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Agora, em novembro, começa o processo de eleições para o Centro Acadêmico do nosso curso (CAELL), decidiremos quem estará em nossa entidade no ano que vem. Desde o início de 2015, estamos vivendo um momento intenso em nosso país: por um lado, temos fortes ataques do governo aos nossos direitos e, do outro, muita luta e mobilização de diversos setores da sociedade. Nosso curso, o maior da Universidade de São Paulo, sofre muito com esses ataques, mas também existe possibilidade de se manifestar e não permitir que a reitoria e os governos federal e estadual o virem de cabeça para baixo. São tempos de resistência e são nesses moldes que a Chapa Com Pedras e Poemas se apresenta, para fazer florescer na Letras um movimento estudantil a altura de nossas necessidades!

PELA DEFESA DO NOSSO CURSO E DA NOSSA QUALIDADE DE ENSINO!

Quando passamos pelo filtro do vestibular, uma grande alegria nos toma. Mas, ao nos depararmos

com nosso curso, muitas vezes nos decepcionamos. Na Letras, entravam cerca de 800 estudantes por ano

- um número alto se comparado a outros cursos da nossa universidade - porém a Letras carrega a

contradição de fazer parte daqueles que menos recebem verba e isso acarreta em diversos problemas. Esse

ano, recebemos a notícia de que serão cortadas aproximadamente 200 vagas para a graduação em Letras,

o que é um grande ataque, não resolve o problema de fato e ainda é um avanço na elitização do nosso

curso. Temos um prédio provisório inapropriado para essa quantidade de estudantes, uma pró-aluno muitas

vezes sem impressão suficiente para todos nós, salas de aulas lotadas, insuficiência na quantidade de professores e diversos outros problemas que nos acompanham durante toda a nossa graduação. Isso não é à toa, acontece porque nossa universidade reproduz a lógica de mercantilização da educação e, em um processo de elitizar e ao mesmo tempo precarizar a nossa formação, não busca desenvolver e nem ter políticas para um curso que forma grande parte de professores. A educação se transforma em uma mercadoria, pode ser negociada, pensada a partir do que trará mais lucro para as grandes empresas. Isso não acontece apenas no nosso curso e na nossa universidade, esse projeto de educação é o mesmo que está sendo implementado nas escolas estaduais pelo governador Geraldo Alckmin

- um projeto de desmonte da educação pública - fechando mais de 70 escolas e o ensino noturno em

diversas regiões de nossa cidade e estado. E também é o mesmo projeto implementado em todo o nosso país, visto que o governo de Dilma, diante da crise econômica, corta bilhões da educação e outras áreas sociais. Além disso, diante da visão e do projeto absolutamente eurocêntrico e retrógrado do nosso curso, a grade curricular dos estudantes de Letras praticamente não apresenta foco nos estudos da participação e da importância dos setores mais oprimidos da sociedade na literatura, muitas vezes nem faz esse recorte:

o que significa para o sistema omitir o fato de que Machado de Assis era negro? Ou então a omissão da

homossexualidade de Oscar Wilde? Hoje em dia o curso conta por exemplo com um grupo de estudos de Literatura Indígena. É papel do Centro Acadêmico incentivar e contribuir na propaganda destes grupos independentes que mostram que os estudantes de Letras querem ir além dessa grade curricular. Está mais que colocada a necessidade de fazer da Letras um grande polo de resistência e o CAELL é fundamental nisso, deve ser linha de frente em impulsionar os estudantes a debater, a se mobilizar e assim formular em conjunto com os graduandos política para defender nosso curso e nossa qualidade de ensino. Diferente do que foi no decorrer de todo esse ano, em que tínhamos um centro acadêmico pouquíssimo mobilizado, com grande omissão sobre os diversos acontecimentos que ocorreram esse ano dentro e fora da universidade. Não organizando debates ou se mostrando ativo dentro das assembleias, que mal orqanizava.

Por um CAELL independente, combativo e participativo! Pelo Resgate do Plano Diretor: implementações de ações por parte do CAELL que retome o debate sobre a reforma do nosso prédio! Em defesa da Pró-aluno: que o CA proporcione debates para a solução de todos os
Em defesa da Pró-aluno: que o CA proporcione debates para a solução de todos os problemas cadentes a esse espaço. Boletim aberto do CAELL com prestação de contas sobre as finanças da entidade.do Plano Diretor: implementações de ações por parte do CAELL que retome o debate sobre a

Não aos cortes de Dilma na Educação e ao projeto de reorganização de Alckmin! Nossa

Não aos cortes de Dilma na Educação e ao projeto de reorganização de Alckmin! Nossa educação não pode pagar pela crise!

CRISE NA USP!

Desde o ano passado, na USP a Reitoria e o governo do PSDB, alegando crise financeira, vêm

realizando grandes cortes em áreas essenciais da universidade o que tem afetado as condições de trabalho

e ensino e além de concretizarem um verdadeiro desmonte da nossa universidade! Para os estudantes que

fazem parte dos setores oprimidos e com dificuldades financeiras, muitas vezes esses cortes representam

a impossibilidade de se concluir o curso. Essa é uma realidade bastante presente na graduação em Letras.

A desistência, ao invés de ser encarada pela reitoria como um problema sério, é totalmente negligenciada.

Se contarmos o número de vagas nas habilitações, veremos que é absolutamente insuficiente perto dos alunos que ingressam em nosso curso. Ou seja, a USP conta com as desistências na graduação de Letras. Temos que unificar as lutas de professores, funcionários e estudantes contra o desmonte das

estaduais. Defendemos uma universidade pública, gratuita e com qualidade e para todos. Exigimos de

Alckmin o aumento do investimento em educação, para preservar o caráter público da universidade, ampliar

o seu acesso, democratizá-la e colocá-la a serviço do povo pobre, oprimido e trabalhador do estado de São Paulo.

Abaixo o desmonte e a privatização de Alckmin e Zago! Em defesa de uma USP pública, gratuita à serviço dos trabalhadores! Repasse mínimo de 11,6% do ICMS! Elitização, não! Permanência, sim! Por uma política de permanência específica, que responda às demandas das mulheres, negros e LGBTs. Ampliação das bolsas, já! Juventude e trabalhadores
responda às demandas das mulheres, negros e LGBTs. Ampliação das bolsas, já! sim! Por uma política de permanência específica, que Juventude e trabalhadores juntos em defesa do caráter
Juventude e trabalhadores juntos em defesa do caráter público da universidade! Pela reabertura do bandejão da Prefeitura combinada com mais contratação de trabalhadores! Que a reitoria não seja negligente com a situação desses funcionários.de permanência específica, que responda às demandas das mulheres, negros e LGBTs. Ampliação das bolsas, já!

NÃO VAMOS PAGAR PELA CRISE DO BRASIL E DA USP! ESTUDANTES DA LETRAS ESTÃO JUNTO COM TODA A JUVENTUDE E TRABALHADORES QUE SE LEVANTARAM NO PAÍS!

Para resolvermos profundamente todos os problemas que enfrentamos no decorrer de nossa graduação, precisamos entender quem nos destina essa realidade de elitização e precarização. Desde o

início de 2015, vivemos no Brasil um cenário de grande polarização social. Os governos, federal e estaduais,

o Congresso Nacional e os grandes empresários estão unificados para aplicar um ajuste fiscal que jogue

sobre as nossas costas a conta da crise econômica. Cortam gastos nas áreas sociais como educação e saúde, retiram direitos básicos enquanto usam mais da metade do orçamento do país para pagar os juros da dívida pública. Diante disso, os trabalhadores e a juventude têm resistido. Vivemos o maior pico de greves no país desde 1989. As greves do funcionalismo e da educação, dos operários da GM de São José dos Campos, o levante dos professores do Paraná, as ocupações secundaristas em toda Grande São Paulo, as mulheres contra a PL 5069 de Cunha, entre outros são exemplos que mostram que é preciso lutar e é possível vencer. Frente a isso, vemos a necessidade de nos organizarmos em conjunto com todos aqueles que lutam por outro país. Nós, estudantes da Letras, podemos sentir facilmente essa escolha feita pelos governos de defesa do Ajuste Fiscal e dos grandes empresários em nosso curso. A cada semestre que passa, sentimos mais fortemente as salas de aulas lotadas, a insuficiência no número de professores, a violência no campus entre tantas outras coisas que permeia toda a nossa graduação. Precisamos dizer um grande basta a todos esses governantes, que atacam nossos direitos e estão juntos para aplicar o Ajuste Fiscal, só assim conseguiremos defender nossos direitos. Chega de Dilma, do PT, de Temer, de Cunha, de Renan do PMDB e do PSDB de Aécio Neves! Contra os cortes de Dilma na Educação! Contra o Projeto de Reorganização de Alckmin nas escolas estaduais! Não ao fechamento das escolas!

nas escolas estaduais! Não ao fechamento das escolas! PARA COMBATER AS OPRESSÕES! A letras, felizmente, é

PARA COMBATER AS OPRESSÕES!

A letras, felizmente, é um curso que rompe com os estereótipos da universidade, e que tem muitas e muitos estudantes LGBTs, mulheres, negras e negros. Mesmo assim, somos colocados diariamente frente- a-frente com casos de opressões. É o papel de uma entidade estudantil como CAELL colocar-se frontalmente contra todos esses casos, estimular a auto-organização desses grupos, realizar debates e atividades juntamente a eles.

MEXEU COM UMA, MEXEU COM TODAS! CHEGA DE ESTUPROS, CHEGA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER! PM NO CAMPUS NÃO É A SOLUÇÃO!

A USP é conhecida por inúmeros casos de estupro e de violência contra a mulher. As reitorias negligenciam esse assunto, sem fazer nada para coibir ou punir os responsáveis. Por um lado, desamparam as vítimas e, por outro, deixam os agressores agirem livremente. Com o PIDV, vagas nas creches foram cortadas e as mães estudantes estão sendo obrigadas a escolher: ou estudam ou criam seus filhos. São as mulheres, em especial as negras e LGBTs, as que mais sofrem com a falta de segurança e a violência machista na universidade: o corte de linhas dos ônibus circulares, a falta de investimento em iluminação e em políticas afirmativas contribuem para a insegurança das estudantes. No curso de Letras, existem muitas mulheres ativas no movimento feminista, muitas através do Marias Baderna - coletivo de mulheres do curso. Mas, ainda assim, vemos durante o ano uma série de assédios morais e sexuais, além de agressões físicas ocorrerem. Por isso, é importante um CAELL cada vez mais ativo e presente na construção do coletivo feminista, ajudando na divulgação de nossas atividades e impulsionando nossas pautas, para que mais mulheres se organizem e se sintam representadas através da luta feminista.

COTAS RACIAS, POR REPARAÇÃO EU VOU LUTAR ATÉ O FIM!

A Universidade de São Paulo conta com apenas 7% de estudantes negros e negras. Número muito menor ao percentual de negros no estado de São Paulo. Acreditamos ser imprescindível a luta por cotas raciais nas universidades públicas. Entendemos que a democratização e universalização do acesso ao ensino superior é urgente. Além disso, faz parte da luta contra o racismo exigir que o Estado Brasileiro repare historicamente o que fez com o povo negro. Para a juventude negra, passar no filtro social do vestibular não é o único obstáculo para garantir um diploma: para estudar é preciso ter transporte, livros, alimentação etc. Ou seja, sem permanência estudantil, que leve em conta, não somente a condição social do estudante, mas também se este é negro ou negra, mulher, mulher mãe, ou LGBT, é impossível construir a universidade que queremos. Queremos enegrecer nossa universidade! Na Letras, temos matérias que se relacionam com os estudos de literatura africana, mas além de poucas, são oferecidas como optativas. Isso impossibilita que todo e qualquer estudante tenha o mínimo de contato durante sua graduação com essa cultura - tão importante para a formação do que somos hoje. E para que possamos nos formar fora do eurocentrismo levado pela Universidade de São Paulo. Também achamos muito importante enriquecer cada vez mais o nosso curso com a cultura indígena para termos pleno entendimento da identidade cultural do Brasil. Por isso, é imprescindível que o CAELL se articule e promova atividades e debates referentes aos estudos de cultura e língua indígenas, junto com professores e estudantes que já se dedicam a essa área. Cotas raciais já! Pela aplicação do projeto de lei da Frente Pró Cotas! Fora PM racista, LGBTfóbica e machista da USP e das Favelas! Impulsionar debates para tornar possível a criação o Coletivo de Negras e Negros na Letras! Que o CAELL efetive debates sobre a cultura negra e indígena!

o CAELL efetive debates sobre a cultura negra e indígena! PELO DIREITO DE SER E AMAR
o CAELL efetive debates sobre a cultura negra e indígena! PELO DIREITO DE SER E AMAR

PELO DIREITO DE SER E AMAR QUEM EU QUISER!

Esse ano, vimos inúmeros casos de LGBTfobia dentro e fora do nosso curso e universidade. Desde o Congresso até no dia a dia nas ruas das cidades, as LGBTs são alvos de violência. No último período, pudemos presenciar o ataque que foi a Câmara barrar o debate sobre sexualidade e gênero do Plano Municipal de Educação, impedindo que jovens do ensino público tenham acesso a esse debate dentro da sala de aula - uma alternativa fundamental para minimizar todo o preconceito que sofrem o setor LGBT. Mas não para por aí, tivemos também todas as manifestações machistas e LGBTfóbicas de Cunha, o Estatuto da família, buscando regras para se dizer o que é ou não uma família legítima e, a partir disso, decidir quem poderia ter acesso a maternidade ou pensão, enfim um grande ataque a todas as famílias que saem do padrão heterossexual da nossa sociedade. Não nos faltam motivos para lutar. Em nossa universidade, a realidade das LGBTs não é diferente, são as que mais sofrem com a violência no campus, assédios morais e sexuais nas festas. O curso da Letras é um dos que estão mais LGBTs presentes, somos muitas mulheres lésbicas e bissexuais, gays e a nossa luta para que cada vez mais travestis e trans ocupem essa universidade está de pé. Precisamos lutar contra a burocratização do nome social dentro da USP! A favor do debate de gênero e sexualidade dentro das escolas! Por uma educação não opressora, formadora e que lute contra o preconceito! Pelo fim da burocratização do nome social dentro da USP!

não opressora, formadora e que lute contra o preconceito! Pelo fim da burocratização do nome social