Você está na página 1de 68
1
1

UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS

ANDRÉIA FORMIGONI CORRÊA

LUCRO REAL OU LUCRO PRESUMIDO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A MELHOR FORMA DE TRIBUTAÇÃO PARA UMA EMPRESA COMERCIAL DO SUL DE SANTA CATARINA

CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010

ANDRÉIA FORMIGONI CORRÊA 2 LUCRO REAL OU LUCRO PRESUMIDO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A MELHOR

ANDRÉIA FORMIGONI CORRÊA

2
2

LUCRO REAL OU LUCRO PRESUMIDO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A MELHOR FORMA DE TRIBUTAÇÃO PARA UMA EMPRESA COMERCIAL DO SUL DE SANTA CATARINA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.

Orientador: Prof. Esp. José Luiz Possolli

CRICIÚMA, DEZEMBRO DE 2010

ANDRÉIA FORMIGONI CORRÊA 3 LUCRO REAL OU LUCRO PRESUMIDO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A MELHOR

ANDRÉIA FORMIGONI CORRÊA

3
3

LUCRO REAL OU LUCRO PRESUMIDO: UM ESTUDO DE CASO SOBRE A MELHOR FORMA DE TRIBUTAÇÃO PARA UMA EMPRESA COMERCIAL DO SUL DE SANTA CATARINA

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela banca Examinadora para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com linha de pesquisa em Contabilidade Tributária.

Criciúma, 09 de dezembro de 2010.

BANCA EXAMINADORA

___________________________________ Prof. Esp. José Luiz Possolli - Orientador

_________________________________ Prof. Esp. Everton Perin - Examinador 1

__________________________________ Prof. Esp. Márcio Duarte - Examinador 2

4
4

“O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo

não atingindo o alvo, quem busca e vence

obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis.”

José de Alencar

AGRADECIMENTOS

5
5

Agradeço primeiramente a Deus por estar presente em todos os momentos de minha vida, me abençoando com força e sabedoria para alcançar os meus objetivos. Aos meus pais, João e Rosemary, pela vida que me deram, por contribuírem para a formação de meu caráter, e por estarem sempre presentes, preocupados e me incentivando nessa caminhada. Aos meus irmãos e minhas cunhadas que contribuíram e me deram força nessa vida acadêmica. Ao meu namorado, Rudimar, que sempre esteve ao meu lado, me apoiando e incentivando, e tendo paciência nas horas em que estive ausente. Aos meus amigos, em especial à Elisandra que sempre esteve disponível me ajudando e auxiliando em minhas possíveis dúvidas e dificuldades. Ao meu orientador, professor José Luiz Possolli, por sua dedicação, compreensão e empenho demonstrados na elaboração deste trabalho e, principalmente, pelo conhecimento compartilhado. Estendo, por meio dele, meu muito obrigado a todos os professores que lecionaram durante essa graduação. Aos colegas de classe, especialmente à Raquel e à Michele, pelas quais cativamos uma grande e verdadeira amizade. Enfim, a todas as pessoas que direta ou indiretamente contribuíram na realização deste trabalho.

RESUMO

6
6

CORRÊA, Andréia Formigoni. Lucro Real ou Lucro Presumido: Um estudo de caso para a melhor forma de tributação em uma empresa comercial no sul de Santa Catarina. 2010, 68 p. Orientador: José Luiz Possolli. Trabalho de Conclusão de Curso de Ciências Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC. Criciúma SC.

O presente trabalho tem como objetivo geral analisar e identificar a melhor modalidade de tributação para uma empresa de médio porte no ramo comercial do sul de Santa Catarina, lucro real ou lucro presumido. A contribuição deste estudo consiste em analisar e verificar os benefícios que o regime de tributação pode trazer para a empresa, abordando por meio de dados qualitativos e quantitativos se pode existir uma possibilidade de redução da carga tributária para assim manter a empresa no mercado. Para o alcance de tal objetivo, elaborou-se de forma descritiva, para melhor interpretação dos dados pesquisados, uma pesquisa bibliográfica, documental e também um estudo de caso. Foram abordados assuntos relativos aos temas: Sistema Tributário Nacional, Princípios Constitucionais Tributários, e Planejamento Tributário, considerando o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), o Programa de Integração Social (PIS), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), e os regimes de tributação federal, que atualmente são: Simples Nacional,Lucro Arbitrado, Lucro Presumido e o Lucro Real. Sendo que, no estudo de caso, foram apurados e confrontados os montantes devidos no regime de apuração pelo Lucro Real em relação ao Lucro Presumido, considerando IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, pois estes dois últimos possuem formas de apuração distintas em relação ao regime adotado para a apuração do IRPJ. Com o término do trabalho, verificou- se que a forma de tributação mais vantajosa economicamente para a empresa estudada é a tributação com base no Lucro Real.

Palavras chaves: Planejamento Tributário, Regime de Tributação, Lucro Real e Lucro Presumido.

7
7

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Ilustração 1: Gráfico comparativo Lucro Real x Lucro Presumido

.............................

62

LISTA DE TABELAS

8
8

Tabela 1: Premissas aos Cálculos

............................................................................ Tabela 2: Cálculo do IRPJ Lucro Real Tabela 3: Cálculo do CSLL Lucro Real

...................................................................

.................................................................. Tabela 4: Cálculo do PIS e COFINS não cumulativos

..............................................

56

57

57

58

Tabela 5: Cálculo do IRPJ Lucro Presumido Tabela 6: Cálculo do CSLLLucro Presumido

..........................................................

.......................................................... Tabela 7: Cálculo do PIS e COFINS cumulativos

..................................................... Tabela 8: Comparativo Lucro Real X Lucro Presumido

............................................

59

60

61

61

9
9

LISTA DE ABREVIATURA E SIGLAS

Art. = Artigo CF = Constituição Federal COFINS = Contribuição para Financiamento da Seguridade Social CTN = Código Tributário Nacional CSLL = Contribuição Social sobre o Lucro Líquido DARF = Documento de Arrecadação da Receita Federal IBPT = Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário ICMS = Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte e Comunicação IPI = Imposto sobre Produtos Industrializados IR = Imposto de Renda IRPJ = Imposto de Renda Pessoa Jurídica LALUR = Livro de Apuração do Lucro Real LC = Lei Complementar PASEP = Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIB = Produto Interno Bruto PIS = Programa de Integração Social RIR = Regulamento do Imposto de Renda SRF = Secretaria da Receita Federal

Sumário

10
10

1

INTRODUÇÃO

13

  • 1.2 Tema e problema

13

  • 1.3 Objetivos da Pesquisa

14

  • 1.4 Justificativa

14

  • 1.5 Metodologia

15

2

TERMOS E VARIÁVEIS

17

  • 2.1 Sistema Tributário Nacional

17

  • 2.2 Planejamento Tributário

18

  • 2.3 Princípios Constitucionais Tributários

20

  • 2.3.1 .................................................................................

Princípio

da

Legalidade

21

  • 2.3.2 .............................................................................

Princípio

da

Anterioridade

21

Princípio

  • 2.3.3 Irretroatividade

da

22

Princípio

  • 2.3.4 Igualdade ou Isonomia

da

23

  • 2.3.5 Princípio da Capacidade Contributiva

24

  • 2.3.6 Princípio da Vedação do Confisco

24

2.4

Regimes de Tributação

25

  • 2.4.1 Simples Nacional

25

  • 2.4.2 Lucro Presumido

26

  • 2.4.2.1 Requisitos à Opção

27

  • 2.4.2.2 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ

28

  • 2.4.2.3 Base de

Cálculo

29

  • 2.4.2.4 Alíquota do IRPJ

30

  • 2.4.2.5 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

31

  • 2.4.2.6 Base de Cálculo Presumida

31

  • 2.4.2.7 Alíquota da

32

11
11
  • 2.4.2.8 Programa de

Integração Social PIS

32

  • 2.4.2.9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS

32

2.4.2.10

PIS e COFINS Cumulativos

33

  • 2.4.3 Arbitrado

Lucro

35

  • 2.4.4 Real

Lucro

36

  • 2.4.4.1 Origem do Lucro Real

37

  • 2.4.4.2 Pessoas Jurídicas Obrigadas a Tributar pelo Lucro Real

38

  • 2.4.4.3 Período de Apuração

39

2.4.4

Formas de Apuração do Imposto

39

  • 2.4.4.1 ..................................................................................

Lucro

Real

Trimestral

40

  • 2.4.4.2 .........................................................................................

Lucro

Real

Anual

41

Receita Bruta

  • 2.4.4.3 ...............................................................................................

42

  • 2.4.4.4 Determinação da Base de Cálculo Estimada

43

  • 2.4.4.5 Acréscimos à Base de Cálculo Estimada

44

  • 2.4.4.6 Principais Adições à Base de Cálculo do Imposto de Renda e

Contribuição Social Apurado com Base no Lucro Real

44

  • 2.4.4.7 Principais Exclusões à Base de Cálculo do Imposto de Renda e a

Contribuição Social com Base no Lucro Real

46

  • 2.4.4.8 Alíquotas do Imposto de Renda

47

  • 2.4.4.9 Suspensão ou Redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica

Estimado

48

  • 2.4.4.10 Deduções do Imposto de Renda Devido

49

  • 2.4.4.11 Livro de Apuração do Lucro Real LALUR

49

  • 2.4.4.12 Prejuízos Fiscais

51

  • 2.4.4.13 Contribuição Social na Apuração pelo Lucro Real

52

  • 2.4.4.14 PIS e COFINS Não Cumulativos

53

3 ESTUDO DE CASO

55

3.1

Apresentação da

Empresa

55

12
12

3.2

Apresentação dos Dados Pesquisados

55

3.2.1

Cálculo Lucro Real

56

  • 3.2.1.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ

56

  • 3.2.1.2 Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL

57

  • 3.2.1.3 PIS e COFINS não-cumulativos

 

58

3.2.2

Cálculo Lucro Presumido

59

  • 3.2.2.1 Imposto de Renda Pessoa

Jurídica IRPJ

59

  • 3.2.2.2 Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL

60

  • 3.2.2.3 PIS e COFINS cumulativos

 

60

3.3

Análise dos Resultados Obtidos

61

4

CONSIDERAÇÕES FINAIS

63

REFERÊNCIAS

65

13

1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo apresenta-se inicialmente o tema e o problema desta pesquisa. Na sequência elucida-se o objetivo geral e os específicos do estudo e que norteiam onde se quer chegar com a justificativa, onde demonstra-se a importância do trabalho. E, por fim, apresenta-se a metodologia que será utilizada como norteadora para elaboração.

1.2 Tema e problema

Segundo publicações do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), a carga tributária brasileira é mais elevada que a maioria dos outros países. Sendo assim, os empresários e contadores estão sempre em busca de alternativas que possibilitem reduzir o desembolso com pagamento de tributos. Isso porque a alta carga tributária acaba dificultando o desempenho econômico e financeiro da empresa, pois os tributos representam uma parte significativa no faturamento das mesmas.

Devido a essa situação, os empresários esperam de seus contadores um profundo estudo acerca do regime de tributação menos oneroso à empresa, item indispensável quando se fala em planejamento tributário. Esse planejamento consiste em buscar a redução da carga tributária. Para poder realizar esse planejamento é indispensável realizar estudos, planilhas e cálculos para poder observar a melhor forma de tributação para a empresa. No entanto, não existe um planejamento tributário pronto, por isso compete ao contador analisar o segmento da empresa e avaliar a forma de tributação que se adeque a modalidade de tributação da empresa, desde que respeite a legislação vigente no país. Esta análise, para optar pela forma de tributação mais viável à empresa, deve levar em consideração as vantagens e desvantagens que cada regime de tributação oferece. Nesse trabalho será abordado de forma geral os quatro regimes de tributação: Lucro Real, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado e Simples Nacional, cada

14

um com suas normas específicas. No entanto, será estudado de uma forma mais aprofundada o Lucro Real e o Presumido, porque são o objeto de estudo deste trabalho.

Diante disso, apresenta-se como problema de pesquisa a seguinte questão: Qual a melhor modalidade de tributação para uma empresa de médio porte no ramo comercial no sul de Santa Catarina, lucro real ou lucro presumido?

  • 1.3 Objetivos da Pesquisa

O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar e identificar a melhor modalidade de tributação para uma empresa de médio porte no ramo comercial do sul de Santa Catarina, lucro real ou lucro presumido. A partir do objetivo geral elaboram-se os seguintes objetivos específicos:

  • identificar os pressupostos do planejamento tributário;

  • descrever os princípios constitucionais tributários;

  • analisar as formas de tributação existentes;

  • identificar o regime mais vantajoso a empresa.

  • 1.4 Justificativa

A redução de custos é uma necessidade à todas as empresas brasileiras em razão da alta competitividade, algo que se impõe de forma ainda maior no que se refere aos custos tributários, que segundo as informações do IBPT a carga tributária brasileira chegou a 35,02% do PIB no ano de 2009. Isso faz com que os empresários busquem soluções para conseguir reduzir os custos e aumentar o resultado da empresa. O fato de o Brasil possuir uma alta carga tributária compromete muitas empresas. Isso porque algumas acabam se extinguindo por não conseguirem honrar com seus compromissos fiscais, outras acabam cometendo evasão fiscal, ou seja, não pagando os impostos devidos.

15

Na visão de Becker (2007, p.142):

É inspiração naturalíssima e intimamente ligada à vida econômica a de se procurar determinado resultado econômico com a maior economia, isto é, com a menor despesa (e os tributos que incidirão sobre os atos e fatos necessários à obtenção daquele resultado econômico, são parcelas que integrarão a despesa).

Os empresários, desde que não violem regra jurídica, têm a indiscutível liberdade de ordenar seus negócios de modo menos oneroso, procurando uma alternativa para desembolsar um menor valor de tributos e manter a empresa com seus pagamentos fiscais pontuais. A pesquisa em nível teórico, busca contribuir e estudar os conceitos existentes no assunto abordado, visando auxiliar na tomada de decisão na forma tributária ante a legislação vigente. Esta pesquisa contribui de forma prática porque a excessiva carga tributária brasileira faz com que as empresas busquem um regime de tributação que menos onere financeiramente, refletindo assim uma economia tributária. As empresas são de extrema importância para a economia brasileira, porque elas oferecem à sociedade uma maior geração de emprego e renda. Sendo assim é de suma importância para a movimentação da economia. Para que elas continuem competindo e avançando no mercado, torna-se necessário estudar e verificar a melhor modalidade de tributação para a empresa. Dessa forma, a relevância social deste estudo consiste em analisar e verificar os benefícios que o regime de tributação pode trazer para a empresa, abordando por meio de dados qualitativos e quantitativos se há possibilidade de redução da carga tributária, para assim manter a empresa no mercado.

1.5 Metodologia

Essa etapa do estudo demonstra os procedimentos metodológicos que serão utilizados na pesquisa. Segundo Oliveira (1997), a metodologia de estudo permite ao pesquisador conseguir uma melhor compreensão do comportamento de vários fatores e elementos que influenciam determinado assunto.

16

Quanto aos objetivos esta pesquisa é descritiva. Pois, conforme Oliveira

(1997, p. 114) “[

...

]

possibilita o desenvolvimento de um nível de análise em que se

permite identificar as diferentes formas dos fenômenos, sua ordenação e

classificação.” Sendo assim, esse estudo oferece ao pesquisador uma melhor

compreensão dos diversos fatores que influenciam essa pesquisa.

Em relação a composição dos termos e variáveis foi empregado como fonte de informação a pesquisa bibliográfica, que segundo Gil (1996, p. 48) “[

...

]

é

desenvolvida a partir do material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos.” Sendo assim, por meio dessa pesquisa tem-se acesso a tudo o que já foi escrito sobre o conteúdo. Para Marconi e Lakatos (2005) a finalidade da pesquisa bibliográfica é colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto. Quanto aos procedimentos será utilizado o estudo de caso. Gil (2007, p. 54) escreve que estudo de caso consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento. O estudo de caso será feito em uma empresa no ramo comercial em Forquilhinha. A abordagem do problema que será empregada é a qualitativa. Esta tipologia para Paulilo (1999, p. 45):

[

...

]

trabalham com valores, crenças, hábito, atitudes, representações,

opiniões e adequa-se a aprofundar a complexidade de fatos e processos particulares e específicos a indivíduos e grupos. A abordagem qualitativa é empregada, portanto, para a compreensão de fenômenos caracterizados por um alto grau de complexidade interna.

Portanto, a pesquisa qualitativa trata da análise dos dados para que se possa entender determinado assunto em sua forma mais abrangente, por meio do estudo de todos os dados, informações e documentos que fazem parte do cálculo do Lucro Real e do Lucro Presumido.

17

2 TERMOS E VARIÁVEIS

Nesse capítulo aborda-se conceitos necessários para a compreensão dos objetivos descritos no trabalho, bem como dos tributos sobre o lucro e faturamento, que são: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, Sistema Tributário Nacional e os Princípios Constitucionais Tributários.

2.1 Sistema Tributário Nacional

Denari (2008) caracteriza o sistema tributário como o conjunto de normas jurídicas, conexas e consequentes, que disciplinam o exercício do poder impositivo. Para que um contador possa iniciar o seu trabalho na contabilidade, ele precisa obedecer, além das normas e dos princípios contábeis, também a legislação tributária. O Código Tributário Nacional estabelece um conceito à legislação tributária, conforme o art. 96 da Lei nº 5.172/66:

A expressão legislação tributária compreende as leis, tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes.

De acordo com o art. 97 do Código Tributário Nacional:

Somente a lei pode estabelecer:

I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26,39,57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do art. 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado a disposto nos arts. 21,26,39,57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nelas definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.

18

Os tributos se classificam em duas espécies: tributos não vinculados (que são os impostos) e tributos vinculados (que são as taxas).

A definição de imposto, pertence ao art. 16 do CTN, “Imposto é o tributo

cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independentemente de qualquer

atividade específica, relativa ao contribuinte.” A CF/88 conceitua tributo como toda “prestação pecuniária compulsória,

em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção por ato

ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente

vinculada.”

Cassone (2002) destaca que as espécies de tributos classificados com impostos, além de expressar um conteúdo econômico, não originam qualquer contraprestação direta do ente público por conta do tributo pago pelo contribuinte.

O art. 5º do CTN dispõe que “os tributos são impostos, taxas e

contribuições de melhorias.”

A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que

correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. (Parágrafo único do art. 77 do CTN) Segundo Oliveira (2003) as taxas e contribuições de melhoria têm pouco significado, tanto no que se refere ao montante arrecado, como ao impacto causado no contribuinte. Na CF/88, surgiram, para financiamento das atividades sociais, as contribuições sociais. Essas têm como base o lucro da sociedade, a folha de pagamento dos funcionários e faturamento da empresa, ou seja, as contribuições ao INSS, contribuição sindical, contribuição ao PIS, contribuição social sobre o lucro líquido e contribuição para o fundo de investimento social.

2.2 Planejamento Tributário

Para poder alcançar o sucesso no mundo dos negócios é preciso agregar decisões à manutenção do lucro e a continuidade da empresa. No atual mercado competitivo, o planejamento tributário é essencial a qualquer empreendimento.

19

Planejamento tributário é o estudo feito antes da realização do fato administrativo, pesquisando-se seus efeitos jurídicos e econômicos e as alternativas legais menos onerosas. (Fabretti, 2001).

Segundo Oliveira (2005, p.179) “o planejamento tributário consiste em um conjunto de medidas contínuas que visam à economia de tributos, de forma legal.”

Os contadores estão sempre em buscar de atualizações para poder satisfazer os empresários em visão de redução de custos, e geralmente esses custos que eles procuram os contadores para reduzir, seriam os impostos. Na visão de Rocha et al (2001, p. 104), o planejamento tributário não é só

uma técnica de teste preventivo, mas sim uma: “[

...

]

técnica de subsunção

antecipada, antevendo as consequências jurídicas co-tributárias, elaborada para agir

conforme o ordenamento, usando as operações menos onerosas disponíveis como

legítimas.”

A

carga

tributária

do

Brasil

reforça

a

importância

do

planejamento

tributário no cenário econômico atual. De acordo com Martinez (2002, p.1):

em época de mercado competitivo e necessivo de aumento de concorrência entre as empresas nacionais, o planejamento tributário assume um papel de extrema importância na estratégia e finanças das empresas, pois quando se analisam os balanços das mesmas percebe-se que os encargos relativos a impostos, taxas e contribuições são, na maioria dos casos, mais representativos do que dos custos de produção.

Se a empresa pretende avançar no mercado competitivo que engloba a economia na atualidade, é de extrema necessidade fazer um planejamento adequado à ela, sem cometer evasão fiscal. É chamada evasão a quem emprega

práticas ilícitas. Segundo Young (2005, p.60) evasão é “[

...

]

aquele negócio jurídico

efetuado de forma dolosa com o intuito de burlar o fisco, visando o não pagamento

da obrigação tributária, ou pagando menor carga, porém de forma ilícita.”

Pode-se afirmar que a principal função do planejamento tributário é diminuir a carga tributária das empresas. Na visão de Martins (2002, p.33) o planejamento tributário seria:

a análise do conjunto de atividades atuais ou dos projetos de atividades econômico-financeiras do contribuinte (pessoa física ou jurídica), em relação ao seu conjunto de obrigações fiscais, com o escopo de organizar suas finanças, seus bens, negócio, rendas e demais atividades com repercussões tributárias de modo que venha sofrer menor ônus fiscal possível.

20

Dentro do planejamento tributário existem os pressupostos tributários, os quais seriam, de acordo com o site www.fblaw.com.br:

Legalidade: que os atos e negócios jurídicos realizados estejam em consonância com as disposições da Legislação vigente; Formalidade: que os atos e negócios jurídicos planejados estejam suportados por documentação idônea; Conformidade: que todas as questões fáticas inerentes ao planejamento tributário confirmem a realização do ato ou do negócio realizado; Que haja comprovada necessidade, utilidade e pertinência econômica do ato ou do negócio realizado; e Que haja coerência entre os procedimentos adotados e os documentos que os suportam.

Então, o planejamento tributário, é entre outras, uma forma de estudar o melhor regime de tributação para uma empresa que busca continuar no mercado e avançar sempre, conquistando mais clientes e expandindo sua entidade.

2.3 Princípios Constitucionais Tributários

Os princípios constitucionais tributários prevalecem sobre todas as normas jurídicas, sendo que as mesmas somente terão validade se editadas em rigorosa consonância com eles. (Oliveira, 2003). A função dos princípios é dada com o limite do poder de tributar, adquirido por meio do art. 145 da CF/88. Na legislação brasileira existem alguns princípios constitucionais. Esses estabelecem limitações que o Estado deve obedecer ao editar uma regra.

Para Sá (2005, p. 87), “é preciso considerar princípios, como macros- regras e não como métodos ou matérias de caminho para pesquisa ou coisa que

ainda busca.

[...]

Um princípio não é o caminho para entender verdades, mas a

verdade em si mesma.”

Dessa forma, todas as normas jurídicas devem estar em harmonia com os princípios constitucionais tributários, pois esses se sobressaem à elas. Os princípios constitucionais tributários estão previstos na CF/88, no capítulo do sistema tributário nacional. Destacam-se: legalidade, anterioridade, irretroatividade, igualdade ou isonomia, capacidade contributiva, vedação do confisco.

21

  • 2.3.1 Princípio da Legalidade

Para Denari (2008), este é o princípio de maior importância entre os que informam a tributação. O princípio da legalidade encontra-se no capítulo dos direitos e garantias da CF/88, que firmou o primado da legalidade. Esse princípio define que não pode haver a instituição ou um aumento de um determinado tributo sem que exista um dispositivo legal.

O princípio da legalidade, conforme a CF/88, art. 150, estabelece que “[ ] ...

é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos municípios: I exigir ou aumentar tributo sem que Lei o estabeleça.” Carvalho (2008) diz que, em outras palavras, qualquer das pessoas políticas de direito constitucional interno somente poderá instituir tributos, ou aumentar os existentes, majorando a base de cálculo ou a alíquota, mediante a expedição de lei.

  • 2.3.2 Princípio da Anterioridade

O princípio da anterioridade é definido na CF/88 art. 150, inciso III, alínea

b:

art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, os Estados, ao distrito Federal e aos Municípios:

III cobrar tributos:

b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicado a lei que instituiu ou aumentou.

Conforme Carvalho (2008, p.175) “[

...

]

o princípio da anterioridade, a

vigência da lei que institui ou aumenta tributo deve ficar protraída para o ano

seguinte ao da sua publicação, momento em que o ato se insere no contexto

comunicacional do direito.”

O mesmo dispositivo legal que representa esse conceito, apresenta algumas exceções a este princípio, que estão previstas no parágrafo 1º no art. 153, o qual é:

Art. 153: Compete à União instituir impostos sobre:

I importação de produtos estrangeiros;

22

II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de créditos, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I,II,IV e V.

O empréstimo compulsório também é uma exceção. Ressalta-se no art. 148, I: para atender a despesa extraordinária, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência. (Carvalho, 2008). Dentro do princípio da anterioridade, existe também a Noventena, que foi introduzida pela Emenda Constitucional n.42 de 19 de dezembro de 2003, acrescentada à CF/88, na alínea c, que estabelece a impossibilidade de “cobrar

tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei

que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b.”

Carvalho (2008, p.176) exemplifica esse conceito como:

Trata-se de novo requisito que se cumula ao princípio da anterioridade, já existente. Um tributo recém-instituído ou aumentado é exigível apenas no exercício financeiro seguinte e depois de passado noventa dias da sua instituição ou aumento, ficando excepcionados desta última exigência os impostos previstos no art. 153, I, II,III e V, da Carta Magna (II, IE, IR e IOF), os impostos extraordinários (art. 154,II), os empréstimos compulsórios criados nas hipóteses de calamidade pública ou guerra externa (art. 148, I), bem como a fixação das bases de cálculo do imposto sobre propriedade de veículos automotores (art. 155, III) e do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (art. 156, I).

Então, para se instituir ou majorar um tributo no exercício de 2011, por exemplo, a lei deverá ser promulgada até no máximo em 31/12/2010. E para a Noventena, até no máximo em regra, 30/09/2010.

2.3.3 Princípio da Irretroatividade

O art. 150 da CF/88 afirma que é vedado: “[

...

]

III – cobrar tributos: a) em

relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da Lei que os houver

instituído ou aumentado.”

23

Cais (2009) diz que:

De fato, se a lei pode retroagir, embora não deva, respeitando-se, porém, o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido, em sendo tributária, é forçoso concluir que a lei não retroagirá nunca, uma vez que está vedada a cobrança de tributos em relação a fatos imponíveis ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado.

A irretroatividade tributária também é espécie do princípio geral da

irretroatividade da Lei, expresso no inciso XXXVI do art. 5º da CF, que diz: “A Lei

não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada.” (Fabretti,

2001).

2.3.4 Princípio da Igualdade ou Isonomia

Em relação a este princípio, a CF/88 evidencia no art. 150 que:

Art. 150- Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; II instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.

Isso significa que os contribuintes devem ter tratamento igualitário quando se encontram em situação equivalente, não podendo haver tratamento desigual entre os contribuintes. Na visão de Denari (2008, p. 65):

O dispositivo constitucional procura satisfazer aos reclamos mais legítimos de vários segmentos da sociedade civil que vinham exigindo tratamento isonômico na área de incidência do imposto sobre a renda, de cujo pagamento estavam exoneradas algumas carreiras e categorias profissionais, como as dos militares, parlamentares, magistrados e promotores de justiça. Sem dúvida alguma, trata-se de princípio que, pelo alcance e sentido de suas provisões, causou grande impacto em nosso sistema constitucional tributário.

Segundo Fabretti (2001, p.11), a isonomia tributária é espécie do princípio

geral de isonomia, expresso no

caput do art.5º da

CF/88: ”[

...

]

todos são iguais

perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros, residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à

igualdade [ ].” ...

24

  • 2.3.5 Princípio da Capacidade Contributiva

A capacidade contributiva do sujeito passivo sempre foi o padrão de referência básico para aferir-se o impacto da carga tributária e o critério comum dos juízos de valor sobre o cabimento e a proporção do expediente impositivo. (Carvalho, 2008). Na opinião de Pêgas (2007), o princípio da capacidade contributiva é um dos princípios mais questionados pelas empresas. Diz ele que os tributos devem ser graduados conforme a capacidade econômica do contribuinte. E a CF/88, no art. 150, traz o conceito do princípio da capacidade contributiva:

Art.150 - A União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios poderão

instituir os seguintes tributos: [

...

]

§1º - Sempre que possível, os impostos

terão caráter pessoal e são graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultando à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

Segundo Pêgas (2007), por exemplo, as empresas distribuidoras de energia elétrica, no momento da emissão da fatura, é configurada a receita, sendo esta considerada base para diversos tributos, entre eles PIS e COFINS, cujo vencimento se dá no mês seguinte. Ocorre que, em muitos casos, a receita não se materializou, ou seja, o dinheiro não foi e nem será recebido, não cabendo, na opinião das empresas, o pagamento das contribuições.

  • 2.3.6 Princípio da Vedação do Confisco

A vedação de confisco, conforme a CF/88, art. 150, esclarece que “[

...

]

é

vedado à União, aos Estados, ao Direito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco.”

Para saber se um tributo é confiscatório ou não, deve-se, em primeiro lugar, avaliar a capacidade econômica do contribuinte. Se está além de sua capacidade contributiva, o tributo é confiscatório. (Harada, 2008)

25

Ainda de acordo com Harada (2008, p. 197), um exemplo prático de vedação de confisco, é o imposto de renda: se o contribuinte tiver de gastar toda a renda produzida para pagamento do tributo, parece não haver dúvida quanto à configuração do confisco.

2.4 Regimes de Tributação

No

Brasil,

os

regimes

de

tributação

estão

divididos

em

quatro

possibilidades: simples nacional, lucro arbitrado, lucro presumido e lucro real. A pessoa jurídica pode ser enquadrada em qualquer uma dessas modalidades, desde que respeite a legislação vigente, observando as condições expostas.

Os regimes citados acima serão apresentados a seguir, dando-se maior enfoque ao lucro real e presumido, objeto principal de estudo deste trabalho.

2.4.1 Simples Nacional

O Simples Nacional foi estabelecido pela Lei Complementar nº 123 de dezembro de 2006, é aplicado nas empresas de Pequeno Porte (EPP) e nas Microempresas (ME). Este regime resume-se no recolhimento único de impostos e contribuições baseado numa tabela progressiva aplicada sobre o faturamento da empresa. A Lei Complementar 123/06 define em seu artigo 3º:

I - Micro empresa é a pessoa jurídica que tenha auferido no ano calendário, receita bruta igual ou inferior a de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais);II- empresa de pequeno porte a pessoa jurídica que tenha auferido no ano calendário, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 ( dois milhões e quatrocentos mil reais).

O Simples é uma forma de tributação que podemos considerar como progressiva, ou seja: à medida do aumento do faturamento, muda-se a alíquota da tributação. (Young, 2009)

26

De acordo com a cartilha do simples nacional (2008) são oito tributos pagos em um único documento de arrecadação:

  • 1. Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ;

  • 2. Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL;

  • 3. Contribuição para o PIS/Pasep;

  • 4. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins;

  • 5. Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI;

  • 6. Contribuição Previdenciária Patronal - CPP;

  • 7. Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre

Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de

Comunicação - ICMS;

  • 8. Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISS.

Na visão de Young (2009 p.16) o simples nacional apresenta alguns

aspectos negativos que são: “[

...

]

inúmeras situações impeditivas de opção por este

sistema de tributação. Portanto, muitas pessoas jurídicas, cuja atividade seja

prestação de serviços, estão excluídas desta forma de tributação.”

No regime de tributação do simples nacional não podem ser aproveitados créditos de ICMS, ISS e IPI. Esse fator Young (2009) também frisa como ponto negativo.

Além

do faturamento devem ser observados outros critérios para a

possibilidade de adesão, tais como: ramo de atividade, participação de sócios,

conforme disciplina os arts. 3º e 17 da LC 123/2006.

2.4.2 Lucro Presumido

O lucro presumido é um regime de tributação que utiliza apenas as receitas da empresa para a apuração do resultado de IRPJ e CSLL. Dessa forma, esses tributos são calculados por um resultado estimado, encontrado por meio de percentuais definidos em lei.

Rodrigues et al (2008, p. 292) conceitua que “lucro presumido é uma forma de tributação simplificada para determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social das pessoas jurídicas que não estiveram obrigadas no ano-calendário, à apuração do lucro real.”

27

Conforme Young (2003, p.36), “lucro presumido é o lucro que se presume

obtido pela empresa sem escrituração contábil, para efeito do pagamento do imposto de renda, calculado por um coeficiente aplicado sobre a receita bruta.” De acordo com a citação anterior, no lucro presumido as empresas estão dispensadas da escrituração contábil, porém existem outras escriturações que são obrigatórias.

É uma modalidade optativa de apurar o lucro e, consequentemente, o imposto de renda das pessoas jurídicas que, observando determinados limites e condições, dispensam a escrituração contábil, exceto a do Livro de Registro de Inventário e do Livro Caixa, e que está baseado em valores globais da receita para assumir o lucro a ser tributado. (SÁ e SÁ, 1995, p.

301).

Apesar de essas empresas poderem ser dispensadas de tais obrigações, é de extrema importância que elas mantenham todas as escriturações contábeis, porque é por meio destas que os administradores poderão tomar decisões, visando sempre a lucratividade.

2.4.2.1 Requisitos à Opção

Vale ressaltar que não são todas as empresas que podem optar pelo

lucro presumido. De acordo com o Decreto 3.000/1999, art. 516, “a pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano-calendário anterior tenha sido igual ou inferior a R$

48.000.000,00 [

...

]

poderá optar pelo regime de tributação com

base

no lucro

presumido.”

As empresas que não estejam obrigadas à tributação pelo lucro real poderão optar pelo regime de tributação no lucro presumido, conforme a legislação tributária, precisamente o Decreto 3.000/1999. Young (2009, p.194) destaca as seguintes vedações à opção pelo lucro presumido:

I cuja receita total, no ano-calendário anterior, tenha excedido o limite de R$ 48.000.000,00 ou de R$ 4.000.000,00 multiplicado pelo número de meses do período, quando inferior a doze meses; II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de credito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e

28

valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, queiram usufruir de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto de renda; V que, no decorrer do ano-calendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2º da Lei 9.430/96; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e risco, administração de contas a pagar e a receber, compras de direito creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).

Assim, a

pessoa jurídica que

não

se enquadrar em nenhuma das

condições de impedimentos, poderá tributar pelo lucro presumido.

2.4.2.2 Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ

Segundo Oliveira (2005), o art. 43 do CTN determina que o fato gerador do IRPJ é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza. Rodrigues (1996, p.192) fala sobre o surgimento do imposto de renda no

Brasil:

[

...

]

desde meados do século passado, sob influência britânica, apareceram

as primeiras sugestões para adoção no país do imposto sobre a renda. Nas Constituições do Império (1924) e da república (1891), este imposto não era previsto. Surgiu com a lei nº 4.625, de 31 de dezembro de 1922, que o regulava amparado na Constituição de 1891, com base na competência concorrente com a União e dos Estados (art.12) para criar impostos. Com a Constituição de 1934, o imposto de renda ingressou no rol dos tributos privativos da união .

Depois da Constituição de 1934, surge a Lei nº 5172, de 25 de outubro de 1966, que institui o Código Tributário Nacional, estabelecendo em seus artigos 43,44 e 45:

O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica; I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho, ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior.

29

Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do Imposto é o titular da disponibilidade a que se refere O artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer titulo, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis.

O dispositivo legal acima citado esclarece que o imposto de renda tem como fato gerador a renda e os proventos de qualquer natureza. No caso do lucro presumido é utilizado para o cálculo o faturamento da empresa, sendo que o período de apuração é trimestral.

2.4.2.3 Base de Cálculo

A base de cálculo do lucro presumido é a presunção do lucro. Para encontrá-lo aplica-se um percentual de acordo com o ramo de atuação da entidade e após utiliza-se a alíquota do IR. Os percentuais, segundo Higuchi e Higuchi (2009, p. 57), são:

I 1,6 na revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% na venda de mercadorias e produtos; III 8% na prestação de serviços de transporte de cargas; IV 8% na prestação de serviços hospitalares; V 8% na venda de imóveis das empresas com esse objeto social; VI 8% nas indústrias gráficas; VII 8% na construção civil por empreitada com emprego de materiais; VIII - 16% na prestação de serviços de transportes, exceto de cargas; IX - 16% na prestação de serviços em geral das pessoas jurídicas com receita bruta anual de até R$ 120.000, exceto serviços hospitalares, de transportes e de profissões regulamentadas; X - 32% na prestação de demais serviços não incluídos nos incisos anteriores.

A base de cálculo presumida é obtida por meio da receita bruta encontrada na atividade da pessoa jurídica optante e do resultado das demais receitas e ganhos de capital. Segundo o Decreto 3.000/1999, art. 521, “os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo.” Rodrigues (2008, p. 301) esclarece quais são as receitas ou resultados e ganhos de capital:

30

  • a) rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e ganhos líquidos

de operações financeiras de renda variável;

  • b) juros remuneratórios de capital próprio que houverem sido pagos ou

creditados por outra pessoa jurídica da qual a empresa seja sócia ou

acionista;

  • c) juros, calculados pela taxa Selic, incidentes sobre impostos e

contribuições pagos indevidamente ou a maior que o devido, a serem

restituídos ou compensados;

  • d) rendimentos obtidos nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas

controladoras e controladas, coligadas ou interligadas;

  • e) ganhos de capital (lucros) na alienação de bens do ativo permanente,

inclusive os obtidos [ ]; ...

  • f) valores recuperados, correspondentes a custos e despesas, inclusive

perdas no recebimento de crédito, salvo se a empresa puder comprovar [ ]; ...

  • g) demais receitas ou resultados percebidos [ ]; ...

Portanto, sobre a base de cálculo presumida deverão ser acrescentadas as demais receitas e ganhos de capital que não estão ligadas com a atividade da empresa, compondo assim a base de cálculo para apuração dos impostos devidos.

2.4.2.4 Alíquota do IRPJ

De acordo com Rodrigues et al (2008, p. 304),

o imposto trimestral será calculado mediante a aplicação da alíquota de 15% sobre a base de cálculo do lucro presumido apurado no trimestre e da alíquota adicional de 10% sobre o limite equivalente ao resultado da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do período de apuração.

O imposto apurado em cada trimestre deve ser pago, de acordo com

Young (2009, p. 212), “até o último dia útil do mês seguinte ao do trimestre de

apuração, com o código da receita 2089.” De acordo com Silva (2005, p.219), “a parcela do lucro presumido que

exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração sujeita-se à incidência do adicional do imposto.” Fica compreendido então que, o imposto de renda será apurado sobre a base de cálculo presumida, adicionadas as receitas e ganhos de capital, obtendo assim a base de cálculo do imposto. Será calculado à alíquota de 15% do IR, e de 10% do adicional.

31

  • 2.4.2.5 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido

De acordo com Oliveira (2005) essa contribuição foi instituída pela Lei nº 7.689/88 com o objetivo de financiar a seguridade social por meio de lucros auferidos pelas pessoas jurídicas e das entidades que são equiparadas pela legislação do imposto de renda.

  • 2.4.2.6 Base de Cálculo Presumida

Em relação a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, segundo Higuchi e Higuchi (2009, p.70-71) destacam que:

a base de cálculo corresponde a 12% da receita bruta do trimestre cujo resultado será acrescido de ganhos de capital, de rendimentos de

[

...

]

aplicações financeiras e de demais receitas e resultados positivos auferidos no trimestre.

Deve ser levado em consideração que existem atividades que possuem percentual diferenciado. De acordo com Young (2009, p. 209), as seguintes atividades deverão aplicar o percentual de 32% na determinação da base de cálculo da CSLL:

  • a) Prestação de serviços em geral, exceto hospitalar;

  • b) Intermediação de negócios;

  • c) Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos

de qualquer natureza, e factoring.

Segundo o Decreto 3.000/1999, art. 521, “os ganhos de capital, os

rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas pelo art. 519, serão

acrescidos a base de cálculo.”

Apurada a base de cálculo e acrescido os demais ganhos, é aplicada a

alíquota da CSLL.

32

  • 2.4.2.7 Alíquota da CSLL

A alíquota da CSLL a ser aplicada sobre a base de cálculo, conforme

Rodrigues et al (2008, p. 313) “[

]

é de 9% para as pessoas jurídicas em geral.”

... Encontrado o valor da CSLL, esta deverá ser paga, de acordo com Young (2009, p. 212), “até o último dia útil do mês seguinte ao do trimestre de apuração,

com o código da receita 2372.”

  • 2.4.2.8 Programa de Integração Social PIS

O Programa de Integração Social PIS, foi criado pela Lei Complementar nº 7/1970, e estabelece em seu art. 1º “É instituído, na forma prevista nesta Lei, o Programa de Integração Social, destinado a promover a integração do empregado

na vida e no desenvolvimento das empresas.”

Rodrigues et al (2008, p.341), diz que “com a publicação da CF/88, a sua destinação constitucional passou a ser para custear o programa de seguro-

desemprego e o abono do PIS.”

A partir de 1º de dezembro de 2002, com a Lei nº 10.637/2002, passa a

ter outras modalidades de tributação: Cumulatividade e Não-Cumulatividade. (Oliveira, 2005).

  • 2.4.2.9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS

A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, a COFINS, foi instituída pela Lei Complementar nº 71/91, que em seu art.1 conceitua:

Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP fica instituída Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art.195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas, inclusive as a elas equiparadas pela legislação do Imposto sobre a Renda, destinadas exclusivamente às

33

despesas

com

atividades-fins

das

áreas

de

saúde,

previdência

e

assistência-social.

 

De acordo com Higuchi e Higuchi (2009, p.841), o “sujeito passivo da

obrigação tributária da contribuição social sobre o faturamento as pessoas jurídicas em geral e a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda.” A COFINS passou a ter dois regimes de cobrança a partir da publicação da Lei nº 10.833/2003: cumulativo e não cumulativo. A apuração do PIS e da COFINS é diferenciada para cada regime de tributação, como será visto no transcorrer do trabalho.

2.4.2.10 PIS e COFINS Cumulativos

As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido deverão apurar e recolher o PIS e a COFINS na modalidade cumulativa. Conforme Santos e Barros (2007, p.608), são contribuintes do PIS e da COFINS cumulativos, as pessoas jurídicas de direito privado em geral, inclusive as pessoas a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, exceto:

  • a) aquelas sujeitas à modalidade não cumulativa da contribuição;

  • b) as microempresas e as empresas de pequeno porte submetidas ao

regime do simples; e

  • c) outras definidas em lei.

De acordo com Rodrigues et al (2008) “são contribuintes da COFINS e do

PIS as pessoas jurídicas de direito privado em geral e as que lhe são equiparadas

pela legislação do Imposto de Renda [ ].” ...

A apuração dos impostos ocorre por meio de aplicação de alíquotas sobre

a receita bruta. Segundo Fabretti (2006, p.177) “[ PIS e de 3% para a COFINS.”

...

]

com a alíquota de 0,65% para o

Santos e Barros (2007, p.613), relatam que da base de cálculo das

contribuições devidas na modalidade cumulativa devem ser excluídos:

  • a) o IPI, nas empresas contribuintes desse imposto;

  • b) as vendas canceladas e os descontos concedidos

incondicionalmente;

  • c) o ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador de

serviços na condição de substituto tributário;

  • d) as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como

perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo

34

da avaliação de investimento pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;

  • e) a receita decorrente da venda de bens do Ativo Permanente;

  • f) as receitas decorrentes dos recursos recebidos a titulo de repasse,

oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, pelas empresas públicas e pelas sociedades de economia

mista.

  • g) as receitas de exportação de mercadorias para o exterior;

  • h) as receitas dos serviços prestados à pessoa física ou jurídica

residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de

divisas;

  • i) as receitas do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou

consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional,

quando for efetuado em moeda conversível;

  • j) as receitas do transporte internacional de cargas ou passageiros;

  • k) as receitas auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades

de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de

embarcações pré-registradas bo Registro Especial Brasileiro (REB);

  • l) as receitas do frete de mercadorias importadas entre o País e o

exterior pelas embarcações registradas no Registro Especial Brasileiro (REB);

  • m) as receitas de vendas realizadas pelo produtor-vendedor às

empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto-Lei nº

1.248/1972 e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim especifico de exportação ao exterior;

  • n) as receitas de vendas, com o fim especifico de exportação para o

exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio

Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio;

  • o) a parcela das receitas financeiras decorrentes da variação monetária

dos direitos de credito e das obrigações do contribuinte, em função das taxas de câmbio, submetida à tributação, segundo o regime de competência, relativa a períodos compreendidos no ano-calendario de

1999, excedente ao valor da variação monetária efetivamente realizada,

ainda que a operação correspondente já tenha sido liquidada (art. 31 da MP nº 2 2.158/2001 e reedição posteriores);

  • p) as receitas isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição

ou sujeitas a alíquota 0 (zero).

De acordo com Rodrigues et al (2008, p. 347) a COFINS e o PIS devem ser pagas até o último dia útil do segundo decêndio do mês subsequente ao da ocorrência do fato gerador. E a forma de pagamento é por meio de DARF com os seguintes códigos:

  • Cofins Entidades financeiras e equiparadas 7987;

  • Cofins Demais contribuintes 2172;

  • PIS-Pasep Entidades Financeiras e equiparadas 4574;

  • PIS-Pasep 8109.

Dessa maneira, as empresas optantes do regime cumulativo deverão apurar e recolher as contribuições mensalmente, para a obtenção dos valores devidos, sendo aplicadas as alíquotas estabelecidas na legislação sobre a receita

35

bruta. Essa modalidade cumulativa do PIS e COFINS não permite crédito na compra de mercadoria.

2.4.3 Lucro Arbitrado

Na visão de Young (2009), o lucro arbitrado é a forma de tributação menos utilizada, visto que sobre o faturamento trimestral são aplicados percentuais majorados para determinação da base de cálculo.

Segundo Latorraca (1998, p.168), “o lucro arbitrado é a base de cálculo,

cuja aplicação constitui faculdade da autoridade tributária, que poderá adotá-la nas

condições estipuladas na lei.”

O regime de tributação pelo arbitramento poderá ser opção da empresa, de forma voluntária ou imposta pelo fisco de oficio. Neves e Viceconti (2002, p.20) evidenciam os casos em que se aplica o arbitramento de ofício. São eles:

  • a) a pessoa jurídica, obrigada à tributação com base no lucro real, não

mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;

  • b) a escrituração mantida pelo contribuinte contiver vícios, erros ou

deficiências que a tornem imprestável para determinar o lucro real ou,

ainda, revelar evidentes indícios de fraude;

  • c) a pessoa jurídica deixar de apresentar à autoridade tributária, quando

solicitado, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou o

livro caixa com toda movimentação financeira;

  • d) o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro

presumido, estando obrigada à tributação com base no lucro real;

  • e) a pessoa jurídica não mantiver em boa ordem e segundo as normas

contábeis recomendadas, livro razão ou fichas utilizadas para resumir e totalizar por conta ou sub-conta, os lançamentos efetuados no livro diário;

  • f) o comissário ou representante de pessoa jurídica estrangeira não

apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente

residente ou domiciliado no exterior;

Higuchi e Higuchi (2009) frisam que o art. 16 da Lei nº 8.981/95, diz que o lucro arbitrado das pessoas jurídicas será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta, quando reconhecida, dos percentuais fixados no art. 15, da mesma lei, acrescidos de 20%. Assim sendo, segue abaixo os percentuais fixados no art. 15 do mesmo dispositivo legal citado anteriormente, com a referida majoração:

36

  • 9,6% - venda de mercadorias e produtos;

  • 1,92% - revenda, para consumo, de combustíveis derivados de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural;

  • 19,2% - prestação de serviços de transportes, exceto o de carga que é de

9,6%;

  • 38,4% - prestação dos demais serviços. Caso não seja conhecida a receita bruta, de acordo com Higuchi e Higuchi (2009, p.109), “será determinado através de procedimento de ofício, mediante a utilização de uma das alternativas de cálculo enumeradas. São oito

alternativas que podem ser o lucro real do último período em que a empresa

manteve a escrituração, soma dos ativos [ ]” ...

Sendo assim, o lucro arbitrado é uma forma de tributação simplificada, na qual a base de cálculo será encontrada mediante a aplicação de percentuais sobre a

receita bruta.

2.4.4 Lucro Real

O regime de tributação pelo lucro real é a forma mais exata de calcular o imposto de renda e a contribuição social das empresas, onde a base de cálculo se

inicia por meio do lucro contábil. De acordo com Neves e Viceconti (2003, p.3), “[ ] ... é o resultado (Lucro ou Prejuízo) do período de apuração (antes de computar a provisão para o imposto de renda), ajustado pelas adições, exclusões e

compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda.”

Na visão de Rodrigues et al (2008, p.23) “conceitua-se o Lucro Real como o lucro líquido contábil do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou

compensações previstas no Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99).”

Logo, o Decreto 3.000/99 no art. 247 esclarece que “Lucro Real é lucro

líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações

prescritas ou autorizadas por este Decreto.”

Para poder compreender melhor o conceito do lucro real é necessário saber o conceito de lucro líquido, pois ele é o ponto de partida para operação da

37

base de cálculo dos impostos. Iudicibus, Martins e Gelbcke (2000, p.28) conceituam lucro líquido como sendo:

O lucro ou prejuízo apurado nessa demonstração é o que se pode chamar de lucro dos acionistas, pois, além dos itens normais, já se deduzem como despesas do Imposto de Renda e as participações sobre os lucros a outros que não são acionistas, de forma que o lucro líquido demonstrado é o valor final a ser adicionado ao patrimônio líquido da empresa que, em última análise, pertence aos acionistas, ou é distribuído como dividendo.

Santos e Barros (2007) conceituam que o lucro real significa o próprio lucro tributável, para fins da legislação do Imposto de Renda, distinto do lucro líquido apurado contabilmente.

2.4.4.1 Origem do Lucro Real

O lucro real teve sua origem com a Lei nº 4.506/64, art. 37, § 2º, que assim define:

Art. 37. O imposto de Renda, previsto no artigo 18, da lei número 4.154 de 28 de novembro de 1962, será cobrado à razão de 28% (vinte e oito por cento):

§

[

]

§ 2º Considera-se

lucro real,

... operacional da empresa, acrescido ou diminuído dos resultados líquidos de

para os

efeitos

da

lei,

o

lucro

transações eventuais.

Após

algum

tempo

surge

a

lei

6.404/76,

a

lei das sociedades

anônimas, onde estabeleceu os novos conceitos na determinação do lucro. Devido esta lei, no dia 26 de dezembro de 1977, foi aprovado o Decreto-lei nº 1.598, com intuito de adaptar a legislação do imposto sobre a renda. Com o objetivo de convergir as normas contábeis brasileiras com as normas contábeis internacionais, foram editadas a lei nº 11.638 de 28 de dezembro de 2007 e a lei nº 11.941 de 2009 de 27 de maio de 2009, que alteraram a lei das sociedades anônimas.

38

2.4.4.2 Pessoas Jurídicas Obrigadas a Tributar pelo Lucro Real

As pessoas jurídicas podem optar pelo regime de tributação que lhe gerar um menor desembolso financeiro, mas é necessário obedecer ao que estabelece a legislação do IR, sendo que existem aquelas, devido ao ramo de atividade, que são obrigadas a tributar pelo lucro real. Conforme ressalta Rodrigues et al (2008, p. 23), existem pessoas que estão obrigadas a tributar pelo regime de Lucro Real.

  • a) Que tenham receita total, no ano calendário anterior, superior a R$

48.000.000,00, ou proporcional ao numero de meses do período, quando

inferior a 12 meses;

  • b) Que tenham atividade de bancos comerciais, bancos de investimentos,

bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de credito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades

corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta;

  • c) Que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do

exterior;

  • d) Que, autorizadas pela legislação tributaria usufruam de benefícios fiscais,

relativos à isenção ou redução de impostos;

  • e) Que, no decorrer do ano calendário, tenham efetuado pagamento mensal

pelo regime de estimativa, na forma de RIR/1999, art. 22;

  • f) Que exerçam atividade de factoring.

Neves e Viceconti (2003) nos relatam que, as pessoas jurídicas que não

se enquadrarem nos itens de “a” à “f”, poderão optar pela tributação com base no

lucro presumido, podendo fazer essa opção também, as pessoas jurídicas

mencionadas nas letras “a”, “c”, “d” e “f” que aderiram ao Programa de Recuperação

Fiscal (REFIS) sendo que as mesmas poderão permanecer neste regime durante o período em que estiverem submetidas a este programa. Assim sendo, a empresa que se enquadrar em algum dos itens acima, estará obrigada a tributação pelo lucro real, podendo optar por fazer parte da tributação pelo lucro real anual com pagamentos mensais ou pelo lucro real trimestral.

39

2.4.4.3 Período de Apuração

Para efeito da incidência do imposto

sobre

a

renda, o

lucro

real das

pessoas jurídicas deve ser apurado na data do encerramento do período de

apuração, que conforme Young (2003, p.36) encerra-se:

a trimestral, encerrando-se os períodos em 31/03 30/06 30/09 31/12; b anual, com pagamentos mensais por estimativa; c na data da extinção da pessoa jurídica; d na data do evento, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento das atividades da pessoa jurídica.

Cabe ressaltar, que a escolha será feita a partir do primeiro pagamento do tributo, com um documento de arrecadação chamado DARF. Este por sua vez, deverá conter um código específico que identificará a opção realizada.

2.4.4 Formas de Apuração do Imposto

A apuração do lucro real pode ser realizada de duas formas, uma é pelo regime de apuração trimestral e a outra é pelo regime de apuração anual com recolhimentos mensais por estimativa do imposto.

Segundo Neves e Viceconti (2002, p.389), a “opção pela apuração

trimestral ou anual da base de cálculo será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou ao de início da atividade, sendo irretratável para todo o ano-calendário.” Sendo assim, as empresas tributadas pelo lucro real podem optar pela forma que seja mais vantajosa para a empresa.

40

2.4.4.1 Lucro Real Trimestral

As pessoas jurídicas sujeitas ao imposto de renda que não exercerem à

opção

pelo

pagamento

mensal

por

estimativa,

devem

apurar

o

imposto

trimestralmente. O lucro real trimestral foi instituído pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 1º:

Art 1º A partir do ano-calendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro, e 31 de dezembro de cada ano-calendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta lei. § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observando o disposto no art. 21 da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995. § 2º Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido, será efetuada na data desse evento.

De acordo com Higuchi e Higuchi (2009, p.36-37), o imposto de renda e a contribuição social no lucro real trimestral poderão ser pagos em:

[

...

]

quota única no mês seguinte ao trimestre, sem qualquer acréscimo, ou

em três quotas mensais com juros pela taxa SELIC até o mês anterior ao do

pagamento e de 1% nesse mês. Com isso, se o saldo do imposto devido sobre o lucro do primeiro trimestre for pago em quota única no mês de abril, a empresa não terá pagamento em maio e junho. Se os pagamentos forem efetuados em três quotas, o pagamento de abril, não terá qualquer

acréscimo, o de maio terá acréscimo de juros de 1% e o de junho terá

acréscimo de juros SELIC do mês de maio mais 1% de junho [

...

]

Ainda, conforme Higuchi e Higuchi (2009, p.37), o imposto de renda será determinado aplicando-se a alíquota de 15% sobre a base de cálculo apurada. Para o cálculo deste imposto deve ser levado em consideração o adicional do imposto de renda. Os autores ainda ressaltam que:

O adicional do imposto passou a incidir sobre a parcela do lucro real, presumido ou arbitrado, que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000 pelo número de meses que compõem o período de apuração do resultado. No lucro real trimestral, o limite de isenção será de R$ 60.000 [ ] ...

De acordo com Rodrigues et al (2008) a contribuição social também será devida a cada trimestre. E será determinada da mesma forma que o imposto de renda, ou seja, com base no resultado trimestral. A CSLL devida será determinada mediante a aplicação da alíquota de 9% sobre o resultado ajustado.

41

2.4.4.2 Lucro Real Anual

As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real anual deverão recolher os tributos mensalmente com base em estimativas mensais. Afirma Young

(2003, p. 32), “que nesta forma de tributação, o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro são calculados mensalmente, com base no faturamento.”

Conforme Higuchi (2009) são aplicados as alíquotas correspondentes ao IRPJ e CSLL à base de cálculo, que é o resultado de um percentual aplicado sobre a

receita bruta do mês, acrescido de ganhos de capital, demais receitas, e resultados positivos, somados os rendimentos ou ganhos tributados como de aplicações financeiras. Esta base de cálculo deverá ser acrescida de demais receitas não operacionais, para que sobre este montante seja aplicada a alíquota do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido. Dessa forma, Lopes (2001) afirma que deve ser efetuado um balanço de ajuste em dezembro, para confrontação entre o que foi pago durante o ano calendário como lucro estimado e o resultado efetivo da empresa. Deste confronto, se resultar que o valor pago pelo lucro estimado excede o apurado no balanço de ajuste, a pessoa jurídica deverá solicitar restituição do que foi pago a maior ou compensar esse valor com tributos da mesma natureza. De acordo com o art. 858, RIR/99 o pagamento do imposto será efetuado

no último dia útil subsequente ao mês de apuração, caso seja pago em atraso será acrescido de multas e juros. O adicional do imposto de renda será cobrado sobre o lucro líquido que ultrapassar R$ 20.000,00 ao mês. Para o cálculo do adicional observa-se o valor do lucro líquido do mês e subtrai-se a compensação do adicional naquele respectivo mês, o valor será apenas na diferença do lucro líquido e da compensação multiplicado por 10 %.

Segundo Neves e Viceconti (2003, p.443), “a opção pela apuração anual

da base de cálculo será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou ao de início da atividade, sendo irretratável para todo ano-

calendário.”

42

2.4.4.3 Receita Bruta

De acordo com Rodrigues et al (2008, p.65), a receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. Segundo Iudícibus e Marion (2003, p. 154), a receita de uma empresa representa a entrada de ativos, sob a forma de dinheiro ou direitos a receber, correspondentes, normalmente, à venda de mercadorias, de produtos ou à prestação de serviços.

Neste contexto, Rodrigues et al (2008, p.65) diz que “poderão ser

deduzidos da receita bruta os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante dos quais o vendedor de bens ou prestador de serviços seja mero depositário.” Isto se confirma de acordo com o guia IOB de contabilidade (2008, p.5). Afirma que a receita bruta deverá ser computada pelo regime de competência, excluídos os valores relativos:

  • a) às vendas canceladas e ás devoluções de vendas;

  • b) aos descontos incondicionais concedidos, entendidos tais aqueles

constantes na nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não

dependentes de eventos posteriores à emissão desses documentos;

  • c) ao IPI incidente sobre as vendas e ao ICMS devido pelo contribuinte

substituto, no regime de substituição tributária:

II Integram a receita bruta e não podem dela ser excluídos;

  • a) o ICMS incidente sobre as vendas e o ISS incidente sobre os

serviços;

  • b) o custo do financiamento, nas vendas a prazo, contido no valor de

bens ou dos serviços ou destacados na nota fiscal;

Com isso, pode-se concluir que a receita bruta é o faturamento da empresa, diminuindo as devoluções, descontos incondicionais e os impostos não cumulativos, sendo que os valores que compõem essa receita bruta servirão para apurar a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro.

43

2.4.4.4 Determinação da Base de Cálculo Estimada

Na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica no regime de apuração por meio do lucro real, a base de cálculo é determinada da seguinte forma:

aplica-se o percentual estabelecido pela legislação tributária sobre a receita bruta mensal conforme a atividade da empresa. Young (2004, p. 23-25) destaca as alíquotas aplicáveis:

I 1,6% sobre a receita bruta auferida na revenda, para consumo, de combustíveis derivados do petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II 8% sobre a receita bruta auferida na prestação de serviços hospitalares, de transportes de cargas, loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, e venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, comércio e indústria. III 16% sobre a receita bruta auferida na prestação dos demais serviços de transporte e nas atividades desenvolvidas por banco comerciais, bancos de investimento, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de créditos imobiliários, sociedades corretoras de títulos, valores imobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de créditos, empresas de seguros privados e de capitalização e entidade de previdência privada aberta. IV 32% sobre a receita bruta auferida com as atividades de:

  • a) prestação de serviços, pelas antigas sociedades civis, relativos ao

exercício de profissão legalmente regularizada;

  • b) intermediação de negócios/representação comercial;

  • c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direito

de qualquer natureza;

  • d) construção por administração ou empreitada unicamente de mão de

obra;

  • e) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia,

mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring);

  • f) prestação de qualquer outra espécie de serviço não mencionada nas

alíneas anteriores.

Sendo assim, a base de cálculo estimada mensal é obtida por meio da aplicação dos percentuais, variável de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa, sobre o faturamento, acrescida das demais receitas e ganhos.

44

2.4.4.5 Acréscimos à Base de Cálculo Estimada

Para

o

cálculo do IRPJ

e

da

CSLL

deverão

ser somados ao lucro

estimado algumas parcelas referente a ganhos e receitas. Young (2006, p.51)

determina quais os acréscimos à base de cálculo estimada:

“Serão acrescidos à base de cálculo, no mês em que forem auferidos, os ganhos de capital, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na atividade, inclusive:

I os rendimentos auferidos nas operações de mutuo realizadas entre pessoas jurídicas controladoras, controladas, coligadas ou interligadas, exceto se a mutuada for instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil; [ ] ... II os ganhos de capital auferidos na alienação de participações societárias permanentes em sociedades coligadas e controladas, e de participações societárias permaneceram no ativo da pessoa jurídica até o término do ano- calendário seguinte aos de suas aquisições; III os ganhos auferidos em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão; IV a receita de locação de imóveis, quando não for este o objetivo social da pessoa jurídica; V 1/120, no mínimo, do saldo do lucro inflacionário acumulado, existente em 31.12.1996; VI os juros calculados à taxa SELIC, relativos a impostos e contribuições a serem restituídos ou compensados; VII as variações monetárias ativas; VIII – os rendimentos das aplicações financeiras, não tributadas.”

Segundo Higuchi e Higuchi (2003) as variações monetárias decorrentes de crédito ou obrigações em moedas estrangeiras serão consideradas, por opção do contribuinte, para efeito da base de cálculo do imposto, quando da liquidação da correspondente operação, sendo aplicada para todo ano-calendário.

2.4.4.6 Principais Adições à Base de Cálculo do Imposto de Renda e Contribuição Social Apurado com Base no Lucro Real

De acordo com Higuchi e Higuchi (2002, p.206), “as despesas efetuadas pela pessoa jurídica podem ser dedutíveis ou indedutíveis na apuração do lucro

real.”

Santos e Barros (2007, p.102) determinam as adições ao lucro líquido:

45

Na determinação do lucro real deverão ser adicionados ao lucro líquido custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do resultado que, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, não sejam dedutíveis (art. 249, I e parágrafo único, do RIR/1999).

Vale

ressaltar

que

existem

despesas que não são consideradas

dedutíveis, ou seja, não são necessárias ao ciclo operacional da empresa. Estas despesas também devem ser adicionadas à base de cálculo dos impostos. Neste sentido, o art. 249 do RIR/99 cita as principais adições a base de cálculo ao lucro real:

I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores dedutíveis na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real.

De acordo com Rodrigues et al (2007, p. 28-32), incluem-se nas adições à base de cálculo do lucro real:

1) depreciação de bem que tenha sido objetivo de depreciação acelerada a titulo de incentivo fiscal, no momento em que a depreciação registrada na contabilidade, somada com a depreciação registrada no LALUR, atingir 100%;

2)

contribuições social sobre o lucro;

3)

soma das despesas com planos de benfeitorias a empregados, parte

da empresa, que exceda a 20% dos salários dos empregados ligados ao plano (Ex.: Fundo de aposentadoria programada individual FAPI);

4)

Doações, exceto:

a)

projetos de natureza cultural previamente aprovados pelo ministério

da cultura, ou seja, os projetos que dão direito a deduzir incentivo fiscal de

valor até 40% das doações e 30% dos patrocínios (este valor é dedutível com despesas operacionais);

b)

instituições de ensino, até o limite de 1,5% do lucro operacional da

doadora;

c)

entidade civis sem fins lucrativos, até o limite de 2% do lucro

operacional da doadora, observando os requisitos constantes no art. 365 do

 

RIR/99;

5) resultado negativo da avaliação de investimentos relevantes (participações societárias), pela equivalência patrimonial;

6)

constituição de qualquer natureza, exceto:

a)

para férias e 13º salário com encargos de empregados;

b)

para reservas técnicas das empresas de seguro e de capitalização,

bem como das entidades de previdência privada, cuja instituição é exigida pela legislação; 7) multas;

8)

prejuízos e perdas em operações realizadas no exterior, exceto

prejuízo em operações a termo ou de futuro realizada diretamente pela empresa brasileira em bolsa no exterior, caracterizada como cobertura (hedge); 9) brindes; 10) juros sobre o capital próprio, excedente aos limites previstos na Lei;

46

11) prejuízo por desfalque apropriação indébita ou furto, praticados por empregados ou terceiros, se não houver sido insaturado inquérito administrativo nos termos da legislação trabalhista ou apresentação de queixa perante a autoridade policial.

As adições citadas acima serão utilizadas na apuração da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, para os ajustes no lucro líquido.

2.4.4.7 Principais Exclusões à Base de Cálculo do Imposto de Renda e a Contribuição Social com Base no Lucro Real

Segundo Neves e Viceconti (2002, p.6), “o objetivo das exclusões é o de

não computar na base de cálculo do imposto receitas que aumentaram o lucro líquido da pessoa jurídica, mas que a legislação do imposto considera como não

tributáveis.”

Seguindo esse raciocínio, Pavei (2000, p.54) diz que as receitas não tributáveis são conhecidas como exclusões, pois para a determinação do lucro real, estas serão excluídas do lucro líquido do exercício.

Conforme o art. 250 do RIR/99, as exclusões representam:

I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro liquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real;

  • III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada

a compensação a trinta por cento do lucro liquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação.

De acordo com Young (2004, p.80-81), também poderão ser excluídos do lucro líquido:

I o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido; II a diferença entre o valor de mercado e o valor contábil de bens e direitos recebidos a títulos de devolução da participação no capital social de outra sociedade, que tenha sido creditada ao resultado;

  • III os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo

de aquisição, que tenham sido computados como receita;

IV a depreciação acelerada incentivada;

47

V os encargos financeiros registrados como receita, incidentes sobre créditos vencidos e não recebidos, após decorridos dois meses do vencimento do crédito; VI as perdas em operações de renda variável que tenham sido adicionadas ao lucro líquido de período anterior, por terem excedido aos ganhos auferidos em operações da mesma natureza, até o limite da diferença positiva entre ganhos e perdas decorrentes de operações no mesmo mercado, computados no resultado do período; VII o resultado positivo correspondente às operações realizadas pelas sociedades cooperativas com os seus associados; VIII o ganho de capital auferido na alienação de bens do ativo permanente no período, cujo preço deve ser recebido, no todo ou em parte, após o término do ano-calendário subsequente ao da contratação, se houver opção pelo diferimento da tributação; IX o valor das provisões não dedutíveis que tenham sido adicionadas na determinação da base de cálculo de período de apuração anterior e que tenham sido baixadas no período de apuração por utilização ou reversão; X a amortização de deságio obtido na aquisição de participações societárias sujeitas à avaliação pela equivalência patrimonial, cujo valor deve ser registrado na parte B do LALUR, para ser computado no lucro real do período que ocorrer a alienação ou baixa do investimento; XI a parcela dos lucros decorrentes de contratos de construção por empreitada ou de fornecimento de bens ou serviços celebrados com entidades governamentais, proporcional ao valor das receitas desses contratos, computadas na apuração do resultado e não recebidas até a data do encerramento do período-base;

Como pode-se observar, as exclusões são ajustes autorizados pela legislação tributária, onde são excluídos do lucro real da empresa, e assim diminuindo a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social, permitindo que a pessoa jurídica se beneficie de receitas não tributáveis ou receitas que já tenham sido tributadas anteriormente.

2.4.4.8 Alíquotas do Imposto de Renda

De acordo com Young (2006, p.16) “a alíquota do imposto de renda,

independente da atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, incidente sobre a base de cálculo é de 15%, qualquer que seja o período de apuração (trimestral ou anual).” Além de cobrar esse percentual de 15%, existe ainda o adicional de imposto de renda de 10% sobre a parcela que exceder o limite de R$ 20.000,00 mensais, caso for estimativa mensal, de R$ 60.000,00 trimestral e R$ 240.000,00 anual.

48

De acordo com Rodrigues et al (2008, p.41) sobre a parcela que exceder o valor resultante da multiplicação de R$ 20.000,00 pelo número de meses do respectivo período de apuração, a pessoa jurídica sujeita-se à incidência de adicional de imposto, a alíquota de 10%.

2.4.4.9 Suspensão ou Redução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica Estimado

De acordo com Young (2006), a pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o imposto recolhido a cada mês, desde que o valor devido seja demonstrado em balanços ou balancetes mensais, e que o valor acumulado já pago exceda o valor do imposto devido no mês, inclusive adicional, sendo calculado pela base do lucro real no período. Em relação aos balanços e balancetes de suspensão e redução, Neves e Viceconti (2003, p.457) comentam:

  • a) será elaborado com observância das dispositivas contidas nas leis

comerciais e fiscais;

  • b) será transcrito no Livro Diário até a data fixada para pagamento do

imposto do respectivo mês;

  • c) somente produzirá efeitos para fins de determinação da parcela do

imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer

do ano-calendário.

Conforme Santos e Barros (2007, p.131), “os balanços ou balancetes de

suspensão ou redução de pagamento do Imposto de Renda mensal devem ser

elaborados com observância das leis comerciais e fiscais, como se fossem um

balanço de encerramento do período de apuração.”

Sendo assim, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real estimado podem suspender ou reduzir o imposto, quando demonstrado por meio de balanço e balancetes que o valor pago excede ao devido, e estes demonstrativos devem ser elaborados de acordo com as leis comerciais e fiscais.

49

  • 2.4.4.10 Deduções do Imposto de Renda Devido

As pessoas jurídicas tributadas com base no

lucro real podem fazer

algumas deduções do imposto apurado, alguns incentivos fiscais. De acordo com Silva (2005, p.147), as seguintes pessoas jurídicas não podem usufruir de tais benefícios:

  • a) tributadas com base no lucro presumido, a vedação de que trata não

se aplica às pessoas jurídicas que optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido durante o período em que estiverem submetidas ao Programa de Recuperação Fiscal REFIS, relativamente aos incentivos

de isenção e redução do imposto;

  • b) tributadas com base no lucro presumido;

  • c) optantes pelo Simples;

  • d) instaladas em Zona de Processamento de Exportação ZPE.

De acordo com Pegas (2007), os incentivos fiscais possíveis a serem deduzidos do imposto de renda são:

  • a) PAT Programa de alimentação do trabalhador;

  • b) Operações de caráter cultural e artístico;

  • c) Atividade audiovisual;

  • d) Fundos dos direitos da criança e do adolescente;

  • e) Incentivo ao desporto;

  • f) Programa do Desenvolvimento Tecnológico Individual PDTI e Programa do

Desenvolvimento Tecnológico Agropecuário PDTA. Segundo Pegas (2007) ressalta que os incentivos fiscais incidem apenas sobre a alíquota de 15% do imposto de renda pessoa jurídica, e não no adicional de 10% sobre a base e nem na contribuição social sobre o lucro líquido.

  • 2.4.4.11 Livro de Apuração do Lucro Real LALUR

A apuração do lucro real de uma empresa se dá após a contabilização dos fatos econômicos, onde por meio da demonstração de resultado do exercício, apresenta-se o lucro contábil, que não serve de base de cálculo para apurar o imposto a ser tributado.

50

Na visão de Oliveira et al (2003, p. 261) “para efeitos fiscais, no entanto, o lucro contábil de determinado período pode ser diferente do lucro válido para efeitos

tributários”.

De acordo com Neves e Viceconti (2003, p. 419), o LALUR é de

obrigatoriedade “para todas as pessoas jurídicas contribuintes o imposto sobre a renda com base no lucro real.”

Este livro, então, tem como finalidade demonstrar a base de cálculo exata que deve ser utilizada para efetuar o cálculo do imposto de renda. Sá e Sá (1995, p.291), fazem a seguinte definição:

LIVRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL (LALUR) Livro fiscal que se destina a apurar o lucro a ser tributado pela receita federal, de acordo com os critérios legais. O lucro aí denunciado não é o contábil, nem o essencialmente verdadeiro, mas o que a fazenda nacional determina como objeto de tributação. Obedece as formalidades determinadas pelas normas fiscais tributárias.

Conforme Santos e Barros (2007, p.133), a demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços e balancetes deverá ser transcrita no LALUR. Deve ser destacado que:

  • b) as adições, as exclusões e as compensações computadas na apuração

do lucro real correspondente aos balanços ou balancetes deverão constar, discriminadamente, na Parte “A” do Lalur;

  • c) não caberá nenhum registro na Parte “B” desse livro relativo a adições,

exclusões ou compensações feitas na determinação do lucro real.

O livro de apuração do lucro real é dividido em duas partes, parte A e parte B, cada uma com finalidade diferente. Conforme Oliveira et al (2003, p.17), deve-se registrar na parte A do LALUR todos os ajustes do lucro líquido, ou seja, as adições, exclusões e compensações e, também, demonstrar-se o lucro real do período.

De acordo com

Neves e

Viceconti (2002, p.419), a empresa pode

escriturar a Parte A do LALUR de uma só vez no final do período de apuração, ou à medida da ocorrência de eventos ou efetuação dos respectivos registros na

contabilidade. Na parte B do LALUR serão registrados todos os ajustes que afetam a base fiscal de períodos seguintes. Young (2006, p.101) define a parte B como:

Na parte B do livro de apuração do lucro real, concomitantemente com os lançamentos de ajuste efetuados na Parte A do livro ou na final de cada exercício social, serão efetuados os controles dos valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercícios subsequentes.

51

Ou seja, a parte B está destinada ao controle de valores que influenciarão

na determinação do lucro real para os próximos períodos e que não contém na escrituração comercial. Para melhor controle desses valores deve ser utilizada uma página para cada ponta.

Na visão de Neves e Viceconti (2002, p.421), “cada página é destinada a

uma conta específica que receberá o valor original e a baixa parcial ou total da

importância registrada.”

2.4.4.12 Prejuízos Fiscais

O prejuízo fiscal é estabelecido pela legislação do Imposto de Renda, o mesmo é apurado na Demonstração do Lucro Real, demonstrado na parte A e controlado na Parte B do LALUR. O RIR/99 estabelece que:

Art. 510. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano- calendário de 1995 poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados em até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, observado o limite máximo, para compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado (Lei nº 9.065, de 1995, art.15). § 1º O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado pela compensação (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 parágrafo único). § 2º Os saldos de prejuízos fiscais existentes em 31 de dezembro de 1994 são passiveis de compensação na forma deste artigo, independente do prazo previsto na legislação vigente à época de sua apuração. § 3º O limite previsto no caput não se aplica à hipótese de que trata o inciso I do art. 470.

Enfatiza Neves e Viceconti (2002, p.328), “a compensação de prejuízos fiscais somente pode ser efetuada pelas pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do

prejuízo fiscal utilizado para a compensação.”

Não existe diferença de percentual na compensação de prejuízo fiscal entre o lucro real trimestral e o anual. Afirma Higuchi e Higuchi (2009, p.43) que,

“ambas as formas de apuração terão que observar o limite de 30% na compensação.”

52

2.4.4.13 Contribuição Social na Apuração pelo Lucro Real

Toda empresa que apurar o imposto de renda deverá efetuar o cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. De acordo com Rodrigues et al (2008, p.262 e 263):

A contribuição social sobre os lucros líquidos (CSLL) deve seguir as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e, no que couberem, as referentes à administração, ao lançamento, à consulta, à cobrança, às penalidades, às garantias e ao processo administrativo, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação da CSLL.

A contribuição social sobre o lucro líquido foi instituída pela lei nº 7.689/1988. Para Young (2003, p.43) a Constituição determina que esta contribuição é de competência da União, sendo uma das fontes de Seguridade Social.

Segundo Silva (2005, p.32), “a base de cálculo da CSLL mensal

estimativa corresponderá à soma do resultado de aplicação dos percentuais da contribuição sobre a receita bruta, com os ganhos de capital e demais receitas.” Portanto, a CSLL tem como base de cálculo o resultado de um percentual estabelecido por lei, aplicado sobre a receita bruta, adicionando-se os ganhos de

capital e demais receitas. Em relação às alíquotas, Young (2006, p.63) descrimina-as para a base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro por estimativa:

A base de cálculo mensal da CSLL a ser paga com base estimada será o valor correspondente a 12% da receita bruta mensal, acrescido das demais receitas operacionais e ganhos de capital auferidos no mês. Sobre o valor assim apurado, devera ser aplicado à alíquota de 9%.

Existem algumas pessoas jurídicas que são exceções, porque essas possuem uma alíquota de 32%, Young (2006, p.63) são elas:

[

]

a) prestação de serviços em geral, exceto hospitalares; b) intermediação

... de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; e factoring, deverão aplicar o percentual de 32% na determinação da base de cálculo da CSLL, para fatos geradores ocorridos a partir de set/2003. Para as atividades de prestação de serviços hospitalares e de transporte, inclusive de carga, o percentual de receita bruta a ser aplicado será de 12%.

Conforme Santos e Barros (2007, p.575), “A CSLL devida é determinada mediante a aplicação da alíquota de 9% sobre o faturamento ajustado.”

53

Vale ressaltar que a contribuição social somente será por estimativa no Lucro Real Anual. De acordo com Young (2003), a contribuição social sobre o lucro será recolhida até o último dia útil do mês subsequente ao período de apuração, sendo utilizado para pagamento um DARF.

2.4.4.14 PIS e COFINS Não Cumulativos

As pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real são sujeitas a modalidade do PIS e COFINS não cumulativos. Segundo Santos e Barros (2007, p.618),

[

]

estão

sujeitas

à

Cofins e à contribuição para o PIS-Pasep na

... modalidade não cumulativa as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, tributadas com base no lucro real, com algumas exceções, entre elas, as instituições financeiras e algumas receitas expressas em lei.

Assim, as empresas tributadas com base no lucro real estão sujeitas as contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas, com exceções de algumas definidas em lei. De acordo com Pegas (2007) as empresas obrigadas ao cálculo do PIS e COFINS pelo método não-cumulativo pagam as contribuições com alíquotas de 1,65% e 7,6% respectivamente. Para a determinação da base de cálculo das contribuições é permitida a exclusão de alguns valores da receita bruta. Segundo Santos e Barros (2007, p.619) são esses:

  • a) receitas isentas da contribuição ou não alcançadas pela incidência

ou, ainda, sujeitas à alíquota zero;

  • b) receitas não operacionais, decorrentes de venda do Ativo

Permanente;

  • c) receitas auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de

mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa

revendedora, na condição de substituta tributária;

  • d) vendas canceladas e descontos incondicionais concedidos;

  • e) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como

perda que não representem ingresso de novas receitas, resultado positivo

da avaliação de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita;

  • f) importâncias pagas diretamente ou repassadas a empresas de rádio,

televisão, jornais e revistas, pelas agências de publicidade (é vedado o

aproveitamento do crédito em relação às parcelas excluídas),

54

As empresas contribuintes do PIS e COFINS não cumulativos podem descontar créditos existentes em suas operações. De acordo com Santos e Barros (2007, p.621), os créditos são calculados em relação a:

  • a) bens adquiridos para revenda;

  • b) bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e

na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes;

  • c) energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;

  • d) aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos pagos à pessoa

jurídica, utilizados nas atividades da empresa;

  • e) valor da contraprestação de operações de arrendamento mercantil de

pessoa jurídica, exceto de optante pelo Simples;

  • f) encargos de depreciação e amortização de máquinas, equipamentos

e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos para utilização

na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços [ ]; ...

  • g) encargos de depreciação e amortização de edificações e benfeitorias

em imóveis próprios ou de terceiros utilizados nas atividades da empresa [ ]; ...

  • h) bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado

o faturamento do mês ou do mês anterior, tributada na modalidade não cumulativa;

  • i) armazenagem de mercadorias e frete na operação, nos casos das

letras “a” e “b”, quando o ônus for suportado pelo vendedor.

Os percentuais a serem creditados são, igualmente aos débitos, de 1,65% para o PIS e 7,6% para a COFINS. De acordo com Santos (2007) o recolhimento das contribuições na modalidade não cumulativa deverá ser efetuado, individualmente, mediante a utilização dos seguintes códigos de DARF: COFINS 5856 e PIS 6912. Deverão ser pagos até o último dia útil do segundo decêndio (dia 20 ou o último dia útil anterior, se o dia 20 não for dia útil) do mês subsequente ao mês da ocorrência dos fatos geradores. Então, as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro real estão submetidas à apuração das contribuições do PIS e COFINS não cumulativos, onde estas deverão ser apuradas por meio da aplicação das alíquotas sobre a receita bruta descontando-se os créditos, e deverão ser pagas mensalmente.

55

3 ESTUDO DE CASO

Este capítulo relata o estudo de caso desenvolvido em uma empresa cujo ramo de atividade é o Comércio Varejista de Eletrodomésticos. Inicia-se com um breve histórico da empresa e análise dos dados coletados do ano de 2009, encerrando com o comparativo entre duas formas de tributação, o lucro real, que é a atual opção da empresa, e o lucro presumido.

  • 3.1 Apresentação da Empresa

A empresa em estudo de caso iniciou suas atividades em 1983, no município de Forquilhinha SC. Atualmente a empresa possui cerca de 67 funcionários, distribuídos entre a matriz e as três filiais localizadas em Criciúma. A atividade principal da empresa é a venda de móveis e eletrodomésticos, atendendo a população da AMREC.

  • 3.2 Apresentação dos Dados Pesquisados

Nesse tópico irão ser avaliados alguns dados e procedimentos em relação à empresa pesquisada. Devido o faturamento ter ultrapassado os R$ 2.400.000,00/ano, a empresa foi desenquadrada do Simples Nacional desde o ano de 2008, e hoje, como já foi citado anteriormente, é tributada pelo Lucro Real. Abaixo segue um quadro de premissas que foram extraídos do resultado da empresa no ano de 2009, os quais serão utilizados para demonstração de cálculos do estudo de caso.

56

56 Tabela 1: Premissas aos Cálculos Fonte: Empresa estudada – adaptada pela autora do trabalho 3.2.1

Tabela 1: Premissas aos Cálculos

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

3.2.1 Cálculo Lucro Real

A empresa tem como atual modalidade de tributação o lucro real, sendo assim, para apurar o IRPJ é aplicado a alíquota de 15% e o adicional de 10%, a CSLL 9%, em contrapartida o PIS e a COFINS são não cumulativos, com percentuais de 1,65% e 7,60% respectivamente.

3.2.1.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ

O cálculo do IPRJ com base no lucro real está demonstrado na tabela

abaixo.

57

CÁLCULO DO IRPJ - LUCRO REAL

 
   

ANUAL

LUCRO CONTÁBIL

R$

286.066,91

ADIÇÕES

R$

-

EXCLUSÕES

R$

-

BASE DE CÁLCULO

R$

286.066,91

IRPJ A RECOLHER 15%

R$

42.910,04

BASE DE CÁLCULO ADICIONAL

R$

46.066,91

IRPJ ADICIONAL A RECOLHER 10%

R$

4.606,69

TOTAL DO IRPJ

R$

47.516,73

Tabela 2: Cálculo do IRPJ Lucro Real

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

Observa-se que a base de cálculo ultrapassa o valor de 240.000,00, então é calculado o valor do adicional. Logo é encontrado o valor de R$ 47.516,73 a pagar sendo que o valor do IRPJ corresponde a R$ 46.066,91 e o adicional é de R$ 4.606,69. Neste último exercício a empresa não teve nenhum valor de adições e exclusões para serem acrescentados ou excluídos aos cálculos.

3.2.1.2 Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL

Apresenta-se a seguir o cálculo para apuração na CSLL baseada no Lucro Real.

CÁLCULO DA CSLL - LUCRO REAL

 
 

ANUAL

LUCRO CONTÁBIL

R$

286.066,91

ADIÇÕES

R$

-

EXCLUSÕES

R$

-

BASE DE CÁLCULO

R$

286.066,91

CSLL A RECOLHER 9%

R$

25.746,02

TOTAL DA CSLL

R$

25.746,02

Tabela 3: Cálculo do CSLL Lucro Real

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

58

No cálculo da CSLL a empresa tem um montante de R$ 25.746,02 de imposto a pagar no decorrer do ano de 2009.

3.2.1.3 PIS e COFINS não-cumulativos

No quadro a seguir é demonstrado e calculado os créditos e débitos do PIS e COFINS pela modalidade não-cumulativa, nele foram deduzidos as despesas de aluguéis, fretes, energia e combustíveis. No decorrer do ano de 2009 a empresa pagou de PIS e COFINS o montante de R$ 137.890,48. Considerando que o valor do PIS foi de R$ 24.596,68 e o de COFINS foi de R$ 113.293,80. Esses valores foram calculados considerando os créditos pelas entradas, energia elétrica, combustíveis, fretes e aluguéis e os débitos da receita bruta.

LUCRO REAL

 
   

CÁLCULO PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO

ANUAL/2009

RECEITA DE VENDAS

R$

4.566.244,55

   

PIS 1,65% DÉBITO

R$

75.343,04

COFINS 7,60% DÉBITO

R$

347.034,59

   

COMPRAS MERCADORIAS

R$

2.944.966,39

FRETE

R$

170,00

ENERGIA

R$

35.380,26

ALUGUEL

R$

95.020,00

DEPRECIAÇÃO

R$

-

COMBUSTÍVEL

R$

35.395,17

 

R$

3.075.536,65

 

R$

-

PIS 1,65% CRÉDITO

R$

50.746,35

COFINS 7,60% CRÉDITO

R$

233.740,79

   

TOTAL PIS A RECOLHER

R$

24.596,68

TOTAL COFINS A RECOLHER

R$

113.293,80

Tabela 4: Cálculo do PIS e COFINS não cumulativos

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

59

3.2.2 Cálculo Lucro Presumido

A empresa estudada tem

como

ramo

de

atividades

a

venda

de

mercadorias o percentual aplicado para a apuração da base de cálculo do IRPJ é de 8% e da CSLL é de 12%. Para poder apurar o valor dos impostos a pagar é aplicado as alíquotas de 9% para CSLL e de 15% para o IRPJ considerando o valor de 10% do adicional quando o mesmo ultrapassa o limite de R$ 60.000,00 por trimestre. Nessa

modalidade de tributação o PIS e COFINS são cumulativos e são aplicados percentuais de 0,65% e 3% respectivamente sobre a receita bruta de vendas. A seguir serão demonstrados por meio de tabelas os cálculos para após analisar as tabelas e fazer o comparativo das modalidades de tributação.

3.2.2.1 Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ

O cálculo do IRPJ utilizando o lucro presumido como modalidade de tributação está exposto no quadro a seguir:

 

CÁLCULO DO IRPJ - LUCRO PRESUMIDO

 
 

1º TRIMESTRE

2º TRIMESTRE

3º TRIMESTRE

4º TRIMESTRE

 

TOTAL

RECEITA BRUTA DE VENDAS

R$

1.022.570,11

R$

1.090.891,97

R$

1.150.633,94

R$

1.302.148,53

R$

4.566.244,55

LUCRO PRESUMIDO 8%

R$

81.805,61

R$

87.271,36

R$

92.050,72

R$

104.171,88

R$

365.299,56

BASE DE CÁLCULO DO IRPJ

R$

81.805,61

R$

87.271,36

R$

92.050,72

R$

104.171,88

R$

365.299,56

TOTAL IRPJ 15%

R$

12.270,84

R$

13.090,70

R$

13.807,61

R$

15.625,78

R$

54.794,93

BASE DE CÁLCULO DO ADICIONAL

R$

21.805,61

R$

27.271,36

R$

32.050,72

R$

44.171,88

R$

125.299,56

ADICIONAL 10%

R$

2.180,56

R$

2.727,14

R$

3.205,07

R$

4.417,19

R$

12.529,96

TOTAL IRPJ A RECOLHER

R$

14.451,40

R$

15.817,84

R$

17.012,68

R$

20.042,97

R$

67.324,89

Tabela 5: Cálculo do IRPJ Lucro Presumido

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

O lucro presumido é calculado trimestralmente. Para poder encontrar base de presunção do lucro presumido, foi aplicado 8% e após encontrar a base presumida calcula-se o valor de IRPJ a pagar. Sendo assim, demonstra-se que no

60

cálculo do IRPJ pelo lucro presumido é encontrado adicional do IRPJ e calculado sobre a alíquota de 10%, obtendo assim um valor de R$ 67.324,89 a pagar.

  • 3.2.2.2 Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido - CSLL

Para encontrar a base de presunção para apurar a CSLL, aplica-se 12% sobre a venda de mercadorias e 9% para encontrar o valor do imposto. Abaixo demonstra-se a tabela do cálculo da CSLL:

 

CÁLCULO DA CSLL - LUCRO PRESUMIDO

 
 

1º TRIMESTRE

2º TRIMESTRE

3º TRIMESTRE

4º TRIMESTRE

 

TOTAL

RECEITA BRUTA DE VENDAS

R$

1.022.570,11

R$

1.090.891,97

R$

1.150.633,94

R$

1.302.148,53

R$

4.566.244,55

LUCRO PRESUMIDO 12%

R$

122.708,41

R$

130.907,04

R$

138.076,07

R$

156.257,82

R$

547.949,35

BASE DE CÁLCULO DO CSLL

R$

122.708,41

R$

130.907,04

R$

138.076,07

R$

156.257,82

R$

547.949,35

CSLL A RECOLHER 9%

R$

11.043,76

R$

11.781,63

R$

12.426,85

R$

14.063,20

R$

49.315,44

Tabela 6: Cálculo do CSLLLucro Presumido

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

A tabela expõe os números que foram operados por trimestre de CSLL, a soma dos trimestres é de R$ 49.315,44.

  • 3.2.2.3 PIS e COFINS cumulativos

Nesse tópico demonstra-se a tabela do PIS e COFINS, sendo que a alíquota da modalidade não-cumulativa é de 0,65% e 3% respectivamente. Segue abaixo o quadro demonstrativo dos impostos:

61

CÁLCULO PIS E COFINS CUMULATIVOS

   

RECEITA DE VENDAS

R$

4.566.244,55

   

PIS 0,65%

R$

29.680,59

COFINS 3%

R$

136.987,34

Total

R$

166.667,93

Tabela 7: Cálculo do PIS e COFINS cumulativos

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

3.3 Análise dos Resultados Obtidos

Segue abaixo o quadro comparativo das modalidades de tributação: Lucro Real X Lucro Presumido:

COMPARATIVO LUCRO REAL X LUCRO PRESUMIDO

     
 

LUCRO REAL

LUCRO PRESUMIDO

IRPJ

R$

47.516,73

R$

67.324,89

CSLL

R$

25.746,02

R$

49.315,44

PIS

R$

24.596,68

R$

29.680,59

COFINS

R$

113.293,80

R$

136.987,34

LUCRO REAL X LUCRO PRESUMIDO

R$

211.153,23

R$

283.308,26

Tabela 8: Comparativo Lucro Real X Lucro Presumido

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

Como podemos observar no quadro acima, a melhor modalidade de tributação para a empresa é o lucro real. O montante que foi pago de impostos por meio do lucro real foi de R$ 211.153,23 enquanto se houvesse sido tributada pelo lucro presumido seria pago um montante de R$ 283.308,26. Obteve, assim, uma economia tributária de R$ 72.155,03. Esses são impostos relativos a CSLL, IRPJ, PIS e COFINS.

62

O gráfico a seguir ilustra os montantes de impostos pelas duas formas de tributação e destaca os valores que foram pagos com a tributação do Lucro Real.

PRESUMIDO R$ 150.000,00 R$ 200.000,00 R$ 250.000,00 R$ 300.000,00 LUCRO REAL X LUCRO PRESUMIDO LUCRO REAL
PRESUMIDO
R$ 150.000,00
R$ 200.000,00
R$ 250.000,00
R$ 300.000,00
LUCRO REAL X LUCRO PRESUMIDO
LUCRO REAL X LUCRO
R$ 50.000,00
R$ 100.000,00
R$ -

Ilustração 1: Gráfico comparativo Lucro Real x Lucro Presumido

Fonte: Empresa estudada adaptada pela autora do trabalho

Destaca-se que a diferença é expressiva

no caso

da

empresa em

questão, correspondendo a 1,58% da receita bruta de vendas.

63

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

No atual cenário econômico que vivemos encontramos uma alta competitividade entre as empresas. Em contrapartida a isso, a carga tributária encontra-se elevada, e os tributos evidenciam uma boa parte dos custos empresariais. Por essa situação, as empresas necessitam de um planejamento tributário eficaz, isso faz com que os empresários busquem a solução em seus contadores, e esses tentam buscar a alternativa por meio de análises nas demonstrações contábeis. Durante o desenvolvimento dessa monografia, foram pesquisados os princípios constitucionais tributários os quais são de extrema importância para grifar que não pode instituir ou aumentar um tributo sem que a lei o estabeleça. Também foi estudado e pesquisado o significado das taxas, impostos e contribuições de melhoria. Em minha opinião o imposto representa um maior desembolso econômico, porque é o qual tem maior valor para o país, por ele ser mais elevado que as taxas e as contribuições. Em relação aos regimes de tributação foram estudados os quatro regimes vigentes no país, sendo que o menos utilizado é o lucro arbitrado, o regime de tributação pelo arbitramento poderá ser opção da empresa, de forma voluntária ou imposta pelo fisco de oficio. O simples nacional é o regime que são pagos oito impostos como foi citado no trabalho. A base de cálculo para poder encontrar o lucro presumido é calculada por meio de percentuais definidos em lei, que foram citados no trabalho. Calcula-se a base de presunção e após é calculado o IRPJ e a CSLL. O lucro real é a forma mais exata de calcular o IRPJ e o CSLL, por meio do lucro líquido, calculam-se os impostos. A empresa que foi o estudo de caso desse trabalho tem como regime de tributação o lucro real. Após o término desse trabalho continuamos a ter o regime do lucro real, como a melhor modalidade para a empresa.

Além de a empresa obter uma economia tributária que foi encontrada nesse trabalho, sendo optante do lucro real ela possui todas as obrigações acessórias que a lei permite e assim é melhor para poder gerenciar a empresa e auxiliar na tomada de gestão da empresa. A necessidade de ter todas as

64

demonstrações contábeis em evidencia, também demonstra um fator positivo quando se fala em lucro real, pois as mesmas auxiliam na gestão da empresa.

65

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à metodologia do trabalho cientifico. 7 ed. São Paulo; Atlas, 2005.

BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 4 ed. São Paulo; Noeses, 2007.

BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:

BRASIL. Decreto n.º 3.000, de 26 de março de 1999. Regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 17 jun. 1999. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3000.htm Acesso em 06/05/2010.

BRASIL.

Lei

6.404,

de

15

de

Dezembro

de

1976.

Disponível

em:

www.fazenda.gov.br/legislação. Acesso em 11/05/2010

CAIS, Cleide Previtalli. O processo tributário. 6 ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009.

CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 20 ed. São Paulo:

Saraiva, 2008.

CASSONE, Vittorio. Direito Tributário. 14ª Ed. São Paulo: Atlas, 2002.

DENARI, Zelmo. Curso de Direito Tributário. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2008.

FABRETTI, Láudio Camargo. Contabilidade Tributária. 7 ed. São Paulo; Atlas,

2001.

Láudio Camargo. Prática Tributária da Micro, Pequena e Média Empresa. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2006.

_________

,

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo; Atlas,

2007.

Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3 ed. São Paulo; Atlas, 1996.

_____

,

66

HARADA, Kiyoshi. Sistema Tributário na Constituição de 1988. 3 ed. Curitiba; Juruá. 2008.

HIGUCHI, Hirumi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de renda das empresas interpretação e prática. 27ª Ed. São Paulo; Atlas, 2002.

HIGUCHI, Hirumi; HIGUCHI, Fábio Hiroshi; HIGUCHI, Celso Hiroyuki. Imposto de

Renda das empresas interpretação e pratica. 34ª Ed.São Paulo; IR Publicações,

2009.

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARTINS, Eliseu; GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações: aplicavéis às demais sociedades. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2000.

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Dicionário de termos de contabilidade. São Paulo: Atlas, 2001.

LATORRACA, Nilton. Direito Tributário: imposto de renda das empresas. 14 ed. São Paulo; Atlas, 1998.

LUZ, José Santiago da. Tributação das micro e pequenas empresas. IN: SILVA JUNIOR, José Barbosa da (coord). Prática contábil: assuntos tributários. São Paulo: Atlas, 2003.

MARCONI, Maria de Andrade; LAKATOS

Eva

Maria.

Fundamentos

de

metodologia científica. 6 ed. São Paulo; Atlas, 2005.

MARION, José Carlos; DIAS Reinaldo; TRALDI Maria Cristina. Monografia para os cursos de administração, contabilidade e economia. São Paulo; Atlas, 2002.

MARTINEZ, Manuel Perez. O contador diante do planejamento tributário e da lei antielisiva. Salvador, 2002. Disponível em:

MARTINS, James. Elisão tributária e sua regulação. São Paulo: Dialética, 2002.

NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo E.V. Curso prático de imposto de renda pessoa jurídica. 10 ed. São Paulo; Frase Editora, 2003.

Sérgio das; VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade avançada:

, e análise das demonstrações financeiras. 12 ed. São Paulo: Frase, 2002.

______

OLIVEIRA, Gustavo Pedro de. Contabilidade Tributária. São Paulo; Saraiva, 2005.

67

OLIVEIRA, Luis Martins de et al. Manual da contabilidade tributária. 2 ed. São Paulo; Atlas, 2003.

OLIVEIRA, Silvio Luis de. Tratado de metodologia cientifica: Projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira. 1997.

PAULILO, Maria Ângela Silveira. A pesquisa qualitativa e a história de vida. Disponível em www.ssrevista.uel.br/cv2n1pesquisa. Acesso em 15/03/2010.

PÊGAS, Paulo Henrique. Manual de contabilidade tributária. 5 ed. Rio de Janeiro:

Freitas Bastos, 2007.

RIGO ARNAVAT, Antonia; GENESCÁ DUENÃS, Gabriel. Como elaborar e apresentar teses e trabalhos de pesquisa. Porto Alegre: Artmed, 2006.

RODRIGUES, Aldenir Ortz et al. IRPJ/ CSLL 2007: Manual do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: ano-calendário 2007:

lucro real, lucro presumido, lucro a. São Paulo: IOB Thomson, 2007.

IRPJ/CSLL 2008:

Manual

do

Imposto

de

Renda

__________. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. 2 ed. São Paulo: IOB, 2008.

Jurídica

e

RODRIGUES, Marilene Talarico Martins. O principio da legalidade e o imposto de renda. In: MARTINS, Ives Gandra da Silva (Cood). Imposto de renda: conceitos, princípios, comentários. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1996.

SÁ, A. Lopes de Sá; SÁ, Ana Maria Lopes de. Dicionário da contabilidade. 9 ed. São Paulo; Atlas, 1995.

SÁ, Antônio Lopes de. Fundamentos da contabilidade geral. Curitiba: Juruá, 2005.

SANTOS, Cleônimo; BARROS, Sidney Ferro. Manual do super simples. São Paulo: IOB, 2007.

SANTOS, Cleonimo dos. Como calcular e recolher PIS/PASEP e COFINS. 4 ed. São Paulo: IOB, 2007.

SILVA, Edilton Pereira da. Manual prático do imposto de renda da pessoa jurídica. 2ª ed. São Paulo: IOB, 2005.

Site

do

Instituto

do

Planejamento

Tributário,

2010.

Disponível

em

68

Site dos advogados Fraga, Bekierman e Pacheco Neto Advogados, 2010. Disponível em http://www.fblaw.com.br/lang_portugues/palestras/planejamento_tributario.pdf acessado em 30/10/2010.

YOUNG, Lúcia Helena Briski. Regime de tributação federal. 3 ed. Curitiba: Juruá,

2003.

 

,

Lúcia Helena Briski. Lucro Presumido. 8ª Ed. Curitiba: Juruá, 2009.

,

Lúcia Helena Briski. Regime de tributação federal. 7ª Ed. Curitiba: Juruá,

2009.

 

Lúcia

Helena

Briski.

Planejamento

tributário:

fusão,

cisão

e

,

_______ incorporação. 3ª Ed. Curitiba: Juruá, 2005.

 
 

,

Lúcia Helena Briski. Lucro Real. Curitiba: Juruá, 2004.

 

Lúcia

Helena

Briski.

Imposto

, perguntas e respostas. Curitiba. Jurua, 2003.

_______

de

renda

&

contribuições

sociais: