Você está na página 1de 7

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

Tegumento, superfícies respiratórias e outros epitélios em contacto com o meio envolvente ? barreiras às trocas obrigatórias entre o organismo e o seu ambiente.

Processamento das trocas obrigatórias – factores implicados:

a. Gradiente entre o animal e o ambiente

Quanto maior a diferença entre a concentração de uma substância no meio externo

e a concentração nos fluidos corporais, maior a tendência de difusão na direcção da menor concentração.

de difusão na direcção da menor concentração. Importa água do Perde continuamente h i p o
de difusão na direcção da menor concentração. Importa água do Perde continuamente h i p o
de difusão na direcção da menor concentração. Importa água do Perde continuamente h i p o

Importa água do

Perde continuamente

hipotónico

Perde água para o ambiente hipertónico

sais para a água doce

ambiente

Peixe marinho com < NaCl no corpo que na água ?

difusão contínua de sais para o interior do corpo

A taxa de transferência depende da dimensão do gradiente e da permeabilidade e

área da superfície do animal.

Sílvia Gonçalves - ESTM

14

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

b.

Razão superfície/volume

O

volume de um animal varia com o () 3 das suas dimensões lineares, mas a área da

superfície só varia com o () 2 das suas dimensões lineares ? a razão superfície/volume é maior para animais pequenos do que para animais grandes!

é maior para animais pequenos do que para animais grandes! - Área da superfície do tegumento,

- Área da superfície do tegumento, em relação

ao conteúdo em água ? pequeno

maior num animal

- Para uma dada taxa de trocas através do tegumento, um animal pequeno desidrata ou hidrata mais depressa do que um animal grande com a mesma forma

mais depressa do que um animal grande com a mesma forma Quantidade de água que é

Quantidade de água que é perdida por hora (como % do peso do corpo), sob condições quentes de deserto versus o peso do corpo

Sílvia Gonçalves - ESTM

15

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

c. Permeabilidade do tegumento

O tegumento actua como uma barreira entre o compartimento extracelular e o ambiente.

Anfíbios

Peles húmidas, altamente permeáveis, através da qual trocam O 2 e CO 2 e a água e os iões se movem por difusão. A perda de eletrólitos é compensada com o transporte activo de sais do ambiente aquático para o interior do corpo.

Brânquias dos Peixes

Permeáveis, encarregando-se das trocas de O 2 e CO 2 entre o sangue e o ambiente aquático e do transporte activo de sais.

Répteis, alguns anfíbios do Deserto, pássaros e muitos mamíferos

Pele relativamente impermeável, perdendo muito pouca água por esse meio.

Muitos anfíbios e os mamíferos que transpiram

Podem desidratar na presença de pouca humidade, devido à perda de água através do tegumento.

Sílvia Gonçalves - ESTM

16

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

c. Permeabilidade do tegumento (cont.)

Sapos e rãs

Sistema linfático com um grande volume e uma bexiga de grandes dimensões onde armazenam água até necessitarem. A bexiga serve ainda como uma fonte de sais durante os tempos de hidratação excessiva.

Insectos

Apresentam uma cutícula serosa que é altamente impermeável à água ? reduz consideravelmente a sua perda evaporativa de água para o ambiente.

à água ? reduz consideravelmente a sua perda evaporativa de água para o ambiente. Sílvia Gonçalves

Sílvia Gonçalves - ESTM

à água ? reduz consideravelmente a sua perda evaporativa de água para o ambiente. Sílvia Gonçalves

17

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

d. Alimentação, factores metabólicos e excreção

A água e os solutos são obtidos durante a alimentação. Estes produtos finais da digestão e do metabolismo que não possam ser usados pelo organismo têm que ser eliminados.

¸ O CO 2 difunde-se para o ambiente através das superfícies respiratórias

¸ Embora a água seja também produzida durante o metabolismo, as quantidades

produzidas são pequenas e a sua eliminação não é problemática – Água Metabólica

Tabela – Produção de água metabólica durante a oxidação dos alimentos

Hidratos de carbono

Lípidos

Proteínas

Gramas de água metabólica por grama de alimento

0.56

1.07

0.40

¸ Compostos azotados resultantes do metabolismo (ureia, amónia) + ingestão de

sais = Problemas ?

necessário água para os eliminar!

¸ A dieta pode incluir um excesso de água ou um excesso de sais

Sílvia Gonçalves - ESTM

18

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

d. Alimentação, factores metabólicos e excreção (cont.)

Nos animais terrestres, a regulação da concentração de iões no plasma e a excreção de produtos azotados é acompanhada por perdas inevitáveis de água corporal. Adaptações fisiológicas tendem a minimizar este problema:

Insectos

Altamente eficientes na conservação de água durante a excreção, regulando a extensão com que reabsorvem ou eliminam iões de acordo com a condição osmótica do meio.

Mamíferos e Aves

A organização dos seus rins permite-lhes utilizar a multiplicação por contracorrente para

produzir uma urina hiperosmótica que é mais concentrada que o plasma sanguíneo ? permite-lhes explorar ambientes áridos.

Répteis e Anfíbios

A organização dos seus rins não lhes permite efectuar a multiplicação por contracorrente, não

conseguindo produzir uma urina hiperosmótica. Alguns anfíbios adaptaram-se de forma a cessar totalmente a produção de urina quando se encontram em desidratação (stress osmótico).

Sílvia Gonçalves - ESTM

19

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

e. Temperatura, exercício e respiração

A importância da água na regulação térmica do corpo conduz a conflitos e situações de compromisso entre a adaptação fisiológica às temperaturas ambientais e ao stress osmótico nos animais terrestres.

Animais do Deserto!
Animais do Deserto!

Elevadas temperaturas ambientais

- Têm de evitar o sobreaquecimento corporal

Escassez de água no meio

- Têm ainda que evitar a perda de grandes quantidades de água corporal

que evitar a perda de grandes quantidades de água corporal Em algumas situações, aves e mamíferos

Em algumas situações, aves e mamíferos do Deserto preferem subir a temperatura corporal até aos 40ºC invés de perder água por evaporação para arrefecer o corpo.

Sílvia Gonçalves - ESTM

20

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

e. Temperatura, exercício e respiração (cont.)

O exercício corporal intenso gera calor devido ao metabolismo muscular e tem de ser compensado por uma elevada taxa de dissipação de calor.

¸ A compensação é conseguida mais facilmente por perda evaporativa através da pele do que através das superfícies respiratórias.

¸ Apesar do aumento da temperatura corporal, alguns mamíferos muito activos mantêm a temperatura do cérebro devido a uma mecanismo de contracorrente de troca de calor no sangue que irriga a região nasal, sangue esse que regressa posteriormente ao cérebro.

¸ O nariz dos mamíferos desempenha um papel importante na redução das

perdas de água através das superfícies respiratórias – sistema de contracorrente

temporal.

Sílvia Gonçalves - ESTM

21

2.3 Trocas obrigatórias de iões e água

e. Temperatura, exercício e respiração (cont.)

e água e. Temperatura, exercício e respiração (cont.) Sistema de contracorrente temporal num mamífero (nariz frio

Sistema de contracorrente temporal num mamífero (nariz frio ou molhado)

¸ Permite reter a maior parte do vapor de água da respiração ao condensá-lo nas passagens do nariz que são arrefecidas durante a expiração.

¸ Os tecidos apresentam uma temperatura progressivamente mais baixa à medida que se aproximam da extremidade nasal e vice-versa à medida que se aproximam dos pulmões, arrefecendo o ar durante a expiração e retendo água.

Sílvia Gonçalves - ESTM

22

2.4 Osmorreguladores e Osmoconformes

Osmorreguladores – mantêm a osmolaridade interna distinta da do meio onde estão imersos.

Osmoconformes – não controlam activamente as condições osmóticas dos seus líquidos internos e, invés disso, são conformes com a osmolaridade do meio ambiente.

Osmolaridade equivalente interna-externa Osmoconforme estrito (não osmorregulador) Osmorregulador estrito
Osmolaridade equivalente
interna-externa
Osmoconforme estrito
(não osmorregulador)
Osmorregulador estrito
Osmorregulador limitado
Osmolaridade do ambiente
Osmolaridade interna

Sílvia Gonçalves - ESTM

23

2.4

Osmorreguladores e Osmoconformes

 

Osmorreguladores estritos: a maioria dos vertebrados, exceptuando os elasmobrânquios, apresentando uma variação osmótica muito reduzida dos seus líquidos internos.

¸ O sangue dos vertebrados é em geral hiposmótico em relação à água salgada e significativamente hiperosmótico em relação à água doce.

Excepção: tubarões são ligeiramente hiperosmóticos em relação à água salgada

 

¸ Os peixes que migram entre os ambientes marinho e dulçaquícola têm as mesmas características que os outros vertebrados, utilizando contudo mecanismos endócrinos para compensar o stress osmótico provocado pelas mudanças ambientais.

utilizando contudo mecanismos endócrinos para compensar o stress osmótico provocado pelas mudanças ambientais.
 

Sílvia Gonçalves - ESTM

24

2.4

Osmorreguladores e Osmoconformes

 

Invertebrados

Muitos invertebrados terrestres ? capacidade de osmorregulação bem definida

 

Invertebrados aquáticos, de água salobra e marinhos ? osmolaridades ambientais

expostos a diversas

¸ Os invertebrados marinhos estão normalmente em equilíbrio osmótico com a água do mar (concentração iónica fc <=> concentração iónica am )

¸ A concentração iónica dos fluidos corporais dos dulçaquícolas e dos terrestres difere da da água do mar ? Mais diluídos que a água do mar, mas mais concentrados do que a água doce.

Invertebrados aquáticos podem ser:

- osmorreguladores estritos

- osmorreguladores limitados

- Osmoconformes estritos (não osmorregulador)

 
 

Sílvia Gonçalves - ESTM

25

2.4 Osmorreguladores e Osmoconformes

Como resposta às grandes variações ambientais na concentração de electrólitos:

- Os osmoconformes revelam um elevado grau de tolerância osmótica celular

- Os osmorreguladores mantêm uma homeostasia extracelular estrita

mantêm uma homeostasia extracelular estrita Os tecidos internos só são capazes de lidar com

Os tecidos internos só são capazes de lidar com variações muito ligeiras da osmolaridade extracelular. Dependem completamente da regulação osmótica do fluido extracelular para manter o volume das células!

¸ As células dos osmoconformes conseguem lidar com elevadas osmolaridades do plasma ? aumentam a osmolaridade intracelular, mantendo assim o volume.

a osmolaridade intracelular, mantendo assim o volume. Aumentam a concentração de osmólitos orgânicos

Aumentam a concentração de osmólitos orgânicos intracelulares, o que aumenta a osmolaridade intracelular

-Reduz a necessidade do uso de iões inorgânicos para a manutenção da P osmótica, os quais poderiam provocar outros problemas (ex: menor eficiência enzimática)

Sílvia Gonçalves - ESTM

26

2.4 Osmorreguladores e Osmoconformes

Alguns vertebrados e invertebrados marinhos

Utilizam osmólitos orgânicos no sangue, fluídos intersticiais e até dentro das células ? osmolaridade extracelular e intracelular muito próximas da do mar!

Exemplos:

e intracelular muito próximas da do mar! Exemplos: Vários Elasmobrânquios marinhos Peixe celacanto primitivo
e intracelular muito próximas da do mar! Exemplos: Vários Elasmobrânquios marinhos Peixe celacanto primitivo

Vários Elasmobrânquios marinhos

da do mar! Exemplos: Vários Elasmobrânquios marinhos Peixe celacanto primitivo - Latimeria Rã

Peixe celacanto primitivo - Latimeria

marinhos Peixe celacanto primitivo - Latimeria Rã comedora-de-caranguejos de água salobra – Rana

Rã comedora-de-caranguejos de água salobra – Rana cancrivora (SE da Ásia)

ß Ureia

ß Óxido de Trimetilamina (TMAO)

Sílvia Gonçalves - ESTM

27