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ACESSIBILIDADE EM UMA COMPLEXA REDE
SUBSTITUTIVA DE CUIDADO EM SAÚDE MENTAL – O
CASO DE CAMPINAS
Prof. Dr. Emerson Elias Merhy (UFRJ) – pesquisador coordenador (proponente)
Prof. Dra. Laura Macruz Feuerwerker (UFRJ) – pesquisadora
Prof. Dra. Erminia Silva (UNICAMP e UFRJ) – pesquisadora
Psicóloga e Mestre Flávia Helena Miranda de Araujo Freire (UFRJ e FIOCRUZ) – pesquisadora
Psicóloga Heloisa Novaes de Miranda Amaral (SSCF)– pesquisadora colaboradora
Psicanalista Telma Cristina Palmieri (SSCF)– pesquisadora colaboradora
Psiquiatra Nobusou Oki (SSCF)– pesquisador colaborador
Economista André Luiz de Castilho Fonseca (SSCF)– pesquisador colaborador
Enfermeira de saúde pública Cassia Cristina Pacheco Ramos (SSCF) ­ pesquisadora colaboradora

A  construção  coletiva  desse  projeto  de  pesquisa  está  sendo  realizado  através  da
cooperação entre a Linha de Pesquisa Micropolítica do Trabalho e o Cuidado em Saúde,
da Pós Graduação em Clínica Médica da UFRJ e Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira,
em co­gestão com a Prefeitura Municipal de Campinas.

I) Introdução e Justificativa: o problema e o objeto da
investigação
Experiências  reais  no  campo  do  cuidado  em  saúde  mental  revelam  como  tem  sido
difícil operar a mudança de paradigmas na atenção ao cidadão que vive com sofrimento
psíquico. As situações são ímpares nesse campo, que há inúmeros casos de usuários dos
Centro  de  Atenção  Psicossocial  que  vivenciam  contatos  muito  singulares,  quando
necessitam  utilizar  outros  serviços  e,  isso,  acontece  mesmo  em  redes  de  cuidado  muito
complexas  em  termos  de  ofertas  bem  variadas  e  com  grande  capacidade  de  produzir
cuidado intensivo para usuários bem comprometidos e baixa autonomia. (Costa, 2007)
Não  são  poucos  os  casos  de  usuários  da  saúde  mental  que,  ao  se  verem  com  um
problema clínico de outra ordem que não a mental, têm que enfrentar barreiras de seu
acesso  aos  cuidados  de  uma  forma  muito  peculiar.  Por  exemplo,  alguém  com  quadro
psíquico e uma doença renal crônica, é visto como um usuário que tem também um “rim
louco” e, portanto, os serviços de saúde responsáveis por um cuidado a renais crônicos o
segregam  de  uma  maneira  bem  distinta.  Isso  se  repete  a  monta  em  todos  os  pontos  de
acesso de um usuário a serviços de saúde, bem como na própria rede de saúde mental, na

acesso de um usuário a serviços de saúde, bem como na própria rede de saúde mental, na
qual para um usuário tido como “drogadito e marginal”, cria­se fortes restrições para sua
inserção no que se tem de oferta. Para um psicótico tido como “muito violento” faz­se de
uma maneira muito fácil barreiras para sua incorporação junto ao cuidado de um PSF ou
ao uso de um serviço geral de urgência e emergência.
Nos  próprios  serviços  tipicamente  substitutivos,  muitas  vezes,  as  portas  não  estão
abertas para a entrada do seu próprio usuário a qualquer momento, pois se necessita de
um acolhimento, fica relegado, em muitas situações, a ter que entrar em outras portas de
cuidado não competentes para o que precisa.
Isso,  por  si,  já  coloca  que  um  dos  grandes  problemas  a  ser  enfrentado,  mesmo  em
lugares  que  já  vivem  há  anos  a  implantação  de  uma  outra  rede  de  cuidados  em  saúde
mental, a partir da desconstrução de seus manicômios, como foi o caso do Município de
Campinas  (SP)  (Campos,  F.C.B.,  2000),  é  aquele  que  se  vincula  a  temática  da
acessibilidade  e  suas  barreiras  no  que  tange  a  produção  do  cuidado  integral  na  saúde
mental, de uma forma substitutiva, desinstitucionalizadora à lógica manicomial.
Pesquisar isso depende da existência real de um rede complexa em termos de ofertas
de cuidado, com longa experiência de produção de modos alternativos de cuidar para além
dos  projetos  mais  tradicionais.  E  essa  possibilidade  não  existe  em  qualquer  lugar,  mas
sem  dúvida  em  Campinas  e  Belo  Horizonte  isso  é  bem  possível.  (Campos,  C.  e  outros,
1998)
Aqui, vamos nos ater a situação do Município de Campinas como um “laboratório”
bem particular, que permite explorar em termos da construção de uma investigação que
tem a acessibilidade como seu problema, por ser uma rede muito complexa em termos de
cuidado  em  saúde  mental,  com  ofertas  muito  variadas;  por  ter  desconstruído  dois
importantes  manicômios  e  por  ter  hoje  uma  quantidade  significativa  de  usuários  com
necessidades  de  cuidado  bem  intensos  em  sua  rede  de  CAPS,  articulada  as  redes  de
cuidado como as da urgência e emergência e a atenção básica, como se verá adiante.

1) A história da rede de saúde mental no município de Campinas:
No  final  da  década  de  70,  trabalhadores  de  Saúde  Mental  iniciaram  movimento
contra  a  exclusão  e  segregação  dos  portadores  de  sofrimento  mental  ­  Movimento  dos
Trabalhadores em Saúde Mental (MTSM). Tal movimento foi contemporâneo a Reforma
Sanitária, contou com a participação de integrantes do movimento sanitário, associações
de  familiares,  sanitaristas,  membros  de  associações  profissionais  e  pessoas  com  longa
história  de  doença  mental.  A  crítica  do  modelo  de  assistência  centrado  no  hospital
psiquiátrico foi traduzida também em outros países, como a Itália, onde esse movimento
tomou corpo e foi um dos inspiradores do movimento no Brasil.
Em  1987,  o  II  Congresso  do  Movimento  dos  Trabalhadores  em  Saúde  Mental,  em
Bauru,  tomou  como  bandeira:  “Por  Uma  sociedade  Sem  Manicômios”  e  realizou­se  a  I
Conferência Nacional de Saúde Mental ( Rio de Janeiro). Nesse mesmo ano foi criado o

 leis que propunham a substituição dos leitos psiquiátricos. Em Campinas. constituindo­se hoje em um conjunto de serviços articulados entre si e com a rede municipal de saúde.  fundado  em  1924.  aconteceu  a  intervenção  na  Casa  de  Saúde  Anchieta.  2  pelos  trabalhadores  da  instituição. Cândido Ferreira é 100% comprometido com o Sistema Único de Saúde – SUS. a ser chamado de Serviço de Saúde Dr. aos quais se soma o superintendente indicado  e  contratado  pelos  demais  membros  do  Conselho. 2001) O processo de desinstitucionalização . Embora seja juridicamente uma entidade filantrópica e. 1 pelos usuários do serviço.  aberta  à  qualquer  trabalhador. como um cidadão pleno de direitos. antes de qualquer outra consideração. Essa intervenção teve repercussão nacional e a partir dela surgiu a primeira rede substitutiva ao manicômio. 1 pelo segmento usuários do Conselho Municipal de Saúde.  Ou  seja. com o qual se vincula mediante processos de co­gestão que não se restringe à  relação  Cândido­Prefeitura.  em  Santos. entre outras). operando com base nos princípios da Reforma Psiquiátrica e tendo como eixo estruturante o reconhecimento do portador de transtornos mentais.  nenhum  segmento tem poder para isoladamente definir a política da instituição.  mas  envolve  efetivamente  uma  co­gestão  entre  todos  os segmentos  interessados  na  saúde  mental. o Serviço de Saúde Dr. desde 1990.  Passou. foram aprovadas também em vários estados. Cândido Ferreira e a Prefeitura Municipal. então. por uma rede de atenção em saúde mental.Conferência Nacional de Saúde Mental ( Rio de Janeiro). 1 pela Secretaria Estadual de Saúde.  2  pelas  universidades parceiras (Unicamp. Cândido Ferreira. que operam todo o escopo de propostas preconizadas e defendidas pelos movimentos da luta anti­manicomial e em favor da reforma psiquiátrica. Nesse mesmo ano foi criado o primeiro CAPS no Brasil. O  seu  Conselho  Diretor  é  composto  por  13  membros:  3  indicados  pela  Associação Cândido  Ferreira. teve início o movimento de  transformação  desse  tradicional  hospital  psiquiátrico. em São Paulo com o nome de CAPS Luís Cerqueira (Itapeva). em consonância com os princípios e diretrizes do SUS.  2 indicados pela Secretaria Municipal de Saúde. o que impõe a construção de projetos necessariamente negociados e definidos no campo público. Em  1989. foi para o Congresso Nacional o Projeto de Lei do Deputado Paulo Delgado. (Harari e Valentini. Ufscar. Puccamp.  e  foram  criadas  cooperativas  e residências para egressos deste manicômio.  usuário  ou  cidadão  interessado  em saúde  mental. A partir de 1992. 1 pelos familiares  dos  usuários. Ainda em 1989. que propôs a regulamentação dos direitos das pessoas com transtornos mentais e a extinção progressiva dos manicômios. portanto de direito privado.  na  perspectiva  da  reforma  psiquiátrica  e  da  luta  anti­manicomial.  que  perpassa  toda  a  rede  de  relações  intra  e extra­institucionais. com a criação dos Núcleos de Atenção Psicossociais  (NAPS).  local  de muito sofrimento e violência. através do estabelecimento de um convênio de co­gestão entre o Sanatório Dr.  com  funcionamento  24  horas.

 cujos bons resultados levaram à inauguração da 2ª moradia em 1994.216 de 06 de abril de 2001. (Harari e Valentini.  criou­se  concomitante  ao  início  da  co­gestão  entre  o  Cândido Ferreira e a Secretaria Municipal de Saúde. abrigando mais de 150 usuários. Esta política foi defendida nas discussões que precederam a regulamentação das residências terapêuticas. mas da Secretaria Municipal de Saúde de  Campinas. Hoje há cerca de 30 residências terapêuticas. em 1991.  inaugurou­se  em  1991. não só do Serviço de Saúde Dr. considerando­se as possibilidades de enquadramento legal e as condições de financiamento em saúde mental possíveis àquela época. Cândido Ferreira. um serviço então formalizado como “Hospital­Dia”. mas que operava com o mesmo referencial do CAPS Itapeva e dos NAPS em Santos. A rede de cuidados na comunidade Considerando­se as circunstâncias do processo de municipalização da rede pública de saúde  em  Campinas. em dezembro de 1998. Desde as primeiras experiências de moradia extra­hospitalar já era identificado também a necessidade de se assegurar uma renda mínima ao usuário que deixava de ser morador do hospital. 1998). quando o Ministério da Saúde editou. (Amarante. definiu­se o projeto de moradias extra­hospitalares como uma política efetiva. como condição sine qua non para assegurar sustentabilidade ao seu processo de construção de autonomia e de cidadania. em 2000.  na  esteira  da consolidação da “Lei da Reforma Psiquiátrica” promulgada sob o nº 10. na década de 90. a partir de 1997.  Desde  então  disparou­se  a  criação  de  novas  moradias  que  já  eram  em número de 20.  como  projeto  experimental. de uma “bolsa­moradia” para cada usuário nesta nova condição. abrigando cerca de 80 usuários. outras iniciativas.  mas  também  com  a  necessidade  de  se  oferecer  uma  alternativa  aos pacientes  já  institucionalizados. responsável pelo acompanhamento . o que era então a Unidade de Reabilitação dos Moradores. o que se viabilizou pela garantia.  no Cândido Ferreira a primeira “moradia extra­hospitalar”.  a  partir  da  Portaria  336  de  2002. com a consolidação das duas  primeiras  residências  como  resposta  efetiva  à  permanência  daqueles  pacientes  em hospital. entre as quais os CAPS Aeroporto (atual CAPS Novo Tempo) e CAPS Integração da própria rede municipal de saúde de Campinas. e veio a ser efetivamente assegurada com o Programa de Volta para a Casa. entre as  quais  destacamos  as  residências  de  alta  complexidade  para  usuários  que  têm  a  sua autonomia  limitada.  seja  por  uma  quadro  clínico  (na maioria  dos  casos  não  psiquiátricos)  que  exige  cuidado  e  acompanhamento  intensivos.  a  portaria  que  oficializou  como  política  pública  os  “Serviços  Residências Terapêuticos”.O processo de desinstitucionalização Preocupados  não  só  com  a  substituição  da  internação  psiquiátrica  tradicional  para novos  usuários. desde então. Cândido Ferreira.  os  Centros  de  Atenção Psicossocial  como  serviços  substitutivos  à  internação  psiquiátrica.  seja  pela  idade  muito  avançada. e terminaram por fomentar a regulamentação efetiva por parte do  Ministério  da  Saúde. foram experimentadas em um número crescente de municípios. para então. Como essa. 2001; Furtado e Pacheco. 1995) No âmbito do Serviço de Saúde Dr.

 em consonância com a rearticulação em curso do conjunto de serviços então existentes em Campinas.  buscando  garantir  a  ampliação  continuada  da  renda gerada.  Em  2005. efetivou­se a transformação do Hospital­ Dia no CAPS Esperança. Nesta mesma direção. os CAPS Integração e Aeroporto (atual Novo Tempo). inaugurou­se o CAPS David Capistrano.  trabalhando  em  parceria  com  os  CAPS  e  Centros  de Saúde  no  desenvolvimento  de  projetos  terapêuticos  compartilhados.  criou­se  o  Núcleo  de  Oficinas  e  Trabalho  –  NOT. os CAPS Integração e Novo Tempo foram viabilizados  como  CAPS  tipo  III  na  região  oeste.era então a Unidade de Reabilitação dos Moradores.  conforme  regras  e  critérios  definidos pelos próprios usuários. em 2001 redefiniu­se o número e o papel dos leitos de retaguarda. responsável pelo acompanhamento das  moradias  extra­hospitalares  e  dos  usuários. V. Em  1997. hoje tipo III (PMC.  no  contexto  da  regulamentação  das  novas  portarias referentes aos Centros de Atenção Psicossocial. O CAPS Estação foi transformado em um CAPS tipo III e passou a referenciar a região norte do município.  propôs­se  a  sua  transformação  em  um CAPS criado fora dos limites do Serviço. o que tornou­se o Núcleo  de  Atenção  à  Crise  (NAC). 2004). trabalhadores e usuários envolvidos nas oficinas de trabalho e geração de renda criaram a Associação Cornélia M. Entre 2001 e 2002. sob a lógica do cuidado no território.  em  abril  de  2000. o CAPS III Antônio da Costa Santos. com 5 leitos­noite. E. Em 1993. Vlieg.  nesta  mesma  região.  Estas  bolsas  decorrem  da repartição  do  superavit  produzido  pelas  oficinas. .  a  então  Unidade  de  Internação  propôs  como  recurso  de  uma  retaguarda para  os  serviços  substitutivos  à  internação  o  dispositivo  Leito­Noite. os quais passaram a ser operados em número de 40. coincidindo com o fechamento do último hospital psiquiátrico de Campinas  (o  Hospital  Tibiriçá). como um CAPS tipo III.  que  veio  a  ser  criado  pelo  Cândido  Ferreira. as regiões norte e sul. A inclusão social pelo trabalho Considerando­se  as  enormes  dificuldades  enfrentadas  pelos  portadores  de transtorno mental na sua inclusão no mercado formal ou mesmo informal de trabalho.  com  o  objetivo  de  produzir  em conjunto com os usuários as respostas a este desafio. O Hospital­Dia passou a referenciar progressivamente a região leste do município.  com  o  objetivo  de  dinamizar  o  processo  de  organização  e  ampliação  das oficinas  em  formato  cooperativo. vincularam­se à região oeste (sudoeste e noroeste respectivamente) e o novo CAPS. criando­se na região sul. Neste contexto. assegurando desta forma tanto o aumento do número de usuários acolhidos no projeto.  como  também  do  valor  das  bolsas­trabalho  pagas.  Esta  oferta  evitou em  muitos  momentos  uma  internação  integral  e  a  oportunidade  de  compartilhar  e acompanhar seu usuário no momento de sua crise. em 1991. que passou a funcionar como território base na região leste de Campinas.  nos  momentos  e circunstâncias em que uma maior intensidade e singularidade de cuidados se impõe.  com  o  nome  de CAPS Estação. H. gerenciados pela Secretaria Municipal de Saúde.

  jardinagem.  as  viagens  e  passeios  dos  usuários (Harari  e  Valentini.  a  partir  da  Portaria  Interministerial  353. à cultura e o acesso às artes.  agrícola.  Clube  dos  Saberes. 2007) Em  1997. 2007) Os meios de comunicação como front de luta e trabalho Conscientes  da  importância  de  favorecer  a  ampliação  dos  canais  de  comunicação entre  o  projeto  de  atenção  em  saúde  mental  na  perspectiva  da  reforma  psiquiátrica  e  a comunidade. Este conjunto de oficinas acolhe diariamente cerca de 290 usuários.  papel  reciclado.  iniciou­se  vários  projetos  de  comunicação.  eventos.  oferendo  cursos  de  alfabetização  e  1º  grau  para trabalhadores  e  usuários. assim como promover e respeitar o direito ao lazer. que recebem uma  renda  média.  azulejo hidráulico. para implementar uma política municipal. inaugurou­se em 1993 o Atelier Espaço 8 voltado para as artes plásticas. Em  2005. Atualmente.  desenvolvidos  em .  construção  civil.  em  Campinas constituiu­se uma comissão municipal. Bem Viver e Portal das Artes na região sul da cidade; Tear das Artes na região sudoeste; Centro de Convivência Toninhas na região noroeste; e Centro de Convivência Aurélia na região norte. que abrigou a parceria com a Fundação Municipal de Educação Comunitária –  FUMEC.  Inaugurou­se  em  seguida  uma  nova  casa  para  o  Centro  de Convivência.  serralheria.  Em  2005  criou­se  o  Fórum  de  Centros  de  Convivência  de Campinas com os objetivos de fazer um levantamento das experiências.  mosaico. (Merhy e Amaral.  no  sentido  de  enfrentar  e  superar  o  preconceito  e  o  estigma  que  ainda envolve  a  saúde  mental. 2001). mas entre os usuários e a comunidade.pelos próprios usuários. outras modalidades de inclusão Movidos  pela  necessidade  de  ampliar  as  modalidades  de  acolhimento  aos  usuários portadores  de  transtorno  mental. a música e o teatro.  culinária.  que  existia  desde  1993. que em seguida  incluiu  um  profissional  de  educação  física.  visando  o  desenvolvimento  das atividades físicas e esportivas.  salão  de  beleza  e  agência  de  turismo  que organizava. Organizou­se  a  biblioteca.  que  se  mantém. constituindo o que então se chamava de Unidade de Ações Integrativas. marcenaria. Os Centros de Convivência e a Cultura. 2007; Harari e Valentini.  gráfica.  em  conjunto  com  os  demais  serviços. no município conta­se com 8 Centros de Convivência: o Centro Cultural Cândido­Fumec e Espaço das Vilas na região leste; o Rosa dos Ventos.  para  além  das  ofertas  então  existentes  e  estimular  a convivência não apenas entre os usuários.  2001). Conta  com  oficinas  de  vitral.  vitral  plano.  de  março. (Merhy e Amaral. formada por trabalhadores da rede de atenção a saúde  mental.  além  de  uma  loja/oficina  para  a  comercialização  dos  produtos  no  centro  da cidade.  mês  a  mês.  de  ½  salário  mínimo  paulista  (Merhy  e Amaral.  para  implementar  a  política  proposta  pelo  grupo  de  trabalho  de  saúde mental e economia solidária de nível nacional.  fundou­se  o  Centro  de  Convivência  ampliando  as  atividades  oferecidas.

 cuja pauta e matérias são construídas  pelos  próprios  usuários.envolve  a  saúde  mental.  trazido  em  especial  pela  ampliação  de  sua  população  trabalhadora. 2) O município e o conjunto da sua rede de cuidado em saúde: uma história SUS O município de Campinas ocupa uma área de 801 km² e conta com uma população aproximada de 1 milhão de habitantes.  O  NADEQ  passou  a  operar  numa  lógica  de  apoio. repercutindo as discussões então  ainda  muito  insuficientes  sobre  as  questões  da  dependência  química.9 Mhz). o “Maluco Beleza”. que iniciou­se com a atenção básica. Campinas constitui­se como um dos pólos metropolitanos do Estado São Paulo. e o atendimento ambulatorial para o seguimento do cuidado. Esse processo exigiu envolvimento e qualificação progressivos das  equipes  distritais  e  representou  grande  passo  na  consolidação  da  gestão  plena  do . para os dois CAPS Ad do município. formado por  19  cidades  e  uma  população  estimada  em  2.33  milhões  de  habitantes  (6.  que  é  o  processo  progressivo  de  descentralização  do  planejamento  e  gestão  da saúde para áreas com cerca de 200. o município contava com o CRIAD.  dificultando  o enfrentamento  singular  das  questões  próprias  suscitadas  por  este  campo.  oficina  de  TV. hoje veiculado semanalmente pela Rádio Educativa FM de Campinas (101. para o CAPS III; bem como a rede de centros de saúde e os pronto­socorro e pronto­atendimento da cidade.  no  Cândido  Ferreira. referenciando as regiões sul e sudoeste da  cidade. A complexidade do Sistema de Saúde em Campinas traduz­se na distritalização que atingiu. culminaram na criação de um “ponto de cultura” pelo Ministério da  Cultura. sendo  seguido  pelos  serviços  secundários  próprios  e  posteriormente  pelos  serviços conveniados / contratados. 2007) A política de álcool e outras drogas Desde 1995. Em 2007 criou­se o CAPS Ad Independência.  oficina  de  fotografia. operando com a modalidade de internação nas  situações  em  que  se  exigia  a  conclusão  do  processo  de  desintoxicação  iniciado  no hospital geral.  desenvolvidos  em conjunto com os usuários – o Jornal Candura.  Com  grande  vigor econômico  e  social.  Barão  Geraldo.  o acompanhamento de usuário com problemas de abuso do álcool e outras drogas se dava em  conjunto  com  os  demais  usuários  portadores  de  transtorno  mental. construído e protagonizado também pelos próprios usuários.  programa  de rádio.31%  da população do Estado). Em 2000.000 habitantes. distribuída por quatro distritos (Joaquim Egídio.  para  a  criação  de  uma  rádio  comunitária. recentemente. (Merhy e Amaral. lançado em 97. projetos estes que. Sousas.  iniciou­se  vários  projetos  de  comunicação. oferecendo 10 leitos de internação e 10 leitos noite.  As  discussões culminaram  em  2001  na  criação  do  Núcleo  de  Atenção  aos  Dependentes  Químicos (NADEQ). para favorecer a elaboração e o desenvolvimento das estratégias terapêuticas mais adequadas a este conjunto de usuários.  com programação diária e oficina de inclusão digital.  e  Nova  Aparecida)  e  centenas  de  bairros.  retaguarda  e compartilhamento de projetos terapêuticos.

  Cândido  Ferreira  envolvendo:  26  Centros  de  Saúde  com  profissionais especialistas  em  Saúde  Mental. NADeQ e Núcleo Clínico).  Maternidade  de  Campinas  (demanda  referenciada).  auxiliares  de  consultório  dentário. O  sistema  de  Urgência  e  Emergência  do  SUS  em  Campinas  é  constituído  por: Hospital das Clínicas ­ UNICAMP (com demanda referenciada). formados por equipes de  referência  local  para  as  famílias  de  determinado  território. contam  com  profissionais  de  saúde  mental:  médicos  psiquiatras.S. planejam e programam suas ações contando com suporte e retaguarda de equipes técnicas distritais e centrais da Secretaria Municipal de Saúde. A Rede de Atenção à Saúde Mental de Campinas.  Integração. contam com equipes multiprofissionais envolvendo  médicos  nas  especialidades  básicas  (clínicos.das  equipes  distritais  e  representou  grande  passo  na  consolidação  da  gestão  plena  do sistema  no  Município. Hospital e Maternidade Celso  Pierro  ­  PUCCAMP.  e  os serviços  municipais:  Hospital  Municipal  “Dr.).  que  vem aprofundando a idéia de uma Sociedade sem Manicômios desde o começo dos anos 1990.  terapeutas ocupacionais. enfermeiros.  Serviços Residenciais Terapêuticos.  em  termos  de implantação  do  SUS. Esperança e Davi Capistrano) e oito Centros de Convivência. Campinas possui 50 Centros de Saúde (Unidades Básicas de Saúde) responsáveis pela atenção básica e que constroem mapas de recursos para a acessibilidade e barreiras.  Existem  5  Distritos  de  Saúde  em  Campinas:  Distrito  Norte. com  serviços  de  saúde  e  referência  que  supera  os  limites  do  pólo  regional.  gineco­obstetras).  Sul. Profissionais  de  apoio  completam  essas  equipes.  Estação.  Mario  Gatti”;  Hospital  Municipal  Ouro Verde;  Pronto  Atendimento  Anchieta;  Pronto  Atendimento  Campo  Grande;  Pronto Atendimento Centro; Pronto Atendimento São José e estrutura do SAMU municipal. é composta pelos serviços próprios municipais e pelos serviços em co­gestão com o Serviço de  Saúde  Dr. Os Centros de Saúde constituem  sedes para o PSF. Os Centros de Saúde (C.  Cerca  de  50%  das  equipes  dos  Cs.  Antonio  da  Costa Santos.  dois  CAPS  ad  (CRIAD  e  Independência).  dos  trabalhadores  de  saúde  e  da  Secretaria Municipal de Saúde. A  partir  dessas  informações  e  de  protocolos  assistenciais  pactuados  no  SUS  Campinas.  dentistas. Em Campinas o Modelo Paidéia em defesa da vida de atenção à saúde da família.  psicólogos. três Núcleos de Retaguarda (NAC. tem proposto  a  organização  das  unidades  básicas  (Centros  de  Saúde)  com  Equipes  de Referência (ER) compostas por profissionais responsáveis pelo cuidado de 1500 famílias . como foi descrito anteriormente. coloca­se  numa  posição  singular  e  desafiadora  para  estudos  desse  tipo. O fato de Campinas ser um município com grande capacidade tecnológica instalada.  auxiliares  de  enfermagem.  um  CAPS  i (CEVI). com  representantes  da  população  usuária. Noroeste e Sudoeste.  Casa  das  Oficinas  e  Projeto  Clube  dos  Sabores). Oficinas de Trabalho e  Geração  de  Renda  (NOT. Há os Conselhos Locais de Saúde. Leste.  buscando  garantir  as singularidades e possibilidades de intervenção no cuidado.  pediatras. um Centro de Atenção Integral à Saúde do Adolescente (CRAISA). seis Centros de Atenção  Psicossocial  III  (CAPS  III  Novo  Tempo.  S.  porque  exige  o  estabelecimento  de  mecanismos  formais  de pactuação e regulação para garantir o acesso e a continuidade do cuidado em saúde.

  quanto  como  negatividade  ao apontarem que mesmo em situações aparentemente tão ímpar em termos de ofertas. que em conjunto com a Coordenação da Saúde Mental compõem o Colegiado da Saúde Mental do município. ao se garantir em muitas situações  o  benefício  do  cuidado  necessário  e  pertinente. o campo da acessibilidade dos usuários  nas  redes  de  cuidado  e  o  desafio  de  se  construir  modos  de  cuidar  contínuos  e efetivos. Isso. (Cunha.  quanto  no  reconhecimento  da efetiva  consolidação  de  uma  ampla  rede  de  cuidado  em  saúde  organizada  em  torno  das principais  diretrizes  do  SUS. Os serviços de referência dessa área para as equipes do PSF. deve­se  tanto  ao  porte  e  a  multiplicidade  de  modalidades  tecnológicas.  Nessa  perspectiva  são  definidos  princípios  consonantes  com  o pretendido  pelo  SUS.  sem exclusividade  nesse  local.  se  necessário.  gestão  participativa.  diga­se  de  passagem.  Os  distritos  de  saúde  de  Campinas têm em sua organização.  controle  social. são inúmeras as situações vividas por usuários que podem apontar de que modo a acessibilidade se configura tanto como uma positividade. garante­se a especifidade da saúde mental. há a produção de barreiras efetivas ao acesso que se .Referência (ER) compostas por profissionais responsáveis pelo cuidado de 1500 famílias para  cada  equipe. resultado da discussão de uma equipe interdisciplinar.  acolhimento.  objetivando  garantir  que  as equipes das unidades básicas de saúde e unidades referenciadas vinculem­se aos pacientes e responsabilizem­se pelas ações desencadeadas no processo de assistência”.  clínica  ampliada.  que  foram produzidas  no  eixo  da  Reforma  Psiquiátrica  brasileira.  entretanto. Com isso. apoiadores matriciais que prestam suporte assistencial e técnico­ pedagógico. na saúde como um todo No  início  desse  texto  já  foi  apontado  um  leque  de  situações  vividas.  territorialização.  na  busca  incessante  de  um  modelo  de  atenção  integral  à saúde com eqüidade. 2008). segundo as perspectivas fundamentais da universalidade do cuidado.  como:  vínculo. para um sujeito individual ou coletivo. como: os CAPSIII . como já se apontou rapidamente.  2006)  é  um  conjunto  de  propostas  de  condutas  terapêuticas articuladas.  que  mostram  como  é  pertinente  tomar como foco de um estudo sobre o cuidado em saúde mental.  o  CRAISA  e  o  CEVI  trabalham  na  lógica  do  apoio  matricial  ­  “momentos relacionais  onde  se  estabelece  troca  de  saberes  entre  os  profissionais  de  diferentes serviços  de  atenção.os CAPS  ad. mesmo que não seja o único que se constituiu nesse país.  com  apoio  matricial.  visualizar  que  as  descrições  acima  posicionam  o  município  de Campinas como um dos laboratórios privilegiados para uma pesquisa dessa ordem. Cabe.  responsabilização. em quantidade e qualidade de cuidado.  adscrição  de clientela. O  PTS  (Oliveira.  Na  sua relação com a saúde mental é intensamente pautada a constituição do apoio matricial e a produção dos projetos terapêuticos singulares (PTS). com os chamados “apoiadores da mental”.  envolvidos  no  cuidado  dos  usuários. 2004) 3) As vantagens de se fazer uma pesquisa sobre acessibilidade e barreiras em saúde mental em um município que tem uma complexa rede de ofertas de cuidado. Dentre esses apoiadores. (PMC.

 Sem dúvida. o terror fantasmático que um usuário um pouco mais agressivo provoca em profissionais de saúde.  que  muitas  vezes  os  serviços  substitutivos. as barreiras e acessos ao cuidado e sua continuidade no campo da saúde mental. da rede básica. Como já foi apontado no começo. em uma grande cidade que tem oferta ampla de serviços substitutivos como Campinas .  24  hs. que não têm instalada. ali  no  encontro  em  ato. vivenciam situações muito traumáticas em termos de acesso a bons cuidados. pela sua condição de ser um cidadão que vive com sofrimento mental de modo intenso e muitas vezes com riscos de perda significativa da autonomia no seu viver.quantidade e qualidade de cuidado. em uma cidade com mais de 1 milhão de habitantes. há alguns deles que são bem analisadores para um projeto de investigação desse objeto.  não  conseguem  estar  o  tempo  todo  no  ar.  também. por exemplo.  que  provoca  um  desequilíbrio  significativo  na  construção  de modos de cuidar de forma cidadã e terapêutica. provocando certos deslocamentos desse mesmo usuário para a porta de outras redes de cuidado. Porém.  Explodem  aí  situações  muito ruidosas no campo da acessibilidade.  como  os CAPS. 2006­b) Há  que  reconhecer.  nas  positividades  e negatividades. II) Objetivos da pesquisa: Objetivo  Geral:  Mapear  e  analisar. no seu caminhar a vida no dia a dia. há a produção de barreiras efetivas ao acesso que se precisa.  em  uma  rede  substitutiva  de  grande multiplicidade de ofertas. os componentes responsáveis pelas barreiras de acesso ao cuidado.  necessárias  para  a produção  de  um  acolhimento  inclusivo  e  terapêutico. na cidade de Campinas 2. grande competência  em  operar  o  mundo  das  tecnologias  leves  em  ato. como os da Urgência e Emergência. faz com que salte a vista atitudes de discriminação quase de ordem molecular. como regra. através desses casos de alta complexidade.  mapear e analisar.  que  são  aqueles  que  nos  seus  modos  de  “andar  pela  rede  de  cuidado”  vão apontando  de  maneira  muito  ruidosa  as  dinâmicas  de  acesso. Esse grupo de usuários é constituído por um conjunto de pacientes muito comprometidos na sua autonomia. alguns desses usuários quando necessitam entrar para outras redes de cuidado não tipicamente da saúde mental.  mapear através de casos traçadores / analisadores de alta complexidade em termos de necessidade de cuidado em saúde mental.  dando  conta  de  uma  oferta  de acolhimento  aos  usuários  que  necessitam  de  uma  intensividade  de  cuidado  importante. As  ordens  dessas  situações  são  muito  variadas  e  vividas  de  modo  muito  singulares pelos  milhares  de  usuários  que  estão  vinculados  a  rede  de  saúde  mental  do  município. (Merhy. a rede de ofertas de serviços em sua conformação e conexão. Objetivos específicos: 1.

 seja algo rígido e geográfico. há um problema metodológico que deve ser enfrentado: fixar­se nos estabelecimentos de saúde  como  lugar  único  de  fonte  de  informação  e  dados  não  permite. os psicóticos graves.  buscam  formas  de  vínculos  aos  territórios  de  modo  muito  singulares. De .  como  a  de  Campinas.  (Lancetti. através desses casos de alta complexidade. Na realidade. como um todo.  que  vaza  o geográfico  e  vai  atrás  de  ofertas  que  lhe  pareçam  mais  adequadas.  situadas  em  outros espaços  materiais  que  não  seu  bairro  ou  seu  lugar  do  trabalho.  (Campos.  de  um  lado. E.  procura  estudar  a existência de barreiras e acessibilidades ao cuidado.  O  seu  usuário  é  um  “nômade”  pelas  redes  de  cuidado  e inclusive um forte protagonista de sua produção. mas não suficiente. há que reconhecer que só isso não dá conta. 2002) No campo do cuidado em Saúde Mental (Costa. no campo de cuidado em saúde mental.  dar visibilidade do próprio modo do cuidado ocorrer em toda sua complexidade. Poder andar com  eles  e  descobrir  essa  produção  de  novas  redes  de  conexões  para  um  olhar  sobre  a acessibilidade é chave. Vale também apontar que os usuários das redes de saúde.  por  si.3. 2007) essa segunda situação é uma característica  muito  marcante. que fogem aos lugares que os serviços de saúde instituem como lugares para eles. todas as estações de cuidado (Cecilio e Merhy.  mapear e analisar. inclusive da sua própria continuidade.  de  outro  lado. 2006) Desse  modo. os usuários dos estabelecimentos de saúde. não se portam como usuários exclusivos desses  locais  de  grande  territorialização.  construir elementos analisadores para o estudo das barreiras e acessos ao cuidado em saúde mental a partir da experiência de Campinas III) Metodologia da pesquisa: Há estudos no campo do cuidado em saúde que vêm problematizando a idéia de que território.  no  seu  caminhar  “nômade”.  quando  estamos  diante  de  um  projeto  de  pesquisa  que  em  uma complexa  rede  de  cuidado  em  saúde  mental.  desterritorializadas. 2003) são chaves como fonte base para isso ser revelado. Tomam. os componentes responsáveis pela construção da acessibilidade ao cuidado em saúde mental. como são. (Lancetti. por exemplo. Mas. há que se valorar as estações de cuidado como fonte para mapear algumas situações vividas por esses usuários que necessitam de cuidado mais complexo. em particular. em parte. na rede substitutiva de Campinas 4.  ele  em  si  mesmo  é  um  território.  em  geral. 2006) Com isso.  o  território  geográfico  socialmente  constituído  para  si  como referencial e assim o seu bairro e o que há de equipamentos institucionais são referências. Mas.  1997;  Merhy.  pois  são  “nômades”  no  sentido  de  que  são produtores de redes de conexões não previstas e conhecidas no mundo do cuidado. mesmo que fortemente vinculados a certas equipes de saúde.  subjetivo  e  cultural. pois é do conhecimento no campo do cuidado em saúde mental que esse usuário que tem um comportamento “tipo nômade” pelas redes de conexão de cuidado. não se serve só dos equipamentos de saúde e vai  produzindo  novas  redes. Nessa direção.

 Nos espelharemos nesse modo de investigar. instituições.  Assim. tiraremos proveito da metodologia vivenciada no campo da história social da cultura. Aqui.  também.  iremos nesse  estudo  associar  pesquisa  qualitativa. Essa escolha se fará utilizando como critério central ser um caso de alta complexidade para a rede de cuidado que traz como conseqüência o fato de ser  um  grande  utilizador  das  redes  em  oferta. Serão  dessas  equipes  as  fontes  iniciais  para  chegarmos  aos  “casos  traçadores”  que . diante da complexa rede do município. os psicóticos graves.  para  vencer  barreiras.  exige  cruzar  estratégias  de  investigação  múltiplas.  trabalhou  com alguns artistas­guia que lhe permitiram mapear lugares.  2004;  Merhy. iremos trabalhar com um eixo ordenador dos nossos materiais de campo e de informações que será o que denominamos nessa investigação de Usuário­Guia. pois o lado não institucionalizado é significativo.  que  parte  dos  encontros  que  os  usuários produzem  em  algumas  estações  de  cuidado. há que reconhecer que só isso não dá conta. em sua pesquisa sobre circo­teatro. junto com o que o campo da análise institucional também tem ofertado para  essas  investigações  com  a  construção  de  ferramentas  analisadoras  dos  encontros realizados.  na  busca  da  construção  de  uma  memória  não  institucional  sobre  o cuidado  produzido  como  forma  de  trazer  para  a  cena  do  estudo  muito  do  que  habita  a oralidade dos processos de cuidado.  2003)–  o  modo  como  designamos  nessa  pesquisa  a  idéia  de estabelecimentos de saúde.  na  saúde  mental.  nas  suas  estações  de  cuidado (Cecilio  e  Merhy. que tenham essa característica e  dentre  eles  serão  escolhidos  os  que  oferecerem  os  trajetos  mais  amplos  e  largos  para exporem o tema da acessibilidade no seu conjunto.  que  serão  fontes  de  dados  sobre  o  objeto  em  foco. O  Usuário­  Guia  tem  as  características  de  um  caso  traçador  do  cuidado institucionalizado e não institucionalizado. aqui.  que  vão  buscar  na construção  dos  fluxos  de  caminhares  novos  modos  de  obtenção  de  informações  e materiais para análises. 2007). 2002); bem como a metodologia utilizada pela História Social da Cultura na investigação vestigial e oral (Silva. para fora das redes formais.por exemplo.  nos  quais  será  possível  identificar  outros atores  com  quem  se  conecta. para  fora  do  próprio  sistema  de  saúde  e. Mas.  às  vezes. escolhido a partir do conjunto de usuários que tem  na  rede  de  cuidados  de  Campinas. Para isso.  Por  isso.  como  no  seu  nomadismo  vai  abrindo  novas  redes  de  cuidado  que  constrói. em particular. na construção da memória dos seus viveres circenses. pela historiadora Erminia Silva (2007).  nos  debruçaremos  sobre  vários usuários apontados pelas equipes das estações de cuidado.  vamos  construir  um  percurso  metodológico  que  traz  como  ferramenta  o que  já  vem  sendo  constituído  no  campo  da  saúde  no  âmbito  da  pesquisa  qualitativa (Minayo.  no  mundo  dos  próprios  estabelecimentos  de  saúde  (Lourau. Assim.  teremos  que associar  outras  estratégias  de  investigação  não  tão  tradicionais. 2005). De um outro lado no seu caminhar na construção de suas redes de conexões. Entretanto. que para  enfrentar  o  nomadismo  dos  artistas  circenses  e  do  próprio  circo. procurar estudar como foco barreiras e acessibilidade em uma complexa rede formal  de  cuidado. práticas e saberes. Por  isso.

 2003). 2007).  mapear  e  construir  uma  análise  a  partir  da  realidade observada/vivida.  a  implicação  do pesquisador/autor/cartógrafo. em ato. no que se refere à atenção em saúde mental.  olhando  para  a lógica do acolhimento inclusivo e da continuidade do cuidado no campo da saúde mental.  Eles  também utilizam  o  termo  mapa  para  descrever  linhas.  a  arte.  um  certo mapeamento.Serão  dessas  equipes  as  fontes  iniciais  para  chegarmos  aos  “casos  traçadores”  que melhores  nos  permitirão  mapear  e  analisar  em  uma  rede  substitutiva  de  grande multiplicidade  de  ofertas  essas  barreiras  e  a  acessibilidade  ao  cuidado.  no  campo  da  ciência  para  inaugurar  uma  nova  forma  de produzir  o  conhecimento. O  estudo  da  cartografia  surge  no  Brasil  em  1989.  no  qual  ela conceitua a cartografia como “a conformação do desejo no campo social”. da pragmática universal e como um novo paradigma ético­estético discutido por Gilles Deleuze e Félix Gattari (2000).  Aqui  misturaremos essas  possibilidades  ao  utilizarmos  de  ferramentas  como  o  Fluxograma  Analisador.  considerando  as  organizações  do  cuidado  em  saúde. pois com eles andaremos por lugares e percursos a conhecer. pelo desenho do tempo.  identidades. O rigor desta teoria está  na  coexistência  do  extensivo  (extrato. Alguns fundamentos para essa abordagem e percursos metodológicos Analisar  a  organização  dos  serviços  de  atenção  e  uma  rede  complexa  de  cuidado requer  a  utilização  de  um  método  que  possibilite  apreender  a  dinamicidade  e  a complexidade inerentes ao objeto investigado.  as  relações  e  o fluxo das várias estações de cuidado (Cecilio e Merhy. Esta  proposta  parte  da  vertente  filosófica  da  imanência  por  defender  um  pensar imanente que existe sempre em um dado objeto e é inseparável dele.  Gilles  Deleuze  e  Felix  Guattari  (2000)  captam  este  termo  e  o  desterritorializa dizendo  que  as  paisagens  sociais  são  cabíveis  de  serem  cartografadas.  território)  e  o  intensivo. os usuários­guia (Erminia Silva.  as Redes  de  Petição  e  Compromisso  e  as  informações  diretas  junto  aos  protagonistas  dos . Assim. pela vida que ali passa.  utilizar  de  estratégias  investigativas  que  se  aproximem  de  uma  construção cartográfica  como  método  de  investigação  é  pertinente  a  esta  pesquisa  visto  que  esta possibilitará  cartografar.  como  proposta  metodológica oriunda dos estudos da filosofia da diferença.  um  modo  que  envolve  a  criação. Tanto que na primeira fase desse estudo será feita  a  identificação  e  reconhecimento  dos  serviços  de  saúde  mental. Vantagens que se agregam aos caminhares metodológicos mais  clássicos  dos  estudos  consagrados  e  igualmente  fundamentais. partindo­se dos chamados casos traçadores / analisadores. A  cartografia  é  um  termo  oriundo  da  Geografia  e  registra  as  paisagens  que  se conformam segundo sua afetação pela natureza.  Mairesse  (2003) pondera que a cartografia participa e desencadeia um processo de desterritorialização – construção  espacial  subjetiva. tendo como expoente  inicial  da  discussão  sobre  a  cartografia  de  Suely  Rolnik  (1989).  subjetivações  da  paisagem social como se fosse um mapa geográfico.

Esta  opção  reforça  a  crença  de  que  o  conhecimento  não  é  algo  acabado. uma representação singular da realidade que é multidimensional e historicamente situada (Ludke e André.  gestores. também serão investigados os critérios utilizados para inclusão ou não dos usuários nos atendimentos demandados. mas com um olhar que vai atrás de acontecimentos que as vivências reais dos usuários­guia mostrarão. não havendo uma única que seja a mais verdadeira.  para explorar melhor  o  que  for  identificado  como  referente  ao  objeto  em  investigação:  bloqueios  e acessibilidade ao cuidado e sua continuidade. É fundamental que o pesquisador se mantenha aberto às novas descobertas que são feitas. em qualquer nível.  mas  uma construção que se faz e refaz constantemente e pressupõe que a realidade pode ser vista sob diferentes perspectivas.  inclusive utilizando  de  Grupos  Focais  com  trabalhadores. também. quando os limites entre o fenômeno e o contexto não são claramente definidos”.  2004  e  Merhy.  na  pesquisa  tipo  estudo  de  caso. Yin  (2001)  orienta­nos  que  o  estudo  de  caso  é  uma  ”investigação  empírica  de  um fenômeno contemporâneo dentro do seu contexto de vida real. roteiro de entrevista etc. Nessa linha.  a  noção  de  analisadores  (dos  institucionalistas) que  emergem  no  campo  de  investigação  e  fazem  referência  ao  objeto  em  estudo. Análise dos dados . A  pesquisa  será  apoiada  na  abordagem  qualitativa  utilizando­se.  Por exemplo. Além disso. como também se mantenha alerta aos novos elementos ou dimensões que poderão surgir ao longo da investigação.  do referencial de estudo de casos para apreensão da realidade de uma instância singular. Repetimos que isso não será olhado com indicadores a priori. estaremos utilizando a oferta teórica de trabalhos anteriores de Cecílio (1997)  e  de  Merhy  (2002;  2007)  na  construção  da  rede  de  cuidados  e  na  utilização  de instrumentos como o fluxograma analisador para a leitura crítico/analítica deste mesmo cuidado.  em  parte.  tomamos  como  um  possível  analisador  a  emergir.  o  pesquisador  deve apresentar os diferentes pontos de vista presentes numa situação social como. Para  caracterizar  a  participação  e  visão  dos  trabalhadores  será  desenvolvido instrumento de coleta de informações (questionário. E. em que o objeto estudado é tratado como único. por isso. sua opinião a respeito do tema em estudo. referentes as questões do bloqueio e acessibilidade.  usuários  e  familiares. especialmente.  Associamos. Lüdke e André  (1986)  assinalam  que. 1986). não aceitação dos responsáveis  familiares  por  uma  oferta  que  a  rede  está  fazendo;  e  assim  por  diante. conviverá com a oferta que  a  análise  institucional  (Lourau.) junto aos mesmos.  2002)  tem  feito  para  estudos qualitativos em instituições. que dará a abertura para  a  identificação  de  analisadores  vivenciados  em  ato  nos  processos  de  cuidado.  a  constatar  no  campo  de investigação.Redes  de  Petição  e  Compromisso  e  as  informações  diretas  junto  aos  protagonistas  dos processos  de  cuidado  em  todas  as  instâncias  que  o  usuário  guia  acessar. a ruptura da continuidade do cuidado por negação de prestação de serviços solicitado por uma estação de cuidado a outra e recusada; bem como.  como  já  indicado.

Análise dos dados O  tratamento  dos  dados  será  ancorado  na  análise  dos  discursos  obtidos  dos  dados cartografados. Segundo  essa  autora. entre o concreto e o abstrato. em seminário. o movimento será analítico no qual os dados empíricos serão contextualizados. criticados. A autora apresenta alguns passos para a operacionalização da técnica: ordenação dos dados: engloba a releitura do material e organização dos dados. com a finalidade de apreender as idéias centrais. A escolha por essa técnica permitirá revelar a realidade da atenção a saúde mental nos serviços do município. que serão articulados com os autores referenciados e com a experiência das pesquisadoras.  segundo Minayo (2004).  as  consistências  de  resultados  ao emergirem as categorias empíricas.  as  categorias  empíricas  apresentam  a  propriedade  de apreender as determinações e as especificidades que se expressam na realidade empírica construídas a partir dos elementos dados pelos atores sociais. A análise final será realizada confrontando­se os achados da análise interna com os . Essa articulação é orientada pelo objetivo do estudo. aos participantes do estudo e pessoas  com  interesse  no  tema  em  discussão.  Os  dados  obtidos  serão  organizados  de  forma  a  identificar  os  temas analisadores.  também. O material empírico será apresentado. possibilitando estabelecer as categorias empíricas do estudo. avaliações  de  programas. análise final: configura­se pela articulação entre o empírico e o teórico. buscando assim uma classificação inicial. Nesse processo. classificação dos dados: leitura exaustiva e repetida do material coletado. comparados e  triangulados:  inicialmente  faremos  uma  análise  interna  dos  dados  obtidos  e  em  um segundo momento a análise articulada e triangulada dos dados. busca os significados manifestos e latentes no material empírico. Um outro aspecto considerado por Minayo (2004) é que neste processo  podem  surgir  pistas  e  indicações  que  subsidiem  propostas  de  planejamento. 2004) A  análise  interna  dos  dados  empíricos  obtidos  por  meio  de  cada  instrumento  será realizada  a  partir  da  técnica  de  análise  de  conteúdo.  O  seminário  terá  como  propósito  a devolução dos resultados. Após a análise interna dos dados de cada instrumento segue­se a análise triangulada que  consiste  no  diálogo  dos  achados  por  meio  da  utilização  de  cada  instrumento permitindo  evidenciar  as  contradições  e.  modalidade  temática  que. entre o particular e o geral. a validação dos mesmos e a ampliação da análise.  buscando transformar o contexto estudado.  mudanças  institucionais  e  de  relacionamento. O  tratamento  e  análise  dos  dados  empíricos  constituirá  uma  etapa  importante  da pesquisa e permitirá a interpretação da realidade objetiva. (Minayo.

 possibilitando a sua interrogação do processo de trabalho existente no serviço e na rede de saúde.. 2002) com o objetivo de observar mais atentamente a micropolítica do trabalho em saúde na produção do cuidado de um usuário. Proporcionando uma análise mais específica das relações estabelecidas entre os trabalhadores e desses com o usuário; além da percepção das tecnologias utilizadas e os seus manejos. O roteiro de entrevista será estruturado tomando como referência alguns analisadores artificiais (Baremblit. 2. 1. 2004).  em  uma  escolha  pactuada com a equipe do estabelecimento de saúde em foco. Vale destacar que optou­se por essa ferramenta por ter sido demonstrado em diversas experiências (Merhy. visando ao concreto pensado” (Minayo. Teremos pelo menos 2 usuários­guia no mínimo de 4 estações de cuidado diferentes da rede típica da saúde mental. os problemas do processo de trabalho da . junto ao serviço em foco. 1992) definidos pelo grupo de pesquisa. realizar­se­a devolução para equipe das suas falas por meio do fluxograma. eficiência e eficácia).A análise final será realizada confrontando­se os achados da análise interna com os achados  apreendidos  na  análise  triangulada  e  estabelecendo  o  diálogo  com  os  autores consultados  e  a  experiência  e  conhecimento  das  pesquisadoras. tanto no plano institucional quanto nos territórios não previstos. A lógica de construção do caso traçador baseia­se na ferramenta fluxograma analisador (Merhy. por meio das suas falas reconstruir o caminho trilhado pelo usuário e seus momentos de interface com os outros atores. do gestor do serviço a equipe cuidadora. a partir da reconstituição de um caso. Considera­se o caso traçador como um método que permite avaliar o processo de trabalho de uma equipe de saúde. 1973). Após o processamento do material coletado. 2006; Franco e outros.  Construção dos casos traçadores a partir dos Usuários­guia. possibilitando uma melhor observação do ato de cuidar prestado ao usuário. 2002; Franco e Magalhães. conseqüentemente. Etapas necessárias para o trabalho de campo Mapeamento das experiências nas varias estações de cuidado para a identificação dos usuários­guia  e  a  conformação  do  grupo  de  pesquisadores  que  envolverá  membros  da equipe  de  pesquisadores  e  trabalhadores  do  próprio  serviço. por exemplo:arranjos e composição da equipe; articulação do cuidado com o sistema local de saúde; características do cuidador; a conformação do ato de cuidar; racionalidade (efetividade. Para isso é necessário conversar com os trabalhadores de saúde envolvidos na produção do caso e.  num  “verdadeiro movimento dialético. com a aplicação do “kit pesquisador”: composto por carta de apresentação; termos de consentimento livre e esclarecido ­ modelo para os profissionais de saúde e outro para os usuários e familiares; roteiro de entrevista para o conjunto dos atores implicados com o cuidado gerado. 2007) como um instrumento potente de construção de mapas de processos de trabalho de um serviço de saúde e a sua articulação com a rede. além de dar foco também para os apoiadores de saúde mental dos Distritos e a Coordenação Municipal de Saúde Mental. (Kessner et al.  Um trabalho de campo. também. o modelo de cuidado que é praticado por esse.

Fase  3:  Identificação  dos  analisadores  para  a  conformação  dos  Grupos  Focais. Fase 2: Construção dos casos traçadores e identificação dos seus pontos de conexão na  constituição  das  redes  de  cuidado. Fase  1:  Será  realizada  levantamento  bibliográfico  e  análise  documental  sobre  a atenção em saúde mental no Brasil e no mundo procurando­se identificar os padrões de organização.  As  entrevistas  e  verificação  in  loco  dos  casos traçadores serão gravadas em áudio.  como método. Construção dos critérios de escolha dos usuários­guia por estações de cuidado e das maneiras de processá­la junto as equipes. gestores e outras pessoas que de alguma forma estarão envolvidas com o objeto de investigação. respeitando­se os procedimentos éticos da pesquisa envolvendo  seres  humanos. Produção do Kit do Pesquisador e preparação das equipes de investigadores para o trabalho de campo. Discussão do material de campo produzido. Para  apreender  a  realidade  investigada  seguindo  as  orientações  da  cartografia.  Identificação  dos  atores  que  serão  objeto  de tratamento com os instrumentos de entrevistas. Fases da pesquisa A realização da pesquisa permitirá explorar fenômenos já conhecidos e com  muitas acumulações. . Realização dos Grupos Focais. definindo clusters e o tema da acessibilidade e barreiras. Identificação  da  composição  dos  Grupos  Focais  por  usuário­guia  trabalhado. por meio da sua flexibilidade. Isto significa que durante a fase  de  coleta  de  dados  os  pesquisadores  poderão. mas que ainda apresentam interfaces inexploradas do mundo  do  cuidado. Contemplar o quadro analítico com os novos elementos que emergirem através dessa fase. usuários. A construção da cartografia a partir do mapeamento e dos casos traçadores deverá considerar: profissionais.  definir  a pertinência  do  uso  de:  entrevistas  e/ou  observações.equipe. dos lugares não territorializados institucionalmente. as relações de poder e os processos decisórios.  como  também  a  busca  de informações  em  fontes  secundárias. o jogo de interesses.  com  discussão  sobre  os  objetivos  e  finalidades  do  estudo  e anuência no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 2). oferta de serviços e de interação com a rede de saúde. cuidadores. Como produto desta etapa espera­se a análise da intensidade . O caso traçador. Realização das entrevistas.  a  partir  do  encontrado. que procurará incluir uma composição ampla através da presença de atores que venham também.  e  da  abordagem  qualitativa  é  pertinente  a  descrição  das  seguintes  fases  que nortearão a construção da investigação. além de outras estações de cuidado. possibilitará cartografar os serviços de atenção em saúde mental e para isso não será necessário definir à priori quais as técnicas de coleta. Conformação dos operadores dos Grupos Focais. Com o que se construirá os grupos de analisadores a serem trabalhados nos encontros proporcionados pelos grupos focais mistos. Construção do quadro analítico.

 representantes da gestão municipal de saúde e convidados estratégicos. na cidade de Campinas; mapeamento e sistematização dos componentes responsáveis pelas barreiras de acesso ao cuidado. A coleta de dados será precedida de contato com os gestores dos serviços.  sendo  que  os  dados  só  serão  coletados  após  o  consentimento  e  a  assinatura  do Termo.  O  projeto  será submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro. a partir dos resultados gerados das  aproximações  das  etapas  anteriores  e  a  formulação  de  novos  questionamentos  e novos projetos de investigação. Aspectos éticos da pesquisa A solicitação de autorização para a realização da pesquisa será feita por meio de carta aos  gestores/coordenadores  dos  serviços  em  cada  uma  das  instituições.  O  Seminário  tem  como  objetivo  difundir  os  resultados  do  trabalho  e fomentar discussão ampliada sobre o tema. na rede de cuidado em saúde mental; mapeamento e sistematização dos componentes responsáveis pelas acessibilidade de acesso ao cuidado.fase. Todas as etapas deste projeto estarão em concordância com a Resolução 196/96 do Ministério da Saúde que regulamenta a pesquisa envolvendo seres humanos. Fase  4: Produção do Relatório Final e preparação de material para a realização do seminário de discussão com a participação de representantes dos serviços analisados na pesquisa. é um momento de sistematização de novas questões que amplia o universo inicial da pesquisa. o grupo de pesquisa. IV) Resultados esperados mapeamento da rede de ofertas de serviços cuidadores em saúde mental. na cidade de Campinas. solicitando a  participação  na  pesquisa. Ademais. na cidade de Campinas.  Aos  entrevistados. na rede de cuidado em saúde mental; construção e sistematização dos elementos analisadores para o estudo das barreiras e acessos ao cuidado em saúde mental. V) Cronograma bimestre fase 1 fase 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 x x                         x x x x x                         x x       .  será  entregue  carta  individual  de apresentação do projeto de pesquisa e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ­ TCLE.

 2000. Hucitec. Baremblit. E outros. Acrescenta capítulo e artigos à Lei 8080 de 19 de setembro de 1990. . RJ: FIOCRUZ.F. E. Psiquiatria e reforma psiquiátrica. Curso de Especialização em Direito Sanitário. Repensando a Saúde. G. Centro Gráfico. regulamentando a assistência domiciliar no Sistema Único de Saúde. Amarante. In: Heloisa Marcolino. F. Cecílio. Rio de Janeiro. uma possibilidade a ser explorada. Campos. 2001. Brasília: Senado Federal. G. E. RJ: FIOCRUZ.C. Cecílio. L. Campinas e Santos.fase 3 fase 4               x x                         x x x VI) Bibliografia Acessibilidade em debate no Conselho Nacional de Saúde Acurcio. A integralidade do cuidado como eixo da gestão hospitalar. Lei 10424 de 15 de abril de 2002. – O modelo assistencial em saúde mental no Brasil: a trajetória da construção política de 1990 a 2004; Cadernos de Saúde Pública; v. São Paulo.H. C. Brasília (DF): Diário Oficial da União;16 abr 2002. Hucitec.C. e Merhy. Borges. 1995. 1994. alienados e alienistas: uma pequena história da psiquiatria no Brasil.O.; 2008.E. Asilos.G. Clínica ampliada. T. 1. Costa.F. Modelos tecno­assistenciais em saúde: da pirâmide ao círculo. A.C. J. C. 1998. RJ: Garamond. Campos. – Direito. v. Projeto MultiplicaSUS: (Re)Descobrindo o SUS que temos para construirmos o SUS que queremos. P.B. 2005. Constituição da República Federativa do Brasil. P. que dispõe sobre as condições de promoção. Belo Horizonte. São Paulo.W. Unicamp.F. Fundação Felix Guattari. 2000. P. BRASIL.W. Evolução histórica das políticas de saúde no Brasil. Departamento de Saúde Coletiva. equipe de referência e projeto terapêutico singular – Ministério da Saúde ­ Secretaria de Atenção à Saúde Núcleo Técnico da Política Nacional de Humanização ­ 2007 BRASIL. BRASIL.2; Rio de Janeiro; fev. – História da Psiquiatria no Brasil. E Torres. Ministério Público. Amarante. Campos. O SUS em Belo Horizonte.C. a organização e funcionamento de serviços correspondentes e dá outras providências.; Baptista. 25.). Brasília: Ministério da Saúde. Cad Saúde Pública 1997; 13(3):469­78.S. F. Módulo de Saúde Mental. A constituição de novas práticas no campo da atenção psicossocial: análise de dois projetos pioneiros na Reforma Psiquiátrica no Brasil Saúde em Debate. Tese de doutorado: Faculdade de Ciências Médicas. 1 ed. 1992. 2003. 1994. Um método para análise e co­gestão de coletivos. L. Saúde Mental e Reforma Psiquiátrica. O Modelo da Reforma Psiquiátrica Brasileira e as Modelagens de São Paulo. A.S. Lappis.F. Loucos pela vida: a trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil. Costa. Lemos. 2001. G. proteção e recuperação da saúde. Compêndio de Análise Institucional. São Paulo. Reforma da Reforma. 1988. Campos. (Org. in Sentidos da integralidade. Amarante. 1988.W. 2007.O.24; n.

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