Edilamar R do Nascimento – Filosofia Turma F Noturno - UFU

Resumo I

Na sociedade romana os recém-nascidos só eram
aceitos quando o bebê, logo após seu nascimento, era
levantado do chão pelo chefe de família, manifestando o
seu reconhecimento paterno. Toda conduta relativa a
aceitação ou rejeição, seja filho ou filha, legitimo ou
bastardo, saudável ou não consistia em motivos racionais e
não emocionais. Sendo que para os legítimos a recusa era,
via de regra, em detrimento a necessidade material em
relação ao outro filho. Já para as famílias pobres era por
incapacidade de alimentá-los ou educa-los. As práticas para
esse controle poderia ser aborto ou outros tipos de
contracepção. Supunha-se que a população deveria ser
excessiva no Império.
A educação dos filhos era rudimentar até aos 12 anos,
e partir desse momento eram confiados a um pedagogo,
possivelmente servo grego. Os filhos adotados consistiam
em um dos meios para se controlar o patrimônio familiar,
recebiam as mesmas garantias de um filho legítimo, se
tornando inclusive um sucessor do chefe de família. A
alfabetização era para todos, independente de gênero ou
classe social. As meninas até estudavam 12 anos e a partir
dessa data poderiam se casar, sendo consideradas adultas,
ou senhoras a partir dos 14 anos. Os meninos que tinha
condições financeiras continuavam os estudos, estendendo
aos 20 anos aproximadamente. Além de estudar se
ocupavam com ginástica e aprendiam língua e literatura
grega.
Eles trocavam
suas vestes e aos 16 ou 17
passavam a ter direitos de fazer o que gostava, como
indulgencia paterna. O fim da puberdade era sinônimo de

liberdade, os meninos se iniciavam na vida sexual,
frequentava casas de prostituições, e até poderiam cometer
estupro coletivo na casa de prostituição. Tendo o fim dessa
conduta quando casavam, não pela moral e sim pela
higiene.
O menino romano permanecia sob autoridade paterna
e só se tornava inteiramente cidadão romano com o
falecimento do pai. Mesmo adulto não podia concluir
contratos, liberar escravos, elaborar testamento, não podia
fazer careira pública sem consentimento do mesmo. Era
comparado a um escravo e ainda corria o risco de ser
deserdado. O testamento era uma forma de se libertar
dessa escravidão e uma manifestação publica do pai de
família em relação aos filhos, esposa, escravos, clientes,
sentimento público, seja de louvor , de honra ou de insultos.
Por isso era comum matar o pai.

Edilamar R do Nascimento – Filosofia Noturno – UFU

OS ESCRAVOS

Por mais que os romanos considerassem os escravos
humanos, pois lhe imputavam uma certa moralidade, na
sua realidade, se sentiam propriedade de alguém, se
sentiam inferiores com a forma que eram tratados. E diante
disso, os senhores tinham muito medo de serem mortos
por eles, apesar de haver uma relação de dependência
entre eles . A origem dos escravos era em razão de: povos
vencidos,
abandono
de
criança,
trafico,
crianças
abandonadas, ou até alguns que se vendiam para trabalhar
para os nobres e se tornarem bem sucedidos .
A escravidão na época do Imperio não se limitava à
escravidão de plantação. Os tipos de serviços prestados
variavam em uma relação servil: nas propriedades rurais,
nas fazendas - serviços domésticos e diversos e
no
artesanato. Neste ultimo, eram realizados também pelos
escravos libertos. Os que exerciam trabalhos requintados
tinha cuidados especiais, mas poderiam de repente sofrer
com a fúria do seu senhor. Para alguns passar a ser escravo
seria um passaporte para um cargo estável.
Apesar da posição dos escravos: “ poderosos ou
miseráveis”, eram tratados com o mesmo sentimento,
seres inferiores. É uma situação incompreensível, pois não
se tratava de poderio econômico mas de um sentimento
intrinsico de poder e superioridade em detrimento de

pessoas subordinadas. Está fora do alcance de
entendimento da racionalidade e pode ser comparado ao
racismo. O escravo era considerado inferior não importando
a função que exercia: nobre ou não. Poderia ser negociado
como uma propriedade pelo seu senhor que tinha o direito
de castiga-lo, ou tortura-lo em publico a qualquer momento.
A presunção de liberdade era um direito romano, e
sempre que houvesse duvida em algum caso optava-se
pela liberdade, sendo esta um bem comum, e quando era
concedida não poderia ser revogada. Mas tal ato, traduziase num humanitarismo aparente, pois os romanos
continuavam a considerar os escravos como coisas, objetos
de sua posse, podendo dar o destino que bem lhes
conviesse, tanto sobre o próprio escravo, quanto seus bens
ou filhos. Estes não possuíam vida privada, seus sentimos e
anseios não eram considerados, “sua alma não tinha
autonomia”. Apenas se relegavam a se sentirem bons ou
maus servos. Como não possuíam perspectivas acabavam
tomando partido do seu amo e se tornando indiferentes aos
seus anseios, pois estes eram os únicos que poderiam
mudar sua condição; e se alguns se insurgiam nas guerras
estavam tentando fugir da miséria.
Ninguem explicava a escravidão, um sentimento
ambíguo, mas os escravos não queriam morrer de fome,
melhor continuar escravos. Em contrapartida os senhores
querendo mostrar sua aparente bondade os libertavam no
testamento, visando sua própria vaidade.
A proteção moral só era exercida pelo senhor paterno,
mas com o tempo foram sendo abertos aos escravos alguns
direitos, como exemplo, o casamento, mesmo prevalecendo
o tiranismo. A instituição da escravatura sofreu mudanças,
mas continuou cruel, não havia questionamento da
escravidão. Os moralistas a consideravam infelicidade
individual. Viam o dever de um homem de bem tendo como

ato, fazer o melhor, independente de onde estivesse
situado na sociedade, seja como senhor, servo ou escravo.
Havia a conduta violenta e momentânea dos senhores
e logo após o seu arrependimento. A humanização
progressista ocorreu sob a influencia do estoicismo, e
pretendia ser um ato de alguém tentar ser o melhor por se
apresentar como bom senhor, mas não legitimava a
situação da escravidão, da liberdade dos escravos. Havia
situações que os escravos poderiam ser mortos cruelmente
sem haver julgamento do juiz, entendo os senhores que era
legitimo assassina-los no furor e depois justificar o furor e
sua legitimidade.
No texto, no período do império romano o escravo era
uma propriedade, era tratado como coisa, vivia a mercê do
vontade de seu senhor, era como quem não possuía
sentimentos. E, chegou um momento em que a moralização
se deu influenciada pelo estoicismo e que os senhores
começaram a apresentar arrependimento de conduta, mas
não resolvendo a problematização da escravidão. Ainda a
mentalidade deste momento histórico subsiste interiorizada
na sociedade ocidental. Um dos exemplos, o sentimento
no âmbito militar, em que por vezes um de maior patente
desconsidera o seu subalterno hierarquico e o compara a
“uma baixa”, como se fizesse parte do arsenal, nos
momentos de guerra. São pessoas livres, mas mantem um
sentimento de diferenciaçao, assim como ocorre no
racismo. O sentimento de indiferença as vezes é
exteriorizado por determinadas condutas. Uma outra
situação ode ser observada na legislação trabalhista, que
vem ganhando uma visão mais social do que legalista.
Interessante ressaltar o comportamento de algum
seguimento e de trabalhadores que mediante a sua
incapacidade de fazer frente aos patrões, ou de vir a perder
seus empregos, se apossam de uma conduta parecida a
dos escravos: o melhor trabalhador é aquele resignado que

cumpre com seu dever da melhor forma possível agradando
o seu patrão.

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