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Aula 01

Questões Comentadas de Direito Processual Penal Militar p/ DPU - Analista Técnico Administrativo

Professor: Paulo Guimarães

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães

Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01

AULA 01: Polícia judiciaria militar. Inquérito policial militar. Ação penal militar; exercício. Denúncia. Juiz, auxiliares e partes do processo. Competência da Justiça Militar da União.

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SUMÁRIO

PÁGINA

Polícia Judiciária Militar

2

1.

2.

Inquérito Policial Militar

3.

Ação Penal Militar e seu Exercício

4.

Denúncia

5.

Juiz, auxiliares e partes do processo

6.

Competência da Justiça Militar da União

Juiz, auxiliares e partes do processo 6. Competência da Justiça Militar da União 6 21 27

6

21

27

31

39

Olá amigo concurseiro! Na nossa aula de hoje vamos resolver

questões acerca dos primeiros assuntos que estão previstos no nosso

edital de Direito Processual Penal Militar.

Este é um curso bastante prático, mas tentarei fazer

comentários mais completos a respeito das questões, para não deixar no

escuro quem ainda não estudou, ok?

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Como Direito Processual Penal Militar não é uma matéria

muito comum em concursos, não temos tantas questões para comentar.

Estou trazendo absolutamente todas que pude encontrar, além de estar

criando mais algumas.

Vamos lá!? Força! Bons estudos!

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1. POLÍCIA JUDICIÁRIA MILITAR

1. STM Analista Judiciário 2011 Cespe. A polícia judiciária

militar exerce funções idênticas à polícia judiciária, e ambas têm como

uma de suas finalidades o colhimento de elementos que indiquem a

autoria e comprovem a materialidade do delito.

COMENTÁRIOS: As atribuições da polícia judiciária militar constam no

art. 8º do Código de Processo Penal Militar (Decreto-Lei nº 1.002/1969),

a seguir reproduzido:

Art. 8º Compete à Polícia judiciária militar:

a) apurar os crimes militares, bem como os que, por lei especial,

estão sujeitos à jurisdição militar, e sua autoria;

b) prestar aos órgãos e juízes da Justiça Militar e aos membros do

Ministério Público as informações necessárias à instrução e julgamento

dos processos, bem como realizar as diligências que por eles lhe forem

requisitadas;

c) cumprir os mandados de prisão expedidos pela Justiça Militar;

d) representar a autoridades judiciárias militares acerca da prisão

preventiva e da insanidade mental do indiciado;

e) cumprir as determinações da Justiça Militar relativas aos presos

sob sua guarda e responsabilidade, bem como as demais prescrições

deste Código, nesse sentido;

f) solicitar das autoridades civis as informações e medidas que julgar

úteis à elucidação das infrações penais, que esteja a seu cargo;

g) requisitar da polícia civil e das repartições técnicas civis as

pesquisas e exames necessários ao complemento e subsídio de inquérito

policial militar;

h) atender, com observância dos regulamentos militares, a pedido de

apresentação de militar ou funcionário de repartição militar à autoridade

civil competente, desde que legal e fundamentado o pedido.

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Essa questão gerou polêmica justamente por dizer que as atribuições da

polícia judiciária militar são idênticas às da polícia judiciária comum e, ao

pé da letra, nem todas as atribuições previstas no art. 8° são exercidas

também pela polícia judiciária comum. Um bom exemplo é a possibilidade

de requisitar pesquisas e exames às autoridades policiais civis. Por outro

lado, a maior parte dos doutrinadores não enxerga diferenças na natureza

da atividade desempenhada. Isso quer dizer, de forma simples, que as

duas apuram o cometimento de infrações penais, e por isso não há

diferenças substanciais na sua atuação. Seguindo essa lógica a questão

foi dada como certa.

GABARITO: C

2. STM Analista Judiciário 2004 Cespe. À polícia judiciária

militar, que é exercida pelas autoridades militares, cabe auxiliar as

polícias civil e federal na apuração de infrações penais militares, dado que

são estas que detêm a exclusividade na apuração de quaisquer infrações

penais.

COMENTÁRIOS: Mais uma vez aqui devemos relembrar o conteúdo do

art. 8º do CPPM, que nos diz o que faz a polícia judiciária militar. Como

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você já sabe, não existem diferenças substanciais nas tarefas

desempenhadas por esta e pela polícia judiciária comum (polícia federal

ou polícias civis). A polícia judiciária militar investiga o cometimento de

crimes militares, enquanto a polícia judiciária comum (civil ou federal)

investiga crimes comuns. Por isso não tem o menor cabimento dizer que a

função da polícia judiciária militar é auxiliar as polícias civil e federal, pois

estas sequer têm competência para apurar o cometimento de crimes

militares.

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GABARITO: E Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof.

GABARITO: E

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3. MPU Analista 2013 Cespe. O ministro da Defesa, dada a sua

condição de ministro de Estado civil, não exerce função de polícia

judiciária militar.

COMENTÁRIOS: Agora precisamos lembrar o conteúdo do art. 7º do

CPPM.

Art. 7º A polícia judiciária militar é exercida nos termos do art. 8º,

pelas seguintes autoridades, conforme as respectivas jurisdições:

a) pelos ministros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica,

em todo o território nacional e fora dele, em relação às forças e órgãos

que constituem seus Ministérios, bem como a militares que, neste

caráter, desempenhem missão oficial, permanente ou transitória, em país

estrangeiro;

b) pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, em relação

a entidades que, por disposição legal, estejam sob sua jurisdição;

c) pelos chefes de Estado-Maior e pelo secretário-geral da

Marinha, nos órgãos, forças e unidades que lhes são subordinados;

d) pelos comandantes de Exército e pelo comandante-chefe da

Esquadra, nos órgãos, forças e unidades compreendidos no âmbito da

respectiva ação de comando;

e) pelos comandantes de Região Militar, Distrito Naval ou Zona

Aérea, nos órgãos e unidades dos respectivos territórios;

f) pelo secretário do Ministério do Exército e pelo chefe de

Gabinete do Ministério da Aeronáutica, nos órgãos e serviços que lhes

são subordinados;

g) pelos diretores e chefes de órgãos, repartições,

estabelecimentos ou serviços previstos nas leis de organização básica da

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Marinha, do Exército e da Aeronáutica;

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h) pelos comandantes de forças, unidades ou navios;

Há um grande rol de autoridades, mas precisamos entender

que há algumas autoridades mencionadas que não mais existem. Hoje,

por exemplo, não há mais ministérios para cada uma das forças armadas.

Há apenas um Ministro da Defesa, que congrega as três forças, e os

comandantes de cada uma delas, que para várias finalidades gozam de

status ministerial.

Inicialmente, portanto, a função Polícia Judiciária Militar é

exercida pelos comandantes de cada uma das forças armadas. O

Ministro da Defesa atualmente não exerce essa função, até porque

normalmente se trata de um civil.

Hoje também não existe mais a figura do chefe do Estado-

Maior das Forças Armadas. Quem exerce essas funções é o chefe do

Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas. O nome é bem parecido,

mas as funções mudaram

Em seguida, o CPPM começa a conceder o poder investigativo

para autoridades de escalão intermediário: os chefes de Estado-Maior

de cada uma das forças, seguidos dos comandantes de Região Militar

(Exército), Distrito Naval (Marinha) ou Zona Aérea (na realidade hoje

as regiões da Aeronáutica são chamadas de Comandos Aéreos).

A partir da alínea F são mencionados autoridades de menor

escalão. Como exemplos posso citar o diretor de um hospital militar, o

comandante de uma unidade militar ou de um navio.

Podemos dizer, portanto, que, em geral, militares que exercem

funções de comando ou chefia detêm poder investigativo próprio de

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Polícia Judiciária Militar.

GABARITO: E

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2. INQUÉRITO POLICIAL MILITAR

4. PM-MG Oficial da Polícia Militar 2011 Fumarc. Em se

tratando do Inquérito Policial Militar, é importante saber que

a) o posto do indiciado induz a competência para instauração do

procedimento, mas não a delegação de instrução.

b) em regra, o Poder de Polícia Judiciária Militar é exercido pelos Oficiais e

eventualmente pode ser delegado às praças.

c) ainda que a delegação para a instrução não tenha ocorrido, os Oficiais

responsáveis pelo Comando quando da incidência de crime militar devem

proceder de ofício as providências preliminares de investigação.

d) a solução do Inquérito é providência essencial para que a autoridade

instauradora possa prolatar o Relatório do IPM.

COMENTÁRIOS: Esta questão é bem interessante porque trata de

diversos aspectos relacionados ao Inquérito Policial Militar (IPM).

A alternativa A diz que o posto do indiciado influencia apenas a

instauração do procedimento, mas não a delegação da instrução. Isso não

é verdade, pois o delegado (chamado pelo CPPM de encarregado), que

será o responsável pela instrução, também precisa ocupar posto superior

ao

do indiciado, nos termos do art. 7°, §§1° e 2°.

 
 

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§ 1º Obedecidas as normas regulamentares de jurisdição, hierarquia

e

comando,

as

atribuições

enumeradas

neste

artigo

poderão

ser

delegadas a oficiais da ativa, para fins especificados e por tempo limitado.

 

§ 2º Em se tratando de delegação para instauração de inquérito

policial militar, deverá aquela recair em oficial de pôsto superior ao do

indiciado, seja este oficial da ativa, da reserva, remunerada ou não, ou

reformado.

 

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 Além disso, é importante também que você saiba que o art. 15 determina

que o encarregado deve ocupar, sempre que possível, posto não inferior

ao de capitão.

A alternativa B diz que a instrução do IPM pode ser delegada a praças. A

resposta aqui também nos é dada pelo §1º do art. 7°, que é bem claro no

sentido de que a delegação só pode ser feita em favor de oficiais da ativa.

Lembro mais uma vez que, adicionalmente, o art. 15 determina que o

encarregado deve ocupar, preferencialmente, posto não inferior ao de

capitão.

Quanto à alternativa C, as providências preliminares da instrução são

aquelas previstas no art. 12, a seguir reproduzido:

Art. 12. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal

militar, verificável na ocasião, a autoridade a que se refere o § 2º do art.

10 deverá, se possível:

a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o

estado e a situação das coisas, enquanto necessário;

b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação

com o fato;

c) efetuar a prisão do infrator, observado o disposto no art. 244;

d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e

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suas circunstâncias.

Esses procedimentos devem ser adotados pelo oficial responsável por

comando, direção ou chefia, mesmo que a delegação ainda não tenha

sido formalizada.

A alternativa D menciona a solução do inquérito, que é de

responsabilidade da autoridade que delegou as atribuições investigativas.

O relatório, por outro lado, é preparado pelo encarregado. Vou repetir: o

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 encarregado, que é o oficial que “operacionaliza” o inquérito, prepara um

relatório, que é enviado à autoridade que delegou essas funções,

conforme regra do art. 22. Perceba ainda que a autoridade que fez a

delegação pode também avocar o inquérito, se discordar da solução que

consta no relatório.

Art. 22. O inquérito será encerrado com minucioso relatório, em que

o seu encarregado mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas e

os resultados obtidos, com indicação do dia, hora e lugar onde ocorreu o

fato delituoso. Em conclusão, dirá se há infração disciplinar a punir ou

indício de crime, pronunciando-se, neste último caso, justificadamente,

sôbre a conveniência da prisão preventiva do indiciado, nos têrmos legais.

§ 1º No caso de ter sido delegada a atribuição para a abertura do

inquérito, o seu encarregado enviá-lo-á à autoridade de que recebeu a

delegação, para que lhe homologue ou não a solução, aplique penalidade,

no caso de ter sido apurada infração disciplinar, ou determine novas

diligências, se as julgar necessárias.

§ 2º Discordando da solução dada ao inquérito, a autoridade que o

delegou poderá avocá-lo e dar solução diferente.

GABARITO: C

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5. DPU Defensor Público 2007 Cespe. O magistrado da justiça

militar da União, com lastro no CPPM, poderá requerer diretamente à

autoridade policial judiciária militar a instauração de inquérito policial

militar, em analogia à requisição prevista no CPP.

COMENTÁRIOS: A alínea D do art. 10 menciona a possibilidade de

instauração de IPM em virtude de decisão do Superior Tribunal Militar. Dê

uma olhada no dispositivo !

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Art. 10. O inquérito é iniciado mediante portaria:

a) de ofício, pela autoridade militar em cujo âmbito de jurisdição ou

comando haja ocorrido a infração penal, atendida a hierarquia do infrator;

b) por determinação ou delegação da autoridade militar superior,

que, em caso de urgência, poderá ser feita por via telegráfica ou

radiotelefônica e confirmada, posteriormente, por ofício;

c) em virtude de requisição do Ministério Público;

d) por decisão do Superior Tribunal Militar, nos têrmos do art. 25;

e) a requerimento da parte ofendida ou de quem legalmente a

represente, ou em virtude de representação devidamente autorizada de

quem tenha conhecimento de infração penal, cuja repressão caiba à

Justiça Militar;

f) quando, de sindicância feita em âmbito de jurisdição militar,

resulte indício da existência de infração penal militar.

Ocorre que essa hipótese não é mais aplicável, pois a Constituição de

1988 conferiu independência ao Ministério Público, e hoje não há mais

como o Poder Judiciário determinar, por si só, investigações, ou dar início

à persecução penal sem a atuação do MP. Essa não é uma regra aplicável

apenas à persecução penal dos crimes militares, mas a qualquer processo

criminal. Por essas razões a assertiva está errada.

GABARITO: E

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6. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). No

sistema processual castrense, não há previsão para o juiz requisitar a

instauração de IPM, entendendo a doutrina e a jurisprudência ser vedado

ao juiz requisitar ou ordenar a instauração de procedimento investigativo.

COMENTÁRIOS: Ainda que não seja mais aplicável, o CPPM prevê a

possibilidade de instauração do IPM por força de decisão do STM.

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GABARITO: C Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof.

GABARITO: C

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7. STM Analista Judiciário 2011 Cespe. O inquérito policial

militar (IPM) caracteriza-se por exigir sigilo absoluto, previsto de forma

expressa no CPPM, de modo que, veda-se ao advogado e ao investigado o

acesso aos autos do procedimento investigatório.

COMENTÁRIOS: O IPM, em regra, é sigiloso, conforme art. 16 do CPPM.

Art. 16. O inquérito é sigiloso, mas seu encarregado pode permitir

que dele tome conhecimento o advogado do indiciado.

Este dispositivo também deve ser interpretado à luz da Constituição

Federal. O inquérito continua sendo sigiloso, mas hoje o encarregado do

IPM é obrigado a dar vista do inquérito tanto ao advogado do indiciado

quanto aos membros do Ministério Público Militar.

Na realidade, o mais correto hoje seria dizer que as investigações são

sigilosas, e não propriamente o inquérito. Uma vez realizada a ação de

investigativa, não há problema em franquear acesso aos autos do

inquérito ao advogado do indiciado ou ao membro do Ministério Público.

Lembre, porém, que o advogado somente poderá ter acesso às

informações acerca das ações investigativas já realizadas. Não faria

sentido, por exemplo, o advogado ser informado de que o encarregado do

IPM solicitou ao Poder Judiciário a concessão de mandado de busca e

apreensão. Lembre-se também de que o assunto é tratado pela Súmula

Vinculante n° 14, do STF.

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SÚMULA VINCULANTE Nº 14

É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos

elementos de prova que, já documentados em procedimento

investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária,

digam respeito ao exercício do direito de defesa.

GABARITO: E

8. STM Analista Judiciário 2011 Cespe. Um oficial-general da

ativa, do último posto e mais antigo da corporação, praticou crime

definido como militar, gerando dúvidas sobre quem presidirá o inquérito

policial militar para a completa apuração dos fatos, em face da

inexistência de outro oficial da ativa de maior antiguidade. Nessa

situação, deve ser convocado oficial-general da reserva do último posto,

pois prevalece a relação de antiguidade entre militares no serviço ativo e

na inatividade.

COMENTÁRIOS: A assertiva nos cobra conhecimento do §5º do art. 7º

do CPPM.

§ 5º Se o posto e a antiguidade de oficial da ativa excluírem, de

modo absoluto, a existência de outro oficial da ativa nas condições do §

3º, caberá ao ministro competente a designação de oficial da reserva de

posto mais elevado para a instauração do inquérito policial militar; e, se

este estiver iniciado, avocá-lo, para tomar essa providência.

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Perceba que a regra do art. 7°, §5° determina exatamente o que traz a

assertiva. Este dispositivo, porém, não é mais aplicável, pois o Estatuto

dos Militares determina que não há hierarquia entre militares da ativa e

da reserva de mesmo posto. Por outro lado, o art. 10, §4° determina que,

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comunicado ao

ministro e ao chefe de estado-maior competentes. Hoje seria o caso de

caso o infrator seja oficial general,

o

fato deve

ser

comunicar o Ministro da Defesa e o comandante da respectiva força.

GABARITO: E

9. STM Analista Judiciário 2004 Cespe. O inquérito policial

militar é a apuração sumária de fato, em tese, criminoso e de sua autoria,

não tendo, no entanto, valor jurídico os exames e as perícias realizados

que não forem repetidos em juízo, durante o processo.

COMENTÁRIOS: O art. 9° determina que o IPM é a apuração sumária de

fato que configure crime militar e de sua autoria.

Art. 9º O inquérito policial militar é a apuração sumária de fato,

que, nos termos legais, configure crime militar, e de sua autoria. Tem o

caráter de instrução provisória, cuja finalidade precípua é a de ministrar

elementos necessários à propositura da ação penal.

Parágrafo único. São, porém, efetivamente instrutórios da ação

penal os exames, perícias e avaliações realizados regularmente no curso

do inquérito, por peritos idôneos e com obediência às formalidades

previstas neste Código.

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Em regra, os atos praticados no IPM são repetidos na fase penal, a

exemplo da oitiva de testemunhas. Todavia, o parágrafo único determina

que alguns atos devem ser considerados como efetivamente instrutórios

da ação penal: os exames, perícias e avaliações realizadas por peritos

idôneos e com obediência às formalidades do CPPM. Por essa razão a

assertiva está incorreta.

Vamos aproveitar para relembrar as principais características do IPM?

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 Vejamos agora as principais características do IPM.

1. Procedimento escrito O IPM não poderia fornecer

subsídios à propositura da ação penal se fosse apenas oral. Deve inclusive

ser designado escrivão, conforme art. 11 do CPPM.

2. Provisório As diligências feitas durante o curso do IPM

devem ser confirmadas posteriormente durante a persecução penal. Se

uma testemunha, por exemplo, foi ouvida no IPM, em regra será

necessário ouvi-la novamente na fase processual. Alguns atos, contudo,

já podem ser considerados instrutórios para fins de ação penal: são

os exames, as perícias e as avaliações, que, quando realizados em sede

de IPM, não precisam ser repetidos, nos termos do parágrafo único do

art. 9°.

3. Informativo e instrumental O IPM se destina a trazer

elementos para a eventual propositura da ação penal.

4. Não contraditório, ou inquisitivo Atenção! Aqui não

há nenhuma ofensa à Constituição, pois não é possível que do IPM resulte

sanção ao indiciado. As penas são aplicadas em sede processual, e o

Poder Judiciário está obrigado a conceder o contraditório ao longo de todo

o processo penal.

5. Sigiloso Se há trabalho investigativo, é necessário

manter o sigilo para assegurar a eficácia dos procedimentos. Não faz

sentido a concessão de um mandado de busca e apreensão, por exemplo,

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se o indiciado já tem conhecimento de que a autoridade policial pretende

apreender seu computador. Este sigilo, todavia, não pode ser oposto ao

advogado do indiciado com relação às ações investigativas que já foram

realizadas. Também não faria o menor sentido opor este sigilo aos

membros do MPM, pois o inquérito se dirige a eles. Neste sentido a

Súmula Vinculante n 14 do STF: “é direito do defensor, no interesse

do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já

documentados em procedimento investigatório realizado por

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao

exercício do direito de defesa”.

6. Discricionariedade das investigações O IPM não tem

goza de rito próprio, como o Processo Penal Militar. Não há passos

determinados tão claramente, e por isso a autoridade policial militar goza

de certo grau de discricionariedade para adotar os procedimentos que

considerar adequados.

GABARITO: E

10. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). As

medidas preliminares previstas para o IPM são taxativas e devem ser

todas cumpridas, em qualquer caso e circunstância, na sua integralidade,

sob pena de ofensa ao princípio constitucional do devido processo legal.

COMENTÁRIOS: Você precisa sempre desconfiar de assertivas que

sejam muito “radicais”, ok? Expressões como “sem exceções”, “sob

qualquer circunstância” ou “sempre” devem deixar você de orelha em pé!

Vejamos o que determina o art. 12 do CPPM.

Art. 12. Logo que tiver conhecimento da prática de infração penal

militar, verificável na ocasião, a autoridade a que se refere o § 2º do art.

10 deverá, se possível:

a) dirigir-se ao local, providenciando para que se não alterem o

estado e a situação das coisas, enquanto necessário;

b) apreender os instrumentos e todos os objetos que tenham relação

com o fato;

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c) efetuar a prisão do infrator, observado o disposto no art. 244;

d) colher todas as provas que sirvam para o esclarecimento do fato e

suas circunstâncias.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 Você percebeu o uso da expressão “se possível” no fim do caput? Essa

simples expressão torna a assertiva errada.

Aproveito a oportunidade para lembra-lo de que o encarregado pode

adotar essas medidas mesmo antes de ser publicada a portaria de

delegação.

GABARITO: E

11. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). Na

tramitação de IPM, assegura a norma de regência, de forma peculiar e

garantidora, o direito do investigado de ser ouvido apenas na presença do

advogado por ele próprio indicado ou de ser assistido por defensor

público.

COMENTÁRIOS: A jurisprudência é clara no sentido de que a assistência

de advogado durante a oitiva é um direito do indiciado, assegurado pela

Constituição de 1988, mas no CPPM não há nenhum dispositivo que

assegure esse direito.

GABARITO: E

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12. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). O

CPPM e o procedimento investigativo pré-processual comum tratam do

arquivamento de IPM de forma distinta, uma vez que o CPPM prescreve

hipóteses taxativas de arquivamento e disciplina expressamente as

possibilidades de arquivamento implícito e de ofício de autoridade

judiciária militar.

COMENTÁRIOS: A redação dessa questão ficou bem confusa. Ela dá a

entender que há uma norma além do CPPM que trata do inquérito policial

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 militar, e isso não é verdade. Há normas que tratam de procedimentos

investigativos comuns, mas obviamente nenhuma dessas normas vai

trazer regras a respeito do arquivamento do IPM, não é mesmo?

GABARITO: E

13. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). No

âmbito do IPM, em face da especialidade do sistema investigativo

castrense, é assegurada a possibilidade de se manter incomunicável o

investigado, por ato devidamente fundamentado do encarregado do IPM,

pelo prazo máximo de três dias. Essa possibilidade vem sendo

corroborada pela jurisprudência pátria.

COMENTÁRIOS: Vamos dar uma olhado no art. 17 do CPPM.

Art. 17. O encarregado do inquérito poderá manter incomunicável o

indiciado, que estiver legalmente preso, por três dias no máximo.

Quando você lê sobre essa possibilidade, imagino que você fique

desconfortável, não é mesmo? Se você está achando essa possibilidade

meio estranha, você tem razão, pois a Constituição de 1988 proibiu

expressamente a incomunicabilidade do preso, nos termos do art. 136,

§3°, IV. O art. 17 do CPPM, portanto, não foi recepcionado, e por isso a

assertiva está errada.

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GABARITO: E

14. PM-PE Oficial da Polícia Militar 2014 UPENET. Sobre o

inquérito policial militar previsto no Código de Processo Penal Militar,

analise as afirmativas a seguir:

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I. O inquérito deverá terminar no prazo de quinze dias, se o indiciado

estiver preso, contado esse prazo a partir do dia em que se executar a

ordem de prisão.

II. O inquérito deverá terminar no prazo de trinta dias, quando o

indiciado estiver solto, contado a partir da data em que se instaurar o

inquérito.

III. A autoridade militar não poderá mandar arquivar autos de

inquérito, embora conclusivo da inexistência de crime ou de

inimputabilidade do indiciado.

IV. O arquivamento de inquérito não obsta a instauração de outro, se

novas provas aparecerem em relação ao fato, ao indiciado ou à terceira

pessoa, ressalvados o caso julgado e os casos de extinção da

punibilidade.

Está CORRETO o que se afirma em

a) III e IV, apenas.

b) I, II e IV, apenas.

c) II e III, apenas.

d) I, III e IV, apenas.

e) I, II, III e IV.

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COMENTÁRIOS: Sobre as assertivas I e II, vamos relembrar o art. 20 do

CPPM.

Art. 20. O inquérito deverá terminar dentro em vinte dias, se o

indiciado estiver preso, contado esse prazo a partir do dia em que se

executar a ordem de prisão; ou no prazo de quarenta dias, quando o

indiciado estiver solto, contados a partir da data em que se instaurar o

inquérito.

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O prazo para conclusão do inquérito quando o indiciado estiver preso é de

20 dias e, quando estiver preso, de 40 dias. As assertivas, portanto, estão

incorretas.

A assertiva III reproduz fielmente o conteúdo do art. 24 do CPPM e, por

isso, a assertiva está correta.

Art. 24. A autoridade militar não poderá mandar arquivar autos de

inquérito, embora conclusivo da inexistência de crime ou de

inimputabilidade do indiciado.

A assertiva IV reproduz o art. 25.

Art 25. O arquivamento de inquérito não obsta a instauração de

outro, se novas provas aparecerem em relação ao fato, ao indiciado ou a

terceira pessoa, ressalvados o caso julgado e os casos de extinção da

punibilidade.

GABARITO: A

15. TJM-MG Técnico Judiciário 2013 Fumarc. Ante a notícia

crime, o art. 12 do CPPM enumera as providências preliminares a

serem tomadas no local de crime, não obstante, deve-se efetuar a

prisão em flagrante delito do agente ou mesmo elaborar IPM, conforme

o caso. Nesse contexto, de acordo com as prescrições legais contidas

no Código de Processo Penal Militar, são passos a serem trilhados pela

autoridade:

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 A praça pode lavrar APF, desde que não haja oficial presente na

a)

Unidade, uma vez que tal medida é permitida desde que a praça esteja na

função de oficial.

b) Existe uma ordem obrigatória na inquirição da vítima e das

testemunhas em sede de IPM, que, se não for observada, implicará em

nulidade.

c) Na hipótese da prisão de militar, em que o subordinado desacata seu

superior hierárquico, a lavratura do APF, mesmo no caso de crime militar

próprio, pode ser feita por parte da autoridade civil, delegado de polícia,

caso o local onde o fato tenha ocorrido não seja sujeito à administração

militar.

d) Não admissível relatório parcial das investigações em sede de IPM por

parte do encarregado, devendo encaminhar o caderno investigatório

completo e conclusivo para a Justiça Militar, sendo defeso qualquer

pendência.

COMENTÁRIOS: Esta questão contém algumas alternativas que fogem

ao conteúdo do nosso edital, mas vamos analisa-la mesmo assim, ok?

A alternativa A está incorreta porque o CPPM não prevê a possibilidade de

instauração de IPM por parte de praça. A alternativa B está incorreta

porque o CPPM não prevê uma ordem própria. As perguntas estão

previstas no art. 306, mas não há uma ordem rigorosa.

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Art. 306. O acusado será perguntado sobre o seu nome,

naturalidade, estado, idade, filiação, residência, profissão ou meios de

vida e lugar onde exerce a sua atividade, se sabe ler e escrever e se tem

defensor. Respondidas essas perguntas, será cientificado da acusação

pela leitura da denúncia e estritamente interrogado da seguinte forma:

a) onde estava ao tempo em que foi cometida a infração e se teve

notícia desta e de que forma;

b) se conhece a pessoa ofendida e as testemunhas arroladas na

denúncia, desde quando e se tem alguma coisa a alegar contra elas;

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c) se conhece as provas contra ele apuradas e se tem alguma coisa a

alegar a respeito das mesmas;

d) se conhece o instrumento com que foi praticada a infração, ou

qualquer dos objetos com ela relacionados e que tenham sido

apreendidos;

e) se é verdadeira a imputação que lhe é feita;

f) se, não sendo verdadeira a imputação, sabe de algum motivo

particular a que deva atribuí-la ou conhece a pessoa ou pessoas a que

deva ser imputada a prática do crime e se com elas esteve antes ou

depois desse fato;

g) se está sendo ou já foi processado pela prática de outra infração

e, em caso afirmativo, em que juízo, se foi condenado, qual a pena

imposta e se a cumpriu;

h) se tem quaisquer outras declarações a fazer.

A alternativa C, que é a nossa resposta, exige conhecimento da regra que

consta no art. 250 do CPPM.

Art. 250. Quando a prisão em flagrante for efetuada em lugar não

sujeito à administração militar, o auto poderá ser lavrado por autoridade

civil, ou pela autoridade militar do lugar mais próximo daquele em que

ocorrer a prisão.

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A alternativa D é um pouco estranha, pois o CPPM simplesmente não

menciona a emissão de relatórios parciais por parte do encarregado, mas

há um erro ainda maior, quando diz que o encarregado deve encaminhar

o relatório para a Justiça Militar, pois na realidade ele o encaminha à

autoridade que concedeu a delegação, nos termos do art. 22.

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Art. 22. O inquérito será encerrado com minucioso relatório, em que

o seu encarregado mencionará as diligências feitas, as pessoas ouvidas e

os resultados obtidos, com indicação do dia, hora e lugar onde ocorreu o

fato delituoso. Em conclusão, dirá se há infração disciplinar a punir ou

indício de crime, pronunciando-se, neste último caso, justificadamente,

sobre a conveniência da prisão preventiva do indiciado, nos termos legais.

§ 1º No caso de ter sido delegada a atribuição para a abertura do

inquérito, o seu encarregado enviá-lo-á à autoridade de que recebeu a

delegação, para que lhe homologue ou não a solução, aplique penalidade,

no caso de ter sido apurada infração disciplinar, ou determine novas

diligências, se as julgar necessárias.

§ 2º Discordando da solução dada ao inquérito, a autoridade que o

delegou poderá avocá-lo e dar solução diferente.

GABARITO: C

3. AÇÃO PENAL MILITAR E SEU EXERCÍCIO

16. STM Analista Judiciário 2004 Cespe. Nos crimes militares, a

ação penal é, em regra, pública, condicionada ou incondicionada e

promovida pelo Ministério Público Militar; excepcionalmente, é privada,

promovida pelo ofendido, quando a lei assim dispuser.

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COMENTÁRIOS: Vamos ver o que diz o art. 29 do CPPM.

Art. 29. A ação penal é pública e somente pode ser promovida por

denúncia do Ministério Público Militar.

A ação penal é aquela por meio da qual ocorre a persecução militar. O

indiciado, diante de um relatório apontando que haja indícios suficientes

de autoria e materialidade do crime investigado, pode tornar-se réu a

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 partir do oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público e seu

recebimento pelo Poder Judiciário, e aí então estará iniciado o processo

penal militar.

A regra geral é que na Justiça Militar a ação penal seja pública

incondicionada. Há, todavia, alguns crimes (arts. 136 a 141 do CPM)

que exigem requisição do Comando Militar ou do Ministro da Justiça.

Atenção aqui, pois estamos falando de requisição, e não de representação

do ofendido, ok? Esta modalidade não é admitida no Processo Penal

Militar.

Alguns doutrinadores dizem que esta requisição não enseja

obrigatoriedade, pois o Ministério Público é o dominus litis, e não pode ser

obrigado a apresentar denúncia, especialmente por membros de outros

poderes.

A Constituição permite também que haja uma ação penal privada

subsidiária da pública. Este direito pode ser utilizado quando houver

desídia do Ministério Público. Quando este não se manifestar no prazo

legal, a vítima do crime pode apresentar essa modalidade de ação penal.

GABARITO: E

17. DPU Defensor Público 2010 Cespe. Considere que, diante

de crime impropriamente militar, cuja ação é pública e incondicionada, o

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Ministério Público, mesmo dispondo de todos os elementos necessários à

propositura da ação, tenha deixado, por inércia, de oferecer a denúncia

no prazo legal. Nessa situação, não obstante se tratar de delito previsto

em legislação especial castrense, o ofendido ou quem o represente

legalmente encontra-se legitimado para intentar ação penal de iniciativa

privada subsidiária.

COMENTÁRIOS: A ação penal privada subsidiária da pública é

assegurada pela própria Constituição, e por isso a falta de previsão no

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 CPPM não pode impedir o ofendido de exercer esse direito. É importante,

porém, que você preste bastante atenção na maneira como a banca

formulará questões a respeito desse assunto, pois ela pode tentar

enganar você dizendo que o CPPM prevê expressamente a possibilidade

de ação penal privada subsidiária da pública, e isso não é verdade, ok?

GABARITO: C

18. DPU Defensor Público 2010 Cespe. A Associação Nacional

de Sargentos do Exército (ANSAREX), em nome próprio e na defesa

estatutária de seus associados, ofertou representação ao Ministério

Público Militar (MPM) em face da conduta de um oficial que era

comandante de batalhão de infantaria motorizada, superior hierárquico de

20 sargentos desse batalhão, todos associados à ANSAREX, uma vez que

ele, diuturnamente, tratava seus subordinados com rigor excessivo;

punira alguns militares com rigor não permitido por lei; ordenara que dois

militares em prisão disciplinar ficassem sem alimentação por um dia; e

ofendia os subordinados, constantemente, com palavras. Decorridos dois

meses da representação, sem que tivesse havido manifestação do MPM, a

associação promoveu ação penal privada subsidiária da pública perante a

Justiça Militar da União, pedindo conhecimento da demanda e, ao final, a

total procedência dos pedidos, com consequente aplicação da pena

00000000000

correspondente pelos delitos, além da anulação das sanções disciplinares

injustamente aplicadas, com a respectiva baixa nos assentamentos

funcionais. Considerando essa situação, é correto afirmar que é da Justiça

Militar da União a competência para julgar ações judiciais contra atos

disciplinares militares e que, mesmo sem previsão no CPM e CPPM, se

admite a ação penal privada subsidiária da pública no processo penal

militar, bem como seu exercício pela pessoa jurídica, no interesse dos

associados, com legitimação concorrente nos crimes contra a honra de

servidor militar.

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COMENTÁRIOS: Questão longa, não é mesmo? Mas a resolução é bem

simples!

O STF não reconhece legitimação ativa a entidades civis e sindicais para,

em sede de substituição processual ou em representação de seus

associados, ajuizarem ação penal privada subsidiária da pública. Isso

significa que essas entidades não podem substituir a vítima do crime na

propositura da ação penal privada subsidiária da pública.

Além disso, a Justiça Militar da União apenas é competente para julgar os

crimes militares definidos em lei, nos termos do art. 124 da Constituição.

É interessante que você lembre, entretanto, que o §4º do art. 125 da

Constituição autoriza a Justiça Militar dos estados a julgar ações judiciais

contra atos disciplinares militares.

GABARITO: E

19. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). A

ação penal privada subsidiária poderá ser intentada, ainda que não

prevista no sistema processual castrense, desde que preenchidas as

condições de admissibilidade, entre elas a inércia do titular da persecução

penal em juízo.

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COMENTÁRIOS: Perceba que o Cespe gosta muito deste tema, não é

mesmo? Fique esperto! Apesar de não haver previsão expressa no CPPM,

o Direito Processual Penal Militar admite a ação penal privada subsidiária

da pública, pois o direito de ajuizá-la é do ofendido, e é assegurado pela

Constituição Federal.

GABARITO: C

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 20. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe (adaptada). A

propositura de ações penais, no âmbito do processo penal militar, deve

lastrear-se em IPM, cuja investigação deve encontrar-se encerrada, por

força de imperativo legal.

COMENTÁRIOS: O art. 77, que trata dos requisitos formais da denúncia,

não faz qualquer menção à necessidade de que tenha havido IPM.

Art. 77. A denúncia conterá:

a) a designação do juiz a que se dirigir;

b) o nome, idade, profissão e residência do acusado, ou

esclarecimentos pelos quais possa ser qualificado;

c) o tempo e o lugar do crime;

d) a qualificação do ofendido e a designação da pessoa jurídica ou

instituição prejudicada ou atingida, sempre que possível;

e) a exposição do fato criminoso, com tôdas as suas circunstâncias;

f) as razões de convicção ou presunção da delinqüência;

g) a classificação do crime;

h) o rol das testemunhas, em número não superior a seis, com a

indicação da sua profissão e residência; e o das informantes com a

mesma indicação.

Quem propõe a ação penal é o Ministério Público Militar. A Constituição

confere independência ao Ministério Público para, inclusive, investigar a

ocorrência de crimes de forma autônoma, sem intervenção da polícia

judiciária militar.

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GABARITO: E

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 21. (inédita). Qualquer pessoa pode provocar a iniciativa do Ministério

Público Militar de investigar a ocorrência de crime militar. É indispensável,

todavia, que seja indicado não só o fato, mas também o seu autor,

acompanhados dos elementos de convicção.

COMENTÁRIOS: A comunicação de um crime (que popularmente

chamamos de “denúncia”, mas cujo nome correto é notícia de crime ou

simplesmente notitia criminis) pode ser apresentada por qualquer pessoa

diretamente ao Ministério Público, pois este goza de poderes próprios de

investigação, não dependendo da instauração de IPM. Da notitia criminis,

entretanto, precisa constar não só a notícia da ocorrência do fato, mas

também a indicação de sua autoria e dos elementos de convicção, nos

termos do art. 33 do CPPM.

Art. 33. Qualquer pessoa, no exercício do direito de representação,

poderá provocar a iniciativa do Ministério Publico, dando-lhe informações

sobre fato que constitua crime militar e sua autoria, e indicando-lhe os

elementos de convicção.

§ 1º As informações, se escritas, deverão estar devidamente

autenticadas; se verbais, serão tomadas por termo perante o juiz, a

pedido do órgão do Ministério Público, e na presença deste.

§ 2º Se o Ministério Público as considerar procedentes, dirigir-se-á à

autoridade policial militar para que esta proceda às diligências necessárias

ao esclarecimento do fato, instaurando inquérito, se houver motivo para

esse fim.

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GABARITO: C

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4.

DENÚNCIA

22.

STM Analista Judiciário 2004 Cespe. No processo penal

militar, a acusação cabe ao Ministério Público Militar, que a exerce por

intermédio dos procuradores e promotores de justiça militar, sendo-lhe

vedado desistir da ação penal e pedir absolvição do acusado.

COMENTÁRIOS: É correto dizer que a acusação no Processo Penal Militar

cabe ao MPM, que a exerce por meio dos promotores e procuradores da

justiça militar. Isso você já está cansado de saber, não é mesmo? Os

promotores oficiam perante o Primeiro Grau, e os Procuradores perante o

STM. É certo também que, uma vez oferecida a denúncia, não cabe ao

MPM desistir da ação, mas nada impede que, em suas alegações finais, o

membro do MPM peça a absolvição do réu, pois o Ministério Público é

independente e o seu membro deve agir de acordo com suas convicções

com relação ao caso concreto.

GABARITO: E

23. STM Analista Judiciário 2004 Cespe. A denúncia no

processo penal militar difere da denúncia no processo penal comum,

primordialmente, por exigir que o Ministério Público explicite as razões de

00000000000

convicção ou presunção de delinquência.

COMENTÁRIOS: Um dos requisitos do art. 77 é de que a denúncia

contenha as razões de convicção ou presunção da delinquência. O Código

de Processo Penal, por sua vez, trata dos requisitos da denúncia em seu

art. 41, não mencionando as razoes de convicção ou presunção da

delinquência especificamente.

Você sabe quais são os requisitos da denúncia previstos no art. 77?

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Art. 77. A denúncia conterá:

a) a designação do juiz a que se dirigir;

b) o nome, idade, profissão e residência do acusado, ou

esclarecimentos pelos quais possa ser qualificado;

c) o tempo e o lugar do crime;

d) a qualificação do ofendido e a designação da pessoa jurídica ou

instituição prejudicada ou atingida, sempre que possível;

suas

circunstâncias;

f) as razões de convicção ou presunção da delinquência;

g) a classificação do crime;

h) o rol das testemunhas, em número não superior a seis, com a

indicação da sua profissão e residência; e o das informantes com a

mesma indicação.

e) a

exposição

do

fato

criminoso,

com

todas

as

Perceba que no dispositivo não há nenhuma menção à

necessidade de apresentação do IPM. Isso ocorre porque, como você bem

já sabe, o MPM goza de poderes investigativos próprios, e pode conduzir

essa fase pré-processual de forma autônoma.

O erro na designação do juiz não causa a extinção do feito,

mas o juízo incompetente não irá receber a denúncia e irá,

imediatamente, despachar o envio da peça ao juízo competente.

A exposição ou descrição do fato é a parte fundamental da

denúncia. O acusado se defende do fato descrito, razão pela qual a

denúncia tem que ser clara, concisa e completa.

É necessário incluir na descrição o verbo nuclear do tipo

penal, uma vez que o fato delituoso é que fixa o objeto da decisão do

Poder Judiciário, ou seja, o julgador não poderá decidir além dos limites

definidos na denúncia.

A classificação do crime é a capitulação legal da conduta

praticada pelo criminoso. Ela é muito importante, mas uma capitulação

errônea não é suficiente para afastar o recebimento da denúncia, pois o

acusado, como já vimos, defende-se dos fatos a ele imputados.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 Quero chamar sua atenção especialmente para o requisito da alínea F. O

MPM deve trazer na denúncia as razões de convicção ou presunção da

delinquência. Este requisito não está previsto no Direito Processual

Penal comum. O art. 41 do CPP não o menciona, e esta diferença já foi

cobrada pelo Cespe.

GABARITO: C

23. (inédita). A relação processual penal militar é iniciada e torna-se

efetiva com o recebimento da denúncia por parte do órgão julgador. Sua

extinção ocorre apenas com o trânsito em julgado da sentença.

COMENTÁRIOS: O art. 35 do CPPM traz como marco inicial da relação

processual o recebimento da denúncia, e como marco final a

irrecorribilidade da sentença definitiva. Perceba, porém, que a relação

processual somente se efetiva com a citação do acusado, que é o ato por

meio do qual ele é oficialmente comunicado de que há uma ação penal

contra ele e que ele deve apresentar sua defesa.

Art. 35. O processo inicia-se com o recebimento da denúncia pelo

juiz, efetiva-se com a citação do acusado e extingue-se no momento em

que a sentença definitiva se torna irrecorrível, quer resolva o mérito, quer

não.

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GABARITO: E

24. (inédita). O rol de testemunhas é um dos requisitos da denúncia. Se

não estiver presente, portanto, a denúncia deve ser rejeitada, ainda que

não haja necessidade da produção de prova testemunhal.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 COMENTÁRIOS: O rol de testemunhas é um dos requisitos da denúncia,

mas o parágrafo único do art. 77 autoriza sua dispensa quando o

Ministério Público Militar dispuser de prova documental suficiente. Preste

bastante atenção ao art. 77, pois ele é muito importante para a sua

prova.

REQUISITOS DA DENÚNCIA

Art. 77. A denúncia conterá:

a) a designação do juiz a que se dirigir;

b) o nome, idade, profissão e residência do acusado, ou

esclarecimentos pelos quais possa ser qualificado;

c) o tempo e o lugar do crime;

d) a qualificação do ofendido e a designação da pessoa jurídica ou

instituição prejudicada ou atingida, sempre que possível;

suas

circunstâncias;

f) as razões de convicção ou presunção da delinquência;

g) a classificação do crime;

h) o rol das testemunhas, em número não superior a seis, com a

indicação da sua profissão e residência; e o das informantes com a

mesma indicação.

e) a

exposição

do

fato

criminoso,

com

todas

as

GABARITO: E

00000000000

25. (inédita). Caso falte algum dos requisitos da denúncia, deve o

magistrado, antes de rejeitá-la, remeter o processo ao órgão do Ministério

Público para que sane as impropriedades no prazo de 3 dias.

COMENTÁRIOS: A resposta para essa questão está no art. 78.

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Art. 78. A denúncia não será recebida pelo juiz:

a)

se não contiver os requisitos expressos no artigo anterior;

 

b)

se

o

fato

narrado

não

constituir

evidentemente

crime

da

competência da Justiça Militar;

c) se já estiver extinta a punibilidade;

d) se for manifesta a incompetência do juiz ou a ilegitimidade do

acusador.

Na hipótese da falta de algum dos requisitos do art. 77,

não deve o magistrado deixar de receber a denúncia imediatamente, pois

o §1º determina que antes seja dada vista dos autos ao MPM, a fim de

que preencha os requisitos faltantes. Se assim não for, segundo Paulo

Rangel, caberá apenas despacho liminar negativo, e não rejeição, e o

MPM poderá perfeitamente apresentar nova denúncia.

§1º No caso da alínea a, o juiz antes de rejeitar a denúncia,

mandará, em despacho fundamentado, remeter o processo ao órgão do

Ministério Público para que, dentro do prazo de três dias, contados da

data do recebimento dos autos, sejam preenchidos os requisitos que

não o tenham sido.

GABARITO: C

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5. JUIZ, AUXILIARES E PARTES DO PROCESSO

26. STM Analista Judiciário 2004 Cespe. As partes, os

funcionários e os serventuários da justiça militar são auxiliares do juiz.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães

Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 COMENTÁRIOS: O art. 42 do CPPM determina que os funcionários e

serventuários (hoje chamados de servidores) da Justiça Militar são, nos

processos em que atuam, auxiliares do juiz.

Art. 42. Os funcionários ou serventuários da justiça Militar são, nos

processos em que funcionam, auxiliares do juiz, a cujas determinações

devem obedecer.

Os servidores são, nos processos em que funcionam, auxiliares do

juiz, a cujas determinações devem obedecer. Cabe ao escrivão certificar-

se de que as peças e termos do processo estão em dia. Ao oficial de

justiça cabe a realização das diligências determinadas pelo juiz e

atribuídas pela Lei de Organização Judiciária Militar da União, certificando

o ocorrido (fé pública) no respectivo instrumento, com designação de

lugar, dia e hora.

As

diligências devem ser realizadas durante o dia, entre as 6h e as 18h

e,

sempre que possível, na presença de duas testemunhas.

A

doutrina adiciona ao rol de auxiliares também os peritos e

intérpretes, e em relação a eles o CPPM traz mais regras. Estes

auxiliares são de livre nomeação do juiz, sem intervenção das partes, e

serão nomeados preferencialmente entre oficiais da ativa, atendida

a especialidade.

Os peritos e intérpretes prestarão compromisso de desempenhar a

função com obediência à disciplina judiciária e de responder fielmente aos

quesitos propostos pelo juiz e pelas partes. Esse compromisso não

pode ser prestado de forma genérica, devendo ser repetido a cada

perícia.

O encargo não pode ser recusado, salvo por motivo relevante, que será

analisado pelo juiz. Caso o perito ou intérprete desobedeça alguma

dessas normas, poderá, em tese, responder pelo crime de falsa perícia,

previsto no art. 346 do CPM.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 Uma regra interessante acerca desses auxiliares é a possibilidade da

aplicação de penalidade de multa no caso de recusa do encargo por

razão irrelevante. O valor da multa deve ser de até três dias de

remuneração, ou de um décimo à metade do maior salário mínimo

vigente no país, caso o perito ou intérprete não tenha vencimentos fixos.

A penalidade de multa também é aplicável àqueles que deixam de acudir

ao chamado da autoridade, não comparecem no dia e local designado

para o exame, não apresentam o laudo, ou concorrem para que a perícia

não seja feita nos prazos estabelecidos.

Os peritos e intérpretes têm regras próprias de impedimento,

consubstanciadas no art. 52. As regras de suspeição, entretanto, são as

mesmas aplicáveis aos juízes.

Perceba que há vários auxiliares, mas entre eles não se encontra as

partes do processo, e por isso a assertiva está errada.

GABARITO: E

27. STM Analista judiciário 2004 Cespe. No processo penal

militar, o termo juiz denomina somente o juiz togado e não, os militares,

os quais são chamados membros do conselho de justiça, como os jurados

nos processos do tribunal do júri.

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COMENTÁRIOS: A resposta para nossa questão está no art. 36, §1° do

CPPM.

Art. 36. O juiz proverá a regularidade do processo e a execução da

lei, e manterá a ordem no curso dos respectivos atos, podendo, para tal

fim, requisitar a força militar.

§1º Sempre que este Código se refere a juiz abrange, nesta

denominação, quaisquer autoridades judiciárias, singulares ou colegiadas,

no exercício das respectivas competências atributivas ou processuais.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 O termo “juiz”, portanto, abrange quaisquer autoridades judiciárias,

sejam órgãos singulares ou colegiados, no exercício das respectivas

competências atributivas ou processuais. O termo, portanto, pode ser

aplicado tanto ao juiz togado (Juiz-Auditor) quando aos juízes militares,

componentes do Conselho de Justiça.

GABARITO: E

28. TJM-SP Escrevente Técnico Judiciário 2011 Vunesp.

Assinale a alternativa correta.

a) O Código de Processo Penal Militar utiliza a denominação "juiz" apenas

para autoridades judiciárias colegiadas, dentro e fora do exercício das

respectivas competências atributivas ou processuais.

b) A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida, quando a

parte injuriar o juiz ou, de propósito, der motivo para criá-la.

c) O oficial de justiça providenciará para que estejam em ordem e em dia

as peças e termos dos processos.

d) As diligências serão feitas durante o dia ou à noite, em período que

medeie entre as seis e as vinte e duas horas e sempre na presença de

duas testemunhas.

e) O escrivão realizará as diligências que lhe atribuir a lei de organização

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judiciária militar e as que lhe forem ordenadas por despacho do juiz.

COMENTÁRIOS:

A alternativa A erra ao relacionar o termo “juiz” apenas aos órgãos

julgadores colegiados. Para fins de interpretação do CPPM, juiz é qualquer

autoridade judiciária, seja singular ou colegiada, no exercício das

respectivas competências atributivas ou processuais (art. 36, §1º).

A alternativa B é a nossa resposta correta. Ela faz menção à suspeição

provocada, que não pode ser arguida, nos termos do art. 41 do CPPM.

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01

Art. 41. A suspeição não poderá ser declarada nem reconhecida,

quando a parte injuriar o juiz, ou de propósito der motivo para criá-la.

Imagine o seguinte caso: uma pessoa, tendo praticado conduta tipificada

como crime militar, foi investigado em sede de Inquérito Policial Militar e

posteriormente denunciado pelo Ministério Público Militar. Tendo tido

notícia do despacho do Juiz-Auditor determinando sua citação na condição

de acusado, o sujeito se dirigiu à sede da Auditoria Militar e proferiu duros

xingamentos direcionados ao magistrado.

Não é razoável que esse mesmo acusado possa agora alegar que o juiz é

suspeito porque se tornou seu inimigo, não é mesmo? É esse tipo de

conduta que o art. 41 veda, chamando-a de suspeição provocada, porque

ela é “fabricada” pela parte interessada em ver afastado aquele

magistrado.

As alternativas C e E estão incorretas porque invertem as funções do

escrivão e do oficial de justiça. A alternativa D tenta enganar você

trocando o horário para a realização das diligências, que é das 6h às 18h,

e não das 6h às 22h.

GABARITO: B

29. (inédita). Se o juiz tiver atuado como testemunha no processo,

estará impedido de exercer a jurisdição. Entretanto, se a esposa do

magistrado foi ouvida na mesma condição, não haverá impedimento.

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COMENTÁRIOS: Os casos de suspeição de magistrado se encontram

previstos no art. 38 do CPPM.

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Art. 38. O juiz dar-se-á por suspeito e, se o não fizer, poderá ser

recusado por qualquer das partes:

a) se for amigo íntimo ou inimigo de qualquer delas;

b) se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, de um ou de

outro, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo

caráter criminoso haja controvérsia;

c) se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo ou afim até o

segundo grau inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que

tenha de ser julgado por qualquer das partes;

d) se ele, seu cônjuge, ou parente, a que alude a alínea anterior,

sustentar demanda contra qualquer das partes ou tiver sido

procurador de qualquer delas;

e) se tiver dado parte oficial do crime;

f) se tiver aconselhado qualquer das partes;

g) se ele ou seu cônjuge for herdeiro presuntivo, donatário ou

usufrutuário de bens ou empregador de qualquer das partes;

h) se for presidente, diretor ou administrador de sociedade

interessada no processo;

i) se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das

partes.

A função de testemunha no processo, portanto, somente é causa de

impedimento se a atribuição tiver sido exercida pelo próprio juiz. Nada

obsta que o magistrado atue em processo no qual serviu como

testemunha seu cônjuge ou parente.

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GABARITO: C

30. (inédita). Luiz é Juiz-Auditor da Justiça Militar da União, e tem um

neto chamado Abranavílson. Este, por sua vez, está movendo ação cível

de indenização por perdas e danos contra Ibraim, militar da ativa. Caso

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 Ibraim seja formalmente acusado de crime militar, é correto dizer que

Luiz deve declarar-se suspeito e afastar-se do processo.

COMENTÁRIOS: Neste caso, como o parentesco entre avô e neto é de

segundo grau, Luiz incorrerá na causa de impedimento prevista na alínea

D do art. 38 do CPPM.

GABARITO: C

31. (inédita). Os peritos e intérpretes serão nomeados livremente pelo

juiz, sem intervenção das partes, preferencialmente entre oficiais da

ativa, independentemente da especialidade.

COMENTÁRIOS: Esta é uma questão bem possível de aparecer na sua

prova, hein!? Os peritos são nomeados livremente pelo juiz, sem

intervenção das partes, e o encargo deve recair preferencialmente sobre

oficiais da ativa. O erro da assertiva está em dizer que os oficiais podem

ser nomeados independentemente de especialidade. Isso não faz o menor

sentido, não é mesmo? Imagine que seja necessário fazer uma tradução e

o juiz nomeie um oficial da ativa que não conheça a língua estrangeira, ou

que seja necessário fazer uma perícia relacionada a registros contábeis e

o juiz nomeie um engenheiro

não tem cabimento, não é mesmo?

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GABARITO: E

32. (inédita). É possível que o juiz aplique penalidade de multa ao perito

ou intérprete, caso um destes auxiliares se recuse a atuar no processo

sem apresentar justificativa relevante.

COMENTÁRIOS: Esta possibilidade está descrita no art. 50 do CPPM.

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Art. 50. No caso de recusa irrelevante, o juiz poderá aplicar multa

correspondente até três dias de vencimentos, se o nomeado os tiver fixos

por exercício de função; ou, se isto não acontecer, arbitrá-lo em quantia

que irá de um décimo à metade do maior salário mínimo do país.

Parágrafo único. Incorrerá na mesma pena o perito ou o intérprete

que, sem justa causa:

a) deixar de acudir ao chamado da autoridade;

b) não comparecer no dia e local designados para o exame;

c) não apresentar o laudo, ou concorrer para que a perícia não seja

feita, nos prazos estabelecidos.

GABARITO: C

33. (inédita). O ato praticado por juiz em condição de impedimento é

anulável.

COMENTÁRIOS: Os atos praticados por juiz impedido serão considerados

inexistentes, nos temos do parágrafo único do art. 37 do CPPM.

Art. 37. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que:

a) como advogado ou defensor, órgão do Ministério Público,

autoridade policial, auxiliar de justiça ou perito, tiver funcionado seu

cônjuge, ou parente consanguíneo ou afim até o terceiro grau inclusive;

b) ele próprio houver desempenhado qualquer dessas funções ou

servido como testemunha;

c) tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de

fato ou de direito, sobre a questão;

d) ele próprio ou seu cônjuge, ou parente consanguíneo ou afim, até

o terceiro grau inclusive, for parte ou diretamente interessado.

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Parágrafo

único.

Serão

considerados

inexistentes

os

atos

praticados por juiz impedido, nos termos deste artigo.

GABARITO: E

6.

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO

34.

TJM-SP Escrevente Técnico Judiciário 2011 VUNESP.

Quanto ao foro militar em tempo de paz, assinale a alternativa correta.

a) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a justiça

militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum.

b) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a justiça

comum encaminhará os autos do inquérito policial à justiça militar.

c) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a Autoridade

de Polícia Judiciária Militar encaminhará os autos do inquérito policial

militar à justiça comum.

d) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra militar, a justiça

militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça comum.

e) Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra militar, a

Autoridade de Polícia Judiciária Militar encaminhará os autos do inquérito

policial militar à justiça comum.

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COMENTÁRIOS: Para responder corretamente a essa questão

precisamos compreender as regras do art. 82 do CPPM.

Art. 82. O foro militar é especial, e, exceto nos crimes dolosos

contra a vida praticados contra civil, a ele estão sujeitos, em tempo de

paz:

I - nos crimes definidos em lei contra as instituições militares ou a

segurança nacional:

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a) os militares em situação de atividade e os assemelhados na

mesma situação;

b) os militares da reserva, quando convocados para o serviço ativo;

c) os reservistas, quando convocados e mobilizados, em manobras,

ou no desempenho de funções militares;

d) os oficiais e praças das Polícias e Corpos de Bombeiros, Militares,

quando incorporados às Forças Armadas;

II - nos crimes funcionais contra a administração militar ou contra a

administração da Justiça Militar, os auditores, os membros do Ministério

Público, os advogados de ofício e os funcionários da Justiça Militar.

§ 1° O foro militar se estenderá aos militares da reserva, aos

reformados e aos civis, nos crimes contra a segurança nacional ou contra

as instituições militares, como tais definidas em lei.

§ 2° Nos crimes dolosos contra a vida, praticados contra civil, a

Justiça Militar encaminhará os autos do inquérito policial militar à justiça

comum.

Aqui chamo sua atenção especialmente para a regra do §2º, que já foi

cobrada em concursos anteriormente. A regra acerca do crime doloso

contra a vida praticado contra civil é de que a Justiça Militar encaminhe os

autos do inquérito policial militar para a Justiça comum, pois esta é

competente para julgar este tipo de crime, mesmo quando praticado por

militar. Essa mudança legislativa ocorreu para manter na órbita da Justiça

Comum o julgamento dos crimes praticados pelos chamados grupos de

extermínio.

Essas são as regras do foro militar em tempo de paz. O foro militar em

tempo de guerra poderá, por lei especial, abranger outros casos além

desses, desde que tenham previsão legal anterior, respeitando o princípio

da legalidade e da vedação do julgamento por tribunal de exceção, ou

seja, a previsão tem que ser anterior ao fato.

GABARITO: A

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35. DPU Defensor Público 2007 Cespe. Compete à justiça

militar da União processar e julgar crime doloso contra a vida, praticado

por militar do Exército Brasileiro contra civil, estando aquele em atividade

inerente às funções institucionais das Forças Armadas.

COMENTÁRIOS: O gabarito oficial desta questão é CERTO. Parece um

absurdo, não é mesmo? Mas é interessante que você saiba que até 2011

havia controvérsia sobre a constitucionalidade das alterações introduzidas

no CPPM pela Lei n° 9.299/1996. Em 2011 o STM se julgou incompetente

para conhecer de um crime praticado por militar contra a vida de civil, e a

controvérsia foi solucionada. Por esta razão, estou dando o gabarito da

questão como ERRADA, ok?

GABARITO: E

36. MPE-ES Promotor de Justiça 2010 Cespe. Celso, soldado da

polícia militar do estado do Espírito Santo, foi preso em flagrante delito

pelos crimes de peculato e falsidade de documento público, praticados

contra a administração militar. Oferecida denúncia perante a auditoria

militar do estado, Celso será processado e julgado. Caso os crimes

descritos fossem praticados contra civil, estando o agente no exercício da

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função policial, a competência para processar e julgar seria do Conselho

Permanente de Justiça.

COMENTÁRIOS: Mais uma questão sobre a regra específica acerca dos

crimes dolosos praticados por militares contra civis. Só que aqui tem um

detalhe: os crimes mencionados na assertiva não são dolosos contra a

vida! E por isso a competência permanece com a Justiça Militar.

GABARITO: C

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 37. PM-MG Oficial da Polícia Militar 2011 Fumarc. Sobre a

competência no âmbito do Direito Penal Militar, analise os conceitos

infrarrelacionados:

I - A competência, de modo geral, é determinada pelo local da infração.

Contudo, em crimes em que haja mais de um local de consumação, a

competência é exercida pela sede do lugar de exercício funcional do

policial militar.

II - a prerrogativa de posto ou função inibe a utilização de outro critério

para a determinação da competência.

III - Na ocorrência de continência ou conexão, o princípio da unidade do

processo é regra, exceto quando há cumulação de competências da

Justiça Comum e Justiça Militar.

Assinale a alternativa CORRETA.

a) As afirmativas I, II e III estão corretas.

b) As afirmativas I, II e III estão incorretas.

c) Apenas a afirmativa III está correta.

d) Apenas a afirmativa I está incorreta.

COMENTÁRIOS: A assertiva I está correta quando diz que a competência

é determinada, em regra, pelo local da infração. A atribuição de

competência em razão do local de serviço do militar, entretanto, não

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ocorre quando o crime se consuma em mais de um local, mas sim quando

o lugar da infração não pode ser determinado, nos termos do art. 96 do

CPPM.

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Art. 96. Para o militar em situação de atividade ou assemelhado na

mesma situação, ou para o funcionário lotado em repartição militar, o

lugar da infração, quando este não puder ser determinado, será o da

unidade, navio, força ou órgão onde estiver servindo, não lhe sendo

aplicável o critério da prevenção, salvo entre Auditorias da mesma sede e

atendida a respectiva especialização.

Quanto à assertiva II, os critérios de competência não prevalecem diante

das circunstâncias previstas no art. 87.

Art. 87. Não prevalecem os critérios de competência indicados nos

artigos anteriores, em caso de:

a) conexão ou continência;

b) prerrogativa de posto ou função;

c) desaforamento.

A assertiva III diz respeito à competência por conexão ou continência,

cujos casos estão previstos nos arts. 99 e 100.

Art. 99. Haverá conexão:

a) se, ocorridas duas ou mais infrações, tiverem sido praticadas, ao

mesmo tempo, por várias pessoas reunidas ou por várias pessoas em

concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas

contra as outras;

b) se, no mesmo caso, umas infrações tiverem sido praticadas para

facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem

em relação a qualquer delas;

c) quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas

circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.

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Art. 100. Haverá continência:

a) quando duas ou mais pessoas forem acusadas da mesma infração;

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b) na hipótese de uma única pessoa praticar várias infrações em

concurso.

Nesse tipo de competência, a regra é que os processos sejam reunidos

em um só, mas o concurso entre a jurisdição militar e a comum constitui

uma exceção.

Art. 102. A conexão e a continência determinarão a unidade do

processo, salvo:

a) no concurso entre a jurisdição militar e a comum;

b) no concurso entre a jurisdição militar e a do Juízo de Menores.

GABARITO: D

38. STM Analista Judiciário 2004 Cespe. Com relação à

competência, a conexão e a continência impõem a unidade de processo,

salvo no concurso entre a jurisdição militar e a comum.

COMENTÁRIOS: Lembre-se que para o Cespe uma assertiva incompleta

não está necessariamente errada. O art. 102 do CPPM traz duas hipóteses

de separação obrigatória dos processos em que há conexão ou

continência: concurso entre a jurisdição militar e a comum; e concurso

entre a jurisdição militar e o Juízo de Menores. Apesar de a assertiva não

mencionar a hipótese do Juízo de Menores, deve ser marcada como

correta.

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GABARITO: C

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 39. DPU Defensor Público 2007 Cespe. Falece competência à

justiça militar da união para processar e julgar civis.

COMENTÁRIOS: É importante desde já deixar muito claro para você que

a Justiça Militar da União julga tanto civis quanto militares que

praticarem crimes militares, definidos em lei. Já a Justiça Militar dos

estados não tem competência para julgar civis.

GABARITO: E

40. STM Analista Judiciário 2011 Cespe. Um processo foi

instaurado perante a Circunscrição Judiciária Militar de Curitiba, contra

várias pessoas, entre elas um coronel da Aeronáutica da ativa. Diante da

impossibilidade de compor o conselho especial, devido à inexistência de

oficiais em número suficiente, foi concedido pelo STM o desaforamento do

processo para circunscrição judiciária militar de outro estado. Todavia, no

decorrer da instrução, o coronel foi excluído do processo por força de

habeas corpus e outro corréu excepcionou a competência da circunscrição

judiciária, sob o argumento de haver cessado o motivo do desaforamento.

Nessa situação, continua competente o juízo que recebeu o processo

desaforado, mesmo que a exclusão de um dos acusados possibilite a

composição do conselho de justiça no juízo militar de origem.

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COMENTÁRIOS: Vamos agora estudar o desaforamento, previsto no art.

109.

Art. 109. O desaforamento do processo poderá ocorrer:

a) no interesse da ordem pública, da Justiça ou da disciplina

militar;

b) em benefício da segurança pessoal do acusado;

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c) pela impossibilidade de se constituir o Conselho de Justiça

ou quando a dificuldade de constituí-lo ou mantê-lo retarde

demasiadamente o curso do processo.

O “desaforamento” pode ser entendido como a subtração da lide, de um

determinado foro para outro foro, pelas razões alineadas no art. 109.

Quero chamar sua atenção para a hipótese da alínea C. Esta situação é

típica do CPPM. O processo e julgamento dos crimes militares na instância

inferior cabe aos Conselhos de Justiça, que devem ser compostos por

oficiais de mesmo posto ou mais antigos que o acusado. Se não for

possível compor o Conselho nesses moldes, poderá haver desaforamento.

O pedido de desaforamento é dirigido ao STM, podendo fazê-lo os

Comandantes da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica; do Distrito

Naval, Região Militar e de Comando Aéreo; Conselhos de Justiça ou

Auditor e ainda mediante representação do MPM ou do acusado.

Caso defira o pedido, o STM, ouvido o Procurador-Geral, se dele não

proveio o pedido, designará a Auditoria por onde deva ter curso o

processo. O pedido, mesmo quando negado, poderá ser feito novamente,

se houver motivo superveniente.

Uma vez concedido o desaforamento, não é mais possível que o processo

retorne ao juízo de origem, ainda que a razão do desaforamento deixe de

existir. Esta determinação não está expressa do CPPM mas já foi adotada

pelo Cespe em questões anteriores.

Vimos, portanto, que o posicionamento da Doutrina e do Cespe é no

sentido de que, uma vez concedido o desaforamento, não é possível

haver a devolução do processo, mesmo que a razão do desaforamento

deixe de existir.

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GABARITO: C

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01 41. DPU Defensor Público 2010 Cespe. Considere a situação

hipotética em que um grupo de 20 militares integrantes das forças

armadas brasileiras, em missão junto às forças de paz da ONU, no Haiti,

em concurso de pessoas com diversos outros militares pertencentes às

forças armadas da Itália e da França, tenha cometido diversos crimes

militares no Haiti. Nessa situação, a competência para conhecer,

processar e julgar os militares brasileiros pelas infrações penais militares

é da Justiça Militar da União, cujo exercício jurisdicional é o da auditoria

da capital da União.

COMENTÁRIOS: O Direito Penal Militar adota a territorialidade e a

extraterritorialidade, nos termos do art. 91 do CPPM.

Art. 91. Os crimes militares cometidos fora do território nacional

serão, de regra, processados em Auditoria da Capital da União,

observado, entretanto, o disposto no artigo seguinte.

Os crimes cometidos fora do território nacional, portanto,

também serão processados pela Justiça brasileira. Isso ocorreu

recentemente em relação a crimes cometidos pelos militares brasileiros

que servem em forças de paz, principalmente no Haiti.

Se o crime militar for cometido no exterior, o acusado será processado

em Brasília, na 11ª CJM.

GABARITO: C

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Prof. Paulo Guimarães

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Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães

Questões de Direito Processual Penal Militar para DPU Teoria e exercícios comentados Prof. Paulo Guimarães Aula 01

GABARITO

1.

C

22.

C

2.

E

23.

E

3.

E

24.

E

4.

C

25.

C

5.

E

26.

E

6.

C

27.

E

7.

E

28.

B

8.

E

29.

C

9.

E

30.

C

10.

E

31.

E

11.

E

32.

C

12.

E

33.

E

13.

E

34.

A

14.

A

35.

E

15.

C

36.

C

16.

E

37.

D

17.

C

38.

E

18.

E

39.

E

19.