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MÓDULO DE: INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE EAD AUTORIA: MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES Copyright ©
MÓDULO DE: INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE EAD AUTORIA: MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES Copyright ©

MÓDULO DE:

INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS DE EAD

AUTORIA:

MARIA DA RESSURREIÇÃO COQUEIRO BORGES

Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

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Módulo de: Introdução aos Estudos de EAD Autoria: Maria da Ressurreição Coqueiro Borges

Primeira edição: 2008

Todos os direitos desta edição reservados à ESAB – ESCOLA SUPERIOR ABERTA DO BRASIL LTDA http://www.esab.edu.br Av. Santa Leopoldina, nº 840/07 Bairro Itaparica – Vila Velha, ES CEP: 29102-040 Copyright © 2008, ESAB – Escola Superior Aberta do Brasil

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A presentação O módulo de Introdução a Educação a Distância tem como objetivo apresentar uma

Apresentação

O módulo de Introdução a Educação a Distância tem como objetivo apresentar uma contextualização dos aspectos que fazem parte deste novo modelo de educação e, de como as novas tecnologias da informação e da comunicação contribuíram para este impulso, trazendo, através da Internet, formas alternativas de geração e de disseminação do conhecimento, oferecendo possibilidades, quase inesgotáveis, para a aprendizagem.

A Educação a Distância, via Internet, redefine substancialmente o papel do professor que

agora assume posição diferenciada daquela conhecida historicamente, sendo pertinente que sua prática seja analisada, estudada e revisada.

A emoção e o prazer que irão permear esta ação estarão refletidos em nossas conversas,

ainda que on-line.

Objetivo

Compreender as transformações na aprendizagem na sociedade da informação;

Possibilitar a aquisição de saberes/informações sobre as Novas Tecnologias da Informação e a Educação a Distância;

Conhecer o postulado na LDB 9394/96 sobre Educação a Distância;

Compreender a importância da modalidade de ensino EAD e a sua utilização, para a formação de profissionais da área;

O papel do Tutor;

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 Contextualizar abordagens pedagógicas em EAD;  Reconhecer , através de leituras específicas, o perfil

Contextualizar abordagens pedagógicas em EAD;

Reconhecer, através de leituras específicas, o perfil do educador comprometido com a EAD;

Estabelecer relações de construção de projetos nesta modalidade específica de ensino;

Pontuar aspectos relacionados ao material didático;

Construir um processo de avaliação específica para EAD.

Ementa

Histórico da EAD; LDB e EAD; Objetivos e Metas da EAD; Visão de Educação e Visão de educador; o perfil do educador de EAD; Metodologias educacionais em ambientes de aprendizagem; Avaliação em EAD; recursos educacionais;

Sobre o Autor

Mestrado em Educação pela Universidade São Marcos

Pós-Graduação em Administração Escolar pela Universidade Salgado de Oliveira Filho

Pós-Graduação em Psicopedagogia pela Parceria UVV/Universidade Estácio de Sá

Pós-Graduação em Planejamento Educacional pela Universidade Salgado de Oliveira Filho

Pós-Graduação em Supervisão Escolar pela Universidade Salgado de Oliveira Filho

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Pós-Graduação em Tecnologia Educacional Aplicada ao Ensino de 1º Grau pela Associação Brasileira de Tecnologia

Pós-Graduação em Tecnologia Educacional Aplicada ao Ensino de 1º Grau pela Associação Brasileira de Tecnologia Educacional

Graduação em Pedagogia com Especialização em Orientação Educacional pela Universidade Federal do Maranhão

Educadora de cursos de graduação na área pedagógica, professora de cursos de pós- graduação.

Consultora educacional e palestrante motivacional e educacional.

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S UMÁRIO   UNIDADE 1 9 Sociedade do Conhecimento 9 UNIDADE 2 14 O Computador

SUMÁRIO

 

UNIDADE 1

9

Sociedade do Conhecimento

9

UNIDADE 2

14

O

Computador na Educação

14

UNIDADE 3

19

Educação e Aprendizagem

19

 

UNIDADE

4

24

O

que é Educação a Distância?

24

UNIDADE

5

29

Histórico da Educação a Distância

29

UNIDADE 6

35

O

Que é Educação a Distância Mediada por Computador?

35

UNIDADE 7

39

Fases da Educação a Distância

39

UNIDADE 8

46

Políticas de EAD no Brasil

46

UNIDADE 9

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Viabilidade da EAD no Brasil: Aspectos Legais

53

UNIDADE 10

59

Abordagem Comportamentalista

59

UNIDADE 11

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Do Presencial ao Virtual

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UNIDADE 12

68

A

Importância da Interação e Comunicação em EAD

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UNIDADE 13

72

Educação a Distância e Tecnologia de Comunicação

72

UNIDADE 14

75

Revolução Tecnológica na Educação

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UNIDADE 15 79 Concepções sobre Aprendizado Cooperativo e Colaborativo 79 UNIDADE 16 83 A

UNIDADE 15

79

Concepções sobre Aprendizado Cooperativo e Colaborativo

79

UNIDADE 16

83

A Emergência de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

83

UNIDADE

17

89

Sobre o Moodle

89

UNIDADE

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98

Projetos Pedagógicos em EAD

98

UNIDADE 19

106

Equipe Multidisciplinar: Docentes, Tutores, Corpo Técnico-Administrativo

106

UNIDADE

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110

Gestão, Estrutura e Funcionamento de Cursos em EAD

110

UNIDADE

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115

Formas de Organização da Educação a Distância

115

UNIDADE 22

122

Tipos de Cursos On-line

122

UNIDADE 23

129

Aspectos Teóricos e Práticos da Tutoria

129

UNIDADE 24

135

Origem da Tutoria

135

UNIDADE 25

140

Ferramentas para Tutoria: Softwares

140

UNIDADE 26

147

Considerações relevantes no sistema de comunicação em EAD

147

UNIDADE 27

151

Métodos de Avaliação

151

UNIDADE 28

158

Aplicação de EAD como solução

158

UNIDADE 29

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Necessidade de aprender a aprender

165

Caso Prático – Projeto REDIGIR

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UNIDADE 30

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Tendências da Educação On-line a Médio e Longo Prazo 170 GLOSSÁRIO 175 BIBLIOGRAFIA 196 Copyright

Tendências da Educação On-line a Médio e Longo Prazo

170

GLOSSÁRIO

175

BIBLIOGRAFIA

196

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U NIDADE 1 Objetivo: Contextualizar a Educação a Distância na Sociedade do Conhecimento e as

UNIDADE 1

Objetivo: Contextualizar a Educação a Distância na Sociedade do Conhecimento e as transformações que ocorreram na aprendizagem.

Sociedade do Conhecimento

A expressão “sociedade da informação” passou a ser utilizada, nos últimos anos do século

passado, com o intuito de substituir o conceito complexo de “sociedade pós-industrial” como

forma de transmitir o conteúdo específico do “novo paradigma técnico-econômico”. As

transformações técnicas, organizacionais e administrativas têm como fator-chave não mais

os insumos baratos de energia, como eram na época da sociedade industrial. No mundo

atual, o fator chave é a informação, propiciado pelos avanços da tecnologia da informação e

comunicação (TICs).

Segundo Castells (2000), esta sociedade pós-industrial ou “informacional”, está ligada à

expansão e reestruturação do capitalismo desde a década de 80. As novas tecnologias e a

ênfase na flexibilidade – ideia central das transformações organizacionais – têm permitido

realizar com rapidez e eficiência os processos de desregulamentação, privatização e ruptura

do modelo de contrato social, entre capital e trabalho, característico do capitalismo industrial.

As transformações em direção à sociedade da informação, em estágio avançado na

atualidade, constituem uma tendência dominante mesmo para economias menos

industrializadas e definem um novo paradigma, o da tecnologia da informação, que expressa

a essência da presente transformação tecnológica em suas relações com a economia e a

sociedade.

O foco sobre a tecnologia pode alimentar a visão ingênua de um determinismo tecnológico

segundo o qual, as transformações em direção à sociedade da informação resultam da

tecnologia, seguem uma lógica técnica e, portanto, neutra e estão fora da interferência de

fatores sociais e políticos. Segundo Werthein (2000), nada mais equivocado: processos

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sociais e transformação tecnológica resultam de uma interação complexa em que fatores sociais preexistentes, a

sociais e transformação tecnológica resultam de uma interação complexa em que fatores sociais preexistentes, a criatividade, o espírito empreendedor e as condições da pesquisa científica, afetam o avanço tecnológico e suas aplicações sociais.

afetam o avanço tecnológico e suas aplicações sociais. Ainda segundo Werthein, uma das vantagens de se

Ainda segundo Werthein, uma das vantagens de se promover esta sociedade é porque este novo paradigma oferece a perspectiva de avanços significativos para a vida individual e coletiva, elevando o patamar dos conhecimentos gerados e utilizados na sociedade, oferecendo o estímulo para constante aprendizagem e mudança, e deslocando o eixo da atividade econômica em direção mais condizente com o respeito ao meio ambiente.

Transformações da Aprendizagem na Sociedade da Informação

Desde os tempos mais remotos, o homem busca conhecer para controlar e criar meios de domínio dos estágios primários da natureza, transformando-a para sua sobrevivência. Segundo Benakouche (2006), é esta busca pelo conhecimento que faz o diferencial entre o ser humano, ser racional e com habilidades específicas, e os demais seres vivos da natureza.

A nova sociedade vem instaurando e modificando relações sociais, econômicas, políticas, culturais, éticas e morais. A comunicação mundial, por meio do uso das novas tecnologias, torna-se cada vez mais rápida e de fácil acesso, possibilitando aproximação e troca de informações entre os povos.

No seio dessas transformações, contradições estão presentes e são propulsoraslimitadoras

do avanço da humanidade. Abrimo-nos para a globalização, nos fechamos para preservarmos nossa identidade; aumenta nossa facilidade de comunicação com o mundo, diminui nossa comunicação com quem está mais próximo.

Este avanço tecnológico faz com que hoje a indústria procure acompanhar o processo de globalização, tanto com o avanço em seus sistemas informativos, como em relação à própria automatização de seus serviços. Entretanto, ao mesmo tempo em que a tecnologia faz com

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que a indústria se torne mais produtiva para competir no mercado, gera novas demandas de

que a indústria se torne mais produtiva para competir no mercado, gera novas demandas de especialização, gera o desemprego. Na sociedade da informação a empresa passa a ter necessidade de um processo contínuo de ensino e aprendizagem.

Outra característica do avanço tecnológico é a universalização da comunicação. As informações mais atualizadas podem estar à disposição de qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo que conte com a infraestrutura necessária. A interatividade permite não só emitir ou receber informações, mas também dialogar, discutir e transmitir informações e conhecimentos, sem limite de distância ou de tempo. Entretanto, não podemos deixar de pontuar que este avanço, que pode parecer essencialmente positivo, tem aumentado as desigualdades, pois ainda é um sistema relativamente caro, tornando-se de difícil acesso para a maioria da população. Além disto, a informação que chega acelerada pode ser portadora de potencial não construtivo, pois pode servir de canal de divulgação da mediocridade e da superficialidade. As pessoas, dentro desta sociedade, precisam construir

um “pensamento crítico” devido aos constantes “bombardeamentos” por informações.

Inúmeras transformações afetaram nossa cultura, o modo de vida, os modos de produção, a educação, principalmente as instituições de aprendizagem. Tais instituições não apenas tiveram transformações em conteúdo, mas em práticas e metodologia. De uma educação formal com um detentor do saber intitulado “mestre” transmitir seus saberes aos totalmente leigos, seus discípulos, “alunos”, os tempos atuais sinalizam novos modos onde o conhecimento é disponibilizado em diferentes meios e a presença do “mestre”, midiatizada por materiais e tecnologias.

Surge como alternativa a Educação a Distância como acesso ao conhecimento, mas sem a necessidade imediata e presente de um docente. A Educação a Distância é uma alternativa de acesso ao conhecimento para inúmeras pessoas, impossibilitadas, por diferentes razões, de participar da formação pelo modo presencial.

A Educação a Distância cativa adeptos pela praticidade com relação à distribuição do tempo de estudo, e a possível flexibilidade de horários, incorporada com sucesso a educação de adultos.

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Apesar dos esforços envidados por várias instituições competentes em praticar uma Educação a Distância de

Apesar dos esforços envidados por várias instituições competentes em praticar uma Educação a Distância de qualidade ainda há resistência, com relação a esta modalidade, e questionamentos quanto a sua qualidade educacional.

Os principais motivos da atual expansão da EAD, por todo mundo, são basicamente:

O aumento da demanda por formação ou qualificação;

A multiplicação de meios técnicos capazes de garantir materialmente a efetivação desse tipo de educação;

A emergência de uma cultura que já não vê com muito estranhamento o estabelecimento de situações de interação envolvendo pessoas situadas em contextos locais distintos.

Esse último ponto destaca-se como fundamental para se distinguir o momento atual dos

anteriores. É a emergência de uma cultura virtual que vai dar à EAD um novo significado, um novo impulso. Certamente não foram as novas mídias que criaram a EAD, haja vista que ela

conta com uma longa história: do ensino por correspondência, passando pelo uso do rádio

e

da televisão, diferentes gerações de tecnologias têm sido colocadas à disposição da

educação.

A educação de qualidade não pode ser definida pela sua modalidade presencial ou a

distância, mas pela demonstração dos educandos em adquirir conhecimento e a responsabilidade das instituições em promover ensino de qualidade, facilitando o acesso e

ampliando geograficamente o alcance aos saberes.

Educação com qualidade é sinônimo de responsabilidade cidadã e ética social, não necessariamente definida pela modalidade empregada, se presencial ou a distância. Muitas vezes, a EAD vem a ser a única oportunidade de educação para uma região ou indivíduo e, portanto, esta possibilidade educadora atinge aquele que por algum motivo foi excluído do acesso aos saberes. A possibilidade de inclusão educacional, por si, justifica e qualifica a educação a distância.

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U NIDADE 2 Objetivo: O papel do computador na educação e os desafio das escolas

UNIDADE 2

Objetivo: O papel do computador na educação e os desafio das escolas contemporâneas.

O Computador na Educação

O computador, símbolo e principal instrumento do avanço tecnológico, não pode mais ser ignorado pela escola. No entanto, o desafio é colocar todo o potencial dessa tecnologia a serviço do aperfeiçoamento do processo educacional, aliando-a ao projeto da escola com o objetivo de preparar o futuro cidadão.

Surgem então questões: como utilizar de forma inteligente o computador na educação? O uso inteligente está alicerçado em dois pontos: investimento no processo de aprendizagem e não apenas no ensino; e na priorização do conhecimento, ao invés de restringir-se apenas à informação.

Existe uma inter-relação entre os conceitos: DADOS, INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO E SABER. Segundo Davenport (1998), o “dado” é considerado matéria-prima para a

informação. As “informações” são dados com significados. O “conhecimento é a informação

mais valiosa (

O conhecimento pode então ser considerado como a

significado, uma interpretação (

informação processada pelos indivíduos. Tem como característica a subjetividade e sofre

influência da variação do contexto social e organizacional. O “saber” é produzido na relação

e interação com outros sujeitos, são informações que o sujeito se apropria objetivamente e socializa com outras pessoas.

)

é valiosa precisamente porque alguém deu à informação um contexto, um

)”.

A informação se torna conhecimento, quando utilizada para:

Fazer comparações entre fatos;

Determinar consequências;

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Estabelecer elos;

Possibilitar a conversação.

 Estabelecer elos;  Possibilitar a conversação. O conhecimento se torna saber quando o sujeito apresenta

O conhecimento se torna saber quando o sujeito apresenta as seguintes características:

Está em atividade;

Mantém relação consigo mesmo;

Trabalha sua autoestima;

Estabelece relação com as outras pessoas, partilham, constroem e reconstroem o saber.

Desafios à Escola Contemporânea

Lembrando CONFÚCIO (551-479 A.C)

O que eu ouço, eu ESQUEÇO,

O que eu vejo, eu LEMBRO,

O que eu faço, eu COMPREENDO.

Nesta perspectiva, cabem reflexões sobre: um repensar a educação na era da informação e um pensar a escola na era da informação. O conhecimento só tem valor se tiver produtividade, se você souber o que fazer dele, em seu favor e em favor da sociedade. É importante pensarmos numa sociedade que vai além da informação e se torna sociedade do conhecimento.

A escola hoje deve deixar de ser:

Centrada na figura do professor;

Privilegiar o conteúdo e acúmulo de informações;

Apresentar função controladora;

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Estimular a competitividade;

Não estar atenta às diferenças individuais.

A escola necessária é aquela que:

diferenças individuais. A escola necessária é aquela que:  Preocupa-se com o desenvolvimento das habilidades e

Preocupa-se com o desenvolvimento das habilidades e competências;

Preocupa-se com a diversidade multicultural;

Incentiva a cooperação;

Possibilita o acesso de saberes além do tradicional;

Mantém relação com a comunidade;

Mantém-se antenada com as novidades;

Adota flexibilidade curricular;

Preocupa-se com a qualidade dos processos;

Apresenta possibilidades de reconstrução de novas organizações curriculares;

Apresenta um projeto político pedagógico construído coletivamente.

Preocupa-se com o sujeito pensante e interventor na realidade em que vive.

Diante dessas necessidades de transformações, surgem para a escola algumas questões:

Questão 1: Porque incorporar o computador à educação?

De acordo com Ilma Veiga (1995), “a escola deve assumir a função de proporcionar as camadas populares, através de um ensino efetivo, instrumentos que lhes permitam conquistar melhores condições de participação cultural e política e reivindicação social.”.

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Para a autora Olinda Evangelista (1994), ”a reivindicação social deve exigir também da escola que

Para a autora Olinda Evangelista (1994), ”a reivindicação social deve exigir também da escola que seus alunos sejam preparados para participar da modernização científica e tecnológica, qualificando-os para novos padrões exigidos pelo mundo do trabalho.”.

Questão 2: Como incorporar o computador na educação?

É preciso estar conectado com as inovações e possibilidades de renovação no ambiente

pedagógico, pois esta ferramenta pode ser utilizada apenas para ensinar ou ser utilizada

como ferramenta de transformação, enriquecendo espaços de aprendizagem.

Numa práxis Conservadora de aprendizagem, o computador é uma ferramenta para ensinar.

Numa práxis Renovadora, o computador é uma ferramenta enriquecedora de saberes, nos processos pedagógicos. O computador é uma ferramenta que deve possibilitar a integração em ambientes informatizados de aprendizagem.

Um ambiente informatizado de aprendizagem requer informação, tecnologia e agentes de aprendizagem. Deve possibilitar ao aluno a aquisição de conteúdos que são necessários para a sua formação, mas que também possibilite o desenvolvimento de novas habilidades para sua inserção e atuação no mercado de trabalho.

A informática, por si só não é resolução dos problemas que se apresentam na educação,

antes deste pensar, devemos estar conscientes de que os problemas sociais e pedagógicos que atormentam as escolas são bem maiores e anteriores aos tecnológicos ou da área da informática.

É importante um pensar e repensar das práticas pedagógicas adotadas nas escolas. A

escola precisa desenvolver procedimentos educacionais, onde o aluno, mediado pela ação

do professor, constrói o conhecimento, age e cria possibilidades de mudanças sociais.

Para que ocorram transformações, um novo olhar acerca do processo ensino-aprendizagem deve acontecer, o aluno não é mais mero receptor de conteúdos definidos pelo professor, mas é aquele que se relaciona e interage com o saber.

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O uso do computador por si só não é capaz de inserir mudanças radicais no

O uso do computador por si só não é capaz de inserir mudanças radicais no processo

ensinar e aprender com reflexão crítica e postura de decisões renovadoras. Entretanto, existem várias possibilidades e formas eficazes onde a aplicabilidade do uso do computador

pode possibilitar uma aprendizagem mais ativa e significativa, integrada com outras ações pedagógicas.

Para que o uso do computador tenha sucesso, não é preciso que se crie uma disciplina específica na área de informática, com professores de informática, mas o mesmo deve ser introduzido como ferramenta de trabalho acessível aos professores e alunos nos diversos componentes curriculares.

A questão do uso da informática nas escolas é muito mais uma questão pedagógica,

educacional do que de computadores.

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U NIDADE 3 Objetivo: Contextualizar relação entre a educação, aprendizagem e as tecnologias para a

UNIDADE 3

Objetivo: Contextualizar relação entre a educação, aprendizagem e as tecnologias para a construção do conhecimento.

Educação e Aprendizagem

Existe uma conexão conceitual entre educação e aprendizagem: não há educação sem que

ocorra aprendizagem. A aprendizagem, por seu lado, pode resultar de um processo "de fora

para dentro" (como o ensino) ou de um processo gerado "de dentro para fora"

(autoaprendizagem, ou aprendizagem não decorrente do ensino).

Segundo Chaves (1999), tanto o ensino como a aprendizagem são conceitos moralmente

neutros. Podemos ensinar e aprender tanto coisas valiosas como coisas sem valor ou

mesmo nocivas. A educação, porém, não é um conceito moralmente neutro. Educar (alguém

ou a si próprio) é, por definição, fazer algo que é considerado moralmente correto e valioso.

A aprendizagem é um processo que ocorre dentro do indivíduo. Mesmo quando a

aprendizagem é decorrente de um processo bem-sucedido de ensino, ela ocorre dentro do

indivíduo, e o mesmo ensino que pode resultar em aprendizagem em algumas pessoas pode

ser totalmente ineficaz em relação a outras. Paulo Freire, em Pedagogia do Oprimido, afirma

que "ninguém educa ninguém" – embora acrescente que ninguém se educa sozinho.

Segundo essa visão, a educação, como a aprendizagem, de que ela depende, é um

processo que ocorre dentro do indivíduo, e, que, portanto, só pode ser gerado pela própria

pessoa.

O ensino (presencial ou a distância) é uma atividade triádica que envolve três componentes:

aquele que ensina (o ensinante), aquele a quem se ensina (vamos chamá-lo de aprendente),

e aquilo que o primeiro ensina ao segundo (digamos um conteúdo).

EAD, no sentido fundamental da expressão, é o ensino que ocorre quando o ensinante e o

aprendente (aquele a quem se ensina) estão separados (no tempo ou no espaço). No

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sentido que a expressão assume hoje (vamos chamá-lo de sentido atual), enfatiza-se mais (ou apenas)

sentido que a expressão assume hoje (vamos chamá-lo de sentido atual), enfatiza-se mais (ou apenas) a distância no espaço e se propõe que ela seja contornada através do uso de tecnologias de telecomunicação e de transmissão de dados, voz (sons) e imagens (incluindo dinâmicas, isto é, televisão ou vídeo). Ressaltando que todas essas tecnologias, hoje, convergem para o computador.

Educação e Tecnologia na Construção do Conhecimento: Desafios

Aqui vamos iniciar uma reflexão elaborada por Peña (2003), sobre a relação do homem e a

construção do conhecimento, para posteriormente relatar uma experiência sobre os modos

de conceber o ensinar e o aprender na escola de hoje.

A nova sociedade do conhecimento traz grandes desafios aos educadores da atualidade:

como tratar o conhecimento na escola na perspectiva que hoje se impõe: a da interatividade, a não linearidade e a inclusão? Como conceber o ensinar e o aprender nessa perspectiva? Esses desafios nos conduz a repensar não só o conteúdo da disciplina, mas a forma, já que

se tem a necessidade de tentar vivenciar o discurso pedagógico posto para o aluno em um

novo ambiente - ambiente virtual.

Outra questão é o fato de que na interação com o aluno a distância exige que nossas concepções de ensino sejam repensadas, já que estão voltadas para atender o aluno de forma presencial. Significa reconceber a interação professor-aluno e o material didático a ser utilizado. Como estamos falando em educação e construção do conhecimento, a abordagem construtivista de ensino é a mais adequada, pois significa possibilitar os processos de interação na construção dos significados a serem partilhados entre professor e aluno e entre estes.

A construção do conhecimento nessa perspectiva pedagógica solicita: a parceria, na

discussão de ideias, respeito à comparação de informação e aos dissensos entre ideias e conceitos, negociação de significados, revisão das conclusões iniciais e aplicação do novo conhecimento.

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Outro grande desafio é a limitação de ordem técnica, no que diz respeito à falta

Outro grande desafio é a limitação de ordem técnica, no que diz respeito à falta de habilidade que as pessoas manifestam com a utilização do computador, bem como os entraves que se encontra para disponibilizar recursos didático-pedagógicos no ambiente, dificultando a

viabilização de aspectos pedagógicos importantes que poderiam emergir de diversos recursos didáticos, como a utilização das imagens de vídeo.

Quanto ao modo de ensinar e aprender, uma das estratégias utilizadas para desencadear a interação entre professores e alunos e entre estes e o docente são questões problematizadoras, extraídas de textos disponibilizados no ambiente fórum. As questões provocaram e desencadearam discussões e argumentações dos alunos, levando-nos a confirmar o significado do texto e do contexto utilizado para ser trabalhado o fórum de discussão.

Sob o ponto de vista pedagógico, o acompanhamento dessas atividades é sempre muito interessante, uma vez que permite analisar as interações realizadas, pois ficam armazenadas. Nesse sentido, podemos dizer que, dada a incidência das respostas observadas nos registros, para a maioria dos alunos, o texto que disponibilizamos e as questões decorrentes foram significativas, algumas se caracterizaram como reflexões profundas, dando formato a novos textos, os quais em rede serviram de pretexto a outros tantos textos.

As proposições ligadas "ao uso de novas tecnologias residem na capacidade dessas tecnologias de oferecer ao aprendiz a oportunidade de agir sobre seus próprios conhecimentos, de interagir com o meio e de dialogar com os outros" (Depover in: Alava 2002, p. 154).

O ambiente de trabalho virtual se configura como um espaço de comunicação e mediatização propício para desencadear a cooperação entre docente e professor-aluno numa dinâmica de interação entre as pessoas e os conteúdos, culturalmente selecionados

para esse fim. A dinâmica permite um leque de possibilidades tanto de articulação pedagógica quanto a tecnológica em ambiente virtual, pode ser mais bem explorada.

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Nesse sentido, a Educação a Distância toma como referência a atividade construtiva do educando, que

Nesse sentido, a Educação a Distância toma como referência a atividade construtiva do educando, que é constituída de um sistema de interações mediado pelo professor, pelos conteúdos, pelos estudantes e pelo próprio contexto sociocultural no qual a atividade é produzida (Sigalés, 2001). Essa interação determinará a qualidade do processo de ensino- aprendizagem.

A educação passa por um novo marco cultural. A educação a distância exige a familiarização

com as novas tecnologias da comunicação e informação, nem sempre acessível aos professores e alunos, um novo paradigma de educação e ensino que requer da profissão docente apoio para implementar as suas práticas às novas tecnologias. Devemos levar em consideração que a inserção das novas tecnologias nas metodologias de ensino deve pressupor uma didática voltada para o sentido colaborativo e o desenvolvimento da autonomia do aprendiz.

Uma destas novas tecnologias é a internet que, através da facilidade de acesso possibilitou este novo modo de ensinar e aprender. Segundo Moran (2006), a Internet nos ajuda, mas ela sozinha não dá conta da complexidade do aprender. Ele acredita no uso da Internet na educação, fundamentando seu pensamento na "interação humana", de forma colaborativa, entre alunos e professores. A tecnologia é tão somente um "grande apoio", uma âncora, indispensável à embarcação, mas não é ela que a faz flutuar ou evita o naufrágio. "A Internet traz saídas e levanta problemas, como por exemplo, saber de que maneira gerenciar essa grande quantidade de informação com qualidade" insiste.

A questão fundamental prevalece sendo "interação humana", de forma colaborativa, entre

alunos e professores. Continua a caber ao professor dois papéis: "ajudar na aprendizagem

de conteúdos e ser um elo para uma compreensão maior da vida". Se o horizonte é o mesmo, os ventos mudaram de direção. A novidade é que "hoje temos a possibilidade de os

alunos participarem de ambientes virtuais de aprendizagem". O grande desafio é "motivá-los

a continuar aprendendo quando não estão em sala de aula".

Numa sociedade inundada pela informação em consequência das tecnologias da informação

e da comunicação podemos correr o risco de desenvolver práticas educativas voltadas mais

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para a informação do que para o conhecimento. Devemos estar atentos para práticas de ensino

para a informação do que para o conhecimento. Devemos estar atentos para práticas de ensino que possam possibilitar a transformação da informação em conhecimento. Se essa premissa está sendo muito discutida pelos educadores há algum tempo, mesmo antes de se pensar o ensino virtual, hoje ela se configura como uma questão essencial para a contribuição e aperfeiçoamento da profissão docente.

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U NIDADE 4 Objetivo: Conceituar Educação a Distância e suas vantagens. O que é Educação

UNIDADE 4

Objetivo: Conceituar Educação a Distância e suas vantagens.

O que é Educação a Distância?

Inicialmente o conceito de educação a distância era definido pelo que ela não era ,isso se deve ao fato da demora em esta forma de educação se firmar. Tinham como referencial a educação presencial, também denominada educação convencional, direta ou face a face, onde o professor, presente em sala de aula, é a figura central. No entanto, estudos mais recentes apontam para uma conceituação, se não homogênea, mais precisa do que é educação a distância.

Walter Perry e Greville Rumble (1987) afirmam que a característica básica da educação a distância é o estabelecimento de uma comunicação de dupla via, na medida em que professor e aluno não se encontram juntos na mesma sala, requisitando, assim, meios que possibilitem a comunicação entre ambos como correspondência postal, correspondência eletrônica, telefone ou telex, rádio, "modem", videodisco controlado por computador, televisão apoiada em meios abertos de dupla comunicação, etc.

Afirmam, também, que há muitas denominações utilizadas correntemente para descrever a educação a distância, como: estudo aberto, educação não tradicional estudo externo, extensão, estudo por contrato, estudo experimental. Contudo, nenhuma dessas denominações serve para descrever com exatidão educação a distância; são termos genéricos que, em certas ocasiões, incluem-na, mas não representam somente a modalidade a distância.

Para exemplificar: um livro ou fascículo, desses que se intitulam "faça você mesmo"; um texto isolado de instrução programada; uma programação isolada de rádio; não são formas de educação a distância. Esta pressupõe um processo educativo sistemático e organizado que exige não somente a dupla via de comunicação, como também a instauração de um

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processo continuado, onde os meios ou os multimeios devem estar presentes na estratégia de comunicação.

processo continuado, onde os meios ou os multimeios devem estar presentes na estratégia de comunicação. A escolha de determinado meio ou multimeios vem em razão do tipo de público, custos operacionais e, principalmente, eficácia para a transmissão, recepção, transformação e criação do processo educativo.

Desmond Keegan (2007) afirma que o termo genérico de educação a distância inclui um conjunto de estratégias educativas referenciadas por: educação por correspondência, utilizado no Reino Unido; estudo em casa (home study), nos Estados Unidos; estudos externos (external studies), na Austrália; ensino a distância, na Open University do Reino Unido. E, também, téléenseignement, em francês; Fernstudium/Fernunterricht, em alemão; educación à distância, em espanhol; e teleducação, em português.

Em português, é bom lembrar, educação a distância, ensino a distância e teleducação são termos utilizados para expressar o mesmo processo real. Contudo, algumas pessoas ainda confundem teleducação como sendo somente educação por televisão, esquecendo que tele vem do grego, que significa ao longe ou, no nosso caso, a distância. Abaixo, são apresentados conceitos de EAD, segundo alguns autores:

G. Dohmem (1967) - Educação a distância (Ferstudium) ”é uma forma sistematicamente organizada de autoestudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo apresentado, onde o acompanhamento e a supervisão do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível de ser feito a distância através da aplicação de meios de comunicação capazes de vencer longas distâncias.” O oposto de "educação a distância" é a "educação direta" ou "educação face a face": um tipo de educação que tem lugar com o contato direto entre professores e estudantes.

O. Peters (1973) - Educação/ensino a distância (Fernunterricht) é um método racional de partilhar conhecimento, habilidades e atitudes, através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e aprender.

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M. Moore (1973) - Ensino a distância pode ser definido como a família de métodos

M. Moore (1973) - Ensino a distância pode ser definido como a família de métodos instrucionais onde as ações dos professores são executadas a parte das ações dos alunos, incluindo aquelas situações continuadas que podem ser feitas na presença dos estudantes. Porém, a comunicação entre o professor e o aluno deve ser facilitada por meios impressos, eletrônicos, mecânicos ou outros.

B. Holmberg (1977) - O termo "educação a distância" esconde-se sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não estão sob a contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local. A educação a distância se beneficia do planejamento, direção e instrução da organização do ensino.

Keegan

enunciados:

(1991) sumariza

os

elementos

que

considera

centrais

dos

conceitos

acima

Separação física entre professor e aluno, que a distingue do ensino presencial;

Influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, projeto, organização dirigida, etc.), que a diferencia da educação individual;

Utilização de meios técnicos de comunicação, usualmente impressos, para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos;

Previsão de uma comunicação de mão dupla, onde o estudante se beneficia de um diálogo, e da possibilidade de iniciativas de dupla via; possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização;

Diante dos elementos citados acima, a diferença com relação à educação regular consiste na mediatização das relações entre docentes e alunos. De modo essencial, substitui a proposta de assistência regular à aula por uma nova proposta na qual os docentes ensinam e os alunos aprendem mediante situações não convencionais, em espaços e tempos não compartilhados. As relações são estabelecidas pelo fato dos docentes e alunos estarem conectados por tecnologias como a internet, ou mesmo, correio, radio, TV, vídeo, CD-ROM, fax, entre outras. As tecnologias interativas estão evidenciando o cerne do processo de

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a

comunicação virtual.

educação

sendo

interação

e

interlocução

entre

todos

educação sendo interação e interlocução entre todos que estão no processo de O ensino e aprendizagem

que

estão

no

processo de

O ensino e aprendizagem on-line são processos mediados por computador, e que implicam uma conexão com um sistema ou rede de computadores, sendo capaz de transportar informações de um computador para uma pessoa ou entre pessoas, como troca de informação entre pessoas e computadores. Com uma comunicação mais rápida, intensa e eficiente, tem-se a possibilidade de redimensionar os processos usuais de EAD atingindo o propósito pedagógico de intensificar o conhecimento da aprendizagem através de uma interação entre professor e alunos, e entre pares.

O desenvolvimento de tal modalidade nos últimos anos serviu para implementar os mais diversos projetos educacionais e as mais complexas situações: cursos para o ensino profissionalizante, capacitação para o trabalho ou divulgação científica, alfabetização, estudos formais em todos os níveis e campos do sistema educacional.

As vantagens da Educação a Distância?

educacional. As vantagens da Educação a Distância? A EAD é caracterizada pela sua flexibilidade, pois possui

A EAD é caracterizada pela sua flexibilidade, pois possui múltiplas possibilidades em seus projetos educacionais, estes não obedecem a um modelo rígido, mas exigem organização que permita ajustar de forma permanente as estratégias desenvolvidas a partir da retroalimentação provida pelas avaliações parciais do projeto. Alia-se, também, a multiplicidade de recursos pedagógicos com o objetivo de facilitar a construção do conhecimento. Sendo assim, são objetivos da EAD:

Aumentar o acesso ao conhecimento diminuindo barreiras geográficas (atendimento simultâneo de alunos em qualquer lugar no Brasil ou no exterior);

Facilitar o estudo flexibilizando o local e o horário das aulas;

Possibilitar a aprendizagem por demanda, atendendo especificidades institucionais;

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 Aprimorar as possibilidades de desenvolvimento do material educacional , por meio de equipe multidisciplinar

Aprimorar as possibilidades de desenvolvimento do material educacional, por meio de equipe multidisciplinar de especialistas;

Formar comunidades de aprendizagem;

Utilizar diferentes estratégias pedagógicas, atendendo a diferentes perfis e necessidades de desenvolvimento de competências;

Reduzir custos em até 50% em relação a capacitações presenciais;

Auxiliar no processo de gestão do conhecimento, por meio do desenvolvimento de objetos de aprendizagem e do conhecimento explícito e tácito.

Além dos objetivos didático-pedagógicos, é importante destacar que os aspectos organizacionais e administrativos devem ser eficientes, no sentido de oferecer: ágeis mecanismos de inscrição, eficiência na distribuição dos materiais de estudo, informação precisa, eliminando barreiras burocráticas do ensino convencional, atenção e orientação aos alunos no período inicial e transcurso, tudo graças à flexibilidade do ensino a distância.

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U NIDADE 5 Objetivo: Relatar o histórico da educação a distância com suas dificuldades. Histórico

UNIDADE 5

Objetivo: Relatar o histórico da educação a distância com suas dificuldades.

Histórico da Educação a Distância

Moore e Kearsley (1996) apud Rodrigues, afirmam que o conceito fundamental da Educação

a Distância é simples: alunos e professores estão separados pela distância e algumas vezes, também, pelo tempo. Partindo desta premissa, pode-se afirmar que a EAD está vinculada à mídia, ao meio de comunicação. Tem-se então uma linha histórica que descreve o início da EAD a partir da escrita. Já que é a primeira alternativa que permitiu as pessoas comunicarem-se sem estarem face a face, devido a isto, Landim (1997) sugere que as mensagens trocadas pelos cristãos, para difundir a palavra de Deus, são a origem da

comunicação educativa, por intermédio da escrita, com o objetivo de propiciar aprendizagem

a discípulos fisicamente.

Alves (1994) compartilha, em parte, da opinião de Landim, ao defender a tese que a Educação a Distância iniciou com a invenção da imprensa, porque antes de Guttenberg "os livros, copiados manualmente, eram caríssimos e, portanto inacessíveis à plebe, razão pela qual os mestres eram tratados como integrantes da Corte. Detinham o conhecimento, ou melhor, os documentos escritos, que eram desde o século V a.C. feitos pelos escribas." Contextualizando a Educação a Distância (EAD) a partir da estratégia desenvolvida por sistemas educativos, temos em seu propósito oferecer Educação a setores ou grupos da população que, por razões diversas, têm dificuldade de acesso a serviços educativos regulares. A ideia é possibilitar professor e aluno, que estão separados no espaço e/ ou tempo, o aprendizado, que

estão separados no espaço e/ ou tempo, o aprendizado, que Copyright © 2007, ESAB – Escola

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neste cenário , é realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo instrutor distante. Aqui

neste cenário, é realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo instrutor distante. Aqui a comunicação entre alunos e professores é mediada por documentos impressos

ou alguma forma de tecnologia.

Embora a tecnologia seja uma parte importante da EAD, qualquer programa bem- sucedido deve focalizar mais as necessidades instrucionais dos alunos do que na própria tecnologia. Devem ser considerados, por exemplo, a idade, a base cultural e socioeconômica, os interesses e experiências, o nível de escolaridade e a familiaridade dos alunos com os métodos de EAD.

No final do século XIX instituições particulares nos EUA e Europa ofereciam cursos por correspondência destinados ao ensino de temas e problemas vinculados aos ofícios de

pouco valor acadêmico. Esta origem é a provável identificação da apreciação negativa fixada

na educação a distância. O fato de ter se transformado em segunda chance de estudos para

pessoas que fracassaram na infância ou juventude não evitou a depreciação.

Cita-se como primeira experiência em educação a distância um curso de contabilidade, criado em 1833, na Suécia. Na Inglaterra, 1840/1843 foi criada a Phonografic Correspondence Society, primeiros cursos por correspondência na Europa. Em 1856 ocorreram as primeiras práticas na Alemanha e em 1874, nos Estados Unidos.

Em 1892, a Universidade de Chicago criou um curso por correspondência, incorporando os

estudos da modalidade à universidade. No início da década de XX outras instituições, como

a Calvert (Baltimore) desenvolveu cursos para a escola primária. Em 1930, foram

identificadas 30 universidades norte-americanas que ofertavam cursos a distância.

Na década de 60, com a criação de universidades a distância foram superados muitos preconceitos com relação à modalidade. Um marco importante foi a criação da norte americana Wisconsin. A Open University (Universidade Aberta da Grã Bretanha) trouxe um desenho complexo utilizando meios impressos, televisão e cursos intensivos em períodos de recesso da educação convencional, transformando-se em modelo de educação a distância e competitividade com os cursos presenciais.

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Na Europa foi criada a Fern Universitat (Alemanha) e a Universidade Nacional de Educação a

Na Europa foi criada a Fern Universitat (Alemanha) e a Universidade Nacional de Educação

a Distância (Espanha) com propostas atrativas na graduação, pós-graduação, contando,

inclusive com uma parcela expressiva em pós-graduação de alunos latino-americanos.

Na America Latina, nos idos da década de 60, adotando o padrão inglês de produção e implementação foi criada a Universidade Aberta da Venezuela e a Universidade Estadual a Distância da Costa Rica. Neste momento, ocorre a mudança substancial da proposta inicial de cursos por correspondência. Foram criadas, também: Universidade Autônoma do México, Sistema de Educação a Distancia da Universidade de Honduras e o Pedagógico Nacional, e os Programas de Educação a Distancia da Universidade de Buenos Aires e Escolas Radiofônicas de Sutatenza (Colômbia).

Hoje, o desenvolvimento crescente da modalidade nos diferentes níveis de ensino, demonstra as excelentes possibilidades da modalidade a distância para a educação permanente. Um segmento importante, na atualidade, é a oferta de cursos ministrados pelas diferentes associações profissionais ou relacionados aos sindicatos, meios de comunicação ou entidades comerciais, respondendo as diferentes demandas dos diferentes profissionais, dando credibilidade e gerando ampla oferta, a educação a distância coorporativa.

O segmento de educação superior e pós-graduação apresentam indicadores de crescimento

da adesão à modalidade pelo mundo. Hoje, a educação a distância na Espanha é fundamentalmente a educação superior a distância, de nível universitário. Na Espanha, a instituição mais importante nesse sentido é a Universidade Nacional de Educação a Distância. Uma universidade pública, que existe desde 1973 e depende diretamente do Ministério da Educação espanhol. Tem mais de 140 mil alunos, e há mais de 200 mil pessoas que já se formaram por essa universidade. É uma das duas ou três grandes universidades de educação a distância do mundo. É uma instituição bem reconhecida e contribui muito, na Espanha, para apagar o preconceito que existia na época contra a educação a distância. Hoje, a sociedade espanhola reconhece que as pessoas formadas no sistema espanhol de educação a distância são profissionais tão competentes quanto aqueles que se formaram nas universidades convencionais. (CORDERO, Jesús Martin depoimento in www.uned.es.

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Educação a Distância no Brasil

Educação a Distância no Brasil A educação a distância no Brasil, em 1891, ocorreu através da

A educação a distância no Brasil, em 1891, ocorreu através da oferta de um curso de

datilografia por correspondência publicada no Jornal do Brasil em sua edição de classificados, mas o marco inicial desta modalidade no país foi a implantação das “Escolas

Internacionais”, representando organizações norte-americanas interessadas no que parecia um novo e promissor mercado. Contudo, a precariedade do serviço postal brasileiro e a importância social quase nula atribuída ao ensino a distância fizeram com que a iniciativa não fosse em frente.

Em 1923, Edgar Roquete Pinto e Henry Morize fundaram a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro dando início aos programas radiofônicos educativos. E em 1937 o Ministério da Educação e Saúde criou o Serviço de Radiodifusão Educativa, sob influência da ditadura de Getulio Vargas.

Com a fundação do Instituto Rádio Monitor em 1939, que mantinha cursos por correspondência no campo da eletrônica, e depois o Instituto Universal Brasileiro em 1941, que buscava a formação profissional de nível básico e médio, deu-se início as primeiras experiências, de uma série futura de empreendimentos, iniciadas e levadas ao relativo sucesso. Ambos existem até hoje e já capacitaram milhões de brasileiros nas profissões mais simples.

Em 1943, a Escola Rádio-Postal “A Voz da Profecia” oferecia, com apoio da Igreja Adventista, cursos bíblicos por correspondência.

O SENAC, Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, iniciou em 1946 suas atividades e

desenvolveu a Universidade do Ar em 1950, cobrindo localidades fluminenses e paulistas, 318 localidades.

Entre as décadas de 70 e 80 muitas instituições foram criadas com a finalidade de desenvolver cursos por correspondência, sendo algumas extintas e outras posteriormente, transformadas. Em 1970 existiam no Brasil, 31 empresas praticando métodos de ensino a distância, sua maior parte em São Paulo e Rio de Janeiro.

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Por muito tempo a educação a distancia dedicou-se à capacitação exclusivamente de trabalhadores menos qualificados,

Por muito tempo a educação a distancia dedicou-se à capacitação exclusivamente de trabalhadores menos qualificados, junto à população de baixa renda, por intermédio de cursos profissionalizantes e de reforço escolar, ou mesmo a educação cidadã, por meio de conteúdos direcionados pelo estado ditatorial que se instalou no país, por mais de uma vez.

A criação do Projeto Minerva em 1970, um projeto radioeducativo que tinha como proposta

alternativa ao sistema tradicional de ensino, como formação de suplementação, à educação continuada. Revisava conceitos escolares preparando para o exame Madureza, ao reforço do conteúdo escolar, transmitia curso de Moral e Civismo. Esta postura fora acentuada com

a criação dos Telecursos de segundo e primeiro graus (respectivamente, 1978 e 1981), com apoio da Fundação Roberto Marinho (Rede Globo de Televisão) e convênio com Fundação Padre Anchieta (TV Cultura de São Paulo).

Há uma parcela importante sobre o histórico dos cursos de educação a distância no Brasil que são os programas destinados à formação de professores, destinados aos professores leigos, em nível de segundo grau, muitas vezes destinados ao docente em exercício, com o objetivo de motivar a prática cotidiana de sala de aula. Um dos primeiros projetos foi o IRDEB com 10.000 professores entre 1969 e 1977.

Outros programas de formação do professor foram o projeto FUNTEVE (Mato Grosso do Sul) em 1985, no mesmo ano, o Projeto Crescer, o CEN (Centro Educacional de Niterói) entre

outros

Com o avanço da informática e das telecomunicações este panorama alterou-se, absorvendo

a agilidade da internet aos padrões atuais de educação a distância, sendo incorporada não

apenas tecnologia, mas cursos de níveis diferenciados, graduação superior e pós-graduação

a distância para formações nas mais diferentes áreas do conhecimento. Contudo não há

ainda uma acolhida totalmente irrestrita às ações de Educação a Distância nos países, além de alguns problemas observados no Brasil.

Abaixo serão descritos alguns dos problemas de acordo com Gonzáles (2005):

Organização de projetos pilotos sem a adequada preparação de seu prosseguimento;

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 Ausência de critérios de avaliação dos programas / projetos ;  Inexistência de uma

Ausência de critérios de avaliação dos programas / projetos;

Inexistência de uma memória sistematizada dos programas desenvolvidos e das avaliações realizadas (quando existiram);

Descontinuidade dos programas, sem nenhuma prestação de contas à sociedade e mesmo aos governos e às entidades financiadoras;

Inexistência de estruturas institucionalizadas para a gerência dos projetos e a prestação de contas de seus objetivos;

Programas pouco alicerçados às necessidades reais do país e organizados sem nenhuma vinculação exata com os programas de governo;

Manutenção de uma visão administrativa e política que desconhece os potenciais e as exigências da EAD, fazendo com que essa área sempre seja administrada por pessoal sem a qualificação técnica e profissional necessária;

Organização de projetos pilotos apenas com o intuito de testar metodologias.

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U NIDADE 6 Objetivo: Conceituar educação a distância, mediada por computador , e suas formas

UNIDADE 6

Objetivo: Conceituar educação a distância, mediada por computador, e suas formas de comunicação – assíncrona e síncrona.

O Que é Educação a Distância Mediada por Computador?

Em função da consideração do processo histórico da EAD, parece compreensível que a

evolução das redes de computadores impulsiona e expande a Educação a Distância

Mediada por Computador – EDMC já referida como a versão mais atual da EAD. Trata-se de

um sistema capaz de apresentar e/ou de transportar informações de um computador para

uma pessoa ou entre pessoas. A EDMC como troca de informação entre pessoas e

computadores, torna possível uma comunicação muito mais rápida, intensa e eficiente, que

possibilita, sem dúvida, a redimensão de processos usuais de EAD pela intensificação do

caráter pedagógico pela maior rapidez da interação entre professor e alunos, e entre pares, a

propósito do conhecimento/da aprendizagem.

Ressaltam-se, assim, algumas das principais características da EDMC como um meio

sobremaneira eficiente de educação a distância que são rapidez e abrangência. Por

exemplo, uma página disponibilizada em um servidor www (World Wide Web) pode ser

instantaneamente visualizada em qualquer ponto do globo. Uma mensagem de correio

eletrônico, em condições normais de funcionamento da rede pode, em alguns segundos,

chegar a qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. Além disso, é possível a utilização

de ferramentas que permitem comunicações em tempo real.

Sendo assim, a EDMC possui uma grande e crescente variedade de ferramentas que podem

prover uma comunicação do tipo um para um, um para muitos e muitos para muitos. As

ferramentas de EDMC são divididas geralmente em duas grandes categorias: síncronas e

assíncronas. A forma de comunicação assíncrona e síncrona em ambiente de aprendizagem

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virtual também conhecid a como AVA, promove e desenvolve a interação e a interatividade entre

virtual também conhecida como AVA, promove e desenvolve a interação e a interatividade entre professores-alunos, alunos-professores e alunos-alunos.

Formas de Comunicação em Ambientes Virtuais de Aprendizagem

Os ambientes virtuais de aprendizagem (AVA) são importantes ferramentas em EAD, pois possibilitam o estímulo e a inovação do processo de ensino-aprendizagem mediada por computadores em rede. Tais ambientes possibilitam a interação nas duas formas de comunicação: assíncrona e síncrona.

As pessoas que não possuem experiência na construção de cursos que utilizam os recursos de EAD (Educação a Distância) podem encontrar dificuldades na escolha da forma de comunicação mais adequada a ser utilizada em seu projeto de curso. A descrição mais detalhada em relação às formas assíncrona e síncrona tem como propósito promover uma reflexão sobre as características de cada uma dessas formas de comunicação e sua condição de uso.

a) FORMA SÍNCRONA

Na interação síncrona (em tempo real), encontramos um fomento ao entrosamento entre os participantes do curso, evidenciando a formação de comunidade. Nela ocorre a sensação de agilidade no desenvolvimento dos trabalhos provocado, em parte, pelas características desse tipo de comunicação.

Nos processos síncronos alunos e professor, estão conectados simultaneamente, isto é, ao mesmo tempo. Este tipo que comunicação normalmente é feita através de um “chat” com

acesso restrito ao grupo de estudo e o orientador, com regras claras para não conturbar o processo de comunicação. Observa-se neste processo a facilidade no ensino-aprendizagem.

É recomendável que na sessão de chat seja definido um tema específico como eixo das discussões para que não sejam levantados assuntos muito polêmicos e sem uma relação direta com os objetivos propostos, causando inadequação de uso dessa ferramenta em relação a um determinado curso.

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Algumas características da comunicação síncrona são:  Comunicação espontânea;  Resposta espontânea; 

Algumas características da comunicação síncrona são:

Comunicação espontânea;

Resposta espontânea;

Motivação – Evidencia a sinergia dos trabalhos individuais e em grupo e encoraja os estudantes a criarem e continuarem seus estudos;

Presença – Fortalece o sentimento de comunidade;

“Wegerif (1998) afirma que para criar uma comunidade de aprendizagem na qual uns possam aprender com os outros, compartilhando ideias e recursos, é preciso que cada participante “cruze a fronteira” de comunidade, sentindo-se parte dela e, consequentemente, contribuindo no processo educacional.”

Feedback – O rápido retorno fomenta o desenvolvimento das atividades em especial as atividades em grupo;

Ritmo – ajuda os alunos a serem criativos.

b) FORMA ASSÍNCRONA

A forma ASSÍNCRONA pode ser entendida como a forma de interação que está

desconectada do tempo e do espaço, ou seja, o aluno pode a qualquer tempo, respeitado o cronograma do curso, acessar o material didático com uma interatividade descompromissada

com o “On-line”.

O aluno e professor podem manter relacionamento na medida em que tenham tempo

disponível, criando uma situação mais confortável em relação às disponibilidades e necessidades do curso.

A comunicação assíncrona se caracteriza por professor e alunos não estarem necessariamente conectados entre si ao mesmo tempo. O orientador deixa material para download, em um site previamente combinado, ou envia e-mail diretamente a cada aluno respondendo as suas dúvidas, que também lhe foram enviado através de e-mail.

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Essa forma de comunicação compartilha com os alunos a responsabilidade de administrar o tempo de

Essa forma de comunicação compartilha com os alunos a responsabilidade de administrar o tempo de participação nas atividades propostas para o curso. É preciso ter disciplina e uma agenda bem equacionada. Algumas características da comunicação assíncrona são:

Flexibilidade – acesso ao material didático em qualquer lugar e a qualquer hora;

Tempo para reflexão – O tempo poderá ser otimizado para a reflexão sobre o material didático proposto, tempo para ter ideias e preparar os retornos, verificar as referências bibliográficas e possibilidade de acesso ao material, quantas vezes for necessário;

Facilidade de estudo – Possibilita a administração dos estudos de forma a aproveitar todas as oportunidades de tempo, seja no trabalho ou em casa, podendo ocorrer a integração de ideias e discussão sobre o curso em fóruns específicos.

Como exemplo de comunicação ASSÍNCRONA, podemos citar os fóruns de discussão, ferramenta disponível em grande número de AVAs, no qual os assuntos polêmicos podem ser inseridos para que produzam resultados satisfatórios, sem um compromisso direto com o tempo e espaço.

Na análise didático-pedagógica dos processos síncronos e assíncronos, em busca da interatividade entre os sujeitos (professor e alunos) e o conhecimento, parece-nos que os processos síncronos sinalizam com maiores possibilidades de reflexão e de elaboração de novos saberes pelos sujeitos-alunos. É importante destacar, que o nível de sucesso da interação ou de interatividade que acontecerá no curso dependerá da escolha que fizermos entre essas duas formas de comunicação. Nas duas encontraremos vantagens e desvantagens, porém as vantagens irão sempre superar as desvantagens, se a utilização for feita de forma adequada, harmônica e complementar no âmbito de um projeto educacional que envolva os recursos de educação a distância. Há que se ressaltar, no entanto, que o processo síncrono exige recursos tecnológicos mais sofisticados.

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U NIDADE 7 Objetivo: Descrever a evolução da EAD: fases, gerações. Fases da Educação a

UNIDADE 7

Objetivo: Descrever a evolução da EAD: fases, gerações.

Fases da Educação a Distância

Segundo SABA (1997), a Educação a Distância pode ocorrer por diferentes meios de comunicação, dependendo fundamentalmente da tecnologia de transmissão de informação,

isto é, do meio de interação, a ser adotada. Dessa forma, a evolução da EAD pode ser compreendida em função de três fases cronológicas diferenciadas em termos tecnológicos, a

saber:

Uma primeira fase inicial da EAD corresponde à geração textual, que suscitou o autoaprendizado – dos que não podiam estar presentes e atender regularmente à escola - com suporte e apoio pedagógicos centrados apenas em simples textos instrucionais impressos, o que ocorreu predominantemente até a década de 1960.

Uma segunda fase se caracteriza pelo estímulo ao autoaprendizado a distância com suporte

e apoio pedagógicos em textos impressos intensamente complementados com recursos

tecnológicos de multimídia, tais como gravações de áudio e de vídeo, o que ocorreu

principalmente entre as décadas de 1960 e de 1980.

A terceira e atual fase baseia-se no autoaprendizado com suporte, quase exclusivo, de

recursos tecnológicos altamente diferenciados, como os modernos sistemas de telecomunicação digital e via satélite, os computadores pessoais e as redes computacionais locais e remotas como Intranets e lnternet.

Cada uma destas fases expressa à relevância não apenas da trajetória temporal da EAD, mas também pode ressaltar concepções ideológicas diferenciadas, manifestadas nos movimentos da história da educação /ensino a distância neste país.

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É necessário ponderar qual tecnologia será melhor, para cada caso. As classificações das gerações em

É necessário ponderar qual tecnologia será melhor, para cada caso. As classificações das gerações em EAD contribuem para isso, enquanto fontes de análises dos avanços e das possibilidades de ampliação de acesso, tutoria, capacidade interativa. Porém, vale lembrar que, mesmo existindo uma nova geração, com novos meios tecnológicos, aqueles que foram utilizados anteriormente não são abandonados, ou seja, os meios coexistem. Os pressupostos filosóficos irão definir o significado pedagógico do meio e avaliar o contexto sociocultural em que ele é utilizado. Observe o quadro, elaborado por Correa (2000), apresentando os principais aspectos de cada geração:

Gerações de EAD

 

Aspectos

1ª. Geração

2ª. Geração

3ª. Geração

 
 

Popularização

 

Difusão

dos

computadores

e

Marco

da imprensa

Difusão de rádio e TV

telecomunicações

 

Objetivos

Atingir

alunos

Atingir

alunos

Proporcionar uma educação permanente e ocupacional

pedagógicos

desfavorecidos

desfavorecidos

 

Guias

de

   

estudo,

auto-

Programas

Modularização

das

temáticas,

Métodos

 

teletransmitidos,

 

avaliação,

desenhos

didáticos

a

partir das

pedagógicos

instrução

pacotes

didáticos,

necessidades formativas.

programada

mediação passiva

Meios

de

 

Rádio, TV e materiais audiovisuais

Ciberespaço,

 

satélites,

comunicação

Correio

videoconferência

 
Atendimento Atendimento Tutoria Atendimento dependendo de contatos eletrônicos periódico, esporádico,
Atendimento
Atendimento
Tutoria
Atendimento dependendo de contatos
eletrônicos
periódico,
esporádico,

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dependendo dependendo de de contatos telefônicos deslocamentos Aluno/material Aluno/material Interatividade
dependendo dependendo de de contatos telefônicos deslocamentos Aluno/material Aluno/material Interatividade
dependendo
dependendo
de
de
contatos telefônicos
deslocamentos
Aluno/material
Aluno/material
Interatividade Aluno/material
didático
didático/alunos/professores/sistema
didático
educativo

Outra representação da evolução da EAD é a elaborada por Moore e Kearsley (1996) apud

Rodrigues, identificando a característica geral das 3 gerações:

Geração

Início

Características

 

até

Estudo por correspondência, no qual o principal meio de

1ª.

1970

comunicação eram materiais impressos, geralmente um guia de

estudo, com tarefas ou outros exercícios enviados pelo correio.

   

Surgem as primeiras Universidades Abertas, com design e

implementação sistematizadas de cursos a distância, utilizando,

2ª.

1970

além do material impresso, transmissões por televisão aberta,

rádio e fitas de áudio e vídeo, com interação por telefone, satélite

e

TV a cabo.

3ª.

1990

Esta geração é baseada em redes de conferência por computador

e

estações de trabalho multimídia.

A busca dos valores e propósitos educativos envolvidos na seleção e na adoção de cada

meio tecnológico inerentes à EAD, em cada contexto histórico, leva alguns teóricos a propor

a existência de uma 4ª geração em EAD que seria caracterizada pelos consórcios e

parcerias formadas entre universidades. Esta nova geração agregaria todos os meios

tecnológicos e teria como principal vantagem a diminuição do custo operacional das

ferramentas tecnológicas, com a consequente maximização da oferta de vagas. E, neste

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sentido, Demo (1993) reforça a ideia de que, mais do que nunca, educação precisa prevalecer

sentido, Demo (1993) reforça a ideia de que, mais do que nunca, educação precisa prevalecer sobre conhecimento, aprendizagem sobre informação, ética sobre mercantilização.

Evolução da Educação a Distância no Brasil

Santo afirma que as demandas crescentes por educação no Brasil têm contrariado a tendência do que acontece nos países centrais, principalmente, no que se refere ao acesso à universidade. O acesso à educação superior é supostamente um dos caminhos clássicos da mobilidade social. Além disso, o sistema educacional sempre esteve ligado à construção de um projeto nacional elitista, que tem sido contestado pela adoção de políticas de ações afirmativas, modeladas sobre critérios raciais e socioeconômicos. Isto significa que os sistemas educacionais devem expandir suas ofertas de serviços, aumentarem o quantitativo de estudantes matriculados, tanto na formação inicial quanto na continuada.

O aumento dos inúmeros cursos de extensão, graduação e pós-graduação no território brasileiro tem sido favorecido tanto pela legislação quanto pelos recursos técnicos. A expectativa de que a EAD seja o novo milagre educacional é tão prejudicial quanto o preconceito dos que apenas a criticam.

Kiefer (2007) em pesquisa apresenta dados comparativos sobre números relativos à evolução da educação a distância no Brasil, a partir do ano 2000, tais dados foram extraídos do Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância de 2005, lançado pelo Instituto Monitor e pela Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED) em 2004, pelo menos um milhão de brasileiros participaram de algum curso a distância. Deste total 300 mil estavam matriculadas nas 166 entidades credenciadas, como universidades públicas e privadas que seguem a regulamentação específica do poder público. Estes estão distribuídos pelo Ensino Fundamental, Médio, Sequencial, Técnico, Educação de Jovens e Adultos, Graduação e Pós-Graduação.

Este levantamento não considera os ambientes do mundo corporativo e cursos livres como música ou línguas estrangeiras. Mesmo com a falta de dados detalhados para períodos anteriores a 2004 é possível afirmar que houve crescimento da modalidade de ensino a

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distância no Brasil. No caso dos cursos de graduação e pós-graduação é possível, pelos números

distância no Brasil. No caso dos cursos de graduação e pós-graduação é possível, pelos números do Censo MEC, afirmar que a modalidade cresceu 44 (quarenta e quatro) vezes apenas até 2003. Incluindo-se os números de 2004 o crescimento é de 90 vezes.

Segundo Kiefer, temos:

1. Cursos e matrículas em Graduação e Pós-Graduação

ANO

CURSOS

MATRÍCULAS

2000

13

1.758

2001

17

5.480

2002

202

59.772

2003

278

76.769

2004

382

159.366

2005

467

300.829

2. Lançamento de Novos Cursos

ANO

CURSOS

2001

11

2002

19

2003

34

2004

77

2005

321

3. Distribuição geográfica, por Regiões – BRASIL

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REGIAO

% 2004

% 2005

SE

53(*) (**)

47

NE

18,7

13

S

17

25

CO

7,6

10

NO

3,7

5

(*) principalmente, estado de São Paulo

NO 3,7 5 (*) principalmente, estado de São Paulo (*) a região educa 53 % dos

(*) a região educa 53 % dos educandos de EAD ou 163.887 estudantes.

Quanto à mídia mais utilizada, 84 % utilizam o material impresso. Em seguida o e-learning com 63% e o CD ROM 56%, em 2004. No ano de 2005 o material impresso apresenta 86 % e e-learning 56%.

O Anuário Brasileiro Estatístico da Educação a Distância de 2006 confirma o crescimento da modalidade apontando um crescimento de 54% no número de alunos com 504 mil estudantes, em 2005, participantes de cursos nesta modalidade. O Anuário confirma, também, que o meio impresso (apostilas) ainda é o recurso mais utilizado.

Quanto ao Anuário de 2007, há indicação de 2,2 milhões de estudantes em EAD, confirmando mais uma vez o crescimento ao uso desta modalidade de ensino, sendo o número de matrículas em instituições credenciadas 778 mil estudantes.

Em 2006, aponta o anuário de 2007, a região Sul ultrapassa o percentual de participação geográfica da educação a distância no Brasil, ficando a frente da região Sudeste. A região Centro-oeste, também apresenta aumento de participação.

Ainda segundo Kiefer (2007), números de alunos de Educação a Distância no Brasil – Instituições oficialmente credenciadas:

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NÍVEL TIPO DE CURSO ALUNOS ALUNOS 2004 2005 FEDERAL GRADUAÇÂO E TECNOLÓGICOS 89539 109391

NÍVEL

TIPO DE CURSO

ALUNOS

ALUNOS

2004

2005

FEDERAL

GRADUAÇÂO E TECNOLÓGICOS

89539

109391

 

PÓS-GRADUAÇÃO E SEQUENCIAIS

61637

104513

CONSOLIDADO

GRADUAÇÃO E/OU PÓS

8190

86922

FEDERAL TOT.

 

158366

300826

ESTADUAL

EJA/TÉCNICO/FUNDAMENTAL

E

150571

202236

MÉDIO

MUNICIPAL

TÉCNICO

20

1142

TOTAL

 

309957

504204

Fonte: ABRAEAD 2007

Segundo análise do Portal e-learning, o investimento em educação a distância vem crescendo ano a ano, apresentando uma taxa de crescimento de 40% ao ano, mantendo até 2010 este patamar de crescimento, com uma expectativa de movimentar R$ 3 bilhões. Somente em 2005, o movimento foi de R$ 168 milhões, sendo que no período 1999 a 2005 os custos foram de R$ 470 milhões.

Como qualquer instituição de ensino, a evasão também se encontra presente na educação a distância. Pesquisa feita com um grupo de 109 alunos evadidos aponta que a maior causa da desistência é a falta de tempo. Apesar da otimização do tempo de estudo ser possível nesta modalidade, ainda a administração do tempo para estudo parece contribuir para a retirada do aluno do ambiente de estudo. São apontadas, também, as faltas de recursos financeiros para a continuidade dos estudos e a não adaptação ao método como fatores para a desistência.

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U NIDADE 8 Objetivo: Apresentar as leis que regulam as políticas de EAD no Brasil

UNIDADE 8

Objetivo: Apresentar as leis que regulam as políticas de EAD no Brasil

Políticas de EAD no Brasil

A Educação a Distância (EAD) foi regulamentada no Brasil em 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- LDB (lei n° 9394, de 20 de dezembro de 1996), pelo decreto n.º 5.622, publicado no DOU. de 20/12/05 (que revogou o Decreto n.º 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, e o Decreto n.º 2.561, de 27 de abril de 1998) com normatização definida na Portaria Ministerial n.º 4.361, de 2004 (que revogou a Portaria Ministerial n.º 301, de 07 de abril de 1998). Em 3 de abril de 2001, a Resolução n.º 1, do Conselho Nacional de Educação estabeleceu as normas para a pós-graduação lato e stricto sensu.

Seus precursores, os antigos cursos por correspondência e, mais recentemente, os telecursos, ganharam vida nova com o advento da Internet. Aliada aos mais modernos recursos técnicos de comunicação, como CD-ROMs, tele e videoconferências interativas, DVDs, dentre outros, a rede mundial de computadores veio promover uma verdadeira revolução, não apenas tecnológica, mas também social e pedagógica na Educação.

Segundo site do MEC, os principais pontos que se destacam nas leis que regulam a política da EAD no Brasil são:

a) Educação Básica na modalidade de Educação a Distância:

De acordo com o Art. 30º do Decreto n.º 5.622/05, "As instituições credenciadas para a oferta de educação a distância poderão solicitar autorização, junto aos órgãos normativos dos respectivos sistemas de ensino, para oferecer o ensino fundamental e médio a distância, conforme § 4 o do art. 32 da Lei n o 9.394, de 1996, exclusivamente para:

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I - a complementação de aprendizagem;

II - em situações emergenciais.

de aprendizagem ; II - em situações emergenciais. Para oferta de cursos a distância, dirigida à

Para oferta de cursos a distância, dirigida à educação fundamental de jovens e adultos, ensino médio e educação profissional de nível técnico, o Decreto n.º 5.622/05 delegou competência às autoridades integrantes dos sistemas de ensino de que trata o artigo 8º da LDB, para promover os atos de credenciamento de instituições localizadas no âmbito de suas respectivas atribuições.

Assim, as propostas de cursos nesses níveis deverão ser encaminhadas ao órgão do sistema municipal ou estadual responsável pelo credenciamento de instituições e autorização de cursos (Conselhos Estaduais de Educação) – a menos que se trate de instituição vinculada ao sistema federal de ensino, quando, então, o credenciamento deverá ser feito pelo Ministério da Educação.

b)

Distância:

Educação

Superior e

Educação

Profissional

na

modalidade

de

Educação

a

No caso da oferta de cursos de graduação e educação profissional em nível tecnológico, a instituição interessada deve credenciar-se junto ao Ministério da Educação, solicitando, para isto, a autorização de funcionamento para cada curso que pretenda oferecer. O processo será analisado na Secretaria de Educação Superior, por uma Comissão de Especialistas na área do curso em questão e por especialistas em educação a distância. O Parecer dessa Comissão será encaminhado ao Conselho Nacional de Educação. O trâmite, portanto, é o mesmo aplicável aos cursos presenciais.

A qualidade do projeto da instituição será o foco principal da análise. Para orientar a elaboração de um projeto de curso de graduação a distância, a Secretaria de Educação a Distância elaborou o documento “Indicadores de qualidade para cursos de graduação a distância – referenciais de qualidade”, disponível no site do Ministério para consulta. As bases legais são as indicadas no primeiro parágrafo deste texto.

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c) Pós-graduação a distância

c) Pós-graduação a distância A possibilidade de cursos de mestrado, doutorado e especialização a distância foi

A possibilidade de cursos de mestrado, doutorado e especialização a distância foi

disciplinada pelo Capítulo V do Decreto n.º 5.622/05 e pela Resolução nº 01, da Câmara de Ensino Superior-CES, do Conselho Nacional de Educação-CNE, em 3 de abril de 2001.

O artigo 24 do Decreto n.º 5.622/05, tendo em vista o disposto no § 1º do artigo 80 da Lei nº 9.394, de 1996, determina que os cursos de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado) a distância serão oferecidos exclusivamente por instituições credenciadas, para

tal

fim, pela União e obedecem às exigências de autorização, reconhecimento e renovação

de

reconhecimento estabelecido no referido Decreto.

No

artigo 11, a Resolução nº 1, de 2001, também conforme o disposto no § 1º do art. 80 da

Lei nº 9.394/96, de 1996, estabelece que os cursos de pós-graduação lato sensu a distância

só poderão ser oferecidos por instituições credenciadas pela União. “Os cursos de pós-

graduação lato sensu oferecidos a distância deverão incluir, necessariamente, provas presenciais e defesa presencial de monografia ou trabalho de conclusão de curso”.

d) Diplomas e certificados de cursos a distância emitidos por instituições estrangeiras

Conforme o Art. 6º do Dec. 5.622/05, os convênios e os acordos de cooperação celebrados para fins de oferta de cursos ou programas a distância entre instituições de ensino brasileiras, devidamente credenciadas, e suas similares estrangeiras, deverão ser previamente submetidos à análise e homologação pelo órgão normativo do respectivo sistema de ensino, para que os diplomas e certificados emitidos tenham validade nacional.

A Resolução CES/CNE 01, de 3 de abril de 2001, relativa a cursos de pós-graduação, dispõe, no artigo 4º, que “os diplomas de conclusão de cursos de pós-graduação, stricto sensu, obtidos de instituições de ensino superior estrangeiras, para terem validade nacional, devem ser reconhecidos e registrados por universidades brasileiras que possuam cursos de pós-graduação reconhecidos e avaliados na mesma área de conhecimento e em nível equivalente ou superior, em área afim.

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Ainda segundo o site do MEC, vale ressaltar que a Resolução CES/CNE nº 2, de

Ainda segundo o site do MEC, vale ressaltar que a Resolução CES/CNE nº 2, de 3 de abril de 2001, determina no caput do artigo 1º, que “os cursos de pós-graduação stricto sensu oferecidos no Brasil por instituições estrangeiras, diretamente ou mediante convênio com instituições nacionais, deverão imediatamente cessar o processo de admissão de novos alunos”.

Estabelece, ainda, que essas instituições estrangeiras deveriam no prazo de 90 (noventa) dias, a contar da data de homologação da Resolução, encaminhar à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES a relação dos diplomados nesses cursos, bem como dos alunos matriculados, com a previsão do prazo de conclusão. Os diplomados nos referidos cursos “deveriam encaminhar documentação necessária para o processo de reconhecimento por intermédio da CAPES”.

Passado, Presente e Futuro da EAD no Brasil

Nesta última década, a EAD vem fazendo progressos no Brasil. Em 1997, o Brasil tinha apenas um curso de licenciatura aprovado pelo MEC, oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso. Somente em 1998 o MEC apresentou o primeiro arcabouço de legislação para certificação de cursos em EAD. Dessa data em diante começaram a surgir solicitações de aprovação e certificação de curso de graduação.

Em 1998, foram apresentadas ao MEC oito solicitações. Em 1999, foi solicitada a certificação de mais 14 ( catorze) cursos. Em 2000, apenas 5 ( cinco )cursos. Em 2001, 10 (dez) cursos. E até o fim de janeiro de 2002, mais de 23 (vinte e três) cursos de graduação em EAD já haviam solicitado sua certificação. No total foram apresentadas ao MEC, até o início de 2002, 67 solicitações, que correspondem a um total de 75 cursos de graduação. Destes, quinze já foram credenciadas, sendo oito universidades federais; duas universidades estaduais; duas universidades privadas e duas faculdades privadas.

Segundo Gonzáles (2005), até setembro de 2004, a lista de cursos de graduação a distância exibida no site do MEC-SEED figuravam 33 instituições de ensino públicas e privadas. Essa lista nos dá uma ideia das principais áreas (região Sul, Sudeste, Norte, Nordeste, e Centro-

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Oeste) e instituições contempladas com cursos de graduação a distância no Brasil, no ano de

Oeste) e instituições contempladas com cursos de graduação a distância no Brasil, no ano de 2004.

Para obter uma lista atualizada tanto em relação a cursos de graduação como em relação a cursos de pós-graduação lato sensu, no nível de especialização a distância, visite regularmente o site oficial do Ministério da Educação que fornece uma lista de cursos e instituições atualizada semestralmente e, pode ser encontrada no endereço:

http://portal.mec.gov.br/sesu/index.php?option=content&task=view&id=588&Itemid=298

#sudeste.

Ainda segundo pesquisa elaborada por Gonzáles (2005), até 2004, cerca de 25 ( vinte e cinco) cursos de graduação já foram autorizados, quase todos voltados à formação de professores do ensino fundamental. No Brasil, estão matriculados nesses cursos aproximadamente 50.000 alunos. Destes, 40.000 participam de cursos para a formação de professores. Segundo estimativas do MEC, até o final de 2003 mais de 70.000 professores estariam matriculados nesses cursos. Apenas 35 ins tituições de ensino superior estão autorizadas pelo MEC para oferecer curso de graduação a distância.

A preocupação do MEC com a formação de professores do Ensino Fundamental foi muito clara, pois, após a publicação da nova LDB, que exigiu dos professores do Ensino Fundamental das séries iniciais tivessem formação superior até o ano de 2006, houve um salto de aproximadamente 700.000 novas vagas na demanda de cursos de Pedagogia para a formação desses professores. O país não tem como suprir toda essa demanda, num prazo tão restrito, no modo presencial. Isso provocou no MEC a prioridade em aprovar e certificar esses cursos de graduação a distância.

Hoje, o Brasil tem grande competência para oferecer EAD de qualidade e ainda, levá-la às regiões mais remotas do país. Os métodos e técnicas de comunicação atualmente disponíveis permitem que a Educação chegue a milhões de estudantes e, simultaneamente, que milhares de professores sejam preparados, acelerando, sobretudo, a formação desses profissionais de ensino.

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As instituições superiores de ensino estão finalmente começando a atuar de forma clara e decidida

As instituições superiores de ensino estão finalmente começando a atuar de forma clara e decidida em Educação a Distância. E a Educação a Distância começa a aproximar-se da presencial, a sair do nicho em que se encontrava. Na medida em que cada instituição desenvolve sozinha, ou em rede, cursos de graduação, de especialização, de extensão e agora de Pós stricto sensu; vai adquirindo competência, atraindo novos alunos e mercados, perdendo o medo de arriscar e legitimando essa modalidade de educação.

O panorama atual é muito dinâmico. Há uma efervescência de projetos em todas as áreas,

níveis e mercados. As empresas estão buscando processos de capacitação contínua, fazendo parcerias com as melhores universidades. As secretarias de Educação também procuram estas instituições superiores para convênios e cursos. Os 40 mil alunos matriculados em Educação Superior a Distância e o potencial de alunos que pretendem inscrever-se em novos cursos fazem prever um rápido crescimento das instituições mais competentes.

Neste momento temos uma grande diversidade de cursos. Há cursos de curta e de longa duração, há cursos para poucos alunos (menos de 30) e cursos com mais de 15 mil alunos. Há cursos totalmente on-line, virtuais e outros impressos, que utilizam os correios.

Há cursos, com pouca interação e outros com muito intercâmbio, troca, onde se criam comunidades de aprendizagem. A utilização dos meios telemáticos no ensino superior vem avançando, pela liberdade de acesso, baixo custo e facilidade de comunicação.

Os cursos presenciais começam a ser combinados com tempos e espaços não presenciais.

Estamos começando a sair, em determinados momentos, da sala de aula. Começamos a aprender também em ambientes virtuais, combinando-os com os presenciais. E na educação

a distância, com a comunicação on-line, estamos nos encontrando mais, saindo do isolamento que costumava existir.

Segundo Moran (2002), caminhamos para uma flexibilização forte de cursos, tempos, espaços, gerenciamento, interação, metodologias, tecnologias, avaliação. Isso nos obriga a experimentar pessoal e institucionalmente de modelos de cursos, de aulas, de técnicas, de pesquisa, de comunicação. Todas as universidades e organizações educacionais, em todos

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os níveis, precisam experimentar como integrar o presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem significativa.

os níveis, precisam experimentar como integrar o presencial e o virtual, garantindo a aprendizagem significativa. É importante que os núcleos de educação a distância das universidades saiam do seu isolamento e se aproximem dos departamentos e grupos de professores interessados em flexibilizar suas aulas, que facilitem o trânsito entre o presencial e o virtual.

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U NIDADE 9 Objetivo: Aspectos Legais que viabilizam a EAD no Brasil , com destaque

UNIDADE 9

Objetivo: Aspectos Legais que viabilizam a EAD no Brasil, com destaque aos referenciais de qualidade para curso Superior a Distância.

Viabilidade da EAD no Brasil: Aspectos Legais

Segundo o Anuário Brasileiro Estatístico de Educação Aberta e a Distância - ABRAED de

2006 apud Ataíde, mais de 1,2 milhões de brasileiros estudaram a distância em 2005, sendo

62,6% maior que o registrado em 2004. O número de cursos a distância no Brasil cresceu

600% entre 2001 e 2004. Essa expansão acelerada da EAD no Brasil deve-se a sintonia com

a tendência mundial quanto à procura por educação continuada, utilizando os recursos da

mídia.

A quantidade de cursos superiores de graduação, sequencial ou pós-graduação a distância,

passou de 11 em 2001 para 77, em 2004, e o número de instituições autorizadas cresceu em

31%. Todo esse crescimento demanda um acompanhamento por parte do governo, para que

haja qualidade nos cursos ofertados e as instituições ao serem avaliadas aprimorem seus

produtos e serviços.

Os dados mais recentes do Anuário Brasileiro Estatístico da Educação a Distância, relativos

ao ano de 2007 até a conclusão deste trabalho estava em fase de lançamento, em momento

oportuno os mesmos serão divulgados aos alunos.

O Ministério da Educação - MEC, por meio da Secretaria de Educação a Distância - SEED

atua como agente de inovação tecnológica nos processos de ensino e aprendizagem,

fomentando a incorporação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) e das

técnicas de educação a distância aos métodos didático-pedagógicos. O MEC/SEED promove

ainda, a pesquisa e o desenvolvimento, voltados para a introdução de novos conceitos e

práticas.

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A Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases

A Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Artigo 80 estabelece que: "O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada". Essa lei impulsionou as atividades de EAD no Brasil, uma vez que as instituições de ensino sentiram-se mais seguras e amparadas para continuar ou entrar no negócio da Educação a Distância.

Com o objetivo de incentivar e possibilitar que as instituições de ensino superior - IES entrassem na era da Educação a Distância, o MEC lançou a Portaria MEC nº 2.253, em 18 de outubro de 2001, onde no Art. 1º determina: "As instituições de ensino superior do sistema federal de ensino poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem método não presencial". Entretanto, o MEC impôs a limitação de que as IES só poderiam ofertar 20% das disciplinas a distância. Portanto, essa Portaria traz no Art. 1º, o § 1º que diz:

"As disciplinas a que se refere o caput, integrantes do currículo de cada curso superior, não poderão exceder a vinte por cento do tempo previsto para integralização do respectivo currículo. Isso significa que, sem deixar de ofertar a mesma disciplina de forma presencial, as IES poderiam criar turmas a distância.

As instituições privadas assumiram a liderança no oferecimento de disciplinas a distância, que atentaram para a criação on-line daquelas com maior concentração de alunos reprovados e também de disciplinas dos primeiros semestres dos cursos, obrigatórias para os alunos de determinadas áreas, permitindo o atendimento de um maior número de alunos sem a necessidade de aumentar salas de aula.

Em 2005, o Decreto nº 5622, de 19 de dezembro de 2005, regulamentou o Art. 80 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. O Art. 80 diz que "O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação continuada".

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O Art. 1º do referido decreto, caracteriza a EAD como "modalidade educacional na qual a

O Art. 1º do referido decreto, caracteriza a EAD como "modalidade educacional na qual a

mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos". Esse decreto estabelece a organização da EAD, os níveis e modalidades educacionais que poderá ser ofertada e o credenciamento das instituições para oferta de cursos e programas na modalidade a distância.

Esse Decreto estabelece ainda, que os cursos superiores ministrados a distância não poderão ter a duração mínima inferior à definida na modalidade presencial e terão equivalências e aproveitamentos garantidos.

O Decreto nº 5.773, de 09 de maio de 2006, "dispõe sobre o exercício das funções de

regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino". Nesse decreto, é estabelecido que o Ministério da Educação, por intermédio de suas secretarias, é o órgão responsável

pela execução das funções de regulação e supervisão da educação superior, em suas respectivas áreas de atuação. Esse documento traz o detalhamento das competências e atribuições de cada secretaria - Secretaria de Educação Superior, Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica e Secretaria de Educação a Distância, do Conselho Nacional de Educação - CNE, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira - INEP, e da Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior - CONAES.

Esse decreto detalha ainda, as exigências para o Credenciamento e Recredenciamento de IES, bem como as atividades de supervisão e avaliação realizadas pelos órgãos citados no parágrafo anterior.

Referenciais de Qualidade – Foco Educação Superior

Segundo o MEC, no contexto da política permanente de expansão da educação superior no País, a EAD coloca-se como uma modalidade importante no seu desenvolvimento. Nesse

sentido, é fundamental a definição de princípios, diretrizes e critérios que sejam Referenciais

de Qualidade para as instituições que ofereçam cursos nessa modalidade.

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Por esta razão, a SEED/ MEC apresenta, para propiciar debates e reflexões, um documento com

Por esta razão, a SEED/ MEC apresenta, para propiciar debates e reflexões, um documento com a definição desses Referenciais de Qualidade para a modalidade de educação superior a distância no País. Esses Referenciais de Qualidade circunscrevem-se no ordenamento legal vigente em complemento às determinações específicas da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, do Decreto 5.622, de 20 de dezembro de 2005, do Decreto 5.773 de junho de 2006 e das Portarias Normativas 1 e 2, de 11 de janeiro de 2007. Embora seja um documento que não tem força de lei, ele será um referencial norteador para subsidiar atos legais do poder público no que se refere aos processos específicos de regulamentação, supervisão e avaliação da modalidade citada. Por outro lado, as orientações contidas neste documento devem ter função indutora, não só em termos da própria concepção teórico- metodológica da educação a distância, mas também da organização de sistemas de EAD.

A proposta de Referenciais de Qualidade apresentada para a modalidade de Educação Superior a Distância, tendo em vista sua posterior publicação no ano de 2007, atualiza o primeiro texto oficial do MEC, de 2003. As mudanças implementadas são justificadas em razão das alterações provocadas pelo amadurecimento dos processos, principalmente no que diz respeito às diferentes possibilidades pedagógicas, notadamente quanto à utilização de tecnologias de informação e comunicação, em função das discussões teórico- metodológicas que tem permeado os debates acadêmicos.

Os debates a respeito da EAD, que acontecem no País, sobretudo, na última década, têm oportunizado reflexões importantes a respeito da necessidade de modificações de alguns paradigmas que norteiam nossas compreensões relativas à educação, escola, currículo, estudante, professor, avaliação, gestão escolar, dentre outros.

Outro fator importante para o delineamento desses referenciais é o debate a respeito da conformação e consolidação de diferentes modelos de oferta de cursos a distância em curso em nosso País. Neste ponto, é importante destacar a inclusão de referências específicas aos pólos de apoio presencial, que foram contemplados com as regras dos Decretos supracitados e pela Portaria Normativa nº 2, de janeiro de 2007. Assim, o pólo passa a integrar, com especial ênfase, o conjunto de instalações que receberá avaliação externa, quando do credenciamento institucional para a modalidade de educação a distância.

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O Ministério da Educação elaborou , a partir de discussão com especialistas do setor, com

O Ministério da Educação elaborou, a partir de discussão com especialistas do setor, com as

universidades e com a sociedade, Indicadores de Qualidade para essa modalidade de

ensino, que são os seguintes:

Integração com políticas, diretrizes e padrões de qualidade definidos para o ensino como um todo e para o curso específico;

Desenho do projeto: a identidade da EAD;

Equipe profissional multidisciplinar;

Comunicação/interatividade entre professor e aluno (tutoria);

Qualidade dos recursos educacionais;

Infraestrutura de apoio;

Avaliação de qualidade contínua e abrangente;

Convênios e parcerias;

Edital e informações sobre o curso a distância;

Custos de implementação e manutenção.

Esses indicadores têm como objetivo orientar as instituições de ensino superior, a conseguir maior qualidade em seus produtos e processos.

Com o objetivo de incentivar a expansão da EAD o governo federal, aprovou a Lei nº 11.273, de 06 de fevereiro de 2006, que cria bolsas de estudo e de pesquisa para professores envolvidos na educação a distância, tutores e participantes de cursos ou programas de formação inicial. Essa lei garante uma bolsa, além do salário, para professores envolvidos em projetos de EAD e deve acabar com o desinteresse que uma boa parte dos professores tinha pela educação a distância.

A legislação mais recente sobre EAD é a Portaria Normativa 02/MEC, de 10 de janeiro de

2007, que dispõe sobre os procedimentos de regulação e avaliação da educação superior na

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modalidade a distância. Determina que somente IES credenciadas podem ofertar cursos superiores a distância e

modalidade a distância. Determina que somente IES credenciadas podem ofertar cursos superiores a distância e reafirma a necessidade de pólos estruturados para atender as atividades presenciais obrigatórias.

Esses recentes documentos legais são fundamentais para a orientação das IES que querem se inserir no contexto da EAD. Constata-se que o crescente acesso aos meios computacionais por parte da população brasileira, bem como o incentivo e a fiscalização por parte do Ministério da Educação - MEC, nos cursos superiores a distância, têm sido fatores determinantes para a melhoria contínua dos programas de EAD.

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U NIDADE 10 Objetivo: Contextualizar as abordagens pedagógicas em Educação a Distância Abordagem Comportamentalista

UNIDADE 10

Objetivo: Contextualizar as abordagens pedagógicas em Educação a Distância

Abordagem Comportamentalista

Segundo Pereira (2005), o homem criou a máquina à sua própria imagem e semelhança. De lá para cá duas coisas aconteceram: as máquinas tornaram-se mais parecidas com criaturas vivas, e os organismos vivos têm sido encarados cada vez mais como máquinas. As máquinas contemporâneas não são apenas mais complexas, mas são deliberadamente preparadas para operar no mundo muito semelhante ao comportamento humano.

As abordagens tradicionais estão diretamente ligadas à instrução programada e têm como fundamento filosófico principal à teoria comportamentalista. Desse modo, o condicionamento para a formação de hábitos presente na teoria behaviorista de Skinner originou a instrução programada, com suas máquinas de ensinar, que foi a primeira manifestação da tecnologia educacional. Por estar centrada nesta concepção metodológica, a EAD não levava em conta as variáveis que interferem na comunicação humana.

Contrapondo a Instrução Programada (IP) às novas abordagens, pode parecer que esta não tem nem valor, nem qualidades a serem destacadas, o que seria uma posição preconceituosa e inadequada, por isso, a contextualização é fundamental. A Instrução Programada (IP) é colocada como um modelo tradicional de educação a distância por possuir fortes embasamentos teóricos da visão comportamentalista que também existia na modalidade presencial. Além disso, a IP e a transmissão de informações abdicando do conhecimento são as características principais do ensino a distância, que se diferencia da educação à distância.

Segundo Villardi (2003) apud Pereira, a EAD esteve, ao longo do tempo, associada a uma perspectiva de ensino e não de educação: Estruturado sobre “ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos, apoio de uma organização, e tutoria, propiciando a

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aprendizagem independente e flexível dos alunos”, o ensino a distância se caracterizou, entre nós, pelo

aprendizagem independente e flexível dos alunos”, o ensino a distância se caracterizou, entre nós, pelo predomínio da informação sobre a formação, veiculada por meio de material didático de caráter instrucional, muitas vezes, sob enfoque da instrução programada.

A necessidade de externalizar uma ação que exiba um comportamento e manifeste uma

resposta refere-se tanto aos domínios de informações e habilidades quanto aos das atitudes

e estratégias cognitivas. Para Gagné (1968), na situação estimuladora deve-se informar ao aluno o que se espera dele, cabendo a ele evocar coisas anteriormente aprendidas, para relacioná-las com os novos estímulos. Essas orientações facilitariam a evocação e

determinariam a boa direção dos processos intelectuais internos do aprendiz o que diminuiria

a incidência de erros e o tempo gasto com a aprendizagem.

Outro fator relevante é o feedback, ou reforço, que proporciona a fixação da resposta específica e auxilia na motivação do aprendiz. Prevê também uma série de recapitulações que contrabalancem os efeitos do esquecimento e transferem a aprendizagem da memória em curto prazo para a memória em longo prazo possibilitando um armazenamento mais duradouro das respostas ou informações.

Vistas sobre este prisma, as abordagens tradicionais têm o seu valor reconhecido. Afinal, a maioria dos programas de ensino a distância ainda é centrado na IP. As mudanças paradigmáticas propostas estão fundamentadas no ensino de verdades absolutas, o que se opõe à valorização da forma como a aprendizagem é construída e produzida. Como a EAD não deve ser pensada apenas pela via tecnológica, a proposição de um novo modelo filosófico é uma tentativa de seguir adiante na construção de valores educativos capazes de dar conta das expectativas e dos anseios de pessoas que creem ser possível reduzir as discrepâncias sociais e construir, a cada dia, uma educação de qualidade.

Um curso corporativo é caracterizado pelo fato de que o aluno assiste a aulas transmitidas via equipamento de videoconferência e/ou pela Internet e tira suas dúvidas através de fórum de discussão dedicado ao curso, e eventualmente responde uma lista de exercícios, é de fato um curso a distância. Cursos deste tipo podem ser definidos como comportamentalistas, pois o aprendizado se baseia na aquisição do conhecimento disponibilizado pelo tutor, mas

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sem muita margem para desenvolvimento crítico sobre o assunto do curso. Neste caso, o debate

sem muita margem para desenvolvimento crítico sobre o assunto do curso. Neste caso, o debate sobre o tema não faz parte do planejamento didático, a essência do curso está na entrega do conteúdo para rápido consumo e esclarecimentos.

Geralmente cursos comportamentalistas são de curta duração, sem data determinada para iniciar, apenas com prazo para sua conclusão. Não há turmas, o alunado é rotativo e não interage entre si, pois quando um aluno está começando um curso outro pode estar terminando. Na maioria das vezes são voltados para atender demanda de conhecimento sobre tema bastante específico, cujo aluno-alvo é aquele que não tem tempo nem fontes de informação estruturadas para adquirir tal know-how. São cursos geralmente encontrados em sites de empregos e em intranets de corporações. Há inclusive empresas especializadas em gerar cursos deste tipo para revenda. É o fast-food da educação a distância.

É fácil perceber que cursos comportamentalistas demandam do aluno um perfil marcado pela disciplina, autodidatismo e motivação, pois sua rotina é bastante solitária. E mesmo tendo este perfil, estes cursos não são muito apropriados nos casos em que a natureza da matéria implica em propiciar uma percepção crítica do seu conteúdo, afinal há pouco espaço para debates, para colaboração, para construção do conhecimento.

Abordagem Sociointeracionista

Em toda conduta, as motivações e o dinamismo energético provêm da afetividade, enquanto as técnicas e o ajustamento dos meios empregados constituem o aspecto cognitivo (sensório-motor ou racional).

A abordagem sociointeracionista é um paradigma epistemológico que reúne duas concepções teóricas distintas - o construtivismo de Jean Piaget e o sociointeracionismo de Vygotsky – e tem servido de base para a construção de uma nova maneira de se tratar o fazer pedagógico. Para Villardi (2003), Vygotsky é um expoente do construtivismo que por enfatizar a importância da interação recebe outra posição teórica chamada de sociointeracionismo.

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O conceito de aprendizagem significativa pode ser compreendido como a aprendizagem na qual o aluno,

O conceito de aprendizagem significativa pode ser compreendido como a aprendizagem na qual o aluno, a partir do que sabe, e tendo o professor como mediador da informação, reorganiza seu conhecimento de mundo, ao se deparar com novas dimensões. Dessa maneira, o aluno transfere esse novo conhecimento a outras situações ou realidades, descobrindo o princípio e os processos que o explicam, melhorando, portanto, sua capacidade de organização e ampliando-a para outras experiências, ideias, fatos, valores e processos de pensamento que adquirirá dentro ou fora da escola.

Alguns conceitos, como o de ZDP ( zona de desenvolvimento proximal), de Vygotsky, são fundamentais para o embasamento teórico deste novo fazer. Para o autor, a zona de desenvolvimento proximal é a distância entre o nível de desenvolvimento real, que se costuma determinar por meio da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado por intermédio da solução sob a orientação de um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. A partir deste desenvolvimento, o sujeito adquiriria confiança para partilhar suas ações com outros sujeitos. Consideramos “cooperação”, com base em Piaget: cooperar é operar em conjunto, isto é, ajustar, por meio de novas operações (qualitativas ou métricas) de correspondência, reciprocidade ou complementaridade, as ações executadas por cada um dos parceiros.

Diante da descrição acima, temos que um curso se mostra mais eficaz com a abordagem pedagógica construtivista sociointeracional quando o domínio sobre o conteúdo necessita de visão crítica sobre o tema. Estes cursos são munidos de meios mais sofisticados de comunicação, para permitir a interação não apenas entre o professor e o aluno, mas também entre os alunos. Geralmente têm maior duração, com data para início e conclusão, além de

cronograma de atividades.

Os cursos sociointeracionais são assim chamados porque suas atividades de aprendizado envolvem tanto atividades individuais quanto trabalhos em grupo. Além dos elementos componentes de um curso comportamentalista, há a criação de grupos virtuais de estudo, que realizam trabalhos em conjunto e colaboram para a suplementação do conteúdo abordado, de modo a propiciar a construção do conhecimento, o aprimoramento da inteligência coletiva. Os resultados do trabalho e/ou a experiência de um aluno, os debates

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entre diferentes alunos ou grupos, a discussão com o tutor sobre o tema, acabam colaborando

entre diferentes alunos ou grupos, a discussão com o tutor sobre o tema, acabam colaborando para o enriquecimento do curso como um todo.

Para o fornecimento de cursos desta natureza a tecnologia empregada para gerenciar os processos interativos é bem mais sofisticada, o planejamento didático e a gestão do processo educacional têm que ser mais bem elaborados. Estes cursos são mais difíceis de encontrar, pois não dependem apenas de conteúdo e tecnologia, precisam de recursos humanos bem capacitados para sua administração. Geralmente são encontrados na Internet, em forma de cursos de especialização ou de extensão, fornecidos por Instituições de Ensino Superior.

Ambos os tipos de curso a distância são válidos, desde que se observe a sua adequação ao tema abordado, aos objetivos esperados e principalmente ao perfil do público a que se destina. É de se esperar que o maior esclarecimento sobre o tema permita ao leitor discernir sobre o que lhe é ofertado em forma de educação a distância, de modo a ingressar apenas em processos educacionais compatíveis com seus objetivos e seu perfil, afinal este paradigma pedagógico estará cada vez mais presente em nossas vidas daqui em diante.

Faça uma reflexão com o máximo de 25 e o mínimo de 20 linhas sobre
Faça uma reflexão com o máximo de 25 e o mínimo de 20 linhas sobre impactos da
EAD na Educação
Antes de dar continuidade aos seus estudos é fundamental que você acesse sua
SALA DE AULA e faça a Atividade 1 no “link” ATIVIDADES.

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U NIDADE 11 Objetivo: Descrever as características do ensino presencial e a distância. Do Presencial

UNIDADE 11

Objetivo: Descrever as características do ensino presencial e a distância.

Do Presencial ao Virtual

Segundo Abreu, a informática incorpora-se à vida cotidiana no virar do milênio, mesmo que seus modos e seus usos sejam, ainda, privilégio de poucos. Com a mediação digital e com o uso da Internet remodelando certas atividades cognitivas fundamentais que envolvem linguagem, sensibilidade, conhecimento e imaginação inventiva, o indivíduo vê -se diante de novas exigências a sua inclusão social, porque, se não tiver habilidades desenvolvidas e construídas, as competências necessárias ao uso dessa ferramenta, terá limitada sua participação nos processos sociais – um entrave ao exercício da cidadania.

Considerada um dos meios de inclusão social, a educação vive, na atualidade, uma mudança de paradigmas diante de uma sociedade letrada e tecnológica, que demanda um novo perfil de cidadão. A EAD consolidou-se como uma modalidade alternativa de aprendizagem, que usa as novas Tecnologias de Comunicação e Informação como possibilidade de interação no espaço virtual. Assim, surgiram diversos programas de formação continuada para a capacitação de profissionais da educação, a fim de amenizar os impedimentos gerados pela distância geográfica, alargando a oferta de uma educação de boa qualidade à população.

Para atender a demanda com qualidade, buscam-se nos ambientes virtuais e no material didático dos cursos de EAD uma linguagem que se distancie do "cuspe e giz" e se constitua como uma possibilidade de oferecer experiências de aprendizagem colaborativa que se traduzam como avanço cognitivo para os alunos. Esse tipo de ambiente de aprendizagem deve estar relacionado a um modelo educacional voltado para o estímulo ao compartilhamento de informações e a construção do conhecimento individual e coletivo, de modo que possa favorecer a interação entre os indivíduos e o grupo, pois o fato de utilizar

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ferramentas tecnológicas e de interação não é o suficiente para garantir a qualidade, e muito

ferramentas tecnológicas e de interação não é o suficiente para garantir a qualidade, e muito menos a construção do conhecimento na modalidade de educação realizada a distância.

Ensino a Distância versus Ensino Presencial

Nota-se neste cenário uma tendência: o presencial se virtualiza e a distância se presencializa. Os encontros em um mesmo espaço físico se combinam com os encontros virtuais, a distância, através da Internet. E a educação a distância cada, vez mais, aproxima as pessoas, pelas conexões on-line, em tempo real, que permite que professores e alunos falem entre si e possam formar pequenas comunidades de aprendizagem.

A educação presencial e a distância começam a ser fortemente modificadas e todos nós, organizações, professores e alunos somos desafiados a encontrar novos modelos para novas situações. Ensinar e aprender, hoje, não se limita ao trabalho dentro da sala de aula. Implica em modificar o que fazemos dentro e fora dela, no presencial e no virtual, organizar ações de pesquisa e de comunicação que possibilitem continuar aprendendo em ambientes virtuais, acessando páginas na Internet, pesquisando textos, recebendo e enviando novas mensagens, discutindo questões em fóruns ou em salas de aula virtuais, divulgando pesquisas e projetos.

Segundo Peters (2003) apud Diefenbach, muitos docentes consideram que a única diferença existente entre o ensino presencial e o ensino a distância é apenas a “distância”, ficando o processo de ensino-aprendizagem idêntico. Para o autor, esta abordagem está equivocada, pois o ensino a distância tem uma abordagem diferenciada, pois os estudantes, objetivos, métodos, mídias e estratégias, são diferentes da educação convencional.

Uma das principais diferenças existentes entre estes dois tipos de ensino: presencial e a distância, está relacionada ao fato do educador estar fisicamente com o aluno. Não se pode deixar de ressaltar que, com o ensino presencial, identifica-se, através do olhar, das falas, dos gestos, da expressão oral e corporal dos envolvidos, as dificuldades dos alunos, o que facilita a comunicação entre o professor e o aprendiz; na EAD, isso não acontece. Ainda pode-se identificar atividades que se tornam bem mais construtivas, em sala de aula, do que via computador, como é o caso das explicações dos professores e das trocas de

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experiências. Isso ocorre porque os docentes podem verificar a reação de cada estudante diante da

experiências. Isso ocorre porque os docentes podem verificar a reação de cada estudante diante da sua exposição, o que lhes permite auxiliar o aluno em suas necessidades (PETERS, 2003).

Outro fator importante, que deve ser levado em conta, é a preparação dos materiais didáticos. Para o ensino a distância, é importante que o material seja elaborado por uma equipe multi ou interdisciplinar, assim como, que seja incorporado no material, as melhores técnicas para o aprendizado dos alunos, visando à melhor prática pedagógica para as várias tecnologias utilizadas. Isso é um fator que facilita o processo de ensino-aprendizagem, como também estimula os alunos a estudarem e a construírem seus conhecimentos com maior autonomia. É relevante passar aos discentes envolvidos, materiais complementares para estudo; disponibilização de assuntos que possam despertar o interesse dos alunos, auxiliando-os assim, na formação de um pensamento crítico e analítico.

Outro aspecto necessário em abordar é o papel do professor no contexto presencial e virtual, pois a explosão de usos da rede mundial de computadores para os mais variados propósitos educacionais têm proporcionado uma nova forma de atuação para os professores - o ambiente on-line.

Como os professores que vêm atuando em cursos on-line normalmente têm experiência em contextos presenciais, uma boa parte da literatura sobre o papel do professor on-line (aquele que atua em cursos via Internet) trata de comparações entre as modalidades: presencial e virtual e, da passagem de uma para outra.

É preciso lembrar, entretanto, que não existe uma única forma de educação presencial, nem uma única forma de educação a distância (EAD) on-line. O que se pode comparar são as possibilidades e potencialidades de cada meio, as práticas mais comuns na sala de aula convencional e aquelas que vêm sendo utilizadas em cada tipo de curso on-line.

Segundo Sherry (1998), o professor passa a se ver como um orientador - que apresenta modelos, faz mediações, explica, redireciona o foco e oferece opções - e como um

coaprendiz que colabora com outros professores e profissionais. A maioria dos professores ou instrutores que utilizam atividades de ensino mediadas pelo computador prefere assumir o

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papel de moderador ou facilitador da interação ao papel do especialista que despeja conhecimento no

papel de moderador ou facilitador da interação ao papel do especialista que despeja conhecimento no aluno (Sherry, 1998; Berge, 1997).

Sherry (1998) destaca, entretanto, que cabe ao professor decidir seu grau de envolvimento e intervenção nas diversas atividades e contextos de comunicação em rede, optando, por exemplo, por se excluir de discussões e dando mais liberdade para os alunos ou, por outro lado, mantendo uma forte presença na conversação para corrigir, informar, opinar, convidar alunos para participar.

A redefinição dos papéis dos professores pelo uso da tecnologia envolve questões como estilos de ensino, necessidade de controle por parte do professor, concepções de aprendizagem e a percepção da sala de aula como um sistema ecológico mais amplo, no qual os papéis de professores e alunos estão começando a mudar.

Gunawardena (1992) relata que, ao decidir adotar para sua prática pedagógica on-line um modelo centrado no aluno, na interação e cooperação entre participantes, encontrou dificuldades em abrir mão do controle da sala de aula tradicional e percebeu que alguns alunos encontraram igual dificuldade em assumir responsabilidade pela sua própria aprendizagem e solicitaram apoio constante.

Pesquisas (como a de Berge, 1997) sugerem que o processo de transição para o ensino on- line é mais fácil para professores filosoficamente orientados para o ensino centrado no aluno por estarem mais acostumados à discussão e à interação.

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U NIDADE 12 Objetivo: Contextualizar a importância da interação e comunicação para a construção do

UNIDADE 12

Objetivo: Contextualizar a importância da interação e comunicação para a construção do conhecimento em EAD.

A Importância da Interação e Comunicação em EAD

As tecnologias da informação vêm modificando a forma de interação entre pessoas,

encurtando caminhos, ou diminuindo as distâncias. Estas interações podem se dar tanto

entre indivíduos quanto entre indivíduo e uma máquina. Desde o telefone, até o e-mail, que é

um caso mais barato, há disponível para o usuário uma série de instrumentos comunicativos

facilitando estas interações.

Tem dois conceitos importantes nesse processo: interação e interatividade. A interação pode

ser definida como uma ação recíproca entre os sujeitos, que pode ser direta ou indireta,

mediatizada por algum veículo técnico de comunicação, como por exemplo, carta ou

telefone. A interatividade é a atividade humana do usuário de agir sobre a máquina, e de

receber em troca uma “retroação” da máquina sobre ele.

O processo de interação e a comunicação são fundamentais para a construção do

conhecimento. Segundo Davemport (1998) a informação é matéria-prima para o

conhecimento, isto é, a informação é o primeiro passo para conhecer. Conhecer é relacionar,

integrar, contextualizar, fazer nosso o que vem de fora. Conhecer é saber, é desvendar, é ir

além da superfície, do previsível, da exterioridade. Conhecer é aprofundar os níveis de

descoberta, é penetrar mais fundo nas coisas, na realidade, no nosso interior. Conhecer é

conseguir chegar ao nível da sabedoria, da integração total, da percepção da grande síntese,

que se consegue ao comunicar-se com uma nova visão do mundo, das pessoas e com o

mergulho profundo no nosso eu. O conhecimento se dá no processo rico de interação

externo e interno. Pela comunicação aberta e confiante desenvolvemos contínuos e

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inesgotáveis processos de aprofundamento dos níveis de conhecimento pessoal, comunitário e social. Conseguimos

inesgotáveis processos de aprofundamento dos níveis de conhecimento pessoal, comunitário

e social.

Conseguimos compreender melhor o mundo e os outros, equilibrando os processos de interação e de interiorização. Pela interação entramos em contato com tudo o que nos rodeia; captamos as mensagens, nos revelamos e ampliamos a percepção externa. Mas a compreensão só se completa com a interiorização, com o processo de síntese pessoal, de reelaboração de tudo o que captamos através da interação.

Com a presença da tecnologia da informação em todas as áreas, um dos eixos de intensas mudanças é o da educação. A educação passa pela sua transformação em um processo de comunicação autêntica e aberta entre professores e alunos. O aprendizado só ocorre dentro de um contexto comunicacional participativo, interativo, vivencial. No entanto, é importante destacar que, com ou sem tecnologias avançadas, podemos vivenciar processos participativos de compartilhamento de ensinar e aprender (poder distribuído) através da comunicação mais aberta, confiante, de motivação constante, de integração de todas as possibilidades da aula-pesquisa/aula-comunicação. Isto num processo dinâmico e amplo de informação inovadora, reelaborada pessoalmente e em grupo, de integração do objeto de estudo em todas as dimensões pessoais: cognitivas, emotivas, sociais, éticas e utilizando todas as habilidades disponíveis do professor e do aluno.

O melhor canal de interação entre educandos e educadores, hoje em dia, é a EAD. Pelo

menos é o mais eficiente, pois as mensagens emitidas podem ser selecionadas e ainda terão

a ajuda de elementos auxiliares de aprendizagem que são riquíssimos. O uso da EAD como

modalidade fundamental de aprendizagem e ensino, no mundo inteiro, parte de um conceito extremamente simples: alunos e professores estão separados somente por certa distância e, às vezes, pelo tempo, mas possuem o suporte tecnológico, que como um paradoxo, os

aproxima.

O emprego da EAD é muito mais do que o uso puro e simples de tecnologia numa sala de aula. A visão que temos é muito mais ampla, a ela associando-se a interatividade, numa correspondência biunívoca de ensino e resposta, em que o lucro é a apreensão de

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conhecimentos. Esse conceito é o mais completo, não se limitando ao que se denomina "aprendizagem

conhecimentos. Esse conceito é o mais completo, não se limitando ao que se denomina "aprendizagem a distância", esta mais restrita. Abaixo se tem a descrição de ferramentas que auxiliam a interação juntamente com a forma de aplicação.

Exemplos de Ferramentas que Potencializam a Interação em EAD

Exemplos de Interação Através da Tecnologia:

Listas e fóruns de discussão - A participação em listas e fóruns de discussão permite ao usuário a interação com os parceiros tanto no que se refere à troca de informações e discussão de cunho teórico, quanto à resolução conjunta de problemas. Por permitir a

expressão, discussão e contraposição de ideias entre os sujeitos, é um recurso que promove

a aprendizagem e possibilita a construção do conhecimento.

É preciso criar situações para que esse aluno estabeleça relações. Para que estabeleça relações entre relações, que faça construções renovadas e reinvente as noções que se pretende que ele aprenda. Só assim se alcança a compreensão de um conhecimento”. (Nitzke, 2002) apud Dutra. Tanto as listas quanto os fóruns de discussão podem abranger várias temáticas, as quais são organizadas de forma a permitir a participação do usuário em cada uma delas.

Bloggers - O uso de bloggers tem se difundido nas escolas por permitir o registro de forma rápida e simples. O blog funciona como um diário no qual o usuário (aluno ou professor) pode registrar atividades, eventos ou impressões acerca de determinado assunto. O blog pode ser usado também como registro de grupo, uma vez que, compartilhado o endereço da publicação, vários usuários podem acrescentar informações ao diário construído.

A construção de um blog pode ser feita, por exemplo, a partir do site www.blogger.com.br.

Uma vez feito um cadastramento do usuário e definida uma senha, ela pode ser compartilhada por um grupo no caso de construção coletiva. É possível inserir imagens e alterar os dados postados. Os alunos e professores parceiros têm desenvolvido bloggers para relatar atividades, documentar eventos e planejar desafios cooperativos. O acesso ao blog é feito diretamente no endereço de publicação. A construção de um blog de forma

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cooperativa também possibilita a interação entre os sujeitos e promove a troca de ideias e

cooperativa também possibilita a interação entre os sujeitos e promove a troca de ideias e a resolução de desafios de forma colaborativa.

Chat

O chat propicia quatro momentos on-line de uma discussão, os quais geralmente não são normalmente vivenciados em uma aula presencial:

leitura

de

uma

simultaneamente);

mensagem

tradução

(que

interpretações, fundamentando a resposta;

podem

ser

várias,

contextualização (aspectos críticos sobre a informação);

e a reflexão, que envia a resposta no mesmo momento em que chegam novas mensagens, que podem, inclusive, ser uma parte ou o todo de uma resposta).

Sendo assim, o chat torna-se também importante ferramenta para troca de informações

e aprendizagem, já que exige rapidez de raciocínio para a interpretação das

mensagens e habilidade de síntese para elaborar respostas e questionamentos.

Podemos então concluir que: a interação é o principal operador de transformação do ensino/aprendizagem. Os recursos tecnológicos descritos recriam e ampliam as construções

individuais ou dos pequenos grupos a partir dos confrontos de experiências e conhecimentos

da comunidade em EAD.

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U NIDADE 13 Objetivo: Contextualizar o uso das tecnologias da informação e comunicação para dar

UNIDADE 13

Objetivo: Contextualizar o uso das tecnologias da informação e comunicação para dar suporte a EAD.

Educação a Distância e Tecnologia de Comunicação

Desde o surgimento, as diferentes tecnologias incorporaram-se ao ensino com a finalidade

de criar suporte às propostas. Livros, cartilhas, guias redigidos, foram às propostas iniciais de

apoio pedagógico. A televisão e o rádio foram suporte para a década de 70; áudios e vídeos

na década de 80. Na década de 90, redes de satélites, correio eletrônico, internet e

programas concebidos especialmente para suporte informático aparecem como os desafios

para os programas da modalidade.

Hoje, entende-se que o desenvolvimento da tecnologia atual favorece a criação e o

enriquecimento das propostas na modalidade a distância permitindo tratar, de maneira ágil,

inúmeros projetos de temas, gerando formas de aproximação docente-aluno e alunos entre

si. Resolve-se, assim, o problema da interatividade, gerando uma proposta inovadora de

socialização intermediada por tecnologias, mas sem deixar de centrar o seu foco principal

que é a troca de experiências e ideias entre pessoas e saberes.

A tecnologia e a interatividade estão cada vez mais presentes na vida, e são necessárias do

ponto de vista de lazer ou trabalho ao cotidiano das pessoas. Desde a mais tenra idade, a

“geração web”, estabelecendo para a geração atual uma intimidade com o uso de

computadores, elemento de troca de informações cada vez mais ágil e com capacidade de

armazenamento e recursos a serem explorados cada vez maiores. (Kiefer, 2007)

Contudo, quebrar com os padrões estabelecidos não é imediato nem fácil, por isso, a

necessidade de investir em uma educação a distância com qualidade validará esta

modalidade como forma qualificada e democratizadora de educação.

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Contribuição das TIC’s Aplicadas à EAD

Contribuição das TIC’s Aplicadas à EAD Com o uso das TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação),

Com o uso das TIC’s (Tecnologias da Informação e Comunicação), têm-se as distâncias entre as pessoas reduzidas, uma vez que podemos nos comunicar, em tempo real, com pessoas em qualquer parte, e que os tempos tornaram-se mais urgentes, pois a disponibilidade de informações cresce a uma taxa exponencial, assim como a demanda por profissionais cada vez mais qualificados, o que exige uma constante formação destes.

Pode-se assim, definir tecnologia da informação como a combinação de recursos de processamento (hardware, software, bancos de dados, etc.), todos organizados de maneira a obter como produto final uma informação.

Hoje a internet, uma das vertentes do fenômeno conhecido como convergência digital das tecnologias da informação e comunicação (TIC), propicia uma comunicação eficiente integrando imagem, voz, transmissão de dados de forma instantânea. Desta forma é possível realizar a comunicação sem, contudo, se restringir aos aspectos espaciais. Neste contexto globalizado, as informações são difundidas em tempo real para as diferentes partes.

Mesmo não sendo universalizado, o acesso à internet, quando ocorre, torna possível às pessoas que, por exemplo, não podem se locomover ou que não disponham de tempo, em horários regulares, dedicarem-se ao estudo, em cursos regulares de formação inicial ou continuada. Desse modo, a ampliação e as facilidades da EAD na atualidade significam uma forma de democratização, inclusão social e de capitalização do conhecimento.

A presença das ferramentas tecnológicas na educação nos faz refletir sobre a utilização na formação inicial e continuada de professores. Acreditamos que em um curso adequadamente desenvolvido para utilizar as TIC’s seja possível oferecer aos professores em formação (seja na qualidade de professores-tutores ou mesmo de alunos) uma aproximação e uma possível apropriação destas ferramentas para a organização e gerenciamento do processo de ensino - aprendizagem.

Diversos são os fatores que concorrem para viabilizar a utilização das TIC’s na formação de professores. O pensamento, a comunicação e a forma do trabalho podem ser transformados

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pelas TIC’s, pois estas possibilitam uma maior interação e participação, fazendo com que um número

pelas TIC’s, pois estas possibilitam uma maior interação e participação, fazendo com que um número maior de pessoas seja atingido no âmbito da EAD. Elas também permitem a criação de redes e de (auto) formação compartilhada, troca de experiências e divisão de saberes que estabelecem espaços de formação mútua, em que cada professor é convocado a exercer, ao mesmo tempo, o papel de formador e de formado (REQUE, 2005).

Segundo Martins e Campestrini (2004), há uma preocupação crescente, com relação à construção do conhecimento pelo estudante, a qual se apresenta fortemente ligada aos ambientes de aprendizagem. Nesses ambientes, os indivíduos ativos se destacam na construção de seus próprios conhecimentos.

Eles ainda devem possibilitar a interação entre o aprendiz e o objeto de estudo. O objetivo desta interação é integrar o objeto de estudo e a realidade do sujeito. Ao aproximarmos o sujeito das possibilidades oferecidas com o uso das TIC’s em sala de aula, a formação do indivíduo vai ao encontro da realidade já vivenciada da chamada ‘era da informação’.

O papel da interação nas atividades educacionais não presenciais, mediadas pela internet, tem alcançado grande relevância em pesquisas relacionadas às TIC’s.

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U NIDADE 14 Objetivo: Contextualizar a revolução tecnologica na educação e os aspectos relacionados ao

UNIDADE 14

Objetivo: Contextualizar a revolução tecnologica na educação e os aspectos relacionados ao novo ensino.

Revolução Tecnológica na Educação

As tecnologias começam a afetar profundamente a educação que sempre esteve, e

continua, presa a lugares e tempos determinados: escola, salas de aula, calendário escolar,

grade curricular. Há vinte anos, para aprender oficialmente, tínhamos que ir a uma escola. E

hoje? Continuamos, na maioria das situações, indo ao mesmo lugar, obrigatoriamente, para

aprender. As mudanças que existem ainda são pequenas.

As tecnologias chegaram á escola, mas estas sempre privilegiaram mais o controle a

modernização da infraestrutura e a gestão do que a mudança. Os programas de gestão

administrativa estão mais desenvolvidos do que os voltados à aprendizagem. Há avanços na

virtualização da aprendizagem, mas só conseguem arranhar superficialmente a estrutura

pesada em que estão estruturados os vários níveis de ensino.

Apesar da resistência institucional, as pressões pelas mudanças são cada vez mais fortes.

As empresas estão muito ativas na educação on-line e buscam nas universidades mais

agilidade, flexibilização e rapidez na oferta de educação continuada. Os avanços na

educação a distância, com a LDB e a Internet, estão sendo notáveis. A LDB legalizou a

educação a distância e a Internet lhe tirou o ar de isolamento, de atraso, de ensino de

segunda classe. A interconectividade que a Internet e as redes desenvolveram nestes

últimos anos está começando a revolucionar a forma de ensinar e aprender.

Estas revoluções impulsionadas pelas TIC’s evoluem em quatro dimensões fundamentais,

segundo Carly Fiorina, ex-presidente da Hpackard: do analógico para o digital (digitalização);

do físico para o virtual (virtualização); do fixo para o móvel (mobilidade); do massivo para o

individual (personalização).

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A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por qualquer meio, em

A digitalização permite registrar, editar, combinar, manipular toda e qualquer informação, por

qualquer meio, em qualquer lugar, a qualquer tempo. A digitalização traz a multiplicação de possibilidades de escolha, de interação.

A mobilidade e a virtualização nos libertam dos espaços e tempos rígidos, previsíveis,

determinados. As tecnologias que num primeiro momento são utilizadas de forma separada

– computador, celular, Internet, mp3 (e outros), câmera digital – e caminham na direção da convergência, da integração, dos equipamentos multifuncionais que agregam valores.

O computador continua, mas ligado à internet, à câmera digital, ao celular, ao mp3,

principalmente nos pockets ou computadores de mão. O telefone celular é a tecnologia que atualmente mais agrega valor: é wireless (sem fio) e rapidamente incorporou o acesso à Internet, à foto digital, aos programas de comunicação (voz, TV), ao entretenimento (jogos, música-mp3) e outros serviços.

Aspectos do Novo Modelo de Ensino

A escola é uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido

bravamente às mudanças. Os modelos de ensino focados no professor continuam

predominando, apesar dos avanços teóricos em busca de mudanças do foco do ensino para

o de aprendizagem. Tudo isto nos mostra que não será fácil mudar esta cultura escolar

tradicional, que as inovações serão mais lentas, que muitas instituições reproduzirão no virtual o modelo centralizador no conteúdo e no professor do ensino presencial.

A maior parte dos cursos presenciais e on-line continua focada no conteúdo, focada na

informação, no professor, no aluno individualmente e na interação com o professor/tutor. Convém que os cursos hoje – principalmente os de formação – sejam focados na construção do conhecimento e na interação; no equilíbrio entre o individual e o grupal, entre conteúdo e interação (aprendizagem cooperativa), um conteúdo em parte preparado e em parte construído, ao longo do curso.

Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, fica muito difícil a autonomia, a organização pessoal, indispensáveis para os

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processos de aprendizagem a distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para

processos de aprendizagem a distância. O aluno desorganizado poderá deixar passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade, a distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. No presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar a quem queiram voltar a participar do curso. A distância será possível, mas não fácil.

Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da desmotivação a longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática.

Em sala de aula, se estivermos atentos, podemos mais facilmente obter feedback dos problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por e-mail, que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso a distância encarece o custo final.

Segundo Gonzáles (2005), existem várias razões pelas quais um aluno abandona um curso a distância iniciado com visível empolgação e entusiasmo. Os especialistas são unânimes em afirmar que as causas da evasão no ensino a distância não são muito diferentes daquelas ocorridas no modelo de ensino presencial. Isso reforça a percepção de que os fatores motivacionais ou desmotivacionais estão presentes em toda e qualquer interatividade humana.

Conhecendo-se as causas, podem-se empreender ações preventivas que ajudem a re- duzir a evasão escolar em qualquer uma das modalidades de ensino.

Dentre as várias causas detectadas por professores-tutores em várias instituições de ensino a distância, foram observadas as seguintes principais causas de evasão:

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. Conteúdos confusos, com linguagem inadequada ao nível do aluno (muito pob re ou extremamente

.Conteúdos confusos, com linguagem inadequada ao nível do aluno (muito pob re ou extremamente sofisticada);

Interface com poucos recursos ou extremamente complexa;

Falta de acompanhamento sistemático dos professores-tutores;

Excesso de atividades solicitadas;

Pouco tempo para o cumprimento das tarefas propostas;

Falta de condições financeiras para prosseguir o curso;

Mudança de foco pessoal ou profissional por parte do aluno.

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U NIDADE 15 Objetivo: Refletir sobre o aprendizado cooperativo e colaborativo em Ambientes Virtuais e

UNIDADE 15

Objetivo: Refletir sobre o aprendizado cooperativo e colaborativo em Ambientes Virtuais e suas configurações.

Concepções sobre Aprendizado Cooperativo e Colaborativo

O aprendizado colaborativo em ambientes virtuais de aprendizagem tem sido um dos focos

de inúmeras intuições de ensino superior.

Quando aprendizes interagem e trabalham colaborativamente, constroem conhecimento de

modo mais significativo, desenvolvem habilidades intra e interpessoais, deixam de ser

independentes para serem interdependentes. A interação e interatividade são caminhos

fundamentais de investigação. O conhecimento é construído conjuntamente, ou seja,

construído de forma coparticipativa, porque existe interatividade. (Okada, 2003)

Todos podem participar e intervir no processo através da criação e reconstrução das

mensagens (coautoria), com opção para selecionar, combinar, permutar estas informações e

produzir outras narrativas possíveis na sua potencialidade. (Silva, 2000)

O trabalho individual também é importante. As leituras, as reflexões, internalizações e

sínteses são fundamentais para construção do conhecimento. Porém, esse processo de

aprendizagem ganha maior amplitude e dimensão quando acontece também com o trabalho

coletivo.

Para alguns autores como: Cohen (1986), Johnson & Johson (1978), Sharam (1980), Slavin

(1985) apud Okada, o aprendizado colaborativo e o cooperativo se diferem em alguns

aspectos, principalmente em termos de objetivos e intenções. No aprendizado cooperativo, é

estimulado o trabalho em conjunto visando atingir um propósito em comum, ao invés do

aprendizado individualista e competitivo. No aprendizado colaborativo, não existe

necessariamente um único propósito coletivo. No ambiente colaborativo, é encorajada a

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interação visando principalmente a descentralização do papel do professor, todos são aprendizes e podem contribuir

interação visando principalmente a descentralização do papel do professor, todos são aprendizes e podem contribuir um com o outro

Bruffee (1999) apud Okada afirma que outra diferença está relacionada com o tipo de atividades propostas para os participantes. No aprendizado cooperativo, os aprendizes trabalham com problematizações bem claras e definidas, nas quais os participantes podem cooperar um com o outro, socializando as suas aptidões e desenvolvendo mais habilidades necessárias para busca de soluções.

No aprendizado colaborativo, os aprendizes confrontam situações complexas e incertas da vida real e, são incentivados ao questionamento, à troca e reflexão coletiva, ao consenso, à crítica e autocrítica, à autonomia no seu próprio processo de aprendizagem.

Estruturas e Interfaces em Ambientes Virtuais Colaborativos de Aprendizagem

Para compreender melhor ambientes virtuais colaborativos e cooperativos é necessário não só refletir sobre a concepção de colaboração e cooperação, mas também, analisar as estruturas e interfaces contidas nestes ambientes.

As tecnologias digitais de comunicação e informação estão possibilitando configurar novos espaços de aprendizagem interativos e hierárquicos, permitindo assim, romper com o paradigma diretivo/linear para o interativo/construtivo.

Neste sentido, a Educação a Distância representa um passo à frente rumo à formação continuada, à construção coletiva de conhecimentos e redes colaborativas de aprendizagem, pois permite uma contínua especialização. Schrum (1998).

Qualquer usuário de qualquer ponto pode trocar informações rapidamente com baixíssimo custo, rearticular ideias individualmente e coletivamente, partilhar novos sentidos, socializar saberes e compartilhar novos consensos com todos os usuários da rede.

Emissores e receptores não são vistos mais como dois grupos distintos com mensagens estáticas, e sim, um grande grupo emissor/receptor que pode constantemente reconstruir conhecimentos.

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Entretanto os simples usos das tecnologias digitais de comunicação e informação não implicam em ambientes

Entretanto os simples usos das tecnologias digitais de comunicação e informação não implicam em ambientes virtuais colaborativos onde participantes poderão contribuir reforçar laços de afinidade e se constituírem como comunidades. A tradicional concepção de sala de aula com alunos expectadores diante de um professor-especialista detentor da informação ainda pode ser encontrada tanto nos ambientes presenciais quanto nos virtuais.

Segundo Palloff e Pratt (1999), algumas dinâmicas para promover o aprendizado colaborativo são fundamentais:

Formular um objetivo comum para aprendizagem. A projeção de objetivos comuns é um componente fundamental para promover a colaboração. Para isto, o professor pode usar uma variedade de técnicas para conduzir na direção de um objetivo comum, como por exemplo:

a negociação das diretrizes do curso. Isto significa estimular a discussão visando o consenso;

a socialização de apresentações pessoais e expectativas;

comentários incentivadores sobre as apresentações pessoais.

Estimular a busca de exemplos da vida real. Problematizações relacionadas com a vida real permitem o envolvimento com um contexto coletivo, facilita também a participação no ambiente através de circunstâncias que a maioria pode vivenciar. Para isto, a estratégia é também elaborar tarefas relacionadas a situações do cotidiano.

Estimular o questionamento inteligente. Estimular a elaboração de perguntas de modo inteligente significa que o professor não deve dominar o diálogo, e sim, incentivar perguntas que promovam a investigação e conduzam a reflexão. Para isto, o professor deve questionar incentivando que os alunos façam também o mesmo.

Dividir a responsabilidade pela facilitação. Uma forma de garantir a participação colaborativa é estabelecer tarefas entre os participantes e propor um rodízio. Por exemplo, os

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participantes podem ser facilitador da discussão, observador do processo, comentarista, líder de equipe, apresentador.

participantes podem ser facilitador da discussão, observador do processo, comentarista, líder de equipe, apresentador.

Estimular a avaliação. Outra forma de incentivar a troca é incentivar a avaliação entre os próprios alunos de uma forma construtiva. A capacidade de fazer comentários significativos para os colegas ajuda o próprio comentarista a refletir sobre o seu próprio trabalho.

Compartilhar recursos. Essa é mais uma estratégia para que os alunos possam contribuir um com ou outro, ampliando a biblioteca, trazendo textos interessantes e outras fontes de referência, divulgando eventos relacionados com o curso, trazendo informações que possam ser significativas para o grupo.

Estimular a escrita coletiva. A escrita coletiva incentiva a reflexão em conjunto, a construção de um consenso. Para isto, o professor pode propor um brainstoning (tempestade de ideias) e também utilizar interfaces propícias para isto como o whiteboarding (simulação de escrita coletiva, onde todos podem ver o que cada um está escrevendo).

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U NIDADE 16 Objetivo: Caracterizar ambientes Virtuais de Aprendizagem. A Emergência de Ambientes Virtuais de

UNIDADE 16

Objetivo: Caracterizar ambientes Virtuais de Aprendizagem.

A Emergência de Ambientes Virtuais de Aprendizagem

O aprendizado on-line é uma das expansões mais rápidas da educação no ensino superior e

corporativo. O número de cursos on-line oferecidos aumentou incrivelmente nestes últimos

anos. De acordo com International Data Corp. Study (CNN 2000) foi estimado que número de estudantes acadêmicos em cursos de Educação a Distância triplicaria para 2.2 milhões em 2002, ou seja, 15% de todos os estudantes do ensino superior.

Além dos sofisticados sistemas que permitem configurar ambientes virtuais de aprendizagem, existem também diversos artefatos gratuitos disponíveis na Web que possibilitam participantes, alunos e professores, construírem os seus próprios espaços de aprendizado.

A construção de sites na Internet tem sido uma tarefa cada vez mais fácil. No início da

década de 90, para construir uma página na Web era necessário ser um bom programador e dominar algumas linguagens (HTML, JAVA).

Com o rápido desenvolvimento de softwares e aprimoramento dos editores de textos, pessoas sem experiência de programação começaram a desenvolver páginas na Web e publicá-las em servidores gratuitos da Internet, inclusive, esses próprios servidores com intuito de atrair um número cada vez mais de usuários começaram a oferecer recursos para construção de páginas simples e rápidas em seus próprios sites. Atualmente é possível encontrar vários servidores gratuitos para publicação de uma página Web. Na Internet existem também vários editores HTML para construção de sites.

O surgimento de artefatos gratuitos e práticos, para editar e publicar páginas na web favoreceu o crescimento extremamente acelerado de home pages e de sites na Internet. O

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grande número de usuários, que também se expande exponencialmente, justifica o surgimento de muitos portais

grande número de usuários, que também se expande exponencialmente, justifica o surgimento de muitos portais de ensino, comunidades de aprendizagem, cidades virtuais do conhecimento, cidadania eletrônica em muitos lugares do mundo.

Segundo o Human Development Report (2001,6), mais de 400 milhões de usuários já acessavam a Internet. Em 1993 existiam cerca de apenas 200 Websites na Internet, em 2000 foram registrados mais de 20 milhões.

na Internet, em 2000 foram registrados mais de 20 milhões. A figura representa usuários e Sites

A figura representa usuários e Sites na Web (Okada, 2003)

Além do grande número de servidores gratuitos para publicação de páginas na Web, vários artefatos, também freeware,podem ser utilizados para configuração de interfaces síncronas e assíncronas. Estes artefatos permitem criar fóruns, listas de e-mails, salas de chat, portfólio para arquivos, bancos de dados, formulários, livros de assinaturas e, até mesmo, comunidades virtuais.

Entretanto, a grande questão dos ambientes virtuais de aprendizagem não gira mais em torno de quantidade, mas sim, da qualidade.

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Partindo do estudo de Mason (1998 ) 2 sobre “aprendizado on-line” podemos classificar os ambientes

Partindo do estudo de Mason (1998) 2 sobre “aprendizado on-line” podemos classificar os ambientes virtuais de aprendizagem em três tipos: aprendizado baseado em conteúdo+suporte, aprendizado envolvente e aprendizado integrado.

“Ambiente Instrucionista” ambiente centrado no conteúdo (que pode ser impresso) e no

suporte que são tutoriais ou formulários enviados por e-mail. E normalmente são respondidos por outras pessoas (monitores) e não exatamente pelo autor. A interação é mínima e a participação on-line do estudante é praticamente individual. Este tipo de ambiente é o mais comum e representa o tradicional curso instrucionista onde a informação é transmitida como na aula, expositiva, presencial.

“Ambiente Interativo” ambiente centrado na interação on-line, onde a participação é essencial no curso. O objetivo é atender também as expectativas dos participantes e ocorre muita discussão e reflexão. Os materiais têm o objetivo de envolver e são desenvolvidos no decorrer do curso com as opiniões e reflexões dos participantes e com as ideias formuladas nas áreas de discussão. Existe o incentivo à liberdade e responsabilidade de cada um escolher o material desejado e fazer suas próprias interpretações. As atividades podem ser organizadas em temas de interesses e profissionais externos podem ser convidados para conferências. Neste caso, o papel do professor é mais intenso, pois as atividades são criadas no decorrer do curso. Ocorrem também eventos síncronos (chats).

“Ambiente Cooperativo” ambiente cujo objetivo é trabalho colaborativo e participação on- line. Existe muita interação entre os participantes através de comunicação on-line, construção de pesquisas, descobertas de novos desafios e soluções. O conteúdo do curso é fluido e dinâmico e determinado pelos indivíduos do grupo. O suporte e orientação existem, mas neste caso é menor. É um curso também diferente do presencial por possibilitar a construção de comunidades de aprendizes. É importante que todos tenham um bom relacionamento e proximidade.

Ainda segundo Okada (2003), nos ambientes colaborativos e cooperativos, os participantes devem estar envolvidos com seu próprio aprendizado, os desafios propostos devem estar

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focados em situações reais que possibilitem articular o aprendizado com o contexto e as experiências,

focados em situações reais que possibilitem articular o aprendizado com o contexto e as experiências, procurando incentivar o senso de comunidade colaborativa.

Nesta concepção, os aprendizes devem ser encorajados a confrontarem problemas práticos da vida, questões que ainda não têm solução clara. A interação e o trabalho cooperativo é um caminho não só para buscar um produto coletivo, mas para desenvolver uma visão mais ampla visando identificar as incoerências e incompletudes; e também para estimular a criatividade em prol de novas descobertas e alternativas inovadoras. Nesta concepção, os aprendizes são coautores da construção do conhecimento e do seu próprio processo de aprendizado.

Sobre Ambientes Virtuais Colaborativos

Os ambientes virtuais colaborativos de aprendizagem de acordo com, Britain e Líber (1999) apud Okada, devem conter seis aspectos importantes. Abaixo serão abordados os aspectos e as questões que tratam:

Adaptação: Como o professor pode adaptar o curso e seus recursos à luz das experiências vivenciadas no processo?

Os professores podem adaptar a estrutura do ambiente de acordo com o contexto, a necessidade dos alunos e os objetivos do curso. Primeiro, procurando saber quais são as expectativas de todos; suas experiências prévias e intenções ao fazer o curso. Depois,, observar quais são as necessidades, no decorrer do processo. E assim, ter flexibilidade para construir o conteúdo do ambiente ao longo da trajetória, junto com os participantes.

Auto-organização: Quais os recursos e possibilidades existentes no ambiente para que os participantes possam reorganizar as suas informações, as suas experiências e as do grupo, independente das orientações do professor?

É importante pensar em algumas estruturas ou dinâmicas que ajudem os alunos a organizarem-se, em grupos e individualmente. Recursos fáceis de utilizar e interfaces gratuitas trouxeram facilidades para criação dos próprios ambientes. Mas, o prioritário foi a

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proximidade dentro dos grupos decorrente da abertura, do diálogo, da valorização da atuação de cada

proximidade dentro dos grupos decorrente da abertura, do diálogo, da valorização da atuação de cada um.

Coordenação: Como possibilitar que o aprendiz colabore para seu próprio aprendizado?

É essencial ter clareza da intencionalidade do grupo e durante o processo estar refletindo

sobre o assunto. Muitas vezes no decorrer, o foco se perde, surgem novos caminhos e os participantes podem ficar perdidos. Algumas interfaces como agenda, calendário e atividades, podem ajudar o grupo a ser organizar, principalmente quando cada grupo tem

abertura para definir estes conteúdos.

Monitoramento: Como o professor pode perceber se o aprendizado ocorreu e como intervir

para que ele possa ocorrer?

Isto pode ser realizado através de diversos espaços para dúvidas, feedback, acompanhamento da trajetória, avaliação e autoavaliação. É essencial que os professores e também os participantes percebam o seu desenvolvimento em relação ao seu aprendizado. O assessoramento contínuo é muito importante, e principalmente o registro do processo, facilitando o acompanhamento das dificuldades e dos avanços.

Negociação: Como fazer com que os alunos negociem contratos de aprendizagem com seus professores? Isto deve ocorrer no processo contínuo? O que possibilita a negociação?

É um grande desafio estabelecer prazos de entrega, atividades que serão realizadas, e

assim buscar o comprometimento nas equipes. Quando a definição destes itens é decorrente do consenso entre os alunos, o comprometimento e envolvimento é maior. Quando existem dificuldades ou conflitos, é importante realizar algumas paradas para reflexão (no fórum, no chat). As paradas são meios de negociação que podem propiciar novos acordos.

Autonomia: Como cada estudante pode encontrar seus próprios recursos e avançar em seu

próprio aprendizado? E também como eles podem trazer contribuições para o grupo?

Os estudantes podem ficar responsáveis por usar e colocar material extra, disponibilizando- os para todos. As próprias atividades podem, também, incentivar os alunos a procurarem e

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socializarem outras fontes de referência (através dos mapas de sites). Além disso, percebemos que a

socializarem outras fontes de referência (através dos mapas de sites). Além disso, percebemos que a autonomia ocorre quando de certa forma o aprendizado possibilita romper as circunstâncias da disciplina, e isto ocorre de acordo com o envolvimento do aluno naquilo que traz significado.

Quando o aluno encontra as suas próprias questões e aquilo que é relevante para ele, busca por si só informação, leituras que não foram citadas e, inclusive compartilha com os demais as descobertas.

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U NIDADE 17 Objetivo: Apresentar o sistema Moodle e o ambiente de aprendizagem virtual do

UNIDADE 17

Objetivo: Apresentar o sistema Moodle e o ambiente de aprendizagem virtual do MEC,

e-Proinfo.

Sobre o Moodle

O sistema Moodle começou a ser idealizado, no início da década de 90, quando Martin Dougiamas era o Webmaster na Curtin University of Technology, na Austrália e responsável pela administração do sistema de gerenciamento de aprendizagem (LMS – Learning Management System) ou Ambiente Virtual de Aprendizagem - AVA, usado pela Universidade naquela época. Martin conhecia muitas pessoas, em escolas e instituições, pequenas e grandes, que gostariam de fazer melhor uso da Internet, mas não sabiam como iniciar devido à grande quantidade de ferramentas tecnológicas e pedagógicas existentes na época. Ele gostaria de proporcionar a essas pessoas uma alternativa gratuita e livre, que pudesse introduzi-los ao universo on-line.

As crenças de Martin nas inúmeras possibilidades da Educação baseada na Internet o levaram a fazer mestrado e doutorado na área de Educação, combinando sua experiência em ciência da computação com teorias sobre construção do conhecimento e natureza da aprendizagem e da colaboração.

Várias versões do software foram produzidas e descartadas até a versão 1.0 ser aceita e bastante utilizada em 2002. Essa primeira versão era enxuta e foi usada para a realização de estudos de caso que analisavam a natureza da colaboração e da reflexão de pequenos grupos de estudo formados por adultos. Com o crescimento da comunidade de usuários, novas versões do software foram desenvolvidas. A essas novas versões foram adicionadas funcionalidades, desenhadas por pessoas em diferentes situações do ensino.

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O Moodle não é usado apenas por Universidades, mas em escolas de ensino médio, escolas

O Moodle não é usado apenas por Universidades, mas em escolas de ensino médio, escolas primárias, organizações, companhias privadas e por professores independentes. A lista de usuários do Moodle pode ser acessada em: http://moodle.org/sites/ . É um sistema desenvolvido de forma colaborativa que permite a criação e a administração de cursos na Web com código aberto, livre e gratuito. Os usuários podem baixá-lo, usá-lo, modificá-lo e distribuí-lo seguindo apenas os termos estabelecidos pela licença GNU GPL, que é uma licença voltada para o usuário final e para a liberdade.

Esta licença possui uma longa história. De forma resumida, ela estabelece quatro pontos principais:

Liberdade de executar o programa, para qualquer fim, da forma que se desejar;

Liberdade para modificar o programa e adaptá-lo às suas necessidades;

Liberdade para ajudar o seu vizinho, distribuindo cópias do programa;

Liberdade para ajudar a criar sua comunidade publicando versões aperfeiçoadas de forma a permitir que outros se beneficiem de seu trabalho.

Segundo Almeida, o desenho e desenvolvimento do Moodle são guiados por uma filosofia de aprendizagem especial, um modo de pensar sobre como são encontradas referências, em poucas palavras, como uma "pedagogia sócioconstrucionista". Dessa forma, para explicar de modo simples, o que a frase significa, vamos destrinchando quatro conceitos principais que estão por trás dela. Repare que cada um deles sintetiza uma visão baseada em uma quantidade imensa de pesquisas diferentes, de modo que estas definições podem parecer simplórias se você já leu sobre o assunto antes.

Jean Piaget, psicólogo e pedagogo suíço, nascido em 1896 e falecido em 1980, é autor de trabalhos sobre o desenvolvimento do pensamento e da linguagem da criança e sobre a epistemologia genética.

Em 1918 doutorou-se em Ciências Naturais, a partir de 1921 começou a estudar psicologia da criança no Instituto Jean Jacques Rousseau, em Genebra.

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Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. Em 1995, funda o Centro de Estudos

Tornou-se professor de Psicologia na Universidade de Genebra. Em 1995, funda o Centro de Estudos de Epistemologia Genética.

Piaget afirma que a criança passa por três períodos de desenvolvimento mental. O primeiro período se dá de 2 a 7 anos de idade, onde as habilidades como a linguagem e o desenho são desenvolvidos. O segundo período se dá de 7 a 11 anos, a criança começa a pensar logicamente. O terceiro período se dá de 11 a 15 anos, quando a criança começa a lidar com as abstrações e raciocinar com realismo.

Piaget critica severamente a escola tradicional, afirmando que as mesmas objetivam acomodar a criança; impedindo a formação de inteligências inventivas, críticas e pensadoras, de acordo com Piaget o indivíduo é o principal na construção do seu próprio conhecimento.

Sua teoria apresenta tendência construtivista, no papel estruturante do sujeito. Maturação, experiências físicas; transmissões sociais e culturais e equilibração são fatores desenvolvidos nesta teoria. A mesma apresenta, também, dimensões interacionistas, cuja ênfase é colocada na interação do sujeito com o objeto físico.

De acordo com Piaget o conhecimento é um ato que se realiza através da interação (mente e corpo), o qual se dá em etapas sucessivas, considerando que a criança passa por todas as etapas. O aluno deve vivenciar na prática, as situações que produzirão o conhecimento, cujos materiais, devem ser concretos e, a partir daí, a criança o construirá.

De acordo com Piaget é a pessoa que constrói seu próprio conhecimento, onde todo o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio, mediados pela ação do professor.

A criança tem uma forma própria e ativa de raciocinar e de aprender que evolui por estágios,

até a maturidade intelectual.

O professor deve respeitar o nível de desenvolvimento da criança. Não pode ir além de sua capacidade, nem deixá-las agir sozinhas. Superando em todos os pontos, as teorias propostas por Skinner, que considera o indivíduo como um ser manipulável, o qual aprende através de condicionamentos.

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Lev Semenovich Vigotsky, nascido em 1896 e falecido em 1934, aos 37 anos de idade,

Lev Semenovich Vigotsky, nascido em 1896 e falecido em 1934, aos 37 anos de idade, teve uma produção intelectual intensa, formado em Direito, também fez cursos de Medicina, História e Filosofia.

Foi um dos teóricos que buscou uma alternativa dentro do materialismo dialético para o conflito entre as concepções idealista e mecanicista, na Psicologia.

Construtor de pospostas teóricas inovadoras sobre temas como: relação, pensamento e linguagem, sobre o processo de desenvolvimento da criança e o papel da instrução no desenvolvimento.

Suas obras foram censuradas e chegaram ao Ocidente apenas nos anos 60, e no Brasil só no início da década de 80. Atualmente, seu trabalho vem sendo estudado e valorizado em todo o mundo.

De acordo com Vigotsky as origens das formas superiores de comportamento consciente devem ser encontradas nas relações sociais que o homem mantém, como um ser ativo, que age sobre o mundo sempre em relações sociais, no qual, é transformador dessas ações.

Quanto ao conhecimento Vigotsky afirma que “ensinar o que a criança já sabe é pouco; o ideal é partir do que ela domina, para ampliar seu conhecimento".

Para Vigotsky o aprendizado é essencial para o desenvolvimento do ser humano e se dá, sobretudo pela interação social, e as pessoas só aprendem quando as informações fazem sentido para ela. Afirma ainda que o desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro.

É no processo de ensino-aprendizagem que ocorre a apropriação da cultura e o consequente desenvolvimento do indivíduo, sendo a aprendizagem um processo essencialmente social, que ocorre na interação com os adultos e os colegas.

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Vigotsky explicava a educação como um processo social, sistemático de construção da humanidade ; onde

Vigotsky explicava a educação como um processo social, sistemático de construção da humanidade; onde o professor torna-se figura fundamental e o colega de classe, um parceiro importante, nesse processo chamado “Educação”.

A aprendizagem se dá sobre tudo pela interação social.

A aprendizagem da criança inicia-se desde o 1º dia de vida da criança.

Professor e alunos formam um conjunto de mediadores da cultura que possibilitam um grande avanço no desenvolvimento da criança.

As Ferramentas e os Requisitos do Moodle.

Funcionalidades do sistema - O Moodle conta com as principais funcionalidades de um ambiente virtual de aprendizagem. Possui ferramentas de comunicação, de avaliação, de disponibilização de conteúdos, de administração e organização. Elas são acessadas pelo tutor de forma separada em dois tipos de entradas, na página do curso. De um lado adiciona- se o material e do outro as atividades.

Formatos de cursos - O Moodle permite criar três formatos de cursos: Social, Semanal e

Modular. O curso Social é baseado nos recursos de interação entre os participantes e não em um conteúdo estruturado. Os dois últimos cursos são estruturados e podem ser semanais

e modulares. Esses cursos são centrados na disponibilização de conteúdos e na definição de atividades. Na estrutura semanal informa-se o período em que o curso será ministrado e o sistema divide o período informado, automaticamente, em semanas. Na estrutura modular informa-se a quantidade de módulos.

Material (conteúdo do curso) - O Moodle possui ferramentas para a disponibilização de

conteúdos. Materiais didáticos podem ser disponibilizados por meio de páginas de texto simples, páginas Web e links, para arquivos ou endereços da Internet. O sistema permite, ainda, visualizar diretórios e inserir rótulos aos conteúdos inseridos. Esses rótulos funcionam como categorias ou títulos e subtítulos que podem subdividir os materiais disponibilizados. O

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ambiente permite ainda a criação de glossários de termos e documentos em formato Wiki para

ambiente permite ainda a criação de glossários de termos e documentos em formato Wiki para a confecção compartilhada de textos, trabalhos e projetos.

Atividade - Em atividades podem ser adicionadas ferramentas de comunicação, avaliação e outras ferramentas complementares ao conteúdo como glossários, diários, ferramenta para importação e compartilhamento de conteúdos. As ferramentas de comunicação do ambiente Moodle são: fórum de discussões e o Chat. Elas apresentam um diferencial interessante com relação a outros ambientes, pois não há ferramenta de e-mail interna ao sistema. Ele utiliza o e-mail externo (padrão) do participante. Outro diferencial é que a ferramenta fórum permite ao participante enviar e receber mensagens via e-mail externo padrão. O participante tem a facilidade de cooperar com uma discussão a partir do seu próprio gerenciador de e-mails.

As ferramentas de avaliação disponíveis no Moodle: avaliação de curso, pesquisa de opinião, questionário, tarefas e trabalhos com revisão. As ferramentas permitem, respectivamente, a criação de avaliações gerais de um curso; pesquisas de opinião rápidas, ou enquetes, envolvendo uma questão central; questionários formados por uma ou mais questões (10 tipos diferentes de questões) inseridas em um banco de questões previamente definido; disponibilização de tarefas para os alunos onde podem ser atribuídas datas de entrega e notas e por fim, trabalhos com revisão onde os participantes podem avaliar os projetos de outros participantes e exemplos de projetos em diversos modos.

Participantes (usuários) do sistema - Os participantes ou usuários do sistema são: o

Administrador – responsável pela administração, configurações do sistema, inserção de participantes e criação de cursos; o Tutor – responsável pela edição e viabilização do curso e o Estudante/Aluno. Os usuários do Moodle são globais no servidor. Isso significa que eles têm apenas um login para todos os cursos. A função permite, por exemplo, que um usuário seja aluno em um curso e professor/tutor em outro curso.

Administração do sistema - As ferramentas de administração, apresentadas ao tutor do

curso na lateral esquerda da tela de curso, permitem controle de participantes - alunos e tutores como inscrições e upload de lista de aluno; backups e restore de cursos; acesso aos

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arquivos de logs; logs da última hora; gerenciamento dos arquivos dos cursos; disponibilização de notas,

arquivos de logs; logs da última hora; gerenciamento dos arquivos dos cursos; disponibilização de notas, etc.

Especificações técnicas, o moodle pode ser executado, sem nenhum tipo de alteração, em sistemas operacionais Unix, Linux, Windows, Mac OS X, Netware e outros sistemas que suportem a linguagem PHP. Os dados são armazenados em bancos de dados MYSQL e PostgreSQL, mas também podem ser usados Oracle, Access, Interbase, ODBC e outros. O sistema conta com traduções para 50 idiomas diferentes, dentre eles, o português (Brasil), o espanhol, o italiano, o japonês, o alemão, o chinês e muitos outros.

O Moodle mantém-se em desenvolvimento por uma comunidade que abrange participantes

de todas as partes do mundo. Essa comunidade, formada por professores, pesquisadores,

administradores de sistema, designers instrucionais e, principalmente, programadores, mantém um portal ( http://www.moodle.org ) na Web que funciona como uma central de informações, discussões e colaborações. Além das discussões e colaborações disponíveis em inglês e outros idiomas o portal conta com relatório de perguntas frequentes, suporte gratuito, orientações para realização do download e instalação do software, documentação completa e a descrição do planejamento de atualizações futuras do ambiente.

Ambiente Virtual de Aprendizagem do MEC: e-Proinfo

O e-ProInfo é um ambiente virtual de aprendizagem colaborativo desenvolvido pela

Secretaria de Educação a Distância (SEED), do Ministério da Educação (MEC), em parceria

com algumas instituições de ensino como UFRS e PUC-SP. O ambiente foi desenvolvido para complementar o programa educacional ProInfo que visa introduzir Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nas escolas públicas do Brasil, como ferramenta de apoio

ao processo ensino-aprendizagem. O ambiente do MEC não necessita de infraestrutura para

sua instalação, pois o sistema fica instalado no servidor do próprio MEC. As instituições

públicas cadastradas podem acessar o ambiente usando os computadores que têm disponíveis. O e-ProInfo já foi usado para a formação de 50 mil alunos, a maioria funcionários públicos, em 235 cursos de aperfeiçoamento profissional.

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Cadastro da Instituição

Cadastro da Instituição Os cursos do e-ProInfo são de responsabilidade de Instituições Públicas cadastradas ou

Os cursos do e-ProInfo são de responsabilidade de Instituições Públicas cadastradas ou oferecidas pelo próprio MEC. Para cadastrar uma entidade - que deve ser obrigatoriamente, uma instituição publica ligada ao governo federal, estadual ou municipal - basta entrar em contato com a equipe do e-ProInfo, por meio da opção Suporte, no endereço e estabelecer o termo de parceria e cessão de direitos da entidade com a secretaria de Educação a Distância (SEED).

No termo de parceria fica estabelecido um responsável pela entidade, no ambiente, e-ProInfo e a partir, daí um administrador fica responsável por acrescentar os demais usuários. Não há limites de espaço em disco e pode-se acessar o ambiente de qualquer lugar e a qualquer hora. Várias instituições de ensino superior e escolas de ensino fundamental e médio estão cadastradas no ambiente. Dentre elas estão Universidades Federais de todo o Brasil. A lista completa das entidades cadastradas do ambiente pode ser acessada por meio do link

http://www.eproinfo.mec.gov.br/fra_eProinfo.php?opcao=7

Recursos do Ambiente

O ambiente virtual, e-ProInfo, permite a concepção, administração e desenvolvimento de ações de apoio ao processo ensino-aprendizagem. Para isso contém recursos síncronos e assíncronos como, por exemplo, fórum, videoconferência, bate-papo, e-mail, quadro de avisos, notícias e biblioteca. Há também um conjunto de recursos disponíveis para apoio às atividades dos participantes, entre eles, tira-dúvidas, avisos, agenda e diário. Para os instrutores há ainda um conjunto de ferramentas para avaliação de desempenho, como questionários e estatísticas de atividades. O ambiente pode ser usado em cursos oferecidos em modalidade totalmente a distância; como apoio em cursos presenciais; para realizar reuniões de trabalho e também como suporte na realização de projetos colaborativos.

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O ambiente é formado pelo site do participante e pelo site do administrador. No site

O ambiente é formado pelo site do participante e pelo site do administrador. No site do administrador, pessoas credenciadas pelas entidades conveniadas, desenvolvem e administram cursos a distância e outras ações de apoio ao processo ensino-aprendizagem, configurando e utilizando todos os recursos e ferramentas disponíveis no ambiente virtu al. Os participantes inscrevem-se

nos cursos abertos pelas entidades e, sendo aceitos pelo administrador, podem se vincular a turmas, através das quais cursam seus respectivos módulos. Por meio do site dos participantes são acessados conteúdos, informações e atividades organizadas por módulos e temas, além de interagir com coordenadores, instrutores, orientadores, professores, monitores e com outros colegas participantes.

professores, monitores e com outros colegas participantes. Tela do e-ProInfo – Visitante do curso e-ProInfo livre

Tela do e-ProInfo – Visitante do curso e-ProInfo livre

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U NIDADE 18 Objetivo:Analisar as considerações necessárias em um projeto pedagógico , para cursos superior

UNIDADE 18

Objetivo:Analisar as considerações necessárias em um projeto pedagógico, para cursos superior a distância.

Projetos Pedagógicos em EAD

Segundo os Referenciais de Qualidade em EAD, não há um modelo único de educação a

distância. Os programas podem apresentar diferentes desenhos e múltiplas combinações de

linguagens e recursos educacionais e tecnológicos. A natureza do curso e as reais condições

do cotidiano e necessidades dos estudantes são os elementos que irão definir a melhor

tecnologia e metodologia a ser utilizada, bem como, a definição dos momentos presenciais

necessários e obrigatórios, previstos em lei, estágios supervisionados, prática em

laboratórios de ensino, trabalhos de conclusão de curso, quando for o caso, tutorias

presenciais nos pólos descentralizados de apoio presencial e outras estratégias.

Apesar da possibilidade de diferentes modos de organização, um ponto deve ser comum a

todos que desenvolvem projetos nessa modalidade: é a compreensão de EDUCAÇÃO como

fundamento primeiro, antes de se pensar no modo de organização. Disso decorre que um

projeto de curso superior a distância precisa de forte compromisso institucional em termos de

garantir o processo de formação que contemple a dimensão tecnocientífica para o mercado

de trabalho e a dimensão política para a formação do cidadão.

Ainda segundo os Referenciais de Qualidade, devido à complexidade e à necessidade de

uma abordagem sistêmica, os projetos de cursos na modalidade a distância devem

compreender categorias que envolvem, fundamentalmente, aspectos pedagógicos, recursos

humanos e infraestrutura. Para dar conta destas dimensões, faz-se necessário que o Projeto

Político Pedagógico de um curso na modalidade a distância possua os seguintes tópicos:

Concepção de educação e currículo no processo de ensino e aprendizagem;

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Sistemas de Comunicação;

Material didático;

Avaliação;

Equipe multidisciplinar;

Infraestrutura de apoio;

Gestão Acadêmico-Administrativa;

Sustentabilidade financeira.

Acadêmico-Administrativa;  Sustentabilidade financeira. Os tópicos supracitados não são entidades isoladas, se

Os tópicos supracitados não são entidades isoladas, se interpenetram e se desdobram em outros subtópicos. Com o objetivo de caracterizá-los de forma individualizada, seguem seus elementos constituintes fundamentais.

Elementos de um Projeto Pedagógico em EAD

1. Concepção de Educação e Currículo no Processo de Ensino-aprendizagem

O Projeto Político Pedagógico deve apresentar claramente sua opção epistemológica de educação, de currículo, de ensino, de aprendizagem, de perfil do estudante que deseja formar; com definição e, a partir dessa opção, de como se desenvolverão os processos de produção do material didático, de tutoria, de comunicação e de avaliação, delineando princípios e diretrizes que alicerçarão o desenvolvimento do processo de ensino- aprendizagem.

A

opção epistemológica é que norteará também toda a proposta de organização do currículo

e

seu desenvolvimento. A organização em disciplina, módulo, tema, área, reflete a escolha

feita pelos sujeitos envolvidos no projeto. A compreensão de avaliação, os instrumentos a serem utilizadas, as concepções de tutor, de estudante, de professor, enfim, devem ter coerência com a opção teórico-metodológica definida no projeto pedagógico.

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O uso inovador da tecnologia aplicado à educação, e mais especificamente, à educação a distância

O uso inovador da tecnologia aplicado à educação, e mais especificamente, à educação a

distância deve estar apoiado em uma filosofia de aprendizagem que proporcione aos estudantes a oportunidade de interagir, de desenvolver projetos compartilhados, de

reconhecer e respeitar diferentes culturas e de construir o conhecimento.

2. Sistemas de Comunicação

O desenvolvimento da educação a distância em todo o mundo está associado à

popularização e democratização do acesso às tecnologias de informação e de comunicação.

No entanto, o uso inovador da tecnologia aplicada à educação deve estar apoiado em uma

filosofia de aprendizagem que proporcione aos estudantes efetiva interação no processo de ensino-aprendizagem, comunicação no sistema com garantia de oportunidades para o desenvolvimento de projetos compartilhados e o reconhecimento e respeito em relação às diferentes culturas e de construir o conhecimento.

Portanto, o princípio da interação e da interatividade é fundamental para o processo de comunicação e devem ser garantidos no uso de qualquer meio tecnológico a ser disponibilizado. Tendo o estudante como centro do processo educacional, um dos pilares

para garantir a qualidade de um curso a distância é a interatividade entre professores, tutores

e estudantes. Hoje, um processo muito facilitado pelo avanço das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação).

3. Material Didático

O Material Didático, tanto do ponto de vista da abordagem do conteúdo, quanto da forma,

deve ser concebido de acordo com os princípios epistemológicos, metodológicos e políticos explicitados no projeto pedagógico, de modo a facilitar a construção do conhecimento e mediar a interlocução entre estudante e professor, devendo passar por rigoroso processo de avaliação prévia (pré-testagem), com o objetivo de identificar necessidades de ajustes, visando o seu aperfeiçoamento.

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Em consonância com o projeto pedagógico do curso, o material didático, deve desenvolver habilidades e

Em consonância com o projeto pedagógico do curso, o material didático, deve desenvolver habilidades e competências específicas, recorrendo a um conjunto de mídias compatível com a proposta e com o contexto socioeconômico do público-alvo.