Alegações Finais da Defesa: “Excelentíssimo Senhor Doutor

Genivaldo Alves Guimarães, juiz titular da Vara Crime, Júri,
Execuções Penais, Infância e Juventude da Comarca de
Brumado/Ba.
DIEGO NASCIMENTO MUNIZ apresenta suas alegações finais
orais, pugnando por sua ABSOLVIÇÃO, pelas razões a seguir
expostas: o acusado foi abordado por uma guarnição da
Polícia Militar no centro da cidade e só não foi espancado ali
mesmo porque moradores do local saíram às janelas para
observar o que acontecia. Os policiais, vendo que a
população observava sua atuação, saíram do local
conduzindo os acusados. Em sede de DEPOL, os acusados
foram separados e a partir deste momento o acusado
DIEGO passou a ser submetido a uma seção de
espancamento que somente a Policia Militar é capaz de
desferir, num local deserto da cidade, denominado
CASCALHEIRA. Neste local, o acusado foi agredido
fisicamente e ameaçado de morte e imaginou que não
fosse sair vivo dali. Depois desse episódio, foi ainda
obrigado a acompanhar os policiais nas residências
indicadas pelo próprio acusado, para que estes obtivessem
provas que pudessem legitimar a ação abusiva. Desde
então, encontra-se encarcerado na referida delegacia,
devendo ser colocado em liberdade, pois a prisão
preventiva decretada em seu desfavor, tendo como base o
AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE lavrado não possuir o
condão de validar a segregação, haja vista estar eivado de
nulidades e vícios que impõe a imediata revogação de sua
prisão, senão vejamos: o Auto de Prisão em Flagrante é
nulo, eis que padece de vícios que lhe retiram todo
substrato de validade. A nulidade do Auto de Prisão se
extrai da atuação da Autoridade, tanto Militar quanto a
Judiciária, conforme ensina o ilustre doutrinador e juiz de
direito, Alexandre Bizotto que diz:
“A prisão em Flagrante, embora espécie de medida
cautelar, não deixa de ser o germe de uma acusação

entre eles o de permanecer em silêncio. através do relaxamento judicial. fulmina o flagrante de nulidade. o acusado não foi cientificado de seus direitos constitucionalmente assegurados. por um amigo da família que viu a movimentação na delegacia. Para provar seu alegado.estatal. o que lhe foi negado. Para que Vossa Excelência não tenha dúvidas. sendo que estes são encarados pelos referidos policiais como mera formalidade que deve estar escrita em algumas paginas do Inquérito. Diferentemente do que exige nossa Carta Magna. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou a pessoa por ele indicada”. foi pressionado. 306. ao contrário.” “Qualquer descompasso entre o flagrante – espécie de notitia criminis que deflagra uma possível acusação – e a sua normatização. apesar da data do exame constar 27 de agosto de 2013. Foi coagido ainda a confessar vários . Todo ato acusatório precisa ser revestido da mais absoluta formalidade. foi obrigado a assinar o termo. mesmo não sabendo o teor do que assinava. coagido. mas o acusado só foi submetido à perícia de dez a quinze dias depois do ocorrido. e o acusado ficou uns três a quatro dias cuspindo sangue. foi acionada pelo celular.” Apesar de constar do termo de depoimento. com o atendimento de todas as expectativas legais e constitucionais. quando a sua Tia por nome Cláudia. a atuação das Policias Civil e Militar em questão. Ao final do interrogatório. O acusado foi conduzido aproximadamente às 19:30 para a DEPOL e sua família só tomou ciência da sua prisão quase meia noite. As lesões inclusive deixaram vestígio. basta olhar as determinações constantes no Código de Processo Penal: “Art. ensejando a imediata liberdade da pessoa presa em flagrante. não é pautada pelo respeito aos direitos e garantias fundamentais do homem. o exame de corpo de delito é peça essencial. o que pôde ser presenciado pelo seu companheiro de cela. a prestar depoimento. Por conta disso. o acusado solicitou atendimento médico.

Por fim. ultrapassadas as teses supra elencadas. mas não o fez. o direito de juntar documentação posterior. Nestes Termos. requer a Vossa Excelência. Reserva. a Revogar a Prisão Preventiva decretada em seu desfavor. digne Vossa Excelência. caso entenda necessário. para o caput do art. Supletivamente. Diante do exposto. possuir ainda. devendo a mesma ser rejeitada. acaso condenado. seja substituído por penas restritivas de direito. o coagiu.crimes. 12. outrossim. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. sutilmente. o benefício de se defender solto da acusação que lhe é imputada. haja vista. portanto. não subsistir justa causa que justifique a denúncia. Por estar amparado pela lei processual penal. seus bons antecedentes. requer a desclassificação do delito inserto no inciso IV do Parágrafo Único do art. tendo direito subjetivo à Substituição da Pena Corporal por ventura aplicada por uma ou mais Penas Restritivas de Direito. 16.826/03. Postas tais considerações e por entendê-las prevalecentes sobre as razões que justificaram o pedido de condenação despendido pelo preclaro órgão de execução do Ministério Público. haja vista que o acusado preenche os requisitos dispostos no artigo 44 e incisos do Código Penal Brasileiro. ambos da Lei 10. aliado à primariedade do acusado. residência fixa e trabalho honesto. confiante no discernimento afinado e no justo descortino de Vossa Excelência. . mesmo sendo ameaçado pelo delegado que lhe tirou da carceragem e o levou a uma sala. tais como declarações que atestem sua boa conduta. a defesa requer a ABSOLVIÇÃO do réu. e. PRIMEIRAMENTE. e atestado de empregadores.

pede e espera deferimento. .