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scheduled for 15 de Abril de 2012

scheduled for 15 de Abril de 2012 Ano Year VII Abril/Maio/Junho April/May/June 2012 Portugal continental €4

Ano Year VII Abril/Maio/Junho April/May/June

2012

Portugal continental €4

ArchiNews 24

www.archinews.pt

Arquitectura, Urbanismo, Interiores e Design Architecture, Urbanism, Interiors and Design

PROMONTORIO Projectos recentes Recent projects L’And Hotel Montemor-o-Novo, Portugal
PROMONTORIO
Projectos recentes
Recent projects
L’And Hotel
Montemor-o-Novo, Portugal
p. 48 p. 70 p. 82 p. 96 p. 114 p. 126   2 Editorial

p. 48

p. 48 p. 70 p. 82 p. 96 p. 114 p. 126   2 Editorial Editorial

p. 70

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p. 126

 

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Editorial Editorial

6

Destaques Highlights

16

Notícias News

24

Livros Books

26

Internet Internet

ArchiNews 24

28

Agenda Agenda

Abril/Maio/Junho

30

PROMONTORIO

April/May/June

31

Perfil Profile

2012

34

Entrevista Interview

48

Fluviário de Mora Mora River Aquarium

54

Colégio Parque Parque Kindergarten

60

Ópera de Alepo Aleppo Opera House

70

Vivaci Guarda

78

Öböl XI

82

East Lisbon Loft

88

Kempinski Damasco Kempinski Damascus

96

Hotel Tivoli Victoria Banyan Tree Tivoli Victoria Banyan Tree Hotel

106

Hotel Inspira Santa Marta Inspira Santa Marta Hotel

114

Troia Design Hotel

122

Hotel e Parque Urbano Hotel and Urban Park

126

Hotel L’And Vineyards L’And Vineyards Hotel

134

Praça de Entrecampos Entrecampos Square

140

Casa Pátio Patio House

144

Casa da Matriz

152

Embaixada do Egito em Lisboa Embassy of Egypt in Lisbon

158

Design de Produto Product Design

164

Ficha de produtos e serviços Products and services

176

Novidades Novelties

Editorial Editorial

O Intervalo Tectónico: Notas sobre o PROMONTORIO

The Tectonic Interval: Notes on PROMONTORIO

Gerrit Confurius

“A Graça preenche os espaços vazios, mas só pode entrar onde há um vazio para a receber. Devemos continuamente suspender o trabalho da imaginação para preencher o vazio dentro de nós mesmos.” O repto espiritual de Simone Weil, recorda-nos que o intervalo entre a gravidade e a leveza continua a comandar a nossa existência. Arquitetura não é uma exceção a essa condição errante, como corrobora a seleção dos projetos dos PROMONTORIO aqui apresentados. Sendo que seria redutor simplesmente descartá-los como arquitetura pesada ou leve, argumentaremos que, nos projetos aqui reunidos, a tradição

da articulação tectónica entre typos e topos, está garantida na mesma forma que a espacialidade fluida de uma Gestalt livre. Algumas obras dos PROMONTORIO demonstram evidência de uma plasticidade intuitiva evocativa da tradição da Neue Sachlichkeit: onde

a parede e janela eram livremente dispostas de acordo com uma

funcionalidade introspectiva. Estou-me

a referir por exemplo à Casa Pátio,

construída em Grândola, numa floresta de sobreiros junto à costa atlântica do Alentejo. Aqui, não fora a expressão empática que emana das espessas massas de reboco branco, e diria que estamos perante a absoluta consumação da definição de atectónico. O mesmo se pode argumentar sobre o L’And Hotel, também no Alentejo, onde o volume branco, prismático e irregular parece estar simultânea e contraditoriamente a pairar na vinha e imerso na topografia,

“Grace fills empty spaces, but it can only enter where there is a void to receive it. We must continually suspend the work of the imagination in filling the void within ourselves.” Simone Weil’s spiritual call to arms us that it is this interval between gravity and grace that commands our very existence. Architecture is no exception to this wandering condition, as corroborated by the featured selection of projects from PROMONTORIO. And while we could not possibly dismiss them simply as massive or otherwise free from gravity, we will argue that, in the projects gathered here, the tradition of tectonic articulation between typos and topos, is as much guaranteed as the flowing spatiality of a free Gestalt. Some works of PROMONTORIO show evidence of an intuitive plasticity evocative of the tradition of the Neue Sachlichkeit; one

where the wall and the window are freely arranged according to an introspective functionality. Defiantly

sculptural, I have in mind, for instances, the Patio House, built in Grandola, in an oak forest near the Atlantic coast of the Alentejo. In the latter, were it not for the sensibility that emanates from sheer presence of material and joint, one could not but perceive it as the avatar of the atectonic. Much the same could be argued about the L’And Hotel, also in the Alentejo, where the sensuously jagged white volume is seemingly part hovering in the vineyard,

enquanto as janelas horizontais

e

emoldurar a paisagem. Aqui, como em projetos anteriores, testemunhamos a necessidade dos PROMONTORIO em conciliar forma e contexto. Nada poderia estar mais distante desta delicada plasticidade, que o

conjunto habitacional e de serviços da Praça de Entrecampos, projetada para

o centro de Lisboa, entre 2004 e 2011.

Aqui, num contexto de transição entre

a matriz ortogonal do bairro burguês

do século XIX, e sua rarefação num urbanismo tipo Unité, o plano procura criar grandes blocos perimetrais com intensa porosidade pública ao nível do

solo para acesso a escritórios e pequeno comércio, assim evitando a mono- funcionalidade associada aos grandes complexos habitacionais. O sistema de fachada, uma massiva assemblagem de painéis de betão pigmentado e pré-moldado em U, combinadas com caixilharias de alumínio anodizado dourado, consegue ajustar-se à acidentada topografia e aos múltiplos requisitos funcionais do programa. No que diz respeito à noção de articulação tectónica, encontramos uma abordagem semelhante na escola infantil O Parque, projetada para um bairro afluente do concelho de Cascais, na zona metropolitana de Lisboa.

os pátios murados servem para

O pequeno edifício de dois pisos

foi gerado a partir de um sistema geométrico de favos que organicamente se desenvolvem contra os muros limites do terreno irregular e inclinado. Ecos dos métodos pedagógicos nórdicos

do pós-guerra estarão certamente

part encrusted in the topography,

while framed by punched windows and walled patios. Here, as in earlier projects, we witness PROMONTORIO’s need to reconcile form and context. Nothing could be further from this delicate plasticity, than the Entrecampos Housing Estate, complete to the design of the

Portuguese architects between 2004 and 2011, in Lisbon. Here, in a

context split between the bourgeois 19th-century grid-block district and the rarefied sprawl of the Unité-type, the plan seeks a porous perimeter block public courtyard type accessible at ground level for retail and small services thereby eschewing the mono-functionality associated with large housing estates. The façade, a solid and durable assemblage of pink and green pigmented precast U-panels, combined with light-gold anodized aluminium framing, is able to inflect to the topography and articulate the manifold requisites of the programme. In what concerns the notion of tectonic articulation, a similar approach can be found in the Parque kindergarten, commissioned for an affluent quarter of the municipality

of Cascais, outside of Lisbon. There, the 2-storey honeycomb- shaped building spreads organically against the walled boundaries of the tight and steep plot, while Nordic influences of post-war pedagogical methods are certainly implied in

implícitos nos módulos pentagonais das salas de aula. Mas evoca também a vasta investigação em torno das estruturas em favos e dos seus desenvolvimentos orgânicos, de Yona Friedman e dos metabolistas japoneses, como Isosaki e Kurokawa, aos estruturalistas holandeses, como Hertzberger e Van Eyck. O sistema de construção, combinando lajes de betão moldadas in-situ com paredes de alvenaria de tijolo à vista caiados, em conjunto com grandes caixilharias de madeira pintada de branco, sugere o tipo de expressão que se pode encontrar, por exemplo, em obras de Arne Jacobsen ou de Rudolf Schwarz. Essa abordagem à tectónica pesada está igualmente presente no hotel Victoria, mas aqui monumentalidade ocorre numa forma que lembra um pouco a ilusória imagem de magnificência forjada em Itália na década de 30 sob os auspícios do chamado stile Littorio, ou do seu equivalente em Portugal pela mão de Pardal Monteiro, um autor do qual os PROMOTORIO são admiradores confessos. Nele, a rigorosa repetição do “Schinkelesco” módulo de fachada de pilastra-e-lintel, evocativo da dicotomia entre Kernform e Kunstform, entre revestimento e estrutura, surpreendentemente dissolve a colossal massa deste conjunto no esplendor romântico de um Grand Hotel. A combinação de lintéis pré-moldados em betão branco subliminarmente apoiados em robustas pilastras revestidas a um espesso arenito amarelo, –como que reminiscente de um opus siliceum–,

the pentagonal classroom modules. But one is also reminded of the vast enquiry on the honeycomb and the organic pattern, from Yona Friedman and Japanese Metabolists, like Isosaki and Kurokawa, to Dutch structuralists, like Hertzberger and Van Eyck. The construction system, combining concrete slabs cast in-situ and whitewashed in burnt lime, with portent walls of bond brickwork and large wood frames painted white, suggests the kind of expression one would find, say, in Arne Jacobsen or Rudolf Schwarz. Much of this heavyweight tectonic approach can be equally found in the Victoria hotel, but here monumentality has taken place in a manner that recalls the somewhat illusory image of magnificence forged under the 1930s Italian stile Littorio, or its Portuguese counterpart Pardal Monteiro, of which the architects of PROMONTORIO are openly admirers. There, the severe repetition of the Schinkelesque post- and-lintel facade module, echoing the dichotomy between Kernform and Kunstform, between cladding and structure, astonishingly dissolves the colossal mass of the ensemble into the romantic splendour of a Grand Hotel. Combined with the white precast lintels, the superimposed stereotomics of thick yellow sandstone cladding, –reminiscent of some mutated form of opus siliceum–, are exemplary of the recurrent concerns of PROMONTORIO.

são exemplares das preocupações atuais dos PROMONTORIO. Recordo projetos anteriores, como as Torres do Tejo de 2001 e Bloco Carnide de 2003, ambos em Lisboa, ou mesmo o remoto Centro Lubango, em construção no hinterland angolano. Em todos estes casos, a tectónica manifesta-se pela consistente e contínua articulação dos módulos estruturais de uma forma que alude à hipotética transferência de cargas nas fachadas. A presença de Mies está ainda longe de perder a sua aura quando se trata de lidar com o potencial expressivo da fachada em vidro curvo, canonizado na ondulante planta do seu arranha-céu proposto para Friedrichstrasse, em Berlim, em 1922. É certamente essa a referência subjacente ao projeto do Troia Design Hotel, de 2009, onde um sistema de amplas varandas com guardas em vidro curvo e balanços desencontrados entre pisos pretende gerar o êxtase tipicamente associado aos hotéis-casino. Enquanto abordagem dos PROMONTORIO às questões da tectónica parece ter sido sistematicamente marcada pelas questões da assemblagem e do engenho mecânico que lhe está associado, os últimos anos testemunham a sua reificação numa espécie de poésie d’equipage que aparentemente tenta pegar onde Ponti e Møller deixaram. Tenho em mente não apenas os inúmeros objetos e peças de mobiliário projetados como peças autónomas, mas também aqueles concebidos para interiores específicos.

Editorial Editorial

I also have in mind earlier projects, such as the Tejo towers of 2001, Bloco Carnide of 2003, both in Lisbon, or even the remote Lubango centre, currently under construction in the African hinterland. In all these cases, the stereotomic makes itself manifest by a consistent and continuous articulation of the cladding units in a way that alludes to a hypothetical transfer of loads in the facade. The presence of Mies is still far from losing its aura when it comes to dealing with the expressive potential of the glassed façade, having in mind his undulating glass skyscraper designed for Friedrichstrasse, Berlin, in 1922. That is certainly the reference for the Troia Design Hotel, of 2009, where a glassed system of balcony bulkheads cleverly swings in mismatched floors to generate the kind of rapture usually associated with casino hotels. While PROMONTORIO’s underlying approach to tectonics has been systematically focused on the problems of assemblage and its mechanical engagement, recent years witnessed its reification in a kind of poésie d’équipage that seemingly attempt to pick up where Ponti and Møller left. I have in mind the countless objects and furniture pieces designed not only as stand-alone products, but also those “built- in” for specific interiors. Always somewhat witty, and definitively more Gemütlich than Sachlich, these objects seem to reconcile comfort

Editorial Editorial

Sempre um pouco irónicos, e definitivamente mais Gemütlich que Sachlich, esses objetos parecem conciliar o conforto e a elegância em termos semelhantes aos que encontramos na tradição do design escandinavo. Num mundo cada vez mais dominado

pelo “espetacular”, vis-à-vis o desprezo

e indiferença pela continuidade

física e histórica da forma cívica, é de uma sobriedade exemplar encontrar uma prática profissional que consegue sair fora do seu elemento para criar uma arquitetura que é declaradamente aberta à criação de contexto e à formação de comunidade. O trabalho do PROMONTORIO remete-nos de novo para a seminal Complexidade e Contradição de Venturi, que ao espírito de Alberti nos recorda que “ os arquitetos deveriam ser especialistas nas convenções existentes,” no sentido em que, “o que selecionam, é muito mais do que o que criam.” Nesse sentido, o métier dos PROMONTORIO

é razoavelmente próximo das demandas do mestre português Fernando

Távora, cuja capacidade de conciliar

a complexidade do programa com os

problemas de linguagem, o deixou sempre tão aberto à contingência formal, como inquieto com os aspectos redutores dos radicalismos.

Gerrit Confurius nasceu em Lübeck, em 1946. Estudou linguística alemã, sociologia e história da arte em Hamburgo, Viena e Munique (Dr.Phil). Lecionou e trabalhou como freelancer para vários jornais e publicações sobre arte e arquitetura, servindo como editor de Bauwelt entre 1992 e 1999. Nesse mesmo ano, foi nomeado diretor da Daidalos, uma revista de arquitetura, arte e cultura, também sediada em Berlim. Atualmente, escreve ficção e romances policiais.

and elegance in similar terms to those one encounters in the stirrings of Scandinavian design. In a world that is increasingly dominated by the “spectacular”, vis-à-vis the indifference, if not disdain, for the physical and historical continuity of the civic form, it is a note of sobriety to

find a contemporary practice like PROMONTORIO setting itself out to produce an architecture that is overtly open to the creation of context and the formation of community. Their work returns us to Venturi’s seminal Complexity and Contradiction, who in the spirit of Alberti reminds us that, “architects should be experts in the existing conventions”, in that “they select us much as they create.” In this sense, PROMONTORIO’s métier is fairly close the stirrings of the Portuguese master Fernando Távora, whose ability to reconcile the complexity of programme with the problems of

language, left him just as open to formal contingency as uneasy with reductive radicalism.

Gerrit Confurius was born in Lübeck in 1946. He studied German linguistics, sociology and history of art in Hamburg, Vienna and Munich (Dr.Phil). He lectured and worked as a freelance journalist for various journals and publications on art and architecture, serving as editor of Bauwelt between 1992 and 1999. In that same year, he was appointed editor-in-chief of Daidalos, a critical journal of architecture, art and culture, also based in Berlin. Currently, he writes crime novels and other fiction.

Créditos Credits

Créditos

Credits

Director Director

Carlos Alho

Director editorial Editor-in-chief João Carlos Fonseca

Conselho editorial Editorial board Arquitetura Architecture António Pereira da Silva, António Reis Cabrita Arquitetura paisagista Landscape architecture Constança Vasconcelos Crítica Criticism Vasco Pinheiro, Pedro Correia Engenharia Engineering Teixeira Trigo Urbanismo Urbanism João Guterres, Manuel Fernandes de Sá, Rui Esteves Reabilitação urbana Urban rehabilitaion Eunice Salavessa, José Trindade Chagas Design Design Jorge Carvalho, António Segurado Arte Art António Branquinho Pequeno, Cristina Ataíde, Sofia Águas

Equipa de redacção Editorial staff Carlos dos Santos, Rui Solano d’Almeida

Arte/Design Art/Design Paula Azevedo, PROMONTORIO

Fotografia Photography Fg+Sg - Fotografia de Arquitetura, José Campos, Telmo Miller

Secretariado Administrative Alexandra Mendes da Fonseca

Fotografia da Capa Cover Photograph Fg+Sg - Fotografia de Arquitetura L’And Hotel, Montemor-o-Novo

Colaboradores desta edição Colaborators in this edition Carlos Sardo, Marisa Rosário, PROMONTORIO

Correspondentes Correspondents Alex Mccuaig, Peter Barret, Steve Curwell (Inglaterra), Antonino Marguccio, Daniela Ermano, Lucio Magri (Itália)

Tradução Translation

Inês Martins

Revisão Revision Maria João Mendes

Directora de Comunicação Communication Director Mónica Fonseca

Marketing e Publicidade Marketing and Advertising João Santos, Sofia Filipe

Editora Publisher

Insidecity, Lda.

R.

Maestro António Taborda, 28 R/C, 1200-716 Lisboa

T

(+351) 213 930 176

F (+351) 213 930 178

E

archinews@mail.telepac.pt, insidecity@mail.telepac.pt

Impressão Printing TEXTYPE - Artes Gráficas, Lda. Estrada de Benfica, 212-A, 1500-094 Lisboa

Distribuição Destribution

Vasp

ISSN: 1646-2262 Registo no I.C.S. N.º 124.476

N.º Depósito Legal: 223042/5

Tiragem Print run 10.000 ex.

Interdita a reprodução de textos e imagens por quaisquer meios Reproduction of images or texts by whichever means is strictly forbiden.

PROMONTORIO

PROMONTORIO

Paulo Martins Barata João Luís Ferreira Paulo Perloiro João Perloiro Pedro Appleton

30

30

ArchiNews 24

ArchiNews 24

PROMONTORIO: Perfil

PROMONTORIO: Profile

PROMONTORIO: Perfil PROMONTORIO: Profile PROMONTORIO Lisboa Lisbon A abordagem do PROMONTORIO à forma urbana tem sido

PROMONTORIO Lisboa Lisbon

A abordagem

do PROMONTORIO

à forma urbana tem

sido consistentemente

identificada com

a procura de um

sistema de robustez

(solidez, estabilidade

e durabilidade)

Underlying its approach to the urban form, the work of PROMONTORIO has often been identified with the pursuit of a ‘system of robustness’ (i.e. solidity, stability and durability)

Fundado por Paulo Martins Barata, João Luís Ferreira, Paulo Perloiro, Pedro Appleton e João Perloiro, o PROMONTORIO teve início em Lisboa, em 1990, como estúdio experimental e evoluiu consistentemente para uma equipa multidisciplinar de arquitetos, paisagistas, designers de interiores e designers gráficos. A abordagem do PROMONTORIO à forma urbana tem sido consistentemente identificada com a procura de um sistema de robustez (solidez, estabilidade e durabilidade), quer em termos de significado representacional, quer em termos de pesquisa e inovação, e implementada em obras de grande dimensão e complexidade. Desde o início, a equipa funciona numa estrutura coesa, orientada para o desenvolvimento de projetos de grande escala urbana, incluindo escolas, museus e edifícios institucionais, habitação, escritórios, hotéis e outros programas mistos. O PROMONTORIO tem desenvolvido projetos para Alemanha, Argélia, Angola, Brasil, Bulgária, Cabo Verde, China, Dubai, Egito, Hungria, Itália, Geórgia, Moçambique, Portugal, Qatar, Roménia, Sérvia, Síria, Espanha, Suíça, Turquia e Vietname, tendo estabelecido parcerias em muitos destes países.

PROMONTORIO

Lead by Paulo Martins Barata, Joao Luís Ferreira, Paulo Perloiro, Pedro Appleton and Joao Perloiro, PROMONTORIO began in Lisbon in 1990 as an experimental studio and consistently grew into a multidisciplinary practice of architects, planners, landscape architects, interior designers and graphic designers. Underlying its approach to the urban form, the work of PROMONTORIO has often been identified with the pursuit of a ‘system of robustness’ (i.e. solidity, stability and durability) both in terms of representational meaning and technical research. This cohesive and interactive structure has enabled PROMONTORIO to deal with large and complex projects both in terms of design and programme, ranging from schools, museums and cultural institutions, to housing, offices, hotels and retail and mixed-use. PROMONTORIO has accomplished projects in Algeria, Angola, Brazil, Bulgaria, Cape Verde, China, Dubai, Egypt, Germany, Hungary, Italy, Georgia, Mozambique, Portugal, Qatar, Romania, Serbia, Syria, Spain, Switzerland, Turkey and Vietnam, having established partnerships in many of these.

PROMONTORIO

PROMONTORIO: Trabalhos selecionados

PROMONTORIO: Selected works

Trabalhos selecionados PROMONTORIO: Selected works Complexo Oriente Oriente complex Principais obras Main

Complexo Oriente Oriente complex

Principais obras Main Projects (built)

L’And Vineyards, Masterplan and key buildings, Montemor-o-novo, 2010-2011 Tivoli Victoria Hotel, Vilamoura, Algarve, 2004-2009 Vivaci Shopping Centre, Guarda, 2006-2009 Praca de Entrecampos, Lisbon, 2006-2009 Troia Design Hotel, 2006-2009 Dolce Vita Shopping Centre, Ovar, 2003-2007 Mora River Aquarium, Mora, Alentejo, 2005-2006 Oriente Complex, Expo’98, Lisbon, 1998-2002 Telheiras Housing, 1994-1997 Rank Xerox Portugal, Lisbon, 1992-1996 Lisbon Book fair Pavilion, Ministry of Culture, 1990

Publicações (Seleção) Publications (Selection)

A10, Area, Architectural Review, Architecti, Arqa, Arquitectura Viva, A+T, AV, c3, Detail, 2G, Domus, Expresso, Prototypo, Público, JA, L’Architecture d’Aujourd’hui, Lotus International, Techniques & Architecture, The Plan.

International, Techniques & Architecture, The Plan. Habitações de Telheiras Telheiras housing Livros Books

Habitações de Telheiras Telheiras housing

Livros Books

Architecture for Tourism, Lisbon; 2010. Retail by Design Specialists, Lisbon; 2010. Telheiras Housing, White & Blue, Lisbon; 2003. Bloco Carnide, Asa, Porto; 2002. Xerox, Prototypo Books, Lisbon; 2002.

Exposições (Seleção) Exhibitions (Selection)

Collectif, nouvelles formes d’habitat collectif en Europe, Arc-en-Rêve, Bordeaux, France, 2009 Portugiesische Architektur im Ausland, Aedes Gallery, Berlin, Germany, 2009 Portugal Now, Cornell University, Ithaca, USA, Spring 2008 Portuguese Architecture and Design 1990-2005, La Triennale di Milano, Italy, 2005 Metaflux, La Biennale di Venezia, 9th International Architecture Exhibition, Venice, Italy, 2004 Influx, Serralves Museum, Porto, Portugal, 2003 2 a Exposição Nacional de Arquitectura, Sociedade de Belas-Artes, Lisbon, Portugal, 1992

, Sociedade de Belas-Artes, Lisbon, Portugal, 1992 Sede da Xerox Portugal Offices of Xerox Portugal Prémios

Sede da Xerox Portugal Offices of Xerox Portugal

Prémios Awards

1 st Prize, Architecture Prize Vale da Gândara 2012 (Parque Kindergarten) International Architecture Award, The Chicago Atheneaum Museum of Architecture and Design,

2012 (L’And Vineyards Hotel)

European Steel Design Award, 2011 Finalist, World Architecture Festival, Barcelona, 2010 Finalist, SECIL Portuguese National Prize for Architecture, 2008

2 nd Prize, VI Bienal Iberoamericana de Arquitetura e Urbanismo (BIAU), 2008 International Architecture Award, The Chicago Atheneaum Museum of Architecture and Design,

2008 (Mora River Aquarium)

Short-listed runner-up, BSI Swiss Architectural Award, 2008 1 st Prize, Portuguese Museum Award, 2008 Nominee, EU Prize for Contemporary Architecture Mies van der Rohe Award, 2007 Finalist, Secil Portuguese National Prize for Architecture, 2004 Honorable Mention, Architecti-Arkial Prize, 1999 Finalist, Secil Portuguese National Prize for Architecture, 1998 Shortlisted, Valmor Prize, 1997

Bloco Carnide Carnide Block Concursos premiados Awarded competitions Correio-Mor Housing Estate , Loures (greater

Bloco Carnide Carnide Block

Concursos premiados Awarded competitions

Correio-Mor Housing Estate, Loures (greater Lisbon), Portugal, 2011 (competition, 1 st -prize) Palmares Golf Villas, Lagos (Algarve), Portugal,

2011 (competition, design awarded)

Embassy of Egypt (Restelo), Lisbon, Portugal, 2010

(competition, 1 st -prize)

National Forensics Police, Lisbon, Portugal, 2010 (competition, 2 nd -prize) Comporta Terraces (Alentejo), Portugal, 2010 (competition, 1 st -prize) Open-air Museum of the Alcacer Castle, Alcacer do Sal (Alentejo), Portugal, 2010 (public competition, 1 st -prize) Alcacer Riverfront Alcacer do Sal (Alentejo), Portugal, 2010 (open competition, 1 st prize) Siófok Contemporary Art Centre, Siófok, Hungary,

2010 (competition, 2 nd -prize)

Tivoli Carvoeiro, Carvoeiro (Algarve), Portugal,

2010 (shortlist competition, 2 nd -prize)

Radisson Sochi Grand Marina, Sochi (Krasnodar), Russia, 2010 (competition, 2 nd -prize) Troia Casino (Grandola), Portugal, 2009

(competition, 1 st -prize) – 2011 (built)

2009 (competition, 1 s t -prize) – 2011 (built) Lote 1.10 Plot 1.10 Tivoli Jardim Interior

Lote 1.10 Plot 1.10

Tivoli Jardim Interior Design, Lisbon, Portugal,

2008 (shortlist competition, 1 st -prize)

Palmares Golf Townhouses, Meia Praia (Lagos),

Algarve, 2008 (competition, 1 st -prize)

Forte Centre Carnaxide (greater Lisbon), Portugal,

2008 (competition, 1 st -prize)

Vilalara Resort Lagoa, Porches (Algarve), Portugal,

2008 (shortlist competition, 1 st -prize) – 2011

(refurbishment, built) Troia Design Hotel Interior Design (Alentejo), Portugal, 2007 (competition, 1 st -prize) (built)

Troia Design Hotel Spa (Alentejo), Portugal 2007 (competition, 1 st -prize) – 2010 (built) Insectarium, Portimao riverfront (Algarve), Portugal, 2006 (competition, 1 st -prize) Originarium, Portimao riverfront (Algarve), Portugal, 2006 (competition, 1 st -prize)

Aquarium, Portimao riverfront (Algarve), Portugal,

2006 (competition, 1 st -prize)

Portimao Riverfront (Algarve), Portugal, 2006 (competition, 1 st -prize) Fabrica Housing, Lagos (Algarve), Portugal, 2006 (shortlist competition, 2 nd -prize)

PROMONTORIO

2006 (shortlist competition, 2 n d -prize) PROMONTORIO Gabinete do Primeiro Ministro Cabinet of Prime Minister

Gabinete do Primeiro Ministro Cabinet of Prime Minister

Mora River Aquarium (Alentejo), Portugal, 2004 (competition, 1 st -prize) – 2006 (built) European Library of Information and Culture, Milan, 2002 (shortlist competition, 2 nd -prize) Portugal Telecom Store chain, Portugal, 2002 (shortlist competition, 1 st -prize) Westin Lisboa Hotel, Lisbon Expo’98 (Parque das Nações), Portugal 2001 (shortlist competition, 1 st -prize) Xerox Centre, Lisbon, Portugal, 1996 (shortlist competition, 1 st -prize) – 2001 (built) Lisbon Exhibition Centre, Expo’98, Portugal, 1994 (shortlist competition, 2 nd -prize) Telheiras Housing, Lisbon, 1993 (competition, 1 st -prize) – 1997 (built)

PROMONTORIO

Entrevista ao PROMONTORIO

Interview to PROMONTORIO

João Carlos Fonseca (Texto Text) Telmo Miller (Fotografia Photography)

Fundado há duas décadas, o PROMONTORIO é um ateliê com uma prática verdadeiramente única em Portugal. Não apenas pela forma desassombrada como encara a diversidade da escala, dos programas e das localizações, mas também pela notável resistência disciplinar e tectónica que procura conferir à arquitetura. Num universo crescentemente

dominado pelos média, a obra dos PROMONTORIO remete-nos para princípios e valores universais da arte de construir, como

a solidez, o conforto e a durabilidade.

À conversa com dois dos sócios, procurámos compreender

a fundamentação crítica deste ateliê, desde os aspectos mais

teóricos e simbólicos, às metodologias e questões operacionais que envolvem obras em sítios tão diversos como Egito, Qatar, Moçambique, Síria ou Sibéria.

PROMONTORIO

Founded two decades ago, PROMONTORIO is a truly unique practice in Portugal. Not only by the way it set itself out to blatantly respond a complex environment both it terms of scale, range of programmes and locations, but also the remarkable disciplinary resistance and tectonic character it has relentlessly sought. In a world increasingly dominated by the media, the work of PROMONTORIO returns us to the universal principles of the Art of Building, namely, solidity, comfort and durability.

In a candid conversation with two of its partners, we probe into the critical foundations of this studio, both in terms of its theoretical and symbolic principles, as well as its operational concerns involving working in such disparate locations as Egypt, Qatar, Mozambique, Syria or Siberia.

ARCHI – PROMONTORIO: 5 sócios, 50 colaboradores, uma resposta multidisciplinar: Arquitetura, Planeamento, Paisagismo, Interiores, Design de Produto. Como é que se organizam? Dividem-se por áreas de intervenção? Trabalha-se em equipa? Paulo Martins Barata Todos respondemos integralmente às várias áreas disciplinares. Ainda assim, ao longo dos anos, cada um procurou respostas para as suas áreas de interesse específico e essa partilha tem sido importante.

ARCHI – 5 partners, 50 collaborators, a multidisciplinary response:

architecture, planning, landscape design and interior design. How do you organize? Are you divided by areas of intervention? Do you work as a team? Paulo Martins Barata – We all respond fully to the various subject areas. Over the years, each of us has sought answers to their own specific areas of interest and the sharing of that has been very important to us all. The partner who seeks or

O

sócio que angaria ou fideliza um cliente pode, ou não, ser ele a desenvolver

brings in a new client may or may not be the one to develop the project. Since

o

projeto. Como trabalhamos em equipa, não há propriamente uma “cadeia

we do our work as a team, there isn’t really a production chain approach.

de

produção”.

João Luís Ferreira – Everything is as it has always been, since, from

João Luís Ferreira Tudo é como sempre foi, uma vez que do conceito

concept to construction, diluted though it may be, there is an implicit

obra, embora ela seja diluída, há uma autoria implícita, há a presença de alguém que conduz o processo do princípio ao fim. Mas como o que nos

à

authorship, and there is always the presence of someone who leads the whole process from beginning to end. But, since what interests us is the rationality

interessa é a racionalidade da obra, procuramos que sejam mais uma tese, do que uma expressão da personalidade.

of the work itself, we prefer our work to express more of a thesis than an expression of individuality.

PROMONTORIO

A aurora da modernidade, ainda assente no artífice, base de uma cultura tectónica, sofreu uma mutação, tanto no figurativo, como no abstrato. Obrigou o arquiteto a sair do plano da criação e da produção da arquitetura em si mesma, para o colocar no plano das imagens e referências visuais; um mundo estranhamente próximo da publicidade

The dawn of modernism, still based on a tectonic culture, a culture of craftsmanship, has mutated both figuratively and abstractly. It forced the architect to leave the field of architectural creation in itself, to position himself in world of images and visual references; a world strangely closer to advertising

ARCHI – Existe um espaço de liberdade e de intervenção colectiva ao nível da concepção? PMB – Há sempre consensos parciais sobre determinadas ideias e princípios, que são fundamentais. Mas não significa que haja uma lógica doutrinária ou que tenhamos os cinco que estar de acordo. ARCHI – Não há necessidade de gestão de conflitos em determinados momentos que obrigue a maiores manifestações de liderança? PMB – Sim, de vez em quando, mas também há confiança mútua. Quem assume um trabalho tem de o liderar e gerir a relação com o cliente. Tem de ter espaço de manobra; não pode ficar à espera de ser legitimado pelos outros sócios. ARCHI – A tendência mais experimentalista dos primeiros anos ainda se mantém? PMB – Curiosamente, não sei se hoje não seremos hoje mais laboratoriais do que no passado… Trata-se até de uma questão de necessidade.

ARCHI – Is there a space of freedom and of collective intervention on a conceptual level? PMB There is always partial consensus about certain ideas, which are fundamental. But it does not mean that there is a doctrinal dictat or that the five of us have to be in agreement. ARCHI – Is there any need for conflict management at certain moments that force you to greater manifestations of leadership? PMB Yes, every once in a while, but there is also mutual trust. The one who takes on a job has to lead and manage the relationship with the client. One must have room to manoeuvre, and cannot stand there waiting to be endorsed by the other partners. ARCHI – Does the more experimentalist trend of your early years still hold? PMB Interestingly, I find that we are more experimental today than in the past… It’s actually a matter of necessity. JLF Experimentalism is a modern concept and today it seems that everything advances only through experience, through trial and error. If everything were an experience there would be no knowledge. However, much of the work that is done from a certain moment on is the result of cumulative knowledge, of awareness. In the beginning there may be this idea

of experimentalism, but you can’t keep it up forever. Unless one wants to keep

on dazzling without drawing any conclusions

of though, be that as it may philosophical, artistic, or other. ARCHI – How do you approach the adaptation process to new realities? PMB Permanently, there is no other way. Those who fail to understand the Real Politik of the profession will find great limitations in terms of their working with consequence, with a clear assessment of the practice. JLF All art, as all philosophy, lives from the present, or from permanent re-actualization, otherwise it’s either culture or history. Our proposals are for the immediate future and we know, in every moment, that what we do is the best synthesis of everything we’ve learned, memorized, criticized and has

What we have is the update

JLF Mas nunca o experimentalismo pelo experimentalismo, que em abstrato, é um conceito moderno. Hoje parece que tudo apenas avança por experiências, por ensaio e erro. Se tudo fosse experiência não haveria saber. Ora, muito do trabalho que se faz a partir de certo momento é

resultado de um saber, de uma consciência. No início pode haver essa ideia de experimentalismo, mas não se fica para sempre nisso. A não ser que se queira

ir de deslumbramento em deslumbramento, sem tirar conclusões. O que há é

actualização do pensamento, seja filosófico, artístico, ou outro. ARCHI – Como abordam o processo de adequação a novas realidades? PMB De forma permanente; não há mesmo outro caminho. Quem não compreender a Real Politik da profissão à sua volta terá grandes limitações para actuar de forma consciente; com plena noção do que está a fazer. JLF Toda a arte, como toda a filosofia, vive da atualidade, ou da permanente reatualização, senão é cultura ou história. As nossas propostas são no imediato e sabemos, em cada momento, que o que fazemos é a melhor síntese possível de tudo o que aprendemos, memorizamos, criticamos e nos induziu numa necessidade de comunicação, de expressão, de participação Procuramos seguir alguns princípios que fazem parte da própria essência da

arquitetura, como as ideias de durabilidade, de construir bem, de conforto, de utilidade, etc. E perante novas solicitações, tipos de projetos e usos diferentes, diferentes localizações e culturas, somos impelidos a pensar aqueles princípios e a traduzi-los perante essas novas realidades e a pensar tudo de novo. A nossa formação e os anos de aprendizagem, que se foram consolidando, nunca podem ser – e aqui julgo que nunca foram –, uma espécie de fórmula. Mas há uma preparação e um conhecimento que nos permite abordar questões novas sem necessariamente pormos em causa tudo

o que sabemos. ARCHI – Os tempos atuais são de maior pressão e angústia. O tempo também é mais curto. A necessidade de resposta rápida, eficiente e eficaz é mais aguda do que no passado… JLF Há sempre incerteza quanto ao futuro. O que é diferente agora

PROMONTORIO

quanto ao futuro. O que é diferente agora PROMONTORIO Parque urbano de Portimão, maqueta de arena

Parque urbano de Portimão, maqueta de arena de BTT, 2010 Portimão urban park, model of BTT arena, 2010

induced us into a necessity of communication, expression, participation We try to follow certain principles that are part of the very essence of architecture, such as the principles of durability, of quality in construction, comfort, usefulness, etc. And before new requests, types of projects and different uses, different locations and cultures, we are impelled to think of those principles and to translate them before these new realities and to think it all over again. Our training and years of learning, which have been consolidated, can never be – and here I believe they never were – a kind of formula. But there is a preparation and a wisdom that allows us to tackle new issues without necessarily questioning everything we know. ARCHI – Present times are of higher pressure and anguish. Time is also shorter. The need for a fast, efficient and effective response is more acute than in the past JLF There is always uncertainty about the future. What is different now is that we are not anesthetized with exaggerated optimisms. If pessimism is not a systematic way of observing reality, is good for tempering overconfidence, which, at a certain point, becomes a dictatorship of certainties, which are by nature, uncertain, and guaranteed successes that may not be so guaranteed. Anguish is a state of progress and thus, not a definitive status. It comes from

PROMONTORIO

os bons arquitetos, quando morrem, não vão para o céu, mas para a Suíça

when

good architects die,

they don’t go to heaven, they go to Switzerland

é o facto de não estarmos anestesiados com optimismos exagerados.

O pessimismo, se não for um modo sistemático de ver a realidade, é bom para temperar o excesso de confiança que se torna a certa altura numa ditadura de certezas que são por natureza incertas e sucessos garantidos que poderão não estar tão garantidos. A angústia é uma fase de um progresso

e por isso não é um estado definitivo. Surge perante a dificuldade de resolver

bem os problemas de qualquer natureza. A pressão cria angústia porque reduz o tempo de reflexão e de resposta e essa exigência é cada vez mais forte. Porém, a verdadeira pressão vem do afastamento do pensamento e da reflexão disciplinar e hoje o escape é o recurso ao mundo das imagens, ao que

está feito, à citação. Vivemos rodeados de imagens. Parece que tudo já foi feito. Procurar ser original é quase absurdo! A citação reautoriza e valida um discurso e dá entrada a um novo senador (risos). E aí surgem as poses heróicas. Não já das obras mas dos seus autores a serem fotografados como se fossem monges, eremitas ou imperadores romanos. É preciso procurar outros caminhos. Vive-se a consciência de que o tempo é transição, passagem de dois mundos: um a que já nos tínhamos acomodado; e o outro que nos exige novas perspectivas. A globalização, por exemplo, aproximou o local do global, mas perdeu-se a mediação. Filosoficamente, a relação do indivíduo com o absoluto é feita de mediações, várias entidades e identidades – a família, o povo, ou o continente a que se pertence, os valores culturais. Todas estas

the difficulty of properly solving problems of any nature. Pressure creates anguish because it reduces the time for reflection and response, and this requirement is increasingly stronger. However, the real pressure comes from the removal of thought and disciplinary reflection, and today the escape is made through the world of images, through what is already done, the quote. We live surrounded by images. It seems that everything has already been done.

Looking for originality is almost absurd! The quote reauthorizes and validates

a discourse, giving entrance to a new Senator (laughs). And there are the

heroic poses. Not of works but of their authors to be photographed as though

they were monks, hermits or Roman emperors. We must search for other paths. We are aware that time is transition, the passage of two worlds: one that we are already accustomed to, and the other that demands from us new perspectives. Globalization, for instance, has approached local to global, but mediation got lost. Philosophically, the relationship of the individual with the absolute

is made of mediations, several entities and identities – the family, the people

or the continent to which we belong, the cultural values. All these entities/

identities are a reflection of each other, and the individual thought progresses through them in their relationship with each other. If these mediations fail to be recognized, each of us is put before superlative issues through its individual singularity and hardly recognizes itself in a community, in a joint project, in a participated construction. It is a kind of solitude before the absolute. The result

is made of would-be heroes with their own causes and inflated egos, but who

don’t represent anything. Now architecture and urbanism live through this identity and participation process, namely, the construction of communities and their identity. If architecture and urbanism do not perceive and translate this sense of community and involvement, they are reduced to an imposition and a dictatorship of personalities and individual wills. The reduction of distances that globalization suggests did not necessarily create proximity. The relationship between local and global must be mediated by live, concrete, recognizable entities and identities. The culture of image and the reduction of architecture to narcissistic impositions is a path that leads to nowhere, if not

entidades/identidades são reflexo umas das outras e o pensamento individual progride através delas no seu relacionamento com o outro. Se essas mediações deixam de ser reconhecidas, cada um é posto perante questões superlativas

a partir da sua singularidade individual e dificilmente se reconhece numa

comunidade, num projeto comum, numa construção participada. Fica numa espécie de solidão perante o absoluto. O resultado são pretensos heróis de causas próprias com egos insuflados mas que não representam nada. Ora a arquitetura e o urbanismo vivem desse processo de identidade

e participação, ou seja, da construção das comunidades e da sua identidade.

Se a arquitetura e o urbanismo não percepcionam e traduzem esse sentido de comunidade e participação, ficam reduzidos a uma imposição e a uma ditadura das personalidades e de vontades avulsas. A redução das distâncias que a globalização sugere não gerou necessariamente mais proximidade. A relação entre o local e o global tem de ser mediado por entidades e identidades vivas, concretas, reconhecíveis. A cultura da imagem e a redução da arquitetura às imposições do narcisismo é um caminho que leva a nenhures se não à corrupção da arquitetura. ARCHI – Que grandes mudanças se têm feito sentir na arquitetura e no fazer arquitetura?

PMB Há não muito tempo fizemos um exercício, que era o de procurar saber o que aconteceu à disciplina da arquitetura nos últimos 30 anos. Portugal consolidou, em termos europeus, uma excelente produção arquitetónica. Fê-lo à custa de uma imensa disseminação de escolas e de um número excessivo de arquitetos em relação à população que tem, impondo uma lógica de concorrência que é dramática para a continuidade da profissão. Em termos internacionais também houve erosão. A aurora da modernidade, ainda assente no artífice, base de uma cultura tectónica, sofreu uma mutação, tanto no figurativo, como no abstrato. Obrigou o arquiteto a sair do plano da criação e da produção da arquitetura em si mesma, para o colocar no plano das imagens e referências visuais; um mundo estranhamente próximo da publicidade. Perdeu-se

o tempo do amadurecimento e presume-se ser possível uma arquitetura

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e presume-se ser possível uma arquitetura PROMONTORIO Vista aérea da maquete da Praça de Entrecampos Praca

Vista aérea da maquete da Praça de Entrecampos Praca de Entrecampos model bird’s eye view

to the corruption of architecture. ARCHI – What major changes have been felt in architecture and in doing architecture? PMB Not so long ago, we did a critical exercise that consisted in examining what happened to architecture, as discipline, in the course of the past 30 years. In European terms, Portugal has consolidated an excellent architectural production. It did so, at the expense of a massive spread of schools and an excessive number of architects vis-à-vis the population that it has, by imposing a ruthless market competition that is disastrous for the continuity of the profession. In international terms there was also erosion. The dawn of modernism, still based on a tectonic culture, a culture of craftsmanship, has mutated both figuratively and abstractly. It forced the architect to leave the field of architectural creation in itself, to position himself in world of images and visual references; a world strangely closer to advertising. Time of ripening has been lost and we assume the possibility of an instant architecture, prêt-à-porter. The Heideggerian time, the time of thinking while building and building while thinking, seems to be out of this culture of imagery citation, of the reference that adapts to everything and to its opposite. ARCHI – And with diffuse and fragmented interventions PMB There was the Idea of Enlightenment that architecture would be able to close a full cycle, since the first thought about a place, to the founding act of laying the first stone, until its completion and its dwelling. All this essential

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instantânea, prêt-à-porter. O tempo do fazer Heideggeriano, o tempo de pensar construindo, e construir pensando, parece estar fora desta cultura da citação imagética, da referência que dá para tudo e para o seu contrário. ARCHI E com intervenções difusas e parcelares… PMB Havia a ideia iluminista de que a arquitetura teria a capacidade de fechar um circulo, desde o primeiro pensamento sobre um lugar, ao ato fundador da pedra, à sua constituição em obra vivida. Tudo essa experiência

disciplinar foi estilhaçada. Os projetos hoje são feitos em partes e passam de mão-em-mão. Isso condenou a ideia da arquitetura como Gesamtkunstwerk, como obra total. ARCHI – Convive-se bem com essa realidade? PMB Dificilmente! No universo de serviços anglo-saxónico é algo normal. Faz-se o Concept Design, entrega-se ao cliente, e este faz dele o que quiser; manda-o para a Índia onde encomenda os Construction Documents

a quem fizer mais barato. Nós Europeus, e principalmente Ibéricos, temos

uma tradição disciplinar. Acreditamos na ideia, ainda que Quixotesca, de que a profissão deve fechar o tal circulo, desde a criação até à experiência física do próprio objeto construído. Por isso, para nós PROMONTORIO,

é sempre algo difícil de aceitar. Ficamos sempre a pensar que, ao entregarmos

o conceito, ficámos aquém do que podía ser a obra. E se recebemos o conceito de alguém e temos de o transformar, sentimos que estamos fora do nosso elemento, porque não fomos nós que criámos aquilo, e não sentimos uma empatia residual, ou suficiente, para a assumirmos como nossa. Este desmembramento do projeto é difícil para todos. JLF Vale a pena também olhar para a relação entre o urbanismo

e a arquitetura para perceber a importância dos limites disciplinares.

Se desenvolvemos um projeto urbano ainda não estamos a fazer arquitetura, isto é, edifícios. Por isso de duas uma: ou temos a encomenda para fazer tudo

e nesse caso produzimos arquitetura e urbanismo como um só, ainda que

dentro dos limites das atribuições de cada um; ou, fazendo um plano, temos de conceder a liberdade necessária para que quem venha a seguir possa dar

experience has been shattered. Today, architecture is made in parts and changes hands like a commodity. This forever condemned the idea of architecture as a Gesamtkunstwerk. ARCHI – Do you coexist well with this reality? PMB Hardly! For the Anglo-Saxon service-providing world, this is something normal; it’s “business as usual”. One does the concept design, delivery it to the client, and he goes on to decide what to do with it. We, in continental Europe, and especially in Iberia, have a disciplinary tradition.

We still grasp on to the Quixotesque idea that the profession closes that circle, from creation to the dwelling experience of the built object in itself. So for us, PROMONTORIO, it is always something difficult to accept. We always end up thinking that if we delivered just the concept, we sold ourselves short because we could have done much more. And if we received the concept from someone else and we have to transform it, we feel that we are out of our element, because we didn’t create it and do not feel sufficient empathy to assume it as our own. This truncation is difficult for everyone. JLF It is also worthwhile to look at the relationship between urbanism and architecture to realize the importance of disciplinary boundaries. If we develop an urban project we are not yet doing architecture, as such, buildings. Therefore, there are two possibilities: either we were commissioned to do the complete project and, in that case, we produce architecture and urbanism as one, though within the limits of each other’s expertise; or, by doing an urban plan, we must grant the necessary freedom to whomever comes next, so that that they may give the expression and content to the site without having to do what someone before them has imposed. It is within the need of this harmonization that one realizes that there are values, in addition to the individual wills, that are important to meet if we intend to create works and cities with substance and cultural identity. ARCHI – There is the tendency to think that things only work like that

here, and that outside everything happens perfectly experience of the world tell you?

What does your

a expressão e o conteúdo ao lugar sem ter de fazer praticamente o que antes dele alguém impôs. É na necessidade desta harmonização que se percebe que há valores, para além das vontades individuais, que importa atender se pretendemos criar obras e cidades com substância e identidade cultural. ARCHI – Há a tendência para pensar que só por cá é assim e que lá fora tudo acontece de forma perfeita… O que diz a vossa experiência do mundo? PMB Não somos melhores, nem piores. Mas tudo vai piorar. Temos um parque construído imenso e muitos arquitetos. Disciplinarmente houve uma verdadeira explosão. Mas, no mundo, encontramos de tudo. É claro que a Suíça é o paraíso. Parafraseando Oscar Wilde, costumo dizer que os bons arquitetos, quando morrem, não vão para o céu, mas para a Suíça. Tudo está muito acima da média: honorários, prazos, qualidade construtiva, júris, concursos, e claro está, orçamentos inigualáveis. África, em geral tem as vantagens e as desvantagens das sociedades jovens; gera muitas expectativas, mas exige persistência, disponibilidade e um espírito verdadeiramente construtivo. Na América Latina há um grande voluntarismo ideológico, uma grande entusiasmo, uma disponibilidade de construir sem hesitações. Muitas vezes, a funcionalidade e a pormenorização é negligenciada. A construção pode até ser menos rigorosa, mas é muito visual, corpórea, metafórica, de grande exuberância e sensualidade. Na China constroem-se cidades instantâneas que ninguém habita. E não se percebe que estudos de mercado levaram a isso, quem os fez, e em que condições. Sabe-se que alguns são da autoria de arquitetos ocidentais… JLF Nos Estados Unidos ou se recorre à grande indústria, ou seja pré-fabricação, ou então o preço é exorbitante e proibitivo. Os arquitetos americanos expressam muitas vezes a ideia de que é mais fácil fazerem projetos na Europa do que nos Estados Unidos. Dizem que aqui é mais fácil lançar um desafio e montar uma operação de produção de um determinado componente. Há uma tradição de pequena e média indústria familiar de grande sofisticação.

PROMONTORIO

PMB We are neither better, nor worse. But everything will get worse. We simply have a massive stock of vacant buildings coupled with an excessive number of architects. There was a kind of explosion profession-wise. But,

out in the world, we find a bit of everything. Switzerland is paradise, of course.

I often say, adapting a quote from Oscar Wilde, that when good architects

die, – they don’t go to heaven –, they go to Switzerland. There, everything is above average: fees, salaries, design standards, competitions, juries, and last but not least, unimaginable budgets. Africa, in general, has the advantages and disadvantages of young societies; it generates many expectations but requires persistence, personal availability and a truly constructive spirit. In Latin America there is an enormous contribution of ideas and a great ability to build without hesitation. Sometimes, details are overlooked and the construction may be less rigorous, but it is all very visual, conceptual, corporeal, and metaphorical, with great exuberance and sensual exuberance. In China, they are building instant cities that remain strangely uninhabited. And one doesn’t understand what kind of market studies supported them, who made them, and under which conditions. One only knows that some have been designed by Western architects JLF In the United States, for instances, either you resort to widespread industrial systems, namely prefab, or the price of customizing is prohibitive. American architects often express the idea that it is much easier to build in

Europe, than in the United States. They say that, here, it is easier to challenge

a fabricator to custom-develop a particular component or material. There is a

tradition of small and medium-size family-run industry of great sophistication. ARCHI – Competition is measured on a global scale in a market that is

becoming increasingly complex. Given the diversity of clients worldwide, how can the different firms make a competitive differentiation? PMB Competition worldwide is extremely aggressive. It is one of the immediate consequences of globalization in the profession. Between

a European project designed with the outmost rigour and experience, and

another from a Chinese, Indian, Filipino or Egyptian office, at the time of

PROMONTORIO

ARCHI – A concorrência mede-se à escala mundial num mercado cada vez mais complexo. Perante uma clientela tão diversificada, o que marca a diferença entre uns e outros? PMB A concorrência internacional é extremamente agressiva. É uma

das consequências imediatas da globalização na profissão. Entre um projeto feito por um ateliê europeu com muita experiência e grande rigor, e um ateliê chinês, indiano, filipino ou egípcio, no momento de contratar o serviço, perante uma enorme diferença de preço, qual é a realidade percepcionada pelo

cliente?

Será que percebe a diferença entre uns e outros? E até que ponto? Essa é a questão. É nestes caminhos que todos nos cruzamos. JLF Em países emergentes, para um promotor fazer um edifício bonito ou feio, melhor ou pior detalhado, é a mesma coisa, é-lhe indiferente. Ele vende

área, vende metros quadrados. Dizemos-lhe que o projeto é fraco e que se podia fazer melhor. Mas para quê gastar mais dinheiro com um arquiteto mais sofisticado – leia-se mais complicado –, que lhe desenhe um edifício melhor se

já tem algo que lhe serve perfeitamente? Até já tem tudo aprovado e vendido

em planta

para sair disto. Acontece em todo o lado e a única forma de sair deste círculo vicioso é conseguir fazer alguma coisa que diferencie e vá criando exemplo.

A situação do mundo actual é um pouco esta: estamos mal dispostos e não

sabemos se é fome ou sono… Não se sabe de que mal se padece mas sente-se

o incómodo. Isso dá-nos a sensação de que estamos em suspenso, à espera de

alguma coisa que tarda a acontecer. Sentimos a saturação e o beco não tem saída. Sempre que se chega a um paradoxo, a um círculo fechado, antevê-se uma mudança. Uma nova dinâmica que transforme o círculo em espiral. Julgo que estamos todos nessa expectativa. Claro que há uma prática diária a cumprir. Continuam a existir projetos e clientes… ARCHI – Qual é o discurso do método possível? JLF Damos importância à procura da disciplinaridade. O que é próprio da arquitetura e só da arquitetura. E centramo-nos nisso. Há uma gramática

Isto não tem propriamente solução. E ninguém tem a fórmula

commissioning, between the immense price differences, which reality does the client perceive? Does he fully realize the difference between one and the other? That is the question that we all cross paths with. JLF In emerging countries, for a developer to build better or worse, uglier or nicer, it’s all the same thing. He sells square footage. We can let him know that the project is weak and that it could be done much better. But why spend more money with a sophisticated architect, –i.e. more complicated–who will design a more emblematic building, if you already have something that suits you perfectly? You already have everything approved and pre-sold or pre-let This doesn’t exactly have a real solution. And nobody has the formula to overcome this conundrum. It happens everywhere and the only way out of this vicious circle is by doing something that differentiates and then have it serve as an example. This is the current situation in the world: we are indisposed and do not know whether it is hunger or lack of sleep. One doesn’t know what is wrong, but one feels discomfort. This gives us the feeling that we are suspended, waiting for something that lingers. We feel the saturation and the dead-endlessness. Whenever you reach a paradox, a closed circle, a change can be foreseen; a new dynamic about to transforms the circle into a spiral. I believe we are all under this expectation. Sure, there is a daily practice to maintain. And of course there will still be projects and clients ARCHI – What is the possible discourse of method? JLF We give importance to the pursuit of the discipline. That, which is of architecture and architecture alone. And we focus on that; on its grammar and on its history. We come to realize that which was decanted by time has yielded enduring results. There is always something implicit in what you see beyond what it looks like. Starting from the categorial triad firmitas, utilitas and venustas to define architecture is a good start. When you ask of architecture for durability it is because it is architecture. It is like asking for it to be eternal. You don’t ask durability in fashion, because we know that it will last only six months Even though nowadays there are many theories and ideas that advocate the ephemeral. But that is a product of the time. When we speak of civilizations, of

Plano de Urbanização de Maputo-Sul (2010-2012) Maputo-South city master plan (2010-2012) e uma história. Há

Plano de Urbanização de Maputo-Sul (2010-2012) Maputo-South city master plan (2010-2012)

e uma história. Há que perceber o que foi decantado pelo tempo e deu bons

resultados. Existe sempre algo implícito no que se vê para além daquilo que

parece. Partir da tríade firmitas, utilitas e venustas para definir a arquitetura

é um bom começo. Quando se pede durabilidade à arquitetura é porque

é arquitetura. É como se pedíssemos para ela ser eterna. Não se pede

durabilidade à moda, pois sabemos que é para durar apenas seis meses… Ainda que hoje em dia haja muitas teorias e ideias que defendem o efémero. Mas isso é produto da época. Quando falamos de civilizações, de povos

e da sua arquitetura, trata-se daquela que fica, sólida, que foi pensada de

uma forma consequente, para as pessoas. A ideia de durabilidade implica uma responsabilidade que induz as outras categorias e a importância da sua observação. Para quê fazer durar o desconfortável e o feio?… ARCHI – Mas a arquitetura actual não é tendencialmente mais efémera? PMB Há um carácter de permanência na arquitetura, que talvez seja

o último porto a que nos podemos ancorar. Toda a obra construída tende a permanecer para lá do seu tempo, mesmo expondo as suas fragilidades ou superficialidades. Mesmo numa obra tão completamente imersa na sua época,

PROMONTORIO

peoples and their architecture, we speak of the architecture that prevails, solid, thought of in a consequential way, for people. The idea of durability implies a responsibility, which induces the other categories and the importance of their observation. Why making the uncomfortable and ugly last? ARCHI – But isn’t current architecture generally more ephemeral? PMB There is a character of permanence in architecture, which is perhaps the last port where we might anchor. All built works tends to remain beyond its time, even at the cost of exposing all its frailties or superficial presence; it is “the will of an epoch” which Mies often referred to. Even in a work that is so immersed in its life-world, after a while we start to acknowledge its shortcomings. When we go to La Villette (Paris) and see the whole deconstructivism schizophrenia of Bernard Tschumi, we realize that all of that

is not liable of any for of re-appropriation. It is a built trans-generational body, registrar of the memory of a time and the moment in which people lived. JLF And if preserved, it remains ad eternum. PMB Therefore, when there is a process of sedimentation, something remains substantial as a record of our time. And thus its vital importance to society as a whole. ARCHI – Is this is a concern of PROMONTORIO? PMB That should be the concern. Prizes in architecture should only be bestowed after a decade passed on the buildings, so that they could be tested, experienced, lived on

JLF And immersed in the city

But we nevertheless realize that the idea

of registration and preservation of which we have spoken is not only in the exterior sense, but on the very genesis of the creation of the work. PMB Sometimes, we ask ourselves about what will remain of substance from our era? What ballast will we leave behind for reflection and for the coming future? ARCHI – Is there an international vocation of PROMONTORIO? What aspects are in its architecture to conquer a permanent status in places with such dissimilar cultures and experiences?

PROMONTORIO

passado algum tempo começamos a reconhecer as suas fragilidades, os seus tiques. Quando vamos a La Villette (Paris) e vemos aquela esquizofrenia desconstrutivista (Bernard Tschumi), percebemos que nada daquilo é passível de reapropriação, apesar de representativo da sua época. É um corpo construído transgeracional, registo e memória de uma época e do momento em que se viveu. JLF E se for preservado mantém-se ad eternum. PMB Daí a responsabilidade deste processo de decantação, daquilo que fica de substancial, como um registo da uma época. E daí também a sua importância para a sociedade como um todo. ARCHI – Essa é uma preocupação do PROMONTORIO? PMB Essa deve ser a preocupação. Os prémios em arquitetura deviam só ser atribuídos passada uma década de experiência de vida sobre as obras, de modo a que pudessem ser testados, experimentados, vividos… JLF E absorvidos… Mas é preciso, ainda assim, perceber que a ideia de registo e preservação de que falei não é no sentido exterior mas sim o que está na própria génese da criação da obra. PMB Por vezes, perguntamo-nos o que de verdadeiramente substancial ficará da nossa era. Qual o lastro que fica para reflexão e para o futuro. ARCHI – Há uma vocação internacional do PROMONTORIO? Que aspectos relevam na vossa arquitetura para conquistar o estatuto da permanência em lugares com culturas e vivências tão díspares? PMB Não temos a pretensão de estar em todo o lado. Nem vivemos a obsessão de que a modernidade passa por isso. Kant viveu sempre a 15 minutos da universidade, ia e voltava, num pequeno percurso diário, e conseguiu mudar o mundo. Felini vivia na Cinecittà e detestava ter de lá sair. Por isso, todos podemos estar próximos de casa e transformar o universo que nos rodeia. Seja como for, dada a dimensão do nosso ateliê, temos aberto, muito naturalmente, outros caminhos, outras geografias, procurando oportunidades. ARCHI – Existe uma estratégia previamente definida que aponte para determinados destinos?

Existe sempre algo implícito no que se vê para além daquilo que parece. Partir da tríade firmitas, utilitas e

venustas para definir a arquitetura

é um bom começo. Quando se pede

durabilidade à arquitetura é porque

é arquitetura

There is always something implicit in what you see beyond what it looks like. Starting from the categorial triad firmitas, utilitas and venustas to define architecture is a good start. When you ask of architecture for durability it is because it is architecture

PMB We don’t have to be everywhere. We don’t live the obsession that contemporary life must go through that process. Kant lived most of his life, 15 minutes away from the University, went back and forth, fulfilling a trivial daily route, and managed to change the world. Fellini lived in the Cinecittà and always hated having to get out of it. So, we can all be close to home and transform the universe. Be that as it may, and given the size of our firm, we have very naturally opened other paths and other opportunities across borders. ARCHI – Is there a previously defined strategy that points to certain destinations?

PMB A internacionalização obriga a uma estratégia e não esperamos

qualquer ajuda do Estado. Somos audazes, pacientes e entusiastas. Instalamo-

-nos e arriscamos. Criámos empresas em Moçambique e no Qatar.

Temos uma parceria em Angola. Temos vários projetos em construção no

Egito e na Federação Russa. Este é o nosso universo mais recente…

E estamos ou temos estado em muitos outros países; principalmente no Médio

Oriente e no Magreb. Mas não somos “fly-bys”. Desagrada-nos a ideia de

aterrar num aeroporto, vender aí um conceito de um centro comercial com

umas torres de escritórios, um hotel, enfim. Entregar uns desenhos, uns 3Ds,

cobrar 250 mil dólares, e apanhar o voo para o próximo sítio. É o grau zero

da profissão. Vender um papel ilustrado inconsequente, que parece estar mais

próximo da publicidade do que da arquitetura. Não é esta a nossa perspectiva.

A ambição do PROMONTORIO é sempre a de desenvolver o projeto de

execução e acompanhamento da obra até ao fim. Por isso, é para nós difícil

conciliar quatro ou cinco países ao mesmo tempo em produção contínua.

Cada país, cada comunidade exige uma proximidade com os clientes,

com os lugares, com a paisagem, as entidades… Há ainda aquela outra

para-realidade que é a de os projetos serem feitos overnight na Índia ou nas

Filipinas, em subcontratação de ateliês ingleses e americanos. A pergunta é, se

as pessoas que lá estão sabem realmente o que andam a fazer? Desengane-se

quem pensa que é possível ter uma bateria de gente a trabalhar na Índia ou na

China, e que conseguem produzir o que nós, europeus ou anglo-saxónicos,

produzimos. O trabalho de arquitetura incorpora uma combinação de

inteligência, conhecimento e experiência. Não é transmissível para alguém

na convicção de que mecanicamente pode resolver os problemas… Mas há

muita gente a pensar que o arquiteto dá a ideia – a grande visão –, e depois

é tudo entregue ao mundo da “produção”. As oportunidades nos países

emergentes gerarão também uma explosão dos chamados “novos autores”, e que

concorrem todos para o mesmo tipo de trabalho. Todos querem fazer o edifício

icónico e especial. O que os ingleses chamam: “signature buildings”, todos

querem um lugar ao sol. Cada vez mais, no mundo, há quatro ou cinco

PROMONTORIO

PMB – Internationalization requires a strategy and we do not expect any

help from the State. We are daring, patient and spirited. We move in and take

risks. We have set up companies in Mozambique and in Qatar. We have a

partnership in Angola. We have ongoing projects in construction in Egypt and

in the Russian Federation. This is our recent worldview

in many other countries, mainly in the Middle East and the Maghreb. But we

are not “fly-bys”. We detest the idea of someone landing at an airport, selling

a concept of a shopping centre, some office towers with or without hotel, deliver

the drawings in two-weeks time, collect 250 thousand dollars, and move on the

We are or have been

flight to somewhere else. It is the complete debasement of our profession. Selling

inconsequential illustrations, which, as a modus operandi, are closer to

advertising than architecture. Our ambition is to develop the project in full from

concept and construction to the very opening day. Therefore, it is difficult

for us to imagine that we can be in four or five countries at the same time in

permanent production. Each country, each community, requires a certain

proximity. It requires proximity not only to clients and authorities, but to

the place, the people, the landscape… There is that other worldview, by which

projects can be made overnight, in India or the Philippines, by English and North

American subcontracting. The question is, do the people there really know what

they are doing? Anyone who thinks that it is possible to have a bunch of people

working in India or China, and are able to produce what we Europeans and

Anglo-Saxon, produce, should think again. Architecture requires a combination

of intelligence, knowledge and experience. Is not transferable to someone in the

belief that it can be made into a mechanical problem-solving

of people thinking that the architect gives the idea, – the big idea –, and then it’s

can be delivered to the world by a “production system”… Globalization has also

generated a plethora of the so-called “new authors”, all competing for a piece

of the same pie. All wanting to make that very special and iconic building that

will forever change the skyline of wherever city. The Brits call them “signature

buildings”. There are four or five names to whom everything is admissible,

– e.g. Zaha, Nouvel, Herzog, Gehry, Foster –, but, even in the Pritzkers,

But there are a lot

PROMONTORIO

–, mas, mesmo nos Pritzkers, o reconhecimento do mercado não é transversal. Pergunto se alguém conhece o último projeto de Glenn Murcutt? ARCHI – Esta diferenciação de princípios, valores, formas de estar e de ver a arquitetura, que são os vossos, são bem acolhidos nesta lógica global de não querer dar tempo ao tempo? JLF De uma forma geral são bem acolhidos. A nossa atitude é muito

dialogada e a comunicação dos projetos é muito desenvolvida. Apresentamos as nossas ideias e projetos, explicamos porque fazemos assim, porque entendemos que aquilo que apresentamos tem uma razão de ser. É preciso ajudar a construir os critérios de análise dos projetos, é preciso encontrar

o racional do programa e da sustentabilidade dos projetos. É importante ir

além da simples resposta com desenhos. É preciso ser consultor. Espera-se isso dos arquitetos e da sua experiência. E nós temos a preocupação de que os nossos projetos não sejam empreendimentos falhados e falidos. ARCHI – O ensino, a boa formação, o saber ver, é essencial. Há arquitetos teórica e visualmente mal formados? Também há maus clientes? PMB Há de tudo. Mas entendemos que o cliente é fundamental para haver projetos. Ridicularizar o cliente ou referir-se a ele como alguém que está fora dos segredos iniciáticos de que os arquitetos se julgam os guardiões e, por isso, não percebe nada, é no mínimo absurdo. Primeiro porque se o cliente soubesse não precisava do arquiteto, depois, porque há uma certa exposição pessoal e trocas pessoais que requerem uma confiança que importa não

desprezar. A relação entre cliente e arquiteto deve ser marcada pelo respeito

e a lealdade. JLF Respeitar o cliente não é uma espécie de bonomia. Nós aceitamos

a discussão com o cliente. Normalmente, a discussão não piora os projetos.

Mas não é o cliente que nos diz o que devemos fazer. O cliente coloca-nos

novos problemas, que contrariam o que achávamos estar fechado e bem, mas as novas sínteses somos nós que as fazemos.

autores a quem tudo é admissível – Zaha, Nouvel, Herzog, Gehry, Foster

market recognition is far from unanimous. I wonder if anyone is familiar with Glenn Murcutt’s the last project? ARCHI – This differentiation of principles, values, ways of being and seeing architecture, which are your own, are they welcomed in this global logic of not wanting to give it time? JLF In general I would say they are well received. Our attitude goes through dialogue and the project communication is quite developed. We present our ideas and our projects and explain why we work as we do, because we believe that what deliver has a raison d’être. One has to help build the criteria for the analysis and one needs to find the rationale for the programme its sustainability. It’s important to go beyond the simple reply with drawings. One must be a consultant. That is expected from architects and from their experience. And we have the concern that our projects are not failed or bankrupt enterprises. ARCHI – Education, the learning process of seeing and approaching the work is essential. Are there architects bad architects? Are there bad clients? PMB There is something of everything. But we believe that the customer is essential for the existence of projects. Mocking the client or referring to him as someone who is outside initiated secrets of which the architects believe themselves to be the guardians of and, therefore, don’t know anything, is, at the very least absurd. Firstly, because if the customer knew everything, he wouldn’t need the architect, secondly, because there is a certain personal exposure and certain personal and commercial exchanges that require a confidence that should not be despised. The relationship between client and architect must be marked by respect and loyalty. JLF Respecting the customer is not some kind of bonhomie. We accept the discussion with the client. Typically, the discussion does not worsen the projects. But it is not the customer who tells us what we should do. The customer places us new problems, which contradict what we felt to have be finished and so he should, but the new syntheses are made by us. ARCHI – However, there are limits to compromise

ARCHI – Mas há limites para a cedência JLF Mas não há cedência nenhuma. Não estamos a ceder a nada. Respondemos a um programa que às vezes vai evoluindo, até pela própria consciência do cliente sobre o que pretende, mas somos nós que o fazemos.

Ninguém fala em cedências quando vê uma “Descida da Cruz” de El Greco. Mas, se visse o contrato que dois anos antes da entrega ele assinou, percebia como muito do que lá está e a própria disposição das figuras foi uma exigência da encomenda, além do prazo. ARCHI – Mas há clientes difíceis, que dão imensa luta… JLF Isso é muito bom quando acontece. Um bom entrevistador faz-nos dizer coisas que provavelmente não tínhamos a intenção de dizer. O arquiteto tem de pensar que também tem de ser provocado. O cliente não tem de fazer

o papel de morto à frente do arquiteto. Não podemos pensar que sabe o que

sabemos ou mais do que sabemos; ou que temos de nos subjugar a ele. Nada

disso. Já nos aconteceu dizer: “Eu isso não altero, mas acredite, vai ver que vai resultar…” Esta confiança do cliente só é possível se de facto houver clima e

se a relação for leal. PMB Para muitos arquitetos existe ainda a ideia mítica desse cliente

chamado Estado, que, como entidade abstrata e inimputável, tudo permitia,

e a qualquer preço.

ARCHI – Em termos de futuro, quais são as vossas expectativas? PMB O ateliê em Portugal é uma espécie de centro agregador, mas estamos a criar raízes noutros sítios, que vão aumentando por si próprios.

O nosso objectivo mais imediato é consolidar a presença em regiões onde já

estamos, principalmente no Médio Oriente, Magreb e África. JLF Em Moçambique, um cliente disse-me que comparava os arquitetos aos médicos, no sentido que são alguém que gostava de ter próximo, para conversar, para ajudar a pensar. O arquiteto, na sua função, deseja-se também uma pessoa próxima, com quem se trava intimidade, em quem se confia, para aconselhar, para ajudar a avaliar e a analisar, na procura da beleza, do bem-estar e do conforto.

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JLF But there is none. We are not giving in on anything. We respond to a programme that sometimes evolves, even by the customer’s own awareness about what he wants, but we’re the one who design the project. Nobody talks about concessions when they see a “Descent from the Cross” by El Greco. But, if someone were to see the contract that he had signed two years before delivery, they would realize that much of what is there and the very arrangement of the figures was a requirement of the client, in addition to the deadline. ARCHI – But there are difficult clients. Clients that give an immense fight JLF That’s very good when it happens. A good interviewer makes us say things that probably we didn’t intend to say. The architect has to think that he must also be provoked. The client doesn’t have to play dead in front of the architect. We can’t think that he knows what we know or more than we know; or that we have to subjugate ourselves to him. None of it. We’ve had to say:

I won’t change that, but believe me, you’ll see that it will work

” This

confidence of the client is only possible if there is, in fact, a good environment

and if the relationship is loyal. PMB For many architects there exists also this mythical entity of a client, which is both abstract and untouchable, called “The State”, that allowed everything at whatever cost. ARCHI – In terms of the future, what are your expectations? PMB The firm in Portugal is a kind of base that harbours the main production, but we are putting down roots elsewhere, which are growing by themselves. Our immediate goal is to consolidate the presence in areas where we already are, especially the Middle East, Maghreb and Africa. JLF In Mozambique, a client told us that he compared the architects to medical doctors, in the sense that they where someone good to have around, to talk, to help you think. The architect, in his metier, is truly a person to be wanted, to be trusted; someone who assesses and advises man’s search of beauty, wellbeing and comfort.

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Fluviário de Mora, Alentejo

Mora River Aquarium, Alentejo, Portugal

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O projeto de um aquário de rio ou fluviário em Mora resulta de uma estratégia de reposicionamento do desenvolvimento regional do Alto Alentejo, mitigando a dependência da cada vez mais deficiente economia agrícola, a favor do desenvolvimento das áreas do turismo e do lazer. A proposta, resultante do primeiro lugar no concurso de conceção/ construção, propõe um aquário que incorpora os paradigmas da biodiversidade do rio ibérico,

combinando aspectos lúdicos e de turismo com outros de carácter científico e de sensibilização médio ambiental. Integrado no Parque Ecológico do Gameiro, junto à Ribeira de Raia, o edifício surge isolado num campo de sobreiros e oliveiras, como se de um monte se tratasse.

de sobreiros e oliveiras, como se de um monte se tratasse. Parque Ecológico do Gameiro Ecological

Parque Ecológico do Gameiro Ecological Wild Park of Gameiro

Localização Location Parque Ecológico do Gameiro (Alentejo), Mora, Portugal Ecological Wild Park of Gameiro (Alentejo region), Mora, Portugal Cliente Client Câmara Municipal de Mora Municipality of Mora Construtora Partner contractor Teixeira Duarte, SA Consultores Consultants Cosestudi (Museologia Museology), Henrique Cayatte (Design Gráfico Graphic Design), Pedro Salgado (Ilustração Científica Scientific Illustration), Anyforms (Animação Animation), Y-Dreams (Sistemas Multimédia Multimedia Systems) Programa Programme Concurso de conceção/construção de um fluviário Turnkey design-and-build river aquarium Área do terreno Plot area 17 ha ABC GBA 3,000 m 2 Investimento Estimated investment EUR 6M Custo da obra Construction cost EUR 3,000 /m 2 Data Project status 2004 (concurso, 1º prémio competition, 1 st -prize ) – 2006 (construído built)

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The River Aquarium is located in Mora, a small municipality in the Northern Alentejo region. Given the need to shift regional development from the dependence of an increasingly weaker agriculture economy, into the environmental tourism and leisure market, the municipality launched a design-and- build competition for an aquarium that could somehow embody the paradigms of biodiversity of the Iberian river.

embody the paradigms of biodiversity of the Iberian river. Pórtico Pitched shelter Caixas programáticas Program

Pórtico Pitched shelter

Caixas programáticas Program boxes

Espaços expositivos Exhibition spaces

Lago Lake

Piso técnico Technical

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Planta da cobertura Roof plan

Planta da cobertura Roof plan
Planta da cobertura Roof plan

Áreas expositivas Live exhibits

Piso técnico Technical floor

Corte / Entrada e circuito da exposição multimédia Cross section / Entrance and multimedia exhibition circuit

Corte transversal / Aquários Cross section / Live exhibits

Piso térreo Ground floor plan

Corte longitudinal Longitudinal section

Corte transversal Cross section

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PROMONTORIO Fachada nascente East facade Passadiço Walkway Pórtico Portico Entrada Entrance ArchiNews 24 51

Fachada nascente East facade

PROMONTORIO Fachada nascente East facade Passadiço Walkway Pórtico Portico Entrada Entrance ArchiNews 24 51

Passadiço Walkway

PROMONTORIO Fachada nascente East facade Passadiço Walkway Pórtico Portico Entrada Entrance ArchiNews 24 51

Pórtico Portico

PROMONTORIO Fachada nascente East facade Passadiço Walkway Pórtico Portico Entrada Entrance ArchiNews 24 51

Entrada Entrance

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PROMONTORIO Afastado das intensas atividades lúdicas e piscatórias do rio, o fluviário está implantado numa plataforma

Afastado das intensas atividades lúdicas e piscatórias do rio, o fluviário está implantado numa plataforma gerada pela suave

topografia do terreno na confluência de dois pequenos cursos de água. Esta quase bacia natural realça

a relação fundamental entre os

conteúdos temáticos do edifício e

a presença da água. O edifício foi

pensado como um volume compacto

e monolítico, protegido do escaldante sol alentejano por um conjunto de finos pórticos equidistantes em

pré-fabricados de betão branco com vãos de 33 metros, evocando a presença longilínea dos canónicos montes alentejanos. Os sistemas de ensombramento e de ventilação transversal, em conjunto com os circuitos de água, contribuem para a diminuição da energia de arrefecimento, o desenvolvimento sustentável de humidade e o bem estar da flora e da fauna. Assente num maciço de betão, este pequeno hangar de lâminas de betão envolve um conjunto de caixas no interior

das quais se desenvolve o programa, nomeadamente, a receção, bilheteira

e loja, cafetaria, áreas expositivas, centro de documentação, pesquisa

e educação, aquários, uma zona

multimédia e um pequeno auditório. Em contraste com o branco da envolvente exterior, o interior obscurece-se, minimizando o impacto dos raios ultravioleta sobre as espécies vivas e permitindo uma maior profundidade visual dos aquários.

e permitindo uma maior profundidade visual dos aquários. O vazio de sombra gerado entre as caixas

O vazio de sombra gerado entre as caixas de programa e os pórticos de betão permite uma visão intermitente da paisagem circundante, produzindo um efeito de aceleração das perspetivas. Por outro lado, o seu atravessamento, que culmina

na passagem sobre o lago, é, em si mesmo, um dos mais importantes

habitats do Fluviário em exposição.

A exibição das espécies vivas,

principal propósito de um aquário, reproduz, através de complexos “sistemas de suporte à vida”, as condições de habitat das diferentes regiões, permitindo ter lado a lado espécies inteiramente diferentes.

Na cave, estes “sistemas de suporte” são garante da estabilidade da temperatura da água, do seu PH, do controle de qualidade, filtragem

e parametrização de cada habitat,

sendo alimentados por uma galeria de condutas para monitorização

e fornecimento da água sob cada

aquário. O fornecimento de água efetua-se através de um poço

existente no terreno, cuja água

é bombeada para um depósito,

permitindo a sua reutilização.

O piso técnico incorpora ainda

espaços para espécies em quarentena,

zonas de preparação alimentar, laboratórios e apoios logísticos. Com uma área total construída de 2000 m², o fluviário inclui mais de 500 espécimes vivos e deverá receber 200.000 visitantes por ano.

Montagem in-situ do pórtico de betão pré-fabricado On-site assemblage of precast concrete elements

Integrated in the Ecological Wild Park of Gameiro and bordering the Raia stream, the building stands amidst a secluded field of cork and olive trees removed from the more intense leisure and fishing activities of the river. The plot’s gently undulating topography forms a basin at the confluence of two small watercourses. Placing the aquarium

at the edge of this quasi-natural retaining lake brought together the fundamental relation between its thematic contents and the presence of fresh water. Given the blazing Alentejo sun and the need to create shade, the building was devised as a compact and monolithic volume with a pitched shelter of thin white pre-cast concrete porticos with single spans

of 33m, evoking the profile of the canonical Alentejo whitewash barns known as “montes”. The shading

and cross ventilation systems along with the water circuits foster the reduction of cooling energy, the sustainable increase of humidity

and the wellbeing of animal and plant life. Standing on a massive

concrete plinth with a built-in stairway-cum-ramp entry, the pitched shed veils a set of mute boxes that contain the programme, namely; reception, ticketing and shop, cafeteria, changing exhibits hall, documentation centre, research and education, live exhibits, multimedia and a small auditorium. Inside, the exhibition spaces tend to be dark, in order to minimize UV impact on the

live exhibits and allow visitors an in-depth viewing of the aquariums. The outdoor void between these programme boxes and the pitched shed generates not only accelerated viewpoints onto the outside but also a promenade that culminates in the passage through a bridge over the lake which in itself is also a live exhibit of animals and plants collected and nurtured in the region. The live exhibits, the main feature of an aquarium, reproduce, through complex life support systems, the habitat conditions of different regions allowing to exhibit side-by- side the various animals and plants. On the basement, these support systems guaranty stability of water temperature, ph, quality control and filtering for each habitat parameter, including a duct gallery below each exhibit to supply and monitor the water. For this building, the water is taken from a well on the plot, pumped into a deposit and regenerated after use. In addition, areas for animal quarantine, food preparation, laboratories, staff facilities, and logistics complete the technical floor. Other than the in-situ concrete cast plinth and the white pre-cast porticoes, the programme boxes are built in polished finish plastered terracotta masonry with steel frames and varnished MDF carpentry. With a total built area of 2000 sq.m, the Mora River Aquarium includes more than 500 live specimens and is expected to receive 200,000 visitors per year.

PROMONTORIO Godo (85m) 3 11/32” (85mm) cobble paving Tela impermeabilizante Waterproofing membrane Isolamento

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Godo (85m) 3 11/32” (85mm) cobble paving Tela impermeabilizante Waterproofing membrane Isolamento térmico (30mm) 1 3/16” (30mm) insulation layer Chapa metálica canelada (30mm) 1 3/16” (30 mm) corrugated steel sheeting Viga em perfil I 140 mm 5 33/64” (140 mm) h. double T-section steel beam Rufo em alumínio Aluminium flashing

Viga principal em perfil H 270mm 10 5/8” (270 mm) h. double T-section steel principal beam Forra cerâmica (30mm) 1 3/16” (30mm) tile cladding

Viga reforçada em betão (200mm) 7 7/8” (200mm) reinforced concrete slab Gesso cartonado pintado a branco Gypsum board painted white suspended from steel arched box-shaped profiles connected to wall frame Iluminação indirecta Lighting recessed in false ceiling Tecto falso em gesso cartonado pintado a tinta de água cor RAL 9010 False ceiling in gypsum board painted white suspended from frame of steel profiles on adjustable tie rods Isolamento acústico em lã de rocha (30mm) 1 3/16” (30mm) rockwool acoustic insulation panel

Placa de mdf (150 x 20mm) pintada a preto 5 29/32” x 25/32” (150 x 20mm) wood fibre pannels painted black

Placa em mdf com velatura Slat in wood fibre finished with antifouling paint Painéis de mdf pintados a preto Wood fibre pannels painted black Painéis de mdf pintados a preto Wood fibre pannels painted black Alheta (20mm) a cada 150mm 25/32” (20mm) wall reveal placed every 5 29/32” (150mm)

Porta (60mm) em ripado de madeira e vidro com moldura metálica 2 23/64” (60mm) thick door in strips of wood and glass panels with sheet metal frame

Isolamento acústico em lã de rocha (50mm) 1 31/32” (50mm) rockwool acoustic insulation panel Parede de alvenaria de tijolo (110mm) Masonry wall in 4 21/64” (110mm) bricks Isolamento térmico (30mm) 1 3/16” (30mm) layer of wallmate insulation Caixa de ar de 30mm 1 3/16” (30mm) airspace Parede de alvenaria de tijolo (110mm) Masonry wall in 4 21/64” (110mm) bricks Reboco areado fino regular pintado a branco (20mm)

25/32” (20mm) layer of fine and even sandblasted plaster painted white

Acabamento com endurecedor de superfície pintado em cinza escuro (20mm) 25/32” (20 mm) layer of plaster painted dark grey Laje reforçada em betão (200mm) 7 7/8” (200 mm) reinforced concrete slab

Godo (85mm) 3 11/32” (85mm) cobble paving Isolamento térmico (30mm) 1 3/16” (30mm) insulation layer Tela impermeabilizante Waterproofing membrane

Betonilha de enchimento (60 mm) 2 23/64” (60 mm) concrete screed fill

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Colégio Parque, Cascais

Parque Kindergarten, Cascais, Portugal

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Localização Location Cascais (greater Lisbon), Portugal Cliente Client Parque, Soluções Infanto-pedagógicas, SA Programa Programme Pré-primária e ensino básico Kindergarten and primary school ABC GBA 1,400 m 2 Custo de construção Construction cost EUR 1,8M Data Project status 2008 (conceito concept) – 2010 (construído built)

2008 (conceito concept ) – 2010 (construído built ) Planta de implantação Site plan Entrada Entrance

Planta de implantação Site plan

(construído built ) Planta de implantação Site plan Entrada Entrance Pátio nascente East patio Pátio sul

Entrada Entrance

built ) Planta de implantação Site plan Entrada Entrance Pátio nascente East patio Pátio sul South

Pátio nascente East patio

Site plan Entrada Entrance Pátio nascente East patio Pátio sul South patio Pátio e recreio sul

Pátio sul South patio

Entrance Pátio nascente East patio Pátio sul South patio Pátio e recreio sul Patio and south

Pátio e recreio sul Patio and south playground

Pátio sul South patio Pátio e recreio sul Patio and south playground Recreio sul South playground

Recreio sul South playground

Pátio sul South patio Pátio e recreio sul Patio and south playground Recreio sul South playground

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Planta do piso superior e alçado sul Upper floor and south facade

PROMONTORIO Planta do piso superior e alçado sul Upper floor and south facade 56 56 ArchiNews

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Planta do piso térreo e alçado poente Lower floor and west facade

Planta do piso térreo e alçado poente Lower floor and west facade PROMONTORIO ArchiNews 24 ArchiNews

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Planta do piso térreo e alçado poente Lower floor and west facade PROMONTORIO ArchiNews 24 ArchiNews

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Desde o seu início, o atelier PROMONTORIO esteve envolvido

em projetos educacionais. De escolas

e equipamentos culturais a museus

e galerias de arte, várias abordagens foram testadas e implementadas com

sucesso considerável, constituindo experiências acumuladas. Trabalhando em estreita colaboração com professores e pedagogos, o PROMONTORIO questionou os princípios espaciais da típica sala de aula, promovendo uma interação mais fluida e dinâmica que responda

à crescente procura de métodos de

aprendizagem flexíveis, tanto ao nível da pré-primária como do ensino básico. Após pesquisa e ensaios com a equipa de O Parque, o módulo de sala de aula pentagonal ganhou consistência, criando um ambiente unificado capaz de responder a um projeto educacional dinâmico e polivalente. Variando em escala e

altura, as salas de aula, a biblioteca,

o atelier e o refeitório, fluem numa

sequência de espaços amplos e surpreendentes, não só numa perspetiva interior como exterior. Revestida a cal branca, a articulação tectónica entre cheios e vazios, gera um contraste

entre as paredes portantes de alvenaria de tijolo burro e de betão moldado in situ e os amplos planos de vidro transparente. Estes, quando abertos, mitigam as fronteiras entre espaço exterior e interior. Além do mais,

o tijolo perfurado ocasionalmente

permite a entrada de ar e luz em vários pátios isolados.

Since the very beginning on its practice, PROMONTORIO has been involved on educational projects.

From schools and cultural facilities

to museums and art galleries, a wide range of learning approaches has been tested and implemented with considerable success and accrued experience. Working in close collaboration with the teachers and pedagogues, PROMONTORIO has attempted to challenge the preconceived classroom space planning principles,

into a more fluid and dynamic spatial interaction that meets the increasing demand for flexibility in the learning methods, both at kindergarten and primary school levels. After research and mock- up testing with the Parque team, the pentagonal classroom module gained consistency as a unifying environment able to respond to a dynamic multitask educational

project. Ranging in scale and height, the classrooms, the library, the art room and the canteen flow in a sequence of generous and surprising spaces both from the outside and the inside. Whitewashed in burnt lime, the tectonic articulation between the portent walls of bond brickwork and concrete cast in-situ, contrasts with large and transparent glass panes. The latter, when open, blur the boundaries between outside and

inside. In addition, the occasionally punctured brickwork lets air and light into a series of secluded patios.

lets air and light into a series of secluded patios. Entrada Entrance Sala polivalente Multipurpose classroom

Entrada Entrance

and light into a series of secluded patios. Entrada Entrance Sala polivalente Multipurpose classroom 58 ArchiNews

Sala polivalente Multipurpose classroom

and light into a series of secluded patios. Entrada Entrance Sala polivalente Multipurpose classroom 58 ArchiNews

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PROMONTORIO

Ópera de Alepo, Síria

Aleppo Opera House, Syria

Biblioteca Library Teatro Theatre Ópera Opera Hall Pórtico aberto Open Portico Terreno Plot Diagrama programático
Biblioteca Library
Teatro Theatre
Ópera Opera Hall
Pórtico aberto Open Portico
Terreno Plot
Diagrama programático
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Terreno Plot Diagrama programático Programatic diagram Entrada principal Main entrance PROMONTORIO Estudo de

Entrada principal Main entrance

PROMONTORIO

diagram Entrada principal Main entrance PROMONTORIO Estudo de padrão da fachada Facade study pattern

Estudo de padrão da fachada

Facade study pattern

Localização Location Alepo, Síria Aleppo city centre, Syria Cliente Client Município de Alepo Municipality of Aleppo Programa Programme ópera com 1,600 lugares, teatro com 500 lugares e biblioteca 1,600-seats opera, 500-seats theatre and city library ABC GBA 65,000 m 2 Área do terreno Plot size 21,000 m 2 Investimento estimado Estimated investment USD 250M Data Project status 2010 (concurso por convite shortlist competition)

USD 250M Data Project status 2010 (concurso por convite shortlist competition ) Opera hall ArchiNews 24

Opera hall

PROMONTORIO

2º balcão, salas de ensaio

e camarins

2 nd balcony, rehearsal rooms

and dressing rooms

1º balcão e camarins 1 st balcony and dressing rooms Palco e plateia da ópera
balcão e camarins
1 st balcony
and dressing rooms
Palco e plateia
da ópera e do teatro
Opera and theatre
stages and audience
Biblioteca Library
Foyer principal
e
espaços técnicos
Main Foyer
and technical rooms
Arquivos Archives
Pórtico
Portico
Piso técnico
Technical level
Estacionamento
Parking

Vista do portico de entrada Street view of entry portico

Vista da Ópera a partir da Cidadela de Alepo View of the Opera house from

Vista da Ópera a partir da Cidadela de Alepo View of the Opera house from Aleppo’s Citadel

de Alepo View of the Opera house from Aleppo’s Citadel Fotografias da maqueta Model photos PROMONTORIO
de Alepo View of the Opera house from Aleppo’s Citadel Fotografias da maqueta Model photos PROMONTORIO

Fotografias da maqueta Model photos

PROMONTORIO

Citadel Fotografias da maqueta Model photos PROMONTORIO         Alepo é a maior cidade
 
     
     
     
     
     
 
     
     
 
     
 

Alepo é a maior cidade da Síria

Aleppo is the largest city in Syria

  Alepo é a maior cidade da Síria Aleppo is the largest city in Syria  
  Alepo é a maior cidade da Síria Aleppo is the largest city in Syria  
 

a capital da região mais populosa (2,3 milhões de habitantes)

e

and regional capital of the most populous constituency (pop. 2,3M) in the Levant. For centuries, Aleppo was the 3rd-largest city of Ottoman Empire, after Constantinople and Cairo. Although relatively close to Damascus, it is distinct in identity, architecture and culture, shaped by a markedly different history and

Damascus, it is distinct in identity, architecture and culture, shaped by a markedly different history and
 
Damascus, it is distinct in identity, architecture and culture, shaped by a markedly different history and
Damascus, it is distinct in identity, architecture and culture, shaped by a markedly different history and
 
Damascus, it is distinct in identity, architecture and culture, shaped by a markedly different history and
Damascus, it is distinct in identity, architecture and culture, shaped by a markedly different history and
   
   
   

no Levante. Durante séculos, Alepo foi a terceira maior cidade do Império Otomano, depois de Constantinopla e Cairo. Apesar da sua proximidade a Damasco, possui uma identidade,

arquitetura e cultura singulares, marcadas por uma história

 
 
 
 
 
 
 
 
   
 
   
 
     
   
     
 
     

e

geografia distintas.

geography.

e geografia distintas. geography.      
   
e geografia distintas. geography.      
e geografia distintas. geography.      
e geografia distintas. geography.      
e geografia distintas. geography.      
 
   
     
 
Áreas públicas   Áreas de serviço Service areas   Núcleo de circulação Circulation core  

Áreas públicas

 
Áreas públicas   Áreas de serviço Service areas   Núcleo de circulação Circulation core  

Áreas de serviço Service areas

 
Áreas públicas   Áreas de serviço Service areas   Núcleo de circulação Circulation core  
Áreas públicas   Áreas de serviço Service areas   Núcleo de circulação Circulation core  
Áreas públicas   Áreas de serviço Service areas   Núcleo de circulação Circulation core  

Núcleo de circulação Circulation core

 

Public areas

PROMONTORIO

Volume

Volume

Volume do pórtico Portico volume

Volume subtraído

Carved portico

Pátio subtraído

Carved patio

Esferas subtraídas

Carved domes

Caixa envolvente

Surface envelope

Pele texturada

Textured skin

Diagrama formal Formal diagram

Opera hall

Teatro Theatre

PROMONTORIO

PROMONTORIO Planta do piso térreo / Foyer principal Ground floor plan / Main foyer ArchiNews 24
PROMONTORIO Planta do piso térreo / Foyer principal Ground floor plan / Main foyer ArchiNews 24
PROMONTORIO Planta do piso térreo / Foyer principal Ground floor plan / Main foyer ArchiNews 24
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PROMONTORIO Planta do piso térreo / Foyer principal Ground floor plan / Main foyer ArchiNews 24
PROMONTORIO Planta do piso térreo / Foyer principal Ground floor plan / Main foyer ArchiNews 24

Planta do piso térreo / Foyer principal Ground floor plan / Main foyer

PROMONTORIO

Planta do 1º piso / Foyer da sala de ópera

1 st floor plan / Opera hall foyer

da sala de ópera 1 s t floor plan / Opera hall foyer Corte longitudinal pela
da sala de ópera 1 s t floor plan / Opera hall foyer Corte longitudinal pela

Corte longitudinal pela sala de ópera Longitudinal section through opera house

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foyer Corte longitudinal pela sala de ópera Longitudinal section through opera house 66 66 ArchiNews 24

Planta do 5º piso / Biblioteca

5 th floor plan / Library

PROMONTORIO

/ Biblioteca 5 t h floor plan / Library PROMONTORIO Corte longitudinal pelo teatro Longitudinal section
/ Biblioteca 5 t h floor plan / Library PROMONTORIO Corte longitudinal pelo teatro Longitudinal section

Corte longitudinal pelo teatro Longitudinal section through theatre auditorium

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67

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PROMONTORIO

PROMONTORIO Diagrama de fachada Facade diagramme   O programa do concurso para a é ainda reforçada
PROMONTORIO Diagrama de fachada Facade diagramme   O programa do concurso para a é ainda reforçada
PROMONTORIO Diagrama de fachada Facade diagramme   O programa do concurso para a é ainda reforçada

Diagrama de fachada Facade diagramme

 

O

programa do concurso para a

é

ainda reforçada pela arcada que a

The competition programme for the

the ground and finally merging with

Ópera e para a Biblioteca Municipal tem por objetivo recolocar a cidade como centro de confluência de religiões,

envolve, numa sequência ascendente. Concebida geometricamente como uma rede estrutural de quadrados

Opera House and City Library of the Municipality aims to celebrate the city as a unique canvas of the cultural,

the dressing theme. Geometrically conceived as a structural grid of squares and

culturas, de relações económicas e

e

cilindros intercetados por arcos

economic, religions and political

cylinders intersected by arches and

políticas, numa interação ao longo dos

e

cúpulas esféricas, um amplo

interactions across centuries between

spherical domes, a vast open-air

séculos, entre o leste do Mediterrâneo,

pórtico ao ar livre ou um pornaos,

the east of the Mediterranean, the

portico or pronaos, announces the

o

Médio Oriente e a Europa.

anuncia a entrada do edifício. Este,

Middle East and Europe.

entry to the building. The latter,

Com mais de 2 hectares e localizado num dos principais pontos de

transmitindo o pathos cerimonial e a solenidade simbólica de acordo com

With more than 2 hectares and located in a major junction of Aleppo’s

conveying the ceremonial pathos and symbolic solemnity in accordance with

convergência do centro de Alepo

a

magnitude desta estrutura cívica, é,

centre, – between the Great Mosque

the magnitude of this civic structure, is

entre a Grande Mesquita e o

simultaneamente, uma reminiscência

and the Fountain Square –, the plot

also spatially reminiscent of ambiance

Fountain Square-, o lote apresenta fortes restrições de construção.

espacial do ambiente do Souk de Alepo, atribuindo ao local uma sensação mais

has severe building restrictions. The massing follows almost

of Aleppo’s Souk, imparting the place a sense of being, rather that just

 

O

volume cumpre, quase

de estar do que apenas de passagem.

mechanically the compliance with the

passing through.

automaticamente, as restrições

concentra várias funções que partilham

O

mesmo princípio de interseção

planning constrains and programme

The same principle of intersected

do planeamento e os requisitos programáticos, nomeadamente a

de arcadas atravessa os átrios numa sequência una. Todo o espaço público

requirements, namely the limitation of the building footprint to 45% of

archways follows through into the foyers in a unified sequence.

limitação da área de implantação do edifício em 45 por cento da área do

baseia-se numa gramática arquitetural tridimensional de influência Árabe

the plot. All this lead to a simple and compact built form.

The whole public space is therefore based in a three-dimensional

lote. Tudo isto conduz a uma forma

e

do Levante, tal como a transição

In essence, a rectangular box within

architectural grammar of Arab and

edificada simples e compacta. Na essência, uma caixa retangular

das superfícies exteriores em pedra monocromática, para os espaços interiores em betão branco e folha de

which the various functions share the same hall. A semi-transparent drapery of lace, or wickerwork, envelops

Levantine influence, such as the transition from a monochromatic external surface in stone, to the white

o

mesmo espaço. Uma cortina semi-

the “box” behind the structural

concrete and gold-leafed interior

-transparente rendilhada ou de vime envolve a “caixa” atrás da fachada estrutural, apresentando um padrão evocativo de um motivo de celebração histórica de Alepo – folhas e flores de pistacho; um padrão que, conjugado em várias combinações, frequentemente migra do tradicional motivo de

tapeçaria, olaria ou serralharia, para a arquitetura.

ouro. No interior, a Ópera apresenta-se como um auditório clássico, com plateia,

camarotes e balcões em diferentes níveis, cujas frentes apresentam um padrão acústico em folha de ouro e um enorme lustre suspenso do teto. A biblioteca encontra-se sobre a sala de espetáculos, ocultando parte do volume da teia do palco e das diferentes áreas técnicas, permitindo, ao mesmo tempo, a criação

façade, using an evocative pattern of Aleppo’s historically celebrated motif of pistachio leaves and flower; a pattern whose intricate combinations recurrently migrate from the tradition of tapestry, ceramics and metal work into architecture. The idea of lightness and transparency behind this veiled box is further reinforced by the archway that

space. Inside, the Opera is an all- time classic auditorium with stalls, boxes and multi-level balconies, with its bulkheads in an acoustic gold- -leafed pattern and a large central chandelier. The library seats on top of this theatre box, thereby concealing part of the volume of the stage tower and technical areas, simultaneously offering the opportunity for a

 

A

ideia de leveza e transparência

de

um terraço arborizado na cobertura.

evolves in a rising sequence touching

landscaped rooftop courtyard.

Sala de leitura da biblioteca Library reading rooms PROMONTORIO Sala de índices / Cafetaria com

Sala de leitura da biblioteca Library reading rooms

PROMONTORIO

de leitura da biblioteca Library reading rooms PROMONTORIO Sala de índices / Cafetaria com vista para

Sala de índices / Cafetaria com vista para a Cidadela Index room / Cafeteria overlooking the Citadel

a Cidadela Index room / Cafeteria overlooking the Citadel Alçado norte North elevation ArchiNews 24 ArchiNews

Alçado norte North elevation

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a Cidadela Index room / Cafeteria overlooking the Citadel Alçado norte North elevation ArchiNews 24 ArchiNews

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PROMONTORIO

PROMONTORIO

Vivaci Guarda, Guarda

Vivaci Guarda, Portugal

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PROMONTORIO

PROMONTORIO Planta de implantação Site plan Localização Location Guarda, Portugal Promotor Developer FDO

Planta de implantação Site plan

PROMONTORIO Planta de implantação Site plan Localização Location Guarda, Portugal Promotor Developer FDO

Localização Location Guarda, Portugal Promotor Developer FDO Imobiliária, SA Programa Programme Centro comercial Downtown community mall ABC GBA 21,900 m 2 (12,250 m 2 abaixo do solo below grade) GLA ABL 14,000 m 2 Lojas Shops 82 Lugares de estacionamento Parking 395 Investimento Investment EUR 31,4M Data Project status 2005 (conceito concept) – 2008 (construído built) Alçado sudeste e entrada do piso 0 Southeast facade with level 0 entrance

PROMONTORIO

PROMONTORIO Alçado sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72

Alçado sudeste Southeast facade

PROMONTORIO Alçado sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72

Pormenor de fachada Facade detail

sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72 ArchiNews 24
sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72 ArchiNews 24
sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72 ArchiNews 24
sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72 ArchiNews 24
sudeste Southeast facade Pormenor de fachada Facade detail Cortes transversais Cross sections 72 72 ArchiNews 24

Cortes transversais Cross sections

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PROMONTORIO

PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal
PROMONTORIO Alçado noroeste Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal

Alçado noroeste Northwest elevation

Alçado sudeste Southeast elevation

Northwest elevation Alçado sudeste Southeast elevation Corte longitudinal Longitudinal section Piso -1 Level -1

Corte longitudinal Longitudinal section

Piso -1 Level -1

PROMONTORIO

A. Cobertura Roof

Lajetas de pedra 50x50cm Stone floor tiles 50x50cm Isolamento térmico 60mm Thermal insulation 60mm Manta asfáltica sobre pintura betuminosa Waterproof membrane with betouminous coat Camada de forma pendente 1,5% mínimo Screed finished to falls 1.5% Minimum pitch Laje em betão armado 250mm Reinforced concrete slab 250mm

B. Fachadas Facades

Painéis pré-fabricados em betão branco 120mm White precast concrete panels with bas relief striae 120mm Grampos em aço inox chumbados à estrutura 40mm Stainless steel dogs imbedded in the concrete structure 40mm Isolamento térmico 40mm Thermal insulation 40mm Parede de alvenaria de cimento 110mm Mansory block wall 110mm Painel de poliestireno expandido 100mm Extruded polystyrene (xps) panel 100mm Reboco sobre armadura em fibra de vidro Glass reinforcement concrete with plaster finish Rufagem em zinco Zinc coping

C. Caixilharia Frame systems

Sistema em tubulares de aço inox 100x50x5mm Stainless steel tubular frame 100x50x5mm Vidro duplo laminado/temperado 6.6.2/4/8mm Flush double glazing w/ 8mm cavity and neoprene membrane

D. Áreas públicas Public areas

Tetos em gesso cartonado pintado 13mm Ceilings in drywall suspended system 13mm Pavimento Pavement:

Terrazzo com pintura epoxy 10mm Terrazzo with epoxy paint 10mm Betonilha de enchimento 90mm Concrete screed infill 90mm Laje em betão armado 250mm Reinforced concrete slab 250mm Guarda Handrail:

Vidro laminado 12.12.4mm Laminated double glazing w/ 4mm cavity 12mm Corrimão em tubo de aço inox Stainless steel hollow tube handrail Perfil U 370x10mm U-steel ledge profile 370x10mm Frente de loja Bulkheads:

Perfil HEA 100 metacrilato cinza 100x100x6mm HEA 100 steel ledge profile 100x100x6mm Perfil L de remate 100x50x6mm L-steel ledge profile 100x50x6mm

E. Arranjos exteriores Landscaping

Micro cubo de granito 100x100mm Granite cube pavement 100x100mm Camada de assentamento 80mm Settlement 80mm Caixa de areia 150mm Sand box 150mm Terreno compactado Compressed land Lancil em granito 150x500mm Granite raised kerb 150x500mm Lajeado em granito 60mm Granite tiles 60mm

F. Porta de entrada Entrance door

Pivotante com moldura em perfil U aço inox 40x20x5mm Swinging door in stainless steel frame 40x20x5mm Vidro laminado/temperado 6.8mm Laminated and tempered double glazing 6.8mm

G. Estacionamento Parking

Parede de contenção em betão 50cm Concrete containment wall 50cm Caixa de ar com caleira de drenagem Cavity with drainage gutter Alvenaria de blocos de cimento 110mm Concrete block mansory 110mm Chapa perfilada de aço galvanizado lacada Profiled varnished galvanized steel plate Pavimento em betão com endurecedor Concrete hardener on concrete pavement

com endurecedor Concrete hardener on concrete pavement   Corte construtivo Constructive detail section
com endurecedor Concrete hardener on concrete pavement   Corte construtivo Constructive detail section
com endurecedor Concrete hardener on concrete pavement   Corte construtivo Constructive detail section
 
 
 
  Corte construtivo Constructive detail section 74 ArchiNews 24
  Corte construtivo Constructive detail section 74 ArchiNews 24

Corte construtivo Constructive detail section

Corte construtivo Constructive detail section
Corte construtivo Constructive detail section

74

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Piso 4 Level 4

Piso 3 / Entrada Level 3 / Entrance

Piso 2 Level 2

Piso 1 / Supermercado Level 1 / Supermarket

Piso 0 / Entrada Level 0 / Entrance

PROMONTORIO

PROMONTORIO

PROMONTORIO Vazio central Central court Food court O caráter monofuncional do centro comercial limita muitas vezes

Vazio central Central court

PROMONTORIO Vazio central Central court Food court O caráter monofuncional do centro comercial limita muitas vezes

Food court

PROMONTORIO Vazio central Central court Food court O caráter monofuncional do centro comercial limita muitas vezes

O caráter monofuncional do centro comercial limita muitas vezes a sua capacidade, pelo programa, de gerar uma urbanidade equilibrada. Neste sentido, os projetos desenvolvidos no tecido urbano consolidado – projetos que são capazes de incutir e restaurar a convergência por vezes perdida dos centros históricos –, têm tido civicamente mais sucesso do que os modelos periféricos onde os grandes complexos logísticos são apenas acessíveis por automóvel. Neste contexto, este pequeno centro comercial está inserido no coração da cidade da Guarda, localizado na fronteira entre o núcleo histórico e a desqualificada expansão urbana que ocorreu nos anos 80. Projetado para um lote extremamente estreito e longo, e vencendo um desnível de 20 metros entre as ruas limítrofes, o edifício apresenta 5 pisos comerciais e de lazer, para além de 3 pisos de estacionamento subterrâneo.

lazer, para além de 3 pisos de estacionamento subterrâneo. Vista superior do vazio central Central court

Vista superior do vazio central Central court from above

Adoçado à encosta, o edifício funciona literalmente como um funicular, estabelecendo a ligação pedonal entre as zonas baixa e alta da cidade. Além do supermercado – loja âncora –, este invulgar conjunto inclui cerca de 80 lojas, 4 salas de cinemas e um food court com uma janela panorâmica sobre a cidade. No interior, um vazio evolui em espiral, em conjunto com as escadas rolantes, culminando numa grande claraboia hexagonal projetada numa combinação caleidoscópica das faixas de terrazzo colorido que identificam cada piso. A fachada surge como que uma metáfora da geologia da encosta e na qual os níveis dos diferentes pisos assumem-se como painéis ziguezaguiantes de elementos de betão pré-fabricado branco ocasionalmente interrompidos por panos de vidro colorido.

The mono-functional character of the shopping centre has often made difficult its capacity, as a programme, to generating a well-balanced urbanity. In this regard, projects developed in the consolidated urban fabric, – projects that are able to instil and restore the sometimes-lost convergence of historical centres –, have been civically more successful than the peripheral, car-only ex-urban model of big-box retail. In this context, this small shopping centre is inscribed in the heart of the time-honoured city of Guarda, inland Portugal, located on the boundary between its historical core and the disqualified 1980s urban expansion. Designed for an extremely narrow and long plot, and bridging a grade level difference of 20 meters between the bordering streets, the building is set in 5 levels of retail and leisure in addition to 3 levels of underground parking.

and leisure in addition to 3 levels of underground parking. Sinaléctica Wall graphics Adjoining the slope,
and leisure in addition to 3 levels of underground parking. Sinaléctica Wall graphics Adjoining the slope,

Sinaléctica Wall graphics

Adjoining the slope, it literally functions as a funicular connecting pedestrians from the Lower to the Upper Town. Besides the supermarket anchor, this unusual ensemble includes nearly 80 shops, 4 cinemas and a food court with a panoramic window overlooking the city. Inside, the open void evolves in a revolving crescendo in conjunction with the position of the escalators, that culminates in a large hexagonal skylight designed in a kaleidoscopic combination of terrazzo colour stripes identifying each level. The facade suggests itself as an abstraction of the geological metaphor of the slope, with the layers of the floor levels posited as zigzagging panels of white precast concrete elements, occasionally interrupted by fissures of coloured glass.

Northeast facade
Northeast facade

Alçado norte North facade

Northeast facade Alçado norte North facade Entrada do piso 3 Level 3 entrance PROMONTORIO Alçado sul

Entrada do piso 3 Level 3 entrance

PROMONTORIO

North facade Entrada do piso 3 Level 3 entrance PROMONTORIO Alçado sul South facade Entrada do

Alçado sul South facade

3 Level 3 entrance PROMONTORIO Alçado sul South facade Entrada do estacionamento Parking entrance ArchiNews 24

Entrada do estacionamento Parking entrance

PROMONTORIO

Öböl XI, Budapeste, Hungria

Öböl XI, Budapest, Hungary

Localização Location Öböl District (Budapest), Hungary Promotor Developer Chamartín SGPS SA Programa Programme Edifício de usos mistos com centro comercial, habitação e escritórios Mixed-use with shopping centre, residential and offices ABC GBA 70,000 m 2 ABL GLA 30,000 m 2 Lojas Shops 65 Lugares de estacionamento Parking 2,000 Data Project status 2007 (masterplan e estudos de viabilidade master planning and feasibility studies)

PROMONTORIO

master planning and feasibility studies ) PROMONTORIO Vista da maqueta a sudeste Model view towards southeast

Vista da maqueta a sudeste Model view towards southeast

Vista da maqueta a sudeste Model view towards southeast Vista da maqueta a nascente Model view

Vista da maqueta a nascente Model view of east elevation

Vista da maqueta a nascente Model view of east elevation Vista da maqueta a sul Model

Vista da maqueta a sul Model view towards south

PROMONTORIO

PROMONTORIO Vista nordeste Northeast view A praça coberta, concebida como uma espécie de salão público que

Vista nordeste Northeast view

A praça coberta, concebida como uma espécie de salão público que serve todo o novo quarteirão, gera um espaço flexível para a realização de eventos que oferecem à cidade múltiplas oportunidades para revitalizar a vida urbana.

The covered plaza, devised as a kind of Public Hall to the whole new quarter, generates a flexible space of events that offer the city multiple opportunities to enrich urban life.

offer the city multiple opportunities to enrich urban life. Vista oeste View towards west Praça pública

Vista oeste View towards west

to enrich urban life. Vista oeste View towards west Praça pública coberta Covered public square 80

Praça pública coberta Covered public square

PROMONTORIO

Piso 5 Level 5

Piso 1 Level 1

Axonometria Axonometric

Piso 0 / Entrada Level 0 / Entrance

Axonometric Piso 0 / Entrada Level 0 / Entrance Corte longitudinal e alçado oeste Longitudinal section

Corte longitudinal e alçado oeste Longitudinal section and west facade

e alçado oeste Longitudinal section and west facade Vista aérea do modelo Model birds eye view

Vista aérea do modelo Model birds eye view

Piso -1 Level -1

Projeto de uso misto composto por um Centro Comercial e uma praça pública previstos no novo plano para a frente do rio Danúbio, no Distrito de Öböl, em Budapeste. O programa inclui habitação, escritórios, lojas, espaços de lazer e centro comercial, ocupando uma área bruta total de 70.000 m², enquanto a área útil total, dividida entre o retail park e o centro comercial, é de 31,000 m².

Estacionamento Parking

Mixed-use project comprising a Shopping Centre and a Public Plaza on the riverfront of the Danube’s new scheme of the Öböl District, in Budapest. The programme includes housing, offices, leisure, retail and shopping centre, achieving a total gross area of 70,000 sq.m, while the total GLA, divided between retail park and shopping centre, is of 31,000 sq.m.

PROMONTORIO

PROMONTORIO

Loft, Lisboa oriental

East Lisbon Loft, Portugal

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ArchiNews 24

Localização Location Braço de Prata, Lisbon, Portugal Cliente Client Privado Private Programa Programme Tipologia T7 7-bdr loft ABC GBA 500 m 2 Custo de construção Construction cost EUR 120,000.00 Data Project status 2007 (conceito concept) – 2008 (conclusão completion)

PROMONTORIO

Project status 2007 (conceito concept ) – 2008 (conclusão completion ) PROMONTORIO Planta Plan ArchiNews 24

Planta Plan

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PROMONTORIO Zona de estar Living space 84 ArchiNews 24

Zona de estar Living space

PROMONTORIO Zona de estar Living space 84 ArchiNews 24
PROMONTORIO Zona de estar Living space 84 ArchiNews 24
PROMONTORIO Cozinha Kitchen Zona de jantar Dining area Cozinha Kitchen Cortes Sections ArchiNews 24 85
PROMONTORIO Cozinha Kitchen Zona de jantar Dining area Cozinha Kitchen Cortes Sections ArchiNews 24 85

PROMONTORIO

PROMONTORIO Cozinha Kitchen Zona de jantar Dining area Cozinha Kitchen Cortes Sections ArchiNews 24 85
Cozinha Kitchen Zona de jantar Dining area Cozinha Kitchen Cortes Sections
Cozinha Kitchen
Zona de jantar Dining area
Cozinha Kitchen
Cortes Sections

PROMONTORIO

PROMONTORIO Estudios mezzanine e casas de banho das crianças Children’s mezzanine studios and bathrooms Cortes
PROMONTORIO Estudios mezzanine e casas de banho das crianças Children’s mezzanine studios and bathrooms Cortes

Estudios mezzanine e casas de banho das crianças Children’s mezzanine studios and bathrooms

mezzanine e casas de banho das crianças Children’s mezzanine studios and bathrooms Cortes Sections 86 ArchiNews
mezzanine e casas de banho das crianças Children’s mezzanine studios and bathrooms Cortes Sections 86 ArchiNews

Cortes Sections

Áreas de circulação Circulation areas Lisboa tem poucos lofts , se considerarmos esta tipologia uma

Áreas de circulação Circulation areas

Lisboa tem poucos lofts, se considerarmos esta tipologia uma reutilização dos famosos armazéns americanos de vários pisos em ferro fundido, pela única razão de que esta indústria incipiente dificilmente justificava o armazenamento vertical. No entanto, na área oriental portuária de Lisboa, por um breve período de tempo no início da década de 70, um acordo entre a indústria ligeira de carga e companhias transportadoras justificaram armazéns de vários pisos, dado Lisboa ser uma cidade com custos de terreno significativos. Este loft localiza-se num edifício com uma pesada estrutura de betão suportada por colunas com capitel quadrado com 5 pisos, 5 metros de pé- -direito e elevadores de carga.

5 pisos, 5 metros de pé- -direito e elevadores de carga. Suite principal Master suite Com

Suite principal Master suite

Com vista para o Tejo, os novos ocupantes do open space original

de 500 m2, é uma família numerosa que optou por não compartimentar

o espaço, para além dos quartos/

casas de banho e de um ginásio. As colunas e capitéis, juntamente com o antigo guindaste elétrico deixado na

sala de estar/sala de jantar/cozinha, contrasta com a domesticidade da escala dos pés direitos, mezzaninos

e corredores estreitos. Paredes

leves contêm a sala, em torno da qual um corredor garante toda a circulação, preservando a liberdade espacial do armazém original. Detalhes construtivos deixados “em bruto” e materiais simples foram cuidadosamente selecionados, combinando com a atmosfera pós- industrial do edifício.

PROMONTORIO

com a atmosfera pós- industrial do edifício. PROMONTORIO Lisbon has very few “loft” buildings, if one

Lisbon has very few “loft” buildings, if one is to take this residential typology from the reuse of the celebrated American multi-storey

cast-iron warehouses, simply because its incipient industry hardly ever justified vertical storage.However, in the East Port area of Lisbon, and for a brief period of time in the wake of the 1970s, a settlement of light industry related to cargo and freight companies

justified multi-storey warehousing given Lisbon’s already meaningful land costs. The building where this loft apartment is located is a portent 5-storey concrete structure, with cargo elevators and 5m-height floors, held by rectangular mushroom columns.

Overlooking the Tagus River, the new occupants of the original 500 sq.m open-space, are a large family that has chosen to make few divisions, other than the bedrooms-plus-toilet boxes and a gym. The columns and capitals, together with the old electrical crane left in the living-room/ open kitchen, contrasts with the domesticity introduced by the control for ceiling heights, mezzanines and narrow passages. Lightweight walls have introduced a generic compartment while a loop circulation system maintains the sense of freedom that yields from the original warehouse. Rough construction details and a very simple material palette were carefully chosen to go with the post-industrial atmosphere.

PROMONTORIO

PROMONTORIO

Kempinski Damascus, Syria

Kempinski Damasco, Síria

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Localização Location Sabboura district (Damascus), Syria Operador Operator Kempinski Hotels & Resorts Propriedade Property MAF Syria for Investment and Development (Majid Al Futtaim Group) Programa Programme Hotel de 5 estrelas, aparthotel e sala de conferências 5-star 250-bdr business hotel, function centre and serviced apartments Design de Interiores Interior Design PROMONTORIO ABC GBA 26,000 m 2 (hotel), 19,000 m 2 (apartamentos apartments) Data Project status 2010 (master planning) – 2011 (conceito concept design)

Sabboura é um terreno com 100 hectares, localizado em Yarfour, na área rural de Damasco, 17 quilómetros a oeste da capital da Síria e adjacente à autoestrada Damasco-Beirute, a uma distância de

22 quilómetros da fronteira libanesa

e a 175 de Amã, na Jordânia. Para

este local, de topografia quase plana, rodeado pelos Montes Golã, o Grupo MAF encomendou o masterplan

à AECOM, complementado

posteriormente por Nabil Gholam, na perspetiva de transformar o local num

importante destino turístico regional

e internacional.

O projeto, Khams Shamat, visa

atrair visitantes do Líbano, Jordânia

e da região do Golfo, e integra, num

programa de usos mistos, um centro comercial, um parque público de grande escala, zonas empresariais, alojamentos turísticos e estruturas de apoio. No centro do plano, o hotel Kempinski surge como marco

arquitetónico e programático, compreendendo, para além de um hotel com 250 quartos e um centro de conferências, uma torre icónica

de 100 m destinada a aparthotel, o edifício mais alto de Khams Shamat. A sua localização, próxima às principais entradas pedonais do

centro comercial, confronta a praça,

que se assume como o centro cívico de todo o plano e o local de maior

prestígio.

cívico de todo o plano e o local de maior prestígio. Praça de Khams Shamat Khams

Praça de Khams Shamat Khams Shamat square

Sabboura is a green-field with 100 hectares, located in the Yarfour area of rural Damascus, 17 km west of the Syrian capital and adjacent to the Damascus-Beirut highway, at a distance of 22 km from the Lebanese border and 175 Km from Amman, in Jordan. For this relatively flat site, surrounded at distance by the Golan Heights, the MAF Group commissioned a vast master plan, initially developed by AECOM and further complemented by Nabil Gholam, into becoming a major regional and international tourism destination. The development, be-named Khams Shamat, aims to attract visitors from Lebanon, Jordan and the Gulf

PROMONTORIO

region, and comprises a mixed-use programme zoned to accommodate a shopping centre, a large public park, business districts, touristic vacationing quarters and ancillary uses. At the heart of this master plan, the Kempinski hotel will be the landmark of the site, both architecturally and programmatically, insofar as it comprises, besides the 250 keys hotel and function centre, a 100 metres tower with serviced apartments, which will be Khams Shamat’s highest building. Its location, next to the key pedestrian entrances of shopping centre, faces a square that will be the civic focus of the whole development and its most prestigious address.

of the whole development and its most prestigious address. Praçeta do hotel Kempinski Kempinksi hotel square

Praçeta do hotel Kempinski Kempinksi hotel square

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PROMONTORIO Maqueta de estudo Study model 90 ArchiNews 24
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Maqueta de estudo Study model

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PROMONTORIO Piso térreo / Drop-off , lobby , receção, cafetaria e sala de buffet Ground

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Piso térreo / Drop-off, lobby, receção, cafetaria e sala de buffet Ground floor / Drop-off, lobby, reception, coffeshop and all-day dining

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PROMONTORIO Lobby do hotel Hotel lobby 92 ArchiNews 24

Lobby do hotel Hotel lobby

Piso mezzanine / Restaurantes e bares Mezzanine floor / Restaurants and bars

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transversal B pelo vazio Cross section B thru the void Corte longitudinal A pelo vazio Longitudinal
transversal B pelo vazio Cross section B thru the void Corte longitudinal A pelo vazio Longitudinal
transversal B pelo vazio Cross section B thru the void Corte longitudinal A pelo vazio Longitudinal

Corte longitudinal A pelo vazio Longitudinal section A thru void

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Quarto standard Standard guestroom PROMONTORIO Casa de banho Bathroom SOAKING BATHTUB WALLPAPER LARGE MEAL/ COFFEE

Quarto standard Standard guestroom

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