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Nos últimos tempos, pude observar que todas as análises sobre a


reestruturação e reinvenção do trabalho tem se focado em um futuro que
engloba suas condições e seu desenvolvimento frente aos avanços
tecnológicos, entretanto,essa busca por um olhar futurista tem sido carente de
analises reais da realidade das relações de trabalho, falta se especificar a que
tipo de trabalhador tal realidade será empregada, observei q ue em todas as
matérias houve essa falta de cuidado, o que gera uma inadequação do
discurso produzido ao verdadeiro prognóstico da relação de trabalho e de uma
verificação coerente desse quadro que interfere no quadro social.

Tudo que tange as relações de trabalho tem se tornado muito sensível ,


hoje o que podemos observar é que com a reestruturação do trabalho houve
uma transferência de responsabilidades que é denominada e aceita por muitos
como autonomia, ou seja, o trabalhador tem certa liberdade dentro do sistema
produtivo, mas na verdade não é um beneficio em sua totalidade não deixa o
trabalhador mais livre para ser criativo, o que quero mostrar é que com essa
liberdade veio uma carga de responsabilidade muito grande ao trabalhador,
para que ele possa dar conta de responder a essa autonomia ele teve que
adquirir um perfil polifuncional, agora ele não ocupa uma função estática mas
em constante dinâmica, ele precisa se modernizar, superar metas cada vez
mais ambiciosas para que ele possa se manter empregado, além disso temos
outro ponto de análise que é a fragilidade nas relações interpessoais devido a
grande competição, e as relações contratuais que cada vez mais desfaz os
laços entre cada lado. Acredito que para se falar de trabalho é necessário
lembrar do trabalho na sua essência e nele dentro do sistema capitalista, e
verificar os tipos de trabalhadores para que se possa focalizar cada um dentro
de suas realidade, desta forma não cairemos no mesmo e continuo erro de se
adequar uma determinada realidade a toda a classe de trabalhadores.

Temos em nosso cotidiano a experiência do trabalho como um aspecto


vital em nossa vida, e sua concretização nos distingue das outras formas de
vida e nos caracteriza enquanto integrante da sociedade, nos torna
sociável,Segundo Marx ( 1995.p,80) ³ desde que o homem, não importa o
modo, trabalhem uns para os outros, adquire o trabalho uma forma social´.
Desta forma, vamos previamente abordar as transformações históricas, de
como o trabalho era concebido e é atualmente, concl uindo com uma visão
marxista sobre o trabalho, que em muitos aspectos ainda é bastante
perceptível em nossa sociedade.

A visão grega que repousava sobre o trabalho era de desprezo pelos


trabalhos manuais, principalmente os pesados, esta sentimento para com o
trabalho era tal qual como uma característica natural dos membros bem
nascidos da sociedade, logo, os cidadãos gregos davam grande valor as
atividades intelectuais, artísticas e políticas. Os trabalhos nas minas, olarias,
campo e construções eram executados por escravos, a base da economia
grega. ³os escravos foram a base da sustentação da sociedade ateniense,
faziam trabalhos domésticos, agrícola, pastoris e mineração´.(
PETTA;OJEDA.1999,p.17)

Entre as primeiras civilizações da América, os povos Maias tinham


grande parte da população formada por trabalhadores agrícolas denominados
!  , de caráter religioso muito forte, o trabalho era visto como uma
atividade de subsistência e manutenção do equilíbrio social. Já os povos Incas,
tinham uma sociedade estruturada, coma exploração vinda do trabalho familiar
num lote de terra cedido pelo chefe da comunidade, o trabalho era visto como
uma obrigação para com 
chefe Inca. Quanto a sociedade Asteca, a
mais desenvolvida segundo Petta;Ojeda (1999.p,31) ³ os Astecas criaram uma
civilização com fortes traços urbanos, a capital possuía uma vida urbana muito
movimentada´, embora houvesse escravidão ela era quase que temporária
devido a facilidade de se reconquistar a liberdade, e muito mais amena que a
escravidão dos colonizadores.

No século X, o feudalismo surgiu como produto de valores romanos,


católicos e germânicos, sistema que dominou a vida da realeza européia, criou
um fosso entre dois pólos sociais, os proprietário e os trabalhadores sob um
regime de servidão. Neste contexto o trabalho era visto como uma atividade
degradante e direcionada aos pobres, uma atividade que desqualificava o
individuo.

Somente no século XV tendo o mercantilismo como doutrina comercial o


trabalho passou a ser valorizado.

Na nova ordem econômica o trabalho passou a ser muito


valorizado, a exaltação do trabalho se opunha á
valorização do ociosidade [...] que via no trabalho uma
atividade inferior exclusiva das classes pobres.
(PETTA;OJEDA,1999.p,59)

Entre os séculos XV e XVI, com a reforma protestante o calvinismo veio


a dar uma nova visão, o trabalho aparecia como uma atividade sistêmica
voltada para a glorificação de Deus. ³[...] não é trabalho em si, mas um trabalho
racional uma vocação que é pedida por Deus´. (WEBER 1987.p, 115)

No século XVIII a revolução Industrial veio como resposta a ineficácia do


mercantilismo aos interesses burgueses assim como o fisiocratismo, até que o
liberalismo tornou-se a resposta aos anseios desta classe, a Inglaterra coma
industrialização têxtil, criou uma batalha entre o trabalho tradicional das oficinas
e o trabalho pelo sistema de fabrica, neste estágio o trabalho era visto como
uma atividade apenas de subsistência para a classe proletária e peça chave
para a classe burguesa que almejava cada vez mais enriquecer.

O capitalismo, surge com o acumulo de riqueza nas mãos de poucos


que almeja cada vez mais enriquecer.

uma importante mudança acontece quando a partir do


século XVI, o artesão e as corporações de oficio foram
substituídas, respectivamente, pelo trabalhador µlivre¶
assalariado ± operário - e pela
industria.(COSTA,1997.p,86)

Com mais algumas décadas a Organização Internacional do Trabalho


(OIT), criada pela Conferencia da Paz após a primeira Guerra mundial, tendo
por objetivo promover justiça social, desenvolveu o conceito de trabalho
descente, que propõe medidas de geração de postos de trabalho e
enfrentamento do desemprego, mas também, ao conjunto de trabalhadores e
trabalhadoras e não apenas aqueles que têm um emprego regular, proteg ido
no setor formal ou estruturado da economia.

Atualmente o conceito de trabalho decente da OIT engloba a superação


das formas de trabalho em que o individuo não consegue sustentar a família,
ter educação, moradia e saúde, busca proporcionar proteção soci al nos
impedimentos ao exercício do trabalho como doença, acidentes entre outros.

A forma como Marx aborda a temática do trabalho divide -se no contexto


do trabalho dentro e fora do sistema capitalista. A obra marxista discorre sobre
o trabalho enquanto fat or essencialmente natural da gênese humana, processo
existente desde a as primeiras formas de existência do homem enquanto este
primitivamente desenvolvia sua força de trabalho alterando seu meio ambiente
objetivando suprir suas necessidades.

Todo trabalho é, de um lado, despendido de força


humana de trabalho no sentido fisiológico,[...] todo
trabalho por outro lado é despendido de força humana de
trabalho, sob forma especial para um determinado
fim.(MARX 1995.p,202)

O trabalho é um processo que envolve a participação do homem e a


natureza , ele a modifica pela sua força de trabalho que se da pelos esforços
de seus membros, dando-lhe uma forma útil a vida do homem, por meio da
transformação do projeto que tinha antes em mente, desta forma o trabalho é
visto como uma pratica unicamente restrita ao ser humano.

uma aranha executa operações semelhantes as do tecelão, e a


abelha supera mais de um arquiteto ao construir sua
colméia.Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor abelha
é que ele figura na mente su a construção antes de torna -la
realidade.( MARX,1995.p,202)
Percebe-se o homem nesta visão, totalmente harmonizado com o
processo de trabalho que é o próprio trabalho, este se desenvolve como um
componente constitutivo da vida, longe de ser um martírio, o trabalho não lhe
aparece de forma estranho, existe uma correlação entre homem, natureza,
processo de trabalho e valor de uso.

O trabalho dentro do processo capitalista é transformado em mercadoria,


sua finalidade é apenas para subsistência do proletariado, transformando-se
em meio e não necessidade de realização humana. Um trabalho alienado
definido na perda do produto do trabalho,assim, constroem casas que não
habitam, carros que não dirigem, roupas que não usam. Neste contexto
segundo Marx (2005.p,111) ³ o trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto
mais riqueza produz, quanto mais sua produção aumenta em poder e
extensão´.Um trabalho fetichizado resultado de um acordo entre produtores
ande seu único caráter irreal repousa sobre o salário, ³ a partir das falsas
aparências da esfera da circulação,arma -se toda uma estrutura ideológica´.
MARX,apud,GERAS (1977.p,276)

Verifica-se, que o trabalho perde sua característica humana, já que


passa a ser para o assalariado nada mais que um meio de subsistência em vez
de ser o trabalho sua expressão, o trabalho aparece degrado em meio de viver

Quanto aos tipos de trabalhadores nos temos ,°     : pessoa


física que presta serviços habituais por conta própria a uma ou mais pessoas,
assumindo os riscos da atividade. O fato que os diferencia dos empregados é a
falta de vínculo de subordinação ao empregador, este tipo de trabalhador
usufruir dos avanços da modernidade para ter mais tempo livre, entretanto isso
vai depender do tipo de serviço que ele presta. °      : aquele
que não se fixa a uma fonte de trabalho,é contratado para trabalhar diante de
uma situação específica, ocasional; term inando o trabalho, o eventual não
retorna mais à empresa, vai em busca de outros trabalhos em empresas
distintas. Este tipo de trabalhador apresenta características de quem necessita
cada vez mais se informatizar e estar antenado, caso contrário ele é deixado
para trás é um tipo de trabalhador que não tem laços fixos nem contratual nem
interpessoal devido a suas inconstância. °      : é a
classificação para os estivadores, que fazem os serviços nos porões dos
navios, os conferentes, consertadores de cargas e descargas. Têm
características peculiares, como intermediação do sindicato ou órgão gestor de
mão de obra, sem vínculo empregatício com o intermediador ou com o tomador
do serviço.è este tipo de trabalhador que de os artigos tem se esquecido, o que
eu me pergunto, é como a modernidade vai criar um futuro de ócio a este
trabalhador? Ele não pode abrir o notebook transportar cargas, pela baixa
remuneração não terá lazer porque ele pertence ao grupo que luta pela
subsistência.
    !  : aquele que presta serviços de natureza contínua e de
finalidade não lucrativa à pessoa ou à família, para o âmbito residencial delas.
a tecnologia pode fazer seu trabalho menos penoso, entretanto, isso jamais vai
significar que ele poderá se apropriar do tempo livre para uma atividade
prazerosa.   : toda pessoa física que, em propriedade rural ou
prédio rústico, presta serviços de natureza não eventual a empregador rural
(explora atividade agroeconômica, inclusive a exploração industrial), so b a
dependência deste e mediante salário. Neste caso devemos analisar a
hierarquia, pois o coletor de alimentos poderá usufruir da tecnologia nos
instrumentos de trabalho como os tratores modernos mas isso não significa
que com isso sua jornada de trabalho será diminuída ele continua no mesmo
tempo de serviço,os que comandam as áreas administrativas poderão usufruir
da internet para oferecer serviços, entre outras funções e no caso do alto
escalão ganhar tempo e comodidade mas esse quadro não se aplica a to dos. 
°    °  : é aquele prestado por pessoa física a uma
empresa, para atender a uma necessidade transitória de substituição de seu
pessoal regular e permanente. É vinculado à empresa de trabalho temporário,
embora preste serviços no estabelecimento do tomador de serviços.neste caso
verificamos a fragilidade nos contrato de trabalho mas um possível
estreitamento de laços interpessoais. Este tipo de trabalhador certamente vive
uma a angustia da instabilidade, e dificilmente a tecnologia intervêm na sua
condição no sentido de lhe pro porcionar mais lazer e tempo livre.   
    " : realizado pelo empregado em seu próprio domicílio ou fora da
fiscalização direta do empregador, uma vez que o fato de o trabalho ser
realizado fora do estabe lecimento do empregador não descaracteriza a relação
de emprego. Neste caso a tecnologia consegue lhe proporcionar mais
agilidade, mais comodidade, e como conseqüência mais tempo livre, entretanto
este tipo de trabalhador não faz parte do grande quadro e s im de uma minoria
que consegue ganhos para sua subsistência em sua própria residência.
  : exerce uma atividade de natureza pedagógica, visando à melhor
formação profissional, que lhe proporcione complementação do ensino do
curso que está fazendo. A maior necessidade neste caso é de aprendizado e
não de subsistência, este tipo de trabalhador não tem vinculo fixo com a
empresa.    # : é o jovem entre quatorze e dezoito anos,
inscrito em programa de aprendizagem, formação técnico -profissional
metódica, em que o trabalho seja compatível com o seu desenvolvimento
físico, moral e psicológico,ele ainda esta entrando no campo do trabalho e tem
como objetivo conseguir uma futura estabilidade     $%  : é
aquele que exerce uma atividade p ara Administração Direta, Autarquia ou
Fundação, que teve acesso através de concurso público e não é regido por
estatuto próprio e sim pela CLT. Já servidor público é o agente que tem acesso
por meio de concurso público, mas é admitido sob regime jurídico estatutário,
não contratual e não sendo objeto de estudo do Direito do Trabalho. 
  &  : tem as características marcantes de relação de emprego
(continuidade, subordinação, recebimento de salário, pessoalidade e pessoa
física) e não se enquadra nos tipos de empregados especiais. É regido pelas
regras da CLT. Neste tipo é que encontramos a grande maioria dos
trabalhadores, vendedores do comércio, das grandes lojas de departamento
que estão vivenciando uma realidade de constante angustia, seus laços com o
trabalho são fragilizados pela s constantes mudanças, precisa ter cada vez mais
atenção, concentração,discernimento,pensamento lógico, organização, não
existe tecnologia que mude esse quadro de pressão, como se pode pensar
neste trabalhador nos parâmetros do futuro ócio? Se cada vez mais a
exploração da força trabalhista esgota suas forças? A modernização só trouxe
benefícios para alguns tipos de trabalhadores como mostramos, mas pa ra essa
grande maioria só fez com que se conseguisse aumentar os lucros do
capitalista.
Existe uma certa louvação ao avanços da tecnologia no campo do
trabalho, esses avanços possuem seus aspectos positivos pela comodidade
que proporciona tanto para quem com elas trabalham como para quem recebe
esses serviços, o que é preciso ter em mente, é que não podemos visualizar a
relação de trabalho por um único olhar e dizer que ele é compatível a toda
classe trabalhista, pois como foi mostrado existem uma variedade de
realidades, não verificaremos os mesmos sintomas em todos os trabalhadores.
Então devemos fugir do discurso generalizado, porque na verdade esse
discurso tem um propósito falso o de mostrar uma realidade mascarada que
justifique a formar como o trabalho é conduzido, dizer que todos são
igualmente agraciados pela modernização é uma grande engano, dizer que o
futuro do trabalho será o ócio é uma grande piada italiana de Domenico De
Masi. Se for apliacada de forma geral a todos os trabalhadores.

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ANTUNES, Ricardo,  !   


 '  .1ºed.São
Paulo.expressão popular,2004
ARISTOTELES( )   *   ,texto integral, trad.Pietro Nssatti.São Paulo;
Martins Claret,2002.
BERNARDO,João,      °   + °   $       
,   São Paulo, Editora Cortez,2004

BAUMAN, Zigmunt. '  " . Trad. Plínio Dentzien. Rio de


Janeiro: Jorge
Zahar Editor, 2001.
DE MASI, Domênico. - .  °  
 .    c    ,  
$/01  Editora José Olimpio, Rio de Janeiro, 1999

DELEUZE, Gilles. ß 


       —
Disponível em:
<http://www.approach.com.br/nucleos/release>. Acesso em: 10 mar. 2007.

DEBORD, G. A sociedade do espetáculo. Comentários sobre a sociedade do


espetáculo. Rio de Janeiro, Contraponto, 1997.

Dejours, C.(1987) D       D São Paulo : Oboré.(1987)


MARX,kal.-        " , volume I,II,III.trad.Reginaldo
Sant`Anna.São Paulo. Bertrand Brasil,199 2.
_______, Manuscritos Econômico e Filosóficos, São Paulo, Martin Claret.2005
WEBER, Max.  )  $    "  &    . 5. ed. São
Paulo:
Pioneira, 1987.