Você está na página 1de 49

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Análise das áreas de vivência em canteiros de obra

Cezar Luciani Trotta

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal de São Carlos como parte dos requisitos para a conclusão da graduação em Engenharia Civil

Orientadora: Profa. Dra. Sheyla Mara Baptista Serra

São Carlos

2011

DEDICATÓRIA

Dedico esta monografia à toda minha família, em especial aos meus pais, Geraldo Wladmir Trotta Junior e Maria Aparecida Luciani, a quem devo minha vida e minha formação pessoal e profissional, e que apesar de toda a distância sempre estiveram presentes no meu dia a dia. Meus sinceros agradecimento ao meu pai por acreditar em mim e depositar todas suas forças nos meus estudos desde sempre. Sem você, pai, esse trabalho não existiria. Muito obrigado a todos que me ajudaram nas dificuldades encontradas durante essa fase tão importante da minha vida. Essa conquista é nossa!

AGRADECIMENTOS

Meus sinceros agradecimentos aos professores do DECiv por todo o conhecimento transmitido durante os 5 anos de faculdade. Agradeço também a todos meus colegas e amigos de curso por todos os momentos de alegria e por todas as noites passadas em claro estudando! Tenho orgulho de levar para sempre algumas amizades que com certeza nunca acabarão. Muito obrigado a todos.

RESUMO

Na grande maioria das bibliografias da área de gestão de canteiros de obras, os autores destacam a falta de dedicação por parte das empresas em itens substanciais, mas de fundamental importância para um bom funcionamento da obra, que são as áreas de vivência de forma geral. Com o objetivo de conhecer, analisar a realidade dos canteiros de obras e comparar com estudos anteriores do setor, foi realizado um estudo através de um check list em 3 obras de grandes construtoras da cidade de São Paulo.

Palavras-chave: instalações provisórias; áreas de vivência; canteiro de obra.

ABSTRACT

In most of the bibliographies of the management area construction sites, the authors highlight the lack of commitment by companies in substantial items, but of fundamental importance for a proper functioning of the work, which are different spheres of life in general. In order to know, analyze the reality of construction sites and compare with previous studies of the sector, a study was conducted through a checklist in three major construction works of the city of São Paulo. Key-words: temporary facilities, and areas of experience; construction site.

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 Visão geral da obra A

12

Figura 2 Visão geral da obra B

13

Figura 3 Visão geral - Obra C

14

Figura 4 Notas - Obra A

15

Figura 5 Vestiário obra A

16

Figura 6 Almoxarifado - Obra A

17

Figura 7 Almoxarifado - Obra A

17

Figura 8 Mictório - Obra A

17

Figura 9 Chuveiros - Obra A

18

Figura 10 Local para refeições / Escritório de engenharia - Obra A

18

Figura 11 Tapumes - Obra A

19

Figura 12 Acesso coberto - Obra A

19

Figura 13 Notas - Obra B

19

Figura 14 Almoxarifado - Obra B

20

Figura 15 Vestiário - Obra B

21

Figura 16 Avisos na entrada do vestiário - Obra B

22

Figura 17 Escritório com vista para a torre/ Acesso coberto – Obra B

22

Figura 18 Placas fixadas no sanitário - Obra B

22

Figura 19 Notas - Obra C

23

Figura 20 Vestiário - Obra C

23

Figura 21 Local para refeições - Obra C

25

Figura 22 Acesso coberto / Tapumes - Obra C

25

Figura 23 Comparação das notas obtidas

26

Figura 24 Análise do IBPC

28

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 Análise do vestiário - Obra A

15

Tabela 2 Análise do almoxarifado - Obra A

16

Tabela 3 Análise do almoxarifado - Obra B

20

Tabela 4 Análise dos vestiários - Obra B

21

Tabela 5 Análise dos vestiários - Obra C

23

Tabela 6 Análise do almoxarifado - Obra C

24

Tabela 7 Análise do local para refeições - Obra C

24

Tabela 8 Notas dos itens verificados nas instalações provisórias

26

Tabela 9 Índice das instalações provisórias

27

Tabela 10 Valores do I BPC

28

Tabela 11 Check List de verificação

33

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO

1

1.1 Justificativa

2

1.2 Objetivos

3

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

5

2.1

NR 18

5

2.1.1

PCMAT

7

2.2 NR 9 – PPRA

7

2.3 Saurin (1997)

8

2.4 Souza (2005)

9

3. METODOLOGIA

10

3.1 Revisão Bibliográfica

10

3.2 Estudo de caso

10

4. RESULTADOS OBTIDOS

12

4.1

Caracterizaçao das obras visitadas

12

4.1.1 Obra A

12

4.1.2 Obra B

13

4.1.3 Obra C

14

4.2

Análise das obras

14

4.2.1 Obra A

15

4.2.2 Obra B

19

4.2.3 Obra C

23

4.3 Comparação com pesquisas anteriores

25

4.4 Índice das Instalações provisórias

27

4.5 Índice de boas práticas nos canteiros de obra (I BPC )

27

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

29

5.1 CONCLUSÕES

29

5.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

30

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

31

7. ANEXO

33

7.1

Check list

33

1

1.

INTRODUÇÃO

A atividade da construção civil é uma das atividades mais antigas do mundo. Sua atuação movimenta diversos setores da economia global.

Esse segmento tem passado, ao longo dos anos, por um grande processo de transformação nas suas diversas etapas: incorporação, planejamento, projetos, suprimentos, execução, entre outros. Durante essas etapas, nas que necessitam de operários envolvidos, existe um alto índice de acidente de trabalho além de doenças ocupacionais.

São vários os fatores que podem colocar em risco a segurança e a saúde dos trabalhadores em um canteiro de obra. Um deles é a falta de controle do ambiente de trabalho e do processo produtivo; outro é a falta de orientação educativa aos operários.

Dessa forma, tem se tornado comum para as empresas do segmento a necessidade de realizar investimentos nessa área, atuando diretamente nas instalações provisórias dos canteiros de obras.

É fato que o canteiro de obras é uma estrutura que muda de tempos em tempos com

o desenvolver da obra. Enquanto a obra vai sendo executada, o mesmo assume características e formas diferentes.

Para FELIX (2000), é possível classificar o canteiro de obras de acordo com a fase

da obra:

Inicial: execução da infra-estrutura e estrutura até a desforma da laje do térreo. Na maioria das vezes, esta fase envolve dificuldades de locação das instalações provisórias e do local de áreas para carga e descarga dos materiais;

Risco máximo de operários no canteiro: conforme o progresso da obra, chegará um

momento em que as instalações iniciais não atenderão mais às necessidades dos trabalhadores do canteiro, necessitando assim da transferência de local ou de uma ampliação da área de vivência;

Encerramento da Obra: é fato que em toda entrega de obra, o engenheiro trabalha em tempo integral, sendo importante se definir antecipadamente as soluções que serão adotadas com relação às áreas de vivência nesta fase.

De acordo com SERRA (2001), as fases de organização de um canteiro também podem variar em função da estratégia de execução adotada. Como exemplo, pode-se analisar o caso da execução de uma torre de um edifício, seguida pela execução da periferia (subsolo e térreo). É comum que as instalações e centrais de produção localizem-se na

2

periferia quando a torre do edifício está em execução. Já na execução da periferia, as mesmas são transferidas para áreas de subsolo e térreo na projeção da torre.

TAMAKI (2000) diz que para que haja organização no canteiro de obras, devem ser observados quatro princípios básicos, sendo eles:

Disciplina e conscientização dos operários: todos devem ter conhecimento em relação ao processo de trabalho e à melhoria de seu desempenho e especialização em suas tarefas;

Programação das atividades: de forma a evitar desperdícios e perca de tempo, é necessário otimizar o fluxo de materiais e uso dos equipamentos.

Organização do trabalho: é necessário respeitar o ritmo fisiológico do trabalhador e às regras das jornadas de trabalho; distribuição das atividades ao longo do dia, de modo que os serviços mais arriscados sejam realizados no início de cada jornada;

Hierarquização da obra: divisão e definição das responsabilidades e autoridades.

1.1

JUSTIFICATIVA

Com a necessidade de rapidez nos processos executivos das edificações, os canteiros de obra tem se tornado mini-fábricas da construção civil. Algumas construtoras têm adotado rigorosos processos de gestão para controlar o planejamento das ações em cada setor do canteiro, que envolve diretamente as áreas de vivência. Elas buscam cada vez mais processos de otimização e gerenciamento das mais variadas formas.

Segundo Santos e Farias Filho (1998 apud BRANDLI e SOARES, 2000), as empresas têm procurado investir na melhoria de seus processos de produção, frente às crescentes pressões do mercado.

Frente a essa situação, é comum ter os canteiros divididos em centrais de trabalho, cada qual com seu encarregado e operários. É comum que esses operários permaneçam por 9 horas diárias no canteiro, entre as áreas de vivência, administrativas, ou nas frentes de trabalho espalhadas pela obra.

Assim, torna-se importante que os diversos ambientes de trabalho proporcionem condições adequadas de permanência aos trabalhadores, considerando os aspectos de conforto ambiental e de satisfação do trabalho. MONTMOLLIN (1994) diz que para que o trabalho seja bem organizado e realizado, é necessário que as condições de trabalho permitam aos trabalhadores trabalhar bem.

Apesar disso, ainda não é comum ter canteiros de obra exemplares com relação a esses critérios, tendo-se uma falha de processo, que justifica o estudo das boas práticas, junto com as recomendações técnicas legais.

3

O canteiro de obra não se trata de um projeto único e fixo. Enquanto a obra vai

sendo executada, no decorrer de suas fases, o canteiro assume diferentes formas. É fato que as áreas de vivência também irão mudar no decorrer da obra. Nessa mesma linha de raciocínio, FRITSCHE et al (1996) alertam que as diferentes fases da obra exigem canteiros diferenciados se adaptando à estratégia de ataque à obra. No início, por exemplo, quando a execução da obra se concentra nos primeiros pavimentos, não costuma haver espaços para as áreas de produção, administrativas e de vivência. Já quando a obra está sendo executada com seu número máximo de operários, há necessidade de aumentar a área de vivência. Já na fase final, a complexidade é a dinâmica da alteração das áreas, pois as instalações provisórias deverão ser transferidas para áreas já finalizadas do edifício para que se processem os serviços de acabamento.

Durante essas mudanças de fases, na grande maioria dos empreendimentos, as instalações provisórias são construídas, ampliadas e posteriormente demolidas, gerando uma grande quantidade de entulho e desperdício de material e energia, além de não reaproveitar o material de tal forma a se ter um novo custo posteriormente.

Para ARSLAN (2005), é possível construir mesmo em curto prazo e com baixo custo abrigos temporários com esses materiais se fossem desmontáveis, reciclados ou até mesmo reutilizados. Para esse autor, trata-se apenas de uma questão de costume.

Com a obrigatoriedade da implantação de áreas de vivência nos canteiros de obra regulamentada pela NR-18, os trabalhadores da construção conseguiram uma grande vitória. A partir de então, as empresas são obrigadas a fornecer a eles um local adequado para fazer refeições, tomar banho e guardar seus pertences durante o expediente de trabalho. Além desses itens, a norma também exige a implantação de áreas de lazer e até a instalação de ambulatório médico, banheiros, alojamentos e bebedouros com água filtrada de fácil acesso aos trabalhadores.

O quesito “áreas de vivência” é um dos mais fiscalizados pelo ministério do trabalho,

pois ele é responsável por garantir as boas condições humanas para o trabalho. Além disso, tal importância também é considerada, pois se sabe da influência do bem-estar do

trabalhador e sua produtividade além de diminuir a chance de quaisquer acidentes.

As condições de trabalho e a quantidade de acidentes em obras estão fortemente ligados, na medida em que estas condições determinam as bases das relações sociais e o estado psicológico dos trabalhadores.

1.2

OBJETIVOS

O objetivo principal desse trabalho de conclusão de curso é ter conhecimento de

parte da realidade da indústria da construção civil, com foco nas condições do ambiente de

trabalho em canteiros de obras situados na cidade de São Paulo.

4

Para isso, foram analisadas as áreas de vivência dos canteiros de obra, em especial as instalações provisórias, a fim de verificar o cumprimento das normas e recomendações vigentes para o setor.

5

2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

De acordo com Saurin (2006), as instalações provisórias dos canteiros de obras são compreendidas por alguns elementos tais como: guarita, escritórios, almoxarifado, as áreas de vivência (vestiário, alojamento, refeitório, cozinha, área de lazer), estandes de venda, entre outros.

É importante dizer que essas instalações fazem parte do dia a dia do canteiro, pois servem de suporte e armazenamento para grande parte dos serviços do canteiro.

Para Oliveira (2006), o canteiro de obra pode ser definido como o conjunto de todas as instalações, desde as áreas de vivência até as operacionais, responsáveis por oferecer suporte e definir o andamento da construção de uma edificação.

2.1 NR 18

De acordo com Cruz (1996), em 1978 o Brasil deu um grande salto qualitativo com relação à segurança do trabalho. Nesse ano, foram implementadas vinte e oito normas regulamentadoras (NR’s) do Ministério do Trabalho. Ainda que todas as NR’s sejam aplicáveis à construção, destaca-se entre elas a NR-18 (BRASIL, 1995), visto que ela é específica para o setor da construção civil.

A NR 18 do Ministério do Trabalho abrange Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Nela, são abordados parâmetros e diretrizes que devem ser considerados na execução e planejamento de um canteiro de obra.

Para Souza (2000), a NR-18 ao prescrever ações voltadas à segurança do trabalho tem no canteiro de obras o palco para sua implementação. A obrigatoriedade do Programa de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT), apesar da exigência apenas do layout na fase inicial, induz à criação de um projeto completo do canteiro, onde além dos cuidados específicos quanto à segurança, surge a necessidade de se determinar o processo construtivo de forma a minimizar os riscos à saúde dos trabalhadores e outros.

Entre as diretrizes, a NR18 lista o que os canteiros de obras devem conter para garantir as condições de higiene do trabalhador:

A. VESTIÁRIO E ARMÁRIO: Os trabalhadores que não moram no canteiro de obras têm direitos a vestiário com chuveiro e armário individual;

B. INSTALAÇÕES SANITÁRIAS: Devem ser adequadas e em perfeitas condições de higiene e limpeza, com lavatório, mictório e vaso sanitário na

6

proporção de um conjunto para cada grupo de 20 trabalhadores, e chuveiro na proporção de um para cada grupo de 10 trabalhadores;

C. REFEITÓRIO: O local para as refeições deve possuir piso de material lavável e mesas com tampos lisos e laváveis. O refeitório não pode estar localizado em subsolos ou porões das edificações;

D. ALOJAMENTOS: Se os empregados morarem no canteiro de obras, a empresa deve proporcionar-lhes dormitórios confortáveis e arejados, lavanderia e área de lazer;

E. BEBEDOUROS: Toda obra deve ter bebedouros com água filtrada e potável na proporção de 1 bebedouro para cada grupo de 25 trabalhadores;

F. COZINHA: Deve estar presente sempre que houver preparo de refeições. Além disso, deve estar previsto pia para lavar os alimentos e utensílios, possuir instalações sanitárias, que com ela não se comuniquem, de uso exclusivo dos encarregados de manipular gêneros alimentícios, refeições e utensílios e possuir equipamentos de refrigeração, para preservação dos alimentos;

G. LAVANDERIA: Deve haver um local próprio, coberto, ventilado e iluminado, para que o trabalhador alojado possa lavar, secar e passar suas roupas de uso pessoal. Este local deve ter tanques individuais ou coletivos em número adequado;

H. AMBULATÓRIO: As frentes de trabalho com 50 (cinqüenta) ou mais trabalhadores devem ter um ambulatório. Neste ambulatório, deve haver o material necessário à prestação de Primeiros Socorros, conforme as características da atividade desenvolvida. Este material deve ser mantido guardado e aos cuidados de pessoa treinada para esse fim.

Para Krüger (2002), essa norma tem por objetivo evitar situações que possam causar acidentes e doenças do trabalho, levando em consideração algumas conformidades com as etapas da construção da obra.

A NR 18 considera o projeto de execução das proteções coletivas, a especificação técnica das proteções coletivas e também das individuais a ser utilizado em cada serviço, o layout inicial do canteiro de obras considerando a locação das áreas, o dimensionamento das áreas de vivência além de um programa educativo com a temática de prevenção de acidentes e doenças do trabalho.

Essa norma foi de total importância para a elaboração do check list de verificação desenvolvido por Saurin (1997).

7

Ao longo dos anos, e principalmente após a implantação da NR18, os canteiros de obras passaram por mudanças para se adequarem a uma nova realidade. Um dos indicadores que retrata essa mudança é a extinção, na grande maioria das construtoras, dá prática de alojar funcionários nos canteiros. Antigamente, esses alojamentos eram comuns e com pouco conforto e higiene. Como a NR-18 exige um padrão mínimo, muitas construtoras desistiram desta prática.

2.1.1

PCMAT

A NR-18, especificamente no item 18.3, trata do programa de condições e meio

ambiente de trabalho (PCMAT). Nesse item, são esclarecidas condições e diretrizes de segurança do trabalho para o setor da construção civil.

As medidas são referenciadas, tendo como seus principais objetivos:

Prever os riscos aos quais os trabalhadores estão sujeitos no processo de execução das obras;

Estudar as melhores medidas de proteção individual e coletiva, de forma a prevenir ações que possam colocar a vida do trabalhador em perigo;

Aplicar

técnicas de execução de serviços que diminuam

acidentes e doenças;

os

riscos de

O PCMAT é obrigatório para obras com 20 ou mais trabalhadores. Além disso, deve

contemplar as exigências contidas na NR 9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA) (BRASIL, 1994). Ele deve ser mantido no estabelecimento à disposição do órgão regional do Ministério do Trabalho. A elaboração deve ser Fe ita e aplicada por um profissional legalmente habilitado na área de segurança do trabalho, sendo o responsável, caso algo aconteça, o empregador.

2.2 NR 9 – PPRA

O programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA), é estabelecido pela NR 9 e

deve ser elaborado seguindo as regulamentações da NR 18.

Segundo a NR 9, para a elaboração do PPRA, é necessário considerar alguns itens

como:

Estabelecer metas e prioridades nos serviços e cronograma.

Procedimento de ação e tática.

Forma de análise dos dados, compilação e exposição dos mesmos.

Acompanhamento periódico feito por um profissional da área.

Seu objetivo é definir um plano de ação que preserve a saúde dos trabalhadores frente aos riscos aos quais eles se submetem diariamente em cada frente de trabalho.

8

2.3 SAURIN (1997)

Em sua dissertação de mestrado, Saurin (1997) desenvolveu um check list baseado na NR-18 e em alguns outros requisitos que julgou importante para a realização de uma análise qualitativa dos canteiros de obra.

Seu principal objetivo era desenvolver uma ferramenta que permitisse uma análise rápida dos principais problemas do layout do canteiro, e também que fosse de fácil interpretação e implantação nos canteiros.

Na época, este check list foi aplicado em cerca de vinte e cinco obras no estado do Rio Grande do Sul. Pode-se dizer que a principal contribuição deste trabalho foi propor um indicador que, além de avaliar diretamente os canteiros de obras, serve de orientação para as empresas planejarem seus canteiros.

Ao concluir seu trabalho, o autor percebeu que, de forma geral, grande parte dos itens checados por sua planilha não eram observados nas obras, o que mostra a falta de conscientização por parte das empresas a respeito do planejamento do canteiro de obras.

Para Saurin (1997), o planejamento do canteiro deveria ser estudado e bem elaborado antes do início da obra. Porém, grande parte dos autores mostra que na prática isso não acontece (Saurin, 1997, Saurin; Formoso, 2000, Andrade, et al., 2005), ficando isso a cargo dos gerentes e coordenadores de obra reconhecer a necessidade de mudança e dedicar mais atenção ao planejamento dos canteiros.

O check list desenvolvido por Saurin (1997) é dividido em três principais itens:

Instalações provisórias;

Segurança;

Movimentação e armazenamento de materiais.

Para o quesito Instalações Provisórias são analisados itens como o escritório da obra, tapumes, o refeitório, o almoxarifado, o vestiário, os acessos, as instalações sanitárias, entre outros.

No grupo Segurança, encontra-se itens que foram identificados como requisitos mínimos exigidos pela NR-18. Ainda nesse grupo, são avaliadas as condições de uso das escadas até a proteção do poço do elevador, passando por itens como objetos de proteção, plataformas e andaimes, uso de equipamentos de proteção individual (EPI) e coletiva.

Por último, o grupo “Movimentação e Armazenamento de Materiais” avalia itens como vias de circulação, entulhos, guincho, armazenamento de materiais e produção de argamassa/concreto. Para Saurin (1997), é importante realizar um bom planejamento deste sistema, visto que os processos de movimentação e armazenamento interferem diretamente no processo produtivo do canteiro.

9

Para o preenchimento da planilha, os grupos citados acima são subdivididos em outros itens que, por sua vez, se subdividem em elementos os quais devem ser assinalados com as seguintes opções para cada um deles: “sim”, “não” ou “não se aplica”, conforme seja constatado ou não no canteiro de obra (Costa et al., 2005a).

Com a planilha preenchida, é possível calcular o índice de desempenho das instalações provisórias (IIP), o índice de segurança (IS) e o índice de movimentação e armazenamento de materiais (IMAM). Com esses três índices, calcula-se o Índice de Boas Práticas de Canteiros de Obras (IBPC). A nota resultante da aplicação deste check list é um número de 0 a 10 que, conforme seu resultado pode auxiliar no diagnóstico de práticas indesejáveis e auxiliar, também, na tomada de decisão (Costa et al., 2005a). As fórmulas para o cálculo dos índices estão no capítulo 3 (metodologia) desse trabalho.

Para essa pesquisa, o foco foi a análise das instalações provisórias dos canteiros de

obra.

2.4

SOUZA (2005)

Uma pesquisa realizada no Rio Grande do Sul por Souza (2005) analisou dados de 41 obras de 21 construtoras da região.

A pesquisa foi realizada entre os anos de 2004 e 2005 no Clube do Benchmarking apoiado pelo NORIE/UFRGS.

O objetivo principal do trabalho de Souza (2005) foi avaliar a eficácia da implantação do indicador “Índice de boas práticas de canteiros de obras” em empresas de construção civil, que participam de um projeto do Núcleo Orientado para Inovação de Edificação (NORIE/UFRGS) chamado Sistemas de Indicadores de Desempenho para Benchmarking para Construção Civil.

Aliado a isto, a pesquisa avaliou como este indicador tem sido utilizado pelas empresas, levantando questões sobre os potenciais benefícios trazidos pela implantação dele e quais são as suas limitações.

10

3.

METODOLOGIA

A fim de atingir os objetivos propostos, as atividades foram divididas de acordo com

os tópicos citados.

3.1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

A revisão bibliográfica foi realizada com o objetivo de estudar e compreender a

questão das áreas de vivência em canteiros de obra, alinhado com as normas

regulamentadoras vigentes.

3.2 ESTUDO DE CASO

A fim de fazer um diagnóstico das instalações provisórias dos canteiros de obras

atuais, foi feito um estudo de caso em três obras de construtoras diferentes, de forma a abranger uma maior amostragem do mercado da construção em São Paulo.

Para isso, como roteiro de investigação, foi utilizada uma planilha adaptada de Saurin (1997) com um check list de itens a serem verificados de acordo com a NR 18. A planilha com as notas obtidas em cada obra encontra-se listada no anexo A desse trabalho.

As informações necessárias para caracterização do canteiro de obras foram obtidas por meio de entrevistas com os engenheiros e mestre de obras, por meio do preenchimento do questionário e do registro das condições através de câmera fotográfica. As fotos serão apresentadas durante as análises dos dados.

Para o preenchimento do questionário há três possíveis respostas: SIM, NÃO e NÃO SE APLICA. Seguindo os critérios de Saurin (1997), as respostas assinaladas com a opção “sim” representarão os aspectos positivos (cumprimento da norma) e as respostas assinaladas com “não” representarão os aspectos negativos. Já as respostas “não se aplica” (NSA) indicarão exigências que não eram necessárias no canteiro, seja devido à tipologia da obra ou a fase de execução no dia da visita.

Feito isso, pode-se calcular o índice das instalações provisórias (I IP ), o índice de segurança (I S ), o índice de movimentação e armazenamento de materiais (I MAM ).

Onde:

I IP

PO

PP

= 

x10

I S

PO

PP

= 

x10

I MAM

PO

PP

= 

x10

PO = Pontos obtidos, ou seja, a quantidade de itens que foram assinalados com a opção “SIM” no grupo analisado.

11

PP = Pontos possíveis, ou seja, o total de itens que foram assinalados com “SIM” e “NÃO” de cada grupo. Para o cálculo do indicador exclui-se os itens assinalados com “NÃO SE APLICA”.

Esses três índices formarão o Índice de Boas Práticas de Canteiros de Obras (IBPC), de acordo com a fórmula a seguir:

I BPC

+

IP IS IMAM

= 

+

x 10

3

O único item a ser utilizado na análise dos resultados do presente trabalho é o I IP ,

porém, viu-se necessário o cálculo de todos para que fosse possível calcular o I BPC de cada obra.

O indicador final é multiplicado por 10, para que a nota possa variar em uma escala

de 0 a 10.

12

4. RESULTADOS OBTIDOS

4.1 CARACTERIZAÇAO DAS OBRAS VISITADAS

Segue abaixo uma descrição dos pontos mais relevantes observados in loco que caracterizam as obras visitadas.

4.1.1 OBRA A

in loco que caracterizam as obras visitadas. 4.1.1 OBRA A Figura 1 Visão geral da obra

Figura 1 Visão geral da obra A

A obra A trata-se de um empreendimento de uma construtora e incorporadora de alto

padrão de abrangência nacional.

O empreendimento localiza-se na zona norte da cidade de São Paulo em um terreno

de aproximadamente 5.700 m².

O empreendimento consiste de 1 torre residencial de 22 pavimentos (20 tipo + cobertura duplex), totalizando 84 unidades. A obra está prevista para ser entregue em outubro de 2012.

Atualmente, a obra encontra-se na fase final da estrutura. No dia da visita, estava sendo executada a montagem das formas da laje do 19 o pavimento. Além disso, os serviços de alvenaria externa e interna, gesso e instalações também estavam sendo executados.

No canteiro existem quatro entradas, sendo três para a entrada de materiais e equipamentos e a outra exclusiva para o acesso da mão-de-obra e visitantes.

Os portões de acesso de materiais e insumos tem aproximadamente 5 m de largura, sendo que dois se localizam na fachada principal do edifício ao lado do portão de pedestre e

13

um parte de trás do edifício. Segundo o engenheiro da obra, são necessários todos esses portões devido às dificuldades da implantação do canteiro de obras, que conta com duas casas que não venderam seus terrenos.

Na entrada de funcionários, há um segurança que vigia o controle de acesso de pessoas na obra.

O terreno da obra vai de um lado ao outro do quarteirão, sendo que de um lado há

uma rua bastante movimentada, e do outro uma rua tranqüila. A entrada do edifício fica na rua mais calma, e a descarga de materiais também é feita através dela, excluindo-se a bomba de concretagem que tem um portão exclusivo para entrada na obra.

4.1.2 OBRA B

tem um portão exclusivo para entrada na obra. 4.1.2 OBRA B Figura 2 Visão geral da

Figura 2 Visão geral da obra B

A obra B é um empreendimento de uma construtora de médio padrão, localizada na

zona norte da cidade de São Paulo.

O empreendimento consiste de 2 torres residenciais de 12 pavimentos em um terreno de 3000 m²

Atualmente a obra encontra-se na fase de estrutura e tem entrega prevista para setembro de 2012. Trata-se de uma obra de alvenaria estrutural, e no dia da visita, estavam executando a primeira fiada do 11 o pavimento. Além disso, os serviços de gesso liso e instalações também estavam sendo executados.

No canteiro existem três entradas, sendo uma a definitiva e que dá acesso ao estacionamento no subsolo. As outras duas se encontram na parte de trás do edifício, sendo uma de acesso exclusivo de pessoas e a outra de materiais. Na entrada de pessoas, há um porteiro que faz o controle de entrada e saída do canteiro.

14

4.1.3 OBRA C

14 4.1.3 OBRA C Figura 3 Visão geral - Obra C A obra C é um

Figura 3 Visão geral - Obra C

A obra C é um empreendimento comercial de uma construtora de alto padrão no

bairro Itaim Bibi em São Paulo.

A obra conta com cinco subsolos, térreo, mezaninos e torre com 18 pavimentos tipo

em um terreno de aproximadamente 7.900 m².

Localizada na zona de restrição de São Paulo, durante a etapa de execução da estrutura foram estudadas, analisadas e aplicadas estratégias para concretagens e descarga de materiais.

Atualmente consta com 2 acessos para caminhões e um acesso exclusivo para os trabalhadores e visitantes.

O empreendimento encontra-se na fase de acabamentos finais. No dia da visita,

estavam sendo executados serviços de impermeabilização da periferia, gesso liso nos últimos andares, pele de vidro na última face da fachada, além de serviços gerais de instalações no interior dos andares.

A obra está prevista para ser entregue em junho de 2012.

4.2 ANÁLISE DAS OBRAS

Após as entrevistas com os responsáveis das obras e da aplicação da equação proposta por SAURIN (1997), foram calculadas as notas entre 0 e 10 em cada quesito, de forma a medir o nível de boas práticas encontradas nos canteiros.

A seguir, são apresentados os resultados e uma análise das 3 obras visitadas,

comparando a média geral das notas obtidas entre elas com resultados obtidos por Saurin e

Formoso (2000) e Souza (2005).

Além disso, segue também uma análise do Índice das Instalações Provisórias que foi calculado para as três obras.

15

Posteriormente, há uma análise que foi feita através do indicador Índice de Boas Práticas de Canteiros de Obra (IBPC).

4.2.1 OBRA A

A Figura 4 apresenta as notas obtidas através do check list da Obra A.

apresenta as notas obtidas através do check list da Obra A. Figura 4 Notas - Obra

Figura 4 Notas - Obra A

Pode-se observar que o item “Vestiários” recebeu a menor nota da tabela (1,67). A Tabela 1 mostra os itens que foram verificados nesse quesito.

Tabela 1 Análise do vestiário - Obra A

1.8

VESTIÁRIOS

S/N/NA

1.8.1

São divididos conforme as equipes de

N

produção

1.8.2 São divididos por subempreiteiros

N

1.8.3 Tem piso de concreto, cimentado ou material

S

equivalente (NR-18)

1.8.4

Tem bancos e cabides que não sejam de

N

prego

1.8.5

Tem armários individuais dotados de

 

fechadura e cadeado (NR-18)

N

1.8.6

Localizam-se em locais de alvenaria já

N

concluídas no pavimento térreo

Número de chuveiros

10

Número de lavatories

2

Número de vasos sanitários

5

Número de mictórios

1

O check list avalia a presença ou não de alguns itens. Na Figura 5, é possível observar os que receberam “N” como avaliação.

Os bancos dos vestiários contêm pregos, as instalações são de madeira e os armários não estão divididos por equipes. Observa-se também o único item que recebeu “S” no chek list, sendo ele o piso do vestiário que é de concreto.

16

16 Figura 5 Vestiário obra A Dessa forma, a obra A obteve uma baixa nota nesse

Figura 5 Vestiário obra A

Dessa forma, a obra A obteve uma baixa nota nesse quesito apesar de o vestiário, de um modo geral, ser passível de uso.

Outro item que recebeu nota bastante baixa na obra A foi o “Almoxarifado”. Neste quesito são avaliados a presença de etiquetas com nomes de materiais e equipamentos, a divisão do local em duas partes (uma para armazenamento e outra para atendimento com janela) e a localização do almoxarifado em relação à descarga de caminhões.

Tabela 2 Análise do almoxarifado - Obra A

1.6

ALMOXARIFADO

 

S/N/NA

1.6.1

Está perto do ponto de descarga dos caminhões

 

N

1.6.2

Existem

etiquetas

com

nomes

de

materiais

e

N

equipamentos

 

1.6.3

É

dividido em dois ambientes, um para

 

armazenamento de materiais e ferramentas e outro para

S

sala do almoxarife com janela de expediente

 

O almoxarifado da obra localiza-se no 2 o subsolo. O mestre da obra justificou que foi necessária a instalação nesse local devido à fase da obra e ao início das atividades na periferia, onde ele se localizava antigamente.

Apesar da organização do local, que pode ser observada na Figura 6, não haviam etiquetas com os nomes dos materiais e equipamentos.

17

17 Figura 6 Almoxarifado - Obra A Com relação à divisão da sala, ela existe e

Figura 6 Almoxarifado - Obra A

Com relação à divisão da sala, ela existe e pode ser observada na Figura 7, sendo esse o único item avaliado com “S” no check list.

esse o único item avaliado com “S” no check list. Figura 7 Almoxarifado - Obra A

Figura 7 Almoxarifado - Obra A

O quesito “Instalações sanitárias” merece atenção, pois, apesar de ter recebido nota relativamente boa (6,67), oculta a realidade do local, que pode ser observada abaixo.

oculta a realidade do local, que pode ser observada abaixo. Figura 8 Mictório - Obra A

Figura 8 Mictório - Obra A

Na Figura 8, pode-se ver que apesar de existir o mictório, ele encontra-se sujo e com vazamento.

18

O mesmo acontece no local onde estão instalados os chuveiros. Pode-se observar na Figura 9 a presença de bolor nas paredes ao redor dos chuveiros, que deveriam ser de algum material impermeável.

chuveiros, que deveriam ser de algum material impermeável. Figura 9 Chuveiros - Obra A Destacam-se nessa

Figura 9 Chuveiros - Obra A

Destacam-se nessa obra os quesitos “Local para refeições” e “Escritórios” (Figura 10), “Tapumes” e “Acessos” que podem ser observados na Figura 10 e Figura 12 respectivamente. Esses quesitos receberam 100% de avaliação positiva no check list.

receberam 100% de avaliação positiva no check list . Figura 10 Local para refeições / Escritório
receberam 100% de avaliação positiva no check list . Figura 10 Local para refeições / Escritório

Figura 10 Local para refeições / Escritório de engenharia - Obra A

19

19 Figura 11 Tapumes - Obra A Figura 12 Acesso coberto - Obra A Em especial

Figura 11 Tapumes - Obra A

19 Figura 11 Tapumes - Obra A Figura 12 Acesso coberto - Obra A Em especial
19 Figura 11 Tapumes - Obra A Figura 12 Acesso coberto - Obra A Em especial

Figura 12 Acesso coberto - Obra A

Em especial no quesito “Acessos” foi cumprido o item “Existe caminho para pessoas, calçado e coberto, desde o portão de entrada até a área edificada”, mesmo sendo grande a distância entre a portaria e a área edificada, cerca de 30 metros, como pode ser observado na Figura 12.

4.2.2 OBRA B

A Figura 13 mostra as notas obtidas através do check list na obra B. Através dela, é possível observar que o quesito “Almoxarifado” recebeu a menor nota (3,33).

o quesito “Almoxarifado” recebeu a menor nota (3,33). Figura 13 Notas - Obra B A Tabela

Figura 13 Notas - Obra B

A Tabela 3 mostra os itens que foram analisados nesse quesito.

20

Tabela 3 Análise do almoxarifado - Obra B

1.6

ALMOXARIFADO

S/N/NA

1.6.1

Está perto do ponto de descarga dos

N

caminhões

1.6.2

Existem etiquetas com nomes de materiais e

S

equipamentos

1.6.3

É dividido em dois ambientes, um para

 

armazenamento de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife com janela de expediente

N

Apesar de existirem etiquetas com os nomes dos materiais/equipamentos como pode ser observado na Figura 14, o almoxarifado tem aparência desorganizada e está longe do local de descarga de caminhões. Além disso, ele não é dividido em duas partes e nem possui janela de expediente.

dividido em duas partes e nem possui janela de expediente. Figura 14 Almoxarifado - Obra B

Figura 14 Almoxarifado - Obra B

Outro quesito que recebeu nota relativamente baixa foi o “Vestiário” (5,0). A Tabela 4 mostra os itens que foram analisados nesse quesito e suas respectivas notas.

21

Tabela 4 Análise dos vestiários - Obra B

1.8

VESTIÁRIOS

S/N/NA

1.8.1

São divididos conforme as equipes de

N

produção

1.8.2 São divididos por subempreiteiros

S

1.8.3 Tem piso de concreto, cimentado ou material

S

equivalente (NR-18)

1.8.4

Tem bancos e cabides que não sejam de

N

prego

1.8.5

Tem armários individuais dotados de

 

fechadura e cadeado (NR-18)

S

1.8.6

Localizam-se em locais de alvenaria já

N

concluídas no pavimento térreo

Número de chuveiros

16

Número de lavatories

10

Número de vasos sanitários

4

Número de mictórios

4

Os vestiários não são divididos por equipe de produção, mas são divididos por subempreiteiros. Como é possível observar na Figura 15, os bancos dos vestiários são feitos com painéis unidos com pregos.

Ainda na Figura 15 observa-se que existem armários individuais com cadeados (cadeado próprio de cada funcionário), porém alguns não contêm portas, estando em péssimas condições de uso.

contêm portas, estando em péssimas condições de uso. Figura 15 Vestiário - Obra B Uma boa
contêm portas, estando em péssimas condições de uso. Figura 15 Vestiário - Obra B Uma boa

Figura 15 Vestiário - Obra B

Uma boa prática que foi observada no local, porém não entrou na avaliação do check list são os avisos que estão fixados na entrada do vestiário. No local existem avisos sobre proteção, sobre a escala de limpeza do vestiário de acordo com as empreiteiras e do horário de almoço também de acordo com as empreiteiras. Os avisos podem ser observados na Figura 16.

22

22 Figura 16 Avisos na entrada do vestiário - Obra B Além desses avisos, destacam-se nessa

Figura 16 Avisos na entrada do vestiário - Obra B

Além desses avisos, destacam-se nessa obra os quesitos “Escritórios” e “Acessos”, que alcançaram nota 10 no check list e podem ser observados na Figura 17.

nota 10 no check list e podem ser observados na Figura 17. Figura 17 Escritório com
nota 10 no check list e podem ser observados na Figura 17. Figura 17 Escritório com

Figura 17 Escritório com vista para a torre/ Acesso coberto – Obra B

Apesar do quesito “Instalações Sanitárias” ter recebido uma nota relativamente baixa (6,67) na obra B, o local estava passível de uso e com placas que estimulam o bom uso do banheiro, como se pode observar na Figura 18.

que estimulam o bom uso do banheiro, como se pode observar na Figura 18. Figura 18
que estimulam o bom uso do banheiro, como se pode observar na Figura 18. Figura 18

Figura 18 Placas fixadas no sanitário - Obra B

23

4.2.3 OBRA C

Na Figura 19 é possível observar as notas obtidas através do check list na obra C. Através dela, é possível observar que o quesito “Vestiário” recebeu a menor nota (5) da tabela.

quesito “Vestiário” recebeu a menor nota (5) da tabela. Figura 19 Notas - Obra C Na

Figura 19 Notas - Obra C Na

Tabela 5 é possível observar os itens que foram avaliados nesse quesito.

Tabela 5 Análise dos vestiários - Obra C

1.8

VESTIÁRIOS

S/N/NA

1.8.1

São divididos conforme as equipes de

N

produção

1.8.2 São divididos por subempreiteiros

N

1.8.3 Tem piso de concreto, cimentado ou material

S

equivalente (NR-18)

1.8.4

Tem bancos e cabides que não sejam de

S

prego.

1.8.5

Tem armários individuais dotados de

 

fechadura e cadeado (NR-18)

S

1.8.6

Localizam-se em locais de alvenaria já

N

concluídas no pavimento térreo

Como descrito na Tabela 6, os vestiários não estavam divididos por equipes de produção e nem por empreiteiras, caracterizando uma desorganização no local nos horários de entrada e saída dos funcionários. O local pode ser observado na Figura 20 abaixo.

de entrada e saída dos funcionários. O local pode ser observado na Figura 20 abaixo. Figura
de entrada e saída dos funcionários. O local pode ser observado na Figura 20 abaixo. Figura

Figura 20 Vestiário - Obra C

24

Outro quesito que também recebeu nota baixa na obra C foi o “Almoxarifado”. A Tabela 6 mostra os itens que foram avaliados nesse quesito.

Tabela 6 Análise do almoxarifado - Obra C

1.6

ALMOXARIFADO

S/N/NA

1.6.1

Está perto do ponto de descarga dos caminhões

N

1.6.2

Existem etiquetas com nomes de materiais e

S

equipamentos

1.6.3

É dividido em dois ambientes, um para

 

armazenamento de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife com janela de expediente

S

Como é possível observar, a única avaliação negativa que a obra recebeu nesse quesito foi referente à distância entre local de descarga de caminhões e o almoxarifado. Segundo o mestre da obra, o almoxarifado está localizado nesse local devido à fase em que a obra se encontra (acabamentos finais). A justificativa é benquista, porém existe o trabalho de transporte da entrada da obra até o almoxarifado.

O quesito “Local para refeições” teve apenas um item avaliado negativamente, como mostra a Tabela 7.

Tabela 7 Análise do local para refeições - Obra C

1.7

LOCAL PARA REFEIÇÕES

S/N/NA

1.7.1

Há lavatório instalado em suas proximidades ou no seu

S

interior (NR-18)

1.7.2

Tem fechamento que permite isolamento durante as

S

refeições (NR-18)

1.7.3

Tem piso de concreto, cimentado ou outro material

S

lavável (NR-18)

1.7.4 Tem depósito com tampa para detritos (NR-18)

S

1.7.5 Há assentos em número suficiente para atender aos

N

usuários (NR-18)

1.7.6

As mesas são separadas de forma que os trabalhadores

S

agrupem-se segundo sua vontade

Segundo o mestre da obra, há uma rotatividade muito grande de empresas atuando ao mesmo tempo e que ficam poucos dias ou semanas na obra variando em torno de 500 funcionários/dia. Dessa forma não há local para todos almoçarem, sendo necessário fazer um rodízio de empreiteiras que se inicia as 11 h finalizando em torno das 13 h.

Como mostra a Figura 21, o local para refeições contém um grande número de assentos.

25

25 Figura 21 Local para refeições - Obra C Destacam-se na obra C os quesitos “Acessos”

Figura 21 Local para refeições - Obra C

Destacam-se na obra C os quesitos “Acessos” e “Tapumes” que receberam 100% de avaliações positivas no check list.

Na Figura 22 é possível observar o acesso coberto da portaria à área edificada e uma visão geral da obra C que mostra os tapumes em perfeito estado de conservação.

C que mostra os tapumes em perfeito estado de conservação. Figura 22 Acesso coberto / Tapumes
C que mostra os tapumes em perfeito estado de conservação. Figura 22 Acesso coberto / Tapumes

Figura 22 Acesso coberto / Tapumes - Obra C

4.3 COMPARAÇÃO COM PESQUISAS ANTERIORES

Na Tabela 8 são apresentadas as notas obtidas nas pesquisas de Saurin e Formoso (2000), Souza (2005), das três obras visitadas e a média das notas obtidas nessas três obras.

26

Tabela 8 Notas dos itens verificados nas instalações provisórias

   

Obras visitadas (2011)

 

Saurin e Formoso

Souza

       

INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS

(2000)

(2005)

A

B

C

MÉDIA (A,B e C)

Acessos

4,6

6,2

10

10

10

10,00

Escritório (Sala do mestre/Engenheiro)

6,2

8,2

10

10

6,67

8,89

Local para refeições

5,4

7,1

10

8,33

8,33

8,89

Tapumes

7,6

8,4

10

5

10

8,33

Instalações sanitárias

5,2

6,3

6,67

6,67

6,67

6,67

Tipologia das instalações provisórias

4

7,1

5,71

5,71

6,67

6,03

Almoxarifado

2,8

5,7

3,33

3,33

6,67

4,44

Vestiário

4,6

6,8

1,67

5

5

3,89

MÉDIA FINAL

5,05

6,98

7,17

6,76

7,50

7,14

Na Tabela 8, é possível notar que, de forma geral, a média das notas das obras visitadas foi maior que o encontrado por Saurin e Formoso (2000) e Souza (2005), mostrando uma evolução nas condições das instalações provisórias.

Como é possível observar na Figura 23, o quesito “Vestiários” teve média abaixo do encontrado por Saurin e Formoso (2000) e por Souza (2005). Nesse quesito, foi observado se o local era dividido conforme as equipes de produção/empreiteiras, se os bancos eram fixados através de pregos, se existiam armários, se o piso era de concreto e o local onde o vestiário se localizava.

era de concreto e o local onde o vestiário se localizava. Figura 23 Comparação das notas

Figura 23 Comparação das notas obtidas

Já o quesito “Tipologia das instalações provisórias” teve média abaixo somente referente ao valor encontrado por Souza (2005). Esse quesito observava itens como a segurança das instalações, a boa conservação dos materiais constituintes e se foi aproveitada alguma construção anterior existente no terreno.

27

Do mesmo modo, o quesito “Almoxarifado” teve média abaixo do encontrado por Souza

(2005). Nesse quesito foi analisado a distância do local de descarga, a presença de

etiquetas com nomes nos materiais e equipamentos e se o ambiente era dividido em duas

partes, sendo uma de armazenamento e outra para atendimento.

4.4 ÍNDICE DAS INSTALAÇÕES PROVISÓRIAS

O Índice das Instalações Provisórias (I IP ) verifica a tipologia e condições das áreas de

vivência no canteiro de obra.

Tabela 9 Índice das instalações provisórias

OBRAS VISITADAS MÉDIA (A, B e C)

B

C

ÍNDICES

I IP

Saurin e Formoso

(2000)

Souza (2005)

A

5,10

7,00

6,90

6,70

7,40

7,00

Na Tabela 9 é possível observar o valor encontrado para o I IP nas três obras estudadas.

O cálculo desse indicador foi calculado através da seguinte fórmula:

I IP

PO

PP

= 

x10

, onde

PO = Total de pontos obtidos no quesito instalações provisórias (quantidade de

“SIM”).

PP = Total de pontos possíveis no quesito instalações provisórias (quantidade de

“SIM”+ quantidade de “NÃO”).

A obra que obteve maior I IP foi a obra C. Apesar de ter a maior nota, é fato que apenas 74%

dos itens avaliados foram qualificados positivamente. Dentre os itens que foram avaliados

negativamente, há itens importantes tais como a localização do almoxarifado, a qualidade

dos vestiários e das instalações sanitárias. Esses itens, além de serem fundamentais para a

saúde dos trabalhadores, interferem também na produtividade da obra.

Contrapondo à maior nota, a obra B obteve a menor nota, sendo que somente 67% dos

itens avaliados foram qualificados positivamente, excluindo-se os itens em que a questão

não se aplicava.

É importante salientar que apesar de a média dos I IPs das obras avaliadas ter alcançado a

nota 7,00, e um valor superior quando comparado com Saurin e Formoso (2000) e Souza

(2005), o resultado ainda é insatisfatório visto a importância dos itens que foram utilizados

para calcular o índice.

4.5 ÍNDICE DE BOAS PRÁTICAS NOS CANTEIROS DE OBRA (I BPC )

Na Tabela 10 é possível observar os índices que foram calculados a partir do preenchimento

28

Tabela 10 Valores do I BPC

   

OBRAS VISITADAS

 

Saurin e Formoso

Souza

       
 

ÍNDICES

(2000)

(2005)

A

B

C

MÉDIA

I

IP

5,10

7,00

6,90

6,70

7,40

7,00

I

S

4,40

6,40

7,37

8,10

10,00

8,49

I MAM

6,10

5,90

7,10

7,74

8,70

7,85

I BPC

5,20

6,43

7,12

7,51

8,70

7,78

Todos os valores de I BPCs calculados para as obras visitadas foram maiores que os encontrados por Saurin e Formoso (2000) e Souza (2005). O valor médio encontrado nas obras para o I BPC foi de 7,78, cerca de 49% maior que o encontrado por Saurin e Formoso (2000) e 21% maior que o encontrado por Souza (2005).

Como é possível observar na Figura 24, em 11 anos houve uma evolução nas boas práticas encontradas nos canteiros de obra.

Porém, essa nota ainda é baixa e expõe uma realidade dos canteiros de obra mostrando que ainda há falta de segurança para os trabalhadores, além de ocorrerem perdas de diversos gêneros através de desperdícios de materiais e tempo.

além de ocorrerem perdas de diversos gêneros através de desperdícios de materiais e tempo. Figura 24

Figura 24 Análise do IBPC

29

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

5.1

CONCLUSÕES

Como foi definido inicialmente, o objetivo principal deste trabalho foi analisar parte da realidade das áreas de vivência da indústria da construção civil na cidade de São Paulo. Através de visitas às obras, onde foram feitas entrevistas com engenheiros, mestres e encarregados, foi possível preencher o check list de verificação que gerou os dados e indicadores necessários para a avaliação dos canteiros e compará-los a estudos anteriores de modo a verificar o desenvolvimento das áreas de vivência ao longo dos anos.

É importante salientar que ambos os autores, Saurin (1997) e Souza (2005), fizeram seu estudos na região sul do país. Sendo assim, a comparação é válida por terem sidos utilizados os mesmos critérios, porém características regionais e culturais podem ter influenciado o resultado.

Em comparação com pesquisas e avaliações do setor nos últimos anos e pelas obras estudadas nesse trabalho de conclusão de curso, foi possível concluir que houve uma melhoria nas condições gerais das áreas de vivência. Na análise dos dados, verificou-se que apenas um índice (I IP ) de duas obras ficou abaixo do encontrado por Souza (2005), sendo que a obra A obteve nota igual a 6,9 e a obra B a 6,7 enquanto Souza (2005) obteve nota igual a 7,0.

Porém, de forma geral, o índice que leva em consideração todos os itens da planilha (I BPC ) teve uma evolução ao longo dos anos, chegando à média de 7,78 nas obras visitadas mostrando que a preocupação por parte dos engenheiros e gerentes em relação a esses quesitos vem aumentando, seja pela fiscalização do ministério do trabalho ou por iniciativa própria da construtora.

Uma limitação encontrada na pesquisa diz respeito ao check list que verificou por meio do registro de presença ou não de certo item da avaliação, sem levar em consideração se o item era ou não passível de uso. Dessa forma, foi feito um registro fotográfico de cada item analisado, e esse registro foi considerado na análise dos dados, mas não para o cálculo das notas.

Com essas análises, pode-se concluir que, de forma geral, o tempo dedicado por engenheiros e coordenadores para o planejamento dos canteiros de obras ainda é baixo, apesar de se notar uma pequena evolução.

Assim, para um melhor funcionamento geral do canteiro em termos de planejamento, áreas de vivência e segurança, é fundamental que esse quadro se reverta de modo a

30

melhorar significativamente o desempenho da produção, além de diminuir o número de acidentes de trabalho no setor.

5.2 SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

os

conhecimentos que foram adquiridos durante o seu desenvolvimento, pode-se fazer algumas sugestões para futuros trabalhos:

A

partir

dos

resultados

que

foram

obtidos

neste

trabalho

e

de

todos

Estudar novos itens a serem acrescentados no check list envolvendo as diversas atividades da produção. Como por exemplo, um item importante que deveria ser avaliado é a freqüência de treinamentos dos funcionários. É comum nos canteiros de obra funcionários utilizarem equipamentos sem cursos ou treinamentos, o que pode causar facilmente acidentes.

Acrescentar no check list uma coluna que avalia a qualidade dos itens analisados, e não apenas a presença ou não dele. Essa avaliação poderia ser um fator multiplicador de 0 a 1 que pondera a nota final do quesito.

Avaliar outras áreas do canteiro e registrar as boas práticas encontradas.

Desenvolver procedimentos para ajudar no processo de elaboração dos projetos das áreas de vivência em geral.

Acompanhar as modificações das áreas de vivência ao longo do processo de execução de uma mesma obra e suas diversas etapas.

31

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, F. R.; SAURIN, T. A.; FORMOSO, C. T. Análise de layout e logística de canteiros de obras de empreendimentos habitacionais de interesse social:

comparação com empreendimentos para classe média e alta. In. Simpósio Brasileiro de Gestão e Economia da Construção, 4., 2005, Porto Alegre.

ARSLAN, H

Construction, Faculty of Technical Education, University of Abant Izzet Baysal, 2005. 12 p. Completion of course work. BRANDLI, L. L.e SOARES, J. C. Uma Abordagem ao lay-out de canteiros de obras situados na região Nordeste. Porto Alegre: Engenharia Civil, 2002. 53p. Trabalho de conclusão de curso. CORBIOLI, N. A nova geração de pré-fabricados, 2001. Disponível em:

<www.arcoweb.com.br/tecnologia/tecnologia11>. Acessado em: 12 de maio de 2011 COSTA, D.B.; FORMOSO, C.T.; LIMA, H.M.R.; BARTH, K.B. Sistema de Indicadores para benchmarking na construção civil: manual de utilização. NORIE/UFRGS, Porto Alegre, set. 2005. CRUZ, S. O ambiente do trabalho na construção civil: um estudo baseado na norma. Santa Maria, 1996. Monografia (Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho) - Programa de Pós Graduação em Engenharia de Produção, UFSM. EXPOBRAX. Galpão pré-fabricado em aço galvalume. Disponível em:

<HTTP://www.expobrax.com.br>. Acesso em: 03 maio 2011. FELIX, M.C. Layout em canteiros de obras. Seminário Sul Brasileiro sobre Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. 2000. Disponível em:

www.fundacentro.sc.gov.br. Acesso em junho de 2011.

FRITSCHE, C. et al

ENEGEP - Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Piracicaba/SP, 1996. KRÜGER, J.A. A criação e a manutenção de ambientes adequados e de uma mentalidade de segurança no trabalho nos canteiros de obras com a aplicação das NR’s 17 e 18. In:

ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA NO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 9., 2002, Foz do Iguaçu. Anais de Foz do Iguaçu, 06 agosto 2002. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho. NR 18 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da

construção. Brasília, 1995. 43p. MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO. Normas Regulamentadoras de Segurança e Saúde no Trabalho. NR 09 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Brasília, 1994. 4p.

Re-design, re-use and recycle of temporary houses. Turkey: Department of

Layout de canteiro de obras da construção civil. Anais do 16°

32

MONTMOLLIN, M. Sur le travail - choix de textes (1967-1992). In: Christol, Jacques et Terssac, Gilbert, dir. Collection Travail. Toulouse: Octares Éditions, 1994. OLIVEIRA, I.L. Análise da organização de canteiros de obras. IN: ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA NO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 11, 2006, Florianópolis. Anais Florianópolis, 23 agosto 2006. OLIVEIRA, M.E.R; LEÃO, S.M.C. Planejamento das instalações de canteiros de obras:

aspectos que interferem na produtividade. Paraíba: Universidade Federal da Paraíba - Departamento de Engenharia de Produção, 1996. 6 p. Apostila. SAURIN, T.A; FORMOSO C.T. Análise das práticas de planejamento de layout e logística em um conjunto de canteiros de obra no Rio Grande do Sul. Revista Produto & Produção. Porto Alegre, vol. 4, n. 3, p. 14-25, out. 2000. SAURIN, T.A.; FORMOSO, C.T. Planejamento de canteiros de obra e gestão de processos. Recomendações Técnicas HABITARE, Porto Alegre, V. 3, n. 1, 2006. SAURIN, T.A. Método para diagnóstico e diretrizes para planejamento de canteiros de obra de edificações. Porto Alegre, 1997. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Escola de Engenharia, CPGEC/UFRGS. SERRA, S. M. B. Racionalização de processos e produtos na construção de edifícios.

2001. 42p. Curso de atualização profissional – Universidade Federal de São Carlos

/apostila/.

SOUZA, J.S. Avaliação da aplicação do Índice de Boas Práticas de Canteiros de obras em empresas de construção civil. 2005. 82p. Trabalho de Diplomação em Engenharia Civil. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Orientador: prof. Dr. Carlos Torres Formoso. SOUZA, U.E.L. Projeto e implantação do canteiro. São Paulo: Editora O Nome da Rosa,

2000. 92p. Disponível em: http://www.pcc.usp.br/Publicações.

TAMAKI, M.R. Organização e gestão de canteiro de obras na França. Relatório do segundo

estágio de técnicos brasileiros – programa PBQP-H. 2000. 71p. Disponível em:

<http://www.cte.com.br/artigos.htm>. Acesso em: 18 de dezembro de 2000. VIANA, M.V.; SILVA, A.C.M. Instalações elétricas temporárias em canteiros de obras. Recomendação técnica de procedimentos - Fundacentro, São Paulo, V. 1, 2007.

33

7.1 CHECK LIST

7.

ANEXO

Abaixo, segue o check list utilizado para o roteiro de investigação nas obras analisadas. Na Tabela 11, é possível observar as colunas das três obras visitadas (A, B e C).

Tabela 11 Check List de verificação

   

OBRA

 

A

B

C

1.

INSTALAÇõES PROVISóRIAS

 

SIM / NÃO / NA

1.1

TIPOLOGIA DAS INSTALAÇÕES

     

PROVISÓRIAS

· São utilizadas instalações móveis (containers)

N

N

N

1.1.1 Há modulação dos barracos

S

S

S

1.1.2 Os painéis são unidos com parafusos

S

S

S

1.1.3 Os painéis são pintados e estão em

     

bom estado de conservação

S

S

S

1.1.4

Foram aproveitadas construções

     

existentes para instalação da obra

N

N

N

1.1.5

Os barracos estão em locais livres da

     

queda de materiais, ou então a sua cobertura

tem proteção

S

S

S

1.1.6

Existe alojamento

NA

NA

NA

 

NOTA PARCIAL

5,71

5,71

5,71

 

MÉDIA

 

5,71

1.2

TAPUMES

     

1.2.1

Existe alguma espécie de pintura

     

decorativa e/ou logomarca da empresa

S

S

S

1.2.2

Os tapumes são construídos de material

     

resistente e estão em bom estado de conservação

S

S

S

 

NOTA PARCIAL

10,00

10,00

10,00

 

MÉDIA

 

10,00

1.3

ACESSO

     

1.3.1

Existe portão exclusivo para entrada de

     

pedestres (clientes e operários)

S

S

S

1.3.2

Existe caminho para pessoas, calçado e

     

coberto, desde o portão de entrada até a área

edificada

S

S

S

1.3.3

Há possibilidade de entrada de

     

caminhões no canteiro

S

S

S

1.3.4

Se o prédio localiza-se em uma

     

esquina, o acesso de caminhões é pela rua menos movimentada ou secundária

NA

NA

S

 

NOTA PARCIAL

10,00

10,00

10,00

34

 

MÉDIA

 

10,00

1.4

GUARITA DO VIGIA/PORTARIA

     

1.4.1

Está junto ao portão de entrada de

     

pessoas

S

S

S

1.4.2

Na guarita ou na portaria são

     

distribuídos capacetes para visitantes

S

N

S

 

NOTA PARCIAL

10,00

5,00

10,00

 

MÉDIA

 

8,33

1.5

ESCRITÓRIO (Sala do

     

mestre/Engenheiro)

1.5.1 Tem visão global do terreno

S

S

N

1.5.2 A documentação técnica da obra está à

     

vista e é de fácil localização

S

S

S

1.5.3

Tem estojo com materiais para

     

primeiros socorros

S

S

S

 

NOTA PARCIAL

10,00

10,00

6,67

 

MÉDIA

 

8,89

1.6

ALMOXARIFADO

     

1.6.1

Está perto do ponto de descarga dos

     

caminhões

N

N

N

1.6.2

Existem etiquetas com nomes de

     

materiais e equipamentos

N

S

S

1.6.3

É dividido em dois ambientes, um para

     

armazenamento de materiais e ferramentas e outro para sala do almoxarife com janela de expediente

S

N

S

 

NOTA PARCIAL

3,33

3,33

6,67

 

MÉDIA

 

4,44

1.7

LOCAL PARA REFEIÇÕES

     

1.7.1

Há lavatório instalado em suas

     

proximidades ou no seu interior (NR-18)

S

S

S

1.7.2

Tem fechamento que permite

     

isolamento durante as refeições (NR-18)

S

S

S

1.7.3

Tem piso de concreto, cimentado ou

     

outro material lavável (NR-18)

S

S

S

1.7.4

Tem depósito com tampa para detritos

     

(NR-18)

S

S

S

1.7.5

Há assentos em número suficiente para

     

atender aos usuários (NR-18)

S

S

N

1.7.6

As mesas são separadas de forma que

     

os trabalhadores agrupem-se segundo sua vontade

S

N

S

 

NOTA PARCIAL

10,00

8,33

8,33

 

MÉDIA

 

8,89

1.8

VESTIÁRIOS

     

1.8.1

São divididos conforme as equipes de

     

produção

N

N

N

1.8.2 São divididos por subempreiteiros

N

S

N

1.8.3 Tem piso de concreto, cimentado ou

     

material equivalente (NR-18)

S

S

S

35

1.8.4

Tem bancos e cabides que não sejam

     

de prego

N

N

S

1.8.5

Tem armários individuais dotados de

     

fechadura e cadeado (NR-18)

N

S

S

1.8.6

Localizam-se em locais de alvenaria já

     

concluídas no pavimento térreo

N

N

NA

Número de chuveiros

10

16

 

Número de lavatories

2

10

 

Número de vasos sanitários

5

4

 

Número de mictórios

1

4

 
 

NOTA PARCIAL

1,67

5,00

6,00

 

MÉDIA

 

4,22

1.9

INSTALAÇÕES SANITÁRIAS

     

1.9.1

Os banheiros estão ao lado do vestiário

S

S

S

1.9.2

O mictório e o lavatório são passíveis

     

de aproveitamento

S

S

N

1.9.3 Há banheiros volantes nos andares

N

N

S

1.9.4 Há recipientes para depósito de papeis

     

usados no banheiro (NR-18)

S

S

S

1.9.5

Nos locais onde estão os chuveiros há o

     

piso de material antiderrapante ou estrado de madeira (NR-18)

S

S

S

1.9.6

Há um suporte para sabonete e cabide

     

para toalha correspondente a cada chuveiro

(NR-18)

S

S

N

1.9.7

Há um banheiro somente para o

     

pessoal de administração da obra (mestre, Engo., técnico)

S

S

N

1.9.8

Para deslocar-se do posto de trabalho

     

até as instalações sanitárias é necessário

percorrer menos de 150,0 m (NR-18)

N

N

S

1.9.9

As paredes internas dos locais onde

     

estão instalados os chuveiros são de alvenaria

ou são revestidas com chapas galvanizadas ou outro material impermeável

N

N

S

 

NOTA PARCIAL

6,67

6,67

6,67

 

MÉDIA

 

6,67

1.10 SEGURANÇA NAS ÁREAS DE VIVÊNCIA

     

1.10.1

De um modo geral, as áreas de vivência

     

estão em locais livre de riscos de queda?

S

S

S

2.

SEGURANÇA NA OBRA

     

2.1

ESCADAS

     

2.1.1

Há corrimão provisório constituído de

     

madeira ou outro material de resistência equivalente (NR-18)

S

N

S

36

2.1.2

Há escada ou rampa provisória para

     

transposição de pisos com desnível superior a 40 cm (NR-18)

S

N

S

2.1.3

Quando da concretagem da escada já é

     

deixada alguma espécie de espera para servir de montante para os corrimãos

N

N

NA

2.1.4

Os corrimãos são pintados e estão em

     

bom estado de conservação

NA

NA

S

2.2

ESCADAS DE MÃO

     

2.2.1

As escadas de mão ultrapassam em

     

cerca de 1,0 m o piso superior (NR-18)

NA

NA

NA

2.2.2

As escadas de mão estão fixadas nos

     

pisos superior e inferior, ou são dotadas de dispositivo que impeça escorregamento (NR-18)

NA

NA

NA

2.3

POÇO DO ELEVADOR

     

2.3.1

Há fechamento provisório, com guarda-

     

corpo e rodapé, de no mínimo 0,90 m de altura

N

S

S

2.3.2

O fechamento provisório é constituído

     

de material resistente e está seguramente

fixado à estrutura

NA

S

S

2.3.3

Há assoalhamento de madeira ou

     

malha de ferros dentro dos poços para amenizar

eventuais quedas

S

S

S

2.4

PROTEÇÃO CONTRA QUEDA NO

     

PERÍMETRO DOS PAVIMENTOS

2.4.1

Há proteção efetiva, constituída por

     

anteparo rígido com guarda-corpo e rodapé revestido com tela

NA

S

S

2.4.3

Há andaime fachadeiro?

NA

N

S

2.5

SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA

     

2.5.1

Há identificação dos locais de apoio

     

(banheiro, escritório, almoxarifado, etc.) que compõem o canteiro (NR-18)

N

S

S

2.5.2

Há alertas quanto a obrigatoriedade do

     

uso de EPI, específico para a atividade executada, próximos ao posto de trabalho (NR-

18)

N

S

S

2.5.3

Existe identificação dos andares da

     

obra

S

S

S

2.5.4

Há advertências quanto ao isolamento

     

das áreas de transporte e circulação de materiais por grua, guincho e guindaste (NR-18)

N

S

NA

2.6

PLATAFORMA DE PROTEÇÃO (bandeja

     

salva-vidas)

2.6.1

A plataforma principal de proteção está

     

na primeira laje que esteja no mínimo um pé- direito acima do nível do terreno (NR-18)

S

S

NA

37

2.6.2

Existem plataformas secundárias de

     

proteção a cada 3 lajes, a partir da plataforma principal (NR-18)

S

NA

NA

2.6.3

As plataformas contornam toda a

     

periferia da edificação (NR-18)

S

S

NA

2.6.4

Os painéis das bandejas são fixados

     

com parafusos ou borboletas

S

S

NA

2.6.5

A fixação das treliças é feita através de

     

furo na viga, espera na laje ou solução

equivalente

S

S

NA

2.6.6

A plataforma principal e as secundárias

     

tem largura de 2,50 m + 0,80 m (à 45o) e 1,40 m + 0,80 m (à 45o) respectivamente (NR-18)

S

S

NA

2.6.7

O conjunto bandejas/treliças é pintado e

     

está em bom estado de conservação

S

S

NA

2.6.8

Existe tela de proteção que cobre toda a

     

periferia do edifício?

S

S

NA

2.7

ABERTURAS NO PISO

     

2.7.1

Todas as aberturas no piso têm

     

fechamento provisório resistente

N

N

S

2.8

EPI’s

     

2.8.1

São fornecidos capacetes para uso dos

     

visitantes

S

S

S

2.8.2

Independente da função todo

     

trabalhador está usando botinas e capacetes

S

S

S

2.8.3

Os trabalhadores estão usando

     

uniforme cedido pela empresa (NR-18)

N

S

S

2.8.4

Trabalhadores em andaimes externos

     

ou qualquer outro serviço à mais de 2,0 m de altura, usam cinto de segurança com cabo fixado na construção (NR-18)

S

S

S

2.9

INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

     

2.9.1

Inexistem partes vivas expostas de

     

circuitos e equipamentos, tal como fios

desencapados (NR-18)

S

S

S

2.9.2

Os fios condutores estão em locais

     

livres do trânsito de pessoas e equipamentos, de modo que está preservada sua isolação

S

S

S

2.9.3

Todas as máquinas e equipamentos

     

elétricos estão ligados por conjunto plugue e tomada (NR-18)

S

S

S

2.9.4

As redes de alta tensão estão

     

protegidas de modo a evitar contatos acidentais

com veículos, equipamentos e trabalhadores

S

S

S

2.10

ANDAIMES SUSPENSOS

     

2.10.1

Os andaimes dispõem de guarda-

     

corpo e rodapé em todo o perímetro, exceto na face de trabalho (NR-18)

NA

NA

S

38

2.10.2

Existe tela de arame, náilon ou outro

     

material de resistência equivalente presa no guarda-corpo e rodapé

NA

S

S

2.11

PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO

     

2.11.1

O canteiro possui extintores para

     

combate à princípios de incêndio

S

S

S

2.12

ELEVADOR DE OBRA

     

2.12.1

A torre do guincho é revestida com tela

S

S

NA

2.12.2

As rampas de acesso à torre são

     

dotadas de guarda corpo e rodapé, sendo ascendentes ou planas no sentido da torre (NR-

18)

S

S

NA

2.12.3

Há pneus ou outra espécie de

     

amortecimento para a plataforma do elevador no térreo

S

S

NA

2.12.4

O guincheiro trabalha em local com

     

cobertura de proteção contra queda de materiais (NR-18)

S

S

NA

2.12.5

Há assento ergonômico para o

     

guincheiro

N

N

NA

2.12.6

A plataforma do elevador é dotada de

     

contenção nas laterais em que não há

carga/descarga

S

S

NA

2.12.7

No térreo o acesso a plataforma do

     

elevador é plano, não exigindo esforço adicional

no empurramento de carrinhos/gericas

S

S

NA

2.12.8

Nas concretagens são deixados

     

ganchos de ancoragem nos pavimentos para

atirantar a torre do guincho

S

N

NA

2.12.9

Caso o guincho utilize campainha, o

     

operário pode acioná-la sem subir na plataforma

do elevador

NA

S

NA

2.13

GRUA

     

2.13.1

Existe delimitação das áreas de carga

     

e descarga de materiais (NR-18)

N

S

NA

2.13.2 Foi feito o plano de cargas?

S

S

NA

2.13.3 A grua possui alarme sonoro que é

     

acionado pelo operador quando há movimentação de carga (NR-18)

N

N

NA

3.

SISTEMA DE MOVIMENTAÇÃO E

     

ARMAZENAMENTO DE MATERIAIS

3.1

VIAS DE CIRCULAÇÃO

     

3.1.1

Há contrapiso nas áreas de circulação

     

de materiais ou pessoas

S

S

S

3.1.2