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2006

PLANO DIRETOR DE GOIÂNIA




“ Porque ontem precisou-se procurar uma população para dar


vida e sentido a Goiânia, hoje é preciso buscar uma autêntica
morada humana para abrigar sua população. ”

Equipe do Instituto de Planejamento Municipal - (IPLAM) 1985




PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA

Prefeito Municipal - Iris Rezende


Secretaria do Governo Municipal – Flávio Peixoto da Silveira
Secretaria Municipal de Planejamento – Francisco R. Vale Júnior

Secretaria Municipal do Meio Ambiente – SEMMA


Secretaria Municipal do Desenvolvimento Econômico - SEDEM
Secretaria Municipal de Cultura
Secretaria Municipal de Educação
Secretaria Municipal de Turismo
Secretaria Municipal da Saúde
Companhia de Processamento de Dados do Município - COMDATA
DERMU/ COMPAV/ COMURG/ COMOB
Superintendência Municipal de Trânsito – SMT
Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo – CMTC
Fundação Municipal de Desenvolvimento Comunitário - FUMDEC
Procuradoria Geral do Município
Fundação Orquestra Sinfônica
Assessoria de Assuntos Comunitários
Secretaria Municipal de Fiscalização Urbana
Secretaria Municipal de Comunicação
Conselho Municipal de Política Urbana – COMPUR
Órgãos estaduais e federais


CRÉDITOS TÉCNICOS

Coordenador do Grupo Executivo


Advº Francisco Rodrigues Vale Júnior

Coordenadora Geral Admª Ângela Vasconcellos Furtado


Assessoria Jurídica Advª Iara Oliveira Reis
Apoio Jurídico AdvºJoão Amaral Batista
Técnico Fernando Peroto Lobo

Consultor Técnico
Arqtº Luiz Fernando Cruvinel Teixeira

EIXO ESTRATÉGICO DESENVOLVIMENTO SOCIOAMBIENTAL

Coordenador Técnico – Géol. Silvio Costa Mattos

Geógrafa Maria Santana Xavier Visconde


Engº. Civil Diógenes Aires de Melo
Advº. Henique Alves Luiz Pereira
Engº. Civil Jonício Alves de Almeida
Biól. Geórgia Ribeiro Silveira de Santana
Geógrafo Antônio Soares

MOBILIDADE E ACESSIBILIDADE E TRANSPORTE

Coordenadora Técnica – Arqª. Valéria Fleury de Carvalho Penido

Gerentes Temáticos

Arqº. Alberto Aureliano Bailoni


Engº. Maria de Jesus Morais Barbosa
Arqª. Ivanilde Maria Rezende Abdalla
Engª. Ana Damascena
Eng. Joaquim Antônio Jayme
Arqª. Ediney Bernardes de Paiva
Engº. Benjamim Kennedy M. da Costa

EIXO ESTRATÉGICO ORDENAMENTO FÍSICO TERRITORIAL

Coordenador Técnico - Prof. Ramos Albuquerque Nóbrega

Gerentes Temáticos:
Arqtª Celimene Machado Faria Arantes
Adv.Eliane Auxiliadora Coutinho Moraes
Arqtª Maria Helena Antunes de S. Camelo
Engª Nágila Emiliano Garcia

Técnicos:
Arqtª Cláudia Gomide Guimarães
Arqtª Rita de Cássia Coutinho Teixeira
Arqtª Virginia Inácio Mathias Costa
Econ Wilson de Sena Rosa


EIXO ESTRATÉGICO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

Coordenadora Técnica – Admª Sandra Sarno Rodrigues dos Santos

Gerentes Temáticos
Agronôma Maria das Graças Souza Pimentel
Gestor Celeocy Borges Cotrim
Economista Leonardo Morais Aguiar
Técnico José Magalhães Faria
L.Mod. Maria de Almeida Mendes
Técnico Maria José Cardoso

EIXO ESTRATÉGICO DESENVOLVIMENTO SOCIOCULTURAL

Coordenadora Técnica – Geógrafa Edy Lamar W. da Silva Achcar

Gerentes Temáticos
Psicóloga Carla Cristina tina de Araújo Gomes
Profª Fernanda Vasconcelos Furtado
Socióloga Maria de Lourdes Corsino Peres
Nutricionista Arlete Gomes Cabral
Engº Agrônoma Maria Claúdia Honorato da Silva e Souza
Agrimensor Francisco das Chagas Magalhães Sobrinho

EIXO ESTRATÉGICO GESTÃO URBANA

Coordenadora Técnica – Arqª Marta Horta Figueiredo de Carvalho

Gerente Temáticos:
Assistente Social Dilma Pio de Santana
Tecnólogo Elir José de Sousa
Arqtª Maria Aparecida Cuevas
Geógrafo Vicente Francisco de Carvalho
Técnico Luís Carlos das Dores

ATUALIZAÇÃO NORMATIVA

Coordenador Técnico – Arqº Douglas Branquinho

Gerentes Temáticos
Admº Jairo da Cunha Bastos
Arqª Iolane Prudente Marques
Arqº César Ricardo N. da Rocha
Arqº Jonas Henrique L. Guimarães
Arqº Lucy de Paula T. Almeida
Admº Paulo Eduardo R. Santos

Apoio Téncico em Geoprocessamento

Arqª Sarah Rassi de Almeida


Geoprocessamento Flávio Yuaça
Tecnóloga Cáritas Roque Ribeiro


Apoio Técnico e Operacional

Técnico Joeli Guimarães


Técnico Jeovah Quintino da Silva
Economista Regina Machado Souza
Contadora Soraya Pedroso
Estagiário David Lopes Júnior
Estagiária Luciana Vanessa Valeta
Economista Regina Machado Souza

Colaboradores

Estagiário Erikons de Assunção Ferreira Mantinada


Estagiário Fernando Gomes de Souza
Estagiário Liliam Adriana da Assumpção
Estagiário Lorena Alves e Silva
Economista Rodrigo Resende de Mello
Estagiário Vinícius Gomes de Aguiar

Editoração gráfica
Jovennet Comunicação - www.jovennet.com.br

Apoio Técnico e Operacional


Instituto Desenvolvimento Tecnológico do Centro-Oeste - ITCO

Consultores Técnicos
Engº Juan Luis Mascaró
Arqº Nabil Bonduki

Revisão e Consultoria de Redação


Arqª Márcia Metran de Mello


SUMÁRIO

Apresentação. 11

Introdução. 13

Demografia. 23

EIXOS EXTRATÉGICOS. 37

Eixo Estratégico Sustentabilidade Socioambiental. 39

Eixo Estratégico Mobilidade e Transporte. 59

Eixo Estratégico OrdenamentoTerritorial. 109

Eixo Estratégico Desenvolvimento Econômico. 141

Eixo Estratégico Sociocultural. 177

Eixo Estratégico Gestão Urbana. 267

Eixo Estratégico Atualização Normativa. 321

Formulação do Plano Diretor. 331

Referências Bibliográficas. 361


11

Apresentação

G oiânia “ M etr ó pole R egional ”

Recorrendo-se à etimologia, verifica-se que a palavra “metrópole” origina-se


do grego metra (matriz, útero, ventre) e polis (cidade), portanto “metrópole” tem o
sentido de “cidade mãe”. O que se deseja para a Goiânia “Metrópole Regional” não
foge muito do sentido etimológico de cidade mãe. Ela deve ser um foco em evidên-
cia, um pólo de grande influência econômica, social e administrativa em sua região.

Esse devir assemelha-se aos anseios que levaram à criação da nova capital de
Goiás em 1933. Goiânia nasceu como símbolo de modernidade e progresso. Sig-
nificou uma quebra no isolamento econômico, social, cultural e político do estado
em relação ao restante do país. Era um passo a mais na “Marcha para o Oeste”, que
visava o desenvolvimento e conquista do território brasileiro rumo ao Amazonas.
Sem o surgimento de Goiânia e sua influência no desenvolvimento do Centro-Oeste,
Brasília não poderia se viabilizar anos depois.

Assim como São Paulo é uma metrópole global e Brasília uma metrópole nacio-
nal, hoje, o verdadeiro destino de Goiânia é ser uma metrópole regional. Um centro
urbano de grande porte que possua os melhores equipamentos e condições de
qualidade de vida para seus habitantes.

Mas, para que tal presságio se realize é preciso estratégia, ou seja, um Plano
Diretor que comporte um modelo metodológico que estabeleça formas de imple-
mentação de ações concretas, pois ele é uma ferramenta, um instrumento para a
viabilidade dos anseios dos cidadãos.
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Introdução
O Estatuto da Cidade, ou Lei Federal 10.527/2001, regulamenta a política urba-
na no Brasil. Ele é um documento fundamental, pois norteia as mais importantes de-
finições sociais do uso do solo urbano. Sua força mobilizadora está, principalmente,
na gestão democrática popular que pressupõe, por meio do processo de discussão,
a participação dos cidadãos na construção do modelo de cidade. É por isso que ele
prevê, como documento básico da política municipal de desenvolvimento urbano,
o Plano Diretor de Goiânia.

Levando-se em consideração que o Plano Diretor traça o futuro da cidade,


quem é capacitada a dizer o caminho a ser percorrido é a comunidade, pois são os
moradores que vivenciam o dia-a-dia, as carências, os efeitos da globalização que
forçam cisões na sociedade, os baques econômicos que levam a uma qualidade
de vida inferior e a falta de acesso aos bens urbanos. Como quem faz o retrato das
carências é a base consultada, o novo desenho da cidade deve refletir a vontade
da população.

O ponto chave do Estatuto das Cidades, deve-se salientar, é a clara intenção de


minimizar a divisão social do território urbano, decorrente da livre mercantilização
do solo e das intervenções do poder político e de diferentes estratos da popula-
ção. À luz dessas novas orientações, os governos das cidades precisam adotar pos-
tura condizente com as perspectivas que se delineiam como desafios, renovando
sua prática de planejamento.

Os indicativos precípuos para a construção dos instrumentos do Plano Diretor


de Goiânia foram o desenvolvimento sustentável, a identificação e suprimento das
principais demandas sociais, a participação da comunidade e a consolidação e im-
plementação das ações de desenvolvimento.

Demandas são necessidades prementes, carências que precisam ser satisfeitas


sob pena de afetarem os sistemas social, econômico e físico da cidade.

Se frustradas, dificultam o cotidiano de cada cidadão e, no âmbito da coletivi-


dade, formam tendências negativas de caráter estrutural que impedem o desenvol-
vimento sustentável. As demandas sociais identificadas resultaram diretamente do
amplo processo de consulta e debate popular promovido durante a construção da
Agenda 21 Municipal, a revisão do Plano Diretor (2002 a 2004) e a realização da 1ª
Conferência das Cidades.

O modelo conceitual adotado partiu do diagnóstico feito por meio das leituras
técnicas e comunitárias para estabelecer os princípios gerais que nortearam todo o
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plano. Esses princípios foram pactuados na 2ª Conferência das Cidades em setembro


de 2005. Assim, pode-se dizer que o cerne conceitual do P.D.G. é composto de
quatro princípios orientadores da política urbana: igualdade, oportunidade, quali-
dade e transformação.

O princípio da igualdade perante a lei é proclamado como um valor fundamen-


tal, não só pelas constituições dos diferentes países, mas também pelas duas mais
importantes declarações solenes de direitos: A Declaração Universal dos Direitos do
Homem e a Convenção Européia dos Direitos do Homem e das Liberdades Funda-
mentais.

É o princípio da igualdade que permeia todos os outros, em todas as instân-


cias. Mas, para se criar as condições de igualdade é necessário que se abram novas
oportunidades, portanto o princípio da oportunidade é indispensável. Para que a
cidade seja igual para todos é preciso que todos tenham oportunidade em todos os
âmbitos como na educação, saúde, trabalho, lazer, moradia, transporte, etc.

Se há igualdade, abrem-se novas oportunidades. Mas, para que emerjam no-


vas oportunidades é preciso transformar. É nesse sentido que surge o princípio da
transformação. Transformação é ação, gestão. Ela está em tudo. É o fio condutor dos
outros princípios e deverá abarcar a cidade e o cidadão.

O conjunto de transformações gera qualidade. Qualidade para o meio ambien-


te, para o espaço, para a mobilidade etc. O princípio da qualidade depende do
princípio da transformação. Em última análise, a transformação é um meio para se
garantir qualidade.

Na verdade, os princípios da igualdade, oportunidade, transformação e quali-


dade estão interligados. São conceitualmente interdependentes e só funcionam em
conjunto, de forma dinâmica.

Pelo princípio da igualdade, primordialmente, almeja-se reduzir as carências


mais urgentes do goianiense em relação às condições básicas. Para isso, é necessário
formar uma estrutura de apoio social. Sua função é neutralizar os cenários negativos
que são formados pelos bolsões de pobreza onde grassam a baixa renda familiar,
o desemprego e a violência. A intenção é promover uma oferta de habitação di-
versificada em um contexto urbano qualificado. Assim, pretende-se assegurar aos
excluídos o direito à cidade.

Sob a égide do princípio da oportunidade amplia-se o leque de ofertas no


campo da saúde, habitação, educação, emprego e urbanização, além de viabilizar
o crescimento da renda e reparti-la eqüitativamente, amenizando as diferenças re-
gionais por meio de mecanismos de distribuição.

As ações nesse sentido permitem ao cidadão a mobilidade, o acesso aos equi-


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pamentos urbanos, garantia do emprego, segurança da propriedade, educação,


profissionalização, integração social e diversidade das atividades culturais.

O princípio da qualidade visa atender às demandas de auto-estima da popu-


lação. Nesse sentido, o P.D.G. prevê ações que visem a qualificação dos espaços
urbanos em geral, ampliando a qualidade dos serviços e garantindo a mobilidade e
acessibilidade às diferentes áreas da cidade.

Sabe-se que a cidade de Goiânia, no imaginário de sua população, apresenta-


se de forma negativa. Isso se deve, principalmente, à baixa qualidade dos espaços
públicos, tratados de forma inadequada ou relegados ao abandono.

É necessário mudar essa realidade requalificando a malha urbana e os logradou-


ros públicos, oferecendo aos cidadãos uma cidade bela com lugares adequados ao
lazer e à cultura. Goiânia merece ser uma cidade digna de admiração!

Além disso, é preciso que as qualidades inerentes às cidades grandes sejam


reconhecidas pelo goianiense, ainda muito preso ao estilo de vida restritivo das
pequenas cidades, esquecendo-se da liberdade e diversidade cultural próprias das
metrópoles.

Há muito, os goianienses pleiteiam um centro urbano mais agradável, que conci-


lie as escalas da metrópole com as do núcleo original da cidade, onde se passeava
distraidamente pelas calçadas, contemplando-se a paisagem urbana como um fla-
neur - síntese de qualidade de vida a um só tempo contemporânea e humana.

A arte urbana, por sua vez, deverá ser conceituada de forma mais significativa,
menos amadora, adequando-se aos espaços públicos com concepções ousadas e
maduras, mais afeitas a uma metrópole importante.

Além disso, deve-se estudar as possibilidades de se aproveitar esteticamente


os cursos d’água, evidenciando-os na paisagem, levando-se em consideração que a
água é o principal agente de significação para uma cidade.

Seria benéfico para o imaginário urbano que se criassem grandes núcleos de


áreas verdes disponíveis para a população em forma de parques e bosques. Os
existentes são muito apreciados, mas insuficientes em relação à área total da urbe.

Em suma, as ações em favor do meio-ambiente construído e natural e do patri-


mônio histórico e cultural são articuladas para se construir uma estrutura urbana que
faça de Goiânia uma cidade com mais qualidade.

O princípio da transformação objetiva aprimorar as vocações econômicas, es-


paciais, científicas e tecnológicas existentes em Goiânia, no intuito de atender às
novas demandas provocadas pela sociedade da informação.

Nessa direção, as ações têm em vista o fortalecimento das atividades econô-


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micas e de inovação interligadas entre si. Goiânia, como centro urbano inserido nas
escalas regional, nacional e global, necessita de uma estrutura mais eficiente. Só
assim, estará preparada para os constantes desafios do avanço da tecnologia e do
relacionamento das nações e seus povos.

O P.D.G. apóia o desenvolvimento da economia e do emprego, criando as con-


dições espaciais e institucionais para implantação de serviços avançados que têm
como suporte a tecnologia da comunicação.

Os programas e projetos relativos ao princípio da transformação são: centro


de excelência esportiva, centro avançado de saúde, centro de diversidade cultural,
centro de excelência do agro negócio, pólos de tecnologia.

As ações com vistas à transformação aliadas às ações do princípio de qualidade


farão de Goiânia um pólo estratégico que abarcará infra-estrutura tecnológica ade-
quada, sistemas de empresas auxiliares fornecedoras de serviços e suportes e um
mercado de trabalho especializado.

E i x os estrat é gicos

A partir de estratégias pactuadas na 2ª Conferência das Cidades, estabelece-


ram-se seis eixos estratégicos que, em conjunto, permitiram abranger as diferentes
demandas levantadas e, individualmente, focá-las segundo suas características espe-
cíficas. As ações formuladas dentro de cada eixo tiveram como referência básica os
princípios da igualdade, oportunidade, qualidade e transformação.

Os eixos estratégicos são: sustentabilidade socioambiental, ordenamento terri-


torial, mobilidade, acessibilidade e transporte, eixo sociocultural, desenvolvimento
econômico e gestão urbana. Foi a partir do desenvolvimento desses eixos que se
idealizou um modelo espacial que correspondeu à visão de futuro desejada pela
comunidade.

Para cada eixo estratégico correspondeu um conjunto de programas e projetos.


Os programas são ações que devem ser implementadas para atingirem objetivos
mais específicos. Sua viabilidade é assegurada por projetos. O projeto tem o senti-
do etimológico de “lançar para frente”, “vir a ser”, ou seja, é um instrumento para a
concretização de uma idéia, um desejo, uma intenção.

Assim, pode-se definir como modelo espacial a representação gráfica no es-


paço do conjunto das diretrizes, programas e projetos fundamentais, elaborado de
acordo com os princípios e estratégias que promoverão o desenvolvimento urbano
de Goiânia.

O modelo espacial, o plano regulador e o sistema municipal de gestão e plane-


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jamento definem o Plano Diretor de Goiânia. Vale esclarecer que o plano regulador
é o regime urbanístico que estabelece as regras para cada terreno em relação ao
parcelamento do solo, da edificação ou instalação de uma atividade. É um instru-
mento disciplinador e incentivador do processo de desenvolvimento sustentável do
município.

C oncep ç ã o geral do processo me -


todol ó gico :
passos para a elaboração do modelo espacial

Para alcançar o modelo espacial desejado para Goiânia foi necessário seguir um
roteiro metodológico. Como primeiro passo buscou-se o desenvolvimento de cada
eixo estratégico, identificando, classificando e conceituando os assuntos ou propo-
sições importantes, ou seja, os temas relevantes.

Os temas relevantes correspondem às demandas sociais que vieram à tona du-


rante o processo participativo de diagnóstico. Para identificá-los foi preciso estar
consciente de que o P.D.G. não tem como objetivo resolver todos os problemas e
potencializar todos os aspectos positivos do município. Valeu, nesse caso, a sensibi-
lidade para perceber, no âmbito do diagnóstico, os conteúdos mais significativos.

Nessa fase procurou-se identificar: as situações indesejadas no município e os


procedimentos cabíveis para sua modificação; os fatores que dificultam o desenvol-
vimento urbano e as formas de torná-los favoráveis; os elementos positivos facilita-
dores da vida na cidade e as maneiras de potencializá-los.

Vale lembrar que os conteúdos relativos ao desenvolvimento de cada eixo es-


tratégico não podem ser ambíguos, devem ser conceitualmente e espacialmente
precisos.

A partir do trabalho com os temas relevantes conceberam-se os Cenários dese-


jados para o futuro da metrópole e estabeleceram-se os meios, ou seja, as diretri-
zes, os programas e os projetos, para realizá-los. O passo seguinte foi a inscrição
desses meios no espaço.

C oncep ç ã o dos cenários


A título de definição, pode-se dizer que os cenários são as situações desejadas
para o futuro da cidade, fundamentadas em suposições coerentes sobre as diversas
combinações entre os problemas e as oportunidades.

Para construí-los, fêz-se necessário seguir alguns passos. Em primeiro lugar for-
mularam-se os objetivos gerais de cada eixo estratégico, em outras palavras, defini-
ram-se os alvos a serem atingidos.
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A seguir identificaram-se e analisaram-se os temas críticos de cada eixo estra-


tégico, levando-se em consideração os fenômenos e as variáveis chaves; concebe-
ram-se os cenários alternativos referentes aos temas relevantes e observaram-se suas
interfaces com os outros eixos estratégicos.

Finalmente, definiram-se os Cenários desejados, avaliando-se as implicações re-


ferentes aos temas analisados e sua influência na qualificação das potencialidades
e solução dos problemas. Em decorrência desse processo, formularam-se os meios
para atingir os objetivos, ou seja, elaboraram-se as diretrizes, os programas e os
projetos.

Os programas e os projetos foram inscritos no território municipal com o objeti-


vo de promover a visão espacial das intervenções programadas. Ao conjunto dessas
intervenções, sejam de caráter físico territorial ou institucional, denomina-se modelo
espacial. Seu conteúdo é composto por textos explicativos e mapas que localizam,
no território municipal, as diversas propostas de intervenção urbana.

C onclus ã o do P lano D iretor I nte -


grado de G oiânia

Desde a identificação dos temas relevantes até a construção dos Cenários de-
sejados, as equipes responsáveis pela elaboração do P.D.G. obedeceram a um pro-
cesso contínuo de avaliação pública dos conteúdos desenvolvidos. Esse procedi-
mento garantiu que o modelo espacial resultante fosse pactuado durante todo o seu
desenvolvimento. Nesse sentido, as propostas formuladas puderam ser difundidas
continuamente no intuito de possibilitar à população interessada o conhecimento
antecipado dos conteúdos do documento preliminar do P.D.G.

Constituído por textos, mapas e tabelas, o documento preliminar do P.D.G. é a


elucidação do diagnóstico e das propostas discutidas com a comunidade durante o
desenvolvimento do modelo espacial. Como convém a um plano participativo, ele
deverá, conforme previsto pelo Estatuto da Cidade, ser referendado em audiência
pública, convocada pelo executivo municipal, conforme a norma 025 do Conselho
Nacional das Cidades. As modificações necessárias para o ajuste de condutas serão
realizadas antes do envio do Projeto de Lei do Plano Diretor para a Câmara Munici-
pal.

O documento final do P.D.G. será constituído pelos diagnósticos e propostas


referendadas pela audiência pública. Em anexo, estarão a Lei do Plano e os Ins-
trumentos de Política Urbana. Seu conteúdo será formado por textos explicativos,
mapas, gráficos e tabelas.
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S itua ç ã o atual do M unic í pio

Síntese

Goiânia concebida e projetada em 1933 para abrigar uma população de 50.000


habitantes. Bem nascida, em pleno cerrado entre chapadas, veredas e a suavidade
da topografia do planalto central.

Experimentando a amenidade do clima, a vastidão da bacia hidrográfica e a


extensa cobertura vegetal, se integrou, à beleza da paisagem, encantando àqueles
que aqui chegavam. Goianos de outras localidades do estado, paulistas, mineiros,
gaúchos, nordestinos e outros acalentados pelo sonho da marcha para o oeste,
ficaram e criaram raízes.

Cresceu sob o olhar de seu idealizador, Pedro Ludovico Teixeira, que almejava
para a capital menina, um futuro promissor. Ainda hoje, 72 anos passados, pode-se
dizer que a capital mantém seu “espírito original”, vivo e atuante, capaz de comover
as pessoas.

Encanta a exuberância colorida da sua arborização, que, a cada ano, brinda


o morador com o colorido das floradas dos ipês, amarelos, rosa, roxos e brancos,
contrastando com o clima do inverno e as folhas secas das outras árvores.

As grandes avenidas que cortam a cidade em todas as direções, as largas calça-


das abrigadas em generosas sombras, a grata surpresa de tantas praças urbanizadas
e floridas, bosques e parques, canteiros e rótulas, que neutralizam a monotonia
urbana dos traçados especulativos.

Essa ambiência urbana, enfim, tão rica em traços e valores culturais, ainda com-
põe uma morada afável.

Sua vitalidade e vigor manifestam-se no ritmo acelerado das suas construções e


na demanda pelos serviços sociais e infra-estrutura, na medida em que cresce com
diferentes dinâmicas e em diferentes direções. De forma legal ou ilegal.

O comércio variado e a prestação de serviços ultrapassam sua área de influên-


cia além dos limites estaduais, colocando Goiânia ao lado dos mais desenvolvidos
centros do país.

O orgulho do morador consciente, entretanto, se contém quando verifica que


a cidade vai sendo invadida pelas mazelas da decomposição urbana. Os cursos
d´água – ontem límpidos e caudalosos córregos - transformando-se em espaços
degradados pela devastação e poluição ambiental, degradam a paisagem lúdica
que contribuiu, para a escolha da capital.
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As edificações implantadas em locais impróprios, prejudicando, as áreas de


preservação ambiental e aumentando as densidades em áreas já comprometidas
pela falta de aeração e iluminação, sobrecarregam o trânsito, aumentam o calor e a
poluição sonora e do ar.

A cidade vai crescendo vertiginosamente, esparramando-se pelas beiradas


de sua periferia sob pressões dos interesses privados do comércio imobiliário, se
contrapondo à especulação daqueles detentores das áreas centrais urbanizadas
e beneficiados por incentivos urbanísticos, aguardando maior valorização de seus
imóveis.

Com isso a descontinuidade orgânica da ocupação gera os vazios urbanos, den-


sidades demográficas desequilibradas, contraditórias e conflitantes e segregação
espacial. Ao mesmo tempo leva o poder público a ampliar as redes de atendimento
da saúde, educação e assistência social.

Esse quadro reflete-se na circulação, e o grande contingente de trabalhadores


que utiliza o transporte coletivo, paga o tributo crescente, malbaratando no trân-
sito lento preciosas horas do seu tempo de descanso e lazer, e principalmente, de
liberdade.

As moradias da população de baixa renda se multiplicam. São precárias com


serviços insuficientes ou nenhum serviço, nos fundos de vale, áreas de risco e nas
periferias um anel de pobreza vai circundando a bela cidade e sufocando o orgulho
dos cidadãos.

O complexo quadro das situações e contradições marcam o crescimento de


Goiânia no zoneamento em vigor e no uso e ocupação do espaço urbano, em con-
tradição com os interesses elementares dos moradores da cidade, ou seja, com as
condições desejáveis da habitabilidade.

Além disso, esse descompasso reflete-se na infra-estrutura, as redes de abaste-


cimento da água e energia ainda se fazem necessárias e a saturação ameaça a rede
de esgotos e as galerias de águas pluviais em determinados setores da cidade. A
rede viária, numa extensão de 4.650.000km, ainda carece de adequações físicas e
de gerenciamento, para garantir a fluidez do trânsito e do transporte coletivo.

Abrigar a população confortavelmente é indispensável. Percebe-se claramente


que uma parte da população se distribui na cidade em bairros e setores dotados de
infra-estrutura e da prestação dos serviços públicos, outra, que embora com poder
aquisitivo, ainda não dispõe da oferta de todos os serviços.

Por último, àquela que não dispõe da oferta dos referidos serviços e nem mes-
mo seriam capazes de pagar as taxas mínimas no caso da implantação dos benefí-
cios pelo poder público.
21

A situação se agrava porque é neste grupo que se encontram aqueles que che-
gam a Goiânia em busca de novas oportunidades, sem qualquer qualificação profis-
sional, formal ou informal. Daí a forte pressão sobre o mercado de trabalho, contri-
buindo inclusive para a baixa remuneração dos trabalhadores.

Mesmo dispondo de uma cidade dotada de bosques, parque e praças urbani-


zadas, equipamentos esportivos distribuídos por quase todos os bairros, a popu-
lação se recente da oferta de oportunidades e alternativas de lazer e recreação.
A programação dos eventos culturais e artísticos ainda é restrita a uma parcela dos
cidadãos, mesmo havendo espaços disponíveis na cidade.

Enquanto isso os shoppings center´s passam a ser a maior opção de entreteni-


mento das pessoas.

Mesmo sob a ameaça do caos urbano, a cidade sobrevive, ainda que dispersa e
cheia de contrastes. Sobrevive também nas várias formas de encontro dos morado-
res, na vizinhança, nas relações resultantes dos espaços condominiais e, sobretudo,
do esforço das instituições e prestadores de serviços, que urgem tornar a cidade
equilibrada, harmônica, sustentável e acolhedora e cativante, tanto para o morador
como para o visitante.

Essa é a cidade que se reconstrói para atender às necessidades prementes e


futuras, corrigindo os erros, intervindo no espaço que busca se renovar e se reorga-
nizar, adequando não só o seu desenho, mas equilibrando o desenvolvimento das
suas funções da cidade enquanto espaço e lugar do morador.
23

Demografia
1 . E v olu ç ã o da popula ç ã o
Considera-se que a população de Goiânia em sua fase de construção era for-
mada pelos residentes de Campinas, os habitantes das áreas rurais próximas e 4.000
imigrantes.

A tabela 1 mostra a evolução da população por décadas, de 1940 a 1980, e


dos dois últimos censos demográficos do IBGE, 1991 e 2000.

No ano de 1940, a população apresentou pequeno crescimento, totalizando


48.166 pessoas. Em 1950 chegou a 53.389 habitantes, 40.333 na área urbana e
13.056 na zona rural, superando as expectativas iniciais, considerando-se que a
cidade foi planejada para 50.000 habitantes.

Na década de 1950, Goiás recebeu fluxos de pessoas vindas de Minas Gerais


e do Nordeste, iniciando-se um ciclo imigratório significativo para o aumento da
população da capital.

No ano de 1960, Goiânia contou com 151.013 habitantes, apresentando um


expressivo crescimento na população urbana, 133.462 pessoas, enquanto na área
rural viviam 17.551.

Em 1970 totalizaram-se 380.773 pessoas, das quais 363.056 no espaço urba-


no e, apresentando uma soma estável em relação à década anterior, 17.717 na zona
rural.

O número de habitantes da área urbana chegou, em 1980, a 715.526 pesso-


as, porém a população rural apresentou variação negativa, 13.844 residentes, essa
redução correspondeu a 21,9%.
24

Segundo os resultados do Censo Demográfico de 1991, a população de Goi-


ânia alcançou 922.222 habitantes. No ano de 2000 subiu para 1.093.007, incluindo
as 7.201 pessoas da área rural; a área urbana correspondeu a 99,3% do total.

A pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios divulgou que a população, no


ano de 2001, chegou a 1.116.541 pessoas. Para o ano de 2005, o IBGE estimou
1.201.006 habitantes.

Na tabela 2, observa-se que, no período compreendido entre 1991 e 2005, a


população aumentou a cada ano, apresentando uma variação significativa em 1997,
2000 e 2004, maior que a do estado de Goiás no mesmo período.

O IBGE não dispõe de informações estatísticas sobre a projeção da população


de Goiânia quanto ao número de habitantes até o ano de 2018. Assim, diante da ne-
cessidade de obter dados mais próximos da realidade para a elaboração do Plano
Diretor, a equipe técnica, por consenso, adotou o índice de crescimento de 1,85%
ao ano para projetar o número de habitantes de 2006 a 2018, conforme registra a
tabela 3, levando em consideração o índice de crescimento de 1991 a 2000.
25

2 . C aracteri z a ç ã o

2.1. Gênero

A tabela 4 mostra que o Censo Demográfico do IBGE de 2000 registrou uma


população urbana de 1.085.806 pessoas na cidade de Goiânia, correspondendo a
21,7 % dos habitantes do estado de Goiás. Quanto ao gênero, a predominância era
do sexo feminino.
26

2.2. Faixa Etária

Como mostra a tabela 5, a população urbana de Goiânia, de acordo com o Cen-


so Demográfico do IBGE de 2000, era predominantemente adulta. Havia 223.981
pessoas com idades entre 20 e 29 anos. Os mais jovens, entre 10 e 19 anos, totali-
zavam 214.812 habitantes.

No cartograma 1, observa-se que a região Noroeste concentrava o maior nú-


mero de crianças nas faixas etárias de 0 a 4 e 5 a 9 anos. Em seguida estava a região
Sul. As regiões Sudeste e Vale do Meia Ponte, por sua vez, apresentavam os menores
quantitativos de crianças nessas faixas.
27

O cartograma 2 destaca que a população com faixa etária acima de 50 anos


encontrava-se mais concentrada na Região Central, apesar de que era bastante sig-
nificativa também nas regiões Sul e Campinas.

2.3. Escolaridade

Na tabela 6 constata-se, em relação a anos de estudos, que o maior número


de pessoas estudou de 4 a 7 e de 11 a 14 anos. Essa formação diz respeito ao
ensino fundamental incompleto e ao ensino médio. As pessoas sem instrução ou
28

com menos de um ano de estudo correspondiam a 6,74% do total, ou seja, 21.004


indivíduos. Somavam-se 37.525, 12,04%, os habitantes com 15 ou mais anos de
estudos. Nota-se, a partir dos dados observados, que o percentual da população
com formação completa em curso superior ainda era inexpressivo.

Vale ressaltar que os dados citados são de cidadãos que se declararam respon-
sáveis pelos domicílios particulares permanentes.

3 . D istri b ui ç ã o espacial
A cidade está divida em 12 regiões administrativas e sua população distribuída
conforme a tabela 7.
29

Segundo dados do Censo Demográfico do IBGE de 2000, a Região Sul abrigava


o maior número de pessoas. O aumento considerável de habitantes desde 1991 foi
devido à verticalização de alguns de seus bairros. Também a busca de qualidade
de vida pode ter influenciado a migração da população central para essa e outras
regiões, considerando-se que o fortalecimento de atividades comerciais e a fixação
de prestadores de serviços em alguns bairros mudaram a sua característica inicial de
bairros residenciais.

A Região Central contava com uma quantidade expressiva de habitantes, em-


bora o número de pessoas nessa área tenha diminuído em relação ao indicado no
censo de 1991.

As regiões que tiveram maior taxa de crescimento na década de 1990 foram


a Sudoeste, apresentando crescimento anual de 13,34 %, e Noroeste, com 9,02%.
Destaca-se a influência de loteamentos clandestinos na região.

Observa-se que as regiões Macambira Cascavel e Central apresentaram taxa de


crescimento negativa e Campinas manteve-se estável.

Percebem-se vazios urbanos na Região Sul e uma tendência de ocupação cau-


sada por investimentos do mercado imobiliário na construção de condomínios ver-
ticais no Parque Amazonas e Jardim Goiás, contribuindo para o aumento da densi-
dade demográfica na região.

A aprovação de loteamentos denominados “condomínios fechados” na Região


Sudeste tornou-a muito atrativa, dinamizando sua ocupação.

A taxa de crescimento da população de Goiânia, na última década, foi de 1,95


% ao ano, enquanto que a do estado de Goiás atingiu 2,46% no mesmo período.


30

Como mostra a tabela 8, embora a Região Sul concentrasse a maior quantidade


de moradores, 15,22% do total, as regiões Central e Campinas possuíam a maior
densidade demográfica, respectivamente 6.271,55 e 6.153,85 hab/Km². Ressalta-
se, ainda, que a densidade demográfica do município de Goiânia em relação ao
número de habitantes estimados para 2005 alcançou o correspondente a 1.658,66
hab/Km².

Na tabela 9, pode-se observar que a população da Região Metropolitana de


Goiânia, constituída atualmente por 13 municípios, possuía um total de 1.934.771
habitantes em 2005.

4 . I migra ç õ es
Dentre os componentes que contribuíram pra a evolução demográfica da cida-
de, identifica-se a imigração como fator decisivo. Conforme a tabela 10, baseada
em levantamentos realizados pelo IBGE em 1996, verifica-se que, a partir de 1996,
imigraram para Goiânia 47.605 pessoas.

Desses imigrantes, 20.095, ou 42% do total, vieram de municípios do próprio


estado de Goiás. Apenas 220 pessoas procederam de outros países, 164 ignoravam
seu local de origem e 486 não sabiam onde residiam. Os demais 26.640 provieram
de outros estados do Brasil.

Desse contingente, o maior número de pessoas, acima de 2.000 em cada esta-


31

do, emigraram do Tocantins, Pará, Bahia, São Paulo, Distrito Federal, Maranhão, Mi-
nas Gerais e Mato Grosso, em ordem decrescente. Nos demais estados registrou-se
imigração populacional, para Goiânia, abaixo de 700 indivíduos.

Pode-se inferir, pela análise desses dados, que há sobrecarga de demandas não
atendidas no âmbito físico e socioeconômico de Goiânia. Assim, os serviços urbanos
deixam a desejar, promovendo a exclusão, gerando pobreza advinda da falta de
emprego e renda, crescimento acelerado do subemprego e do trabalho informal,
deficiências no atendimento à saúde e educação, mendicância, ocupação desorde-
nada do solo, aumento da violência etc.

Os dados da tabela 11 informam que Goiânia continuou atraindo gente de ou-


tras unidades da federação. Segundo os dados do Censo Demográfico de 2000, no
universo de 1.093.007 habitantes, 265.045 pessoas, ou 24,2 % do total, nasceram
em outros estados. A maioria era proveniente da Região Sudeste, Nordeste e Norte.
Os estrangeiros correspondiam a 0,28% da população.

Não é possível fazer uma comparação entre o fluxo imigratório de 1996 e o de


2000. No primeiro buscou-se saber a origem das pessoas, no segundo o local de
nascimento.
32

5 . O cupa ç ã o da popula ç ã o
Os dados disponíveis sobre a ocupação das pessoas no município de Goiâ-
nia foram tomados da Relação Anual de Informações Sociais, pesquisa referente ao
mercado formal de trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Deve-se ressaltar que os trabalhadores considerados não residiam apenas no


município de Goiânia, haja vista que a capital oferece trabalho a moradores de ou-
tras cidades, principalmente as que integram sua região metropolitana.

Segundo os dados na tabela 12, os setores de serviços e administração pública


foram os que mais empregaram. Nos anos analisados, representaram mais de 50%
do total de empregos em Goiânia. Nesse caso, a ocupação na administração pública
foi bastante representativa porque a cidade é sede do Governo Estadual.

Percentualmente, os setores de comércio, indústria de transformação e agrope-


cuário apresentaram crescimento em todos anos, apesar de que o último apresen-
tou insignificante participação em relação ao todo.

Os setores de extração mineral e serviço industrial de utilidade pública, por


sua vez, obtiveram queda, assim como o ramo da construção civil, apesar do seu
expressivo aumento no período de 2000 para 2004.
33

5.1. Por Gênero

Como demonstra a tabela 13, setores como o de serviços e indústria de trans-


formação apresentaram equilíbrio entre os dois gêneros, resultado previsível para
áreas de atuação que comportam trabalhadores de ambos os sexos.

Observa-se que houve a predominância da população feminina na administra-


ção pública. Como as mulheres têm mais predisposição para o estudo, a probabili-
dade de serem aprovadas em concursos públicos é maior.

Nos demais setores a predominância do sexo masculino foi bastante visível.


Nesse âmbito, em sua maioria, as atividades exigem esforço físico ou não são apro-
priados para o sexo feminino.
34

5.2. Por faixa etária

No período analisado na tabela 14, a maioria dos trabalhadores formais se


encontrava na faixa de 30 a 39 anos. O comércio, por absorver um perfil mais jovem,
comportava trabalhadores com idades de 18 a 24 anos.

Os serviços e a indústria de transformação também empregaram bastante os


jovens entre 18 a 24 anos. Esse fato pode ser justificado pela baixa remuneração
aplicável a profissionais com pouca experiência no mercado.

Em percentuais, é pequena a participação dos trabalhadores na faixa etária


de 65 anos ou acima. Em termos absolutos, eles são mais expressivos no setor de
serviços e administração pública. No último caso, haja vista a necessidade de con-
cursos, o empregador mantém a mão-de-obra por longo período, a maioria dos
funcionários permanece no emprego até a aposentadoria.
35

5.3. Por grau de instrução

Nos anos observados na tabela 15, os setores que empregaram maior quanti-
dade de profissionais com curso superior completo foram a administração pública,
o comércio e os serviços.

Com exceção da administração pública que reduziu de 11.879 para 02 funcio-


nários, no período de 1990 a 2004, todos os demais setores vinham aumentando a
quantidade de empregados analfabetos, como tudo indica, por causa dos baixos
salários devidos aos mesmos.

A participação da categoria outros, que inclui os trabalhadores com 4ª, 8ª


série e 2º grau incompletos e ignorados, correspondeu à aproximadamente 35% do
mercado de trabalho formal em todos os anos.
36

Pela somatória dos dados obtidos, observa-se que a maioria dos empregados
estudou até a 8ª série ou completou o 2º grau.
37

EIXOS
EXTRATÉGICOS
39

Eixo Estratégico

sustentabilidade socioAMBIENTAL
Sustentabilidade
Socioambiental
O foco principal deste eixo estratégico é o desenvol-
vimento sustentável, aqui entendido como o crescimento
que compatibiliza as atividades econômicas, a preservação,
a conservação e a recuperação dos recursos naturais e do
meio ambiente natural e construído, a eqüidade social e a
qualidade de vida da população, atual e futura, do municí-
pio de Goiânia.
41

1 . R ealidade socioam b iental do mu -


nic í pio de G oiânia

1.1. O processo de metropolização, uso e ocupação do


solo e os problemas scioambientais da capital

Goiânia é hoje uma metrópole regional, cuja população caminha para um milhão
e quinhentos mil habitantes. Como região metropolitana, abarca quase dois milhões
de pessoas.

sustentabilidade socioAMBIENTAL
Os seus problemas socioambientais são inúmeros e relacionam-se, principal-
mente, com seu processo de urbanização, responsável pela fragmentação do espa-
ço urbano, segregação e exclusão social.

Na época da construção da nova capital (década de 1930), os operários se ins-


talaram em precários barracões fora do perímetro urbano determinado pelo plano
urbanístico, pois não dispunham de moradias em locais pré-estabelecidos. Assim
formaram-se as primeiras “áreas de posses”, denominação local para invasões e
favelas ao longo do córrego Botafogo.

Esse processo se intensificou nas décadas seguintes com as sucessivas invasões


de áreas públicas, muitas delas de preservação ambiental como nascentes e de
fundos de vales, formando inúmeros “enclaves” disseminados no tecido urbano da
capital, constituindo muitas áreas de risco.

A partir da década de 1970, quando se intensificaram os fluxos imigratórios


para Goiânia ocasionados pela modernização no campo, formaram-se grandes bol-
sões de pobreza. Dessa forma, desencadeou-se um processo de periferização da
capital por meio de loteamentos irregulares e clandestinos, implantados com parco
planejamento nas franjas da zona de expansão urbana ou na zona rural da capital,
muitas vezes em conurbação com os municípios vizinhos.

Inicialmente, esse processo de segregação foi induzido pelo governo estadual,


ganhando força a partir de 1983 com a implantação de sucessivos grandes assen-
tamentos urbanos de baixa renda na Região Noroeste da cidade. Posteriormente o
agente foi o capital imobiliário privado, que hoje estende essa prática por regiões
como a Sudoeste, Leste etc.

O grande crescimento populacional agravou os problemas e exacerbou os con-


flitos. Assim, como em todas as outras grandes cidades do país, os índices de vio-
lência cresceram com o aprofundamento das desigualdades sociais devido à crise
econômica e ao conseqüente desemprego. No bojo desse cenário está a ocupação
desordenada do solo.
42

O processo de periferização e segregação de grandes contingentes de popu-


lação de baixa renda foi o grande responsável pela ampliação do perímetro urbano
de Goiânia. Esse fenômeno provocou sucessivas mudanças na lei de zoneamento da
capital, empurrando para cada vez mais longe a moradia dos mais pobres e agravan-
do os problemas socioambientais.

Assim, pode-se afirmar que os principais problemas socioambientais do mu-


nicípio de Goiânia estão hoje basicamente relacionados:

1. Ao desmatamento excessivo da cobertura vegetal original, na


zona rural por causa da agricultura e da pecuária e na zona urba-
na pelo parcelamento urbano mal planejado. Estima-se que res-
tam menos de 5% da cobertura vegetal primitiva no território do
município e a maioria das unidades de conservação ou áreas pro-
tegidas ainda não têm um sistema de gestão integrado e eficaz.

2. À poluição dos corpos d’água, principalmente os que drenam


a malha urbana por causa da falta de tratamento dos esgotos
industriais e domésticos. Essa situação foi sensivelmente ameni-
zada com a implantação da Estação de Tratamento de Esgoto
de Goiânia, mas ainda apresenta problemas devido aos esgotos
clandestinos que são descarregados nas galerias pluviais e nos
corpos d’água que cortam a malha urbana e às parcelas da cidade
não integradas a ETE como as áreas periféricas das regiões Noro-
este, Leste, Sudoeste e outras.

3. À ocupação desordenada do Solo Urbano e à conseqüente for-


mação de espaços segregados desprovidos de saneamento, ga-
lerias pluviais e equipamentos urbanos.

4. À proliferação de áreas de risco que provoca o agravamento de


processos erosivos e de assoreamentos.

5. Aos freqüentes alagamentos das vias da malha urbana consoli-


dada devido aos altos índices de impermeabilização do solo, às
galerias pluviais sub dimensionadas ou assoreadas e ao aumento
de área de captação provocado pela expansão urbana.

6. Às alterações climáticas que provocam a formação de ilhas de


calor nas regiões mais densamente povoadas e impermeabiliza-
das.

7. À poluição atmosférica resultante das inversões térmicas ocasio-


nadas pela considerável quantidade de poluentes na atmosfera,
sobretudo monóxido de carbono proveniente do grande volume
de veículos e tráfego intenso.

8. À poluição visual causada pela quantidade excessiva de propa-


ganda impressa em outdoors, placas, faixas etc.

9. Ao intenso tráfego de veículos na malha urbana e aos inúmeros


pontos críticos de engarrafamento, que limitam cada dia mais a
mobilidade e a acessibilidade.
43

A ausência de cobertura vegetal natural, principalmente a retirada de mata ciliar


das drenagens, potencializa os processos erosivos e de assoreamentos. Isso contri-
bui para desmoronamentos de barrancos de drenagens taludes e o alagamento de
margens. Assim, criam-se áreas de risco, sobretudo porque é comum a ocupação
das áreas lindeiras e de fundos de vales do perímetro urbano, por moradores de
baixa renda.

A diminuição das áreas verdes contribui para reduzir os índices de umidade e


aumentar o desconforto da população. Dados estatísticos confirmam que ocorreu
em Goiânia um decréscimo de 3% na umidade do ar entre 1970 e 1990, ou seja, 1%
a cada dez anos.

sustentabilidade socioAMBIENTAL
Hoje, Goiânia possui cerca de 107 áreas protegidas, legalmente reconhecidas.
Grande parte delas vem sofrendo um processo contínuo de degradação ambiental.
Algumas já estão totalmente invadidas. Como nem todas essas áreas estão sob a
jurisdição do poder público municipal, há dificuldades em administrá-las de forma
única e integrada. A maioria das unidades de conservação não conta com um plano
de manejo para sua adequada utilização.

Outro problema é que essas áreas protegidas estão quase totalmente dentro
das atuais zonas Urbana e de Expansão Urbana. Como o poder público municipal, na
prática, nunca legislou ou gerenciou o espaço rural, exetuando-se o Parque Altamiro
Moura Pacheco (UC estadual), a atual Zona Rural do município carece de unidades
de conservação.

A falta de interação entre os órgãos parceladores e os ambientais faz com que


muitas áreas destinadas a parques e à proteção ambiental fiquem submetidas apenas
a acordos do empreendedor com o órgão de planejamento, sem a devida imple-
mentação pelo órgão ambiental ou por serem decretadas Unidades de Conservação
com dimensões inadequadas para a preservação. Um bom exemplo de implantação
de parque linear, no município de Goiânia, é o Parque Macambira Anicuns.

Em relação à água potável, pode-se considerar que a população de Goiânia é


relativamente bem servida. Segundo dados da SANEAGO, 92% das pessoas contam
com serviço de abastecimento de água tratada.

A água que abastece a capital é de superfície e vem da Estação de Tratamento


de Água do rio Meia Ponte (ETA Meia Ponte), situada no rio homônimo, próximo à
barra do ribeirão São Domingos, na Região Noroeste de Goiânia, e da ETA do João
Leite, afluente do rio Meia Ponte, situada na Região Norte de Goiânia.

É de fundamental importância que se divulgue o significado desses corpos


d’água e os locais de captação de água para abastecimento público para a qua-
lidade ambiental e de vida da população, pois a consciência de seus significados
poderá ajudar em muito a preservação dos mesmos.
44

A Região Noroeste de Goiânia é caracterizada por loteamentos de alta densida-


de para baixa renda, hoje cornubados com outro parcelamento, de características
semelhantes, no município limítrofe de Goianira. O processo de uso e ocupação do
solo dessa área é a grande preocupação em relação à vida útil da ETA do Meia Ponte
porque ela é umas das regiões de Goiânia que não estão integradas à Estação de
Tratamento de Esgoto.

Assim, faz-se urgente disciplinar o uso desse solo, visando proteger o ponto
de captação de água do Meia Ponte, bem como aprovar e implementar a APA da
bacia hidrográfica do ribeirão São Domingos, abrangendo terras dos municípios de
Goiânia e de Goianira.

A ETA do João Leite está situada em uma bacia hidrográfica mais conservada e
conta com instrumento legal de proteção aprovado, a APA do João Leite. Sua adu-
tora está em fase de construção final, com perspectiva de abastecer Goiânia e sua
Região Metropolitana até 2025.

A poluição dos corpos d’água que cortam a malha urbana de Goiânia se dá,
principalmente, pelos dejetos domiciliares e industriais. Esse é um dos principais
problemas ambientais da capital, pois a maior parcela dos detritos é jogada in natu-
ra nos afluentes do rio Meia Ponte que drenam a malha urbana do município.

Esse problema está sendo parcialmente solucionado pela implantação do sis-


tema da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), situada nas imediações do Bairro
Goiânia II, Região Norte da Cidade. Ela vem tratando os esgotos provenientes da
margem direita do rio Meia Ponte, a mais intensamente urbanizada da capital.

A ETE de Goiânia, entretanto, trata aproximadamente 70% dos dejetos gerados


na capital e não coleta os que são gerados na margem esquerda do rio Meia Ponte.
Isso ocorre, sobretudo, na bacia hidrográfica do ribeirão Caveirinhas, Região Noro-
este da capital com uma população em torno de 150 mil habitantes, onde os de-
jetos ainda são lançados in natura na rede de drenagem natural, contribuindo para
poluição do rio Meia Ponte. O mesmo acontecendo em outras regiões periféricas
como a Região Leste, Região Sudoeste e outras.

Outros problemas agravam a degradação do rio Meia Ponte. O assoreamento


natural devido à ocupação desordenada do solo urbano da capital e um grande
volume de entulhos e lixo que para ele são canalizados por serem depositados nos
fundos de vale de seus afluentes. Isto sem falar no fato de que o tratamento de
esgoto feito na referida ETE é de fase primária de apenas 30%, sendo feita apenas
à remoção de sólidos grosseiros, areia e outros sedimentos o que termina ainda
contribuindo para poluição do rio com a diluição dos afluentes tratados neste corpo
d’água.
45

Em relação aos resíduos sólidos domiciliares, pode-se dizer que toda a cidade
é atendida com coleta regular, diária (diurna e noturna) ou duas a três vezes por
semana, dependendo da região e do bairro. O local de disposição final é um aterro
sanitário controlado situado no entorno da via de saída para Trindade, que terá sua
área de descarga ampliada, pois apresenta capacidade apenas para os próximos
três anos. O acondicionamento dos resíduos domésticos pela população em algu-
mas regiões e bairros deixa a desejar, demandando campanhas educativas.

Os Resíduos Sólidos dos Serviços de Saúde são coletados pela COMURG por
um caminhão e dois fiorinos. São recolhidas 240 ton/mês e não há uma boa cober-
tura dos estabelecimentos de saúde. Percebem-se vários problemas relativos à falta

sustentabilidade socioAMBIENTAL
de fiscalização dos órgãos competentes. Dentre eles estão a falta de elaboração
de planos de gerenciamento dos resíduos sólidos dos serviços de saúde e a não
cobrança de taxas de serviço em relação à coleta e disposição dos resíduos, invia-
bilizando a continuidade dos serviços pelo poder público municipal.

Quanto aos resíduos industriais, é responsabilidade do gerador dar-lhes uma


destinação adequada, pois o município não conta ainda com local apropriado.

Outro problema é o destino dos resíduos sólidos da construção civil, ou entu-


lhos da construção civil. Como não existe espaço reservado para eles, são despe-
jados nos terrenos baldios, fundos de vale ou, em menores percentagens, levados
para o aterro sanitário.

Algumas iniciativas surgiram no sentido de promover parcerias do poder pú-


blico municipal, indústria da construção civil e empresas transportadoras, visando
diminuir o volume de rejeitos nas construções, reaproveitá-los e dar uma destinação
adequada para as sobras.

Essas proposições, entretanto, não têm obtido continuidade. Dentre elas, vale
citar a parceria entre a Prefeitura de Goiânia, a UnB e FURNAS, visando a elaboração
de um plano de gerenciamento integrado de resíduos sólidos da indústria da cons-
trução civil.

A varrição das ruas, a poda das árvores e a capina e roçagem dos lotes e áreas
publicas são feitas pelo poder público municipal. Porém, como na maioria das capi-
tais brasileiras, não existe um programa sistemático e abrangente de reciclagem dos
resíduos. As tentativas têm sido muito pontuais e sem grande reflexo no município
como um todo.

Merecem referências a prática, implantada pela Universidade Católica, de rea-


proveitamento dos resíduos domésticos no bairro Dom Fernando na Região Leste
da cidade, a organização de uma cooperativa de catadores de lixo no Conjunto
Vera Cruz e uma experiência piloto desenvolvida pela Secretaria Municipal de Meio
46

Ambiente no bairro Sonho Verde, todas ainda muito tímidas para as dimensões da
metrópole goiana.

Em relação à ocupação desordenada do solo urbano, além das dificuldades


socioambientais relacionados e as ocupações de baixa renda descritas, pode-se ali-
nhar problemas associados aos processos erosivos do tipo “em sulcos”, que podem
evoluir para ravinas e voçorocas.

Essas erosões põem em risco as moradias de muitas pessoas, no centro e na


periferia, causam grandes prejuízos com a destruição de equipamentos urbanos e
tornam-se áreas de despejos de entulhos da construção civil, de lixo e de esgotos,
constituindo-se verdadeiros focos irradiadores de poluição ambiental e doenças.

Associado à erosão está o assoreamento dos corpos d’água que, com a capaci-
dade de carga de seu leito reduzida, extravasam suas águas para fora, provocando
alagamento de vias, moradias etc. No mesmo sentido trabalha o assoreamento da
rede de galeria pluvial, na maioria das vezes agravado pelo fato da população jogar
lixo e entulho de construção dentro dos bueiros.

Entupidas as galerias, é impossível escoar os grandes volumes das águas prove-


nientes das áreas impermeabilizadas por asfalto, residências, prédios, grandes esta-
cionamentos etc., provocando alagamentos e potencializando mais ainda os focos
erosivos dentro do sistema de macro drenagem.

Os altos índices de impermeabilização do solo urbano da capital também di-


minuem a recarga do lençol freático, já bastante impactado pelo grande número de
poços artesianos perfurados, a maioria das vezes de forma clandestina, tornando-se
agentes de contaminação do lençol de água subterrânea.

Além dos altos níveis de impermeabilização do solo urbano, outro grande pro-
blema da capital é a incapacidade do sistema de drenagem pluvial escoar toda a
água que escorre nos dias de chuvas intensas. Existem inúmeros pontos críticos, prin-
cipalmente no Centro, Campinas, Setor Bueno, Setor Pedro Ludovico e outros. Se
não forem feitos investimentos em drenagem, em curto prazo, a situação só tende a
se agravar, transformando os pontos críticos em áreas de risco.

As áreas ocupadas consideradas de risco são aquelas que expõe seus habitan-
tes a péssimas condições de moradia em função de sua localização, de particulari-
dades físico-ambientais e do padrão construtivo de baixa renda, gerando insalubri-
dade e, principalmente, apresentando riscos reais de acidentes, ameaçando a vida
das pessoas.

Atualmente existem várias áreas de risco associadas ao processo de ocupação


da malha urbana da capital. A Defesa Civil catalogou, em 2005, dezoito áreas de ris-
co em Goiânia, com grau variando de baixo a alto. A maioria está situada nas faixas
47

lindeiras aos corpos d’água que cortam a zona urbana da capital, quase sempre em
áreas públicas de preservação ambiental.

O Plano Diretor de Drenagem de Goiânia foi baseado no cálculo de vazões a


serem escoadas nos cursos d’água que drenagem a malha da capital, bem como nas
projeções de ocupação definidas no Projeto de Revisão do Plano Diretor Urbano de
Goiânia de 2004. De acordo com o referido projeto, as micro bacias que formam
as cabeceiras do Ribeirão Anicuns teriam ocupação tipicamente rural e de baixa
densidade.

Como o projeto de revisão do Plano Diretor não foi aprovado na época

sustentabilidade socioAMBIENTAL
(2003/04), estando ainda em processo de elaboração, o novo Plano Diretor de
Goiânia, deverá definir as novas diretrizes de ocupação urbana para o município,
baseadas em análises do comportamento das vazões nas cabeceiras do Ribeirão
Anicuns para verificar seus valores conforme a ocupação que for prevista para essa
região.

Para tal utilizou-se como base de cálculo das vazões atuais escoadas nas cabe-
ceiras do Ribeirão Anicuns, o Plano Diretor de Água e Esgotos de Goiânia, estudo
que analisou através de pesquisa de campo o tipo de ocupação vigente nessa re-
gião, em em relação de densidade demográfica.

Além desse trabalho determinou-se o valor numérico do coeficiente de im-


permebilização das diversas áreas de densidade homogênea, através do estudo
“Estimativa de Área Impermeável de Micro-bacias Urbanas” de autoria de Nestor A.
Campana e Carlos E.M.Tucci, que permite a determinação numérica da percentagem
de impermeabilização de uma área através da densidade demográfica da mesma.

Desse modo, considerando ocupação rural e densidade demográfica média de


20 hab/ha nas cabeceiras e densidade média nas demais áreas como definido no
Plano Diretor de Água, chega-se a uma vazão no Ribeirão Anicuns, antes da conflu-
ência com o córrego Taquaral de 112m3/s e antes da confluência com o Rio Meia
Ponte de 475 m3/s.

Caso se permita a urbanização nas cabeceiras do Ribeirão Anicuns, com ocupa-


ção que resulte em densidade média de 60 hab/ha, as vazões máximas nos mesmos
pontos anteriormente indicados resultariam em 169 m3/s e 512 m3/s, respectiva-
mente. Ou seja, haveria um acréscimo de 50% de vazão (percentual que reduz ao
longo da contribuição dos afluentes) apenas decorrente de uma impermeabilização
da ordem de 27% da área em questão.

Sabe-se que o aumento de temperatura na área urbanizada agrava para a ocor-


rência de fortes chuvas devido à condensação da umidade contida em ventos por-
tadores de material particulado, próprio de aglomerações urbanas que atuam como
48

núcleos de condensação. Essas tempestades têm causado danos às habitações, so-


bretudo às das famílias de baixa renda, cujo padrão construtivo é precário, poten-
cializado os processos erosivos, os assoreamentos e alagamentos na malha urbana.

A poluição visual se caracteriza pela excessiva concentração de publicidade


em luminosos, letreiros, outdoors, backligths, front ligths, painéis, placas, publici-
dades em veículos etc. Está concentrada principalmente no Centro, Campinas e ou-
tros bairros movimentados, pelos quais circulam pessoas de bom poder aquisitivo,
sobretudo nas proximidades de grandes equipamentos urbanos como o Shopping
Flamboyant, localizado na Região Sul. A Prefeitura Municipal de Goiânia cadastrou
17.809 pontos de publicidade, porém a fiscalização estima em 40 mil as unidades
que podem provocar poluição visual.

A grande frota e o intenso tráfego de veículos na malha urbana de Goiânia traz


como conseqüência imediata a poluição do ar que respiramos. Sua qualidade tem
diminuído e os resultados obtidos com o monitoramento, feito desde 1999, são
preocupantes, se comparados com a resolução 03/90 CONAMA, principalmente no
período de estiagem em função da concentração de poluentes e menor dispersão
eólica.

A poluição sonora causa distúrbios emocionais, provoca a surdez e tem aumen-


tado, sobretudo, por causa do barulho provocado pelo grande tráfego de veículos
automotores, pelas igrejas e pelos bares. O primeiro causa um grande stress na po-
pulação em função da movimentação morosa e da baixa mobilidade em freqüentes
grandes engarrafamentos. Os dois últimos desrespeitam o sossego público, contri-
buindo substancialmente para deterioração da qualidade ambiental da cidade e de
vida dos moradores.

O problema do trânsito moroso só será solucionado por meio da mudança do


perfil do transporte de massa, levando a população usuária de automóveis a utilizar
os transportes coletivos, diminuindo o número de veículos e, conseqüentemente, o
volume do tráfego nas ruas de Goiânia.

O enfrentamento dessa questão se dará pela melhoria da infra-estrutura das


vias, com implantação de outros eixos de tráfego mais adequados e oferecimento
de transporte urbano de massa de melhor qualidade.

Outra providência necessária é a implantação, pelo poder público municipal,


de programas de educação e divulgação de práticas que visem minimizar o uso do
carro particular, mudando os hábitos da população.

De acordo com o cadastro de atividades econômicas, em Goiânia existem mais


de 40 mil empreendimentos comerciais, industriais e prestadores de serviços que
geram poluição no solo, água ou ar. Sem considerar a frota de aproximadamente
49

700 mil veículos, que são os grandes responsáveis pela poluição atmosférica.

Em suma, as principais fontes poluidoras dos recursos hídricos, do solo e do ar


em Goiânia são as descargas de esgotos in natura nos corpos d’água de algumas
regiões da cidade não atendidas pela ETE, os veículos automotores, os postos com-
bustíveis, as lavanderias, confecções e tinturarias, os lançamentos clandestinos de
esgoto nas áreas servidas de saneamento, as pequenas estações de tratamento de
esgoto, as marmorarias, os clubes de lazer e recreação, os cemitérios, as oficinas
mecânicas, os lavajatos, as garagens de ônibus, as transportadoras, os hospitais, la-
boratórios, bancos de sangue hemoderivados e clínicas e, por fim, as descargas de
entulho da construção civil e lixo em terrenos baldios e fundos de vales.

sustentabilidade socioAMBIENTAL
1.2. Política Socioambiental no Município de Goiânia

Grande parte dos problemas socioambientais deve-se a uma política pública


historicamente limitada por fatores impeditivos que dificultam o alcance das metas
desejáveis, emperrando a ação conjunta dos governos e limitando muito as ações,
mesmo que isoladas, no sentido da proteção e preservação do meio ambiente e da
melhoria ou manutenção da qualidade de vida da população. Esses fatores são:

1. Desconsideração do meio ambiente como parâmetro básico do


planejamento e das políticas gerais de desenvolvimento, levando
a questão ambiental a ser tratada isoladamente, sem conexão com
as demais áreas, confinando-a a uma secretaria que, via de regra,
não tem influência sobre as outras políticas setoriais. A política am-
biental não permeia todos os segmentos da administração e da
sociedade.

2. A falta de articulação entre as diversas esferas do poder público


responsáveis pela questão ambiental nos âmbitos municipal, es-
tadual e federal. No caso da administração da capital, é visível a
desarticulação tanto interna, de uma secretaria para outra ou de
um órgão para outro, quanto externa, com os demais órgãos ou
instituições na região metropolitana, no Estado, na União e nas or-
ganizações não governamentais.

. A fragilidade e descontinuidade dos programas de educação e de


conscientização da comunidade. Esse trabalho é fundamental, pois
uma comunidade consciente exige fiscalização, reforçando a ação
do órgão ambiental. Além disso, os cidadãos conscientes podem
impedir que programas e projetos bem sucedidos sofram interrup-
ção com a mudança de governo. De modo geral, as escolas possuem
programas de educação ambiental desarticulados com a comunida-
de, dificultando a formação da consciência crítica dos alunos.
50

4. A falta de capacitação técnica e operacional dos órgãos ambien-


tais, que têm seu poder de ação enfraquecido por seu quadro de
recursos humanos insuficiente. Embora disponham de técnicos com-
petentes, seu número é reduzido. Além disso, suas especializações
são pouco variadas, dificultando a elaboração de abordagens, multi
e interdisciplinares, necessárias para a solução dos diversos proble-
mas, que se apresentam. Como se não bastasse, esses profissionais
ainda deparam com a limitação de equipamentos e infra-estrutura
de trabalho.

5. A inexistência de um esquema eficaz e ágil de fiscalização ambien-


tal, que permita a tomada de providências rápidas para a solução
dos problemas detectados. Dificilmente o poder público age pre-
ventivamente. Sua atuação sempre está a reboque dos fatos, na
esfera da remedição. Isso inviabiliza o controle efetivo do governo
sobre a questão ambiental.

6. A inexistência de pesquisas que possam ser úteis à Secretaria Muni-


cipal do Meio Ambiente e outras.

A conseqüência, como explicitado, tem sido a degradação do meio ambiente


e a deterioração da qualidade de vida da população ao longo do tempo. Assim, o
Plano Diretor não deve ser apenas regulador, mas sobretudo, um instrumento que
possibilite alavancar o desenvolvimento sustentável de todo o território do municí-
pio.

Para isso, deve implantar uma política socioambiental para recuperar e preservar
os recursos hídricos, resgatar as reservas naturais, respeitar as áreas de preservação,
melhorar o saneamento, ordenar a ocupação do espaço urbano e criar alternativas
de vivência ambiental em parques, melhorando a qualidade de vida da população
e o meio ambiente natural e construído.

Além disso, deve implantar uma estratégia de sustentabilidade socioambiental


que passe pelas diretrizes de comunicação e internalização das questões socioam-
bientais na sociedade civil, nos órgãos da administração pública e na iniciativa pri-
vada, com articulação, integração, participação e parceria da sociedade civil, poder
público e iniciativa privada.

Também é importante buscar a sensibilização, a conscientização e a educação


socioambiental da população; a capacitação da administração pública com o de-
senvolvimento humano, organizacional, tecnológico e operacional e, finalmente, a
articulação das diversas políticas públicas de gestão e proteção ambiental, de áreas
verdes, de recursos hídricos, de saneamento básico, de drenagem urbana e de co-
leta e destinação de resíduos sólidos.
0
GO-08
Neropólis

Neropólis
Rodovia
Distrito de
Vila Rica
Sto Antônio de Goias

Mapa 01 N
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27 53 38

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Trindade 57 Ro
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69 45 51 nfi GO
76 60 58 nó -0
CEASA po 10
lis
67
ETE
68 83 59 55
50 AEROPORTO

Rodovia
92
42 23
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
GO-060
31 1 – BOSQUE DOS BURITIS (SETOR OESTE)
Trindade ATERRO 2- PARQUE EDUCATIVO (ZOOLÓGICO/LAGO DAS ROSAS)
91 18 47
36 3- PARQUE MUTIRAMA (SETOR CENTRAL)
66 34
ETA 26 4- PARQUE BOTAFOGO (SETOR CENTRAL)
90
15 5- PARQUE LINEAR BOTAFOGO (SETOR CENTRAL)
6- PARQUE AREIÃO (SETOR PEDRO LUDOVICO)
32 7- PARQUE VACA BRAVA (SETOR BUENO)
41 8- PARQUE AMAZONAS
3 65 9- MORRO SERRINHA
19
10- JARDIM BOTÂNICO (SETOR PEDRO LUDOVICO)
4
49
Senador Canedo 11- ÁREA VERDE (PQ DAS LARANJEIRAS) BURACÃO
12- BOSQUE BOUGANVILLE A (PQ. DAS LARANJEIRAS)
APA - Alto Anicuns 33 13- PARQUE ITATIAIA (CONJUNTO ITATIAIA)
CENTRO ETA
HISTÓRICO 14- BOSQUE DE ÍNDIA DIACUÍ (ARUANÃ)
15- BOSQUE DEP. JOSÉ EDUARDO DE S. NASCIMENTO
35 1 16- PARQUE TAGUARAL (RESIDENCIAL GOIÂNIA VIVA)
2 3
GO-40 17- BOSQUE BOUGANVILLE B (PQ.DAS LARANJEIRAS)
HIPODROMO Rodovia
85 87 5 18- PARQUE MUNICIPAL GENTIL MEIRELES
do
r Cane
DA

Senado
88 LAGOINHA 19- PARQUE MUNICIPAL MORRO DOS MACACOS (VERA CRUZ)
61 14
20- BOSQUE MACAMBIRA FAIÇALVILLE
25 71 21- PARQUE LINEAR MACAMBIRA
62 16 22- BOSQUE SÍTIOS DE RECREIO (MANSÕES BERNARDO SAYÃO)
21 23- RESERVA ECOLÓGICA (CONJUNTO RESIDENCIAL PRATA)
ESTÁDIO
81
37 24- PARQUE MUNICIPAL LOZARDES
SERRA
25- PARQUE MUNICIPAL SÃO JOSÉ
39 DOURADA
26- PARQUE BEIJA FLORES (JAÓ)
6 24 27- PARQUE LINEAR CURITIBA
28- PARQUE MUNICIPAL CURITIBA
7 46 29- PARQUE CASCAVEL
79 30- RESERVA SHANGRY-LÁ
99
31- PARQUE MATINHA
74 32- PARQUE REPRESA JAÓ (JAÓ)
80
48 54 33- BOSQUE SETOR UNIVERSITÁRIO
63 12
APA - Alto Anicuns 43 9
11
34- PARQUE SANTO HILÁRIO
35- PARQUE CIDADE JARDIM
72 10 36- PARQUE DA LIBERDADE (SETOR JAÓ)
37- BOSQUE DE FUNDO DO VALE (JARDIM GOIÁS)
8 17
38- BOSQUE CAMPUS II UFG
39- PARQUE FLAMBOYANT – AUTOMÓVEL CLUBE/ CHÁCARAS
73
40- PARQUE ECOLÓGICO CARMO BERNARDES
78 40 41- MORRO DO MENDANHA
56 29 42- MORRO DO ALEM
0 20
-06
43- RESERVA DO PERSEU (RESERVA ECOLÓGICA MANGUEIR)
BR 84 44- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL NOSSA MORADA
v ia
do 45- PARQUE MARIA LOURENÇO
Ro 86
70 46- PARQUE MUNICIPAL JARDIM BOTÂNICO DO CERRADO
á
iab 47- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL MORUNBI
Cu
R 48- PARQUE MUNICIPAL SETOR SETOR SOLAR SANTA RITA I
od
C ov 49- PARQUE MUNICIPAL GRANDE RETIRO
75 at ia 50- PARQUE MUNICIPAL JARDIM NOVA ESPERANÇA
alã G
o O 51- PARQUE MUNICIPAL IONE MARTINS DO CARMO
-0
20 52- PARQUE MUNICIPAL RECANTO DO BOSQUE I
53- PARQUE MUNICIPAL RECANTO DO BOSQUE II
Abadia de Goiás Aparecida de Goiânia 54- PARQUE MUNICIPAL GANVILLE
55- PARQUE MUNICIPAL SETOR BELO HORIZONTE
56- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIALCENTER VILLE
57- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL ITÁLIA
58- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL PARQUE DAS FLORES I
59- PARQUE MUNICIPAL PARQUE DAS FLORES II
60- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL PARQUE DAS FLORES III
61- PARQUE MUNICIPAL CAROLINA PARK
62- PARQUE MUNICIPAL CAROLINA CANDIDA CABRAL
63- PARQUE MUNICIPAL SETOR SOLAR SANTA RITAII
64- PARQUE MUNICIPAL JARDIM DAS HORTÊNCIAS
65- PARQUE MUINICIPAL JARDIM DAS AROEIRAS
66- PARQUE MUNICIPAL JARDIM REAL
67- PARQUE MUNICIPAL SOLAR VILLE I
68- PARQUE MUNICIPAL SOLAR VILLE II
69- PARQUE MUNICIPAL SOLAR VILLE III
70- PARQUE MUNICIPAL JARDIM MADRI
BR-153

71- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL OLINDA


72- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL BOUGAINVILLE I
Aragoiânia
ulo

73- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL BOUGAINVILLE II


Rodovia

74- PARQUE MUNICIPAL VEREDA DOS BURITIS


São Pa

75- PARQUE MUNICIPAL SETOR GRAJAÚ


76- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL DA ACÁCIAS
78- PARQUE ECOLÓGICO JARDIM ATLÂNTICO
79- PARQUE MUNICIPAL PORTAL DO SOL
80- PARQUE MUNICIPAL PORTAL DO SOL II
40
-0 81- PARQUE MUNICIPAL CLÉA BORGES
GO 82- PARQUE MUNICIPAL CIRO PALMERSTON MUNIZ
via
do nia
83- PARQUE MUNICIPAL ESPORTIVO – SETOR MARABÁ
Ro oiâ
84- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL VILLE DE FRANCE
ag 85- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL AURORA
Ar 86- PARQUE MUNICIPAL SETOR ORIENTEVILLE
87- PARQUE MUNICIPAL BAIRRO GOIÁ II
88- PARQUE MUNICIPAL BAIRRO GOIÁ IV
89- RESERVA DO BAIRRO FLORESTA
90- PARQUE MUNICIPAL PINHEIROS
91- PARQUE MUNICIPAL LONDON PARK
92- PARQUE MUNICIPAL RESIDENCIAL RECANTO DAS GARÇAS
93- BOSQUE BOA VISTA
94- BOSQUE DO PAMA- CEMA
95- JARDIM FONTE NOVA
96- JARDIM PÚBLICO BOA VISTA
97- MORRO DA CASCALHEIRA
98- PARQUE MUNICIPAL OTÁVIO LÚCIO (BRISAS DA MATA)
99- PARQUE MUNICIPAL VILLAGE VENEZA

ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL - APAs


UNIDADE DE PROTEÇÃO INTEGRAL AO LONGO
DA REDE HÍDRICA
ÁREAS VERDES E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO
PROJETO PARQUE LINEAR MACAMBIRA-ANICUNS

LIMITE DO MUNICÍPIO
HIDROGRAFIA
TECIDO URBANO

REDE HÍDRICA ESTRUTURAL REFERÊNCIA URBANA


RODOVIAS
UNIDADE DE CONSERVAÇÃO ANEL RODOVIÁRIO METROPOLITANO
E ÁREA VERDE

M apa R ede h í drica E strutural


U nidade de C onser v a ç ã o e
àrea Verde Fonte: SEPLAM - 2006
52

2 . E i x o E strat é gico de S ustenta b ili -


dade S ocioam b iental
Visando melhorar as condições socioambientais do município de Goiânia, está
sendo proposta uma estratégia que priorize o desenvolvimento local, integrado e
sustentável, privilegiando a qualidade do Patrimônio Ambiental, que abrange os Pa-
trimônio Cultural e Natural por meio do uso racional e sustentável dos recursos natu-
rais e construídos visando a proteção, a recuperação e a manutenção dos aspectos
paisagísticos, históricos, arqueológicos e científicos.

Integram o Patrimônio Natural os elementos como o ar, a água, o solo, o sub-


solo, a fauna e a flora, assim como, as amostras significativas do ecossistema do
cerrado remanescente no Município, considerados indispensáveis a manutenção da
biodiversidade para assegurar as condições de equilíbrio ambiental e qualidade de
vida em todo seu território.

Integram o Patrimônio Cultural, o conjunto de bens imóveis de valor significativo,


edificações isoladas ou não, enquadradas como “arte decô”, os parques urbanos e
naturais, as praças, os sítios e paisagens, assim como manifestações e práticas cultu-
rais e tradições que conferem identidade a estes espaços.

Para atingir o objetivo proposto foram definidos diretrizes, programas e pro-


jetos que, quando implantados, modificarão positivamente o manejo dos recursos
naturais e construídos e propiciarão bem-estar e melhoria das condições de vida da
população.

Diretriz 1

Conceituar, identificar e classificar os espaços representativos do Patrimônio


Ambiental, definindo uso e ocupação de forma disciplinada visando a preservação
do meio ambiente e qualidade de vida;

Diretriz 2

Valorizar o Patrimônio Ambiental como espaços diversificados na ocupação do


território, consituindo elementos de fortalecimento das identidades cultural e natu-
ral.

Diretriz 3

Caracterizar o Patrimônio Ambiental como elmento de jsutificativa da valoriza-


ção da paisagem e da estruturação dos espaços públicos, visando a formação da
consciência crítica frente as questões socioambientais;
53

Diretriz 4

Articular e integrar as ações de gestão e proteção ambiental de áreas verdes,


de recursos hídricos, do saneamento básico, das condições geológicas, do trata-
mento dos resíduos sólidos e do monitoramento da poluição.

Diretriz 5

Desenvolver Programas de Educação Ambiental articulados com a população,


visando a formação de consciência crítica frente às questões ambientais locais e
globais.

sustentabilidade socioAMBIENTAL
As Diretrizes do Patrimônio Natural serão viabilizadas através de estratégias
específicas quanto:

Às áreas verdes:

1. criar a Rede Verde no território através do Sistema Municipal de Uni-


dade de Conservação - SMUC, incluindo um Sistema Ambiental de
gerenciamento de Parques e demais unidades de consevação;

2. identificar no território as áreas de reserva legal estabelecidas em


legislação específica com a finalidade de sua proteção e recupera-
ção, e aquelas áreas verdes identificadas no levantamento aerofo-
togramétrico de 1975;

. revigorar a paisagem da ambiência urbana com intervenção espe-


cífica nos espaços abertos, ruas, praças, parques, com a finalidade
de melhoria do conforto ambiental;

4. criar condições necessárias para implantação de parques lineares


com o objetivo de resgatar os fundos de vale para a cidade e a
população.

Aos ecossitemas hídricos:

1. preservar, recuperar e controlar os recuros hídricos com a finalida-


de da melhoria da qualidade de água, do sistema de drenagem for-
mado pela Bacia do rio Meia Ponte inserido na Região Metropilitana
de Goiânia;

2. elaborar e implantar plano de manejo das sub bacias hidrográficas


com a finalidade de desenvolver atividades econômicas compatibi-
lizando o uso e ocupação do solo;

. implantar o Plano Diretor de macro drenagem urbana que leve em


consideração os espaços naturais e construídos;
54

4. ajustar as condições de uso e ocupação das áreas públicas e priva-


das, inseridas nas áreas de preservação permanente;

5. viablizar o Sistema de Esgotamento Sanitário, complementando por


tecnologias alternativas nas regiões estratégicas que não estejam
interligadas ao Sistema de Tratamento de Esgoto de Goiânia - ETE;

6. implantar o Plano Diretor de Resíduos Sólidos por meio do Sistema


de Gerenciamento Seletivo dos Resíduos Domésticos, hospitalares,
industriais e da construção civil, com o intuito de controlar a conta-
minação e degração ambiental.

Às condições geológicas:

1. promover a permante atualização da Carta de Risco do Município


de Goiânia;

2. implantar um cadastro georeferenciado das erosões do município


de Goiânia com atualização contínua e permanente, com objetivo
de monitorar a evolução dos processos erosivos;

. promover um programa de reforço para a regularização, o licencia-


mento, o monitoramento e a fiscalização das atividades e empreen-
dimento poluidores e causadores de impacto ambiental.

Às condições atmosféricas:

1. estabelecer a institucionalização de procedimentos científicos e


tecnológicos que visem o controle efetivo das condições atmos-
féricas;

2. esclarecer a população sobre a relação de emissão de gases e po-


luição do ar;

. controlar as emissões veicular, por meio da inspeção e medição de


veículos, no sentido de substituir a frota de transporte coletivo por
veículos que utilizam tecnologia limpa;

4. reforçar a ação de controle de poluição sonora por meio de meca-


nismos institucionais eficientes.

À Gestão Ambiental:

1. revisar a legislação ambiental do Município, compatibilizando-a


com a legislação estadual e federal;

2. implantar o código Ambiental do Município;


55

. criar e implantar regiões administrativas com o objetivo de cadas-


trar, fiscalizar e monitorar as ações do poder público no que se
refere a preservação do patrimônio natural e cultural do Município;

4. efetivar parcerias, cooperativas com organizações governamentais,


iniciativa privada visando a implementação de um Sistema de Ges-
tão dos resíduos sólidos e destino final do lixo.

À Educação Ambiental:

1. implantar Programas de Educação Ambiental, com o objetivo de


articular a educação formal e informal;

sustentabilidade socioAMBIENTAL
2. sensibilizar e capacitar cidadãos em defesa do meio ambiente;

. desenvolver e incentivar programas e projetos de combate ao des-


perdício e incentivo ao reuso da água, tanto nos empreendimento
privados, quanto nos órgãos públicos e residências;

4. investir na capacitação e aperfeiçoamento do quadro permanente


de técnicos da administração pública, para atividades de avaliação,
licenciamento, fiscalização e elaboração de projetos, e diagnósti-
cos socioambientais.

As Diretrizes do Patrimônio Cultural serão viabilizadas através de estratégias


específicas como:

1. caracterizar o Patrimônio Cultural como elemento significativo de


valorização da paisagem e da estruturação dos espaços públicos;

2. levantar e mapear o estado de conservação dos edifícios, planos e


sítios, assim como seu grau de conservação;

. criar e instituir instrumentos legais e mecanismos de incentivos, que


estimulem parcerias entre poder público e iniciativa privada na re-
cuperação, revitalização e restauração dos espaços significativos, e
na preservação do patrimônio cultural.

As estratégias específicas dos Patrimônios Natural e Cultural que compõem


a estratégia de sustentabilidade socioambiental serão viabilizadas através dos
seguintes programas:

1. programa de valorização do Patrimônio Natural que objetiva o de-


senvolvimento econômico associado ao uso sustentável, a conser-
vação dos recursos naturais visando a preservação e conservação
dos ecossistemas florestais, a melhoria da finalidade da água e do
ar, o controle das condições geológicas e o tratamento dos resídu-
os sólidos;
56

2. programas de valorização do Patrimônio Cultural que objetiva iden-


tificar e classificar elementos de valor cultural, definir diretrizes e
desenvolver projetos, com vistas a resgatar a memória cultural,
restaurando, revitalizando e potencializando áreas significativas e
criando instrumentos para incentivar a preservação;

. programa de implantação e preservação de Áreas Verdes que ob-


jetiva a manutenção permanente dos parques, praças, reservas flo-
restais, arborização dos passeios públicos e a criação de icentivos
à arborização e ao ajardinamento em áreas privadas;

4. programa de Gestão Ambiental objetiva a elaboração de diretrizes


a partir dos planos setoriais, de esgotamento sanitário, abasteci-
mento de água, drenagem urbana, gerenciamento dos resíduos só-
lidos, poluição ambiental com vistas a articulação e qualificação das
ações e a redução dos custos operacionais no âmbito das bacias
hidrográficas;

5. programa de Preservação e Controle da Poluição, objetiva o mo-


nitoramento permanente da qualidade da água, ar, solo e dos es-
paços ocupados visando o controle e a finalização das atividades
poluidoras, considerando as condições e a degradação do meio
ambiente;

6. programa de Educação Ambiental, objetiva sensibilizar e conscien-


tizar a população em relação ao significado da educação ambiental
e a defesa do Patrimônio Natural e Cultural, bem como a sensibili-
zação e capacitação do quadro técnico e operacional da dminis-
tração pública.

3 . C enário dese j ado para o munic í pio


Em relação à Sustentabilidade Socioambiental, no cenário desejado para o mu-
nicípio de Goiânia deve haver disponibilidade de água de melhor qualidade para
o abastecimento público, com sensível diminuição de seus índices de poluição em
especial no ponto de Captação da ETA do Rio Meia Ponte; melhoria das condições
ambientais das drenagens que cortam a malha urbana, tornando-as menos poluídas
e degradadas; incentivo ao aumento dos índices de cobertura de vegetação nativa,
tanto na Macrozona Construída, com implantação de mais parque lineares, a exem-
plo do Parque Macambira-Anicuns, quanto nas outras Macrozonas, incentivando e
a implantação de novas Unidades de Conservação (Ucs); ampliação dos índices de
permeabilidade do solo na Macrozona Construída, favorecendo a recarga do lençol
57

freático e eliminando e ou minimizando os pontos críticos de alagamentos; imple-


mentação de uma gestão dos resíduos sólidos (domésticos, hospitalares, industrial e
entulhos da construção civil), melhorando o manejo e os índices de limpeza urbana
(principalmente nos bairros mais periféricos); diminuição da poluição e degradação
ambiental e melhoria da qualidade de vida da população e da paisagem urbana
local; ampliação do sistema de esgotamento sanitário, estendendo os serviços aos
bairros periféricos que hoje estão fora do sistema como os das regiões Noroeste,
Leste e Sudoeste, bem como fiscalização dos pontos nas galerias pluviais e nos
córregos que drenam a malha urbana; incentivo e articulação do controle das ati-
vidades de exploração mineral para construção civil (sobretudo a exploração de

sustentabilidade socioAMBIENTAL
areia lavada na bacia hidrográfica do rio Meia Ponte), das atividades agroindustriais,
desenvolvidas no município, objetivando amenizar os índices de poluição e degra-
dação ambiental no município; uma Macrozona Construída menos poluída, com ar
respirável mais puro, com menos barulho e menor poluição visual, melhorando a
qualidade ambiental e de vida de seus cidadãos.

Finalmente, o cenário desejável para o município de Goiânia deve ser garantido


por um programa de educação ambiental que vise tornar a população mais cons-
ciente da importância de desenvolver atividades econômicas à luz da sustentabili-
dade, compatibilizando geração de riqueza, conservação ambiental e criação de
emprego e renda.
59

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Eixo Estratégico
MOBILIDADE,
acessibilidade e
transporte
O objetivo maior do eixo estratégico mobilidade, acessibi-
lidade e transporte é incorporar os preceitos da sustentabildi-
de econômica, social e ambiental, a capacidade de se atender
às necessidades da sociedade de se deslocar livremente a fim
de realizar as atividades desejadas, visando, em última análise,
a melhoria da qualidade de vida urbana desta e das futuras
gerações.
61

“A Mobilidade Urbana é um atributo associado à cidade, corresponde à faci-


lidade de deslocamento de pessoas e bens na área urbana.”

““Acessibilidade é a facilidade em distância, custo e tempo, de se alcançar


fisicamente, a partir de um ponto específico no espaço urbano, os destinos de-

Mobilidade, acessibilidade e transporte


sejados.”

“Acessibilidade para pessoas com restrição de mobilidade é dar a condição


de o indivíduo movimentar-se, locomover-se e atingir um destino desejado, den-
tro de suas capacidades individuais.”

(Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade Urbana)

1 . I ntrodu ç ã o

A cidade de Goiânia nasceu na década de 1930 de forma planejada e sua rede


viária, desde então, vem sendo implantada gradativamente. Na década de 1950, fo-
ram aprovados loteamentos sem o cuidado de articular o sistema viário e implantar
a infra-estrutura básica.

Na década de 1970, diante do grande crescimento populacional, foram apre-


sentadas propostas de melhorias para a rede viária existente. Algumas delas foram
implantadas, um exemplo é o uso da av. Anhanguera como Eixo de Transporte de
Massa de média capacidade.

A partir da década de 1980 não ocorreram grandes investimentos na rede viária


e no sistema de transporte coletivo da capital, apenas pequenas intervenções, em
pontos específicos.

Existem projetos elaborados na década de 1970, 1980 e 1990 que, ainda hoje,
não foram realizados, como o viaduto na praça Latiff Sebba (praça do Ratinho).
Também vale lembrar as distorções ocorridas, nas implantações de outro projeto
destacando a implantação do eixo T-63, cujas distorções de implantação, impedi-
ram a concretização de sua concepção original.

Nessas décadas o adensamento em regiões específicas, como a Sul, e a amplia-


ção da zona de expansão urbana a sudoeste, sem a devida ampliação dos corredo-
res de tráfego, ou seja, sem a expansão da macro rede viária, gerou um grave des-
conforto para a população de Goiânia. Além dos congestionamentos que estendem
o tempo dos deslocamentos, as pessoas ainda suportam o aumento da poluição do
ar, sonora e visual, entre outras.
62

Diante da situação atual de saturação da rede viária em vários pontos da cida-


de, faz-se necessário que esta passe por uma reestruturação arrojada e imediata sob
pena de, com o passar do tempo consolidar-se as ocupações ao longo das vias a
serem modificadas e inviabilizar-se a implantação das intervenções pelo alto custo
demandado.

Segundo dados do Ministério dos Transportes - Empresa Brasileira de Planeja-


mento de Transportes e Diagnóstico Nacional de Planejamento Cicloviário - pode-se
traçar um pequeno histórico e panorâmica das ciclovias, como a seguir.

A crise do petróleo, nos anos de 1970, a crise da dívida pública nos anos de
1980 e 1990 e a desativação da Empresa Brasileira dos Transportes Urbanos (EBTU)
levaram à extinção do exercício sistemático de estudar o transporte urbano.

A partir de meados dos anos de 1980, com a realização das Conferências Inter-
nacionais sobre Planejamento Cicloviário (Velo-City), emergiram, no mundo todo, as
preocupações decorrentes do uso da bicicleta nas cidades.

Pode-se dizer que a “transparência” e “invisibilidade” da bicicleta são devidas


à simplicidade de sua estrutura física, seu volume exíguo e o baixo impacto que
exerce sobre o meio ambiente. Em detrimento do benefício social que representa,
a bicicleta não é bem vista pelos usuários de outros veículos, pois se considera que
ela os atrapalha.

Atualmente, os governos locais de muitas cidades brasileiras voltaram a investir


na construção de ciclovias. Para se ter uma idéia do cenário disponível, apresenta-se
as extensões das ciclovias das cidades brasileiras:

• Rio de Janeiro, 117,95 km;

• São Paulo, 26,4km executados dos 300km projetados;

• Curitiba, 70km;

• Porto Alegre, 5km;

• Florianópolis, 10km;

• Natal, 6,8 km;

• Maceió, 15km;

• Teresina, 15km;

• Patos de Minas, 20km;

• Belém, 30km.

Goiânia cidade plana, apresenta condições ideais para a implantação de uma


63

rede de ciclovias. O uso de bicicletas como opção para o meio de transporte indi-
vidual não motorizado, deve ser estimulado.

Dados históricos mostram que nas primeiras décadas de implantação da ci-


dade o uso da bicicleta era intenso, sobretudo nos deslocamentos em função do
trabalho e do lazer, constituindo-se em um hábito adotado pela população.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Na década de 80 o Município iniciou às margens do Córrego Botafogo, que
corta o centro da cidade, a implantação de uma ciclovia. No entanto, o projeto foi
inviabilizado devido, a implantação antecipada da ciclovia em detrimento da infra-
estrutura das vias como um todo. A falta de continuidade na implantação, o alto
custo gerado em conseqüência da incompatibilidade da implantação.

Com a implantação antecipada e depois interrompida, a ciclovia foi invadida


por posseiros urbanos que passaram a usar a pista, para o acesso aos barracos. Mais
tarde, com a retirada dos posseiros foi implantada a Marginal Botafogo no local sem
o resgate da ciclovia.

Os estudos e pesquisas realizados para a elaboração do Plano Diretor Setorial


de Transporte Coletivo identificaram que atualmente, uma parcela da população de
Goiânia utiliza a bicicleta como meio de transporte. Destacando a população de
menor poder aquisitivo, moradores das áreas mais periféricas da cidade e conside-
rando também o grande acesso originado das demais cidades da Região Metropo-
litana.

2 . S itua ç ã o atual

Estima-se que a malha viária atual de Goiânia está dimensionada em 4.649.538.77


m, aproximadamente, segundo dados estatísticos catalogados na Diretoria de Pro-
jetos (Setor de Geoprocessamento) da Superintendência Municipal de Trânsito de
Goiânia.

A capital tem uma frota aproximada de 700 mil veículos registrados, para uma
população estimada em 1.200.000 habitantes, indicando uma taxa de motorização
de 1,7 habitantes por veículo, relação significativa no contexto do trânsito. Essa
realidade gera níveis ruins de mobilidade em determinados períodos e, comprova-
damente, em alguns corredores, como a av. 85, rua 9 , av. Assis Chateaubriand, av.
Independência, av. T-9, entre outros.

Atualmente, a rede viária básica conta com 455 cruzamentos semaforizados,


equipados com 373 controladores eletrônicos, capazes de gerenciar o trânsito em
diversos planos, atendendo às distintas demandas. Porém, ainda trabalha com 82
64

semáforos eletromecânicos, equipamentos limitados para as exigências da realidade


goianiense. Dispõe, também, de sinalização vertical para orientação dos usuários,
com 2.000 placas indicativas distribuídas na malha viária da cidade e sinalização
horizontal em vários cruzamentos.

Para travessia de pedestres já foram implantadas 2.600 faixas, 1.200 unidades


em meio de quadra e as demais em 418 cruzamentos semaforizados, dos quais, 107
marcam tempo específico para travessia de pedestres. Das faixas em meio de qua-
dra, 37 são equipadas com botoeiras acionadas diretamente pelo transeunte, onde
o fluxo de veículos é intenso e não há brechas que possibilitem travessia em segu-
rança. Aproximadamente 50% das faixas de pedestre dispõem de rebaixamento de
guias nas calçadas e canteiro central facilitando os deslocamentos. Paralelamente a
esses dispositivos veiculam-se campanhas de educação para o trânsito.

Goiânia conta com seis passarelas nas rodovias, calçadão em três trechos de
vias no Setor Central, pistas para cooper (parcialmente acessíveis) e áreas para gi-
nástica em vários bosques e praças da cidade.

As intervenções implantadas no espaço urbano para a melhoria do trânsito


são ainda insuficientes não atingindo toda a cidade, ainda percebe-se pontos de
estrangulamentos que necessitam de investimentos.

A cidade de Goiânia tem posição estratégica no Estado de Goiás e na Região


Centro-Oeste do país, para o transporte de cargas,.A cidade se destaca não só pela
posição geográfica centralizada, mas pela infra-estrutura existente, principalmente
viária que a ela converge. Agrega um significativo quantitativo populacional e por ser
cidade pólo da região concentra várias atividades de produção econômica como:
industrias, comércio e serviços.

O planejamento identificou na década de 80 o tráfego significativo do trans-


porte de carga que circulava pela cidade, seja para o escoamento da produção do
Estado para o Sul do país, seja pela própria necessidade da região e Estado. Isso
resultou na proposta de implantação da Av. Perimetral Norte, que interliga as rodo-
vias da região oeste/sudoeste a Br-153 a leste do município.

A Av. Perimetral retirou parte do tráfego pesado de caminhões do centro da


cidade e criou um pólo de atacadistas, destacando as transportadoras, entre outras
atividades de maior porte.

O Governo do Estado de Goiás por meio da Secretaria de Estado de Infra-


estrutura – SEINFRA elaborou estudo referente ao transporte rodoviário objetivando
cadastrar, diagnosticar e planejar este sistema de transporte.

Para a Região Metropolitana de Goiânia o estudo identificou a necessidade de


criação de um anel rodoviário no entorno da capital, cujo principal objetivo será
65

conter o tráfego de veículos pesados (carga) no município de Goiânia.

A implantação deste Anel Rodoviário Metropolitano deverá amenizar o fluxo de


veículos pesados, que trafeguem na capital do estado em até 17%, sobretudo nos
trajetos internos a área urbanizada entre o trecho da Br-153, que corta a cidade.
Entretanto, após a implantação do Anel Rodoviário Metropolitano e o seu efetivo

Mobilidade, acessibilidade e transporte


funcionamento dependerá das medidas de engenharia de tráfego a serem adota-
das, principalmente no que se refere à sinalização regulamentar.

O Anel Rodoviário Metropolitano proposto, que parte já encontra-se implan-


tado, tem como principal função receber e distribuir o tráfego pesado de carga, in-
tegrar a Região Metropolitana e ligar as Rodovias que dão acesso a todas as regiões
de Estado.

A mobilidade urbana é responsabilidade do poder público municipal, que


atua por meio dos órgãos direta ou indiretamente ligados ao trânsito e ao transporte
coletivo. A Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) vem implementando ações
que visam minorar o conflito entre veículos e pedestres e viabilizar deslocamentos
seguros na cidade. Nesse sentido, para disciplinar e fiscalizar a circulação de pedes-
tres em calçadas e passeios públicos utiliza o Código de Trânsito Brasileiro e suas
regulamentações.

O Código de Trânsito Brasileiro dispõe de normas de conduta direcionadas


à utilização das calçadas. A legislação especial estabelece normas gerais e critérios
básicos para a promoção da acessibilidade, de maneira particular, das pessoas com
restrição de mobilidade, para a aprovação de projetos de arquitetura e urbanismo,
de comunicação e informação, de transporte coletivo e para a modificação de qual-
quer edificação.

As normas nacionais estabelecem critérios e parâmetros técnicos a serem ob-


servados quanto ao projeto, construção, instalação e adaptação de edificações,
mobiliário, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.

A transição do espaço destinado a veículos e a pedestres foi identificada com


a utilização de marcas viárias previstas no Manual de Sinalização de Trânsito do De-
natran, órgão executivo do Contran, que também regulamenta a sinalização viária
horizontal e vertical.

A acessibilidade é garantida por lei federal, assim como o direito à educação,


ao trabalho, à igualdade de oportunidades e à cidadania, e deve ser incorporada,
principalmente, ao cotidiano das comunidades de menor poder aquisitivo e social,
mediante ações que a efetivem.

Refere-se à acessibilidade as edificações, mobiliário, espaços e equipamentos


urbanos onde, a Associação Brasileira de Normas Técnicas elaborou normas a se-
66

rem incorporadas às edificações, a ABNT NBR9050, revisada na segunda edição de


31/05/2004, válida a partir de 30 de Junho de 2004.

O objetivo é promover mudanças no padrão de comportamento das pessoas


e possibilitar condições mínimas de utilização das edificações de uso público, mes-
mo que de propriedade privada, como, por exemplo, as destinadas à educação,
saúde, cultura, culto, esporte, lazer, serviços, comércio, indústria, hospedagem, tra-
balho, reunião e as de uso multifamiliar, nas áreas comuns de circulação e, também
as unifamiliares.

Historicamente, quanto à ocupação do uso do solo na cidade, as atividades


de comércio e serviços vem sendo implantadas ao longo das vias principais e de
maior fluxo de veículos.

Esta tendência se fortaleceu a partir da década de 70, com a edição da Lei


de Zoneamento Lei nº 5.019/75, indicando nas vias de ligação entre centro/bairros
o uso dos lotes lindeiros para serem destinados a uso misto, ou seja implantação
de comércio e serviço no térreo e habitação coletiva nos andares. Esta tendência se
mantém com adequações na década de 80 e 90.

O Plano Diretor de 1992, em vigor, propõe a hierarquização da rede viária


existente em vias expressas, arteriais, coletoras, locais e de pedestre e condiciona a
instalação de atividades de comércio e serviços nas vias arteriais e coletoras e elimi-
nou da rede viária básica o acesso às habitações coletivas.

O uso de comércio e serviços em geral não prejudica a fluidez do tráfego de


veículos, o que incomoda a sua fluidez são: as irregularidades - parada em locais
inadequados; parada em fila dupla; o acesso ao estacionamento de veículos no
recuo de 5m frontal. Na década de noventa, esse recuo passou a ser liberado para
estacionamento de veículos, com piso permeável, que além de prejudicar o trânsito
e o pedestre compromete a paisagem urbana.

O que tem comprometido o tráfego de veículos são os empreendimentos con-


siderados como pólos geradores de tráfego, com capacidade de produzir e atrair
expressivos deslocamentos de pessoas ou bens. Como interferem drasticamente na
mobilidade urbana, o controle de sua implantação é fundamental para minimizar
ou eliminar os impactos indesejáveis sobre os sistemas de transporte e trânsito da
sua área de influência, são classificados e estão distribuídos na cidade, conforme as
tabelas ao lado.
67

Mobilidade, acessibilidade e transporte

Amparados pela Resolução do Conama n° 001, de 23 de janeiro de 1986 (D.


Oficial - 17/02/86), os órgãos executivo de trânsito e rodoviário têm a capacidade
para adotar os procedimentos necessários para tratamento efetivo dos pólos gera-
dores de tráfego, fazendo com que eles sejam implantados sem causar conseqüên-
cias indesejáveis à fluidez e à segurança do trânsito.

A reestruturação do Aeroporto de Goiânia exige uma reestruturação da rede


vária do entorno. Os estudos necessários para esta reestruturação acontecem con-
comitantes à implantação das obras do Aeroporto sendo necessário, portanto via-
bilizar parcerias e recursos necessários para implantação das adequações viárias
necessárias.
68

O Corredor Leste/Oeste em fase de implantação fará a ligação com a Br -153,


proporcionando ao aeroporto o acesso com menor percurso e, portanto maior ra-
pidez.

O trafego de ônibus intermunicipal em geral não causa transtornos na circula-


ção de veículos da cidade, pois os itinerários pré-estabelecidos procuram evitar os
gargalos do trânsito. Observa-se, entretanto o contrário o trânsito caótico da cidade
cria, às vezes, empecilho à circulação de ônibus coletivo e intermunicipal.

Os ônibus são elementos importantes para o deslocamento das pessoas nas


áreas urbanas do Brasil. Eles compõem o meio predominante de transporte coletivo,
muitas vezes, o único serviço público de deslocamento disponível para as pessoas.
A grande maioria da população urbana brasileira ainda depende dessa frota
para o atendimento de suas necessidades cotidianas de deslocamento. Assim, a di-
nâmica socioeconômica das cidades brasileiras está estreitamente vinculada a uma
performance eficiente e eficaz do serviço rodoviário urbano regular.

Recentemente, a facilidade de aquisição de veículos automotores particula-


res aliados à queda de qualidade do transporte público da Região Metropolitana
de Goiânia levou grande parte da população a prescindir do Sistema Integrado de
Transporte Coletivo. Esse fato corrobora a deterioração da vida urbana, pois, seme-
lhante aos habitantes das grandes metrópoles brasileiras, o goianiense sofre com a
falta de qualidade de vida, caos no trânsito, poluição e aquecimento do microclima
da cidade.

Aproveitando-se das deficiências do serviço de transporte coletivo - em es-


pecial a estagnação da rede de transportes, a insatisfação com o atendimento inte-
grado e o desconforto nos terminais - o serviço alternativo se apresentou como uma
“solução” de atendimento à população. Para o sistema de transporte constituído
essa circunstância representou o rompimento do equilíbrio entre custos e receitas,
pois se estabeleceu um quadro de disputa pelo mercado. É uma situação ampla-
mente conhecida e com resultados negativos.

As ações públicas de contenção da informalidade ocorreram no final de 1998


e, após quase dois anos de discussão, os principais agentes do transporte coletivo
na Região Metropolitana de Goiânia – operadores da iniciativa privada, operadores
públicos, operadores do denominado “transporte alternativo”, órgãos setoriais do
governo do Estado e do município de Goiânia e agentes representantes da comu-
nidade – chegaram a uma meta comum, qual seja, a reestruturação do transporte
coletivo como um todo.

A Constituição Federal de 1988 consolidou a tendência de considerar o trans-


porte público urbano e metropolitano como uma questão local, estabelecendo que
compete à União “instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive ha-
69

bitação, saneamento básico e transportes urbanos” (inciso XX, art. 21), bem como
legislar sobre diretrizes da política nacional de transportes (inciso IX, art. 22); com-
pete aos estados, no caso das regiões metropolitanas, o planejamento e execução
dos serviços públicos de interesse comum e aos municípios “organizar e prestar
diretamente sob regime de concessão, os serviços públicos de interesse local, in-

Mobilidade, acessibilidade e transporte


cluindo o transporte coletivo, que tem caráter essencial” (inciso V, art. 30).

Para reestruturar o serviço de transporte coletivo, em 2001 foi criado o Grupo


Executivo de Gestão da Rede Metropolitana de Transportes Coletivos (GETRANS),
com o objetivo de dar uma nova modelagem institucional, implantar, controlar e
gerir o Projeto de Reestruturação do Sistema de Transporte da Rede Metropolitana
de Transporte Coletivo.

Por meio da Lei Complementar 34/2001, foi criada a Companhia Metropo-


litana de Transporte Coletivo (CMTC), uma sociedade com capital dos municípios
integrantes da região metropolitana e do estado de Goiás, conferindo ao município
de Goiânia 50% da participação, ao estado 25% e aos demais municípios da Região
Metropolitana de Goiânia os outros 25%.

Assim, ficou instituído o compartilhamento da responsabilidade de gestão en-


tre todos os entes envolvidos e criou-se um efetivo órgão máximo – a Câmara Deli-
berativa de Transportes Coletivos (CDTC).

A CMTC assumiu a Gestão, implementação e a modernização do transporte


coletivo de Goiânia, cidade que é pioneira na implantação de corredor exclusivo de
transporte coletivo, via com faixa exclusiva para a circulação de veículos, oferecen-
do transporte de qualidade (Eixo Anhanguera Leste Oeste – Corredor Diametral – Li-
nha Troncal). Dessa forma, o usuário desfruta de viagens rápidas, tempo de espera
reduzido nos pontos de embarque e desembarque (PED) e menor tempo de viagem
até seu destino – uma referência de inclusão social.

A topografia plana da capital constitui-se em um privilégio. Além disso, possui


uma malha viária com várias avenidas largas, que praticamente interligam todas as
regiões. Apesar disso, Goiânia não foi contemplada com novos investimentos para a
criação de outros corredores de transporte, sobretudo com eixos exclusivos.

Conseqüentemente, com o passar dos anos, gerou-se uma grande demanda


ao longo do único eixo existente na Av. Anhanguera. A partir de 2004, a gestão
pública do transporte coletivo voltou a desenvolver projetos, ainda incipientes, vol-
tados ao transporte público coletivo.

Atualmente, o Sistema Tronco Alimentado é a prática de transporte coleti-


vo efetivada na Região Metropolitana de Goiânia. Consiste na operação de linhas
alimentadoras que transportam os usuários, moradores das regiões periféricas, até
70

uma estação de integração, onde fazem o transbordo para outro ônibus que realiza
o restante do percurso até o centro da cidade ou até bairros mais distantes, através
de uma linha eixo troncal, essa é a denominada integração física.

O usuário do Sistema Integrado do Transporte Coletivo da Região Metropolita-


na de Goiânia, ao efetuar a integração nas estações pode percorrer todo o sistema
com o pagamento de apenas uma tarifa, situação denominada de integração tarifá-
ria. O Sistema Tronco Alimentado, apesar do desconforto do transbordo, é o ideal
para cidades com o porte e a complexidade de Goiânia, pois o elevado número de
bairros, de habitantes e as distâncias das regiões periféricas (espraiamento) inviabi-
lizam a ligação direta da periferia com a região central.

A Região Metropolitana de Goiânia, com população estimada em 1.795.175


habitantes, tem à disposição um transporte público coletivo urbano de caráter me-
tropolitano, ou seja, dezessete municípios do entorno de Goiânia fazem parte do
Sistema Integrado de Transporte Coletivo. Com isso, os deslocamentos dos usuários
das suas residências aos diferentes destinos - trabalho, lazer, educação, saúde – e
mesmo entre os próprios municípios tornam-se viáveis.

O Sistema Integrado de Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiâ-


nia contém 18 estações de integração, das quais 11 estão localizadas no município
de Goiânia e duas outras, Cruzeiro e Garavelo, na divisa com o município de Apa-
recida. Conta, ainda, com 11 pontos de conexão e 08 empresas operadoras dis-
ponibilizam uma frota de 1417 ônibus, que, em 2005, transportaram 228.772.081
passageiros através de 249 linhas, dentre as quais, 59 linhas eixos.

A malha viária dispõe de três corredores exclusivos, Leste/Oeste e Norte/Sul


(através das vias av. Anhanguera, av. Goiás Norte, rua 84 e 90) e dois corredores
preferenciais executado em 2005, Eixo 85 por meio da av. 85 e eixo Central-manto
composto pelas vias, av. 82, av. Araguaia, av. Paranaíba e av. Tocantins) e diversas
outras vias utilizadas como eixos de transporte coletivo, porém, sem qualquer trata-
mento específico.

O transporte coletivo, devido às suas peculiaridades, não pode ser analisado


apenas no que se refere ao município de Goiânia, pois o atual Sistema Integrado de
Transporte Coletivo abrange os 18 municípios que compõem a Rede Metropolitana
do Transporte Coletivo (RMTC), dentre os quais encontram-se os 13 da Região Me-
tropolitana da Goiânia (RMG).

Portanto, as ações que visam propiciar melhorias alcançam todo o sistema em


operação e, por conseguinte, beneficiam todos os usuários do Sistema Integrado de
Transporte Coletivo da Região Metropolitana de Goiânia (SIT-RMG).
71

3 . C enário D ese j ado

A mobilidade é, sem dúvida, o elemento balizador do desenvolvimento urba-


no. Proporcionar mobilidade para todas as classes sociais constitui uma ação essen-

Mobilidade, acessibilidade e transporte


cial do processo de desenvolvimento socioeconômico das cidades. Para que isso se
concretize é essencial viabilizar o deslocamento de pessoas e produtos.

Para indicar as propostas do eixo temático Mobilidade, Acessibilidade e Trans-


porte, identificou-se quatro temas que correspondem às demandas sociais relevan-
tes da capital. São eles:

1. Planejamento e hierarquização da macro rede viária e melhorias na


rede viária existente, criação de novos corredores de tráfego e
áreas de estacionamentos.

2. Sistema de transporte público com melhorias nos corredores, inte-


gração de modais e operação do sistema de transporte público.

. Sinalização viária e gerenciamento do trânsito.

4. Acessibilidade com adequação de calçadas, edificações, sinaliza-


ção especial e educação sobre a acessibilidade.

A ampliação e integração da rede viária da cidade e o aperfeiçoamento do


sistema de transporte, priorizando o transporte coletivo, é condição básica para
garantir a mobilidade e acessibilidade a todos os grupos sociais, sobretudo os que
têm deficiências físicas e também outras e os economicamente desfavorecidos.

Conforme estudos realizados com a implantação da macro rede viária e ade-


quações propostas, como também a implantação e funcionamento dos corredores
exclusivos de transporte coletivo Leste/Oeste, Goiás, T-9, T-7 e o Corredor Muti-
rão, as necessidades de deslocamentos por modo coletivo de média capacidade
estarão atendidas, assegurando a mobilidade e acessibilidade ampla e satisfatória
a todos os bairros que compõem a cidade, bem como a Região Metropolitana de
Goiânia.

Para a circulação de veículos individuais, conta-se com as marginais Botafo-


go, Capim Puba e parte da Cascavel. Além disso, deve-se implantar o restante da
Marginal Cascavel e consolidar a Marginal Leste, a Perimetral Oeste e a Marginal Bar-
reiro. Essa última, com 45 m de largura em toda a sua extensão, será interligada ao
Corredor T-8, através da Perimetral Leste, e receberá todo o tráfego da região sul,
aumentando a sua fluidez e melhorando o trânsito de uma das regiões com maior
movimentação de veículos, devido ao alto poder aquisitivo dos seus moradores.
72

Na adequação da rede viária são necessárias inúmeras intervenções que estão


indicadas e serão detalhadas em projetos específicos, dentre os quais:

• passagem em desnível elevado – viadutos, túneis, trincheiras;

• duplicações com ou sem desapropriações;

• prolongamento de vias existente;

• melhorias de cruzamentos, canalizações e obras de melhorias viá-


rias;

• obras de arte - bueiros e pontes.

Para a implantação da rede viária proposta, o Estatuto da Cidade disponibiliza


inúmeros instrumentos que poderão ser utilizados para atingir os objetivos espera-
dos, entre eles destacam-se:

1. Desapropriação – instrumento mais antigo e mais utilizado no caso


de alargamento e abertura de novas vias em terrenos de particula-
res.

2. Transferência do Direito de Construir – pode substituir a desapro-


priação, autoriza a transferência do direito de construir do imóvel
a ser utilizado no alargamento ou abertura de novas vias, para um
outro imóvel.

. Índice construtivo – aumento do índice construtivo em contraparti-


da à utilização de terreno para alargamento ou abertura de novas
vias, pode ser utilizado em substituição à desapropriação.

4. Parcerias entre o poder público e a iniciativa privada.

5. Previsão de verba para implantação de obras da rede viária propos-


ta no orçamento anual do município.

6. Implantação da contribuição por melhorias nas áreas que sofreram


investimentos do poder público.

. Busca de recursos nacionais e internacionais.

Os projetos de racionalização, modernização e melhorias dos corredores de


transporte coletivo e das ciclovias visam a qualidade e a eficiência do serviço de
transporte público coletivo urbano, promovendo justiça social e beneficiando as
pessoas de menor renda.

Além disso, pretende-se atrair usuários de automóveis para o transporte cole-


tivo e para o uso de bicicletas, no intuito de diminuir a poluição do meio ambiente,
os congestionamentos e os acidentes de trânsito, bem como obter outros benefí-
73

cios associados à redução do número de deslocamentos por transporte individual


motorizado.

Os principais benefícios associados aos projetos de melhoria nos corredores


de transporte público urbano, coletivo e cicloviário, são a redução dos custos de
operação, do tempo de viagem, dos congestionamentos, a melhoria do conforto, o

Mobilidade, acessibilidade e transporte


aumento da segurança, a diminuição da poluição ambiental, a indução à ocupação
e ao uso racional do solo etc.

Para ligar as regiões periféricas da capital, faz-se necessária a criação de cor-


redores de transporte coletivo e cicloviário perimetrais, ou diametrais, propiciando
a cada uma dessas áreas a oportunidade de se desenvolver e de atrair investimen-
tos em infra-estrutura, lazer, educação e trabalho. Os novos recursos permitirão o
equilíbrio socioeconômico necessário ao desenvolvimento sustentável, garantindo
qualidade de vida para toda a cidade, para essa geração e para as futuras.

Deve ser dado grande destaque aos projetos de engenharia de tráfego, proje-
tos arquitetônicos e de geometrias viárias para a implantação dos corredores exclu-
sivos de transporte coletivo. Se urbanisticamente mal implantados, esses corredores
poderão segregar o território da cidade, trazendo percursos intransponíveis para
os pedestres e veículos. Para sua eficiência são necessárias pistas exclusivas, que
podem ser confinadas ou semiconfinadas.

A melhoria dos corredores de transporte coletivo pode resultar nos seguintes


impactos positivos sobre o meio ambiente: diminuição da poluição sonora, atmos-
férica, visual, do solo e das águas e redução das vibrações físicas prejudiciais aos
edifícios, obras viárias, vegetação e pessoas.

O transporte e o uso do solo estão intimamente relacionados, pois o uso do


solo demanda transporte, e o transporte disponível, por sua vez, pode influenciar na
ocupação e no tipo de uso do solo. Também, há de se considerar que a garantia de
melhor acessibilidade em determinada região tende a aumentar o valor da terra.

Os projetos de racionalização, modernização e melhorias dos corredores de


transporte coletivo e das ciclovias, refletem a análise efetuada na pesquisa Origem e
Destino (OD) realizada em 2000, expandida para 2003, e visam a qualidade e a efi-
ciência do serviço de transporte coletivo, promovendo justiça social e beneficiando
as pessoas de menor renda.

Além disso, pretende-se atrair usuários de automóveis para o transporte cole-


tivo e para o uso de bicicletas, no intuito de diminuir a poluição do meio ambiente,
os congestionamentos e os acidentes de trânsito, bem como obter outros benefí-
cios associados à redução do número de deslocamentos por transporte individual
motorizado.
74

Os principais benefícios associados aos projetos de melhoria nos corredores


de transporte público urbano, coletivo e cicloviário, são a redução dos custos de
operação, do tempo de viagem, dos congestionamentos, a melhoria do conforto, o
aumento da segurança, a diminuição da poluição ambiental, a indução à ocupação
e ao uso racional do solo etc.

Outro desejo do Plano diretor é ligar, entre si e com o centro, as regiões peri-
féricas da capital. Portanto, faz-se necessário a criação de corredores de transporte
coletivo e cicloviário perimetrais, ou diametrais, propiciando a cada uma dessas
áreas a oportunidade de se desenvolver e de atrair investimentos em infra-estrutura,
lazer, educação e trabalho. Estes investimentos em transporte proporcionarão o
equilíbrio socioeconômico necessário ao desenvolvimento sustentável, garantindo
qualidade de vida para toda a cidade, para essa geração e para as futuras.

Deseja-se também o tratamento urbanístico em termos de qualidade de en-


genharia de transportes e de arquitetura da paisagem local na implantação dos
corredores exclusivos de transporte coletivo com resultados positivos em relação
ao meio-ambiente: diminuição da poluição sonora, atmosférica, visual, do solo e
das águas e redução das vibrações físicas prejudiciais aos edifícios, obras viárias,
vegetação e pessoas.

O que não se deseja é a implantação de corredores segregadores do territó-


rio da cidade, configurando -se como obstáculos que prejudicam a mobilidade de
pedestres e veículos.

O transporte e o uso do solo estão intrinsecamente relacionados. O adensa-


mento dos Eixos Exclusivos em termos habitacionais e de atividades econômicas é a
forma urbanística de preparar a cidade para a implantação no futuro de transporte
de alta capacidade.

Os estudos realizados pelo Plano Diretor de Transporte Urbano-PDTU prevêem


que a população Região Metropolitana de Goiânia em 2016 será de 2.460.000 ha-
bitantes. O Plano Diretor deseja que a acomodação de parte desta população seja
ao longo dos Eixos Exclusivos e Preferenciais.

O Sistema Tronco Alimentado deverá ser mantido e operado com 1.850 ôni-
bus que efetuarão o transporte de, aproximadamente, 330.500.000 passageiros por
ano.

Em essência, tratar a mobilidade urbana na cidade de Goiânia é tratar o trans-


porte coletivo. Atualmente, é inegável o esgotamento das soluções de mobilidade
baseadas no uso do veículo individual, embora a cidade esteja longe de dispor de
um serviço de transporte coletivo de qualidade.

Em relação à sinalização específica, pode-se dizer que sua finalidade é a in-


75

dicação dos acessos adequados ao sistema de transporte coletivo, a direção de


percurso ou a distribuição espacial dos diferentes elementos de um edifício, indi-
cando entradas, áreas e vagas de estacionamento de veículos, áreas acessíveis de
embarque e desembarque, sanitários, áreas de assistência para resgate, áreas de
refúgio, saídas de emergência e áreas reservadas para cadeira de rodas.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Quanto às pessoas com restrição de mobilidade, a sinalização deve apontar
os equipamentos exclusivos para o seu uso, as entradas inadequadas e a localização
do acesso mais próximo que atenda às condições estabelecidas em norma, bem
como indicar e identificar espaços, edificações, mobiliários e equipamentos urbanos
onde existem elementos acessíveis ou utilizáveis.

Outras informações essenciais aos espaços acessíveis nas edificações, no mo-


biliário, equipamentos urbanos e vias, podem e devem ser sinalizadas de diferentes
formas: visual, tátil e sonora. Podem, ainda, ser permanentes, direcionais, emergen-
ciais e temporárias.

A consciência de que a mobilidade e acessibilidade são elementos transfor-


madores e fatores importantes na formação da cidadania, deve ser promovida via
educação, do ensino fundamental ao superior, por meio de planejamento e ações
integradas entre os diversos órgãos do Sistema Nacional de Trânsito (SNT) e do Sis-
tema Nacional de Educação (SNE), interdisciplinarmente, e entre o estado e o muni-
cípio. Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, a educação para o trânsito é direito
de todos e a sua promoção é dever prioritário dos gestores do Sistema Nacional.

4 . D iretri z es

O Eixo Estratégico Mobilidade, Acessibilidade e Transporte tendo em vista os


conceitos relatados acima, tem como objetivo geral o bem estar e a melhoria da
qualidade de vida de todas as pessoas que habitam Goiânia.

Considerada como “Metrópole Regional”, a capital é centrada na região Cen-


tro-Oeste do país, envolvida por várias cidades integrantes da região metropolitana
e pólo de desenvolvimento econômico do estado de Goiás.

Essa complexidade deve ser compreendida para que se possa atender à de-
manda gerada e garantir a mobilidade e acessibilidade aos espaços urbanos e não
urbanos da região, minimizando os transtornos já sentidos, por meio da redefinição
da rede viária, que deverá ser adequada a curto e médio prazo.

Nesse sentido, foram traçadas as seguintes Diretrizes:


76

1. Implementar novas vias estruturadoras de 1° e 2° níveis que, inte-


gradas às marginais e eixos existentes, compõem as vias expressas,
que são rotas de fluxo intenso de veículos com interseções de nível
e em nível, o que lhes propiciam desenvolver maiores velocidades.
Sua principal função é fazer a ligação entre regiões. Pelas suas ca-
racterísticas se classificam em expressas de 1a categoria, 2a cate-
goria e 3a categoria.

2. Implantar novas vias arteriais que, integradas às já existentes, são


responsáveis pela estruturação do tráfego urbano, pois atendem à
circulação geral. Na sua maioria, são vias de pista dupla com cantei-
ro central ou de pista única, mas com sentido duplo de tráfego. Sua
principal função é absorver o tráfego de passagem. Por suas carac-
terísticas se classificam em arteriais de 1a categoria e 2a categoria.

. Estabelecer novas vias coletoras que, integradas às já existentes,


recebam o tráfego das locais e o direcionem para as de categorias
superiores.

4. Realizar melhorias na Macro Rede Viária Básica do Município, por


meio da criação de novos corredores de tráfego, já identificados
pelos órgãos competentes, tendo em vista a sua articulação com a
região metropolitana, possibilitando, assim, um menor deslocamen-
to de pessoas e mercadorias.

5. Construir passagens em desnível (elevados, viadutos, túneis, trin-


cheiras); obras de arte (pontes, bueiros); obras de melhorias viárias
(prolongamentos, duplicações), com e sem desapropriações de
vias, e melhorias de cruzamentos (canalizações e obras de recupe-
ração viária).

6. Identificar as deficiências de oferta de estacionamentos, buscando


parcerias para a implantação de edifícios garagem, estacionamen-
tos subterrâneos e áreas abertas.

. Duplicar e modernizar as rodovias municipais, estaduais e federais


que dão acesso ao território do município de Goiânia.

8. Instituir, planejar e implantar, com espaços adequados, uma rede


de ciclovias na malha da cidade e prever um conjunto de ações que
garantam a segurança dos ciclistas nos deslocamentos urbanos.

9. Promover a integração das bicicletas aos sistemas de transporte co-


letivo, visando reduzir o custo de deslocamento, principalmente da
população de menor renda.
77

10. Realizar campanhas permanentes de utilização da bicicleta, enfati-


zando seu caráter de transporte saudável, econômico e ecológico.

11. Oferecer maior segurança na circulação e no estacionamento das


bicicletas.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


12. Plantar árvores ao longo das ciclovias, oferecendo sombreamento
e proteção ao ciclista, além de contribuir na humanização da cida-
de.

1. Apoiar e orientar tecnicamente os órgãos de gerência de trânsito


e transportes urbanos, para que possam absorver o significado das
medidas a serem adotadas na implementação das ciclovias.

14. Fazer campanhas promovendo o cicloturismo nos parques e áreas


verdes da cidade.

15. Incentivar a fabricação de bicicletas em função do incremento das


ciclovias e ciclofaixas.

16. Fomentar a organização de comunidades ciclísticas.

1. Difundir o conceito de mobilidade urbana sustentável, estimulando


os meios não motorizados de transporte, inserindo-os no desenho
urbano.

18. Permitir a inclusão social, mediante a definição de políticas de trans-


porte direcionadas para as famílias de baixa renda, que promovam
maior acesso às oportunidades oferecidas pela vida urbana.

19. Implantar corredores exclusivos para o transporte coletivo, com


pistas restritas para o tráfego de ônibus, de forma a priorizar e ga-
rantir a qualidade do transporte público.

20. Estabelecer corredores preferenciais para o transporte coletivo


com pistas reservadas para o tráfego de ônibus.

21. Implementar estações de integração, estações de conexão, esta-


cionamentos e bicicletários em algumas estações de transbordo.

22. Requalificar os transbordos e as transferências modais e intermo-


dais, segundo as demandas de deslocamento da população.

2. Desenvolver, no âmbito das instituições metropolitanas de gestão


do transporte coletivo (CTDT e CMTC), modelo de financiamento
e custeio para a infra-estrutura (corredores, terminais e estações)
incluindo recursos públicos e privados.
78

24. Reestruturar o transporte coletivo em toda a sua abrangência - físi-


ca e tecnológica de alta, baixa e média capacidades - bem como o
transporte seletivo em suas várias modalidades.

25. Tomar a Rede Unificada de Transporte Coletivo Metropolitano


como fonte conceitual determinante para o planejamento, opera-
ção e gestão dos serviços de transporte público.

26. Afirmar o caráter de serviço público do transporte coletivo, ado-


tando o Plano Diretor Setorial de Transporte Coletivo como instru-
mento de planejamento estratégico para as ações de gestão públi-
ca.

2. Qualificar o serviço de transporte prestado nos campos tecnoló-


gicos (frota e sistemas); operacional (modelo de controle e de or-
ganização dos serviços prestados pelas operadoras, operação e
manutenção dos terminais e estações); rede (articulações de linhas)
e infra-estrutura, visando maior regularidade, menor lotação, mais
conforto e menos tempo gasto pelas pessoas nas viagens.

28. Promover, no âmbito das instituições metropolitanas de gestão do


transporte coletivo (CMTC), a discussão do modelo tarifário, propi-
ciando a modicidade das tarifas, a ampliação do acesso à cidade,
a inclusão social e a sustentabilidade econômica do serviço pres-
tado.

29. Manter o modelo físico-operacional da rede integrada, porém com


qualificação do sistema de integração e ampliação das alternativas
funcionais de integração, mediante a utilização dos recursos do SIT-
Pass (integração espacial, ou por “janela de tempo”).

0. Adequar a estrutura do transporte coletivo às modificações de-


mográficas, econômicas e urbanas, passíveis de previsão, para os
municípios conurbados da RMG.

1. Adotar soluções de infra-estrutura viária que garantam prioridade e


primazia para o transporte coletivo na circulação.

2. Garantir condições econômicas adequadas para manter tarifas mó-


dicas e o equilíbrio econômico-financeiro das atividades de presta-
ção dos serviços.

. Promover a atualização tecnológica, mediante pesquisa e incentivo


para adoção de veículos coletivos com menor emissão de poluen-
tes e reduzido consumo de combustíveis não renováveis.
79

4. Prevenir problemas ambientais urbanos que possam decorrer da


falta de ações de adequação da rede de transporte e da saturação
das vias principais, com reflexos na emissão de poluentes e na ge-
ração de ruído.

5. Obter instrumentos de suporte técnico para a racionalização do

Mobilidade, acessibilidade e transporte


sistema de transporte coletivo.

6. Padronizar, ampliar e adequar a sinalização vertical, horizontal e


especial das vias.

. Aumentar a oferta de estacionamentos públicos e privados, esti-


mulando a criação de novos espaços, como a área azul, edifícios-
garagem, estacionamentos subterrâneos, entre outros.

8. Instituir horário flexível de funcionamento das atividades econômi-


cas e programas de animação, proporcionando maior aproveita-
mento da capacidade do transporte público e diminuição da con-
centração de veículos nas vias.

9. Adequar as calçadas para atender ao fluxo de pedestres da cidade


e os espaços públicos para responder às necessidades das pesso-
as, sobretudo as com dificuldades de locomoção.

40. Adequar a rede viária e os equipamentos de transporte coletivo,


visando o atendimento de todas as pessoas e em especial com mo-
bilidade reduzida e deficiências.

41. Regulamentar e implementar as ações relativas à mobilidade e aces-


sibilidade dos cidadãos, em especial os com mobilidade reduzida
e outras deficiências quanto à acessibilidade em escolas, parques,
acessos a edificações, banheiros públicos, etc.

42. Revisar a legislação para efetivar e aprimorar os instrumentos de


fiscalização e a renovação de licença do uso e ocupação do solo
urbano. O objetivo é minimizar as interferências negativas na área
de influência do pólo gerador de tráfego.

4. Revisar a legislação que regulamenta os instrumentos de fiscaliza-


ção, visando maior controle dos veículos de carga. Estabelecer o
perímetro de restrição da circulação dos mesmos em períodos pré-
definidos e regulamentados.

44. Concluir o Anel Rodoviário Metropolitano, visando minimizar o trá-


fego de carga na cidade e minimizando o impacto negativo que
essa circulação proporciona.
80

45. Garantir o controle dos pólos geradores de tráfego.

46. Capacitar os agentes e equipar o Departamento de Trânsito.

4. Adequar, administrativamente e fisicamente, o órgão gerenciador


do trânsito, dotando-o da estrutura necessária para otimizar as vis-
torias, detenção, pista de simulação de trânsito, acomodação da
frota e estocagem de materiais.

48. Instituir uma política de investimento que vise a capacitação, a qua-


lificação e a valorização dos recursos humanos.

49. Alocar recursos do Tesouro Municipal ou de receita específica do


órgão para atender às demandas de sinalização de trânsito e de
orientação geral, com comunicação visual tecnologicamente atua-
lizada.

50. Adotar modelos de parcerias e captação de novas fontes de recur-


sos para investimento na infra-estrutura de trânsito.

51. Adequar o Plano de Orientação de Tráfego.

52. Promover a cultura da acessibilidade em todo o município, im-


plantando o programa brasileiro de acessibilidade urbana (Brasil
Acessível).

5. Criar espaços vivenciais para crianças, fixos ou móveis, onde pos-
sam ser promovidas atividades e experiências de mobilidade sus-
tentável, utilizando-se de situações e cenários que simulem a utili-
zação de corredores de ônibus, de calçadas acessíveis e largas, de
ciclovias, de formas de integração intermodal, de travessia em nível,
de situações de congestionamento de carros em contraste com a
fluidez de ônibus, entre outros.

54. Implantar programas e campanhas de educação nas escolas, nas


ruas, nas comunidades e nas empresas, com enfoque especial para
o respeito à vida.

55. Adotar, em todos os níveis de ensino, um currículo interdisciplinar


sobre segurança e educação, com conteúdos de trânsito, mobili-
dade, acessibilidade e conceitos de Desenho Universal (conteúdo
de ergonomia e antropometria, previsto pela ABNT) nos Centros de
Formação de Condutores (CFC).

56. Capacitar professores e multiplicadores para a continuidade do


Programa de Educação para a Cidadania no Trânsito (PECT), que tem
81

por base a relação entre a educação, a cidadania e o trânsito, mos-


trando a necessidade de mudança de atitude e comportamento da
população brasileira para uma convivência harmoniosa no trânsito.

5. Garantir a educação para o trânsito desde a primeira infância e


propiciar aprendizagem continuada, utilizando metodologias diver-

Mobilidade, acessibilidade e transporte


sas para atingir diferentes faixas etárias e espectadores, levando à
discussão da cidadania nas escolas e em outros locais.

58. Assegurar que a educação para o trânsito não prepare as pessoas


apenas para serem motoristas, mas para comportarem-se como ci-
dadãos.

59. Garantir que, prioritariamente, a acessibilidade e a mobilidade des-


tinem-se ao ser humano e não aos veículos e que todos os demais
usuários da via pública sejam respeitados, principalmente os mais
frágeis - pedestres, ciclistas, idosos, pessoas com limitações loco-
motoras e outras em geral.

60. Implantar na grade curricular do ensino fundamental a matéria “edu-


cação para o trânsito”.

61. Garantir cursos de direção defensiva para o trânsito, direcionados


aos adultos condutores e não condutores, especialmente os moto-
ristas de ônibus.

62. Veicular, nos meios de comunicação, campanhas educativas e inci-


sivas, para reforçar a cultura do trânsito.

6.. Promover parcerias junto aos órgãos responsáveis, para possibili-


tar que as pessoas que cometeram crimes contra o trânsito paguem
penas alternativas educativas.

5 . P roposta

Em função da caracterização da situação atual, a política para a Mobilidade,


Acessibilidade e Transporte do Município de Goiânia tem por objetivo promover
ações para garantir a mobilidade urbana sustentável, entendida como: acesso am-
plo e democrático ao espaço urbano, redutora da segregação espacial, promotora
da inclusão social e do desenvolvimento urbano, e que favoreça a sustentabilidade
ambiental e a acessibilidade universal através das seguintes Diretrizes:

I- Prioridade ao transporte coletivo, aos pedestres e as bicicletas.


82

II- Valorização da bicicleta como um meio de transporte e integrando-


a com os modos de transporte coletivo.

III- Estruturação da rede viária com prioridade para a segurança, a qua-


lidade de vida e a integração territorial do Município.

IV- Garantir a segurança das pessoas, a capacidade operacional da rede


viária e a observância das prioridades de circulação, organizando,
disciplinando e fiscalizando o trânsito no território municipal.

V- Promoção da difusão dos conceitos de trânsito seguro e humaniza-


do e de mobilidade sustentável.

VI- Tornar a calçada espaço público por excelência, garantindo a circu-


lação de pedestres de forma segura e confortável.

VII- Facilitar a mobilidade das pessoas, em especial as com necessida-


des especiais ou com restrição de mobilidade, permitindo acesso à
cidade e aos serviços urbanos.

Para garantir o objetivo e as diretrizes propostas, foram identificados quatro


temas que por sua relevância tornaram-se programas prioritários do eixo de mobili-
dade, acessibilidade e transporte. São eles:

• Programa de Planejamento e Adequação da rede viária;

• Programa de Sistematização do Transporte Coletivo;

• Programa de Gerenciamento do Trânsito;

• Programa de Promoção da Acessibilidade Universal.

Programa de Planejamento e Adequação da Rede Viá-


ria

O programa de Planejamento e Adequação da rede viária tem como objeti-


vo específico garantir a fluidez do trafego, readequando a hierarquia funcional da
rede viária, o redesenho das características geométricas das vias, priorizando sua
utilização para o transporte coletivo, pedestres, ciclistas e o acesso controlado às
atividades econômicas lindeiras, para que a rede cumpra sua função estruturadora
do tecido urbano.
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VIAS EXPRESSAS
VIAS EXPRESSAS - PROPOSTA
VIAS ARTERIAIS
VIAS ARTERIAIS - PROPOSTA
VIAS COLETORAS
VIAS LOCAIS
VIADUTOS/TÚNEL/TRINCHEIRAS
PASSAGEM EM DESNÍVEL
CANALIZAÇÕES DE TRAFEGO E MELHORIAS NO CRUZAMENTO
BUEIROS/PONTES
LIMITE DO MUNICÍPIO
HIDROGRAFIA
TECIDO URBANO
REFERÊNCIA URBANA
REDE VIÁRIA RODOVIAS
ANEL RODOVIÁRIO METROPOLITANO

FONTE: SEPLAM/2006

REDE VIÁRIA
84

Proposta de adequação da hierarquia da Rede Viária

Embora a rede viária de Goiânia seja funcionalmente hierarquizada, torna-se


necessário revê-la, para adaptá-la às novas demandas sociais e econômicas da so-
ciedade, em relação à movimentação de pessoas e mercadorias. Para tanto, foram
consideradas para sua revisão, a análise do volume de tráfego que circula pelas
vias, as interferências nas interseções, as viabilidades de se permitir acessos aos
lotes lindeiros, a velocidade da circulação e estacionamentos junto ao meio-fio. Foi
primordial identificar qual a função que cada via desempenha e desempenhará no
futuro, em termos de fluidez de tráfego e acomodação do transporte público. A
seguir foram identificadas as características funcionais, geométricas, infra-estruturais
e paisagísticas das vias integrante da rede viária proposta para o Município. As qua-
tro categorias básicas da hierarquia atual foram mantidas, ou seja, vias expressas,
arteriais, coletoras e locais que, reclassificadas, conforme sua importância na rede
viária existente, formam funcionalmente a rede viária básica, por serem as principais
vias da cidade.

Vias Expressas:

As vias expressas possuem a função de receber grandes volumes de tráfego e


representam uma porcentagem reduzida na soma geral dos quilômetros da rede
viária. Por apresentarem funções diferenciadas, elas foram subdivididas em vias ex-
pressas de 1a, 2 a, e 3 a categorias.

As Vias Expressas de 1a. Categoria caracterizam-se pelas interseções em desní-


vel e os acessos às atividades econômicas adjacentes são realizados através de vias
paralelas, o que possibilita o controle total dos acessos, comportando uso do solo
até grande porte. A Br-153 é a única via expressa de 1a. categoria da rede viária
básica da cidade.

As Vias Expressas de 2a. Categoria caracterizam-se pelas interseções em nível e


desnível. Possuem a função preferencial de tráfico de passagem e não proporcionam
acesso às atividades lindeiras. Foram consideradas vias expressas de 2a. categoria:
a Av. Marginal Anicuns, Av. Marginal Botafogo/Capim Puba e Marginal Cascavel e as
Rodovias GO-040, GO-060, GO-070 e GO-080. Nas Rodovias comportam uso do
solo até grande porte, por meio de vias paralelas com controle total dos acessos.

As Vias Expressas de 3ª Categorias são aquelas que atendem preferencialmente


ao tráfego de passagem. A maioria das interseções são em nível e permitem acesso
85

às propriedades lindeiras. Foram consideradas vias expressas de 3a. categoria: a


Rodovia Federal Br-060, a Rodovia Estadual Go-020, Avenida Marginal Barreiro e
seu prolongamento, Avenida Perimetral Norte, Av. T-63 e seu prolongamento e o
Anel Rodoviário Metropolitano. No caso do Anel Rodoviário Metropolitano somente
poderá acontecer atividade econômica em vias paralelas.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Vias Arteriais:

As vias arteriais possuem dupla função na rede viária básica proposta: garantia
da fluidez do tráfego e acessibilidade às atividades econômicas lindeiras. Por suas
características foram classificadas em vias arteriais de 1a e 2 a categorias.

As Vias Arteriais de 1a. Categorias possuem a função de estruturar o tecido ur-


bano por suas características de percurso longo e contínuo, tendo a maioria delas
canteiro central e podendo ser adequadas para permitir a operação de transporte
coletivo com maior capacidade. Neste caso, quando implantadas pistas preferen-
ciais serão proibidas estacionamento lindeiros de veículos.

Quando as vias arteriais se conectam entre si, definindo um percurso longo,


contínuo e estruturador, diametrais ao tecido urbano, são considerados Corredores
Viários Estruturadores. Os seguintes corredores viários após suas implantações serão
considerados vias arteriais de 1a. Categoria:

a) Corredor Anhanguera

Este corredor foi implantado em 1976 na Av. Anhanguera com a finalidade de


atender o transporte coletivo, em pista exclusiva para ônibus que corta a cidade no
sentido leste/oeste passando pelo centro. Após passar por várias reformas, atual-
mente encontra-se sendo administrado pelo Governo do Estado. Este corredor será
ampliado até a Vila Pedroso e requalificado objetivando melhorar a qualidade de
atendimento. Nos lotes adjacentes comporta uso do solo de comércio e serviço;

b) Corredor Leste/Oeste;

Este corredor será implantado no seu tramo oeste sobre a Rodovia Municipal
Gyn-024, Av. Noel Rosa, Av. La Paz, Av. Francisco Alves, Rua Félix de Bulhões e no
trecho sobre o antigo leito da estrada de ferro, que vai da Rua da Alegria na Vila
Santa Rita até o cruzamento da Av. Cerâmica no Jardim Califórnia Industrial, passan-
do pelo terminal rodoviário na região central da cidade. A função deste corredor
86

será ampliar a integração viária Leste/Oeste, através da implantação de corredores


exclusivos de transporte coletivo e retirar o tráfego de passagem, descongestionan-
do grande parte da rede viária;

c) Corredor Goiás;

Este corredor recebe o transporte coletivo desde 1990 e corta a cidade de


norte a sul passando pelo centro. O mesmo será implantado com pista exclusiva
para o transporte coletivo. No tramo centro /sul passando pela Av. Goiás; Rua 84;
Rua 90; Av. Primeira Radial; Av. Quarta Radial; Av. Rio Verde, e no tramo centro/norte
passando pela Av. Goiás Norte e seu prolongamento até o Residencial Recanto do
Bosque. Sua principal função é fazer a ligação norte/sul e receber o transporte cole-
tivo em pista exclusiva para ônibus.

d) Corredor Mutirão;

Este corredor liga a região noroeste à região sul sua necessidade foi identifi-
cada por meio da pesquisa origem destino realizada. Sua composição se faz pelas
vias: Av. Ormesina Naves; Rua Maria Aparecida; Av. Dos Ipês; Av. Lúcio Rebelo; Rua
C; Av. Maria de Melo; Av. Perne Filho; Av. Mato Grosso do Sul; Av. Dom Eduardo;
Av. Santo Afonso; Rua das Laranjeiras; Rua 2; Rua Pouso Alto (Av. Perimetral); Praça
A; Rua 210; Av. Castelo Branco; Av. Mutirão; Av. 85; Av. S-1; Rua 1112; Rua Feira de
Santana; Rua Uru e Av. Rio Verde. A principal função deste corredor é fazer a ligação
noroeste/sul e receber o transporte coletivo com pista exclusiva;

e) Corredor T-9;

Este corredor ligará a região sudoeste ao setor Universitário na região leste


da cidade, onde há grande concentração de universidades.Seu percurso inicia no
Setor Garavelo na GO-040 e segue pela Av T-9, Av. 85, Av. 82 e Av. Universitária. Sua
principal função é fazer a ligação entre regiões e receber o transporte coletivo com
pistas exclusivas para ônibus;

f) Corredor T-7;

Este corredor liga a região sudoeste até a região central passando pelas vias:
Av. Alpes, Av. Itália, Av. Belo Horizonte, Av. Araxá, Av. C17, Av. C12, Av. C4, Av. C8,
Av. T7, Av. Assis Chateaubriand, Alameda dos Buritis e Av. Gercina Borges. Sua princi-
pal função além de ligar regiões é receber o transporte coletivo com pistas exclusiva
87

para ônibus;

Estes corredores que receberão o transporte coletivo, com pista exclusiva


para ônibus, deverão ter caixa de no mínimo 36,00m. Os lotes lindeiros aos corre-
dores poderão receber o uso do solo de comércio e serviços dependendo do por-
te e do grau de incomodidade. Ao longo dos seis corredores, a serem implantados,

Mobilidade, acessibilidade e transporte


poderá acontecer maiores adensamentos considerando que a população irá utilizar
o transporte coletivo como principal modo de deslocamento.

g) Corredor T-8;

Este corredor será implantado no tramo oeste nas seguintes vias: Av. T-8; Rua
C-120; Rua C-121; Av. dos Alpes; Av. Milão e seu prolongamento até a Av.
Perimetral Oeste e no tramo leste na Av. D; Rua 87; Rua 86; Av. Fuad José Sebba;
Av. Olinda; Av. Gameleira e seu prolongamento até a Av. Marginal Leste cortando a
região sul da cidade no sentido leste/oeste, na sua parte mais adensada, que atrai
e gera maior número de viagens de veículos particulares. A principal função deste
corredor é fazer a ligação entre regiões. Nos lotes adjacentes comporta uso do solo
de comércio e serviço;

h) Corredor Perimetral Oeste;

Este corredor ligará a região sudoeste à região noroeste. Seu traçado se


localiza na região oeste, paralelo ao Anel Rodoviário Metropolitano, interno a área
urbanizada ao longo da Av. Perimetral Oeste. Sua principal função é fazer a ligação
entre regiões, voltado para a circulação geral do tráfego urbano. Nos lotes adjacen-
tes comporta uso do solo de comércio e serviço;

i) Corredor Marginal Leste;

Este corredor a ser implantado ligará a região sudeste à região nordeste. Ini-
ciando na GYN-005 até a Br-153. Seu percurso integra a Av. Marginal Leste; Av. Acari
Passos; Av. das Pirâmides no Jardim Califórnia Industrial; Av. Abel Rodrigues no Bairro
Santo Hilário e Av. José Ludovico de Almeida. Em sua maior parte não comporta
nenhum tipo de uso do solo;

j) Corredor Noroeste;

Este corredor ligará a Perimetral Norte ao Anel Rodoviário Metropolitano no


tramo noroeste. É formado pelas seguintes vias: Av. José Inácio; Av. Contorno; Av. da
88

Divisa; Av. São Domingos no Residencial Fortaleza e seu prolongamento. Sua princi-
pal função é receber o fluxo de veículos gerado na região, retirando-o da Rodovia
GO-070. Nos lotes adjacentes comporta uso do solo de comércio e serviço;

k) Corredor Pio XII;

Este corredor teve sua necessidade identificada por meio da pesquisa origem/
destino (O/D), com pista preferencial do transporte coletivo. É formado pelas vias:
Av. Mato Grosso do Sul; Av. Dom Eduardo; Rua 13 no Bairro Aeroviário; Av. Dom
Vital; Av. Pio XII; Av. Armando Godoy; Av. Aderup; Av. Pedro Ludovico; BR-060. Sua
principal função é dar fluidez ao transporte coletivo. Nos lotes adjacentes comporta
uso do solo de comércio e serviço;

l) Corredor Campus Universitário;

Este corredor ligará a Av. Perimetral Norte ao Anel Rodoviário Metropolitano


tramo norte. É formado pelas vias: Av. Nerópolis; Rodovia GO_462. Sua principal
função é dar fluidez ao tráfego gerado na região e principalmente o tráfego atraído
pelo Campus Universitário. Nos lotes adjacentes comporta uso do solo de comércio
e serviço;

m) Corredor Perimetral Norte;

Este corredor é formado pela Av. Perimetral Norte. Seu percurso vai da Br-153
a GO-070 onde ligará com o Corredor Santa Maria. A principal função deste é a
circulação de veículos pesados e de carga, direcionando-os às principais Rodovias
que chegam à cidade;

n) Corredor Santa Maria;

Este corredor ligará o corredor Perimetral Norte à Br-060. É formado pelas


vias: Av. Santo Amaro; Av. Santa Maria; Av. Frei Miguelino; Rua do Café; Alameda
Ferradura; Alameda Câmara Filho. Sua principal função é a circulação de veículos
pesados e de carga.
MAPA 2

macro rede v iária

FONTE: SEPLAM/2006
90

Para complementar a articulação da Rede Viária Básica foram designadas como


Vias Arteriais de 1ª Categoria as vias contidas no Anexo III.

As Vias Arteriais de 2a. Categoria são destinadas preferencialmente ao tráfego


de passagem, porém com menor intensidade que as vias arteriais de 1a categoria.
Possuem a característica de percurso médio, articulando os deslocamentos entre
bairros. Foram consideradas vias arteriais de 2a. categoria as vias citadas no Anexo
IV.

Vias Coletoras:

As vias coletoras têm a função de receber o tráfego das vias locais e direcio-
na-lo para as vias de categoria superior. As vias coletoras absorvem o fluxo do trá-
fego local dentro das áreas residenciais, comerciais e industriais e, em alguns casos,
atendem itinerários do sistema de transporte coletivo. Apresentam tráfego de baixa
velocidade e proporcionam acesso ás propriedades adjacentes. As interseções são
controladas por semáforos ou placas de sinalização estatigráficas. As vias coletoras
da rede viária básica de Goiânia são apresentadas no Anexo V.

Vias Locais:

As vias locais possuem a finalidade de dar acesso às propriedades particula-


res, principalmente as residências e representam 80% da quilometragem das vias ur-
banas. Por suas características funcionais, é desestimulado o tráfegos de passagem,
garantindo assim a segurança dos ciclistas e pedestres, principalmente crianças e
idosos.

A hierarquia viária se completa com a circulação não motorizada caracteriza-


da pelos passeios públicos, destinados aos pedestres, e pelas ciclovias.

Vias de pedestre - são vias secundárias ou locais não permitindo a circulação


de nenhum tráfego motorizado, destinadas à circulação exclusiva de pedestres.

Ciclovia: são pistas de rolamento destinadas à circulação prioritária de bicicle-


tas.

O Plano Diretor de Goiânia, na forma do Eixo Estratégico de Mobilidade, Aces-


sibilidade e Transporte, propõe a adequação da rede viária, através de intervenções
indicadas no Mapa 3, que são projetos específicos, detalhados pelos órgãos com-
petentes. De forma generalizada, as intervenções se caracterizam por:
• passagem em desnível elevado – viadutos, túneis, trincheiras;
• duplicações com ou sem desapropriações;
• prolongamento de vias existentes;
• melhorias de cruzamentos, canalizações e obras de melhorias viárias;
• obras de arte - bueiros e pontes.
MAPA 3

FONTE: SEPLAM/2006
MELHORIAS DA REDE VIÁRIA
92

Além dos aspectos funcionais relativos a hierarquia e adequação da rede viá-


ria, o Plano Diretor de Goiânia propõe o desenvolvimento de projetos específicos,
para adequação dos espaços públicos integrantes da rede viária em termos de cal-
çadas, arborização, iluminação, sinalização, focando os grupos sociais portadores
de necessidades especiais e a qualidade da paisagem urbana, com a finalidade de
humanizar a cidade.

O Programa de Planejamento e Adequação da Rede Viária objetiva um cenário


desejável que resulte na administração, planejamento e controle das transformações
urbanas como atribuição da administração pública, buscando a otimização do siste-
ma viário urbano, eficiência operacional e gerenciamento das ações decorrentes de
sua manutenção.

A consecução do cenário desejável dar-se-á por meio das seguintes Diretri-


zes:

I- Prioridade para os pedestres em relação aos veículos e para os ve-


ículos coletivos em relação aos particulares.

II- Sistema viário adequado, para permitir condições especiais de mo-


bilidade e acesso nas vias expressas, arteriais, coletoras e locais.

III- Rede viária básica adequada ao desempenho da rede de trans-


porte coletivo em termos de rapidez, conforto, segurança e custos
operacionais.

IV- Tráfego de veículos de cargas disciplinado, maximizando a fluidez


do tráfego.

V- Prioridade do transporte coletivo na rede viária básica, sobretudo


nos corredores de média e grande capacidade.

VI- Espaços públicos adequados para portadores de necessidades es-


peciais e pedestres, com paisagem urbana qualificada.

VII- Sistema cicloviário implantado como alternativa de transporte por


motivo de trabalho e estudo.

Programa de Sistematização do Transporte Coletivo

O Programa do sistema de transporte público definido pelo Plano Diretor de


Goiânia é articulado com o Plano Diretor Setorial de Transporte Coletivo em adequa-
ção. Para garantir mobilidade e acessibilidade a todos os grupos sociais, sobretudo
os portadores de necessidades especiais e os economicamente desfavorecidos, é
93

condição básica priorizar o sistema de transporte público sobre o individual. Para


tanto será necessário adequar a rede viária básica para atender as exigências de
operação dos diversos modais de transporte.

Este programa tem a finalidade de promover a justiça social e beneficiar as


pessoas de menor renda. As intervenções necessárias, para atingir este objetivo

Mobilidade, acessibilidade e transporte


social, são de caráter de racionalização, modernização, melhoria dos corredores
de transporte coletivo, associadas à implantação de ciclovias. Estas intervenções
promoverão a qualidade e a eficiência do transporte público urbano em Goiânia
e sua Região Metropolitana. Os principais benefícios são a redução dos custos de
operação, do tempo de viagem, dos congestionamentos, melhoria do conforto,
aumento da segurança, diminuição da poluição ambiental e indução à ocupação e
ao uso racional do solo.

Em essência, tratar a mobilidade urbana na cidade de Goiânia é tratar o trans-


porte coletivo. Atualmente, é inegável o esgotamento das soluções de mobilidade
baseadas no uso do veículo individual, embora a cidade esteja longe de dispor de
um serviço de transporte coletivo de qualidade.

O programa do sistema de transporte coletivo se viabilizará com a implanta-


ção da rede estrutural de transporte público, composta por corredores exclusivos,
corredores preferenciais, associados à implantação e, em alguns casos, requalifica-
ção de estações de integração e de conexão, à integração de modais, ciclovias,
bicicletários e estacionamentos.

Corredores Exclusivos

Os corredores exclusivos de transporte coletivo serão implantados em cor-


redores viários, previstos pela Macro Rede Viária Básica e serão adaptados no seu
desenho para permitir a circulação de ônibus em pistas exclusivas, com alto grau de
confinamento e, em alguns casos, confinamento moderado.

Nesses corredores exclusivos deverão ser utilizados veículos articulados, bi-


articulados ou veículos leves sobre trilho, onde operarão linhas de transporte cole-
tivo de maior oferta e capacidade de transporte. Nas faixas destinadas à circulação
de veículos motorizados, será vedado o estacionamento.

Os Eixos de Desenvolvimento Urbano previsto, pelo Modelo Espacial, assegu-


rarão a integração uso do solo com o transporte, através de regime urbanístico
diferenciado quanto ao adensamento e à instalação das atividades econômicas. São
considerados exclusivos, os seguintes corredores: Anhanguera, Goiás, Mutirão, T-9,
T-7 e Leste/oeste.
94

Corredor Anhangüera

É o primeiro corredor implantado em Goiânia. No seu trajeto inicial, possui 12,95


Km de extensão, ligando a Estação de Integração Padre Pelágio saída para Trindade
a Estação de Integração Novo Mundo. O Plano Diretor propõe uma expansão para
oeste de 3.9 km, até a Vila Pedroso e intervenções de requalificação de sua opera-
ção e da sua relação com a paisagem urbana lindeira.

A segregação extrema do ônibus em relação à cidade causou impacto ne-


gativo na vida econômica e social deste corredor, que deverá ser modificada com
projeto específico.

Corredor Goiás

Este corredor está em operação desde de 1990 e corta a cidade de norte a sul
passando pelo centro. O mesmo será implantado com pista exclusiva para o trans-
porte coletivo seu percurso vai da Estação de Integração Cruzeiro em Aparecida
de Goiânia até o Residencial Recanto do Bosque, com uma extensão de 30,72 Km
e com caixa de 40,00m. Sua principal função é fazer a ligação Norte/Sul e receber
o transporte coletivo em pista exclusiva para o ônibus, sua implantação tem prio-
ridade N° 1, considerando os benefícios a serem alcançados. Nos lotes adjacentes
comporta uso do solo de comércio e serviço;

Corredor Leste/Oeste

Este corredor será implantado da Rodovia Municipal Gyn-024, região oeste com
7,85 Km até o trecho sobre o antigo leito da estrada de ferro no Jardim Califórnia In-
dustrial, região leste, passando pelo terminal rodoviário na região central da cidade,
com 11,4 Km de extensão e via com 34,00m de caixa. A função deste corredor será
de ampliar a integração viária Leste/Oeste, através da implantação de corredores
exclusivos de transporte coletivo e retirar o tráfego de passagem, descongestio-
nando grande parte da rede viária. Alguns trechos desta via já estão implantados e
trechos em execução.

Corredor Mutirão

Este corredor liga a região noroeste à região sul, sua necessidade foi identifica-
da por meio da pesquisa origem e destino. Seu percurso inicia-se na região noroeste
e vai até a Av. Rio Verde na região sul da cidade, com uma extensão de 19,34 Km. A
principal função deste corredor é fazer a ligação noroeste/sul e receber o transporte
coletivo com pista exclusiva. Para que este corredor de transporte seja construído
95

necessário se faz adequar o projeto proposto nas Ruas Pouso Alto, Rua 2, Rua Laran-
jeiras, Avenida Dom Eduardo, Avenida Mato Grosso do Sul, Avenida Maria de Melo,
Rua C, Avenida Ipê, Rua Maria de Oliveira e Rua 1112 com aproximadamente 7,2 km,
utilizando os instrumentos urbanísticos previstos no Estatuto da Cidade.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Corredor T-9

Este corredor ligará a região sudoeste ao setor Universitário na região leste da


cidade. Seu percurso inicia-se no Setor Garavelo na GO-040 e segue até o Setor
Universitário, região leste com 17,14 Km e caixa de 24,00m. Sua principal função é
fazer a ligação entre regiões e receber o transporte coletivo com pistas exclusivas
para o ônibus. Para que este corredor de transporte na Avenida T-9 seja construído
faz-se necessário o seu alargamento e para sua viabilização poderão ser utilizados
os instrumentos previstos no Estatuto da Cidade.

Corredor T-7

Este corredor liga a região sudoeste até a região central com 7,87 Km e caixa de
24,00m. Sua principal função além de ligar regiões é receber o transporte coletivo
com pistas exclusivas para o ônibus. Para que este eixo de transporte seja construí-
do, deverão ser utilizados instrumentos urbanísticos previstos no Estatuto da Cidade
deverão ser utilizados, para a adequação do projeto na Av. T-7.
MAPA 4

FONTE: SEPLAM/2006

CORREDORES DE TRANSPORTE COLETIVO


EXCLUSIVO
97

CORREDOR NORTE/SUL

Estação Padrão Tipo C – Pista Exclusiva e plataforma com embarque em ambos


os lados do ônibus.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Estação Padrão Tipo C

Pista Exclusiva e plataforma com embarque do lado direito do ônibus.

Estação Padrão Tipo A

Pista Exclusiva e plataforma com embarque do lado esquerdo do ônibus


MAPA 5

FONTE: SEPLAM/2006

SISTEMA DE TRANSPORTE COLETIVO


99

Corredores Preferenciais

A rede estrutural de transporte coletivo se completa com a implantação de 19


corredores preferenciais na Rede Viária Básica da cidade. No caso, os ônibus do
transporte coletivo trafegarão por faixas que lhe darão a preferência de circulação
sobre o veículo individual, admitindo, porém, em locais específicos, ingresso de

Mobilidade, acessibilidade e transporte


outros veículos. Nas faixas preferenciais destes corredores, serão proibidos estacio-
namentos de veículos motorizados.

Os eixos de desenvolvimento urbano preferenciais, previstos no Modelo Es-


pacial, assegurarão a integração uso do solo com o transporte, através de regime
urbanístico diferenciado quanto ao adensamento, à instalação das atividades eco-
nômicas e habitação de interesse social.

O Plano Diretor propõe as seguintes ações para a implantação dos corredores


preferenciais, articulados com corredores da Rede Metropolitana de Transportes
Coletivos - RMTC fora do Município de Goiânia, como parte integrante da rede es-
trutural de transporte coletivo:

I- Corredor 1: Avenida 3ª Radial, Avenida Antônio Queiroz Barreto,


Avenida Contorno, Avenida Engler;

II- Corredor 2: Avenida Castelo Branco e Avenida Mutirão;

III- Corredor 3: Avenida Independência;

IV- Corredor 4: Rua 210 e Rua 240;

V- Corredor 5: Avenida Esperança, Avenida Pres. Kennedy;

VI- Corredor 6: Avenida T-63;

VII- Corredor 7: Avenida Eurico Viana, Avenida 2ª Radial, Avenida Emílio


Povoa, Avenida Jaime Gonzaga e Avenida Leonardo da Vinci;

VIII- Corredor 8: Avenida C-104, Avenida José Moraes Neto e Av. Aru-
ma;

IX- Corredor 9: Avenida Veneza e Avenida Bandeiras;

X- Corredor 10: Avenida 24 de Outubro e Avenida Perimetral;

XI- Corredor 11: Avenida Pio XII, Avenida Aderup;

XII- Corredor 12: Avenida Nazareno Roriz, Av. Sonnemberg, Av. Pedro
Ludovico, Av. C-15;

XIII- Corredor 13: Manto (Avenida Araguaia, Avenida Paranaíba e Ave-


nida Tocantins);
100

XIV- Corredor 14: Avenida Vera Cruz, Avenida São Francisco; Av. José
Monteiro;

XV- Corredor 15: Avenida Marechal Rondon;

XVI- Corredor 16: Avenida Bernardo Sayão;

XVII-Corredor 17: Rodovia BR-060;

XVIII- Corredor 18: Rodovia GO-060;

XIX- Corredor 19: Rodovia GYN-024;

XX- Corredor 20: Rodovia GO-070.

A construção de novos Terminais de Integração e Estações de Conexão e a


requalificação dos existentes são ações complementares importantes para a implan-
tação concreta da Rede Básica Estrutural do Transporte Coletivo.

Os Terminais de Integração são equipamentos de maior porte em que há, pre-


dominantemente, a operação de linhas com controle operacional neste local, isto
é, que nele iniciam as viagens e que constituem a base de operação da rede de
transporte.

As Estações de Conexão são equipamentos de menor porte, com operação


predominantemente de linhas de passagem, que estabelecem a articulação entre
linhas da rede de transporte provenientes de distintos corredores, oferecendo con-
dições de integração para os usuários, especialmente com o uso de produtos tari-
fários na forma de cartões eletrônicos ou bilhetes. Podendo ser instalados em espa-
ços abertos das vias, com plataformas de embarque e desembarque e sinalização
adequada.

As ações propostas de requalificar as seguintes Estações de Integração, já im-


plantados no Município e integrantes da RMTC, exceto a Estação de Integração Par-
que Oeste, que deverá ser desativada:

I- Estação de Integração Bandeiras;

II- Estação de Integração Goiânia Viva;

III- Estação de Integração Vera Cruz;

IV- Estação de Integração Padre Pelágio;

V- Estação de Integração Recanto do Bosque;

VI- Estação de Integração Dergo;

VII- Estação de Integração Praça A;


101

VIII-Estação de Integração Praça da Bíblia;

IX- Estação de Integração Novo Mundo;

X- Estação de Integração Isidória.

Mobilidade, acessibilidade e transporte


As Estações de Integração a serem implantadas no Município e incorporadas à
RMTC, são elas:

I- Estação de Integração Balneário;

II- Estação de Integração Campus;

III- Estação de Integração Guanabara;

IV- Estação de Integração Vila Pedroso;

V- Estação de Integração Flamboyant;

VI- Estação de Integração Correio;

VII-Estação de Integração Santa Rita.

As seguintes Estações de Conexão já implantadas no Município e integrantes


da RMTC, são elas:

I- Laranjeiras;

II- Mariliza;

III- Progresso;

IV- Papillon;

V- Sevene;

VI- Tiradentes;

VII- Trindade;

VIII- Fabiana.

As seguintes Estações de Conexão a serem implantadas no Município e incor-


poradas à RMTC:

I- Perimetral;

II- Vila Cristina;


102

III- Rodoviária;

IV- Praça Cívica;

V- Praça Kalill Gibran;

VI- Castelo Branco I;

VII-Castelo Branco II;

VIII-Walter Santos;

IX- Setor Oeste;

X- Setor Bueno;

XI- Correio;

XII- Jardim América I;

XIII-Jardim América II;

XIV- Jardim América III

XV- Jardim América IV;

XVI- Santa Cruz;

XVII- Bela Vista.

A implementação e a adequação e/ou implantação da Rede Básica Estrutural


de Transporte Coletivo será realizada de forma gradativa, com a participação do
Município, estabelecida de modo comum com a instância executiva responsável
pela gestão metropolitana do transporte coletivo.

A Rede Básica de Integração Intermodal de Transporte se completa pelo Sis-


tema Cicloviário e por estacionamentos de veículos integrados às estações de inte-
gração.

O Sistema Cicloviário:

É muito importante para promover a integração ao sistema de transporte co-


letivo, facilitando o acesso das pessoas às suas residências. É desejável a promoção
deste meio de transporte por sua sustentabilidade socioambiental.

O sistema é composto por dispositivos viários, sinalização e estacionamentos,


especialmente integrados à Rede Básica Estrutural de Transporte Coletivo, que aten-
dem à demanda e à conveniência do usuário da bicicleta em seus deslocamentos
103

em áreas urbanas, especialmente em termos de segurança e conforto. As vias que


compõem o Sistema Cicloviário classificam-se em:

I- Via Ciclável: são vias secundárias ou locais de pequeno tráfego mo-

Mobilidade, acessibilidade e transporte


torizado de passagem, já utilizadas de forma segura pelos ciclistas,
em complementação às ciclovias e ciclofaixas;

II- Ciclofaixa: são faixas de rolamento para bicicleta, com o objetivo


de separá-las do fluxo de veículos automotores, sempre indicada
por uma linha separadora, pintada no solo, ou ainda com auxílio de
outros recursos de sinalização;

III- Ciclovia: pistas de rolamento para bicicletas totalmente segrega-


das do tráfego motorizado com dispositivos físicos separadores,
implantadas de forma a prover maior nível de segurança e conforto
aos ciclistas.

É fundamental para a integração do sistema de transporte ao sistema cicloviá-


rio a construção de estacionamento para as bicicletas nos terminais.

Os estacionamentos para bicicletas, integrantes do Sistema Cicloviário classifi-


cam-se em:

I- Paraciclos: estacionamentos para bicicletas em espaços públicos


abertos, equipado com dispositivos capazes de manter os veículos
de forma ordenada e segura;

II- Bicicletário: estacionamentos com infra-estrutura de médio ou gran-


de porte (mais de 20 vagas), dotados de cobertura, implantados
junto a estações de integração do transporte coletivo, em grandes
áreas industriais e comerciais, parques e outros locais de grande
atração de usuários de bicicletas.

As Estações de Integração que prioritariamente deverão implantar bicicletá-


rios são as seguintes:

I- Estação de Conexão Trindade;

II- Estação de Integração Garavelo;

III- Estação de Integração Goiânia Viva;

IV- Estação de Integração Vera Cruz;


104

V- Estação de Integração Padre Pelágio;

VI- Estação de Integração Recanto do Bosque;

VII- Estação de Integração Campus;

VIII- Estação de Integração Guanabara;

IX- Estação de Integração Vila Pedroso;

X- Estação de Integração Santa Rita.

Como complemento ao sistema cicloviário serão previstos um conjunto de vias


cicláveis, ciclovias e ciclofaixas a serem implantadas, nos parques públicos, nas Áre-
as Verdes e ao longo de algumas vias arteriais articuladas nos sentidos Norte/Sul e
Leste/Oeste, e ao longo do Anel Rodoviário Metropolitano e das principais rodovias
de ligação da Região Metropolitana de Goiânia.

Para implantação do sistema cicloviário, o Município deverá elaborar um Plano


Cicloviário indicando os projetos prioritários para a implantação.

Para completar a Rede Básica Estrutural do Transporte Coletivo, deverão ser


previstos estacionamentos para motocicletas e automóveis nas estações, principal-
mente naquelas que polarizam regiões adensadas e apresentam viabilidade técni-
ca-economica. São prioritárias para a implantação deste equipamento as seguintes
estações:

I- Estação de Integração Bandeiras;

II- Estação de Integração Padre Pelágio;

III- Estação de Integração Novo Mundo.


MAPA 6

FONTE: SEPLAM/2006

SISTEMA CICLOVIÁRIO
106

Programa de Gerenciamento do Trânsito

O trânsito resulta das necessidades de deslocamento das pessoas por motivo


de trabalho, de negócios, de educação, de saúde e de lazer e acontece em função
da ocupação do solo por diferentes usos. Assim sendo, os administradores munici-
pais devem promover iniciativas visando garantir ao cidadão o seu direito de ir e vir,
de forma segura e preservando a sua qualidade de vida.

A evidente melhoria técnica dos veículos automotores com conseqüente


acréscimo de sua velocidade final tornou-se, sem qualquer dúvida, fator decisivo
no elevadíssimo número de acidentes nas vias urbanas e rurais no mundo inteiro
com inúmeras vezes, vítimas fatais. Estas circunstâncias aliadas à evolução da frota
de veículos não compatível com a evolução da capacidade técnica da malha rodo-
viária, faz com que se torne de enorme importância a sinalização viária com vistas à
segurança do usuário.

Sendo assim, faz-se necessário revisar e elaborar, conceitos importantes na


definição de sinalização, avaliação das mesmas e suas funções, diretrizes de cir-
culação em relação as interferências negativas conforme o que dispõe o Código
Brasileiro de Trânsito e nas diretrizes elencadas anteriormente.

Programa de Promoção da Acessibilidade Universal

Acessibilidade é ferramenta indispensável para a inclusão social do cidadão.


É o direito à educação ao trabalho, à igualdade de oportunidades e a cidadania,
garantida em Lei, deve ser incorporada ao cotidiano das comunidades mediante
ações que a efetivem.

Direitos nos impõem deveres. direitos e garantias individuais estão expressas na


Declaração dos Direitos Humanos, da ONU, e na maioria das constituições; enquan-
to os deveres estão subordinados às leis; regulamentos impostos ao homem pelo
Governo e pela Sociedade. O direito de cada um termina quando começa o direito
do outro.

Para garantirmos acesso fácil a todos as edificações sem exceção, garantindo


o direito de ir e vir, de conviver e compartilhar, inclusive o direito de ser criança e
de envelhecer em um mesmo lar, devemos adotar o Desenho Universal que é aquele
que visa a atender á maior gama de variações possíveis das características antropo-
métricas e sensoriais da população; eliminando barreiras arquitetônicas.
107

Atendendo a necessidade de mudança de comportamento a fim de possibili-


tar condições mínimas de integração, e a utilização das edificações de uso público,
mesmo as de propriedade privada, como por exemplo, as destinadas: à educação,
saúde, cultura, culto, esporte, lazer, serviços, comércio, indústria, hospedagem, tra-
balho, reunião e de uso multifamiliar, e áreas comuns de circulação, a Associação

Mobilidade, acessibilidade e transporte


Brasileira de Normas Técnica - ABNT, a elaborarou Normas a serem incorporadas às
edificações, referentes à acessibilidade as edificações, mobiliário, espaços e equi-
pamentos urbanos.

Atualmente em Goiânia, na aprovação de projetos quanto a acessibilidade nas


edificações, são observadas as Normas e Leis editadas que serão adequadas tendo
em vista as diretizes enumeradas anteriormente.
109

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


Eixo Estratégico
ORDENAMENTO
TERRITORIAL
Busca responder de maneira clara e objetiva às exigências
formuladas por uma realidade em constantes transformações,
com a interdependência dos aspectos fundamentais, socioam-
bientais, econômicos, socioculturais e de ordenamento físico
territorial.
111

1 . A ntecedentes h ist ó ricos


Goiânia foi construída no coração do Centro-Oeste como marco referencial da
interiorização do Brasil - autêntica precursora da mudança da capital brasileira para
o Planalto Central.

Depois de 1950, a cidade experimentou cerca de 20 anos de crescimento ex-


cepcionalmente acelerado, fato que coincidiu com administrações desatentas quan-
to ao cumprimento das determinações do plano urbanístico.

As pressões demográficas e da especulação imobiliária levaram a cidade a des-


viar-se das rotas do desenvolvimento harmônico, introduzindo no seu processo de
crescimento graves deformações que colocaram na ordem do dia a necessidade

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


urgente de uma reformulação profunda do seu processo de urbanização.

Nesse sentido, aprovou-se em 1971 o Plano de Desenvolvimento Integrado de


Goiânia (PDIG).

A realidade de Goiânia, contudo, mesmo após a implementação do PDIG, con-


tinuou atropelando as tentativas de imprimir rumos e ritmos convenientes à recu-
peração, melhoria e preservação das condições de habitabilidade, que passam,
necessariamente, pelo controle do crescimento urbano.

Em face à continuidade vigorosa do processo demográfico, nas décadas de


1970 e 1980, Goiânia ultrapassou a categoria de cidade média, mais ou menos pa-
cata e tranqüila, para se tornar uma grande cidade, com todas as complexidades,
dificuldades e riscos que lhes são inerentes.

Baseado nesse contexto, o Instituto de Planejamento Municipal (IPLAN) chegou


à conclusão que seria indispensável e urgente inverter a ordem do diálogo entre a
cidade e os planos.

Até então, os planos sempre andaram a reboque dos acontecimentos urbanos,


correndo atrás de soluções para problemas já colocados - um exercício do que se
convencionou chamar de “planejamento reativo”, ou seja, o poder público somente
reage para “acudir” problemas.

Assim, foi desenvolvido e aprovado o segundo PDIG, denominado Plano de


Desenvolvimento Integrado de Goiânia – 2000, atualmente em vigor. O seu ideário
conceitual baseou-se na Constituição Federal de 1988 e nas determinações da Lei
Orgânica do Município de Goiânia.

O PDIG foi subsidiado por análises setoriais que geraram recomendações, que
posteriormente avançaram para proposição de planos de ação mais específicos,
formados por um rol de programas de curto, médio e longo prazos.
112

Esse plano buscou uma resposta clara e objetiva às exigências formuladas por
uma realidade em constante transformação, com interdependência de aspectos fun-
damentais: socioeconômico, político-institucional e o físico-territorial.

Objetivou-se o desenvolvimento da cidade de forma global e integrada, sem


perder de vista sua interface mais imediata, a regional, em que Goiânia apresenta-se
como pólo econômico de atração.

Mesmo com a aprovação do PDIG-2000 e da regulamentação da Constituição


Federal, ocorrida por meio da aprovação da lei nº 10.257/02 (Estatuto da Cidade),
marco legal que redireciona toda a legislação de caráter urbanístico dos municípios
brasileiros, o município de Goiânia continua enfrentando sérios problemas decor-
rentes de seu processo de crescimento urbano e de sua posição de liderança regio-
nal. Por isso, foram necessários novos estudos.

2 . C aracter í sticas f í sicas do terri -


t ó rio

Goiânia limita-se a norte com os municípios de Goianira, Santo Antônio de Goi-


ás e Nerópolis; a sul com Aragoiânia e Aparecida de Goiânia; à leste com Nerópolis,
Goianápolis e Senador Canedo e à oeste com Trindade e Abadia de Goiás.

Sua extensão territorial é de 726,93 km², distribuídos em três zonas: Urbana,


com superfície de 101,88 km², Expansão Urbana com 275,75 km², Expansão Urbana
Descontínua com 5,808621km² e Rural com 343,46 km².

Conta com ligações inter-regionais de responsabilidade federal, as rodovias BR-


153, espinha dorsal do sistema rodoviário goiano, e BR-060, acesso para Rio Ver-
de.

As ligações regionais de responsabilidade estadual, que interligam o município


a outras localidades do estado, são feitas pelas seguintes rodovias: GO-010 (Leo-
poldo de Bulhões e Ipameri); GO-020 (Bela Vista, Pires do Rio); GO-040 (Aragoiâ-
nia); GO-060 (Trindade); GO-070 (Inhumas); GO-080 (Nerópolis) e GO-462(Nova
Veneza).

Do ponto de vista estrutural, o município de Goiânia situa-se em uma região


geomórfica compartimentada em “Planalto de Dissecada de Goiânia”; “Chapadas de
Goiânia”; “Planalto Embutido de Goiânia” e “Planícies e Terraços da Bacia do Meia
Ponte”. Suas altitudes distribuem-se entre 700 e 900 m, em um relevo de formas
suavizadas e vales pouco profundos.
113

O vale do rio Meia Ponte é o agente modelador de maior significado do sítio da


cidade. Determina o nível de erosão das calhas de seus contribuintes secundários e
atravessa o município no sentido noroeste-sudeste.

Seu principal afluente da margem direita é o ribeirão Anicuns que, por sua vez,
recebe os córregos Botafogo, Cascavel e Macambira em sua sub-bacia, na qual se
situa a maior parte das Áreas Urbana e de Expansão Urbana do município, onde se
concentra quase toda a população.

É nessa região, constituída por uma topografia de relevo suave e cortada por
uma vasta rede hídrica, à margem direita do rio Meia Ponte e na parte sul do mu-
nicípio, que se localiza o núcleo histórico inicial da cidade. Por causa da intensa
ocupação, quase não dispõe de cobertura vegetal, há grande contaminação dos

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


cursos de água e apresenta as principais ocorrências de degradação dos solos e
dos fundos de vale.

A parte do município à margem esquerda do rio Meia Ponte se caracteriza por


menor ocupação urbana. Nas áreas de declividade mais acentuada estão os prin-
cipais remanescentes da vegetação original e os principais mananciais de abasteci-
mento de água da cidade.

A ocupação urbana dessa área tem ocorrido de forma descontinua, atingindo


ecossistemas muito frágeis e os solos de maior aptidão agrícola do município, con-
trariando os esforços de preservação dos mananciais, as características topográficas
da região e a barreira física representada pelo vale do rio Meia Ponte.

Nessa região, no limite dos municípios de Goiânia e Nerópolis, à margem direita


da rodovia GO-080, encontra-se o Distrito de Vila Rica com superfície de 90,291024
km², criado pela lei n°7257 de 07 de novembro de 1993.

3 . O P lano D iretor e sua inser ç ã o


metropolitana

Permeado pelos quatro princípios norteadores da política urbana do município


de Goiânia – igualdade, oportunidade, transformação e qualidade -, montou-se o
cenário possível, ou seja, o que melhor congrega os levantamentos, as avaliações,
previsões, anseios e prospecções, expressando o entendimento obtido com a so-
ciedade goianiense.

O Plano Diretor, como instrumento da política urbana, tem a função de criar


mecanismos de desenvolvimento e controle interno para todo o território do muni-
cípio, área urbana e área rural. Além disso, deve reconhecer todas as interfaces das
114

relações inter-regionais - complexidade devida ao papel de metrópole desempe-


nhado por Goiânia.

Goiânia, ao longo de sua história, exerceu o papel de pólo urbano. Hoje sua
relação é mais direta com os municípios da Região Metropolitana, a qual lidera, e
secundária em relação aos demais municípios e estados da Região Centro-Oeste e
Nordeste.

Essa posição impõe ao modelo espacial proposto a necessidade de criar es-


truturas de apoio às demandas de origem externa. Em decorrência, a rede viária, os
equipamentos sociais, as redes de serviços públicos e privados, além das estruturas
econômicas de sustentação da cidade precisam assumir uma dimensão supra-urba-
na, ou seja, o uso do solo deve execer o papel de vetor dinamizador e de suporte
à cidade metropolitana, de forma a qualificar Goiânia a exercer sua liderança regio-
nal.

4 . M etodologia de agrega ç ã o de
dados

Uma das principais diretrizes do Estatuto da Cidade determina que os Planos


Diretores enfoquem o território municipal como um todo. Tradicionalmente, os Pla-
nos Diretores no Brasil têm enfocado apenas o espaço urbano, relegando o espaço
rural a um segundo patamar. Goiânia não fugiu à regra. O planejamento territorial
do município sempre focou a Zona Urbana e de Expansão Urbana, não abordando
a Zona Rural.

Um exemplo é a legislação ambiental expressa na Lei de Zoneamento em vigor.


Nela, todas as figuras de Zonas de Preservação Ambiental são direcionadas e válidas
para a Zona Urbana e de Expansão Urbana e não para a Zona Rural.

Outro exemplo é a presença de Unidades de Conservação. Excetuando-se o


Parque Ecológico Altamiro de Moura Pacheco, que é uma Unidade de Conservação
Estadual, não existe outra UC fora do perímetro urbano, ou seja, na Zona Rural.

Na prática, o espaço rural do município de Goiânia tem sido gerenciado e legis-


lado pelo poder público federal e estadual e não pelo municipal, já que a Zona Rural
é de domínio do INCRA, do IBAMA, da Agência Ambiental do Estado etc.

Nesse início do século 21, por outro lado, tem-se considerado a água e a bio-
diversidade como fontes de fundamental importância. A cada dia, a gestão dos
recursos hídricos é um desafio maior, principalmente quando se mostra com clareza
sua interface com:
115

• as atividades próprias do desenvolvimento regional e urbano;

• gestão do Uso do Solo;

• gestão da drenagem urbana;

• gestão da agricultura irrigada e da agroindústria;

• gestão das hidrelétricas;

• gestão do saneamento e esgotamento sanitário;

• gestão dos resíduos sólidos;

• gestão da exploração mineral;

• gestão das áreas verdes.

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


Assim, segundo tal orientação, está sendo proposta a divisão do território de
Goiânia em macrozonas, levando-se em consideração seu espaço construído e as
suas sub-bacias hidrográficas. Essa proposta de divisão do município em sub-bacias
prevê, principalmente, a conservação dos recursos hídricos (abastecimento público
de água), considerando as sub-bacias como a unidades territoriais e naturais de
planejamento.

Assim, as informações espaciais levantadas sobre o território foram tratadas se-


gundo a proposta de subdivisão em macrozonas, visando promover a organização
dos dados relativos ao eixo ordenamento territorial e subsidiando a montagem dos
Cenários desejados para construção do Plano Diretor de Goiânia.

O partido adotado, ou seja, a utilização das sub-bacias como determinantes


para a definição do perímetro das macrozonas, surgiu em função das características
físico-ambientais do território e do caráter do agenciamento do espaço urbano,
além de, fundamentalmente, criar uma identidade geográfica para referência da po-
pulação residente. Assim, definiram-se oito macrozonas:

• Macrozona Construída;

• Macrozona do Barreiro;

• Macrozona do Lajeado;

• Macrozona do João Leite;

• Macrozona do Capivara;

• Macrozona do São Domingos;

• Macrozona do Alto Anicuns I e II;

• Macrozona do Alto Dourados.


Mapa 01

FONTE: SEPLAM -2006

M acro z oneamento
117

5 . O rdenamento territorial adota -


do

Propõe-se uma nova macroestruturação para o território de Goiânia. As três


macrozonas existentes, Urbana, de Expansão Urbana e Rural, estão sendo substi-
tuídas pelas oito novas macrozonas referidas, baseadas na área de ocupação mais
intensificada da cidade e nas sub-bacias hidrográficas, essas últimas consideradas
estratégicas para o abastecimento pelo Plano Diretor de Água, elaborado para a
Região Metropolitana de Goiânia, com o horizonte estendido para 2025.

O partido adotado, portanto, baseia-se nas características físico-ambientais do

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


território, associadas às diferentes formas de agenciamento de seu espaço urbano.
Considera como “espaço construído” aquele fundamentalmente concreto e regis-
trado por sua forma geométrica de divisão da propriedade e edificação (tecido
urbano), pela infra-estrutura e pelos serviços de mercado. Seu valor é dado pelos
edifícios e pelas obras que lhes conferem acessibilidade e condições de uso.

As outras macrozonas são consideradas como espaços já acessíveis, mas ain-


da não edificados, de valor determinado por essa potencialidade, por essa virtuali-
dade.

Portanto, adotando um novo conceito centrado na subdivisão territorial por


macrozonas, o ordenamento do território que se apresenta rompe com a dicotomia
entre o espaço urbano e o rural. O uso do solo resultante será calcado em regras
claras e pré-estabelecidas.

6 . F atores determinantes

De caráter ambiental

O modelo espacial proposto a partir das características de cada macrozona,


considera como determinantes todos os elementos de caráter ambiental existentes
no território.

De Morfologia Urbana

Em respeito às diversidades do território, às tendências impostas pelo processo


urbano, aos indicadores socioeconômicos e aos anseios da população, detectados
pela leitura comunitária feita durante o período de caracterização dos eixos temáti-
118

cos e respeitando os princípios da igualdade, da oportunidade, da transformação e


da qualidade, optou-se por uma cidade mais compacta, da ordem de 180 hab/ha,
por conseguinte, menos onerosa socialmente, evitando e combatendo a difusão
urbana, resultante da tendência de urbanização dispersa do território.

Assim, adota-se um modelo radial difusor das ocupações urbanas, que conside-
ra a Macrozona Construída como núcleo concentrador das densificações, irradiando
para as demais macrozonas, com o propósito de permear as ocupações por todo
o território, respeitadas as limitações por natureza de ocupação e a diversidade de
cada uma das macrozonas.

Como forma de organização social que se concentra na lógica da apropriação,


produção, uso e transformação do espaço, esse modelo propicia um tratamento
mais equilibrado ao território, sem que se reproduza a dicotomia entre o espaço
urbano e o rural, adotado pela atual legislação.

De mobilidade

Os eixos de transporte público, implantados ou previstos, serão adotados como


elementos estruturadores do modelo de ocupação do território, proporcionando
condições de deslocamento para as pessoas.

De Uso e Ocupação do Solo

A rede viária básica deve ser o elemento físico estruturador do território, dando
suporte a:

1. Transporte de cargas e de passageiros no âmbito regional através


das rodovias e sua articulação com o Anel Rodoviário Metropolita-
no.

2. Transporte de cargas e de pessoas (transporte público e privado)


no âmbito intra-urbano através da rede viária básica existente.

. Modelo de uso e ocupação do solo.

4. Caráter da paisagem urbana, na perspectiva da ambiência.

A rede viária básica existente ou projetada deve ser, portanto, o elemento


físico de suporte para um modelo de uso e ocupação do solo, compatibilizando
a diversidade das atividades e as densificações com as funções e capacidades das
várias hierarquias.
119

Nesse contexto, as rodovias funcionam como elemento de integração intra-re-


gional e receptador de demandas que se articulam com o tecido urbano local, por
meio do Anel Rodoviário Metropolitano. Desempenham, assim, o papel de articula-
ção socioeconômica na relação hierárquica da cidade.

De caráter econômico

O princípio da distribuição espacial racionalizada das atividades econômicas


na cidade contempla a proximidade e complementaridade entre as diversas funções
urbanas - moradia, trabalho, estudo, convivência e lazer, e seus necessários desloca-
mentos.

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


Assim, estimula a diversidade de uso do solo na cidade e promove o controle
da compatibilidade, segundo o conceito de vizinhança, com aplicação dos instru-
mentos de controle de poluição e de comodidade pública.

Em decorrência, as atividades econômicas nas diferentes categorias dos seto-


res primário, secundário e terciário, serão incentivadas a se instalarem nas diversas
macrozonas, objetivando especificamente o uso misto com qualidade ambiental. O
parâmetro de incomodidade, ou seja, critérios técnicos e ambientais, disciplinarão
a compatibilidade entre usos residenciais e não residenciais.

7 . C aracteri z a ç ã o da situa ç ã o atu -


al e cenário proposto por macro z o -
nas

7.1. Macrozona do Construida


Caracterização da situação atual

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona Construída é a porção territorial do solo urbano mais consolidada,


que engloba em sua essência a atual Área Urbana e de Expansão Urbana do Municí-
pio de Goiânia.

Caracteriza-se por um processo de ocupação radial. O núcleo original da ci-


dade e o núcleo pioneiro pré-existente (Campinas) formaram o módulo central de
ocupação, a partir do qual foram se agregando novas ocupações anelares.

Historicamente a expansão territorial desse trecho, em maior e menor grau de


eficiência, é resultante do controle urbanístico legal, apesar da fortíssima ingerência
120

dos agentes de produção do espaço urbano. Nesse sentido, pode-se sentir alguns
efeitos modeladores do processo de ocupação dessa Macrozona.

Caracteriza-se por ocupações menos densas à leste e norte, resultado das po-
líticas urbanas adotadas, em todos os planos diretores existentes, de desestímulo
à ocupação urbana nas áreas acima do ribeirão Anicuns e a leste da BR-153, por
questões ambientais e geomorfológicas.

A história do parcelamento do solo no município de Goiânia se confunde com


o parcelamento da Macrozona Construída porque quase todos os parcelamentos e
construções estão contidos nesse território.

Fora dessa macrozona houve esparsas ocorrências de parcelamentos em forma


de loteamentos fechados, loteamentos urbanos, conjuntos habitacionais, antigos sí-
tios de recreio ou de parcelamentos clandestinos.

Os loteamentos aprovados até o presente e os que estão em processo de


aprovação, porém, não foram suficientes para ocupar todos os espaços vazios den-
tro da malha urbana dessa macrozona. A predominância de espaços vazios está a
sudoeste e a norte, inseridos na atual Área de Expansão Urbana do Município.

Excetuando-se o período de 1993 até 2005, onde ocorreram algumas reduções


nas exigências legais, de 1971 até hoje, a legislação de parcelamento do solo no
município exigiu a implantação de toda a infra-estrutura, como galerias de águas
pluviais, meio fio e asfalto. Isso inibiu o parcelamento, fazendo surgir vários lotea-
mentos clandestinos, principalmente na década de 1980.

A ocorrência de parcelamentos clandestinos e de outros sem a devida implan-


tação da infra-estrutura, trouxe conseqüências danosas ao poder público e a toda
a sociedade, destacando-se os problemas relativos às erosões, traçado de ruas
inadequados, altos custos de manutenção das vias não pavimentadas, graves dificul-
dades de drenagem urbana etc.

A edição da lei nº 7222/93 (Parcelamento Prioritário) e a instituição da Zona


Especial de Interesse Social I, II e III, pela lei complementar n° 031/94 possibilitou o
aumento da aprovação de loteamentos por não exigir a implantação de pavimenta-
ção asfáltica, de galerias de águas pluviais e dos meio-fios.

Com o aumento da oferta de lotes regulares, do controle e da fiscalização dos


loteamentos, houve uma grande redução no surgimento dos loteamentos clandesti-
nos. Eles passaram a ocorrer em áreas de chácaras no Jardim Novo Mundo, ou pelo
sub-parcelamento das chácaras da Região Norte, na Zona Rural.

Por causa das políticas urbanas legais adotadas, durante o processo de conso-
lidação da malha urbana dessa macrozona, houve fortes ingerências quanto a sua
expansão.
121

A lei complementar n° 015, de 30/12/92, atual Plano Diretor, foi objeto de vá-
rias revisões quanto ao macro zoneamento do município. Redefiniu-se a Área de
Expansão Urbana e a Área Rural, a última sob pressão dos agentes imobiliários e das
demandas por moradia, com expansão nas regiões Noroeste, Sudoeste e Sudeste.

A concentração da alta densidade construída e verticalização ocorrem nas áre-


as centrais e adjacências, em parte do Setor Central, Aeroporto, Oeste, partes do
Setor Bueno, Nova Suíça e parte do Jardim América. Encontram-se em processo
de densificação, em padrão de média densidade, parte do Setor Sudoeste, Setor
Universitário, Nova Vila e parte da faixa à margem esquerda do córrego Macambira
Oeste.

A tendência da conformação da verticalização nessa Macrozona segue o pa-

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


drão nuclear, ou seja, densificação verticalizada em manchas, por influência das duas
últimas legislações de zoneamento.

Entretanto, podemos também detectar o modelo de densificação linear ao lon-


go dos principais eixos do transporte coletivo, adotado pela legislação de uso e
ocupação do solo de 1975, com o intuito de obter a consolidação do transporte e
uso do solo, com a conseqüente materialização da proposta dos eixos de transpor-
te, prevista naquela lei.

Como densidade pontual, encontram-se os Projetos Diferenciados de Urbaniza-


ção (PDUs). São modelos de ocupação propostos em legislação do ano de 1980,
regulamentada em 1982. Com eles, buscou-se privilegiar a ocupação dos vazios
urbanos. Na realidade, por falta de maiores definições legais, promoveram algumas
ocupações indevidas na cidade, tais como verticalizações intensificadas em fundo
de vale.

Em uma avaliação geral, pode-se inferir que o modelo de ocupação vertical


nessa macrozona, apesar das incidências citadas, ocorre, predominantemente, em
manchas nucleares, ocasionando sobrecargas em alguns eixos viários de apoio.

As atividades econômicas estão fortemente vinculadas ao uso das vias urbanas.


Ciente de sua importância, o Plano Diretor definiu a Rede Viária Básica de Goiânia. Ela
é responsável pela grande capacidade do tráfego e pelo suporte do trânsito mais
pesado e dos maiores fluxos.

Posteriormente, em função do crescimento e da dinâmica da cidade, ela foi


sendo ampliada. A última atualização significativa ocorreu no ano de 1998. Depois
dela, foram acrescidas novas vias, por meio de decretos e em função da aprovação
de novos loteamentos.

A estrutura viária do território da macrozona é composta por um conjunto de


vias hierarquizadas classificadas como Rede Viária Básica, formada pelas vias Expres-
122

sas e Arteriais. Há, ainda, as Coletoras e Locais. A liberação para instalação de ati-
vidades econômicas submete-se a indicativos legais correspondentes às categorias
viárias.

O processo de crescimento da cidade e a densificação de trechos da malha


urbana não têm sido compatíveis com a ampliação e implantação de novos eixos vi-
ários estruturadores. Isso tem comprometido muito a funcionalidade viária de alguns
setores dessa macrozona.

Por determinação da lei complementar n° 031 / 94, foi instituída a Zona de


Predominância Residencial de Baixa Densidade (ZPR BD). Em grandes manchas dessa
macrozona foi prevista a predominância do uso residencial sobre os demais, em
decorrência das inúmeras solicitações da população para que o zoneamento garan-
tisse esse tipo de agenciamento.

Entretanto, as pressões econômicas e os novos paradigmas urbanísticos têm


redirecionado essa concepção para que não ocorra o zoneamento de uso predo-
minante ou exclusivo. Essa mudança é necessária para facilitar a mobilidade urbana
viabilizada pela diversidade de usos, possibilitando a circulação “a pé”.

Nessa macrozona, a estratificação de renda é visível na distribuição espacial.


Ela expressa, claramente, a destinação da camada de renda mais baixa aos bolsões
de pobreza. Esse, deve-se salientar, é um fenômeno nacional.

O perfil da espacialização da renda reflete-se na estrutura de Goiânia, pode-


se observar que as classes mais pobres concentram-se principalmente nas regiões
noroeste e leste e as classes de alta renda na região central (Setores Oeste e Bue-
no). Abrigando a classe de alta renda, os loteamentos fechados encontram-se es-
palhados pela cidade. Hoje, com uma concentração maior na Região Sudeste.

O traçado viário nas regiões de alta renda apresenta caixa de via mais larga,
com meio fio, galeria pluvial, asfalto e calçadas; todos implantados e com manuten-
ção constante.

Historicamente, nas regiões de baixa renda a tendência era pavimentar ape-


nas as vias que comportavam as linhas de ônibus, mas, até mesmo nelas, não existia
meio-fio. As demais ruas permaneciam em estado precário. No período de seca
havia muita poeira, no período de chuva muita lama. Entretanto, desde 2005 a atual
administração tem investido maciçamente no programa de pavimentação nos bair-
ros, alterando substancialmente esse cenário.

A demanda pelo transporte coletivo nas regiões de alta renda é menor; nas
de baixa renda é maior e o atendimento pelo Poder Público é deficitário. Em geral,
é grande a necessidade de investimentos nesse setor, pois quanto mais distantes do
centro forem os loteamentos, mais caro fica o transporte para o contribuinte.
123

A prioridade hoje em Goiânia é do transporte privado (1.72 veículo por ha-


bitante). Não há políticas e investimentos de grande porte para o transporte coleti-
vo. Na Macrozona Construída, a mobilidade individual (motorizada) cresce acentu-
adamente, como em todos os grandes centros. Isso significa um consumo cada vez
maior de espaço urbano, atingindo hoje uma proporção de três vezes mais espaço
público para a circulação de veículos unitários do que para o transporte coletivo.

Os investimentos em transporte, além de escassos, são descontínuos e lentos,


causando o aumento do número de viagens individuais. Esse fator é determinante
para a perda da mobilidade e evidencia a segregação do acesso aos espaços pú-
blicos, pois diminui em muito o número de viagens por habitante. Como fator agra-
vante, deve-se considerar que a população da região metropolitana também utiliza

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


o transporte coletivo de Goiânia.

Hoje são detectados 137 pólos geradores de tráfego na macrozona, classifi-


cados, de acordo com sua função, em industriais, comerciais e de serviços, residen-
ciais, institucionais, de educação, esporte e lazer. A inserção inadequada do pólo
gerador de tráfego na malha viária existente, por atrair grande deslocamentos de
pessoas ou cargas, causa sérios problemas como o congestionamento das vias de
acesso pelo esgotamento de sua capacidade, a falta de segurança para veículos e
pedestres, a poluição atmosférica e ruídos, descaracterização do uso em seu entor-
no etc.

Em Goiânia observa-se uma forte tendência de aumento da atividade indus-


trial de pequeno porte, disseminam-se a micro e a pequena empresas. Entretanto,
esse panorama tem se modificado por causa das incertezas econômicas de âmbito
nacional. Assim, aumentam as atividades da economia informal com grande ocor-
rência de indústrias de “fundo de quintal” e proliferação das feiras de artesanato,
movimentando o mercado e consolidando esse tipo de comércio.

Goiânia conta com pólos considerados especiais devido às suas especificida-


des e ao seu dinamismo econômico. São volantes, ou seja, montados e desmonta-
dos uma vez por semana, aos sábados ou domingos e, apesar de alguns pequenos
incômodos, não interferem negativamente no tráfego.

A Feira Hippie é considerada como um pólo de abrangência regional. A Fei-


ra da Lua e a Feira do Sol são bastante prestigiadas pela população local. Atraem
vultoso tráfego de veículos, basicamente carros de passeio, e grande número de
pedestres. A Feira Hippie, por sua vez, é atendida por todo o tipo de transporte
como carros de passeio, ônibus, ônibus fretado vindo de outras cidades do estado,
do interior de São Paulo, de Mato Grosso, de Rondônia e do Nordeste.

Verifica-se que a grande maioria desses pólos se concentra nas três regiões
mais ricas e adensadas da Macrozona Central, Sul e Campinas, com 70,07% do total,
124

conciliando com os núcleos pioneiros da cidade. A localização desses pólos mostra


com clareza, portanto, que os grandes investimentos são feitos onde se encontram
as camadas de médio, médio alto e alto poder aquisitivo. Nas regiões das camadas
de menor poder aquisitivo estão localizados pólos como fábricas, garagens de ôni-
bus, frigoríficos, aterros sanitários, etc.

Os principais pólos geradores de tráfego da macrozona, inclusive com abran-


gência regional, como o Shopping Flamboyant e o Goiânia Shopping mostram, a
um simples olhar, sua força como indutores do desenvolvimento em seu entorno,
atraindo o capital imobiliário e os investimentos públicos e contribuindo para a ca-
racterização de Goiânia como Metrópole.

O núcleo histórico, área compreendida entre a Avenida Tocantins, Avenida


Paranaíba e Avenida Araguaia, também é identificado como pólo gerador de tráfego
e é acessado por todas as faixas de renda. Observa-se que nas duas últimas décadas
iniciou-se um processo de abandono por parte das camadas de maior poder aqui-
sitivo e ocupação pelas camadas mais baixas.

A quarta região em número de pólos é a Sudeste, com 8,03% do total, e é


exatamente esta a nova fronteira para onde começa a se deslocar as camadas de
maior poder aquisitivo. Por se tratar de uma região de acesso um tanto limitado,
em função dessa ocupação que está se desenhando e que, certamente, ocorrerá
rapidamente, novos investimentos públicos associados aos privados, deverão ser
realizados para viabilizar novas opções de transposição da Br-153.

Quanto ao processo de formação das centralidades intra-urbanas em Goiânia,


a atual lei de uso e ocupação do solo buscou incentivar as tendências naturais de
formação de subcentros, entretanto, não foram materializadas ações públicas con-
cretas nesse sentido.

Podemos encontrar subcentros de natureza e abrangência diferentes, com


caráter local, de bairro e regional. Quanto à conformação podem ser lineares ou
nucleares. Além dos cinco subcentros já identificados por lei, outros foram se for-
mando espontaneamente na cidade como conseqüência do dinamismo econômico
dos setores de comércio e serviço de Goiânia.

Resultado de fatores históricos e geográficos, hoje o centro principal de Goi-


ânia é caracterizado como a principal centralidade da Região Metropolitana de Goi-
ânia.

A incapacidade de criação de empregos, na área rural e em núcleos urbanos


pequenos e médios, força o deslocamento de milhões de pessoas para as cidades
que polarizam a economia de cada região ou país, levando-as a um rápido cres-
cimento. Além disso, as altas taxas de natalidade promovem um grande aumento
125

demográfico. Esse processo explica o rápido surgimento das metrópoles.

Do crescimento dessas cidades, de sua pujança econômica e demandas so-


ciais, surge o fenômeno da multiplicação das atividades urbanas, impondo uma ten-
dência própria de concentração e complementaridade, formando diferentes arran-
jos territoriais e funcionais em seu tecido.

Isso leva ao surgimento de novas centralidades intraurbanas, além da histórica,


ou seja, o Núcleo Central, nascido na origem da cidade com posição assumida no rol
das hierarquias urbanas.

Aproximando esse foco de análise para a realidade goianiense, pode-se dizer


que Goiânia, desde sua implantação, tem desempenhado o papel de polarizadora

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


da economia e dos interesses da região. Encontra-se entre as cidades metropolita-
nas, representando, cada vez mais intensamente, a função de centro regional, foco
dos interesses de sua região metropolitana e, muitas vezes, de outras regiões do
país, formando uma rede urbana de articulação do trabalho, da produção, do con-
sumo, das informações e demais interesses.

Como resultado, sua centralidade original também acompanhou a acelerada


dinâmica econômica e populacional, estendendo-se muito além de seus limites ori-
ginais. Reproduziu-se e materializou-se em novas centralidades, segundo uma lógica
de mercado e oportunidades locacionais, respaldadas nas possibilidades de aten-
dimento aos fluxos, sem perder de vista as interligações intra e interurbanas requisi-
tadas pela condição de centro metropolitano.

Essa centralidade expandiu-se na década de 1950, com deslocamento mais


expressivo em direção aos setores Sul e Aeroporto, situados ao Sul e Oeste, respec-
tivamente. A princípio, esse processo se deu somente ao longo dos principais eixos
viários.

No início da década de 1960 e durante os anos de 1970, sob forte influência


da Lei de Zoneamento No 5.735, de outubro de 1975, o percurso manteve-se a
Oeste, ocupando o denominado Setor Oeste.

Sob influência do deslocamento das camadas de renda mais alta, essa cen-
tralidade se deu inicialmente por causa da atração de atividades de atendimento
imediato. Em seguida surgiram estabelecimentos comerciais de interesses mais
abrangentes tais como bancos, restaurantes, escolas e outras, consolidando a ex-
pansão do centro principal.

Na década de 1980, o centro principal encontrava - se em franco processo


de expansão e consolidação no Setor Oeste. Essa ocupação, porém, foi amplamen-
te questionada por causa da desestruturação física ocorrida no setor em função
do atendimento das demandas geradas pelo adensamento populacional bastante
126

significativo, representado pelas habitações coletivas ali instaladas e a pela grande


intensidade de atividades econômicas.

Como conseqüência, houve uma forte desaceleração desse processo acentu-


ado de centralidade por força da aprovação e implantação da Lei de Zoneamento
de dezembro de 1980.

Novos indicativos de potencialidades construtivas foram instituídos na cidade


em conseqüência desse mecanismo legal, promovendo o redirecionamento do cen-
tro principal para os setores Bela Vista, Alto do Bueno, Nova Suíça e Jardim América,
ao logo do novo eixo de comércio e serviços da Avenida T-63.

Na década de 1990, novos dispositivos legais foram criados, caracterizando


um período de importantes reformulações, a partir da aprovação do atual Plano
Diretor de Goiânia (1992) e suas leis complementares, refletindo sobremaneira nos
deslocamentos das camadas de alta renda e das atividades de comércio e serviços
característicos das áreas centrais.

Isso promoveu uma mudança de inclinação das centralidades a Oeste da ci-


dade, levando à ocupação da Região Sudeste, ou seja, Jardim Goiás e entorno do
loteamento fechado Alphaville, impondo uma tendência de “salto” do centro prin-
cipal de Goiânia.

A centralidade principal de Goiânia como metrópole polarizadora está carac-


terizada pela supremacia do comércio e serviços da cidade sobre outros centros
urbanos sob sua influência. Observa-se, entretanto, a formação e o crescimento de
pólos secundários, na capital ou localidades próximas, que passam a atuar como
alternativas de centralidade para o atendimento dos interesses da população e das
economias.

Essas ocorrências continuarão a se manifestar, reforçando-se gradativamente,


de forma espontânea ou planejada, por meio de ações públicas direcionadas. En-
tretanto, a importância do centro principal de Goiânia em relação aos pólos secun-
dários da cidade e de sua região metropolitana tende a permanecer inigualável.

Pode-se constatar que o surgimento dos subcentros não está diretamente


ligado à espacialização das classes de renda mais alta, uma vez que foram iden-
tificados subcentros exclusivamente vinculados ao atendimento das demandas de
população de menor poder aquisitivo.

Afirma-se, ainda, que os shoppings centers são fortes atratores de atividades


complementares ou oportunistas, tendendo a agrupá-las e a criar fluxos formadores
de centralidades, caracterizando-se como subcentros de tipologias variadas, con-
forme o poder de atração do equipamento.
127

Aspectos de infra-estrutura urbana, pavimentação e drenagem pluvial

Como não existe um cadastro completo das vias pavimentadas e das galerias
de águas pluviais do município de Goiânia, adotou-se a sistematização apresentada
na tabela seguir, a fim de gerar uma visão global dos bairros quanto à pavimentação
e sistema de drenagem.

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


A área pavimentada do município de Goiânia chega a 11.031.973,06 m², segun-
do dados fornecidos pelo DERMU/COMPAV em dezembro de 2005.

Um dos principais problemas da cidade é o surgimento de loteamentos sem a


infra-estrutura de drenagem e pavimentação. Eles acarretam, para seus moradores e
para o município de uma forma geral, uma série de conseqüências negativas, como
as listadas a seguir:
• Altos custos de manutenção das vias não pavimentadas.
• Alagamentos de residências em loteamentos sem a infra-estrutura
de drenagem, acarretando grandes perdas materiais por parte de
seus proprietários.
• Erosões que tornam as vias intransitáveis ou com alto grau de risco
de acidentes.
• Formação crescente de enormes erosões nos fundos de vale.
• Constante assoreamento dos cursos d’água, proveniente da perda
de solo dos logradouros públicos e erosões citadas no item ante-
rior.
• Má qualidade de vida para os moradores durante todo o período
do ano,.

Nos últimos anos, aproximadamente 5% dos custos totais de manutenção e


128

conservação do sistema viário municipal não pavimentado destinam-se às estradas


vicinais ou ramais, o restante, 95%, às vias urbanas. Essa imensa diferença se dá,
principalmente, pela extensa malha viária urbana não pavimentada, mostrando o
impacto da urbanização sem a infra-estrutura de drenagem e pavimentação.

Assim, conclui-se que as execuções da pavimentação asfáltica e galerias de


águas pluviais nos loteamentos a serem implantados são de suma importância, evi-
tando gastos constantes e onerosos para o poder público, pois a manutenção de
vias não pavimentada é um investimento anual muito alto para serviços provisórios,
sem qualquer acréscimo ao patrimônio municipal.

Sistema de abastecimento de água

De acordo com dados levantados junto a reuniões técnicas na SANEAGO e in-


formações contidas no Plano Diretor de Água de Goiânia, a população é abastecida
por dois sistemas de grande porte. O primeiro utiliza como fonte o ribeirão João
Leite e o segundo, o rio Meia Ponte. Atualmente, 92% da população é atendida
pelo sistema de abastecimento de água.

Encontra em andamento, a construção da barragem João Leite, localizada a


6km de Goiânia, com 50 m de altura e capacidade de 6,23m³/s.

Quanto à capacidade da rede de distribuição de água na cidade, pode-se


inferir que não há grandes empecilhos para adensamento populacional.

Sistema de esgoto sanitário

Os dados apresentados a seguir foram buscados nas informações contidas no


Plano Diretor de Esgoto de Goiânia e tabelas fornecidas pela concessionária SANE-
AGO.

O sistema de esgotos sanitários de Goiânia conta com mais de 2.600 km de


rede coletora, que descarrega os esgotos em interceptores implantados às margens
dos principais cursos d’água da cidade.

O sistema coletor de esgotos atende a uma população aproximada de um


milhão de habitantes através de três Estações de Tratamento de Esgotos (ETEs).
Em relação ao sistema de esgoto sanitário, deve-se ter cautela quanto às propostas
de adensamento populacional nas regiões de contribuição dos interceptores Vaca
Brava e Capim Puba. As demais estão aptas, respeitando-se os condicionantes apre-
sentados pela Concessionária.

Sistema de energia elétrica

Segundo os técnicos da CELG, observou-se que em quase toda a região da


Macrozona Construída as redes de distribuição têm a capacidade de suporte ne-
ces sária e facilidade de ampliação de atendimento para adensamento populacio-
nal. A grande dificuldade da concessionária local é, em caso de necessidade, a
129

destinação e aquisição de áreas para a implantação de novas subestações.

É importante lembrar que para atendimento das subestações as linhas de


transmissão de alta tensão devem obedecer à NTD 11, norma técnica da CELG que
define as faixas de servidão e segurança para a implantação dessas linhas.

As faixas estritas de segurança são aquelas destinadas aos serviços de opera-


ção da CELG. Na cidade de Goiânia há maior ocorrência das linhas de transmissão
com 13,8 kV.

Segundo a norma as faixas de servidão e segurança são:

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


Drenagem urbana privada

Uma impermeabilização generalizada vem ocorrendo no espaço urbano em


função de calçamentos, vias asfaltadas e coberturas de residências. Ela minimiza a
recarga natural responsável pela manutenção do equilíbrio dinâmico dos aqüíferos
subjacentes e aumenta excessivamente o escoamento superficial, causando, além
de perdas significativas de excedente hídrico durante a estação chuvosa, o grave
problema da constante “ineficiência” da drenagem pluvial na cidade.

A adoção de redes de drenagem pluvial suficientes para captar todo o escoa-


mento excessivo das enchentes e picos de chuva onera o poder público e torna-se,
com o crescimento da cidade e sua constante impermeabilização, uma medida não
sustentável.

Diante desse quadro, faz-se necessária a adoção de técnicas que minimizem


as conseqüências dessa impermeabilização. Nesse sentido, considerou-se a implan-
tação de poços de infiltração e/ou detenção nos lotes urbanizados.

A primeira solução tem como objetivo principal a recarga do lençol freático. A


segunda destina-se ao armazenamento temporário das águas pluviais e o seu poste-
rior encaminhamento às galerias, evitando os excessos de escoamento e os grandes
volumes de vazão nos picos da chuva, tão comuns na cidade atualmente.

Essas soluções foram discutidas com professores especializados e pesquisa-


130

dores da Universidade Federal de Goiás (UFG). Elas visam alcançar parâmetros bási-
cos a serem adotados na cidade, substituindo o Índice de Permeabilidade de 20%.

Considerando a dificuldade de se exigir estudos detalhados para cada caso,


utilizaram-se critérios um tanto conservadores. São eles:

1. Usar poços com profundidade de até 2,5m.

2. Usar poços revestidos com geossintéticos nas laterais e fundos.

. Os poços funcionarão bem tanto em “tijolo em crivo”, quanto em


“tubos de concreto perfurados”.

4. Adotar um distanciamento acima de 5m entre poços e também de


estruturas prontas.

5. Evitar a contaminação do poço com água “química e bacteriologi-


camente perigosa”;

6. Posicionar o fundo do poço pelo menos 1m acima da cota máxima


de N. A (mês de abril).

. Dimensionar o poço contando apenas com a área lateral do mes-


mo.

8. Taxa de Infiltração (conservadora – solos argilosos da região norte


de Goiânia) = 5.10-7 m³/m²/s;

9. Para atender critérios apenas de “detenção”, a dimensão do reser-


vatório seria de 0,6 m3 / 100m² de área.

10. Para atender critérios de “infiltração”, dimensões do reservatório


entre 1,0 -1,5 m³ / 100 m² de área. Esses valores garantiriam uma
infiltração de pelo menos 20% do volume de toda chuva anual, em
média.

11. Exigência de laudo técnico geológico como pré-requisito determi-


nante para a construção dos poços de infiltração, para o caso de
atividades implantadas em grandes áreas.

Caracterização das áreas públicas municipais

Com a estrutura atual da Prefeitura de Goiânia, as ações relativas à gestão e


controle do patrimônio imobiliário estão distribuídas em diversos órgãos, dificultan-
do tanto a integração de ações quanto o controle das áreas públicas.

A SEPLAM, por meio da Comissão Técnica de Análise de Áreas Públicas (CTAP),


estuda e avalia tecnicamente todos os pedidos de doação, venda e permissão de
áreas públicas.

A Secretaria de Fiscalização (SEMFU), Divisão de Loteamentos e Erradicação


de Invasões vistoria e monitora as áreas públicas, institucionais e áreas verdes, além
131

de fiscalizar ocupações irregulares de logradouros e passeios públicos.

A SEMMA detém a gestão das unidades de conservação.

A Procuradoria Geral do Município, por meio da PPI, fornece apoio jurídico


elaborando minutas de leis referentes às doações e permissões de áreas públicas.

Também nesse rol estão a COMDATA, com banco de dados, SEFIN, com o
cadastro imobiliário, DERMU/COMPAV, com a infra-estrutura e sistema viário e a CO-
MURG, com a manutenção de praças e jardins.

Não há uma estrutura normativa própria e os instrumentos são frágeis e de-


sarticulados. Prova disso é a perda freqüente de áreas, seja sob forma de doação,
venda ou permissão de uso.

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


De acordo com dados fornecidos pela CTAP, no período de 2003 a 2005 fo-
ram emitidos 582 pareceres favoráveis à venda de áreas públicas e 76 à permissão
de uso de áreas públicas.

Ressalte-se que as permissões de uso com áreas de até 2.000 m², de caráter
precário e provisório, na prática tornam-se permanentes, uma vez que não há ação
do poder público no sentido de reavê-las. Em outras palavras, legalmente são de
domínio público, mas particulares de fato.

Os dados existentes no setor também são fragmentados e desatualizados. Sua


dispersão pelas diversas secretarias dificulta a alimentação contínua do banco de
dados.

Os procedimentos de fiscalização e coerção de ações irregulares em áreas


públicas são prejudicados pela precária estrutura institucional e operacional existen-
te, diante da grande demanda.

O trabalho realizado em 2005, sob a coordenação do Departamento de Ge-


oprocessamento, de reestruturação e atualização do cadastro de áreas públicas do
município de Goiânia, a partir de 1980, servirá como ferramenta importante para o
trabalho da fiscalização, pois foram cadastradas 2.764 áreas nos 237 loteamentos
aprovados pós 1980.

Uma vez diagnosticados os problemas de dispersão dos procedimentos em


diversos órgãos, com ações desintegradas ou conflitantes, dados desatualizados,
falta de uma política clara de gestão do patrimônio imobiliário, dentre outros, faz-se
necessária a criação de um canal institucional que, principalmente, ofereça um apoio
jurídico eficaz tanto nas ações fiscais quanto nas ações judiciais. Além disso, deve
permitir a integração de ações e a aprovação de leis específicas que protejam as
áreas públicas, dificultando sua alienação.
Mapa 02

M odelo E spacial FONTE: SEPLAM -2006

P ol í tica de D esen v ol v imento


U r b ano
1 33

7.2. Macrozona do Barreiro


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta Macrozona apresenta áreas preservadas, em sua maioria, com presença


de muitos recortes de matas, alguns de grandes proporções. Dispõe de recursos
hídricos preservados e fundos de vale bem definidos.

À margem da GIN 005, nas proximidades das chácaras, nota-se a presença de


pequenos pontos de depósito de entulhos. Existem, também, fontes muito polui-
doras, duas usinas de asfalto, areia, cascalho e brita, à margem direita da GIN 005,

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


município de Aparecida de Goiânia.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do Barreiro caracteriza-se pela não ocupação de caráter ur-


bano, com grandes extensões de pastagens e algumas fazendas voltadas para a
exploração pecuária. Há somente um parcelamento de caráter urbano aprovado, o
Residencial Golf Clube.

Algumas chácaras de menores dimensões e natureza precária estão situadas


ao longo da rodovia GIN 005, antiga estrada para Bela Vista. Essa região não apre-
senta uma vocação direcionada para produção agrícola.

Encontra-se cortada por dois eixos viários de interligação com os municípios


confrontantes, a GO 020, sob jurisdição estadual (saída para Bela Vista de Goiás) e a
GIN 005, sob jurisdição municipal (antiga saída para Bela Vista de Goiás). Está ainda
em fase de planejamento e projeto o tramo leste do Anel Intermunicipal, que cortará
a macrozona no sentido norte-sul, em sobreposição à atual rede de alta tensão.

Ao longo das duas vias citadas, o uso do solo diversificou-se com maior in-
tensidade. No sentido Goiânia-Bela Vista, na margem esquerda, que se integra ao
município de Goiânia, identificam-se: madeireira, pesque e pague e o Sítio de Re-
creio Santa Luzia. Há, ainda, uma marmoraria e pequenas chácaras e bares situados
no loteamento Parque Pedro II.

Considerando-se que o limite municipal é constituído, nesse trecho, pela GIN-


005, todas as atividades existentes à margem direita dessa rodovia integram o terri-
tório do município de Aparecida de Goiânia. Ali se situa a usina de extração de areia
e brita da COMPAV e outra de grande porte denominada Pedreira Briteng.

Sua principal potencialidade é a farta disponibilidade de áreas e uma to-


pografia favorável. Suas principais fragilidades são a acessibilidade e a sinalização
urbana deficientes.
134

7.3. Macrozona do Lajeado


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta macrozona conta com grandes áreas de pastagens, com presença de ve-
getação típica do cerrado e algumas matas densas bem preservadas. Os recursos
hídricos apresentam os fundos de vale bem definidos.

Ao longo da GO-010, nas proximidades do Jardim das Oliveiras, nota-se a


presença de pequenos pontos isolados de entulhos, próximos a algumas áreas ala-
gadiças, apresentando, ainda, erosões significativas.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do Lajeado caracteriza-se por uma ocupação de caráter rural,


com presença de fazendas voltadas à pecuária, apresentando extensas áreas de
pastagens. Nela, encontra-se implantado o condomínio fechado Acres que se en-
quadra na modalidade de Sítios de Recreio, com loteamento fechado em área de
1.250,00 m².

Essa macrozona é margeada pela rodovia estadual GO-010, que segue para
os municípios de Leopoldo de Bulhões e Silvânia. Nas suas margens são desenvolvi-
das algumas atividades como viveiros e chácaras de lazer.

Encontra-se em fase de planejamento o projeto do tramo leste do Anel Metro-


politano, que cortará essa área no sentido norte-sul, em sobreposição à atual rede
de alta tensão.

7.4. Macrozona do João Leite


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta macrozona apresenta extensas áreas de pastagens com presença de ve-


getação típica do cerrado e diversas matas densas aparentemente preservadas. É
rica em recursos hídricos e dispõe de várias nascentes e represas que fazem parte
da barragem do João Leite.
135

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do João Leite possui características predominantemente rurais.


Há muitas fazendas com expressiva exploração pecuária e, também, pequenas áreas
agrícolas.

Conta com extensa rede de cursos d’água, nascentes e represas. Deve-se res-
saltar a existência do importantíssimo equipamento público de interesse regional, a
barragem do João Leite, onde se localiza o ponto de captação de água para coleta,
tratamento e distribuição, sob controle e gestão da SANEAGO.

Dispõe apenas de um eixo viário intermunicipal, a GO-080, que segue para


Nerópolis e passa pelo limite da Macrozona no sentido sul/norte. Essa rodovia en-

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


contra-se em processo de duplicação da pista que divide a Macrozona do João
Leite com a Macrozona Capivara.

É entrecortada por estradas vicinais, que dão ingresso às fazendas. Em espe-


cial podemos realçar a via não pavimentada que dá acesso exclusivo à barragem do
João Leite.

Há um outro equipamento de destaque na região, a subestação da CELG e


redes de alta tensão, geradoras de energia para Goiânia.

Ao sul, existem ocupações urbanas de baixa renda com maior densidade,


situadas nos limites da macrozona construída. Logo após o loteamento Parque dos
Cisnes, no território da macrozona do João Leite, nas divisas com a GO-080, encon-
tra-se um pequeno povoado de caráter urbano que se estende nas duas margens da
Rodovia.

Nessa macrozona, localizados principalmente ao longo da Rodovia, listam-se


inúmeras chácaras de lazer e locação para festas, alguns viveiros e estabelecimentos
de hospedagem de animais.

Em sua porção mais ao Norte, na divisa com a macrozona do Capivara, encon-


tra-se o único distrito municipal de Goiânia, o Distrito de Vila Rica, com população
de 465,8 habitantes e território de 13.572,24 km².

7.5. Macrozona do Capivara


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta macrozona apresenta áreas preservadas. Em maiores proporções obser-


va-se a presença de recortes de matas. Dispõe de recursos hídricos em situação de
preservação e fundos de vale bem definidos. Há pequenos pontos de depósito de
136

lixo e entulhos ao longo das rodovias GO-080 e GO-462.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do Capivara tem características predominantemente rurais. Nela,


com menor expressão, encontram-se fazendas voltadas à pecuária. Preponderam,
porém, as áreas agrícolas, devido à influencia da Embrapa, localizada na região.

A área é extremamente “capilarizada”, contando com cursos d’água, nascen-


tes e várias represas. Há grandes extensões de plantação de sorgo, milho e mandio-
ca, áreas de pastagens, duas fazendas de criação e seleção de nelores, espaço para
leilões, chácaras de lazer e locação para festas, viveiros e canis. Dispõe, também, de
redes de alta tensão e uma pequena estação de rádio.

Possui dois eixos viários intermunicipais. Um deles, a GO-080, segue para Ne-
rópolis e passa pelo limite da macrozona no sentido sul/norte. A pista que é divisa
com a macrozona do João Leite encontra-se em processo de duplicação. O outro
eixo, a GO-462, interliga Goiânia, Brazabrantes, Santo Antônio de Goiás e Nova Ve-
neza.

É, ainda, entrecortada por estradas vicinais, que dão acesso às fazendas.


Em especial podemos ressaltar a via parcialmente pavimentada que dá ingresso à
Embrapa e à vila de residências integradas à mesma, interligando a GO-080 e a GO-
462.

7.6. Macrozona do São Domingos


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta macrozona apresenta áreas ambientais preservadas, com presença de al-


guns recortes de matas densas de grandes proporções. Dispõe de recursos hídricos
em situação de preservação e fundos de vale bem definidos, com a presença de
várias nascentes que alimentam o córrego São Domingos, que desemboca no rio
Meia Ponte, próximo do ponto de captação de água.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do São Domingos é pequena em extensão territorial e caracte-


riza-se por uma situação de extrema pressão das áreas urbanas existentes em seu
entorno e nas divisas com o município de Trindade. Atualmente está inserida na Área
Rural do município, instituída pelo Plano Diretor, Lei Complementar No. 015/92.
1 37

Essa macrozona está ilhada pela malha urbana circundante. Nela, encontram-
se o Setor Primavera, com alto índice de ocupação de caráter urbano, e dois sítios
de recreio, o Parque Maracanã e o Sítio de Recreio Bandeirantes. Os sítios de recreio
diversificaram suas atividades. Além de servirem de chácaras de lazer, comportam
produção em minifúndios, locação para eventos, viveiros e empreendimentos afins,
principalmente ao longo da rodovia GO-070, em direção à Trindade.

Nota-se uma forte tendência para a exploração das chácaras existentes, locan-
do-as para terceiros com a finalidade de sediar festas e eventos ou para o lazer.

Existem, também, algumas fazendas de criação de gado e cavalos e áreas de


pastagens.

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


Em um trecho, na contigüidade do córrego Matão, evidencia-se um ponto de
significativa erosão.

Essa macrozona é cortada por um eixo viário, já duplicado, de interligação


com o município de Inhumas, a GO-070, sob jurisdição estadual. Há poucos acessos
vicinais. A passagem do ponto de captação de água da SANEAGO não está pavi-
mentada e encontra-se vedada ao público. Ao longo do eixo citado, o uso do solo
diversificou-se com maior intensidade em alguns pontos, contando com algumas
atividades industriais.

Identifica-se como significativa fragilidade a região encontrar-se sob fortíssima


pressão para ocupação urbana, ameaçando os recursos hídricos, principalmente
considerando-se o ponto de captação de água para abastecimento público.

7.7. Macrozona do Alto Anicuns I


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

É considerada unidade de conservação, ou seja, Área de Proteção Ambiental


(APA), segundo os dispositivos da Lei Complementar No. 015/92 do Plano Diretor
do Município de Goiânia.

Apresenta declividade acentuada, arborização intensa e presença de algumas


nascentes.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do Alto Anicuns I caracteriza-se por ocupação de caráter ur-


bano. Nos locais próximos à base do morro estão implantadas edificações de alto
138

padrão e nas áreas mais altas instalaram-se equipamentos de grande porte, como o
reservatório da SANEAGO, torres de telecomunicação e a Empresa de Equipamentos
de Segurança do Trabalho (CIPA).

Existem várias ocupações de caráter urbano em áreas de extrema declividade


e vegetação abundante entrecortando o Morro do Mendanha desde a sua base até
as partes mais altas.

O principal acesso à Macrozona do Alto Anicuns I é pela GO-060. Chega-se a


ela, também, por ruas vicinais, pavimentadas ou não, através dos bairros que a cir-
cundam. Algumas vias que a cortam apresentam infra-estrutura precária. Mesmo em
suas áreas mais altas encontram-se vias abertas, com e sem pavimento.

7.8. Macrozona do Alto Anicuns II


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta macrozona apresenta grandes áreas de pastagens caracterizadas por


vegetação rasteira e algumas espécies nativas do cerrado. Encontram-se, também,
pequenos recortes de matas compactas preservadas. Observa-se a cultura de man-
dioca e guariroba em pequena quantidade e extensa e bastante densa plantação de
eucalipto.

Os fundos de vale são bem definidos e aparentemente preservados. Em algu-


mas áreas, abaixo da BR-060, há grandes extensões de extração de cascalho, com
alto nível de intervenção no solo, comprometendo a permeabilidade em certos
locais.

Ao longo das estradas que corta essa macrozona, nota-se a presença de al-
guns pontos isolados de entulhos.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A macrozona do Alto Anicuns II caracteriza-se por ocupação de caráter rural,


abrigando fazendas e pequenos sítios com criação de gado e apresentando exten-
sas pastagens. Há extensas áreas de extração de cascalho e destaca-se uma proprie-
dade destinada ao adestramento de animais.

Essa macrozona está margeada a sul pelo divisor de águas do rio Dourados,
nas proximidades da BR-060, saída para Guapó e Rio Verde. O seu limite norte en-
contra-se nas cercanias da GO-060 (saída para Trindade). É cortada pela rodovia
Gyn-024 (antiga estrada para Trindade).
139

No sentido norte-sul é atravessada por alguns eixos vicinais que partem do


Setor Grajaú, passando pela BR-060, até a GO-060 (Rodovia dos Romeiros).

7.9. Macrozona do Alto Dourados


Caracterização da situação atual

Situação ambiental

Esta macrozona apresenta pequenos recortes de matas preservadas e gran-


des áreas de pastagens caracterizadas por vegetação rasteira e algumas espécies
nativas. A exploração agrícola é pequena. A constituição do solo é laterítica, com

ordenamento FÍSICO TERRITORIAL


grande potencial para extração de cascalho.

Aspectos urbanísticos e de morfologia urbana

A Macrozona do Alto Dourados caracteriza-se por uma ocupação de caráter


rural com pouca atividade pecuária.

O principal eixo viário, a rodovia GO-040 (saída para Aragoiânia), entrecorta


a macrozona no seu limite sul.
141

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Eixo Estratégico
Desenvolvimento
Econômico
A estratégia do desenvolvimento econômico tem como
objetivo principal o crescimento da economia e o avanço so-
cial da população, a conservação dos recursos naturais e do
meio ambiente, aliceçado em novas oportunidades empresa-
riais e tecnológicas, tornando a cidade uma metrópole regio-
nal dinâmica e sustentável.
143

1 . I ntrodu ç ã o

O desenvolvimento econômico do município é um dos instrumentos que pos-


sibilitam o crescimento da economia e o avanço social da população. Como ele
é um elemento importante na agenda das discussões sobre as políticas públicas
adotadas pela administração local, deve-se considerar como suportes para os de-
bates sobre o tema a organização espacial do território e o exercício das funções e
atividades econômicas e sociais do município.

Esta etapa do Plano Diretor, em síntese, visa a obtenção de indicadores que


possibilitem, de forma homogênea, a avaliação das diversas atividades econômicas
desenvolvidas pelo município. Para a composição desses indicadores, houve a ne-

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
cessidade de adoção de uma nova metodologia, uma vez que existe uma grande
disparidade entre as informações colhidas.

A diversas discussões sobre o tema resultaram na elaboração de uma estraté-


gia pautada nos arranjos produtivos locais, considerando-se a influência da capital
na região metropolitana e sua abrangência regional. Um exemplo é a identificação
dos pólos dinâmicos, considerando-se que eles são de fundamental importância
para a consolidação de Goiânia como metrópole regional.

Portanto, identifica-se como pólos geradores de economia local com grande


potencial para o município: o aeroporto, a estação digital, o turismo ecológico, o
pólo educacional, o centro de cultura, a agropecuária e a excelência esportiva.

O estímulo das atividades econômicas oferecerá novas oportunidades em-


presariais, transformando o papel de Goiânia na rede de cidades, tornando-a uma
metrópole regional dinâmica nas áreas de negócios de saúde, eventos, entreteni-
mento, agronegócios, tecnologia (produção de software) etc.

2 . T emas rele v antes

2.1. Agricultura e abastecimento

As pesquisas econômicas mostram Goiânia como um pólo de consumo no


município, evidenciando suas relações com setor agrícola do estado, em função da
migração do capital e da geração de trabalho e renda em toda cadeia produtiva
(produção, processamento e comercialização). A compra e venda de máquinas,
implementos e insumos, a assistência, assessoria e muitas outras atividades impor-
tantes são desenvolvidas na cidade.
144

O solo do município de Goiânia conta com boa drenagem, fertilidade, riqueza


e dispõe de várias nascentes, córregos e ribeirões, demonstrando grande aptidão
para o desenvolvimento da agropecuária.

Importante produção de hortaliças, fruticultura e criação de animais, encon-


tram-se dispersas em todo o território do município. Hoje, somam-se, aproxima-
damente, 866 propriedades rurais de grande, médio e pequeno portes, com uma
população de apenas 7.201 habitantes, destas 577 são minifúndio e pequenas
propriedades com área de 5.505,40 ha e contam com enorme potencial para a
produção agropecuária. Muitas, porém, estão produzindo abaixo de seu potencial
em razão da falta de políticas públicas municipais que as apóiem. Apenas 285 são
médias e grandes propriedades, porém contam com uma área de 29.774,73 ha.

Atualmente a zona rural é legislada pelo Intituto Nacional de Colonização e


Reforma Agrária (INCRA) e existe um vácuo entre a legislação rural e a urbana. Nos
grandes centros, essa situação acaba induzindo à ocupação desorganizada da área
rural, pois a pressão da urbanização é muito forte. A omissão da lei nesses casos
tem causado muitos prejuízos, ainda mais porque esse processo vem acontecendo
há bastante tempo no Brasil.

A concentração fundiária no setor rural é muito forte. A tabela abaixo classifica


as propriedades rurais do município de Goiânia e da região metropolitana, quanto
à categoria, número e área.
145

A agricultura no município de Goiânia caracteriza-se pela produção de soja,


milho, tangerina, mandioca, banana, laranja, cana de açúcar e, mais recentemente,
palmito e coco da Bahia. Observa-se um crescimento nas culturas de soja e milho,
tendência que acontece em quase todos os municípios vizinhos.

Com relação à produção de grãos, Goiânia ocupa o 6º lugar entre os municí-


pios da Região Metropolitana.

Pode-se destacar que o município tem uma participação relevante na oferta


de hortigranjeiros do Centro Estadual de Abastecimento do Estado de Goiás (CE-
ASA). Em 2004 produziu 24.882,6 t, número que representou 6,46 % do total do
estado, perdendo apenas para a cidade de Anápolis. É o maior produtor de horti-
granjeiros da região metropolitana e o segundo maior do estado de Goiás.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Na pecuária bovina, é o terceiro produtor entre os municípios da Região Me-
tropolitana de Goiânia (RMG). Em 2004 somaram-se 60.000 cabeças, quantidade
inferior apenas à dos municípios de Trindade e Hidrolândia que obtiveram, 84.300
e 83.500 cabeças, respectivamente.

Na avicultura o município de Goiânia é o maior produtor da RMG, contando


com 199.000 aves. Na produção de ovos, totalizando 2.275 mil dúzias, é o segun-
do da RMG e o quinto do estado de Goiás. Sua tiragem de 10.854 litros de leite
classifica-o como o quarto produtor da RMG.
P ropriedades R urais Fonte: COMDATA / SEPLAM - 2006
147

Cenários desejados

Para a construção do cenário desejado, deve-se considerar que o município de


Goiânia ocupa cerca de 40% do território com atividades agropecuárias e que elas
se estendem para os municípios do entorno, transformando-se no grande Cinturão
Verde da Região Metropolitana, com potencial para o turismo ecológico, agroturis-
mo e produção rural; conta com uma reserva de terra loteada de, aproximadamen-
te, 120 mil lotes, o suficiente para abrigar uma população de quase um milhão de
habitantes e é um pólo de abastecimento e consumo importante na Região Centro-
Oeste, com cerca de dois milhões de consumidores.

O cenário desejado para a área rural deve ser direcionado à ocupação auto-
sustentável, garantida por leis, programas e políticas, visando consolidar a cidade
ecológica do cerrado, tão almejada pelos goianienses. Como resultado teríamos

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
espaços paisagísticos, climáticos e urbanísticos ecologicamente corretos, concilian-
do a preservação dos recursos naturais com o desenvolvimento das atividades agro-
pecuárias e turísticas.

Diretrizes
1. Implementar um organismo legal com o objetivo de equacionar
problemas comuns e promover a integração entre os municípios
da RMG,em função do desenvolvimento sustentável, da ocupação
territorial, da consolidação do cinturão verde, da produção agro-
pecuária, da agroindústria e outras atividades urbanas.

2. Promover o zoneamento ecológico-econômico, visando subsidiar a


elaboração da Lei de uso e ocupação da terra, prevendo o desen-
volvimento das atividades agropecuárias, agroturísticas e agroeco-
lógicas.

. Regulamentar as diretrizes previstas no Estatuto da Cidade quanto


à aplicação do imposto progressivo sobre as propriedades impro-
dutivas.

4. Implementar o cadastro rural, visando controlar as atividades de-


senvolvidas e a qualidade da produção nas macrozonas.

5. Promover e implementar o desenvolvimento das cadeias produtivas


rurais, no sentido de garantir a qualidade do produto, a redução de
preços e a geração de postos de trabalho e renda.

6. Criar o Banco do Povo Municipal Rural, com linhas especiais de cré-


dito para os agricultores familiares, bem como o sistema de aval
solidário.

. Criar o Sistema de Inspeção Municipal (SIM), visando implementar


a política de controle de qualidade dos alimentos produzidos no
148

município.

8. Fomentar a agricultura ecológica, o agroturismo e o ecoturismo, no


intuito de valorizar e preservar a integridade da área rural, dos es-
paços florestais e dos mananciais hídricos.

9. Promover mecanismos de capacitação dos agricultores quanto à


educação ambiental e aproveitamento dos resíduos.

10. Garantir uma alíquota de imposto diferenciada para as atividades


agropecuárias, bem como agricultura familiar, em todo o território,
na forma da lei.

2.2. Indústria, comércio e serviços

As atividades comerciais, industriais, prestadores de serviços e similares são te


mas relevantes para a construção do desenvolvimento econômico principalmente
porque são fontes geradoras de emprego e renda, fortalecendo a economia local
e, sobretudo, a melhoria da qualidade de vida urbana. Cabe ao Plano Diretor esta-
belecer mecanismos de controle da ocupação e uso do solo, para que o exercício
das atividades econômicas, distribuídas no território do município, se consolide.

Como referência histórica, vale lembrar que a construção de Brasília gerou um


intenso desenvolvimento das atividades de construção civil na região, repercutindo
em Goiânia por longo período.

A modernização e integração de Goiás com o restante do país ativaram a


demanda que havia em suas áreas mais prósperas, a pecuária e a agricultura, ca-
nalizando poupanças do interior e do meio rural para Goiânia. Inicialmente para a
compra de lotes e depois para a aquisição de apartamentos e casas, ocasionando
rápido adensamento em determinados bairros e acelerando o processo da indústria
da construção civil.

A localização dos empreendimentos imobiliários é, em parte, condicionada


pela demanda e pelas características e vocações dos bairros. Há também os fatores
coercitivos, ou indutores, que influem na localização, finalidade e tipologia dos imó-
veis, como a Lei de Uso do Solo, o sistema de transportes e a infra-estrutura.

Hoje, no ramo imobiliário, a atividade mais importante talvez seja a construção


de edifícios de apartamentos, localizados, principalmente, no Setor Oeste, Setor
Bueno, Setor Serrinha, Bairro Nova Suíça, Jardim Goiás e, mais recentemente, no
Setor Parque Amazonas. Também se deve ressaltar a construção dos condomínios
horizontais, espalhados por toda a zona periférica de Goiânia.
149

As indústrias predominantes em Goiânia são de pequeno e médio portes.


Geralmente, são voltadas para o mercado local e estadual e produzem: alimentos,
materiais para construção, mobiliário, vestuário, artefatos de metalurgia e fazem o
beneficiamento de produtos primários, como é o caso das cerealistas localizadas
nos Setor Rodoviário e no Bairro dos Aeroviários. Não se instalaram indústrias de
grande porte ou de tecnologia mais avançada, pois Goiânia não assumiu caracterís-
ticas de cidade ou pólo industrial.

As indústrias de produtos alimentícios têm estado, tradicionalmente, entre as


mais importantes de Goiânia, em parte devido às características da economia de
Goiás, em que predominam a produção agrícola e pecuária.

As confecções apresentam um grande desempenho, quantitativo e qualitativo.


Elas são, em sua maioria, de pequeno e médio portes, mas há um número significati-

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
vo de microempresas. As indústrias de vestuário concentram-se em Goiânia porque
a capital abarca o maior mercado consumidor de Goiás e oferece facilidades nas
relações comerciais com centros como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

A fabricação dos produtos, muitas vezes, é feita de maneira informal, como


pelos autônomos que trabalham sob o sistema de facção. Existem casos de residên-
cias que operam com quatro ou mais máquinas, como micro indústrias prestadoras
de serviços, com a participação de várias pessoas das famílias.

As indústrias de calçados de Goiânia trabalham para os mercados local e na-


cional, fazendo parte dos centros que emergem na produção de calçados para o
mercado interno como Belo Horizonte, Farroupilha, Curitiba, Fortaleza, Birigüi, Ribei-
rão Preto, Nova Serrana e outros, enquanto que os núcleos de Franca e Vale do Rio
dos Sinos destinam suas mercadorias para o mercado externo.

Os materiais para construção são fabricados da maneira tradicional, em função


das atividades da construção civil, que sempre tiveram bom desempenho em Goiâ-
nia. Uma exceção é a Eternit, que produz telhas e reservatórios de fibrocimento com
matéria prima, o amianto, oriunda do município goiano Minaçú.

O setor metalúrgico desempenha uma função importante na economia mo-


derna. Em Goiânia sua evolução está relacionada ao crescimento da construção civil,
para a qual produz grande parte de seus produtos, em substituição ao concreto ar-
mado e à madeira. Seus principais produtos são portas, portões, esquadrias, grades
e estruturas metálicas em geral. A predominância é de pequenas e médias empresas
de caráter formal.

A fabricação de móveis é feita por pequenas e médias empresas, com número


expressivo de microempresas. Os processos produtivos utilizam, em geral, técnicas,
equipamentos e materiais modernos, pois o setor tem acompanhado a evolução
150

dos padrões nacionais de design e de qualidade dos produtos, permitindo pene-


tração no mercado nacional.

O setor editorial e gráfico está limitado porque as mudanças tecnológicas que


permitem às empresas líderes ampliarem rapidamente sua participação no mercado,
impedem que muitas outras tenham acesso a equipamentos modernos por causa de
seus alto custos. Há um processo seletivo, as empresas que se modernizam conse-
guem produzir com qualidade e preços competitivos, mantendo-se no mercado.

Durante o ano de 2001 ocorreu decréscimo na atividade prestacional, causada


pela migração de empresas para os municípios vizinhos, que oferecem alíquotas de
Imposto Sobre Serviços (ISS) inferiores às praticadas em Goiânia.

Em 2002 a atividade prestacional voltou a crescer por causa, presume-se, da


cobrança da alíquota do ISS na fonte sobre os serviços prestados no município de
Goiânia, independentemente do prestador do serviço estar ou não inscrito no Ca-
dastro de Atividades Econômicas – CAE, da Secretaria Municipal de Finanças.

Goiânia conta, hoje, com cerca de 111.246 estabelecimentos inscritos no CAE


do Município, a grande maioria no ramo do comércio, em seguida situam-se os servi-
ços prestacionais e autônomos. Como já foi dito anteriormente, há pouca incidência
de atividades industriais, como pode ser visto na tabela abaixo.
151

Dinâmica espacial das atividades

O crescimento e a urbanização de Goiânia não foram decorrentes da indus-


trialização. Como cidade planejada para sediar a administração do estado de Goiás,
cresceu em função da instalação dos órgãos públicos estaduais e federais e, poste-
riormente, da migração que fez de Goiânia uma das bases de apoio do processo de
ocupação da região Centro-Oeste.

A idéia da criação de uma cidade industrial na área leste do município, um


projeto estadual do final da década de 1960, foi abandonada. Em parte por motivos
ecológicos, uma vez que os ventos dominantes da região levariam a fumaça indus-
trial para a cidade. Mas, também, porque a Comissão Estadual das Bacias Hidrográ-
ficas dos Rios Paraná e Uruguai (CEBPU), da qual o estado de Goiás era membro,
recomendou a cidade de Anápolis como a mais indicada para sediar o primeiro

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
pólo industrial do Estado.

O fato da cidade industrial não ter sido criada fez com que as indústrias se
localizassem aleatoriamente em diversos bairros de Goiânia e ao longo da BR-153,
em direção à Aparecida de Goiânia, nas décadas de 1970 e 1980, época de cresci-
mento dessa atividade.

Se a referência for uma localização adequada à indústria, pode-se dizer que


houve um processo relativamente desordenado de ocupação. Mas a instalação de
indústrias não se disseminou por toda a cidade, concentrou-se em alguns bairros
e setores, como é o caso das indústrias de beneficiamento de cereais no Setor
Rodoviário, confecções na av. Bernardo Sayão, Setor Centro Oeste e outros. Essa
distribuição é devida a uma tendência natural da cidade e à Lei de Zoneamento (Lei
Complementar n°. 031/1994), que admite, sem restrições, tais ramos comerciais nas
Zonas Mistas de Baixa Densidade ( ZMBD ).

Em geral, o tipo de indústria que primeiro se desenvolve nos bairros é a de


produtos alimentícios para suprir padarias, bares, lanchonetes, armazéns etc. Em
seguida surgem as indústrias e serviços de instalação, reparação e manutenção como
colocação de cerâmicas, instalações e consertos domésticos. Isso ocorre em função
do crescimento local e das novas necessidades trazidas pela urbanização.

À medida que surgem novos bairros, o processo se repete. Nos setores e bair-
ros mais tradicionais da cidade já predominam, atualmente, o comércio e os servi-
ços como restaurantes, pizzarias, galerias comerciais etc. Nos bairros emergentes
surgem as pequenas atividades industriais associadas ao comércio como as grandes
panificadoras, os shoppings centers, as lojas de departamentos etc.

Observam-se, também, alguns casos de concentração de um gênero industrial


em determinado bairro ou setor. Isso acontece por causa de uma conjugação de
152

vários fatores. Por ocorrer sem planejamento, pode acarretar problemas no trânsito,
rede de energia, água, telefone ou trazer prejuízos ao meio ambiente.

São exemplos o predomínio do comércio de materiais para construção na via


para Aragoiânia e as metalúrgicas no Jardim Bela Vista, Setor dos Funcionários, Vila
Jaraguá e Vila Nova e, em formação, a concentração de universidades, órgãos públi-
cos, ginásios de esportes e grandes supermercados no Jardim Goiás. Os problemas
ocasionados pela concentração geralmente persistem face às dificuldades de trans-
ferência das unidades e da obtenção de áreas adequadas em outros bairros.

Nos últimos anos ocorreu a expansão das atividades urbanas para a periferia
da cidade, contribuindo para descongestionar os setores mais centrais. As empresas
que necessitavam de maior espaço para suas atividades, ao se transferirem para
áreas suburbanas, puderam comprar terrenos relativamente baratos.

Existem novos focos de concentração ou atratividade econômica, dentre os


quais destaca-se o Jardim América, bairro que há pouco tempo conservava carac-
terísticas essencialmente residenciais e que hoje vem se transformando em área de
expansão comercial e industrial.

Exemplo semelhante é o Setor Sul que congrega comércio de vestuário e


um pólo universitário. Podem ser citados, ainda, o Parque Oeste Industrial, o Setor
Morais e o Setor Santos Dumont, o último especializando-se em mecânica pesada e
artefatos de cimento. Em alguns bairros emergentes, como o Jardim Guanabara e via
para Anápolis, já se observa a tendência de concentração do comércio relacionado
à indústria do mobiliário.

Alguns setores e bairros, principalmente os mais antigos, vêm gradualmente


perdendo a atratividade para novas atividades comerciais. Isso ocorre no Setor Cen-
tral e no Setor Campinas, por causa custo alto custo dos terrenos, dos aluguéis e das
dificuldades de trânsito, circulação e estacionamento. A atratividade se transfere
para setores que não têm esses problemas e que dispõem de boa infra-estrutura,
como o Jardim América, Bairro Santa Genoveva e Jardim Goiás, por exemplo.

As áreas de Goiânia que têm maior concentração de atividades comerciais,


considerando-se o número de estabelecimento e o pessoal empregado, são: Setor
Campinas, Setor Central, Setor Aeroporto, Setor Oeste, Setor Marista, Setor Bueno,
Jardim Vela Vista e Setor Sul.

Com as indústrias de laticínios ocorrem problemas de localização devido aos


efluentes e resíduos que produzem. São motivos de alerta uma grande fábrica de
laticínios no Jardim Goiás e outra no Jardim Novo Mundo, pois se constituem riscos
para as condições sanitárias da população.

De forma similar, as indústrias de beneficiamento e moagem de grãos, localiza-


153

das, principalmente, nos Setores Rodoviário e Bairro dos Aeroviários, causam trans-
tornos aos moradores próximos, devido aos resíduos de pó, aos ruídos e à intensa
circulação de veículos pesados. A metalurgia, que se concentra no Setor Ferroviário,
acarreta transtornos semelhantes.

As indústrias e o comércio de vestuário e calçados contam com grande nú-


mero de estabelecimentos de pequeno portes distribuídos por muitos bairros da
cidade, funcionando em áreas comerciais e residenciais e envolvendo o trabalho de
muitas pessoas em suas próprias moradias. Nesses locais, as atividades da produ-
ção, nas fábricas e residências, se confundem com a revenda e com o restante do
comércio.

Há uma tendência para maior concentração desse ramo na região sul, ou seja,
Setor Sul, Setor Bueno, Setor Marista, Bairro Jardim América e outros. Em conseqüên-

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
cia, nesses bairros, verifica-se uma grande movimentação, com reflexos no trânsito,
estacionamento para veículos, ocupação de linhas telefônicas, consumo de energia
elétrica etc.

Essas atividades, porém, se disseminam por toda a cidade por meio do traba-
lho dos autônomos. As áreas de maior concentração das unidades fabris estão nos
setores Campinas, Marista, Central, Sul, Oeste, Bueno, ou seja, em bairros residen-
ciais e comerciais habitados por famílias de renda média.

Atualmente as ocupações comerciais, industriais e prestadoras de serviços


estão em desacordo com a Lei de Ocupação e Uso do Solo devido à grande quanti-
dade de empresas que se instalam obedecendo ao assentamento natural da cidade,
sem preocupação com as condições estabelecidas por lei. Essa situação se agrava
porque a Lei de Zoneamento, de 29 de dezembro de 1994, está defasada. Da épo-
ca de sua aprovação para cá, não ocorreram as devidas atualizações, alterações e
revisões.
A ti v idades E con Ô micas
Fonte: COMDATA / SEPLAM - 2006
155

Cenários desejados

Goiânia deverá investir no desenvolvimento das potencialidades de sua produ-


ção local e buscar a dinamização e valorização dos ramos de atividades já consoli-
dados e dos emergentes.

A capital de Goiás deverá basear sua economia em arranjos produtivos de ati-


vidades intensivas que combinem o emprego de mão de obra com alto conteúdo
tecnológico e serviços especializados e, ainda, arranjos produtivos de micro e pe-
quenas empresas conectadas em redes de cadeias produtivas locais e globais.

Os mecanismos de uso e ocupação do solo não são suficientes para alavancar o


desenvolvimento das atividades econômicas. São necessários: a implementação de
mecanismos institucionais de incentivo fiscal para a consolidação das perspectivas e

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
um planejamento estratégico que permita a avaliação das estruturas operacionais e
resgate das dívidas de inadimplência e controle.

Diretrizes

1. Redefinir as zonas de uso e classificação do porte das empresas.

2. Legislar sobre as necessidades operacionais das edificações comer-


ciais que requeiram adequação ao zoneamento, em consonância
com a proposta espacial de todo o território do município. Um
exemplo é a exigência de estacionamento gratuito ou pátio interno
para operação de carga e descarga.

. Adequar os procedimentos de requerimento do Alvará de Localiza-


ção e Funcionamento, por meio de mecanismos de integração dos
órgãos e secretarias envolvidos na condução dos processos.

4. Implantar o sistema de rua 24 horas, abrigando um número maior e


diversificado de estabelecimentos comerciais.

5. Alterar o horário de funcionamento dos estabelecimentos comer-


ciais.

6. Implantar um programa de qualificação profissional, com o objetivo


de democratizar o conhecimento técnico para os diversos tipos de
atividades produtivas do município, enfatizando a visão de desen-
volvimento sustentável nas empresas e a oferta de alternativas de
atividades para a população de baixa renda.

. Criar mecanismos de fortalecimento de linhas de créditos e incenti-


vos fiscais para os ramos comerciais e industriais, mediante parce-
156

rias entre o município e o estado.

8. Implantar um programa de renovação e revitalização das áreas co-


merciais tradicionais, pólos de comércio e serviços, com o objetivo
de melhorar os núcleos consolidados e formar novos.

9. Fortaler e revalorizar o papel de Goiânia como pólo metropolitano


e regional de desenvolvimento econômico sustentável.

10. Fortalecer o desenvolvimento econômico ao longo do eixo urbano


e eixo metropolitano regional.

2.3. Mecanismos de geração de emprego e renda

Em nosso país, o respeito à condição de cidadania não se estende a todos


e está associado ao modo de inserção dos indivíduos no mercado de trabalho. A
ruptura do vínculo empregatício formal representa, na prática, a perda de direitos
e benefícios sociais. Ao ingressar no setor informal, os trabalhadores se convertem
em “cidadãos de segunda classe”, perdendo o acesso aos direitos garantidos pela
Constituição Brasileira como: contrato de trabalho, aviso prévio, férias, gratificação,
indenização etc.

Na prática, o desconhecimento acerca da realidade dos trabalhadores infor-


mais é evidente, tanto por parte do poder público, responsável por encontrar solu-
ções para o problema, quanto pelos sindicatos, que vêem sua base social escoar-se,
dia após dia.

Esses trabalhadores têm um lugar na cadeia produtiva, como no escoamento


de produtos diversificados feito pelos vendedores ambulantes ou de ponto fixo
e na prestação de variados serviços para o público como fazem os vigias e os la-
vadores de carros. Essas inserções, porém, deixam de ser importantes na geração
de renda, pois além de obterem rendimentos muito baixos, os informais perdem o
acesso aos direitos sociais e trabalhistas básicos.

Um dos aspectos a serem considerados diz respeito às estruturas e tendências


sociodemográficas, como a migração para as cidades, que geram uma reserva de
trabalhadores prontos para ingressar no mercado informal, principalmente por não
serem absorvidos pelas empresas formais. Além disso, ressaltam-se as questões pre-
existentes, como a percepção cultural de que a informalidade é tolerável, criando
um contexto propício ao seu surgimento.

Há, ainda, dois fatores que são denominados “barreiras ao crescimento da


157

economia formal”. O primeiro diz respeito aos custos da regulamentação e dos


encargos tributários sociais da formalização. O segundo refere-se à incapacidade
das autoridades em exigir o cumprimento das obrigações legais, pela aplicação das
penalidades ou fiscalização das empresas e do setor informal.

Sob o rótulo de “informal” ocultam-se trabalhadores razoavelmente capita-


lizados, como os perueiros proprietários de seus veículos com acesso a financia-
mentos bancários, como ambulantes e vendedores em ônibus, calçadas, bares ou
até “de porta em porta”. Para eles, a incerteza e a insegurança são constantes e a
sobrevivência é conquistada a cada dia.

Também há uma grande diversidade nas trajetórias de vida dessas pessoas. Os


trabalhadores informais são jovens, crianças, adolescentes ou pessoas idosas. Muitos
estão na informalidade há mais de dez anos, outros há menos de um ano. Enquanto

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
alguns são ex-assalariados, outros jamais chegaram a ter o primeiro emprego. Essa
diversidade demonstra a complexidade do setor e coloca em questão os conceitos
normalmente utilizados para estudá-lo.

A atual administração, mesmo enfrentando as dificuldades inerentes às ques-


tões institucionais e administrativas, vem buscando ações que favoreçam o cresci-
mento social e econômico da população, contando com a participação dos órgãos
do governo municipal, estadual e federal que executam programas voltados à inclu-
são social e à regularização das diversas atividades econômicas.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico vem desenvolvendo


ações visando regulamentar todas as atividades informais, valorizando o cidadão
dentro de seu perfil socioeconômico e de suas diversas áreas de atuações, ofere-
cendo oportunidades de capacitação e concientizando-o da importância do seu
papel no desenvolvimento social e econômico do município.

A Fundação Municipal de Desenvolvimento Comunitário (FUMDEC) e o Sistema


Nacional de Emprego (SINE) dão a sua contribuição no processo que visa promo-
ver o encontro entre trabalhadores e empregadores, facilitando as contratações
de mão-de-obra. O SINE conta com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador
(FAT) e do Governo do Estado, via Secretaria do Trabalho (SET).

Com o apoio dos governos Federal, Estadual e Municipal, esse sistema tem
como maior objetivo qualificar o trabalhador por meio de cursos e encaminhá-lo
ao mercado de trabalho por intermédio do serviço de intermediação da mão-de-
obra.

Destaca-se, ainda, o Programa de Geração de Emprego e Renda (PROGER)


criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com o Conselho Deli-
berativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (CODEFAT), que tem por finalidade
158

a promoção de ações que gerem emprego e renda, mediante concessão de linhas


especiais de crédito a setores normalmente com pouco, ou nenhum, acesso ao
sistema financeiro, como pequenas e micro empresas, cooperativas e formas asso-
ciativas de produção.

Esse programa prevê iniciativas de produção próprias da economia informal,


mediante a montagem, ampliação ou modernização de pequenos negócios, na ci-
dade ou no campo. Também providencia a capacitação gerencial do beneficiário,
acompanhamento e assistência técnica. O PROGER é dirigido a pequenos empreen-
dedores que atuam nos seguintes setores:

Setor informal - composto por profissionais autônomos ou liberais, presta-


dores de serviços, pequenos produtores rurais, artesanais com fins co-
merciais e outros.

Setor formal – composto por micro e pequenas empresas.

Cooperativas e Associações de Produção – legalmente constituídos e asso-


ciados.

Alguns indicadores do município, de acordo com o último levantamento reali-


zado, como mostra a tabela a seguir, demonstram um número significativo de feiras
especiais e livres.

Estima-se que a Feira Hippie de Goiânia receba, aproximadamente, trinta mil vi-
sitantes e comercialize cerca de um milhão de reais por final de semana, atendendo
aos mercados local, regional e nacional. É considerada a maior feira livre da América
Latina.

O município apresenta uma boa infra-estrutura de abastecimento por causa das


feiras distribuídas em todas as regiões.

As feiras livres e especais oferecem à população grande variedade de produ-


tos. Nelas, encontram-se produtos de confecções a hortifrutigranjeiros, a maioria
produzidos no próprio município e região metropolitana.
159

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Cenários desejados

O crescimento da informalidade no município é movido pela falta de oportu-


nidade no trabalho formal e pela necessidade de complementação de renda fami-
liar.

Dentro da perspectiva de mudar essa realidade no menor prazo possível, é


necessário a implementação de políticas econômicas que visem o desenvolvimento
social da população do município. Nesse sentido, as ações devem ser voltadas para
a redução do desemprego, estruturação de frentes de trabalho contra a informa-
lidade, redução dessas atividades por meio da regulamentação e da fiscalização,
redistribuição proporcional por região e capacitação do trabalhador para facilitar
sua inserção no mundo do trabalho formal.

Assim sendo, após serem viabilizados os mecanismos institucionais que possi-


bilitem o desenvolvimento da cidade, é importante identificar as potencialidades de
cada atividade geradora de emprego e renda e divulgá-las como forma de incentivo
à população.

Com essas iniciativas entendemos ser possível diminuir a desigualdade, dando


oportunidade a todos, qualificando e transformando nossa capital.

Diretrizes:

1. Promover uma política econômica, por meio de programas, projetos


e ações que gere trabalho e renda, especialmente para a popula-
ção de menor poder aquisitivo, observando a legislação municipal.

2. Desenvolver uma política de estruturação, integração e parceria en-


tre os órgãos públicos da administração local, instituições federais,
160

estaduais e iniciativa particular, visando implementar programas,


projetos e ações que minimizem a situação da informalidade, ob-
tendo resultados práticos na promoção da qualidade de vida.

. Implantar um departamento específico para trabalhar com as orga-


nizações sociais (cooperativas e associações), visando fomentar as
atividades de pessoas que estão na informalidade.

4. Promover a capacitação técnica administrativa e operacional do


funcionário de carreira, visando prestar um serviço público de qua-
lidade à população.

5. Criar mecanismos de controle e fiscalização das feiras e de outras


atividades informais no município.

6. Identificar as potencialidades oferecidas pelas diversas atividades


como geradoras de emprego e renda para a população.

. Criar mecanismos que possam dar as condições necessárias para


o crescimento socioeconômico, dando oportunidades de trabalho
formal para a população, nas diversas funções e atividades.

2.4. Ciência e tecnologia

Goiânia apesar de projetada, cresceu muito acima das expectativas, impulsio-


nada principalmente pela construção de Brasília, bem como pela vocação empreen-
dedora peculiar de sua sociedade.

Na época da fundação de Goiânia, sua economia era centrada no setor agrope-


cuário. Em meados da década de 1960, após a instalação do Governo Fe-
deral em Brasília, ela se diversificou, substituindo sua matriz de geração econômica,
trocando o produto de origem rural pelo de origem urbana, expandindo suas ativi-
dades para outros setores da produção industrial, comercial e prestação de servi-
ços, estabelecendo outros meios de produção para a economia local.

Essa mudança de trajetória que modifica o meio físico da cidade, inserindo


novos processos de produção e mudança da matriz econômica, introduzindo um
grande e acelerado ritmo de crescimento econômico e urbano, determina novas
condições para que se estabeleça o desenvolvimento de forma sustentável, caben-
do ao poder público a iniciativa de incentivar a interação e a sinergia entre empre-
sas, instituições de pesquisa e universidades.

A transformação do espaço físico, de meio rural para urbano, e o novo padrão


161

de crescimento industrial observado após 1990, devido ao processo de globaliza-


ção, apontam para a necessidade de modificação das estratégias de competição
dos governos e das empresas, bem como uma mudança de orientação das políticas
de desenvolvimento, ressaltando pontos em que é preciso avançar, visando esti-
mular o desenvolvimento, a competitividade e o aumento da produtividade das
empresas, cujas atividades estejam fundadas no conhecimento e na inovação tecno-
lógica.

Nesse novo cenário, a ciência e tecnologia são determinantes para impulsio-


nar o crescimento econômico da sociedade. As pesquisas científicas e tecnológicas
possibilitam produtos e processos de produção competitivos diante da crescente
internacionalização das indústrias e dos mercados.

Nesse aspecto, Goiânia evolui para metrópole regional, expande e projeta

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
uma economia dinâmica, sedimenta essa condição por meio das ações e realizações
do setor empresarial, em virtude de sua localização estratégica e da força empreen-
dedora de seus habitantes.

A população é inquieta e ávida para desenvolver iniciativas, por isso acompa-


nha a evolução e as tendências de mercado, confirmando a vocação empreende-
dora inata da sociedade. Por outro lado, conta com mínima colaboração do poder
público, que se limita, de forma nem sempre eficiente, ao papel de agente regula-
mentador e fiscalizador da atividade econômica, pouco ou nada promovendo em
suas ações as funções de articulador e fomentador do desenvolvimento, e quando
assim o faz, realiza de forma isolada e com estratégias desconectadas.

Diante dessa situação, foi criado em 29 de novembro de 1994, o Conselho


Municipal de Ciência e Tecnologia – CONSITEGO, que instituiu o Fundo de Apoio à
Ciência e Tecnologia - FACITEGO. Há mais de dez anos o primeiro está inoperante e
o segundo totalmente desprovido de recursos, confirmando a inexistência de uma
política de ciência e tecnologia para o município.

Nunca lhes foram destinadas receitas orçamentárias, impossibilitando a pro-


moção do desenvolvimento tecnológico necessário ao crescimento econômico. A
falta de interesse público por investimentos em pesquisas tecnológicas faz com que
o município perca competitividade, contribuindo para a evasão de empresas, não
permitindo que nossa cidade consolide-se como metrópole regional.

É primordial a formulação de uma política científica e tecnológica para Goi-


ânia, pois ela será responsável pela capacitação tecnológica do município. Sua im-
plementação deve ser continuada pelas diferentes gestões, mobilizando o apoio do
sistema produtivo, acelerando o ritmo de assimilação da tecnologia e, conseqüente-
mente, do crescimento econômico.
162

Só assim poderá ser um projeto abrangente, que extrapole as ações exclu-


sivas da burocracia estatal, envolvendo efetivamente a comunidade científica e a
sociedade no intuito de capacitar o município para a criação e desenvolvimento de
tecnologia própria, reduzindo a dependência e buscando a autonomia.

Cenários desejados

O município de Goiânia é provido de inúmeras potencialidades, que poderão


ser desenvolvidas se houver a implantação de uma política de ciência e tecnologia,
que possibilite elevar o padrão de crescimento econômico e estabeleça diretrizes
de desenvolvimento.

Em função de sua localização estratégica, e por ser um município dotado de


boa logística de distribuição, sugere-se o desenvolvimento de uma central distribui-
dora de cargas na BR-153, nas proximidades do Aeroporto.

Outro ponto importante é a reafirmação e fortalecimento da tendência para


a indústria da confecção de calçados, artefatos de couro, da alimentação, de semi-
jóias e moveleira, abrindo novos mercados.

Dentre outras potencialidades do município, o governo municipal aponta para


a criação e implementação de um novo arranjo produtivo de tecnologia da comuni-
cação e da informação (TCI) na área central, em consonância com o atual programa
Estação Digital.

Diretrizes:

1. Estabelecer uma política de ciência e tecnologia, voltada para o


desenvolvimento sócio-econômico de nosso município.

2. Criar uma unidade de gestão (secretaria ou departamento), que ge-


rencie os programas e projetos estabelecidos nas políticas públicas
de ciência e tecnologia, objetivando tornar a cidade competitiva,
iniciando um processo de estímulo empresarial.

. Implementar diretrizes estratégicas de ciência e tecnologia e de


desenvolvimento, de curto, médio e longo prazos, utilizando os
recursos do Fundo Municipal de Ciência e Tecnologia para a correta
execução e aplicação das políticas públicas da área, conforme de-
termina a emenda 33 da Lei Orgânica de 2005, que estabelece para
esse fim 0,5% do total das receitas públicas municipais.

4. Promover e desenvolver a atividade econômica no município, sedi-


163

mentando um novo modelo de desenvolvimento, que otimizará as


potencialidades, integrando e articulando o governo, a comunida-
de científica e a sociedade. O governo deverá ser responsável pela
articulação, regulamentação, fiscalização e fomento; a comunidade
científica, pela pesquisa, capacitação e tecnologia e a sociedade,
por sua vez, contribuirá com seu empreendedorismo.

2.5. Turismo

Do ponto de vista social, o turismo funciona, basicamente, como abertura de


núcleos ao mundo, favorecido pelo contato de culturas e modos de vida diferentes,
maior entendimento e compreensão entre os povos.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Os aspectos sociais do turismo refletem-se sobre as comunidades regional e a
nacional, por irradiação, sob a forma de:

• fixação do homem ao seu meio ecológico, pelo surgimento de opor-


tunidades locais de trabalho e descoberta dos valores da terra;

• desenvolvimento de planos urbanísticos que disciplinem o cresci-


mento das comunidades, conservando-as ou transformando-as em
núcleos receptores adequados, por um processo de embeleza-
mento, funcionalidade e evidência de seus valores;

Recentemente, Goiânia recebeu o título de Cidade Ecologicamente Correta,


principalmente por dispor de uma área verde que corresponde a quase 30% da
área urbana, incluindo praças, parques e ruas arborizadas. Também é considerada
como pólo de concentração de negócios e decisões do Centro-Oeste.

Algumas vantagens tornam a cidade uma referência. Ela está distante da capi-
tal federal apenas 202 Km, 900Km de São Paulo e se conectada a sete estradas fe-
derais. Por transporte aéreo, Goiânia tem a distância média mais curta dentre todas
as capitais.

O segmento hoteleiro, o suporte de locais para eventos e as parcerias entre


instituições e entidades representativas do setor, também contribuem para destacar
a capital no cenário nacional. A boa receptividade dos goianienses e a disponi-
bilidade de infra-estrutura têm contribuído efetivamente para o aumento do fluxo
turístico na capital.

O Turismo faz parte do setor terciário da economia, que abrange atividades


relativas à prestação de serviços em diversas áreas. No Brasil, em apenas um ano,
foram realizados mais de 330 mil eventos, 2% deles, 6.958, no Centro-Oeste. Hoje,
Goiânia é considerada como uma das principais cidades brasileiras em realização
164

de eventos. Segundo levantamento feito em 2005 pela Diretoria de Marketing do


Ministério do Turismo, ela é a 12ª mais visitada do Brasil nesses últimos dois anos.

De acordo com a Associação Médica de Goiás (AMG), Goiânia é considerada


um pólo de difusão de ciência médica nas seguintes especialidades: oftalmologia,
cardiologia, neurologia e queimadura. Por esse motivo grande parte dos eventos
são da área médica.

O Centro de Cultura e Convenções de Goiânia é um local de destaque para a


promoção do turismo de eventos e de negócios. Percentualmente corresponde a
3,7% dos locais disponíveis, mas certamente é o que mais promove eventos e negó-
cios, isso devido à sua estrutura capaz de abrigar até dez eventos simultâneos.

O turismo de eventos e negócios tem se fortalecido e vem se transformando em


um núcleo promissor. Os principais eventos são: Feira de Exposição Agropecuária,
a maior do país em negócios e a segunda em público; Cowboy do Asfalto Rodeio
Show, uma grande festa no estilo country; Carnagoiânia, capaz de concentrar multi-
dões, um dos maiores eventos do Centro–Oeste; Feira de Informática, com novida-
des e equipamentos de última geração e as feiras livres especiais, dentre as quais
se destaca a Feira Hippie, a maior da América Latina, realizada aos domingos com
público de cerca de 30 mil pessoas por dia.

Dentre os variados eventos realizados no Centro de Cultura e Convenções de


Goiânia em 2001, destacaram-se os congressos e eventos culturais. Esses eventos
165

congregam o maior número de visitantes da capital, de acordo com o registro das


entidades promotoras. Os outros eventos têm caráter político, religioso ou se refe-
rem às atividades sociais das escolas da grande Goiânia.

A Capital conta com 23.115 assentos distribuídos em ginásios, entidades, hotéis


e centro de convenção, em uma área total de 13.017 m², de acordo com os dados
fornecidos pelo SEBRAE-GO.

Atualmente, Goiânia dispõe de 132 hotéis e, aproximadamente, 12 mil leitos.


No demonstrativo abaixo não foram especificados os hotéis não classificados e o
número de apart-hotéis e flats. É importante destacar que cinco novos hotéis serão
inaugurados em 2006.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Um fator bastante considerado para a captação de novos eventos são os pre-
ços praticados em Goiânia, bem inferiores aos das demais capitais do país. Segun-
do pesquisa do SEBRAE, apurou-se uma média nacional de custo para assentos de
R$ 3,74 e R$ 3,62 para o m², enquanto que em Goiânia a média por assento é de R$
2,13 e R$ 0,50 para o m².

Goiânia conta atualmente com sete universidades e dezesseis faculdades, tota-


lizando vinte e três entidades de ensino superior. Dessas entidades, onze oferecem
cursos de turismo e hotelaria com bacharelado tecnológico e técnico.

A administração municipal tem como objetivo potencializar os produtos e ser-


viços oferecidos, estimular as empresas de apoio aos principais Arranjos Produtivos
Locais (APL), desenvolver o ecoturismo, propiciando a divulgação do patrimônio
ambiental, e incentivar os festivais de rock. Goiânia é hoje considerada a capital do
rock independente do Brasil, mas conta com pouco incentivo nessa área, embora o
público cresça a cada ano.

Além dos órgãos públicos, o atual sistema turístico de Goiânia conta com a
participação de diversas entidades e empresas.
Fonte: COMDATA / SEPLAM - 2006

P ontos T ur í sticos de G oiânia


167

Cenários desejados

Para a concretização do cenário desejado, faz-se necessário o desenvolvimento


de ações coordenadas envolvendo as instituições governamentais e as entidades
representantes dos diferentes setores da economia.

Esse esforço conjunto deve consolidar e divulgar a identidade goiana, associan-


do-a aos produtos e serviços da Região Metropolitana (RMG). A imagem da capital
deve ser mostrada de maneira forte e clara, diferenciando-as das demais.

A Goiânia do século 21 deverá ter o ser humano como referência, oferecendo


um espaço privilegiado e qualificado de convivência, propício à vida em comunida-
de. Vislumbra-se uma cidade com economia baseada na oferta de serviços de alta
qualidade, sobretudo no que diz respeito ao turismo de eventos; na proposição de

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
alternativas auto-sustentáveis como o uso racional dos recursos naturais; na valori-
zação dos produtos locais; no incentivo e apoio às micro e pequenas empresas em
todos segmentos produtivos como o artesanato, móveis com matérias-primas do
cerrado, agroindústrias de pequena escala produtiva, fitoterapia, hortaliças, cultivo
do pequizeiro por meio de muda, de viveiros etc.

Há uma série de atividades e atrações que podem ser apoiadas e incentivadas


de forma rentável e auto-sustentável, no intuito de superar a falta de turismo re-
creativo e de entretenimento nos intervalos dos eventos. É importante prover um
serviço complementar à atração, como loja de souvenirs, lanchonete com produtos
da região e roteiros turísticos exclusivos e diferenciados.

Esse é um campo de grande perspectiva para a iniciativa local. Autônomos,


pequenas empresas e agências de turismo podem manter um calendário de tours
culturais e expedições de ecoturismo, utilizando as sugestões de roteiros e trilhas
propostas.

Deve haver uma produção de material gráfico, como folhetos, mini mapas, fol-
ders, brochuras, banners etc., para a divulgação das características culturais e natu-
rais da região e promoção de Goiânia e de suas atrações. Além da ação direta do
município, grande parte desse material pode ser financiada pelos proprietários e
empresários diretamente beneficiados.

A administração pública municipal pode, ainda, reunir material de registro grá-


fico e audiovisual, já produzido institucionalmente e comercialmente, exibindo-o
permanentemente para o público visitante em museus, centros culturais, monumen-
tos etc. Essa é uma forma segura de popularizar e democratizar o patrimônio e o
conhecimento ambiental.

Essas proposições têm como objetivo ordenar o turismo, harmonizando suas


atividades com a conservação do meio ambiente, sem dispensar os benefícios que
168

lhe são inerentes. Para atingir tais propósitos, é necessária a conjugação de esforços
do governo, como o agente indutor, e da iniciativa privada, como agente promo-
tor.

É importante ressaltar que todos os produtos que divulguem a identidade


goianiense devem ser utilizados pelas empresas, órgãos públicos e outras entidades
da região, criando uma estratégia de comunicação e divulgação com abrangência
nacional.

Diretrizes:

1. Incrementar o turismo de eventos, de negócios, e ecoturismo, por


meio da promoção do artesanato e do acervo do patrimônio histó-
rico e cultural local.

2. Divulgar e promover os produtos turísticos locais junto aos princi-


pais mercados consumidores, gerando atratividade e competitivi-
dade para os mesmos.

. Implantar e implementar os projetos de sinalização turística, indi-


cando os diferentes roteiros turísticos da capital ao seu público
alvo, divulgando-os e promovendo-os.

4. Estabelecer critérios para definir a baixa e a alta temporada.

5. Criar novas oportunidades de ofertas turísticas, visando a interação


entre mercado, cliente, tecnologia e empresa.

6. Promover a capacitação, ou seja, a qualificação, a atualização e a


reciclagem dos agentes atuantes em toda a cadeia produtiva do
turismo: empresários, pessoal de atendimento, guias, taxistas, etc.

. Incentivar os festivais musicais, gastronômicos, esportivos, culturais,


etc., a fim de abrir novos mercados turísticos.

8. Estimular a composição de pacotes cruzados, envolvendo eventos,


negócios, cultura e ecoturismo.

9. Buscar parcerias com os meios de comunicação para promover


campanhas de conscientização popular, visando acabar com a des-
truição dos bens e equipamentos públicos.

10.Definir ações que incentivem e conscientizem a população sobre o


significado e importância da cidade em todos seus aspectos, tor-
nando todos os habitantes colaboradores e partícipes do desen-
volvimento turístico da cidade.
169

2.6. Sistema tributário local, finanças públicas munici-


pais e estimativas de recursos

O processo de municipalização

O processo de municipalização dos serviços públicos segue o seu curso, acar-


retando novas incumbências aos municípios. A transferência de responsabilidades
e ampliação das já existentes para a administração municipal, sem a devida contra-
partida financeira, pode ser agravada com a possibilidade de uma reforma tributária
centralizadora, capaz de comprometer o federalismo ao afrontar a autonomia finan-
ceira dos estados e, principalmente, dos municípios em favor da União.

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Crise financeira do setor público na União

De janeiro a dezembro de 2005, a receita bruta do Tesouro Nacional totalizou


R$ 392,4 bilhões (20,3% do PIB) contra R$ 338,3 bilhões (19,1% do PIB) em igual
período de 2004. O crescimento de 16,0% em termos nominais (1,15 ponto per-
centual do PIB) refletiu, basicamente, o aumento do lucro das empresas, uma vez
que a Contribução Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL) e o Imposto de Renda res-
ponderam, em conjunto, por 72,2% do aumento da arrecadação como percentual
do PIB.

Por outro lado, a arrecadação da Contribuição sobre Movimentação e Trans-


missão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF) como
proporção do PIB permaneceu estável, a arrecadação da COFINS apresentou um
crescimento modesto (de 4,49% do PIB para 4,55% do PIB) e a da Contribuição de
Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) declinou de 0,43% do PIB para 0,40% do
PIB.

A arrecadação da CSLL e do Imposto de Renda Pessoas Jurídicas (IRPJ) refleti-


ram essencialmente o maior dinamismo em setores como extração de minerais me-
tálicos (360,2%), telecomunicações (111,4%), combustíveis (61,0%), eletricidade
(39,8%), metalurgia básica (29,0%) e comércio atacadista (16,4%). Adicionalmente,
a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional tem atuado de maneira incisiva na defesa
do erário. Em 2005, as ações da procuradoria foram responsáveis pela arrecadação
de R$ 8,8 bilhões.

As demais receitas do Tesouro Nacional totalizaram R$ 44,3 bilhões em 2005,


contra R$ 36,7 bilhões no ano anterior. Do aumento total de R$ 7,6 bilhões, R$ 3,0
bilhões refere-se à rubrica “Cota-Parte de Compensações Financeiras” pela explo-
ração de petróleo e gás natural, que são repartidas com estados e municípios. O
170

acréscimo no volume de arrecadação dessa rubrica reflete os elevados níveis dos


preços internacionais do petróleo e o aumento do volume de produção.

A receita diretamente arrecadada apresentou incremento de R$ 2,5 bilhões. A


receita imputada da Contribuição para o Plano de Seguridade Social do Servidor
Público (CPSS) aumentou em R$ 1,4 bilhão, em decorrência da Lei no 10.887, de 18
de junho de 2004, que elevou de 11% para 22% a alíquota de contribuição patronal
para o custeio do regime de previdência do servidor público federal da União, de
suas autarquias e fundações.

Por último, o recolhimento dos dividendos pagos ao Tesouro Nacional foi R$


545,0 milhões superior (12,6%) ao registrado no acumulado do mesmo período de
2004, reflexo da elevação na lucratividade das empresas nas quais a União mantém
participação acionária.

Em dezembro, as transferências a estados e municípios totalizaram R$ 9,3 bi-


lhões, contra R$ 8,2 bilhões em novembro, apresentando variação de R$ 1,1 bilhão
(12,8%). As transferências constitucionais para FPE e FPM se elevaram em 40,2%,
refletindo o aumento no montante de recursos arrecadados no primeiro decêndio
de dezembro, o repasse dos valores referentes à arrecadação do Parcelamento
Especial (Paes) e a redução no volume de restituições.

Em dezembro, a dívida líquida do Tesouro Nacional totalizou R$ 541,9 bilhões,


equivalentes a 28,0% do PIB acumulado nos últimos doze meses, sendo 68,0% refe-
rente à parcela interna e 32,0% à parcela externa. De forma negativa, a alta de juros,
utilizada como mecanismo de controle inflacionário, tem provocado significativa
elevação da dívida brasileira.

A política de taxas de juros adotada pelo Governo Federal tem provocado rela-
tivo recuo da inflação, proporcionando eventualmente deflação. Entretanto o custo
dessa política tem sido relevante, quer pela retração da atividade econômica e de
novos investimentos provocada pelo encarecimento do crédito, quer pelo impacto
dessa política monetária nas contas do governo federal.

A realidade municipal

Mesmo bem definidas as regras de distribuição das receitas públicas entre os


três níveis de governo, a parcela destinada aos municípios, cerca de 16% da receita
tributaria disponível, tem-se revelado insuficiente para atender ao conjunto sempre
crescente de obrigações.

No caso de Goiânia, a ação da Prefeitura não se restringe ao que é do seu inte-


resse e de seus moradores, pois extrapola o seu território e a obriga a dar conta de
171

demandas vindas de outras cidades, muito especialmente na área de transporte e


saúde. Ou seja, a municipalidade precisa manter uma infra-estrutura capaz de aten-
der a um fluxo adicional de pessoas e de veículos, que vêm do interior em busca
de atendimento na área de saúde e com destino aos órgãos públicos estaduais e
federais e outros serviços.

Outros dois fatores merecem atenção. Em dado momento, no passado, os mu-


nicípios conquistaram uma elevação significativa de sua participação nas receitas
federais, por meio do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), 22,5% do Im-
posto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. Entretanto, a União,
paralelamente, passou a criar e aumentar tributos e contribuições não partilhados
com estados e municípios, praticamente neutralizando o ganho anterior.

A estrutura das receitas do Município do Goiânia (tabela 1), por meio dos esfor-

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
ços realizados, reflete uma certa independência em relação às transferências consti-
tucionais da União, através do FPM; e do Estado, por via da cota-parte do Imposto
sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Servi-
ços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS). T o d a s
as transferências constitucionais representam 31,31% das receitas do município de
Goiânia contra 36,05% das receitas próprias, ou seja, aquelas de competência mu-
nicipal (ano 2005).

A partir desses valores, o grau de independência financeira do município apre-


senta uma trajetória de crescimento gradativo, ou uma menor dependência do mu-
nicípio em relação às transferências constitucionais.
172

A execução orçamentária do município de Goiânia em 2005 mostrou-se ade-


quada para uma administração pública equilibrada, ou seja, despesas compatíveis
com a evolução das receitas.

As receitas do município de Goiânia arrecadadas no exercício de 2005, no


valor de R$ 1,27 bilhões, representam um crescimento real de 1,78% em relação ao
ano anterior.

A execução da despesa total do município de Goiânia, no exercício de 2005,


em comparação com o exercício de 2004, mostra um acréscimo real de 5,72%,
conforme se segue:
1 73

Recursos a aplicar

Para o período de 2006 a 2017, estima-se que o Tesouro Municipal disponha


de uma receita de R$ 1,00 bilhões, para, em conjunto com recursos captados de ou-
tras fontes, possam ser financiados os programas e projetos discriminados no Plano

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Diretor.

Estão previstos para aplicação pelo Poder Executivo Municipal, no período de


2006 a 2010, a importância de R$ 181,7 milhões, oriundos de operação de crédito
com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e operações internas, des-
tinadas ao Programa de Melhoria Ambiental do Córrego Macambira e do Ribeirão
Anicuns.

Diretrizes

Dessa forma, faz-se necessária a implantação de um conjunto de ações com


o objetivo de aumentar ainda mais a participação dos tributos de competência do
município. São elas:

1. Continuar o processo de modernização da administração tributária,


por meio da manutenção da atual política tributária municipal, que
tem se pautado pela sua integração às políticas de desenvolvimen-
to local, para os diferentes setores produtivos.

2. Criar novas ferramentas de trabalho para auferir a produtividade do


fisco municipal, por meio do estabelecimento de sistema de metas
de arrecadação.

. Incorporar, o mais rápido possível, a moderna tecnologia da in-


formação nos cadastros mercantis e imobiliários para otimização a
ação fiscal contemplada no Programa Nacional de Apoio à Gestão
Administrativa e Fiscal dos Municípios Brasileiros (PNAFM).

4. Utilizar a mídia visando promover a educação tributária e esclarecer


sobre os seus benefícios para a sociedade.
174

5. Ampliar o mecanismo da substituição tributária e intensificar a fis-


calização nas empresas obrigadas a efetuar a retenção na fonte.
Esse instrumento de arrecadação mostrou-se eficiente, entretanto,
alguns ajustes devem ser feitos com o advento da Lei Complementar
nº 116/2003.

6. Mudar a cobrança da Dívida Ativa para agilizar a recuperação dos


créditos da receita tributária própria.

. Otimizar os procedimentos na área dos tributos imobiliários, com


destaque para a adoção da tecnologia do geoprocessamento.

8. Instituir um programa de educação fiscal integrado a todas as de-


mais atividades da administração municipal.

9. Promover negociações visando aumentar a capacidade financeira


do município por meio de transferências voluntárias das outras es-
feras dos governos Estadual e Federal para financiar intervenções
consideradas estratégicas por esse Plano Diretor.

10. Fazer gestões junto ao Governo do Estado, visando reverter a que-


da crescente do município de Goiânia no Índice de Participação dos
Municípios (IPM), que é um índice percentual pertencente a cada
município a ser aplicado no montante representado pelos 25% da
arrecadação do ICMS, ou seja, imposto sobre operações relativas à
circulação de mercadorias e sobre prestação de serviços de trans-
porte interestadual e intermunicipal e comunicação, pertencente ao
município. É esse índice que viabiliza o Estado a entregar as par-
celas da receita tributária, prevista na CF (Constitução Federal ção
Federativa) e pertencentes aos municípios. No último qüinqüênio
ele caiu de 25,3397 (exercício de 2000) para 18,3048 (exercício
de 2005), representando uma queda de 27,76% na arrecadação da
cota-parte do ICMS do município de Goiânia.

11.Levantar, identificar e desapropriar áreas desocupadas e sem de-


manda de uso para o estabelecimento de programas de habitação
de interesse social, viabilizando o acesso da população de baixa
renda ao solo urbano legalizado e adequadamente localizado.

12. Aprovar de modificar normas constitucionais visando a ampliação


do percentual de participação do FPM nos impostos federais.
D esen v ol v imento E conômico
Fonte: COMDATA / SEPLAM - 2006
1 77

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Eixo Estratégico
Sociocultural

O desenvolvimento sociocultural, questão de agenda das


políticas públicas de governo, em razão do crescimento acele-
rado das cidades e do aumento da pobreza de sua população,
torna-se relevante no âmbito do Plano Diretor, na medida em
que a compreensão do seu significado, passa a definir recomen-
dações em relação a organização territorial necessária para o de-
senvolvimento das atividades inerentes ao viver urbano. Para isso
o eixo Estratégico de Desenvolvimento Sociocultural foi estrutu-
rado pelos temas relevantes: educação, saúde, inclusão social,
moradia e cultura que deve garantir e promover ações estratégi-
cas que possibilitem a implementação dos programas definidos
pelo Plano Diretor e os projetos da gestão.
179

INTRODUÇÃO
A Goiânia do século XXI, será a cidade do capital humano, cidadão com as
capacidades necessárias para sua inclusão social. Dessa forma devem ser conside-
rados os problemas que afetam a população, associados às soluções dos aspectos
funcionais da cidade, suas relações e condicionantes ambientais.

No âmbito cultural e político Goiânia, deve oferecer as possibilidades de for-


mação e transmissão da cultura nacional e regional, as relações globais na educação
e na formação da cidadania urbana tendo como foco as relações sociais saudáveis

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
e fonte de bem estar e qualidade de vida.

Aumentar as oportunidades de uma vida melhor, num ambiente sadio e com


elevada participação popular, sucintamente constitui a base do desenvolvimento
humano sustentável.

O papel da educação nesse processo é sem dúvida de suma importânia. A


defesa de uma educação pública, laica, gratuita, de qualidade e democrática, su-
perando o modelo de excludente e definindo como meta a elevação do nível de
escoliradade como um dos elementos essenciais para a qualidade de vida. Buscar
na universalização a ferramenta primordial para a inclusão em todas as suas especi-
ficidades.

Na área de Saúde, os avanços necessários passam essencialmente pelo eixo


norteador da promoção da saúde, estendida como um processo contínuo, inter-
setorial, que aponte novas formas de intervenção que considere as causas básicas
das doenças e implantando práticas políticas e de gestão da saúde, que indiquem
condições de trabalho, vida e relacionamento do homem consigo mesmo e com
suas semelhantes.

Para a cidade que desejamos as políticas da saúde devem considerar a descen-


tralização de sua execução, a equidade e a participação da sociedade.

A moradia como abrigo fundamental da vida em família, deve ser considerada


de forma integral. Para isso, os investimentos serão a sustentação da política habi-
tacional da capital. Como tal deve minimizar os índices da pobreza da população,
a carência da moradia, tendo na construção civil um dínamo para a superação do
déficit existente e instrumento de geração de emprego e renda para a população.

O sentimento de pertença de uma comunidade deve ser representando pelo


fomento, resgate e preservação do patrimônio cultural e histórico da cidade. Só
assim será delineada a história e os caminhos para a estabilidade e o desenvolvimen-
to cultural que desejamos para a Goiânia do Século XXI, onde sua população terá
180

garantida a acessibilidade as bens culturais do município e a integração de todas as


suas manifestações.

O desenvolvimento sociocultural, questão de agenda das políticas públicas de


governo, em razão do crescimento acelerado das cidades e do aumento de da
pobreza de suas população, torna-se relevante no âmbito do Plano Diretor, na me-
dida em que a compreensão do seu significado, passa a definir recomendações em
relação a organização territorial necessárias para o desenvolvimento das atividades
inerentes ao viver urbano.

E duca ç ã o
1. Cenário atual

A visualização do cenário da educação passa, necessariamente, pela análise


dos níveis de instrução de seus habitantes e do quadro atual de equipamentos
existentes, observando sua distribuição e localização na malha urbana e relação de
prioridade para atendimento das necessidades básicas da população.

Cabe lembrar que nos indicadores de vida, Índice Municipal de Desenvolvi-


mento Humano Municipal (IDH-M), calculados em 1998 pelo Programa das Nações
Unidas do Desenvolvimento (PNUD), Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)
e Fundação João Pinheiro (FJP), Goiânia já apontava um gradativo aumento do nú-
mero médio de anos de escolaridade por faixa populacional com 25 anos ou mais,
conforme se pode verificar no quadro abaixo:

Dados do Censo IBGE (2000), analisados pelo Atlas do Desenvolvimento Hu-


mano (2003), mostraram uma redução dos índices de analfabetismo em Goiânia,
estabelecendo-se uma relação entre os anos de 1991 e 2000, conforme quadro
abaixo:
181

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
A maior redução, em níveis relativos, foi na taxa de analfabetismo que, no pe-
ríodo, caiu de 10,7% para 6,4%. Observa-se que o percentual de habitantes com
menos de 8 anos de estudo também diminuiu, ainda que em proporções menores.
Tal fato gerou um ligeiro aumento do nível médio de anos na escola, que em 1991
era de 7,0% e em 2000 passou a ser de 7,9%.

Em termos absolutos, isso representou um dado positivo, no entanto, o nível


apresentado ainda não corresponde ao que a lei brasileira define como básico, que
inclui o ensino médio, elevando o número de estudos para 11 anos. Por outro lado,
considerando a população de 1.083.000 (Censo IBGE – 2000) verificou-se, a partir
do índice acima, que em Goiânia havia cerca de 60.000 analfabetos.

Em relação ao nível educacional da população infanto-juvenil, ou seja, com me-


nos de 25 anos, o Atlas do Desenvolvimento Humano apontou alguns dados positi-
vos, como pode ser verificado no quadro abaixo:
182

Em todas as faixas houve uma queda acentuada dos índices de analfabetismo


e um aumento progressivo dos anos de escolaridade. Da mesma forma, verificou-se
um aumento nos índices de crianças e jovens que freqüentavam a escola, tanto na
faixa de 7 a 14 como na específica de 10 a 14, ambas chegando a quase 98%.

Foi significativa a redução do índice de jovens de 15 a 17 anos, com menos de


8 anos de estudo. O percentual caiu de 71,6%, em 1991, para 47,3%, em 2000.
Paralelamente houve um aumento do percentual dos que freqüentavam a escola,
podendo-se inferir que uma parcela maior estava cursando o nível médio.

No entanto, chama a atenção que 12,7% dos jovens, entre 15 e 17 anos, esti-
veram fora da escola. Isso demonstrou que sua permanência em sala de aula não foi
garantida, tanto na conclusão do fundamental quanto no ensino médio.

Goiânia dispõe de escolas e vagas suficientes, nos ensinos fundamental e mé-


dio. Atualmente, o principal desafio na área da educação é elevar a qualidade do
ensino, que, além disso, deve cumprir sua função social - preparar o estudante para
o exercício da cidadania e inseri-lo, com competência, no mundo do trabalho.

Quanto aos equipamentos sociais que abrigam a educação básica, conforme


Censo IBGE e Censo Escolar do Ministério da Educação e Cultura (MEC), ambos de
2000, pode-se dizer que se encontravam, assim, distribuídos:

 São mantidos aqui os dados apresentados na Agenda 21/2004, uma vez que correlacionam num mesmo recorte
temporal, o Censo do IBGE e o Censo Escolar,ambos de 2000, e por considerar que em temos numéricos não houve
alteração significativa dessa data para cá, com exceção da educação infantil em que as mudanças dizem respeito à
instância administrativa a ofertá-la, e não ao número de instituições educacionais.
183

As regiões Sul e Central são as que concentraram, proporcionalmente, o maior


número de instituições educacionais. Comparando-se o percentual da população de
cada uma delas, percebe-se que a porcentagem relativa de matrículas foi superior
às verificadas nas demais regiões, porquanto a Região Central representou 13,5% da
população e abrigou 20% das matrículas.

A regiões Sul e Campinas também apresentaram um índice de matrículas ligeira-


mente superior, mas a proporção foi menor do que a verificada na Região Central.
Em todas as demais regiões, o que se percebeu foi o inverso, ou seja, o percentual
relativo de matrículas apresentou-se ligeiramente inferior ao percentual relativo de
habitantes.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Paralelamente à espacialização, considera-se importante analisar a distribuição
do ensino por instância administrativa e por nível/modalidade. O quadro a seguir
apresenta dados sistematizados a partir do Censo Escolar do MEC/INEP de 2005.
E Q U I P A M E N T O s S O C I A I S - E D U C A ÇÃ O
185

Analisando esses dados, percebe-se que na educação infantil o atendimento


às crianças de 0 a 3 anos está distribuído de forma quase igualitária, com um núme-
ro ligeiramente superior nas instituições públicas municipais, representando 36,0%,
32,0% nas filantrópicas com e 30,0% nas particulares.

Quanto ao atendimento às crianças de 4 a 6 anos, observa-se que o maior


número de matrículas, 62,9%, está nas instituições privadas, 22.9% nas municipais
e 12,3% nas filantrópicas. Essa distribuição é decorrente do processo histórico de
oferta de pré-escola pelas instituições privadas, enquanto que o atendimento públi-
co a 0 a 3 anos foi feito pelos órgãos de assistência social e instituições filantrópicas,
passando, só recentemente, para o âmbito da educação pública.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural

É preciso ressaltar que na Rede Municipal de Educação de Goiânia, com a ex-


pansão do ensino fundamental de 8 para 9 anos, as crianças são matriculadas a partir
de 6 anos, ou a completar. Isso representa um número bastante expressivo que,
entretanto, não foi computado pelo Censo Escolar do MEC/INEP como pertencente
à educação infantil e sim ao ensino fundamental. A seguir gráficos representativos
desse atendimento.
186

No ensino fundamental, a maior oferta de atendimento está na rede pública,


que totaliza 69,5% das matrículas, 28,6% nas instituições estaduais e 44,4 nas muni-
cipais; a rede privada detém 24,4% e a filantrópica com 2,6%.

A presença da rede estadual é marcante na oferta do ensino médio, captando


72,2% das matrículas. As instituições privadas, por sua vez, absorvem 25,0%, as
filantrópicas 1,8% e as federais 0,1%.
187

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Na educação especial, em instituições especializadas, verifica-se que o número
de crianças e jovens atendidos ainda é reduzido. Dos matriculados, 37,0% estão em
instituições estaduais, 36,0% nas filantrópicas e 24,9% nas municipais.
188

O maior número de crianças e jovens com necessidades educacionais especiais


(NEE), atendidas em classes comuns do ensino fundamental, encontram-se na rede
estadual de ensino, 57,2%. Na rede municipal estão 31,2%, em instituições privadas
10,2% e 1,3 % nas filantrópicas.

Deve-se frisar que o Censo Escolar do MEC/INEP não incluiu os alunos do chama-
do Sistema “S” - SENAI, SENAC, SESI e SEC etc. Essa “falha” levou a apontar a existên-
cia de apenas 4.097 alunos no ensino profissional. Desses, 19,5% encontravam-se na
única instituição federal que oferece essa formação, o Centro Federal de Educação
Tecnológica (CEFET), 2,3% nas instituições estaduais e 78,2% em instituições priva-
das.

É possível ter uma idéia do atendimento feito por esse sistema, pois só o SENAI
atendeu 22.902 alunos em suas três unidades, conforme dados da Secretaria Esta-
dual de Educação, contidos no Plano Municipal de Educação de Goiânia.
189

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Quanto à oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no ensino fundamental,
o Censo Escolar segue uma sistemática diferente das adotadas pelas Secretarias de
Educação Estadual e Municipal. No Censo são considerados “EJA” os alunos matri-
culados em cursos supletivos. Como o município os atende no ensino regular, sob
organização seriada, seu quantitativo não aparece no Censo sob a designação de
EJA, por serem incluídos no ensino fundamental, dando a impressão errônea de que
nenhum aluno foi atendido nas escolas municipais. Assim, a rede estadual aparece
com 95,5% das matrículas e as instituições privadas, com 5,0%.
190

Na oferta de Educação de Jovens e Adultos do ensino médio, a grande con-


centração de matrículas, 80,0%, está nas instituições públicas estaduais que, por lei,
são responsáveis por esse nível. Nas instituições privadas estão 20,0% dos matricu-
lados.

A rede pública municipal de Goiânia não trabalha nessa área, uma vez que a lei
permite sua atuação em outros níveis somente quando as demandas sob sua compe-
tência - educação infantil e ensino fundamental - estiverem plenamente atendidas.

Verifica-se que a concentração maior de instituições de educação fundamen-


tal e, principalmente, de ensino médio, também está na Região Central. As escolas
destinadas à educação infantil se encontram mais bem distribuídas, pois um número
representativo delas, antes de serem municipalizadas, estava vinculado a órgãos de
assistência social, cuja ação estendia-se aos bairros periféricos. Além disso, nos últi-
mos anos, os gestores municipais têm se preocupado em construir novas unidades
em setores onde há maior demanda.

Com relação às instituições de ensino superior, a grande maioria se localiza


nas regiões mais centrais ou suas imediações, exceto os dois campus universitários.
Goiânia dispõe de quatro universidades. Destacam-se, dentre elas, a Universidade
Federal de Goiás (UFG) e a Universidade Católica de Goiás (UCG), por serem tradi-
cionais e por oferecerem o maior número de cursos, a primeira 39 e a segunda 45.

As outras duas são a Universidade Estadual de Goiás, cuja atuação no estado é


de extrema relevância, embora em Goiânia a sua dimensão ainda não seja tão ex-
pressiva e o Centro Universitário de Goiás (Uni-Anhangüera).
191

São elas que, por sua natureza, realizam os programas de pós-graduação, pes-
quisas e projetos de extensão universitária. As demais instituições de ensino superior
constituem-se em faculdades isoladas ou em complexos.

Segundo a Sinopse Estatística da Educação Superior – Censo 2000, do Instituto


Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais (INEP), comentada no Plano Municipal
de Educação, “o número de alunos matriculados na rede de educação superior, em
Goiânia, era de 33.869 e o maior número de vagas oferecidas nesse nível de ensino
está na rede privada”.

Com relação à expansão nesse nível destaca que “desde o final da década de

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
1950, quando se instalou em Goiânia a Universidade Católica de Goiás, até o final da
década de 1980, havia no município de Goiânia, apenas a Universidade Federal de
Goiás, criada em 1960, e a Faculdade Anhangüera, em 1972. Entretanto, ao longo
da década de 1990, acentuou-se progressivamente a expansão da rede privada,
que até julho de 2002, contava com 13 instituições particulares”.

Essas, somadas às três públicas existentes – Universidade Federal de Goiás, o


Centro Federal de Ensino Tecnológico e à Universidade Estadual de Goiás – per-
fazem 16 instituições de ensino superior, número que é mantido no último Censo
Educacional do Ensino Superior, realizado pelo MEC/INEP. Informações dadas pela
Universidade Católica de Goiás comprovam, todavia, que, em 2006, já existem 23
instituições de ensino superior.

No mundo contemporâneo, as rápidas transformações destinam às universida-


des o desafio de desenvolver, além das atividades de ensino, pesquisa e extensão,
subsídios para a superação das desigualdades sociais. São elas que realizam 90%
das pesquisas e das pós-graduações nacionais (PNE 2001).

Nesse sentido, o plano que foi aprovado em lei, aponta a necessidade de ex-
pandir essas instituições públicas, por sua relevância no ensino superior e para aten-
der à demanda crescente de alunos, principalmente das camadas mais carentes.

Com mais de um milhão de habitantes, Goiânia é uma cidade com demandas


consideráveis no ensino técnico profissionalizante voltado para atender à diversida-
de dos setores da indústria, comércio, serviços, negócios, turismo e eventos.

Apesar da expansão de matrículas no ensino médio, há ainda uma grande defici-


ência na oferta de educação profissional de nível técnico. Pela atual lei brasileira ela
deixou de ser oferecida como parte integrante do ensino médio, para ser realizada,
após a sua conclusão ou concomitantemente a ele, em outras instituições voltadas
especificamente para essa área.

Como todos os estabelecimentos estaduais de ensino médio deixaram de ofe-


recer a educação profissional, abriu-se uma lacuna muito grande. Atualmente, em
192

Goiânia existem apenas três instituições públicas de educação profissional de nível


técnico-médio, uma federal, o Centro Federal de Ensino Tecnológico (CEFET), duas
estaduais, e uma quarta, oferecida por uma instituição privada em convênio com o
estado. Todas as demais são privadas.

Existem, na capital, 20 instituições privadas, das quais 7 pertencem ao Siste-


ma “S”, a saber - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) o Serviço
Nacional de Aprendizagem Comercial ( SENAC), que são as principais, por desen-
volverem um grande número de cursos profissionalizantes e o Serviço Nacional de
Aprendizagem do Transporte (SENAT). Registra-se ainda o Serviço Social da Indústria
(SESI) e o Serviço Social do Comércio (SESC) que, apesar de sua natureza social,
também oferecem alguns cursos.

Com relação à educação especial, Goiânia tem adotado o paradigma proposto


pelo Ministério da Educação e pelas leis brasileiras, que recomendam o atendimento
das pessoas com necessidade educacionais especiais, sejam elas crianças ou ado-
lescentes, em classes do ensino regular, sempre que possível, deixando de segregá-
las em instituições específicas.

No entanto, para aqueles que requerem atendimento ou serviços de apoio es-


pecializados, é previsto o atendimento em centros especiais, mantendo-os, prefe-
rencialmente, matriculados no ensino regular em outro horário. Somente nos casos
em que há um comprometimento maior, as crianças e adolescentes são mantidas
nessas instituições.

De acordo com os dados do MEC/INEP/SEE apontados no Plano Municipal de


Educação, havia, em 2000, 1.117 portadores de necessidades educacionais espe-
ciais freqüentando classes comuns do ensino regular em Goiânia. Em 2002, existiam
4.460 alunos matriculados nas escolas regulares, inclusivas, ou especiais.

É um número reduzido, pois conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS),


10 % da população é portadora de alguma necessidade especial. Considerando a
população escolar da educação básica, que engloba cerca de 330.000 alunos, con-
forme quadro apresentado anteriormente, o município teria 33.000 estudantes com
essa particularidade. Isso indica, segundo o referido plano, que é preciso buscar
maiores esclarecimentos sobre essas pessoas.

Goiânia conta com uma área rural significativa, com cerca de 360 km², o que
representa 48% de seu território, com uma população de 7.200 habitantes segundo
Censo IBGE/ 2000. Essa mesma pesquisa, também considera como rural uma popula-
ção, que, na verdade, vive em uma zona de intersecção entre o rural e o urbano, o
cinturão periférico da cidade, constituindo-se de várias ruralidades, com manuten-
ção de diferentes tradições musicais e religiosas, hábitos alimentares e culturais.

A educação na área rural sempre foi promovida pela rede municipal. Até 1997,
eram 13 escolas, três extintas ainda naquele ano. Em 1998, mais três foram fechadas
e três urbanizadas. Atualmente, o município conta com apenas quatro unidades
rurais. Essa diminuição deveu-se a uma política do governo federal que previa o
transporte de alunos para escolas na zona urbana, atualmente bastante criticada nos
meios educacionais, que defendem alternativas de ensino voltadas para as especifi-
cidades da população rural.
193

Nesse sentido, segundo o Plano Municipal de Educação (PME), existe proposta


de um projeto compartilhado com os municípios do entorno, uma vez que os inte-
resses são comuns e há, quanto ao atendimento educacional, certa interdependên-
cia entre eles.

2 . C enários dese j á v eis para a edu -


ca ç ã o

A cidadania ativa e participativa é feita por pessoas que se mobilizam e se as-

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
sociam em uma relação de cooperação, confiança e respeito às diversidades. Ela é
condição básica no trato dos assuntos de interesse público, interferindo e influen-
ciando as decisões.

É nesse contexto de cidade e de cidadania que as metas e as diretrizes – ali-


cerces do desenvolvimento do projeto estabelecido para Goiânia - devem ser pen-
sadas.

A conquista de um novo padrão de desenvolvimento e sustentabilidade é um


processo que ocorrerá de forma gradual. Nele os atores dos diferentes segmentos
pactuam novos consensos, compatibilizando justiça social, ciência econômica e pre-
servação ambiental.

O papel da educação nesse processo é de suma importância. A defesa de uma


educação pública, laica, gratuita, de qualidade e democrática é histórica e evolve
dois projetos educacionais: um excludente e seletivo e outro solidário e inclusivo.

Vários movimentos sugiram para superar o modelo excludente, que torna o


Brasil um dos países com os maiores índices de reprovação do mundo. Até recente-
mente, Goiânia adotava esse padrão.

Assim, para compor o cenário desejável para a educação em Goiânia deve-se


elevar o nível de escolaridade, um dos elementos essenciais para a qualidade de
vida.

No que se refere à educação básica, é preciso combater as formas de exclusão,


garantindo o acesso e a permanência na escola na idade adequada e permitindo a
continuidade dos estudos àqueles que não os concluíram no tempo regular.

Para a educação infantil são necessários novos paradigmas. Sua implantação


deve ser acompanhada e fiscalizada para que haja o fortalecimento necessário. Des-
sa forma, haverá a expansão desse ensino com qualidade, progressiva e gradual-
mente.

Paralelamente à universalização do ensino médio, o poder público precisa pro-


mover a democratização do ensino superior, permitindo o ingresso de um número
maior de estudantes, principalmente pobres, negros e deficientes físicos.
M apa da rede M unicipal da E duca ç ã o
C urto P ra z o
195

3 . D iretri z es para a educa ç ã o

Devido à sua relevância, considera-se importante apresentar as metas prioritá-


rias traçadas no Plano Municipal de Educação. São elas:

1. A elevação global do nível de escolaridade da população.

2. A melhoria da qualidade do ensino em todos os níveis.

. A redução das desigualdades sociais referentes ao acesso e perma-


nência, com sucesso, na escola.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
4. A democratização da gestão do ensino nos estabelecimentos ofi-
ciais, o que implica na participação dos trabalhadores da educação
no projeto político-pedagógico da escola e das comunidades es-
colares e locais em organizações estudantis, conselhos escolares,
conselho de gestores e em outras formas de organização da comu-
nidade escolar.

O Estatuto da Cidade (lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001), prevê que, no


processo de elaboração do Plano Diretor e de sua fiscalização, os poderes Legisla-
tivo e Executivo municipais garantam a promoção de audiências públicas e debates
com a participação da população e de associações representativas dos vários seg-
mentos da comunidade.

Considerando que essa prática foi iniciada junto ao processo de elaboração


da Agenda 21, cujas diretrizes encontram-se publicadas no documento Agenda 21-
2004 de Goiânia, é imprescindível que se transcreva aqui as diretrizes e respectivas
ações, expressas nesse documento.

Educação infantil

Diretriz:

Ampliar o atendimento com qualidade à educação infantil

Ações:

• Reordenar os recursos financeiros para a manutenção, ampliação e


melhoria da educação infantil;

• Adequar as instituições de educação infantil próprias e incorpora-


das no sistema municipal de educação, estabelecendo parâmetros
mínimos de qualidade a serem formulados intersetorialmente;
196

• Assegurar o desenvolvimento de um programa de capacitação e


formação específica de educadores para a educação infantil;

• Ampliar as ofertas de vagas nas instituições de educação infantil


assegurando a melhoria das condições de atendimento e a interdis-
ciplinaridade das ações.

Ensino fundamental da criança e adolescente

Diretriz:

Garantir a universalização do atendimento, com qualidade, a todas as crianças


e adolescentes no ensino fundamental.

Ações:

• Atualizar e disponibilizar o cadastro da demanda existente;

• Garantir a articulação, integração e colaboração das três esferas


– União, Estado e Município;

• Desenvolver políticas para a infância e a juventude;

• Envolver todos os profissionais da educação, bem como os edu-


candos e as famílias, na construção de um projeto educacional que
atenda às suas necessidades;

• Compatibilizar as formas de organização da educação básica (ci-


clos e séries) nas escolas estaduais, municipais e particulares.

Ensino fundamental jovens e adultos

Diretriz:

Garantir condições de acesso e continuidade dos estudos, com qualidade, aos


adolescentes, jovens e adultos.

Ações:

• Desenvolver, com o apoio dos empregadores, ações e estratégias


para permitir a formação permanente do trabalhador, incluindo a
jornada de trabalho compatível com a jornada escolar;

• Ampliar o atendimento aos adolescentes, jovens e adultos não alfa-


betizados, em parceria com a sociedade civil e com a participação
de educadores populares, oportunizando seu posterior ingresso no
ensino regular;

• Desenvolver propostas político-pedagógicas específicas para a


educação de jovens e adultos (EJA), na educação fundamental e no
197

ensino médio, que considerem as características dos educandos,


através de formas de organização, currículo, metodologias e horá-
rios compatíveis com sua realidade e compreensão de mundo.

Ensino Médio

Diretriz:

Reordenar e expandir o número de vagas no ensino médio.

Ações:

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
• Regulamentar o uso dos recursos da educação básica de forma a
possibilitar a gradativa ampliação do atendimento ao ensino mé-
dio;

• Ampliação da rede conforme a demanda existente, assegurando


trabalhadores da educação qualificados;

• Assegurar a instalação de laboratórios de tecnologia referentes a


cada uma das áreas de conhecimento que compõem o currículo
do ensino médio, possibilitando inclusive o acesso aos recursos de
informática em rede.

Educação profissional

Diretriz:

Reconhecer a importância e ampliar a oferta de educação profissional

Ações:

• Criar Centros de Educação Profissional que atendam a todos os ní-


veis (básico, técnico e tecnológico), ampliando a oferta de cursos
que atendam às necessidades da comunidade;

• Desenvolver ações integradas entre o Estado, município e a socie-


dade civil organizada para a implementação de banco de informa-
ção profissional, abrangendo cursos e vagas para empregos;

• Desenvolver políticas de inclusão para atender os trabalhadores in-


formais.

Valorização dos trabalhadores em educação

Diretriz:

Assegurar a formação profissional continuada e a valorização dos trabalhadores


em educação
198

Ações:

• Desenvolver estatutos e planos de carreira adequados;

• Incentivar o aprimoramento profissional dos servidores da educa-


ção por meio do afastamento remunerado para a realização de
pós-graduação, bem como a concessão de ajuda de custo para
patrocinar a participação em eventos de relevância;

• Fortalecer a atuação de profissionais da educação com a inserção


do trabalho interdisciplinar abrangendo áreas como psicopedago-
gia, psicologia, fonoaudiologia, serviço social e outras.

Gestão democrática

Diretriz:

Fortalecimento da gestão democrática e participativa.

Ações:

• Disseminar e implementar o Plano Municipal de Educação, em con-


junto com as representações da sociedade civil e outras esferas do
governo;

• Implementar e valorizar os conselhos escolares e os grêmios estu-


dantis;

• Possibilitar à comunidade a participação no planejamento, controle


e fiscalização das verbas destinadas à educação;

• Garantir a democratização dos recursos financeiros repassados às


instituições educacionais;

• Ampliar e consolidar parcerias entre o poder público e a sociedade


civil organizada de atividades comunitárias de lazer e esporte, em
conjunto com outras secretarias.

Na 2ª Conferência das Cidades, realizada em 2005, foi realizada nova consulta


aos diversos segmentos representativos da comunidade, registrando-se uma série
de propostas. Muitas coincidem com as já apresentadas e transcritas na Agenda 21-
2004. Outras não puderam ser contempladas por contrariarem a legislação vigente,
como o acesso de crianças à iniciação à aprendizagem profissional, vedada pelo
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que só a prevê para adolescentes, a
partir de 14 anos.

A seguir, colocam-se as diretrizes que merecem ser listadas no presente docu-


mento e que não apresentam equivalentes nas incluídas na Agenda 21.
199

• Oferecer educação básica, assegurando melhor qualidade no aten-


dimento, com funcionamento em espaços físicos adequados e com
vagas suficientes à demanda.

• Conscientizar e capacitar todas as camadas da população quanto


aos direitos humanos, os princípios de cidadania, o patrimônio cul-
tural, as questões de meio ambiente, saúde, orientação e diversida-
de sexual, em todos os níveis.

• Desenvolver políticas públicas que promovam maior eqüidade so-


cial, garantindo o acesso aos direitos fundamentais do cidadão,
sem assistencialismo.

• Ampliar as ações integradas de políticas públicas entre os órgãos

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
da área de desenvolvimento social: saúde, educação, assistência
social, cultura, esporte e lazer.

• Assegurar políticas públicas que promovam a inclusão digital nos


estabelecimentos de ensino.

• Assegurar que os princípios da solidariedade sejam mais trabalha-


dos nas escolas, levando os educandos a desenvolver um espírito
solidário que lhes permita atuar nos processos coletivos de partici-
pação social, seja no bairro ou na comunidade maior.

• Dar maior enfoque à educação ambiental nas escolas de educação


básica, visando obter maior conhecimento e conscientização sobre
meio ambiente, abrangendo a conservação, recuperação e preser-
vação dos bens naturais e as possibilidades de desenvolvimento
sustentável.

• Ampliar os espaços culturais, com garantia de recursos públicos


para o seu desenvolvimento, divulgando as ações previstas e res-
pectivas verbas para toda a comunidade, por meio das associações
de bairro, para que haja acompanhamento na aplicação.

• Criar Centros de Educação Profissional para níveis básico e técni-


co, ampliando a oferta de cursos que atendam às necessidades
da comunidade, nos diversos turnos, criando parcerias com setores
industriais e lojistas da cidade.

• Promover a inclusão das pessoas portadoras de necessidade es-


peciais na sociedade, assegurando atendimento aos seus direitos
específicos conforme garante a Constituição Federal/88 e outras
leis específicas, assegurando–lhes acesso aos setores da sociedade
economicamente ativa e aos seus processos de produção.

• Adequar os edifícios e serviços públicos e privados, equipamen-


tos, instalações e vias públicas às necessidades das pessoas com
deficiência, capacitando a população em geral para o atendimento
adequado às mesmas.
Á rea P ú b licas destinadas à E duca ç ã o
L ongo P ra z o
201

S a ú de

1 . C onte x tuali z a ç ã o
A população de Goiânia está estimada em 1.201.006 habitantes (2005), conta
com 791.150 eleitores (2004) e sua densidade demográfica é de 1.549,86 hab/km²
(2003). A Região Metropolitana de Goiânia, composta por 13 municípios, abrigava
1.657.726 habitantes, segundo o Censo de 2000. Para 2004, a população prevista
era de 1.872.328, como mostra a tabela abaixo.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
A maioria desses habitantes exerce pressão sobre a capital quanto à demanda
de serviços públicos e trabalho. Calcula-se que 13,3% da população dos municípios
vizinhos trabalha ou estuda fora de seu local de origem. Isso significa que, de um
contingente de 112.493 pessoas, 80,0%, ou seja, mais de 90 mil pessoas dirigem-se
à Goiânia.

O índice de abastecimento de água do município é de 92% e o indicador de


coleta de esgoto sanitário é de 80%. O sistema de coleta de esgotos atende a uma
população aproximada de um milhão de habitantes. Esses números situam a cidade
entre as primeiras posições no Brasil nesse tipo de atendimento.

Visando a descentralização política, técnica e administrativa, a Secretaria Muni-


cipal de Saúde, desde 1995, divide o município de Goiânia em nove regiões deno-
minadas distritos sanitários (DS).
202

Nos anos de 2002 e 2003 houve unificação das bases geográficas da Secretaria
de Planejamento, Secretaria Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Saúde
para doze regiões. Assim, continua-se trabalhando com nove sedes administrativas
de DS, mas com doze regiões, já que dois DS pertencem a duas regiões (Meia Pon-
te/Mendanha e Sul/Sudeste).

Observa-se a maior concentração populacional no Distrito Sanitário Sul/Sudeste


(19,66%) e menor no Distrito Sanitário Oeste (6,01%). A população feminina repre-
senta 52,33% do total e a masculina 47,67%. Quanto à faixa etária, há um predomí-
nio de jovens de até 34 anos (65,57 %).

A transição epidemiológica pode ser observada nos gráficos 1 e 2 (IBGE). Per-


cebe-se que há importante mudança no perfil da população: o aumento da faixa de
pessoas mais velhas. Esse fato leva à alteração do modelo assistencial por causa da
emergência das doenças crônico-degenerativas.

A população de 15 a 65 anos demonstra um crescimento sensível, para o qual


contribuem o processo migratório e as políticas de saúde que, embora não se apre-
sentem plenamente satisfatórias, têm contribuído para melhorar os indicadores que
se traduzem em maior longevidade.
203

DESENVOLVIMENTO Sociocultural

2 . P erfil de mortalidade

Em 2004, de acordo com o SIM/SMS, ocorreram 5.993 óbitos de residentes de


Goiânia. Do total, 75,89% das pessoas tinham mais de 45 anos, 18,22% entre 15
e 44 anos, 1,15% entre 5 e 14 anos , 0,70% entre 1 e 4 anos e 4,04% menos de 1
ano de idade.
204

O perfil de mortalidade dos habitantes de Goiânia mostra um padrão parecido


com o de grande parte dos outros países: predominam as mortes ocasionadas por
doenças do aparelho circulatório, neoplasias e causas externas.

Em 2005, as principais causas de óbitos foram as doenças do aparellho circu-


latório, em segundo lugar as neoplasias e em terceiro as causas externas. Esses e
outros dados podem ser vistos na tabela abaixo.

Em relação às causas externas, os homicídios superaram os acidentes de trân-


sito. A redução da mortalidade por acidente de transporte vem ocorrendo desde
2004. Isso pode ser indício do efeito das intervenções adotadas por meio do Pro-
grama de Redução da Morbimortalidade por Acidente de Trânsito e das ações do
Núcleo de Prevenção às Violências e Promoção à Saúde.

Ambos foram implantados em 2004 e vêm estabelecendo parcerias importan-


tes, destacando-se a divulgação na mídia e a atuação da Rede de Atenção às Mulhe-
res, Crianças e Adolescentes em Situação de Violência (RAMCA).

O aumento da mortalidade por homicídios é preocupante. Trata-se de um fenô-


meno de causas complexas que não poderiam ser evitadas mediante ações isoladas
dos serviços de saúde, necessitando de práticas intersetoriais.
205

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
No ano de 2005, em Goiânia, foram 840 as vítimas fatais por causas externas.
O risco de um homem morrer vítima da violência é cerca de 6,7 vezes maior que o
de uma mulher. Essas mortes atingem significativamente os adolescentes e adultos
jovens, haja vista que a faixa etária de 15 a 34 anos concentrou 44,6% das vítimas
fatais.
206

3 . M ortalidade infantil
Nos últimos anos observa-se uma tendência de declínio da taxa de mortalida-
de infantil: 17,7 em 2000 para 12,6/1.000 NV (nascidos vivos). Isso é resultado do
desenvolvimento de ações voltadas para o planejamento familiar, pré-natal, parto e
atenção aos recém nascidos, especialmente os de alto risco.

Entre as diversas ações desenvolvidas destacam-se: a instituição do Comitê In-


terno de Redução da Mortalidade Infantil, a criação de referências ambulatoriais
para acompanhamento de recém-nascidos de alto risco, salas de estimulação psico-
motora distribuídas por todos os distritos sanitários e garantia do surfactante pulmo-
nar exógeno em todas as UTIs neonatais credenciadas ao SUS. Observa-se que, no
âmbito da mortalidade infantil, a neonatal corresponde à maior parcela.
207

Em 2004, trabalhou-se com essa divisão de DS. Em 2005, o DS Meia Ponte/


Mendanha denominou-se Mendanha e Campinas denominou-se Meia Ponte. Fonte:
SIM/SINASC/SMS

Observa-se que a mortalidade infantil vem apresentando uma tendência de


queda, mas há desigualdades entre os distritos sanitários. As menores taxas estão no
Norte, Oeste, Campinas e Leste e as maiores no Nordeste, Sudoeste e Sul/Sudeste.

Destaca-se que a maior taxa de mortalidade infantil em 2000 estava no Distri-


to Sanitário Noroeste e correspondia a 20,8/1.000 NV. Em 2004, caiu para 12,8,
provavelmente em decorrência dos cuidados oferecidos pela Maternidade Nascer

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Cidadão, da Pastoral da Criança, da cobertura do PSF, entre outras.
208

4 . N ascidos v i v os
Em 2005, registram-se 18.795 NV (nascidos vivos) em Goiânia, 51,1% do sexo
masculino e 48,8% do sexo feminino. Dentre eles, 8,3% apresentaram baixo peso ao
nascer, abaixo da prevalência nacional estimada em 8,5%. Vale lembrar que mesmo
em países desenvolvidos, cuja ocorrência de baixo peso é de 6%, as perspectivas
de redução desse índice são reduzidas.
209

5 . M ortalidade materna
As causas da mortalidade materna são, na maioria das vezes, evitáveis por ações
simples como a melhoria de qualidade da assistência pré-natal, do acesso aos servi-
ços e uma atenção mais acurada ao parto.

Durante o ano de 2005, o Comitê de Morte Feminina e Materna de Goiânia rece-


beu para investigação 495 declarações de óbitos femininos de 10 a 54 anos. Após
investigações foram excluídas 37 delas por pertencerem a outro município, serem
referentes a pessoas do sexo masculino ou com idade inferior a 10 ou superior a
54 anos. Nesse universo, destacaram-se 402 óbitos de mulheres em idade fértil, ou

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
seja, de 10 a 49 anos.

Até o final do mês de março de 2006 foram concluídas 291 investigações


(66,2%), cujos resultados serão relatados no relatório geral. Nelas pode-se verificar:
causas dos óbitos, distribuição por distritos sanitários, por idade e número.

Faltam ser investigados 167 óbitos. Alguns ainda estão nos distritos para pesqui-
sa domiciliar, outros estão em investigação hospitalar e há os que aguardam resulta-
do de necropsia para serem analisados por grupo interdisciplinar.

Em suma, dados da pesquisa:

1. Total de declarações de óbitos femininos recebidos: 495.

2. Número de óbitos femininos em idade fértil: 402.

. Número de fichas de investigação de óbitos de 10 a 54 anos: 458.

4. Número de óbitos investigados concluídos: 291.

5. Taxa de óbitos investigados: 66.2% (meta pactuada 70%)

6 . M odelo de organi z a ç ã o dos ser -


v i ç os de sa ú de

Na prestação dos serviços de assistência à saúde da população, a Prefeitura


Municipal de Goiânia, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMC), obedece
às diretrizes recomendadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS): a universalidade, a
hierarquização e a descentralização do atendimento.

A construção desse modelo vem exigindo a descentralização da rede de servi-


ços. A regionalização do atendimento foi feita com base nas divisões administrativas
de Goiânia, determinadas pela Secretaria Municipal de Planejamento. No âmbito da
210

SMS, essas regionais são conhecidas como distritos sanitários. Atualmente, 9 deles
estão estruturados, mas deverão ser ampliados para 12.

A prestação dos serviços de assistência à saúde em Goiânia está organizada


conforme a complexidade do atendimento. O sistema conta com unidades de Aten-
ção Básica, Média e de Alta Complexidade. Na rede existem unidades públicas,
filantrópicas, privadas conveniadas ao SUS e unidades privadas não conveniadas.

A Atenção Básica é a porta de entrada dos serviços. Foi construída a partir das
Unidades Básicas de Saúde, nas quais se incluem as Unidades de Atenção Básica à
Saúde da Família.

Os atendimentos considerados de alta complexidade, os de referência, inclu-


sive externa, são feitos nas unidades convencionadas, como o Hospital de Doenças
Tropicais e o Hospital de Urgências de Goiânia, dentre outros, ou nas unidades pró-
prias, parceiras e conveniadas.

Cabe ressaltar que Goiânia é reconhecida, nacional e internacionalmente, pelo


desenvolvimento alcançados em certas áreas médicas, como a oftalmologia, a car-
diologia e a urologia, entre outras, e pela facilidade no encaminhamento.

Por essas razões, o município converteu-se em pólo de tratamentos de alto cus-


to, atraindo não só pessoas do interior do estado, mas também das regiões Norte
e Nordeste.

Dessa forma, Goiânia tem experimentado a conversão de um modelo tradicio-


nal - marcado pela centralização do atendimento em ações curativas, por serviços
e ações isoladas e por diretrizes sem vínculos com a realidade – em um modelo
assistencial descentralizado, interprofissional e integral, centrado no indivíduo, na
família e na comunidade.

7 . R ede do S U S em G oiânia
Segundo sua natureza, os serviços ambulatoriais e hospitalares da rede distri-
buem-se em públicos, filantrópicos, privados conveniados ao SUS e privados, como
demonstra a tabela abaixo.
211

DESENVOLVIMENTO Sociocultural

Em 2004 foram realizadas cerca de 155.632 internações com o valor total apro-
ximado de R$ 113.127.938,55.
212

Destaca-se que os gastos com internações hospitalares destinaram-se, predo-


minantemente, aos pacientes oriundos de outros municípios, como mostra a tabela
e o gráfico abaixo:
213

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Em 2005, conforme o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, Goiâ-
nia possuía 6.181 leitos hospitalares, dos quais 66,78% estavam destinados ao SUS e
33,22% a outros. Percebe-se o predomínio dos leitos hospitalares clínicos (52,87%)
e cirúrgicos (42,76%), com concentração na esfera privada.

Segundo a ASPLAN - Relatório Comparativo Anual entre Meta e Produção Reali-


zada, mapas mensais de coletas de dados, dados do PSF, INTRANET e Saúde Bucal
– a Secretaria Municipal de Saúde realizou em suas unidades:

• Em 1992, 199.104 consultas médicas básicas, 858.323 atendimen-


tos básicos e 7.100 tratamentos odontológicos completos.

• Em 2000, 1.465.027 consultas médicas básicas, 2.969.335 atendi-


mentos básicos e 60.235 tratamentos odontológicos completos.

• Em 2004, 1.494.725 consultas médicas básicas, 2.895.882 atendi-


mentos básicos e 46.269 tratamentos odontológicos completos.

Em relação à morbidade, merecem destaque:


• as doenças infecciosas e parasitárias em crianças, as maiores inci-
dências são de infecções intestinas;

• as neoplasias, acima de 50 anos, principalmente as malignas nos


órgãos genitais femininos;

• as doenças do aparelho circulatório, acima de 50 anos, com predo-


minância das doenças hipertensivas e isquêmicas do coração;

• as doenças do aparelho respiratório, sobretudo em crianças, in-


fluenza e pneumonia predominantemente.
214

• Chamam a atenção as internações por transtornos mentais e com-


portamentais. As principais causas de internação, porém, foram de-
vidas a doenças do aparelho circulatório, 15,6%. As enfermidades
do aparelho respiratório totalizaram 14,9%, gravidez, parto e puer-
pério, 14,5% e moléstias do aparelho digestivo, 8,4%.

8 . S itua ç ã o atual
O modelo de atenção à saúde, proposto para o município de Goiânia, baseia-
se nos seguintes eixos de intervenção:

Atenção integral e resolutiva à saúde

Vê o paciente dentro de seu contexto, ou seja, como uma pessoa que pertence
a uma família e a uma comunidade. A estratégia da saúde da família é uma forma de
organização de serviços oferecida a 30% da população do município. Foi escolhida
como estruturante do novo modelo de atenção.

Existem hoje 119 equipes de saúde da família implantadas no município e 25


equipes de saúde bucal integradas à saúde da família. Atualmente, mesmo as uni-
dades de saúde tradicionais seguem algumas diretrizes da estratégia de saúde da
família como a adscrição de clientela, vigilância à saúde, resolutividade e humaniza-
ção.Como complemento, uma rede de referência e de apoio diagnóstico está sendo
implantada na Atenção Básica.

A organização da atenção por ciclos de vida é outra forma de garantir que a


premissa da integralidade e resolutividade seja garantida, já que a cada fase da vida
corresponde um conjunto de ações que devem ser executadas por cada unidade
de saúde.

Atendimento humanizado

O paciente, mais que atendido, deve ser acolhido. A atenção humanizada con-
ta com equipes de acolhimento responsáveis por escutar cada usuário, fazendo a
classificação de risco de suas queixas e respondendo de maneira adequada aos seus
anseios.

Vigilância à saúde

Desenvolve-se de maneira integrada, articulada e descentralizada, promoven-


do a vigilância ambiental e de doenças não transmissíveis e transmissíveis, além do
monitoramento de agravos como o óbito infantil e materno, dengue, hipertensão,
diabetes, internação por causas específicas, dentre outros.

Promoção da saúde e intersetorialidade


215

As ações e as prioridades se articulam em vários níveis por meio dos conselhos


municipais e locais de saúde, intituições privadas, governamentais e do terceiro se-
tor, viabilizando as negociações e os pactos dos recursos e otimizando os proje-
tos.

Fortalecimento das instâncias de controle social

A participação popular no planejamento, desenvolvimento e avaliação das


ações e serviços prestados não é vista apenas como uma obrigação legal, mas como
prática fundamental para a construção de uma modelo de atenção democrático,
comprometido com a consolidação do SUS e com a qualidade de vida das pesso-
as.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
9 . A ç õ es estrat é gicas
As ações de assistência à saúde em Goiânia são desenvolvidas dentro da pers-
pectiva dos ciclos de vida. Focam as necessidades biológicas, emocionais e sociais
da pessoa, por meio da assistência, prevenção e promoção da saúde para indivídu-
os, famílias e comunidade.

As equipes são multiprofissionais e as ações interdisciplinares. Procuram enfati-


zar os principais problemas de saúde da comunidade, além de dar atenção especial
aos grupos vulneráveis. Nesse sentido, a Secretaria Municipal de Saúde procura se
articular, intersetorialmente, com as várias políticas públicas, por meio dos seguintes
programas e das ações estratégicas:

• Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher;

• Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança;

• Projeto Nascer Cidadão;

• Programa de Imunização;

• Programa de Saúde do Adolescente;

• Programa de Assistência à Saúde do Idoso;

• Programa de Combate à Obesidade;

• Programa de Controle de Hipertensão Arterial e da Diabetes Melli-


tus;

• Programa de Controle da Tuberculose e da Hanseníase;

• Programa de Controle da Dengue;

• Programa de Prevenção às DST/AIDS;

• Programa de Atenção ao Tabagismo, ao Alcolista e ao Usuário de


216

Drogas;

• Programa de Controle de Zoonoses;

• Programa de Saúde do Trabalhador;

• Programa de Saúde Bucal;

• Assistência à Saúde Mental;

• Assistência Farmacêutica;

• Programa de Atendimento Integral Pós Hospitalar (PAI);

• Programa de Qualidade e Humanização do Atendimento;

• Estratégia de Saúde da Família;

• Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU);

• Integração Ensino-Serviço;

• Educação Promotora de Saúde;

• Prevenção à Violência e Promoção à Saúde.

Cenário desejado

No século 21, para promover os avanços necessários na área da saúde, é im-


prescindível reorientar o modelo clínico dominante. Centrado na doença, esse pa-
drão deve ser trocado por um modelo assistencial, em consonância com os princí-
pios do SUS, especialmente os da universalidade, assegurando o direito de todos à
saúde e à equidade, oferecendo mais aos menos providos de recursos.

A municipalização proposta não se restringe apenas a um processo adminis-


trativo, mas, sobretudo, avança ao criar e efetivar um modelo assistencial apto a
exercer vigilância à saúde. Os distritos sanitários configuram-se como um movimento
de democratização da gestão política de saúde do município.

O processo de reestruturação da política de saúde em Goiânia coloca como


desafio a implementação de mudanças que permitam enfrentar, de forma corajosa
e urgente, os problemas observados.

Nesse sentido, é imprescindível a implantação do processo de municipalização


e descentralização do sistema de saúde, definindo diretrizes que provoquem mu-
danças radicais no modelo preventivo, assistencial e promocional, ultrapassando o
campo das correções técnicas ou administrativas, promovendo alterações nos mé-
todos de trabalho dos serviços de saúde.

A expansão da rede própria de saúde deverá ser enfrentada pelos próximos


gestores. Além disso, é necessário mudar as unidades instaladas em imóveis locados
217

para edifícios próprios, construídos em áreas públicas.

Os fatores condicionantes e determinantes da saúde ou da doença são comple-


xos e múltiplos. Por isso, a intersetorialidade passa a ser fundamental como prática
de ação política e gestão da saúde. Também vale lembrar que a saúde da popula-
ção depende da oferta de bens geradores de qualidade de vida como a educação,
a renda, o trabalho, a habitação, a segurança, o saneamento, o lazer e outros.

Quanto à reforma sanitária, é importante reconhecer que a municipalização da


saúde é um dos aspectos que abrem possibilidade de organizar melhor o sistema.
Por outro lado, a criação de instâncias administrativas descentralizadas e permeá-
veis ao constante controle da população não é uma tarefa fácil. Sua implementação

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
exige um processo de mudança cultural que implica em uma contínua alteração das
relações de poder dos gestores e da sociedade civil.

Para aumentar a expectativa de vida do goianiense, além de medidas que visem


a diminuição da mortalidade infantil e materna, são necessárias intervenções que
reduzam as mortes por causas externas, principalmente entre os mais jovens.

Finalmente, na cidade que desejamos, as políticas de saúde, certamente, de-


vem se pautar pela ampla participação da sociedade e pela maior descentralização
possível do seu sistema operacional.
E quipamento da sa ú de
Á reas p ú b licas destinadas à sa ú de
220

I nclus ã o S ocial

1 . I ntrodu ç ã o
O desenvolvimento e a inclusão social configuram-se em desafio e mobilizam
todos os segmentos da sociedade em torno de propostas que consigam a inversão
do processo de desenvolvimento excludente que o país vem experimentando ao
longo da história. Nesse sentido, busca-se não só o equilíbrio social, mas um novo
padrão de desenvolvimento que concilie os aspectos econômico, social, político e
ambiental.

Devido a variados fatores, o acesso aos bens materiais e culturais chega à popu-
lação de forma diferenciada, provocando situações de maior vulnerabilidade entre
alguns grupos específicos, apontados em vários estudos e documentos, como for-
mados por mulheres, afrodescendentes, ciganos, indígenas, crianças, jovens, idosos,
gays, lésbicas, bissexuais, travestis (GLBTS) e pessoas com deficiência.

O Estatuto da Cidade e outros estudos mostram uma nova concepção de de-


senvolvimento da cidade, que considera a participação social como forma de inclu-
são e se apóia nos seguintes indicadores: renda, escolaridade, moradia e integração
social. Além disso, busca acesso mais igualitário aos benefícios do desenvolvimento
e às políticas de sustentabilidade para os grupos considerados vulneráveis, evitando
que os mesmos permaneçam excluídos.

2 - M arco referencial
Pode-se dizer que há um processo em curso visando a redefinição de atribui-
ções e competências na área social, que modificará radicalmente o padrão centrali-
zador, característico do formato do sistema de proteção social constituído ao longo
dos anos de 1960 e 1970.

As alterações profundas na natureza das relações intergovernamentais, relacio-


nadas à recuperação das bases federativas do Estado brasileiro ao longo dos anos
de 1980, têm modificado as condições sob as quais se vem realizando o processo
de transferência de atribuições na área social.

Ao longo dos anos 1980, recuperaram-se as bases de Estado Federativo no Bra-


sil. A democratização, particularmente, a retomada de eleições diretas para todos
os níveis de governo e a descentralização fiscal da constituição de 1988 alteraram
profundamente a natureza das relações intergovernamentais.

Em suma, no Brasil pós 1988, a autoridade política de cada nível de governo é


soberana e independente das demais. Diferentemente de outros países, os municí-
221

pios brasileiros foram declarados entes federativos autônomos. Isso significa que o
prefeito é autoridade soberana em sua circunscrição.

Nessas condições, a redefinição de competências e atribuições da gestão das


políticas sociais tem sido realizada sob as bases institucionais de um Estado Federa-
tivo. Em outras palavras, o modo pelo qual os governos locais assumem funções de
gestão de políticas é inteiramente distinto daquele sob o qual elas foram assumidas
no regime militar.

O processo de descentralização das políticas sociais no Brasil só se efetivará


na medida em que as administrações locais avaliarem os ganhos a serem obtidos a
partir da diversificação das atribuições de gestão. Pelo menos, deveriam considerar

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
que os custos com os quais arcariam seriam minimizados pela ação dos demais ní-
veis de governo.

Assim, nas atuais condições, a adesão dos governos locais à transferência de


atribuições depende diretamente de um cálculo no qual são considerados os custos
e benefícios fiscais e políticos e os recursos fiscais e administrativos, com os quais
cada administração conta.

Desde 1979, a assistência social em Goiânia é coordenada pela Fundação Muni-


cipal de Desenvolvimento Comunitário (FUNDEC). Ao longo dos anos, os programas
e projetos implementados evidenciaram o caráter assistencialista e personalista de
muitas ações governamentais, conduzidas em função de interesses políticos, e não
com base em um processo de geração de inclusão social no planejamento da cida-
de. A descontinuidade e o imediatismo sempre foram os maiores problemas desse
setor. Além disso, a falta de articulação e integração entre as ações do município, do
Estado, da Nação e de instituições da sociedade gera duplicidade e ineficiência.

Em 1992 foi aprovado o Plano Diretor Integrado de Goiânia (PDIG), hoje em


vigor. Desde então, o município de Goiânia assumiu o gerenciamento dos equipa-
mentos públicos comunitários como creches, centrais comunitárias e estabelecimen-
tos pré-escolares. Isso propiciou garantias especiais para a implementação de novas
políticas nesse setor.

A partir de 2001, além das garantias do PDIG, a Política de Assistência Social es-
teve pautada essencialmente nas diretrizes da lei nº 8.742/93 da Assistência Social,
nas LOAS, no Estatuto da Criança e do Adolescente (lei nº 8.069/90). Esse modelo
coloca em foco a família nos processos de inclusão social, garantindo os direitos das
pessoas, consolidando uma política pública sustentada em três eixos fundamentais:
a seguridade, a previdência e a saúde.

Em Goiânia, desde então, a assistência social, pautada nessa política, implemen-


ta uma rede de serviços descentralizados, regionalizados e hierarquizados de aten-
dimento à população em situação de exclusão social. A meta é garantir as condições
necessárias à inclusão, considerando a família como referência para a ação.
222

3 . Q uadro atual
A Fundação Municipal de Desenvolvimento Comunitário (FUNDEC) é responsável
pela implementação e execução da política de assistência social no município de
Goiânia. A instituição atua na promoção dos direitos de cidadania e do desenvolvi-
mento social, dentro de uma perspectiva de prevenção e superação das desigual-
dades e da exclusão social. Tem como atribuição ações que levam em consideração
três enfoques: as pessoas, as condições em que elas vivem e a família como núcleo
de apoio fundamental.

Seu público alvo é constituído pelas crianças, adolescentes, mulheres, idosos e


pessoas com deficiências. Deve-se ressaltar que as crianças e os adolescentes estão
dentro das faixas etárias mais vulneráveis da população.

Conta, ainda, com as parcerias de diversas instituições sociais dentre elas, a


Sociedade Cidadão 2000 e o Banco do Povo Municipal. A primeira organização é
responsável pelo atendimento da criança e do adolescente em situação de rua e de
risco. A segunda tem o objetivo de incentivar e apoiar o micro e pequeno empre-
sário.

A FUNDEC ainda apóia o trabalho desenvolvido por outras instituições de defe-


sa de direitos, tais como os Conselhos Municipais de Assistência Social, Direitos da
Criança e do Adolescente, dos Idosos, de Entorpecente, Tutelar e do Trabalho.

O Trabalho da FUNDEC, como instituição de apoio e promoção social, visa


atender a um quadro que se apresenta crítico no contexto social da cidade, tendo
em vista que em todo seu processo histórico teve como base o assistencialismo.
Em suas concepções atuais, a instituição insere, além da assistência à comunidade
carente e sua inserção nas políticas públicas, garantidas nas legislações vigentes e
especificas de cada segmento social apresentado.

3.1. Crianças e adolescentes

De acordo com dados do Ministério do Trabalho, apenas 5% dos lares brasilei-


ros, com filhos menores de 12 anos, têm mães como chefes de famílias. Desses, 30%
são constituídos por pessoas pobres residentes nas cidades. Das famílias que vivem
no campo, 12% são chefiadas por mulheres.

Essa realidade deixa as famílias com crianças e adolescentes em situação de


maior vulnerabilidade, contribuindo para que meninos e meninas abandonem seus
lares e passem a buscar nas ruas a satisfação de suas necessidades. A expectativa de
complementação de renda e a ausência de um responsável no lar agravam a situação
do trabalho infantil e de crianças e jovens em situação de risco nas ruas.
223

Das crianças e adolescentes que trabalham nas ruas, 60% têm renda familiar
variando entre um e três salários mínimos, 12% vêm de famílias que possuem rendi-
mento inferior a um salário mínimo ou não dispõem de rendimentos.

O abano do lar ocorre, principalmente, na faixa de 9 a 12 anos, conforme da-


dos do atendimento SOS criança e adolescente. As razões apontadas relacionam-se
a conflitos familiares, alcoolismo, abuso sexual, drogas, dentre outros.

O município dispõe de uma rede de atendimento e atenção às mulheres, ido-


sos, crianças e adolescentes em situação de violência, criada em 2000. Atua sob o
conceito de uma articulação política entre atores iguais e ou instituição não hierár-

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
quica. Fundamenta-se nos seguintes princípios: reconhecimento de que o outro exis-
te e é importante, colaboração, cooperação (compartilhar valores, ação e poderes)
e associação (compartilhar objetivos e projetos).

As redes, conformadas por laços institucionais, ou também por relação inter-


pessoais, têm um papel importante na elaboração da agenda, ou seja, das priorida-
des no processo de decisão e na política da ação pública.

Integrada por várias instituições governamentais e não governamentais de Goi-


ânia e do estado de Goiás, a rede de atendimento à criança e ao adolescente é
composta por 292 instituições, dentre elas destacam-se 16 abrigos, 80 instituições
de iniciação esportiva, 44 de educação comunitária, 17 de atendimento aos por-
tadores de necessidades especiais, 24 de computação e 82 de defesa de direitos
e atendimento à criança e ao adolescente em situação de violência, como mostra
seguinte gráfico de atendimento:
224

O atendimento é prestado de maneira regionalizada por meio dos Centros Mu-


nicipais de Assistência Social, dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS)
e das Unidades de Promoção Especial como abrigos, albergues e serviços de prote-
ção integral. Os temas mais trabalhados hoje pela rede são: exploração do trabalho
infantil, exploração sexual infanto-juvenil e o fortalecimento da rede quanto à aten-
ção intersetorial, orçamento, controle e fiscalização das políticas sociais e acesso
aos bens culturais, tecnológicos e ao esporte e lazer.

Em 2001, foi realizada pesquisa, pela Assessoria Especial para Assuntos da Ju-
ventude da Prefeitura de Goiânia, com o propósito de trabalhar a idéia da inserção
social da juventude, na perspectiva de buscar o desenvolvimento de suas poten-
cialidades individuais e coletivas. Em primeira instância, esse estudo definiu o perfil
da juventude, apresentando os seguintes aspectos: desemprego, violência, droga,
criminalidade e outros.

3.2. Mulheres

O segmento “mulheres” apresenta um histórico recente na formulação das po-


líticas públicas e sociais. Apesar de serem preteridas no mercado de trabalho e
225

receberem remuneração diferenciada, a questão de gênero mais grave em Goiânia


continua sendo a violência doméstica.

O problema agrava-se por falta de ações preventivas de apoio familiar e insti-


tucional às mulheres agredidas. As dificuldades econômicas para deixar o lar, o pre-
conceito e a vulnerabilidade física e psicológica, dificultam a superação e reduzem
a auto-estima das envolvidas.

A rede de atenção às mulheres conta com cerca de 40 instituições, composta


por núcleos partidários, religiosos, delegacias, núcleos de apoio, de pesquisa e
outros. Os temas trabalhados pelo seguimento mulheres permeiam o campo social

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
das experiências e interações, o âmbito psicológico no trabalho da auto-estima e
de assistência às vítimas da violência doméstica e as áreas jurídicas no que se refere
à responsabilização dos agressores, pensão alimentícia, e questões criminais.

A rede também assiste às mulheres no que se refere ao trabalho e geração de


renda, à formação e qualificação profissionais, especialmente daquelas vítimas da
violência, e a atenção no período de gestação, no planejamento familiar, e no reco-
nhecimento e prevenção das DST e AIDS, como apresenta o gráfico acima.

O objetivo dessa rede é apropriar-se dos espaços de decisão e promover a


igualdade de gênero, que significa a superação do estereótipo homem-mulher, por
meio de reuniões e palestras educativas e informativas, organização de grupos e
promoção da participação política.
226

3.3. Raça e etnia

Raça e Etnia são temas de muita importância no contexto da inclusão social.


Dizem respeito a pessoas com vulnerabilidade social, pois ao longo da história per-
mitiu-se a violação dos direitos de alguns cidadãos dentre eles os negros, pardos,
índios e ciganos.

A Região Metropolitana de Goiânia, em 2000, dispunha de uma população de


1.639.516 habitantes, composta da seguinte forma: 53,5% de brancos, 4,3% de
pretos, 0,3% de amarelos, 40,8% de pardos, 0,3% de indígenas e 0,8% sem de-
claração, de acordo com o Censo. Dados do Censo de 1991 apontaram a seguinte
composição para a população de Goiânia: 55,2% de brancos, 2,4% de pretos, 0,2%
de amarelos, 42,1% de pardos, 0,03% de indígenas e 0,1% sem declaração.

A atual desigualdade entre brancos e negros no Brasil não é fruto apenas da


escravidão. Os afrodescendentes enfrentam condições de profundas desvantagens
sociais se comparados à população branca, gerando, assim, um quadro de desigual-
dade.

Em relação à educação, as diferenças aumentam conforme avança o nível do


ensino formal. São 57,4% os brancos que não completam o ensino fundamental, os
negros 73,3%. A diferença aumenta em relação ao nível médio e ao ensino superior.
Enquanto 89% dos brancos, entre 18 e 25 anos de idade, não ingressam na Univer-
sidade, 98% dos negros, na mesma faixa etária, não têm acesso ao nível de ensino
médio.

Apesar de serem proibidas a desigualdade salarial e as diferenças na ordenação


com base em critério racial, no mercado de trabalho, o rendimento médio dos ho-
mens brancos é de 5,3 salários mínimos, enquanto o dos negros é de 2,5. Em relação
às mulheres negras, a disparidade é ainda maior, indício de que os preceitos postos
na Constituição Federal não são respeitados.

Em Goiânia, o desenvolvimento de ações em relação ao tema se caracteriza


pela falta de recursos e pela fragmentação. Com o objetivo de propiciar a igualda-
de racial, as principais instituições de promoção atuam especialmente na atenção
à saúde da mulher negra e na área da educação, defendendo a implantação da lei
1063/03, que trata do ensino da história da África para os níveis fundamental e mé-
dio, e a promoção das manifestações culturais e religiosas africanas.

Existem hoje em Goiânia 31 instituições que atuam na defesa dos direitos huma-
nos e promoção da igualdade racial. Elas recebem apoio dos Governos Municipal,
Estadual e Federal, apenas para o desenvolvimento de projetos. Dessas instituições,
duas foram instituídas pelo poder público, a Coordenadoria Municipal para Assun-
tos da Comunidade Negra de Goiânia (CONEGO) e a Superintendência Estadual do
Negro.
227

O que se verifica, na realidade, é que não há a articulação necessária entre os


grupos e a instituição. Essa interação garantiria uma rede de ações - ajuda prioritá-
ria da política pública para efetivar e promover o resgate da história e cultura dos
afrodescendentes, legitimando a igualdade racial, implementando programas que
possibilitem a inclusão social nos diversos aspectos que dão sentido pleno à vida
humana.

Da mesma forma, a população indígena sobrevive à expansão do modo de vida


ocidental. A terra é o espaço indispensável para a continuidade e resistência de
suas culturas e identidades. Ações públicas para esse segmento étnico devem ser
permeadas por políticas que incluam seus valores, respeitando seus costumes e pro-

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
movendo estudos que demonstrem a sua forma de viver, garantindo a preservação
de sua identidade cultural como minoria étnica.

3.4. Orientação Sexual

Outro grupo em situação de vulnerabilidade é o formado pelos gays, lésbicas,


bissexuais e travestis (GLBTS), cujo acesso à cidadania esbarra em preconceitos ar-
caicos. O Relatório Kinsey define que 12% dos indivíduos de uma população possui
orientação sexual GLBT.

O grupo se concentra em 20 pontos da capital, a Região Central e a Sul são as


de maior concentração.
228

Isso faz com que o poder público procure estudos sobre essas pessoas, já
que não há estatísticas sobre as condições em que elas se encontram, fazendo-se
necessária a construção de indicadores de combate à discriminação, à violência e à
violação dos seus direitos.

Existem várias instituições que desempenham importante papel no processo de


organização, difusão de informações, combate à violência homofóbica, perseguição
policial e prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e AIDS.

Os principais temas por elas trabalhados estão nas áreas da educação, incenti-
vando ações de respeito às orientações sexuais e identidade de gênero, e da cultu-
ra, promovendo a paz e o respeito à diversidade humana, o combate à homofobia
e à violência em relação ao segmento.

Esse grupo demanda a instituição de políticas de promoção à cidadania dos GL-


BTS e o estabelecimento de uma sede para a associação com apoio de profissionais
como psicólogos, assistentes sociais e advogados.
229

3.5. Idosos

Segundo dados do Censo 2000, em Goiânia vivem 89.062 idosos, ou seja, pes-
soas acima de 60 anos, 8,6% da população. Esse número vem crescendo ao longo
dos anos por causa do aumento da expectativa de vida do goianiense.

Existem em Goiânia mais de 69 instituições de atuação e promoção da qua-


lidade de vida do idoso, 43 conveniadas e 26 próprias. Os principais aspectos
desenvolvidos por essas instituições são a integração social, trocas de experiências,
manifestações culturais, lazer, proteção, saúde, inserção no mercado de trabalho e
prioridade de atendimento nas intuições e locais públicos.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Percebe-se, pela espacialização demonstrada nos cartogramas abaixo, que as
instituições próprias de atendimento ao idoso concentram-se nas regiões Central,
Sul, Campinas e uma na Região Noroeste. As instituições conveniadas com o poder
público municipal e estadual distribuem-se de forma mais igualitária nas regiões da
cidade.
230

O Estatuto do Idoso objetiva a promoção da qualidade de vida do idoso e a


garantia de seus direitos junto à sociedade. Deve, além disso, possibilitar a criação
de instituições para o desenvolvimento de ações sociopolíticas e educativas que
estimulem a sua participação social, visem melhor qualidade de vida, contribuam na
construção da cidadania e rompam com o preconceito, a solidão e a marginalida-
de.

A rede de atendimento ao idoso envolve as instituições públicas e conveniadas,


mantidas com recurso federal. Promovem educação física especializada, palestras
educativas, atividades laborais e de qualificação (trabalhos manuais), com 50% da
produção revertida em renda para o idoso e 50% destinada para a aquisição da
matéria-prima. Além disso, agenciam o encaminhamento do idoso para a rede de
saúde pública e outros programas de assistência de cunho social, biológico e psico-
lógico, de prevenção geriátrica e de avaliação clínica e de patologias freqüentes.

Apesar de contar com um estatuto aprovado e algumas instituições de atendi-


mento, há muito que fazer em benefício desse segmento, como a construção de es-
paços adequados para o lazer, a promoção da convivência social e o cumprimento
do estatuto.

3.6. Pessoas com deficiência

A atenção à pessoa com deficiência é desenvolvida pela FUNDEC em parceria


com uma rede de instituições mantidas com recursos federais.
231

A “pessoa com deficiência” é compreendida pelo poder público como indiví-


duo com necessidades especiais e que se encontra na diversidade, não só aquele
com deficiência física, mental e sensorial, como o que dispõe de grandes habilida-
des como o idoso, o indígena, o jovem em situação de rua e todo aquele que, de
uma maneira ou de outra, esteja excluído da sociedade.

Em Goiânia, a promoção da inclusão social das pessoas com deficiência leva


em consideração os aspectos culturais, educacionais e de capacitação. Além disso,
cuida do encaminhamento para o serviço público de saúde, rede complementar
de atendimento em reabilitação e para o mercado de trabalho. Esse é mais um dos
programas desenvolvidos pela rede de atendimento coordenado pela FUNDEC, Se-

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
cretaria Municipal de Educação (SME) e Secretaria Municipal de saúde (SMS). No
cartograma abaixo, pode-se observar a distribuição espacial das entidades.

Essas instituições de atendimento trabalham a assistência social, proporcionando


garantia de direitos e dignidade aos deficientes. Na educação é trabalhada a con-
vivência com a diversidade em uma perspectiva pedagógica e de reabilitação. Na
saúde, além do atendimento, promovem encaminhamentos a instituições de reabili-
tação de acordo com a necessidade apresentada. Quanto ao mercado de trabalho,
busca-se a qualificação de mão-de-obra e inserção da pessoa com deficiência.

A rede de atendimento ao deficiente conta com instituições públicas e privadas


que atendem às exigências estabelecidas nas legislações pertinentes.
232

3.7. Esporte e lazer


Cerca de 15.096 crianças e adolescentes, na faixa etária de 10 a 24 anos, são
atendidos pelas 80 escolinhas de iniciação esportiva que contemplam 76 bairros da
cidade de Goiânia. No entanto, existe uma grande carência de programas e projetos
direcionados aos adolescentes que, hoje, são cerca de 214.812.

Goiânia conta com 04 estádios de futebol, 63 clubes sociais esportivos, 25 gi-


násios de esportes, 04 praças de esportes do estado, 23 pistas de caminhadas, 05
agremiações esportivas, 01 autódromo, 01 pista de atletismo, 01 hipódromo e 80
escolinhas de iniciação esportiva, instalados em 76 bairros.
A administração de Goiânia investe no esporte e no lazer como práticas funda-
mentais para o desenvolvimento humano e social, contribuindo para a construção
da cidadania e da auto-estima e concorrendo para a qualidade de vida nas comu-
nidades. As ações passam pela integração das atividades dos órgãos municipais de
cultura, esporte, lazer, trânsito e outros.
A Secretaria de Esporte e Lazer se incumbe de desenvolver programas de ini-
ciação esportiva e trabalha pela socialização de crianças e adolescentes de bairros
excluídos do acesso ao esporte e ao lazer. Envolve profissionais distribuídos em 76
bairros da cidade, atendendo alunos com idades entre 7 e 16 anos, oferecendo 13
modalidades esportivas.
Desenvolve, também, projetos voltados ao lazer participativo. Realiza ativida-
des recreativas e artísticas nas escolas, durante finais de semana, com participação
da comunidade local. Conta, ainda, com o Projeto Brincalhão, que atende várias
entidades comunitárias, igrejas e eventos de recreação.
Toda essa programação, recursos humanos, estrutura física e recursos financeiros
são insuficientes para alcançar os objetivos propostos pela secretaria e para atender
às demandas da população. Abaixo, apresenta-se a espacialização das escolinhas
de iniciação esportiva.
E quipamento E sportes U r b anos
234

3.8. Religião

O papel das instituições religiosas é relevante na vida cotidiana das cidades,


pois elas cuidam do desenvolvimento moral e das condutas sociais. São essas ins-
tituições, por estarem mais próximas do cidadão, que muitas vezes substituem o
Estado na promoção das necessidades básicas, que vão desde o fornecimento de
cesta básica até o atendimento em abrigos, creches etc.

Hoje, Goiânia conta com 200 casas espíritas, 373 igrejas evangélicas e 79 igrejas
católicas. Essas instituições têm desenvolvido trabalhos relativos à participação e
inclusão social. Acolhem todos os que as procuram, permitindo, ainda, que aqueles
que se sentem excluídos das relações sociais mais complexas, iniciem ali o seu pro-
cesso de participação social e inclusão.

Segundo levantamento do Guia Prático do Orçamento Participativo de 2003, as


instituições religiosas se distribuem conforme os cartogramas abaixo.
DESENVOLVIMENTO Sociocultural
235
236

Estratégia da inclusão social

Garantir os direitos conquistados em legislações específicas para os grupos de


maior vulnerabilidade social, visando a inserção do cidadão excluído na dinâmica da
sociedade organizada.

Cenário desejável

A cidade desejável dispõe da capacidade necessária para incluir o cidadão na


dinâmica social, econômica, do conhecimento e do capital social. Uma cidade que
possibilita aos seus cidadãos a apropriação das riquezas socialmente produzidas,
que promove uma sociedade mais produtiva em função de relações mais saudáveis,
fundamentadas no respeito à diversidade.

Diretrizes

1. Garantir os direitos e a proteção integral da criança e do adolescen-


te, possibilitando o acesso às políticas de inclusão social que visem
garantir o mínimo necessários ao padrão básico de vida.
2 37

2. Focalizar a assistência social na família, com o objetivo de torná-la


eixo pragmático das ações, para que as crianças, adolescentes e
jovens possam desenvolver as condições para o pleno exercício da
cidadania.

. Garantir os direitos e a proteção da mulher em situação de risco


social e pessoal, a assistência e a inclusão sociais.

4. Conscientizar a sociedade, por meio da divulgação, sobre as reivin-


dicações dos grupos com vulnerabilidade social.

5. Promover a igualdade racial e étnica, por meio de ações públicas

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
específicas buscando a inclusão social.

6. Estabelecer ações públicas específicas de atendimento à melhor


idade, às pessoas com necessidades especiais e dependência quí-
mica.

. Dotar o espaço urbano dos equipamentos necessários para que


as pessoas com necessidades especiais possam exercer as funções
inerentes à sua condição.

8. Ampliar, reorientar e potencializar a instalação dos equipamentos


direcionados à pratica do esporte e do lazer, promovendo a po-
pulação socialmente excluída e garantindo as áreas identificadas
como de fragilidade social no mapa de inclusão e exclusão social
de Goiânia.

MORADIA

1 . M arcos referenciais

As diretrizes do Plano Diretor de 1992 indicavam a necessidade da democrati-


zação do acesso à terra, principalmente, a destinada às famílias de baixa renda. Isso
implicou na implementação das Zonas Especiais de Interesse Social e na lei 7222,
que instituiu o parcelamento prioritário.

No período de 1990 a 2002 foram produzidos 66.627 (100%) novos lotes


dos quais 37.009 (55,547%) como Parcelamento Prioritário, 7.762 (11,650%) como
Zona Especial de Interesse Social e 1.072 (1,609%) como Conjunto Habitacional
238

de Natureza Social. Observamos que de 1990 a 2004 ofereceram-se 85.514 novos


lotes.

Nesse universo, o programa Goiânia Viva se destaca, embora, em sua implemen-


tação, as ações e espaços destinados a emprego e renda tenham dado lugar a lotes,
estendendo ao máximo o seu número. Tal procedimento deveu-se à implementação
desse loteamento junto à malha urbana consolidada, servido-o de toda a infra-estru-
tura. As famílias beneficiadas foram, na sua maioria, oriundas de áreas de risco.

No intuito de mostrar a grande fragilidade do município no campo habitacional,


vale lembrar a recente ocupação e desocupação de parte do loteamento Parque
Oeste Industrial, aprovado na década de 1950. Pertencente a uma única família, a
área, com mais de um milhão de metros quadrados, configurava-se como um grande
vazio urbano.

2 . Q uadro atual
O baixo poder aquisitivo de grande parte da população, o custo dos materiais
de construção e as dificuldades para obtenção de financiamento são fatores que
afetam a produção de moradias, sejam elas construídas individualmente ou sob a
forma de cooperativas e programas habitacionais oficiais.

Goiânia, como as outras capitais brasileiras, sofre os problemas gerados pelo


crescimento desordenado, migração e exclusão social. As famílias de menor renda
são as que mais padecem, pois procuram para suas habitações os terrenos mais
baratos em áreas afastadas, sem infra-estrutura e com dificuldade de transporte
coletivo.

Os vazios urbanos originados pela dispersão dos loteamentos constituem-se


em um problema a mais para a gestão. Próximos às áreas centrais capitalizam os
benefícios urbanos elevando seus custos e levam o poder publico a adquirir áreas
distantes para assentar a população carente, na tentativa de solucionar o problema
habitacional da população.

Com a extinção do Banco Nacional de Habitação, a maioria dos municípios bra-


sileiros ficou órfã de políticas habitacionais mais consistentes. Apesar dos esforços,
Goiânia tem conseguido fazer apenas um planejamento corretivo nas habitações
localizadas em áreas de risco.

Os números levantados sobre o déficit habitacional em Goiânia, demonstram


que o problema tem se agravado nos últimos 15 anos, comprometendo a qualidade
das habitações e sobrecarregando a infra-estrutura dos serviços públicos e equipa-
mentos comunitários.
L otes Vagos
240

Os programas habitacionais desenvolvidos pelas gestões públicas tornam-se


insuficientes na medida em que a população cresce. Esse crescimento ocorre em
função dos grandes deslocamentos de pessoas para as cidades. As famílias migram
para Goiânia em busca de emprego, educação e assistência médica. Em conseqüên-
cia, a habitação passa a se transformar em um dos principais problemas urbanos.

A estimativa de déficit habitacional em Goiânia é de 30.000 habitações em


2000, de acordo com a Fundação João Pinheiro, ou 58.000 em 2005, segundo a
Companhia Municipal de Obras e Habitação do Município de Goiânia (COMOB). A
fragilidade desses dados tem dificultado a elaboração, por parte do poder público
local, de uma política habitacional que atenda não só à demanda emergente como
também ao percentual de quase 70% de famílias com renda de até três salários mí-
nimos, que não possuem domicilio próprio.

Segundo a COMOB, do déficit total de 58.000 moradias, aproximadamente


7.000 mil encontram-se localizadas em áreas de risco. Deve-se observar que, com a
implementação dos programas municipais no período de 2002 a 2005, foram remo-
vidas dessas áreas aproximadamente 1.500 famílias.
241

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Estudos têm apontado a necessidade de uma real definição do papel do mu-
nicípio em relação à questão habitacional, uma vez que mais de 15% do território
municipal é ocupado por 178 áreas de posse e 80 loteamentos irregulares, a maioria
(90%) consolidada há mais de 10 anos.

É imprescindível o empenho da gestão para que a política habitacional, a ser


definida, não se restrinja apenas às regularizações, mas também à elaboração de
projetos habitacionais destinados à remoção das famílias ocupantes das áreas de
risco e áreas públicas. Para as novas propostas, vale lembrar que quase toda a infra-
estrutura está implantada junto à malha urbana consolidada, onde se localizam os
principais serviços públicos e os grandes eixos viários.

Da mesma forma, deve ser dada atenção aos projetos de parcelamento para a
baixa renda e recuperação da qualidade das moradias, atendendo ao maior numero
de famílias, aplicando os recursos eqüitativamente.

A Zona Habitacional de Interesse Social (ZEIS) já comporta infra-estrutura, per-


mitindo o adensamento de famílias de baixa renda. Como alternativa para minimizar
o problema da habitação, é uma proposta viável tanto para o poder publico quanto
para a iniciativa privada.

O quadro atual revela que as respostas aos problemas identificados - como a


inadequação das habitações, sua localização em fundos de vales e falta de sanea-
mento - são tímidas por causa da escassez de recursos.
242

A política municipal revela que suas práticas representariam os princípios gerais


do Programa Habita Brasil/BID, que têm como base as ações corretivas de requali-
ficação de moradias, reassentamento e desadensamento de aglomerações subnor-
mais. Porém, ao longo da última gestão, houve poucas ações corretivas e linhas de
ações direcionadas às intervenções e aos processos de legalização dos assentamen-
tos, nos quais se incluem loteamentos clandestinos e irregulares.

As ações preventivas, feitas em parceria com o Sindicato dos Corretores de


Imóveis, resultaram no controle efetivo dos loteamentos clandestinos, com sanções
praticadas pelo próprio sindicato, coibindo as práticas ilegais de alguns membros.

A oferta de projetos populares de moradia e a planta popular disponibilizada


na internet são instrumentos de ações corretivas e preventivas usados pela adminis-
tração.

Além disso, no período de 1992 a 2006, as ações de natureza habitacional,


gerenciadas pelo município, resultaram na implantação do Residencial Goiânia Viva,
aprovado com recursos do Tesouro Municipal, atendendo a 2.392 famílias que mo-
ravam em áreas de risco.

O projeto foi construído por etapas com recursos externos e sua autocontinui-
dade foi possibilitada pelo regime de mutirão. Constituiu-se de habitações de baixo
custo para funcionários públicos e para famílias oriundas de áreas de risco. Houve
parceria com Governo do Estado na construção de casas embriões com sala, cozi-
nha e banheiro e também doação de kit’s para construção de casas com 26,00 m²
para desabrigados das enchentes nas posses urbanas.

Em 1996, com recursos da Caixa Econômica Federal, o Pró Moradia, atendeu a


1.275 famílias, recuperando ambientalmente e reurbanizando áreas degradadas e
de posse, construindo moradias e promovendo melhoria habitacional.

No período de 1997 a 2002, gerenciados e supervisionados pelos agentes fi-


nanceiros, os programas desenvolvidos com a coordenação da Companhia Muni-
cipal de Obras e Habitação do Município de Goiânia (COMOB) destinaram-se à
implantação de projetos de urbanização, melhoria da habitabilidade, construção
de apartamentos e execução de obras de infra-estrutura, incluindo pavimentação
asfáltica. Muitas famílias foram beneficiadas.

O Programa de Habitação do Governo do Estado denominado Moradia Nova


foi implantado pela Agência Goiana de Habitação (AGEHAB) por meio do Cheque
Moradia, instrumento viabilizador da política de habitação. Atende à capital, aos
municípios da região metropolitana e aos demais municípios do interior do estado.

Seu objetivo é reduzir o déficit habitacional existente no estado de Goiás com


a construção de novas moradias, reformas e melhorias das casas já existentes. Para
243

promover a qualidade de vida da população busca assentar as famílias em seus


municípios, compatibilizar trabalho e moradia, sem o deslocamento para a capital,
dotar os futuros loteamentos e conjuntos habitacionais de urbanização com lotes
mínimos de 200,00 m², que permitam a ampliação da moradia, destinar áreas públi-
cas e institucionais à instalação de equipamentos comunitários, praças, áreas verdes
e de preservação ambiental, minimizar o impacto dos custos sociais sobre o poder
público e evitar o inchaço da capital com uma população carente de moradia, em-
prego e benefícios sociais.

Em Goiânia, estão sendo viabilizados os seguintes loteamentos e conjuntos ha-


bitacionais: Real Conquista, com 2.500 novas moradias; João Paulo II, com 822 novas

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
moradias e Conjunto Vera Cruz, com 4.320 apartamentos. Existem outros em fase de
estudos.

Para viabilizar financiamentos, o Governo do Estado realiza parcerias com o Go-


verno Federal, utilizando os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
(FGTS), operados pela Caixa, além de outros oriundos do Tesouro, por meio das se-
cretarias e concessionárias. Dentre eles destacam-se o Crédito Solidário e a Medida
460, do Ministério das Cidades.

A faixa de renda das famílias cadastradas pela AGEHAB está entre zero e 12
salários mínimos, as que estão situadas na faixa de renda de até três salários mínimos
são beneficiadas com recursos do Tesouro Estadual por meio do Cheque Moradia.
Para ser enquadrada, cada família precisa atender às seguintes exigências:

• Ter renda mensal de, no máximo, três salários mínimos.

• Residir no município antes de 31/12/2000.

• Não possuir outro imóvel.

• Ser família constituída, com pelo menos um dependente.

• Não ter sido beneficiada com doação de moradia em outro progra-


ma estadual, municipal ou federal.

• Ser chefiada por maior de 18 anos ou emancipado.

• Fornecer a mão-de-obra necessária até o final da construção.

Hoje, a política municipal de habitação, independentemente das ações efetiva-


das e ainda em implantação, não enfrenta o problema de forma preventiva, pois não
há o controle efetivo dos assentamentos subnormais, contenção de novos assen-
tamentos e delimitação das áreas de intervenção por meio de normas urbanísticas
específicas. Além disso, no sentido de disponibilizar terra para as habitações, faltam
parcerias adequadas que visem agilizar os processos legais.
Á reas irreguares
245

Goiânia e o entorno de Brasília apresentam os mais altos índices estaduais de


déficit habitacional básico, relativo e absoluto. A mudança de pessoas do campo
para cidade representa cerca de 70% da migração estadual e a tendência é de que
ela aumente ainda mais. O perfil do imigrante é, sobretudo, de pessoas de baixa
renda.

Existe uma grande carência de terra urbana para as populações com pouco po-
der aquisitivo, portanto faz-se necessária a identificação e disponibilização de áreas
públicas para construção de habitação de interesse social e promoção de políticas
de ocupação dos lotes e áreas vazias.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Assim, deve-se dar ênfase à habitação no âmbito do Plano Diretor, definindo
como diretriz uma legislação que reverta os padrões do parcelamento para fins
sociais e promovam uma visão ampliada da moradia como elemento básico da sus-
tentabilidade e da dignidade humana.

Cenário desejável

Na cidade desejável, não há carência de moradia, abrigo fundamental da vida


em família, lugar e ponto de partida no mundo.

O desafio da política habitacional é gerar recursos não onerosos para comba-


ter o déficit habitacional da população de baixa renda, excluída da maior parte dos
recursos atualmente disponíveis, provenientes de fontes onerosas.

No cenário desejável deve-se concretizar a universalidade de acesso à moradia,


incentivando a geração de emprego e renda, a urbanização, regularização e inser-
ção dos assentamentos na cidade; democratizar o acesso à terra, melhorar a quali-
dade da produção habitacional e fortalecer o papel da administração municipal na
gestão da política habitacional e na regulação dos agentes privados.

Dessa forma, a política habitacional obriga-se, por meio da inclusão social, a


abrigar os grupos socialmente vulneráveis, como parte de um processo de reconhe-
cimento e valorização do cidadão.

Estratégias
1. Implementar uma política habitacional para populações de baixa
e média rendas, com incentivos e estímulos à produção de habita-
ção.

2. Objetivo: Implementar ações, projetos e procedimentos que culmi-


nem na produção da habitação de interesse social, viabilizando o
acesso dos setores sociais de baixa renda ao solo urbano legaliza-
do, adequadamente localizado. Deve-se considerar, entre outros
aspectos, a compatibilização com o meio ambiente, sobretudo evi-
246

tando-se as áreas de risco, a localização em espaços estruturados


da cidade, em especial os locais com oferta de trabalho e dotados
de serviços essenciais.

. Aplicar os instrumentos redistributivos da renda urbana e do solo


da cidade, instituídos pela lei nº 10.257/01.

4. Objetivo: Viabilizar mais oportunidades de produção de moradia,


por meio da aplicação dos instrumentos: transferência do direito
de construir, direito de preempção, desapropriação, edificação e
parcelamento compulsórios, operação urbana, dentre outros.

5. Promoção da regularização fundiária, urbanização específica dos


assentamentos irregulares e integração à malha urbana das popula-
ções de baixa renda.

Objetivo: Promover a regularização fundiária da propriedade urbana em situa-


ção de irregularidade.

Diretrizes
1. Implementar uma política habitacional que contemple um plano mu-
nicipal de habitação com programas de gerenciamento, correção,
normatização, prevenção e provisão. Deve ser capaz de integrar a
política habitacional à política urbana, os órgãos municipais que tra-
balham com habitação e os programas habitacionais do município
aos programas estaduais e federais.

2. Priorizar a implementação de programas habitacionais junto à malha


urbana consolidada.

. Implementar Zonas Especiais de Interesse Social localizadas junto


aos grandes eixos.

4. Identificar permanentemente as demandas e necessidades habita-


cionais.

5. Gerar mecanismos de viabilização financeira e mobilização de re-


cursos.

6. Capacitar e apoiar o desenvolvimento institucional municipal.

. Mobilizar agentes e fomentar parcerias.

8. Promover o controle público da ocupação habitacional do solo.

9. Estimular a produção habitacional com qualidade e produtividade.

10.Urbanizar e regularizar assentamentos precários.

11.Promover melhorias habitacionais.

12.Providenciar terra urbana e infra-estrutura.

1.Estimular a gestão participativa.


247

C ultura

Introdução

Os programas, planos e projetos sistematizam a ação do município. No intuito


de alcançar o desenvolvimento, devem promover, difundir, democratizar e respeitar
o patrimônio cultural em sua diversidade e oferecer oportunidades para a formação
e a qualificação de gestores especializados na área.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Em Goiânia há intensa atividade cultural em todas as áreas. Seus músicos, poe-
tas e escritores, bailarinos, artistas plásticos, cineastas e arquitetos têm seu talento
reconhecido.

Diante de seu contínuo crescimento sociocultural, a cidade se tornou pólo da


região metropolitana, constituída de treze municípios, e da região de desenvolvi-
mento integrado de Goiânia, formada por dezesseis.

Sua política, hoje, é voltada à descentralização, à constituição de equipamen-


tos que visem a criação, produção, expansão, difusão, divulgação e formação de
gestores conscientes e capazes de reverter o quadro atual, diagnosticando os pro-
blemas e viabilizando soluções e ações culturais para a comunidade.

Para que Goiânia continue sendo pólo cultural deve, a cada dia, buscar melho-
res soluções e propostas para dispor de equipamentos viáveis à produção cultural,
atendendo às especificidades de cada uma das suas regiões.

Atividades culturais do município

São múltiplas as manifestações populares, mas os métodos utilizados para do-


cumentá-las e catalogá-las são ainda muito primários. O folclore goianiense trás con-
sigo a mesma formação do brasileiro, enraizando em nosso município a catira, a
folia de reis, a congada, a quadrilha, a fiação e a tecelagem, manifestações que se
caracterizam pela formação de grupos que se apresentam em festas e comemora-
ções populares.
G rupos C ulturais
249

A cozinha típica é composta por pratos regionais como o arroz com pequi, arroz
com guariroba, empadão goiano, pamonha, galinhada, peixe na telha e carne com
quiabo. As influências baianas e mineiras remontam ao período colonial português e
legaram aos goianienses as broas, os biscoitos fritos, o pão e o biscoito de queijo, o
bolo de arroz e o cuscuz. Enriquecendo as iguarias do cerrado, foram introduzidas
no cardápio as castanhas típicas de baru e jatobá na fabricação de pães.

As regiões Central e Sul são as mais favorecidas na produção artística e cultural.


Nela estão localizados 100% dos teatros, bibliotecas, museus, 90% dos cinemas e
80% das galerias e centros culturais, além de outros equipamentos dos diversos se-
tores e espaços alternativos. Abrigam um conceituado acervo arquitetônico e urba-

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
nístico, como o conjunto art déco no centro histórico. Há movimentos e programas
que visam a descentralização cultural, mas não atendem à demanda.

Atualmente conta-se com grande incentivo para a valorização e preservação


patrimonial, com investimentos consolidados. Além disso, busca-se apoio do em-
presariado e reconhecimento e participação da comunidade.

Novas instituições culturais estão sendo criadas a cada ano e as produções se


multiplicando gradativamente. A maioria das instituições existentes contam com ad-
ministrações privadas ou estaduais, o município dispõe de um percentual mínimo,
com pouca infra-estrutura. É interessante observar que a gestão estadual investiu nos
maiores e mais bem aparelhados equipamentos culturais do município.

Em Goiânia a produção e os equipamentos culturais que atendem aos diversos


segmentos artísticos são:

• casas de cultura e centros culturais;

• orquestras, coros, bandas de música e dança;

• bibliotecas e museus;

• imprensa (jornais e revistas), emissoras de rádio e televisão;

• teatros, cinemas, galerias de arte;

• feiras de artes, artesanato e feiras livres;

• clubes sociais e esportivos, centros de esporte e lazer;

• parques e planetário;

• shoppings centers;

• produtoras de Áudio Visual (cinema e vídeo);

• instituições culturais.
D I S T R I B U I ÇÃ O D O S E Q U I P A M E N T O S
DE CULTURA
251

É importante ressaltar a existência de inúmeros estúdios de gravação, ateliers,


gráficas e editoras, agências de publicidade etc.

A Região Metropolitana de Goiânia, conforme art. 1 da L.C. nº 27 de 30/12/99,


dispõe de 197 conselhos municipais que contemplam diversas áreas. Apenas três
deles são dedicados à cultura e se localizam nos municípios de Bela Vista de Goiás,
Trindade e Goiânia.

Criado pela lei nº 6.353 de 05/12/85, o Conselho Municipal de Cultura de Goi-


ânia é uma organização ativa, voltada para a análise de programas, projetos e ações
da Secretaria Municipal de Cultura e projetos públicos que chegam a ela via lei de

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
incentivo. Destaca-se dentre os 35 conselhos municipais existentes em Goiânia (21
ativos e 14 inativos).

Percebe-se que há uma política deficitária que centraliza as ações culturais,


resultando em uma gestão pouco abrangente, impossibilitando o atendimento às
diversidades e especificidades de cada região. Essa prática estende-se a outras for-
mações e entidades comunitárias, como conselhos, fundações, associações, ordens,
sociedades, centros culturais e outras.Trata-se de um quadro alarmante para uma
população produtiva e em crescimento e um mercado cultural promissor.

Patrimônio histórico

São 389 os monumentos catalogados pelo Centro de Memória e Referência


de Goiânia, unidade da Divisão do Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de
Cultura.

Existem 52 bens preservados, tombados ou não. Pelo estado são tombados 25,
pelo município 18, 7 são, ao mesmo tempo, preservados pelo município e tomba-
dos pelo estado e 6 são preservados pelo município.

Dentre esses bens, 34 são edifícios e traçados urbanísticos dos setores Central
e Campinas (núcleos pioneiros); duas fachadas de igrejas; oito áreas verdes (Lago
das Rosas, Bosque dos Buritis, Parque Zoológico, Centro de Treinamento Parque
Anhanguera e Automóvel Clube de Goiás); seis monumentos construídos (obeliscos,
relógio, cruzeiro, estátua de Bartolomeu Bueno, Monumento às Três Raças e túmulo
do fundador da cidade), duas praças (Praça Cívica e Praça do Trabalhador), duas
fontes e um cemitério.

Somam 42 os bens de propriedade pública, 23 municipais, 13 estaduais e 6


federais. Onze são de propriedade particular, dos quais seis são relógios.

As autorizações para preservação são, em sua maioria, tombamentos, todos


aprovados na forma de lei, decreto ou despacho. A maioria deles enfrenta proble-
252

mas por falta de notificação ao proprietário, inscrição nos Livros de Tombo, registro
no respectivo cartório de imóveis, cadastro e ficha de identificação.

O estilo art déco foi fonte de inspiração para os primeiros edifícios da nova
capital de Goiás. Nessa linguagem artística, o acervo arquitetônico de Goiânia, cons-
truído nas décadas de 1930, 1940 e início de 1950, é considerado um dos mais sig-
nificativos do país. Seu tombamento foi feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (IPHAN) por meio da Portaria 507, em 18 de novembro de 2003.

Fazem parte do conjunto déco 22 prédios e monumentos públicos, o centro


original e o núcleo pioneiro de Campinas, cidade vizinha preexistente, hoje incor-
porada à Goiânia e espacilizados no mapa abaixo os monumentos tombados na
cidade.:

• - coreto da Praça Cívica;

• - fontes luminosas;

• - fórum e Tribunal de Justiça;

• - residência de Pedro Ludovico Teixeira;

• - edifício do antigo Departamento Estadual de Informação;

• - obeliscos com luminárias;

• - Palácio das Esmeraldas;

• - edifício da antiga Delegacia Fiscal;

• - edifício da antiga Chefatura de Polícia;

• - edifício da antiga Secretaria Geral;

• - torre do relógio;

• - edifício do Tribunal Regional Eleitoral;

• - edifício do Colégio Estadual Lyceu de Goiânia;

• - edifício do Grande Hotel;

• - edifício do Teatro Goiânia;

• - edifício da antiga Escola Técnica de Goiânia;

• - edifício da antiga Estação Ferroviária;

• - mureta e trampolim do Lago das Rosas;

• - edifício do antigo Palace Hotel;

• - edifício da antiga Subprefeitura e Fórum de Campinas;

• - traçado viário dos núcleos urbanos pioneiros.


MONUMENTOS HISTÓRICOS
254

Aspectos socioeconômicos voltados para as ativida-


des culturais

Como dito anteriormente, nas regiões Central e Sul da cidade, concentram-se


o melhor e maior número de equipamentos e produções artísticas e culturais, de
pequeno, médio e grande portes.

O mercado formal das atividades culturais é constituído por orquestras, bandas


de músicas, corais, grupos regionais de choro, estúdios de gravação, corpo de bai-
le, conjuntos de dança, grupos de teatro, galerias ateliês e similares e um mercado
informal com casas noturnas, shows, bailes, exposições, feiras de arte e artesanato,
circo etc., como pode ser observado no quadro a seguir.
255

Abaixo, informativo sobre as instituições culturais do município:

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
Há, aproximadamente, 58 equipamentos estatais de pequeno, médio e grande
portes. Eles estão concentrados, principalmente, nas regiões Central e Sul, tornan-
do-as pólos de eventos e produções culturais.

Paralelamente, percebe-se a consolidação de uma mentalidade de reconheci-


mento, respeito e valorização dos bens culturais e do potencial artístico e intelectual
do goianiense.

Os investimentos no setor cultural tornam-se cada vez mais palpáveis. Mesmo


distantes do ideal, são hoje viabilizados pelas leis de incentivo fiscal, como, no
âmbito federal, a Lei Rouanet, que permite abatimentos no Imposto de Renda, Lei
Estadual, com descontos no ICMS e a Lei Municipal, com reduções no ISSQN e IPTU.
Essa política vem ampliando as possibilidades dos artistas, produtores e gestores na
realização de projetos culturais, em todas as áreas e segmentos artísticos.

Serão apresentados somente os investimentos da Lei de Incentivo à Cultura do


Município, uma vez que um levantamento sobre as demais, demandaria uma pesqui-
sa específica, minuciosa e aprofundada no cenário nacional e regional.

O tabela a seguir vislumbra a consolidação da produção artística cultural em um


cenário produtivo, inovador e promissor. No período de 2001 a 2005, observou-se
o crescimento do número de projetos inscritos e captados e do orçamento desti-
nado à Lei de Incentivo Fiscal para projetos culturais em todas as áreas e segmen-
tos, a saber: artes cênicas, música, dança, cinema e vídeo, literatura, artes plásticas,
restauração, audiovisual, cultura popular, rádio, fotografia, muselogia, arquivologia,
biblioteconomia etc.
256

Abaixo, apresentam-se gráficos do orçamento municipal destinado ao setor cul-


tural no período de 2001 a 2005.

PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA


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PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
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Em 2005, primeiro ano da atual gestão, a Secretaria de Cultura, por adminis-


tração direta, ocupou o 17º lugar na formação das despesas do orçamento do
município, na administração indireta, por meio da Fundação Orquestra Sinfônica
de Goiânia, o 25º lugar. A Administração Especial só veio a existir com o Fundo de
Apoio à Cultura, como demonstra o gráfico acima, a partir do ano de 2004.

Em seguida, apresentam-se gráficos correspondentes à previsão do Plano Plu-


rianual (PPA) das despesas de 2006 a 2009. Pelos dados apresentados, percebe-se
a progressão dos saldos destinados à cultura, por meio da Secretaria Municipal de
Cultura, órgão maior da gestão cultural do município de Goiânia.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA

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PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA

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PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIÂNIA

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
A Prefeitura Municipal de Goiânia, por meio do Sistema Plano Plurianual (SIPPA),
estima a receita e prevê a despesa do município de Goiânia para o exercício finan-
ceiro do período de 2006 a 2009.

O orçamento geral do município, composto pelas receitas e despesas dos ór-


gãos da administração direta, entidades autárquicas, fundacionais e fundos especiais,
estima a receita em R$ 1.834.290.000,00 (um bilhão, oitocentos e trinta e quatro
milhões, duzentos e noventa mil reais) e prevê a despesa em igual importância. Essa
soma é proveniente da arrecadação de tributos, rendas e outras fontes correntes e
de capital, na forma da legislação vigente, como demonstrado na receita aprovada
para o ano de 2006, por meio da lei 8.385, de 28 de dezembro de 2005.

A Secretaria de Cultura, por meio de administração direta, passará a ocupar


o 15º lugar na formação da despesa do orçamento do município, com o valor de
R$ 11.012.000,00 (onze milhões e duzentos mil reais) e na administração indire-
ta pela Fundação Orquestra Sinfônica de Goiânia, o 18º lugar, com o valor de R$
1.884.000,00 (um milhão oitocentos e oitenta e quatro mil reais).

Via Fundo Especial, por intermédio do Fundo de Apoio à Cultura aparecerá


em 6º lugar com o valor de R$ 1.966.000,00 (um milhão, novecentos e sessenta e
seis mil reais), e a Fundação Museu de Ornitologia preencherá o 31º lugar R$
195.000,00 (cento e noventa e cinco mil reais).
262

O tabela a seguir apresenta o percentual destinado ao setor cultural no perío-


do de 2001 a 2009.

Fonte: Departamento de Programação e Orçamento - SEPLAM/2006

Observa-se, na tabela acima, uma perda média de 23% no valor do orçamento


executado em relação ao estimado e destinado à cultura, via administração direta
(Secretaria Municipal de Cultura), especial (Fundo de Apoio á Cultura) e indireta
(Fundação Museu de Ornitologia de Goiânia e Fundação Orquestra Sinfônica de
Goiânia).

Somente uma análise mais aprofundada poderia oferecer o diagnóstico detalha-


do das causas e conseqüências das perdas e dos ganhos no orçamento destinado à
cultura. Mas, nota-se, a princípio, que é necessário garantir ao setor um percentual
mínimo da verba disponível, evitando oscilações que possam enfraquecer ainda
mais a infra-estrutura disponível.

Gestões culturais do município e entidades de apoio

Não se pode deixar de apresentar os desafios da gestão cultural de hoje. Ela


luta para respeitar e atender às diversidades, busca os caminhos para a descen-
tralização, programas de inserção social, valorização e preservação do patrimônio
cultural, criação de equipamentos e, ainda, promoção de eventos artísticos e cultu-
rais. Enfim, procura as diretrizes para uma nova política que possibilite iniciativas e
atenda à demanda da área.

Para tanto a administração pública busca novos meios, caminhos e propostas


de atuação, recorrendo a parcerias com estatais e o setor privado para a criação
e realização de planos, programas e projetos que visem o desenvolvimento cultu-
ral. Procura ainda assegurar as propostas, garantindo verbas do plano orçamentário
institucional, proveniente dos impostos e outras fontes, para investimentos diretos,
indiretos e especiais.
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Levando-se em conta a orientação capitalista da sociedade e considerando-se


que a produção artística está entre as maiores economias do mundo, pode-se di-
zer que há grande demanda de gestores culturais. Cabe a esses profissionais criar,
apoiar e realizar planos, programas e projetos que valorizem ações de pequeno,
médio e grande portes. Além disso, devem legislar em favor do setor cultural e fis-
calizar a execução das políticas públicas.

Hoje, os gestores contam com o apoio das iniciativas estatais por meio das
leis de incentivo, que oferecem grande abertura à criação e à produção cultural,
valorizando as iniciativas nacionais, regionais e municipais, auxiliando no processo
de colocação dos investimentos, apostando na responsabilidade do produtor e na
abertura de novos caminhos como, por exemplo, a participação do empresariado

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
em diversos campos de atuação.

É importante que o gestores busquem consolidar a ação compartilhada entre o


poder público e a iniciativa privada, com a participação da população. A eles cabe,
também, prestar esclarecimentos e dar oportunidade à participação autônoma e in-
dividualizada do empresariado, que auxiliará na consolidação da produção cultural
em todo o município com a possibilidade de, inclusive, abrir novas fronteiras.

Como desafio e meta para os gestores atuais, aponta-se a formulação de ações


estratégicas para conscientizar os incentivadores estatais e privados, nacionais e
internacionais da importância da criação de fundos para promoção cultural.

Para cada gestão cultural vislumbra-se uma situação diferente frente às diversi-
dades, especificidades e prioridades das ações culturais de cada município.

Cenário desejável

Baseando-se na análise do cenário existente, nas orientações do Sistema Na-


cional de Cultura (audiência pública realizada pela Comissão de Educação e Cultura
em 25/08/2004), nas solicitações da população manifestadas na 2ª Conferência da
Cidade de Goiânia, nos Fóruns da Agenda Goiânia e nos dados do Programa Fina-
lístico Setorial, proposto pela Secretaria Municipal de Cultura e Seplan em 2006, e,
em observância ao Plano Diretor das cidades de Formosa, Brasília, Anápolis, Recife e
São Paulo, foi traçado o cenário desejável e apontadas as diretrizes para o desen-
volvimento cultural da cidade de Goiânia.

Assim, no intuito de definir os caminhos para a estabilidade e o desenvolvimen-


to cultural, fundamentais para a construção do cenário desejável, objetiva-se:

1. Estimular a criação de conselhos culturais ou inserir um representan-


te do setor cultural na associação de moradores, por região, por
setor ou bairro, para neutralizar a centralização cultural e conciliar
suas metas e ações junto às outras instituições, de forma a enco-
rajar, investir e dar credibilidade ás produções culturais, possibili-
264

tando meios para criar, propor, contextualizar, recontextualizar e


transformar a cultura.

2. Articular com a sociedade, estado e município, ações que contem-


plem e salvaguardem a diversidade do patrimônio material e ima-
terial, para maior eficácia dos programas de preservação dos bens
patrimoniais.

. Executar uma política pública democrática, descentralizadora, com-


partilhada e integrada com a população e as instituições estatais e
privadas.

4. Promover a articulação entre a administração direta, especial e in-


direta por meio de parcerias com IPHAN, FUNARTE, FBN, AGEPEL,
SEBRAE, SENAC, FOSGO, Fundação Museu Ornitológico, outras fun-
dações, agências, conselhos culturais etc.

5. Garantir a acessibilidade aos bens culturais do município.

6. Criar oportunidades e edificar equipamentos para formação, pro-


dução e fruição cultural.

. Preservar, apoiar, incentivar, valorizar e difundir as manifestações


culturais no perímetro urbano e rural do município respeitando as
diversidades.

8. Criar, investir, manter e implantar acervos e arquivos no município.

9. Elaborar programas e incentivar projetos culturais de diversas or-


dens.

10. Propor programas para subsidiar o déficit de infra-estrutura cultu-


ral.

11.Fornecer bolsas de estudo para a formação, capacitação, qualifica-


ção, habilitação, especialização e aperfeiçoamento artístico e cul-
tural de artistas, estudantes, professores e produtores.

12. Criar lei de incentivo específica para produções no campo da ima-


gem e do som.

1. Efetivar programas de fomento à leitura e à editoração.

14. Edificar bibliotecas e museus.

15. Viabilizar programas de incentivo às bibliotecas e museus, que vi-


sem a descentralização e priorize a acessibilidade.

16. Elaborar um programa de incentivo à formação e manutenção de


orquestras, bandas, coros, conjuntos musicais instrumentais e vo-
cais.

1. Mapear e espacializar o setor cultural.

18. Mapear, espacializar e demarcar a implantação, edificação e o uso


de equipamentos públicos nas ZEIS (Zonas de Interesse Social) des-
tinados prioritariamente ao desenvolvimento sociocultural.
265

Diretrizes de articulação

1. Ampliar as ações integradas de políticas públicas entre os órgãos


da áreas social, de saúde, educação, assistência social, cultura, es-
porte e lazer (2ª Conferência da Cidade de Goiânia).

2. Aumentar as propostas de eventos culturais gratuitos, financiados


pelo poder público, com horários flexibilizados (2ª Conferência da
Cidade de Goiânia).

. Criar oportunidades para a circulação de bens e serviços públicos.

DESENVOLVIMENTO Sociocultural
4. Estabelecer parcerias com instituições estatais e privadas visando a
promoção cultural no município.

5. Oferecer cursos de capacitação, qualificação e habilitação para a


preservação e a circulação dos bens culturais.

6. Promover intercâmbios culturais entre as áreas artísticas e institui-


ções culturais de diversos portes, regiões e nacionalidades.

Diretrizes de gestão

1. Conscientizar todas as camadas da população quanto aos direitos


humanos, os princípios da cidadania e as prioridades culturais. (2ª
conferência da Cidade de Goiânia)

2. Monitorar e dar suporte de gestão administrativa às instituições cul-


turais de pequeno, médio e grande portes.

. Instituir, organizar e reorganizar os conselhos de cultura.

4. Investir na edificação de equipamentos culturais no município.

5. Criar planos, programas e projetos culturais, que subsidiem a forma-


ção artística, incentivando a comunidade a usar os equipamentos
públicos.

6. Propor e assegurar políticas públicas criativas de largo alcance, des-


centralizadoras, participativas e democráticas.

. Oferecer uma administração pública ágil, competente e cada vez


mais voltada para o bem público.

8. Democratizar a acessibilidade aos bens culturais.

9. Respeitar e valorizar a diversidade cultural.


266

Diretrizes de economia
1. Salvaguardar os investimentos orçamentários do município prove-
nientes da arrecadação de tributos, rendas e outras receitas cor-
rentes e de capital, na forma da legislação vigente (ou em forma de
legislação).

2. Propor ampliação orçamentária para a produção cultural baseada


em parâmetros de sustentabilidade, logística e análise de merca-
do.

Diretrizes de informação
1. Produzir um banco de dados cultural do município, informatizado,
que cadastre bens, equipamentos, serviços, programas, projetos,
produções e produtores, artistas, pioneiros, manifestações artísti-
cas patrimoniais etc.

2. Disponibilizar informações sobre os diversos seguimentos culturais.

. Tornar transparentes os investimentos culturais.

4. Criar mecanismos de comunicação e atuação entre profissionais e


agentes culturais.

Diretrizes de promoção
1. Efetivar uma maior interação entre o setor de produção cultural e
os meios de comunicação, para difundir as áreas artísticas entre a
população.

2. Criar o Sistema Municipal de Cultura.

. Incentivar a criação de fundações, centros culturais e casas de cul-


tura nas diversas regiões e bairros do município, descentralizando a
produção e as realização artísticas e culturais.

4. Promover agendas e oportunidades de comunicação e interação


profissional entre as áreas de criação e preservação e a “indústria
cultural”.

Diretrizes de preservaçao patrimonial

1. Defender e valorizar o patrimônio cultural do município.

2. Preservar os bens patrimoniais do município articulando com es-


tatais, setores privados e a sociedade, ações que salvaguardem a
diversidade do patrimônio material e imaterial da região.
267

EIXO ESTRATÉGICO
GESTÃO URBANA

Gestão da Política Urbana


O eixo gestão urbana objetiva garantir o controle social so-
bre as políticas, planos, programas e as ações numa perspectiva
que considere a articulação e a integração interna e externa à
administração do município, ampliando e fortalecendo todas as
instâncias de participação.
269

I N T R O D U ÇÃ O

O eixo estratégico Gestão Urbana no âmbito do desenvolvimento do município,


como uma das ferramentas que possibilita a implementação das políticas, planos,
programas e projetos da gestão, alicerçado na organização institucional e adminis-
trativa dos poderes constituídos e no exercício das articulações institucionais e de
integração das ações, sustentado por um Sistema de Planejamento Municipal, se
constitui em um elemento importante da agenda de discussões sobre as políticas
públicas adotadas no âmbito local.

Os diversos aspectos da Gestão Urbana e as relações que o Município esta-


belece com os poderes constituídos e a sociedade, em decorrência das inúmeras
atividades exercidas pela população, são objeto de estudos nas suas especificida-
des e faz parte do conjunto da realidade a ser estudada, Goiânia, como capital da
Região Metropolitana. Só assim conhece-se a influência de um sobre o outro e como

Gestão da Política Urbana


se interagem.

Goiânia “Metrópole Regional”,

foco de evidência, pólo de grande influência econômica, social e


administrativa em sua região. Um centro urbano com um Plano Dire-
tor que comporte um modelo metodológico que estabeleça formas
de implantação de ações concretas e o respectivo monitoramento,
pois ele é a ferramenta, um instrumento para viabilizar o anseio da
população”(SEPLAM,2005, p 3).

A partir desse ideário, a elaboração das diretrizes a serem propostas e em se-


guida definidas para a concepção das Políticas Públicas do Município de Goiânia,
ganha corpo a partir da identificação do detalhamento do eixo estratégico Gestão
Urbana tratado por temas específicos, que por sua vez se constituem em Planos
Setoriais, suporte das diretrizes que norteiam a política de Desenvolvimento do
Município.

O modelo metodológico da Revisão do Plano Diretor parte de um cerne concei-


tual composto por quatro princípios orientadores da Política Urbana local: igualda-
de, oportunidade, qualidade, e transformação. O Plano, por sua vez, consubstancia-
do por diretrizes e instrumentos de promoção do desenvolvimento do município e
por mecanismos de controle e fiscalização, deve possibilitar o exercício das funções
e atividades inerentes ao viver urbano e rural. Deve ser monitorado por um sistema
de planejamento capaz de gerenciar e programar as ações da gestão, visando a
270

distribuição eqüitativa dos benefícios, das oportunidades, da qualidade e da trans-


formação, tanto da cidade quanto da própria gestão.

Diante dessa necessidade de mudança o Eixo Estratégico Gestão Urbana, es-


truturado pelos temas relevantes: Sistema Institucional e Administrativo, Região Me-
tropolitana, Consórcio Intermunicipal da Bacia do Meia Ponte e Comitê Meia Ponte
e ONG´s e Participação Popular, deverá garantir e prever ações que possibilitem
ao cidadão a compreensão e o significado do eixo estratégico como determinante
para a integração, implantação e implementação dos programas definidos pelo Pla-
no Diretor de Goiânia e os projetos da gestão.

Tal compreensão resultará na definição de uma estrutura institucional adminis-


trativa local articulada, mais ágil e eficiente, para consolidar as diretrizes do plano e
das ações de governo, e que resulte no entendimento do planejamento do desen-
volvimento do Município como processo e do Sistema de Planejamento e Gestão,
como articulador e monitorador do conjunto das ações.

CARACTERIZAÇÃO DO EIXO ESTRATÉGICO

A caracterização do eixo estratégico e dos respectivos temas relevantes dele


advindos resultou da avaliação dos indicadores institucionais e administrativos e das
ações de planejamento. Também na adoção de propostas que garantam a integração
e articulação das ações e serviços, bem como da execução de programas, planos e
projetos implementadores das políticas públicas municipais. Buscou sintonia com as
políticas da Região Metropolitana de Goiânia e a consolidação de um processo de
planejamento dinâmico e contínuo que, articule as políticas da Administração com
os diversos interesses da sociedade, criando instrumentos para o monitoramento do
planejamento urbano e as ações da gestão.

CARACTERIZAÇÃO DOS TEMAS RELEVANTES

SISTEMA INSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO E SISTE-


MA DE PLANEJAMENTO

Marcos Referenciais

Apesar de Goiânia ter nascido sob a égide desenvolvimentista, desde os pri-


meiros anos de vida da nova capital de Goiás, sua administração era pouco mais que
271

uma extensão do Governo do Estado, controlado pelo Interventor Pedro Ludovico


Teixeira. Não havia uma estrutura administrativa nos moldes que conhecemos hoje.
As atividades administrativas e os serviços públicos se confundiam com as ações de
implantação da capital e eram exercidas por órgão do Estado designado para sua
construção, assim como a aprovação dos parcelamentos e posteriormente à forma-
lidade de aprovação na Prefeitura e o respectivo registro em cartório.

Mesmo ocorrendo o desenvolvimento acelerado nos períodos de 40 e 50, sua


estrutura administrativa, no entanto, permaneceu incipiente e totalmente dependen-
te da administração Estadual. Foi o Governo Estadual, em face de expansão urba-
nística de Goiânia, que traçou as políticas administrativas de maior amplitude para
o Governo Municipal, não considerando apenas a questão urbanística, mas àquelas
voltadas a todas as atividades da Prefeitura. Para tanto, foi sancionada pelo Prefeito
Municipal, a Lei nº 1637, de 31/12/59, que definia a macro e micro estrutura e as
atribuições regimentais, no sentido de que a estrutura proposta pudesse viabilizar a
execução do Plano Diretor, elaborado pelo arquiteto Luiz Saia.

Gestão da Política Urbana


Entretanto, a estrutura proposta não previa um relacionamento entre os órgãos
da Administração Municipal, que foram agrupados de acordo com suas atribuições
como sendo: Órgãos Auxiliares, Órgãos de Linha e Sub Prefeituras. Considerado o
órgão mais eficiente como Órgão de Linha, o Departamento Municipal de Estra-
das e Rodagens, mantido com as verbas federais, que mal davam para pagar seus
funcionários, a Câmara de Vereadores e alguns poucos operários. Além disso, as
funções de planejamento e urbanismo previstas para a seção de Estudos e Projetos
do Departamento de Obras, sofreram profundas alterações, na medida em que fica
condicionado à execução de obras, agravando o equívoco da organização Munici-
pal, no que se refere à ausência de unidades administrativas e no deficiente grau de
institucionalização das atividades pela Prefeitura.

A real autonomia da Administração Municipal foi conquistada na década de


1960. Assessorada pelo IBAM, a Prefeitura Municipal desenvolveu e implantou uma
proposta administrativa marcada pela modernização e qualificação de seus técnicos.
Pela primeira vez aparece o planejamento urbano, visando o controle e a harmonia
dos investimentos públicos com o desenvolvimento físico territorial. O Departamen-
to de Planejamento e Urbanismo, assim como o planejamento da cidade é regido
de acordo com diretrizes mais elaboradas. Esse período culminou com a elaboração
do Plano de Desenvolvimento Local Integrado de Goiânia, em 1969, com a contrata-
ção, pelo então Prefeito Íris Rezende Machado, do consultor, arquiteto e urbanista
Jorge Wilhein, para a elaboração do Plano Diretor (Lei nº. 4523, de 12/12/71).

O conteúdo do Plano Diretor prevê diretriz institucional, como forma de assegu-


rar não só o processo de planejamento urbano, mas também a agilidade no desem-
penho das ações administrativas e de prestação de serviços à população. É a primei-
272

ra vez que se estabeleceu a organização sistêmica, centrando-a, contudo no Sistema


de Planejamento Municipal e não nos demais órgãos da estrutura administrativa. O
Escritório de Planejamento foi o centro de comando do Sistema de Planejamento e
do controle e avaliação dos resultados da execução do Plano Diretor. Desta forma,
a administração, passou a contar com os instrumentos necessários à implantação do
Sistema Municipal de Planejamento.

O Escritório de Planejamento foi transformado no Instituto de Planejamento Mu-


nicipal (IPLAM), com a aprovação e publicação em 1975, do Regulamento Geral da
Prefeitura de Goiânia e definido como Órgão Central do Sistema de Planejamento,
que definia como órgãos setoriais e seccionais as Assessorias de Planejamento, cria-
das em todas as secretarias municipais conforme as disposições estabelecidas pelo
Decreto nº. 244 de 27 de Abril de 1977. No entanto, a estrutura política daquele,
facilitou uma prática administrativa viciada, centralizadora e burocrática. Os recursos
humanos, a morosidade da tramitação dos processos nos órgãos da administração
direta, fizeram surgir Companhias Públicas tais como Companhia Municipal de Urba-
nização (COMURG), Companhia Municipal de Iluminação (COMLUZ) cujo funciona-
mento se instalava a revelia do planejamento central. Com isso, a cidade fica à mercê
dos prejuízos oriundos da especulação imobiliária, dos altos custos da implantação
da infra-estrutura, e da má qualidade do atendimento dos serviços públicos.

Esse mesmo decreto cria a organização geral da Administração Municipal, sus-


tentada no Sistema Municipal de Planejamento, tendo como órgão central o IPLAM
e definiu os subsistemas que tratavam da Coordenação Geral e da elaboração de
Planos, Programas e Projetos, Programação e Orçamento, Modernização Administra-
tiva, Informações Cadastrais, e os órgãos integrantes do Sistema de Planejamento.
Desenhou também a Estrutura do Sistema Administrativo definindo os órgãos de
coordenação, assessoramento, apoio, executivo, etc. e estabelece as competências
de cada um dos órgãos que o compõem.

Á época, o Instituto de Planejamento Municipal de Goiânia esteve respaldado


por toda a administração, mas sua atuação se dava no plano setorial, e não conse-
guia atuar no planejamento global implantado, o que trouxe graves prejuízos para a
cidade, mesmo tendo sido produzida a legislação do controle de uso e ocupação
do solo do Município.

Dez anos depois foi estabelecida a estrutura geral da Prefeitura (Lei nº. 6591
de 26/04/88), sancionada pelo Interventor Joaquim Domingos Roriz. A estrutura pro-
posta define os órgãos da Administração Direta, os órgãos de Deliberação Coletiva,
órgãos de Assessoramento de Administração Geral e Finanças, órgão de Recursos
Humanos, órgãos Operacionais.

A reestruturação feita em 1994, no início da Gestão Darci Acorci, foi resultado


2 73

da necessidade de incrementar a participação da comunidade, implantar o Orça-


mento Participativo e implementar o Plano Diretor. Para tanto, foram realizados se-
minários para avaliar o Sistema Municipal de Planejamento, e levantar os problemas
enfrentados pela administração com o objetivo de formular uma nova proposta que
viabilizasse tais perspectivas. O resultado apresentado pelos relatórios identificava
que a atual estrutura não se efetivava na medida em que não havia integração, arti-
culação, qualificação dos recursos humanos, informações, enfim uma estrutura capaz
de garantir a operacionalização de qualquer dos sistemas: institucional, administra-
tivo e sistêmico.

A partir dessa constatação, em seminário realizado em 1993, denominado


Construindo um Novo Modelo de Estrutura Organizacional para Prefeitura de Goi-
ânia, foram discutidos temas como o desenvolvimento econômico e social, desen-
volvimento urbano, administração e recursos humanos e financeiros. As discussões
tinham como objetivo, avaliar a capacidade das estruturas dos órgãos responsáveis
pela implantação dos programas, planos e projetos de cada um dos temas e das

Gestão da Política Urbana


ações do governo.

O resultado desse seminário apontou como resultado que os órgãos compo-


nentes do Sistema Municipal de Planejamento careciam de adequação de suas estru-
turas de forma a garantir a integração entre o Planejamento Urbano e o Planejamento
Governamental. Diante disso, a nova proposta provocou a integração do planeja-
mento nos seus aspectos de orientação, operação e normatização. Constatou-se,
dessa forma, que a Política de Desenvolvimento Municipal devia considerar o Pla-
nejamento Urbano e o Planejamento Governamental e que, as demais políticas se-
toriais, devem gerar diretrizes anuais e plurianuais que se transformariam em planos
operacionais de desenvolvimento.

Em 1997, na administração do prefeito Nion Albernaz, foi novamente reorgani-


zada a estrutura administrativa. A novo modelo aprovado extinguiu o Instituto Muni-
cipal de Planejamento, criou a Secretaria Municipal de Planejamento e desconsidera
o Sistema Municipal de Planejamento.

Quadro Atual

Hoje, nos deparamos com um quadro institucional e administrativo que sofreu


alterações pontuais, mais no sentido de acomodar a estrutura ao ritmo de cada ges-
tão, do que para estabelecer diretrizes organizacionais capazes de garantir, opera-
cionalizar e viabilizar o desenvolvimento do Município, amparado no planejamento
urbano e no planejamento governamental.

O quadro administrativo e institucional da Prefeitura Municipal de Goiânia, como


274

outras tantas Prefeituras brasileiras, é o retrato do continuado desmonte do proces-


so de planejamento, a partir da valorização do mercado enquanto instrumento de
valorização das cidades, em detrimento do planejamento, facilitando ao governo
federal desmontar todo um possível aparato institucional voltado a gestão das gran-
des cidades. Tanto no âmbito regional, como local, nota-se que as tentativas de
articulação que devam resultar em ações com viabilidade prática, não possibilitem
uma gestão compartilhada dos diversos problemas além municípios, ao mesmo tem-
po em que no âmbito da administração municipal, o esvaziamento político e técnico
dos órgãos de planejamento –IPLAM / SEPLAM – assumindo funções executivas em
detrimento de coordenar o Sistema de Planejamento Municipal, inviabilizou assim
uma gestão institucional mais eficiente.

A perspectiva de um desempenho institucional eficaz a partir da aprovação do


Plano Diretor de Goiânia em 1992, como um instrumento de gestão da cidade, tor-
nou-se frustrada na medida em que não houve, por parte do poder público, interes-
se da aplicação da lei na sua totalidade, ou seja, implementar todos os instrumentos
por ele contemplados.

Um dos mecanismos previstos a ocasião da elaboração da revisão do Plano


Diretor, foram os estudos para a elaboração da divisão de Goiânia em regiões,
com parâmetros específicos, cujo produto denominado Mapa da Regionalização de
Goiânia seria aprovado pela Câmara Municipal, como instrumento de planejamento
e que ao mesmo tempo, se constuiria em unidades administrativas para acompanha-
mento das ações de governo.

Apenas a Lei de Zoneamento é aplicada, numa visão restrita à questão territo-


rial desarticulada da visão humana, social e cultural. Além disso, a falta de articulação
institucional favoreceu as últimas administrações desenvolverem estruturas paralelas,
para viabilizar atividades voltadas às ações de programa de governo, combinada
com um processo perverso de contratação de comissionados, em detrimento da
abertura de concursos públicos, tão necessários à recuperação dos quadros da
administração, envelhecidos, desmotivados e mal remunerados.

Vale dizer, que a incorporação de jovem aos quadros de concursados, com


melhor remuneração, associada a uma nova mentalidade com formação mais aber-
ta às inovações organizacionais e operativas, resultará num processo contínuo de
transformação a curto, médio e longo prazo das estruturas atuais do poder público
municipal. Com essa expectativa, os concursos foram promovidos pela administra-
ção local que tem contratado os aprovados, entretanto, até o momento, nada ofe-
rece em termos de treinamento, capacitação e integração entre os servidores para
a formação de uma nova cultura, que leve a compreensão da gestão pública, como
um instrumento importante na promoção do planejamento em todos os níveis, para
viabilizar as políticas públicas locais.
275

Outra questão que merece atenção, e que é preocupante, é o modelo de es-


trutura administrativa apresentada por meio do último projeto de lei, que cria a nova
estrutura administrativa, elaborado pelo Executivo, visto que a proposta retira do
órgão central de planejamento, a unidade responsável pela elaboração e acompa-
nhamento do Plano Plurianual, da Lei de Diretrizes Orçamentárias e do Orçamento
Anual, juntamente com o Plano Diretor. Vale lembrar que tais dispositivos legais
são os quatro principais instrumentos do planejamento municipal, de acordo com
a Lei Orgânica do Município de Goiânia. Diante disso o recomendável seria que a
manutenção da unidade responsável fosse garantida na estrutura do órgão de Pla-
nejamento.

Cenário Desejável

A gestão municipal deve priorizar a integração das várias áreas administrativas


e concretizar o planejamento como fundamental para a operacionalização das suas

Gestão da Política Urbana


ações. Esta integração e articulação interna devem buscar em primeiro lugar, como
forma de participação, todos os órgãos da administração municipal, e, em seguida,
com a sociedade civil, e a comunidade. Como passo seguinte, buscar as esferas
estadual e federal. Para tanto, necessário se faz uma reestruturação institucional,
administrativa e de capacitação de toda a administração municipal, de forma a qua-
lificar seus servidores, modernizar seus métodos e técnicas administrativas, suas ins-
talações e equipamentos e possibilitar o melhor atendimento aos serviços prestados
à população.

A recuperação efetiva da capacidade de planejamento passa pela instituciona-


lização de um Sistema Municipal de Planejamento e Monitoramento das Ações da
Gestão, principalmente se levarmos em conta que, Goiânia como capital da Região
Metropolitana, exerce um papel fundamental no processo de desenvolvimento da
região.

Diretrizes

As diretrizes constituem um momento importante do planejamento, revestem-


se de um campo de força positiva do qual devem sair às indicações seguras, claras e
consistentes que vão orientar os vários planos setoriais que se seguirão. Entretanto,
não devem chegar ao detalhe e objetivam;
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· Recuperar a capacidade de Planejamento do Município, dotando-o de um


Sistema Articulado de Gestão Interna (Planejamento e Gestão), com objetivo de
superar as áreas sombras existentes entre os vários órgãos da Prefeitura.

· Instituir mecanismos de participação, que possibilite o envolvimento dos vá-


rios setores representativos da sociedade no processo de planejamento da cidade.
Isto significa que a institucionalização da participação popular tem como objetivo
fortalecer o governo local.

· Instituir as 12 Regiões Administrativas como unidades de planejamento e de


controle e acompanhamento das ações da gestão.

· Recompor o quadro funcional das várias áreas da prefeitura, ou seja, instituir


a figura do Gestor, mediante concurso, com vantagens salariais atraentes, para que
possa renovar o quadro de servidores efetivos, qualificados e, muito mais motivados
visando um melhor atendimento das demandas e dos cidadãos goianienses.

· Como conseqüência da diretriz anterior, a realização de concurso público


elimina definitivamente o processo de nomeação de comissionados, com exceção
dos cargos de primeiro escalão, reduzindo significativamente a ingerência política
sobre o funcionamento da máquina técnica e administrativa da Prefeitura Municipal.

· Instaurar política de ocupação dos cargos em níveis inferiores ao do primeiro


escalão, por meio de critérios técnicos, combinados com experiência, qualificação
e tempo de serviço, cujo acesso se dará também mediante concurso interno.

· Articular, permanentemente, com instâncias do governo estadual e com os


municípios da Região Metropolitana, visando uma gestão compartilhada/ consorcia-
da dos vários problemas metropolitanos.

· Adequar à estrutura administrativa da Secretaria Municipal de Planejamento,


para que ela assuma a coordenação do planejamento municipal, mantendo nela a
unidade responsável pela elaboração e acompanhamento dos Planos e Orçamentos
Municipais: Plano Plurianual, Lei de Diretrizes Orçamentárias e Orçamento Anual.

PARTICIPAÇÃO POPULAR

Marcos Referenciais

O processo de redemocratização do país, a partir da promulgação da Cons-


tituição Federal de 1988, possibilitou um novo padrão de relação entre o Estado
e a Sociedade, focado no aperfeiçoamento da gestão democrática das questões
públicas.
2 77

A participação popular, um desafio para os governantes e para os atores sociais


envolvidos, é um pressuposto básico para a construção de uma sociedade livre,
justa e sem desigualdades sociais e regionais, sem pobreza, sem preconceitos e
sem discriminação. Posteriormente, novos avanços democráticos foram consagrados
com a regulamentação da Constituição.

A gestão das Políticas Públicas e o processo de construção das cidades apontam


a pluralidade da natureza política dos atores sociais e, os alcances sócios espaciais,
têm se manifestado na pratica em diversas áreas de atuação e lugares. O Estatuto da
Cidade expressa no seu art. 2º, inciso II, que a Política Urbana deve ser exercida com
“gestão democrática por meio de participação popular e de associações represen-
tativas de vários segmentos da comunidade na formulação, execução e acompanha-
mento dos planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano”.

Diante deste novo quadro, os novos agentes coletivos, forçam o Estado a rom-
per a lógica autoritária e ante democrática na elaboração das políticas sociais. As

Gestão da Política Urbana


relações que se estabelecem marcam uma abertura pela realização do diálogo, que
tem levado, em alguns casos, os segmentos coletivos aliarem seus interesses a pro-
gramas da política institucional, uma vez que o esvaziamento das responsabilidades
do Estado sobre as políticas sociais, sendo transferidas para o âmbito do municí-
pio.

A importância da esfera local é percebida nas discussões temáticas levantadas


pelos movimentos sociais, embora suas reivindicações não esgotem as possibilida-
des de articulação nesta seara, uma vez que os efeitos imediatos das ações produ-
zidas pela dinâmica do capitalismo no espaço urbano, contribuem para esta reali-
dade de desestruturação espacial. Mesmo assim, a proximidade das populações,
representantes e representados, faz com que a esfera local torna-se um espaço
privilegiado ou pelo menos possível, para a luta contra as desigualdades econômi-
cas e sociais, pelo respeito às minorias, redefinição do espaço urbano. A formação
de um espaço livre, aberto e harmonioso que propicie as relações entre as pessoas
e a compreensão dos paradigmas da gestão urbana, entendendo que a luta urbana
não se restringe à moradia.

Trata-se, portanto do resultado

“da redistribuição das mais valias urbanas, fim da segre-


gação espacial e temporal, onde a primeira equivale à de-
terminação sutilmente imposta de demarcação de espaços
apartados para as camadas sociais, transformando a cidade
num emaranhado de guetos de miseráveis para um lado e
apaniguados para outro, já a segunda, tendo como causa a
278

primeira, caracteriza-se justamente por restringir o desfrute


da cidade na sua integridade ao centralizar benefícios nas
regiões tidas como nobres, ou seja, devem-se inverter a ló-
gica e levar emprego, lazer, escolas, vida, para as periferias,
para que seus membros não mais necessitem se submeter
ao desgaste oneroso e exaustivo da locomoção, problema
cada vez mais grave nas metrópoles” (Silva, 2003, p.3).

Ainda segundo o autor, necessário se faz a construção de diversas fontes de


mobilização e articulação que resultem no ordenamento jurídico presente no “Esta-
tuto da Cidade”.

A imperiosa necessidade de um planejamento urbano, voltado para a redistri-


buição das economias urbanas para toda a coletividade, o cumprimento da função
social da cidade e da propriedade, e a gestão democrática da cidade tem se cons-
tituído em entraves para o atendimento dos direitos do cidadão, que na maioria das
vezes condicionada as formalidades, adiam as possibilidades dos benefícios, como
é o caso da função social da propriedade.

Por outro lado, neste ambiente, a relevância da participação popular


e da gestão democrática para a execução das medidas para a concretização das
propostas no âmbito do Plano Diretor, passa ser determinante na medida em que a
Lei Orgânica dos Municípios (LOM) cria os mecanismos regulatórios da gestão, aten-
dendo os dispositivos da Constituição de 1988.

Os principais instrumentos legais para tanto, consistem na garantia do direito à


organização social em associações, sindicatos, conselhos, ONG´s, partidos políticos
etc., nas eleições amplas e com alto grau de concorrência pública, nas possibili-
dades de plebiscito, referendo e leis de iniciativa popular e, por fim, na garantia e
estímulo à formação de conselhos municipais como mecanismos de integração da
sociedade civil às gestões municipais.

Uma vez que a base territorial para a participação e atuação da sociedade civil
organizada, é o espaço do Município, é aí que vamos ver se formar os cenários dos
novos conflitos políticos e de poder entre os vários grupos da sociedade, regulada
pela Constituição democrática e orientada para a afirmação dos interesses de clas-
ses na gestão do Município. As arenas de disputa pela imposição da lógica sobre a
cidade são os Conselhos Municipais, principais instrumentos institucionalizados para
a gestão partilhada.
279

Quadro Atual

Neste novo contexto de legalidade democrática, Goiânia tem apresentado um


quadro que reflete o caráter de sua fragmentação social. Percebe-se na composição
dos conselhos baixa representatividade das camadas populares ou, quando estas
se fazem representar por determinados mecanismos associativos, o baixo grau de
intervenção positiva, ou seja, de afirmação dos seus interesses. Um dos principais
motivos para isto é o fato dos técnicos que representam o Estado e o governo não
reduzirem seus discursos ao nível de compreensão das camadas populares. Seus
representantes não compreendendo o processo em razão de uma linguagem ope-
racional, distante do seu universo de representações, se inibem em participar. Por
outro lado, as camadas médias e empresariais não ressentem do mesmo problema,
uma vez que participam por meio de entidades de classe que agremiam profissio-
nais de nível superior ou empreendedores capitalistas, como o CREA, o CRM, o CRO,
sindicatos, o CRECI, a (ADEMI) etc.

Gestão da Política Urbana


Por isso, percebe-se a participação dos técnicos, primeiramente enquanto
membros de classe, e, só depois como representantes de um Estado, que deve
mediar a relação das classes. Neste sentido, esta atuação denota um esforço social
em explicações sociológicas, reduzindo os grupos sociais em campos de saber es-
pecíficos: saber técnico, saber científico, saber político, saber popular etc.

Aqui é importante dizer duas coisas: primeiro que a tênue participação popular
em Goiânia evidencia uma fragilidade na sua “cultura cívica”, ou seja, os instrumentos
democráticos, pela forma como têm sido usados, não permitiram ainda a constitui-
ção de uma cultura de participação afirmativa, o que não contribui sequer para a
organização das camadas populares; segundo, que não há uma exata coincidência
entre o saber técnico e o saber científico, pelo contrário, há de fato uma afirmação
de campos distintos de saberes que reflete em proposições de diretrizes diferentes
para a cidade.

Para uma participação eficaz necessário se faz que a população acompanhe


o processo de planejamento, desde o levantamento dos problemas à seleção das
prioridades e os objetivos. São necessários o estabelecimento das estratégias, a
programação e a execução das ações de forma transparente e responsável, envol-
vendo o poder público e a população organizada. Para tanto, as formas de par-
ticipação devem possibilitar níveis diferentes de consulta, na medida em que os
problemas da cidade devem ser tratados, primeiro no âmbito local, (sentidos pela
população moradora do bairro), ou seja, de solução ou organização imediata das
demandas relacionadas à prestação dos serviços essenciais.

Já os problemas sentidos pela população do bairro, deverão ser submetidos a


consultas populares que assegurem a participação das entidades de classe, movi-
280

mentos associativos, movimentos especializados, entidades e outros, cuja solução


depende de um enfoque em nível de cidade como um todo referente á organização
do espaço, não só para as atividades urbanas se desenvolverem, como também
para a melhor mobilidade e acessibilidade da população.

As soluções, em geral, envolvem problemas técnicos para atender os objetivos


da população, e, neste sentido, a Participação Popular para passar, de consultiva
para deliberativa, deve organizar-se para assumir maiores responsabilidades.

A Participação Popular, na forma consultiva, é a mais simples, e pode acontecer


mesmo que a população ainda não esteja organizada. A simples consulta é suficien-
te para o levantamento dos problemas, prioridade e objetivos gerais. Enquanto que,
para atingir o nível deliberativo, a Participação Popular deve estar suficientemente
organizada, pois toda decisão envolve responsabilidade do Poder Público, uma vez
que parte dele a convocação ou convite para participação da população em reuni-
ões, plenárias, Fóruns, etc.

Contudo, com a regulamentação, em nível federal dos artigos 182 e 183 da


Constituição Federal, que resultou na promulgação do Estatuto da Cidade em julho
2001, um novo instrumento para a afirmação da participação popular foi institu-
cionalizado – apesar de ser ele um instrumento já utilizado em aproximadamente
100 municípios (Correia, 2003, p.158), trata-se do Orçamento Participativo. Mesmo
havendo a necessidade do Estatuto da Cidade estabelecer normas específicas em
nível municipal, em Goiânia o uso do Orçamento Participativo, como instrumento da
participação popular, teve sua aplicação nas gestões 1993-1997 e 2001-2004. Sua
prática abriu um espaço importante de participação, entretanto não foi capaz de
inverter a ordem das rubricas orçamentárias e, conseqüentemente, das intervenções
sobre a cidade.

Obviamente, esta inversão ordinária tem causado certas inquietações nas rela-
281

ções entre as classes e/ou grupos sociais. O Orçamento Participativo passou a ser
um instrumento de gestão democrático muito questionado e criticado por aqueles
grupos que não conseguem atuar nos seus moldes metodológicos, adaptados para
a atuação das camadas populares. Isto acontece, não só por parte das camadas
médias de nível superior e dos empreendedores capitalistas – comerciantes, cons-
trutores, industriários, empreendedores imobiliários, financistas etc. – mas também
por parte de técnicos do serviço público e por intelectuais da academia de um
modo geral. O que se percebe, é uma projeção positiva das camadas populares na
arena das decisões políticas.

Todavia, o exercício de participar, principalmente em instâncias de decisão so-


bre a demanda pública, requer determinados atributos (de linguagem, de postura,
de articulação, de comunicação etc.) que uma grande maioria dos elementos das
camadas populares não possui, em razão mesmo de, na sua experiência pública, não
terem adquirido os princípios da cultura cívica. Deste modo, um dos problemas que
o Orçamento Participativo de Goiânia apresentou, foi o baixo grau de organização

Gestão da Política Urbana


das camadas populares e o seu desconhecimento dos processos e procedimentos
técnicos para as tomadas de decisão bem como dos próprios instrumentos legais
que lhes assegura uma maior intervenção sobre a cidade.

Em relação aos Conselhos Municipais, os mesmos foram constituídos ao longo


da década de 90, com a aprovação da Lei Orgânica Municipal. Hoje se identificam
em Goiânia 35 (trinta e cinco) conselhos, destacando-se em 1997, a criação do
Conselho Municipal do Bem Estar do Menor, cujo objetivo seria o dar assistência,
amparo e orientação ao menor abandonado. Segundo informações colhidas na FU-
MDEC acredita-se que, atualmente, ele se transformou no Conselho Municipal dos
Direitos da Criança e do Adolescente. Já na década de 80, surgem novos Conselhos
no município de Goiânia significando uma descentralização de poder e o fortaleci-
mento da democracia.

Na década de 90 foram criados 26 (vinte e seis) conselhos com atuações em


diversas áreas, entretanto, alguns nunca foram instalados, mas na sua maioria en-
contram-se em plena atuação como é o caso do COMPUR, o do Meio Ambiente, da
Saúde, da Educação, da promoção Social.

Vale observar que alguns desses Conselhos concorrem em algumas competên-


cias quando na verdade deveriam se complementar, para que as ações aconteçam
de forma eficaz para viabilizar suas diretrizes gerais básicas, as setoriais, e a elabo-
ração de programas e projetos. Percebe-se, também, que na composição dos con-
selhos a presença dos mesmos órgãos municipais e entidades da sociedade civil, o
que de certa forma contribui para melhor integração entre os conselhos.

Outro ponto importante a ressaltar é que, a simples criação de um conselho não


282

significa sua operacionalização e que as metas sejam atendidas, vale dizer, portanto,
que o conteúdo dos textos legais de sua criação deva explicitar claramente seus
objetivos e limites de competência.
Mapa 01

E spaciali z a ç ã o dos C onsel h os FONTE: SEPLAM - 2006

e das E ntidades C omunitárias


por R egi ã o A dministrati v a
284

Cenário Desejável

A Diretriz Geral no âmbito da Participação Popular relaciona-se ao aporte de


Investimentos do Município na Formação e Consolidação de uma Cultura Cívica. In-
vestir, política e economicamente nessa questão possibilita, a médio e longo prazo,
mudanças significativas no comportamento social em Goiânia. Como conseqüência
de uma política que valoriza a participação social, tem-se a formação de uma “co-
munidade cívica”, ou seja, de uma população que reconhece a importância de par-
ticipar e que deseja participar, resguardando atributos e disposições que qualificam
esta participação. Nesse sentido, derivam-se ações que busquem o fortalecimento
de uma democracia genuinamente participativa.

Quanto mais houver participação popular maior a eficácia da gestão pública.


Devem ser ampliadas e fortalecidas as instâncias da participação popular e a capa-
citação continuada do cidadão para essa participação e para a vida pública. Não
há democracia participativa, nem gestão eficaz, sem informação e comunicação de
qualidade, sem indicador de transparência da gestão pública e de qualquer plane-
jamento correto. Em síntese a participação popular no processo de planejamento
não é só uma obrigação constitucional, mas uma condição fundamental para a sua
permanência e eficácia na construção da cidade democrática.

Diretrizes

A possibilidade de construção de cenários desejáveis consubstancia-se em di-


retrizes, que se constituem em elementos estruturadores das estratégias e definirão
os programas e planos setoriais capazes de:

• Desenvolver Cursos de Capacitação para Conselheiros Municipais,


visando um melhor desempenho dos conselheiros na proposição,
deliberação e acompanhamento das políticas públicas.

• Criar Fóruns Local-Regionais de caráter permanente para discussão


da Cidade. Estes Fóruns constituem-se nas arenas permanentes em
que os vários grupos sociais debateriam a cidade expondo seus
pontos-de-vista, de modo a permitir não só a vazão para os diver-
sos olhares sobre a cidade, como também permitiria, o exercício
do debate, o tratamento e discussão da informação e formação
continuada; ou seja, o objetivo desses Fóruns é reunir representan-
tes de todos os setores da comunidade; moradores de todas as
285

idades, sem qualquer discriminação, usuários dos espaços públicos,


empresários de todos os setores de atividades econômicos, enfim,
todos os cidadãos interessados para discutirem os problemas das
respectivas Microrregiões/Regiões e propor soluções possíveis. As
atividades destes Fóruns constituirão fator importante para o de-
senvolvimento da consciência do morador no contexto da cidade.
A cidade deve ser vista não só a partir do local, mas também do
local para a região e da região para a cidade. Enfim, as discussões
localizadas devem ser inseridas num contexto mais amplo, de modo
a possibilitar que o morador da rua, do bairro, se sinta morador da
cidade e deve se apropriar dela. Daqui nascem as lideranças do
Conselho da Cidade.

• Criar o Conselho da Cidade paritário, garantindo a representação


dos segmentos organizados. Este Conselho têm como tarefa dis-
cutir os grandes problemas da cidade, equacionando-os à luz das

Gestão da Política Urbana


demandas locais e regionais. É um Conselho de caráter consultivo,
porém, se presidido pelo Prefeito do município, suas decisões po-
derão se revestir de caráter deliberativo. Na verdade, o Conselho
da Cidade não anula o poder constitucional do Prefeito. Pelo con-
trário, fortalece esse poder na medida em que não permite que o
prefeito fique sozinho refém das forças mais poderosas da cidade.
Vale lembrar que nas Resoluções da 2ª Conferencia Nacional das
Cidades ficou estabelecido o prazo de 1 (hum) ano para os Municí-
pios constituírem os seus Conselhos.

• Incentivo e Planejamento Sistemático para o funcionamento do Fó-


rum de Educação Popular. Garantir por meio deste instrumento um
processo de formação sistemática para lideranças comunitárias, de-
legados e conselheiros do Orçamento Participativo e todos que se
interessarem pela ampliação dos conhecimentos;

• Orçamento Participativo como instância direta de discussão local


e regional no âmbito do município, sobre as grandes questões da
cidade. O O.P. deve ser um instrumento constante e efetivo de par-
ticipação popular e para tanto não deve prescindir dos planos e
das diretrizes de governo, pelo contrário, deve ser imprescindível
para a participação popular.

• Regulamentar a nível municipal os dispositivos do Estatuto da Cida-


de. É com esta medida política, que os instrumentos e mecanismos
que garantem a gestão democrática, poderão de fato, ter efetivida-
de para a participação social.
286

• Assegurar a criação das Regiões de Gestão do Planejamento e Ad-


ministrativas e de Gestão Popular, como o espaço de deliberação
sobre as políticas de desenvolvimento e das ações da Gestão.

• Estimular parcerias entre o poder Municipal, Estadual e Federal, bus-


cando efetivar o fortalecimento das entidades comunitárias.

REGIÃO METROPOLITANA
Marcos Referenciais

O processo de urbanização no Brasil foi marcadamente acelerado em razão


do período intenso de crescimento populacional, registrado na década de 60. Esta
situação reforçou a característica concentradora das populações, em um número re-
duzido de centros urbanos. Na década de 60, São Paulo e Rio de Janeiro já se com-
portavam como amplas áreas metropolitanas, ao mesmo tempo em que refletiam
em outras capitais o mesmo fenômeno, sem, contudo romper o hiato que distingue
esse conjunto de metrópoles.

Na segunda metade da década de 90, se configurou um novo padrão de ur-


banização configurado por densas regiões urbanizadas. As Áreas Metropolitanas
estenderam-se por áreas contínuas de ocupação, agregando municípios vizinhos
num mesmo complexo de relações e passaram a assumir seletivamente funções mais
qualificadas. Ao mesmo tempo em que cediam lugar ao crescimento elevado dos
municípios periféricos, constituindo espaços nitidamente desiguais.

Enquanto os índices de crescimento populacional ao longo dos períodos de


60/70 a 70/80, se davam próximo a 5% e 3,5%, nas décadas mais recentes, alguns
pólos metropolitanos passaram a crescer taxas que chegam a 1% ao ano. Embora
com redução de taxas de crescimento, os municípios periféricos mantiveram um
elevado padrão de crescimento, o que demonstra o seu papel de sustentáculo de
ocupação no processo de expansão física das metrópoles. Entretanto, essa ocu-
pação periférica das metrópoles, criou espacialidades caracterizadas de extrema
pobreza, ao mesmo tempo em que alguns pontos dessas periferias ocorre um pro-
cesso de diversificação sócio econômica. Esse quadro referenda algumas anomalias
da estrutura econômica e nos novos rumos da produção, que fatalmente deságua
na economia de subsistência que, alimenta o quadro de desigualdades que persiste
nas metrópoles e em seu interior.

Na década de 90, se consolida uma rede urbana variada de aglomerações pola-


rizadas por metrópoles, reiterando a aceleração do fenômeno da urbanização, cuja
característica é o enfraquecimento das fronteiras dos municípios. Tal cenário levou à
institucionalização das Regiões Metropolitanas (RMs).

A primeira fase, na década de 70, como parte da política nacional de desenvol-


vimento urbano, relacionada à expansão industrial e a consolidação das metrópoles
287

como lócus do processo. Por Legislação Federal, foram criadas (nove) RMs, incluin-
do os principais centros nacionais, particularmente as Capitais dos Estados e suas
áreas de polarização.Vale ressaltar que embora existam critérios técnicos para a sua
definição, foram constatados sinais de fragilidades na seleção das mesmas.

A segunda fase teve início a partir da Constituição de 88, que facultou aos es-
tados federados a competência de institucionalização de suas unidades regionais.
Com isso finda o modelo considerado autoritário e centralizador que criou regi-
ões sobre os Estados, restringindo sua autonomia para as intervenções necessárias,
abrindo assim possibilidades para um planejamento regional. Assim, as novas unida-
des regionais, quase sempre no âmbito metropolitano, desencadearam um ciclo de
institucionalização de novas unidades, que abrangeram áreas que se formaram ou
se consolidaram como espaços de crescimento e ocupações contínuas nas últimas
décadas, polarizadas por outras capitais de estados ou centros regionais.

Com a promulgação da Constituição se identificou entre uma e outra fase que se


iniciou nos anos 90, um processo associativista supra municipal para viabilizar a im-
plementação das políticas de cunho metropolitano, cuja regulação e financiamento

Gestão da Política Urbana


a União centralizava, particularmente, para as áreas de saneamento, sistema viário e
transporte urbano. Cabendo aos estados á implementação das demais políticas em
detrimento dos municípios.

O Brasil encerra 2003, com 26 unidades metropolitanas oficialmente instituídas,


3 regiões integradas de desenvolvimento (RIDES) e 2 aglomerações urbanas, agre-
gando um conjunto de 477 municípios.As unidades metropolitanas estão concentra-
das nas regiões SUL (Santa Catarina, com 6 unidades, Paraná, com 3 unidades, e Rio
Grande do Sul, com uma RM) E Sudeste (São Paulo e Minas Gerais possuem, respec-
tivamente, 3 e 2 unidades, Rio de Janeiro e Espírito Santo possuem 1 unidade cada
um). No Nordeste, três estados (Ceará, Pernambuco e Bahia) já possuíam unidades
metropolitanas e foram institucionalizadas mais quatro (em Alagoas, Maranhão, Pa-
raíba e Rio Grande do Norte) por leis estaduais; no Norte, apenas Belém manteve a
unidade já existente; e no Centro Oeste, foi institucionalizada a Região Metropolita-
na de Goiânia (Moura. 2004 p.79).

Diferentes legislações criaram as unidades regionais, distintas e incomparáveis.


A inexistência de critérios definidos pela Constituição Federal, ou normas específicas
define ou constroem as novas categorias espaciais a serem instituídas. As mesmas
vêem induzindo distorções no âmbito da hierarquização dessas categorias, mesmo
apresentando um padrão de organização que não considera os limites políticos
e administrativos municipais, se caracterizando como malhas contínuas assentadas
sobre municípios autônomos.

Esse quadro demonstra que as unidades instituídas carecem de um processo de


gestão que responda aos objetivos dos dispositivos constitucionais e não só repre-
sentem complexos espaços aglomerados e sem articulação política.

O que se verifica é um exercício baseado em mecanismos de cooperação entre


288

os municípios com problemas institucionais e de financiamento, onde se percebe; a


falta de uma política financeira que apóie o desenvolvimento metropolitano, impos-
sibilitando o tratamento dos problemas enfrentados no que se refere ao desenho
institucional posto sem pactuação federativa em torno das regiões metropolitanas;
a falta de sustentabilidade institucional agravada pela falta de sustentabilidade eco-
nômica das regiões metropolitanas: a falta de estruturas gerenciais para o suporte
das cadeias produtivas, desprezando a riqueza que estas regiões representam.

A Região Metropolitana de Goiânia é considerada uma região metropolitana po-


larizada por uma Metrópole Regional, não só por repetir o comportamento de seu
elevado crescimento populacional, mas por apresentar altos índices de desenvol-
vimento, medidos pela concentração das atividades econômicas. Por outro lado, a
renda auferida pelas pessoas e o desempenho do IDH-M, apresentam contradições,
em especial pela incidência da pobreza, do desemprego e da precária e ineficiente
infra-estrutura tanto na região como internamente.

Quadro Atual

A Região Metropolitana de Goiânia (RMG) foi criada pela Lei Complementar nº.
27 de 30 de Dezembro de 1999. Algumas alterações foram efetivadas até o ano
de 2006, por meio de leis complementares. De acordo com a redação do texto
legal em vigor, engloba 13 (treze) municípios. Contudo trabalha-se também com a
inclusão dos municípios que compõem a Região de Desenvolvimento Integrado de
Goiânia (contendo municípios que estão inseridos nos treze acima mencionados e
outros, totalizando 20 municípios).

De acordo com informações colhidas junto aos técnicos do Governo do Estado


de Goiás, hoje, trabalha-se com esse total. Os dados são confirmados no documen-
to oficial do Fórum da Agenda Goiás 2005-2015 e Agenda 21 Estadual.

A pesquisa Serpes realizada para o último Fórum acima mencionado traz nú-
meros reveladores. Mais da metade (55%) dos entrevistados afirmou que a região
é pouco desenvolvida, enquanto 6% têm olhos ainda críticos, ao afirmarem que ela
esta regredindo - essa avaliação é mais forte entre o cidadão comum, sendo que
políticos, educadores e comerciantes avaliam a região com maior satisfação.

A percepção do morador da RMG, segundo a pesquisa, quanto ao desenvolvi-


mento contrasta com seu pensamento sobre assuntos pontuais. Ao contrário do que
foi observado nas outras regiões visitadas pela Agenda Goiás, na Grande Goiânia,
os moradores acreditam ser a iniciativa privada o principal fomentador do desenvol-
vimento, os governos municipais, estadual e federal aparecem em segundo plano.
Do poder público exigem investimentos em obras de infra-estrutura, cursos profis-
sionalizantes e pavimentação das rodovias municipais. Essas políticas acreditam os
moradores, seriam incentivos para atração de empreendimentos privados.

Contudo a análise dos dados da pesquisa revela de acordo com o resultado e


289

o Fórum da Agenda Goiás 2005 – 2015 que morar na região com o maior produto
interno bruto (PIB), um dos mais baixos índices de analfabetismo e com cidades
dotadas de infra-estrutura bem acima da média do Estado, não é suficiente para o
habitante da RMG, considerar, que vive em lugar desenvolvido.

O artigo 2º da Lei Complementar nº. 27 de 30 de Dezembro de 1999 preceitua


“A Região Metropolitana tem por finalidade integrar a organização, o planejamento
e a execução de funções públicas de interesse comum dos municípios dela integran-
tes”. Ainda o artigo 3º “O processo de planejamento, organização e execução das
funções públicas de interesse comum à Grande Goiânia terá o caráter permanente e
observará os seguintes princípios:

I- Da autonomia municipal;

II- Da co-gestão entre os poderes públicos estadual e municipal e a


sociedade civil na formulação de planos, programas e execução de
projetos, obras e serviços para quais sejam necessárias relações de
compartilhamento intergovernamental dos agentes públicos”.

Gestão da Política Urbana


Legalmente, o órgão que se reveste de maior importância pelas suas finalidades
é o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Goiânia (CODEME-
TRO), de caráter normativo e deliberativo, inclui além dos campos funcionais previs-
tos nos incisos I a VIII do art. 90 da Constituição Estadual, os seguintes:
I- Planejamento;
II- Política de Habitação e Meio-Ambiente;
III- Desenvolvimento Econômico;
IV- Promoção Social;

V- Modernização Institucional.

O artigo 10 da Lei Complementar nº.27 de 30 de Dezembro de 1999 preceitua


“Fica o chefe do poder Executivo autorizado a constituir o Fundo de Desenvolvi-
mento Metropolitano de Goiânia, a ser gerido pela Secretaria de Planejamento do
Estado das Cidades, com a finalidade de dar suporte financeiro ao planejamento in-
tegrado e as ações conjuntas dele decorrentes, no que se refere às funções públicas
de interesse comum entre o estado e os Municípios integrantes da Região”.

A RMG conforme o art.1º da Lei Complementar nº 27, e na forma prevista nos


artigos 90 e 91 da Constituição Estadual, é compreendida pelos municípios de Goi-
ânia, Abadia de Goiás, Aparecida de Goiânia, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Goia-
nápolis Goianira, Guapó, Hidrolandia, Nerópolis, Santo Antonio de Goiás, Senador
Canedo e Trindade. Já a Região de Desenvolvimento Integrado de Goiânia, instituída
pelo parágrafo 2º, da referida lei, é composta pelos seguintes municípios: Aragoi-
ânia, Bela Vista, Bonfinópolis, Brasabrantes, Caldazinha, Caturaí, Gioanira, Guapó,
Hidrolandia, Inhumas, Nova Veneza, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo, Te-
resópolis de Goiás e Trindade.
290

Fonte: IBGE Elaboração: SEPLAN – GO / SEPIN / Gerência de Estatística Socioeconômico – 2005.

(1) Estimativa
291

Ao longo das décadas de 50, 60, 70 e 80 verificaram-se os agravamentos dos


problemas da Região Metropolitana, a população urbana se duplica entre os anos
60 e 70 com a taxa de urbanização chegando a 95,3% da população. Com isso tan-
to o Governo Estadual como o Municipal passam a sofrer pressão sobre a necessi-
dade dos serviços de infra-estrutura e sociais, principalmente em relação à moradia.
Por outro lado do ponto de vista da economia, o setor da construção civil começa
a se aquecer.

A partir de 91 os municípios que compõem a RMG, tiveram em média, uma taxa


de crescimento anual de 3,42%, superior as do Estado que ficou em 2,66%. Nesse
período Goiânia é palco das ocupações irregulares e clandestinas, e as conurbações
com os municípios limítrofes não encontram resistência nas orientações locais.

“A ausência do poder público e o controle do capital imo-


biliário sobre os espaços nos municípios mais dinâmicos da

Gestão da Política Urbana


Região, geraram diversos problemas de ordem econômica,
ambiental e de limites territoriais que continuam afetando
as administrações municipais e as populações” (Agenda 21
Goiás, 2006, p.25).

Valores Relativos a 2002. Fonte: Secretaria da Fazenda do Estado de Goiás


292

Os dados acima demonstram que a região foi favorável por 61,04% da arreca-
dação do ICMS do Estado o seu PIB em2003 correspondeu a 31,02% e

“os 20 municípios demandam um esforço concentrado dos


agentes públicos.[...] A importância geopolítica da Região e
que ela projeta uma boa amostra da economia do estado
no geral, na medida que abarca praticamente todos os seg-
mentos e atividades, com exceção do extrativismo mineral”
(Governador Marconi Perillo, Agenda Goiás ,2006) .

Estes e outros dados consultados nos permitem afirmar que a Goiânia a capital
da Região Metropolitana deve ser o foco das atenções por ser a cidade mais po-
voada, por concentrar parte da produção econômica estadual e ao mesmo tempo
concentra os maior problemas de ordem social, habitacional e ambiental.

Fonte: SANEAMENTO – IBGE (2) Gestão Autônoma (3) Gestão Compartilhada da SANEAGO
293

Gestão da Política Urbana

Fonte:IBGE – Secretaria da Educação


294

IDH – ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMANO

Fonte: PNUD / IPEA/ FJP/ IBGE

Classificação segundo IDH: Elevado (0,800 e superior).

Médio (0,500 – 0,799). Baixo (abaixo de 0,500).


295

A Região Metropolitana possui a menor taxa de analfabetismo 6,63% em relação


ao saneamento, (81,58%) da população possui água tratada e 54,82% da popula-
ção é servida com coleta de esgoto. Entretanto esses dados não são suficientes para
garantir o resgate em termos de investimentos, a dívida social com a população, em
termos de infra-estrutura, sustentabilidade ambiental e social.

Reverter este quadro de desigualdades sociais, e o combate ao flagelo da vio-


lência urbana, significa um esforço concentrado em busca de um trabalho integrado
que tenha,

“repercussões amplas nos aspectos econômicos e sociais


[...] um trabalho mais efetivo que envolva todos os municí-
pios e sua forças vivas, pode, de fato, resultar num dinamis-
mo econômico, por meio da geração de emprego, com o
imprescindível incentivo à maior produção e produtividade”
(Prefeito Íris Resende, Agenda Goiás, 2006).

Gestão da Política Urbana


296

Ao mesmo tempo em que são identificadas as potencialidades da RMG, como


centro de influência regional, com localização geográfica estratégica, base econô-
mica diversificada, com geração de empregos e potencial turístico o documento,
Diretrizes para o Planejamento da Região Metropolitana, elaborado em parceria com
a Seplan Estadual, UCG e ARCA traz como alerta os seguintes problemas:

• O crescimento das demandas tem sido inversamente proporcional


à capacidade de responder as necessidades da população, geran-
do a crescente insatisfação e exclusão, pela ausência de planeja-
mento e dificuldades de gestão territorial;

• A água potável principalmente é uma das grandes preocupações


no esgotamento dos recursos naturais disponíveis ao atendimento
das necessidades humanas;

• Agravam-se as condições pela ocupação desordenada, onerando-


se ainda mais os custos de infra-estrutura e transporte coletivo;

• A geração crescente de resíduos e a sobrecarga do lançamento de


efluentes nos cursos d água degradam ainda mais a qualidade de
vida.

Tal constatação origina-se da falta de orientação de planejamento, ao mesmo


tempo em que os municípios não se constituem pólo de atração, tornando-se de-
pendentes da capital. Outro aspecto relevante é a ausência de um pacto territorial
para conter as cidades dentro dos limites da sustentabilidade urbana e a ocupação
desordenada de seus espaços.

A ausência da articulação e integração das ações tem se constituído entrave para


a promoção do desenvolvimento integrado da RMG, que carece de um processo
participativo e democrático na sua gestão, mesmo existindo um número significativo
de conselhos comunitários nos municípios na RMG. ( tabela dos conselhos da RM)

Na expectativa de minimizar os problemas e buscar atender as demandas da


população, a construção da Agenda 21 de Goiânia, a revisão do Plano Diretor de
Goiânia, a realização da 1ª e 2ª Conferências da Cidade de Goiânia, e ainda a 1ª e
2ª Conferência Estadual das Cidades, consubstanciadas nos Planos Plurianuais, nas
LDOs e nos Orçamentos anuais, objetivaram consolidar programas, e projetos que
viabilizem as demandas identificadas.

Cenário Desejável

O fato de Goiânia ser uma parte de uma significativa Região Metropolitana,


que abrange 13 municípios com uma população de cerca de 2 milhões de habitan-
tes, sugere mecanismos institucionais inovadores para a gestão da metrópole.

O espaço metropolitano por se constituir, uma arena de conflitos de


297

toda ordem, com reflexos diretos na cidade de Goiânia, deve exercer um papel pre-
ponderante na condução do processo de planejamento e da gestão metropolitana
de forma articulada e participativa, que culminem no desenvolvimento da região e
sua população. Ou seja, reverter o quadro de desigualdades sociais e a desordem
urbana na ocupação e uso do solo, por meio da gestão compartilhada entre os
municípios, espaços estes que carecem de desprendimento político e pessoal por
parte dos gestores públicos.

O desafio para a construção do cenário desejável é consolidar

“um Plano Diretor com perspectiva do planejamento estratégico


que reflita sobre o papel dos municípios da RM, e como eles po-
dem auxiliar na formulação da Metrópole Contemporânea” (Teixeira,
2005).

Torna-se necessário, portanto como caminho a seguir, a adoção de um con-

Gestão da Política Urbana


ceito de gestão partilhada, que seja capaz de estabelecer e definir contratos políti-
cos acordados entre as instituições públicas e a sociedade, com base num processo
permanente de mobilização para debates, diagnósticos e propostas que levem em
consideração os interesses comuns e as ações consensuais para o futuro da região.

Diretrizes
• Políticas públicas que possibilitem um acesso mais amplo aos equi-
pamentos públicos locais, evitando assim o grande fluxo da popula-
ção do entorno para Goiânia;

• Elaborar o Plano Diretor da Região Metropolitana de Goiânia

• Programas de geração de emprego e renda localizados, evitando


assim deslocamento de mão de obra para Goiânia;

• Estimular a elaboração da legislação específica nos municípios do


Entorno no sentido de combater o aparecimento de loteamentos
clandestinos e irregulares, legislação esta que deve ser elaborada
de forma interconectada com todos os municípios;

• Instituição de um órgão de planejamento metropolitano que defina


macro diretrizes para a região, indicando caminhos para a elabora-
ção dos planos diretores locais;

• Requalificação e reordenação dos aparelhos administrativos e téc-


nicos em todos os municípios do Entorno, nos níveis estadual e mu-
nicipal no sentido de dar maior agilidade ao processo de planeja-
mento metropolitano;

• Elaboração do Plano Diretor de Transporte da Região Metropolita-


na;
298

• Rediscussão e reelaboração dos projetos que causam grandes im-


pactos para os municípios, sendo importante o respeito á autono-
mia dos municípios em relação ao uso do solo;

• Colocar em funcionamento efetivo o CODEMETRO, instituído pela


Lei Complementar nº 27 de 30 de Dezembro de 1999 e alterações
posteriores, pela Secretaria das Cidades, ampliando a participação
a todos os municípios participantes.

• Garantir a articulação e integração entre a Prefeitura Municipal de


Goiânia e o Governo do Estado de Goiás

• Implantar um Sistema de avaliação dos impactos e desempenho das


políticas públicas, programas e projetos.

• Avaliar permanente da Gestão Metropolitana Integrada do Trans-


porte.

• Efetivar a Secretaria de Planejamento Municipal enquanto represen-


tante legal no CODEMETRO e a criação de um setor para desenvol-
vimento de atividades a nível técnico e administrativo

• Ampliar a discussão da elaboração da Agenda 21 de Goiânia, Agen-


da 21 do Estado de Goiás e da Região Metropolitana, que consi-
dere os principais pontos de degradação do meio ambiente do
entorno.

4- CONSÓRCIO INTERMUNICIPAL DA BACIA DO RIO


MEIA PONTE E COMITÊ DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO
MEIA PONTE.

Marcos Referenciais

O mau uso das águas, poluindo as nascentes e o leito dos rios, provocando o
assoreamento, prejudicando o lençol freático e devastando as matas ciliares, vem
contribuindo para a destruição do rio e com isso prejudicando a qualidade de vida
das pessoas. Analisando essas realidades e preocupando-se com o futuro, foi criada
a Lei Federal n. ° 9.433, de 08 de janeiro de 1997 , onde o Brasil adota uma nova
concepção de gestão. A água passa a ser entendida como um bem de domínio pú-
blico um recurso limitado e com valor econômico.

Essa lei criou o Conselho Nacional de Recursos Hídricos, os Conselhos Estadu-


ais, os Comitês de Bacias e Agências de Água como parte do Sistema Nacional de
Gerenciamento de Recursos Hídricos. Essas estruturas devem cuidar para que seja

 Esta lei regulamento o inciso XIX do Art. 21 da constituição Federal.


299

mantido o “espírito” da legislação: a descentralização das tomadas de decisões,


proporcionada pela participação da sociedade civil.

A Lei n. 13.123, de 16 de julho de 1997, estabelece normas de orientação à


política estadual de recursos hídricos, bem como ao sistema integrado de geren-
ciamento de recursos hídricos e dá outras providências. O Art. 25 desta lei cria os
órgãos consultivos e deliberativos, de nível estratégico, com composição, organiza-
ções e competência e funcionamento definido em regulamento desta lei, os seguin-
tes colegiados:

I- Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERHI, de nível central;

II- Comitês de Bacias Hidrográficas, com atuação em unidades hidro-


gráficas estabelecidas pelo plano estadual de recursos hídricos.

Um Comitê, bem como um Consórcio de Bacia Hidrográfica, tem de ser


formado pela sociedade civil organizada (ONGs), com atuação comprovada dentro

Gestão da Política Urbana


da bacia, pelos usuários da água – os quais podem ser exemplificados pelas indus-
trias, produtores rurais, pecuaristas, comerciantes, hidrelétricas e empresas de abas-
tecimento que fazem uso com a finalidade de produção ou consumo – e pelo poder
público, isto é, por representantes dos Municípios, Estados ou União. Os três setores
representativos da sociedade tornam-se os responsáveis por discutir a qualidade e
a quantidade das águas e encontrar soluções para resolver os eventuais problemas.
Eles também devem criar espaço para que a comunidade possa ser informada sobre
a política das águas e participar democraticamente.

A Política Nacional de Recursos Hídricos baseia-se nos seguintes fundamentos:


I- a água é um bem de domínio público;
II- a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico;
III- em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é
o consumo humano e a dessendentação de animais;
IV- a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso
múltiplo das águas;
V- a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da
Política Nacional de Recursos Hídricos e atuação do Sistema Nacio-
nal de Gerenciamento de Recursos Hídricos;
VI- a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar
com a participação do Poder Público, dos usuários e das comuni-
dades.

Ainda de acordo com esta Lei, para a efetivação da descentralização da Gestão


Ambiental, são transferidos para as bacias hidrográficas os problemas e as decisões
destas, quando se criam os seguintes órgãos:

• Comitês de Bacias Hidrográficas


300

• Agências de Bacias Hidrográficas

• Consorcio de Bacias Hidrográficas e Associação de Usuários.

Para se entender o que é Consórcio, Comitê e Agencia de Bacias Hidrográficas é


necessário que se entenda primeiro o que é uma Bacia Hidrográfica: Segundo José
Sales (1997), a Bacia Hidrográfica não tem dimensão superficial definida e deságua
diretamente no mar ou em um lago. A Sub-bacia Hidrográfica tem dimensão super-
ficial que varia entre 20.000 a 300.00 ha., de acordo com as regiões do país e de-
ságua diretamente em outro rio. A Microbacia Hidrográfica tem dimensão superficial
menor que 20.000 ha, e deságua também em outro rio. A reunião de duas bacias
próximas com características sócio-econômicas ou outras que as aproximam, para
melhor planejar a sua gestão, é denominada Unidade Hidrográfica.

No Brasil, as grandes Bacias Hidrográficas são: Amazonas, Tocantins-Araguaia,


São Francisco, Paraná e as Bacias do Atlântico-Sul.

Em Goiás estão as nascentes e os formadores das sub-bacias do Rio Tocantins,


Araguaia, Paranaíba e São Francisco. Em Goiânia estão parte das nascentes e dos for-
madores da Sub-Bacia do Rio Meia Ponte, que é uma Sub-Bacia do Rio Paranaíba.

A imensa malha fluvial que corta Goiânia apresenta duas características impor-
tantes: Todos os seus cursos d’água nascem dentro do próprio Município - com
exceção do Ribeirão João Leite que nasce em Anápolis - e deságuam no Rio Meia
Ponte, este por sua vez nasce na cidade de Itauçú e deságua no Rio Paranaíba, na
cidade de Itumbiara. A outra característica é formada pela situação do Ribeirão
Anicuns, cujos tributários estão em sua grande maioria na sua margem direita, região
onde também está implantada a grande maioria dos bairros de Goiânia, proporcio-
nando a ela uma topografia especial.

A bacia hidrográfica, segundo Veiga da Cunha et al (1980),

“deve ser a unidade básica de gestão dos recursos hídricos. Atra-


vés da rede de drenagem fluvial, a bacia hidrográfica integra grande
parte das relações de causa e efeito no uso dos recursos hídricos.
As unidades político – administrativas, como Municípios, Estados,
Regiões e Paises, não apresentam, necessariamente, o caráter inte-
grador da bacia hidrográfica. A adoção dessas unidades certamente
traz dificuldades para a gestão, tornando-a parcial e ineficiente”.
Ver nºde página

C omit ê s de Bacias Hidrográficas


A Resolução nº.003, de 10/04/2001, estabelece diretrizes para a formação e
funcionamento dos Comitês de Bacias Hidrográficas no Estado de Goiás. De acordo
com o disposto na Lei Federal n.9.433, de 08/01/97 e na Lei Estadual n.º3.123, de
16/07/1997, os Comitês de Bacias Hidrográficas, integrantes do Sistema Estadual de
301

Gerenciamento de Recursos Hídricos, são órgãos colegiados com atribuições nor-


mativas, deliberativas a serem exercidas na Bacia Hidrográfica de sua jurisdição.

Os Comitês são cognominados de:

“parlamento das águas por serem não apenas um fórum de discus-


são, mas um Conselho com poder de decisão em relação a diversas
questões relativas a recursos hídricos. São os Comitês que tomam
decisões sobre as prioridades nas bacias, ou seja, decidem quais
ações e obras devem ser realizadas, com os recursos financeiros
colocados à sua disposição. Suas decisões são soberanas; os pre-
feitos, reunidos com a sociedade civil e os técnicos do Estado, de-
cidem” (Machado et al, 2004).

A participação dos quatro segmentos (Municípios, Sociedade Civil, Usuários e


Estado) permite que, gradativamente, cada um tome consciência do peso do seu
voto, da sua palavra e da sua posição, nas decisões sobre o destino de sua região.

Para iniciar o processo de instalação de um comitê é necessário que seja or-

Gestão da Política Urbana


ganizado um grupo encarregado de divulgar as leis sobre os recursos hídricos e
informações sobre comitês de bacias hidrográficas. Este grupo pode ser chamado
de Grupo Executivo ou de Diretoria Provisória do Comitê. Em geral, é formado por
representantes de órgãos estaduais, por representantes das prefeituras e por orga-
nizações da sociedade civil. Todos os participantes devem possuir um bom conhe-
cimento de leis e gestão sobre recursos hídricos. Para que o grupo possa trabalhar
com maior agilidade, é importante que o número de integrantes não ultrapasse de
10 pessoas.

Os Comitês de Bacia Hidrográfica terão como área de atuação:

I- a totalidade de uma bacia hidrográfica;

II- sub-bacia hidrográfica de tributário do curso de água principal da


bacia, ou de tributário desse tributário; ou

III- grupo de bacias ou sub-bacias hidrográficas contíguas.

Segundo essa lei, a instituição de Comitês de Bacia Hidrográfica em rios


de domínio da União será efetivada por ato do Presidente da República. Ainda de
acordo com a legislação, compete aos Comitês de Bacias Hidrográficas, no âmbito
de sua área de atuação:

• Promover o debate das questões relacionadas a recursos hídricos e


articular a atuação das entidades intervenientes;

• Arbitrar, em primeira instancia administrativa, os conflitos relaciona-


dos aos recursos hídricos;

• Aprovar o Plano de Recursos Hídricos da bacia;


302

• Acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da bacia e


sugerir as providências necessárias ao cumprimento de suas metas;

• Acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos da Bacia e


sugerir as providencias necessárias ao cumprimento de suas metas;

• Propor ao Conselho Nacional e aos Conselhos Estaduais de Recursos


Hídricos as acumulações, derivações, captações e lançamentos de
pouca expressão, para efeito de isenção da obrigatoriedade da
outorga de direitos de uso de recursos hídricos, de acordo com os
domínios destes;

• Estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de recursos hídri-


cos e sugerir os valores a serem cobrados;

• Estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso


múltiplo, de interesse comum ou coletivo.

• Quanto à sua composição, os Comitês de Bacia Hidrográfica são


formados por representantes:

• Da União;

• Dos Estados e do Distrito Federal cujos territórios se situem, ainda


que parcialmente, em suas respectivas áreas de atuação;

• Dos Municípios situados, no todo ou em parte, em sua área de atu-


ação;

• Dos usuários das águas de sua área de atuação;

• Das entidades civis de recursos hídricos com atuação comprovada


na bacia.

A g ê ncias de Bacias Hidrográficas


Pela legislação federal, Agência de Bacias é pessoa jurídica sem fins lucrativos,
organizados como fundação de direito privado, ou outra personalidade jurídica, e
com a finalidade definida na legislação de recursos hídricos. A Agência é a entidade
de apoio e de suporte operacional ao respectivo Comitê de Bacia. Possui funções
importantes, como a de propor ao Comitê o plano de Bacias e os valores da co-
brança pelo uso das águas. Apenas as Agências de Bacia (ou Agencia de Águas) ou,
na sua falta, os Consórcios Intermunicipais/sociedade civil de interesse público estão
credenciados a dar apoio ao Comitê de Bacia.
303

C ons ó rcio de Bacias Hidrográficas


e A ssocia ç ã o de U suários .
Consórcio Intermunicipal e ou Associação de Usuários, é o Contrato ou Convê-
nio entre Prefeituras para, sem constituir uma pessoa jurídica, organizar serviços ou
trabalhos de interesse comum. São freqüentes consórcios intermunicipais para com-
pra de máquina, operação de aterro de lixo e outros serviços de interesse comum.
O termo tem sido utilizado para designar associações intermunicipais e associa-
ções de usuários, organizados como associação civil, portanto uma pessoa jurídica.
Também são freqüentes os consórcios entre empresas de consultoria para participar
de licitações e prestação de serviços a terceiros, sem que seja necessária a criação
de uma nova empresa. O termo consórcio, no sentido restrito, pressupõe um acor-
do entre entidades iguais, ou seja, entre prefeituras, entre empresas, mas não entre
prefeituras e empresas.

O Poder Público representado pelos três setores representativos da sociedade,

Gestão da Política Urbana


Município, Estado e União, torna-se responsável pelas discussões sobre a qualidade
e a quantidade das águas e devem encontrar soluções para resolver os eventuais
problemas que surgirem, criando ao mesmo tempo, espaço para que a comunidade
possa ser informada sobre a política das águas e participem democraticamente das
discussões e decisões.

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte / COBAMP, instituído em


conformidade com o disposto na Lei Estadual n°13.123, de 16 de julho de 1997, é
órgão colegiado, com atribuições deliberativas e consultivas, de nível regional e es-
tratégico, do Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos do Estado
de Goiás e vinculado ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERHI. Esta lei es-
tabelece normas de orientação à política estadual de recursos hídricos, bem como
ao sistema integrado de gerenciamento de recursos hídricos e dá outras providên-
cias, já o Decreto n° 5.580, de 09 de abril de 2002, dispõe sobre a organização do
Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte / COBAMP;

Este Comitê é o único do Estado de Goiás que está estruturado e funcionando


com sua diretoria definitiva desde março de 2003.

Composição do Comitê:

O Comitê é formado por, no máximo, quarenta e cinco membros com


direito a voto e respectivos suplentes, será composto por representantes:

I- do Governo do Estado de Goiás, designados pelos titulares dos ór-


gãos representados e que, prioritariamente, exerçam suas funções
em unidades regionais localizadas na Bacia Hidrográfica do Rio Meia
PRINCIPAIS HIDROGRAFIAS
305

Ponte; (junto com o Município de Goiânia - 40% do plenário)

II- dos Municípios, com território total ou parcialmente, situado na Ba-


cia Hidrográfica do Rio Meia Ponte;

III- dos Usuários dos recursos hídricos da bacia; (40%).

IV- de entidades civis de defesa dos recursos hídricos e do meio am-


biente com atuação comprovada na Bacia. (20%)

O total de 45 membros com seus respectivos suplentes foram estabe-


lecidos de acordo com o regimento interno do Comitê, observando-se os preceitos
das Leis n.° 9.433/97 e 13.123/1997. Define o mandato de dois anos, permitindo a
reeleição para o cargo de Presidente e para Secretario - Executivo.

Competências da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte:

Gestão da Política Urbana


• Promover o debate das questões relacionadas a Recursos Hídricos
e articular a atuação das entidades intervenientes;
• Arbitrar em instancia administrativa os conflitos relacionados aos
Recursos Hídricos, inclusive os relativos aos Comitês de Bacias de
cursos de água tributários;
• Aprovar e acompanhar a execução do Plano de Recursos Hídricos
da Bacia;
• Estabelecer os mecanismos de cobrança pelo uso de Recursos Hí-
dricos e propor os valores a serem cobrados;
• Compatibilizar os planos de Bacias Hidrográficas de cursos d’águas
de tributários, com o Plano de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográ-
fica de sua jurisdição;
• Submeter, obrigatoriamente, os Planos de Recursos Hídricos da Ba-
cia Hidrográfica a audiência pública;
• Propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos as acumulações,
derivações, captações e lançamentos de pouca expressão, para
efeito de isenção da obrigatoriedade de outorga de direitos de
uso de Recursos Hídricos, limitados à obrigação de cadastrar, de
acordo com os domínios destes;
• Estabelecer critérios e promover o rateio de custo das obras de uso
múltiplo, de interesse comum ou coletivo;
• Desenvolver e apoiar iniciativas em educação ambiental em conso-
nância com a Lei Federal n. ° 9.795 de abril de 1999, que institui a
Política Nacional de Educação Ambiental;
• Referendar o enquadramento dos corpos d’água em classe de uso
preponderante para encaminhamento ao Conselho Estadual de Re-
cursos Hídricos,
• Estabelecer as derivações insignificantes, observando a demanda e
306

a disponibilidade hídrica de cada sub-bacia ou bacia;


• Propor a criação da Agencia de Bacia; e
• Elaborar, alterar, quando necessário e aprovar seu Regimento Inter-
no.

Quadro Atual

Características do Rio Meia Ponte


• Área de Drenagem – 12.180 km²
• Perímetro – 768 km
• Comprimento da bacia - 270 km
• Percurso do Rio Meio Ponte - 471,6 km
• Vazão mínima na foz – 37 m³/s
• Vazão máxima na foz – 571m³/s
• Vazão média na foz – 157 m³/s
• Vazão média específica – 12,91/s/km²
• Precipitação anual – 1.580 mm
• Temperaturas médias – Máxima – 27,8° - 31,7°C
• Mínima – 14,0° - 20,0° C
• Média - 20,2° - 23,8° C
• População Urbana – 1.940.526 habitantes
• População Rural – 433.898 habitantes
• A área da Bacia representa 3,56% da área do Estado com aproxima-
damente 50% da população.

• Total de Municípios – 38 Municípios conforme lista a seguir:

Os Municípios que formam a Bacia do Rio Meia Ponte são:

Abadia de Goiás – Aloândia – Anápolis – Aparecida de Goiânia – Aragoiânia


– Bela Vista de Goiás – Bom Jesus de Goiás – Bonfinópolis – Brazabrantes – Ca-
choeira Dourada – Caldazinha – Campo Limpo de Goiás – Cromínia – Damolândia
– Goianápolis – Goiânia – Goianira – Goiatuba – Hidrolândia – Inhumas – Itauçú
– Itumbiara – Leopoldo de Bulhões – Mairipotaba – Morrinhos – Nerópolis – Nova
Veneza – Ouro Verde de Goiás – Panamá – Piracanjuba – Pontalina – Professor
Jamil – Santa Terezinha – Santo Antonio de Goiás – Senador Canedo – Silvânia
– Taquaral de Goiás - Teresópolis de Goiás.
307

O processo de descentralização teve início no Estado de Goiás, em 1999, com


a tentativa de criação do Consórcio Intermunicipal, fomentado pelo Governo Esta-
dual. Entretanto, pelo contexto da época, a referida iniciativa não obteve êxito. Em
seguida, ainda por iniciativa do Estado, foi criado projeto “Rio Meia Ponte, Rio por
Inteiro”, sendo que este teria como apoio, convenio de cooperação técnica Brasil
– Alemanha. Dentro desta proposta, no corrente ano, o Governo do Estado, enca-
minhou proposta ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos a qual em seguida foi
sancionada como Lei Estadual que institui o primeiro Comitê Estadual.

Após encontro ocorrido em 18 de dezembro de 2001, realizado no Paço Muni-


cipal, momento em que se deu inicio às atividades do Consórcio Municipal da Bacia
Hidrográfica do Rio Meia Ponte. Nesta época foi contratada uma consultoria a fim de
realizar Registro do Estatuto e Ata, cadastro nacional de pessoa jurídica e posterior
abertura de conta corrente, serviços estes considerados indispensáveis ao pleno
funcionamento institucional do Consórcio.

Gestão da Política Urbana


Cenário Desejável

Goiânia é parte significativa da Região Metropolitana de Goiânia, formada por


13 Municípios com aproximadamente dois milhões de habitantes, sendo que deste
total, 1 milhão e 200 mil aproximadamente estão na capital.

O Rio Meia Ponte, é de importância vital para Goiânia por ser o seu manancial,
de abastecimento,apenas passa por ela, pois sua nascente principal assim como sua
foz extrapolam os limites desta Região Metropolitana. Daí que o cenário desejável
para esta situação é que o Consorcio e o Comitê, sejam órgãos atuantes e êxitosos
nas ações sobre toda bacia do Rio Meia Ponte, integrando a população nas discus-
sões sobre as políticas e ações capazes de assegurar a qualidade e a quantidade
das águas. Tornando-os responsáveis pela gestão e criando espaço para que a co-
munidade possa ser informada também sobre a política das águas e dela participe
democraticamente, garantindo desta forma o seu equilíbrio ambiental, econômico e
social tanto para a população de Goiânia, como para aquelas que se situam a jusan-
te, e para aquelas que se colocam a montante da Capital.

Diretrizes
• Realizar ações de preservação do Rio Meia Ponte em conjunto,
quanto à fiscalização, preservação das nascentes e leitos e do pró-
prio Rio Meia Ponte e seus Municípios;

• Incentivar a integração e articulação entre as Prefeituras dos muni-


cípios;
308

• Incentivar a Educação Ambiental junto às 40 indústrias da região e a


comunidade ribeirinha e no reflorestamento das matas ciliares;

• Incentivar e ajudar na recuperação das áreas degradadas;

• Tornar as crianças, adolescentes e jovens como multiplicadores da


Educação Ambiental, na preservação da Bacia do Rio Meia Ponte;

• Incentivar e ajudar no reflorestamento das matas ciliares com árvo-


res nativas e frutíferas, logrando recuperar a fauna e a vegetação
local;

• Envolver as Universidades, na pesquisa cientifica e na busca de es-


pécies mais adequadas às condições de degradação do Rio Meia
Ponte;

• Estimular o Poder Público, a iniciativa privada e sociedade civil a


atuar de forma responsável e participativa para que se estabeleça
um novo pacto social, a fim de gerar um modelo de desenvolvimen-
to capaz de garantir a preservação ambiental;

• Gerar recursos para serem utilizados na proteção da bacia hidro-


gráfica, com ações de reflorestamento das matas ciliares, obras de
saneamento e educação ambiental;

• Desencadear mecanismos de discussão e informações pertinentes à


gestão da Bacia, através de eventos: Fóruns, Conferências, Congres-
sos, Encontros;

• Ampliar o mapeamento das fontes causadoras da poluição da Ba-


cia;

• Envolver mais municípios no gerenciamento da Bacia;

• Criar estações de esgoto em Aparecida de Goiânia (segundo maior


número de habitantes do Estado), já que ela possui apenas duas
estações de tratamento, que atendem somente 38 dos 229 bairros
do Município;

• Monitorar as lavouras que se estendem até as margens dos cursos


d’água e as dragas que extraem areia, provocando assoreamento.

DA GESTÃO URBANA

Política

A Política de Gestão Urbana do município de Goiânia será desenvolvida com


base nos princípios da legalidade, moralidade, publicidade, impessoalidade, efi-
cácia, eficiência, transparência, democracia e participação popular, garantindo o
309

controle social sobre as políticas, planos programas e as ações numa perspectiva


que considere a articulação e a integração interna e externa à administração do
município.

Das Estratégias

As estratégias de Gestão Urbana têm como base às diretrizes de desenvolvi-


mento para o município, visando o controle social sobre as políticas, os planos, os
programas e as ações, numa perspectiva que considere a articulação, a integração, a
participação e parcerias com diversos níveis do poder público, da iniciativa privada
e da sociedade civil, a integração em nível interno da administração municipal e em
nível externo com os municípios da Região Metropolitana e a recuperação plena da
capacidade de planejamento e administrativa do município.

Gestão da Política Urbana


Constituem estratégias de Gestão Urbana:

I- Articulação, integração, participação popular e parceria do poder


público, iniciativa privada e sociedade civil do município de Goi-
ânia, com objetivo de implementar o processo de gestão urbana
compartilhada no município de Goiânia.

II- Articulação e integração de políticas públicas do município com os


municípios de sua Região Metropolitana, com vistas a implementar
Políticas e Diretrizes Urbanísticas para a Região Metropolitana de
Goiânia de forma conjunta com os municípios.

III- Preservação e compatibilização das diretrizes do planejamento


municipal com o planejamento dos recursos hídricos, por meio do
fortalecimento do Consórcio Intermunicipal do Rio Meia Ponte, Co-
mitê da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte e da implantação das
Unidades de Conservação.

IV- Articulação e integração das diversas políticas públicas no âmbito


do Município de Goiânia, para assegurar a articulação e integração
entre os órgãos gestores das políticas públicas objetivando efetivar
ações combinadas para a implantação de planos, programas e pro-
jetos maximizando prazos e recursos conforme interesses comuns.

V- Reestruturação institucional, administrativa e de capacitação funcio-


nal da administração pública municipal, com o objetivo de recupe-
310

rar a capacidade de Planejamento do Município, dotando-o de um


Sistema Articulado de Gestão Interna (Planejamento e Coordena-
ção), visando superar as arestas existentes entre os vários órgãos da
Administração Municipal, promover a reestruturação administrativa
e organizacional da Prefeitura Municipal de Goiânia, com ênfase na
qualidade de serviços prestados, na eficiência da gestão e na redu-
ção dos gastos.

C enário D ese j á v el do E i x o E strat é -


gico G est ã o U r b ana

Goiânia é uma cidade onde as dimensões dos problemas sociais, urbanos e am-
bientais se apresentam em condições possíveis de serem solucionados. Na situação
em que se encontram, é possível definir procedimentos e decisões a partir de sua
própria população, que permitam dar início á eliminação de alguns obstáculos que
mais afligem e pressionam a administração municipal.

Para a superação dos problemas existentes, necessário se faz estabelecer um


novo tipo de desenvolvimento que possa beneficiar não só a população com maio-
res recursos, porém a todos indistintamente. Ou seja, o planejamento urbano ser
pensado com base na dimensão integral da cidade com soluções sustentáveis ao
longo do tempo.

Esse é o objetivo do próprio governo do município de Goiânia, centrado nas


pessoas, numa mudança qualitativa, onde o ser humano é colocado em primei-
ro lugar. Para tanto a construção do cenário desejável do Eixo Estratégico Gestão
Urbana, define e conceitua seus temas relevantes no sentido de não só visualizar,
mas sim garantir, uma nova forma de gestão democrática da cidade, capaz de criar
oportunidades de progresso para a cidade e para o cidadão.

Nessa perspectiva a Gestão Urbana resgatará a cidade e seu planejamento, com


metas de planejamento e ações orientadas para eliminação da miséria, para a pro-
gressiva diminuição da pobreza e para a recuperação do meio ambiente urbano.

O cenário desejável da gestão da cidade no SéculoXXI deve ter como principal


eixo norteador a construção de processos e espaços institucionais que articulem a
complementaridade necessária entre a participação da cidadania na alocação dos
recursos orçamentários, espinha dorsal da administração do Estado moderno, a efi-
cácia na prestação dos serviços e a visão do conjunto da cidade, da região e do
estado. A integração de suas áreas, a efetivação do planejamento e das ações inter
setoriais.
311

A Gestão da cidade de Goiânia, capital do Estado, Centro Administrativo e Polí-


tico, Metrópole Regional, pólo de influencia regional, deve estabelecer integração e
articulação, tanto horizontal entre os vários setores da administração pública muni-
cipal, e destes para a sociedade organizada, acadêmica e empresas. Verticalmente
devem buscar maior sinergia com as esferas de administração estadual e federal.

Concretizar essa integração e a intersetorialidade, significa reestruturar institu-


cionalmente e administrativamente o Poder Público, capacitando-o para torná-lo
mais ágil, mais qualificado e moderno e que possibilite a participação e influência da
sociedade. Para realizar esse passo, será necessário recuperar e efetivar a capacida-
de de planejamento da Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Planejamento,
SEPLAM, reestruturando-o e requalificando-o, e implantando de fato um Sistema
Municipal de Planejamento e de Informações.

Se levarmos em conta, mais uma vez, o fato de Goiânia ser parte integrante de
uma importante Região Metropolitana que abrange 13 municípios, e uma população

Gestão da Política Urbana


de cerca de dois milhões de habitantes, a construção da Agenda 21 Metropolitana
é fundamental, de forma a acelerar a integração entre as Agendas 21 de Goiânia,
de Goiás, e o surgimento de mecanismos institucionais inovadores para a gestão da
Metrópole.

Dentro dessa perspectiva, necessário se faz reforçar o Consórcio Intermunicipal


da Bacia do Rio Meia Ponte, o Comitê Meia Ponte e as Agencias dos Recursos Hídri-
cos, como instrumentos de gestão, no sentido de garantir a quantidade e qualidade
da água, para que seja uma realidade concreta e de responsabilidade de toda po-
pulação que dela fazem uso.

Para tanto a participação popular deve ser fortalecida e respeitada, ampliada


em todas as instâncias, não só para a tomada de decisões que resultarão na exe-
cução das ações e consequentemente na maior eficácia da gestão pública, como
também, para que a sua capacitação resulte na preparação do cidadão para a vida
política. Garantindo assim uma nova forma de gestão democrática.

A construção desse cenário que se respalda na democracia participativa, na


gestão eficaz, na informação e comunicação de qualidade, na transparência da ges-
tão, se fundamenta na implantação do Sistema Municipal de Planejamento e Infor-
mação, com a máxima participação de todos os setores da Administração Municipal
e da sociedade, como instrumento determinante da gestão das políticas públicas
municipais e monitoramento dos planos estratégicos setoriais, dos programas e
projetos da gestão de governo.
312

Diretrizes

1. Valorizar a participação social, a capacitação da população e a for-


mação de uma comunidade cívica, como condição fundamental na
construção da cidade democrática.

2. Incentivar de forma planejada o funcionamento do Fórum de Edu-


cação Popular com vistas à formação sistemática das lideranças co-
munitárias.

. Criar Fóruns, Local e Regional, de caráter permanente para discus-


são da cidade e de atividades que se constituam em fator impor-
tante, para o desenvolvimento na consciência do morador, de que
a cidade é um espaço comum, de todos que nela habitam.

4. Criar o Conselho da Cidade, paritário, garantindo a representação


dos segmentos organizados, conforme as determinações do Estatu-
to das Cidades, no prazo de 1 (hum) ano.

5. Reconhecer o Orçamento Participativo como instância direta de dis-


cussão local e regional no âmbito do município, sobre as questões
da cidade.

6. Assegurar a criação das Regiões de Gestão do Planejamento, Admi-


nistração e Participação da Comunidade, como espaço de delibera-
ção sobre as políticas de desenvolvimento e das ações da Gestão.

. Estimular parcerias entre os poderes Municipal, Estadual e Federal,


buscando efetivar o fortalecimento das entidades comunitárias.

8. Promover a articulação que possibilite a elaboração de políticas


públicas de âmbito metropolitano que facilite acesso aos equipa-
mentos coletivos locais, reduzindo o fluxo e o movimento pendular
da população da Região Metropolitana para Goiânia.

9. Articular ações de geração de trabalho e renda e de capacitação


de mão de obra por meio de políticas de educação, ciência, tecno-
logia e desenvolvimento econômico em consonância com os inte-
resses locais evitando, assim, o deslocamento de mão de obra.

10.Estimular e participar da elaboração da Agenda 21 e do Plano Dire-


tor da Região Metropolitana de Goiânia.

11.Articular e integrar as políticas públicas no âmbito do Município de


Goiânia.

12.Garantir a participação dos órgãos gestores no Sistema Municipal


de Planejamento e do Sistema de Informação do município.

1. Reestruturar institucional, administrativa e de capacitação funcional


da Administração Pública Municipal.

14.Desenvolver política de capacitação e desenvolvimento humano,


desenvolvimento tecnológico e operacional visando garantir um
quadro técnico consolidado na estrutura organizacional da Pre-
feitura Municipal de Goiânia, que seja capaz de articular com os
313

profissionais da área, interna e externamente à administração, para


viabilizar as diretrizes estabelecidas pela política.

15.Implementar o Sistema Municipal de Planejamento e do Sistema de


Informações para o Planejamento.

16.Instituir ações de recomposição, revisão e requalificação do quadro


funcional da Administração Municipal.

1.Instituir mecanismos de participação que possibilitem o envolvi-


mento dos vários atores representativos, dos diferentes setores da
sociedade, no processo de planejamento da cidade e na gestão
compartilhada dos problemas metropolitanos.

18. Preservar os recursos hídricos do município, fortalecendo o Comitê


Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, comitês das
Bacias e Agências, visando a preservação da captação de água.

19. Instituir as regiões administrativas como unidades de planejamen-


to, de controle, de participação popular, e acompanhamento das
ações da gestão

Gestão da Política Urbana


D o S istema M unicipal de P lane j a -
mento

Objetivos

O Sistema Municipal de Planejamento, como um processo contínuo, dinâmico e


flexível, tem como objetivos:

I- Criar canais de participação e parcerias entre o poder público, a


iniciativa privada e a sociedade civil;

II- Garantir o controle social sobre as políticas, os planos, os progra-


mas e as ações;

III- Garantir o gerenciamento eficaz, por meio da articulação e inte-


gração das diversas políticas públicas municipais, direcionando á
melhoria da qualidade de vida;

IV- Instituir um processo permanente, sistematizado e participativo de


atualização do Plano Diretor de Goiânia;

V- Garantir a articulação e integração das políticas públicas municipais


com as da Região Metropolitana de Goiânia.

VI- Assegurar a compatibilidade entre as Diretrizes do Plano Diretor e


dos Planos Setoriais e a programação orçamentária expressa no Pla-
no Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Orçamento
Anual;
314

VII-Aperfeiçoar o instrumental técnico e legal e modernizar as estrutu-


ras e procedimentos administrativos, visando maior eficácia na im-
plementação do Plano Diretor e dos Planos Setoriais;

Níveis de Atuação

O Sistema de Planejamento do Município de Goiânia atua nos seguintes níveis:

I- Nível de formação das estratégias de políticas e de atualização per-


manente do Plano de Desenvolvimento do Município de Goiânia;

II- Nível de gerenciamento do plano, de formação e aprovação dos


programas e projetos para a sua implementação;

III- Nível de monitoramento e controle dos instrumentos de aplicação


e dos programas e projetos aprovados.

Composição

O Sistema de Planejamento Urbano do Município é composto pelos órgãos de


assessoria, o Conselho Municipal de Política Urbana - COMPUR, pelo órgão central,
Secretaria Municipal de Planejamento – SEPLAM e demais órgãos setoriais da ad-
ministração direta e indireta que estejam associadas ao ordenamento territorial e
urbano.

D o S istema de I nforma ç õ es U r b anas


do M unic í pio de G oiânia

Objetivos

O Sistema de Informações Urbanas do Município de Goiânia será instituído para


favorecer o processo de decisão e coordenação das atividades governamentais
referentes aos aspectos territoriais e urbanos sobre o uso e ocupação do solo e
sobre os aspectos sociais e econômicos da população do município e das áreas
conurbadas em meio georeferenciado e terá como objetivos:

1. Coletar, organizar, produzir e disseminar informações sobre o terri-


tório e sua população;

2. Facultar á população o acesso a informações de seu interesse par-


ticular, ou de interesse coletivo ou geral, assim como a consulta de
315

documentos, relatórios técnicos e demais estudos elaborados pelo


órgão de planejamento, especialmente os planos;

. oferecer subsídios e apoio ao processo de decisão das ações ur-


banas;

4. oferecer subsídios e apoio ao Sistema de Municipal de Planejamen-


to.

Componentes

Todos os órgãos que compõem o Sistema Municipal de Planejamento deverão


alimentar o Sistema de Informações Urbanas.

C enário dese j á v el do E i x o E strat é -


gico G est ã o U r b ana

Gestão da Política Urbana


Estratégias

Legalidade, moralidade, divulgação, impessoalidade, eficácia, eficiência, trans-


parência, democracia e participação popular deverão ser os princípios norteadores
da política adotada na gestão urbana do município de Goiânia. Dentro desse espíri-
to foram formuladas as diretrizes de desenvolvimento para o município.

Essas diretrizes serviram como base para as estratégias de gestão urbana. Há de


se ressaltar que as estratégias almejam propiciar o controle social sobre as políticas,
os planos, os programas e as ações adotados. Tal perspectiva considera importantes
a articulação, a integração, a participação e as parcerias com os diversos âmbitos
do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil. A integração deverá
se efetivar entre as diferentes instâncias internas da administração municipal e entre
esta e o meio externo, ou seja, os municípios da região metropolitana. Assim, espe-
ra-se alcançar a plena capacidade de planejamento e administração do município.

São estratégias de gestão urbana:

1. Promover o processo de gestão urbana compartilhada por meio


da articulação, integração, participação popular e parceria entre o
poder público, a iniciativa privada e a sociedade civil do município
de Goiânia.

2. Implementar políticas e diretrizes urbanísticas que abarquem, como


conjunto articulado e integrado, o município de Goiânia e os muni-
cípios de sua região metropolitana.
316

. Compatibilizar as diretrizes do planejamento municipal com o pla-


nejamento dos recursos hídricos por meio do fortalecimento do
Consórcio Intermunicipal do Rio Meia Ponte, Comitê da Bacia Hidro-
gráfica do Rio Meia Ponte e da implantação de outras unidades de
conservação.

4. Maximizar recursos e minimizar prazos na implantação de planos,


programas e projetos, por meio da articulação e integração dos
diferentes órgãos gestores de políticas públicas do município.

5. Recuperar a capacidade de planejamento do município por meio


da reestruturação institucional, administrativa e da capacitação fun-
cional da administração pública municipal, dotando-a de um siste-
ma articulador de gestão interna, visando superar as divergências
entre os vários órgãos administrativos existentes.

6. Reestruturar e reorganizar a administração da Prefeitura Municipal


de Goiânia no intuito de oferecer, por meio de uma gestão eficien-
te, qualidade de serviços e redução de gastos.

Cenário desejável

Os problemas sociais, urbanos e ambientais de Goiânia ainda são passíveis de


serem sanados. Devido à sua dimensão e características é possível definir procedi-
mentos, buscados na participação popular, com vistas a solucionar problemas que
se configuram como verdadeiros entraves que afligem e pressionam a administração
municipal.

As soluções devem abarcar, indistintamente, toda a população, independen-


temente de seus recursos financeiros. Para que isso seja possível, o planejamento
urbano deverá pensar a cidade em todas as suas dimensões, buscando soluções
sustentáveis que se mantenham eficientes ao longo do tempo.

É nesse sentido que o governo do município de Goiânia está trabalhando. A


mudança qualitativa vem de uma mudança de enfoque: o ser humano é colocado
em primeiro lugar. Sem perder essa perspectiva, a construção do cenário desejável
do Eixo Estratégico Gestão Urbana define seus temas relevantes para garantir uma
nova forma de gestão democrática da cidade, capaz de criar oportunidades de
progresso para a cidade e para o cidadão.

Assim, a gestão urbana deverá estabelecer metas de planejamento e ações que


visem a eliminação da miséria, a progressiva diminuição da pobreza e a recuperação
do meio ambiente urbano.

O cenário desejável para cidade do século 21 deve ser desenhado pela alo-
317

cação democrática dos recursos orçamentários, eficácia na prestação de serviços,


integração de suas diversas áreas e efetivação do planejamento e das ações inter
setoriais. Além disso, a cidade precisa ser vista como parte de conjunto, ou seja,
inserida em seus contextos estadual, regional e nacional.

A gestão da cidade de Goiânia deve compreender a cidade em toda a sua com-


plexidade: capital do estado, centro administrativo, político, econômico, metrópole
regional e pólo de influência. Por isso, é necessário buscar integração e articulação
em todos os sentidos. Horizontalmente, entre os vários setores da administração
pública municipal e destes com a sociedade organizada, a academia e as empresas.
Verticalmente, potencializando a sinergia com as esferas de administração estadual
e federal.

Concretizar essa integração e inter setorialidade significa reestruturar institu-


cional e administrativamente o Poder Público, capacitando-o para tornar-se mais
ágil, qualificado e aberto à participação da sociedade. Para isso será necessário

Gestão da Política Urbana


recuperar a capacidade de planejamento da Secretaria Municipal de planejamento
(SEPLAM), reorganizando-a, requalificando-a e implantando um sistema municipal de
planejamento e de informações eficiente.

Como Goiânia é parte integrante de uma região metropolitana que abrange 13


municípios, abarcando uma população de cerca de dois milhões de habitantes, a
construção da Agenda 21 Metropolitana é fundamental. Deve-se, também, buscar
integrá-la às Agendas 21 de Goiânia e de Goiás, além de incentivar o surgimento de
mecanismos institucionais inovadores para a gestão da Metrópole.

Nessa perspectiva, faz-se necessário reforçar o Consórcio Intermunicipal da Ba-


cia do Rio Meia Ponte, o Comitê Meia Ponte e as Agências dos Recursos Hídricos
como instrumentos de gestão. Assim, a garantia da quantidade e da qualidade da
água também será responsabilidade da população usuária.

A participação popular deve ser fortalecida, respeitada e ampliada em todas as


instâncias para que se garantam as ações, levando à conseqüente eficácia da gestão
pública. Essa atitude prepara o cidadão para a vida política e estabelece uma nova
forma de gestão democrática.

Finalmente, vale salientar que a construção desse cenário se respalda na demo-


cracia participativa, na gestão eficaz, na informação e comunicação de qualidade e
na transparência da gestão. Para que ele se concretize, é fundamental a implantação
do Sistema Municipal de Planejamento e Informação, contando com a máxima parti-
cipação de todos os setores da administração municipal e da sociedade. Ele será o
instrumento determinante da gestão das políticas públicas municipais e do monito-
ramento dos planos estratégicos setoriais, dos programas e projetos da gestão do
governo.
318

Diretrizes
1. Valorizar a participação social, a capacitação da população e a for-
mação de uma comunidade cívica, fatores fundamentais na constru-
ção da cidade democrática.
2. Planejar e incentivar o funcionamento do Fórum de Educação Popu-
lar, visando a formação sistemática das lideranças comunitárias.
. Criar Fóruns de caráter permanente, locais e regionais, para a dis-
cussão da cidade, conscientizando o morador de que o espaço em
que habita é comum a todos.
4. Criar o Conselho da Cidade, paritário, garantindo a representação
dos segmentos organizados, conforme as determinações do Estatu-
to das Cidades, no prazo de um ano.
5. Reconhecer o Orçamento Participativo como instância direta de dis-
cussão sobre as questões da cidade, no âmbito local e regional.
6. Assegurar a criação das regiões de gestão do planejamento, com
administração e participação da comunidade, como espaços de
deliberação das políticas de desenvolvimento e das ações da ges-
tão.
. Estimular parcerias entre os poderes Municipal, Estadual e Federal,
buscando efetivar o fortalecimento das entidades comunitárias.
8. Promover a elaboração de políticas públicas de âmbito metropoli-
tano que facilitem o acesso aos equipamentos coletivos locais, re-
duzindo o fluxo e o movimento pendular da população da região
metropolitana para Goiânia.
9. Elaborar ações de geração de trabalho e renda e de capacitação
de mão-de-obra por meio de políticas de educação, ciência, tec-
nologia e desenvolvimento econômico em consonância com os in-
teresses locais evitando, assim, o deslocamento de trabalhadores.
10. Participar da elaboração e estimular a Agenda 21 e o Plano Diretor
da região metropolitana de Goiânia.
11. Articular e integrar as políticas públicas no âmbito do município
de Goiânia.
12. Garantir a participação dos órgãos gestores no Sistema Municipal
de Planejamento e do Sistema de Informação do Município.
1. Promover a reestruturação institucional, administrativa e de capa-
citação funcional da administração pública municipal.
14. Desenvolver uma política de capacitação e desenvolvimento huma-
no, tecnológico e operacional visando consolidar um quadro téc-
nico na estrutura organizacional da Prefeitura Municipal de Goiânia.
Esses profissionais deverão ser capazes de interagir com os colegas,
internos e externos à administração, para viabilizar as diretrizes es-
tabelecidas.
15. Implementar o Sistema Municipal de Planejamento e o Sistema de
Informações para o Planejamento.
319

16. Instituir ações de recomposição, revisão e requalificação do qua-


dro funcional da Administração Municipal.
1. Instituir mecanismos de participação que possibilitem o envolvimen-
to dos vários representantes dos diferentes setores da sociedade,
no processo de planejamento da cidade e na gestão compartilhada
dos problemas metropolitanos.
18. Preservar os recursos hídricos do município, fortalecendo o Comitê
Intermunicipal da Bacia Hidrográfica do Rio Meia Ponte, comitês das
bacias e agências.

S istema M unicipal de P lane j amento

Objetivos

O Sistema Municipal de Planejamento, como gerenciador de um processo de

Gestão da Política Urbana


trabalho contínuo, dinâmico e flexível, tem como objetivos:

1. Criar canais de participação e parceria entre o poder público, a


iniciativa privada e a sociedade civil.

2. Garantir o controle social sobre as políticas, os planos, os progra-


mas e as ações.

. Garantir o gerenciamento eficaz, por meio da articulação e integra-


ção das diversas políticas públicas municipais, buscando a melhoria
da qualidade de vida.

4. Instituir um processo permanente, sistematizado e participativo de


atualização do Plano Diretor de Goiânia.

5. Garantir a articulação e integração das políticas públicas municipais


com as da região metropolitana de Goiânia.

6. Assegurar a compatibilidade entre as Diretrizes do Plano Diretor e


dos Planos Setoriais e a programação orçamentária expressa no Pla-
no Plurianual, na Lei de Diretrizes Orçamentárias e no Orçamento
Anual.

. Aperfeiçoar o instrumental técnico e legal e modernizar as estrutu-


ras e procedimentos administrativos, visando maior eficácia na im-
plementação do Plano Diretor e dos Planos Setoriais.

Competências de Atuação

São atribuições do Sistema de Planejamento do Município de Goiânia:

1. Formação das estratégias de políticas e de atualização permanente


do Plano de Desenvolvimento do Município de Goiânia.
320

2. Gerenciamento do plano, de formação e aprovação dos programas


e projetos para a sua implementação.

. Monitoramento e controle dos instrumentos de aplicação e dos


programas e projetos aprovados.

Composição

O Sistema de Planejamento Urbano do Município é composto pelos órgãos de


assessoria, o Conselho Municipal de Política Urbana (COMPUR), pelo órgão central,
Secretaria Municipal de Planejamento (SEPLAM), e os demais órgãos setoriais da ad-
ministração direta e indireta associadas ao ordenamento territorial e urbano.

S istema de I nforma ç õ es U r b anas do


M unic í pio de G oiânia

Objetivos

O Sistema de Informações Urbanas do Município de Goiânia será instituído para


fomentar o processo de decisão e a coordenação das atividades governamentais
referentes à população do município e das áreas conurbadas em meio geo referen-
ciado. Tratará dos aspectos sociais, econômicos, territoriais e urbanos, como o uso
e a ocupação do solo. Serão seus objetivos:

1. Coletar, organizar, produzir e disseminar informações sobre o terri-


tório e sua população.

2. Facultar à população o acesso às informações de seu interesse par-


ticular, ou de interesse coletivo, assim como a consulta a documen-
tos, relatórios técnicos e demais estudos elaborados pelo órgão de
planejamento, especialmente os planos.

. Oferecer subsídios e apoio ao processo de decisão das ações ur-


banas.

4. Oferecer subsídios e apoio ao Sistema Municipal de Planejamento.

Componentes

Todos os órgãos que compõem o Sistema Municipal de Planejamento deverão


alimentar o Sistema de Informações Urbanas.
321

Eixo Estratégico
Atualização
Normativa

atualização Normativa
O eixo objetiva garantir a regulamentação, das normas
urbanísticas, atendendo as diretrizes do Plano Diretor tradu-
zidas de maneira clara e de fácil entendimento para o cida-
dão.
322
323

I ntrodu ç ã o

O Estatuto da Cidade, lei federal nº 10.257, de 10 de julho de 2001, regula-


menta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal e estabelece os parâmetros e
diretrizes da política urbana no Brasil.

Em seu art. 2º, preceitua que “A política urbana tem por objetivo ordenar o
pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana
mediante (...) diretrizes gerais.”

Dentre as diretrizes gerais definidas nesse artigo, vale destacar o item XV, que
assim se apresenta: “simplificação da legislação de parcelamento, uso e ocupação
do solo e das normas edilícias com vistas a permitir a redução dos custos e o aumen-
to da oferta dos lotes e unidades habitacionais.”

Assim, com o objetivo de garantir a aplicabilidade das diretrizes definidas pelos


demais eixos estratégicos, estabelecidos na revisão do Plano Diretor, faz-se necessá-
ria a revisão e atualização de toda a legislação urbanística municipal.

atualização Normativa
A cidade ideal, ordenada e planejada para o cidadão, só pode ser viabilizada
quando se consegue rever, adequar e atualizar constantemente as normas que re-
gulamentam o parcelamento, o uso e ocupação do espaço urbano e as edificações
que nele se inserem, fazendo uma leitura do passado e lançando um novo olhar em
direção ao futuro da cidade.

Breve histórico da legislação urbanística do município


de Goiânia

A regulamentação da ocupação do espaço urbano, como forma de garantir a


adequada implantação dos projetos urbanísticos e a implementação das diretrizes
estabelecidas pelo planejamento, esteve presente desde a fundação da cidade de
Goiânia.

O primeiro Plano Diretor foi entregue em 10 de janeiro de 1935 e delineava


o traçado urbanístico da cidade, bem como os limites da zona urbana. Dez anos
depois, em 1937, a portaria nº 87 de 14/08/1937, da Superintendência Geral das
Obras de Goiânia baixava normas gerais para a regulamentação de construções no
município. Essas regras, de forma preliminar, são consideradas como o Primeiro Có-
digo de Edificações de Goiânia.

Em 1947 foi aprovado o Código de Edificações de Goiânia (lei municipal nº


574, de 12/05/1947) que abrangia toda a legislação urbana, ou seja, Lei de Zonea-
324

mento, Lei de Loteamentos e Lei de Uso e Ocupação do Solo.

A consolidação de Goiânia como pólo da região Centro-Oeste, nas décadas de


1950 e 1960, levou à instituição do processo de planejamento urbano continuado e
à elaboração de um novo Plano Diretor.

A convite da Prefeitura de Goiânia, o arquiteto e urbanista paulista Luís Saia foi


o responsável pela nova empreitada. O plano foi concluído em 1962 e logo atrope-
lado pela convulsão política que desaguou no regime autoritário de 1964.

Na década de 1960, diante do processo de verticalização e da expansão


dos limites da área urbana, contratou-se uma empresa privada, a SERETE Engenha-
ria S/A, para a elaboração do Plano de Desenvolvimento Integrado de Goiânia, o
PDIG, concluído em 1968 e aprovado em 1971 com a Lei Municipal nº 4.523, de
31/12/1971.

No ano de 1975, a lei nº 5.019, de 08/10/1975, estabeleceu que a estrutura


viária deveria estar articulada com o zoneamento, criou o Instituto de Planejamento
Municipal (IPLAN) e instituiu uma nova legislação de zoneamento e uso do solo.

Nesse mesmo ano, em 25/11/1975, foi aprovada a lei nº 5.062, o Código de Edi-
ficações do Município de Goiânia, que se encontra em vigor até os dias de hoje.

No final da década de 1970, a lei federal nº 6766, de 19/12/1979, dispôs e de-


finiu as diretrizes gerais para o parcelamento do solo urbano. Passou a ser a principal
regulamentação sobre o assunto e encontra-se ainda em vigor.

Em 19/12/1980, foi aprovada a lei nº 5.735 que substituiu o zoneamento e uso


do solo previsto na lei nº 5.019/75.

A partir de 1988 retomou-se a discussão sobre um novo Plano de Desenvol-


vimento para Goiânia, em parte por exigência da Constituição Federal de 1988 e,
posteriormente, da Lei Orgânica do Município, de 1990.

No início da década de 1990, a lei complementar nº 010, de 30/12/91, dispôs


sobre o processo de planejamento urbano no município, criou o Conselho Munici-
pal de Política Urbana (COMPUR) e dispôs sobre a necessidade de um novo Plano
Diretor.

No ano seguinte, a lei complementar nº 015, de 30/12/1992, instituiu o novo


Plano de Desenvolvimento Integrado de Goiânia (PDIG). Para desenvolver o PDIG/92
foi contratada a firma Engevix Engenharia S/A que, sob a coordenação técnica da
Secretaria Municipal de Planejamento, elaborou a proposta do projeto de lei e tra-
çou suas diretrizes gerais.

Nessa mesma data também foi aprovada a lei complementar nº 014, o Código
325

de Posturas do Município de Goiânia, que definiu as normas gerais de convivência e


uso do espaço urbano. Essa lei também se encontra em vigor até os dias de hoje.

Em 1993, a lei municipal nº 7.222, de 20/09/93, estabeleceu condições espe-


ciais para a aprovação de novos parcelamentos.

A regulamentação do PDIG de 1992 somente foi aprovada em 29/12/1994, com


a lei complementar nº 031, que estabeleceu o novo uso e ocupação do solo. Essa
lei encontra-se em vigor, mas passou por diversas regulamentações e alterações ao
longo dos anos.

Em 1998, o decreto nº 2.202, de 30/11/1998, regulamentou o Código de Edifi-


cações (lei 5.062/75) complementando-o naquilo que era necessário.

De 1998 até hoje, várias alterações foram introduzidas nas leis de parcelamento,
normas edilícias, de zoneamento e uso do solo, sempre tentando atualizá-las.

A legislação em vigor buscou traduzir as propostas almejadas pelo PDIG de


1992. No entanto, por motivos diversos, não conseguiu cumprir plenamente sua
função e, com isso, vários programas e diretrizes não foram regulamentados e apli-

atualização Normativa
cados.

A legislação que se busca, nesse eixo estratégico de atualização normativa, será


a tradução das novas diretrizes que vão conduzir Goiânia pelos próximos anos.

Metodologia de trabalho

A atualização da legislação passa, obrigatoriamente, pela revisão da legislação


urbanística atualmente em vigor, cuja relação consta nos anexos I, II e III.

A revisão foi realizada seguindo etapas distintas: levantamento, análise e pro-


posta revisada e atualizada.

Levantamento

Em todo processo de revisão o levantamento é etapa fundamental. A busca de


toda a legislação urbanística em vigor permite uma leitura da situação atual.

Nessa etapa, identificou-se o objeto tratado na legislação e respectivos regula-


mentos e a forma como ocorreram as modificações ao longo do tempo.

Em seguida, compilou-se e unificou-se a legislação específica. A compilação re-


sultou em um texto para cada assunto: parcelamento, normas edilícias, zoneamento
e uso e ocupação do solo.
326

O resultado da primeira etapa permitiu disponibilizar toda a legislação em es-


tudo para a população, que pode consultá-la via internet no seguinte endereço:
www.goiânia.go.gov.br.

Análise

Para a avaliação da legislação urbanística em vigor foram estabelecidos pontos


essenciais a serem considerados. Assim, buscou-se os artigos em desuso, os que
geram maiores polêmicas e os que permitem múltiplas interpretações por falta de
objetividade e clareza. Além disso, questionou-se a abrangência da legislação atual:
suas diretrizes abarcam todos os aspectos do espaço urbano?

Há muito, as legislações específicas necessitam de revisão por causa das altera-


ções ocorridas no espaço urbano ao longo do tempo e para adequá-las às tendên-
cias atuais de ocupação.

Dentre os itens em análise, apresentam-se, a seguir, as principais considera-


ções.

Normas edilícias

O Código de Edificações em vigor, lei nº 5062, foi aprovado no ano de 1975.


Nesses trinta anos, poucas alterações e adequações foram implementadas. Em con-
seqüência ele tornou-se desatualizado. Muitos dos artigos foram caindo em desuso
pela própria dinâmica do espaço urbano.

A análise da lei 5062/75, e das leis e regulamentações complementares, per-


mitiu a constatação de que há uma tutela excessiva na definição das normas de
construção, desde a obrigatoriedade de apartamento de zelador em habitações
coletivas, até a exigência de áreas e dimensões mínimas para os ambientes internos
das habitações unifamiliares.

Na revisão e a atualização da legislação pertinente às normas edilícias deve-se


observar, dentre outros aspectos:

• A redefinição dos trâmites dos processos de aprovação, segundo a


tipologia das edificações.

• A revisão e redefinição dos parâmetros urbanísticos para habita-


ções seriadas em função do número de unidades.

• A definição de critérios mínimos para projetos de habitações cole-


tivas, sempre no intuito de garantir o adequado aproveitamento do
espaço com o devido conforto e salubridade dos ambientes.
327

• A redefinição dos parâmetros urbanísticos essenciais para edifica-


ções comerciais de uso específico como: hotéis, pensionatos, esta-
belecimentos de saúde e educação e locais de reunião.

• A redefinição da regulamentação de elementos construtivos aces-


sórios às edificações, tais como: calçadas, muros divisórios, muros
de arrimo, dentre outros.

Parcelamento

As diretrizes para o parcelamento do solo urbano estão definidas, prioritaria-


mente, pela lei federal 6766/79, com suas alterações, e pelas leis municipais nºs
4.526/71 e 7.222/93. Observa-se que a última está dentro dos objetivos do Plano
de Desenvolvimento Integrado de 1992.

A análise dessa legislação, e das demais leis e decretos regulamentadores, ex-


pôs a necessidade de se rever e atualizar os assuntos expostos a seguir.

Quanto ao rito processual – procedimentos administrativos:

atualização Normativa
• Redefinição dos trâmites de processos de aprovação de parcela-
mentos.

• Diretrizes para apresentação do projeto urbanístico para aprova-


ção.

Quanto às exigências legais – alteração de dispositivo de lei:

• Redefinição de prazos diferenciados para implantação de infra-es-


trutura.

• Redefinição de índices referentes ao sistema viário e equipamentos


urbanos.

• Responsabilidade pela implantação de infra-estrutura em parcela-


mentos abertos ou fechados.

• Diretrizes para o controle adequado da drenagem do solo nas áre-


as urbanas.

Zoneamento e Uso do Solo

A regulamentação do Plano Diretor, com vistas a garantir o adequado orde-


namento do território, é função preponderante da Lei de Zoneamento e de Uso e
Ocupação do Solo. A atual Lei de Zoneamento, lei 031/1994, foi elaborada com a
finalidade de regulamentar o Plano de Desenvolvimento Integrado de 1992.
328

Alguns dos instrumentos de indução do desenvolvimento urbano previstos no


Estatuto da Cidade, lei federal nº 10.257/2001, já se encontram contemplados pela
legislação atual. São eles: IPTU Progressivo no Tempo, Consórcio Imobiliário, Outorga
Onerosa do Direito de Construir, Operações Urbanas e Transferência do Direito de
Construir.

A regulamentação que garante a aplicabilidade e define os parâmetros para a


implantação desses instrumentos foi parcialmente contemplada pela legislação em
vigor, por isso nem todos puderam ser aplicados de forma efetiva. Assim, pode-se
inferir que quando os instrumentos não são devidamente regulamentados são gran-
des os prejuízos para o espaço urbano.

A análise da lei 031/1994, e das leis e decretos complementares, resultou nas


seguintes considerações:

• O zoneamento definido para toda a área urbana e de expansão


urbana criou tipologias cuja regulamentação não chegou a ser efe-
tivada. Com isso, o planejamento urbano de determinadas zonas fi-
cou prejudicado, pois faltaram parâmetros urbanísticos específicos
e implantação de programas especiais que garantissem atingir as
metas delineadas no PDIG/92. É o caso das Zonas de Revitalização
Funcional, Histórica, Cultural, Urbanística e Urbanístico-Ambiental.

• As densidades demográficas devem ser redefinidas dentro de pa-


râmetros claros e objetivos que permitam o adequado controle e a
eficiente ocupação do espaço urbano.

• É necessário regulamentar a categoria de Uso Especial, redefinindo


o conceito e estabelecendo os parâmetros urbanísticos mínimos
para a manutenção do adequado ordenamento do espaço urbano
destinado à implantação do referido uso.

• Deve-se regulamentar o Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), ins-


trumento essencial para definição de parâmetros urbanísticos para
grandes equipamentos.

• É preciso garantir, por meio de regulamentação, a aplicação eficaz


dos instrumentos de indução do desenvolvimento urbano: ITU/IPTU
Progressivo no Tempo, Direito de Preempção, Operações Urbanas,
dentre outros.

• Critérios claros e objetivos devem ser definidos para implantação


de projetos e ocupação de áreas de proteção ambiental.

• Redefinir a fração ideal mínima de terreno para as habitações.


329

Fiscalização e monitoramento

Qualquer proposta de definição e implementação de diretrizes urbanísticas,


para um planejamento urbano a médio e longo prazos, só se realiza se houver o
adequado monitoramento e fiscalização em sua aplicação.

Portanto, para cada exigência legal definida pelo planejamento urbano, deve-
rão ser previstos os instrumentos reguladores adequados.

Ressalte-se que, paralelamente ao monitoramento e à fiscalização, deve-se


orientar e esclarecer o cidadão sobre as diretrizes pactuadas com a sociedade pelo
Plano Diretor. Também é necessário aplicar as sanções previstas na legislação com
vistas a garantir os resultados planejados e esperados.

Resultado: proposta revisada e atualizada

Esta etapa consiste na atualização e adequação da legislação urbanística se-


gundo as diretrizes estabelecidas no Plano Diretor. Somente será possível concluí-la
após a aprovação do Plano Diretor pelo Legislativo Municipal e a definição clara das

atualização Normativa
diretrizes a serem observadas e regulamentadas em lei.

A atualização, com proposta de nova legislação, deverá ser realizada em tempo


hábil, permitindo a pronta aplicação das diretrizes do plano assim que ele entrar em
vigor, observada a vacatio legis, ou seja, o período de tempo entre a publicação da
lei e a sua vigência.

Para garantir que a regulamentação dessas diretrizes se traduza em uma legisla-


ção clara, objetiva e de fácil entendimento por parte do cidadão, serão realizados
fóruns de discussão com entidades representativas de setores organizados da so-
ciedade.

Esgotadas as discussões e feitos os ajustes ao conteúdo de cada legislação,


os textos serão organizados e formatados pela Assessoria Jurídica do Plano Dire-
tor, com a finalidade de adequá-los às normas previstas na lei complementar nº
095/2000, que dispõe sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação
das leis.

O anteprojeto de lei será, então, encaminhado à Câmara Municipal para apre-


ciação e aprovação.

Programa de atualização normativa

O trabalho de atualização normativa apresenta um caráter dinâmico, necessitan-


do, portanto, de constante acompanhamento.
33 0

Para a eficácia da aplicação das diretrizes traçadas no Plano Diretor, é imprescin-


dível estar atento às alterações da legislação urbanística, mantendo-a atualizada.

A atualização constante somente será possível se for estabelecido um Programa


de Atualização Normativa que, junto ao monitoramento do Plano Diretor, ajude a
atingir os objetivos e metas propostos.

Considerações finais

A atualização normativa não se restringe às Normas Edilícias, Parcelamento e


Zoneamento e Uso do Solo. Outros assuntos deverão ser objeto de revisão e atua-
lização, sempre com o intuito de se garantir a implantação das diretrizes do Plano
Diretor.

Estão previstas atualizações das legislações municipais pertinentes à legislação


ambiental, legislação de costumes e posturas e legislação do patrimônio histórico.

Definir regras para o espaço urbano, que é dinâmico e encontra-se em constan-


te mutação, não é tarefa fácil. Estabelecer normas que garantam a adequada implan-
tação das diretrizes estabelecidas no planejamento urbano é o desafio imediato,
porém, a observação e aplicação dessas normas são incógnitas que só o futuro
poderá revelar.
33 1

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


FORMULAÇÃO DO
PLANO DIRETOR
33 2
333

PREMISSAS
1. Consolidação da Metrópole

O Centro-Oeste vem se transformando no maior produtor de alimentos do Bra-


sil. É o primeiro na produção de carne bovina industrializada, o segundo maior
produtor de soja e em exportação de frangos. Pode-se dizer que o Centro-Oeste
reafirma sua vocação com base no agronegócio, estruturando-se e modernizando-
se com tecnologias avançadas de produção.

Neste contexto regional, Goiás se prepara para ser o principal estado a valorizar
os produtos primários, ou seja, ser a maior base do agronegócio do Centro-Oeste.
Isso é devido às suas vantagens espaciais e logísticas competitivas e, principalmente,

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


ao avanço da produção de alimentos industrializados, tanto em Rio Verde, Itumbiara
e Anápolis, quanto em Catalão, pela verticalização do fosfato, insumo importante
para o avanço da produção de alimentos.

Contraditoriamente à vocação da região e do estado, Goiânia não se posiciona


como a capital do agronegócio. Também não se prepara para ser um centro indus-
trial alternativo à desindustrialização do Sudeste brasileiro. De forma incipiente, é
uma cidade com tendência para o setor de serviços.

Os estudos e os debates permitiram concluir que Goiânia deverá se preparar


para dar suporte, enquanto metrópole regional, para o desenvolvimento do estado
de Goiás e Centro-Oeste e se articular economicamente na rede de cidades brasi-
leiras. Como estratégia, o Plano Diretor de Goiânia estabelece princípios, objetivos
e diretrizes para que a cidade, no futuro, exerça as funções de Metrópole Regional
contemporânea, cujos atributos são: sustentabilidade, produção do conhecimento,
diversidade, competividade, conexão, transformação e qualidade.

Os desafios são enormes e passam pela supressão da desigualdade, valorização


do meio ambiente, qualificação dos centros históricos e valorização da mobilidade
e acessibilidade, priorizando o transporte coletivo em detrimento do individual.
Deve-se criar um modelo espacial que, além de possibilitar a implantação de planos
setoriais, programas e projetos, ofereça condições mais flexíveis para instalação das
atividades no tecido urbano. Finalmente, é necessário garantir a integração com a
região metropolitana e sua rede de cidades.

Vencendo os desafios a cidade tornar-se-á mais competitiva, consolidando sua


posição de metrópole do agronegócio, com dinâmica própria para proporcionar
geração de empregos e, conseqüentemente, promover o consumo e a movimenta-
ção econômica.

Todavia, o agronegócio em si não será suficiente para tornar Goiânia metrópo-


le contemporânea, é necessário adaptar-se às exigências de funcionalidade que a
33 4

nova etapa terciária dos serviços avançados impõe quanto à tecnologia da informa-
ção, eventos, entretenimento, turismo, excelência esportiva, indústria do terceiro
milênio, negócios de saúde, conhecimento e cultura. Só assim Goiânia estará econo-
micamente inserida na rede de cidades brasileiras.

A metrópole contemporânea é formada, também, por uma rede de cidades


vizinhas que se estruturam por meio do sistema de vias metropolitanas, transportes
coletivos e corredores naturais formados pelos ecossistemas hídricos e florestais.

O desenvolvimento da metrópole Goiânia será suportado pela rede de cidades


vizinhas, cada qual com suas potencialidades e diversidades econômicas, físicas e
sociais, riquezas que serão exploradas localmente ou complementarmente.

2. Articulação espacial

A estruturação metropolitana será garantida com:

a) Implantação do Anel Rodoviário Metropolitano como principal ele-


mento estruturador da região. A conclusão deste projeto produzirá
impactos positivos quanto à movimentação de veículos pesados, com
reflexo no meio ambiente e no uso da energia não renovável. Nesse
anel, os grandes equipamentos econômicos poderão se instalar.

b) A articulação da mobilidade regional com a intra-urbana, facilitada


com a construção de terminais de integração, ampliando significati-
vamente a mobilidade intra-regional, atuando positivamente nos des-
locamentos de pessoas e produtos entre as cidade da região metro-
politana.

c) Os ecossistemas aquáticos e florestais se integram pela região, con-


tando com o rio Meia Ponte como elemento articulador. A proteção
desses recursos naturais e sua recuperação paulatina formarão uma
extensa rede verde de caráter metropolitano, constituindo-se no pri-
meiro programa de intervenção.

3. Estruturação do território

Outro aspecto relevante do ponto de vista do ordenamento territorial é o reco-


nhecimento do município como unidade de planejamento. Essa unidade territorial é
caracterizada pelo tecido urbano em consolidação e por áreas rarefeitas de urbani-
zação dispersas que o circundam. Esse espaço rico em drenagem natural forma sub-
bacias com características próprias. Em função dessas peculiaridades, as sub-bacias
33 5

foram consideradas pelo Plano Diretor como unidades naturais de planejamento que
associadas ao território construído formam nove grandes espaços de desenvolvi-
mento, constituindo-se no macrozoneamento do município.

O macrozoneamento foi pensado para valorizar o potencial de cada macrozo-


na em termos de uso e ocupação do solo, desenvolvimento econômico, proteção
dos recursos naturais, articulação intermunicipal, mobilidade e acessibilidade e sua
forma de gestão.

Fundamentalmente o macrozoneamento permitirá o agenciamento harmo-


nioso ambicioso e inovador do espaço municipal. Potencializará as características
físicas e ambientais das macrozonas de ocupação rarefeita, mantendo a baixa den-
sidade, promovendo as atividades econômicas sustentáveis, valorizando a água e a

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


biodiversidade.

Outro fenômeno importante analisado foi o processo de mudança que está


em curso na urbanização das cidades brasileiras quanto às novas áreas de urbani-
zação dispersas, adoção de novos modos de vida da população e de gestão dos
espaços urbanos com formas condominiais diversificadas; alterações nas relações
entre espaços públicos e privados, assim como novas formas de organização do
mercado imobiliário.

Segundo o professor N.G. Reis, essas “mudanças tendem a tornar obsoletos os


padrões de controle do Estado (em todos os níveis) sobre o espaço urbano e sobre
as práticas de sua produção e gestão.” Referência , ano, pág, título

Em função desse referencial no qual “essas formas de organização da vida


cotidiana são as primeiras etapas e um novo estágio de organização da vida social
no território: da urbanização total” (M.S.Filho), o Plano Diretor de Goiânia avança
- nessa perspectiva e com os cuidados necessários para manter a qualidade de vida
nas faixas envoltórias da cidade em construção.

Esse conceito elimina as tradicionais separações entre Zona Urbana, Zona de


Expansão Urbana e Zona Rural. A urbanização estará presente onde existir a infra-
estrutura e a estruturação regional estará focada no sistema de rodovias que dão
acesso às várias cidades da rede ou contornam a região. A mobilidade avançará
no sentido dos fluxos de informação. A localização intra-urbana das unidades de
produção e consumo deixa de ser importante, confirmando o enorme poder estru-
turador da via regional.
33 6

Para a macrozona construída a perspectiva do tecido urbano passa por uma


profunda reformulação de seus padrões vigentes em termos de sua estrutura,
devendo:

1. incentivar o adensamento diversificado do tecido urbano com a


perspectiva de ocupação dos vazios urbanos, em termos de habi-
tações e atividades econômicas, para promover o desenvolvimento
equilibrado e diversificado na formação do Habitat. Com transfor-
mações progressivas na paisagem, na acessibilidade dos equipa-
mentos urbanos e comunitários, na melhoria da relação habitação/
emprego e na integração com o sistema de transporte coletivo,
pretende-se a formação de diferentes tecidos urbanos com volu-
metria variante e a espaços livres para diferentes funções.

2. Integrar a natureza à cidade com uma rede verde que irrigará o ter-
ritório municipal com água de melhor qualidade e espaços de lazer
e recreação para população. O rio Meia Ponte e seus tributários
serão tratados para permitir que seu uso e suas conexões benefi-
ciem toda a população, oferecendo uma continuidade remarcável
do verde do campo para a cidade.

. Reverter a tendência de produção da cidade de forma espraiada,


com urbanização precária do tecido periférico. A lógica socioes-
pacial proposta reafirma a apropriação de todos os cidadãos goia-
nienses ao direito à cidade. A espacialização das áreas especiais
de interesse social ao longo dos eixos de transporte coletivo, asso-
ciados às intervenções de uso e de ocupação do solo, são fatores
determinantes de inclusão social.

4. Preparar a cidade para receber em médio prazo uma rede de


transporte coletivo nos corredores exclusivos e preferenciais
com tecnologia moderna para ser eficiente e não poluente. Essa
rede forma eixos de desenvolvimento urbano associados ao
transporte e ao uso e ocupação do solo. Esses eixos de desen-
volvimento, portanto, passando por excelentes corredores de
lazer e entretenimento integrados à habitação de alta densida-
de, requalificarão gradualmente as áreas lindeiras em termos de
paisagem urbana e vitalidade econômica. O transporte coleti-
vo é condição fundamental para inclusão social e fator de com-
petitividade em relação à rede de cidades contemporâneas.
337

O modelo desejado fica explicitado de forma esquemática a seguir.

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


• A cidade sustentável deve oferece à sua população uma distribuição
equilibrada dos equipamentos comunitários. Alguns são da relação
de vizinhança, outros atendem à população de bairros, enquanto
os mais complexos possuem a abrangência da cidade e até mesmo
regional. O Plano Diretor estabelece referenciais das distribuições
desses equipamentos comunitários pelo tecido da cidade.

• Com a implantação dos programas especiais de estruturação urbana


de caráter social urbanístico e ambiental utilizando-se de formas de
uso e ocupação do solo mais flexíveis, aplicando o instrumento de
política de operação urbana consorciada. Esses programas estão
detalhados nos eixos de ordenamento territorial e socioambeintal.

M odelo espacial
Esse conjunto de diretrizes de desenvolvimento urbano, quando expresso por
meio de representações espaciais, formatam o modelo espacial para o território
do município de Goiânia, assim como identificam os elementos estruturadores do
modelo desejado.
33 8

Os meios para implantação do modelo espacial são de ordem de gestão e


garantidos pelos instrumentos de política urbana e pelo plano regulador, instituídos
por lei própria.

O desenvolvimento dos objetivos, programas e projetos estabelecidos no Pla-


no Diretor estão detalhados nos eixos estratégicos: socioambiental, modibilidade,
acessibilidade e transporte, ordenamento territorial, desenvolvimento econômico,
sociocultural e gestão urbana.

D etal h amento do modelo espacial


1. Cenários propostos por macrozonas

1.1 Macrozonas Construída

O cenário ideal para Goiânia atende aos anseios da população, supervaloriza


as potencialidades socioeconômicas e ambientais e soluciona os problemas detec-
tados no processo de leitura da realidade local.

A fim de consolidar os condicionantes para produção do espaço urbano,


expresso anteriormente, sobre o ponto de vista físico-territorial, são traçadas dire-
trizes básicas e estratégias de ocupação por macrozona.

Detalhamento do Modelo Espacial

Historicamente, desde o período de formação da cidade, as legislações de


caráter urbanístico que regularam o processo de expansão e de ordenamento urba-
no no município de Goiânia indicaram o crescimento sul e sudoeste, para consolida-
ção da malha urbana.

Posteriormente, o primeiro Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado, PDIG


de 1971 e o segundo PDIG 2000 de 1992, reforçaram a necessidade do crescimento
da malha urbana para sudoeste, principalmente em função das variáveis físicas do
território, representadas pelos seguintes fatores:

• conurbação a sul com o município de Aparecida de Goiânia;

• topografia desfavorável à leste da BR-153;

• existência massiva de elementos de maior fragilidade ambiental a


norte;

• ponto de captação de água da cidade a norte e noroeste.

Diante desses limitadores determinantes, os modelos de desenvolvimento


MODELO ESPACIAL
340

adotados nas legislações anteriores indicaram o crescimento da malha urbana a su-


doeste. Nesse sentido, a presente proposta corrobora as anteriores, fundamentan-
do a estruturação da cidade com base nos seguintes indicativos:

1. Tratar o uso do solo como vetor dinamizador da cidade metropo-


litana.

2. Promover ofertas locacionais, reforçando o status metropolitano e


incentivar o adensamento residencial no centro histórico, promo-
vendo sua reabilitação, como pólo representativo da capital regio-
nal.

. Tratar a mobilidade como principal fator de inclusão social.

4. Incentivos aos eixos rodoviários intra-urbanos à sudoeste como ei-


xos de desenvolvimento de suporte a Áreas Especiais de Interesse
Social.

5. Incentivar o adensamento residencial e de atividades econômicas


dos eixos de transporte intra-urbano, como suporte ao futuro trans-
porte coletivo caracterizando-o como uso misto.

6. Tornar a cidade mais compacta permitindo o adensamento do teci-


do urbano, duplicando seu padrão de densificação (quatro econo-
mias por lote padrão de 360m²);

. Incentivos à ocupação dos vazios urbanos (glebas e quadras deso-


cupadas).

8. Desincentivo das manchas densamente ocupadas, conformadas pe-


las legislações anteriores, como forma de desacelerar o adensa-
mento nucleado.
341

Como rebatimento espacial dos indicativos aqui propostos, adotou-se trata-


mento uniformizado para toda a malha urbana, com destaque para os Eixos de De-
senvolvimento Estruturadores do Transporte Coletivo. Ressalvaram-se alguns trechos
com peculiaridades próprias, a saber:

• áreas de Preservação Permanente (APPs), nascentes, córregos, ribei-


rões, rios, matas, lagoas etc;

• áreas de grandes concentrações de densidades, como os setores


Aeroporto, Alto do Bueno, Alto da Glória, Vila São João, Setor Ne-
grão de Lima, parte do Setor Bela Vista e parte do Jardim Goiás;

• áreas de caráter aeroportuário, definidas pela INFRAERO – Aeropor-


to Santa Genoveva e Brigadeiro Epinghaus.

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


O modelo de ocupação previsto privilegia os eixos assim classificados:

• Eixos de Desenvolvimento Preferenciais - GO-070, Leste/Oeste (Tre-


cho Noel Rosa), BR-060, GO-040, av. Anhanguera (trecho GO-010).
São considerados como eixos do transporte coletivo com corre-
dores preferenciais, de orientação radial, situados em sua grande
maioria a sudoeste da cidade, ao longo dos quais, numa extensão
máxima de 750m bilaterais, se desenvolverão preferencialmente as
atuais Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS).

• Eixos de Desenvolvimento Exclusivos – Anhanguera, Norte/Sul (tre-


cho Rio Verde), T-9, T-7, Leste/Oeste, Noroeste. Em uma orientação
ortogonal em relação à malha consolidada das cidades, são consi-
derados como eixos de transporte coletivo com corredores exclu-
sivos, estruturadores da concentração dos usos e densidades, um
diferencial ao plano da cidade. Ocorrerão ao longo de algumas vias
pertencentes à Rede Viária Básica da cidade, em uma profundidade
aproximada de 350m para cada lateral das vias, bilaterais e contí-
guas aos referidos eixos, ou profundidade equivalente quando se
tratar de glebas, de forma a promover a mobilidade urbana como
suporte principal das ocupações.

• Considerando que as diretrizes do eixo de mobilidade não admi-


tem acesso das atividades residenciais coletivas em vias com carre-
gamento mais intenso de tráfego, fica vedado o acesso para habi-
tações coletivas para vias pertencentes à Rede Viária Básica e Vias
Coletoras com altura superior a 9,00m, exceção feita àquelas que
entrecortarem as áreas de maiores densidades ao longo dos eixos,
desde que seja implantada a baia de desaceleração para acesso
aos lotes.

Além do modelo de concentração ao longo dos eixos, no intuito de combater


os inúmeros vazios urbanos disseminados pela malha consolidada da cidade, pro-
342

põem-se um tratamento diferenciado, aos moldes da tipologia de ocupação de


maior concentração e segundo preceitos estabelecidos para os chamados Projetos
Diferenciados de Urbanização (PDU’s), além da admissão do modelo dos conjuntos
residenciais previstos pela lei complementar n°5062 de 1975 (Código de Edifica-
ções), ambos com ou sem fechamentos perimétricos e conforme novo regulamento
a ser estabelecido.

A política habitacional para o município deve ser capaz de reverter a injusta


expulsão das pessoas de menor poder aquisitivo para as franjas da malha urbana,
privando-as dos benefícios instalados. A proposta procura criar melhores condições
locacionais para acomodação dessa população, atraindo-a para dentro da malha,
com o propósito de integrá-la aos eixos de mobilidade, aos equipamentos sociais
e às estruturas econômicos propostas ao longo dos Eixos de Desenvolvimento do
Transporte Coletivo.

Portanto, ao longo dos Eixos de Desenvolvimento Preferencial, a sudoeste da


cidade, serão definidas prioritariamente as Áreas de Interesse Social (Atuais ZEIS),
com primazia de ocupação para a população de até cinco salários mínimos de ren-
da familiar.

Junto às cinco manchas de ZEIS estabelecidas pela atual Lei de Uso e Ocupação
do Solo Urbano, se constituirão em uma estrutura de absorção das demandas ha-
bitacionais de baixa renda, hoje estimada em 50 mil novas unidades habitacionais,
representadas pela admissão de todas as tipologias habitacionais de uma proposta
de adensamento médio ao longo dos Eixos de Desenvolvimento Preferenciais e do
remanejamento de lotes desocupados em unidades mínimas de 200,00 m².

As demais demandas habitacionais serão atendidas pelas seguintes alternativas


de ocupação:

• Ao longo dos principais Eixos de Desenvolvimento Exclusivo do


Transporte Coletivo, desde que não seja em quadras imediatamente
lindeiras, com um modelo de ocupação mais concentrado, incre-
mentado pela possibilidade das transferências do direito de cons-
truir de outros locais da cidade.

• Admite-se todas as tipologias habitacionais diversificadas e ativida-


des econômicas.

• Possibilidade, também, de implantação de habitações coletivas


para todo o restante da cidade, ressalvada as exceções previstas,
para edificações com até 9,00m (nove metros) de altura ou equiva-
lentes a 3 pavimentos.

• Quando se tratar de habitação coletiva, com mais de 9,00m (três


pavimentos) de altura, nas áreas adensáveis integrantes dos Eixos
de Desenvolvimento de transporte coletivo, conforme mencionado
343

anteriormente, poderão ter acesso de veículos para as vias per-


tencentes à Rede Viária Básica e Coletoras, desde que implantadas
baias de desaceleração de velocidade, a se considerar que é pre-
ponderante a força de concentração de atividades nos eixos.

• Fração ideal de 90 m² da unidade imobiliária (Ex: lote padrão de


360 m² = 4 economias), para o restante do plano da cidade.

• Não será admitido o acesso de veículos para habitações gemina-


das, seriadas e coletivas em vias coletoras ou Rede Viária Básica,
assim como nos eixos de desenvolvimento urbano.

A partir da espacialização dos parâmetros urbanísticos propostos, as regras de


ocupação e uso obedecerão aos limites definidos pelas microbacias, às interven-

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


ções relativas à rede viária básica, à densidade de uso e construída e às exigências
de espaços verdes, tendo como base a fórmula de recuos, que será aplicada a
todo o território da macrozona e, ainda, ressalvadas todas as áreas de proteção
ambiental.

OBS: Para efeito de aplicação dos parâmetros urbanísticos, considera-se a altura do pavimen-

to com 3,00m.
344

Os setores Aeroporto, Alto do Bueno, Alto da Glória, Vila São João, Setor
Negrão de Lima, parte do Setor Bela Vista e parte do Jardim Goiás receberão tra-
tamento diferenciado, em função do atual processo intensificado de adensamento,
portanto admite-se a aplicação pura da fórmula dos recuos, com cálculo equivalen-
te ao valor da Outorga Onerosa, em 0,20.

Propõe-se a total disseminação da habitação e das atividades econômicas no


território da Macrozona Construída, privilegiando a concentração linear ao longo das
primeiras quadras dos eixos e das vias paralelas às rodovias que a entrecortam. O
controle de ocupação das atividades econômicas no território da Macrozona Cons-
truída se dará por meio de uma tabela de incomodidade por uso, além da exigência
de elaboração dos Estudos de Impacto de Vizinhança - EIV, EIA / RIMA e Estudo de
Impacto de Trânsito, para aquelas atividades impactantes na malha urbana.

O Anel Rodoviário Metropolitano que passa por Goiânia, Aparecida de Goiâ-


nia, Goianira e Senador Canedo, deverá ser reconhecido como elemento estrutura-
dor do espaço urbano de fundamental importância.

A articulação socioespacial do Anel Rodoviário promoverá uma inversão de


polaridade. Em torno dele passará a gravitar a vida da metrópole. Ele representa
um delimitador físico da dinâmica urbana. Por isso estará sob um regime urbanístico
diferenciado ao longo de sua implantação.

Suas áreas limítrofes serão destinadas e incentivadas à instalação de ativida-


des econômicas de grande porte. Para as áreas transitórias entre a Macrozona Cons-
truída e o Anel Rodoviário, haverá diferentes regimes de ocupação, respeitadas as
limitações ambientais e as graduações de incomodidade.

Não serão admitidas habitações geminadas, seriadas e coletivas, nem parcela-


mento em lotes pequenos, nas faixas lindeiras do Anel Rodoviário, onde o controle
será definido pela característica de cada macrozona entrecortada.

O controle da permeabilidade urbana, frente aos graves problemas de drena-


gem, deverá ser feito pela micro-drenagem urbana pública e pela drenagem urbana
privada.

A micro-drenagem urbana pública será realizada por meio das redes de dre-
nagem, áreas verdes públicas permeáveis, pela adoção de novos materiais e técnicas
de drenagem, construção de poços de infiltração nos espaços públicos e adoção
de faixas permeáveis nos passeios públicos.

A drenagem urbana privada deverá ser feita segundo o Índice de Permeabi-


lidade, com ou sem caixas de recargas, igual a 20% de permeabilidade da área do
terreno, ou sua substituição por caixas de recargas, seguindo os critérios:

• exigência de laudo técnico geológico como pré-requisito determi-


345

nante para a construção dos poços de infiltração, para o caso de


atividades implantadas em grandes áreas;

• para atender critérios apenas de “detenção”, a dimensão do reser-


vatório seria de 0,6 m³ / 100m² de área;

• para atender critérios de “infiltração” - dimensões do reservatório


entre 1,0 e 1,5 m³ / 100m² de área. Esses valores garantiriam uma
infiltração de pelo menos 20% do volume de toda chuva anual, em
média;

• usar poços com profundidade até 2,5m;

• utilizar britas 1 ou 2;

• caixa de separação das águas servidas para atividades como postos

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


de combustíveis, lavajatos etc.;

• exigência de laudo técnico geológico como pré-requisito deter-


minante para a construção das caixas de recarga, para o caso de
atividades implantadas em áreas maiores.

1.2. Macrozona do Barreiro

Cenário proposto

Detalhamento do Modelo Espacial


Potencialidade

• Farta disponibilidades de áreas e to-


pografia favorável.

Fragilidade

• Necessidade de melhoria da acessibili-


dade e da sinalização urbana.

Estratégias de ocupação

A utilização do solo nesta macrozona se subordinará às seguintes estratégias:

1. Manter o caráter de baixa densidade de ocupação, com parce-


lamentos habitacionais em unidade imobiliária igual ou maior que
450,00m² em uma única economia por unidade e com toda a infra-
346

estrutura e acessos às expensas do loteador.

2. Admitir o parcelamento do solo condicionado à contigüidade em


relação a outro parcelamento existente e consolidado, com o míni-
mo de 30% (trinta por cento) de sua ocupação.

. Incentivar atividades voltadas ao turismo ecológico, lazer, ativida-


des vicinais, hotéis fazenda, eventos e atividades primárias orgâni-
cas, em unidade imobiliária igual ou maior que 450,00m² em uma
única economia por unidade e com toda a infra-estrutura e acessos
às expensas do loteador, sob rígido controle ambiental.

4. Admitir atividades de exploração mineral (cascalho), desde que


controladas pelos Planos de Controle Ambiental.

5. Permitir grandes equipamentos de caráter regional, com toda estru-


turação física necessária às expensas do investidor.

6. Estruturar o espaço urbano da macrozona por meio da implanta-


ção da infra-estrutura básica e de sua estruturação viária através da
duplicação da GIN-005, exigindo-se via paralela e abertura de mais
interligações entre ela e a GO-020.

. Concretização das passagens de nível projetadas para interseção


com a rodovia BR-153 e implantação o Tramo Leste do Anel Rodovi-
ário Metropolitano, por meio de vias paralelas, com a instituição de
faixas lindeiras (300m de ambos os lados), para incentivo à instala-
ção de atividades econômicas de maior porte. Essas faixas podem
ser ampliadas para o caso de necessidades especiais dos macro-
projetos e respeitadas as áreas de proteção ambiental.

8. Exigir, nos novos parcelamentos, a implantação de bacias de reten-


ção de águas pluviais e caixas de recarga do lençol freático, segun-
do a necessidade de drenagem prevista para a sub-bacia no Plano
de Drenagem Urbana de Goiânia.

9. Proteger e manter, criteriosamente, os recursos naturais existentes,


respeitando-se as faixas bilaterais de proteção das APPs, com in-
centivo à criação de parques, com aproveitamento das matas exis-
tentes, por meio da instituição de parcerias do poder público com
a iniciativa privada.

10. Adotar os mesmos parâmetros urbanísticos ambientais das áreas


de patrimônio natural integrantes da Macrozona Construída.
347

1.3. Macrozona do Lajeado

Cenário proposto

Detalhamento do Modelo Espacial


Potencialidades

• Farta disponibilidade de áreas e topo-


grafia favorável à ocupação proposta.

• Áreas de caráter rural com característi-


cas naturais preservadas.

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


Estratégias de ocupação

A utilização do solo nessa macrozona se subordinará às seguintes estratégias:

1. Nas áreas de transição intra Anel Rodoviário Metropolitano, manter o ca-


ráter de baixa densidade, admitindo-se parcelamentos habitacionais e
mistos com unidade imobiliária igual ou maior que 450,00m² (quatrocen-
tos e cinqüenta metros quadrados) nas áreas com declividade até 30%
(trinta por cento) e unidade imobiliária igual ou superior a 1.250,00m²
(hum mil, duzentos e cinqüenta metros quadrados) nas áreas com de-
clividade superiores a 30% (trinta por cento), com uma economia por
unidade imobiliária e infra-estrutura e acessos às expensas do loteador.

2. Nas áreas de transição, extra Anel Rodoviário Metropolitano:

2.1. Manter o caráter de baixíssima densidade, admitindo-se parcelamen-


tos habitacionais e mistos com unidade imobiliária igual ou maior que
1.250,00m² (um mil duzentos e cinqüenta metros quadrados), com uma
economia por unidade e infra-estrutura e acessos às expensas do lote-
ador.

2.2. Incentivar as atividades voltadas ao turismo ecológico, lazer, ativida-


des vicinais, hotéis fazenda, eventos e atividades primárias orgânicas,
em unidade imobiliária igual ou maior que 1.250,00m² (um mil duzen-
348

tos e cinqüenta metros quadrados), com uma economia por unidade e


infra-estrutura e acessos às expensas do loteador, sob rígido controle
ambiental.

3. Em toda a Macrozona do Lajeado:

3.1. Implantar a macroestruturação viária, na medida em que ocorram as ocu-


pações.

3.2. Manter e resgatar as faixas de matas ciliares ao longo dos corpos d’água,
conservando os fragmentos de mata nativa existentes, adotando-se os
mesmos parâmetros da legislação ambiental existente hoje para a Zona
Urbana e de Expansão Urbana.

3.3. Instituir parques municipais com aproveitamento das matas existentes,


em parcerias do poder público com a iniciativa privada.

3.4.Permitir grandes equipamentos, de caráter regional, com toda estrutura-


ção física necessária às expensas do investidor.

3.5. Estruturar o espaço urbano da macrozona por meio da implantação da


infra-estrutura básica e de sua estruturação viária.

3.6. Implantar o Tramo Leste do Anel Metropolitano, por meio de vias parale-
las, com a instituição de faixas lindeiras (300m de ambos os lados), para
incentivo à instalação de atividades econômicas de maior porte. Essas
faixas podem ser ampliadas para o caso de necessidades especiais dos
macro-projetos, respeitadas as áreas de proteção ambiental.

3.7. Admitir o parcelamento do solo condicionado ao critério de contigüi-


dade em relação a outro parcelamento existente e consolidado, com o
mínimo de 30% (trinta por cento) de sua ocupação.

3.8. Exigir Reserva Legal mínima de 20% (vinte por cento) por parcelamento,
registrada no respectivo Cartório de Registro de Imóveis.

3.9. Exigir nos novos parcelamentos a implantação de bacias de retenção de


águas pluviais e caixas de recarga do lençol freático, segundo a neces-
sidade de drenagem prevista para a sub-bacia no Plano de Drenagem
Urbana de Goiânia.

3.10. Adotar os mesmos parâmetros urbanísticos ambientais das áreas de


patrimônio natural integrantes da Macrozona Construída.
349

1.4. Macrozona do João Leite

Cenário proposto

Detalhamento do Modelo Espacial


Potencialidade

• Áreas de caráter rural com característi-


cas naturais preservadas.

Estratégias de Ocupação

A utilização do solo nessa macrozona se subordinará às seguintes estraté-

FORMULAÇÃO DO PLANO DIRETOR


gias:

1. Nas áreas de transição intra Anel Rodoviário Metropolitano, manter o ca-


ráter de baixíssima densidade admitindo parcelamento habitacional e
misto em unidade imobiliária igual ou maior que 450,00m² nas áreas
com declividade até 30%, e com unidade imobiliária igual ou superior a
1.250,00 m², nas áreas com declividade superior a 30%, com uma eco-
nomia por unidade e infra-estrutura e acessos às expensas do loteador.

2. Nas áreas de transição extra Anel Rodoviário Metropolitano manter o ca-


ráter preponderantemente rural, de baixíssima densidade, admitindo-se
parcelamentos habitacionais e mistos em unidade imobiliária, com uma
economia por unidade e infra-estrutura e acessos às expensas do lotea-
dor e com padrão de parcelamento a ser definido pelo zoneamento e
respectivo Plano de Manejo da APA do João Leite.

3. Em toda a Macrozona do João Leite:

3.1. Instituir incentivos públicos para a produção e divulgação de tecnologia


agrícola e pecuária, priorizando a produção de agricultura orgânica sem
o uso de defensivos agrícolas.

3.2. Manter a qualidade da água da represa do João Leite, pois ela é a prin-
cipal fonte de abastecimento da capital e de toda sua região metropo-
litana.

3.3. Compatibilizar as diretrizes de uso do solo