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FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS CENTRO DE ESTUDOS EM SUSTENTABILIDADE PLURAL CONSULTORIA, PESQUISA E SERVIÇOS

Cenários do desenvolvimento da Amazônia

Reginaldo Sales Magalhães

Mestre em Ciência Ambiental Pesquisador da Plural Membro do Grupo de Pesquisas Instituições do Desenvolvimento Territorial - FEA/USP

São Paulo, junho de 2006

Sumário

1. Introdução

3

2. População e qualidade de vida

4

3. Os eixos da ocupação

6

4. As atividades econômicas e os principais conflitos sócio-ambientais

8

5.1 O avanço da pecuária

9

5.2 A expansão da soja

11

5.3 A agricultura familiar

13

5.4 A mineração

14

5.5 A indústria

15

5.6 O extrativismo

16

5. As políticas de desenvolvimento

18

6.1 Programas de financiamento

20

6.2 Experiências de desenvolvimento sustentável

24

6. Conclusões

29

7. Bibliografia

31

1. Introdução

O desenvolvimento da região Amazônica é marcado por duas condições especiais: a ocupação, apesar de antiga, está ainda em acelerada marcha rumo a regiões pouco exploradas, e essa marcha se dá sobre ambientes de tamanha diversidade e fragilidade, nos quais a expansão e a intensificação das atividades agrícolas, industriais e de mineração são constantes e severas ameaças à sustentabilidade. Por essas condições a Amazônia não pode ser vista como uma região homogênea nem estática, do ponto de vista ambiental ou dos processos sociais que nela se verificam. Pelo contrário, o que se observa é uma enorme diversidade e dinamismo na região.

Para se ter uma idéia do vigor das políticas de desenvolvimento para a região, entre 1960 e 1995 a atividade econômica da Amazônia cresceu o dobro da economia brasileira (Maia e Vergolino, 1997), passando de uma participação de apenas 2% para 5% do PIB nacional.

O desenvolvimento da Amazônia foi fortemente determinado por um intenso processo de colonização, com grandes projetos de infraestrutura e exploração financiados pelo Estado. Até a década passada toda a sua dinâmica foi influenciada por políticas exógenas que visavam à ocupação do território e à expansão de atividades agrícolas, de extração vegetal e mineral e de industrialização. Somente no período recente a região começa a demonstrar sinais de um processo autônomo de desenvolvimento. Entretanto, são poucas as vantagens locacionais visíveis em curto prazo e com potencial para substituir gradualmente o subsídio fiscal, a exploração das florestas e as terras baratas. As atividades econômicas consideradas sustentáveis são ainda de pequena escala e abrangência, porém são de grande importância e precisam ser consideradas no desenho das novas políticas.

Este documento tem o objetivo de analisar essas dinâmicas de desenvolvimento e as políticas que buscam inverter a lógica histórica que orienta a exploração dos recursos naturais e as populações locais e migrantes. Não é um estudo exaustivo, mas visa apenas apresentar uma noção dos imensos desafios para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Apresenta com esse objetivo um breve panorama das principais condições sociais e econômicas da região. Nos dois primeiros itens, o texto aborda a dinâmica populacional, as condições de vida na região e os principais eixos de ocupação do território. Na segunda parte o texto apresenta uma visão geral sobre as principais atividades econômicas e, dentro dos limites que a disponibilidade de dados impõe, analisa as conseqüências em termos de geração de emprego e impacto ambiental. Na terceira parte do documento são apresentadas as principais políticas de desenvolvimento para a região, com ênfase na apresentação dos mais importantes programas de financiamento, do Programa Amazônia Sustentável e das principais experiências de desenvolvimento sustentável da região. Por fim, são sintetizadas as principais conclusões a respeito das possibilidades de promover uma estratégia de desenvolvimento sustentável para a região.

2. População e qualidade de vida

A base deste processo de ocupação da Amazônia foi o incentivo à extração e ao

mercado da borracha. Desde o século XIX, atraindo levas de migrantes do semi-árido nordestino, este processo caminhou com grande vigor até a década de 20 do século

passado, quando uma interrupção na atividade econômica levou à estagnação populacional da Amazônia entre 1920 e 1940.

A partir de 1960 grandes investimentos públicos em infra-estrutura realizados a partir da década de 50 começam a transformar o cenário regional, fortalecendo a produção agrícola, principalmente de juta, a produção mineral, com a exploração de manganês na Serra do Navio, no Amapá e a implementação da refinaria de petróleo em Manaus. Com esses investimentos e a abertura da rodovia Belém-Brasília iniciaram-se novas frentes

de povoamento, atraindo principalmente população da região Nordeste e formando ilhas

de adensamento populacional. Na década de 60, no Meio-Norte e Leste Paraense,

principalmente Belém, e em Manaus e Médio Amazonas.

Nos anos 70 ocorreu o que Abramovay e Camarano (1999) definiram como “o Sul em busca do Norte”. Nessa década, a maioria das regiões brasileiras era fornecedora de migrantes rurais. As regiões Nordeste, Sudeste, Sul e Centro Oeste expulsaram populações das suas áreas rurais. Além dos principais destinos que continuavam a ser as regiões metropolitanas, a região Norte passou a receber grande parte dos migrantes das áreas rurais. Foi nessa leva que os “gaúchos” ocuparam a Transamazônica e o estado de Rondônia.

A migração para a Amazônia diminuiu repentinamente em meados da década de 80 e

ocorreram movimentos de retorno às regiões de origem. O processo de desconcentração espacial do desenvolvimento econômico provocou mudanças nos fluxos migratórios, reduzindo as migrações para os principais destinos finais (as cidades maiores e a Amazônia). O processo contemporâneo de povoamento passou a ser mais intenso em Rondônia (crescimento de 8% ao ano) e Roraima (9,5% ao ano), mas é forte em todos

os estados (crescimento médio de 3% ao ano). As principais zonas de adensamento

populacional passaram a ser o Leste Paraense, Rondônia, Acre e a região do Médio

Amazonas. Surgiram também fluxos de migração temporária para o Sul do Pará, Roraima e Norte do Mato Grosso.

Nos anos 90 a região Norte passou a ter um saldo migratório negativo, mas ainda assim, com grande crescimento de população devido a sua alta taxa de natalidade. Em 2000, a Região Norte atingiu uma população de 14,2 milhões, com um crescimento médio anual

de

2,6%. Desde os anos 50, as taxas de crescimento desta população têm sido superiores

às

da média nacional, o que resultou num aumento de sua participação no total da

população brasileira de 5,8% em 1950 para 12,4% em 2000. Em todos os estados a taxa

de urbanização é elevada, embora inferior à média nacional, exceto no Amapá, que

chega a 89%. O crescimento populacional é nitidamente urbano, em processo acelerado,

especialmente pelos movimentos migratórios do tipo rural-urbano, principalmente de mulheres, que tem provocado a masculinização da população rural e, conseqüente feminilização da população urbana. Pará é o estado que mais expulsa população e Amazonas é o estado com maior taxa de imigração (Sudam-Pnud, 2001). A população

morando em cidades e vilas atinge 69,1% na Região Norte, contudo, pela classificação universal adotada pela OCDE para delimitação de municípios rurais e urbanos, apenas 5 municípios do Pará (Ananindeua, Belém, Capanema, Castanhal e Marituba) e a capital

do Amazonas (Manaus) podem ser definidos como municípios urbanos. Todos os

demais, devido a sua reduzida população e a sua pequena densidade demográfica, mesmo que possuam núcleos humanos semelhantes a cidades, são territórios que apresentam características essencialmente rurais. A região mais populosa corresponde ao chamado Arco do Povoamento Adensado, que vai da borda meridional e oriental, do

sul do Acre ao sul do Amapá, incluindo o sudeste e nordeste do Pará.

A distribuição populacional de grande parte da Amazônia poderia ainda ser

caracterizada como a definiu Josué de Castro: “uma população de tipo homeopático. Nas imensas áreas pouco habitadas, a densidade populacional chega a menos de 1,0 habitante por km², especialmente na Amazônia Ocidental e na parte setentrional da Amazônia Central. Entretanto, alvo de grandes projetos de ocupação e de processos migratórios, na Amazônia existem também áreas com grande concentração populacional e densidades de 1.000 a 2.000 habitantes por km². Dois municípios, as capitais do Pará e do Amazonas, possuíam, no ano 2.000, mais de um milhão de habitantes e 11, dos 348 municípios da região Norte, possuíam mais de 100 mil habitantes.

Há também uma grande diversidade étnica, com a maior população indígena do país, a

região Norte possui 165.907 pessoas residindo em centenas de comunidades que

formam 35 etnias.

As condições de vida da população da região Norte apresentam o mesmo grau de

heterogeneidade que caracteriza a distribuição populacional e as atividades econômicas.

Se nas áreas de baixa densidade populacional, a população sofre com as condições

típicas decorrentes do isolamento falta de infraestruturas sociais básicas nas áreas densamente povoadas os problemas são característicos da ocupação desordenada e da rápida expansão urbana, provocando grande degradação do meio ambiente e da qualidade de vida. As periferias urbanas das grandes cidades amazônicas são vítimas de graves problemas de saneamento, abastecimento de água, lixo, poluição, violência e moradias precárias.

O Índice de Desenvolvimento Humano médio da região é de 0,707, sendo que todos os

estados apresentam média abaixo da brasileira. A taxa de analfabetismo da população urbana revela que a maioria dos estados da Região Norte está em melhor situação do que a média brasileira. Já as condições de saneamento estão bem abaixo da média brasileira, com menos de 30% dos domicílios com esgotamento sanitário ligado à rede

coletora e menos de 50% dos domicílios com abastecimento de água ligado à rede geral.

A

esperança de vida está abaixo dos 69,0 anos e a taxa de mortalidade infantil em torno

de

30 óbitos de crianças de até um ano por mil nascidos vivos. Embora com maior

disponibilidade de serviços de saúde, são as áreas metropolitanas que apresentam os piores índices de mortalidade, especialmente devido aos problemas de contaminação da água.

Figura 1 Os melhores indicadores do IDH (2000) estão em municípios do Oeste do Pará, Amapá, Rondônia e nas regiões metropolitanas de Belém e Manaus.

Rondônia e nas regiões metropolitanas de Belém e Manaus. Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano (2000). 3.

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano (2000).

3. Os eixos da ocupação

Segundo Théry (2002), o principal fator de transformação da realidade amazônica nos anos 2000 foi o surgimento dos novos eixos de deslocamento. Desde os primeiros processos de ocupação da região, quando se utilizavam principalmente os rios e posteriormente as precárias estradas constantemente bloqueadas pelas intensas chuvas, que os eixos de deslocamento são determinantes para o tipo de exploração e para delimitação das diferenças regionais de desenvolvimento dentro da Amazônia. As estradas se constituem como os principais eixos de abertura das florestas para a colonização, o desmatamento e a exploração agropecuária.

Os principais eixos atuais são a Belém-Brasília, a Transamazônica, a BR 364 e as novas BR 163, BR 319 e BR 174. Além disso, grandes extensões de estradas informais contribuem significativamente com a ocupação e o desmatamento. O impacto das estradas para o estímulo às atividades econômicas na Amazônia é de tal envergadura que formam de fato um macro-zoneamento das regiões (MIN, 2004).

Mais importante para o planejamento das políticas de desenvolvimento do que as assustadoras previsões feitas pelo projeto SIMAMAZONIA 1 (The Amazon Scenarios

1 Segundo a simulação feita pelo projeto “se nada for feito para mudar as tendências atuais, a maior floresta tropical do planeta estará reduzida no ano 2050 a pouco mais que a metade de sua área original.

Project) para os cenários futuros de desmatamento são as correlações traçadas entre desmatamento e desenvolvimento. Os estudos realizados pelo projeto destacam o impacto que as atividades econômicas estimuladas pela abertura e pavimentação de

estradas sobre a floresta e mostram que o desmatamento é intenso, até 30%, nos 100 km

de largura dos corredores formados em paralelo às estradas.

Ao longo da Transamazônica estabeleceu-se uma grande concentração de migrantes que formaram imensas colônias agrícolas e núcleos urbanos, provocando forte pressão sobre

o meio ambiente e os grupos sociais nativos em termos de desmatamento, queimadas e conflitos fundiários.

No chamado Arco de Povoamento, especialmente no leste do Pará e em Rondônia, com

o adensamento da malha viária formaram-se intensas atividades agropecuárias, ao longo de um cinturão de cerca de 300 a 500 km de largura, que forma, além de Manaus, Belém e das áreas de mineração, o núcleo quente da economia regional.

Nas últimas décadas de 80 e 90, as malhas rodoviárias duplicaram em extensão,

passando de 29,4 mil quilômetros, em 1975, para 59,1 mil quilômetros em 1995. As estradas pavimentadas foram as que mais cresceram, com taxa de 5% ao ano, e em maior extensão, mas com crescimento um pouco menor, 3% ao ano, cresceram também

as estradas não pavimentadas (MIN, 2004).

Um grande dilema cerca o debate social sobre a construção e a ampliação de estradas. Ao mesmo tempo em que as estradas facilitam o desmatamento e o avanço da fronteira agrícola, são também grandes demandas sociais, tanto do ponto de vista econômico como para garantir a qualidade de vida das populações que vivem em semi-isolamento. Os conflitos entre demandas coletivas e bens públicos têm aqui uma expressão dramática. Mas estradas são também consideradas uma estratégia importante para a intensificação das atividades econômicas e redução da exploração de novas áreas de florestas.

O eixo que mais desperta o debate público atualmente é aquele formado a partir da BR

163. A rodovia Cuiabá-Santarém foi implantada em 1972 e faltam ser pavimentados 953 km, obra que deverá ser iniciada em 2006. A estrada atravessa uma das regiões mais importantes da Amazônia, com grande potencial econômico, diversidade étnica, cultural e ambiental, cruzando as bacias hidrográficas do Amazonas, Teles Pires- Tapajós e do Xingu. Por esses motivos a pavimentação é considerada um dos fatores de grande risco para a sustentabilidade da Amazônia. Tanto a região de Santarém como o Noroeste do Mato Grosso, os dois extremos da rodovia já sofrem grandes danos ambientais provocados pelas atividades predatórias, especialmente os pólos agropecuários de produção de soja, gado e madeira. Por outro lado, o asfaltamento da rodovia possibilitará a criação de um grande corredor de exportação que representará uma grande redução nos custos de transporte da produção agrícola do norte do Mato Grosso até o porto no rio Amazonas, em Santarém. Por esse motivo, é uma antiga reivindicação das organizações sociais da região e foi assumida como prioridade do Plano Plurianual do período 2004-2007. A importância, associada aos riscos desse empreendimento tem sido objeto de grande discussão pelas organizações sociais e órgãos públicos. Em 2004 foi criado o Consórcio pelo Desenvolvimento Socioambiental da BR-163 e durante 2004 e 2005 ocorreram audiências públicas para a discussão do

Plano de Desenvolvimento Regional Sustentável da BR-163. O Plano contempla políticas de fortalecimento da segurança pública e promoção da cidadania; ordenamento fundiário e territorial; monitoramento e controle ambiental; e fomento a atividades sustentáveis.

Um dos futuros e mais importantes eixos de transporte da Amazônia será a estrada que ligará a região ao Pacífico. O início da construção do Corredor Viário Interoceânico Sul foi lançado pelos presidentes do Brasil, Bolívia e Peru, em setembro de 2005. Mil quilômetros de asfalto vão completar a ligação entre os oceanos Atlântico e Pacífico na América do Sul. A rodovia inicia no estado do Acre e vai até os portos marítimos peruanos no litoral do Peru. O planejamento estratégico prevê uma logística de integração com a BR 364 e BR 317, que permitirá a conexão com Campo Grande e a hidrovia do Rio Madeira e BR 364 que possibilitará a ligação com Manaus.

4. As atividades econômicas e os principais conflitos sócio-ambientais

Provocou grande polêmica internacional a divulgação dos dados sobre o desmatamento na Amazônia no período 2003-2004. Segundo o Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (PRODES, 2005) ocorreu no período uma perda de 26 mil quilômetros quadrados de floresta. Segunda maior perda ocorrida desde 1988. Os primeiros dados registrado em 2005 alimentam uma perspectiva otimista de redução do desmatamento em 2005 (dados ainda não divulgados).

Figura 2 - Desflorestamento continua crescendo na Amazônia

Figura 2 - Desflorestamento continua crescendo na Amazônia As áreas mais críticas do desmatamento estão no

As áreas mais críticas do desmatamento estão no chamado Arco do Desmatamento, que envolve os eixos da Belém-Brasília (BR-010), na região centro-norte de Mato Grosso, na região central de Rondônia e na região do Baixo Acre. A partir de 2001, a expansão

da soja e da pecuária ampliaram as frentes de desmatamento para as regiões da Terra do

Meio (Altamira, São Félix do Xingu e Tucumã), o oeste do Pará ao longo da BR-163, o Sudeste e o sul do Amazonas (Souza et alli, 2005).

O Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia,

implementado em 2003 vem adotando uma série de medidas de monitoramento e

controle, com intensificação das ações de fiscalização, ordenamento fundiário, medidas

de combate à grilagem de terra e fomento às atividades econômicas sustentáveis. O

Plano busca promover a ação integrada de 13 ministérios, sob coordenação da Casa Civil. Apesar das importantes medidas efetivamente adotadas, o Plano não está sendo suficiente para conter o processo de desmatamento. Ações mais efetivas foram adotadas

em 2005, como a Operação Curupira, realizada pela Polícia Federal e que resultou na detenção de mais de uma centena de madeireiros, fazendeiros, despachantes e funcionários públicos estaduais e federais, envolvidos no desmatamento ilegal, paralisando boa parte das frentes de desmatamento.

O Brasil é o maior produtor e consumidor mundial de produtos florestais tropicais. A

siderurgia, as indústrias de papel e embalagens e a construção civil são setores que dependem diretamente da exploração florestal. O setor madeireiro da Amazônia, que cresce mais que nas outras regiões, é o maior empregador, sendo responsável por 127 mil empregos diretos em 2.570 empresas distribuídas em 72 pólos madeireiros voltados principalmente para o mercado interno. Da produção do setor, 86% são destinados ao mercado interno e 14% são exportados (MIN e MMA, 2004).

4.1 O avanço da pecuária

A pecuária foi o principal instrumento de ocupação da Amazônia a partir dos anos 1960.

Com o apoio da Sudam e Basa, os mecanismos de incentivo fiscal, subsídios e financiamento de projetos. Normalmente uma estratégia utilizada por grandes exploradores, a pecuária passou mais recentemente, a partir dos anos 1980, a ser uma estratégia utilizada também por agricultores familiares, principalmente para produção de leite. Segundo estudo do Banco Mundial (2003) a produção pecuária a partir dos anos

90 passou a seguir uma lógica eminentemente privada, com fortes cortes dos incentivos e subsídios públicos diretos, a atividade adquiriu uma dinâmica autônoma condicionada pela sua rentabilidade. Dessa forma, além dos interesses políticos que orientaram o processo de ocupação da Amazônia, é fundamental compreender os interesses econômicos subjacentes ao processo de ocupação e desmatamento.

Entre 1990 e 2003, o rebanho bovino da Amazônia Legal quase triplicou, com um

crescimento de 240%, chegando a 64 milhões de cabeças de gado e uma renda bruta de

R$ 3,5 bilhões. Os principais estados produtores são o Pará, Rondônia e Tocantins e há

um grande crescimento mais recente da pecuária no estado do Acre. Segundo o IBGE, o rebanho amazônico em 2003 era concentrado em quatro estados (Mato Grosso, Pará, Tocantins e Rondônia) que possuíam 86% do rebanho regional. Mato Grosso e Pará eram os principais produtores somando 59% do rebanho. Entre 1990 e 2003, Rondônia passou de quinto para terceiro produtor da região. Os três principais estados produtores

em 2003 (MT, PA, e RO) contribuíram com 81% do crescimento do rebanho entre 1990 e 2003. As maiores taxas de crescimento neste período ocorreram em Rondônia (14% ao ano), Acre (12,6%/ano), Mato Grosso (8%/ano) e Pará (6%/ano). Mesmo com a redução contínua de preços, as exportações de carne cresceram de 350 mil toneladas em 1999 para aproximadamente 900 mil toneladas em 2002.

Figura 3 - O rebanho bovino em 2003 ocupava o sul, o leste e o norte do Mato Grosso, quase todo o estado de Rondônia, o leste do Acre e toda a metade sul do Pará.

de Rondônia, o leste do Acre e toda a metade sul do Pará. Fonte: Instituto de

Fonte: Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia

Uma pesquisa conduzida pela equipe do projeto Cattle Ranching, Land Use and Deforestation in Brazil, Peru e Ecuador (Piketty et alli, 2004) identificou cinco grandes razões da expansão da pecuária no arco do desmatamento, nas áreas de fronteira agrícola do estado do Pará. A primeira razão é o retorno seguro, apesar de pequeno, proporcionado pela existência de mercados para carne e leite em toda a região, combinado com a alta liquidez dos ativos dessa atividade. Segundo pesquisa do Imazon (Arima, Barreto e Brito, 2005) a pecuária na Amazônia é expressivamente mais lucrativa que em outras regiões brasileiras. A segunda razão é o ambiente favorável, tanto de ordem ambiental, especialmente um regime de chuvas bem adequado à criação animal, como de ordem econômica, em especial o baixo preço das terras, e de ordem institucional, como o fácil acesso a tecnologias para essa atividade. A terceira razão é a eficiência do sistema braquiarão 2 para a alimentação dos animais, uma pastagem de alta produtividade e com grande eficiência após a queimada, resistente a seca e a plantas invasoras, o que faz com que seja utilizado em 90% das pastagens. A quarta razão é a experiência e a valorização cultural e social que a atividade recebe por parte dos

2 Brachiaria brizantha.

produtores e da sociedade em geral nessas regiões. A quinta razão identificada pela equipe da pesquisa é a política de financiamento público.

Segundo o Banco Mundial (2003), a pecuária de corte na Amazônia Oriental é altamente rentável do ponto de vista privado, apresentando taxas de retorno superiores às da pecuária nas regiões tradicionais do país. Pesquisa coordenada pelo Imazon (Arima et alli, 2005) mostra que a maior rentabilidade da pecuária na Amazônia comparada com outras regiões do país e de outros países produtores é explicada principalmente pelo baixo preço das terras e ao acesso a crédito com baixas taxas de juros oferecidos pelo Fundo Constitucional. Somam-se ao retorno financeiro da pecuária, os ganhos secundários associados à atividade como a exploração madeireira, muitas vezes ilegal e a valorização das terras.

A questão é polêmica e outros pesquisadores apresentam evidências contrárias. Existem trabalhos que demonstram a insustentabilidade desse modelo, alegando que os retornos por hectare são extremamente baixos e que a atividade só encontra sustentação no subsídio governamental (Romero, 1995). O baixo custo de implantação da pecuária, a alta liquidez do ativo, o baixo nível de ocupação de mão-de-obra e o papel que a atividade cumpre na determinação da produtividade da terra são os fatores determinantes da utilização da pecuária extensiva como estratégia principal da atividade econômica na região.

Este processo é predominante entre os grandes investidores que se tornaram grandes proprietários de terras na Amazônia. Porém, esta estratégia também é utilizada por pequenos proprietários familiares. Isto pode ser evidenciado, por exemplo, pela dinâmica de valorização da terra dos pequenos agricultores, ocasionada pelos financiamentos do FNO. Entre 1992 e 1995 as famílias que receberam financiamentos atribuíam aos seus lotes um valor bem superior ao que estimavam antes, principalmente, nas regiões de colonização, onde o desestímulo proporcionado pelo abandono sempre provocou a desvalorização da terra.

Por último, outro fator que beneficia a expansão dessa atividade é que a pecuária representa menor risco para os financiamentos bancários, sendo o acesso ao crédito assim mais facilitado para essa atividade. Prova disso é que o volume de recursos contratados na linha do FNO Agropecuária representa 39% do total de recursos contratados pelo crédito rural pelo BASA em 2004 (BASA, 2004).

4.2 A expansão da soja

A produção de soja apresentou um imenso crescimento na região Norte, principalmente a partir do ano de 1999. A área ocupada com lavouras de soja cresceu quase dez vezes no período de 1990 a 2004, ampliando de 34.760 mil para hectares para 359.434 mil hectares. Em 1994 a produção de soja no Norte do País se limitava ao Tocantins e ao sul de Rondônia. Num primeiro momento, de 1996 a 2000, o principal eixo de expansão da soja ocupou quase todo o estado de Rondônia e seguiu rumo ao ocidente e oriente do estado do Amazonas. Nesse período, a área média oscilava em torno de 30 milhões de

hectares. Após o ano 2000, houve um recuo na produção de soja no Amazonas e uma intensificação maior no estado do Pará, chegando a quase 360 milhões de hectares, em 2004, segundo dados da Pesquisa Agrícola Municipal (IBGE, 1999 a 2004).

Figura 4 - Expansão da área plantada de soja na região Norte cresce exponencialmente a partir do ano 2000.

400000 350000 300000 250000 200000 150000 100000 50000 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995
400000
350000
300000
250000
200000
150000
100000
50000
0
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004

Fonte: IBGE Pesquisa agrícola municipal

O principal fator que estimulou o avanço da produção de soja na Amazônia e em todo o Brasil a partir de 1999 foi a mudança no ambiente macroeconômico, sobretudo da política cambial brasileira que valorizou o dólar com relação ao real e aumentou os rendimentos da exportação. De 2002 a 2004, a elevação dos preços internacionais de soja e dos grãos em geral acelerou ainda mais a expansão da produção.

Segundo o IPEA (2005), o crescimento da produção de soja, diferentemente das décadas anteriores se deu através da expansão das áreas plantadas e não mais através do aumento da produtividade. Além disso, as áreas de plantio de soja vem-se expandindo, em sua maior parte, através da conversão de pastagens degradadas. Com a implantação de pastagens, a derrubada das florestas ou do cerrado e a calagem do solo, o solo está preparado, com baixos custos, para o futuro plantio de soja que por sua vez, recupera os solos para futuras pastagens de melhor qualidade. A grande vantagem desse processo é a intensificação da produção agropecuária e a menor expansão sobre áreas de floresta.

Por outro lado, para outros atores, como os que se reuniram no seminário sobre a “Geopolítica da Soja na Amazônia” (Museu Emília Goeldi, 2004) a expansão da soja se deu também sobre áreas cobertas por florestas, cerrado e campos naturais. A verificação empírica dessas hipóteses é difícil, pela falta de um levantamento sistemático dos territórios ocupados com as atividades agrícolas.

Figura 5 A soja ocupa todo o Tocantins, o leste e o oeste do Pará, avança sobre o sul de Rondônia e o norte de Roraima, mas recua no Amazonas.

de Rondônia e o norte de Roraima, mas recua no Amazonas. Fonte: IBGE – Pesquisa agrícola

Fonte: IBGE Pesquisa agrícola municipal Elaboração: Plural

4.3 A agricultura familiar

A agricultura familiar na região Norte corresponde a 9,2% do total da agricultura familiar do país e à 5,4% do total da força de trabalho do país no setor. São 377 mil estabelecimentos familiares, sendo que quase metade encontra-se no estado do Pará, 40% dividem-se nos estados de Rondônia e Amazonas e os 10% restantes se distribuem nos demais estados. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, 36% dos estabelecimentos familiares possuem renda bruta anual menor que 2 mil reais, 58% situa-se no estrato médio, com renda bruta anual entre 2 mil e 14 mil reais e apenas 7% encontra-se no estrato superior, com renda anual acima de 14 mil reais.

Os sistemas de produção da Amazônia são distintos dos sistemas de produção agrícolas tradicionais das outras regiões brasileiras. Uma característica, especialmente particular dos sistemas tradicionais, é a presença das unidades familiares de base agroextrativista que reúnem atividades de subsistência, de extrativismo e de pesca. A pluriatividade, ou seja, a combinação de mais de um tipo de atividade, dentro e/ou fora da propriedade, é uma característica comum para a grande parte dos sistemas de produção familiares.

Parte da produção é consumida dentro da unidade produtiva e parte é destinada ao mercado. O volume de produção dentro de cada uma dessas categorias depende de vários fatores, entre eles das características dos produtos cultivados ou extraídos, do tamanho e da organização das unidades de produção, das condições do mercado e, principalmente, da combinação entre sistemas de cultivo e de extrativismo.

Figura 6 - Estabelecimentos da agricultura familiar na região Norte

 
  Grupo B Grupo C Grupo D

Grupo B

  Grupo B Grupo C Grupo D

Grupo C

  Grupo B Grupo C Grupo D

Grupo D

Estado

Estado Renda baixa Renda média Renda alta Total

Renda baixa

Estado Renda baixa Renda média Renda alta Total

Renda média

Estado Renda baixa Renda média Renda alta Total

Renda alta

Estado Renda baixa Renda média Renda alta Total

Total

Até 2 mil reais por ano De 2 a 14 mil reais por ano De

Até 2 mil reais por ano

Até 2 mil reais por ano De 2 a 14 mil reais por ano De 14

De 2 a 14 mil reais por ano

Até 2 mil reais por ano De 2 a 14 mil reais por ano De 14

De 14 a 40 mil reais pr ano

Acre

   

7.666

   

11.862

808

 

20.336

Amazonas

26.743

44.892

5.348

76.983

Amapá

667

1.468

435

2.570

Pará

64.762

104.720

11.382

180.864

Rondônia

20.339

37.903

5.711

63.953

Roraima

1.624

3.104

553

5.281

Tocantins

12.606

13.799

1.563

27.968

Total

Total 134.407 217.748 25.800 377.955

134.407

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25.800

Total 134.407 217.748 25.800 377.955

377.955

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário

4.4 A mineração

A produção mineral da região Norte está fortemente concentrada no Pará. O estado é o segundo maior produtor de minérios do Brasil, perdendo apenas para Minas Gerais, que produz um pouco mais que o total da produção da região Norte. É da produção paraense que foram comercializados 88% do valor da produção mineral da região e 24% do valor comercializado de minério do País. Esta situação tende a se manter nos próximos anos, especialmente pelo volume de investimentos previstos. Nos próximos três anos deverão ser investidos quase dois bilhões de reais na indústria de mineração do Pará, 90% dos investimentos previstos na região Norte e 27% do total de investimentos previstos para o País. Ferro e bauxita são os principais produtos da mineração no Pará.

Segundo o diagnóstico preparatório do documento do Plano Amazônia Sustentável, as principais empresas mineradoras da Amazônia estão localizadas na região do Arco do

Povoamento Adensado, região onde se localiza o projeto Carajás, para a extração de ferro, e a Albrás, para extração de alumínio e caulim. A bauxita é extraída na região de Trombetas e a cassiterita no Amazonas e Rondônia. As indústrias mineradoras são de grande porte, com investimentos da ordem de 7 bilhões de dólares.

Apesar do grande resultado econômico gerado, a extração mineral é acusada de produzir graves externalidades ambientais e sociais negativas. São atividades pouco intensivas em mão-de-obra e que, além de gerar poucos empregos, reduz as condições locais e tradicionais de ocupação. São também responsáveis por grandes danos ambientais de longo prazo, não apenas pelo desmatamento, mas, sobretudo pela ação dos resíduos tóxicos ao meio ambiente.

O processamento dos minerais se limita aos primeiros degraus da cadeia. Na região é feita a transformação de bauxita em alumínio primário e produção de ferro gusa, exportando produtos de baixo valor agregado. Ainda assim, o consumo de energia é muito elevado, consumindo grandes extensões de floresta para produção de carvão vegetal (MIN, 2004).

4.5 A indústria

Como em todo o Brasil, a indústria e os serviços vêm crescendo a taxas anuais maiores que a agropecuária, porém, o processo de industrialização da região Norte consolidou-se basicamente pelos rumos traçados pelos investimentos públicos diretos e pelos incentivos fiscais dirigidos especialmente ao Complexo Carajás, localizado no Pará, e à zona franca e de processamento de exportação no Amazonas.

No ano de 1996, dos 398 municípios da região Norte, em 209 municípios a atividade predominante é a agropecuária, em apenas 12 municípios a atividade predominante é a indústria e em 177 municípios o comércio e os serviços são as atividades economicamente mais importantes. A distribuição geográfica dos municípios segundo a atividade predominante pode ser observada na figura 7.

Figura 7 A industrialização na região Norte se concentra no município de Manaus, na região metropolitana de Belém, na região do Para Oriental, no estado de Roraima e em um município de Rondônia.

no estado de Roraima e em um município de Rondônia. Fonte: IBGE – Composição setorial do

Fonte: IBGE Composição setorial do PIB dos municípios (1996)

A produção industrial é altamente concentrada. O estado do Pará concentra 38% da

produção industrial da região e o Amazonas 34%, segundo dados do Ministério da Integração Nacional (MIN, 2004). Com exceção da Zona Franca de Manaus, a grande maioria das cadeias produtivas são incompletas, limitando a região a produtos primários e semi-processados de baixo valor agregado e com reduzida geração de empregos.

O setor agroindustrial começa a se fortalecer com as cadeias de carne bovina e soja. O

setor industrial associado à pecuária vem apresentando grande crescimento, com muitos investimentos em frigoríficos, laticínios e curtumes. A produção de soja vem estimulando a instalação de serviços de transporte e armazenamento ao longo dos eixos

de exportação, tanto para os grãos, quanto para os insumos agrícolas. Começam a surgir

indústrias de esmagamento de soja e prevê-se a abertura de indústrias ligadas às cadeias

de aves e suínos

4.6 O extrativismo

Com a abertura de rodovias e de nova infraestrutura em geral, cria-se uma oferta adicional de terras. O custo de manutenção da terra se reduz nas áreas mais próximas às frentes de expansão da fronteira agrícola. A atividade extrativista vem assim perdendo rapidamente espaço para as atividades agrícolas e pecuárias e a produção domesticada de produtos antes explorados pelo extrativismo. Porém, esta é uma atividade que garante a sobrevivência de uma grande parcela da população rural da Amazônia. A expansão da fronteira agrícola é então antagônica à atividade extrativa, uma vez que

esta expansão necessita da substituição da cobertura vegetal, o que destrói a base de sustentação do extrativismo.

A maior parte dos produtos florestais não madeireiros comercializados vem de sistemas extrativistas. Porém, toda a produção extrativista segue um ciclo de expansão e declínio (Homma, 1992 e 1994), sendo crescentemente substituída por produtos cultivados. Atualmente, muitos produtos antes extraídos da natureza, já são totalmente cultivados e muitos estão em processo ascendente de substituição dos sistemas tradicionais de extração por sistemas mais complexos de cultivo associado e adensado. Apesar disso, o extrativismo ainda é de grande relevância, principalmente para as economias familiares.

Na primeira fase, o extrativismo se expande favorecido pela existência de reservas

relativamente abundantes e por uma posição monopolista dos extrativistas no mercado.

A segunda fase do extrativismo é caracterizada pela estabilização das condições de

oferta e demanda e pela aproximação ao limite máximo da capacidade de oferta. A necessidade de ampliar a oferta faz com que os custos unitários aumentem tornando

inviável a extração frente aos custos da produção realizada via cultivos. A mudança na relação entre custo unitário de extração/produção inaugura a terceira fase do extrativismo que pode ser caracterizada como um declínio desse sistema de organização

da produção. A partir dessa fase, o extrativismo perde o monopólio de mercado e o

cultivo de espécies domesticadas ganha espaço. Na última etapa, o extrativismo desapareceria dando origem à fase de produção por meio de plantas cultivadas. O avanço da tecnologia e o surgimento de produtos sintéticos com preços de mercado mais favoráveis acelera a substituição do extrativismo pela produção com espécies domesticadas.

A análise do extrativismo e de suas variantes, baseada nas condições de oferta e procura de mercado, traz contribuições relevantes do ponto de vista da comercialização. É relevante ressaltar, entretanto, que o debate em torno de um modelo de desenvolvimento economicamente viável e ecologicamente sustentável deve ir além de uma análise a partir da valoração dos produtos de acordo com os seus custos de extração/produção. A economia do meio ambiente nos mostra que o valor de um produto ou de um sistema de produção é derivado não somente do seu mercado potencial, determinado pelas condições de oferta e demanda, mas também de uma série de funções que a manutenção do máximo da floresta amazônica em pé pode ofertar para a sociedade e não apenas para os moradores da região. Neste sentido, a sustentabilidade do modelo de desenvolvimento baseado no extrativismo e suas variantes pode encontrar base de sustentação na redistribuição de renda dos segmentos da sociedade que utilizam mais intensivamente os recursos naturais para aqueles que preservam e multiplicam os recursos naturais com seu modelo de extração/produção. É assim importante a remuneração dos serviços ambientais para a preservação dos recursos naturais.

Allegretti (1994) sugere que o extrativismo deve ser analisado sob a perspectiva econômica e ecológica, onde recursos naturais são vistos como um capital e sua conservação em função do valor dos recursos escassos e não somente da disponibilidade de tecnologia para sua exploração e inserção no mercado. Qualquer atividade extrativista não pode ser analisada exclusivamente em termos econômicos desde que essas atividades tenham também funções sociais e ambientais.

As reservas extrativistas podem ser melhoradas usando técnicas agroflorestais, introduzindo tecnologias para promover o enriquecimento de plantas, bem como por meio da implantação de projetos que promovam a industrialização dos produtos. Desta

forma, o extrativismo promoveria a reconciliação entre os interesses de conservação e

as necessidades sociais e econômicas.

5. As políticas de desenvolvimento

As políticas públicas para o desenvolvimento da Amazônia se orientaram desde os primeiros processos de colonização por processos exógenos baseadas principalmente na

expansão da fronteira agrícola. As políticas de desenvolvimento e os incentivos fiscais foram adotados conjuntamente com o objetivo de implantar grandes lavouras brancas e

a pecuária extensiva. Atualmente há uma forte expansão da pecuária e implementa-se um grande incentivo oficial à expansão das lavouras de soja.

Os principais impactos ambientais globais provocados por este modelo de produção implantado na Amazônia são o processo de aquecimento global, provocado pelas queimadas, a emissão de CO 2 , a lixiviação, a erosão hídrica, a perda de nutrientes do solo, a erosão eólica e a perda de biodiversidade. Implementar na Amazônia um modelo de agricultura como aquele implementado em outras regiões do Brasil, baseado no aumento da produtividade do trabalho por meio da mecanização extensiva das atividades agrícolas e da monocultura, terá as mesmas conseqüências geradas nas regiões onde este modelo foi implantado, ou seja, expulsão dos pequenos produtores para atividades urbanas que não oferecem oportunidades suficientes de ocupação (MIN

e MMA, 2004).

Na contramão dos processos tradicionais de exploração da Amazônia, há um enorme e recente esforço para se consolidar políticas de desenvolvimento sustentável. O Plano Amazônia Sustentável é atualmente a iniciativa mais importante de articulação de políticas públicas para o desenvolvimento sustentável da região. Sua principal diferença com relação aos antigos planos é o reconhecimento da importância do crescimento dos investimentos e do PIB regional, porém baseado num processo de construção de

instituições adequadas, geração de capital social e mobilização de sinergias entre Estado

e

sociedade, descentralização de políticas públicas e participação da sociedade.

O

PAS é coordenado pelo Ministério da Integração Nacional e está organizado em cinco

eixos temáticos: (1) produção sustentável com inovação e competitividade; (2) inclusão social e cidadania; (3) gestão ambiental e ordenamento do território; (4) infra-estrutura para o desenvolvimento; e (5) novo padrão de financiamento. O modelo de gestão do Plano se baseia em espaços de participação e articulação de dois níveis: as câmaras setoriais, em que se mobilizam atores sociais vinculados a setores econômicos, e os fóruns territoriais que organizam a visão de desenvolvimento de um determinado território, de forma transversal, como na mobilização da sociedade na área de influência da BR 163.

O PAS tem como objetivo implementar um novo modelo de desenvolvimento na Amazônia voltado para a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades

sociais, a viabilização de atividades econômicas dinâmicas e inovadoras com inserção em mercados regionais, nacionais e internacionais e o uso sustentável dos recursos naturais com a manutenção do equilíbrio ecológico. O Plano Amazônia Sustentável planeja estratégias de desenvolvimento para três macrorregiões amazônicas: o Arco do Povoamento Adensado, a macrorregião da Amazônia Central, e a macrorregião da Amazônia Ocidental.

O Arco do Povoamento Adensado compreende as regiões sul e leste da região

amazônica, envolvendo o cerrado do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão e as áreas desmatadas do sudeste do Pará, de Rondônia e do sul do Acre. As estratégias para essa região estão orientadas para a intensificação das atividades dinâmicas não predatórias e

com isso, estancar a expansão da soja pela floresta, atraindo os grandes produtores para

as áreas já desmatadas. Com esse objetivo, as políticas serão direcionadas para o

aparelhamento dos núcleos urbanos com agroindústria e serviços, garantir o escoamento

da produção, estímulo à pecuária e suas indústrias de couro, frigoríficos e laticínios,

investimentos na consolidação da malha viária e na expansão das redes de telecomunicações, estimular a produção de biodiesel, certificação da produção madeireira, gerenciamento costeiro e manejo dos recursos hídricos, promover sistemas agroflorestais e uso de produtos florestais não madeireiros e fortalecer o mercado consumidor de massas na Amazônia. Os instrumentos principais para isso seriam a provisão adequada de crédito, acessibilidade aos mercados, capacitação gerencial, comercial e técnica das organizações de produção e difusão de tecnologias.

A macrorregião da Amazônia Central compreende o centro do Pará e extremo norte de Mato Grosso à estrada Porto Velho-Manaus e à hidrovia do Madeira. A diretrizes do PAS para essa região têm o objetivo estratégico de compatibilizar produção e conservação, com o ordenamento da expansão nos eixos, fortalecimento da produção familiar na rodovia Transamazônica, promover a exploração florestal sustentável e acelerar o ritmo da ação conservacionista. Os instrumentos de política pública para isso são a criação de um Zoneamento Ecológico Econômico ao longo dos eixos, ordenamento territorial, demarcação e proteção das terras indígenas e unidades de conservação, manejo florestal sustentável com certificação, ordenamento da pesca e da aqüicultura sustentável, estímulo à exportação de produtos das populações tradicionais, bioprospecção e bioindústria apoiada em recursos genéticos regionais e apoio aos núcleos urbanos próximos aos eixos.

A macrorregião da Amazônia Ocidental compreende os estados do Amazonas, de

Roraima e à maior parte do Acre. As diretrizes para o desenvolvimento dessa região são a responsabilidade sócio-ambiental na construção de estradas e obras de infraestrutura que impliquem novos corredores de ocupação, a aceleração do ritmo da criação de corredores ecológicos, o monitoramento da poluição hídrica, a contenção do

narcotráfico e o controle das fronteiras políticas, o combate à biopirataria e proteção do conhecimento tradicional, e implementação de ações para atender, nos locais de origem,

as populações indígenas. A estratégia é promover a expansão orientada de produtos

certificados, manejo florestal, serviços ambientais e seqüestro de carbono, produção sustentável da biodiversidade, biotecnologia e bioindústria, e a substituição do uso do diesel pelo gás de Urucu e de países vizinhos e a utilização de biodiesel.

5.1

Programas de financiamento

A região Norte do Brasil é a que apresenta os maiores problemas de atendimento

bancário. Segundo dados do Banco Central (Unicad, 2006), 332 municípios, dois terços dos 449 municípios da região, não possuíam agência bancária e 233, pouco mais da metade dos municípios, não possuíam nenhum tipo de atendimento bancário, no ano de 2004. Por isso, mais do que em outras regiões, adquiriram grande importância os programas públicos, governamentais e não governamentais de financiamento.

Têm sido desenvolvidas diversas políticas financeiras de apoio a experiências de desenvolvimento sustentável. As principais são o Pronaf, o FNO, o FNMA, o PD/A, o CNPT, o PRONABIO e o Projeto RESEX que financiam projetos de gerenciamento ambiental em todo o País desenvolvidos por comunidades locais para gerar novos referenciais de desenvolvimento sustentável.

Segundo dados do Banco da Amazônia, as linhas de crédito mais importantes operadas pelo banco em 2004, foram o FNO e o Pronaf. As atividades agrícolas receberam dois terços do volume total de crédito para atividades produtivas operado pelo banco e as atividades industriais e de serviços receberam um terço dos financiamentos.

A maior parte do FNO Rural, que inclui o Pronaf foi utilizado para a produção pecuária. Do FNO destinado às atividades não agrícolas, exportação e indústria receberam 34% e 30%, respectivamente dos financiamentos. Infraestrutura e comércio e serviços foi o grupo de atividades que recebeu cada um em torno de 10% do total de crédito em 2004. Residualmente, micro e pequenas empresas, agroindústria e turismo foram os outros setores financiados.

i)

O Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar

O

Pronaf foi criado em 1995 pelo Ministério da Agricultura como resultado das

negociações das mobilizações dos movimentos sociais. O Pronaf é um programa de crédito voltado exclusivamente para os agricultores familiares e financia atividades

agrícolas, pecuárias, agroindústrias e atividades rurais não agrícolas.

Ainda que o Programa atenda ainda apenas 30% da demanda da região estimada em 377.955 estabelecimentos familiares, vem ocorrendo um grande crescimento do público

atendido. Novas linhas de financiamento e novas metodologias de relacionamento entre

os bancos e os clientes tendem a aproximar mais o programa de crédito da sua demanda. A partir de 2002, com um grande esforço do Ministério do Desenvolvimento Agrário e do Banco da Amazônia, o número de contratos cresceu de pouco mais de 30 mil subindo para 67 mil contratos em 2003 e 120 mil em 2004.

Dos contratos operados pelo Banco da Amazônia, 60% do total de recursos do Pronaf em 2004 financiou o segmento da agricultura familiar de maior renda (grupo D) e um terço foi destinado aos assentamentos (grupo A).

Figura 8 O número de contratos de Pronaf na região Norte cresceu exponencialmente a partir de 2002.

140000 120000 100000 80000 60000 40000 20000 0 1999 2000 2001 2002 2003 2004
140000
120000
100000
80000
60000
40000
20000
0
1999
2000
2001
2002
2003
2004

Fonte: Ministério do Desenvolvimento Agrário

ii)

O Fundo Constitucional da Região Norte

O

Fundo Constitucional de Financiamento do Norte foi instituído em 1989, com

recursos do tesouro nacional e é controlado pelo Banco da Amazônia. O Fundo financia custeio e investimento de projetos de pequenos produtores. É o principal fundo de financiamento da produção familiar rural na região Norte.

O Banco da Amazônia vem financiando, com recursos do FNO, investimentos na

produção de produtos tradicionais da Amazônia através de um programa de apoio ao extrativismo, o PRODEX. As condições de pagamento são mais favoráveis que as de mercado. Uma das maiores dificuldades para os agricultores terem acesso a este programa são os custos de acesso decorrentes de um sistema de governança ainda insuficiente devido à falta de organizações que facilitem o acesso dos extrativistas ao banco, da limitada rede de agências e oferta de outros serviços complementares de financiamento e a falta de assistência técnica. Muitos projetos não estão se viabilizando

e

muitos produtores estão inadimplentes pela falta de projetos adequados à sua realidade

e

pela falta de acompanhamento técnico permanente.

O

Programa de Apoio à Pequena Produção Familiar Rural Organizada é um sub

programa do FNO, destinado a mini-produtores organizados em associações ou cooperativas, associações ou cooperativas de mini-produtores e mini-pescadores artesanais.

A pesquisa da FASE de avaliação do FNO identificou mudanças sociais e econômicas importantes para os produtores que tiveram acesso ao crédito. Houve aumento no número de associações e proporcionou aumento de renda dos produtores. Porém, as limitações do sistema são muito grandes. Os projetos elaborados são, muitas vezes, incompatíveis com a realidade local e são projetos com baixa sustentabilidade ambiental. Na maioria dos projetos ocorreu redução da diversidade do uso do solo e o

nível de resultado econômico dos projetos e capacidade de pagamento são muito baixos.

As distorções entre os projetos e a realidade também provocam exclusão social, como o

acesso das mulheres limitado apenas a 10% dos financiamentos contratados. A melhoria da assistência técnica, a redução da burocracia dos contratos, a capacitação e o desenvolvimento de novas tecnologias são as principais recomendações desta pesquisa.

A partir de 1994 houve uma forte queda dos valores aplicados pelo FNO. Em 1996,

ocorreu uma mudança na metodologia do cálculo da taxa de administração aumentando o custo para os produtores. A redução dos encargos que hoje são superiores aos do Pronaf e do Procera, a mudança de classificação dos beneficiários, a negociação das dívidas, a criação de um programa de assistência técnica e a adequação do crédito às

realidades locais são as principais propostas das organizações dos produtores familiares.

O Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Extrativismo é um sub programa do FNO

e tem uma linha de crédito voltada especificamente para mini e pequenos produtores rurais extrativistas, associações e cooperativas.

iii) Programas de crédito para a biodiversidade

Algumas linhas de crédito são destinadas especificamente para a aplicação em projetos

de

uso sustentável da biodiversidade.

O

PD/A é um programa do PPG7 (Programa Piloto para a Proteção das Florestas do

Brasil). Este programa financia projetos a fundo perdido para associações, cooperativas, sindicatos, ONGs, prefeituras, etc. O objetivo deste programa é o apoio a idéias inovadoras para o uso sustentável dos recursos naturais.

O Programa de Ecoturismo é um programa do BID (Banco Interamericano de

Desenvolvimento) destinado especificamente ao ecoturismo. Metade dos recursos são destinados a empréstimos a governos com a finalidade de financiar obras de infraestrutura e a outra metade é destinada projetos de ecoturismo.

O Small and Medium Scale Enterprise Program é um programa do GEF (Global

Environment Facility) e do IFC (International Finance Corporation) e financia projetos através de repasses para ONGs.

O Fundo Terra Capital é um fundo funciona como um capital de risco do Banco Axial

para financiamento de projetos de investimento em biodiversidade e destinado a projetos em parceria.

O Ecoenterprises é um fundo de capital de risco, criado em parceria pelo TNC (The

Nature Conservancy) e o BID para investimentos em agricultura orgânica, manejo sustentável de florestas e ecoturismo.

O FUNBIO (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade), financiado pelo GEF destinado a

órgãos públicos, empresas, cooperativas e associações. O fundo é destinado a projetos

de conservação e uso sustentável da biodiversidade, pesquisa ou estudo de políticas

ambientais. O Funbio financia pequenos projetos a fundo perdido e projetos maiores em parceria.

Além desses existem ainda a Fundação Ford que financia principalmente ONGs ambientalistas em projetos de pesquisa em biodiversidade e as áreas de educação e saúde, a Fundação Macarthur que financia projetos institucionais de ONGs e associações ambientalistas para projetos na área de saúde, a Fundação o Boticário que financia pequenos projetos de preservação e conservação de recursos naturais, dentre diversos outros pequenos fundos públicos e privados de financiamento de atividades baseadas no manejo sustentável.

iv) O Fundo Nacional do Meio Ambiente

O Fundo Nacional do Meio Ambiente é uma das principais fontes de financiamento de

projetos ambientais. A missão institucional do FNMA é contribuir, como agente financiador e por meio da participação social, para a implementação da Política Nacional do Meio Ambiente. O FNMA organiza os financiamentos através de sete linhas temáticas.

A linha temática de extensão florestal tem como foco o financiamento de atividades que

priorizem a proteção da diversidade biológica florestal, o desenvolvimento da silvicultura e da agrossilvicultura com espécies nativas e o manejo de florestas nativas e

estimula a oferta de produtos florestais para os mercados regionais e locais, ampliando

as oportunidades de geração de emprego e renda das populações locais. A maior parte

dos projetos financiados através desta linha temática é de investimentos na construção

de viveiros, recuperação de áreas erodidas, degradadas, matas ciliares, recursos hídricos,

preservação de florestas nativas, estudos, pesquisas, mapeamentos, monitoramento,

combate e prevenção de incêndios florestais, educação ambiental, implantação de sistemas agroflorestais, agricultura orgânica, organização da produção e comercialização e manejo de dejetos e lixo doméstico.

A linha temática de gestão integrada de áreas protegidas destina-se a apoiar a

implantação e o desenvolvimento de unidades de conservação legalmente constituídas, públicas ou privadas.

O apoio do FNMA às áreas protegidas inclui o incentivo a projetos de gestão

compartilhada em unidades de conservação, através do financiamento de estudos de viabilidade e implantação de unidade de conservação, implantação de projeto de turismo, elaboração e implantação de planos de manejo, programas de pesquisa, diagnóstico, monitoramento, mapeamento e zoneamento ambiental, implantação de trilhas ecológicas e infraestrutura de parques, projetos de arqueologia, educação ambiental, gerenciamento de resíduos sólidos e elaboração de planos de negócios, manejo e industrialização de produtos da biodiversidade.

A terceira linha temática do FNMA é a de manejo sustentável da flora e da fauna, cujo

foco é o apoio a projetos de conservação e preservação de espécies silvestres em conjunto com ações para a geração de renda. Nesta área são financiados projetos de pesquisa, inventários, implantação de infraestrutura e manejo para conservação da fauna

e flora em ecossistemas naturais, uso de plantas medicinais, estudos de mercado e de

viabilidade econômica e elaboração de planos de negócios para manejo de produtos da biodiversidade.

A linha temática de uso sustentável dos recursos pesqueiros apóia projetos que busquem

a gestão integrada dos recursos pesqueiros, por meio da participação social e da

conservação da biodiversidade aquática, através do financiamento de pesquisa, elaboração de planos de negócios de piscicultura, pesca artesanal e manejo sustentável e desenvolvimento de tecnologias, educação ambiental, implantação de reservas

extrativistas e organização comunitária.

A linha temática de educação ambiental financia projetos que visam promover a

conscientização e estímulo à preservação e participação social, promoção do desenvolvimento sustentável, implantação de manejo sustentável, difusão de tecnologias, desenvolvimento do turismo sustentável, lazer, reciclagem e artesanato, desenvolvimento da agroecologia, agricultura orgânica e agroflorestas, instalação de centros de educação ambiental, formação de guias ambientais, dentre outros.

Através da linha temática de qualidade ambiental, o FNMA estimula projetos que contemplem políticas de controle das atividades poluidoras, implantação de planos de emergências ambientais e recuperação de áreas contaminadas. Por último, a linha de gestão integrada de resíduos sólidos financia prioritariamente projetos de administração pública municipal de racionalização do uso dos recursos e programas de coleta seletiva e reciclagem de materiais, implantação de unidades de tratamento e de disposição final

do

resíduo remanescente.

O

amplo escopo de iniciativas de cunho social, econômico e ambiental financiadas pelo

Fundo Nacional de Meio Ambiente, torna-o o principal agente financiador desse tipo de projeto. A principal limitação do fundo é a pequena preocupação com a viabilidade econômica dos projetos financiados, limitando assim a capacidade destes projetos terem uma sustentabilidade financeira de longo prazo. Neste caso, parcerias entre o fundo e organizações mais habilitadas para analisar gestão financeira e mercados ampliariam o potencial econômico dos projetos ambientais.

5.2 Experiências de desenvolvimento sustentável

As organizações sociais podem ter um peso determinante nos rumos do desenvolvimento, sobretudo das regiões onde há um denso tecido social, projetos sociais bem estruturados e efetiva capacidade de mobilização e de representação das demandas sociais. Isso é o que mostra o trabalho de Márcia Muchagata (2004). O modelo de desenvolvimento da região de Marabá, estudada pela pesquisadora foi profundamente modificado pelo papel dos sindicatos de trabalhadores rurais e outras organizações, devido à capacidade dessas organizações de canalizar para a região políticas de crédito e programas de fomento para a agricultura familiar.

A identificação e análise das iniciativas de organização da produção segundo novas

orientações baseadas na sustentabilidade é uma ação fundamental para que as políticas

de desenvolvimento sustentável tenham como matriz as experiências já bem sucedidas.

A atividade econômica sustentável é um processo integrado à conservação do meio

ambiente, como forma de viabilizar financeiramente as populações tradicionais sendo

também uma forma de financiar o pagamento dos serviços ambientais.

Nos últimos dez anos surgiram diversas experiências de manejo sustentável de produtos dos ecossistemas amazônicos. A maioria das novas experiências se estruturou para a produção e comercialização de produtos da biodiversidade local. Estas experiências são

os principais demandantes de políticas de desenvolvimento sustentável

Uma das experiências especialmente relevante é a Cooperativa Agroextrativista de Xapuri no Acre. Esta cooperativa organiza a produção e comercialização da região em que se encontra a Reserva Extrativista Chico Mendes que ocupa a área de antigos

seringais, habitada por seringueiros e baseada na extração e beneficiamento da castanha.

A cooperativa conta com o apoio de diversas organizações populares como o Conselho

Nacional dos Seringueiros CNS e do Centro dos Trabalhadores da Amazônia CTA. Financiamentos externos permitiram a construção de infra-estrutura necessária para o beneficiamento da castanha. Outras ONGs, entre elas o extinto Instituto de Estudos Amazônicos IEA, deram importantes contribuições principalmente para a exportação para os mercados norte-americano e europeu. O Centro Nacional de Desenvolvimento Sustentado das Populações Tradicionais (CNPT), do IBAMA, argumenta que outras experiências de comercialização de produtos oriundos da exploração extrativa de populações tradicionais vêm sendo conduzidas por cooperativas, como a produção de

couro vegetal em Boca do Acre a Associação das RESEX do Rio Cajará (Amapá) e Ouro Preto (Rondônia), baseadas na produção e comercialização da borracha e

castanha, representam a continuidade do movimento iniciado em Xapuri. Curralinho, em Marajó, voltada para a produção e comercialização do açaí, conta com o apoio de ONGs, de órgãos governamentais por meio da EMBRAPA/CNPT/Secretaria Estadual

de Indústria e Comércio, bem como do Sebrae. A Caixa Agrícola do Araras (CAAS),

localizada em São João do Araguaia-Marabá, que com a participação do Centro de Educação, Pesquisa e Assessoria Sindical Popular (CEPASP), visa a produção de cupuaçu, embora não haja registro sobre a origem dos pequenos produtores que aí atuam. Essas organizações receberam grande volume de recursos e conquistaram importantes mercados, mas a grande fragilidade na gestão limita as possibilidades de sustentabilidade e crescimento das experiências.

O sindicalismo rural do norte vem desenvolvendo experiências de produção sustentável,

com iniciativas na organização da comercialização. Em Rondônia, alguns sindicatos estão participando de projetos do PD/A em comunidades rurais, com atividades de

piscicultura, apicultura e sistemas agroflorestais. Exemplos desses projetos são o projeto

da APA, projeto de produção e manejo sustentável e comercialização e o Projeto Padre

Ezequiel, de formação, assessoria e verticalização da produção. No Pará, destacam-se as experiências da COMAG, para verticalização da produção juntamente com o trabalho

de

formação técnico profissional, o Mutirão Agroextrativista, a AMTBAM, associação

de

mulheres para a produção de artesanato, a AMC, associação para a industrialização

de polpas, o CAT, órgão que faz pesquisas e introdução de novas tecnologias, as colônias de pescadores, articuladas conjuntamente pelo movimento sindical e pelo MONAPE (Movimento Nacional de Pescadores), que organizam a industrialização de pescados, e a experiência do Tabuleiro de Tartarugas, para a preservação dos quelônios,

reprodução, povoamento e consumo. No estado do Amazonas, destacam-se o Projeto Mamirauá, para a preservação de lagos, o Projeto Água Verde, para reflorestamento e o Projeto Sagrado Coração, para implantação de sistemas agroflorestais.

A maior parte dos projetos aprovados no âmbito da cooperação entre o Governo

brasileiro e o G7 no Programa Piloto para Conservação da Floresta Tropical Brasileira (PPG-7) e subprograma Projetos Demonstrativos tipo A (PD/A) insere-se dentro desse grupo de experiências.

A avaliação das experiências de comercialização nos projetos financiados pelo PD/A

evidencia que a desorganização da produção é o principal fator limitante para que estes produtores insiram com estabilidade seus produtos no mercado. Além dos problemas de regularidade e qualidade na oferta dos produtos, são citados ainda como desafios a serem superados o excesso de burocracia para a legalização, o registro e licenciamento dos produtos e dos estabelecimentos, a falta de infra-estrutura, principalmente energia. Do ponto de vista da gestão dos negócios, as maiores limitações são o pequeno aproveitamento das estruturas já instaladas, a necessidade de centralização de serviços de comercialização, principalmente para as atividades de marketing, diagnósticos e definição de estratégias de mercado. Alguns projetos apoiados pelo PD/A apontam como necessária a criação de centrais de comercialização e a integração dos projetos nas regiões para viabilizar o processo de produção e comercialização.

O Projeto RECA, no Acre, iniciou entre 1988 e 1989 por iniciativa de lideranças rurais de Nova Califórnia que iniciaram a discussão sobre um modelo alternativo de desenvolvimento para a região. Inicialmente os órgãos governamentais não se dispuseram a colaborar e a comunidade encontrou apoio em lideranças originárias da Diocese de Rio Branco e da CPT. Com financiamento de uma agência internacional o projeto RECA foi dividido em três subprojetos: organização dos produtores, implantação de culturas, comercialização e industrialização. A experiência do RECA na comercialização do cupuaçu iniciou-se em 1991. O primeiro beneficiamento foi manual realizado com o uso de tesouras. Na etapa seguinte foi adquirido uma despoupadeira e construído um barracão para o beneficiamenteo da produção. O cumprimento das

exigências do Ministério da Saúde e da Agricultura e a autorização da Vigilância Sanitária foi o passo posterior. A comercialização da polpa congelada aumenta os custos

de transporte e as exigências técnicas quanto a manutenção da temperatura. Os custos

ainda são altos e a demora para negociar a produção encarece ainda mais o produto. Para agilizar o processo de comercialização o projeto tem buscado profissionais para atuarem como representantes comerciais e dinamizar as vendas.

Outra experiência importante é a de Gurupá, no estado do Pará. Nesta região, por iniciativa da FASE desenvolve-se o Programa Gurupá. O Programa é executado em parceria com organizações representativas locais como o Sindicato dos Trabalhadores Rurais, associações de produtores e governo. O objetivo é realizar ações organizadas a fim de executar e demonstrar a viabilidade de modelos de exploração sustentável dos recursos naturais. A experiência na área da comercialização realiza-se por meio do Projeto Bem-Te-Vi. O benefício para os produtores é a assistência técnica das ONGs além da possibilidade de eliminar o intermediário na venda dos produtos. A construção

de fábrica de palmito no local também permitiu a adição de valor ao produto final. A

experiência de Gurupá é interessante porque articula um conjunto de programas que

desenvolvem de forma articulada políticas produção e industrialização, apoio a regularização fundiária, comercialização e programas de alfabetização.

Além das organizações de produtores em cooperativas e associações, diversos técnicos e lideranças locais têm apontado as feiras como alternativas importantes para comercialização dos produtos da floresta. Um volume significativo de produção é comercializado em feiras próximas aos produtores nas pequenas cidades principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Outras experiências nacionais ou internacionais como a organização da Expo Amazônia pelo GTA em São Paulo, a Feira da Produção Familiar

da Amazônia organizada pelo movimento sindical rural e feira internacionais dos

projetos PD/A e Banco Mundial inserem-se também dentro desta perspectiva. As feiras atingem três objetivos relevantes: i) comercializam diretamente a produção; ii) divulgam e promovem os produtos da floresta como alternativas sócio-ambientais sustentáveis; e iii) facilitam negócios entre compradores e vendedores. A experiência das feiras demonstra, entretanto que elas podem ser melhor aproveitadas desde que sejam contornados alguns pontos identificados como falhos nessas atividades. Muitas vezes, as estruturas de conservação dos produtos expostos não são adequadas, principalmente para aqueles produtos comercializados que exigem congelamento ou resfriamento. Muitos produtos não contam com um processo de rotulagem adequado às exigências para a comercialização e não informam o consumidor sobre a procedência, as características do produto e a apresentação do produto muitas vezes não valoriza o seu conteúdo.

Outra experiência de grande relevância é aquela realizada por meio da organização das Quebradeiras de Coco de Babaçu. Na região dos cocais no Maranhão uma parcela da produção de coco de babaçu está integrada com grades firmas produtoras de cosméticos. Uma dessas experiências teve início em 1994 e contou com o apoio de uma ONG americana chamada Cutural Survival. Esta ONG começou a comprar o óleo bruto de babaçu feito a partir de prensagem manual pela Cooperativa dos Pequenos Produtores

de Lago do Junco (Coppalj) para a cadeia de cosmético da firma inglesa The Body

Shop. A experiência exitosa levou a Body Shop a fazer o contrato de compra diretamente com a organização dos produtores. O óleo sai do porto de Fortaleza para

Roterdã (Holanda) onde é refinado e embarcado para a fábrica da Body Shop na Inglaterra e usado para a fabricação de produtos conhecidos internacionalmente como Ananya Lotion, SPF30 liptsticks e White Musk lotion.

A Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais (AMTR) organiza também a

produção de coco de babaçu. A AMTR foi responsável pela instalação de uma fábrica

de sabonete glicerinado de babaçu e exporta sua produção para a empresa americana

naturalista Pacific Sensuals Inc. A aceitação do óleo de babaçu é reforçada pela certificação de qualidade expedida pelo Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural (IBD) de Botucatu.

Grandes empresas também estão articulando redes de comercialização e informação de mercado de produtos florestais. A criação da Bolsa Amazônia é fruto de uma parceria entre a Mercedez Benz e o Poema Programa Pobreza e Meio Ambiente na Amazônia da Universidade Federal do Pará. Esta iniciativa se orienta pela crescente demanda por alimentos produzidos sem o uso de agrotóxicos, pela demanda por matérias primas para as indústrias farmacêuticas, de cosméticos e de outros produtos industriais. Os objetivos

da Bolsa da Amazônia são a identificação dos perfis da demanda de produtos naturais, as condições atuais e potenciais da oferta regional, a promoção e intermediação de relações comerciais entre representantes da demanda e da oferta, a capacitação dos agentes do programa para ampliar as suas escalas e a agregação de valor à sua produção e ampliar a articulação das ações entre agências para o apoio técnico, financeiro e mercadológico de iniciativas produtivas.

Estas iniciativas são inovadoras com relação ao sistema de comercialização tradicional, principalmente porque apresentam um maior potencial de gerar processos de investimento na implantação de indústrias modernas na região. Além disso, modificam- se também as relações comerciais tradicionais, para sistemas mais modernos de integração entre indústria e produtores. Esta inovação, porém, apesar de oportunizar melhores condições de mercado, renda e emprego para as regiões onde se situam, são limitadas por se tratarem de sistemas de produção muito intensivos, viabilizando um pequeno número de produtores. Um dos principais entraves ao fortalecimento destas experiências é a falta de estudos sistemáticos que ajudem os agentes a avaliar e formular políticas adequadas. Além disso, estes projetos apresentam níveis muito dispersos de investimento tecnológico e sustentabilidade, há uma grande fragmentação de projetos desarticulados entre si, a sua sustentação financeira está ancorada nos mercados locais e existe uma grande debilidade gerencial.

Há um relativo consenso entre os produtores, técnicos e assessores de que um dos problemas, especialmente relevante na produção e comercialização de produtos florestais não madeireiros, está relacionado com a organização da produção. Entendida como o processo que vai da colheita, passando pelo beneficiamento e pela industrialização, até a oferta dos produtos em qualidade e quantidade constante. O grau de organização da oferta é diferente em cada produto e depende de vários fatores. Os mais importantes estão relacionados com à forma de produção, cultivo ou extração, a integração da produção à indústria processadora ou a firmas especializadas em determinados nichos de mercado e às características de industrialização e beneficiamento dos produtos.

6. Conclusões

O processo de desenvolvimento por que passa a região Amazônica é caracterizado por

uma das situações mais problemáticas e contraditórias do País. Um intenso e acelerado processo de dinamização econômica que se baseia, porém na exploração dos recursos naturais, no uso de recursos públicos subsidiados, na fragilidade do poder público e na desigualdade social. As principais atividades econômicas da região: mineração, pecuária, soja e indústria, bem como os investimentos em infra-estrutura a elas direcionados têm sido responsáveis pelo forte crescimento econômico da região, que

não se traduzem porém, em resultados sociais, em termos de renda, emprego e serviços públicos.

Duas características do desenvolvimento da Amazônia são os principais fatores dessa contradição entre crescimento econômico, degradação ambiental e desigualdade. Em primeiro lugar uma concentrada estrutura produtiva e de mercado, que faz com que os benefícios do crescimento econômico não sejam acompanhados de um processo proporcional de distribuição de renda e geração de empregos.

O segundo fator é uma grande fragilidade institucional, caracterizada especialmente,

pela ineficiente capacidade do Estado em fiscalizar e coibir as ações ilegais, a falta de

direitos de propriedade bem estabelecidos, especialmente com relação à terra e a existência de insuficientes instrumentos de incentivos a práticas de desenvolvimento sustentável.

O cenário começa lentamente a mudar através de um pioneiro e crescente esforço institucional para implementar políticas de desenvolvimento sustentável na Amazônia, sobretudo através da formação de fóruns com a participação de diversos segmentos da sociedade para o debate dos rumos do desenvolvimento, como o exemplo do Consórcio pelo Desenvolvimento Socioambiental da BR-163, e articulações inter-institucionais como o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia e o Plano Amazônia Sustentável.

Além disso, um conjunto de políticas necessitaria ser articulado para que as iniciativas ainda isoladas de desenvolvimento sustentável pudessem adquirir uma dimensão regional expressiva. A principal estratégia é que os projetos governamentais gerassem estruturas produtivas integradas a processos territoriais de planejamento estratégico. Para isso precisa ser estimulada a ação de vários atores sociais em torno de projetos territoriais de desenvolvimento. O setor privado poderia ser envolvido, através da adoção de políticas de responsabilidade sócio-ambiental das empresas e a formação de ambientes mais favoráveis aos negócios e mais adequados às condições sociais e ambientais locais. O conhecimento mais profundo da realidade local para isso é fundamental e pesquisas e desenvolvimento de tecnologias adequadas precisa ser incentivado.

Por último, ampliação e descentralização da oferta de serviços públicos como assistência técnica, pesquisa e crédito seria fundamental para o desenvolvimento de empreendimentos de pequeno porte, e fortalecimento da capacidade de gestão dos

empreendimentos articulados a projetos de desenvolvimento sustentável e fortalecimento de arranjos institucionais inovadores que criem novos canais de acesso aos mercados. A ação dos bancos nesse caso é fundamental. Estabelecer sistemas de governança que estimulem a racionalidade econômica, o empreendedorismo, a inovação e a responsabilidade social e ambiental deveriam fazer parte dos princípios básicos das linhas de crédito tanto para pequenos como para grandes empreendedores.

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