“EM QUE MEDIDA OS SENTIMENTOS PODEM SER CRITÉRIO PARA A

AVALIAÇÃO DA MORALIDADE DAS NOSSAS AÇÕES”

Aluno: José Hélio Vieira da Silva
Ética (Trabalho de avaliação)
Para iniciarmos a nossa pequena exposição acerca dos sentimentos como parte
importante no que concerne as nossas ações propriamente ditas precisamos refletir sobre todas
as questões que envolvem tal ação, antes mesmo que ela ocorra. Sabemos que muitas coisas
estão diretamente envolvidas com as nossas respostas a diversas situações, tomaremos como
base a ideia de que existem alguns sentimentos superiores que possuem um nível de
relevância muito mais profundo para a efetivação das nossas ações em conformidade com o
conceito de ética.
Buscaremos assumir um ponto de vista que contrapõe a ideia de Immanuel Kant que
identificou o ético como aquilo que é feito por uma ligação com o dever e que nada se
relacionava com os sentimentos, possuía um fim em si própria. Uma Teleologia residente na
ação moral. Kant afirmava que a lei deveria ser aplicada exclusivamente pela moral em si.
Desta forma poderíamos descrever o homem que durante a II guerra ajudava uma família
judia escondendo-os em sua residência ao receber uma revista dos soldados alemãs quando
perguntado se havia naquele lugar alguém além dele, deveria responder em conformidade
com a moral (imperativo categórico), isto é, dizer a verdade, pois não é comum ao homem
que busca uma moralidade contradizê-la. Portanto vemos que a situação acima não pretende
tratar de uma questão que envolva sentimentos numa relação humana, o que torna a moral
Kantiana controvérsia.
Deixando Kant partiremos para a Ética do cuidado de Nel Noddings que propõe uma
moral pautada numa relação em que o sujeito tanto se beneficia como passa a agir moralmente
através do conceito de cuidado com o objeto a ser cuidado. Partiremos também para uma
breve reflexão e conexão entre o pensamento cartesiano acerca do conceito de generosidade
com a ideia do cuidado.
Nel Noddings propõe uma ética que se desenvolve a partir de uma relação de cuidado
entre dois sujeitos, um que cuida e o outro que é cuidado e que se percebe como sendo. Numa
breve explanação devemos entender do que se trata a ideia de cuidado e porque a ela é dada a
importância que infere Noddings para a efetivação de uma moralidade.

Quando me refiro a clareza da conformidade que este parágrafo. pois é evidente que nenhuma moral busca o que não é bom para o homem. darmos conta do que sentimos. somos sim seres racionais. suas necessidades objetivas e o que ele espera de nós. Portanto a ação moral seria a efetivação do cuidado que parte de uma relação que envolve dois sujeitos um que cuida (X) e o outro que recebe o cuidado (Y). O cuidado seria a expressão do sentimento voltada para uma realização de uma lei moral que cuida do outro. 131) Podemos dividir os nossos sentimentos em dois grupos. os bons sentimentos. O cuidado por sua vez nasce através de outros sentimentos secundários. a autora afirmará que os sentimentos não são resultado de uma ética. pois todo cuidado se apresenta como algo positivo para este. Os sentimentos estão estritamente ligados as nossas ações. isto é.O cuidado envolve sair da própria estrutura de referência pessoal para entrar naquela do outro. pág. mas faz-se necessário que se aperceba um cuidado por parte do sujeito que o recebe. expõe me refiro que tais concepções inferidas no conceito de cuidado são encontradas na ação conforme uma moral. os sentimentos ruins. não por uma regra determinada como a moral kantiana.” (O CUIDADO. nos percebermos. (O CUIDADO. pois é na ação que a moral se faz (reside). Sendo a moral algo que busca um nível mínimo de relação com o outro. pois cuidar é agir. consideramos o ponto de vista do outro. que nos afastam da moral. pag. nos leva a agir de maneira impensável e desprovida de cuidado. que visa a realização do bem do outro. mas é deles que resulta uma ética universal. Não podemos excluir da ação moral as nossas sensações sentimentais. Quando cuidamos. Portanto o sujeito que recebe o cuidado (Y) reconhece quando o outro (X) exerce [o cuidado]. mas a racionalidade reside em. 40) Neste parágrafo ela nos deixará claro que a relação com o a moralidade e o cuidado é o fim objetivo que ambos possuem. pag. ) . e esse é o nosso grande diferencial. mas por afeto e consideração.1 Ainda versando sobre o cuidado Nodding afirma que “A busca do ideal ético exige um compromisso apaixonado e realístico. exatamente. e aqueles que nos aproximam de uma realização da moral.2 1 Lógica do cuidado w cuida de x e II) II)X reconhece que w cuida de X (O CUIDADO. a meu ver. é evidente que precisaremos imprimir na concepção de moral uma ideia de ações que visam um bem para os envolvidos numa ação.

art. de maneira tal que poderíamos traçar um raciocínio que ligue os dois conceitos (Generosidade e Cuidado) para fortalecer a nossa hipótese de que a moral é guiada pelos nossos sentimentos. ou da preocupação com o outro. e ainda que seja fácil crer que todas as almas postas por Deus em nossos corpos não são igualmente nobres e fortes. que a boa formação muito serve para corrigir os defeitos do nascimento. pag. a saber. mas podem produzi-los e reciprocamente serem por eles produzidas. art. portanto se a vontade da alma não é boa. o cuidado. por sua vez. é a capaz de organizar os desregramentos das paixões da alma. no entanto. mas porque nossa ligação natural dá uma origem natural ao amor. 161) 2“Mas para a mãe. segundo ele. É preciso notar também que tais pensamentos podem ser gerados somente pela alma. eles que atuam diretamente nas nossas ações que.Descartes em As paixões da alma afirmará que as paixões (sentimentos) provocam nos homens vontades das mais diversas3. mas ocorre muitas vezes que algum movimento dos espíritos os fortaleça e. Nossa relação com nossos filhos não é. mas pelo cuidado natural. A solicitude é fator marcante para a concretização da Generosidade. nesse caso. antes de tudo. Nesse lado das paixões da alma Descartes dará destaque para o conceito de Generosidade que. embora não haja virtude à qual o bom nascimento pareça contribuir tanto como a que nos leva a nos apreciarmos apenas segundo o nosso justo valor. isto é. pois o generoso se efetiva como tal através do outro. que torna a ética possível. é certo. esse cuidado natural.. são ações de virtude e ao mesmo tempo paixões da alma. assim. para nós. não encontraremos uma ação ética em tal individuo. convencer-nos que a ação moral é resultado de uma paixão da alma. É mister notar que o que chamamos comumente virtudes são hábitos da alma que a dispõem a certos pensamentos.. são resultado de uma concretização da moralidade. não porque é exigido que amemos. 63) 3 AS PAIXÕES DA ALMA. (AS PAIXÕES DA ALMA. isso é horrendo. Tal afirmação nos servirá para dar sustento a ideia de que as boas paixões levam os homens a realizar aquilo que é bom. 40 . Nós amamos. de modo que são diferentes destes pensamentos. governada pelo ético. Descartes nos falará de que forma se adquire este conceito de generosidade que irá guiar as nossas ações morais. É esse amor.” (idem. Aqui precisamos entender exatamente o que toda essa ideia significa para nossa pretensão.

que é mui dificultoso retirarmos das ações humanas uma definição de que elas são consequência de um sentimento especifico. analisando as ações. J. As únicas possibilidades.. Seria dizer que as ações são resposta das paixões a reação de uma ação causada na alma. O Cuidado: uma abordagem feminina à ética e à educação moral. René Descartes. 2ª ed. que são resultados das paixões da alma. Guinsburg & B. Érico Andrade. Cuidamos porque amamos e somos generosos porque somos bons. é julgar se uma paixão é boa ou ruim para o conceito de moral. portanto. elas não perdem o caráter de sê-lo. Vê-se. é virtuoso um homem generoso. São Paulo: Abril. Não podemos tomar a liberdade de afirmar que qualquer ação humana não seja uma ação desprovida de sentimentos humanos. Sobre a generosidade: uma abordagem contemporânea da ética cartesiana. REFERENCIAS: NODDINGS. Sobre a generosidade: uma abordagem contemporânea da ética cartesiana. mesmo que sejam paixões superiores. . matamos porque odiamos e dentre outras coisas. São Leopoldo: Unisinos. isto é. 2003. Prado Jr. em primeiro lugar.Fica claro que a virtude da Generosidade em analogia com o cuidado4 intrinsecamente ligados as paixões da alma. trad. in Os Pensadores. 2014. como vimos acima. precisamos percorrer o caminho que nos levará a fazer tal conclusão. 62. pag. . Explica Descartes que há uma paridade entre o conceito de generosidade com a virtude. As Paixões da Alma. Porto Alegre: Veritas. 4 Erico Andrade. 1979. N. Para chegarmos a esta conclusão.

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