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TERAPIA EM GRUPO

Para o tratamento da Dependência Química

ORGANIZADOR: ANDRÉ LUIZ CHAVES YANG

SOROCABA

2014

TERAPIA EM GRUPO

Para o tratamento da Dependência Química

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Introdução

Nessa apostila nós iremos estudar a dependência química naquilo que interessa ao indivíduo que está tentando parar o consumo de substância psicoativas.

Existe real escolha quando não se tem informação? Quando são veiculados muito mais preconceitos e mitos sobre determinados assuntos do que fatos científicos e estatísticas bem feitas? Ou será que nesse caso trata-se de manipulação, travestida de escolha?

São várias as informações que podem ajudar. As decisões tendem a ter mais força quando são fundamentadas, quando existem motivos claros e consistentes para sustentar a mudança e, esse estudo tem como função principal trazer informações científicas, tornando conhecido os efeitos do álcool e outras drogas no corpo, mente e comportamento, para que o indivíduo obtenha as informações necessárias para tomar sua decisão. O objetivo é fornecer informações científicas sobre uma área dominada po r crenças e preconceitos.

Dentro dessa perspectiva fica minha sugestão: aproveite suas reuniões. Fique atento, aprenda, escute e pergunte, afinal é a sua vida que está em jogo e você tem o dever de decidir, conscientemente, como quer conduzi- la.

Atenciosamente André Luiz Chaves Yang

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Um olhar para a Dependência Química

A Dependência Química é a manifestação de um sintoma e, desta forma é apenas

consequência das causas bastante peculiares para cada um.

Os aspectos individuais são determinantes na instalação do problema, no entanto, não podemos deixar de considerar o papel social em que o álcool e outras drogas estão inseridos. A humanidade cria suas próprias armadilhas, incentiva a criação de subterfúgios para lidar com: angustia, a impotência, o limite, a falta de identidade, entre outros, oferecendo produtos sedutores com promessas de resultados imediatos, na fantasia de outra condição de vida. “Nas práticas do consumo contínuo e substitutivo, tudo há que se esperar do objeto, nada do sujeito, nem sequer a memória, menos ainda a crítica; o sujeito do consumo desaparece por trás do objeto que satisfaz e que, a partir de então, o constitui”.

A dependência se configura numa condição física, psicológica e social, muitas vezes

fruto da tentativa do indivíduo de lidar com seus conflitos. “Onde quer que a droga apareça, ela sempre busca apresentar-se como a questão essencial; contudo, quanto mais profundamente a encaramos, perceberemos a configuração de um sintoma, na tentativa de calar aspectos fundamentais da vida e da subjetividade nos nossos dias”.

A mudança se constitui na capacidade mínima de o indivíduo lidar com as perdas,

sejam estas da sensação de um refúgio imediato ou mesmo da perda de uma ideia de “companheira de todas as horas”, encontrada no álcool, no tabaco e outras drogas¹.

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INTRODUÇÃO

3

UM OLHAR PARA A DEPENDÊNCIA QUÍMICA

4

PARTE 1 SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA

6

PARTE 2 O QUE É A DEPENDÊNCIA QUÍMICA

9

PARTE 3 FARMACOLOGIA

13

PARTE 5 TERAPIA COGNITIVA E COMPORTAMENTAL

28

MATRIZ DECISÓRIA

29

SITUAÇÕES DE ALTO RISCO

30

ASSERTIVIDADE

33

HABILIDADE DE INICIAR CONVERSAÇÕES

36

HABILIDADE DE FAZER E RECEBER CRÍTICAS.

39

HABILIDADES DE RECUSA

46

OUVIR E FALAR SOBRE SENTIMENTOS E OPINIÕES

48

DAI - DECISÕES APARENTEMENTE IRRELEVANTES

52

HABILIDADE DE RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

55

AUMENTO DE ATIVIDADES AGRADÁVEIS

58

MANEJO DO PENSAMENTO DISFUNCIONAL

60

MANEJO DA RAIVA

64

VERGONHA

67

PLANEJAMENTO PARA EMERGÊNCIAS

78

CONTATO:

81

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Parte 1 Síndrome de abstinência

Iniciamos nosso estudo pelo tema síndrome de abstinência e isto não é por acaso. A grande maioria dos indivíduos que desenvolveram alguma dependência, quando cessam o uso, irão sentir os sintomas da ausência da substância. No decorrer dos anos de trabalho percebi que é de grande valor falar sobre a síndrome de abstinência para que quando o indivíduo sinta qualquer um desses sintomas possa agir de forma coerente.

O processo de retirada das drogas é desagradável. Alguns podem sentir intensamente

os sintomas, outros podem passar com menos perturbação, dependendo do tipo de droga, o nível de dependência e a reação de seu organismo à retirada e ao medicamento disponível. O mais importante é saber que essa fase é inevitável, mas que com o tempo os sintomas irão diminuir e, eventualmente, desaparecer, então vamos enfrentá-los agora, não podemos mais adiar essa atitude.

Afinal o que é síndrome de abstinência

A palavra síndrome quer dizer: conjunto de sinais e sintomas e, abstinência quer dizer:

deixar de fazer algum comportamento, logo, uma interpretação válida para síndrome de abstinência, na dependência química, é: um conjunto de sinais e sintomas que aparece quando paramos de usar.

Síndrome de abstinência do Álcool

A síndrome de abstinência inicia-se horas após a interrupção ou diminuição do

consumo. Tremores nas extremidades e nos lábios são sintomas mais comuns, além de

náuseas, vômitos, sudorese, ansiedade e irritabilidade.

Casos mais graves podem evoluir para convulsões, Alucinose alcoólica e delirium tremens.

Convulsões

A retirada ou diminuição da ingestão de álcool abrupta do organismo pode ocasionar

convulsões. Das convulsões resultantes da cessação ou redução do consumo de álcool 90% ocorrem até 48h após a interrupção do uso

Delirium Tremens

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Delirium Tremens é uma forma grave de abstinência, geralmente iniciando-se entre um e quatro dias após a interrupção do uso de álcool, com duração de até três ou quatro dias. É caracterizado pelo rebaixamento do nível de consciência, com desorientação, alterações senso perceptivas, tremores e sintomas autonômicos (taquicardia, elevação da pressão arterial e da temperatura corporal).

Alucinose alcoólica

Alucinação mais tipicamente auditiva que ocorre após um período de pesado consumo alcoólico. É uma complicação da abstinência alcoólica. As alucinações são vívidas, e costumam ocorrer num cenário de clara consciência. Incluem som de tiques, rugidos, baladas de sinos, cânticos e vozes que normalmente ocorrem 48 horas após a cessação ou redução do consumo.

Os paciente expressam medo, ansiedade e agitação decorrentes dessas experiências.

Síndrome de abstinência da Maconha

Estudos demonstraram que sujeitos que haviam cessado o consumo diário de maconha relataram esses sintomas algumas horas após a última ingestão

“Desassossego interno”

Calores repentinos

Suores

Inquietude

Soluços

Diminuição do apetite

Náuseas

Irritabilidade

Insônia

Coriza

Dores musculares

Sensação de frio

Sensibilidade aumentada à luz

Vontade intensa de usar a droga

Depressão

Perda de peso

Ansiedade

Diarreia

Tremores discretos.

Síndrome de abstinência da Cocaína/Crack

A síndrome de abstinência da cocaína pode ser dividida em três fases:

1.

Crash

Ocorre uma drástica redução do humor e da energia, 15 a 30 mim após o último uso. Experimentam craving “fissura”, depressão, ansiedade e paranoia. O craving diminui

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de 1 a 4 horas depois e é substituído por um forte desejo de dormir, consiste em hipersonolência, que dura de 8 horas a 4 dias e normaliza o humor.

2. Abstinência

Essa fase começa de 12 a 96 horas após o crash e pode durar de 2 a 12 semanas. Decorre do aumento do número e da sensibilidade dos receptores de dopamina. A anedonia (perda da capacidade de sentir prazer) é importante nesse período e contrasta com as memórias eufóricas do uso. A presença de fatores e situações desencadeadoras de craving normalmente supera o desejo de se manter a abstinência e as recaídas são comuns nessa fase. Ansiedade, hiper/hipossonia, hiperfadiga e alterações psicomotoras (tremores, dores musculares, movimentos involuntários) são outros sintomas típicos dessa fase.

3. Extinção

Nessa fase, ocorre a resolução completa dos sinais e sintomas físicos. O craving é sintoma residual que aparece eventualmente, condicionado a lembranças do uso e seus efeitos. Seu desaparecimento é gradual e podem durar meses ou anos.

Síndrome de abstinência da nicotina

Em um período que pode ser de poucos minutos alguns fumantes já começam a apresentar os primeiros sintomas da síndrome de abstinência. Seus sintomas e a intensidade destes podem persistir por meses, e, dependendo da gravidade, são pouco tolerados.

Os sintomas psicológicos relacionados à falta de nicotina são humor disfóricos ou deprimido, insônia, irritabilidade, frustração, raiva, ansiedade e dificuldade de concentração.

Já os sinais físicos são taquicardia, hipertensão tremores e sudorese.

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Parte 2 O que é a dependência química

Fundamentos

“ Toda a nossa vida e nossos pensamentos estavam centrados em drogas, de uma forma ou de outra

obtendo, usando e encontrando maneiras e meios de conseguir mais. Um adicto¹ é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas. Estamos nas garras de uma doença progressiva, que termina sempre da mesma maneira: prisões, instituições e morte.” (Narcóticos Anônimos,

2006)

O texto, retirado do texto básico de Narcóticos Anônimos, ilustra o contexto no qual se encontra o indivíduo que desenvolveu a dependência química. Esse indivíduo encontra-se gravemente perturbado pelos efeitos que o uso contínuo do álcool e outras drogas pode causar. Esclarecer sobre o que é a dependência química pode ajudar o indivíduo que tem problemas devido ao abuso de substâncias.

O que são drogas?

Drogas são substâncias que produzem mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional das pessoas. As alterações causadas por essas substâncias variam de acordo com as características de quem as usa. Da drogas escolhida, da quantidade, frequência, expectativas e circunstâncias em que é consumida.

Essa definição inclui produtor ilegais (cocaína, maconha, ecstasy, heroína

produtos como bebidas alcoólicas, cigarros, remédios, que são legais, apesar de haver restrições em sua comercialização. Por exemplo: é proibida a venda de bebidas

alcoólicas para menores de idade.

) e também

Áreas afetadas pelo consumo de drogas

BIO: biológica.

Sabemos que as drogas causam uma série de danos à saúde do indivíduo, isso inclui, principalmente, danos ao coração, pulmão, rins, estômago, fígado e cérebro. Apesar do grande prejuízo, normalmente, quando não há danos irreversíveis, a parte física é a mais rápida de se recuperar. É a primeira parte a ser tratada através, principalmente, da cessação da ingestão da substância, de uma alimentação nutritiva, atividade física, o sono regular e todos os cuidados médicos necessários. Em cerca de dois a três meses já não se percebe que o indivíduo fazia o uso de álcool eou outras drogas.

PSICO: Psicológica.

Baixa autoestima, descontrole emocional, pensamento distorcido, depressão e ansiedade são alguns dos danos que a droga e o estilo de vida do dependente químico causam na mente.

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SOCIAL: a vida social, ou seja, trabalho, escola, família, relacionamentos, etc.

Com a progressão da doença o indivíduo começa, naturalmente, a selecionar ambientes que aprovam seu consumo, se afastando de ambiente saudáveis. Com o aumento do tempo necessário para uso, decorrente do desenvolvimento de tolerância, ele prejudica sua capacidade de trabalhar, estudar ou manter qualquer atividade que exija pontualidade e disciplina. O relacionamento familiar piora no mesmo padrão em que a doença progride, a família às vezes se torna um inimigo, um obstáculo entre o dependente e a droga.

Características comuns em pacientes que desenvolveram a dependência química. O Quadro abaixo mostra algumas características comuns, mas não regras, em pessoas que desenvolveram a dependência química. A presença ou não desses fatores na vida de um dependente pode variar em quantidade e intensidade.

Baixa escolaridade, Exclusão Social, Família desestruturada, Ambientes permissivos, Estimulo ao consumo.
Baixa escolaridade, Exclusão Social, Família desestruturada, Ambientes permissivos,
Estimulo ao consumo.
desestruturada, Ambientes permissivos, Estimulo ao consumo. Abuso na infância, doenças psiquiátricas associadas
Abuso na infância, doenças psiquiátricas associadas (comorbidades), consumo como forma de resolução de conflito,
Abuso na infância, doenças psiquiátricas
associadas (comorbidades), consumo como
forma de resolução de conflito, apreço
pelos efeitos vivenciados.
Predisposição genética, sistema de recompensa cerebral do SNC, resistência aos efeitos da substância
Predisposição genética, sistema de
recompensa cerebral do SNC, resistência
aos efeitos da substância

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Uso, Abuso e Dependência.

Não existe uma fronteira clara entre uso, abuso e dependência. Podemos definir uso como qualquer consumo de substâncias, seja para experimentar, seja esporádico ou episódico; uso nocivo é definido como consumo de substância já associado a algum tipo de prejuízo (biológico psicológico ou social); e, por fim dependência como consumo sem controle, geralmente associado a sérios danos para o usuário.

Uma coisa é a pessoa intoxicar-se. Outra coisa é, por estar intoxicada ou intoxicar-se frequentemente, sofrer um acidente, desenvolver uma cirrose, brigar com o patrão ou com os familiares, ser detida por policiais, etc. a figura a seguir mostra essas diferenças e dimensões. No eixo horizontal temos a dimensão “Dependência”. No eixo vertical, está representada a ampla variedade de problemas associados ao uso de drogas, incluindo os de natureza física, psicológica, familiar e social.

A figura abaixo nos dá uma boa ideia sobre uso abuso e dependência:

Quadrante A: neste quadrante, localizamos os indivíduos que, independentemente de seus padrões de uso, não apresentam indicação alguma de dependência, nem problemas associados ao uso. Pensando no álcool, seriam os chamados bebedores sociais.

B C A D
B
C
A
D

Quadrante B: aqui encontramos os indivíduos cujo padrão de uso já lhes traz algum tipo de dano, prejuízo, complicação, ou problema que afeta seu funcionamento físico, psíquico, familiar, ou social. No entanto, não evidenciam o menor grau de dependência. Seriam os usuários nocivos

Quadrante C: representa os indivíduos cujos padrões de ingestão acham-se evidentemente, associados a danos, prejuízos, complicações, ou problemas e que apresentam, inequivocamente, algum grau de dependência. Esses indivíduos são os dependentes propriamente ditos.

Quadrante B: é uma possibilidade inexistente, uma vez que é inconcebível um indivíduo com algum grau de dependência, mesmo que mínimo, sem que ao menos o próprio diagnóstico de dependência não seja considerado um problema.

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Veja quais são os critérios para diagnosticar uma pessoa como dependente químico ou usuário nocivo:

Critérios da Classificação Internacional de Doenças Décima edição (CID-10) para dependência de substâncias

CID-10 Critérios para dependência de substâncias

O diagnóstico de dependência deve ser feito se três ou mais dos seguintes critérios são experiência dos ou manifestos durante os últimos 12 meses:

Um desejo forte ou senso de compulsão para consumir a substância

Dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de início, término e níveis de consumo.

Estado de abstinência fisiológica, quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência característica para substancia, ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar os sintomas de abstinência.

Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas

Abandono Progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa: aumento da quantidade de tempo necessário para obter ou tomar a substância ou recuperar-se de seus efeitos

Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas, tais como danos ao fígado por consumo excessivo de bebidas alcoólicas, estados de humor depressivos como consequência do consumo excessivo da substância, ou comprometimento do funcionamento cognitivo relacionado com a droga: deve-se procurar determinar se o usuário estava realmente consciente da natureza e extensão do dano

Critérios da classificação estatística internacional de doenças décima edição (CID-10) para uso nocivo de substâncias

CID 10 Critérios para o uso nocivo de substâncias

O diagnóstico requer que um dano real tenha sido causado à saúde física e mental do usuário

Padrões nocivos de uso são frequentemente criticados por outras pessoas e estão associados a consequências sociais adversas de vários tipos

A intoxicação aguda ou a “ressaca” não é por si mesma evidência suficiente do dano à saúde requerido para codificar o uso nocivo

Uso nocivo não deve ser diagnosticado se a síndrome de dependência, um distúrbio psicótico ou outra forma específica de distúrbio relacionado com álcool ou drogas estiver presente.

[12]

Parte 3 Farmacologia

Conceito

Farmacologia é a ciência que estuda como as substâncias químicas interagem com os sistemas biológicos.

Farmacologia da Cocaína/Crack

O uso da cocaína começou nos países andinos (Peru, Bolívia, Equador e Colômbia) há

mais de 2.000 anos. Seu isolamento químico foi feito por um alemão, chamado Albert Niemann.

Koller, médico oftalmologista austríaco, descreveu as propriedades anestésicas da cocaína e introduziu seu uso em cirurgias oftalmológicas

O uso de cocaína apresentou vários danos à saúde, e tal fato levou a proibição e ela

quase desapareceu no começo do século XX. Seu reaparecimento foi em 1960, como

droga de elites econômicas.

Formas de Consumo

A cocaína pode ser injetada, inalada ou fumada (crack). Assim, o crack não é uma

droga nova: é uma forma de cocaína que pode ser administrada via pulmonar. A diferença é que a absorção é mais rápida e produz, aparentemente, um efeito mais intenso.

Na farmacologia ela tem três efeitos principais:

1. Anestésico local

2. Vasoconstritor

3. Um poderoso psicoestimulante

Principais efeitos cardiovasculares:

1. Taquicardia

2. Aumento da pressão arterial

Ao mesmo tempo em que o coração está sendo estimulado, a vasoconstrição privam o músculo cardíaco do sangue necessário. Essa combinação pode causar grave arritmia ou ataque cardíaco (mesmo em jovens usuários). Além disso a vasoconstrição pode causar danos a outros órgãos: aos pulmões de indivíduos que fumam cocaína; destruição da cartilagem nasal de quem inala e danos ao trato gastrointestinal

Efeitos sobre o SNC

[13]

Com o uso continuado, esses sistema passa a necessitar da droga para exercer suas funções e os estímulos naturais para ativá-lo tornam-se insuficientes. O uso crônico de estimulantes resulta no esvaziamento dos neurotransmissores que produzem a sensação de prazer.

dos neurotransmissores que produzem a sensação de prazer. As sinapses operam usando um sistema de feedback

As sinapses operam usando um sistema de feedback negativo. Logo, mudanças compensatórias ocorrem pra permitir que os neurônios se adaptem às alterações causadas (tolerância).

se adaptem às alterações causadas (tolerância). Além da dependência, a intoxicação do SNC pode causar

Além da dependência, a intoxicação do SNC pode causar dores de cabeça, perda de consciência temporária, convulsões e morte; Alguns desses efeitos são decorrentes do aumento da temperatura corporal.

Efeitos Psicoativos que favorecem a Dependência

Os efeitos estimulantes da cocaína parecem aumentar as habilidades física e mentais dos usuários. Experimentam euforia, exaltação da energia e da libido, diminuição do apetite, exacerbação do estado de alerta e aumento da autoconfiança. Altas doses da cocaína intensificam a euforia, a agilidade, a verbosidade e os comportamentos estereotipados e alteram o comportamento sexual. Esses efeitos positivos encorajam o uso e a dependência dessa droga. Esses sentimentos de alegria e confiança causados pela cocaína podem transformar-se facilmente em irritabilidade, inquietude e confusão. O uso da cocaína aumenta o risco de suicídio, traumas maiores e crimes violentos.

[14]

Os diversos efeitos do uso agudo são descritos no quadro a seguir;

Sistema

Efeitos do uso agudo

Geral: Psicológicos

Euforia

Sensação de bem-estar

Estimulação mental e motora (ficar “Ligado”)

Aumento da autoestima

Agressividade

Irritabilidade

Inquietação

Sensação de anestesia

Geral: Físico

Aumento do tamanho das pupilas

Sudorese

Diminuição do apetite

Diminuição da irrigação sanguínea dos órgãos

Neurológico

Tiques (coordenação motora diminuída)

Derrame cerebral

Convulsão

Dor de cabeça

Desmaio

Tontura

Tremores

Tinido no ouvido

Visão embaçada

Psíquico

Depressão (efeito rebote da intensa excitação)

Desconfiança e sentimento de perseguição (Noia)

Cardiovascular

Aumento dos batimentos cardíacos

Batimento cardíaco irregular

Aumento da pressão arterial

Ataque cardíaco

Respiratório

Parada respiratória

Tosse

Social

Isolamento

Falar muito

Desinibição

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Efeitos do uso Crônico

O uso prolongado da cocaína faz com que o SNC promova algumas modificações para

adaptar-se à nova situação.

Tolerância

É a necessidade de doses cada vez maiores para se obter o efeito esperado. No caso da cocaína, a tolerância aparece para os efeitos euforizantes e cardiovasculares.

A sensação de EUFORIA desaparece completamente com o uso de doses regulares.

A TOLERÂNCIA CARDIACA é parcial: com o uso repetido, há a diminuição da frequência

cardíaca, apesar de ainda manter-se acima da média.

Sensibilização

É a exacerbação da atividade motora e dos comportamentos fixos após a exposição a

doses repetidas de cocaína. A depleção dopaminérgica, resultado do uso crônico de cocaína, provoca alterações anatômicas e funcionais nos receptores neurais: há um

aumento do número e da sensibilidade dos receptores pós-sinápticos de dopamina. Com a administração de cocaína, a dopamina liberada na fenda, além de permanecer mais tempo por ali, encontrará um número maior de receptores mais sensíveis para estimular.

Kindling

O processo de sensibilização pode levar ao aparecimento de convulsões.

Neurônios de determinadas regiões do cérebro expostos intermitentemente às propriedades anestésicas da cocaína tornam-se mais sensíveis aos seus efeitos e disparam com maior rapidez a cada exposição. Com o uso crônico, a resposta neural é intensa, mesmo perante baixas doses da substância. O sistema límbico tem seu funcionamento elétrico alterado e essa disfunção pode se espalhar, causando convulsões generalizadas.

Overdose

Uma dose suficientemente alta pode levar a falência de um ou mais órgãos do corpo, provocando overdose, que pode acometer qualquer tipo de usuário (crônico, eventual ou iniciante). Os principais sistemas envolvidos na overdose são o circulatório, o nervoso central, o renal e o térmico.

A overdose acontece em duas fases:

A excitação inicial é seguida por fortes dores de cabeça, vômitos e convulsões graves.

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Perda de consciência, depressão respiratória e falha cardíaca, levando à morte.

Complicações Psiquiátricas

Altas doses podem provocar alterações graves de comportamento devido ao prejuízo na capacidade de julgamento, da memória e do controle do pensamento.

A sensação intensa de medo e paranoia pode levar o indivíduo a recorrer de violência.

Formigamento e sensação de insetos rastejando sob a pele podem levar a escoriações na pele.

Ansiedade, insônia e depressão são exacerbadas com o uso.

Entre uma ingestão e outra os usuários ficam irritáveis e disfóricos.

Complicações sociais

Nas décadas de 1960 e 1970 pensava-se que os estimulantes promoviam o convívio e eram utilizados como “drogas de festas”. As pessoas os usavam inicialmente para reduzir a inibição social e promover a comunicação interpessoal.

No entanto, o uso continuado provoca paranoia. Logo, os usuários passam a evitar aqueles que julgam poder “prejudicá-los”.

Consequências sociais

Menor participação social

Menor capacidade de julgamento, resultando em dificuldades profissionais, familiares, sociais e comportamentos de risco.

Prejuízo da capacidade para o trabalho

Comportamento violento é a principal causa de morte entre usuários (acidentes, suicídio, homicídio).

Atividade criminosa Roubo para manutenção do uso

Prostituição como moeda de troca.

Comportamento sexual de risco sexo desprotegido e com múltiplos parceiros.

Disseminação de doenças e infecções (HIV Seringas e sexo)

Efeitos sobre as crianças maus tratos, maus cuidados, abuso, prejuízos no desenvolvimento

Rompimento de vínculos familiares.

Custos econômicos: internações, tratamento do usuário e familiares.

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Farmacologia Álcool

Introdução

O uso do álcool é detectado desde os tempos pré-bíblicos, mas somente na virada do

século XVIII para o século XIX, após a revolução industrial inglesa, é que aparece, na literatura, o conceito do beber nocivo.

A produção do álcool até o século XVIII era artesanal. Com a revolução industrial

inglesa, passou-se a produzi-las em larga escala, reduzindo o seu custo. Soma-se a isso

o fato de que, com a urbanização, o perfil das relações sociais foi modificado e o álcool tem um importante papel nessas relações.

Todas essas mudanças permitiram que um número muito maior de pessoas passassem

a consumir o álcool com maior frequência. Foi a partir daí que alguns médicos

começaram a observar uma série de complicações físicas e mentais, decorrentes desse uso excessivo.

Frases da época

Beber começa com um ato de liberdade, caminha para o habito e, finalmente, afunda na necessidade”

Benjamim Rush médico 1790

“O hábito da embriaguez é uma doença da mente”.

Thomas Trotter, médico, séc. XIX

Transtornos físicos

Transtornos Gastroenterológicos

Transtornos Musculoesqueléticos

Transtornos Endócrinos

Câncer

Doenças hepáticas

Doenças cardiovasculares

Doenças respiratórias

Transtornos metabólicos

Transtornos hematológicos

Transtornos do SNC e periféricos

Os danos ao fígado constituem as consequências mais sérias do consumo excessivo do álcool. Mudanças irreversíveis tanto na estrutura quanto no funcionamento do fígado são comuns. A maioria das mortes (75%) atribuídas ao alcoolismo é causada por cirrose.

São elas:

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Fígado gorduroso

Hepatite alcoólica

Cirrose alcoólica

Transtornos Psiquiátricos

Intoxicação alcoólica aguda

Convulsões

Delirium tremens

Alucinose alcoólica

Intoxicação patológica

Blackouts alcoólicos

Depressão

Suicídio

Hipomaníaca

Ansiedade

Ciúme patológico

Transtornos de personalidade

Transtornos alimentares

Esquizofrenia

Complicações sociais

Intoxicação Aguda

A intoxicação aguda é quando o indivíduo ingere uma grande quantidade da substância. As alterações de comportamento decorrentes da intoxicação alcoólica aguda incluem comportamento sexual inadequado, agressividade, diminuição do julgamento crítico e funcionamento social e ocupacional prejudicados.

Intoxicação Patológica

Início súbito de comportamento agressivo e frequentemente violento, não típico do indivíduo quando sóbrio, que ocorre logo após a ingestão do álcool. Existe classicamente uma amnésia para o evento e o que se alega é que o agressor estava em um estado de transe ou automatismo. O episódio é normalmente seguido por um longo período de sono.

Blackouts alcoólicos

Referem-se a perda de memória induzida pela intoxicação. Essas ocorrências são relatadas em 1/3 dos indivíduos dependentes e, também, são relativamente comuns em usuários sociais, após um episódio de uso pesado. Podem ser em bloco (densa e total) ou fragmentária (fragmentos de amnésia). Durante um blackout, uma pessoa pode realizar qualquer tipo de atividade sem parecer estar num estado mental alterado.

Complicações sociais

Uma complicação social implica no fracasso em cumprir adequadamente um papel social desejado, ser pai/mãe, marido/esposa, filho/filha, profissional, estudante, motorista, etc. e que resulta em prejuízos para si mesmo e, quase que inevitavelmente, para outras pessoas. O indivíduo alcoolista geralmente perde sua reputação e a maneira como as outras pessoas pensam ou regem em relação a ele acaba reforçando seu novo papel como alcoolista

Áreas mais afetadas:

Funcionamento familiar

[19]

Problemas no trabalho

Habitação

Dificuldades financeiras

Crimes

Dirigir alcoolizado

Vitimização

Funcionamento familiar e violência domestica

O uso abusivo do álcool (e outras drogas) está frequentemente associado a mau funcionamento familiar, violência doméstica e abuso físico e sexual de crianças.

Problemas no trabalho

São muitas as influências adversas que o uso abusivo do álcool pode ter sobre o trabalho acometem desde a presidência ao chão da fábrica. Os perigos e prejuízos variam de acordo com a profissão.

Habitação

Nas áreas urbanas, os problemas de habitação e os problemas com uso abusivo de álcool geralmente caminham juntos. São eles:

Má manutenção da casa

Problemas com os vizinhos

Falta de pagamento de aluguéis e taxas

Muitas mudanças de endereço

Dificuldades financeiras

Beber excessivamente é um ato dispendioso. Além das despesas com si próprios, muitos usuários gastam dinheiro com amigos, taxis para voltar pra casa, almoços fora de casa, consumo aumentado de cigarros, jogos uma demissão de emprego, etc.

Crimes

Com muita frequência o álcool parece ser o responsável pela desinibição e liberação de comportamentos violentos ou sexualmente agressivos, mas isso não prova que o álcool causou o comportamento criminoso, apesar de estar cada vez mais comprovada essa ligação genuína.

Dirigir alcoolizado

Apesar da legislação atual o índice de pessoas que dirigem alcoolizadas é de 16%

Vitimização

Uma pessoa embriagada torna-se alvo fácil de ladrões e pessoas violentas.

[20]

Farmacologia Tabaco

Introdução

A organização mundial da saúde (OMS) estima que um terço da população mundial

seja fumante. 1.200.000.000 pessoas fumantes.

No Brasil, segundo pesquisa do centro brasileiro de informações sobre drogas psicotrópicas (CEBRID) o número de pessoas que já experimentaram tabaco é de 44%, sendo que 10,1% são dependentes da nicotina

O Tabagismo é uma pandemia (epidemia que atinge proporções mundiais) responsável

pela segunda causa principal de morte. Atualmente é, responsável pela morte de 1 a cada 10 adultos no mundo (aproximadamente 5 milhões de mortes a cada ano). Acredita-se que metade das pessoas que fumam hoje morrerá eventualmente em decorrência de doenças relacionadas ao tabaco.

Farmacologia

A nicotina é uma droga vasoconstritora (reduz o tamanho das veias/ artérias), é hipertensora e agregante plaquetária (acumula placas de gordura).

O tabagismo é fator de risco para mais de 50 doenças. Entre elas podemos citar:

Doenças cardiovasculares

Angina

Infarto agudo do miocárdio

Cânceres

Pulmão

Boca

Laringe

Esôfago

Rim

Doenças pulmonar obstrutiva crônica:

Bronquite/ enfisema

Citam-se ainda:

Hipertensão arterial

Leucemia

Catarata

Menopausa precoce

[21]

Acidente vascular cerebral

Tromboangiite obliterante

Bexiga

Útero

Fígado

Faringe

Pâncreas

Úlcera péptica

Disfunção erétil

Impotência sexual

Farmacologia Maconha

Introdução

O primeiro registro do uso de Cannabis Aparece no Book os Drugs, escrito em 2737 a.C. pelo imperador chinês Shen Nung: prescrevia Cannabis para tratamento de gota, malária, dores reumáticas e doenças femininas. Aparentemente os chineses tinham muito respeito pela planta. Durante milhares de anos, utilizavam-na medicinalmente e dela extraíam fibras para fabricação de tecido. Porém, foi somente no início do século XX que o uso da Cannabis como medicamento praticamente desapareceu no mundo ocidental, em razão da descoberta de drogas sintéticas.

Recentemente voltou-se a discutir o uso terapêutico da maconha, gerando considerável controvérsia a respeito. Por um lado, estudos já demonstraram que o princípio ativo puro da maconha [delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC)] é útil no alívio de náuseas e vômitos e na estimulação do apetite. Os efeitos analgésicos, antiespasmódicos, anticonvulsivantes, de bronco dilatação em casos de alívio da pressão intraocular em casos de glaucoma requerem mais pesquisas. Porém, por outro lado, existem medicamentos sintetizados, para essas finalidades, mais seguros e eficazes, não justificando a utilização de uma droga que pode gerar dependência e cujos efeitos nocivos ainda não são completamente conhecidos.

A maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo. Em, 2006, o United Nations Office on Drugs na Crime (UNODC) estimou que 166 milhões de pessoas ou 3,9% da população mundial, de idades entre 15 e 64 anos, consumiram maconha.

Efeitos do uso agudo

Gerais

Relaxamento

Euforia

Aumento do prazer sexual

Pupilas dilatadas/ conjuntivas vermelhas

Boca seca

Aumento do apetite

Alívio da dor

Dores de cabeça

Tontura

Náusea reduzida

Risco maior de acidentes

Cansaço

Psíquicos

Ansiedade, leve à grave

Ataques de pânico

Risco aumentado de sintomas psicóticos

“Pensamentos profundos” / mudanças de nível de consciência

Sentidos mais aguçados

Neurológios

Atenção e memória alteradas

Lentidão

Coordenação motora alterada

Respiratórios

Rinite/faringite

Tosse, asma, etc.

Cardiovasculares

Palpitação, agitação/tensão

Aumento da pressão arterial

Efeitos do uso crônico

Dependência

Fadiga crônica e letargia (moleza)

Dor de cabeça

Irritabilidade

Dor de garganta crônica

Problemas respiratórios (bronquite, piora da asma, tosse, etc.)

Diminuição a coordenação motora

Alterações da atenção, concentração e memória

Depressão

Ansiedade

Mudanças rápidas de humor

Isolamento social

Afastamento das atividades escolares e de trabalho, lazer e outras atividade sociais

Síndrome amotivacional

Ataques de pânico

Mudanças de personalidade

Problemas Associados ao Uso de Maconha

1. Uso precoce

Estudos recentes mostram evidências que o uso precoce da maconha é um preditor de uso nos anos subsequentes: um estudo com jovens australianos mostra que de cada 5 indivíduos que fizeram o uso de maconha em algum momento da vida quatro continuarão depois. Além disso, quanto mais precoce for o início maiores os prejuízos da droga no organismo.

2. Dependência

A dependência da maconha é diagnosticada, há algum tempo, nos mesmos padrões

que outras substâncias. Muitos estudos comprovam que estes critérios de dependência aplicam-se tão bem à dependência da maconha quanto a outras drogas.

Comparada à outras drogas, um entre dez indivíduos que usaram maconha na vida se

torna dependente num período de quatro a cinco anos de consumo pesado. Este risco

é comparável ao risco de dependência do álcool (15%) do que de outras drogas (tabaco 32% e opióides 23%).

3. Síndrome de abstinência

Verificar parte 1, síndrome de abstinência de maconha.

4. Alteração das funções cognitivas

O uso prolongado de maconha pode acarretar alterações sutis na memória, atenção,

organização e interação de informações complexas. Apesar de sutis, essas alterações podem afetar o funcionamento do dia-a-dia. Chegou-se a observar que usuários de maconha tendem a obter resultados inferiores a não usuários em testes que medem a capacidade intelectual (QI).

Não se sabe ainda se os danos podem ser completamente revertidos após a cessação do uso de maconha, mas os principais sintomas tendem a desaparecer com a continuidade da abstinência.

5. Prejuízo das vias respiratórias

O uso crônico da maconha está associado à bronquite crônica, provocando danos a

longo prazo às vias respiratórias, o que pode levar, em última instância, ao câncer de pulmão e destas vias.

6. Síndrome amotivacional

Dentre os efeitos negativos do uso da maconha mais mencionados na prática clínica e em estudos, a síndrome amotivacional, que é a perda de vontade, energia e motivação

para realizar as atividades rotineiras, é a amais evidente. Os usuários de maconha não abandonam suas ocupações, compromissos sociais e familiares, mas se sentem muito estagnados e paralisados para perseguir outros objetivos ou mesmo modificar algo que, nesta situação, os incomoda.

Mitos e verdades

MITO: A maconha pode deixar o usuário louco

VERDADE: A maconha pode induzir a uma psicose aguda (desorganização mental grave), com os seguintes sintomas: confusão mental, perda da memória, delírio, alucinações, ansiedade, agitação. Este quadro está muito associado ao período de intoxicação. A maconha pode precipitar quadros psicóticos como a esquizofrenia em pessoas vulneráveis. Pode também exacerbar sintomas naquelas pessoas que já apresentaram alguma doença mental, como esquizofrenia e depressão.

MITO: Fumar maconha durante a gravidez não é tão perigoso

VERDADE: Estudos sugerem que o uso da maconha durante a gravidez, principalmente no primeiro semestre, gera dificuldades de desenvolvimento fetal e nascimento de bebês abaixo do peso, pois esta droga estimula parto prematuro, aumenta a possibilidades de defeitos no nascimento, os bebês podem apresentar distúrbios de comportamento e desenvolvimento durante as primeira semanas após o nascimento e mais tarde dos 4 aos 12 anos.

MITO: A maconha não gera dependência

VERDADE: A maioria das pessoas que experimenta esta droga não se torna usuário regular e, destes, poucos se tornam dependentes. Um estudo recente nos Estados Unidos mostrou que 10% dos que experimentam maconha se tornam dependentes, 15% dos que experimentam álcool se tornam dependentes e 17% dos que experimentam cocaína se tornam dependentes, ela possui síndrome de abstinência (ver parte 1 síndrome de abstinência de maconha) e evidência de tolerância. Hoje em dia, a dependência de maconha é vista da mesma forma que a de outras drogas.

MITO: Fumar maconha faz menos mal que cigarro

VERDADE: Não é porque o cigarro é uma droga considerada legal que faça menos mal que a maconha. O cigarro de maconha possui também o alcatrão, entre outra substâncias, que é um dos mais nocivos componentes que o cigarro possui. Mas a maconha e o cigarro compartilham alguns efeitos tanto agudos como crônicos, dentre eles os efeitos irritativos nos pulmões e efeitos estimulantes, tanto na nicotina como no THC, no coração, principalmente para indivíduos com algum problema prévio neste órgão. No que se refere aos efeitos crônicos, tanto cigarro quanto a maconha geram distúrbios respiratórios crônicos, tipo bronquite, câncer de pulmão, boca, esôfago e

estômago. A quantidade de cigarros de tabaco fumadas é maior que a média dos que fumam maconha, mas o tempo que o usuário de maconha retém a fumaça nos pulmões e o fato de fumarem sem filtro, o que faz com que sua fumaça tenha 50% mais substâncias cancerígenas que o tabaco, facilita ainda mais o aparecimento de irritação e câncer nas vias respiratórias.

MITO: Fumar maconha faz menos mal que álcool.

VERDADE: O uso agudo da maconha traz pelo menos os mesmo riscos do que a intoxicação pelo álcool. As duas drogas produzem:

1. Dependência.

2. Alterações mentais significativas.

3. Comprometimento do desempenho profissional.

4. Aumento da mortalidade por acidentes, suicídio e violência.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

- FLIGIE, Neliana Buzi; Bordin, Selma; LARANJEIRA, Ronaldo. Aconselhamento em dependência química. Segunda edição. São Paulo: Roca, 2010.

- ZANELATTO, Neide A.; LARANJEIRA, Ronaldo. O tratamento da dependência química e as terapias cognitivo-comportamentais. Terapia Cognitivo- Comportamental em Grupos. Porto Alegre: Artmed, 2013.

- Bieling, Peter J.; McCABE, Randi E.; ANTONY, Martin M.; Terapia Cognitivo- Comportamental em Grupos. Tradução Ivo Haun de Oliveira Porto Alegre:

Artmed, 2008.

- BECK, Judith S.; Terapia Cognitiva: teoria e prática. Tradutora Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1997.

- JUNGERMAN, Flávia S.; SILVA, Neide A. Zanelatto da. Tratamento psicológico do usuário de maconha e seus familiares: uma manual para terapeutas São Paulo: Roca, 2007.

- BRASIL. Presidência da República. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Drogas: cartilha sobre tabaco. Brasília: Presidência da República. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2010.

- BRASIL. Presidência da República. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Drogas: cartilha sobre maconha, cocaína e inalantes. Brasília: Presidência da República. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, 2010.

Parte 5 Terapia Cognitiva e Comportamental

Introdução

Esse capítulo foi elaborado para treinar os indivíduos que tentam deixar o uso de drogas com técnicas eficientes no tratamento da dependência química. As técnicas utilizadas são baseadas na terapia cognitivo-comportamental (TCC) em grupos. A TCC tem uma enorme quantidade de estudos atestando sua eficácia, o que a levou ao status de mais importante e mais bem validadas entre as abordagens psicoterápicas.

A TCC em grupo é uma abordagem respeitosa e colaborativa que fomenta a auto eficácia do paciente. É compatível com os tratamentos mais amplamente disponíveis como os 12 passos. Em virtude de seu forte foco em habilidades, a TCC grupal é ideal para pessoas que carecem de habilidades específicas de manejo tanto na relação direta com o uso da droga (por exemplo, capacidade de recusar bebidas e outras drogas, manejo emocional) quanto ao ato de lidar com as circunstâncias de vida que podem desencadear o uso.

Uma sessão após a outra, o indivíduo irá conhecer as técnicas necessárias para conquistar e manter a abstinência. O Desenvolvimento dessas habilidades não é adquirido como mágica e muitas vezes pode não ocorrer naturalmente. É algo que precisa ser praticado com persistência. Por tanto, existe a necessidade de comprometimento, paciência e muito treino.

Matriz Decisória

Nesta reunião iremos discutir sobre os prós e contras de alterar o comportamento de uso da droga. Para isso iremos utilizar um instrumento que ajuda a tomar decisões chamado “matriz decisória”. Este instrumento pode ser usado para outras finalidades como mudar ou não de um emprego, afastar-se ou não de um amigo

Instruções:

1-

Preencher no primeiro espaço os prós de continuar usando

2-

Preencher no segundo quadro os contras de continuar usando

3-

Preencher no primeiro espaço os prós de manter a abstinência

4-

Preencher no segundo quadro os contras de manter a abstinência

Prós de continuar usando

Contras de continuar usando

De que você gosta na droga?

De que você não gosta na droga?

De que você gosta em si mesmo quando usa?

De que você não gosta em si mesmo

Consequência na família, trabalho, saúde saúde

Consequência na família, trabalho,

Prós de manter a abstinência

Contras de manter abstinência

De que você gosta em si mesmo mesmo

De que você não gosta em si

Quando não usa?

Quando não usa?

Consequência na família, trabalho, saúde saúde

Consequência na família, trabalho,

Situações de Alto Risco

Fundamentos

Uma análise de 311 episódios de recaída, Cummins, Gordon e Marlett identificaram três situações primárias de alto risco associadas a 75% de todas as recaídas:

I. Estados emocionais negativos = 35%

II. Pressão social = 20%

III. Conflito interpessoais = 16%

Sendo assim fica evidente a importância de identificarmos as situações que podem oferecer risco à nossa meta de manter a abstinência. Nessa sessão iremos aprender somente a identifica-las e na próxima sessão iremos conhecer algumas técnicas para lidar com essas situações.

Mas afinal o que é uma situação de alto risco (SAR)?

Uma SAR é aquela que impõe uma ameaça ao indivíduo e o impede de se controlar.

Exemplos de situações de alto risco

Estados emocionais negativos (35%):

Frustração

Raiva

Depressão

Medo

Solidão

Estados físicos e fisiológicos negativos:

Abstinência

Dor

Contusão

Estados emocionais positivos:

Teste de controle pessoal: expor-se a situações de alto risco para testar sua habilidade de controlar-se

Conflito com companheiro, família ou amigos que gera (16%):

Frustração ou Raiva;

Outros sentimentos (ansiedade, apreensão, etc.).

Pressão social (20%):

Direta: Ex. quando amigos insistem para que entre na roda de maconha.

Indireta: Ex. quando cede ao uso ao pensar no pai, que é seu modelo e tem o habito de beber.

Técnicas para identificar situações de alto risco

As situações de alto risco são diferentes para cada pessoa, por isso cada um deve aplicar as técnicas aqui apresentadas para definir com maior clareza quais são as suas própria situações de alto risco.

1º Técnicas do auto monitoramento

Método: Registro da compulsão, e desejos de uso. Anotar também as habilidades usada para evitá-los e se foram bem sucedidas ou não.

2º Avaliações de auto eficácia

Método: fazer uma lista de situações de alto risco.

1. Numerar de 0 a 10 o grau de tentação que sentirá;

2. Numerar de 0 a 10 o grau de segurança para lidar com a situação.

3. O que você realmente faria nessa situação?

Objetivo: verificar as quais as habilidades de enfrentamento eu preciso para manter a abstinência e o quanto eu estou preparado para lidar com ela.

3º Descrições de episódios anteriores ou fantasias de recaída

Método: Analisar as recaídas pelas quais passou, ou teme passar, pode ser uma fonte de informação e aprendizado.

Para conduzir sua reflexão nessa técnica, você pode responder as perguntas que seguem, como um roteiro:

1. Quais foram as circunstancia que culminaram ou culminariam com o uso inicial?

2. Que habilidades seriam necessárias para enfrentar essa situação?

3. De que maneira o uso inicial evolui para uma recaída?

4. O que pensou a respeito do uso inicial?

Tarefa

1. Identifique duas situações que representam alto risco para sua recuperação e diga qual foi o método utilizado para identificá-las.

Assertividade

Fundamento

Assertividade é a habilidade social de fazer afirmação dos próprios direitos e expressar pensamentos, sentimentos e crenças de maneira direta, clara, honesta e apropriada ao contexto, de modo a não violar o direito das outras pessoas. A postura assertiva é uma virtude, pois se mantém no justo meio-termo entre dois extremos inadequados, um por excesso (agressão), outro por falta (submissão). Ser assertivo é dizer "sim" e "não" quando for preciso

Direitos significam:

- Expressar sua opinião

- Falar sobre seus sentimentos

- Pedir que outros mudem o comportamento que o afeta

- Aceitar ou recusar qualquer coisa que peçam

Há quatro estilos de comportamento ou resposta: passivo, agressivo, passivo- agressivo e assertivo.

Passivo: pessoas que tendem a abrir mão de seus direitos, quando acreditam na possibilidade de que para defendê-los precisam entrar em conflito com alguém. Normalmente não deixam os outros saberem o que pensam ou sentem, escondendo seus sentimentos, mesmo quando isso não é necessário. Consequentemente estão sempre se sentindo ansiosas ou com raiva. Às vezes ficam deprimidas com sua falta de efetividade, ou magoadas com os outros. As pessoas não têm como saber o que esse indivíduo pensa ou deseja e acabam fazendo as coisas do jeito que querem. Além disso, podem ficar ressentidas por não dizerem o que desejam.

Agressivo: são aquelas que agem para proteger os seus direitos, mas ao fazerem isso acabam subestimando o direito dos outros. Apesar de terem suas necessidades imediatas satisfeitas, os resultados da agressividade são frequentemente negativos em longo prazo. Como desconsideram as necessidades alheias para conseguirem o que querem, acabam por entrar em suas “listas negras” e poderão sofrer retaliações no futuro.

Passivo-agressivo: são pessoas cujo comportamento exteriorizado não corresponde exatamente àquilo a que pensam ou sentem. Podem indicar o que querem, fazendo

comentários sarcásticos ou murmurando coisas, sem dizer diretamente o que está em suas mentes. Ou, então, podem “dizer” o que sentem batendo portas, agindo com

indiferença com relação à pessoa, atrasando-se

querem sem negociar diretamente. No entanto, as pessoas ao redor normalmente não

Às vezes, podem conseguir o que

intendem a mensagem e se sentem confusas ou com raiva e o passivo-agressivo acaba se sentindo frustrado e vítima da situação.

Assertivo: a pessoa assertiva decide o que quer, planeja uma forma de conseguir e age. Normalmente, o plano mais eficaz é deixar claro suas opiniões e sentimentos e solicitar ao outros as mudanças que gostaria que fizesse, diretamente, evitando ameaças e declarações negativas. No entanto uma pessoa assertiva pode decidir que uma resposta passiva é a melhor (com um chefe insensível), ou que uma resposta agressiva é necessária (com pessoas que inúmeras solicitações feitas de maneira assertiva não tenham funcionado). É típico da pessoa assertiva que adapte seu comportamento à situação. Geralmente, sentem-se satisfeitas e são bem vistas. A assertividade é o modo mais efetivo de fazer com que as pessoas saibam o que se passa com você ou que efeito o comportamento dele tem sobre você. Ao se expressar assertivamente você pode resolver sentimentos desconfortáveis que, de outra maneira, permaneceriam e cresceriam e geralmente resulta na solução de problemas e em sentir o controle da própria vida. A pessoa assertiva não se sente vítima das circunstâncias. No entanto, é importante deixar claro que suas metas não podem ser atingidas em todas as situações, uma vez que nunca se pode controlar a resposta dos outros.

Técnicas de manejo

Pensar antes de falar. Identifique aquilo a que você está reagindo. O que a outra pessoa lhe fez? Tente não tirar conclusões sobre as intenções dela. Não assume que ela deve saber o que se passa em sua mente.

Planeje melhor o jeito de falar. Seja direto e específico naquilo que disser. Evite misturar outros assuntos. Seja positivo, sem pedir desculpas ou fazer apologias. Não deixe a outra pessoa mal. Culpa-la somente irá provocar uma reação defensiva e diminuirá probabilidade de que ela o ouça.

Preste atenção à sua linguagem corporal. Contato visual, gestos, postura, expressões faciais e tom de voz. Suas palavras e expressões devem levar a mesma mensagem. Fale firmemente.

Mostre vontade de ser compreensivo. As pessoas ouvirão se souberem que você trabalhará para resolver a situação. Ninguém quer sair com a sensação de fracasso. Tente achar um jeito para que ambos ganhem. Tente compreender seu ponto de vista e peça esclarecimentos, se forem necessários. Se discordar de algo, fale sobre isso. Não domine, nem submeta. Busque um senso de igualdade no relacionamento.

Insista. Se você achar que não está sendo ouvido, precisará agir novamente. Em algumas circunstâncias, persistência e consistência serão necessárias à assertividade.

Mudar uma forma habitual de responder requer esforços conscientes e o desejo de conviver com o não natural por certo período. Alguém não assertivo terá que se esforçar inicialmente, já que a resposta não assertiva ocorrerá quase automaticamente. O primeiro passo é ficar atento à sua forma habitual de responder e fazer um esforço consciente de mudança

Lembre-se tenha sempre em mente ao praticar a assertividade:

Pense um pouco antes de falar.

Seja específico e direto naquilo que disser.

Preste atenção à sua linguagem corporal.

Esteja disposto a se comprometer.

Repita novamente, se achar que não foi ouvido.

Exercício prático

Este exercício tem a finalidade de ajudá-lo a identificar o estilo que você tem usado nas várias situações sociais. Eleja três situações sociais diferentes antes da próxima reunião, descreva-as e a forma como você respondeu.

Exemplo:

Situação Um:

Sua Resposta:

Qual foi o estilo utilizado? ( ) Passivo (

) Agressivo (

) Passivo-Agressivo (

) Assertivo

Como você poderia ter respondido assertivamente a cada uma dessas três situações (caso não tenha sido)?

Habilidade de Iniciar Conversações

Fundamentos

Conversar é o primeiro passo para estabelecer contatos casuais ou íntimos com outras pessoas. É uma habilidade de comunicação básica.

Algumas pessoas têm mais facilidade e outras, mais dificuldade. De qualquer forma sempre podemos melhorar.

As pessoas, de uma maneira geral, sentem-se mal quando uma conversa é vazia e bem quando é agradável e interessante.

Há uma grande relação entre habilidade e conforto em estabelecer conversações e problemas com álcool/drogas:

Algumas pessoas usam álcool/drogas porque acreditam que isso as ajuda a conversar com as pessoas em festas e encontros e se sentem desconfortáveis ou incapazes sem o uso.

Algumas pessoas evitam se socializar ou encontrar pessoas em virtude dessa dificuldade, o que contribui para solidão, tédio e isolamento (situação de risco).

Frequentemente pessoas que usam drogas têm amigos que também usam drogas. As pessoas que decidem parar de usar podem se sentir solitárias e é muito importante começar a conhecer novas pessoas e construir novas amizades, como alternativa para reduzir a tentação de retornar aos lugares e amizades anteriores.

Técnicas de manejo

Falsas percepções que podem ser obstáculo no início de conversações:

Que se deva apenas falar de assuntos importantes, sérios e de grande relevância. Não é necessário iniciar uma conversa sobre a fome do mundo ou sobre as políticas nacionais. Não precisamos resolver os problemas do mundo na primeira conversa com alguém. A conversa deve ser divertida, uma forma de compartilhar ideias, ou de conhecer pessoas de uma maneira confortável. Logo, não há problema em começar uma conversa com assuntos pequenos e menos relevantes. Esportes, o clima, as pessoas conhecidas em comum são boas e simples portas de acesso a conversas.

Que você é totalmente responsável por manter uma conversa. Conversar é um processo de duas vias, em que cada pessoa contribui igualmente. Assim, comece com um assusto que proporciona que a outra pessoa possa responder fácil e confortavelmente.

Que você nunca deve falar de você mesmo. Alguns aprendem que falar sobre si

mesmo não é polido e geralmente se sentem desconfortáveis nessas situações. Alguns estudos de psicologia social mostra que pessoas gostam de pessoas que tem interesses

e atitudes semelhantes. A única maneira de conseguir saber quais são as ideias e os

gostos que compartilhamos é falar sobre isso, de forma a estimular que o outro fale também. Falando de nós abrimos a porta para que o outro fale sobre ele. Dê o

exemplo. É bom falar sobre nós mesmos. Você pode falar sobre si mesmo enquanto conversa sobre coisas simples. Se a conversa tiver como tema automóveis, você pode dizer, por exemplo, por que gosta de determinado modelo. O nível das revelações varia de situação a situação, de pessoa a pessoa.

Aqui estão algumas sugestões que ajudam no início de uma conversa.

Ouça e observe. As pessoas dão pistas que podem ajudá-lo a decidir sobre o assunto que da conversa. Essas pistas estão nas conversas que estão tendo com outras pessoas ou nas coisas em que estão interessadas. Como você percebe se as pessoas estão interessadas ou aborrecidas? Aproxime-se de alguém quando este não em alguma atividade, com pressa, ou no meio de uma conversa. Se essa pessoa estiver em meio a um grupo, espere até que haja uma “brecha” no assunto. Não hesite nem interrompa.

Deixe que a pessoa saiba que você quer falar. Estabeleça contato visual e dizendo algo primeiro, em vez de permanecer ali e esperar que ele fale. Perceba se sua xícara de café está vazia e sugira que completem sua xícara juntos. Pergunte se conhece alguém ali. Lembre-se a conversa não tem que ser de “peso”.

Use questões de final aberto. Essa é uma técnica simples e muito efetiva em manter uma conversação. Uma pergunta de final aberto encoraja uma discussão, enquanto uma fecha pode ser respondida com um simples sim ou não. Por exemplo: “o que você achou do filme?” versus “você gostou do filme?”. Perguntas abertas sinalizam que você quer conversar.

Checar se a conversa está sendo bem recebida. Como o outro está respondendo? As respostas às suas perguntas estão sendo curtas? A pessoa está devolvendo perguntas

e comentários? Está olhando para o relógio, olhando para outros pontos, ou por trás

de você? Ou está mantendo contato visual posicionado à sua frente? Se parecer que a pessoa não está interessada, termine a conversa. Você não tem de dizer tudo na primeira conversa. Lembre-se que a conversa deve ser divertida e fácil. Se alguma das partes não tiver aproveitando, termine a conversa de maneira delicada. As conversas

podem ser longas ou breves. É preciso ter cuidado para não sobrecarregar o interlocutor. Se achar que o assunto não está interessante ou está desconfortável para

o outro, mude-o.

Termine a conversa delicadamente. Quando a conversa tiver chagando a um final ou alguém tiver que ir embora, você pode terminar a conversa de maneira educada,

dizendo algo agradável a respeito do quanto aproveitou ou gostou da conversa. Você pode mencionar que tem de sair ou que percebe que ela tem de ir embora e talvez se encontrem mais tarde. Basicamente, o apropriado aqui é deixar seu convite com a sensação de que você gostou da conversa e que seu sentimento é sincero. Terminar de forma agradável aumenta a probabilidade de que a pessoa queira voltar a falar com você.

Habilidade de fazer e receber críticas.

1- Fazer críticas:

Fundamentos

Às vezes desaprovamos ou achamos desagradáveis algumas coisa que outras pessoas fazem. É importante saber dizer-lhes isso e pedir-lhes que mudem, sem, no entanto, magoá-las ou causar discussões.

Fazer isso pode ser muito difícil. Muitas pessoas falham por diversas razões

- Acham que fazer isso é feio.

- Querem evitar magoar a outra pessoa.

- Têm medo de “perder” a pessoa ou de serem rejeitadas.

- Têm medo de começar uma briga.

Essa relutância é normalmente, resultado de anos de experiência com a crítica “destrutiva”. As habilidades a serem praticadas aqui se referem a como fazer uma crítica “construtiva”.

Há muitas razões para aprender a fazer críticas construtivas:

- Muitas vezes, as pessoas fazem coisas que irritam as pessoas à sua volta e nem mesmo percebe e isso pode limitar sua habilidade de interagir com sucesso. Ao dizermos que seu comportamentos é desagradável (interromper quem fala estar sempre muito atrasado, não cumprir o que promete, etc.) estaremos ajudando- as.

- Se ficarmos durante muito tempo evitando fazer uma crítica necessária, provavelmente acabaremos nos sentindo estressados e desconfortáveis com o relacionamento. Depois de algum tempo, sentiremos raiva, frustração ou ressentimento e esses sentimentos se refletirão no dia a dia no nosso comportamento com essa pessoa.

- Além de mudanças positivas, nossa habilidade em fazer críticas construtivas nos ajudará (e ao outro) a nos sentirmos bem sobre nossas capacidades de discutir e resolver nossas dificuldades.

- Uma crítica destrutiva não traz resultados positivos, pois é percebida como “ataque pessoal”. Diante de um ataque a pessoa tem duas opções, fugir (ressentida) ou atacar (defender-se). O resultado é um distanciamento ou uma séria discussão.

Muitos usuários relatam que fazem o uso de drogas quando se sentem frustrados ou com raiva de outras pessoas por causa de conflitos interpessoais. Esses conflitos podem ser gerados por críticas colocadas de maneira destrutiva.

Técnicas de manejo

Acalme-se. Se estiver com raiva ou a ponto de explodir, espere alguns minutos até sentir-se calmo, antes de falar.

Ao fazer uma crítica, fale sobre seu sentimento e não sobre o comportamento do outro. Por exemplo, imagine que seu filho não telefonou como disse que faria. Ao invés de lhe dizer “você nunca cumpre o que promete, você não se importa com ninguém”, diga-lhe” senti-me ignorada, desprezada e muito aflita por você não ter telefonado como disse que faria”. Isso tem menos probabilidade de gerar um comportamento de defesa e de provocar uma discussão. Uma boa forma de lembrar- se disso é usar o seguinte tipo de frase: “quando você faz X, eu me sinto Y”. Perceba como isso é diferente de “X é uma coisa rui de se fazer”.

Faça uma crítica com um tom de voz firme e claro, mas não raivoso. Se a crítica for recebida em um contexto de explosão emocional, será menor a probabilidade de ser internalizada. O sarcasmo, a raiva e a ironia podem ser efetivos para punir e esse não é

o objetivo da crítica construtiva.

Dirija sua crítica ao comportamento da pessoa e não a pessoa como um todo. Todos nós aceitamos o fato de que, às vezes, fazemos coisas que aborrecem as outra pessoas. No entanto, é muito provável que nos tornemos defensivos e argumentativos se nos fizerem uma crítica pessoal ou nos ofenderem. Um comportamento que aborrece não faz de ninguém uma má pessoa. Por exemplo: imagine que tenha usado

a calculadora de uma pessoa e que tenha se esquecido de colocá-la no lugar. Ao

chegar, lhe diz ele: “como você é burro, não sabe que não é para deixar minhas coisas por aí?”. Como você se sentiria? Como reagiria? E se a crítica fosse colocada dessa

maneira: “você não guardou minha calculadora e isso me incomoda”. Como você se sentiria? Como reagiria?

Solicite uma mudança de comportamento específica. Às vezes, presumimos que o outro sabe o que deve ser feito para nos agradar. Mas, geralmente, não sabe. Aquilo que pode ser completamente obvio para uma pessoa pode não ser para outra. Assim, ao fazer uma crítica sobre determinado comportamento, diga, especificamente, o que você gostaria que tivesse sido feito. No exemplo do segundo item, devemos acrescentar à crítica formulada “senti-me ignorada, desprezada e muito aflita por você

não ter telefonado como disse que faria. Gostaria que tivesse cumprido o combinado”. O exemplo do quarto item ficaria assim: “você não guardou minha calculadora e isso me incomoda. Eu gostaria de encontrá-la no lugar quando precisar dela”.

Esteja disposto a firmar um compromisso com a pessoa. A meta não é ganhar uma batalha, mas alcançar uma solução mutuamente satisfatória. Por exemplo, você pode estar insatisfeito com seu irmão por que este frequentemente traz amigos para fazer festa em casa, que geralmente termina muito mais tarde que o combinado. Ao contrário de ficar insistindo para que ele termine no horário permitido, ou brigar para não ter mais festas, você pode fazer um compromisso de concordar com longas festas, mas num intervalo de dois meses e num dia que lhe seja adequado.

Inicie a conversa com comentário positivos. A melhor crítica é aquela que contém um elogio. Podemos reforçar um ponto forte da pessoa que poderá ajudar a reforçar um ponto fraco. Por exemplo: “filho você sempre respeitou a privacidade minha e de seu pai, consultando-nos sobre as pessoas que pretendia traze a nossa casa. No entanto, hoje de manhã, surpreendi-me quando dei de cara com uma garota em nosso banheiro. Fiquei assustada, a princípio, e depois zangada. Gostaria de ter sido consultada antes. Estou certa de que uma pessoa tão zelosa, como você, tomará essa precaução da próxima vez.”

2- Receber críticas

Fundamentos

As críticas são frequentes na vida de todas as pessoas, todos os dias, e recebe-las de forma educada é uma das coisas mais difíceis em nossa interação com os demais.

As críticas, quando feitas e recebidas apropriadamente, nos fornecem uma chance valiosa de aprender sobre nós mesmos e sobre a forma como afetamos as outra pessoas. Sempre há o que ser melhorado e o feedback construtivo de outras pessoas nos ajuda a melhorar.

Outra razão para praticar a habilidade de receber uma crítica educadamente é que isso nos ajuda a evitar argumentos desnecessários e permite às outras pessoas saber que estamos abertos a ouvir seu ponto de vista. A pessoa que responde agressivamente a uma crítica desencoraja o outro a voltar a falar numa próxima vez, o que pode levar a uma consequência mais danosa (um empregado que não sabe receber uma crítica educadamente pode perder o emprego ou uma oportunidade de crescer profissionalmente; um marido que não pode aceitar uma crítica de maneira apropriada prejudica uma conversação que pode contribuir para um relacionamento satisfatório).

As críticas podem ser feitas de duas formas distintas: construtivas (assertivas) ou destrutivas (passivas e agressivas):

- As críticas construtivas são dirigidas ao comportamento e não as pessoas. Nesse caso a pessoa descreve os sentimentos que se relacionam a algo que você fez e solicita a mudança.

- As críticas destrutivas ocorrem quando alguém nos crítica como pessoas, ai invés de criticar nosso comportamento. Este tipo de crítica está mais frequentemente relacionado ao estado emocional do outro ou a uma provocação para a discussão do que para o seu comportamento.

Tanto para o caso da crítica construtiva quanto da crítica destrutiva, vale a pena estar atento à reação emocional que a sucede. Brigas e discussões, de um modo geral, não conduzem a qualquer caminho positivo.

Relação entre essa habilidade e o problema com álcool e drogas:

- Conflitos interpessoais e a raiva ou outros sentimentos negativos resultantes deles são situações de alto risco para recaídas. Falhar em responde efetivamente às críticas pode levar a sérios conflitos interpessoais, ao passo que responder de uma maneira efetiva pode reduzir os conflitos e a probabilidade de fazer o uso das substâncias.

- O problema com álcool e drogas provoca rupturas no funcionamento da pessoa de várias maneiras (com os pais, cônjuge, colegas de trabalho, etc.) e torna o usuário suscetível a uma variedade de críticas a respeito de seu comportamento. Esse aumento da probabilidade de receber críticas torna essa habilidade especialmente importante.

Receber críticas a respeito do beber/usar

Em função do contexto em que é feita, a crítica do beber/uso pode tomar a forma de acusação ou interrogatório (“você está atrasado e sei que você estava usando de novo”), ainda que a pessoa que receba a crítica esteja comprometida com a decisão de parar de usar e aderida ao tratamento. A confiança perdida demora para ser restabelecida e a vigilância reduzida. O excesso de vigilância poderá gerar uma percepção distorcida da situação, levando a críticas infundadas, no entanto, em determinadas situações a crítica será pertinente. Em ambos os casos, é importante ser capaz de responder às críticas de modo a permitir uma comunicação produtiva, ao invés de iniciar uma relação agressiva.

A crítica sobre beber pode se focar no passado e tanto poderá ser destrutiva (“você foi horrível durante os anos em que bebia, arruinou nosso lar e a nossa família”) quanto construtiva (“estou feliz com suas mudanças, mas algumas vezes fico frustrada com tudo o que sofremos no passado. Penso que me sentiria melhor e mais esperançosa sobre nós se você voltasse a jantar conosco

novamente e ouvisse das crianças como foi seu dia na escola”). Nem sempre quem faz críticas consegue manter-se focado no aqui e agora.

Durante a fase inicial da abstinência, é possível que as críticas sobre o beber sejam ocasionadas por outros comportamentos associados ao uso e que incomodam outras pessoas, como por exemplo, uma esposa que se ressente com o isolamento ou o comportamento instável do marido e, ao invés de manifestar este sentimento, pode focar-se no passado ou no risco presente de voltar a usar. Essa crítica mal dirigida pode ocorrer porque o comportamento de beber esteve associado a esses outros comportamentos no passado e talvez por ser mais fácil ou automático criticar o uso do que abordar outro problema. Uma postura aberta não defensiva, com perguntas esclarecedoras sobre o conteúdo da crítica, permitirá uma melhor compreensão da percepção e do sentimento de quem lhe dirige a crítica.

Técnicas de manejo

O principal objetivo do treino da habilidade em receber críticas (sejam construtivas ou não) é manter uma postura assertiva. Sempre que possível, uma segunda meta poderia ser tentada: a de mudar a natureza da crítica e ajudar a outra pessoa a se comunicar de maneira mais produtiva. Mesmo um crítica destrutiva, colocada da pior maneira possível, pode conter alguma informação útil.

Não fique na defensiva, não entre numa discussão e não contra-ataque. Fazer isso só aumentará a argumentação e diminuirá a chance de uma comunicação efetiva entre você e o outro. Considere a seguinte situação: um marido que está indo pescar e recebe críticas da esposa a respeito do seu ato de pescar. O marido replica: “Quem é você para dizer se pescar é bom ou não? Você não entende nada de pescaria”. Esse tipo de colocação é absolutamente ofensivo e agrava os sentimentos entre o marido e a sua esposa, levando a esse tipo de argumentação.

Faça pergunta à outra pessoa para tentar, sinceramente, esclarecer e especificar melhor a crítica para que você perceba seu conteúdo e propósito. Fazendo mais perguntas sobre a colocação da crítica, você encoraja o outro a formulá-la de uma forma mais provável de melhorar a comunicação mútua. Continuando com o exemplo anterior, uma resposta não defensiva e que ajudaria a esclarecer a crítica poderia ser: “percebo que o fato de eu ir pescar está te incomodando, mas não sei como. Poderia me dizer?”.

Encontra algo na crítica com o que você concorde e apresente ao seu interlocutor de forma mais direta. Isso é particularmente importante quando a crítica está 100% correta. Ao invés de responder com culpa ou hostilidade, aceite-a de modo assertivo e admita se for negativo. Voltando ao exemplo anterior: “Você está certa. Estou deixando-a sozinha com muita frequência nas

últimas semanas”. Essa abordagem retira grande parte do impacto negativo da crítica e ajuda a quem faz a crítica a ser mais objetivo em seus feedbacks.

Proponha um compromisso que você possa assumir. Isso significa propor alguma mudança de comportamento adequada à crítica. No exemplo anterior, essa proposta poderia ser, por exemplo, ir pescar essa semana e ir ao cinema com a esposa (ou alternativa que a agradasse) na outra semana.

Rejeite uma crítica injusta. Muitas vezes, uma crítica não tem justificativa. Nessas situações, é importante rejeitá-la de maneira polida, porém firme. Por exemplo, o marido chega em casa e diz agressivamente para a esposa: “parece que um ciclone passou por esta casa e as crianças ainda não jantaram. Às vezes acho que a única coisa que você faz é ficar sentada dentro de casa, enquanto estou trabalhando”. Uma resposta apropriada da esposa seria dizer, de maneira firme e não raivosa: “de fato, a casa hoje está uma bagunça e eu estou atrasada com o jantar das crianças. Mas hoje eu não me senti bem durante o dia todo e não gosto da maneira como está falando comigo”.

Exercícios prático - Habilidade de fazer críticas

Lembre-se

Primeiro: acalme-se.

Coloque a crítica em termos de seus sentimentos, não em termos de fatos absolutos.

Critique comportamento, não a pessoa.

Solicite uma mudança de comportamento específica.

Esteja aberto a negociar um compromisso.

Inicie e comece de maneira positiva.

Use um tom de voz claro e firme e não raivoso. Exercício prático

Aproxime-se de uma pessoa a qual tenha a intensão de dizer algo negativo. Faça críticas construtivas. Tente seguir as recomendações aqui apresentadas.

Antes de terminar a reunião responda:

I. Identifique o problema:

II. Qual sua meta nessa situação?

Depois de ter conversado com a pessoa registre o que aconteceu:

I. O que disse a ele/ela?

II. Como ele/ela respondeu?

III. Quais sugestões anteriores você utilizou?

Exercício prático - Habilidade de receber críticas

Lembre-se

- Não fique na defensiva, não discuta não contra-ataque.

- Encontre algo com que concordar.

- Faça perguntas para esclarecimentos.

- Proponha um compromisso realizável.

Exercício prático

Fique atento, até nossa próxima reunião, a qualquer crítica que venha a receber e tente responder a ela de acordo com os parâmetros discutidos aqui e depois faça suas anotações:

Descreva a situação:

Descreva sua resposta:

Verifique:

- Você se comportou como se a crítica não valesse a pena?

(

) SIM (

) NÃO

- Você encontrou algo com o que concordar?

(

) SIM (

) NÃO

- Você fez perguntas para esclarecer a crítica?

(

) SIM (

) NÃO

- Você propôs um compromisso?

(

) SIM (

) NÃO

Habilidades de recusa

Fundamentos

Receber convite ou pressão para beber/usar é uma situação de alto risco comum.

Ser capaz de recusar um convite para o uso requer muito mais do que uma sincera decisão de parar de beber. Requer assertividade específica para agir de acordo com essa decisão.

O uso social do álcool é muito comum em nossa cultura e podemos encontra-lo em

uma grande variedade de lugares e situações. Assim, mesmo aquela pessoa que evita todos os bares se encontrará em situações em que outras pessoas estarão bebendo ou fazendo planos para beber em encontros familiares, festas no escritório, restaurantes, jantares na casa de amigos etc. Muitas pessoas poderão oferecer-lhe um drinque (parentes, amigos, encontros de negócios etc.) e esses convites poderão ser casuais ou até mesmo repetitivos ou argumentativos. Diferentes situações serão mais ou menos difíceis para diferentes pessoas.

Praticar a recusa é uma habilidade que permite responder mais rápida e efetivamente quando essas situações reais ocorrem.

Técnicas de manejo

A natureza específica de uma resposta assertiva a um convite para beber é variável,

dependendo de quem o está oferecendo e de como a oferta é feita. Muitas vezes, um

simples “não, obrigado” será o suficiente. Compartilhar um problema com outras pessoas poderá ser útil em alguns momentos e em outros não.

Comportamentos não verbais Fale de maneira clara, firme e com voz não hesitante. Caso contrário, deixará a pessoa em dúvida sobre o que você realmente quer dizer.

Olhe nos olhos da pessoa. Isso aumenta a efetividade de sua mensagem.

Não se sinta culpado. Você não magoa ninguém por não querer beber/usar e, em muitas situações as pessoas nem vão saber se você bebeu ou não. Você tem o direito de não beber.

Comportamentos Verbais “Não” deveria ser a sua primeira palavra, pois termina logo com o assunto. Se você hesitar em dizer não, as pessoas ficarão em dúvida sobre o que realmente quer dizer.

Você pode sugerir uma alternativa: um café, um sorvete, um suco, um lanche, uma caminhada, uma volta de carro, etc.

Solicite uma mudança de comportamento. Se a pessoa estiver repetidamente insistindo, peça-lhe que não mais lhe ofereça um drinque/dose. Por exemplo se a pessoa disser “vamos lá só essa pela nossa amizade”, uma resposta apropriada seria “se você quiser ser meu amigo, não me ofereça mais isso”.

Depois de dizer não, mude de assunto para algo que evite entrar em uma longa discussão sobre o uso. Por exemplo “não, obrigado, eu não bebo. Estou feliz por ter vindo a esta festa. Há muitas pessoas que não via há muito tempo, inclusive você. O que tem feito?”.

Evite desculpas (como “estou tomando remédios”) e o uso de respostas vagas (“hoje não”). Querem dizer que outro dia você aceitará. Apesar de ser preferível evitar as desculpas, em algumas circunstâncias poderão ser úteis.

Lembre-se

Sua primeira palavra deverá ser “não”.

Sua voz deve ser clara, firme e não hesitante.

Olhe diretamente nos olhos.

Sugira uma alternativa (algo a fazer ou algo para comer/beber).

Peça à pessoa que pare de lhe oferecer bebida.

Mude de assunto.

Evite o uso de respostas vagas.

Não se sinta culpado.

Exercício prático

1. Faça uma lista de pessoas que possam lhe oferecer drogas no futuro. Pense a seguir na maneira como você irá respondê-las, elabore uma dramatização para apresentar ao grupo e descreva qual técnica você usou.

Colega de trabalho:

Chefe:

Uma pessoa que você acaba de conhecer:

Garçom (com outras pessoas presentes):

Parente, numa festa de família:

Ouvir e Falar sobre Sentimentos e Opiniões

Fundamentos

Algo que todos temos em comum são os sentimentos. Todos nós já experimentamos raiva, tristeza, frustação, alegria, realização, medo etc. Experimentamos sentimentos diferentes em situações diferentes e cada um à sua maneira. Experimentamos esses sentimentos de forma mais ou menos intensa. Mas todos já experimentamos uma grande variedade de sentimentos. Há duas habilidades relacionadas à expressão de sentimentos: a de compartilhar sentimentos, opiniões atitudes com outras pessoas; e de ouvir outras pessoas, de forma, a saber, que são importantes e que entendemos o que compartilham conosco. Apesar de muitas pessoas terem dificuldades em compartilhar e ouvirem ativamente, estas são habilidades de comunicação que podem ser melhoradas com prática. Há muitos benefícios em compartilhar emoções com outras pessoas:

- Intensifica o relacionamento com familiares e outras pessoa que queremos conhecer melhor. É a melhor maneira de construir afeto e confiança entre pessoas.

- Facilita o conhecimento do outro, pois a melhor forma de conhecer mais sobre alguém é compartilhando sentimentos sobre alguma coisa (“como se sente sobre crescer numa cidade pequena? O que achou daquele filme? O que achou da sua viagem? E como está no trabalho? Como se sente em relação ao uso de drogas?”). Compartilhar sentimentos com outros, ajudando-o a se sentir mais próximo de você possibilita a ambos a descoberta de coisas em comum. Quanto mais você souber sobre o outro, maior será o sentimento de amizade. E isso é verdadeiro tanto para desconhecidos quanto para os próprios familiares: apesar de muita gente estar junta todos os dias, os sentimentos podem ficar fora das conversas. Quanto menos se fala sobre sentimentos, mais distantes uns dos outros nos sentimos.

- Permite ao outro saber que ode compartilhar algo importante com você. Falar sobre si mesmo contem a mensagem “falar sobre sentimentos é bom”.

- Compartilhar sentimentos com alguém pode ser uma importante forma de dar apoio a alguém (ou a si mesmo). Frequentemente, pessoas ficam aliviadas ao saberem que não estão sozinhas ao sentirem algo. Ouvir atentamente quando alguém compartilha algo conosco e importante, se quisermos conhecer ou nos aproximarmos dessa pessoa. O uso dessa habilidade tem várias consequências positivas: permite que o outro saiba que estamos interessados e queremos atendê-los; encoraja-o a falar mais sobre si mesmo; e nos permite saber mais a seu respeito. Relação dessas habilidades e o uso de drogas:

- Os adictos, na tentativa de se livrarem de sentimentos desagradáveis, descobrem que a abstinência traz, inicialmente, uma intensificação dos mais variados sentimentos. Conversar com os amigos ou familiares favorece o recebimento de apoio e o senso de proximidade.

- Alguns usuários relatam que usam drogas para ajuda-los a expressar sentimentos positivos (afeto, carinho, proximidade). Para essas pessoas, compartilhar sentimentos positivos, sem drogas, será uma valiosa ajuda para manter a abstinência.

- O uso da droga prejudica a habilidade de ouvir, mesmo naquele que eram bons nisso, por terem perdido sua capacidade de concentração. E essa habilidade pode demorar a retornar, mesmo após a abstinência. Assim, a prática é importante, tanto para quem está aprendendo quanto para quem está reaprendendo.

- Muitos usuários relatam sentimentos de solidão e, muitas vezes, a droga é utilizada para acabar com ela. Outras vezes, esse sentimento pode vir com o próprio uso, porque o distancia de amigos e familiares. Em ambos os casos, aprender a resolver a solidão ajudará a prevenir a recaída. E as habilidades de ouvir e falar são importantes para isso.

Técnicas de manejo

Habilidade de falar sobre sentimentos:

- É bom falar sobre sentimentos. Todos nós temos bons e maus sentimentos.

- É importante compartilhar tano os bons quanto os maus sentimentos. Alguns se sentem mais confortáveis falando sobre os positivos e outros sobre os negativos. Mas as pessoas nos conhecerão melhor se falarmos tanto de um quanto do outro.

- Raiva, tristeza, e medo estão sempre presentes em familiares e usuários de drogas. E é importante saber comunica-los diretamente, evitando a comunicação indireta, amis prejudicial. Também é importante deixarmos claros os comportamentos que nos despertam sentimentos negativos.

Por exemplo: “Sinto-me

quando você

:

“Sinto-me ansioso quando você demora a chegar

“Sinto raiva quando você não cumpre o que prometeu.”

“Fico triste quando você não me ouve”.

“Tenho medo que você se prejudique por usar maconha”.

“Fico feliz, quando você chega a casa cedo”.

“Sinto-me orgulhosa pelos seus resultados na escola”.

”.

Habilidade de ouvir:

- Ouvir é mais do que simplesmente sentar e ouvir passivamente enquanto o outro fala. Ouvir é uma habilidade ativa porque envolve uma tentativa de compreender o que o outro está comunicando e não apenas esperar sua vez de falar.

- Seu comportamento não verbal pode dar um apoio para que o outro continue falando. Manter o olhar, acenar com a cabeça, dar um toque simpático ou murmurar são expressões que indicam que você está interessado e que está ouvindo. Olhar para o relógio, ou para outras coisas distrai quem está falando e revela que você não está realmente interessado no que está sendo dito. O comportamento não verbal é a primeira coisa que as pessoas notam, quando estão monitorando a forma como estão sendo recebida.

- Reconhecer o comportamento não verbal de quem fala é outra característica importante dos bons ouvintes. Estes estão afinados com os sentimentos do outros; ouvem a mensagem que está por trás da palavra. O tom de voz e a expressão facial fornecem várias informações, além daquela que estão sendo expressas em palavras. Por exemplo, alguém falando sobre uma casamento pode falar sobre o vestido, a recepção, a comida etc., mas com um comportamento

não verbal pode transmitir um sentimento de tristeza. O bom ouvinte pode perguntar sobre suas recordações em relação ao casamento, sobre seus sentimentos ou diretamente sobre a tristeza, ajudando-a a falar sobre o que a experiência significou para ela.

- Fazer perguntas, parafrasear o que foi dito, ou acrescentar comentário (“puxa que legal!”) são formas verbais de dizer: “estou ouvindo, estou ligado”.

- Um bom ouvinte compartilha sentimentos semelhantes. Faz parte do dar e receber da conversa. Mas é conveniente esperar que o outro tenha terminado. Interrompê-lo prejudica a comunicação.

Exercícios

Importante

- Essas habilidades demandam tempo para serem aprimoradas.

- Você não mudará de um momento para o outro, mas aos poucos. E o outro pode

demorar a perceber que você mudou.

- Conte com o insucesso inicialmente. Persista é como aprender a andar. Não saímos andando simplesmente, começamos nos agarrando em móveis, que nos

suporta apenas alguns segundos Erramos muito antes de acertar.

Lembre-se

Ao falar:

Caímos muitas vezes, antes de aprender.

- É bom falar sobre seus sentimentos, tanto positivos quanto negativos.

- Defina aquilo que dirá (uma parte do que quer compartilhar).

- Você compartilhará mais com aquela pessoa de quem se sente mais próximo do que com aquela pessoa que acabou de conhecer.

Ao ouvir:

- Use a expressão corporal para mostrar que está ouvindo (olhar nos olhos, acenar a cabeça).

- Preste atenção ao tom de voz, à expressão facial e à linguagem corporal da outra pessoa, para facilitar “sintonizá-la”.

- Escute até o momento apropriado para falar.

- Mostre interesse e compreensão por meio de perguntas sobre como se sente, parafraseando-a ou fazendo comentários apropriados.

Exercício prático

Exercite expressar seus sentimentos e ouvir os sentimentos do outro. Descreva as seguintes situações

1.

Inicie uma conversa com alguém e compartilhe algum sentimento durante ela. Responda:

a)

Com quem você conversou?

b)

Que sentimento compartilhou?

2.

Durante uma conversa mantida com alguém, perceba algum sentimento que essa pessoa expressa, tanto verbal como não verbal.

a)

Que sentimento essa pessoa expressou verbalmente?

b)

Que comportamentos não verbais ela expressou?

c)

Que sentimentos a pessoa expressou não verbalmente?

d)

Como você demonstrou que estava ouvindo?

DAI - Decisões Aparentemente Irrelevantes

Fundamentos

Decisões aparentemente irrelevantes podem ser consideradas “armadilhas metais” que interferem na manutenção da mudança do comportamento de usar, caso não sejam identificadas a tempo. Constituem-se racionalizações e minimizações dos riscos que levam os pacientes ao encontro das situações de alto risco, apesar de não sentirem que essas escolhas ou comportamentos têm algo a ver com o comportamento de usar ou beber. Através de uma série de decisões de pouca importância, portanto, o indivíduo aproxima de uma situação tal em que a recaída apresenta-se como uma grande possibilidade.

Frequentemente, as pessoas acreditam que não são realmente responsáveis pela recaída ou lapso, deste modo evocando mais compaixão do outro do que efetivamente assumindo a responsabilidade pelas suas escolhas.

O ideal é que desenvolva o hábito de avaliar cada escolha feita, mesmo com a

consciência que esta decisão não tem nenhuma relação com o comportamento de usar/beber. Quando o indivíduo pensa de “antemão” em suas opções e para quais caminhos isso pode levar, pode ser possível interromper processos que podem levar a recaída. O treino constante dessa habilidade fará com que no futuro ela se automatize.

Ao analisar as opções diante de “um possível caminho”, deve-se escolher aquelas cujo

o risco é baixo ou nenhum, evitando assim o confronto com situações de alto risco, ao mesmo tempo em que, caso a melhor opção apresente risco, é fundamental o desenvolvimento de estratégias, com vistas a uma proteção extra, que evitará um lapso.

Algumas vezes, ao observar o estilo de vida de um indivíduo, nota-se claramente um desequilíbrio entre aquilo que é feito por necessidade e o quanto é realizado por prazer. Em algumas situações, essa falta de equilíbrio entre “deveres e desejos” acaba gerando uma necessidade de gratificação, que através de uma distorção cognitiva de “permitir” o uso facilitará o caminho para opções aparentemente sem importância, que poderão terminar na recaída.

Resumindo:

Devemos lidar com as decisões aparentemente irrelevantes primeiramente identificando-as e aos pensamentos (e sentimentos) que vem junto com elas. Em seguida, evitando tomar decisões de alto risco e aprendendo como fazer escolhas que

levem para longe dos caminhos da recaída e, por fim, desenvolvendo estratégias de enfrentamento para lidar com situações de alto risco.

Técnicas de manejo

I. Você está a todo momento fazendo escolhas e tomando decisões. É importante que você avalie cada uma delas, não se permitindo cair em armadilhas de pensamento. “Vou comprar cerveja por que vou receber visitas e é bom ter algo diferente” é um exemplo de um comportamento eliciado por um pensamento de que você precisa oferecer bebida alcoólica, por que seus convidados não apreciaram a visita caso você não ofereça. Pense, portanto, de antemão, aonde esse pensamento pode te levar? Quais são a consequências de você comprar bebidas alcoólicas e tê-las em sua casa, ainda que seja para oferecer a outra pessoa? Por que você precisa oferecer bebida alcoólica e não um suco ou um refrigerante, se é o que você normalmente toma?

II. Sempre diante dessas situações escolha uma opção em que o risco de recaída seja mínimo ou nulo. Na volta pra casa, você pode optar por dois caminhos: em um caminho existe um mercado e uma doceira, no outro existem dois bares nos quais você costumava beber. Mesmo sentindo-se seguro de que não vai beber, o caminho dos bares deve ser evitado.

III. Quando a opção escolhida, por falta de outra possível, for de maior risco para a recaída, apoie-se numa estratégia que o proteja de situações de risco.

Exemplo:

Você foi convidado para uma festa e não teve como recusar o convite. Você pode telefonar para um ou dois amigos que não bebem e que sabem que você não pode beber e convidá-los para acompanha-lo, com uma programação já feita, no sentido de que vocês ficaram um tempo na festa e, após fazer um sala, poderão ir para outro lugar. Ou seja, não vá a festa sozinho, sem hora marcada para voltar. Ou se você arrumou um emprego de garçom em um fast-food que funciona 24h/dia, negocie a possibilidade de trabalhar no horário diurno, entrando de manhã e saindo de tarde e procure evitar os horários cuja saída será de noite ou de madrugada.

IV. Procure manter-se consciente de quais situações de risco são mais significativas para você, com quais você tem dificuldade de lidar e em relação às quais você se sente mais frágil. Pense na sua própria história de recaídas. Analise sua história passada e pense onde você poderia ter interrompido o processo (análise do pensamento) que o levou a recaída. Você pode quebrar sua história em pedacinhos e analisar cada pedaço,

identificando quais o pensamentos que ocorreram e quais decisões foram por ele influenciadas.

Lembre-se: algumas decisões aparentemente sem importância podem leva-lo a um lapso ou até a uma recaída. De modo que, ao tomar uma decisão, tenha sempre em mente:

Considere todas as opções;

Pense nas possíveis consequências, tanto positivas quanto negativas, de cada uma das opções consideradas.

Escolha uma das opções. Identifique uma opção segura que minimize seu risco de recair.

Exercício prático:

1.

Pense no ultimo lapso ou recaída após um período de abstinência, descrevendo a situação e os acontecimentos que a precederam. Identifique:

a)

Quais decisões o levaram à recaída?

b)

Quais eram as decisões alternativas?

2.

Pense em alguma decisão relativa a qualquer aspecto da vida (trabalho, lazer, amigos, escola, família) tomada recentemente ou prestes a ser tomada. Em seguida, identifique quais seriam as opções mais seguras e quais as mais arriscadas que poderiam facilitar um recaída.

Decisão tomada ou a ser tomada:

Alternativas seguras:

Alternativas arriscadas:

Pratique monitorando decisões que você toma ao longo do dia, quaisquer que sejam, importantes ou não, e considere as alternativas seguras e não seguras para cada uma delas. Use o formulário a seguir.

Decisão Alternativa segura Alternativa de risco
Decisão
Alternativa segura
Alternativa de risco

Habilidade de resolução de problemas

Fundamentos

Problemas são vistos como determinadas situações que buscam por uma resposta que permita um funcionamento adequado. A situação, portanto, torna-se um problema quando o indivíduo não encontra uma forma eficaz para lidar com ela. A ambiguidade, a incerteza, a falta de recursos apropriados, a própria novidade ou surpresa da situação podem gerar condições que produzem respostas pouco eficazes.

O treinamento formal na resolução de problemas é usado com vistas a acelerar o

processo de desenvolver estratégias de enfrentamento prioritárias que se colocam além daquelas usadas em situação específicas. Isso também concorre para que o indivíduo se sinta mais seguro em agir, como se fosse o seu próprio terapeuta, quando efetivamente não dispuser de um.

Problemas são parte da vida diária e surgem-nos mais diversos contextos: nas relações interpessoais (Lidar com situações sociais, com sentimentos em relação a outrem, etc.).

A eficácia da solução de problemas está associada ao reconhecimento da

existência da situação-problema, bem como a distinção clara do problema em si mesmo e os sintomas deste. Quando se atua no nível dos sintomas, podem-se tomar atitudes que sugerem a solução do problema. No entanto, quando o cerne da questão não foi corretamente equacionado, a vulnerabilidade se estabelecerá ao longo do tempo e o enfrentamento da mesma situação novamente se fará.

O adiamento na resolução de um problema ode torna-lo de difícil manejo no

tempo futuro, favorecendo uma condição para recaída. Muitas vezes, o uso de bebida ou de drogas pode parecer uma saída fácil, de modo que, quanto maior o treino de habilidades de resolver problemas, maior a chance de enfrentamento de situações de risco com sucesso.

Muitas vezes, em função do tipo do problema, sua ocorrência se mantém ou se repete apesar do uso de estratégias específicas. É importante identificar quais são os problemas que persistem e que podem levar à recaída. Exemplos: Falta de comunicação ou discussões em relacionamentos próximos ou íntimos; nível baixo de atividades prazerosas, gerando aborrecimento, solidão, depressão, ansiedade ou tensão levando ao desconforto em certas situações; pressão social para beber ou usar drogas.

Técnicas de manejo

Reconhecer a existência de um problema: existe um problema? Quais são os indícios que você identifica? No seu corpo (indigestão, ânsia), nos seus pensamentos e sentimentos (ansiedade, depressão, medo, solidão), no seu comportamento (dificuldades de relacionamentos interpessoais no trabalho e na família, descuido com a aparência), na forma como você reage aos outros (raiva, falta de interesse, isolamento social), e nos indícios que as outras pessoas dão a você (aparentam criticá- lo, evita-lo).

Diferenciar o problema do sintoma desse problema: sintoma pode ser definido como algo que traz o sinal de uma mudança numa dada estrutura. Revela que algo está acontecendo em algum contexto específico, fora dos parâmetros da normalidade. São elementos indicativos da existência de um problema. Às vezes, é uma “cortina de fumaça” que impede a clara constatação do problema.

Identificar o problema: qual é definitivamente o problema? Procure identifica-lo de forma mais precisa o possível, juntando o máximo d informações relativas a ele, e divida-o em partes manejáveis. Talvez seja mais fácil manejá-lo por partes do que resolvê-lo como um todo.

Considerar as alternativas de solução: o que posso fazer? É importante levar em conta uma série de alternativas, pois a primeira a ser considerada pode não ser a mais eficaz. Você pode:

- Fazer um brainstorming, ou seja, pensar no máximo de soluções possíveis,

escrevendo-as em um papel, não se preocupando com a aplicabilidade destas.

- Mudar seu ponto de vista ou referencial: ao distanciar-se da situação, pode

enxerga-la de forma diferente e a solução pode evidenciar-se (imagine-se dando conselhos a um amigo que vive a mesma situação).

- Adaptar uma solução que tenha sido utilizada em uma situação anterior ou

perguntar a outras pessoas quais os caminhos que escolheram quando se defrontaram com uma situação semelhante àquela em que você se encontra. Ainda que uma solução antiga tenha que ser adaptada à situação atual, pode ser

um ponto de partida importante.

Selecionar a alternativa mais promissora: o que poderia acontecer se

? Procure

considerar cada aspecto positivo e negativo de cada escolha possível, escolhendo aquela que mais provavelmente possa resolver o problema em questão, com a menor

chance do surgimento de complicações.

Exercícios

Lembre-se

Diferencie sintoma de problema

Identifique e aceite o problema, reduzindo-o na sua forma mais simples

Considere várias formas de resolução. Não adote uma postura de “tudo ou nada”

Avalie cada alternativa elencada, levando em conta os custos benefícios

Identifique os possíveis obstáculos para implementação da alternativa escolhida

Construa estratégias para transpor cada um desses obstáculos

Escolha a abordagem que pareça mais efetiva

Planeje a ação e execute o plano

Avalie os resultados

Congratule-se em caso positivo (problema resolvido)

Em caso negativo escolha a segunda alternativa e reinicie o processo

Exercício prático

Escolha um problema que você suponha que tenha dificuldade de solucionar, ou um problema que está o incomodando nesse momento.

1. Descreva-o, identificando quais os sintomas observados:

a) Sintomas:

Problemas:

Faça uma lista das possíveis alternativas de solução (todas que forem lembradas):

Qual das alternativas elencadas parece ser a mais promissora, ou seja, qual delas sugere maior resolução do problema? Descreva os passos que você dará para colocar a alternativa escolhida em prática:

Aumento de atividades agradáveis

Fundamentos

Muitos usuários de álcool e drogas sentem um tipo de repulsa contra suas próprias vidas ao pararem de usar tais substâncias. Por exemplo: se a vida de uma pessoa envolver apenas comer, dormir, trabalhar e beber e se retirarmos delas o “beber”, restarão apenas comer, dormir e trabalhar. A ausência de atividades prazerosas pode ser um grande problema.

Pesquisas indicam que o número de atividades prazerosas com as quais uma pessoa está envolvida está diretamente relacionado com a ocorrência de sentimentos positivos. Quanto menos atividades prazerosas a pessoa tiver, maior será a probabilidade de ela experimentar sentimentos negativos, como tédio, solidão e depressão. Isso sugere que atividades de lazer prazerosas são importantes ferramentas no controle desses sentimentos.

Muitas pessoas passam muito de seu tempo envolvidas em atividades que precisam ser cumpridas ou obrigatórias, mas não necessariamente prazerosas (trabalho, serviço de casa, etc.), ou seja, “eu preciso fazer” e com raros “quero fazer”. Um estilo de vida cheio de “preciso fazer” pode levar uma pessoa a acreditar que “deve” a si mesmo um drinque como recompensa por trabalhar tão duro. Uma opção é encontrar um forma equilibrada entre os deveres e os prazeres.

Técnicas de manejo

1. Crie um menu de atividades prazerosas.

O primeiro passo, ao se mudar um estilo de vida, é concentrar-se em atividades prazerosas que você gostaria de começar ou aumentar sua frequência. Uma forma de fazer isso é por meio de brainstorming:

a.

Brainstorming

Coloque num papel absolutamente tudo que vier à mente, por mais absurdo ou ridículo que possa parecer. Depois, depois selecione aquelas que lhe são agradáveis. Algumas atividades das atividades selecionadas poderão ser coisas que você costumava fazer para se divertir e outras que gostaria de fazer.

Algumas atividades prazerosas poderão se tornar “dependências positivas”. Enquanto uma dependência negativa pode ser descrita como uma atividade prazerosa, inicialmente, e que leva a maus sentimentos e resultados no futuro, uma dependência positiva pode não ser muito prazerosa no início, mas se torna desejável conforme o tempo vai passando.

Uma dependência positiva é uma atividade que segue os seguintes critérios: não é competitiva, não depende de outras pessoas; tem algum valor para pessoa (físico, mental ou espiritual); você pode melhorar com a prática; e você aceita seu nível de desempenho sem autocriticas. Por exemplo: relaxamento, meditação, exercícios

(jogos, natação, ciclismo, etc.), hobbies, leituras, atividades culturais, atividades

criativas (música, artes, literatura

).

2. O próximo passo, depois de completar seu menu, é desenvolver um “plano de atividades prazerosas”.

Reserve um pequeno período de tempo diário (30 a 60 mim) para atividades prazerosas. Comece a usar esse tempo pessoal sentando-se em silencio e revisando mentalmente seu menu. Provavelmente, você não desejará fazer todas as coisas os mesmos dias. Em um dia poderá ter vontade de relaxar, em outro de praticar um esporte e num terceiro de praticar jardinagem. Planeje um tempo diário, mas não a atividade, de forma de que o que você faça no seu tempo diário não se transforme em obrigação.

Cuidados a serem tomados:

- Comprometa-se com seu planejamento.

- Lembre-se de um estilo de vida “equilibrado não significa que você esteja distribuído equitativamente: você não precisa ter um tempo igual para deveres e prazeres. “Equilibrado” refere-se a um grau de satisfação com o próprio dia-a- dia.

- Preveja os problemas que poderão interferir no seu plano.

- Esteja certo de que as atividades escolhidas são prazerosas.

Exercício prático

Escreva seu menu de atividades prazerosas.

Defina um tempo de 30 a 60min como seu “tempo pessoal” para se envolver nessas atividades e escreva-o ao lado do dia da semana. Defina o tempo e não a atividade.

No final da semana, depois de praticado, anote a atividade que escolheu para cada um dos dias.

Quarta-Feira:

Quinta-Feira:

Sexta-Feira:

Sábado:

Domingo:

Segunda:

Terça:

Pensamentos negativos:

Pensamentos mais funcionais

Manejo do Pensamento Disfuncional

De acordo com a perspectiva cognitiva proposta por Aaron Beck, o modo como uma pessoa interpreta uma situação específica influencia seus sentimentos, suas

motivações e ações. Essas interpretações, por sua vez, são moldadas pelas crenças ativadas pelas situações. Nesse sentido, mais importante que a situação real é a avaliação que o indivíduo faz a respeito dela. Uma mesma situação pode, portanto,

desencadear diferentes emoções (tristeza, raiva, ansiedade entre eles o uso de substância psicoativas.

)

e comportamentos,

Exemplo:

Cognição

Emoção

Comportamento

“Ele não quer mais ser meu amigo”.

Tristeza

Afasta-se do amigo

 

O que será que aconteceu?! Será que eu fiz alguma coisa errada?”

Ansiedade

Procura o amigo e pergunt fiz pra você não me cumprimentar?”.

“Quem ele pensa que é? Ele que me aguarde!”

Raiva

Aborda o amigo agressiva

 

Não deve ter me visto”

Emoção inalterada

Comportamento inalterad

O modelo cognitivo de Beck considera o uso de substâncias uma estratégia compensatória que tem a função de eliminar e neutralizar crenças disfuncionais básicas e centrais a respeito de si, do outro, do mundo e das relações entre estes.

O uso constante leva ao desenvolvimento de um grupo de crenças muito próprias a respeito das substâncias utilizadas. Essas crenças, no conjunto dos usuários, compõem a subcultura do consumo e formam os fatores de risco para o uso.

Crenças

CRENÇA = Convicção intima.

Convicção = Certeza adquirida.

Começando na infância, as pessoas desenvolvem determinadas crenças sobre si mesmas, outras pessoas e seus mundos. Suas crenças são entendimentos que são tão fundamentais e profundos que as pessoas frequentemente não os questionam.

Essas crenças são consideradas pela pessoa como verdades absolutas, exatamente o modo como as coisas “são”.

Pensamentos Automáticos

Crenças influenciam a percepção sobre as coisas e são expressas como pensamentos automáticos, específicos a uma situação. Os pensamentos automáticos derivam de um “erro cognitivo”.

Exemplo:

Pensamento Automático

“Não vou conseguir me incluir a menos que use”.

Crença central Conclusão “Não sou sociável”. “Preciso de droga”.
Crença central
Conclusão
“Não sou sociável”.
“Preciso de droga”.

Fissura

“Não sou sociável”. “Preciso de droga”. Fissura Seguem alguns exemplos Pensamentos Automáticos

Seguem alguns exemplos Pensamentos Automáticos Disfuncionais comuns:

- Catastrofização: tendência a esperar a pior consequência possível para uma dada situação. “Eu não vou conseguir ficar sem o uso”; “não adianta me esforçar, eu sei que não conseguirei o que espero”.

- Supergeneralização: estabelecer uma regra geral para fatos isolados. “Eu já recaí uma vez, isto é sinal de que não vou ficar sóbrio e recairei a qualquer momento”.

- Pensamento dicotômico (tudo ou nada): Codificar experiências tendo como parâmetro absoluto o completo fracasso ou a completa derrota. “Ou eu consigo ficar sóbrio e todos irão confiar em mim ou eu tenho um lapso e ninguém vai confiar em mim”.

- Personalização: Crer que eventos negativos ou comportamentos de outrem decodificados como aversivos se devem a algo que a própria pessoa fez. “Se ele chegou e não me cumprimentou, certamente eu devo ter feito algo de ruim para ele ficar chateado”.

- Ditadura do “eu deveria”: Ter uma ideia rígida de como deveria ser seu comportamento e grande expectativa sobre ele. “Eu nunca deveria ter dito um

lapso, eu deveria ter me prevenido muito mais para não ter recaído, eu não

podia ter feito isso

- Visão de túnel: a evidência dos fatos é percebida apenas no que eles tem de

negativo. “Tudo de ruim acontece comigo”.

Estratégia compensatória

A estratégia compensatória é um comportamento que busca o alívio ou a anulação dos pensamentos automáticos e das emoções negativas. Imagine-se, por exemplo, um indivíduo músico, diante de uma situação em que se apresentará em público. Ocorre- lhe o seguinte pensamento: “Vou errar”. Lembrando que o pensamento automático é inflexível, o indivíduo fica triste, com medo e ansioso. Faz então, uma suposição: “Se beber, conseguirei ficar menos ansioso”. Pede uma bebida alcoólica e a bebe. Esse comportamento de busca e ingestão do álcool é um exemplo de estratégia compensatória.

Técnicas de manejo:

Avaliando Pensamentos Automáticos

1. Lembre-se de situações em que experimentou sentimentos angustiantes.

2. Descreva detalhadamente o que estava acontecendo no momento da mudança

de humor e faça a seguinte pergunta: o que estava se passando pela sua cabeça naquele momento? Depois de ter identificado os Pensamento Automáticos, avalie sua validade:

3. Quais provas eu tenho de que esse pensamento é verdadeiro?

1. Quais evidência apoiam essa deia?

2. Quais evidências são contra essa ideia?

4. Existe uma explicação alternativa?

5. Qual é o pior que poderia acontecer?

1. Eu poderia superar isso?

2. Qual é o resultado mais realista?

6. O que eu deveria fazer em relação a isso?

7. O que eu diria a um amigo se ele estivesse na mesma situação?

Caso o pensamento aflitivo não seja disfuncional, podemos aplicar a técnica de

RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS

Tarefa:

Escreva quatro eventos em que ocorreram recentemente e que modificaram seu humor, identifique os pensamentos automáticos e aplique a técnica de validação dos Pensamentos Automáticos

Manejo da Raiva

O que é a raiva?

-

A Raiva é uma emoção humana normal.

-

A raiva não é causada pelos eventos, mas sim por nossos pensamentos e crenças sobre

esses eventos.

-

A

Raiva pode ter efeitos Construtivos ou Destrutivos, em si não é boa nem ruim.

Como a raiva funciona

Situação---Pensamento---Sentimento(Raiva)---Comportamento

Não é o que as pessoas fazem que nos deixa com raiva, mas sim o que pensamos a respeito do que as pessoas fazem.

Para que se preocupar com a raiva?

Afinal a raiva e um sentimento que todos experimentamos de vez enquanto. O principal problema está nas consequências. O que acontece quando você está com raiva? Se não acontece nada então sua raiva não é um problema. No entanto se trouxer malefícios para você ou para os outros, se sua raiva tiver consequências dolorosas ou prejudiciais então talvez tenha razão para se preocupar com ela.

Uso destrutivo

-

O

uso destrutivo da raiva pode causar: confusão mental, impulsividade e pobreza de

 

decisões.

-

Inibe a comunicação, mascara outros sentimentos, cria distanciamento emocional e estimula a agressividade nos outros.

-

Reações passivas à raiva: induzem sentimentos de desamparo ou geradores de

depressão; reduzem a autoestima; mascaram sentimentos reais com uma aparência de indiferença; criam barreira à comunicação e geram ressentimentos que podem ser “despejados” diante de uma leve provocação.

Exemplos

Eduardo está andando de carro atrás de uma pessoa que dirige a 50km/h numa zona cujo limite de velocidade é de 80 km/h, ele está atrasado para o trabalho. Começa a sentir-se muito irritado e, por causa disso, ultrapassa imprudentemente o outro carro. Põe a sua própria vida e a vida dos outros em risco. Isto é uma consequência muito perigosa da sua raiva.

A tarde, você quer ir embora do trabalho mais cedo para jogar futebol. Começa a

trabalhar mais cedo e trabalha na hora do almoço para compensar seu horário. Quase

no final de seu expediente aparece o seu patrão e lhe pede que entregue um relatório urgente antes de ir embora. Você obedece mais só acaba a tarefa muito tarde, quando já não dá para ir jogar futebol. Quanto mais o tempo avança mais furioso você fica. Quando sai do trabalho, para num bar e para aliviar o estresse. Acaba bebendo demais chega a casa muito tarde e tem uma discussão com a mulher, a quem nem se importou em ligar para dizer que chegaria mais tarde. Ou, em vez de parar num bar, pode ir diretamente para casa depois do trabalho, de muito mau humor. Tropeça nos brinquedos das crianças espalhados na sala onde as criança estavam brincando esperando por você. Despeja a sua raiva contra as crianças, mandando-as arrumar a sala imediatamente. Ameaça-as ao ver a demora em arrumarem os brinquedos e, finalmente, num ataque de fúria manda-as para a cama. Depois, senta-se a jantar com

a mulher e a acusa de ser uma mãe ruim.

Uso Construtivo

- A raiva sinaliza uma solução problemática que pode nos levar à solução.

- Uma resposta assertiva à raiva aumenta nossa força pessoal; ajuda a comunicar nossos sentimentos negativos; ajuda-nos a evitar futuros desentendimentos; fortalece o relacionamento; ajuda a aumentar os efeitos construtivos e a diminuir os destrutivos.

Relação entre raiva e problemas com drogas:

- Muitos usuários relatam que as usam quando sente raiva ou quando estão perturbados com outras pessoas.

- Os comportamentos de usuários de drogas estimulam a raiva de outras pessoas de duas maneiras: com a própria raiva e com a violação de regras (cumprir compromissos,

dizer a verdade, cuidar dos sentimentos das pessoas importantes

).

- Uma pessoa que têm comportamentos raivosos agride constantemente as outras pessoas, se tornando, dessa forma uma pessoa indesejável e uma vítima constante de

retaliações, podendo essa ser a fonte de desemprego, solidão, incompreensão, tristeza, etc.

Técnicas de manejo

É comum as pessoas que tem dificuldades em controlar a raiva alegarem ser

impossível controlar-se na hora. Mas esse tipo de pensamento impede a absorção do conteúdo e impede a pratica eficiente dessas técnicas. Agir inconscientemente é o

caminho mais fácil, pois o indivíduo não precisa fazer esforço algum, mas se seu comportamento de raiva o incomoda, você terá que agir conscientemente para modifica-lo. Estar consciente da emoção é o primeiro passo. Aumentar nossa consciência sobre a raiva ajuda-nos a identifica-la precocemente e agir antes que cresça e fuja do controle:

1.Tornar-se mais consciente das situações que a despertam:

- Gatilhos diretos: um ataque direto (verbal ou físico) a alguma coisa sua; alguém lhe dando ordens; frustração resultante da inabilidade de alcançar uma meta.

- Gatilhos indiretos: observar alguém sendo atacado; sua interpretação de uma situação (achar que está sendo repreendido, desaprovado, atacado ou que estão exigindo muito de você).

2.Tornar-se mais consciente das reações internas que sinalizam a raiva:

- Sentimentos: sentir-se frustrado, irritado, insultado, maltratado, agitado. Esses sentimentos menos intensos geralmente precedem a raiva e é a estes que se deve dar atenção, antes de se tornarem mais difíceis de serem controlados.

- Reações físicas: tensão muscular nos maxilares, garganta, braços, punhos, dores de cabeça, taquicardia, sudorese, ritmo respiratório acelerado.

- Dificuldades de pegar no sono: pode ser causada por pensamentos e sentimentos de raiva experimentados durante o dia.

- Sentir-se cansado, desamparado, ou deprimido: também pode ser um sinal de raiva. Pode significar que tentativas passadas de expressar a raiva não foram efetivas. Você pode ter desistido de tentar e ter se tornado deprimido.

3.Relaxe.

Manter-se calmo aumenta a probabilidade de controlar o comportamento e até a própria situação. Eis algumas frases que podem ser usadas para se manter calmo:

- Relaxe.

- Vá com calma.

- Respire fundo.

- Conte até dez.

- Fique frio

- Devagar.

- Nós vamos cuidar disso, mas com calma.

4. Já calmo podemos aplicar a terapia cognitiva.

1. Identificar o pensamento que está gerando raiva.

2. Validar o pensamento através do questionário para pensamentos disfuncionais

a. Pensamento disfuncional Elaborar resposta adaptativa

5. Pensamento Funcional Aplicar Resolução de Problemas

VERGONHA

INTRODUÇÃO

Compreender os nossos sentimentos não é tarefa fácil. A maioria de nós já sentiu

O peso da vergonha a determinada altura, alguns de nós fomos desonestos em relação aos nossos sentimentos, conosco e com os outros, por medo de sermos descobertos ou de que os outros soubessem demais sobre nós.

Em recuperação, os sentimentos dolorosos, como a vergonha, são frequentemente percebidos, e quando isso acontece ficamos mal. Palavras como infeliz ou triste podem dar uma boa descrição desses sentimentos dolorosos. Por vezes nós não só nos sentimos mal, como acreditamos que somos maus. Não só nos sentimos magoados como acreditamos que há algo de errado não só com nosso uso de álcool ou drogas, mas também conosco por inteiro. Sentimos que algo nos falta. Sentimo-nos inadequados e vazios.

Esse sentimento crônico que nos invade é muitas vezes a vergonha. O vazio aumenta com o derrotismo e com a necessidade constante de preenchimento. O vazio da vergonha é uma armadilha na recuperação que nos impede de nos sentirmos satisfeito, o que faz com que parar de beber e usar drogas pareça ser impossível.

De onde vem a vergonha?

Para a maioria de nós a vergonha tem suas raízes na infância. Há famílias que tem problemas causados por uma adicção e/ou inabilidade emocional, por isso, muitos de nós fomo criados em famílias doentes que não sabiam corresponder as nossas necessidades emocionais e muitas vezes até as necessidades físicas. Quando os pais são cronicamente depressivos ou se debatem com um problema de alcoolismo ou de adicção, são muitas vezes incapazes de estar à altura das necessidades emocionais dos seus filhos. Quando as crianças não têm as suas necessidades emocionais satisfeitas, sentem muitas vezes vergonha.

A vergonha é alimentada quando as necessidades de uma criança não são satisfeitas, quando essa criança não é ajudada a crescer como uma pessoa valida e livre para explorar suas capacidades, para testar os seus limites e para se aceitar emocionalmente.

Uma família saudável satisfaz naturalmente as necessidades emocionais de cada um de seus membros. Os filhos são aceitos do jeito que são; são amados e respeitados. A

individualidade dos membros da família e mantida. Os pais são livres para serem adultos e os filhos livres para serem crianças.

A vergonha cresce quando a criança ou o adolescente se sente abandonado ou

desprezado, quando não recebe o carinho necessário para crescer e se desenvolver, e olhar para si próprio como uma pessoa válida. Estas crianças ou adolescentes acabam

por ter uma maturação em que os sentimentos de inadequação e inutilidade estão profundamente enraizados.

A educação inadequada pode ter diversas formas. Para alguns era de maneira mais

evidente:

Batendo-nos ou empurrando;

Obrigando-nos a ter comportamentos sexuais;

Abandonando-nos durante vários dias;

Para muitos de nós era sutil;

Comparando-nos com os irmãos que tinham conseguido tanto;

Sujeitando-nos a ouvir comentários, sobre a nossa sexualidade;

Criticando-nos sobre a nossa capacidade de ultrapassar ou de conseguir as coisas sozinhos;

Criticando-nos sobre o nosso aspecto ou peso;

Lembrando-nos constantemente dos nossos erros;

Ameaçando-nos que nos tornaríamos iguais ao nosso “pai bêbado e mal79”.

CONHECENDO A VERGONHA

As pessoas criadas inadequadamente aprendem em grande parte a estarem vigilantes perto dos outros, não deixam ninguém descobrir os seus sentimentos de inadaptação. Poderão sentir uma necessidade de se esconderem, às suas emoções e aos seus pensamentos.

Manter segredos torna-se importante para eles, assim como resistir às descobertas, para evitar errar. Errar é visto como a maior evidencia de inutilidade. Um erro não é visto como um acontecimento isolado é generalizado para passar a ser a descrição total da pessoa: “Eu sou um erro”. A minha vergonha significa que, não só eu me sinto mal, como acredito que não presto, sou inadequado e inútil.

Este gênero de raciocínio promove um ciclo vicioso, em que as crianças que não são valorizadas tornam-se adultos que acreditam não ter valor. Para esconderem os seus

sentimentos de inutilidade, eles desenvolvem um sistema defensivo muito rígido. Ninguém pode saber nada sobre eles. Escondem cautelosamente qualquer pista sobre inadequação.

Nem todos têm todas as características, mas possivelmente você irá se identificar com alguma delas;

Duvidam e negam as suas emoções e deixam de exprimir os sentimentos, de mostrar afeto, e tornam-se desconfortáveis em relação a sua sexualidade. Tristeza crônica, apatia e medo de serem descobertos tomam o lugar dos sentimentos de confiança e partilha.

Vergonha e adicção

A vergonha pode também começar a aparecer mais tarde. Aqueles de nós que se

debatem com uma adicção às drogas, podem sentir-se desesperados com os problemas emocionais à medida que o ciclo da adicção vai aumentando, e as nossas tentativas de levar uma vida saudável e produtiva vão sendo derrotadas. Com a diminuição da esperança, este ciclo destrutivo só faz aumentar os nossos problemas de comportamento aumentando os nossos sentimentos de inutilidade.

COMPORTAMENTO AUTODESTRUTIVO

Ellen está há seis meses sem fazer o uso de “álcool ou drogas”, mas mesmo assim sente-se completamente dominada por sentimentos crônicos de vazio e dúvida. Sente-

se paralisada e não consegue identificar ou falar sobre seus sentimentos. Teme que a falta de confiança e si própria seja completamente óbvia. Deixou de ter as drogas para lhe preencherem o vazio. Para se proteger conta com um mecanismo de defesa rígido,

e promete a si mesma que ninguém poderá vir, a saber, dos seus sentimentos de

inutilidade e de vergonha; ninguém saberá do seu segredo. Em vez disso esforça-se por

tornar “Perfeita”.

A confiança que Ellen deposita no perfeccionismo é uma defesa constantemente usada

por quem sente vergonha. Na verdade, trata-se de um sistema de crenças extremamente rígido, uma espécie de “juiz dentro de nós”, que controla, avalia e critica o nosso comportamento, pensamentos e sentimentos. Esse juiz interior exige perfeição. Errar é desastroso! Acreditamos que para valermos alguma coisa temos de ser bem sucedidos em todas as áreas da nossa vida. Convencemo-nos que só um desempenho perfeito compensará os nossos sentimentos mais íntimos de vergonha.

A Ellen está entalada entre exigências irrealistas: o esforço exaustivo e impossível para

conseguir um comportamento perfeito e a sua insistência em manter secretos os seus sentimentos de vergonha. Encontra-se na situação do perdedor. Mesmo que tenha

parado de usar drogas, a vergonha continua a motivar comportamentos perfeccionistas que limitam sua capacidade de pedir ajuda de que necessita desesperadamente.

Bruno é perseguido por sentimentos de inadequação. Exteriormente, projeta a imagem da autoconfiança. No entanto, interiormente sente-se incompleto. Toma secretamente uma bebida atrás da outra, esforçando-se inutilmente para vencer a sua adicção, preencher os persistentes sentimentos de vazio e acalmar os sentimentos de vergonha. Quanto mais tenta calar os seus sentimentos mais vazio se sente.

O comportamento autodestrutivo alivia a dor ou nos ajuda a nos sentirmos

temporariamente bem, mas não resolve nenhum dos nossos problemas. (Peça ajuda)

CONSEQUENCIAS DESTRUTIVAS

A vergonha é um problema emocional. As emoções tornam-se um problema quando

nos impedem de alcançar alguns dos nossos objetivos mais básicos. Para muitos de nós, construir um estilo de vida saudável implica no desenvolvimento de uma relação que nos preenche ao nos permitirmos ser vulneráveis e imperfeitos com aqueles em quem confiamos ao mesmo tempo em que aceitamos a vulnerabilidade e imperfeição dos outros. Ser humano é ser falível e menos que perfeito.

Recuperação também significa participar ativamente no mundo do trabalho, tirar prazer em viver o dia-a-dia e, é claro, manter-se abstinente. Quando um sentimento de vergonha nos impede de realizarmos qualquer uma destas tarefas básicas é porque temos um problema emocional.

A vergonha é um problema especial para os adictos em recuperação. Se tivermos

sentimentos não identificados de vergonha com os quais não lidamos estamos em risco de recair. De fato o modo como nos comportamos ao sentirmos vergonha é

frequentemente o oposto ao que nos comportamos em recuperação. Recuperação é um processo que nos devolve a uma vida mais realizada, o que envolve frequentemente menos sofrimento emocional e liberdade do comportamento adictivo.

Frequentemente as características da recuperação são opostas as da vergonha:

Características da vergonha

Sente a espontaneidade reprimida

Repete os mesmos erros

Procura isolamento social e distanciamento emocional.

Falta de confiança em si próprio

Baseia-se em comportamentos rígidos

Características da recuperação

Participa no processo social de recuperação

Aborda os problemas com flexibilidade

Confia nas suas opiniões e sentimentos

Sente alegria

Aprende com a experiência

Vergonha ou culpa?

A vergonha é diferente da culpa. A culpa é um sentimento de reação contra um mau

comportamento ou uma omissão de um comportamento esperado. Por exemplo, um adolescente pode sentir-se culpado por ter agido de forma que magoou outras pessoas, ou um pai pode sentir-se culpado por ter negligenciado seu filho. A culpa está limitada a um conhecimento especifico, não envolve uma avaliação do nosso valor como pessoa. Na verdade, os sentimentos de culpa são muitas vezes saudáveis.

Podem ser um sinal de que falhamos em alguma coisa ou que precisamos olhar melhor para o nosso comportamento. Podemos aprender a olhar a culpa e não a temer. Ajuda

a lembrar de que somos seres humanos imperfeitos e que temos valor, podendo

aprender com os nossos erros e tornar-nos pessoas que funcionam plenamente. Por outro lado sentimentos de vergonha envolvem geralmente a nossa valorização como pessoas.

A vergonha não é uma simples reação a um acontecimento específico, mas antes uma

resposta emocional adquirida que permanece seja qual for a qualidade da nossa a atuação.

Quando nos sentimos com vergonha, temos mais probabilidades de nos isolar e de nos distanciarmos emocionalmente, tornamo-nos menos espontâneos e mais infelizes. Os comportamentos derrotistas da vergonha reforçam os nossos sentimentos implacáveis de angustia, vazio e inutilidade.

“BOAS NOTÍCIAS.

Podemos mudar os sentimentos da vergonha! Assim como a vergonha se aprende, também pode ser “desaprendida” e substituída por atitudes, comportamentos e sentimentos mais positivos. Podemos reduzir os sentimentos da vergonha compreendendo as suas raízes, reconhecendo que temos vergonha e alterando conscientemente os comportamentos relacionados com ela.

A convicção em relação a nós próprios quer tenham sido adquiridas na infância quer

tenham sido adquiridas mais tarde, tendem a persistir mesmo quando nossa adicção

parou de progredir.

Buscando na raiz

Quando crianças, temos tendência a acreditar naquilo que os adultos nos ensinam, especialmente quando confiamos nesses adultos, tais como nos pais, padres ou

professores. Quando adolescentes, modificamos as nossas atitudes baseando-se nas nossas experiências. Assim, se formos confrontados com fracassos constantes, críticas

e com os nossos novos comportamentos de adictos, aprendemos depressa a desvalorizar aquilo que somos.

As crianças e os adolescentes, pela natureza da sua juventude, têm falta da capacidade, do conhecimento e da estabilidade emocional para compreender a complexidade das suas atitudes e sentimentos. Como consequência disto, não somos responsáveis pelo modo como fomos tratados no passado nem como aprendemos muito cedo a nos sentirmos.

Essencialmente, não somos responsáveis pela nossa infância. Ela é, por natureza, caracterizada pela impotência.

O mesmo se aplica ã adicção e aos comportamentos compulsivos. Alguns de nós passamos por obsessões e comportamentos compulsivos que invadiram toda a nossa personalidade; outros passaram pela experiência do descontrole em relação a certos comportamentos tais como a bebida ou o jogo. Todos nós enfrentamos e sentimos a destruição que vem da nossa incapacidade para modificar o nosso comportamento.

Por si só a força de vontade só nos levou a tristes insucessos. Embora quiséssemos que

a dor, resultante dos nossos comportamentos derrotistas parasse, éramos impotentes.

Tal como as crianças, eram impotentes em relação às nossas atitudes, sentimentos e comportamento adictiva.

Só quando aceitamos nossa impotência como adulto é que podemos nos recuperar. Em recuperação, ficamos mais conscientes dos nossos sentimentos e podemos tomar decisões conscientes em relação ao modo como nos comportamos e sentimos. A vergonha perpetua-se nas nossas convicções. Não importa quando, como e onde as aprendemos, estas atitudes baseadas na vergonha fazem agora parte de nós.

O juiz interior que representa as nossas tentativas perfeccionistas de controle pode

agora ser enfrentado, reduzido e, eventualmente, destronado! As leis do juiz não são absolutas e podem ser vencidas com uma posição persistente baseada na lógica e na razão.

PRINCIPIOS DA TRE

Apesar de a vergonha ter as suas raízes no passado precisamos lidar com ela no presente. Um dos métodos para atacar atitudes baseadas na vergonha é utilizar uma abordagem baseada na autoajuda: Terapia Racional Emotiva. A TRE baseia-se na

premissa que os pensamentos provocam sentimentos. Muitos de nós pensamos que nossos sentimentos são reações automáticas a acontecimento isolados.

Falamos muitas vezes nos sentimentos desagradáveis como se alguém ou algo fossem responsáveis por eles: Ele me deixa nervoso. Muitos acreditam que os acontecimentos =A causam as emoções em B.

A Acontecimento
A Acontecimento
B • Sentimento
B • Sentimento

No entanto, os sentimentos não são automáticos nem necessariamente similares ou compatíveis com a resposta a acontecimentos semelhantes. Por exemplos uma acontecimento A, tal como receber um conselho em grupo pode resultar em vários números de sentimentos diferentes B, que podem ir desde sentir raiva a sentir tristeza.

Portanto, os sentimentos variam de indivíduo para indivíduo e não estão automaticamente relacionados com os acontecimentos. Como tal, as emoções não são diretamente causadas por acontecimentos. A TRE diz-nos que podemos escolher o modo como interpretamos ou o que pensamos de um acontecimento em B, que por sua vez causa um sentimento em C.

A acontecimento C Sentimento B Pensamento
A acontecimento
C Sentimento
B Pensamento

A História de Ellen:

Apesar de estar limpa há seis meses, Ellen tem sofrido com pesadelos constantes, noites sem dormir e problemas com relações. Procurou apoio num grupo terapêutico para mulheres. Se por um lado teve a coragem de pedir ajuda, por outro lado sentiu-se muda e incapaz de partilhar seus sentimentos. Ellen confia há tanto tempo no seu perfeccionismo defensivo, mantendo as pessoas à distância, que se torna agora difícil deixá-las aproximarem-se.

Ao rever acontecimentos da sua infância, Ellen lembra a história, há muito reprimida, da sua família. Estória essa que envolve sentimentos dolorosos e abuso físico. Ambos os pais de Ellen são alcoólatras. Ellen está cheia de vergonha e, consequentemente, tem o pavor de contar a sua história. Ao pensar no seu passado, Ellen diz para ela própria: - Devia ter sido capaz de parar o abuso. Não devia ter aguentado tanto tempo. Que criança tão antipática que eu devo ter sido para merecer este tratamento. Em que

adulto horrível fui me tronar. Ninguém pode saber.

Pensamentos

(A)

Devia ter

parado o

abuso.

Não devia ter tolerado

Em que adulto horrível fui me tornar

Sentimentos (B)

Em que adulto horrível fui me tornar Sentimentos (B) Vergonha. Vergonha Vergonha Crítica (C) Quem disse

Vergonha.

Vergonha

Vergonha

Crítica (C)

Sentimentos (B) Vergonha. Vergonha Vergonha Crítica (C) Quem disse que eu deveria ter parado o abuso?

Quem disse que eu deveria ter parado o abuso?

Era uma criança e não tinha poder sobre meus pais.

Que escolas é que eu

tinha? Todas as crianças

não são impotentes? Não sou responsável pelo comportamento dos meus pais. Para de fazer exigências irrealistas.

Só porque fui criticada no passado, não é razão para me criticar agora. Claro que não sou perfeita, mas quem o é? Não somos todos seres humanos falíveis e merecedores?

Estabelecer objetivos

A medida que a lógica de Ellen muda, fica livre para identificar seus objetivos. Apesar

do vazio e da vergonha não desaparecerem de um dia para o outro, sente-se cada vez mais bem disposta e menos preocupada. Estabeleceu o objetivo de viver uma vida produtiva, saudável, com menos possível de vergonha. Para ajudar a alcançar esses objetivos, a Ellen continua a participar no grupo terapêutico.

É óbvio que a vergonha de Ellen tem suas origens nas experiências da infância e as

suas atitudes exageradas em relação a essas experiências e a si própria poderiam ter impedido o seu progresso. Mas, ao contestar a sua lógica, a Ellen tornou-se capaz de

proceder as mudanças necessárias.

A HISTÓRIA DE JIM

A vergonha de Jim não tem origem na sua infância, mas está antes diretamente

relacionada com as consequências autodestrutivas da adicção. Quanto mais bebe menos se valoriza. Embora se esforce por controlar o que bebe. Os esforços resultam sempre em fracassos. Segundo Jim, deveria ser capaz de controlar o que bebe.

Jim não pode prever quando vão haver intervalos de abstinência ou intoxicações. Começa a ver-se como um degenerado moral. Pensa que se tivesse qualquer valor ou dignidade não se degradaria a ponto de se encontrar permanentemente intoxicado e de sofrer humilhações públicas. A medida que sua vergonha aumenta vai se afastando cada vez mais da família e dos amigos. Isolado, bebe ainda mais.

A convicção de Jim de que não presta, baseia-se na exig6encia que faz a si próprio de

que deveria ser capaz de controlar a bebida. O seu juiz interior exige força de vontade

e autodomínio e condena o seu valor quando Jim se torna incapaz de controlar o seu

comportamento. A vergonha e o isolamento de Jim são obstáculos à sua recuperação afasta de si todos os que poderiam ajudar.

A família e os amigos de Jim não desistiram. Através do seu apoio e compreensão, Jim

finalmente decidiu-se a entrar num tratamento. No entanto, o juiz interior continuava

a exigir o controlo total. Jim agarrava-se a exigência irrealista de que deveria ser capaz de controlar a bebida. Através dos esforços concertados dos seus companheiros e da aprendizagem relacionada com o alcoolismo, Jim começou a questionar sua lógica (D).

À medida que as suas convicções em relação ao alcoolismo foram mudando, ele foi-se

tornando mais consciente das exigências irrealistas que colocava a si próprio. Ao aceitar a sua condição humana com tudo o que ela implica de capacidades e limitações.

A vergonha de Jim tem origem na convicção de que precisa controlar o que é

incontrolável. Para Jim, reconhecer as suas limitações como ser humano é uma tarefa

em curso, já não luta para ser perfeito.

Começar a agir

A medida que Jim ia progredindo, o seu conselheiro deu-lhe uma série de

recomendações úteis. A fim de reduzira sua vergonha, Jim precisava de se tornar mais flexível em relação às expectativas que tinha dele próprio e dos outros. Desde que Jim se passou a aceitar como um ser humano digno e falível deixou de haver razão para continuar a dar ouvidos ao seu juiz interior. A sua falta de controle ou a impotência

deixaram de ser ameaças ao seu valor como pessoa e passaram simplesmente a fazer parte das características de um ser humano. Quaisquer esforços para controlar o incontrolável só o levariam ao fracasso, e muitas vezes à auto recriminação e à vergonha. Tendo isso em mente Jim procurou:

1- Encontrar um grupo de apoio

Jim descobriu a necessidade de procurar um grupo de apoio que o ajudasse a identificar parte do seu pensamento baseado na vergonha, bem como o seu comportamento derrotista. Chegou à conclusão que as suas atitudes muitas vezes continham uma necessidade de controlar que minavam o seu alcoolismo. Ele

concordou em frequentar dois grupos diferentes A.A. e um grupo de terapia para Homens.

2- Fazer um trabalho de TRE

Antes de completar o seu tratamento, Jim fez um trabalho suplementar de TRE, para desafiar sua mania de exigência, aquilo a que o seu conselheiro se referia como dizer “Devos” demais. Jim aprendeu que palavras como devo e tenho representam muitas exigências irrealistas, e são palavras chaves que precisam ser questionadas ao mudar suas atitudes. Com isso em mente Jim começou a fazer o seu trabalho de TRE sobre sentimentos de vergonha relacionados ao seu casamento.

RESUMINDO

1- A vergonha é um sentimento profundo de inutilidade. A vergonha é diferente da culpa, não é uma simples reação ao nosso mau comportamento. A vergonha é, muitas vezes, um sentimento crônico de inadequação, vazio e de dúvida em relação a nós próprios.

2- A vergonha tem muitas vezes origem na infância e na adolescência, vinda de um sistema familiar doentio. A criança ou adolescente acredita que as críticas que a família os faz são plenamente justificadas e cresce acreditando que ele ou ela não tem qualquer valor ou utilidade. Somos impotentes perante aquilo que aprendemos quando crianças.

3- A vergonha pode também ser uma consequência da adicção. A incapacidade de parar ou controlar um comportamento adictivos leva-nos frequentemente a desvalorização pessoal.

4- Os sentimentos intensos de vergonha resultam em comportamentos derrotistas tais como afastamento social, isolamento e em comportamentos adictivos, tais como não parar de comer, jogar compulsivamente ou beber excessivamente. Portanto, a vergonha representa um fator de risco à recaída.

5- A vergonha envolve geralmente um juiz interior que nos exige um comportamento rígido e que nos envergonha quando não conseguimos cumprir essas exigências. A vergonha balança muitas vezes entre as exigências perfeccionistas e a autocondenação. O juiz interior representa de fato nosso conjunto de crenças.

5- Já que a vergonha é inventada e aprendida pode também ser desinventadae desaprendida. Usando os recursos ao nosso dispor que incluem as ferramentas básicas da TRE, podemos reduzir com sucesso os nossos sentimentos de vergonha, isto é, sentir vergonha menos intensamente e com menos frequência.

Lembre-se: Se algum pensamento lhe disser que você não vai conseguir entender essas técnicas, questione esse pensamento, afinal, todos temos dificuldades para aprender algo novo e, assim como aprender a dirigir, a princípio é difícil, as técnicas também. Mas com a prática conseguimos dominar qualquer assunto novo que nos seja apresentado!

Tarefa

Escreva quatro eventos em que ocorreram recentemente e que geraram pensamentos negativos e quais as alternativas de pensamento possíveis para aquelas situações:

Situação 1:

Pensamento Automáticos:

Pensamentos alternativos após o questionamento do primeiro pensamento

Situação 2:

Pensamento Automáticos:

Pensamentos alternativos após o questionamento do primeiro pensamento

Situação 3:

Pensamento Automáticos:

Pensamentos alternativos após o questionamento do primeiro pensamento

Situação 4:

Pensamento Automáticos:

Pensamentos alternativos após o questionamento do primeiro pensamento

Planejamento para Emergências

Fundamentos

Ainda que haja o esforço necessário para a manutenção do controle, a ocorrência de uma grande variedade de ocorrências não planejadas pode concorrer para exposição a situações de alto risco para recaída. É muito importante estar habilitado para lidar sozinho com essas situações de crise.

Alguns eventos, quando ocorrem repentinamente, pode ameaçar a estabilidade alcançada durante o processo de mudança de comportamento. Exemplo:

- Separações sociais (divórcio, morte, filhos ou amigos que se mudam).

- Problemas de saúde (doença própria ou de alguém íntimo; descobrir-se HIV- Positivo).

- Novas responsabilidades (emprego novo, nascimento de filhos).

- Adaptações a novas situações (inicio de novo relacionamento amoroso, mudança de endereço para lugar desconhecido).

- Eventos relacionados ao trabalho (promoção ou perda de emprego, mudança de local de trabalho).

- Mudanças financeiras (recebimento de uma quantia não esperada de dinheiro ou perda de poder aquisitivo).

- Não apenas eventos de vida negativos concorrem para exposição a situações de risco, como eventos positivos. O casamento, a formatura, entre outras situações de caráter positivo, pode induzir uma percepção disfuncional no sujeito, fazendo com que este se sinta autoconfiante demais, de modo que as habilidades de enfrentamento já treinadas sejam colocadas de lado, permitindo a esse indivíduo uma exposição elevada ao risco.

- Não só o que acontece com o indivíduo o afeta, como também o que ocorre com pessoas próximas tem efeitos semelhantes.

Técnicas de manejo

A partir de uma lista de possíveis situações emergenciais que podem acometer ao indivíduo, discuta quais as estratégias viáveis para se lidar com as situações listadas. Quais das habilidades já discutidas e treinadas podem ser utilizadas para o enfrentamento dessas ocorrências: resolução de problemas, tomada de decisão, manejo da raiva

Quando os pacientes estão estressados, sentem-se vulneráveis e propensos a voltar a pratica de estratégias antigas mais do que dispostos a colocar em pratica as novas habilidades aprendidas para a manutenção da mudança. É, portanto, importante desenvolver um plano para o enfrentamento de emergências a “toda prova”, que pode ser usado em qualquer situação de crise. Esse plano deve envolver técnicas tanto cognitivas quando comportamentais. Exemplos:

- Lista de pessoas de emergência de pessoas que possam oferecer-lhe suporte.

(Amigos que não bebem, participantes de grupos de autoajuda

).

- Lista de lugares seguros onde o paciente possa estar a salvo da crise e onde existem poucas tentações favorecendo o uso. (Casa de parente, amigo, etc.).

- Lista de atividades prazerosas para o não uso confiável.

- Recordação das consequências negativas de retorno ao uso.

- Evocação de pensamentos positivos que substituam pensamentos que levam ao risco de recaída.

Exercícios

O exercício a seguir tem como base uma série de perguntas que formam um projeto de

ação globalizado para qualquer situação de emergência.

Lembrete tenha sempre em mente um plano para o enfrentamento de possíveis eventos estressantes emergenciais:

Pense nas habilidades de resolução de problemas: o que você pode fazer para lidar com

o problema, quais as possíveis alternativas de solução.

Quem pode ser chamado para oferecer apoio.

Quais os lugares que você pode frequentar/ participar que o mantenham mais confiante: reuniões de grupos de autoajuda, por exemplo.

Quais as formas de enfrentamento treinadas para lidar com emoções: raiva, tristeza, fissuras, etc.

Liste possíveis atividades prazerosas que possam auxiliar no combate dos sentimentos internos negativos.

Exercício prático

I. Pense em uma situação de emergência. Descreva:

II. Utilize o questionário a seguir para elaborar um plano de ação a ser seguido.

1. Evito ou trabalho a situação?

2. Quais os lugares seguros para onde posso ir?

3. Adio a decisão de voltar a usar por 15mim. Posso lembrar-me de que minhas fissuras,

normalmente, passam após

minutos e como lidei com elas com sucesso no passado.

4. Posso distrair-me com atividades prazerosas como:

5. Eu posso telefonar para as seguintes pessoas, disponíveis para me apoiar nesse

momento:

Nome:

Telefone:

Nome:

Telefone:

6. Posso recordar-me de meus sucessos em situações anteriores semelhantes a esta que estou vivendo. Descreva.

7. Posso modificar meus pensamentos negativos encontrando pensamentos alternativos mais funcionais.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

- 1. FLIGIE, Neliana Buzi; Bordin, Selma; LARANJEIRA, Ronaldo. Aconselhamento em dependência química. Segunda edição. São Paulo: Roca, 2010.

- ZANELATTO, Neide A.; LARANJEIRA, Ronaldo. O tratamento da dependência química e as terapias cognitivo-comportamentais. Terapia Cognitivo- Comportamental em Grupos. Porto Alegre: Artmed, 2013.

- Bieling, Peter J.; McCABE, Randi E.; ANTONY, Martin M.; Terapia Cognitivo- Comportamental em Grupos. Tradução Ivo Haun de Oliveira Porto Alegre:

Artmed, 2008.

- BECK, Judith S.; Terapia Cognitiva: teoria e prática. Tradutora Sandra Costa. Porto Alegre: Artmed, 1997.

André Luiz Chaves Yang

Sou formado em aconselhamento em dependência química pela Unidade de Pesquisa em Álcool e outras Drogas (UNIAD) do departamento de psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), graduando em Psicologia pela Universidade de Sorocaba (UNISO). Meu primeiro contato com o tratamento de dependência química foi em 2006, quando tive que enfrentar o meu tratamento. Depois disso não perdi mais o contato com as terapias e hoje o tratamento faz parte do meu passado, do meu presente e está nos meus planos para o futuro.

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