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UNIVERSIDADE de BRASÍLIA
138037 - Geografia Física 2: Meteorologia e Climatologia.

RESPONSÁVEL: PROF. DR. FÁBIO CUNHA CONDE, DEPARTAMENTO DE GEOGRAFIA.
Aula 2: Meteorologia e climatologia. Conceitos e fundamentos metodológicos.
Tempo e Clima.

NORMAIS CLIMATOLÓGICAS DO BRASIL, PERÍODO 1961-1990.
Fundamentos das Normais Climatológicas
Em 1872, o Comitê Meteorológico Internacional decidiu compilar valores médios
climatológicos sobre um período uniforme, a fim de assegurar a compatibilidade entre
os dados coletados em várias estações, resultando daí a recomendação para o cálculo
das normais de 30 anos. A Regulamentação Técnica No. 49, Volume 1, Seção B,
determinou que cada membro estabeleceria e, periodicamente, revisaria as Normais para
as estações cujos dados climatológicos eram distribuídos pelo Sistema Global de
Telecomunicações, de acordo com o Manual de Códigos, enviando-as ao Secretariado.
O período inicial determinado foi 1901-1930, seguindo-se os períodos sucessivos que
deveriam ocorrer a intervalos de 30 anos, isto é: 1931-1960 1961-1990.
Em 1956, na Nota Técnica No. 84, a Organização Meteorológica Mundial (OMM)
recomendou a atualização das Normais de 30 anos, a cada 10 anos completos, o que
vem sendo feito por muitos países membros. Contudo, pouca orientação existia, à
época, no sentido de estabelecer métodos estatísticos para o cálculo das Normais, para
preencher lacunas de dados, para trabalhar dados errados e períodos incompletos ou
para definir o número de dados requeridos na distinção entre as Normais-Padrão e as
Provisórias, lacunas que só mais tarde seriam preenchidas pela própria OMM.
Em 1989, com o objetivo de estabelecer procedimentos gerais para o cálculo das
médias mensais e anuais, para o período de 1961 a 1990 e subsequentes, a OMM
publicou o Documento Técnico WMO-TD/No. 341 (OMM, 1989), que permite obter as
NORMAIS CLIMATOLÓGICAS PADRONIZADAS e as PROVISÓRIAS, sugerindo
ainda outras variáveis climáticas. Coerentemente, estabeleceu-se que tais procedimentos
devam ser seguidos por todos os países membros.
As Regulamentações Técnicas definem normais como “valores médios calculados
para um período relativamente longo e uniforme, compreendendo no mínimo três
décadas consecutivas” e padrões climatológicos normais como “médias de dados
climatológicos calculadas para períodos consecutivos de 30 anos, iniciando-se em 1º de
janeiro de 1901 até 31 de dezembro de 1930, 1º de janeiro de 1931 até 31 de dezembro
de 1960, etc.”. No caso de estações para as quais a mais recente Normal Climatológica
não esteja disponível, seja porque a estação não esteve em operação durante o período
de 30 anos, seja por outra razão qualquer, Normais Provisórias podem ser calculadas.
Normais Provisórias são médias de curto período, baseadas em observações que se
estendam sobre um período mínimo de 10 anos.

Para cada variável. o INMET. esta iniciativa demandou esforço considerável de uma grande equipe de colaboradores. evaporação total e insolação total. os dados climáticos são frequentemente mais úteis quando comparados com valores normais padronizados. nebulosidade. ao longo dos anos. produtos de climatologia e as médias climatológicas oferecidas pelo SIM. em escalas mensal e decendial. mas não ao ponto de se eliminar dados aparentemente de boa qualidade. em 1970. ainda. publicou as Normais Climatológicas 1961-1990. umidade relativa. precipitação total. o número de estações e o conjunto de variáveis de particular interesse para a Agricultura. temperatura mínima. que veio centralizar e organizar. eficientemente. particularmente no caso de variáveis ou regiões geográficas com baixa densidade de informações. as primeiras Normais Climatológicas foram publicadas pelo Escritório de Meteorologia do Ministério da Agricultura. o Sistema de Informações Meteorológicas (SIM). Com a implantação do SIM. à época. de forma sistemática. então denominado Departamento Nacional de Meteorologia do Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. uma série de erros e de inconsistências foi sendo registrada no âmbito da própria Instituição. além de tabelas de dados.2 Importância das Normais Climatológicas Segundo a própria OMM. um banco de dados relacional de envergadura. No final do ano 2000. de suma importância o cálculo e a publicação das Normais Climatológicas “Padronizadas”. A publicação tem sido até hoje uma referência fundamental para os trabalhos relacionados aos estudos climáticos no Brasil. As recomendações da OMM foram observadas sempre que possível. foram criadas as condições objetivas para uma revisão sistemática das Normais 1961-1990. ao mesmo tempo. no INMET. decidiu-se. temperatura mínima absoluta. nesta publicação. acrescentar os respectivos mapas mensais e anuais. temperatura média. do setor produtivo à saúde pública. o uso das Normais “Simples” ou “Provisórias” são alternativas aceitáveis. praticamente todas as atividades humanas dependem das informações climatológicas. Não obstante. Torna-se. Em 1992. o acervo de dados meteorológicos digitalizados. temperatura máxima. Na ausência destas. no capítulo Metodologia. das atividades esportivas ao lazer. A partir de 2006. e a frequência de dias consecutivos sem chuvas. . precipitação máxima em 24 horas. antes distribuídos entre a Sede e os 10 Distritos Meteorológicos da Instituição. correspondentes ao período 1931-1960. Tal publicação restringiu-se aos valores médios mensais e anuais das seguintes variáveis: pressão atmosférica. ampliar. localizados em 10 Estados distintos da Federação. Normais Climatológicas para o Brasil No Brasil. A metodologia adotada para tal fim é descrita. tanto quanto possível. Embora a Agroclimatologia seja a principal área técnica beneficiária das informações contidas nesta publicação. como as observações meteorológicas só começaram a ser realizadas. por escassez ou má qualidade de dados. decidiu-se combinar a publicação de 1992 com as Normais calculadas internamente e utilizadas para calibrar os modelo dinâmicos. de forma a corrigir erros da publicação original e. reunindo 209 estações meteorológicas e abrangendo o mesmo conjunto de variáveis das Normais 1931-1960. como o número médio de dias chuvosos. foi inaugurado. assim. a partir de 1910. Em face dos limitados recursos computacionais disponíveis e da não existência. de uma base de dados centralizada. temperatura máxima absoluta. assim considerados aqueles obtidos segundo suas próprias recomendações técnicas.

Analogamente. do ano j. Neste caso. No caso de variáveis associadas a valores acumulados no período de interesse. ou períodos com dias consecutivos sem chuva. considerar-se-ão apenas os meses para cujo decêndio se disponha de dados de precipitação para todos os dias. se mi for igual a 30. e se i corresponde ao mês de março e j ao ano 1975.3 Procedimentos de Cálculo Em geral. como temperatura. nestes casos. Xi será uma Normal-Padrão. já discutida anteriormente. computa-se inicialmente o valor 𝑋𝑖𝑗 correspondente a cada mês 𝑖 e cada ano 𝑗 pertencente ao período de interesse – no caso. a soma de todos os valores diários disponíveis para aquele mês e aquele ano. do ano j. Para vaiáveis em quaisquer dos três grupos. Em se tratando de variáveis associadas a valores diários. decêndios em que não se registrou nenhuma ausência de dado. ou seja: 𝑋𝑖𝑗 = ∑ 𝑋𝑖𝑗𝑘 𝑘 Nestes casos. isto é. exige-se que o período de observação esteja completo. e N é o número de dias no mês i. o valor Xij é computado como: ∑𝑘 𝑋𝑖𝑗𝑘 𝑋𝑖𝑗 = 𝑁 onde 𝑋𝑖𝑗𝑘 é o valor observado da variável X no dia k. a normal correspondente ao mês i será então computada como: 𝑋𝑖 = ∑ 𝑋𝑖𝑗 /𝑚𝑖 𝑗 onde 𝑚𝑖 é o número de anos para os quais se dispõe de valores 𝑋𝑖𝑗 . Um terceiro grupo (Grupo III) corresponde a variáveis que representem eventos observados em um período de interesse. só se deve considerar o mês que possua dados de precipitação disponíveis em todos os dias. como o mês ou um determinado decêndio do mês. seguindo-se os procedimentos recomendados pela OMM. Por exemplo. Exemplos são dias com chuva acima de determinado limiar. para se determinar as normais de uma variável 𝑋 para determinada estação meteorológica. isto é. Nestes casos. ou . pressão atmosférica. isto é. Nesses casos 𝑋𝑖𝑗 corresponde ao total de observações registradas no mês i. se se trata de dias com chuva no mês. segundo ou terceiro decêndio de cada mês. computa-se 𝑋𝑖𝑗 como o valor acumulado no mês i. nebulosidade e vento (Grupo I). ou cinco ou mais dias alternados. se trata do número de dias com chuva maior ou igual a 1 mm no primeiro decêndio do mês. A OMM recomenda que. Para a média decendial. se adote a “regra 3:5”. do ano k. como precipitação. no mês ou em um dado decêndio do mês. meses sem nenhum dado faltante. então 𝑋𝑖𝑗 corresponderá ao número total de dias com chuva satisfazendo àquela condição durante os 10 primeiros dias do mês de março de 1975. evaporação e insolação (Grupo II). umidade relativa do ar. do ano j. o período de 1961 a 1990. O valor decendial é calculado pela soma dos valores diários para o decêndio em questão. iniciando-se em 1° de janeiro de 1961 e terminando em 31 de dezembro de 1990. a OMM recomenda que se considerem apenas Meses Completos. descartando-se os meses com ausência de dados em três ou mais dias consecutivos. a diretriz da OMM é que se considerem apenas Decêndios Completos. para os quais se dispõe de observações. Um caso particular é o cômputo da precipitação decendial. do mês i. para o primeiro. Pela nomenclatura da OMM.

o valor diário é calculado pela média aritmética simples dos valores registrados nos três horários de observação. nebulosidade. observando-se maior amplitude barométrica em Florianópolis. em contraste com Belém. a normal anual 𝑋̅ será computada como a soma dos 12 valores mensais.𝑖𝑗𝑘 + 2𝑇24.𝑖𝑗𝑘 + 𝑇12. abreviado por GMT. a falta de uma das parcelas implica na ausência de valor diário. Xi será uma Normal Provisória. Portanto.𝑖𝑗𝑘 = (𝑇𝑚𝑎𝑥.12. 18 e 24 UTC. no caso das variáveis do Grupo I. também.. Algumas estações. respectivamente.𝑖𝑗𝑘 + 𝑈𝑅18. o valor de média compensada. Cômputo do valor diário As coletas de dados nas estações meteorológicas convencionais do INMET são realizadas nos horários de 12. é computada. pressão atmosférica. As temperaturas mínima e máxima diárias são registradas em termômetros especiais (termômetro de mínima e termômetro de máxima) e lidas pelo observador. Caso não se disponha de 𝑋𝑖 para algum dos doze meses do ano. as variáveis ambientais apresentadas nesta publicação são baseadas nas observações realizadas. explica em parte as diferenças do tempo meteorológico e do clima entre as duas cidades. No cômputo desses valores diários.. nos horários de 12 UTC e 24 UTC. usualmente.𝑖𝑗𝑘 )⁄5 No cômputo do valor diário da umidade relativa do ar.𝑖𝑗𝑘 + 𝑇 𝑚𝑖𝑛. contudo. a saber. têm observações em apenas dois horários. diariamente. para as localidades de Belém-PA e Florianópolis-SC.𝑖𝑗𝑘 = (𝑈𝑅12. o valor Xi será descartado. Os valores diários 𝑋𝑖𝑗𝑘 utilizados nos cálculos acima descritos resultam dessas observações. conforme as regras resumidas a seguir. direção e intensidade do vento. Tal situação. Como usar as Normais Climatológicas Todos os estudos climáticos são baseados nas observações meteorológicas. 12 e 24 UTC. 18 e 24 UTC1. decorrente da diferença de latitude entre as duas localidades. o INMET utiliza. é calculada pela fórmula: 𝑇𝑀𝐶. Caso mi seja inferior a 10. i= 1. como a média dos 12 valores mensais 𝑋𝑖 . utilizada nesta publicação. com as limitações quantitativas e qualitativas discutidas na metodologia. A temperatura média compensada. dado por: 𝑈𝑅𝐶. mas igual ou superior a 10. normalmente. às 12. 𝑋̅. Se mi for inferior a 30..𝑖𝑗𝑘 )⁄4 Para as demais variáveis do Grupo I. A Figura 1 mostra a variação média mensal da pressão atmosférica no nível do barômetro. o valor anual não será computado. 1 UTC é o acrônimo em inglês para Tempo Universal Coordenado. o fuso horário de referência a partir do qual se calculam todas as outras zonas horárias do mundo.𝑖𝑗𝑘 + 2𝑈𝑅24. . na Rede de Observações de Superfície do INMET. bem como no cômputo da temperatura média compensada e da umidade relativa do ar compensada.4 Padronizada. A normal anual da variável X na estação meteorológica em análise. É o sucessor do Tempo Médio de Greenwich. . Para as variáveis nos Grupos II e III.

pode-se analisar a temperatura média para localidades situadas em diferentes latitudes. no extremo norte do País. com amplitudes decrescentes do sul para o norte do Brasil. a influência do fator latitude na marcha mensal da temperatura. em Porto Alegre. também aqui. Belo Horizonte. De forma análoga. . Belo Horizonte e Macapá. as temperaturas médias mensais pouco oscilam. mantendo-se valores médios elevados ao longo do ano. situada em latitude intermediária. Constata-se. Comparação das normais climatológicas da pressão atmosférica no nível do barômetro. como se vê na Figura 2 para Porto Alegre. apresenta-se entre os dois extremos. para Belém-PA e Florianópolis-SC. observa-se uma expressiva variação do verão para o inverno. Comparação entre as normais climatológicas da temperatura média compensada para Belo Horizonte-MG. Macapá-AP e Porto Alegre-PO. no sul do Brasil. Figura 2. com verões e invernos mais suaves. Enquanto em Macapá.5 Figura 1.

mas distantes entre si quanto ao fator climático continentalidade. com as Normais Climatológicas 1961-1990. Enquanto Salvador. as temperaturas sofreram um aumento de. então Escritório de Meteorologia do Ministério da Agricultura. entre diferentes elementos climáticos. 2°C ao longo do ano. que se aproximam de 300 mm mensais. Figura 3. localidade continental da região Centro-oeste. com máximos no final da primavera e ao longo do verão. com máximas precipitações no outono e início do inverno. apresenta chuvas mais escassas. a Figura 4. limita a evaporação a aproximadamente 100 mm mensais. aproximadamente. contrastando com o inverno seco. sendo mais provável tratar-se de efeitos da urbanização. e elevadas taxas de evaporação. situada no litoral. Por outro lado. Cuiabá. como se vê nas Figuras 5 e 6. A Figura 3 ilustra a diferença marcante entre os regimes pluviais de duas localidades situadas em latitudes próximas.6 As figuras que seguem mostram outras combinações entre localidades distintas. próximo de 50%. Figura 5. para Brasília. em 1970. . mostra uma defasagem de quase 180 graus entre as curvas da umidade relativa do ar e da evaporação. com médias mensais de umidade em torno de 75%. para a mesma localidade. Enquanto o regime se manteve e o total das chuvas pouco alterou. para um mesmo elemento climático e. o que não deve ser interpretado de pronto como eventual mudança climática associada ao aquecimento global. mostra chuva acumulada anual superior. pode-se ter uma idéia da variabilidade climática entre os dois períodos. O verão úmido. hipótese que exigirá estudos mais detalhados. Figura 6. Comparando as Normais Climatológicas 1931-1960. Comparação entre as normais climatológicas da precipitação acumulada mensal para Salvador-BA e Cuiabá-MT. publicadas pelo INMET.

Comparação entre as normais climatológicas dos períodos 1961-1990 e 19311960 para a precipitação acumulada mensal de Manaus. Figura 5. Comparação entre as normais climatológicas de evaporação e umidade relativa do ar para Brasília-DF. .7 Figura 4.

sudeste de São Paulo e nordeste de Santa Catarina. para todo o Brasil. Como as anomalias previstas eram todas positivas. As Figuras 7 e 8 ilustram a utilização deste conceito. O conhecimento da média histórica ou Normal Climatológica é essencial para a aplicação do conceito de “desvio” ou “anomalia” de uma variável. obviamente. Comparação entre as normais climatológicas dos períodos 1961-1990 e 19311960 para a temperatura média de Goiânia. diuturnamente empregado em meteorologia para significar a diferença entre o valor observado e a normal climatológica correspondente. . com menores anomalias em Mato Grosso do Sul. que neste mês de julho as chuvas observadas situaram-se bem acima da Normal Climatológica (anomalias positivas) no Estado do Paraná.8 Figura 6. os acumulados totais esperados resultariam da soma dos valores normais e das anomalias previstas. em contraste com anomalias negativas em quase todo o Rio Grande do Sul. A primeira mostra o mapa do desvio da precipitação acumulada para o mês de julho de 2009. as anomalias de chuvas previstas para o mês de outubro de 2009 e as isoietas correspondentes à Normal Climatológica para o mesmo mês. para os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A Figura 8 mostra. a título de exemplo. destacando-se.

em relação à Normal Climatológica 1961-1990 (isoietas). Figura 8. Desvio (anomalia) da precipitação acumulada mensal. observada. Desvio da chuva acumulada mensal. Fonte: 8º DISME/INMET e CPPMet/ UFPel) . para o mês de outubro de 2009. no Brasil. para o mês de julho de 2009. em relação à Normal Climatológica 1961-1990. prevista.9 Figura 7. no Rio Grande do Sul.

potencial e real. a maior relevância recai sobre as aplicações agrícolas. Tais gráficos devem ser construídos a partir de uma tabela que expressa. de resto. O . quantitativamente. mês de transição da estação seca para a chuvosa. obtida a partir das tabelas das Normais Climatológicas 1961-1990. em seguida. bem como estimar índices de aridez e quebras de produtividade. Na Figura 9 são observadas as componentes do Balanço Hídrico Climatológico para a localidade de Rio Verde-GO. parâmetros que permitem quantificar o nível de estresse hídrico a que se acha submetida uma cultura. período de deficiência hídrica. podem-se estimar os termos do Balanço Hídrico Climatológico para o período 1961-1990.10 Segue-se um exemplo de informação climatológica indireta. de maio a setembro. com destaque para o cálculo do déficit hídrico e da evapotranspiração. A comparação entre o tempo real monitorado e os valores decendiais médios permitirá identificar condições favoráveis ou anômalas para as práticas agrícolas. déficits hídricos. o Balanço Hídrico Decendial é uma ferramenta essencial no monitoramente agrícola. em especial. observam-se as retiradas e as reposições de água no solo. de novembro a abril e. respectivamente. Na escala decendial. com consequências negativas para as culturas submetidas ao estresse hídrico. na escolha de culturas e de práticas agrícolas mais adequadas para uma região. 100 mm. atingindo o máximo no início de setembro. para a localidade de Rio Verde-GO. construindo-se. a seguir. Em especial. o período seco. aplicável também a quaisquer outras atividades produtivas ou sociais. os gráficos apresentados nas Figuras 9 e 10. com excedentes hídricos ao longo da estação chuvosa. e valendose do Método de Thornthwaite e Matter (l948 e 1955). Completando o balanço. Extraindo-se os dados de temperaturas e chuvas médias mensais. antecedendo e sucedendo. de abril a novembro. de grande interesse para finalidades socioeconômicas. particularmente para a agricultura. todas as componentes do Balanço. Figura 9. para a localidade de Rio Verde-GO A Figura 10 mostra o limite superior do conteúdo de água no solo. naquela localidade. e a curva representativa da disponibilidade hídrica no solo. Balanço hídrico climatológico baseado nas normais 1961-1990.

. sem embargo para quaisquer outras aplicações técnico-científicas e socioeconômicas. por exemplo. onde tais montantes são normalmente atingidos. instrumentos úteis para a tomada de decisões por parte das autoridades e dos planejadores e executores das atividades agrosilvipastoris. Se determinada cultura exige chuvas anuais acumuladas superiores a 1500 mm. sendo fator crítico em alguns processos como. informações relevantes na agricultura. quando os limites térmicos de tolerância da planta são superados naquela fase fenológica.11 monitoramento da temperatura de per si é também de grande importância em todas as fases fenológicas da cultura. que podem ser identificados pela comparação das condições meteorológicas rotineiramente observadas e as médias anuais. então um agricultor de Minas Gerais somente poderá cultivá-la em algumas áreas do Sul e do Triângulo Mineiro. bem como nas atividades de colheita e de processamento de safras. Considerando a representatividade regional de cada estação meteorológica. desde a estimativa de dias trabalháveis com máquinas no campo até a quantificação de veranicos ou períodos de invernadas. na pecuária. por exemplo. mensais e decendiais. na melhor época de semeadura. por exemplo. O financiamento de safras agrícolas e as atividades securitárias em geral são altamente dependentes do conhecimento das condições climáticas. para a localidade de Rio Verde-GO. A estatística do número de dias chuvosos e secos e dos intervalos consecutivos secos são informações úteis para muitas atividades. É óbvio que outras exigências climáticas devem ser também analisadas. Figura 10. na vida urbana e em tantas outras atividades humanas. Armazenamento de água no solo baseado nas normais 1961-1990. O mapa da Figura 11. no abortamento de flores da cultura do café. a análise criteriosa dos valores mensais e decendiais normais é de grande valia na escolha de variedades mais adequadas para a região. Sob outro enfoque. permitindo análises panorâmicas. os mapas apresentados após as respectivas tabelas conduzem à visualização espacial das informações climatológicas. em especial dos eventos extremos. dentre tantas outras. no manejo e nas práticas culturais. mostra as chuvas acumuladas anuais normalmente esperadas para todo o Brasil.

Esta é.12 principalmente a temperatura. Normal climatológica da precipitação anual para o período 1961-1990. . Figura 11. aliás. uma análise básica nos zoneamentos agrícolas.

em dezembro de 2008. foram registradas anomalias . A Figura 12 apresenta a previsão elaborada pelo INMET. para esse período varia. Consultando o mapa climatológico da Figura 13. com a respectiva probabilidade de ocorrência. de 450 a 650 milímetros. o que de fato ocorreu conforme verificação posterior. Previsão probabilística sazonal da precipitação acumulada no trimestre de janeiro a março de 2009. ou seja. por exemplo. naquele trimestre. imediata e quantitativamente. grande parte de São Paulo e norte do Paraná. para o trimestre de janeiro a março de 2009. provavelmente. o prognóstico estaria indicando que. o valor do parâmetro previsto em qualquer região de interesse. Média histórica da precipitação acumulada no período de janeiro a março (Referência: Normais 1961-1990) O prognóstico climático sazonal ilustra outra importante aplicação dos mapas climatológicos trimestrais. o usuário verifica que a chuva média. em geral. segundo as normais climatológicas 1961-1990. o mapa com a média histórica do período em análise complementa a informação do prognóstico. Como tais prognósticos são. no primeiro trimestre de 2009. Indica. a chuva nessas regiões iria situar-se acima deste patamar.13 Figura 12. uma maior probabilidade de ocorrência de chuva acima da média no sudeste de Minas Gerais. permitindo avaliar. que podem ser obtidos a partir da soma dos valores das Normais dos meses abrangidos. As Figuras 12 e 13 ilustram esta observação para o período de janeiro a março de 2009. abaixo ou dentro da média climatológica. Assim. Figura 13. expressos em termos de probabilidades de ocorrência de valores acima. na região em foco.

1). 2005.10). em Clima> Anomalias de Precipitação> Desvio de Chuva Trimestral. 341. 38. www. THORNTHWAITE. An assessment of the quality of Brazilian meteorological observations. R. Concluindo. Artigo submetido ao Journal of Climate. evidenciando a relevância da informação para atividades agrícolas e para a defesa civil. dependendo apenas das necessidades da pesquisa e da imaginação dos pesquisadores. An approach toward a rational classification of climate. New York. 1955. 2Informação disponível no sítio do INMET. dentre outros beneficiários. variando de 100 até 400 mm de chuva acumulada2. Referências Bibliográficas ORGANIZAÇÃO METEOROLÓGICA MUNDIAL. MATHER. The water balance. Centerton: Drexel Institute of Technology/ Laboratory of Climatology.br. p. n. J. n. C. . W. Não publicado.. 104 p. é possível afirmar que incontáveis análises podem ser realizadas a partir de tabelas e mapas das Normais Climatológicas. et al. (Publications in climatology. Calculation of monthly and annual 30-year standard normals. 1989. n. Geographical Review. Geneva. VIII. 1948. Technical document. S. SUGAHARA. (WMO.14 positivas na região.inmet. WCDP. C. v.gov. 55-94. THORNTHWAITE. v. W.