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Logística vem revolucionando as organizações em várias áreas de abrangência . A sua visão sistêmica, mostrando que ás áreas de preocupação, tais como: suprimento, produção e distribuição devem se interagir com o negócio revela também uma certa entropia do sistema logístico.

Ao definirmos que estas áreas interagem dentro do negócio podemos dizer que são sistemas abertos na organização. A Visão Sistêmica na logística objetiva o core competence do negócio. Pode-se definir que sistemas abertos são aqueles que interagem, comunicam-se com o meio. Na logística, as operações são como sistemas abertos porque interagem com o meio organizacional (logística interna) e com o meio externo (logística externa ou Supply Chain Management) e fica evidente um alto grau de entropia positiva .

Atualmente, a logística tem uma conotação muito relevante no mercado globalizado; sua operação exige alta tecnologia, especialidades nas áreas, alta grau de envolvimento das pessoas e isso pode gerar uma entropia positiva, como, por exemplo, fadiga, custo social (processos altamente enxutos), poluição sonora, visual e assim por diante . A tendência, por muitas vezes, são considerar que esta é a ordem do mundo moderno. Na realidade, toda esta entropia positiva dentro da visão sistêmica da logística gera uma desordem e que para minimizarmos este efeito utiliza-se da entropia negativa que significa um grau menor de desordem. A entropia vem da 2ª lei da Termodinâmica e refere-se à perda de energia de um sistema fechado, mas, a logística é um sistema aberto, ou seja, troca energia com outros sistemas naturais e artificiais.

Quanto mais aberto é o sistema maior deve ser a busca pela entropia negativa com o objetivo de minimizar o grau de desordem . Assim como a função logística tende a ter uma visão sistêmica por natureza do negócio a entropia negativa se faz imprescindível neste tipo de sistema. Ao caracterizar os sistemas pode-se visualizar alguns conceitos importantes que reforçam a questão sistêmica : todo sistema recebe os inputs, ou seja, informações a serem gerenciadas, a energia das pessoas e materiais a serem utilizados na produção de saídas (produtos ou serviços); os outputs que é o resultado de uma operação, processo que pode ser um produto ou serviço; caixa negra é o que não pode ser informado, como, por exemplo, projeto de uma nova roteirização e que se torna caixa branca quando divulgado e daí passa a ter um aspecto totalmente operacional; retroação ou feedback é o processo de realimentação da informação; o feedback pode ser positivo ou negativo. O feedback positivo é a ação estimuladora, ou seja, a saída de um novo serviço que intensifica a ação que foi planejada na entrada ; já o feedback negativo é o inverso, ele pode ter a tendência de desacelerar o processo produtivo para evitar o acumulo dos mesmos em estoque em função da diminuição da previsão de vendas. No momento atual, alguns segmentos estão desacelerando devido à crise política. Outro exemplo é a falta de estrutura logística no qual há um desaceleramento da demanda em função da capacidade instalada: rodovias danificadas, faltas de mais malha ferroviária, demanda reprimida pela falta de mais utilização de cabotagem, exigências portuárias internacionais; homeostasia é um equilíbrio dinâmico, obtido pela auto-regulação( Chiavenatto, 2004). Este conceito nasceu com Claude Bernard (1813-1878) onde salientava que a estabilidade do meio interno é a condição primordial da vida livre. Em 1929, Walter B. Cannon ampliou o conceito de meio interior, ou seja, homeos=semelhante; e statis=situação; sempre que uma das suas partes sai do equilíbrio, algum mecanismo é acionado para restaurar a normalidade. Pode-se citar como exemplo é a tecnologia da rastreabilidade, no ramo automotivo, onde todas as peças recebem códigos de identificação: lote, data porque ao acionar um recall de fábrica pode-se rapidamente também acionar a cadeia de fornecimento e isso mantém a confiabilidade e o equilíbrio da cadeia produtiva.

A logística é um sistema aberto com enfoque sistêmico com entropia positiva e a nossa função é minimizar ao máximo utilizando a entropia negativa para desacelerar esta desordem no meio, veja que não iremos acabar com esta desordem, mas reduziremos o grau da mesma. Quanto mais desenvolvimento tecnológico mais acredita-se que há ordenamento globalizado natural ( entropia positiva), porém o efeito é contrário, esta “ ORDEM” na realidade causa uma desordem naturalmente globalizada: mais poluição no meio, mais variações climáticas, mais fadiga e depressão nas pessoas, mais sedentarismo.

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA E ZOOLOGIA CONSERVAÇÃO DE RECURSOS NATURAIS PROFª PAULA BRÜGGER

ALGUMAS REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO ENERGÉTICA

Texto elaborado a partir de:

BRETAS, Paulo. Ecologia e economia. Ecologia e cultura. Org. Rodrigo Duarte. Belo Horizonte: Imprensa Oficial de Minas gerais, 73-82; 147-156, 1986.

Os sistemas econômicos e sociais e os ecossistemas, não são entidades separadas, mas diferentes categorias que se condicionam reciprocamente.

O homem através dos tempos tem buscado adaptar a natureza às suas necessidades. Essa capacidade de estabelecer projetos sociais diferentes, através da readaptação parcial ou total dos elementos naturais, outorga à população humana uma especificidade que a diferencia das restantes populações de um ecossistema.

A crescente complexidade das relações sociais e a extraordinária capacidade das sociedades para adaptar a natureza, obscureceram o nexo que essas relações sociais têm com a mesma. Freqüentemente as análises sociais e econômicas não levam em conta as relações existentes na natureza e nesse sentido, não incorporam os vários efeitos que têm as relações sociedade-natureza a cada momento histórico.

O inverso, entretanto, também não satisfaz. Algumas análises de economia regional privilegiam em demasia as determinações naturais e caem no que podemos chamar de "determinismo geográfico", não incorporando as relações sociais.

Essas duas posições extremas são parte de um traço marcante em nossa cultura que é a oposição sociedade-natureza. Note-se que no primeiro caso, a natureza é ignorada. Já no segundo, prevalece uma espécie de ditadura ecológica e são as relações sociais que são negligenciadas.

Dos elementos distintos que conformam a estrutura de um ecossistema, seria importante destacar, dentro da relação ecologia-economia, a energia, bem como a exploração dos recursos naturais.

Os processos econômicos modernos têm esgotado continuamente as alternativas em termos de fonte de energia e outros recursos, mais rapidamente que novas alternativas são desenvolvidas ou se tornam politicamente viáveis.

Para falar de energia, será necessário recorrer à termodinâmica, uma vez que suas leis traduzem o que a ciência pode esperar em termos de eficiência energética. Vejamos pois dois de seus princípios fundamentais.

De acordo com o primeiro princípio da termodinâmica, ou lei da conservação da energia, a quantidade total de energia do universo é constante, ou seja, dentro de qualquer sistema termodinâmico, a quantidade de energia nele contida pode ser mudada apenas pela adição ou subtração da mesma. A energia pode ser de qualquer tipo e pode transformar-se de um tipo em outro. A quantidade de energia de um dado sistema termodinâmico fechado é constante.

O segundo princípio da termodinâmica, ou lei da entropia, diz respeito à utilização da energia. Entende-se por entropia, a grandeza que permite avaliar a degradação da energia de um dado sistema. O processo produtivo utiliza energia em várias formas de

baixa entropia (concentrada, organizada) para gerar trabalho e calor. O calor tenderá a fluir para onde ele seria menos abundante, ficando perfeitamente dissipado no meio. Pode-se dizer então que a lei da entropia afirma estar a energia e seu potencial de trabalho em contínuo processo de degradação de baixa para alta entropia. A tendência de qualquer sistema termodinâmico é deslocar-se em direção a entropia máxima.

Desde que alguma energia sempre escapa no processo produtivo, não sendo convertida em trabalho e não podendo ser recuperada, nova energia tem que entrar no lugar da que escapou e degradou-se. Daí não existir uma lei da conservação da entropia.

Da mesma forma que a energia, pode-se dizer que os recursos naturais não renováveis, que entram no processo econômico, inevitavelmente se tornam rejeitos de alta entropia, vulgarmente chamados de poluição. Portanto, tentar acabar com a poluição e ao mesmo tempo manter a atual taxa de uso de recursos naturais não renováveis, não pode ser um intento bem sucedido.

Os recursos naturais renováveis também sofrem as conseqüências da segunda lei da termodinâmica, se transformando de baixa em alta entropia, utilizando a energia solar e outros processos naturais para serem retransformados em baixa entropia. Abre-se então a possibilidade de renovação contínua e permanente desses recursos enquanto brilhar o sol.

Não se quer dizer com isso que as espécies animais e vegetais não possam extinguir-se. Deve-se considerar a taxa de crescimento da exaustão em comparação com a taxa de crescimento da renovação.

O uso de recursos naturais no mundo cresce a taxas exponenciais. Enquanto os recursos são utilizados a taxas exponenciais no processo produtivo e depois aparentemente desaparecem, a poluição se acumula às mesmas taxas.

Pode-se concluir que qualquer sistema econômico que se baseie no uso de recursos não renováveis entrará inevitavelmente em crise: uma vez transformados em alta entropia, recursos naturais não renováveis levam um tempo geologicamente muito longo para serem retransformados em baixa entropia.

A reciclagem amenizaria esse processo. Mas a reciclagem é um paliativo, não uma solução final. A maior parte das campanhas de reciclagem enfatiza o aspecto instrumental da questão, ou seja, a necessidade de reciclar e a operacionalidade que lhe é inerente (técnicas, processos, novos usos), mas não tocam no cerne da questão que é a desaceleração da cadeia produção-consumo.

A oferta ecológica de recursos naturais renováveis pode ser menos limitada desde que o modelo econômico aproveite essa oferta em uma proporção que possibilite a manutenção do seu potencial produtivo a longo prazo. Para tanto é preciso uma planificação que considere as restrições e possibilidades dos ciclos naturais, incluindo as relações existentes entre recursos renováveis e não renováveis.

Durante um período de mais de duzentos anos, a maior parte dos avanços tecnológicos implantaram-se com o uso crescente de recursos não renováveis. O uso de qualquer outro tipo de recurso natural com a tecnologia vigente dará resultados inferiores em

termos de eficiência e de lucro porque essa é a lógica dos modelos atuais. As novas tecnologias são escolhidas com base na minimização de custos monetários que afetam diretamente os lucros e aceitam os custos ecológicos e sociais que, além dos problemas que causam imediatamente, serão pagos inclusive pelas gerações futuras. Tais custos sociais e ecológicos se constituem no que se convencionou chamar "externalidades", no caso negativas.

A definição de avanço tecnológico é parcial e enganosa por diversos motivos. Há questões de cunho ideológico e de poder subjacentes ao universo tecnológico que demonstram claramente isso. Os países ricos se dizem mais avançados tecnologicamente por serem seus trabalhadores relativamente mais produtivos. Por exemplo, os EUA produzem três vezes mais a quantidade de produtos agrícolas do que a Índia, mas essa produção exige dez vezes mais insumos energéticos.

"Nosso sistema agropecuário atual produz graves e crescentes impactos ecológicos, entre os quais: desmatamentos, desertificação de extensos territórios, destruição do solo fértil, difusão de agrotóxicos, contaminação de aqüíferos, desperdício de água (captada freqüentemente com grande impacto ambiental), perdas de biodiversidade, etc. Durante milênios a agricultura e a pecuária foram sistemas eficientes de captação de energia solar, mas hoje se baseiam essencialmente em recursos do subsolo. Quando consumimos produtos agrícolas ou carne, a maioria da energia bioquímica que ingerimos não procede do sol mas do petróleo (um recurso escasso e não renovável). Isso coloca graves questionamentos sobre a eficiência e viabilidade de nossos sistemas agropecuários industriais. ‘Comer do sol’ pode ser ecologicamente sustentável, mas ‘comer do petróleo’ não pode ser em caso nenhum. Enquanto a agricultura intensiva tradicional chinesa chegava a alcançar rendimentos de 50 para 1 (com uma caloria de energia externa distinta da solar chegavam a obter 50 calorias de alimento), o sistema agroalimentar norte-americano funciona com rendimento 1:10 em média, ou seja, para se colocar uma caloria sobre a mesa, se investem dez calorias petrolíferas" (cf. Riechmann, 1999 p.30). Bautista Vidal (2000*) também menciona o grande impacto que as plantations (agricultura baseada no petróleo) exercem sobre o meio ambiente.

Pesquisas e decisões que dizem respeito ao desenvolvimento econômico freqüentemente levam a inovações tecnológicas que são apropriadas para larga escala, possuem altos custos, são de difícil manejo e dependem de insumos externos, beneficiando a minoria da população. Ao contrário, invocações para pequena escala, baratas e de fácil manejo podem ser usadas com recursos locais renováveis e são mais propensas a beneficiar os pobres, que são a maioria da população mundial.

Uma vez que a agricultura intensiva em mão-de-obra baseia-se nos recursos renováveis, ela poderia continuar para sempre. Porém, a agricultura baseada em recursos não renováveis está chegando a um beco sem saída, sendo tão não renovável quanto os seus recursos.

O conceito de avanço tecnológico não deve se fundamentar tão somente em diminuição do tempo de processamento dos insumos ou no aumento das economias de escala. A verdadeira tecnologia avançada tem duas características básicas: ela necessariamente reduziria o uso de recursos não renováveis nos processos de produção e produziria itens cujo valor de uso manter-se-ia por longos períodos e uma vez inúteis, retornariam ao meio como parte dos processos naturais.

Nossa sociedade, a exemplo de tantas outras, por necessidade de sobrevivência do modelo econômico que nos é imposto, tem que colocar a todo instante produtos completamente novos no mercado. Para que maiores taxas de produção e vendas sejam alcançadas, diminui-se a durabilidade dos produtos (obsolescência planejada) e são criadas mercadorias cada vez mais supérfluas. Através da ideologia consumista somos levados a substituir "velhas" mercadorias ainda úteis, por novas, acelerando com isso o processo entrópico. As classes mais abastadas buscam nada mais do que a satisfação de desejos superficiais, enquanto que a maioria da população sofre de falta de atendimento às suas necessidades básicas.

O que é realmente necessário produzir para que se possa viver bem, sem desperdícios, mantendo o equilíbrio dos ciclos naturais e uma boa qualidade de vida para a maioria da população ? Essa é a resposta que o movimento ecológico deve buscar.

Podemos dizer que a crise energética não é crise a não ser em relação a um contexto mais amplo que envolve, entre muitos outros aspectos, o nosso modo de produção e seu modelo econômico. Segundo Bautista Vidal (2000), crise também é oportunidade. De fato vimos com Capra (1982, p.24) que wei-ji, termo usado para "crise", é composto dos caracteres "perigo" e "oportunidade".

Mas que rumo a atual crise energética tende a tomar ?

Uma questão que pesa sobre esse rumo é a carga de poluição que o planeta pode suportar. A quantidade de carbono liberada anualmente subiu em 400 milhões de toneladas desde 1986 e a tendência é que um aumento rápido e mais destrutivo para o clima global venha a acontecer a menos que as emissões sejam cortadas.

Dentro desse contexto conflitante de aumento progressivo de demanda de energia e da necessidade de reduzir o impacto ambiental decorrente dessa demanda, Oliveira et al (1999) realizaram um estudo sobre os percentuais de participação das principais formas de geração de energia nas três últimas décadas pelos países responsáveis por mais de 95% da produção mundial. A conclusão mais geral é que "todos os grupos apresentaram crescimento na produção de energia. Quanto à evolução percentual da participação das diversas formas de energia, de modo geral, é possível verificar o impacto do aumento de custo do petróleo comparando-se os anos de 1975 e 1985, onde há um acentuado decréscimo do percentual de uso do óleo em todos os grupos. Com exceção dos grupos B (Canadá, França, Inglaterra e Itália) e E (Argentina, Brasil, Chile, República Checa, Hungria, Malásia, México e Polônia), houve um considerável aumento na participação do carvão como fonte de energia. Isso era de se esperar, tendo em vista as matrizes energéticas individuais desses grupos. No entanto, é uma das fontes de energia que mais contribui para a degradação do meio ambiente. Outra conclusão impactante é que todos os grupos apresentaram razoável aumento no percentual de participação na geração de energia nuclear".

"Nos países industrializados, os grandes setores de atividades responsáveis pela poluição do meio ambiente são, por ordem decrescente, os transportes rodoviários, as indústrias, as termelétricas e o uso doméstico. Nas indústrias e termelétricas, a queima de óleo ou carvão para a produção de calor ou energia elétrica tem-se constituído na maior fonte de emissão de óxidos de enxofre (SO x )" (CABRAL et al, 1999, p.26). Segundo Bautista Vidal (2000), 82% na energia elétrica dos EUA é gerada a partir da

queima de carvão mineral e a China é hoje o 2º maior poluidor. Ele enfatiza que trata-se de um modelo suicida: são 6 bilhões de toneladas de carbono/ano na atmosfera ! O "Efeito Estufa" é talvez o maior problema ambiental decorrente dessa crise energética e mudanças climáticas (tornados, etc) já estão acontecendo em maior grau por causa disso, completa ele.

Por outro lado, crescem as restrições de ordem social e política. Em anos recentes, cidadãos de todo o mundo vêm se rebelando contra as "soluções" energéticas que os governos de seus países almejam. Por exemplo, a expansão nuclear foi rejeitada pelos habitantes da ex-Alemanha ocidental e tecnologias menos controvertidas foram também interrompidas: usinas elétricas acionadas a carvão são agora construídas cada vez menos nordeste dos EUA e os esforços do governo da Índia para construir novas hidrelétricas defrontam-se com massivo protesto público. O petróleo, em particular, além de não renovável, encontra restrições de ordem geopolítica pois cerca de 2/3 das atuais reservas mundiais estão na região do Golfo Pérsico.

O rumo deve ser portanto em direção a uma economia solar, sendo a conversão direta de energia solar a mais provável pedra angular de um sistema mundial de energia sustentável. Bautista Vidal (2000), que também critica o encantamento com a tecnosfera, nos alerta que "os países hegemônicos – todos no hemisfério norte - não têm alternativas para escapar desse modelo baseado em recursos não renováveis (= carvão + petróleo). A "alternativa" nuclear tem sido na verdade um pesadelo, argumenta ele, pois trata-se de uma energia que não é nem barata, nem limpa, nem segura, como foi prometido. Não se sabe o que vai acontecer com o plutônio daqui a 60 ou 100 anos, muito menos daqui a 500 mil anos (quando ele teoricamente continuará matando). A tecnologia da fusão poderá ser uma alternativa real, mas continua muito longe de ser dominada. Ele destaca que nós temos alternativas, mas que o Brasil está perdendo o trem da história e ressalta a importância do potencial energético solar abundante nos trópicos, especialmente no Brasil, país de dimensões continentais. No Brasil, a incidência solar diária equivale a 360.000 Itaipus".

De fato, CABRAL et al, (1999, p.27) comentam que "o recurso da energia solar, em particular sob a forma da energia solar térmica e fotovoltaica e da energia eólica, apesar de ser muito mais abundante do que qualquer outro recurso energético fóssil, tem tido, até então, um uso diminuto. Avanços tecnológicos alcançados na área fotovoltaica, com o aumento da eficiência das células, com novas formas e geometrias dos painéis, adequadas para uso na construção civil, e as perspectivas de redução de custos ainda maiores com o aumento do mercado, estão colocando a energia solar e eólica entre as opções economicamente viáveis, para uma série de aplicações, inclusive a geração de energia para injeção na rede elétrica".

Bautista Vidal culpa nossos dirigentes aliados à tirania financeira e a mídia - que faz o jogo da destruição da nossa cultura – pelo não aproveitamento desse nosso patrimônio e pela nossa submissão a um modelo falido para o qual temos alternativas reais.

Observações:

(1): As capturas marinhas se acham estagnadas desde 1988 em torno de 90 milhões de toneladas/ano, um nível insustentável que está esgotando as zonas pesqueiras super exploradas. Riechmann (1999) discute também as implicações éticas desse sistema sobre o sofrimento animal e a sáude humana (veja o texto "Questão animal, questão ambiental").

(2): Além da obsolescência que se refere à diminuição proposital do tempo de vida útil de um produto, há a obsolescência cultural, que sobrevive às custas de modismos e da perpetuação de um determinado estilo de vida.

Bibliografia citada:

RIECHMANN, Jorge. Menos carne, mejor carne, vida para el campo

(reflexiones sobre ecologia, ética y dieta). El Ecologista, (17), verão 1999: 30-

34.

CABRAL, Ronaldo, SANTOS, José Ricardo & DAMASO, Vinicius. Utilização da energia solar em sistemas híbridos. Anais do seminário "Educação Ambiental:

compromisso com a sociedade", Rio de Janeiro, MZ Editora, 1999: 24-28.

OLIVEIRA, Claudio, AZEVEDO, Flávio, LEAL FILHO, Paulo, SILVA, Carlos. Evolução das formas de produção de energia como perspectiva de impacto ambiental nas últimas três décadas. Anais do seminário "Educação Ambiental:

compromisso com a sociedade", Rio de Janeiro, MZ Editora, 1999: 80-85.

(*) Dados da Palestra "Colapso Energético Mundial" proferida pelo Prof. Dr .J.W. Bautista Vidal em 01/06/2000, "Semana da Energia", organizada pelo Conselho das Entidades Estudantis do Centro Tecnológico da UFSC.

(1): As capturas marinhas se acham estagnadas desde 1988 em torno de 90 milhões de toneladas/ano,