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ARQUITETURA DO

ESTÁDIO SÃO JANUÁRIO


Rio de Janeiro – RJ

EDUARDO DE FREITAS MAGANHA


Marc-Apoio :: Turma 904-3

HISTÓRIA DA ARTE
Professor Ângelo
JUSTIFICATIVA DA ESCOLHA DO TEMA
Sou Sócio-Proprietário do Club de Regatas Vasco da Gama, colaborador e pesquisador da
história cruzmaltina, portanto não foi por acaso que escolhi o Estádio São Januário como
tema do trabalho final.

Gostaria de ressaltar que em 2007 publiquei um impresso e um especial na internet sobre


os 80 anos do Estádio, porém sem muitos detalhes sobre o estilo arquitetônico.

INTRODUÇÃO
O Estádio Vasco da Gama é popularmente conhecido como São Januário. Fundado em
1927, no bairro de São Cristóvão, ganhou o apelido porque o acesso da arquibancada era
pela Rua São Januário, local de passagem do Bonde de número 53, o famoso “Bonde de
São Januário”, da música de Wílson Batista e Ataulfo Alves.

“Quem trabalha é que tem razão


Eu digo e não tenho medo de errar
O bonde São Januário
Leva mais um operário:
Sou eu que vou trabalhar

Antigamente eu não tinha juízo


Mas resolvi garantir meu futuro
Vejam vocês:

Sou feliz, vivo muito bem


A boemia não dá camisa a ninguém
É, digo bem”

Muito mais do que um estádio de futebol, ele faz parte da identidade do torcedor do Vasco.
Foi um marco na luta contra a segregação, uma bandeira enfrentando o preconceito. Sua
idealização foi motivada por uma imposição dos “clubes da elite”, que exigiram que o
Vasco tivesse um estádio próprio para que pudesse competir nos mesmos campeonatos e
torneios dos “bem nascidos”. A exigência era, na realidade, uma desculpa para o
preconceito. Inconformados com a ascendência de um clube que os colocava para
enfrentar negros, mulatos e pobres, os “primos ricos” (América, Botafogo, Flamengo e
Fluminense) tiveram participação involuntária, mas fundamental na construção daquele
que ainda hoje deve ser reconhecido como um monumento contra as diferenças sociais e
de raça.

Posteriormente, ele se tornou palco dos grandes acontecimentos regionais, nacionais e


internacionais, ao abrigar eventos esportivos e extra-esportivos de vulto, fosse no esporte
sul-americano, na política nacional ou por alguma motivação cultural. Especialmente na
primeira metade do século XX, a casa vascaína foi tribuna para a divulgação de
importantes decisões que afetariam significativamente o destino do povo brasileiro, bem
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como para disputas memoráveis que ajudaram a construir a rivalidade esportiva entre o
Brasil e seus vizinhos, principalmente os uruguaios e argentinos.

A transferência da capital federal para Brasília em 1960 o retirou do cenário político. O


surgimento do Maracanã em 1950 fez com que perdesse o status de maior estádio do Rio
de Janeiro. Ainda assim, São Januário manteve-se imponente na Zona Norte carioca pelo
zelo notável com que foi tratado por quase todas as administrações vascaínas ao longo de
sua existência. Os traços neocoloniais na arquitetura da sua fachada não impediram que o
estádio se modernizasse para abrigar jogos à altura de sua importância octogenária. Algo
que foi reconhecido internacionalmente, recentemente, ao se conceder a ele uma posição
entre os 7 melhores estádios do mundo para assistir uma partida de futebol.

São Januário ultrapassou os 80 anos esbanjando saúde e charme. Talvez falte a ele,
apenas, o olhar cuidadoso do poder público, que contribuiria tremendamente ao melhorar
as condições de acesso à histórica praça de esportes, especialmente em ocasiões de
aguardada presença de torcedores. Não é exatamente a sinalização que vem dos últimos
governos, que intensificam ano a ano o processo de abandono da área. Falta de prioridade
que, aliás, acaba remetendo ao início do século XX, à própria construção do estádio, uma
jóia cravada na Zona Norte carioca contra a vontade de muitos. Parece que o tempo
passou e alguns traços de preconceito foram mantidos, sobretudo nas ações daqueles que
detêm os esquadros para agir: a Zona Norte secundária ainda existe, infelizmente.
Aguardemos, já sem muitas esperanças, que a mentalidade mude e contemple São
Januário, oferecendo-lhe as condições básicas sob responsabilidade do poder público,
como acesso, rede de transportes e segurança decentes.

Enquanto as necessidades externas são colocadas à parte, São Januário segue como uma
das fontes do orgulho vascaíno. Talvez a maior. Na verdade, aquele que foi um estádio de
futebol, transformou-se em um centro esportivo qualificado e em constante expansão. No
entanto, jamais deixou de ser um símbolo. Ao passar pelos seus portões, é impossível que
se deixe de respirar História. São Januário é um patrimônio da história e da cultura
brasileira. É impossível que se deixe de respirar igualdade. São Januário é um emblema
contra as desigualdades impostas. Ele existe para abrigar as alegrias memoráveis e
frustrações lamentáveis dos vascaínos. É a casa dos vascaínos, afinal. Mas, acima de
tudo, existe para que jamais esqueçam que, certa vez, quiseram colocar negros, mulatos e
brancos pobres à parte, tentaram segregá-los. Há muito mais do que tijolos, cimento e
areia presentes ali: há dignidade. Ela foi e sempre será a resposta dos vascaínos aos que
atentarem contra a soberania e a independência do Club de Regatas Vasco da Gama.

DESENVOLVIMENTO
ESTILO ARQUITETÔNICO

1) Estilo arquitetônico de São Januário

O estádio São Januário foi fundado em 21 de abril de 1927, apenas 10 meses após o
lançamento da pedra fundamental. O arquiteto português Ricardo Severo assinou o projeto
executado pela firma dinamarquesa Cristiani & Nielsen. Nas áreas externa e interna do
estádio, há painéis de azulejos portugueses feitos por Jorge Colaço, sob encomenda.

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Fachada do Estádio São Januário no ano da inauguração (1927)

Vale destacar também que nem todos os azulejos encontrados em São Januário são obra
de Jorge Colaço. Algumas peças foram autoria de Manuel Igrejas, em época posterior à
inauguração do estádio.

A fachada principal na Rua General Almério de Moura é neocolonial, estilo arquitetônico


preocupado em valorizar as raízes luso-brasileiras. Nos seus 274 metros de extensão, é
possível observar o frontão curvilíneo, conjunto de janelas formando grandes arcos,
varandas coloniais, telhas canais, beirais, detalhes barrocos, painéis em azulejos e
mastros com as bandeiras de Portugal, Brasil, Estado do Rio de Janeiro e Brasil. A
belíssima fachada de São Januário foi preservada ao longo dos anos, até ser tombada
pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional há algumas décadas.

Na época da inauguração, o estádio possuía outra fachada que dava acesso à


Arquibancada Descoberta. Um portão majestoso ficava no encontro entre as Ruas São
Januário e Francisco Palheta. Infelizmente, foi demolido.

Dentro da sede cruzmaltina, várias edificações foram construídas após a inauguração,


caracterizando um estilo eclético. No livro “Memória social dos esportes: São Januário,
arquitetura e história”, o autor comenta:

“O Estádio de São Januário possui características técnicas e estéticas que o


diferenciam no Brasil e na América Latina da época, como: coerência e unidade ao
conjunto da obra; utilização de alvenaria de tijolos e estrutura de concreto armado;
espaços organizados de acordo com a utilização prática, observando funcionalidade
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e articulação dos segmentos específicos. Em se tratando de uma obra monumental,
não faltou liberdade formal e estilística, levando em consideração o conforto, a
salubridade, a iluminação, o zoneamento das áreas (distinção entre o privado, o
social e o serviço) e distribuição dos segmentos. Observar que, na época da
instalação do Clube em sua sede recém construída, o desenho urbano ainda era
original, de 1926. Observar, também, que os acessos do público desportista eram
sistematizados conforme os três segmentos ou setores distintos. Cada setor possuía
acesso independente do outro setor, integrando à respectiva fachada. Sistema
bastante adequado à segurança, bem organizado, estratificado e/ou seletivo, integra
os estudos de fachada orientados por Ricardo Severo. Talvez essa segurança tenha
influenciado na escolha do Estádio como palco de muitas cerimônias governamentais
que ali seriam realizadas. O Clube se esmerava nos equipamentos. O setor Tribuna
de Honra, Camarote Presidencial e Cadeiras, por exemplo, foi inteiramente equipado
com cadeiras especiais, construídas pela firma Jorge Zipperer & C., de Rio Negrinho,
Santa Catarina.

O Club de Regatas Vasco da Gama deu prosseguimento a sua série de inaugurações


em 1928, quando ofereceu ao Rio de Janeiro a iluminação do Estádio para jogos
noturnos, a primeira do País. O Clube tinha, a partir de 1928/29, o maior estádio
particular em funcionamento, quer fosse durante o dia, quer fosse durante a noite, em
toda a América do Sul.”

Fachada do estádio São Januário, preservada até hoje


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Ricardo Severo, o arquiteto de São Januário

Ricardo Severo da Fonseca Costa nasceu em Lisboa, em 1869, mas cresceu na cidade do
Porto. Formado em Engenharia Civil, expandiu seus horizontes para arqueologia,
antropologia e pesquisas etnográficas.

Homem culto, envolveu-se no movimento republicano português, sob influência iluminista e


romântica, daí seu interesse por tradições, etnia e nacionalismo. Por questões políticas em
Portugal, exilou-se no Brasil de 1892 a 1895.

Em 1908, Ricardo Severo se instalou definitivamente em São Paulo. Difundiu as idéias que
fomentaram um movimento de renascimento arquitetônico, valorizando as raízes da
arquitetura colonial e barroca, posteriormente chamado "movimento neocolonial".

Realizando projetos da colônia portuguesa e elite paulistana, sua produção explodiu a


partir da participação na Exposição Universal do Rio de Janeiro (1922), em comemoração
ao centenário da Independência.

Viveu até os 70 anos, falecendo na cidade de São Paulo, em 1940.

Jorge Colaço, o principal azulejista de São Januário

Jorge Colaço nasceu no Consulado de Portugal em Tânger, Marrocos, em 1868. Filho de


diplomata, estudou Artes em Madrid e em Paris, onde foi discípulo de Ferdinand Cormon.
Dominou de forma exímia o desenho, recurso artístico que utilizou na caricatura, na pintura
e, principalmente, no azulejo. Foi Presidente da Sociedade Nacional de Belas Artes (1906
a 1910), de Portugal, e ganhou a medalha de honra na Exposição Nacional de 1908, no
Rio de Janeiro.

Desenvolveu processos inovadores, sendo um dos primeiros a utilizar a técnica da


serigrafia aplicada a azulejos. Porém, seu método mais utilizado consistia na transposição
para o azulejo de uma pintura aplicada sobre o vidrado incolor já cozido, que depois era
submetida a uma segunda cozedura, permitindo obter efeitos aquarelados, ou resultados
semelhantes aos da pintura a óleo. A azulejaria de Colaço, pintada na maioria das vezes
em azul e branco, segue correntes historicistas (inspirando-se em temas da Idade Média e
da época manuelina) e tradicionalistas (exaltando os costumes da vida rural).

Na entrada principal do Estádio São Januário, os azulejos de Jorge Colaço fazem a


vertente historicista, retratando o Almirante Vasco da Gama desbravando os oceanos e
descobrindo o novo caminho para as Índias. No Brasil, além do Rio de Janeiro, sua arte é
encontrada nas cidades de São Paulo e Teresópolis.

Em Portugal, sua obra está presente em muitos edifícios públicos e estações ferroviárias.
Fora do seu país, Jorge Colaço ainda pode ser apreciado no Palácio de Windsor
(Inglaterra), na Sociedade das Nações em Genebra (Suiça), na Argentina e em Cuba,
entre outros lugares.

Viveu até os 74 anos, falecendo na cidade de Caxias (Portugal), em 1942.

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2) Estilos arquitetônicos no Brasil e no mundo na década de 1920

Nos anos que antecederam a construção do estádio São Januário, algumas mudanças no
cenário da arquitetura estavam acontecendo no mundo. Na Alemanha pós I Guerra
Mundial, foi fundada a Bauhaus (1919), a escola de design, artes plásticas e arquitetura de
vanguarda, que se tornou uma das mais conceituadas expressões do Modernismo. A
Europa começava a assistir o Art Nouveau francês, de formas livres e rico em detalhes,
perder espaço para o Art Déco, simétrico e simples.

No Brasil, os arquitetos historicistas ainda ditavam as regras. Os acadêmicos que


passaram a adotar o Ecletismo europeu após a proclamação da República, "aposentando"
o Neoclassicismo, estavam sendo apresentados ao movimento Neocolonial, de valorização
das raízes luso-brasileiras. A Exposição Universal de 1922, no Rio de Janeiro, pode ser
vista como uma tentativa de substituir o Eclético dominante por esse estilo Neocolonial,
mais próximo da realidade nacional.

E foi justamente o Neocolonial que desenhou a fachada do estádio São Januário, em 1927,
por meio de Ricardo Severo, um dos idealizadores do movimento.

A HISTÓRIA DO ESTÁDIO SÃO JANUÁRIO

1) A história do bairro

Atualmente, o estádio São Januário está situado no bairro Vasco da Gama. Entretanto, em
1927, o local ainda integrava a região de São Cristóvão.

O terreno adquirido para a construção do estádio São Januário fazia parte de um sítio que
pertenceu à Marquesa de Santos, localizado em São Cristóvão. Este bairro da Zona Norte
foi escolhido por vários motivos. De acordo com o geógrafo Fernando Ferreira, o bairro
tinha as características condizentes com a origem do Vasco, bem como de outros fatores
que intervieram na escolha do local:

"(...) a relativa proximidade com o antigo campo da Rua Morais e Silva e com a zona
portuária, parte da cidade onde o clube fora fundado; a existência de uma numerosa
colônia portuguesa em São Cristóvão, composta tanto por moradores quanto por
comerciantes e industriais; a identificação do bairro com Portugal, construída desde a
chegada da Família Real à Quinta da Boa Vista, na primeira década do século XIX”.

É interessante analisar a evolução histórica do bairro. Em 1759, o Marquês de Pombal


ordenou a expulsão dos jesuítas, e o governador da Capitania do Rio de Janeiro confiscou
as terras de São Cristóvão. As fazendas da região foram divididas em quintas e sítios
menores, como a própria Quinta da Boa Vista. A sede da Fazenda São Cristóvão foi
transformada em hospital, o Hospital dos Lázaros (1765), que existe até os dias de hoje.

O bairro começou a adquirir posição de destaque no cenário carioca a partir de 1810,


quando o Príncipe-regente D. João adotou o paço da Quinta da Boa Vista como sua
residência oficial. Entretanto, o mar, manguezais e pântanos se estendiam pela região,
incomodando os moradores com insetos e mau-cheiro. Assim, em torno da Quinta
cresceram casarões, pavimentaram-se ruas, instalou-se iluminação pública.
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A nobreza mudou para o local, que ganhou o status de bairro imperial. Ao longo do século
XIX o mar foi aterrado em vários metros e os pântanos erradicados. O acesso à Igreja de
São Cristóvão passou a ser a pé.

A família real portuguesa residiu no Paço de São Cristóvão até o regresso de Dom João VI
a Portugal. Seu filho D.Pedro I, partiu do Largo da Cancela, em frente à Quinta, na viagem
que declarou a Independência do Brasil, em 1822. Seu herdeiro, o futuro imperador Pedro
II, nasceu e cresceu no bairro, e de lá governou o Brasil por quase meio século.

Ao longo do reinado de D.Pedro II, a partir de São Cristóvão, iniciou-se a instalação de


indústrias e a modernização da cidade com a implementação de uma central de telefones
(a primeira linha da América do Sul servia o Paço de São Cristóvão) e uma rede de postes
à luz elétrica nas ruas. O Imperador ainda inaugurou o Observatório Nacional do Rio de
Janeiro, centro de estudos avançados em astronomia.

A industrialização mudou o perfil do bairro, já não mais um lugar tranqüilo, próprio para o
passeio de famílias. A queda do Império, em 1889, ocasionou a transformação do Paço em
museu, com a instalação do Museu Nacional no local. A partir daí, iniciou-se a deterioração
das construções mais antigas.

Nos dias de hoje, na antiga região de São Cristóvão encontra-se o estádio São Januário e
outros pontos de interesse, como: a Quinta da Boa Vista, tendo o Museu Nacional e o
Jardim Zoológico no seu interior; o Museu do Primeiro Reinado, instalado no palacete onde
viveu a Marquesa de Santos; o Museu Militar Conde de Linhares; o Museu de Astronomia
e Ciências Afins; o Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga, pólo gastronômico e
cultural; as Igrejas de São Cristóvão e Santa Edwiges, católicas; o Colégio Pedro II; e a
Favela da Mangueira, da famosa escola de samba carioca.

2) A história do estádio

A construção do Estádio Vasco da Gama, popularmente conhecido como São Januário,


tornou-se um grande marco nos campos científico e social. Inovadoras técnicas e
tecnologias de arquitetura e engenharia ergueram o que se transformou na maior praça de
esportes do continente naquela época. Porém, a luta contra o preconceito racial e social
foram os verdadeiros responsáveis pela realização dessa obra e a consagração do
Gigante da Colina.

A motivação

Nas primeiras décadas do século XX o futebol ainda era um artigo de luxo no Rio de
Janeiro, com times constituídos por jovens da aristocracia dominante. A história começou a
mudar a partir de 1923, com o Vasco. A equipe cruzmaltina formada por pobres, negros,
imigrantes e descendentes de portugueses subiu da segunda divisão para conquistar o
título da primeira, fato jamais igualado no Campeonato Carioca.

Inconformados, os grandes clubes da época (América, Botafogo, Flamengo e Fluminense)


tentaram expulsar o Vasco da Liga Metropolitana de Desportos Terrestres. Não
conseguiram, e apelaram para a criação de uma nova entidade, a Associação
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Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). Aceitaram a inscrição de todos, menos dos
vascaínos, com um argumento nada convincente. Segundo os dirigentes adversários, o
time cruzmaltino era formado por atletas de profissão duvidosa e o clube não contava com
um estádio em boas condições.

Realmente, o campo da Rua Morais e Silva não tinha a estrutura que o Vasco merecia,
mas não era esse o problema. Isso ficou claro na proposta feita pela AMEA: excluir 12 de
seus jogadores, justamente os negros e pobres. O Vasco recusou a proposta através de
uma carta histórica assinada por José Augusto Prestes, então presidente cruzmaltino, ao
presidente da AMEA, Arnaldo Guinle:

"Estamos certos de que Vossa Excelência será o primeiro a reconhecer que seria um ato
pouco digno de nossa parte sacrificar, ao desejo de filiar-se à AMEA, alguns dos que
lutaram para que tivéssemos, entre outras vitórias, a do Campeonato de Futebol da Cidade
do Rio de Janeiro de 1923", argumentou Prestes. Ele prosseguiu defendendo seus atletas.
"São 12 jogadores jovens, quase todos brasileiros, no começo de suas carreiras. Um ato
público que os maculasse nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a
casa que os acolheu, nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de
glórias". E finalizou, decidindo não entrar na nova entidade: "Nestes termos, sentimos ter
de comunicar a Vossa Excelência que desistimos de fazer parte da AMEA".

Em 1924, sem um campo em condições e vítima do racismo de seus adversários, restou


ao Vasco continuar disputando, com outros 21 times de menor expressão, o campeonato
da Liga Metropolitana, abandonada pelos “primos ricos”. Dezesseis vitórias depois, sem
nenhum empate ou derrota, os Camisas Pretas levantavam o bicampeonato sem
dificuldades.

Por causa do Vasco, a competição da LMDT despertou mais interesse do que o campeonato dos
grandes da AMEA. Na temporada seguinte, o Vasco foi admitido na AMEA, mandando seus
jogos no campo do Andaraí, onde é hoje o Shopping Iguatemi.

A mobilização

A idéia de possuir um estádio próprio já circulava nos bastidores do Vasco desde 1923.
Porém, foi nos anos de 1925 e 26 que os dirigentes cruzmaltinos colocaram em prática. No
sentido inverso de quem o discriminava, o Vasco iniciou uma campanha histórica de
arrecadação de fundos entre associados e simpatizantes, de todas as classes sociais, para
a construção de uma praça de esportes. Em pouco tempo, as contribuições somavam 685
contos e 895 mil réis. O dinheiro era suficiente para a aquisição de uma enorme área
(65.445 m²) em São Cristóvão.

Com o terreno comprado, o próximo passo seria ainda mais difícil: arrecadar
aproximadamente 2.000 contos de réis para a construção do estádio. Outra vez, a força do
povo falou mais alto. A popularidade vascaína aumentava cada vez mais, a ponto do clube
registrar o ingresso de 7.189 pessoas no quadro social somente no ano de 1926.

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As obras

No dia 6 de junho de 1926 o prefeito do Distrito Federal, Alaor Prata, assinou o termo de
lançamento da Pedra Fundamental, dando início às obras. Para isso, a firma
dinamarquesa Cristiani & Nielsen foi contratada, enquanto Ricardo Severo ficou sendo o
arquiteto responsável.

O projeto seguiu as orientações da Federação Alemã de Esportes, prevendo todos os


detalhes de uma arena esportiva. Um dos exemplos disso é a instalação do conjunto na
direção nornoroeste-sulsudeste, evitando que o sol dificultasse a ação dos goleiros de
ambos os times.

Nesse processo surgiu uma pedra no caminho do Vasco. O presidente da República,


Washington Luís, não autorizou a importação de cimento belga, obrigando os construtores
a acharem uma solução criativa, na mistura de cimento, areia e pedra britada. Estima-se
que pelo menos 6.600 barris de cimento e 252 toneladas de ferro foram utilizados na obra.

São Januário se tornaria não apenas um belo estádio, mas um marco na história da
construção civil do país. Em 21 de abril de 1927, dez meses depois do lançamento da
pedra fundamental, o estádio foi inaugurado.

Os clubes elitistas que tentaram expulsar pobres e negros do futebol, testemunharam o


poder de mobilização da massa vascaína em torno de um objetivo. Aqueles que quiseram
amesquinhar o Vasco por não possuir um campo de futebol, foram obrigados a engolir o
maior estádio da América do Sul, até a década de 40, e o maior estádio particular no Rio
de Janeiro até os dias de hoje.

3) Grandes Acontecimentos em São Januário

No livro “Memória social dos esportes: São Januário, arquitetura e história”, o autor faz
uma bela introdução para os grandes acontecimentos em São Januários:

“Ao longo de 82 anos, o estádio de São Januário foi palco de grandes


acontecimentos que ajudaram a formar a identidade do povo brasileiro. Sua própria
construção foi parte integrante do movimento, capitaneado pelo Vasco nos anos 20,
que quebrou com a estrutura elitista e racista que dominava o futebol brasileiro nos
seus primórdios. Sobre a fundação de São Januário, ergueu-se muito mais do que um
estádio. Ergueu-se um palco esportivo em que atletas negros, mulatos e de origem
humilde podiam enfrentar, de igual para igual, os rapazes brancos, de “boa família”,
que monopolizavam o futebol através dos tradicionais clubes de elite.

Um palco na “periferia” da então Capital Federal em que o público, tão mestiço


quanto o time que ia assistir, enfim podia se identificar com os jogadores que
atuavam dentro das quatro linhas e se tornar tão “ator” do espetáculo quanto eles. As
fundações de São Januário lançaram, assim, as bases para a construção e
consolidação da identidade nacional através do futebol.

A verdade é que a revolução operada pelo Vasco no futebol brasileiro nos anos 20
prenunciou as transformações simbólicas e materiais que viriam a ser deflagradas em
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seguida pela Revolução de 30, entre as quais se destacam o deslocamento das
antigas elites dominantes, a incorporação de setores marginalizados, a ampliação de
direitos políticos e sociais, a busca da integração nacional, e a valorização da
mestiçagem e da mistura étnica como base da nossa sociedade (em oposição ao
racismo explícito que predominara até então). A identidade nacional, contida em
embrião na nova prática e organização do futebol introduzidas pelo Vasco, foi
amplamente potencializada pelo novo regime. Não se tratava, apenas, da valorização
oficial do futebol como expressão da “grandeza da Pátria”. Tratava-se, igualmente, da
utilização dos próprios espaços físicos do esporte de massas para realizar grandes
manifestações cívicas evocativas da integração nacional. Entre os espaços usados
para esse fim, São Januário destacou-se como palco central de representação e
afirmação da nacionalidade”.

As diversas manifestações cívicas

A cooperação do Club de Regatas Vasco da Gama com os poderes públicos constituídos


sempre foi frequente e relevante. Inúmeras vezes, por exemplo, o estádio foi cedido,
temporariamente, para a realização de festas cívicas, como as comemorações do Dia do
Trabalhador e do Dia da Independência.

Em 1935, o Ministro Gustavo Capanema realizou o Primeiro Congresso Nacional de


Educação, no Rio de Janeiro, cujo encerramento solene ocorreu em São Januário com a
presença de dezenas de milhares de pessoas, entre elas o Presidente da República,
Getúlio Vargas. O estádio de futebol abriu suas portas para educadores, estudantes,
autoridades civis e militares, e grupos de apoio do Ministério da Educação e Saúde. Mais
tarde, Gustavo Capanema pôs em prática uma grande reforma educacional, objetivando
unificar o ensino em todo o país.

Os corais regidos pelo maestro Heitor Villa-Lobos

A introdução dos cursos de Educação Física e da Ginástica Rítmica e Evolutiva, bem como
o Canto Orfeônico no currículo escolar, como parte do detalhamento dos cursos de
Escolhas Primárias, Secundárias e de Formação de Professores e Técnicos, resultou, por
um lado, na realização dos Jogos Escolares da Primavera e, por outro lado, na
possibilidade de se continuar promovendo as grandes concentrações escolares no Estádio
São Januário, em função do Congresso Anual da Semana da Educação, abrilhantando
com os Espetáculos de Regência de Heitor Villa-Lobos.

Em 1940, o maestro concentrou no estádio do Vasco 40.000 estudantes das Escolas do


antigo Distrito Federal, numa demonstração de canto orfeônico sob sua regência. No ano
seguinte, retornou em São Januário redescobrindo o folclore nacional, incorporando, com
vigor e originalidade, as raízes indígenas, os ritmos negros, os choros e as serestas à
música erudita. Resultaram dessa busca, tanto obras didáticas, como coletâneas para
solfejos e cantos corais, quanto peças mais eruditas que o consagraram em todo o mundo.

O depoimento emocionado do poeta Carlos Drummond de Andrade após assistir a uma


destas concentrações orfeônicas no estádio do Vasco dá a medida exata do seu papel na
geração de um sentimento de identidade e pertencimento nacionais:

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“A multidão em torno vivia uma emoção brasileira e cósmica, estávamos tão unidos
uns aos outros, tão participantes e ao mesmo tempo tão individualizados e ricos de
nós mesmos, na plenitude da nossa capacidade sensorial, era tão belo e esmagador,
que, para muitos, não havia outro jeito senão chorar; chorar de pura alegria. Através
da cortina de lágrimas, desenhava-se a figura nevoenta do maestro, que captara a
essência musical do nosso povo, índios, negros, trabalhadores do eito, caboclos,
seresteiros do arrabalde; que lhe juntara ecos e rumores de rios, encostas, grutas,
lavouras, jogos infantis, assobios e risadas de capetas folclóricos.”

Getúlio Vargas e as Leis do Trabalho

Foram muitas as vezes que o Presidente da República, Getúlio Vargas, discursou da


Tribuna de Honra do estádio de São Januário e desfilou em carro aberto em torno do
gramado, diante de milhares de cidadãos. O “Pai dos Pobres” escolheu a maior praça
esportiva da então Capital Federal Rio de Janeiro para anunciar as Leis Trabalhistas. O
chamamento inicial “Trabalhadores do Brasil!” precedia as novas medidas de seu governo
que visavam beneficiar o povo. Ao invés de manifestações nas ruas, a data de 1º de maio
se transformou numa grande festa, onde o presidente e os trabalhadores se encontravam
e se comunicavam no estádio cruzmaltino, simbolizando a elaboração e uma legislação
trabalhista no país.

A II Guerra Mundial

Em 1942, de tempos difíceis para relações internacionais devido a II Guerra Mundial, o


Club de Regatas Vasco da Gama promoveu um evento para captação de auxílios para as
famílias de vitimas dos afundamentos dos navios da Marinha Mercante Brasileira pelos
submarinos do eixo. O estádio São Januário lotou para assistir um amistoso entre
brasileiros e platinos, que contou com a presença do General Agustín Justo (Presidente da
Argentina) nas tribunas.

O estádio de São Januário manteve, da criação até sua extinção por lei, a instrução militar
preparatória: uma Escola de Instrução Militar, onde se formaram cerca de 10.000 soldados.
A primeira demonstração de defesa antiaérea também aconteceu na Colina Histórica, com
um desfile de forças motorizadas.

Antes de partir para a Itália, unidades da Força Expedicionária Brasileira ficaram alojadas
na casa vascaína e tiveram um jogo de despedida para elevar o moral da tropa: Brasil 6x1
Uruguai. No Tiro de Guerra em São Januário, foi feito um juramento à bandeira do Brasil
que reuniu 10.000 reservistas.

O quadro social do Vasco também se cotizou para comprar e entregar à FAB dois aviões-
ambulância com o símbolo da Cruz Vermelha, muito parecido com o da Cruz-de-Malta,
com o objetivo de resgatar soldados feridos na II Guerra Mundial. Além dessa, várias
outras doações foram feitas, como por exemplo um potente periscópio para melhor
aparelhamento da Marinha do Brasil. O estádio também acolheu numerosas competições
desportivas da nossa Marinha com unidades norte-americana e inglesa durante a guerra,
sem publicidade por medida de precaução contra a espionagem inimiga. Por terra, mais
precisamente na Itália, muitos associados e esportistas do Vasco vestiram o uniforme da
FEB para combater os nazistas.
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Desfiles de Carnaval

Uma das manifestações culturais mais importantes do Brasil, o desfile das escolas de
samba do Rio de Janeiro, também já ocorreu no estádio do Vasco. Isso aconteceu em
duas oportunidades: em 1943, num desfile beneficente e não-competitivo, e em 1945, no
desfile de competição.

A entrada do Brasil na II Guerra Mundial em 1942 fez com que a população e as


autoridades se dividissem quanto à conveniência ou não da realização das festividades
carnavalescas. Para piorar, a Praça Onze, que sediava os desfiles, havia sido demolida
devido à recém-inaugurada Avenida Presidente Vargas. Foi a mudança do local dos
desfiles para São Januário (1943 e 1945) e para a Av. Rio Branco (1943 e 1944) que não
deixou a tradição morrer. Justamente nessa época, as escolas de samba ganharam
importância no carnaval carioca em detrimento dos ranchos e grandes sociedades.

Em 1943 houve dois desfiles das escolas de samba. O primeiro, não-competitivo, foi
realizado em 24 de janeiro de 1943 em São Januário e promovido pela primeira-dama do
país, Darcy Vargas, em benefício da cantina do soldado. Dez agremiações participaram,
entre elas Azul e Branco, Unidos do Salgueiro e Depois eu Digo (três escolas que se
fundiriam em 1953 para dar origem ao Acadêmicos do Salgueiro), Mangueira (na época
mais conhecida como "Estação Primeira"), Unidos da Tijuca, Império da Tijuca e a então
bicampeã Portela. As escolas exibiram em sua maioria enredos que exaltavam o
patriotismo. O segundo desfile daquele ano, dessa vez competitivo, aconteceu na Avenida
Rio Branco, nos dias de Carnaval, e teve como vencedora a Portela, que chegou ao
tricampeonato.

Em 1945 o estádio de São Januário sediou o desfile oficial das escolas de samba, cujo
campeonato foi vencido mais uma vez pela Portela, que apresentou o enredo "Brasil
Glorioso", com samba de autoria de Boaventura dos Santos, o Ventura. Na década de 40,
aliás, a escola azul e branca era um verdadeiro "Expresso da Vitória" do samba: chegou ao
heptacampeonato entre 1941 e 1947.

A visita do Presidente da FIFA

Quando o Presidente da FIFA, Jules Rimet, veio ao Rio de Janeiro, ainda em 1939,
amadurecer a idéia de realizar uma Copa do Mundo no Brasil, prometeu dar uma
oportunidade ao país, desde que comprovasse sua capacidade empreendedora do evento,
principiando-o através de uma grande e impressionante obra, para receber os países
associados da entidade. Porém, somente o estádio de São Januário foi aprovado pela
autoridade máxima do esporte naquela época, o que não seria suficiente para receber
todos os futebolistas internacionais. Havia a necessidade de muitos outros, iguais.

Talvez por consequência dessa afirmativa, a Confederação Brasileira de Desportos


determinou que os jogos da Seleção Brasileira de Futebol passassem a ser realizados em
São Januário, substituindo a Gávea, fato inaceitável para o Flamengo e os demais clubes
da Zona Sul. Em paralelo a isso, surgiram as iniciativas de construção de estádios
maiores, como o Pacaembu (1940) e Maracanã (1950), que finalmente superaram a
capacidade das arquibancadas de São Januário.
13
Eleições em São Januário

Entre as variadas manifestações de evocação nacional organizadas no Vasco, está a


cessão do estádio para a grandiosa manifestação pela legalização do Partido Comunista
do Brasil, após a libertação de Luiz Carlos Prestes da prisão em 1945.

Ainda no campo da política, a sede de São Januário sempre abrigou a realização das
eleições internas, para o Conselho Deliberativo do Vasco, e até mesmo as eleições
municipais, estaduais, federais e presidenciais. Recentemente, após as eleições de 2006,
que elegeram Governador, Deputados Estaduais e Federais, Senador e Presidente, o juiz
da 2ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro enviou um ofício ao Presidente Eurico Miranda,
agradecendo a disponibilização da sede do Vasco para local de votação.

"Expressamos nosso profundo agradecimento pela cessão do espaço desse


conceituado Clube esportivo, para efeito da realização das Eleições 2006. Inclusive,
ficamos igualmente gratos pelo valioso trabalho prestado pela equipe de apoio, sob a
direção de V.Sª., e em especial o apoio prestado pelo Sr. Murilo da Costa Ribeiro e o
Sr. Juareno Rodrigues. Portanto, fica registrado nosso sinal de admiração pela
importante colaboração de V.Sª. a cargo da democracia em nosso país."

Por tudo narrado nas linhas acima, não há exagero em afirmar que a arquitetura de São
Januário desenhou muito mais do que um estádio de futebol, desenhou a própria História
do Brasil. Se não bastasse o Vasco ser o clube da união entre Brasil e Portugal, entre
todas as raças e classes sociais, seu estádio também foi o majestoso palco da integração
e desenvolvimento nacional.

4) Modificações ao longo de 82 anos

São Januário evoluiu e se modernizou ao longo de 82 anos de existência. Suas


transformações foram acontecendo gradativamente, principalmente nas últimas duas
décadas.

A evolução

Na data da inauguração, o estádio ainda não possuía o trecho da arquibancada em curva.


O gramado separava os dois setores existentes: a arquibancada descoberta e a social
coberta pela imponente marquise. A arquibancada coberta só foi anexada depois, assim
como os refletores.

A construção da sede cruzmaltina também lançou o clube em outros esportes além do


Remo e Futebol. No dia da inauguração do estádio em 1927, houve jogos de Tênis e
Basquete em quadras específicas para as modalidades. Ao redor do gramado passou a
existir uma pista de Atletismo, que serviu de palco para Adhemar Ferreira da Silva,
bicampeão olímpico em Salto Triplo. Com o passar dos anos, as instalações de São
Januário foram agregando e equipando vários outros departamentos.

O Vasco colecionou tantos triunfos nas competições que disputava, que foi obrigado a
inaugurar uma exposição de troféus no salão nobre de São Januário em agosto de 1948,
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durante a comemoração dos 50 anos de fundação do clube. Eram cerca de 700 taças,
bronzes, cartões, plaquetes e outros símbolos de seus feitos esportivos e relações de
intercâmbio com associações do país e do exterior. As flâmulas que testemunharam meio
século de jornadas vascaínas também entraram na galeria. Também faziam parte do
acervo do clube mais de 2.600 medalhas de ouro, prata e bronze.

O espaço tornou-se o majestoso Salão de Troféus do Vasco, que todo torcedor cruzmaltino
se encanta quando visita. Hoje em dia contem mais de 6.000 itens, catalogados, exibidos
num local que encolheu para receber a área administrativa na década de 70, mas que em
breve será expandido novamente, derrubando paredes que impedem a colocação de
outras milhares de peças valiosas.

Na década de 50, o Vasco deu grandes avanços patrimoniais em São Januário. O primeiro
deles foi a inauguração do Parque Aquático em 30/08/1953. O local sediou pela primeira
vez no Brasil uma etapa da Copa do Mundo de Natação, realizada em 1998. Sua estrutura
possui quatro piscinas, plataforma para saltos ornamentais, vestiários, sala de musculação,
arquibancadas cobertas e uma estação de tratamento de água.

Em seguida foi a vez da inauguração da Capela de Nossa Senhora das Vitórias (Padroeira
do Vasco), em 15/08/1955. Localizada atrás do gol à direita da tribuna de honra de São
Januário, a capela ganhou uma ampla reforma em 2005, para alegria do Padre Lino, que
celebrava missas, batizados e casamentos vestindo uma batina com desenhos da cruz-de-
malta.

No dia 23/09/1956 aconteceu a inauguração do Ginásio Poliesportivo, com capacidade


para 1.000 torcedores. No ano 2000 o local das partidas de Futsal e Basquete foi
reformado e teve as arquibancadas ampliadas para 2.500 lugares. Ao lado dele ainda foi
construído o Complexo Desportivo João Silva, com quadras cobertas de Futsal, Basquete
e Handebol.

A diminuição

Localizado próximo das principais vias de acesso da cidade, o Vasco tentou melhorar
ainda mais as condições de trânsito nos arredores do estádio. Na década de 70, em
parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, o clube e o Café Palheta cederam parte de
seus terrenos para abrir um caminho da Rua do Bonfim e Rua São Januário até a Avenida
Brasil, passando pelo canteiro de obras da mesma, onde atualmente é a comunidade
Barreira do Vasco. Foi criada a Rua Francisco Palheta até atingir a Rua Ricardo Machado,
porém a Prefeitura não finalizou a ligação até a Avenida Brasil, conforme combinado.

Além dos muros de São Januário, o Vasco possui uma área na Rua General Almério de
Moura que serve para estacionamento e um campo de futebol para atender às escolinhas
do clube e a comunidade carente do bairro. A preocupação social do clube também se
mostrou evidente quando doou parte deste terreno para a construção de uma escola
pública, entregue ao Governo do Estado do Rio de Janeiro.

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A expansão

Mas se a sede cruzmaltina diminuiu por causas nobres em determinada época, no ano de
2002 aconteceu o inverso. Em tempos de crise mundial, o Vasco investiu maciçamente em
seu patrimônio e adquiriu 46 imóveis do quarteirão de São Januário, totalizando uma área
de aproximadamente 14.000 m².

Tal expansão permitiu iniciar uma série de melhorias no clube. Alguns sobrados foram
aproveitados para a construção do Colégio Vasco da Gama e de um refeitório, que cuidam
da educação e alimentação de vários atletas amadores do Vasco. A vila repleta de casas
virou moradia para jovens remanescentes do projeto olímpico do Vasco. Um prédio de 3
andares foi reformado e transformado num luxuoso hotel, que passou a servir de
concentração para a equipe de Futebol Profissional a partir do dia 05/04/2003, garantindo
uma enorme economia com hospedagens em hotéis de Copacabana e Barra da Tijuca.

Um galpão adquirido nessa transação virou o segundo ginásio de Basquete, apelidado de


“Forninho”. Constantemente ele é utilizado para as formaturas do Colégio Vasco da Gama
e reuniões dos conselhos do clube. Uma grande área atrás da arquibancada resultou em
quatro campos de grama sintética, que atendem centenas de crianças das Escolinhas de
Futebol, inspiradas pelos dizeres do ex-Presidente Ciro Aranha pintados no muro:
“Enquanto houver um coração infantil, o Vasco será imortal”.

A modernização

A belíssima fachada de São Januário foi preservada ao longo dos anos. A extensão de 274
metros, projetada pelo arquiteto Ricardo Severo, foi tombada pelo Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional há algumas décadas. Os azulejos do português Jorge Colaço nas
paredes da sede, desde a inauguração, valorizam ainda mais sua beleza. Uma dessas
peças, localizada na recepção das sociais, ganhou destaque visual após a instalação de
um vitral nas obras realizadas em 2006. O portão principal de São Januário ficou
parecendo com a entrada de um palácio.

No mesmo local também é encontrado o busto do Almirante Vasco da Gama, navegador


português que deu origem ao nome do clube. Um pouco mais à frente estão os bustos de
Raul da Silva Campos, Presidente do Vasco em 1927, no ano da inauguração do estádio,
e de Antonio Rodrigues Tavares, Presidente do Vasco em 1948, ano do cinquentenário da
instituição.

Em 2003, a loja oficial (Vasco Boutique), antes situada em frente ao Salão de Troféus, foi
movida para a área em frente ao Bar do Almirante. Além de aumentar o espaço do ponto
de vendas de produtos cruzmaltinos, agora é possível o acesso ao estabelecimento sem
passar por dentro do clube. Ao lado da boutique foi inaugurada uma whiskeria. O bar
também foi reformado, assim como o Restaurante do Almirante, pontos de encontro de
torcedores e funcionários do Vasco.

A platéia

O setor da social de São Januário vem se modernizando nos últimos anos. Antigamente,
suas cadeiras eram de madeira. Há alguns anos foram substituídas por outras de material
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mais resistente. Em 2006, a altura do alambrado diminuiu para 1 metro e meio,
aproximadamente, mas não houve nenhum registro de invasão de campo, sinal que os
vascaínos são ordeiros e civilizados.

O Vasco seguiu investindo em conforto e segurança do estádio. Além de catracas


computadorizadas e com biometria, que apontam o exato número de torcedores presentes,
foi instalado um sistema de monitoramento através de câmeras, situadas em vários pontos
estratégicos.

A distância entre o alambrado e a primeira cadeira ou arquibancada é denominada área de


escape, responsável pelo escoamento do público presente. Seguindo recomendações do
Corpo de Bombeiros, foram realizadas obras de ampliação desse local, ocupando parte
das bordas inutilizadas do gramado, e permitindo um aumento da capacidade do estádio.

Antigamente as arquibancadas também possuíam bancos de madeira. Sem os bancos, foi


possível elaborar uma identidade visual no setor, pintando a cruz-de-malta vermelha,
repetidas vezes em tamanhos gigantes, e as iniciais do clube: CRVG. O mesmo aconteceu
nas sociais, em pintura sobre as cadeiras de ferro, colorindo o estádio com as cores de sua
bandeira.

Em 2003, acima das arquibancadas, foram construídos os primeiros camarotes de São


Januário. Normalmente um deles é cedido à diretoria do time adversário nos dias de jogos
do Vasco. A tendência é que novos camarotes sejam construídos estendendo-se até o final
da arquibancada coberta do estádio.

Não poderia ficar de fora a modernização da histórica tribuna de São de Januário, palco
dos discursos de Getúlio Vargas. Em 2006 o setor ganhou novos acentos e um anexo, logo
abaixo, onde antigamente os jornalistas assistiam as partidas do Vasco. É na tribuna de
honra que Vice-Presidentes, torcedores ilustres e personalidades vêem os jogos. Da janela
da Sala da Presidência, espaço inaugurado no final da década de 90, o Presidente Eurico
Miranda acompanhava as partidas.

São Januário inovou o conceito de “Calçada da Fama”. Ao invés de criar um espaço para
exibir pegadas de grandes personalidades, o Vasco utilizou o Projeto Sócio-Torcedor para
valorizar os vascaínos anônimos espalhados pelo mundo, fazendo uma associação aos
cruzmaltinos que se cotizaram para construir o Gigante da Colina na década de 20. Até
2007, a homenagem já tinha sido feita a 2.700 pessoas, aproximadamente, com placas de
granito fixadas no piso das sociais do estádio. O objetivo era contemplar mais 3.000
sócios-torcedores, cobrindo toda a área de escape das cadeiras, partindo para o setor das
arquibancadas.

O Vasco tem se esforçado para oferecer as melhores condições de trabalho para os


jornalistas que fazem a cobertura esportiva do clube. O estádio já possui várias cabines
esportivas para transmissão dos jogos, mas mesmo assim há uma expansão na pauta da
modernização. Em relação às entrevistas, no passado a abordagem acontecia dentro do
vestiário, e depois passou para um amplo espaço logo acima. Em 2006 foi inaugurada a
atual Sala de Imprensa, com mesa de áudio, paredes revestidas com isolamento sonoro,
assentos acolchoados, ar condicionado e toilete. O local fica próximo à saída do vestiário,
facilitando o trabalho dos profissionais da mídia.
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A infra-estrutura

Na década de 20 havia um rio cortando o terreno original de São Januário. O clube utiliza a
água dos poços artesianos localizados abaixo da sede para cuidar do gramado, com um
reservatório específico. Antigamente a irrigação era feita com uma técnica agrícola,
bastante trabalhosa, com tubos de plástico e PVC. Na década de 80 passou a ser por
aspersores automatizados. Em relação ao excelente sistema de drenagem de São
Januário, desde a inauguração do estádio não surgiram técnicas revolucionárias que
pudessem melhorá-lo ainda mais, mantendo-o como referência nacional. As dimensões do
gramado sempre estiveram dentro das medidas oficiais da FIFA. Atualmente, o campo do
Vasco possui 110 metros de comprimento por 75 de largura, assim como o Maracanã.

A infra-estrutura básica do estádio de São Januário está se tornando cada vez mais
avançada. O Vasco ainda possui uma estação de tratamento fundamental para o Parque
Aquático. Em relação à energia, o Vasco deu um passo à frente, adquirindo geradores
próprios, diminuindo custos. A medida foi uma aposta no alerta da Agência Nacional de
Energia Elétrica (ANEEL), que previa apagões no Brasil em 2010. Vale lembrar que o
Gigante da Colina inaugurou seus refletores em 1928, sendo o primeiro estádio com
iluminação definitiva para sediar jogos noturnos.

A modernidade também se faz presente na sede cruzmaltina através da instalação de


redes de internet e o sistema de telefonia digital com discagem direta a ramal (DDR),
facilitando a comunicação dos funcionários com o mundo, e vice-versa.

O Vasco talvez seja o único clube 100% legalizado no Corpo de Bombeiros. Há um


programa contra incêndios em São Januário, com várias etapas cumpridas para levar
segurança ao público. Uma delas foi a expansão da área de escape nos setores da
arquibancada e social.

As recentes obras também se preocuparam em ampliar as áreas de estacionamento


dentro do estádio, destinadas à Diretoria, funcionários do clube e profissionais da
imprensa.

A estrutura para o Futebol e Esportes Amadores

A estrutura existente em São Januário para atender o Futebol e os Esportes Amadores é


invejável. O clube possui um mini-hospital nas suas dependências, fundamental para o
sucesso do Departamento Médico do Vasco, considerado o melhor do Brasil. Em 2007, o
vestiário do Futebol Profissional foi reformado e ampliado, incluindo uma área para
aquecimento com bola. Ali perto está a sala de musculação, com equipamentos de última
geração. Se o atleta necessita realizar trabalhos na água, pode utilizar as piscinas do
Parque Aquático de São Januário. Quando precisa se concentrar para os jogos, fica
hospedado no luxuoso hotel existente dentro do quarteirão cruzmaltino. Neste local
também há um restaurante, com cardápio elaborado por nutricionistas.

As categorias de base também desfrutam dessa estrutura. Além de poder estudar no


Colégio Vasco da Gama, fazer refeições no clube e receber cuidados médicos e
odontológicos, a maioria dos atletas reside na Pousada do Almirante. Alguns estão

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morando nas casas da vila adquirida pelo clube, dentro de São Januário. Em breve o
Futebol Júnior também ganhará uma concentração ao lado do hotel dos profissionais.

A maioria dos Esportes Amadores do Vasco também realiza suas atividades em São
Januário. A sede dispõe de salas, ginásios, quadras de Tênis, Futsal, Basquete e
Handebol, campos de grama sintética, piscinas, plataforma de saltos ornamentais, etc.
Como instituição esportiva, o Club de Regatas Vasco da Gama tenta atrair cada vez mais
atletas, torcedores, familiares e amigos para a paixão cruzmaltina.

Em 2006, o Departamento Infanto-Juvenil criou o Centro de Integração e Formação de


Atletas (CIFAT), com o objetivo de descobrir na criança e no adolescente o potencial para
a prática esportiva do Futsal e Futebol, e prepará-los dentro de uma abordagem
multidisciplinar para a prática em nível de alto rendimento. Em breve, o trabalho poderá
abranger todos os esportes praticados no clube, fortalecendo o desempenho do Vasco
ainda mais, tanto no cenário nacional como internacional.

O futuro

No final de 2006, o Vasco resolveu investir na criação de um Departamento de Marketing,


que trata São Januário como uma jóia. Foi desenvolvido um estudo de propriedades de
visibilidade, que apontou vários pontos do estádio como atrativos comerciais. Além das
tradicionais placas de publicidade ao redor do campo e os backdrops nas coletivas de
imprensa, as empresas podem se associar à marca Vasco investindo no placar eletrônico,
camarotes, ingressos dos jogos, ações promocionais em eventos realizados no clube e até
mesmo celebrando contratos de naming rights.

A modernização de São Januário não deve parar. Um desejo antigo é a ampliação da


capacidade do estádio, que atualmente comporta 30.000 espectadores. O Vasco chegou a
assinar um protocolo de intenções com a empresa Lusoarenas no 1º semestre de 2008,
que não foi para frente depois da conturbada mudança política que o clube atravessou
naquele ano.

De qualquer forma, várias obras estavam prestes a acontecer. A ampliação da Sala de


Troféus seria uma delas, assim como a construção de novos camarotes e a expansão das
cabines de imprensa. O Colégio Vasco da Gama ganharia um prédio para laboratórios de
informática e ensino profissionalizante. A casa vascaína também poderia ter uma Entrada
Monumental pela Rua São Januário, que previa um novo prédio administrativo.

CONCLUSÃO
Reconhecimento

Em 2002, São Januário foi considerado um dos 7 melhores estádios do mundo para
assistir uma partida de futebol, conforme ranking divulgado pelo Travel Channel, canal de
TV dedicado a turismo e viagens. Os estádios citados foram:

- São Januário (Vasco)


- Nou Camp (Barcelona)

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- San Siro (Internazionale/Milan)
- La Bombonera (Boca Juniors)
- Ibrox Stadium (Glasgow Rangers)
- Stamford Bridge (Chelsea)
- Olympiastadion (Bayern de Munique)

Em 2008, São Januário também teve o reconhecimento dos cariocas. No embalo da


eleição das “7 Maravilhas do Mundo Moderno”, o estádio foi campeão do concurso “7
Maravilhas da Zona Norte”, que contou com o apoio de diversos veículos de comunicação
como as TVs Globo, Bandeirantes, Record, SBT e Rede Brasil, a Rádio Globo e o Jornal
de Bairro O Globo Zona Norte. O resultado da votação popular foi:

1º lugar - Estádio São Januário


2º - Catedral da Igreja Universal
3º - Estádio Maracanã
4º - Igreja Nossa Senhora da Penha
5º - Igreja Nossa Senhora da Apresentação no Irajá
6º - Mercadão de Madureira
7º - Escola de Samba Mangueira

Rúgbi nas Olimpíadas 2016

Com a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016, São Januário abrigará
partidas de Rúgbi. O estádio deverá receber investimentos para se adaptar às
necessidades do evento. As dimensões do gramado foram consideradas ideais, porém o
placar eletrônico, os bancos de reserva e a estátua do Romário precisarão mudar de lugar.

Pouco praticado no Brasil, há quem diga que o Rúbgi é o segundo esporte coletivo mais
popular no mundo. A edição de 2007 da Copa do Mundo de Rúgbi teria atingido a
audiência de 4,2 bilhões de telespectadores.

Curiosamente, São Januário foi palco de partidas de rúgbi no passado. O fato aconteceu
na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, quando marinheiros brasileiros,
americanos e ingleses alojados no estádio praticaram rúgbi, beisebol, vôlei e futebol, em
jogos não divulgados por medidas de segurança.

O milésimo gol do craque Romário

Outro acontecimento histórico em São Januário foi o milésimo gol do craque Romário.
Vestia a camisa 11 do Vasco, aos 41 anos de idade, o Gênio da Grande Área,
tetracampeão do mundo pela Seleção Brasileira e eleito o melhor jogador pela FIFA em
1994, ídolo no PSV (Holanda), Barcelona (Espanha) e Valência (Espanha).

No dia 20 de maio de 2007, o “Baixinho” converteu o pênalti na vitória do Vasco sobre o


Sport Recife, pelo Campeonato Brasileiro, estabelecendo a incrível marca na carreira,
ficando atrás somente de Pelé, o Atleta do Século, que fez 1284 gols.

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Nos dias seguintes, Romário, a camisa do Vasco e o estádio São Januário deram a volta
ao mundo, aparecendo em TVs, jornais e websites de todos os continentes. Um capítulo
da história do futebol acabava de ser escrito na casa cruzmaltina.

O ídolo de fama internacional, que havia inciado a carreira em São Januário, ganhou uma
estátua de bronze em tamanho real, instalada atrás da baliza onde marcou o gol 1000. Por
um portão lateral que dá passagem ao gramado, é possível caminhar até o atrativo e bater
fotos.

Acessos ao estádio São Januário

A localização de São Januário é excelente. O estádio fica a menos de 500 metros da


Avenida Brasil e da Linha Vermelha, duas importantes vias da cidade. Porém, esta
proximidade não resulta em comodidade para o torcedor.

Em estádios do mundo inteiro é comum parar o carro em estacionamentos afastados ou


desembarcar de transportes públicos numa distância considerável do local de jogo e
finalizar o trajeto a pé. Porém, essa não é a cultura do torcedor carioca, acostumado com o
Maracanã, que possui bastante espaço para estacionamento ao redor do complexo
esportivo e a estação de trem do outro lado da rua.

Poucas linhas de ônibus chegam ao quarteirão do estádio, sendo que uma faz integração
com o metrô. Apesar disso, inúmeros ônibus param um pouco mais afastados, na Cancela
ou nos dois sentidos da Avenida Brasil.

De qualquer forma, as ruas estreitas no entorno do estádio São Januário ficam


completamente engarrafadas em dias de jogos, porque o torcedor faz questão de parar no
quarteirão da sede cruzmaltina. Até certo ponto, o carioca tem razão. Afinal, os horários
das partidas, que às vezes ultrapassam meia-noite, não favorecem o caminhar noturno
pelas ruas do Rio de Janeiro. Os padrões de segurança pública da Cidade Maravilhosa
não são nada encorajadores.

A ligação das Ruas do Bonfim e São Januário até a Avenida Brasil, passando pela Rua
Francisco Palheta e atravessando a Rua Ricardo Machado, traria uma sensível melhora no
trânsito. Grandes estacionamentos em fábricas desativadas naquela região também
colaborariam bastante. Ações do PAC cairiam do céu na comunidade Barreira do Vasco,
que se instalou no canteiro de obras da Avenida Brasil, na metade do século passado.

Apesar do Presidente Lula, o Governador Sérgio Cabral Filho, e o Prefeito Eduardo Paes
afirmarem que torcem para o Vasco, e o atual presidente do clube, Roberto Dinamite, ser
Deputado Estadual, nada tem sido feito para melhorar os acessos ao estádio São
Januário.

Potencial turístico

O estádio São Januário tem um excelente potencial turístico, porém sequer consta como
atrativo no Guia Rio Oficial. O clube possui uma legião de fãs espalhados pelo Brasil, 16 a
20 milhões de torcedores, conforme destoantes pesquisas de opinião pública. Além dos
próprios vascaínos, familiares de atletas, torcedores de outros times, turistas nacionais e
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internacionais. Muitas pessoas visitam a sede cruzmaltina, seja para assistir uma partida
de futebol, um treino, conhecer a Sala de Troféus, bater fotos ao lado da estátua do
Romário, fazer compras na Vasco Boutique, almoçar no Restaurante Almirante, saborear o
famoso joelho (salgado) no bar ou o kit torcedor na loja do Habib’s.

O Rio de Janeiro sediará a Copa do Mundo 2014 e os Jogos Olímpicos 2016, atraindo
amantes do esporte oriundos do mundo inteiro, antes, durante e depois dos eventos.
Entretanto, o Vasco ainda não possui um esquema regular de visitas guiadas em São
Januário. Para levar turistas na sede, é preciso agendar com antecedência no
Departamento de Relações Públicas, solicitando a presença de um funcionário para
conduzir o grupo nas dependências do estádio. No período letivo, há uma procura grande
de excursões escolares.

Há alguns anos, durante o mês de aniversário de fundação do clube, o Vasco destacava


algumas funcionárias para atuar como guias, atendendo um grande número de visitantes.
Foi o mais próximo que o estádio chegou da regularização e organização das visitas
guiadas. Em 2007, o Departamento de Marketing estruturou um projeto, com paradas em
pontos estratégicos:

1- Hall de Entrada (Estátua do Almirante e painel de azulejos de Jorge Colaço);


2- Salão de Troféus (conquistas do futebol e outros esportes);
3- Tribuna de Honra (história do clube e da construção do estádio);
4- Sala da Presidência (contato com o presidente, eventualmente);
5- Hotel Concentração (passando pelo Parque Aquático);
6- Vestiários (avistando os campos das escolinhas de futebol, passando pela área de
escape da arquibancada e ginásios poliesportivos);
7- Vasco Boutique e Bar do Almirante (passando pela Calçada da Fama, promovendo o
programa de sócio-torcedor e finalizando ao lado do Hall de Entrada, onde existe a loja
oficial do clube, o Bar e o Restaurante do Almirante).

Também era previsto a criação de um museu dentro da sede, utilizando relíquias do


Vasco, publicações, fotos e vídeos, que atualmente ficam preservados na sala do Centro
de Memória, sem acesso ao público. Tal projeto não chegou a ser implementado, devido
às mudanças políticas que o clube sofreu em meados de 2008.

Em clubes do mundo inteiro, tal estrutura existe e oferece as visitas guiadas por um valor
entre R$30 e R$50, por pessoa. Há casos em que uma taxa extra ainda é cobrada para o
visitante conhecer o museu temático.

Nesses tempos de modernidade, futebol-business, que trata o futebol como um produto,


numa busca maior por receitas do que por títulos, o Vasco ainda não está aproveitando a
oportunidade que tem nas mãos. Conclui-se que o potencial turístico do estádio São
Januário é enorme, porém desorganizado e pouco explorado.

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BIBLIOGRAFIA
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Cinquentenário 1898-1948. Rio de Janeiro: Club de Regatas Vasco da Gama, 1949.

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23