UNIVESIDADE DE SÃO PAULO

FFLCH – FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
Resenha Final - História da América Independente II - Noturno
Prof. Julio Pimentel

Thiago Del Ciello - Número USP 7618547

RESENHA DO CONTO "TEXTO EM UMA CADERNETA",
DA

OBRA

ORIENTAÇÃO

DOS

GATOS,

DE

JULIO

CORTÁZAR

O conto de Julio Cortázar, contido na sua obra "A Orientação dos
Gatos", narra inicialmente uma contagem de passageiros da rede
subterrânea de Metrô Anglo, em Buenos Aires, por volta de 1940,
realizada em uma semana específica. Curiosamente, no decorrer
dessa semana, quarta-feira é registrado a aparente "sumiço" de
quatro pessoas, que entraram e não saíram da rede subterrânea; e na
sexta-feira, uma pessoa a mais a deixou.
Essa introdução dá o tom da narrativa, em meio a mistério,
medo, que notadamente mexem sobremaneira com o lado psíquico
de quem o narra, sobretudo quando passa a observar passageiros
com ar de dúvida, às vezes suscitando questões sobrenaturais,
reflexões sobre o fenômeno, mas que está decidido de início a
investigar o que possa ter acontecido, sem pensar em um simples
erro de cálculo. Então, concluímos que o autor trabalha sobre dois
mundos, ou dois aspectos de mundo, um destinado às perspectivas
do leitor, e outro, o do imaginário do narrador. Ou mais, em meio a
descrições genéricas de pessoas comuns que estavam ali, mas não
pertenciam a nenhum desses dois mundos. Não se pode dizer que os
fatos intrigantes que o narrador colocar sobre quem lê tem a intenção

Roupas. Rio de Janeiro. mas talvez jogar com suas próprias perspectivas de existencialismo e de observação. "Segue a isso um período confuso onde de misturam o crescente desejo de investigar suspeitas.de desestabilizá-los. . "um garoto lendo a revista o vermelho e o negro". as calças. misturando-se passageiros de todos os tipos sociais. O que pode estar em pauta é a comum rotina de um transporte público utilizado por milhares de pessoas de maneira tão automática. com pontos de parada como Lima. Esses aspectos todos criam no imaginário do leitor cenas do cotidiano de uma rede se pensadas como determinar as pessoas que sumiram. subjetivando em auto transtorno psicológico com o mistério nos erros de contagem. Fato é que relata ter preferido andar de bonde. roupas. expressões. e que possivelmente esses convivem com as outras pessoas "normais" que andam no trem. as anáguas se desgastam. O narrador então relata descida no metrô sem pensar em casualidades e questiona o porquê de não se fazer contagens de outros públicos. as saias. que aliás. Estações. que me aproximou de Montesano e suas lembranças". simples estações da Rede subterrânea Anglo que percorre Buenos Aires. Peru.. Segue-se uma narrativa descritiva de movimentos. parecem também ganhar um destaque: ". "o primeiro carro destinado a crianças e senhoras" . em vez de passar a usar a linda. ao leitor leigo. Pouco se estragam as jaquetas e as blusas. como "a cara enjaulada dos condutores (dos trens) que passavam". ou a que saiu a mais. O autor estabelece o contraste de roupas entre funcionários (que as trocam com frequência) e pessoas comuns que trafegam pela rede. um jantar no El Pescadito. transformada em um ambiente que então requer uma análise social da coisa. e ainda não ter reflexão sobre o número de quatro passageiros a menos. mais lento e precário. Cabe lembrar que o percurso do trem de desdobra entre o que se pode imaginar que o trem percorre países da América do Sul.. funcionários hierarquizados. mas depois de algum tempo devem ser trocadas por questões de segurança".

Orientação dos gatos [Queremos tanto a Glenda]. é quando diz a Montesano. p. Por hora. a indiferença dos passageiros que andam amontoados nos trens. e a palidez daqueles que o olhavam diferente. a falta de medidas de Montesano. 39-56 . sem relatar exatamente o que. mas receoso de uma desconfiança ou que o próprio pudesse o acusar de "complicar sua vida com fantasias talvez paranoicas". o que deveria fazer é desvendar aquilo que só ele pode ver. “Texto em uma caderneta. Referência Julio Cortázar. “alguém que anda pelas plataformas e ninguém percebe”. 1981.Um momento um tanto ilustrativo da questão do psicológico. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. aquelas pessoas que supostamente desapareceram. como a vendedora da confeitaria que o fez fugir da estação e ter a certeza de que ali não poderia mais voltar. O fim do conto retoma a proposta.