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ANHANGUERA EDUCACIONAL

Centro Universitário Anhanguera


Faculdade de Educação de Pirassununga

O ensino de língua inglesa em escolas de


idiomas: material didático nacional ou
importado?

Andréia Zampar
Dalila Aparecida Zandoná
Margerete Aparecida Grigoletti

Pirassununga
2008
ANHANGUERA EDUCACIONAL
Centro Universitário Anhanguera
Faculdade de Educação de Pirassununga

O ensino de língua inglesa em escolas de


idiomas: material didático nacional ou
importado?

Andréia Zampar

Dalila Aparecida Zandoná

Margerete Aparecida Grigoletti

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


apresentado ao Programa de Graduação
do Centro Universitário Anhangüera:
Faculdade de Educação de Pirassununga,
como parte dos requisitos para obtenção
de Licenciatura em Letras.

Pirassununga
2008

2
O ensino de língua inglesa em escolas de
idiomas: material didático nacional ou
importado?

Andréia Zampar
Dalila Aparecida Zandoná
Margerete Aparecida Grigoletti

Banca Examinadora

______________________________
Profª. Orientadora Lílian Vechetini

______________________________
Prof.

Pirassununga
2008

3
AGRADECIMENTOS

Agradecemos a Deus pela coragem que nos deu para seguir os


caminhos desta conquista.

À nossos pais que contribuíram e nos deram forças para não


desistir no meio do caminho.

À Profª Lílian Vechetini, orientadora, pela oportunidade de


desenvolver este trabalho.

Agradecemos a todos os professores e aqueles que nesses três


anos de curso estiveram conosco e colaboraram com a nossa
formação.

4
I NDÍ CE

CAPÍTULO I: A TRAJETÓRIA DA PESQUISA

1.1 – Introdução................................................................................................ 8

1.2 – O problema de pesquisa e a justificativa na escolha do tópico............... 9

1.3 – O objetivo e as perguntas de pesquisa................................................... 9

1.4 – Metodologia..............................................................................................10

1.4.1 – Os questionários...........................................................................10

1.4.2 – As escolas.................................................................................... 10

CAPÍTULO II: MATERIAS NACIONAIS X MATERIAIS IMPORTADOS

2.1 – Introdução................................................................................................ 11

2.2 – Os materiais............................................................................................. 11

CAPÍTULO 3: ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1 – Introdução.................................................................................................14

3.2 – Análise e discussão dos dados................................................................ 14

3.3 – Conclusão.................................................................................................18

Considerações finais.................................................................................19

Referências Bibliográficas.................................................................................20

Anexos..............................................................................................................22

5
RESUMO

O presente trabalho discute as vantagens e desvantagens em se utilizar um


material didático nacional ou um material importado para o ensino de inglês
como língua estrangeira. O estudo contou com a colaboração de sete
professores e sete diretores de escolas de idiomas, particulares e franqueadas,
que responderam a um questionário que tinha por objetivo investigar os pontos
positivos e negativos em se usar um ou outro material. Os dados mostram que
os professores têm dificuldade em apontar as vantagens e desvantagens de
cada tipo de material. Entre essas temos o custo, que nem sempre é o único
determinante para a escolha; o prestígio do material importado, os autores
renomados. Mas, embora o professor seja o usuário, muitas vezes a sua
escolha difere da escolha da escola, pois depende da ideologia e dos objetivos
dessa.

PALAVRAS-CHAVES: Ensino de língua inglesa; escolas de idiomas; material


didático.

6
ABSTRACT

This paper discusses about what the advantages and disadvantages that exist
in use English of textbooks, national and imported. The research involved the
collaboration of seven teachers and seven principals of private language
courses, which answered a questionnaire which had the objective of
investigating the positive and the negative points in using one or the other
material. The data shows that teachers have difficulties in pointing out the
advantages and the disadvantages of each textbook. Among these there is the
cost, which is not always the only determinant of choice; the prestige of the
imported material, the renowned authors. But while the teacher is the user,
often their choice differs from the choice of the school, because this depends on
the ideology and goals of that one.

KEY-WORDS: English language teaching; language schools; textbooks.

7
Capítulo I: A Trajetória da pesquisa.

1.1 Introdução

A escolha do material didático para o ensino de línguas é campo de


investigação que vem despertando, cada vez mais, o interesse de autores e
pesquisadores na área de ensino de línguas da Lingüística Aplicada
(PAIVA, 2005; MADEIRA, 2005; PICA, 2002. apud MADEIRA, 2006, p.107)
Antigamente, o ensino de línguas baseava-se no método de diálogo e
ditados, devido à escassez de materiais voltados para essa área. Para se
chegar ao material didático de língua inglesa que temos hoje no mercado,
muitas transformações no mundo interferiram nesse processo.
No Brasil, houve um crescente lançamento de livros didáticos na
primeira metade do século XX. Porém, isso não ocorreu com os livros de
inglês, que continuaram sendo importados de outros países. Somente no
início dos anos sessenta, é que as editoras passaram a investir nesses
materiais, que passaram a ter público certo devido a um aumento no
número de escolas de idiomas. A partir de então, alguns materiais
passaram a ser produzidos no Brasil e as escolas tiveram a opção de
adotar livros nacionais ou importados.
No decorrer dos anos, surgem várias escolas de idiomas que possuem
seu próprio material didático produzido no Brasil. Num sistema de franquias,
por exemplo, o material é produzido igualmente para todas as unidades, a
fim de padronizar as principais ações didático-pedagógicas.

A realidade das franquias de ensino de inglês é bem diferente das


dos outros institutos de língua inglesa, na medida em que, desde a
sua criação por volta da década de 60, optaram pela produção de
materiais didáticos próprios desenvolvidos localmente. Essa opção,
na verdade, foi uma das condições sine qua non para a existência
deste modelo de curso, na medida em que a produção do LD próprio,
acompanhado pelo obrigatório guia do professor, contribuía para a
padronização do método de ensino e a garantia do mesmo nível de
qualidade em todas as unidades franqueadas. (NOGUEIRA, M. C. B,
2007, p. 29).

8
Ainda assim, algumas delas ainda utilizam material importado. Cada
uma dessas escolas tem seus motivos por optar pelo uso de um ou outro
material, que é o que vamos focar nesta pesquisa.

1.2 O problema da pesquisa e a justificativa na escolha do


tópico

O livro didático é o material pedagógico que mais influencia as decisões


do professor, além de facilitar e agilizar o processo de
ensino/aprendizagem.
Em grande parte das escolas de idiomas - que serão campo de estudo
da presente pesquisa - a escolha muitas vezes não compete apenas ao
professor, mas também envolve o coordenador pedagógico. Em outras, o
professor tem autonomia para adotar o material que acredita ser o mais
adequado.
Entretanto, a adoção de um livro não é uma tarefa simples. São muitos
os critérios de seleção, e um dos primeiros e talvez o mais importante deles
é optar por um material nacional ou importado.

1.3 O objetivo e as perguntas da pesquisa

Considerando o livro didático um material fundamental, este estudo tem


por objetivo fornecer orientações a professores e futuros professores de
língua inglesa na seleção de materiais didáticos. Além disso, também
poderá orientar àqueles que estiverem interessados em iniciar um curso de
inglês.
Para tanto, pretende-se responder as seguintes perguntas que guiam a
realização desta investigação:
1 – Quais as vantagens e desvantagens de se utilizar materiais didáticos
nacionais ou importados?
2 – Qual é o material mais usado: nacional ou importado?

9
1.4 Metodologia

Com o intuito de encontrar respostas às perguntas de pesquisa deste


trabalho, foram aplicados questionários a diretores e professores de escolas
de idiomas em três cidades do interior do Estado de São Paulo.

1.4.1 Os questionários

O questionário destinado aos diretores era composto de três questões


que tinham por objetivo descobrir onde era produzido o material utilizado
pela escola, há quanto tempo era utilizado e quais os motivos que levaram
à sua escolha.
O questionário destinado aos professores era composto de cinco
questões cujo objetivo era saber qual material utilizavam (nacional ou
importado), descobrir se já trabalharam com os dois tipos de material, qual
eles preferiam e conhecer a sua opinião com relação às vantagens e
desvantagens na utilização de um ou outro material.

1.4.2 As escolas

O cenário de nossa pesquisa foram sete escolas de idiomas: duas


franquias situadas na cidade de Porto Ferreira, duas situadas na cidade de
Santa Cruz da Palmeiras, onde uma é franquia e a outra é particular, e três
escolas situadas na cidade de Pirassununga, onde duas são particulares e
uma é franquia.

10
Capítulo II: Materiais Nacionais X Materiais Importados

2.1 Introdução:

Neste capítulo serão abordadas as diferenças existentes entre os


materiais importados e os nacionais, além de apontar quais as vantagens e
desvantagens encontradas na sua utilização.

2.2 Os materiais:

Conforme já vimos, “nas escolas de idiomas, o livro didático é visto como


guia norteador, um instrumento indispensável para o processo de ensino e
aprendizagem”. (XAVIER, R.P e URIO, E.D.W, 2006)
Tanto o mercado nacional como o estrangeiro contam com uma grande
variedade de livros didáticos de língua inglesa que podem ser utilizados por
alunos e professores. Contudo, adotar um livro não é tão simples assim. Ao
escolher um livro didático é necessário que se estabeleça critérios que
podem nortear a sua avaliação, tais como: a explicitação e
operacionalização dos objetivos de aprendizagem; adequação da
abordagem à clientela; a qualidade do layout (claro e atrativo) e da
impressão (legível); materiais visuais adequados e disponíveis; tópicos e
tarefas interessantes; variedade de tópicos e tarefas para atender diferentes
níveis de aprendizes, estilos de aprendizagem e interesse; instruções
claras; abrangência do conteúdo de ensino; conteúdo claramente
organizado e seqüenciado (por dificuldade); revisões periódicas e seções
com exercícios / atividades; linguagem autêntica; explicação e prática de
pronúncia; explicação e prática de vocabulário; apresentação e prática da
gramática; prática da fluência nas quatro habilidades (ouvir, falar, ler e
escrever); desenvolvimento de estratégias de aprendizagem para tornar os
aprendizes mais autônomos; orientação adequada ao professor; fitas
cassetes e livro facilmente adquirido. (Ur, 1991. apud XAVIER, R.P e URIO,
E.D.W, 2006)

11
Sabemos que não é possível encontrar um material didático que atenda
a todos esses critérios. Dessa forma, é necessário estabelecer os mais
importantes. Se compararmos um material didático produzido no Brasil e
outro produzido no exterior, encontraremos como prioridade critérios
diferentes em cada um deles. O material produzido no Brasil, por exemplo,
muitas vezes é escolhido pelo fácil acesso devido ao assédio direto das
editoras, por possuir grande variedade de títulos para escolha, e pelo fato
de seus autores conhecerem as necessidades do público a que se destina.

Um livro didático home-produced, se bem produzido, tem uma chance


muito maior de sucesso local simplesmente pelo fato de que os
autores têm maior consciência das necessidades dos alunos naquele
contexto e são capazes de desenvolver materiais que se encaixam
nas suas tradições de aprendizado e ensino, e no mundo conceitual
dos alunos. ¹ (JOLLY e BOLITHO, 1998. apud NOGUEIRA, M. C. B,
2007, p. 31)

O material importado, muitas vezes, é escolhido por possuir um autor


renomado, ou ainda, por apresentar excelente qualidade gráfica. Além
disso, o fato de o inglês ser uma língua falada no mundo todo faz com que
seu prestígio confira a esses autores algum reconhecimento também.

Em relação às editoras estrangeiras estas reservam ao autor um


espaço significativo em sites e diversos livros apresentam em sua
página introdutória nota escrita pelo próprio autor a respeito de sua
obra. Esses procedimentos contribuem para a valorização e
manutenção do status desse profissional. (SOARES, M. L. F, 2007,
p.62)

Porém, apesar de serem considerados materiais de grande qualidade


pedagógica, os materiais importados quando adotados, geralmente
demandam adaptações às realidades locais. Esses se destinam a contextos
muito amplos e variados, e acabam por criar algumas dificuldades no
atendimento a um grande número de alunos e professores de diferentes
contextos. Além disso, geralmente, possui preços mais elevados.
___________________
¹ “A ‘home-produced’ coursebook, if it is well-produced, stands a much greater chance
of success locally simply because the authors are more aware of the needs of learners in
that context, and are able to design the materials in such a way as to fit in with their own
learning and teaching traditions, and with the conceptual world of the learners.”

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Celani (1997 apud TICKS 2005, p. 17) defende o fato de que “devemos
olhar menos para modelos e modismos desenvolvidos em outros lugares” e
pensarmos “o material didático através da ótica do seu público [o aluno
brasileiro] e do contexto ao qual ele pertence”.
O professor deve, portanto, pensar nas qualidades do material sempre
tendo em mente as necessidades do seu público-alvo e não somente no
prestígio que um material possui ou no seu preço. Acima de tudo, deve-se
analisar a qualidade das atividades, a maneira como a gramática é
apresentada e como o vocabulário é trabalhado, se favorece a autonomia
do aluno e também se incentiva o uso de estratégias de aprendizagem. A
somatória de todas essas características é que vai garantir o sucesso do
uso de um material ou outro.

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Capítulo III: ANÁLISE DOS DADOS E CONCLUSÃO

3.1 Introdução:

No capítulo anterior falamos sobre os critérios que norteiam a escolha de


um material didático e também sobre alguns dos motivos que levam a essas
escolhas, além de citar algumas diferenças existentes entre os materiais
importados e os nacionais.
Neste capítulo, iremos apresentar e analisar os dados obtidos através
dos questionários respondidos por diretores e professores de sete escolas de
idiomas, e, a partir da discussão desses dados, buscaremos chegar a uma
resposta para as nossas perguntas de pesquisa.

3.2 Análise dos dados:

A partir das respostas dos professores à primeira pergunta do


questionário, verificamos que, dos sete professores entrevistados, quatro
utilizam material nacional e três utilizam material importado. Os quatro
primeiros trabalham em escolas franqueadas, enquanto os três últimos
trabalham em particulares.
Esses dados podem ser notados na tabela a seguir.

Professor 1 “Uso material nacional que também é utilizado nas unidades do


exterior.”

Professor 2 “Uso os próprios livros da Escola XX. Para crianças, adolescentes,


jovens e adultos.”

Professor 3 “”Material nacional – Livros da Escola XX, desenvolvidos por


brasileiros.”

Professor 4 “Material importado, proposto pela escola.”

Professor 5 “Uso o material proposto pela escola. o que ela disponibiliza para os
professores trabalharem. E acredito ser um bom material, que traz CD,
um bom caderno de respostas para o professor, dando-nos uma boa
base para as dificuldades em sala de aula.”

Professor 6 “Uso o material da escola.”

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Professor 7 “Material importado.”

Em entrevista, eles afirmam que utilizam o mesmo material há vários


anos e que esse material passou por pequenas reformulações durante esse
período.
Ao perguntarmos aos professores quais as vantagens e desvantagens
em se usar material nacional ou importado, obtivemos as seguintes respostas
ilustradas na tabela a seguir.

Professor 1 “A vantagem em se utilizar material importado é que o aluno se intera da


cultura estrangeira. A desvantagem é o alto custo já que ele tem que passar
por toda a tarifação de importação.”

Professor 2 “Acredito que ambos tenham pontos positivos e negativos, e isso não
depende de ser nacional ou importado. Uma desvantagem do material
importado é abranger muito assunto/ conteúdo em um único capítulo,
tornando o seu layout cansativo e confuso. Já a desvantagem de alguns
materiais nacionais é apresentarem os enunciados em português. Todavia,
o professor deve aproveitar o máximo de cada um e adaptá-lo, se
necessário, à sua turma.”

Professor 3 “Vantagens do material nacional: maior acessibilidade. Não há


desvantagens, pois existe a influência de nativos. Caso haja essa influência,
não é possível um contato mais amplo com a cultura do idioma ensinado.”

Professor 4 “Vantagens em se usar material importado: Além de ser produzido no país


de língua estrangeira (no caso EUA), quem produz conhece as dificuldades
de quem é de fora e precisa aprender o que se usa lá. Conhece os erros do
estrangeiro, suas dificuldades com as palavras cognatas e as expressões
idiomáticas, conhecidas por quem já é natural do país.
Desvantagens: Só vejo desvantagem no custo que é um pouco maior, mas
pela qualidade do material esse custo se torna imperceptível do que ele tem
de vantagens.
Vantagens em se usar material nacional: O custo menor. Às vezes o aluno
procura a escola de idiomas para uma determinada realidade. Então, alguns
materiais são dirigidos para um certo público que vai enfatizar o vestibular, a
melhor nota na escola, dentre outras opções, aí sim o material nacional é
mais aconselhável.
Desvantagem: a qualidade para quem quer viajar ou morar fora.”

Professor 5 “Vantagens do material importado: Esta metodologia é dirigida para quem vai
trabalhar com a língua inglesa no Brasil ou fora dele, a linguagem técnica é a
mesma.
Desvantagens: Não vejo desvantagens, uma que a qualidade é outra, e
quem está procurando se atualizar e melhorar, tem que pagar por isso.

Professor 6 “Com relação ao material importado, apesar de nunca ter trabalhado, não
vejo desvantagens. Cada material é dirigido para um público, dependendo do
que o aluno procura.
Vantagens do material nacional: O custo é menor. Dependendo do tipo de
pessoa que procura a escola e a condição que ela esteja no momento, o
preço faz a diferença. A desvantagem talvez esteja na desatualização com o
que se fala lá fora, pois a língua muda conforme o falante e o tempo.”

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Professor 7 “A grande vantagem em se usar material importado é a credibilidade que lhe
é conferida por serem desenvolvidos por lingüistas renomados. Não vejo
desvantagens.
A grande desvantagem de métodos nacionais é que muitas vezes esses são
empíricos, baseados nas opiniões de seus criadores sem levar em conta as
descobertas da lingüística moderna. Não vejo desvantagens.”

Podemos notar, que os professores apresentam dificuldades em apontar


as vantagens e desvantagens de cada material. Muitos defendem que a
qualidade do material independe do fato de ele ser nacional ou importado.
Um dos professores parece favorecer a utilização de materiais
importados pelo fato de serem produzidos por autores que já tem um nome
consagrado na área de ensino/aprendizagem de línguas, o que o torna um
material confiável. Contudo, o professor parece se esquecer que nem todo
material importado é produzido por um autor famoso, nem é publicado por
grandes e renomadas editoras.
Alguns professores alegam que uma das desvantagens conferidas aos
materiais importados é o seu alto custo. No entanto, não podemos deixar de
observar que hoje em dia há no mercado muitos materiais importados com
preços bem acessíveis.
Através das respostas abaixo, podemos analisar a preferência dos
professores por um ou outro material.

Professor 1 “Prefiro o nacional, pois ele corresponde às necessidades do aluno


brasileiro.”

Professor 2 “Por trabalhar com diferentes séries de livros em ambas categorias,


não tenho preferência por materiais importados ou nacionais.
Acredito que o importante é saber escolher o material de acordo com
o perfil do aluno.”

Professor 3 “Trabalhei somente com material nacional.”

Professor 4 “Eu prefiro o material importado, porque já trabalhei com material


nacional de má qualidade, esta foi uma experiência que eu tive. Na
verdade os materiais didáticos nacionais que já vi foram tirados de
materiais importados, com alguma adaptações. Isso, somente
barateou os custo.”

Professor 5 “Eu prefiro o material importado, além de ser o que a escola me


oferece e solicita que eu trabalhe, este desta escola, se enquadrou
exatamente no que o aluno procura para o mercado de trabalho. E
mesmo o custo sendo um pouco maior, ele se paga pela qualidade.”

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Professor 6 “Prefiro o material nacional, além de ser o que a escola me oferece,
ele está voltado para a realidade que queremos trabalhar.”

Professor 7 “Prefiro os métodos importados. Por serem, em sua maioria,


baseados em pesquisas científicas praticadas por especialistas
renomados, ligados à universidades.”

De acordo com as respostas, é possível observar que três professores


preferem o material importado, dois preferem o nacional; um professor prefere
não apontar sua preferência por um ou outro tipo, mas acredita que a escolha
por um material depende do fato de conhecer as necessidades do público que
se pretender atender. Um outro professor prefere não demonstrar sua
preferência pelo fato de não ter parâmetro para comparar.
A partir das entrevistas com os diretores, descobrimos que todos os
materiais são determinados pela escola, e, apesar de somente alguns
professores terem citado esse fato, notamos que muitos defendem esse
material. Mais uma vez, podemos notar que alguns voltam a comentar sobre a
vantagem ou a desvantagem do custo, do prestígio que os materiais
importados possuem, e da importância em se dar atenção às necessidades do
aluno.
Quando perguntamos aos diretores qual o motivo da escolha por este ou
aquele material, somente quatro responderam. Vejamos na tabela a seguir.

Diretor 4 “Minha esposa e eu moramos fora do país, e trouxemos esta


metodologia de lá”.
O método consiste em fazer com que o aluno pense em Inglês.
Uma metodologia objetiva, para sanar as dificuldades e dúvidas
encontradas fora do país de origem. Funciona como se o aluno já
estivesse fora do Brasil, tentando “se virar” sozinho, longe da sua
língua materna. Então, ele vai ouvir, falar e pensar em inglês,
diferente dos métodos que aprendemos na escola, que são:
pensar em português e traduzir para o inglês, em seguida, falar.
Com isso, o cérebro perde alguns segundos em fazer essas
conexões, e o aluno demora mais a aprender.
Se o aluno for estudioso, esse método o leva a aprender mais
rápido que os outros, fazendo com que ele conclua o curso
rapidamente e tenha menos custos.”

Diretor 5 “A escolha por este material foi pelo fato de ele desenvolver as
quatro habilidades do aluno, o que vai necessitar para trabalhar
fora do país, já que o objetivo direto desta escola é o mercado de
trabalho.”

Diretor 6 “Porque ele é diretamente desenvolvido para a metodologia da


escola, que se baseia na metodologia comunicativa.”

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Diretor 7 “Por ser um método moderno, que é atualizado de tempos em
tempos.”

Através das respostas obtidas dos diretores das escolas (tanto


particulares como franqueadas), pudemos observar que a escolha do material
é feita de acordo com o objetivo de cada escola, seja formar alunos que
pretendam morar no exterior, preparar alunos para o mercado de trabalho ou
atender seus interesses pessoais.

3.3 Conclusão:

Se analisarmos estatisticamente, das sete escolas pesquisadas, três


utilizam material importado, enquanto quatro utilizam material nacional. Porém,
isso não significa que ele seja o melhor. Isso pode ser observado a partir da
análise das respostas obtidas através dos questionários: três professores
afirmam preferir o material importado enquanto dois preferem o nacional. O
material nacional parece ser o mais usado; em contrapartida, não parece ser o
preferido pelos professores.
Constatamos, ainda, que não existe um consenso por parte dos
professores em relação às vantagens e desvantagens de um material didático
de inglês nacional ou importado. Ambos têm suas qualidades, o que muda é o
objetivo para o qual se destina.
Todo material apresenta pontos positivos e negativos, afinal, não existe
um que atenda a todas as necessidades de um público, que são muitas e de
variadas naturezas, tais como: idade, sexo, interesses, formação cultural,
educacional e profissional. Dessa forma, cabe àquele que irá escolhê-lo
considerar os critérios mais importantes para sua utilização e não somente o
fato de ele ser nacional ou importado.

18
Considerações finais:

O presente trabalho investigou os critérios que levam uma escola a optar


por um material didático importado ou nacional, a fim de descobrir quais as
vantagens e desvantagens que esse apresenta.
Verificamos que não existe um material que atenda a todas as
necessidades daqueles que pretendem aprender a língua inglesa como língua
estrangeira. Esse funciona como um guia norteador do professor, que deve
fazer adaptações de acordo com seu público-alvo. Sendo assim, observa-se
que ambos os materiais apresentam vantagens e desvantagens. Dessa forma,
a escolha de cada um depende dos objetivos de cada escola e das
necessidades do público que ela pretende atingir.
Observamos que o questionário aberto não foi a melhor escolha para
nossa pesquisa, pois percebemos que muitos professores apresentaram
dificuldades ao respondê-lo e acabaram saindo um pouco do foco das
questões, dando respostas muito vagas. Talvez um questionário fechado nos
apresentasse respostas mais objetivas. De qualquer forma, forneceram
informações importantes para a realização do presente trabalho.
Com isso, esperamos contribuir para conscientização e reflexão dos
professores e coordenadores pedagógicos no processo de escolha de
materiais didáticos, além de colaborar com aqueles que pretendem aprender
inglês como língua estrangeira, oferecendo uma base teórica e empírica para
que possam analisar o material que a escola onde escolheram estudar utiliza.
Pode-se afirmar que é extremamente importante a continuada busca por
um entendimento mais amplo acerca de materiais didáticos de língua inglesa
de escolas de idiomas, uma vez que, ao elaborarmos o presente trabalho,
notamos que há dificuldades em encontrar pesquisas relacionadas a esse
tema, de forma que ainda há muito a ser discutido sobre ele.

19
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DAMIANOVIC, Maria Cristina (Org.). Material Didático: Elaboração e


Avaliação. Taubaté – SP: Cabral Editora e Livraria Universitária, 2007.

MADEIRA, F. Material Didático para o Ensino de Inglês LE: Conteúdos e


Transversalidade. Contexturas – Ensino Crítico de Língua Inglesa, Mogi das
Cruzes, n. 10, p. 107 – 118, 2006.

NOGUEIRA, M. C. B. Ouvindo a voz do (pré) adolescente brasileiro da


geração digital sobre o livro didático de inglês desenvolvido no Brasil, Cap.
2 O ensino da língua inglesa no Brasil, Rio de Janeiro, 2007. Disponível em:
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0510556_07cap_02.pdf
Acesso em: 26 abr. 2008.

NOGUEIRA, M. C. B. O material didático pesquisado, Cap. 3 O ensino da


língua inglesa no Brasil, Rio de Janeiro, 2007. Disponível em:
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0510556_07cap_03.pdf
Acesso em: 26 abr. 2008.

PAIVA, V. L. M. O. História do Material Didático, 2007. Disponível em:


http://www.veramenezes.com/historia.pdf .
Acesso em 26 abr. 2008.

SOARES, M. L. F. O papel do autor de livro didático para o ensino de língua


inglesa como uma língua estrangeira: um estudo de identidade autoral, Cap.
5 O autor de livro didático de língua inglesa como língua estrangeira, Rio de
Janeiro, 2007. Disponível em:
http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0510554_07 cap_05.pdf
Acesso em 29 out. 2008.

TICKS, L.K. O livro didático sob a ótica do gênero, 2005. Disponível em:
http://rle.ucpel.tche.br/php/edicoes/v8n1/luciane.pdf
Acesso em 29 out. 2008.

20
TICKS, L.K. O livro didático de língua inglesa: concepções de linguagem e
de ensino. Disponível em: <http://www.ufsm.br/lec/01_03/Ticks.htm>.

TILIO, R. C. O livro didático de inglês em uma abordagem sócio-discursiva


– Culturas, identidades e pós-modernidade, Cap 8 Reflexões Críticas e
considerações finais, Rio de Janeiro, 2006. Disponível em:
http://www.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0210387_06_cap_08.pdf
Acesso em 30 out. 2008.

XAVIER, R.P e URIO, E.D.W. O professor de Inglês e o Livro Didático: que


relação é essa?. Trabalhos de Lingüística Aplicada, Campinas, 45(1): 29-
54, Jan./Jun. 2006.

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ANEXOS

Questionários

Diretores

1 - Onde é produzido o material didático utilizado por sua escola?

2 - Há quanto tempo a escola utiliza este material?

3 - Por que a escolha por este material?

Professores

1 - Qual material você usa: nacional ou importado?

2 - Você já trabalhou com material importado/nacional?

3 - Qual você prefere? Por quê?

4 - Quais as vantagens e desvantagens de se usar material importado?

5 - Quais as vantagens e desvantagens de se usar material nacional?

22