Você está na página 1de 2

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

Curso: Ciências Sociais

Disciplina: Antropologia II

Professor: Max Maranhão

Grupo: Beatriz Pimenta, Clarissa Colaço, Carlos Eduardo, Iorran Aquino e Viviane Bizarria

Fichamento do Livro:

Firth, Raymond. Organização social e estrutura social. In: CARDOSO, F.H. & IANNI, O. (org.). Homem e Sociedade. São Paulo: Cia. Editira Nacional, 1971.

“A IDÉIA DE ESTRUTURA DA SOCIEDADE, para ser considerada em conformidade com o conceito geral de estrutura, deve preencher certos requisitos. Considera as relações das partes com o todo, o arranjo no qual os elementos da vida social estão ligado. Estas relações devem ser vistas como construídas umas sobre as outras, pois são séries de ordens diversas de complexidade. Precisam ser de significado não simplesmente momentâneo uma vez que fatores de constância ou continuidade devem estar envolvidos nelas.” (p. 35).

“Não na dúvida de que, para uma sociedade funcionar efetivamente e ter o que podemos chamar uma "estrutura coerente", seus membros devem ter uma idéia do que esperar. Sem padrões de expectativas e um esquema de idéias a respeito do que pensamos sobre o que devem fazer as outras pessoas, não seríamos capazes de ordenar nossas vidas.” (p. 36).

“Mas ver uma estrutura social em termos de ideais e expectativas, simplesmente, é insatisfatório. Os padrões de realização, as características gerais de relações sociais concretas devem, também, está presentes no conceito de estrutura. Contudo, pensar em estrutura social como contendo, somente, padrões de ideais de comportamento, sugere o ponto de vista, implícito de que estes padrões ideais são os únicos de importância fundamental na vida social, e que o comportamento real de indivíduos é, simplesmente, um reflexo de normas socialmente dadas. É igualmente importante enfatizar o modo pelo qual as normas sociais, os padrões ideais, a trama de expectativas, tendem a ser mudados, reconhecida ou. imperceptivelmente, pelos atos dos indivíduos em resposta a - outras influências, inclusive desenvolvimentos tecnológicos.” (p.36)

“O conceito de estrutura social é um recurso analítico que serve para compreender como os homens se comportam socialmente. As relações sociais de importância crucial para o comportamento dos membros da sociedade constituem a essência do conceito de estrutura de tal sorte que, se estas relações não operassem a sociedade não existiria sob essa forma.” (ps. 36 e 37).

“Esta discussão da noção de estrutura social tem-nos levado às questões com que os antropólogos lidam na tentativa de apreender as bases das relações sociais humanas. Permite, também, esclarecer dois outros conceitos, função social e organização social, os quais são tão importantes como o de estrutura social.” (p. 38)

“Cada ação social pode ser pensada como tendo uma ou mais funções sociais. Função social pode ser definida como sendo a relação entre uma ação social e o sistema do qual a ação faz parte, ou, alternativamente, com o resultado da ação social em termos de um esquema dos meios e dos fins de todas as outras ações por ela afetadas.” (p. 38)

“Para Malinowski [

ou definido isoladamente. Seu significado é dado por sua função, pela parte que ele desempenha num sistema de interações. Estudando as unidades maiores, os mais abstratos conjuntos de padrões de comportamento conhecidos como instituições — tais como um sistema de casamento, um tipo de família, um tipo de troca cerimonial, um sistema de magia — o esquema diferencia vários componentes associados.” (pags. 38 e 39)

ação social, nenhum elemento da cultura pode ser adequadamente estudado

]nenhuma

“A instituição é o conjunto de valores e princípios estabelecidos tradicionalmente. Estes são vistos pelas pessoas vinculadas a ela como o seu fundamento, podendo mesmo estar consubstanciados numa lenda mítica. As normas são as regras que orientam a conduta das pessoas, distinguindo-se das atividades exercidas por estas, pois às pessoas podem divergir das normas conforme as oscilações de interesses individuais. A instituição é mantida por meio de um aparato material, cuja natureza pode ser entendida somente pela consideração dos usos para os quais ele serve e por um pessoal recrutado em grupos sociais apropriados.” (p. 39)

“O estudo da estrutura social deve ser levado mais longe, a fim de examinar como as formas básicas de relações sociais são suscetíveis de variação. É necessário estudar a adaptação social assim como a continuidade social. Uma análise estrutural, somente, não pode interpretar a mudança social. Uma taxonomia social poderia tornar-se tão árida como uma classificação das espécies em alguns ramos da biologia. As análises do aspecto organizatório da ação social constituem o complemento necessário da análise do aspecto estrutural. Permite dar um tratamento mais dinâmico.” (p. 41)

“Organização social implica algum grau de unificação, a união de diverso elementos numa relação comum.” (p. 41)

“Outro elemento da organização social implica o reconhecimento do fator tempo na ordenação das relações sociais. Há a concepção de tempo implicando, necessariamente, uma sequencia ou série ordenada na

colocação de unidades cm direção ao fim desejado. O conceito de organização social, também, leva em conta

as magnitudes, as quantidades envolvidas no estudo” (p. 43)

“A organização pressupõe também elementos de representação e responsabilidade. Em muitas esferas, a fim de

que os propósitos de um grupo possam ser realizados, deve haver representação dos seus interesses pelos membros individuais. As decisões assentadas como decisões grupais devem ser, de fato, decisões individuais. Deve haver algum mecanismo então, aberto ou implícito, por meio do qual um grupo concede aos indivíduos

o direito de tomar decisões em nome da totalidade. Nesta concessão reside, possivelmente, a dificuldade de se

conciliar interesses em conflito de subgrupos, porque o indivíduo que é selecionado como representativo deve, nas circunstâncias normais, ser necessariamente, um membro de um subgrupo. Há o perigo, então, de que, em vez de tentar assegurar os mais amplos interesses da totalidade, ele vá agir tendo em vista, em primeiro lugar, assegurar os interesses do grupo particular ao qual ele pertence. Por responsabilidade entende-se a

habilidade de apreender uma situação em termos dos interesses do mais amplo grupo referido, tomar decisões de acordo com esses interesses e estar disposto a sustentar as responsabilidades pelos resultados destas decisões. Neste sentido, um conflito em todo nível da unidade do grupo é possível. Uma pessoa pertence a uma família,

a um grupo.de parentesco amplo a uma unidade local, e estes podem ser somente alguns dos muitos

componentes de uma ampla unidade social da qual elq é o representante. Para assumir a responsabilidade efetiva, e para os outros membros de todos estes grupos componentes concordarem com ele em representar seus interesses, deve haver um esforço de projeção de todas as partes concernentes — um conceito de incorporação imediata em interesses menos diretamente perceptíveis. Quanto mais limitada esta projeção, mais restrita a organização social.” (pags. 43 e 44).

“O conceito de organização social é importante também para a compreensão da mudança social. Há elementos estruturais infiltrando-se por todo o comportamento social, e eles constituem o que tem sido,

metaforicamente, chamado anatomia social, a forma de uma sociedade. Mas qual é esta forma? Consiste, realmente, na persistência ou repetição de comportamentos; é o elemento de continuidade na vida social. Ao

antropólogo social

ao mesmo tempo, avaliar. a mudança social. A continuidade é expressa na estrutura social,- na trama do relações que ó feita através da estabilidade do expectativas, pela validação da experiência do passado cm termo do experiência similar no futuro. Os membros da sociedade procuram um guia seguro para a ação, e a estrutura da sociedade lhes dá isso — através da família, do sistema de parentesco, das relações de classe, da distribuição ocupacional, e assim por diante. Ao mesmo tempo, oferece oportunidade para variação o para a compreensão dessas variações.” (p. 45)

coloca-se um problema constante, um dilema aparente — explicar esta descontinuidade e,