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Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 AULA 01:

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

AULA 01: AGENTES PÚBLICOS

Concursandos de todo o Brasil,

Nem sempre a primeira impressão é a que fica! Viu! Atrasei a aula 01 (só um cadinho, rs.).

Seguinte. Devido ao atraso, vou adiantar quase todo o conteúdo da parte de servidores, inclusive os toques da Lei 8.112, de 1990.

Legal! Mas, Professor, e as aulas seguintes? Vai contar piadas? Nem pensar! Vamos avançar por questões aplicadas pela FCC de 2009 a 2012. E mais teoria, obviamente.

O resultado vocês já sabem! Vamos gabaritar a prova. Tenho

convicção disso! Hummm

não! É que as provas de FCC observam a Lei de Lavoisier (nada se cria, tudo se copia).

Ah! Como, nos próximos encontros, teremos contato com as questões de FCC (muitas, até enjoar!), vou, ao longo da presente aula, rechear com questões da FGV (questões bem parecidas com as de FCC). Peço que acreditem nessa sistemática. Tenho alguma experiência com concursos públicos. Já vi e ouvi de tudo um pouco.

Abraço forte a todos,

Cyonil Borges.

isso

que

prepotência! Rs

Opa,

não

é

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 TEORIA

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

TEORIA

1 A RAZÃO DE SER DOS AGENTES PÚBLICOS

Vocês já pensaram por que, realmente, existem agentes públicos? A resposta é relativamente simples. O Estado tem atribuições a serem cumpridas. E tais atribuições não são efetivamente desempenhadas pelo Estado, pois este é um ser, uma pessoa, imaterial, ou seja, sem existência física, enfim, o Estado não tem pernas e sequer braços. Desse modo, é necessário que alguém “materialize” a atuação do Estado. Nesse contexto, surgem os agentes públicos.

Antes da classificação dos agentes públicos, é útil conceituá-los. Para tanto, é possível nos socorrermos às lições doutrinárias, bem como, às normas. Vejamos.

Doutrinariamente, podemos dizer que os agentes públicos constituem um conjunto de pessoas que, de alguma forma, exercem uma função pública, como prepostos do Estado. De pronto, vejamos o conceito de agente público nas normas jurídicas. Para tanto, façamos a leitura da Lei 8.429/1992, popularmente conhecida como "Lei de Improbidade Administrativa". O conceito que a norma em referência dá à categoria é o que se segue:

Reputa-se agente público, para efeitos desta Lei, todo aquele que exerce, ainda que transitoriamente ou sem remuneração, por eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer forma de investidura ou vínculo, mandato, cargo, emprego ou função nas entidades mencionadas no artigo anterior.

A despeito da Lei de Improbidade dispor sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito na administração pública, o conceito contido em tal norma pode ser utilizado para a definição geral, a qual, conforme se observa, é bastante ampla, englobando dos mais altos escalões (detentores de mandato, tal como o Presidente da República), até àqueles que executam as mais simples tarefas.

Feitas essas considerações iniciais, passemos à classificação dos agentes públicos.

2 CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES PÚBLICOS

A doutrina clássica divide agentes públicos da seguinte forma:

políticos; administrativos; honoríficos; delegatários; e credenciados. Já a doutrina moderna enquadra-os em: políticos, particulares em colaboração, servidores públicos estatais e agentes militares. Vejamos, abaixo, a clássica.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Os Agentes

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Os Agentes Políticos são aqueles incumbidos das mais altas diretrizes estabelecidas pelo Poder Público, em outros termos, são aqueles que desenham o destino da nação. Ocupam os mais elevados postos da Administração Pública, sejam cargos, funções, mandatos ou comissões, com ampla liberdade funcional e com normas específicas para sua escolha. São exemplos unânimes entre os doutrinadores: Membros do Legislativo (Deputados, Senadores e Vereadores), Chefes de Poder Executivo (Presidente da República, Governadores e Prefeitos), assessores diretos destes (Ministros e Secretários), e os membros de carreira diplomática.

Gosto de apontar, em turma, que os agentes políticos “transpiram” o poder. São aqueles que você lembra quando se menciona poder constituído. Quando se pensa em Poder Executivo Federal, qual a 1ª imagem que vem à lembrança? O Presidente da República, o Ministro de Estado. São agentes políticos, como vimos. E assim se sucede no poder legislativo.

O amigo se questiona: a classificação acima é dita unânime, então

qual a divergência existente? Desvenda ‘Mister M’. Vamos a ela.

Há certa discussão doutrinária a respeito da possibilidade de inclusão de alguns agentes na categoria dos agentes políticos, tais como os Magistrados; membros do Ministério Público (Procuradores da República e Promotores do Ministério Público dos Estados), e dos Tribunais de Contas.

Alguns autores mostram-se a favor; outros se apresentam contrários a tal inclusão. Então como se comportar na PROVA?

Informamos que o STF no Recurso Extraordinário 228.977/SP, referindo-se especificamente aos Magistrados, tratou-os como agentes políticos, investidos para o exercício de atribuições constitucionais, sendo dotados de plena liberdade funcional no desempenho de suas funções, com prerrogativas próprias e legislação específica.

Assim, sem maiores discussões, além dos integrantes do Legislativo, Chefes de Executivo (e seus auxiliares diretos), os Magistrados podem ser enquadrados na categoria de agentes políticos.

Legal. E os membros dos Tribunais de Contas?

A doutrina clássica enquadra-os como agentes políticos. Porém, o

STF, estranhamente, afirmou, com todas as letras, que os membros dos

TCs são agentes administrativos.

Quanto aos membros do Ministério Público, ou seja, promotores

de justiça e procuradores da república, de modo geral,

a

corrente

moderna não os situa como agentes políticos.

 

Duas

são

as

principais

características

comuns

dos

agentes

políticos:

a) boa parte de suas Constituição ; e, Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário

a)

boa

parte

de

suas

Constituição; e,

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competências

é

obtida

diretamente

da

b) de regra não se submetem às regras comuns aplicáveis aos

servidores públicos. É o caso dos Juízes, os quais não se submetem à

Lei 8.112/1990, por exemplo.

Os Agentes Administrativos, por sua vez, constituem o maior contingente dos agentes públicos e são os que exercem cargos, empregos ou funções públicos, no mais das vezes, de caráter permanente. Não são membros de Poder do Estado, sequer exercem atribuições políticas ou governamentais. Integram, sim, o quadro funcional dos entes da federação, bem como o das entidades da Administração Indireta.

Os agentes administrativos submetem-se à hierarquia funcional e ao regime jurídico estabelecido pela entidade à qual pertencem. São agentes administrativos: servidores públicos ocupantes de cargos efetivos; exercentes, exclusivamente, de cargos em comissão; exercentes de empregos ou funções públicos; e os servidores temporários (estes últimos são referidos no inc. IX do art. 37 da CF/1988). Isso mesmo. Os temporários são agentes públicos, apesar de não ocuparem cargo ou emprego público. Mas, se temporário não ocupa cargo, nem emprego, ocupa o quê? Ocupa a tal função temporária.

No caso da União, a Lei que rege os temporários é Lei 8.745, de 1993. Mas não se preocupem em ler tal norma, pois ela não cai, reiteradamente, na prova, ok? E quando cai, é um desastre geral, porque ninguém sabe o gabarito, nem os Professores, que precisam consultar a lei, rsrs

Por sua vez, os Agentes Honoríficos são cidadãos (particulares em colaboração) que, em razão de sua condição cívica, sua honorabilidade ou de sua reconhecida capacidade profissional, são convocados para colaborar transitoriamente com o Estado, sem vínculos empregatícios ou estatutários, e, no mais das vezes, não recebendo remuneração por tal atividade (esta é a principal característica dos honoríficos: não são remunerados em espécie dindim, no máximo, um ‘vale coxinha’). Mas podem receber compensações, como, por exemplo, folgas por terem trabalhado nas eleições como mesários.

A despeito de os agentes honoríficos (particulares em colaboração) não serem servidores públicos (são agentes), exercem função pública, sendo, por consequência, considerados funcionários públicos,

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 ao menos

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ao menos para fins penais. Vejamos o que estabelece o art. 327 do Código Penal:

Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.

§ 1º - Equipara-se a funcionário público quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora de serviço contratada ou conveniada para a execução de atividade típica da Administração Pública. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)

§ 2º - A pena será aumentada da terça parte quando os autores dos crimes previstos neste Capítulo forem ocupantes de cargos em comissão ou de função de direção ou assessoramento de órgão da administração direta, sociedade de economia mista, empresa pública ou fundação instituída pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 6.799, de 1980)

Em razão da transitoriedade do vínculo, a função pública desempenhada pelos agentes honoríficos não há de ser considerada para efeitos de acumulação de cargos, funções ou empregos públicos. São agentes honoríficos: jurados, os mesários eleitorais, os comissários de menores.

Os Agentes Delegados ou delegatários são particulares em colaboração com Estado que têm sob sua incumbência a execução de certas atividades, obras ou serviços públicos, por sua conta e risco, enfim, em seu nome próprio. Sujeitam-se às normas e à fiscalização permanente do Estado, em especial do Poder Público delegante (Administração Direta e, excepcionalmente, Agências Reguladoras).

São exemplos de agentes delegatários: concessionários, permissionários e autorizatários de serviços públicos; os titulares (“donos”) de cartório; leiloeiros; e tradutores oficiais. Lembro, por relevante, que, da lista apresentada, os tabeliães submetem-se a concurso público de provas E títulos (art. 236 da CF/1988).

Por fim, os Agentes Credenciados são os que recebem a incumbência da Administração para representá-la em determinado ato ou praticar certa atividade específica, mediante remuneração do Poder Público, em momento ou tempo certo. É o caso, por exemplo, dos peritos credenciados pela Justiça, para que elaborem laudos necessários à tomada de decisão por parte do magistrado. Muitas vezes, o magistrado precisa determinar, por exemplo, a indisponibilidade de bens de um particular, para fazer frente a uma eventual dívida que vai ser satisfeita judicialmente. Só que Juiz não sabe quanto custa um imóvel

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 (ilustrativamente). Daí

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(ilustrativamente). Daí ocorre a designação do perito credenciado para fazer a avaliação.

Bom, apenas para finalizar. Foram apresentados exemplos de cada uma das categorias desses agentes, os quais são infindáveis. Então, se poupem de ficar se perguntando se este ou aquele agente público é administrativo, honorífico etc. Entendam os conceitos, logo fica mais fácil acertar na prova, ok?

(FGV/2010 - SEAD-AP - Fiscal da Receita Estadual) São servidores públicos, exceto:

(A)

os servidores trabalhistas ocupantes de emprego público.

(B)

os servidores estatutários ocupantes de cargo público.

(C)

os servidores das empresas concessionárias de serviços públicos.

(D)

os servidores sujeitos ao estatuto especial da pessoa federativa

correspondente.

(E) os servidores temporários contratados para atenderem à necessidade temporária de excepcional interesse público. 1

(FGV/2010

servidores públicos:

-

BADESC

Advogado)

São

considerados

(A)

os chefes do Executivo e os militares.

(B)

os servidores estatutários e os agentes políticos.

(C)

os servidores temporários e os empregados públicos.

(D)

os agentes putativos e os particulares em colaboração com o

Poder Público.

(E) os militares e os empregados de uma empresa permissionária de

serviço público. 2

1 Gabarito: alternativa C. Primeiro detalhe para a resolução. Perceba que a ilustre organizadora fez referência a servidores e não a agentes públicos. São servidores, os estatutários (exemplo dos regidos pela Lei 8.112, de 1990), os celetistas (exemplo dos servidores trabalhistas das empresas estatais) e os temporários (exemplo do recenseador do IBGE) e os agentes especiais (exemplo dos membros do MP). Na alternativa C, a organizadora apresenta uma das espécies do gênero particulares em colaboração com o Poder Público, os quais, por sua vez, são espécie do gênero agentes públicos. 2 Gabarito: alternativa C.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 (FGV/2009 -

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(FGV/2009 - MEC) As pessoas físicas que prestam serviços ao Estado e às entidades da Administração Indireta, com vínculo empregatício e mediante remuneração paga pelos cofres públicos são consideradas:

(A)

militares.

(B)

agentes políticos.

(C)

servidores públicos.

(D)

concessionários públicos.

(E)

permissionários públicos. 3

(2011/FGV OAB) São considerados agentes públicos todas as pessoas físicas incumbidas, sob remuneração ou não, definitiva ou transitoriamente, do exercício de função ou atividade pública.

Assim, é correto afirmar que os notários e registradores são:

a) agentes públicos ocupantes de cargo efetivo e se aposentam aos

70 (setenta) anos de idade.

b) agentes públicos vitalícios, ocupantes de cargo efetivo, e não se

aposentam compulsoriamente.

c) delegatários de serviços públicos aprovados em concurso público.

d) os notários e registradores são delegatários de serviços públicos,

investidos em cargos efetivos após aprovação em concurso. 4

3 CONCEITOS BÁSICOS

3.1 CARGOS, EMPREGOS E FUNÇÕES

Cargos públicos podem ser vistos como as mais simples e indivisíveis unidades de competência a serem exercidas por um agente regido por estatuto próprio, que, no caso federal, é a 8.112/1990.

3 Gabarito: alternativa C. Primeiro: prestam serviços para a Administração Indireta. Assim, descartamos os militares e os agentes políticos. Segundo: são remunerados pelos cofres públicos. Logo excluímos alternativas “D” e “E”. Voilà. Chegamos à alternativa C.

4 Gabarito: alternativa C. Os notários são particulares em colaboração, também chamados de agentes delegatários. O erro da letra A é que não se aplica a eles as regras de aposentação dos servidores públicos. O erro da letra B é que não assumem cargos públicos, mas sim funções públicas, mediante delegação do Estado, depois da prévia aprovação em concurso público, de provas e títulos. O erro da letra D é sutil, tais agentes não assumem cargos públicos, repito, exercem funções.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Esta definição

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Esta definição está em linha com o disposto na Lei 8.112/90, que estatui o regime jurídico dos servidores públicos da União, na Administração Direta, bem como nas Autarquias (inclusive as de regime especial) e nas fundações públicas, em âmbito FEDERAL. É importante destacar, desde logo, que:

I) A Lei 8.112, de 1990, não abrange os servidores das demais esferas federativas, uma vez que estados e municípios tem sua própria autonomia, devendo, portanto, estabelecer seu próprio regime jurídico de servidores; e,

II) A Lei 8.112, de 1990, não alcança sociedades mistas e empresas públicas da União. Assim, o campo de abrangência da Lei é a Administração Direta, Autarquias e Fundações Públicas FEDERAIS.

Apenas para ilustrar, vejamos o art. 2 º da Lei 8.112/1990, que define cargo público como: o conjunto de atribuições e responsabilidades previstas na estrutura organizacional que devem ser cometidas a um servidor.

Se

“escondermos” a parte final (cometidas a servidor) o conceito serve, praticamente, para qualquer coisa, de goleiro de time de futebol até astronauta

Por isso, parte da doutrina prefere conceituar cargo público como um lugar inserido na organização do serviço público, regido por norma própria (no caso federal, a Lei 8.112, de 1990) a ser preenchido por servidor público, com funções próprias e remuneração fixada em lei.

Esclareço que os cargos na Lei 8.112, de 1990, são de provimento efetivo ou comissionado. Ou seja, aqueles que ocupam exclusivamente cargos em comissão também ocupam, obviamente, cargos. Só que tais cargos não são efetivos, mas sim comissionados. Mas é importante

Sinceramente,

esse

conceito

não

é

muito

útil

não

registrar

essa

informação,

pois

COMISSIONADOS

NÃO

SÃO

EMPREGADOS PÚBLICOS, NÃO SÃO REGIDOS PELA CLT

.

Peço

não

confundir o fato de tais servidores seguirem o RGPS (sistema de previdência) com a natureza jurídica do cargo: comissionado.

Vejamos o conceito de emprego, então.

O cargo público difere do emprego público essencialmente no que se refere ao vínculo que une o ocupante ao Estado: no caso do cargo público, o vínculo é estatutário, institucional, unilateral, legal (de novo: no caso da União, a Lei 8.112, de 1990); no do emprego público, o vínculo é contratual, bilateral, sob a regência da Consolidação das Leis do Trabalho CLT.

Os empregados públicos, a despeito de não terem direito à estabilidade constitucional referente ao exercício de cargo público ou ao

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 regime próprio

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regime próprio de previdência dos servidores públicos, devem ser admitidos mediante concurso, ante o que estabelece o inc. II do art. 37 da Constituição Federal.

Questão interessante é se “é possível, HOJE, a contratação sob o regime de emprego público (CLT) na Administração Direta, Autárquica e Fundacional FEDERAL?”.

Bom, isso diz respeito à redação do caput do art. 39 da CF/1988, que teve sua constitucionalidade apreciada mediante a Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ADI 2135.

Em tal julgado, o Supremo deferiu, cautelarmente, para suspender a vigência do dispositivo, em razão de aparente inconstitucionalidade no rito formal para sua aprovação. Assim, por conta das nuances do processo de controle de constitucionalidade, com a suspensão da vigência do caput do art. 39, volta a valer a redação anterior de tal dispositivo, que é a seguinte:

Art. 39 A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua competência, regime jurídico único e planos de carreira para os servidores da administração pública direta, das autarquias e fundações.

Assim, primeiro de tudo: com a ADI 2135, a Lei 8.112, de 1990, pode voltar a ser chamada de regime jurídico único. Vejamos outros detalhes a respeito.

A Lei 8.112/1990 instituiu, para a União (pessoas jurídicas de Direito Público), o chamado Regime estatutário, legal, institucional. É um sistema legal, e não contratual, por se tratar de uma Lei, à qual os ocupantes de cargos efetivos e comissionados em nível federal aderirão.

Seu campo de abrangência diz respeito, repetimos, à UNIÃO e não aos estados/municípios, os quais detêm competência para editar suas próprias leis referentes aos servidores de sua esfera, em razão da autonomia concedida pelo art. 18 da CF/1988.

Cabe, aqui, explicitar o sentido da expressão “Regime Jurídico” constante do art. 1 o da Lei 8.112/1990. Regime jurídico é um conjunto de regras que regula determinado instituto. No caso, a Lei 8.112/1990 trata da vida funcional do servidor público, de seu ingresso originário até sua saída, com ou sem extinção definitiva do vínculo, nessa ordem, aposentadoria e readaptação, por exemplo.

Necessário ressaltar que o Estatuto, mesmo em âmbito federal, abrange não a totalidade dos agentes públicos, mas somente os

servidores

públicos

das

pessoas

jurídicas

de Direito Público

(Administração

Direta

e

Indireta

de

Direito

Público,

inclusive,

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 agências especiais

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agências especiais), no conceito dado pela Lei, ou seja, os ocupantes de CARGOS PÚBLICOS.

O Código dos Servidores Civis não abrange, por exemplo, os agentes políticos (Presidente da República, Deputados, Magistrados, por exemplo), tampouco os particulares que colaboram com o poder público (Leiloeiros e tradutores, por exemplo), ou mesmo empregados públicos (os tais celetistas).

ou mesmo empregados públicos (os tais celetistas). Bom, finalmente, a Função pública , de maneira residual,

Bom, finalmente, a Função pública, de maneira residual, pode ser definida como o conjunto de atribuições às quais não corresponde cargo ou emprego público. Não se pode dizer que as funções, no sentido de desempenho de atribuições, sejam excludentes com relação aos cargos/empregos públicos. De fato, na clássica assertiva do mestre Hely Lopes, todo cargo tem função, mas pode haver função sem cargo. Por isso que se diz que é possível que a função não corresponda a cargo. Com efeito, quando se fala em funções públicas, têm-se claras pelo menos duas situações:

I) Na contratação temporária de servidores, em razão de necessidade temporária de excepcional interesse público (inc. IX do art. 37 da Constituição Federal). Em razão da transitoriedade que a contratação visa a atender, muitas vezes em caráter de urgência, dispensa-se mesmo a realização de concurso público, dado que o trâmite normal de um procedimento complexo como o concurso público para seleção de pessoal inviabilizaria o atendimento da situação excepcional. Tais agentes são submetidos, maior parte das vezes, a processo seletivo simplificado;

II) No preenchimento de funções de confiança, referentes à chefia, assessoramento ou outro tipo de atividade para as quais o legislador não haja criado cargos de natureza efetiva. Ressalto, desde logo, que há uma distinção conceitual importantíssima para concursos públicos entre as funções de confiança e os cargos em comissão. Essa distinção será trabalhada mais à frente.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Mata rápido

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Mata rápido essa: temporários fazem concurso? NÃO! Mas como,

Olha

temporário não faz concurso? Um dia desses eu vi um para o IBGE só, gente, vamos ler, juntos, o inc. IX do art. 37 da CF/1988:

a lei estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público.

Assim, uma primeira observação. Para a contratação temporária exige-se LEI.

Para a contratação temporária exige-se LEI . A CF exige concurso público para CARGOS E EMPREGOS

A CF exige concurso público para CARGOS E EMPREGOS públicos (inc. II do art. 37 da CF/1988), daí, não há necessidade de concurso para os temporários. MAS COMO NÃO?

O concursando se pergunta: os TEMPORÁRIOS NÃO TÊM CARGO/EMPREGO? Não! Então, os temporários possuem o quê? FUNÇÕES públicas temporárias. Passemos, então, a falar um pouco mais sobre tais funções temporárias, já que o assunto está se tornando comum em provas recentes.

que o assunto está se tornando comum em provas recentes. “De cara”, serão destacados julgados do

“De cara”, serão destacados julgados do STF que vêm consolidando posição mais conservadora da Corte a respeito das contratações temporárias: estas não podem ser utilizadas indiscriminadamente, para atividades da rotina administrativa.

O caso mais “clássico” (é novo, mas já é clássico) é o relacionado às atividades da Defensoria Pública. Vejamos o que diz a ADIN 3700,

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apreciada em 2008 e noticiada no informativo do Supremo do modo que se vê:

Contratação Temporária de Advogado e Exercício da Função de Defensor Público

Por vislumbrar ofensa ao princípio do concurso público (CF, art. 37, II), o Tribunal julgou procedente pedido formulado em ação direta ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, para declarar a inconstitucionalidade da Lei 8.742/2005, do Estado do Rio Grande do Norte, que dispõe sobre a contratação temporária de advogados para

o exercício da função de Defensor Público, no âmbito da

Defensoria Pública do referido Estado-membro. Considerou-se que, em razão de desempenhar uma atividade estatal permanente e essencial à jurisdição, a Defensoria Pública não convive com a possibilidade de que seus agentes sejam recrutados em caráter precário. Asseverou-se ser preciso estruturá-la em cargos de provimento efetivo, cargos de carreira, haja vista que esse tipo complexo de estruturação é que garante a independência técnica das Defensorias, a se refletir na boa qualidade da assistência a que têm direito as classes mais necessitadas. Precedente citado:

ADI 2229/ES (DJU de 25.6.2004).

O destaque não consta do texto original. O caso é incidental, ou seja, tratou ESPECIFICAMENTE das atividades dos defensores. Daí, mais recentemente, o STF fixou parâmetros para as contratações temporárias de forma mais clara:

ADI N. 3.430-ES

RELATOR: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI EMENTA: CONSTITUCIONAL. LEI ESTADUAL CAPIXABA QUE DISCIPLINOU A CONTRATAÇÃO TEMPORÁRIA DE SERVIDORES PÚBLICOS DA ÁREA DE SAÚDE. POSSÍVEL EXCEÇÃO PREVISTA NO INCISO IX DO ART. 37 DA LEI MAIOR. INCONSTITUCIONALIDADE. ADI JULGADA PROCEDENTE.

I A contratação temporária de servidores sem concurso

público é exceção, e não regra na Administração Pública,

e há de ser regulamentada por lei do ente federativo que assim

disponha.

II Para que se efetue a contratação temporária, é necessário

que não apenas seja estipulado o prazo de contratação em lei, mas, principalmente, que o serviço a ser prestado revista-

se

III O serviço público de saúde é essencial, jamais pode-

se caracterizar como temporário, razão pela qual não assiste razão à Administração estadual capixaba ao contratar temporariamente servidores para exercer tais

do

caráter

da

temporariedade.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 funções .

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funções.

IV Prazo de contratação prorrogado por nova lei

complementar:

V É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de não

permitir contratação temporária de servidores para a execução de serviços meramente burocráticos. Ausência de relevância

inconstitucionalidade.

e

interesse

social

nesses

casos.

VI

Ação

que

se

julga

procedente.

* noticiado no Informativo 555

O trecho negritado é para que se registre o seguinte: as atividades que sejam consideradas essenciais não podem ser objeto de contratação direta.

3.2 CARGOS VITALÍCIOS, EFETIVOS E EM COMISSÃO

Inicialmente, vejamos o que diz o inc. V do art. 37 da CF/1988:

V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento

Os destaques, mais uma vez, não constam do texto original: funções de confiança são para servidores de cargos EFETIVOS, enquanto que os cargos em comissão devem ser preenchidos por servidores de CARREIRA, nos casos/condições/percentuais mínimos estabelecidos em LEI.

cargos

comissionados:

I) destinam-se à Direção e ao Assessoramento Superior. É por isso que, recorrentemente, referem-se a tais cargos como os de D.A.S. Ressalto que tanto os cargos em comissão, como as funções de confiança, devem ter por finalidades atribuições de comando ou de

assessoria. Um cargo de motorista não pode ser, por exemplo, um cargo comissionado (exclusivamente), pois não é de comando ou assessoria,

apesar de ser um cargo de direção

II) são preenchidos sem a necessidade de concurso público prévio, não oferecendo garantia de permanência do titular no cargo (estabilidade). Dispensam, ainda, motivação para a exoneração de seus ocupantes, com exceção feita, por exemplo, aos Diretores de Agências Reguladoras, que, a despeito de exercerem cargos de direção, não são exoneráveis (demissíveis) ad nutum, uma vez que contam com mandato;

Alguns

pontos

comuns

entre

as

funções

e

os

, rsrs

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 III) não

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III) não há nomeação para FUNÇÕES DE CONFIANÇA, mas tão

só mera designação. De fato, como para ocupar FUNÇÃO DE CONFIANÇA o sujeito já tem que ser detentor de cargo efetivo, será meramente DESIGNADO para a função de confiança. Vejamos o que diz o § 4 o do art. 15 da Lei 8.112:

O início do exercício de função de confiança coincidirá com a data de publicação do ato de designação, salvo quando o servidor estiver em licença ou afastado por qualquer outro motivo legal, hipótese em que recairá no primeiro dia útil após o término do impedimento, que não poderá exceder a trinta dias da publicação.

Perceba que o início do exercício da função de confiança é

IMEDIATO, e tem início com a publicação do ato que designa para tal.

A razão é uma só: como o sujeito já possui cargo efetivo, então por que

nomeá-lo, novamente? Assim, será DESIGNADO para a função de

confiança.

Por fim uma breve nota sobre cargos vitalícios: esses são de previsão constitucional, isto é, cargos vitalícios são aqueles previstos na CF de 1988. Após a aquisição da vitaliciedade, somente por meio de processo judicial com sentença transitada em julgado poderá ocorrer

a perda do cargo pelo vitalício. Podem ser citados como exemplos de

tais cargos: o dos Magistrados (art. 95, I, CF); o de membros do Ministério Público (art. 128, §5 º , I, “a”, CF) e dos membros dos

Tribunais de Contas (art. 73, §3 º , CF).

3.3 CRIAÇÃO DE CARGOS PÚBLICOS

Aqui, a observação é singela: cargos públicos são criados por LEI. Seria, praticamente, só isso. Mas tem um segredinho, como sempre

Como a criação de cargos se faz por lei (com exceção dos cargos de legislativo, que são criados por Resolução), a extinção também se faz por Lei, ante um princípio válido para o direito, de modo geral, que chamamos de “simetria” (ou paralelismo de forma), é dizer, como se faz, desfaz-se. Se o cargo público é criado por lei, por lei deve ser extinto. Mas é bom recordar que a CF/1988 dá a possibilidade de extinção de cargos públicos VAGOS por decreto (vejam o inc. VI do art. 84 da

CF/88).

Detalhe: cargos públicos preenchidos também podem ser extintos. Só que, neste caso, é necessária a edição de uma LEI, por conta do nosso princípio da simetria.

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3.4 PADRÃO, CLASSE, CARREIRA, CARGOS ISOLADOS E QUADRO.

Essa passagem é para que os amigos possam ter uma breve noção a respeito de como se organizam os quadros de pessoal da Administração Pública. Vamos lá.

Os cargos a serem ocupados por servidores públicos organizados em carreira são distribuídos em padrões e classes.

Classes constituem o agrupamento de cargos da mesma profissão, com idênticas atribuições, responsabilidades e vencimentos. Classes, portanto, constituem os “degraus” de crescimento em uma carreira.

Interessante notar que PADRÃO é a subdivisão de uma classe, ou seja, DENTRO DAS CLASSES, TEMOS OS PADRÕES.

, ou seja, DENTRO DAS CLASSES , TEMOS OS PADRÕES . Quando um servidor ocupante de

Quando um servidor ocupante de cargo organizado em carreira muda de CLASSE é PROMOVIDO. Já quando ele muda de padrão, SEM MUDAR DE CLASSE, é PROGREDIDO.

muda de padrão, SEM MUDAR DE CLASSE , é PROGREDIDO . A Lei 8.112/1990 fala só

A Lei 8.112/1990 fala só de PROMOÇÕES e não de progressões funcionais. E, detalhe: segundo a Lei, a promoção é forma simultânea de provimento e vacância. Confiram nos arts. 8º e 33 da norma. Depois voltaremos a esse assunto (provimento e vacância). Mas, antes, continuemos a entender a organização dos quadros da Administração.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Carreira é

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Carreira é o agrupamento de classes de uma mesma profissão ou atividade, organizadas sob o fundamento da hierarquia. Para o ingresso em uma carreira referente a cargos efetivos, o provimento deverá ser originário (a ocorrer por nomeação), devendo ser precedido, sob a égide da atual Constituição Federal, de concurso público (nesse ponto, uma paradinha, e leiam ao art. 37, inc. II, CF).

De outra parte, há cargos que não se encontram organizados em carreira, sendo únicos em sua categoria. São tais cargos ditos isolados. Um exemplo destes é o cargo de Ministro. No ano “X”, tem determinadas atribuições e remuneração; no ano “Y”, as atribuições e remuneração são as mesmas. Ou seja, não há alteração na complexidade das atribuições, à semelhança do que ocorre com os cargos organizados em carreira.

Ao somatório de carreiras, cargos isolados, e, ainda, das funções de um mesmo órgão ou Poder dá-se a denominação de quadro.

E assim se organiza a Administração: cargos organizados em

carreira, exemplo, técnico de controle externo do TCU, e cargos isolados, exemplo, auditor, o que substitui os Ministros, do TCU.

Ah! Um último detalhe. Se um sujeito de cargo de nível médio galga todas as classes e níveis de sua carreira, chegando ao topo de tal carreira, mesmo que ele seja excelente, não poderá ser “ascendido” a uma carreira de nível superior, uma vez que o STF vem decidindo que isso é inconstitucional, por se tratar de uma situação que não é mais autorizada pela atual constituição. Ou seja, se o sujeito em questão quiser passar para uma carreira de nível superior, terá de prestar novo concurso.

4 ACESSIBILIDADE A CARGOS PÚBLICOS

A acessibilidade quer dizer como se faz para termos acesso aos

cargos e empregos públicos. Então, o que é preciso fazer para ingressar em um cargo efetivo? Não vale responder fazer cursinho! Em realidade, a resposta é CONCURSO PÚBLICO. Então, para podermos falar sobre o ingresso dos servidores nos quadros da Administração, a primeira coisa é falar sobre os concursos. A seguir.

4.1 A REGRA DO CONCURSO PÚBLICO

Repassemos, inicialmente, os conteúdos gerais a respeito do concurso público, a partir do regramento constitucional estabelecido no inc. II do art. 37 da CF, que assim dispõe:

A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei,

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 ressalvadas as

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ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração.

Várias observações podem ser feitas em relação a este inciso.

Primeiro: a exigência de concurso público ocorre não só com relação aos servidores estatutários, mas também com relação aos empregados públicos. Perceba que, mesmo as empresas estatais exploradoras de atividades econômicas (§1 º do art. 173 da CF), como as Sociedades de Economia Mista e as Empresas Públicas, devem contratar seu pessoal por meio de concurso público. Esse, inclusive, é o entendimento do STF. Mas, responde rápido aí: todo acesso a cargo público demanda concurso público. Sem entrar em detalhes, um item assim estaria ERRADO, uma vez que cargos em comissão não demandam concurso. Tenham atenção, então!

Nesse primeiro ponto também ressalto que o inc. I do art. 37 da CF, com redação dada pela EC 19/98, dispõe:

os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei.

Verifica-se a possibilidade de não só os brasileiros, natos ou naturalizados, terem acesso a cargos/empregos/funções públicos, mas também os estrangeiros. Contudo tal acesso permitido aos estrangeiros não é amplo e irrestrito: há cargos privativos de brasileiro natos. São exemplos de cargos privativos de brasileiros natos: Presidente e Vice-Presidente da República; Presidente da Câmara dos Deputados; Presidente do Senado Federal; e, Ministro de Estado da Defesa.

Segundo: o concurso pode ser só de provas ou de provas e títulos, não se admitindo concurso só de títulos (releiam o inc. II do art. 37). O amigo então se questiona: e o famoso exame curricular? Não é cabível?

Esclareço que as contratações temporárias, por excepcional interesse público, referidas no inc. IX do art. 37 da CF/1988, e já objeto de comentários acima, não estão sujeitas à regra do concurso público, cabendo, no entanto, conforme o caso, processo seletivo simplificado mediante provas, provas e títulos, ou ANÁLISE CURRICULAR. Da mesma forma, alerto para a inexigibilidade de concurso para o preenchimento de determinados cargos vitalícios, tais como os de Ministros do STF e do Tribunal de Contas da União, dentre outros.

Pois bem. Seguindo adiante, podemos ver o concurso como um procedimento administrativo composto de várias etapas, tais como a inscrição, a aprovação e a nomeação do candidato, para citar apenas algumas.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 A inscrição

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A inscrição não gera ao candidato o direito à realização das provas, haja vista que a Administração pode alterar a data ou mesmo desistir de realizá-las, tratando-se, pois, de uma expectativa de direito dos candidatos.

Na doutrina, boa parte dos autores tem entendido que a aprovação gera ao candidato expectativa de direito à investidura no cargo ou emprego em questão, ou seja, o aprovado em concurso público tem mera expectativa de direito à nomeação. Contudo, as coisas vêm mudando.

Por uma questão de moralidade, de respeito aos cidadãos ainda bem que a jurisprudência vem mudando. No STJ, decisões como as seguintes passaram a surgir:

Servidor público - Concurso - Aprovação de candidato dentro do número de vagas previstas em edital - Direito líquido e certo à nomeação e à posse no cargo. (Recurso em Mandado de Segurança n° 19.922)

O destacado “ainda bem” da frase anterior é por conta da certa tranquilidade de que as decisões como essa citada podem trazer para centenas, milhares, de candidatos, os quais aprovados em concurso público, NAS VAGAS PREVISTAS NO EDITAL, simplesmente não são chamados pela Administração. Com tais precedentes, muitos terão chance de não serem “deixados de lado” pela Administração.

Agora, já notaram como passaram a proliferar concursos com cadastros de reserva?

Pois é, se não há vagas previstas no edital, não tem como que se falar de direito à nomeação. Essa a razão de concurso com cadastro de reserva.

E, agora, o martelo foi batido pelo STF (RE 598099). O Supremo reconheceu o direito subjetivo à nomeação. Segundo a Corte, a Administração Pública deverá agir eficientemente ao deflagrar concurso público para provimento de cargos públicos e nomear os candidatos aprovados em número igual ao dos cargos vagos previstos no edital do certame, homenageando-se a profissionalização da função pública.

Terceiro ponto: a validade do concurso (melhor seria eficácia, mas deixa pra lá) está prevista no inc. III do art. 37 da CF/1988:

o prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período

Apesar de ser uma questão mais do que batida em concurso atentem que a vigência do concurso é de ATÉ dois anos, PRORROGÁVEL por igual período, ou seja, FACULTADO à Administração prorrogar, tratando- se, portanto, de ato discricionário da Administração.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Uma observação,

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Uma observação, aliás, três interessantes:

I) o prazo inicial determina a prorrogação. Assim, um concurso pode ter vigência de seis meses, prorrogáveis por mais seis;

II) o concurso pode ter seu prazo de vigência prorrogado caso ainda esteja em vigor. Assim, concursos vencidos não podem ser prorrogados, pois não existem mais; e,

da

homologação do resultado mesmo, enfim, oportunidade em que a Administração reconhece a legitimidade de todas as etapas do concurso.

Quarto ponto: a questão do ingresso dos deficientes nos quadros da Administração. Vamos nós de novo na CF/1988:

III) a contagem de prazo de vigência ocorre

a partir

VIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão

De pronto, percebam que o dispositivo constitucional não isenta os portadores de deficiência de prestar concurso para ingresso nos quadros da Administração. O que se preserva, contudo, é o direito de tais pessoas de participarem de concursos públicos, para cargos que sejam compatíveis com as deficiências que portem.

A propósito, a Lei 8.112/90, ao regulamentar a matéria, estatui:

Às pessoas portadoras de deficiência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis com a deficiência de que são

das vagas

portadoras; para tais pessoas serão reservadas oferecidas no concurso.

até 20%

Percebe-se, pelo dispositivo transposto, que o limite é máximo.

Mas, interessante notar que, a partir de decisões judiciais, pode-se afirmar que nem todo concurso precisa reservar vagas para deficientes. Tratemos, sinteticamente, do Mandado de Segurança

26310/STF.

Com base nesse entendimento, a Suprema Corte considerou legítimo o edital de concurso para o preenchimento de duas vagas que não reservou nenhuma para deficientes. Entendeu a Corte Suprema que reservar uma vaga, ou seja, cinquenta por cento das vagas existentes, implicaria majoração indevida dos percentuais legalmente estabelecidos. Então, simplesmente a partir desse julgado, podemos dizer que NEM TODO CONCURSO PÚBLICO RESERVARÁ VAGAS PARA DEFICIENTES. Aliás, a própria definição de deficiência por vezes traz polêmica. Vejamos, por exemplo, a questão dos monoculares.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 O STF,

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O STF, ao tratar do RMS 26.071 entendeu que J.F.A., portador de visão monocular, tinha o direito de ocupar o cargo de técnico judiciário do Tribunal Superior do Trabalho (TST). A decisão foi adotada por unanimidade da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

No caso, os ministros da Turma concordaram com o entendimento do relator de que visão monocular é uma necessidade especial e legitima o portador a concorrer às vagas especiais nos concursos públicos.

Agora, vejam só: o candidato, a despeito de ser possuidor de visão em um olho só, não era considerado deficiente, por conta das normas que tratam da matéria, pois teria plena capacidade visual no olho direito. Ora, é gritante que tal situação (monocular) deve ser considerada deficiência, na linha do decidido pelo STF. Destaque-se que esse é mesmo posicionamento do STJ (visão monocular é deficiência, para efeitos de participação em concurso).

É de incumbência de junta médica oficial avaliar se o portador de deficiência possui condições de exercer o cargo pretendido, ou, ainda, informar se o candidato é mesmo deficiente. Caso não seja deficiente, o candidato que houver concorrido para a vaga nessa qualidade terá sua aprovação invalidada, e deverá ser convocado o deficiente seguinte na ordem de classificação, para que se adote o mesmo procedimento verificatório.

Quinto ponto: o estabelecimento de limitações ao acesso a cargos e empregos públicos, ou seja, firmar que só a partir de determinada altura, tal sexo, determinada condição física, e outros, o candidato pode ter acesso ao cargo ou emprego pretendido.

As limitações ao acesso aos cargos/empregos públicos só devem ser aceitas quando razoáveis e em consonância com a ordem jurídica. No caso de veto à participação de candidato, deverá SEMPRE ser motivada. Tal regra encontra-se consolidada na Súmula 684, do STF: É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público.

Também não devem ser admitidas as odiosas restrições discriminatórias, em relação à origem, sexo, raça, religião, etc. De toda forma, há necessidade de estabelecimento de requisitos que permitam aferir a aptidão do interessado em ingressar no serviço público. Tais requisitos, em virtude do princípio da legalidade, devem gozar de previsão legal, e não apenas no edital do certame. Nesse quadro, cumpre trazer à lume o RE 184.432-RS, apreciado pelo STF:

O edital de concurso não é instrumento idôneo para o estabelecimento de limite de idade para a inscrição em concurso público; para que seja legítima tal exigência é imprescindível a previsão em lei. Nada impede que o edital

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 mencione ou

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mencione ou mesmo reproduza o que dispõe a Lei, a título de exigência. O que se veda é realização de exigências exclusivamente por meio de edital.

O momento de exigência dos requisitos para o exercício das atribuições do cargo também é importante: devem ser cumpridos quando da posse, e não no momento de inscrição, conforme a Súmula 266 do STJ. Quanto às carreiras específicas da área jurídica, Juízes e Membros do MP, há outras regras. Mas não vêm ao caso no curso de Direito Administrativo.

Com relação às limitações de idade, o STF entende ser razoável (Súmula 683) a sua existência, desde que a natureza das atribuições do cargo as exija. Por exemplo: idade máxima para agentes da Polícia Federal, haja vista a necessidade de vigor físico.

Por fim, a questão da exigência dos exames psicotécnicos, que pode ser entendida, em certa medida, como uma espécie de limitação.

Se fossemos citar a jurisprudência do STF a respeito do assunto, passaríamos horas aqui. Mas basta apenas uma súmula para entendermos.

É a Súmula 686 da Corte Constitucional, que assim estabelece:

por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público.

Não há dúvida, portanto: só a LEI possibilita a exigência de exames psicotécnicos.

Quinto ponto: o concurso para seleção de servidores é diferente do concurso modalidade de licitação. Pode parecer bobo, mas isso ainda cai em prova

Os de lá (de licitações) têm por objeto a escolha de um ALGO (trabalho técnico, artístico, científico), e os de cá (Lei 8.112/1990),

a escolha de ALGUÉM. Não podem ser confundidos.

(FGV/2010 - SEFAZ-RJ Fiscal de Rendas) Com relação aos servidores públicos, analise as afirmativas a seguir.

I. Ofende os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa a ausência de defesa técnica por advogado em processo administrativo disciplinar.

II. Segundo a jurisprudência do STF, candidatos aprovados em concurso público dentro do número de vagas gozam de direito à nomeação.

III. A sindicância, sempre de caráter sigiloso, consiste no procedimento adequado para apurar falta funcional do fiscal de rendas do Estado do Rio de Janeiro.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Assinale: (A)

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Assinale:

(A)

se somente a afirmativa I estiver correta.

(B)

se somente a afirmativa II estiver correta.

(C)

se somente a afirmativa III estiver correta.

(D)

se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.

(E)

se somente as afirmativas II e III estiverem corretas. 5

(2011/FGV OAB) O art. 37, II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, condiciona a investidura em cargo ou emprego público à prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos, ressalvadas as nomeações para os cargos em comissão.

Em relação a concurso público, segundo a atual jurisprudência dos tribunais superiores, é correto afirmar que

a) o prazo de validade dos concursos públicos poderá ser de até dois

anos prorrogáveis uma única vez por qualquer prazo não superior a dois anos, iniciando-se a partir de sua homologação.

b) os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de

provas e títulos e classificados entre o número de vagas oferecidas no edital possuem expectativa de direito à nomeação.

c) os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de

provas e títulos e classificados dentro do limite de vagas oferecidas

no edital possuem direito subjetivo a nomeação dentro do prazo de validade do concurso.

d) os candidatos aprovados em concurso público de provas ou de

provas e títulos devem comprovar a habilitação exigida no edital no momento de sua nomeação. 6

5 Gabarito: alternativa E. O gabarito preliminar, à época, foi alternativa E. Depois dos recursos, a banca alterou para letra “C”, isso porque não havia posicionamento consolidado no STF. Acontece que, depois da prova, o STF manifestou-se em Recurso Extraordinário (598.099) sobre o direito subjetivo à nomeação. Por isso, fica mantida a alternativa E. O erro do item I é que a Súmula Vinculante 5, do STF, dispensa a presença de defesa técnica no processo administrativo disciplinar. 6 Gabarito: alternativa C. Pronto, está confirmado o posicionamento da FGV sobre o tema. Fiquem atentos, afinal a FCC compartilha de idêntico entendimento.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 4.2 –

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4.2 PROVIMENTOS: FORMAS E TIPOS

Podemos dizer que o início da relação do candidato com o cargo público e com a Administração Pública se dá com o provimento.

Provimento é o ato administrativo mediante o qual uma pessoa passar a ser a detentora do cargo, ou seja, é o preenchimento de cargo. A forma originária de provimento de cargos públicos é a nomeação. Antes dela, a pessoa é mera pretendente a um cargo, é dizer, um concursando.

Importante que os cargos em comissão também têm provimento. Basta ver o que diz o art. 9º da 8.112/1990, que diz que os provimentos são EFETIVOS (para o cargo efetivo, obviamente) e EM COMISSÃO, para cargos dessa natureza.

Daí, algo importante: as outras formas de provimento só são aplicáveis aos cargos efetivos, não aos cargos em comissão. Vamos tratar de todas as formas de provimento, começando pela nomeação.

A nomeação, forma de provimento originário, é que inaugura tal vínculo, sendo uma das formas de provimento previstas na Lei 8.112/1990 (art. 8º).

Muita gente confunde nomeação com posse. São coisas distintas. NOMEAÇÃO é o primeiro provimento. POSSE é o ato formal em que o NOMEADO firma o compromisso de exercer o cargo, ou seja, é o compromisso solene, no qual se afirma: eu quero o cargo!

É o momento em que se investe servidor, coloca a capa com Poderes, algo do tipo ‘Batman’. Apesar de fazerem parte do mesmo procedimento (o concurso), a nomeação e a posse não podem ser confundidas, embora só possamos falar em posse se tiver ocorrido, preliminarmente, nomeação (vejam o § 4º do art. 13 da Lei nº 8.112/1990).

Mais uma forma de provimento da Lei nº 8.112/1990: a promoção.

Como sobredito, as formas de provimento, de acordo com a Lei 8.112/1990, são sete: Nomeação, Aproveitamento, Promoção, REintegração, REcondução, REadaptação e REversão.

O concursando pensa: nossa, que coisa chata! Cheio de nomes! Sabe o que nós fazemos para memorizar? N P A RE RE RE RE! O que é isso? As iniciais de cada uma das formas de provimento apontadas pela Lei nº

8.112/1990.

Fazer o quê? Tem que dar um jeito de lembrar. Tem um mnemônico

da Professora Elaine, olha aí o Rei Narciso Reformou o Pátio da Amada

Rainha Regina escolham!

para cada uma das formas de

provimento que começam com RE colocamos uma palavra-chave para memorização. Exemplo: reintegração palavra chave: DEMISSÃO.

Ah

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(FGV/2011- TRE-PA- Técnico Judiciário - Área Administrativa) São formas de provimento de cargo público:

(A)

nomeação e promoção.

(B)

promoção e ascensão.

(C)

readaptação e transferência.

(D)

ascensão e cessão.

(E)

nomeação e transferência. 7

Vejamos, então, cada uma delas, nomeação, já abordada.

O aproveitamento, em regra, diz respeito ao retorno ao serviço

público de servidor que estava em disponibilidade. Disponibilidade não

é nada mais que estar sem trabalhar, ocorrendo em razão da extinção do cargo ou da declaração da desnecessidade deste.

O servidor em disponibilidade permanece com remuneração proporcional ao tempo de serviço, conforme estabelece o § 3º do art. 41 da atual Constituição Federal, até o adequado aproveitamento, em cargo com atribuições compatíveis com o cargo anteriormente ocupado.

Já a promoção é o movimento no âmbito de uma mesma carreira,

com adição de vencimentos e de responsabilidades, ocorrendo pela mudança de CLASSE. Lembrem-se do que já foi dito: a mudança de

CLASSES é promoção, enquanto que a mudança de PADRÕES dentro de uma classe é PROGRESSÃO FUNCIONAL.

a

apenas deixando de

lado

7 Gabarito: alternativa A. Só reforçar que a ascensão e transferência, enquanto formas de provimento e vacância, foram declaradas inconstitucionais pelo STF.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Não há

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– Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Não há promoção com relação a cargos

Não há promoção com relação a cargos isolados, uma vez que estes não compõem uma carreira. A promoção pode ocorrer por merecimento ou por antiguidade (tempo de serviço). Chamo atenção, ainda, para dois pontos com relação à promoção:

I) muitos doutrinadores criticam a inserção da promoção como forma de provimento. De fato, ao ser promovido, o servidor continua ligado ao cargo público, sendo discutível, doutrinariamente, ver-se a promoção como forma de provimento. Todavia, para fins de concurso público, não cabe tal discussão, uma vez que a Lei 8.112/1990 coloca, textualmente, a promoção como forma de provimento;

II)

não há que se falar de promoção de uma carreira para

outra
outra

, como de Analista para Auditor da Receita, por exemplo. Nesse caso,

a hipótese é diferente. Seria uma espécie de “ascensão”, o que é inadmissível, na visão do STF;

III) a promoção é também uma forma de vacância, prevista no art. 33 da Lei 8.112/1990. Atentem para essa informação, uma vez que o examinador adora “brincar” com as formas simultâneas de VACÂNCIA E DE PROVIMENTO.

Por sua vez, a reintegração ocorre no caso de desfazimento de decisão que levou à demissão de servidor estável. A palavra-chave para

a reintegração é, portanto, DEMISSÃO. A invalidação (desfazimento) da

decisão pode ser administrativa ou judicial. Mas, vem a pergunta: e se o cargo do sujeito que foi demitido estiver ocupado? Vai ser reintegrado aonde?

Se o cargo do reintegrado estiver ocupado, o ocupante, se estável, deverá ser reconduzido ao seu cargo de origem (se ainda estiver vago). Se o cargo anterior estiver preenchido, o servidor estável será aproveitado em outro cargo, ou mesmo posto em disponibilidade, sem qualquer indenização.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Esse esqueminha

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

– Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Esse esqueminha acima é do amigo Sapo

Esse esqueminha acima é do amigo Sapo da Vez.

(FGV/2011 - TRE-PA - Analista Judiciário) O retorno de servidor à atividade, quando invalidada sua demissão, corresponde à:

(A)

reversão.

(B)

readaptação.

(C)

reintegração.

(D)

recondução.

(E)

recapacitação. 8

Interessante anotar que a condição para a reintegração/recondução do servidor público é a ESTABILIDADE. Apesar de extremamente criticável, é o que dispõe a CF/1988 (veja o § 2º do art. 41 da CF). Ressalte-se, ainda, que a Lei 8.112/1990 assegura ao injustamente demitido o ressarcimento de todas as vantagens (remunerações, por exemplo) que faria jus, o que não acontece, repito, com o eventual ocupante, que, a depender da natureza do vínculo com a Administração, poderá ou não ser reconduzido ou posto em disponibilidade ou aproveitado em outro caso.

(FGV/2010 CODEBA Advogado) Assinale a afirmativa INCORRETA a respeito do regime jurídico do servidor público.

(A) O servidor estável somente perderá o cargo em virtude de sentença transitada em julgado.

8 Gabarito: alternativa C.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 (B) É

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(B)

É condição para a aquisição da estabilidade a avaliação especial

de

desempenho.

(C)

O servidor ficará em disponibilidade se seu cargo for extinto.

(D) O servidor estável somente será reintegrado ao seu cargo se invalidada sua demissão por sentença judicial.

(E) O servidor estável, na condição de ocupante da vaga de outro que

foi reintegrado, será reconduzido ao cargo de origem; entretanto,

com direito à indenização. 9

Já a recondução ocorre em duas hipóteses na reintegração do

ocupante do cargo e na inabilitação de estágio probatório e a palavra-

chave é RETORNO AO CARGO ANTERIOR.

A 1 ª hipótese já foi abordada acima. No caso da inabilitação em

estágio probatório, o inabilitado deverá ter ocupado cargo anterior, no qual já era estável. Desse modo, ao ser inabilitado no novo cargo, deverá retornar ao anteriormente ocupado.

(FGV/2006 MIN CULTURA Anal Adm) De acordo com a Lei 8.112/90, é incorreto afirmar que:

(A) a posse em cargo público dependerá de prévia inspeção médica

oficial.

(B)

a posse poderá se dar mediante procuração específica.

(C)

o servidor estável só perderá o cargo em virtude de sentença

judicial transitada em julgado ou de processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa.

(D) o servidor estável não aprovado no estágio probatório não poderá ser reconduzido ao cargo anteriormente ocupado.

(E) a exoneração de cargo efetivo se dará a pedido do servidor, ou de

ofício. 10

Interessante questão diz respeito à possibilidade da recondução a pedido. Imaginemos o seguinte: um servidor Federal logrou êxito (foi aprovado) no concurso para Perito da Polícia Federal. O servidor Federal, que já era estável no serviço público, resolve tomar posse e entrar em

9 Gabarito: alternativa E. Veja a parte final da sentença: “(

redisse apenas o reintegrado é quem faz jus à indenização. 10 Gabarito: alternativa D. Nos termos do Estatuto dos servidores públicos civis da União, a inabilitação no estágio probatório pode importar recondução ou exoneração. No caso, em análise, o servidor é estável, logo é-lhe garantida a recondução, daí a incorreção do quesito.

com direito à indenização”. Como disse e

)

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 exercício no

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exercício no cargo de perito. Posteriormente, descontente com o novo cargo, revolve pedir para ser reconduzido.

Tal situação é juridicamente possível, dado se tratar de um ato menos gravoso do que a reprovação do servidor no estágio probatório, que poderia dar motivo à recondução. Inclusive, esse foi o entendimento perfilhado pelo STF ao apreciar, dentre outros, o RMS 22.933-DF, de 1998. Portando, não há dúvida: reconhece-se o direito do servidor estável à recondução enquanto durar o estágio probatório do novo cargo.

Ficamos assim. Seja pela inabilitação no novo cargo, ou mesmo em razão de pedido do servidor, o STF tem resguardado esse direito do servidor, ENQUANTO DURA O ESTÁGIO PROBATÓRIO NO NOVO CARGO.

Ah! Antes que alguém pergunte, o estágio probatório, PELA JURISPRUDÊNCIA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES, tem duração de 36 MESES. O QUÊ???? É, é isso mesmo! Já volto a falar sobre isso.

Pergunta capciosa: é possível a recondução entre esferas distintas da Federação? Noutras palavras: servidor público federal passa em um concurso para um cargo estadual, arrepende-se, pede para voltar. Pergunta-se: é possível a recondução do servidor em questão? Resposta difícil

Na visão da AGU, TCU e Tribunais Superiores há o entendimento de que é sim possível a recondução entre diferentes esferas da Federação. Guarda aí com carinho esta informação, afinal a FCC também compartilha desse entendimento.

A readaptação, por sua vez, trata da possibilidade de recolocação do servidor que tenha sofrido limitação (que é nossa palavra-chave para esta forma de provimento), física ou sensível (mental), em suas habilidades, impeditiva do exercício das atribuições do cargo que ocupava. Portanto, por meio da readaptação, o servidor será remanejado para um cargo compatível com sua nova situação laboral.

Para que possa ocorrer a readaptação, o novo cargo terá que ser compatível com o anterior, é dizer, com atribuições afins, nível de escolaridade compatível etc. Desse modo, não pode um auditor do INSS cargo de atribuição de nível superior, por exemplo, ser readaptado na condição de motorista cargo de atribuição de nível médio, com atribuições nitidamente diferenciadas. Ressalte-se que, na hipótese de inexistência de cargo vago, o readaptando exercerá suas atribuições na condição de excedente.

ATENÇÃO: EXCEDENTE é diferente de DISPONÍVEL. Excedente, trabalha, e, por isso, recebe normalmente sua remuneração. Disponível não está trabalhando, recebendo, por conseguinte, remuneração proporcional ao tempo de serviço.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 (2011/FGV –

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(2011/FGV SEFAZ-RJ Analista de Controle Interno) A forma de provimento dos cargos públicos que consiste na investidura do servidor em cargo de atribuições e responsabilidades compatíveis com a limitação que tenha sofrido em sua capacidade física ou mental verificada em inspeção médica denomina-se:

(A)

readaptação.

(B)

reintegração.

(C)

reversão.

(D)

recondução.

(E)

aproveitamento. 11

Reversão

é

o

retorno

do

servidor

aposentado

à

atividade

(Aposentou, voltou! Volta por reversão). Pode ocorrer em decorrência de duas situações.

Na 1 ª , a insubsistência de motivo de invalidez (reversão DE OFÍCIO), a causa que levou à aposentadoria (uma enfermidade) não existe mais.

Em tal situação, o servidor em processo de reversão deverá ser submetido ao exame da junta médica oficial, a qual, então, deverá declarar que inexiste (insubsistente) o fato motivador da aposentadoria. Estando provido o cargo do servidor revertido, este exercerá suas atribuições como excedente, até a ocorrência de vaga.

Na 2 ª situação, a reversão ocorre a pedido do servidor, desde que haja interesse da administração (ato discricionário), e se cumpridas as seguintes condições:

- pedido do servidor, o qual deveria ser estável na atividade;

- aposentadoria ocorrida nos cinco anos anteriores à solicitação, sendo que essa aposentadoria tem que ter sido “a pedido”, voluntária. Não há que se falar em reversão para:

I) aposentados pela compulsória, pois completaram a idade máxima para o exercício de cargos EFETIVOS;

II) aposentados por invalidez: neste caso, se não existir mais o motivo de invalidez e não for impossível a reversão pelo transcurso de prazo decadencial, o servidor será revertido DE OFÍCIO; e,

11 Gabarito: alternativa A.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 - necessidade

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

- necessidade de cargo vago. ATENÇÃO: não há que se falar em excedente na reversão a pedido, pois a Lei EXIGE a existência de cargo vago para tal hipótese.

Lei EXIGE a existência de cargo vago para tal hipótese. Depois de aferidos todos os requisitos

Depois de aferidos todos os requisitos anteriores, a reversão a pedido é ATO DISCRICIONÁRIO da Administração Pública, ou seja, ficam a critério desta. Isso serve para que a Administração avalie se a reversão em questão refere-se a um servidor que tem um histórico de “útil” ao interesse público.

Não fosse assim, a Administração teria de reverter alguns que, absolutamente, não teriam contribuição significativa a dar ao poder público, por seu histórico. Daí, bem racional que a reversão a pedido do servidor fique a critério da Administração Pública.

Por fim, uma última informação: REMOÇÃO e REDISTRIBUIÇÃO

, são

formas

público,

respectivamente.

(também chamada ‘relotação’)

de

não são formas de PROVIMENTO

do

servidor

ou

cargo

DESLOCAMENTO

A remoção é deslocamento do servidor, com ou sem mudança de sede, para desempenhar suas atribuições em outra unidade do mesmo quadro. Redistribuição é o deslocamento do cargo efetivo, ocupado ou não, no âmbito do quadro geral de pessoal, para outro órgão ou atividade. Ambos não são hipóteses de provimento ou vacância.

Vejamos dois exemplos, para situarmos a questão:

Na sala de determinado órgão ‘X’, em São Paulo, tem 10 cadeiras – cargos -, sendo que apenas sete existem pessoas sentadas servidores. No órgão ‘Y’, localizado no Rio de Janeiro, tem 12 cadeiras, sendo que apenas 10 estão preenchidas. Assim, o servidor pode ser removido de São Paulo para o Rio de Janeiro, pergunta-se: quantas vagas foram criadas? Quantos servidores entraram? Não houve vacância e sequer provimento, exatamente porque o número de servidores e de cargos permaneceu constante.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Agora, o

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

Agora, o órgão ‘X’ precisa de novas cadeiras em um novo departamento que acaba de ser criado. Bom, como vimos, a criação de novas cadeiras (cargos) depende de lei, no entanto, como das 12 cadeiras no RJ apenas 10 estão preenchidas, e como em SP, há três cadeiras subutilizadas, que tal deslocarmos as cadeiras para o novo departamento, isso mesmo, que tal redistribuir, promover a relotação das cadeiras? Notem que, igualmente, não houve redução ou acréscimo do quantitativo de servidores, não sendo, portanto, o caso de se falar em vacância ou em provimento. Acrescento que a redistribuição pode acarretar o deslocamento de cadeiras ocupadas. Por exemplo: houve a criação de um novo departamento da Receita, com a reunião de tarefas afetas à matéria previdenciária. Assim, é possível redistribuir as cadeiras do INSS para a Receita, e, conforme o caso, os servidores sentados nas cadeiras serão igualmente redistribuídos.

da

administração) ou a pedido do servidor.

Na remoção de ofício, caso seja necessária a mudança de sede do servidor, este fará jus à ajuda de custo (com um máximo de até três remunerações, conforme regulamento), para compensar despesas ocorridas.

Na remoção de ofício, fica garantido o direito do servidor e de seu cônjuge, filhos, enteados ou menor sob sua guarda, de se matricular em instituições de ensino congênere, em qualquer época, independente de vaga

ou de época (cuidado! Instituições congêneres

tem o filho do servidor,

civil e militar, estudante de faculdade particular, direito de matricular-se na Universidade de Brasília ou públicas em geral, em razão da remoção de

ofício, a não ser, obviamente, que o curso só seja oferecido pela instituição pública).

Notaram o negrito na expressão DE OFÍCIO neste parágrafo? É que existem outras formas de remoção, que são bem diferentes.

a

remoção

pode

ocorrer

de

ofício

(no

interesse

Não

Já a remoção pode ocorrer de ofício ( no interesse Não A remoção a pedido pode

A remoção a pedido pode a ser a critério da administração ou independente do interesse desta.

Na primeira hipótese, o servidor faz o pedido e a Administração avalia a conveniência (é ato discricionário). Já remoção a pedido,

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Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 independente do

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independente do interesse da administração, ocorre nas seguintes hipóteses:

- Para acompanhamento do cônjuge, que também deve ser servidor, ou militar, de qualquer dos poderes da União, dos Estados, dos

Municípios, que foi deslocado no interesse da administração. Em outros termos, se o cônjuge passou em concurso ou solicita remoção, ele é

não

quem criou o problema (talvez, não queira mais você! Rsrsrs

tendo a Administração o dever de removê-lo, assim entende o STJ;

),

- Por motivo de doença do servidor, cônjuge, ou dependente que viva às suas expensas, sendo que deverá constar do assentamento funcional do servidor;

- Em virtude de concurso de remoção, em que o número de interessados é superior ao número de vagas na unidade de destino.

é superior ao número de vagas na unidade de destino. Em todas as hipóteses, SEMPRE que

Em todas as hipóteses, SEMPRE que a remoção/redistribuição implicar o exercício de atribuições do servidor em outro município, será concedido um prazo àquele de 10 a 30 dias contados da publicação do ato para a retomada do efetivo desempenho de suas atividades, estando incluso, nesse prazo, o tempo de deslocamento para a nova sede.

aqui

referenciado deverá ser contado a partir do término do impedimento.

Ah! Um último detalhe nessa passagem. Peço que se esqueçam da vida de vocês da expressão TRANSFERÊNCIA. O STF declarou-a inconstitucional, por ferir o princípio do concurso público.

Estando

o

servidor

afastado,

ou

de

licença,

o

prazo

Bom, vamos resumir o que vimos nesse item na já famosa tabelinha:

FORMA DE PROVIMENTO

RAZÃO/PALAVRA-CHAVE

Nomeação

Provimento originário

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Aproveitamento Em

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Aproveitamento

Em regra, retorno à atividade do servidor que estava em disponibilidade

Promoção

Crescimento na carreira

Reintegração

Demissão. Voltou. Reintegrou.

Recondução

Voltar ao cargo anteriormente ocupado.

Readaptação

Servidor sofreu limitação em sua capacidade de trabalho. Sendo possível, será readaptado.

Reversão

O aposentado voltou ao exercício de cargo ativo.

OBSERVAÇÃO:

Não são formas de provimento, e sim de deslocamento de servidor ou cargo

remoção/redistribuição

4.3 POSSE x EXERCÍCIO

A posse, na verdade, “aperfeiçoa” a nomeação, é dizer, sem posse, de nada vale a nomeação. É por isso que se a doutrina diz que se o nomeado não tornar posse, o ato jurídico [de nomeação] será tornado sem efeito. O prazo para a posse é de trinta dias, improrrogáveis, contados da nomeação.

Ah, três informações importantes:

- na posse, não há que se falar em “assinatura de contrato”, mas

sim de um termo, no qual são firmados os compromissos do servidor;

- é possível posse mediante procuração específica (§ 3º do art.

13 da Lei 8.112/1990). Ora, se é possível casamento por procuração, claro

que pode se tomar posse procuração;

- não se pode confundir posse com exercício. Este último quer

dizer começar a trabalhar. Pode não coincidir com a posse. Olhem só o que diz o § 1º do art. 15 da Lei 8.112, de 1990: É de quinze dias o prazo para o servidor empossado em cargo público entrar em exercício, contados da data da posse.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Bom, só

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– Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Bom, só para registro: o servidor faz

Bom, só para registro: o servidor faz jus à remuneração a partir do EXERCÍCIO e não da POSSE, ok? Tem que trabalhar, feliz e infelizmente

E outra: não é possível exercício por procuração, claro. O servidor “X”, profissional em concursos, passa no cargo “Y” e outorga procuração ao candidato “A”. Depois, passa no cargo “W”, outorgando procuração ao candidato “B”. Na boa, isso ia virar uma indústria das provas.

Exercício tem uma relação com a posse como se fosse o casamento e a Lua de Mel. É possível casamento (posse) por procuração. Já para a lua de mel (o exercício), é bom entrar em exercício. E que ele seja efetivo rsrsrsrs

4.4 POSSIBILIDADES DE ACUMULAÇÃO DE CARGOS E EMPREGOS PÚBLICOS.

De antemão, registre-se que a regra geral é que se veda a acumulação remunerada de cargos, empregos e funções públicos, seja na Administração Direta, seja na Administração Indireta. A regra da não acumulação abrange, portanto, também autarquias, fundações, empresas públicas, e sociedades de economia mista, em quaisquer esferas da federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).

( União, Estados, Distrito Federal e Municípios ). A partir da EC 19/1998, a regra da

A partir da EC 19/1998, a regra da não acumulação passou a abarcar as subsidiárias daquelas entidades, bem como as sociedades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público. Por consequência, a presente

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 regra não

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regra não é impeditiva de ocupações privadas por parte do servidor público, desde que, obviamente, tais ocupações não sejam incompatíveis com o cargo exercido pelo servidor (p. ex.: a Lei 8.112/1990 veda a gerência de sociedades empresariais, ressalvando conselhos Fiscal e de Administração de entidades sob o domínio do Estado, por exemplo).

Há que se ter um pressuposto para que possa ocorrer a acumulação

remunerada: a compatibilidade de horários. Não existindo compatibilidade de horários, TODA E QUALQUER acumulação de cargos/empregos públicos será vedada.

A jurisprudência do TCU admite acumulação com jornada

máxima de 60 horas, ou seja, um cargo/emprego público de 40 horas +

um cargo/emprego público de 20 horas, por exemplo.

Outro ponto a ser levado em consideração diz respeito à observância dos tetos constitucionais remuneratórios, estabelecidos no art. 37, XI, da CF, os quais, no caso de acumulação (acima listados), não poderão ser superados. Aguardem, já falarei sobre os tais tetos remuneratórios (geral e subtetos nos Estados).

permitida a

acumulação de cargos e empregos públicos nas seguintes situações:

De

acordo

com

o

inc. XVI

do

art.

37

da

CF

é

a) dois cargos de professor;

b) um cargo de professor com outro técnico ou científico;

c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas.

de profissionais de saúde , com profissões regulamentadas. Não há maiores controvérsias no que diz respeito

Não há maiores controvérsias no que diz respeito à acumulação de dois cargos de professor. Todavia, não é o que se verifica nas duas outras hipóteses.

falta de precisão no que se refere à definição de cargo técnico

ou científico, o que tem provocado algumas dúvidas na interpretação que se faz da expressão. A despeito das controvérsias, pode-se afirmar que há

possibilidade de cargos de nível médio serem tidos como técnicos, desde

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 que as

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que as características de seu exercício possam ser entendidas como técnicas.

Como exemplo de cargos de nível médio que podem ser entendidos como de características técnicas citamos: Programador, Técnico de laboratório, Técnico de Contabilidade, Auxiliar de Enfermagem, e desenhista. Cargos de nível médio, cujas atribuições sejam de baixa complexidade, no mais das vezes fazendo parte da rotina administrativo- burocrática do Estado, não devem ser considerados “técnicos ou científicos”, não podendo, por consequência, serem acumulados com outro de professor. São exemplos de tais tipos de cargos, de acordo com o parecer H 194, da extinta Consultoria Geral da República: Agentes Administrativos, Agente de Portaria, etc.

No mesmo sentido, podemos afirmar que não são todos os cargos de nível superior. Exemplo disso: analistas administrativos, de modo geral, que não tenham por atribuição tarefas técnicas, como analistas da área meio (administrativa) de tribunais judiciais. Logo, não cabe cogitar de acumulação neste caso, pois, ainda que se trate de um cargo de professor, o outro não é visto como técnico (o de analista da área meio do tribunal judicial em referência). A propósito, vejamos a questão exigida em prova anterior elaborada pelo CESPE (não é FCC, mas garanto que a FCC trilha idêntico raciocínio, como veremos mais à frente):

10 - (2006/CESPE/TRF-5/JUIZ) Suponha que Pedro seja professor em uma universidade pública. Nesse caso, ele poderá acumular o seu cargo de professor com um cargo de analista judiciário, área meio, em tribunal regional federal.

Gabarito: ERRADO

Como o Pedro da questão é analista da área meio, não poderia acumular o cargo com o de professor, como pré-falado. Daí o erro da questão. Aliás, esse tema de acumulação de cargos e empregos públicos já foi até tema de prova dissertativa. Mas tudo tem seu tempo. Prossigamos, por ora, em nossas análises.

Falemos um pouco do acúmulo de cargo/empregos públicos por parte de aposentados. Havia certa controvérsia doutrinária se estes poderiam, ou não acumular os proventos da aposentadoria com a retribuição pecuniária do cargo, emprego ou função. Tal dúvida foi dirimida, contudo, com a redação dada pela EC 19/98 ao § 10 º do art. 37 da CF, que diz:

É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrente do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Constituição, os

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Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.

Assim, o aposentado pode acumular os proventos recebidos

com:

outro

cargo/emprego/função, desde que a hipótese de acumulação fosse permitida caso em atividade estivesse;

I)

a

retribuição

pecuniária

de

II) cargos eletivos (de Deputado, Prefeito, Governador, etc.);

e

III) cargos em comissão.

Há que se destacar, ainda, que as hipóteses de acumulação referem-se a DOIS cargos, empregos ou funções públicos. Assim, não se admite o acúmulo de três ou mais cargos/empregos, ainda que algum deles provenha da aposentadoria. Há apenas uma hipótese de acumulação de três cargos, em virtude da norma temporária contida no § 1 º do art. 17 da ADCT: dois de médico civil, com outro de médico militar. Mas, em concursos públicos, de cinco anos para cá, não temos visto as organizadoras tratar do assunto. Se isso cair em prova, pode chorar de alegria, só vocês vão acertar! Garanto!

pode chorar de alegria, só vocês vão acertar! Garanto! A vedação à acumulação também não abrange

A vedação à acumulação também não abrange empregos da iniciativa privada, conforme já dito anteriormente. Assim, é possível, por exemplo, que o servidor público seja vigilante de posto de gasolina, sem problemas.

Outras hipóteses de acumulação permitida são as seguintes:

a) Mandato de Vereador com as vantagens de cargo,

emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo. Deve haver, óbvio, compatibilidade de horários, e servidor deve exercer seu cargo;

b) Ministro do TCU com outra função de magistério

(art. 73, §3 º , da CF/88);

c) Magistrado com uma função de magistério (art. 95,

§ único, I, da CF 88); e,

d) Membro do Ministério Público com outra função

pública de magistério (art. 128, § 5 º , II, d, da CF/1988).

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Mais uma

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– Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 Mais uma vez, vale a lembrança: é

Mais uma vez, vale a lembrança: é vedada a acumulação de cargos/empregos/funções públicos, admitindo-se tão só os casos de previsão constitucional, desde que haja compatibilidade de horários no exercício das ocupações públicas.

4.5 FORMAS DE VACÂNCIA PREVISTAS NA 8.112/1990

Vacância é a situação em que o cargo público está

vago, sem ocupante, tornando-o passível de ser provido por alguém. As

formas de vacância previstas na Lei 8.112/1990 são (art. 33):

exoneração, demissão, promoção, readaptação, aposentadoria, posse em outro cargo inacumulável e falecimento. ATENÇÃO: a ascensão e a transferência foram expressamente revogadas pela Lei 9.527/1997. A questão sobre ascensão e transferência cai mais do que chuva nas tardes de Belém!

Inicialmente, cabe fazer diferença entre exoneração e demissão. Esta última é uma penalidade, prevista na Lei nº 8.112/1990, bem como no Código Penal (inc. I do art. 92 do CP). Já os casos de exoneração não constituem punições, tratando-se de hipóteses específicas, com previsão na Lei 8.112/1990 (arts. 34 e 35).

DEFININDO

Destaques pertinentes à vacância:

I) Promoção é, a um só momento, vacância, em cargo inferior, e provimento, em cargo superior, no âmbito de uma carreira. Pode ser por antiguidade ou por merecimento. A despeito de muitos doutrinadores criticarem a inserção da promoção como forma simultânea de provimento/vacância, por razões que, com sinceridade, não são importantes para nossas exposições aqui, MEMORIZEM: PROMOÇÃO FORMA SIMULTÂNEA DE PROVIMENTO/VACÂNCIA;

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 II) além

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

II) além da promoção, há outra forma simultânea de vacância/provimento, de acordo com a Lei 8.112/1990 (art. 8º e 33): a readaptação. De fato, ao passar pela limitação na capacidade laboral, o servidor é readaptado, caso possível, noutro cargo, compatível com tal limitação, deixando o primeiro vago, ao tempo que provê o segundo;

III) apesar de não ser indicada expressamente na Lei como forma de vacância, a recondução, em decorrência de inabilitação em estágio probatório, é, de acordo com apontamentos da doutrina, forma simultânea de vacância, dado que o servidor deixará vago o último cargo, no qual foi inabilitado, voltando a prover o primeiro. Nessa última hipótese, o servidor, caso estável, deverá ser reconduzido ao cargo anteriormente ocupado, provendo-o de forma derivada.

posse em outro cargo não

acumulável,

como

provimento implícito.

Inclusive, vejamos uma questão bem recente de ESAF (ano 2012 Assistente Técnico Administrativo). Abaixo:

Abaixo se encontram relacionadas algumas hipóteses de vacância do cargo público. Analise cada uma das hipóteses e assinale (1) caso ela implique

simultaneamente o provimento de novo cargo pelo servidor e (2) para aquelas que não se relacionem a provimento de novo cargo. Após a análise, assinale a opção que contenha a sequência correta.

Há quem aponte, ainda, para

forma de

vacância

a

expressa,

sendo

entendida

1. Demissão ( )

2. Exoneração ( )

3. Promoção ( )

4. Aposentadoria ( )

5. Posse em outro cargo inacumulável ( )

6. Readaptação ( )

a) 2 / 2 / 2 / 1 / 1 / 1

b) 2 / 2 / 1 / 2 / 1 / 1

c) 1 / 2 / 1 / 2 / 1 / 1

d) 2 / 1 / 1 / 2 / 1 / 2

e) 2 / 2 / 1 / 2 / 2 / 1

A resposta foi letra B. Perceba que a banca seguiu o entendimento doutrinário de que a posse em outro cargo não acumulável acarreta vacância e provimento. Nunca vi esse entendimento adotado por FCC. Em todo caso, fica aí a dica!

(FGV/2011- TRE-PA- Técnico Judiciário - Área Administrativa) Ocorre a vacância do cargo público nos casos de:

(A)

ausência superior a três dias consecutivos.

(B)

licença-maternidade.

(C)

licença temporária.

Direito Administrativo para TRT-RJ – Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges – Aula 01 (D) falecimento.

Direito Administrativo para TRT-RJ Técnico Judiciário Profº Cyonil Borges Aula 01

(D)

falecimento.

(E)

ascensão. 12

5 ESTABILIDADE x ESTÁGIO PROBATÓRIO

Alguém

deve

ter

pensado:

ih,

vem

confusão

essa

interminável história a respeito de estabilidade X estágio probatório

pois

é, como a intenção é só facilitar a vida dos amigos, vamos direto ao “âmago”

Inicialmente, cumpre registrar que o estágio probatório sempre “andou junto” com a estabilidade, a despeito de serem, conceitualmente, figuras distintas.

Estágio probatório é o período a que deve ser submetido o servidor ESTATUTÁRIO nomeado para cargo de provimento efetivo. No estágio probatório, a capacidade e a aptidão do servidor para desempenho do cargo são constantemente avaliadas. Podemos dizer que o estágio probatório funciona como um período para confirmação no cargo.

Respondam rápido aí: ser um bom analista ou técnico judiciário implica, necessariamente, ser um bom auditor da Receita ou do TCU? A resposta, evidentemente, é não, pois os cargos possuem atribuição distinta. Por isso que a doutrina diz que a cada novo cargo, novo estágio probatório. Isso mesmo. O servidor analista judiciário pode ser estável no serviço público e, ainda assim, ter de se submeter a novo estágio probatório.

A grande confusão quanto ao instituto em estudo é quanto a sua duração: se de 36 meses (em decorrência da EC 19/98