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PROJETO AGENTE JOVEM: AVALIAÇÃO DE SEUS IMPACTOS

André Augusto Pereira Brandão


Marco Aurélio Oliveira de Alcântara
Salete Da Dalt
Victor Hugo de Carvalho Gouvêa

Brasília, 2008
Presidente da República Federativa do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva

Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


Patrus Ananias

Secretária Executiva
Arlete Sampaio

Secretária Executiva Adjunta


Rosilene Cristina Rocha

Secretária de Avaliação e Gestão da Informação


Laura da Veiga

Secretário de Articulação Institucional e Parcerias


Ronaldo Coutinho Garcia

Secretária Nacional de Renda de Cidadania


Rosani Cunha

Secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional


Onaur Ruano

Secretária Nacional de Assistência Social


Ana Lígia Gomes

Expediente: Esta é uma publicação técnica da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação.


SECRETÁRIA DE AVALIAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO: Laura da Veiga; DIRETORA DO
DEPARTAMENTO DE AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO: Diana Oya Sawyer; DIRETOR DO
DEPARTAMENTO DE GESTÃO DA INFORMAÇÃO E RECURSOS TECNOLÓGICOS: Roberto
Wagner da Silva Rodrigues; DIRETORA DO DEPARTAMENTO DE FORMAÇÃO DE AGENTES
PÚBLICOS E SOCIAIS: Aíla Vanessa de Oliveira Cançado.
Cadernos de Estudos
DESENVOLVIMENTO SOCIAL EM DEBATE
NÚMERO 8 ISSN 1808-0758

PROJETO AGENTE JOVEM:


AVALIAÇÃO DE SEUS IMPACTOS
André Augusto Pereira Brandão
Marco Aurélio Oliveira de Alcântara
Salete Da Dalt
Victor Hugo de Carvalho Gouvêa

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


 Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

Esta é uma publicação técnica da Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação.

O texto publicado nesta edição traz os resultados da avaliação do Projeto Agente Jovem realizada em 2007 pelo Núcleo de Pes-
quisas da Universidade Federal Fluminense (DataUff). Esse estudo utilizou como metodologia a comparação entre ex-bene-
ficiários e não beneficiários. Foram identificados impactos do projeto nas áreas de educação, trabalho e renda, comportamento
sexual e reprodutivo, violência, entre outras, além de traçar a relação com políticas e projetos sociais governamentais.

Cadernos de Estudos Desenvolvimento Social em Debate. – N. 8 (2008)-.


Brasília, DF : Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome;
Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação, 2005- .
80 p. ; 28 cm.

ISSN 1808-0758

1. Desenvolvimento Social. Brasil. 2. Políticas Públicas. Brasil. 3. Projeto


Agente Jovem. Brasil. I. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.
Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação.

CDD 330.981
CDU 304(81)

Tiragem: 2.000 exemplares


Impressão: Charbel Gráfica e Editora

Coordenação editorial: Monica Rodrigues


Equipe: Marcelo Rocha, Renata Bressanelli, René Couto e Tatiane de Oliveira
Revisão: Ângela Tonini, Júnia Quiroga e Renata Bressanelli
Redação final: Renata Bressanelli e René Couto
Editoração: Marcus Freitas

Maio de 2008

Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome


SECRETARIA DE AVALIAÇÃO E GESTÃO DA INFORMAÇÃO
Esplanada dos Ministérios | Bloco A |4º andar | Sala 409
CEP: 70 054-906 | Brasília DF | Telefone (61) 3433-1501
http://www.mds.gov.br

Fome Zero: 0800-707-2003

Solicite exemplares desta publicação pelo e-mail: sagi.dfaps@mds.gov.br


APRESENTAÇÃO

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome financia e promove,


regularmente, estudos e pesquisas para avaliar o andamento de seus programas e
políticas sociais. Os resultados dessas investigações, além de dar transparência às
ações governamentais da área social, nos ajudam a acertar o passo na consolidação
das políticas de proteção social e de garantia de direitos de cidadania.

A pesquisa divulgada nesta edição da série Cadernos de Estudos - Desenvolvimento


Social em Debate aferiu o impacto do Projeto Agente Jovem de Desenvolvimento
Social e Humano. O estudo foi coordenado pela Secretaria de Avaliação e Gestão da
Informação (SAGI) e realizado pelo Núcleo de Pesquisas da Universidade Federal
Fluminense (DataUff).

As entrevistas foram realizadas em 81 municípios brasileiros – incluindo todas


as capitais – com cerca de dois mil jovens separados em dois grupos: um de ex-
beneficiários, que tivessem concluído o programa há mais de 6 meses e há menos
de 20 meses, e outro de jovens em condições de vida similares aos jovens egressos
do Agente Jovem.

No grupo contemplado pelo projeto, os resultados revelaram maior interesse pelos


estudos, melhoria no rendimento escolar, aumento da expectativa de chegar ao
ensino superior e melhoria na relação familiar. Outras constatações da pesquisa
também podem ser conferid nesta publicação.

No ano de 2007 o governo federal, movido pela necessidade de ampliar e qualificar


as políticas públicas para o segmento juvenil, optou pela reformulação do Programa
Nacional de Inclusão de Jovens – Projovem, lançado em 2005, ampliando sua
faixa etária para o público de 15 a 29 anos e criando quatro modalidades: Projovem
Adolescente – Serviço Socioeducativo, Projovem Urbano, Projovem Trabalhador
e Projovem Campo – Saberes da Terra. O estudo apresentado a seguir contribuiu
enormemente para a discussão da reestruturação das ações socioeducativas para os
jovens de 15 a 17 anos, público-alvo do Projovem Adolescente.

Por fim, é importante ressaltar que a continuidade do trabalho de produção de


novos conhecimentos acerca das políticas sociais no Brasil só será efetiva com a
ampla disseminação e utilização das informações pelos gestores públicos para o
aperfeiçoamento dos programas.

Patrus Ananias
Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
SUMÁRIO

I. Introdução 09

II. Aspectos metodológicos 11

1. Plano amostral 12

2. Processo de amostragem 12

III. Resultados 13

1. Caracterização dos ex-beneficiários do Projeto Agente Jovem e dos não


beneficiários 14

2. Impactos do Projeto Agente Jovem: comparações entre ex-beneficiários e
não beneficiários 19

2.1 Educação 19

2.2 Trabalho e renda 23

2.3 Integração com a família 30

2.4 Participação, sociabilidade, lazer e expectativas 33

2.5 Comportamento sexual e reprodutivo 39

2.6 Uso de álcool, tabaco e drogas 44

2.7 Violência 46

2.8 Relação com outras políticas e projetos sociais 51

3. Caracterização do projeto e da participação do jovem 52

4. A percepção dos ex-beneficiários sobre os impactos do projeto 64

5. A avaliação dos ex-beneficiários sobre o projeto 69

6. As características do projeto e seus impactos 73

IV. Conclusão 75

V. Bibliografia 77

VI. Anexo: Plano amostral 79


I. Introdução
André Augusto Pereira Brandão1
Marco Aurélio Oliveira de Alcântara 2
Salete Da Dalt 3
Victor Hugo de Carvalho Gouvêa 4

As políticas para juventude no Brasil só avançaram a partir de meados da década


de 90, ainda assim com um caráter muito provisório, ou seja, não entraram para a
agenda das políticas públicas como um problema, mas como “um estado de coisas”
(SPOSITO, 2003).

A própria criação do Projeto Agente Jovem de Desenvolvimento Social e Humano


sinaliza que questões específicas sobre juventude vinham sendo tratadas de forma
pontual e sem a necessária atenção para os problemas que afetam essa parcela da po-
pulação como, por exemplo, aqueles relativos ao trabalho, à educação e à saúde, que
estão presentes na estrutura da sociedade brasileira.

O Projeto Agente Jovem foi criado em 1999 e, como todo projeto ou programa,
apresenta demandas de monitoramento e avaliação permanentes. É por meio dessas
práticas que se torna possível fazer mudanças que levem à política maior eficiência e
eficácia. Nesse sentido, ressaltamos a importância do Agente Jovem no contexto da
Proteção Social Básica e pontuamos que o presente estudo também foi muito impor-
tante para reestruturar o serviço socioeducativo para os jovens de 15 a 17 anos, o que
culminou com a modalidade Projovem Adolescente dentro do Programa Nacional
de Inclusão de Jovens. 1
Doutor em Ciências Sociais pela Universi-
dade Estadual do Rio de Janeiro e diretor
As discussões acerca da temática da “adolescência” sinalizam claramente a dificulda- adjunto do Núcleo de Pesquisas da Univer-
sidade Federal Fluminense (DataUff).
de em se definir de forma precisa o período que compreende essa fase da vida. Essa
dificuldade fundamenta-se na intensa mutação e transitoriedade que o caracterizam, 2
Mestre em Política Social pela Universida-
uma vez que sua variação está condicionada à cultura, história e sociedade a que o de Federal Fluminense e coordenador de
pesquisas do Núcleo de Pesquisas da Uni-
indivíduo pertence. Portanto, tratar do tema requer que sejam traçados parâmetros de
versidade Federal Fluminense (DataUff).
definição de uma faixa etária que por si só representa a idéia de transitoriedade entre
a vida infantil e a adulta, além de poder representar ou não uma crise e até mesmo a 3
Mestranda em Política Social pela Univer-
ruptura de valores vigentes em determinada sociedade (SPOSITO, 2003). sidade Federal Fluminense e coordenadora
do Núcleo de Pesquisas da Universidade
Federal Fluminense (DataUff).
Julgamos, portanto, importante fazer nesta introdução um comentário de que é exa-
tamente pelo caráter transitório que envolve o público beneficiado pelo projeto que
4
Doutor pela Universidade de Paris e diretor
do Núcleo de Pesquisas da Universidade
delimitou-se uma faixa etária para direcionamento das suas ações. Federal Fluminense (DataUff).

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 9


Conforme as informações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome (MDS) e da Portaria nº. 879, de 03 de dezembro de 2001, do extinto Ministé-
rio da Previdência e Assistência Social – Secretaria de Estado de Assistência Social, o
Projeto Agente Jovem é uma “ação de assistência social destinada a jovens entre 15
e 17 anos, visando ao desenvolvimento pessoal, social e comunitário. Proporciona
capacitação teórica e prática, por meio de atividades que não configuram trabalho, mas
que possibilitam a permanência do jovem no sistema de ensino, preparando-o para
futuras inserções no mercado de trabalho” (BRASIL, 2001). O MDS também concede
diretamente ao jovem uma bolsa durante os 12 meses em que ele estiver inserido no
projeto e atuando em sua comunidade. A bolsa, de R$ 65,00 (sessenta e cinco reais), é
concedida aos jovens que estão regularmente cadastrados e participam de, no mínimo,
75% do total das aulas na escola e das atividades previstas no projeto.
Desse modo, os objetivos do projeto são:

• Criar condições para a inserção, reinserção e permanência do jovem no


sistema de ensino;
• Promover sua integração à família, à comunidade e à sociedade;
• Preparar o jovem para atuar como agente de transformação e desenvolvi
mento de sua comunidade;
• Contribuir para a diminuição dos índices de violência, uso de drogas, do
enças sexualmente transmissíveis (DSTs) e gravidez não planejada;
• Desenvolver ações que facilitem sua integração e interação, para quando
estiver inserido no mercado de trabalho.

O público-alvo é formado por jovens de 15 a 17 anos em situação de risco pessoal e


social que estejam prioritariamente fora da escola e que participem ou tenham partici-
pado de outros programas sociais. Isso dá cobertura aos egressos de outros programas
e projetos, como os do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) que
estejam sob medida protetiva ou socioeducativa e também àqueles advindos de pro-
gramas de atendimento aos jovens vítimas de exploração sexual e comercial (como
o Sentinela). O projeto garante ainda 10% de vagas (por município coberto) para
adolescentes (de 15 a 17 anos) portadores de algum tipo deficiência.

A implementação e expansão do projeto levam em consideração a concentração de


jovens em situação de risco e o Índice de Desenvolvimento Humano dos municípios
(IDH-M). Nesse sentido, as capitais e aqueles municípios que apresentam essas
características de forma mais acentuada são priorizados.

Em 2006, a Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação do MDS realizou, por


meio do Núcleo de Pesquisas da Universidade Federal Fluminense (DataUff), uma
pesquisa de avaliação de impacto do projeto.

10 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


A avaliação foi feita utilizando-se técnicas de coleta de dados quantitativas e quali-
tativas que deram origem aos dois volumes do relatório. O primeiro volume trata
da análise dos dados qualitativos e o segundo, dos resultados obtidos com os dados
quantitativos.

A seguir, apresentamos a metodologia utilizada ao longo da avaliação e os resultados


das avaliações quantitativa e qualitativa, tiveram por objetivo principal verificar o
impacto do Projeto Agente Jovem junto aos seus ex-beneficiários.

II. Aspectos Metodológicos

As informações sobre os jovens ex-beneficiários e não beneficiários foram coletadas


por meio de questionário e de grupos focais realizados com jovens ex-beneficiários
e não beneficiários e ainda com os pais ou responsáveis por eles.

Os grupos focais ocorreram em cinco capitais (Belém - PA, Curitiba - PR, Rio de
Janeiro - RJ, Goiânia - GO e Porto Alegre - RS), uma de cada região. Em cada local
foram realizados quatro grupos focais: um com os pais dos jovens ex-beneficiários
do Projeto Agente Jovem; um com pais de jovens de 15 a 17 anos que nunca haviam
participado do projeto; outro com jovens ex-beneficiários; e outro com jovens que
nunca haviam participado do Agente Jovem, resultando um total de vinte grupos de
discussão no Brasil.

Os jovens que nunca haviam acessado o projeto foram selecionados e convidados a


participar da pesquisa a partir de critérios previamente estabelecidos (idade e situação
socioeconômica). Para tanto, foi necessário fazer o recrutamento nos bairros em que
os jovens ex-beneficiários moravam. Para participar dos grupos focais, os não bene-
ficiários deveriam ter entre 15 e 17 anos ou os pais/responsáveis deveriam ter filhos
nessa faixa etária, além de morar no mesmo bairro dos ex-beneficiários localizados a
partir da listagem de endereços disponibilizada pelo MDS. Os dados coletados por
meio de questionários (avaliação quantitativa) foram segmentados de acordo com o
plano amostral detalhado a seguir.

Buscamos na avaliação qualitativa elementos que pudessem subsidiar a análise e


responder as questões particulares do mundo dos jovens. Mais especificamente, os
grupos focais foram de extrema importância para entendermos a forma como os jo-

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 11


vens pensam sua realidade antes e depois da participação no projeto. A partir daí foi
possível construir um arcabouço conceitual que permitisse estabelecer parâmetros
de comparabilidade entre estes e os jovens que nunca sofreram influência de um
programa socioeducativo, mas que também vivem em situações de vulnerabilidade
social tal como os jovens egressos do Agente Jovem.

A importância da coleta qualitativa também aparece no subsídio dado à construção


do questionário e adaptação de conceitos que são apreendidos de forma bastante
diferenciada devido à disparidade regional brasileira.

1. Plano amostral

Os parâmetros básicos para proposição do plano amostral foram detalhados na proposta


de avaliação feita pelo DataUff ao MDS, tendo em vista o termo de referência para
a pesquisa de avaliação. Ficou definido que a pesquisa seria domiciliar e a amostra
deveria contemplar dois grupos. Um grupo de ex-beneficiários que tivessem saído do
projeto há mais de seis meses e há menos de dezenove meses e outro para compor um
grupo de controle, formado por jovens em condições de vida similares aos egressos
do Agente Jovem, mas que não tivessem sido beneficiários do projeto. Neste grupo
a idade dos jovens foi equiparada com a dos ex-beneficiários.

O tamanho da amostra experimental seria então de 1.500 indivíduos e a amostra


controle seria de 500 indivíduos. A amostra experimental resultante possibilitou,
portanto, o fornecimento de estimativas das proporções da população que possuem
determinados atributos, com nível de confiança de 95% e precisão de 2,5%.

Ficou também definido que a amostra seria feita em, no mínimo, 80 municípios, em
todos os estados brasileiros.

2. Processo de amostragem

Para que o “espalhamento” da amostra fosse o melhor possível, foram criadas as


seguintes categorias: tamanho do município, número de jovens atendidos e estágio
da gestão do município no âmbito da política de assistência (pleno, básico etc.). Para
isso, extraímos as informações do banco de dados que nos foi enviado pelo MDS.

A seleção dos municípios foi feita com probabilidade proporcional ao tamanho (PPT),
em que a medida de tamanho foi a população de jovens atendidos pelo projeto. As

12 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


capitais dos estados estiveram sempre entre os municípios pesquisados, e os demais
foram divididos nas classes citadas no parágrafo anterior.

Cada estado teve no mínimo três municípios pesquisados. Na verdade, apenas os


seis maiores (Goiás, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo)
tiveram quatro municípios pesquisados. Esses estados detêm cerca de 61% do total
de jovens inseridos no projeto.

O número de indivíduos pesquisados em cada estado foi proporcional ao número de


jovens atendidos pelo Agente Jovem. Como existia uma grande assimetria no número
de beneficiários por estado, optamos por definir um mínimo de 30 entrevistas para
cada estado. Com essa restrição, o tamanho da amostra experimental subiu para n =
1.698. Nesse caso, o erro caiu para 2,3%. Com esses critérios obtivemos a lista de
municípios que se encontra no Anexo 1 deste artigo.

A amostra controle, com cerca de 500 entrevistas, também foi proporcional ao tamanho
do público atendido em cada município. Definimos um mínimo de 10 entrevistas
por estado. No caso dessa amostra, para não termos um número inexpressivo de
entrevistas por cidade, fizemos a amostragem em um número menor (um total de
43 cidades e 512 entrevistas). A lista das cidades está no Anexo 2.

III. Resultados

Como foi apontado, ‘adolescência’ é um conceito difícil de definir pela própria


questão da transitoriedade enfrentada pelo indivíduo e pelas influências sofridas nas
diferentes épocas e sociedades. Com os dados qualitativos explorados nos grupos
focais, foi mapeado o cotidiano dos jovens e suas percepções acerca da realidade em
que vivem. Portanto, consideramos ser possível afirmar cientificamente que o projeto
aponta resultados bastante significativos quando confrontados com a capacidade de
adaptação e resistência do público investigado.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 13


1. Caracterização dos ex-beneficiários do Projeto
Agente Jovem e dos não beneficiários

No geral, os domicílios são compostos por quatro ou cinco pessoas – exceto em Be-
lém, em que encontramos uma variação que indica um número maior de membros
que compõem o núcleo familiar. Poucos jovens residiam com outros parentes que
não o pai e/ou a mãe. A maioria dos jovens se situava em domicílios com a presença
do pai e da mãe ou moravam somente com suas mães (há somente um caso de filhos
morando com o pai).

Ao desenhar a pesquisa quantitativa não foram estabelecidas cotas que definissem a


distribuição por sexo. No entanto, a amostra de ex-beneficiários aponta para uma di-
visão quase perfeita entre homens (49,1%) e mulheres (50,9%). No que tange o grupo
de não beneficiários, podemos afirmar que encontramos o mesmo percentual.

No que tange a cor ou raça dos ex-beneficiários predominam os pardos, seguidos dos
pretos e dos brancos (em percentuais praticamente iguais). Quando cotejamos esse
perfil de cor ou raça com o encontrado no Censo de 2000 para o conjunto da população
do Brasil vemos, como esperado em um projeto voltado para jovens em situação de
vulnerabilidade social, que os brancos estão sub-representados como beneficiários
(pois são 22,4% da amostra e 53,74% da população nacional). Os pardos e pretos
estão super-representados, na medida em que são respectivamente 46,6% e 22,5% na
amostra e 38,4% e 6,21% no país. Entre os não beneficiários, há uma proporção um
pouco maior de brancos; no entanto, repete-se a mesma lógica de sub-representação
desse grupo e de super-representação de pretos e pardos (o que se relaciona com a
predominância de jovens de classe D)5.

A grande maioria dos jovens de ambos os grupos concentra-se na faixa de 17 a 19


anos de idade. A iniciação sexual dos jovens correlacionada com a idade demonstra
que a maioria dos entrevistados teve sua primeira relação sexual entre 11 e 15 anos
(58,2%). Outra parte significativa declarou que a experiência ocorreu entre 16 e 19
anos (38%).
5
A divisão da população em cinco
A maioria dos jovens de ambos os grupos (88,9%) é solteira. O percentual de jovens
classes socioeconômicas (A, B, C, D e E)
é estabelecida no país pelo Critério de casados ou que vivem juntos chega a quase um décimo dos não beneficiários (9,8%)
Classificação Econômica Brasil (Critério e pouco menos dos ex-beneficiários (8,2%).
Brasil, ou Critério ABIPEME - Associação
Brasileira de Institutos de Pesquisa de
Mercado), segundo padrões ou potenciais Os cruzamentos das variáveis estado civil e sexo dos sujeitos apontam que o casa-
de consumo da população. Esse critério cria mento é mais comum entre as pessoas do sexo feminino (12,7% das não beneficiárias
uma escala socioeconômica por intermédio e 14,9% das ex-beneficiárias) em relação aos entrevistados do sexo masculino (3,5%
da atribuição de pesos a um conjunto de
itens de conforto doméstico, além do nível e 3,8% respectivamente). É importante ressaltar que não há diferenças significativas
de escolaridade do chefe de família. entre ex-beneficiários e não beneficiários.

14 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Apesar da faixa etária dos entrevistados ser baixa, em ambos os grupos há indivíduos
que já têm filhos. O percentual de jovens não beneficiários que declaram ter filhos
é de 10% e entre os ex-beneficiários é de 11%.

Apesar de a Portaria nº. 879, de 03 de dezembro de 2001, que regulamenta o Agente


Jovem, prever a inclusão no projeto de 10% de pessoas com deficiência, encontramos
entre os ex-beneficiários somente 1,6% de jovens com essa característica (percentual
semelhante ao encontrado no grupo de não beneficiários). Esse problema relativo aos
critérios de elegibilidade já havia sido apontado pela avaliação do Tribunal de Contas
da União (TCU), cujo parecer final é do ano de 20046.

Gráfico 1 - Pessoas com deficiência

(Ex-beneficiário)
Ex-beneficiários

2%

Não
Sim

98%

(Não beneficiário)
Não beneficiários

1% 2%

Não
Sim
NS/NR

97%
6
Acórdão número 040/2004 - TCU

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 15


Em consonância com a referida portaria, encontramos entre os ex-beneficiários um
percentual maior de jovens egressos do PETI e do Programa Sentinela do que entre
os não beneficiários. Vale ressaltar que cerca de 10% dos jovens que participaram do
projeto passaram pela Proteção Social Especial. Assim, pelo teste de Qui-quadrado
(x2 = 0,33) as amostras são independentes, mas o teste com as proporções apresenta
uma significativa diferença entre as percentagens das duas amostras (p-valor inferior
a 0,01 no teste t).

Tabela 1 - Egressos dos programas PETI e Sentinela

Foi beneficiário do programa?

Ex-beneficiários Não beneficiários


Programa
% em relação
Valor Valor % em relação ao
ao total
absoluto absoluto total (512)
(1698)

PETI 167 9,8 13 2,5

Sentinela 25 1,5 1 0,2

Total 192 11,3 14 2,7

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Quanto à religião dos entrevistados, a maioria dos ex-beneficiários se declara de


religião católica (53,9%). O segundo maior percentual corresponde aos evangélicos
pentecostais ou não pentecostais (24,8%). O terceiro maior grupo é composto por
aqueles que não têm religião (18,7%). Vale ressaltar que os percentuais que aparecem
no grupo de não beneficiários são muito semelhantes aos dos ex-beneficiários.

De acordo com o Critério Brasil de Classificação Socioeconômica, tanto entre os ex-


beneficiários quanto entre os não beneficiários, a maioria dos jovens se encontra na
classe D. No entanto, o peso percentual da classe C é significativo. Por outro lado,
vemos que a presença de jovens oriundos de domicílios de classe E mostra-se pequena
entre os ex-beneficiários e também entre os não beneficiários.

Chama atenção na caracterização dos domicílios o fato de que, nos dois grupos, mais
de 40% dos domicílios não sejam atendidos por rede pública de esgoto e, segundo
relatos dos pesquisadores que fizeram o recrutamento para os grupos focais ou que
aplicaram os questionários, os jovens que participaram da pesquisa estão vivendo em
moradias bastante precárias. A pavimentação dos bairros é ruim ou inexistente e a
iluminação das ruas, quando existe, é de má qualidade.

A maioria dos ex-beneficiários é oriunda de famílias com renda entre um e três sa-
lários mínimos. Se somarmos esses com aqueles que estão localizados em famílias

16 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


com renda de até um salário mínimo e com os sem renda, chegaremos a mais de
82,7% dos entrevistados. Os jovens não beneficiários são oriundos de famílias com
perfil de renda muito semelhante; no entanto, entre esses, se somarmos as três pri-
meiras faixas, encontraremos 74,6% do total de entrevistados. Vale ressaltar que dos
6,9% de ex-beneficiários que pertencem a famílias com renda superior a três salários
mínimos, 15,2% foram encaminhados ao projeto pelo PETI, 4,8% pelo Conselho
Tutelar e outros 4,8% por assistentes sociais (devemos lembrar que x2 = 4,61 não é
significativo na diferença entre as duas amostras).

Gráfico 2 - Classe social dos jovens entrevistados

Ex-beneficiários Não beneficiários

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Gráfico 3 - Renda familiar dos jovens entrevistados

Ex-beneficiários Não beneficiários

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 17


O nível de escolaridade dos responsáveis que formaram os grupos focais não difere,
em geral, do nível de escolaridade que encontramos na pesquisa quantitativa; ou seja,
em sua maioria apresentaram-se concentrados no ensino fundamental incompleto.
Em Curitiba, na fase qualitativa, no entanto, encontramos um nível educacional
diferenciado, com maior presença de pais com ensino médio.

Encontramos, ainda, uma diferença entre os responsáveis pelos domicílios dos não
beneficiários, que são um pouco mais escolarizados do que os dos ex-beneficiários.
Essa diferença pode ser observada, principalmente, no ensino médio completo ou
incompleto.

Gráfico 4 - Escolaridade do responsável pelo domicílio

Ex-beneficiários Não beneficiários

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Mais de 86% dos jovens apontam a mãe ou o pai como responsáveis principais. De-
vemos, no entanto, destacar que os jovens de ambos os grupos se referem prioritaria-
mente às mães (cerca de 73%) nesse papel. Os avós também são citados em proporção
significativa (cerca de 7%), o que mostra que eles possuem papel importante também
na criação dos netos.

Esse dado é o próprio reflexo da situação de vulnerabilidade social em que se en-


contram as mulheres pobres, idosos, crianças e jovens. Se tomarmos como exemplo
outros programas e suas avaliações, percebemos uma correspondência bastante similar
entre o número de domicílios que estão sendo chefiados por idosos. Tal dado aponta
para duas reflexões: a primeira é bastante positiva, porque na medida em que o idoso

18 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


está à frente das responsabilidades domiciliares podemos considerar também que esse
ator está desempenhando um importante papel ao contribuir para o fortalecimento
das redes primárias de solidariedade (BARROS, 1999). A segunda, ao contrário, é
extremamente negativa uma vez que o capital cultural dos idosos no Brasil é muito
baixo, o que se reflete diretamente na escolarização das crianças e jovens, tendo em
vista serem eles, em grande parte dos casos, responsáveis pela orientação nos deveres
de casa e acompanhamento da vida escolar.

2. Impactos do Projeto Agente Jovem: comparação


entre ex-beneficiários e não beneficiários

2.1 Educação

O abandono ou negligência da escola por parte dos alunos oriundos de famílias


pobres é uma conseqüência imediata da necessidade que os filhos têm, desde muito
cedo, de colaborar com o sustento da família. O mais complicado nessa tabela é que,
segundo Barros, Henriques e Mendonça (2002), o atraso nos níveis de escolaridade
pode significar uma queda de até 16% no rendimento de cada indivíduo. Constrói-se,
dessa forma, o ciclo intergeracional de pobreza que os programas de transferência de
renda vêm tentando romper.

A cada ano perdido pela criança ou adolescente abre-se uma lacuna cada vez mais
difícil de ser preenchida, e sem intervenções nesse quadro vai se perpetuando de ge-
ração para geração. O ciclo vicioso vai se propagando. Esse fato pode ser comprovado
não só pelos estudos de Barros, Henriques e Mendonça, como também pode ser
explicado pelo histórico escolar dos pais e responsáveis que participaram dos grupos
focais, assim como pela análise que segue.

Tabela 2 - Situação atual de escolaridade

Ex-beneficiários Não beneficiários


Está estudando atualmente?
Freqüência % Freqüência %
Sim 1174 69,1% 342 66,8%
Não, mas pretende retornar 481 28,3% 155 30,3%
Não, parei de estudar definitivamente 35 2,1% 12 2,3%
NS/NR 8 0,5% 3 0,6%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 19


Entre os ex-beneficiários existe uma maior proporção de estudantes. Podemos destacar
como significativo o fato de apenas cerca de 2% de cada grupo afirmarem ter parado
de estudar de forma definitiva.

Os ex-beneficiários do Agente Jovem alcançaram, em maior proporção do que os não


beneficiários, o ensino médio. Na mesma medida, os primeiros apresentam percen-
tuais menores que os segundos no que tange os dois segmentos do ensino fundamen-
tal. Já o acesso ao ensino superior é pequeno nos dois grupos. No geral, porém, os
ex-beneficiários se mostram um pouco melhor situados na escala de escolaridade do
que os jovens não beneficiários. Além disto, identificamos uma maior determinação
quanto ao investimento na escolarização futura por parte dos egressos.

Gráfico 5 - Última série completada com aprovação

Ex-beneficiários Não beneficiários

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Os pais/responsáveis asseguram também que um dos melhores benefícios que o pro-


jeto trouxe aos seus dependentes foi o aumento ou despertar da vontade de estudar
que antes estava comprometida por uma série de problemas ligados à falta de disciplina
e à própria questão do interesse em acessar e permanecer na escola.

20 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 3 - Última série completada com aprovação por classe social

Ex-beneficiários
Ingressou
Classe 1ª a 4ª 5ª a 8ª Ensino
NS Alfabetização no ensino Total
social série série médio
superior
Classe B     2,1% 17,0% 78,7% 2,1% 100,0%
Classe C   0,2% 1,4% 32,4% 66,1%   100,0%
Classe D 0,2% 0,3% 3,5% 43,4% 52,4% 0,2% 100,0%
Classe E 1,0%   11,2% 69,4% 18,4%   100,0%
Total 0,2% 0,2% 3,2% 40,4% 55,8% 0,2% 100,0%
Não beneficiários
Ingressou
Classe 1ª a 4ª 5ª a 8ª Ensino
NS Alfabetização no ensino Total
social série série médio
superior
Classe B     14,3% 28,6% 57,1%   100,0%
Classe C   0,5% 1,5% 38,3% 57,1% 2,6% 100,0%
Classe D 0,7%   8,3% 53,5% 37,5%   100,0%
Classe E     28,6% 66,7% 4,8%   100,0%
Total 0,4% 0,2% 6,6% 47,9% 43,9% 1,0% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

A Tabela 3 mostra que, como poderíamos esperar, a classe social tem grande relação
com a escolaridade nos dois grupos. Os jovens das classes B e C são os que mais
chegam ao ensino médio. A comparação entre os dois grupos mostra ainda que a
participação no projeto teve maior impacto entre os jovens das classes E e D. Isso
porque, entre os jovens da classe E que chegaram ao ensino médio, a comparação
entre o grupo de não beneficiários com o de ex-beneficiários mostra uma evolução
de exatos 200%. Já na classe D essa evolução é de 39,7%, enquanto para os jovens da
classe C é de 15,76% e de classe B é 37,8%.

Em ambos os grupos, as mulheres chegam em maior proporção ao ensino médio:


63,3% contra 48,1% entre os ex-beneficiários e 49,1% contra 38% entre os não bene-
ficiários. Isso já era esperado frente aos mais recentes estudos que abordam a questão
dos diferenciais de escolarização por sexo na atualidade. No entanto, no grupo dos
ex-beneficiários a distância entre os sexos é maior do que no de não beneficiários.
Isso pode indicar que, no que tange a educação, o projeto tem mais impacto sobre
as jovens.

Quanto à defasagem de série, para efeitos de análise, levamos em consideração a idade


no ano de ingresso no Agente Jovem: vale ressaltar, de início, que somente cerca de
21% dos ex-beneficiários não apresentam defasagem entre a idade e a série cursada no
ano de entrada no projeto. As maiores concentrações se encontram entre um e três
anos de defasagem. Quando desagregamos os dados por sexo, vemos que a defasagem
série/idade das mulheres é menor que a dos homens.
Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 21
Não há diferenças entre os dois grupos no que tange as suas expectativas de avanço
no sistema formal de ensino. Em ambos os casos, cerca de 70% dos entrevistados
afirmam que desejam chegar ao ensino superior. A segunda maior concentração
percentual – também nos dois grupos – é daqueles que pretendem chegar à última
série do ensino médio (aproximadamente 23%).

Tabela 4 - Última série ou nível escolar pretendido

Ex-beneficiários Não beneficiários


Até que série ou nível pretende estudar
Freqüência (%) Freqüência (%)
1ª série do ensino fundamental 0 0,0% 1 0,2%
3ª série do ensino fundamental 1 0,1% 0 0,0%
4ª série do ensino fundamental 4 0,2% 1 0,2%
5ª série do ensino fundamental 3 0,2% 1 0,2%
6ª série do ensino fundamental 2 0,1% 1 0,2%
7ª série do ensino fundamental 1 0,1% 1 0,2%
8ª série do ensino fundamental 19 1,1% 7 1,4%
1ª série do ensino médio 4 0,2% 4 0,8%
2ª série do ensino médio 5 0,3% 2 0,4%
3ª série do ensino médio 403 23,7% 121 23,6%
Ingressar no ensino superior 1213 71,4% 363 70,9%
NR/NS 43 2,5% 10 2,0%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Ao fazer uma análise por gênero podemos afirmar, à luz dos dados coletados, que as
expectativas de escolarização das mulheres são mais elevadas do que as dos homens
nos dois grupos. Enquanto no grupo de ex-beneficiários 65,6% dos homens preten-
dem ingressar no ensino superior, para as mulheres esse percentual é de 77,1%. Já
entre os não beneficiários, esses índices são de 68,8% e 72,7% respectivamente. Mais
uma vez, a distância entre os sexos é maior entre os ex-beneficiários do que entre os
não beneficiários. Isso parece, novamente, indicar que, no que tange a educação, o
projeto tem mais impacto sobre jovens do sexo feminino.

As expectativas de alcance do ensino superior de ambos os grupos são marcadas


também pela escolaridade do responsável pelo domicílio. Quanto menor o nível
de escolaridade do responsável, menor é a expectativa do jovem de chegar ao nível
superior.

Ao serem perguntados sobre a importância dos estudos, tanto os ex-beneficiários


quanto os não beneficiários, em sua grande maioria, avaliam que estudar é importante
ou muito importante. Em ambos os grupos, as duas respostas somadas chegam a mais

22 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


de 95%. Podemos afirmar que essa valorização do estudo é mais acentuada nos ex-
beneficiários, devido ao peso do grupo na opção “muito importante”.

A opinião dos jovens entrevistados sobre a importância dos estudos, quando cruzada
com classe social segundo o Critério Brasil, possibilita concluir que há uma relação
clara entre essas variáveis, ou seja: quanto mais elevada a classe social, maior o per-
centual dos que respondem que estudar é muito importante, embora haja pouca
variação nos que respondem que é pouco ou nada importante. Mais uma vez, o pro-
jeto parece ter impactado mais os jovens de classe E (diferença percentual entre os
dois grupos da ordem de 47,2%) do que das outras classes, cuja diferença fica abaixo
desse percentual.

Nos dois grupos, as mulheres apontam em maior medida que os homens que estudar
é muito importante (no teste de hipótese com o grupo experimental χ2 = 35, mos-
trando a significância da diferença) e em menor medida que estudar é pouco ou nada
importante. Se considerarmos a resposta muito importante, veremos que a distância
entre os sexos, também aqui, é maior no grupo de ex-beneficiários do que no de não
beneficiários. Isso, mais uma vez, pode indicar que no campo da educação o projeto
tende a ter mais impacto sobre as jovens do que sobre os jovens.

Dessa forma, encontramos uma associação positiva entre a participação no projeto e


a educação, na medida em que:

• O percentual de jovens, em ambos os grupos, que pararam de estudar de


forma definitiva é idêntico, mas o percentual de atuais estudantes é maior
entre os ex-beneficiários;

• Os ex-beneficiários estão um pouco melhor que os não beneficiários na


escala de escolaridade;

• O percentual dos que consideram os estudos “pouco importante” ou “nada


importante” é semelhante, mas os ex-beneficiários fazem mais uso da opção
“muito importante”.

2.2 Trabalho e renda

A família e a escola foram reconhecidas nas sociedades ocidentais, desde o final do


século passado, como instituições às quais competia a socialização de crianças e jovens,
visando, simultaneamente, as exigências políticas do processo de democratização dos
Estados Nacionais e as exigências econômicas de modelagem do mercado. Essas metas
foram alcançadas com mais êxito no que tange a hierarquização de posições sociais e
menos êxito no que tange a aquisição do conhecimento (GOMES, 1994).

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 23


A reestruturação do mundo moderno e o avanço do capitalismo trouxeram para a
população brasileira vários desafios que ocasionaram uma crise dos antigos valores
ligados ao mundo do trabalho (CASTEL, 2001). Entre tais desafios está a própria
inserção e competitividade nesse mercado. O maior deles consiste em cumprir as
exigências do mercado que requerem do indivíduo que ele esteja preparado não só
pelo primeiro estágio de socialização (que compete à família), como também pelo
segundo, que é propiciado pela escola. De fato, família e escola deveriam preparar os
jovens para enfrentar as adversidades impostas pelo mundo do trabalho e pela pro-
fissionalização. Como essas instituições (família e escola) também sofreram perdas
significativas, principalmente devido ao empobrecimento das famílias e à queda da
qualidade do ensino, a juventude brasileira encontra-se hoje diante de um dilema:
ser competitivo e arrumar emprego para contribuir com a renda familiar, sem estar
preparado para tal.

A deterioração dos direitos trabalhistas e a flexibilização do mercado de trabalho foram


estratégias assumidas a favor do progresso do capitalismo. O aumento do mercado
de trabalho informal e do desemprego são as razões imediatas para a necessidade de
criação de programas sociais e políticas compensatórias.

Dessa forma, no que tange a inserção no mercado de trabalho, a maioria dos pais
ouvidos nos grupos focais têm emprego informal como vendedores autônomos, dia-
ristas ou simplesmente fazem “bicos”. Mas há vários casos de empregados formais e
poucos de servidores públicos. Estes, no entanto, ocupam cargos de baixa qualificação
profissional. Entre os jovens de ambos os grupos encontramos poucos exercendo
atividade de trabalho (em geral de baixa qualificação), mas quase a totalidade está a
procura de emprego.

O problema do emprego, de pais e filhos, surge também como um elemento prin-


cipal para a insatisfação tanto dos responsáveis quanto dos jovens. Outro problema
muito presente é a questão do vínculo e das condições precárias de trabalho, com
pouca proteção e pouca informação aos trabalhadores (em especial sobre acidentes
de trabalho).

Os responsáveis reclamam da falta de emprego para a faixa etária em que se encontram


e da exigência de escolaridade maior do que aquela que possuem. O emprego, tanto
para eles como para os jovens, está bastante vinculado ao acesso à formação profis-
sional e à capacitação técnica. Contudo, a oferta de capacitação é sempre privada e
com preços inacessíveis, o que também é motivo de queixas.

Entre os ex-beneficiários do projeto há um percentual maior de jovens que já haviam


trabalhado (cerca de 69%, contra cerca de 61% nos não beneficiários). Em ambos os
grupos, porém, os jovens começam a trabalhar principalmente entre 11 e 19 anos. O
percentual daqueles que desenvolveram trabalho infantil é idêntico nos dois grupos e
bastante significativo, uma vez que 3,5% dos entrevistados declaram que começaram

24 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


a trabalhar entre 6 e 10 anos. Na faixa de 15 a 19 anos há um maior percentual de
ex-beneficiários que já trabalharam.

Mais uma vez, quando se cruzam as variáveis sexo e idade em que começou a traba-
lhar, verificamos diferença entre os sexos. Há percentuais maiores de mulheres que
declararam nunca terem trabalhado do que de homens. Não há, porém, diferenças
significativas de sexo entre os dois grupos no que tange a idade de início do trabalho
ou ao percentual de homens e mulheres que já trabalharam.

O Gráfico 6 demonstra uma significativa diferença entre os dois grupos no que se


refere ao interesse em ter carteira de trabalho. Isso pode ser atribuído a um possível
resultado da passagem dos ex-beneficiários pelo projeto. Como vemos, a obtenção
da carteira de trabalho é muito mais presente entre eles.

Gráfico 6 - Possui carteira de trabalho?

Ex-beneficiários
(Ex-beneficiários)

2%

26%

Sim
Não
NS/NR

72%

(Não beneficiário)
Não beneficiários

4%

40%
Sim
Não
NS/NR
56%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 25


Os jovens ex-beneficiários são mais ativos do que os não beneficiários no que tange
a procura de trabalho, o que também pode ser atribuído a um possível resultado da
passagem pelo projeto. Quando perguntados se procuraram trabalho nos últimos trinta
dias, 59% dos ex-beneficiários entrevistados responderam que sim, enquanto os não
beneficiários que deram a mesma resposta somam 32%. No entanto, não podemos
perder de vista que em geral os jovens que trabalham estão em maior número fora
da escola.

Nos dois grupos, os jovens que se encontravam estudando no momento da pesquisa


estavam menos inseridos no mercado de trabalho, não havendo diferenças significa-
tivas entre ex-beneficiários e não beneficiários. Segundo Barros, Henriques e Men-
donça (2002), para cada ano de escolaridade perdida os jovens perdem cerca de 16%
no rendimento escolar e quanto mais os jovens trabalham, mais perdem rendimento.
Nessa fase da vida, a educação e o trabalho concorrem em proporção inversa, criando
um círculo vicioso, pois devido à baixa escolaridade eles estão sempre submetidos
ao subemprego. Portanto, exercer atividades de trabalho impacta negativamente na
continuidade dos estudos dos jovens.

Também não há diferenças significativas entre os dois grupos no que tange a situação
no mercado de trabalho, para além do fato do percentual de jovens que não trabalham
ser maior entre os não beneficiários (cerca de 9%). Podemos dizer que a situação dos
ex-beneficiários é ligeiramente mais positiva, na medida em que entre estes encon-
tramos um percentual menor de trabalhadores domésticos e um percentual maior
de empregados com carteira de trabalho.

Quanto à ultima série que o jovem completou com aprovação e se estava ou não
trabalhando em outubro de 2006, podemos afirmar que, embora não haja uma
correlação linear, em geral nos dois grupos (desconsiderando os casos em que a fre-
qüência absoluta é muito baixa), os jovens menos escolarizados são os que mais se
encontravam trabalhando no período.

Portanto, a ocorrência de trabalho entre os jovens não é resultado de ganhos de esco-


laridade que possibilitaram acesso ao mercado de trabalho, mas sim da situação de
vulnerabilidade que os leva a deixar de estudar para conseguir renda.

A situação de trabalho ligeiramente melhor para os ex-beneficiários, conforme se


constata nas tabelas a seguir, não se traduz em melhor renda para esse grupo quan-
do comparado ao de controle. De fato, nos dois grupos a maioria dos entrevistados
encontra-se na faixa de até um salário mínimo, sendo essa concentração maior nos
ex-beneficiários. Não há, porém, um posicionamento melhor dos não beneficiários,
na medida em que, se esses apresentam maior percentual de jovens com renda entre
um e três salários mínimos, também aparecem com maior percentual entre os que
não obtiveram renda, apesar de estarem trabalhando.

26 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Esses resultados nos levam a questionar a excessiva valorização de um possível papel
profissionalizante ou de preparação para o mercado de trabalho que alguns atores
apontam como necessário ao Agente Jovem. Como foi observado, a inserção no
mercado de trabalho sem aumento nos níveis de escolaridade, tendencialmente, não
produz possibilidades de mobilidade ascendente para os jovens.

Tabela 5 - Renda de trabalho em setembro de 2006

Ex-beneficiários Não beneficiários


Renda de trabalho
Freqüência (%) Freqüência (%)
Não teve renda 6 0,9% 9 5,3%
Até 1 salário mínimo 518 74,0% 105 61,8%
De 1 a 3 salários mínimos 82 11,7% 32 18,8%
De 3 a 5 salários mínimos 3 0,4% 0 0,0%
De 5 a 10 salários mínimos 1 0,1% 1 0,6%
NS/NR 90 12,9% 23 13,5%
Total 700 100,0% 170 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Nos dois grupos, considerando as duas faixas de escolarização com maior freqüência
absoluta (5ª a 8ª série e ensino médio), vemos que o maior avanço no sistema formal
de ensino corresponde a uma posição um pouco melhor na renda oriunda do trabalho
em setembro de 2006.

Tabela 6 - Relação entre a última série completada com aprovação e renda de


trabalho em setembro de 2006

Ex-beneficiários

Renda de trabalho
Última série completada com
aprovação
Não teve De 1 a 3 De 3 a 5 De 5 a 10
Até 1 s. m. NS/NR Total
renda s. m. s. m. s. m.

Alfabetização de adultos 0,0% 75,0% 25,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%


1ª a 4ª série do ensino fundamental 0,0% 75,0% 0,0% 0,0% 0,0% 25,0% 100,0%
5ª a 8ª série do ensino fundamental 0,7% 74,2% 7,7% 0,0% 0,0% 17,3% 100,0%
1ª a 3 série do ensino médio 1,0% 73,8% 14,9% 0,7% 0,2% 9,4% 100,0%
NR/NS 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Total 0,9% 74,0% 11,7% 0,4% 0,1% 12,9% 100,0%

Continua

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 27


Tabela 6 - continuação

Não beneficiários

Renda de trabalho
Última série completada com
aprovação
Não teve De 1 a 3 De 3 a 5 De 5 a 10
Até 1 s. m. NS/NR Total
renda s. m. s. m. s. m.

Alfabetização de adultos 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%


1ª a 4ª série do ensino fundamental 0,0% 63,6% 18,2% 0,0% 0,0% 18,2% 100,0%
5ª a 8ª série do ensino fundamental 7,6% 60,8% 15,2% 0,0% 0,0% 16,5% 100,0%
1ª a 3ª série do ensino médio 3,9% 61,8% 22,4% 0,0% 1,3% 10,5% 100,0%
Ingressou no ensino superior 0,0% 50,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
NR/NS 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Total 5,3% 61,8% 18,8% 0,0% 0,6% 13,5% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Ao explorar a condição de trabalho entre aqueles que exerceram alguma atividade


laboral em 2006 (sem determinação mínima de tempo de duração dessa atividade),
tem-se uma situação de grande proximidade entre os dois grupos.

Apenas um percentual de 17% tem emprego com carteira assinada. Entre os demais
que responderam estar trabalhando em 2006, 38,8% trabalham sem carteira assinada,
32,4%, fez/faz bicos, 7% trabalham por conta própria sem registro e 1,5% trabalham
por conta própria com registro. Ou seja, até mesmo entre os autônomos encontramos
um percentual bem maior de jovens que trabalham sem garantia nenhuma.

O percentual de jovens ex-beneficiários que buscaram se preparar para o mercado de


trabalho é maior do que entre os jovens não beneficiários entrevistados, pois entre os
primeiros há um percentual significativamente maior de realização de cursos prepara-
tórios. Este resultado pode ser imputado a um possível efeito positivo do projeto.

A realização de curso preparatório para o mercado de trabalho analisado por sexo


demonstra que, embora estejam em menor número no mercado de trabalho que os
homens, as mulheres (nos dois grupos) buscaram em maior medida realizar cursos
preparatórios. Os possíveis impactos diferenciais do projeto sobre os dois sexos no
que tange a educação parecem explicar o fato de que as diferenças entre os homens e
mulheres são maiores no grupo de ex-beneficiários do que no de não beneficiários.

28 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 7 - Relação entre a situação ocupacional em outubro de 2006 e a realização
de cursos preparatórios

Fez curso preparatório?

Situação Ex-beneficiários Não beneficiários


ocupacional Sim, Sim,
Sim,um dois ou Não NS/NR Total Sim,um dois ou Não NS/NR Total
mais mais
228 127 337 0 692 51 13 105 - 169
Trabalhando
32,9% 18,4% 48,7% 0,0% 100,0% 30,2% 7,7% 62,1% - 100,0%
134 70 179 0 383 37 18 56 - 111
Desempregado
35,0% 18,3% 46,7% 0,0% 100,0% 33,3% 16,2% 50,5% - 100,0%
205 100 287 5 597 54 21 152 - 227
Não trabalha
34,3% 16,8% 48,1% 0,8% 100,0% 23,8% 9,3% 67,0% - 100,0%
13 1 12 0 26 5 0 0 - 5
NS/NR
50,0% 3,8% 46,2% 0,0% 100,0% 100,0% 0,0% 0,0% - 100,0%
580 298 815 5 1698 147 52 313 - 512
Total
34,2% 17,6% 48,0% 0,3% 100,0% 28,7% 10,2% 61,1% - 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

De acordo com a Tabela 7, podemos afirmar que não há uma correlação linear entre
a realização de cursos preparatórios e o acesso ao mercado de trabalho.

Assim, encontramos uma associação positiva entre a participação no projeto e a situ-


ação de trabalho e renda dos ex-beneficiários, na medida em que:

• Os ex-beneficiários possuem em maior medida do que os jovens não be-


neficiários a carteira de trabalho;
•Os ex-beneficiários são mais pró-ativos no que tange a procura de
trabalho;
•Os ex-beneficiários são mais pró-ativos no que tange a preparação para o
mercado de trabalho (embora essa preparação não garanta melhor acesso);
•Entre os ex-beneficiários há mais jovens trabalhando (embora tenhamos
que levar em consideração que quase todos os que trabalham não estão
estudando).

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 29


2.3 Integração com a família

Os estudos sobre o tema da família e proteção social apontam, pelo menos, dois perío-
dos distintos em que o envolvimento da família tornou-se imprescindível para que
políticas sociais tivessem êxito. No primeiro momento (década de 30), a família serviu
de elemento para a institucionalização de um modelo que serviria de aporte para a ação
do Estado, em sentido amplo. As políticas de atenção à família visavam à construção
de um sentimento de patriotismo e proximidade do Estado com a população.

No segundo momento (década de 90) foi retomada a discussão acerca da neces-


sidade de envolver a família nas ações do Estado para o seu fortalecimento e criação
de possibilidades de enfrentamento da pobreza dentro do núcleo familiar. Assim,
recentemente a família tornou-se, ainda que parcialmente, uma expectativa de solução
dos problemas que atingem as camadas populares (DALT, 2008).

Diante de tal reflexão, é importante ressaltar que verificamos nos grupos focais pouca
valorização de relações de amizade e supervalorização das relações intrafamiliares.
A família aparece para os jovens como ponto de apoio, em geral para resolução dos
problemas cotidianos. Confrontando esses dados com o estudo quantitativo verifi-
camos outro possível resultado positivo do projeto. Os ex-beneficiários têm no geral
um melhor relacionamento com suas famílias. A soma das variáveis regular, ruim
e péssimo – quando solicitados a classificar o relacionamento com a família – atinge
11,2% entre esses e 15,3% entre os não beneficiários.

A classe social também tem relação direta com a percepção do entrevistado acerca do
seu relacionamento familiar. Nos dois grupos, os jovens das classes B e C apontam
em maior percentual a existência de um ótimo relacionamento com a família.

Apesar dos jovens ex-beneficiários apontarem para um relacionamento familiar um


pouco melhor do que os jovens não beneficiários, não há diferenças significativas
entre os dois grupos (o coeficiente de correlação entre eles é de 0,94) no que tange
a ocorrência de agressões verbais em casa; de fato, a situação das famílias de jovens
não beneficiários parece ser ligeiramente melhor.

30 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 8 - Relacionamento familiar por classe social

Ex-beneficiários

Relacionamento familiar
Classificação
socioeconômica Muito bom Bom Regular Ruim Péssimo NS/NR Total

Classe A2 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%


Classe B1 66,7% 16,7% 16,7% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Classe B2 60,0% 32,5% 7,5% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Classe C 44,1% 45,7% 8,8% 0,5% 0,2% 0,7% 100,0%
Classe D 26,3% 61,5% 10,2% 0,8% 0,7% 0,5% 100,0%
Classe E 27,6% 54,1% 14,3% 0,0% 4,1% 0,0% 100,0%
Total 33,3% 54,9% 9,9% 0,6% 0,7% 0,5% 100,0%

Não beneficiários

Relacionamento familiar
Classificação
socioeconômica Muito bom Bom Regular Ruim Péssimo NS/NR Total

Classe A2 50,0% 50,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%


Classe B1 0,0% 100,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Classe B2 75,0% 25,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Classe C 41,8% 45,4% 8,7% 2,0% 1,5% 0,5% 100,0%
Classe D 27,8% 53,5% 15,6% 0,7% 2,4% 0,0% 100,0%
Classe E 19,0% 57,1% 23,8% 0,0% 0,0% 0,0% 100,0%
Total 33,2% 50,4% 13,1% 1,2% 2,0% 0,2% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

A visão dos pais sobre seus filhos é, na maior parte das vezes, positiva: sentem orgulho
pelas suas qualidades e atributos pessoais. Por outro lado, identifica-se também uma
percepção por vezes moralista das condutas e do comportamento dos jovens, o que
em alguns casos é reiterado por estes. As regras de trabalho, estudo e bom compor-
tamento são priorizadas no discurso, em oposição às irresponsabilidades, condutas
perigosas ou que indicam uma relação com o entorno perigoso.

Ao serem perguntados sobre a qualidade de suas vidas à época, tanto nos grupos de
jovens quanto no de responsáveis nota-se, em geral, uma contradição. Eles manifes-
tam insatisfação e demandas que estão diretamente relacionadas à insegurança social
e norteadas pelas condições de trabalho, educação, moradia e violência.

Como conseqüência, os resultados quantitativos apontam que de 8,2% a 10% dos


entrevistados já foram vítimas de violência em casa. Os ex-beneficiários somam um
percentual maior entre aqueles que sofreram vitimização familiar. Nesse sentido, a

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 31


relação mais frágil com as suas famílias é um indicativo de que os jovens que estão
sendo selecionados para o projeto são de fato mais vulneráveis.

Nos dois grupos, quando há violência em casa, o principal agressor é o pai (31%). De
fato, como poderíamos esperar, não há diferenças significativas entre os agressores mais
freqüentes nos dois grupos (respectivamente o pai, o irmão, a mãe e o padrasto).

A própria questão da moradia se confunde com a da violência. Há o sentimento


de insegurança e conseqüente necessidade – apontada por parte dos responsáveis e
dos jovens – de limitar os espaços de convívio e relacionamentos dentro da comu-
nidade, seja para evitar envolvimento com a criminalidade, seja para prevenir riscos
de vitimização.

O risco sempre aparece como uma das questões centrais da vida (GUIMARÃES,
2004). Grande parte dos responsáveis deixa transparecer a preocupação constante
com a entrada dos filhos no circuito das drogas, no consumo ou no tráfico. Poucos
jovens relatam experiências de envolvimento ou quase envolvimento com atividades
ilícitas, mas boa parte conhece outros jovens que trilharam tais caminhos. Nessa dire-
ção, tanto responsáveis quanto jovens apontam as relações “fora” do núcleo familiar
como “más influências” que levam os jovens à violência.

Nos lugares onde a violência é sabidamente muito maior, como no Rio de Janeiro,
nota-se um reconhecimento de outros atores que influenciam e reforçam essa adesão.
Principalmente no grupo de responsáveis, a mídia, a elite e o governo são culpabi-
lizados pela busca dos adolescentes por alternativas ilícitas de sobrevivência e satisfação
de necessidades de consumo imediato.

Em Goiânia e Curitiba há uma “separação” dos lugares e pessoas considerados vio-


lentos. Mesmo que no próprio bairro ou na mesma rua, o lugar violento é “lá em
cima”, “lá no fim da rua”, e essa violência encontra-se sempre associada às drogas.
Vemos um sentido de auto-preservação pela diferenciação territorial, ou seja, de que
há lugares que devem ser evitados como medida de segurança. Mas há também um
sentido de homogeneização com a situação geral: “violência tem em qualquer bairro”.
No entanto, quando perguntados o que mudariam na comunidade, a retirada dos
“marginais” e das drogas é sempre citada, junto com a melhoria da infra-estrutura.

Os grupos focais apontam, mais uma vez, para a falência da instituição policial. A
polícia, como é sabido, pode causar mais temor do que os bandidos. Tanto os jovens
quanto os pais de jovens apontam isso. Em alguns locais, bandidos e polícia parti-
lham um binômio descritivo da violência. Mais especificamente no Rio de Janeiro,
quando a violência é citada, bandidos e polícia estão na maioria das vezes presentes,
podendo apenas mudar a hierarquia de maior peso ou responsabilidade; ora o pior é
o bandido, ora é a polícia.

32 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


“Agora eles (a polícia) aprenderam. Antigamente eles matavam e co-
locavam a arma na mão do cara e a arma estava fria. Agora que foram
descobertos, agora matam o cara, botam a arma na mão do cara, apertam
o gatilho para ficar as digitais”. (Jovem egresso do Agente Jovem)

A relação com a polícia também pode ser dúbia. Em Goiânia, por exemplo, há elogios
à iniciativa de se colocarem policiais para morar nos bairros, porque passam a con-
viver com os problemas da comunidade; ao mesmo tempo, criticam a parcialidade
da polícia, que é efetiva quando estão em jogo os interesses dos comerciantes e não
quando é atingida a população comum.

2.4 Participação, sociabilidade, lazer e expectativas

Pensando no leque de situações que levam os jovens de camadas populares a su-


cumbir aos problemas comuns ao grupo a que pertencem, as políticas públicas
para a juventude vêm priorizando modelos que possam dar conta minimamente
de direitos que são garantidos a eles, mas aos quais eles não têm acesso. Entre esses
direitos estão lazer, cultura, educação, saúde, informações sobre direitos e cidadania
(SPOSITO, 2003).

Nesse sentido o Projeto Agente Jovem apresentou alguns resultados que serão dis-
cutidos a seguir. No que tange as escolhas das amizades, podemos afirmar à luz dos
dados que não existe diferença significativa entre os jovens não beneficiários e os
ex-beneficiários. O índice de preconceito é mais alto contra aqueles que estão ou já
estiveram envolvidos com ilícitos, ou seja: os traficantes (cerca de 20%), os mem-
bros de gangues (cerca de 18%), os viciados em drogas (cerca de 14%), os garotos
e garotas de programa (cerca de 9%) e os que já estiveram presos (cerca de 8%). O
preconceito contra os negros é praticamente inexistente, enquanto os homossexuais,
as pessoas que bebem demais, os fanáticos religiosos e as pessoas ricas foram citadas
em percentuais não desprezíveis.

Chama atenção a quantidade de jovens que demonstram preconceito contra pes-


soas vivendo com AIDS (embora entre os ex-beneficiários esse percentual seja
um pouco menor).

A grande maioria dos jovens de ambos os grupos não participaram ou participam de


grêmios estudantis. No entanto, os ex-beneficiários do projeto apresentam maior
percentual de participação, embora em números não muito significativos. Também
esse dado pode representar um possível resultado positivo do projeto.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 33


Tabela 9 - Participação em grêmios estudantis

Participa ou já participou Ex-beneficiários Não beneficiários


de grêmios estudantis? Freqüência (%) Freqüência (%)
Participa atualmente 17 1,0% 4 0,8%
Já participou 250 14,7% 59 11,5%
Nunca participou 1425 83,9% 446 87,1%
NS/NR 6 0,4% 3 0,6%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

No que tange os grupos culturais/musicais, a participação dos ex-beneficiários ultra-


passa a dos jovens não beneficiários em cerca de 5 pontos percentuais. Vale ressaltar
que, comparando as tabelas acima com as anteriores, nota-se aqui um percentual bem
menor de jovens (nos dois grupos) que nunca participaram.

Tabela 10 - Participação em grupos culturais/ artísticos

Participa ou já partici- Ex-beneficiários Não beneficiários


pou de grupos cul-
turais/artísticos? Freqüência (%) Freqüência (%)

Participa atualmente 105 6,2% 26 5,1%


Já participou 345 20,3% 77 15,0%
Nunca participou 1245 73,3% 407 79,5%
NS/NR 3 0,2% 2 0,4%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

O percentual de ex-beneficiários que participam ou participaram de grupos esportivos


é bem maior que entre os não beneficiários. A diferença chega à casa dos 9 pontos
percentuais.

34 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 11 - Participação em grupos esportivos

Participa ou já par- Ex-beneficiários Não beneficiários


ticipou de grupos
esportivos? Freqüência (%) Freqüência (%)
Participa atualmente 164 9,7% 36 7,0%
Já participou 531 31,3% 129 25,2%
Nunca participou 995 58,6% 345 67,4%
NS/NR 8 0,5% 2 0,4%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Vários responsáveis participantes dos grupos focais relataram atividades relacionadas


à prática religiosa, em especial os evangélicos.

Entre os jovens entrevistados, cerca de 47% dos ex-beneficiários já participaram ou


participam de grupos de jovens em igrejas, enquanto essa taxa entre os jovens não
beneficiários chega a cerca de 40%. Esse resultado aponta para o peso ainda substancial
que as organizações religiosas possuem e no que tange a produção de perspectivas de
sociabilidade entre os jovens em situação de pobreza. Ao mesmo tempo, essa tabela
e a anterior nos indicam que a passagem pelo programa pode predispor em maior
medida os jovens para atividades além daquelas com fins de organização política7.

Tabela 12 - Participação em grupos jovens em igrejas

Participa ou já partici- Ex-beneficiários Não beneficiários


pou de grupos jovens
em igrejas? Freqüência (%) Freqüência (%)
Participa atualmente 219 12,9% 68 13,3%
Já participou 565 33,3% 136 26,6%
Nunca participou 910 53,6% 306 59,8%
NS/NR 4 0,2% 2 0,4%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

7
Vale ressaltar que nada menos que
No que se refere ao conhecimento de instâncias de participação e cidadania, identifi- 41,1% dos ex-beneficiários que haviam
camos mais um possível efeito positivo do projeto. Os ex-beneficiários, em proporção participado de um ou mais desses grupos
e associações afirmaram que a passagem
bem maior que os não beneficiários, sabem da existência de conselhos de direitos pelo projeto não estimulou sua participa-
voltados para os jovens no município em que residem. ção em tais grupos.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 35


Gráfico 7 - Existe conselho que represente os direitos dos jovens no município?

(Ex-beneficiário)
Ex-beneficiários

3%

36%

Sim
Não
NS/NR

61%

(Não beneficiário)
Não beneficiários

10%
22%

Sim
Não
NS/NR

68%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Os ex-beneficiários apontam em maior medida que a política influencia a vida do


jovem, embora a diferença para os entrevistados do grupo de não beneficiários seja
pequena (menos de 4 pontos percentuais na resposta “não influencia”).

36 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Gráfico 8 - Opinião sobre a influência da política na vida dos jovens

Ex-beneficiários Não beneficiários

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Os jovens de ambos os grupos possuem opinião semelhante acerca de suas próprias


possibilidades de impactar o cenário político: 42,7% dos ex-beneficiários e 43,6% dos
não beneficiários apontam que os jovens não influenciam a política.

Gráfico 9 - Opinião sobre a influência dos jovens na política

Ex-beneficiários Não beneficiários

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 37


Hábitos de leitura dos jovens

As perguntas sobre hábitos de leitura apontam que, apesar dos dois grupos não declara-
rem ter uma atividade de leitura mais sistemática e contínua, os ex-beneficiários lêem
um pouco mais que os não beneficiários, sejam jornais, revistas e, em menor medida,
livros. Os coeficientes de correlação entre os grupos experimental e controle são
superiores a 0,95, mostrando que não há diferença significante nos diversos itens.

Analisando item por item, podemos afirmar que a leitura de livros é citada em maior
proporção do que de jornais e revistas. Dos entrevistados, 77,5% lêem livros, sendo que
a maioria dos que lêem está entre os que lêem uma vez por mês ou menos (34,6%) e
o segundo maior percentual é dos que lêem de duas a quatro vezes por mês (17,8%).
As revistas são citadas em segundo lugar como as mais lidas e depois os jornais, mas
sempre a variável “uma vez por mês ou menos” é a mais freqüente.

Uso de computador e acesso à internet

Os ex-beneficiários utilizam mais o computador (49,6%), embora a diferença em


relação aos não beneficiários (47,1%) seja mínima. O percentual dos que têm acesso a
esse equipamento quatro ou mais vezes por semana é de apenas 13%. Chama atenção
o alto percentual de jovens que declaram nunca utilizar o computador (50%).

Tabela 13 - Freqüência com que usa computador

Com que freqüência usa Ex-beneficiários Não beneficiários


computador? Freqüência (%) Freqüência (%)
Nunca 843 49,6% 268 52,3%
Uma vez por mês ou menos 230 13,5% 53 10,4%
Duas a quatro vezes por mês 208 12,2% 60 11,7%
Duas a três vezes por semana 178 10,5% 61 11,9%
Quatro ou mais vezes por semana 227 13,4% 67 13,1%
NS/NR 12 0,7% 3 0,6%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

O acesso à internet acompanha a mesma proporção de respostas e resultados, ou


seja, entre os 49,6% que têm acesso ao computador, 92,8% acessam este aquele em
proporção bastante semelhante entre os dois grupos, com ligeira vantagem para os
não beneficiários.

38 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Quanto ao que os entrevistados consideram como elemento mais importante para
ser feliz, nas tabelas seguintes observa-se como positivo o fato de os ex-beneficiários
apontarem, em maior medida que os não beneficiários, que ter uma boa profissão é
o elemento mais importante para se sentir feliz.

Tabela 14 - Coisa mais importante para se sentir feliz

Coisa mais importante para se Ex-beneficiários Não beneficiários


sentir feliz Freqüência (%) Freqüência (%)
Ter dinheiro 73 4,3% 36 7,0%
Ter uma boa profissão 1234 72,7% 350 68,4%
Ser importante, famoso 12 0,7% 10 2,0%
Ser respeitado 92 5,4% 31 6,1%
Viajar, conhecer lugares 18 1,1% 4 0,8%
Formar uma família 130 7,7% 36 7,0%
Ter uma vida de aventuras, emoções 13 0,8% 3 0,6%
Poder ajudar a sua comunidade 87 5,1% 32 6,3%
Família com saúde 1 0,1% 0 0,0%
Ter a mãe de volta 0 0,0% 1 0,2%
Outros 1 0,1% 0 0,0%
NS/NR 37 2,2% 9 1,8%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

2.5 Comportamento sexual e reprodutivo

A primeira relação sexual para jovens de camadas populares ocorre sob impacto da
rede de sociabilidade em que eles se encontram inseridos, adquirindo significados
muitas vezes questionáveis se contrapostos aos valores e costumes vigentes na socie-
dade brasileira. Por exemplo, para jovens que moram em comunidades cujo tráfico
é predominante, ser a mulher do traficante não só significa a passagem para a vida
adulta como também é sinônimo de status. Os espaços de lazer geralmente são os
determinantes da decisão de iniciação sexual tanto para os jovens do sexo feminino
como masculino.

Entre os jovens entrevistados nesta avaliação, de fato chama atenção o nível de


conhe­cimento sobre métodos contraceptivos frente às taxas elevadas de gravidez na
adolescência. Os ex-beneficiários, porém, apresentam peso percentual um pouco
maior (menos de 4 pontos percentuais) neste item.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 39


Gráfico 10 - Conhece algum método anticoncepcional?

Ex-beneficiários
(Ex-beneficiários)

3% 1%

Sim
Não
NS/NR

96%

(Não beneficiário)
Não beneficiários

7% 1%

Sim
Não
NS/NR

92%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

A maioria dos jovens utiliza, atualmente, métodos de contracepção. Mais uma vez,
os ex-beneficiários, apresentam percentual um pouco maior (menos de 4 pontos
percentuais) de utilização.

40 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Gráfico 11 - Usa algum método contraceptivo atualmente?

Ex-beneficiários
(Ex-beneficiários)

1% 1%

Sim
Não
NS/NR

98%

(Não beneficiários)
Não beneficiários

4% 1%

Sim
Não
NS/NR

95%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Quase todos os jovens também afirmam conhecer doenças sexualmente transmis-


síveis. Os ex-beneficiários, mais uma vez, apresentam percentual um pouco maior
de conhecimento (cerca de 2 pontos percentuais).

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 41


Gráfico 12 - Obteve conhecimento de doenças transmitidas sexualmente?

(Ex-beneficiários)
Ex-beneficiários

1% 1%

Sim
Não
NS/NR

98%

(Não beneficiários)
Não beneficiários

4% 1%

Sim
Não
NS/NR

95%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Mais de 60% dos jovens já haviam mantido relações sexuais na ocasião da


entrevista. Esse percentual é mais alto entre os ex-beneficiários (cerca de 3 pontos
percentuais).

42 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Gráfico 13 - Já teve relação sexual?

(Ex-beneficiários)
Ex-beneficiários

0%
Sim
32% Não
NS/NR

68%

(Não beneficiário)
Não beneficiários

0%

35%

Sim
Não
NS/NR

65%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Quanto ao uso de preservativo na primeira relação sexual, 72,5% em ambos os grupos


declararam ter utilizado. O mesmo percentual se mantém quando são perguntados
se atualmente utilizam preservativo nas relações sexuais.

Nessa variável não encontramos diferenças entre os dois grupos. No entanto, chama
atenção o fato de que cerca de um quarto dos jovens não tenham usado preservativo
em sua iniciação sexual.

Quando perguntados se utilizaram preservativo na última relação sexual, a resposta


dos ex-beneficiários aponta para uma possível área de influência positiva do Projeto

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 43


Agente Jovem, na medida em que 75,6% respondem que sim e os não beneficiários
ficam cerca de 8 pontos percentuais abaixo, com 67,7% de resposta positivas.

As jovens que já ficaram grávidas e os jovens que engravidaram alguém representam


um percentual muito próximo nos dois grupos (sem significância da diferença χ2 =
0,44). Os ex-beneficiários, porém, apresentam percentual de respostas positivas cerca
de 1 ponto menor. Vale lembrar que somente cerca de 10% dos ex-beneficiários e
dos jovens não beneficiários não são solteiros. Uma vez que somente cerca de 10%
de cada grupo declaram ter filhos, é alto o índice de interrupção da gravidez.

Tabela 15 - Jovens que já ficaram grávidas ou já engravidaram alguém

Já ficou grávida/ Ex-beneficiários Não beneficiários


engravidou alguém?
Freqüência % Freqüência %
Sim 257 22,2% 78 23,6%
Não 889 76,8% 245 74,0%
NS/NR 11 1,0% 8 2,4%
Total 1157 100,0% 331 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Nesse tópico, encontramos uma associação positiva entre a participação no projeto e


o comportamento sexual e reprodutivo dos ex-beneficiários, na medida em que:

• Os ex-beneficiários conhecem e utilizam, em maior medida, métodos


contraceptivos, além de conhecerem também as doenças sexualmente trans-
missíveis;

• Os ex-beneficiários utilizam mais o preservativo em suas relações sexuais


do que os não beneficiários.

2.6 Uso de álcool, tabaco e drogas

Entre os ex-beneficiários o uso de cigarro é um pouco menor do que entre os não


beneficiários.

44 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 16 - Freqüência com que fuma cigarro comum

Com que freqüência fuma Ex-beneficiários Não beneficiários


cigarro comum?
Freqüência (%) Freqüência (%)
Nunca utilizou 1237 72,9% 349 68,2%
Todos os dias 113 6,7% 42 8,2%
Às vezes 94 5,5% 27 5,3%
Só experimentou 249 14,7% 92 18,0%
NS/NR 5 0,3% 2 0,4%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

No que tange o consumo de bebidas alcoólicas, por sua vez, o consumo é um pouco
maior entre os ex-beneficiários (Qui-quadrado = 4,57 significante já que o valor
crítico para um grau de liberdade é 3,57).

Tabela 17 - Freqüência com que consome bebidas alcoólicas

Ex-beneficiários Não beneficiários


Com que freqüência consome
bebidas alcoólicas? Freqüência (%) Freqüência (%)
Nunca 616 36,3% 213 41,6%
Menos de um dia ao mês 293 17,3% 86 16,8%
Um ou dois dias ao mês 260 15,3% 69 13,5%
Um ou dois dias por semana 221 13,0% 53 10,4%
Mais de dois dias por semana 36 2,1% 10 2,0%
Todos os dias 6 0,4% 0 0,0%
Só experimentou 260 15,3% 81 15,8%
NS/NR 6 0,4% 0 0,0%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Embora a maconha seja a droga mais utilizada entre aquelas listadas no questionário
aplicado, não há diferenças significativas entre os dois grupos no que tange os que
nunca a usaram. Deve-se registrar, porém, que os ex-beneficiários utilizam atualmente
essa droga em proporção um pouco menor que os não beneficiários.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 45


Tabela 18 - Uso de maconha

Ex- beneficiários Não beneficiários


Uso de maconha
Freqüência (%) Freqüência (%)
Já usou 42 2,5% 13 2,5%
Usa atualmente 23 1,4% 14 2,7%
Só experimentou 66 3,9% 15 2,9%
Nunca usou 1566 92,2% 469 91,6%
NR 1 0,1% 1 0,2%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Não há diferenças significativas entre os dois grupos no que tange os que nunca usaram
cocaína. No entanto, também aqui se deve registrar que os ex-beneficiários utilizam
atualmente essa droga em proporção um pouco menor que os não beneficiários e,
ainda, a baixa proporção de jovens que declaram usar esse tipo de droga.

Tabela 19 - Uso de cocaína

Ex- beneficiários Não beneficiários


Uso de cocaína
Freqüência (%) Freqüência (%)
Já usou 18 1,1% 7 1,4%
Usa atualmente 6 0,4% 7 1,4%
Só experimentou 22 1,3% 5 1,0%
Nunca usou 1651 97,2% 492 96,1%
NR 1 0,1% 1 0,2%
Total 1698 100,0% 512 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

2.7 Violência

Poucos entrevistados buscaram auxílio após sofrer violência; os ex-beneficiários o


fizeram um pouco mais do que os não beneficiários.

Quando perguntados se buscaram auxílio de algum órgão ou instituição após sofrer


violência, cerca de 15% dos ex-beneficiários responderam que procuraram conselhos,

46 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


juizados e mesmo o Ministério Público, o que não ocorreu entre os não beneficiários.
Estes apenas recorrem à policia (65,4%) e à direção da escola (15,4%), o que pode
denotar também a falta de conhecimento destes órgãos e instituições, apontando
para um possível impacto positivo do projeto, na medida em que os ex-beneficiários
recorreram a eles.

Gráfico 14 - Busca de auxílio em algum órgão após sofrer violência

Ex-beneficiários
(Ex-beneficiário)

3%
23%

Sim
Não
NS/NR

74%

Não
(Não beneficiários
beneficiário)

2%
21%

Sim
Não
NS/NR

77%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Considerando as respostas dos jovens no que se refere ao envolvimento em atos


violentos ou potencialmente violentos, vemos que os ex-beneficiários se envolveram
mais em atos de agressão física, furto ou roubo, ameaça e uso de arma branca. Esse
dado é importante na medida em que indica acerto no que concerne à elegibilidade

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 47


dos beneficiários ao projeto (posto que o Agente Jovem deve incorporar indivíduos
em situação de risco).

Tabela 20 - Envolvimento com atos de violência ou potencialmente violentos

Ex-beneficiários Não beneficiários


Infração Total Total (%)
Freqüência (%) Freqüência (%)
Agrediu alguém fisicamente 569 447 78,6% 122 21,4% 100%
Praticou algum furto ou roubo 70 54 71,1% 16 22,9% 100%
Se envolveu com tráfico 36 24 66,7% 12 33,3% 100%
Ameaçou alguém 137 111 81,0% 26 19,0% 100%
Usou arma de fogo 55 38 69,1% 17 30,9% 100%
Usou arma branca 51 46 90,2% 5 9,8% 100%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Para que pudéssemos perceber se houve impacto do projeto, foi necessário destacar
o ano de 2006, ano em que os ex-beneficiários entrevistados já haviam deixado o
projeto. Vemos que ele mostra seus resultados, na medida em que agora o percen-
tual de ex-beneficiários envolvidos em atos de violência passa a ser menor do que o
de não beneficiários (os ex-beneficiários, no entanto, permanecem com maior peso
percentual no uso de arma branca e na ameaça a outrem).

Tabela 21 - Intercorrências ligadas a atos de violência no ano de 2006

Ex-beneficiários Não beneficiários

Infração (%) em rela-


(%) em relação
Freqüência Freqüência ção ao total
ao total (1698)
(512)
Agrediu alguém fisicamente 118 6,9% 40 7,8%
Praticou algum furto ou roubo 14 0,8% 5 1,0%
Se envolveu com tráfico 8 0,5% 6 1,2%
Ameaçou alguém 33 1,9% 6 1,2%
Usou arma de fogo 14 0,8% 6 1,2%
Usou arma branca 13 0,8% 1 0,2%
Total 200 11,8% 64 12,5%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

48 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Quanto ao encaminhamento ao conselho tutelar ou à delegacia da criança e do adoles-
cente, 8,6% de ex-beneficiários e 8,8% de não beneficiários declararam já ter passado
por esses órgãos ou instituições, não aparecendo nenhuma diferença significativa
entre os dois grupos no que se refere a essa experiência.

Percebe-se uma relação entre a escolaridade e o encaminhamento ao conselho tu-


telar ou à delegacia da criança e do adolescente. Quanto mais elevada a última série
completada, menos os jovens tendem a passar por essas instâncias.

Tabela 22 - Relação entre última série completada com aprovação e


encaminhamento ao Conselho Tutelar e/ou à Delegacia da Criança e do
Adolescente

Já foi encaminhado ao Conselho Tutelar e/ou à Delegacia da


Criança e do Adolescente?
Última série completada com
aprovação Ex-beneficiários Não beneficiários

Sim Não Total Sim Não Total


Alfabetização de adultos 0,1% 0,1% 0,2% 0,0% 0,2% 0,2%
Ensino fundamental 5,9% 37,6% 43,6% 6,1% 48,4% 54,5%
Ensino médio 2,5% 53,3% 55,8% 2,7% 41,2% 43,9%
Ingressou no ensino superior 0,0% 0,2% 0,2% 0,0% 1,0% 1,0%
NR/NS 0,0% 0,2% 0,2% 0,0% 0,4% 0,4%
Total 8,6% 91,3% 100,0% 8,8% 91,2% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Quanto aos jovens que já cumpriram medida socioeducativa privativa de liberdade,


podemos afirmar que o percentual é bastante semelhante entre os dois grupos. Nas
entrevistas com não beneficiários obtivemos um percentual de 2,1% de resposta “sim”
e entre os não beneficiários esse número é de 2,4%.

Nos dois grupos, o percentual de homens que já cumpriram medidas privativas de


liberdade é maior que o de mulheres. Vale ressaltar que na amostra de não beneficiários
não encontramos entrevistados do sexo feminino nessa situação.

A pesquisa abordou também o cumprimento pelos jovens de outras medidas socio-


educativas por determinação da justiça: em ambos os grupos cerca de 2% já estiveram
sob esse tipo de ação corretiva.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 49


Tabela 23 - Cumprimento de medida privativa de liberdade de acordo com o sexo
do entrevistado

Já esteve sob medida Ex-beneficiários Não beneficiários


privativa Masculino Feminino Total Masculino Feminino Total
Sim 3,8% 1,0% 2,4% 4,6% 0,0% 2,1%
Não 95,8% 98,7% 97,3% 95,4% 99,6% 97,7%
NS/NR 0,4% 0,2% 0,3% 0,0% 0,4% 0,2%
Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Nos tabelas a seguir temos a distribuição por sexo, na qual constatamos que as medidas
socioeducativas não privativas de liberdade atingem mais os jovens do sexo masculino
de ambos os grupos (χ2 = 7.5 para o grupo de ex-beneficiários, ou seja, a diferença
verificada é significativa estatisticamente).

Tabela 24 - Cumprimento de medida socioeducativa por determinação da Justiça,


de acordo com o sexo do entrevistado

Já cumpriu medida Ex-beneficiários Não beneficiários


socioeducativa por deter-
minação da Justiça? Masculino Feminino Total Masculino Feminino Total

Sim 2,9% 1,0% 1,9% 3,4% 1,1% 2,1%


Não 97,0% 98,7% 97,9% 96,6% 98,5% 97,7%
NS/NR 0,1% 0,2% 0,2% 0,0% 0,4% 0,2%
Total 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Quanto ao cumprimento dessas medidas pelos jovens entrevistados, encontramos que


os ex-beneficiários do Agente Jovem as cumpriram em menor proporção (45,5%) que
os não beneficiários (54,5%), com χ2 = 3,2 - significativo no nível de 10%. Chama
atenção ainda o percentual elevado de ausência de respostas entre os não beneficiários
(9,1%).

50 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


2.8 Relação com outras políticas públicas e projetos sociais

Quanto ao conhecimento de projetos e programas para a juventude, o Programa


Escola Aberta, do Ministério da Educação (MEC), é citado como conhecido pelos
dois grupos em proporção bastante semelhante. Porém, com exceção desse programa,
os ex-beneficiários do Agente Jovem conhecem em maior medida, em comparação
aos jovens do grupo de controle, os programas e projetos voltados para a sua faixa
etária.

Tabela 25 - Conhecimento de programas sociais

Ex-beneficiários Não beneficiários


Programa Não conhecem % em relação Não conhecem o % em relação
o programa ao total (1698) programa ao total (512)

Projeto Agente Jovem 0 0 134 26,2


Programa Sentinela 1200 70,7 396 77,3
Consórcio Social da
1499 88,3 463 90,4
Juventude
Juventude Cidadã 1227 72,3 402 78,5

Escola de Fábrica 1519 89,5 458 89,5

ProJovem 464 27,3 166 32,4

Segundo Tempo 1350 79,5 416 81,3

Escola Aberta 1097 64,6 319 62,3

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Nesse sentido, encontramos uma associação positiva entre a participação no projeto


e a relação dos ex-beneficiários com outras políticas públicas e projetos sociais, na
medida em que os ex-beneficiários conhecem em maior medida os programas e
projetos que tangenciam a sua faixa etária.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 51


3. Caracterização do projeto e da
participação do jovem

Após o ingresso no programa, os jovens reportaram a realização de várias atividades


que consideraram importantes para seu desenvolvimento pessoal, socialização e entre-
tenimento. Entre as atividades mais citadas encontramos as seguintes:

• Teatro;

•Oficina de grafite;

•Palestras (sic) sobre diversos temas; os mais citados foram meio ambiente
(“a gente falou até sobre o espaço geográfico da água, um monte de coisas”),
saúde, sexualidade, DSTs, prevenção às drogas, convivência familiar, infor-
mações referentes à preparação profissional, como se comportar socialmente
(“higiene, falar de lavar as mãos antes de merendar, sobre nutrição”), “aula
de cidadania”;

•Passeios (a museus, centros culturais, teatro, clubes, Cristo Redentor,


passeio ecológico, “um monte de passeios”, Cidade das Crianças, “passeio
num sítio muito bom”);

•Oficinas de dança;

•Atividades de artesanato;

•Trabalhos comunitários: visitas a moradores, visitas a orfanato, lar de idosos,


distribuição de camisinhas no carnaval etc.;

•Atividades de produção ou sistematização de informações pelos próprios


jovens: “a menina tinha que fazer filmagem, botava a câmera na nossa mão”,
“a gente ouvia o que eles falavam e se expressava em cartaz, trabalho...”.


Os jovens, de uma forma geral, elogiaram as atividades realizadas e suas condições
de realização. Podemos afirmar que essa avaliação foi positiva entre a grande maioria
dos egressos e também dos responsáveis por eles, porém com nuances diferenciadas
entre as capitais pesquisadas.

Entre os entrevistados, a maior parte permaneceu no projeto entre 13 e 24 meses.


Somando a esses os que ficaram acima de 25 meses, chegamos a mais de 50% dos

52 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


ex-beneficiários. Somente 33,1% ficaram pelo período de um ano, que é o tempo
de permanência previsto no desenho do Projeto Agente Jovem. Chama aten-
ção o percentual não residual de jovens que permaneceu como beneficiário por
menos de um ano.

Vale ressaltar que o número de jovens encontrados na pesquisa que permaneceu menos
de 12 meses no projeto é muito maior do que o indicado acima. No entanto, somente
responderam ao questionário os jovens que permaneceram como beneficiários por
pelo menos nove meses.

Tabela 26 – Tempo de permanência no projeto

Número de meses Freqüência (%)


9 a 11 212 12,5
12 562 33,1
13 a 24 758 44,6
25 ou mais 166 9,8
Total 1698 100

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Ao cruzarmos o tempo de permanência com as variáveis que indicam o tipo de com-


portamento frente a situações de risco (violência e saúde), bem como perspectivas e
performances no mercado de trabalho, não encontramos diferenças entre jovens que
ficaram um número maior ou menor de meses como beneficiários. Encontramos,
no entanto, diferenças em algumas variáveis ligadas à educação.

No que tange a influencia do tempo de permanência no projeto, podemos afirmar


que os ex-beneficiários que ficaram 12 meses ou mais apontam em maior medida
que após o Agente Jovem tiveram mais vontade de estudar (χ2 = 4,5 significativo no
nível de 5%).

Os ex-beneficiários que ficaram 12 meses ou mais no projeto também apontam em


maior medida que após o Agente Jovem houve melhora no seu desempenho escolar
(χ2 = 4,9 significativo no nível de 5%).

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 53


Tabela 27 - Relação entre o tempo de permanência no projeto e melhora de
desempenho na escola após a participação

Melhorou desempenho na escola após o Projeto


Agente Jovem?
Permanência no projeto
Sim Não NS/NR Total

167 40 5 212
9 a 11 meses
10,1% 2,4% 0,3% 12,9%
469 93 0 562
12 meses
28,5% 5,7% 0,0% 34,1%
608 118 2 728
13 a 24 meses
36,9% 7,2% 0,1% 44,2%
122 22 0 144
25 meses ou mais
7,4% 1,3% 0,0% 8,7%
1366 273 7 1646
Total
83,0% 16,6% 0,4% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Cinqüenta e dois por cento dos ex-beneficiários afirmam que o projeto funcionava
cinco dias por semana. No entanto, um significativo número de beneficiários fre-
qüentava o projeto por três e quatro dias (cerca de 41%).

Gráfico 15 – Dias por semana de funcionamento do Agente Jovem

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

54 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Quanto ao número de horas semanais de freqüência ao projeto, há uma forte concen-
tração entre uma média de três (42,5%) e quatro horas (42,8%) por dia. Os extremos
são pouco significativos. Uma hora por dia é a média para 0,7% dos ex-beneficiários;
7,8% deles freqüentavam em média duas horas por dia; cinco horas por dia é a média
para 5,5% desses jovens e seis horas por dia, para apenas 0,6%.

Nesse sentido, a concentração se encontra naqueles que ficavam entre 12 e 16 horas


semanais no projeto. Chama atenção o percentual elevado de ex-beneficiários que pas-
savam somente 10 horas por semana ou menos no Agente Jovem (cerca de 25%).

Na tabela a seguir apresentamos os resultados do cruzamento do número de horas


semanais passadas no projeto e renda de trabalho no mês de setembro de 2006. Nela
podemos observar que os ex-beneficiários que ficavam mais de 12 horas semanais
no projeto apresentam renda de trabalho um pouco melhor do que os que ficavam
entre 2 e 10 horas semanais.

Tabela 28 - Relação entre o número de horas semanais passadas no projeto e


a renda do trabalho em setembro de 2006

Renda do trabalho em setembro de 2006


Horas semanais
De 1 a 3 De 3 a 5 De 5 a 10
no projeto Não teve Até 1 salário
salários salários salários NS/NR Total
renda mínimo
mínimos mínimos mínimos
4 149 19 1 0 17 190
2 a 10 horas
0,6% 21,3% 2,7% 0,1% 0,0% 2,4% 27,1%
1 202 33 2 1 44 283
12 a 16 horas
0,1% 28,9% 4,7% 0,3% 0,1% 6,3% 40,4%
1 164 30 0 0 29 224
Mais que 16 horas
0,1% 23,4% 4,3% 0,0% 0,0% 4,1% 32,0%
0 3 0 0 0 0 3
NS/NR
0,0% 0,4% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 0,4%
6 518 82 3 1 90 700
Total
0,9% 74,0% 11,7% 0,4% 0,1% 12,9% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

A Tabela 29 demonstra que o tempo de permanência no projeto tem uma relação direta
com a opinião dos jovens sobre a política, na medida em que os ex-beneficiários que
ficavam mais de 12 horas semanais no projeto representam maior proporção entre
os que reconhecem a influência da política na vida dos jovens.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 55


Tabela 29 - Relação entre o número de horas semanais passadas no projeto e
opinião sobre a influência da política na vida dos jovens

Horas Influência da política na vida dos jovens


semanais no Influencia Influencia um
projeto Não influencia NS/NR Total
muito pouco
99 188 126 6 419
2 a 10 horas
5,8% 11,1% 7,4% 0,4% 24,7%
224 270 211 27 732
12 a 16 horas
13,2% 15,9% 12,4% 1,6% 43,2%
Mais que 16 183 204 148 6 541
horas 10,8% 12,0% 8,7% 0,4% 31,9%
0 1 3 0 4
NS/NR
0,0% 0,1% 0,2% 0,0% 0,2%
506 663 488 39 1696
Total
29,8% 39,1% 28,8% 2,3% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Os ex-beneficiários que ficavam mais de 12 horas semanais no projeto apontam em


maior medida que após o Agente Jovem tiveram mais vontade de estudar.

Tabela 30 - Relação entre o número de horas semanais passadas no projeto e o


aumento da vontade de estudar após o Agente Jovem

Vontade de estudar após o Agente Jovem


Horas semanais no
projeto
Sim Não NS/NR Total
343 76 1 420
2 a 10 horas
20,2% 4,5% 0,1% 24,7%
66 122 5 733
12 a 16 horas
3,9% 7,2% 0,3% 43,2%
458 82 1 541
Mais que 16 horas
27,0% 4,8% 0,1% 31,9%
3 1 0 4
NS/NR
0,2% 0,1% 0,0% 0,2%
1410 281 7 1698
Total
83,0% 16,5% 0,4% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

56 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Da mesma forma, esses ex-beneficiários apontam em maior medida que após sua
passagem pelo projeto passaram a participar de grupos e associações.

Tabela 31 - Relação entre o número de horas semanais passadas no projeto e o


aumento na participação em grupos ou associações após o Agente Jovem

Horas Participação de grupos ou associações após o Agente Jovem


semanais no
projeto Sim Não NS/NR Total
177 240 3 420
2 a 10 horas
10,4% 14,1% 0,2% 24,7%
344 381 8 733
12 a 16 horas
20,3% 22,4% 0,5% 43,2%
Mais que 16 281 257 3 541
horas 16,5% 15,1% 0,2% 31,9%
1 3 0 4
NS/NR
0,1% 0,2% 0,0% 0,2%
803 881 14 1698
Total
47,3% 51,9% 0,8% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Embora a análise dos grupos focais, tanto com ex-beneficiários como com não bene-
ficiários, aponte para uma total descrença na política e até mesmo uma visão negativa
do regime democrático - expressa na afirmação de que votar não adianta porque os
políticos não resolvem nada -, os ex-beneficiários que ficavam mais de 12 horas se-
manais no projeto apontam em maior medida que após o Agente Jovem passaram a
ter maior interesse por política.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 57


Tabela 32 - Relação entre o número de horas semanais passadas no projeto e o
aumento do interesse por política após o Projeto Agente Jovem

Horas semanais no Maior interesse por política após o Agente Jovem


projeto
Sim Não NS/NR Total
137 282 1 420
2 a 10 horas
8,1% 16,6% 0,1% 24,7%
272 451 10 733
12 a 16 horas
16,0% 26,6% 0,6% 43,2%
232 307 2 541
Mais que 16 horas
13,7% 18,1% 0,1% 31,9%
3 1 0 4
NS/NR
0,2% 0,1% 0,0% 0,2%
644 1041 13 1698
Total
37,9% 61,3% 0,8% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

A tabela a seguir mostra que a atividade mais realizada pelos ex-beneficiários no Agente
Jovem era assistir a aulas ou palestras (o que era feito por quase 99% dos entrevistados).
Atividades esportivas e passeios também eram muito realizados (chegando ambos à casa
dos 80%). Atividades com as comunidades, que fazem parte da proposta pedagógica
do projeto, somente foram realizadas por 71,4% dos jovens. Por sua vez, cursos de
informática e outros cursos de capacitação somente foram ofertados a pouco mais
de 25% dos entrevistados. Embora não previsto no projeto, 17% dos ex-beneficiários
realizaram atividades de estágio.

Tabela 33 - Atividades oferecidas pelo projeto e participação dos jovens

Atividades/participação no Agente Jovem Valores absolutos %


Assistia a aulas e palestras 1677 98,76
Realizava atividades esportivas 1425 83,92
Ia a passeios 1425 83,92
Realizava atividades culturais 1254 73,85
Participava de eventos ou atividades comunitárias 1213 71,44
Aulas de teatro, dança ou capoeira 1076 63,37
Outros cursos de capacitação para o trabalho 489 28,80
Curso de informática 447 26,33
Fazia estágio 295 17,37

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

58 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


A Tabela 34 refere-se a uma escala – de valor meramente indicativo – que busca apontar
a quantidade de atividades oferecidas aos jovens no âmbito do Agente Jovem.

Por questões metodológicas optamos por agrupar o número de atividades que eram
oferecidas a cada jovem e atribuir categorias (qualidade péssima, ruim, regular,
boa, ótima e excelente). Entendemos como qualidade péssima quando ao jovem era
oferecida somente uma ou duas atividades, qualidade ruim quando eram oferecidas
três ou quatro atividades, qualidade regular quando eram oferecidas cinco atividades,
qualidade boa quando eram oferecidas seis ou sete atividades, qualidade ótima quando
aos jovens eram oferecidas oito atividades e qualidade excelente quando eram oferecidas
nove atividades.

Nesse sentido, vemos que somente cerca de 8% dos jovens participaram de projetos
cuja quantidade de atividades era passível de ser considerada ótima ou excelente. Já
os que tiveram participação em projetos com qualidade ruim ou péssima somam
13,7% do total. A maior concentração, porém, encontra-se nos ex-beneficiários que
participaram de projetos com qualidade boa (42,6%), embora seja elevado o percentual
dos projetos de qualidade regular (35,9%).

Tabela 34 - Escala avaliativa da implementação do projeto a partir do número de


atividades oferecidas

Implementação do projeto Freqüência (%)


Péssima 102 6,0%
Ruim 131 7,7%
Regular 609 35,9%
Boa 723 42,6%
Ótima 114 6,7%
Excelente 19 1,1%
Total 1698 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Mais de 90% dos ex-beneficiários entrevistados participaram de discussões sobre


cidadania e direitos humanos, saúde, sexualidade, drogas e meio ambiente. Assim,
podemos afirmar que o projeto ofereceu informações e orientações de acordo com
a proposta pedagógica que o baliza.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 59


Quem ficava com o dinheiro transferido pela bolsa do Agente Jovem

A maioria dos ex-beneficiários (53,4%) afirma que ficavam com o recurso transferido.
No entanto, 38,7% dos jovens deixavam parte desse recurso com os pais ou respon-
sáveis e 7,5% declararam que todo o dinheiro ficava com os pais ou responsáveis.

Uso do dinheiro transferido pela bolsa do Agente Jovem para auxiliar o


sustento da família

Os ex-beneficiários do Agente Jovem não fogem à regra da maioria dos beneficiários


dos programas sociais8, uma vez que nada menos que 76,2% dos entrevistados afirmam
que o recurso transferido era usado para auxiliar o sustento da família.

O recurso transferido era gasto em primeiro lugar com alimentos para a casa e em
segundo lugar com roupas e calçados.

Tabela 35 - Prioridade no gasto do dinheiro da bolsa

Gasto do dinheiro da bolsa -


Freqüência %
em primeiro lugar
Alimentos/lanches para o próprio consumo 107 6,4
Alimentos para a casa 688 40,9
Roupas/calçados 605 35,9
Remédios 10 0,6
Transporte 22 1,3
Material escolar 90 5,3
Atividade de lazer 25 1,5
Contas de água/ luz/ gás 96 5,7
Outros 35 2,1
NS/NR 5 0,3
Total 1683 100
8
As avaliações de políticas sociais vêm
apontando que a maioria dos beneficiá- Fonte: DataUff/MDS, Março 2007
rios utiliza o dinheiro, em primeiro lugar,
para comprar alimentos. Ver relatório
de Avaliação do Programa Bolsa Família Na tabela seguinte apresentamos o resultado de gastos do dinheiro do benefício por
–DataUff/MDS, 2006, Avaliação do Be-
neficio de Prestação Continuada - Núcleo
sexo e podemos verificar que em geral os jovens do sexo masculino tendem a destinar
de Avaliação de Políticas Sociais da UFF/ o dinheiro da bolsa ao sustento da família em percentual um pouco mais elevado do
MDS, 2006. que as jovens.

60 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 36 - Ajuda no sustento da família com o dinheiro da bolsa
de acordo com o sexo do entrevistado

O dinheiro da bolsa ajudava no sustento Sexo


da família? Masculino Feminino Total
Sim 79,6% 72,9% 100,0%
Não 18,6% 24,9% 100,0%
NS/NR 1,8% 2,2% 100,0%
Total 100,0% 100,0% 100,0%

Fonte: DataUff/MDS, Março 2007

Situação ocupacional e escolar quando estava no projeto

Somente 17,4% dos ex-beneficiários trabalharam ao mesmo tempo em que partici-


pavam do Agente Jovem.

O percentual de jovens que não freqüentaram a escola durante a participação no


Agente Jovem é ainda menor: somente 8,1% dos jovens.

Desempenho escolar quando estava no projeto

Durante a participação no projeto, a maioria dos beneficiários que freqüentavam a


escola foi aprovada. No entanto, não é desprezível o percentual daqueles que, a cada
ano, foram reprovados. O índice de abandono, embora menor que o de reprovação,
também não foi desprezível, sendo crescente ao longo dos anos 2002 a 2005, chegando
a 6,1% do total de estudantes em 2005.

Tabela 37 - Desempenho escolar no período em que esteve no programa


no ano de 2002

Performance escolar Valores Absolutos %


Aprovado 1540 92,1
Reprovado 108 6,5
Abandonou 16 1
NS/NR 9 0,5
Total 1673 100

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 61


Tabela 38 - Desempenho escolar no período em que esteve no programa
no ano de 2003

Performance escolar Valores Absolutos %


Aprovado 1467 88,1
Reprovado 170 10,2
Abandonou 23 1,4
NS/NR 5 0,3
Total 1665 100

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Tabela 39 - Desempenho escolar no período em que esteve no programa


no ano de 2004

Performance escolar Valores Absolutos %


Aprovado 1403 85,4
Reprovado 189 11,5
Abandonou 48 2,9
NS/NR 2 0,1
Total 1642 100

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Tabela 40 - Desempenho escolar no período em que esteve no programa


no ano de 2005

Performance escolar Valores Absolutos %


Aprovado 1301 82,6
Reprovado 176 11,2
Abandonou 96 6,1
NS/NR 3 0,2
Total 1576 100

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Quanto às características intrínsecas à implementação do projeto, podemos dizer que


a presença de famílias envolvidas nas atividades realizadas é pequena, assim como são
poucos os casos de acompanhamento dos ex-beneficiários.

62 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Em resumo:

Vale ressaltar que a grande maioria dos ex-beneficiários (sempre mais de 90%) recebeu
informações acerca dos temas indicados na proposta pedagógica (saúde, sexualidade,
cidadania e direitos humanos, meio ambiente e uso de drogas).

O número de horas por semana que o egresso passava no projeto leva a diferenças no
que tange a: 1) perspectivas educacionais ampliadas e maior afirmação da importân-
cia de estudar; 2) maior participação em grêmios estudantis, partidos políticos (em
menor escala), grupos de igrejas, grupos culturais/musicais e grupos esportivos; 3)
maior conhecimento da existência dos conselhos de representação e dos programas e
projetos sociais voltados para sua faixa etária; 4) maior reconhecimento da importân-
cia da política para a vida dos jovens e da capacidade do jovem influenciar o campo
da política; 5) maior freqüência de leitura de livros e revistas; 6) menor consumo da
droga mais utilizada pelos ex-beneficiários - a maconha e 7) aumento do desejo de
chegar à universidade.

Quanto à bolsa, mais de 50% dos jovens ficavam com o recurso transferido e quase
40% repassavam parte dele para os responsáveis. No entanto, 76% dos ex-beneficiários
auxiliavam o sustento da família com a bolsa. Exatamente por isso, cerca de 40% dos
ex-beneficiários apontam que em primeiro lugar esse dinheiro era gasto com a compra
de alimentos para a casa. Já as atividades de lazer eram o gasto principal de somente
1,5% desses jovens, ficando atrás mesmo das contas de água, luz e gás (5,7%).

No período em que foram beneficiários, mais de 17% dos jovens trabalharam. Já


no que tange a escola, em média 9,85% dos ex-beneficiários, entre os anos de 2002
e 2005, foram reprovados e 2,95% abandonaram o ano letivo. A escala de qualidade
do projeto criada a partir do número de atividades oferecidas aos jovens mostra que
somente cerca de 9% dos ex-beneficiários estiveram em projetos passíveis de serem
considerados como ótimos ou excelentes, embora a maior concentração esteja nos
que estiveram em projetos de qualidade boa (42,6%); já os que foram beneficiários
em projetos de qualidade ruim ou péssima somam 13,7% do total.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 63


4. A percepção dos ex-beneficiários sobre os impactos
do projeto
Segundo o que foi possível apreender a partir dos grupos, ainda que não ofereça forma-
ção profissional, o Agente Jovem propicia vivências e reflexões que poderão contribuir
para as escolhas dos jovens de forma permanente, ao longo de toda a vida.

“O Agente Jovem é muito importante pro crescimento pessoal, também


profissional. A orientadora educa a gente. E a gente aprende muito. O
Agente Jovem ensinou. O Agente Jovem é muito bom mesmo. Eu acho
muito importante o Agente Jovem, mas eu acho o seguinte deveria tirar
da cabeça da galera que faz o Agente Jovem, deveria botar na verdade
que ele não está ali por causa de R$ 65,00 por mês. Eu acho que tem um
mundo de oportunidade ali que o cara tem que abraçar mesmo. Porque
talvez seja a única. E a galera está ali por R$ 65,00. No tempo que eu
fazia tinha pessoas que chegavam e não faziam atividade. Não fazia
nada. Dava a hora, ia pra casa.” (egresso do Agente Jovem)

A grande maioria dos ex-beneficiários aponta que teve mais vontade de estudar e
melhorou seus rendimentos escolares após o projeto. Quanto ao desempenho es-
colar, 83,2% declaram que ele melhorou depois da participação no Agente Jovem.
Outro impacto do projeto apontado pelos jovens na sua vida escolar foi o aumento
da expectativa de chegar ao ensino superior (80%).

Tabela 41 - Vontade de estudar após o Projeto Agente Jovem

Teve maior vontade de estu-


Freqüência %
dar após o Agente Jovem?
Sim 1410 83,0%
Não 281 16,5%
NS/NR 7 0,4%
Total 1698 100,0%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Na percepção de 86,8% dos entrevistados (ex-beneficiários) sua relação com a família


melhorou após a participação no projeto. Em proporção um pouco menor (77%) os
jovens consideram que o projeto também teve impacto na sua relação com a comu-
nidade, pois eles sentem que passaram a ter mais interesse por seus problemas.

64 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


O grau de interesse pela política por parte dos jovens é sempre muito baixo. En-
tretanto, em se tratando de resultados do Agente Jovem, 37,9% de ex-beneficiários
declaram que a participação no projeto aumentou seu interesse por esse tema, o que
é um número bastante expressivo.

Como verificamos nos grupos focais, a política é associada exclusivamente à figura


dos políticos, sobre os quais em geral há muita descrença: “Eles só pensam neles mesmos
e nas suas famílias”.

Esporadicamente aparecem indicações, tanto entre responsáveis quanto entre jovens,


acerca da necessidade de acompanhamento e cobrança por parte da população sobre
a atuação dos políticos: “pôs os políticos lá, e depois não acompanha”.

Os pais de egressos demonstram uma percepção mais acurada sobre a política e a


cidadania, enquanto os pais de não egressos se limitam a criticar e desvinculam a
política das políticas públicas. Essa desvinculação pode estar relacionada ao fato de
que os pais de egressos têm uma inserção maior em programas sociais e por isso um
conhecimento maior sobre eles.

A atitude particularista atribuída à política, tanto por parte de pais de egressos quanto de
não egressos, se reproduz em manifestações sobre a ausência desses políticos na ajuda
individual: “Pra mim ele nunca fez nada”. Ou a reclamação de um problema particular
para o qual se buscou o político e não se obteve resposta. “Se dependesse dele pra pagar
pra mim, o meu marido morria”. Ou, ao contrário, “ele estava lá quando eu precisei”.

Mais do que a presença desses particularismos na relação com a política ou os políticos,


o que parece contribuir para sua reprodução por parte da população é a ausência de
ações e objetivos coletivos. Por outro lado, a credibilidade na política e nos políticos
aparece também associada à proximidade com os problemas da comunidade, origem
da necessidade de que sejam eleitas pessoas próximas: “... o governo da mesma região...
se for um cachorro eu voto nele. Pelo menos ele não vai cumprir o contrato, mas vai ficar mais
próximo”.

Quanto à política partidária e à organização política nacional, elas são apontadas criti-
camente. Poucos responsáveis e jovens conversam sobre esse tema e poucos parecem
se interessar pelo assunto. Os índices de participação de responsáveis e jovens em
organizações partidárias são praticamente nulos.

O mesmo podemos dizer com relação à participação em organizações da sociedade


civil. Quando os participantes (responsáveis e jovens) identificam a presença de asso-
ciações de moradores em suas comunidades, a referência a elas é em geral negativa,
aproximando desconfiança e descrença. Tais entidades não são tomadas como algo
que “pertence” aos moradores, mas como propriedade de políticos locais (vereadores
e candidatos a vereador), cabos eleitorais e pessoas com interesses particulares difusos.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 65


Nessa direção, em Goiânia alguns responsáveis se colocaram francamente contrários
ao vinculo do Agente Jovem com as associações de moradores, devido aos riscos de
clientelismo nos processos de incorporação dos jovens ao projeto.

A fragilidade organizacional das associações é também apontada. No geral elas seriam


constituídas por poucas pessoas que de fato trabalham, enquanto o resto da diretoria
não exerce qualquer atividade.

Mais de 90% dos ex-beneficiários apontam que ficaram mais responsáveis após o pro-
jeto. Esse item é o que teve o maior índice de respostas positivas dentro da listagem
de mudanças comportamentais observadas pelos próprios jovens.

A melhoria de tratamento no âmbito familiar após passar pelo Agente Jovem também
foi declarada por mais de 80% dos ex-beneficiários.

No que se refere aos impactos do projeto na vida profissional dos jovens, 35% deles
apontam que a passagem pelo Agente Jovem os auxiliou a conseguir trabalho.

Tabela 42 - Relação entre a percepção se a participação no Agente Jovem ajudou a


arrumar trabalho e a situação ocupacional

Participação no Agente Jovem ajudou a arrumar


Situação ocupacional trabalho?
Sim Não NS/NR Total
134 246 3 383
Desempregado
7,9% 14,5% 0,2% 22,6%
144 448 5 597
Não trabalha
8,5% 26,4% 0,3% 35,2%
308 378 6 692
Trabalhando
18,1% 22,3% 0,4% 40,8%
8 18 0 26
NS/NR
0,5% 1,1% 0,0% 1,5%
803 881 14 1698
Total
47,3% 51,9% 0,8% 100,0%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Os ex-beneficiários que apontam que a participação no Agente Jovem os auxiliou a


conseguir trabalho estão em posição muito melhor do que os outros no que tange
a proporção de jovens trabalhando (embora o percentual de desempregados seja
igual).

66 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 43 - Forma como a participação no Projeto Agente Jovem
ajudou a arrumar trabalho

Como a participação no projeto ajudou a arrumar trabalho? Freqüência %

Por meio do encaminhamento para o mercado de trabalho 78 13,1%


Por meio das habilidades/ capacidades aprendidas no Projeto 384 64,6%
Por meio das pessoas conhecidas no Projeto 66 11,1%
Por meio do estágio feito durante o Projeto 24 4,0%
Devido ao retorno à escola/ melhor aproveitamento na escola 12 2,0%
Encaminhado por projetos culturais/dança 1 0,2%
Campeonatos 1 0,2%
Passou a querer ser independente 1 0,2%
Informação 1 0,2%
Cursos 1 0,2%
Surgiu em mim interesse para trabalhar 5 0,8%
Status por ter sido do programa agente jovem 2 0,3%
Serviço comunitário 1 0,2%
NS/NR 17 2,9%
Total 594 100,0%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Um amplo rol de elementos é citado como tendo auxiliado a obtenção de trabalho.


No entanto, a maior concentração está na resposta que remete às habilidades e capa-
cidades obtidas no projeto (64,6%). Não é desprezível, porém, o percentual de
ex-beneficiários que apontam terem sido encaminhados para o mercado de trabalho
(13,1%).

Percepção da qualidade de vida durante a participação no projeto e depois


de ter saído

A maioria dos ex-beneficiários aponta que sua qualidade de vida melhorou durante
o período em que participaram do projeto.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 67


Gráfico 16 - Qualidade de vida durante o Agente Jovem

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Já na percepção relativa ao período após o projeto, somente 27% dos ex-beneficiários


apontam que a qualidade de vida melhorou, enquanto que 64,4% consideram que
continua a mesma e 7,9% que piorou.

Em resumo:

Os ex-beneficiários apontam percepções de resultados positivos do projeto em vari-


áveis relacionadas a: educação, relacionamento familiar, possibilidades no mercado
de trabalho, interesse pela comunidade, interesse por grupos e associações, interesse
pela política, qualidade de vida durante o projeto e após sua saída, além de maior
responsabilidade pessoal.

Esses resultados atingem, porém, uma menor proporção de jovens quando as variáveis
envolvidas remetem à participação em grupos e associações, interesse pela política,
qualidade de vida após sair do projeto e obtenção de trabalho.

68 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


5. A avaliação dos ex-beneficiários sobre o projeto

A relação com os instrutores e orientadores do projeto foi muito bem avaliada. So-
mente cerca de 5% dos ex-beneficiários apontam que não tiveram relacionamento
ótimo ou bom com os instrutores ou orientadores do Agente Jovem.

Gráfico 17 - Relacionamento com os instrutores do Projeto Agente Jovem

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 69


Gráfico 18 - Relacionamento com os orientadores do Projeto Agente Jovem

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Avaliação das atividades desenvolvidas no Agente Jovem

Na Tabela 44 podemos observar que todas as atividades desenvolvidas no projeto são


avaliadas pelos ex-beneficiários como ótimas ou boas (somando-se as duas opções
de respostas temos sempre um percentual médio de 90%). As regulares, as ruins
e as péssimas aparecem em percentuais inexpressivos. Isso indica que o projeto é
muito bem avaliado pelos ex-beneficiários, o que pode ser constatado também no
Gráfico 19.

70 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


Tabela 44 - Avaliação das atividades do Projeto Agente Jovem

Avaliação (%)
Atividades
Ótima Boa Regular Ruim Péssimo NS/NR Total
Aulas e palestras 41 52,6 3,8 0,5 0,2 1,8 100
Atividades esportivas 34,2 57,5 4,8 0,6 0,2 2,7 100
Atividades culturais 32,1 58,9 4,7 0,6 0,2 3,6 100
Aulas de teatro, dança ou capoeira 36,5 54,4 5,5 0,7 0,1 2,9 100
Ida a passeios 43,2 49,5 2,9 0,6 0,1 3,4 100
Eventos ou atividades comunitárias 31,1 59,5 5,1 0,5 0,2 3,6 100
Curso de informatica 43,6 38 8,3 2 1,8 6,3 100
Outros cursos (capacitação p/ trabalho) 36,8 50,1 5,9 0,4 0 6,7 100
Outras atividades 42,6 27,8 1,9 0 1,9 25,9 100

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Gráfico 19 - Avaliação do Projeto Agente Jovem

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

De modo geral, observa-se uma associação entre a qualidade da implementação do


projeto (de acordo com o número de atividades oferecidas em sua comunidade) e a
avaliação que os ex-beneficiários fazem do Agente Jovem: quanto melhor a qualidade
do projeto, maior o percentual de jovens que o avaliaram de forma mais positiva.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 71


Tabela 45 - Relação entre a avaliação do Agente Jovem e a
qualidade de sua implementação

Qualidade da Avaliação do Agente Jovem


implementação
Ótima Bom Regular Ruim Péssimo NS/NR Total
23 61 14 3 1 0 102
Qualidade péssima
1,4% 3,6% 0,8% 0,2% 0,1% 0,0% 6,0%
43 68 13 4 3 0 131
Qualidade ruim
2,5% 4,0% 0,8% 0,2% 0,2% 0,0% 7,7%
236 305 53 3 6 6 609
Qualidade regular
13,9% 18,0% 3,1% 0,2% 0,4% 0,4% 35,9%
366 32 46 2 5 2 723
Qualidade boa
21,6% 1,9% 2,7% 0,1% 0,3% 0,1% 42,6%
42 62 10 0 0 0 114
Qualidade ótima
2,5% 3,7% 0,6% 0,0% 0,0% 0,0% 6,7%
Qualidade 12 6 0 0 0 0 19
excelente 0,7% 0,4% 0,0% 0,0% 0,0% 0,0% 1,1%
722 534 136 12 15 8 1698
Total
42,5% 31,4% 8,0% 0,7% 0,9% 0,5% 100,0%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

A nota atribuída ao projeto valida a avaliação positiva. A maioria dos ex-beneficiários


deu nota acima de oito para o Agente Jovem. Somando-se as notas oito, nove e dez
temos um percentual de 81,9% e o maior percentual de citações entre essas três notas
é o dez (35,7%).

Em resumo, a maioria dos ex-beneficiários possui uma avaliação muito positiva do


Agente Jovem, seja no que tange a equipe, a qualidade das atividades realizadas ou o
projeto como um todo (no geral a avaliação corresponde a: ótimo 42,5%; bom 31,4%;
regular 8,0%; ruim 0,7% e péssimo 0,9%).

72 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


6. As características do projeto e seus impactos

Os jovens que receberam informações sobre cidadania e direitos humanos apontam em


maior medida que passaram a participar de grupos ou associações após o projeto.

Tabela 46 - Relação entre o recebimento de informações e orientações sobre


cidadania e direitos humanos e a participação em grupos ou associações após o
Agente Jovem

Recebeu informações e Passou a participar de grupos ou associações após o


orientações sobre cidadania e Projeto Agente Jovem?
direitos humanos?
Sim Não NS/NR Total
Sim 48,00% 51,30% 0,70% 100,00%
Não 41,20% 57,10% 1,70% 100,00%
NS/NR 20,00% 73,30% 6,70% 100,00%
Total 47,30% 51,90% 0,80% 100,00%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Da mesma forma, os jovens que receberam essas informações tendem a reconhecer


em maior proporção que a política influencia suas vidas.

Tabela 47 - Relação entre o recebimento de informações e orientações sobre


cidadania e direitos humanos e opinião sobre a influência da política na vida dos
jovens

Recebeu informações Opinião sobre influência da política na vida dos jovens


e orientações sobre
cidadania e direitos Influencia Influencia Não influ-
humanos? NS/NR Total
muito um pouco encia
Sim 30,50% 38,90% 28,40% 2,20% 100,00%
Não 22,70% 43,70% 32,80% 0,80% 100,00%
NS/NR 20,00% 26,70% 33,30% 20,00% 100,00%
Total 29,80% 39,10% 28,80% 2,30% 100,00%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 73


Tabela 48 - Relação entre o recebimento de informações e orientações sobre
cidadania e direitos humanos e opinião sobre a influência dos jovens na política

Recebeu informações Opinião sobre influência dos jovens na política


e orientações sobre
cidadania e direitos Influencia Influencia Não influ-
NS/NR Total
humanos? muito um pouco encia

Sim 18,5% 36,0% 42,6% 2,9% 100%


Não 16,0% 37,8% 45,4% 0,8% 100%
NS/NR 0,0% 53,3% 26,7% 20,0% 100%
Total 18,1% 36,3% 42,7% 2,9% 100%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

Os ex-beneficiários que receberam informações sobre cidadania e direitos humanos


também apontam com mais freqüência que passaram a ter maior interesse comuni-
tário após o projeto.

Tabela 49 - Relação entre o recebimento de informações sobre cidadania e


direitos humanos e o interesse pelos problemas da sua comunidade após o
Projeto Agente Jovem

Recebeu informações e Teve mais interesse pelos problemas da


orientações sobre cidadania e sua comunidade após o projeto?
direitos humanos?
Sim Não NS/NR Total
Sim 77,8% 21,5% 0,6% 100,0%
Não 68,1% 31,1% 0,8% 100,0%
NS/NR 66,7% 26,7% 6,7% 100,0%
Total 77,0% 22,3% 0,7% 100,0%

Fonte: DataUff/ MDS, Março 2007

De início é importante lembrar que sempre mais de 90% dos jovens receberam in-
formações e orientações sobre as temáticas básicas para a formação teórica prevista no
projeto. Podemos dizer que ter recebido orientações e informações relacionadas ao
tema da cidadania e direitos humanos levou os ex-beneficiários a terem maior inte-
resse associativo e comunitário, a serem mais ativos na busca de auxílio após sofrerem
violência, a terem maior interesse pela política e a reconhecem mais a importância da
política em suas vidas e da atuação dos jovens para a política.

74 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


IV. Conclusão
A avaliação dos impactos do Projeto Agente Jovem indicou que os jovens ex-benefi-
ciários fazem uma avaliação positiva do projeto, seja no que se refere à equipe ou às
atividades desenvolvidas, mas encontrou alguns aspectos negativos no que concerne
à sua implementação.

A pesquisa, ao comparar ex-beneficiários com não-beneficiários, indicou fatores posi-


tivos como: menor evasão escolar entre os egressos, maior nível de escolaridade, maior
pró-atividade na busca de emprego e capacitação para o mercado de trabalho.

Entre as falhas na implementação podemos destacar: o número de meses que os jovens


permaneceram como beneficiários em muitos casos excedeu o recomendado pelo
programa e em outros ficou abaixo do esperado. A quantidade de horas semanais que
eles passavam no projeto, em geral, está abaixo da prevista pela gestão federal. Além
disso, a quantidade de atividades oferecidas a esses jovens também é menor que a
desejável e algumas delas são desvinculadas da proposta pedagógica (especificamente
o estágio).

Há ainda um baixo percentual de jovens que participaram de atividades nas comu-


nidades, o que compromete a consecução do objetivo de integração comunitária dos
beneficiários. O acompanhamento dos egressos do projeto também não foi satisfatório
e faltou um maior estímulo à participação das famílias nas atividades desenvolvidas.

Apesar desses problemas, muitos afirmaram a importância das atividades realizadas


naquela etapa de suas vidas. Os resultados indicam mudanças de atitude, reposiciona-
mento de interesses, entre outros benefícios. O aumento da responsabilidade pessoal
teve o maior número de citações (90%) dentro do rol de mudanças comportamentais
apontadas por eles. Essa percepção positiva também foi compartilhada pelos pais e
responsáveis por esses jovens, embora sublinhem uma demanda por formação pro-
fissional no âmbito do projeto.

O estudo também mostra associações positivas entre a participação no projeto e a


vida daqueles que foram seus beneficiários no que tange a educação, trabalho e renda,
participação social e expectativas para o futuro, comportamento sexual e reproduti-
vo e envolvimento em atos de violência, bem como na relação com outras políticas
públicas.

Em virtude do que foi mencionado, é possível concluir que o Projeto Agente Jovem
proporcionou grandes melhorias aos seus beneficiários. O trabalho realizado com
os jovens alcançou, em maior ou menor escala, os objetivos propostos inicialmente,

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 75


como a permanência do jovem no sistema de ensino, diminuição das práticas nocivas
à saúde, motivação para encarar o mercado de trabalho e, principalmente, aumento
da auto-estima e qualidade de vida.

76 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


V. Bibliografia

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Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 77


VI. Anexos: Plano amostral*

Anexo 1

Distribuição amostral do grupo experimental (ex-beneficiários)


UF Cidade Participantes UF Cidade Participantes
AC Porto Acre 11 MS Nova Andradina 12
AC Rio Branco 8 MT Cáceres 8
AC Sena Madureira 11 MT Cuiabá 16
AL Arapiraca 11 MT Pontes e Lacerda 8
AL Maceió 11 PA Belém 14
AL São José da Tapera 8 PA Breves 8
AM Manacapuru 8 PA Tracuauteua 8
AM Itacoatiara 8 PB Cajazeiras 8
AM Manaus 14 PB João Pessoa 32
AP Macapá 12 PB Malta 15
AP Mazagão 9 PE Jaboatão dos Guararapes 25
AP Santana 9 PE Serra Talhada 10
BA Itabuna 16 PE Recife 39
BA Palmeiras 8 PE Triunfo 15
BA Salvador 41 PI Alegrete do Piaui 8
BA Santo Amaro 8 PI Monsenhor Gil 13
CE Fortaleza 25 PI Teresina 20
CE Jati 10 PR Curitiba 24
CE Santa Quitéria 10 PR Marialva 10
DF Brasília 30 PR Roncador 10
ES Mucurici 8 RJ Duque de Caxias 48
ES Viana 12 RJ Paracambi 20
ES Vitória 26 RJ Rio das Flores 20
GO Cristalina 12 RJ Rio de Janeiro 91
GO Goiânia 35 RN Macau 15
GO Luziânia 12 RN Natal 36
GO Novo Gama 12 RN Pureza 15
MA Barra do Corda 8 RO Guajará-Mirim 8
MA Graça Aranha 10 RO Ji-Paraná 11
MA São Luís 12 RO Porto Velho 11
MG Belo Horizonte 184 RR Boa Vista 14
MG Bocaiúva 20 RR Iracema 8
MG Montes Claros 35 RR Mucajaí 8
MG Esmeralda 20 RS Não-me-toque 8
MS Nova alvorada do Sul 12 RS Porto Alegre 13

78 Cadernos de Estudos - Desenvolvimento Social em Debate


MS Campo Grande 31 RS Viamão 9
SC Balneário Camboriú 8 SP Praia Grande 30
SC Florianópolis 14 SP Registro 40
SC São Martinho 8 SP São Paulo 246
SE Aracaju 14 TO Araguacema 8
SE Nossa Senhora da 8 TO Palmas 14
Glória
SE Pinhão 8 TO Tocantinópolis 8
SP Paulo de Faria 20 Total 1781

Distribuição amostral do grupo de controle (não beneficiários)


UF Cidade Participantes UF Cidade Participantes
AC Sena Madureira 10 PB Malta 10
AL Maceió 10 PE Jaboatão dos Guararapes 10
AM Manaus 10 PE Recife 15
AP Macapá 10 PI Teresina 10
BA Itabuna 10 PR Curitiba 10
BA Salvador 10 PR Marialva 10
CE Fortaleza 10 RJ Duque de Caxias 10
CE Jati 10 RJ Paracambi 10
DF Brasília 10 RJ Rio de Janeiro 17
ES Viana 10 RN Macau 10
ES Vitória 10 RN Natal 10
GO Goiânia 11 RO Porto Velho 10
GO Novo Gama 10 RR Boa Vista 10
MA São Luís 10 RS Porto Alegre 10
MG Belo Horizonte 43 SC Florianópolis 10
MG Montes Claros 12 SE Aracaju 10
MG Unaí 10 SP Paulo de Faria 10
MS Água Clara 10 SP Praia Grande 12
MS Campo Grande 10 SP Registro 20
MT Cuiabá 10 SP São Paulo 48
PA Belém 10 TO Palmas 10
PB João Pessoa 10 Total 528

*O plano amostral corresponde à previsão do número de jovens a serem entrevistados na pesquisa. Desses, 1698
ex-beneficiários e 512 não beneficiários participaram efetivamente do estudo.

Projeto Agente Jovem: Avaliação de seus Impactos 79


Série Cadernos de Estudos – Desenvolvimento Social em Debate

Volumes anteriores:
Nº. 01 A IMPORTÂNCIA DO BOLSA FAMÍLIA NOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS
Rosa Maria Marques

Nº. 02 SUBNUTRIÇÃO E OBESIDADE EM PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO


Benjamin Caballero

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL COM A ESCALA DE PERCEPÇÃO DA INSEGURANÇA


ALIMENTAR
Rafael Pérez-Escamilla

Nº. 02 Suplemento TEXTOS PARA A V CONFERÊNCIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL


Vários autores

Nº. 03 OS IMPACTOS DO PAA-LEITE SOBRE O PREÇO, A PRODUÇÃO E A RENDA DA PECUÁRIA


LEITEIRA
André Magalhães e Alfredo Soares

Nº. 03 Suplemento 01 CONTRIBUIÇÕES DO MDS À I CONFERÊNCIA NACIONAL DA PESSOA


COM DEFICIÊNCIA
Vários autores

Nº. 03 Suplemento 02 CONTRIBUIÇÕES DO MDS À I CONFERÊNCIA NACIONAL DA PESSOA


IDOSA
Vários autores

Nº. 04 CHAMADA NUTRICIONAL: UM ESTUDO SOBRE A SITUAÇÃO NUTRICIONAL DAS


CRIANÇAS DO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO
Vários autores

Nº. 05 SÍNTESE DAS PESQUISAS DE AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS SOCIAIS DO MDS


Rômulo Paes-Sousa e Jeni Vaitsman (organizadores)

Nº. 06 Health and Nutrition Day: A Nutritional Survey of Children Living in the Semi-arid area and
Land-reform settllements in Northeast Brazil
Versão revista em inglês do n°. 4

Nº. 07 PROGRAMA CISTERNAS: UM ESTUDO SOBRE A DEMANDA, COBERTURA E FOCALIZAÇÃO


Oscar Arruda d’Alva e Luís Otávio Pires Farias

Outras publicações do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome

O SISTEMA DE AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DAS POLÍTICAS E PROGRAMAS SOCIAIS: A EXPERIÊNCIA DO MDS –


MOST2
Jeni Vaitsman, Roberto W. S. Rodrigues, Rômulo Paes-Sousa
Versões em português, inglês, espanhol e francês

METODOLOGIAS E INSTRUMENTOS DE PESQUISA DE AVALIAÇÃO DE PROGRAMAS DO MDS


Rômulo Paes-Sousa e Jeni Vaitsman (organizadores)

AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS DO MDS – RESULTADOS – VOLUME 1 – SEGURANÇA ALIMENTAR


E NUTRICIONAL
Rômulo Paes-Sousa e Jeni Vaitsman (organizadores)
Versões em português e inglês

AVALIAÇÃO DE POLÍTICAS E PROGRAMAS DO MDS – RESULTADOS – VOLUME 2 – BOLSA FAMÍLIA E


ASSISTÊNCIA SOCIAL
Rômulo Paes-Sousa e Jeni Vaitsman (organizadores)
Versões em português e inglês

CATÁLOGO DE INDICADORES DE MONITORAMENTO DOS PROGRAMAS DO MDS


Júnia Valéria Quiroga da Cunha (organizadora)
Versões em português e inglês

Versões eletrônicas das publicações estão disponíveis no site www.mds.gov.br


Para obter informações sobre as publicações da SAGI escreva para o e-mail: sagi.dfaps@mds.gov.br