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Aparição - Vergílio Ferreira

Alberto Soares é o narrador/personagem. Alberto já velho, no casarão da


aldeia, fica a relembrar o passado. Um mais distante, da infância e o outro,
mais recente, de professor recém formado que vai trabalhar em Évora.
Professor de língua e literatura, Alberto volta à cidade dos pais,Évora.
Relembra como se dera a morte do pai, ocorrida por síncope cardíaca em
pleno ceia de Natal. Relembra vários fatos: dos irmãos, Tomás, o filho
mais próximo ao pai e Evaristo, mais próximo à mãe. Tomás, irmão mais
velho, destaca-se pelo sentido de sua ligação com a terra, no trabalho
rural, de conceitos mais simples e mais direto nessa mesma simplicidade.

Relembra da infância ainda a perda do cão Mondego, cão vira-lata que


adotara, mas cuja morte é causada devido às pedradas que recebera de
Evaristo, e o pai, vendo o sofrimento que os ferimentos causara no animal,
decide pedir a um empregado que o sacrifique para diminuir sua pena.
Relembra a morte da mãe, ocorrida mais tarde que a do pai. A mãe
morrera serenamente, mais de velhice do que por uma causa específica.

Instalado numa pensão fica a relembrar estes e outros fatos traumáticos.


Em Évora, Alberto assumirá o cargo de professor do Liceu local. Ao Reitor
do Liceu expõe seus planos de ensino. Conhece na cidade o Dr. Moura,
amigo do pai, médico. A família do Dr. Moura é constituída pela esposa e
pelas filhas. Ana, a filha mais velha é casada com Alfredo, irônico e seguro
de suas opiniões. Sofia, jovem, começa a ter aulas particulares com
Alberto Soares para resolver suas dificuldades no Colégio. Cristina, a
caçula, apenas 7 anos, está aprendendo a tocar piano e durante as noites
antes do jantar, toca para todos, principalmente para o pai, que muito se
contenta de vê-la tocar.
Como Alfredo e Ana não têm filhos, resolvem entrar com um processo
para adoção dos filhos de Bailote, um lavrador que se enforca por não ter
mais a mão direita apta para semear.

Conhece também Chico, engenheiro e amigo do Dr. Moura, que leva


Alberto Soares a dar uma série de conferências no centro cultural
Harmonia. Porém, Chico é um homem mais materialista e objetivo e
pouco está afeito ao discurso metafísico e existencialista de Alberto
Soares.

Logo as opiniões do Reitor, de Alfredo e de Chico vão se chocar com a de


Alberto. O Reitor lhe repreende por propor redações de temas
existencialistas aos alunos e que isso tem diminuído a criatividade e
aumentado suas angústias. Alfredo e Chico discordam de suas opiniões
acerca da morte, do sentido da vida. Alfredo demonstra uma desconfiança
aliada à curiosidade e Chico oferece a inimizade.

No desenrolar das aulas particulares que dava a Sofia acaba surgimento


um relacionamento amoroso que é mantido escondido do Dr. Moura.

Um sobrinho de Chico, Carolino tem papel importante no


desenvolvimento da história. Carolino era o aluno mais atento às aulas de
literatura e o mais afeito ao discurso do professor. Seu apelido era o
Bexiguinha devido as suas bexigas, sentia-se inferiorizado pela sua
aparência e na sua mente acaba invertendo alguns conceitos, passa a
considerar o homem igual a Deus quando o homem domina o poder de
matar. Na infância, ocasionara a morte involuntária de uma galinha e isso
abre essa perspectiva na sua consciência.
Durante as férias natalinas, Tomás deixa Évora e vai para a aldeia onde
fica o casarão paterno para poder tratar da partilha dos bens paternos
entre os três irmãos. Acaba tendo conversas e algumas discussões com
Tomás acerca do assunto que tanto o inquieta: o sentido da existência da
vida e da morte. Tomás, na sua simplicidade, se enfada da complexidade
com que Alberto trata o tema e rebate com frases mais objetivas,
afirmando, entre outras coisas, que para Tomás basta saber que a vida
continua depois de sua morte. Isto para Alberto soa como uma espécie de
epifania, de iluminação simplória mas forte.

Quando volta à Évora, algumas coisas haviam mudado. Sofia, agora,


namora com Carolino. Alberto aluga uma casa no alto de São Bento, onde
passa tempo em suas meditações. Sofia passa a visitá-lo mesmo
continuando o namoro com Carolino, o Bexiguinha. Este movido por
desconfiança e ciúmes escreve uma carta ao Reitor denunciado o mal
comportamento moral do professor.

Num acidente de automóvel, em que Alberto, Alfredo, Ana, Cristina e


outros tinham ido passear no dia de Carnaval, na volta, Alfredo, que
dirigia, perde a direção do automóvel, bate numa árvore, e no choque a
pequena Cristina morre. A morte da pequena foi traumática
principalmente para a irmã mais velha, Ana, que não podendo ter filhos,
via na pequena irmã uma espécie de filha. É nessa ocasião que Alfredo se
decide pela adoção dos filhos de Bailote para minimizar a dor de Ana.

Carolino, enciumado pela indiferença de Sofia, decide tentar resolver pela


violência esse triângulo amoroso. Planeja matar o professor Alberto com
uma faca, fica à espreita à noite para apanhá-lo quando chegasse em sua
casa. Porém, na luta que se desenvolve, o professor Alberto mais forte e
mais hábil, desarma ao Bexiguinha e põe-no a correr. Humilhado, Carolino
não desiste de seu desejo de vingança e opta por matar um vértice mais
fraco desse triângulo, Sofia. De fato, Carolino assassina sua namorada e
foge. Preso é considerado demente. Tomás, no seu vigor de homem do
campo, chega a ter dez filhos. A mãe de Alberto morre de velhice.

Toda essa situação força Alberto a deixar Évora por uns tempos, vai para o
Faro, bem ao sul de Portugal, onde se casa, tem filhos, adoece e deixa o
ensino. Quando volta, anos depois é quando se inicia sua narração,
solitário no casarão paterno.

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