O anarquismo enquanto um programa 

progressivo de pesquisa em economia 
política 
por ​
Peter J. Boettke 
A  teoria  econômica,  desde  seu  primeiro tratamento sistêmico em ​
Uma Investigação sobre a 
Natureza  e  as  Causas  da  Riqueza  das  Nações  de  Adam  Smith,  tem claramente enfatizado 
os  benefícios  mútuos  do  comércio  voluntário.  Ao  se  especializar   na produção e oferecer os 
bens  e  serviços  para  troca  com  outros,  tanto  os  indivíduos  quanto  a  sociedade  ficarão  em 
melhor  situação.  A  fonte  da  riqueza  não  são  os  recursos  naturais  que  jazem na terra ou as 
conquistas  de  terras estrangeiras, mas uma expansiva divisão do trabalho guiada pela troca 
voluntária.  Smith  havia  estabelecido  uma  presunção  em  relação  ao  voluntarismo  na 
interação  humana  em  bases  consequencialistas.  A  liberdade  individual  não  era  apenas  
correta  de  uma  perspectiva  moral,  mas  produziria  maiores  benefícios  sociais  também.  No 
entanto,  desde  o  princípio  da  economia  se  argumentou  que  estes  benefícios  da  troca 
voluntária   só  poderiam  ser  realizados  se  a  presunção  em  relação  ao  voluntarismo  fosse 
suspensa  a  fim  de  criar  as  instituições  governamentais  necessárias  para  fornecer  o 
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framework dentro do qual a troca voluntária pode ser realizada.  
Precisamente  quanto  a  presunção  em  relação  ao  voluntarismo  precisaria  ser 
suspensa  a  fim  de  fornecer  o  framework  para a  troca voluntária tem sido uma  das questões 
mais  contestadas  na  economia  desde  o  final  do  século  XIX.  A  teoria  dos  bens públicos, do 
monopólio  e  das  falhas   de  mercado  todas  contribuíram  para  expandir  a  aceitação  da 
coerção  e  para  qualificar  a  presunção  em  relação  ao voluntarismo entre os economistas do 
mainstream.  É  importante  lembrar  que  cada  um  desses  argumentos  para  qualificar  a 
presunção  suscitou  contra­argumentos  por parte de economistas que demonstraram que os 
chamados  bens  públicos  podem,  na  verdade,  ser  fornecidos  de  forma  privada,  que  o 
monopólio  não  é  uma  consequência  natural  da  troca  voluntária,   mas  o  resultado  da 
intervenção  governamental  e que as falha de mercado são, elas  mesmas, na raiz, causadas 
pelas  falhas  legais  e  não  a  consequência  da  troca   irrestrita.   Embora  a  linha  dominante  de 
pesquisa  tenha  pressionado  contra  a  presunção   de  voluntarismo,  uma  outra  linha  de 
pesquisa  sugere  que  a  presunção   deveria  ser  defendida  mais  consistentemente  se  se 
quiser atingir uma ordem social pacífica e próspera. 
É  esta  linha  alternativa  de  pesquisa  que  eu  quero  enfatizar  em  meus  comentários  
aqui.  Como  explicarei,  minha  ênfase  será  no  que  eu  chamarei  de  'anarquismo  analítico 

  Conforme  Adam  Smith  escreveu  em  ​
A  Riqueza  das  Nações​
:  "O  comércio  e  as   manufaturas 
raramente  podem florescer por muito tempo  em um estado que não goze de uma administração regular 
da  justiça...  no  qual a fidelidade nos contratos  não seja garantida pela lei e no  qual não se  possa supor 
que a autoridade do Estado seja regularmente empregada  para  urgir  o pagamento das dívidas por parte 
de  todos  aqueles  que  têm  condições  de  pagar.  Em   suma,  o  comércio  e  as  manufaturas  raramente 
podem florescer  em qualquer  país em que  não haja um certo grau de confiança na justiça do Governo." 
(1776:445) 
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positivo'  e  no  potencial  evolutivo  destas  ideias  enquanto  um  programa  progressivo  de 
pesquisa em economia política no cenário contemporâneo da ciência social. 
 

O ANARQUISMO ENQUANTO UMA IDEIA HISTÓRICA 
NA ECONOMIA POLÍTICA 
A  ideia  de  que  a  presunção  voluntária  deveria  ser  mantida  de  uma  maneira  consistente  e 
firme  não  esteve  ausente  da  economia  política.  Foi,  no  entanto,  consistentemente 
argumentado  pelo  mainstream  do  pensamento  político  e  econômico  como sendo uma ideia 
impraticável.  Em  ​
Leviatã​
,  Thomas   Hobbes  argumentou  que  a  ordem  social  na  ausência  de 
um  governo  efetivo   recairia  em  uma  guerra  de  todos  contra  todos   e  a  vida  seria 
desagradável,  brutal  e  curta.   John  Locke  não  foi  tão  pessimista  em  seus  julgamentos  da 
sociedade  sem   um  estado,  mas  ele  argumentou  que  tal  estado  natural  não  seria  tão 
efetivamente  organizado  quanto  uma  sociedade  governada  de  forma  justa.  Como já vimos,  
Adam  Smith  argumentou  que  o comércio e a manufatura não poderiam florescer fora de um 
estado  de  governo  justo  e,  ao  passo  que  David  Hume  tenha  argumentado que deveríamos 
modelar  todos  os  políticos  como  se  fossem  patifes,  ele  ainda  insistiu  que   um  governo 
efetivo era necessário para realizar o sistema de 'propriedade, contrato e consentimento'. 
Em  histórias  do  pensamento   político  e  econômico,  frequentemente  passamos   pelos 
escritores   anarquistas  rápido  demais.  Existem,   no  entanto,  algumas  boas  razões para isso. 
Escritores  anarquistas  sempre  foram  figuras  minoritárias  e  escritores  anarquistas 
frequentemente  ficaram  de  lirismos  sobre  mundos  de  pós­escassez  e   populados  por 
espíritos  humanos  transformados.  Mas  nem  todo  pensador  anarquista  na  história  da 
economia   política  deveria  ser  tão  facilmente  repudiado.  A  discussão  do  anarquismo 
histórico pode ser dividida em três principais categorias: 
 
1. Utópico  ­  seguindo  a  tradição  do  ​
Inquérito  acerca  da  justiça   política  (1793)  de 
William Godwin. 
2. Revolucionário  ­  seguindo  a  tradição  de Mikhail  Bakunin e da Primeira Internacional, 
1864­76. 
3. Analítico  ­  na  tradição   de  ​
Por  uma  nova  liberdade  (1973)  de  Murray  Rothbard  e  ​
As 
Engrenagens da Liberdade​
 (1973) de David Friedman. 
 
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Para  meus  presentes  propósitos  eu  limitarei  minha  discussão  ao  anarquismo   analítico.   As 
razões  para  isto  são  claras.  Por  mais  historicamente  importante  que  seja  o  anarquismo 
utópico  e  revolucionário,  ambas  as  tradições  são  decididamente  desprovidas  de  conteúdo 
econômico,  ao  passo  que  o  anarquismo   analítico  está  fundamentado   no  raciocínio 
econômico. 
Thomas  Carlyle   descreveu  o  ​
laissez  faire  como  'anarquismo  com   um  guarda'. 
Rothbard  e  Friedman  foram  os  primeiros   economistas  modernos  a  se  perguntarem  se  os 
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  Rothbard  e  Friedman  não  emergiram  do  nada  e  existem diversos  precursores de  suas posições  na  
história  do  liberalismo  clássico  e  do  movimento  anarquista  individualista  do   final  do  século  XIX.  Um 
excelente  recurso  para  aqueles   interessados  em  estudar  a  rica  história  do  anarquismo  é  provido  por 
Bryan Caplan e pode ser encontrado em ​
http://econfaculty.gmu.edu/bcaplan/anarfaq.htm 

serviços  do  guarda  precisavam  vir  de  um  fornecedor  monopolista.  Ao  contrário  de  autores 
anarquistas  anteriores,  Rothbard  and  Friedman  evitaram  cair  em  suposições  sobre 
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pós­escassez  ou  sobre  a  transformação  benevolente  do  espírito  humano.   Em  vez  disso, 
em  um  mundo   de  escassez,  populado  por  atores  autointeressados,  Rothbard  e  Friedman 
argumentaram  que  não  apenas  a  ordem  social  poderia  ser  alcançada   em  um  mundo  sem 
um  guarda  fornecido  pelo  governo,  mas,  de  fato,  a  paz  e   a  prosperidade  seriam  atingidas 
também. 
O  desafio  que  Rothbard  e  Friedman  representaram  para  o  mainstream  da  filosofia 
política  e  da  economia  pública  não  atraiu  a  atenção  que  merecia,  mas  foi  reconhecido  por 
duas  grandes  figuras  ­  Robert  Nozick  na  filosofia  política  e  James  Buchanan  na  economia 
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pública.   Nozick  (1974)  argumentou,  usando  o  estilo de raciocínio da mão invisível que está 
intimamente  associado  à  disciplina  da  economia,  que,  se  se  começa  em  um  mundo   de 
anarquismo,  pode­se  derivar  um estado mínimo sem  violar  os direitos dos indivíduos devido 
ao  caráter  de  monopólio  natural  da  lei  e  da  ordem.  Nozick,  em  um  sentido  fundamental, 
remontou  ao  argumento  de  Locke  e  argumentou  que  a sociedade civil era possível ausente 
o  estado,  mas  que certos bens e serviços exigidos para uma ordem social mais  próspera só 
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poderiam  ser  fornecidos  por  um  fornecedor  monopolista.   Buchanan  (1975),  por outro lado, 
fiou­se  na  teoria  do  contrato  social  para  escapar  do  estado  de  natureza  anarquista  e,  ao 
fazê­lo,  explicitamente  remontou  ao  argumento  de Hobbes de que, ausente um soberano, a  
ordem social seria deficiente, na melhor das hipóteses. 
A  discussão  do  anarquismo  analítico  na  literatura  acadêmica  deixou  de  existir  após 
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Nozick  e  Buchanan.   O  argumento  de  Nozick  sobre  a  inevitabilidade  lógica  de  um  estado 
mínimo  através  de  um  processo  de   mão  invisível  foi  tomado   como  prova  da  falha  do 
argumento  de  Rothbard  e  Friedman  em  relação  ao  anarco­capitalismo.   A  discussão 
acadêmica  na  filosofia  política  passou  da  justificação  de  um  estado  mínimo  para  se  os 
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  As  diferenças  entre  Rothbard  e  Friedman  são  significantes,  mas  não cruciais para minha  discussão 
aqui.  Rothbard  se  apoiava  no  raciocínio  econômico para explicar a operação  da livre  sociedade,  mas 
ele  extraía  a  justificativa normativa da  teoria de  direitos naturais. Friedman, por outro lado, não recorria 
a  um  raciocínio  embasado  em  direitos,  mas,  em  vez disso, apresenta  seu  trabalho  como  uma  defesa  
utilitarista  do  anarquismo.  O  que  eu  estou  focando  é  no  raciocínio   econômico  por  trás  de  cada  
pensador, não no impulso normativo de seus escritos. 
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 O  momento  destas  obras  é  significante,  assim como é o fato de que elas emergiram nos EUA em vez 
de  no  Reino  Unido ou  em  outro  lugar.  O surgimento do  estado  de bem­estar/guerra  nos  EUA  no final  
dos  anos  1960  e  começo  dos  1970  forneceu  o   pano  de  fundo  histórico.  Nas   mãos  de  Rothbard  e  
Friedman,  o anarquismo era  uma alternativa viável ao estatismo da  era da Guerra do Vietnã. Buchanan 
e  Nozick  buscaram  prover  um  argumento  para  a  necessidade  do  estado,  mas  um  que  pudesse  ser 
efetivamente restringido para minimizar a coerção introduzida na ordem social pelo estado. 
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  Nos  termos  da  literatura  moderna  da  economia  pública,  Nozick  argumentou  que  a  lei  e  a   ordem 
representavam  uma  externalidade  de   rede.  Tyler  Cowen   (1992)  e  Cowen  e  Dan  Sutter   (1999)  usam 
esse  argumento   da  externalidade  de   rede   para  sugerir  que  o  anarquismo  só  poderia  funcionar  se  
imitasse o estado enquanto  um  fornecedor  monopolista  natural  de lei e ordem e,  portanto, deixasse de 
ser  'anarquia'.  Cowen,  e  Cowen  e  Sutter fornecem  uma  nova  reviravolta  na  teoria  da mão  invisível  de 
Nozick  da  emergência  do  estado  que   desafia  as  conclusões  libertárias  radicais  de  Rothbard  e  
Friedman.  No  entanto,  Caplan  e  Stringham (2003) fornecem  um contra­argumento a Cowen e Cowen e 
Sutter. 
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 Um  pequeno séquito libertário  continuou a  trabalhar  no framework de  Rothbard  e Friedman, mas sua 
influência  nas  discussões  profissionais  foi  limitada.   Os  argumentos  de  Nozick  e  Buchanan, por  outro 
lado,  atraíram   uma  atenção  considerável  nas  literaturas  mainstream  da   filosofia,  da  política  e  da  
economia. ​
Anarchy,  State and Utopia  ​
de Nozick de  fato  ganhou o National Book Award for Philosophy 
and Religion de 1975 e Buchanan recebeu o Prêmio Nobel de Ciência Econômica de 1986. 

argumentos  de  Nozick  contra  a  justiça  distributiva  funcionavam  como um argumento  contra 
as  noções  Rawlsianas  dominantes  de  distribuição  justa.  A  vasta  maioria  dos  filósofos 
políticos  ficaram  do lado de Rawls nessa questão, mas mesmo para aqueles que ficaram do 
lado  de  Nozick,  a  questão  continuava  sendo  se  ele  havia  estabelecido  limites  apropriados 
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sobre  o  estado  redistributivo.   A  obra  de  Buchanan,  da  maneira em que  se relaciona a esta 
discussão,  teve  seu  maior  impacto   no  esforço  de  fornecer  um  argumento  analítico  para  a 
restrição  do  crescimento  do  governo.  Buchanan  distinguia  entre o estado protetor, o estado 
produtivo  e  o  estado  redistributivo.  O  argumento  contra  Rothbard  e  Friedman  feito  por 
Buchanan  tinha  a  intenção  de  estabelecer  a  necessidade  do  estado  protetor  (sistema  de 
cortes  e  segurança   doméstica  e  nacional)  e  a  desejabilidade  do  estado  produtivo   (bens 
públicos  tais  como  estradas  e  bibliotecas).  Mas  Buchanan  alertou   sobre  a  expansão  do 
estado  via  ​
rent­seeking  através  do  estado  redistributivo.  O  enigma  na  obra  de  Buchanan 
passou  de  escapar  do  anarquismo  para  efetivamente  construir  restrições  de  nível 
constitucional  ao  governo,  de  modo  que  o  estado  protetor  e  produtivo  pudesse  ser 
estabelecido  sem  desencadear  as  tendências  destrutivas  de  ​
rent­seeking  do  estado 
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redistributivo.   Como  um estado mínimo pode ser mantido em cheque e não evoluir para um 
estado  máximo?  O  anarquismo  representa   um  lado  do  dilema  social,  com  o  Leviatã 
representando o outro. 
Pesquisadores  no  campo  da   economia  política   têm  buscado  fornecer  uma  resposta 
para  o  paradoxo  do  governo  conforme  colocado  por  Buchanan.  A  tentativa  mais  notável 
está  provavelmente  na  obra  de  Barry  Weingast  (1995)  sobre  o  que   ele  chama  de 
'federalismo  preservador  do  mercado'.  Weingast  argumenta  que o paradoxo da governança 
pode  ser  resolvido  através  de  uma  estrutura  federalista  em  que  a  autoridade  política  está 
descentralizada,  a  regulamentação  econômica  está  limitada  ao  nível  local  e  a concorrência 
entre  diferentes  níveis  de  governo  é  garantida.  Em  tal  estrutura  política,  um  mercado 
comum,  raciocina  Weingast,  é  cultivado  e  a  expansão  dos  mercados  (e,  com  isso,  a 
correspondente  divisão  do  trabalho)  provém.  As  instituições  políticas  de  restrição 
constitucional  e  a  organização  do  federalismo,  em  que  a  ambição  política  de  alguns  é  
jogada  contra  a  ambição  de  outros  através  do  design  estrutural,  leva  ao  crescimento 
econômico  e  ao desenvolvimento das nações. Quando esta estrutura quebra e as ambições 
de  alguns  são  realizadas  às  custas  de  outros  (por  exemplo,  os  fenômenos  de  ​
rent­seeking 
dos  benefícios  concentrados  nos  bem­organizados  e  bem­informados  e   dos  custos 
dispersos  sobre  os  desorganizados  e  mal  informados)  o  crescimento  econômico   é 
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  Não  foram  feitos  trabalhos  o  suficiente,  em  minha  opinião,  para  dar  seguimento  à última  seção  de 
Anarchy,  State and Utopia​
. Contudo, vide Boettke (1993: 106­31), em que a discussão de Nozick sobre 
comunidades  descentralizadas  é  empregada  para  examinar  a   reestruturação  das  sociedades 
pós­comunistas. 
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 ​
Este  volume é  dedicado a  abordar a  efetividade  do  esforço de Buchanan e seus colegas em fornecer 
o  exemplo  para  se  sair  do  anarquismo,  e  os  artigos  podem ser divididos  em  dois  campos.  O  primeiro  
campo  contesta a proposição de que o estado anarquista seria tão indesejável quanto Buchanan e seus 
colegas descrevem. O segundo campo argumenta que o esforço por parte de  Buchanan e seus colegas 
de  escapar do  anarquismo  não é  tão  sólido  quanto se  concluiu  na época  em  que estas obras primeiro 
apareceram.  Eu  estou  enfatizando  um  caminho  a  frente  ligeiramente  diferente para a  pesquisa  sobre 
anarquia   do  que  contestar  tanto  a  descrição  Hobbesiana  quanto  a  efetividade  do  contrato 
constitucional,  embora  minhas  simpatias  intelectuais  caibam  nestas  contestações. Eu discuti  isso  pela 
primeira  vez  na minha  época  de estudante  (Boettke,  1987), enquanto  comentava sobre  a  contribuição  
de  Buchanan  para  a  economia  política  e  para  a  economia  Austríaca   em celebração  ao professor ter 
ganho o Prêmio Nobel. 

retardado.  O  trabalho  de  Weingast,  embora  faça  um  argumento  convincente  a  favor  da 
importância  do  federalismo  fiscal  e  de  uma  estrutura  constitucional  de  governo  limitado 
como  responsáveis  pelo  tremendo  crescimento  experimentado  entre  as  democracias 
ocidentais,  também  sugere  que  esta  estrutura  organizacional  é  efêmera  na   melhor  das 
hipóteses  e  quebrará  em  tempos  de  crise.  O  federalismo  preservador  do  mercado  quebra 
conforme  a  autoridade   delineada  é  violada  e  a  regulamentação  econômica  se  torna 
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centralizada.   Os  laços  que  atam  as  mãos  dos  governantes  são  quebrados  e  os  limites 
sobre  o  governo  abrem  caminho  para  um  aumento  tanto  na  escala  quanto   no  escopo  do 
governo. O poder estatal, em vez de restringido, agora é desatado. 
Não  há  dúvida  de  que  a  estrutura  governamental  importa  para  a  interação 
econômica.  Uma  estrutura  estatal  que  alinha  incentivos  para  minimizar  a  predação  tem 
melhor  desempenho   economicamente  do  que  uma  que  forneça  incentivos  para a predação  
por  parte  dos  poderosos sobre os mais fracos. Mas também é  o caso de que o  governo, por 
sua  própria  natureza,  é  predatório  e,  assim,  será  usado   por  alguns para explorar os outros, 
quando  quer  e  onde  quer  que  o  poder  coercitivo  do  governo  seja  estabelecido.  Em  um 
sentido  fundamental,  o  governo  só  pode  ser  restringido  se  as  pessoas   a quem o governo é 
estabelecido  para  governar  possam  se  coordenar  em  torno  de  normas  de  governança  que 
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são  auto­impositivas.   Este é o poder por trás da ideia de que uma sociedade livre  funciona 
melhor  onde  a  necessidade  de  um   policial  é  menor.  Nenhuma  amarra  é  forte   o  suficiente 
para  atar  as  mãos  de  um  governante,  pelo  menos  não por qualquer duração de tempo. Um 
governo  que  é  forte o suficiente para atar  suas  próprias mãos é,  quase por definição, forte o 
suficiente  para  quebrar  estas  amarras   a  qualquer  momento que seus governantes julgarem 
necessário.  A  busca  por  restrições   constitucionais  que  atarão  eternamente  os  governantes 
é em vão, embora possa ser um exemplo de uma nobre mentira. 
A  discussão em economia política constitucional é abstrata e normativa em intenção.  
O  ideal  de  um  governo  limitado  que  cultiva  uma  economia   de  mercado  é  um  referencial 
normativo  contra  o  qual  economias  políticas  do  mundo  real  são  julgadas.  Este  exercício 
normativo emergiu como relevante de forma prática na sequência do colapso do comunismo 
na  Europa  Central  e  Oriental  e  na  antiga  União  Soviética  no  final  da  década  de  1980  e 
começo  da  década  de  1990.  A  fase  inicial  de  transformação  começou  com  o 
reconhecimento  de  que  economias  socialistas   eram  economias  de  escassez  e,  assim,  os 
primeiros  movimentos  políticos  tinham  que  estar  focados  em  ​
conseguir  os  preços certos​
. A  
liberdade  de  contrato  tinha  que  se  tornar  a  regra  para  as  interações  econômicas,  de  modo 
que  os  preços  de  mercado  pudessem  se  ajustar  para  coordenar  compradores  e 
vendedores.  Mas  conseguir  os  preços  certos  se  provou  mais   difícil  do  que  simplesmente 
liberar  o  processo  de  comércio.  Para  que  uma  economia  de  mercado  opere,   as regras  que 
fornecem  segurança   aos  participantes  do  mercado  devem ser instanciadas. A discussão da 
transformação  passou  para  um  foco  de  ​
conseguir  as  instituições  certas.​
  As  instituições 
eram  definidas  como  regras,  tanto  ​
de  facto  quanto  ​
de  jure​
,  e  sua  aplicação.  Mas,  uma  vez 
que  as  regras  ​
de  jure  são  muito  mais  fáceis  de  identificar  e  manipular,   o  foco  da  literatura 
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  Um  dos  ensaios  mais  sinceros  que   eu  já  li  na  literatura acadêmica foi  escrito por  Robert Higgs e  é 
intitulado  'Can  the  Constitution  Protect  Property  Rights  During   National  Emergencies?'.  'A   resposta',  
afirma  Higgs,  'é  não'.  'O  registro  histórico  é  bastante  claro;  e  em  relação  a  esta  questão,  não  há 
qualquer razão para supor que o futuro diferirá do passado.' (1988:369). 
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  Esse  aspecto  de  coordenação  da   governança  constitucional  é  explorado   em  ​
Liberalism, 
Constitutionalism and Democracy​
 (1999). 

era  principalmente  nos  setores  oficiais  tais  como o sistema judicial ou o  aparato regulatório. 
Isto foi infeliz porque, na prática, a aceitação  das regras ​
de jure é restringida pelas normas e 
convenções  ​
de   facto  que  governam  a  vida  cotidiana  em  qualquer  dada  sociedade.   A 
dificuldade  de  fazer  com  que  as  instituições  'pegassem'  nas  sociedades  em  transformação 
se  provou  muito  mais  difícil  do  que  meramente  manipular  as  instituições  formais  de 
governança.  Para  que  as  regras  peguem,  elas  devem  ser,  em  medida  considerável, 
auto­impositivas.  Assim,  entramos  no  atual  estágio  da  discussão  da  análise  de  transição, 
em  que  o  foco  é  em  ​
conseguir  a  cultura  certa​
.   A  discussão  em  torno  de   capital  social, 
confiança  e  sociedade  civil  toda  se relaciona à ideia de que você precisa de algum conjunto 
subjacente  de  valores  compartilhados,  que  residem  na  moralidade  cotidiana  das  pessoas, 
que  legitimem  certas  estruturas  e  padrões  institucionais  de  intercurso  social  e,  em  última 
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análise, permitam que os ganhos da cooperação pacífica sejam realizados.  
Este  rápido  desvio  pelos  últimos  15  anos  de  economia  política  de  transição 
demonstra  que  nos  movemos  do ideal normativo para descrição  das condições subjacentes 
necessárias  para   realizar  esse   ideal.  O  mundo  social  não  é  tão  maleável  que  possamos 
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impor  qualquer  ordem  social  que  desejemos  onde  quer  e  quando  quer  que  queiramos.  
Mas  há  um  outro  lado  dessa  evolução  de   interesses  intelectuais.  Precisamente  porque 
nossa  capacidade  de  impor  exogenamente  a  estrutura  institucional  que  governará 
efetivamente  a  sociedade  se  provou  ser   tão  fraca,  devemos  abrir  nossa  análise  para  a 
evolução  das  regras  de  jogos  de  conflito  para  jogos  de  cooperação.  Em  vez  de  projetar 
configurações  institucionais  ideais  que  possamos  impor  exogenamente  sobre  o  sistema  e, 
assim,  fornecer  o  ambiente   institucional  'correto'  dentro  do  qual  o  comércio   e  a manufatura 
possam  florescer,  temos  que examinar a criação ​
endógena de regras por parte dos próprios 
participantes  sociais.  A  ciência  e   a  arte  da  associação   são  de  auto­governança  e  não 
necessariamente  de  artesanato  constitucional.  E  aqui   jaz  a  contribuição  que  a  pesquisa 
contemporânea sobre o anarquismo pode fazer para a economia política moderna. 
 

A ECONOMIA POLÍTICA POSITIVA DO ANARQUISMO 
O  foco  na  criação  endógena  de  regras  em  sociedades  comerciais  começou  a  receber 
atenção  mais  séria  durante  o  final  da  década  de  1980.  Para  nossos  propósitos  os  estudos 
mais  importantes   foram  conduzidos  por  Bruce  Benson  (1990) e Avner Greif (1989). Benson 
forneceu  um  exame  da  lei  mercante  e  de  como  um  corpo  de  leis  que   governavam  as 
transações  comerciais  de  comerciantes  em  um  cenário  internacional havia se desenvolvido 
espontaneamente  para  fornecer  segurança  para  a  expansão  do  comércio.  O 
desenvolvimento  do  comércio  internacional  e  a  expansão  da  divisão  do  trabalho  não 
exigiram  instituições  governamentais,  mas,  em  vez  disso,  se  desenvolveram  na  base  da 
11

  Uma  outra  literatura  significativa  que   emergiu  é a sobre  a construção  do estado e, em particular, a 
ideia  da  capacidade  de  governo  de  uma  sociedade.  Esta   literatura  está  sumarizada  em  Fukuyama  
(2004).  Esta  literatura se  encaixa  na minha descrição entre conseguir as  instituições certas e conseguir 
a  cultura  certa. É  uma tentativa de  esclarecer  o  que  é  exigido do  aparato da administração  pública em 
economias de  transição  e  menos  desenvolvidas para que alcancem o sucesso,  ao passo que deixam a  
questão  da  moralidade  subjacente  de  lado.   No  final  da  análise,  contudo,  se  reconhece  que  a  
moralidade  subjacente  das  pessoas   em  exame  é  a  restrição  que,  em  última  análise,  determina  o 
sucesso ou a falha do esforço de construção do estado. 
12
 Vide Boettke (2002:248­65)  

criação  endógena  de  regras pelas partes comerciais, conforme elas buscavam minimizar os 
conflitos  e  realizar  os  ganhos   da  troca.  O  trabalho  de  Greif  explicou  como   parceiros 
comerciais  funcionavam  na Europa medieval sem a santidade de contratos executados pelo 
governo.  Greif  fornece  um  relato  histórico  detalhado e usa as lentes analíticas da teoria dos  
jogos  moderna  para  analisar   como  mecanismos  de  reputação  facilitam  a  cooperação  entre 
comerciantes  fora  da  imposição  estatal.  O  argumento  de  Benson  é  um  em  que  o 
auto­interesse  guia  o  desenvolvimento  de  um  corpo  de  leis  não  estatais  com  o  qual  as 
partes  concordam  de   maneira  que  possam  realizar  os  ganhos  da  troca  mesmo  entre 
indivíduos  socialmente  distantes.  Greif,  por  outro  lado,  mostra  como  mecanismos  de 
reputação  podem  servir  para  garantir  a  cooperação  entre  comerciantes  que  estão 
socialmente  próximos.  O  trabalho  de  Greif  não  é  tão  otimista  quanto  o de Benson quanto a 
capacidade  do  auto­interesse  em  gerar  regras  endógenas de intercurso social uma vez que 
nos  movamos  para  além  de  cenários  de  pequenos  grupos,   em  que  mecanismos  de 
13
reputação são efetivos.  
Benson  e  Greif  são  apenas  dois  exemplos  proeminentes  de  uma  literatura  que 
parecia  explodir  sobre questões  de auto­governança no final da década de 1980 e nos anos 
1990.  O  estudo  de  Janet  Landa  sobre  redes  comerciais,  o  estudo  de  Lisa  Bernstein  sobre 
as  regras  extralegais  que  governam   o  comércio  na  indústria  de  diamantes  e  o  exame  de 
Robert  Ellickson  sobre  a  resolução  de  conflitos  entre  rancheiros  e  fazendeiros  no Condado 
de Shasta, CA todos apontam para um reconhecimento crescente entre cientistas sociais de 
que a cooperação avançada sem comando pode de fato ocorrer  e realmente ocorre em uma 
variedade  de  cenários  sociais.  A  ordem  social  não  é  necessariamente  um  produto  das 
instituições   governamentais;  em  vez  disso,  a  paz  e  a  prosperidade  podem  emergir  fora  da 
estrutura da imposição estatal. 
Poderia   ser  útil  nos  lembrarmos  do  enigma  original  com  o  qual  começamos  esse 
capítulo.  A  economia,  desde  sua  fundação,  demonstrou  que  a  riqueza  e  a  harmonia  de  
interesses  na  sociedade  são   realizadas  através  de  trocas  voluntárias.  No  entanto,  a 
principal  linha  de pensamento  ficou presa em um dilema porque, a fim de realizar os ganhos 
da  troca,  noções  de   meu  e  seu  tinham  que  ser  estritamente  definidas  e  aplicadas  por 
agências  estatais  que exigiam o uso da coerção para assegurar os fundos necessários  para 
14
fornecer  estes  serviços.   A  literatura  que  eu  apontei  acima  demonstra  que a linha principal 
de  pensamento  comete um erro de super­pessimismo com relação à capacidade  das regras 
de boa conduta de emergirem naturalmente através do intercurso social. 
Claro,  podemos  também  cometer  um  erro  de  superotimismo e assumir que a ordem 
social  emergirá  na  ausência  de  quaisquer  regras  que  sejam.  Mas não vivemos num  mundo 
onde  a  maioria  dos  indivíduos  são  atomistas  e  desprovidos  de  sentimentos  sociais  e 
15
desejos   de  um  pertencimento  cooperativo.   Em  vez  disso,  somos  criaturas  sociais 
13

  Contudo,  vide   Klein   (1997),  onde  uma  coleção  de  artigos  transdisciplinar  e  em  uma  variedade   de 
circunstâncias  demonstra  que  a  reputação   e  outros  costumes   sociais  emergem  para  elicitar  a  boa 
conduta  entre indivíduos  mesmo  na  ausência  de regras governamentais para proteger contra fraude ou 
roubo. 
14
 Contudo, vide  ​
The  Limits  of  Government:  An Essay on the Public Goods Argument (1991) de David 
Schmidtz,  em  que  esta  defesa  padrão  da  coerção  governamental  com  base  em  bens   públicos  é  
contestada. 
15
 O  trabalho  experimental  na economia  demonstrou repetidamente  que conseguimos graus mais altos 
de  cooperação  entre  comerciantes  anônimos do  que a  racionalidade  estrita,  como  assumida na  teoria 
dos  jogos,  preveria.  Vide  Smith  (2003)  para  uma  visão  geral  deste  trabalho.  Claro, nosso  sentido  de 

descobrindo  nosso  caminho  pelo  mundo  nos   apoiando  em  redes  familiares  e,  então,   em 
redes  mais  extensas.  Como  Adam  Smith  colocou  o  enigma,  o  homem  'a  todo  momento 
necessita  da  ajuda  e  cooperação  de  grandes  multidões,  e  sua  vida  inteira  mal  seria 
suficiente  para  conquistar  a  amizade  de  algumas  pessoas'   (1776:18).  Esta  cooperação 
entre  atores  anônimos  fornece  o  mistério  central  na  economia  de  sua  encarnação  clássica  
16
até a contemporânea.  
Além  do  enigma  teórico  de  como  a  cooperação  entre  estranhos  pode  emergir,  há  a 
questão  prática  de  que,  em  muitos  cenários  diferentes,  a  suposição  de  uma dada estrutura 
17
institucional  de  governança  funcional  é  simplesmente  imprecisa.   Para  discutir  estas 
questões  eu  focarei  em  três  contribuidores  a  este  volume,  cujo  trabalho  sobre 
auto­governança  toca  diretamente  nos  temas  que  eu  ressaltei  como  característicos  do 
anarquismo  enquanto  um  programa  de  pesquisa  progressivo   em  economia  política.  A 
respeito  disso,  discutirei  a  obra  de  Edward  Stringham   (2002),  Peter  Leeson  (2005)  e 
18
Christopher Coyne (2005).  
pertencimento  pode  também  ser  uma  maldição assim  como  uma benção. Esta é  a  grande tensão que  
Hayek  ressaltou   em  seu  trabalho   tardio  (por  exemplo,  1979),  em  que   somos  biologicamente 
condicionados  para  a  cooperação  em  pequenos  bandos  e,  assim,   temos  uma  tendência   natural  em 
direção  à  moralidade  atávica,  ao  passo  que para viver  e  prosperar  na sociedade moderna  temos  que 
assumir  uma abordagem  menos  atávica em relação à nossa interação com os outros. Desenvolver uma 
moralidade  para  a   sociedade  comercial  moderna  é,   de  fato,  uma  das  tarefas  mais  desafiadoras  da 
filosofia política. 
16
  Vide  Seabright  (2004)  para  uma   discussão  deste  mistério  central  da  vida  econômica  e  como  a 
pesquisa  em  economia  e outras disciplinas está  melhorando  nosso entendimento  sobre  as instituições 
mediadoras  que  nos   permitem  realizar  os  ganhos da  divisão do  trabalho  e  da troca através  de nossa 
cooperação com completos estranhos e, ainda assim, repelir a ruína completa pelo oportunismo. 
17
  Rajan  (2004)   discute  isso  com  relação  a  países   subdesenvolvidos  e  argumenta  que  modelos 
econômicos  padrão são guias ruins  para  a  política  pública precisamente por  causa disso. Ele pede por 
pesquisas   que  assumam   a  anarquia  como  o  estado  inicial e  então explica  como a  cooperação  social 
pode  emergir  em  tais  cenários.  Francis  Fukuyama  (2004)  também  argumenta  que  os  modelos  
econômicos  padrão  falham  com  base  em  assumir  o  que  devem  provar,   em  sua   discussão  da 
construção   de  instituições  estatais  e  da  melhoria  de  sua  operação.  Tanto  Rajan  quanto  Fukuyama  
podem  ser  vistos  como  que   estabelecendo  a  base   de  pesquisa  para  o  'anarquismo  prático',  mas  a  
questão  de se  um  governo funcional  é necessário para realizar os benefícios de uma rede avançada de 
relações de troca deve permanecer aberta.  
18
 Não há  nenhum substituto de se ler  o original, então o leitor é encorajado a ler estas  obras em vez de 
confiar  no  resumo superficial  fornecido aqui,  já  que eu  foco em certos aspectos de suas obras, em vez 
de  em  toda a  complexa história  que estes autores tecem. Meu propósito aqui é apenas olhar para suas 
obras   como  um  convite   para   que  outros  sigam  seu  exemplo  analítico   e  façam  pesquisa  teórica  e  
empírica  sobre  a   elicitação  da  cooperação  na  ausência de  situações  governamentais  reconhecidas e 
sob  situações  de  anonimidade.  Deixe­me  ser  claro  sobre  minha  terminologia  antes  de  proceder. 
Primeiro,  por  progressiva  eu  não  quero  dizer   meramente  progresso  empírico,   mas  uma  noção muito 
mais  ampla  que   deve  capturar  a  ideia  de   que  uma   ideia  de  pesquisa   estimula  outros  a  fazerem 
trabalhos  sobre  o  mesmo  tópico.  Se  um  programa  de  pesquisa  é  progressivo,  ele  irá,  por  exemplo, 
gerar  dez  artigos  de  diferentes acadêmicos  para  cada  artigo central escrito  sobre o  tópico.  Ele  levará  
outros  a  explorar  o  mundo  empírico para ver o mecanismo em operação ou motivará  outros a examinar 
a  fundações  lógicas dos mecanismos especificados. Segundo, por ausência de governo eu quero dizer 
tanto a ausência das instituições governamentais,  quanto também situações em que não existe  nenhum  
monopólio claramente  reconhecido  da  coerção.  Situações  com  governos  competitivos são anárquicas, 
assim  como  situações  onde   não  há  nenhum  governo  sobre  o  qual  se falar. Terceiro, o  dilema  social 
será  limitado  a  situações  de  cenários  de  grandes  grupos  com   indivíduos  socialmente  distantes  
(estranhos) e não examinaremos a situação  de como a cooperação social pode emergir entre membros 
familiares ou parentes próximos. Quarto, por cooperação social eu não quero dizer a completa ausência 
de  violência  ou  comportamento desonesto, mas sim que a interação  social é primariamente cooperativa 

 

EXCLUSÃO,  INCLUSÃO  E  A  ELICITAÇÃO  DA 
COOPERAÇÃO A PARTIR DO CONFLITO 
Realizar  a  cooperação  entre  estranhos  é  um dos mistérios centrais que a economia  buscou 
explicar   desde  a  fundação  da  disciplina.   De  fato,  a  palavra  grega   que  significa  troca  ­ 
Katallaxy  ­  tem  um  outro   significado  que  se  traduz  como  trazer  um  estranho  à  amizade.  O 
registro  histórico  e antropológico está cheio de exemplos de como  relacionamentos de troca 
entre  facções  beligerantes  podem emergir para melhorar a situação destes antes inimigos e 
frequentemente  resultam  em  inimigos  se  tornando  aliados.  Claro,  também  temos exemplos  
em  que  estranhos  beligerantes  falham  em  cooperar  um  com  o  outro  por  séculos  e  são, 
portanto,  incapazes  de  realizar  os  benefícios  cooperativos  que  seriam  realizados  se  eles 
pudessem superar sua desconfiança do 'outro'. 
Em  algum  nível,  podemos  argumentar  que  a  realização  da  cooperação  social  é  o 
19
resultado  de  um  delicado   ato  de  equilíbrio.   A   maioria  dos  economistas   postula  que  este 
ato  de  equilíbrio  é  realizado  através  de  um   governo  efetivo  protegendo  contra   o 
comportamento  predatório.  Sim,  a  natureza  humana  inclui  uma  propensão   a  'negociar, 
permutar  e  trocar',  mas  ela  também  inclui  um  lado  oportunista  que  quando  perseguido 
desinibidamente  leva  ao  'estupro, pilhagem e saque' que definem muito da história humana. 
Instituições  governamentais,  se  argumenta,  exogenamente  impõem  a   ordem  sobre  o  que, 
de  outra  forma,  seria  uma   situação  caótica.  A  lei  e  a  ordem  nos   permitem  refrear  nossa 
natureza  oportunista   e  realizar  nossa  natureza  cooperativa.  Mas  esta  solução  é  pouco 
satisfatória  por  uma  variedade  de  razões.  Primeiro,  instituições  governamentais  não 
emergiram  historicamente  como  uma  consequência  de  um  contrato  social,  mas,  ao  invés 
disso,  através  da  revolução e da conquista. O governo, em suma, não é uma instituição que 
apela  para  o  nosso  lado  cooperativo,  mas  para  o  lado  oportunista  de  nossa  natureza. 
Segundo,  sabemos  que  a  cooperação  em  anonimidade  que  define  a  divisão  do  trabalho 
moderna  ocorreu   na  ausência   do  governo  e  não  por  causa  do  governo.  O  comércio  entre 
indivíduos  em  cenários  domésticos  e  exteriores  não  exige  fiscalização  governamental  para 
emergir  e  se  desenvolver.  Terceiro,  nas  situações  prementes  do  final  do   século  XX,   com 
relação  ao  colapso do comunismo na Europa Central e Oriental e da antiga União Soviética, 
à  falha  do  planejamento  de   desenvolvimento   na  África  e  na  América  Latina  e  à  situação 
pós­conflito dos países do Oriente Médio, não podemos assumir um estado funcional. 

e  que  emergem  mecanismos  efetivos   que  penalizam   o comportamento  antissocial de  modo que  uma 
norma cooperativa, ao invés de uma norma de conflito, domina o intercurso social. 
19
 A ideia  de  que  nossa ordem social  é  um  delicado ato de equilíbrio é explorada em Seabright (2004). 
Como ele coloca: 'A natureza não conhece nenhum outro exemplo  de tão complexa dependência mútua 
entre  estranhos'.  A  divisão complexa  do  trabalho  que define  a  sociedade moderna deve  ser  protegida 
contra  nossa  natureza  oportunista.  Nossas  instituições  devem  tornar  possível  para  que  tratemos 
completos  estranhos  como  se  fossem  amigos  honoráveis.  Há  um   delicado  ato  de   equilíbrio  entre 
nossas  naturezas  oportunista   e  cooperativa,  mas  precisamos  de  instituições  robustas  que  afastem 
nosso  lado  oportunista   e  encorajam   nosso  lado  cooperativo.   'Em   outras  palavras,  os  participantes 
precisam  ser  capazes  de  confiar  uns  nos  outros  ­  especialmente  naqueles  que  não  conhecem.  A 
cooperação  social  depende  de  instituições   que  tenham   exatamente   tal  propriedade  de  robustez' 
(2004:2;5). 

O  trabalho  de  Stringham,   Leeson  e  Coyne  aborda  estas  situações,  cada  um de sua 
própria  maneira.  O trabalho de Stringham foca no desenvolvimento de complicados arranjos 
financeiros,  tais  como  bolsas  de  valores,  na  ausência   do  controle  governamental.  Ela 
examina  tanto  episódios  históricos  em  Amsterdam  e  Londres,  assim  como  situações 
contemporâneas  tais  como a República Tcheca. Mercados de ações são um excelente caso 
para estudar para  ressaltar as questões de auto­governança. Negociantes são convidados a 
comprometerem  capital  para  um  investimento  que  será  saldado  apenas no futuro, de modo 
que  o  nível  de  confiança  exigido  é  muito  mais  alto  do  que  seria  exigido  para  trocar  bens 
atuais  por  moeda  em  um  mercado  de  rua.  Para  nossos  presentes  propósitos,  o  que  é 
importante  é  o   mecanismo  que  Stringham  descobriu  que  fez  com  que  estes  episódios 
históricos  trabalhassem  para  elicitar  a  cooperação  entre  estranhos  na  ausência do controle 
governamental.  Ele  postula  que,  em  situações  de  lidar  com  estranhos,  uma  série  de 
arranjos  "de  clube"  emergem,  que  buscam  identificar  diferentes   características  e  empregar 
táticas  de  exclusão   para  eliminar  potenciais  e  reais  negociantes  desonestos.  A 
auto­governança  de  arranjos  financeiros  complicados,  em  outras  palavras,  é  possível 
porque  a  organização  adota  'mecanismos  de  Stringham'  para  excluir  trapaceiros.   Ao 
postular  uma  situação  em  que  uma  variedade  de  negociantes  entra  no  mercado,  mas 
examinando  os  critérios  de  'exclusão' adotados pelo 'clube' de negócios, Stringham ressalta 
como  apenas  aqueles  negociantes  que  podem  ser  confiados  de  fato  passarão  pelo  limite 
dos  critérios  e  serão  aceitos.  Se  voltarmos  à  alegação  de  que  a  ideia  chave  em  realizar  a 
cooperação  social  é,  de  alguma  forma,  conseguir  instituições  que  façam  os  indivíduos 
tratarem os estranhos como se eles fossem amigos honorários, então o que Stringham  faz é 
mostrar  como,  em  situações  de  negociantes  anônimos,  organizações  comerciais  adotarão 
regras   que  restringem  a  filiação,  de  modo  que  os  negociantes  sejam  menos  anônimos  e, 
assim,  a  reputação  e  a  punição  multilateral  serão  suficientes para garantir a cooperação ao 
invés do oportunismo. 
O  trabalho  de  Peter  Leeson olha para este  processo pelo outro lado. Ele não  aborda 
questões  de  clubes  comerciais,  tais  como  bolsas  de  valores,  mas  foca,  em  vez   disso,  em 
como  completos  estranhos  sinalizam  a  potenciais  parceiros   comerciais   que  vale  a  pena 
para  eles  aceitá­los  em  seus  relacionamentos  comerciais.  Stringham  olhou  para  o 
comportamento  daqueles  que  aceitam  novos  parceiros  comerciais;  Leeson  olha  para  o 
20
comportamento  daqueles  que querem se juntar ao círculo de comércio.  A este respeito, os 
'mecanismos  de  Leeson'  focam  na  inclusão,  ao  invés  de  na  exclusão.  A  norma  para  lidar 
com  estranhos  é  a  desconfiança  e,  assim,  a  exclusão,  então  novos  comerciantes  devem 
sinalizar  para  os  outros  que  eles  possuem  as  características  para  superar  esta  distância 
natural.  Somos  diferentes  o  suficiente  para  que os ganhos do comércio sejam significantes, 
mas  similares   o  suficiente  para  que  a   confiança  possa  ser  assegurada  na  interação  ­ 
promessas  serão  feitas  e   mantidas.  O  trabalho  de Leeson vem  tanto em exercícios teóricos 
que  exploram  a  sinalização  e   o  comprometimento,  mas  também  em  narrativas  históricas 
que  discutem  a  lei  mercante,  o  comércio  na  África  pré­colonial  e  o   comércio  internacional 
moderno.  Na  ausência  de  qualquer  governo  definido,  Leeson  mostra  que  a   cooperação 
social é de fato possível e que o voluntarismo pode florescer. 

20

  Leeson  focou  sua  pesquisa  naquelas  situações  em  que  um significado  estrito de  reputação  e  uma  
punição   multilateral  não  seriam  suficientes   porque  o  grupo  comercial  é  grande  e  anônimo demais e, 
ainda assim, a cooperação é elicitada através do processo de sinalização e comprometimento. 

10 

O  trabalho  de  Chris  Coyne é diferente tanto do de Stringham quanto do  de Leeson e 
foca,  em  vez  disso,  nas  situações  do  que   eu  chamarei  de  'anarquia prática'. Seu foco é em 
áreas  devastadas  pela  guerra,  onde  o   conflito  é  a  norma  e  a  questão  é:  como  elas  se 
21
movem  do  conflito  para  a  cooperação  e  realizam  a  paz e a prosperidade?  Ele examina as 
intervenções  militares  dos  EUA  na  era  pós   Segunda  Guerra  Mundial  e  julga  o  sucesso  ou 
falha,  do  ponto  de  vista  do  interventor. Ele descobre que a ordem  social autossustentada  é, 
na  verdade,  bastante  elusiva.  Um  dos  entendimentos importantes do trabalho de Coyne é o 
reconhecimento  do  'lado  negro'  da  cooperação,  assim  como  o  'lado  positivo'.  O estoque de  
capital  social  pode,   de  fato,  nos  fornece  a  confiança  de  pano  de  fundo  necessária   para 
realizar  os   ganhos  da  troca  com  os  outros.  Mas  o  capital  social  também  pode  nos  unir  em 
grupos  que  tentam  explorar  outros  para  o  nosso  ganho  privado.  Ao  separar  precisamente 
quando  o  capital  social  é  produtivo,  quanto  ele  é  destrutivo  e  como  se  mover  ao  longo  do 
espectro  que  vai  do  conflito  à  cooperação,  Coyne  está avançando nosso entendimento das 
condições  sociais  necessárias  para realizar uma ordem pacífica e próspera em face do jugo 
governamental disfuncional ou completamente ausente. 
Todos  os  três  pesquisadores  estão  avançando   o  corpo  da  literatura  existente  sobre 
a  natureza  e  a  significância  do  anarquismo  como  um  ponto  de  partida  para   a  pesquisa  na 
economia   política.  Seu  trabalho  convida  outros  a   explorar  a  economia  política  de  ordens 
sem  estado  e  como  a  cooperação  social  através  da  divisão  do  trabalho  pode  ser  realizada 
através  de  regras  de  auto­governança,  em  vez  de  pelo  governo  estatal.  A  arte  da 
associação  voluntária  se  move  do  pensamento  positivo  ideológico  para  o  foco  de  um 
programa  de  pesquisa  científica   e,  ao  fazê­lo,  remonta  ao  enigma  central  da   economia 
política desde sua fundação. 
 

CONCLUSÃO 
Eu  argumentei  que  a  economia  política  nasceu  de  um  mistério  e  um  enigma.  O  mistério  é 
como  uma  complexa  divisão  do  trabalho  entre  indivíduos  socialmente  distantes  emerge  e 
serve  como  a  base  da  riqueza  da  civilização  moderna?  Ao  explorar  este  mistério,  os  
economistas  vieram  a  ressaltar  os  benefícios  mútuos  da  troca  voluntária  e   sua  natureza 
auto   reforçadora.   Contudo,  isto  criou  um  sério  enigma  para  os  economistas.  Havia  uma 
presunção  em  relação  ao  voluntarismo  nos  assuntos   humanos,  mas  no reconhecimento de 
que  nossa  natureza  está  dividida  entre  uma  natureza  cooperativa  e  uma  natureza 
oportunista,  devemos  descobrir  uma  maneira  de  refrear  nosso  lado  oportunista  se 
esperamos   realizar   os  frutos  de  nosso  lado  cooperativo.  Ao  passo  que  nossa  natureza 
cooperativa  está  refletida  em  nossa  propensão  para  negociar,  permutar  e  trocar  (que 
nenhuma  outra   espécie  de  fato  exibe),  nosso  lado  oportunista  é  revelado  na  natureza 
beligerante   testemunhada  ao  longo  da  história  humana.  A  economia  política  resolveu  o 
enigma  sugerindo  que  poderíamos  sacrificar,  de  uma  forma  pequena,  a   presunção  de 
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  Em   relação  a  isto,  Coyne  (2005)  está  levando  a  sério  a  admoestação  de  Rajan   (2004)  de  que 
economistas  parem  de  assumir  o  funcionamento  em  plano  de  fundo  de  direitos   de  propriedade 
respeitados  impostos  pelas  cortes e mercados  desenvolvidos.  Ao invés  disso, Coyne está examinando 
os  'mecanismos'  através  dos  quais,  começando  em  uma  área   devastada   pelo  conflito, a  cooperação 
pode  emergir  através  das   escolhas dos indivíduos  e as  dificuldades confrontadas  por atores  externos 
(por exemplo, intervenção militar estrangeira) para se impor uma ordem cooperativa. 

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voluntarismo  a  fim  de  criar  um  governo  que  refreasse  nosso   lado  oportunista  e  permitisse 
que  nosso  lado  cooperativo  florescesse.  Assim  nasceu  o  argumento a favor de um governo 
limitado,  mas  efetivo,   que  foi  o  centro  do  pensamento  liberal  clássico   desde  John  Locke, 
David  Hume  e  Adam  Smith  até  escritores  mais  contemporâneos  tais  como  Frank  Knight, 
Ludwig von Mises, F. A. Hayek, Milton Friedman e James Buchanan. 
Esta  solução,  eu  argumentei,  deve  ser  considerada deficiente por  uma variedade de 
razões.  Em  vez  disso,  o  tipo  de  explorações  neste  livro  deve  ser  encorajado  pelos 
acadêmicos  que  entendam  o  mistério  central  da  vida  econômica  e  sejam  mais  otimistas de 
que  o  enigma  da  governança  possa  ser  resolvido  de  uma  maneira  voluntarista,  em  vez  de 
através  da  natureza  coercitiva  do  estado.  O  trabalho  ao  longo  destas  linhas  é  não  apenas 
valioso  em  um  nível  teórico  fundamental,  mas  também  de  significância  prática  também, 
conforme tentamos lutar com as grandes transformações sociais de nossa era. 
 

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