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Sequência didática: Contos de terror e mistério I

Contos de Poe

Sequência didática: Contos de terror e mistério I Contos de Poe “Tudo o que vemos ou

“Tudo o que vemos ou parecemos / não passa de um sonho dentro de um sonho.”

Edgar Allan Poe

Jaciara – MT

Contos de Poe

Objetivos:

Estimular o gosto pela leitura; Desenvolver a competência leitora; Desenvolver a sensibilidade estética, a imaginação, a criatividade e o senso crítico; Estabelecer relações entre o lido/vivido ou conhecido (conhecimento de mundo); Exercitar os conhecimentos de foco narrativo na análise literária; Compreender as particularidades da narrativa fantástica.

Conteúdos:

Foco narrativo; Análise literária; Gênero fantástico; Paródia.

Anos:

7º, 8º

Tempo estimado:

Dez aulas

Material necessário:

Livro Histórias extraordinárias. Edgar Allan Poe, 272 págs, Companhia das Letras.

1ª etapa

Desenvolvimento

Perguntar aos alunos se eles já ouviram falar do escritor Edgar Allan Poe e se conhecem alguma obra que ele publicou. Ler para a turma a biografia dele.

2ª etapa

Pedir aos alunos que observem o título Histórias extraordinárias e formulem hipóteses em relação a ele, e para observarem que a capa contém a figura de um gato preto e perguntar à turma o que esse animal sugere.

Fazer uma leitura compartilhada do conto "O gato Preto" e depois recolher as impressões gerais.

3ª etapa Análise "O gato preto": comentário

Perguntar para a classe por que Edgar A. Poe escolheu um gato preto? Não poderia ser qualquer

outro animal?

O próprio narrador explicita, ao longo de sua narrativa, sua adoração pelos animais. Reler para a sala:

"Gostava de modo especial dos animais, e meus pais permitiam-me possuir grande variedade de

 

bichos de estimação. Com eles, gastava a maior parte de meu tempo e nunca me sentia tão feliz

como quando lhe dava comida e os acariciava [

...

]

 

Casei-me cedo e tive a felicidade de encontrar em minha mulher um caráter não oposto ao meu.

 

[

]

Tínhamos pássaros, peixes dourados, um lindo cachorro, coelhos, um macaquinho e um gato.

(Poe, E.A, p.70)"

 

Pedir que os alunos formulem hipóteses oralmente para a escolha do gato preto. Depois discutir o tema com a classe, contar a eles algumas histórias sobre as superstições envolvendo a figura do gato preto.

Gato preto

O grego Heródoto (484-425 a.C), considerado "o pai da História", afirmava que os egípcios antigos eram "os mais escrupulosamente religiosos de todos os homens". Entre eles, a religião estava presente em qualquer um dos aspectos da vida, e na origem dos deuses encontrava-se razão para divinização de diversos animais, entre os quais o crocodilo, o cão ou o gato, este um animal doméstico que se transformou em cosmopolita porque é o único felino que vive espontaneamente na residência dos homens. Mas seus hábitos noturnos, decorrentes provavelmente da preferência pela caça não só de ratos, como também de répteis, pequenas aves e até mesmo a apanha de peixes, quando ela é possível, fizeram nascer e crescer na Idade Média a ideia de que ele tinha parte com o demônio, principalmente se fosse preto, porque essa era a cor que simbolizava as trevas onde o diabo vivia. E essa crença chegou a tal ponto que o papa Inocêncio VIII (1432-1492) não hesitou em incluí-lo na lista dos "mais procurados" pelo tribunal eclesiástico conhecido como Inquisição, responsável pela condenação, mutilação e morte de um número indeterminado de homens e mulheres acusados da prática de bruxaria, feitiçaria ou heresia. São muitas as histórias sobre a fama negativa dos gatos. Numa delas, diz-se que em certa noite de 1560, um deles, de cor negra, foi perseguido a pedradas por algumas pessoas. Machucado, ele procurou refúgio na casa de uma velha senhora que costumava abrigar esses animais sem dono. No dia seguinte, os moradores da Lincolnshire - cidade inglesa onde supostamente ocorreu o caso - perceberam que a anciã também apareceu machucada, surgindo daí a conclusão de que ela era uma bruxa, e de que a forma de gato nada mais era que seu disfarce noturno. Também na França os gatos não tinham boa vida. Mas em 1630 o rei Luis XIII (1601-1643) resolveu amenizar o dia a dia desses felinos proibindo que fossem perseguidos. Uma outra história conta que Charles I (1600-1649), rei da Inglaterra, acreditava que seu gato preto lhe trazia boa sorte, e seu medo de perdê-lo era tanto que o mantinha dia e noite sob vigilância. Um dia depois da morte do gato, ele foi preso e em seguida executado.

Pedir que os alunos formulem hipóteses oralmente para a escolha do gato preto. Depois discutir ohttp://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=115930 Perguntar à turma se eles sabem o que é "superstição". Tentar chegar, junto com os alunos, a uma definição. Ex: Superstições são crenças sobre relações de causa e efeito que não se adequam à lógica formal, nem ao pensamento racional. " id="pdf-obj-2-8" src="pdf-obj-2-8.jpg">

Gato preto. Foto: LUIS MORAIS

Na mitologia escandinava, uma lenda sobre Freia, ou Freija, deusa do amor e patrona da fecundidade, diz que sua carruagem era puxada por dois gatos pretos que depois de servi-la por sete anos transformavam- se em feiticeiras. Tempos depois, já na Idade Média, esses felinos foram associados ao demônio, e por serem animais de atividade predominantemente noturna, criaram em torno de si a ideia de que além de sobrenaturais e servidores de bruxas, ou até mesmo as próprias bruxas, eram também possuidores de poderes apavorantes e personificação do mal e do mistério, daí porque qualquer coisa de ruim que acontecesse, a culpa lhes era sempre atribuída. A história também revela que em tempos passados a punição por determinados crimes incluía a extirpação da língua do condenado, sendo esse órgão dado em seguida aos animais. Quem garante que não tenha se originado daí a frase "O gato comeu sua língua?". Muito embora os gatos domésticos não sejam mencionados na Bíblia, a lenda assegura que eles foram criados quando em determinado momento a Arca de Noé ficou infestada de ratos. Para resolver o problema, Noé ordenou que o leão espirrasse, e foi desse espirro que se formou o gato.

Perguntar à turma se eles sabem o que é "superstição". Tentar chegar, junto com os alunos, a uma definição. Ex: Superstições são crenças sobre relações de causa e efeito que não se adequam à lógica formal, nem ao pensamento racional.

4ª etapa Análise "O gato preto": foco narrativo

Perguntar à classe: Quem narra a história? É um narrador em 1ª pessoa ou em 3ª? Podemos confiar em tudo que ele diz? Como vimos, o narrador é também personagem. É do seu ponto de vista que tudo é visto e narrado. Sendo assim, narra de um centro fixo, limitado às suas percepções, pensamentos, sentimentos, crenças, superstições e, quiçá, delírios. Reler com a classe fragmentos que possam nos levar a desconfiar do narrador, como, por exemplo, a introdução do conto:

"PARA A NARRATIVA MUITO ESTRANHA, embora familiar, que ora começo a escrever, não espero nem peço crédito. Louco, na verdade, seria eu se o esperasse num caso em que meus

sentidos rejeitam seu próprio testemunho."

 

Em "O gato preto", o foco narrativo em 1ª pessoa foi importantíssimo para acentuar o mistério que paira sobre a história. O leitor não dispõe de meios para avaliar a veracidade do depoimento, já que tudo é contado pela ótica do narrador, que, já na introdução do conto, aponta para uma ambivalência de sua história: real ou irreal? Loucura ou verdade? Extraordinário ou doméstico? É essa ambivalência um dos recursos da condução do conto para o gênero fantástico.

5ª etapa Análise "O gato preto": a narrativa fantástica

Definir o conceito de Fantástico para a turma.

Conceito de Fantástico

O poeta José Paulo Paes (1996), tradutor de Histórias extraordinárias, explica-nos o que vem a ser uma narrativa fantástica:

Se você se der ao trabalho de ir até o dicionário para saber o que quer dizer fantástico, vai verificar que essa palavra designa tudo quanto seja fantasioso, fantasmagórico, mero produto da imaginação. Em suma, o oposto do real. Real, por sua vez, não é apenas aquilo cuja existência pode ser comprovada pelos nossos sentidos, mas sobretudo aquilo que ninguém põe em dúvida seja verdadeiro. Quando uma narrativa explora a oposição entre o real e o fantástico, diz-se que é uma narrativa

fantástica [

]

... Num conto fantástico, em nenhum momento o leitor perde a noção da realidade. Por não perdê-la é que lhe causa surpresa o acontecimento ou acontecimentos estranhos, fora do comum ou aparentemente sobrenaturais que de repente parecem desmentir a solidez do mundo real até então descrito no conto. Nesse momento de surpresa e de perplexidade, está o próprio sal da literatura fantástica. Daí um dos seus estudiosos, Tzvetan Todorov, a ter definido como aquela que provoca, no espírito do leitor, uma dúvida insolúvel entre uma explicação natural e uma explicação sobrenatural para os estranhos fatos que ele narra.

In: Edgar Allan Poe ET alii. Histórias fantásticas. São Paulo: Átiva, 1996. P-3-4.

Perguntar a eles: Quais fatos fantásticos aparecem no conto? Explorar a mudança de comportamento narrador-personagem, o incêndio da casa, a marca do gato enforcado na parede, a semelhança entre o novo gato preto e o antigo, o emparedamento da esposa e o surgimento do gato dentro da parede.

6ª etapa Visita à biblioteca da escola para conhecer o acervo de contos de terror

Levar os alunos até a biblioteca da escola para que conheçam o acervo e façam empréstimos de livros para leitura extra classe.

Aproveitar o ambiente e promover uma roda de leitura. Realizar a leitura compartilhada dos contos “A queda da casa de Usher” e “O retrato oval”. Propor uma discussão sobre o estilo de escrita de Edgar Allan Poe

7ª etapa Montagem de cartazes sobre a vida e a obra de Edgar A. Poe

Disponibilizar material como cartolinas e canetinhas para que os alunos coloquem em prática o que já sabem sobre o autor estudado.

8ª etapa Trabalhar com a turma o conceito de “Intertextualidade” e apresentar o gênero Paródia

Intertextualidade

  • 1. superposição de um texto literário a outro.

  • 2. influência de um texto sobre outro que o toma como modelo ou ponto de partida, e que gera a

atualização do texto citado.

  • 3. utilização de uma multiplicidade de textos ou de partes de textos preexistentes de um ou mais

autores, de que resulta a elaboração de um novo texto literário.

Paródia

Fonte: https://www.google.com.br/#q=intertextualidade

A paródia é a criação de um texto a partir de um bastante conhecido, ou seja, com base em um texto consagrado alguém utiliza sua forma e rima para criar um novo texto cômico, irônico, humorístico, zombeteiro ou contestador, dando um novo sentido ao texto. Parte da intertextualidade, a paródia é um intertexto, ou seja, é um texto resultante de um texto origem que pode ser escrito ou oral. Essa intertextualidade também pode ocorrer em pinturas, no jornalismo e nas publicidades.

9ª etapa Releituras de "O gato preto”

Assistir com a turma a animação "O gato preto". Em seguida, solicitar uma produção textual. Com base no que foi aprendido até então, os alunos deverão produzir uma paródia sobre o conto “O gato preto”, criando assim, sua própria maneira de ver e contar a história.

Objetivos:

  • a) Desenvolver a habilidade de produzir uma paródia, de forma coesa e coerente;

  • b) Exercitar a habilidade de usar Foco Narrativo.

10ª etapa Leitura e avaliação dos textos produzidos

Realizar a leitura dos textos produzidos e fazer as devidas correções se, assim, for necessário.

Avaliação

Propor aos estudantes uma avaliação por meio da escrita criativa. Pedir que os alunos criem uma paródia do conto "O gato preto", de Edgar Allan Poe, na perspectiva do gato.