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Exemplo 4.4. O conjunto P (R) dos polinômios

p(x) = a 0 +a 1 x +

+a

n x n

é um subespaço de F (R; R), assim como o conjunto P n dos polinômios de grau n. Note que o conjunto dos polinômios de grau n não é um subespaço, pois a soma de dois polinômios de grau n pode ter grau < n. Então, os monômios

1, x,

P n somente quando p(x) é o polinômio identicamente nulo, ou seja, p(x) = 0

= α n = 0, pois um polinômio não nulo

de grau k tem no máximo k raízes reais. Podemos, além disso, concluir que o

para todo x R. Isto implica que α 0 =

+ αnx n = p(x) é o vetor nulo em

,

n n em P n são l.i., pois α 0 + α 1 x +

conjunto X = {1, x,

Teorema 3. Se v = α 1 v 1 +

são l.i., então α 1 = β 1 ,α 2 = β 2 ,

Se um conjunto X de vetores em um espaço vetorial E não é l.i., dizemos que ele é linearmente dependente (l.d.).

,

x n ,

}

P é um conjunto infinito l.i.

+

α m v m = β 1 v 1 +

,α m = β m .

+

β m v m e os vetores v 1 ,

,v

m

Variedades afins

Definição 7. Um subconjunto V E chama-se uma variedade afim quando a reta que une dois pontos quaisquer de V está contida em V . Assim, V E é uma variedade afim se e somente se cumpre a seguinte condição:

x, y V, t R (1 t )x + t y V.

Exemplo 4.5. Todo subespaço é também uma variedade afim.

Se V 1 ,

,V

m E são variedades afins, então a intersecção V 1 V 2

V

m

é ainda uma variedade afim. Todo ponto p E é uma variedade afim.

Exemplo 4.6. Sejam a 1 ,

(x 1 ,

,a

n , b números reais. O conjunto dos pontos x =

,x

n ) R n tais que

a 1 x 1 +

+a

n x n = b

é uma variedade afim, que não contém a origem quando b = 0. Se os núme-

ros a i não forem todos nulos, chamamos esta veriedade H de hiperplano. Se

a 1 =

geralmente, o conjunto das soluções de um sistema linear de m equações com n

incógnitas é uma variedade afim, intersecção das m variedades afins definidas pelas equações do sistema.

= a n = 0, então H = quando b = 0 e H = R n quando b = 0. Mais

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4.1 Base e dimensão de um espaço vetorial

Gostaríamos de encontrar, para um espaço W qualquer, um conjunto de veto- res de forma que qualquer outro vetor em W possa ser escrito como combina- ção linear destes vetores (como i , j , k em R 3 , por exemplo)

Definição 8. Uma base de um espaço vetorial E é um conjunto B E linear-

mente independente que gera E, ou seja, todo vetor v E se exprime, de modo

m da

único, como combinação linear v = α 1 v 1 +

base B. Se B = {v 1 ,

números α 1 ,

+ α m v m , então os

+α

m v m de elementos v 1 ,

,v

,v

m } é uma base de E e v = α 1 v 1 +

,α

m chamam-se as coordenadas do vetor v na base B.

Exemplo 4.7. Base canônica no R n .

, P n dos polinômios de grau n. O conjunto

Exemplo 4.8. Os monômios 1, x,

x n formam uma base para o espaço vetorial

{1, x,

,

x n ,

}

dos monômios de graus arbitrários constitui uma base (infinita) para o espaço vetorial P de todos os polinômios reais.

4.1.1 Resultados sobre bases

Lema 1. Sejam v 1 , ,v

podemos extrair uma base de E.

= 0 que geram um e.v. E. Então dentre estes vetores

n

Demonstração. Se v 1 , eles sejam l.d. Então,

,v

n forem l.i., não há nada a fazer. Suponha então que

x 1 v 1 +

+x

n v n = 0

com pelo menos algum x i = 0. Sem perda de generalidade, suponha que x n = 0

(a ordem não importa). Então, escreva

v n = − x 1 v i

x

n

x n1

x

n

v n1

Desta forma, v 1 ,

os elementos l.d. tenham sido eliminados e teremos uma base de E .

,v

n1 ainda geram E . Prossiga desta maneira até que todos

1 ainda geram E . Prossiga desta maneira até que todos O Lema seguinte nos dá

O Lema seguinte nos dá uma amostra da ligação entre os espaços vetoriais e as soluções dos sistemas lineares.

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Lema 2. Todo sistema linear homogêneo cujo número de incógnitas é maior do que o número de equações admite uma solução não-trivial.

Demonstração. Consideremos o sistema

a 11 x 1 +a 12 x 2 +

 

a 21 x 1 +a 22 x 2 +

.

. .

a m1 x 1 +a m2 x 2 +

+a

+a

1n

2n

x

x

n

n

+a

mn x n

= 0

= 0

= 0

de m equações e n incógnitas, onde m < n. Vamos provar o resultado por in- dução no número de equações do sistema. Se tivermos apenas uma equação do tipo

a 11 x 1 +

+a

1n x n = 0

com n > 1 incógnitas, devemos ter um dos dos coeficientes a 1i = 0 (caso con-

trário esta equação não faria sentido). Podemos supor então, sem perda de

generalidade, que a 1n = 0. Isolando x n na equação dada, temos

x n = −

a

11

a

1n

x 1 +

+

a

1,n1

a

1n

x n1 .

Para obtermos uma solução não-trivial para a equação do sistema, basta esco-

n1 (que são variáveis livres) e obte-

remos x n . Para completar a indução, vamos supor que o lema seja verdadeiro para um

lhermos valores quaisquer para os x 1 ,

,x

sistema com m 1 equações. Podemos primeiramente admitir que, no sistema

original, temos a mn = 0 (caso contrário, o sistema não teria m, mas m 1 equa-

ções). Então, a m-ésima equação pode ser reescrita como

x n = −

a

m1

a

mn

x 1 +

+

a

m,n1

a

mn

x n1 .

Substituindo em cada uma das m1 primeiras equações a incógnita x n por esta expressão, obtemos um sistema homogêneo de m 1 equações nas n 1 pri- meiras incógnitas. Pela hipótese de indução, este sistema admite uma solução

não-trivial (α 1 ,

,α

n1 ), pois n 1 > m 1. Escrevendo então

α n = −

a

m1

a

mn

α 1 +

obtemos uma solução não-trivial (α 1 ,

+

,α

a

m,n1

a

mn

α n1 ,

n1 ,α n ) do sistema proposto.

não-trivial ( α 1 , + , α a m , n − 1 a mn

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