Você está na página 1de 13

música como meio de religação com a fonte.

Site: http://portalarcoiris.ning
Local: Núcleo de Meditação e Estudos do Portal Arco Íris-Rio de Janeiro

A história da música imerge na história do Homem. Não há certezas sobre a sua origem e será muito
difícil descobrir o porquê da sua génese. Em termos concretos, o que se sabe dos primórdios da
nossa actividade musical provém essencialmente de alguma iconografia que sobreviveu a milhares
de anos, e.g. as pinturas rupestres na gruta de “Les Trois Frères ”, consideradas como o mais antigo
testemunho da nossa história musical e que parecem evidenciar que o Homem pré-histórico já usava
os sons de forma intencional.

Ainda do período paleolítico também se conhecem instrumentos de sopro, feitos de osso, e.g. a
flauta encontrada na Eslovénia (em 1995 ), que se calcula datar de aproximadamente 45 000 anos
atrás. Contudo, a importância da figura de “Les Trois Frères” é particularmente significativa, porque,
ao mesmo tempo que parece retratar um instrumento de corda, o arco musical também mostra uma
associação da música (no caso, execução instrumental) e a dança com uma situação conotada com
aspectos transcendentes, ritualistas e mágicos.

A Música, a Magia, o Divino e o Cosmos“


Para el hombre y las culturas primitivas, la música no es un arte: es un poder, cuya fuerza la ubica
en el origen mismo del mundo.” (Perazzo ).
Esta perspectiva encontra-se igualmente nas obras, ou fragmentos de obras, que nos chegaram da
antiguidade, nas quais a música aparece, frequentemente, associada a uma origem divina, aos
mitos, a uma ideia de sobrenatural ou ainda aos elementos cósmicos. Seguem-se alguns exemplos:
na China, considerava-se que os princípios da música seriam os mesmos do eterno sagrado, huang
chung, expressão que tanto se referia ao tom fundamental da música chinesa como, no sentido
simbólico, à autoridade divina; na Índia, segundo a tradição, o próprio Brahma ensinou o canto ao
profeta Narada e este, por sua vez, transmitiu-o ao resto dos homens; no Egipto, antes do ano de
4000 a.C., a música também era recorrente nos ritos, cerimónias religiosas e militares, festas etc.
Para os egípcios, o Deus Thoth teria criado o mundo através de sons . Os babilónios e os gregos
relacionavam o som com o cosmos através de uma concepção matemática das vibrações acústicas,
representadas numericamente e expressas também na astrologia:
“Los pitagóricos concibieron la escala musical como un elemento estructural dentro del cosmos.
Además, el firmamento se reflejaba como una especie de armonía – la ‘armonía de las esferas’ –, y
el espado tonal se obtenía por medio de una sola cuerda tensada (monocordio), de manera que
reflejase esa armonía.” (Robertson e Stevens ).
É neste contexto que Platão (c.428/27 a.C. - 347 a.C.), que considerava a astronomia e a música
como ciências irmãs, “tal como afirmam os pitagóricos” , refere o som provocado pelo movimento
dos planetas, acompanhado pelo canto das deusas Láquesis, Cloto e Átropos ; e que Aristóteles
(c.384 a.C. – 322 a.C.), em A Metafísica, escreve, citando os pitagóricos, que: “todo o céu é
harmonia e número” .

A Harmonia das Esferas e a Teoria do Éthos


As ideias de uma alma do mundo (anima mundi, tal como Platão a descreve em O Timeu ) ou de
uma harmonia das esferas, macrocósmica, actuante e com efeitos no Homem (microcosmos), têm
como percursoras (no âmbito da cultura ocidental) os trabalhos dos filósofos e pensadores pré-
socráticos. Nestes, destaca-se naturalmente o vulto de Pitágoras (c.570-500 a.C.), a quem se atribui
a descoberta da expressão numérica dos intervalos da escala musical, definidos, então, como
relações proporcionais que se encontram no cosmos, na natureza e na alma dos homens bons .
Nesta perspectiva, às harmonias (modos ), constituídas por relações intervalares proporcionais às do
cosmos, corresponderiam características comportamentais e tipos de personalidade específicos.
Estes princípios, desenvolvidos pelos Pitagóricos dos séculos seguintes, preconizaram a célebre
teoria do éthos , baseada nas ideias de que: a música de uma nação expressa o carácter do seu
povo ; os sons, decorrentes das vibrações de cada planeta, influenciam o comportamento humano.
Para Dâmon de Atenas, mestre de música ateniense do século V a.C., que se dedicou às relações
entre a ética e a música, tanto era verdade que a boa música criava almas boas, como o inverso:
“(…) deve ter-se cuidado com a mudança para um novo género musical, que pode pôr tudo em risco.
É que nunca se abalam os géneros musicais sem abalar as mais altas leis da cidade, como Dâmon
afirma e eu creio” (Platão, A República, 424b-c).
Tanto Platão como Aristóteles mostraram apreensão acerca dos efeitos de determinados tipos de
harmonias, pelo que se detiveram de forma pormenorizada na análise do tipo de música – modos,
ritmos e instrumentos – que poderiam ser permitidos numa civilização ideal. Em A República, Platão
estabelece diferenças entre vários tipos de harmonias e seus efeitos e define os tipos de música que
deveriam ser permitidos numa civilização ideal. No volume V de A Política, Aristóteles associa
estados anímicos tais como dor ou embriaguez, entre outros, aos diversos modos da música grega,
i.e. pressupondo que cada ritmo, cada som ou escala teriam o seu éthos respectivo.
Em resumo, atentando nos pressupostos da teoria do éthos, i.e., na ideia que a música pode afectar
o carácter e que os diferentes tipos de harmonia (modos) têm sobre ele efeitos diferentes,
encontramos a essência das ideias que preconizam a actual musicoterapia.

Alguns Antecedentes: Música, Medicina e Terapia


A relação da música com a medicina também é longínqua. Remonta, provavelmente, à civilização
egípcia a origem dos primeiros escritos sobre a acção da música no corpo humano: os papiros
médicos descobertos pelo antropólogo inglês Flandres Petrie, em Kahum (1899), de c. 1500 a.C.,
mencionam a influência benéfica da música na fertilidade da mulher . Também são referências
importantes as lendas da mitologia grega (e outros relatos) que enumeram episódios sobre o poder
calmante e terapêutico da música: Homero afirma que Aquiles foi encontrado na sua tenda tocando
em uma magnífica lira e expurgando a sua cólera ; Orfeu, que aprendeu a arte com o próprio Apolo,
deus da música e da medicina, ao “tanger a sua lira melodiosa, arrastava as árvores e conduzia os
animais selvagens da floresta” ; Empédocles (482 - 430 a.C.) “era capaz de apaziguar paixões (…)
foi o que fez a um jovem furioso, cantando versos da Odisseia” . Os Pitagóricos e os Coribantes
usavam a música para expulsar os agentes causadores da doença e restabelecer a harmonia entre
corpo e alma e Demócrito (c.460-370 a.C.) sustentava que muitas doenças poderiam ser curadas
através de sons melodiosos de uma flauta .

No primeiro século d.C. o médico grego Asclepíades de Bitínia (c.124 – 40 a.C.) empregava a
música para acalmar a excitação dos alienados e usava a trompete para curar a ciática. Esta
tradição perdurou até à era cristã – e.g., Galeno (131-201 a.C.), também médico, acreditava que a
música tinha o poder de combater a depressão e os estados de tristeza .

No Antigo Testamento atribuíam-se à música poderes idênticos:


“Todas as vezes que o espírito de Deus o acometia, David tomava a lira e tocava; então Saul se
acalmava, sentia-se melhor e o mau espírito o deixava” (Bíblia de Jerusalém, Samuel 16, 23).
Já na Idade Média, em De Institutione musica, Boécio (480-524), que também se ocupou da
influência da música sobre os estados violentos, refere curas efectuadas por Pitágoras, a um
alcoólico, e por Empédocles, a um louco, e como os pitagóricos induziam o sono através de
melodias doces . Na verdade, este tipo de relato encontra-se com abundância ao longo da história:
Benenzon cita fontes medievais, tanto árabes como judias, “onde se narra com frequência como se
chamavam os músicos para aliviar as dores dos enfermos no hospital” . No século XV, o musicógrafo
flamengo Tinctoris (1445-1511) afirmava que um dos objectivos da música seria o de curar as
doenças . Ainda nesta época, salienta-se o trabalho de Marsílio Ficino (1433-99) que, de forma
pioneira, preconizou a musicoterapia activa ao prescrever que: “O homem melancólico execu¬tará, e
às vezes inventará ele mesmo, os ares musicais (…) ele cantará e tangerá a lira” . Nesta óptica, a
música deixaria de ser uma medicação externa e passaria a fazer parte do processo terapêutico.

Em 1584, o naturalista italiano Giambattista della Porta (1537-1615) escrevia, na sua obra Magiae
naturalis , que o som advindo de instrumentos musicais feitos da mesma madeira de plantas
medicinais produzia os mesmos efeitos terapêuticos: “as plantas de madeira de álamo, por exemplo,
seriam efica¬zes contra as dores de ciática, as de madeira de heléboro contra as enfermidades
nervosas, enquanto que os instrumentos feitos com fibra da planta de rícino provocariam efeitos
purgativos” . Athanasius Kircher (c.1602-1680), no século XVII, recomendava o uso terapêutico da
música, depois de ter experimentado em si os seus efeitos. Na sua perspectiva:

“The sound has an attractive property; it draws out disease, which streams out to encounter the
musical wave, and the two, blending together, disappear in space” (Blavatsky, 1877: 215).
Finalmente, no século XVIII, em 1729, aparece o texto mais antigo (conhecido) sobre música e
medicina , de Richard Browne. Depois, e a partir de 1880, com o advento da experimentação
psicofisiológica, ocorreu uma maior aproximação entre a neurologia e a psiquiatria, surgindo uma
possibilidade de fundamentar, de forma científica, o uso terapêutico da música com base nos efeitos
neurofisiológicos produzidos.

O Século XX e a Emergência da Musicoterapia


Não obstante a atenção em torno dos efeitos curativos da música, o advento da Musicoterapia é
recente . É só no século XX que se institui como ciência e passa a ser considerada na sua realidade
pluridisciplinar e pluridimensional, i.e., como disciplina de carácter científico, pressupondo um corpo
teórico próprio mas também assumidamente interrelacionado com outras áreas, tais como a arte, a
medicina, a psicologia e a reeducação.
“Como ciência, a musicoterapia é recente, tendo acelerado o seu desenvolvimento após a 2ª Guerra
Mundial, em hospitais para reabilitação dos feridos de guerra, nos Estados Unidos. Desde então, a
pesquisa da relação som/ser humano, tanto na sua dinâmica normal, como no seu uso terapêutico,
têm crescido ano a ano” (APEMESP ).
Na primeira metade do século XX, até cerca de 1945/50, dão-se passos fundamentais nos campos
da investigação experimental, ao desenvolverem-se estudos sobre diversas populações,
nomeadamente, esquizofrénicos, adolescentes, idosos, bem como doentes com problemas
cardiovasculares ou cancerígenos, entre outros . A partir de 1950, são criadas associações em
vários países: a National Association for Music Therapy (1950), nos E.U.A., a Society for Music
Therapy and Remedial Music (1958), actual British Society for Music Therapy, entre outras, que
pressupõem a criação de estatutos e códigos deontológicos. Em Portugal, a Associação Portuguesa
de Musicoterapia foi criada em 1996, ano em que a Comissão de Prática Clínica da Federação
Mundial de Musicoterapia apresentou a seguinte definição:

“Musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos musicais (som, ritmo, melodia e
harmonia) por um musicoterapeuta qualificado, com um cliente ou um grupo, num processo
planificado com o objectivo de facilitar e promover a comunicação, a relação, a aprendizagem, a
mobilidade, a expressão, a organização e outros objectivos terapêuticos importantes, que vão ao
encontro das suas necessidades físicas, emocionais, mentais, sociais ou cognitivas. A Musicoterapia
tem por objectivo desenvolver potenciais e/ou restaurar funções do indivíduo, a fim de melhorar a
sua organização intrapessoal e/ou interpessoal e, em consequência, adquirir uma melhor qualidade
de vida, através de prevenção, reabilitação ou tratamento” (Comissão de Prática Clínica da
Federação Mundial de Musicoterapia, 1996).

Em Portugal, a Musicoterapia iniciou o seu desenvolvimento na década de 60, altura em que um


grupo de educadores, psicólogos e médicos começaram a interessar-se pela utilização terapêutica
da música e artes em geral. De entre este grupo, destaca-se Arquimedes Santos, o pioneiro do
movimento português da “Educação pela Arte”. Igualmente relevante neste esforço, que culminou no
advento do Curso de Musicoterapia da Madeira (orientado pela Dr.ª Jacqueline Verdeau-Paiillès) e
na fundação da já referida Associação Portuguesa de Musicoterapia, foi o contributo da Associação
Portuguesa de Educação Musical (APEM), a que promoveu o intercâmbio entre profissionais
portugueses e internacionais.

No cômputo internacional, e na perspectiva de Aldridge , as últimas décadas do século passado


foram frutíferas, uma vez que a Musicoterapia passou a enquadrar métodos quantitativos e
qualitativos, fundamentais, na sua perspectiva, para uma aproximação clínica desta natureza, que
envolve os campos da ciência e da arte. Do mesmo modo, os métodos de investigação utilizados
para o estudo de caso também recorrem a metodologias de outras disciplinas, e.g. medicina,
psicologia e sociologia. Assim, os procedimentos protocolares contemplam a análise do exame
clínico, da anamnese, dos dados do inquérito social, da observação directa, dos testes psicológicos
clássicos e, só então, o estudo da personalidade musical (Identidade Sonora [I.S. ]), que se infere
através de testes próprios (e.g., o Bilan Psicomusical de Verdeau-Paillès) . A aquisição destas
informações permitirá ao terapeuta decidir sobre a colocação (ou não) de um projecto
musicoterapêutico e definir modalidades de aplicação das Técnicas Psicomusicais (T.P.), termo que
refere o conjunto de estratégias utilizadas em Musicoterapia.

Técnicas Psicomusicais
Entre as Técnicas Psicomusicais, há uma subdivisão conceptual entre técnicas receptivas, activas, e
associadas ou mistas . Note-se, porém, que entre as técnicas receptivas e as técnicas activas não
há uma divisão estanque, dado que, num processo de recepção musical, há actividade orgânica e
psicológica implícita, assim como, na produção ou actividade musical, também há, obviamente,
receptividade sonora e/ou musical.

De modo geral, as Técnicas Psicomusicais Receptivas (T.P.R.) permitem a estimulação da


afectividade, o apaziguamento de angústias e a criação de um espaço sonoro protector. Têm
interesse: a) de diagnóstico, através da aplicação do Bilan Psicomusical, análise das relações e
posicionamento do sujeito com a música e da sua Identidade Sonora; b) terapêutico, através da
escuta afectiva, montagens terapêuticas, retrato musical, técnicas de activação, técnicas projectivas,
entre outras. A sua forma de aplicação é variável, i.e., podem constituir-se em sessões individuais ou
de grupo, sob diversas formas, por exemplo: a) técnicas de escuta individuais: relaxamento
psicomusical, escuta de uma ou várias obras com ou sem verbalização, associação de obras, etc; b)
técnicas de escuta em grupo; escuta baseada numa escolha conjunta dos participantes, audição de
música com verbalização, relaxamento psicomusical, etc.

As Técnicas Psicomusicais Activas (T.P.A.) fazem parte dos métodos de utilização terapêutica e
psicopedagógica da música, cujos processos essenciais são a participação activa dos sujeitos numa
criação sonora/musical comum. Têm como objectivos gerais: aprofundar o conhecimento de
aspectos da personalidade; colocar em evidência perturbações; fornecer ao grupo e a cada indivíduo
um novo meio de se exprimir e de comunicar com a ajuda duma linguagem não verbal ; trabalhar a
expressão rítmica e melódica dos indivíduos, a interacção e a criatividade.

À semelhança das TPR, as TPA podem ser aplicadas em contexto individual ou de grupo e
contemplam a utilização do corpo, voz e percussões corporais, do ambiente sonoro e expressão
musical instrumental. Habitualmente recorre-se a instrumentos simples, de fácil manuseamento, e.g.,
instrumental Orff, instrumentos tradicionais, instrumentos adaptados às deficiências e, ainda,
instrumentos inventados e/ou fabricados para o efeito.

Por último, apresentam-se as Técnicas Psicomusicais Associadas ou Mistas (T.P.M.) que consistem,
como o próprio nome indica, na associação de duas ou mais técnicas de expressão,
designadamente: expressão pictural e gráfica sob indução musical; música e expressão verbal
escrita e oral; música e mímica ou outra forma de expressão corporal. Estas e outras possibilidades
podem ser usadas simultaneamente ou em sucessão no decorrer de uma sessão de tratamento.
Como todas as técnicas psicomusicais, as T.P.M. podem ser utilizadas tanto em sessões individuais
como de grupo, com especial ênfase na criatividade e no aspecto da activação da terapia.

A classificação apresentada não é a única mas tem a vantagem de não ser incompatível com outras
de carácter mais específico, e.g. técnicas apresentadas por Maranto, Bruscia, Bonny, Wigram-
Maranto e Sabbatella .
Indicações da Musicoterapia
De acordo com Verdeau-Paillès , as indicações da Musicoterapia são a consequência directa dos
seus princípios e colocam-se sempre que um sujeito receptivo à música apresente qualquer
indicação de entre as seguintes: a) sintomáticas, tais como, desarmonias gestuais, handicaps
sensoriais, angústia, desorganização da vida interior, dificuldades em se aceitar a si próprio e aos
outros, assim como em se inserir na realidade, distúrbios comunicacionais, inibições e bloqueios; b)
nosográficas, que se traduzam em doenças somáticas, doenças psicossomáticas, afecções
neuropsiquiátricas orgânicas (epilepsias, oligofrenias, sequelas derivadas de intervenções cirúrgicas
ou de lesões vasculares), neuroses, psicoses, desequilíbrios psíquicos e toxicomanias. Na
perspectiva de Sabbatella , as áreas de prática profissional são as seguintes: prevenção, educação,
reeducação, reabilitação, psicoterapia, medicina, recreação (i.e. visando o desenvolvimento
pessoal), formação académica e supervisão.

CONCLUSÃO
O conceito de música na actualidade não tem muito em comum com aquela força misteriosa que os
antigos associaram aos deuses e à magia. Do mesmo modo, o percurso da Musicoterapia foi
também polissémico, i.e., os efeitos da música foram igualmente atribuídos a forças extra-sensoriais.
Se ao longo da história ambas foram alvo de interesse nos contextos da magia, da religião, da
filosofia, da política, da ética e da ciência, poder-se-á deduzir a possibilidade de a música ser tão
importante por causa do seu efeito sobre o ser humano e a natureza em geral – sem pretender
desvalorizar a fruição estética.
Pelo que foi referido, parece pertinente pensar na Musicoterapia como um modo de auto e hetero
ajuda e de enriquecimento pessoal, social e cultural. Simultaneamente, poder-se-á olhar para esta
área da ciência, recente e ao mesmo tempo tão enraizada na nossa natureza, como uma forma
intrinsecamente humana de promover o encontro de cada sujeito consigo próprio e, a partir daí, com
os outros e com o mundo. Em último reduto ….
“Music washes away from the soul the dust of everyday life” (Berthold Auerbach in Berthold Auerbach
quotes ).

Margarida Azevedo
Licenciatura em Educação Musical. Mestrado em Ciências Musicais.
Professora de música. Musicoterapeuta.

Aristóteles, “Politics” (The Politics and The Constitution of Athens. Cambridge: Cambridge University
Press, ed. Stephen Everson, 1996, VIII.IV, 1339a15-16).
“Trois Frères, Les”, Encyclopædia Britannica (Encyclopædia Britannica Premium Service, 2006,
disponível em http://www.britannica.com/eb/article-9073471 [FEV 2006]).
J. Chailley, “40 000 Anos de Música” (Ed. Luis de Caralt, Barcelona, 1970, p.5).
I. Turk, “Neanderthal flute”, Government Public Relations and Media Office, 2003 (disponível em
http://www.uvi.si/eng/slovenia/background-information/neanderthal-flute/ [FEV 2006].
J. I. P. P. Perazzo, “Algunos antecedentes históricos de la Música en las Culturas Ancestrales
avanzadas”, 2004 (disponível em http://histomusica.com/hitos/10_antecedentes.html [FEV 2006]).
J. Alvin, “Musicoterapia” (Ed. Paidos, Buenos Aires, 1967) e P. Rivière no artigo “Un Bref Historique
de la Musicothérapie” (disponível em http://www.aecoute.net/txt/Histo.htm [FEV de 2006]).
A. Robertson, & D. Stevens, “Historia General de la Música” (Madrid, ed. Istmo, 1972, vol. I, p. 154).
Platão, “A República” 530d (Ed. Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Trad. port. de Mª Helena da
Rocha Pereira, 2001).
Idem 617c.
Aristóteles, “De Mundo”, Cap. V, 296:21 apud F. Freitas no artigo “Harmonia” (Enciclopédia Luso
Brasileira da Cultura, s. d., p. 1562 -1563).
Em “O Timeu” (c. 360 a.C.) Platão descreve a sua concepção sobre a criação da “Alma do Mundo”
através de uma espécie de monocórdio celestial (F. Freitas, Op. Cit., p. 1562).
Sparshott & Goehr, “Historical Survey, Antiquity – 1750: Hellenic and Hellenistic Thought” (Grove
Music Online, ed. L. Macy. Disponível em: http://www.grovemusic.com [MAR 2004]).
“O conceito de harmonia para os gregos detinha uma significação alargada. Do ponto de vista da
doutrina pitagórica dos números, a harmonia exprimia a relação das partes com o todo implicando o
conceito matemático de proporção (…). Do ponto de vista musical, harmonia significava uma
sucessão de sete notas ordenadas e constituíam-se em sete espécies (…) a mixolídia ou lídia mista,
lídia (que se identifica com a sintonolídia do texto), hipolídia, frigia, hipofrígia ou iónia, dória,
hipodória (talvez idêntica à eólia). Esta última não é mencionada por Platão” (…). As ‘harmonias’ ou
modos musicais gregos têm o seu equivalente moderno mais próximo nas nossas escalas maiores e
menores (…)” (A.M. Azevedo, “A Música como Expressão e Representação Juvenil: Entre o Normal
e o Patológico”, Tese de mestrado. Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2005, p.17).
“Etimológicamente, “êthos significa originariamente en griego morada habitual (de los animales), y de
donde deriva éthos (la primera palabra con éta y ésta con épsilon: êthos y éthos) que es lo habitual o
hábito. Êthos es un plexo de actitudes o una estructura modal de habitar el mundo” (Dussel, 1973:8
apud A.M. Azevedo, Op.Cit. p.19).
“(…) national music expressed national character or éthos” in Sparshoot & Goehr, “Historical Survey,
Antiquity – 1750: Hellenic and Hellenistic Thought” (Grove Music Online, ed. L. Macy. Disponível em:
[MAR 2004]).
J. I. P Sanz, “El Concepto de Musicoterapia a través de la Historia” (Revista Interuniversitaria de
Formación del Profesorado, Monográfico Musicoterapia, nº 42, Dec. de 2001, pp.19-31, disponível
em http://musica.rediris.es/leeme/ [FEV 2006]).
R. Benenzon, “Manual de Musicoterapia” (Ed. Enelivros, Rio de Janeiro, 1985, p. 165).
J. Alvin, Op. Cit. (p. 58).
Ribeiro (1999) apud A.M. Azevedo, Op. Cit., p.12)
Brun apud A.M. Azevedo, Op. Cit. (p. 12).
M.H. Rocha Pereira, “Introdução, tradução e notas da obra de Platão” em “A República” (Ed.
Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2001, p. 15).
H. P. Blavatsky, “Isis Unveiled” (disponível em http://www.theosociety.org/pasadena/isis/iu1-07.htm
[FEV 2006].
“Asclepiades of Bithynia” (Encyclopædia Britannica. Encyclopædia Britannica Premium Service.
Disponível em http://www.britannica.com/eb/article?tocId=9009791 [DEZ 2004]).
J. I. P Sanz , Op. Cit. (p. 22).
Potiron (1961:38) apud A.M. Azevedo, Op. Cit. (p. 12).
R. Benenzon, Op. Cit. (p. 165).
E. Willems, “La valeur Humaine de l’Éducation Musicale” (Éd. Pro Musica, Suisse, 1975, p. 145)
R. Benenzon, Op. Cit. (p. 170)
Giambattista della Porta, “Magiae naturalis (1584)” (disponível em: http://72.14.207.104/search?
q=cache:KP7ZHbUGTJwJ:www.theosociety.org/pasadena/isis/iu1-07.htm+%22Magia+Naturalis
%22+music&hl=pt-PT&ct=clnk&cd=49 [FEV 2006]).
R. Benenzon, Op. Cit. (p. 168)
“Medicina Musica”, ou, “A Mechanical Essay on the Effects of Singing, Musick, and Dancing on
Human Bodies”.
J. Verdeau-Paillès, “Musicoterapia: Reflexões e perspectivas” (Conferência proferida no Funchal, por
ocasião do final do 1º Curso de Musicoterapia, Março de 1992. In Revista da Associação Portuguesa
de Educação Musical. Trad. Teresa Paula Leite. Rev. Gabriela C. Gomes).
Patxi del Campo, Secretário da Federação Mundial de Musicoterapia, apresenta a musicoterapia
como uma combinação de várias disciplinas, das quais destaca a psicologia da música, a acústica e
psicoacústica, a composição, a teoria da música, a psicologia e a psiquiatria, em torno de dois temas
principais, a música e a terapia (Aldridge, 2002).
A.M. Azevedo, “Musicoterapia – Análise da Realidade Portuguesa num Enquadramento Terapêutico
e Psicopedagógico” (Monografia [não publicada], Curso de Musicoterapia da Madeira, Direcção
Regional de Educação Especial da Madeira [também disponível na bibliotecas da Associação
Portuguesa de Educação Musical] 1988, p.14)
D. Aldridge, “An Overview of Music Therapy Research” (Complementary Therapies in Medicin, 1994,
2:204-216).
O Curso de Musicoterapia da Madeira resultou de uma parceria entre a Secretaria Regional de
Educação, através da Direcção Regional de Educação Especial, e da Universidade René Descartes.
A Direcção Pedagógica esteve a cargo da Dra. Jacqueline Verdeau-Paillès (Neuropsiquiatra,
Musicoterapeuta e Docente na Universidade René Descartes, Paris V) coadjuvada por formadores
de várias áreas: Dr. Sales Caldeira (Madeira), Psiquiatra e Psicanalista; Dr. M. Michel Kieffer
(Luxemburgo), Psicomotricista e Musicoterapeuta; Prof. Anne Bustarret (França), Professora de
Educação Musical e Docente da Universidade de Paris V; Dra. Klara Kokas (Hungria), Instituto
Kodaly, Keskemet; Dr. Luc Bastide (França), Psicólogo, Professor e Director do Centro de
Audiovisuais da Universidade René Descartes – Paris V, entre outros.
D. Aldridge, “Music Therapy Research: A Review of References in the Medical Literature. (2002,
disponível em: http://www.musictherapyworld.de/modules/archive/stuff/papers/mtreview.pdf [DEZ
2004]).
A I.S. é constituída pelas características subjectivas e objectivas que diferenciam um indivíduo ou um
grupo de indivíduos, nas suas relações com o mundo sonoro interior e exterior. Tem a ver com as
músicas/sons “referência” do sujeito, i.e.: o interesse manifesto por certos instrumentos e tipo de
música; a rejeição de obras musicais, instrumentos e de categorias de sons; os ritmos corporais
pessoais (o ritmo dos seus movimentos e as sonoridades “internas” do sujeito), etc. As componentes
da I.S. são: o tempo pessoal do sujeito; o encontro de sons regressivos (cada um de nós guarda na
sua memória sonoridades que marcaram a sua infância e que serão eventualmente peças
necessárias a reactivar); o estádio/momento sonoro actual do indivíduo, que é indispensável para a
constituição do projecto terapêutico (J. Verdeau-Paillès, “L’Identité Sonore - du Concept à l’Aplication
en Musicothérapie”; textos/material de apoio ao terceiro curso de Musicoterapia da Madeira,
1995/98).
O Bilan Psicomusical é um instrumento de uso musicoterapêutico (publicado em 1981 por J.
Verdeau-Paillès no livro “Le Bilan Psycho-musical et la Personnalité”, Ed. Fuzeau); é um teste
projectivo que usa os sons e a música e, como tal, permite ao paciente/sujeito, a expressão e
posterior análise da sua personalidade nos seus aspectos imutáveis, flutuações, processos e
evolução. No entanto, e assim como os testes de aptidões, os testes projectivos clássicos e os testes
de técnicas expressivas, este também não permite a colocação de um diagnóstico, não define nem
afirma critérios de (a)normalidade e não constitui só por si uma terapia.
J. Verdeau-Paillès, “Les Méthodes d’Aplication de la Musicothérapie ou Techniques Psicomusicales”
(Textos/material de apoio ao terceiro curso de Musicoterapia da Madeira, 1995/98).
J. Verdeau-Paillès e J.M. G.Caladou no artigo “As Técnicas Psicomusicais Activas de Grupo e a sua
Aplicação em Psiquiatria” (Revista da Associação Portuguesa de Educação Musical. Boletim 55,
Outubro/Dezembro de 1987. Trad. Teresa Paula Leite. Rev. Gabriela C. Gomes).
Maranto (1993), Bruscia (1897), Bonny (1993), Wigram-Maranto (1997) referidos por P. Sabbatella
no artigo “Un Estudio Bibliográfico sobre Metodología de Trabajo y Evaluación en Musicoterapia”
(Revista Música, Terapia y Comunicación. Nº 18., 1998, p. 70).
J. Verdeau-Paillès, “Les Indications de la Musicoterapie” (Textos/material de apoio ao terceiro curso
de Musicoterapia da Madeira, 1995/98b) e J. Verdeau-Paillès e J.M. G.Caladou, Op. Cit., Verdeau-
Paillès, J. (1995/98).
P. Sabbatella, Op. Cit. (p.68)
Berthold Auerbach quotes (disponível em: http://en.thinkexist.com/quotes/berthold_auerbach/ [FEV
2006]).

Perscrutando a Harmonia perdida – a Música na Adolescência


“A música está muito presente nas nossas vidas (…). A música pesada, por exemplo, quando estou
a estudar, consigo considerá-la boa música. Música a adormecer, música a acordar. (…) Todos
temos a música sempre presente na nossa vida. Estamos sempre, sempre, a ouvir música” (1).

A omnipresença da música
A música, através dos sons e silêncios que lhe dão vida, entremeia tudo, em qualquer contexto,
aparência ou forma. Até nós mesmos. Tantas vezes de modo imperceptível, subtil ou ignorado… por
vezes de forma deliberada, apetecida ou apaixonada. No início era o Verbo… por estas ou por
semelhantes palavras se alude, nas diversas concepções religiosas, à criação dos mundos ora
conhecidos e aos acordes que os sustentam. “O universo é a canção do seu Criador” (2). Ao som
(bem como à entoação), desde há muito que é reconhecido um poder criador… ou destruidor.

Para Pitágoras, Sócrates ou Platão, se nós conhecêssemos o acorde do nosso “ser mais íntimo”, da
psyché ou alma, e nos sintonizássemos com Ele, logo harmonizaríamos o nosso corpo, o modo
como pensamos e sentimos, em conformidade com esse Ser profundo que nos anima, tornando-nos
perfeitos (3). Uma das nossas maiores dificuldades é ouvirmo-nos e discernirmos o que é
harmonioso e engrandecedor, em lugar do que é dissonante, redutor e, eventualmente, patológico.
Música deriva de mousiké, liga-se ao templo ou à arte das musas, da qual todas as artes derivaram
(4). Para Platão “a música é a filosofia dos deuses. Foi-nos dada, por causa da harmonia, pelas
musas, como uma ajuda para a revolução íntima da alma, quando esta perdeu a sua harmonia, e
para apoiar a restauração da sua ordem e a reconciliar consigo própria”. Mais tarde, um professor
definiu-a assim: “A música é um fenómeno acústico para o prosaico; um problema de melodia,
harmonia e ritmo para o teórico; e o desdobramento das asas da alma, o despertar e a realização de
todos os sonhos e anseios de quem verdadeiramente a ama” (5).
A vida em si mesma é movimento e o movimento gera som. Então, a vida também é som e, num
certo sentido, tudo é música (6). Daí ser natural comunicarmos pelo som (7). Qualquer coisa,
objecto, ideação, ser, tanto ao nível do micro como do macrocosmos, é (uma forma de) energia, tem
uma vibração própria caracterizada em particular por alguma nota ou acorde. Mesmo no silêncio, há
algo de subtil que sempre vibra e permanece como um enigma silencioso por descobrir e despertar.
Segundo o músico John Cage, “não existe silêncio total porque há sempre algo que emite um som”.
E é “nesse silêncio” que podemos tentar escutar o ecoar “desse som primordial” em vias de se
manifestar sensitivamente, até mesmo no olhar distante dos adolescentes que, indecisos, curiosos,
perdidos ou receosos, hesitam em falar.
A verdade é que o silêncio precede sempre o som. Contudo, é filosoficamente inconcebível, tal como
o nada ou o vazio. É somente ao aprendermos a escutar e ao começarmos a perscrutar o “silêncio
interior” que iniciamos verdadeiramente o caminho de auto-descoberta e de alguma revelação (ainda
que ínfima e fugidia) acerca de quem somos, do que somos, donde vimos e para onde vamos. Aos
poucos começamos a entender o caminho que queremos realmente percorrer, com a estranha e
incómoda sensação que é ao pensarmos e agirmos por dever (e não por atracção, repulsão… ou
indiferença) que nos é oferecida uma sensação (agridoce) de liberdade.

“No Silêncio – só no Silêncio – no vazio que é repleto – só no vazio que é repleto – no nada que é
tudo – só no nada que é tudo – há Liberdade” 8).

A premência da música na adolescência


Todos nós “navegamos” continuamente em múltiplos sons, mesmo se absortos em preocupações,
ruídos e interferências típicas, nesta “sociedade do prazer, da informação e do conhecimento”,
apressada e tecnologicamente dependente. Isso é habitualmente evidente num jovem adolescente,
na sua ânsia de crescer, autonomizar-se e sentir-se livre (9). Sendo a adolescência um período
caracterizado por grande inquietação, dúvidas existenciais essenciais, emoções cambiantes e
momentos ora de desequilíbrio, ora de equilíbrio - num caminho fecundo de descobertas,
sentimentos pulsantes e intensos, animado ao som da música -, e dada a relação tão íntima
verificada entre as emoções e a música, é lógico que exista uma estreita ligação entre a
adolescência e a música. Quem melhor do que os adolescentes - procurando entender o que a vida
lhes transmite e na ânsia de sentir que estão mesmo a viver - realçará o que a música suscita?
Como os poderemos compreender (e a todos nós…) se não conhecermos minimamente a música
que ouvem e apreciam?**
Algumas práticas comuns na adolescência associam-se às chamadas culturas juvenis, relacionam-
se em especial com a integração social de cada jovem, através da partilha e acúmulo de
experiências e referências identitárias, bem como de disposições simbólicas, normativas, morais,
ideológicas e culturais específicas. Entre estas destaca-se a música, essencial na formação da
identidade pessoal e social, no estimular da sociabilidade e na socialização na adolescência (10). A
música escutada em grupo, p.e. nos grandes concertos de rock, é um bom exemplo deste processo.
Num estudo recente verificou-se entre jovens portugueses dos 15 aos 29 anos, que apenas 1,1% diz
nunca ouvir música! Perto de 50% prefere ouvir música agradável, alegre, divertida ou que
descontraia; ao chegar a casa, 80% ouvem música e 70% estudam ou trabalham ao som da música
(11). Um outro estudo revelou que 92,3% dos jovens ouve música todos os dias, tendo por hábito pôr
a música a tocar em casa mas apenas cerca de 5% estão única e exclusivamente concentrados na
música; para mais de 20% dos jovens inquiridos, a música é uma componente importante na sua
formação como pessoa, sendo que 42% a associam a distracção e a prazer, e 22% dizem não poder
viver sem ela; para 54% desses jovens, a música influencia a sua personalidade, enquanto quase
91% relevou a influência da mesma no seu estado de espírito (ou temperamento), quase 46% nos
seus comportamentos, 53% nas atitudes, e cerca de 27% no seu aspecto visual (12).
Nalguns casos, a atenção dada pelos jovens à música poderá ser superada pelo tempo concedido à
televisão, à internet, aos filmes ou aos jogos. Mas, em geral, a actividade de lazer mais comum entre
os jovens adolescentes continua a ser ouvir música, não só nos tempos livres mas “no âmbito das
actividades que estes adolescentes realizam, independentemente do contexto em que elas se
realizam” (13). Por exemplo, numa investigação realizada também com jovens portugueses
observou-se que para 30% a música é importante na sua vida, e para 50% é mesmo bastante/muito
importante (14). Emerge assim com uma premência inquestionável, indissociável do actual
quotidiano adolescente, e imprescindível no seu desenvolvimento emocional, mental, moral e social.

Efeitos da música, em especial, na adolescência


A sós, acompanhado ou em grupo, no quarto ou em grandes salas, em viagem, a trabalhar, a
estudar, …, na rádio, na televisão, num cd, dvd ou na internet, em público (até no metro e nos
autocarros), num local de convívio ou divertimento, …. a música pode escutar-se em qualquer
momento. A tecnologia actual (portátil e sem fios) deixa o tema favorito ao alcance de um click.
A música, sendo muitas vezes escolhida conforme o que se sente no momento, influi sempre no
estado emocional do ouvinte. Daí, também, a importância da música, e da Musicoterapia, no
acompanhamento de certos adolescentes com dificuldades desenvolvimentais mas, sobretudo, como
uma disciplina regular que se espera poder vir a ser implementada nas escolas, na educação global
e integral da criança e do adolescente, para estimular a sua auto-descoberta, o desenvolvimento das
suas potencialidades, a harmonia e uma melhor comunicação/interacção com o exterior (15).
“O Homem deve buscar a Música do futuro dentro de si mesmo mediante a comunhão com o seu
próprio ser profundo ou espiritual e, por intermédio deste, com todo o universo. Encarada deste
modo, a Música, baseada na compreensão da vida, da essência dos seres (…), mais fácil, definida e
ostensivamente terá uma função terapêutica que, a pouco e pouco, se irá impondo. Ter-se-á em
conta, cada vez mais, o efeito da Música, de cada tipo de musicalidade, de cada obra musical nas
pessoas que a ouvem, e maior cuidado será posto na sua produção e na escolha da sua audição
para cada um e para cada situação ou estado físico ou psíquico” (16).
Conforme a qualidade, intensidade, ritmo e frequência dos estímulos sonoros, a música tanto pode
induzir efeitos edificantes e positivos como desestruturantes e negativos no ser humano (17).
Quaisquer que sejam as circunstâncias e influências em que a música germina, sabemos há muito
que ela veicula uma força poderosa, capaz de alterar a nossa percepção e cognição. Na infância
incute efeitos duradouros no desenvolvimento psicológico, que se repercutem claramente na criança,
no adolescente e, mais tarde, no adulto (18). Sabemos igualmente que alguns tipos de música
ajudam a descontrair, acalmar ou dispor bem. E que músicas com um ritmo muito forte ou
sincopado, ainda que sejam estimulantes, podem ter um efeito (no mínimo) dispersivo no sistema
nervoso, dificultando a concentração ou descontracção.
Qualquer adolescente precisa de sentir-se ligado a si, a algo e a alguém, ser apreciado, estabelecer
laços afectivos, comunicar e partilhar o que pensa e sente. A música pode ajudá-lo a reflectir,
sonhar, vivenciar, imaginar ou exprimir o que sente, ainda que através da peça musical que ouve ou
pelas palavras de outrem. E pode contribuir tanto para viver momentos de grande diversão ou
exaltação, como para aliviar ou atenuar certas tensões e apreensões. Dada a sua forte associação
com as emoções (como a euforia, a melancolia, a alegria ou a tristeza), a música pode também
influenciar o comportamento, o funcionamento corporal e o estado psicológico ou emocional (19) do
adolescente, servindo de via, refúgio ou suporte emocional, até nos períodos de isolamento ou
incompreensão, ou funcionando como espelho de pensamentos, símbolos e sentimentos.
Dada a suposta relação de algumas músicas (e do seu conteúdo) com a criatividade e o
desenvolvimento da sensibilidade e inteligência, por um lado, e com os distúrbios psicológicos, as
condutas suicidas ou para-suicidas adolescentes, por outro, várias pesquisas têm sido efectuadas. É
assim que as preferências musicais constituem um importante indicador para os técnicos de saúde,
auxiliando-os nos cuidados primários a prestar (20).
O que continua por estudar é o efeito de músicas que, pela sua composição, ritmo, compasso e
timbre, veiculam algumas qualidades associadas a quaisquer dos sete principais tipos de
temperamento humano, ou às sete qualidades fundamentais da vida. “O músico do futuro penetrará
no fundo de si mesmo e, em silêncio e calma, encontrará a musicalidade íntima do seu ser e dos
outros seres” (21). Então a música será uma terapia aperfeiçoada.

Preferências musicais adolescentes


A música pode aproximar os membros de um grupo de adolescentes, unindo-os em redor de uma
tarefa ou objectivo comum, compensando ou prevalecendo sobre aquilo que os separa ou distingue,
dadas as suas pertenças sociais, referências ideológicas, simbólicas ou outras. A preferência por
certas músicas, as ideias e os comportamentos que se lhe associam, podem variar consoante a
etnia, a cultura, a religião, o contexto, a idade e o sexo. Os estilos de música preferidos podem até
diferenciar algumas (sub)culturas juvenis, periféricas à cultura de massas, ao oferecer referências ou
modelos de identificação. Por exemplo, pelo modo como se vestem, apresentam ou comportam, não
é difícil reconhecermos os jovens que se designam como punks, metálicos, góticos ou rappers.
Os jovens procuram na música alguma autenticidade, afirmação, um meio de integração ou distinção
na sociedade. Quando em meados do século XX surgiu o estilo designado por rock, enquanto
contra-cultura ou provocação, revelou-se essencial na procura identitária adolescente, passando a
ser genericamente utilizado para definir a música jovem. A combinação de ritmos, vozes e melodia
parece ser tão importante como as letras para suscitar uma preferência musical.
Na prática, os adolescentes podem gostar de vários tipos ou estilos musicais. Entre os estilos actuais
mais comuns encontramos, p.e., o rock, hard rock, heavy metal, black metal, grunge, alternative
rock, new metal (ou nu metal), punk, pop, pop/rock, trip-hop, hip-hop, etc. É muito difícil, senão
impossível, categorizar o estilo de um dado autor ou grupo pois, frequentemente, o mesmo
apresenta características diversas, nas fronteiras de vários estilos; por outro lado, ele pode compor
música com estilos diferentes. Os estilos musicais tendem a esbater-se e muitos dos gostos
revelados pelos jovens são transitórios, enquanto que outros são convictos e permanecem no tempo.
Numa investigação recente, ao questionarmos adolescentes de ambos os sexos e com idades entre
os 15 e os 18 anos acerca da música (sobre o que esta lhes faz pensar e sentir) e dos seus gostos
musicais, deixámos que fossem eles a referir os autores ou grupos que preferem ouvir e, só depois,
agrupámos as preferências encontradas em estilos, pelas características e significados associados
aos grupos escolhidos, ao tipo de música e ao que a mesma transmite (22). Averiguámos que
associações existiam entre esses estilos e certos comportamentos, sentimentos e pensamentos,
ligados a várias questões como, p.e., a vida, sentimentos, morte e suicídio.**
Verificámos que os adolescentes têm uma visão algo hedonista da vida: embora não deixem de
assinalar a tristeza, o trabalho, a morte e os problemas, sobrevalorizam o prazer, a felicidade, a
diversão, o convívio, as relações familiares, os amigos e o amor. Neste contexto, vêem na música
um meio privilegiado de expressar e partilhar emoções, tão importante nos melhores momentos
como nos menos bons. Porém, associam-na mais a pensamentos, sentimentos ou imagens positivas
da vida, do que negativas. As raparigas, mais do que os rapazes, relevam a música como
divertimento e prazer mas, também, como apreensão, fonte de relações afectivas e convivência.
As preferências musicais mais consensuais (23) dos adolescentes são o rock/grunge, o punk/rock e
o pop/rock. Enquanto que quem aprecia pop e trip-hop aprecia também outros estilos, quem gosta
sobretudo de música mais pesada, (new)metal p.e., não ouve pop e só gosta de estilos associados a
tensão, contestação, visão dura da realidade ou discursos ideológicos (como o rock punk ou grunge).
Em geral os rapazes gostam mais de música pesada do que as raparigas; estas (tal como quem
nunca pensou em suicídio) preferem ouvir música mais leve, alegre, romântica ou dançável, estilo
pop/trip-hop, preferências que se associam a uma (diminuição de comportamentos de risco e uma)
visão mais positiva da vida. O gosto muito acentuado por “estilos pesados”(24), em particular entre
os rapazes mais novos, é o que mais se liga a uma visão menos positiva da vida.(25)

Alguns comentários finais


A música é essencial no decorrer de toda a adolescência… e não só. Está presente em quase todos
os momentos e circunstâncias. Oferta-nos um meio de nos darmos a conhecer (mutuamente), de
nos ligarmos, equilibrarmos e harmonizarmos. Os gostos musicais dos adolescentes são como
janelas que se nos abrem para o seu íntimo, para cada criança que ficou para trás e para o adulto
em formação; reflectem aspectos da sua personalidade e da sua individualidade; dão-nos indícios
importantes acerca das suas ideias e sentimentos, sobre si mesmos, os outros, … a vida. Em
qualquer estilo, a (boa) música, supera a limitação das palavras, reflecte muito sobre quem a
compôs e não menos sobre quem a refere ou escuta, atentamente. Pela música, o ouvinte e o
músico dão lugar a algo maior, que os liga entre si, no plano afectivo e no abstracto, tal como sucede
com o amor. “Transforma-se o ouvinte na música ouvida”.(26)
É importante encontrar a oportunidade de escutar os adolescentes sobre o que mais gostam de
ouvir, o que os leva a essas preferências, que motivações têm, o que pensam sobre o que ouvem, o
que as músicas lhes fazem sentir. Aprender música, ou sobre música, implica, antes de mais, saber
escutar. E aprender a escutar é, certamente, dos desafios mais difíceis que nos são proporcionados.
A música pode ter um grande poder e influência na vida humana, na disposição emocional, na
terapêutica de certas doenças, na prevenção dos actos (para)suicidas, no bem-estar, relaxamento e
concentração, no desenvolvimento da inteligência, do pensamento abstracto, da sensibilidade e das
capacidades criativas, … na educação.
O ensino tem sido muito mais voltado para a instrução do que para a educação. É essencial
contribuirmos mais para novos modelos de educação, mais justos, correctos e edificantes. A música
pode realmente ajudar o indivíduo a sintonizar-se consigo mesmo, com a chama que o anima; pode
estimulá-lo a descobrir-se, a encontrar, manifestar e desenvolver o que de melhor já existe no seu
íntimo; pode auxiliá-lo a transcender-se e a catapultá-lo para além dos seus limites, libertando-o dos
grilhões que tantas vezes o amordaçam em deveres repetitivos, redutores ou mesquinhos, em casa
ou na escola. Ora, isto é particularmente vital na infância e na adolescência. Como escreveu um dia
Agostinho da Silva, “chegou o tempo de nos prepararmos para as novas viagens, que o soltar das
amarras vem aí” (27). Que venha mesmo. Insuflado pelo vento superior, ao sabor da música!
Os trabalhos com sons e música, a educação musical e a musicoterapia, adaptados às
características psicológicas de cada jovem (de acordo com o seu temperamento e estado de
desenvolvimento individual), podem associar-se a técnicas de concentração, meditação ou
visualização criativa, e aliar-se com outras práticas (individuais ou grupais), artes e ciências. É
necessário envolver os pais, professores e todos os agentes do ensino em geral. Educar não é levar
alguém a ser algo que outrem deseja ou lhe projecta, não é moldar e muito menos violentar a
potencialidade de um jovem ou influir na sua orientação futura; é, sim, dar meios de expressão à sua
criatividade e capacidade de comunicação e concretização, é ajudá-lo no caminho, apoiando-o e
incitando-o sem o direccionar abusivamente. A música na escola é uma disciplina essencial.
O adolescente, em fase de descoberta intensa e oscilante vivência emocional, tem que romper
certas ilusões, desenvolver o raciocínio abstracto, encontrar um ritmo próprio, um equilíbrio e um
acorde ou harmonia interior, que o leve a percorrer o (longo) caminho escolhido e auxilie na
premência de encontrar (alguma explicação para) o sentido da Vida.
A música é indispensável em todo este movimento evolutivo, a nível individual, grupal e social. Até a
Humanidade, como se estivesse também a passar por um período de adolescência, parece
despertar lentamente para os grandes problemas que afectam o mundo, num movimento contínuo.
Afinal, a vida é, em si mesma, movimento e música.
“A música é a grande síntese de todas as artes, (…) é a mais perfeita representação do Verbo
divino”.(28) Mas é também uma ciência, que se deve apreciar pela emoção e compreender pela
inteligência.(29) O músico que penetra no fundo de si mesmo tenta encontrar a musicalidade íntima
do seu ser e de todos os seres.(30) Num sentido profundo, poderemos nós abordar a vida sem nos
referirmos à música? A música revela a ordem magnificente do cosmos e, por analogia, de cada
adolescente, de cada um de nós. Conseguiremos escutá-la?

Abílio Oliveira
Professor do DCTI no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa; Investigador na
Unidade de Investigação e Desenvolvimento em Enfermagem; Autor de livros como “O Desafio da
Morte”, “SobreViver” e “Dar e Amar”.

Notas:
** Desenvolvemos e aprofundámos esta temática no trabalho Ilusões: A Melodia e o Sentido da Vida
na Idade das Emoções, tese de Doutoramento, Lisboa, ISCTE, 2004; o presente artigo baseia-se
precisamente numa parte desse trabalho.
1) Sérgio (adolescente com 15 anos) citado por Daniel Sampaio no livro Vozes e Ruídos, Lisboa,
Caminho, 1993, p. 43.
2), 16), 21) e 30) Franco Morais no livro A Essência da Arte, Lisboa, Centro Lusitano de Unificação
Cultural (C.L.U.C.), 1990, págs. 31, 34, 37.
3) “Cada ser, de algum modo, é e expressa-se por um número vibratório – um número que é o Som
da sua Vida” (excerto do livro Introdução à Sabedoria e Técnica Grupais, Lisboa, C.L.U.C., 1990, p.
57)
4) J. Flórido em Pietro Ubaldi: Profeta da Nova Era (col. Omnia), Lisboa, Centro Lusitano de
Unificação Cultural, 1997.
5) Claret no livro O Poder da Música, São Paulo, Martin Claret, 1996.
6) K. Pahlen no livro Nova História Universal da Música, São Paulo, Melhoramentos, 1991.
7) Carl Sagan no livro Biliões e Biliões, Lisboa, Gradiva, 1997.
Sementes e Pérolas, Lisboa, C.L.U.C., 1989, semente 1, p. 9.
9) Escrevemos também sobre a adolescência no nº 2 da Biosofia, 1999, págs. 8-11.
10) e.g., D. Campos no livro Psicologia da Adolescência, Petrópolis, Vozes, 2000; V. Strasburger no
livro Os Adolescentes e a Mídia, São Paulo, Artmed, 1999.
11) M. Cabral e M. Pais, J. no livro Condutas de Risco, Práticas Culturais e Atitudes perante o Corpo
- Resultados de um Inquérito aos Jovens Portugueses em 2000 (Col. Estudos Sobre Juventude, 4),
Oeiras, Celta/SEJ, 2003.
12) P. Nunes em A Música no Universo Juvenil: Práticas e Representações. Tese de Mestrado,
Lisboa, Fac. de Ciências Sociais e Humanas – UNL, 1997.
13) A. Rodrigues em Valores e Representações Corporais em Culturas Juvenis Escolares. Tese de
Mestrado, Lisboa: FMH-UTL, 1997, p. 108.
14) C. Barros no livro Música e Juventude, Lisboa, Vulgata, 2000.
15) sobre musicoterapia pode consultar, neste mesmo nº da Biosofia, o artigo de Margarida
Azevedo.
17) A música actua a todos os níveis e em todos os seres, especialmente nos humanos, mas não
só… Tem-se verificado que a música também influencia o desenvolvimento e as reacções dos
animais e das plantas; por exemplo no caso das plantas, certas músicas, sob idênticas condições
externas, provocam retraimento e degeneração enquanto que outras induzem um rápido e saudável
crescimento; no caso dos animais, são clássicas as experiências em que vacas ao ouvirem certos
trechos de Mozart produziram mais leite; algo de semelhante se observou ao escutarem Atom Heart
Mother dos Pink Floyd.
18) e.g., R. Stewart, Música e psique, São Paulo, Cultrix, 1996.
19) e.g., K. Scheel e J. Westefeld. Heavy Metal Music and Adolescent Suicidality: an Empirical
Investigation. Adolescence, vol. 34, 134, 1999, págs. 253-273.
20) e.g., E. Brown e W. Hendee. Adolescents and their Music: Insights into the Health of
Adolescents. Journal of the American Medical Association, nº 262, 1989, págs. 1659-1663.
22) Caracterizámos os diferentes estilos musicais noutro contexto (ver nota **). Mais importante do
que conhecermos os autores ou estilos preferidos é contextualizar esses gostos musicais, perceber
em que situações emergem, com o que se relacionam, não só com outros gostos (ainda que menos
acentuados ou circunstanciais) mas com a visão de si, dos outros e da vida, e verificar como
evoluem as preferências musicais ao longo do tempo. O essencial é perceber o que a música
veicula, em termos de som, melodia e ritmo, das letras ou dos poemas. Existem preferências por
convicção (que se apreciam mesmo), que não dependem de modas, e preferências ocasionais,
circunstanciais ou sazonais (algo que se ouve enquanto está no top, é moda, passa na rádio ou na
discoteca, etc.).
23) Encontrámos (entre 1999 e 2003) algumas preferências musicais convictas: Nirvana, Pearl Jam,
U2, Offspring, Smashing Pumpkins e, em menor grau, Lenny Kravitz, Xutos e Pontapés, Silence
4/David Fonseca, Green Day, Metallica, Alanis Morissette, REM, Queen, The Doors, Beethoven ou
Marilyn Manson; e muitos nomes apareceram apenas ocasionalmente.
24) Não consideramos somente os aspectos ligados com a música em si mesma mas, também, com
o seu conteúdo em termos líricos, por exemplo, naquilo que veicula e transmite.
25) São, neste caso, mais frequentes as ideias de suicídio, os comportamentos auto-agressivos e a
vontade de morrer; o acentuado gosto por rock/grunge é o mais associado a ira, tensão, mal-estar,
medo, bem como à compaixão e ao suicídio como fuga ou resolução. Salientamos que este gosto,
quando quase exclusivista, costuma esbater-se com a idade e mescla-se com outras preferências;
somente os adolescentes com grandes dificuldades em encontrar uma razão positiva e válida para
viver tendem a manter este gosto musical. Mais uma vez se salienta a importância da música na
prevenção em saúde.
26) Adaptação das palavras de Camões num dos seus mais belos sonetos: “Transforma-se o
amador na cousa amada”
27) Excerto de Educação de Portugal, Lisboa, Ulmeiro, Porto, 1996, p. 78.
28) Excerto de Pérolas de Luz III, Lisboa, CLUC, 1991, pág. 115.
29) E.g., J. James no livro The Music of the Spheres, London, Abacus, 1993.

“A Música aprofunda a nossa humanidade, faz-nos mergulhar na nossa consciência, para lhe sondar
os abismos. E ao contemplar a nossa dor, volvida em poemas de harmonias, sentimo-nos
acompanhados, porque toda a gente sofre como nós, e medimos o alcance universal das nossas
inquietações. E achamo-nos eleitos, porque o nosso martírio aumentou o património de beleza do
mundo. A grande Música, mais que uma invenção ou criação, afigura-se um descobrimento de
nesgas do absoluto” (F. Figueiredo em Música e Pensamento, Lisboa, Guimarães ed., 1958, p. 59)

****************************************************
Parte do acervo aqui disponibilizado faz parte do material pesquisado pelo Núcleo de
Meditação, Estudos e Terapias Holísticas do Portal Arco Íris.

Portal Arco Íris-Núcleo de Meditação, Estudos e Terapias Holísticas


Rio de Janeiro-RJ
e-mail: fatima_dosanjos@yahoo.com.br
tel.: (21) 78710023 e (21)97673052