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PROVA DE GENÉTICA

O genoma humano e suas influências nas deficiências auditivas

- Gene: não existe um conceito que seja aceito por toda a comunidade

científica. A definição principal é a que gene é uma unidade de informação genética que codifica polipeptídeo ou RNA. Só que o gene possui uma parte que não codificada nenhuma estrutura. A parte inicial do gene, uma região chamada promotor, atua como local de ligação da RNA polimerase para inicio da transcrição e, portanto, pode ou não ser considerado parte do gene.

- Um mesmo gene pode ser capaz de sintetizar mais de um tipo de proteína pelo mecanismo do splicing alternativo, que basicamente cliva partes do mRNA já transcrito, recombinando-o, para formação de novas sequências dessas moléculas.

- Famílias de gene: unidades de informação presentes várias vezes no genoma que codificam uma mesma estrutura.

- Pseudogenes: genes que sofrem modificações e perdem a função, principalmente para atender à demanda de necessidades da acordo com cada fase da vida. Exemplo da hemoglobina: a demanda de oxigênio de um embrião é diferente da demanda de um indivíduo adulto. Então, a medida que esse indivíduo cresce, determinados genes são ativados, enquanto que outros são inativados para otimizar as necessidades deste indivíduo.

- 1990 Projeto Genoma Humano: tinha o objetivo de mapear todos os

genes existentes no genoma e determinar toda a sequência do DNA que compunha os cromossomos humanos. O projeto era público, tinha duração de 15 anos e contava com a participação de vários paises, cada um sequenciando uma pequena parte de genoma.

- Em 1998, ainda não havia sido concluida a sequenciação de nenhum

gene inteiro. Neste mesmo ano uma empresa privada ligada ao maior fabricante de equipamentos sequenciadores de DNA anunciou para o mundo que iam iniciar os trabalhos para a sequenciação do genoma, e iriam fazer isso até o ano de 2001. Isso gerou uma preocupação muito grande, já que, se uma empresa privada sequenciasse o DNA, ela iria

patentear todas as informações obtidas a partir dali.

- Devido a essa pressão, o projeto finalmente começou a “andar”. Em 1999, foi anunciada a sequenciação do primeiro cromossomo, o cromossomo 22, o menor existente.

- Em 2001, o rascunho do projeto genoma humano foi publicado tanto pelo iniciativa pública quanto pela privada.

- Em 2003 houve o término oficial do projeto.

- 20 mil genes sequenciados, mas somente 1,5% do genoma corresponde aos éxons, que são, teoricamente, as regiões codificantes de proteínas.

- Dos outros 88,5%, 25% corresponde a íntrons e 75% a DNA intergênico.

O termo DNA lixo, muito utilizado a um tempo atrás para se referir a essa parte do genoma não codificante, no entanto, já não pode mais ser utilizado. Foi comprovado que essas porções do DNA exercem papel

muito importante na regulação dos genes.

- Mais de 50% do nosso genoma é formado por material repetitivo:

- DNA satélite: repetições longas encontradas no centrômero.

- DNA repetitivo em tandem: sequencias curtas (em torno de 4 bases) que são encotradas várias vezes.

- Microssatélites: são muito utilizados para testes de paternidade, pois têm uma variação muito grande de um indíviduo para outro, tornando essas sequencias bastante específicas.

- Não existe correspondência entre o tamanho do cromossomo com a quantidade de genes.

- Os cromossomos 21, 18 e 13 são os cromossomos autossômicos com

menor número de genes. Não é coincidência que as três sindromes mais comuns relacionadas a uma trissomia cromossômica sejam exatamente as que afetam esses três cromossomos: sindrome de Down, sindrome de Edwards e sindrome de Patau. Isso ocorre porque há a compatibilidade

com a vida somente nesses casos em que o número de genes é menor.

- Influências dos genes nas deficiências auditivas:

- Mutações de bases em genes que codificam os componentes básicos para a captação e processamento do som.

- As deficiências auditivas são divididas em sindrômicas e não- sindrômicas. Nas deficiências sindrômicas, o indivíduo tem uma síndrome que foi causada por alteração em um cromossomo e um dos sinais dessa síndrome é a mal formação do canal auditivo, por exemplo. Nas deficiências auditivas não-sindrômicas, o indivíduo possui, isoladamente, uma deficiência auditiva. Esses casos são mais frequentes e existem mais de 100 genes que tem alguma relação com deficiências auditivas. Basicamente, esses genes codificam proteínas essenciais no processo de captação do som e transdução dessa mensagem para o cérebro.

- As deficiências mais comuns são autossômicas recessivas.

DNA e estrutura molecular dos cromossomos

- A estrutura do DNA foi completamente descoberta por Watson e

Crick, através de um processo chamado de “construção de modelo”, na qual eles reuniram os resultados de experimentos

anteriores para formar o modelo de dupla-hélice.

- Informações que já existiam:

- Ele contém três componentes químicos: (1) fosfato, (2) um açúcar chamado desoxirribose e (3) quatro bases nitrogenadas: adenina, guanina, citosina e timina.

- Duas das bases, adenina e guanina, tem estrutura de

dois anéis característicos de um tipo de substância chamada de purina. As outras duas, citosina e timina, tem estrutura de um só

anel, chamada de pirimidina.

- Nucleotídeo: componente básico do DNA (um grupo

fosfato + uma desoxirribose + uma das bases nitrogenadas).

-

A quantidade de T

quantidade de C é sempre necessariamente A + T = C + G.

é sempre

igual

a

de

igual a

G.

A,

Contudo,

de

e

não

a

- A quantidade de purinas (A e G) era igual a quantidade de pirimidinas (T e C).

- A dupla hélice: a estrutura tridimensional decifrada por Watson e Crick é composta de

- A dupla hélice: a estrutura tridimensional decifrada por Watson e

Crick é composta de duas cadeias lado a lado, antiparalelas (uma sendo de 5’ 3’ e a outra de 3’ 5’) de nucleotídeos torcidos na forma de dupla hélice. Os dois filamentos de nucleotídeos são mantidos juntos por pontes de hidrogênio entre as bases de cada filamento. O arcabouço de cada filamento é formado de unidades alternadas de fosfato e desoxirribose que são conectadas por ligações fosfodiéster (conecta o átomo de carbono 5’ de uma desoxirribose que contém o grupo fosfato ao átomo de carbono 3’ da desoxirribose adjacente que contém o grupo OH). A timina se liga a adenina por duas pontes de hidrogênio, enquanto que a citosina se liga à guanina por meio de três pontes de hidrogênio.

se liga à guanina por meio de três pontes de hidrogênio. - A estrutura em dupla

- A estrutura em dupla hélice do DNA permite que esta molécula

seja bastante estável. Em contrapartida, a molécula de RNA, que

é composta por fita única, tem degradação bem mais rápida.

- Estrutura cromossômica em eucariontes: a organização do DNA em cromossomos na hora da replicação permite que a molécula de DNA, que é gigantesca, seja dividida de maneira mais rápida.

- Os humanos contêm 22 pares de cromossomos autossômicos e um par de cromossomos sexuais.

- Níveis de compactação cromossômica:

- 1° nível: enrolamento do DNA em grupos contendo 8 proteínas histonas, que são fixadas para não permitir o seu desenrolamento por uma proteína histona H1. Cada grupo é chamado de nucleossomo e a estrutura resultante é parecida com um colar de contas.

-

nível:

dobramento

e

aproximação

dos

nucleossomos, formando uma estrutura chamada de solenóide.

3° nível: molécula de DNA altamente condensada.

- Centrômero: local de união das cromátides irmãs e local onde as fibras do fuso se ligam na hora da separação dessas cromátides.

- Telômero: é uma unidade de repetição curta localizada na

extremidade dos cromossomos que tem função protetiva contra as enzimas que fazem a degradação do material genético (exonucleases); além disso, os telômeros marcam a vida útil da célula, já que seu encurtamento, derivado de cada divisão, sinaliza para a célula o momento certo da apoptose; ele também evita a

fusão das pontas com outras moléculas de DNA;

- A replicação do DNA:

- Semiconservativa: uma molécula de DNA parental é separada

por enzimas específicas e cada filamento serve de molde para a síntese de outro filamento que será complementar ao primeiro e

idêntico ao filamento não molde.

- Replicação do material genético de um procarioto: praticamente idêntico ao de um eucarioto.

OBS: A bactéria possui apenas um cromossomo circular.

- Existe um ponto único de início de replicação, chamada

de

origem de replicação, onde a enzima helicase age quebrando

as

ligações de hidrogênio entre as bases nitrogenadas. A partir

dessa região, a replicação é bidirecional, formando duas forquilhas

de replicação.

- A proteína SSB (proteínas de ligação ao DNA unifilamentar) não permite que as fitas de DNA que já foram separadas se unam novamente ou formem grampos, antes da chegada da proteína que fará a adição dos nucleotídeos (polimerase III).

que fará a adição dos nucleotídeos ( polimerase III ). - Topoisomerase I : Produz quebras

- Topoisomerase I: Produz quebras numa cadeia do DNA e

permite o giro da cadeia quebrada sobre a cadeia intacta. Depois ela faz a restauração da ligação fosfodiéster, ligando novamente as partes que foram separadas. Com isso, ela alivia a tensão

gerada entre as fitas de DNA, gerada pela helicase.

- Topoisomerase II: também alivia a tensão das fitas, mas age produzindo quebras nas duas cadeias do DNA de uma vez. Após

a quebra, ela prende as extremidades através de ligações

covalentes, passa a dupla cadeia através do corte e sela a quebra.

- DNA polimerase: presente tanto em células procarióticas como

em eucarióticas, é responsável pela polimerização das novas fitas de DNA. Ela faz isso adicionando nucleotídeos à extremidade 3’

OH da cadeia em crescimento.

Propriedades da enzima:

- Todas as DNA polimerases requerem um molde, o

primer, pois a enzima só consegue agir na presença de

extremidade 3' livre. O primer que é sintetizado pela primase e tem

a característica de ser sequencias compostas por RNA.

- Pareamento complementar das fitas AT e GC.

- A polimerização deverá acontecer no sentido 5'- 3'.

Há três tipos de enzimas catalíticas de DNA polimerase, sendo que todas elas fazem a síntese de DNA. Contudo, elas possuem

diferenças na eficiência e velocidade de síntese, sendo que a POL

I e POL II participam mais do processo de reparo, enquanto que a POL III é responsável pela maior parte da síntese.

- DNA polimerase I: tem função corretora (de reparo do

DNA), portanto pode ser exonucleásica 5’3’. Ela também faz a retirada dos primers (iniciadores) e completa a região com DNA.

- DNA polimerase II: é uma polimerase alternativa de

reparo, mas que também pode replicar DNA quando o filamento

molde é danificado.

- DNA polimerase III: principal sintetizadora do DNA.

- Filamento contínuo e descontínuo:

À medida que a DNA POL III avança, a dupla hélice é continuamente desenrolada na frente da enzima para expor mais os filamentos únicos de DNA que atuarão como moldes. Entretanto, como a DNA polimerase sempre adiciona nucleotídeos na ponta 3’ crescente, apenas um dos dois filamentos de polaridade inversa (5’3’) pode servir como molde para a replicação no sentido da forquilha de replicação. Para esse filamento, a síntese pode ocorrer de modo contínuo no sentido da forquilha; o novo filamento sintetizado nesse molde é chamado de filamento contínuo. A síntese do outro filamento também ocorre nas pontas crescentes 3’, mas essa síntese está no sentido

“errado”, pois, para esse filamento, a síntese de direção 5’3’ está distante da forquilha de replicação. Portanto, a síntese que se move afastando-se da forquilha de replicação não pode continuar por muito tempo. Ela deve ser em seguimentos curtos: a polimerase sintetiza um segmento e, então, move-se para a ponta 5’ do segmento, onde a forquilha crescente expôs um novo molde,

e começa novamente o processo. Esses trechos curtos de DNA

recém-sintetizado são chamados de fragmentos de Okazaki. Cada

fragmento de Okazaki precisa de seu próprio primer. O novo filamento formado é chamado de filamento descontínuo.

novo filamento formado é chamado de filamento descontínuo. - DNA ligase: faz a junção das pontas

- DNA ligase: faz a junção das pontas 3’ do DNA preenchedor do

espaço onde havia o primer (que já foi retirado pela POL I) à ponta

5’ do fragmento de Okazaki posterior.

- Importância do telômero:

A replicação da molécula linear de DNA em um cromossomo eucariótico ocorre em ambas as direções a partir de várias origens de replicação. Esse processo replica a maioria do DNA cromossômico, mas há um problema inerente em replicar as duas pontas das moléculas lineares de DNA, as regiões chamadas de telômeros. A síntese contínua do filamento contínuo pode ocorrer até a ponta do molde. Entretanto, a síntese do filamento descontínuo requer primers à frente do processo; logo, quando o último primer é removido, resta uma ponta unifilamentar em uma molécula filha de DNA. Se o cromossomo-filho com essa molécula de DNA fosse replicado novamente, o filamento faltando sequencias na ponta seria uma molécula bifilamentar encurtada após a replicação. A cada ciclo subsequente de replicação, o telômero continuaria a se encurtar, até que informações codificantes essenciais fossem perdidas.

de replicação, o telômero continuaria a se encurtar, até que informações codificantes essenciais fossem perdidas.

Para isso não ocorrer, um componente do sistema, a enzima telomerase, faz a adição de múltiplas cópias de uma sequencia simples não-codificantes nas pontas 3’ da molécula de DNA. A proteína telomerase leva uma pequena molécula de RNA, parte da qual atua como um molde para a polimerização da unidade repetida telomérica. A RNA telomerase primeiro se helicoidiza ao prolongamento 3’ do DNA, que é então ampliado com o uso de dois componentes da telomerase: o pequeno RNA (como molde) e a proteína ( como atividade de polimerase). Após a adição de alguns nucleotídeos ao prolongamento 3’, a RNA polimerase move-se ao longo do DNA de modo que a ponta 3’ possa ser mais estendida por sua atividade de polimerase. A primase e a DNA polimerase então usam o prolongamento 3’ como molde para preencher o final do outro filamento de DNA.

molde para preencher o final do outro filamento de DNA. - Além de impedir a erosão

- Além de impedir a erosão do material genético após cada rodada de replicação, os telômeros preservam a integridade cromossômica por associação a revestimentos protetores. Esses revestimentos sequestram o prolongamento unifilamentar 3’. Sem esse revestimento, os filamentos bifilamentares dos cromossomos

seriam confundidos com quebras bifilamentares pela célula e tratados como tais. As quebras bifilamentares são muito perigosas, pois podem resultar em instabilidade cromossômica que pode levar a câncer e uma variedade de fenótipos associados

ao envelhecimento.

- Embora a maioria das células germinativas tenham ampla

telomerase, as células somáticas produzem muito pouca ou nenhuma telomerase. Por esse motivo, os cromossomos das celulas somáticas proliferativas ficam progressivamente mais curtos a cada divisão celular, até que a célula para todas as

divisões e entre em fase de senescência.

- Há também uma relação da telomerase com o câncer: ao

contrário das celulas normais, a maioria das celulas cancerosas

tem atividade de telomerase. A habilidade em manter telômeros funcionais pode ser um dos motivos pelos quais as celulas cancerosas, mas não as normais, podem crescer em culturas de celulas por décadas, e são consideradas imortais.

Transcrição e processamento do RNA

- Propriedades do RNA:

- É geralmente uma cadeia de nucleotídeos unifilamentares. A consequência disso é que um filamento de RNA pode se dobrar de tal modo que algumas de suas próprias bases podem fazer par com a outra pareamento intramolecular.

- Tem o açúcar ribose em seus nucleotídeos, que difere

da desoxirribose do DNA por apresentar um átomo de oxigênio a

mais. A presença do grupo – OH no átomo de carbono 2’ facilita a

ação do RNA em muitos processos celulares importantes.

-

Também possui uma ponta 5’ e outra 3’.

 

-

Possui

as

bases

nitrogenadas

Adenina,

Citosina,

Guanina e Uracila, no lugar da Timina no DNA.

OBS: além da adenina, a uracila pode parear com a guanina. Contudo, isso não acontece na transcrição, mas somente durante o dobramento do RNA. As interações entre U e G são mais fracas que as entre U e A.

- Tipos de RNA:

Pode ser agrupado em duas classes gerais. A classe que serve de intermediário para a passagem de informações do DNA para a síntese de proteínas é chamada de RNA mensageiro (mRNA). A outra classe é chamada de RNA funcional porque o próprio RNA é

o produto funcional final. Dois tipos de RNA funcional são encontrados tanto em procariotos quanto em eucariotos:

RNA é o produto funcional final. Dois tipos de RNA funcional são encontrados tanto em procariotos

- RNA transportador (tRNA): são os adaptadores do

códon de 3 nucleotídeos no mRNA ao aminoácido correspondente, que é levado pelo tRNA ao ribossomo no

processo de tradução.

- componentes dos ribossomos.

RNA

ribossômico

(rRNA):

são

os

principais

Um outro tipo de RNA funcional é específico de eucariontes:

- Pequenos RNA nucleares (snRNA): fazem parte do

sistema de processamento do RNA transcrito, denominado de

spliceossomo, que remove íntrons dos mRNA eucarióticos.

Uma grande fração do genoma eucariótico é transcrito em um grupo diverso de RNA funcionais que participam na regulação da expressão gênica em muitos níveis.

- MicroRNA (miRNA): tem um amplo papel na regulação da quantidade de proteínas produzidas por muitos genes.

- Transcrição: A primeira etapa na transferência da informação do gene para a proteína é produzir um filamento de RNA cuja sequencia de bases é complementar à sequencia de bases de um segmento do DNA, as vezes seguido da modificação desse RNA para prepará-lo para seus papéis celulares específicos.

Visão Geral:

- Os dois filamentos da dupla hélice de DNA separam-se localmente, e um dos filamentos separado atua como um molde para a síntese de RNA. No cromossomo em geral, ambos os filamentos de RNA são utilizados como molde; mas, em qualquer gene, apenas um filamento é usado e, nesse gene, é sempre o mesmo filamento.

- Os ribonucleotídeos que foram quimicamente sintetizados em

outra parte da célula formam pares estáveis com suas bases complementares no molde. A enzima responsável por fazer esse

pareamento é a RNA polimerase.

- Durante a síntese, o crescimento do RNA é sempre no sentido

de 5’ para 3’. Esse fato significa que o filamento completo de DNA

deve ser orientado de 3’ para 5’.

- A medida que a molécula de RNA polimerase se move ao longo

do gene, ela desenrola a dupla de DNA a sua frente e reenrola o DNA que já foi transcrito. Várias RNA polimerases, cada uma

sintetizando uma molécula de RNA, movem-se ao longo do gene.

- A sequencia de nucleotídeos no RNA deve ser a mesma que no

filamento não-molde do DNA, à exceção de que os T são substituídos por U. Por esse motivo, o filamento não-molde do

DNA é chamado de filamento codificante.

Estágios da transcrição:

- Como o DNA de um cromossomo é uma unidade contínua, a

maquinaria transcricional deve ser dirigida para o começo de um gene para começar a transcrever no local certo, continuar transcrevendo ao longo do gene e, finalmente, parar de transcrever na outra ponta. Esses três estágios distintos da

transcrição são chamados de iniciação, alongamento e término.

Em procariotos:

- Iniciação: A RNA polimerase geralmente se liga a uma

sequencia específica de DNA chamada de promotor, situada perto do inicio da região transcrita. A primeira base transcrita está sempre no mesmo local, chamada de sítio iniciador. O promotor é chamado de antecedente ao sitio de iniciação porque está situado

à frente do sítio de iniciação.

Nas celulas procarióticas, as sequencias de promotor não são iguais em todos os genes. Contudo, existe uma sequencia de nucleotídeos, chamada de sequencia de consenso, que está de acordo com a maioria das sequencias.

A parte codificante de proteínas do gene geralmente começa com

uma sequencia ATG, mas o sítio de iniciação, onde começa a transcrição, geralmente está bem antecedente a essa sequencia.

A parte intercalar é chamada de região não-traduzida 5’ (5’ UTR).

é chamada de região não- traduzida 5’ (5’ UTR). - Alongamento: à medida que a RNA

- Alongamento: à medida que a RNA polimerase se

move ao longo do DNA, desenrola o DNA à frente dela e reenrola

o DNA que já foi transcrito. Desse modo, ela mantém uma região

unifilamentar de DNA, chamada de bolha de transcrição, dentro da

qual o filamento-molde é exposto. Na bolha, a polimerase monitora

a ligação de um ribonucleosídeo trifosfato livre para a base

exposta seguinte no molde de DNA e, se houver uma complementaridade, adiciona-o à cadeia. A medida que a cadeia de RNA aumenta em sua ponta 3’, a ponta 5’ unifilamentar é

liberada da polimerase.

- Término: A transcrição de um gene individual continua

além do segmento codificante de proteína do gene, criando uma região 3’ não-traduzida (3’ UTR) na ponta do transcrito. O alongamento continua até que a RNA polimerase reconheça sequencias especiais de nucleotídeos que atuam como um sinal para término da cadeia. O encontro com os nucleotídeos de sinal inicia a liberação do RNA nascente e a enzima do molde. Os dois mecanismos principais de término em procariotos são chamados

de dependentes de Rô e independentes de Rô.

- Dependentes de Rô: o término requer a ajuda de uma

proteína chamada de fator de Rô. Essa proteína reconhece os

sinais de termino para a RNA polimerase.

- Independentes de Rô: o termino é direto.

Em eucariotos:

- É mais complicada que em eucariotos por três motivos:

I. Os genomas eucarióticos maiores têm muito mais genes

a serem reconhecidos e transcritos. Além disso, há

muito mais DNA não-codificante nos eucariontes. Para lidar com a situação, o trabalho da transcrição é divido

entre três polimerases diferentes.

- A RNA POL I transcreve genes de rRNA.

- A RNA POL II transcreve todos os genes codificantes de proteínas, para os quais o transcrito final é o mRNA, e transcreve alguns snRNA.

- A RNA POL III transcreve os pequenos RNA

funcionais, tais como os genes para tRNA e alguns

snRNA.

RNA funcionais, tais como os genes para tRNA e alguns snRNA. Os eucariontes requerem a montagem

Os eucariontes requerem a montagem de muitas

proteínas em um promotor antes que a RNA polimerase

II possa começar a sintetizar RNA. Algumas dessas

proteínas, chamadas de fatores gerais de transcrição (GTF), ligam-se antes que a RNA polimerase II se ligue,

enquanto outros se ligam depois.

II.

Presença de um núcleo em eucariontes. Nos procariontes, a informação no RNA é quase imediatamente traduzida em uma cadeia de aminoácidos. Nos eucariontes, a transcrição e a tradução são especialmente separadas, a transcrição ocorre no núcleo e a tradução no citoplasma.

Antes do RNA deixar o núcleo, ele deve ser modificado

de

vários modos. Essas modificações são coletivamente

chamadas de processamento do RNA. Para distinguir o RNA antes e depois do processamento, o RNA recém- sintetizado é chamado de transcrito primário ou pré- mRNA, e o termo mRNA é designado para o transcrito totalmente processado, pronto para ser exportado do núcleo.

III.

O molde para a transcrição, o DNA genômico, é organizado em cromatina nos eucariotos, enquanto está praticamente “nu” nos procariotos.

fatores gerais de

transcrição (GTF) para se ligarem às regiões promotoras

- Iniciação:

A RNA polimerase requer

antes da ligação da enzima. Os GTFS e o cerne da RNA polimerase II constituem o complexo de pré-iniciação (PIC). A sequência inicial do promotor é geralmente uma sequencia de nucleotídeos TATA, chamada de TATA boxe. Nesse local, é ligado o primeiro fator geral de transcrição.

Após a transcrição ter sido iniciada, a RNA polimerase II dissocia-se da maioria dos GTF para alongar o transcrito primário de RNA. Alguns dos GTF permanecem no promotor para atrair o próximo cerne de RNA polimerase. Desse modo, várias enzimas RNA polimerase II podem sintetizar simultaneamente os transcritos de um único gene.

transcrição

essencialmente como nos procariotos. Entretanto, o RNA nascente tem destinos muito diferentes. Nos eucariotos, antes do inicio da tradução, ocorre o processamento do RNA. Esse processamento inclui (1) adição do revestimento (cap) na ponta 5’, (2) recomposição para eliminar os íntrons e (3) a adição de uma cauda 3’ dos nucleotídeos adenina (poliadenilação). O processamento do RNA é feito concomitantemente com a síntese do mesmo, assim que o

RNA nascente emerge de uma RNA polimerase II.

-

Alongamento:

ocorre

dentro

da

bolha

de

- Revestimento (cap): consiste em uma 7-metilguanosina

ligada ao transcrito por três grupos fosfato. Tem duas funções: proteger o RNA da degradação e ser necessária

para a tradução do mRNA.

- Cauda Poli (A): tem funções de facilitar o transporte para o citoplasma e estabilizar o RNAm.

- O processo de remoção dos íntrons e união dos éxons

é chamado de recomposição alternativa (splicing alternativo). Por

esse processo, diferentes mRNA e, subsequentemente, diferentes proteínas são produzidas pelos mesmo transcrito primário,

recompondo diferentes combinações de éxons.

- O mecanismo de recomposição dos éxons:

O processo de retirada dos íntrons deve ocorrer de modo bastante

exato, pois a retirada ou o permanecimento de algum nucleotídeo no mRNA pode comprometer toda a sua função. Nas junções éxons-íntrons dos pré-mRNA existem nucleotídeos específicos que são encontrados em quase todos os genes e entre as espécies. Cada íntron é cortado em cada ponta, e essas pontas de íntron geralmente tem GU na ponta 5’ e AG na ponta 3’. O complexo que faz o reconhecimento e retirada dos íntrons é chamado de Spliceossomo e possui 5 tipos de snRNA + 50 tipos

de proteínas. Ele faz isso através de duas etapas:

- A primeira etapa consiste na ligação de uma ponta de

um íntron à adenina interna conservada, formando uma estrutura

que tem a forma de um laço de cowboy.

- A segunda etapa libera o laço e junta os dois éxons

adjacentes.

Tradução do mRNA em proteínas - Estruturas das proteínas: - Uma proteína é composta por

Tradução do mRNA em proteínas

- Estruturas das proteínas:

- Uma proteína é composta por monômeros de aminoácidos que

são unidos por ligações peptídicas união da ponta amino (NH2) de um aminoácido com a ponta carboxila (COOH) de outro

aminoácido.

- Tem estruturas complexas com quatro níveis de organização.

- Estrutura primária: sequencia linear de aminoácidos.

- Estrutura

secundária:

dobramento

da

proteína

em

regiões específicas (α hélice e folha β pregueada).

-

secundária.

Estrutura

terciária:

dobramento

da

estrutura

- Estrutura quaternária: composta de dois ou mais

polipeptídeos separados dobrados, também chamados de

subunidades.

- As regras pelas quais a estrutura primária é convertida em

estruturas de ordem superior são incompletamente compreendidas. Entretanto, pelo conhecimento da sequencia primária da proteína podem ser previstas as funções de regiões específicas. Essas sequencias associadas a determinadas

funções são chamadas de domínios.

- O código genético é não superposto:

de domínios. - O código genético é não superposto: - Número de letras do códon: o

- Número de letras do códon: o códon genético é formado por três

nucleotídeos. Com isso, o numero de códons diferentes é 64 (4x4x4). Como somente existem 20 tipos de aminoácidos, é

presumível que mais de um códon seja correspondente a um mesmo aminoácido código genético é redundante.

- A maioria dos aminoácidos podem ser levados aos

ribossomos por vários tipos de tRNA alternativos. Cada tipo, com um anticódon diferente que faz par de bases com um códon

diferente de mRNA.

- Algumas espécies de tRNA carregados podem trazer

aminoácidos específicos para qualquer um de vários códons. Esses tRNA reconhecem e ligam-se a vários códons alternativos, não apenas a um com uma sequencia complementar, por um tipo de pareamento de bases fraco na ponta 3’ do códon e ponta 5’ do anticódon. Esse pareamento fraco é chamado de oscilação. A oscilação é uma situação na qual o terceiro nucleotídeo de um

anticódon (na ponta 5’) pode formar dois alinhamentos.

um anticódon (na ponta 5’) pode formar dois alinhamentos. - aminoácido, Esses códons são códons de

-

aminoácido, Esses códons são códons de fim, ou de término UAG, UGA e UAA.

nenhum

Códons

de

fim:

alguns

códons

não

especificam

- Tradução do códon pelo tRNA: a estrutura do tRNA tem forma de um trevo consistindo em quatro hastes de dupla hélice e três alças unifilamentares. A alça do meio de cada tRNA é chamada de alça do anticódon porque leva a trinca de nucleotídeos complementar ao códon, o anticódon. Como os códons no mRNA são lidos no sentido 5’ 3’, os anticódons são orientados e escritos no sentido 3’ 5’.

Os aminoácidos são ligados aos tRNA por enzimas chamadas de aminoacil-tRNA sintetases. Existem 20 dessas marcantes enzimas na célula, uma para cada um dos 20 aminoácidos. Um tRNA com aminoácido ligado é chamado de carregado. Cada aminoácido tem uma sintetase específica que o liga apenas aos tRNA que reconhecem os códons para esse determinado aminoácido. Para catalisar essa reação, a sintetase tem dois sítios de ligação: um para o aminoácido e outro para o tRNA cognato. Um aminoácido é ligado a ponta 3’ de seu tRNA.

de ligação: um para o aminoácido e outro para o tRNA cognato. Um aminoácido é ligado

- Ribossomos: em todos os organismos, o ribossomo consiste um

uma subunidade pequena e uma grande, cada uma feita de RNA e proteínas. Em procariontes, as subunidades pequena e grande são chamadas de 30S e 50S, respectivamente, e se associam para formar uma partícula 70S. As contrapartes eucarióticas são chamadas de 40S e 60S, com 80S para o ribossomo completo.

- O

subunidade menor.

sítio

de

ligação

ao

mRNA

está

totalmente

dentro

da

- Existem três sítios de ligação para as moléculas de tRNA. Cada tRNA ligado une as subunidades 30S e 50S, com sua ponta de anticódon na primeira e sua ponta aminoacil (levando o aminoácido) na última.

- O sítio A (para o aminoacil) liga um aminoacil-tRNA que

chega cujo anticódon corresponde ao códon no sítio A da subunidade 30S. À medida que continuamos no sentido 5’ do mRNA, o códon seguinte interage com o anticódon do tRNA no sítio P (para peptidil) da subunidade 30S. O tRNA no sitio P liga-se à cadeia polipeptídica crescente, parte da qual entre em uma estrutura tipo túnel na subunidade 50S. O sítio E (de saída) contém um tRNA desacilado (que não leva mais o aminoácido)

que está pronto para ser liberado do ribossomo.

que está pronto para ser liberado do ribossomo. - Duas regiões adicionais ao ribossomo são críticas

- Duas regiões adicionais ao ribossomo são críticas para a síntese

de proteínas: o centro decodificador, na subunidade 30S, garante que apenas os tRNA levando anticódons que se ajustam aos códons (tRNA cognatos) serão aceitos no sitio A. Os tRNA cognatos associam-se ao centro peptidiltransferase na subunidade

50S, onde a formação da ligação peptídica é catalisada.

- Inicio, alongamento e termino da tradução:

- Início: a principal tarefa da iniciação é colocar o primeiro

aminoacil-tRNA no sítio P do ribossomo e, desse modo, estabelecer a correta matriz de leitura do mRNA. Na maioria dos procariontes e em todos os eucariontes, o primeiro aminoácido em qualquer polipeptídio recém-sintetizado é a metionina, especificada pelo códon AUG. Ele é inserido por um tRNA

especial chamado de iniciador.

- Iniciação em procariontes: os códons de iniciação são

precedidos por sequencias especiais, chamadas de sequencias Shine-Dalgarno, que fazem par com a ponta 3’ de um rRNA na subunidade ribossômica 30S. Esse pareamento posiciona

corretamente o códon iniciador no sitio P onde o tRNA iniciador irá ligar-se. Três proteínas IF1, IF2 e IF3 (de fator de iniciação) são importantes para a correta iniciação. Uma delas mantém separadas as subunidades ribossômicas e as outras atuam garantindo que apenas o tRNA iniciador entre no sítio P. A subunidade 30S, o mRNA e o tRNA iniciador constituem o complexo de iniciação. O ribossomo completo 70S é formado pela associação da subunidade maior 50S com o complexo de iniciação e a liberação dos fatores de iniciação.

de iniciação e a liberação dos fatores de iniciação. - Iniciação em eucariotos: na chegada ao

- Iniciação em eucariotos: na chegada ao citoplasma, o mRNA é geralmente coberto de proteínas, e regiões podem ter dupla hélice devido a pareamento de bases intramolecular. Essas regiões de estrutura secundária devem ser removidas para expor

o códon iniciador AUG. As estruturas responsáveis por fazer essa

remoção são os fatores de iniciação, e eles também se associam ao cap, à subunidade 40S e o tRNA iniciador, formando o complexo de iniciação. Uma vez no lugar, o complexo move-se no sentido 5’ para 3’ e desenrola as regiões com pareamento de

bases. Ao mesmo tempo, a sequência exposta é percorrida a procura de um códon AUG onde possa começar a tradução. Após

o códon AUG ser apropriadamente alinha com tRNA iniciador, o

complexo de iniciação é unida à subunidade 60S para formar o ribossomo 80S. Como nos procariontes, os fatores de iniciação eucarióticos dissociam-se para formar o ribossomo antes que a

fase de alongamento da tradução comece.

- Alongamento: Cada aminoácido é adicionado à cadeia polipeptídica crescente enquanto o tRNA desacilado é reciclado pela adição de outro aminoácido. Os fatores proteicos, chamados de fatores de alongamento Tu (EF-Tu) e fator de alongamento G (EG-G), ajudam no processo de alongamento.

Antes que os aminoacil-tRNA possam ser usados na síntese de proteínas, eles se associam ao fator EF-Tu formando um complexo ternário (tRNA, aminoácido e EF-Tu). O alongamento começa com um tRNA iniciador no sítio P e com o sitio A pronto para aceitar um complexo ternário. Somente um dos 20 complexos ternários será aceito, e essa aceitabilidade é determinada pela correspondência de códon e anticódon. Quando há uma correspondência correta, o ribossomo muda de conformação, fazendo com que o EF-TU deixe o complexo ternário, e as duas pontas aminoacil são justapostas no centro peptidiltransferase da subunidade maior, onde é formada a ligação peptídica. Nesse ponto, o segundo fator proteico EF-G se ajusta ao sitio A e, com isso, muda os tRNA nos sítios A e P para os sítios P e E, respectivamente. O mRNA move-se pelo ribossomo de modo que

o códon seguinte é posicionado no sitio A. Quando EF-G deixa o

ribossomo, o sitio A está aberto para aceitar o complexo ternário seguinte.

A está aberto para aceitar o complexo ternário seguinte. - Término: o ciclo continua até o

- Término: o ciclo continua até o códon no sitio A ser um dos três

códons de fim. Proteínas chamadas de fatores de liberação reconhecem os códons de fim. Quando isso ocorre, uma molécula de água entra no centro peptidiltransferase, e sua presença leva a uma liberação do polipeptídio do tRNA no sitio P. As subunidades ribossômicas separam-se, e a subunidade 30S agora está pronta

para formar um novo complexo de iniciação.

- Eventos pós-traducionais:

- Dobramento da proteína nascente

- Modificações de cadeias laterais de aminoácidos:

- Fosforilação: As cinases ligam grupos fosfato aos grupos hidroxila de alguns aminoácidos e as fosfatases removem esses grupos. Como os grupos fosfato tem carga negativa, sua adição à proteína geralmente muda sua conformação.

- Ubiquitinização: adição de cadeias de várias cópias de uma proteína chamada de ubiquitina à amina das lisinas marca a proteína para a degradação por uma protease chamada de proteossomos 26S.

- Direcionamento de proteínas: as proteínas possuem sequencias

de sinal em sua ponta aminoterminal que são responsáveis por

destiná-las ao compartimentos celulares ou membranas.

Controle da expressão gênica

- As propriedades biológicas de cada tipo de célula eucariótica são amplamente determinadas pelas proteínas expressas dentro dela.

- Em um momento qualquer da história de uma célula, apenas

uma fração dos RNA e proteínas codificadas em seu genoma é expressa. Em momentos diferentes, o perfil dos produtos gênicos expressos pode diferir marcantemente, tanto com relação às

proteínas que são expressas como em que níveis.

- Existem alguns genes que são expressos em todas as células e são denominados de genes constitutivos ex: genes que codificam a RNA polimerase, as histonas e a DNA polimerase. Contudo, a grande maioria dos genes sofrem controle de expressão gênica.

- O controle da expressão genica pode ocorrer em todas as etapas da síntese proteica, desde a transcrição até a formação da proteína completa.

a transcrição até a formação da proteína completa. - De uma forma geral, o controle da

- De uma forma geral, o controle da expressão gênica pode ser:

- Controle positivo: os genes normalmente estão

inativados e só são expressos quando uma proteína reguladora

está presente, induzindo sua expressão.

- Controle negativo: os genes normalmente estão ativos

e só deixam de ser expressos quando uma proteína reguladora está presente, reprimindo sua expressão.

a

proteína

reguladora

é

sintetizada

por

genes

reguladores.

é sintetizada por genes reguladores. - Exemplo de controle de expressão gênica em procariotos:

- Exemplo de controle de expressão gênica em procariotos:

A maioria dos mRNA de procariotos é policistrônica ou poligênica

um mesmo transcrito codifica mais de uma proteína. A produção do transcrito policistrônico é dirigida por um único promotor, ou seja, genes adjacentes podem ter um mesmo promotor controlando a expressão desses genes. O conjunto formado pelos genes, pelo promotor e pelas sequências regulatórias recebe o

nome Operon.

- Metabolismo da lactose Operon LAC:

O metabolismo da lactose se dá pela codificação de três

proteínas: β-galactosidase, permeasse e transacetilase. Para poupar energia, então, essas três proteínas só são sintetizadas

caso haja lactose no meio.

Normalmente, o complexo de metabolismo da lactose não está operando. Isso acontece porque existe um gene regulador do Operon LAC que está codificando uma proteína repressora que tem função de bloquear a expressão desse Operon LAC Controle negativo.

Se existe lactose no meio, a lactose interage com a proteína repressora, que muda de conformação, e libera o Operon para funcionar, iniciando a transcrição.

e libera o Operon para funcionar, iniciando a transcrição. Porém, a maioria das bactérias usa a

Porém, a maioria das bactérias usa a glicose como fonte principal de energia, e não a lactose. A presença da glicose, então, irá inibir a indução do Operon LAC. Esse fenômeno, chamado repressão catabólica, assegura que, quando presente, a glicose será preferencialmente utilizada, em vez de outra fonte de carbono. A repressão catabólica é mediada por uma proteína regulatória conhecida como CRP (proteína receptora de cAMP) e por uma molécula de cAMP. A proteína CRP possui sítios de ligação para o DNA e o cAMP. Sabe-se que o promotor LAC contém dois sítios de ligação separados, um deles para a ligação da RNA polimerase e outro para a ligação do complexo CRP- cAMP.

Na ausência de glicose e presença de lactose, o complexo CRP-cAMP se liga ao promotor, estimulando a transcrição, ao mesmo tempo que o repressor LAC será desligado do operador pela ação da lactose. Na presença de glicose, o complexo CRP-cAMP não se forma e, consequentemente, não ocorre a transcrição. Mas para que a transcrição ocorra também é necessária a presença da lactose que irá deslocar o repressor LAC do operador.

O complexo CRP-cAMP precisa estar presente no seu

sítio de ligação para que o promotor do Operon LAC seja ativado.

O complexo exerce um controle positivo na transcrição do Operon

LAC, oposto ao efeito observado para a proteína repressora. Somente o complexo se liga ao promotor. Na ausência de cAMP,

a proteína CRP não se liga.

Na ausência de cAMP, a proteína CRP não se liga. Resumindo: O Operon da lactose é

Resumindo: O Operon da lactose é coordenado por controle negativo e positivo.

- Em eucariontes, o controle da expressão genica é histoespecífico (cada célula tem um controle diferente, regulando a expressão de proteínas diferentes) e temporal (muda de acordo com estágio de desenvolvimento):

- Ex da hemoglobina: em cromossomos diferentes,

existem famílias gênicas que codificam a cadeia α globina e famílias gênicas que codificam a cadeia β globina. Em diferentes estágios da vida, um gene que compõe cada família é ativado para sintetizar uma cadeia α globina e uma β globina que atenderão de forma mais eficiente as necessidades de oxigênio do

indivíduo, desde o feto até a idade adulta.

- Formas de controle da expressão gênica em eucariotos:

- Cromatina: A organização da cromatina em heterocromatina e

eucromatina já nos permite identificar locais que serão transcritos. Na heterocromatina, que está altamente condensada, não há expressão gênica devido ao fato de a maquinaria que faz o reconhecimento dos promotores para inicio da transcrição não

conseguir acessar o material genético. Com isso, é na eucromatina que acontece a expressão dos genes. Entretanto, o estado da heterocromatina não é estático, ou seja, não quer dizer que regiões que estão altamente condensadas em algum momento nunca serão expressos.

- Heterocromatina constitutiva: regiões que não são

expressas em momento algum (regiões centroméricas e regiões

teloméricas).

- Heterocromatina facultativa: em uma determinada

célula ou fase da vida, podem ser tornar ativas. Ex: cromossomo X

nas mulheres.

Em parte, o estado de condensação da cromatina é garantido pelas proteínas histonas.

- Acetilação das histonas: diminui a atração das histonas pelo DNA DNA liberto

- Desacetilação das histonas: reprime a atividade gênica,

pois esconde as regiões que seriam reconhecidas pela RNA

polimerase DNA condensado

- Fatores de transcrição:

- Basal: garantem um nível básico de transcrição.

- Especial: modulam uma maior ou menor transcrição.

- Especial: modulam uma maior ou menor transcrição.  Enhancer ou acentuadores: sequencias no DNA que

Enhancer ou acentuadores:

sequencias no DNA que atuam como moduladores da transcrição e, em geral, se situam muito distantes da região que será transcrita. A posição dos enhancers pode ser tanto antes quanto depois da região a ser transcrita (considerando o deslocamento do RNA polimerase) e nessas regiões do DNA se ligam proteínas regulatórias (os fatores de transcrição especial) que aumentam a eficiência da iniciação da transcrição ou que ativam a região promotora para ligação com a RNA polimerase.

Sequencias silenciadoras: quando reconhecidas pelos fatores de transcrição especial, diminuem a transcrição dos genes.

- Exemplos de sinais que regulam a expressão gênica:

- Alterações ambientais (luz, calor).

- Hormônio

- Fatores de crescimento e diferenciação celular

- Alterações nutricionais

Outras formas de controle da expressão gênica:

- Splicing alternativo: as diferentes formas de se “montar”

o mRNA podem interferir em síntese de diferentes proteínas.

- Estabilidade do mRNA: quanto mais rápido o mRNA é

degradado, menos proteínas serão formadas. Quanto mais tempo

ele fica, mais proteínas serão formadas.

- o tamanho da cauda Poli (A): quanto maior a cauda Poli (A), maior o tempo de vida do mRNA.

- sequencias na região 3’ UTR que são pontos de ligação à proteínas que controlam a degradação de mRNA na célula proteína ligada: mRNA pode ser degradado.

- Micro RNA: cada micro RNA atua regulando a expressão genica de um gene em específico. Isso ocorre porque ele pareia suas bases com as bases do mRNA que é regulado por ele, impedindo que o ribossomo leia aquelas bases que estão pareadas no momento da tradução, bloqueando esta etapa. Eles também podem atuar induzindo a degradação desse mRNA.

- Inativação do cromossomo X:

Apesar do cromossomo Y ter um número menor de genes, existem genes que estão presentes em ambos os cromossomos, que permitem que eles pareiem na hora da meiose. Para não haver uma produção maior de produtos transcricionais nas mulheres, devido ao fato de o cromossomo X conter mais genes, há uma inativação aleatória de um dos cromossomos X nas células femininas em um dos estágios iniciais do desenvolvimento. Esse mecanismo de inativação é chamado de COMPENSAÇÃO DE DOSE. A inativação é aleatória, ou seja, em cada célula já formada, pode haver a inativação de um cromossomo X. Contudo, todas as celulas geradas a partir dessa célula vão ter o mesmo cromossomo X inativado. Com isso, uma parcela das celulas da fêmea pode ter o X paterno inativado, enquanto que a parcela restante tem o X materno inativado.

Existe uma região no cromossomo X, chamada de XIC (centro de inativação do cromossomo X), que contém o gene XIST. Esse gene é regulado por eventos tradicionais de regulação gênica, como a metilação. O acréscimo de grupos metil ao DNA esconde alguns sítios com funções importantes e isso impede que proteínas tenham acesso a esse sítio. Então, um dos genes XIST irá passar por um processo de metilação e irá ser silenciado. O outro gene XIST ativo produz mRNAs que irão se associar ao cromossomo responsável pela sua produção, induzindo a sua condensação, formando o corpúsculo de Barr. O cromossomo que teve o gene XIST inativado será o cromossomo ativo.

Mecanismos de Herança

- Herança Autossômica Dominante:

- O fenótipo é expresso tanto em homozigotos quanto em heterozigotos para um alelo mutante.

- A característica ocorre igualmente em homens e mulheres.

- Indivíduos afetados são filhos de casais onde pelo menos um

dos conjunges é afetado. Dessa forma, um casal normal não pode ter filhos afetados (a não ser que haja mutação ou penetrância

reduzida do gene).

- A característica ocorre em todas as gerações.

- As uniões que produzem crianças com doença autossômica

podem ser entre dois heterozigotos (D/d) para a mutação ou, mais frequentemente, entre um heterozigoto para a mutação (D/d) e um homozigoto para um alelo normal (d/d). Nesse ultimo caso, o risco

dos descendentes serem afetados é de 50%.

- Dominante pura: homozigotos e heterozigotos para um

alelo mutante são igualmente afetados Distúrbios muito raros devido ao fato de o fenótipo homozigoto ser, geralmente, fatal.

Ex da Doença de Huntington: é o distúrbio mais

frequentemente invocado como dominante puro, porque

a doença geralmente é semelhante em natureza e

gravidade de sintomas tanto em heterozigotos quanto em homozigotos. Contudo, mesmo essa patologia parece apresentar um curso de duração mais acelerado desde o início da doença até o óbito em indivíduos

homozigotos, se comparados aos heterozigotos.

- Incompletamente dominante: mais comumente, os

distúrbios dominantes são mais graves em homozigotos do que

em heterozigotos.

Ex da Acondroplasia: se manifesta como um nanismo de

membros curtos e cabeça grande. Os indivíduos homozigotos são muito mais gravemente afetados do que os heterozigotos e comumente não sobrevivem ao

período pós-natal imediato.

- Codominantes: ocorre a expressão fenotípica de dois alelos diferentes para um locus.

Ex: tipo sanguíneo AB.

- Herança Autossômica recessiva:

- O

heterozigotos compostos,

fenótipo

é

expresso

somente

em

homozigotos

ou

em

- Os genitores de indivíduos afetados são portadores de pelo menos um alelo mutante.

- Os dois sexos são igualmente afetados.

- Os indivíduos afetados resultam, geralmente, de casamentos consanguíneos.

- Os genitores heterozigotos são os mais comuns para esse tipo de herança. 25% da prole é afetada.

- Herança ligada ao X:

- Acredita-se

localizados no cromossomo X.

que

aproximadamente

1.100

genes

estejam

- Uma vez que os homens possuem somente um cromossomo X,

enquanto as mulheres possuem dois, só existem dois tipos de genótipos possíveis em homens e três possíveis em mulheres com respeito a um alelo em um locus ligado ao X. Um homem com um alelo mutante em um locus ligado ao X é hemizigoto para aquele alelo, enquanto que mulheres podem ser homozigotas tanto para o

alelo normal quanto para o alelo mutante, ou heterozigotas.

- Esses distúrbios podem ser dominantes ou recessivos, e eles

são distinguidos com base no fenótipo das mulheres. A dificuldade em classificar um distúrbio ligado ao X como dominante ou recessivo provém do fato de algumas mulheres que são heterozigotas para o mesmo alelo mutante na mesma família

poderem ou não demonstrar a doença, dependendo do padrão de inativação aleatória do cromossomo X e da proporção de celulas

nos tecidos pertinentes que possuem o alelo mutante no cromossomo ativo versus inativo.

- Nas raras situações nas quais uma mulher portadora de um alelo

recessivo ligado ao X manifesta a expressão fenotípica da doença,

ela é denominada de heterozigoto manifesto.

- Herança recessiva ligada ao X:

- É expressa no fenótipo de todos os homens que receberam a

mutação, mas somente nas mulheres que são homozigotas para a mutação. Com isso, são bem mais frequentes em homens que

mulheres.

Ex da Hemofilia A: o sangue não consegue coagular normalmente devido a uma deficiência do fator VIII, uma proteína da cascata de coagulação.

Ex do Daltonismo

- Herança dominante ligada ao X:

- É regularmente expresso em heterozigotos.

- Pode ser distinguida da herança autossômica dominante pela ausência de transmissão homem a homem.

- Todas as filhas e nenhum dos filhos do homem são afetados.

- Cada filho de uma mulher afetada tem 50% de chance de herdar

a característica, independentemente do sexo.

- As mulheres afetadas são cerca de duas vezes mais comuns que

os homens afetados, devido ao fato de as mulheres poderem receber o alelo mutado tanto da mãe quanto do pai, enquanto os

homens só recebem da mãe.

Ex do Raquitismo hipofosfatêmico: a capacidade dos túbulos renais de reabsorverem o fosfato filtrado está comprometida.

Ex da Síndrome de Rett: ocorre quase que exclusivamente no sexo feminino, pois é letal no sexo masculino. É caracterizada pelo crescimento e desenvolvimento pré-natal e neonatal normais, seguidos pelo rápido inicio dos sintomas neurológicos e pela perda dos marcos do desenvolvimento.

- Herança ligada ao Y:

- É transmitida de pai para filho homem, somente.

Ex: hipertricose auricular.

- Herança mitocondrial:

- É provocada por mutações do genoma mitocondrial e por manifestarem uma herança materna.

- Uma pequena fração de RNA e proteínas são sintetizados por informações contidas no genoma mitocondrial.

- A maioria das células contém pelo menos 1000 moléculas de

mtDNA, distribuídos entre centenas de mitocôndrias individuais.

- Na divisão celular, as múltiplas cópias do mtDNA em cada uma

das mitocôndrias de uma célula se replicam e se distribuem aleatoriamente entre as mitocôndrias recém-sintetizadas. As mitocôndrias, por sua vez, são distribuídas aleatoriamente entre as

duas células filhas.

- Quando surge uma mutação no mtDNA, inicialmente ela só está

presente em uma das moléculas de mtDNA em uma mitocôndria. Com as divisões celulares, uma mtDNA mutante irá adquirir múltiplas cópias e, quando eles forem segregados, pode haver celulas que irão conter proporções muito grandes desse mtDNA

mutado, levando a distúrbios na produção de energia.

- Heteroplasmia: células que contém uma mistura de mitocôndrias mutantes e outras sem mutações.

-

mutadas.

Homoplasmia:

células

que

contém

somente

mitocôndrias

- Todos os filhos de mulheres que sejam homoplasmáticas para uma mutação no mtDNA herdarão a mutação.

- A herança materna de uma mutação homoplasmática do mtDNA

pode causar a neuropatia óptica hereditária de Leber (perda rápida

da visão como resultado da morte do nervo óptico).

- Fatores complicantes do padrão de herança:

- Mutação nova

Se uma criança nasceu com uma doença genética que não ocorreu anteriormente na família, é possível que a doença seja o produto de uma mutação nova. O gene transmitido por um dos pais sofreu uma mudança na sequencia de DNA, resultando em uma mutação a partir de um alelo normal. O risco de recorrência para a prole subsequente destes pais não deve ser elevado acima daquele da população em geral. Entretanto, a prole da criança afetada pode ter um risco substancialmente elevado.

- Mosaicismo germinativo

Durante o desenvolvimento embrionário de um dos genitores, uma mutação ocorreu e afetou todas ou parte da linhagem germinativa, porém atingiu poucas ou nenhuma das celulas somáticas do embrião. Assim, os pais carregam a mutação na sua linhagem germinativa, mas não expressam efetivamente a doença, porque a mutação está ausente em outras celulas do organismo. Como resultado, o genitor pode transmitir a mutação para varias proles. A suspeita de moisaicismo germinativo se dá quando duas ou mais proles apresentam uma doença autossômica dominante ou ligada ao X quando não há histórico familiar desta doença.

- Penetrância reduzida

Penetrância é a probabilidade de que um gene venha, de fato, a possuir uma expressão fenotípica. Quando a

frequência de expressão de um fenótipo é de menos de 100%, diz que o gene exibe uma penetrância reduzida. É um conceito tudo-ou-nada.

Ex: deformidade da mão fendida.

- Expressividade variável

Expressividade é a gravidade da expressão do fenótipo entre os indivíduos com o mesmo genótipo causador da doença. Quando a expressividade da doença difere em indivíduos que possuem o mesmo genótipo, diz-se que o fenótipo possui uma expressividade variável. Na Neurofibromatose, enquanto alguns podem só apresentar manchas café com leite lesões cutâneas pigmentares, planas e irregulares, outros podem apresentar tumores benignos potencialmente letais.

- Genes modificadores

Genes que interagem com o gene causador da doença, podendo levar a uma expressão mais branda ou severa da doença.

- Heterogeneidade alélica

Vários possíveis alelos dentro de um mesmo locus vão levar a expressão de uma mesma doença.

Uma vez que qualquer alelo mutante em

particular geralmente é incomum na população,

a maioria das pessoas com distúrbios

autossômicos recessivos raros são heterozigotos compostos, e não verdadeiros

homozigotos.

Ex da Fenilcetonúria.

- Heterogeneidade de locus

Quando o fenótipo de uma única doença é causado por mutações em diferentes loci nas diferentes cromossomos ou famílias gênicas.

Ex da Fenilcetonúria. Nesse caso, genes que

codificam cofatores que irão atuar na via de

metabolismo da fenilalanina estão mutados.

- Impriting genômico

Assim como o um cromossomo X na mulher, existem regiões no genoma que também são silenciadas para evitar a produção excessiva de produtos funcionais dentro das células, que levariam a um gasto desnecessário de energia. Contudo, a forma de silenciamento é dependente da herança, e não aleatória. Com isso, em todos os indivíduos já existe uma determinação de que alguma região específica do cromossomo que veio do pai será silenciada. O mesmo ocorre nos cromossomos maternos.

Ex: Síndrome de Prader-Willi e Síndrome de Angelman. No caso dessas duas síndromes, a deleção de uma região no cromossomo 15 que veio do pai e que possui o silenciamento de alguns genes e a expressão de outros pode levar à síndrome de Prader-Willi. De outra forma, a deleção da mesma região no cromossomo 15 materno, que possui silenciamento e expressão de genes de maneira oposta aos do cromossomo paterno podem levar à Síndrome de Angelman.

do cromossomo paterno podem levar à Síndrome de Angelman. - Idade atrasada de manifestação Redução da

- Idade atrasada de manifestação

Redução da seleção natural, já que indivíduos portadores da doença passarão pela idade fértil sem problema nenhum, propagando o alelo mutado para outras gerações.

- Doenças devidas a expansões repetidas instáveis: as expansões repetidas instáveis são caracterizadas por expansões dentro de um gene afetado de um segmento de DNA, consistindo em unidades repetidas de três ou mais nucleotídeos em tandem (adjacentes uma da outra). Em geral, todos os genes associados a essas doenças possuem alelos de tipo normal que possuem um número variável, porém baixo, de unidades repetidas na população normal. À medida que o gene é passado de geração em geração, o número de repetições pode sofrer expansão muito além do polimorfismo normal, levando a anomalias na expressão e função genéticas.

Ex da Doença de Huntington: caracterizada por degeneração do estriado e do córtex. A primeira manifestação clínica da doença se dá na meia idade. Os homozigotos portadores da mutação e heterozigotos possuem fenótipos muito semelhantes, embora os homozigotos possam apresentar um curso mais rápido da sua doença. Os indivíduos normais portam entre 9 e 35 repetições CAG no gene HD, com média de 18 ou 19. Os indivíduos afetados apresentam 40 ou mais repetições e, quanto maior o numero de repetições, mais precoce é o inicio da doença.

Herança multifatorial

- Doenças

genéticos e ambientais.

causadas

pela

interação

complexa

entre

fatores

- Por serem causadas pelos efeitos aditivos de muitos fatores genéticos e ambientais, essas características tendem a

acompanhar uma distribuição normal, ou em formato convexo, na população.

- Ex da altura:

1. Supondo, de modo não realista, que a estatura seja

determinada por um único gene o com dois alelos A e a.

O alelo A tende a formar pessoas altas e o alelo a tende

a formar pessoas de baixa estatura.

Três genótipos possíveis: AA, Aa, aa, que determinariam três fenótipos: alto, intermediário e baixo.

2. Supondo, agora, que a estatura seja determinada por dois loci em vez de um só. O segundo locus também tem dois alelos: B (alto) e b (baixo), e eles afetam a estatura da mesma forma que os alelos A e a.

Nove genótipos possíveis: aabb, aaBb, Aabb, AaBb, AaBB, AAbb, AABb e AABB. Os indivíduos poderiam ter de zero a quatro alelos altos, gerando cinco fenótipos distintos.

- Na medida que tantos os fatores genéticos quanto

ambientais determinam a estatura, teremos então muitos fenótipos possíveis, cada um diferindo levemente do outro, e a distribuição de estatura estará próxima à do formato de uma curva convexa.

estará próxima à do formato de uma curva convexa. - O modelo do limiar: existe uma

- O modelo do limiar: existe uma distribuição de susceptibilidade

para algumas doenças que não são de gene único em uma população. Algumas pessoas têm poucas chances de desenvolver a doença em questão (ou seja, elas têm poucos alelos ou fatores ambientais que causariam a doença), enquanto outras pessoas possuem muitos genes causadores e mais fatores ambientais e, portanto, têm maior probabilidade de desenvolver a doença. Para doenças multifatoriais que podem estar presentes ou ausentes, acredita-se que um limiar de risco deva ser cruzado antes que a doença se manifeste. Abaixo desse limiar, a pessoa parecerá normal; acima dele, a pessoa estará afetada pela doença.

- Ex da estenose do piloro: doença que se manifesta logo após o nascimento e

- Ex da estenose do piloro: doença que se manifesta logo após o nascimento e que é causada por estreitamento ou obstrução do piloro muito mais comum em homens. Essa diferença na prevalência é resultado de um limiar mais baixo para homens, ou seja, menos fatores causadores da doença são exigidos para gerar a doença, e um limiar mais alto para mulheres. Por conta disso, o risco de recorrência em familiares de uma mulher com estenose do piloro é maior do que quando o individuo afetado é do sexo masculino. Isso porque mulheres, com o limiar mais alto, devem ser expostas a mais fatores causadores da doença para desenvolvê-la, e as chances desses fatores serem passados para gerações futuras é maior.

- Categoria de mais alto risco: parentes masculinos de mulheres afetadas.

- A estimativa do risco de recorrência em doenças multifatoriais é

bem mais complexa que nas doenças de gene único. Isso porque geralmente não se conhece o numero de genes nem a constituição precisa dos alelos dos pais e a extensão dos efeitos ambientais pode variar substancialmente. O risco de recorrência, então, nesses casos, é baseado em estudos de grandes grupos

de famílias e são específicos de uma dada população.

- O risco de recorrência será mais alto se mais de um

membro da família for afetado. Esse aumento não significa que o risco da família tenha mudado. Em vez disso, ele significa que agora tempos mais informações sobre o risco real da família, que agora se encontra em uma posição mais alta na distribuição de

risco do que uma família que tenha apenas uma criança afetada.

- Se a expressão da doença no probando (indivíduo

afetado) for mais intensa, o risco de recorrência será mais alto.

Isso porque como esse indivíduo está na cauda extrema da distribuição de risco, os parentes desse individuo terão mais chances de herdar genes causadores da doença.

- O risco de recorrência será mais alto se o indivíduo afetado for do sexo menos frequentemente afetado.

- O risco de recorrência diminui, em geral, rapidamente

em parentes de relação familiar mais remota. Isso porque muitos fatores genéticos e ambientais devem combinar para produzir uma

característica. Todos os fatores de risco necessários, provavelmente, não estarão presentes em membros da família menos intimamente relacionados.

- Duas estratégias de pesquisa para estimar o quanto os genes

e/ou o meio ambiente influenciam na expressão de uma doença

multifatorial:

- Estudos com gêmeos: uma vez que gêmeos monozigóticos são

geneticamente idênticos, a maior parte das diferenças entre eles

serão devidas a efeitos do meio ambiente. Por isso, gêmeos MZ deverão ser muito parecidos quando às características fortemente

influenciadas pelos genes. A base desses estudos é comparar gêmeos monozigóticos e dizigóticos, que terão fatores ambientais semelhantes aos monozigóticos, mas com diferenças genéticas tão grandes quanto àquelas entre irmãos não gêmeos.

- Se dois membros de um par de gêmeos compartilham

uma característica, diz-se que eles são concordantes. Se não

houver esse compartilhamento, eles serão discordantes.

- As correlações e as taxas de concordância em gêmeos

MZ e DZ podem ser usadas para medir a herdabilidade de características multifatoriais, que é definida como a proporção da variação total de uma característica que é devida a fatores genéticos. As características amplamente determinadas por genes resultam em uma estimativa de herdabilidade que se aproxima de 1,0. Esses valores são específicos para a população na qual eles

são estimados.

- Problemas com os estudos de gêmeos: a alta similaridade no meio ambiente pode tornar gêmeos MZ ainda mais concordantes para uma característica, aumentando a influencia aparente dos gêmeos. Uma forma de contornar esse problema é estudar os gêmeos MZ que tenham sido criados em ambientes diferentes; mutações somáticas podem ocorrer durante as divisões mitóticas das celulas de embriões de gêmeos MZ após a ocorrência da clivagem. Por isso, os gêmeos MZ podem não ser tão “idênticos”, especialmente se ocorreu mutação no inicio do desenvolvimento de um dos gêmeos.

- Estudos de adoção: a prole nascida de pais portadores de uma

doença, mas adotada por pais sem a doença pode ser estudada para se descobrir se há desenvolvimento da doença nessa prole.

- Por exemplo, a esquizofrenia é observada em 8 a 10%

das crianças adotadas cujo pai ou mãe natural tinha a doença, enquanto é observada em apenas 1% das crianças adotadas de

pais não afetados.

-

multifatorial:

Descobertas

de

genes

que

contribuem

para

a

doença

- Análise convencional de ligação: as famílias com um tipo de

doença são selecionadas, assume-se um modo de herança monogênico e a analise de ligação é feita com um grupo maior de marcadores polimórficos espalhados pelo genoma. Se nos indivíduos afetados, for obtido um numero grande de alelos parecidos nessas regiões de marcadores, assume-se que a região ao redor desse polimorfismo poderia conter um gene causador da

doença.

Respostas somente dos impares

Respostas somente dos impares