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SÉRIES ESTATÍSTICAS

1) TABELAS
Um dos objetivos da Estatística é sintetizar os valores que uma ou mais variáveis
podem assumir, para que tenhamos uma visão global da variação dessa ou dessas variáveis.
Isso é obtido, inicialmente, apresentando esses valores em tabelas e gráficos, que irão nos
fornecer rápidas e seguras informações, permitindo-nos determinações mais coerentes.
Tabela é um quadro que resume um conjunto de observações.
Uma tabela compõe-se de:

O quê?
TÍTULO Onde?
PRODUÇÃO DE CAFÉ Quando?
BRASIL – 1991 – 1995

ANOS PRODUÇÃO CABEÇALHO


(1000 t)

1991 2535 CÉLULA


CORPO 1992 2666
1993 2122 LINHAS
1994 3750
1995 2007

FONTE: IBGE RODAPÉ

COLUNA COLUNA
INDICADORA NUMÉRICA

De acordo com a Resolução 886 do IBGE, nas casas ou células da tabela devemos
colocar:
• Um traço horizontal ( - ) quando o valor é zero;
• Três pontos ( ... ) quando não temos os dados;
• Zero ( 0 ) quando o valor é muito pequeno para ser expresso pela unidade utilizada;
• Um ponto de interrogação ( ? ) quando temos dúvida quanto à exatidão de determinado
valor.

2) SÉRIE ESTATÍSTICA
É qualquer tabela que apresenta a distribuição de um conjunto de dados estatísticos
em função da época, do local ou da espécie.
Conforme varie um dos elementos da série, podemos classificá-la em temporal,
geográfica e específica.

2.1) SÉRIE TEMPORAL


Indica-se pelo caráter variável do fator cronológico. O local e a espécie (fenômeno) são
elementos fixos. Esta série também é chamada de histórica ou evolutiva
ABC CONSTRUÇÕES
Acidentes de Trabalho no 1º Bimestre de 2009
Período Qtd Acidentes
Jan/2009 20
Fev/2009 10
Total 30
2.2) SÉRIE GEOGRÁFICA
Apresenta como elemento variável o fator geográfico. A época e o fato
(espécie) são elementos fixos. Também é chamada de espacial, territorial ou de
localização.
ABC CONSTRUÇÕES
Acidentes de Trabalho no 1º Bimestre de 2009
Filiais Qtd Acidentes
São Paulo 13
Brasília 17
Total 30

2.3) SÉRIE ESPECÍFICA


O caráter variável é apenas o fato ou espécie. Também é chamada de série
categórica.

ABC VEÍCULOS LTDA


Acidentes de Trabalho no 1º Bimestre de 2009
Tipo Qtd Acidentes
Acidentes Típicos 18
Acidentes de Trajeto 12
Total 30

3) SÉRIES CONJUGADAS
Muitas vezes temos a necessidade de apresentar, em uma única tabela a
variação de valores de mais de uma variável, isto é, fazer uma conjugação de duas ou
mais séries.
Conjugando duas séries em uma única tabela, obtemos uma tabela de dupla
entrada. Em uma tabela desse tipo ficam criadas duas ordens de classificação: uma
horizontal e outra vertical.
ABC VEÍCULOS LTDA
Acidentes de Trabalho no 1º bimestre de 2009
Filiais Jan/2009 Fev/2009
São Paulo 9 4
Brasília 11 6
Total 20 10

4) DADOS ABSOLUTOS E DADOS RELATIVOS


Os dados resultantes da coleta direta da fonte, sem outra manipulação senão a
contagem ou medida, são chamados absolutos.
Dados relativos são o resultado de comparações por quociente (razões) que se
estabelecem entre dados absolutos e têm por finalidade realçar ou facilitar as
comparações entre quantidades.

Traduzem-se os dados relativos em geral por meio de percentagens, índices,


coeficientes e taxas.

4.1)Percentagens

Consideremos a série:

MATRÍCULAS ENSINO MÉDIO DF


2008
CATEGORIAS NÚMEROS DE ALUNOS
1ª SÉRIE 19.286
2ª SÉRIE 1.681
3ª SÉRIE 234
TOTAL 21.021
Dados fictícios

Cálculo das percentagens dos alunos de cada série:

1º série -- 19.286 x 100 = 90,96 = 91,0


21.201

2º série -- 1.681 x 100 = 7.92 = 7,9


21.201

3º série -- 234 x 100 = 1,10 = 1,1


21.201

Com esses dados podemos formar uma nova coluna na série em estudo.
MATRÍCULAS ENSINO MÉDIO DF
2008
CATEGORIAS NÚMEROS DE ALUNOS %
1ª SÉRIE 19.286 91
2ª SÉRIE 1.681 7,9
3ª SÉRIE 234 1,1
TOTAL 21.021 100
Dados fictícios

4.2) Índices
São razões entre duas grandezas tais que uma não inclui a outra.
Exemplos:
Densidade demográfica = população/superfície
Renda per capita = renda/população

4.3) Coeficientes
São razões entre o número de ocorrências e o número total. (número de
ocorrências e número de não ocorrências).
Exemplos:
Coeficiente de Natalidade = número de nascimentos / população total
Coeficiente de Mortalidade = número de óbitos / população total

4.4) Taxas
São os coeficientes multiplicados por uma potência de 10 (10, 100, 1.000 etc.),
para tornar o resultado mais inteligível.
Exemplos:
Taxa de Mortalidade = coeficiente de mortalidade x 1.000.
Taxa de Natalidade = coeficiente de natalidade x 1.000,

5) DISTRIBUIÇÃO DE FREQUENCIA
É a forma pela qual podemos descrever os dados estatísticos resultantes de
variáveis quantitativas.
Suponhamos termos feito uma coleta de dados relativos às estaturas de 40
alunos, que compõem uma amostra dos alunos de um colégio, resultando a seguinte
tabela:
ESTATURAS DE 40 ALUNOS DO COLÉGIO
166 160 161 150 162 160 165 167 164 160
162 168 161 163 156 173 160 155 164 168
155 152 163 160 155 155 169 151 170 164
154 161 156 172 153 157 156 158 158 161

Este tipo de tabela, cujos elementos não foram numericamente organizados,


denominamos tabela primitiva.

5.1) ROL
Partindo da tabela primitiva é difícil averiguar em torno de que valor tende a se
concentrar as estaturas, qual a menor ou qual a maior estatura ou, ainda, quantos
alunos se acham abaixo ou acima de uma dada estatura.
A maneira mais simples de organizar os dados é através de uma certa
ordenação (crescente ou decrescente). A tabela obtida através da ordenação dos
dados recebe o nome de ROL.
ESTATURAS DE 40 ALUNOS DO COLÉGIO
150 154 155 157 160 161 162 164 166 169
151 155 156 158 160 161 162 164 167 170
152 155 156 158 160 161 163 164 168 172
153 155 156 160 160 161 163 165 168 173
5.2) DISTRIBUIÇÃO DE FREQUENCIA
No exemplo, a variável em questão, estatura, será observada e estudada muito
mais facilmente quando dispusermos valores ordenados em uma coluna e colocarmos,
ao lado de cada valor, o número de vezes que aparece repetido.
Denominamos freqüência o número de alunos que fica relacionado a um
determinado valor da variável. Obtemos, assim, uma tabela que recebe o nome de
distribuição de freqüência:
ESTATURAS
FREQ
(cm)
150 1
151 1
152 1
153 1
154 1
155 4
156 3
157 1
158 2
160 5
161 4
162 2
163 2
164 3
165 1
166 1
167 1
168 2
169 1
170 1
172 1
173 1
Total 40

Mas o processo dado é ainda inconveniente, já que exige muito mais espaço,
mesmo quando o número de valores da variável (n) é de tamanho razoável. Sendo
possível, a solução mais aceitável, pela própria natureza da variável contínua, é o
agrupamento dos valores em vários intervalos.
Podemos agrupar os valores da variável em intervalos, sendo chamados de
classes. Chamamos de freqüência de uma classe o número de valores da variável
pertencente à classe e dispomos dos dados da tabela anterior em uma distribuição de
freqüência com intervalos de classe:

ESTATURAS DE 40 ALUNOS DO COLÉGIO


ESTATURAS (cm) FREQUÊNCIA
150 154 —‫׀‬ 4
154 158 —‫׀‬ 9
158 162 —‫׀‬ 11
162 166 —‫׀‬ 8
166 170 —‫׀‬ 5
170 174 —‫׀‬ 3
Total 40
O que pretendemos com a construção dessa nova tabela é realçar o que há de
essencial nos dados e, também, tornar possível o uso de técnicas analíticas para sua
total descrição, até porque a estatística tem por finalidade específica analisar o
conjunto de valores, desinteressando-se por casos isolados.

5.3)ELEMENTOS DE UMA DISTRIBUIÇÃO DE FREQUENCIA


5.3.1)CLASSE
São intervalos de variação da variável.
As classes são representadas simbolicamente por i, sendo i = 1, 2, 3, ...,
k (onde k é o número total de classes da distribuição).

5.3.2) LIMITES DE CLASSES


São os extremos de cada classe.
O menor número é o limite inferior da classe (li) e o maior número, o
limite superior da classe (Li).

5.3.3) AMPLITUDE DE UM INTERVALO DE CLASSE


É a medida do intervalo que define a classe.
Ela é obtida pela diferença entre os limites superior e inferior dessa classe e
indicada por hi. Assim:
hi = Li - li

5.3.4) AMPLITUDE TOTAL DA DISTRIBUIÇÃO


É a diferença entre o limite superior da última classe e o limite inferior
da primeira classe.
AT = Lmax - lmin

5.3.5) FREQUÊNCIA SIMPLES OU ABSOLUTA


Frequência simples ou absoluta ou, simplesmente frequência de uma
classe ou de um valor individual é o número de observações correspondente a essa
classe ou a esse valor.
A frequência simples é simbolizada por fi (lemos: f índice i ou frequência
da classe i).
A soma de todas as freqüências é representada pelo símbolo de
somatório:
k
∑ fi
i=1

6) NÚMERO DE INTERVALOS DE CLASSE


A primeira preocupação que temos, na construção de uma distribuição de
frequência, é a determinação do número de intervalos de classe e consequentemente,
da amplitude e dos limites dos intervalos de classe.
Para determinação do número de classes de uma distribuição podemos lançar
mão da regra de Sturges, que nos dá o número de intervalos de classe em função do
número de valores da variável:

Decidido o número de classes que deve ter a distribuição de frequência, resta-


nos resolver o problema da determinação da amplitude do intervalo de classe, o que
conseguimos dividindo a amplitude total pelo número de classes:

7) TIPOS DE FREQUÊNCIA
Frequências simples ou absoluta (fi) são os valores que realmente representam
o número de dados de cada classe.
Frequências relativas (fri) são os valores das razões entre a frequência simples
e a frequência total:

fri = fi .
n

Frequência acumulada (Fi) é o total das freqüências de todos os valores


inferiores ao limite superior do intervalo de uma dada classe:
k
Fk = f1 + f2 + ... + fk ou Fk = ∑ fi
i=1

Frequência acumulada relativa (Fri) de uma classe é a frequência acumulada


da classe, dividida pela frequência total de distribuição:

Fri = Fi .
n

8) DISTRIBUIÇÃO DE FREQUÊNCIA SEM INTERVALOS DE CLASSE


Quando se trata de variável discreta de variação relativamente pequena, cada
valor pode ser tomado como um intervalo de classe (intervalo degenerado) e, nesse
caso, a distribuição é chamada distribuição sem intervalos de classe.

xi Fi
x1 f1
x2 f2
... ...
xn fn
∑ fi = n