Você está na página 1de 84

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS UNIVERSIDADE DE LISBOA

DE CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS UNIVERSIDADE DE LISBOA Relatório de Estágio Curricular em Serviço Social A
DE CIÊNCIAS SOCIAIS E POLÍTICAS UNIVERSIDADE DE LISBOA Relatório de Estágio Curricular em Serviço Social A

Relatório de Estágio Curricular em Serviço Social

AA RReeiinnsseerrççããoo SSoocciiaall ddee CCaarriizz HHuummaanniissttaa

Compreender as Causas e Promover a mudança

Filipe de Freitas Leal

Orientador académico: Professor Doutor Jorge Rio Cardoso Orientadora Institucional: Dra. Sílvia Moço Coorientadora Institucional: Dra. Vera Rodrigues Instituição de Acolhimento: O Companheiro, IPSS

Lisboa, 2015

Dedicatória Aos meus pais e aos meus filhos Bruno, João e Beatriz II

Dedicatória

Aos meus pais e aos meus filhos Bruno, João e Beatriz

Índice Geral Dedicatória   II Índice Geral III Índice de tabelas V Índice de

Índice Geral

Dedicatória

 

II

Índice Geral

III

Índice

de

tabelas

V

Índice

de

anexos

V

Siglas

VI

Agradecimentos

 

VII

Resumo

VIII

Abstracts

IX

Parte I – Enquadramento Institucional

1 – Enquadramento do Estágio

 

02

2 – A pergunta de partida

05

3 –

Caracterização institucional

06

3.1 – História, Valores e Missão

06

 

3.1.1 –

A História

06

3.1.2 –

Os Valores

07

3.1.3 – A Missão

08

3.2 – População Alvo

 

09

 

3.2.1

– Conceitos de População Alvo e Cliente

10

3.3 – Estrutura e respostas sociais

11

 

3.3.1 – Gabinetes

11

3.3.1.1 – Gabinete de Intervenção Social – GIS

11

3.3.1.2 – Gabinete de Intervenção Clínica e Psicológica – GICP

12

3.3.1.3 – Gabinete de Educação, Formação e Empregabilidade – GEFE

12

3.3.1.4 – Gabinete de Apoio Jurídico – GAJ

13

3.3.2 – Equipamentos

13

3.3.2.1 – Residência coletiva masculina

13

3.3.2.2 – Banco de Roupa – BR

15

3.3.2.3 – Banco Alimentar – BA

15

3.3.2.4 – Cantina Social – CS

15

4 – A Intervenção Social

no “O Companheiro”

17

4.1 – Metodologia e modelos de intervenção social

17

 

4.1.1 –

Metodologia de intervenção

18

4.1.2 – Modelos de intervenção

19

4.2 – Gabinete de Intervenção social – GIS

20

 

4.2.1 – A ordem cronológica das fases de intervenção

21

4.2.2 – Acolhimento do cliente

23

Parte II – Enquadramento Teórico conceptual 5 – Enquadramento Teórico   26   5.1 –

Parte II – Enquadramento Teórico conceptual

5

Enquadramento Teórico

 

26

 

5.1 – O fenómeno da exclusão social

27

5.1.1 – O conceito de Pobreza

27

5.1.2 – O Conceito de Exclusão Social

28

5.1.3 – As Políticas Sociais de combate à Pobreza e Exclusão Social

29

5.2 – A metodologia e os modelos da intervenção social

30

5.2.1 – A metodologia da intervenção social

31

5.2.2 – Os modelos de intervenção social

31

5.3 – A Capacitação e a Advocacia (Empowerment e Advocacy)

33

6

– Caracterização dos clientes da Cantina Social

34

 

6.1

– Caracterização de género

35

6.2 –

Caracterização

etária

36

6.3 –

Caracterização

familiar

37

6.4 –

Caracterização

conjugal

38

6.5 –

Caracterização

habitacional

40

6.6 –

Caracterização

geográfica

42

6.7 –

Caracterização

escolar

43

6.8 –

Caracterização

profissional

44

6.9

– Caracterização de saúde

45

6.10 –

Caracterização

jurídico-penal

46

6.11 –

Caracterização

toxicológica

47

Parte III – Resultado das Entrevistas e Conclusão

7

– Conhecer as causas da vulnerabilidade social

49

 

7.1 – O projeto de estágio

49

7.2 –

A

metodologia do estudo

50

7.3 – A estrutura da entrevista

50

7.4 – Análise de conteúdo das entrevistas

51

7.4.1 – Análise de caracterização da amostra

51

7.4.2 – Análise de conteúdo das entrevistas

53

8

– Conclusão e observações finais

58

 

8.1 – Conclusão do presente trabalho

58

8.2 – Avaliação do estágio e da intervenção

59

8.3 – Considerações finais e sugestões

61

Bibliografia

 

62

Anexos

 

64

Índice de Tabelas Tabela 1 – Caracterização de género 35 Tabela 2 – Caracterização etária

Índice de Tabelas

Tabela 1 – Caracterização de género

35

Tabela

2

Caracterização

etária

36

Tabela

3

Caracterização

familiar

37

Tabela 4 – Faixa etária de agregados unipessoais

38

Tabela

5

Caracterização

conjugal

39

Tabela

6

Caracterização

habitacional

41

Tabela

7

Caracterização

geográfica

42

Tabela

8

Caracterização

escolar

43

Tabela

9 – Caracterização

profissional

44

Tabela 10 – Caracterização de saúde

45

Tabela 11 – Caracterização jurídico-penal

46

Tabela 12 – Caracterização toxicológica

47

Tabela 13 – Caracterização de género da amostra

52

Tabela 14 – Caracterização etária da amostra

52

Tabela 15 – Caracterização familiar da amostra

52

Tabela 16 – Caracterização conjugal da amostra

52

Tabela 17 – Caracterização escolar da amostra

52

Tabela 18 – Caracterização geográfica da amostra

53

Tabela 19 – Caracterização profissional da amostra

53

Tabela 20 – Questão 1 – Há quanto tempo é cliente de “O Companheiro”?

53

Tabela 21 – Questão 2 – Quais as razões que motivaram o pedido de apoio?

54

Tabela 22 – Questão 3 – Quais as dificuldades sentidas que impedem a mudança?

54

Tabela 23 – Questão 4 – Quais as expectativas que tem face ao futuro?

55

Tabela 24 – Questão 5 – De que modo prevê a solução e qual o tempo necessário?

55

Índice de Anexos

 

Anexo I – Projeto de estágio

64

Anexo II – Esquema de “Processo Chave” (de admissão)

68

Anexo III – Entrevista aos clientes da Cantina Social

69

Anexo IV – Refeições contratualizadas, dados nacionais de 2013

73

Anexo V – Escolaridade obrigatória

74

Anexo VI – As correntes do trabalho social

75

Siglas APSS – Associação dos Profissionais de Serviço Social BA – Banco Alimentar BACF –

Siglas

APSS – Associação dos Profissionais de Serviço Social BA – Banco Alimentar BACF – Banco Alimentar Contra a Fome BR – Banco de Roupa

CML – Câmara Municipal de Lisboa

CS – Cantina Social

DGRSP – Direção Geral de Reinserção e dos Serviços Prisionais

EBT – Entidade Beneficiária de Trabalho

EP – Estabelecimento Prisional

FEAC – Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas

FIAS

– Federação Internacional dos Assistentes Sociais

GAJ

– Gabinete de Aconselhamento Jurídico

GEFE – Gabinete de Educação, Formação e Empregabilidade GICP – Gabinete de Intervenção Clínica e Psicológica GIS – Gabinete de Intervenção Social ICOR – Inquérito às Condições de Vida e Rendimento IDH – Índice de Desenvolvimento Humano IES – Índice de Exclusão Social

INE – Instituto Nacional de Estatística ISCSP – Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas IPSS’s – Instituições Particulares de Solidariedade Social ISS – Instituto da Segurança Social JFB – Junta de Freguesia de Benfica LSJ – Licença de Saída Jurisdicional

PEA

– Programa de Emergência Alimentar

PEP

– Praticas Educativas Parentais

PFI – Plano Familiar de Inclusão PII – Plano Individual de Inserção

PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PTFC – Prestação de Trabalho em Favor da Comunidade

RAE – Regime Aberto ao Exterior

RSCS – Rede Solidária das Cantinas Sociais RSI – Rendimento Social de Inserção SCML – Santa Casa da Misericórdia de Lisboa SD – Subsídio de Desemprego UL – Universidade de Lisboa

Agradecimentos Ao concluirmos este relatório, iniciamos um capítulo novo, no entanto o que vier a

Agradecimentos

Ao concluirmos este relatório, iniciamos um capítulo novo, no entanto o que vier a seguir é fruto, de igual modo, de todos os que fazem parte deste projeto, pessoas que em maior ou menor grau colaboraram, contribuíram, enriqueceram e acreditaram na nossa aprendizagem do Trabalho Social, resta-nos agradecer, acreditar e continuar a caminhada.

Iniciamos por dirigir os nossos agradecimentos ao Professor Doutor Jorge Rio Cardoso, com toda a amizade e estima, não apenas por ter aceitado orientar o nosso estágio, mas sobretudo pelos seus preciosos ensinamentos, com quem o plural passou a ter um novo significado, a escrita passou a ser viva e o esforço tornou-se-nos suave, porque ao acreditar em nós, com o seu apoio, a sua competência, generosidade e amizade, permitiu-nos chegar até aqui e assim poderemos seguir em frente.

Deixamos aqui expresso, os nossos agradecimentos à Instituição que nos acolheu, ‘O Companheiro’, em particular ao Professor Doutor José de Almeida Brites pela possibilidade de um estágio pós-laboral e a honra de podermos ter colaborado nesta Instituição ímpar.

À Exma. Dra. Sílvia Moço, a nossa orientadora na Instituição, pela sua competência, rigor técnico; À Coorientadora institucional, a Exma. Dra. Vera Rodrigues, pelo seu profissionalismo e por todo o apoio prestado; aos demais funcionários de "O Companheiro", pelo caloroso acolhimento; Aos residentes e aos clientes da Cantina Social que, ao concederem a sua entrevista, contribuíram para a conclusão deste trabalho do qual foram parte ativa, a todos deixamos aqui expresso o nosso reconhecimento e apreço, com uma palavra de gratidão à memória do Nuno Filipe Velasco que connosco colaborou entusiasticamente.

Ao ISCSP, a nossa "Alma Mater", na pessoa de todos os estimados Professores, a quem devemos sempre muito – pela partilha do saber, para um saber ser e um saber fazer, bem como aos colegas do curso, pela partilha, o apoio e a amizade que fica – deixamos uma palavra de apreço a Ana Fujaco, Cláudia Almeida, Daniela Rocha, Francisco Costa, Manuela Lopes, Manuela Pinheiro e Marta Branco.

Por último, deixamos uma palavra de reconhecimento a familiares e amigos que nos incentivaram e apoiaram como, Rosana Abib, António de Freitas Leal, Marivone Leal, Fernando Monteiro, Ilda Guerreiro, Rui Silva, Carlos Batista, Ziva David e Suzana Juzarte.

Filipe de Freitas Leal

Resumo O presente relatório foca a Cantina Social (CS) e a realização de uma entrevista

Resumo

O presente relatório foca a Cantina Social (CS) e a realização de uma entrevista aos clientes, para a compreensão das causas da vulnerabilidade social dos mesmos, conhecer a natureza das dificuldades subjacentes no impedimento da resolução dos problemas vivenciados pela população estudada.

Formulamos assim, através do conhecimento das causas a seguinte pergunta de partida:

EEmm qquuee mmeeddiiddaa aa ccoonnsscciieenncciiaalliizzaaççããoo ddooss cclliieenntteess ssoobbrree aass ccaauussaass ddaa ssuuaa pprroobblleemmááttiiccaa,, pprroommoovvee aa mmuuddaannççaa eeffeettiivvaa nnaass ccoonnddiiççõõeess ddee vviiddaa ddooss mmeessmmooss??

Para obtermos a resposta à pergunta citada, adotámos como metodologia, um estudo exploratório de método qualitativo, pela análise documental, numa primeira fase, obtida por registos dos clientes de 2013 e numa segunda fase, uma entrevista semiestruturada de respostas abertas, a uma parte da população da CS do ano de 2014.

Podemos aferir que a consciencialização do sistema cliente, face à sua realidade sociodemográfica não é suficiente por si só, devido aos condicionalismos estruturais que a maioria dos clientes da amostra sofre simultaneamente: desde a rutura com os laços sociais, familiares e afetivos, a problemas conjunturais, como o desemprego, as baixas reformas entre outros, o que condiciona a resolução dos problemas que estão na origem do pedido de apoio.

As entrevistas permitiram-nos a comunicação e a interação com os respetivos clientes, e com a qual constatamos pelas respetivas respostas, que de facto é possível a mudança das condições de vida da população cliente da CS, pela consciencialização da sua realidade, na medida em que a intervenção social e o processo de consciencialização sejam ambos apoiados pelo empowerment, permitindo assim que os mesmos se vejam a si mesmos como os principais autores da sua mudança.

Palavras-Chave:

Cantina

Social,

desemprego,

exclusão

social,

carência

alimentar,

criminalidade, reinserção social, vulnerabilidade social.

Abstracts The following report focuses on the Social Canteen (CS) and the realization of interviews

Abstracts

The following report focuses on the Social Canteen (CS) and the realization of interviews with the clients, to understand the causes of their vulnerability and the nature of the underlying difficulties that prevent the resolution of the problems experienced by the studied population.

Thus, by acknowledging their causes, we formulate a following starting question: In which way, the clients’ awareness on the causes of their problems, may promote an effective change in their life condition?

To obtain an answer to this question, we adopted as methodology a qualitative-method, exploratory research, making use of a documental analysis in a first phase, obtained by the clients' records of 2013, and in a second phase, a semi structured interview with open answers to the CS population of 2014 (measure).

We find that the awareness of the client system, compared to its sociodemographic reality, is not sufficient by it self, due to the structural handicaps that most of the sample clients simultaneously suffer: from the break with the social, familiar and emotional bonds, to conjuncture problems such as unemployment, low pensions among others, limiting the resolution to the same problems that originated their request for support.

The interview allowed us the communication and the interaction with the respective clients, and with which we find that, in fact it's possible through the awareness, to promote a change in the clients' life situation, in that social intervention and the same process of awareness, are each supported by empowerment, allowing to the clients, to see themselves as the main agent of its change.

Keyword: Criminality, food shortage, Social Canteen, social exclusion, social reinsertion, social vulnerability, unemployment.

PPaarrttee II

EEnnqquuaaddrraammeennttoo IInnssttiittuucciioonnaall

11 EEnnqquuaaddrraammeennttoo ddoo eessttáággiioo

Enquadramento do estágio

22 AA ppeerrgguunnttaa ddee ppaarrttiiddaa

Enunciação do tema do presente trabalho

33 -- CCaarraacctteerriizzaaççããoo iinnssttiittuucciioonnaall

Enquadramento institucional, Valores, História e Missão

44 -- AA iinntteerrvveennççããoo ssoocciiaall nnoo ''OO CCoommppaannhheeiirroo''

A tipologia da intervenção social

1 – Enquadramento do Estágio " " A A p p r r o o

1 – Enquadramento do Estágio

""AA pprrooffiissssããoo ddee sseerrvviiççoo ssoocciiaall pprroommoovvee aa mmuuddaannççaa ssoocciiaall,, aa rreessoolluuççããoo ddee pprroobblleemmaass nnaass rreellaaççõõeess hhuummaannaass ee oo rreeffoorrççoo ddaa eemmaanncciippaaççããoo ddaass ppeessssooaass ppaarraa pprroommooççããoo ddoo bbeemm--eessttaarr""

Definição de Serviço Social da APSS

O presente trabalho insere-se no exercício do estágio académico, no âmbito da conclusão

da Licenciatura em Serviço Social do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da

Universidade de Lisboa (UL), realizado no Gabinete de Intervenção Social (GIS) de "O

Companheiro, IPSS – Associação de Fraternidade Cristã".

O estágio foi exercido em horário pós-laboral, durante a semana e aos sábados, no

período da manhã, tendo decorrido no período de 28 de setembro de 2013 a 20 de setembro de

2014; Inicialmente a orientação do estágio foi realizada pela, Dra. Vera Rodrigues, responsável

pela resposta social: Cantina Social.

A nossa atividade inicial fora a de ler processos e regista-los inicialmente numa base de

dados em Excel, a qual dizia respeito a todos os clientes nas diversas valências, visto desejarmos

conhecer através dos dados adquiridos a população cliente e compreender melhor a realidade

social dos mesmos, bem como o modo como a intervenção social era feita no intuito de promover

a reinserção social.

Aos sábados, trabalhávamos na CS, onde era desenvolvido o contacto com os clientes,

pela entrega das senhas por ordem de chegada, procurando assim conhecer os clientes um a um,

distribuíamos pão e sobremesas que complementavam a refeição, procurávamos assim conversar

com todos, para ter alguma aproximação com os clientes.

A criação de gráficos dos “Processos Chave” vigentes na Instituição foi outra tarefa que

desenvolvemos, tendo sido solicitada pelo Gabinete de Intervenção Clínica e Psicológica (GICP) o

qual permitiu-nos ter, uma visão mais alargada dos mecanismos de funcionamento e do universo

da população cliente, a partir do qual criámos os gráficos e as tabelas referentes às entrevistas do

estudo.

O respetivo estágio permitiu-nos conhecer as várias respostas sociais existentes na

Instituição de acolhimento; tendo no entanto, sido dada maior atenção às valências da “Cantina

Social (CS)” e do “Banco Alimentar (BA)”, onde trabalhámos em contacto direto com os clientes.

O trabalho no estágio passou pela realização de entrevistas sociais de triagem, pelo

atendimento na entrega de refeições e cabazes de produtos alimentares.

Posteriormente foi realizado um estudo por entrevistas feitas aos clientes da CS, tal como

previsto no Projeto de Estágio (Anexo I), entrevistas essas que foram muito bem acolhidas pelos

clientes, que fizeram questão em participar e dar o seu testemunho.

Tinha-se a necessidade de saber a grosso modo, quais as causas da exclusão social ou

Tinha-se a necessidade de saber a grosso modo, quais as causas da exclusão social ou vulnerabilidade em que se encontravam os clientes e esse trabalho proporcionou-nos conhecer na primeira pessoa a problemática sentida pelos mesmos, tanto no que consideravam ser as causas, bem com as dificuldades sentidas na resolução dos problemas.

Gostaríamos de referir, que o contacto com os colegas da Instituição permitiu obter pistas valiosas na compreensão do que é o trabalho social e da riqueza que emerge do contacto que tivemos com o sistema interventor e o sistema cliente.

No presente relatório, abordamos diversos temas que visam dar a conhecer a Instituição de acolhimento, "O Companheiro", a descrição das respostas sociais e dos gabinetes existentes na Instituição, a caracterização da população alvo, as atividades desenvolvidas no estágio, dando maior relevo ao GIS e à CS, pelo que destacamos os seguintes temas:

Caracterização da Instituição – A vocação, a história e os valores inerentes; População Alvo – Descrição da população em geral e dos clientes apoiados na CS em particular; Respostas Sociais e Gabinetes – Apresentação da estrutura operacional e das valências da Instituição; Intervenção Social – Descrição das funções do GIS e da metodologia utilizada, abordando também os principais conceitos teóricos; Atividades do Estágio – Descrição das atividades e do projeto realizado.

Abaixo, está indicada a descrição das atividades desenvolvidas na Instituição, e de eventos em que participamos no âmbito do estágio em ordem cronológica.

Setembro de 2013, iniciou-se o estágio no GIS, dia 28, em horário pós-laboral.

Atividades diárias, Inserção de processos e das entrevistas dos clientes em base de dados Excel e Access, atendimento aos clientes.

Atividades semanais, aos sábados, trabalho no refeitório, na distribuição de senhas aos clientes e no auxílio à distribuição das refeições, pão e sobremesas.

Atividades quinzenais, às quartas-feiras pelas 18h00, participação conjuntamente com os clientes em Workshops com variadíssimas temáticas.

Dezembro de 2013, dia 8 e 9, trabalho desenvolvido no stand de "O Companheiro" na Natális – Feira de Natal de Lisboa, com o intuito de vender produtos artesanais produzidos pelos funcionários e clientes e divulgar a Instituição e as suas valências.

Dezembro de 2013, dia 12, estivemos com toda a equipa técnica no lançamento do livro de "O Companheiro" "Percursos em Liberdade – Histórias com vida", livro coordenado pelo Professor Doutor José de Almeida Brites, com histórias escritas pelos demais membros da Instituição em que cada um narra o percurso de um dos residentes, descrevendo acontecimentos vividos.

 Dezembro de 2013 , dia 15 participamos da Feira de Natal de Benfica ,

Dezembro de 2013, dia 15 participamos da Feira de Natal de Benfica, organizado pela JFB e no qual a Instituição esteve presente, na venda de produtos e na divulgação da sua missão social.

Dezembro de 2013, dia 24 foi realizado o almoço de Natal, no qual participamos, juntando-se os funcionários e os clientes, com a presença do Padre Dâmaso.

Janeiro de 2014, iniciámos as entrevistas institucionais aos clientes do BA e CS e respetiva inserção dos processos em base de dados.

Junho de 2014, participação no arraial de Benfica, organizada pela JFB.

Setembro de 2014, conclusão das entrevistas realizadas por nós no âmbito do projeto de estágio que apresentamos à Instituição (Anexo I)

Por fim, deixamos aqui expressa, a razão pela qual denominámos o presente relatório de "Reinserção Social de Cariz Humanista", que para além de ser uma das correntes teóricas do serviço social (Anexo VI), está implícita na definição expressa pela Federação Internacional de Assistentes Sociais (FIAS) na sua Assembleia Geral, realizada em julho de 2000 em Montreal, Canadá, com a seguinte definição:

"A profissão de serviço social promove a mudança social, a resolução de problemas nas relações humanas e o reforço da emancipação das pessoas para a promoção do bem-estar. (

)

os princípios dos direitos humanos e da justiça social são fundamentais para o serviço social" 1 .

A definição acima é complementada pela Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS), presente no seu site, na qual refere os valores inerentes ao exercício do Serviço Social, com o seguinte texto:

"O serviço social desenvolveu-se a partir dos ideais do humanismo e da democracia e os

) visa

seus valores radicam no respeito pela igualdade, valor e dignidade de todas as pessoas. ( mitigar, libertar as pessoas vulneráveis e oprimidas, promovendo a sua inclusão social" 2 .

Concluímos que para além do que a cima foi exposto, sobre a definição de serviço social e humanismo, – termo ao qual pode-se entender e interpretar uma variedade de aceções da palavra que adotámos para este relatório, temos no entanto, em concreto o exemplo de "O Companheiro", espelhado na filosofia e na vocação que emana da pessoa do seu fundador, o Padre Dâmaso Lambers e que está inserida na Praxis, no nome e no lema da Instituição: "Para que não haja homem excluído pelo homem".

1 APSS, (2012) "Definição da Profissão de Serviço Social". Página consultada em 05 de junho de 2015.

http://www.apross.pt/profissao/defini%C3%A7%C3%A3o/

2 Idem.

2– A Pergunta de Partida " " A A o o u u t t

2– A Pergunta de Partida

""AAoo uuttiilliizzaarr tteeoorriiaass ddoo ccoommppoorrttaammeennttoo hhuummaannoo ee ddooss ssiisstteemmaass ssoocciiaaiiss,, oo SSeerrvviiççoo SSoocciiaall iinntteerrvvéémm nnaass ssiittuuaaççõõeess eemm qquuee ""

aass ppeessssooaass iinntteerraaggeemm ccoomm oo sseeuu mmeeiioo

Definição de Serviço Social da APSS

A PPeerrgguunnttaa ddee PPaarrttiiddaa do presente estudo,, surge da necessidade de compreendermos os

factos, para exercer da melhor forma o trabalho social, com a autenticidade e o rigor que a

atividade requer. Neste sentido pretendemos obter uma resposta à seguinte questão:: EEmm qquuee

mmeeddiiddaa aa ccoonnsscciieenncciiaalliizzaaççããoo ddooss cclliieenntteess ssoobbrree aass ccaauussaass ddaa ssuuaa pprroobblleemmááttiiccaa,, pprroommoovvee aa

mmuuddaannççaa eeffeettiivvaa nnaass ccoonnddiiççõõeess ddee vviiddaa ddooss mmeessmmooss??

Para realização do Projeto de Estágio, optamos por fazê-lo através de uma entrevista

realizada aos clientes da CS, com a qual obtivemos um maior contacto com a população cliente,

resultando assim, num maior conhecimento da realidade em que os mesmos se encontravam

inseridos à altura, bem como o modo, como veem e sentem o seu problema, tendo em conta, a

obtenção de respostas às seguintes questões concernentes à Pergunta de Partida e que são as

abaixo enunciadas:

Conhecer – Quais os fatores socioeconómicos que, em maior ou menor grau, afetam

a população cliente?

Avaliar – Quais as causas que estão na origem da situação de precariedade e

vulnerabilidade social, que levaram os clientes a solicitar apoio?

Compreender – Qual a natureza dos obstáculos sentidos pelos respetivos clientes,

que os impedem de ultrapassar a situação de vulnerabilidade social em que se

encontram?

Questionar – Quais as expetativas de reintegração social, dos clientes entrevistados

e o que os mesmos aconselhariam a terceiros em idêntica situação?

Como forma de obtermos respostas às questões acima enunciadas e de obter a

informação, que nos permitisse conhecer a realidade das problemáticas sociais sentidas pelo

sistema cliente, iniciámos o estágio elaborando o trabalho de inserção de dados em Excel, feito a

partir dos arquivos de processos dos clientes e das entrevistas sociais realizadas na Instituição.

Desse modo, obtivemos os dados necessários a serem inseridos no presente relatório,

seguindo-se a inserção das informações mais recentes, na base de dados de “O Companheiro”,

em Access a partir das entrevistas sociais dos clientes e das listas de espera.

3- Caracterização Institucional " " A A a a m m e e a a

3- Caracterização Institucional

""AA aammeeaaççaa ddoo mmaaiiss ffoorrttee ,,ffaazz--mmee sseemmpprree ""

ppaassssaarr ppaarraa oo llaaddoo ddoo mmaaiiss ffrraaccoo

François Chateaubriand

A Associação “O Companheiro” é uma Instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins

lucrativos, com personalidade jurídica, canónica e civil, reconhecida como de utilidade pública,

vocacionada a apoiar reclusos, ex-reclusos e suas famílias, através do apoio psicológico, social e

laboral, tanto durante o período de reclusão como no pós-reclusão, promovendo a inclusão social

e prevenindo a reincidência.

3.1 - História, Valores e Missão

3.1.1 - A História

A história de "O Companheiro" surge, pela inspiração do Padre Dâmaso Lambers

que fora capelão do Estabelecimento Prisional (EP) do Linhó e que decidiu dedicar a sua

vida sacerdotal aos reclusos, acompanhando-os através de visitas que fazia aos

estabelecimentos prisionais, levando-lhes uma palavra de esperança, apoio moral e

assistência espiritual.

Foi nessa altura que sentiu, haver uma grande lacuna no apoio ao pós-reclusão,

quando o individuo após cumprir sua pena e ao voltar à sociedade, deparava-se com

enormes dificuldades na sua reinserção, sobretudo os que não tinham um sólido elo social

ou familiar, carecendo de recursos, como habitação e emprego que lhes permitisse

condições mínimas de subsistência e que, sem as quais, a sua reinserção poderia ficar

comprometida, tanto pela possibilidade da reincidência como pelas consequências

agravantes da exclusão social.

Para além das dificuldades acima citadas, soma-se o estigma que os ex-reclusos

sofriam por parte da restante sociedade, pelo rótulo e pelos preconceitos sentidos.

Perante esta realidade o padre Dâmaso, apercebeu-se que não havia uma

Instituição que servisse de apoio e pudesse estender a mão para amparar os ex-reclusos,

acolhe-los e assim promover a reinserção social dessa população, nomeadamente na

prevenção da reincidência; Neste sentido, decidiu-se a criar ele mesmo o recurso

necessário para o apoio aos ex-reclusos, com base nos seus princípios e valores da

solidariedade e do humanismo cristão.

Criava-se assim a 13 de fevereiro de 1987, "O Companheiro" IPSS, Associação

de Fraternidade Cristã, uma Instituição ímpar no nosso país, sendo a resposta que

faltava, com vista a combater a exclusão social, dar resposta às necessidades dos

reclusos, ex-reclusos e suas famílias, tornando-se na primeira Instituição do género em Portugal. Nestes últimos

reclusos, ex-reclusos e suas famílias, tornando-se na primeira Instituição do género em Portugal.

Nestes últimos 27 anos, a Instituição sofreu alterações, pelo que destacamos cronologicamente, as datas e a descrição do respetivo desenvolvimento:

1990 - O Companheiro candidata-se ao Programa de Luta contra a Pobreza;

1991 - São cedidos pela Câmara Municipal de Lisboa (CML), os terrenos em Benfica, onde ainda hoje se situam os serviços e equipamentos sociais da Instituição, contando com uma área extensa, onde comporta vários pavilhões tais como, Banco Alimentar, Banco de Roupa, biblioteca, carpintaria, escritórios, lavandaria, museu, refeitório, entre outros;

1992 - Criação de modelos ocupacionais e formativos, como a carpintaria, o que permitiu auxiliar os clientes no seu processo de reinserção social e laboral;

2004 – É destacada a vocação da Instituição na prevenção do crime, com uma intervenção de âmbito mais abrangente, pelo desenvolvimento de competências profissionais e pessoais, indo desde os aspetos normativos organizacionais aos aspetos individuais, evidenciando a sua população alvo, fundamentalmente composta por ex-reclusos, reclusos em Regime Aberto ao Exterior (RAE) e suas famílias.

3.1.2 - Os Valores

Os

valores que regem

a atuação

da Instituição, focam-se em

três pilares

fundamentais que se encontram presentes no lema da Instituição:

A Humanização – Valor fundamental da Instituição, implicitamente ligada à atuação pela primazia na defesa da dignidade da pessoa humana, assente no respeito pelos Direitos Humanos e no combate aos preconceitos que condicionem a reinserção das pessoas em situação de vulnerabilidade social;

O Devir – Valor presente na associação, pela promoção de modo positivo e criativo, da mudança comportamental para a mudança de vida, despertando a consciencialização do cliente como sendo o principal ator dessa mudança, na participação conjunta de projetos de vida que permitam o sucesso dos clientes no seu processo de inclusão;

A Responsabilidade social – O Companheiro, defende a responsabilidade social, como um valor fundamental na promoção da cidadania ativa, de indivíduos, empresas e da comunidade em geral, pela equidade e a justiça social e atuando de modo a desenvolver o reforço dos laços entre as pessoas, a comunidade e os agentes sociais.

3.1.3 - A Missão A missão de "O Companheiro” presente no lema já referido, "Para

3.1.3 - A Missão

A missão de "O Companheiro” presente no lema já referido, "Para que não haja

Homem, excluído pelo Homem", orienta-se para o apoio à população em reclusão, ex-

reclusos e respetivos familiares, a pessoas e famílias em situação de comprovada

vulnerabilidade social, missão que está patente no artigo 5º dos estatutos da associação 3 , onde se encontram os seguintes objetivos específicos a que se destina:

a) Proclamar valores sociais e espirituais;

b) Promover o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e profissionais;

c) Motivar e implementar atividades laborais e ocupacionais;

d) Limitar os danos das vítimas, contribuindo para a gestão do trauma;

e) Superar carências de subsistência, como alimentação, residência, higiene e saúde.

De acordo com os objetivos acima expostos, gostaríamos de referir Maurice Cusson, que dedica um capítulo do seu livro "Criminologia", à estigmatização como a principal consequência, a mais sentida e imensamente dolorosa que é vivida na pele dos ex-reclusos, sem apoios familiares, perseguidos pelo rótulo e os preconceitos que os dificultam de emergir, encontrando à sua frente inúmeros obstáculos que podem levar a uma situação de exclusão social, tal como afirma: "em sociedade não se condena apenas o ato repreensível, mas condena-se também e sobretudo o seu autor”, CUSSON (2011).

Nesse sentido, a Associação "O Companheiro", visa a autonomia gradual da pessoa em situação de ex-reclusão, pelo desenvolvimento das suas competências pessoais, profissionais e sociais, permitindo a sua reinserção social plena, pelo que a Instituição atua em três níveis de abordagem abaixo indicados:

Abordagem primária – Atuação que visa evitar o crime;

Abordagem secundária – Feita pela intervenção com grupos de risco;

Abordagem terciária – Faz o desenvolvimento de ações na prevenção da reincidência.

A Instituição foca a sua intervenção, através de um conjunto de respostas sociais,

que com afirma O Professor Doutor José de Almeida Brites, “procura assumir uma ação reabilitadora na problemática e preventiva nas causas e efeitos” BRITES (2013), as quais

se encontram nas seguintes vertentes:

Residência coletiva – Visa dar resposta, às necessidades na pós-reclusão, a uma população exclusivamente masculina e maior de 18 anos, colmatando a falta de apoio

3 Companheiro (2014) Estatutos, Página consultada em 05 de junho de 2015. http://companheiro.org/estatutos.html

familiar, a falta de meios de subsistência e de habitação; Também acolhe reclusos em liberdade

familiar, a falta de meios de subsistência e de habitação; Também acolhe reclusos em liberdade condicional ou em Licença de Saídas Jurisdicionais (LSJ), abrangendo ainda as seguintes respostas sociais:

f) Refeitório social;

g) Higienização;

h) Tratamento de roupas.

Apoio social – Visa dar resposta, às necessidades psicossociais dos clientes, através de um conjunto de respostas sociais tais como:

a) Intervenção clínica;

b) Aconselhamento jurídico;

c) Banco Alimentar;

d) Banco de Roupa;

e) Praticas Educativas Parentais;

f) Gabinete de Educação, Formação e Empregabilidade;

g) Cantina Social;

h) Horta Comunitária;

i) Desporto é Companheiro.

Apoio profissional – Visa dar resposta às necessidades formativas e profissionais dos clientes, bem como atividades ocupacionais, através do GEFE.

a) Formação profissional;

b) Procura ativa de emprego;

c) Protocolos (com entidades mediante acordos e parcerias).

3.2 - População Alvo

A Instituição está voltada para o atendimento a um grupo de clientes que denominamos de "População Alvo", composta por indivíduos que têm ou já tenham tido, problemas com a justiça, sendo o apoio extensível aos familiares da respetiva população.

Podemos ainda referir, por outras palavras, que a população de “O Companheiro” é composta por Clientes Residentes (acima referidos) e também por clientes apoiados, indivíduos ou famílias, com ou sem antecedentes judiciais que se encontrem em situação de comprovada vulnerabilidade social que procuram a Instituição, quer por iniciativa própria, quer por encaminhamento interinstitucional e intrainstitucional, na procura de apoio em diversas valências.

Segundo BRITES (2013), as pessoas que procuram o apoio da Instituição, ou que sejam encaminhados, estão na sua maioria, em situação de rutura de laços familiares, laborais, sociais, afetivos, podendo estar relacionado a problemas clínicos e psicológicos relativos à extrema pobreza e exclusão social.

Uma outra valência na ação interventiva e reabilitadora de "O Companheiro" é a Prestação de

Uma outra valência na ação interventiva e reabilitadora de "O Companheiro" é a Prestação de Trabalho a Favor da Comunidade (PTFC) a indivíduos encaminhados pela DGRSP, medida jurídica criada pelo DL 375/97, que visa a reinserção social do delinquente, medida esta que permite a substituição de uma pena de prisão efetiva ou de uma multa, (quando solicitado pelo condenado), medida esta, que tem em vista as necessidades de reinserção, pelo que não é uma

medita privativa da liberdade do individuo, 4 sendo estipulado um tempo máximo para o cumprimento da mesma em 480 horas ou no prazo limite de 30 meses, junto a uma Entidade Beneficiária de Trabalho (EBT).

3.2.1 – Conceitos de População Alvo e Cliente

O Conceito de População Alvo, tal como referido no Dicionário de Educação Profissional, é definido como um conjunto de indivíduos ou grupos a quem a assistência social, direciona as suas ações, com prioridade para os que estejam em condições de vulnerabilidade, e/ou situações circunstanciais e conjunturais de desvantagem pessoal, FIDALGO e MACHADO (2000).

Quanto à definição do conceito de Cliente, partindo da modernização do Serviço Social e na superação da dicotomia cliente/beneficiário, segundo Maria Helena Moura trata-se de promover a participação ativa dos indivíduos, na resolução dos seus problemas, na busca de soluções adequadas a cada caso, MOURA (2006).

Neste sentido, os demais clientes da Instituição que não estejam enquadrados na condição de População Alvo, são os indivíduos ou famílias que se encontram em situação de vulnerabilidade social comprovada e que procuram apoio da Instituição, vindo por iniciativa própria ou por encaminhamento interinstitucional, com a parceira de instituições da Rede Social tanto de Lisboa como a nível nacional.

Dentro destas instituições, podemos referir como exemplo, o Ministério da Justiça, Estabelecimentos Prisionais (EP) a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) e a Ação Social das autarquias locais como por exemplo a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e a Junta de Freguesia de Benfica (JFB).

4 DGRS (2006) "Trabalho a favor da comunidade" Página consultada em 05 de junho de 2015.

http://www.dgrs.mj.pt/c/portal/layout?p_l_id=PUB.1001.72

3.3 - Estrutura e respostas sociais A Estrutura operacional de "O Companheiro" é feita através

3.3 - Estrutura e respostas sociais

A Estrutura operacional de "O Companheiro" é feita através de gabinetes com fins específicos que gerem um conjunto diversificado de serviços e apoios denominados de respostas sociais.

O conceito de Resposta Social é definido nos seguintes termos: "Valência/Resposta Social é um conjunto de atividades em serviços e/ou equipamentos sociais para apoio a pessoas e famílias, desenvolvendo a participação e a colaboração de diferentes organismos da administração central, das autarquias locais, das Instituições Particulares de Solidariedade Social e de outras instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos de reconhecido interesse

público". 5

3.3.1 - Gabinetes

A Instituição "O Companheiro" conta com quatro gabinetes para a prestação de serviços, acompanhados por uma equipa técnica especializada, com o intuito de dar resposta a necessidades específicas dos clientes e permitir uma eficaz integração

psicossocial dos mesmos, por meio de metodologias adequadas a cada caso 6 .

3.3.1.1 - Gabinete de Intervenção Social – GIS

Tem como função, o acolhimento dos clientes, a realização da entrevista social, a triagem, o acompanhamento e o encaminhamento intra e interinstitucional dos mesmos, através dos seguintes serviços e respostas sociais:

a) Residência masculina;

b) Prestação de Trabalho em Favor da Comunidade;

c) Licença de Saídas Jurisdicionais;

d) Práticas Educativas Parentais;

e) Banco Alimentar;

f) Banco de Roupa;

g) Cantina Social.

5 INE (2015) Sistema de Metainformação – Fonte Direção Geral dos Regimes de Segurança Social (DGRSS) Página consultada junho de 2015. http://smi.ine.pt/Conceito/Detalhes/5699

6 O Companheiro (2015) "Equipamentos e Serviços". Página consultada em 05 de junho de 2015. http://companheiro.org/servicos.html

3.3.1.2 - Gabinete de Intervenção Clínica e Psicológica – GICP Trata-se do gabinete que se

3.3.1.2 - Gabinete de Intervenção Clínica e Psicológica – GICP

Trata-se do gabinete que se destina a acompanhar, avaliar e promover o desenvolvimento psicológico dos clientes, cujos propósitos focam-se fundamentalmente, em responder às necessidades dos clientes, promovendo o desenvolvimento psicológico, o bem-estar e a qualidade de vida dos mesmos.

Orienta a sua atuação numa abordagem terapêutica assente no modelo cognitivo comportamental, centrado na importância do cliente como agente principal da sua própria mudança, pelo gradativo desenvolvimento da suas competências pessoais, visando auxiliar o cliente na sua reinserção de modo a evitar a reincidência criminal.

O GICP faz o acompanhamento do desenvolvimento dos clientes, através dos seguintes modos de atuação:

a) Avaliação psicológica;

b) Acompanhamento psicossocial;

c) Treinos de competências pessoais e sociais;

d) Encaminhamentos interinstitucionais relativos à Saúde.

3.3.1.3 - Gabinete de Educação, Formação e Empregabilidade – GEFE

Este gabinete está voltado para a inclusão dos clientes na vida ativa, na socialização dos mesmos, propõe-se a promover o desenvolvimento das competências pessoais, sociais, formativas, educacionais e profissionais, com o intuito de alargar as oportunidades de empregabilidade dos mesmos.

Pretende auxiliar os clientes com finalidades sociopedagógicas, na elaboração do seu Curriculum Vitae, com técnicas de procura ativa de emprego, evidenciando a colocação em postos de trabalho, através de protocolos com a parceria de entidades públicas ou privadas, promovendo os seguintes programas e atividades:

a) Desporto é companheiro – Com duas sessões por semana, contemplando vinte clientes, contando com a participação em eventos desportivos tal como torneios de futebol de rua;

b) Plano de Atividades Socioculturais;

c) Planos de formação;

d) Workshops (oficinas temáticas).

3.3.1.4 - Gabinete de Apoio Jurídico – GAJ Destina-se à valorização da cidadania dos clientes,

3.3.1.4 - Gabinete de Apoio Jurídico – GAJ

Destina-se à valorização da cidadania dos clientes, promovendo a inclusão pela defesa dos direitos, liberdades e garantias, próprias do Estado de Direito, tendo como função, dar o devido apoio à população cliente.

Apoio realizado através da informação e do encaminhamento, permitindo aos clientes, a defesa dos seus direitos e o acesso aos tribunais, face a conflitos de ordem judicial ou extra judicial, através do seguinte conjunto de serviços:

a) Informar e orientar;

b) Encaminhar;

c) Aconselhar, questões jurídicas, focadas entre outras nas seguintes:

1. Resolução de conflitos laborais;

2. Regulação do poder parental;

3. Obtenção de autorização de residência em território nacional.

3.3.2 - Equipamentos

A Associação está equipada e preparada para dar resposta às necessidades de alojamento, alimentação, vestuário, higiene e ainda visa dar resposta às necessidades formativas e profissionais dos seus clientes com os seguintes equipamentos.

3.3.2.1 - Residência coletiva masculina

A Residência é o equipamento do companheiro, cuja finalidade é dar resposta às necessidades habitacionais da população alvo, estando prevista no entanto, existir a possibilidade da admissão de pessoas em situações de comprovada carência social.

Equipamento com capacidade máxima de vinte e duas camas, destinadas a uma população composta de indivíduos do sexo masculino, com idade superior a 18 anos, sendo vinte camas destinadas as ex-reclusos e duas camas para acolher reclusos em LSJ, encaminhados pelos EP’s através de um acordo com a DGRSP.

Fase de Candidatura – O ingresso de um cliente na residência masculina, faz-se através de um processo que avalia os clientes inseridos numa lista de candidatos, pelo que na fase de candidatura espera-se que o mesmo tenha a informação necessária de "O Companheiro", no que concerne aos princípios, aos valores e regras vigentes na Instituição, bem como conhecer as diversas respostas sociais existentes, sendo feita nesta fase a análise das necessidades e as expectativas dos clientes;

 Fase de Avaliação – Nesta fase, são avaliados os critérios de admissibilidade, previstos no

Fase de

Avaliação – Nesta fase, são avaliados os critérios de

admissibilidade, previstos no regulamento interno da resposta social Residência, dentro de um enquadramento jurídico em vigor, que são os abaixam indicados:

a) Ser recluso ou ex-recluso, podendo haver a admissibilidade em situações de comprovada carência social;

b) Individuo do sexo masculino;

c) Maior de 18 anos;

d) Em situações de haver antecedentes de dependência de drogas ou álcool, o candidato deve encontrar-se em comprovada situação de abstinência, tendo já obtido tratamento terapêutico ou estando a ser acompanhado para tal;

e) Não ser portador de nenhuma perturbação mental ou clínica crónicas;

Entrevista Institucional – Os candidatos que reúnem as condições de admissibilidade passam à fase de Entrevista Institucional, com a seguinte ordem de avaliações:

a) Entrevista Institucional – Onde se recolhem os dados sociodemográficos do cliente, histórico clínico, judicial, toxicológico, familiar, escolar e profissional, tendo em conta o comportamento, a postura, linguagem, discurso, motivação, colaboração e a empatia do candidato;

b) Protocolo de avaliação;

c) Avaliação da situação de saúde;

d) Despiste do uso de substâncias psicotrópicas;

Processo de Avaliação Psicossocial – Uma vez preenchendo os requisitos acima referidos, o cliente é informado que passa a constar da lista de candidatos, em caso contrário, o cliente é informado presencialmente da sua não admissibilidade, procedendo-se a um encaminhamento interinstitucional;

Avaliação Psicológica – Após a entrevista institucional, caso haja a admissão do candidato, passa-se para a fase de avaliação psicológica feita pelo GICP, não com o intuito de verificar défices ou patologias, mas sobretudo as potencialidades do cliente, para melhor poder-se delinear o plano de tratamento;

a) Assinatura do Contrato – Por último, estabelece-se um contrato com o cliente e a

a) Assinatura do Contrato – Por último, estabelece-se um contrato com o cliente e a Associação "O Companheiro" onde para além dos documentos do cliente, constam a duração do respetivo contrato, os serviços, as atividades abrangidas e os direitos e deveres de ambas as partes;

b) Plano Individual de Inclusão – PII – Uma vez admitido o cliente, passa-se à fase de elaboração do Plano Individual de Inclusão (PII), plano este que estabelece as regras de orientação.

3.3.2.2 - Banco de Roupa – BR

É uma resposta social que tem por finalidade, a recolha e a distribuição de roupa destinada a toda a população carenciada, respondendo assim às necessidades de vestuário, calçado entre outros artigos, o serviço de distribuição de roupa é feito duas vezes por semana, às quartas-feiras e às sextas-feiras, podendo os clientes, fazer a recolha uma vez por mês.

3.3.2.3 - Banco Alimentar – BA

É uma resposta social que é feita em parceria com o Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) de onde proveem os bens alimentares, realizando uma entrega semanal de produtos frescos e uma entrega mensal de produtos secos, a Instituição recebe também, através do Fundo Europeu de Auxílio às Pessoas Mais Carenciadas (FEAC), duas entregas anuais de géneros alimentícios, sendo a distribuição feita de acordo com a dimensão, as necessidades dos agregados e as existências em stock dos géneros recebidos, para assim dar apoio aos clientes, com um cabaz mensal de géneros alimentares, cabaz este que varia consoante a dimensão e as necessidades de cada agregado, apoio que é dado, tanto à população alvo, como às famílias ou indivíduos em situação de vulnerabilidade social.

3.3.2.4 - Cantina Social – CS

Equipamento social destinado a dar resposta às necessidades de alimentação dos clientes, sendo selecionados por um processo de candidatura que se inicia com a entrevista social, onde são analisados os dados sociodemográficos abaixo indicados:

e) Dimensão do agregado familiar;

f) Situação laboral;

g) Nível de escolaridade;

h) Formação profissional;

i) Rendimentos e a procedência dos mesmos, tais como: Ordenado, reforma, Rendimento Social de inserção (RSI) e Subsídio de Desemprego (SD);

j) Tipologia habitacional; k) Histórico toxicológico; l) Histórico Clínico; m) Histórico

j)

Tipologia habitacional;

k)

Histórico toxicológico;

l)

Histórico Clínico;

m)

Histórico judicial.

O

serviço é realizado com a comparticipação da Segurança Social e está

inserido dentro do programa denominado de Plano de Emergência Alimentar (PEA).

A CS tem capacidade para cem refeições diárias, que são entregues aos

clientes, num total aproximadamente de três mil refeições mensais.

Os clientes recebem refeições para os 7 dias da semana, sendo duas entregas diárias, uma ao almoço e uma ao jantar, tratam-se de refeições quentes, confecionadas no próprio dia no Refeitório Social da Instituição, podendo ser consumidas no local ao almoço, sendo as refeições do jantar e dos fins de semana entregues aos clientes para consumo no domicílio, aos sábados são entregues portanto, quatro refeições por cliente, respetivas ao fim de semana.

Para além dos equipamentos já referidos, há ainda o “Espaço Infocultural”, que é um equipamento que tem como finalidade permitir aos clientes o acesso à informação, estando a cargo do GEFE, no âmbito da formação e empregabilidade, pelo que está equipado com uma biblioteca, uma videoteca, equipamento multimédia e computadores com acesso à Internet.

4 - A Intervenção Social no 'O Companheiro' " " F F a a ç

4 - A Intervenção Social no 'O Companheiro'

""FFaaççaa oo qquuee ppuuddeerr,, ccoomm oo qquuee tteemm ee oonnddee eessttiivveerr ""

Theodore Roosevelt

Ao abordarmos a intervenção social aplicada à práxis de "O Companheiro", impõe-nos compreender, a interligação dos aspetos organizacionais, metodológicos e dos modelos de intervenção que de acordo com os princípios da Instituição, visam não ser meramente assistenciais.

A intervenção social aplicada na Instituição, efetua-se dentro de uma lógica que luta contra

a tendência assistencialista como referimos acima, com o intuito de evitar a manutenção da dependência dos clientes, procura portanto, promover a reabilitação dos mesmos, pelo comprometimento no processo da sua autonomização e reinserção social.

Para além da Intervenção, “O Companheiro” é também uma Instituição formadora de novos profissionais, quer na área da psicologia, quer na área do serviço social e simultaneamente

é formadora do sistema cliente, pelas inúmeras sessões de esclarecimento à população cliente, através de:

a) Sessões de esclarecimento (workshops);

b) Formação;

c) Práticas Educativas Parentais;

d) Organização de eventos desportivos;

e) Atividades psicopedagógicas.

As atividades acima referidas são realizadas com famílias e grupos ao longo de todo o ano, realizados em horário pós laboral, tendo como público-alvo os clientes da Instituição, com o intuído de promover valores, competências pessoais e motivação.

As iniciativas acima citadas, focam diferentes aspetos em variadíssimos temas, entre outros destacamos os seguintes:

a) Direito;

b) Saúde;

c) Alimentação;

d) Área comportamental;

e) Desenvolvimento de competências pessoais.

4.1 - Metodologia e Modelos de Intervenção Social A Intervenção social da Instituição está assente

4.1 - Metodologia e Modelos de Intervenção Social

A Intervenção social da Instituição está assente em três pilares base, tendo assim uma intervenção primária, a qual trabalha no intuito de evitar o crime; A intervenção secundária que atua no trabalho com grupos e famílias e por fim uma intervenção terciária que tem como finalidade, a prevenção da reincidência no crime, visam o empowerment do sistema cliente, fazendo uso de diversos instrumentos técnicos e operacionais da intervenção social com indivíduos, famílias ou grupos.

4.1.1 - Metodologia de intervenção

Antes de avançarmos, deixamos abaixo alguns conceitos sobre os principais termos e instrumentos operacionais do serviço social tais como:

a) Intervenção social;

b) Intervenção direta;

c) Intervenção indireta;

d) Estudo de Caso.

Intervenção social – Podemos compreender o seguinte conceito, pela definição do mesmo, na afirmação do Professor Hermano Carmo: "é um processo social, em que uma dada pessoa, grupo, organização, comunidade ou rede social – a que chamaremos sistema-interventor – se assume como recurso social de outra pessoa, grupo, organização, comunidade ou rede social – a que chamaremos sistema-cliente – com ele interagindo através de um sistema de comunicações diversificadas, com o objetivo de o ajudar a suprir um conjunto de necessidades sociais, potenciando estímulos e combatendo obstáculos à mudança pretendida", CARMO (2008, 61);

Intervenção direta "É a intervenção que se desenvolve numa relação frente a frente, o cliente está presente e é ator, tanto como o trabalhador social quer se trate de uma pessoa, de uma família ou de um grupo, devido a isto, sofre a influência desta relação e, através do jogo das relações recíprocas, o trabalhador social também recebe (sofre) influências; Cliente/Trabalhador social encontram-se assim juntos, implicados num processo que os modificará, introduzindo mudanças tanto num como no outro", ROBERTIS (2011, 141);

Intervenção indireta – Segundo a Cristina Robertis, trata-se de um conjunto de diferentes e variados tipos de intervenção, realizados pelos trabalhadores sociais fora do contacto direto com os clientes, de suma importância, ocupando uma grande parte do trabalho desenvolvido pelo assistente social, visa assim diligenciar, organizar e

planificar a intervenção, que tem como intuito a resolução dos problemas apresentados pelos clientes, ROBERTIS

planificar a intervenção, que tem como intuito a resolução dos problemas apresentados pelos clientes, ROBERTIS (2011);

Estudo de Caso – Também denominado de Casework, é um método do serviço social, que visa a compreensão do sistema cliente, através de um conjunto de conhecimentos e na utilização de técnicas que permitam ao sistema interventor, planear a intervenção, no sentido de auxiliar o cliente a auxiliar-se a si.

Este modelo tem na sua base, a visão personalista do cliente, na defesa do respeito pela individualidade e a dignidade a que o cliente tem direito, não havendo a superioridade do trabalhador social sobre a pessoa que pede ajuda, mas em que o sistema cliente e o sistema interventor estão em igualdade, num processo de colaboração entre ambos, com a finalidade de trabalhar para dar resposta aos problemas apresentados pelos clientes.

4.1.2 - Modelos de intervenção

Os modelos de intervenção social, adotados no “O Companheiro”, são, o Modelo Psicossocial e o Modelo Sistémico, vejamos cada um deles em maior detalhe.

Modelo Psicossocial – É um modelo de intervenção que tem como base um conjunto de conceitos de diversas áreas científicas, como a Psicologia Social, a Psicanálise, a Psiquiatria, a Sociologia, adaptando-se ao Serviço Social de Casos.

No modelo Psicossocial, a Professora Maria José Núncio refere que se trata do modelo que tem em conta, o meio social do cliente e a abordagem do problema, bem como no diagnóstico e no tratamento de um vasto conjunto de dados do cliente, referentes a aspetos de ordem física, psíquica, social, económica e emocional, de modo a colmatar os desequilíbrios entre a pessoa e o meio, em NÚNCIO (2010).

Os objetivos centrais do Modelo Psicossocial são os seguintes:

a) Capacitação do cliente (empowerment);

b) Desenvolvimento de comportamentos e de atitudes que permitam o estabelecer relações com os outros e com o meio;

c) Realização pessoal através de comportamentos que permitam a motivação do cliente;

d) Desenvolver a capacidade de utilizar redes formais e informais de suporte.

Modelo Sistémico – É um modelo de intervenção que visa restabelecer os laços sociais dos indivíduos, na medida em que encara os fenómenos, não numa dimensão individual, mas sim dentro de um contexto mais abrangente, citamos

ainda a Professora Maria José Núncio, que afirma ser o modelo "onde os fenómenos ganham

ainda a Professora Maria José Núncio, que afirma ser o modelo "onde os fenómenos ganham significado a partir das interações entre os indivíduos num dado contexto" NÚNCIO (2010, 132);

4.2 - Gabinete de Intervenção Social – GIS

O GIS é o gabinete da Instituição com o qual os clientes têm o primeiro contacto, tanto os

que são encaminhados por outras instituições como os indivíduos ou agregados que venham por iniciativa própria, na busca de auxílio.

Uma vez feito o pedido é agendada com os clientes um data para a entrevista, na qual são analisados os diversos aspetos sociodemográficos dos mesmos, o GIS é o gabinete responsável pelo acolhimento de todos os clientes, seja de indivíduos ou famílias em comprovada vulnerabilidade social, seja o apoio no pós-reclusão ou de reclusos em LSJ, encaminhados pela DGRSP e ainda é responsável por receber e acompanhar os indivíduos encaminhados em regime de cumprimento de Prestação de Trabalho em Favor da Comunidade (PTFC).

O GIS promove um programa de atividade com famílias, denominado Praticas Educativas

Parentais (PEP), que tem como fim, a melhoria funcional das relações familiares com recurso a métodos e técnicas psicopedagógicas.

Tal como afirma a Professora Maria José Núncio, “cada caso é um caso” e nesse sentido o GIS, analisa a problemática que subjaz na situação de vulnerabilidade social, pobreza ou exclusão social e que levam ao pedido de apoio, NÚNCIO (2010).

A metodologia utilizada no GIS, visa a intervenção social, a partir do momento do primeiro

contacto, utilizando um conjunto de técnicas dentro de uma ordem sequencial, tendo como os principais conceitos relacionados com a metodologia de intervenção, os seguintes:

a) Acolhimento;

b) Entrevista Social;

c) Encaminhamento;

d) Planos de Inclusão.

Acolhimento – É no dizer de Cristina de Robertis, o primeiro ato social em si, quer este ato se trate de um centro de acolhimento, ou de uma família de acolhimento, ou ainda de uma Instituição de acolhimento. Acolher um cliente em situação de vulnerabilidade social é o primeiro passo concreto para a sua reabilitação, pelo que a atitude do pessoal que está no acolhimento é essencial, na medida em que uma atitude aberta e centrada na pessoa influenciará a relação cliente e interventor, em ROBERTIS (2011);

Entrevista Social – É um instrumento de suma importância para o trabalho social, como afirma a Professora Luísa Ferreira da Silva, instrumento esse que permite-nos obter informações preciosas, relaciona-las com o contexto envolvente da realidade

psicossocial do cliente, não deve ser tomada como um mero ato de rotina, visto ser

psicossocial do cliente, não deve ser tomada como um mero ato de rotina, visto ser a primeira entrevista, o inicio de um processo que se prolongará no tempo e no qual devemos ter em conta que os clientes que pedem ajuda, estão a viver um problema, encontrando-se fragilizados, pelo que a entrevista deve ser preparada, a comunicação deve ser simples e clara e ter em conta que a primeira entrevista é o estabelecimento de uma relação entre o cliente e o trabalhador social, na qual deve-se informar o cliente do que ele pode esperar da Instituição, em SILVA (2001);

Encaminhamento – É um dos instrumentos técnico operacionais utilizados, conceito exposto através da seguinte reflexão de H. M Sarmento: "O encaminhamento, muitas vezes confundido com transferência de responsabilidade entre setores e organizações, torna-se uma prática do Serviço Social e um serviço sempre parcial e insuficiente, exigindo novos retornos que acabam por reforçar a dependência e, muitas vezes, a perda de autoestima. Quando muito, conseguem, através da garantia de alguns recursos, uma satisfação compensatória em meio às informações controvertidas e às respostas insuficientes às demandas criadas. O encaminhamento ainda não é compreendido como a busca de uma solução para os problemas e situações vivenciadas pela população como garantia dos seus direitos" em SARMENTO (2001);

Planos de Inclusão, os planos de inclusão, são estratégias planificadas em conjunto com os clientes e visam o comprometimento dos mesmos, tanto se trate de um individuo como de um agregado familiar, para que assumam um compromisso de procurar em parceria com o GIS, soluções para a sua situação de vulnerabilidade, esses planos são feitos em particular com a população apoiada no BA e na CS, denominando-se Plano Familiar de Inclusão (PFI), à semelhança do PII, existente para os clientes residentes.

4.2.1 – A ordem cronológica das fases da intervenção

As fases da metodologia de intervenção seguem uma ordem lógica, desde que é feito o pedido de apoio, ou sinalizada uma dada situação por um organismo ou Instituição, passando pela entrevista social, a recolha de dados e documentos, entre outros, sendo os seguintes:

1.º - Pedido de apoio, ou sinalização – É o primeiro passo no processo de inclusão/reinserção, feito por encaminhamento institucional ou por iniciativa própria do cliente, pelo que se agenda uma data para a realização de uma entrevista;

 2.º - A Entrevista social –, o primeiro contato entre o sistema cliente e

2.º - A Entrevista social –, o primeiro contato entre o sistema cliente e o sistema interventor, Onde é realizado um diagnóstico, social, obtendo-se os dados importantes, tanto de informação documental, como de informações adicionais relativas à situação vivida pela pessoa que pede o apoio, informações essas que nos permitirão analisar a situação em causa;

3.º - Análise e avaliação da situação – Após a recolha dos dados sociodemográficos, faz-se a análise da realidade socioeconómica em que o cliente está inserido, das problemáticas apresentadas, das demais situações condicionantes e das potencialidades existentes, para a partir dai, poder-se elaborar hipóteses e definir estratégias;

4.º - Elaboração do plano de inclusão e/ou contrato – Uma vez analisada a situação, faz-se um plano de inclusão, onde o cliente apoiado compromete-se a ser coautor na resolução do seu problema, através de uma atitude colaborante com a Instituição de acolhimento/apoio, com vista a atingir os propósitos traçados no plano de inclusão e solucionar a situação de carência ou vulnerabilidade social;

5.º - Implementação da intervenção – Esta é a fase onde o cliente e o sistema interventor, colocam em ação, o programa delineado no Plano de Intervenção que varia de caso para caso e de acordo com as necessidades do cada cliente ou agregado familiar, desde a formação profissional à procura ativa de emprego, sendo esta última a condição sine qua non para a manutenção dos apoios sociais recebimentos;

6.º - Avaliação dos resultados – Os resultados são regularmente analisados, com o propósito de apoiar o sistema cliente a ultrapassar as dificuldades e a atingir assim os objetivos propostos no PII;

7.º - Finalização da Intervenção – Espera-se que intervenção seja concluída, tendo sido atingidas as metas traçadas pelo Plano de Intervenção, através de respostas efetivas para os problemas apresentados, entretanto há um prazo previamente estipulado a cumprir, variando consoante os casos.

4.2.2 – Acolhimento do Cliente Num momento antes da realização da entrevista social, são preenchidos

4.2.2 – Acolhimento do Cliente

Num momento antes da realização da entrevista social, são preenchidos os documentos, abaixo indicados:

I – Ficha de Identificação e pedido de apoio – Indica se se trata de população alvo, qual o tipo de apoio é solicitado e ainda os dados pessoais do cliente;

II – Consentimento informado – Documento lido para o cliente antes da entrevista, garantindo a confidencialidade das informações prestadas e assinado pelo mesmo, consentindo o uso dos dados para o estrito fim a que se destinam.

Posteriormente, é realizada a entrevista institucional, que se trata de uma ferramenta útil para o trabalho social, pela qual se obtém um conjunto de dados sociodemográficos do cliente, permitindo fazer-se o diagnóstico da situação, o grau de vulnerabilidade e a análise dos condicionalismos psicossociais do cliente e do seu o meio.

A estrutura da entrevista é feita de modo a que todos os dados relevantes, desde a documentação às informações verbais, sejam registados, igualmente é feito o registo do comportamento do cliente durante a entrevista, analisando-se a sua postura, o discurso, a atitude de colaboração e empatia, informações essas que permitem uma análise mais aprofundada sobre a pessoa entrevistada e a situação verbalizada pelo mesmo.

A mesma é dividida em dez partes de diferentes aspetos da caracterização, cujos dados são utilizados sigilosamente no tratamento da análise da problemática apresentada:

1 - Caracterização sociodemográfica – Começa por indicar a entidade ou o técnico responsável pelo encaminhamento ou sinalização, seguem-se os dados pessoais e a descrição dos documentos apresentados;

2 - Caracterização sociofamiliar – Indica o número total dos membros do agregado familiar e a descrição da composição do mesmo;

3 - Caracterização habitacional – É a identificação da tipologia da habitacional, se é própria, arrendada, habitação social ou de outro tipo;

4 - Caracterização socioeconómica – Procedência dos meios de subsistência do agregado ou rendimentos, se se trata de auxílio institucional, ordenado, reforma, pensão entre outros, descrevendo os valores auferidos e também todas as despesas correntes do agregado;

5 - Caracterização escolar – Caracteriza o grau de escolaridade que se concluiu ou frequentou, o curso e/ou formação profissional;

6 - Caracterização jurídico-penal – Indica se o cliente ou alguém do seu agregado têm ou já teve problemas com a justiça;

 7 - Caracterização de saúde – Caracterização do estado de saúde físico e psíquico

7 - Caracterização de saúde – Caracterização do estado de saúde físico e psíquico do cliente e do agregado familiar;

8 - Caracterização toxicológica – Indica o histórico toxicológico do cliente, se é ou tenha sido dependente de consumo de álcool ou de estupefacientes;

9 - Caracterização profissional – Indica a situação laboral do cliente, se está reformado, desempregado ou a trabalhar, qual a profissão e há quanto tempo se encontra na situação atual;

10 - Observações finais – GIS – É a descrição feita pelo entrevistador, do GIS, onde descreve a postura, o comportamento, a linguagem, discurso, empatia, motivação e colaboração do cliente durante a entrevista.

PPaarrttee IIII

EEnnqquuaaddrraammeennttoo TTeeóórriiccoo ccoonncceeppttuuaall

5 - EEnnqquuaaddrraammeennttoo tteeóórriiccoo

Conhecer os fenómenos da exclusão social.

6 - CCaarraacctteerriizzaaççããoo ddooss cclliieenntteess ddaa CCaannttiinnaa SSoocciiaall

Caracterização sociodemográfica da população apoiada.

5 – Enquadramento Teórico " " A A m m a a i i o

5 – Enquadramento Teórico

""AA mmaaiioorr ccaarriiddaaddee éé hhaabbiilliittaarr oo ppoobbrree aa ggaannhhaarr aa ssuuaa vviiddaa""

Talmude

Nos últimos anos o número de cantinas sociais tem vindo a aumentar e a expandir-se geograficamente, atingindo em 2013 as oitocentas e onze unidades espalhadas de Norte a Sul do país 7 .