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UMA INTRODUÇÃO AO CONHECIMENTO DE DEUS

AGNOSTO THEO - O DEUS DESCONHECIDO DOS INCRÉDULOS


E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos
vejo um tanto supersticiosos; porque, passando eu e vendo os vossos santuários,
achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse,
pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio. (Atos 17: 22,23)
Quando, Paulo, o apóstolo, fez seu discurso em Atenas, ele começou citando um altar
onde estava gravado Agnosto Theo (ao Deus Desconhecido) e usando este gancho cultural,
juntamente, com a citação da literatura local, ele prossegue apresentando "O Deus que fez o
mundo e tudo que nele há".
Apesar de existir uma revelação geral de Deus na
criação, consciência e história, tal é incapaz de salvar o
Homem; e isso, não se dá por causa de algum problema na
revelação, pois este conhecimento geral cumpre seu
propósito de ser um guia à revelação específica e salvífica,
como Paulo afirma em Atos 17: 27,28:
para que buscassem ao Senhor, se porventura,
tateando, o pudessem achar; ainda que não está
longe de cada um de nós; porque nele vivemos, e
nos movemos, e existimos; como também alguns
dos vossos poetas disseram: Pois somos também
sua geração. O Deus Criador

Mas a ineficácia da revelação gera l quanto a salvação encontra sua causa no próprio
coração humano não-regenerado que rejeita o conhecimento de Deus, como Paulo afirma em
Romanos 1:18-32, o que torna todos indesculpáveis.
Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus
lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto
o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem
pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; Porquanto,
tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças,
antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se
obscureceu. (Romanos 1:19-21)
Sendo assim, um conhecimento salvífico, não necessariamente completo, mas básico e
correto sobre a obra redentora de Cristo é tanto essencial, quanto urgente. Sem tal, a salvação
é impossível, pois é igualmente necessário se arrepender e crer. O texto de Paulo abaixo deixa
claro o papel da pregação e do conhecimento específico de Deus na salvação:
Porquanto não há diferença entre judeu e grego; porque um mesmo é o Senhor
de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque todo aquele que invocar o
nome do Senhor será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram?
e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem
pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão
formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres
novas de boas coisas. Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías
diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o
ouvir pela palavra de Deus. (Romanos 10: 12-17)
Tornar o Deus Vivo e Eterno, Trino e Uno, Onipotente e Criador, Onipresente e Imutável,
Onisciente e Soberano, o Deus que é quem Ele é, o Deus Javé, Sua Vontade, Seus Decretos e
Sua Obra conhecido ao Homem é a missão da Igreja deixada por Cristo na Grande Comissão.

Agnosto Theo - Um Introdução ao Conhecimento de Deus - pág. (1)


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AGNOSTO THEO - O DEUS DESCONHECIDO DOS CRENTES
Contudo, o problema não reside somente no desconhecimento de Deus dos incrédulos.
Um problema muito maior em nossa geração reside no que ocorreu na época do profeta
Oséias.
O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu
rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote
diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me
esquecerei de teus filhos. (Oséias 4:6)
Problema tal que também foi citado por Cristo:
Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras,
nem o poder de Deus. (Mateus 22:27)
A destruição da piedade e o esfriamento do amor do povo
que se nomeia cristão na história e nesta geração estão
intimamente interligado com a rejeição do conhecimento de
Deus; e isso ocorre muito mais pelas atitudes do que pelas
palavras. Isto é mostrado pelo descaso de muitos com a leitura
bíblica regular, pela rejeição de um estudo sistemático das
doutrinas bíblicas, pela aceitação de heresias, pela repulsa a
palavra teologia (teo = Deus, logia = ciência, conhecimento) e
pela superficialidade dos púlpitos, da qual muitos membros não
são só convenientes, mas incentivadores. Como diz Paul
O Conhecimento da Cruz
Washer:
Não há temor em nosso meio, pois não há conhecimento de Deus em nosso
meio.
Esta repreensão da parte de Deus Pai e Deus Filho, mostra claramente o desejo de Deus
e este é também anunciado em Oséias:
"Porque eu quero [...] o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos"
(Oséias 6: 6).
Toda religiosidade externa não vale nada para Deus, mas o que Ele deseja e busca são
adoradores que adorem em espírito e verdade; e tal adoração está atrelada a busca prazerosa
e desejosa de Deus e de Sua vontade, como aquele que achou um tesouro valioso e uma
pérola preciosa (Mateus 13: 44-46). Este espírito é expressado pelo salmista Davi:
A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel,
e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o
coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. O temor do
SENHOR é limpo, e permanece eternamente; os juízos do SENHOR são
verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que
muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos. (Salmo 19: 7-10)

O QUE É ESSENCIAL?
Assim diz o SENHOR: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em
sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em
compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o SENHOR e ajo com lealdade, com
justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara
o SENHOR. (Jeremias 9: 23, 24)
Vivemos em uma sociedade com tantos supérfluos que constantemente as pessoas se
perguntam o que é essencial para a existência do Homem. Alguns dizem saúde, outros família,
outros ainda amigos. Todos estes estão errados. O essencial, o principal, o mais importante é
conhecer e compreender a Deus. Não há nada acima, nada ao lado e nem podemos falar que
há algo abaixo disso, porque não há como comparar o conhecimento de Deus com qualquer
outra coisa.

Agnosto Theo - Um Introdução ao Conhecimento de Deus - pág. (2)


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Deixe-me esclarecer algo (principalmente tendo em vista a degradação da pregação
moderna em auto-ajuda): conhecer a Deus não é aprender alguns princípios para você ter “o
melhor de sua vida hoje”. Não é ensinar a nós mesmos uma pretensa “sabedoria” para
aplicarmos em nossa vida e termos sucesso. Conhecer a Deus não é um meio para
alcançarmos nosso bem-estar egocêntrico. É o mais majestoso de todos os fins. Nós fomos
criados para conhecer a Deus e nos gloriarmos nele. A própria vida eterna consiste em
teologia, conforme Jesus disse em João 17:3:
Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus
Cristo, a quem enviaste.
Entretanto, também não é conhecimento somente pelo conhecimento. Não é nos
gloriarmos em termos uma teologia correta. Não é buscar só a verdade. É buscar a realidade
dessas verdades em nossas vidas. Um papagaio pode repetir palavras corretas. Um
computador pode ler sermões. A verdade tem que formar raízes firmes que crescem e
frutificam para a glória de Deus. Não é tudo sobre verdade! É tudo sobre Deus! A. W. Pink
sintetizou magistralmente isso em seu livro Os Atributos de Deus:
“Necessitamos algo mais que um conhecimento teórico de Deus. Só
conhecemos verdadeiramente a Deus em nossa alma, quando nos rendemos a
Ele, quando nos submetemos a Sua autoridade e quando os Seus preceitos e
mandamentos regulam todos os pormenores da nossa vida.”
Esta transformação da mentalidade mundana para a conformidade com Cristo e Sua
vontade está arraigada na contemplação de Cristo. Contemplar é transformar-se. E o meio
desta contemplação transformadora é admirar a Cristo, seus feitos e atributos nas páginas das
Escrituras.
Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do
Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo
Espírito do Senhor. (2 Coríntios 3:18)

O CONHECIMENTO, O ORGULHO E A HUMILDADE


Assim diz o SENHOR: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria nem o forte em
sua força nem o rico em sua riqueza, mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em
compreender-me e conhecer-me, pois eu sou o SENHOR e ajo com lealdade, com
justiça e com retidão sobre a terra, pois é dessas coisas que me agrado”, declara
o SENHOR. (Jeremias 9: 23, 24)
Lendo o texto de Jeremias novamente, vemos
que ele fala para o sábio não se orgulhar na sua
sabedoria, nem o forte na sua força, nem o rico na sua
riqueza. Mas, por quê? Se ele falasse “não se orgulhe
o tolo em sua sabedoria” seria de fácil compreensão já
que este não a possui.
O que creio que o texto quer dizer é o seguinte:
o sábio não deve se orgulhar, porque se sua sabedoria
é humana então ela é vaidade, “porque a loucura de
Deus é mais sábia do que os homens” (1 Coríntios 1:
25), contudo, se sua sabedoria vem de Deus, então ele
não tem do que se orgulhar, afinal, vem de Deus e não Apontando para os céus
dele próprio.
Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o
recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido? (1 Coríntios 4:7)
Porque se gloriar em sabedoria? Glorie-se naquele que dá sabedoria à pequena mente
humana. Não há nada em você mesmo que você possa se gloriar. Nada!
Ademais, quem em sã consciência alegaria ter contado todas as estrelas do céu ou as
areias do mar? Quanto mais quem se gloriará em dizer que conhece tudo de Deus? A verdade
é que quanto mais de Deus você souber mais você saberá que nada ou muito pouco realmente

Agnosto Theo - Um Introdução ao Conhecimento de Deus - pág. (3)


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sabe. Esse texto não nos encoraja a nos gloriarmos em nosso conhecimento de Deus, e sim
naquilo que Ele revelou de si mesmo a nós.
João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe
for dada do céu. (João 3:27)
Não é o tipo de homem que diz: “todos os olhos foquem em mim e eu irei falar desse
Deus”, como se ele fosse um mediador; mas, sim, o homem que diz: “olhem o que esse grande
Deus fez na história; olhem o que Deus fala de si mesmo” e reconhece que sem Deus ele é
absolutamente nada, aquele que entendeu o efeito do conhecimento de Deus no ser humano.
Este segundo tipo de pessoa fica apontando, e apontado, e apontando somente para Cristo e,
em concordância com João Batista, afirma:
É necessário que ele cresça e que eu diminua. (João 3:30)
Portanto, nos apeguemos firmes a promessa que diz:
Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as
águas cobrem o mar. (Habacuque 2:14)
e cresçamos
"na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo" (2 Pedro
3:18)
e
“Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor..." (Oséias 6:3)

Por Vinícius Musselman Pimentel, autor do blog Voltemos ao Evangelho


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Agnosto Theo
Um Especial sobre os Atributos de Deus
No mundo há somente uma coisa digna de ser buscada: o
conhecimento de Deus. (Robert H. Benson)

Agnosto Theo - Um Introdução ao Conhecimento de Deus - pág. (4)


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