A Caridade

Por Emanuel Swedenborg

Traduzido do latim por Levindo C. de La Fayette Introdutor da Nova Jerusalém no Brasil.

Da Caridade
Eis os parágrafos em sua série: I.O primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados. II.O segundo da caridade é fazer usos do próximo. III.O próximo a quem devem ser feitos os usos são no sentido natural o concidadão, a sociedade menor e maior, a pátria e o gênero humano; os usos são espirituais e civis. IV.Os usos que devem ser feitos ao próximo são segundo o seu bem espiritual, e depois o seu bem moral, civil e natural, por conseguinte o próximo que se deve amar no sentido espiritual é o bem. V.Aquele que ama o próximo ama pelo bem da caridade em si, por conseguinte tal é a caridade de quem quer que seja, qual é ela própria a caridade. VI.O homem nasceu para se tornar caridade, e isso não é possível dar-se, si perpetuam entre não querer e não fazer o bem da caridade segundo a afeição e segundo o prazer a ela. VII.Todo homem que tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, faz a caridade em forma sincera, justa e fielmente exerce a obra que é de seu oficio e emprego. VIII.Os sinais da caridade são todas as coisas que pertencem ao culto. IX.Os benefícios da caridade são todos os bens que o homem, que é caridade, faz além de seu ofício livremente. X.Os deveres da caridade são todos além dos supramencionados, que ao homem é lícito fazer. XI.As diversões da caridade são os vários prazeres e deleites dos sentidos do corpo úteis para o recreio da alma. XII.A caridade e a fé fazem um.A Igreja não existe onde não estiver o vero da fé, e a religião não existe onde não estiver o bem da caridade.

1.“O primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males”, porque
são pecados, o que se faz pela penitência.Isso será visto nesta ordem. I.Tanto mais alguém não fugir dos males porque são pecados, quanto mais permanece neles. II.Quanto mais alguém não conhecer e não saber quais são os pecados, tanto mais não vê outra coisa senão que está sem pecados. III.Quanto mais alguém conhece e sabe o que são os pecados, tanto mais pode vê-los dentro de si, confessá-los perante o Senhor e fazer penitencia deles. IV.O bem antes da penitencia é um bem natural igualmente a caridade, pois o bem é da caridade. V.Por conseguinte, o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males porque são pecados.

2.(I).Quanto mais o homem não tem em vista o Senhor e não foge dos
males porque são pecados, tanto mais permanece neles.O homem nasce nos males de todo o gênero, a sua vontade, que é o seu próprio, não é outra coisa senão o mal. Por conseguinte se o homem não se reformar e não se regenerar, permanece não só como nasceu, como também fica pior, pois pelos males recebidos de herança, ele agrega por si os atuais. Tal permanece o homem se não fugir dos males como pecados; fugir deles como pecados é como diabólicos e infernais, e, por conseguinte mortíferos pelo fato que neles está a dominação eterna.Se o homem assim as considera, então ele crê alcançar o inferno e alcançar o céu, e também que Deus pode afasta-los, se o homem também como por si próprio se esforçar pode afastalas.Vê as coisas que na Doutrina de Vida para a Nova Jerusalém (108-113) foram demonstrados a respeito; a qual acrescentarei estas: Todos os males nascem como prazeres, pois um indivíduo nasce no amor de si, e esse amor causa prazer a tudo que é do próprio bem, por conseguinte a tudo que ele quer e pensa; e quem quer que esteja nos prazeres dele arraigado desde o nascimento fica nele até a morte, exceto se domina-los, e só podem ser dominados se os considerar como venenos doces que matam, ou como flores que na aparência são vidas, mas trazem em si o veneno, por conseguinte se não considerar os prazeres dos males como mortífero e isso até que eles se tornem em desprazeres.

3. (II).Se alguém não conhece e não sabe o que são os pecados,
não vê outra coisa senão que ele está sem pecados. É pelo verbo que se sabe que se é pecador e se está nos males desde a cabeça até os calcanhares; mas não até que chegue a conhecer, pois não vê pecado algum em si; porque fala como uma voz que apenas ressoa, e, contudo intimamente dentro de si crê que não é pecador, fé que se manifesta na outra vida. Então diz: puro é, limpo estou, inocente sou, mas quando é reamado ele é impuro, imundo, e profundamente mortal; pois é como a epiderme que por fora está limpa e macia, mas no interior enferma desde o próprio coração; e é qual o líquido que na superfície é líquido, mas no interior está podre pela estagnação.

4. (III). Se alguém conhece e sabe o que são os pecados, pode vêlos dentro de si, confessá-los perante o Senhor e fazer penitencia deles. Diz-se que ele pode querer e quer quem crê na vida eterna. Mas enquanto não pensar a respeito do que ele faz, mas do que ele quer fazer, que ele crê lícitos, então os faz também, e se não os faz é por causa do mundo.O efeito é interno e externo, ou a obra é interna e externa; o efeito ou a obra externa procede e existe pelo efeito ou obra interna como o reto procede do esforço; o esforço no homem é à vontade; por isso se ele não faz pelo corpo, se licitamente o fizer, então o esforço ou a vontade permanece, e isso é o próprio Cristo em espírito. Depois é que reconhece e sabem quais são os seus pecados, e reconhece e sabe os seus pensamentos e por eles o que faz que seja licito, e por isso o que ele deseja e a que pensamento ele é favorável. Por conseguinte se pensar que a exortação é um pecado, e que é grave, se o ódio e a vingança são pecados, se os furtos e coisas semelhantes, se o brilho e o orgulho, se o desprezo pelos outros e se a avareza são pecados, e então afastar os males que o homem aceitara, isto é, as confirmações, e explorar o verbo, ele verá. 5. Aquele que reconhece que o pecado é pecado pode ver os pecados dentro de si e o que todos vêem; mas quem faz coisas lícitas pelo pensamento, e ilícitas pelo corpo por causa do mundo, esse não pode ver tais coisas é como quem vivia do lado oposto do

espelho para ver o seu rosto, ou como quem quer ver o rosto e põe pano diante dele.

6. (IV). O bem antes da penitencia é um bem natural, e geralmente a
caridade, por que o bem é da caridade. Há, porém o mal interior no homem, pois não está manifesto e por isso não curado, e do mal não pode provir um bem puro, por ser a fonte impura. O bem que sair do mal pode na forma externa aparecer como bem, mas no interior dele está o homem qual é quanto ao interno; tudo, pois, que daí um individuo fizer é a imagem dele; ele mesmo diante dos anjos em sua imagem aparece, principalmente em seu exterior, como mil vezes eu vi; pois o bem que alguém faz com o corpo, esse pode parecer bem diante dos que vêem unicamente o externo, mas no interior escondem-se à vontade e a intenção, que podem existir, ele quer fazer crer que é sincero e bom afim de capitar as almas por causa da honra e do lucro; em uma palavra, há o bem nuritorio, o bem hipócrita, o bem diabólico, que é para enganar, vingar, matar, etc; seu tal bem é arrebatado com a morte, enquanto que nos seus interiores ele perdura e faz manifestar o mal.

7. Todo bem que o homem faz ao próximo é da caridade ou é
caridade, por isso a caridade é conhecida qual ela é segundo estes três precedentes, a saber: 1. Quando se foge dos males como pecados. 2. Quando se sabe e se conhece o que são os pecados. 3. E quando eles são vistos dentro de si, e são confessados e se faz penitencia. São estes os indícios de quem está na caridade.

8. (V).”O primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos
males porque são pecados”. Todo bem que um homem faz ao próximo por causa do próximo, ou por causa do vero e do bem, por conseguinte por ser segundo o Verbo, ou por causa da religião, assim por causa de Deus, também por amor ou afeição espiritual, chama-se bem da verdade ou boa obra.Não é bom tudo quanto provém do homem, mas quanto

provém do homem pelo homem.Deus faz o bem a todos, maiormente por outros, mas ainda assim é ao ponto que o homem apenas sabe que é por si próprio; por isso faz freqüentemente com que os ímpios façam o bem aos outros, mas pela afeição do amor de si e do medo. Contudo esse bem é na verdade do Senhor ou é pelo Senhor, mas o homem não é por isso remunerado; se, porem, o homem o faz não por amor ou pela afeição meramente natural, e sim pelo amor ou afeição espiritual, ele é remunerado; a remuneração é o prazer celeste desse amor ou dessa afeição, que permanece pura sempre, e isso tanto quanto ele o faz não por si próprio, isto é, quanto crê que todo bem é feito pelo Senhor, e não põe mérito nele.

9. Ninguém pode fazer o bem que é bem por si, somente na
proporção que o homem foge dos males como pecados é que ele faz os bens não por si próprio, mas pelo Senhor. É o que se vê na: Doutrina de Vida para Nova Jerusalém segundo os preceitos do Decálogo(n˚917,e n˚18-31).

10.De tudo isso resulta, que antes da penitencia não pode haver a
caridade cujo bem seja do Senhor, mas do homem; mas depois da penitencia faz-se à caridade cujo bem não procede do homem, mas do Senhor; nem também pode o Senhor entrar no homem e fazer por Si algum bem para ele, antes do diabo, isto é, o mal, ser expulso, mas depois que foi expulso; pela penitencia o diabo é expulso, e uma vez expulso o Senhor entra e ali faz o bem pelo homem, mas sempre até o ponto que o homem não perceba outra coisa senão que ele o faz por si próprio, mas que saiba que é pelo Senhor. 11.Agora se vê a razão porque o primeiro da caridade é fugir dos males como pecados, o que se faz pela penitencia. Quem não vê que o impenitente é mal? E quem não vê que quem não tem caridade não pode fazer a caridade? A caridade provirá da caridade no homem.

12.(VI) No fim mencionar-se-ão algumas passagens do Verbo,
como das palavras do Senhor aos fariseus, que se deve purificar o homem interno. As passagens em: Isaías, I. Algumas das passagens que estão na Doutrina de Vida para a Nova Jerusalém,n˚28-31;e também n˚50-52.

13.O segundo da caridade é fazer os bens, porque são usos.Serão
expostas nesta ordem: I.Não querer fazer mal ao próximo é da caridade. II.Querer fazer bem ao próximo é da caridade. III.O homem pode fazer o bem que ele crê ser da caridade, e, entretanto não fugir do mal; contudo todo mal é contra a caridade. IV.Se um homem não quer fazer mal ao próximo, também ele quer fazer bem, e não vice-versa. V.A primeira coisa que deve ser feita é afastar o mal, porque ele é contra a caridade, o que se faz dirigindo-se ao Senhor e pela penitencia, antes que o bem que faz seja o bem da caridade. VI.Tal é o conhecimento e daí a remoção do mal pela penitencia, tal é o bem que é da caridade. VII.Daí se segue que o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados e que o segundo da caridade é fazer os bens. 14.(I) Não querer fazer mal ao próximo é da caridade. Qualquer pessoa vê que a caridade não faz mal ao próximo, pois a caridade é o amor para com o próximo, e quem ama a alguém teme ao fazer-lhe mal. Existe a conjunção das almas entre eles; Daí vem que ele, quando faz mal a quem está unido por amor, ele mesmo percebe na

alma como se fizesse mal a si: Ora, quem pode fazer mal aos seus filhos, aos seus amigos? Por isso fazer mal é contra o bem do amor. 15.Quem não vê que quem tem ódio a outrem, age contra ele como um inimigo, projeta a vingança, deseja a sua morte, não ama o próximo? Quem deseja cometer exortação com a mulher de um outro, quem quer estuprar virgens e abandona-las, e violenta-las, não ama ao próximo.Quem deseja roubar, e, sob vários pretextos furtar os bens de outrem, quem julga a reputação de outrem, blasfemando e, por conseguinte levantando falso testemunho; ama o próximo? Contudo aquele que cobiça a casa alheia, as mulheres alheias e muitas outras coisas que pertencem ao próximo, de tudo isso é evidente, que não quer fazer mal ao próximo, e não querer fazer mal ao próximo é caridade. 16.A respeito, Paulo diz: Amar ao próximo é cumprir a lei; em duas passagens; e também no Verbo. 17.(II) Querer fazer bem ao próximo é da caridade. É coisa notória que se crê que dar aos pobres, dar esmolas aos indigentes, socorrer às viúvas e òrfãos, beneficiar os ministros, fazer donativos a templos, hospitais e a vários usos pros é caridade; como também dar de comer aos pobres que tem fome, dar de beber aos que tem sede, recolher o viajante, vestir os nus, visitar os enfermos, visitar os presos, e muitas outras coisas, são bens da caridade.Mas tais coisas não são bens, exceto se o homem fugir dos males como pecados; tais bens se o individuo faz antes de fugir dos males como pecados são bens externos principalmente essenciais porque procedem de uma fonte impura e as coisas que procedem de uma tal fonte são interiormente males; o individuo está neles e o mundo também. 18.É sabido que fazer os bens cristãos é da caridade e muitos crêem que o bem destrói o mal e que assim os males no homem não existem ou que não devem ser tidos em consideração, mas não destrói o mal se o homem não cuida dos males dentro de si e não faz penitencia deles. 19.Há muitos que assim creram e julgaram que não havia mal em si próprios, mas quando foram examinados confessaram que estavam repletos de males e que se eles não forem reprimidos nos externos não seriam salvos.

20.(III) O homem pode fazer o bem que ele crê ser da caridade e,
entretanto não fugir dos males e, contudo todo mal é contra a caridade. Fugir do mal e fazer o bem são evidentemente duas coisas distintas.Há pessoas que fazem todo bem da caridade segundo a piedade e o pensamento como coisa da vida eterna e, entretanto não sabem que ter ódio e vingança, cometer exortação, saquear e injuriar, blasfemar e, portanto levantar falso testemunho e muitas outras coisas são males.Há juizes que vivem piamente e, contudo não consideram pecado julgar segundo a amizade a afinidade e também por causa da honra e do luero, sobretudo se sabem confirmam neles que não são males e também assim pensam outros.Em uma palavra são duas coisas distintas fugir dos males como pecados e fazer o bem cristão. Quem foge dos males como pecados esse faz os bens cristãos, mas aqueles que fazem o bem e não fogem dos males como pecados não praticam bem cristãos, entretanto o mal é contra a caridade por isso ele é a primeira coisa que se deve abolir antes de estar com a caridade, isto é, antes de ser da caridade o bem que ele faz.Ninguém pode fazer o bem e ao mesmo tempo querer fazer o mal, ou querer o bem e também o mal. 21.Todo bem que em si é o bem, procede do interior da vontade; desta vontade o mal é afastado pela penitencia; aí também reside o mal em que o homem nasce; por conseguinte se a penitencia não agir, o mal permanece no interior da vontade, e o bem procede do exterior da vontade, e assim é o estado perverso; o interior qualifica o exterior e não o exterior o interior.O Senhor diz: Fariseu cego!Limpa primeiro o interior do copo e do prato para que também o exterior fique limpo. (Mateus: 23-26). 22.O homem tem uma vontade dupla: interior e exterior. A vontade interior é purificada pela penitencia, então o exterior faz o bem pelo interior e o bem exterior não afasta o mal da carne, ou a raiz do mal. 23.(IV) Se um homem não quer fazer mal ao próximo, também lhe quer fazer o bem, e não vice-versa. Há bem civil, bem moral e bem espiritual.O bem, antes de o homem fugir dos males como pecados é um bem civil e moral; mas se o homem

fugir dos males como pecados, faz-se o bem tanto civil como moral e também espiritual, e não antes. 24.A carne faz por dentro, e por fora o seu prazer, por isso, quando um individuo pensa segundo a carne e o seu prazer, ou confirma o mal e crê que ele é licito e crêem estar no mal, ou não pensam em algum mal dentro de si e assim crê ser integro. 25.É verdade que o homem deve confessar-se pecador e que não é integro desde a cabeça à sola dos pés.É coisa que se pode falar e falar de ciência, contudo não é possível crer nisso interiormente, se isto não for sabido por um exame; então sim é que pode declarar isso, e então é que primeiro fica sabendo que não há integridade alguma em si.Assim, e não de outro modo, abre-se à úlcera e é curada, de outro modo a cura é palliatura. 26.E o Senhor não pregou a penitencia, e também os discípulos e João Batista.Isaias diz que primeiro se deve desistir dos males, e que depois se aprende a fazer o bem.Antes disso, o homem não sabe que causa é o bem; o mal ignora o que é o bem, mas o bem daí sabe o mal. 27.(V) Primeiro deve ser afastado, porque ele é contra a caridade, o que se faz pela penitencia, antes de o bem que ele faz seja o bem da caridade. Como o mal que primeiro se sabe é para que seja afastado, por isso o Decálogo foi a primeira causa do verbo; e também em todo o mundo cristão é o primeiro da doutrina da igreja: todos são iniciados na igreja para que saibam o mal e não o façam porque é contra Deus. 28.Isso foi primeiramente tão santo porque ninguém pode fazer o bem cristão antes disso. 29.Que o bem vem em seguida é claramente por isto: Diz o juiz, não quero julgar segundo o mal, por causa de varias causas, mas justamente, e faz o bem. 30.O obreiro diz: Não quero fazer a obra senão justa e fielmente; assim ele faz a boa obra. 31.Assim como milhares de outros. 32.Por isso a regra pode ser, que fugir do mal como pecado é fazer o bem.

33.(VI).Tal é o conhecimento e daí a remoção do mal pela penitencia,
tal é o bem que é da caridade.Como se sabe mais ou menos o que é o mal segundo alguém sabe os males da fé e os males da vida e por isso desiste deles e se desiste deles se si dirigir ao Senhor e se crer nele. 34.Os exemplos podem ensinar: pois tal é o interior tanto mais puro, portanto a fonte é de melhor água da qual corre o bem. 35.Em uma palavra, no mesmo grão na mesma semelhante qualidade a quem o bem é bem, assim também a ele o mal é mal; um não pode ser separado do outro. 37.Quanto mais alguém expulsa o velho homem, tanto mais reveste o novo.Quanto mais alguém crucifica a carne, tanto mais vive do Espírito Santo. 38.Ninguém pode servir a deus amas ao mesmo tempo. 39.O conhecimento envolve, que se deve saber, o que é o vero, e o que é o falso; o afastamento e a vontade, ambos são da vida. 40.(VII). Daí segue que o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados, e o segundo é fazer o bem. Fazer o bem para se exaltar é igual a fazer o mal, pode dar socorro, pode fazer muitos bens, por benevolência, benignidade, amizade, compaixão; mas não são coisas da caridade para aquele que faz, mas para aquele a quem se faz; aí a caridade está na espécie externa. 41.Quando alguém foge dos mal como pecado algumas vezes, então lhe aparece logo o bem que faz e estão ao mesmo tempo nele; mas anteriormente só um existia; e esse um é realmente anterior e interior.

42.O próximo que se deve amar na vida espiritual é o bem e o
vero. Diz-se na vida espiritual, que essa idéia é a em que está o homem espiritual interior, naquela mesma em que estão os anjos, essa idéia

é abstrata da matéria, do espaço e do tempo, principalmente abstrata da pessoa. Disposição na ordem: I-O homem não é um homem pela forma, mas pelo bem e o vero nele, ou seja, segundo a vontade e o entendimento. II-O bem e o vero no homem são o próximo que se deve amar. III-A qualidade do próximo é segundo a qualidade do bem e do vero no homem, ou tal é o homem tal é o próximo. IV-O grau do próximo é segundo o grau do bem e do vero no homem.Por conseguinte não há um homem que seja próximo em um grau semelhante a um outro. V-O bem da vontade interna é o próximo que se deve amar, e não o bem da vontade externa, exceto se este com aquele, faz um. O vero é o próximo, tanto quanto ele procede do bem, e faz um como a forma e a essência. 43.(I) O homem não é um pela forma, mas pelo bem e o vero nele, ou seja, segundo a vontade e o entendimento. Que à vontade e o entendimento são os próprios homens, e não a forma, que aparece como homem pela face e o corpo, é coisa notória.Há, com efeito, estultos e loucos, e eles se apresentam como homens; há alguns assim naturais que são como animais, por isso que podem falar; há outros que são racionais e espirituais.A forma humana de tais indivíduos pode aparecer formosa, mas há pessoas que são mais homens do que eles, se si retirar o bem e o vero deles, fica uma forma humana em que não há homem; são como pinturas e esculturas, e são como macacos. 44.Diz-se bem e vero, isto é, vontade e entendimento, pois o bem é da vontade e o vero é do entendimento; com efeito, a vontade é o receptando do bem e o entendimento é o receptando do vero. 45.O bem e o vero, porém, não pode existir senão em seu sujeito, nem pode ser separada coisa alguma de seu sujeito; por isso o homem é o próximo; mas na idéia espiritual é pelo bem e o vero que o homem é homem.

46.(II).Por isso o bem e o vero no homem são o próximo que deve
ser amado. Ponde três ou dez coisas diante dos olhos para escolherdes alguma coisa doméstica, acaso escolheis de outro modo que não veja segundo o bem e o vero nelas, é daí que o homem é homem. 47.Se para famulas escolheis algum dentre dez, por acaso não te informas da vontade e do entendimento dele? 48.Quem é escolhido é para ti o próximo que é amado.O homem diabo pode parecer pela face um homem anjo; por acaso, não se deve amar o anjo homem e não o homem diabo? Faz-se beneficio ao homem Ângelo por causa do bem e do vero nele, mas não ao homem diabo. A caridade consiste em que este seja punido se faz o mal, mas seja recompensado o homem anjo. 49.Se olhardes para dez virgens a fim de escolherdes uma para esposa, entre as quais há cinco meretrizes, cinco cartas, não escolhereis uma das cartas, conforme o seu bem, que concorde o vosso bem? 50.(III).A qualidade do próximo é segundo a qualidade do bem no homem, ou tal é o homem tal é o próximo. Que nem todo individuo e um próximo semelhante a um outro, é o que ensina a palavra do Senhor do que foi ferio pelos ladrões, onde se diz que o próximo foi aquele que o socorreu. 51.Aquele que não distingue que o próximo segundo a qualidade do bem e do vero nele, pode ver milagres enganado; a caridade se torna confusa e finalmente nula; o homem diabo pode dizer: eu sou o próximo, faz-me bem. E se me fazerdes bem, pode matar ou os outros; seria dar-lhe a face e a espada na mão. 52.Assim fazem os tolos; eles dizem que todo homem é igualmente o próximo, e que então não se deve examinar qual a obra feita, pois isso compete a Deus, assim se fará uma obra ao próximo. Aquele que ama ao próximo segundo uma caridade genuína indaga que homem ele é, e prudentemente lhe faz bens segundo a sua qualidade boa.

53.Esses tais tolos na outra vida são retirados e separados, por isso
que se forem para a companhia dos espíritos diabólicos fazem-lhes beneficio e aos bons fazem mal.Eles bradam, livra-me, socorre-me. É esta a maior força que os maus adquirem para si; sem força e sem conjunção com eles, não tem força; mas com as que eles enganaram pelo nome de próximo, eles tem força. 54.A pura caridade mesmo é prudente e sábia; a outra caridade é natural, por que é somente da vontade ou do bem e não ao mesmo tempo do entendimento ou vero. 55.(IV). O grau do próximo é segundo o grau do bem e do vero no homem; por isso não há um homem que seja o próximo em um grau semelhante a um outro. O bem segundo o grau se distingue em bem civil, bem moral e bem espiritual. 56.O próximo que um homem amará segundo a caridade será o bem espiritual; sem este bem não há caridade, por isso que o bem da caridade é o bem espiritual, pois é por ele que o bem confirma alguém nos cios. 57.O bem moral, que é o próprio bem humano (há, porém, o bem racional segundo o qual vive o indivíduo com o indivíduo como um irmão e companheiro), é o próximo tanto quanto este procede do bem espiritual.Com efeito, o bem moral sem o bem espiritual é um bem externo, é da vontade externa, e não é um bem interno; e isso pode ser um mal; que não deve ser amado. 58. O bem civil é o bem da vida segundo as leis civis; e o primeiro dele e de seu fundamento, que é de no agir contra essas leis, é por causa das penas. Se naquele bem não há o bem moral, e neste não há o bem espiritual, aquele bem não é outra coisa mais do que um bem animal, no qual estão os frutos, em quanto se conservam presas ou amarradas, para com os que lhe dão comida, ou que as punem, ou que as domesticam. 59.O homem aprende esses bens na primeira infância segundo o Decálogo.As leis do Decálogo constituem em primeiro lugar as leis

civis, depois morais e finalmente espirituais, e então os bens formam os bens da caridade, segundo os graus. 60.A caridade mesma visa primeiro o bem da alma do homem, e o ama porque por ele se faz a conjunção; depois visa o bem moral dela, e o ama assim como o homem moral vive segundo a perfeição da razão; e por último visa o bem civil; segundo o qual o homem vive consigo no mundo. Seguindo o bem moral o homem é um homem, acima do mundo e abaixo do celeste; mas segundo o bem espiritual o homem é um homem do céu ou anjo.A consociação do homem com o homem se faz por este bem, e então segundo o grau pelos bens inferiores dos graus.Por exemplo: Seja o homem espiritual, que bem quer e não entendem bem, não faz bem, por conseguinte é apenas moral racional; mas quem bem entende e não quer bem, este não é segundo o entendimento o próximo; mas quem não quer bem, ainda que bem entenda não é o próximo. 61.Em resumo a vontade faz o próximo, e o entendimento tanto quanto é da vontade. 62.(V). O bem da vontade interna é o próximo que deve ser amado, e não o bem da vontade externa, exceto se este faz um como ele. Há vontade interna e vontade externa; o mesmo se com o entendimento. 63.A vontade interna tem conjunção com o céu, é à vontade com o mundo. 64.Todo bem é da vontade; e o próprio bem da caridade é o bem da vontade interna. 65.Tais coisas suportadas no homem, e são principalmente separadas nos hipócritas, velhacos e nos aduladores por causa do ganho. 66.Mas quando fazem um com as vontades, então uns e outros bens fazem um só bem, que é o próximo. Tais coisas são por exemplos e por comparações. 67.(VI).O vero é o próximo quando faz um com o bem, e faz um com a forma e a essência.Toda forma tira a sua qualidade da essência; por isso tal é a essência, tal é a sua forma.

68.Isso pode ser ilustrado pelo fato que tal é o seu entendimento
considerado em si, qual é à vontade. 69.Isso pode ser ilustrado pelo som e a linguagem, e por muitas outras coisas. 70.Que o vero é o bem na forma vê-se no: Apocalipse Explicado. 71.Daí é evidente que o homem é o próximo que deve ser amado na vida espiritual, ou o homem segundo o seu bem.

O objetivo da caridade é o homem, a sociedade, a pátria e o gênero humano e todos são o próximo no sentido restrito e lato. 72.Um homem é o próximo, uma sociedade é o próximo-porque a sociedade é composta de homens-, a pátria é o próximo-porque consiste em muitas sociedades, o que é um composto de mais homens-, o gênero humano é o próximo-porque o gênero humano é formado de sociedades maiores, cada uma das quais é um composto de homens-, daí o homem no mais lato sentido. Exponhamos isto nesta ordem: I- Cada homem é o próximo segundo a sua qualidade de bem. II-Numa sociedade menor e maior são o próximo segundo o bom uso dela. III- A pátria é o próximo segundo o seu bem espiritual moral e civil. IV- O gênero humano em um sentido muito amplo é o próximo; mas porque se distingue em impérios, reinos, e republicas, quem quiser é o próximo segundo o bem da religião, e segundo o bem que presta à pátria e à si. 73.(I).Cada homem é o próximo segundo a qualidade de seu bem.

Como o bem na idéia espiritual é próximo, e um homem é sujeito ao bem e também o seu objetivo que faz o bem se segue que um homem na idéia natural é o próximo. 74.Mais próximo do que um outro, em relação à pessoa, mas em relação ao bem pelo qual um homem é tal qual um homem; pois há tantas diferenças de próximo, quantas são as diferenças do bem, e as diferenças do bem são infinitas. 75.Crê-se que um irmão, um vizinho e um parente são mais próximos do que um alheio, e que aquele que nasceu na pátria seja mais próximo do que aquele que nasceu na pátria estrangeira; mas cada um é o próximo segundo o seu bem, quer ele seja grego ou gentio. 76.Próximo é, pois, aquele o é segundo a afinidade e proximidade espiritual.É o que é possível ver no fato que todo homem depois de sua morte vem para os seus com os quais ele é semelhante quanto ao bem, ou que o é segundo as afeições; é fato que as afinidades naturais perecem depois da morte, e sucedem as afinidades espirituais, por isso que em uma sociedade celeste um conhece o outro, e se consociam porque estão em um bem semelhante.De dez irmãos no mundo, cinco podem estar no inferno, e cinco no céu, e estes cinco em diversas sociedades, e quando se reúnem um não conhece o outro; contudo todas as suas afeicoes existem na face. Daí é evidente que cada homem é o próximo segundo a qualidade do bem. 77.Os bens segundo a qualidade deles são principalmente espirituais; a caridade visa isso em primeiro lugar. 78.(II).Uma sociedade menor e maior é o próximo segundo o seu bom uso.Toda sociedade instituída em um reino segundo seu uso esses que variam.Há sociedades cujo propósito é administrar as varias causas civis, que

são múltiplas, as varias coisas judiciárias, economias, eclesiásticas, como consistórios, redimias, escolas; Há sociedades de ciências; que também são muitas. 79.Toda sociedade não pode ser encarada de outra maneira senão como um composto de homens.Com efeito, ela é o próximo segundo o seu bem que presta; presta-se usos indignos, é mais o próximo; é próximo menor; se maus usos, não é outra coisa mais do que como um homem mau, cujo bem desejo que se torne um bem e quanto for possível proporcionar os meus para que melhore, mesmo que fosse por ameaças, castigos, penas, abrogacoes. 80.Ninguém pode encarar uma sociedade como tendo só um dever, mas como um composto de homens; algumas são chamadas membros de governo, quando se encara um reino como homem, entre si fazem um homem cujos membros são nele singulares. 81.E isso é semelhante no céu.Ali toda sociedade menor e maior é como um só homem, ela aparece também como um só homem; vi uma mingúe sociedade como um só homem.A forma do céu é a forma humana. 82.Assim também uma sociedade nas terras aparece diante dos anjos nos céus como um só homem. 83.(III).A pátria é o próximo segundo o seu bem espiritual, moral e civil. Em todos a idéia: Pátria é como um só; por isso todas as leis tanto da justiça como da economia são feitas para um; por isso a pátria é como um homem no conserto; também é chamado corpo em que o Rei é supremo.O bem dela que se deve consultar, chama-se bem publico e bem comum; diz-se também régio, o que está no corpo do redimem dele. 84.Aparece também um reino a qualquer no céu diante dos anjos, quando apraz ao Senhor, como um só homem,

assim na forma tal qual ele é; a forma é uma forma da sua afeição espiritual; a forma da face é a da afeição do bem espiritual, e a forma do corpo é a forma do bem civil, e os seus costumes, a linguagem e coisas semelhantes constituem a seu bem racional.Quando alguém vê o reino como um só homem, ele pode ver qual é; e ele é conforme o próximo. 85.O nascimento não faz com que alguém seja mais próximo do que um outro; nem mesmo a mãe e o pai, nem a educação; estas coisas procedem do bem natural; nem o parentesco e a afinidade fazem que alguém seja mais próximo do que um outro, nem mesmo a pátria; segundo a qualidade do bem dele é que ele deve ser amado; mas a obrigação é para que ele beneficie, o que se faz consultando o seu uso, pois assim consulta o de todos; não do mesmo modo aos outros reinos alem dela, porque um reino não quer o bem de outrem, mas quer destruí-lo, por causa da riqueza como por causa do poder e também quanto à tabela; pois amar mais aquele reino, consultando mais o seu uso, veria contra o bem do reino e que ele está; por isso a pátria deve ser amada em grau superior. 86.Seja como exemplo: Se eu tivesse nascido em Veneza ou em Roma, e se fosse cristão reformado, por acaso não amaria a pátria, ou onde nasci por causa do bem espiritual?Não posso nem quanto ao bem moral e civil, que se frea, tanto quanto dependa do bem espiritual; mas posso quanto não dependa dele, se ate essa pátria me tiver ódio; assim não terei ódio a inimigo ou adversário, mas ate o amarei não lhe causando dominando damnaudo, mas consultando o seu bem tanto quanto é seu bem não consultando de modo que a confirme em seu falso mal. Mas a respeito do amor da pátria muitas coisas há ainda.

87.(IV).O gênero humano no sentido mais amado é o
próximo; mas porque ele se distingue em impérios, reinos e republicas, qualquer é o próximo segundo o bem da religião e dos costumes e segundo o bem que presta a pátria e faz um com o seu bem. Tais coisas são mais amplas do que é possível ilustrar distintamente.Basta que este ou aquele homem deste ou daquele reino esteja comigo, e com ele em uma casa ou em uma cidade eu habite, ele é o meu próximo segundo o seu bem; o mesmo sucedera com todos.Naquele reino, aos quais aquele homem por si seja semelhante. Ora, seja o legato do reino que representa o seu rei e, portanto o seu reino; que ele é meu próximo segundo o bem da sua religião e de seus costumes e, por conseguinte quero bem à pátria e a si; não é possível negar, mormente tanto quanto faz um com o seu bem. 88.Não falo de outro bem senão do bem da caridade e do bem da genuína caridade.Os maus podem amar-se mutuamente, até os ladrões e os diabos, mas não segundo a caridade, ou segundo o bem do amor interior; mas como fazem um praticando o mal, furtando, matando, blasfemando, entre si eles são próximos; mas eles não entendem, por isso que se trata da caridade e de seu bem. 89.Por isso amar a todos no universo segundo a religião, não mais na minha pátria do que nos outros reinos, nem mais na Europa do que na África. Amo mais o pagão do que o cristão, se bem vive segundo a religião, se adora a Deus de coração, dizendo não quero fazer este mal porque é contra Deus.Não o amo, pois, por causa da doutrina, mas por causa da vida, pois enquanto segundo só a doutrina eu o amo como um homem externo, mas segundo a vida também como um homem interno.Por conseguinte se ele tem o bem da

religião, também ele tem o bem moral e civil, que não podem ser separados.Mas quem está somente na doutrina, pode não ter religião; por conseguinte o seu bem moral e civil não tem vida em si; é por isso externo; quem quiser que creia que tal seja.

O homem é o assunto da caridade, e tal é a caridade nele, tal é o assunto dela, e tal é a caridade que ele exerce para com o próximo.

90.Expomos isto nesta ordem: I.O homem foi criado para que

seja uma pessoa do amor e da

sabedoria. II.Hoje para que o homem seja um homem, ele deve ser a caridade em uma forma. III.O homem deve ser a caridade em uma forma não por si, mas pelo Senhor, de modo que ele seja um receptáculo da caridade. (Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus, para destruição das fortalezas). IV.Que o homem seja uma tal forma da caridade, como o bem da vontade, está conjunto aos veros do entendimento nele. V.Tudo que procede do homem, trás segundo a forma o que seja semelhante, por conseguinte a caridade. VI.O próximo pode ser amado segundo uma não-caridade, e isto encarado em si não é amar o próximo. VII.Aquele que ama o próximo segundo a caridade em si, esse ama o próximo. 91.(I).O homem foi criado para que seja uma forma do amor e da sabedoria.

O homem foi criado à imagem e semelhança de Deus (Gen.1-26); e Deus é o amor e a sabedoria. 92.Sabe-se que tal é o homem qual é a sua sabedoria; mas a vida da sabedoria é uma forma do amor, a sabedoria é muitas vezes mais

útil aos outros do que àquele que a possui.A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros: porque quem ama aos outros cumpre a lei (Rom: 13-8). 93.(II).Hoje, para que o homem seja um homem, ele deve ser a caridade em uma forma. A caridade é sofredora, é benigna: a caridade não é invejosa: a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.(I cor. 13-4_7). 94.O terceiro céu, que foi formado pelos primeiros homens, está no amor e na sabedoria; mas o segundo céu é do amor inferior que se chama caridade, e da sabedoria que se chama inteligência; e finalmente como na continuação o externo se fez homem, então o seu amor se chama caridade, e a sabedoria fé: tal é o estado da Igreja entre os homens hoje. 95.Em alguns existe o amor espiritual, mas não o amor Celeste, e o amor espiritual é a caridade; mas neles então a fé é a verdade e a verdade faz o entendimento ou inteligência. 96.Pela caridade em uma forma entende-se que a sua vida seja caridade, e a forma é segundo a vida. 97.No céu um anjo aparece na forma da caridade; a qualidade da caridade se vê segundo a face e se ouve segundo o som, por isso é que o homem depois da morte se faz seu amor, isto é, a afeição de seu amor; o espírito e o anjo não são outra coisa mais do que a caridade, e também ele próprio é espírito ou anjo quanto a todo o corpo. Alguns viram um anjo, e reconheceram a forma da caridade em cada um de seus membros, o que é admirável. 98.Um homem neste mundo não é a caridade quanto à forma na face, no corpo, no som, mas a sua mente é espírito na forma humana depois da morte; mas o homem sincero, que nada pensa contra a caridade, pode ser conhecido pela face e pelo som, mas até apesar seu, pois os hipócritas se fazem tais, para que possam fingir de um modo vivo, revestindo até a sinceridade da caridade.Se, porém o

anjo olha para sua face e ouve o seu tom, conhece qual ele é, por isso que ele não vê o material que encolhe, mas o que acompanha o homem material. 99.As formas da caridade são inúmeras, quantos são os anjos do segundo céu, há um numero infinito; tantas são as variedades deles, quantas são as variedades da afeição do vero segundo o bem; e essa afeição é a caridade. 100.Quem não é uma forma da caridade é uma forma do ódio, ou quem não é uma forma da afeição do vero segundo o bem, é uma forma da afeição do falso segundo o mal; o inferno consiste em tais; lá existem todas as variedades do ódio e das carnes. 101.Como são os gêneros das afeiçoes e das suas espécies, assim também as das caridades.Existem caridades no plural, e os graus dela são de gênero duplo. 102.(III).O homem deve ser a caridade em uma forma, não por si, mas pelo Senhor, de modo que ele seja um receptáculo da caridade. A vida do homem que deve ser regenerado é a afeição do vero segundo o bem, ou caridade; e a vida só é da Vida, assim do Senhor, que é a vida em si, como Ele mesmo ensina que é: “O Caminho, a Verdade e a Vida”.(João: 14-6_e nesta passagem, que: “Como o Pai tem a Vida em Si”, -João: 5-26; e em outras passagens.).E como a Vida é Deus, o Divino não pode dá-la em próprio ao homem que é finito e criado, mas pode influir e agregarlhe um receptáculo; como os olhos não são a luz em si, mas podem receber, nem as orelhas, o ouvido em si, mas o receptáculo, assim também a mente e os sentidos interiores seus. 103.Por isso um homem é, na verdade, o sujeito da caridade, mas é um sujeito recipiente, porque foi criado na forma de recipiente da vida, do mesmo modo que os olhos na forma de recipiente da luz e o seu objetivo para a luz, e as orelhas na forma de recipiente do som por meio do som quando influi com as suas harmonias. 104.Aquele que crê que por si ele é uma forma da caridade, se engana; pois crê que é Deus ou o Divino transfuso nele, e assim

nega a Deus; ou se em tal não pensa, Poe o mérito nas obras da caridade, e assim faz o seu externo de caridade e não o seu interno; e Deus não pode então habitar nele.O Senhor não habita nas coisas que são os próprios do homem, mas no que é Seu; habitará no Divino, e assim faz com que o homem seja um recipiente do Divino procedente, o que é da caridade. 105.Mas o homem foi criado de modo que ele pense e queira que como por si, e daí fale e aja como por si; mas se lhe dá, a saber, que todo o bem da caridade e todo o vero da fé vem do Senhor.Quem não pensar segundo esse vero, não está na luz do vero, mas nas trevas, por conseguinte ele não pode ser ilustrado nas outras áreas, exceto unicamente quanto à memória, mas não quanto à percepção, que é a fé na sua essência. 106.Daí é evidente que o homem seja apenas uma forma da caridade, e que a caridade pertence ao Senhor nele; e é concedido ao homem agir como se ele próprio fosse a caridade, com o fim de poder tornar-se um mútuo como por si próprio, contudo pelo Senhor. 107.(IV) O homem é uma forma da caridade, como o bem da vontade está conjunto aos veros do entendimento nele. A vontade chama-se bem e o entendimento chama-se vero, porque a vontade está no calor do céu, e o entendimento na luz do céu; e como a vontade sem o entendimento não tem qualidade, por isso não pode ter nome algum, mas no entendimento ela recebe a qualidade e se torna alguma coisa, e conforme o que ela é no entendimento ela se faz tal qual, ou se faz alguma coisa ou é alguma coisa; o mesmo acontece com o bem sem o vero, então mesmo ao bem com o vero. 108.Por isso os veros genuínos devem ser aprendidos; com eles o bem da vontade se liga, e assim se faz o bem da caridade. 109.Toda variedade da caridade vem daí, ou dos veros no entendimento; mas o vero em sua essência é o bem, e o vero é a forma do bem, do mesmo modo que a fala é uma ilustração.

110.A forma do som é dupla: uma é do canto e outra é da fala.
Igual a afeição do vero e o bem ou caridade. 111.Por isso é que se diz que a caridade é a afeição do vero segundo o bem; daí a afeição do vero racional ou moral, e a afeição do vero civil ou natural. 112.Os que estão na caridade estão na luz, e se não estão eles amam a luz; a luz é o vero e o calor é o bem. 113.Os que não estão na caridade não amam o vero na luz, mas podem amar o vero na sombra. 114.(V).Tudo que procede de um tal homem, traz segundo a forma o que seja semelhante, por conseguinte o que seja a caridade. Do homem, que é a forma da caridade, procede o pensamento segundo a afeição, que é a caridade,a fala segundo o som que é da afeição, na qual está a afeição do pensamento,e o acerto pelo movimento em que está a caridade; esse movimento procede do esforço e o esforço faz a afeição do pensamento. 115.A forma da caridade está principalmente na sua percepção interior, a qual procede do calor e da luz espiritual.Aí o próprio homem é homem.Daí se produz a caridade em conseqüência ou as coisas inferiores, e ela se produz e se efetua, tal qual o gérmen da semente e sucessivamente a arvore, e a arvore se faz como arvore que permanece; e os frutos são as boas obras que são feitas segundo a vontade do bem pelo entendimento do vero, no corpo; e assim primeiramente uma arvore existe. 116.A sua forma intima é como uma semente, que não pode nascer de outro modo pela semente, do que por aquele processo, como é notório. Todas as coisas são semelhantes, contudo com muita variedade; mas nascendo produz o galho e o ramo nos quais há frutos, o que se fez segundo essa arvore. 117.Por isso o homem que interiormente é caridade, tudo que faz é pela caridade, ainda que os fatos e as falas e os pensamentos sejam infinitos na variedade.Todas as coisas que ela produz são como as imagens dela sob uma forma variada, em que, contudo há uma forma comum como um plano procedente.

118.Daí também o homem é conhecido de um outro, quando se
sabe a sua afeição dominante, enquanto fala e faz alguma coisa, segundo o fim e segundo o amor, como se de uma fonte.O Senhor diz que a ma arvore produz maus frutos, e a boa arvore produz bons frutos, e que a má árvore não pode fazer bons frutos. 119.A vida do homem está em tudo que ele quer e pensa, fala e faz.Ninguém pode fazer coisa alguma que não seja na sua, todas as coisas são efeitos da sua vida. 120.No mundo espiritual todas as afeições tomam uma figura de um modo variante, como árvores, jardins, aves, animais; nessas coisas aparece uma imagem do homem, quando é vista intimamente; são os seus representativos. 121.Em uma forma palavra, a imagem do homem está em todas e em cada uma das suas coisas. 122.(VI) O próximo pode ser amado segundo uma não-caridade, e isso encarado em si não é amar ao próximo. Exemplos ilustrarão isso: Um homem não pode amar um homem bom, e então não ama o bem em si; um homem pode dizer a respeito do pagão que diz: fará fielmente a sua obra porque Deus assim quer; esse pode amar a um ateu. Pode alguém, que não ama a pátria, quando o ouve falar, e sabe que ele ama a pátria, que ele ama; a ele escuta dizendo, é bom de coração, fala por amor, e lhe obedece. Ouvi algumas centenas que obedecem a um varão de que teve a reputação de amar a pátria, e apenas diz dentre eles eram os que amavam a pátria; pode alguém, quando ouve um pregador dizer que fala por Deus, pelo zelo das almas; e aqueles que não amam a Deus, e não crêem em coisa alguma, quando ouvem tais coisas, têem amor, e elogiam, e amam e eles mandam presentes? Todo homem sincero é amado pelos não sinceros, todo homem verdadeiro é amado pelos mentirosos, o fiel pelos ímpios, o puro que uma a sua consorte pelos impuros, e assim por diante. 123.Mas tal sucede com qualquer indivíduo, enquanto está em pensamento comum; mas quando logo perece essa percepção

comum, a luz perece; isso sucede quando a causa se acha sob a instituição de um pensamento implice a luz do homem ou do mundo, no pensamento comum influi, porém, a luz do céu, se tal é. A percepção comum do vero pertence a todos; mas o amor do inferior lança fora o homem, do alto para a percepção procedente do próprio; esta percepção é material, pois comunica com a visão ocular; ela é fantasia ou imaginação. 124.(VII) Quem ama ao próximo segundo a caridade em si, esse ama ao próximo. Ele se une com o bem dele e não como pessoa; pois se a pessoa apartar-se do bem, ele o não ama; e essa conjunção é a conjunção espiritual, por isso que o próximo na idéia espiritual é o bem. 125. Com efeito, um homem para que ame ao próximo será a caridade em forma.

O homem nasceu para que se torne caridade, e isso não pode ser feito, se ele não fizer perpetuamente ao próximo um bom isso por sua afeição e por seu prazer. 126.Seja a exposição nesta ordem: (I).O bem existe segundo os bons usos que cada um presta, e os bons usos que cada um presta, subsistem pelo bem. (II).Os ministérios, funções, ofícios e vários empregos são bons usos que cada um presta, pelos quais existe o bem comum. (III).Todos os ofícios e empregos quanto aos bons usos visados no reino, na república e na cidade, fazem a forma que corresponde à forma celeste. (IV).Fazem também a forma que corresponde à forma humana. (V).Nessa forma cada um é um bom uso segundo a extensão do ofício e do seu emprego. 127.(I).O bem existe segundo os bons usos que cada um presta, e os bons usos que cada um presta subsistem pelo bem.

Chamam-se bons usos, porque todos os bons usos que são do amor para com o próximo ou da caridade são usos; e todos os usos são bons, que unanimente são denominados bons usos; também os usos são chamados frutos. 128.Sabe-se que todo homem nasceu para fazer um uso, aos outros.Quem não faz isso, é também denominado um membro inútil e rejeitado.Também aquele que faz uso só a si, não é assim chamado, porque na república bem organizada se provê a que ninguém seja inútil; se for inútil, dá-se lhe um certo trabalho, mesmo ao mendigo se for são. 129.As crianças enquanto estão sob a direção das amas e dos mestres não fazem bons usos, mas aprendem a fazer e afinal terão; por conseguinte o bom uso está no fim.Para se edificar uma casa, primeiro se compram os materiais, depois se lançam os alicerces e se levantam as paredes, e por fim se habita nela; o bem da casa é a habitação. 130.O comum bem consiste que na sociedade ou reino: 1. Exista o Divino entre eles, 2. Exista o justo entre eles, 3. Exista a moral entre eles, 4. Exista o afetivo, o sabido, o probo entre eles, 5. Exista o que é necessário à vida, 6. O que é necessário ao trabalho, 7. O que é necessário à segurança, 8. Suficiência de recursos, porque esses três são necessários. 131.O comum bem provém deles e não vem deles mesmos, mas de cada um aí, e por intermédio dos bons usos que cada um presta, para que também o Divino aí exista pelos ministros, e o justo pelos magistrados e juizes, como o moral pelo Divino e o justo, como as coisas necessárias pelas obras e o comércio, e assim por diante. 132.Sabe-se que todo comum é pelos particulares; por isso é chamado comum; como são as partes tais é o comum; o pomar em comum é quais são as árvores e os seus frutos; os pratos são quais são as plantações; os campos em comum são qual é o grão com Servas e flores; o navio em comum é quais são todas as suas coisas, que são muitas; a ordem entre as partes e a quantidade das partes faz que o comum seja mais perfeito ou imperfeito. 133.Que os bons usos em que cada um fusta subsiste segundo o comum, é notório; por isso que cada um traz o seu bom uso segundo o comum; daí existem todas as coisas necessárias à vida, do trabalho, da segurança e a riqueza pelas quais se compram as coisas necessárias.Com efeito, pelo comum se entende não só a caridade e a sua sociedade, como também a religião e o

reino.Mas estas coisas que são de extensão ampla, mas traz-se –ao com mais clareza na continuação, pois dam-se muitas variedades, que com tudo, com essa lei concordam. 134.(II).Os ministérios, as funções, os ofícios e as varias obras são bons usos que cada um presta, pelos quais o bem comum existe. Pelos ministérios se entendem as coisas sacerdotais e os seus cargos; pelas funções se entendem os ofícios vários que são civis; e pelos cargos se entendem as obras, como as de artifício, as quais são muitas; pelos ofícios se entendem as aplicações varias, os negócios e o serviço domestico.A republica em sociedade consiste nesses quatro. 135.Os que estão nos ministérios fazem com que o livro ali esteja; as varias missões que são civis fazem com que o justo ali esteja, e também para que a moral ali esteja, como também o ativo, o sabido e probo, vários operários para que haja as coisas necessárias à vida; também negociados para que exista a coisa necessária ao trabalho; os soldados para que haja segurança e principalmente estas ultimas coisas para que haja suficiência de riquezas, e também agricultores. 136.Que conforme os bens de toda qualidade, as industrias, os ramos de trabalho, e o bem comum, é o que qualquer pode saber. 137.(III).Todos os ofícios e empregos quanto aos bons usos visados fazem a forma que corresponde à forma celeste. A forma celeste é tal que qualquer está em algum mister, em alguma função, oficio ou emprego é obra.Todas as sociedades celestes são tais que ninguém é inútil.Quem nada faz, o que quer viver no ócio, ou somente conversar, passear e dormir, não é lá tolerado.Todas as coisas estão lá dispostas de tal modo que conforme o uso elas para um lugar mais perto do centro; quanto mais perto do centro, tanto mais magníficos os palácios; quanto mais afastado do centro tanto menos magníficos; de um modo no oriente, de outro modo no ocidente, sul e norte.Todo aquele que vier a uma sociedade é iniciada em seu oficio, e vai para a casa com a sua obra correspondente.Toda sociedade é uma serie de afeicoes em toda a ordem. 138.Qualquer se apraz em sua ocupação, a sua alegria daí provem; eles fogem do ócio como quem foge da peste; é esta a razão pela qual cada um lá faz como por amor do uso a sua obra e por isso esta de coração alegre.O que é comum influi nele.Assim pela sociedade celeste sabe-se principalmente, que não só que cada um disperse e na ordem faz o bem comum segundo as variedades são as aflições, como também que cada um tira o seu bem do comum.

139.Igualmente

sucede nas terras; por isso que uma sociedade terrestre corresponde a uma sociedade celeste, e com corresponde, esta ai esta.O Divino existe o justo existe a moral existe e a probidade existe, o sábio e o activo existem; o comum inspira a cada um essas coisas, quando à parte que é o anjo está na caridade. 140.Lá se lhes concedem as coisas sucessivas à vida e ao trabalho, e também a aparência, e principalmente a alegria e a felicidade proveniente do comum conforme é a caridade. 141.É o que se ignora nas terras onde cada um põe a alegria e a felicidade nas honrarias e riquezas; e os que fazem isso nas terras, tornam-se pobres e se precipitam nos infernos; mas aquele que se aplica a alguma obra segundo a afeição da caridade esse vai para uma sociedade celeste. 142.Há lá funções, ofícios e obras inúmeras, coisas que são todas espirituais, as quais podem na verdade ser descritos, mas não assim à vista. 143.(IV).Fazem também a forma que corresponde à forma humana. Igualmente acontece com o corpo humano; nele todas as boas coisas são usos em uma forma perfeitissima; e como estão em uma forma perfeitissima, são sentidas como um. Contudo todas são varias, e em toda variedade elas são varias em sua serie e ordem.Há os sentidos que são cinco, há vísceras que são muitas, há órgãos da geração que também são muitos em um e outro sexo, há membros externos, há ainda muitas outras coisas que são da mente, isto é, que são da vontade e do entendimento. 144.Os comuns no corpo são o coração e o pulmão; os quais seus aetos influem em todas as coisas do corpo nos órgãos, vísceras e membros.Na mente a vontade e o entendimento são comuns. Se estes comuns visam as coisas singulares como suas partes segundo as quais existe. 145.Nele todas as coisas são formadas segundo o uso no uso e para o uso; todas são formas do uso. 146.No corpo animal tal é a forma do regime, que seja qual for terá a sua tarefa do comum, e atende a quer o comum dê a qualquer para que subsista. O coração dá o sangue a cada coisa em todo o corpo; e seja quem for, como tem a obra, torna a sua qualidade, e qualquer coisa por si mesma aplica em suma a forma é admirável. 147.Aí a forma celeste é o uso; o que é confirmado por isso que seja qual for a sociedade celeste ela é como um homem; ela também aparece como um homem; os usos lá o fazem homem, porque a forma da sociedade celeste corresponde à forma do corpo do animal quanto ao uso.

148.A forma celeste é homem nos mínimos e nos máximos; daí é que o céu
inteiro é um homem, toda sociedade é um homem, cada anjo é um homem, a razão é porque o Senhor, do qual procede ao céu é Homem. 149.(V).Nessa forma cada um que é um bom uso segundo a extensão do oficio e do emprego seu. A caridade não é outra coisa senão a afeição do vero segundo o bem, e a afeição do vero segundo o bem é a afeição do uso; porque se a afeição do vero segundo o bem não se tornar em afeto é o uso. 150.Um genuíno vero, cuja afeição é a caridade, não visa outra coisa senão a vida como o próximo, pois a afeição do vero segundo o bem não e outra coisa; o bem segundo o qual é a afeição, é querer fazer, e querer saber por causa de fazer; alias não é um genuíno bem pelo qual o vero é. 151.Quando assim o homem é o uso, ou o bom uso, ele é também a caridade. 152.E então o homem é chamado caridade em forma, e também é a imagem dela; todas as coisas nesse homem são da caridade; pois com o próprio homem em comum respira o uso, ate em todo particular o respira; a sua vida e a sua alma tornam-se amor do uso, ou a afeição do uso. 153.E então o homem interiormente tem em vista o Senhor e exteriormente visa a sua obra. 154.(VI).O homem nasceu para que se torne caridade; e não pode tornar-se caridade, se ele não fizer perpetuamente ao próximo um bom uso por sua afeição e por seu prazer. No artigo seguinte se diz como o homem perpetuamente deve fazer um bom uso ao próximo, e isso por sua afeição e por seu prazer. 155.Quem põe a caridade nos benefícios sos, não pode perpetuamente fazelo. 156.E se não fizerem usos perpétuos, faz-se à interrupção; e nesse intervalo, pode dissolver-se em todos os amores e daí em carne, e assim não só interromper a caridade como também a separar deles; assim acaba a caridade pelos seus opostos, e ele serve a dois senhores. 157.Um homem também pode fazer bom uso pela afeição da glória, da honra e do lucro e pelos seus prazeres; e então não é a caridade, mas é a carne; por conseguinte não é a forma do céu, mas a forma do inferno; também no inferno alguém é obrigado a fazer a boa obra, mas não por afeição sua; ele é obrigado a isso.

Todo homem que tem em vista o Senhor, e foge dos males como pecados, se sincera, justa e fielmente faz a obra que é de seu ofício e emprego, tornando-se uma forma da caridade. 158.Este segue como uma conseqüência da lei precedente, que o homem, nasceu para se tornar caridade, e não pode tornar-se caridade se perpetuamente não fizer um bom uso por sua afeição e por seu prazer.Com efeito, enquanto um homem sincero, justa e fielmente faz uma obra, que é de seu ofício ou emprego, por sua afeição e por seu prazer, ele está continuamente no bom uso, não só para o comum ou público como também para os particulares ou privados; isto, porém, não é possível se ele não tem em vista o Senhor e não foge dos males como pecados.Com efeito, como acima se mostrou, o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados. E o segundo da caridade é fazer os bens; e os bens que este faz são bons usos, que ele faz em um qualquer dia; e se não faz, pensa fazer, é uma afeição interior que permanece interiormente e deseja isso. Daí é que perpetuamente ele está no bom uso, desde a manhã até tarde, de ano em ano, desde a primeira idade até o fim da vida. De outro modo não pode tornar-se forma de caridade, isto é, o receptáculo. 159.Agora se dirá da caridade no sacerdote, no magistrado e nos serventuários sob as suas ordens, no juiz, no chefe do exército e nos prefeitos sob as suas ordens, também no soldado raso, no negociante, no operário, no lavrador, no patrão do navio e no marinheiro, nos criados. 160. [(I)] A caridade no sacerdote. Se ele tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, e cumpre sincera, justa e fielmente a obra do ministério que lhe está adjunta, ele faz o bom uso continuamente e se torna à caridade em forma. Mas então ele faz o bom uso ou a obra do ministério sincera, justa e fielmente enquanto o afeto a salvação das almas; e como está o afeto, assim o afeto os vivos, que por eles conduz as almas ao céu, e então ele guia as almas por meio dos vivos ao céu quando os conduz ao Senhor. O amor dele então é de sinceramente ensina-los segundo o Verbo, porque então os ensinando segundo o Verbo ele os ensina segundo o Senhor. O Senhor é não só o Verbo (João: I-1,2 e 14), como também o Caminho, a Verdade e a Vida (João: XIV-6), e é a Porta; por isso quem pelo Senhor como Porta entrar no aprisco é um bom pastor; mas quem não pelo Senhor como Porta entrar no aprisco, esse não é pastor, que é chamado ladrão e salteador (João: X-1_9).

161.[(II)] A caridade nos magistrados.
Por magistrados se entendem os supremos nos reinos, repúblicas, províncias, cidades, sociedades, sobre as quais eles têm jurisdição nas coisas civis. Qualquer deles em seu lugar se tem em vista o Senhor, e foge dos males como pecados, e sincera, justa e fielmente desempenha o cargo da sua função super eminente, faz um bom uso em geral e a cada um no comum continuamente, e se torna uma caridade na forma. E isto faz enquanto o afeta o bem dos súbditos ou dos cidadãos e enquanto isto o afeta, afeta-o, juntamente com os sábios e tementes a Deus, o sancionar as leis de usos, vigiar para que sejam observadas, e para que se viva em primeiro lugar debaixo delas; então para que presidam às reuniões, pois sob suas ordens funcionais inteligentes e ao mesmo tempo benévolos, por cujo auspicio e reinem o juízo e a justiça e se execute conjuntamente o bem comum. Ele visará que o supremo na ordem sirva os outros, e assim não como cabeça, pois a cabeça conduz todas as coisas do corpo seu pelo amor e a sabedoria em si, enquanto que o Amor e a Sabedoria em si é o Senhor Só, por quem ele como servo é conduzido. 162.[(III)] A caridade nos ofícios anexos a eles. Pelos ofícios anexos aos magistrados entende-se os que por eles presidem às reuniões com o fim de exercerem as varias funções necessárias e úteis. Qualquer deles se tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, e sincera, justa e fielmente faz a obra do ofício seu, torna-se caridade na forma, porque faz bons usos continuamente, enquanto está no cargo, e também enquanto não no ofício; por isso que então se grava na sua alma a afeição de fazer, e a afeição de fazer bons usos é a caridade em sua vida. O uso o afeta e não a honra exceto por causa do uso. Existe um certo menor comum bem sob qualquer oficial subalterno, segundo a extensão de seu cargo, que está subordinado ao maior e ao máximo comum bem, que pertence ao reino ou à república. O oficial subalterno que é a caridade consulta ao menor comum bem, que lhe cabe em quinhão, e assim ao maior e ao máximo, quando sincera, justa e fielmente faz a obra sua. Igualmente sucede com o oficial subalterno o mesmo que com o magistrado, de que se trata, só com a diferença que há entre o maior e o menor, entre o largo e o estreito, o extenso para o uso no gênero e o extenso para o uso na espécie; além de que isto dependa daquilo, como em relação aos famulos. 163.[(IV)] A caridade nos juizes. Se eles têm em vista o Senhor e fogem dos males como pecados e praticam julgamentos de justiça, eles se tornam caridades na forma, pois os bens fazem usos tanto ao comum como a cada um no comum, por conseguinte ao próximo; e os fazem continuamente enquanto julgam, e também enquanto não

julgam, por isso que pensam segundo o justo; também falam segundo o justo, pois o justo é da afeição deles e no sentido espiritual é o próximo. Um juiz justo julga, todos segundo o justo e ao mesmo tempo eqüitativamente, porque eles não podem ser separados; então ele também julga segundo a lei; porque toda lei tem por fim um e outro; e assim dirime o pleito, enquanto que o astuto procura perverter o sentido da lei. Visar a amizade julgando, ou o donativo ou o parentesco, ou a autoridade, ou alguma recompensa, do que como aquele que vive em segurança segundo a lei, ele reputa um pecado; e também se julga justamente e a justiça não esteja em primeiro lugar, mas no segundo. Os julgamentos do juiz em justiça são todos da caridade, mesmo quando lança a multa ou a pena aos culpados; porque assim as corrige, e evita que eles causem dano aos inocentes, que são o próximo; ele é, pois, como um pai que se ama os filhos os castiga enquanto praticam males. 164.[(V)] A caridade no chefe do exército. Pelo chefe do exército entende-se o seu supremo, quer seja o rei, quer o arquiduque, quer o general constituído por eles que tem o mando supremo. Ele se tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, e se sincera, justa e fielmente age nas coisas sob a sua direção e governo, os bons usos que são os bens da caridade ele faz; e por isso que sempre os medita, os estuda e os exerce, ele se torna caridade. Este se for Rei, ou arquiduque, não gosta da guerra, mas da paz, e continuamente na guerra ama a paz; não vai à guerra senão por causa da defesa da pátria, assim ele não é agressor, mas defensor; depois, porém, quando a guerra começou e que também ele é agressor, então a agressão é a defesa. Nos combates, se não nasceu para outra coisa, é forte e destemido; depois do combate é manso e misericordioso na peleja, se é possível, ele quer ser leão, mas após o combate é uma ovelha.Em seu íntimo ele se exalta sobre a destruição dos inimigos e sobre a honra da vitória, mas um pela libertação da pátria e dos seus nela pela libertação da invasão dos inimigos e por sua destruição e morte.Ele com prudência consulta fielmente ao seu exército como um pai de família aos filhos e criados, ama-os, e a qualquer que assim faz a sua obra sincera e fortemente, além de muitas outras coisas semelhantes. A astúcia nele não é astúcia, mas prudência. 165.[(VI)] A caridade nos intendentes sob o chefe do exército. Qualquer deles pode tornar-se caridade, isto é, anjo do céu, se tem em vista o Senhor, e foge dos males como pecados, e faz a obra de seu cargo sincera, justa e fielmente, assim também os que fazem os bons usos que são sempre da caridade; com efeito, as mentes deles estão nesses usos, e enquanto a mente está perpetuamente nos bons usos, ela se torna uma forma da caridade.A pátria para ele é o próximo; na idéia espiritual está a sua guarda e a segurança contra

a invasão e a carnificina; não se jacta por um mérito falso, nem por mérito algum; pensa que isso é um dever que faz alegre de espírito e não para se gloriar.Na guerra ele gosta dos militares sob as suas ordens por causa da valentia deles, da sinceridade e da obediência, consulta-os, quer-lhes bem como a si; com efeito, eles são vitimas do uso da sua glória, pois a glória é do uso e a glória da honra aos interudentes; aos que são caridades a glória deles é o uso e não a glória da honra.As outras coisas nele são semelhantes as que estão no chefe do exército, do qual se trata, com a diferença segundo a extensão da obra. Vi tais intendentes no céu superior e vi intendentes que não eram tais no inferno. 166.[(VII)] A caridade no soldado raso. Este se tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, e faz a sua obra sincera, justa e fielmente, também se faz caridade, e quanto ao amor a ela ele não faz distinção de pessoas. Também ele é inimigo das depredações injustas, aleosunia a injusta efusão de sangue; de modo diferente nos prélios, porque então não é contrário a essa efusão, pois nem pensa nela, mas no inimigo como inimigo que quer o seu sangue. A base o seu furor quando ouve o toque da trombeta para cessar a matança.Trata dos prisioneiros depois da vitória por causa do próximo segundo a qualidade do bem deles. Antes do combate eleva a alma ao Senhor e entrega a sua mão a sua alma; e depois que fez isso, arroja por uma elevação o seu animo no corpo e se faz forte, permanecendo em seu espírito fortaleza superior pelo pensamento no Senhor que então ele ignora; e então se morre no Senhor, e se viver no Senhor. 167.[(VIII)] A caridade no negociante. Este se tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, e faz o seu negocio sincera, justa e fielmente, torna-se caridade. Ele age com prudência como se própria fosse, mas tem confiança na Divina Providência, pois não abate seu animo nos infortúnios, nem se orgulha nos sucessos; pensa no dia seguinte e também não pensa nele; pensa-se no dia seguinte para saber o que e como deve fazer; mas não cogita no dia seguinte porque é da Divina Providência concede as coisas futuras e não o da própria prudência; e também a sua própria prudência ele atribui a ela. Ama o comercio como o principal de seu oficio, e o dinheiro como o seu instrumental, mas nas faz este o principal e aquele o instrumental, como fazem muitos dentre os judeus. Assim ele ama a riqueza, que em si é um bom uso e não os meios acima dele; na verdade não distingue estes por esse modo, mas distingue assim, enquanto tem em vista o Senhor, e foge dos males como pecados; mas foge da avareza, que é um mal e a raiz de muitos males.Ele amou o comum bem enquanto ama o seu bem, pois neste faz aquele, como a raiz da arvore que se oculta debaixo da terra pela

qual, contudo cresce e floresce e produz frutos; não que lhe dê do seu além do que lhe devem, mas porque o bem público é também o bem dos concidadãos, daí, pois é que ele ama, por caridade, aqueles de que ele é a forma. Ninguém pode conhecer em si próprio as coisas ocultas da caridade, por isso que não as vê, mas Deus vê. 168.[(IX)] A caridade está nos operários. Por operários se entendem os artistas e artífices de vários gêneros. Eles se teem em vista o Senhor e fogem dos males como pecados, e sincera, justa e fielmente fazem a sua obra, tornam-se forma da caridade, cada um conforme ame a sua obra e se aplique a ela; também as obras deles são bons usos que servem ao próximo com as várias necessidades e utilidades, como pela comida, vestimenta, habitação, proteção, conservação, felicidade e outras muitas coisas, e são proveitos a República. Qualquer que aplica assim a sua mente a obra e ao trabalho seu por amor a este, está quanto à afeição e ao pensamento nele e por ele, e quanto nele está, tanto deixa de pensar e de amar fruleiras, e depois é guiado pelo Senhor a pensar e a amar os meios para o bem, que são os veros; pois de outro modo é aquele que não atende a trabalho algum. Todo operário que tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, foge da desocupação porque ela é o travesseiro do diabo; foge da falsidade e da fraude e foge da luxúria e da intemperança; é calmo, sincero, modesto, contente está com a sua sorte, e faz obra para o próximo como para si próprio, pois ama a si e a ele fazendo a sua obra, em igual grau. 169.[(X)] A caridade nos lavradores. Os colonos ou agricultores e vinhateiros, si se dirigem ao Senhor e fogem dos males como pecados, e fazem as suas obras sincera, justa e fielmente, tornamse caridades quanto ao seu espírito, e depois da morte quando são espírito, estão na forma da caridade, e essa forma e a forma humana, em que todos estão depois da morte. Tais lavradores levantam-se pela manhã põem em ordem o trabalho, entregam-se ao seu labor, são ativos na obra, e alegra-se no trabalho. Depois do trabalho, são poupados, sóbrios, vigilantes no lar com os seus obram com justiça, fora, com os outros, são sinceros; respeitam as leis civis da justiça, que são do Decálogo, como Divinas e as observam. Tem amor aos seus campos e as suas vinhas, por amor dos proventos porque são bênçãos, e dão graças ao Senhor, e assim se dirigem ao mesmo tempo ao Senhor. 170.[(XI)] A caridade nos patrões dos navios. Os patrões, aos quais são confiados os navios e as mercadorias neles ou que as possuem, tornam-se também caridades; se tiver em vista o Senhor e fogem dos males como pecados, e fazem a sua obra sincera, justa e fielmente. A obra deles é um bom uso acima de muitos outros, porque por ela se faz a

comunicação e por assim dizer a conjunção, de todo o globo com as suas partes, e das partes com o todo; e esta excelente torna-se um bom uso, que é o bem da caridade neles, enquanto agem prudentemente com a sua ciência, na vigilância e sobriedade fazem a sua obra para que dê resultado, não se expõem temerariamente às desavenças, enquanto neles se acham não desanimam propositalmente o seu espírito; depois uma vez salvas dão graças e louvores ao Senhor; justa e sinceramente tratam os marinheiros, e também os donos dos navios, justamente com os estranhos para os quais dirigem o navio; não teem parte alguma com os piratas; estão satisfeitos com os seus ordenados, e além disso com os lucros lícitos. Os que percorrem os mares, que são caridades, porque teem em vista o Senhor, e fogem dos males como pecados, e fazem a sua obra sincera, justa e fielmente, oram e pselmodiam de manhã e de tarde do que aqueles que se fiam mais do que estes na Divina Providência. Atendei aos que percorrem o mar como depois disto eles oram ao Senhor porque: Ele é o Deus do céu, da terra e do mar, e não outro (João: III-35; XVII-12); Mateus (XI-27). 171.[(XII)] A caridade nos marinheiros. Os marinheiros também se tornam caridades si se dirigirem ao Senhor e fogem dos males como pecados, ao mesmo tempo em que fazem a sua obra sincera, justa e fielmente; por isso que enquanto fogem dos males como pecados, então fogem o diabolo, pois o diabo é mal mesmo; e então são aceitos pelo Senhor, e os bens que então fazem, pelo Senhor o fazem; e não deixam de fazer continuamente os bens. Em sua obra que lhes é confiada e que respeita à navegação. Essa obra é uma boa obra porque é um bom uso; e ter o amor para com o próximo ou a caridade não é senão fazer um bom uso. E quando fogem o diabo e são aceitos pelo Senhor; então não fazem aqueles males que são descritos no Decálogo, isto é, não matam, não cometem adultério, não furtam, não levantam falso testemunham; estas coisas, porém, ninguém que ame o próximo o faz; nem também ama ao próximo, que lhe tem tal ódio que deseja mata-lo.Não ama ao próximo quem quer cometer adultério com a mulher de um outro; não ama ao próximo quem quer furtar e saquear os seus bens; não ama ao próximo quem levanta falso testemunho contra ele e assim por diante. São estes os males que principalmente evitam, aqueles que tem em vista o Senhor. Também então eles temem a morte, porque se morrem, morrem no Senhor e vão para o céu, e lá um ama o outro como um irmão e o companheiro, como irmão e conservo, e farão obras mútuas aconselho também aos marinheiros, assim como a todos os patrões de navios, que se dirijam ao Senhor e orem a Eles, pois não há outro Deus do céu, da terra e do mar.

172.[(XIII)] A caridade nos criados
Do mesmo modo que os amos assim também os famulos se tornam caridades, isto é, cujos, quando se dirigem ao Senhor e fogem do males como pecados, e fazem a obra de criado sincera, justa e fielmente. As obras deles, que são os bens da caridade próprios e contínuos, são: para que sirvam aos seus amos, para lhes quererem bem, não falarem mal deles, agirem tão sinceramente na ausência deles como na presença, para que não desprezem o serviço, porque seja quem for, em qualquer grau de dignidade que esteja, deve servir; até o rei serve ao Senhor; e como quem fielmente servir, assim é amado e conduzido pelo Senhor, e quanto alguém tem em vista o Senhor e foge dos males como pecados, serve livremente e não forçosamente.

Os sinais da caridade são todas as coisas que pertencem ao culto.

173.Todas as coisas que são da caridade se referem a ter em vista o Senhor e
em fugir dos males como pecado e em fazer os bons usos que são do oficio de qualquer. Mas todas as coisas do culto são os externos do corpo e os externos da mente; os externos do corpo se fazem por atos e falas; e os externos da são os que se fazem pela vontade e pelo pensamento, os quais estão aderentes aos externos do corpo. 174. Os externos do corpo, que pertencem ao culto, são: 1. Freqüentar os templos, 2. Ouvir as prédicas 3. Cantar devotamente e orar de joelhos 4. Ir ao sacramento da ceia: então em casa, 1.de manhã e de tarde orar, e também ao almoço e ao jantar; 2.Falar com os outros a respeito da caridade e da fé e de Deus, do céu, da vida eterna, da salvação; 5. Nos sacerdotes também pregar e também ensinar particularmente, 6. E instruir aos filhos e criados sobre tais coisas; 7. Ler o Verbo e os livros de instrução e piedade. 175.Os externos da mente, que são do culto, são: 1. Pensar e meditar a respeito de Deus, do céu, da vida eterna, da salvação; 2. Refletir sobre os pensamentos e as suas intenções, se por ventura são más ou boas, e que as más são do diabo, e as boas são de Deus;

3. Combater as falas dos ímpios, das coisas obscenas e imundas da sua alma; 4. Além dos pensamentos há também as afeições que alcançam a vista e o sentido dos homens. 176.Estas coisas são chamadas externas, porque se prendem aos externos do corpo fazem um. 177.Que tais coisas sejam os externos do culto, e que os externos do sejam os sinais da caridade é o que se verá nesta ordem: (I) A caridade mesma está no homem interno, e o seu sinal no externo. (II) Quando a caridade está no homem interno, e o faz então todas as coisas do culto que se fazem nos externos são sinais dela. (III) Os cultos no homem externos procedentes da caridade que está no internam, aparece perante os anjos como o porta bandeira com o estandarte na mão; quando, porém, o culto no homem externo não procede da caridade, no interno, aparece diante dos anjos como o histrião com um tição na mão. 178.(I). A caridade mesma está no homem interno, e o seu sinal no externo. Sabe-se que existe um homem interno e um homem externo; e que o homem interno se diz do espírito e o externo se diz da carne, também é matéria, pois se diz e por alguns é sabido que a luta é entre o espírito e a carne. O espírito que peleja contra a carne, é o homem interno, que é a caridade. 179.O homem interno, qual ele é, não pode se manifestar perante o homem exceto pelo externo; ele se manifesta com combate contra o externo; mormente ele se manifesta quando o homem se examina e vê seus males, e os confessa pelo pensamento e pensa a respeito da penitencia, e então resiste a seus males, e resolve viver uma nova vida. 180. Se um homem não fizer essas coisas, o homem interno é mau; mas se os faz, o homem interno é bom. O Senhor opera, pois, pelo homem interno no externo; e porque então o mal reside no externo, trava-se o combate. No externo, pois, que é chamado carne, são admitidos espíritos do inferno, que são chamados diabo e o Senhor no homem peleja com ele; e se o homem também peleja como por si, ele vence; e tanto quanto o diabo é vencido, outro tanto o lugar é dado aos bons no interno do homem para que entrem. Assim o homem sucessivamente se faz novo e é regenerado.

181.

Tudo que o homem interno produz e alcança ver e sentir no externo, chama-se sinal. Se a caridade está no interno, ela faz com que o homem reflita sobre os males dentro de si, e positivamente os conhece e os sabe, e assim por diante. Se isto ele não faz, o seu externo não é um sinal da caridade, e se até o externo estiver no culto e na piedade, não é um sinal da caridade, mas é uma caridade externa sem caridade interna, que não é caridade. 182.Por sinal se entende o indicio e a atestação que há porque assinala e indica e atestação que há porque assinala e indica e atesta. 183.Um interno sem o seu sinal, seu indício, não se dá; se a caridade está no homem interno ou no espírito, e ela não peleja com o homem externo e com a sua carne, a caridade perece. É como uma fonte de água pura, se não tiver saída fica estagnada; e então ou cessa a sua corrente, ou a água fede pela estagnação. Há muitas confirmações segundo o Verbo a esse respeito. ☻☻☻ ☻☻☻ ☻☻☻ [Aqui há falta de duas folhas do autografo]

184.Os

benefícios da caridade são todos os bens que o homem, que é a caridade, faz além de seu ofício livremente. [Extraído da página sexta] ☻☻☻ ☻☻☻ ☻☻☻

185.(IV). Ninguém é salvo por esses benefícios, mas por causa da caridade
pela qual eles são feitos, e assim pelo que está nesses benefícios. Esses benefícios estão fora do homem, mas a caridade entre ele, e todo aquele que se salva segundo a qualidade do bem ou da caridade nele. Muitos depois da morte, e que no mundo pensaram da sua salvação, pelo fato de se verem vivos, e ouvirem que há um céu e um inferno, propalam que fizeram bens, deram aos pobres, recorreram os indigentes, e deram espórtulas para usos pios. Mas se lhes disse: Por que fizestes tais coisas? Acaso fugistes dos males como pecados? Acaso pensastes a respeito deles? Alguns responderam que tiveram fé. Mas se lhes disse: Se não pensastes a respeito dos males como pecados

dentro de vós, como pendestes ter tido fé? A fé e o mal não se ligam. E indagou-se da sua vida na sua função, se ele desempenhara os usos da sua função, por causa da fama, da honra e do lucro, como bens principais, por conseguinte por causa de si, ou se por causa do próximo. Disseram que tais coisas não são discriminadas assim. Respondeu-se-lhes: Se vos tivesse dirigido a Deus e se tivésseis fugido dos males como pecados, então essas duas coisas por si próprias se distinguem, porque Deus distingue; e tanto quanto não o fizeram, o fizeram pelo mal e não pelo bem. A própria afeição de quem quer que se comunique no mundo espiritual e se mostra qual ela é; e ele mesmo é qual é quanto à afeição, tais são todas as coisas que procedem dele. Assim ele é conduzido para a sociedade onde se acha a afeição dele. 186.Aqueles que põem somente nos benefícios a caridade, se não tiverem em si próprios a caridade, se ligam interiormente com os espíritos infernais, e exteriormente com os celestes; Mas a quem quer que seja o exterior é arrebatado e se lhe deixa o interior seu.

Os deveres da caridade são todas as coisas, além das supramencionadas, que ao homem convém fazer. 187.Os deveres da caridade são atributos para as várias necessidades e os vários usos na República que são impostos aos súbditos e civis. São direitos nas cobranças, gastos e despezas para as várias necessidades e usos domésticos, que dizem respeito aos próprios indivíduos, à esposa, filhos, criados, criadas, operários e deles por sua vez, então algumas coisas que constituem deveres pelos esponsais. Além destas há coisas civis que pertencem à subordinação, obediência, honra e conversação, deveres que são declarados porque ao homem convém fazê-los; mas se fossem enumerados especialmente estas e outras coisas encher-se-iam páginas. As várias leis impostas pelos reinos são denominadas deveres de caridade porque a caridade os faz como por um dever, e não por beneplueito, e porque a caridade os considera como usos; as faz sincera e benignamente. A sinceridade e a benignidade da caridade estão em todo dever interiormente nos que se acham na caridade; mas não só a sinceridade como a benignidade é segundo o uso, que se vêem nos deveres, e como também segundo a dispensação dos usos que conhecem.

188.

Mas os mesmos deveres naqueles que não estão na caridade, apresentam-se semelhantes nos externos, mas não são semelhantes nos internos. Contudo neles não há sinceridade nem benignidade, por isso que se não temem as leis, ou se podem iludir de algum modo, cometem dolo. Neles não só as coisas, que acima foram mencionadas, são deveres, como também as leis da justiça; mas tais coisas eles observam pelo temor da pena e da reputação do nome, e por causa destas por um dever e não por um amor do justo, assim não por amor ao próximo.

As diversões da caridade são os vários prazeres e deleites dos sentidos do corpo, úteis para o recreio da alma. 189. São tais as conversações e então as conversas sobre várias coisas públicas, particulares, econômicas; ora passeios e, por conseguinte os aprazíveis aspectos de várias belezas e esplendores dos palácios e palacetes, das árvores e flores nos jardins; bosques e prados, onde se vêem entes humanos, pássaros e rebanhos, e também espetáculos de vários gêneros representando as virtudes morais e de cujos resultados a Divina Providência faz mostrar alguma coisa. Estas e outras coisas semelhantes são para o sentido da vista. Mas há as harmonias de várias musicas e cantos que afetam a alma segundo as correspondências com as afeições; e, além disso, os divertimentos decentes que fazem expandir a alma. Estas são para o sentido do ouvido. Há também os festins e os banquetes entremeados de corações alegres então, e, além disso, os brinquedos domésticos que se fazem com bolas, cartas; e também nas bodas e nas festas convencionadas com danças decentes. Tais coisas e outras semelhantes são diversões úteis para o recreio dos espíritos; e, além disso, os vários trabalhos de mãos que movem o corpo e distraem a alma das obras da sua função; e também leituras de livros, em que haja coisas históricas e ensinos que deleitam. 190. Tais coisas são diversões para quem está em seu ofício ou emprego, daí podem ser chamadas às diversões dos ofícios ou dos empregos; mas são positivamente diversões das afeições, de que cada um faz a sua ocupação, a afeição está em toda a ocupação, e ela dilata a alma mantém a mente aplicada no seu trabalho ou estudo, a qual, não sendo distraída, fica embotada e o seu objetivo fica insípido, tal qual o sal quando perde o seu sabor, carecendo de excitação ou estimulo; e é qual o arco estendido que se não for entesado, perde a força que tem por sua elasticidade; igualmente se a mente for mantida por

muito tempo em ideais semelhantes sem variedades. Servia também como a vista dos olhos se fosse continuamente fixada sobre um olzecto ou uma só cor, pois definha se continuamente vê o preto ou o vermelho ou continuamente o branco, como uma continua noite faz perecer a vista, mas é vivificado se sucessivamente ou ao mesmo tempo por muitas coisas. Toda forma deleita por suas variedades, como um ramalhete formado de rosas de diversas cores dispostas em uma bonita serie. Daí é que o arco-íris é ameno por causa da sua própria luz. 191. A mente continuamente aplicada ao trabalho aspira o repouso, e quando descansa, desce no corpo e nele busca os seus prazeres correspondentes nas operações da mente, as quais a mente escolhe segundo o seu estado interior nas obras do corpo; os interiores do corpo tiram principalmente os seus deleites dos sentidos da vista, do ouvido, do olfato, do paladar e do tato, que na verdade são hauridos pelos externos, mas ainda assim se insinuam em cada uma das coisas do corpo que se chamam membros e vísceras. Daí e não de outra parte eles teem os seus prazeres e deleites. Cada fibra e cada tecido de fibras, cada vaso capilar, e daí cada vaso comum, e assim todas as vísceras em um comum, tiram os seus prazeres. É certo que então o homem na as sente particularmente, mas universalmente, como um só comum; mas como a mente da cabeça está nelas, tais são as deliciosas puras ou impuras, espirituais ou naturais, celestes ou infernais, porque interiormente em qualquer sensação do corpo está o amor da vontade dele com as suas afeições; e o entendimento faz perceber as delicias delas, por isso que o amor da vontade com as suas afeições faz a vida de qualquer um, e a percepção do entendimento faz daí a sensação, por isso todas as coisas são alegres e amenas. 192. Como, porém, os ministérios, funções, ofícios e trabalhos de um indivíduo conservam as mentes intensas, e são elas que pelas diversões devem ser afrouxadas, restauradas e recuperadas, pode-se ver que variarão as diversões segundo a afeição interior nelas, e que outras são se nelas está à afeição da honra única, outras se é a afeição do único luero, outras se somente são encaradas por causa do sustento e das necessidades da vida, outros se somente por causa do nome para que sejam celebradas, em si unicamente por causa dos salários, para que possam adquirir riquezas, ou possam viver pelo talento; e assim por diante. 193. Se o houver nelas a afeição da caridade, então todas as coisas supramencionadas são para ele como recreio; como também os espetáculos e brinquedos, além das músicas harmônicas e dos cantos e todas as belezas nos prados e jardins e as conversações do gênero. Nelas interiormente permanece a afeição do uso, que enquanto assim repousa, sucessivamente se renova. O

desejo para a sua função quebranta-a ou a delimita. O Senhor, porém, do céu influi nela e a renova; e também dá a sensação de prazer nelas, a cujo respeito nada sabem os que não estão na afeição da caridade; sofra nela como a fragrância ou como a brandura, que só é perceptível a si; diz-se fragrância, pela qual se entende a alegria espiritual, e diz-se brandura pela qual se entende o regozijo espiritual, porque o alegre se diz da sabedoria e, por conseguinte da percepção do entendimento, e o regozijo se diz do amor e, por conseguinte da afeição da vontade. Nos que não estão na afeição da caridade, estas coisas não existem, porque a mente espiritual está fechada; quanto mais se afastam da caridade, a mente espiritual quanto ao voluntário é como condensada pela viscosidade. 194. Naqueles em que está a afeição da honra só, isto é, nos que fazem as obras da sua função só por causa da forma, para serem louvados e promovidos, há essas diversões semelhantes nos externos. Eles elaboram, fiscalizam as suas obras, fazem usos em abundancia; mas não por amor do uso, mas por amor de si, por conseguinte não por amor do próximo, mas por amor da gloria; eles podem também sentir prazer nas ocupações da sua função, mas é um prazer infernal. Ele pode diante deles fingir alegria celeste, porque tanto uma como a outra é semelhante nos externos; mas a alegria deles está cheia de coisas não agradáveis; nem há coisa alguma de sossego de animo e paz senão quando cogitam da fama e da honra, e quando são honrados e adorados; enquanto não pensam em tais coisas, eles se precipitam em carne, em embriaguez, em luxúrias, devassidões, ódios e vinganças, e difamações do próximo, se não veneram a honra deles. Mas sucessivamente, se não são mais elevados nas honras, os empregos os aborrecem, e se entregam à desocupação, e tornam-se preguiçosos, e depois de deixarem este mundo tornam-se demônios. 195. Naqueles que há afeições do lucro só, essas diversões são também diversões, mas é da carne, imperadas interiormente pelo único prazer da opulência. São cuidadosas, prudentes, aplicadas, mormente os negociantes que são tais, e os operários. Se forem funcionários eles fiscalizam as obras que são do ofício, e vendem os usos; se juizes vendem a justiça; se sacerdotes vendem a salvação; o próximo é um lucro para eles; por ofício. Aqueles que no ofício são eminentes podem vender a pátria e também entregar os exércitos e os cidadãos aos inimigos. Daí é evidente o que vem a ser o amor deles nas diversões supramencionadas; elas estão cheias de rapinas, e tanto quanto não temem as, leis civis ou as penas públicas, e ganham fama só por causa dos lucros, eles saqueiam e furtam. São sinceros nos externos e insinceros nos internos; os usos que eles fazem em seus ofícios e empregos são para eles

alegres e amenos como são os externos dos porcos, os sujos dos gatos. Eles vêem os homens como o tigre ou o lobo vê cordeiros e ovelhas, que, se eles podem, devorem; não sabem o que vem a ser um bom uso. Há um risonho e ameno infernal nos seus prazeres de recreio; são como asnos que nos prados e nos campos não vêem outras coisas aprazíveis senão para come-las, quer seja trigo quer seja cevada em espigas. Mas estas coisas se dizem dos avarentos. 196. Mas nos que só desempenham os seus cargos por causa do sustento e das necessidades da vida, que então os desempenham sós por causa do nome para serem celebrados, e os que os exercem sós por causa dos honorários, para se enriquecerem, ou para viverem pela habilidade, as diversões supramencionadas são meros usos, são corporais e sensuais; os seus espíritos são imundos, são concupiscências e apetites. Fazem as obras de seu emprego por causa das diversões; são homens animais, mortos, e os empregos são para eles ônus, desejam substitutos que façam as obras de sua função, logo eles reteem o nome e o salário. Enquanto não estão nas diversões supramencionadas, são ansiosos e preguiçosos. Ficam na cama sem meditação de alguma coisa que não seja de encontrar companheiro para conversar, comer e beber; eles são um ônus público. Todos que são tais, depois da morte são encarcerados em calabouços, onde estão sob o juiz administrador, que lhes indica todos os dias as obras que eles devem fazer; e se não fazem, não se lhes dá comida, nem roupa, nem cama, e isso, até que se ponham a fazer alguma coisa útil. O inferno está repleto de tais cárceres de que se falará alguma coisa no fim desta obra. Todos esses cárceres teem horrível fétido, porque todo cheiro agradável provém da vida do amor espiritual, ou da vida do amor do uso. ☻☻☻ ☻☻☻ ☻☻☻

197.

A respeito da conjunção da caridade e da fé trata-se na Doutrina da Nova Jerusalém sobre a fé; na Explicação sobre o Apocalipse; como também na Sabedoria Angélica sobre a Divina Providência; e na Sabedoria Angélica sobre o Divino Amor e sobre a Divina Sabedoria. 198. Todas as coisas se referem a estas duas: 1. Que não há um só grão da fé espiritual sem caridade, porque a caridade é a vida, a alma e a essência da fé; 2. Que tal é a caridade, tal é a fé, e que a fé que procede a caridade, é a fé dos conhecimentos, fé que é histórica e ciência em si. ▬▬▬▬▬ ▬ ▬▬▬▬▬

Apêndice
Nota do Editor: As coisas que seguem, tiradas da mão do autor dos escritos, parecem ser:
1. Um outro exemplar amplificado da primeira parte da obra sobre a caridade; 2. Um exemplar menor da segunda parte; 3. Um titulo da terceira parte; 4. Titulo e ordem da quarta parte; 5. Sumario de toda obra. ▬▬▬▬ ▬ ▬▬▬▬

Artigo primeiro
O primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados. 199. Que a caridade ou o amor para com o próximo é fazer o bem a outrem, é sabido; mas na continuação será o modo como alguém fará o bem, e, a quem, para que a caridade seja caridade. Todos sabem que ninguém pode fazer bem, que seja bem em exceto por Deus; e também qualquer pode saber, que um homem, quando está no mal, e assim com o diabo pelo mal, não pode fazer bem algum que não seja impuro, o qual no exterior aparece como bom, mas no interior é mau, e tal bem ou é farisaico ou é meritório; por isso é necessário que se premedite qual é o indivíduo, para que o bem que proceder dele seja em si o bem, isto é, o bem da caridade. 200. Mas se dirá isto nesta ordem: (I). Ninguém pode ter caridade exceto pelo Senhor. (II).Ninguém pode ter caridade da parte do Senhor exceto se fugir dos males como pecados. (III). O homem deve fugir dos males como pecados como por si próprio, mas é por Deus. (IV). Quanto mais alguém não fugir dos males como pecados tanto mais permanece neles.

(V). Quanto mais alguém não conhecer e não saber quais as coisas que são
pecados, tanto mais não vê outra coisa senão que está sem pecados. (VI). Quanto mais alguém conhecer e saber quais são as coisas que são pecados, tanto mais pode vê-los dentro de si, confessa-los perante o Senhor, e fazer penitência deles. (VII).O bem antes da penitencia não é um bem, nem é, por conseguinte a caridade. (VIII). Por conseguinte o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados, o que as faz pela penitencia. 201.O primeiro que se tem em vista, (I).Ninguém pode ter caridade exceto pelo Senhor; Aqui como no que segue só nomeamos Senhor, porque Só o Senhor é Deus, Ele é, pois, o Deus do céu e da terra, como Ele Mesmo ensina: Que um é com o Pai.(João: X-30). Ele e o Pai são um, como a alma e o corpo, como também Ele ensina: Que o Pai está Nele e Ele no Pai.(João: XIV10,11). Ele é o Espírito Santo Mesmo, como o Divino em Si e o Divino por Si Mesmo; assim Ele Mesmo é o Deus Só e Único, e a Divina Trindade está na Sua Mesma Pessoa e se chama Pai, Filho e Espírito Santo. Ora, como a Igreja universal e toda a religião se fundam sobre a idéia de Deus, e sobre a idéia que Deus é um, e esta idéia não é dada senão que Deus é um em Essência e Pessoa, e essa unidade da Trindade são a trindade da unidade se dá no Senhor Só, por isso a Ele agora no principio e na continuação nomeamos só o Senhor. (Veja acima a Doutrina da Nova Jerusalém sobre o Senhor, do principio ao fim e então a Sabedoria Angélica sobre a Divina Providência, n˚ 263) Se ninguém pode ter a caridade exceto pelo Senhor, e porque pela caridade se entende todo bem que um individuo faz a outrem é na verdade um bem aos que ele faz, mas não é um bem naquele pelo qual se é feito, se não for por bens. Com efeito, todo bem que em si é um bem, e se chama bem da caridade e que em sua essência é um bem espiritual, não pode provir do homem, mas unicamente de Deus. Como, pois for o bem da caridade ou o bem espiritual, o Senhor estará no bem, intimamente será o Bem, pois procede d’Ele, e o que procede de alguma coisa, traz a essência disso, por isso o mesmo está no que é seu. Com efeito, se o Senhor não fosse o Bem que o homem faz ao próximo, ou o que é o mesmo, se o bem que um indivíduo faz ao próximo não fosse do Senhor, ele não teria a essência do bem em si, mas teria a essência do mal, por isso que o indivíduo estaria nele, e um homem em si e em seu próprio não é outra coisa senão o mal; esse mal deve ser primeiramente afastado, para que o bem que procede do homem não seja do homem, mas do Senhor. O homem é

apenas um recipiente da vida; ele não é a vida em si, pois se fosse a vida em si ele veria a Deus. Ora, como o homem é apenas o recipiente do bem, pois o bem é da vida, por isso que o amor e a sabedoria são a vida, e o bem é do amor e o vero é da sabedoria; tal vida não pode ser acrescentada ao homem como sendo dele, por isso que o homem é finito e foi criado, e o Senhor não pode criar a Si e acabar a Si mesmo em um outro. Assim Ele não seria mais amplo, e assim todo o gênero humano seria Deus, e cada um por si; pensar de outro modo seria não só irracional como também abominável; tal idéia a respeito de Deus e do homem no mundo espiritual fede como um cadáver. Daí é evidente, que nenhum bem, que em si é o bem e se o chama bem da caridade, não pode ser dado pelo homem, mas pelo Senhor, que é unicamente o Bem Mesmo, assim o Bem em si. O Senhor na verdade não produz isso por Si, mas por intermédio do homem. Não é outorgado um outro sujeito pelo qual o Senhor por Si produza o bem senão o homem. Mas como o Senhor deu continuamente ao homem a faculdade de senti-lo dentro de si, intimamente como por si, por conseguinte como seu; para que ele o faça, pois se o sentisse não por si mesmo, mas pelo Senhor, ele não o faria, ele se julgaria então não como um ser humano, e até irem como um ser vivente, e afinal apenas como um autômato; e por experiência sei que um homem preferência morrer do que viver um outro em si até ao sentido. Ainda mais, se o homem não sentisse o bem que faz, como por si, nem o bem permaneceria nele, mas se transvasaria como a água por um odre furado, e assim nem poderia ser formado para o céu, isto é, ser reformado e regenerado, e assim viver salvo para sempre. Mas para que um indivíduo, não atribuísse, por essa aparência, o bem a si, ou a caridade que ele faz ao próximo, e assim não apropriasse a si o mal, em vez do bem, crendo viver por si próprio, e fazer o bem por si próprio, e agregar a si o que pertence ao Senhor, aprouve ao Senhor revela-lo em Seu Verbo e ensina-lo; por isso o Senhor diz: Eu sou a videira, vós as varas: quem está em Mim, e Eu nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer.(João: XV-5). 202.(II). Ninguém pode ter caridade proveniente do Senhor se não fugir dos males como pecados. Por caridade se entende aqui como supra o bem que o homem faz ao próximo. Qualquer um pode fazer bem ao próximo, tanto o mau como o bom; mas fazelo pelo bem em si; ninguém o pode exceto pelo Senhor e exceto se fugir dos males como pecados. Que ninguém pode fazer bem ao próximo pelo bem em si exceto pelo Senhor, acima se mostrou; que também ninguém o pode exceto se fugir dos males como pecados, é porque o Senhor não pode influir em alguém com o bem que seja recebido, se não foram afastados os males nele, porque os males não recebem o bem, mas o rejeitam; é o mesmo que acontece com um homem que está nos males, como ele está com os diabos no inferno.

O Senhor influi neles com o bem, igualmente como Ele influi nos anjos no céu; mas os diabos o não recebem, mas convertem o bem em mal e o vero em falso, pois é tal a forma da vida deles, que tudo influi e converte em uma forma semelhante, como o puro calor do sol se muda em fedores pútridos e mal cheirosos quando influi nas urinas estagnantes, nos estercos e cadáveres. Igualmente a luz pura do sol influindo em objetos em que todas as coisas estão fora da ordem, em cores negras; semelhantemente o calor celeste, que é o Divino Bem, e a luz celeste, que é o Divino Vero, em um homem cuja forma de vida está invertida e em oposição à forma celeste. Daí é evidente, que um homem quando não foge dos males como pecados, não pode deixar de amar os males, e o amor em qualquer individuo faz a forma da sua vida. E comparativamente como uma arvore, que se for má, recebe igualmente o calor e a luz de um sol como a arvore boa; mas como não pode produzir frutos, exceto semelhantes à sua forma, eles são, por conseguinte maus. E são comparativamente como as hervas más e nocivas, que recebem igualmente a vida da sua vegetação do calor e da luz do sol, como as ervas vivas e úteis, mas que não podem produzir coisa alguma diferente do que convém a forma delas. Qualquer que seja um o individuo é a forma de seu amor; não há outra coisa que forme um individuo quanto o seu espiritual senão o amor; se ele ama os males, ele se faz uma forma infernal; se, porém, ama os bons, ele se faz forma do bem, que é a forma celeste. Daí é ainda evidente que se o homem não foge dos males como pecados, a forma da mente dele quanto aos espirituais torna-se uma forma infernal, que em si não recebe coisa alguma boa do Senhor, por conseguinte nenhum bem, que, em si é o bem, produz. O Senhor pode produzir bem por qualquer individuo, e pode converter o mal, que o individuo não produz, em bem; pode excitar o mau homem a fazer bem por causa o mundo, mas então o Senhor não influi no mal do próprio homem, mas ao redor dele na periferia, assim em seu redor externo, pelo qual o homem quer aparecer como bom; pois esse bem é bem só na superfície, mas interiormente é mal; é qual o esterco dourado nos hipócritas, que dificilmente se creria que não fosse ouro puro, mas si se chegar a um nariz de agudo olfato, se perceber o seu cheiro de esterco. Todas essas coisas foram demonstradas plenamente na Doutrina de Vida para a Nova Jerusalém, no artigo aonde vem demonstrado, que quanto mais o homem foge dos males como pecados, tanto mais ele faz os bens não por si próprio, mas pelo Senhor (n: 18,31); a isso acrescentarei somente, que isso pode alguém ver pelo único influxo comum do céu. Dirija-se a quem quer que seja, criado ou lavrador, operário ou piloto, ou negociante, se tiver algum racional, e se lhe diga somente que quem odeia ao mal faz o bem e ele claramente verão, e como sabem que todo bem pertence a Deus, si se disser

que quanto mais um individuo odeia o mal que é outro Deus, tanto mais ele faz bem por Deus, e eles o verão. Mas dizer tais coisas a alguém que se confirmou na fé só, e então principalmente nisto, que ninguém pode fazer o bem por si, e não verá, porque os falsos fecharam sua vista racional ou seu entendimento, mas não aos outros. 203.(III). O homem deve fugir dos males como pecados como por si próprio, mas pelo Senhor. Quem é que não sabe se lê a palavra e se tem uma religião, que os males são pecados? A palavra ensina isso, do principio ao fim, e isso é o todo da religião. Os males se dizem pecados, pelo fato de serem contra o Verbo e contra a religião. Quem não sabe que ninguém pode fugir dos males como pecados exceto como por si próprio? Quem pode fazer penitência do outro modo? Por ventura não dirá alguém consigo: Não quero isto, desisto de fazer isso, mesmo que eu tenha de pelejar com isso e vencê-lo? Mas ninguém fala consigo tais coisas exceto se crê em Deus; quem não crê em Deus considera o mal como um pecado, por isso não peleja contra ele, ou antes, a favor dele, mas quem crê em Deus diz também consigo: Por Deus eu o vencerei; e suplica e alcança. Isto não é negado à pessoa alguma, mas é dado, porque o Senhor está em contínuo esforço, pelo Seu Divino amor, de reformar e regenerar o homem, assim de o purificar dos males; e então esse perpétuo esforço do Senhor torna-se acto, quando também o homem o quer e o intencionar. E assim e não de outro modo que o individuo recebe o poder para resistir aos males e pelejar contra eles; antes disso ele não recebe, mas o rejeita; e isso é também fugir dos males como pecados como por si próprio, mas pelo Senhor. Mas a respeito deste assunto veja-se também a Doutrina de Vida para a Nova Jerusalém, n: 101-107; a que acrescentarei o seguinte: Dizei um individuo de razão sã: Crede agora que Cristo o Filho de Deus te resgataria do inferno, e, por conseguinte de todo mal, e suplica a Deus Pai par que então te remeta os pecados, e Ele remeterá, e então não tendes necessidade de fugir dos males como pecados como por ti mesmo; por ventura podes alguma coisa por ti mesmo? Que então como por ti próprio? E tomai uma pedrinha do chão e um pausinho do chão com a mão e dizei-lhe: para a justificação e salvação não podes fazer mais do que esta pedrinha e este pausinho. Mas responderá o homem de razão sã: sei que nada posso por mim próprio, mas farei penitência dos males, é isso que o Senhor Mesmo ensinou, como os Apóstolos dele, como Paulo, como a Palavra, como toda a Religião; por ventura fazendo penitência nada farei como por mim? Então se dirá: que farás quando nada podes? Faze se queres; eu faço a penitência por meio da fé, e a fé sem as obras salva. Mas um indivíduo de razão responderá: Erras, mestre; o Senhor ensinou-me que fizesse, e ensinou-me que cresse; para ti seja a fé, para mim

serão a fé e ao mesmo tempo as obras; sei que um homem depois da morte receberá a retribuição das suas obras, e que aquele que assim faz assim crê. 204.(IV). Quanto mais alguém não foge dos males como pecados, tanto mais permanece neles. O homem foi criado à imagem e à semelhança de Deus, e foi feito para ser o recipiente do amor e da sabedoria do Senhor; como, porém, não quiser esse recipiente, mas o amor mesmo e a sabedoria mesma, assim semelhante a Deus, por isso converteu a sua forma, e desviou as suas aflições e os seus pensamentos do Senhor para si; e começar a amar a si mesmo mais do que ao Senhor, até a ponto de adorar a si, e assim ele se afastou do Senhor, e O olhou pelas costas, e assim pervertem a imagem e a semelhança de Deus nele, e fel-a em imagem e semelhança do inferno. É isso que é significado por comer da árvore da ciência do bem e do mal. A serpente a que ele deu ouvido significa o sensual que é o último do homem natural e a sua concupiscência; sensual esse do homem que olha para o mundo, e recebe daí o seu objetivo, ama as coisas que são do mundo; e si se lhe dá o domínio, afasta a mente dos objetivos do céu, que são os bens do amor e os veros da sabedoria, que são Divinos em si. É dessa origem que o homem quanto ao seu próprio não é outra coisa senão o mal e que pelos pais nasce nele; mas para que não perecesse, o Senhor providenciou os meios que são: dirigir-se ao Senhor e reconhecer que d’Ele procede todo bem do amor e todo vero da sabedoria, e que nada vem do homem; assim ele inverte a sua forma, afastando-se de si próprio e voltandose para o Senhor, e assim torna a estatua em que foi criado, e que foi, como se disse o recipiente do bem e do vero pelo Senhor, e de forma alguma por si próprio; e porque o próprio do homem por aquela inversão se tornasse mero mal, é um outro meio de recuperação da imagem de Deus, o fugir dos males como pecados. Com efeito, se ele não fugir dos males como pecados, mas ainda como damriosos, ele não tem em vista o Senhor, mas a si próprio, e assim permanece no estado permitido. Mas se foge dos males como pecados, foge deles porque são contra o Senhor e contra as leis Divinas dele, e então ora ao Senhor para que lhe dê forca e poder de lhes resistir, poder que nunca é negado quando suplicado. Por esses dois meios o indivíduo é purificado dos males com que ele nasce; por isso que se esses dois meios não forem aceitos por ele, não o pode deixar de permanecer tal qual nascer, não pode ser purificado dos males se somente contempla o Senhor e ora, pois então crê depois de ter orado que dora avante está sem pecados ou que eles estão perdoados, pois entende que eles foram retirados: mas o certo é que ele permanece neles; e permanecer neles é argmeistá-los, pois são como a enfermidade que rói ao redor todas as coisas e causa a morte; nem os males são removidos pelo único fato de serem evitados, pois assim ele confia em si

para tal, e por ele confirma a origem do mal, a qual foi que ele se desviou por si próprio do Senhor e voltou-se para si. 205.(V). Quanto mais alguém não conhecer e não saber quais as coisas que são pecadas, tanto mais ela não vê outra coisa senão que está sem pecados. Todo indivíduo ama o seu próprio, tanto o próprio voluntário como o próprio intelectual; o próprio voluntário é o mal, e o próprio intelectual é o falso segundo aquele mal, por conseguinte é o falso do mal; e porque todo indivíduo ama os seus próprios, assim ama o mal e o seu falso, e como tudo que ama também lhe é agradável, por isso outra coisa não sabe senão que o mal nele é o bem e que o filho dele é o vero; tudo, pois é tido como bem que é alegre. Daí é possível ver primeiramente, que si um indivíduo não reconhecer e não saber quais as coisas que são pecadas, tanto não verá outra coisa senão que ele está sem pecados. Como, porém, o indivíduo ama o seu mal e o falso dele, por isso que ama o próprio, ele não pode saber que é mal e daí que o que é falso por si próprio, mas vê-lo-á em uma outra parte; vê-lo-á segundo os preceitos da religião, dos quais todos se referem aos dez preceitos do Decálogo; preceitos que si são rejeitados da alma, de modo algum ele pode ver outra coisa senão que está sem pecados; e como então desde a infância ele foi iniciado no culto de Deus, e pela doutrina da Igreja soube que é pecador desde a primeira origem e desde o nascimento, ele começa a confessar que é pecador; mas pelo fato de ignorar que é pecado, ele chega a crer que não é pecador. Ouvi alguns que diziam que eram pecadores, que pelo nascimento e pela concepção estavam em todos os gêneros de pecados, que nada de integridade desde a cabeça até a sola dos pés havia neles, e muitas outras coisas semelhantes. Mas porque não souberam que coisa é o pecado, não souberam, que o amor de si e o fausto são as cabeças de todos os pecados. Não souberam que ter ódio e vingar-se, quando não se é honrado e venerado como semideus, é pecado; nem que blasfemar o próximo por inimizade e assim levantar falso testemunho contra o mesmo, é pecado; nem que enganar alguém com palavras e fatos é pecado; nem que desprezar a outrem em comparação consigo, invejar-lhe os bens, cobiça-los, é pecado. Pôr também o mérito em todas as coisas do culto de Deus, tanto na fé como na caridade, é pecado; além de inúmeras outras coisas. Deles ouvi que não sabiam que tais coisas fossem pecados; ainda mais nem alguma coisa, seja o que for, que alguém pensa e não fala, e que alguém quer e não faz: por essa ignorância disse um que não sabia que é pecado; e si sou, disse, fui purificado deles quando não sabendo que fossem meus pecados mais, orei a Deus para que os perdoasse. Mas ele, quando se examinou, o que foi feito no mundo dos espíritos, ficou sabendo que os pecados seus eram em

tal numero que não poderiam ser contados, e até se pudesse querer conhecelos e sabe-los, mas disse que não queria, porque assim se absteria também deles pensando e querendo, o que seria ir contra a felicidade da sua vida. Por tudo isso, é evidente, que quanto mais alguém não conhece e não sabe quais as coisas que são pecados, também mais não vê outra coisa senão que está sem pecados. 206.(VI). Quanto mais alguém conhecer e souber quais as coisas que são pecados, tanto mais pode vê-los dentro de si, confessa-los perante o Senhor, e fazer penitencia deles. Consegue-se isto pelas coisas que agora são ditas. Para que um homem veja quais as coisas que são pecados, a primeira coisa do Verbo foi o Decálogo, e isso porque o Decálogo é o complexo de todo o Verbo, por isso é chamado dez Palavras, e por dez Palavras são significados todos os veros no complexo, e por isso iguais preceitos existem entre todas as nações no universo nas quais há religião; e um homem que sabe o que são leis Divinas, e por conseguinte que o que faz contra elas faz contra Deus ou pecará, pode receber o influxo Divino, e também então a vontade ou o esforço como por si mesmo, se deseja desistir deles e fazer penitencia. A confissão dos seus pecados perante o Senhor faz a conjunção com Ele, e a recepção o influxo dele, e então o Senhor faz isso, mas ainda assim dá ao homem fazer como por si, pois de outro modo o homem o não faria. O Senhor então opera nele pelos íntimos até aos extremos, e afasta as concupiscências, que são as raízes do mal; isto não pode o homem por si próprio; o homem por si não opera senão nos extremos, e contudo os íntimos fazem essas coisas, pois se um homem as afastasse por si mesmo, elas permaneceriam. 207.(VII). O bem antes da penitencia não é um bem, nem é,por conseguinte a caridade. O homem antes da penitencia está no mal, é mero mal, ele é por conseguinte uma forma do mal e uma imagem do inferno; mas pela penitencia o mal é afastado e o bem é implantado; daí resulta que o bem antes da penitencia não é o bem; o bem antes da penitencia não é feito pelo Senhor, mas pelo homem; por isso que não é a essência do bem mas a essência do mal que no interior se encerra, qualquer coisa que seja em sua forma mais exterior aparece como bem. É isto que se não conhece no mundo, mas que é manifesto depois da morte: pelo próprio som de sua fala, sabe-se a espécie do mal que está nele, se é um mal de dolo, se da inveja, se da glória de si, se o orgulho, se a blasfêmia, se a hipocrisia, ainda mais se é meriterio; todas as vozes da fala soam segundo o mal que está no individuo e que tem em vista unicamente a sua própria pessoa.

Mas o bem depois da penitencia é completamente outro; é o pleno bem aberto pelo Senhor Mesmo; é amável, inocente, agradável e celeste; é o Senhor e o céu nele, é o próprio bem nele, ele é vivo e formado por veros. Tudo que é segundo o bem, está no bem e é para o bem, não é outra coisa senão o uso ao próximo, e por conseguinte é procurar servir; em qualquer circulo que um se move e move o seu próprio, é assim um mal e a sua forma é como a forma da flor graciosa e belamente colorida que resplandece pelos raios do sol. Eis porque também nos que estão no bem, há formas que nunca podem ser compreendidas pelo homem natural, elas não podem ser pintadas, nem podem ser descritas; tais formas são formas do bem; se diz que são formas do bem; mas as próprias formas são veros, mas a sua vida é o bem do amor; o bem põe, pois os veros em uma coherente consigo, e todo o seu vero vivifica. Tal é o bem depois da penitencia. 208.(VIII). Conseqüentemente o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor, e fugir dos males como pecados, o que se faz pela penitencia. Quem é que não compreende que um individuo antes de ser purificado dos males possa fazer o bem que seja bem. Por ventura não se deve purificar o copo? E se não for purificado, não contem um vinho com sabor de sua sujidade? E não se deve limpar o prato, antes de se pôr nele comida? Se o interior do prato são meras imundícias, acaso a comida não causa asco? Por ventura alguma coisa pura pode influir do céu no homem, enquanto ele é impuro e imundo? As coisas impuras e imundas não devem ser afastadas antes? Enchei o teu quarto de esterco, e a toda tua casa não terá mau cheiro? E quem poderá nela entrar sem dizer, não me é possível e sairá da casa declarando que ela é para porcos! Por conseguinte antes de poder o Senhor influir com o bem, o mal deve ser afastado; influir antes é um perigo, pois se converte em mal e o aumento; por isso se deve primeiro afastar o mal, e depois influir com o bem e isso deve ser feito pelo homem. Quem pedir para fazer o bem pelo Senhor antes de ser afastado o mal pela penitencia, ou se não fugir dos males como pecados, tal individuo pede coisas impossíveis e tais que o farão pior, por isso que o bem se converte em mal no mau e assim é profanado o bem. Que o mal tem de ser antes afastado é o que se vê claramente pelos preceitos do Decálogo: quem quer matar um homem ou lhe tem ódio; não o ama; quem comete exortação com a mulher de um outro, não ama o próximo; quem farta e engana o próximo não o ama; quem calunia o próximo não o ama; que cobiça as coisas que são do próximo, não o ama, por isso que esses males devem ser afastados antes, e na proporção o próximo é amado. A este respeito, assim diz Paulo: O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o próximo.(Rom.XIII-10)

Mas se pergunta: o amor para com o próximo será primeiro, ou fugir d’aqueles males será primeiro? Qualquer pode ver que fugir d’aqueles males será a primeira coisa; porque o homem nasceu no mal; acaso a penitencia então agirá? ▬▬▬▬ ▬▬▬▬

Artigo segundo
O segundo da caridade é fazer bem ao próximo.

209. De Isaias, capitulo I; e do copo e do prato que devem ser limpos antes.
Com efeito, se não são limpos, até o exterior aparece bom. Que isso seja farisaico, ou hipócrita, ou alguma coisa natural em que não há espiritual, por conseguinte bem espúrio; e se é feito por causa da salvação, é um bem meritório. Mas estas coisas devem ser ilustradas nesta ordem: (I).Não querer fazer mal ao próximo é ama-lo. (II).Querer fazer bem ao próximo é ama-lo (III).Quanto mais um homem não quer fazer mal ao próximo, tanto mais ele lhe quer fazer bem pela caridade, e não vice-versa. (IV).Daí resulta, que o primeiro da caridade é ter em vista o Senhor e fugir dos males como pecados; e o segundo da caridade é fazer bem ao próximo. 210.(I).Não querer fazer mal ao próximo é ama-lo. Quem, na verdade, ama a outrem, não lhe faz mal. Paulo diz também que aquele que ama ao próximo observará os preceitos do Decálogo: não querer matar, não querer cometer exortação com a mulher de outrem, não querer furtar, nem levantar falso testemunho, por isso que ele diz que a caridade é a plenitude da lei. Indaga-se, porém, o que é primeiro e o que é posterior, e se o primeiro é amar ao próximo, e por amar a ele não fazer tais coisas, ou se primeiro é afastar de si aqueles males e assim amar ao próximo. É evidente que quem ama ao próximo não faz essas coisas. Mas se pergunta como quem pode amar ao próximo, não pode antes fugir d’aqueles males e pelejar contra eles. Parece que o amor mesmo peleja, e peleja, mas não antes de estar nele. Mas não pode vir para aquele amor, se primeiro ele não afastar esses males, o que é possível verificar pelo fato que, qualquer individuo está pelo seu nascimento em todo gênero de males, que ele não deseja outra coisa que não seja mal, e que se não

fizer penitencia deles, neles permanece. Com efeito, aqueles males obstam a que por aquele amor espiritual ele não fossa amar ao próximo, por isso Paulo também diz que a carne é contra o espírito, e que a carne deve ser crucificada com a sua concupiscência e que assim é que o individuo se faz espiritual e uma nova criatura. Daí é possível ver, que quanto mais um homem crucifica a carne, tanto mais ele em espírito. E como o homem é tal por seu nascimento, segue-se que seu espírito não pode amar ao próximo se ele não crucificar a sua carne, o que se faz pela penitencia; e quanto mais faz isto, tanto mais pelo espírito, isto é, interiormente, ele ama ao próximo; e que amar ao próximo anteriormente de coração, é contra a natureza do homem. No mundo Cristão a fé tomou tanta voga que aquele que tem fé, ama ao próximo; mas tal fé é erradia; não é possível que alguém possa ter fé em que haja alguma coisa viva, se ele não fugir dos males como pecados, mais ainda tanto quanto fugir deles. Daí é evidente que o primeiro da caridade é não fazer mal ao próximo; ora, não fazer mal ao próximo é pelejar contra os males dentro de si, e fazer penitencia deles; e o segundo da caridade é fazer bem ao próximo. Alguém pode, pelo principio que é cristão, não fazer mal ao próximo, também não fazer; mas aquele que por esse único principio não faz mal ao próximo e lhe faz bem, não o ama; mas não lhe faz mal por obediência à lei Divina e não por afeição de amor ao próximo. Desta afeição ninguém sabe, exceto quem foge dos males como pecados, isto é, que não ama os males; esse, sim, vem na afeição daquele amor. Uma coisa é, pois, por obediência não fazer mal mas fazer bem, e outra coisa é por afeição de amor para com o próximo não lhe fazer mal, mas fazer-lhe bem: a diferença é como a entre o calor e a luz noturna da lua e das estrelas, e entre o calor, e a luz diurna do sol. Na obediência não está o calor deste amor, nem está a luz deste amor; mas na afeição está, porque do amor é calor. É por isso,também, que os que por obediência fizeram o bem, estão nos últimos céus e na luz e no calor com da lua; por isso também a luz do entendimento deles é sombria, eles não vêem veros espirituais na luz. Faz-se também distinção entre os que fazem o bem por obediência, pois o fazem por temor do castigo, e assim também se obstem de fazer males; mas os que por afeição fazem o bem, esse não fazem por temor da pena; ainda mais os que por obediência fazem bem são naturais, mas os que o fazem por afeição são espirituais; por conseguinte os que fazem o bem por obediência são os que devem ser reformados, o que também procede; mas os que por afeição o fazem são regenerados, e isto segue na ordem. Todos que creram que um homem pode ser salvo pela fé só, se vive cristamente, confessando que são pecadores, e que não se examinaram, fazem o bem por obediência e não por afeição; ainda, mais não sabem coisa alguma da fé nem do amor, nem de Deus, alem do que eles ouvem pelo pregador;

sempre fazem beneficio. Aqueles que por obediência fazem bem eles se põem em primeiro lugar nos benefícios, que consistem dar aos pobres socorrer os indigentes, e dotar os templos e hospitais e não podem deixar de pôr neles o mérito nem compreendem o Verbo de outro modo onde se diz que para eles haverá recompensa; nem sabem que a própria afeição do bem com a sua alegria é recompensa. 211. A afeição mesma do amor é como uma chama, pela qual há luz nos veros; a causa é que Deus influi na afeição do homem e dá a luz. Também o amor no mundo espiritual aparece de longe como uma chama, e quando como chamas descem do céu, as quais são afeicoes do bem e do vero assim aparecem. É como quem honra o rei, o magistrado e o prefeito, segundo as leis da subordinação, e assim os demais; e então não o ama interiormente; ele ama aquele que vê nele o bem.

A Igreja não está onde não está o Vero da Fé, e nem a Religião onde não está o Bem da Vida.

212. A Igreja e a Religião fazem um como o vero e o bem; e como o vero
pertence à fé e o bem pertence à caridade, eles fazem um como a fé e a caridade; e para se compreender isto mais claramente, eles fazem um como o entendimento e a vontade. Sabe-se que um individuo pode bem entender e ate não bem querer, e que pode compreender os veros e por conseguinte pronuncia-los, e ate pode não querer faze-los. Quando, porem, ele os quer como entende, e faz como os pronuncia, então fazem um a vontade e o entendimento nele. Com a Igreja sucede o mesmo e com a Religião também. A Igreja é uma Igreja por sua doutrina, e a Religião é uma Religião pela vida segundo a doutrina; e a doutrina existira pelos veros, e a vida existira pelos bens. 213. Mas para que essas coisas alcancem maior luz, elas devem ser explicadas na ordem: I-Todos os veros da fé na Igreja são do Verbo. II- Os veros da fé que procedem do Verbo, ensinam que se deve crer e que se deve fazer de modo que um homem receba em quinhão a vida eterna. III- A Igreja se diz da doutrina, e a Religião se diz da vida segundo a Doutrina.

IV- Nos que estão na fé separada da caridade e na doutrina e na vida, não existe Igreja nem Religião. ▬▬▬▬▬▬▬▬▬

Artigo quarto
O próximo que deve ser amado é segundo o seu bem espiritual, e então daí o bem moral, civil e natural; conseqüentemente o próximo que deve ser amado é no sentido espiritual, o bem.

214. Estas coisas são expostas nesta ordem:
IIIIIIIVV-

O homem não é um homem pela face e pelo corpo, mas pelo bem da sua vontade. Quando o bem da vontade do homem é amado, o próprio homem é amado. O homem é homem pelo seu bem espiritual, e não pelo seu bem espiritual, e não pelo bem moral, civil, e natural separados do bem espiritual. Qual é o bem espiritual do homem, tal é o bem moral, civil e natural dele, porque esses três bens tiram a sua vida daquele único. Conseqüentemente o próximo que deve ser amado é no sentido espiritual o bem.

Observação:O bem espiritual é o bem da caridade, por conseguinte o
Senhor, o céu e a Igreja nele, pois tal é o homem nos bens derivados.
(começada em 2 de dezembro é concluída em 14 do mesmo mês de 1921)-Rua S. Carlos 44.

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