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PEDRAS NATURAIS

As pedras têm grande resistência à compressão e baixa resistência à tracção (e


também à flexão). Têm múltiplas aplicações na construção: estruturais (estruturas de
alvenaria), revestimentos, ornamentais, diversos.

Classificação das pedras:


· Rochas Ígneas
- formam-se a altas temperaturas e pressão – são compactas, duras, homogéneas e
isotrópicas;
- quanto mais lento o arrefecimento, melhor se dá a cristalização;
- a sílica é um elemento ácido predominante neste tipo de rochas, razão pela qual
existe uma classificação com base no teor de sílica: rocha ácida (SiO2>66%), rocha
neutra ou básica (SiO2<52%);
- granito (c/ quartzo) – boa aderência às argamassas, rocha clara;
- basalto, diorito, sienito – rochas + escuras porque não têm quartzo;

· Rochas Sedimentares
- resultam da degradação das rochas ígneas ou da decomposição de seres vivos; ou
melhor: resultam, de uma forma geral, da precipitação do material em água.
Apresentam-se estratificadas, isto é, dispostas em camadas mais ou menos regulares
segundo os bancos da pedreira. Têm por isso direcções privilegiadas, sendo
anisótropas.
- calcários, margas, grés, arenitos, brechas, gesso;
- calcários margosos servem para produzir ligante;
- os calcários são rochas de precipitação química, essencialmente constituídas por
calcite (CaCO3) e com teor de impurezas reduzido; podem ter porosidades muito
variadas.
- Calcário com baixa porosidade -> Lióz (2%)

· Rochas Metamórficas
- originam-se por alteração dos outros dois tipos de rochas, por acção de temperaturas
elevadas e/ou pressões elevadas
- geralmente mantêm a composição química. A composição mineralógica e estrutural
não
- Recristalização (mármores), reorientação dos minerais (gnaisses)
- Xisto -> Ardósia
- Calcário -> Mármore

Rochas ornamentais em Portugal


- Calcário – Porto de Mós, Alcobaça, Alentejo, Estremoz
- Brecha – Arrábida
- Granito – Braga, Porto, Viana do Castelo
- Gabro – Redondo
- Ardósia – Espinho
Extracção, Desmonte e Lavra

Extracção
- Céu aberto – maioria dos casos em Portugal com excepção da ardósia
-Subterrânea – apenas quando o valor da pedra compensa o acréscimo das despesas

Desmonte
- Manual – primitivo, demorado. Aproveitam-se as juntas de estratificação e diáclases para a
introdução de cunhas, alavancas, etc.
- Explosivos – mais rápido e mais fácil. Fragmentação excessiva da rocha e difícil controlo das
dimensões
- Mecânicos – utilização de máquinas de corte, percussão e outros. Boa qualidade dos blocos e
rapidez. Máquina + utilizada: Serra de Fio Helicoidal – cabo sem fim formado pelo enrolamento
numa hélice de 3 arames de aço. O movimento do fio é accionado por um motor e o corte do
bloco é executado pela fricção do fio sobre a rocha.

Lavra
- Manual – vulgar em cantarias, ombreiras, peitorais
- Mecânica- permite serrar, moldurar, polir, etc.

CARACTERÍSTICAS DAS PEDRAS

- Características Físicas

Textura – diz respeito às dimensões, forma e arranjo dos materiais constituintes e à existência
ou não de matéria vítrea (textura holocristalina ou vítrea). Os materiais que apresentem
textura vítrea não podem ser utilizados como inertes.

Estrutura – refere-se ao sistema mais ou menos organizado formado pelas diacláses e juntas
do maciço rochoso. É dada pela forma como o material surge na natureza. Tipos de estrutura:
laminar, em bancos, estratificada, etc.

Fractura – refere-se ao aspecto que apresentam as superfícies de rotura (normalmente


obtidas por percussão). O exame destas superfícies permite reconhecer os constituintes da
pedra e a sua forma de agregação, bem como da dificuldade da sua lavra.

Homogeneidade – as pedras devem ser homogéneas, não tendo: veios, nodos brandos,
crostas, geodes (cavidades preenchidas com matéria cristalizada). Um teste muito simples para
avaliar a homogeneidade é bater com um martelo no material. O som indica se estamos
perante um material homogéneo ou não.
Dureza – mede a resistência do material a compressões pontuais. Tem a vantagem de permitir
seleccionar o modo mais económico de cortar a pedra, assim, quanto à dureza as pedras
classificam-se em:
- Brandas – lâmina de aço
- Medianamente duras – lâmina de aço actuando com jacto de areia a água actuando na zona
de contacto entre o material e a pedra (a rocha não vai ser cortada pelo aço, mas sim pelo
atrito que é criado pela areia)
- Duras – lâmina de aço actuando com jacto de areia a água e esmeril
- Duríssimas – carborundum ou serras diamantadas

Aderência aos ligantes – não é uma característica intrínseca do material, pois também
depende das características do ligante. A rugosidade da superfície é um dado importante, mas
não é o único condicionante, pois surgem situações em que a aderência de uma pedra é
bastante diferente consoante se trata de ligantes hidrófilos ou hidrófobos. Esta propriedade
apresenta especial interesse na utilização das pedras em fragmentos ou para a formação de
materiais compósitos.

Porosidade – é a relação entre volume de vazios e volume total, no entanto não é este relação
que importa para o estudo das pedras (porosidade absoluta), mas sim a relação entre o
volume máximo possível de água absorvida e volume total (porosidade relativa ou aparente).

pa=v/V; pr=kv/V kv – volume de vazios acessível à agua (0<k<1)

Para determinar a porosidade de um corpo há que determinar a sua massa saturada, a


sua massa em hidrostática e a sua massa seca. (Ensaio de determinação de massa específica)
Há 5 métodos para a determinação da massa saturada de um corpo, o que faz com que
existam 5 métodos de determinação da porosidade ou da massa específica:
- imersão progressiva
- imersão instantânea
- imersão em ebulição (em água a ferver o corpo dilata, pelo que os seus poros ficarão
maiores facilitando-se assim a saída de ar dentro deles)
- imersão com depressão de ar (usa-se um escicador, o qual vai causar uma depressão
no seu interior obrigando o ar a sair dos poros, o que faz que quando se coloca o corpo em
imersão a água penetre nos poros muito mais facilmente -> método + eficaz)
- imersão em água sobre pressão (aumenta-se a pressão de forma a obrigar a água a
entrar nos poros)

Permeabilidade – propriedade que os materiais têm de se deixar atravessar pela água ou


outros fluidos segundo certas condições. Depende fundamentalmente da porosidade, da
comunicação entre os poros e do diâmetro destes.

Higroscopicidade – faculdade que os materiais têm de absorver e reter a água por sucção
capilar. É a manifestação para a água de um fenómeno geral para os líquidos – capilaridade.
Depende da tensão superficial do líquido e da possibilidade de molhagem das paredes do
material pelo líquido. Acelera a alteração das rochas.
Gelividade – é a propriedade de uma pedra segundo a qual ela se fragmenta após, um
abaixamento da temperatura, a água contida nos seus poros ter solidificado, aumentando de
volume. Conclui-se assim que a pedra nestas condições será porosa, higroscópica e de fraca
resistência, pois absorve água e não resiste ao acréscimo de volume devido à congelação.
Ensaio de resistência -> submetem-se os provetes a 20 ciclos de 3 horas de gelo degelo.
Calcários – fragmentam-se em lamelas
Grés – esboroam-se

- Características Mecânicas

Resistência à compressão - as pedras, devido à sua boa resistência à compressão, poderão


trabalhar bem com tensões de serviço relativamente altas (túneis, pontes, viadutos, etc). Em
edifícios as tensões de serviço são mais baixas, no entanto importa ser conhecida esta
resistência para uma correcta utilização e porque é um índice de qualidade e durabilidade.
Determina-se através de um ensaio que comprime um provete de material (cubo,
prisma ou cilindro de dimensão normalizada) até à rotura.

Resistência à tracção, flexão e corte – esta é uma característica bastante diminuta nas pedras,
daí que apenas muito raramente elas sejam usadas elementos trabalhando exclusivamente em
esforços axiais de tracção.
Resistência à tracção – 1/30 da resistência à compressão
Resistência à flexão – 1/10 da resistência à compressão (vergas, lintéis, etc.)
Resistência ao corte – 1/3 da resistência à tracção

Resistência ao desgaste – tem especial importância para as pedras aplicadas em locais de


circulação intensa (pavimentos). Quanto mais densa for a pedra menor é o desgaste. Há vários
tipos de ensaios, refira-se, por exemplo, o ensaio de Amsler (usa a máquina de Amsler):
- usa provetes com 7,1x7,1x2,5
- são ensaiados 2 provetes de cada vez
- por cima dos provetes é colocado um peso de 15 Kg
- os provetes são fixos e por baixo deles roda um disco de metal duro a uma velocidade de 30
voltas/min e a uma pressão de 0,3 Kgf/cm2, em cima do qual é depositada areia calibrada.
- depois do disco ter percorrido 1000m mede-se a espessura final com um comparador ou
deflectómetro.

Resistência ao choque – usa-se em pedras ornamentais que são usadas no pavimento. Existem
vários ensaios possíveis, refira-se um a título de exemplo.

1- Esfera de aço de 1 Kg
2- Leito de areia com 10 cm de espessura
3- Provete que vai ser comprimido para haver um bom ajustamento entre ele e a areia
Inicialmente a esfera é deixada cair de uma altura de 10cm, depois aumenta-se essa altura de
1 em 1 cm até o provete partir.
- Características Químicas

Alteração das pedras calcárias


Por agentes químicos da atmosfera:
- CO2 – Chove -> a rocha absorve a água e dissolve o carbonato de cálcio (CaCO3) dos calcários
formando-se bicarbonato de cálcio (Ca(HCO3)2 – instável) -> a água evapora e o bicarbonato
deposita-se novamente sob a forma de carbonato formando manchas à superfície -> rocha fica
+ porosa – perde compacidade -> Chove. Ao fim de alguns ciclos forma-se uma camada
superficial de pedra constituída por uma crosta exterior endurecida sob a qual se encontra
uma camada de material desagregado e pulvurento .
- SO2 – combina-se com a água das chuvas originando ácido sulfuroso. Quando chove o ácido
sulfuroso combina-se com o carbonato de cálcio dos calcários formando sulfito de cálcio que
ao ser hidratado constitui o gesso, este cristaliza com acentuado aumento de volume,
formando crostas escuras (absorção de poluição). Quando chove novamente dá-se a
desintegração desta crosta.

Por agentes químicos dos materiais ou do solo


Outras origens de agentes químicos capazes de deteriorar as pedras estão na sua
própria constituição (sulfatos), no solo (nitratos – seres vivos) em casos particulares de
exposição em atmosfera salina (cloretos – perto do mar), ou na composição de produtos
usados na limpeza ou conservação. São normalmente sais solúveis e higroscópicos, ou seja, em
ambientes húmidos absorvem muita água. Quando estes sais cristalizam, aumentam de
volume. Ao serem arrastados pela água cristalizam quando ela se evapora constituindo
eflorescências, se a evaporação é lenta, ocorrendo na superfície interior ou cripoflorescências,
se a evaporação é rápida, ocorrendo no interior da pedra. A eflorescência não tem problema
pois limpa-se facilmente, no entanto a criptoflorescência empurra a superfície para fora
formando barrigas ou destacamento do revestimento. A água só dissolve os sais, os quais não
pertencem directamente à pedra, pelo que com criptoflorescência e eflorescência a pedra não
perde compacidade.

Por agentes químico-biológicos


São caso das acções do próprio homem e dos animais traduzidos essencialmente pela
corrosão química provocada pela deposição de dejectos.

Alteração dos feldspatos (Granitos)


Granito -> ataque da chuva aos feldspatos -> caulinite (dará origem às argilas)
Feldspatos – associação de silicatos
Por acção das chuvas, os silicatos anidros hidratam-se, separando-se. O silicato de alumínio
hidratado constitui a caulinite e dará posteriormente origem às argilas.
Condições de utilização das pedras
Os factores mais usados na selecção dos materiais a utilizar em obra são:
- Gelividade
- Resistência ao choque
- Resistência ao desgaste
- Ornamentação - Possibilidade de acabamento
- Durabilidade - Resistência dos agentes destruidores

A capacidade de polimento (desgastar a pedra até ela ter o aspecto desejado) é


directamente proporcional à resistência mecânica e à dureza.
Nível de polimento:
- Liso – brunido, amaciado e polido (obtenção por abrasão)
- Rugoso – geralmente é manual (obtenção por martelamento)

Granitos:
- Rocha granular – é policristalino
- Possibilidade de acabamento
- Utiliza-se na formação de betões, no revestimento de pavimentos
- No chão não deve pedir pedras polidas em ambientes húmidos
- Acabamento é mais fácil de fazer no calcário que no granito

Basaltos:
- Monocristalino – Vítreo
- Calçadas de basalto – têm o defeito de não terem muita aderência

Calcários:
- CaCO3 – na calçada a pedra deve ter entre 5 e 7 de dureza – Usa-se o vidraço

Brechas:
- Constituída por aglutinação de outras pedras cimentadas por cimento natural
- É muito heterogénea – não admite polimento

Xisto:
- Admite polimento – pode ser usada no chão – pode ser usada como elemento
estrutural
- Pouco rígida

Ardósia:
- Resulta de xistos – tem plano de xistosidade – é muito compacto
- Quadros, bancada de laboratórios, telhados
- Praticamente imporosas