ETICA JURIDICA

Introdução

O homem é um ser dotado de inteligência e capacidade para escolher o que fazer, o que falar, enfim,
escolher sua conduta, a sua forma de viver. A ética estuda exactamente isto: a conduta humana, o seu
padrão de comportamento, a forma de proceder, segundo os valores que possui enquanto ser humano. A
ética é, portanto, uma ciência que possui como objecto de estudo as acções, costumes e comportamento
do homem1 . Todos nós possuímos uma moral; nesse sentido, VOLTAIRE (2008, p.403) nos lembra
que a moral seria encontrada “em todos os homens que usam a razão”. Ou seja, todo homem que possui
capacidade de escolher seu destino é dotado de moral. Agora, para formar a nossa conduta moral, nós
temos que adoptar determinados valores morais e éticos, que, por sua vez, encontram-se dentro do
universo do bem ou do mal, do campo do certo ou errado, correto ou incorrecto, segundo o que é
determinado pela religião, costumes ou, simplesmente, pelo senso comum. Assim, a forma como
vivemos implica na adopção de valores bons ou maus, prejudiciais ou benéficos ao ser humano. Por
isso que se diz que a ética seria uma ciência valorativa.
O presente trabalho de resumo do Guia da Disciplina enquadra-se no âmbito das actividades
curriculares.
São objectos de analise neste presente resumo as 4 unidades temáticas constantes do Guia a saber:
Introduzindo a Ética, Ética e Moral nos Filósofos, Da Ética Jurídica, Ética em Moçambique.
Portanto, a Internet serviu de base para a comparação dos apontamentos vertidos no Guia da disciplina
bem como os manuais constantes na Bibliografia.

De acordo com o código de ética a Ética jurídica é. Estas acções .Resumo da Ficha “Ética Jurídica ” Primeiro Capítulo: A Ética é considerada a disciplina que propõe compreender os critérios e os valores que orientam o julgamento da acção humana. formulada através da prática profissional do Direito. Em cada ser humano e mesmo no mundo existe um número ilimitado de “acções”. nesta vertente. portanto. procurando esclarecer como é possível apontar que determinada forma de conduta seja moralmente errada ou certa. ou seja para os operadores do Direito a ética é um conjunto de regras de condutas que regula a actividade jurisdicional. Para o Direito . visando a boa-fé. a prática da função. a Ética jurídica é a Ética profissional. como também a prevenção da imagem profissional e pessoal. obrigando os destinatários a acatarem.

Ética normativa . esta Liberdade manifesta-se de duas formas: a forma interior . Quanto a Ética como ciência ou filosofia se oferece a dizer que a filosofia prática cujo conteúdo é o agir do próprio homem. Na concepção de RETERI. magoar ou enaltecer. e Forma exterior ou propriamente dita . isto é a ideia de que depende de mim o que escolho fazer. tendo assim um objecto complexo assentado na especulação ética.estuda as normas sociais. Com isto não se pretende dizer que a omissão não faça parte da liberdade exterior. de magoar. estamos diante de uma completude em que a perspectiva interior (livre arbítrio. a liberdade exterior é a exteriorização da liberdade interior. Portanto. racionais e voluntárias. contanto que sempre existe uma possibilidade de escolha e essa liberdade de escolha denomina-se por “livre arbítrio”. etc. bem estar. psicológica e moral) e a exterior (que é nada mais nada menos que a manifestação da interior) se articulam para que seja exercido o livre arbítrio ou a liberdade de escolhas de comportamento. observando a moralidade positiva. a liberdade interna de optar por uma ou outra conduta. Tem o espírito livre o agente que tenha a necessária informação e cultura geral. Por livre-arbítrio entende-se a capacidade de escolha e de decisão. referência e valores.que consiste na possibilidade de agir não só de resistir pacificamente ou silenciosamente. são limitados nas suas possibilidades por constrangimentos que podem ser sociais. Assim. em que muitos actos humanos. familiares. Normativos vigentes. Assim. a ética encontrase ligada a acção humana que se perfaz mediante: Uma manifestação de comportamento como é o caso de trabalhar ou roubar. não deixa de ser uma acção exterior de uma acção interior. enquanto ramo da filosofia a ética pode ser subdivida em função da sua finalidade e da sua aplicação prática. da sabedoria e dos limites pois estão interligadas. e a obtenção de determinado efeito (viver pelas próprias forças ou através do esforço dos outros. bem como capacidade de discernimento e que seja capaz de contrastar as boas e más acções a vários títulos. A liberdade seja ela exterior ou interior não prescinde da mensura.) e normativa deontológica (que assenta na imperatividade da obediência dos valore éticos pela consciência do dever) Meta-ética – estuda a avalia a ética normativa de modo a validar ou não princípio éticos. Quanto a finalidade Ética Normativa e Meta-ética. um conjunto de intenções (intenção de ganhar dinheiro. Esta pode ser: normativa teleológica (cuja noção principal é de que ética deve conduzir a um fim natural de felicidade. O livre arbítrio transmite assim. Quanto a aplicação Ética Geral e Ética Aplicada Ética geral – ocupa-se do . pois se a realização desta produz algumas transformações jurídicas no seio das pessoas que as rodeiam.humanas no seu sentido próprio. inequivocamente inteligentes.que nos pode manter livres ainda que aprisionado a um determinado grupo. tendem a ser claras. pesa embora revestidos de intrínseca liberdade.

Nessa mesma época. Estes juízos de valores. no diálogo chamado "Eutífron". acreditavam que o bem se encontra . Os juízos éticos de valores informam-nos o que é certo ou errado e os juízos éticos normativos enunciam e nos informam que acções. ética profissional). pois tem o objecto próprio. em sua conformidade com a ordem constituída. o filósofo Platão (427-347 a. concluindo daí que a felicidade consiste numa actividade da alma que esteja de acordo com a razão. Segundo esse filósofo.C). mostra Sócrates questionando as acções do homem ímpio ou santo. métodos e leis próprias. dentre os quais o maior é a felicidade.C. Com Platão. e da virtude como ordem a harmonia Universal. no século 5 a. entendida esta como a acção que cada indivíduo pratica inserido numa sociedade embutida de regras. mas na própria natureza humana. podem ser vistos. Para o filósofo que os sucedeu. Sábios e retóricos gregos do século 5 a.C) nos chegaram através dos textos de um de seus discípulos. Já os adeptos do hedonismo (do grego "hedoné" = "prazer"). que. tratando temas de interesse geral relacionados coma moralidade. Assim constitui objecto da ética: a moral. entretanto. Do ponto de vista científico. actuando como professores. Aristóteles (384-322 a. e Juízos éticos normativos. todas as actividades humanas aspiram a algum bem. intenções e comportamentos devemos ter para alcançar o bem e quais devemos nos apartar para evitar o contrário. julgar e agir. buscando os fundamentos da moral não nas convenções. Do ponto de vista histórico. só através destas quatro virtudes referidas é que poderia o homem alcançar o sumo bem. a reflexão ética do mundo ocidental se iniciou na Grécia antiga. sentimentos. A Ética. atente ao âmbito do estudo da ética como: Juízos éticos de valor.” Assim. considerando que os princípios morais são resultado das convenções sociais..estudo das normas sociais que são gerais a toda sociedade. Sendo que o seu método é o da observação que se baseia em Ver. Aristóteles considerava que o pensar é aquilo que mais caracteriza o homem. a felicidade não consiste em prazeres ou riquezas.C). esta é vista como uma verdadeira ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. da vida divina e da equivalência de contemplação filosófica e virtude. para então perguntar em que consiste a impiedade e a santidade em si. quando as interpretações mitológicas do mundo e da realidade foram sendo desacreditadas e substituídas por teorias que privilegiavam as explicações naturais. a abordagem sobre a Ética (ética platónica) assentava na “ideia do Sumo bem. sendo a reflexão da conduta humana. independentemente dos casos concretos. (Por exemplo. As ideias do filósofo grego Sócrates (470-399 a. os sofistas rejeitaram o fundamento religioso da moral. acaba emitindo juízos de valores. que vendiam seus ensinamentos filosóficos.C. virando-se não para a colectividade mas sim para os grupos ou ramos de actividade. Ética aplicada – que ocupa-se do estudo qualificado de questões éticosociais. o famoso filósofo Sócrates se contrapôs à posição dos sofistas.

problemas nos relacionamentos pessoais. O homem deveria procurar o belo. considerava que os prazeres do corpo são causa de ansiedade e sofrimento. Desse modo. pois a felicidade humana estaria resumida nisso. para a alma permanecer imperturbável. Criado por Epicuro (341-270aC). Um de seus maiores expoentes foi Séneca. o prazer. etc.no prazer. nada era eterno e ninguém deveria se preocupar com a vida. o fato de a morte ser inevitável. O princípio da ética estóica é apathéia (a atitude de aceitação de tudo que acontece. o prazer e as paixões humanas eram a razão para a vida do homem. pode-se dizer que a nossa civilização contemporânea é hedonista. porque tudo faz parte de um plano superior guiado por uma razão universal que a tudo abrange). Segundo ele. na dificuldade de suportar qualquer desconforto: doenças. divindades. destino. Zenão de Cício fundava o pensamento estóico. carro. a arte. foi o tutor do imperador Nero. por considerar que deles decorrem muitos males. múltiplas experiências sexuais sem compromisso. deve aceitar com resignação a adversidade e o sofrimento. O estoicismo foi uma corrente filosófica que vigorou por cinco séculos. que. As pessoas também não deveriam se preocupar com as divindades. E. "Suporta e abstém-te". deve-se buscar eliminar as paixões. era a sua máxima. pois identifica a felicidade com o prazer.C. como Epitecto (50-127 d. O ideal estóico originou a noção de ascese que consiste no aperfeiçoamento da vida espiritual por meio de práticas de mortificação do corpo. Tudo se acabaria com a morte. O homem sábio vive de acordo com a natureza e a razão. Genericamente. pois elas desprezavam os humanos e os homens deveriam desprezá-las também. que só produzem sofrimento. desprezando os prazeres em geral.C). O ideal ascético foi muito bem aceito pelo cristianismo medieval. . Aliás. que via no sofrimento uma forma de aproximação com Cristo. quanto imperadores. também. Na mesma época dos hedonistas. como jejum.C). Os epicuristas tinham no prazer a razão da vida. No entanto. convém esclarecer que o principal representante do hedonismo grego. O objectivo de sua moral é chegar à atarraxaria. no século 3 a. é preciso desprezar os prazeres materiais privilegiando-se os prazeres espirituais. abstinência e flagelação. como Marco Aurélio (121-180 d. a ausência total de perturbação do espírito. O Epicurismo (ou hedonismo) defendia que o homem deveria mover-se por seus instintos e buscar somente o prazer e as paixões. boas roupas. Segundo ele. pois nada havia além dela. encontrando seu apogeu na Roma imperial.. esta escola proclamava que a filosofia deveria servir para libertar o homem de seus medos: morte. o filósofo Epicuro. obtido principalmente pela aquisição de bens de consumo: ter uma bela casa. boa comida. entre outras coisas. Seu conteúdo seduzia tanto escravos.

pautando uma ética vinculada com a religião e dogmas cristãos. II) na ideia de elevação ascética para compreender os desígnios de Deus. E no mau uso do livre-arbítrio que estaria a origem de todo o mal. através do pensamento de São Tomás de Aquino. isolando-o de seu meio e condição social e cultural. Atribuindo à subjectividade uma enorme importância. O livre-arbítrio traduz a imensa subjectividade nas coisas do mundo. não vindo o mal de Deus. Desta forma. a entrada na modernidade e o iluminismo. condicionando os actos dos indivíduos à natureza humana. A ética cristã. depois. este constitui uma privação do bem como consequência do livre arbítrio do próprio homem. Se Deus é bondade infinita. superando a razão. como pode existir o mal. a despeito de mudanças significativas com o renascimento e. tudo quanto faças será bom”. Portanto. onde Deus aparece sendo o Bem supremo e o mal como consequência antropológica. subjectivo e individualista. Houve também uma subordinação da ética à moral com a última sobrepondo-se a primeira e invertendo a óptica a favor da heteronomia pautada pelo cristianismo.A Idade Média foi dominada pelo catolicismo na Europa Ocidental. Também a imortalidade da alma é retomada sob a perspectiva cristã. A purificação da alma sugerida inicialmente por Platão foi retomada e repaginada por Santo Agostinho (séc. A ética cristã abandonou a ideia de que é através da razão que se alcança à perfeição moral e centrou-a no amor e na boa vontade. Assim a liberdade cristã reside na relação interior de cada um com Deus. porque se amas correctamente. O conceito de livre-arbítrio esvaziou a acepção grega de liberdade como a possibilidade plena dos indivíduos em seu meio social. a ética agostiniana centra-se em termos teleológicos. reduzida a dimensão social da liberdade. pois no reino de Deus vige a eternidade. Assim. Sendo Deus criador de todas as coisas boas. A ética cristã deu prisma estritamente pessoal à moral. Santo Anselmo e São Tomás de Aquino. . Convém reflectirmos sobre as palavras de Santo Agostinho: “Ama e faz o que queres. pontificou que Deus era fonte dessa felicidade. esta passou a possuir um carácter mais pessoal. também fez uma re-leitura do pensamento aristotélico. O afastamento de Deus é que seria o mal. O tomismo procurou conciliar a fé e a razão. É importante ressaltar que os filósofos cristãos herdaram alguns destes elementos da tradição filosófica grega. de acordo com Santo Agostinho. Dentre as concepções filosóficas que influenciaram fortemente o conceito de ética medieval. Para Santo Agostinho a verdade é uma questão de fé. não pode ser criado por aquele. A liberdade é livre-arbítrio. Santo Tomás de Aquino (século XVII) retomou a ideia de felicidade da ética aristotélica. é revelada por Deus. cabe destacar as ideias de Santo Agostinho. subordinando o Estado e a política à autoridade da Igreja. reconfigurando-os na concepção cristã. o mal que é oposto a sua essência. como uma relação do indivíduo e Deus. dominando o panorama conceitual entre o século XI e XIX.

XIX e XX) se desdobrou numa série de concepções distintas sobre o que seja moral e sua fundamentação que se recusam em sua grande parte a ter base exterior. o ato moral deve concordar com a vontade e com as leis universais que ela dá a si mesma age apenas segundo uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal. não fez mais que reafirmar a subordinação da razão à fé. a desigualdade. como vontade de Deus. humanista. apetites. No Iluminismo os filósofos passam a defender que a moral deve ser fundamentada não em valores religiosos e sim na compreensão sobre a natureza humana. na qual o sujeito tem que se decidir entre suas inclinações e sua razão. sem se preocupar com a condição individual na qual cada um se encontra diante desse dever. Com o Renascimento houve uma retomada do humanismo que voltou a reflexão ética para a autonomia humana. individual e colectiva. A reflexão ética contemporânea (séc. ou seja. Não podemos ser escravos do desejo. tornando o homem como o centro das preocupações do pensamento humano. Os pensadores contemporâneos reagiram ao formalismo da ética kantiana posto que postulava o dever como norma universal. Para Tomás de Aquino. em aceitar as contradições sociais e económicas. Talvez seja esse o maior freio que a natureza posta na injustiça dos homens”. como pretendia Aristóteles. Kant afirma que se o homem se deixar levar pelos seus impulsos. esperando receber a recompensa no além. o caminho para a felicidade passaria pela “grande ética”. Portanto. transcendental para moralidade. O que representou uma relativização da ética. . A Idade Moderna foi um período que se caracterizou pelo apogeu do pensamento burguês crítico. pois a Natureza o conduz pelos interesses de tal modo que usa-se as pessoas e as coisas como instrumentos para o que desejamos. mas não diz nada a respeito de seu conteúdo. e a vontade individual seria apenas um dos elementos da vida ética de uma sociedade em seu conjunto. caracterizada pelo justo equilíbrio divino. Kant fornece a forma da acção moralmente correta. participando e retornando ao espírito divino. desejos e paixões não teria autonomia ética. que centrada no próprio homem situa a origem dos valores e das normas morais. íntima e subjectiva. Voltaire inspirado proferiu assertiva em ser desprezado por aqueles com quem se vive é coisa que ninguém pôde e jamais poderá suportar. fragmentada e aplicada apenas a um contexto especifico de estamento e grupo social. ao afirmar que a dita natureza humana estaria na essência divina. inclinada a bondade. racionalista e antropocêntrico. projectado na ordenação da sociedade. pois considera a moral como mera questão pessoal. Hegel critica Kant. quando finalmente a contemplação do paraíso permitiria atingir a felicidade plena.No entanto. Para isso devemos agir conforme o Imperativo Categórico. A concepção mais expressiva é a natureza racional que encontra em Kant. Assim a moralidade assume conteúdos diferenciados ao longo da história das sociedades humanas.

Para que esta vivência ocorresse de forma pacífica era necessário que partilhassem valores culturais que eram passados de geração em geração. sob pena de entregar-se ao azar. pois Deus é a garantia de existência do eu físico. evitando excessos e cultivando o bom senso. não apreendendo. pois este formalismo não toma em consideração a história e a relação do indivíduo com a sociedade. desde o momento que o homem aprendeu a reconhecer o seu semelhante e de forma pacífica passou a conviver com aquele em sociedade ou comunidade. A principal diferença com o pensamento Kantiano reside no facto de este filósofo tomar como ponto de partida as normas. baseado em recomendações como obedecer às leis e costumes do país. afastando-se no entanto do seu formalismo. estando subordinada ao Direito. Dentre estes vários filósofos. Frederich Engels nas suas reflexões filosóficas aceita o imperativo categórico de Kant. mantendo a religião e a fé em Deus. leis e normas da sociedade. uma normalização ética atrelada à razão. guiando-se pelas opiniões mais moderadas e aceitas pela prática. Tais normas são colectivas aplicando-se a todos por igual. Em primeiro lugar. obrigando o individuo a reflectir e tomar decisões. a Moral humana. .A insuficiência kantiana quanto ao quanto conteúdo da acção moralmente correta e a crítica hegeliana é uma conquista definitiva na relação ética contemporânea. Embora Descartes não tenha pensando especificamente a ética. Enquanto que o pensamento Kantiano coloca a realização do indivíduo em si próprio. que o homem livre tem o dever de cumprir par a sua realização na sociedade. Para este filósofo a ética encontra-se divida em duas partes: uma subjectiva ou pessoal ( que é a consciência do dever). sua concepção filosófica remete a uma transição entre a Idade Média e Moderna. outros tem uma natureza empírica e outros mais que surgem no momento do nascimento do homem. existe uma defesa da ética vinculada com as necessidades do Estado. Depois. alguns acreditam que a moral humana tem uma natureza biológica. se aplicam a toda a sociedade. O caminho da dúvida cartesiana conduziu Descartes a estabelecer uma moral provisória. leis e costumes pre-existente. Porém. e objectiva formada pelos costumes. factor significativo que compôs a ética racionalista em meio à dúvida que origina o cogito. Estas duas partes fazem um todo fundamentado que pressupões a liberdade do indivíduo realizável da própria sociedade. por virem de uma conduta ética do mesmo. os conflitos reais existentes nas decisões morais. deste modo. entende-se desde logo que a moral humana esteve sempre presente na sociedade humana e até primitiva. Capitulo II: Ao longo dos tempos foi sempre alvo de curiosidade e investigação por parte de grandes pensadores. Vários foram os filósofos que propuseram as suas origens e desdobramentos dela. sendo deste onde emanam as normas que.

estes são considerados sagrados e inquestionáveis. para este filósofo. Sendo os Costumes anteriores ao nosso nascimento. Portanto. a Moral é também a livre e consciente aceitação das normas na medida em que se deve entender que o acto é moral quando passe pelo crivo da aceitação pessoal do indivíduo. Assim. a moral esta profundamente relacionada ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade e que. Como orientadora de um determinado comportamento humano. pois exigem que seja decidido em praticar o bem e ter ciência de suas consequências. transforma-se em lei universal daquela comunidade. influencia o comportamento de outros indivíduos. Portanto. a moral orienta o comportamento que o homem deve ter diante das normas instituídas pela sociedade ou por determinado grupo social. ou a violência dos actos de paz e harmonia.Alguns autores da era moderna se posicionaram a respeito da moral. Deste modo. que visa orientar a acção humana. David Hume e Immanuel Kant. Quanto ao senso moral e consciência moral. como Adam Smith. Já a consciência moral significa ter noção das respectivas acções. pode-se afirmar que Senso moral diz respeito quando o homem quando participa de movimentos que favoreçam a solidariedade em várias acções para o bem de uma sociedade. As regras definidas pela moral regulam o modo de agir das pessoas e está associada aos valores e convenções estabelecidas colectivamente por cada cultura ou por cada sociedade a partir da consciência individual. visto que o impulso básico dos homens consiste em obter prazer e não a dor. traduz a capacidade de compreender uma regra moral. Assim. Quanto ao conceito da Moral oferece-se a dizer que é o conjunto dos costumes e juízos morais de um indivíduo ou de uma sociedade que possui carácter normativo (regras do comportamento das pessoas no grupo). a conduta consciente de um determinado indivíduo. tornando-se dessa forma uma lei universal. os princípios Morais estavam intrinsecamente relacionados com as experiências históricas. que distingue o bem do mal. . como tais. ao ser aceite pelos demais membros da mesma sociedade. tendo em vista o bem e o mal e que sejam livre e conscientemente aceitas visando organizar as relações dos indivíduos na sociedade. Os dois juntos justificam o desejo de afastar a dor e o sofrimento para alcançar a satisfação. Kant defendia que a razão é a base da moral. Para David Hume. Para Adam Smith. submetendo-a ao dever. e formarem o tecido da sociedade em que vivemos. pois o comportamento humano. afasta-se dos pensamentos de Adam Smith que relacionava o surgimento das normas morais a utilidade que a mesma teria para os indivíduos de uma determinada sociedade. são considerados valores e obrigações para a conduta de seus membros. pois estas normas estabelecidas pelas sociedades são aplicadas a medida que se tornam eficientes e úteis as sociedades. individualmente. Senso moral é a capacidade de sentir uma regra moral. Diferentemente de Hume. a moral estava directamente ligada as paixões humanas e não à razão.

pode-se dizer que a Moral compreende o conjunto de normas de conduta aceites numa determinada sociedade ou por um grupo de indivíduos numa determinada Época. Esta é uma das principais diferenças da ética e da Moral e encontra-se mesmo do conceito atribuído a cada uma delas. acaba sendo o objecto de estudo da ética. pois: enquanto a Moral se fundamenta na obediência a costumes e hábitos recebidos. Constrangimento. portanto das normas e regras de comportamento instituídas pelas sociedade ou grupos sociais em determinada Época. Honradez. Portanto. actos esses conscientes e voluntários dos indivíduos que afectam outros indivíduos. Culpa. estes valores provocam nas pessoas determinados sentimentos. com o objectivo não só de limitar o bom exercício da função. Integridade. por sua vez. determinados grupos sociais ou a sociedade em seu conjunto. Espírito de Sacrifício. se ela for entendida como um acervo de regras destinadas à conduta humana.O senso moral e a consciência moral fazem referência à valores tais como: Justiça. que é uma disciplina virada a reflexão sobre a vida moral. No plano jurídico. A Moral é de facto o objecto de estudo da Ética. que com auxílio do método de observação busca validar ou justificar os valores que são inerentes àquela. Remorso. A Ética. Generosidade e. a ética jurídica seria um conjunto de normas de conduta destinadas à prática profissional do direito. emitindo juízes de valores. como sejam: Admiração. mas também de preservar a imagem e a categoria do profissional de Direito. Capítulo III: A Ética Jurídica seria vista como uma análise dos valores humanos presentes na prática do direito. . Vergonha. a Ética busca fundamentar as acções morais exclusivamente pela razão. Por outro lado. A moral é tida como objecto de Ética pois o objecto de estudo da Ética é composto por tipo de actos humanos. a Ética diferencia-se da moral. Destas duas noções depreende-se que a moral. analisando assim as acções praticadas pelos profissionais de direito. é um capítulo da filosofia ou ciência que se ocupa do estudo e reflexões a respeito dos princípios que fundamentam a vida moral emitindo juízos de valores. No que tange as diferenças entre a Moral e a Ética. a ética jurídica seria um conjunto de regras para a prática do direito. por seu turno.

Tratando-se da Ética Jurídica. económicas. seja na sua prática racional. familiares. Assim. Varias são as leis e vários regulamentos governamentais como de trabalho privado que regulamentam o comportamento dos funcionários no seu dia-a-dia. A materialização da justiça efectua-se com uma série de actos praticados por estes profissionais que produzem uma séria de consequências jurídicas que se projectam nas diferentes áreas dos indivíduos. também. famílias interferindo na felicidade de pessoas e até no seu futuro.Do ponto de vista filosófico. alterar factores económicos. Como se vê. uma vez que a ética é parte da filosofia. sociais. como também são vistas como instrumentos éticos profissionais na media em que interferem na conduta e comportamento dos indivíduos. os futuros juristas devem desde cedo desenvolverem a sua consciência ética jurídica pois as normas jurídicas são o alicerce das futuras funções a serem desempenhadas por estes futuros profissionais de direito. a Ética consiste no estudo da prática jurídica. o jurista deve estar consciente que no exercício da sua profissão. bem como na sua forma de organizarem e distribuírem socialmente. Capitulo IV: A Ética em Moçambique encontra-se sedimentada em muitos sectores do Estado moçambicano e no sector privado. mostra-se ainda importante o estudo de ética jurídica no curso de ciências jurídicas como forma de transmitir aos futuros profissionais de Direito as responsabilidades inerentes a sua profissão e como esta poderá influenciar a sociedade em geral. que o instrumento que manipula no seu dia-a-dia é capaz de cercear a liberdade. prejudicando populações inteiras. focada na análise das normas jurídicas ou do direito. comecem logo a consciencializar-se do papel social que irão desempenhar e bem como a conhecer os valores éticos que terão que espelhar no exercício das suas futuras funções. a concepção filosófica da ética é considerada a única verdadeira. . importa que os futuros profissionais de direito. Para tal. O principal enfoque vai as actividades jurídicas ou profissionais de Direito. tais como financeiras. são autores da Justiça. Não obstante. Claramente se diferencia da ética jurídica do ponto de vista do direito que orienta os seus estudos a análise da prática do direito pelos profissionais de direito. permitindo que esta se materialize na sociedade. para concretizar a tão almejada justiça. entre outros sectores sociais e estaduais. Assim. seja na sua origem. Portanto. estes profissionais tem um acervo de normas que orientam as suas actividades e que lhes servem de ferramentas de trabalho. Os juristas ou profissionais de direito. importa dar mais ênfase a actividade jurídica.

Aos profissionais de direito. É a necessidade de convivência que faz surgir a Moral. Todavia. procuradores e advogados. no exercício das suas funções tenham como base não só a lei. e dos seus fundamentos éticos e legais. às actividades jurídicas em si. uns aplicando-a outros controlando-a sua aplicação e outros ainda certificando-se que o utente da própria justiça. Para alem desta lei. Para que se possa alcançar a verdadeira justiça. quer sejam juízes. é o que deve ser . É por isso que no estudo da Deontologia jurídica. aquela reunião de regras que são destinadas a orientar o relacionamento dos indivíduos numa certa comunidade social. advogados. Sendo moral o que é vivido. então. o que acontece. tenha a devida defesa dos seus interesses garantida. que constitui a aplicação dos princípios e normas da Ética Geral aos casos particulares. estão.° 28/2009 de 29 de Setembro) que disciplina o exercício da actividade de advocacia em Moçambique. CONCLUSÃO A coexistência é uma imposição a que todos as pessoas são submetidas. mas também os valores éticos e morais que foram adquirindo no convívio social. torna-se necessário que estes profissionais. a convivência é uma necessidade. Para o caso dos advogados. esta como consequência daquela. existe o Estatuto da Ordem dos Advogados ( Lei n. Aos magistrados judiciais e do ministério público. às profissões geradas pelo exercício do Direito. faz-se necessária a análise de uma Ética especial. existem os regulamentos internos da Ordem em que os advogados estão adstritos e vinculados a cumprirem sob pena de sanções. entendida como a disciplina que trata dos deveres e dos direitos dos juízes. é. procuradores. foi-lhes dado um privilégio único de serem agentes da justiça. Já a ética. eticamente vinculados primeiro pela Constituição da Republica e pelos seus respectivos estatutos e directrizes dos seus órgãos superiores.

A ética estuda. as máximas. A ética. o primeiro dever ético do profissional é dominar as regras para um desempenho que exerce e fazer com que o profissional tenha consciência dos seus actos.ou. dizendo-nos o que devemos ou não fazer. tem-se como moral o conjunto de costumes. visto que esta pertence a indivíduos. pelo menos. efectivamente. é uma reflexão filosófica. não só por ser um conjunto de regras e normas que regem a nossa existência. pelo contrário. visto que faz parte integrante da vida quotidiana das sociedade e dos indivíduos. portanto. aceito livre e conscientemente. o que deveria ser (conforme já salientamos. comunidades e/ou sociedades. Apesar de terem um fim semelhante: ajudar o Homem a construir um bom carácter para ser humanamente íntegro. encontrando as regras que. os princípios. O objecto de estudo da ética é. regula o comportamento individual e social das pessoas. de comunidade para comunidade. o que faz com que a ética seja de carácter universalista. as causas. mas também analisa as consequências dessas acções. de sociedade para sociedade. as circunstâncias. a mudança por novos valores. A moral tem um carácter prático imediato. subentendido nos outros: o valor do bom ou o valor do bem. nos levando a um discurso. Pesquisar sobre a ética nas profissões jurídicas parece ser tema que não nos levará a lugar algum já que são múltiplos os factores que determinam uma sociedade ou um grupo de profissionais a terem formas mais materialistas e individualistas de ver o mundo. o que guia a acção: os motivos. . por oposto ao carácter restrito da moral. Podem os valores variarem. a ética e a moral são muito distintas. o objecto é o dever-ser). já gasto. Assim. e até ordena. são importantes e podem ser entendidas como uma boa conduta a nível mundial e aplicável a todos os sujeitos. aconselha. Deste modo. no âmbito de uma mesma sociedade. variando de cultura para cultura e se modifica com o tempo. logo puramente racional. mas também porque está presente no nosso discurso e influencia os nossos juízos e opiniões. Tanto a ética como a moral relacionam-se a valores e a decisões que levam a acções com consequências para nós e para os outros. A moral é como expressão da coexistência. estando até mesmo. Esse conjunto de normas. sobre a moral. normas e regras de conduta estabelecidas em uma sociedade e cuja obediência é imposta a seus membros. todavia todos relacionam-se com um valor de conteúdo mais importante. variando de pessoa para pessoa. procura justificá-la e fundamentá-la. Sem dúvida.

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° 28/2009 de 29 de Setembro. aprova o Estatuto dos Magistrados Judiciais Lei nº 22/ 2007 de 1 de Agosto. . aprova o Estatuto da Ordem dos Advogados de Moçambique Lei nº 7/2009 de 11 de Março.Constituição da República de Moçambique Lei n. Lei Orgânica do Ministério Público e os Estatuto dos Magistrados do Ministério Público.

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