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UNIDADE I

SEÇÃO 1.3:

O QUE É FILOSOFIA?

Filosofia é considerada uma atividade em que as pessoas buscam saber, ela se

estabelece em perguntas, tais como: – O que é? – Logo em decorrência dessa pergunta

surgem perguntas como: – Quando é? – Onde é? – Como é? – Por que é? – Para que é?

– Para quem é?

Quem quer saber?

Esta pergunta traz consigo o significado do querer, esta pode ser descrita como

algo que se busca ter no futuro e não se possui no presente. Querer traz consigo a busca

de algo, traz consigo a mudança, ou seja, sair da situação em que se encontra e andar na

direção de algum tempo e de algum lugar, para a conquista de um desejo, incorporando

em sua trajetória caminhos novos, que ainda não foram desbravados. O querer envolve

sentimento, como amor, carinho, paixão, pois traz o impulso da busca do que se quer.

A palavra filosofia se origina da palavra filos do grego, o significado dessa palavra

expressa exatamente isso, ser amante, amigo, querer mudar a si e as circunstâncias, na

busca consciente de um caminho pro futuro em que se acredita ser melhor que o

presente.

Mas ser amador traz consigo a imperfeição, mas também a vontade de melhorar,

buscar movimentar-se com a consciência de que de na trajetória da busca por algo o

caminho possui dificuldades e também, a possibilidade de se cometer erros, ou seja, ser

um ser amador

significa que se sabe que se está no meio do caminho e, no caso da

Filosofia, esse caminho define se como o saber.

Quem quer saber?

O saber traz consigo diversas perguntas para o seu significado, como: o que é o

saber? É um estado de coisas? Há um saber supremo a alcançar, além do qual não há

mais saber? Há um saber absoluto a ser conquistado que daria condições de não saber

mais adiante? O supremo saber seria, então, não mais saber? – para a filosofia não existe

uma sabedoria absoluta, j[a que esta não se define pela rigidez de um caminho que se

finda. O saber para à Filosofia é o próprio saber de construir um caminho, com todas as

dificuldades em que se e impostas para a construção deste.

O querer e o saber estão irremediavelmente ligados, aliás como na palavra

Filosofia se encontra irremediavelmente ligada a palavra sabedoria, pois quando se para

de querer saber, não se sabe mais nada, findando este caminho.

Para Pitágoras, quando foi perguntado sobre o que achava de si próprio sobre ser

um sábio, respondeu: “Sou um amante do saber (Philosophos)”. O filósofo se define como

um amante do saber; alguém que quer saber, e não um sábio. Já para Bertrand Russel a

filosofia define-se assim: “A filosofia origina-se de uma tentativa obstinada de atingir o

conhecimento real. Aquilo que passa por conhecimento, na vida comum, padece de três

defeitos: é convencido, incerto, e em si mesmo contraditório. O primeiro passo rumo à

filosofia consiste em nos tornarmos conscientes de tais defeitos, não a fim de repousar,

satisfeitos, no ceticismo indolente, mas para substituí-lo por uma aperfeiçoada espécie de

conhecimento que será experimental, preciso e autoconsciente. Naturalmente desejamos

atribuir outra qualidade ao nosso conhecimento: a compreensão. Desejamos que a área

do nosso conhecimento seja a mais ampla possível”. Logo chegamos a concluir que a

Filosofia é a atividade de quem quer saber.

Quem quer saber?

Quem este define-se como um sujeito que busca o querer e o saber: estas trés

palavras estão ligadas pois uma não existe sem a outra, pois seus significados estão

extremamente ligados.

Quem se define pela procura, este indica a direção do movimento e do querer: é

quem quer saber, isto é, o filósofo, cuja atividade de querer e de saber é Filosofia.

Filosofia, se define pelo querer saber de alguém: Quando? Onde? Por quê? Para quê? A

atividade do querer e do saber, é Filosofia, e é ao mesmo tempo, a transformação

consciente do mundo, da vida e da sociedade, pois querendo e sabendo a Filosofia

transparece no agir ao construir nova direção inscrevendo novo sentido no mundo.

Karel Kosik diz: “Neste sentido, a realidade humana não é apenas a produção do

novo, mas também reprodução (crítica e dialética) do passado”,e também, “A filosofia

materialista sustenta que o homem, sobre o fundamento da práxis e na práxis como

processo ontocriativo, cria também a capacidade de penetrar historicamente por trás de

si, e, por conseguinte, de estar aberto para o ser em geral”

A procura do saber que define o filósofo e a busca por visibilidade da totalidade do

mundo e da sua existência. Desta forma a pergunta filosófica constantemente tematiza o

que já existe, e e dado como o ser de algo, buscando a mudança constante. Filosofia

como amor ao saber efetua-se no pressuposto da reflexão racional, na confiança na

racionalidade e também na desconfiança de qualquer processualidade reveladora extra

racional.

Quem quer saber?

Quem quer saber se define como o filósofo. E quem não quer saber, o que seria?

Para Heráclito de Éfeso: “Os asnos prefeririam a palha ao ouro”. Ou seja, o asno

sucumbe

ante

a

pura

necessidade

intestina,

a

segurança

do

condicionamento

inconsciente e a busca do convencional, do normal e do fixamente instituído como

significado: “O asno sempre foi, é, e será asno, pois todo o asno é rotineiro, costumeiro

puxador de carroça. Acostumado, o asno sente-se vivo, existindo ao puxar a carroça

instituída.

E,

no

fim

da vida, moído a pancada, rejeitado e consumido, sente-se

condenado e expulso da vida, instituída a carroça. E pensa, então, como carroça

instituída: - Que vida, que sorte, a carroça é a vida e eu, longe dela, a morte - Sem

perceber que a carroça é o asno, e que o asno é a carroça, que a carroça que é vida é o

asno instituído.”

Quem quer saber?

Quem é qualquer um que queira saber. Logo quem quer saber, é qualquer um, que

tem o desejo da busca do conhecimento do novo, de aprender sempre, não se

satisfazendo somente com a realidade em que vive, este ser, se define como um filosofo,

que busca sempre o saber.

O que é Filosofia?

Filosofia busca a razão, expressa-se na busca da compreensão da totalidade do

diverso percebido. Pode também ser dito que a Filosofia expressa-se como atividade

especulativa, que busca sempre o novo para a vida, expressando-se como atividade do

saber, em busca de uma possível visibilidade do todo pressuposto, também expressando-

se na atividade da busca da compreensão da produção cultural humana.

A

Filosofia

vem

expressando-se

como

uma

atividade

interlocutora

do

conhecimento, para a população humana. A Filosofia expressa-se como atividade que

busca o novo, além do racional, desbravando horizontes para o conhecimento.