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LinhaFina

Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo da Faculdade Pitágoras Londrina-PR | Ano 2 Ed. 4 | Julho-Agosto de 2009

Barbosa quer ser


cobrado pelos
seus atos
Eleito no terceiro turno da eleição muni-
cipal, com o apoio de políticos tradicionais,
como Antonio Belinati (PP), o jornalista
Barbosa Neto (PDT) quer mostrar que vai
fazer uma administração diferente das ges-
tões do seu aliado. Em entrevista concedi-
da a estudantes de Jornalismo da Faculda-
de Pitágoras, Barbosa falou sobre o que
pretende fazer nos três anos e meio em que
ocupará o cargo de prefeito.
(páginas 10, 11 e 12)

orgânicos Problema urbano meio ambiente

Mercado de produtos Superpopulação Usina de compostagem


orgânicos cresce e abre de pombos vira comprada pela
espaço para produtores pesadelo urbano prefeitura há 13 anos
regionais em Londrina ficou obsoleta
(página 5) (página 14) (página 15)
2 LinhaFina Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009

EEditorial O Opinião
Tempos de transição
Em menos de um ano Londrina teve um processo eleitoral
traumático, com três turnos e três prefeitos diferentes. Da
vitória de Antonio Belinati (PP) em 26 de outubro, cancelada
dois dias depois pelo Tribunal Superior Eleitoral - que cassou
o registro da sua candidatura - até a posse de Barbosa Neto
(PDT), no feriado de 1º de maio, a política municipal percor-
reu um caminho até então desconhecido. O período foi mar-
cado por uma interinidade de quatro meses e pelo chamado
“terceiro turno”, que foi a solução definida pelo Judiciário
para resolver o impasse.
Foi um período marcado por incertezas e por uma campa-
nha eleitoral dura, na qual segundo e terceiro colocados do

Natália Lima castro


primeiro turno voltaram à arena política. Parte desse perío-
do, que deixará suas marcas na História de Londrina, está
registrada nesta edição do Linha Fina através de duas entre-
vistas, que também entrarão para a História do nosso curso
de Jornalismo. A primeira com o então prefeito interino José
Roque Neto (PDT), o Padre Roque, que recebeu o nosso re-
pórter para uma conversa transformada no que chamamos
no jargão profissional de entrevista “pingue-pongue” (com Manifestação de jornalistas na Câmara de Vereadores de Londrina.
perguntas e respostas). A segunda, com o novo prefeito, uma
semana antes da sua posse. Barbosa Neto se dispôs a vir ao

O quarto poder em risco


campus da Faculdade Pitágoras para dar uma entrevista co-
letiva aos alunos do curso, reproduzida nas páginas centrais
desta edição.
Nas duas entrevistas, duas interessantes lições de jorna-
lismo. Pela possibilidade de com informações “quentes” da Valero Junior não seria necessário diploma cursos com extensão equiva-
agenda da cidade e também pela importância de dialogar A ideia do jornalista como de jornalismo para atuar lente ao mestrado e com
com fontes que comandam a prefeitura. agente fiscalizador da socie- como tal. Defendem que a mais de metade da carga ho-

E
dade e comprometido com a exigência do diploma mina a rária ocupada por discipli-
verdade, deu à imprensa o liberdade de expressão dos nas técnicas”.

Expediente título de “quarto poder”. Po-


rém, essa imagem pode ser
fragilizada dependendo da
cidadãos comuns. Querem
que a profissão de jornalista
se torne apenas uma pós-
Portanto, nossos minis-
tros e a sociedade devem to-
mar cuidado com as inten-
decisão de nossos ministros. graduação ou especialização. ções dos interessados em
O jornalismo pode voltar a Qualquer pessoa diplomada acabar com a exigência da
ser o chamado “publicismo” em um curso superior esta- formação jornalística. Sécu-
do século XVIII, quando a ria apta ao jornalismo. los de estudos não devem ser
burguesia utilizava a im- Nilson Lage já defendia simplesmente subjugados e
prensa como ferramenta na em seu livro “A Reportagem: descartados. Já passamos
luta pelo poder. “No Brasil, teoria e técnica de entrevis- por essa situação durante a
Faculdade Pitágoras Unidade Metropolitana certamente, os empresários ta e pesquisa jornalística” ditadura. Jornalistas silen-
de mídia continuam a defen- uma formação específica. “A ciados e torturados pelo in-
Rua Edwy Taques de Araújo, n. 1100 CEP 86047-790 der seus interesses como se responsabilidade envolvida teresse de um regime cruel.
Gleba Palhano Londrina-PR estivéssemos nos tempos da no tráfego de informações, a “Qualquer defensor de uma
Fone: (43) 3373-7333 velha doutrina liberal (que, sofisticação tecnológica e a sociedade democrática, por
de fato, nunca vivemos)” es- relevância do direito dos ci- mais (neo)liberal que se rei-
www.faculdadepitagoras.com.br/metropolitana creveu Venício A. de Lima dadãos à informação indi- vindique, concorda que a
em seu artigo “A responsabi- cam a necessidade de estu- tortura ou toda forma de to-
LinhaFina é um jornal laboratório do Curso de lidade social da mídia” pu- dos demorados para a prática talitarismo é humanamente
Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. blicado no site Observatório do jornalismo...” cita Lage. injustificável,...”, trecho do
da Imprensa. Ele até concorda com uma artigo “Imprensa, memória
Tiragem: Alguns desses “empresá- formação profissional pós- e os arquivos da ditadura”
1000 exemplares rios de mídia” defendem que graduada, ”desde que em por Sérgio Luiz Gadini.

A
Impressão:
Gráfica Jornal de Londrina
Diretor Geral do Campus
Professor Tarcisio Manso Vilela Artigo
Coordenador do Curso de Comunicação
Prof. Hertz Wendel de Camargo
Coordenação Jornalística Governo analisa mudanças
na caderneta de poupança
Prof. Fabio Silveira (mtb 3361-PR)
Coordenação de Projeto Gráfico
Prof. Sérgio Mari Jr.

Redação: Camilla Ribeiro O presidente Lula afirma que a mudança


Alunos do curso de Jornalismo da Faculdade Após seguidos cortes na taxa de juros, o go- teria como objetivo proteger os pequenos in-
Pitágoras de Londrina verno brasileiro analisa possibilidades de mu- vestidores, pois para ele, a poupança tem que
dança na remuneração da caderneta de pou- ser usada por quem precisa dela e não por
Diagramação: pança. Devido à crise mundial, o Brasil seguiu grandes investidores que devem ter outros
Aime Barboza Janaina Portello a onda dos cortes de juros e reduziu para focos.
Alessandra Cristina Jane Marques 11,25% a taxa selic, cortando 1,5%. Com isso, Na realidade, a maior preocupação rela-
Aline Bertoldo Marcos da Cruz a rentabilidade da poupança superou alguns cionada ao assunto não está voltada para os
Amanda Petri Mariana Gatzk fundos de investimentos. Para o governo esta pequenos poupadores, mas para o prejuízo do
Ana Luiza Gama Mayara Teles é uma situação preocupante, pois haverá uma governo ao deixar de arrecadar impostos vin-
Camilla Barboza Nadia Barcellos tendência de migração do dinheiro dos fundos dos dos grandes investimentos.
Daniele Machado Pablo Fares para a poupança, o que reduziria as arrecada- O governo erra ao tentar demonstrar que
Davi Baldussi Patricia Magalhães ções dos impostos pagos por estes fundos que seu maior interesse é proteger os pequenos
Emily Gusmão Sinésio Brito movimentam a economia em vários setores. investidores, sendo que o motivo real é a se-
Isabela Tacaki Valdemar Loredo Os investimentos da poupança significam di- gurança do próprio governo e não do poupa-
Janaina de Oliveira Valentino Valero nheiro parado para o Estado. dor, como vem declarando o presidente Lula.
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Reforma ortográfica tenta
unificar o português
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Aumenta a procura por
produtos orgânicos
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Stress tira profissionais da

Geral
saúde do trabalho
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Uma luta sem fim


Dia do Trabalho

Uma história de luta que Durante muitos anos as mulheres


não deve ser esquecida buscam seu espaço perante sociedade,
mas essa parece ser uma luta sem fim
Caroline Moretti criança, uma apaixonada
A luta das mulheres em pela política”, relata. “Lem-
busca de seus direitos e um bro-me das reuniões, visitas
maior espaço na sociedade é e mobilizações que as mu-
um assunto antigo. O marco lheres faziam e eu sempre
dessa luta foi uma greve das ao lado de minha mãe”, pros-
operárias de uma fábrica de segue.
tecidos na cidade norte-ame- Ela também diz que as
ricana de Nova Iorque, no dificuldades e preconceitos
dia 8 de março de 1857 pela por ser mulher se acentua-
redução da jornada de traba- ram mais dentro do exercício
lho e equiparação salarial, do mandato do que durante
manifestação que foi dura- o processo eleitoral, “por ser-
mente reprimida. O resulta- mos minoria na Câmara
do foi o assassinato de 130 Municipal de Londrina, so-
mulheres, que morreram mos alvos de discrimina-
carbonizadas dentro da fá- ção”.
brica. Sandra Graça conta que
Mais de 100 anos se pas- conquistou seu prestígio e
Valero Junior

saram. A jornada de traba- lugar aos poucos dentro e


lho diminuiu, mas persis- fora da política. Durante 10
tem as diferenças salariais anos foi gerente geral da
entre homens e mulheres Caixa Econômica Federal,
em alguns segmentos. Com deixou a gerência para atuar
certeza uma das maiores na política, mas hoje ainda
conquistas alcançadas por se divide entre o trabalho na
elas, foi o direito ao voto e a Caixa e o mandato de verea-
Valero Junior No dia 1º de somente 20 anos depois, já participação política. Essa dora. E no que se diz respei-
O Dia do Trabalho foi no início do século XX é que luta não foi fácil e ainda to à luta e a situação das
marcado por conflitos e tra- maio de 1886, os países europeus vão co- não chegou ao fim. Hoje, as mulheres hoje, Sandra Gra-
gédias. Os primeiros movi- milhares de meçar a conquistar essa jor- mulheres ainda são mino- ça comenta: “por mais que os
mentos ocorreram nos Esta- nada de oito horas. E assim ria na política, mesmo com tempos evoluam, nós mulhe-
dos Unidos. Trabalhadores trabalhadores da consagrar as suas constitui- os partidos sendo obrigados res teremos sempre uma jor-
das indústrias de Chicago industrializada ções do direito ao lazer e a reservar 30% das vagas nada ampliada, pois conci-
reivindicavam melhores con- educação. “É legal que o slo- para candidatos em chapas liamos no mínimo trabalho e
dições de trabalho. Uma gre- Chicago foram gan da greve de 1886 ainda proporcionais para as mu- família”.
ve geral foi instaurada no às ruas. é uma luta contínua. Oito lheres.
país. No Brasil, o processo de horas de trabalho, oito horas Nas eleições para a Câ-
Caroline Moretti

industrialização só foi apro- morte. “Você tem lá debates e de repouso e oito horas de mara de Londrina, realiza-
fundado entre as décadas de negociações que foram traba- educação”, explicou Rossi. das em 2008, apenas duas
1920 e 1930, na era Vargas. lhadas durante dois anos e O sociólogo explica que, no mulheres foram eleitas. As
No dia 1º de maio de 1886, somente depois veio se defla- Brasil, a economia nessa épo- duas representam, 10,5%
milhares de trabalhadores grar e conflagrar uma greve”, ca era basicamente agrícola. dos vereadores, embora o
da industrializada Chicago lembrou Rossi. Ainda havia uma cultura es- eleitorado feminino de Lon-
foram às ruas. Além de me- Segundo Rossi, em 1891, cravocrata. Por isso ainda não drina seja superior a 50%.
lhores condições, queriam re- cinco anos depois, a Interna- existia uma organização dos Sandra Graça (PP), a pri-
dução da jornada de trabalho cional Comunista, que na- trabalhadores, “salvo alguns meira mulher a ser eleita
de 13 para 8 horas. De acordo quela época ainda era Asso- tipos de organizações anar- três eleições consecutivas.
com o sociólogo Marco Rossi, ciação Internacional dos quistas que já trabalhavam Ela diz que entrou na políti-
foi uma luta longa. Durante Trabalhadores, declarou o em alguns centros como São ca influenciada por seus
as manifestações os grevistas dia 1º de maio, Dia Interna- Paulo e Rio de Janeiro. Mas pais. “Nasci num lar onde
acabaram entrando em con- cional do Trabalhador. “Foi muito menos do ponto de vis- meus pais sempre participa-
flito com a polícia. Milhares uma homenagem aos márti- ta da organização da classe ram ativamente da política e
ficaram feridos, muitos fo- res de Chicago, mas sobretu- trabalhadora e muito mais este convívio diário com a
ram presos e cinco trabalha- do à luta dos trabalhadores”. como cultura anarquista de democracia e a política sau-
dores foram condenados à Marco Rossi ressalta que difusão de ideias”. dável me fizeram, desde Vereadora Sandra Graça, PP
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Geral Educação

Matrículas no ensino superior caíram 10%


Camila Ribeiro alunos em questão da pró-
O número de alunos ma- pria sobrevivência”.
triculados em universidades Veloso cita ainda os jo-
caiu em todo o país, segundo vens que terminam o ensino
dados do Instituto Nacional médio, mas não optam nem
de Estudos e Pesquisas Edu- pela universidade pública e
cacionais Anísio Teixeira nem pela privada e uma por-
(INEP). Os números mos- centagem grande que termi-
tram que as Instituições de na no máximo a educação
Ensino Superior (IES) en- básica e não continuam.
frentaram uma queda de “Existem vários aspectos
10% nas matrículas, compa- que permeiam e que levam a
rado o período de 2006 para essa diminuição. A baixa
2007. A maior parte tem se qualidade de ensino também
concentrado nas instituições é um dos aspectos que con-
particulares. Para especia- tribuem para a desistência
listas no assunto, esta é uma do ingresso ao ensino supe-
consequência de diversos fa- rior”, explica.
tores sociais que vêm se mo- Para Veloso, a criação de
dificando ao longo de alguns cursos profissionalizantes
anos. A principal causa colabora para este cenário.
apontada é a mudança de- “Os cursos profissionalizan-
mográfica do país que está tes também estão na lista
ligada diretamente às esta- dos fatores que empurraram
tísticas da educação. o número de matrículas para
Valdecir da Conceição a sua redução nos últimos
Veloso, diretor de assuntos anos”, avalia. “O papel da
escolares do sindicato dos universidade é muito impor-
Camila Ribeiro

professores das escolas par- tante, justamente porque


ticulares de Londrina e Nor- ela não é apenas formadora
te do Paraná (SINPRO), da mão de obra para o mer-
confirma esta realidade: cado de trabalho. O papel da
“temos a proporção da dimi- escola e da universidade é
nuição do número de filhos, mais do que isso, é ajudar a
logo de alunos, e o aumento formar indivíduos mais com- sultando no aumento das
“Janela demográfica” influencia na
do abandono das escolas em prometidos socialmente”, vagas ociosas que chegam a redução do número de matrículas
razão de fatores sociais afirmou. O número de alu- 1.341.987 em todo o Brasil.
como a necessidade de ter nos na educação profissiona- A educação básica pu- Camila Ribeiro
que trabalhar para comple- lizante subiu de 693.610 em xou a queda de estudantes, Um fator crucial para a redução do número de matrículas nas univer-
mentar a renda familiar”, 2007 para 795.459 em 2008. sidades brasileiras é o período de “janela demográfica” vivido pelo país.
resultando numa redução
Ou seja, há a diminuição da taxa de natalidade, fazendo com que a popu-
explicou. Segundo ele, “tam- Destaca-se ainda, que o de 35.573 alunos no ensino lação infanto-juvenil caia. Este fenômeno explica as quedas nas taxas de
bém existe a forte influência número de vagas oferecidas fundamental e 3.269 no matrículas do ensino básico, levando às mesmas consequências o ensino
do tráfico em algumas regi- teve um crescimento despro- ensino médio nos últimos superior, pois estes alunos seriam universitários em potencial.
ões, que acaba agenciando porcional às matrículas, re- dois anos.

Reforma ortográfica tenta unificar o português


Janaina Oliveira r ou s, depois de prefixos Para a aluna do 2º ano do
Camila Ribeiro

A língua portuguesa é a como mini, maxi, semi, sub, Ensino Médio, Daniella Bal-
sétima mais falada no mun- agro, anti, auto, contra e ex- duino, a mudança está cau-
do, ficando atrás apenas dos tra dobra-se o “r” e “s”. sando alguns problemas: “eu
idiomas chinês, hindi, in- Exemplo: mini-saia agora é já era acostumada de um jei-
glês, espanhol, bengali e minissaia, isso mesmo, sem to, agora tenho que acostu-
árabe. Ao todo, são oito os hífen e com dois “esses”. mar de outro. Claro que mu-
países que têm o português Outra novidade são os dar é bom, mas enquanto
como idioma oficial - Portu- acentos agudos (não mais não me adapto ainda estou
gal, Brasil, Cabo Verde, São utilizados) nas paroxítonas achando ruim”.
Tomé e Príncipe, Angola, que continham éi e ói (jibóia Já a professora de gra-
Moçambique, Guiné-Bissau fica jiboia e platéia vira pla- mática, Roberta Tomuya,
e Timor-Leste-, totalizando teia). Os acentos circunfle- aprovou a reforma: “toda re-
mais de 230 milhões de fa- xos, das palavras termina- novação é positiva. Essa re-
lantes no planeta. das em êem e ôo e os forma com certeza veio para
Mas desde sempre ela so- diferenciais de verbos como facilitar nossa vida. Antiga-
freu transformações. Uma parar e coar também caíram. mente nossos avós não fala-
prova disto é a Reforma Or- Agora enjôo passa a ser en- vam voismecê? Agora fala-
tográfica da Língua Portu- joo e crêem fica creem. Pára, mos apenas você, e acho que
guesa, que está em vigor presente do imperativo, pas- mais para frente nossos ne-
desde o dia 1º de janeiro des- sa a ser para igual à preposi- tos falarão apenas ‘cê’. Pare-
te ano. Alterando quase 1% ção. A diferenciação agora ce estranho, mas é assim”.
do vocabulário brasileiro, a será pelo contexto. As mu- Como a mudança ainda é
reforma trouxe novidades danças valem apenas para a recente, ela gera algumas
quanto ao uso do trema – ele forma de escrever. A pro- dúvidas na hora de escrever. registradas as novas formas do Haddad, disse que o voca-
não é mais utilizado – e tam- núncia continua a mesma. Para facilitar isso, a Acade- oficiais da escrita. Com mais bulário ortográfico será
bém as colocações do hífen – Ah! e não esquecendo tam- mia Brasileira de Letras de mil páginas, os primeiros distribuído nas 200 mil esco-
agora microondas se escreve bém: o alfabeto ganha mais (ABL) já disponibilizou des- exemplares já chegaram a las públicas do país. De acor-
com hífen (micro-ondas). três letrinhas: k, y e w, ten- de o dia 19 de março o Voca- Brasília e foram direto para do com o ministro, todas re-
Quando as palavras seguin- do agora 26 letras na sua bulário da Língua Portugue- o Palácio do Planalto. O mi- ceberão, pelo menos, um
tes ao hífen começarem com composição total. sa (VOLP) no qual estão nistro da Educação, Fernan- exemplar.
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SUSTENTABILIDADE

Daniele Machado
Aumenta
procura por Loja comercializa cerca de 500 produtos

Produtos Orgânicos
Daniele Machado a levou entrar neste ramo foi muito simpáticas”, comple- mite que a qualidade é in- sábados e domingos, quando
O mercado de orgânicos a necessidade de melhorar a menta. comparável. “Tudo que não aumenta a frequência no
cresce a cada dia e abre es- alimentação de sua família. Mesmo com este cresci- se encontra em outros mer- mercado Shangri-Lá. Segun-
paço aos produtores da re- “Quando comprei a loja, ela mento, muitas pessoas ain- cados, se encontra lá, mas do Érica, fica difícil calcular
gião. Em Londrina, a loja já existia há três anos no da deixam de comprar os por um valor bem mais alto, quantas pessoas passam por
Orgânica Alimentos, locali- mercado e tinha estabilida- produtos comercializados no o que impossibilita muita dia na Orgânica Alimentos.
zada no Mercado Municipal de. Tive curiosidade de co- Mercado Shangri-Lá, pelo gente de adquirir produtos A Orgânica Alimentos
Shangri-lá, comercializa nhecer os produtos e seus preço relativamente alto. de qualidade, como os que atende de segunda à sábado,
aproximadamente 500 pro- benefícios. Gostei do resul- Elaine Gomes, a moradora são vendidos lá”. das 8h às 19h e aos domin-
dutos orgânicos e 250 natu- tado e resolvi entrar nesta do Jardim Ideal, afirma que A funcionária Érica Fran- gos, das 8h às 12h, na rua
rais, desde chás medicinais área também”, relata. raramente consegue com- cisca da Graça, diz que o mo- Visconde de Mauá, 168, box
até cereais, ovos, frutas, car- O analista de relaciona- prar algum produto, mas ad- vimento maior da loja é aos 69/70.
nes, legumes e produtos de mento com clientes, Plínio
limpeza. Eduardo Petroli, é cliente da
Rosana de Andrade, 35 loja há dois anos e disse que
anos, dona da Orgânica Ali- sempre teve bons resulta-
mentos, acredita que este
mercado tem tudo para dar
certo e diz que sua loja conta
dos. “O brócolis que compro
aqui na Orgânica é o melhor
que já encontrei na cidade”,
Portabilidade numérica
atinge todo o Brasil
com vários clientes fieis. elogia Petroli.
“Tenho clientes que apare- Já a empregada domésti-
cem por aqui toda semana ca, Marizete Oliveira, não é
procurando por chás e tam- consumidora direta, mas
bém produtos de limpeza da compra os produtos para a Aíme Lima do setor e que tem como base portabilidade por ter se ar-
casa”, afirma. casa onde trabalha e acha A portabilidade numérica os números da Anatel. rependido de trocar de ope-
Segundo Rosana, a ideia importante a mudança nos chegou em Londrina em 1º O balanço da portabilida- radora.
de trazer estes produtos foi hábitos alimentares. Além de setembro do ano passado de em Londrina e no Brasil O principal motivo é a
iniciativa de profissionais da de gostar do ambiente agra- e em 2 de março de 2009, o ainda não pode ser medido qualidade do atendimento ao
área de pesquisa alimentí- dável da loja. “Venho com- Brasil todo tem acesso à por- com dados mais precisos, cliente, já que a Sercomtel é
cia, como forma de oferecer prar produtos para a minha tabilidade. Em seis meses de pois, as operadoras mantém uma operadora local e qual-
alimentos saudáveis aos patroa e gosto muito de con- portabilidade foram 18.581 estas informações em sigilo quer tipo de problema que o
consumidores. A comercian- versar com as meninas e com pedidos de transferência de absoluto. De acordo com o usuário tenha ele pode ir a
te comenta que o motivo que a dona Rosana. Elas são operadora na telefonia mó- coordenador do Grupo de uma das lojas da operadora e
vel no código 43, que abran- Portabilidade da Sercomtel, conversar com os atendentes,
ge aproximadamente 100 José Luiz Marussi, não hou- sem depender apenas do ser-
municípios. ve muitas diferenças até viço de atendimento ao clien-
O impacto da portabilida- agora. “Nos primeiros dois te por telefone. Segundo Ma-
de em algumas operadoras meses perdemos muitos russi, os clientes vêm para a
foi positivo, como é o caso da clientes que já planejavam loja para desfazer a mudança
Daniele Machado

Claro que obteve bons resul- sair da operadora e viram dizendo: “eu era feliz e não
tados. A Sercomtel Celular com a portabilidade uma sabia”.
não foi afetada e a Vivo foi a oportunidade para fazê-lo. O coordenador da portabi-
operadora que mais perdeu Já no terceiro mês tivemos lidade também admite que a
clientes. Mesmo assim, a uma mudança, clientes que empresa perdeu clientes de-
Vivo continua sendo a de- haviam mudado de operado- vido ao marketing poderoso
tentora de mais usuários. ra voltaram para a Ser- de algumas concorrentes. Al-
Em 2009, ela está com 45 comtel aproveitando a opor- gumas ofereciam aparelhos
milhões de clientes em todo tunidade de mudar de gratuitos e serviços bem van-
o país. Dados divulgados serviço sem precisar mudar tajosos. Mas, na avaliação
pela Anatel indicam que o o número do telefone”, relata dele, a operadora “pé verme-
Brasil começou o ano de Marussi. lho” conseguiu contornar a
2009 com 151,9 milhões de No código 43, a Sercomtel situação com mais campa-
celulares e uma densidade Celular fechou 2007 com 73 nhas na rua e o desbloqueio
de 79 celulares para cada mil usuários, e em 2009, co- gratuito de celulares no cal-
100 habitantes, segundo o meça o ano com 89 mil clien- çadão de Londrina e nos
site www.teleco.com.br, que tes. De acordo com Marussi, shop­pings, lugares de inten-
É um mercado que tem tudo para dar certo pertence a uma consultoria muitos clientes desfizeram a sa circulação de pessoas.
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Geral

Stress tira profissionais


de saúde do trabalho
Janaina Portello se do trabalho, por estar no Já para J. S., assistente
Dobras de turno, cansa- período crítico do stress emo- administrativo de enferma- As UTIs são os setores mais afetados
ço, sono, fome, dores pelo cional”. Segundo ela, “o tra- gem e funcionário de um
corpo e horas de trabalho de- tamento é lento e longo, o hospital de Londrina, o sin- Janaina Portello
Basta uma descarga de adrenalina no nosso organismo, e os bati-
masiadas são os sintomas de profissional retorna ao tra- dicato ”não estabelece um mentos cardíacos são acelerados (taquicardia), com a dilatação dos
um mal que tem atingido balho, mas assistido por ou- posicionamento em relação a brôn­quios os movimentos respiratórios aumentam (taquipnéia), e as-
cada vez mais os profissio- tro profissional”. essa situação”. “Ou seja, sim, palidez, sudorese e a respiração já ofegante juntamente com o des-
nais da área de saúde: o A exemplo de Juliana, mesmo sabendo da situação controle da pressão arterial caracterizam esta doença.
stress. Definido como um muitos profissionais estão do excesso de trabalho a que Com estes sintomas, os profissionais são intitulados de estressores
componente inevitável do afastados, por stress e inca- os funcionários estão subme- ocupacionais. O stress no trabalho, conhecido como burnout, caracteri-
atual modo de vida da popu- pacidade psicológica de exer- tidos (e tendo prova disto za-se como um conjunto de sinais e sintomas de cansaço ou esgota-
lação, principalmente nos cer a profissão. O problema através do registro do cartão mento físico e mental, acarretando abandono, mudança e até desliga-
mento do emprego, sendo as UTIs os setores onde mais se tem
grandes centros, o stress não escolhe faixa etária: ca- ponto emitido semanalmen-
profissionais afastados.
pode ser considerado tam- sos como os de uma mulher te) não toma providências O stress tem seus agravantes, mas atinge cada ser humano indivi-
bém um conjunto de reações de 22 anos, afastada por necessárias”. Talvez este dualmente. Na área psicológica ele sempre vem ligado à ansiedade e
físicas e psíquicas do orga- uma crise de depressão e ou- seja o motivo da alta rotati- angústia. Suas reações podem variar desde fadiga mental até o esgota-
nismo em resposta aos fato- tra de apenas 19 anos, que vidade de profissionais da mento mental, conhecido também como astenia crônica. Entre os tra-
res de agressão externa e as adquiriu síndrome do pânico área. “O índice de funcioná- tamentos recomendados estão: homeopatia, fitoterapia e acupultura.
emoções, sejam positivas e devido ao intenso stress e rios que estão afastados é Diante deste quadro questionamos: Qual é a capacitação ou auxílio
negativas. O profissional de pressão da profissão, são muito alto”, avalia. que estes profissionais recebem para o desempenho de suas funções?
saúde chega ao ápice do cada vez mais comuns na Para J.S., a solução seria
stress não conseguindo mais área de saúde. estabelecer o equilíbrio da jor- “O stress pode ser considerado também
ter uma vida social ativa. Segundo Juliana, o Sin- nada de trabalho. Ou seja:
Juliana Lobo, 32 anos, dicato dos Empregados em não exigir do funcionário algo um conjunto de reações físicas e psíquicas
técnica de enfermagem, afir- Estabelecimentos de Servi- que vai além de suas condi- do organismo em resposta aos fatores
ma que “geralmente, no iní- ços de Saúde (SinSaúde) não ções física e psicológicas, como
cio do quadro depressivo, o tem conhecimento das reais por exemplo o excesso da car-
de agressão externa e às emoções, sejam
profissional da saúde afasta- dimensões do problema. ga horária de trabalho. positivas e negativas.”

A mania nossa de cada dia


Nádia Barcellos fase “revoltadinha”, como mania não chega a causar
Andar sem pisar na risca, ela mesma diz, e desde então problemas na vida das pes-
roer unhas, tocar na guitar- não consegue mais se vestir soas, mas quando isso ocorre
ra imaginária. Manias, com outra cor. é preciso ficar atento.
quem não as tem? Podem ser No entanto, em determi- Samira do Prado conta
consideradas manias todas nadas situações essa excen- que tem mania de pisar em
as cismas e gostos esquisitos tricidade desperta a atenção folhas secas e muitas vezes
que possuímos sem algum das pessoas e acaba se crian- isso atrapalha sua vida. Ela
motivo especifico e que nos do uma imagem que não cor- conta que quando volta do
levam a agir de maneira ex- responde à realidade. “É in- trabalho à noite, mesmo com
cêntrica. Todos nós temos teressante ver o olhar das medo de ser assaltada e von-
aquele hábito de que não pessoas, algumas te avalian- tade de chegar logo em casa,
PUBLICIDADE conseguimos nos livrar ou o do, outras criticando e ou- para ficar pisando nas fo-
costume de que nos orgulha- tras ainda te olhando com lhas. “Já tentei parar, mas a
98 x 176 mm mos de ter. Algumas manias curiosidade, fora aquelas agonia me consome e fico
são secretas, impossíveis de pessoas que sempre pergun- pensando na folinha que eu
serem mostradas. Outras vi- tam: você é roqueira? Eu deixei pra trás”, conta.
ram a nossa marca registra- odeio quando me perguntam Para a psicóloga, Célia
da. Não se trata de transtor- isso!”, conta Erika. Candas, várias manias exis-
no obsessivo compulsivo Já no caso do estudante tem para dar sustentação a
(TOC), são apenas manias. de Publicidade Marcelo de certos desamparos. De acor-
Em alguns casos, de tão Mari, a mania chega a ser do com ela, são coisas que a
absurdas, elas chegam a ser motivo de constrangimento. gente cria inconscientemen-
engraçadas para os outros, Sempre que está em sua casa te para substituir as carên-
mas para o dono da mania é pega uma pitada de tempero cias que temos. “Uma pessoa
apenas parte de sua perso- pronto e fica saboreando. “Já que coloca tudo na boca não
nalidade. aconteceu de estar em casa passou da fase oral. Manei-
O problema é que há ris- de pessoas que não tenho ras de você se sentir seguro,
co de a mania virar motivo muita intimidade e chegar a tentativas de sustentar me-
de incômodo, como no caso pedir ‘você tem um temperi- dos, vazios e tédios. Aquilo
da estudante de Direito Eri- nho aí?’”, completa. Marcelo que foge ao controle deve ser
ka Aguiar que tem a mania diz que não sabe como a ma- contido. Se uma pessoa de-
de usar somente roupas pre- nia começou, nem por que tecta que a mania esta to-
tas, não importando a oca- continua, ele apenas  não mando conta de suas ações,
sião. Ela começou a se vestir consegue viver sem. deve se livrar dela assim que
assim com 13 anos naquela Na maioria das vezes, a perceber”, diz a psicóloga.
Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009 LinhaFina 7

Tabagismo

Número de fumantes cai 40% em 18 anos


Jane Marques nência, que vão diminuindo
Fumar é um hábito que a cada dia.
pode começar facilmente Luciana, 24 anos, está lu-
quando criança, na pura ino- tando contra o vício: “hoje é o
cência de seguir os amigos, segundo dia que não fumo e
achar bonito, mesmo sendo estou muito ansiosa. Troquei
Jane Marques

expressamente proibida a o cigarro pela comida, está


venda para menores. Há al- difícil, mais eu vou conse-
guns anos o cigarro era sím- guir”, disse a ex-fumante,
bolo de status, charme, gla- que completou 20 dias sem
mour e o que ajudava a cigarro no final de maio. Na
induzir eram as propagan- mesma semana o pigarro
das e filmes. Mas o que a acaba e sua respiração fica
propaganda não dizia era mais lenta. Procure sempre
que mais que qualquer dro- estar com uma garrafinha
ga, o cigarro é o que causa de água nas mãos para be-
mais rapidamente a depen- ber quando se lembrar do
dência química, vira um ví- cigarro, o organismo traba-
cio perigoso que mata pouco lha sem parar para em duas
a pouco e sair dessa confu- horas conseguir tirar meta-
são não é nada fácil. De cada de da nicotina tragada.
10 adolescentes que experi- Eduardo, de 30 anos, pa-
mentam 4 vezes, 6 se tornam rou com o vício há sete me-
viciados. O cigarro contém O cigarro contém 4.700 substâncias tóxicas ses. “Minha pele está mais
4.700 substâncias tóxicas e branca, e acabou aquele
tes. Pesquisa do Inca mostra gados a estampar fotos cho- imposto que incide sobre o
cancerígenas que causam cheiro da nicotina que esta-
que o número de fumantes cantes nos maços. Hoje a 200 cigarro acarretou uma que-
dependência e ao tragar vão va impregnado em minhas
no Brasil caiu 40% em 18 mil mortes anuais por doen- da de 8% em seu consumo e
direto para o pulmão. Algu- roupas”, relata. “Estou mui-
anos. Em 1996 começou para ças ligadas ao tabaco no Bra- mesmo assim, anualmente,
mas toxinas são formol, ace- to orgulhoso de mim, eu ven-
valer a campanha antifumo sil, segundo estimativa do o governo recolhe R$ 7 bi-
tona, amoníaco, naftalina e ci e não o cigarro”.
no Brasil impedindo os fu- Instituto Nacional do Cân- lhões.
até fósforo que é usado em Cuide bem do seu corpo
mantes de usufruir de locais cer (Inca). Os enfermos ge- Parar de fumar é um sa-
veneno de rato. para chegar a uma idade
públicos e fechados. Propa- ram um prejuízo enorme crifício, mas o vício não deve
De acordo com a Organi- adulta livre de se compro-
gandas na televisão e rádio para o governo na área da ser mais forte que sua força
zação Mundial de Saúde meter com o câncer e sim
divulgavam sua marca so- saúde. O mercado brasileiro de vontade de viver. Nas
(OMS), existem 1,2 bilhão de ter força de vontade para
mente à noite e com o tempo de cigarros arrecada R$ 13 primeiras 24 horas sem fu-
fumantes em todo o planeta. receber os benefícios do fim
foi banida de qualquer horá- bilhões por ano e emprega mar a pessoa pode ter dor
O Instituto Nacional do Cân- de um vício, pele sempre jo-
rio. Foram também impedi- 2,4 milhões de pessoas, mais de cabeça, insônia, descon-
cer (Inca) estipula que 18,8% vem e pulmões esbanjando
dos de patrocinar eventos que a construção civil. centração, ansiedade, fome,
dos brasileiros sejam fuman- fôlego.
culturais e esportivos, obri- O aumento de 25% no mas são fatores da absti-

Casos de gravidez na Saúde pública

adolescência crescem Médicos e pacientes não


em Londrina
Adolescentes estão iniciando a vida sexual,
chegam a consenso à
mais cedo e, com isso, a gravidez vem a
cada dia crescendo em nosso meio. espera no PAM
Alessandra Cristina nha Fina esteve numa escola Existe uma demora no Pronto Atendimento Municipal,
Os casos de adolescentes pública da Zona Sul de Lon-
grávidas atendidas pelo Hos- drina, conversando com ado- mas isso não é o que pensa o Coordenador Médico
pital Universitário da Uni- lescentes. Pela conversa dos
versidade Estadual de Lon- adolescentes abordados pela Caroline Moretti tra que a média de espera no nista Pâmela da Silva de 18
drina (HU), cresceram 7,86% reportagem, que pediram A demora no atendimen- PAM é de três horas. anos: “não faz nem uma hora
entre março de 2008 e feve- para não ser identificados, há to em hospitais, pronto so- De acordo com o coorde- que eu estou esperando, mas
reiro de 2009, se comparados uma crença de que a camisi- corros e postos de saúde de nador médico do PAM, Mo- só pela dor que eu to sentin-
aos 12 meses anteriores. De nha é descartada quando se Londrina já é um assunto hamad El Kadri, não há tan- do já é muito”. Algumas pes-
acordo com a assessoria de tem um parceiro único. comum. É só passar em fren- ta demora e tem que se levar soas questionam sobre o in-
imprensa do HU, foram aten- C. S. 16 anos, é um des- te a um posto de saúde que em conta que o pronto aten- vestimento em saúde: “a
didas 785 gestantes na faixa ses casos em que o preserva- já se vê uma fila de pessoas dimento é uma unidade de gente paga tanto imposto, é
etária de 10 a 20 anos entre tivo foi abandonado. “Eu não todos os dias. No Pronto urgência e emergência: “nós tanto dinheiro e para onde
março de 2007 e fevereiro estava preparada para assu- Atendimento Municipal damos prioridade para os ca- vai tudo isso ai?”, diz o repre-
2008, contra 852 gestantes mir uma família”, relata a (PAM), o tempo de espera sos de urgência e emergên- sentante comercial Vagner
entre março de 2008 e feve- menina. “Gosto de meu na- para ser atendido depende cia, isso não quer dizer que o Nogueira da Rocha.
reiro de 2009. Segundo a as- morado e do bebê que está do lado em que a pessoa está. que não é de urgência e Para El Kadri não é só no
sessoria, isso acontece apesar dentro de mim, mas não me Para os médicos e profissio- emergência não vá ser aten- Sistema Único de Saúde
da rede pública municipal de sinto segura pra ter minha nais de saúde, o tempo de dido”, declarou. El Kadri ex- (SUS) que há demora no aten-
saúde distribuir remédios família, ainda quero sair, espera é normal. Para quem plicou que há uma “pré-con- dimento. “Eu já fui a hospitais
contraceptivos e preservati- não queria parar de ir à es- está do outro lado do balcão, sulta”: “todos que chegam conveniado com plano de saú-
vos gratuitamente. cola”, conta a C., grávida de o paciente, qualquer tempo aqui passam pela equipe de de e demorei a ser atendido”.
A avaliação de autorida- seis meses. de espera sempre é grande. enfermagem para que pos- Quando questionado se o nú-
des da área da saúde pública Um problema bastante O pronto atendimento aten- samos verificar qual é o grau mero de médicos é suficiente
é de que o aumento dos casos comum entre as mães ado- de uma grande demanda de de urgência no atendimento para a atender a demanda de
de gravidez na adolescência lescentes e solteiras, é que pessoas diariamente e conta de cada um”. O coordenador pessoas, ele afirma que sim e
se deve à falta de informação em muitos casos os pais não com cinco médicos planto- ainda afirma que “é utopia completa: “quando há um au-
dos jovens, apesar do acesso a assumem sua parcela de res- nistas por período. Reporta- você achar que vai chegar mento na demanda, coloca-
várias fontes, propiciada pela ponsabilidade pela criança gem publicada em novembro aqui e já ser atendido”. mos mais médicos à disposi-
internet. A reportagem do Li- que nasce da relação. do ano passado pelo JL mos- Não é o que pensa a balco- ção da população”.
8 LinhaFina Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009

ENTREVISTA

“Quero levantar voos maiores


Em seis meses, Padre Roque passou de candidato
a vereador a prefeito interino de Londrina.
Agora ele quer ir mais longe
Rodrigo Gutuzo
Londrina viveu desde o
final de outubro um clima de
indefinição sobre a política
da cidade. Com a impugna-
ção da candidatura de Antô-
nio Belinati (PP), vencedor
do segundo turno das elei-
ções para prefeito, ficou a
incerteza de quem assumi-
ria a prefeitura.
Em meio a essa crise e
enquanto os eleitores aguar-
davam as novas eleições –
realizadas no final de março
e vencidas por Barbosa Neto
(PDT) -, quem assumiu o
cargo de prefeito foi o presi-
dente da Câmara de verea-
dores, José Roque Neto
(PTB), mais conhecido como
Padre Roque.
Eleito presidente da Câ-
mara de vereadores no dia
Rodrigo Gutuzo

1° de janeiro, coube a ele fa-


zer uma gestão transitória.
Em entrevista exclusiva
ao Linha Fina, Padre Roque
falou sobre o curto período
frente à prefeitura, os pla-
nos para o futuro na vida po-
lítica e também na vida reli-
giosa, analisou a relação com
a imprensa e as prioridades
do próximo prefeito.
Padre Roque voltou a ser Presidente da Câmara
Linha Fina: Como o se-
nhor avalia esse curto Como eu fiz parcerias ami- tivemos a questão da meren-
período frente à Prefei- gáveis, pessoas honestas e a da, a sociedade cobrando o
tura de Londrina? gente sabendo que era um “É, agora eu tenho que estar alto custo da merenda, o jei-

pensando nisso(ser candidato


Padre Roque: Olha, tre- momento interino, que não to de se servir, a matéria
mendamente positiva para podia fazer tanta coisa como prima com deficiência, datas
mim. Como vereador, fui elei-
to para trabalhar na Câmara
um governo normal, mas fi-
zemos aquilo que era neces-
a prefeito em 2012), nessa vencidas, frutas podres. En-
tão o problema da terceiriza-
Municipal, como legislador. E
de repente, com esse imbró-
sário. Trabalho de roçagem,
limpeza, mutirões de saúde,
questão política. Me cuidar, da é que temos que ter uma
fiscalização muito séria em
glio “danado” que tem aconte- essas coisas que todo gover- me preparar, me lapidar” cima delas. Eu não tenho
cido na questão política, com no iria fazer, mas nós adian- nada contra a terceirização,
o prefeito eleito não ter assu- tamos para que o próximo porque nós temos que ofere-
mido, acabei vindo parar no governo pegue um “gancho” cer o serviço, temos empre-
Executivo. Para mim está disso e continue. sas excelentes na sociedade,
sendo uma experiência extre- difícil e levar tempo para se nós tentamos organizar, colo- mas desde que a parceria
mamente positiva, pelo fato LF: Qual o maior pro- cuidar e poder resolver. camos mãos à obra e por isso seja consciente, não para se
de conhecer o Executivo. Está blema encontrado, he- a cidade parece um pouco levar vantagem. Aí sim eu
sendo muito bom. rança da administração LF: O senhor notou mais limpa, porque nós reor- acredito na terceirização.
anterior? que algum desses proble- ganizamos essa questão da
LF: Essa passagem rá- Padre Roque: O maior mas poderia ser resolvi- LF: Retornando a Câ-
capina e roçagem.
pida, de candidato a ve- problema foi encontrar as do antes? mara de vereadores, qual
reador a prefeito interino coisas públicas um pouco de- Padre Roque: Poderia LF: Qual sua opinião será o seu foco, seu obje-
em menos de seis meses, sorganizadas. Por exemplo, sim, era apenas uma questão sobre a tercerização dos tivo?
foi fácil? os postos de saúde com falta de organização, de chamar os serviços da prefeitura? Padre Roque: Volto
Padre Roque: Eu conse- de material de limpeza e com secretários, as pessoas encar- Padre Roque: Em uma como presidente da Câmara
gui conciliar com tranquili- goteiras, uma fila enorme de regadas, diretores e poder cidade como a nossa, eu acho e esse cargo é sempre visa-
dade. Tive dois dias para pessoas esperando suas con- encaminhar isso. Por exem- algumas coisas viáveis, ou- do, o Ministério Público
formar uma equipe de traba- sultas, por isso que nós cria- plo, a capina e roçagem, que tras não. Nós podíamos le- atento a tudo e acho isso óti-
lho. Essa equipe foi excelen- mos os mutirões. Nós temos está na mão de uma empre- var em conta o orçamento do mo, que tenhamos um acom-
te, a população elogia as pes- ainda o problema dos buei- sa, mas ela fazia a seu bel- município, perceber se algu- panhamento da sociedade. E
soas que estão comigo. ros entupidos, que causam, prazer. Nós chamamos e dis- mas empresas realmente o meu trabalho será esse:
Porque o que é importante após muita chuva, invasão semos: ‘a partir de hoje somos são sérias, porque no final apresentar projetos, ter
numa administração como de água nas casas. Eu en- nós que vamos dizer pra vo- nós caímos num grande in- transparência. A minha pre-
essa é não trabalhar sozi- tendo que foram essas coisas cês aonde que vocês têm que cômodo. Existem outros ser- ocupação é não querer errar,
nho, mas fazer parcerias. que encontrei, por ser mais fazer’. Então, quanto a isso, viços terceirizados, como nós saber fazer as coisas com co-
Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009 LinhaFina 9

na dimensão política”
erência. Aquilo que não sou- ca, fundamental, apaixonan- me lapidar, conhecer mais Agora: é apaixonante traba- isso é livre nos meios de co-
ber vou recorrer às pessoas. te até, por administrar uma sobre a política, conhecer lhar com o povo. Porque o pa- municação, mas acho que a
Mas é trabalhar com tran- cidade do tamanho de Lon- mais o povo, poder servir dre não é somente aquele que imprensa podia respeitar
quilidade, continuar esse drina, sendo ela segunda melhor. Acho que agora não está no altar, para celebrar a um pouco mais. Acho que o
trabalho que estou fazendo maior do Paraná, terceira do tem volta. Sempre é levan- eucaristia, embora eu ache ali respeito no diálogo, na con-
junto com a população e Sul do país, com todos os tar voos maiores nessa di- importantíssima a presença versa, antes de soltar uma
mostrar que é possível, atra- problemas e sua complexi- mensão política. dele, como administrador pa- notícia que possa embara-
vés de uma Câmara com ve- roquial também. Eu vou con- lhar a cabeça das pessoas.
readores decentes e hones-
tos, juntamente também “Trabalho de roçagem, tinuar com espiritualidade e
religiosidade, mas vou deixar
Eu vejo assim: tem que ter
liberdade na imprensa, mas
com um prefeito transparen-
te e honesto fazer essa par
limpeza, mutirões de saúde, o ministério sacerdotal para
um segundo momento.
acredito que tem que ter res-
peito com o cidadão, seja ele
ceria e a cidade só tem a ga-
nhar com isso.
essas coisas que todo governo LF: Como o senhor
quem for.
LF: Qual o grande pro-

LF: Sobre o futuro po-


iria fazer, mas nós adiantamos avalia a relação com a
imprensa nesse período
blema encontrado nessa
administração?
lítico, pretende cumprir para que o próximo governo pegue frente à prefeitura? Padre Roque: Quando
Padre Roque: Eu até ti-
um “gancho” disso e continue”
o mandato de quatro anos você pega uma administração
como vereador ou já pode nha vontade de chamar to- de oito ou mais anos, e não
se pensar em sair candi- dos vocês da imprensa, por- sou eu quem digo isso, é a so-
dato nas próximas elei- dade. Ainda assim é maravi- LF: E quanto ao futu- que eu admiro. A imprensa ciedade que diz que nossa ci-
ções para deputado? lhoso administrar essa cida- ro na vida religiosa, sa- mostra os dois lados da moe- dade está atrasada em alguns
Padre Roque: Sobre de. Volto agora como cerdotal? da. Quando se está mal, ela anos em relação a outras,
essa questão política a gente vereador e presidente da Câ- Padre Roque: Eu conti- é o olho clínico que faz o jul- como Apucarana, Maringá, e
conversa sempre com nossa mara, e terei mais um ano e nuo na Igreja, sou católico gamento. Por um lado, eu até cidades pequenas. O gran-
equipe do partido. É sempre pouco para trabalhar, para apaixonado. Sou chamado percebo que a imprensa tem de problema foi o fechamento
o partido que decide, nós conhecer. para fazer palestras nos gru- pessoas de pensamento posi- político, não ouvir os vários
dialogamos e se viabilizar, pos de oração da linha da Re- tivo, que querem ajudar a segmentos da sociedade. Foi a
se a equipe quiser que eu LF: Podemos dizer en- novação Carismática. Algu- construir a cidade, mas por reclamação maior que eu es-
saia a qualquer cargo políti- tão que o senhor já pensa mas matérias na extensão da outro lado eu vejo a questão cutei, das pessoas chegarem
co, estou à inteira disposi- em se candidatar a pre- PUC para os leigos. O que fi- do sensacionalismo que se que a antiga administração
ção. O que não posso agora é feito em 2012? cou diferente é que a cidade é faz em cima da pessoa do não tinha as portas abertas
querer voltar atrás. Claro Padre Roque: É, agora uma paróquia em maior ex- prefeito, da Câmara, porque para se dialogar. Eu tentei
que eu fiz essa experiência eu tenho que estar pensando tensão. Tem também seus muitos tentam ter sua audi- abrir isso, conversar com to-
(no cargo de prefeito) antes nisso, nessa questão políti- problemas como se fosse os de ência em cima da desgraça dos os segmentos e as pessoas
de ser vereador, ela foi bási- ca. Me cuidar, me preparar, casa, problema paroquial. dos outros. Então, eu sei que tem vontade.

Rodrigo Gutuzo

Padre Roque: “Não posso voltar atrás”


10 LinhaFina Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009

Participaram da
entrevista os alunos:
Janaina Portello
Pedro Spiacci
Pablo Fares
Isabela Tacaki
Davi Baldussi

“Eu sou aquilo


Davi Baldussi
Nádia Barcellos
Valero Júnior

que os meus atos Natália Lima Castro


Stéphanie Massarelli

vão mostrar”
Kerly Tavares
Daniela Ishiyama
Juliano Dias (PP)
Fábio Fumis (PP)

Entrevista com
BARBOSA NETO Janaina Portello e Pedro Spiacci
No dia 27 de abril, véspera de ser diplomado prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT),
eleito no terceiro turno, esteve na Faculdade Pitágoras- Campus Metropolitana para uma
entrevista coletiva concedida aos alunos do 5º período de Jornalismo.
Num ambiente descontraído, em tom de bate papo informal, ele respondeu a todas as
questões feitas pelos estudantes/repórteres do Linha Fina, apesar dos rodeios em algumas
questões. Os temas abordados passaram pelas promessas feitas pelo então candidato durante
a campanha eleitoral, como escola integral, trânsito, esporte, saúde, alianças políticas, dentre
outros. Os 40 minutos de entrevista não poderiam passar sem nenhum deslize. Questionado
sobre sua relação com o deputado estadual Antonio Belinati (PP), Barbosa tropeçou. “Eu sou
o que sou”, disse com veemência. Depois ele admitiu que a frase não tinha nenhum significa-
do e provocou risos na platéia. Confira a entrevista:

LINHA FINA: O presi-


As Eleições em dente do Londrina Espor-
Davi Baldussi

te Clube, Peter Silva, fa-


Londrina lou que o projeto do
Janaina Oliveira Tubarão na série D de-
Depois de meses de incer- penderia do apoio da pre-
tezas, Londrina, a segunda feitura. Como a prefeitu-
maior cidade do Paraná e ter- ra entra no apoio ao
ceira da região Sul do Brasil, LEC?
com mais de 500 mil habitan- BARBOSA NETO: O
tes, elegeu seu prefeito. Em um Londrina é muito importan-
terceiro turno inédito, foi eleito
te para a cidade, para a re-
o deputado federal Barbosa
Neto, do PTD, que obteve 54,1%
gião. Não só o Londrina mas
dos votos. Ele disputou a prefe- o futebol profissional em si e
rência dos votos com o tam- nós temos outras equipes
bém deputado federal Luiz Car- que também já estão hoje
los Hauly, do PSDB, que obteve com base na cidade, no caso
45,88% dos votos. do Iraty que veio para cá, a
A eleição em Londrina mo- própria Portuguesa Londri-
vimentou 1,2 mil urnas em nense. Nós estamos colocan-
986 seções eleitorais. Foram
do a responsabilidade sobre
convocados aproximadamente
3,9 mil mesários. O custo da
tudo isso, no novo presiden-
eleição, segundo o TRE do Para- te da Fundação de Esportes
ná, foi de aproximadamente de Londrina (FEL), que é o
R$ 280 mil. professor Paulo Roberto de
Oliveira, um homem extre-
mamente capacitado, inclu-
sive foi preparador físico e
treinador do LEC em algu-
mas oportunidades. Ao lon-
go desse nosso mandato, es-
peramos que o Londrina
possa ascender às outras di-
visões do futebol brasileiro
ocupando esse espaço, que o
Norte do Paraná deixou des-
de a queda do Londrina. O
professor Antonio Carlos
“O Londrina é muito importante para a cidade” Gomes ajudou a elaborar um
Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009 LinhaFina 11

projeto de reestruturação do LF: Qual a estratégia


Atlético Paranaense, que foi pedagógica para a capa-
campeão da série B, cam- citação desses professo-
peão da série A, ao longo dos res?
oito anos em que ele esteve BARBOSA: Isso vai par-
lá, junto com outros londri- tir justamente da supervisão
nenses como o Ariomar Man- completa da Secretaria de
sano, o Ticão, acho que eles Educação, tanto o conteúdo
têm a competência necessá- pedagógico, quanto o reforço
ria para alinhavar um proje- escolar ou a atenção na área
to de recuperação do LEC. cultural. Isso tudo vai ser
feito com parceria com a Se-
LF: Em Relação a ou- cretaria, sem desfocar, sem
tras práticas esportivas, regredir sem desviar, não é
handebol, voleibol femi- apenas um depósito de crian-
nino. Tem alguma pers- ças, dizendo só para contabi-
pectiva? lizar números, mas nós que-
BARBOSA: Eu confio remos aumentar o IDEB
muito no trabalho que o pro- (Índice de Desenvolvimento
fessor Paulo Roberto de Oli- da Educação Básica) de Lon-
veira vai desenvolver, um drina, queremos dar uma
homem extremamente capa- atenção importante que hoje Davi Baldussi
citado. Aliás, foi uma con- o município não tem , até
quista muito grande quando para que haja uma visão di-
ele aceitou fazer parte da ferenciada que hoje o muni-
nossa equipe, porque ele é cípio ainda não teve. Eu sei
PhD nesta área do esporte. que há muitas criticas em
CEI investiga planilha que define o preço da passagem
O handebol de Londrina é relação à escola em tempo
um dos melhores do Brasil, integral, eu sei que há mui- Valero Junior da. No dia 12 de fevereiro, o substitutivo número 1
nós já estamos pensando no tos mitos, muitas resistên- No dia 12 de fevereiro de 2009, a Câmara Municipal aprovado citava o posicionamento do Ministério Pú-
próprio basquete, que Lon- cias inclusive na própria
aprovou por unanimidade a abertura de uma Comissão blico e a ausência de um técnico assinando o estudo
drina conquistou uma vaga Especial de Inquérito (CEI) para investigar a composição que determinou o aumento da tarifa.
rede e a nossa intenção da planilha que define o preço da passagem de ônibus Jacks Dias, líder da bancada do PT na Câmara, foi
novamente na Nova Liga quando fomos tentar buscar em Londrina. Os vereadores que compõe a comissão autor da emenda modificativa número 1 que também
Brasileira de basquete e eu alguém da própria Secreta- são Joel Garcia (PDT), Rodrigo Gouvêa (PRP), Roberto foi aprovada. A emenda estabelece que sejam investi-
já assumi esse compromisso ria, isso não foi possível, por Fortini (PTC), Tito Valle (PMDB) e Gerson Araújo (PSDB). A gados os fatos a partir de 1º de janeiro de 1998, assim
de que nós vamos permane- que não conseguimos pacifi- CEI teria 90 dias para concluir os trabalhos. as investigações também alcançariam a administra-
cer aqui para não só levan- car aquele ambiente. Então O requerimento que determinou a abertura da ção do ex-prefeito Antônio Belinati (PP). A Justiça
tar o basquete, que teve o eu acho que foi uma solução CEI foi aprovado, mas com duas alterações. A Comis- concedeu liminar que suspendeu o aumento de
melhor índice de público. importante buscar alguém são de Justiça entendeu não haver fato determinado R$2,00 para até R$ 2,25, no final da gestão do prefeito
Londrina ainda é lembrada de fora, com muito conheci-
para investigar, por isso a primeira versão foi rejeita- Nedson Michelete (PT), em dezembro.
por isso. Vamos buscar espe- mento, que vem com uma
cialistas, vamos buscar onde nova visão. A nossa intenção
for necessário esse apoio pra é que ela possa contagiar os
Davi Baldussi

ajudar nosso esporte, tanto professores, a rede toda.


de formação, de rendimento,
quanto de competitividade LF: Tem um tempo de-
de participações de competi- terminado para a implan-
ções, que isso divulga muito tação?
o nome da cidade. BARBOSA: Estamos pe-
gando uma administração já
LF: Sobre a escola em quase que na metade, uma
tempo integral: como o administração que vem com
senhor pretende implan- o orçamento anterior. Isso
tar a educação integral tudo é temerário nesse pri-
no ensino fundamental. É meiro momento, até para co-
no modelo dos CIEPS da locar prazos, mas nós quere-
década de 1980 do Darci mos o mais rapidamente
Ribeiro ou não? possível. Ainda vou conver-
BARBOSA: O meu sonho sar com a secretária para
é esse, justamente os CIEPS que ela nos mostre o levan-
que o Anísio Teixeira, junto tamento que ela conseguiu
com o Darci Ribeiro planeja- fazer da Secretaria.
ram e executaram no Rio de
Janeiro. Isso envolve custos, LF: Com relação ao
que hoje a prefeitura não tem lixo de Londrina, a com-
condições de arcar. Mas o so- postagem. Foi comprada
nho é justamente esse, pisci- uma usina na época do os cargos do primeiro es- ro momento e nem vão indi-
nas, quadras, espaços, salas ex-prefeito Luiz Eduardo calão. Como isso se dá na car os nomes que eles gosta-
multiuso, refeições, com toda Cheida, essa usina vai ser sua gestão? riam, por que passa por um
essa estrutura esportiva. utilizada? BARBOSA: É natural Os aliados de critério técnico, um critério
Precisamos encaminhar de BARBOSA: Foi a minha que haja essa composição, Barbosa de competência e também
alguma forma, a parceria primeira solicitação ao se- porque nós vencemos a elei- confiança minha nesses no-
que a gente quer buscar em cretário do Meio Ambiente, ção com uma aliança de par- Rodrigo Gutuzo mes. Eu tenho procurado fa-
órgãos governamentais e Carlos Levy, que ele o mais tidos. Isso não está passan- Barbosa Neto teve aliados zer diferente do que os ou-
com as entidades, ONGs clu- rapidamente possível possa do, na nossa visão, como algo importantes no terceiro turno, tros vêm fazendo. Até pago o
bes de serviço, enfim fazer o trazer de Cornélio Procópio que você possa leiloar a ad- como o PT, representado pelo preço, eventualmente os jor-
envolvimento da sociedade Ministro do Planejamento Pau-
essa usina que inclusive ou- ministração e fatiar: ‘olha nais dizem que tem muita
lo Bernardo, o PP, com o apoio
toda dentro desse conceito tros municípios demonstra- essa aqui é uma Secretaria gente nervosa e eu não tenho
do deputado federal Ricardo
que é a atenção integral à ram interesse em comprá-la. sua e você indica quem você Barros, o PC do B e o PHS. Além, preocupação com isso aí.
criança, principalmente do Com a instalação da usina é quiser’. Eu tenho evitado claro, de Antonio Belinati. Por
ensino fundamental. Nós fo- possível aumentar a vida isso. Primeiro estamos en- outro lado, viu a saída de al- LF: E aproveitando
mos buscar inclusive uma útil do aterro. Eu acho um xugando a nossa adminis- guns partidos que o apoiaram essa questão de campa-
especialista nessa área, que desperdício enorme essa usi- tração, no máximo vamos no primeiro turno, como o PTB nha: desde 2000 o senhor
é a professora Vera Lucia na parada, mesmo que ela governar com 50 cargos, um e o PPS, liderado por Tercilio Tu- vem fazendo campanha
Hilst, que também é doutora, esteja desatualizada, mas pouquinho mais, um pouqui- rini, que foi coordenador da se desvinculando do Beli-
com livros publicados, arti- campanha. Na formação do seu nati e agora voltou subir
que possamos utilizar o mais nho menos, na administra-
governo, nomeou cargos a al-
gos. Já foi secretaria inclusi- rapidamente possível. ção direta e indireta. Vamos ao palanque junto com
guns partidos que não declara-
ve da educação, ela tem uma cortar na própria carne por ram apoio e que apoiaram Luiz ele, tanto no segundo tur-
experiência inclusive desen- LF: Sobre o secretaria- que é uma necessidade e há Carlos Hauly, como o DEM. no e agora no terceiro. Ele
volvida em uma faculdade do: é de costume os ou- partidos que não vão ser tem alguma influência em
em Arapongas. tros partidos barganhem contemplados nesse primei- sua administração?
12 LinhaFina Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009

BARBOSA: A gente é para que ganhássemos a elei- BARBOSA: É uma de-


aquilo que é, né. Uma frase ção. Ele é deputado estadual, manda muito grande. Você

Davi Baldussi
profunda essa (risos). Acho o político mais popular que a disse que nós estamos vi-
que às vezes eu vejo umas cidade já teve mas, o Belinati vendo agora, viemos de
análises: ‘ah o Barbosa ten- é o Belinati, o Barbosa é o uma administração de oito
tou migrar para uma área e Barbosa, cada um tem a sua anos. Estamos chegando
depois não deu certo, voltou maneira de ser e eu não que- com uma nova visão, mas
para a outra’. Quem tem que ro me desvencilhar do Beli- não podemos resolver todos
julgar é a opinião pública. nati e não quero me aproxi- os problemas do dia para a
Não é a nossa trajetória, eu mar do Belinati. Eu sou noite. Vamos colocar pesso-
acho que vocês é que vão po- aquilo que os meus atos vão as capacitadas para fazer.
der, ao longo da minha admi- mostrar que eu sou, o que a Escolhemos o secretário da
nistração, julgar as coisas. minha trajetória já mostrou, Cultura, que é uma pessoa
Às vezes é muito discurso, é o que eu sou, e a opinião pú- do meio que vivencia essa
muita fala e muita gente não blica e vocês que vão ter que realidade há muitos anos
acredita nos políticos. Mas julgar. aqui em Londrina e vamos
pelo secretariado que escolhi, buscar juntamente com o
LF: Estamos aí com
acho que você já vê o que é o governo do Estado e gover-
notícias do aumento da
Barbosa Neto, o que quero no Federal os recursos ne-
passagem de ônibus. Eu
fazer. Eu tenho procurado fa- cessários para resgatar
quero saber se a prefeitu-
lar pouco e fazer bastante e isso. A cultura de Londrina
ra está de acordo com
tenho evitado entrevistas e é é muito forte, tem uma ebu-
isso e o que ainda pode
ate o primeiro lugar que eu lição muito grande. Mas eu
ser feito pra evitar?
venho para falar de política não quero só isso, quero po-
BARBOSA: Eu não sei
franca, uma roda viva com pularizar a cultura, levar
ainda o que a planilha identi-
vocês aqui. A cadeira está para os bairros. Como eu já
ficou sobre a questão do au-
igualzinha. E aqui a gente disse aqui, às vezes as pes-
mento do transporte coletivo.
não tem medo de pergunta, soas têm um monte de
É uma questão técnica, não
mas eu não quero ser taxado ideias, muita vontade, mas
sou eu que elaboro a planilha,
como uma pessoa que fica vamos enfrentar uma crise
existem instituições, existem
como papagaio de pirata, um internacional, vamos en-
métodos que são analisados
cara que fica dando entrevis- frentar uma dificuldade no
no sistema de concessão do
ta a todo momento, apesar de caixa, mas vamos buscar
mundo inteiro. Tem o Minis-
eu ser jornalista, gostar de alternativas, parcerias com
tério Público vigilante, tem
falar, gosto mais de pergunta a sociedade, envolvimento
uma legislação em vigor.
até do que falar de mim, es- das pessoas, fazendo com
pecialmente então para que LF: Nos últimos anos que elas participem ativa-
vocês mesmo possam formar Londrina foi abandonada mente da nossa adminis-
a opinião de vocês. Ao longo pela prefeitura, no senti- tração. Acho que Londrina
do tempo nós vamos mostrar do de cultura, turismo, pode retomar em breve a
o que é a nossa administra- lazer. O que o senhor vai auto-estima que foi deixada
ção. E sem fugir da pergunta, fazer sobre isso no seu e nós não temos preconcei-
“Londrina deve recuperar sua auto-estima” o Belinati foi importante mandato? tos em buscar.

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Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009 LinhaFina 13


População reclama de
superpopulação de pombos
Pág. 14


Redução de IPI anima lojistas
e consumidores
Pág. 14


Circo mantém público fiel na

Opinião
Era da Informática
Pág. 16

Cristovam Buarque
quer filhos de políticos
estudando em
escolas públicas
Ana Luiza outros também têm acesso a
Um por todos e minoria educação de qualidade.
pela minoria. Com certeza Esta não é a primeira vez
se existissem, Dartaham e que o senador resolve apre-
os três mosqueteiros diriam sentar uma lei que contraria
exatamente esta frase a políticos e governantes do
Cristovam Buarque (PDT), pais. Em 2007 ele também
senador pelo Distrito Fede- apresentou um projeto de lei
ral e aparentemente, mila- obrigando todos os gover-
gre, vejam só, único político nantes a usar os serviços de
do Brasil preocupado com a saúde, transporte, educação
educação. e todas as outras coisas ad-
Contrariando muita gen- ministradas - mal e porca-
te e ganhando a admiração mente por sinal - por eles
de tantas outras, ele apre- mesmos, para que tomassem
sentou em 2007 um projeto consciência do “trabalho”
de lei (inconstitucional, diga- que fazem. Na campanha
se) que obriga que, até 2014, eleitoral de 2006, quando
todos os filhos e dependentes disputou a presidência da
de políticos sejam matricu- República, o senador de Bra-
lados em colégios púbicos e sília lembrava que os servi-
estaduais durante toda a ços públicos usados pelo
educação básica. Em que povo, como a educação, são
isso fere a Constituição? Se- relegados ao segundo plano.
gundo a lei maior, as pesso- Já os serviços usados pelas
as perdem o direito da esco- elites, como os aeroportos,
lha de onde querem que seus requerem maiores e mais
filhos estudem. cuidados das autoridades.
Segundo Buarque, raras Mas infelizmente para a
são as exceções em que os fi- população, essas leis nunca
lhos dos políticos não estão serão aprovadas, uma vez
Buarque é o autor do projeto em colégios particulares, que os políticos se preocu-
onde podem desfrutar de pam consigo e trabalham
uma boa educação. Pelo jei- para si. Mas como não custa
to, os pais políticos não se sonhar, o senador ainda vai
importam se os filhos dos tentando até 2014.
14 LinhaFina

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Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009

Opinião
Superpopulação de
pombos incomoda
muita gente
População reclama do mau
cheiro e descaso da prefeitura
Janaina Oliveira a falta de predadores, além São mais de 200 mil aves na área central
A superpopulação dos da arquitetura dos prédios,
pombos é um assunto que onde são encontrados abri- Para que haja um contro- se ao fato do intestino dessa pombas. Isso é um absurdo”,
tem preocupado Londrina. gos nas frestas e beirais de le da superpopulação, algu- ave ser muito pequeno, tor- concluiu a balconista.
São mais de 200 mil aves janelas. Tudo isso facilita mas medidas devem ser to- nado um agravante para Já para o vendedor Si-
que circulam pelo perímetro sua domesticação. Outro fa- madas. “Devemos dificultar quem trabalha ou transita valdo Bento, 23 anos, a pre-
urbano – segundo reporta- tor que atrai os pombos para sua reprodução, e uma das no Calçadão ou no Bosque. feitura deveria tomar me-
gens publicadas pela im- o perímetro urbano é a faci- maneiras mais simples de Para a balconista Patrícia didas mais drásticas: “o
prensa londrinense –, po- lidade que eles têm para en- fazer isso é não alimentá- Dias, 22 anos, o mau cheiro é decreto assinado pelo Pa-
dendo causar diversas contrar alimentos, já que las. Na escassez de alimen- insuportável: “eu trabalho dre Roque não adiantou
doenças, tais como a cripto- muitas pessoas, principal- tos, ela deixa de investir no aqui no Calçadão e não nada, porque não há uma
cocose, neurocriptococose, mente idosos, jogam milho e seu potencial reprodutivo. aguento o cheiro horrível que fiscalização. Se você passar
além de alergias. Outros fa- farelo no calçadão, que ser- Quando há alimentos de so- as fezes causam. Tem dia que pelo centro ou pelo bosque
tores que causam transtorno vem de alimento para eles. bra, ela vai investir no seu me dá até dor de cabeça de vai ver pessoas alimentan-
devido a esse acúmulo são as Apesar do decreto muni- potencial reprodutivo, au- tão forte que é o cheiro. Quan- do pombas sem medo ne-
fezes e o mau cheiro que as cipal 320/2009 assinado pelo mentando a população, po- do chove então aí ninguém nhum”. Na opinião de Ben-
mesmas provocam. ex-prefeito interino José Ro- dendo reproduzir até doze aguenta. Sem falar no peri- to, “a prefeitura deveria
A concentração é causada que Neto (PTB), proibindo a descendentes por ano”, ex- go, fica tudo liso e escorrega- esclarecer a população so-
pelo desequilíbrio ambien- população de alimentar plica o biólogo João Antonio dio”, reclama. “Esses dias bre as doenças que as pom-
tal. Em Londrina os pombos pombos, tanto em áreas pú- Cyrino Zequi. atrás mesmo, eu ajudei um bas podem causar, além de
encontraram facilidades de- blicas como em particulares, Além disso, ele explica senhor a se levantar porque tomar outras medidas para
vido à monocultura da soja, a prática persiste. que o acúmulo de fezes deve- ele escorregou nas fezes das sua diminuição”.

Centro de controle Redução do IPI anima


lojistas e consumidores
de zoonoses não será Redução do IPI para a linha branca
implantado logo aquece vendas e evita demissões. A
medida visa combater a crise

Barbosa Neto anuncia medidas sócio- Aíme Barboza


O governo federal anun-
para renovar a cozinha de
casa. A auxiliar de enferma-

ambientais que não incluem o centro ciou no dia 17 de abril uma


medida temporária para au-
gem e os quatro irmãos vão
dividir as despesas para pre-

de zoonoses
mentar as vendas no comér- sentear a mãe. “De presente
cio. É a redução das alíquo- para minha mãe eu comprei
tas de Imposto sobre um fogão e um jogo de cozi-
Emily Müller da Sociedade de Interesse sar o porquê da superpopu- Produtos Industrializados nha. Ela vai gostar muito da
Desde a campanha do Público) SOS Via Animal, lação dessas aves, o dano (IPI) que vigora até o dia 16 surpresa porque fazia uns 15
primeiro turno para a pre- que é uma sociedade civil, de que elas podem causar, de julho. Os produtos benefi- anos que ela não ganhava um
feitura de Londrina, o hoje direito privado, sem fins lu- onde elas se alimentam. ciados foram o fogão, a gela- fogão novo,” diz Rosemery.
prefeito Barbosa Neto (PDT) crativos, que socorre, atende Segundo ele, o ideal seria deira, a máquina e o tanqui- Com esta redução, a arre-
colocou em pauta o projeto e acolhe os cães, gatos e ou- não permitir que os pombos nho de lavar roupa, a cadação federal pode cair até
de criar um Centro de Con- tros animais que necessita- continuassem a se reprodu- chamada linha branca. R$ 173 milhões de reais. Em
trole de Zoonoses na cidade. rem de ajuda. Segundo Ma- zir. “Acho necessário algu- Esta redução do imposto contrapartida, o governo
No último dia 21, Barbosa riana Nogueira, presidente mas reflexões, como por na linha branca tem anima- acredita que os setores da
Neto anunciou algumas me- do SOS Vida Animal, a cria- exemplo, o porquê da vinda do comerciantes e consumi- indústria e do varejo tenham
didas sócio-ambientais. En- ção de um Centro de Zoono- dessas aves para cidade, dores. De acordo com Apare- um aumento nas vendas e
tre elas está a erradicação ses adequado seria uma saber onde elas se alimen- cido Franceschini, gerente na manutenção dos empre-
de 2.800 árvores condenadas grande ajuda para a OCISP. tam e tentar a não reprodu- de uma loja do calçadão de gos no setor.
e o controle da população de “Se um Centro de Saúde ção das mesmas, de manei- Londrina, as vendas aumen- Delourdes Castorina da
pombos, como o vereador Animal for criado, onde os ra química ou biológica, taram já nos primeiros dias. Silva aprovou a medida. De-
José Roque Neto (PTB) já animais são atendidos, colocando, por exemplo, “Percebemos a mudança logo pois de muita pesquisa com-
havia anunciado, durante o acompanhados e não apenas substâncias anticoncepcio- no início e esperamos um prou pela primeira vez o tão
seu período como prefeito in- recolhidos, além de desafo- nais no alimento ou água aumento de 10% a 12% nas sonhado fogão quatro bocas,
terino. Já sobre o Centro de gar a OCISP, o Centro aju- dos pombos”. vendas”, diz Franceschini. “Andei bastante hoje, o ser-
Controle de Zoonoses, o pre- daria a controlar o número Existem hoje em Londri- A redução varia de produto viço é pesado e o dinheiro é
feito afirma ainda não dispor de animais, através da cas- na aproximadamente 40 mil para produto. A alíquota sobre pouco então tem que procu-
de verba para isso, e que tração”, explica. animais de pequeno e gran- a máquina de lavar roupa caiu rar para conseguir o melhor
apenas medidas emergen- Já em relação aos pom- de porte abandonados, além de 20% para 10%. A geladeira preço. Aproveitei a redução
ciais estão sendo tomadas. bos, o veterinário Fernando da superpopulação de pom- de 15 para 5%. E o fogão e o do imposto e hoje vou com-
Atualmente, os animais Augusto Rossi Freitas, es- bos na cidade, portanto além tanquinho de lavar roupa tive- prar pela primeira vez, de-
abandonados de pequeno pecialista em clínica médi- de uma questão de saúde ram a alíquota de IPI zerada. pois de casada, o meu fogão,
porte de Londrina só contam ca de pequenos animais, pública, uma atitude quanto Rosemery Amaro aprovei- porque um fogão novo ajuda,
com a OSCIP (Organização afirma que é preciso anali- a isso seria emergencial. tou os descontos no imposto né”, diz Delourdes.
Ano 2 Ed. 4 | Junho de 2009 LinhaFina 15

Dia da Consciência Negra pode


virar feriado em Londrina
Mesmo depois de 121 anos da abolição
da escravatura, a discriminação e o
preconceito em relação aos negros é
um tema muito discutido no Brasil. As
consequências da escravidão são sentidas
ainda hoje, por milhares de brasileiros.
Pensando nisso, no dia 20 de novembro
de 1965, foi criado o Dia da Consciência
Negra com o intuito de levar à reflexão
sobre a inserção do negro na sociedade
brasileira. A data foi escolhida por ser
o aniversário da morte de Zumbi dos
Palmares. A partir de 2003, a data virou
feriado em várias cidades do país, como
São Paulo e Salvador.
Vereador Tito Valle é o autor do projeto
do vereador Tito Valle levantada recentemente, de os vereadores estão sensí- rios fatos que acontecem no
(PMDB), que é bisneto de es- que Zumbi teria sido dono de veis com relação a essa nosso dia-a-dia”.
cravos. Valle defende a cria- escravos, Valle afirmou que questão”. Ainda assim, ele entende
ção do feriado pois, segundo considera a data escolhida Dejair Dionísio, professor que somente a criação de
ele, “foi o braço escravo que oportuna e que desconhece do curso de Letras da Uni- mecanismos, como o sistema
construiu o país”. Ele afir- essa tese: “nunca vi nenhum versidade Estadual de Lon- de cotas para negros e mes-
mou que a data é necessária, livro de história que fale so- drina (UEL) e integrante do mo a criação deste feriado,
pois o preconceito contra os bre isso”. Conselho da Comunidade não são suficientes, mas
negros está fortemente ar- Quanto à alegação de Negra de Londrina, defende apenas um primeiro passo.
raigado na sociedade. “Essa muitos que dizem que a que a inclusão desse feriado É preciso mais, é preciso que
data é fundamental para criação desse feriado é só no calendário da cidade é cada pessoa se conscientize:
marcar a insatisfação dos mais uma forma de com- importante, pois é uma for- “Se todos que comungam de
afrodescendentes, que são pensar os negros pelo que ma de resgatar a história do algum tipo de crença pres-
de mais de 50% da popula- aconteceu, assim como o país, ou parte dela. “Se a tassem atenção no que suas
ção. O feriado abre espaço sistema de cotas, ele se de- nossa sociedade se propuses- palavras proferem acerca do
Nádia Barcellos para uma discussão mais fende: “eu acho que uma so- se - de fato, a conhecer a sua amor ao próximo, do respei-
O Dia da Consciência Ne- ampla [sobre o assunto]”, ciedade, um país que quer própria história, e isso passa to mútuo, da verdade e da
gra, que já é feriado munici- justificou o vereador. se firmar como nação tem pela necessidade de conhe- percepção do erro, já seria
pal em várias cidades brasi- A data escolhida para o que curar suas chagas. cermos e estudarmos a his- uma possibilidade real de
leiras, pode virar feriado feriado é o aniversário da Uma delas é a escravidão”. tória de África e não somen- avanço para a superação
também em Londrina. Tra- morte de Zumbi dos Palma- Ele se mostra otimista em te da Europa, perceberíamos dessas medidas que são, na
mita na Câmara Municipal res, líder quilombola do sé- relação à aprovação do pro- a importância dessa história verdade, paliativas; mas que
um projeto de lei de autoria culo XVII. Apesar da tese jeto. “Estou Confiante que enquanto explicador de vá- se fazem necessárias”.

Lixo

Usina de compostagem ficou obsoleta


Equipamento comprado há 13 anos pela Prefeitura de Londrina não teria capacidade para atender a demanda
Naiane Souza admite instalar a usina na material orgânico, 18% de do volume de lixo produzido
Ambientalistas e autori- cidade. De acordo com o ar- rejeitos e 14% de materiais em Londrina, existem ou-
dades de Londrina avaliam quiteto Gilmar Domingues recicláveis. A avaliação se tros problemas. Na avalia-
que a usina de composta- Pereira, analista técnico da baseia numa pesquisa feita ção de Sílvia Saadjian, pre-
gem comprada há 13 anos CMTU, “provavelmente a em outubro de 2007 pela sidente da ONG Bio-Brasil, Lixo orgânico
pela Prefeitura, na gestão usina será adaptada para o entidade. “falta cultura, educação e
do ex-prefeito Luiz Eduar- que a cidade produz hoje”. Ainda não há definição conscientização do povo lon- Sobras de alimentos, cascas de
do Cheida, se tornou obso- Depois de comprada, a quanto ao local onde seria drinense para a separação frutas, cascas de ovos, sacos de
leta para a realidade da ci- usina nunca saiu da fábri- instalada a usina de com- de lixo”. Ela também cita a chá, podas das árvores, capinas,
cinzas.
dade. A estrutura, que está ca. Os prefeitos que sucede- postagem. Segundo Perei- falta de “técnicos capacita-
guardada na fábrica Igua- ram Cheida, Antonio Beli- ra, já está em andamento o dos” para lidar com o lixo – Rejeito
çu-Mec, em Cornélio Procó- nati (1997-2000) e Nedson pedido de licenciamento do seria necessário avaliar dia-
pio, foi feita quando a cida- Micheleti (2001-2008) não terreno onde será instalado riamente se o material Papel e absorvente higiêncio,
de produzia 280 toneladas se interessaram em insta- o novo aterro de Londrina usado para compostagem fralda descartável, algodão, pa-
péis engordurados, plastifica-
dia, 220 a menos do que lar o equipamento que – o atual tem vida útil de contém metais pesados -, a
dos, metalizados, parafinados,
produz hoje – estima-se que transformaria o lixo orgâ- até um ano e meio. O novo “politicagem da cidade”. fotografias, etiquetas, carbono,
cada habitante produza, nico em adubo. De acordo aterro será na saída para o Pereira tem queixa se- lenços de papel.
em média, um quilo de lixo com a Organização Não Go- distrito de Maravilha, na melhante: ele reclama que
por dia. A direção da Com- vernamental BioBrasil, região Sul. falta continuidade das po- Reciclável
panhia Municipal de Trân- 68% do lixo produzido em Além da usina não ter líticas e atuações da pre-
Metais, papéis, plásticos e vidros.
sito e Urbanização (CMTU) Londrina é composto por capacidade para dar conta feitura.
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Opinião
Circo mantém público fiel na Era da Informática
Para continuar a ser sucesso de público, o circo se adaptou à tecnologia
Camila Ribeiro ca, iluminação e artes cênicas, acha importante levar os fi- tudo isso veio com o circo”, modernizou, o circo também
A temporada do Le Cir- que foram resgatadas do tea- lhos: “na realidade, os pais, completa. teve que se modernizar”.
que em Londrina tem mos- tro, fazem parte da proposta mesmo gostando do circo, se Para o diretor do Le Cir- Na opinião de Swanovich,
trado que o circo continua do circo moderno. É o que esforçam mais por conta dos que, Jorge Swanovich, as a tecnologia faz a diferença
atraindo um grande número está dando certo hoje em to- filhos, para mostrar como as atrações originais do circo entre o circo de hoje e o de on-
de pessoas. Os espetáculos dos os circos do mundo. pessoas se divertiam antes não são mais suficientes tem: “não podemos nem com-
que misturam antigos perso- Em meio à grande oferta da televisão, do cinema e do para atrair o público deseja- parar, há 30 anos não existia
nagens às atrações moder- de produtos culturais e de teatro”, relata a professora. do. “Há 20 ou 30 anos, o circo informática como existe hoje,
nas, agradam públicos de to- diversão que existem hoje, “Tudo começou com o circo, era o que se tinha de mais as crianças com 5 anos já es-
das as idades. Os artistas se muitos pais optam pelo circo eu acredito nisso. Não sou moderno, mas o que era mo- tão no computador, na minha
apresentam num espetáculo para o entretenimento dos nenhuma estudiosa da arte, derno? Arquibancadas de época não existia isso. O
dinâmico, onde o público in- filhos. A professora Rosan- mas eu acredito que tudo madeira, ‘respeitável públi- mundo evoluiu muito, era
terage com o palhaço e parti- gela Macedo foi a um dos es- veio com ele: a dramatiza- co’ e o locutor falando”, ana- outro público antigamente,
cipa das brincadeiras. Músi- petáculos e explica porque ção, a encenação, esse jogo, lisa. “Então, a geração se era outra cultura”.

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Tardes de rugby no país
do futebol
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A verdade sobre os rodeios
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Esporte
TUBARÃO

A volta do calendário nacional


Pedro Spiacci é dinheiro, plantel é dinhei-
O Londrina Esporte Clu- ro”, ressalta Garcia. O pon-
be volta ao cenário nacional to principal em que ele toca
em 2009, fato que não ocor- é que a cidade inteira teria
ria desde 2005. A disputa que estar envolvida com o
da Série D será o palco da projeto do Londrina. “As di-
reestreia do Tubarão no ficuldades são imensas,
campeonato brasileiro. O acho que a cidade inteira
presidente Peter Silva, a tinha que ter o envolvimen-
torcida organizada Falange to para ajudar o clube e isso
Azul e o ex-jogador Carlos não acontece, só da boca
Alberto Garcia já se dizem pra fora”, completa o ex-jo-
preparados e ansiosos para gador.
o início da competição. Peter Silva afirma que o
O time alvi-celeste, que Tubarão está seguindo o
FALANGE AZUL já viveu tantas glórias como que havia sido planejado
três títulos paranaenses e desde o começo do ano, que
uma quarta colocação no era a entrada de jogadores
Há 17 anos empurrando o Tubarão Campeonato Brasileiro de
1977, com a participação de
mais jovens no time duran-
te o Paranaense para pega-
Emily Muller direito de participar de chur- do com rigor entre os torcedo- Carlos Alberto Garcia, es- rem experiência. O Londri-
A Torcida Falange Azul rascos, encontros e confrater- res. “Nossa intenção é apenas pera esta oportunidade an- na já tem um projeto, que
foi fundada há 17 anos, no nizações que acontecem no impulsionar o time, e estando siosamente, pois o clube em março foi entregue aos
dia 5 de fevereiro de 1992, espaço da organizada, que junto com os amigos”, argu- está fora das competições dois candidatos que dispu-
pelos amigos Marcelo Apare- fica em um anexo do Estádio menta César. Em seu “currí- nacionais desde 2005, ano tavam o terceiro turno de
cido Pereira Fuentes, Ronal- VGD. A “filiação” à organiza- culo”, a Falange apresenta em que disputou a série C. Londrina. O prefeito eleito
do Cezar, Rogério Batista e da também permite que o tor- algumas confusões, mas que Segundo Japonês (ele se comprometeu com o pro-
Ivoncley Sepe. Ainda em sua cedor participe da organiza- segundo César foram resolvi- gosta de ser identificado jeto. “A intenção de um pro-
fundação o Londrina Esporte ção das excursões e viagens das rapidamente. pelo apelido), representante jeto de apoio, não é só pedir
Clube (LEC) foi campeão Pa- para jogos fora de Londrina. A mesma opinião tem da torcida organizada Fa- dinheiro, são várias situa-
ranaense, além de disputar O acesso a esse espaço José Rocha associado da lange Azul, o fato do Lon- ções que o clube precisa”,
outros títulos. Com o passar não é restrito a não associa- Falange há mais de cinco drina não disputar campeo- explica o presidente. “Um
do tempo o clube entrou em dos, como explica Benini: anos. “Nossa torcida é da natos em nível nacional, compromisso para fazer o
uma fase ruim e com a falta “qualquer pessoa pode en- paz e não atrapalha nin- não fez com que a participa- projeto da série D que re-
de incentivo e planejamento, trar, contanto que não esteja guém”. Rocha possui um ção de torcedores diminuís- quer mais investimento fi-
as torcidas organizadas do usando adereços de outra carro personalizado em ho- se. Muito pelo contrário, nanceiro, mais estrutura
LEC contavam cada vez mais torcida organizada, ou pelo menagem ao Tubarão, in- houve a criação de um “pú- no clube e achamos funda-
com menos adeptos. menos que a torcida seja ami- clusive com o mascote pin- blico fiel, aquele que real- mental ter o apoio e poder
Isso fez com que em 1997 ga da Falange”. tado na lataria. mente gosta do Londrina”, de quem tem a chave da ci-
surgisse uma proposta de jun- O LEC conta com várias A torcida que é uma orga- afirma o torcedor. A torcida dade”, reforçou Peter.
ção das três torcidas existen- torcidas “amigas”, como é o nização sem fins lucrativos, também afirma que vai Sobre a possibilidade de
tes: Falange Azul, Sangue caso da “Fanáticos”, do Atlé- embora tenha a sua loja e o apoiar o Tubarão sempre e acesso logo nesse ano, Peter
Azul e Mancha Azul, com a tico Paranaense. seu bar. De acordo com os di- organizará caravanas para se mostrou otimista: “nós
intenção de unificar e fortale- O comando da Falange retores, o dinheiro é investi- acompanhá-lo a todos os jo- temos que trabalhar e o ob-
cer o clube. A torcida Sangue conta com Fernando César do para a manutenção da gos. jetivo é esse. São 40 times e
Azul ficou de fora e a logomar- na presidência e Marcelo na sede e organizações de via- Carlos Alberto Garcia, tem 4 vagas. Uma dessas
ca Falange Azul permaneceu. vice. As eleições para a dire- gens. um dos heróis da campanha vagas tem que ser do Lon-
Segundo Marcelo Benini toria acontecem de dois em Para ser um torcedor da de 1977 – melhor participa- drina, então nós temos que
vice-presidente da Falange o dois anos e para se candida- Falange é necessário com- ção do clube em nacionais trabalhar, investir na com-
número de associados à torci- tar é necessário estar asso- paracer pessoalmente na – vê com esperança a volta petição para poder voltar a
da, “só tem aumentado”. “Hoje ciado a pelo menos dois anos sede localizada no VGD ou a um campeonato nacional, série C no outro ano e logo
vemos na torcida famílias in- na torcida e também estar entrar no site: www.falan- mas ressalva que considera em seguida para a B.”
teiras, desde a esposa a crian- em dia com sua contribuição. geazul.com.br. No caso de “muito delicada” a situação Agora é esperar o campe-
cinha de colo”, conta Benini. menores de idade é neces- do clube. “No fato financei- onato começar em 5 de julho,
Violência
O torcedor associado à Fa- sário autorização dos pais ro e econômico é muito difí- torcer e apoiar o Londrina
lange contribui com um paga- O caso da violência, segun- por escrito e registrado em cil, porque hoje o futebol nessa nova empreitada, lo-
mento mensal de R$ 5 e tem o do os representantes, é trata- cartório. virou um comércio, futebol tando o estádio VGD.
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Esporte
Tardes de rugby no país do futebol
Grupo de londrinenses adere ao rugby e demonstra preferência pela bola oval
Naiane Souza
No dia 25 de abril, Lon- Como funciona
drina recebeu a segunda
etapa do 4º Campeonato Pa-
o rugby
ranaense de Rugby. O cam-
peonato foi disputado no es- “Seven” (modalidades
tilo Union (veja quadro nesta disputada com sete joga-
dores de cada lado em dois
página) e contou com a par-
tempos de sete minutos
ticipação dos times Lobo por um de intervalo).
Bravo (Guarapuava), Casca-
vel Rugby, Ponta Grossa Ru-
gby, Maringá Hawks Rugby, Rugby Union e o Rugby
Londrina Rugby além do League: As diferenças bási-
UniBrasil/CRC de Curitiba, cas consistem no número
este que é o único time para- de jogadores (são 13 no Le-
naense a disputar o campeo- ague e 15 no Union), na
nato brasileiro, chamado de forma da bola (no Union
ela é mais pontuda, no Lea-
Super 8, em que disputam 8
gue é mais oval)
das principais equipes do
país.
Para Adriano Zanutto, O rugby foi trazido para
capitão do Londrina Rugby, o Brasil pelos imigrantes
o esporte além de ser exercí- ingleses e se popularizou
cio físico, é também “um principalmente no sul e su-
meio social onde faço amigos deste do país.
pelo Brasil”. Completa ainda O Londrina Rugby treina no Zerão
que o Rugby ensina aos atle-
UniBrasil/CRC de Curi-
tas a terem disciplina, com- me mantenho entre seus cial os convênios com esco- ros colocados nos últimos
tiba, este que é o único
panheirismo, e responsabili- clientes exemplares. E com- las tendem a reduzir este campeonatos paranaenses, time paranaense a disputar
dade: “a disciplina é rígida, pleta: “nosso corpo está pro- tipo de problema, mostran- vice-campeão em 2006 e o campeonato brasileiro,
ninguém pode ficar falando gramado para uma certa do à sociedade que este é 2007 e terceiro colocado no chamado de Super 8 em
em campo, o único que têm a duração, mas é assim que um dos esportes que ilus- ano passado. Em 2006, o que disputam 8 das princi-
permissão de falar com o ár- me mantenho saudável e tram o que é sentido coleti- time foi campeão da Taça pais equipes do país.
bitro é o capitão, se referindo asseguro um maior tempo vo, espírito de união e coo- Bronze, na etapa nacional
a ele como ‘senhor’”. de vida e com qualidade”. peração, além do respeito às do “Seven”.
Já para o presidente da Segundo a Federação regras, ao árbitro e ao ad- O esporte é viril e de
Serviço contato, mas somente o jo-
Federação Paranaense de Paranaense, além da falta versário.
Aos interessados em co- gador com a bola é que
Rugby, Mauro Callegari, a de incentivo financeiro, o
Londrina pode ser derrubado, sendo
prática vai além da confra- que impede o avanço do ru- nhecer melhor o esporte, o
penalizada a equipe que
ternização, é uma aliada da gby é a falta de conhecimen- O Londrina Rugby foi Londrina Rugby treina no obstaculizar outro atleta
saúde e da boa forma: o meu to do esporte entre os mais fundado em 2003. O time é Zerão às quartas-feiras a que não esteja com a bola
cardiologista sempre incen- jovens. Ele argumenta que composto por 20 atletas e partir das 18h30 e aos do- durante a partida.
tivou (o treinamento), pois projetos sociais e em espe- se manteve entre os primei- mingos a partir das 17h.

A verdade sobre os rodeios


Ana Luiza Elias diversos laudos oficiais ates- que instintivamente tente se
Diferentemente do que é tando o sofrimento e maus- livrar de todos os apetrechos
dito por muitos, a prática do tratos aos animais utilizados que lhes colocam”, relata
rodeio nada tem de cultural, em variadas práticas”, de- Moraes.
tratando-se de uma cópia do clarou. Ele destacou “os lau- Valdir ainda explica que
modelo europeu. Sob o dis- dos emitidos pela Faculdade mesmo o uso do sedém ma-
farce de “esporte”, não passa de Medicina Veterinária e cio não evita o sofrimento
de mais uma modalidade de Zootecnia da USP e do Insti- dos animais, já que o local
exploração financeira do tuto de Criminalística do Rio onde ele é é extremamente
mau trato aos animais, pois de Janeiro”. sensível. Portanto, essa ten-
se não houvesse junto um Nenhum animal salta e tativa de minimização dos
grande show de música para corcoveia sem o uso do se- efeitos de danos que os se-
atrair plateia, só os sádicos dém, espécie de cinta que se déns causam aos animais é
compareceriam. Durante um amarra na virilha do animal inócua.
rodeio, os animais de fazen- e que faz com que ele pule. Oito segundos é o tempo
da são explorados em um Momentos antes de o bre- que o peão deve permanecer
show que dura em média 2 te (a porteira que isola o pal- no dorso do animal, porém
horas e são constantemente co do rodeio) ser aberto para deve-se lembrar que o sedém
atingidos por chicotes e la- que o animal entre na arena, é colocado e comprimido
ços, além do pavor de um lu- é puxado com força, compri- tempos antes do animal ser
gar desconhecido e uma pla- mindo ainda mais a região colocado na arena (ainda no
teia barulhenta. dos vazios dos animais, pro- brete) e também tempos de-
O ambientalista Valdir vocando muita dor, já que pois da montaria.
de Moraes, explicou a cruel- nessa região existem parte Além disso, há declara-
dade destes espetáculos: “os dos intestinos e os órgãos se- ções de peões de que trei-
animais utilizados nas prá- xuais. nam de 6 a 8 horas diárias,
ticas de rodeios sofrem fla- “O ato do animal corcove- portanto, todo este tempo o
grantes maus-tratos, tendo- ar é a comprovação de sua animal estará sendo mal-
se em vista que existem dor e estresse, fazendo com tratado. Uma prática condenada
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Recordações pés-vermelhos
Isabela Tacaki
Lembranças que pés-vermelhos viveram nos anos 70
são lembradas em uma emocionante história do escritor
londrinense Márcio Américo. Após a repercussão do livro
“Meninos de Kichute”, foi aprovado o projeto de filmagem
de um longa-metragem com recursos do Programa Muni-
cipal de Incentivo à Cultura (Promic).
A história retrata os anos 70 na Vila Nova, em Londri-
na, onde o autor passou sua infância. A história que virou
o livro “Meninos de Kichute” retrata as aventuras na época
em que garotos como Américo jogavam futebol com o tênis
kichute, uma imitação da chuteira, jogavam bolinhas-de-
gude, trocavam figurinhas e assistiam aos Trapalhões.
O diretor Lucas Amberg foi quem abraçou o projeto ao co-

Cultura
nhecer a história de Américo e para contar a história londrinen-
se ele contou com atores como Arlete Sales, Wener Schumann e
Viviane Pasmanter. Márcio Américo conta com emoção a alegria
de ver sua história ir paras as telas do cinema nacional. “Me
sinto privilegiado, afinal é raro alguém ter seu próprio relato de
vida retratado em filme”, observa o escritor.

Quem acha que o filme foi todo gravado no ori- ninos brasileiros desfrutaram deste mesmo so-
ginal bairro de Londrina, está enganado. Por nho”, afirma Américo, referindo-se ao relato da
mais parecido que o cenário seja, o filme foi feito história do sonho de meninos serem jogador de
em uma cidade do interior de São Paulo chamada futebol. Além dessas e outras surpresas, o escri-
Piracaia. “O interessante é que até as plaquinhas tor conta da participação que fez no filme. “Fiz
com nomes de ruas são idênticas aos que tem na uma ‘pontinha vagabunda’ já que estava acompa-
Vila Nova. É como se eu estivesse vivendo minha nhando a gravação das cenas”, lembra Américo,
infância e adolescência novamente”, conta o lon- falando sobre o making off do filme.
drinense. Cenas da época e até relatos em que não só Lon-
“Traduzir meu livro ‘Meninos de Kichute’ para drina vivia, mas o mundo, são contados também no
a tela do cinema é acreditar que milhares de me- filme. É uma aula sobre a história desse período.

Ibiporã, a “capital” do Bolshoi


Pablo Fares nhum custo para a adminis-
Hoje, a escola ocupa uma tração pública no mês de mar-
área de aproximadamente 7 ço de 2009.
mil metros quadrados na ci- No ano de 2007, a única
dade de Joinvile (SC). A esco- paranaense aprovada na Es-
la que no Brasil foi criada com cola foi a ibiporaense Danubia
o mesmo ideal social que deu Caroline Barbosa Pereira.
origem à Escola Coreográfica Ela disse ter ficado muito ner-
de Moscou, em 1773: propor- vosa na seleção e conta que
cionar uma possibilidade de na sala em que estava havia
crescimento cultural para as 35 pessoas e no final ficaram
crianças da camada mais ca- só duas. Segundo ela, “a ban-
rente da sociedade. Em Join- ca analisa sempre mais do
ville, dois séculos depois, esta que você imagina”.
experiência se repete em um Danubia nasceu em Jatai-
projeto para crianças e jovens zinho, cidade vizinha, e aos
dando perspectiva de inclusão 12 anos foi morar em Ibiporã
no mundo da cultura e acesso com a família. E foi através de
a uma formação profissional uma amiga que ela ficou sa-
em dança clássica, com eleva- bendo da escola de Ballet da
do padrão de excelência. Além fundação cultural da cidade.
de formar artistas de balé, o Nunca mais parou.
projeto visa formar novos ci- Entre uma conversa e ou-
dadãos, mais cultos e cons- tra, ela conta que não foi tão
cientes de seu papel na socie- fácil passar na seleção, pois é
dade. muito concorrida: 10 vagas
E nos últimos anos a cida- para 130 escritos.
de de Ibiporã, 14 km de Lon- “A Danubia sempre foi
drina, vem se destacando uma menina muito dedicada,
quando se trata do envio de sempre soubemos que ela é ta-
crianças para esta renomada
escola de ballet. O professor
Fundação Cultural de Ibiporã lentosa. Determinação é a sua
marca, costumamos dizer que
Walter Cruz da Escola de ela morava aqui na Escola de
Dança da Fundação Cultural Pablo Fares Ballet, pois chegava à uma da
de Ibiporã, explica que ao lon- “Pensando” do mesmo modo que a Escola Bolshoi, a Fundação Cultural de Ibiporã (FCI) é um órgão que tarde e só saia quando a escola
go dos últimos anos a cidade oferece vários cursos para os moradores do município e da região. A instituição dá acesso a aulas de teatro, fechava”, contou a secretária
construiu um laço de amizade desenho artístico, música (viola, violão, piano, teclado, flauta, bateria, canto e outros), balé clássico e dança de de Cultura e vice-prefeita de
muito grande com o Bolshoi e salão. Ibiporã, Sandra Moya.
isso possibilita que, atual- A FCI trabalha com o mesmo objetivo da Escola Bolshoi: encontrar novos talentos nas periferias e dar Sobre o futuro, Danubia
mente, seis alunos da Escola oportunidades aos segmentos mais carentes da sociedade. “Nós temos uma política cultural, que é de dar diz que sempre foi seu sonho
de Dança de Ibiporã estudem oportunidade para as pessoas que estão aqui na fundação desenvolvendo atividades, não apenas na dança, ser uma bailarina profissio-
mas também na música, nas artes cênicas, nas artes plásticas”, explicou a secretária de Cultura do município,
no bolshoi. Outra coisa impor- nal. “Estou famosa e estou
Sandra Moya.
tante que ele lembra é que A fundação é uma autarquia da Prefeitura de Ibiporã e é mantida pelo poder público e por patrocínio de
adorando”, conta a garota. Há
graças também a essa amiza- empresas privadas; 80% dos alunos são bolsistas. Materiais como figurino, viagens e cursos são custeados mais de um ano estudando no
de, a Companhia Jovem do pela fundação. Atualmente são 120 alunos de balé e cinco professores. Bolshoi em Joinvile, ela lem-
Teatro Bolshoi no Brasil se bra que na vida um pouco de
apresentou na cidade sem ne- esforço é necessário.
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Cultura “Significador de
Insignificâncias”
“É de madeira, deve
ser pesado”
Davi Baldussi meu irmão e às vezes vem para exposição e consequen-
“É de madeira, deve ser aqui fazer uma visitinha e temente venda, as pequenas
pesado”. Quem olha pela pri- olhar meu trabalho”. A fir- estátuas servem como mode-
meira vez uma escultura do ma do irmão do artista é lo para pintar meus quadros.
artista plástico Edson Mas- quem disponibiliza a grande Assim eu não preciso que
suci, normalmente tem esta maioria dos materiais utili- uma pessoa fique parada ho-
impressão. Mas, as escultu- zado pelo escultor. ras na minha frente. É um
ras são de papel e por conta Há cerca de dez anos, luxo a mais para mim”, ex-
disto ela são muito leves. Po- Massuci deu início a esta plica.
rém, o pouco peso da obra forma de esculpir, com ma- De acordo com Massuci,
não a qualifica como sendo teriais recicláveis. “Na época o maior desafio de um ar-
frágil, pelo contrário, elas eu trabalhava com resina e tista é lidar com a crítica.
são resistentes. Outro co- fui alertado por um amigo “Minhas primeiras obras
mentário que muitas pesso- que aquele material tóxico de arte eu pintei em couro
as fazem quando olham as iria acabar me matando. Eu de porco. Morava em Cam-
obras de Massuci: “nossa, po Grande (MS) na época e
que belo/bonito”. Nesta im- “Quando eu os críticos acabaram comi-

Natália Lima Castro


go. Eu já pensava em desis-
pressão as pessoas estão cer-
tas.
estou aqui nesta tir quando conheci Paulo
E é por causa do acúmulo sala pintando, Bertolin, ele é um cara mui-
to viajado, morou na Ingla-
de elogios que este artista de
Rolândia está com uma criando, terra, EUA, Grécia, Itália...
E foi o Paulo quem me deu
agenda de exposições lota-
das pela região. “Estou com
esculpindo eu o impulso para continuar Natália Lima Castro “Inscrevi o projeto para a Lei
um calendário apertado, mal viajo, me surge pintando e criando”, recor-
da.
O artista Hélio Leites Municipal de Incentivo à
estou dando conta de termi- participou do lançamento do Cultura e comecei a juntar
nar as encomendas”, afir- cada ideia” Antes de se tornar artista livro “Pequenas Grandezas”, todo o material trocado com
mou o artista, que nos últi- plástico, Massuci já havia da escritora Rita de Cássia ele naquela época”, expli-
mos dias tem levantado às realmente ficava mal, por- trabalhado como vendedor Baduy Pires. O livro de Rita cou.
4 horas da manhã para recu- que imagina você ficar o dia de implementos agrícola, de de Cássia lançado em março, O lançamento do livro foi
perar o atraso. “Este é meu inteiro em contato com resi- aparelhos de surdez, de pas- na livraria Ciranda, em Lon- marcado pela performance
horário preferido de traba- na”, lembra. sagens aéreas, entre outras drina, fala sobre Leites. do artista e apresentação de
lho. É um silêncio, uma tran- Após o alerta, Massuci atividades. “Mas aí chegou Hélio Leites é um artista seus trabalhos, caracteriza-
quilidade...”, conta. inventou sua nova fórmula um dia eu percebi que nunca multifacetado. A sua arte do também pelas roupas e
Os fiéis acompanhantes de fazer arte. Com um cabo gostei nada disso e resolvi utiliza elementos cotidianos acessórios que utiliza, agre-
de Massuci durante sua de aço ele monta a estrutu- partir para arte, e tô partin- que nos passam despercebi- gando um significado a todos
longa jornada de trabalho, ra, ou seja, os ossos da escul- do até hoje”, brincou. dos e os transforma em um eles. “Hélio é um grande ar-
que, segundo ele, termina tura. Com jornal velho o ar- O escultor, pintor e arte- palco de histórias. Para isso, tista. Ele confunde pessoas
por volta da meia-noite, são tista cola os “interiores” e são rolandense nunca cursou preconceituosas e os encan-
o rádio, o qual toca sem pa- com papel craft, sempre aulas de artes. “Aprendi so- ta com sua graça, sua densi-
rar durante o dia, e tam- acompanhado de muita cola, zinho. Comi o pão que o dia- dade poética. É um artesão,
bém o cigarro. “Vou ali pe- ele termina de esculpir o cor- bo amassou. Quando eu es- um missionário da arte”,
gar um cigarro, espera só po e roupas da obra. tou aqui nesta sala pintando, afirma o escritor Domingos
um pouquinho”. O artista Depois que o “novo ser”, criando, esculpindo eu viajo, Pellegrini, que também pres-
falou esta frase três vezes de aproximadamente meio me surge cada ideia”, diz, tigiou o evento.
durante as duas horas des- metro de altura, passa algu- apontando para os quadros A obra contou com cola-
sa entrevista. mas horas no sol para secar, na parede, para as escultu- boradores como os escritores
Outro que às vezes acom- o artista pinta e finaliza os ras em cima dos suportes, Paulo Leminski, Millôr Fer-
Natália Lima Castro

panha de perto o trabalho de últimos detalhes. Massuci para as latas de tinta, para nandes, Wilson Bueno, Do-
Massuci, é seu sobrinho. conta que suas esculturas as bitucas de cigarro no chão, mingos Pellegrini, o artista
“Ele trabalha aqui ao lado desempenham dupla função: enfim, para o colorido que plástico Willi de Carvalho,
na empresa de reciclagem do “além de obviamente servir rodeia o seu dia a dia. entre outros. Foram envia-
das descrições do artista
utiliza botões, caixas de fós- através de arte postal, uma
foro, latas de sardinha, pali- das paixões de Hélio. Bilhe-
tos queimados, lâmpadas, tes, cartas, envelopes, selos,
abrigando os objetos aban- fotografias. “A minha gran-
donados em miniaturas. Ob- de inspiração são minhas
jetos usados, todos com uma amizades. Sou um arquiteto
carga histórica. “Faço minia- de sonhos”, concluiu Leites.
turas para manter a propor-
cionalidade. O intuito é des-
Natália Lima Castro

pertar nas pessoas uma


motivação para enxergar a
realidade de uma forma di-
ferente, assim os adultos se
sentem crianças e as minia-
turas adultos”, explicou Lei-
tes.
O livro da artista plásti-
Edson Massuci

ca Rita de Cássia surgiu a


partir do interesse da autora
em materializar a trajetória
de Leites que, segundo ela,
Massuci faz esculturas em madeira vai além da materialidade.

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