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vaentemente como sania Mas enbremos que lat Buen poe er peda ceo verbs a ens, poer gue posbiidade E cm eta conto qc pclog duran Ita refrepnsaro poder em setae cine Heng io tm pes mas credits a potbidaded ue seu cate So mie par ek he prc po pear a ‘eno su pip ifedode cin sur os pss dude, pou ida melo ds reaapiodesm cases TONALIDADES APETIVAS NA TERAPIA “Temos como ponto de partda a concepyo heideggeriana de homem como Dasein, ser-ai, que jé € orginariamente ser: no-mundo, Sendo no mundo, ele & a abertura que compreende ‘mundo, ou sja€ para o homem que todos os entes se manifs tam, Ser essa aberturacompreensiva &0 que nomeamos com 0 termo compreensio. A compreensio nio €tomada aqui no sen: tido conum de uma faculdade tebrica de conhecer ou entendet, mas sim como um carter consttutivo fundamental do Dasein, ‘4 se, como um existencial. A compreensio articul-se com ‘o cariter de poder ser do Dasein, Ela projeta o campo exsten cri em que ele pode realizar 0 poder-ser que ee . Mas além de sera abertura compreensva de mundo, o Dascin, endo 90 mundo, a ele é sempre “se encontra”dsposte de algum modo, ‘Asse moda de encontrarsenaabertura & dado o nome de dis: Posilo, também um existencil, vist serum carer constitu vo do existir do Datcin.E, por sera disposiio um existencial enguanto ‘ou set algo que ontologicamentecaracteriza seu se cexistecia, ela ext presente junto a tod compreens ‘comportar-se do Dasen. Isso significa que ele" fatcamente no ‘mundo sempre numa dsposio, a qual eexpressa em tonaids des afetivas. O modo do homem ser no mundo, isto é. 0 modo como eleentra em contato com tudo o que vem a0 seu encontro, 4 sempre marcado por tum tonalidae aftva Isso impli di 2er qu, onticamente, na vida humana ests sempre presente tudo aguilo que chamamos deafeto,emogio,sentimento Em tudo oque vemos, fazemos, pensamosh sempre algum colorido afetivo presente, ainda que sea aequanimidade, a indi ferenga ou a apatia.Essas sho maneras com nos encontramos Aispostos ane 0 que se apresenta ands, Nos relaionamento ‘mesmo, & sempre tocado por alguma emogio. O modo como 6 mundo se apresenta ao Dasein inspira o seu ait, ou sja, 0 que ‘© move, &0 que constitu a emogio (do lati emover, pr em ‘movimenta).O mundo é sempre marcado por alguma tonal de afetiva assim quando falamos, por exempi, do mundo dos poetas, dos clentstas. Podemos também dizer que tudo aquila ‘que aparece com carter patoliico, como vemos no trabalho de Von Gebsatel sobre 0 mundo dos compulsivos ou quando falamos do mundo dos esquiofrénicos, diz respeito ama tora. lidade fetiva em que a manifestaio da verdade, ao invés de se dar na textura familiar do senti-elivremente “em casa" com 6 «que se manifesta, sed de um modo prvativo caraterzado por estranheza, ameaga, hostlidade,dsabrigo,sotimento, A presenga de tonalidadesaftivas em tudo é tio marcan te que, mesmo naguilo que diz respeito& relagio do homer com a verdade, ou se, naguilo que poderiamos supor que fos se uma atividade meramente do assim chamado plano “racio na’ af também esto presenes as emocdes. A verdade de que ‘estamos falando aqui nio tem o sentido tradicional de verdade ‘como adequagio entre o intlecto ea cosh ou como verdade da proposicio. No pensamento de Heidegger, a verdade €tomada ‘om o signficade dealetheia, ondo-esquecido que €cetirado ‘do encobriment, verdade & aqui desocultago. Fa verdade que se manifesta articulada ao ser ive do Dasin, ese ente que & aero, lancado e funda em suas possibilidades de ser; esse ‘que liber os entesintramuandanos para que se manifestem em sua verdade, libera os scontecimentos para que se apresenter ‘ommo so. Ea verdadeliberao homem para ser mais plenamen, te si mesmo, A articulago entre verdade elberdade &expresst ‘numa frase muito antiga verdad Uberta. A berdade aque nos referimos éaquela que significa failaidade, star A vontade na intimidade diante do que se apresenta. Nesaliberdade, as co! ss ndo nos aparecem como estranhas dntates. FE a Hberdade tio tem exemplifiada na familiarldade com que o pianist, a0 tocar o piano entrepe sea ele eo libera para a plenitude de seu ser piano, enguantoo piano vabiizaaliberago do pinista em sua plenitude como pianist e iso tudo como ocasito para que Se manifete a misica. A experiéncia da proximidade, da fami Tiaridade com a verdade éemocionada eemocionant. E quando se trata da terapia oaproximar-se da verdade da propria historia significa sentir-se ive, naqule sentido de poder se famiiarizar ‘como que se apresenta, para deixar que pasado, o presente €0 faturo sear iberados e manifstem em sua verdade. Por iss, podemos dizer que a terapia€libertadora Gostaiamos de pensar aqui atespeit das tnalidades fe tivas presentes na terapa Sendo a disposi, como um existencil um cater onto logico do Dasein, ist algo que pertence ao modo de er to do paciente como do terapeta, disso decore que a sempre permeada por tonal ' terapia € uma situaio em que duas pessoas, pacintee vent expe terapeuta,convivem por algum tempo eem que op _ OO OOO eee = muito de sua otimidade, entra em contato com suas emogoes junto ao terapeuta, qu est ali para ouvi-lo, pata acolhe, com le, aquelaistria que val se desvelando, que vai sparecendoem sua verdad, O paciente se aproxima da verdade de sua vida de si mesmo. O aproximar-se dessa hstri, por parte do pacient, carrgado de sentiment, Por parte do terapeuta, este também tocado afetivamente pelo que vem do paciente, Poi alt estio dois sees humanos convivendo num projto pum, Emogbes dlferentes podem estar presentes nos divrsos momentos ‘Numa abordager fenomenoldgica, queremos aqui chegar perto dagucle momento inical desse proceso para compreen dermos como tanto 0 paciente quanto oterapeuta aproximam para eles mesmos aterapia que ests comesando, © que significa para o paciente comecar uma terapia © 0 que significa para © terapeuta comesar a atendé-1o? Qual tonalidade afetiva esse Primeieo momento? Onticamente, gue sentimentos esto pre Sentes na situagioinicial? ‘Quanto ao pacente,o primeira sentimento que surge ain ‘da mesmo antes de ele chega A terapia, & a vergonha. Precisar de terapia € sentido como tm fracasso;& se reconhecer frac, Incompetente; estar na perspectva dese expor nasa limita lo. Perce iso em mim mesmo na minha experiéncia como paciente. Na primeira vez que procure erapia, eu esta mor rendo de vergonha. Tinhaaimpressio de que prcisr de tra Pia era me expor na incapacidade de cuidarsozinho da minha vida, da minha exstencia. Essa vergonha aponta na direcao de uma tonalidade afetiva que chamo de desabrigo. Todo senti ‘mento de vergonba fala da sensagao de estar exposto isto € de do estar protegido, ‘Outro sentimento muito forte que aparece € ode diferensa. A pessoa procura a terapa, porque se sente diferente de “tuo mundo’ Quando se sente igual a todos, ao ter um problema, ela pode procuraevirios recursos, mas nio vai procura erapia la ‘val para terapia quando sente: "Eun sou como todos 0s ou tros, sou diferente” Blase sente, de alguma forma, arrancada da massa excuida da maioria—e wits veres busca terapia com ‘© propdsito de poder voltar para o "todo mundo’ A experiencia de sentir-se assim arancada corresponde ao desabigo. Aparece também ama culpa, Buscar a terapia & perceber ‘que hi um erro ereconhecer ou supor que, de alguma maneira, ‘errado sj eu, 0 eto estejaem mim ou, mais do que 0, que ‘era sea eu, Pois seo ero estiver no munde, posso buscar a policia, a justiga, 0s partides politicos ou qualquer outra coisa ‘Quando me identifica com o ero — e aguestotfalando no da ‘rrncia, mas do erro mesmo, da cols fea da coisa inadequada, 4a coisa torta —, quando sinto que nio tenho justifiativas og ‘que clas so insficientes, enti, de algum modo, me reconheso tlpado, Esso também corresponde ao estar no detabrigo Perpleidade¢ estranheza comecam a fazer parte da minha experiencia disso surge uma mittura de sentimentos de medo « raiva. Quando procuro a terapa, de alguma maneira, minha fexperincia dino de ser algo fair ela transitou do embito da imtimidade de ser a minha experiéncia para se tornar uma cexperincia de intimidacio,Existe uma sensagSo de ameaca, de alarm, wma sensagio de que a vida cotidiana perdea 0 sent do de familiaridade; eu me extranho com a minha experiencia feu me estranho comigo mesino, erd a protego do meu ritmo ‘ostumeio: nie durmo como antigamente, 0 dino do mesmo Jeito,nio:me sito seguro como antes. Enfim, tenho a sensacio {deter perdido algo ede estar mais exposto Essa situacio évivida ‘com medo e com ravi: rava de nim, raiva do mundo, ava do ‘outro, ds vers, antecipadamente ava do terapeut, que, nami nha fantasia, ndo fem as mesmas sensasdes que ev, Eagul tam. ‘bem estou no desabrigo, Finalmente, os sentimentos de desencantoe desconfiany2 ss vensago de desinimo, de desimeresse, de distncia com re LL ————_—_—_—_———— lagio a propria vida sensagio de estar vivendo a vida como se cstivesse fora dela so tudo fz parte do desbrigo Eno, embora no momento em que procura a terapia @ pesroaa weja como algo que the diz respit, algo de que ea pre fsa, que ela quer, que ela desea, nesse momento a tonalidade sfetva desse Dasein &a do desabrigo presente naquele que de algun modo perdeua protego, Por parte do terapeuta, primeir sentimento que percebo 1 60 modo. 0 terpeua tem sensagio de que o paiente€ um desi, Nos meus primeiros tempos como terapeut, ao cum rmentar meus pacientes, sentia que todos tinham mos quentes {HE que compreendi que as minhas mos & que fcavam geladss, Esse medo tem algo em comm com a idia da lta a favor da saide contra umnadoenca, na referéncia metafisia de ta contra ‘9 mal. Entrar em contato com 0 paciente sera inaugurar uma uta conta oma. que eu ndo se se vou ganhar ou 10. ‘Mas, mesmo suindo dessa referénciae nos colocando na perspectiva da Daseinanalyse,em que a proposta€ uta, no de lntar contra a doenga, masa de se aproximar do paciente ce buscar com ele a compreensio do que o a sofrer, ainda as sim aparece omedo, Com um paciente gravemente comprome tido, temas 6 medo do “contigi’ porque "a doenca mental é altamente contagios Os etados emocionas “passant de una pessoa para outra com muta faiidade O terspeuta comega a entrar no tema do paciente que est profundamentedeprimido, ansioo,angusiado. Tem aimpeessio de que va ser arrstado na Ainimica do paciente,asusta-seeretra-s, Algumasvezes me ‘iapelando pata alums teria como wa forms de me descolar do pacent, porque estava realmente com medo de er arastad porele ‘Um outro med € 0 de nio ter nad a dizer. Quando a pro posta nig a delta, mas ade se aproximar, de se desarmar para chegar pertoc tentar compreender,asensago pode ser esta: “Ti, feu compreendl. E agora? O que faco com isto?” £0 medo da Impotincia. © medo de chegar tio perto do pacientee ndo po- der faver nada, Iso assusta E como sea compreensio tiveste de se desdobrar em algum outro tipo de ago ou intervened € © terapeuta no soubese 0 que fazer Esse medoapont para ums tonalidade afetiva que chamo aqui de estar langado, O estar langado uma tferéncla muito proxima do estado de desabrigado do paciente. Enguanto no pacientes destaca 0 dlesabrigo, no terapeuta se destaca 0 esta lngado, que é 0 estat projetado para dentro de uma situagio, ede uma stuagio que gers no apenas medo, mas mutas expectativas. As vez tenho {8 impressdo de que o terapeuta ter mais expectativas com re lagio teapia do que o paciente. O pacientechega com 0 “pe 5s terapeuta, com suas expectativa, ente seem jogo nessa terapin que comesa. Sua expectatva se desdobra na vomtade de ser capa, de ser competente. Ele quer que a coisas funcionem, ‘© que seria, nama linguagem de nosis época da téenea, a ex pecttiva de que tudo se tecnicamentecorret, de acordo com ‘eterminados objetivo. Hle desea que 3 terapia dé cert, desea corresponder & expectatva do paciente, ser bem-sucedido em. seu trabalho, (0 deseo de ser bem-sucedido esti em conexao dieta com ‘respeto pela pessoa que o procura, mas, alm disso, é impor: tante também socialmente para terapeuta. Temos medo de que ‘ospacientessiam faland mal de nds, Di medo sermos compro: ‘metidos na frente dos outros. Se aconteceralguma cosa muito {grave com meu pacente,o que vio pensar de mir? Ese depos, ‘de um ano de teraplao pacienteesiver pior? Ese o paciente se ‘matar? O terapeuta teme afundar socialmente Eso significa afundar também financeiramente. Estas expecativa liga 20 ‘seradmirad,reconhecid, bem sacedido também sereferem a0 star lancado e por is, chego a pensar que, no inci da ter: pia, alvez quem tena um problema seja 0 terapeuta (problema, do grego problema, atos< probillo - lncar, precipita, calocar dante, comecar uma lta < do verbo bill lncar, Em sua or igem mais remota, a palavra problema dir respeito alan, es tarna iminéncia de estar langado.Enesse inicio de terapia quem sti se langando, de fato,¢ 0 terapeuta.Poiso paciente, maguela situagio, jets langado; ele jest carregando o dessbrign de alguém que sente que cai O terapeuta tem a sensago de que tind ndo civ, mas est em vias de cir ou de no ca. ia, en tio, na trea, querendo que a terapa deco, ‘A terapa, eno, comes basicamente com as tonalidades fetvas do desabrigo e do estar-lancado, A medida que 0 acon {ecer da terapia se desenroa,porém, ela caminha numa diregio tem que possvel que a tonalidade afetiva predominant ej ou tra, confianga Para ilar da confangs quero antes fazer algumas conse rages sobre angéstiae culpa pis iso pode nos shudar a com preendero significado do que estou chamando de confanca Medard Boss, em seu livro Angista, culpa ¢ libertad, ditingue a angistiae a culpa patligicas da angistiae culps exstencls. A angistiaexistencal basicamente medo da mor te, do nio mais ser, do nada. F a possibldade da morte ests sempre dante de nds, Diz ce: “Mas se aluém se mantém rea mente aber &esséncia total endo disfarada da angisia, € af justamente que ela abe aos seres humans agueladimensio de Nberdade na quale s6 eno, se possiblita 0 desdobrar das ex periéncias de amor e confianya’” E.ai que acontece a superagio da angst, Embora Boss destaque a questio da morte, o medo da morte, podemos. dizer agui que a angistiaexistencial diz es — a eto a0 tremendo desamparo no qual o Dasein vive quando se propria dest mesmo, isto &, quando se percee, com maior ot ‘menor clareza, como um poder-erabertoe lancado na indeter rminacio do futuro, que ¢profundamentealitivoeassustador Ernie ¢ sé diane da indeterminagao do futuro que ee vive. O significado dos fats do passado também éindeterminade, pois 0 significado do vivido pode mudarradicalmente ao longo do tempo, uma ver que novos acontecimentos podem levar 3 uma compreensso diferente do pasado, Estar langado na indeterm nagio ¢angustante, Nessa condigio da angistia exitencial, © primeiro mo vimento do Daseln & procurar abrigo. Ele vi se abrigar exata mente no “todo mands no “todos n6e, ou ej, nso que, se perguntissemos — quem — a resposta seria “ninguén, pois no eta ou aquela pessoa, mas és gent’ Enos parimetros do pestoal, que se express no promome “se” quando dizemos assim que e' faz € assim que’ pens’ “isto o ques espera de voc, que 0 Dasein se sentecoafortive, pois, dese modo, quel indcterminacio éexcluia substitida plas determina bes ou referencias dadas pelo coletivo, nas quais ele pode en Contrar apoio ese enguadrar Ao se enquadrar nas expectativas 10s padres, nos signiliados i estabelecids por “todo nis’ le selivra da indeterminacio do aberto. st protegido, mas expée se a0 sco de ca peso abrigo. coms alguém que est um ‘campo exposto a uma tempestae e, de repente, encontra uma ‘asa onde pode se abriga; ele entra bates ports e, em sepuids, Aescobre que a porta ndo tem macaneta do lado de dentro que permits abrila para poder sir de li. Ent, aguilo que abriga € também © que aprisiona, A impessoalidade do “a gente’, 20 ‘tempo em ue abrga, cambm impede o Dasein de se propriamente si mesmo, Eu dria mesmo que o impossibilita de, Sendo mortal, poder morrr a “sus” propria mort. Distnclado 2c si mesmo mais priprio,o Dasein wroa-se aqui estranbo pars si mesmo. Aquilo que ers angistiaexstencial dante da OO indeterminagio do futuro torma-se uma angéstispatolgic, pois embora consga encobrie a indeterminacSo, substtuindo-a pela perspectiva do que &esperado por “todo mundo, do que & antecipado pelasestrturas da cultura, do que taz grants, Dasein ainda assim ¢ ameagado pela possiblidade de ocorrén las de tudo aquilo que nio pertence is previsdes, de tudo 0 que sido controle. E como se ele estivese se defendendo de alguna coisa sabendo a0 mesmo tempo do carter instivel da defesa, Sento cardtrintivel da defesa 60 que constitu a angista ps colgicaesubjetivista, Essa éa angistia que, na pscopatologia€ ‘na psicanlise, designa um estado patldgico, ‘A angistiapatoldgica s6 pode ser superada pela radical centre & angista existencial B 6 que significa isto? Signi poder vier acolhend a indeterminaga do aberto, imprevisi- bilidae do futuro, a incertera, Poder entregar-se posibiidade essa angistia significa para Dasein eftivar sua abertara de ‘um mode mais pleno, um movimento de acolhimento de tudo aquilo que ver a0 seu encontro, de acolhimento dos conte rmentos,e so faz part de sua destinagio existencal, Bnesse movimento de aceitacao, de acolhimento, a toralidade afetiva que est presente € da conan ‘Quanto culpa, por sua ver, Boss nos fala que sentimento