Alegações Finais da Defesa: “Excelentíssimo Senhor Doutor

Genivaldo Alves Guimarães, juiz titular da Vara Crime, Júri,
Execuções Penais, Infância e Juventude da Comarca de
Brumado/Ba.
DIEGO NASCIMENTO MUNIZ apresenta suas alegações finais
orais, pugnando por sua ABSOLVIÇÃO, pelas razões a seguir
expostas: o acusado foi abordado por uma guarnição da
Polícia Militar no centro da cidade e só não foi espancado ali
mesmo porque moradores do local saíram às janelas para
observar o que acontecia. Os policiais, vendo que a
população observava sua atuação, saíram do local
conduzindo os acusados. Em sede de DEPOL, os acusados
foram separados e a partir deste momento o acusado
DIEGO passou a ser submetido a uma seção de
espancamento que somente a Policia Militar é capaz de
desferir, num local deserto da cidade, denominado
CASCALHEIRA. Neste local, o acusado foi agredido
fisicamente e ameaçado de morte e imaginou que não
fosse sair vivo dali. Depois desse episódio, foi ainda
obrigado a acompanhar os policiais nas residências
indicadas pelo próprio acusado, para que estes obtivessem
provas que pudessem legitimar a ação abusiva. Desde
então, encontra-se encarcerado na referida delegacia,
devendo ser colocado em liberdade, pois a prisão
preventiva decretada em seu desfavor, tendo como base o
AUTO DE PRISÃO EM FLAGRANTE lavrado não possuir o
condão de validar a segregação, haja vista estar eivado de
nulidades e vícios que impõe a imediata revogação de sua
prisão, senão vejamos: o Auto de Prisão em Flagrante é
nulo, eis que padece de vícios que lhe retiram todo
substrato de validade. A nulidade do Auto de Prisão se
extrai da atuação da Autoridade, tanto Militar quanto a
Judiciária, conforme ensina o ilustre doutrinador e juiz de
direito, Alexandre Bizotto que diz:
“A prisão em Flagrante, embora espécie de medida
cautelar, não deixa de ser o germe de uma acusação

Diferentemente do que exige nossa Carta Magna. Foi coagido ainda a confessar vários . por um amigo da família que viu a movimentação na delegacia. o exame de corpo de delito é peça essencial. apesar da data do exame constar 27 de agosto de 2013. basta olhar as determinações constantes no Código de Processo Penal: “Art. foi acionada pelo celular. e o acusado ficou uns três a quatro dias cuspindo sangue.” “Qualquer descompasso entre o flagrante – espécie de notitia criminis que deflagra uma possível acusação – e a sua normatização. com o atendimento de todas as expectativas legais e constitucionais. foi obrigado a assinar o termo. Ao final do interrogatório. através do relaxamento judicial. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou a pessoa por ele indicada”. a prestar depoimento. mas o acusado só foi submetido à perícia de dez a quinze dias depois do ocorrido.” Apesar de constar do termo de depoimento. coagido.estatal. 306. o acusado não foi cientificado de seus direitos constitucionalmente assegurados. o acusado solicitou atendimento médico. Todo ato acusatório precisa ser revestido da mais absoluta formalidade. Para provar seu alegado. a atuação das Policias Civil e Militar em questão. ao contrário. foi pressionado. o que lhe foi negado. o que pôde ser presenciado pelo seu companheiro de cela. entre eles o de permanecer em silêncio. fulmina o flagrante de nulidade. mesmo não sabendo o teor do que assinava. sendo que estes são encarados pelos referidos policiais como mera formalidade que deve estar escrita em algumas paginas do Inquérito. O acusado foi conduzido aproximadamente às 19:30 para a DEPOL e sua família só tomou ciência da sua prisão quase meia noite. não é pautada pelo respeito aos direitos e garantias fundamentais do homem. Para que Vossa Excelência não tenha dúvidas. As lesões inclusive deixaram vestígio. ensejando a imediata liberdade da pessoa presa em flagrante. quando a sua Tia por nome Cláudia. Por conta disso.

digne Vossa Excelência. Nestes Termos. PRIMEIRAMENTE. sutilmente.crimes. mas não o fez. para o caput do art. haja vista que o acusado preenche os requisitos dispostos no artigo 44 e incisos do Código Penal Brasileiro. e atestado de empregadores. caso entenda necessário. a defesa requer a ABSOLVIÇÃO do réu. possuir ainda. requer a Vossa Excelência. seus bons antecedentes. 16. ambos da Lei 10. Postas tais considerações e por entendê-las prevalecentes sobre as razões que justificaram o pedido de condenação despendido pelo preclaro órgão de execução do Ministério Público. Por fim. o direito de juntar documentação posterior. mesmo sendo ameaçado pelo delegado que lhe tirou da carceragem e o levou a uma sala. tendo direito subjetivo à Substituição da Pena Corporal por ventura aplicada por uma ou mais Penas Restritivas de Direito. portanto. confiante no discernimento afinado e no justo descortino de Vossa Excelência. acaso condenado. haja vista. aliado à primariedade do acusado. 12. Por estar amparado pela lei processual penal. requer a desclassificação do delito inserto no inciso IV do Parágrafo Único do art. o benefício de se defender solto da acusação que lhe é imputada. Reserva. Supletivamente. devendo a mesma ser rejeitada. não subsistir justa causa que justifique a denúncia.826/03. residência fixa e trabalho honesto. Diante do exposto. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito. . ultrapassadas as teses supra elencadas. seja substituído por penas restritivas de direito. tais como declarações que atestem sua boa conduta. a Revogar a Prisão Preventiva decretada em seu desfavor. outrossim. e. o coagiu.

.pede e espera deferimento.

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