensos ao redor do meu sangue, tudo foi se encaixando:
As vezes que tinha fome de comida humana ou a sede antecipada, quanto
tinha mais sono que o normal e dormia muito mais que de costume, minha
nova habilidade que apareceu tão de repente e estando muito mais forte a
cada dia e também meus sentidos, quando consegui usar minha habilidade
na Jane sem tocá-la, nunca havia feito aquilo e na primeira tentativa
consegui...
Tudo foi surpreendente e nada planejado, desde que... a Bia me deu o colar,
era isso mesmo, o colar me deu poder.
Fiquei chateada, mas agora as coisas faziam sentido, o sonho da Bia, o
“assalto” da avó dela, foram eles que a feriram á procura do colar, depois
foram atrás da Bia, mas a Letícia estava junto e eles acabaram á matando.
Talvez com a habilidade do Alexandre á tenha forçado a dizer que o colar
estava comigo ou Lilian sentiu alguma coisa parecida em mim quando
“quase” nos vimos.
O formigamento no meu braço estava se ampliando em dor.
-Agora é a sua vez! Chega de tentação. – e ele sorriu me levantando pelo
pescoço.
-Não!! – uma voz familiar gritou da escada.
Mike o - empurrou contra o maior dos espelhos, em um segundo ele estava
agachado e rosnando ao Mike que estava na mesma posição de ataque.
Eles se chocaram violentamente um contra o outro, Mike o jogou para o
outro lado da sala e correu á mim.
-Você está bem? – ele perguntou preocupado e me ajudou a soltar as
correntes, ela poderia ser resistente, mas não o suficiente contra dois
vampiros.
Ele sorriu á mim e foi lançado para o lado batendo em uma estante que foi
destruída, Lilian o tinha empurrado, rosnei á ela, agora não haveria outra
chance.
Eu sabia lutar, tive algumas aulas com o Jasper, era muito bom o ver feliz
ao me ensinar, meus pais não gostavam que eu aprendesse esse tipo de
coisa, mas no fundo sabiam que era necessário. E agradeço por isso.
Agarrei o braço dela, enquanto ela estava distraída, pronta para atacar o
Mike novamente, e o levei as costas fazendo um estralo, ela grunhiu, mas
não consegui o - segurar por muito tempo, pois meu braço fraqueou pela
incomoda dor.
Alexander se levantou e veio na minha direção, mas foi segurado pelo
Mike, que mordeu seu pescoço, arrancando um pedaço de sua clavícula, eu
virei e me concentrei na Lilian com o braço quebrado, ela o - colocou no
lugar e me olhou furiosa. Foi quando ela estava do meu lado direito e
esquerdo, olhei surpresa as duas vampiras, mas não seria enganada duas
vezes, logo percebi que aquilo era uma espécie de ilusão e pude identificar
facilmente qual era a verdadeira, pois eu não sentia a presença da falsa, não
havia cheiro.
Dei um salto e a - agarrei por trás e num movimento ligeiro quebrei seu
pescoço. Ela caiu imóvel no chão.
-NÃO!! – Alexandre berrou apesar da dor ao ver a parceira no chão.
O vi indo na minha direção, mas não pude fazer nada, eu estava ficando
cada vez mais fraca, ajoelhava no chão próxima ao corpo de Lilian.
Mas Mike o impediu, puxando pelos braços e em um movimento brusco os
- arrancou, eu fechei os olhos ao ouvir o primeiro estralo.
Ele grunhiu alto de dor, que me deixou um pouco enjoada e logo em
seguida ouvi um barulho violento na escada - ele havia fugido- Mike foi
atrás dele e eu com dificuldade os segui.
Eles estavam no campo, com uma densa floresta ao fundo e percebi pela
lua cheia no céu que estava de noite.
Eles ficaram um de frente para o outro á 25 metros, mas pareciam
centímetros, Mike investiu, mas Alexandre desviou habilmente mesmo sem
os braços. Eu me encostei a uma árvore meio tonta, segurando meu braço
que não sangrava, mas estava até mais branco e frio...
Ouvi um rugido medonho e assustador dentro da floresta e logo em seguida
uma criatura que nunca vi antes surgiu das árvores. Me lembrava um
humano, mas coberto de pêlos e seu maxilar era puxado para frente como
de um cachorro, possui orelhas para cima e meio pontiagudas.
Sua cor era beje escura, quase marrom.
Era Kraven, um lobisomem, ele me parecia doente, mas muito forte um
pouco mais alto que o Jake e tão grande quanto o Felix, seus olhos eram
totalmente negros, não havia íris ou algo parecido. Ele mostrava os dentes
grandes e afiados, raivoso.
Alexandre sorriu ao ver o inimigo.
E a frase “O inimigo do meu inimigo é meu amigo” me assombrou e tive
medo pelo Mike...
O veneno finalmente cobriu todo meu corpo, o pior era uma dor no meu
peito quando respirava, parecia que meu coração ficava cada vez mais
apertado como se estivesse difícil de bater, minhas pálpebras foram ficando
pesadas, mas eu não poderia fechá-las, o Mike não teria chance contra os
dois, esse certamente seria nosso fim.
Mas antes de fechar os olhos vi uma imensa criatura castanha avermelhada
no campo, que rugiu ferozmente, um som que já tinha ouvido antes, tentei
abrir mais os olhos, mas não consegui e via tudo embasado, as criaturas se
atacaram e o Mike voltou a lutar com o vampiro, acho que o Mike deve ter
usado sua habilidade, pois ele estava imóvel enquanto o Mike se
aproximava e o - despedaçou, ouvi um grunhido vindo dos animais que me
assustou e eu fechei os olhos.
Ouvia estrondos, grunhidos, rugidos, pesadas na grama na qual estava
deitada, perdi a noção do tempo tentando ficar consciente o maior tempo
possível.
E alguém me pegou no colo, encostei em um peito quente e aconchegante.
- Eu á levo! – disse uma voz rouca e familiar, era a voz do...
-Jake. – eu teria gritado se tivesse voz.
-Estou aqui, Nessie. Acabou. Vamos voltar. – ele disse no meu ouvido,
pude sentir sua respiração no meu ouvido.
Forcei meus olhos a abrirem, mas não me obedeceram, ouvi um rosnado
baixo ou alguém sibilou a metros de nós e se afastou, provavelmente devia
ser o Mike, logo em seguida um cheiro forte de fumaça e algo mais, que
não pude identificar e perdi a consciência completamente.

“Ninguém pode voltar e criar um novo início,


mas todo mundo pode começar hoje e criar um novo final.”
45. EU QUERO!
Abri os olhos lentamente e minha visão não poderia ser melhor.
-Bom dia! – Jacob disse ao lado da minha cama.
-Oi. – eu sorri á ele e analisei o lugar, estava no meu quarto, no
apartamento em São Paulo - Cadê o Mike? – eu apertei os olhos e me
sentei.
-Na sala. – ele disse presunçoso e mexeu no meu cabelo.
Eu fui ficando mais consciente...
- E a Lilian? O Alexandre? Quem era aquele animal? O que você faz aqui?
– eu tinha mais perguntas do que fôlego, ele riu se sentando ao meu lado e
acariciou minha mão.
-Estão mortos.
-E... O colar? – perguntei surpresa.
-Hum... Acho que o Mike pego. Por falar nisso. – ele pegou meu pulso
esquerdo - Como você se sente? – e fez uma careta para a linha em meu
pulso.
-Melhor. – admiti – O que aconteceu comigo? – e passei o dedo sobre a
cicatriz.
-Carlisle disse que o veneno não agiu, seu sistema imunológico a protegeu,
como se o veneno fosse um vírus ou algo assim. Você passou mal porque
ele estava agindo contra o veneno, foi o que entendi. – ele deu de ombros.
-Entendo. – o veneno não me transformou ou me transformaria. Eu era
imune ao veneno! – Mas então... Quem era aquele animal?
- Aquele animal era o verdadeiro lobisomem os das lendas e mitos,
presumo que ele estava lá por causa do amuleto, mas... Por quê? – ele
perguntou pra si mesmo
E eu toquei seu peito mostrando Lilian me disser sobre as habilidades da
pedra.
-Hum... Então é isso mesmo, pois se for desse jeito que ela estava dizendo,
ele poderia ter mais poder e se vingar dos Volturi, além de poder se
transformar sem a Lua, a hora que quisesse.
-Como você? – eu pensei, ele concordou.
-Mais ou menos, ele não era plenamente consciente de seus atos.
-Mas que coincidência ter sido lua cheia ontem... Foi ontem, né? – eu
estava meio confusa em relação ao tempo, ele sorriu concordando.
- Não é necessário ter que ser Lua Cheia para eles se transformarem, na
Lua Cheia eles ficam mais fortes, como não podem se transformar na Lua
Nova.
-Pois não há Lua. – acrescentei - Nossa, Jake, você esta sabendo tudo sobre
lobisomem, hein... – eu levantei as sobrancelhas.
-Eu pesquisei, falei com seus tios e com Carlisle, pouco antes dele ir para
Itália, eles que me contaram. Eu já desconfiava que fosse algum deles e
comecei a pesquisar por conta própria, fiquei sabendo de um velho
sobrevivente de um ataque dos Volturi á mais de 90 anos, as coisas foram
se encaixando... e quando seus pais me disseram ao telefone que não tinha
sido os Volturi que atacaram as meninas, vim correndo para cá. – e beijou
minha testa – Segui o cheiro do Mike – ele torceu o nariz, eu ri. – e os
encontrei a tempo.
-Mas você não sabia onde eu morava?
-Alice deixou o endereço em uma agenda, ela disse que serviria para
qualquer emergência, o da republica e desse apartamento. – sua cabeça caiu
um pouco para o lado.
– Alice mesmo vendo o futuro, é prevenida... ou meus pais mandaram ela
deixar o endereço. E meus pais?
-Não tive tempo de avisá-los, me transformei em lobo e vim para São
Paulo. - ele deitou na minha cama tentando relaxar.
-Você deve estar muito cansado... – murmurei e beijei meu ombro – Mas...
– suspirei – Realmente acabou? – perguntei abraçada á ele, sentindo meu
corpo se aquecer com o dele.
-Sim. – ele murmurou.
-Hum... mas é meio estranho tudo isso, homens que se transformam em
lobisomens quando a Lua aparece... – eu franzi o cenho, pensado, ele olhou
para mim deitada em seu peito.
-Não se esqueça que somos criaturas místicas, não há nada mais estranho
que nós. – eu fiz uma careta.
-Eu sei, mas nós não dependemos de uma “coisa” para usar nossas
habilidades ou os Quileutes para se transformar. – argumentei.
-Ah... Não é bem assim, Nessie. - ele fez um bico engraçado – Sei que de
dia eles ficavam onde havia muita gente, contra possíveis ataques de
vampiros, na Lua Nova era onde a maioria foi extinta. Os Volturi tinham
muito medo que a Licantropia infectasse sua “caça”, por isso os -
perseguiam. Não importa se são diferentes ou que não sabemos o porquê
que eles só se transformam quando Lua aparecesse, talvez nem seja isso. –
ele balançou a cabeça confuso – O importante é que vivem escondidos
como nós.- eu olhei para, ele se sente escondido? Mas não perguntei.
-Com certeza deve ter havido muitas guerras, por causa disso. – murmurei.
-Sim, Carlisle me contou algumas, mas você já sabe o final de tudo.
-Os vampiros vencem. – respondi e dei uma pausa – Vingança. – sussurrei
-O que? – ele perguntou
-Vingança. – disse mais audível – Tudo em torno de vingança, se algo
acontecesse em Volterra, – ele apertou seu braço ao meu redor – criaria
uma guerra entre os Volturi e os Cullen, Kraven estava atrás de vingança.
-Kraven? – ele me olhou confuso, eu concordei, ele respirou fundo - É um
dos piores atos. – me senti envergonhada e enfiei meu rosto em seu peito.
– Tudo bem? – eu concordei com a cabeça – Você me deu um susto quando
soube que foi para Itália, Emmet teve que me segurar para não ir com seus
pais.
-Desculpe. – murmurei e olhei para ele subindo ainda grudada em seu
corpo deixando nossos rostos a centímetros – Eu estava cega pela raiva,
que não pensei na burrice que estava cometendo. Prometo não fazer nada
impensado de novo. – ele me olhou descrente – Certo, vou tentar. – e sorri
-Você pode fazer qualquer coisa impensada e impulsiva, mas apenas se for
comigo. – e ele me prendeu com os braços me pressionado contra seu peito
nu e riu travesso.
-Tá! Só com você. – e nossos lábios se tocaram depois de tanto tempo, ele
aqueceu meus lábios depois invadiu minha boca, suas mãos apertavam
minhas costas e senti algo gelado e areado nas minhas costas, percebi que
minhas roupas estavam sujas, eu estava suja! E me afastei com uma careta.
-Que foi? – ele perguntou surpreso
-Estou suja! – reclamei e me fique de joelhos ao lado dele, analisando
minhas roupas, olhei para a calça dele suja de terra e um pouco de sangue.
– Preciso de um banho primeiro! – exclamei e ele me olhou brincalhão
-Pra quê? Se teremos que tomar outro depois. – mordi o lábio tentada e
respirei fundo.
Fechei os olhos me levantando e fui para o banheiro. Me analisei no
espelho...
-Nossa! – me surpreendi ao ver meu cabelo que estava uma bagunça,
cachos transformados em grandes nós.
Jake riu, eu me virei olhando para ele, meu banheiro era bem de frente pra
cama, ele estava no meio da cama com os braços na nuca e os pés cruzados,
parecendo me convidar a voltar.
Olhei o mais sedutora para ele que pude, tirei minha blusa desgastada e
suja de grama, terra, vidro, pó e outras coisas.
Ele me olhava travesso, como se visse um shownzinho particular – e
realmente estava vendo – e gostei daquilo, tirei minha calça e fui para
dentro do banheiro onde ele não poderia me ver, mas deixei a porta aberta,
agora eu o estava convidando.
Joguei minhas roupas intimas as - fazendo passar pela frente da porta, ele
as veria e liguei o chuveiro.
Entrei e tentei tirar os nós, a sujeira do meu cabelo e do meu corpo junto
com o cheiro de vampiros e daquele lugar sombrio.
Eu estava de olhos fechado, com o rosto debaixo d’água, senti a presença
dele no banheiro e a porta se fechou, não fiz questão de abri os olhos e senti
suas grandes mãos na minha barriga e sorri contente, me virei colocando
meus braços em seus ombros e percebi que ele estava nu.
-Resolvi tomar um banho também. – ele disse rindo e me abraçou, enfiando
a mão no meu cabelo, eu em arrepiei.
E ele me beijou debaixo d’água, era tão diferente e empolgante, eu pude
sentir a água entrar em nossas bocas molhando nossos beijos.
Aquela sensação dele me beijando, vasculhando algo na minha boca, era
revigorante.
Ele beijou meu pescoço, meu ombro, meu busto, passei as mãos em seu
cabelo molhado e o- puxei para cima. Fiquei um tempo olhando pra ele...
Ele realmente estava ali? Ele estava ali pra mim novamente?
Foi um breve momento, talvez segundos, pois ele me pressionou contra a
parede, me arrepiei com a parede gelada nas minhas costas e o corpo
quente dele grudado em mim, mas logo a parede estava quente também e
relaxei, a água caia sobre nós dois, meu corpo contornando o dele, tive ate
um pouco mais de dificuldade para respirar, com meu peito contra o dele,
mas era bom e arfei um pouco.
Era como se em cada parte que nossas peles se encontravam havia uma
vibração, uma corrente elétrica, que desejava mais e mais.
E ao me mover senti meus braços doloridos, talvez cansados e minhas
pernas também e enquanto ele beijava meu pescoço dando pequenas
mordidas, vi que ele estava arranhado e com machas roxas em sua pele
morena.
-Jake. – arfei
-Sim. – ele perguntou beijando meu rosto.
-Não acho que seja uma boa idéia... – ele se afastou um pouco, apenas para
poder analisar meu rosto – Posso saber por quê?
-Estamos cansados, devíamos relaxar... –e coloquei meu rosto em seu peito,
para não ver seu rosto, a água caindo sobre meus cabelos, ele se afastou um
pouco e eu pude respirar tranquilamente.
-E há jeito melhor de me relaxar do que fazer amor com você? – ele
perguntou nos tirando da água.
-O Mike está aqui. – argumentei, ele se afastou me visualizando.
-E ele interfere em que? Você não quer, é isso? – ele me olhou confuso.
-Eu quero. – e me aproximei, era frio sem ele, pegando seu rosto em
minhas mãos. - Só que não é uma boa hora. Prometo que não irei fugir ou
mandarei você ir embora, temos tempo... não precisamos ter pressa.
-Eu só achei que... – ele olhou para o lado chateado, eu o forcei a olhar para
mim.
-Eu quero! Eu quero você, quero muito te ter novamente, faz tanto tempo
desde que... Podemos esperar? Eu quero saber de algumas coisas ainda,
minha cabeça ainda está meio confusa e meu corpo não esta 100%. – e ele
sorriu, o sorriso perfeito e infantil que amava.
-Certo, desculpe, eu sou meio apressadinho. Quase me esqueci que você
estava mal e quase morremos. – ele riu achando graça em nossos
problemas, outra coisa que amava nele e sorri ficando nas pontas dos pés,
encostando minha testa na dele, voltamos para debaixo do chuveiro.
Ele me ajudou a tomar banho entre beijo e caricias; lavei meu cabelo e o
dele; ele ensaboou minhas costas e depois me troquei e sai.
Enquanto ele se trocava tirei meu lençol da cama que estava sujo de terra e
coloquei outro.
-Oi. – ele me puxou por trás beijando meu pescoço.
-Hum... – eu fechei os olhos abraçada a ele. - O Mike deve estar esperando.
– ele respirou fundo, eu me virei e coloquei os braços em sua nuca, pulando
em seu colo para ficar na mesma altura.
-Seja bonzinho, viu! – eu disse de bom humor, ele revirou os olhos.
-Fazer o que, né. – e me deu um selinho, eu desprendi minhas pernas do
seu quadril e peguei sua mão indo para a sala. O Mike estava no telefone.
-Sim, eu digo á ela. Ate logo. – e desligou.
Ele veio na nossa direção contente, mas um pouco vazio.
-Você está bem? – ele perguntou.
-Sim, bem melhor... E gostaria de agradecer aos dois, sem vocês eu não
estaria aqui. – e sorri abertamente á eles.
-Eu faria tudo de novo se fosse preciso. – Mike me disse, soltei minha mão
do Jake e o - abracei, um abraço forte e exaustivo, como se dissemos
“Conseguimos!” um ao outro. E fomos para o sofá.
-Creio que queriam saber tudo o que aconteceu lá. – e segurei a mão deles
-Acho melhor deixar para outra hora, você deve estar cansada. – o Mike
disse preocupado.
-Estou bem, não tem problema. – então eles concordaram e toquei o rosto
dos dois, eles fecharam os olhos eu também, assim faria um esforço
mínimo.
Mostrei desde que Lilian começou a contar sua historia; depois tentando
me cortar; o Mike empurrando o Alexandre e todo o resto até a parte em
que o Jake chegou. Eles abriram os olhos junto comigo.
-Nunca poderia imaginar. – Mike murmurou
-Será que ela conseguiria ter mais “poder” com aquela pedra? – Jacob
indagou descrente.
-Você parecia acreditar quando me disse que Kraven queria ter mais
poder... Você não acredita em encantos, magia? – perguntei surpresa
-Ah, uma parte sim, mas não sei se uma pedra teria o poder de aumentar a
habilidade de alguém. – ele deu de ombros.
-Mas é verdade, ele fez comigo, ela disse que fortalece a alma ou o ser, e
bem... Tanto minha parte humana, as habilidades e costumes como dormir
e comer foram aumentados, a parte vampiro também, com minha
habilidade especial de poder ver o passado e eu tinha mais sede que o
normal.
-Hum... Mesmo assim é difícil de crer. – ele disse pensativo, eu esmurrei
seu ombro rindo.

"Amor é um desejo irresistível de ser irresistivelmente desejado."


46. PRA SEMPRE
-Ah, Mike... Alguém ligou? – me lembrei dele no telefone
-Sim. – ele elevou as sobrancelhas, se lembrando – Era a mãe da Bia, ela
disse que queria te ver, a mãe da – ele foi baixando o tom de voz. – Letícia
quer te ver.
Nem todos estavam bem, nem todos poderão ter seu final feliz.
-Claro... Eu ainda não falei com ela. – eu ainda não tive coragem, meus
olhos caíram para minhas mãos.
-Podemos ir outro dia. – Jake disse, eu discordei.
- Não, já está na hora de falar com ela. Eu vou. Nós vamos. –me levantei de
cabeça baixa e suspirei tomando coragem.
-Eu levo. – Mike disse e pegou as chaves do meu carro antes do Jake, eu
não olhei para a cara dos dois, mas deviam estar resmungando.
Eu sai do apartamento e esperei o Mike trancá-lo.
Chegamos ao hospital em pouco tempo – muito pouco, na verdade.
-Não sei o que falar para ela... – eu disse no banco de trás com o Jake, eles
não disseram nada, para meu azar. - Vocês podem me ajudar? – perguntei
surpresa
-Eu acho que... Melhor deixar que ela fale. Não se preocupe tanto. – Mike
se virou e pegou minha mão – Fizemos o possível. – e eu apertei minha
mão na dele.
Jake saiu do carro rapidamente, nós estranhamos e saímos.
Ele estava na porta do hospital, longe de nós, me aproximei.
-O que foi? – perguntei curiosa
-Nada. – e ele passou o braço pela minha cintura e fomos para a recepção.
No quarto dela estava apenas Glaucia e Mirian, mas outras pessoas tinham
passado por ali recentemente, talvez os irmãos da Letícia.
-Bom dia. – eu disse receosa.
Glaucia, a mãe da Leh se aproximou com lagrimas nos olhos e me abraçou
sem dizer nada.
-Obrigada! - disse de repente, eu arregalei os olhos e meu coração palpitou
mais alto surpreso.
Ela se afastou e sorriu apesar da dor.
-Obrigada. – disse novamente – Graças a vocês encontravam as meninas,
talvez elas ainda estivessem perdidas se não fosse por vocês. – ela olhou
para o Mike e depois confusa ao Jake.
-Oh, este é... meu namorado Jacob Black. – ele assentiu e lembrei que Jake
não poderia ser considerado um exemplo em falar português, ela sorriu um
pouco tímida ou intimidada.
E cumprimentei Mirian com um beijo no rosto.
-Eu espero que achem logo quem fez isso á elas. – ela disse meio brava.
-Eu também. – sussurrei e olhei para os garotos que sorriram. – Como ela
está? – e me aproximei da cama.
-Melhor a cada dia. – e logo que ela terminou de falar, Bianca abriu os
olhos lentamente, seus grandes olhos –quase – mel, me analisaram
surpreso.
-Bia... – murmurei, ela não podia falar, pois ainda estava intubada e
começou a se mover incomodada.
-Enfermeira! – a mãe dela chamou.
-Não será preciso. – Mike disse e a Bia parou, ela olhou para ele e seus
olhos encheram de lagrimas e depois voltou a mim.
Eu peguei sua mão e com a outra acariciei seu rosto, uma grossa lagrima
escorreu sobre seu rosto.
-Você ficará bem. – meus olhos arderam, incomodados. – Ficará bem... –
repeti a mim mesma.
-Quer que a deixemos sozinhas? – Mirian perguntou.
Eu não respondi, mas elas saíram e os meninos iam atrás.
-Fiquem. – eu pedi, Jake ficou ao pé da cama e o Mike do outro lado.
-Desculpe, era preciso – Mike disse á ela – Você está com dor?
“Não” – ela disse mentalmente.
-Não. – repassei - Eu posso falar com você... – pensei animada, eles me
olhavam surpresos.
“Eles estão atrás do colar, Nessie! Tome cuidado, são vampiros, eu vi seus
olhos vermelhos e eles... eles... mataram...“ – ela hesitou
-Sim, a... Letícia está morta. – e mais lagrimas grossas escorrerão pelo seu
rosto. – E... nós – eu olhei para os dois – já cuidamos deles.
“Você os matou? Eles foram atrás de você?”
-Sim, ela e seu companheiro foram atrás do amuleto, mas com a ajuda deles
conseguimos matá-los. Ah – e puxei o Jake pela mão. – Este é o Jacob! –
eu disse feliz, apresentando meu namorado a minha melhor amiga.
Ela riu mentalmente, como queria ouvi-la rir ou vê-la sorrir.
“É... ele ate que é bonitinho.“ e riu novamente. ”Diga um oi por mim!”
-Ela está dando oi. - eu ri aos sussurros
-Oi, Bianca! – ele respondeu
“Hum... Nessie faz um favor para mim? Pelo extraordinário tamanho dele,
imagino que... Pede pra ele tirar a camisa!”
-Bia! – a repreendi, rindo – Ele tem dona!- exclamei
Mike riu, Jake rosnou de leve á ele e Mike levantou uma sobrancelha em
resposta.
“Eu sei, amiga, to brincando. Ainda assim acho o Mike mais... sexy!” – eu
ri, eles me olharam confusos
-Ah, to vendo que desistiu de “Reh”, ta me chamando de Nessie? – as
lagrimas dela cessaram e eu limpei seu rosto delicadamente.
“É... Nessie apesar de estranho é bonitinho, te vi o Mike te chamando
assim e v i que você realmente gosta! – eu concordei, ela olhou para o
Mike ao ser outro lado.
-Que bom que está melhor! – ele disse sorrindo
“É bom te ver, Mike!” - e suspirou - “ Se pudesse o estaria abraçando... e
não soltaria mais “ – ela pensou
-Ela está feliz em te ver! – repassei – E está doida para te abraçar! – eu ri
“Renesmee!!” – ela me censurou, eu dei de ombros inocentemente.- “ Ai”
– ela gemeu de dor.
-Que foi? – eu me aproximei
“Meu peito... ta incomodando! Ta doendo.” – e gemeu de novo.
-Acho melhor chamar a enfermeira. – e antes de Jake tocar a maçaneta, a
mãe dela e Glaucia entraram com uma enfermeira.
-Hora da medicação. – ela disse enquanto preparava uma injeção.
“Odeio agulhas.” – ela reclamou, eu ri de leve.
-Acho melhor irmos! – Mike disse.
“Não!!” – ela gritou- “ Quero saber o que aconteceu, perdi tanta coisa...
Não sei porque aquela vampira, não lembro o nome dela, estava atrás do
colar! Não me mate de curiosidade, Renesmee! Está me ouvindo?” – ela
exclamou
-Ela vai descansar agora. – a enfermeira aplicou o antibiótico.
-Acho que você vai dormir agora. – eu disse á ela.
“Claro que não...” – seus olhos foram fechando e ela perdeu a consciência
rapidamente.
-Outra hora nós voltamos. – e Glaucia me abraçou novamente e depois
Miriam. Peguei a mão deles e sai do quarto...
-Ela não sabe por que a Lilian estava atrás do colar. – disse a mim mesma
no corredor.
-O que pretende fazer agora? Vai voltar para sua casa, para Quilcene? –
Mike perguntou, eu olhei para o Jake procurando respostas.
-A Bianca está bem... Não tem ninguém atrás de mim ou dela, eu... posso
voltar para casa. Vamos voltar. – decidi e fomos ao carro.
Voltar... Voltar para casa... Eu pensava no carro de volta ao apartamento,
abraçada ao Jake, no caminho pedimos uma pizza, pois ele disse que estava
morto de fome.
Ao chegar fui para a varanda e me sentei na sacada, o Mike ligou a TV e
Jacob foi para a cozinha tomar seu café da manhã/almoço, pois já era 2 da
tarde.
-Tem certeza que não quer? – ele me perguntou da cozinha.
-Não! – eu disse da varanda, o cheiro de comida humana embrulhou meu
estomago por um instante.
-Nessie. – Mike foi á varanda – Eu estava pensando e... acho que vou voltar
á França. – eu me surpreendi e olhei para trás, ele se apoio na sacada ao
meu lado.
-Você não vai voltar conosco? Por quê?
-Eu tenho coisas para fazer, agora que tudo está se acalmando não vejo
necessidade de ficar. Tenho que falar com a Anne, o Joseph e até mesmo
dar as noticias aos Volturi, para eles verem que a área está realmente limpa.
- eu gelei com a idéia de mais vampiros aqui e virei minhas pernas para
dentro da varanda, ainda sentada.
-Ver a Meredith. – acrescentei, ele não disse nada, olhando para o horizonte
estava claro com poucos raios de sol.
-Você tem o Jacob agora... – e entendi seu jeito vazio.
-É... – sussurrei olhando para meus pés balançando. -Mas... Tirando isso.
Você tem algum tipo de trabalho? Nunca te perguntei isso... – e desci,
mudando de assunto.
-Nas horas vagas – ele sorriu – Trabalho como investigador, hum...
Detetive particular.
-Nossa, e você nunca me contou! Que legal.
-É uma maneira de ajudar os outros, usar esse modo de vida para o bem. –
ele deu de ombros. - Ele trabalha? – deduzi que ele se referia ao Jake.
-Sim... Ele tem uma oficina em Forks.
-Mecânico.
-É... – suspirei, o assunto estava acabando e pensamentos “estranhos” ele
teria.
-Que bom que sua geladeira não estava totalmente vazia. – Jake se
aproximou e me abraçou.
-A pizza que pedi não foi o suficiente? – perguntei rindo, ele afirmou e
olhei para o Mike que estava “distante”, balancei a cabeça para o Jake que
se aproximava para me beijar, tentei tirar os braços dele ao meu redor, ele
sorriu e não me soltou dando os ombros, ele não estava entendendo que
aquilo deixaria o Mike triste ou entendia e não ligava.
Suspirei e usei mais força, ele me soltou. Fui para sala e o Jake também...
-Tenho que avisar meus pais de que estou voltando. Ligue pra eles que eu
ligo para o aeroporto. – ele concordou, peguei meu celular e ele foi para o
quarto pegar o dele e o Mike entrou. – Vai mesmo para França? - ele
concordou – Quer que eu peça sua passagem?
-Não, deixa que eu agendo, vocês iram hoje?
-Se tiver, sim. – eu disse triste pelo Mike.
-Tá. - e Jake voltou com o celular nas mãos, se sentando na poltrona perto
de mim e o Mike no mesmo sofá que eu.
-O que quer que eu diga? Não acha melhor você falar com eles? – ele
perguntou
-Não... Fale apenas que está tudo bem e voltaremos para casa. – e disquei
para agendar a viagem, o próximo vôo para os EUA seria às 6 da tarde e
agendei.
-Oi, Bells. – Jacob disse ao celular
“Jake o que aconteceu? Onde você está?” – sua voz preocupada.
-Estou com a Nessie, está tudo bem e voltaremos hoje ás – ele fez uma
careta tentando lembrar o horário que eu disse – Seis? – eu concordei –
Estaremos aí umas oito.
“Oh, serio, iram ficar?”
-Vamos, está tudo calmo por aqui.
“Onde esta Renesmee? Está ai?”
Ele me analisou, eu fiz bico e concordei, ele me passou o telefone, mesmo
não querendo falar com alguém da minha família e mando alguém ligar,
sempre acabo falando com eles.
-Oi, mãe.
“Querida você ligou ontem e disse que iria voltar, então era verdade! – ela
disse feliz, eu sorri.
-Sim, a Bia não está em perigo e em alguns meses estará perfeita de novo,
eu posso voltar.
“Que bom que você não ira atrás dos transgressores, é a coisa certa a fazer,
deixe com os Volturi, é trabalho deles.” – eu me calei, era por isso que não
queria falar com alguém...
-É... – murmurei – Bem, quando chegarmos nós conversamos. - eu odeio
mentir, então apenas omiti
“Claro, Até logo.”
-Tchau, Te amo.
-Também te amo, querida! – e desliguei pensando nos momentos: minha
vida por um fio que tive ontem e devolvi o celular ao Jake.
Mike estava novamente na varanda, ligando para o aeroporto, pelo que
entendi ele iria as 7:30 e fui ate ele, agradeci pelo Jacob não ter me
seguido.
-Porque você está se distanciando? – perguntei irritadiça.
-Preciso me acostumar com o cheiro do seu lobo. – ele disse sorrindo.
-Ah... Entendi. – e agradeci por ele não ter dito diretamente que era por
causa do Jake, pelo menos foi pelo seu cheiro.
-Nada pessoal. – ele disse estranhamente, mas eu sabia que não era
verdade, peguei sua mão, ele suspirou – E o pior que nem posso disser que
quando ele morrer, estarei te esperando.- ele murmúrio
-O que? – eu não entendi
-Ele também é imortal. – eu arregalei os olhos
-Serio? Então... o Jake não iria morrer, não vai envelhecer? – eu comecei a
ficar eufórica.
-Não. – ele disse presunçoso. – Eu sei pouco dos lobos - transformos- mas
do pouco que sei é que enquanto os humanos correrem perigo, eles serão
lobos e não envelheceram. Achei que você sabia disso. – ele disse ao ver
minha expressão empolgada.
-Enquanto estiver ao lado de vampiros? – meus olhos arderam
-Sim. – eu sorri mostrando os dentes e dei um beijo no rosto dele
Entreguei correndo e abracei o Jake no sofá, caindo em cima dele, ele se
me olhou não entendendo nada.
-O que foi?
-Prometa que sempre ficara ao meu lado e ao lado da minha família ou da
maior parte dos vampiros que você conhecer?! – perguntei, ele riu.
-Claro! Mas por quê?
-Assim você não vai envelhecer, ficará comigo para sempre. – eu disse
eufórica e colei meus lábios no dele, em sua cara surpresa e os movi
alegremente, ele riu novamente.
-Você está falando serio? Então não serão 500 anos? Eu sou um... imortal?
– ele fez uma careta.
-Hã... É... Você não vai envelhecer. – disse mais calma
-Ficaremos juntos para sempre... – ele murmúrio em meu ouvido e levou
sua boca a minha.

“Hoje acredito que na maior parte do tempo o amor é uma questão


de escolhas. É uma questão de tirar os venenos
e as adagas da frente e criar o seu próprio final feliz“
47. MEDO
Ouvi um barulho vindo da varanda e levantei a cabeça para ver o que era:
Mike não estava mais lá, tinha pulado.
-Não se preocupe, ele só deve querer andar por ai. – Jake disse me puxando
de volta, ainda deitado no sofá.
- Ele está mal... – sussurrei com a cabeça em seu peito, ele estava com uma
camisa de algodão branca, da onde era essa roupa? – Você trouxe roupa? –
perguntei surpresa
-Sim, amarrei uma calça e uma camisa na perna, eu sou despreparado, mas
não tanto. – ele riu, me fazendo subir e descer em seu tórax.
-Hum... Achei que o Mike tinha emprestado para você.
-Ah... - ele se acalmou. – Você gosta muito dele, não é?
-Sim, ele é meu melhor amigo. – e seu coração palpitou estranho por um
segundo junto com sua respiração.

“Melhor amigo.” – ele pensou vagamente.

-O que foi? – perguntei olhando para ele com o queixo em cima das minhas
mãos.
-Estava lembrando de uma coisa... – ele pausou – Achei que eu fosse seu
melhor amigo? – ele perguntou um pouco humorado.
-Você ainda é! Não posso ter mais de um melhor amigo? – elevei as
sobrancelhas
-Pode, claro que pode. – ele riu
E meu sorriso foi sumindo, deitando minha cabeça em seu peito
novamente.
-Ele gosta de mim. – admiti, Jake bufou.
-Demorou para perceber. – ele disse meio rude. Eu fechei a mão junto com
sua blusa. - Desculpe... Só não gosto quando ele fica perto demais de você.
-Eu sei. – balancei a cabeça – Queria que você pudesse entender o que ele
sente... – fechei os olhos e coloquei minha mão no braço de Jake.
E vi minha mãe, tão diferente e... humana. Pela mão morena que via a
frente eu estava vendo pelo Jake, "Eu vou sentir sua falta"- ele disse
baixinho á minha mãe - "A cada minuto. Eu espero que ela vá embora
logo" - “ Não precisa ser assim, Jake.” – ela respondeu, a voz dela estava
não diferente, mas mesmo assim era linda, Jake inspirou lentamente, o
tempo passou mas eles ainda estávamos no mesmo lugar, na casa de
Charlie, um pouco diferente como estava agora, estava do jeito de quando
eu era bebê.
Ele se aproximou á fitando, minha mãe também e colocou a mão no rosto
dela, com a outra passava a ponta dos dedos do outro lado descendo ate o
queixo, ele tremeu e um sentimento o consumiu, uma coisa que o fez sentir
um vazio no estomago e prendeu o rosto dela em suas grandes mãos, se
aproximando mais e o telefone tocou.
E voltei ao presente e me afastei de Jake o analisando, me sentei e ele
também sentou confuso no sofá.
-O que foi? – ele perguntou preocupado.
-Eu vi... – não sabia se ficava feliz por ainda ter minha habilidade ou
surpresa pelo que tinha visto e analisei minhas mãos.
-O que?
-Eu vi você. - balancei a cabeça negando – Vi por você, minha mãe... – e
olhei para ele vendo sua reação – Vocês estavam na casa de Charlie quando
ela ainda era humana, você estava se aproximando e o telefone tocou. – eu
franzi o cenho pensando.
O que aquilo significava? Ele arregalou os olhos.
-Você pode ver o... passado?
-Sim, é uma nova habilidade, eu achei que só por causa do colar eu podia
tê-lo, mas agora...
-Porque fez isso? – ele me interrompeu irritado. – Você não podia.
-Eu não sei, não sei como faço isso, é espontâneo. – expliquei confusa.
Ele se levantou irritado e foi até a porta.
-Para! Porque agora isso, porque ficou irritado de repente? – eu disse
nervosa me levantando, ele respirou fundo e se virou para mim.
-Eu tenho... Medo. – me aproximei em velocidade sobre-humana passando
pelo sofá e tudo rodou por um instante, cambaleei para o lado, Jake me
segurou.
-Tudo bem? – perguntou preocupado
-Sim. – eu pisquei algumas vezes – Acho que ainda não estou tão bem
quando pensei.
-Desculpe. – e ele me pegou no colo
-Jacob! – o censurei rindo, ele me colocou no sofá.
-Eu te deixei nervosa. – ele se sentou ao meu lado, eu neguei – mentindo.
-Só quero saber... – e me lembrei o que ele estava dizendo – Você tem
medo... Do que? – franzi o cenho
-Que você veja... Umas coisas que fiz, que quis fazer antes de você nascer,
por isso nunca gostei quando você lia meus pensamentos, com medo que
você visse alguma lembrança.
-Por causa de quando você gostou da minha mãe? Mas isso eu já sei e não
ligo, já disse, passado é passado, estou focada no presente e nosso futuro.
-Eu sei. – ele se aproximou – Mas você diz isso porque nunca viu as coisas
que eu disse a sua mãe, meu ódio pela sua família, meu ódio... por você. –
eu arregalei os olhos e me afastei um pouco.
-Eu não sabia disso... – murmurei, ele me olhava culpado e pesaroso.
-A coisas que você não sabe... – ele continuou e a imagem dele e da minha
mãe vieram a minha mente. E ofereci minha mão a ele.
-Deixe tentar ver de novo, eu quero saber de mais. – disse ainda em duvida
-Me arrependerei disso, mas se é a sua vontade. Você deve saber o que
aconteceu. –e ele me deu sua mão,
Fechei os olhos, mas não via nada, apenas o breu de trás das minhas
pálpebras.
E fui percorrendo um caminho que tanto conhecia e levei minhas mãos ao
seu rosto. Elas formigaram e me lembrei de quando usei na primeira vez no
Mike, mas em vez de frias ficaram quentes absorvendo a temperatura do
Jacob e foi se espalhando até não sentir mais nada.
Eu - ele- estava na floresta perto na casa de Charlie, a raiva queimava meu
peito e vi minha mãe ao lado do meu pai, minha mãe ainda humana,
“Não fiz isso por você.” – ele disse a meu pai com desprezo, Edward falou
alguma coisa mais não pude compreender o som ficou abafado, “Volte
para o lugar de onde veio, fique longe dela, é o melhor que pode fazer!” –
ele pensou, meu pai balançou a cabeça.
E algo mudou - um tempo passou- muitas coisas passaram pela cabeça
dele, rápidas demais para eu compreender “O pacto é muito específico. Se
algum deles morder um humano, a trégua acabou. Morder, não matar.” – e
olhou para Bella e um medo o tomou.
Ele não queria que minha mãe fosse vampira...
Depois estava escrevendo em um pedaço de papel, riscava tudo que
escrevia, ele estava tomado por uma confusão estranha.
E mudou, ele estava em uma cabana abraçado com minha mãe em um saco
de dormir, depois estavam a sós, na floresta, um desespero era visível nos
olhos de Bella, imagens e falas passaram, mas eu entendi a maior parte
dela, Jake disse que iria morrer, mas ele estava blefando, apenas querendo
fazer minha mãe assumir que o ama? Isso deve estar errado.
“Pode me beijar, Jacob?” – ela perguntou, ele arregalou os olhos assustado,
mas depois a olhou desconfiado. “Está blefando.”- ele disse - “Beije-me
Jacob. Beije-me e depois volte” – eu não estava acreditando que ouvi
minha mãe dizer aquilo. Ele não sabia se aproximava ou não, se acreditava
nas palavras firmes dela até não ligar para mais nada se aproximando, ela
estava visivelmente rígida, ele pegou o rosto dela com as mãos e a beijou.
Eu não podia me sentir e aquilo era bom, naquele momento.
Ele a beijava com violência e impulsão, mas minha mãe não se movia, ele
parou -“Pode fazer melhor do que isso, Bella”- sussurrou – “Está pensando
de mais.” - ele disse no ouvido dela. - “É isso mesmo. Pela primeira vez,
deixe fluir o que você sente.” Ela balançou a cabeça e ele colocou a mão na
nuca dela á parando. “Tem certeza de que quer que eu volte? Ou realmente
quer me ver morto?”
Como ele podia fazer aquilo, torturar minha mãe daquele jeito?
E ela puxou o cabelo dele, ele se aproximou colocado com força seus
lábios nos dela e ela retribuiu.
Pedi que a imagem mudasse e mudou, muitos pensamentos como lobo e
humanos, mas todos indicavam uma coisa: ele me odiava e me queria
morta, para salvar minha mãe.
Ele estava na sala de Carlisle, minha mãe o- mostrava sua grande barriga,
depois estava na floresta com meu pai e uma careta de dor e tortura
preenchiam a face que tanto amava, seus olhos estavam negros e vazios.
“Então por que Carlisle não fez alguma coisa? Ele é médico, não?
Tire isso dela." – Jacob disse nervoso, meu pai olhou para ele cansado -
“Ela não vai deixar." E o sangue de Jake começou a ferver - "Você já
parou para pensar que ela é tão forte quanto qualquer outra garota de 50
quilos? Quão estúpidos são vocês vampiros? Segurem-na e nocauteiem-na
com remédios. "- houve uma pequena pausa e meu pai respondeu- "Eu quis
fazer isso, Carlisle teria feito...” e Jacob pensou - O que, eles eram tão
nobres assim? - “Não. Não nobres. A guarda costas dela complicou as
coisas."
Rosalie? Tia rose ajudou minha mãe, eu já imaginava...
Vi Alice, meu pai, minha família, todos queriam salvar minha mãe.
Eu não queria machucá-la, nunca quis, eu não sabia!
Mutante... Criatura... Mostro... Assassino... Coisa... Essas palavras não
saiam da mente dele cheia de repulsa e ódio.
Pelos olhos dele tudo era tão triste e desesperador, a dor da minha mãe,
quando eu me movia era tão grande, que queria parar de ver, mas não
conseguia.
Eu tinha contado com ele ao meu lado. Eu tinha contado com ele para
sofrer mais do que sofri. E, acima de tudo, eu tinha contado com ele para
odiar aquela revoltante coisa que estava matando a Bella mais do que eu
odiava aquilo. – ele pensou; a duvida de desfazer o trato de Ephraim e
salvar minha mãe, mais uma coisa era obvia ele não se importaria em me
matar, logo após que nasci, ele estava pronto para me destruir, pronto para
livrar o mundo daquela aberração.
Estava disposto a morrer ao me matar.
Eu não queria ver mais, queria gritar, falar, chorar...
E pisquei na realidade, aquilo tudo me pareceu um sonho, um pesadelo no
qual eu era o monstro... Olhei para minha mão na dele e me afastei
bruscamente, encostei-me ao sofá, minha respiração acelerada e tentei
assimilar tudo que tinha visto e meus olhos arderam.
-Ness? – eu fiz um sinal para que parasse e balancei cabeça.
Eu já não o conhecia mais...
Era o mesmo, o mesmo Jacob Black que amava?
-Preciso pensar. – e sai em disparada pela porta, á fechei e me encostei
nela, olhando para o teto, como eu poderia imaginar...
Ele andou ate a porta, podia sentir sua presença e seu cheiro se
aproximando, me virei e coloquei a mão na porta olhando para a barreira
que nos separava e ele encostou a mão na porta, minha respiração se
acelerou junto com meu coração e corri para o elevador.
Pensei no Mike, estava ficando mais sol e ele deveria estar escondido em
algum lugar, aquilo não ajudou e me senti culpada.
Ótimo! Agora estou culpada e confusa.
O Jacob planejou me matar, ele iria matar minha família, ele amava minha
mãe mais que tudo, talvez... tenha a - amado mais que eu...
Não, não é possível.
Um lado meu, me mandava esquecer e me dizia que quando ele me viu
tudo mudou, mudou de um jeito que ele desistiu de me destruir e fazer
sumir aquele ódio que corroia sua alma, mas... por causa do imprit, se não
fosse por isso, seríamos inimigos mortais e... naturais, se ele não tivesse me
matado naquela hora. E o meu outro lado diz que tudo que vi e ouvi é
relevante e faz parte dele...
Se não fosse o imprint...
Eu achava que sabia tudo sobre ele, parecia que alguém havia tirado meu
chão...
Eu estava já um tempo no saguão do apartamento e me incomodei com os
olhares curiosos das pessoas que passavam, então fui para as escadas e
corri ate mais ou menos o 3º andar e sentei ali, encolhida e pensativa no
canto, entre um lace de escadas e outro.
Fiquei ate que as luzes se apagarem e não me incomodei de me mover para
se acenderem, me sentia, na verdade, não sentia, era como se fosse
invisível ou como se tudo pudesse me atravessar, mas em 5 minutos as
luzes acenderam e um cheiro doce foi aumentando.
Mike apareceu descendo.
-Oi. – ele disse surpreso.
-Oi. – e apoiei a cabeça nos joelhos.
-O que aconteceu? Cadê o Jacob? –senti uma pontada no meu peito ao
ouvir o nome dele.
-Ele está no apartamento, tivemos uma discussão. – ele se sentou no
primeiro degrau – Posso saber o motivo?
-Eu vi o passado dele... Eu posso ver. – e sorri á ele sem vontade. – Ainda
consigo usar minha habilidade. – ele sorriu
-Eu já imaginava, ele apenas intensificou, tudo já estava em você. – eu
concordei e meu pequeno sorriso sumiu. - Hum... E ele ficou bravo por ver
seu passado?
-Foi, pois não queria que eu visse, o que eu... vi.
- O que? – ele perguntou inocentemente, mas tendo uma vaga idéia do que
teria sido.
-Ele odiava mais do que eu poderia imaginar minha família e... eu. Vi ele
beijando minha mãe e desejando mor...- eu não consegui continuar e
involuntárias lagrimas subiram a superfícies com o ardor, como se fossem
acidas e desceram em silêncio.
Ele se sentou ao meu lado e passou o braço pelas minhas costas, estaria
silencioso se não fosse pelos meus soluços.
-Já entendi. – ele deu uma pausa – Eu te perguntei uma vez, se você não se
sentia incomodada por ele ter amado sua mãe e você disse que não... Certo
que você não sabia desse ódio que ele tinha. – ele pensou dizendo e não me
ajudava, fazendo mais lagrimas nascerem – Foi o imprint que mudou tudo?
-Foi. – murmurei
-Você ainda acha que ele te ama? – e eu parei, pensando na pergunta mais
obvia que não tinha feito a mim mesma, talvez não tendo coragem de
querer saber a resposta.
-Se ele me ama? – eu olhei para ele – O que você acha?
-Infelizmente, sim. Mas talvez não seja ele e sim o imprint. – ele disse para
si mesmo, eu olhei para baixo e escondi meu rosto nos braços – Desculpa,
estou te deixando pior. – ele se afastou um pouco – Eu não sei o que é bem
esse imprint talvez seja ele, seja o amor dos lobos... – ele hesitou – Queria
te dar uma coisa. – virei meu rosto e ele tirou do bolso uma pedra rosa e me
entregou – Acho que isso pertence a você. – e a pedra ficou amarela-ouro,
eu a analisei seu contorno de metal, a pedra branca e preta nas suas
extremidades, dava para ver que foram remodeladas com os dedos, ele
tentou prendê-las no amuleto.
-Isso pertence à Bia.
-É... Não sei o que vai acontecer com ele, não sei se o ritual que ela fez
funcionou e esse amuleto está do mal agora... – ele riu – Depois você dá á
ela. – e dei um sorriso tímido.
-Pode deixar. – e coloquei o colar, fiz uma careta e o tirei – Hum... Já deu
confusão de mais, acho melhor guardar-lo. – e o coloquei no bolso da
calça.
-Vamos subir? – ele se levantou me oferecendo a mão.
-Eu ainda não sei o que dizer a ele, não tenho certeza o que pensar sobre
ele. Se devo esquecer, se devo perdoá-lo, se não devo mais olhar na cara
dele...
-Eu acho que você deve subir e conversar, pelo menos o deixe se explicar.
Ele tem uma parte, tendo nome ou não, que te ama, uma parte que te quer.
–e ele fez uma cara de nojo – Não acredito que estou o- ajudando. – eu
quase ri, ele estava tentando me tranqüilizar e ele deu seu sorriso cativante
que era impossível não sorrir de volta.
Mesmo ele gostando de mim, ele queria me ver bem, me ver com o Jacob...
-Eu já vou... – eu disse, mas ele negou e continuou me oferecendo sua mão,
então me levantei.
-Tá, vou falar com ele. – Mike se aproximou e limpou minhas lagrimas
com as duas mãos.
-Ele te ama... mais que isso, você o ama.. e não posso fazer nada. Poderia
dizer que ele não presta e não serve para você, que te farei mais feliz do
que quando está com ele... – ele sorriu docemente. – Mas não posso e quero
você feliz, quero ver aquele sorriso que vi de manhã e para isso você deve
se acertar com ele. – fez uma careta rápida e ele beijou minha testa, eu não
resisti e o abracei.
-Você não existe Mike! – ele riu de leve
Que homem- quero dizer- vampiro faria isso por alguém?
E subimos ate o 5º andar.

"O amor nasce do prazer de olhar um para o outro, é alimentado


pela necessidade de ver um ao outro e é concluído com a
impossibilidade da separação!"
48. NÃO HÁ NOMES
Parei em frente à porta, eu sabia que ele ainda estava lá.
-Vamos? – ele me incentivou e coloquei a mão na maçaneta – Quer que eu
entre?
-Se você quiser... – e a - girei
-Até você precisar de mim. – e entramos
Jake estava em pé, inquieto no meio da sala e me olhou surpreso.
-Ness– e parou, eu me aproximei receosa.
-Oi. – eu disse e mordi o lábio – Precisamos conversar.
-É... – e me sentei no sofá, Mike ficou em pé atrás de mim, mas Jake
continuou parado no meio da sala.
-Queria falar as sós com você. – ele disse e eu franzi o cenho
-O Mike que me convenceu a voltar. – o avisei
-Não, tudo bem, deixarei vocês sozinhos. Ele está certo, é uma conversa
particular. – e antes que eu abrisse a boca, ele disparou á porta e saiu.
-Certo, estamos sozinhos. – disse chateada e com medo do que estaria por
vir, ele suspirou e foi se sentar ao meu lado, mas mantínhamos uma
distância.
-Você me perdoa? – ele não olhava pra mim ou eu não fazia questão de
olhar para ele.
-Eu quero, só não sei se consigo. – admiti
-Me desculpa. Eu estava tomado pelo ódio, com a idéia de que uma criatura
iria matar sua mãe. – eu gelei – Como poderia saber que você... Eu não te
conhecia. Me desculpa, nunca esqueci o que iria fazer naquele dia ou
quando planejava matar sua família, certo que sua Tia Rosalie ainda é uma
exceção. – ele sorriu, tentando amenizar o ambiente, em vão, eu não tive
vontade de sorrir.
-Graças á ela estou aqui. – disse ríspida- Sei que ninguém me desejava,
além da minha mãe e dela, todos queriam salvar minha mãe, mas eu não
sabia, eu não escolhi feri-la!– aumentei a voz, como se implorasse, eu
queria me explicar.
- Pare. – ele me interrompeu, pegando minhas mãos. -Você não teve culpa,
seu pai me disse que você nunca quis machucá-la, mas não quis ouvir.
-Você se sentiu traído... – acrescentei
-Você sabe... Você viu. – ele murmurou – Desculpe. - sua voz era um
sussurro como a minha.
-Para de desculpar! – disse irritadiça e ficamos em silêncio, minha mão
queimando na dele, como se estivessem amarradas e as observei, levantei
minha mão esquerda junto com a dele – Nós somos iguais, parecidos...
Ambos somos meio humanos, nascemos assim e não vamos morrer, além
de estarmos ligados. – e ele entrelaçou nossos dedos.
-Antes não gostava de ser comparado com você, mas agora não tem
palavras para dizer o quanto fico feliz. Aquela foi uma época difícil, a pior
da minha vida na verdade, mas você melhorou tudo depois. – e ele desceu
nossas mãos e me olhando nos olhos. – O que eu sentia pela Bella, não
pode ser comparado, não tem comparação com o que sinto por você. Eu
não sabia o que amar significava, mais que isso, é mais que amar. – seus
olhos penetravam os meus e ficava meio difícil racionar.
-Não existe nada mais forte que o amor. – resmunguei
-Imprint. – ele respondeu, eu fiz uma carranca á palavra.
-Não gosto disso.
-O que? De eu amar você? – eu quase me derreti com suas palavras, mas
continuei.
-Não... O que isso é? Amor? É algo diferente de amar, não há resposta e
tenho medo disso. – ele me entendeu
-Realmente não há, mas só sei que é algo chamado amor ou imprint...
Palavras são pouco para expressar todo o amor que sinto por você, não há
palavra, pelo que entendi, não deve ter nome, não pode ou nem deve ser
denominado, apenas sentido. - ele pausou - Você está dentro de mim, da
minha alma, do meu coração e minha mente, você é meu sol, você me
aquece, não posso viver sem você. Do mesmo jeito que antes de te
conhecer, eu morreria para te matar, hoje, eu morreria para te proteger, não
me importo comigo apenas com você. – eu queria chorar, mas segurei.
-Foi tão difícil ver você me odiando, querendo me matar – e as malditas
lagrimas voltaram – Eu simplesmente tenho medo, medo de você não me
amar, medo de me odiar pelos mais variados motivos. – e ele colocou o
dedo indicador na minha boca, me parando.
-Você acha que eu não tive? A idéia de que você me odiasse pelo que iria
fazer e pelo que fiz, nunca me deixaram em paz nesses 20 anos... E você
aprendia cada vez mais a ler mentes e agora essa sua nova habilidade, eu
fiquei em saída. – ele suspirou – Você me mudou, você me fez crescer,
amadurecer, ter paciência, mais o principal é saber o que significa amar. –
eu sorri e as lagrimas entraram na minha boca e nos abraçamos enfiei meu
rosto em seu ombro e ele apoiou seu rosto no topo da minha cabeça.
-Me perdoa? – ele perguntou de novo.
-Sim... Tudo que vi hoje sempre estará guardado na minha memória, tudo,
mas será apenas para provar o quanto você mudou.
-O quanto você me mudou. – ele corrigiu e nos olhamos.
Talvez não tenha nome o que sentimos um pelo outro; amor, atração,
paixão, imprint, alma-gêmea...
Não há nomes para descrever, apenas sentir.
E como ultimo ato de que eu realmente o - tinha perdoado e ainda mais que
o amava nossos lábios se juntaram, como uma promessa de amor silênciosa
e gostosa.
Ele apertou a pele das minhas costas, me puxando para cima dele e eu
agarrei seu cabelo, nos rolamos para o lado e caímos do sofá rindo.
-Então você chamava tia Rose de loira burra e psicopata?
-É... Loira ainda é costume... e psicopata não na sua frente. – ele disse
baixinho, eu levantei as sobrancelhas e dei um sorriso torto voltando a
beijá-lo.
Ele passou sua mão nas minhas costas por debaixo da blusa e eu respirei
seu cheiro, sentindo sua temperatura no meu rosto.
Jacob poderia ser meu irmão, meu melhor amigo, meu tio, meu namorado,
meu amante, meu lobo... mas de uma coisa eu sabia, ele era meu e eu era
dele.
E um cheiro adocicado foi aumentando em direção a porta e nos olhamos.
-Eu o entendo. – Jake murmúrio para mim – Entendo muito bem... O que
senti pela sua mãe nunca será esquecido, a dor, o ódio, a culpa e o medo
que senti naquela época sempre estarão comigo. – eu o observava pensativa
-Você me aceita mesmo assim? – eu concordei
- Não podemos apagar o passado faz parte da gente, o que eu importa é o
que faremos com ele...
-Certo. – ele sorriu. – Você é meu futuro. – ele disse com os lábios no
lóbulo da minha orelha, me fazendo arrepiar, eu amava quando ele falava
aquilo.
Nós levantamos e esperando o Mike entrar.
-Pelo jeito fizeram as pazes.
-É... – e sorri abertamente
-Obrigada! – eu me surpreendi com o agradecimento do Jake.
Mike assentiu.
-Apenas a quero feliz... – ele respondeu
Mike não saiu mais e conversamos mais um pouco, não éramos como três
grandes amigos, mas Jake pareceu o aceitar melhor – um pouco melhor-
pelo menos parou de olhar torto...

Arrumei uma mala e às 5 horas fomos para o aeroporto.


Estávamos esperando o embarque...
-Quando vamos nos ver de novo? – perguntei ao Mike.
-Espero que breve, eu te ligo ou... você me liga. – ele deu de ombros
-Tá. – e o portão do embarque se abriu – Bem, chegou a hora! – e o
abracei, ele cheirou meu cabelo e nos afastamos.
-Boa viagem. – ele me desejou
-Pra você também. – e dei um sorriso torto, Jake assentiu com a cabeça
indiferente e fomos para o avião.
Estava meio sentida pelo Mike não voltar com a gente e pensei no quanto
tempo nos conhecemos, nem ao menos deu um mês, mas ele já era tão
próximo de mim, era como... amizade a primeira vista, sem contar com as
situações –mortais e perigosas- que passamos, ele se arriscar para me salvar
já vale como anos.
A viajem demorou duas horas e meia, eu e Jake não nos falamos muito,
mas nem era preciso...
A noite estava fresca em Sequim e esperamos outro avião para um pequeno
aeroporto nacional em Quilcene. Não demorou muito e em menos de uma
hora estava perto de casa.
-Estou voltando. – suspirei aliviada, ele sorriu
Tudo parecia um sonho, eu de volta, a floresta fria e escura, Jake ao meu
lado, tive medo de acordar.
As luzes da casa de Carlisle estavam acesas, não estranharia se ninguém
soubesse que estava chegando, já que Alice não me veria com o Jake, e
como um flash, pensei que por sorte, ela não teria me visto com Lilian.
Será que Jake estava próximo o bastante para interferi em suas visões?
Meu pai abriu a porta, antes que eu batesse.
-Renesmee! – ele disse surpreso.
-Pai. – pulei em seu pescoço e fechei os olhos – Voltei, não disse. – e me
afastei sorrindo com vontade de rir.
-Nessie?- Alice apareceu atrás dele.
-Tia!- e corri até ela, nos abraçamos balançando de um lado para o outro e
lembrei dela conversando com o Jake tristemente com o meu possível
nascimento, mas analisei seu delicado rosto feliz e empolgado ao me ver e
tentei esquecer.
Fomos a sala, estavam Rosalie, Emmett, meus avós e minha mãe... Minha
família.
-Oi, gente!- eu disse e não sabia quem ia abraçar primeiro, minha mãe se
moveu até mim e me agarrou, depois se afastou me analisando iluminada.
Meus olhos foram paras meus avôs e Esme abriu os braços a mim, eu fui
abraçá-la.
-Agora vai ficar mais tempo? – ela me perguntou.
-É... Não tenho pressa de voltar. – e abracei meu avô.
-Mas... Você não está em aula? – Alice perguntou indo ao lado de Jasper.
-Não... ainda não. Nossa! Parece que essa confusão durou meses. – eu
elevei as sobrancelhas contando os dias.
-Quando começa? Segunda?- minha mãe perguntou receosa
-Sim. - respondi
-E... Você... Vai voltar quando elas começarem?- Jake perguntou
-Não! Não estou muito a fim de voltar pro colégio, posso ficar mais que
três dias por aqui? – e sorri
-Precisamos responder? – Alice perguntou de bom - ótimo - humor.
-Ok... Quando a Bia voltar. – e fui cumprimentar o resto de meus tios – Eu
volto com ela.
-Quanto tempo isso seria? - Rosalie perguntou
-Eu não sei muito bem, talvez dois meses. - dei de ombros.
-Ok, é meio incomodo saber que você pode perder o ano, mas eu nunca
negaria, já que é para você ficar aqui. - minha mãe disse- Ainda mais...
nessas circunstâncias.
-Você tem noticias dos vampiros que foram para São Paulo? – Rosalie
perguntou, eu olhei para o Jake.
-E... onde está o Mike?- Alice perguntou
-Mike voltou para a França e sobre os vampiros - eu me sentei no sofá e
observei as expressões deles parando em Carlisle. Espera, ele sabe!
Jake disse que tinha falado com ele sobre o veneno... Não havia outra
maneira de saber, se ele não contasse a verdade.

“Eu não falei nada, Nessie, sabia que isso era algo no qual você teria que
contar.”-ele me olhou serio, mas não estava me repreendendo e sim me
encorajando, sorri e assenti.

-Contar o que?- meu pai perguntou curioso, eles se sentaram.


-Bem, como posso dizer... – vasculhei as melhores palavras – Eu fui atrás
dos transgressores e... Eles estão mortos. - eu olhei para meus pais e dei um
sorriso forçado.
-Quando cheguei, ajudei o Mike a matar o lobisomem e o vampiro. – Jake
disse a sua parte
-Lobisomem?- minha mãe arregalou os olhos
-Sim, ele se chamava Kraven e estava atrás do amuleto. - respondi
-Então... –Alice semicerrou os olhos para mim - Acabou? Ninguém corre
mais perigo?
-Não. - disse satisfeita
-Eles estavam realmente atrás de você? – meu pai perguntou
-Sim, Lilian queria o colar.
-E o que ele tem de tão especial? – Jasper perguntou
-Aumenta qualquer habilidade de qualquer um. Querem ver?- e ofereci
minha mão á meus pais e a outra a meus tios mais próximos Alice e Jasper,
eles a pegaram, mostrei tudo o que tinha acontecido, aquilo me pouparia
tempo – tempo que tinha de sobra, mas não queria desperdiçá-lo nem mais
um minuto, agora quero relaxar, curtir minha volta para casa...
Depois mostrei a meus avôs, Rosalie e Emmet.
-Entenderam?- e voltei ao lado de Jake.
-Sim! Deixe me ver querida. - e Carlisle se aproximando, examinando meu
braço esquerdo. - Você está bem? Algum mal-estar ou dores? – eu neguei,
ele sorriu ao Jake.
-Obrigada Carlisle, você não me deixou entrar em pânico. - ele riu de leve.
-Você sabia. -Edward disse á seu pai
-Sim, Jake me ligou pedindo ajuda ao ver que a Nessie tinha sido
“mordida”, não podia ter certeza de nada pelo telefone, mas deduzi que o
corpo dela veria o veneno como um vírus e assim aconteceu. - eu observei
o corte em vertical do meu antebraço, era fino mais visível, será que nunca
iria sair?
-Provavelmente não irá. - meu pai respondeu - Deve ficar como uma
mordida normal de vampiro, elas não somem. - eu analisei Jasper, seu rosto
definidamente perfeito, mas suas cicatrizes visíveis e destacadas em seu
rosto, contando a história de suas batalhas. Ele sorriu timidamente á mim.
-Você está realmente com vocação de se por em perigo em Nessie?!-Alice
disse
-Eu só estava nós protegendo. - me defendi
- Nós? – ela perguntou
-Sim, já que ela estava atrás de mim, se eu voltasse com vocês, também
estariam em perigo e a Bia também, eu tinha que dar um fim nisso. - eu
disse firme
-Ah, para com isso! Você acha que uns vampirinhos á toa iriam nos
machucar? - Emmet se gabou. - Eu já estava todo animado com a idéia de
enfrentar alguém, faz tempo que quero ter uma boa briga, pelo jeito ficou
tudo pra você e pro cachorro aí!- ele apoio a cabeça na mão, chateado.
-Hey!- eu o censurei - Se quer uma boa briga e só marcar a hora. - e eu
levantei uma sobrancelha o - desafiando com um meio sorriso.
-Ah, nem tem graça, você é igual ao seu pai, essa vantagem de ler mentes é
trapaça! - ele resmungou.
Eu dei de ombros rindo e olhei para meu pai que também estava com um
sorriso bonito, será que eu tinha escapado e não teria nenhum sermão?
Ele parou de sorrir e me olhou serio. Droga. Deveria ter calado meus
pensamentos...
-Você cresceu. - minha mãe sorriu docemente á mim.
-Acho que sim. -olhei para o Jake. É eu tinha crescido e sorri de volta.
-E então, o que faremos aqui como seu primeiro dia de volta, depois de
tanta loucura?- Rosalie perguntou.
-Agora? Nada. -eu ri pela expressão deles – Está tarde e pretendo
descansar, amanhã planejamos.
-Sei bem o que você vai ficar fazendo a noite toda e não tem nada haver
com descansar. – Tio Emmett me olhou travesso, o sangue subiu para
minha bochechas de vergonha e raiva, eu queria arrancar a cabeça ou a
língua dele fora, ele riu, eu bufei.
-Tudo bem, podem ir depois nós vamos. - minha mãe disse
Eu não estava cansada, com um pouco de dificuldade sabia que conseguiria
dormir, mas prometi ao Jake que... e parei, meu pai não estaria ouvindo
outra pessoa a não ser á mim – e o analisei, pelo pequeno sorriso em seu
rosto, eu estava certa.
-Certo, até amanhã. –me levantei e acenei.
Eles assentiram, peguei a mão de Jake e saímos.

“As mais lindas palavras de amor são ditas


no silêncio de um olhar.”
49. FAMÍLIA LOBO
-Você estava quieto lá dentro. - comentei enquanto caminhávamos.
-Só estava pensando...
Eu não disse nada, se ele não queria falar, tudo bem, como a minha vida á
dele também não devia estar tranqüila.
-Como está o pessoal?- me referi ao bando
-Bem... Estávamos até apostando que Embry terá seu imprint na festa de
casamento do Quil. - ele sorriu.
-Hum... ninguém mais saiu do bando?
-Não.
-Mas eu só vejo o Seth e a Leah por aqui, como eles ainda se mantém
lobos?- ele olhou para mim
-Nós fazemos patrulha e é comum encontramos um ou outro vampiro por
lá, geralmente perto do Alasca.
-Ah. – eu ergui as sobrancelhas, pensando nos Denali. -Você acha que o
Seth logo terá seu imprint? Estou torcendo por ele... Isso é bom, não é?- eu
franzi a testa duvidando.
-Sim, é. - ele sorriu – Muito. – e beijou minha testa. -Mas, ele está bem
com a Grace ultimamente, mas não tem como prever essas coisas.
-Ele está namorando?- perguntei surpresa
-Mais ou menos, eles estão ficando já faz um tempo. Talvez... - ele hesitou
- O que?
-Nada, lembrei de uma coisa, besteira. - e balançou a cabeça
-Agora me conta!- eu o empurrei de leve, estávamos perto de casa.
-É que ele anda muito ligado á Emily... mas acho que não tem nada haver.
-O que ela tem?- perguntei preocupada
-Eu não te contei? Ela esta grávida... de novo.
-Grávida? Que legal, queria saber como estão a Jessica e o Caleb, devem
estar muito grandes. - Emily se casou com Sam já faz mais de 18 anos, e
eles tiveram gêmeos, Jessica e Caleb á 7 anos á atrás.- Mas ela está com
uns 40 anos?
-É, talvez um pouco mais... Mas ela é forte, saudável. - e chegamos à frente
de casa.
Eu sorri a admirando e entramos, estava quentinho e aconchegante como
sempre, me sentei no sofá e coloquei a cabeça pra trás apoiando no sofá
fechando os olhos feliz e algo tocou meu lábios, os do Jake.
Eu abri os olhos, ele se sentou ao meu lado.
-Ela está de quantos meses?- voltei a nossa conversa.
-Seis, eles até já escolheram um nome, quero dizer, não sabem se é menina
ou menino, então estão em duvida entre – ele fez uma careta, tentando se
lembrar – Megan ou Melody e menino Joshua, coisa assim. – ele deu de
ombros.
-Eu gosto de Melody, é muito lindo... – Jake ficou reservado, sua expressão
se fechou, seria.
-O que foi?
-Será que... nós... podemos, você pode...- ele hesitou.
Se posso engravidar.
-Eu não sei, nunca falei muito disso com Carlisle ou com alguém, mas por
eu ser meio humana há uma possibilidade, não é?- eu me aproximei, ele
passou os braços pela minha cintura.
-É... - ele disse e me beijou, tentando acabar com a nossa conversa e eu
realmente não ligaria se acabasse desse jeito.
-Somos jovens, Jacob. Ainda temos muito tempo para pensar em ter filhos,
além disso, nem somos casados. – eu arregalei os olhos, caçoando.
-Eu posso resolver isso rapidinho. - eu franzi a testa
-Como disse somos jovens, não quero ter pressa para nada. - e ele pegou
minhas mãos.
-Eu já sou adulto, tenho 37 anos, quase um quarentão. - ele fez uma careta,
eu ri.
-Você que se lembrou! Não se preocupa não, quando você passar dos cem
ficara pior e... – eu me aproximei de seu ouvido – Já disse que tenho uma
queda por homens mais velhos?- e levantei uma sobrancelha, fazendo
charme
-Não. - ele arregalou os olhos brincando e me jogou de costas para o sofá,
sem me machucar com seu peso em cima de mim, eu ri aos sussurros. -
Agora você é do papai Jake! – ele disse em uma voz mais grave - mais que
o normal - zuando.
-Credo, Jake! – eu bati em seu ombro.
-Desculpe. - ele disse e se aproximou me beijando.
Seus lábios sempre impulsivos, surpreendentes e quentes nos meus, alisei
suas costas e tirei sua camisa, ele tirou a minha e voltou beijando meu
pescoço, passando a ponta da língua por ele, depois me levantou abraçada a
ele, eu fechei minhas pernas em seu quadril e ele subiu as escadas, até meu
quarto.
A janela estava aberta e um vento frio e cortante passou por mim, a
imagem do Mike veio a minha mente, eu estranhei por assimilar o Mike ao
frio ou ao vento.
Enquanto o Jake foi fechar a janela, aproveitei para fechar a porta, tirar os
sapatos e minha calça, voltei a cama em um segundo, ele também veio a
mim...
Minha mãe devia ter arrumado minha casa, estava com um delicioso
edredom roxo e não me incomodei em retirá-lo como de costume.
Nós fomos para o meio da cama voltando a nos beijar, ele pegou meu rosto
e sorriu, me beijando com certa pressa e violência, pressionando seu corpo
contra o meu, prendi minhas pernas em seu quadril novamente e tiramos o
restante das roupas, nos viramos e fiquei em cima dele, puxei seu cabelo de
leve e beijei seu pescoço dando pequenas mordidas, a pele dele tinha um
gosto bom, mas não de um jeito que eu quisesse provar seu sangue - no
qual já tinha provado - senti sua pulsação e seu coração bater meio
desregulado, mas nada era mais desejável que ele - que seu corpo.
Beijei seu peito, apertando seus braços, ele não poderia ser mais lindo e
voltei a seu rosto, ele sorriu mostrando os dentes como uma criança, eu
acariciei sua bochecha.
-Eu te amo. - sussurrei, impressionante como nunca me cansaria de dizer
aquilo, ele me fitou.
-Você é meu mundo, sem você eu não existo... Eu te amo mais do que
poderia imaginar. – ele me olhava seriamente apaixonado, eu sorri,
enchendo meu peito de felicidade.
-Desta vez não te farei parar. - disse
-Que ótima noticia. - nós rimos
Ele me acariciou me beijando, me amou como sempre fazia, eu amava cada
parte dele, ainda mais quanto estávamos tão “ligados” e próximos, como se
fosse o melhor e mais completo modo de expressarmos nosso amor.
Além de que eu sentia falta daquele tipo de carinho, tanto quanto ele, talvez
por ele ser lobo tudo também seja ampliado como seu apetite, força,
velocidade, até mesmo seu sono, esse “carinho” também era mais
desejável.
Desta vez estávamos mais românticos - mais calmos - mas também
impulsivos, era algo que nos deixava felizes e cada vez mais satisfeitos,
mas também querendo mais.
Aquilo durou, talvez mais de 4 horas, perdi a noção do tempo, eu não
consegui dormir depois, me sentia bem – mais que bem na verdade- estava
completa.
As dores nos braços tinham passado, Jake estava dormindo, eu me levantei
estava quente o suficiente para sair de perto dele, coloquei uma camisola e
fui à janela, me sentei na berrada dela e fiquei olhando para lua, ainda era
lua cheia e muitas estrelas complementavam a paisagem.
Amanhã eu perguntaria a Carlisle, se posso engravidar, eu falei brincando
mais... É realmente provável que eu possa ou não...
Até os 11 anos eu ovulada regularmente como qualquer humana normal,
mas depois que parei de mudar, é como se estivesse na menopausa, apesar
de que... talvez seja impressão, mas mais ou menos a cada muito tempo,
um ano ou mais eu... talvez aquilo não seja ovular, ninguém teria um ciclo
menstrual de um ano ou mais, teria? Certo que não sou nem um pouco
normal.
Ai, eu não sei, esse tipo de assunto é estranho e... triste, eu olhei para o
Jake, ele não poderia ser pai? Eu não poderia conceber um filho dele?
Meus tios são felizes há décadas e não possuem filhos e nem quiseram
adotar, por enquanto...
Eu não quero ser mãe, não agora, me considero uma jovem adulta e quero
curtir como qualquer um, mas ser mãe de um filho dele parece um sonho,
ter além da minha família, uma própria do meu sangue e do Jake...
Tudo está perfeito do jeito que está, eu balancei a cabeça sorrindo, não
preciso de mais nada, além dele, da minha família, do Mike, da Bia, dos
meus amigos, estou completa... e voltei a olhar a lua, esperando que o Sol
tomasse seu lugar.

Quando Jacob acordou eu já tinha tomado banho, feito o café – para ele.
Meus pais passaram a noite na casa de Carlisle como esperado e agradeci já
que nossas blusas estavam na sala.
-Bom dia, dorminhoco. - eu disse alinhada a ele.
-Bom dia. - ele bocejou e se espreguiçou – Quanto tempo está acordada?
-Eu não dormi.
-Oh, desculpe tê-la entediado. – ele disse com humor
-Não, eu adoro te ver dormindo. – e o beijei - Há propósito, a noite de
ontem foi maravilhosa... Valeu a pena esperar?- eu levantei a cabeça para
olhá-lo melhor.
-Nem me diga. - ele riu e acariciou meu cabelo. -Vou tomar banho, para
gente poder aproveitar o dia, que tal um passeio de moto?- eu arregalei os
olhos
-Não seria mais perfeito. - ele se levantou e foi ao meu banheiro.
Já fazia um tempo que não andava nela, desde o começo do ano na
verdade.
Ele pediu para eu pegar suas roupas, ele deixava algumas roupas na minha
gaveta, escolhi uma blusa branca com gola em V bem leve e uma calça
jeans azul escura, ele iria reclamar já que suas roupas de costume eram – de
vez em quando- uma camisa simples e um short, mas ele ficava irresistível.
Ele saiu do banheiro fazendo uma careta.
-Qual é, Nessie! Eu vo ferver dentro disso.
-Ah, não é para tanto. Ta um gelo lá fora, você nem vai nota. – ele me
encarou.
-Certo. -eu sabia que a qualquer momento ele daria uma desculpa para se
transformar e acabar com a roupa – ou parte dela.
Nós descemos e fomos a casa de Carlisle.
- Não. Nem pensei em acabar com a roupa!- exclamei quando ele soltou
minha mão, fez bico e continuamos andando.
Chegamos lá rapidamente, desafiei Jake a me pegar e ele ficava cada vez
mais nervoso, já que não podia se transformar.
Eu ri, ele fazia cara de bravo.
-Desculpa, amor, na próxima você se transforma. - eu o abracei
-Claro. -ele disse chateado, eu dei um beijo em sua bochecha, ele ficava
muito fofo bravo.
-Bom dia!!- Alice disse ao entrarmos
-Oi, gente. - eu me apresentei, meus pais, tio Jazz, tio Emmett e Carlisle
estavam na sala. Rose e Esme na cozinha.
-E ai, o que estavam fazendo? – perguntei animada
-Revendo os fatos... Vocês destruíram os corpos? –Carlisle perguntou ao
Jake, abraçado a mim.
-Sim, eu estava com a Nessie, então o Mike cuidou de tudo. - ele respondeu
serio.
- E os Volturi?- minha mãe perguntou
-Mike disse que iria informá-los e que eles iriam averiguar a área, ver se
está tudo nos conformes. – eu disse presunçosa
-Acho que não teremos mais problemas. - Carlisle disse
-Espero que sim, mas então... Alguma idéia de como iremos passar o dia?-
eu olhei para Alice, Esme e Rosalie apareceram.
Esme me deu um beijo na testa e Rosalie empurrou o Jake, sem delicadeza
para me abraçar, ela sorriu á ele e foi se sentar no colo de Emmett.
-Eu não sei... Para onde quer ir?- meu pai perguntou
-Hum... – e olhei o Jake – Acho que vou dar uma volta com minha moto,
tudo bem?- olhei para eles.
-Vá, querida, se divirta!- Esme disse
-Ate logo. - eu sorri abertamente e sai com o Jake
-Achei que você tinha esquecido. - ele comentou
-Claro que não... Você mais moto é um dos meus passatempos preferidos.
-Agora posso?- ele fez sinal para tirar a camisa.
-A sua moto está aqui ou em La Push?
-La Push... Posso?- ele insistiu, eu concordei e ele tirou blusa entregando á
mim.
-Que bom, então podemos saber como está o bando, a Emily... - ele franziu
o cenho pensativo.
-Acho que sim. – e me entregou a calça e se transformou.
O que ele queria disser com aquele “acho”? Eu iria descobrir logo que
chegássemos lá.
Eu subi em suas costas, era tão legal andar – correr - com ele quanto de
moto.
-Chegamos. - ele disse saindo de trás de uma árvore.
Estávamos na casa dele, fomos para garagem.
-Billy está?- perguntei.
-Não, está na casa de Sue...
-Hum... Quando verei a Emily, quero dizer, quando é o casamento do
Quil?- ao se referir a Emily em pensava no Sam e nos filhos deles, porque
Jake não estava falando deles? Ele tirou a moto da garagem.
-Nessie, eu... - ele queria me disser alguma coisa
E eu comecei a entender; Quil, Jared, Sam e Paul não são mais lobos
então...
-Você está com medo de que a minha presença... Os faça voltar, faça
voltarem a se transformar?
-Sim. - ele admitiu
Eu sempre via o bando, era raro, mas quando insistia ou tinha uma
comemoração eu ia vê-los, e... sempre os ex-lobos não estavam lá, era
possível que Jacob teria omitido o casamento do Quil se pudesse, já que
não foi ele que me contou e sim meu avô.
-Você acha possível? - perguntei
-Eu não tenho certeza, mas... Eles preferem não arriscar.
-Claro, eu sou... perigosa. - e meus olhos caíram tristemente.
-Não!- ele parou e ficou na minha frente, o forçando olhar para ele – Não é
isso, por favor, não pense assim. Você é metade vampiro e provavelmente
ative o que esteja adormecido neles. Por favor, nenhum de nós gostaria que
você pensasse assim.
-Eu sei... mas então nunca poderei ver a Jessica, o Caleb ou qualquer um da
linhagem de vocês? -depois que falei estranhei o “vocês”, mas esperei que
ele não notasse.
- Não posso afirmar nada, mas se você pudesse manter distancia deles, eu...
- o interrompi
-Já entendi, Jacob! Sem contato com os lobos. - e segui alguns passos à
frente.
Eu realmente entendia que eu poderia os fazer voltar a serem lobos e quero
o melhor para eles, mas... Eu quero tanto vê-los novamente, até mesmo
conhecer os novos membros da família “Quileutes”, simplesmente por
serem a família do Jacob e de uma estranha forma a minha também.
Demorou para todos me aceitarem e verem que não sou o tipo de monstro
que achavam que seria, mas depois de tudo quando eu ia freqüentemente a
La Push, a reserva, sentar ao redor da fogueira ouvindo as milhares de
histórias inventadas pelo Quil ou Jared e as aventuras deles, a Emily feliz
com seu casamento com o Sam, eu a ajudava a preparar algumas coisas
para eles, eu e o Jake observando o céu perto da fogueira, eles zuando –
saudavelmente- da minha família, as pequenas piadas e brigas, era muito
bom e sentia falta disso, da minha família lobo.
Nós já tínhamos andado mais ou menos 30 minutos, ele levava a moto ao
seu lado...
-Chega. - ele subiu na moto e a ligou – Vamos voltar como gente normal,
temos uma moto aqui, poderia me disser por que estávamos andando?- eu
me virei o analisando.
-Fico triste em saber que não posso conhecer sua “família”, ficar juntos
deles novamente. - eu suspirei
-Não podemos ter certeza, se quiser perguntamos ao Carlisle e eu converso
com o bando. - eu me aproximei e coloquei minhas mãos em cima das dele.
-Tudo bem, eu só quero o melhor pra eles. - e subi na moto, abraçada a ele
- sem necessidade- já que não preciso de um apoio para não cair dela.
Passamos em casa para pegar minha moto.
-Vai perguntar á ele? - Jake me perguntou.
-Sim. - e voltamos para a casa de meu avô
Deixei minha moto encostada na parede do lado de fora e entrei...
-Já voltaram?- minha mãe perguntou surpresa
-Não, ainda não. - Jake disse meio triste ou chateado, não soube identificar
seu humor, enquanto fechou a porta.
Subi as escadas, seguindo o cheiro de Carlisle, ele era o mais sábio, mais
experiente, deveria saber de alguma coisa, meu pai também poderia saber
mais preferi não incomodá-lo. A porta de seu escritório estava aberta.
-Posso entrar?- eu perguntei da porta.
-Claro. - e entrei, fechando a porta atrás de mim.
-Eu queria saber... Se não posso mais ver os lobos, quero dizer - eu
balancei a cabeça- Os que não são mais lobos? E até mesmo os filhos deles,
pois teriam seus genes?
-Hã... – ele tentou entender o que eu queria dizer – Presumo que não,
querida, sua presença é bem capaz que os faça voltar a serem lobos, quanto
a seus filhos... - sim estava certo, eu nunca mais poderei ver o Sam, o Quil,
o Jared ou o Paul novamente - Não posso ter certeza já que você é a
primeira meio-vampira que conheço, exceto o Nahuel, mas acho que não
seria um grande problema, sua presença não poderia ser constante e depois
da puberdade é cada vez mais perigoso e instável, entende?
-Sim, eu queria conhecer os filhos da Emily e do Sam, mas Jake disse que
não era uma boa idéia.
-É como eu te disse, não podemos ter certeza, a escolha de vê-los ou não
depende da vontade deles e sua. - eu me aproximei e dei um beijo em sua
bochecha.
-Obrigada, vô. - e sai.
Jacob me esperava no pé da escada.
-E aí?
-Ele não tem certeza, ninguém tem na verdade. Mas se eu ver novamente
um dos ex-lobos certamente os traria de volta e seus filhos talvez não.- ele
franziu a testa
-Certo e o que vai querer fazer? Quer realmente vê-los e arriscar? Fazê-los
virar uma coisa que não querem? – eu o encarei duvidando, “uma coisa de
que não querem?”
Aquilo me pareceu pessoal, Jake não quis virar lobo, nunca quis?
Não que eu sabia...
- Você não teve escolha não é, você nunca quis ser lobo?- perguntei
murmurando, parando no meio da escada.
- No começo eu detestava, odiava na verdade, eu não tive escolha... mas
agora depois de todos esses anos é o que sou e devemos amar quem somos,
não é verdade?- parecia que a mesa tinha se virado á mim.
-Sim é verdade... – concordei.
- E então vai mesmo arriscar?- ele voltou com um tom não muito gentil.
-Está me ajudando muito, Jacob! –e passei por ele indo à sala.
-Você me entendeu... - ele continuou – Você ainda pode ver o resto do
bando, por que isso seria tão ruim?
- Você não entende que um dia... Vai chegar o dia em que eles deixaram de
ser lobos, provavelmente quando tiverem imprint e não poderei ver mais
ninguém, nem mesmo o Seth. – eu baixei minha voz.
-Ainda temos tempo. – e ele acelerou o passo, me alcançando e me abraçou
á força, eu queria me soltar mais não pude – Não se preocupe tanto, este é o
preço da eternidade, ver os outros irem embora enquanto você fica, vendo
tudo passar. - eu o analisei
O futuro novamente me assustava... Isso nunca iria parar?
Sim, iria, mais de um jeito que só me trazia saudade e dor, apesar de saber
que eles estarão bem e felizes enquanto não envelhecerem e finalmente
morrerem...
Meu coração se apertou em pensar na possibilidade do Seth morrer, de
nunca mais ver ninguém do bando e até mesmo meus avôs maternos fez
meus olhos se encherem de lágrimas.
- Eu sempre estarei aqui!- ele disse e o abracei.
-Aproveitarei enquanto posso. - disse ainda tentando me conformar e fomos
para sala.

“Saudade é uma coisa que não tem medida,


é um vazio que a gente só pode preencher com a lembrança.”
50. NOVO COMEÇO
Me despedi novamente deles e fomos as motos, passeamos por Port
Ludlow e os arredores.
Ele almoçou em uma lanchonete, compramos algumas coisas, foi bom
lembrar dos velhos tempos, como se nada tivesse mudado – acontecido –
mas realmente alguma coisa mudou?
Não, nada mudou, tirando o fato que ganhei amigos, conheci pessoas e
vampiros novos, um melhor amigo e uma melhor amiga á mais, além de
amar cada vez mais o Jake – se possível.
E me lembrei de uma conversa que tive com ele antes de viajar.
Nós estávamos em uma loja de peças de carros, Jake precisava encomendar
algumas para um carro que estava consertando.
-Então, né... Estava lembrando... Depois de tudo, eu voltei para você. – eu
disse enquanto saímos da loja, ele me olhou curioso se lembrando da
conversa.
-Você voltou para mim?- ele perguntou meio descrente.
-Sim, lembra que você disse que no final dessa jornada, que era para eu
provar de outros amores – eu revirei os olhos- e ver o que eu realmente
sentia por você? Então, aqui estou eu! – nós sorrimos e fomos para a praia,
já estava anoitecendo e teríamos que voltar em breve.
-Ainda não acabou. - ele disse ao nos sentarmos na areia fofa e branquinha.
-Hã?
-Não se esqueça que ainda estamos no meio do ano. - ele me lembrou.
-Ah! Certo, hum... Ok. Daqui a alguns meses eu digo tudo de novo. – eu
disse rindo.
-Disser o que?- ele fez cara de desentendido, me aproximei colocando meu
peso sobre ele, ele deitou de costas e me aproximei de uma mandíbula.
-Que te amo!- murmurei e voltei a olhá-lo, o sol refletia em sua face o
deixando em um tom perfeito de cobre.
O céu estava alaranjado com belas nuvens roxas, era o crepúsculo um dos
mais lindos que já tinha visto.
Eu mexi no cabelo dele e minha pulseira fez barulho...
-Afinal quem é o Sol ou a Lua? – uma pergunta que há 16 anos quero
saber.
-Ah, eu sempre te disse que você seria o Sol, pois a Lua não brilha sem ele,
como eu não viveria sem você. Não concorda? – eu torci a boca.
-Não, não concordo. Eu já acho que você me aquece, me ilumina, você é
meu Sol. – ele riu, para minha surpresa.
-Bem... Se pensarmos, é a Lua que gira ao redor do Sol não o contrario,
como meu mundo gira ao seu redor. Você é o sol de todos nós, em que a
sua luz nos enche de alegria, a luz do Sol nós torna mais vivo e alegres.
Todos amam o Sol, por que não o amariam? E ele sempre estará lá, eterno
como você, mesmo á noite quando a Lua toma seu lugar, ele está lá atrás
dela, a enchendo com sua energia. Você nunca percebeu que as pessoas se
sentem bem ao seu lado? – eu dei de ombros surpresa.
-Você é a luz do sol de todos nós, você ilumina por onde passa, aquece
nossos corações com a sua doçura e seu jeito alegre.
-Mas nem todos gostam de mim. - eu argumentei pensando na Meredith.
-Verdade, nem todos gostam do Sol, não podemos agradar a todos, tem
gente que gosta mais da chuva ou da noite, mas sempre esperam o Sol
voltar, pois no fundo sabem que se ele não voltar sentiram falta dele.
- fiquei pensativa nas palavras dele. -Admite que você é o sol? – eu o
encarei – Pelo menos o meu Sol?
-Hum... Vou pensar no caso. – eu ainda não entendia e ainda acredito que
ele é o sol, meu sol, não o contrario.
E a Lua não é tão ruim assim, a noite não seria linda e mágica sem a Lua,
certo?
Sei que está discussão será eterna como nós. Então resolvi não contestá-lo e
terminar nossa conversa com um beijo.

Na casa de meu avô, planejamos caçar no dia seguinte, minha família


estava na sala conversando de como seria meu aniversário desse ano e da
minha mãe, fui à sala de música e me sentei ao piano, passei a toa os dedos
nas teclas e toquei uma canção em que meu pai estava me ensinando –
BlueMoon da Miranda Wong - depois comecei a tocar uma que veio a
cabeça, eu estava inspirada no Jacob, tocando pensando nele, era rápida e
ritmada como uma história, mas as vezes eu passava os dedos devagar,
mais calmamente, como se mostrasse o lado doce e gentil dele.
E ele apareceu ao lado da porta, eu parei de tocar envergonhada – surpresa.
-É linda. - ele se aproximou e se sentou ao meu lado
-Não está pronta, eu... Só estava inspirada. - e treinei as próximas e finais
notas. Ele me observou sorrindo – Quando estiver completa eu te mostro. -
e parei de tocar.
-Tenho certeza que será perfeita!- ele me puxou para perto pela minha
cintura e beijou minha bochecha, eu sorri, mas ele continuou pelo canto da
minha boca e meus lábios, ele movimentava seus lábios meio apressado, eu
segui seu ritmo até alguém limpar a garganta secamente da porta, eu parei
me distanciando de Jake, me coloquei de pé em meio segundo e fui atrás
dele colocando minhas mãos em seus ombros.

“Precisamos conversar.”- meu pai disse, logo em seguida minha mãe


apareceu.

“Claro!”- concordei, eles não iriam deixar passar e o “Em casa


conversamos” passou pela minha cabeça.

-Já volto. - e me afastei de Jake, ele sabia que seria uma conversa particular
e me esperaria na sala de música.
Fomos para o segundo andar, meus tios não estavam mais na sala,
deveriam estar lá fora e fomos para meu quarto - da casa de Carlisle.
Me sentei na cama.
-Digam. - eu esperei.
Minha mãe suspirou.
-Não vamos brigar com você, está tudo bem. - eu franzi o cenho.
-Como assim tudo bem?- eu olhei para meu pai.
-Bem... No final não aconteceu nada com você ou com o Jake, mas
poderia... e queremos dizer – ela se sentou ao meu lado e pegou
carinhosamente minha mão – para que não aja mais sozinha, nunca mais,
somos sua família e iremos te apoiar em qualquer decisão que você tomar.-
ela sorriu
-Eu sei disso, mãe, mas só que vocês não iriam me deixar ir atrás deles.
-Não. - meu pai falou – Mas iríamos com você.
-Desculpe ter preocupado vocês pela milésima vez este ano, eu sinto muito
mesmo. - eu olhei para minhas mãos em meu colo.
-Está tudo bem. - ela me abraçou, seu abraço era quente, aconchegante, eu
me sentia segura e a abracei de volta, enfiando meu rosto em seu ombro,
contendo algumas lagrimas, me lembrando de como ela me amava, em que
morreria para me ter, me salvar - e assim foi - pensei em como foi difícil
para ela acreditar em uma coisa – em mim- e todos disserem que ela estava
errada e não deveria me ter, ela se afastou e pegou meu rosto, seus olhos
em um topázio liquido.
-O QUE? - meu pai perguntou em um tom urgente
- O que foi Edward?- minha mãe perguntou
-Nessie, você... Sabe... Como você sabe sobre... – ele hesitava, eu logo
entendi.
-Sobre as coisas de quando minha mãe estava grávida?
-É. - ele disse confuso, ela me olhou assustada
-Jacob. Eu vi em suas memórias.
-Como fez com Aro?- Bella perguntou
-Sim.
-E... O que você sabe, exatamente?- meu pai perguntou
-Tudo. Eu sei de tudo. - respirei fundo - Eu tinha que saber. - meu pai
continuava de pé parado, me olhando surpreso
Para provar, lembrei de quando ele falava com Jake, com seu rosto tortuoso
e triste.
-Querida, eu- e deu um passo á frente, eu o interrompi indo abraçá-lo.
-Tudo bem, pai, eu sei de toda a história, se tivesse escolha eu não teria
feito ela passar por tudo aquilo.- não teria nascido...
-Não diga isso, Renesmee!- ele me repreendeu – Você é amada,
inimaginavelmente amada. Você é a maior alegria de nossas vidas. - ele me
abraçou apertando minha cabeça contra seu peito.
-Eu te amo, pai. - sussurrei
-Eu também te amo, Renesmee. - e ele beijou meu cabelo, minha mãe se
levantou e nos abraçou.
-Ficaremos juntos sempre. - ela disse – Somos uma família.
-Sim. - e meu pai beijou sua testa.
Eu poderia ter 20 anos, dirigir, ter um namorado, ter feito coisas de adultos,
morar sozinha – temporariamente -, mas naquele momento me sentia uma
criança, como quando tinha 4 anos, totalmente segura nos braços deles.
Ao voltar à sala de musica, vi Jake dormindo no sofá e resolvi não
incomodá-lo.
Esme estava na cozinha preparando algum tipo de carne no forno –
provavelmente para Jake ou para mim.
-Oi. Pro Jake?- eu perguntei bem humorada me apoiando na bancada
-Pra vocês dois na verdade. - ela sorriu
-Hum... Sabe onde está Carlisle? Precisava falar com ele... Ele não está na
casa.
-Ele foi ao hospital, alguma emergência, logo estará de volta.
Carlisle trabalhava no pequeno hospital de Quilcene, é muito calmo,
comparado a Forks.
-Ok. - e sai
Liguei a TV na sala e fiquei assistindo uma serie de vampiros, era
assustador quando mostrava algo muito parecido conosco, como super
velocidade, super força e o alho ou coisas cristãs não nos afetarem, mais
hilariante em relação às presas, o rosto mudando para uma expressão
demoníaca ou queimar a luz do sol, muito clichê.
E meu avô chegou, eu corri a porta.
-Preciso perguntar uma coisa!- eu disse ansiosa
-Claro... Diga. - ele sorriu
-Pode ser lá no escritório? É meio pessoal. - eu fiz uma careta, ele riu e
fomos para cima.
-Pronto, agora diga. - ele fechou a porta.
-Eu estava querendo saber se... Não agora, eu não penso em ter nada agora
– eu balancei as mãos no ar- Mas queria saber por curiosidade... - eu estava
enrolando e ele me interrompeu
- Se você pode engravidar? - ele me poupou o sofrimento e nos sentamos.
-É... Jake queria saber, eu também...
-Bem, você não costuma menstruar, não é? Digo, nunca percebemos nada. -
era muito constrangedor quando era mais nova, saber que todos – inclusive
seu pai e seus tios- quando você está em naqueles dias.
-Sim, desde que parecei de envelhecer. – concordei- Mas eu sou meio
humana, será que não existe uma possibilidade?
-É complicado, eu teria que fazer alguns exames, mas não sei como, já que
uma agulha não penetra sua pele. – ele esfregou os dedos pela testa, eu
mordi o lábio – Mas mesmo que você não envelheça, não significa
necessariamente que seu corpo não possa mudar.
-Hã??- eu não entendi, ele sorriu.
-Por exemplo, seu cabelo cresce, não cresce? – ele encostou as costas na
cadeira de couro macia.
-Bem... - eu o analisei – Sim, em uma velocidade muito lenta, mas sim, eu
lembro quando Alice cortou meu cabelo e em cinco anos estava do mesmo
tamanho, isso porque ela só tinha cortado uns 4 centímetros.
-É eu me lembro, foi uma surpresa para todos nós, já que você já tinha 14
anos.
-Mas então... – eu queria saber aonde ele queria chegar.
-Como seu cabelo, seu corpo poderia mudar naturalmente, como seu ventre
se ampliar para acomodar a criança.
-Acho que entendi.
-Agora, se você não ovula, é tecnicamente impossível. - eu suspirei.
-É, não acho que seja possível, mas... A cada um ano ou mais, é... como se
eu menstruasse, talvez seja impressão minha, não dura mais de 3 dias, eu
sempre vou para La Push nesse período, por isso vocês não desconfiam. –
ele arregalou os olhos.
-Como você pode esconder uma coisa assim? - ele disse surpreso, como se
eu estivesse escondendo ouro.
-Eu não achei importante, além de que, não me sinto a vontade de falar
com alguém nesse assunto.
-Oh... Eu deveria ter imaginado. - ele sorriu
-E também, ninguém poderia ter um ciclo menstrual normal de mais de um
ano... né?- eu fiz careta, ele riu.
-Não, mas você realmente não é normal, você é uma caixinha de surpresa,
eu não me surpreenderia se você apenas ovulasse a cada um ano e... – ele
parou – Faz até sentido... – ele disse para si mesmo.
-Como assim?- eu estava ficando cada vez mais confusa e ele mais
esclarecido?
-Pense... Você sempre conterá algo humano e como seu cabelo, presumo
que suas unhas também cresçam como um humano normal, mas – ele
parecia empolgado contando sua “descoberta” – em um processo mais
lento, muito mais lento, hum... Como se os dias fossem meses e os meses
fossem anos, seu relógio biológico deve funcionar assim.
-Ah, entendi, é faz sentido, como um humano deve comer todos os dias e
varias vezes ao dia, eu só como quando tenho fome e isso é mais ou menos
a cada semana, mas então... Isso significa que uma hora vou morrer. - ele
cortou a respiração junto com a minha.
-Não! Também não creio que seria assim, você não envelheceu mesmo
depois desses 10 anos.
-Sim, mais se é como você disse 10 anos seriam 10 meses e um humano
não muda tanto nesse período. – eu argumentei.
-Gostaria de crer que não seja assim, Nahuel tem mais de 170 anos e não
envelheceu um dia, você sabe.
-Mas ele é homem e possui veneno, talvez isso o torne mais vampiro. – eu
estava decidida a acabar com minha prevê felicidade?
-Não... Não. – ele juntou as sobrancelhas e se aproximou de mim
colocando as mãos em meus ombros. - Querida, pare de achar que nem
tudo pode ser perfeito, vamos dizer que... Para nós imortais não existe
finais, sempre um novo começo. - ele sorriu e não pude dizer mais nada, ele
estava certo.
Se eu iria morrer ou não, eu não me importo, mesmo que uma grande parte
de mim diz que não (provavelmente minha parte vampira – a parte
chamada imortal) e essa coisa de eu poder ter filhos é apenas uma coisa
para que eu possa ser -mais- feliz. E sorri o abraçando.
-Obrigada de novo.
-Por nada. - e desci.
Meus tios estavam de volta conversando na sala e Jacob na cozinha, eu fui
até ele, que estava atacando o pernil que Esme tinha preparado. Ele me viu
e limpou a boca com o braço.
-Onde estava?
-Lá em cima, conversando com Carlisle. - ele logo entendeu de qual seria o
assunto.
-E...? – eu dei um sorriso torto, ele ate parou de comer.
-Eu posso, eu posso Jake, com alguns esquemas, mas eu posso!- eu disse
animada, ele arregalou os olhos e correu para me abraçar me tirando do
chão.
-Eu não acredito! - ele disse iluminado, com meu rosto em seus olhos, eu
sorri incansavelmente a ele, ele me beijou com força e me virou, colocando
sentada na bancada, seus lábios expressavam sua felicidade juntos com os
meus.

"A alegria compartilhada é uma alegria dobrada."


51. DESTINO
Os dias e as semanas passaram tranqüilos e divertimos aqui em Quilcene e
Forks, o casamento de Quil será em novembro e eu ainda não tenho certeza
se verei Jessica e Caleb, eu e o Jake conversamos com o bando e eles
disseram que a decisão cabia a Emily – que permitiu e ao Sam- que está
receoso, mas poderia esperar, não tinha mais tanta pressa como antes.
Nós viajamos para o Alasca passar uns dias com os Denali e avisá-los do
meu aniversário, minha mãe convenceu de que o dela seria apenas conosco
mesmo. Meu aniversário é apenas três dias antes do dela, ela achava e acha
ridículo comemorar seu aniversario humano, mas nós não ligamos e sempre
festejamos.
Eu adoro minhas -quase- tias, foi muito divertido brincar com a neve, ver
Garret e Emmet brigarem, mesmo que de mentira... Jake não foi com
agente, já que os Denali não gostam da idéia de lobos, eu já tentei
convencê-los de todas as maneiras mais de nada adiantou.
Eu falei uma vez com o Mike para saber como ele estava e sobre os
Volturi, ele disse que estava tudo certo e que eles estavam em crédito
conosco, fiquei muito feliz com a notícia. Lá todos estavam bem, a Anne, o
Joseph até mesmo a Meredith, ainda acontecia àquelas festas e mesmo
sentindo culpada não poderia fazer nada, apenas aceitar.
A Bia estava melhor e eu iria voltar para São Paulo, ela se recuperou
rápido, em apenas um mês mais ou menos, ela não deveria voltar à escola
agora, mas ela quis e eu fiz questão de estar junto dela.
Eu estava arrumando minha mala para voltar.
-Mais uma despedida?- Jake me agarrou por trás e beijou meu pescoço, eu
coloquei minhas mãos nas dele
-Creio que sim. - e me virei, subi na lateral da cama, me deixando da
mesma altura que ele e encostei minha testa na dele – Você nem vai sentir
minha falta. Já estamos acostumados, não é... - eu sorri, ele respirou fundo.
-Eu nunca me acostumarei com você longe de mim, mas tenho certeza que
você também não sentirá minha falta. - eu não agüentei e o beijei o mais
sincero que pude, ele retribuiu meu beijo com carinho.
Na casa não tinha ninguém, meus pais já me esperavam na casa de Carlisle,
Jake se transformou em lobo e me levou ate lá, minha mala não estava tão
pesada como de costume.
Me despedi deles e fui para o aeroporto com meus pais, Jake foi junto
também, era sempre chato deixar Quilcene ou o EUA, eu gosto do frio, do
verde, mas eu estava ansiosa para ver a Bia e até mesmo empolgada para
voltar a ser uma garota normal, quero dizer, voltar a fingir ser uma garota
normal. Meu pai levou minha bagagem ao chequim e esperamos vinte
minutos para eu poder embarcar.
-Espero que não tenha perdido muito coisa na escola. - minha mãe disse ao
me abraçar.
-Ah, nem me importo muito, você não ligaria se eu dissesse que nas provas
finais não usasse o meu aprendizado, ligaria? – eu poderia usar meu dom à
vontade, mesmo sabendo que eu já saberia as respostas.
Ela semicerrou os olhos e riu.
-Não. – e me abraçou pela ultima vez.
-Cuidado. - meu pai disse.
-Sempre, mas o máximo de cuidado que poderia ter seria não deixar as
coisas serem entediosamente mortais daqui para frente – e dei de ombros
-Tédio é bom. - ele sorriu e me abraçou.
E por ultimo o Jake, que mostrava um sorriso.
-Volta logo, viu!- ele me abraçou.
-Farei o possível. - e selei meus lábios nos deles.
E fui para o avião com um leve aperto no peito, voltando sozinha para São
Paulo.
Peguei um taxi e fui para a república, eu tinha avisado a Sophia que estava
voltando. Bruno abriu a porta pra mim, surpreso ao me ver.
-O-Oi...- ele disse meio sem jeito.
-Tudo bem?- perguntei entrando.
-Sim, tudo, você vai ficar?
-Sim, ate o fim das aulas. - e eu sorri indo ao meu quarto e da Bia, ela não
estava lá, provavelmente ainda na capital.
Guardei minhas coisas no armário e devolvi o porta-retrato de nós duas
para o lugar.
Sophia e Lucia tinham chegado e foram direto ao quarto.
Sophia me abraçou.
-Fico feliz que esteja de volta. - ela disse
Lucia sorriu para mim encostada na porta.
Depois de informá-las da situação da Bia, elas foram preparar o jantar, já
era umas sete da noite.
Eu não comi, fiquei no quarto, tentando pegar no sono...
Pela minha visão periférica vi o violão da Bia embaixo da cama dela, me
levantei e o tirei do case, no bolso de fora tinha um caderninho, era onde
ela fazia algumas anotações das musicas, eu vi as notas da música que
estávamos tentando compor, eu a - toquei e arrumei algumas notas, passei a
noite nisso, conferindo com as anotações dela, fui dormir lá pelas 4 da
manhã, ansiosa para vê-la no dia seguinte – ou no mesmo dia.
Acordei lá pelas dez, com um pouco de preguiça, tomei banho e me troquei
para ir a casa dela, ver como estava andando as coisas.
Dirigi meu carro com certa paixão e admiração, cheguei lá em 40 minutos,
estacionei na frente e apertei o interfone.
-Quem é? - uma linda e familiar voz perguntou
-É a Nessie! – eu disse sorrindo, era a Bia.
Ouve um silêncio de 3 segundos e o portão se abriu, eu entrei no quintal e
ela apareceu na porta com duas muletas e o pé engessado, mas coberto com
uma bota ortopédica, ela estava com um rabo de cavalo e seu rosto me
parecia bem, ainda eram visíveis alguns arranhões mais bem melhor do que
estava antes, eu corri e ao abraçá-la senti que ela vestia uma espécie de
colete meio duro por baixo da blusa.
Ela me abraçou com dificuldade graças as muletas, nós sorrimos
abertamente uma a outra feito bobas e eu dei um beijo em sua bochecha.
-Vem, entra!- e nós entramos.
Mirian logo apareceu na sala e me abraçou.
-Bom dia, querida!
-Tudo bem?- perguntei educadamente
-Sim, está tudo ótimo. - e ela beliscou carinhosamente a bochecha da filha.
Sentamos no sofá...
-Esperem vou trazer alguma coisa para vocês. - ela logo se levantou e foi à
cozinha.
-Ah, minha avó está aqui, imaginei que tenhamos muito a conversar, nós
três.
-Com certeza. - eu suspirei.
Eu sentia quarto cheiros humanos na casa, contando com o da Bia.
-Tem mais alguém aqui, além de sua avó e sua mãe?
-Meu pai. - ela respondeu – Por quê?
-Não, eu só estava checando.
E uma senhora de mais ou menos 50 anos desceu as escadas que ficavam
na sala, ela tinha cabelos avermelhados tingidos e enrolados como os da
Bia, mas mais volumosos, ela era muito bonita e aparentemente nova,
diferente do que imaginava quando a Bia falava em sua avó – eu
pessoalmente não deveria me surpreender já que a minha tem 32 anos –
aparentemente.
Ela usava um vestido carmim bem bordado, provavelmente comprado
naquelas lojas de coisas ciganas.
-Olá Renesmee, acho que ainda não fomos devidamente apresentadas,
Elena, prazer! – e ela me deu um beijo no rosto.
-Olá. - respondi - Como ela sabia meu nome?- murmurei á Bia
-Eu contei a ela... Ela sabe que você sabe sobre nós.
Ah... Claro... Mas pelo jeito ela não sabia sobre mim.
-E então... Por onde começamos?- ela perguntou ao se sentar.
Mas Mirian voltou, com um jarro de suco e copos nas mãos e os colocou na
mesa de centro.
-Mãe... Hã, você poderia nos deixar sozinhas, rapidinho?- ela estranhou e
olhou para Elena que assentiu seriamente. Mirian deu um meio sorriso e
concordou, ouvi seus passos se distanciando.
-Podemos? - Bianca perguntou.
-Sim. - esperei mais um pouco ouvindo dois corações baterem a distância,
eles não poderiam escutar nada.
-Vó como eu disse, a Nessie possui um dom.- eu olhei assustada a Bia –
Você pode nos mostrar o que aconteceu?- eu tentei entender e concordei,
peguei a mão delas, mostrando apenas o que Lilian tinha dito, mas nada
que estivesse relacionado a vampiros.
-Nossa!- Elena arregalou os olhos – Você tem uma habilidade incrível. - eu
sorri.
-Mas e então vó, é tudo verdade? Eu nunca vi um ritual como aquele. - a
Bia franziu o cenho
– Eu não sei muito, mas era a mesma mulher... - Elena pensou
-Como assim?- Bia perguntou curiosa
-Era a mesma mulher que perguntou sobre o colar, ela que me atacou!
-O que aconteceu no dia que você foi atacada?- perguntei
-Eu estava saindo do supermercado e fui atacada por trás, essa mulher
apareceu do nada e me levantou pelo pescoço e me perguntou sobre o
colar, eu me lembrei que devia protegê-lo e disse que não sabia, mas um
homem mais velho que ela apareceu como se fosse do nada também e me
fez a mesma pergunta, eu não pude mentir como se estivesse hipnotizada
ou não pudesse me controlar e disse que tinha dado a minha neta. – ela
olhou tristemente a Bia – E a ultima coisa que me lembro era o sorriso
daquela mulher. Depois eu só acordei duas semanas depois. Mas como ela
soube do amuleto? – ela me encarou
-Foi passado de geração em geração na família dela, a tataravó dela estava
no mesmo culto em que o amuleto foi passado para sua avó. - respondi.
-Christina. - ela sussurrou. - Mas como você conseguir sair de lá?
-Eu tive ajuda de um amigo, ele é policial e me tirou de lá.
- E a mulher? Foi presa?
-Hã... Não, ela foi morta em legitima defesa. – argumentei
-Nossa. Estou começando a entender.
-Você sabia que o amuleto podia fazer isso? – Bianca perguntou inquieta.
-Em parte, minha avó disse que era um amuleto poderoso e que eu devia
protegê-lo, que ele deveria ser mantido em nossa família, eu não era muito
próxima dela, pois minha mãe não queria que eu fizesse magia, nós
poderíamos ser acusadas de satanismo e entre outras coisas, mas era algo
além de mim, estava no sangue – ela sorrindo a Bia – o destino me levou a
praticar; quando minha avó morreu, ela me deixou uma carta dizendo onde
estava seu livro das sombras, em que me explicava tudo sobre a bruxaria.
-Livro das sombras? - perguntei surpresa.
-Sim, nada sombrio, é apenas um nome – ela sorriu – é onde escrevemos
nossas anotações, feitiços até mesmo nossos pensamentos, como o diário
de um bruxo.
-Ah, entendi.
-Eu tinha 15 anos quando o encontrei e assim voltei a praticar, depois de
tudo passei o amuleto pra Bia em seu aniversario de 13 anos,
diferentemente de minha mãe, a Bianca pode aprender livremente comigo.
- elas sorriram.
-Mas e sobre aquele ritual estranho?- ela perguntou
-Eu não sei muito bem, – ela balançou a cabeça – mas sei onde posso saber
o que era... – se levantou - Já volto. – e subiu as escadas correndo.
-Agora me mostre o que realmente aconteceu. - Bia pediu baixinho e eu
mostrei tudo normalmente.
Ela me olhou perplexa e depois meu antebraço.
-Você se machucou... – ela murmurou.
-Estou ótima agora, não foi nada. - e sorri á tranqüilizando.
-Onde está o Mike? Ele está aqui?
-Não, ele voltou para França naquele mesmo dia.
-Ah... - ela torceu a boca chateada.
E Elena voltou com um livro grosso nas mãos, a capa era marrom escura e
me parecia muito velha -era muito velho- ao abri-lo senti o cheiro de poeira
e vi as páginas acabadas.
-Esse é o Livro das Sombras da Christina, deve ter alguma coisa aqui sobre
o ritual. - ela virou as paginas amareladas com cuidado.
-Ele estava aqui?- a Bia perguntou
-Eu levo ele para todo lugar. - e ela virou mais paginas – Onde está? Onde
ta? – ela perguntava para si mesma – Aqui! – e ela apontou para á pagina,
se sentando entre mim e Bia. Eu observei a pagina, estava escrito em
espanhol em uma caligrafia elegante.

Ritual de Libertação – Phylacterium ex Animus


Lilian me perguntou hoje se eu conhecia algum ritual para libertar
ou reverter os encantamentos de Aoshi, eu disse que não, eu
menti.
Lilian está tão obcecada pelo poder que tive que avisar o sacerdote,
ela provavelmente vai me odiar por isso, mas ela está fora de si.
O ritual é perigoso pelo simples fato de precisar de sangue
humano, fiquei sabendo por um amigo meu, parecia que todos estão
tentados em querer o poder deste amuleto, pois ele me contou com o
fim de quebrar as barreiras de Aoshi, mas eu não o fiz, tendo
mais um amigo perdido.
Luna cresce cada dia mais e não quero que ela corra algum risco,
eu vi o olhar da Lilian á mim ao deixar o culto (sombrio, até
mesmo perverso), ele deve ser passado para a próxima bruxa da
minha linhagem, mas ela não saberá o quanto poderoso ele pode
significar, ela estará mais segura se não souber.
E nem mesmo poderá saber como fazer esse ritual proibido.

-Ela não fala como fazer o ritual. – Elena disse desapontada


-Quem é Luna?- perguntei.
-Minha mãe... – ela murmurou
-Você não sabia disso?- Bia perguntou. - Você não leu o livro?
-Sim, eu li, mas não ele todo, é como ler o diário de alguém, só lia quando
necessário.
-Ah... Acho que já entendemos o que tudo significou, eu não tenho mais
perguntas. - a Bia disse
-Eu também não. - e ela fechou o livro.
-Ah, o que faremos com isso?- e eu tirei do meu bolso o colar e dei a Elena,
ela o analisou - Ela conseguiu completar o ritual? Ela disse aquelas
palavras, será que tinha mais alguma coisa pra fazer?- e ela fechou o colar
nas mãos fechando os olhos e os abriu.
-Eu não sinto nada de errado nele, uma fraca energia diferente, mais nada
muito fora do comum. - e o entregou a Bia.
-Eu posso usá-lo?- ela perguntou.
-Sim. - ela o colocou.
-Diferente?- perguntei a ela.
-Não, me senti normal. - e passos se aproximaram, Mirian apareceu.
-Hã... Desculpe interromper mais o almoço está pronto, venha também
Renesmee... - ela nos chamou
-Não sei, já estava indo... – a Bia me interrompeu
-Ah, não! Você vai fica, além do mais... – ela baixou a voz - Queria passar
em um lugar hoje. - eu estranhei e aceitei o convite
A cozinha era grande e bem iluminada, eu almocei com eles, pois adoro
macarronada e vi o pai dela, o nome dele era Fabiano, era muito simpático,
me lembrando o jeito extrovertido da Bia.
Depois de almoçar fui para o quarto dela, era um pouco maior que o quarto
da republica, tinha muitos pôsteres, livros, velas, incensos, um tapete lindo
no centro, um pufe e mais um monte de coisas.
-E então... Pronta para voltar às aulas?
-Ah. - ela fez uma careta - Sim, fiquei muito tempo parada. Ver o pessoal
me fará bem.
-É acredito que sim. -observei sua pilha de livros – Você também tem
Livro das Sombras?
-Sim. - e ela foi perto da estante e pegou um caderno -um livro- a capa era
quadriculada roxa com as linhas rosas e uma fita se seda rosa mais claro a
fechada.- Bem diferente da minha tataravó.- ela riu.
-É. Ah, você não queria ir para algum lugar?
-Sim, vamos?- e ela foi à porta, eu a segui.
-Pra onde?
-Visitar a Letícia. - murmurou
Eu me calei, ela avisou os pais e saímos, indo para meu carro.
Eu não sabia o caminho então ela me guiou, ao chegarmos compramos
umas flores na frente do cemitério, comprei rosas brancas e a Bia lírios.
Nós nos aproximamos de seu túmulo e colocamos as flores nos recintos.
-Hoje faz um mês, né? – perguntei me lembrando da data
-Sim, dia 27 de agosto... Um mês. Passou tão rápido, eu me lembro como
se fosse ontem agente conversando no shopping – ela sorriu – ela estava tão
animada em ver o Gustavo, ela estava achando que ele iria pedi-la em
namoro. – e o sorriso dela desapareceu - Ela está em um lugar melhor, né?
– ela perguntou com os olhos cheios de lagrimas.
-Eu não sei... Provavelmente sim, me diga você, o que você acredita? – ela
me olhou e voltou a encarar o túmulo.
-Eu acredito que aja um Céu, o paraíso, mas que nós voltamos para Terra
quando nossas almas estiverem prontas.
-Então ela está em um lugar melhor. - eu a encorajei.
-É. – ela balançou a cabeça e com certa dificuldade se sentou apoiada ao
túmulo de mármore negro.
O tumulo não era muito grande, apenas alguns centímetros do chão, o
cemitério era vasto, talvez tenha 200 ou 400 túmulos ali, a grama era
amarela esverdeada, alguns túmulos eram gigantes e glamorosos ate os
mais simples, com uma placa de pedra com o nome e data.
Os cheiros das mais diversas flores invadiram minhas narinas.
-Sentirei sua falta amiga. – ela murmurou para si mesma e lagrimas
escorriam pelo seu rosto até cair em cima do túmulo, eu me ajoelhei e a
abracei pelas costas. -Eu devia imaginar, foi tudo minha culpa. - ela arfou
-Não seja boba, Bianca ninguém teve culpa... – eu hesitei, pois eu me
culpei também – Ninguém poderia prever – hesitei novamente pensando na
Alice – que ela iria atrás do colar e encontrar vocês duas.
-Se eu fosse mais forte, se eu tivesse mais pratica, poderia ter sentido a
aproximação da vampira ou ter interpretado melhor meus sonhos, entender
as cartas de tarô... Foram tantas mensagens e eu as ignorei! Fui idiota e
fraca. – eu fiquei ao seu lado e segurei suas mãos.
-Para! Por favor, não diga isso. - aquelas palavras me gelaram me
lembrando da sede de poder de Lilian – Você seguiu certo, lembra? Você
me deu o colar e isso provavelmente salvou sua vida. – ela me fitou, seu
rosto corrompido pela dor.
-Sim, mas do que adianta? - ela aumentou algumas oitavas- Eu me salvo,
estou aqui, viva, mas minha amiga não! Onde ela está agora? A sete palmos
debaixo da terra. Eu me salvei mais ela está morta. Do que adiantou? Isso
só me faz ver no quanto egocêntrica eu posso ser... – ela estava ouvindo o
que estava dizendo? Provavelmente não.
Peguei seus ombros, a segurando firme.
-Eu preciso de você, Bianca! – e meus olhos se encheram de lagrimas
acidas – Se você tivesse morrido, se eu não chegasse a tempo, eu... Não
diga isso, nunca mais!!- e as lágrimas desceram – Você é minha melhor
amiga, aquela na qual posso contar tudo, a qualquer hora e lugar, aquela
que me faz rir quando mais preciso, você me faz lembrar o quanto sou
humana, o quanto eu posso ser boa. Então – eu limpei meu rosto- quando
você disser que não há motivos para viver, se lembre de mim pelo menos,
de seus pais, de seus amigos. - ela chorou ainda mais e me abraçou, acho
que o mais forte que ela pode.
-Me desculpe, eu não quis dizer aquilo. Eu também preciso de você. Eu te
amo, Nessie! – ela disse ainda abraçada.
-Eu também te amo, sua boba! – e nos afastamos, eu a ajudei a levantar e
ela se apoiou nas muletas.
-Descanse em paz, Leh. - ela disse.
Apenas aqueles que já perderam alguém, sabem como é a dor, uma dor que
passa, porém momentaneamente e quando agente pensa naquela pessoa ela
vai aparecendo cada vez mais e mais forte, onde nunca acaba.
Eu observei o tumulo, como agente podia se surpreender com o que o
destino nos aguarda, nem sempre é aquilo que queremos ou do jeito que
queremos, a única coisa que podemos fazer é se conformar, pois nunca
iremos entender...
Saímos do cemitério e andamos pelo parque, ela me disse como estava se
acostumando com as muletas e como foi engraçado nos primeiros dias
pegar coisas com os dedos enfaixados. Eu contei algumas coisas que
aconteceram em Quilcene, meus problemas com os ex-lobos, também.
Depois voltei a casa dela, no final de semana ela iria voltar a republica já
que voltaríamos à escola segunda-feira, daqui a quatro dias.
Daqui a duas semanas voltarei para casa, mas apenas para meu aniversário
e da minha mãe, convenci a Bia á ir e aproveitei para falar com os pais dela
também.
52. VINTE E UM
Voltar ás aulas foi fácil, tirando a enxurrada de perguntas á mim e a Bia,
o Léo ficou muito feliz em nos ver e foi difícil ele me deixar ir pra minha
sala depois do intervalo, meu grupo de amigos aumentou, principalmente
pelo fato de me acharem uma heroína, por ter encontrado as meninas,
aquilo não ficou no anonimato por muito tempo.
Duas semanas passaram voando e eu e a Bia estávamos arrumando a mala
para ir.
-Não acredito que vou conhecer sua família, pessoalmente! – ela estava
super animada
-Pena que não posso levar o Léo... - por vários motivos, mas o principal
seria de que ele estaria no meio de muitos vampiros e não estamos
acostumados á receber humanos em casa tirando os Quileutes, mas a Bia
sabia de tudo e não haveria problemas.
-É, uma pena. - ela fechou a mala.
-Vamos?- eu perguntei vendo a reação dela, ela suspirou e abriu um sorriso
ansioso. E levamos as malas à sala.
-Até logo meninas, se divirtam! - Lucia disse á nós quando passamos pela
sala.
A Bia contava os segundos no aeroporto, ate tentou meditar por lá, ela já
tinha viajado de avião mais nunca para fora do país.
Meus pais fizeram questão de pagar a passagem dela.
-Você está fazendo quantos anos?- ela me perguntou no avião.
-Vinte e um. - ela arregalou os olhos
-Você é mais velha que eu! – ela riu, eu empurrei seu ombro de leve.
Quando chegamos era umas sete da noite, a Bia já estava preparada para o
frio, com um casaco e cachecol, pegamos um taxi que nos deixou bem
próximo á casa de Carlisle.
Hoje é sexta, dia 10 de setembro, meu aniversário, pela primeira vez não
tive muita influencia na decoração e lista de convidados, mas deixei tudo
nas preciosas mãos de minha tia Alice.
Ao estar dez metros da porta, Alice apareceu com Tia Rose ao seu lado,
estonteantes e alegres, Rosalie com um vestido preto brilhante de frente
única, valorizando seus melhores atrativos e Alice estava com um delicado
e alegre vestido tomara que caia vermelho vibrante de cetim, mas todo
coberto por uma renda preta totalmente sem padrões bem ornamentada com
grandes flores pretas em destaque pelo vestido, provavelmente feito sob
medida com um corte em V entre os seios.
-Espere, espere!- ela disse agitando as mãos para mim.
-Oi, tia!- eu a abracei.
-Oi! – ela se virou para Bia- Tudo bem, Bianca?- e a cumprimentou com
um beijo.
-Sim... Você está linda, Alice!- Bia á elogio, quase me fez rir.
-Está é minha tia Rosalie. - que sorriu brilhantemente á ela, parecia que o
queixo da Bia iria cair.
Rosalie não gostava muito de humanos, mas sempre foi simpática com
todos meus amigos.
-Posso entrar?- perguntei dando um passo a frente.
-Não, você tem que estar pronta para a festa! - ela me analisou – Você
também, Bia. - E ela pegou minha mão e da Bia.
Eu tentei ler os pensamentos dela, mais nada, eu franzi o cenho frustrada e
minha mãe apareceu.
-Mãe!- e fui dar um beijo nela.
-Feliz aniversario, querida!
-Obrigada. Hum... Você está escondendo a festa de mim? – ela sorriu
concordando.
A Bia estava fascinada, observando minha mãe em um vestido azul
petróleo de finas alças de pedras, suave e elegante, havia um leve decote e
contornava delicadamente o corpo dela.
-Tudo bem, Bianca?- ela sorriu
-Sim... – ela respondeu receosa, não era novidade que a beleza da minha
família seja intimidadora.
Nós entramos na casa pelos fundos, Alice me fez passar de olhos fechados
e nariz tampado até meu quarto onde meu vestido estava na cama, um
perfeito tomara-que-caia dourado escuro de cetim que ficava na altura do
joelho, bordado delicadamente com ondas sem nexo preta em um corpete e
se abria fazendo volume, um vestido de princesa pensei e o peguei –
analisando- suas costas eram presas por fitas cruzadas, mas pelo tamanho
do corpete, era propositalmente feito para deixar um pouco de minhas
costas á mostra, ao lado da cama uma sandália de tiras e uns prendedores
de brilhantes na penteadeira.
Bia tinha trazido um vestido roxo escuro também tomara-que-caia com o
busto franzido, um palmo acima do joelho, uma fita roxa mais clara abaixo
do busto com um laço no centro e duas fitas de cetim se cruzando á baixo
dela e com babados na barra.
Depois de tomar banho, me troquei e coloquei os sapatos era o máximo que
faria sozinha, o resto era com Rose e Alice.
Elas arrumaram meu cabelo e fizeram minha maquiagem, eu me olhei no
espelho conferindo o resultando, observando o sorriso estonteante delas,
meu cabelo estava preso em uma espécie de coque, mas muito bem
elaborado deixando alguns cachos caídos, minha maquiagem estava linda
uma mistura de preto, branco e dourado.
Eu simplesmente amei, me sentindo uma princesa com aquele vestido.
Alice ajudou a Bia a se arrumar, arrumando seus cachos. E Rose e Alice a
levaram para baixo.
Fiquei com a minha mãe que sorria e suspirava.
-Você está linda! – ela acariciou minha bochecha - Cresceu tão rápido,
vinte e um anos - ela elevou as sobrancelhas. - Já é adulta agora, quero
dizer, desde os 11 você já era adulta. - ela riu suavemente.
-É... – eu não conseguia falar muita coisa, as coisas pareciam calmas de
mais no andar de baixo. -Está tudo bem?- perguntei
-Sim, perfeitamente bem... - e deu um sorriso
Era horrível um pouco torturante não saber o que estava acontecendo,
desde que aprendi a ler mentes raramente tinha algum segredo que eu não
soubesse entre nós – eu e minha família- apenas em ocasiões como essas
em que minha mãe entrava em ação.
O que tem de tão especial em me manter presa em meu quarto?
Eu sei o que me espera – tirando que não sei como está a decoração (total),
o sabor do meu bolo, que música seria tocada, meus convidados... Será que
haveria alguém mais que os Denali, Zafrina, Jacob e os Cullen, hum...
Talvez o Mike? Certo eu estive muito tempo ausente... mas Alice nunca
perderia o controle ou algo sairia errado, sairia?
Não, Alice era excepcional em relação á festas, nas minhas 20 festas de
aniversário tudo foi perfeito, até quando passamos no Brasil no meu 14º
aniversário ou em Roma no 17º e vários outros fora do país.
Me levantei e fui a porta.
-Posso ir?
-Espere Alice chamar. – ela se levantou, eu fiz uma careta ansiosa e ate
mesmo um pouco preocupada já que a Bia estava no meio de um monte de
vampiros, minha família tudo bem, claro – mas Zafrina e suas irmãs não
conseguiram adotar totalmente nossos hábitos alimentares.
“Pode descer, Nessie!” – Alice disse de baixo e então minha mãe apareceu
ao meu lado, sorriu e desceu em 2 segundos.
Eu abri a porta e andei pelo corredor meio apreensiva, visualizei a escada e
desci lentamente, ansiosa para ver a sala, no momento que os vi eles
também me viram e começaram a gritar, bater palmas e assoviar.
Eu corei e ri, descendo mais apressada, estavam todos lá - todos- excetos os
humanos, além da Bia.
Sobre a decoração que reparei 20 segundos depois, era uma mistura de
cores alegres e vivas, porem misteriosas, roxo, rosa, preto, vários tons de
azul, branco, etc. Tinha balões, flores e cartazes escritos PARABÉNS!
Ao descer as escadas, visualizei cada rosto, Tanya, Kate, Eleazar, Carmen,
Garrett, Zafrina, Senna, Kachiri, Benjamin, Tia, Nahuel e Huilen, minha
família, da Bia e de Jake.
Eu me surpreendi e fui abraçar Alice.
-Você chamou todo mundo, eu só estou fazendo aniversario, porque seria
tão especial?- ela levantou o dedo indicador, negando.
-Aniversário de 21 anos, é especial, não é?- eu fiz cara de desentendida, ela
revirou os olhos – Você está mais velha, depois dos 21 você é considerada
adulta e isso deve ser comemorado, não é? – eu abri um sorriso e a abracei.
Sim, isso devia ser comemorado.
E assim fui indo abraçar cada um que estava reunido na sala.
Ouvi Parabéns e Feliz Aniversário umas quinze vezes. Jacob foi o ultimo,
perto da porta dos fundos, ele me abraçou me tirando do chão e um beijo na
bochecha em seguida.
-Feliz aniversario, Nessie!
-Obrigada. - e o beijei.
E senti um cheiro á mais, era amadeirado mais menos atraente que o do
Jake, o bando? Não...
E corri para fora e lá estavam eles, Embry, Brandy, Collin, Leah e Seth.
Estava decorado e divinamente iluminado do lado de fora, alguns arcos
floridos, cadeiras e mesas brancas com fitas e enfeites.
-Parabéns!- Seth me deu um abraço de urso -quero dizer- de lobo.
-Obrigada Seth. – já era a 23º vez que eu repeti e incrivelmente eu não me
cansava. Abracei cada um deles e fiquei olhando animada, sorrindo de
ponta a ponta.
E meio longe, bem afastado na verdade, avistei Mike e pelo cheiro a Anne
e o Joseph, eu corri com velocidade anormal ate eles e dei um pulo para
abraçar o Mike.
-Bom te ver!- ele disse me segurando, pois eu me mantive pendurava em
seu pescoço por cinco segundos.
-Que saudades. - eu sorri o analisando – Oh! – eu me virei para Anne e a
dei um beijo, ela me deu um abraço rápido.
-Parabéns!- eu apenas assenti.
-Wow, você está linda!- Joseph saiu de trás das árvores e me deu um beijo
na mão, eu sorri.
-Bem, vejo que Alice conseguiu chamar todo mundo.
E logo que citei seu nome, ela apareceu no meu lado.
-Eu sabia que iria gostar da surpresa!- ela sorriu orgulhosa de si.
-Pena que a Meredith não pode vir. – Anne murmurou chateada – Sei que
vocês não tiveram uma boa primeira impressão, mas tenho certeza que na
próxima se darão bem.
Se eu sumisse da face da Terra, ela poderia se simpatizar comigo ou
simplesmente se eu nunca mais falar com o Mike.
Alice se balançava nos calcanhares pra frente e para trás inquieta.
-Bem, vou entrar. Aproveitem á festa!- me deu um beijinho e disparou para
dentro
Ao vê-la entrar vi Jake conversando com o bando e a Bia se aproximou
dele, me parecendo meio perdida, eu me aproximei e peguei sua mão a
apresentando ao bando.
-Esses são Embry, Brandy, Collin, Seth e Leah – respectivamente – São
todos lobos como o Jake.
-Oh!- ela se surpreendeu e cumprimentou todos até Leah deu um sorriso
aparentemente sincero -claro- a Bia era simplesmente humana.
Por um momento acreditei que algum deles, pudesse ter imprint pela Bia,
pois quase peguei uma tigela para eles pararem de babar pela minha amiga,
mas não me lembrou o olhar de imprint que tanto conheço.
-Com licença. - e a levei ao Mike, ao vê-lo ela se iluminou e por um
segundo achei que ela iria correr para abraçá-lo, mas ela se conteve e ao se
aproximar passou seus braços pelo pescoço dele, eu ri.
Anne também e Joseph olhou estranhamente e agradavelmente interessado
nela.
-Olá!- ela erguei a mão, eles assentiram. E se virou á mim – Você tem que
ver os presentes são enormes e muitos!- ela disse excitada.
-Vem, vamos entrar!- eu os convidei
Mas por que será que eles estavam lá fora, talvez à sala estivesse cheia de
mais e aquilo soava como perigo para eles – ate mesmo para o Mike?
Mas antes que eu desse o terceiro passo á frente, os Denali, Huelen,
Benjamin, Tia e uma boa parte dos vampiros foram para fora.
Imaginei que o motivo pelo qual os lobos estarem do lado de fora era
bem...
Se eu dissesse inimigos mortais não estaria totalmente errado, melhor seria
– amigos não tão agradáveis e seu cheiro muito menos ainda (á eles).
E ao saírem se espalharam ate onde as luzes iluminavam o quintal e a
floresta. Minha mãe e meu pai cumprimentaram Anne, Joseph e Mike, os
deixei conversando, me afastando com a Bia.
-Que bom que se recuperou rápido! – Mike disse atrás dela achávamos que
ele iria ficar conversando.
-É, minha avó é boa com curas milagrosas, se é que me entende. – e ela
piscou, o fazendo rir.
Fomos para dentro onde tocava uma animada musica de pop, lá estavam
Tio Emmet, Tia Rose, Zafrina e suas irmãs, Nahuel. Emmet estava saindo,
mas antes deu uma olhava maliciosa para Mike – ele não deixava escapar
nada – e saiu abraçado a Rose.
Apresentei os dois a minha professora favorita e meu velho amigo Nahuel.
-Você anda sumido, hein?!- eu empurrei de leve seu braço, ele riu.
-É, as coisas andaram agitadas...
-Sobre os transgressores? – perguntei surpresa
-Hã? Bem, não sei muito bem se seria o mesmo assunto, provavelmente
não. Acredito que minha irmã corra perigo. - ele pareceu estremecer.
-Por quê?
- Alyssa está a procura de vingança, está com a idéia fixa na cabeça de
vingar a morte de nosso pai. - ele bufou – Ela é idiota, não é? Audaciosa o
suficiente para se matar, enfrentar os Volturi... - e a voz de Aro ecoou na
minha mente “essa audácia” friamente. -Ela está à procura do responsável.
Ela não consegue ver, o quanto poderoso nosso pai queria ser, nos criando.
- Bianca olhou meio perplexa as confissões de Nahuel, eu contive um riso,
pois o assunto era serio. -Creio que não é nada prudente. – ele disse
sorrindo se descontraindo, eu olhei para meu lado para Mike, esperando
algum sorriso brilhante dele, mas ele mantinha uma expressão seria –
pensativa.
-Tudo bem?- perguntei ao seu ouvido, ele concordou.
-Então é verdade, querida, suas habilidades se ampliaram?- Zafrina me
perguntou.
-Cada vez melhor em ler mentes e uma vez consegui mostrar o que queria
sem tocar. – eu tentei afastar a lembrança dos Volturi na hora e peguei sua
mão – E precisarei da sua ajuda para controlar esse meu novo poder.
Aposto que minha mãe já falou sobre ele.
-Sim, logo que cheguei. Ver o passado, certo?- eu concordei
-Uau, está poderosa, Nessie. - Nahuel riu surpreso, eu dei de ombros.
-Você poderia me mostrar?- ela perguntou tentada, me lembrando Carlisle
com minhas esquisitices – suas novas descobertas sobre minha biologia –
Oh, desculpe está é a sua festa, em uma hora mais apropriada talvez. - eu já
estava prestes a mostrá-la.
“Mas creio que Aro seja um melhor professor.” – pensou, eu neguei com a
cabeça, ela sorriu – “Mas farei o que estiver ao meu alcance.”
-Claro, com certeza te mostro outra hora. - e aceitei me distanciando,
Queria ver os outros, minha quase tia Tânia ou Benjamin em que já fazia
anos que não o via, ele não ficou totalmente próximo a família, mas nos
visitava e passava uns dias sempre que possível.
Algo cheirava espantosamente bem na cozinha, um frango, talvez?
Eu adoro franjo assado e não seria surpresa – mais uma está noite – de
terem feito. Alice, Esme e minha mãe levaram pratos e pratos de comida
para fora onde se encontrava uma longa mesa branca.
-Que banquete!- Bia murmurou.
Alice parou no meio do caminho com quatro pratos de salgados na mão em
perfeito equilíbrio.
-Você devia ter visto no aniversario de 16 anos dela – ela suspirou – foi um
grande dia, tão glamoroso, tão lindo e... perfeito. - e ela continuou o
processo, Alice usou – todos- estavam usando a nossa velocidade, eu olhei
curiosa á Bia vendo sua reação.
-O que está achando do meu mundo? - ela piscou algumas vezes e sorriu
-Hã... Inacreditável seria a palavra correta. - e ela olhou para Mike, nós
duas olhamos á ele e observamos sua cara seria, ela deu de ombros a mim.
-Fala, Mike, você ficou estranho de repente! – a Bia admitiu
-Eu só... Estou preocupado com o que Nahuel disse.
-Sobre sua irmã? – perguntei
-É. Ele disse que ela estava atrás do responsável e adivinha quem é?
-Você?! – Bianca perguntou apavorada, nós rimos
-Não. - ele respondeu.
-Volturi. - Bia disse antes de mim.
-Mais especificamente... – eu pensei um pouco e entendi o que eu ele
queria dizer.
-Meredith. - disse ao pensamento.
-Sim, ela foi à total responsável pela morte do pai deles, se não me engano
ele se chamava Johan.
-Você acha que ela seria capaz de machucar a Mery?
Hã? Eu realmente a chamei de Mery? E eu estava preocupada se ela fosse
se machucar? Talvez tenha sido a falta de convivência ou encontros
desastrosos com ela que me fizeram chamá-la por um apelido, como se
fôssemos amigas. Por mim tudo bem, ela que não cooperava, nenhuma vez.
-Talvez, ela é muito forte e muito bem treinada, mas Alyssa pode não
aparecer sozinha. – sua voz estava preocupante
Eu pensei por um instante, ela não seria burra o suficiente -como eu fui-
para atacar um Volturi sozinha.
-O que pretende fazer, avisa - lá? – perguntei
-Eu ainda não sei, talvez falar com Nahuel e com sua irmã e dizer que é
inútil, depois se não adiantar falarei com ela. - eu concordei duvidosa.
E fomos para fora, onde estava o buffe, tinha três frangos assados, carnes e
salgados na mesa.
Os meninos atacavam a comida como se elas fossem fugir, eu comi
algumas coisas, a Bia se esbaldou também.
Conversei com Benjamin e Tia, com Alice e minha mãe sobre os
preparativos e eles foram para a grande sala de música, onde não havia
mais piano e tinha luzes no teto, um globo e luzes fluorescentes, eu poderia
jurar que a pele dos vampiros se destacavam, nós dançamos e nos
divertindo bastante.
Depois de um tempo foi cantado o parabéns e a mesa de salgado foi
substituída por doces, depois eles voltaram para a sala de musica.
53. SURPRESAS
Eu e Jake estávamos no quintal comendo meu bolo, ele sugou meu nariz de
glacê, eu ri.
-Gosto da surpresa?
-Claro! Amei estar todo mundo aqui, minha mãe está quase arrumando um
trabalho como escondedora de segredos. - eu dei mais uma garfada.
-Ela me surpreendeu... – ele limpou a garganta – Você - você já viu seus
presentes?- e ele começou a parecer ansioso.
-Hã? Não, Alice disse que estão no meu quarto, mas vou vê-los quando a
festa acabar, por quê?
-Ah, é que tem um presente que... bem... Você tem que aceitar primeiro,
antes de receber... – eu o encarei confusa.
-Claro que aceito, é seu? O que é?
-Sim... – ele sorriu
-Então... – eu esperei, ele ajeitou nossas cadeiras me deixando de frente pra
ele.
-Eu já estou cansado de carregar isso, já faz mais de oito meses que estou
com ele.
-Jake... – eu esperei ficando ansiosa, ele saiu da cadeira com um joelho no
chão e tirou do bolso uma caixinha de veludo preto.
-Renesmee quer se casar comigo?
-Se - eu - quero... – eu gaguejei – Se eu quero me casar com você? – eu
estava perplexa e surpresa.
-Sim, você deseja sem minha esposa por toda nossa pequena eternidade?
-Jake... eu... não tenho palavras...
-Um “sim” cairia bem. - ele disse sem graça e eu toquei seu rosto,
mostrando eu dizendo sim e o - beijando.
-Isso foi um sim?- ele ergueu uma sobrancelha.
-Sim Jacob Black eu aceito me casar com você!! – e ambos abrimos um
grande sorriso, mostrando os dentes.
E ele me agarrou pela cintura nos levantando, derrubando nossas cadeiras,
eu agarrei seu pescoço e ele me girou rindo.
Eu prendi minhas pernas em seu quadril.
-Eu te amo. – ele beijou meus lábios – Eu te amo. - minha bochecha- Eu te
amo. – meu queixo e assim foi pela minha testa, meu rosto.
Quando ele parou, peguei seu rosto e o fitei.
-Eu te amo tanto que não tenho como expressar em palavras.
-Eu também. - e ele mostrou novamente a caixinha preta. - Eu tive uma
contribuição de seu pai para comprar um anel a sua altura.
-Ah, Jake não precisava. Se você não me desse nada ou um anel de
coquinho estaria perfeito. Pera. Meu pai? – eu arregalei os olhos.
-É, eu... É meio... Bem clichê e antiquado, mas eu meio que tive que
esperar você ser maior de idade, sua mãe amou a idéia e Alice me matava
não sabendo sua resposta. Porque você acha que eu tive que mandá-la pra
longe, pra saber se você realmente me amava?
-Oh! – as coisas se encaixaram, até mesmo o discursinho da minha mãe no
lance de adulta e nas pequenas indiretas – Tudo para me pedir em
casamento?
-Sim, eu não sou um poço de segurança...
-Você achava que eu diria não?
-Eu... Não sei... Você não tem cara de casada e... Você não parecia gostar
muito da idéia de ser minha esposa quando eu brincava sobre o assunto,
além do mais nós meio que já vivemos como um casal, né?
-É... Eu sempre falava que ainda éramos jovens.
-Você é jovem. - ele me corrigiu - Eu tive medo que por você ainda ser
uma adolescente ou estar sempre querendo curtir a vida, como sempre faz,
não quisesse se “prender” a mim. - ele baixou a voz.
-Que idiotice, Jake!- eu peguei seu rosto – Me prender a você? Como se
isso fosse ruim ou chato viver ao seu lado, nunca foi, porque agora haveria
de ser? Sem contar que eu irei te arrastar para todo lugar que eu for, já que
o chamarei de marido. - uma corrente elétrica passou pelo meu corpo se
fixando em minha espinha, eu sorri - Eu te amo e quero passar o resto da
minha vida com você, o resto da minha eternidade ao seu lado. E também,
essa é só a primeira vez que você está me pedindo em casamento temos que
renovar os votos, esqueceu?- eu elevei as sobrancelhas- A eternidade não
pode passar de – eu torci a boca- 10 anos? – ele riu
-Claro!
-Meu Deus, irei me casar com um cara tão mais velho... - eu arregalei os
olhos brincando
-E eu então, vou me casar com uma garotinha... - nós sorrimos e selamos
nossos lábios, mais ele se afastou – Espera. – e abriu a caixinha preta.
E lá estava a aliança, de ouro maciço toda ornamentada com alguns
brilhantes, mas pela familiaridade eram diamantes - lindos diamantes.
Aquilo o deixava com um toque charmoso, elegante e único, eu nunca tinha
visto um anel assim.
-É linda! – eu disse com lagrimas nos olhos.
-E isso. - ele retirou o anel da caixa e me mostrou dentro “Para todo
sempre, seu Jacob” - É somente seu, ele foi feito especialmente para você.
- e ele colocou no meu dedo, deslizando perfeitamente e beijou minha mão.
-Como você. - eu disse e o abracei pela ultima vez antes de descer do seu
colo. – Então todo mundo sabia dessa sua artimanha? Por isso que Alice
chamou todo mundo?
-Bem, sobre os convidados foi coisa da Alice mesmo, mas sobre o resto
sim... Eu conversei primeiro com seus pais, a reação de seu pai me lembrou
quando te dei sua pulseira compromisso Quileute, foi pior na verdade – ele
pegou meu pulso esquerdo e observei minha pulseira entrelaçada, ele era
tão leve que raramente me lembrava que o usava, de tão acostumada.
-Não quero nem pensar na reação dele, quando você falo que ia me pedi em
casamento. - ele riu com a lembrança.
-Ele quis arrancar minha cabeça, mas sua mãe o acalmou. Claro que ele não
encostaria um dedo em mim, mas foi engraçada a cena. - eu ri - Então meio
que combinamos que eu faria o pedido no seu aniversário e eu além de
enrolar todo esse tempo, você pode ver - acredito – que eu sou a pessoa que
você realmente quer. - ele me deu um beijo rápido.
-Então agora você aceita eu dizer que voltei por você? – ele sorriu
-Sim, eu aceito agora.
E colamos nossos lábios, se movendo incontroláveis e quentes, nossas
línguas se moviam com toda empolgação depois se aquietaram ficando
mais lentos e calmos, beijei seu lábio superior e depois o inferior.
E paramos na hora certa, Mike estava se aproximando da porta.
-Oi!- eu disse pegando a mão de Jake.
-Desculpe não queria interromper... - ele disse sem jeito.
-Ah, nada, já íamos entrar. - eu olhei para Jake.
-Tudo bem...
-Você queria falar comigo? – perguntei, ele olhou para Jake.
-Talvez outra hora. - e ele ia se virar.
-Não tudo bem, Jake acho melhor dar a noticia a minha família – de novo.
– eu sorri
-Claro. - e ele me deu um beijo. E passou -quase- ombro a ombro com o
Mike que se aproximou.
-Queria te dar uma coisa, seu presente está no seu quarto, este é apenas
um... detalhe.- e ele tirou do paletó uma caixa achatada de 10 centímetros
azul marinho de veludo e colocou na minha mão, eu abri.
-Que lindo!- eu admirei um colar com finas correntes de ouro e o pingente
era duas finas linhas de ouro paralelos e uma delas era coberta de brilhantes
– realmente não espero que seja diamantes – formando um oito, era um
oito? Não, eu já tinha visto aquilo antes.
-É o símbolo do infinito é até onde eu estarei ao seu lado, ate onde irei te
querer... como amiga – eu o abracei
-Nossa, Mike, não tenho como agradecer, eu amei! Me sinto péssima por
não te dar nada em troca.
-Que isso, hoje é seu dia, mas se fizer questão me dê em troca a sua
felicidade que estarei satisfeito. Aliais você está linda. Linda é pouco,
inigualável... - ele tocou um cacho solto do penteado, eu fiquei
envergonhada.
-Hum... Seria muito complicado usá-lo sempre como um colar então... - eu
tirei o pingente da corrente – Se importa?- eu dei o pingente e mostrei a
pulseira, ele logo compreendeu e encaixou o feixe do pingente nela, alguns
gomos depois de onde estava a Lua e o Sol.
-Obrigada de novo. - e o abracei forte, ele deu um beijo na bochecha.
-Ah, outra coisa, eu ainda não acredito e estou quase achando que tudo isso
não passa de um sonho e que a qualquer momento eu irei acordar na minha
cama, mas... – eu respirei fundo – o Jacob me pediu em casamento! – eu
abri um sorriso enorme, iluminada, ele ergueu uma sobrancelha, meio
surpreso ou assustado.
-E... Você aceitou?
-Sim!!- eu disse animada e mostrei minha aliança mágica.
-Parabéns. - e me abraçou – Eu espero, eu sei que serão felizes! – ele puxou
o canto da boca pra cima.
-Obrigada, acredita que ele me escondeu isso desde o começo do ano?! –
ele riu suavemente
-Serio?
-É, ele falou com meus pais primeiro e só poderia me pedir em casamento
quando eu fosse maior de idade, com 21, por isso ele me mandou viajar,
para que eu não descobrisse antes do meu aniversario...- eu não estava
acreditando na loucura dele.
-Então eu agradeço á ele... - eu o olhei confuso- Senão eu não a - teria
conhecido. – nós sorrimos. É eu também agradeço ao Jake por isso e
entramos.
Bianca ficou brava por não ter um pingente para colocar na minha pulseira
e jurou que compraria um quando voltássemos.
A noite foi ótima, nos divertimos bastante e foi com certeza uma das vezes
que os lobos mais comeram na vida, se eu não tivesse visto com meus
próprios olhos não acreditaria, mais vi Seth e Embry recusarem comida de
tão cheio que estavam.
Todos ficaram felizes por mim e Jake, minha família contou como foi
frustrante no percorrer do ano sabendo do futuro pedido do Jake e eu ficava
impressionantemente corada, quando eles tocavam no assunto.
Não vou nem dizer o quanto Tio Emmet aproveitou para tirar proveito da
situação.
No momento Bia está no meu quarto e durante 50 minutos ficamos
desembrulhando meus presentes e ainda tinha uma pilha ao lado da cama.
Jake ficou chateado de não poder dormir comigo hoje e não poder me ter
como sua noiva.
A palavra noiva nem foi muito usada está noite quanto achei que seria e
sim esposa – devo admitir que me sentia um pouco velha; com 21 anos e
prestes a casar -é- eu me senti velha, adulta, mas eu apenas teria que me
acostumar.
Alice quis fazer uma noite das garotas, mas já era 5 da manhã e a Bia era a
mais humana de nós e não pode passar a noite - madrugada ou resto dela
acordada e dormiu comigo.
Apenas Mike e Zafrina ficaram depois da festa...
Quando acordei e só devo ter dormido umas duas horas, a casa estava com
um rastro da decoração e ainda havia restos do meu bolo na geladeira
juntos com doces e salgados, eu não tinha o mínimo de fome – humana.
Já fazia um tempo que não caçava, eu recusei ir de madrugada com os
outros - outro tipo de diversão da noite.
Não vi ninguém por perto, Jake roncava alto no quarto de hospedes, alguns
de meus tios nos quartos e os outros não estavam na casa, então resolvi
caçar sozinha – não seria a primeira vez que eu fazia isso.
Disparei para o meio da floresta e ao colocar as mãos na terra, senti mais
que um animal á 20 metros, um cheiro familiar se aproximava rapidamente
e por pouco Mike não me deu um susto.
-Bom dia. - tentei parecer normal – não assustada.
-Bom dia. - ele disse rindo - Já levantou...
-É eu não consegui dormir, muita coisa pra processar.
-Você quer dizer sobre o casamento?
-A maior parte, sim.
-Mas porque isso seria tão complicado?
-Claro, nada além da decoração, meu vestido, as madrinhas, o buffe, os
convidados, os convites, o- ele me interrompeu
-Ok! Ok. – ele levantou as mãos – Já entendi, não foi bem isso que eu quis
dizer, só acho que você não precisa se preocupar tanto, apenas pense na
união sua e do Jacob, nada mais. O resto são detalhes. - eu sorri, ele tinha
razão. Apenas eu e Jacob...
Se fosse o caso eu poderia me casar em qualquer lugar, de qualquer jeito
(certo, que Alice tentaria me matar depois), só precisava ser com ele.
-Você está certo. Parece que eu gosto de me preocupar.
-Ah... - seu sorriso sumiu – Eu na verdade vim aqui para te avisar que estou
indo.
-Hã? Já vai voltar pra França?
-Sim, eu quero avisar e ajudar a Meredith o quanto antes, senti gravidade
na voz do Nahuel, apesar de tudo que me aconteceu eu... ainda sinto
necessidade de protegê-la.- eu fiquei surpresa pela revelação, ele ainda a
amava?
O que eu queria aconteceu, ele estava partindo para outra – quero dizer –
pra mesma?
-Ah, então tudo bem, entendo. Ate logo!- e o abracei.
-Espero te ver logo.
-Ah, por falar nisso, você não vai faltar na minha formatura?
-Formatura?...Claro! Pode deixar que tirarei meu melhor smoking para ir.
Não perderia isso por nada. - eu sorri.
-E se você levar a Bia, eu agradeceria – ela agradeceria muito. - ele riu de
leve.
-Pode deixar, será um prazer levá-la. - e o abracei de novo, ele sorriu
desaparecendo entre as árvores.
Espero que ele fique bem, que até mesmo á Meredith fique bem, que
Alyssa não leve á frente essa coisa de vingança, se pelo menos eu falasse
com ela, sobre como eu me arrependi.
Segunda voltamos para São Paulo, ainda bem que a noticia de que eu
estava noiva não se espalhou, se conteve ou se compactou no quase colapso
que a Bia teve quando soube.
Tudo correu bem e alegre até o final do ano; passei de ano como esperado e
nem precisei ler a mente de ninguém nos exames finais, a Bia me deu o
pingente que queria, era uma miniatura de pentagrama – a cara dela – ela
disse que era para minha proteção; na formatura minha família viria para cá
pela primeira vez, será uma grande festa de comemoração.
Meu casamento só será daqui a 18 meses, tanto eu quanto Jake não temos
pressa, além do mais Alice não ficaria mais feliz em fazer tudo com calma.
Não recebi nenhuma noticia sobre Alyssa e Meredith provavelmente nada
tenha acontecido, ainda.
O casamento de Claire e Quil será semana que vem, resolvi que realmente
nunca mais verei os ex-lobos, terei que me acostumar, me forçar a entender
que é perigoso vê-los, mas no meu casamento quero a presença de Caleb e
Jessica e até mesmo da pequena Melody que não fez nem um mês.
Bianca está feliz por não precisar usar mais as incomodas talas de gesso no
pé e poder colocar seus preciosos sapatos de salto no baile.
Agora, no meu quarto na república vejo no quanto a vida pode mudar,
estou arrumando minha mala para voltar definitivamente para casa e
deixando separado meu vestido de gala na cama, achei a camisa velha de
Jake de quando ele me deu antes de eu ir viajar, o balão vermelho - agora
murcho- que o Mike tinha me dado no parque, na partitura da minha
musica com a Bia, uma foto de nós duas pouco antes dela voltar para São
Paulo quando estávamos em Paris e outras coisas.
Há 11 meses diria sem pensar que Jacob seria minha alma gêmea, mas
agora, poderia acreditar que ela poderia estar dividida em três...
Bia, Jake e Mike.
Como poderia explicar a grande afinidade que tive com a Bia e o Mike tão
rápido... Claro que eu amo de todo meu ser o Jake, mas não conseguiria
viver sem eles. Como se a Bia fosse minha melhor parte humana, o Mike
minha melhor parte vampira e o Jake... a melhor parte dos dois mundos.
Depois da festa irei para casa, a Bia vai ficar por aqui, mas tanto eu quanto
ela prometemos nos visitar.
Aqui estou eu, crescida, aprendida, noiva, sabendo muito de mim mesma,
me descobri, me conheci melhor, pude confiar mais em mim, me aceitar,
acreditar em que eu poderia ser.
O destino muda, você o escreve ninguém mais, às vezes a vida é chata e
monótona e de repente você mal pode respirar de tão rápido que as coisas
acontecem. A vida é assim... cheia de surpresas.
Consegui tudo que queria, até mais na verdade... E agora o ano se encerra e
tudo voltará como era antes... Eu tive que rir ao pensamento, nem se eu
quisesse tudo voltaria como era antes, daqui em diante será tudo melhor.

"É preciso coragem para crescer e tornar-se


o que você realmente é."
Epilogo: Futuro
Eu e a Bia compramos o vestido que queríamos em uma linda loja na
cidade, o meu era rosa quase roxo tomara-que-caia plissado com lindos
contornos em cima e em uma espécie de faixa a baixo do busto, era leve e
suavemente brilhoso, a Bia comprou um de um ombro só, mesclado de azul
e rosa claro, tinha uma linda faixa abaixo do busto com uma espécie de
enfeite de pedras na lateral, era perfeito.
Queria ver o que Alice diria por eu ter me arrumado sozinha, tive uma
ajudinha da Bia aqui e lá, mas minha resposta já estava na ponta da língua
se ela reclamasse – “Fiz o meu melhor.”
Mike nos levou ao baile, ao grande salão que a escola alugou ou já era
propriedade dela, não sei.
Jake me esperava na porta, elegante e completamente charmoso em um
smoking provavelmente feito sob medida. Ele me deu um beijo carinho nos
lábios.
-Você está incrível. - ele disse me analisando
-Obrigada, você também não está nada mal.- eu mexi no seu paletó, ele
sorriu meio envergonhado.
-Eu estou fervendo aqui em baixo, não vejo a hora de tirar. – ele mexeu na
gravata.
-Se adiantar alguma coisa lá dentro tem ar condicionado, mas não se
preocupe – eu me aproximei de seu ouvido – quando chegarmos em casa eu
tiro pra você.- ele sorriu malicioso e me deu outro beijo rápido.
Bia se aproximou segurando o braço do Mike, mais lindo que o normal em
seu smoking, eles sorriram para nós.
-Vamos? - Bia perguntou, eu concordei e peguei o braço de Jake.
Havia um fotografo na porta e tiramos uma foto como casal e depois os
quatro juntos.
O salão estava lindo, tinha um palco no fundo e umas pessoas estavam
arrumando instrumentos, logo uma banda local iria tocar; havia um grande
espaço a frente do palco onde tinha varias luzes em cima, umas 200 mesas
redondas espalhadas pelo salão decoradas com pequenos arranjos de flores
no centro.
O salão não estava completamente cheio, mas 70% dos olhares que
estavam lá se dirigiram á nós, minha família não tinha chegado, eles
deveriam estar a caminho, Jake veio antes, sozinho – correndo em quatro
patas.
Nós sentamos em uma mesa relativamente perto do palco e perto dos
nossos amigos, Léo, Gabi, Marília, Fernanda, Lucas, Pedro, Camila.
Eu abracei o Léo.
-Você está linda. - ele me elogiou
-Obrigada. – Jake limpou a garganta – Ah, este é Jacob, meu namorado. -
ele cumprimentou Jake meio receoso, Jacob tentou um oi em português.
Minha família chegou depois de todo mundo, mas as luzes ainda estavam
ligadas e todos mundo não deixou de reparar no grupo perfeito que se
aproximava.
Eles vieram na minha direção, nós já tínhamos deixava uma mesa para eles.
Alice estava com delicado vestido bordo marrom tomara-que-caia com o
busto enfeitado de brilho, ele tinha uma abertura na perna, como se tivesse
varias camadas de um tecido super fino; Rosalie estava sexy e sedutora
como sempre em um vestido vermelho sangue sendo que as alças e a parte
da cintura eram cobertas de strass, ele era justo ate depois do quadril e
ficava solto dali pra baixo com uma abertura lateral e as costas de fora;
analisei minha mãe rindo ao lado de meu pai com um vestido simples mais
elegante verde esmeralda todo plissado e com um lindo enfeite de pedras
no centro do busto, Esme com um vestido vermelho e os homens de
smoking.
-Quem são? - Gabriela perguntou curiosa
-Minha família. – respondi quase rindo, ela me olhou surpresa, mas depois
sorriu como se dissesse “Isso era obvio.”
-Nossa, seu irmão é muito gato!- ela continuou
-Irmão?- eu olhei confusa
-É aquele de cabelo desgrenhado bronze? – eu entendi.
-Ah, ele é meu irmão sim... Mas ele já é comprometido. – eu logo disse, só
espero que ela não levante suspeitas, naquela que era namorada dele,
aquela na qual eu poderia – e era – filha.
-Oi, Nessie!- Alice me cumprimentou.
-Chegaram em cima da hora, já iam começar a apresentação e os discursos.
– eu revirei os olhos.
-Claro! – eu acenei para o resto da família, meus pais me deram um beijo –
Hum... Você está linda á propósito, se virou muito bem sozinha, como se
precisasse de ajuda... – ela sorriu - Você também Bia. – Alice nos elogiou,
eu ri.
-A Gabi vai tenta dar em cima do seu pai... - Bia cochichou no meu ouvido
-Por mim nem tentar. - eu olhei pra ela, que fitava Edward – Espero.
Mas minha mãe deu um beijo carinhoso no meu pai.
-É namorada dele? - Gabi me puxou de lado.
-É... E eles estão á muito tempo juntos. – e eu notei que minha mãe estava
usando lentes verdes, a deixando mais encantadora, será que eles não
acreditariam na historia de que meu pai (Carlisle) os tinha adotado.
-Ah. - a decepção visível em sua voz
Depois o diretor, alguns professores e alunos subiram ao palco fazendo
apresentações e a Bia foi um dos alunos, enquanto ela falava uma linda
musica tocava ao fundo:
- Passamos toda a vida nos preocupando com o futuro, fazendo planos,
tentando prever o futuro como se desvendá-lo fosse aliviar o impacto, mas
o futuro está sempre mudando. O futuro é o lar dos nossos medos mais
profundos e das nossas maiores esperanças, mas uma coisa é certa: quando
ele finalmente se revela, o futuro nunca é como imaginamos. É preciso
viver o sonho e a certeza de que tudo vai mudar. É necessário abrir os olhos
e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os desejos não
precisam de razão, nem os sentimentos de motivos, o importante é viver
cada momento e aprender sua duração, pois a vida está nos olhos de quem
sabe ver com o coração...
Intenso. Inexplicável. Incomparável. Assim foi esse tempo em que
estivemos juntos. Um período no qual descobrimos o mundo: estudamos,
brincamos, aprendemos, sorrimos… Ah, as amizades… - ela olhou pra
mim e para o grupo ao meu redor - Essas, não preciso nem comentar, pois
sem dúvida são sinceras, repletas de carinho e dedicação. E também – seus
olhos começaram a encher de lágrimas - Descobrimos que as pessoas com
quem se importamos podem ser tomadas de nós muito depressa, por isso
sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas;
pode ser a última vez que as vejamos... - ouve um breve silêncio, ela
limpou de baixo dos olhos e riu de leve se recompondo - E a todos esses
queridos amigos com quem não conviveremos mais diariamente nessa
nossa nova fase da vida só temos a dizer muito obrigado. Para finalizar,
gostaríamos de enfatizar que esse momento não é um momento de tristeza
porque nos despedimos. Não; esse é um momento de reflexão, de
aceitação. De olhar para frente. Um momento de admitir que a vida de cada
um de nós é feita de fases. Tudo muda. O mundo muda; nós mudamos,
nossas prioridades mudam e mudarão; nossa leitura de mundo também.
Devemos não nos entristecer porque as coisas acabaram e sim
agradecermos porque elas existiram. – e todos aplaudirão, ela veio se sentar
ao meu lado, depois um professor foi falou outras coisas, as luzes se
apagaram e a banda começou a tocar.
Eu puxei Jake para dançar, junto comigo a maioria do salão também se
levantou.
As luzes piscavam e rolaram, nós dançamos animadamente, eu ri demais
com meus colegas e claro com minha família dando um show na pista.
Depois de quase uma hora nos divertindo, Jake me puxou de lado e fomos
para fora.
À noite estava fresca e gostosa ou eu estava muito quente para notar o frio,
Jake como a maioria dos garotos estava só de calça ou com a blusa aberta.
-O que foi?- perguntei
-Nada, só queria um tempinho a sós com você. - e ele me abraçou. - Já te
disse que você está linda hoje?
-Já sim – eu ri
-Ah, é que não parece o bastante, são apenas palavras. - ele colocou a mão
nas minhas costas á mostra.
- Eu sei de algo melhor que palavras.
- O que? – ele se fez de desentendido
E eu me aproximei o puxando para perto.
-Eu te amo... – eu olhei em seus olhos - Prometa que ficaremos juntos pra
sempre.
-Eu prometo, até a nossa eternidade terminar. - e nossos lábios se juntaram,
pressionados um contra o outro, se como todo o resto se completasse, se
preenchesse.
Nossa, como eu amava beijar o Jake...
O para sempre ecoava em minha mente, como se fosse o meu maior desejo
do futuro, do meu, do nosso futuro. E o que visse a seguir não importava e
sim é que eu estivesse ao lado daquele que amo e agora que sei e senti
como é ficar longe dele, o amo ainda mais, junto com algumas dores que
nunca mais desejo sentir.
Talvez algum dia a Bia e os outros humanos e humanos-lobos – pudessem
morrer, mas eu não tenho escolha e Jacob e minha família estarão ao meu
lado, não que seja menos doloroso imaginar que eles iram embora, mas
simplesmente inevitável e apoiarei a Bia em seu desejo de não se
transformar, ainda sim, acredito que um dia ela aceitará minha proposta,
mas isso só o tempo dirá.
Tudo estava completo de novo...
E mais feliz eu não poderia estar naquele momento: nos braços de Jacob.

"O destino pode mudar. Nossa natureza jamais."

Fim

Agradeço de todo o coração a todos


que acompanharam essa história desde
o começo e me apoiaram a continuar.

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