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Material organizado para o Seminário de Formação Continuada de Professores:

Desafios e Perspectivas da Secretaria Municipal de Educação de Fazenda Rio


Grande.
Realização ICEET- Instituto de Ciência, Educação e Tecnologia
Autora: Maria Sueli

História Afro Brasileira


Nós, professores, somos, na verdade, contadores de história. Contamos a história da
humanidade para nossos alunos. Só que a história que nós contamos não é a
história de um só povo. Temos a missão de contar a história de muitos povos, em
tempos diferentes, e que também tiveram modos diferentes de viver.

Lopes, 2001

CULTURA AFRO-BRASILEIRA E AFRICANA

“Respeitar as diferenças é um dos princípios básicos da democracia. Cada povo,


cada raça, cada cultura tem identidade própria, peculiaridades que resistem à
globalização da economia e da comunicação. A construção de uma sociedade mais
justa e feliz ocorre no cotidiano das pessoas com a prática de atitudes positivas em
todas as relações humanas, sejam elas familiares profissionais ou comunitárias”.

Alexandre Miguel de Souza – Web Designer

O professor Carlos Serrano, do Departamento de Antropologia, concede


entrevista e fala sobre a nova lei que insere o estudo da história e da cultura
afro-brasileira nos Ensinos Fundamental e Médio. A lei inclui história da África,
dos africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra e suas contribuições
nas áreas social, econômica e política. Angolano, Serrano pertence ao Centro
de Estudos Africanos da FFLCH – (Faculdade de Filosofia, Letras, Ciências e
Humanas).

Rodolfo Vianna pergunta:

Professor, qual a importância da nova lei?

“Isso não é uma novidade, penso eu. Para aqueles que lidam, sobretudo com o
ensino dos temas ligados à África é uma criação que vem já há muito.
Principalmente na Universidade na medida em que houve continuamente uma
luta, por parte daqueles que trabalham com coisas ligadas à África ou afro-
brasileiras, de fazer prevalecer um espaço onde essas discussões possam
acontecer. Não se deve esquecer que também o Movimento Negro como no
caso da Bahia tem uma experiência no campo educativo desde a década de 80.
Então, nós dentro do Centro de Estudos Africanos dentro da USP, criado há
mais de 30 anos, tínhamos em parte essa finalidade: trazer para a
Universidade um espaço que pudesse ser de reflexão e de dar a conhecer
determinados aspectos, não só do conhecimento africano, como algumas
dimensões da diáspora.

A diáspora a qual o senhor se refere é o movimento originado da


escravidão, com a retirada de negros da África pelo tráfico?

Sim, e de criação de uma cultura própria. Não se poderia dizer que há, agora,
uma cultura africana, mas durante todo esse tempo construiu-se também uma
cultura específica dos afro-descendesntes. Coisas que facilmente se encontram
no dia a dia, que as pessoas podem não perceber. A forma do linguajar, no
léxico empregado no cotidiano, uma infinidade de palavras de origem africana
e que se esquece, inclusive como tributo cultural africano que hoje,
evidentemente, é brasileiro porque foi criado aqui. Seja lingüístico, seja de
ordem religiosa, que é importante, culinária, enfim, vários aspectos que até se
folclorizam, mas que não se cristalizaram, ao contrário, vão se transformando
e até foram apropriados pela sociedade. Basta falar de MPB. O que é MPB?
Nada mais é do que uma música que tem origem afro-brasileira. O samba,
etc.

PROJETO INTERDICIPLINAR
COMO TRABALHAR A LEI 10.639/03?
DEVE SER ABORDADO NA ESCOLA DURANTE TODO ANO LETIVO E NÃO SOMENTE EM DATAS ESPECÍFICAS.

1. COMO FAZER VALER A LEI?


- DEVE SER INCLUÍDA NO CURRÍCULO, NO PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO, NAS
REUNIÕES DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES.
2. O QUE NÃO PODEMOS MAIS FAZER?

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- TRATAR A LEI COMO CURSO, OFICINA, SEMINÁRIO PARA DEPOIS SER
ESQUECIDA PELAS ESCOLAS.

COMO APROVEITAR O ESPAÇO ESCOLAR COMO NO MOMENTO PEDAGÓGICO


PARA DISCUTIR A DIVERSIDADE?

A IDENTIDADE ÉTNICA PASSA PELAS


INDAGAÇÕES:

- QUEM SOU EU?


- QUAL A MINHA DESCENDÊNCIA?
- OS MEUS ANTEPASSADOS, QUEM FORAM?
- DE ONDE VIERAM?
- O QUE FIZERAM?

QUAL O CAMINHO DA MUDANÇA?

- A INTERDISCIPLINARIDADE E MULTIDISCIPLINARIDADE.

- A ABORDAGEM INTERDISCIPLINAR E MULTIDISCIPLINAR DEVERÁ SER FEITA


ATRAVÉS DE PROJETOS.

EXEMPLOS:

- EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

- estudo da arte de origem africana e afro descendentes.

- culinária

- estudo dos grandes compositores negros no Brasil

- estudo e confecção de máscaras pontuando a sua importância na cultura

- africana.Pinturas em camisetas

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- Confecção de berimbau (lata de leite ninho, 1m. de cano PVC, 90cm de arame ou fio de
aço,(retirado de pneus) 2 pregos e 2 pedaços pequeno de cabo de vassoura e um cadarço de
tênis).

- LINGUA PORTUGUESA

- influências africanas no vocabulário brasileiro.

- poetas africanos ex. Carolina Maria de Jesus, Teodoro Fernandes Sampaio, André Rebouças,
Luis Gonzaga Pinto da Gama, Lima Barreto, José do Patrocínio, Machado de Assis entre outros

- poetas e escritores negros no Brasil

- letras de musicas que abordem a trajetória do negro no Brasil, que homenageiem grandes
personalidades negras, que falem sobre a discriminação racial, que citem a importância da
diversidade cultural no nosso País...

- comparar obras de escritores negros brasileiros de acordo com a posição que os personagens
negros são apresentados em suas obras.

- HISTÓRIA

- África pré-colonial, seus reis e rainhas formação da população brasileira.

- grandes líderes políticos negros no Brasil e no Mundo.

- a contribuição de pessoas influentes sobre a luta do negro no Brasil, desde o Brasil Colônia até
os dias de hoje, como políticos, poetas, escritores, artistas...

- mitologia comparada.
- trabalhos através da música, fazendo reflexões sobre a letra, o ritmo.
- GEOGRAFIA

- as riquezas naturais da África, origem da raça humana, formação da população no Brasil.

- estudos dos países pertencentes ao Continente Africano de onde partiram os negros


escravizados no Brasil.

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- estados brasileiros onde a presença do negro foi primordial para a formação cultural do local.

- MATEMÁTICA

- estudo de tabelas, percentuais, dados estatísticos (IBGE).

- CIÊNCIAS
Estudo de Juliano Moreira: Psiquiatra negro frente ao racismo
- estudo da formação genética do povo brasileiro

- composição nutricional da culinária africana

- estudo sobre epidemias/qualidade de vida na África

- EDUCAÇÃO FÍSICA

- estudo da capoeira, ritmos.

- ENSINO RELIGIOSO

- a identidade, a ética, o respeito, a diversidade cultural, o sincretismo religioso.

IMPORTANTE

Que todos os envolvidos conheçam as definições legais relativas à elaboração pelas (próprias)
instituições de ensino de seus projetos político-pedagógicos incluindo na organização do
trabalho pedagógico a ser realizado no seu interior a temática das relações étnico-raciais e a
História e Cultura Afro-Brasileira e Africana presentes nos seguintes dispositivos:

· LDB 9.394/96 – Lei que define as diretrizes e bases da educação nacional.

· LEI 10.639/03 – Lei que altera a LDB 9.394/96 que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da
temática “Historia e Cultura Afro-Brasileira”.

· PARECER CNE/CP 003 de 10/03/2004 e a RESOLUÇÃO CNE/CP 001 de 17/07/2004 – que


instituíram e normatizaram as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações
Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
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Documentos na íntegra nos sites: http://www.planalto.gov.br no link legislação/leis ordinárias e
http://www.mec.gov.br/cne

POR QUE DEVEMOS ESTUDAR A HISTÓRIA AFRICANA?

Para responder a questões como esta. È necessário a utilização de estratégias que chamem a
atenção dos “ouvintes”(alunos ou mesmo outros educadores) para a importância da África na
trajetória histórica da humanidade. É claro que também não podemos esquecer de enfocar seu
rico e específico conjunto de sociedades e experiências culturais, sociais, econômicas e políticas.

Eis alguns elementos para começar a refletir e a construir bons argumentos sobre a temática.

1. O estudo da história do continente africana possibilita a correção das referências equivocadas


que carregamos sobre os africanos.

2. Valorizar algo que está esquecido por muitos: nossa ancestralidade africana. É necessário que
articulemos dados sobre a intensa participação africana na elaboração da sociedade brasileira
com a ininterrupta tarefa de combate ao racismo e às práticas discriminatórias a que estão
sujeitos diariamente milhares de africanos e afro-descendentes espalhados pelo mundo.

3. Em uma perspectiva legal e jurídica da questão não se pode ignorar que, com a Lei nº.
10.639/03, o ensino da história da África nas escolas tornou-se obrigatório. E mesmo antes
disso, os próprios Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) já estabeleciam diretrizes nesse
sentido. Ora, se temos de ensinar, portanto, temos de saber como fazê-lo .

4. E, por fim, existe o caráter formativo e intelectual, pois a África possui muitas escolas de
pensadores, de artistas, de intelectuais, e contribuições para o entendimento e construção do
patrimônio histórico/cultural da humanidade que possamos estar estudanso.

A Lei 10.639 de 09 de janeiro do corrente ano sancionada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva alterou a Lei de
Diretrizes e Bases (LDB). A partir de então, tornou-se obrigatório a inclusão, no currículo das escolas de ensino
fundamental e médio (públicas e privadas), o estudo da História e Cultura Afro-brasileira. Busca-se com isso, resgatar a
contribuição da raça negra nas áreas sócio / econômico, política e cultural no cenário brasileiro. A lei propõe ainda, que
os calendários escolares incluam o dia 20 de novembro como Dia Nacional da Consciência Negra.

A RELAÇÃO DA CULTURA NEGRA COM O AFRO CONTEMPORÂNEO NA DANÇA

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Uma das características marcante da cultura negra aqui no Brasil, é a originalidade rítmica e a
primitividade, pois o difícil acesso dos escravos a instrumentos musicais e outros materiais,
proporcionou a criação deste aspecto dentro do nosso folclore. O samba, por exemplo, ritmo
“brasileiro”, preserva estas características melódicas e instrumentais.

Ela procura como forma de expressão, a maneira de viver do indivíduo, que está no seu dia-a-dia,
na sua cultura, de forma a transmitir emoções ligando os movimentos , a música e o equilíbrio do
indivíduo, conforme a professora e coreógrafa Andréa Soares.

As características técnicas da modalidade:

1. Posição de Cadeirinha;
2. Ação de molejo dos joelhos com marcação rítmica para baixo;
3. Ampla movimentação pélvica;
4. A cabeça participando dos movimentos;
5. Tronco livre acompanhando o quadril com ondulações;
6. Muitos gestos expressivos pelos membros superiores (inspirados nas danças dos
orixás).
7. Muito deslocamento;
8. Imitação de animais;
9. Movimentos estilizados representando a capoeira;
10. Tensão nas extremidades;
11. Energia de dentro para fora com movimentos globais e de explosão.

GESTOS DOS MEMBROS SUPERIORES

1. Oferenda – Braço(s) colocado(s) a frente do corpo ou ao lado, levemente flexionado e com


a(s) mão(s) espalmada(s) para cima.
2. Saudação – Braço(s) elevado a frente do corpo e a palma da mão voltada para a frente.
3. Colheita – Ação dos antebraços cruzando e descruzando as mãos na linha da cintura em
movimentos semelhante a uma tesoura.
4. Golpe-alto - Movimento vigoroso de baixar o braço em direção ao chão iniciada acima da
cabeça.
5. Golpe-baixo - Movimento vigoroso do braço partindo da linha da cintura para a frente, ao
lado ou para cima.
6. Passe – Uma ou duas mãos que passam sobre determinada parte do corpo ou do espaço como
se estivesse limpado ou purificando (passe de cabeça, passe de corpo, passe a distância).

Os Instrumentos

O atabaque, agogô, reco-reco, palmas pandeiro e o berimbau.

CAPOEIRA

A capoeira, chegou a ser proibida, e seus praticantes perseguidos.Em 1930, mestre Bimba abriu a
primeira academia de capoeira, em Salvador (BA), transformando o esporte num dos mais
completos, com benefícios ao corpo e à mente. Após ver uma exibição de capoeira no Rio de
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Janeiro, em 1937, o presidente Getúlio Vargas descriminalizou-a e decretou se aquele o “esporte
autenticamente brasileiro”, até então os capoeiristas podiam pegar de dois meses a três anos de
prisão, com pena de deportação no caso de estrangeiros.

Para os grupos mais tradicionais de Salvador, a capoeira é uma forma de expressão da cultura negra.
Trata-se de uma arte marcial afro-brasileira,. “Reduzir a capoeira ao esporte é diminuir seu lado
subjetivo, sua história e sua filosofia”, segundo Pedro Moraes Trindade.

O dinamismo da capoeira, música, palmas, atabaque, pandeiro, berimbau w uma ginga de corpo
jamais vista em qualquer outro esporte, (brasileiríssima como o samba), é também herança valiosa
dos negros africanos que vieram para cá como escravos. Para Manoel Nascimento Machado, ou
mestre Nenéu, ressalta “ O capoeira nunca joga contra o outro, mas com o outro”, ela extrapola a
mera habilidade física.

São trabalhadas as valências físicas como: resistência, agilidade, flexibilidade, velocidade,


equilíbrio, coordenação, ritmo, desenvolvendo a atenção, persistência, coragem e astúcia.Também
aumenta a auto-confiança e consciência corporal.

Dentro do Afro contemporâneo, alguns movimentos são utilizados e adaptados de maneira a


valorizar a nossa cultura. Esta dança faz despertas no indivíduo através dos movimentos,
sentimentos puros, expressivos e extremamente prazerosos de serem executados.

O CANDOMBLÉ E A UMBANDA

Ambas religiões são afro-brasileiras. A Umbanda busca o reconhecimento e possui 100 anos de
história. Cultuam às entidades africana, aos cablocos (espíritos ameríndios), os santos do
catolicismo popular e às outras que foram inseridas com o Kardecismo. Esta possui raízes no
candomblé, no espiritismo e no catolicismo.

• Deuses: Entidades são hierarquizadas, que vai dos espíritos menos “evoluídos” aos mais
“evoluídos”.
• Culto: Desenvolvimento espiritual dos médiuns que, quando “incorporam”, dão passes e
consultas.
• Iniciação Não é necessária. O sacrifício de animais não é obrigatório. O batismo é feito com
água do mar ou de cachoeira.
• Música: Cânticos em português, acompanhados por palmas e atabaques, tocados por fiéis de
qualquer sexo.

O Candomblé possui como diferencial a origem étnica. O Queto, da Bahia, o Xangô, de


Pernambuco, o Batuque, do Rio Grande do Sul, e o Angola, da Bahia e São Paulo. O Queto chegou
com os povos nagôs, que saíram das regiões do Sudão, Nigéria e Benin e falam a língua ioruba, eles
vieram para o Nordeste. Os bantos saíram das regiões de Angola, Moçambique e Congo e vieram
para Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo e Belo Horizonte, criaram o culto ao caboclo, representante
das entidades da mata. Para sobreviver o candomblé se misturou ao catolicismo, onde a saída,
para os escravos, era rezar para um santo e acender a vela para um orixá, nascia assim o sincretismo
religioso. De maneira que o candomblé se incorporou à alma brasileira. Tanto é que o país inteiro
reconhece o grito de felicidade – a saudação mágica: Axé, que significa energia vital e sagrada em
ioruba.
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• Deuses: Orixás de origem africana. Nenhum santo é superior ou inferior, também não existe
o Bem e o Mal, isoladamente.
• Culto: Louvação aos orixás que “incorporam” nos fiéis, para fortalecer o axé (energia vital)
que protege o terreiro e seus membros.
• Iniciação: Condição essencial para participar do culto. O reconhecimento dura de sete a 21
dias. O ritual envolve o sacrifício de animais, a oferenda de alimentos e a obediência a
rígidos preceitos.
• Música: Cânticos em língua africana, acompanhados por três atabaques tocados por
iniciados dos sexo masculino.

Trabalhando com a Música

Bandidos Da AméRica
Daniela Mercury
Composição: Jorge Portugal

Abra os olhos
Encare a cidade
Inverta a verdade
Dessa vida

Abra os olhos
De sua metade
Pra outra metade
Sem saída

Abra os olhos
E assuma os enganos
De 500 anos, cara pálida
Abra os olhos
Que a fome te assalta
E a gente se mata pelos canos

Nós somos bandido da América


América, América
Roubamos 100 anos de solidão
Solidão, solidão
Explodimos o sonho da África
O inconsciente da África
Dizendo não ao não

Salve a dor
Salvador
Salve a dor da América

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Composição: Carlinhos Brown / Mateus

Corre Cosme, chegou


Doum Alabá
Damião Jaçanã
Prá levar e deixar
Alegria do Erê
É ver gente sambar...(2x)

Meu look laquê


Mandei cachear
Me alise prá ver
Meu forte é beijar
Vou cantar Maimbê
Prá você se acabar...

Maimbê, Maimbê, Dandá


Maimbê, Maimbê, Dandá
Maimbê, Maimbê, Dandá
Maimbê, Maimbê, Dandá...(2x)

Zum, Zum, Zum, Zum Zum Bába


Zum Zum Bába, Zum Zum Bába...(4x)

Traga a avenida com você


Maimbê!
Tava esperando Maimbê...(2x)

Zum, Zum, Zum, Zum Zum Bába


Zum Zum Bába, Zum Zum Bába...(4x)

Traga a avenida com você


Tava esperando Maimbê...

Corre Cosme, chegou


Doum Alabá
Damião Jaçanã
Prá levar e deixar
Alegria do Erê
É ver gente sambar...(2x)

Oiá eparrêi
Me ensine a espiar
Com os olhos de quem
Me cega de amar
Vou cantar Maimbê
Prá você se acabar...

Maimbê, Maimbê, Dandá


Maimbê, Maimbê, Dandá
Maimbê, Maimbê, Dandá
Maimbê, Maimbê, Dandá...(2x)
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Zum, Zum, Zum, Zum Zum Bába
Zum Zum Bába, Zum Zum Bába...(4x)

Desperta (preconceito De Cor)


Margareth Menezes
Composição: Margareth Menezes

Por preconceito de cor você perdeu esse amor


Você parou a canção que tocou no coração
Não quis mergulhar no fundo
Não quis pegar minha mão
Você radicalizou, foi duro como cimento
Eu era o buquê em flor, só esperando o momento
Mas se você não sacou, eu vou lhe dizer
É porque eu sou preto que todo mundo é preto
É porque eu sou branco que todo mundo é branco
É porque eu sou índio que todo mundo é índio
É porque, nem porque, é porque

Por preconceito de cor morrem todo dia mil


A fome, a violência, descaso e impaciência
Há ódio a cada segundo, se afunda mais esse mundo
Se acha superior, mágoa a mãe que é santa
Bate na cara que é minha, homem maltrata criança
Pecado de pecador, é preconceito de cor

É porque eu sou preto que todo preto é bom


É porque eu sou branco que todo branco é bom
É porque eu sou índio que todo índio é bom
É porque, nem porque, é porque

Por preconceito de cor, se é pobre já é ladrão


Mas o doutor que roubou nunca vai para prisão
Policial matador tem preconceito de cor
Por preconceito de cor se espalha a ignorância
Não se oferece ajuda, outros perderam esperança
É tanto tempo perdido e um deus-pai esquecido

É porque eu sou preto que vou me esconder


É porque eu sou branco que detesto você
É porque eu sou índio que vou me extinguir
É porque, nem porque, é porque

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Faraó
Margareth Menezes
Deuses, divindade infinita do universo
Predominante esquema mitologico
A enfase do espirito original xuou,
Formara, no épio um novo cosmico
A emersao,
nem osiris sabe como aconteceu
A emersao,
nem osiris sabe como aconteceu
A ordem ou submissao do olho seu
Transformou-se na verdadeira humanidade
Epopéia do codigo de guebe, e eu falei lute
E lute gerou as estrelas
Osiris, proclamou o matrimonio com isis
E o maocete, iradu assassinou, emperaá
Oros, levando avante a vinganca do pai
Derrotando o imperio de maocete
È o grito da vitora que nos satisfaz, cade
Tutankamon, egisé, akaénadon, egisé
Tutankamon, egisé, akaenadon

Eu falei faraó
Ehhhh, farao, eu clamo olodum, pelourino
Ehhhh, farao, piramide da base do egito
Ehhhh, farao eu clamo olodum, pelourinho
Ehhhh, faraó

Que mara, mara, mara, maravilha è, egito,


egito è 3x
Faraóó, ó o o
Pelourinho, uma pequena comunidade
Que porém olodum unirá
Em bracos de confraternidade
Despertai-vos, para a cultura egipcia no brasil
Em vez de cabelos trancados
Veremos turbantes de tutankamon
E nas cabecas enchem-se de liberdade
O povo negro pede igualdade
Deixando de lado as separacoes, cade

refrao

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O Canto da Cidade
Daniela Mercury
Composição: Tote Gira / Daniela Mercury

A cor dessa cidade


Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!..(2x)

O gueto, a rua, a fé
Eu vou andando a pé
Pela cidade bonita
O toque do afoxé
E a força, de onde vem?
Ninguém explica
Ela é bonita...(2x)

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...(2x)

Não diga que não me quer


Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem


Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

A cor dessa cidade


Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!...(2x)

Não diga que não me quer


Não diga que não quer mais
Eu sou o silêncio da noite
O sol da manhã...

Mil voltas o mundo tem


Mas tem um ponto final
Eu sou o primeiro que canta
Eu sou o carnaval...

Uô Ô!
Verdadeiro amor
Uô Ô!
Você vai onde eu vou...(2x)

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A cor dessa cidade
Sou eu!
O canto dessa cidade
É meu!...(2x)

Culinária Afro-Brasileira

O negro introduziu na cozinha o leite de coco-da-baía, o azeite de dendê, confirmou a excelência da pimenta malagueta
sobre a do reino, deu ao Brasil o feijão preto, o quiabo, ensinou a fazer vatapá, caruru, mungunzá, acarajé, angu e
pamonha.

A cozinha negra, pequena mas forte, fez valer os seus temperos, os verdes, a sua maneira de cozinhar. Modificou os
pratos portugueses, substituindo ingredientes; fez a mesma coisa com os pratos da terra; e finalmente criou a cozinha
brasileira, descobrindo o chuchu com camarão, ensinando a fazer pratos com camarão seco e a usar as panelas de barro
e a colher de pau.

O africano contribuiu com a difusão do inhame, da cana de açúcar e do dendezeiro, do qual se faz o azeite-de-dendê. O
leite de coco, de origem polinésia, foi trazido pelos negros, assim como a pimenta malagueta e a galinha de Angola.

Abará

Bolinho de origem afro-brasileira feito com massa de feijão-fradinho temperada com pimenta, sal, cebola e azeite-de-
dendê, algumas vezes com camarão seco, inteiro ou moído e misturado à massa, que é embrulhada em folha de
bananeira e cozida em água. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Iansã, Obá e Ibeji).

Aberém

Bolinho de origem afro-brasileira, feito de milho ou de arroz moído na pedra, macerado em água, salgado e cozido em
folhas de bananeira secas. (No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Omulu e Oxumaré).

Abrazô

Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de farinha de milho ou de mandioca, apimentado, frito em azeite-de-dendê.

Acaçá

Bolinho da culinária afro-brasileira, feito de milho macerado em água fria e depois moído, cozido e envolvido, ainda
morno, em folhas verdes de bananeira. (Acompanha o vatapá ou caruru. Preparado com leite de coco e açúcar, é
chamada acaçá de leite.) [No candomblé, é comida-de-santo, oferecida a Oxalá, Nanã, Ibeji, Iêmanja e Exu.]

Ado
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Doce de origem afro-brasileira feito de milho torrado e moído, misturado com azeite-de-dendê e mel. (No candomblé, é
comida-de-santo, oferecida a Oxum).

Aluá

Bebida refrigerante feita de milho, de arroz ou de casca de abacaxi fermentados com açúcar ou rapadura, usada
tradicionalmente como oferenda aos orixás nas festas populares de origem africana.

Quibebe

Prato típico do Nordeste, de origem africana, feito de carne-de-sol ou com charque, refogado e cozido com abóbora.

Tem a consistência de uma papa grossa e pode ser temperado com azeite-de-dendê e cheiro verde.

Fonte: www.cdcc.sc.usp.br

Receitas

Veja algumas receitas afro-brasileira:

Pé-de-Moleque

Ingredientes
500g de rapadura
250g de amendoim torrado sem sal
1/2 xícara (chá) de água

Modo de preparo
Coloque os amendoins em uma forma e leve ao forno médio para torrar. Reserve.
Unte uma forma ou refratário com manteiga e reserve
Corte a rapadura em pedaços. Junte 1/2 xícara de água e leve ao fogo para derreter.
Quando estiver derretido , acrescente os amendoins e mexa até dar o ponto. Com a ajuda
de uma colher, vá pingando Pé-de-moleque na forma untada e espere esfriar.

Arroz Doce

Ingrientes
folhas de limão
1 pitada de sal
3 xícaras (chá) de água
1 1/4 xícara (chá) de arroz
4 xícaras (chá) de leite
açúcar a gosto
1 lata de doce de leite
1 colher (chá) de canela em pó

Modo de preparo
Em uma panela média, leve ao fogo 3 xícaras (chá) de água com as folhas de limão e o
sal. Quando ferver, acrescente o arroz. Cozinhe até ficar macio. Junte o leite e o doce de
leite. Acrescente a canela e o açucar se for necessário. Deixe apurar por alguns minutos
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e retire do fogo. Coloque o arroz em um refratário e polvilhe com canela.

Bolo de Cenoura

Ingredientes

3 cenouras médias
3 ovos inteiros
1 xícara (chá) de óleo

Bater tudo no liqüidificador

Numa vasilha à parte, misturar 3 xícaras de farinha de trigo, 2 1/2 xícaras de açúcar, 1
colher (sopa) de fermento em pó e 1/2 limão ralado.

Modo de preparo

Misture todos os ingredientes com colher de pau. Coloque em forma untada com
margarina e polvilhada com farinha de trigo e leve ao forno por mais ou menos 20
minutos.

Cobertura de chocolate

Ingredientes

5 colheres (sopa) de açúcar


3 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de leite
1 colher (sopa) de manteiga

Modo de preparo

Coloque tudo na panela e leve ao fogo até dissolver, depois de pronto, despeje em cima
do bolo ainda quente.

Bolo Especial sem Farinha

Ingredientes:
4 ovos inteiros
1 lata de leite condensado
2 colheres (sopa) de manteiga
1 colher (sopa) de fermento em pó
100g de coco ralado

Modo de preparo:

1- Bater no liquidificador todos os ingredientes


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2 - Colocar a massa numa forma e levar para assar em forno pré-aquecido durante 20
minutos.

3 - Faça o teste de palito e sirva

Receita Empadinha

Ingredientes:

500g de farinha de trigo


200g de gordura ou manteiga
1 ovo inteiro
1 xícara (café) de água
sal a gosto
1 gema para pincelar

Ingredientes (recheio):
1 cebola ralada
2 colheres (sopa) de manteiga.
1 peito de frango cozido
1/2 xícara (chá) de azeitonas picadas.
1 tomate sem pele e sem semente

Modo de preparo:
Numa tigela, coloque a farinha, a manteiga, a água, o ovo e o sal.
Amasse bem até conseguir uma massa homogênea.
Prepare o recheio e coloque-o frio.
Coloque na forma Color Cook e leve para assar por 20 minutos

Quindim (Palavra de origem africana que significa dengo, encanto)

Ingredientes
8 gemas
1 xícara ( chá ) de açúcar
1 xícara ( chá ) de coco fresco

Modo de Preparo:
Unte com manteiga e açúcar o fundo de 12 formas.
Numa tigela, junte o açúcar, o coco e as gemas e misture muito bem com uma espátula.
Despeje a massa nas formas.
Coloque em banho-maria no forno por uma hora.
Tire do forno e deixe esfriar.
Desenforme e sirva a seguir.

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III ciclo

Cuscuz de Carne-Seca

Ingredientes:

1/2kg de carne-seca
1/2 xícara (chá) de manteiga de garrafa
2 cebolas picadas
2 dentes de alho amassados
2 tomates picados
molho de pimenta
1 xícara (chá) de farinha de mandioca
1pimentão verde
farinha de milho até dar ponto
2 ovos cozidos
azeitonas verdes
tomate cereja para decorar
cheiro-verde ou coentro a gosto

Modo de preparo:

Deixe a carne-seca de molho na véspera.


Cozinhe na pressão por 20 minutos.
Numa outra panela faça um refogado com tomate, cebola, molho de pimenta e a carne.
Misture as farinhas e coloque cheiro-verde.
Coloque na carne até dar o ponto (quando aparecer o fundo da panela).
Enforme ainda quente na Color Cook e desenforme numa travessa.

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A carne-seca deve ser preparada na véspera, deixando de molho e lavando várias vezes até retirar todo o
sal. Cidinha Santiago, após refogar o tempero, acrescenta a carne-seca e sal.

Misture as farinhas em uma vasilha separada e acrescenta cheiro-verde

Adicione as farinhas anteriormente misturadas, na panela com a carne-seca e demais ingredientes

Decore a forma com pimentão, ovo de codorna, azeitona, e depois coloque a massa do cuscuz.

Após preencher toda forma com a massa do cuscuz, com um pano úmido, prense o cuscuz na forma. Depois
é só desenformar em um prato grande e servir

http://www.portalafro.com.br/aculinaria/cuscuzcarneseca.htm

História da Feijoada
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As origens da Feijoada

O mais brasileiro dos sabores

Reza a tradição que a feijoada, a mais típica entre todas as iguarias que compõem o
rico universo gastronômico brasileiro nos foi legada pelos negros escravos. De
acordo com o relato mais conhecido em todo o país esse delicioso acepipe teria
surgido a partir do repúdio dos portugueses pelas partes menos nobres dos porcos,
como as orelhas, rabos ou pés, que tendo sido rejeitados, eram então cedidos aos
moradores das senzalas, seus escravos.

A alimentação dos escravos, por sua vez, era escassa e composta basicamente por
cereais como o feijão ou o milho. A esses elementos básicos eram acrescidos os
temperos tão tradicionais na história ancestral dos povos africanos que foram para
cá trazidos nos navios negreiros e também a farinha de mandioca.

De posse de todos esses ingredientes comuns em seu cotidiano e reforçados pela


irregular doação das partes negligenciadas da carne de porco, teriam os escravos
resolvido cozinhar tudo ao mesmo tempo com feijão, água, sal e condimentos como
pimentas diversas (sem, contudo, exagerar na dose). Essa prática teria resultado no
surgimento da feijoada que, aos poucos, teria deixado o habitat específico dos
trabalhadores cativos e chegado as Casas Grandes dos senhores de engenho.

Não há como averiguar com total certeza a autenticidade desse relato. Na verdade, a
busca pelas origens da feijoada demanda uma pesquisa que nos permita juntar
peças e montar um autêntico quebra-cabeças a partir de depoimentos e documentos
de época que demonstrem
quando e como esse tradicional prato foi sendo construído.

Os regionalismos impõem pequenas diferenças ao consumo de feijão e de feijoada


em nosso país, mas alguns ingredientes são básicos nessa produção, como o
toicinho e a carne seca.

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Há, entretanto, entre os pesquisadores mais consistentes do setor de história da
alimentação, a constatação de que é pouco provável que os afro-brasileiros tenham
sido os criadores dessa obra-prima da gastronomia nacional. É lógico que isso está
sujeito a contestações de toda ordem já que estamos falando de uma verdadeira
paixão nacional...

O início de nossa conversa sobre a feijoada nos faz retornar ao tempo em que os
portugueses por aqui chegaram, na transição do século XV para o XVI. Nesse
período foi verificada a existência do comandá (ou comaná, cumaná) entre os
indígenas que por aqui viviam. O feijão era uma das plantas que foram identificadas
como parte da dieta regular dos indígenas (se bem que, como sabemos, a base
dessa alimentação tupi-guarani era a mandioca).

O feijão já existia em nossas terras, mas não era um produto genuinamente


americano ou mais especificamente brasileiro. Ele já era consumido na Europa e na
África. E mesmo aqui, no Novo Continente, não era o prato principal como
poderíamos pensar. Também não era consumido diariamente pelos africanos ou
pelos europeus.

Quem consolida o gosto e o consumo de feijão em nossas terras não é o explorador


português que se estabelecia em nossas terras, tampouco os indígenas que se
alimentavam de feijão como complementação de suas refeições e nem mesmo o
africano que estava sendo importado para executar o trabalho pesado nos
nascentes canaviais nordestinos. O consumo regular foi consolidado pelos próprios
brasileiros, ou seja, pelos descendentes de europeus, africanos e indígenas que dão
origem a essa etnia tão particular e renovada nascida em nossas terras.

Mas, historicamente, que brasileiros são esses que criam esse laço de amor eterno
com o feijão?

Os bandeirantes paulistas e os vaqueiros nordestinos promoveram a expansão do


território nacional e consolidaram historicamente o consumo de feijão em nosso
país.

De acordo com o célebre estudo “História da Alimentação no Brasil”, de autoria de


um fenomenal pesquisador brasileiro chamado Luís da Câmara Cascudo, o sabor do
feijão se incorpora ao cotidiano dos brasileiros a partir da ação de dois
grupamentos, um atuando especificamente a partir do sudeste e outro do nordeste,
ou seja, os bandeirantes paulistas e os vaqueiros nordestinos.

Em seu processo de interiorização de nosso país, caçando bugres ou tocando gado,


os exploradores paulistas e os criadores de gado da Bahia e de Pernambuco tinham
em sua bagagem a farinha, a carne seca e o feijão como companheiros inseparáveis
pelas trilhas inóspitas em que perambulavam. A razão para isso era o fato de que
esses víveres eram duráveis e podiam ser carregados por longos caminhos sem que
viessem a apodrecer rapidamente.

No caso do feijão há um adendo, por onde passavam ou aonde se estabeleciam


tanto os bandeirantes quanto os vaqueiros plantavam esse cereal. No caso paulista,
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ao voltarem, os bandeirantes recolhiam o que haviam semeado meses antes e
abasteciam-se para não padecer com a fome. Por outro lado, no sertão nordestino, o
feijão era um dos poucos produtos que conseguia se desenvolver em territórios não
muito propícios a vários outros gêneros agrícolas...

O feijão, em ambos os casos era a segurança que esses primeiros brasileiros


precisavam ter para a realização de seus esforços cotidianos de trabalho e
produção.

A consideração em relação a necessidade do feijão para a dieta diária dos


brasileiros ainda no período colonial pode ser percebida, por exemplo, pelo fato dos
portugueses não terem legislado restrições a venda desse produto a nível interno
como o fizeram com todos aqueles que eram interessantes aos seus negócios no
mercado externo, caso do açúcar, do tabaco ou mesmo do milho.

Luís da Câmara Cascudo é um dos maiores nomes da pesquisa acerca do Brasil,


seus hábitos e costumes, tendo inclusive produzido a obra “História da Alimentação
no Brasil”, cânone para os estudiosos desse segmento.

A maior parte do conhecimento que possuímos acerca dessa história é proveniente


de relatos de exploradores e viajantes que descobriram e colonizaram o interior de
nosso país. A partir da perspectiva desses homens pudemos entender porque era
comum se pensar então que “só o feijão mata a fome” ou que “não há refeição sem
feijão” conforme dizeres reiterados no século XIX.

Quando chegamos ao século XIX é discurso comum entre os estrangeiros que para
cá se deslocaram mencionar em seus escritos que o feijão já havia se tornado
essencial, indispensável e típico na alimentação de nosso país, em todas as regiões
do Brasil.

As receitas do cotidiano seguem o esquema básico criado pelos vaqueiros e pelos


bandeirantes, com o feijão sendo cozido com a carne seca e com toicinho para ter
um sabor mais pronunciado e apreciado por todos e acompanhado, depois de
pronto, pela inseparável farinha de mandioca.

Era costume em várias regiões que os feijões fossem esmagados e que depois fosse
colocada a farinha para se criar uma massa realmente substanciosa com esses
elementos e com o caldo originário do cozimento.

Quanto aos escravos, Câmara Cascudo menciona que não trouxeram em seu
repertório original africano a tradição de misturar elementos em seus cozidos.
Preferiam cozinhar feijão separadamente do milho ou de outros elementos que lhes
eram fornecidos para preservar o gosto e o sabor original. Isso já seria um indício de
que não foram eles que deram a formatação final para o mais brasileiro de todos os
sabores, a feijoada.

Para reiterar ainda mais seus posicionamentos, o pesquisador potiguar lembra da


forte influência espanhola sobre a culinária portuguesa e que as tradições ibéricas
quanto a cozidos são marcadas pela utilização de vários ingredientes conjuntamente
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para reforçar o caldo, dando-lhe mais consistência ou “substância” nos dizeres
populares.

Menciona, inclusive, que isso não era tradicional apenas entre os ibéricos, mas
também entre outros europeus de ascendência latina, como os italianos e os
franceses. Para ilustrar seus posicionamentos, Cascudo nos lembra de pratos
históricos e conhecidíssimos dessas escolas gastronômicas como a Olla Podrida
castelhana, a Paella espanhola, o bollito italiano ou ainda o cassoulet francês.

Diga-se de passagem que entre os portugueses eram comuns os cozidos que


misturavam carne de vaca, lingüiças, paios, presuntos, toucinhos, lombo de porco,
couve, repolho, cenouras, vagens, abóboras e feijão... branco.

Com toda essa história tão particular e própria e, não dispondo de certos elementos
comuns a sua culinária em território brasileiro, não é de se estranhar que possamos
atribuir aos nossos antepassados portugueses o advento da feijoada. Refeição
completa que reúne num só prato as carnes, as sopas e as hortaliças, adaptada a
nossa região com a incorporação dos hábitos bandeirante e vaqueiro de comer
feijão, surgiu desse casamento de interesses e contingências a maior e mais famosa
delícia brasileira.

É claro que, apesar de todo esse percurso de influências luso-brasileiras, não é


possível desprezar a mão dos negros a cozinhar nas casas de família a feijoada e a
incorporar a essa iguaria todo aquele calor e sabor próprios dos temperos que
conheciam, especialmente das pimentas...

Obs.: Vale lembrar que as receitas tradicionais de feijoada apresentam variações


regionais e que, em virtude disso, no Nordeste de nosso país prevalece o uso do
feijão-mulatinho nesse prato enquanto a influência carioca impôs no sudeste e no
sul a prevalência do feijão preto, constituindo dessa maneira a mais tradicional
receita que conhecemos.

Fonte : www.planetaeducacao.com.br/

Receita de Feijoada brasileira


Por Ana Maria

Ingredientes

• 600g de feijão preto.


• 180g de charque.
• 180g de lomba defumada.
• 1 pé de porco salgado.
• 180g de costelinha defumada.
• 180g de paio.
• 180g de linguiça defumada.

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• 120g de bacon.
• 2 cebolas picadas.
• 2 folhas de louro.
• 1/2 cabeça de alho picada.
• Pimenta do reino à gosto.
• 1/2 cálice de cachaça.

Modo de preparo

• Deixe o feijão de molho na véspera.


• Lave as carnes salgadas, primeiro na água fria, depois na quente.
• Deixe-as de molho, separadamente, também na véspera.
• Troque a água até 4 vezes.
• No dia seguinte, coloque o feijão em uma panela bem grande com 4 vezes o volume de
água.
• Deixe ferver até amaciar (cuide para que não fique muito mole).
• Em outra panela, cozinhe as carnes por ordem de rigidez: primeiro o charque, depois as
costelinhas, pé e orelhas de porco.
• À parte faça um refogado com o bacon, a cebola e o alho.
• Deixe dourar.
• Acrescente o louro e junte ao feijão.
• Incorpore as lingüiças, o lombo e o paio, cortados em rodelas.
• Junte as carnes que devem estar quase cozidas.
• Deixe ferver com o feijão, por cerca de meia hora.
• Acrescente o cálice de cachaça.
• Vá pingando mais água, se necessário.
• Ajuste o sal e a pimenta do reino.

Dica

• Couve refogada com bacon, farofa de mandioca, arroz branco, molho de pimenta, molho
vinagrete, laranja em rodelas, torresminho de porco

Feijoada Brasileira

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Ingredientes: 1kg de feijão preto
500 g. de carne seca bovina
500 g. de costela de porco salgada, ou defumada
2 pé de porco salgado
200 g. de rabo de porco salgado
100 g. de orelha de porco salgada
200 g. de lombo de porco defumado
100 g. de paio
100 g. de linguiça portuguesa
100 g. de língua de boi defumada
50 g. de bacon
200 g. de cebola picada (para o tempero do feijão)
100 g. de alho picado (para o tempero do feijão)
6 folhas de louro (para o tempero do feijão)
2 copos de suco de laranjas
1/4 de xícara de vodka ou aguardente

Preparo:
Limpar bem as carnes salgadas, tirando o excesso de gorduras e nervuras, limpando
os pêlos e colocando-as de molho em água por 24 horas, trocando-se a água três a
quatro vezes durante este período.
Ferva as carnes salgadas em peças inteiras, durante mais ou menos 20 minutos em
fogo forte, e jogue a água fora, pois nela está todo o excesso de gordura.
Coloque então as carnes para cozinhar de forma definitiva, já com o feijão, as folhas
de louro, na seguinte ordem: carne seca, pé e orelha. Meia hora depois coloque a
língua, o rabo e a costela, e após meia hora, coloque o lombo, a linguiça, o paio e o
bacon, cuidando para tirar e jogar fora, durante todo o cozimento, a gordura que for
subindo à superfície.
Em uma frigideira, doure bem a cebola e o alho em duas xícaras de óleo previamente
aquecido, colocando na panela do cozimento, junto com as últimas carnes para
cozinhar, retirando antes as metades das laranjas, que já cumpriram a sua missão de
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ajudar a cortar a gordura das carnes.
Junte o aguardente e o suco de laranja.
Após duas horas comece a testar o grau de cozimento da carnes com o garfo, pois
nem todas chegam ao grau de maciez ao mesmo tempo, retirando e reservando as
que já estiverem no ponto.
Quando todas as carnes e o feijão estiverem no ponto, retire e corte as carnes em
pedaços pequenos para servir, voltando para a panela com o feijão e cozinhando por
mais 10 a 15 minutos em fogo brando.

Guarnições:
Hoje as Feijoadas badaladas servem como entrada caldinho de feijão e muitos outros
petiscos como:
arroz branco
bolinho de arroz com gengibre
couve à mineira
mandioca frita
mandioca cozida
banana à milanesa
linguiça calabreza frita
bacon torradinho
torresmo
bisteca de porco grelhada
leitoa à passarinho pururuca
farinha de mandioca torrada só passadinha na manteiga
molho de feijão apimentado
farofa
molho de pimenta
quibebe
carne seca refogada
farofa de carne seca
pãozinho de inhame
cebola fatiada dourada
purê de abóbora japonesa cozida com leite de coco
laranja cortada em gomos ou cubos
jarra de batida de limão

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
WWW.google.com.br
joeldearaujo@brfree.com.br/patryciaresende@brfre.com
CARNEIRO, Edson.Candomblés da Bahia. São Paulo: Ed. Andes, 1954.
CASCUDO, Luis da Câmara. Made in África. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira S.
A., 1965.
CUNHA, Manuela Carneiro da. Negros estrangeiros. São Paulo: Ed. Brasiliense,1985.
GARCIA Ângela &HASS, Aline Nogueira. (2003). Ritmo e dança. Ed. ULBRA-RS.
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro (2000) SP- Ed. Global.
ANCHIETA, José. Curso Fitnes Brasil. Artigos (PAPERS). São Paulo, 1994
http:/www.mundonegro.com.br

Fonte : www.planetaeducacao.com.br/

http:/ /WWW.releituras.com

http://www.portalafro.com.br/aculinaria/cuscuzcarneseca.htm

http://mundoafro.atarde.com.br/?p=2104

www.segredoscaseiros.com.br
www.unica.com.br

www.cdcc.sc.usp.br

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